figuras de linguagem

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figuras de linguagem
03/10/2012
FIGURAS DE LINGUAGEM
Figuras de linguagem, também chamadas de
figuras de estilo, são recursos especiais de
que vale quem fala ou escreve, para
comunicar à expressão mais força e colorido,
intensidade e beleza.
O estudo das figuras de linguagem faz parte
da estilística.
Assonância
Repetição dos mesmos sons vocálicos.
Ex: (A, O) - "Sou um mulato nato no sentido
lato mulato democrático do litoral."
(Caetano Veloso)
(E, O) - "O que o vago e incógnito desejo de
ser eu mesmo de meu ser me deu."
(Fernando Pessoa)
Figuras sonoras/fonéticas
Aliteração
Repetição de sons consonantais (consoantes).
Cruz e Souza é o melhor exemplo deste recurso. Uma
das características marcantes do Simbolismo,
assim como a sinestesia.
Ex:
"(...) Vozes veladas, veludosas vozes, / Volúpias
dos violões, vozes veladas / Vagam nos velhos
vórtices velozes / Dos ventos, vivas, vãs,
vulcanizadas."
(fragmento de Violões que choram. Cruz e Souza)
ONOMATOPEIA
Criação de uma palavra para imitar um
som.
"Havia uma velhinha / Que andava
aborrecida / Pois dava a sua vida / Para
falar com alguém. / E estava sempre em
casa / A boa velhinha, / Resmungando
sozinha:
/
Nhem-nhem-nhem-nhemnhem..."
(Cecília Meireles)
PARANOMÁSIA
Quando numa mesma sentença temos o emprego de palavras
parônimas, ou seja, palavras de sons parecidos, dizemos que ocorreu aí a
paranomásia, figura de linguagem que consiste no emprego de palavras
parecidas, numa mesma sentença, gerando uma espécie de trocadilho.
Neologismo”
“Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana.
Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.
Intransitivo:
Teadoro, Teodora”
“Com tais premissas ele sem dúvida leva-nos às primícias”
(Padre Antonio Vieira)
Premissas - antecedentes
Primícias - primeiros frutos (simbolicamente, algo muito bom)
Figuras de sintaxe/construção
ELIPSE
Omissão de um termo ou expressão facilmente subentendida. Casos
mais comuns:
a) pronome sujeito, gerando sujeito oculto ou implícito: iremos depois,
compraríeis a casa?
b) substantivo - a catedral, no lugar de a igreja catedral; Maracanã, no
ligar de o estádio Maracanã
c) preposição - estar bêbado, a camisa rota, as calças rasgadas, no
lugar de: estar bêbado, com a camisa rota, com as calças rasgadas.
d) conjunção - espero você me entenda, no lugar de: espero que você
me entenda.
e) verbo - queria mais ao filho que à filha, no lugar de: queria mais o
filho que queria à filha. Em especial o verbo dizer em diálogos - E o
rapaz: - Não sei de nada!, em vez de E o rapaz disse: Não sei de nada!
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ZEUGMA
Omissão (elipse) de um termo que já apareceu
antes. Se for verbo, pode necessitar adaptações de
número e pessoa verbais. Utilizada, sobretudo, nas or.
comparativas. Ex: Alguns estudam, outros não, por:
alguns estudam, outros não estudam.
"O meu pai era paulista / Meu avô, pernambucano / O
meu bisavô, mineiro / Meu tataravô, baiano.“ omissão de era
Hipérbato/Inversão
Alteração ou inversão da ordem direta dos
termos na oração, ou das orações no
período. São determinadas por ênfase e
podem até gerar anacolutos.
Ex: Morreu o presidente, por: O presidente
morreu.
(Chico Buarque)
Pleonasmo
Repetição de um termo já expresso, com objetivo
de enfatizar a idéia.
Ex: "E rir meu riso e derramar meu pranto / Ao seu
pesar ou seu contentamento."
(Vinicius de Moraes)
- Obs.: pleonasmo vicioso ou grosseiro (Vício de
linguagem) - decorre da ignorância, perdendo o
caráter enfático (hemorragia de sangue, descer
para baixo)
ANACOLUTO
Emprego de um termo solto (ou expressão) a que se faz na
frase alguma referência. Abandono da construção gramatical
utilizada numa frase ou verso para se adoptar outra construção.
Verifica-se, por exemplo, quando uma oração que parece ser a
principal fica em suspenso pelo aparecimento de outra oração que
a faz seguir noutro sentido. Os anacolutos são frequentes na
oralidade, uma vez que o carácter imediato e não planificado da fala
espontânea conduz a reorientações sintáticas nas construções
frásicas.
"Tua mãe, não há idade nem desgraça que lhe amolgue a índole
rancorosa.“
Camilo Castelo Branco
“As pernas parecia que tinham desaprendido de andar.”
Assíndeto
Ausência de conectivos de ligação, assim atribui maior
rapidez ao texto. Ocorre muito nas orações coordenadas.
Ex: "Não sopra o vento; não gemem as vagas; não
murmuram os rios."
Polissíndeto
Repetição de conectivos na ligação entre elementos da
frase ou do período.
O menino resmunga, e chora, e esperneia, e grita, e
maltrata. "E sob as ondas ritmadas / e sob as nuvens e os
ventos / e sob as pontes e sob o sarcasmo / e sob a
gosma e o vômito
(...)
(Carlos Drummond de Andrade)
ANÁFORA
Consiste na repetição de uma palavra ou expressão para reforçar o
sentido, contribuindo para uma maior expressividade.
Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.
Manuel Bandeira
“Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres
Que ninguém mais merece tanto amor e amizade
Que ninguém mais deseja tanta poesia e sinceridade
Que ninguém mais precisa tanto da alegria e serenidade”.
Vinícius de Morais
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Anadiplose
Silepse
Consiste na repetição de uma palavra ou
expressão no fim de uma frase (ou verso) e no
começo de outra.
a) de gênero (masc x fem): São Paulo continua poluída
(= a cidade de São Paulo). V. Sª é lisonjeiro.
Só não roeu o imortal soluço que rebentava,
Que rebentava daquelas páginas
b) de número (sing x pl): Os Sertões contra a Guerra
de Canudos (= o livro de Euclides da Cunha). O
casal não veio, estavam ocupados.
c) de pessoa: Os brasileiros somos otimistas (3ª pes. os brasileiros, mas quem fala ou escreve também
participa do processo verbal)
Tu choraste em presença da morte
Em presença da morte choraste
Catacrese
FIGURAS DE PALAVRAS
Metáfora
Emprego de palavras fora do seu sentido normal,
por analogia. É um tipo de comparação implícita,
sem termo comparativo.
Ex:
A Amazônia é o pulmão do mundo.
Encontrei a chave do problema.
"Veja bem, nosso
entreaberta."
caso
/
É
É a concordância com a idéia, e não com a palavra
escrita. Existem três tipos:
uma
porta
Uso impróprio de uma palavra ou
expressão, por esquecimento ou na
ausência de termo específico.
Ex:
O pé da cadeira quebrou.
A boca do túnel estava interditada.
A asa da xícara quebrou.
(Luís Gonzaga Junior)
Metonímia/Sinédoque
Substituição de um nome por outro em virtude de haver
entre eles associação de significado.
Ex: Ler Jorge Amado (autor pela obra - livro) / Ir ao
barbeiro (o possuidor pelo possuído, ou vice-versa barbearia) / Bebi dois copos de leite (continente pelo
conteúdo - leite) / Ser o Cristo da turma. (indivíduo pela
classe - culpado) / Completou dez primaveras (parte pelo
todo - anos) / O brasileiro é malandro (sing. pelo plural brasileiros) / Brilham os cristais (matéria pela obra copos).
ANTONOMÁSIA / PERÍFRASE
Substituição de um nome de pessoa
ou lugar por outro ou por uma
expressão
que
facilmente
o
identifique. Fusão entre nome e seu
aposto.
Ex: O rei dos reis = Jesus Cristo, A
cidade luz = Paris, O rei das selvas =
o leão, Escritor Maldito = Lima
Barreto
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FIGURAS DE PENSAMENTO
Sinestesia
Interpenetração sensorial, fundindo-se dois
sentidos ou mais (olfato, visão, audição, gustação
e tato).
Ex.:
"Mais claro e fino do que as finas pratas / O
som da tua voz deliciava ... / Na dolência velada
das sonatas / Como um perfume a tudo
perfumava. / Era um som feito luz, eram volatas /
Em lânguida espiral que iluminava / Brancas
sonoridades de cascatas ... / Tanta harmonia
melancolizava."
(Cruz e Souza)
Antítese
Aproximação de termos ou frases que se
opõem pelo sentido.
Ex: "Neste momento todos os bares estão
repletos de mulheresvazias"
Nada com Deus é tudo.
Tudo sem Deus é nada.
PARADOXO/OXÍMORO
(do Grego, parádoksos = estranho, extraordinário) - é a
reunião de ideias contraditórias e aparentemente
inconciliáveis, num só pensamento, o que nos causa
uma determinada indignação ou estranheza.
Paga a escola particular mais cara, mas não assiste à
aula.
QUIASMO
(de Grego, Khiasmós = disposto em cruz) - Que por seu turno, deriva da letra
grega [X] qui. O quiasmo é uma espécie de antítese; também conhecido
como antimetábole. Consiste no cruzamento de grupos sintáticos paralelos
(dois ou quatro vocábulos), de forma que o grupo de vocábulos do primeiro
se repete no segundo em ordem inversa (AB x BA):
Melhor é merecê-los [a] sem os ter [b]
Que possuí-los [b] sem os merecer. [a] (Os Lusíadas, c IX, 93)
Com dois elementos:
Em vez de prestar atenção ao conteúdo da aula, fica
distraindo-se com o celular.
Essa é a sábia ignorância, a que Sócrates tanto se
referia.
Desfeito em cinzas,
Em lágrimas desfeito.
O quiasmo também pode ser encontrado na prosa:
“De certos homens, dizia Sócrates, que não comiam para viver, mas só
viviam para comer.“ (Pe. Antônio Vieira)
EUFEMISMO
APÓSTROFE
Consiste em interromper a narração para dirigir a palavra a
pessoas ausentes ou ao leitor. Sintaticamente, a apóstrofe
exerce a função de vocativo dentro de uma sentença. Veja
alguns casos:
“Tende piedade de mim, Senhor, de todas as mulheres
Que ninguém mais merece tanto amor e amizade”.
(Vinícius de Moraes)
“Não basta inda de Dor, ó Deus terrível!”
“Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal.”
(Fernando Pessoa)
Consiste
em
"suavizar"
alguma
ideia
desagradável
Ex: Ele enriqueceu por meios ilícitos. (roubou),
Você não foi feliz nos exames. (foi reprovado)
HIPÉRBOLE
Exagero de uma ideia com finalidade
expressiva
Ex: Estou morrendo de sede. (com muita sede),
Ela é louca pelos filhos. (gosta muito dos
filhos)
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IRONIA
Utilização de termo com sentido oposto ao
original, obtendo-se, assim, valor irônico.
Ex: O ministro foi sutil como uma jamanta.
GRADAÇÃO
Apresentação
de
ideias
em
progressão
ascendente (clímax) ou descendente (anticlímax)
Ex: "Nada fazes, nada tramas, nada pensas que
eu não saiba, que eu não veja, que eu não
conheça perfeitamente."
PROSOPOPEIA / PERSONIFICAÇÃO /
ANIMISMO
É a atribuição de qualidades e sentimentos
humanos a seres irracionais e inanimados.
Ex: "A lua, (...) Pedia a cada estrela fria / Um
brilho de aluguel ..." (Jõao Bosco / Aldir
Blanc)
Hipálage
Recurso sintático-semântico que consiste em atribuir a
um ser ou coisa uma ação ou qualidade que pertence a
outro ser ou outra coisa presente ou subentendido no
texto.
A buzina impaciente do carro não parava. (o motorista é
que é impaciente, não o carro ou a buzina)
As vizinhas das janelas fofoqueiras estão à espreita. (são
as vizinhas que são fofoqueiras, não as janelas)
O vôo negro dos urubus é majestoso. (são os urubus que
são negros, não seu vôo)
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