Cinquentões e “teens” se reúnem em SP em festivais de rock

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Cinquentões e “teens” se reúnem em SP em festivais de rock
Cinquentões e “teens” se reúnem em SP em festivais de rock
Seg, 30 de Março de 2015 15:37
Rita Lee em uma de suas canções diz que “estou ficando velho e cada vez mais louco
varrido”,...“roqueiro brasileiro sempre teve cara de bandido e acrescenta, “vou botar fogo nesse
asilo, desculpe a minha caducagem.” O fato não se resume ao Brasil, é um fenômeno mundial,
os roqueiros envelheceram e curtem os mesmos sucessos de 40 anos atrás, lançados pelo
Black Sabbath, Deep Purple e Judas Priest, entre outras bandas. Os jovens roqueiros de hoje
ouvem esses sucessos antigos, como Rock’n Roll All Night” da banda Kiss, lançado em 1975 e
gostam muito. Em razão disso a promoção de festivais de rock no Brasil continua sendo um
negócio promissor.
Só na divulgação de cervejas o investimento gira em torno dos 60 bilhões de reais. A
Heineken, desembolsou 10 milhões de reais para estar, no festival Lollapalooza, neste fim de
semana, em São Paulo. Desde o fim de 2011, quando a empresa resolveu turbinar sua
presença em eventos do tipo, o verde da marca também pintou os copos do público do SWU e
Rock in Rio. Investimentos do tipo foram uma das estratégias para a Heineken crescer, e
muito, no Brasil. Só no ano passado, seu volume de vendas subiu 47%. E isso sobre uma base
que já havia aumentado 87% no ano anterior.
Mas a Budweiser, da Ambev, chegou ao país nesse ínterim, fez aplicações pesadas e
chegou a conquistar, no ano passado, a liderança da rival no mercado premium internacional,
que considera apenas os rótulos globais comercializados por aqui. "Essa é uma disputa
fundamental", afirma Adalberto Viviani, diretor da consultoria especializada em bebidas
Conceptnet. "Embora se dê em território brasileiro, ela reproduz a necessidade que as
empresas têm para transformarem Heineken e Budweiser em marcas de classe mundial, bem
conhecidas, mas também consumidas", completou.
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Sobre festivais, a palavra algumas vezes pronunciada como “lollapalootza” ou “lalapaloosa”,
tem raízes históricas e vem da época da passagem do século XIX para o século XX, de uma
palavra significando algo extraordinário ou incomum. Coisa, pessoa, ou evento e ainda, uma
excepcional circunstância. Com o tempo, o termo passou também a significar um grande
pirulito (em inglês lollipop). O músico norte – americano Perry Farrell, em busca de um nome
para um festival que organizava para apresentar sua banda numa turnê de despedida, gostou
da sonoridade do termo ao ouvi-lo em um filme dos Três Patetas e decidiu usá-lo como marca
desse festival que reuniria outras bandas.
O ano era 1991 e Farrell liderava a banda Jane’s Addiction e com ela viajou pelos Estados
Unidos. No entanto para conseguir mais público, convidou outros músicos e outros conjuntos
de rock para integrar esses shows nascendo assim a tradição do Lollapalooza, que se tornou
um festival diferenciado por reunir quatro palcos em um mesmo espaço, colocando as bandas
para tocar às vezes ao mesmo tempo. A idéia foi comemorada pelo público e ganhou caráter
internacional, acontecendo hoje em diferentes países. O Lolla se tornou constante a cada ano,
apenas em 2005, e tradicionalmente desde então vem acontecendo todos os anos no Grant
Park, de Chicago. Foram nos palcos desse festival que grupos recém - nascidos como o Red
Hot Chili Peppers, Nine Inch Nails, Soundgarden, Muse, The Strokes, The Killers, entre outros,
conseguiram se popularizar graças aos fãs sintonizados em um mesmo tipo de música e
sedentos por novidades. O mais interessante é que cinqüentões e adolescentes, chamados
modernamente por “teens”, convivem nessa mesma aldeia. O rock pesado surgiu nos 70 e as
bandas da época são curtidas também pelos jovens de hoje.
A primeira edição internacional do Lollapalooza se deu em 2011, no Chile, em Santiago. No
ano seguinte veio ao Brasil trazendo as atrações Foo Fighters e Arctic Monkeys. Em 2013 foi a
vez do Pearl Jam e QOTSA que desembarcaram na capital paulista para a segunda edição
nacional, que também trouxe The Black Keys e Alabama Shakes. No ano que vem a Argentina
terá seu primeiro Lollapalooza e esse ano no Brasil, a festa aconteceu no Autódromo de
Interlagos, na capital paulista, tendo como atração um dos grandes nomes da história do rock
que é Robert Plant, vocalista do Led Zeppelin, agora em carreira solo, além da apresentação
em palcos separados de outros artistas, bandas e vários DJ’s.
São Paulo é uma das cidades onde há mais roqueiros no Brasil, tanto que há 21 anos é
promovido o Festival “Monsters of Rock” e ao que parece, a edição de 2015 será inesquecível.
As datas já estão marcadas, 25 e 26 de abril, na Arena Anhembi, onde estarão presentes os
representantes das três principais bandas de ‘heavy – metal’ do mundo. Se apresentam em
São Paulo, Ozzy Osbourne, fundador do Black Sabbath, a banda norte – americana Kiss e o
Judas Priest. O Kiss é uma banda masculina que começou a fazer uso da maquiagem, assim
que surgiu, no começo dos anos 70 fazendo disso sua marca registrada. Rostos pintados de
branco, batom e desenhos pretos na face.
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Tem alguém que não os reconheça através dessa descrição? Mas algumas versões dão
conta que o Kiss seria uma cópia da banda brasileira Secos e Molhados, aquela dos tempos
em que Ney Matogrosso cantava com o rosto pintado. O jornalista Ricardo Batalha, editor –
chefe da revista Hard Crue diz que já ouviu bastante essa história e garante que ela não tem
nenhum fundamento. “O Kiss começou em 1970 e os Secos & Molhados só vieram depois”,
assegura.
Não poderíamos deixar de falar da banda britânica Judas Priest, cujo nome foi inspirado na
canção "A Balada de Frankie Lee e Judas Priest" do cantor Bob Dylan. Todo o
visual e a simbologia do “heavy-metal”, inclusive o gosto e a moda tatuagens vieram por
inspiração dessa banda. Essas três bandas que estão resgatando a formação original se
apresentam na terceira semana de abril, na Arena Anhembi, em São Paulo, dentro do festival
“Monsters of Rock”.
Geraldo Nunes
*Geraldo Nunes, jornalista e memorialista, integra a Academia Paulista de História
[email protected]
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