Out 2010 - Associação Brasileira de Criadores de Ovino

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Out 2010 - Associação Brasileira de Criadores de Ovino
1
out/nov/10
ÓRGÃO INFORMATIVO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CRIADORES DE OVINOS / ARCO - ANO 4 - Nº 18 – OUTUBRO/NOVEMBRO 2010
out/nov/10
2
Editorial
Ovinos são para todos os tamanhos
O ARCO JORNAL é o veículo informativo da
ASSOCIACÃO BRASILEIRA DE CRIADORES DE
OVINOS – ARCO
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Filho
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críticas: [email protected]
Foto de Capa: Ricardo Stuckert - Agência Brasil
T
eóricos e praticantes
da
economia dizem que para se ter
ganhos em uma atividade econômica é
preciso ter escala de
produção, ou seja,
grande quantidade de
produto, pois assim se
reduzem os custos e o negócio se torna competitivo dentro
do mercado que se está atuando. Já conhecia este conceito
por conta da atividade profissional que desenvolvi por mais
de 25 anos, mas recentemente, em um almoço ouvi uma pessoa se referir a este assunto relacionando-o à ovinocultura.
Não tenho a pretensão de contestar este conceito econômico
tão arraigado no saber das pessoas e que foi construído com
certeza, à base de muitos estudos e por pessoas com renomado conhecimento de causa. Mas quero sim, propor um
debate sobre como e se devemos enquadrar a ovinocultura
neste conceito, sabendo que é uma atividade muitas vezes
com forte ligação em pequenas propriedades familiares,
mas com grande potencial de dar um sustento digno para
quem vive nesta situação. E quando digo isto, penso principalmente no Nordeste, região que tem grande concentração
de rebanho ovino e também, de pequenas propriedades.
A atividade da ovinocultura tem entre seus “praticantes”
criadores com variados tamanhos de terra e de rebanhos.
Dentre estes existem aqueles com dedicação principalmente
para a seleção genética, e outros para rebanhos comerciais.
Existem aqueles que têm 10 ou 15 cabeças, para sua manutenção ou os que possuem 16mil, 20 mil cabeças para uma
produção comercial de cordeiros. E em termos de Brasil, encontramos as mais variadas condições de clima, terra (solo)
distâncias de grandes centros consumidores, etc. É por isto
que me pergunto como aplicar este conceito dentro do agronegócio ovino de forma a que não expulsemos os que não se
enquadram neste preceito e que eles não virem favelados em
alguma cidade deste País.
A ovinocultura tem sim uma função social, conforme
tive a oportunidade de dizer ao Presidente da República,
quando da sua visita à Expointer deste ano. Além de gerar
emprego e renda, contribui para a manutenção de muitas
famílias no campo, evitando o êxodo rural. Creio que para
se enquadrar no processo de produção em escala um dos
caminhos pode ser a união de produtores de menor porte em
associações de criadores regionais, ou Alianças Mercadológicas, programas de governos que ajudem aos produtores
a se organizarem para comprarem animais, produzirem e
entregarem em escala. E nunca podem esquecer de que na
montagem destes processos tenham o apoio de alguém com
experiência em extensão rural, pois ele, com certeza, vai
ajudar e muito no sentido de passar importantes conhecimentos sobre a atividade, principalmente em termos de melhorias sanitárias, nutricionais, de manejo e instalações.
Não conheço pessoalmente projetos que acontecem no
nordeste, mas sei que eles estão partindo desta premissa
de reunir grupos e trabalharem em conjunto. E sei que os
resultados têm sido muito positivos. E foi com este espírito
que recentemente participei de uma reunião na Federação
dos Trabalhadores da Agricultura, no Rio Grande do Sul,
Fetag. A idéia é desenvolver um projeto de ovinocultura
para pecuaristas com estrutura totalmente familiar. Em
nosso encontro, pontuei que qualquer projeto necessita ter
a visão de que a ovinocultura é um negócio como qualquer
outro dentro da propriedade. Que gera renda se for bem
trabalhada. Que permite a produção de lã, carne, leite e
pele. Mas que para dar este resultado positivo é preciso
ver as habilidades de cada propriedade para que dê certo.
Colocar ovinos produtores de leite, em propriedades que já
tenham esta atividade no bovino. E de corte com quem conhece as funções da criação de gado de corte. Qualquer
projeto tem tudo para dar certo se respeitada as características de seus participantes, da região em que está implantado, da cultura, e se tiver voltado para atender ao mercado consumidor. A ovinocultura pode ser desenvolvida em
qualquer tamanho de propriedade, desde que se adapte às
condições e às exigências desta espécie. Por isto creio que
ela pode se enquadrar no conceito de produção em escala,
as vezes uma só propriedade, as vezes unindo várias para
atingir este objetivo.
O importante é produzir bem, com qualidade e respeito
ao meio ambiente. Isto tem valor e isto a ovinocultura pode
dar!
Paulo A. Schwab - Presidente
HUMOR
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Notícias da ARCO
Foto: Ricardo Stuckert - Agência Brasil
Presidente da ARCO entrega
a Lula reivindicações do setor
O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Ovinos, ARCO, Paulo Schwab,
fez a entrega de um documento ao Presidente Lula, durante sua visita à Expointer e
sua passagem pelo pavilhão dos ovinos. Reivindicações para apoio ao agronegócio da
ovinocultura são a base deste documento que pede recursos para os quatro principais
negócios da ovinocultura, a lã, a pele, o leite e a carne. Schwab pode acompanhar o
presidente explicando um pouco de cada raça que estava na feira. Segundo ele, Lula
acompanhou atentamente e pediu para um assessor marcar um novo encontro com a
ARCO para debater os assuntos listados nas reivindicações. Segue abaixo a íntegra do
documento.
Esteio, 3 de setembro de 2010
Excelentíssimo Senhor
Presidente da República
Federativa do Brasil
Luis Inácio Lula da Silva
Brasília, DF.
Prezado Presidente
de propriedades rurais no
Brasil mobiliza mais de um milhão
O Agronegócio da Ovinocultura no
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nossos pleitos são simples, mas que
Atenciosamente,
Paulo Afonso Schwab
dos Criadores de Ovinos - ARCO
Presidente da Associação Brasileira
Ovinocultores reconduzem
Paulo Schwab à presidência
C
om uma representação que tem
componentes de várias partes
do Brasil, como Bahia e Pará,
por exemplo, a Associação Brasileira de
Criadores de Ovinos, ARCO, realizou
eleições para uma nova diretoria, que vai
conduzir a entidade no Biênio 2010/12. O
atual presidente, Paulo Schwab foi reconduzido ao cargo, uma vez que não houve
inscrição de chapa de oposição. Com ele
estarão Suetônio Villar, da Paraíba, na Schwab quer a evolução dos sistemas produtivos
primeira Vice-Presidência e Arnaldo dos
Santos Vieira Filho, de São Paulo, na segunda Vice-Presidência. A eleição aconteceu no dia 3 de setembro, na sede da ARCO, no parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. Schwab disse que uma
das metas da atual gestão é concluir o projeto de melhoramento genético que está sendo elaborado
pela Embrapa. “Precisamos também evoluir no processo de organização dos sistemas produtivos
dos vários negócios da ovinocultura”, ressalta.
Outras associações. Durante a Expointer 2010, outras associações de criadores mudaram a diretoria. A Asssociação Brasileira de Criadores de Ovinos Naturalmente Coloridos – ABCONC elegeu
Carlos Luiz da Rosa Rodrigues para presidente. Na raça Suffolk João Augusto do Nascimento foi
eleito presidente e na raça Texel, José Luiz Pereira Dias foi o escolhido para conduzir a entidade
pelos próximos dois anos e, na Poll Dorset, Suzette Dzierwa foi a escolhida para a presidência. •
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Notícias da ARCO
Faturamento de ovinos
na Expointer é recorde
Ovinocultores planejam
comercialização da próxima safra
A
Sebrae intermedia negociações
combatida com um programa de qualidade que garante que aquele cordeiro que
vai para a gôndola do supermercado, é
criado dentro de um determinado sistema de produção”, afirma o coordenador.
Na rodada de negociação, a safra é colocada de maneira organizada e estabelecida em parcerias com os frigoríficos. A
Cooperativa de Lã Tejupá Ltda, de São
Gabriel, cujos associados possuem cerca
de 20% do criatório gaúcho de ovinos,
já envolveu nesse processo um rebanho
de aproximadamente 50 mil cordeiros.
“A iniciativa é excelente para o produtor
que está organizado em grupos ou cooperativas, para reforçar a ação em bloco,
fortalecendo tanto a indústria como o
criador”, afirma o presidente Carlos Cleber Dias Leal.
comercialização de ovinos na Expointer 2010 foi superior à da raça
Angus, superando também o faturamento de outras raças da feira. O valor arrecadado foi de R$ 836,438 mil com a venda
total de 255 exemplares. A raça que obteve
o maior faturamento foi a Texel, com R$
352,740 mil com a venda de 90 animais e
em segundo foi a Suffolk com R$ 178,470
mil para 49 exemplares. Para o presidente da
Associação Brasileira dos Criadores de Ovinos, ARCO, Paulo Schwab, este resultado
é o reflexo do excelente momento que vive
a ovinocultura no estado e em todo o País,
onde os investimentos em genética continuam aquecidos. “Também embasados no fator
preço do cordeiro que hoje está em R$ 11,00
kg/carcaça”, ressalta.
Schwab afirma que esta edição da feira foi
marcada por fatos importantes para a ARCO
Fotos: Divulgação
e os ovinos. Ele cita a reeleição da atual diretoria para um mandato de mais dois anos, a
realização da rodada de negócios entre produtores, indústria de processamento de carne
e varejo, a reunião da Câmara Setorial Nacional da Ovinocaprinocultura, o lançamento da
unidade móvel, o Borregão, de atendimento
aos criadores, e, principalmente a entrega de
um documento para o Presidente Lula, contendo reivindicações do setor. “Não poderia
ter sido melhor”, salienta.•
Morre criador Glênio Prudente
Ovinocultura perde um de seus grandes guerreiros
Foto: Vilmar Rosa/Seagri/RS
Criadores de ovinos e a indústria do
setor, intermediados pelo Sebrae/RS, fizeram pela quarta vez uma aproximação
para planejar a comercialização da próxima safra. Desta vez, a rodada foi feita na
Expointer, em Esteio, na sede da Associação Brasileira de Criadores de Ovino
(Arco), com a participação de seis grupos
de produtores. “O cenário da maior feira internacional de animais da América
Latina se mostra muito bom porque é a
oportunidade única de encontro de todos
os representantes da cadeia produtiva do
Rio Grande do Sul”, ressalta o coordenador da carteira de ovinocultura do Sebrae/RS, Ângelo Aguinaga.
Na rodada anual, os produtores são
atendidos pelo projeto Polo de Ovinocultura do Pampa Gaúcho, do Sebrae/
RS, que resulta no Cordeiro Certificado Arco. “O programa faz uma série de
ações voltadas à melhoria das cadeias
produtivas visando a obtenção de um
selo de qualidade, com orientação para o
cooperativismo e gestão da propriedade,
entre outros métodos”, diz Aguinaga.
Anteriormente, a qualidade dos ovinos desses criadores não era suficiente
para enfrentar a concorrência uruguaia.
“Essa dificuldade de comercialização foi
Prudente (centro) recebeu Medalha
Assis Brasil durante a Expointer 2010
Quando falava em ovinos os olhos
de Glênio João Prudente brilhavam. Era
um assunto que sempre gostou de falar e
dava muitas aulas sobre o assunto. Criador desde o final da década de 80 foi um
dos importadores da raça Border Leicester e seu incentivador para que crescesse
no cenário de ovinos carne. Por várias vezes capitaneou viagens à Austrália e Nova
Zelândia para ajudar os criadores gaúchos
a conhecerem bons rebanhos naqueles países onde por sinal, fez muitas amizades.
Presidente da ARCO entre 1993 e
1996, Glênio Prudente foi empresário do
setor de distribuição de produtos veterinários, primeiro da empresa Merk e depois como Merial. Ele é considerado por
todos como um batalhador da ovinocultura. “Um guerreiro que vai fazer falta”, assinala o atual presidente da ARCO, Paulo
Schwab.
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Especial
Ovinocultura: futuro promissor em Rondônia
Ana Esteves
O
estado de Rondônia tem
hoje o segundo maior rebanho de ovinos da região
Norte: do final de 2008 para cá, o
plantel de 128 mil cabeças aumentou para 141 mil animais. O segredo do sucesso está no aumento de
demanda por carne e derivados,
atendida a partir da importação de
animais melhoradores por parte dos
produtores, o que tem contribuído
para o crescimento da qualidade
do rebanho do estado. Conforme
levantamento da Embrapa Rondônia, a produtividade na fazenda tem
aumentado pela adoção de novas
tecnologias, entretanto a sobrevivência dentro da atividade depende
de se saber quanto custa produzir e
onde estão os obstáculos para produzir com custos menores.
“O sistema de produção utilizado pelo produtor tem grande importância, sendo variável o que vai influenciar no produto final. A opção
por fatores como raça e sexo pode
contribuir para o benefício de toda
a cadeia produtiva da carne”, disse
o pesquisador da Embrapa Rondônia, Ricardo Gomes de Araújo
Pereira. O especialista lembra que
os primeiros ovinos trazidos para
Rondônia eram animais sem raça
definida, que tinham em sua grande maioria animais lanudos mestiços de raças européias. A partir
dos anos 80 houve um incremento
de ovinos deslanados oriundos do
Nordeste, com destaque para as raças Santa Inês e Morada Nova, que
foram inclusive utilizadas em trabalhos de pesquisa realizados pela
Embrapa Rondônia. “Recentemente, tem-se observado a incorporação de reprodutores e matrizes das
raças Dorper, importadas da África,
e animais Santa Inês melhorados”,
Fotos: Divulgação
Ricardo Araújo Pereira
disse Pereira. No entanto, a cadeia produtiva
ainda carece de maior
organização, com aponta o pesquisador. “Esse
problema faz com que
o consumidor não tenha
constância na oferta dos
produtos, na qualidade
da carne, na higiene do
que é ofertado e no preSanta Inês é a raça mais forte do Estado
ço”, constata.
Pereira lembra que a
introdução das ovelhas nesta região agricultura familiar no Estado.
O estudo revela, também, a deda Amazônia coincide com a chegada dos primeiros colonizadores. sorganização da cadeia produtiva
No final do século XIX, centenas de carne ovina no Estado, dificulde brasileiros emigraram, princi- tando o avanço da atividade. Nos
palmente do Nordeste, para tra- rebanhos, faltam animais com gebalhar com extração de látex. Nos nética superior, com alto desempebarcos, trouxeram alguns animais nho para a produção de carne. As
para iniciar uma criação na nova ovelhas demoram para se desenvolterra. Pouco mais de um século ver, é alta a taxa de mortalidade e
depois, a ovinocultura está presen- baixo o rendimento de carne por
te em 4.397 propriedades. É o que carcaça. Também faltam estruturas
mostra o “Diagnóstico da ovinocul- adequadas para transporte e abate.
tura do Estado de Rondônia: resul- Não existem frigoríficos para ovitados e discussões”, um minucioso nos no Estado, o que dificulta a
trabalho coordenado pelas médicas fiscalização sanitária. Os animais
veterinárias Sandra Régia de Paula são abatidos tarde demais, de maCarvalho, da Seagri, e Emanuela neira desorganizada. A carne chega
ao consumidor com preço elevado,
Panini Souza, da Emater.
mais cara que a carne bovina, e com
baixa qualidade. Por outro lado,
DIAGNÓSTICO
75% dos produtores entrevistados
Apesar dos grandes avanços dos na pesquisa demonstraram interesse
últimos anos em novas tecnologias, em expandir suas criações. Em uma
sua incorporação ao sistema produ- mesma área é possível criar dez
tivo é lenta. Além disso, o desen- vezes mais ovelhas do que vacas,
volvimento de novas metodologias para efeito de comparação. Além
de avaliação do mérito genético dos disso, a gestação ovina é mais curanimais, o melhor conhecimento ta que a bovina e é comum nascer
das vantagens e desvantagens de mais de um filhote por vez, o que
cada raça e os resultados já alcan- favorece o aumento do rebanho em
çados com seleção e cruzamentos pouco tempo. Mesmo assim, a maindica que esta forma tradicional, temática mostra que a atividade é
utilizando-se ou não de ferramentas lucrativa, se a cadeia produtiva esavançadas, continuará sendo, por tiver ajustada desde o produtor até
um bom tempo, meio seguro de se o consumidor.
Todos concordam que é preciso
produzir animais mais produtivos e
eficientes, no sistema de produção organizar os elos da cadeia produtiva para que a ovinocultura possa
de ovinos.
Entre as principais preocupações deslanchar. “A atividade tem um
dos criadores que desejem avançar futuro promissor porque temos
na atividade está a garantia de se- condições climáticas favoráveis
leção, cuidados e manuseio ade- ao desenvolvimento do rebanho, a
quados até o ponto de entrega dos carne de cordeiro tem boa aceitaanimais na propriedade ou se for ção e o mercado está em franca exo caso, no abatedouro. Conforme pansão. Porém, antes de qualquer
o secretário estadual de Agricultu- coisa, precisamos melhorar vários
ra Evaldo de Lima, a ovinocultura aspectos, entre eles o genético”,
desponta como uma das atividades disse Jobel Beserra de Oliveira,
dotadas de potencial suficiente para gerente da coordenadoria de Pecuproporcionar significativas con- ária da Seagri.
Para Sandra Carvalho, os protribuições ao desenvolvimento da
dutores precisam otimizar os
meios que dispõem para melhorar
a produtividade de seu sistema.
“A Embrapa tem tecnologia específica sobre sistemas de produção
adequados à nossa região, mas o
pessoal busca fora,
é preciso
corrigir
isso”, comentou, acrescentando
que tudo isso associado às práticas
rudimentares de manejo, a ausência de assistência técnica apropriada e ao baixo nível de organização
e gestão dos sistemas de produção
são os principais entraves à organização eficaz da cadeia produtiva. •
CULINÁRIA
Cordeiro Guartelá
Um bom prato com carne ovina tem que ser bem acompanhado! Esta receita criada pelo proprietário do Hotel e Restaurante
Itagy, Ivo Arnt Filho, de Tibagi, PR, utiliza especiarias que transformam este prato numa rica experiência de aromas e sabores,
que precisa ser necessariamente acompanhado de um bom vinho.
Harmonize este prato de cordeiro com o premiado vinho Cabernet
Sauvignon Rastros do Pampa Premium, da Estância Guatambu,
de Dom Pedrito, e tenha lembranças inesquecíveis.
INGREDIENTES:
(Porção para uma pessoa)
200g Pernil de Cordeiro sem Osso cortado
200g Mandioquinha Salsa fatiada na transversal
8 Unidades de Ervilha Torta
Sal a gosto
5 Colheres de Sopa de Azeite de Oliva
2 Colheres de Sopa de Alecrim Fresco
1 Colher de Sopa de Cebolinha Picada
1/2 Dose de Cachaça
1/2 Cebola Picada
1 Colher de Sopa de Óleo
PREPARO:
Temperar a carne com sal, azeite e o alecrim. Cozinhar as ervilhas tortas
em água, com 1 pitada de sal. Fritar a cebola no óleo e colocar as mandioquinhas já fatiadas. Cobrir com água para que cozinhe. Colocar uma
pitada de sal Assim que estiverem macias, colocar a cebolinha. Colocar
a carne em uma frigideira e fritar no próprio azeite do tempero. Quando
estiver quase no ponto, colocar a cachaça e flambar.
PARA SERVIR: Montar no prato grande a la carte e enfeitar com uma fatia
de pimentão vermelho e um ramo de hortelã.
out/nov/10
6
Artigo
Consórcio
André Carloto Vielmo
A
necessidade de aumentar a
produtividade por área de
modo econômico é algo
tão importante quanto a redução
de custos. O consórcio entre Lavoura e Pecuária neste sentido tem
um grande beneficio, levando em
consideração a utilização de resíduos oriundos do processamento
de grãos e fibras dentro da Fazenda e a utilização de sua resteva.
O incremento econômico é muito
interessante desde que bem administrado.
O aumento da renda é proveniente da maior eficiência produtiva que esta diretamente relacionada com a capacidade e habilidade
do administrador/gestor das atividades em questão. (Aumento de
renda/aumento de trabalho/maior
exigência de conhecimentos/Maior
capacidade de Gerir).
Sistema Produtivo
A Fazenda Della Rosa, no município de São Desidério no Oeste
Baiano montou um modelo interessante de consórcio. Uma área
de pastagem reservada para os animais durante o período de plantio
até a colheita(de outubro a junho),
Impacto da Uti
no peso de desmama de
onde estes animais são suplementados com volumoso de Silagem
de milho – Categorias de Ovelhas
no pré parto, paridas e em monta,
sendo que as ovelhas cobertas tem
apenas como fonte de alimento a
pastagem e mistura mineral/proteica no cocho. E durante os meses
de Junho a outubro todas as categorias permanecem na resteva.
Os cordeiros são criados em
sistema de mamada controlada.
Próximo dos 75 dias são desmamados e tem seus pesos corrigidos para 90 dias. Neste momento
é realizada a avaliação: 1-Peso
dos borregos; 2-peso desmamado
por ovelha; e 3-peso médio desmamado por Macho Reprodutor
utilizado na monta. A partir deste
momento são todos confinados ate
atingir peso de abate e as fêmeas
de reposição permanecem confinadas até os 150 dias onde é realizado outra seleção para definir as
que realmente irão permanecer no
plantel.
Os animais criados nesta propriedade são todos registrados e
da Raça Santa Inês. O criador vem
realizando uma seleção séria desde o inicio de 2005. No último ano
ele optou por não utilizar a resteva,
por parte dos animais, mantendo
cobertura vegetal para o plantio
direto. Isto nos permitiu fazer uma
avaliação bastante interessante do
impacto causado nas taxas de peso
de desmama e peso desmamado
por ovelha em sua propriedade.
Resultados obtidos e discussão
A Fazenda Della Rosa foi acompanhada, para avaliação destes dados, de 01 de Outubro de 2008, primeira desmama no período em que
os animais haviam acabado de sair
da resteva a 31 de Agosto de 2009,
última desmama no inicio do período em que se iniciam os trabalhos
agrícolas. Durante todo período os
animais foram avaliados em sistema de pastagem passado pela época de chuvas Outubro a Abril até
meados do período seco.
Foram realizadas 6 desmamas
no período. Na fase de cria, quando os borregos recebiam o leite de
suas mães em mamada controlada,
no período em que as ovelhas estavam pastejando na resteva foi onde
Foto: Divulgação
O consórcio Lavoura Pecuária (CLP), vem sendo utilizado a muito
tempo pelos proprietários rurais de nosso pais. Mas isto ocorre ainda
de modo insignificante tendo em vista o potencial apresentado. A utilização deste resíduo agrícola a muito vem sendo utilizado pela bovinocultura, principalmente a de corte, entretanto temos pouco estudo deste
consorcio com ovinos. Principalmente ovinos da Raça Santa Inês.
Renda = eficiência administrativa
se verificaram os maiores pesos
individuais de desmama (23,9 kg)
relacionado a quantidade de leite
produzido por ovelha, e os maiores
pesos desmamados por ovelhas;
33,29 kg foi obtido na desmama
de Dezembro pois nesta desmama
tivemos um índice de prolificidade
superior ao da estação passada.
Neste momento verificamos a
grande importância da alimentação
rica em energia para o aumento do
peso individual a desmama assim
como um grande incremento no
índice de prolificidade da estação.
Pois o período de estação de mon-
Gráfico 2 - Taxas verificadas na Propriedade durante o período
>>>
7
out/nov/10
Lavoura Pecuária
lização da Resteva de Milho e Soja
Borregos e peso desmamado por Ovelha
ta deste grupo foi logo quando os
animais foram soltos para resteva,
após a colheita, no mês de Abril de
2008.
A diferença entre peso médio
individual na desmama teve variação de 5,8 kg. variou de 23,9 kg
(maior peso) para 18,1 kg (menor
peso). E o peso médio desmamado por ovelha variou 8,2 kg aproximadamente, de 33,29 kg (maior
peso) para 24,87 kg (menor peso)
sendo que a prolificidade variou
muito pouco.
O impacto que o tipo de manejo
alimentar pode causar no sistema
produtivo neste caso foi de 33% a
mais quando utilizamos da resteva
como fonte de alimento para os
ovinos. Isto ficaria perdido na lavoura se os ovinos não o tivessem
utilizado.
A Taxa de natalidade baixou de
65% em duas desmamas tendo em
vista a ocorrência da queda de um
raio na propriedade que causou a
morte de cerca de 140 fêmeas, incluindo animais que haviam saído
das duas estações de monta anteriores. O restante dos índices apresentam pouca variação a não ser a
mortalidade que chegou a 17,5%
no período de Dezembro devido
a quantidade de chuvas e Abril
também relacionada ao período
de aleitamento realizado durante o
período de chuvas.
O mês de fevereiro teve uma diminuição no índice de mortalidade
relacionado a um período de veranico, estiagem na chuva no mês
de janeiro (sidney confrontar os
dados com os dados pluviométrico
da Fazenda) . O índice importante
é que em todos os casos tivemos
uma taxa de desmama superior a
80% com índices de até 96,15%
Entre os índices apresentados
no período, o dado que mais chama a atenção é o peso médio desmamado por filho de cada carneiro
e a taxa de nascimento relacionada
a cada reprodutor. Claro que devemos levar em consideração a mortalidade das matrizes por um raio
no período de avaliação.
Alguns reprodutores desmamam seus filhos com até 8 kg a
mais que os outros. O impacto destes dados, apenas na desmama, representa cerca de R$ 24,00 (vinte
e quatro reais) produzidos a mais
por um bom reprodutor, em cada
produto demamado.
Outros itens interessantes para
criadores que se preocupam com
o resultado econômico de sua atividade são as médias de peso a
desmama – 21,14kg e peso médio
desmamado por ovelha – 28,87kg,
assim como o ponderal médio até
a desmama de 235g.
Estes dados devem ser verificados em todos os sistemas produtivos, e comparados com o custo
por kg produzidos durante o ano.
Dados como estes são imprescindíveis para que haja realmente
uma seleção de animais produtivos e não uma coleção de bonitos
animais.
Conclusão
Com pouco trabalho de campo podemos obter estes dados. A
ARCO – Associação Brasileira
dos Criadores de Ovinos já exige
Notificação de Cobertura e Notificação de Nascimento. Bastaria
que o Técnico ao realizar a Inspeção ao pé dos animais realizasse a
Pesagem dos mesmos.
Estes dados devem ser verifica-
dos em todos os sistemas produtivos, e comparados com o custo por
kg produzidos durante o ano. Informações como estas são imprescindíveis para que haja realmente
uma seleção de animais produtivos
e não uma coleção de bonitos animais.
No meu ponto de vista, a
ARCO deveria implementar algo
neste sentido para contribuir com a
exigência de exames de DNA que
apenas verificam os pais e oneram
o criador e o sistema produtivo. No
meu modo de ver a melhor forma
de educar o criador a não realizar
trambiques relacionados a idades
ou paternidades é fazer com que
ele vislumbre o potencial da seleção realmente levada a serio com
dados Zootécnicos. A Associação
tem como emitir relatórios como
os demonstrados anteriormente de
cada propriedade ao menos uma
vez ao ano, ou a cada estação de
Gráfico 1- Pesos verificados no período
PN = Peso ao Nascer / PM 90 = Peso médio dos borregos na desmama corrigido para 90 dias/ PM/Ovelha = Peso médio desmamado por ovelha
monta e nascimento.
Ficaria fácil verificar quais são
os rebanhos que possuem animais
com melhor ganho de peso (ponderal), prolificidade, onde podemos
adquirir matrizes que desmamam
mais ou propriedades onde temos
melhores índices. Tendo elas como
possíveis modelos para nosso sistema produtivo. •
out/nov/10
8
Mercado
Por muito tempo, o abate de animais era considerado uma operação tecnológica de baixo nível científico. O fato só ganhou importância quando se observou
que os eventos que se sucedem desde a propriedade rural até o abate do animal
tinham grande influência na qualidade da carne. Nos países europeus, por exemplo, cresce a exigência por processos de abate que utilizem as técnicas de bem estar
animal, da criação ao abate. Paralelo a isso, existem dois sistemas de abate: Halal
(muçulmano) e Kosher (judeu), já vêm sendo empregados há séculos, não só com
a finalidade de evitar sofrimentos ao animal, como especialmente, seguir preceitos
religiosos. E o mercado de ovinos para estes tipos de abates se amplia a cada ano.
Nicolau Balaszow
E
m todo mundo vivem cerca de 2 bilhões de muçulmanos que consomem
diariamente produtos halal e o mercado tende a crescer, pois, avalia-se que somente no setor alimentício as cifras cheguem
a US$ 150 bilhões nos 112 países seguidores
do islamismo, por exemplo. O mercado global de produtos Halal tem valor estimado de
2,1 trilhões de dólares, incluindo-se aí a demanda cada vez maior pelos ovinos. Para os
representantes da Cdialhalal, as perspectivas
são excelentes, principalmente pela busca dos
exportadores por este mercado em ascensão e
potencialização de marcas e produtos.
Com sede em São Bernardo do Campo,
SP, a Cdialhalal é responsável pela aplicação
e fiscalização das regras islâmicas na produção e no processamento de produtos agropecuários, em especial de origem animal através de certificações emitidas para empresas
brasileiras que exportam seus produtos para
o Oriente Médio, Ásia e a todos os países
que têm comunidades islâmicas representativas. “A característica principal da empresa é assessorar as exportadoras brasileiras
interessadas em operar e comercializar seus
produtos no mundo islâmico, certificando-as
pela excelência em todos os aspectos desde a
higienização, armazenamento, procedência,
embalagens e claro, o abate Halal que deve
ser de acordo com as leis islâmicas”, orienta
Ali Saifi, vice-presidente e diretor executivo
da empresa.
A Cdialhalal tem como principal papel
beneficiar produtos Halal, garantindo e suprindo mão-de-obra especializada para o
processo de produção deste tipo de alimento,
tornando-os saudáveis e lícitos para o consumo dos muçulmanos e não-muçulmanos.
Sendo assim, o essencial é que o abate de
animais seja realizado sem sofrimentos e que
a sangria seja eficiente. “As condições humanitárias não devem prevalecer somente no ato
Foto: Divulgação
Cresce mercado de produtos halal e kosher para ovinos
Ali Saifi da Cidialhalal
de abater e sim nos momentos precedentes ao
abate”, explica Saifi ao garantir que este mercado cresce em patamares de 16% ao ano.
“Graças à política de acordos comerciais do
Governo Federal com o mundo árabe, a perspectiva, hoje, para os produtores brasileiros é
excepcional”, informa.
Para os interessados em ingressar neste
mercado, serão necessárias ações diretas junto ao Serviço e Inspeção Federal (SIF), do
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), para a obtenção de licenciamento. Na sequência do processo, representantes da Cdialhalal fazem visita de inspeção
e monitoramento para que haja a adaptação
do pecuarista ao sistema. “O ideal é que o
produtor busque de imediato se associar com
COMUNICADO DO S.R.G.O.
Aos Associados e Inspetores Técnicos
O presente comunicado tem a finalidade de lembrar aos senhores associado e Inspetores Técnicos a necessidade da observância de algumas
determinações do Regulamento do S.R.G.O. e de alguns procedimentos a serem observados por ocasião da aquisição de ovinos.
LIMITES DE IDADE PARA CONFIRMAÇÃO:
Idade mínima – 8 meses
Idade máxima – 36 meses
PRAZO PARA ENTREGA DE DOCUMENTOS RELATIVOS A:
Notificação de Cobertura: até um mês após o termino do período de cobertura;
Notificação de IA: até um mês após a data da inseminação;
Transferência de Embriões: até um mês após a data do procedimento;
Banco de Embriões e de Sêmen: até um mês após a data do procedimento;
INSPEÇÃO AO PÉ DAS MÃES: tem que ser realizada durante o período de aleitamento, com o produto ao pé da mãe. Não serão aceitas
inspeções de cordeiros com mais de 6 meses de idade. Na eventualidade dos produtos terem mais de 6 meses de idade, será exigida a comprovação de maternidade através de teste de DNA.
DOCUMENTOS: Notificações de Cobertura, Notificações de Nascimento, Autorizações de Transferência, Autorizações de Uso Por Comodato, Formação de Condomínio, Solicitação de Exclusão, Morte, etc., Solicitação de Correção de Código de Inaptos: Devem ser originais
e assinados pelo associado ou pessoa por ele autorizado perante a ARCO.
RASURAS: não serão aceitos documentos e fichas de inspeção com rasuras.
CORREÇÃO DE CÓDIGOS DE INAPTOS: devem ser solicitados à ARCO no prazo máximo de 60 dias após a data de emissão da Carta
de Aptos e de Inconformidade.
CUIDADOS A SEREM TOMADOS QUANDO DA COMPRA DE OVINOS:
Quando o ovino tiver menos de 8 meses, observar se o mesmo esta Apto – não compre se não estiver apto;
Quando tiver mais de 8 meses, preferentemente deve estar confirmado ou no mínimo apto;
Quando tiver mais de 36 meses, só compre se já estiver confirmado;
Quando comprar fêmeas em gestação, deve informar-se se a cobertura, IA ou transplante de embriões foi notificado para a ARCO;
Sêmen – só pode ser comercializado o sêmen congelado e processado em centrais registrados no MAPA.
Somente firmas registradas no MAPA para comercialização de material genético podem comercializar o mesmo.
COMPROVAÇÃO DE PARENTESCO E GENOTIPAGEM POR DNA: em observância as normas do Regulamento do S.R.G.O. é obrigatório a comprovação de parentesco através do teste de DNA, de 100% dos produtos de embriões, 5% de IA e 3% de Monta Natural.
É recomendável a genotipagem por DNA de todos os animais de plantel.
CONTROLE DE TOSQUIA DE OVINOS LANADOS: é obrigatório que o controle de tosquia seja realizado no mês em que o ovino for
tosquiado.
algum frigorífico que já esteja vinculado,
pois isto vai facilitar em muito a sua iniciativa”, sugere Saifi.
Kosher
Em linhas semelhantes, os judeus também
seguem padrões de abate que devem ser obedecidos rigorosamente. O termo kosher ou
kasher é utilizado para definir os alimentos
preparados de acordo com as leis judaicas
de alimentação. A proposta deste abate ritual
é a degola do animal sem a prévia insensibilização através do corte entre o primeiro
e segundo anel da traquéia, a pele, artérias
carótidas, veias jugulares, com o objetivo de
permitir a máxima remoção do sangue. O
abate kosher é executado por um rabino especialmente treinado para essa função, que
utiliza um instrumento cortante denominado
Chalaf. Apesar do caráter menos técnico deste tipo de abate que além de não insensibilizar, também não utiliza as etapas de sangria
automática, por exemplo, alguns frigoríficos
brasileiros atendem de forma específica os
consumidores da comida kosher e adequam
suas atividades às exigências religiosas para
a produção industrial de alimentos com essas
características.
O mercado Kosher também se mostra
muito promissor. Para se ter uma ideia, esses produtos atingem mais de seis milhões de
pessoas só nos Estados Unidos e representam
naquele país um mercado de US$ 35 bilhões/
ano, incluindo mais de 38 mil alimentos certificados como kosher produzidos por 9.600
empresas. Os produtos kosher não são adquiridos somente por judeus, mas também
por muçulmanos, adventistas, vegetarianos,
pessoas com alergias a certos alimentos e ingredientes, além de outros consumidores que
simplesmente consideram subjetivamente o
alimento como sendo de alta qualidade. São
alimentos kosher: a carne de ovinos, gado,
frango, peixe com escamas, laticínios, frutas,
legumes e produtos de confeitaria. Não são
considerados kosher: a carne suína, misturas
de carne e laticínios, camarão, lagosta e frutos do mar.
São Paulo, outro exemplo, o maior mercado de consumo do Brasil, tem aproximadamente 60 mil judeus, só na capital e que
ainda encontram dificuldades em adquirir
esses alimentos. Para tentar solucionar esta
questão e ainda estudar e fiscalizar a produção de alimentos, a Belt Din Kashrut (BDK)
e o Vaad Rabanei Anash Brasil, são organizações compostas por um grupo de rabinos,
com sede em SP, que emitem certificados a
todas as empresas interessadas em fazer parte
deste segmento de mercado.
O Sabra, uma delicatessen em Porto Alegre (RS), oferece produtos importados, principalmente de Israel e uma grande gama de
alimentos kosher. Trazidos do frigorífico
paulista Mehadrin, especializado em cortes
para culinária judaica, os 5 a 6 kg de carne
de cordeiro vendidos mensalmente, podem
ser encontrados crus ou preparados em algum prato típico, sob encomenda. Já para as
festividades da Páscoa Judaica, o consumo
aumenta consideravelmente. Nessa época, o
Sabra chega a vender 20kg, só para os dias
da comemoração. •
9
out/nov/10
Manejo
Fertilidade e produtividade são itens de primeira grandeza para o ovinocultor. Sem o primeiro, o segundo não existe. Ao perceber que muitas de suas
ovelhas não manifestam cio, o produtor terá que buscar apoio especializado para entender o quê está acontecendo com o seu rebanho. O anestro pósparto é uma dessas preocupações que acometem muitos criadores, especialmente quando a situação se prolonga e os animais se tornam pouco férteis.
U
m rebanho produtivo é assim considerado quando há o aumento da eficiência reprodutiva, isto é, quanto menor a
duração do anestro pós-parto menores serão os
intervalos entre partos. Isso vai trazer um maior
número de crias nascidas por ovelha/ano, proporcionado, no final das contas, maior lucratividade ao produtor. “Em ovelhas, a duração
do anestro varia geralmente de acordo com o
nível nutricional e a frequência de amamentação”, explica a pesquisadora da Embrapa Meio
Norte, Tânia Maria Leal. Nesse sentido, ela informou que a Embrapa realizou pesquisas para
avaliar o efeito da suplementação alimentar e
da repetição de amamentação no retorno ao cio
pós-parto em ovelhas da raça Santa Inês, por
entender que a maioria dos rebanhos ovinos da
região Nordeste apresenta um nível nutricional
inadequado, mesmo àqueles menos exigentes
do ponto de vista genético.
No entendimento da pesquisadora, uma nutrição adequada torna-se essencial para o reinício da atividade ovariana pós-parto. As fêmeas
devem estar bem nutridas no final da prenhez
e no pós-parto - fases de maior demanda nutricional - para que possam reduzir o período de
anestro. Quanto maior a perda de peso no início do pós-parto e quanto menor for a reserva
corporal, mais tempo a ovelha levará para apresentar cio. Uma nutrição adequada, de forma
que a ovelha consiga parir com uma boa condição corporal, e mantenha esta condição durante o pós-parto, permite mais leite para suas
crias, oferecendo um melhor desempenho dos
cordeiros e um retorno precoce à atividade re-
produtiva. “O estímulo mamário decorrente da
amamentação altera a função ovariana, o que
vai levar a um atraso no restabelecimento da
atividade reprodutiva, sendo que a intensidade
e frequência de amamentação podem retardar
o aparecimento do cio pós-parto”, descreve Tânia. Ela complementa dizendo que a amamentação leva a alteração em diversos hormônios
e esses acabam por exercer efeitos inibidores
sobre a atividade ovariana.
Como estratégias para melhoria do desempenho dos sistemas de produção, as práticas
associadas ao manejo reprodutivo são de fundamental importância. Quando a finalidade é
de atender à demanda crescente do mercado
por carne ovina é necessário aumentar o nascimento de cordeiros, o que pode ser conseguido através da redução do intervalo de partos.
“Essa redução depende obviamente da utilização de técnicas apropriadas de manejo, como
a amamentação controlada, que visa diminuir
o efeito acumulado da repetição e intensidade
da amamentação e a suplementação alimentar
da ovelha no pós-parto, que objetiva suprir as
exigências nutricionais aumentadas devido à
lactação”, destaca.
Após o parto acontece o crescimento na
demanda nutricional da ovelha que, se não
for atendida, o animal passa a usar as reservas corporais, ocasionando uma perda de
peso e, como consequência, tem-se o restabelecimento da atividade reprodutiva retardada. Sendo assim, a suplementação alimentar é necessária para garantir um bom
desempenho reprodutivo depois do parto.
Práticas de manejo que contribuem para antecipar ou regular um rápido retorno ao cio pósparto:
Amamentação controlada
A amamentação controlada consiste em
separar as crias das mães, a partir do 15º dia
de vida do cordeiro, e colocá-los para mamar
apenas duas vezes ao dia, pela manhã e a tarde, durante 30 minutos de cada vez. “Logo no
início desta separação é importante oferecer
forragem e uma pequena quantidade de concentrado para as crias, ou seja, 1% peso vivo.
Isto tem a finalidade de promover o desenvolvimento ruminal e melhorar o desenvolvimento ponderal dos animais”, diz Tânia, pois, desta
forma, a amamentação controlada proporciona
às ovelhas um retorno ao cio mais precoce, melhorando a eficiência reprodutiva e produtiva
dos ovinos.
Suplementação alimentar
no pós-parto
Após o parto ocorre um aumento na demanda nutricional da ovelha e este fato ocasiona uma perda de peso e, como resultado,
tem-se também retardado o estabelecimento
da atividade reprodutiva. Existem diversas
formas de diminuir as perdas verificadas no
pós-parto e as que merecem destaque são:
suplementação alimentar através do fornecimento de feno, silagem, concentrados protéicos e energéticos, além do cultivo de forragei-
Foto: Murilo Goes/divulgação
Antecipação do primeiro cio pós-parto em ovelhas Santa Inês
Nutrição adequada é a solução
ras que devem ser utilizadas como banco de
proteína. “Assim, a suplementação alimentar
no pós-parto e a substituição do sistema de
amamentação contínua, pela amamentação
controlada, favorecem a antecipação de uma
nova concepção. O que faz reduzir o intervalo de partos, permitindo que a ovelha possa
produzir um maior número de crias por ano
e, em decorrência, melhorar a eficiência das
fêmeas”, orienta a pesquisadora ao enfatizar
que esse manejo deve ser adotado pelos produtores e, assim, garantir o desempenho do
seu rebanho. •
out/nov/10
10
Especial
Uma visão da ovinocultura dos Estados Unidos
Eduardo Amato
O
rebanho norte-americano
atual é inferior a 6 milhões
de cabeças, sendo formado predominantemente por raças
e cruzamentos com aptidão para
carne. Na tabela 1 apresentamos
o ranking das 10 principais raças,
cabendo especial destaque às raças
Katahdin e Dorper, ambas deslanadas, que entraram mais recentemente no país e vem crescendo
fortemente e a Rambouillet, única
exceção da lista, com aptidão para
lã. O número de raças existentes é
superior a 70, se somada a grande
quantidade de compostos e cruzamentos industriais.
A carne de cordeiro, principal produto, é bastante apreciado
na culinária local e está presente
no cardápio de muitos restaurantes franceses, mexicanos, árabes
e orientais, inclusive redes de fast
food. Porém, assim como no Brasil,
é difícil encontrar carne de cordeiro
nas casas de carnes e supermercados e quando ela existe, normalmente é de origem neozelandeza ou
uruguaia e o preço igualmente elevado. A lã, predominante de raças
com aptidão de carne, possui pouco
valor para a indústria, porém, move
um grande mercado de artesanato,
extremamente valorizado naquele
país, com grande destaque às lãs
naturalmente coloridas. O mercado
de leite ovino vem crescendo no
país, com a produção de queijos especiais, iogurtes e outros produtos,
a partir de raças tradicionais para
produção de leite e cruzamentos
para este fim.
Um interessante nicho de mercado americano são os chamados
“Club Lambs”, que são propriedades especializadas na produção e
comercialização de cordeiros em
aleitamento para estudantes, que
devem cuidar destes por um período que varia de 6 meses a 1 ano,
como parte de um projeto pedagógico que envolve as regiões com
economia
predominantemente
agropecuária.
Os rebanhos de elite, para produção de matrizes e reprodutores,
se utilizam de conceitos modernos
de melhoramento animal e técnicas
de avaliação como as DEPs (Diferença Esperada de Progênie), como
armas de marketing e numa constante busca pelo aumento da produtividade do rebanho, com aumento
Tabela 1. Ranking das 10
raças mais criadas nos EUA
1 º Suffolk
2 º Rambouillet
3 º Dorset
4 º Targhee
5 º Polypay
6 º Suffolk (cruzas)
7 º Hampshire
8 º Columbia
9 º Katahdin
10º Dorper
Fonte: USDA/ASI Survey 2009
de prolificidade, redução de mortes
neonatais e aumento das taxas de
desmame.
Atualmente os EUA importam
43% da carne ovina consumida
no país, sendo que somente da
Austrália importa 23% da carne
produzida anualmente. Isto se traduz em uma grande preocupação
com um futuro desabastecimento,
por conta da grande concorrência
do Oriente Médio, que aumentou
suas importações em 41% desde
2005, elevando também os preços
internacionais. Além da Austrália, a
Nova Zelândia, o Uruguai, o Chile
e a Argentina são os principais fornecedores de carne ovina do país.
As projeções para 2010 são um aumento de 10% nas importações em
relação a 2009. As exportações do
país para México, Canadá e outros
países, representaram em 2009, 1,5
mil toneladas de carne de cordeiro e 5,9 mil toneladas de carne de
ovelha, crescimentos de 9% e 39%
respectivamente em comparação
a 2008. A exportação de animais
vivos teve uma redução de 8% no
mesmo ano.
O preço da carne de cordeiro
começou 2010 em baixa, mas já
mostra sinais de recuperação com
preços médios de US$ 2,9 /kg vivo
para animais até 35kg e US$ 3,22
para animais em torno de 45 kg em
junho (USDA – Market Summary
25jun2010). Estes valores, embora
superiores aos preços praticados no
Brasil, são motivo de reclamação
dos produtores norte-americanos,
devido ao elevado custo de produção. Cabe ressaltar ainda, que em
muitos estados são mais valorizadas as carcaças com peso acima de
18kg.
Os valores de um reprodutor ou
matriz ficam em patamares bastante semelhantes aos registrados no
Brasil, com animais de excelente
qualidade vendidos a US$ 600 e
média geral de US$ 300,00 p/ machos e US$ 200,00 para fêmeas,
preços em conformidade com a
Fotos: Divulgação
Para muitos brasileiros, a ovinocultura nos Estados Unidos é um importante referencial em diversos aspectos. Não é novidade que a qualidade de vida do povo
norte-americano é superior a brasileira e existem importantes diferenciais e experiências que podem servir de exemplo para o Brasil. Porém, as condições do produtor
de ovinos naquele país, na sua grande maioria, não diferem muito do que se vê por aqui. É interessante poder conversar com produtores e ouvir as histórias do que é
e do que já foi um dia a ovinocultura norte-americana e o que representou comercialmente para a economia deles. Soa até irônico, mas se assemelha ao discurso de
muitos ovinocultores brasileiros, só que em inglês. O que é certo é que a produção de cordeiros e lã nos Estados Unidos se mantém estagnada há vários anos, devido
aos altos custos de produção que envolve a atividade, tornando-a pouco competitiva quando comparamos com países como o Uruguai, a Nova Zelândia e a Austrália.
realidade do mercado, para a produção de cordeiros. Não existe um
claro mercado de animais de pista,
como aqui.
A lã segue o mercado internacional, porém os valores variam
entre si pela micronagem (finura)
da mesma. Para este ano, os valores
praticados para lãs acima de 28 micras não ultrapassaram US$ 1,6, enquanto lãs de 21 micras chegaram a
US$ 3 (base limpa). O mercado de
peles, devido ao clima frio em boa
parte do país, abastece o mercado
interno para roupas de inverno (casacos e calçados), com preço médio
de US$ 6,5 em fevereiro de 2010.
Contudo, é a existência de uma
cadeia produtiva bastante organizada o que realmente faz a grande
diferença naquele país. A Associação Americana da Indústria Ovina
(ASI – American Sheep Industry
Associaton –www.sheepusa.org),
conta com a participação e colaboração de todos os elos envolvidos da cadeia, em todos os estados
norte-americanos. A ASI, além de
>>>
11
out/nov/10
Especial
incentivar todas as
iniciativas em relação a cadeia, promove ainda importantes programas
marketing e de incentivo a produção
de carne de cordeiro (Fresh American Lamb) e lã
(American Wool),
entre outros. Assim como ocorre
em outros países, a ASI disponibiliza um programa de aumento de
produtividade (LAMBPLAN), que
auxilia o produtor nas tomadas de
decisão quanto ao manejo reprodutivo do rebanho.
Associado a isto, existe um
programa sanitário oficial bastante
rigoroso, coordenado pelo USDA
(Departamento Federal de Agricultura), que mantém o país livre
de muitas doenças e atua no controle e erradicação de outras, com
principal preocupação no controle
do Scrapie, doença semelhante a
vaca louca, que além de um programa federal obrigatório de controle
e certificação das propriedades,
conta com programas próprios em
vários estados e é alvo de campanhas em exposições e feiras, jornais
e programas de TV locais. Por trás
de tudo isso, ainda existe uma eficiente rede de diagnóstico e troca
de informações, formada por veterinários credenciados e laboratórios
especializados, que realizam necropsias e todos os tipos de exames
diagnósticos, com excelente estrutura e muito bem equipados. Todo
animal que morre na propriedade
deve ser comunicado e, quando necessário, encaminhado a necropsia
e exames laboratoriais. Toda a movimentação de animais ou rebanhos
também é rigorosamente acompanhada e todas as informações são
transmitidas em tempo real através
uma rede interligada diretamente ao USDA. A verminose, o foot
rot (podridão dos cascos) e o ectima, são outras doenças comuns
aos rebanhos e que apresentam as
Tabela 2. Dados da produção ovina dos EUA coletados no Censo realizado em 2009
Estratificação da produção
Ovinocultura como receita principal
Mão-de-obra exclusivamente Familiar
Tamanho do Rebanho
mesmas limitações existentes aqui
no Brasil.
Para o escoamento da produção,
centenas de pequenos abatedouros
estão distribuídos por todo o país.
Estes seguem todas as normas da legislação sanitária vigente e funcionam como prestadores de serviços
ou comercializam regionalmente
suas produções. Muitos produtores
optam por terceirizar o abate nestes
locais e comercializam diretamente na fazenda ou para restaurantes
e supermercados. O abate para
consumo próprio é permitido sem
a necessidade de encaminhar ao
frigorífico, porém também possui
limitações e devem ser comunicados.
Existe ainda uma grande preocupação do governo federal na manutenção do homem no campo, de
forma que o governo cobra menos
impostos de quem produz e vive na
propriedade e investe em programas
de incentivo ao setor. Ao contrário
do que muitos pensam, não existe
um subsídio direto, como nos países
europeus, e as taxas e impostos oneram bastante o setor primário norteamericano.
Em 2009, a ASI realizou um
grande censo nacional, publicado
em abril de 2010, que é um raio X da
ovinocultura americana. Os dados
coletados mostram a importância
desta na cultura e na economia do
país e vão permitir que sejam tomadas as atitudes necessárias para uma
possível correção de rumo desta
atividade, atualmente em expansão.
Algumas informações relevantes
constam da tabela 2.
Uso de cães para proteção e/ou manejo do rebanho
Prolificidade do rebanho
Nascimentos
Desmame
Peso médio ao desmame
Assistência Veterinária
64% Produção comercial
22% Produção de genética
10% Club Lambs
04% Terminação de Cordeiros
0,4% Produção de leite
53%
75%
64% até 100 cabeças
24% 101 a 500 cabeças
12% acima de 500 cabeças
82%
(sobre o total de ovelhas cobertas)
159%
146%
31,3 Kg
72%
Fonte: USDA/ASI Survey 2009
Cabe salientar que normalmente nas estatísticas apresentadas, é
considerado somente o número de
matrizes em produção e de reposição, ou seja, se um criador diz que
possui 200 animais, está se referindo
exclusivamente a esta categoria animal, ficando de fora os cordeiros e
carneiros do rebanho.
A ovinocultura norte-americana
não é um modelo perfeito, mas nos
apresenta claramente algumas idéias
que podem ser facilmente implementadas no Brasil, assim como alternativas e exemplos que podem e devem
ser seguidos. Muitas dessas idéias já
estão há muito tempo na cabeça dos
envolvidos com a cadeia e muitas
vezes já apareceram no papel e em
constantes fóruns de discussão, faltando torná-las realidade. É importante lembrar que todo esse trabalho
só é possível por que é realizado por
pessoas sérias e baseados na confiança mútua, envolvendo diretamente
todos os membros da cadeia produtiva, com participação ativa. •
out/nov/10
Sanidade
12
Homeopatia: uso contínuo traz resultados
Luciana Radicione
A
pesar de seu uso estar mais concentrado em bovinos de leite, algumas iniciativas bem-sucedidas servem de exemplo e contribuem para a sua evolução mais intensa. Para o médico veterinário especialista em
Doenças Parasitárias pela Universidade Federal
do Rio Grande do Sul (UFRGS), Paulo Cruz, o
crescimento entre o gado leiteiro se deve provavelmente à possibilidade de o tratamento ser
individual que permite uma uniformidade nos
resultados. “Mas em ovinos temos conseguido
excelentes dados no controle de um dos principais problemas da atividade, a verminose”,
atesta. Uma das formas de promover o avanço
da técnica, segundo ele, seria a maior adoção
dos princípios que regem a homeopatia pelos
próprios veterinários, que na maioria das vezes,
segundo ele, emergem do meio acadêmico com
uma visão restrita e “preconceituosa” em relação à prática. “Quem usa a homeopatia passa a
vê-la com outros olhos. E, ao contrário do que
se pensa, os produtores, em sua maioria são totalmente abertos a novas experiências”, afirma.
Há quem lembre as primeiras reações,
quando a homeopatia começou a ser introduzida na região de Chapecó, em Santa Catarina.
“Tinha quem falasse que vendíamos o produto
durante o dia e voltávamos à noite para benzer
os animais. Mas como os resultados eram surpreendentes e indiscutíveis, a aceitação foi au-
Excelentes resultados com ovinos
mentando e hoje quem usa não troca”, atesta o
diretor-técnico e farmacêutico homeopático da
Orgânica Homeopatia Veterinária, Adenei Mattana. A empresa, localizada em Chapecó, desenvolve e fabrica produtos para o ramo veterinário e carrega como lema o bem-estar animal,
a preservação do meio ambiente e a redução dos
custos para o criador. Utiliza matérias-primas
aprovadas pela Farmacopéia Homeopática Brasileira e foi a primeira indústria deste segmento
a se instalar no Sul do Brasil.
Em ovinos, a maior procura entre os criadores é para uso da prática na prevenção e controle
de verminose, mas, segundo Mattana, a técnica
pode ser utilizada em diversos casos e em todo
o ciclo produtivo, atuando de forma preventiva ou melhoradora de desempenho, tais como
aumento da fertilidade, prevenção de mastites,
maior eficiência na assimilação de nutrientes e
redução de estresse. “Em algumas enfermidades
específicas os produtos são utilizados de forma
curativa, apenas ajustando-se a dose”, explica.
A adoção na propriedade não requer alterações
no manejo, o que precisa, segundo o farmacêutico, é um ajuste na mão de obra, já que os produtos são de fácil administração: são misturados à suplementação mineral ou concentrados.
“Sua absorção se dá quando o animal estiver se
alimentando”, completa.
A homeopatia no longo prazo, além da redução de custos - consequência da menor operação de manejo e do uso de produtos alopáticos, contribui para elevar o valor de mercado da carne oriunda de animais tratados com
homeopatia e evita o descarte de leite. “Para o
meio ambiente os benefícios são ainda maiores,
já que o método de fabricação dos produtos impede que provoque toxicidade mesmo em altas
dosagens”, afirma Mattana. Uma informação
preciosa para quem ainda tem dúvida sobre a
extensão dos benefícios da homeopatia veterinária: a redução do uso de produtos químicos
fornece maior equilíbrio à natureza, fazendo
com que predadores naturais de muitos parasitas retornem ao ambiente e contribuam no controle de infestações.
O diretor comercial da Orgânica Homeopatia, Jerson Reginatto, reforça que a prática vem
ganhando adeptos em muitos Estados brasileiros, isto porque o consumidor final está cada vez
mais exigente com a qualidade dos alimentos
que coloca na mesa. “Estamos passando por uma
nova etapa no processo de criação dentro das
propriedades e um novo cenário se desenha para
a homeopatia”, prevê. O crescimento vem se
dando bem próximo à região de Chapecó, onde a
Orgânica Homeopatia atende a um grupo de ovinocultores que está fazendo uso da técnica e que
vem confirmando, na prática, os resultados do
tratamento. “Entregamos nossos medicamentos
através de distribuidores e prestamos assistência
técnica às propriedades”, esclarece. •
Experiências de sucesso
Um dos grupos atendidos é o Conselho de
Criadores de Cordeiro do Alto Uruguai, em
Santa Catarina. Formado há 10 anos, os mais de
70 produtores começaram a fazer uso do tratamento alternativo há 3 anos no rebanho formado por mais de 4 mil matrizes. Tudo começou
com muita informação, com a participação em
palestras e apoio de profissionais de escolas
agrotécnicas. “Fomos atrás para conhecer como
funcionava e quais os resultados que podíamos
obter”, afirma Flávio Fontana, um dos integrantes do conselho. No campo hoje a realidade é
outra para esses criadores, que conseguiram domar praticamente 100% da infestação por verminose – a maior praga da ovinocultura. “Além
disso, os animais estão sempre prontos para o
abate, com boa condição corporal e com alta
imunidade a doenças”, confirma Fontana. Se
a cada 30 dias era necessário um controle com
produtos convencionais, hoje o quadro é outro.
“Não temos mais essa necessidade, já que os
animais não apresentam vermes”, acrescenta o
criador, que confirma um aumento de custos da
ordem de 10% para quem vai ingressar na homeopatia. Os custos, no entanto, se diluem com
o passar do tempo com a eliminação de tratamentos alopáticos. No longo prazo o volume de
granulado misturado ao sal ou à ração vai reduzindo, até chegar a 3 gramas por animal/dia.
O início do tratamento geralmente começa com
uma dosagem maior, até que o animal vá criando resistência natural e se torne imune a doenças. “Os resultados surgem em média dois anos
após a introdução da homeopatia”, confirma.
Um outro exemplo vem do berço do Ile de
France em Santa Catarina. Em Campo Alegre,
a Cabanha Lomas Negras faz uso da técnica
desde 2003, por uma opção pessoal da proprietária Lucía Boussès. O ponto de partida foi
transformar a sua propriedade em local 100%
orgânico em todos os produtos e processos utilizados. “Idealizei um produto diferenciado para
um público diferenciado, que preza pela qualidade, se preocupa com o meio ambiente e não
se importa em pagar um pouco mais”, afirma a
empresária, cuja produção é comercializada em
Fotos: Divulgação
Prática milenar da medicina alternativa, a homeopatia ainda é uma novidade no
segmento veterinário, mas sua aceitação caminha a passos firmes entre os criadores.
No caso da ovinocultura, seu uso começa a ser explorado por grupos interessados em
ampliar a sanidade do rebanho a partir da prevenção e regularidade na aplicação – palavras-chaves que caracterizam os tratamentos exitosos realizados por meio da técnica.
Lucía Boussès
estabelecimentos de alto nível.
Ela iniciou a homeopatia com um lote de
17 ovelhas avaliadas e controladas; e, desde
lá, em função do trabalho de seleção que faz
com as 400 matrizes, todos os exemplares que
se apresentam suscetíveis a enfermidades são
descartados do rebanho, uma vez que a resistência é uma característica genética que pode
se perpetuar. No manejo orgânico, diz, "o que
mais exige é a mão-de-obra diferenciada. Em
nossa cabanha predomina a força feminina no
trato dos animais no preparo da alimentação,
chás e infusões". O manejo da propriedade orgânica exige rotação de piquetes, boa qualidade
de pastos e complementação com ração com
alto teor de proteína.
Mesmo com a resistência natural que a homeopatia confere aos ovinos da Lomas Negras,
em alguns casos, especialmente por efeito da
umidade, alguns animais da cabanha são tratados com produtos convencionais, mas, segundo
Lucía, o índice de infestação é bem abaixo em
relação à média de propriedades convencionais. Os animais infestados, já quando atingem
índice famacha 2, retornam ao tratamento homeopático. Caso se recuperem totalmente, são
novamente incorporados ao rebanho. “Não inventei a roda, faço uso do que já é conhecido
no mercado e obtenho resultados”, afirma a
criadora, que faz questão de ressaltar que a homeopatia veterinária deve ser focada sempre na
continuidade e não na quantidade. •

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