EFEITOS DE UMA INFECÇÃO CAUSADA POR

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EFEITOS DE UMA INFECÇÃO CAUSADA POR
P6-EFEITOS DA INFECÇÃO CRÔNICA PELO Toxoplasma gondii SOBRE
O NÚMERO DE NEURÔNIOS DO PLEXO SUBMUCOSO DE RATOS
PÂOEAGUA1, Ederson Camilo; GÓIS2, Marcelo Biondaro, ARAÚJO3,
Eduardo José de Almeida; SANT’ANA4, Débora de Mello Gonçales.
E-mail: [email protected]
1- Acadêmico do Curso de Enfermagem, UNIPAR, Umuarama, Paraná.
2- Biólogo, Mestre em Ciência Animal, UNIPAR, Umuarama, Paraná.
3- Biólogo, Doutor em Ciências Biológicas, UEL, Londrina, Paraná.
4- Farmacêutica, Doutora em Ciências Biológicas, UEM, Maringá, Paraná.
Resumo
Objetivou – se investigar as alterações causadas pela infecção experimental
por oocistos de T. gondii em neurônios do plexo submucoso no jejuno de
ratos. Dez ratos foram distribuídos em dois grupos experimentais: Controle
GC (n=10) e infectado GI (n=10) inoculado por via oral com 500 oocistos de
T. gondii da cepa (ME-49). Preparados totais da tela submucosa foram
submetidos a técnica de Giemsa para marcação de neurônios. A análise
quantitativa demonstrou que não houve alterações significativas na
população neural (p >0,05). Conclui-se que a infecção induzida por oocistos
de T. gondii (ME-49) não levou a redução ou ao aumento no número de
células nervosas do plexo submucoso do jejuno dos ratos que foram
infectados.
Palavras-chave:sistema nervoso entérico, plexo submucoso, toxoplasmose.
Introdução
O trato gastrointestinal possui um sistema nervoso próprio,
denominado sistema nervoso entérico (SNE), localizado inteiramente na
parede intestinal, desde o esôfago até o ânus, que sofre influencia do
sistema nervoso central, mas independe dele para realizar suas ações.1 O
SNE é constituído por dois plexos ganglionados: um plexo externo disposto
entre as camadas musculares longitudinal e circular, denominado plexo
mioentérico e um plexo interno, denominado de plexo submucoso. O plexo
mioentérico controla basicamente os movimentos gastrointestinais, como:
aumento da contração tônica da parede intestinal, da intensidade das
contrações rítmicas e da velocidade de condução das ondas excitatórias ao
longo da parede do intestino2. Diferente do plexo mioentérico, o plexo
submucoso é responsável pelo controle na parede interna de cada segmento
do intestino, ajudando no controle da secreção intestinal local e a absorção3.
A secreção no epitélio intestinal é coordenada pela ação do plexo
submucoso sob a produção de mediadores químicos que regulam a mucosa
intestinal no intuito de ampliar a resposta imunobiológica, facilitar o transito
intestinal e promover uma ação direta a agentes infecciosos, como bactérias,
helmintos e protozoários, dentre esse ultimo o Toxoplasma gondii4.
O T. gondii é um parasito intracelular obrigatório, de distribuição
geográfica mundial, responsável pela doença denominada toxoplasmose.
Além dos seres humanos, esta zoonose é freqüente em varias espécies de
animais, como os mamíferos e as aves, considerados hospedeiros
intermediários do parasito5. A transmissão do T.gondii pode ocorrer através
da ingestão de oocistos presentes no solo, areia, água, verduras,
contaminados com fezes de gatos infectados, ingestão de cistos presente
em carne crua ou mal cozida6.
O T. gondii possui três estágios principais de desenvolvimento: os
taquizoítos, forma encontrada durante a fase aguda da infecção e poucos
resistentes ao suco gástrico; os bradizoítos, é a forma encontrada durante a
fase crônica da doença em vários tecidos, principalmente no cérebro, retina
e músculos esqueléticos e cardíaco; e os oocistos, que é a forma mais
resistente, produzidos nas células intestinais dos felídeos e eliminados
imaturos junto com as fezes7.
O objetivo desse trabalho foi avaliar os efeitos de uma infecção
experimental por oocistos de T. gondii, sobre o número de neurônios do
plexo submucoso de ratos infectados.
Material e métodos
Foram utilizados 10 ratos (Rattus novergicus) machos Wistar com 60
dias de idade e 258,58 ± 13,64g massa corporal. Os animais foram
separados em dois grupos experimentais: grupo controle GC (n=5),
administrado via oral 1 mL de solução salina estéril 0,9%, grupo infectado GI
(n=5), inoculados via oral com 500 oocistos esporulados artificialmente de T.
gondii (cepa ME-49 genótipo II) ressuspendidos em 1 mL de solução salina
0,9%. Os animais foram mantidos em biotério com temperatura e umidade
controladas e foto-período de 12 horas por 36 dias, recebendo água e racão
ad libitum. Após, os animais foram submetidos á eutanásia por
aprofundamento anestésico com vapor de halotano8. Por laparotomia, o
jejuno foi removido, observando seu limite proximal na flexura duodenojejunal e prega íleo-cecal como limite distal. Um segmento de
aproximadamente 5 cm do órgão foi lavado em solução salina a 09%,
preenchido e imerso em solução fixadora de formol acético por 48 horas.
Preparados totais da tela submucosa foram obtidos através da
dissecação da túnica mucosa e da túnica muscular sob estereomicroscópio
com transiluminação. Após, foram submetidos à técnica de Giemsa9.
Utilizando-se microscópio de luz Motic BL, com aumento de 400x,
foram realizadas análises quantitativas dos neurônios submucosos. Foi
contado o número de gânglios em 50 campos microscópicos, número de
neurônios por gânglio em 50 gânglios e o número total de neurônios em 50
campos microscópicos. Foram considerados gânglios, aqueles que
apresentassem 3 ou mais neurônios evidenciados pela técnica de Giemsa.
Os dados obtidos foram analisados por ANOVA um critério,
comparados pelo teste t de student, utilizando o software Bioestat 5.010 ,
considerando α=0,05.
Resultados e discussão
Os resultados da análise quantitativa dos neurônios submucosos
evidenciados pela técnica de Giemsa podem ser observados na Tabela 1.
Tabela 1. Resultados obtidos através da contagem do número de
gânglio /50 campos microscópicos, número médio de neurônios em 50
gânglios e número total de neurônios em 50 campos microscópicos.
GC
GI
N°. gânglios/50 campos
125.0 ± 14.9
126.8 ± 6.1
Média do n° neurônios/50 gânglios 12.5 ± 1.7
10.1± 1.8
N°. total de neurônio/50 campos
1.700,4 ± 57.4 1.444,8 ± 324.0
De acordo com os resultados obtidos, pode-se observar que não
houve diferenças significativas em nenhuma das avaliações quantitativas
realizadas (figuras 1). A cepa do parasito, a via de infecção, a imunidade e a
genética do animal estudado exercem influência no desenvolvimento das
alterações causadas pela doença.11
Não existem estudos prévios com neurônios do plexo submucoso em
animais infectados pelo T. gondii. Nossos resultados diferem de outros
estudos, onde a infecção pelo T.gondii levou a morte de neurônios
mientéricos como no ceco de ratos infectados, e no duodeno de frangos12.
As alterações nos neurônios mientéricos nos levam a crer que o parasito tem
afinidade por células nervosa, levando estas à morte em função da
proliferação do protozoário ou por via indireta pela ação da resposta
imune13. Necessita-se de estudos complementares que nos possibilitem
verificar como a população e as subpopulações de neurônios entéricos
submucosos reagem a diferentes durações de infecção pelo T. gondii.
Figura 1. Fotomicrografias obtidas com microscópio fotônico de neurônios submucosos do
jejuno de ratos do GI (A) e do GC (B). 400x. Barra 50µm.
Conclusão
Conclui-se, portanto que a infecção induzida por oocistos de T. gondii
(cepa ME-49, genótipo II) não alterou a densidade populacional de neurônios
submucosos do jejuno de ratos.
Referências
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