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Ministério da Educação
Universidade Federal de Santa Maria
Centro de Ciências Rurais
Departamento de Zootecnia
Desempenho de cordeiros e borregos da raça Corriedale submetidos à
dieta de alto concentrado
Rafael Sanches Venturini1& Sérgio Carvalho2
1
Zootecnista. Aluno do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia (PPGZ) da Universidade Federal de Santa Maria
(UFSM), E-mail: [email protected]
2
Zootecnista. Doutor. Professor Adjunto do Departamento de Zootecnia da UFSM. E-mail:
[email protected]
A ovinocultura está ganhando destaque na pecuária nacional novamente,
principalmente na cadeia da carne. Além disso, Almeida Jr. et al. (2004) comentam que
existe a possibilidade de expansão, principalmente no consumo interno de carne ovina e
que o país tem atributos necessários para se tornar grande exportador desse produto que
cada vez mais vem sendo procurado, não somente em quantidade, mas principalmente
em qualidade, devido a uma grande exigência do mercado consumidor. Conforme
Osório e Osório (2008) existe uma mudança nos consumidores de carne, pois estão cada
vez mais procurando carne ovina, principalmente em restaurantes, casas de carne,
supermercados entre outros.
Dentro da produção ovina, existem vários fatores que são importantes para o
sucesso na atividade. Podemos citar alguns, como a nutrição animal, sistema de
terminação, raça, categoria, etc.
Do ponto de vista da produção animal, o desempenho zootécnico é um dos itens
mais interessantes a ser levado em consideração, já que é através dele que temos em
valores o resultado. Para isso, voltamos e novamente nos reportamos aos fatores que
influenciam nesse desempenho.
Não podemos pensar em qualquer sistema de produção ovina, se antes não nos
preocuparmos com a nutrição animal. Esta nutrição tem que atender as exigências
nutricionais para que os animais possam desempenhar seu máximo potencial genético e
responder a um desempenho zootécnico satisfatório, além de estar atrelada a
economicidade, já que o produtor tem que visar lucro a atividade. Dessa forma, Ortiz et
al. (2005) comentam que a utilização de tecnologias que permitam uma economicidade
com redução dos custos de alimentação e maior eficiência é uma necessidade nos
sistemas de produção para obter maior rentabilidade.
A isso ligamos ao sistema de terminação a ser escolhido para a terminação de
ovinos, os quais são variados e podem ter eficiência na produção de carne ovina. No
entanto, temos que levar em consideração que existem os pontos positivos e negativos
que cada sistema de terminação possui. Não podemos nos fixar a apenas um sistema e
afirmar que somente aquele tem boa viabilidade econômica. Certamente existem muitos
sistemas de terminação com custos baixos, porém com baixos lucros. O que temos que
ter em mente é alta viabilidade econômica, se o custo de produção for alto e o lucro
também for alto, temos boa viabilidade econômica na produção e é isso que nos
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interessa. A esse ponto nos referimos à utilização do sistema de confinamento para a
terminação ovina, muitas vezes penalizada pelo alto custo, mas podemos obter com ele
uma excelente viabilidade econômica. Sendo que o confinamento permite a terminação
de ovinos em períodos de carência alimentar ou quando as pastagens ainda não estejam
prontas, por atender com maior facilidade as exigências nutricionais dos animais, visto
que, o desempenho produtivo de um rebanho depende da disponibilidade de alimentos
em proporções e quantidades adequadas aos seus requerimentos (PEIXOTO et al.,
2011).
A escolha da raça sem dúvida é importante na eficiência produtiva, por exemplo,
a raça Corriedale, um animal considerado de dupla aptidão e bem adaptado às condições
do Rio Grande do Sul (RS), de fácil manejo e bom desempenho, e sem comentar que é a
raça ovina mais criada no RS que é o estado com maior número de ovinos no Brasil.
Segundo Mendonça et. al. (2003) o pouco conhecimento da produção de carne,
avaliação da morfologia e dos componentes do peso vivo, dos mais importantes
genótipos criados no Rio Grande do Sul, como a raçaCorriedale, são limitantes sobre o
potencial de produção que elas podem apresentar.
Outro fator de grande influência no sucesso da produção ovina é a categoria
animal a ser trabalhada, já que as principais categorias comercializadas no RS são os
cordeiros (animais dentes de leite) e os borregos (animais com 2 dentes). As categorias
apresentam resultados diferentes, já que o metabolismo dos animais altera conforme sua
idade, sendo que animais mais velhos apresentam menor eficiência produtiva que os
animais mais novos. No Brasil, a carne de animais abatidos até 12 meses de idade
apresenta características sensoriais especiais, alcançando um bom valor de mercado, em
contraste com a carne de animais adultos, principalmente inteiros (machos reprodutores)
e de descarte (velhos), mais difíceis de serem comercializados, por apresentar menor
maciez, textura mais firme e um sabor e odor característico mais intenso (MADRUGA,
2005).
Apresentamos alguns resultados obtidos no trabalho de mestrado desenvolvido
no Laboratório de Ovinocultura do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal
de Santa Maria (UFSM), compreendido de 18 de novembro de 2013 à 6 de janeiro de
2014. Foram utilizados 32 ovinos da raça Corriedale provindos da Agropecuária LP
(Município de São Gabriel – RS) sendo 16 cordeiros(Figura 1) e 16 borregos (Figura 2),
machos castrados. Os animais foram confinados em baias individuais, totalmente
cobertas, com piso ripado, com dimensão de 2 m2 por animal. Todas as baias eram
providas de comedouros e bebedouros individuais, onde foi fornecidaalimentação e a
água para os animais. A dieta foi constituída de palha de aveia branca (Avena sativa) e o
grão de milho (Zeamays) ou sorgo (Sorghum bicolor (L.) Moench) fornecido inteiro aos
animais. Para atender as exigências das categorias de proteína bruta e minerais foi
adicionado farelo de soja (Glycine Max) e calcário calcítico, respectivamente, de acordo
com o NRC (2007). Também foi utilizado bicarbonato de sódio (NaHCO3) responsável
por regular o pH ruminal no total de 1% do oferecido da MS e monensina sódica
(Rumensin), responsável pela prevenção de distúrbios metabólicos. O sal mineral foi
fornecido à vontade em recipientes individuais. Os animais foram divididos em: 8
cordeiros alimentados com dieta de alto concentrado de milho; 8 cordeiros alimentados
com dieta de alto concentrado de sorgo; 8 borregos alimentados com dieta de alto
concentrado de milho e 8 borregos alimentados com dieta de alto concentrado de sorgo.
O abate foi realizado no momento em que cada animal atingiu o Escore de Condição
Corporal (ECC) pré-definido 3,0 (escala de 1 a 5).
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Na Tabela 1 apresentamos os resultados de desempenho de cordeiros e borregos da
raça Corriedale submetidos à dietas de alto concentrado.
Tabela 1. Valores médios para peso vivo inicial (PVIni), escore de condição corporal inicial
(ECCIni), peso vivo final (PVFin), escore de condição corporal final (ECCFin),
ganho de peso médio diário (GMD), dias necessários para o abate (DA) e
conformação corporal (Confor) de cordeiros e borregos, da raça Corriedale,
submetidos a dieta de alto concentrado
Categoria
Grão
Efeito*
CV*
Variável
(%)
Cordeiro Borrego Milho
Sorgo Categoria Grão
CatxGrão
PVIni (Kg)
22,11
33,76
27,77
28,09
<,0001 0,6846
0,2226
7,94
ECCIni (1-5)
2,03
2,26
2,09
2,20
0,0580 0,3641
0,5153
15,61
PVFin (kg)
30,48
36,85
33,73
33,61
<,0001 0,9088
0,1846
8,72
ECCFin(1-5)
3,06
3,10
3,07
3,09
0,4493 0,8000
0,0842
5,60
GMD(Kg)
0,277
0,110
0,180
0,207
<,0001 0,3750
0,0763
43,82
DA (dias)
33
32
34
30
0,7926 0,2552
0,3779
33,03
Confor(1-5)
3,26
3,00
3,15
3,10
0,0088 0,6230
0,4144
8,51
*
Cat - efeito da categoria; CV – coeficiente de variação.
(P<0,05)
Obviamente que tanto os resultados de PVIni é significativo estatisticamente a
(P<0,05) já que a categoria de cordeiros são de animais com aproximadamente 10
meses de diferença de idade. Para o ECCini e ECCFin, não podemos encontrar valores
significativos, pois estes animais foram alocados uniformemente dentro de seus
tratamentos, assim não havendo favorecimento para nenhum resultado.
Os resultados de PVFin foram significativos (P<0,05) entre as categorias,
resultado importante do ponto de vista econômico, já comentado anteriormente, pois o
borrego pesou em média 36,85 kg e o cordeiro 30,48 kg, assim tendo 6,37 kg de
diferença entre as categorias. De forma que esta diferença sendo multiplicada pelo valor
do Kg pago no PV, que em médio no RS está em torno de 4,00 R$ Kg/PV, temos o
resultado de R$ 25,48. Do ponto de vista produtivo consideramos uma baixa
rentabilidade, pois temos que ficar com este animal na propriedade até a categoria de
borrego, praticamente 1 ano a mais. Será que estes 25,48 R$ de renda por borrego em
relação aos cordeiros é viável? Acreditamos que não, já que os custos diretos de uma
propriedade com vermífugos, alimentação, mão-de-obra, entre outros devem estar
próximo a este valor. Sem falar nos custos indiretos, onde poderíamos colocar uma
fêmea parindo um cordeiro no local desse borrego, entre outros fatores.
Também demonstramos os melhores resultados do cordeiro em relação ao
borrego para GMD e Conformação (Figuras 3 e 4), sendo que estes animais apresentam
um metabolismo mais acelerado, o que consequentemente nos traz melhores resultados
zootécnicos, pois cordeiros por serem animais jovens possuem boa formação muscular
aliado a uma desejável deposição de gordura, se bem manejados nutricionalmente. De
acordo com Pires et al. (2000) o cordeiro é a categoria animal que fornece carne de
melhor qualidade e apresenta, nesta fase, os maiores rendimentos de carcaça e maior
eficiência de produção, devido à alta velocidade de crescimento.
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Portanto, os resultados obtidos na terminação de cordeiros foram superiores a
terminação de borregos, tanto na utilização de dieta de alto concentrado de milho ou de
sorgo.
Referências Bibliográficas
ALMEIDA Jr. G.A. et al. Desempenho, características de carcaça e resultado
econômico de cordeiros criados em creepfeedingcom silagem de grãos úmidos de
milho. Revista Brasileira de Zootecnia, Viçosa, v.33, n.4, p.1048-1059, 2004.
MADRUGA, M. S. Processamento e industrialização dos produtos da caprinocultura.
In. SEMINÁRIO NORDESTINO DE PECUÁRIA, 9., 2005, Fortaleza, CE. Anais...
Fortaleza: Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará, 2005. 15 f. Seção
Caprinoovinocultura. CD-ROM.
MENDONÇA, G. et al. Morfologia, características da carcaça e componentes do peso
vivo em borregos Corriedale e Ideal. Ciência Rural, v. 33, n. 2, p. 351-355. 2003.
ORTIZ, J.S., et al. Efeito de diferentes níveis de proteína bruta na ração sobre o
desempenho e as características de carcaça de cordeiros terminados em CreepFeeding.
Revista Brasileira de Zootecnia. v.34, n.6, p.2390-2398, 2005.
OSÓRIO, J.C.S e OSÓRIO, M.T.M. Situación Del Sector y Perspectivas em Brasil. In:
SAÑUDO, C. y GONZALES, C. Aspectos estratégicos para obtener carne ovina de
calidad em El conosur americano. Univ. Nacional Del centro de La Provincia de
Buenos Aires, 1ª Ed., 222p. 2008.
PEIXOTO, L.R.R., et al. Características físico-químicas e sensoriais da carne de
cordeiros de diferentes genótipos terminados em confinamento. Revista Brasileira de
Saúde e Produção Animal, Salvador, v.12, n.1, p.117-125 jan/mar, 2011.
PIRES, C.C. et al. Cria e terminação de cordeiros confinados.Ciência Rural, Santa
Maria, v.30, n.5, p.875-880, 2000.

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