Pensar Contábil - Busca rápida

Сomentários

Transcrição

Pensar Contábil - Busca rápida
ISSN 1519-0412
vol. IX nº 38 out./dez. 2007
Pensar
Co ntábil
Corpo Editorial
Francisco José dos Santos Alves
Rio de Janeiro - RJ
Editor
Doutor em Contabilidade e Controladoria – FEA/USP
Professor da Universidade Estácio de Sá
Professor da UERJ
Antonio Miguel Fernandes
Rio de Janeiro - RJ
Expediente
Mestre em Ciências Contábeis – UERJ
Professor da Faculdade Moraes Júnior, da EPGE da FGV Management e do CPGE da
UCAM
Conselho Diretor do CRC-RJ
Antonio Miguel Fernandes
Presidente
José Alonso Borba
Carlos de La Rocque
Vice-presidente
Doutor em Contabilidade - USP
Professor da UFSC
Francisco José dos Santos Alves
Josir Simeone Gomes
Vice-presidente de Pesquisa e Desenvolvimento Profissional
Pós-doutorado em Controle de Gestão na Universidade Carlos III de Madrid
Professor da UERJ
Florianópolis - SC
Lílian Lima Alves
Vice-presidente de Administração e Finanças
Rio de Janeiro - RJ
Maria Thereza Pompa Antunes
São Paulo - SP
Nelma Bello Goulart de Albuquerque
Doutora em Controladoria e Contabilidade – USP
Professora Adjunta – Universidade Presbiteriana Mackenzie/FAAP
Vice-presidente de Fiscalização e de Ética e Disciplina
Carlos Alberto do Nascimento
Nahor Plácido Lisboa
Vice-presidente de Registro Profissional
São Paulo - SP
Doutor em Controladoria e Contabilidade – FEA/USP
Professor da FEA/USP e Pesquisador da FIPECAFI
Cezar Stagi
Vice-presidente de Interior
Sandra Maria dos Santos
Fortaleza - CE
Pós-Doutorado em Economia Regional e Urbana – UFPE/PIMES
Doutora em Economia Industrial – UFPE/PIMES
Editora-Chefe da Contextus – Revista Contemporânea de Economia e Gestão
Conselho Regional de Contabilidade
do Estado do Rio de Janeiro
Rua Primeiro de Março, 33 – Centro – Rio de Janeiro - RJ
CEP: 20.010-000 • tel.: (21) 2216-9595 - fax: (21) 2516-0878
www.crc.org.br
Envio de artigos e assinatura: [email protected]
Data de impressão: dezembro/2007
Tiragem: 2.000 exemplares
Waldir Jorge Ladeira dos Santos
ISSN 1519-0412
Distribuição: por assinatura anual (R$ 16,00)
Atendimento ao assinante -tel.: (21) 2216-9544 / fax: (21) 2216-9607
Dr. André Carlos Busanelli de Aquino, Dr. Edson Ishikura, Dr. Francisco Bezerra,
Dr. Marcelo Coletto Pohlmann, Dr. Natan Szuster, Dr. Poueri do Carmo Mario, Dr.
Ricardo Lopes Cardoso, Dr. Roni Cleber Bonizio e Dr. Vinícius Avesari Martins.
“As opiniões emitidas em artigos são de exclusiva responsabilidade de
seus autores. É permitida a reprodução de qualquer matéria,
desde que citada a fonte.”
Jornalista responsável: Alessandra Vale (Mtb 21.215)
Capa e diagramação: Renata Aguiar
Revisão: Carlos Nougué
Produção editorial: Cajá – Agência de Comunicação
Impressão: Gráfica Sermograf
Apoio administrativo: Fátima Bacelo e Patrícia Silva
Rio de Janeiro - RJ
Mestre em Contabilidade Financeira – UERJ
Professor da UERJ, da Faculdade Moraes Junior e da EPGE da FGV Management
Consultores Ad Hoc
CONCEITO QUALIS/CAPES: NACIONAL C
Ficha catalográfica
P418
Pensar Contábil, v. 1, n.1, ago. 1998-.
- Rio de Janeiro: CRC-RJ, 1998-.
Trimestral
ISSN 1519-0412
1.Contabilidade. I.Conselho Regional de
Contabilidade do Estado do Rio de Janeiro
CDU – 657
Editorial
Base de dados de periódicos científicos da área
contábil e Prêmio Contador Geraldo de La Rocque
Prezado leitor,
O Conselho Regional de Contabilidade do Estado do
Rio de Janeiro está implantando a REVISTA ELETRÔNICA
Pensar Contábil, com a utilização do software livre SEER do
IBICT – Instituto Brasileiro de Ciência e Tecnologia. Este é
um passo importante para nós e para a área acadêmica, uma
vez que, desta forma, a revista estará disponibilizada para
pesquisa eletrônica, bem como teremos a possibilidade de
aumentar sua pontuação junto à CAPES.
Mais do que isso, por iniciativa do CRC-RJ em parceria
com a UFRJ, iremos viabilizar uma base de dados disponibilizando o acesso a periódicos científicos de acesso aberto
na área de contabilidade e gestão. É de grande importância
a possibilidade oferecida aos contabilistas, acadêmicos, estudantes e público em geral, de obter esse acesso em um
único portal. A tecnologia da informação e a Internet se tornaram excelentes fontes de pesquisa para o mundo profissional
e acadêmico. As vantagens são muitas: a rapidez, conforto,
conveniência e número de fontes disponíveis estão entre
elas. Por outro lado, a quantidade de informação disponível,
a dispersão das fontes e a falta de capacidade de se verificar
a fidedignidade de alguns sites acabam por comprometer a
pesquisa. O movimento para o acesso livre ao conhecimento
científico pode ser considerado como o fato mais importante
nos dias atuais no que se refere à comunicação científica.
Em novembro de 2007, a exemplo de anos anteriores, o
CRC-RJ outorgou o Prêmio Contador Geraldo de La Rocque,
que tem como objetivo incentivar a pesquisa no plano técnico
e ético do exercício da profissão contábil. Concorreram 21 trabalhos e, de acordo com o regulamento, foram classificados
cinco. Nesta edição, estamos publicando os trabalhos classificados do primeiro ao terceiro lugar e na próxima edição
publicaremos os classificados em quarto e quinto lugares.
O primeiro lugar, “Análise da Utilização dos Indicadores Essenciais da Global Reporting Initiative (GRI) nos Relatórios
Sociais de Empresas Latino-Americanas”, dentre as conclusões relatadas no trabalho, destaca o fato de que: (a) os
menores índices tanto de GAPIE-GRI quanto de GEE estão
concentrados no grupo de indicadores sociais; (b) o grupo
de indicadores econômicos é o que apresenta maior média;
(c) as empresas que afirmam possuir um relatório “de acordo
com” a GRI não foram as que obtiveram os melhores resultados; e (d) as empresas analisadas encontram-se em diferentes estágios de aderência às diretrizes da GRI. O trabalho
classificado em segundo lugar, “As Indústrias de Pequeno
Porte e o Orçamento de Capital: um Estudo sobre Análise
de Investimentos na Baixada Fluminense”, teve por objetivo
analisar o processo de investimento de capital em empresa
industrial de pequeno porte localizada na região que abrange
os municípios de Duque de Caxias e Nova Iguaçu. O terceiro
lugar, “Considerações sobre a Evidenciação de Ativos Intangíveis no Contexto Brasileiro: Estudo de Caso da Perdigão
S/A.”, tem por objetivo analisar como as empresas brasileiras
estão evidenciando seus ativos intangíveis, comparando-o
com as normas brasileiras e internacionais de contabilidade.
Esperamos que para a edição do Prêmio em 2008 possamos receber mais trabalhos, até de outros estados. Estamos,
também, publicando o artigo “Análise de Geração de Valor
através da Gestão por Atividades: um Estudo de Caso”, que
busca examinar até que ponto recursos consumidos por atividades produtivas estão agregando ou destruindo valor para
os acionistas.
Sumário
Summary
Análise de Geração de Valor através da Gestão
por Atividades: um estudo de caso
5
Dr. Francisco José dos Santos Alves
Vice-Presidente de Pesquisa e Desenvolvimento Profissional
Value Added Analysis Using Activity
Based Management: a Case Study
Raimundo Nonato Sousa da Silva
Tiago de Amorim Bueno Vieira
Raimundo Nonato Sousa da Silva
Tiago de Amorim Bueno Vieira
Análise da Utilização dos Indicadores Essenciais da Global Reporting
Initiative nos Relatórios Sociais de Empresas Latino-Americanas
14
The Usage of Global Reporting Initiative Essencial Indicators
in the Latin American Corporations
Fernanda de Medeiros Carvalho
Jose Ricardo Maia de Siqueira
Fernanda de Medeiros Carvalho
Jose Ricardo Maia de Siqueira
As Indústrias de Pequeno Porte e o Orçamento de Capital:
um Estudo sobre Análise de Investimentos na Baixada Fluminense
23
Marcio de Araújo Resende
Jose Ricardo Maia de Siqueira
Considerações Sobre a Evidenciação de Ativos Intangíveis
no Contexto Brasileiro: Estudo de Caso da Perdigão S/A
Bárbara de Souza Galvão
José Paulo Cosenza
The Small Industries and the Capital Budget: an Study
about the Investment Analysis in the Baixada Fluminense Region
14
23
Marcio de Araújo Resende
Jose Ricardo Maia de Siqueira
31
Discussion on Disclosure of the Intangible Assets
in the Brazilian Context: the Case of Perdigão S/A
Bárbara de Souza Galvão
José Paulo Cosenza
Uma publicação do
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 3 - 4, out./dez. 2007
5
31
Pensar Contábil
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Orientações aos colaboradores
da Revista Pensar Contábil
Perfil temático e objetivos da publicação:
A Revista Pensar Contábil é um periódico trimestral do Conselho Regional de Contabilidade, existente desde
agosto de 1998, e tem como missão a divulgação de artigos relevantes na área de contabilidade, com o objetivo de fomentar a pesquisa.
Mecanismo de avaliação de artigos:
Podem encaminhar artigos para a revista colaboradores do Brasil e do exterior.
Os artigos recebidos são avaliados pelo Corpo Editorial e consultores externos, através do sistema double
blind review, não sendo conhecidos os autores durante a avaliação.
Envio e regras para publicação de artigos:
Os artigos deverão ser inéditos, podendo estar no idioma português, espanhol ou inglês. Devem ser encaminhados para o e-mail [email protected], nos prazos e características a seguir:
Para publicação na Revista número
39 – Jan/Fev/Mar - 2008
40 – Abr/Mai/Jun - 2008
41 – Jul/Ago/Set - 2008
Prazo para receber artigos
29/12/07
28/03/08
30/06/08
a) em folha de rosto, deverá constar:
- o título do artigo;
- identificação e qualificação do(s) autor(es) constando: o nome completo, número de registro (se for o caso), formação e qualificação profissional e/ou acadêmica (no caso de citar instituição de ensino, informar também o CEP,
Cidade e UF correspondente);
- endereço completo, telefone, fax e e-mail do(s) autor(es);
b) a estrutura de apresentação do artigo deverá conter: título do artigo, resumo e palavras-chaves, assim como os
mesmos tópicos em inglês (title, abstract, key words), introdução, desenvolvimento e conclusão;
c) a bibliografia completa deverá ser apresentada em ordem alfabética no fim do texto, de acordo com as normas da
ABNT (NBR-6023 revisada);
d) a formatação do artigo deve ser:
- digitado em Word, tamanho A4, fonte Times New Roman;
- fonte tamanho 12 para texto e tamanho menor para citações de mais de 3 linhas, notas de rodapé, paginação e
legendas das ilustrações e tabelas;
- as folhas devem apresentar margem esquerda e superior de 3 cm; direita e inferior de 2 cm;
- entrelinhas simples;
- alinhamento justificado;
e) os artigos deverão estar redigidos em português. Os artigos de autores do exterior serão publicados em inglês,
espanhol ou português, conforme o caso;
f) os artigos deverão ter no mínimo 10 e no máximo 15 páginas;
g) os artigos deverão ter sido completa e perfeitamente revisados;
h) os direitos autorais dos artigos publicados nesta revista são dos autores, sendo concedidos pelos mesmos os
direitos da primeira publicação ao Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Rio de Janeiro.
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 3 - 4, out./dez. 2007
Pensar Contábil
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Análise de Geração de
Valor através da Gestão por
Atividades: um Estudo de Caso
Resumo
Análise de geração de valor agregado tem sido aplicada
em larga escala em empresas ou unidades de negócios com
vistas à criação de riquezas para o dono do capital. Este estudo, por sua vez, busca examinar até que ponto recursos
consumidos por atividades produtivas estão agregando ou
destruindo valor para os acionistas. Para a consecução do
estudo, toma como base o sistema ABC-EVA Integrados e
demonstra como uma ferramenta de gestão consegue gerar
informações para avaliação de criação/destruição de valor.
Os resultados são ilustrados em um exemplo de uma empresa prestadora de serviços para a indústria siderúrgica.
Palavras-chave: Custeio Baseado em Atividades, Valor Econômico Agregado, Sistema de Custeio.
Abstract
The analysis of value added increase has been applied
in a large scale in companies or business units with a view
to generate income to investors. The present study aims to
examine the extent to which the resources used in production
activities can increase or decrease value to the stakeholders.
In order to achieve this aim this study examines the ABC-EVA
integrated system and demonstrates how a management tool
can provide information to assess creation or destruction of
value. The results are illustrated focusing on a service company for the steel industry.
Key Words: Activity Based Cost; Economic Value Added; Cost
Systems.
1. Introdução
As práticas de gestão (melhoria contínua, qualidade total,
gestão total de custos etc.) têm como suporte um sistema de
informações flexível e ágil, que forneça informações de confiança para a administração, em especial as relacionadas com
os custos da empresa. Em geral, quanto mais confiáveis forem
as informações de custos providas pelo sistema de custos,
melhor será o gerenciamento da tomada de decisão e mais
forte será o desempenho da empresa (Roztocki, 2001a).
Uma completa informação de custos é necessária para
uma melhor tomada de decisão. Essa informação deve conter
todas as informações necessárias para se criar um produto,
ou prestar um serviço. Todas as informações não devem ser
entendidas apenas como os custos tangíveis, mas inclusive o
custo de capital esperado pelo investidor e/ou credor.
Raimundo Nonato Sousa da Silva
Rio de Janeiro – RJ
Contador
Mestre em Contabilidade pela FGV1
Doutor em Engenharia de Produção pela COPPE/UFRJ2
[email protected]
Tiago de Amorim Bueno Vieira
Rio de Janeiro – RJ
Mestre em Administração pela Faculdade IBMEC3
[email protected]
O objetivo geral deste trabalho é contribuir para o estudo de
aprimoramento de informação de gestão com base no valor
para atividades. É descrever dois conceitos que surgiram nas
últimas duas décadas: o ABC e o EVA, e como eles, integrados
e implementados em empresas, podem se transformar numa
ferramenta de gestão para tomada de decisão. Com relação
aos objetivos específicos do trabalho, pretende-se demonstrar
como o Sistema ABC-EVA Integrados pode ser usado como
uma ferramenta de gestão capaz de gerar informações para
avaliação de criação/destruição de valor de cada produto.
O ABC/ABM e o EVA são ferramentas gerenciais que dão
às organizações uma visão muito mais clara de sua economia interna e externa. Devem ser utilizados pelos executivos que precisam tomar uma série de decisões a respeito de
suas operações, dos processos de produção, seus objetivos,
seus produtos e seus clientes.
É importante destacar os pontos convergentes entre essas duas metodologias que possibilitam a integração. O Sistema Tradicional de Custeio (Traditional Cost Accounting, ou
simplesmente TCA) aloca arbitrariamente os custos indiretos
(overhead) nos objetos de custos, baseados, normalmente,
em algum critério de volume, tais como horas trabalhadas. O
Sistema Baseado em Atividades (ABC), que é uma técnica
aplicada na apropriação de custos indiretos através do reconhecimento causal existente entre as atividades e os objetos
de custo, todavia, não leva em consideração o custo do total
de capital associado àquele objeto de custo. Quando os gerentes utilizam somente o ABC para análise, eles têm dificuldade em atingir as expectativas dos investidores. O sistema
ABC-EVA integrados não é somente um sistema de custos.
Além de fornecer aos gerentes informações consistentes
com a correta alocação do custo de capital entre os objetos
de custos, ele provê as informações de cada objeto de cus-
FGV – Fundação Getúlio Vargas – CEP 22250-900 – Rio de Janeiro – RJ.
COPPE/UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro – CEP 22.920-240 – Rio de Janeiro – RJ.
3
IBMEC – Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais – CEP 20030-020 – Rio de Janeiro – RJ.
1
2
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 5 - 13, out./dez. 2007
Artigo recebido em 1º/06/2007 e aceito em 09/08/2007.
Pensar Contábil
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Raimundo Nonato Sousa da Silva
Tiago de Amorim Bueno Vieira
tos separadamente. Depois de implementado o sistema, o
gerente será capaz de avaliar quais fatores, componentes,
processos ou operações estão adicionando valor à empresa
(Roztocki & Needy, 1999).
Com relação à contribuição prática, o estudo trará resultados suscetíveis de ser utilizados por empresas de manufaturas e de serviços que tenham elevados custos indiretos e
investimentos, informando-as sobre essa ferramenta e suas
aplicações. Como este assunto ainda não foi totalmente estudado, ainda existem pontos a ser explorados e este trabalho ajudará a verificar como é possível identificar atividades
que destroem valor.
2. Sistema de Custos Baseados em
Atividades (ABC) e Gerenciamento
Baseado em Atividades (ABM)
Enquanto a discussão de qual é o melhor sistema de custeio,
se por Absorção Tradicional ou Custeio Direto/Variável, e se
eles se completam, se arrasta ao longo dos anos, a economia
evolui e a necessidade de um sistema de custeio que atenda
aos anseios desta evolução é cada vez mais percebida.
Johnson e Kaplan (1993) afirmam que, a partir dos anos
80, a obsolescência dos sistemas de contabilidade de custos
e controle gerencial tornou-os particularmente desfavoráveis,
no quadro de competição global. As conseqüências de custos inexatos de produtos e sistemas contábeis deficientes no
controle de processos e avaliação de desempenho se transformaram em um grave problema para a indústria americana, num mercado cada vez mais competitivo. O sistema ABC
(Activity-Based Costing ou Custeio Baseado em Atividades)
foi desenvolvido, inicialmente, para atender às empresas de
manufatura que precisavam melhorar a gestão dos custos, a
fim de aprimorar os processos de produção e atendimento ao
cliente, transformando, assim, a função financeira de mera
narrativa passiva do passado em agente preventivo do futuro
(Kaplan, 1998). O ABC é uma técnica em que os custos indiretos são apropriados a várias unidades através de algumas
bases que não são relacionadas aos volumes dos fatores,
chamadas de drivers, ou direcionadores de custos. Os custos indiretos são associados às atividades necessárias para
gerar os produtos.
A metodologia ABC pressupõe que as atividades consomem recursos e são necessárias para a fabricação de
produtos ou prestação de serviços. Através da acumulação
dos custos em atividades homogêneas, podem-se apurar os
custos dos objetos de custos mais precisamente. As atividades podem ser identificadas no âmbito da empresa como um
todo ou dos departamentos, isto é, os departamentos podem
ser encarados como centros de atividades. O processo de
distribuição dos recursos aos objetos de custos pode ser assim representado, conforme Cogan (1999):
Recursos
Direcionador
de Custos
Centro de
Atividades
Direcionador
de Custos
Objetos de Custos
Segundo Cogan (1999), uma suposição do ABC é que todos os custos de cada centro de atividades funcionam como
se variáveis fossem mantendo proporcionalidade com a respectiva atividade. Lins e Silva (2005) descrevem o direciona-
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 5 - 13, out./dez. 2007
dor como qualquer fator que cause alteração no custo de uma
atividade. É um fato causal que influencia a quantidade de um
trabalho e, portanto, do custo de uma atividade, concluem.
Roztoki e Needy (1998) mencionam que, apesar de a
técnica ABC possibilitar o cálculo dos custos operacionais, é
deficiente em não atribuir o custo de todo o capital. Enquanto
a depreciação (uma parte do custo de capital) é considerada
no cálculo do ABC, os juros sobre o capital investido em uma
empresa não são incluídos.
Apesar da complexidade de implementação do custeio
ABC, este pode ser muito importante na ajuda à gestão da
empresa, assim como possibilita o gerenciamento baseado
em atividades – ABM (Activity Based Management). Esta técnica compreende a administração baseada em atividades,
pois em última análise as atividades desenvolvidas dentro
de uma organização são as responsáveis pelo processo de
geração de valor. Assim, a técnica ABC tem, tal como o EVA,
grande utilidade em uma gestão baseada em valor.
O ABC é uma espécie de instrumento revelador, a ferramenta que é empregada para apontar os custos e suas verdadeiras causas, ou seja, relacionando-os com as atividades
e processos utilizados na execução de determinadas operações de negócio. O ABM, por sua vez, pode ser encarado
como a prática de gestão, que se utiliza das informações de
natureza econômica reveladas pelo ABC, e que através de
ações integradas e interdependentes produz correções, ajustes e melhorias no status quo da organização. O ABM pode
ser apoiado, para finalidade das ações operacionais, por
uma ou mais ferramentas e programas de melhoria contínua,
como TQM (Total Quality Management), Reengenharia, JIT
(Just-in-Time) ou Kaizen.
Enquanto na perspectiva tradicional os custos são controlados no âmbito de cada departamento, no ABM o objetivo
passa pela otimização dos recursos empregues, através da
análise das atividades que consomem esses mesmos recursos. Segundo o ABM, os custos são otimizados através de
uma gestão correta das operações realizadas na empresa
ou através da eliminação ou minimização das atividades que
não criam valor. Uma atividade acrescenta valor se for essencial para o cliente ou para o funcionamento da organização.
Ou seja, uma atividade acrescenta valor ao produto, mas, se
esse valor não for percebido pelo cliente, será obviamente
uma atividade desnecessária.
3. Valor Econômico Adicionado (EVA)
O conceito relacionado ao EVA não é uma descoberta
recente. Uma medida de performance chamada lucro residual é definida por ser o lucro operacional menos o custo de
capital. Alfred Marshal (1890), famoso economista britânico,
definiu o real significado do lucro econômico como sendo:
“O que resta dos lucros após deduzir os juros sobre o capital
empregado a taxa corrente pode ser chamado de ganho real
do empreendimento ou gerenciamento”. EVA é simplesmente uma variação do lucro residual.
Uma idéia geral do EVA é que os acionistas devem ter um
retorno que compense o risco que estão tendo. Em outras
palavras, o retorno no investimento deve ser ao menos no
mesmo montante de um investimento de mesmo risco em
mercados similares. Se este não for o caso, então não se
Pensar Contábil
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Análise de Geração de Valor através da Gestão por Atividades: um Estudo de Caso
tem um lucro verdadeiro, e, na verdade, a empresa está operando com perda do ponto de vista dos acionistas. Por outro
lado, se o EVA é zero, esse deverá ser tratado como um retorno suficiente porque o acionista recebeu um retorno que
compensava o risco.
Análises estatísticas e pesquisas acadêmicas mostram
que o EVA é a medida que mais se relaciona com a criação
de valor, melhor do que qualquer outra medida de desempenho contábil tradicional. Isto significa que para criar valor
os administradores de uma empresa devem se preocupar
com muito mais do que somente reduzir custos e melhorar
a eficiência do capital. Eles precisam encontrar meios para
entregar valor para os clientes através de produtos inovadores, propaganda bem-sucedida, serviços impecáveis e outros (Ehrbar, 1999).
A decisão da empresa de adquirir ativos ou investir no desenvolvimento de novos produtos e serviços com taxa de retorno esperada maior do que o custo de oportunidade do capital vem normalmente atrelada à identificação das melhores
alternativas de financiamento, vantagens tributárias, fiscais
e outras. Portanto, o objetivo da administração da empresa
é o de proporcionar aos acionistas valorização constante do
investimento efetuado, por meio de uma política de crescimento sustentável vis-à-vis criação de valor.
O EVA é uma medida de lucro verdadeiro. Na forma aritmética é o lucro operacional após pagamento de impostos
(NOPAT, ou Net Operational Profit After Taxes) menos o
encargo sobre capital, apropriado tanto para endividamento quanto para o capital acionário. O resultado é o valor em
moeda calculada (dólar, libra, real etc.) que excedeu/faltou
para o custo de capital utilizado para realizar aquele lucro.
Economistas também se referem a isto como lucro econômico e lucro residual, que, em outras palavras, é o resíduo que
sobra depois que todos os custos tenham sido cobertos. A
fórmula para o cálculo é:
EVA = NOPAT – C% * (TC)
onde NOPAT é o lucro operacional líquido após a tributação,
C% é o custo de capital em percentual, e TC o capital total.
Custo de Capital é a taxa de retorno mínima que uma empresa
poderia receber caso escolhesse outro investimento com risco
equivalente — em outras palavras, é o custo de oportunidade
dos recursos empregados como resultado de uma decisão sobre investimentos (Downes & Goodman, 1993).
Embora existam diversas atividades individuais que as
pessoas possam perseguir para criar valor, segundo Ehrbar
(1999), ao final essas atividades caem em uma das quatro
categorias medidas pelo aumento em EVA:
1) Cortar os custos e reduzir os impostos para aumentar
o Lucro Operacional (NOPAT) sem acrescer capital. Ou seja,
operar de forma mais eficiente para ganhar um maior retorno
sobre o capital já investido no negócio.
2) Empreender todos os investimentos nos quais o aumento de NOPAT será maior do que o aumento de encargos de capital. Ou seja, investir em crescimento lucrativo,
empreendendo todos os projetos com valor líquido presente
positivo que prometam produzir um retorno sobre capital que
exceda o custo de capital.
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 5 - 13, out./dez. 2007
3) Retirar capital de operações quando as economias decorrentes da redução de capital excedam qualquer redução
de NOPAT. Ou seja, deixar de investir em — ou liquidar — ativos e atividades que não estejam gerando retornos iguais ou
maiores do que o custo de capital. As grandes mudanças
nesta área são a venda de ativos que valham mais para outros, mas a categoria também inclui coisas como a redução
de estoques e a aceleração da cobrança de contas a pagar
(ambas representam investimento de capital).
4) Estruturar as finanças da empresa de tal forma que minimizem o custo de capital, algo que reside exclusivamente
nos domínios do departamento financeiro, do CEO e do conselho de administração.
Uma grande redução de custos, às vezes, não implica automaticamente uma melhora na criação de valor, que pode
permanecer inalterado ou reduzir. Geralmente, as empresas
utilizam uma variedade conflitante de medidas como crescimento dos lucros, lucros por ação, retorno sobre capital próprio, margens bruta e líquida, margem de contribuição, fluxo
de caixa, valor presente líquido e taxa interna de retorno. Todavia, elas podem não somente levar a tomada de decisões
incompatíveis com a criação de valor para o acionista, como
também conflitar umas com as outras.
Um exemplo retirado de uma apresentação do Sr. John M.
Ferguson (Partner da Stern Stewart & Co.) em julho de 2002,
em São Paulo, está na Tabela 1 apresentada a seguir. Consiste
na análise de um novo negócio para uma empresa qualquer.
Tabela 1: Análise de um novo negócio
Negócio Atual + Novo Investimento = Após Investimento
$1.530
$1.540
Lucro Operacional
$230
$170
Margem Operacional %
15%
11%
Capital (Ativos Líquidos)
$1.000
$1.000
ROI
23%
17%
Custo de Capital %
12%
12%
Custo de Capital
$120
$120
EVA
$110
$50
Receita
$3.070
$400
13%
$2.000
20%
12%
$240
$160
A questão no exemplo é se um projeto que reduzisse as
margens operacionais de 15% para 13% e o ROI (retorno
sobre investimento) de 23% para 20% estaria agregando
valor, considerando que a empresa tem um custo de capital
de 12% e o projeto de investimento tem um retorno de 17%.
Neste caso, a resposta é sim. Apesar de o novo investimento reduzir as margens operacionais e o retorno sobre investimento, o lucro econômico se eleva. Isto ocorre porque,
apesar de o novo investimento ser pior quando comparado
à sua operação atual, ele ainda é suficientemente bom para
cobrir os seus custos de capital. A conclusão mais importante deste exemplo é que, caso a decisão fosse tomada baseando-se nas métricas tradicionais de desempenho, estaria
deixando-se de investir em um projeto que adiciona valor,
simplesmente pelo fato de que não se conseguiu medir corretamente o seu potencial.
Ehrbar (1999) comenta que o EVA utilizado plenamente é
muito mais que uma métrica de somar receitas e custos e calcular o lucro residual: é uma forma de medir e gerir o desempenho
Pensar Contábil
Raimundo Nonato Sousa da Silva
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Tiago de Amorim Bueno Vieira
empresarial focando a criação de riqueza para os acionistas,
uma vez que gerir visando a um EVA mais elevado é, por definição, gerir visando a um preço de ação mais elevado.
4. Sistema ABC-EVA Integrados
A maior motivação de investidores que estão procurando
por novas oportunidades de negócio é o retorno esperado
nos seus investimentos. O gerenciamento de uma organização lucrativa deve visar sempre à criação de valor para seus
acionistas, ou seja, gerar valor suficiente para cobrir o custo
de capital. Se isso não ocorrer, ela estará destruindo valor, e
suas ações gerenciais devem ser corrigidas.
Para atender aos interesses dos investidores, os gerentes
devem gerenciar custos e valor econômico enquanto mantêm
um nível mínimo de lucratividade. Isso leva à necessidade de
melhorar sempre criando valor, em oposição à manipulação
de valores para ganhos no curto prazo.
O sistema tradicional de custeio aloca arbitrariamente os
custos indiretos da empresa em seus objetos de custos. O
Custeio ABC, por sua vez, é baseado na idéia de que custos
indiretos são gerados por um número de atividades necessárias para o sucesso do negócio de manufatura ou processos
do negócio. Como as atividades consomem recursos indiretos, e os produtos (projetos ou processos) demandam atividades, os custos dos produtos estão relacionados com o
custo dos recursos.
Uma grande redução de custos, às vezes, não implica automaticamente uma melhora na criação de valor, que pode
permanecer inalterado ou reduzir. Isso vem do fato de que o
método ABC, apesar de ser suficiente no cálculo dos custos
operacionais, é deficiente com relação ao custo de capital.
Apesar de a depreciação (parte do custo de capital) ser considerada no cálculo do ABC, os juros sobre o capital investido
na empresa não é (Roztocki & Needy, 1998).
Medidas de performance do valor agregado, tais como o
EVA, são focadas no custo de capital e no valor dos acionistas. Alguns autores propuseram recentemente a combinação
do ABC com o sistema de mensuração de performance EVA.
O EVA e ABC são metodologias que se complementam e
podem ser usadas de modo integrado para propiciar uma
melhor avaliação de desempenho, permitindo um melhor
conhecimento dos custos operacionais e de capital. Ambas
as metodologias são adequadas a qualquer tipo de empresa
(comercial, industrial ou de serviços) e permitem decisões
dentro de uma visão de longo prazo, com base na idéia de
geração de valor.
Medidas de mensuração baseadas em valor ajudam a determinar o nível mínimo de lucratividade que a empresa deve ter
para satisfazer os seus investidores e atrair novos. O custo de
capital pode ser calculado multiplicando-se o capital pela taxa
de custo de capital (CC = TC x C%, capital charge = company’s
capital x capital cost charge) (Roztocki & Needy, 1998).
Se analisada de forma gerencial, uma forma razoável de
considerar o custo de capital seria dividi-lo pelas atividades.
Porém, se alocado de forma arbitrária, o custo das atividades
ficariam distorcidos.
O ABC surgiu em contexto similar para o problema da
deficiência da arbitrariedade da alocação de custos indiretos para os produtos. Segundo Roztocki & Needy (1999),
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 5 - 13, out./dez. 2007
o método de implementação descrito abaixo foi criado por
pesquisadores da Universidade de Pittsburgh (University
of Pittsburgh) e propôs a combinação do método ABC com
mensuração de performance baseada em valor, o que incluía
o custo de capital com o sistema de custeio ABC. Os passos
para a implementação do sistema ABC-EVA são similares ao
tradicional sistema ABC.
Seguem abaixo os passos descritos por Roztocki & Needy
(1999) para implementação do sistema:
1) Revisão das informações financeiras da empresa.
2) Identificar as principais atividades e os drivers das atividades.
3) Determinar os custos operacionais de cada atividade (utilizando o ABC).
4) Determinar o custo de capital para cada atividade. Esse
passo não está presente no ABC. Como muitas atividades
consomem, além de custos operacionais, o investimento de
capital, o custo total destas atividades é maior que o calculado
no Sistema ABC. Como resultado, o ABC tende a subestimar
o objeto de custo. O Sistema ABC-EVA integrados calcula o
custo de capital para cada atividade e adiciona este custo aos
de cada atividade anteriormente calculados no Sistema ABC.
5) Seleção dos drivers para o custo de capital (drivers de capital), da mesma forma como na implementação do ABC.
6) Cálculo do custo dos produtos.
Como resultado, apesar de o ABC fornecer custos operacionais corretos, ele não identifica quais produtos são criadores de valor econômico, e contribuem para os acionistas, e
quais são destruidores. Em alguns casos, com a inclusão do
custo de capital, o custo total do produto aumenta significativamente. Isso pode alterar consideravelmente a definição
de quais produtos são mais lucrativos, ou criam valor para a
empresa. Em função desses resultados do sistema integrado, outras estratégias podem ser tomadas.
A avaliação da criação x destruição de valor por parte
de cada produto/serviço da empresa, utilizando para isso o
Sistema ABC-EVA Integrados, pode nos levar a surpresa.
Uma empresa que trabalha com uma quantidade grande de
produtos e tem EVA positivo pode estar tendo um resultado
abaixo de seu potencial. Isso se deve ao fato de que alguns
produtos que estão criando valor estarem “mascarando” o
resultado de outros. A avaliação produto a produto através
do sistema integrado traz para a empresa uma ferramenta
de gestão mais precisa com relação à criação de valor para
os investidores.
Uma vez implementado, o Sistema ABC-EVA Integrado
pode ser usado como uma ferramenta gerencial para proteger os tomadores de decisão da empresa de fazerem uma
escolha de curto prazo, somente levando em consideração
a lucratividade, que poderia estar destruindo valor no longo prazo. Segundo Cooper & Slagmulder (1999), são duas
as principais vantagens na utilização do sistema ABC-EVA
integrados. Primeiramente, o tomador de decisão se torna
sensível ao retorno econômico dos produtos e clientes, e, segundo, ele remunera mais eficientemente o uso do capital.
5. Descrição do Caso
A Alfa Corporation é uma companhia diversificada, com
sede em Camp Hill, Pensilvânia, que atua mundialmente
Pensar Contábil
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Análise de Geração de Valor através da Gestão por Atividades: um Estudo de Caso
na prestação de serviços industriais e com produtos de alto
valor para grandes indústrias globais.
A Companhia é líder de mercado em cada um dos segmentos em que atua, os quais estão organizados em quatro setores (Mill Services, Access Services, Gás & Fluid
Control, Other Infrastructure Products & Services). Mais de
70% das receitas da Alfa são oriundas de serviços industriais, e quase 60% são geradas fora dos EUA. A missão
da Alfa é alcançar retornos financeiros positivos de suas
operações, criando valor para os seus acionistas através
do uso de um modelo de avaliação EVA, o qual enfatiza a
otimização do uso dos ativos e a maximização dos lucros.
A Alfa tem como alvo o crescimento em mercados e tecnologias familiares à companhia.
A BetaServ, cuja unidade escolhida no Brasil é o objeto deste estudo, é subsidiária integral da Alfa Corporation
e atua no segmento de serviços industriais (Mill Services),
preponderantemente no setor siderúrgico. A empresa presta
uma gama de serviços aos seus clientes, desde o manuseio
de matérias-primas (sucatas metálicas, minério de ferro,
ferro-gusa) até a remoção e processamento dos resíduos
(escórias) resultantes do processo de fabricação do aço.
Dependendo da demanda e do nível de verticalização de
processo de cada cliente, a BetaServ desenvolve outras atividades integrantes do processo produtivo, tais como: corte e entrega de sucatas para alimentação dos alto-fornos,
operação e manutenção de carros-torpedo para transporte
de ferro-gusa líquido, movimentação e armazenamento de
produtos acabados e subprodutos.
A divisão de Mill Services atua no Brasil desde 1967, com
mais de 1.900 empregados, em 20 sites estruturados dentro
das unidades industriais das principais usinas siderúrgicas
brasileiras. Na maioria dos serviços prestados pela BetaServ,
existe uma grande quantidade de capital em função da necessidade de utilização de equipamentos de grande porte,
tais como: planta separadora; guindaste; pórtico; pá-carregadeira; escavadeira; empilhadeira; transportador de pote (Pot
Carrier); entre outros.
5.1. Implementação do EVA
Em fevereiro de 2001, a Alfa Corporation contratou a
Stern Stewart & Co. para auxiliar na implementação do
sistema gerencial EVA. Apesar de já ter uma disciplina de
gerenciamento financeiro, sua decisão de implementar o
EVA permitiu que a empresa formalizasse essas práticas
sob uma mesma estrutura por ela toda, inclusive nas operações fora dos EUA. A empresa decidiu empregar o EVA
para melhorar os processos de alocação de capital, e de
sistema de incentivo e remuneração. Os esforços feitos
pela Alfa resultaram em um modelo de programa de implementação efetiva de gerenciamento baseada em valor. Conforme gráfico em seguida, o retorno total para as
ações da Alfa foi de 22,7% desde que o gerenciamento
começou com a implementação do EVA em fevereiro de
2001, comparado com –35,8% do S&P500. A performance
é também impressionante se comparada com um grupo de
empresas industriais (Peer Group) cuja média de performance no mesmo período atingiu –10,9%.
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 5 - 13, out./dez. 2007
Retorno aos Acionistas desde a Implantação do EVA na Alfa
80.0%
60.0%
40.0%
20.0%
0.0%
-20.0%
-40.0%
-60.0%
Jan-01 Apr-01
Jul-01
Alfa
Oct-01 Jan-02 Apr-02
Peer Group
Jul-02
Oct-02 Jan-03
S&P 500
Na implementação do EVA, a Alfa montou um programa
através de níveis de Unidades de Negócio: nível BetaServ
mundial; nível BetaServ país; e, mais abaixo, no nível de
cada planta de cada país. Foi montado um cronograma
onde, no final de 2001, estava implementado na BetaServ
Brasil o sistema de gerenciamento EVA. Os principais objetivos desse tipo de estrutura eram: identificar valor criando
investimento; promover a utilização prudente de capital; e
garantir que todos os futuros investimentos adicionassem
valor a Alfa.
5.2. BetaServ Brasil – Unidade MBH
A Unidade MBH, pertencente a uma das 20 operações da
BetaServ Brasil, será o objeto do estudo de caso deste trabalho. A BetaServ presta seis diferentes serviços na unidade
MBH: escavação de forno e remoção de escória; quebra e
entrega de sucata; corte com maçarico; planta de recuperação de metais aço-carbono; gerenciamento de sucata; e
aluguéis de equipamento.
Dentro de cada serviço, diferentes equipamentos são
utilizados, mas todos com mão-de-obra de operação, manutenção e supervisão da BetaServ. Todos os insumos para
operação e manutenção (O&M) utilizados nos serviços também são de responsabilidade da MutiServ. Apresentamos a
seguir um breve resumo de cada um dos serviços prestados
na unidade MBH:
• Atividade 14) Escavação de forno e remoção de escória
– processo de limpeza de escória e detritos do forno. Utilização de pás-carregadeiras para a limpeza na aciaria e caminhões basculantes para o transporte para a área de processamento do material.
• Atividade 15) Quebra e entrega de sucata – processo de
recuperação de sucata do tundish, lingotes e cascão e outros
materiais através do processo de drop ball. Utilização de um
guindaste para a quebra através do processo drop ball e para
a entrega de sucata com caminhões basculantes.
• Atividade 16) Corte com maçarico – processo de recuperação de sucata dos tundishs, lingotes, cascão e outros
materiais através do corte com maçarico. Para a realização
desta atividade, necessita-se de uma escavadeira hidráulica
para movimentar a sucata e caminhões para fazer a entrega.
Todavia, pela quantidade de maçariqueiros, pode-se perceber que se trata de uma atividade intensiva em mão-de-obra,
os maçariqueiros.
• Atividade 18) Planta de Recuperação de Metais (Açocarbono) – processamento de todos os tipos de materiais
Pensar Contábil
Raimundo Nonato Sousa da Silva
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Tiago de Amorim Bueno Vieira
e de outros decorrentes da separação magnética e classificação de sucata de carbono e escória através de uma
instalação fixa ou móvel. Esta operação é diferente das
atividades constantes nos itens 15, 16 e 17. Utilização de
uma planta de processamento para separar granulometricamente e magneticamente os materiais, de carregadeiras
para abastecer a planta e limpar as bicas e carregar os caminhões com os materiais processados, e de caminhões
basculantes para fazer a entrega desses materiais.
• Atividade 22) Gerenciamento de Sucata – atividade/
serviço de manuseio, preparação, separação e gerenciamento de sucata e sucatas derivadas em nome do cliente.
Utilização de escavadeiras hidráulicas para a movimentação de sucata.
No intuito de focar a atenção na demonstração da metodologia, em vez de detalhes contábeis, o plano de contas
da BetaServ Brasil foi agrupado de modo a facilitar nosso
estudo. O critério utilizado para formação de um grupo foi
a utilização do mesmo cost driver para efeito de alocação
das diferentes contas do grupo às atividades. Procurou-se,
ainda, a formação de grupos de contas que não representassem menos de 5% do custo total da fábrica. Assim, para
o caso em estudo da unidade MBH, cinco diferentes grupos
foram formados:
• Mão-de-obra, operação e benefícios. Este grupo inclui
todas as contas (salário, operação, encargos, equipamento
de proteção individual, programa de participação nos resultados, hora extra, e todos os benefícios) referentes ao custo
com mão-de-obra do pessoal diretamente relacionado com
a operação.
• Supervisão e administração. Da mesma forma que o
grupo anterior, este inclui todas as contas referentes ao custo com mão-de-obra do pessoal de supervisão e administração da unidade MBH, treinamento de funcionários, prêmios e
seguros, assinaturas e associações, despesas com viagens,
auditoria, fretes, consultoria, além de material utilizado no
escritório, computadores e softwares, despesas com fotocopiadora, e suprimentos diversos (água potável, luz, telefone,
material de limpeza etc.).
• Manutenção. Este grupo inclui as contas referentes ao
custo com mão-de-obra do pessoal de manutenção, além de
todo material de oficina (ferramentas, equipamentos de oficina, insumos para oficina etc.).
• Depreciação. Este grupo representa as contas referentes à depreciação e amortização de todos os equipamentos
da unidade MBH, além da conta referente a aluguéis de
equipamentos.
• Materiais de consumo e manutenção. Este grupo inclui
os materiais necessários para a operação dos equipamentos
utilizados na unidade MBH, tais como óleo diesel, gasolina,
álcool, GLP, lubrificantes, pneus e peças.
Os drivers utilizados pela empresa para a alocação dos
itens de custos às atividades definidas foram determinados,
em sua maioria, através de entrevistas. Apesar de os serviços estarem separados em atividades, existe uma sinergia
entre os equipamentos e a mão-de-obra dentro da operação, como pode ser visto na Tabela 4 abaixo.
10
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 5 - 13, out./dez. 2007
Tabela 4: Rateio dos Equipamentos pelas Atividades
Equipamento /
Atividade
Atividade Atividade Atividade Atividade Atividade
14
15
16
18
22
Pá-Carregadeira 1
10%
90%
Pá-Carregadeira 2
10%
90%
Pá-Carregadeira 3
54%
46%
Pá-Carregadeira 4
90%
10%
Pá-Carregadeira 5
100%
Escavadeira
hidráulica 1
100%
Escavadeira
hidráulica 2
16%
84%
Escavadeira
hidráulica 3
100%
Planta de
processamento
100%
Guindaste
100%
Caminhão
basculante 1
75%
25%
Caminhão
basculante 2
75%
25%
Caminhão
basculante 3
67%
33%
Caminhão
basculante 4
80%
20%
Caminhão
basculante 5
80%
20%
Com relação ao EVA, assim como todas as demais unidades da BetaServ no Brasil, ele é medido com base na unidade como um todo, e não por atividade. Ou seja, como descrito no item 3: EVA é o Lucro Líquido Operacional Antes dos
Impostos (NOPAT) da unidade MBH menos valor do custo
de capital na unidade MBH.
O percentual do custo de capital é determinado pelo departamento financeiro da Alfa para cada país onde a BetaServ presta serviço, e é calculado com base em uma ponderação entre o custo de débito e do patrimônio líquido. Este
percentual é revisado anualmente.
6. A Aplicação do Sistema ABC-EVA
Integrados no Setor de Serviços
O novo sistema de gerenciamento será desenvolvido
para a unidade MBH da BetaServ Brasil. Assim sendo, o
escopo do sistema de custos fica definido como os custos
para prestação dos serviços associados a essa unidade, e
as atividades já definidas serão utilizadas como base para
o novo sistema.
6.1. Desenvolvimento do Sistema ABC-EVA
integrados na unidade MBH
Como a BetaServ Brasil já tem os custos por atividade definidos há um ano, e como não é o objetivo deste trabalho detalhar
a construção e modelagem, nem a determinação de drivers de
custos sobre o ABC, os três primeiros passos da implantação
do sistema ABC-EVA já foram dados. Os dois primeiros foram
descritos no item 4. Para a análise gerencial através do Custeio
Baseado por Atividade, as informações já estariam disponíveis
Pensar Contábil
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Análise de Geração de Valor através da Gestão por Atividades: um Estudo de Caso
e decisões já poderiam ser tomadas a partir delas.
Como cada atividade tem sua receita específica, atualmente
a BetaServ já pode determinar se a atividade está gerando lucro
(ou prejuízo) operacional (EBIT). Todavia, como neste custo não
contempla o custo do capital empregado, não se pode determinar se ela está agregando ou destruindo valor. E é justamente
isso o que buscaremos com este estudo de caso.
As informações do ABC podem ser vistas através da Tabela 5 abaixo, que é o resumo de um Relatório Gerencial
de Atividades de uma Unidade da BetaServ, e demonstra o
custo total de cada uma das atividades, através dos grupos
de custo especificados no item 5.2: mão-de-obra operação
e benefícios; supervisão e administração; manutenção; depreciação; e materiais de consumo e manutenção. Com a receita dos serviços, foi possível obter o Lucro Bruto, ou Gross
Profit (GP), e a Margem Bruta, ou Gross Margin (GM).
Tabela 5: Resumo de Relatório Gerencial
R$
Atividade
14
Mão-de-obra
operação e
benefícios
12.112,22
Supervisão e
administração
7.001,23
Atividade
15
11.012,62
Atividade Atividade Atividade
16
18
22
66.615,88
16.210,26
15.321,70
Tabela 6: Tabela de Análise de Dependência de Capital
4.555,08
24.694,65
7.144,13
7.789,76
Manutenção
8.468,92
1.829,91
1.798,84
4.117,48
7.254,73
Depreciação
28.411,67
13.552,33
9.112,50
21.527,67
21.500,00
Materiais de
consumo e
manutenção
Custo Total
67.085,13
123.079,17
14.495,32
14.249,18
32.615,90
57.467,09
150.192,00
GM (%)
INVENTORY
Custo de Capital por
Linha de Serviço
NBV
AR
Atividade 14
10.228
1.392
97
11.717
Atividade 15
4.879
467
21
5.367
Atividade 16
3.281
1.059
21
4.360
Atividade 18
7.750
868
47
8.665
Atividade 22
7.740
1.235
83
9.058
50.409,67 114.278,82 93.661,70 133.244,83
Total de Custo
de Capital
33.878
5.021
269
39.168
Impostos
GP
R$
45.445,27 116.471,05 81.615,42 109.333,28
Receita dos
Serviços sem
rias descritas acima para o nível das Unidades, ainda resta
a aplicação do custo de capital sobre os demais ativos: AP
(Accounts Payable, ou Contas a Pagar); NBV dos ativos não
alocados nas Unidades, o que inclui aqui os equipamentos
não alocados nas Unidades e todos os referentes à administração central; e os ajustes no capital.
Na Unidade MBH, o rateio de cada categoria foi feito da
seguinte forma:
• NBV – de acordo com os equipamentos utilizados em
cada uma das atividades, conforme Tabela 4, descrita no
Item 5.2. Neste caso, quanto menor o Valor de Livro Líquido
do equipamento utilizado na atividade, menor será o encargo
sobre o capital aplicado nela;
• Estoque – por se tratar de peças de reposição, elas também são rateadas conforme equipamentos utilizados em cada
atividade. Como, por contrato, os serviços prestados pela BetaServ são ininterruptos, existe uma quantidade mínima de peças que devem estar disponíveis para uma rápida reposição;
• AR – como cada atividade tem sua própria receita, o rateio
do Contas a Receber é feito pela receita de cada uma delas.
Pela soma de cada coluna, determinou-se o custo de capital de cada linha de serviço da empresa.
27.112,83
4.964,40
18%
10%
-2.192,23 12.046,28
-2%
23.911,54
13%
18%
De posse dessas informações, o passo seguinte é o cálculo do custo de capital para cada atividade. Em outras palavras, o objetivo deste passo é alocar o custo de capital total
a cada linha de serviço. Para isso foi montada uma tabela de
análise de dependência de capital, onde, para cada linha de
serviço (atividade), foi determinado um rateio de cada categoria contábil sujeita a um cálculo de custo de capital, como
pode ser verificado na Tabela 6 abaixo. Assumiu-se uma
Taxa de Custo de Capital como 0,60% e aplicou-se sobre
todas as categorias contábeis.
No nível das Unidades, as categorias contábeis para o
cálculo do EVA se dividem em três:
• NBV (Net Book Value, ou Valor de Livro Líquido). Esta
categoria representa o valor adquirido do ativo menos o total
já depreciado até o respectivo mês;
• Inventory, ou estoque. No caso da BetaServ, é formado
basicamente por peças de reposição dos equipamentos da
Unidade; e
• AR (Accounts Receivable, ou Contas a Receber).
Cabe aqui a explicação de que, no caso da BetaServ
Brasil, para o cálculo do EVA da empresa, além das catego-
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 5 - 13, out./dez. 2007
Para o cálculo dos impostos, foi considerada a taxa de
34% sobre o lucro operacional. Como cada atividade tem sua
respectiva receita, esta foi multiplicada pela taxa, chegando
assim ao rateio dos impostos.
O cálculo completo do EVA para todas as cinco atividades
é resumido na Tabela 7, abaixo.
Tabela 7: Cálculo do EVA
Atividade
14
Receita dos Serviços
150.192,00
sem Impostos
Lucro Operacional
(EBIT)
Atividade
15
Atividade
16
50.409,67 114.278,82
Atividade
18
Atividade
22
93.661,70 133.244,83
27.112,83
4.964,40
-2.192,23
12.046,28
23.911,54
9.218,36
1.687,90
-745,36
4.095,73
8.129,92
Lucro Oper. Líquido
depois das Taxas
(NOPAT)
17.894,47
3.276,50
-1.446,87
7.950,54
15.781,62
Custo de Capital
(NBV) 10.228,20
4.878,84
3.280,50
7.749,96
7.740,00
1.391,95
467,19
1.059,12
868,04
1.234,89
97,01
20,96
20,6
47,16
83,1
Impostos
Custo de Capital (AR) Custo de Capital
(Inventory)
EVA 6.177,31
-2.090,48 -5.807,09 -714,62
6.723,63
11
Pensar Contábil
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Raimundo Nonato Sousa da Silva
Tiago de Amorim Bueno Vieira
Pela análise primeiramente do lucro operacional (EBIT) da
análise do Custeio Baseado em Atividades, parece-nos que
a Atividade 14 é a mais lucrativa, seguida pelas atividades
22, 18 e 15, que, em ordem decrescente de lucratividade, se
mantêm lucrativas. Em seguida, temos a atividade 16, que
nos parece deficitária para a empresa. Essa análise já era de
conhecimento da empresa desde a implantação do ABC.
Todavia, a análise dos resultados obtidos pelo novo Sistema ABC-EVA Integrados proveu valiosas informações para
os gerentes da BetaServ. As atividades 14 e 22 demonstraram criar valor econômico para a empresa. A receita gerada
pelo fornecimento do serviço era capaz de recuperar todos
os custos associados ao serviço. A Atividade 16, como já era
de esperar, destrói valor para a BetaServ, na medida em que
já havia um prejuízo operacional. Entretanto, as Atividades
16 e 18, que geravam lucro operacional, estavam destruindo
valor dos acionistas. Os custos totais destes serviços eram
maiores que as receitas geradas.
A comparação entre os custos informados pelos dois sistemas mostra que, se considerássemos somente o lucro operacional (EBIT) obtido através do Sistema ABC, não teríamos
detectado que havia três atividades que estavam destruindo
valor da empresa.
Para determinarmos precisamente as razões para as três
atividades estarem destruindo valor aos acionistas, precisaríamos fazer uma análise detalhada de seus custos operacionais
e do dimensionamento utilizado em cada uma delas, além dos
preços praticados. No caso específico da Atividade 16, já havia sido detectado no custeio por atividade que se tratava de
um serviço que gerava prejuízo para a empresa. Seu custo
operacional está maior que a receita. Isso, somado ao custo
de capital, faz com que seja a atividade que mais destrói valor
na Unidade MBH. Mas, nos casos das Atividades 15 e 18, se
somente analisarmos a Tabela 6 de Análise de Dependência
de Capital, poderemos perceber que o maior peso do custo
de capital se concentra no item de NBV, ou seja, relacionado
ao valor líquido de livro dos equipamentos utilizados. Apesar
de estarem gerando lucro operacional, este não é capaz de
superar o somatório dos encargos de capital.
Outra observação importante é que, analisando o lucro operacional, temos a Atividade 14 como a mais lucrativa das cinco.
No entanto, por se tratar de uma atividade que utiliza mais capital que as demais, tem, conseqüentemente, um maior custo
de capital. Isso faz com que a Atividade 22, que tinha um EBIT
menor, agregue mais valor à empresa do que a 14.
O EVA total da Unidade MBH e o de cada atividade podem ser vistos na Tabela 8 abaixo. Como pode ser verificado,
quando a análise é feita do EVA somente da Unidade MBH,
percebe-se que a Unidade está agregando valor ao acionista. Porém apenas pelo Sistema ABC-EVA integrados se
pode detectar atividades que estavam destruindo valor. Fica
caracterizada a existência de um subsídio cruzado, onde no
sistema antigo as Atividades 14 e 22 subsidiam os outros
serviços na geração de valor.
Tabela 8: EVA total e por atividade
TOTAL
EVA
12
4.288,74
Atividade
14
Atividade
15
Atividade
16
6.177,31 -2.090,48
-5.807,09
Atividade
18
-714,62
Atividade
22
6.723,63
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 5 - 13, out./dez. 2007
De posse destas informações, existem algumas opções
de decisões que os gerentes da BetaServ podem tomar.
Entre as possíveis decisões, eles poderiam otimizar os
equipamentos na Unidade MBH, principalmente das atividades que estariam destruindo valor. Ou seja, verificar
e analisar a frota de equipamentos destas atividades, de
modo a redimensioná-la. Para isso, seria válido desfazer-se
(vender) dos equipamentos subtilizados, e otimizar o uso
dos equipamentos da unidade, aumentando a utilização daqueles que permanecerem. Desta forma, reduzir-se-iam os
ativos da unidade, principalmente destas atividades. Outra
possibilidade é a substituição destes equipamentos por outros com NBV menores. Todas estas soluções estão diretamente ligadas ao custo de capital referente ao NBV. Esta
categoria é responsável por 86% do total de custo de capital
da Unidade, e, por isso, é a que se refletiria mais fortemente
no valor aos acionistas.
Outra opção para os gerentes é reduzir o AR. Para isso,
existem duas possibilidades principais: tentar, através de
uma negociação com o cliente, buscar reduzir o prazo de
pagamento; e buscar todas as faturas que ainda estejam
sem pagar e buscar uma solução. Outras possibilidades
são: a redução de custos operacionais; aumento das receitas através de aumento de preços; aumento de serviço
dentro da mesma atividade de modo a aumentar a receita
sem aumentar o investimento de capital, ou seja, utilizar os
mesmos equipamentos para obter mais receita; ou mesmo
procurar no mercado substituição dos equipamentos de
modo a obter melhor produtividade e menores custos para
aumentar o valor criado.
Essas são só algumas das possíveis estratégias de decisão
dos gerentes para as Atividades 15, 16 e 18 na Unidade MBH
da BetaServ. Em paralelo, a empresa deveria tomar alguma
atitude com relação às Atividades 14 e 22, que pelas informações do Sistema ABC-EVA integrados acima demonstram ser
mais atrativas. Um exemplo: ela deveria tentar aumentar os
esforços de marketing para divulgar estes serviços.
Assim, a adoção do novo sistema de custos permite à alta
gerência da BetaServ tomar decisões gerenciais com base
em um cálculo do custo de serviços mais acurado.
7. Conclusão
O trabalho teve como objetivo demonstrar como o Sistema ABC-EVA Integrados pode ser usado como uma ferramenta de gestão capaz de gerar informações para avaliação
de criação/destruição de valor de cada produto e para o processo como um todo.
As informações extraídas da análise dos resultados obtidos pelo estudo de caso aplicando o Sistema ABC-EVA integrados, ou seja, o conceito de criação de valor para cada atividade, revelaram a magnitude das diferenças constatadas
entre análise do Sistema ABC e a abordagem do ABC-EVA
integrados. Apesar de o ABC prover precisas informações
sobre os custos operacionais dos produtos, ele não identifica
quais são criadores de valor econômico e, conseqüentemente, contribuem para a saúde dos seus acionistas, o que é
permitido pela integração dos dois sistemas.
Entre as principais conclusões que podem ser extraídas
deste estudo, está que é possível obter resposta tecnicamen-
Pensar Contábil
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Análise de Geração de Valor através da Gestão por Atividades: um Estudo de Caso
te mais consistente sobre o custo total dos serviços, quando
se utiliza o conceito da abordagem de criação de valor ao
acionista para cada atividade utilizando-se o Sistema ABCEVA integrados.
Finalmente, é oportuno considerar que os resultados ob-
tidos neste estudo só foram possíveis em função da disponibilidade de informações de recursos consumidos por atividades, especialmente do custo de capital identificado pelas
respectivas atividades, o que permitiu a verificação da geração ou destruição de valor.
Bibliografia
COGAN, Samuel. Uma contribuição à utilização do EVA® como um modelo de gestão: Integrando o EVA® e o ABC. In: ENANPAD,
26, 2002, Salvador, Bahia.
COOPER, R., & KAPLAN, R. S. Activity-Based Systems: Measuring the Costs of Resource, 1992.
COOPER, Robin & SLAGMULDER, Regine. Integrating Activity-Based Costing and Economic Value Added. Management Accounting, Jan 1999.
DOWNES, John & GOODMAN, Jordan E. Dicionário de Termos Financeiros e de Investimento. Ed. Nobel, 1993.
EHRBAR, Al. EVA. Valor Econômico Agregado: a verdadeira chave para a criação de riqueza, tradução de Bazán Tecnologia e Lingüística – Rio de Janeiro: Qualitymark Ed., 1999.
GARRISON, Ray H. & NOREENN, Eric W. Contabilidade Gerencial. 9 ed. LTC Editora, 2001.
KAPLAN, R. S. & COOPER, R. Custo e desempenho – Administre seus custos para ser mais competitivo. São Paulo: Editora Futura,
1998.
KAPLAN, Robert S. Contabilidade Gerencial. 2 ed. São Paulo: Editora Atlas, 2000.
LINS, Luiz dos Santos & SILVA, Raimundo Nonato Sousa. Gestão Empresarial com ênfase em Custos. São Paulo: Editora Thomson,
2005.
ROZTOCKI, N., & NEEDY, K. L. (1998). An Integrated Activity-Based Costing and Economic Value Added System as an Engineering
Management Tool for Manufacturers. 1998 ASEM National Conference, 77-84.
ROZTOCKI, N., & NEEDY, K. L. (1999). How to Design and Implement an Integrated Activity-Based Costing and Economic Value
Added System. Industrial Engineering research ‘99 Conference, CD.
ROZTOCKI, N. (2000). The Integrated Activity-Based Costing and Economic Value Added System as Strategic Management Tool: A
Field Study. 2000 Conference on Manufacturing and Management, 84-89.
ROZTOCKI, N. (2001a). The Integrated Activity-Based Costing and Economic Value Added System for the Service Sector. International Conference on Service Management, 387-397.
ROZTOCKI, N. (2001b). Using the Integrated Activity-Based Costing and Economic Value Added System for Project Management.
Seventh Americas Conference on Information Systems, 1454-1460.
VERGARA Sylvia Constant. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. São Paulo: Atlas,1997.
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 5 - 13, out./dez. 2007
13
Pensar Contábil
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Trabalho classificado em 1º lugar no Prêmio Contador Geraldo de La Rocque – 2007
Análise da Utilização dos Indicadores
Essenciais da Global Reporting
Initiative nos Relatórios Sociais
de Empresas Latino-Americanas
Resumo
O documento “Diretrizes para Relatórios de Sustentabilidade”, emitido pela Global Reporting Initiative – GRI, é
um guia de elaboração de relatórios sociais mundialmente
reconhecido e aplicado, que tem como uma das principais
metas o oferecimento aos usuários destas demonstrações
de uma informação mais completa, padronizada e confiável.
Nesse contexto, o objetivo deste trabalho é verificar o grau
de aderência plena aos indicadores essenciais da GRI (GAPIE-GRI), bem como o grau de evidenciação efetiva (GEE)
destes, para as empresas latino-americanas que utilizam as
Diretrizes GRI (exceto as brasileiras) e que divulgam seus
relatórios pela Internet (meio que possibilita ampla divulgação do relatório). Entre as conclusões relatadas no trabalho,
destaca-se o fato de que (a) os menores índices tanto de
GAPIE-GRI quanto de GEE estão concentrados no grupo de
indicadores sociais, (b) o grupo de indicadores econômicos é
o que apresenta maior média, (c) as empresas que afirmam
possuir um relatório “de acordo com” a GRI não foram as que
obtiveram os melhores resultados e (d) as empresas analisadas encontram-se em diferentes estágios de aderência às
Diretrizes da GRI.
Palavras-chave: relatórios sociais, Global Reporting Initiative, empresas latino-americanas.
Abstract
The document “Sustentability Reporting Guidelines”, issued by Global Reporting Initiative – GRI, is a worldwide guide which serves for making social reports. It offers, as one of
its main objectives, a better way to issue reports within more
complete, accurate and trustable information for this specific public. The objective of this work is to identify how strong
and effective the GRI index are for the Latin American Corporations that use these informations and that disclosure their
reports through internet. Among the conclusions of this work
is important to emphasize that: a) the minor indicators from
the GAPIE-GRI as such as the GEE are concentrated in the
social group indicators, b) the economic group indicators are
the ones that show the biggest average, c) the corporations
which assert that their reports are “in accordance” with the
Fernanda de Medeiros Carvalho
Rio de Janeiro-RJ
Mestre em Ciencias Contábeis – FACC/UFRJ1
[email protected]
Jose Ricardo Maia de Siqueira
Rio de Janeiro-RJ
Professor do Mestrado em Ciências Contábeis –FACC/UFRJ
Doutor em Engenharia de produção – COPPE/UFRJ
[email protected]
GRI`s were not the ones that obtained the best results and
d) the analysed corporations are still in different level in the
process of the GRI informations accomplishment.
Keywords: social reports, Global Reporting Initiative, latin
american corporations.
1. Introdução
O balanço social, ou relatório de sustentabilidade, é um
demonstrativo que visa à apresentação de informações acerca da interação da empresa com o meio em que se encontra
inserida. A elaboração e a publicação deste demonstrativo
não são obrigatórias, mas é notavelmente crescente a utilização do balanço social pelas organizações.
No entanto, num contexto geral, os balanços sociais apresentados atualmente mostram-se incompletos, possuem
baixa padronização e transparência e ainda denotam grande influência da área de marketing (SIQUEIRA, 2003, p. 1).
Isto faz com que o referido demonstrativo perca a validade
em relação à sua finalidade, que é apresentar informações
qualitativas e quantitativas que permitam ao usuário avaliar o
perfil social da empresa.
Assim como os demonstrativos contábeis seguem princípios e convenções para sua elaboração, os relatórios de
sustentabilidade devem também ser elaborados sob a luz
de princípios como: transparência, inclusão, verificabilidade,
abrangência, relevância, contexto de sustentabilidade, exatidão, neutralidade, comparabilidade, clareza e periodicidade
(GRI, 2006, p. 21 e ETHOS, 2006, pp. 7 e 8).
Numa tentativa de serem gerados relatórios de sustentabilidade mais completos, padronizados e mais confiáveis, a
FACC-UFRJ – Faculdade de Administração e Ciências Contábeis da Universidade Federal do Rio de Janeiro – CEP 21.941-590 – Rio de Janeiro – RJ.
1
Artigo recebido em 28/09/2007 e aceito em 05/11/2007.
14
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 14 - 22, out./dez. 2007
Pensar Contábil
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Análise da Utilização dos Indicadores Essenciais da Global Reporting Initiative nos Relatórios Sociais de Empresas Latino-Americanas
Global Reporting Initiative – GRI, percebendo a fragilidade
dos relatórios dessa natureza, lançou um guia de elaboração de relatórios de sustentabilidade denominado “Diretrizes
GRI” (GRI, 2006).
2. Balanço Social e o Modelo da GRI
Souza (1997, p. 2) oferece um bom conceito de balanço
social, afirmando que este se trata “de uma avaliação para
medir e julgar os fatos sociais vinculados à empresa, tanto
internamente (empresa/empregados) como externamente
(empresa/comunidades)”. Apesar de ser uma definição simples, não se nota aqui o viés de marketing social encontrado
em outros conceitos (Perottoni e Cunha, 1997, p. 13; Arrigoni, 2000, p. 49). Em suma, o balanço social é um instrumento
de avaliação que deve refletir o efetivo compromisso social
de uma organização.
Infelizmente, os balanços sociais vêm apresentando diversos problemas que prejudicam o alcance de seu objetivo, a saber: abrangência limitada, viés para marketing, baixa
transparência e uma frágil padronização.
2.1. Abrangência dos balanços sociais
Entendendo as vertentes do balanço social elencadas pela
Fipecafi (2003) como complementares, se verificará que com
freqüência os relatórios sociais não contemplam o conjunto de
informações que a sociedade anseia. Cunha e Ribeiro (2004,
p. 12) destacam em seu trabalho que, do total de 284 empresas analisadas, apenas três apresentaram informações
concernentes a todos os aspectos relevantes. A baixa abrangência aqui destacada encontra respaldo em outras pesquisas
(Pinto e Ribeiro, 2004; Siqueira e Vidal, 2003).
2.2. Viés para marketing
A prática atual tem sido, freqüentemente, destacar os
aspectos positivos, em vez de externalizar o real papel da
organização (Silva e Freire, 2001, p. 3), o que vai de encontro ao seu objetivo, ou seja, apresentar dados que permitam
identificar a qualidade de suas relações com os empregados,
a comunidade e o meio ambiente. A crítica ao uso do balanço
social como instrumento para gestão da imagem corporativa
é reforçada em várias pesquisas (Silva e Freire, 2001; David
e Ott, 2003; Pinto e Ribeiro, 2004; Siqueira e Vidal, 2003).
2.3. Transparência dos balanços sociais
A transparência das informações evidenciadas através do
balanço social se traduz na existência de uma revisão por entidade independente, na identificação do responsável pelas
informações e na emissão de notas explicativas. Três características escassas nos demonstrativos sociais brasileiros.
Pinto e Ribeiro (2003) destacam que não encontraram nenhuma nota explicativa na amostra analisada em seu estudo.
Outros trabalhos criticam a baixa transparência dos balanços
sociais (David e Ott, 2003; Oliveira, 2003).
2.4. Comparabilidade dos balanços sociais brasileiros
O grau de responsabilidade social de uma empresa é, em
grande parte, uma medida relativa. O balanço social — como
instrumento de mensuração da responsabilidade social —
tem, em função de sua baixa comparabilidade, falhado em
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 14 - 22, out./dez. 2007
cumprir com seu principal papel. Guarneri (2001, p. 159) destaca que a inexistência de um padrão desperta a desconfiança dos usuários de que os balanços sociais estão se transformando em peças de marketing. Essa é, possivelmente,
uma das principais críticas direcionadas aos balanços sociais
pelos pesquisadores (Gray, Kouhy e Lavers, 1995; Deegan e
Gordon, 1996; Silva et al, 2001; Miranda et al, 2001; Guarneri, 2001; Siqueira e Vidal, 2003).
2.5. A contribuição do modelo GRI
O modelo proposto pela GRI apresenta importantes contribuições, oferecendo uma informação abrangente, não
orientada para o gerenciamento da imagem corporativa, e,
por ser um modelo consolidado internacionalmente, oferece
as bases para uma maior comparabilidade das informações.
A GRI representa um grande esforço para a harmonização
das informações, o que traz maior valor ao relatório.
A GRI foi criada em 1997 pela CERES – Coalition for Environmentally Responsible – em conjunto com a UNEP – United Nation’s Environment Programme (RAAR, 2002, p. 170),
com o “objetivo de melhorar a qualidade, o rigor e a aplicabilidade dos relatórios de sustentabilidade” (GRI, 2006, p. I).
Em março de 1999, surgiu um esboço das “Diretrizes para
Relatórios de Sustentabilidade (Diretrizes)” (RAAR, 2002, p.
170). Essa primeira versão ainda foi aperfeiçoada após as
sugestões das partes interessadas, tendo a GRI lançado sua
segunda versão em junho de 2002 (MASSIE, 2001, p. 60).
Em outubro de 2006, foi lançada a terceira geração das diretrizes (GRI, 2006a).
Todo esse esforço é realizado para que a GRI possa concretizar a missão de “desenvolver e divulgar as Diretrizes
para Relatórios de Sustentabilidade, de aplicabilidade global” (GRI, 2006, p. 2), e estabelecer princípios amplamente
adotados para que se possa promover uma harmonização
internacional deste tipo de relatório (WOODS, 2003, p. 60).
O resultado de todo o trabalho conduzido pela GRI se configura nas suas Diretrizes. Estas são como um guia na elaboração de relatórios sobre o desempenho das empresas no âmbito econômico, social e ambiental (chamado de triple bottom
line – resultado triplo), sendo estes os alicerces da sustentabilidade, conforme afirmam Veleva et al (2003, p. 112).
A GRI (2006, p. 13) define que, para que um relatório seja
considerado “de acordo com” as Diretrizes, precisa atender
aos seguintes requisitos: 1) prestar todas as informações requeridas nas seções 1 a 5 da Parte C (respectivamente: Visão e Estratégia, Perfil, Estrutura de Governança e Sistemas
de Gestão, Sumário de Conteúdo da GRI e Indicadores de
Desempenho Econômico, Ambiental e Social); 2) seguir os
princípios estabelecidos na Parte B das Diretrizes; e 3) apresentar a declaração padrão definida pela GRI, assinada pelo
Conselho ou pelo diretor-presidente, onde estes afirmam que
o relatório foi elaborado “de acordo com” as Diretrizes e que
apresenta um balanço equilibrado e correto do desempenho
econômico, ambiental e social da organização. Ainda deve
ser frisado que, se a empresa optar por elaborar um relatório
“de acordo com”, deve justificar a não divulgação de qualquer
indicador considerado essencial pela GRI (GRI, 2006, p. 14).
Apesar das vantagens oferecidas pelo modelo, Dias (2006)
aponta um risco nos relatórios emitidos usando indicadores
15
Pensar Contábil
Fernanda de Medeiros Carvalho
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Jose Ricardo Maia de Siqueira
do GRI: a possibilidade de haver um descompasso entre o
que o modelo solicita e o que é efetivamente publicado.
O estudo de Dias (2006) analisou a utilização do modelo
proposto pela GRI através do cálculo do grau de aderência
plena aos indicadores essenciais de desempenho econômico,
ambiental e social da GRI, e nele as empresas foram classificadas de acordo com a conformidade entre os dados informados nos relatórios sociais como referentes ao GRI e o que realmente era solicitado pelo modelo. Neste estudo, evidenciou-se
que as empresas brasileiras se encontram em diferentes fases
de utilização do GRI, variando este grau de aderência plena
aos indicadores de 95,83% (Natura) a 6% (Souza Cruz).
3. Definição do Problema
Visando estender as observações feitas por Dias (2006)
às demais empresas latino-americanas, é formulada a seguinte questão:
Como as empresas latino-americanas (com exceção das
brasileiras) que utilizam as Diretrizes da GRI em seus relatórios de sustentabilidade disponibilizados pela Internet acompanham as determinações requeridas pelas Diretrizes para
a divulgação de um relatório completo, no que diz respeito à
aderência aos indicadores essenciais da GRI e à evidenciação efetiva do solicitado pelas Diretrizes?
4. Objetivo do Trabalho
Tendo em vista o problema acima definido, o objetivo geral
do estudo é analisar o grau de aderência plena aos indicadores essenciais da GRI, bem como o grau de evidenciação
efetiva dos relatórios de sustentabilidade das empresas pertencentes à América Latina.
5. Metodologia
Para a seleção da amostra analisada por esta pesquisa,
adotaram-se os seguintes critérios: 1) a base de dados utilizada para seleção é a constante no site oficial da GRI no dia
15/09/2006; 2) fazem parte do escopo todas as empresas
cuja matriz esteja situada em países da América Latina; 3)
excluem-se as empresas com matriz no Brasil; 4) a pesquisa
limita-se às empresas com relatório de sustentabilidade do
ano base de 2005, contendo o Sumário GRI.
Para calcular o grau de evidenciação efetiva e o grau de
aderência plena das empresas da América Latina às Diretrizes
da GRI, primeiramente foram retiradas as empresas brasileiras que adotam o GRI. Isso se justifica pelo fato de que o grau
de aderência plena das empresas brasileiras às Diretrizes da
GRI já foi objeto de estudo anterior, de autoria de Dias (2006).
Delimitou-se o escopo da pesquisa para os relatórios de
sustentabilidade relativos ao ano de 2005 e que apresentassem em seu relatório o sumário GRI, visto que a inexistência deste torna inviável a busca da informação exigida
pelo indicador.
A fonte definida para a coleta dos dados foi o site oficial da
GRI, pois contém dados mais atualizados a respeito das publicações de relatórios de sustentabilidade que utilizam o modelo
da GRI, sendo uma fonte segura de captura de informações.
Como o site da GRI é atualizado constantemente, foi definida como data de corte, para verificação das empresas relatoras pertencentes à América Latina, o dia 15/09/06.
16
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 14 - 22, out./dez. 2007
A partir deste critério foram selecionadas oito empresas
— conforme quadro abaixo —, sendo estas da Bolívia, Chile, Equador, México e Nicarágua. O site da GRI informa a
categoria do setor da economia à qual pertencem e se possuem relatórios “de acordo com” ou com uma “abordagem
informal” das Diretrizes da GRI. Das organizações selecionadas, conforme categorização disponível no site da GRI, três
pertencem ao ramo energético, duas são mineradoras, duas
são instituições financeiras e uma é pertencente à indústria
química. Apenas duas relatam possuir relatórios elaborados
“de acordo com” as Diretrizes da GRI.
Quadro 1: Empresas selecionadas para análise
Qde
País
Organização
Setor da
Economia
Relatório “De
acordo com”
1
Bolívia
Transredes S.A.
Energia
Não
2
Chile
Corporación Nacional del
Cobre de Chile (Codelco)
Mineração
Sim
3
Chile
Empresa Nacional de
Electricidad (Endesa Chile)
Energia
Não
4
Chile
Empresa Nacional del
Petroleo (ENAP)
Químico
Não
5
Chile
Minera Escondida
Limitada
Mineração
Sim
6
Equador
Banco Solidario
Financeiro
Não
7
México
PEMEX
Energia
Não
8
Nicarágua
Findesa
Financeiro
Não
Fonte: Adaptado do GRI (2006).
5.1. Tratamento dos dados
A análise dos relatórios consiste na comparação entre a
informação solicitada pelo indicador essencial GRI e o que
efetivamente foi informado pela organização relatora.
Para possibilitar o cálculo do grau de aderência plena aos
indicadores essenciais e o grau de evidenciação efetiva para
as empresas sob análise, foi desenvolvida um tabela que
permite fazer uma classificação do indicador.
Primeiramente o indicador requerido foi classificado como
“apresentado” ou “não apresentado”. Dentro desta classificação,
há uma divisão em categorias; o indicador “apresentado” pode
ser categorizado como: com “aderência plena”, com “aderência
parcial”, “dúbio”, ou “inconsistente”; e o indicador “não apresentado” pode ser subdividido em: “não disponível”, “não aplicável”,
“omitido com justificativa”, ou simplesmente “omitido”.
O critério de alocação do indicador nessas classificações
foi o mesmo utilizado por Dias (2006, p. 94):
Indicadores “apresentados”:
• Aderência Plena – quando todos os dados requeridos
pelo indicador essencial da GRI sob análise foram devidamente fornecidos pela empresa;
• Aderência Parcial – quando apenas parte das informações solicitadas pelo indicador essencial da GRI sob análise
foi apresentada pela empresa;
• Dúbio – quando não é possível avaliar se a aderência
é plena ou parcial, em função de não haver informação suficiente para esta conclusão;
Pensar Contábil
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Análise da Utilização dos Indicadores Essenciais da Global Reporting Initiative nos Relatórios Sociais de Empresas Latino-Americanas
Inconsistente – quando as informações apresentadas
pela empresa diferem do solicitado pelo indicador essencial
da GRI sob análise.
Indicadores “não apresentados”:
Não Disponível – quando a informação solicitada pelo
indicador sob análise é pertinente às atividades da empresa,
mas esta não tem ainda condições de fornecê-la;
Não Aplicável – quando a informação requerida pelo indicador sob análise não é pertinente às atividades da empresa
ou ao setor em que ela atua;
Omitido com Justificativa – quando os dados requeridos pelo indicador sob análise são pertinentes às atividades
da empresa, mas estes são omitidos por decisão da organização, que apresenta a justificativa para tal omissão;
Omitido – quando o indicador essencial não é apresentado ao usuário, sem o oferecimento de qualquer justificativa.
Uma vez classificados os indicadores essenciais informados pela empresa, segue-se com a análise calculando o grau
de aderência plena aos indicadores essenciais da GRI, cuja
sigla de denominação é GAPIE-GRI.
Este cálculo permite que se perceba o percentual de aderência de cada empresa ao que foi solicitado pela GRI, podendo este ser de 0% a 100%. A forma de cálculo segue o
que foi utilizado em pesquisa anterior de Dias (2006, p. 95), e
se dá pela seguinte fórmula:
GAPIE-GRI =
Total dos indicadores com APL + Total dos indicadores OJ
Total dos indicadores essenciais - Total dos indicadores NA
Onde:
GAPIE-GRI = Grau de aderência plena aos indicadores essenciais da GRI
APL = Aderência Plena
OJ = Omitidos com Justificativa
NA = Não Aplicáveis
Conforme destacado por Dias (2006, p. 96), no numerador, o total dos indicadores omitidos com justificativa é somado ao total de indicadores com aderência plena pelo fato de
que a GRI permite a não apresentação de indicadores, desde
que seja justificada. Adicionalmente, no denominador, o total
de indicadores não aplicáveis é subtraído do total de indicadores essenciais para não prejudicar o resultado do grau de
aderência plena da empresa em função da existência de um
indicador que não se aplique às suas atividades.
Adicionalmente, neste trabalho, foi desenvolvido o cálculo
do grau de evidenciação efetiva, com o objetivo de mensurar o percentual da quantidade de informação efetivamente
relatada pela organização dentro do potencial total de informação do modelo GRI.
O cálculo do GEE compreende o seguinte:
GEE =
Total dos indicadores com APL
Total dos indicadores essenciais - Total dos indicadores NA
Onde:
GEE = Grau de evidenciação efetiva
APL = Aderência Plena
NA = Não Aplicáveis
Os indicadores “não aplicáveis” foram novamente subtraídos
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 14 - 22, out./dez. 2007
do total de indicadores essenciais propostos pelo modelo GRI
para que o resultado não fosse influenciado por indicadores que
não se ajustam às atividades da empresa sob análise.
6. Análise dos Índices GAPIE-GRI e GEE
6.1. Transredes S.A.
Após a análise, verificou-se que a Transredes S.A. apresenta um GAPIE-GRI igual ao GEE, de 50%. Dos 50 indicadores essenciais propostos pela GRI, apenas sete não foram
apresentados pela empresa — dos quais cinco correspondem à vertente social. Dos indicadores apresentados, três
são inconsistentes e apenas um é dúbio.
A vertente econômica se destaca por apresentar maior
grau de aderência plena e maior grau de evidenciação efetiva, montando a 70%. Nesta vertente, o indicador EC9, por
exemplo, é de aderência parcial, pois somente explicou o
subsídio, mas não demonstrou seu valor no ano de 2005.
A vertente ambiental possui GAPIE-GRI e GEE de 53,33%
e concentra a maior quantidade de indicadores inconsistentes — dois em um total de três, sendo eles: EN2 e EN6.
A vertente social possui GAPIE-GRI e GEE de 34,78%, o
menor entre as demais vertentes. Isso porque, de um total
de 24 indicadores propostos, cinco não foram apresentados
(LA1, LA2, LA3, LA9 e PR2) e 10 foram considerados como
de aderência parcial.
6.2. Corporación Nacional del Cobre
de Chile – CODELCO
O relatório de sustentabilidade de 2005 da CODELCO
está classificado no site da GRI como um relatório elaborado
“de acordo com” as Diretrizes. Mas, apesar de sua categorização como “de acordo com”, o grau de aderência plena
aos indicadores essenciais da GRI ficou em apenas 54%, e
o grau de evidenciação efetiva foi de 52%. Apresentou, também, um total de seis indicadores inconsistentes, e dez com
aderência parcial.
Dos indicadores econômicos, o EC1 foi considerado dúbio
porque não fica claro se o valor apresentado corresponde
ao saldo de vendas líquidas (solicitado pela GRI) ou de vendas brutas, já que o texto utiliza apenas a palavra “vendas”.
O indicador EC5 possui aderência parcial por não segregar
o montante de folha de pagamento e benefícios por região
onde atua. E o indicador EC6 é inconsistente por apresentar o saldo de passivo circulante, de longo prazo, patrimônio
líquido e participação de minoritários de 2005 e anos anteriores, e não o valor pago em razão de dívida e empréstimos
de investidores ou de terceiros no período de 2005. Mesmo
assim, o grupo de indicadores econômicos ainda apresentou
GAPIE-GRI de 60% e GEE de 50%.
Para a CODELCO, a vertente com maior GAPIE-GRI e
GEE foi a ambiental, com 81,25% em ambos. Seu resultado só foi impactado pela não apresentação dos indicadores
EN4, EN9 e EN15 — considerados não disponíveis.
Os indicadores sociais foram os mais prejudicados, e
apresentaram GAPIE-GRI e GEE de apenas 33,33%, o que
é surpreendentemente baixo para um relatório “de acordo
com”. Dos 6 indicadores inconsistentes, quatro são da vertente social. Do mesmo modo, 9 dos 10 indicadores com
aderência parcial pertencem a essa vertente.
17
Pensar Contábil
Fernanda de Medeiros Carvalho
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Jose Ricardo Maia de Siqueira
6.3. Empresa Nacional de Electricidad – ENDESA Chile
A ENDESA Chile apresentou um GAPIE-GRI de 57,14%
e um GEE de 55,10%. Isso porque, embora ela tenha alcançado 90% de GAPIE-GRI e GEE para os indicadores econômicos, para os indicadores ambientais e principalmente para
os indicadores sociais a empresa não apresentou a mesma
qualidade no que diz respeito à consistência da informação
apresentada com a informação solicitada nas Diretrizes. Esses dois últimos grupos de indicadores apresentaram, respectivamente, GAPIE-GRI de 66,67% e 37,50% e um GEE
de 60% e 37,50%.
Do total de 50 indicadores essenciais — considerando os
três grupos: econômico, social e ambiental — a companhia
deixou de apresentar apenas quatro, porém apresentou seis
indicadores inconsistentes e um dúbio.
O indicador considerado inconsistente no grupo econômico
foi o EC6, pois, em vez de informar as distribuições/pagamentos provenientes de qualquer tipo de dívida com investidores,
foi relatada a composição do passivo no ano de 2004 e 2005.
O grupo ambiental apresentou 12 indicadores, e destes
apenas três apresentaram problemas: o EN6, considerado
como dúbio; o EN15, considerado como inconsistente, pois
foram apresentadas informações requisitadas pelo indicador
adicional EN35 (Total de gastos ambientais e especificação
por tipo); e o EN11, que teve aderência parcial por não ter informado a quantidade de resíduo por destino, classificando-o
apenas por tipo.
No grupo de indicadores sociais, registram-se quatro inconsistentes (LA4, HR7, PR1 e PR2), todos por apresentarem informações distintas do solicitado pela GRI. Do total
de 13 indicadores avaliados como de aderência parcial, 11
estão neste grupo.
6.4. Empresa Nacional del Petróleo – ENAP
O resultado do cálculo do grau de aderência plena aos
indicadores essenciais da GRI e do grau de evidenciação
efetiva revelou uma grande fragilidade do relatório da ENAP
no que tange ao requerido pelas Diretrizes. Essa percepção
está retratada no índice de apenas 18,36% obtido para o GAPIE-GRI e de 16,33% para o GEE.
Um fator que contribuiu em demasia para este resultado
foi a grande quantidade de indicadores não apresentados,
que somaram 23; sendo que, destes, 22 foram omitidos sem
justificativa, principalmente no grupo de desempenho social.
Além disso, dos 27 indicadores apresentados, apenas oito
foram considerados com aderência plena.
O desempenho econômico apresentou 11,11% nos dois
índices, pois apenas um indicador configurou aderência plena e foi descrito como não aplicável. O indicador EC1 foi considerado dúbio porque não esclarece se o valor das vendas
se refere às vendas líquidas (como solicitado) ou brutas. Os
indicadores EC2, EC6 e EC8 foram considerados como inconsistentes, já o EC3 e o EC5 tiveram aderência parcial.
O desempenho ambiental foi o que apresentou maior
GAPIE-GRI e GEE, montando a 31,25% para ambos, pois
foi o grupo com maior número de indicadores de aderência
plena (cinco indicadores). O indicador EN8 é considerado
inconsistente, visto que informa a política para redução da
emissão de gases causadores do efeito estufa, e não a quan-
18
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 14 - 22, out./dez. 2007
tidade de gases dessa classificação emitida em 2005. Já os
indicadores EN11, EN12 e EN13 foram considerados com
aderência parcial e o EN16 como dúbio, já que este deixa
dúvidas quanto à existência ou não de incidentes e multas
nos demais países onde opera, além do Chile.
O desempenho social apresentou o GAPIE-GRI e o GEE
mais baixos do relatório da ENAP, chegando a 8,33% para ambos. Isto porque 14 indicadores foram omitidos sem justificativa
e apenas dois foram classificados como de aderência plena. O
HR5 foi considerado inconsistente e sete outros — LA1, LA5,
LA6, LA9, HR3, SO1 e SO2 — obtiveram aderência parcial.
6.5. Minera Escondida Limitada
A Minera Escondida obteve 44,90% de grau de aderência
plena aos indicadores essenciais da GRI, e 42,86% de grau
de evidenciação efetiva. Índices relativamente baixos para
uma empresa que afirma publicar um relatório “de acordo
com” a GRI. O fato que mais influenciou esse resultado foi a
apresentação de 18 indicadores com aderência parcial, sendo que, destes, 12 se concentram no grupo social.
No desempenho econômico, apesar de terem sido apresentados todos os indicadores, o GAPIE-GRI e o GEE montam ambos a 50%. Isto se deve à classificação do indicador
EC1 como dúbio, do EC2 e EC3 como inconsistentes e do
EC9 e EC10 como de aderência parcial.
O desempenho ambiental também não deixou de apresentar nenhum indicador, e conseguiu um GAPIE-GRI e um GEE
de 62,5% por ter relatado mais indicadores com aderência
plena proporcionalmente ao total de indicadores essenciais
estipulados para este grupo. O indicador EN2 foi considerado
inconsistente, o EN14 como dúbio e quatro outros — EN4,
EN11, EN12 e EN13 — como aderência parcial.
O desempenho social foi o que apresentou menor GAPIEGRI e GEE, sendo respectivamente 30,43% e 26,09%. Tal
fato foi motivado essencialmente porque apenas seis, dos
24 indicadores essenciais deste grupo, puderam ser considerados de aderência plena. Três indicadores não foram
apresentados, embora nenhum tenha sido omitido sem justificativa. Outros três indicadores se apresentaram de forma
inconsistente: o LA11, o HR2 e o HR5. Doze apresentaram
aderência parcial, a saber: LA2, LA3, LA5, LA6, LA7, LA9,
LA10, HR1, HR4, HR6, SO1 e SO2.
6.6. Banco Solidário
O resultado da análise realizada aponta um grau de aderência plena aos indicadores essenciais da GRI de 28% e
um grau de evidenciação efetiva de apenas 8%. No caso do
GAPIE-GRI os três grupos de indicadores de desempenho
contribuíram com a apresentação de resultados ruins. Para
o GEE, os grupos de indicadores de desempenho ambiental
e social tiveram um rendimento abaixo de 7%, contribuindo
fortemente para o resultado final.
Em termos gerais, o que ocorreu foi que o Banco Solidário
deixou de apresentar 28 dos 50 indicadores essenciais sugeridos pelas Diretrizes, dos quais apenas 10 com justificativa.
Além disso, das 22 informações apresentadas, apenas quatro possuem aderência plena.
O grupo de indicadores econômicos foi o que apresentou melhor resultado entre os demais, sendo, contudo, ainda
Pensar Contábil
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Análise da Utilização dos Indicadores Essenciais da Global Reporting Initiative nos Relatórios Sociais de Empresas Latino-Americanas
baixo — com um GAPIE-GRI de 30% e um GEE de 20%. O
que prejudicou esse grupo foi a quantidade de informações
apresentadas com inconsistências — um total de seis.
No grupo de indicadores ambientais, o resultado foi bastante insatisfatório, com 25% de GAPIE-GRI e 6,25% de
GEE. Esta posição se deve ao fato de que, dos 16 indicadores desse grupo, 12 não foram apresentados — e apenas três com justificativa. E, dos indicadores apresentados,
apenas um possui aderência plena. Os indicadores EN3 e
EN14 foram considerados inconsistentes porque a informação apresentada na página indicada no sumário não corresponde ao solicitado pelo indicador, e o EN5 foi considerado
com aderência parcial porque a informação foi dada em m3/
empregado e não pelo total.
O desempenho social também apresentou baixo GAPIEGRI e GEE, 29,17% e 4,17%, respectivamente. Assim como
o desempenho ambiental, este grupo também possui apenas
um indicador com aderência plena, e nove indicadores não
estão disponíveis. Dos indicadores inconsistentes: o LA9 informou o número de cursos por empregado, e não a média
de horas de treinamento por ano, por empregado e por categoria; no LA10, a informação apresentada na página indicada no sumário GRI não corresponde ao solicitado pelo indicador; o SO1 apresentou os impactos positivos na sociedade
e não o solicitado pelo indicador. Cinco indicadores foram
considerados como obtendo aderência parcial, a saber: LA2,
LA7, LA11, HR6 e SO2.
6.7. Petróleo Mexicano S.A. – PEMEX
O grau de aderência plena aos indicadores da GRI e o
grau de evidenciação efetiva alcançaram 18%. Esse baixo
desempenho se deve principalmente ao fato de que 35 dos
50 indicadores essenciais foram omitidos sem justificativa.
Adicionalmente, dos 15 indicadores apresentados, apenas
nove obtiveram aderência plena ao solicitado pela GRI.
O grupo que apresentou menor desempenho foi o de indicadores sociais, com 8,33% de GAPIE-GRI e GEE, seguido
do grupo de indicadores ambientais, com 18,75% para ambos, e do grupo de indicadores econômicos que apresentou
40% tanto de GAPIE-GRI quanto de GEE.
No grupo econômico, dos dez indicadores sugeridos pela
Diretriz, seis foram omitidos sem justificativa e quatro foram
considerados com aderência plena.
No grupo de indicadores ambientais, oito indicadores
foram omitidos sem justificativa, e apenas três tiveram aderência plena. Os indicadores com aderência parcial foram o
EN3, o EN8, o EN11 e o EN12.
No grupo de desempenho social, dos 24 indicadores propostos, 21 foram omitidos sem justificativa, apenas dois foram considerados de aderência plena (LA5 e SO1), e apenas
um foi classificado como de aderência parcial (LA7) — por
não ter informado sobre a taxa de absenteísmo.
6.8. Findesa
A análise deste relatório revelou um grau de aderência plena aos indicadores essenciais da GRI de 30%, índice igual
ao grau de evidenciação efetiva. Tal resultado foi provocado
principalmente pelo grupo de indicadores sociais, que apresentaram GAPIE-GRI e GEE de 16,67%, demasiadamente
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 14 - 22, out./dez. 2007
abaixo dos 42,86% apresentado pelo grupo ambiental e dos
50% obtidos pelo grupo de indicadores econômicos.
No grupo econômico, o índice montou a 50%, pois quatro
indicadores possuem aderência plena e dois são não aplicáveis. Os indicadores classificados como inconsistentes são:
o EC1, o EC2 e o EC6. O indicador EC3 obteve uma classificação de aderência parcial.
O grupo de desempenho ambiental apresentou índices
de GAPIE-GRI e GEE de 42,86% porque, apesar de apenas
três indicadores possuírem aderência plena, nove dos onze
não apresentados são “não aplicáveis”, o que reduz a base
de cálculo. O indicador EN3 foi classificado como de aderência parcial por não apresentar a informação em joules,
conforme solicitado pela Diretriz, e o EN8 obteve também
essa classificação porque não segregou a informação por
emissão direta e indireta.
Os indicadores do desempenho social obtiveram baixo
GAPIE-GRI e GEE porque 11 foram apresentados com problemas, e quatro não estão disponíveis para a empresa. Destes, o maior número é de indicadores inconsistentes: LA2,
LA9, LA10, LA11, HR4, e PR2 – pois, quando consultada a
página indicada no sumário, não foi encontrada a informação
requerida pelo indicador na Diretriz. O indicador HR1 foi classificado como de aderência parcial, pois não informou os mecanismos de monitoramento e resultados, e não relacionou
as práticas com os padrões internacionais existentes.
6.9. Comparação entre os resultados – GAPIE-GRI
Após a analise individual das empresas selecionadas, estas foram agrupadas em um ranking, organizado de forma
decrescente, do total do grau de aderência plena aos indicadores essenciais da GRI. Esta ação possibilita a melhor
visualização do desempenho de cada empresa.
Quadro 2: Ranking do Resultado do GAPIE-GRI
Organização
Grau de Aderência Plena aos
Indicadores Essenciais da GRI
Indicadores
Econômicos
Indicadores
Ambientais
Indicadores
Sociais
Total
1º
Endesa
Chile
90,00%
66,67%
37,50%
57,14%
2º
Codelco
60,00%
81,25%
33,33%
54,00%
3º
Transredes
S.A.
70,00%
60,00%
34,78%
50,00%
4º
Minera
Escondida
Limitada
50,00%
62,50%
30,43%
44,90%
5º
Findesa
50,00%
42,86%
16,67%
30,30%
6º
Banco
Solidario
30,00%
25,00%
29,17%
28,00%
7º
PEMEX
40,00%
18,75%
8,33%
18,00%
8º
ENAP
11,11%
31,25%
8,33%
16,33%
Fonte: Os autores.
O GAPIE-GRI revela o quanto as empresas que utilizam
as Diretrizes para elaborar seus relatórios de sustentabilidade atendem exatamente ao solicitado pela GRI.
19
Pensar Contábil
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Fernanda de Medeiros Carvalho
Jose Ricardo Maia de Siqueira
Ao analisar os resultados do GAPIE-GRI de cada empresa
comparativamente, percebemos — no quadro anterior — que
nenhuma das empresas da amostra analisada apresentou o
alto grau de aderência plena aos indicadores essenciais da
GRI apresentado por algumas empresas do estudo de Dias
(2006, p. 135).
A organização que apresentou maior GAPIE-GRI foi a
ENDESA Chile com 57,14%. Contudo ela não se encontra
muito à frente da segunda e terceira colocadas no ranking,
com 54% e 50%. Apesar de não poderem ser considerados
como índices de aderência elevados, são muito superiores
aos apresentados pela PEMEX e ENAP, as duas últimas do
ranking — com 18% e 16,33%, respectivamente.
Percebe-se aqui que a declaração “de acordo com” deve
ser vista com certa ressalva pelos usuários dos relatórios sociais, pois não necessariamente significam uma informação
de qualidade superior. É o que pode ser observado nos casos da CODELCO e da Minera Escondida, que obtiveram
GAPIE-GRI abaixo de 55%, ficando atrás de empresas que
afirmaram ter aderência apenas parcial à GRI.
6.10. Comparação entre os resultados – GEE
O GEE tem a finalidade de medir o quanto a empresa
efetivamente apresenta de informações frente ao potencial
total de informações que podem ser relatadas segundo as
Diretrizes. Portanto, quanto maior for o GEE, maior será a
quantidade de informações oferecidas aos usuários. O principal diferencial deste cálculo para o GAPIE-GRI é que neste
os indicadores “omitidos com justificativa” não são considerados como informações válidas, pois, apesar de a GRI permitir
esse ato, a omissão de uma informação pode vir a prejudicar
a percepção do leitor quanto ao desempenho socioambiental
da empresa relatora.
Assim como foi feito para o GAPIE-GRI, elaborou-se um
ranking do resultado do cálculo do GEE para analisar também de forma mais clara o desempenho das empresas estudadas quanto ao grau de evidenciação efetiva.
Quadro 3: Ranking do Resultado do GEE
Grau de Evidenciação Efetiva
Organização Indicadores
Econômicos
Indicadores
Ambientais
Indicadores
Sociais
Total
1º
Endesa
Chile
90,00%
60,00%
37,50%
55,10%
2º
Codelco
50,00%
81,25%
33,33%
52,00%
3º
Transredes
S.A.
70,00%
60,00%
34,78%
50,00%
4º
Minera
Escondida
Limitada
50,00%
62,50%
26,09%
42,86%
5º
Findesa
50,00%
42,86%
16,67%
30,30%
6º
PEMEX
40,00%
18,75%
8,33%
18,00%
7º
ENAP
11,11%
31,25%
8,33%
16,33%
8º
Banco
Solidario
20,00%
6,25%
4,17%
8,00%
Fonte: Os autores.
20
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 14 - 22, out./dez. 2007
Pelo demonstrado no quadro anterior, pode-se perceber
que também para o GEE há grande distância entre o resultado do primeiro e último colocados.
A ENDESA, CODELCO, Transredes, Minera Escondida e
FINDESA mantiveram para o GEE as colocações apresentadas para o GAPIE-GRI, sofrendo apenas pequenas alterações nos resultados obtidos no cálculo dos índices.
Da mesma forma que o índice analisado anteriormente,
nenhuma empresa apresentou alto GEE – sendo todos inferiores a 56%.
A PEMEX e a ENAP subiram uma colocação no ranking,
mas não por terem melhorado seu desempenho, e sim porque o Banco Solidário apresentou um resultado demasiadamente abaixo do apresentado no GAPIE-GRI, o que o fez
estar na última colocação, com um GEE de menos de 10%.
O resultado do Banco Solidário se justifica pelo fato de que
seu relatório de 2005 possui muitos indicadores “omitidos
com justificativa”.
Desta forma, fica então comprovado o quanto a consideração da validade de indicadores “omitidos com justificativa”
pode alterar o entendimento relativo à qualidade do relatório
de sustentabilidade publicado pelas empresas.
Ambos os quadros anteriores evidenciam que o grupo de
indicadores sociais é, na maioria das empresas analisadas,
o mais prejudicado em termos de quantidade de informação
apresentada e aderência dessas à Diretriz da GRI. O segundo grupo de indicadores com menor resultado é o ambiental,
que também apresenta índices baixos de GEE. O grupo menos prejudicado é o de indicadores econômicos.
7. Conclusões
O presente estudo teve como objetivo geral a análise
do grau de aderência plena aos indicadores essenciais da
GRI (GAPIE-GRI) e do grau de evidenciação efetiva (GEE)
dos relatórios de sustentabilidade de 2005 divulgados pelas
empresas latino-americanas — excetuando-se as empresas
brasileiras — através da Internet.
A empresa que apresentou maior GAPIE-GRI foi a Endesa
Chile, com 57,14%, seguida em ordem decrescente da: CODELCO – 54%; Transredes S.A. – 50%; Minera Escondida
Ltda – 44,90%; Findesa – 30,30%; Banco Solidário – 28%;
PEMEX – 18%; e por último a ENAP – 16,33%.
O maior grau de evidenciação efetiva foi obtido também
pela Endesa Chile, com 55,10%, seguida em ordem decrescente pela: CODELCO – com 52%; Transredes S.A. – 50%
de GEE; Minera Escondida – 42,86%; Findesa – 30,30%;
PEMEX – 18%; ENAP – 16,33%; e Banco Solidário – 8%.
Nenhuma das empresas da América Latina analisadas
apresentou alto GAPIE-GRI ou, por extensão, GEE; nem
mesmo as empresas que afirmaram emitir um relatório “de
acordo com” as Diretrizes GRI, que é o caso da CODELCO e
da Minera Escondida Ltda. Resultado diferente foi verificado
pelo trabalho de Dias (2006, p. 139), que, das oito empresas
analisadas, identificou cinco com percentuais de GAPIE-GRI
superiores a 60% – Natura, com 95,83%; CPFL Energia, com
93,62%; PETROBRAS, com 81,63%; Samarco, com 75%; e
Usiminas, com 64%.
Em função da disparidade entre os resultados encontrados
neste trabalho, principalmente quando se comparam as três pri-
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Pensar Contábil
Análise da Utilização dos Indicadores Essenciais da Global Reporting Initiative nos Relatórios Sociais de Empresas Latino-Americanas
meiras empresas com maior GAPIE-GRI e GEE com as duas
últimas, percebe-se que as organizações analisadas se encontram em diferentes estágios de aderência às Diretrizes GRI.
A pequena diferença entre os resultados de GAPIE-GRI e
de GEE por empresa analisada denota que a quantidade de
indicadores essenciais “omitidos com justificativa” não é significativa, com exceção do Banco Solidário, que omitiu “com
justificativa” dez dos 50 indicadores essenciais existentes na
Diretriz da GRI. As demais empresas o fizeram com, no máximo, um indicador.
Desta forma, fica então comprovado que, quando a omissão de indicadores com justificativa é relevante, pode ser
alterado o entendimento quanto à qualidade do relatório de
sustentabilidade publicado pelas empresas; haja vista que
pelo cálculo do GAPIE-GRI o Banco Solidário estaria à frente
da PEMEX e da ENAP, e, quando se extrai o fator de “indicadores omitidos com justificativa” (cálculo do GEE), observa-se que na verdade o relatório do Banco Solidário possui
qualidade inferior às empresas mencionadas no que tange à
efetiva evidenciação de informações ao usuário.
Outro fato relevante que merece destaque foi o resultado,
tanto de GAPIE-GRI quanto de GEE, obtido pelas empresas
CODELCO e Minera Escondida Ltda. Essas empresas classificam seus relatórios de sustentabilidade de 2005, no site
oficial da GRI, como elaborados “de acordo com” as Diretrizes. Contudo, obtiveram resultados inferiores aos da Endesa
Chile (com relação à CODELCO) e da Transredes S.A. (com
relação à Minera Escondida), que optaram por uma adesão
gradual ao modelo da GRI e ainda não consideram possuir
um relatório “de acordo com”. Isso confirma que apenas a
afirmativa por parte da organização não é suficiente para que
o usuário considere tal relatório como mais completo ou confiável do que os relatórios das empresas que afirmam possuir
uma adesão parcial às Diretrizes da GRI.
Os menores índices tanto de GAPIE-GRI quanto de GEE
estão concentrados no grupo de indicadores sociais — com
uma média de 28% para GAPIE-GRI e de 25% para GEE. O
grupo que acumula a segunda menor média é o ambiental,
com média de 51% para GAPIE-GRI e de 47% para GEE.
Apesar de não tão distante do grupo de desempenho ambiental, o grupo de indicadores econômicos é o que apresenta maior média, com 56% e 53%, respectivamente para
GAPIE-GRI e GEE.
O melhor resultado obtido pelo grupo de indicadores de
desempenho econômico pode ser justificado pelo fato de que
a divulgação de informações desse cunho é exigida há mais
tempo do que a divulgação de dados socioambientais, além de
sofrerem constantes auditorias de terceiros. Desta forma, como
são informações mais consolidadas nos processos internos das
empresas, existe uma maior facilidade em sua divulgação.
Os baixos resultados do grupo de indicadores sociais podem ocorrer devido ao fato de que neste grupo é requerida
uma quantidade maior de informações por indicador GRI. E
como a análise foi feita por indicador, se a empresa deixa de
atender a algum dos requisitos solicitados, tal indicador já
passa para a classificação de “apresentado com aderência
parcial”; o que afeta o cálculo do GAPIE-GRI e do GEE.
Com base nas considerações relatadas, pode-se perceber que, apesar dos esforços da Global Reporting Initiative
em desenvolver um guia de qualidade para a elaboração de
relatórios de sustentabilidade, as empresas da América Latina que adotam esse modelo ainda precisam evoluir no atendimento às Diretrizes da GRI e na disponibilização de mais
informações, para que assim as partes interessadas possam
usufruir de um relatório mais abrangente, padronizado, transparente e menos enviesado.
Bibliografia
ARRIGONI, Fernando José. Disclosure das aplicações sociais da sociedade cooperativa e sua contribuição à elaboração do balanço
social. Dissertação (Mestrado em Ciências Contábeis) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2000.
CUNHA, Jacqueline Venerosos Alves da e RIBEIRO, Maisa de Souza. Evolução e diagnóstico atual do balanço social. In: Anais do
4º Congresso USP de Controladoria e Contabilidade. São Paulo: 2004. CD-ROM.
DAVID, Afonso Rodrigo de e OTT, Ernani. Balanço Social: uma análise das informações evidenciadas pelas empresas. In: Anais do
27º Enanpad. Atibaia: 2003. CD-ROM.
DEEGAN, Craig & GORDON, Ben. A study of the environmental disclosure practices of australian corporations. Accounting and
Business Research, 26 (3): 187-199, summer 1996.
DIAS, Lidiane Nazaré da Silva. Análise da utilização de indicadores do Global Reporting Initiative (GRI) nos relatórios sociais em empresas brasileiras. Dissertação (Mestrado em Ciências Contábeis) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2006.
ETHOS. Guia de elaboração do balanço social. Disponível em: <http://www.uniethos.org.br/_Uniethos/Documents/2005_06_07/
Guia_BalancoSocial_2005.pdf> Acesso em: 03 de Agosto de 2006.
FIPECAFI. Manual de contabilidade das sociedades por ações: aplicável às demais sociedades. São Paulo: Atlas, 2003.
GUARNERI, Lucimar da Silva. A contabilidade e o desenvolvimento sustentável: um enfoque nas informações contábeis, sociais e
ambientais da indústria siderúrgica. Dissertação (Mestrado em Ciências Contábeis) – Universidade do Estado do Rio de Janeiro,
2001.
GRAY, R.; KOUHY, R. & LAVERS, S. Corporate social and environmental reporting: A review of the literature and a longitudinal study
of UK disclosure. Accounting, Auditing & Accountability Journal, 8 (2): 47-77, 1995.
GRI, Global Reporting Initiative. Diretrizes para Relatórios de Sustentabilidade. Traduzido por: Fabio Feldman, Christopher Wells,
Carmen Weingrill, Instituto Ehtos. Disponível em: <http://www.globalreporting.org/guidelines/2002/ 2002Portuguese_B.pdf>. Acesso
em: 16 de junho de 2006.
GRI, Global Reporting Initiative. Organizations reporting using the GRI Guidelines. Disponível em: <http://www.globalreporting.org/
guidelines/reports/searchResults.asp? Name=&Country=%3C%3E-1&subSector=%3C%3E&ReportType=%3C%3E%27NonGRI%
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 14 - 22, out./dez. 2007
21
Pensar Contábil
Fernanda de Medeiros Carvalho
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Jose Ricardo Maia de Siqueira
27 &Submit=Search>. Acesso em: 05 de setembro de 2006a.
MASSIE, Robert Kinloch. Reporting on sustainability: A global initiative. Organisation for Economic Cooperation and Development
– The OECD Observer, Summer 2001.
MIRANDA, Luiz Carlos et al. Balanço Social no Brasil: Como as empresas estão divulgando sua responsabilidade social. In: Anais
do 13o Asian Pacific Conference on International Accounting Issues. Rio de Janeiro: 2001. CD-ROM.
OLIVEIRA, José Antonio Puppim de. Um balanço dos balanços sociais das 500 maiores empresas S.A. não-financeiras do Brasil. In:
Anais do 27º Enanpad. Atibaia: 2003. CD-ROM.
PEROTTONI, Marco Antônio & CUNHA, Aromildo Sprenger da. Balanço Social. Revista Brasileira de Contabilidade, 26 (104): 12-20,
março-abril 1997.
PINTO, Anacleto Laurino e RIBEIRO, Maísa de Souza. Balanço Social: Avaliação de informações fornecidas por empresas industriais situadas no Estado de Santa Catarina. Revista Contabilidade & Finanças, 15 (36): 21-34, setembro/dezembro 2004.
PINTO, Anacleto Laurino e Ribeiro, Maísa de Souza. O balanço social como instrumento de evidenciação de responsabilidade
social: um estudo no Estado de Santa Catarina. Anais do 3º Congresso USP de Controladoria e Contabilidade. São Paulo: 2003.
CD-ROM.
RAAR, Jean. Environmental initiatives: Towards triple-bottom line reporting. Corporate Communications, 7 (3): 169, 2002.
SILVA, Ana Paula Ferreira da et al. A demonstração de valor adicionado como alternativa de medição do desempenho gerencial: Um
estudo comparativo entre demonstrações nacionais e internacionais. In: Anais do 1o Seminário USP de Contabilidade. São Paulo:
2001. CD-ROM.
SILVA, César Augusto Tibúrcio e Freire, Fátima de Souza. Balanço social abrangente: Um novo instrumento para a responsabilidade
social das empresas. In: Anais do 25º Enanpad. Campinas: 2001. CD-ROM.
SIQUEIRA, José Ricardo Maia de. Mensuração e avaliação do impacto social das organizações: uma análise crítica dos balanços
sociais e propostas para um novo modelo. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção) – Universidade Federal do Rio de Janeiro,
Rio de Janeiro, 2003.
SIQUEIRA, J. R. M. e Vidal, M. C. R. Balanços sociais brasileiros: uma análise de seu estágio atual. In: Anais do 3º Congresso USP
de Controladoria e Contabilidade. São Paulo: 2003. CD-ROM.
SOUZA, Herbert de. Empresa pública e cidadã. Folha de S.Paulo, p. 2, 26 de março de 1997.
VELEVA, Vesela et al. Indicators for measuring environmental sustainability: A case study of the pharmaceutical industry.
Benchmarking-ABI/INFORM, 10 (2): 107, 2003.
WOODS, Maef. The Global Reporting Initiative. The CPA Journal, 73 (6): 60, Jun 2003.
22
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 14 - 22, out./dez. 2007
Pensar Contábil
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Trabalho classificado em 2º lugar no Prêmio Contador Geraldo de La Rocque – 2007
As Indústrias de Pequeno
Porte e o Orçamento de
Capital: um Estudo sobre
Análise de Investimentos
na Baixada Fluminense
Resumo
O estudo em questão tem por objetivo analisar o processo de investimento de capital em empresa industrial de pequeno porte localizada na região que abrange os municípios
de Duque de Caxias e Nova Iguaçu. A escolha dos referidos
municípios ocorreu em virtude, principalmente, da carência
de estudos sobre o emprego de técnicas de orçamento de
capital em indústrias da região mencionada, da importância
econômica destas cidades — tanto em relação à Baixada
Fluminense quanto ao Estado do Rio de Janeiro — e do número significativo de residentes. Para atingir esse objetivo,
foram enviados questionários para as pequenas indústrias
dos municípios selecionados e realizada uma pesquisa em
profundidade em uma empresa baseada em entrevista, observação e análise documental. As informações coletadas na
pesquisa em profundidade foram comparadas com as dos
questionários obtidos, e ambas com o referencial teórico contábil-financeiro. Os resultados apontaram que, entre outros
aspectos relevantes, as empresas estudadas mencionaram
utilizar o custo dos empréstimos captados como a taxa de
desconto dos fluxos de caixa de seus projetos de investimento e que, com freqüência, o órgão responsável pela análise
se encontra em alta posição na escala hierárquica da organização.
Palavras-chave: orçamento de capital, técnicas de análise de investimento, custo de capital.
Abstract
The present study intends to examine the capital investment process of small-sized company, located in the region
that includes the municipalities of Duque de Caxias and Nova
Iguaçu. The choice of these two municipalities was mainly
made due to the scarcity of studies involving the use of capital
budgetary techniques at companies in the mentioned region,
the economic importance of the two cities – both with respect
to the Baixada Fluminense and the State of Rio de Janeiro
– and the significant number of their inhabitants. The technique
Marcio de Araújo Resende
Rio de Janeiro-RJ
Mestre em Ciências Contabeis – FACC/UFRJ1
[email protected]
Jose Ricardo Maia de Siqueira
Rio de Janeiro-RJ
Professor do Mestrado em Ciências Contábeis –FACC/UFRJ1
Doutor em Engenharia de produção – COPPE/UFRJ
[email protected]
was chosen for obtaining the data required for carrying out this
study was the mailing of questionnaires to small companies
within the two cities and making an in-depth research into a
company that was performed based on interview, observation
and analyses of documents. The information obtained from the
in-depth research was compared to that of the questionnaires,
and then both were compared to the accounting theory. After
the analysis, and among other relevant aspects, it was noticed
that the companies mentioned are utilizing the cost of loans as
the discount rate for the cash flow of their investment projects
and that the responsibility for analyzing capital investments is
placed, often, on the top of organizations.
Keywords: capital budget, investment analysis techniques, cost of
capital.
1. Introdução
O ambiente dinâmico em que as empresas estão inseridas faz com que seja imprescindível tomar decisões a todo
o momento e de forma rápida, a fim de que não se percam
oportunidades de investimento. O orçamento de capital é
fundamental para todas as companhias, pois a continuidade
delas depende do sucesso dos investimentos de longo prazo
realizados. Tais investimentos visam proporcionar entradas
de caixa operacionais relevantes, que gerem maximização
de riqueza, fator este fundamental para qualquer organização. Como os recursos financeiros são limitados, as empre-
FACC-UFRJ – Faculdade de Administração e Ciências Contábeis da Universidade Federal do Rio de Janeiro – CEP 21.941-590 – Rio de Janeiro – RJ.
1
Artigo recebido em 28/09/2007 e aceito em 05/11/2007.
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 23 - 30, out./dez. 2007
23
Pensar Contábil
Marcio de Araújo Resende
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Jose Ricardo Maia de Siqueira
sas precisam selecionar os projetos de investimento que
lhes proporcionem o maior retorno financeiro possível considerando o risco assumido. Os investimentos de longo prazo
devem ser analisados com mais cuidado, por apresentarem
riscos mais elevados do que os de curto prazo. Cabe ressaltar que a realização de investimentos de capital equivocados
geralmente acarreta sérios prejuízos financeiros, podendo
até levar a empresa a uma situação de insolvência. Tal fato
aumenta ainda mais a significância deste estudo, ao focar
sua atenção em um segmento de organizações — as de pequeno porte — onde, apesar de sua relevância econômica,
existe uma carência crônica de trabalhos.
2. O Uso das Técnicas de Análise de
Investimento pelas Organizações
As técnicas de análise de investimento podem ser divididas
em dois grandes grupos: limitadas e não-limitadas. As limitadas trazem intrinsecamente uma precariedade conceitual representada pela não adoção de uma ou mais características
inerentes às técnicas não-limitadas, a saber: não efetuar cortes arbitrários no horizonte de tempo da análise, trabalhar com
fluxos de caixa e considerar o valor do dinheiro no tempo.
Compõem o grupo das técnicas limitadas: o payback,
o payback descontado e a taxa média de retorno (TMR)
— também conhecida como taxa de retorno contábil (TRC).
Já as técnicas não-limitadas são compostas por: índice de
lucratividade (IL), valor presente líquido (VPL) e taxa interna
de retorno (TIR) — além de variantes.
Segundo Burns e Walker (1997), os métodos que utilizam
fluxo de caixa descontado estão, em sua maioria, sendo mais
utilizados, com exceção do índice de lucratividade, cujo uso
não aumentou nem diminuiu. Já os métodos do payback, payback descontado e a taxa de retorno contábil vêm sendo cada
vez menos utilizados. O crescimento no uso de técnicas com
fluxo de caixa descontado é corroborado por Kester e Chong
(1998, p. 10), que mencionam que as técnicas do valor presente líquido e da taxa interna de retorno tiveram um grande
crescimento em sua utilização de acordo com os resultados de
várias pesquisas. Contudo, isto não quer dizer que o uso de
algumas técnicas limitadas não seja significativo.
Graham e Harvey (2001, p. 197) realizaram pesquisa com
392 diretores financeiros de empresas que constavam na
lista da revista Fortune. Constataram que a taxa interna de
retorno é a principal técnica de orçamento de capital para
a avaliação de investimentos, usada freqüentemente por
75,7% dos respondentes. Logo depois, o valor presente líquido é o critério utilizado com mais freqüência (74,9%), ao
passo que 56,7% — uma percentagem significativa — utilizam o payback.
Ryan e Ryan (2002, p. 357) apontam, em uma comparação de resultados de várias pesquisas realizadas sobre o
uso das técnicas de orçamento de capital, que a TIR é a ferramenta de orçamento de capital mais utilizada pelas empresas, mas o outro método bastante utilizado é o payback.
Sandahl e Sjögren (2003) pesquisaram 528 empresas,
selecionadas das 500 maiores corporações e algumas outras da lista de empresas denominada “O-list”, a fim de saber
a respeito da utilização das técnicas de orçamento de capital
na Suécia, e chegaram à conclusão de que o payback é o
24 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 23 - 30, out./dez. 2007
método mais utilizado. Cabe ressaltar, contudo, que, considerando o total do capital investido pelas empresas, a TIR é
a técnica mais utilizada, seguida de perto pelo VPL.
O que estas pesquisas parecem sinalizar é que as técnicas mais utilizadas são o VPL, a TIR e o payback, as duas
primeiras enfocando a construção do valor para as corporações e a última denotando preocupação com a liquidez.
Característica esta que é fundamental para as pequenas empresas, cujo processo de análise de investimento conta com
diversas particularidades.
2.1. Análise de investimentos em pequenas empresas
Brigham (1992) (apud Block, 1997, p. 289) acredita que o
orçamento de capital é mais importante para as empresas de
pequeno porte do que para as grandes corporações, tendo
em vista a falta de acesso aos financiamentos nos mercados
financeiros, assim como o risco inerente à falta de diversificação, comum em uma pequena empresa.
Em sua pesquisa com 232 pequenas empresas, Block
(1997) mostrou que a técnica de orçamento de capital preferida é o payback, utilizado por aproximadamente 43% das
referidas empresas. Tal predomínio pode ser atribuído à sua
simplicidade, ênfase na liquidez e resposta às pressões externas. Os dois primeiros aspectos são auto-explicativos. No
tocante ao terceiro, as instituições financeiras podem exercer
pressões, de forma indireta, quanto ao método usado para
análise de investimentos pelas empresas de pequeno porte.
Drury e Tayles (1996, p. 378) realizaram pesquisa, enviando questionário para 866 grandes e pequenas unidades de
negócio, e receberam 303 respostas tabuláveis. Verificou-se
que o emprego das técnicas que utilizam o fluxo de caixa
descontado ocorre com mais freqüência nas grandes corporações do que nas pequenas empresas. As grandes companhias utilizam a TIR em 85% das vezes e o VPL em 80% das
vezes. Já as empresas de pequeno porte lançam mão da TIR
em apenas 30% das vezes e do VPL em apenas 23% das vezes. Já o uso do payback e do payback descontado ocorre,
respectivamente, em 56% e 30% das pequenas empresas.
Drury e Tayles (1996, p. 379) apontam ainda uma diferença significativa entre as grandes corporações e as pequenas
empresas. Enquanto as primeiras empregam, de forma geral,
vários contadores especializados em orçamento de capital,
as últimas empregam muito poucos contadores qualificados,
que acumulam várias atividades na empresa. Deste modo,
tem-se que os contadores das empresas de pequeno porte,
geralmente, não possuem a mesma experiência que seus
colegas de profissão das grandes corporações para fazer
uso das técnicas não limitadas de orçamento de capital.
Arnold e Hatzopoulos (2000), em pesquisa realizada no
Reino Unido com pequenas, médias e grandes empresas,
concluíram que as empresas de pequeno porte utilizam menos as técnicas de fluxo de caixa descontado (91%) do que
as médias empresas (96%) e do que as grandes corporações (100%). No tocante à TIR e ao VPL, quando usados
separadamente, as pequenas empresas também os utilizam
menos do que as médias e grandes empresas. A TRC é mais
usada pelas pequenas empresas, em comparação com as
médias e grandes companhias. Já o payback é mais utilizado, em ordem decrescente, pelas médias empresas (75%),
Pensar Contábil
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
As Indústrias de Pequeno Porte e o Orçamento de Capital: um Estudo sobre Análise de Investimentos na Baixada Fluminense
pela empresas de pequeno porte (71%) e, por último, pelas
grandes corporações (66%).
Lazaridis (2004), em pesquisa envolvendo empresas cipriotas de pequeno e médio porte, descobriu que o método
de orçamento de capital mais utilizado pelas empresas da
amostra é o payback (36,7%). Chama a atenção o fato de
que aproximadamente 19,0% das empresas não utilizam técnica alguma em suas análises de investimento.
Outro dado fornecido por esta pesquisa é que apenas
30,2% das companhias lançam mão das técnicas de orçamento de capital para todas as suas decisões de investimento. Uma parcela significativa das organizações — 50,9%
— utiliza métodos de avaliação somente para alguns tipos de
investimento acima de determinado nível de custo.
Para Brounen, Jong e Koedijk (2004, p. 71), que realizaram pesquisa com 313 diretores financeiros de empresas do
Reino Unido, Holanda, Alemanha e França, ficou constatado
que, enquanto as grandes corporações utilizam freqüentemente técnicas de valor presente, as empresas de pequeno
porte continuam a confiar no critério do payback.
Já Grablowsky e Burns (1980, p. 53) concluem que, haja
vista que o emprego do VPL e da TIR requer o uso de custo
de capital ou de uma taxa mínima de atratividade, há evidências de que parte das empresas de pequeno porte não utiliza
as referidas técnicas de orçamento de capital, porque não as
entendem. Constataram ainda que as empresas de pequeno
porte distribuem as obrigações relativas à gerência financeira
como mais uma tarefa, entre muitas outras, que uma única
pessoa irá realizar, e que esta pessoa normalmente é alguém
do nível mais alto da gerência, ou mesmo o presidente, se não
o dono da empresa. Tal fato contribui ainda mais para a não
realização formal de uma análise financeira de projetos, dado
que os donos de empresas de pequeno porte estão demasiadamente preocupados com as operações do dia-a-dia, e
reservam muito pouco tempo para realizar um planejamento
para o futuro (Grablowsky e Burns, 1980, pp. 51-52).
3. Objetivo do Trabalho
Dadas as especificidades da análise de investimentos em
ambientes de pequenas empresas e o baixo volume de pesquisas realizadas focando este ambiente, este trabalho tem
como objetivo geral analisar o processo de investimento de
capital em empresa industrial de pequeno porte localizada na
área delimitada.
4. Metodologia
4.1. Coleta de dados
O critério escolhido para a seleção das empresas que
comporiam a amostra foi o de número de funcionários segundo o Sebrae-RJ (2006), que considera indústria de pequeno porte aquela que tem de 20 a 99 funcionários. Uma
vez selecionado o critério a ser utilizado, lançou-se mão do
Cadastro Industrial da FIRJAN 2004/2005, para estabelecer
contato telefônico com as pequenas indústrias dos municípios de Duque de Caxias e de Nova Iguaçu.
O total de indústrias que atendem ao critério é de 110 em
Duque de Caxias e de 47 em Nova Iguaçu, totalizando 157
indústrias de pequeno porte. Deste total, 130 empresas foram contatadas — 93 em Duque de Caxias e 37 em Nova
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 23 - 30, out./dez. 2007
Iguaçu. Os questionários em formato final foram enviados,
mas, mesmo com um intenso acompanhamento, houve um
baixo índice de respostas — só 11 empresas responderam.
Contataram-se novamente as empresas, buscando uma
ou mais que aceitassem a realização de um estudo em profundidade que pudesse complementar a pesquisa. Somente
a XYZ — nome fictício, dado que não houve autorização para
divulgação do nome real — aceitou participar. A XYZ é uma
pequena indústria de tintas localizada no município de Duque de Caxias. Os instrumentos de coleta utilizados foram:
a análise documental, a observação assistemática e a entrevista semi-estruturada — considerada por Beuren (2003,
p. 32) como o instrumento que “permite maior interação e
conhecimento das realidades dos informantes”.
4.2. Tratamento dos dados
Os resultados dos questionários foram tabulados, analisados e confrontados com a bibliografia. Os resultados da
entrevista semi-estruturada foram transcritos, analisados e
confrontados com a bibliografia, bem como com as respostas dos questionários recebidos. Tais resultados ainda foram
complementados pelas técnicas da observação e da análise
documental. A análise da aquisição de um caminhão foi relatada, ilustrando, na prática, como se dá a análise de projetos
da XYZ. Tais resultados encontram-se expostos a seguir.
5. Análise de Investimento
na Baixada Fluminense
Neste tópico serão analisados os resultados obtidos através dos questionários enviados, bem como através da entrevista, observação e análise documental realizadas em uma
indústria de tintas na cidade de Duque de Caxias.
5.1. Análise dos dados obtidos dos respondentes
Nesta pesquisa foram contatadas 130 empresas (tabela
1), sendo 93 em Duque de Caxias e 37 em Nova Iguaçu. Das
93 empresas contatadas em Duque de Caxias, sete responderam que utilizam alguma técnica e 21 afirmaram não analisar formalmente seus projetos. Já em Nova Iguaçu estes
números foram quatro e cinco, respectivamente.
Tabela 1: Quantidade de respostas ao questionário
Respostas
Duque de Nova
Caxias
Iguaçu
Total
Utilizam técnicas de análise
financeira de projetos
7
4
11
Não utilizam tais técnicas
21
5
26
Não responderam
65
28
93
Total
93
37
130
Fonte: Elaborada pelos autores.
Surpreende aqui a percentagem relativamente alta de empresas que revelaram não realizar qualquer tipo de análise em
seus projetos de investimentos. Em Nova Iguaçu este número
representa 13,5% das empresas abordadas, enquanto em Duque de Caxias chega a atingir quase 23% — ver tabela 2.
25
Pensar Contábil
Marcio de Araújo Resende
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Jose Ricardo Maia de Siqueira
Tabela 2: Percentual de respostas ao questionário
Respostas
Duque
Nova
de Caxias Iguaçu
Total
Utilizam técnicas de análise
financeira de projetos
7,5%
10,8%
8,5%
Não utilizam
tais técnicas
22,6%
13,5%
20,0%
Não responderam
69,9%
75,7%
71,5%
Total
100,0%
100,0%
100,0%
Fonte: Elaborada pelos autores.
Passando-se, então, a analisar os 11 questionários respondidos, o que corresponde a 8,5% do total, perguntou-se
primeiramente que técnicas de análise financeira de projetos
são utilizadas nas empresas.
A tabela abaixo mostra as técnicas de análise de projetos
mais utilizadas pelas indústrias de pequeno porte dos municípios de Duque de Caxias e Nova Iguaçu.
Tabela 3: Técnicas de análise financeira mais utilizadas
Técnicas
Nº de empresas
Percentual
que utilizam
Valor Presente Líquido
7
63,6%
Índice de Lucratividade
6
54,5%
Taxa Interna de Retorno
5
45,5%
Taxa Média de Retorno
4
36,4%
Valor Presente Líquido Anualizado
3
27,3%
Payback Descontado
2
18,2%
Payback
1
9,1%
Nota: A soma do percentual ultrapassa 100,0%, devido a várias empresas
utilizarem mais de uma técnica de análise de projetos.
Fonte: Elaborada pelos autores.
Analisando as respostas, foi possível verificar que o VPL
(63,6%) é o método de análise de investimentos mais utilizado
pelas empresas, enquanto o menos usado é o payback (9,1%).
Pode-se verificar que a técnica mais utilizada pelas empresas
de pequeno porte dos municípios de Duque de Caxias e Nova
Iguaçu — o valor presente líquido (VPL) — é aquela considerada conceitualmente mais sólida pelos acadêmicos.
Tais resultados não deixam de ser surpreendentes, já que
diversas pesquisas, como as de Oblak e Helm Jr. (1980), Galesne, Fensterseifer e Lamb (1999) e Arnold e Hatzopoulos
(2000), apontam a TIR como a técnica mais utilizada, e aqui
ela aparece em terceiro lugar.
Dois outros fatos surpreendem. Em primeiro lugar, a boa
posição ocupada pelo índice de lucratividade, enquanto
Ryan e Ryan (2002, p. 357) mencionam uma série de pesquisas que apresentam o IL como o método menos utilizado
pelas empresas.
Além disso, nas empresas aqui analisadas, o payback
— bem como o payback descontado — é pouco utilizado, ao
contrário do apontado em diversas pesquisas — como as de
Schall, Sundem e Geijsbeek Jr. (1978), Drury e Tayles (1996),
Block (1997), Kester e Chong (1998), Galesne, Fensterseifer e
Lamb (1999), Arnold e Hatzopoulos (2000), Graham e Harvey
26 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 23 - 30, out./dez. 2007
(2001), Lazaridis (2004) e de Brounen, Jong e Koedijk (2004).
No tocante a uma análise preliminar dos projetos, apenas quatro das 11 empresas — ou seja, 36,4% delas — a
realizam. Neste caso, a técnica mais utilizada é a TIR, que é
usada por todas as quatro empresas. O VPL, o payback e o
IL têm apenas uma citação.
Quando indagadas se consideram algumas das técnicas
como principais na análise de projetos, ou seja, se o resultado apontado por elas influi decisivamente na aceitação ou
não dos projetos, oito empresas mencionaram que consideram alguma(s) técnica(s) como principal(is), enquanto três
expuseram não fazer tal consideração.
A tabela seguinte mostra que técnicas são consideradas,
por cada uma das oito empresas, como principal.
Tabela 4: Técnicas de análise financeira consideradas principais
Técnicas
Nº de empresas
Percentual
que utilizam
Taxa Interna de Retorno
5
62,5%
Valor Presente Líquido
4
50,0%
Payback e Payback Descontado
3
37,5%
Índice de Lucratividade
1
12,5%
Taxa Média de Retorno
1
12,5%
Valor Presente Líquido Anualizado 1
12,5%
Nota: A soma do percentual ultrapassa os 100%, devido a algumas empresas
utilizarem mais de uma técnica de análise de investimento como principal.
Fonte: Elaborada pelos autores.
Cabe notar que a TIR é listada cinco vezes, ao passo que o
VPL é apontado quatro vezes, como a principal técnica utilizada
pelas empresas em questão. O payback e o payback descontado, juntos, são mencionados três vezes, enquanto os outros
métodos são citados, cada um, por apenas uma empresa.
A Tabela 5 mostra em que tipos de projetos as empresas
mais utilizam as técnicas de análise financeira.
As técnicas de análise de projetos são utilizadas por
aproximadamente 91% das empresas antes da compra de
máquinas e equipamentos. Já em torno de 64% das companhias utilizam-nas para realizar a reestruturação de suas áreas. Aproximadamente 55% das organizações as usam para
o lançamento de novos produtos e/ou serviços, e em torno
de 27% das empresas utilizam as referidas técnicas para a
compra de imóveis ou para a aquisição de empresas.
Tabela 5: Tipos de projetos em que são usadas técnicas
de orçamento de capital
Tipos de projetos de investimento
Nº de empresas
Percentual
que utilizam
Compra de máquinas e equipamentos
10
90,9%
Reestruturação de áreas de empresas
7
63,6%
Lançamento de produtos e/ou serviços
6
54,5%
Compra de imóveis
3
27,3%
Aquisição de empresas
3
27,3%
Nota: A soma do percentual ultrapassa os 100,0%, dado várias empresas utilizarem as técnicas de orçamento de capital para avaliar mais de um tipo de
investimento.
Fonte: Elaborada pelos autores.
Pensar Contábil
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
As Indústrias de Pequeno Porte e o Orçamento de Capital: um Estudo sobre Análise de Investimentos na Baixada Fluminense
A maioria das empresas (72,7%) não define um patamar
mínimo de investimento, para que seja utilizada uma técnica
de análise financeira de projetos. Das três empresas — que representam 27,3% do total — que definem um patamar mínimo,
para a execução de tal análise, uma procede à referida análise quando o investimento tem valor superior a R$ 10.000,00
(mais precisamente US$ 20,000.00), outra quando o valor se
encontra entre R$ 6.000,00 e 8.000,00, e outra quando o valor
se situa no intervalo de R$ 8.000,00 a R$ 10.000,00.
No que diz respeito à taxa de desconto, o mais comum é
a utilização, pelas companhias de pequeno porte analisadas,
do custo dos empréstimos para a empresa. Aproximadamente 64% destas organizações usam o referido custo como
taxa de desconto.
A tabela a seguir expõe quais são as taxas de desconto
mais utilizadas pelas empresas analisadas dos municípios
de Duque de Caxias e Nova Iguaçu.
Tabela 6: Taxas de desconto utilizadas
Taxas de desconto
Nº de empresas
Percentual
que utilizam
Custo dos empréstimos para a empresa
7
63,6%
Custo de capital da empresa
4
36,4%
Taxa Selic
2
18,2%
Nota: A soma do percentual ultrapassa os 100,0%, porque há empresas que
utilizam taxas de desconto distintas, dependendo dos diferentes tipos de projetos analisados.
Fonte: Elaborada pelos autores.
Este resultado coincide com o de Block (1997, pp. 296297), que também apurou que a maioria das empresas abordadas em sua pesquisa usa o custo dos empréstimos como
o ponto de corte (cut-off point) para a aceitação de projetos
de investimento. Segundo Kudla (1980, p. 34), tal fato ocorre
porque as empresas de pequeno porte geralmente têm acesso limitado ao mercado de capitais. Tal postura é considerada adequada por Bodie e Merton (2002, p. 186).
Cabe mencionar que nenhuma das empresas respondentes usa taxa de risco ajustada ao projeto ou custo de capital
ajustado ao projeto.
Quando estão trabalhando com técnicas de análise financeira de projetos, as empresas utilizam como horizonte
de tempo, predominantemente, a vida econômica do projeto. A Tabela 7 mostra o período de tempo que as companhias mais empregam.
Durante a análise financeira, seis das 11 empresas, o
equivalente a 54,5% das empresas respondentes, utilizam
cenários, enquanto as cinco companhias restantes (45,5%)
não se valem deste instrumento.
Tabela 7: Período de tempo utilizado para
a análise financeira de projetos
Período de tempo
Nº de empresas
Percentual
que utilizam
Vida econômica do projeto
6
54,5%
Vida útil do projeto
4
36,4%
Período de tempo arbitrado
4
36,4%
Nota: A soma do percentual ultrapassa os 100%, porque há empresas que
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 23 - 30, out./dez. 2007
utilizam mais que um período de tempo, dependendo do projeto analisado.
Fonte: Elaborada pelos autores.
A tabela a seguir mostra quais as variáveis mais usadas
pelas seis empresas que utilizam os referidos cenários.
Tabela 8: Variáveis envolvidas na utilização de cenários
Variáveis
Nº de empresas
Percentual
que utilizam
Valor do investimento inicial
5
83,3%
Valor das entradas de caixa líquidas
operacionais
4
66,7%
Taxa de desconto do fluxo de caixa
4
66,7%
Valor do fluxo de caixa residual
2
33,3%
Nota: A soma do percentual ultrapassa os 100%, pois as empresas geralmente
utilizam mais de uma variável.
Fonte: Elaborada pelos autores.
Pode-se notar que as principais variáveis utilizadas pelas
empresas são: o valor do investimento inicial (83,3%), o valor
das entradas líquidas de caixa operacionais (66,7%) e a taxa
de desconto do fluxo de caixa (66,7%).
Quando se perguntou se as empresas usam algum instrumento eletrônico na análise financeira de projetos, todas
responderam que utilizam tais instrumentos.
Tabela 9: Instrumentos eletrônicos usados na análise de projetos
Instrumento eletrônico Nº de empresas que utilizam Percentual
Microcomputador
10
90,9%
Calculadora financeira
5
45,5%
Calculadora científica
1
9,1%
Nota: Algumas empresas usam mais de um instrumento.
Fonte: Elaborada pelos autores.
Conforme se observa na tabela acima, os profissionais
das empresas respondentes preferem utilizar, principalmente, o microcomputador — quase 91% — e a calculadora financeira, preferida por cerca de 46% dos respondentes.
No tocante aos responsáveis pela análise financeira de projetos nas empresas, o setor identificado com maior freqüência
foi a Diretoria, com cinco menções.
5.2. Análise da empresa XYZ
A XYZ iniciou suas atividades em 2002, tendo como sócios
um cidadão norte-americano e sua esposa, mas somente o
primeiro exerce a gerência e a administração da companhia.
Este sócio atuou na área financeira, mais especificamente
como sócio de uma empresa de factoring, antes de fundar a
XYZ, segundo informação do gerente geral da organização.
Esta sociedade por quotas de responsabilidade limitada
tem como objetivo principal a fabricação e comercialização
de tintas. A sede da empresa situa-se em Duque de Caxias,
no Estado do Rio de Janeiro. Há na empresa um total de 51
funcionários, sendo 35 contratados e 16 terceirizados.
5.2.1. Análise do processo de aquisição do caminhão
A principal matéria-prima usada pela empresa XYZ é o
componente denominado slurry. Tal insumo tem como principal fornecedor um fabricante em São Paulo.
27
Pensar Contábil
Marcio de Araújo Resende
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Jose Ricardo Maia de Siqueira
Para fazer com que o produto chegue até à sua fabrica,
em Duque de Caxias, a XYZ tem duas alternativas: a primeira é receber a referida matéria-prima diretamente na sua
fábrica, no Rio de Janeiro, acrescida do custo do frete. A segunda opção é realizar a compra de um caminhão-tanque,
para buscar o slurry em São Paulo.
Segundo Damodaran (2004, p. 203), pode-se definir projeto, em sentido amplo, como qualquer decisão que irá resultar na utilização dos recursos financeiros escassos de uma
organização. Conseqüentemente, a decisão a ser tomada
pela XYZ encaixa-se, obviamente, no conceito de projeto.
O enfoque da XYZ foi usar uma análise incremental, onde
se quantifica a variação nas entradas e saídas de caixa com
a realização do investimento de capital.
A retirada do produto citado ocorre três vezes por semana,
em São Paulo. O gerente geral da empresa XYZ informou
que são entregues, em cada uma das vezes, 28 toneladas
de slurry. O preço que a XYZ tem de pagar pelo transporte é
de R$ 86,24 por tonelada.
Assim sendo, assumindo que a companhia XYZ precisa
que o produto seja entregue três vezes por semana, e um
mês tem quatro semanas, o desembolso mensal para receber o produto diretamente na fábrica é o seguinte:
28 toneladas x R$ 86,24/ton. x 3 vezes p/ semana x 4
semanas = R$ 28.976,64 / mês.
Como segunda opção, a empresa pode investir no projeto
de compra de um caminhão-tanque, a fim de que possa buscar o referido produto em São Paulo. Com base em informação documental prestada pelo gerente geral da XYZ, seguemse os gastos estimados do projeto de investimento em tela.
Para a aquisição do caminhão-tanque, há um investimento inicial de R$ 40.000,00, que corresponde à entrada, além
de um arrendamento em 36 prestações mensais e sucessivas de R$ 2.529,65.
Adicionalmente, computaram-se os gastos por viagem,
tais como: o óleo diesel — estimado em 300 litros por viagem, o que representa um valor de R$ 563,74 — e o pedágio
e o almoço do motorista, que montam em R$ 330,00.
Somem-se a isto os desembolsos mensais referentes ao
salário do motorista (R$ 1.200,00), à manutenção do caminhão-tanque (R$ 500) e ao seguro do referido caminhão
(R$ 1.094,75).
O Quadro 1 mostra os gastos mensais do projeto em
questão.
Depreende-se do que foi relatado que o gasto mensal
para receber o slurry diretamente na fábrica da XYZ é de R$
28.976,64; enquanto o desembolso mensal para adquirir um
caminhão-tanque, a fim de realizar tal transporte, monta em
R$ 16.049,28.
Isto significa que a aceitação do projeto mencionado gera
uma economia monetária mensal de R$ 12.927,36. Estes
são os fluxos de caixa positivos do projeto.
Conforme informações do gerente geral da XYZ, a vida
econômica do caminhão-tanque é de 36 meses. O valor de
mercado de um caminhão usado com três anos de uso, em
26/06/2006 (preço de mercado), é de R$ 130.000,00; este
valor foi utilizado como estimativa para o cálculo do fluxo de
caixa residual do projeto.
28 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 23 - 30, out./dez. 2007
Quadro 1: Gastos com o uso de um caminhão-tanque
próprio para buscar slurry
Natureza dos
gastos
Valor por
viagem
Vezes
Semanas Desembolso
por
no mês
Mensal
semana
Óleo diesel
(300 litros)
= R$ 563,74
3
4
R$ 6.764,88
Pedágio e
almoço
= R$ 330,00
3
4
R$ 3.960,00
R$ 10.724,88
Salário do
motorista
=
R$ 1.200,00
Manutenção
=
R$ 500,00
Seguro
=
R$ 1.094,75
Arrendamento
=
Mercantil
R$ 2.529,65
Fluxo de Gasto
=
Mensal
R$ 16.049,28
Fonte: Empresa XYZ.
A taxa de desconto utilizada foi o custo dos empréstimos
para a empresa, que é de 18% ao ano. Trabalhando em base
mensal, tem-se uma taxa de 1,39% ao mês.
De acordo com os dados apresentados, o fluxo de caixa
do projeto é o seguinte:
Quadro 2: Fluxos de Caixa Relevantes
Investimento
Inicial
Entradas de Caixa
Mensais
Fluxo de Caixa
Residual
40.000,00
12.927,36
142.927,36
Fonte: Elaborado pelos autores.
A taxa interna de retorno do projeto é de 32,32%, e o VPL
é de R$ 403.305,42. Tal resultado mostrou que o aludido projeto é viável financeiramente, o que resultou na aquisição do
caminhão-tanque.
5.2.2. Análise do caso
Conforme se pode observar na análise de aquisição do caminhão, as técnicas de orçamento de capital utilizadas pela
empresa XYZ para selecionar projetos de investimento são o
valor presente líquido (VPL) e a taxa interna de retorno (TIR).
Quanto ao emprego do VPL e da TIR, a empresa vai ao
encontro de pesquisas como as de Freeman e Hobbes (1991)
e de Arnold e Hatzopoulos (2000), que apontam estes métodos como os mais utilizados pelas empresas, e de Burns e
Walker (1997), que mencionam que as empresas estão cada
vez mais enfatizando os critérios da taxa interna de retorno e
do valor presente líquido.
Além disso, a utilização do VPL e da TIR pela companhia
XYZ ratifica o que mencionam Kester e Chong (1998) e Galesne, Fensterseifer e Lamb (1999) sobre o crescimento do
uso das técnicas que utilizam fluxos de caixa descontados.
Já algumas pesquisas, como as de Block (1997), de Graham
e Harvey (2001) e de Brounen, Jong e Koedijk (2004), mostram
que as empresas de pequeno porte preferem utilizar o critério
do payback. Isto não se confirma, no caso da empresa XYZ.
Pensar Contábil
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
As Indústrias de Pequeno Porte e o Orçamento de Capital: um Estudo sobre Análise de Investimentos na Baixada Fluminense
O gerente geral da companhia XYZ informou que os projetos
de investimento da companhia são analisados em uma única
etapa. Ou seja, não se realiza uma análise preliminar, seguida
de outra análise complementar dos referidos projetos.
Oblak e Helm. Jr. (1980, p. 38) e Galesne, Fensterseifer e
Lamb (1999, p. 268) apontam, no entanto, que é importante
o uso das técnicas de análise financeira de projetos em uma
fase preliminar, onde apenas os projetos aprovados nesta
fase passem por uma análise final mais aprofundada.
A XYZ utiliza as técnicas do valor presente líquido e da
taxa interna de retorno, principalmente quando há necessidade de comprar máquinas e equipamentos e quando se
precisa expandir a fábrica.
O gerente geral da empresa XYZ informou que existe um
patamar mínimo, em torno de R$ 10.000,00 (dez mil reais),
para que se proceda à análise financeira de investimentos.
Notou-se, contudo, certa informalidade, porque se constatou que o feeling é usado para a tomada de decisões quando
o montante do investimento é menor que o patamar mencionado de R$ 10.000,00.
Além disso, o fato de o gerente geral ter relatado que os
critérios de análise financeira são utilizados quando os projetos de investimento possuem valores superiores a mais ou
menos R$ 10.000,00 chama a atenção para a falta de rigidez
na definição de tal valor.
De acordo com Chadwell-Hatfield et al (1996/1997, p.
96), a teoria de finanças recomenda que todos os projetos
de investimento sejam analisados formalmente. Porém, na
prática, há várias companhias que não realizam tal análise
em projetos de pequeno porte.
Segundo Chadwell-Hatfield et al (1996/1997, p. 96), o fato
de não se analisarem projetos de investimento de pequena
monta pode acarretar um impacto significativo no valor da
empresa. Isto porque, se somados, os vários pequenos projetos de investimento consomem uma porção significativa do
orçamento de capital da organização.
De acordo com Ryan e Ryan (2002), as técnicas do VPL
e da TIR são muito usadas pelas 1.000 empresas listadas na
revista Fortune, mesmo quando o montante do investimento
não é muito elevado.
Todavia, o Princípio da Materialidade oferece embasamento à decisão de não efetuar análise dos projetos cujos
benefícios da informação obtida sejam inferiores aos custos
inerentes à referida análise.
Quanto à taxa de desconto utilizada, a XYZ faz uso do
custo dos empréstimos para a empresa, conforme afirmou
seu gerente geral.
A XYZ não faz uso de uma taxa de desconto ajustada ao
risco, apesar da importância, destacada por Gitman (2001, p.
320), já que a utilização de taxas de desconto ajustadas ao
risco do projeto vai ao encontro do objetivo de maximizar o
retorno do proprietário da empresa em cada projeto de investimento realizado.
Contudo, o procedimento adotado pela XYZ vai ao encontro do resultado apurado pela pesquisa realizada por
Block (1997), que apontou que a maior parte das pequenas empresas pesquisadas utiliza o custo de captação de
empréstimos como o ponto de corte para a aceitação de
projetos de investimento.
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 23 - 30, out./dez. 2007
O custo médio ponderado de capital não é considerado a
taxa de desconto apropriada pelas empresas de pequeno porte, porque estas empresas têm dificuldade de estimar o custo
de capital próprio da organização (Block, 1997, p. 296).
Quanto às entradas de caixa operacionais, é interessante destacar a ocorrência de uma pequena subavaliação na
análise do processo de aquisição do caminhão-tanque por
parte da Cia. XYZ, já que a empresa trabalhou com um mês
de quatro semanas, o que corresponde a um total de 28 dias.
Contudo, esta diferença não foi considerada como significativa pela companhia.
Durante a análise financeira de projetos, a XYZ faz uso
de cenários, que envolvem as seguintes variáveis: o valor do
investimento inicial e a taxa de desconto do fluxo de caixa.
O período de tempo utilizado pela XYZ, ao se trabalhar
com os critérios de análise de investimentos, é a vida econômica do projeto.
Estabelecendo uma comparação entre a XYZ e as 11 empresas que responderam ao questionário, verifica-se que na
maioria destas organizações a análise de projetos é realizada
pela diretoria (45,5% das respostas). Este resultado coincide
com o que acontece na Cia. XYZ, onde a referida análise fica
a critério da cúpula da organização.
O caso da Cia. XYZ ilustra que mesmo as empresas de
pequeno porte já estão utilizando técnicas de orçamento
de capital para a análise de seus projetos de investimento
de longo prazo. Este fato é favorecido pelo acesso, mesmo
que limitado, aos instrumentos eletrônicos necessários para
tal análise, como, por exemplo, o microcomputador e a calculadora financeira.
6. Considerações Finais
Com base nas respostas oriundas da entrevista, da análise documental e dos onze questionários, foi possível traçar
um paralelo entre alguns dos principais pontos levantados
por esta pesquisa sobre a realidade vivenciada pelas pequenas indústrias e o referencial teórico existente.
Como se pode observar, no tocante às técnicas de orçamento de capital mais utilizadas pela Cia. XYZ e pelas empresas que responderam ao questionário, o valor presente líquido
(VPL) e a taxa interna de retorno (TIR) se destacaram.
Apesar de muitas pesquisas — entre elas as de Grablowsky e Burns (1980), Wacht (1989) e Ryan e Ryan (2002)
— apontarem o critério do VPL como o conceitualmente mais
sólido, há aqui certa surpresa, já que outros estudos — como
os de Galesne, Fensterseifer e Lamb (1999) e de Graham e
Harvey (2001) — apresentam a TIR como o método mais utilizado pelas empresas, enquanto nas empresas respondentes
dos questionários tal técnica só apareceu em terceiro lugar.
Identificou-se, neste trabalho, que a empresa XYZ não realiza uma análise preliminar, para, posteriormente, executar
uma análise complementar de seus projetos de investimento.
O mesmo acontece com 63,6% dos respondentes. Tal resultado vai de encontro ao apontado nos trabalhos de Oblak e Helm
(1980) e Galesne, Fensterseifer e Lamb (1999), que destacam
o uso de uma fase preliminar na análise de projetos.
Verificou-se que a XYZ e algumas das empresas (27,3%)
estabeleceram um patamar mínimo para utilização das técnicas de análise. Trata-se de um ponto controverso na bibliogra-
29
Pensar Contábil
Marcio de Araújo Resende
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Jose Ricardo Maia de Siqueira
fia. Enquanto Chadwell-Hatfield et al (1996/1997) apontam a
necessidade de que haja um processo de análise financeira
para todos os projetos de investimento das empresas, Klammer e Walker (1984) indicam que muitas companhias não
procedem a tal análise quando o valor financeiro do investimento inicial não ultrapassa determinado montante.
Cabe ressaltar que o processo de analisar projetos gera
um custo para a organização. Assim, a própria convenção
da materialidade oferece respaldo para a determinação de
um patamar mínimo para análise, ao lembrar ao contador a
necessidade de ponderar benefícios e custos na elaboração
de procedimentos com usos gerenciais.
No tocante à taxa de desconto mais utilizada pela XYZ e
pelas empresas analisadas, verificou-se que elas preferem
usar o custo dos empréstimos.
Apesar do uso de taxas de desconto ajustadas ao risco maximizarem o retorno do proprietário da empresa em cada um
de seus projetos de investimentos (Gitman, 2001), verificou-se
que tanto a Cia. XYZ quanto as empresas respondentes não
fazem uso de taxa de risco ajustada ao projeto ou custo de
capital ajustado ao projeto. Bodie e Merton (2002) corroboram
a visão de Gitman (2001) ao apontar que o risco dos fluxos de
caixa, em vez do risco dos instrumentos de financiamento, é
aquele que é significativo no processo de orçamento de capital. Block (1997), no entanto, oferece um caminho para explicar
tal fato, ao identificar a dificuldade das empresas de pequeno
porte em definir seu custo de capital próprio. Se para estas organizações já é difícil definir um custo que reflita o próprio risco
da empresa, mais complexo ainda é a determinação do custo
relativo ao risco de uma fração desta mesma empresa.
No que diz respeito ao setor responsável pela análise de
projetos, tanto a XYZ quanto a maioria das companhias respondentes apontaram a diretoria. Da mesma forma, Grablowsky e Burns (1980) constataram que, em pequenas empresas, a questão financeira é normalmente assumida por uma
pessoa pertencente à cúpula da organização.
Há várias pesquisas que investigam o processo de análise de investimentos em grandes empresas, enquanto existe
uma menor quantidade de pesquisas enfocando empresas
de pequeno porte, o que reforça a relevância deste estudo.
Assim sendo, o que se espera é proporcionar uma contribuição significativa para a expansão do conhecimento na área
contábil em um segmento — das empresas de pequeno porte — onde, apesar de sua importância econômica, notadamente como gerador de postos de trabalho, se encontram as
mais altas taxas de mortalidade organizacional.
Bibliografia
ARNOLD, Glen C., HATZOPOULOS Panos D. The theory-practice gap in capital budgeting: evidence from the United Kingdom. In: Journal of
Business, Finance & Accounting, 27 (5) & (6), pp. 603-626. 2000.
BEUREN, Ilse Maria (Org.). Como elaborar trabalhos monográficos em contabilidade: teoria e prática. São Paulo: Atlas, 2003.
BLOCK, Stanley. Capital budgeting techniques used by small business firms in the 1990s. In: The Engineering Economist, v. 42, n. 4, pp. 289-302.
1997.
BODIE, Zvi, MERTON, Robert C. Finanças. São Paulo: Bookman, 2002.
BROUNEN, Dirk, JONG, Abe de, KOEDIJK, Kees. Corporate finance in Europe: confronting theory with practice. In: Financial Management. v. 33,
n. 4, pp. 71-101. 2004.
BURNS, Richard M., WALKER, Joe. Capital budgeting techniques among the Fortune 500: a rationale approach. In: Managerial Finance. V. 23,
n. 9, pp. 3-15. 1997.
CHADWELL-HATFIELD, Patricia et al. Financial criteria, capital budgeting techniques, and risk analysis of manufacturing firms. In: Journal of
Applied Business Research. v. 13, n. 1, pp. 95-104. 1996/1997.
DAMODARAN, Aswath. Finanças corporativas: teoria e prática. Porto Alegre: Bookman, 2004.
DRURY, Colin, TAYLES, Mike. UK capital budgeting practices: some additional survey evidence. In: The European Journal of Finance. v. 2, pp.
371-388. 1996.
FREEMAN, Mark, HOBBES, Garry. Capital budgeting: theory versus practice. Australian Accountant, v. 61, n. 8, pp. 36-41. 1991.
GALESNE, Alain, FENSTERSEIFER, Jaime E., LAMB, Roberto. Decisões de investimentos da empresa. São Paulo: Atlas, 1999.
GITMAN, Lawrence J. Princípios de administração financeira: essencial. Porto Alegre: Bookman, 2001.
GRABLOWSKY, Bernie J., BURNS, William L. The application of capital allocation techniques by small business. In: Journal of Small Business
Management, v. 18, n. 3, pp. 50-58. 1980.
GRAHAM, John R., HARVEY, Campbell R. The theory and practice of corporate finance: evidence from the field. In: Journal of Financial Economics, 60, pp. 187-243. 2001.
KESTER, George W., CHONG, Tsui Kai. Capital budgeting practices of listed firms in Singapore. In: Singapore Management Review, v. 20, n. 1,
pp. 9-23. 1998.
KLAMMER, Thomas P., WALKER, Michael C. The continuing increase in the use of sophisticated capital budgeting techniques. In: California
Management Review, v. XXVII, n. 1, pp. 137-148. 1984.
KUDLA, Ronald J. Capital rationing in small business. In: Journal of Small Business Management, v. 18, n. 4, pp. 34-39. 1980.
LAZARIDIS, Ioannis T. Capital budgeting practices: a survey in the firms in Cyprus. In: Journal of Small Business Management, v. 42, n. 4, pp.
427-433. 2004.
OBLAK, David J., HELM JR, Roy J. Survey and analysis of capital budgeting methods used by multinationals. In: Financial Management, pp. 3741. 1980.
RYAN, Patricia A., RYAN, Glen P. Capital budgeting practices of the Fortune 1000: how have things changed? In: Journal of Business and Management, v. 8, n. 4, pp. 355-364. 2002.
SANDAHL, Gert, SJÖGREN, Stefan. Capital budgeting methods among Sweden’s largest groups of companies. The state of the art and a comparison with earlier studies. In: International Journal of Production Economics, 84, pp. 51-69. 2003.
SCHALL, Lawrence D., SUNDEM, Gary L., GEIJBEEK JR, William R. Survey and analysis of capital budgeting methods. Notes. In: The Journal
of Finance, v. XXXIII, n. 1, pp. 281-287. 1978.
SEBRAE-RJ. O que são microempresas e empresas de pequeno porte? Disponível em: < http://www.sebraerj.com.br >. Acesso em: 06 julho 2006.
WACHT, Richard F. Capital investment analysis for the small business. In: Business, v. 39, n. 4, pp. 27-32. 1989.
30 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 23 - 30, out./dez. 2007
Pensar Contábil
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Trabalho classificado em 3º lugar no Prêmio Contador Geraldo de La Rocque – 2007
Considerações sobre
a Evidenciação de Ativos
Intangíveis no Contexto
Brasileiro: Estudo de Caso
da Perdigão S/A
Resumo
A globalização econômica tornou o conhecimento e a tecnologia elementos importantes na representação do patrimônio das empresas. Atualmente, é comum o valor de mercado
das empresas apresentar valor superior ao que está registrado contabilmente no balanço patrimonial. Essa diferença
vem sendo atribuída aos ativos intangíveis, que na maioria
das vezes não estão registrados na contabilidade. A teoria
contábil, por sua vez, ainda não chegou a um consenso sobre a melhor forma de mensuração e contabilização desses
ativos intangíveis. Embora já haja muitas pesquisas sobre
esse assunto, cada uma delas tenta privilegiar outro aspecto
no tocante à forma de divulgação destes elementos. O objetivo desse trabalho é analisar como as empresas brasileiras
estão evidenciando seus ativos intangíveis, comparando-o
com as normas brasileiras e internacionais de contabilidade.
Palavras-chave: Ativos Intangíveis, Marcas, Capital Intelectual, P &
D, Direitos Autorais, Ágio.
Abstract
Economic Globalization has rendered knowledge and
technology to be important elements in portraying business
assets. Currently, it is commonplace for stock value to obtain
a higher appraisal than the one registered by their accounting statements. This difference has been attributed to intangible assets that in most cases are not recorded by normal
accounting practices. On the other hand, accounting theory
has yet to reach a consensus on the best way to measure
and consider these intangible assets. Although many studies
deal with this topic, each one tends to privilege some other
aspect in showing these elements. The objective of this study
is to analyze how Brazilian firms are taking into account their
intangibles and compare them to Brazilian and international
accounting norms.
Keywords: Intangible assets, Marks, Intellectual Capital, Research
and Development, Copyrights, Goodwill.
Bárbara de Souza Galvão
Rio de Janeiro – RJ
Contadora da Globo Comunicação e Participações S/A
[email protected]
José Paulo Cosenza
Rio de Janeiro – RJ
Doutor em Contabilidade – Universidad de Zaragoza1
Mestre em Ciências Contábeis – UERJ2
Professor Assistente – FAF/UERJ
Contador do BNDES
[email protected]
Introdução
O novo contexto econômico, em que as empresas apresentam valor de mercado superior ao valor contábil, aliado
ao advento da Deliberação CVM nº 488/05, que inclui o grupamento de intangíveis no Balanço Patrimonial, impulsionou
os estudos sobre o tema ativos intangíveis no Brasil. No entanto, para discussão desse tema, o seguinte problema deve
ser formulado: a forma como as empresas brasileiras estão
evidenciando seus ativos intangíveis permite que elas ultrapassem obstáculos visando adaptar-se aos preceitos das
normas internacionais emanadas do IASB, e com isso alcançar uma convergência das práticas contábeis brasileiras com
os procedimentos contábeis internacionais?
Tomando como diretriz esta consideração, este trabalho
pretende estudar como são evidenciados os ativos intangíveis no Brasil, analisando sua natureza, classificação e
principalmente as semelhanças e diferenças de tratamento
contábil sob as perspectivas das várias normas vigentes e
particularmente a IAS 38 Intangible Assets do IASB (International Accounting Standards Board). Com isso, espera-se
alcançar uma melhor compreensão das dificuldades que a
teoria contábil tem encontrado para reconhecer e mensurar
Universidade de Zaragoza – Pedro Cerbuna 12, 50009 – Zaragoza – Espanha.
UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Cep 22.290-240 – Rio de Janeiro – RJ.
1
2
Artigo recebido em 28/09/2007 e aceito em 05/11/2007.
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 31 - 40, out./dez. 2007
31
Pensar Contábil
Bárbara de Souza Galvão
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
José Paulo Cosenza
estes tipos de ativos, demonstrando os principais tratamentos contábeis adotados tanto nas normas brasileiras e como
nas internacionais.
Para corroborar o estudo, é testada, por meio de pesquisa
empírica, a forma de evidenciação dos ativos intangíveis pelas empresas brasileiras tomando como base um estudo de
caso da empresa Perdigão.
O estudo permitirá concluir que essa empresa reconhece
a importância de seus ativos intangíveis na geração de benefícios econômicos futuros, mas demonstra esses ativos em
relatórios complementares às demonstrações contábeis, já
que as normas brasileiras e internacionais de contabilidade
não definem ainda claramente como reconhecer, mensurar e
registrar os ativos intangíveis no balanço patrimonial, principalmente os ativos intangíveis gerados internamente.
1. Conceitos e Características
dos Ativos Intangíveis
Para compreender as definições de ativo intangível, tornase necessário primeiramente a construção de um referencial
teórico acerca do que contabilmente se entende como ativo.
Ao longo do tempo, vários conceitos foram atribuídos aos ativos por diversos autores, cada um privilegiando um ou outro
aspecto ao conceituá-lo.
Os principais atributos que caracterizam um ativo, observando-se os principais estudos dos autores da teoria da
contabilidade, são: i) geração de uma expectativa de benefício econômico futuro resultado de uma transação ou
evento passado; ii) existência de um direito específico ao
benefício futuro ou potenciais serviços que devem favorecer exclusivamente uma empresa específica; iii) a receita
do benefício futuro deverá ser provável. Ou seja, como um
ativo se entende o recurso que está sob controle da entidade, como resultado de eventos passados, e cujos benefícios econômicos futuros representam expectativas de caixa
para essa mesma entidade.
Todavia, para o reconhecimento contábil dos ativos, há
mais algumas condições que também precisam ser atendidas: i) o item deve corresponder à definição de ativo; ii) precisa ser relevante, ou seja, a informação deve ser capaz de
fazer a diferença na tomada de decisão; iii) ser mensurável;
iv) ter valor preciso.
Hendricksen e Van Breda (1999, p. 286) reúnem essas
características num único conceito, afirmando que os ativos
são “potenciais fluxos de serviço ou direitos a benefícios
futuros sob o controle de uma organização”. Essa definição
é a mesma adotada pelo FASB (Financial Accounting Standards Board).
Para Hendricksen e Van Breda (1999, p. 388), a definição
e mensuração dos ativos considerados intangíveis é um dos
pontos mais complexos na contabilidade, dadas as incertezas
quanto à sua mensuração e à estimativa de suas vidas úteis.
Neste trabalho, define-se ativo intangível como um ativo
não monetário, identificável, sem substância física, mantido
para uso na produção, ou suprimento de bens ou serviços,
para ser arrendado a terceiros ou para fins administrativos.
Para que um item seja identificado como um ativo intangível pelas normas internacionais, o IASB, em seu pronunciamento IAS 38, determina que, além da definição, é exigi-
32 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 31 - 40, out./dez. 2007
do que sejam prováveis os benefícios econômicos futuros
gerados por esse ativo para a entidade, que o valor do ativo possa ser mensurado com certo grau de confiabilidade
e que se tenha controle sobre ele. De acordo com Costa
(2007), haverá controle de um ativo intangível quando a entidade detiver o poder de obter os futuros benefícios econômicos deste recurso e puder restringir o acesso de outro(s)
a tais benefícios.
Dessa forma, um aspecto a ser considerado é a existência
de proteção legal, permitindo que os direitos de propriedade
possam ser estabelecidos, gerando benefícios aos seus proprietários ou detentores de seus direitos. No entanto, Costa
(2007) ressalta que, apesar de tal poder de posse advir geralmente de proteção legal com enforcement das cortes, a
proteção legal não é uma condição necessária para a determinação do controle contábil.
Um atributo importante do ativo intangível é que, diferentemente dos ativos tangíveis, eles são singulares. Conforme
Kayo (2002, p. 1), esta singularidade é um importante elemento de diferenciação. O autor exemplifica demonstrando
que a marca Coca-Cola é propriedade de apenas uma empresa, enquanto as máquinas que fabricam esse refrigerante
podem ser compradas por qualquer outra.
Uma característica estratégica dos ativos intangíveis é a
não-rivalidade, que permite o consumo desse ativo por um
agente, sem que a quantidade disponível para outros agentes seja afetada. Perez e Fama (2002, p. 4) destacam a importância desta característica no que concerne ao custo de
oportunidade, já que os ativos físicos são sempre rivais, sendo necessária a escolha da alocação do ativo, em detrimento das demais opções. Santos et al (2007, p. 265) apontam
como o conhecimento pode tornar-se uma fonte potencial de
rendimentos crescentes pela característica da não-rivalidade, exemplificando o compartilhamento de conhecimentos
individuais, que gera novos conhecimentos.
Outra característica dos ativos intangíveis é a capacidade
de escala. Tal característica, de acordo com Perez e Fama
(2002, p. 4), aparece, principalmente, quando uma empresa decide aumentar seu volume de produção. Estes autores
citam, como exemplo, uma indústria que já esteja operando
com pleno emprego. No que concerne aos ativos tangíveis,
será necessário o aumento de máquinas, equipamentos e,
eventualmente, seu parque fabril. Porém seus ativos intangíveis poderão ser explorados indefinidamente.
2. Natureza e Exemplos de Ativos Intangíveis
2.1. Natureza
Segundo Monsteiro e Coelho (2001, p. 7), a ciência contábil admite dois tipos de ativos intangíveis: os identificáveis
e os não identificáveis. Os ativos tornam-se identificáveis
quando estão associados a uma descrição clara e objetiva
de sua natureza, classificação e critérios de mensuração.
Neste tópico, relacionam-se os principais ativos intangíveis identificáveis e, também, um dos principais ativos intangíveis não identificável, o goodwill.
2.2. Marcas
De acordo como o comitê de definições da American
Marketing Association, a marca pode ser definida como “um
Pensar Contábil
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Considerações sobre a Evidenciação de Ativos Intangíveis no Contexto Brasileiro: Estudo de Caso da Perdigão S/A
nome, termo, sinal símbolo ou desenho, ou uma combinação
dos mesmos, que pretende identificar os bens e serviços de
um vendedor ou grupo de vendedores e diferenciá-los daqueles dos concorrentes” (PINHO, 1996).
Kotler (1992, p. 233) apresenta as três principais vantagens de estabelecer uma marca para um produto: i) identificação do produto, que facilita sua procura; ii) o registro e
a patente da marca protegem as características peculiares
do produto, não permitindo a imitação; iii) inserir uma conotação, como, por exemplo, de qualidade ou de reputação no
mercado, para justificar a diferenciação do preço. Tais características permitem ao usuário do produto identificar suas
características e qualidades.
Hendricksen e Van Breda (1999, p. 399) reconhecem que
a questão da avaliação das marcas ainda é controvertida. A
prática é que os ativos intangíveis associados à marca só sejam reconhecidos se forem comprados de terceiros, não sendo aceitável a contabilização de marcas desenvolvidas internamente. Ou seja, pelos critérios contábeis vigentes, uma
marca própria desenvolvida ou estruturada por uma empresa
somente será reconhecida contabilmente no patrimônio no
momento de sua venda para outra empresa.
2.3. Investimentos em Pesquisa
e Desenvolvimento (P&D)
Os investimentos em P&D são gastos realizados para gerar novos produtos, podendo até abranger as pesquisas de
mercado que antecedem ao início da produção comercial.
Esses custos costumam, no caso brasileiro, ser contabilizados no grupo Ativo Permanente, dentro do subgrupo Diferido.
Já os custos para aperfeiçoar ou modificar produtos existentes com o objetivo de benefícios futuros devem ser lançados
diretamente na Demonstração de Resultado do Exercício no
grupo de despesas operacionais.
Para ser classificado como ativo, o produto deve ainda,
pelas normas brasileiras de contabilidade, apresentar viabilidade técnica, mercadológica e financeira. Caso contrário,
deverá ser lançado diretamente na Demonstração de Resultado do Exercício, como uma despesa operacional. Segundo
Niyama (2006, p. 58), esses gastos vêm comumente sendo
tratados como despesa devido à dificuldade de uma vinculação objetiva com cada período futuro e à incerteza da viabilidade técnica e do retorno financeiro deles.
Já a norma internacional (IAS 38), embora admita o reconhecimento de ativos intangíveis gerados internamente
em função de P&D, faz, por sua vez, uma distinção entre a
pesquisa e o desenvolvimento, dando tratamento diferenciado a cada um desses elementos. A pesquisa é definida
como um processo anterior ao desenvolvimento. Os gastos
com pesquisa devem ser tratados como despesa e reconhecidos contabilmente no período em que incorrerem, ou
seja, nenhum ativo intangível resultante da fase de pesquisa poderá ser reconhecido na contabilidade. Já o ativo intangível resultante da fase de desenvolvimento poderá ser
reconhecido na contabilidade como ativo se, e somente se,
uma entidade puder atender a alguns critérios específicos.
Niyama (2006, p. 56) comenta que para que os gastos com
desenvolvimento possam ser capitalizados devem ser atendidas as seguintes condições: i) definição clara do produto
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 31 - 40, out./dez. 2007
ou processo; ii) os custos atribuíveis podem ser identificados separadamente e mensurados em bases confiáveis; iii)
a característica técnica do produto ou processo pode ser
demonstrada (ou identificada); iv) a empresa tem intenção
de produzi-lo e disponibilizá-lo no mercado ou de utilizá-lo
internamente; v) o produto ou processo tem mercado próprio ou se for utilizado apenas internamente, se a empresa
tem condições de comprovar essa utilidade ou benefício; vi)
existência de recursos para completar (terminar) o projeto
(produto-processo). Quando a entidade não conseguir fazer uma distinção clara e objetiva entre a fase de pesquisa
e a fase de desenvolvimento, os referidos gastos devem
ser contabilizados como pesquisa, sofrendo um tratamento
contábil mais conservador.
2.4. Direitos autorais
A proteção ao direito autoral está prevista na Constituição
da República Federativa do Brasil de 1988, em seu artigo 5º,
incisos XXVII e XXVIII, alíneas “a” e “b”. Por ela, confere-se
aos autores o direito exclusivo de utilização, publicação ou
reprodução de suas obras e assegura-se proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da
imagem e voz humanas.
Pelas normas norte-americanas, um direito autoral é garantido por toda a existência de seu criador, mais 50 anos
contados a partir do falecimento do autor, dando ao seu possuidor, ou seus herdeiros, o direito exclusivo de reproduzir e
vender uma arte ou trabalho publicado.
As normas brasileiras de contabilidade tratam os custos
incorridos na produção que resultam no surgimento dos direitos autorais no Ativo Circulante, no subgrupo de Estoques
de Direitos, mas eles recebem um tratamento contábil diferente dos estoques de itens tangíveis, já que, quando esses
direitos são comercializados, não têm sua baixa reconhecida integralmente, podendo ainda dar-se a possibilidade de
novas comercializações, sendo reconhecida somente uma
amortização parcial de seu custo. Por essa razão, Iudícibus,
Martins e Gelbcke (2003, p. 135) propõem uma nova forma
de classificação para esses ativos, com a criação de um grupo específico para distingui-los dos Estoques, que os autores
chamaram de Ativos Especiais.
Há casos em que os ativos especiais geram receitas pela
venda e pelo uso, identificando-se ora com o imobilizado, ora
com o diferido. Os filmes são citados como um exemplo clássico de ativo especial. A receita pode ser obtida mediante
cessão de direito de exibição, sendo a propriedade mantida pela empresa que o produziu e podendo ser geradas, a
qualquer momento, novas receitas. Se a integralidade dos
direitos for vendida a terceiros, será chamada de venda final,
similar à venda de qualquer outro estoque.
Analisando as normas internacionais de contabilidade,
verifica-se que não há um tratamento específico para os direitos autorais, apenas a abordagem do estoque de ativos
intangíveis. O item 03 da IAS 38 prevê que, se um intangível é mantido para venda no curso normal dos negócios, ou
seja, é um estoque, deve ser tratado de acordo com o IAS
2 e não conforme o IAS 38. O problema é que no IAS 2 não
se contemplam de forma direta os estoques intangíveis, enquanto o IAS 38 continua a citar no item 09 os filmes cine-
33
Pensar Contábil
Bárbara de Souza Galvão
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
José Paulo Cosenza
matográficos, que podem ser considerados um exemplo de
estoque intangível.
2.5. Capital intelectual
Segundo Antunes e Eliseu (2002, p. 41), a era atual,
caracterizada pelo rápido avanço das tecnologias de produção, da informática e de telecomunicação, bem como
por outras transformações que sugerem novas formas de
percepção e interpretação da sociedade como um todo,
produz benefícios intangíveis que agregam valor às empresas. Esse conjunto de benefícios intangíveis se denominou
Capital Intelectual.
O valor do capital intelectual fica mais bem evidenciado na
aquisição de empresas quando o valor de mercado supera
seu valor contábil. A mensuração do capital intelectual vem
sendo apresentada pelas empresas em forma de Relatório
de Capital Intelectual.
A composição do capital intelectual levou Edvinsson e Malone (1998, p. 39) à conclusão de que o capital intelectual é
um passivo e não um ativo, como comumente é considerado, já que é formado, normalmente, pelo conhecimento dos
empregados. Dessa forma, o capital intelectual poderia ser
considerado como um empréstimo que esses empregados
estão fazendo à empresa.
Para fazer uma analogia com a proposta de Edvinsson e
Malone, é citado o caso dos jogadores de futebol. Seguindo
a proposição de Edvinsson e Malone, os jogadores dos clubes de futebol seriam os empregados e o clube representaria
a empresa, e, dessa forma, o talento do jogador seria um
empréstimo feito à empresa pelos empregados, gerando a
contabilização de um passivo.
Contrariando a sugestão dos autores, Iudícibus, Martins e
Gelbcke (2007, p. 231), afirmam que os direitos federativos,
ou, coloquialmente, “passes dos jogadores”, representam o
principal ativo de um clube de futebol. A
classificação dos
direitos federativos, que representam o vínculo desportivo do
atleta com o clube, como ativo é ratificada pelo Conselho Federal de Contabilidade – CFC – através de sua Resolução nº
1.005/04, que determina que os custos com os atletas sejam
registrados em conta específica do Ativo Imobilizado, para
amortização do resultado do exercício pelo prazo contratual
firmado. Portanto, pelas normas brasileiras de contabilidade,
o capital intelectual é um ativo.
2.6. Goodwill
Niyama (2006, p. 65) afirma que “o goodwill é a diferença
entre o valor contábil das ações e o valor de mercado dos
ativos líquidos adquiridos, ou ainda, o direito sobre lucros futuros esperados da companhia”.
Porém, para a norma internacional (IFRS 3 – que trata
do goodwill adquirido em uma business combination), nem
toda a diferença pode ser considerada como goodwill. Deverá ser feita uma análise a fim de verificar se parte dessa diferença pode ser atribuída a um ativo identificável. O
restante será designado como goodwill. Portanto, o valor
do goodwill está vinculado a outros ativos intangíveis não
identificáveis, o que o faz ser considerado como “o mais
intangível de todos os intangíveis”.
De acordo com Santos et al (2007, p. 205), há vários
34 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 31 - 40, out./dez. 2007
tratamentos contábeis adotados para o goodwill, mas a
maioria dos países costuma contabilizá-lo como um ativo
sujeito à amortização ou baixar seu valor diretamente contra o patrimônio líquido. No Brasil, o goodwill é capitalizado
e amortizado conforme o período esperado de geração de
benefícios futuros. Os autores afirmam que nos Estados
Unidos, porém, a prática adotada é a da capitalização sem
a posterior amortização, mas, anualmente, deve ser realizado um teste de impairment para verificar o grau de recuperação do valor do goodwill.
Tanto a norma norte-americana como a norma internacional entendem que tais ativos não deveriam ser amortizados
e que a empresa deveria aplicar a IAS 36 (Impairment of
Assets) para avaliar se houve ou não perda por redução no
valor recuperável do ativo. Esse teste de impairment deverá
ser realizado anualmente ou toda vez que houver um indicador de que o ativo tenha sofrido impairment. Essa prática é
sustentada pela teoria de que, sem suficiente evidência de
que uma redução no seu valor está ocorrendo, a baixa do
goodwill é arbitrária, já que o goodwill não tem uma existência individualizada e mensurável.
3. Reconhecimento, Mensuração
e Tratamento Contábil
As Normas Brasileiras de Contabilidade não admitem a
mensuração e registro de itens como fundo de comércio,
capital humano, goodwill, entre outros, quando não são
adquiridos de terceiros independentes. Em se tratando de
marcas, patentes e direitos autorais, ainda que desenvolvidos pela empresa, são registrados ao custo incorrido para
o desenvolvimento, sob a condição de gerarem benefícios
incrementais no futuro.
No entanto, o pronunciamento IAS 38, do IASB, permite
o reconhecimento dos ativos gerados internamente, desde
que sejam prováveis os benefícios econômicos a ser gerados pelo ativo e que seu custo possa ser mensurado confiavelmente. Porém não define como a contabilização deve ser
feita e admite a existência de dificuldades para identificar que
intangíveis geram benefícios econômicos futuros esperados
e para determinar fielmente o custo do ativo. Em palavras de
Costa (2007), o reconhecimento dos ativos intangíveis gerados internamente é difícil, por causa da avaliação de seu
potencial de geração de benefícios econômicos futuros e da
mensuração de seu custo.
No caso de uma empresa que adquire um ativo intangível de forma individualizada, o registro contábil é facilitado,
já que o custo deste ativo intangível pode ser mensurado de
forma razoável e confiável, principalmente quando a aquisição for realizada com dinheiro, ou através da entrega de
outro bem.
No Brasil, um ativo intangível adquirido separadamente
de um negócio segue o mesmo tratamento adotado pelas
normas internacionais, devendo ser contabilizado pelo valor
do custo incorrido na operação. A Lei das Sociedades por
Ações (6.404/76) dispõe que tais ativos deverão, de acordo
com a sua natureza, devem ser classificados no Ativo Imobilizado ou Diferido (art. 179).
De acordo com a IAS 38, o preço pago por um ativo intangível em separado representa a expectativa dos benefícios
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Pensar Contábil
Considerações sobre a Evidenciação de Ativos Intangíveis no Contexto Brasileiro: Estudo de Caso da Perdigão S/A
econômicos futuros, satisfazendo o critério de reconhecimento; isto é, o custo do ativo intangível adquirido separadamente deve compreender o preço de aquisição, incluindo
os impostos não recuperáveis, após dedução dos descontos
comerciais e abatimentos. Compreende ainda quaisquer outros valores atribuídos diretamente ao custo de preparação
do ativo para colocá-lo em funcionamento, incluindo serviços
profissionais e legais.
Quanto aos ativos intangíveis adquiridos como parte de
uma combinação de negócios, de acordo com Iudícibus,
Martins, Gelbcke (2007, p. 228), devem ser contabilizados
separadamente do goodwill se sua mensuração puder ser
feita de modo confiável no momento inicial de seu registro.
Pelas normas brasileiras, a diferença entre o valor de mercado e o valor contábil de uma empresa numa combinação
de negócios é denominada ágio ou deságio e, de acordo
com a Instrução da CVM nº. 247/96, deve ser contabilizada
conforme sua fundamentação econômica, ou seja: nas contas representativas que lhe deram origem, quando a fundamentação econômica do ágio for a diferença entre o valor de
mercado e o contábil dos bens; em conta específica do ativo
imobilizado (ágio), se decorrente de aquisição do direito de
exploração, concessão ou permissão delegadas pelo Poder
Público; em conta específica do ativo diferido (ágio) ou em
conta específica de resultado de exercício futuro (deságio),
quando corresponder à expectativa de resultado futuro.
Para a IAS 38, se um ativo intangível for adquirido em
uma business combination, o custo deste ativo intangível
consiste em seu fair value na data de aquisição. De acordo
com Costa (2007), o fair value deve refletir as expectativas
do mercado sobre a probabilidade de que benefícios econômicos futuros subjacentes ao ativo fluirão para a entidade.
Com isso, observa-se que o IASB também determina que
os ativos intangíveis que possam ser mensurados confiavelmente sejam reconhecidos separadamente do goodwill,
dando-se a mensuração desses ativos por meio de cotações de preço no mercado.
Porém Costa (2007) chama a atenção para a necessidade de avaliar se o ativo intangível pode ou não ser separado. No caso em que não se possa separá-lo, a entidade
dever avaliar se ele está relacionado a outro ativo intangível
ou tangível. Neste caso, o adquirente reconhece o grupo
de ativos como um único ativo separadamente do goodwill.
O autor dá como exemplo o caso do título de uma revista e
sua base de assinantes.
Costa (2007) ressalta, ainda, que há duas situações em
que o fair value não pode ser mensurado confiavelmente: i)
quando o ativo não é separável; ou ii) quando é separável,
mas não há histórico ou evidências sobre transações para
itens similares, levando à conclusão de que a estimativa do
fair value dependeria de variáveis que não são mensuráveis.
Logo, fará parte do goodwill.
Com muita probabilidade, o guidance do novo draft sobre
fair value deverá ser seguido: a) cotação de mercado; b) preços recentes de transações similares; c) utilização de múltiplos; e d) fluxos de caixa descontados. A regra é: caso tais
preços não estejam disponíveis, o valor justo dos ativos pode
ser determinado pela transação semelhante mais recente,
desde que não tenha havido uma alteração significativa na
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 31 - 40, out./dez. 2007
conjuntura econômica. Todavia, não existindo mercado, o
valor será a quantia que a entidade teria de pagar na data
da aquisição em uma transação sem favorecimentos, entre
partes conhecedoras do assunto. Para isso, deve-se utilizar
a melhor informação disponível e o resultado de transações
mais recentes com ativos similares.
O resíduo não identificável será contabilizado como goodwill. Segundo Schimidt & Santos (2002, p. 46), há diversos
tratamentos para contabilização do goodwill, sendo que
os mais adotados são: a classificação como ativo sujeito à
amortização, conforme a vida útil do ativo, e a baixa diretamente contra o Patrimônio Líquido. Nos Estados Unidos, é
permitida a capitalização sem a posterior amortização, porém
anualmente deverá ser realizado o teste de recuperabilidade,
conforme já comentado anteriormente.
Diante da complexidade de avaliação dos ativos intangíveis, inúmeros modelos de avaliação foram propostos ao
longo dos anos, enfatizando um ou outro aspecto.
A forma mais simples de avaliar os ativos intangíveis, de
forma geral, é pela diferença entre o valor de mercado de
suas ações e o valor de seus ativos fixos registrados no balanço patrimonial. Analisando esse modelo, surgem algumas
críticas: essa diferença pode ser atribuída a algum ativo fixo
subavaliado; o mercado de ações é volátil, ou seja, o valor da
empresa pode variar de um dia para o outro conforme outras
variáveis que independem da gerência da empresa.
Outro modelo de avaliação é o “Q” de Tobin. Esse modelo
avalia se o custo de reposição do ativo intangível é maior do
que o valor do ativo, caso em que a manutenção desse ativo
é vantajosa para a empresa. Porém, se o custo de reposição
for menor do que o valor do ativo, é provável que a empresa
adquira novos ativos no mercado. Esse modelo é sugerido
como avaliação do capital intelectual.
Em relação ao goodwill, sua mensuração é tratada na
literatura contábil como um item à parte dos demais ativos
intangíveis, dada a sua natureza controvertida. De acordo
com Cavalcante et al (2006, p. 23), os principais modelos
propõem a mensuração do goodwill por meio de uma conta
geral de avaliação. Conforme essa abordagem, o goodwill
vai, ao longo do tempo, sendo substituído por ativos tangíveis e intangíveis identificáveis, até o momento em que ele
perderá totalmente seu valor.
Existem inúmeros métodos para avaliação de ativos intangíveis, cabendo citar: método de Lawrence R. Dicksee,
método de New York, método de Hatfield, método do valor
atual dos superlucros, método de custo de reposição ou custo corrente, método do valor econômico, método do valor de
realização, método do excesso de valor econômico sobre o
valor corrente, e método residual para avaliação de ativos
intangíveis. Cabe ressaltar que os modelos mais recentes
buscam uma avaliação dos ativos intangíveis de forma residual, ou seja, subtraindo-se do valor econômico da empresa
os ativos intangíveis identificáveis.
Esses métodos de avaliação apresentam diversas limitações, como a utilização do lucro líquido como base de mensuração em vez do fluxo de caixa e a falta de definição de
critérios para determinação de taxas de avaliações dos ativos intangíveis identificáveis e dos custos de oportunidade.
O modelo residual para avaliação de ativos intangíveis foi
35
Pensar Contábil
Bárbara de Souza Galvão
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
José Paulo Cosenza
uma tentativa de reduzir essas limitações, na medida em que
utiliza o fluxo de caixa como base de avaliação.
4. Vantagens Competitivas Atribuídas aos
Ativos Intangíveis
O cenário econômico atual tem evidenciado que os ativos
intangíveis passaram a assumir grande importância na geração de riqueza para as empresas. Os fatores tradicionais de
produção, como capital, terra e trabalho, já não representam
uma fonte tão forte de vantagem competitiva para as empresas, como tradicionalmente acontecia.
Os estudos sobre o tema apresentam os ativos intangíveis
subdivididos em cinco grupos principais: ativos intangíveis
relacionados a marketing, a clientes, à arte, ativos estruturais
e ativos humanos.
No grupo de ativos intangíveis relacionados a marketing,
estão os principais ativos relacionados à imagem do produto,
que pode ser a marca, a embalagem ou o site. Em geral, são
elementos que distinguem um produto de outro.
Esse grupo de ativos intangíveis é o que mais tem se
destacado atualmente, sendo uma poderosa fonte de vantagem competitiva. Como exemplo, cita-se a aquisição da
Kibon pela Unilever. Essa negociação mostra como a marca pode ser um fator diferencial na determinação do valor
de uma empresa. A Unilever adquiriu a Kibon por US$ 930
milhões, sendo que os ativos da Kibon estavam contabilizados a 30% desse valor.
Como a Kibon já é uma marca consagrada no mercado de
sorvetes, a Unilever, apesar de ter capacidade para produzir
e distribuir sorvetes com o mesmo padrão da Kibon, preferiu
não correr o risco de não ser aceita em um mercado que já
fora conquistado por outra empresa. Tornam-se evidentes,
neste caso, os benefícios econômicos futuros que essa diferença entre o valor das ações e o valor contábil da Kibon irá
gerar para a Unilever.
Outro exemplo da importância do valor da marca foi a
compra das marcas de margarina Claybon, Doriana e Delicata da Unilever pela Perdigão. A intenção da Perdigão
é alcançar novos segmentos de mercado, mas para isso
precisa de marcas fortes. O montante pago pela Perdigão
cobriu o valor das marcas mais as máquinas para a produção das margarinas.
O acordo entre a Perdigão e a Unilever prevê também a
criação de uma joint venture entre as duas empresas para
gerir as margarinas Becel e Becel ProActive. A Unilever licenciará o uso das marcas, que poderão ser usadas em outras
linhas de produtos, e a Perdigão entrará com a estrutura de
produção, vendas e distribuição.
O objetivo da Unilever é obter um ganho expressivo de escala no segmento de margarinas, já que a malha logística da
Perdigão cobre 98% do território brasileiro, uma área muito
maior do que a atendida pela Unilever. Com essa cobertura,
a empresa pretende elevar a penetração das margarinas Becel e Becel ProActive no mercado nacional.
O grupo de ativos relacionados aos clientes não só contemplam as relações estabelecidas com os clientes, mas
incluem as relações estabelecidas com investidores e fornecedores. Neste trabalho serão tratadas apenas as relações com os clientes propriamente ditos. De acordo com
36 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 31 - 40, out./dez. 2007
Cosenza e Kroetz (2006, p. 10), o relacionamento com os
clientes deve incluir, ainda, o conceito de responsabilidade
social corporativa, que pressupõe a participação da empresa na comunidade com ações de desenvolvimento social,
preservação do meio ambiente e criação de condições de
trabalho mais favoráveis. Esse conjunto de atitudes deve
ter como objetivo o desenvolvimento sustentável tanto da
empresa como da sociedade.
Essa classe de ativos intangíveis pode ser considerada
como complementar à classe de ativos relacionados a marketing, já que a carteira de clientes é construída a partir
da consagração de uma marca. O referencial de uma marca pode ser construído com base no próprio tratamento
dispensado aos clientes e em relação ao significado que
o cliente atribui àquela marca. Dessa forma, as ações de
desenvolvimento sustentável praticadas pela empresa
exercem influências positivas sobre a imagem da empresa
como um todo.
O cliente se torna fiel a esse conjunto de atitudes atribuídas à empresa e não somente ao produto vendido ou serviço
prestado. Essa é mais uma forma de explicar a aquisição da
Kibon pela Unilever por um valor bem superior ao valor de
seus ativos físicos. A fidelidade dos clientes à marca Kibon é
notória, o que dificultaria a entrada triunfal de outra empresa
no mercado de sorvetes, mesmo que essa nova marca apresentasse atributos implícitos positivos.
Santos et al (2007, p. 275) conceituam os ativos relacionados à arte como “decorrentes da criação artística que
origina os direitos autorais”, como peças teatrais, cinematográficas, livros, periódicos, composições, filmes, novelas e
programas de televisão.
Iudícibus, Martins e Gelbcke (2003, p. 135) tratam esses
ativos com exclusividade como Ativos Especiais. A diferença entre esse grupo e os demais ativos é que a baixa do
custo desses ativos, quando se dá a venda, não é integral,
pois pode ainda existir a possibilidade de novas comercializações. É reconhecida apenas uma amortização parcial de
seu custo.
Como exemplo da geração de múltiplas receitas, cabe
citar o desenho Shreck III. As aventuras do simpático ogro
verde foram responsáveis pela arrecadação de US$ 122,9
milhões em bilheteria no seu primeiro final de semana de exibição nas salas de cinema norte-americanas.
Esse ativo intangível é capaz de gerar receitas não só
pela arrecadação nas bilheterias de cinema, mas também
pelo licenciamento da marca. Os personagens do desenho
foram reproduzidos em forma de bonecos que estão sendo
vendidos em diversas lojas do mundo inteiro.
O Mc Donald’s lançou uma linha de sanduíches, sobremesas e molhos com o nome do filme. Houve ainda a campanha
do McLanche feliz: “Viva as Aventuras do Shreck III no Mc
Donalds”, em que na compra de um McLanche feliz o cliente
levava como brinde um dos personagens do filme.
Essa campanha alavancou as vendas do McLanche feliz
e foi um sucesso absoluto, superando todas as expectativas.
Em razão da grande demanda, os estoques de bonecos se
esgotaram antes do prazo previsto para o término da campanha, o que levou o Mc Donald’s a cadastrar os clientes interessados em obter os personagens do filme, para a produção
Pensar Contábil
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Considerações sobre a Evidenciação de Ativos Intangíveis no Contexto Brasileiro: Estudo de Caso da Perdigão S/A
de um saldo extra de brinquedos.
Haverá ainda a receita híbrida, como conseqüência da
reprodução do filme em DVD e VHS, na qual a produtora
recebe um valor fixo pelo licenciamento e um percentual
pelas vendas.
O grupo de ativos estruturais é definido por Cavalcanti et
al (2001, p. 63) como a infra-estrutura que é necessária para
que uma empresa funcione. Essa infra-estrutura inclui os sistemas administrativos, os conceitos, as rotinas, as marcas,
as patentes e os programas de computador.
São os ativos intangíveis de mensuração mais confiável,
porque os benefícios econômicos futuros gerados por esses
ativos estão, normalmente, protegidos por direitos legais ou
contratuais.
Segundo Antunes e Martins (2002, p. 45), a necessidade
de patentear o desenvolvimento de novas tecnologias advém da própria mensuração do valor da empresa. O custo
do desenvolvimento de uma nova tecnologia deve incluir o
conhecimento da mão-de-obra empregada, o treinamento, o
sistema de informações que viabilizou o trabalho em organizações globalizadas e o conseqüente investimento realizado
em softwares. Todos esses valores intangíveis agregam valor à empresa.
Atualmente, o valor da empresa está muito mais atrelado
à administração de seus recursos intelectuais do que à coordenação física dos empregados que trabalham na produção.
Os ativos humanos ou capitais humanos podem ser definidos como o capital intelectual, ou seja, um ativo intangível
pertencente a um indivíduo, mas que é usado pela empresa
para aumentar seus lucros.
As características dos indivíduos comumente definidas
como capitais intelectuais são: a capacidade de inovação,
o conhecimento, a habilidade para resolver problemas e o
julgamento de valor.
Atualmente, as empresas estão implantando programas
para identificar e gerenciar tais características em seus empregados. Quando um desses atributos é identificado, há
treinamentos para potencializá-los, e, dessa forma, o empregado irá prosperar dentro da empresa.
Quando ocorre o contrário, ou seja, se for diagnosticado
que determinado empregado não possui as características
necessárias para o desempenho da função, são oferecidos
treinamentos específicos ou uma função compatível com
suas habilidades.
Outra questão a ser considerada é a determinação do
valor da empresa para a concessão de financiamentos pelos bancos.
De acordo com Fingerl e Garcez (2002, p. 2), os antigos
sistemas de informação ainda em vigor penalizam as empresas que utilizam intensivamente seus ativos intangíveis.
O custo de capital para estas empresas é muito caro, já
que os sistemas de informação não consideram o valor dos
ativos intangíveis.
Diante desse novo cenário, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES – em parceria com o
Centro de Referência em Inteligência Empresarial – CRIE – da
Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ – está reformulando a metodologia de avaliação de empresas do banco.
O novo projeto prevê a incorporação dos ativos intangí-
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 31 - 40, out./dez. 2007
veis, como: governança, pesquisa tecnológica e de inovação, marketing, design, capital humano, capital de relacionamento e capital estratégico, na composição do valor real
das empresas.
De acordo com as informações disponíveis no portal do
CRIE, a metodologia de avaliação do capital intangível amplia o modelo do rating financeiro, tradicionalmente utilizado
para avaliação de projetos de financiamento, incorporando
indicadores que levam em consideração: o setor, o segmento
de atuação da empresa, o estágio de desenvolvimento de
cada um deles e os capitais do conhecimento adequados a
cada estágio do mercado.
O relatório dos capitais intangíveis (CI) é um documento
que deverá ser incorporado aos relatórios e demonstrativos
anuais das empresas para melhorar a informação entre as
empresas e seus investidores, financiadores e stakeholders.
A criação da Área de Gestão do Conhecimento no BNDES também demonstrou a percepção da crescente relevância dos ativos intangíveis como fontes geradoras de recursos para as empresas. Essa área, de acordo com Fingerl
e Garcez (2002, p. 3), tem como atribuição: i) elaborar um
conjunto de iniciativas voltadas para a produção, classificação, utilização e compartilhamento do conhecimento; ii)
coordenar, juntamente com a Área de Tecnologia da Informação, a implantação de um moderno sistema de gestão
de clientes; iii) elaborar, em conjunto com as demais áreas
do BNDES, novas métricas para avaliação de operações
e de empresas que incluam ativos intangíveis, e formular
novos instrumentos para o apoio às atividades baseadas
nesses ativos.
O BNDES, como principal fonte de recursos de longo
prazo do Brasil, através desses projetos, reconhece que o
valor contábil das empresas e a ênfase em bens reais como
garantias para empréstimos estão cada vez mais obsoletos,
perdendo espaço, e busca novas métricas que sejam capazes de avaliar os ativos intangíveis, que, atualmente, são
preponderantes na determinação do valor e do risco observados por investidores e credores que atuam nos mercados
financeiras e de capitais.
5. Estudo de Caso da Empresa Perdigão S/A
5.1. Introdução
Este tópico tem como objetivo avaliar como o referencial
teórico explorado nos tópicos anteriores é corroborado pela
prática das empresas brasileiras. Neste sentido, para o entendimento do objetivo proposto para o estudo, examinou-se
o caso concreto de uma empresa do setor de agroindústria,
que se estendeu às informações corporativas disponibilizadas por ela na Bolsa de Valores de São Paulo – BOVESPA.
Por se tratar de uma pesquisa descritiva, optou-se por
conduzi-la sob um enfoque tanto quantitativo como qualitativo, tendo como base a metodologia de estudo de caso, a
partir dos dados coletados do conjunto de demonstrações
contábeis e relatórios da administração publicados pela Perdigão nos exercícios de 2003, 2004, 2005 e 2006.
Cabe comentar que, dadas as limitações da amostra,
não se permite que sejam derivadas hipóteses que possam
generalizar os efeitos das variáveis pesquisadas. Conseqüentemente, o estudo de caso possibilitará a obtenção de
37
Pensar Contábil
Bárbara de Souza Galvão
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
José Paulo Cosenza
algumas evidências e proporções que permitem gerar resultados sobre o tema apenas no âmbito da empresa objeto
do estudo de caso.
Fundada, em 1934, por imigrantes italianos, em Videira
(SC), ao longo desses 72 anos a Perdigão ampliou consideravelmente a abrangência dos seus negócios, superando o
status de companhia dedicada exclusivamente à produção
de aves e suínos para se lançar em novas oportunidades de
negócios, como os mercados de bovinos e de margarinas.
Em 2006, seguindo sua estratégia de pulverização das
atividades de produção, com a aquisição do controle acionário da Batávia S.A., dona da marca Batavo, ingressou na
atividade de lácteos, ampliando ainda mais seu campo de
atuação.
Recentemente, a Perdigão comprou da Unilever por R$
77 milhões o direito de uso das marcas das margarinas Doriana, Claybom e Delicata. Há ainda a previsão da criação
de uma joint venture entre as duas empresas para gerir as
margarinas Becel e Becel ProActive.
A empresa registrou, em 2006, um faturamento de R$ 6,1
bilhões. Após o anúncio do acordo com a Unilever, as ações
da Perdigão fecharam com alta de 1,42%, correspondendo à
quinta maior variação do Ibovespa.
A Perdigão mantém suas ações negociadas na Bolsa de
Valores de São Paulo (Bovespa), na qual integra o Novo Mercado de Governança Corporativa e o Índice Bovespa (Ibovespa), e tem também suas ações negociadas na Bolsa de
Nova York, nos Estados Unidos da América.
5.2. Análise dos resultados
A Perdigão possui muitos ativos que podem ser classificados segundo os atributos que definem os ativos intangíveis.
No entanto, devido à impossibilidade de evidenciar todos esses ativos no seu Balanço Patrimonial, a empresa opta por
apresentá-los em seu Relatório Anual.
Inicialmente, a Perdigão classifica como ativos intangíveis o capital não-mensurável que garante à empresa uma
base de confiabilidade necessária que lhe permite crescer
e expandir suas operações no Brasil e no exterior com vigor e sustentabilidade. Posteriormente, a empresa evidencia
cada ativo intangível separadamente, comentando sua importância e avaliando os benefícios econômicos gerados por
cada um desses ativos: marca, capital humano, ferramentas
de gestão, conhecimento tecnológico, centros de serviço ao
consumidor, política ambiental e reconhecimento por meio de
títulos e premiações.
A empresa considera a marca Perdigão como uma das
mais valiosas do país, nomeando e qualificando mais de
2.500 itens, presentes em todo o território nacional e no exterior, que estão diretamente associados à referida marca.
No relatório anual de 2003, consta que a Perdigão foi considerada uma das marcas mais valiosas do Brasil, avaliada
em US$ 100 milhões, segundo estudo realizado pela Interbrand. Apesar da enorme capacidade da marca Perdigão
para contribuir para a geração de benefícios econômicos futuros, observa-se que o valor econômico deste ativo intangível nem sequer é contabilizado como ativo diferido. Isso
ocorre porque, no caso da Perdigão, nenhuma das marcas
foi adquirida de terceiros e, por conseguinte, não podem ser
38 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 31 - 40, out./dez. 2007
registradas no seu Balanço Patrimonial, por imposição das
normas brasileiras de contabilidade.
O capital humano só começou a ser divulgado no relatório anual da Perdigão a partir do exercício social de 2005.
A empresa define como capital humano a dedicação de
seus mais de 39 mil funcionários, alinhados à visão, missão e princípios da empresa, por meio de ações intensivas
de treinamento e de incentivos que geram oportunidades
para o desenvolvimento individual e coletivo. A troca de experiências entre os funcionários é capaz de gerar benefícios econômicos para a empresa na medida em que esses
funcionários utilizam essas experiências na realização de
suas tarefas. Uma alternativa para mensurar essa troca de
experiências seria atribuir o valor de um mercado de um
curso relacionado à área de atuação desses funcionários.
O desenvolvimento profissional desses empregados adquiridos pelo compartilhamento de experiências poderia ser
comparado a uma palestra ou seminário e, dessa forma,
ser mensurado.
A política de gestão caracteriza-se pela busca incessante
de melhoria contínua nos seus processos administrativos,
estruturais e produtivos. As ferramentas de gestão são classificadas no grupo de ativos estruturais e representam uma
das maiores vantagens competitivas de uma empresa. O desenvolvimento dessas ferramentas está sendo contabilizado
no Ativo Diferido da Perdigão como gasto pré-operacional.
O conhecimento tecnológico também compõe o grupo de
ativos estruturais. Com o objetivo de manter a empresa atualizada, a Perdigão mantém Centros de Tecnologia de Produtos, onde são produzidos e testados seus processos e produtos e feitas as análises de contaminação microbiológicas.
O compartilhamento de know-how é feito mediante parcerias com instituições nacionais e internacionais. Foi concluído, com sucesso, o programa de nivelamento da capacitação
técnica de 35 funcionários do setor de desenvolvimento de
produtos, resultado de uma parceria com o Ital (Instituto Tecnológico de Alimentos de Campinas), da Unicamp. A análise das Demonstrações Contábeis da Perdigão não permitiu
nenhuma conclusão sobre o patenteamento dessas tecnologias, nem sobre a adoção de algum critério contábil de registro e mensuração desses gastos.
Quanto ao relacionamento com os clientes, a Perdigão
mantém canais de contato permanentes com os consumidores, o que permite uma ampliação significativa da divulgação
dos seus produtos para o seu público-alvo. Uma cozinha experimental é mantida pela empresa para oferecer treinamentos constantes às equipes do SAC (Serviço de Atendimento
ao Consumidor), e o Centro de Culinária oferece cursos para
crianças e adultos. O bom relacionamento com os clientes
também representa uma grande vantagem competitiva para
as empresas. O SAC da Perdigão permite que a empresa
identifique as principais dúvidas, reclamações e sugestões
de seus clientes, contribuindo para a melhoria contínua de
seus produtos, mas o registro desse ativo intangível não foi
identificado no Balanço Patrimonial da Perdigão.
A empresa acredita que tem um papel importante na disseminação de uma cultura ambiental não-predatória, capaz
de garantir não só a sustentabilidade dos seus negócios,
mas também a qualidade de vida no planeta. Consideran-
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Pensar Contábil
Considerações sobre a Evidenciação de Ativos Intangíveis no Contexto Brasileiro: Estudo de Caso da Perdigão S/A
do que, atualmente, a questão ambiental vem sendo um
tema muito discutido mundialmente, a preocupação com os
impactos ambientais que as atividades das grandes corporações estão causando ao planeta é crescente. Com isso,
a imagem das empresas está cada vez mais atrelada ao
seu relacionamento com o meio ambiente e a sociedade
onde está localizada. Dessa forma, as políticas ambientais
divulgadas e, principalmente, praticadas pelas empresas
influenciam na forma como os clientes e os investidores
avaliam essas empresas.
A Perdigão também apresenta um conjunto de prêmios
e destaques conquistados em decorrência de sua forma de
atuação no mercado. Entre os principais prêmios recebidos
pela Perdigão, o de Melhor Relatório Anual pode ser considerado um importante ativo intangível da empresa, simbolizando a transparência dessa demonstração, o que pode configurar um marketing gratuito para seus investidores.
Outro importante destaque é o de Excelência pelo Relacionamento com os Clientes, que retrata de forma positiva
como a empresa se relaciona com seus clientes. A Perdigão
também detém prêmios importantes na área de meio ambiente e de responsabilidade social, que contribuem para a
imagem positiva da empresa perante seus clientes, investidores e a sociedade em geral.
Quanto ao saldo do Diferido das demonstrações de 2003
a 2006, sua composição registra gastos com implantação de
sistemas de gestão integrada, ágio na aquisição do Frigorífico Batávia, gastos pré-operacionais na unidade de Rio Verde
– GO, projetos de melhorias nos processos administrativos,
pré-operacionais decorrentes da implantação do Centro de
Serviços Compartilhado (CSP) e desenvolvimento do sistema de Atendimento Total Perdigão (ATP).
Os resultados da operação da Batávia foram incluídos nas
demonstrações contábeis da empresa desde junho de 2006.
O ágio na aquisição da Batávia está registrado em 2006 no
grupo diferido, como expectativa de rentabilidade futura, bem
como os gastos pré-operacionais, os com desenvolvimento
de sistemas e métodos e os com reorganização.
A Perdigão registra em seu Ativo Diferido exatamente o
que é permitido pelas normas brasileiras de contabilidade.
Quanto a algumas despesas em que é facultada à empresa
capitalizá-las ou lançar diretamente como despesa na Demonstração de Resultado do Exercício, como o desenvolvimento de algumas ferramentas de gestão e de adequação
de processos produtivos, a análise do Balanço Patrimonial
da Perdigão permite que se conclua que esses gastos estão
sendo lançados como despesa na Demonstração de Resultado do Exercício, talvez pela impossibilidade de vincular tais
gastos com o período de geração de benefício econômico,
ou ainda pela incerteza de geração desses benefícios.
Conclusão
O novo cenário econômico, em que a tecnologia e o conhecimento são os elementos mais importantes de uma organização, apresenta para a ciência contábil novos desafios.
O principal deles é mensurar esses elementos, que não possuem existência física, mas são responsáveis pela diferença
entre o valor de mercado e o valor contábil das empresas: os
ativos intangíveis.
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 31 - 40, out./dez. 2007
Os ativos intangíveis apresentam as características inerentes a todo o ativo, mas possuem outros atributos que lhes
são peculiares, como a singularidade, a não-rivalidade e a
capacidade de escala. Essas características atribuídas aos
ativos intangíveis fornecem às empresas que os detêm inúmeras vantagens competitivas, como o reconhecimento da
marca, a difusão do conhecimento, a fidelidade dos clientes
e a múltipla geração de receitas dos ativos relacionados à
arte e à tecnologia.
Os benefícios econômicos gerados pelos ativos intangíveis já são reconhecidos até na concessão de financiamento
pelo BNDES. O banco se associou ao CRIE da UFRJ para
desenvolver um projeto que objetiva criar formas de avaliar
os ativos intangíveis das empresas, para que estes possam
representar garantias para a obtenção de empréstimos, entendendo que o valor das empresas não pode ser atribuído
somente aos seus ativos fixos.
A potencialidade de geração de benefício econômico
dos ativos intangíveis já está consagrada, mas o reconhecimento, a mensuração e a contabilização desses elementos
ainda é objeto de estudo da ciência contábil, especialmente
no Brasil.
Tanto as normas brasileiras de contabilidade quanto as
internacionais permitem o reconhecimento e a contabilização
dos ativos intangíveis quando são adquiridos de terceiros
independentes, mas não definem os casos em que esses
ativos são produzidos pela própria empresa. Diante desse
impasse, as empresas estão demonstrando seus bens intangíveis em relatórios complementares às demonstrações
contábeis tradicionais.
A empresa Perdigão, objeto de estudo desse trabalho, é
um exemplo. Com uma marca consagrada no mercado de
congelados de modo geral, a Perdigão não apresenta, em
seu balanço patrimonial, o valor de sua marca, avaliada em
U$ 100 milhões, de acordo com pesquisa da empresa Interbrand. Isso se deve ao fato de as normas brasileiras e internacionais de contabilidade só permitirem a contabilização
das marcas quando adquiridas de terceiros independentes.
Em 2007, a Perdigão adquiriu da Unilever o direito de
uso das marcas de margarinas Claybon, Doriana e Delicata.
No Balanço Patrimonial da Perdigão referente ao exercício
social de 2007, é razoável que o valor de aquisição dessas
marcas esteja registrado como um ativo intangível.
Há também outros ativos intangíveis da Perdigão que
não estão registrados em suas demonstrações contábeis,
sendo apresentados no Relatório Anual da empresa. Entre eles, estão: o capital intelectual, as ferramentas de gestão, o conhecimento tecnológico, o relacionamento com os
clientes, a política ambiental e os prêmios pela atuação no
mercado.
Concluiu-se que, diante da falta de normas contábeis
que regulamentem a inclusão dos principais ativos intangíveis gerados internamente pelas empresas no Balanço
Patrimonial, as empresas encontraram, como forma alternativa, apresentá-los no relatório anual, sem atribuir-lhes
valores reais.
Como uma proposta para a apresentação dos ativos
intangíveis nas demonstrações contábeis, sugere-se mensurá-los por meio de uma relação entre os benefícios eco-
39
Pensar Contábil
Bárbara de Souza Galvão
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
José Paulo Cosenza
nômicos esperados e o período de vida útil desses ativos
intangíveis, realizando-se anualmente o impairment test.
Para a contabilização, propõe-se um lançamento a débito
de ativos intangíveis, de acordo com cada subgrupo, enquanto para o crédito seria criado um grupo denominado
Patrimônio Intangível.
Dessa forma, objetivando o desenvolvimento de outros
trabalhos na mesma linha de pesquisa, recomenda-se que
sejam efetuados estudos sobre empresas brasileiras visando buscar formas de reconhecimento, mensuração e contabilização dos ativos intangíveis, segundo os preceitos gerais
emanados da norma IAS 38.
Bibliografia
ANTUNES, Maria Thereza Pompa; MARTINS, Eliseu. Capital Intelectual: verdades e mitos. Revista Contabilidade e Finanças da USP, n. 29, pp.
41-54, mai/ago 2002.
CAVALCANTE, Paulo Roberto Nóbrega; NETO, Cícero Caldas; ANDRADE, Geraldo Magela de. Capital intelectual e goodwill: ativos intangíveis
de difícil mensuração. Revista Pensar, v. 8, n. 33, pp. 20-25, julho-setembro 2006.
CARDOSO, Ricardo Lopes; SZUSTER, Natan. Uma contribuição ao aprimoramento da informação contábil no tocante à mensuração do resultado contábil da produtora cinematográfica. Revista Contabilidade e Finanças da USP, n. 32, pp.111-120, maio-agosto 2003.
CFC/IBRACON. Sumário de comparação das práticas contábeis adotadas no Brasil com as normas internacionais de contabilidade – IFRS. Brasília: Conselho Federal Contabilidade, São Paulo: IBRACON, 2006.
COSENZA, José Paulo; KROETZ, Cezar Eduardo Stevens. Formas de Apresentação da Informação Social e Ambiental. Revista Pensar Contábil,
v. 8, n. 33, pp. 5-19, jul-set. 2006.
COSTA, Fábio Moraes da. Intangible Assets. Rio de Janeiro: FIPECAFI, set. 2007 (apostila utilizada no curso Contabilidade Internacional: normas
IFRS).
EDVINSSON, Lief; MALONE, Michael S. Capital intelectual: descobrindo o valor real de sua empresa pela identificação de seus valores internos.
São Paulo: Makron, 1998.
FINGERL, Eduardo Rath; GARCEZ, Cristiane M. D´Ávila. Economia do conhecimento e a atuação do BNDES: considerando os intangíveis. Rio
de Janeiro. 2002. Disponível em http://www.iets.org.br/biblioteca/Economia_do_Conhecimento_e_a_atuacao_do_BNDES.pdf. Acessado em 22
julho 2007.
HENDRICKSEN, S. Eldon; BREDA, F. Michael. Teoria da Contabilidade. São Paulo: Atlas, 1999.
IUDÍCIBUS, Sérgio de; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens. Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações. 7ª ed. São Paulo:
Atlas, 2007.
KAYO, Eduardo Kazuo. A estrutura de capital e o risco das empresas tangível e intangível-intensivas: uma contribuição ao estudo da valoração
de empresas. Tese (Doutorado em Administração) São Paulo: FEA/USP, 2002.
KOTLER, Philip. Administração de Marketing – Análise, Planejamento e Controle. 2ª ed. São Paulo, 1992
MONSTEIRO, A. A. Silveira; Coelho, F. Simões. Ativo Intangível: uma abordagem teórica. Programa de Mestrado da Faculdade de Administração
e Finanças da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. 2001. Disponível em http://ix.congresso.escape.ipp.pt/resumos/brasil/a_contabilidade_financeira/activo_intangivel_ uma_abordagem_teorica.pdf>. Acessado em 09 de junho de 2007.
NIYAMA, Jorge Katsumi. Contabilidade Internacional. 1ª ed. São Paulo: Atlas, 2006.
PEREZ, M. Monteiro; FAMA, Rubens. Características estratégicas dos ativos intangíveis e o desempenho econômico das empresas no Brasil. VII
SemeAD Pesquisa Quantitativa em Finanças. 2002. Disponível em http://www.ead.fea.usp.br/semead/7semead/paginas/artigos%20recebidos/
finan%e7as/fin14-caracter%edstica_ estrat%e9gicas_dos_ativos.pdf. Acessado 07 de junho de 2007.
PINHO, J.B. O poder das marcas. 1. ed. São Paulo: Summus, 1996.
Portal CRIE da UFRJ. Diponível em: http://portal.crie.coppe.ufrj.br/portal. Acessado em 15/07/2007.
SANTOS, J.L.; SCHIMDT, P.. Fernandes, L.A.; MACHADO, N.P. Teoria da Contabilidade. São Paulo: Atlas, 2007.
SCHIMDT, Paulo; SANTOS, José Luiz dos. Avaliação de Ativos Intangíveis. 1ª ed. São Paulo: Atlas, 2002.
40 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 31 - 40, out./dez. 2007
Pensar Contábil
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
ÍNDICE DE TÍTULOS
vol./nº
pág.
A evidenciação da informação contábil com relação à tributação no comércio eletrônico: um estudo de caso
IX-36
29
A implantação de um Sistema de Gestão de Crédito (SGC) em uma empresa do setor agroindustrial
IX-36
20
A importância da capacitação do contabilista para o uso de novas tecnologias de informação
IX-35
11
IX-36
14
IX-35
5
IX-38
14
Análise de geração de valor através da gestão por atividades: um estudo de caso
IX-38
5
Análise de restrições produtivas por meio do custeio baseado em atividades e da programação dinâmica
IX-37
28
IX-38
23
Atuação do profissional da contabilidade na auditoria ambiental
IX-37
12
Capital intelectual e tomada de decisão: uma estreita relação
IX-37
19
Considerações sobre a evidenciação de ativos intangíveis no contexto brasileiro: estudo de caso da Perdigão S/A
IX-38
31
IX-36
42
Informação meio ambiental para os stakeholders diante da concepção do Balanced Scorecard
IX-35
35
Medidas de avaliação de desempenho para planejamento e controle
IX-35
20
O processo de privatização dos bancos estaduais e o proes
IX-37
36
Regulamentação das seguradoras brasileiras — a proteção dos beneficiários
IX-35
40
Solução dual para a determinação dos preços de transferência: um estudo para o mercado automobilístico
IX-37
5
IX-36
35
Uma contribuição para a evidenciação do ativo intangível — atletas — dos clubes de futebol
IX-36
5
Utilização do modelo ISAR/UNCTAD: uma análise comparativa
IX-35
27
A importância do capital intelectual nas organizações e os desafios da contabilidade
para demonstrar a criação de valor de natureza intangível
A qualidade da informação de custo considerando-se diferentes necessidades e diferentes métodos de custeio
Análise da utilização dos indicadores essenciais da Global Reporting Initiative
nos relatórios sociais de empresas latino-americanas
As indústrias de pequeno porte e o orçamento de capital: um estudo sobre análise
de investimentos na Baixada Fluminense
Gestão da diversidade: uma gestão necessária para estimular a inovação e aumentar a competitividade das
empresas de contabilidade e auditoria
Treinamento em organizações contábeis: um elemento estratégico
para valorização profissional e melhoria dos serviços
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 41 - 48, out./dez. 2007
41
Pensar Contábil
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
ÍNDICE DE AUTORES
vol./nº
pág.
IX-37
12
IX-36
14
IX-36
5
IX-36
20
IX-37
5
IX-36
29
IX-37
12
IX-37
12
IX-38
14
A importância da capacitação de contabilistas para o uso de novas tecnologias de informação
IX-35
11
Considerações sobre a evidenciação de ativos intangíveis no contexto brasileiro: estudo de caso da Perdigão S/A
IX-38
31
IX-36
42
IX-36
42
IX-36
20
Amaral, Sergio Pinto
Atuação do profissional da contabilidade na auditoria ambiental
Barros, Luana Paula de Souza
A importância do capital intelectual nas organizações e os desafios da contabilidade
para demonstrar a criação de valor de natureza intangível
Bastos, Paulo Sérgio Siqueira
Uma contribuição para a evidenciação do ativo intangível — atletas — dos clubes de futebol
Bellório, Michelle Zacharias
A implantação de um sistema de gestão de crédito (SGC) em uma empresa do setor agroindustrial
Bufoni, André Luiz
Solução dual para a determinação dos preços de transferência: um estudo para o mercado automobilístico
Campagnac, Luiz Antonio
A evidenciação da informação contábil com relação à tributação no comércio eletrônico: um estudo de caso
Cardoso, João Antonio da Silva
Atuação do profissional da contabilidade na auditoria ambiental
Cardoso, Munique Maria da Silva
Atuação do profissional da contabilidade na auditoria ambiental
Carvalho, Feranda de Medeiros
Análise da utilização dos indicadores essenciais da Global Reporting Initiative nos relatórios sociais de
empresas latino-americanas
Cosenza, José Paulo
Deiro, Ricardo M.
Gestão da diversidade: uma gestão necessária para estimular a inovação e aumentar a competitividade das
empresas de contabilidade e auditoria
Farias Filho, José Rodrigues de
Gestão da diversidade: uma gestão necessária para estimular a inovação e aumentar a competitividade das
empresas de contabilidade e auditoria
Favato, Verônica
A implantação de um Sistema de Gestão de Crédito (SGC) em uma empresa do setor agroindustrial
42
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 41 - 48, out./dez. 2007
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Pensar Contábil
Ferreira, Aracéli Cristina de Sousa
Utilização de modelo ISAR/UNCTAD: uma análise comparativa
Fonseca, Ana Carolina P. D.
Capital intelectual e tomada de decisão: uma estreita relação
Freire, Roseane Patrícia de Araújo Silva
Informação meio ambiental para os stakeholders diante da concepção do Balanced Scorecard
IX-35
27
IX-37
19
IX-35
35
IX-38
31
IX-35
5
IX-36
35
IX-36
29
IX-35
11
IX-35
27
IX-36
42
IX-36
5
IX-37
28
IX-38
23
IX-35
40
IX-36
20
Galvão, Bárbara de Souza
Considerações sobre a evidenciação de ativos intangíveis no contexto brasileiro:
estudo de caso da Perdigão S/A
Gonçalves, Rosana Carmen de Meiroz Grillo
A qualidade da informação de custo considerando-se diferentes
necessidades e diferentes métodos de custeio
Jesus, Manoel Severino de.
Treinamento em organizações contábeis: um elemento estratégico para valorização
profissional e melhoria dos serviços
Juvenal, Denise Silva Ferreira
A evidenciação da informação contábil com relação à tributação no comércio eletrônico: um estudo de caso
Laurencel, Luiz da Costa
A importância da capacitação de contabilistas para o uso de novas tecnologias de informação
Muniz, Natiara Penalva
Utilização de modelo ISAR/UNCTAD: uma análise comparativa
Oliveira, Ualison R.
Gestão da diversidade: uma gestão necessária para estimular a inovação e aumentar a competitividade das
empresas de contabilidade e auditoria
Pereira, Roberto Miguel
Uma contribuição para a evidenciação do ativo intangível — atletas — dos clubes de futebol
Raupp, Fabiano Maury
Análise de restrições produtivas por meio do custeio baseado em atividades e da programação dinâmica
Resende, Marcio de Araújo
As indústrias de pequeno porte e o orçamento de capital: um estudo
sobre análise de investimentos na Baixada Fluminense
Revoredo, Márcia Maria Oliveira
Regulamentação das seguradoras brasileiras — a proteção dos beneficiários
Ribeiro, Kárem Cristina de Souza
A implantação de um sistema de gestão de crédito (SGC) em uma empresa do setor agroindustrial
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v.8, n. 31, p. 5 - 11, fev./mar. 2006
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 41 - 48, out./dez. 2007
43
Pensar Contábil
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Rogers, Pablo
IX-36
20
IX-35
20
IX-35
5
IX-37
19
IX-35
35
IX-38
5
IX-38
14
IX-38
23
IX-35
40
Uma contribuição para a evidenciação do ativo intangível — atletas — dos clubes de futebol
IX-36
5
Utilização de modelo ISAR/UNCTAD: uma análise comparativa
IX-35
27
IX-37
36
IX-38
5
A implantação de um sistema de gestão de crédito (SGC) em uma empresa do setor agroindustrial
Silva Janaína Senra
Medidas de avaliação de desempenho para planejamento e controle
Silva, Adriana Cristina da
A qualidade da informação de custo considerando-se diferentes necessidades e diferentes métodos de custeio
Silva, Anderson Soares
Capital intelectual e tomada de decisão: uma estreita relação
Silva, Fabiana de Cássia de Araújo
Informação meio ambiental para os stakeholders diante da concepção do Balanced Scorecard
Silva, Raiumundo Nonato Sousa da
Análise de geração de valor através da gestão por atividades: um estudo de caso
Siqueira, Jose Ricardo Maia de
Análise da utilização dos indicadores essenciais da Global Reporting Initiative
nos relatórios sociais de empresas latino-americanas
As indústrias de pequeno porte e o orçamento de capital: um estudo sobre análise
de investimentos na Baixada Fluminense
Tostes, Fernando Pereira
Regulamentação das seguradoras brasileiras — a proteção dos beneficiários
Vieira, Sergio Arnor
O processo de privatização dos bancos estaduais e o Proes
Vieira, Tiago de Amorim Bueno
Análise de geração de valor através da gestão por atividades: um estudo de caso
ÍNDICE DE ASSUNTO
vol./nº
pág.
IX-38
31
IX-36
20
ÁGIO
Considerações sobre a evidenciação de ativos intangíveis no contexto brasileiro:
estudo de caso da Perdigão S/A
AGROINDÚSTRIAS
A implantação de um Sistema de Gestão de Crédito (SGC) em uma empresa do setor agroindustrial
44
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 41 - 48, out./dez. 2007
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Pensar Contábil
ANÁLISE DE INVESTIMENTO
As indústrias de pequeno porte e o orçamento de capital: um estudo
IX-38
23
IX-37
28
IX-36
5
IX-36
14
IX-38
31
IX-37
12
IX-37
12
IX-35
20
IX-35
35
IX-35
11
IX-36
14
IX-37
19
IX-38
31
IX-36
14
IX-35
27
IX-37
5
sobre análise de investimentos na Baixada Fluminense
ANÁLISE DE RESTRIÇÕES
Análise de restrições produtivas por meio do custeio baseado em atividades e da programação dinâmica
ATIVIDADES DESPORTIVAS
Uma contribuição para a evidenciação do ativo intangível — atletas — dos clubes de futebol
ATIVOS INTANGÍVEIS
A importância do capital intelectual nas organizações e os desafios da contabilidade
para demonstrar a criação de valor de natureza intangível
Considerações sobre a evidenciação de ativos intangíveis no contexto brasileiro:
estudo de caso da Perdigão S/A
Atuação do profissional da contabilidade na auditoria ambiental
AUDITORIA AMBIENTAL
Atuação do profissional da contabilidade na auditoria ambiental
AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO
Medidas de avaliação de desempenho para planejamento e controle
BALANCED SCORECARD
Informação meio ambiental para os stakeholders diante da concepção do Balanced Scorecard
CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL
A importância da capacitação do contabilista para o uso de novas tecnologias de informação
CAPITAL INTELECTUAL
A importância do capital intelectual nas organizações e os desafios da contabilidade
para demonstrar a criação de valor de natureza intangível
Capital intelectual e tomada de decisão: uma estreita relação
Considerações sobre a evidenciação de ativos intangíveis no contexto brasileiro:
estudo de caso da Perdigão S/A
CONTABILIDADE
A importância do capital intelectual nas organizações e os desafios da contabilidade
para demonstrar a criação de valor de natureza intangível
CONTABILIDADE AMBIENTAL
Utilização do modelo ISAR/ UNCTAD: uma análise comparativa
CONTROLE GERENCIAL
Solução dual para a determinação dos preços de transferência: um estudo para o mercado automobilístico
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 41 - 48, out./dez. 2007
45
Pensar Contábil
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
CUSTEIO BASEADO EM ATIVIDADES
Análise de restrições produtivas por meio do custeio baseado em atividades e da programação dinâmica
IX-37
28
Análise de geração de valor através da gestão por atividades: um estudo de caso
IX-38
5
IX-38
23
IX-36
5
IX-38
31
IX-38
14
IX-36
5
IX-36
29
IX-36
20
IX-36
42
IX-36
35
IX-38
14
A evidenciação da informação contábil com relação á tributação no comércio eletrônico: um estudo de caso
IX-36
29
Informação meio ambiental para os stakeholders diante da concepção do Balanced Scorecard
IX-35
35
IX-37
36
IX-35
27
CUSTO DE CAPITAL
As indústrias de pequeno porte e o orçamento de capital: um estudo
sobre análise de investimentos na Baixada Fluminense
DEMOSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Uma contribuição para a evidenciação do ativo intangível — atletas — dos clubes de futebol
DIREITOS AUTORAIS
Considerações sobre a evidenciação de ativos intangíveis no contexto brasileiro: estudo de caso da Perdigão S/A
EMPRESAS LATINO-AMERICANAS
Análise da utilização dos indicadores essenciais da Global Reporting IniTiative nos relatórios sociais de
empresas latino-americanas
ENTIDADES DESPORTIVAS
Uma contribuição para a evidenciação do ativo intangível — atletas — dos clubes de futebol
EVIDENCIAÇÃO
A evidenciação da informação contábil com relação à tributação no comércio eletrônico: um estudo de caso
GESTÃO DE CRÉDITO
A implantação de um Sistema de Gestão de Crédito (SGC) em uma empresa do setor agroindustrial
GESTÃO DE DIVERSIDADE
Gestão da diversidade: uma gestão necessária para estimular a inovação
e aumentar a competitividade das empresas de contabilidade e auditoria
GESTÃO DE PESSOAS
Treinamento em organizações contábeis: um elemento estratégico
para valorização profissional e melhoria dos serviços
GLOBAL REPORTING INITIATIVE
Análise da utilização dos indicadores essenciais da Global Reporting
Iniciative nos relatórios sociais de empresas latino-americanas
INFORMAÇÃO CONTÁBIL
INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS
O processo de privatização dos bancos estaduais e o Proes
INVESTIMENTO AMBIENTAL
Utilização do modelo ISAR/ UNCTAD: uma análise comparativa
46
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 41 - 48, out./dez. 2007
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
Pensar Contábil
MARCAS
Considerações sobre a evidenciação de ativos intangíveis no contexto brasileiro:
estudo de caso da Perdigão S/A
Medidas de avaliação de desempenho para planejamento e controle
IX-38
31
IX-35
20
IX-37
12
IX-36
14
IX-35
5
IX-38
23
IX-36
35
IX-35
27
IX-37
5
IX-37
36
IX-37
36
IX-37
28
IX-38
14
IX-37
12
IX-35
40
MEIO AMBIENTE
Atuação do profissional da contabilidade na auditoria ambiental
MENSURAÇÃO
A importância do capital intelectual nas organizações e os desafios da contabilidade
para demonstrar a criação de valor de natureza intangível
MÉTODO DE CUSTEIO
A qualidade da informação de custo considerando-se diferentes necessidades e diferentes métodos de custeio
ORÇAMENTO DE CAPITAL
As indústrias de pequeno porte e o orçamento de capital: um estudo sobre análise de investimentos na
baixada fluminense
ORGANIZAÇÕES CONTÁBEIS
Treinamento em organizações contábeis: um elemento estratégico para
valorização profissional e melhoria dos serviços
PASSIVO AMBIENTAL
Utilização do modelo ISAR/ UNCTAD: uma análise comparativa
PREÇOS DE TRASFERÊNCIA
Solução dual para a determinação dos preços de transferência: um estudo para o mercado automobilístico
PRIVATIZAÇÃO
O processo de privatização dos bancos estaduais e o Proes
PROES
O processo de privatização dos bancos estaduais e o Proes
PROGRAMAÇÃO DINÂMICA
Análise de restrições produtivas por meio do custeio baseado em atividades e da programação dinâmica
RELATORIOS SOCIAIS
Análise da utilização dos indicadores essenciais da Global Reporting Initiative
nos relatórios sociais de empresas latino-americanas
RESPONSABILIDADE AMBIENTAL
Atuação do profissional da contabilidade na auditoria ambiental
SEGURADO
Regulamentação das seguradoras brasileiras — a proteção dos beneficiários
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 41 - 48, out./dez. 2007
47
Pensar Contábil
CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ
SEGURADORA
Regulamentação das seguradoras brasileiras — a proteção dos beneficiários
IX-35
40
IX-35
40
IX-36
35
IX-38
5
IX-35
5
IX-35
11
IX-35
20
IX-37
5
IX-35
11
Capital intelectual e tomada de decisão: uma estreita relação
IX-37
19
Uma contribuição para a evidenciação do ativo intangível — atletas — dos clubes de futebol
IX-36
5
IX-38
5
SEGURO
Regulamentação das seguradoras brasileiras — a proteção dos beneficiários
SERVIÇOS PROFISSIONAIS
Treinamento em organizações contábeis: um elemento estratégico para valorização
profissional e melhoria dos serviços
SISTEMA DE CUSTEIO
Análise de geração de valor através da gestão por atividades: um estudo de caso
SISTEMA DE CUSTO
A qualidade da informação de custo considerando-se diferentes
necessidades e diferentes métodos de custeio
SISTEMAS DE INFORMAÇÃO CONTÁBIL
A importância da capacitação do contabilista para o uso de novas tecnologias de informação
SOCIEDADE DO CONHECIMENTO
Medidas de avaliação de desempenho para planejamento e controle
SOLUÇÃO DUAL
Solução dual para a determinação dos preços de transferência: um estudo para o mercado automobilístico
TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO
A importância da capacitação do contabilista para o uso de novas tenologias de informação
TOMADA DE DECISÃO
VALOR ECONÔMICO AGREGADO
Análise de geração de valor através da gestão por atividades: um estudo de caso
48
Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 9, n. 38, p. 41 - 48, out./dez. 2007
PENSAR CONTÁBIL
Assinatura anual (04 edições) - Condição:
1 - ASSINATURA
2 - PEDIDO DE RENOVAÇÃO
3 - ALTERAÇÃO DE DADOS
Preço da assinatura R$ 16,00
DESEJO RECEBER A PARTIR DA PRÓXIMA EDIÇÃO
COMPLEMENTO DO NOME
NOME COMPLETO
PESSOA
FÍSICA
SEXO
ESTADOCIVIL
DATA DE NASCIMENTO
NATURALIDADE
NACIONALIDADE
CATEGORIA
TÉC. CONTABILIDADE
CONTADOR
REGISTRO NO CRC Nº
ESTUDANTE
IDENTIDADE Nº
ÓRGÃO EMISSOR
OUTROS
UF
CPF
RAZÃO SOCIAL
PESSOA
JURÍDICA
CONTATO
CATEGORIA
INSTIT. DE ENSINO
ESCRIT. CONTÁBIL
CNPJ
EMPRESA
INSCRIÇÃO MUNICIPAL
OUTROS
INSCRIÇÃO ESTADUAL
ENDEREÇO PARA A REMESSA
BAIRRO
CAIXA POSTAL
TELEFONE
FAX
CEP
UF
CIDADE
RESID
COM
E-MAIL
Forma de pagamento
DEPÓSITO BANCÁRIO
Em nome do CRC-RJ - Banco do Brasil - Agência 1769-8 (Candelária) - Conta Corrente nº 347.729-0 - CNPJ 33.287.806/0001-61
Enviar a ficha e o comprovante de depósito pelo FAX (21) 2216-9607 ou via correio para o CRC-RJ
CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento Profissional
Rua Primeiro de Março, 33 – Centro – CEP 20010-000 – Rio de Janeiro – RJ – Tel.: (21 ) 2216-9544 e 2216-9545
e-mail: [email protected] - home-page: www.crc.org.br
On-Line
Acesse o site da revista
www.crc.org.br/revista/menu.asp
[email protected]
Lançamentos
Esta página se destina à divulgação de livros da área de contabilidade.
Os autores interessados deverão encaminhar um exemplar do livro ao Núcleo de
Pesquisa e Desenvolvimento Profissional do CRC-RJ, que, após tomar conhecimento,
o disponibilizará em sua biblioteca para consulta.
Contabilidade Pública
Autor: José Antônio Felgueiras
Este livro foi elaborado com o objetivo de atender às necessidades dos usuários da contabilidade pública,
especialmente os alunos de graduação e profissionais que buscam o conhecimento da disciplina para a
aprovação em concursos públicos.
Dividido em 14 capítulos, o livro apresenta um texto de fácil leitura e compreensão, com análise da
legislação pertinente à contabilidade pública e, no fim de cada capítulo, exercícios de fixação de diversos
concursos públicos, para o leitor avaliar o aprendizado. O texto abrange temas como: orçamento, receitas
e despesas públicas, licitação, sistemas de contas, demonstrações financeiras e finaliza com um capítulo
específico sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Editora: Freitas Bastos
A Lei 4.320 comentada e a Lei de Responsabilidade Fiscal
Autor: J. Teixeira Machado Jr. e Heraldo da Costa Reis
O IBAM tem a satisfação de levar ao público a 32ª edição do livro “A Lei 4.320 comentada”, de José
Teixeira Machado Júnior e Heraldo da Costa Reis, sendo este último reponsável pelas atualizações que
vem recebendo nas últimas edições.
Trata-se de publicação que, ao longo de mais de 30 anos, vem sendo reeditada em face da grande
procura que encontra. De fato, não são muitos os livros técnicos que alcançam a tiragem que essa
obra alcançou. São mais de 90 mil exemplares postos à disposição de autoridades, especialistas,
estudiosos, agentes públicos, professores universitários, que correspondem adquirindo seu volume,
às vezes em mais de uma edição, já que todas receberam atualizações pertinentes, como, por
exemplo, para incorporar comentários relativos à Lei de responsabilidade Fiscal (Lei Complentar nº
101/2000), cujo teor possui clara proximidade com a Lei nº 4.320/64.
Editora: IBAM
História do Pensamento Contábil
Com ênfase na história da contabilidade brasileira
Autores: Antonio Carlos Ribeiro da Silva e Wilson Thomé Sardinha Martins
Ao observarmos que a contabilidade brasileira necessitava de um maior acervo que resgatasse
a nossa história, resolvemos lançar este livro, em parceria com um historiador da área contábil
bastante conceituado no Estado da Bahia, Prof. Wilson Thomé Sardinha Martins, e contando com
o prefácio do Prof. Antonio Lopes de Sá, um cientista incansável que muito tem orgulhado a classe
contábil brasileira, com trabalhos reconhecidos em Portugal e na Espanha. Por essas e outras
razões, escrevemos uma obra sobre a história do pensamento contábil, com ênfase na história da
contabilidade brasileira.
A presente obra editada pela editora Juruá é composta por 10 capítulos, onde fazemos um relato
histórico desde a contabilidade primitiva, passando pelas suas teorias e escolas, os grandes vultos da
contabilidade mundial, até chegar à contabilidade brasileira, à qual dedicamos alguns capítulos. Não
poderíamos deixar também de relatar algumas curiosidades e controvérsias da contabilidade. Uma
das novidades foi o balanço que descobrimos em Portugal, da quantia recebida por Silvério dos Reis,
o traidor de Tiradentes.
O nosso desejo é que esta obra seja útil para os estudantes de contabilidade tanto de graduação
como de pós-graduação e leitura recomendada para a disciplina de Teoria da Contabilidade e História
do Pensamento Contábil.
Editora: Juruá

Documentos relacionados