História da Arte de Escrever

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História da Arte de Escrever
História da Arte de Escrever
Muito cedo o cérebro do ser humano necessitava deixar gravadas suas percepções da vida
cotidiana e assim nasceu o primeiro momento um testemunho gravado em cavernas e abrigos em
suas paredes e tetos rochosos, ou também em superfícies rochosas ao ar livre, mas em lugares
protegidos que datam de 40.000 a.C e assim nossos cientistas denominaram de pintura rupestre ou
gravura rupestre. Trocavam mensagens, passavam idéias e transmitiam desejos e necessidades.
Porém, ainda não era um tipo de escrita, pois não havia organização, nem mesmo padronização das
representações gráficas.
O ser humano pré-histórico já tinha lugar para a Arte e o espírito de conservação daquilo
de que necessitava. Estudos arqueológicos demonstram a conservação de cerâmicas, armas e
utensílios trabalhados na pedra, nos ossos dos animais que abatiam e no metal.
Na antiga Mesopotâmia a escrita foi elaborada e criada. Já por volta de 4.000 a.C, os
Sumérios elaboraram e desenvolveram a escrita cuneiforme. Tal escrita era cunhada em placas de
barro. As placas de argila muito contribuíram para conhecermos os registros cotidianos,
administrativos, econômicos e políticos da época.
Os egípcios antigos também desenvolveram a escrita quase na mesma época que os
Sumérios. Existiam duas formas de escrita no Antigo Egito: a demótica (mais simplificada) e a
hieroglífica (mais complexa e formada por desenhos e símbolos). As paredes internas das pirâmides
eram repletas de textos que falavam sobre a vida dos faraós, rezas e mensagens para espantar
possíveis saqueadores. Uma espécie de papel chamada papiro, que era produzida a partir de uma
planta de mesmo nome, também era utilizado para escrever.
Na Roma Antiga, o alfabeto romano havia somente letras maiusculas. Contudo, na
época em que estas começaram a ser escritas nos pergaminhos, com auxílio de hastes de
bambu ou penas de patos e outras aves, ocorreu uma modificação em sua forma original e,
posteriormente, criou-se um novo estilo de escrita denominado uncial.O novo estilo resistiu até
o século VIII d.c. e foi utilizado na escritura de Bíblias escritas.
Na Alta Idade Média, no século VIII d.c., Alcuíno, um monge inglês, elaborou outro estilo
de alfabeto atendendo ao pedido do imperador Carlos Magno. Contudo, este novo estilo também
possuía letras maiúsculas e minúsculas.
Os mais antigos documentos que sobreviveram são rótulos (em potes de alimentos), listas
de plantas, animais, deuses e reis. A escrita monumental com o nome de um soberano - como nas
enormes lajes de pedra da América Central - indicava seu status e realçava seu poder. Em geral, a
escrita e a sua interpretação ficavam restritas as camadas sociais dominantes: aos sacerdotes e à
nobreza.
Uma das principais consequências do surgimento das cidades e dos Estados foi a escrita,
criada por volta de 3200 a.C. Vários são os factores que explicam o nascimento da escrita:
- A necessidade de contabilizar os produtos comercializados, os impostos arrecadados e os
funcionários do Estado;
- O levantamento da estrutura das obras, que exigira a criação de um sistema de sinais
numéricos, para a realização dos cálculos geométricos. Com a escrita, o ser humano criou uma
forma de registrar suas idéias e de se comunicar. A linguagem escrita é especial porque permite que
a vida que levamos hoje seja conhecida pelas gerações que virão depois de nós.
Com o passar do tempo, esta forma de escrita também passou por modificações, tornandose complexa para leitura. Contudo, no século XV, alguns eruditos italianos, incomodados com este
estilo complexo, criaram um novo estilo de escrita.
No ano de 1522, um outro italiano, chamado Lodovico Arrighi, foi o responsável pela
publicação do primeiro caderno de caligrafia. Foi ele quem deu origem ao estilo que hoje
denominamos itálico.
Com o passar do tempo outros cadernos também foram impressos, tendo seus tipos
gravados em chapas de cobre (calcografia). Foi deste processo que se originou a designação de
escrita calcográfica.
A escrita alfabética foi difundida com a criação do alfabeto fenício, constituído por vinte e
dois signos que permitiam escrever qualquer palavra. Adotado pelos gregos, esse alfabeto foi
aperfeiçoado e ampliado passando a ser compostas por vinte e quatro letras, divididas em vogais e
consoantes. A partir do alfabeto grego surgiram outros, como o gótico, o etrusco e, finalmente o
latino, que com a expansão do Império Romano e o domínio do mundo ocidental, se impôs em
todas as suas colônias.
A cópia de manuscritos, nos monastérios da Idade Média, estava incluída entre os
principais deveres dos monges, denominados de copistas, pois era considerado um exercício
espiritual, utilizado para aprimorar suas virtudes e realçar seus merecimentos sobrenaturais.
Durante a Idade Média o livro era praticamente uma exclusividade da Igreja, todas as
grandes abadias possuíam um scriptorium, onde eram confeccionados os manuscritos, desde a
preparação do pergaminho até às ilustrações, que tinham fundamental importância, tanto como
elemento decorativo como para representar graficamente os textos.
Nesse período o rolo foi substituído pelo códex, antepassado medieval do livro atual, feito
com texto manuscrito em folhas encartadas, dobradas e costuradas, formando uma espécie de
caderno. Esses livros eram confeccionados como verdadeiras obras de arte, as encadernações, assim
como as ilustrações, eram executadas por artistas com a utilização de placas de marfim, cobre, prata
e ouro maciço com incrustações de pedras preciosas. O formato luxuoso manteve-se por toda a
Idade Média, principalmente durante a Renascença Carolíngia ou o Império Otoniano.
As técnicas de impressão foram desenvolvidas inicialmente na China, no século VIII,
entretanto só passaram a ser utilizadas na Europa, por volta do ano de 1430, quando Coster, na
Holanda, iniciou a impressão de livros com a utilização de caracteres móveis de madeira, razão pela
qual é considerado por muitos como o pai da imprensa.
O crédito da invenção da imprensa, no entanto, foi dado a Gutenberg, alemão, que
substituiu as pranchas xilográficas por caracteres móveis de madeira, depois pelo cobre e,
finalmente, pelo aço. Criou um processo que consistia em cunhar as letras em matrizes de cobre,
com um punção de aço com letras gravadas em relevo, gerando uma espécie de molde de letras, que
eram finalmente montadas em uma base de chumbo, tintadas e prensadas. Assim, Gutenberg
produziu a primeira Bíblia, impressa em latim, com uma tiragem de cerca de 300 exemplares.
No Brasil o primeiro a realizar uma escrita detalhada sobre o litoral do país e sobre os
costumes cotidianos dos nativos foi Pero Vaz de Caminha.
No Brasil Colônia os Escrivães sempre presentes anotavam o que se relacionava a
economia e a política, lavrando documentos na escrita manual para satisfazer a metrópole Portugal.
No Brasil Império os Escrivães estavam a serviço do Império acompanhando
administradores dos cofres imperiais.
No Brasil República os Escrivães preparavam documentos para a gestão do Estado e com a
ruptura com a Igreja Católica ficou ainda mais evidente a necessidade do Escrivão em cartórios de
Casamento; em Delegacias; Hospitais e outras entidades políticas administrativas.
Enfim, os Escrivães desde as cavernas e com os Escribas Egipícios sempre transcreveram a
história e remeteram as experiências e aprendizados para as gerações futuras.
Na Polícia Civil do Estado do Pará não é diferente desde quando surgiu a Intendência
Geral de Polícia da Corte e do Estado do Brasil, que foi o órgão instituído em 1808 para
implantar e dirigir a nova estrutura de polícia e segurança pública da Corte do Rio de janeiro e de
todo o território brasileiro, criada por Dom João VI após a chegada da família real ao Brasil,
passando pela Guarda Civil no Estado do Pará e após a ruptura com o advento da Polícia Civil do
Estado, a figura do Escrivão sempre contribuiu e desde épocas como os sobreviventes da caverna,
escritores de sanscrito, escritas cuneiformes, hieróglifos, papiros, escritos em argila é que a figura
do Escrivão permanece e pelo jeito vai permanecer para escrever a História e transcender o tempo.
Reinaldo Barros
Escrivão de Polícia Civil