Empresário do vestuário abre curso na fábrica em Paços

Сomentários

Transcrição

Empresário do vestuário abre curso na fábrica em Paços
Empresário do vestuário abre curso na fábrica em
Paços de Ferreira
tamegasousa.pt /empresario-do-vestuario-abre-curso-na-fabrica-em-pacos-de-ferreira/
Administrador
Quando um jovem empresário do vestuário precisa de mão-de-obra qualificada para confecionar
roupas para a Max Mara ou Isabel Marant e o centro Modatex faz formação à medida, a solução é
abrir um curso de costura na própria fábrica.
“Nos últimos dois anos estivemos em processo de recrutamento de costureiras. Entrevistámos umas
200 a 300 pessoas e a taxa de recrutamento foi baixa”, porque a qualificação para trabalhar nesta
área estava, também ela, “baixa”, explicou à Lusa Filipe Prata, 39 anos, dono da empresa LaGofra,
explicando que os clientes internacionais que tem – como a Max Mara, Isabel Marant, Henrik Vibskov,
APC, Damir Doma, Orla Kiely ou Reality Studio – exigem qualidade acima de tudo.
Filipe Prata descobriu, no entanto, que o Modatex – Centro de Formação Profissional da Indústria
Têxtil, Vestuário, Confeção e Lanifícios – tinha um curso de costura preparado para formar
profissionais da área em cinco meses e avançou para uma parceria, traduzida numa formação na sua
própria fábrica de vestuário. Para obter o melhor recrutamento de formandos, contou também com o
apoio do Centro de Emprego.
Montar peças de vestuário ou trabalhar em máquinas de costura industrial são algumas das disciplinas
daquele curso de costura especial, que abriu oficialmente na quarta-feira passada, na fábrica de
vestuário LaGofra, em Paços de Ferreira (Porto), e cuja formação é dada no âmbito do programa
Formar para Empregar, criado pelo Modatex.
Pedro Rodrigues, de 19 anos, com formação em programação de sistemas informáticos, é o aluno
mais novo do curso de costura.
“Após a saída da área de informática andei algum tempo a procurar emprego na área. Não consegui.
Surgiu esta oportunidade, aproveitei”, conta, esperando um dia conseguir fazer roupa para a sua
marca preferida: a ‘Pull & Bear’.
Enquanto pedala devagarinho na máquina de costura, Pedro Rodrigues confessa que se um dia
chegar a fazer roupa para a ‘Pull & Bear’, a “comprava logo”, por ter sido ele a confecioná-la.
“Só o futuro dirá se vou ter jeito para ser costureiro, mas estou a fazer por isso. Estou a aprender
bem”.
Enquanto pesponta palas e paletas, o formando mais velho do curso de costura, Joaquim Gonçalves,
54 anos de idade e que desde os 13 anos trabalhava no setor do mobiliário, mas que entretanto ficou
desempregado, diz estar preparado para ser costureiro.
“Já não consigo obter um emprego na minha área. (…) Então como a área têxtil está na mó de cima,
aproveitei esta oportunidade”, esclarece Joaquim, empenhado em dar um novo rumo à sua vida.
Joaquim Gonçalves aconselha as pessoas da sua idade a “nunca baixarem os braços”, a olharem
para as oportunidades e espera que no fim do curso consiga um trabalho.
“O meu objetivo é esse. Vou tentar bons resultados para obter um certificado que me vai dar garantias
para uma fábrica ou confeções”.
Também Daniela Rocha, de 23 anos, desempregada desde 2011 e com formação na área de
animadora sociocultural, está a “fazer tudo por tudo para ficar na empresa”.
O curso de costura em contexto de fábrica tem a vantagem da aproximação com o meio empresarial e
permite ao próprio formando aperceber-se se é aquele o futuro e o caminho que quer percorrer,
explica à Lusa Sónia Pinto, diretora do Modatex.
O próprio empresário percebe se o formando corresponde às suas expectativas e se vai ser uma
mais-valia para a sua empresa, acrescenta Sónia Pinto, admitindo que é a aproximação entre
trabalhador e empregador que o Modatex pretende desenvolver.
“Posso dizer que ultimamente, a nossa dificuldade é precisamente conseguir responder a tanta
necessidade, de tanta empresa e com a qualidade para a qual nós estamos habituados a dar ao
mercado”, observa a diretora do Modatex.
A formadora de costura Rosa Sousa, 55 anos, considera que todos os formandos que estão no curso
têm capacidade “para atingir os objetivos”, designadamente os do género masculino que “são muito
aplicados, muito perfeitos e muito atentos aos pormenores do remate da costura ou ao ponto”.
Filipe Prata, o jovem empresário que colocou de lado o seu curso de engenharia civil, para se dedicar
ao setor têxtil, afirmou na abertura oficial do curso que as perspetivas para o futuro da LaGogra são
“excelentes” e assumiu o “desejo” e “compromisso” de dar emprego a “todos os alunos que tenham
adquirido as competências exigidas”.
// JGJ
Lusa/Fim