Notícias de Beja - Diocese de Beja

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Notícias de Beja - Diocese de Beja
09 de Fevereiro de 2006
09
FEVEREIRO
2006
SEMANÁRIO REGIONALISTA
Director: ALBERTO GERALDES BATISTA
Ano LXXVIII – N.º 3873
Autorizado pelos C.T.T.
a circular em invólucro
de plástico fechado.
Autorização
N.º 0985206MPC
PUBLICAÇÕES
PERIÓDICAS
2350-999 TORRES NOVAS
TAXA PAGA
Preço 0,50 € c/ IVA
Depois das eleições presidenciais
A Encíclica de Bento XVI
Tempo novo
Passado o cabo das tormentas, que foi a campanha para
as presidenciais, contabilizados os resultados, digeridas as derrotas e saboreada
a vitória de Cavaco Silva,
pela maioria dos portugueses, respira-se um ar de
descompressão, serenidade
e esperança no nosso País,
que transparece nas conversas da rua e na opinião
pública e publicada.
Nem outra coisa era de esperar, já que o Presidente da
República eleito tem sobejas
“Deus é amor”
provas dadas de bom e efectivo serviço na governação
de Portugal, nos dez anos de
ouro em que foi PrimeiroMinistro, de 1985 a 1995,
tempo em que se deu o
maior salto qualitativo e
quantitativo no lançamento
das grandes obras de modernização e desenvolvimento
do todo nacional e em que
se cimentou a nossa democracia, garantindo-lhe credibilidade aos olhos do mundo
civilizado.
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Dia Mundial do Doente - 11 de Fevereiro
“Quem quer dar amor, deve ele mesmo recebê-lo em dom”.
“A fé bíblica não constrói um mundo paralelo ou um mundo
contraposto àquele fenómeno humano originário que é o amor,
mas aceita o ser humano por inteiro, intervindo na sua busca de
amor para a purificar, desvendando-lhe ao mesmo tempo novas
dimensões”.
Não recebemos o Logos encarnado só de modo estático, mas
também ficamos envolvidos no âmago da sua doação”.
“O amor pode ser “mandado”, porque antes nos é dado”.
“Amor a Deus e amor ao próximo fundem-se num todo: no
mais pequeno encontramos o próprio Jesus e, em Jesus,
encontramos Deus”.
“Amor a Deus e amor ao próximo são inseparáveis, constituem
um único mandamento. Mas ambos vivem do amor preveniente
com que Deus nos amou primeiro”.
Promover a saúde mental
acolhendo a pessoa doente
Desde 1992, e por vontade expressa
do Papa João Paulo II, celebra-se em
toda a Igreja, a 11 de Fevereiro, o Dia
Mundial do Doente. É um dia consagrado à reflexão e à oração, a reflexão
sobre um tema que, em Pastoral da
Saúde, se considere importante para a
acção a desenvolver, e oração pelos
doentes e pelos profissionais de saúde
que, nalguns casos, têm tarefas bem
difíceis.
O Dia Mundial do Doente tem sempre
uma celebração de carácter internacional, a partir de um Santuário Mariano. Em 2006, porém e na impossibilidade deste grande acontecimento
pastoral se viver na Nova Zelândia, foi
escolhida a cidade de Adelaida, na
Austrália, para congregar os agentes
pastorais que trabalhem na área da
saúde, no Extremo Oriente. Em Adelaida há um grande santuário dedicado
a S. Francisco Xavier. Será então, na
Catedral de Adelaida, que decorrerão
as várias iniciativas para a celebração
do Dia Mundial do Doente em 2006.
Escolhe-se anualmente um tema
internacional que se sugere para todas
as estruturas de pastoral da saúde no
em discurso directo
“O Espírito é também força que transforma o coração da
comunidade eclesial, para ser, no mundo, testemunha do amor do
Pai, que quer fazer da humanidade uma única família, no seu Filho”.
“Para a Igreja, a caridade não é uma espécie de actividade de
assistência social que se poderia deixar a outros, mas pertence à
sua natureza, é expressão irrenunciável da sua própria essência”.
“A afirmação de que as estruturas justas tornariam supérfluas
as obras de caridade esconde, de facto uma concepção materialista
do ser humano”.
Visita pastoral do nosso Bispo a Ervidel,
S. João de Negrilhos e Canhestros
mundo. Este ano, o Conselho Pontifício
escolheu como tema: “Saúde mental e
física, durante toda a vida”, mas toda a
reflexão proposta se centra na saúde
mental que assume um relevo muito
especial no nosso mundo. De facto,
hoje, há 450 milhões de pessoas
afectadas por problemas mentais,
neurológicos ou comportamentais e
são cerca de 873 mil as pessoas que se
suicidam em cada ano. O desequilíbro
mental constitui uma autêntica emergência social e no campo da saúde.
Pág. 3
Beja celebra Dia dos Consagrados
No domingo, dia 5 de Fevereiro, de
tarde, reuniram-se muitos consagrados vindos de todas as partes
da diocese, convocados pelo
Bispo, para assinalarmos o tradicional Dia do Consagrado, dia 2, mas
adiado para o domingo, por motivos de conveniência da maioria.
Acorreu um grande número, o que
muito me alegrou. Depois de uma
bela palestra sobre a vocação e
missão dos consagrados, seguida
de diálogo, feita pelo Pe. Joaquim
Valente, missionário do Verbo
Divino, pároco em Almodôvar,
agradeci a todos e a Deus a
presença valiosa na diocese deste
sinal do Reino, que o Papa Bento
XVI denomina de “sentinelas que
vislumbram a nova vida já presente
na história”. O encontro terminou
com o canto das Vésperas e um
lanche partilhado.
† António Vitalino, Bispo de Beja
A semana passada foi dedicada à visita pastoral às paróquias confiadas
aos cuidados do Pe. Olavo Dijkstra, carmelita, que há mais de trinta anos se
tem entregado totalmente a estas populações, atento às suas necessidades
espirituais, sociais, culturais e até mesmo laborais e materiais. Com a ajuda
de benfeitores sobretudo da Holanda e da Alemanha, adquiriu e construiu
muitas infraestruturas para actividades sociais, culturais e religiosas, desde
infantários (no tempo do cultivo do tomate em grande escala), a residência
paroquial, habitação para uma comunidade religiosa (as Irmãs Doroteias,
que ele conseguiu trazer para a diocese), centros paroquiais em todos os
lugares e um lar de idosos em Ervidel.
Apesar deste trabalho intenso, generoso e abnegado, o Pe. Olavo desabafa
que não sente crescimento notável da comunidade cristã. Tentar
compreender tudo isto e marcar presença do Bispo entre o povo, foi um
dos objectivos desta visita.
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IGREJA
2 – Notícias de Beja
09 de Fevereiro de 2006
Guarda propõe beatificação de
D. João de Oliveira Matos
Já foi entregue no Vaticano, na
Congregação para as Causas dos
Santos, a documentação necessária para que se inicie o processo
de canonização de D. João de
Oliveira Matos, que foi Bispo
Auxiliar da Guarda.
«Depois de encerrado todo o
processo diocesano, com a entrega
do sumário do processo, foi escolhido como postulador da causa
monsenhor Arnaldo Cardoso, natural da diocese de Lamego e
conselheiro da embaixada de Portugal junto da Santa Sé», diz A
Guarda na sua última edição.
Ainda segundo este semanário
diocesano, «depois do processo ter
dado entrada em 1998, só agora foi
possível entregar o sumário do
mesmo, que consta de um resumo
de toda a documentação. Em mais
de quinhentas páginas, que serão
traduzidas para italiano, são explicadas, de forma resumida as virtudes de santidade de D. João
Oliveira Matos».
Este prelado nasceu em Valverde,
concelho do Fundão, numa casa
humilde, a 1 de Março de 1879. Após
os estudos na escola primária e no
liceu de Castelo Branco, ingressou
no Seminário da Guarda, em Setembro de 1896.
Em 11 de Fevereiro de 1924 conseguiu reunir na Lajeosa do Mondego
um pequeno grupo de pessoas, às
este brilhante advogado e notável
pedagogo que o prelado fundou as
“Oficinas de São Miguel” e a
“Escola Regional Dr. José Dirás da
Fonseca”. Aberta a casa do Outeiro de S. Miguel, para aqui foi
transferida a Escola que teria, pelos
anos fora, um grande papel na
educação e formação dos jovens.
«Não era um bispo
de gabinete »
quais expôs o seu plano de criação
da Liga dos Servos de Jesus. «A
Obra que vamos fundar será para
homens, mulheres, casados, solteiros e até doentes», explicou.
Contando com a disponibilidade de
três senhoras, uma das quais era
sua irmã, constituiu depois urna
comunidade orante, na Casa do
Rochoso, que permitia que a Liga
se dedicasse, desde logo, à obra
dos retiros e ao acolhimento de
crianças. A adoração permanente
do Santíssimo Sacramento foi a
primeira iniciativa de oração e
reparação comunitária. Um dos
homens que mais colaborou com
D. João de Oliveira Matos foi o Dr.
Alberto Dinis da Fonseca. Foi com
Relendo a Encíclica do Papa
A Encíclica de Bento XVI está cheia
de expressões emblemáticas.
Revelam o seu fundo teológico e
abrem horizontes de original
reflexão . Uma delas é esta que
encabeça esta crónica, “a atenção
do coração”. Encontámo-la no nº 31
que o Papa dedica ao “perfil específico da actividade caritativa da
Igreja“. Não é totalmente original,
mas o seu enquadramento no meio
da segunda parte da carta, é no
mínimo sintomático .
Este número 31é uma espécie de
síntese de toda a segunda parte.
Nela fala o Papa da prática do amor
pela Igreja enquanto Comunidade
de Amor .Depois dum resumo
histórico da prática da caridade na
Igreja e pela Igreja, Bento XVI
aborda a importante questão da
relação entre a Caridade e a Justiça
- Recomenda a leitura do Compêndio da doutrina Social da Igreja,
publicado pelo saudoso João Paulo
II. Refere-se de modo directo e claro
ao papel do Estado no que diz
respeito à justiça social e à luta pela
justiça . Contesta um Estado
totalitário que queira prover a tudo
e tudo açambarcar e chega a firmar
abertamente : “não precisamos de
um Estado que regule tudo e domine tudo”. Defende um estado que
generosamente reconheça e apoie,
segundo o princípio da subsidiariedade, as iniciativas que nascem
das diversas forças sociais e conjugam espontaneidade e proximidade aos homens carecidos de
ajuda”. (28) Na opinião do Papa,
um Estado que considere “supérfluas as obras de caridade, estaria
apenas a esconder uma concepção
Para o actual Bispo da Guarda, quem
lê os escritos de D. João e quem
conhece a sua história «não duvida
que ele é um santo».
«Entusiasma-me a forma como ele
exerceu o seu múnus episcopal.
Não era um bispo de gabinete, mas
do meio do povo», afirmou também
D. Manuel Felício em declarações
citadas por aquele jornal.
Na sua deslocação a Roma, para
entregar o processo à Congregação
do Vaticano presidida pelo cardeal
português José Saraiva Martins, D.
Manuel Felício levou consigo o
padre António Moiteiro, actual
assistente da Liga dos Servos de
Jesus.
Não há pressa no reconhecimento
oficial da santidade de D. João por
parte da Igreja. «O importante em
todo este processo é levar ao povo
este ícone e exemplo» de vida cristã,
referiu D. Manuel Felício.
A atenção do coração
materialista do homem… seria
imaginar que o homem vive só de
pão… esquecendo o que é especificamente humano”.
“É muito importante que a actividade caritativa da Igreja mantenha
todo o seu esplendor e não se
dissolva numa simples organização
assistencial comum” . Isto não só
porque a actividade caritativa da
Igreja faz parte integrante da sua
essência , do mesmo modo que o
anúncio do Evangelho e a celebração dos Sacramentos, como
também porque esta actividade tem
um “perfil específico”. Fazer a
caridade, é tão natural à Igreja como
ao homem respirar. “O imperativo
do amor ao próximo foi inscrito pelo
Criador na própria natureza do
homem “.Para respirar é preciso ter
alma, estar vivo . Assim a Igreja,
para ser ela mesma, necessita de
fazer a Caridade.
O Papa Bento é radical ao afirmar:”todos os que trabalham nas
instituições caritativas da Igreja
devem distinguir-se pelo facto de
que não se limitam a executar
habilidosamente a acção conveniente naquele momento, mas se
dedicam ao outro com as atenções
sugeridas pelo coração, de modo
que ele sinta a sua riqueza de
humanidade. Até faz lembrar as
palestras de S. Vicente de Paulo às
primeiras Filhas da Caridade, nos
começos do século XVII sobre o
serviço dos pobres e a dignidade
das suas pessoas, mesmo que
aparentemente parecessem vis e
repugnantes . Constantemente lhes
repetia: “minhas irmãs, servir os
pobres é servir Jesus Cristo. Dez
vezes por dia, ides a casa dos
pobres, outras tantas vos encontrais com Jesus Cristo”.É do seu
agrado o serviço que prestais aos
doentes e considera-o feito a Ele
mesmo .Se Deus dá uma eternidade
feliz aos que dão apenas um como
de água, em seu nome, que não dará
à Filha da Caridade que tudo abandona e se dá a si mesma para os
servir durante toda a vida !? E os
pobres assistidos pela Filha da
caridade serão os seus intercessores junto de Deus Virão em
multidão ao seu encontro e dirão a
Deus : “Meu Deus, foi esta que nos
assistiu por amor de Vós; foi ela
que nos ensinou a esperar em Vós,
foi ela que nos ensinou a conhecerVos”. Não é certamente por acaso
que o Papa cita Vicente de Paulo e
Luisa de Marillac entre os “modelos
insignes de caridade social”. (40)
Os agentes das instituições caritativas da Igreja além da competente
preparação profissional, devem ter
sobretudo a “formação do coração” que se faz no encontro com
Deus em Cristo. Só o Deus que
criou cada homem e o fez único e
original e revê nele os traços da sua
imagem e semelhança, pode meter
no coração de quem o serve aquele
amor e respeito profundo que vem
do íntimo e reconhece no mais
íntimo do outro o seu valor e a sua
dignidade . Chegados aqui, o amor
do próximo já não é um mandamento
imposto de fora, mas uma consequência resultante da fé que se
torna operativa pelo amor, feito
gesto.
Manuel Magalhães
VI Domingo do
Tempo Comum
Ano B
12 de Fevereiro de 2006
Deus para realizar o Seu plano de salvação, transmitiu ao homem a
Sua Lei. E o homem tanto melhor alcançará a perfeição, quanto mais
fielmente sintonizar o seu agir com a vontade divina.
Jesus vindo à terra, não suprimiu a Lei. Libertou-a de falsas
interpretações; condenou o apego à letra da lei, com desprezo do
espírito; reprovou a prática meramente externa e ritual da lei; disse
onde estava o essencial da Lei: no amor de Deus e dos irmãos. Mas ao
mesmo tempo, recomendou-nos: “Se queres entrar na vida guarda os
Mandamentos”. E para que o homem tivesse um modelo, Ele próprio,
em toda a vida, Se tornou obediente à Vontade do Pai, em total
fidelidade à Sua missão de serviço aos homens.
O homem de hoje, orgulhoso das suas conquistas, não se preocupa
com a Lei de Deus. Acata as leis humanas, como as do trânsito, certo
de que sem elas a vida social seria o caos. Julga um jugo a Lei de Deus,
quando é o modo seguro de realizarmos a nossa vocação humana e
cristã.
I Leitura
Lev 13, 1-2.44-46
Esta leitura prepara-nos para melhor compreendermos a do
Evangelho. Ali Jesus vai curar um doente de lepra. Nesta leitura, são
recordadas as prescrições da Lei do Antigo Testamento a respeito dos
leprosos. A situação destes doentes era verdadeiramente infeliz. Tanta
mais se poderá ver na cura que o Senhor fez um sinal do seu poder e da
sua misericórdia.
Leitura do Livro do Levítico
O Senhor falou a Moisés e a Aarão, dizendo: «Quando um homem tiver
na sua pele algum tumor, impigem ou mancha esbranquiçada, que possa
transformar-se em chaga de lepra, devem levá-lo ao sacerdote Aarão ou
a algum dos sacerdotes, seus filhos. O leproso com a doença declarada
usará vestuário andrajoso e o cabelo em desalinho, cobrirá o rosto até
ao bigode e gritará: ‘Impuro, impuro!’
Todo o tempo que lhe durar a lepra, deve considerar-se impuro e, sendo
impuro, deverá morar à parte, fora do acampamento».
Salmo Responsarial
Salmo 31 (32)
Refrão: Sois o meu refúgio Senhor; dai-me a alegria do vossa salvação.
II Leitura
1 Cor 10, 31-11,1
Paulo propõe-se a si mesmo como modelo aos cristãos, porque ele tem
por modelo o próprio Cristo. O que ele pretende é que ninguém seja
ocasião de pecado para os outros, mas antes de edificação e de salvação
Leitura da Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios
Irmãos:
Quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo
para glória de Deus.
Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos
gregos, nem à Igreja de Deus. Fazei como eu, que em tudo procuro
agradar a toda a gente, não buscando o próprio interesse, mas o de
todos, para que possam salvar-se.
Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo.
Evangelho
Mc 1, 40-45
Uma vez mais, Jesus Se mostra Senhor da vida. Por outro lado, mostraSe livre em relação à Lei e superior a ela: toca no doente, o que era
contrário à Lei, mas manda que o homem curado se vá mostrar aos
sacerdotes, o que era exigência da Lei. Jesus é realmente a fonte da
vida nova; Ele é hoje o Ressuscitado.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
Naquele tempo, veio ter com Jesus um leproso. Prostrou-se de joelhos
e suplicou-Lhe: «Se quiseres, podes curar-me».
Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse-lhe: «Quero:
fica limpo». No mesmo instante o deixou a lepra e ele ficou limpo.
Advertindo-o severamente, despediu-o com esta ordem: «Não digas a
ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua cura o que
Moisés ordenou, para lhes servir de testemunho».
Ele, porém, logo que partiu, começou a apregoar e a divulgar o que
acontecera, e assim, Jesus já não podia entrar abertamente em nenhuma
cidade. Ficava fora, em lugares desertos, e vinham ter com Ele de toda
a parte.
SAÚDE
09 de Fevereiro de 2006
Notícias de Beja – 3
Dia Mundial do Doente - 11 de Fevereiro
Promover a saúde mental acolhendo a pessoa doente
Alguns números:
25% dos países não têm legislação
suficiente nesta área da saúde; 45%
não têm uma política definida para a
saúde mental; em mais de 25% dos
centros de saúde, os doentes não têm
acesso aos medicamentos psiquiátricos fundamentais; 70% da população
dispõe de menos de um médico
psiquiatra por 100.000 habitantes; as
perturbações mentais afectam com
maior frequência as populações desfavorecidas sob o ponto de vista
intelectual, cultural e económico.
Milhões de pessoas são obrigadas a
sofrer no corpo e no espírito as
consequências de uma alimentação
deficiente, de conflitos armados, de
catástrofes naturais, com as normais
consequências de morbilidade e
mortalidade. E por tudo isto que se
impõe também a urgência de uma acção
preventiva, na área da saúde mental,
uma verdadeira educação para a saúde.
Neste contexto e porque se agravam
os problemas de saúde mental no
mundo contemporâneo, neste Dia
Mundial do Doente, os cristãos são
convidados a reflectir e a agir, na
prevenção e no acompanhamento dos
doentes que sofrem estas perturbações.
“Promover a saúde mental, acolhendo
a pessoa doente” foi o slogan escolhido pela Comissão Nacional da
Pastoral da Saúde para viver o Dia
Mundial da Saúde em Portugal. Toda a
reflexão se centra em duas perspectivas
da acção pastoral: a prevenção e o
acolhimento, a prevenção das doenças
pelo convite a um estilo saudável de
vida, e o acolhimento dos doentes que,
atingidos na sua saúde mental, são
muitas vezes marginalizados, numa
autêntica exclusão social.
Hoje há inúmeras situações que se
inserem na área das doenças mentais:
a depressão a que inúmeras pessoas
estão sujeitas e que incapacitam para a
acção e causam uma angústia destruidora da alegria de viver; as dependências com a normal perda da liberdade, provocadas muitas vezes pelo
consumo de produtos psicotrópicos
que perturbam completamente a vida
pessoal e social dos indivíduos,
dependência nascida do consumo do
álcool, da droga, dos fármacos lícitos,
sempre inibidoras de uma consciência
livre e responsável; o alzheimer,
sucedâneo da demência senil muitas
vezes precoce, hoje quase doença da
moda e que empobrece terrivelmente a
capacidade de relação, essencial a uma
vida saudável; as obsessões que
comprometem um normal projecto de
vida, porque obrigam a constantes
regressos; e não se fala já dos esterismos, das esquizofrenias, e das
tentativas de suicídio, tudo doenças
mentais de extrema gravidade e que,
nos dias de hoje, se multiplicam de uma
forma assustadora.
A Igreja tem, no mundo de hoje, uma
responsabilidade acrescida no tratamento e acompanhamento destes
doentes. Curiosamente, foi em Portugal
que nasceu a acção pastoral junto
destas pessoas com problemas mentais. No Século XVI, São João de Deus,
nascido em Montemor-o-Novo, foi o
iniciador de um trabalho atento junto
dos “loucos” que se perdiam pelas
ruas de Granada. Ele próprio foi
considerado um louco, mas iniciou um
trabalho de assistência absolutamente
inovadora, expressão da grande
misericórdia de Deus para com os seus
filhos que mais sofrem. São João de
Deus foi o fundador da Ordem Hospitaleira de São João de Deus e São
Bento Menni foi o fundador da Congregação das Irmãs Hospitaleiras do
Sagrado Coração de Jesus. Estas duas
Instituições Religiosas da Igreja têm em
Portugal 21 Hospitais, Casas de Saúde
e Clínicas de apoio terapêutico e
pastoral às pessoas com enfermidades
O risco de exclusões e a
dificuldade das terapias
“O contexto social, diz ainda Bento
XVI, nem sempre aceita os enfermos
da mente, com as suas limitações.
Também por este motivo, é difícil
conseguir os necessários recursos
humanos e financeiros. Adverte-se a
necessidade de integrar melhor o
binómio “terapia adequada” e “nova
sensibilidade frente à dificuldade, de
modo que se permita, aos agentes do
sector, sair com mais eficácia ao
Elementos a ter em conta para celebrar nas
nossas comunidades o Dia Mundial do Doente
a) A solidão é certamente o maior problema das pessoas com deficiências
mentais. Ao doente mental, todos o abandonam, mesmo as famílias e os
amigos mais próximos. A esta atitude tão comum nos nossos ambientes
sociais, o cristão responde com tempos de acolhimento. Acolher é compreender e aceitar a diferença, comunicar o necessário para uma relação
gratificante, estimular as energias latentes que, apesar da doença, a pessoa
pode manifestar.
b) As famílias estão muito marcadas pela dificuldade que comporta uma
assistência permanente, pela incapacidade de relação, pela falta de formação
específica, pela pobreza de recursos. No meio de um enorme cansaço,
precisam de apoios organizados. Os voluntários em saúde e os núcleos
paroquiais podem aliviar as famílias, substituindo-as depois do tempo de
esforço em que se esgotaram. Estes apoios passam pela presença
organizada, pelas pequenas tarefas caseiras, pela estadia à cabeceira do
doente para a família poder descansar ou mesmo ter uns dias de férias.
c) A assistência clínica e os apoios sociais são certamente os elementos
mais importantes e que nunca podem negligenciar-se. No hospital, a presença dos médicos e dos enfermeiros é fácil. O mesmo não acontece
quando os doentes estão em sua casa, com a necessidade de apoio
domiciliar. Mas é importante que este apoio se consiga, com profissionais
de saúde amigos, integrando um voluntariado em saúde suficientemente
eficaz. A Pastoral Social e a Pastoral da Saúde, sobretudo nas comunidades
paroquiais, devem trabalhar em conjunto. O Centro Social fornece o apoio
social indispensável ao doente e à sua família. O Núcleo Paroquial de
Pastoral da Saúde oferece a ajuda espiritual e mesmo sacramental de que o
doente e a família necessitam. É um trabalho conjunto, de áreas inseparáveis.
Assim se consegue o que poderia chamar-se uma assistência integral.
na área da saúde mental. Vale a pena
conhecer estes dois Institutos de
serviço à saúde mental.
A Mensagem do Papa
Bento XVI
Como fazia João Paulo II, também Bento
XVI envia a todas as comunidades a
Sua mensagem, por ocasião do Dia
Mundial do Doente, inserindo-se no
tema “Saúde mental e física, durante
toda a vida” Respigamos algumas
passagens da mensagem que, pela sua
importância, se tornam motivadoras de
um trabalho de acolhimento às pessoas
com problemas, na área da saúde
mental.
O compromisso das
comunidades cristãs
“Quero estar presente, espiritualmente,
diz o Papa, na Jornada Mundial do
Doente, para deter-me a reflectir, em
sintonia com os participantes, sobre a
situação dos enfermos mentais no
mundo e solicitar o compromisso das
comunidades eclesiais, dando testemunho da terna misericórdia do
Senhor”
Crise de valores morais
“Em muitos países, continua o Papa,
os especialistas reconhecem como
origem de novas formas de transtorno
mental, a influência negativa da crise
de valores morais. Isto aumenta o
sentido da solidão, perturbando e
mesmo desagregando as tradicionais
formas de coesão social, começando
pela instituição da família e marginalizando os enfermos, sobretudo os
mentais, com frequência considerados
um peso para a família e para a
comunidade”.
encontro dos enfermos e das famílias
que, por si só, não têm a capacidade de
seguir adequadamente os seus familiares em dificuldade.Apróxima Jornada
Mundial do Doente é uma circunstância
para manifestar solidariedade às
famílias que têm a seu cargo pessoas
com doenças mentais”
A cultura do acolhimento
e a capacidade de partilha
“A Igreja, especialmente através dos
capelães hospitalares e párocos, não
deixará de oferecer aos doentes mentais
e suas famílias a ajuda de que precisam,
já que está totalmente convencida de
que é chamada a manifestar o amor e a
solicitude de Cristo para com os que
sofrem e os que se ocupam deles”. Aos
agentes pastorais e aos voluntários, o
Papa recomenda ainda a cultura do
acolhimento e da capacidade de
partilha, para ser possível respeitar e
promover a dignidade destes irmãos
doentes.
Como o Bom Samaritano
Aterminar, Bento XVI, “pede à Virgem
Santa Maria que conforte os que estão
marcados pela enfermidade e sustente
os que, como o Bom Samaritano,
suavizam as chagas corporais e
espirituais”.
Esta mensagem de Bento XVI dirigese a todas as comunidades cristãs,
inseridas ou não numa unidade hospitalar. Quer num hospital, quer em suas
casas, os enfermos com problemas
mentais e as suas famílias devem ser
apoiados com todas as ajudas de que
carecem, sejam apoios sociais, seja o
conforto espiritual, mesmo da oração e
dos sacramentos.
d) As políticas de assistência, em saúde mental, são insuficientes, o que
coloca a Igreja na primeira linha desta intervenção em saúde. O próprio
Santo Padre alertava para isso na Sua mensagem para o Dia Mundial do
Doente: “lamentavelmente em muitas partes do mundo, os serviços a
favor destes doentes são carentes, insuficientes e em ruína”. Se tal não
acontece em Portugal, há no entanto uma mentalidade de inserção dos
doentes mentais na comunidade que os torna pessoas perdidas no meio
da “cidade”. E também considerando este facto, que a Igreja tem nas
comunidades paroquiais, responsabilidades acrescidas. A Igreja tem 21
hospitais que estão especializados em saúde mental, trabalho magnífico
da Ordem de S. João de Deus e das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração
de Jesus, mas há muitas outras pessoas com problemas nesta área e que
vivem nas comu-nidades cristãs. Acolhê-las, escutá-las, ajudá-las e integrálas comunitariamente é um dever para a pastoral da saúde nas nossas
paróquias.
e) Uma acção pastoral organizada. A saúde mental merece uma atenção
especial das comunidades cristãs. Há inúmeras pessoas com depressão,
aparecem muitos dependentes do álcool e da droga, os idosos sofrem a
síndrome da solidão, as pessoas com idade muito avançada revelam sintomas de aizheimer, vêm à Igreja alguns doentes com sinais de esterismo e
de esquizofrenia. O que fazer?
- Procurar conhecer os casos que merecem especial atenção da parte do
centro social e de pastoral da saúde; saber como as famílias acompanham
as situações de doença.
- Visitar estas famílias e tentar apoiá-las, na medida do possível, para que
sintam que não estão sós na ajuda ao doente que está em casa. Será interessante, encontrar formas que permitam aos familiares terem horas de
descanso ou mesmo tempos de férias, para se restabelecerem.
- Definir claramente o tipo de assistência social e espiritual, respeitando
a consciência do doente e da sua família e proporcionando companhia,
ser-viços ou auxílios espirituais na medida em que estas ajudas são pedidas
e aceites.
- Criar grupos de oração e mesmo de catequese em que estas pessoas se
sintam bem. É uma forma de socialização, de quebra do isolamento,
aproveitando também para o enriquecimento espiritual e sobrenatural dos
enfermos e seus familiares e amigos.
- Integrar estas pessoas de uma forma normal na vida litúrgica da
comunidade cristã. A normalidade é a marca de uma celebração em que
todos têm lugar, mesmo aqueles que têm problemas na área da saúde
mental.
PATRIMÓNIO
4 – Notícias de Beja
PEDRA ANGULAR
09 de Fevereiro de 2006
PÁGINA DO DEPARTAMENTO
DO PATRIMÓNIO HISTÓRICO E
ARTÍSTICO DA DIOCESE DE BEJA
Actividades do Departamento do Património Histórico e Artístico
A Exposição «A Invenção do
Mundo – Arte Sacra da Diocese de
Beja», que se encontra patente no
Paço Episcopal de Faro, tem registado uma afluência muito significativa de visitantes. A sua gestão
corre a cargo de uma pequena
equipa local, formada, sob a orientação do P.e Joaquim Nunes, Chanceler da Diocese do Algarve, pelo
Dr. Jorge Carrega, D. Augusta
Viegas e D. Vanessa Fraga, que têm
sido de uma dedicação notável à
iniciativa. É também de realçar o
acompanhamento feito pelo Vigá-
de Nossa Senhora das Salas,
passando-se agora à limpeza e
consolidação dos retábulos, antes
de se proceder a uma monitorização
definitiva da abóbada e à caiação
dos alçados interiores e exteriores.
Estão previstas deslocações de
brigadas técnicas às ermidas de
Santa Luzia (Pias) e de Nossa
Senhora da Orada (Brinches), à
igreja da Misericórdia de Vila Alva
(Museu de Arte Sacra e Arqueologia da Paróquia e da Santa Casa,
a aguardar remodelação), à igreja
de Nossa Senhora da Conceição
Um aspecto do Paço Episcopal de Faro, onde se encontra a Exposição de Arte
Sacra de Beja
rio-Geral da Diocese, P.e Ferro, e
pelas instituições colaborantes,
desde a Câmara Municipal de Faro
ao Governo Civil, à Delegação
Regional da Cultura do Algarve e à
Estrutura de Missão Faro, Capital
Nacional da Cultura 2005, que
termina funções em Março próximo.
A equipa do Departamento do
Património da Diocese de Beja tem
feito um acompanhamento regular
da Exposição, estando actualmente
a avançar com os derradeiros
trabalhos da recuperação da casa
anexa à igreja de Nossa Senhora
A igreja da Misericórdia
de Castro Verde
dos Prazeres, em Beja, onde já está
finda a empreitada a cargo do
IPPAR e da Diocese e se procede
agora a tarefas de limpeza. O Arqt.º
Ricardo Pereira concluiu o projecto
de remodelação do adro, criando
dois acessos autónomos, projecto
esse que aguarda agora deferimento superior.
Foi também feita a proposta para a
conclusão das obras de restauro da
capela de Nossa Senhora do Rosário, anexa à igreja de Santa Maria
da Feira. Em Sines, terminou a
quarta fase dos trabalhos da igreja
(Beringel) e a várias igrejas de
Alvito.
Contactos com a Galiza
e o Norte de Portugal
A convite da Xunta da Galiza – o
governo autónomo da região –, o
Prof. José António Falcão realizou
uma visita oficial ao Museo de
Pontevedra, o mais importante
museu galego, onde foi recebido
pelo Prof. Xosé Carlos Valle Pérez,
Director desta instituição, que está
interessada em poder mostrar,
numa das suas galerias, a Exposição «A Invenção do Mundo»,
actualmente em Faro. A reunião
decorreu de forma muito positiva,
ficando o assunto a aguardar
novos contactos.
A deslocação à Galiza foi aproveitada para uma visita demorada à
catedral de Santiago de Compostela, onde o Prof. Falcão e os
outros membros do Departamento
e do Baixo Alentejo que o acompanharam foram recebidos pelo
Presidente da Comissão de Cultura
do Cabido Catedralício, Cónego
Alejandro Barral Iglésias, e pelo
Conservador do Museu da Catedral, D. Xosé Suárez Otero. A
catedral de Santiago de Compostela está muito interessada em
estreitar laços com o Alentejo e
aceitou o convite para colaborar
numa exposição sobre o culto de
Santiago Maior, a ter lugar em
Santiago do Cacém.
Na capital galega foram também
feitos contactos com as autoridades oficiais, sendo de destacar
a amabilidade de D. Antonio Mon-
teiro, Presidente do Consello
Galego de Cultura, a mais importante instância cultural da região,
que se predispôs a ajudar em tudo
o que fosse necessário para um
estreitamento de relações culturais
e técnicas entre os responsáveis do
património da Galiza e do Alentejo.
Já de regresso a Portugal, a comitiva de Beja fez uma paragem
demorada em Barcelos, onde trocou
impressões com a Direcção do
Museu de Olaria, dependente da
Câmara Municipal. Esta instituição,
que possui importantes obras da
olaria de Beringel na sua colecção,
está interessada em realizar uma
iniciativa sobre a imaginária em
barro do Baixo Alentejo, tendo
manifestado empenho em contar
com a colaboração do Departamento do Património Histórico e
Artístico nesse sentido.
Direcção Regional dos
Monumentos de Lisboa vai
continuar trabalhos na igreja
matriz de Santiago do Cacém
Será já este ano que a DirecçãoGeral dos Edifícios e Monumentos
Nacionais, através do seu departamento regional de Lisboa, concluirá as iniciativas previstas para
a igreja matriz de Santiago do Cacém
em 2006-2007. Para além da construção de um guarda-vento em
vidro numa das entradas do imóvel,
propriedade do Estado, prevêemse obras de vulto na conservação
Insígnia de Santiago Maior, no Museu da Catedral de Santiago de Compostela.
Paróquias, Câmara e Misericórdia
de Alvito empenhadas na salvaguarda e divulgação do património
religioso do concelho
Correspondendo a um apelo do
Pároco de Alvito, P.e João Paulo
Bernardino, o Departamento do
Património Histórico e Artístico
reuniu com membros das Paróquias,
da Santa Casa da Misericórdia e da
Câmara Municipal, de modo a
definir um programa de trabalhos
para preservar a dar a conhecer o
património religioso deste belo
concelho, que possui algumas jóias
da arquitectura manuelina nacional.
A proposta solicitada, e que será
alvo de novas trocas de impressões, visa o restauro de algumas
Secção do tecto da igreja da Misericórdia de Castro Verde
das coberturas, uma necessidade
há muito sentida.
Por outro lado, a Comissão local de
Salvaguarda vai avançar, com o
auxílio técnico da Câmara de Santiago do Cacém, com reparações em
portas, janelas e paredes, estando
também definido o reforço pontual
da drenagem de águas pluviais. No
Tesouro da Colegiada proceder-seá à melhoria das condições museográficas das salas 2 e 5.
dezenas de obras de arte em mau
estado de conservação, a realização
de uma exposição de arte sacra do
concelho – provavelmente na
capela do castelo de Alvito – e a
actualização do levantamento já
existente.
Espera-se para breve a realização
de obras de recuperação das pinturas murais da igreja matriz de
Alvito, promovida por oportuna
iniciativa do Dr. Amaral Barata,
ilustre advogado em Lisboa, que é
um dos representantes da casa dos
barões, condes e marqueses de
Alvito.
Furtos em 2005
Feito o balanço dos furtos ocorridos em igrejas e museus do Baixo
Alentejo, verificou-se um ligeiro
decréscimo no território do distrito
de Beja que é da competência da
GNR, aumentando no entanto as
ocorrências na cidade de Beja, sob
a vigilância da PSP, e nos concelhos
do litoral, que pertencem ao distrito
de Setúbal. Assumiu particular
gravidade o furto ocorrido na igreja
matriz de Santa Cruz, em Almodôvar, concomitantemente com
problemas similares nas paróquias
vizinhas da serra algarvia. Em Beja,
regista-se a comoção dos populares
com o furto de alfaia contendo
partículas sagradas, numa das
igrejas da periferia da cidade.
Igreja da Misericórdia
de Castro Verde
A Câmara Municipal de Castro
Verde e o Lar Jacinto Faleiro,
proprietário da antiga igreja da
Misericórdia, pretendem, em união
de esforços com o Tesouro da
Basílica Real desta localidade,
promover a abertura regular ao
público da referida igreja, situada
nas imediações da Basílica Real e
do Museu da Lucerna. Nesse
sentido, solicitaram a colaboração
do Departamento do Património
Histórico e Artístico para se estudar a recuperação do imóvel, que
está em bom estado geral de conservação, necessitando apenas de
obras de restauro pontuais, e a sua
posterior abertura ao público, como
uma retaguarda para o já importante
afluxo turístico que se regista na
localidade.
O Instituto das Estradas de Portugal, a pedido da autarquia, pôs
em destaque a Basílica Real de
Castro Verde numa das placas que
orientam os automobilistas na
Auto-Estrada do Algarve, o que é
de saudar, lamentando-se que não
ocorra o mesmo em relação aos
demais monumentos religiosos de
grande significado noutros pontos
do mesmo trajecto.
José António Falcão
DIOCESE
09 de Fevereiro de 2006
Notícias de Beja – 5
A Igreja de Beja em marcha
Visita pastoral do nosso Bispo a Ervidel, S. João de Negrilhos e Canhestros
Pelas ruas de Ervidel
O dia 31 de Janeiro foi passado
totalmente em Ervidel. De manhã,
depois de um breve encontro na
casa paroquial com o pároco e da
apresentação de pêsames na casa
ao lado, onde era velada uma
pessoa falecida, fomos cumprimentar os membros da Junta de
Freguesia. Como o dia era de sol,
mas frio, encontravam-se muitas
pessoas nas ruas, para se aquecerem com os raios de sol. Saudações breves, para não atrasar os
horários da agenda, fomos recebidos à porta do edifício da Junta
pelos membros do executivo, que
nos mostrou as instalações, fez
uma breve descrição da aldeia,
salientou as boas relações com a
paróquia, sobretudo com o lar e
ofereceu-nos os galhardetes da
terra e dois CD’s dos grupos corais
de Cante Alentejano, um feminino
(“Mulheres do Cante Flores da
Primavera”) e outro masculino (“As
Margens do Roxo”).
Com 1.309 habitantes segundo o
censo de 2001, pouco mais de um
terço dos anos 60, a cerca de 20
Km. A sul de Beja, ao lado da antiga
estrada nacional Lisboa-Faro,
Ervidel é uma aldeia compacta,
tradicional, de casas típicas alentejanas, rodeada de campos de cultura
de sequeiro, com algumas vinhas e
olivais, ocupando poucos trabalhadores na agricultura. Um bom
grupo de pessoas em idade activa
trabalha nas Minas da Somincor, no
concelho de Castro Verde, para
onde é transportada em autocarros.
Outra parte trabalha no Centro
Social Paroquial ou em serviços da
autarquia. Muita gente nova continua a deixar a aldeia à procura de
melhores condições de vida. O
número de baptismos ronda os 10
por ano, muitos deles de pessoas
idosas, enquanto o número de
óbitos atinge a média de 30.
Depois do almoço na casa paroquial, houve tempo de ver os livros
das três paróquias, todos muito
bem escriturados. A seguir, enquanto o Pe. Olavo fazia o funeral,
visitei a escola, acompanhado da
D. Lurdes, uma antiga funcionária
da mesma. Saudei os professores,
funcionários e alunos das duas
turmas do 1º ao 4º ano e os da preprimária, onde encontrei uma educadora da Cuba, membro das
Conferências Vicentinas. O imponente edifício da “escola primária”,
onde eu vivi três semanas em regime
de férias missionárias com os
estudantes carmelitas, em 1965,
encontra-se em obras, de maneira
que as aulas são dadas no edifício
da pre-primária. Depois da escola,
fui apresentar cumprimentos à
GNR, com quei dialoguei sobre os
problemas de segurança da população. Atravessando as ruas da
aldeia, fui visitar o lar, onde os
funcionários e os idosos me aguardavam, curiosos de conhecer o
bispo. Depois de visitar os acamados, dirigi uma saudação a todos e
lanchei com eles.
Ao fim do dia, reuni com os membros do Conselho Pastoral, do
Conselho Económico e outros
colaboradores da paróquia. Falei da
organização de uma comunidade
paroquial e da missão da Igreja e
agradeci a amizade com que ajudam
o pároco.
A visita pastoral a esta paróquia
terminou no domingo, dia 5, com a
celebração da Eucaristia, que foi
animada pelo Coro feminino litúrgico e pelo Grupo Coral As Margens do Roxo. Acompanhado pelo
diácono irmão Domingos, aproveitei a oportunidade para agradecer o empenho apostólico do Pe.
Olavo, há mais de trinta anos, o seu
testemunho desprendido, motivado apenas pelo amor a Jesus Cristo
e a este povo, a quem tudo deu e
todo se entregou. Mesmo sob o
ponto de vista material, o Pe. Olavo
angariou um valioso património
para esta paróquia, antes da sua
chegada quase sem infraestruturas.
Pelos lugares de
S. João de Negrilhos
O dia um de Fevereiro foi passado
nos três lugares da paróquia de S.
João de Negrilhos, com uma população de 1.719 habitantes segundo
o censo de 2001, começando por
Jungeiros. Acompanhado do irmão
José Domingos e das irmãs de
Doroteias, fomos acolhidos à
entrada do lugar pelo executivo da
Junta e muitos moradores, que nos
acompanharam na visita à povoação. Em primeiro lugar, fomos à
escola, 1º ciclo e pre-primária. Se
não aumenta o número de alunos,
esta escola corre o risco de ser
encerrada. Passámos pela sede do
rancho etnográfico e pelas instalações do clube, indo depois até à
igreja, onde dirigimos algumas
palavras à população, que na altura
já nos acompanhava em grande
número, salientando a missão da
Igreja e as necessidades espirituais
da pessoa humana. Vistos os
anexos com um bom terreno, salas
de catequese e casa mortuária, em
tempos adquiridos pelo Pe. Olavo
para instalações paroquiais, despedimo-nos da população e fomos até
à escola de Montes Velhos. Seguidamente visitámos a loja da Cooperativa e o Centro de Dia e Lar da
Associação de Solidariedade Social
de S. João de Negrilhos. Aqui
tomámos conhecimento das necessidades sociais da população idosa
e da urgência de aumentar a capacidade do lar, pois há muita gente
dependente a viver só. Antes do
almoço na comunidade das Irmãs
Doroteias, em que também participou o executivo da Junta de
Freguesia, ainda passámos pela
capela e anexos, pelas instalações
desportivas e algumas das ruas
rectilíneas de Aldeia Nova.
Depois do almoço passámos pelo
Jardim de Infância e pelas instalações da Junta, de onde partimos
com muito povo em direcção ao
cemitério, para aí abençoar as
sepulturas, a ampliação da área e
rezar pelos falecidos. Daí fomos até
à Associação de Beneficiários do
Roxo, onde se encontra o cérebro
das explorações agrícolas e do
regadio. Ficámos bem elucidados
de que, sem grandes investimentos,
não é possível tornar rentável a
agricultura do campo branco.
Chegados ao salão paroquial,
encontrámos muita gente e também
muita comida para aquilo que estava
previsto, um diálogo do Bispo com
as pessoas e um chá. Aqui o Rui,
um animador cultural, que nos
acompanhou todo o dia e colaborador da paróquia, apresentou o
plano da Nova Missão Paroquial,
no qual a paróquia se encontra
empenhada. Depois deste encontro
terminámos o dia com a celebração
da Eucaristia na igreja paroquial,
que encheu por completo. Com
acólitos vestidos a rigor e bem
ensaiados, orientados pelo Rui.
Este, de vez em quando, comunicava com a Rádio de Aljustrel, que
se fez eco da visita pastoral. A
celebração foi uma boa oportunidade para agradecer a Deus o dia
e o trabalho apostólico do Pe.
Olavo e das Irmãs Doroteias com
todos os seus colaboradores. A
celebração de encerramento será no
dia 19 de Março, altura em que
também se conclui a nova missão
paroquial, que faz parte do projecto
pastoral em que a paróquia anda
envolvida desde há vários anos.
No sábado, dia 4, celebrei a Eucaristia nas capelas dos lugares, em
Jungeiros e Aldeia Nova, com muita
participação do povo e que aproveitei para esclarecer a especificidade da missão da Igreja e
agradecer o trabalho do Pe. Olavo
e das Irmãs Doroteias. Ao fim do
dia reuni com a Comissão Fabriqueira de S. João de Negrilhos, que
apresentou as contas, devidamente
escrituradas em balancetes mensais
e anuais.
Percorrendo as
instituições de Canhestros
O dia 3 de Fevereiro foi reservado
para Canhestros, uma pequena
paróquia de Ferreira do Alentejo,
com 540 habitantes segundo o
censo de 2001, que o Pe. Olavo
assumiu a 6 de Outubro de 2001,
em troca de Odivelas. Comecei por
visitar o Centro de Dia e de Apoio
Domiciliário, pertencente à Associação de Bem Estar dos Idosos e
Reformados de Canhestros. Depois
de cumprimentar os utentes e
funcionários, a Direcção mostroume todas as instalações e pôs-me a
par do projecto da ampliação para
lar, uma necessidade para esta
população envelhecida. Uma prova
disso foi um senhor idoso, que,
logo à chegada, foi ter com o Pe.
Olavo, pedindo ajuda para a sua
esposa, que foi vítima de uma
trombose, ficou totalmente dependente e iria ser mandada embora da
unidade de acamados para casa,
onde ele vive só e também já
bastante diminuido, devido à idade
avançada. Daí fomos até à escola
do 1º ciclo e pre-primária, a primeira
apenas com 4 alunos. Seguidamente visitámos a Junta de Freguesia, o Centro Comunitário e de
Actividades dos Tempos Livres.
Boas instalações, mas pouca gente.
O dia terminou na igreja, a precisar
de obras urgentes, com a celebração da Eucaristia, ou melhor,
terminou com um lanche de reunião
com a Comissão da Fábrica da
Igreja. Ovimos o projecto de obras
de reparação e prometemos
colaborar.
Festa do Seminário
de Évora
No dia 2 de Fevereiro, Festa da
Apresentação de Jesus no Templo,
dia do consagrado e patrocínio do
Seminário de Évora, realizou-se a
reunião do Conselho Superior do
ISTE, em que fomos representados
pelo Pe. Manuel António e, de
tarde, a festa do Seminário, na qual
participei com D. Manuel Falcão e
da qual fez parte uma palestra
orientada pelo Pe. Feytor Pinto,
sobre o acolhimento na missão do
padre, uma Eucaristia solene na
igreja do Espírito Santo e um jantar
com todo o clero e amigos do
Seminário.
Agenda dos próximos dias
Nesta semana, de 8 a 12, visita
pastoral às paróquias de S. Brissos
e Trigaches, aos cuidados do Pe.
José Maria Coelho.
No dia 9 de Fevereiro, reunião do
Colégio de Consultores. Ao fim do
dia visita à comunidade das Missionárias do SSmº Sacramento e Mª
Imaculada, em Albernoa.
No dia 11, celebração do dia
Mundial do Doente, no Hospital
Distrital de Beja.
Na semana de 16 a 19, visita pastoral
a Alvito, Vila Nova da Baronia e
Odivelas, paróquias confiadas ao
Pe. João Paulo Bernardino.
De 20 a 24, retiro dos Bispos em
Fátima.
De 25 de Fevereiro a 1 de Março,
Semana de Teologia da Vida Consagrada, em Fátima.
No dia 1 de Março, Quarta-feira de
Cinzas, início da Quaresma.
No dia 5 de Março, 1º domingo da
Quaresma, Pontifical na Sé.
† António Vitalino, Bispo de Beja
SOCIEDADE
6 – Notícias de Beja
De cidadão para cidadão
Agora que terminou o ruído da
última campanha eleitoral; que se
conhece o nome do novo Presidente da República portuguesa;
que se fizeram numerosos comentários a este importante acto da
nossa vida nacional, apresento,
também, algumas notas a expressar
o meu ponto de vista, sempre com
a intenção de colaborar para o maior
bem do povo português. São
reflexões que fui fazendo à medida
que o acontecimento se ia desenvolvendo. Têm o valor que têm no
meio de uma justificada pluralidade
de pontos de vista.
1 - A minha primeira observação
refere-se à necessidade de a verdade enformar as campanhas eleitorais, até porque é frequente ouvir
da boca dos candidatos que o povo
português tem todo o direito a ser
tratado com verdadeira transparência. Isto exige que aquilo que
se lhe diz corresponda, objectivamente, à verdade dos factos e
não só ao modo de pensar e aos
objectivos daquele que fala, o que
levaria a longa reflexão.
Agora fico-me, tão só por sublinhar
a coincidência de cinco dos seis
candidatos terem procurado, sistemáticamente, “queimar” na opinião
pública o sexto candidato, cuja
eleição seria a causa de todos os
males futuros, pois, disseram, é
deficiente, quanto à política, à
economia, às relações humanas e à
defesa dos interesses do povo
português. Um dos candidatos
chegou mesmo a não reconhecer
esse sexto candidato como democrata. Pergunta-se, será mesmo
assim?
Com isto não pretendo dizer que
não se possa apontar as limitações
dos candidatos, do seu passado e
do seu programa, pois trata-se de
um direito, se usado com objectividade e respeito pela dignidade
da pessoa humana.
Para que não haja perplexidades
afirmo que aquilo que estou a
escrever sobre esse candidato
afirmá-lo-ia acerca de qualquer
outro candidato se a verdade e o
respeito às suas pessoas não
fossem, por sistema, tidos na
devida conta. E que cada um,
porque pessoa, deve ser tratado
com respeito pela sua dignidade.
Pareceu-me, ainda, que na cam-
panha foi esquecido este raciocínio
pragmático do povo: Se se diz tanto
mal de uma pessoa é porque tem
valor, uma vez que das “nulidades”
não se diz mal tão empenhadamente. Tem-se apenas compaixão.
E o que é facto é que o povo, ao
emitir o seu parecer, escolheu
precisamente aquele que os cinco
candidatos vetaram.
Todas estas minhas palavras assentam na convicção de que não
há candidatos totalmente perfeitos,
nem há candidatos totalmente
imperfeitos, segundo mostra a
experiência e afirma a sã filosofia.
Em todos os seres humanos há sempre uma coisa e outra.
É evidente que todos estes seis
candidatos têm qualidades e valores e, igualmente,
limitações.
Concluindo, não
pareceu acertada
a estratégia escolhida do mal-dizer.
Esta a minha primeira nota de comentário.
Razão tem João
Paulo II ao escrever que nada é tão
sagrado no mundo como a pessoa
humana
2 - A segunda observação diz respeito a uma ideia
que transparece
nas campanhas
eleitorais. A ideia
de que o povo é
ignorante. Nada
mais errado. O
povo tem a escola
da vida, tantas
vezes sacrificada e dura, o que
corresponde a um curso
permanente acerca do modo de
observar, julgar, discernir e optar.
Não vai pela superficialidade, cuja
inconsistência descobre no dia a
dia. Procura fundamentos seguros
para a sua vida, apesar de às vezes
se deixar tentar pela satisfação fácil.
Sabe que aquilo que vale e tem
futuro, normalmente, exige sacrifício e renúncia. Não venham, por
isso, com promessas mirabolantes
e inconsequentes. O povo tem,
como regra, o sentido do bom senso
não obstante as excepções que
introduz na sua vida por causas que
o confundem.
O povo não pode, não deve ser
tratado como menor, use-se para o
efeito, da abundância de beijos
baratos; de palmadinhas, por estratégia, nas costas; da compreensão
e compaixão, de ocasião, acerca dos
seus sofrimentos; das ofertas de
objectos a captar votos e de tantas
outras formas de manipulação mais
ou menos encapotadas.
O povo deve ser tratado com
seriedade, honestidade, verdade e
sem estas habilidades.
Nesta campanha, apesar dos sinais
de evolução positiva, ainda houve
bastante manipulação. Houve
algum esforço por apresentar ideias
e programas, mas com facilidade se
descambou para o engano.
O povo, hoje, percebe muito melhor
quando o querem levar (manipular).
Pode ficar calado e até parecer que
está a concordar, mas na votação
diz o que, realmente, pensa.
É uma característica do povo português o seu senso do oportuno e
do melhor para as circunstâncias
em presença.
Nas primeiras eleições depois do
25 de Abril, apesar da intensa
campanha para o voto em branco,
lembram-se, o povo português
escolheu, claramente, para governar, o partido que, entre os partidos
recentemente criados, seria o mais
experiente, não atendendo à campanha pelo voto nulo.
Depois, até aos nossos dias, foi
escolhendo, conforme lhe parecia,
o melhor para o país, mesmo com
mudança de rumo.
O povo não é ignorante, embora
não seja erudito. Tem a sua maneira
de reflectir segundo a experiência
de vida e a noção das realidades.
Não se pense facilmente o contrário. Seria uma ilusão.
Ainda temos um longo caminho a
percorrer para se chegar à discussão de ideias e programas, esclarecendo com verdade os eleitores,
sem se recorrer a processos enganosos e dizendo apenas o que
agrada e adormece. Não justifica
este modo de proceder a verificação de que lá fora se segue esse
caminho. Imitar nem sempre é a
melhor decisão.
3 – A terceira observação diz
respeito ao Bem da Comunidade
Nacional perante interesses secundários e, por vezes, mesquinhos.
Nas campanhas eleitorais torna-se
difícil, às vezes, descobrir que o
Bem Comum está presente nas
preocupações dos vários intervenientes partidários. Quem ouve
esses discursos nota que se faz a
defesa da proposta do partido em
causa, frequentemente, sem indicar
como a vão concretizar.
Fica-se, com frequência, a pensar
que se trata apenas da conquista
do poder, sem explicitar convincentemente que se quer o poder para
servir melhor o Bem do País.
É, por isso, que o povo declara com
tanta frequência que os candidatos
lutam pelo poder para se “encherem” e nada mais, atirando poeira
para os olhos. Foi o que disse uma
mulher do Barreiro à televisão:
Apesar de ser do partido..., não
vou votar, porque não vale a pena.
São todos iguais. O que querem é
poleiro. Ao chegarem lá, esquecemse do povo.
Descontando o evidente exagero
destas palavras, há aqui uma lógica
que pede reflexão.
Não será por causa desta lógica que
a abstenção é tão elevada?
Se o discurso eleitoral fosse sempre
verdadeiro, colocasse cada coisa
em seu lugar e o Bem da Comunidade tivesse sempre a primazia e,
depois da conquista do poder se
tomassem a sério as promessas
feitas, outra seria certamente a
atitude dos abstencionistas de
hoje.
Há que parar, reflectir e encaminhar
de outro modo as campanhas
eleitorais.
É de justiça reconhecer que algum
progresso se tem alcançado ultimamente, mas muito mais se há-de
fazer para cimentar uma democracia
adulta e esclarecida para maior bem
do nosso País.
João Alves, Bispo Emérito de Coimbra
09 de Fevereiro de 2006
Dia mundial do doente
Crise de valores gera
traumas psicológicos
«Nos países que contam com um elevado desenvolvimento económico, os
especialistas reconhecem também como origem de novas formas de transtorno
mental a influência negativa da crise dos valores morais. Isto aumenta o
sentido de solidão, perturbando e mesmo desagregando as tradicionais formas
de coesão social, começando pela instituição da família e marginalizando os
enfermos, especialmente os mentais, com frequência considerados um peso
para a família e para a comunidade» - diz-nos o Papa Bento XVI, na sua
mensagem para o XIV dia mundial do doente, a celebrar no próximo dia 11,
intitulado: ‘Promover a saúde mental, acolhendo a pessoa doente’.
Os dados referidos nesta mensagem papal são sintomáticos: «a dificuldade
mental afecta um quinto da humanidade e constitui uma real e verdadeira
emergência sócio-sanitária». Por entre variadas causas, hoje é muito comum
vermos muitas pessoas em estado de depressão, manifestando os mais
diversos traumas psíquicos, as mais impensadas tensões interiores, pessoais,
familiares, morais ou sociais... com situações de assistência (tanto hospitalar
como em casas de saúde, com voluntários, agentes de pastoral ou
associações) interpretadas em ordem a promover a dignidade dos doentes.
Quando vemos serem implementadas, em Portugal, medidas para os
seiscentos mil deficientes. Quando se conhecem os gastos (mais de 230
milhões de euros) para a integração dos referidos deficientes. Quando se
nota alguma confusão sobre o futuro dos hospitais psiquiátricos. Então, a
reflexão da Igreja Católica para o dia mundial do doente é mais do que actual:
é urgente, por forma a combater a solidão, a integrar as famílias dos doentes,
a gerar uma cultura de acolhimento e da partilha.
Diante destes desafios perguntamos:
* Os doentes – físico/biológicos, psíquicos, espirituais, sociais ou morais –
sentem-se amados em família, na sociedade e na paróquia/Igreja? Sabemos
dar-lhes o necessário conforto espiritual cristão? O sacramento da unção
dos doentes já perdeu a categoria de ‘trauma’ ou de rótulo de ‘carimbo para
a morte’? Temos procurado dignificar este sacramento no contexto paroquial,
mesmo com a presença de crianças?
* A passagem da morte continua a ser ‘tabu’ ou já está enquadrada na nossa
existência pessoal, familiar e não meramente social? Temos, enquanto Igreja
Católica, sabido fazer dos momentos da debilidade humana (doença, tragédias
pessoais ou públicas e mesmo os funerais), oportunidades de evangelização
e não de mera conformidade ritual?
* A crise de valores (denunciada, sentida ou empolada) provoca a nossa
reflexão sobre a identidade cristã no mundo? Te(re)mos aproveitado todas as
circunstâncias para anunciar Jesus como salvador e não para (meramente)
invectivar os descrentes e os pouco/nada praticantes?
Enquadrados pela vitória da Paixão do Senhor, celebrada de forma mais
contemplativa na festa das Cinco Chagas do Senhor, a ocorrer a 7 de Fevereiro,
poderemos no hoje da nossa história continuar a aliviar a dor/sofrimento de
tantos dos nossos irmãos. Assim o vivamos e testemunhemos, onde quer
que nos encontremos.
A. Sílvio Couto
Idálio Ferreira
Construção Civil
Apartado 152 / Galeado, Lote 115
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REGIONAL
09 de Fevereiro de 2006
Beja quer promover
centro histórico a património nacional
A proposta de elevação do centro
histórico da cidade de Beja a
património nacional, que o município está a elaborar para ser
enviada às entidades governamentais, é, a primeira proposta do
género a ser apre-sentada no país.
A ideia surgiu na sequência do
trabalho que os técnicos municipais
tinham elaborado para a revisão do
Plano de Salvaguarda do Centro
Histórico de Beja, aprovado em
1983, que também foi o primeiro a
ser elaborado em Portugal.
As classificações atribuídas pelo
Instituto Português do Património
Arquitectónico (Ippar) visam exclusivamente edifícios singulares. Mas
neste caso propõe-se uma
classificação nova, mais abrangente,
que tenha por objecto conjuntos de
imóveis - neste caso o do centro da
capital do distrito.
Unificar e classificar toda a área que
se encontra no interior das mura-lhas
da cidade foi o meio que o município
de Beja considerou mais eficaz para
proteger o centro histórico.
Fundação Nobre Freire
A Fundação de Solidariedade Social “Lar e Centro de Dia Nobre Freire”
comunica, no âmbito das comemorações do 1.º Centenário, que no
próximo dia 11 de Fevereiro pelas 18.30 horas, na igreja do Carmo, irá
mandar celebrar uma Missa em memória da sua fundadora, Sra. D.
Angélica Nobre Freire, de todos os colaboradoes, utentes e
funcionários.
Mais informa que nesta data, e a partir das 15 horas, a Instituição terá
as portas abertas a toda a comunidade que tenha interesse em conhecer
a mesma.
A Fundição de Sinos de Braga
Serafim da Silva Jerónimo & Filhos,
Sede & Secção de órgãos:
Rua Andrade Corvo, 72/78, 4704-522 Braga
Telefone 253 605 770 Fax 253 065 779
Fábrica:
Rua Cidade do Porto, Ferreiros, 4705-084 Braga
Dr. Rui Miguel Conduto
CARDIOLOGISTA
CONSULTAS:
Sábados
Rua Heróis Dadra, 5 - Beja – Telef. 284 327 175
Marcações das 17 às 19.30 h., pelo Telef. 284 322 973/914 874 486
Quartas-Feiras e Sextas-Feiras
UNIMED
Campo Grande, 46-A - Telefone 217 952 997
LISBOA
Município anuncia
encerramento
definitivo do mercado
ambulante de Beja
A Câmara Municipal de Beja torna
pública a sua decisão de encerrar
em definitivo o mercado ambulante
que funcionou nos últimos meses,
com periodicidade semanal, nas
traseiras do Parque de Campismo
da cidade.
A decisão foi comunicada esta
manhã aos feirantes tendo, em
seguida, decorrido uma reunião
tripartida com representantes do
Município, ExpoBeja e comissão de
feirantes – entidade que representa
os vendedores do mercado extinto
–, na qual, ficou estabelecida a
vontade de todos em criar uma
nova feira na cidade.
Este novo espaço de venda terá
periodicidade semanal, com inicio
já no próximo sábado, e decorrerá
no Parque de Feiras e Exposições
de Beja, sendo o processo organizativo da exclusiva responsabilidade da ExpoBeja.
A criação de uma nova feira permitirá melhorar significativamente as
condições de trabalho dos feirantes e de acolhimento aos futuros
clientes, uma vez que o certame irá
decorrer num espaço coberto - livre
do mau tempo e da lama, apetrechado com casas de banho
públicas, um amplo parque de
estacionamento, entre outras mais
valias.
Na mesma reunião ficou definido
que todo e qualquer comerciante
poderá ter acesso à nova feira com
o objectivo de escoar os seus
produtos, tendo ficado condicionada a participação de cada vendedor ao pagamento de uma taxa
mensal no valor de 125 Euros.
O novo espaço comercial da cidade
começou a funcionar no dia 4 de
Fevereiro, no Parque de Feiras e
Exposições de Beja e poderá ser
visitado por todos entre as 08h e
as 14 horas.
Publ.
Cartório Notarial de Vidigueira
Certificado
Certifico, por extracto, para efeito de
publicação, que por escritura de “
Justificação” outorgada no Cartório Notarial
de Vidigueira, no dia vinte de Janeiro de dois
mil e seis, lavrada a folhas vinte e oito e
seguintes do livro de notas para escrituras
diversas número cento e vinte e nove-C,
Domingos Geraldes Dionísio, titular do
NIF 157 616 754, natural da freguesia e
concelho de Penamacor e mulher Maria do
Nascimento Andrade Aires Dionísio,
titular do NIF 145 829 901, natural da freguesia
de Pedrógão, concelho de Vidigueira, casados
sob o regime de comunhão geral, residentes
na Rua Padre Américo, n.º 36, 1.º andar,
Laranjeiro, Almada, declaram que são donos
e legítimos possuidores, com exclusão de
outrém, de um prédio urbano, composto de
casas com dois compartimentos com a área
de vinte e quatro metros quadrados e
logradouro com a área de trinta metros
quadrados, sito na Rua Abaixo, freguesia de
Pedrógão, concelho de Vidigueira, a
confrontar de norte com Teresa de Jesus
Prazeres, do sul com Manuel José Rosa, do
nascente com António Dias Charrua e do
poente com Rua Abaixo, não descrito na
Conservatória do Registo Predial de
Vidigueira, inscrito na matriz respectiva em
nome do justificante varão sob o artigo 414,
com o valor patrimonial para efeitos de IMI,
de IMT e o atribuído de quatrocentos e
sessenta e seis euros e quarenta e um
cêntimos. Que o identificado prédio, veio à
sua posse por compra a José Agostinho,
viúvo, já falecido, com última residência
habitual em Pedrógão, Vidigueira. Que
possuem e usufruem o dito prédio, desde a
data da sua aquisição em mil novecentos e
setenta e dois e os justificantes continuam a
possui-lo e a usufruir do mesmo, posse que
detêm há mais de vinte anos, sem interrupção
ou ocultação de quem quer que seja; Que
essa posse foi adquirida e mantida sem
violência e sem oposição, ostensivamente
com conhecimento de toda a gente, em nome
próprio e com aproveitamento de todas as
utilidades do prédio agindo sempre por forma
correspondente ao exercício do direito de
propriedade, quer usufruindo como tal o
imóvel, quer suportando os respectivos
encargos. Que esta posse em nome próprio,
pacífica, contínua e pública desde o ano de
mil novecentos e setenta e dois, conduziu à
aquisição do imóvel por usucapião, que
invocam, justificando o seu direito de
propriedade plena para efeito de registo, dado
que esta forma de aquisição não pode ser
comprovada por qualquer outro título
extrajudicial. Nestes termos, e não tendo
qualquer outra possibilidade de levar o direito
ao registo, vêm justificá-lo nos termos legais.
Está conforme o original.
Cartório Notarial de Vidigueira, aos vinte de
Janeiro de dois mil e seis.
A Ajudante
Carla Sofia Pires Guerreiro
Notícias de Beja – 7
Registado
Évora saúda o novo
Presidente da República
A Câmara Municipal de Évora saúda a eleição do Prof. Doutor Aníbal
Cavaco Silva como Presidente da República, num acto eleitoral
amplamente participado e cuja elevação no debate de ideias demonstrou
a maturidade da democracia portuguesa.
No momento de especial dificuldade económica que Portugal atravessa,
a disponibilidade afirmada pelo futuro Presidente da República para,
em cooperação com o Governo, encontrar um rumo para que o País
retome o caminho da prosperidade e desenvolvimento constitui para
os portugueses o renascimento da esperança.
A Câmara Municipal de Évora exorta o Prof. Doutor Aníbal Cavaco
Silva a, desde o início do seu mandato, exercer a magistratura de
influência que a Presidência da República lhe confere para atenuar as
assimetrias regionais entre o litoral e o interior do País, direccionando
para as zonas mais desfavorecidas os investimentos produtivos que,
pela criação de riqueza, contribuam para um mais justo equilíbrio social
de Portugal.
A Câmara Municipal de Évora convida o futuro Presidente da República
para, uma vez empossado, inscrever na sua agenda de visitas ao interior
do País, a Cidade e Concelho de Évora, tomando contacto directo com
a nossa realidade e também com as nossas potencialidades para assim
podermos contribuir para o desenvolvimento da Região e do País.
Esta saudação foi aprovada por unanimidade, em reunião pública
da Câmara Municipal, de 25 de Janeiro de 2006.
Recorda-se que o Executivo de Évora é presidido por um socialista,
Dr. José Ernesto d’Oliveira, dois vereadores socialistas, três
comunistas e um social-democrata.
Sublinha-se e aplaude-se este gesto. É bonito e democrático.
Mercado de Santo Amaro
vai mudar de lugar
O tradicional mercado ao ar livre,
realizado aos sábados, no Largo
de Santo Amaro, deverá ser
deslocado para o espaço do
Mercado Municipal, a breve prazo,
segundo informações que colhemos na Câmara Municipal de Beja.
Aplaude-se esta iniciativa que vai
libertar uma zona nobre e histórica
de Beja e permitir aos vendedores
melhores condições de trabalho.
Judite Gaspar
da Costa
04.04.1909 - 25.01.2006
Os sobrinhos de Judite Gaspar
da Costa agradecem a todos os
amigos que a acompanharam à
sua última morada e se associaram à oração pelo seu eterno
descanso
Resposta às questões da última página
1. Bíblia: O primeiro profeta da A.T. foi Samuel, a quem se deve
designadamente a sagração dos dois primeiros reis de Israel: Saúl e
David. 2. História Pátria. O rei do tempo do terramoto de 1755 foi D.
José (rei de 1750 a 1777), cujo reinado ficou em grande parte ofuscado
pelo governo tirânico do Marquês de Pombal. 3. Física: A transmissão
do calor, nomeadamente para efeito de aquecimento do ambiente, fazse: por irradiação se o calor é projectado directamente da fonte térmica;
por convecção se o calor é transmitido pela circulação do ar ou outro
fluido; e por condução, se o calor é transmitido através dum condutor
com boa condutibilidade térmica.
9
Fevereiro
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ÚLTIMA PÁGINA
09 de Fevereiro de 2006
Espaço
Ludo-Cultural
Tempo novo
Passado o cabo das tormentas, que foi a campanha para as presidenciais,
contabilizados os resultados, digeridas as derrotas e saboreada a vitória de
Cavaco Silva, pela maioria dos portugueses, respira-se um ar de descompressão,
serenidade e esperança no nosso País, que transparece nas conversas da rua e
na opinião pública e publicada.
Nem outra coisa era de esperar, já que o Presidente da República eleito tem
sobejas provas dadas de bom e efectivo serviço na governação de Portugal,
nos dez anos de ouro em que foi Primeiro-Ministro, de 1985 a 1995, tempo em
que se deu o maior salto qualitativo e quantitativo no lançamento das grandes
obras de modernização e desenvolvimento do todo nacional e em que se
cimentou a nossa democracia, garantindo-lhe credibilidade aos olhos do mundo
civilizado.
Os demagogos do costume bem se esforçaram por denegrir esta realidade, nos
seus discursos incendiários, julgando-nos afectados de amnésia profunda e
pensando que nos deixávamos enganar com utopias balofas pelos profissionais
da contra-informação
Assente a poeira das discursatas comicieiras e reduzidos à sua dimensão real os
galácticos-dogmáticos, desfasados do tempo, muitos deles grandes burgueses,
com ares angélicos de salvadores da pátria e laivos de terrorismo verbal, eis-nos
a assistir àquilo que a maioria de nós prevíamos e desejávamos: uma passagem
de testemunho de dois presidentes, tranquila, cordata e exemplar. E a profissão
de fé, por parte do Governo de Sócrates, incluindo os ministros que zurziram,
forte e feio, em Cavaco, na campanha eleitoral, de que vamos ter uma cooperação
estratégica impecável e profícua a bem do desenvolvimento integral do País,
entre todos os órgãos de soberania, igualmente legitimados pelo voto popular.
Adivinha-se, assim, um tempo de progresso, de clarificação na vida colectiva,
de relançamento da economia, que vai gerar confiança nas instituições e nos
políticos e, sobretudo, mais emprego, mais justiça social, mais motivos para a
atracção de investimento privado e estrangeiro, condição fundamental para que
tenhamos verdadeira independência nacional e motivações para vivermos no
território pátrio, sem tentações para debandar para terras da estranja.
À distância de algumas semanas do folclore eleitoral, verifica-se já como eram
delirantes e ridículas certas afirmações proferidas por pessoas que deviam ter
postura de Estado, até pelas altas funções que exerceram no passado, como
aquelas de que “os portugueses não podiam dormir descansados” com Cavaco
Silva na Presidência da República e que “ele” só sabia alguma coisa de economia,
pois, “ele” não sabia filosofia, nem direito, nem literatura, nem tinha cultura geral,
nem era reconhecido como líder nas magnas assembleias da Europa. “Ele”,
vulgar economista, era um perigo para Portugal e para o Estado democrático,
porque iria ter a tentação de mandar no País, a partir de Belém, entrando em
choque com este Governo.
Com os pés bem assentes na terra e a cabeça no seu lugar, fora bem diferente a
profecia de Belmiro de Azevedo, na televisão, há alguns meses: “Cavaco Silva
– dizia – não vai ser eleito em 22 de Janeiro, já está eleito pelos portugueses e
vamos apenas assistir à sua coroação. E, depois, vamos ter um excelente
Presidente da República a trabalhar com um excelente Primeiro-Ministro”.
Belmiro de Azevedo estava a dizer em público o que a maioria dos portugueses
pensava. E o que, preto no branco, muitos comentadores abalizados escreveram:
José Sócrates desejava intimamente este cenário político que veio a acontecer e
a sua secreta estratégia presidencial passava pela derrota dos dois candidatos
saídos das hostes socialistas. Se assim foi, está de parabéns e o País pode
respirar fundo, porque vamos ter política, economia e desenvolvimento a sério,
com dois governantes esclarecidos, decididos, com ambições para Portugal,
com uma estratégia definida, competência profissional, bem intencionados,
capazes de tirar Portugal da cauda da Europa, em matéria de desenvolvimento e
de credibilidade política.
É claro que, a partir de agora, não vamos ter milagres das rosas, porque há
feridas em aberto, há cicatrizes não curadas, há ambições pessoais desmedidas
e mesquinhas, há politiquice de baixo nível, a tecer intrigas permanentes, a
bloquear e caluniar quem é honesto e trabalha com recta intenção pelo bem
comum. E há, sobretudo, os fortes lobis, que todos conhecemos e estão já a
actuar às claras: maçonaria, comunicação social, gays, grupos financeiros,
corporações de interesses, sempre ciosos dos seus “direitos adquiridos”, que
vão pôr entraves na governação do dia a dia.
E vão também, entrar na liça do combate sócio-político, a curto prazo, os chamados
temas fracturantes, que põem em causa valores fundamentais da nossa
civilização: aborto, eutanásia, procriação médica assistida, casamentos
homossexuais, etc., etc.
E aqui, os católicos, todos os católicos, têm que ser coerentes e tomar atitudes
claras, não se deixando esmagar pela “ditadura do relativismo”, como lhe chamou
Bento XVI, que invade as sociedades contemporâneas.
A Igreja, toda a Igreja, que não apenas o Papa e os Bispos, tem de ser “perita em
humanidade”, defensora intransigente da Verdade, aferida pelo Evangelho de
Cristo, referência fundamental para a nossa escala de valores morais e sociais.
É um tempo novo, com novos desafios, estimulantes desafios, este que estamos
a viver e o que se antolha, num futuro próximo. É um tempo em que ninguém
pode ficar de braços cruzados.
“Mãos à obra”, pedia Cavaco Silva no discurso de vitória. Cada um no seu lugar
e fazendo bem o que deve fazer é o segredo do êxito e da criação de riqueza,
assegurava Bill Gates, numa das suas intervenções, em Portugal, há oito dias.
Se todos, governantes e governados, quiserem, podemos vencer e sair desta
apagada e vil tristeza em que penosamente nos arrastamos.
Todos ao molho e fé em Deus, devemos dizer hoje, interiorizando a sentença da
sabedoria popular. E, já agora, que as televisões dêem também uma ajudinha,
apresentando-nos uma imagem mais positiva do país e reflectindo este verdadeiro
clima de mudança de mentalidades no tecido social.
E que os comentadores complexados e depressivos da nossa praça saibam ler
os sinais dos tempos e respeitar a maturidade cívica dos portugueses, que já
não se deixam ludibriar por cantigas de escárnio e mal-dizer nem por ideologias
anacrónicas ou cegas obediências partidárias.
Alberto Batista
Recordar é viver
O que segue foi respigado de
antigos números do Notícias de
Beja
Há 75 anos (1981). 1. O jornal dá
notícia de uma expedição científica
ao Continente Asiático, com a
participação do jesuíta Teilhard de
Chardin, mestre em Paleontologia
e bom conhecedor da China e do
Turquestão. 2. O Governo Italiano
dispensou de passaporte os peregrinos que se dirigirem à Itália
durante o Ano Centenário de Santo
António (que lá dizem “de Pádua”),
decorrendo de 1 de Abril de 1931 a
31 de Julho de 1932.
Há 50 anos (1956). Em noticiário
da vila de Cuba, o jornal refere: 1)
Foi assinado na Câmara o contrato
de electrificação do concelho a
realizar pela Companhia do Alentejo e Algarve; 2) Um subsídio de
9.400 escudos, concedido pelo
Ministro das Obras Públicas,
permitiu continuar as obras de
construção das Moradias para
Pobres; 3) Desde início de Fevereiro, a Missa dominical das Crianças passou a celebrar-se à tarde,
usando do privilégio das missas
vespertinas recentemente concedido pela Santa Sé.
Há 25 anos (1981). A Assembleia
anual da Cáritas Diocesana reuniu
250 membros de 25 Grupos Cáritas
para se pronunciarem sobre o
relatório do ano transacto e o
programa de acção para o novo ano,
sobretudo na parte referente aos
referidos Grupos. Foi decidido que
a Cáritas Diocesana se fará representar pelo seu presidente no
Congresso Eucarístico Internacional de Lourdes.
Dias comemorativos
O dia 11 de Fevereiro é o Dia
Mundial do Doente, proclamado
por João Paulo II em Carta de 13 de
Maio de 1992 ao Presidente do
Conselho Pontifício da Pastoral dos
Agentes da Saúde, data também da
memória litúrgica de Nª. Senhora de
Lourdes e da Carta Apostólica
“Salvifici doloris” (1984) sobre o
sofrimento humano, escrita pelo
Papa depois do atentado de 13 de
Maio de 1981 na Praça de S. Pedro.
O Papa definiu os seus objectivos:
sensibilizar os católicos e suas
instituições sanitárias e mesmo a
sociedade civil para assegurar a
melhor assistência possível aos
doentes; ajudar estes a valorizarem
natural e sobrenaturalmente o
próprio sofrimento; favorecer o
compromisso do voluntariado na
área da saúde; sensibilizar os
sacerdotes e religiosos à importância da assistência aos doentes.
Este “dia” é celebrado de forma
especial num santuário mariano do
mundo católico pelo Papa ou por
seu Delegado (este ano em Adelaide, Austrália, e no próximo em
Fátima).
O dia 14 de Fevereiro, da memória
litúrgica da S. Valentim, Bispo de
Terni (Itália), mártir cerca de 268, é
tradicionalmente o Dia dos Namorados, hoje bastante explorado pelo
comércio, que oferece as melhores
prendas para serem trocadas entre
os apaixonados. Segundo a lenda,
S. Valentim presidiu ao casamento
dum soldado romano com uma
cristã, quando era proibido aos
soldados casarem-se, para serem
mais aguerridos. Os restos do
Santo encontram-se em Terni,
cidade a 100 km de Roma, onde
costumam concentrar-se neste dia
casais de noivos a jurar mútua
fidelidade por toda a vida.
Enciclopédia
GRIPE & CONSTIPAÇÃO. São
duas doenças infecciosas bem
conhecidas da maioria das pessoas,
mais frequentes quando o tempo
arrefece e se torna mais húmido. São
provocadas por vírus diferentes, e
são também diferentes os sintomas.
A gripe surge subitamente e manifesta-se por febre elevada, tosse
seca, fadiga e dores de cabeça e
musculares. A sua gravidade depende do vírus e da compleição
física do doente. A constipação é
menos grave, manifestando-se por
febre menos alta e por sintomas
limitados à garganta e ao nariz.
A gripe é doença perigosa, sobretudo para pessoas de saúde débil,
idosos e crianças, por poder
degenerar em pneumonia ou bronquite crónica. Por isso, as pessoas
de risco devem ser vacinadas a
tempo com a vacina própria de cada
ano (pois o vírus varia anualmente). Estas pessoas e todas as
outras devem, na medida do possível, evitar as grandes aglomerações em recintos fechados, para
evitar a contaminação que se faz
sobretudo pela tosse e espirros dos
contaminados.
Não há tratamento eficaz para a
gripe e para a constipação. A
primeira dura pelo menos uma
semana e a constipação três a cinco
dias. São inúteis e até inconvenientes os antibióticos. Aconselham-se os medicamentos que
atenuem os sintomas mais incómodos e os que aumentem as
defesas do organismo. Sobretudo
na gripe, aconselha-se, para bem
do paciente e para evitar a contaminação de outras pessoas, que a
pessoa engripada permaneça em
descanso durante a fase mais
crítica da doença.
Coisas e loisas
1. Delinquência em Portugal. Os
meios de comunicação deram a
conhecer que, segundo estimativas
das instâncias competentes, os
pequenos delitos (falta de pagamento de bilhetes de transportes
ou de portagens, etc.) aumentaram
no último ano cerca de 53 % e os
crimes violentos (em grande parte
ligados à droga e cometidos por
estrangeiros) aumentaram 30 %. Em
boa parte este aumento da delinquência deve-se às dificuldades da
vida relacionadas com o desemprego e a marginalização. Superar
esta crise é de toda a urgência, não
só dos pontos de vista da segurança e da economia, mas sobretudo
dos pontos de vista social e moral.
2. Cartas enviadas a Deus. Os
judeus piedosos acorrem frequentemente ao Muro das Lamentações,
em Jerusalém, e deixam nos interstícios das pedras que o formam as
suas mensagens a Deus. O próprio
Papa João Paulo II, quando foi à
Terra Santa, deixou também uma
mensagem no Muro das Lamentações.
Ultimamente os Correios de Jerusalém estão a receber semanalmente
cerca de 200 mensagens dirigidas a
Deus (a Javé), que colocam fielmente no Muro das Lamentações.
São enviadas, não só por judeus
espalhados pelo mundo, mas por
gente de todos os países e religiões.
Essa mensagens podem também ser
enviadas por fax (972-2-5612222) ou
por correio electrónico
([email protected]).
Veja se sabe
1. Bíblia. Qual foi o primeiro profeta
do Antigo Testamento?
2. História pátria. Quem foi o rei
de Portugal do tempo do terramoto
de 1755?
3. Física. Na transmissão do calor,
o que distingue irradiação, convecção e condução?
(Ver respostas na penúltima página)
Bom humor
1. Entre comadres. «Então que faz
o seu filho?» «É neurasténico.»
«Como é que lhe deu para ter esse
emprego, em vez de ajudar o pai na
loja?»
2. Boa razão. «Dê-me uma
esmolinha, porque sou cego e tenho
muita família.» «Então quantos
filhos tem?» «Como posso saber
se não os vejo?»
3. No consultório. Uma senhora
muito gorda pergunta ao médico:
«Sr. doutor, posso comer de tudo?»
«Pode, mas só uma vez por
semana...»
Manuel Falcão
Aos amigos do “Notícias de Beja”
No início de um novo ano, lembramos aos nossos prezados assinantes o dever de renovarem as
suas inscrições. A assinatura em 2006 é de 21 euros. Aos que puderem, agradecemos a oferta
de mais alguns cêntimos, já que “Notícias de Beja” vive com grandes dificuldades financeiras,
situação, aliás, comum a todos os jornais regionais do País.

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