depressão pós-parto - the Southern Health and Social Care Trust

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depressão pós-parto - the Southern Health and Social Care Trust
DEPRESSÃO
PÓS-PARTO
Um guia de auto-ajuda
DEPRESSÃO
PÓS-PARTO
Um guia de auto-ajuda
Estas são as palavras de algumas mulheres
que sofrem de depressão pós-parto.
“Passo muito tempo a chorar. Não consigo organizar-me, a lista
de tarefas que tenho para fazer é imensa. Sou um falhanço
completo como mãe.”
“Não consigo tomar uma decisão. A minha cabeça está uma
embrulhada de pensamentos confusos, e sinto-me como se fosse
passar-me constantemente com toda a gente. Eu devia sentir-me
feliz, mas só me sinto infeliz.”
“O bebé chora e chora e eu simplesmente não consigo consolálo. Sinto-me um grande falhanço, mas também me zango. Depois
sinto uma culpa insuportável. Não é culpa dele, é minha.”
“Sinto-me como se tivesse perdido completamente a minha
confiança. Estou horrível, e também me sinto horrível.”
Como pode este guia ajudar-me?
A depressão pós-parto é uma condição angustiante vivida pelo
menos por uma mulher em cada dez depois de ter um bebé. Os
exemplos acima são típicos dos tipos de pensamentos e sensações
que as mulheres com depressão pós-parto experimentam.
Este folheto destina-se às mulheres com depressão pós-parto,
bem como às suas famílias e amigos.
1
Este folheto pretende:
•Ajudá-la a identificar se está a sofrer de depressão pós-parto
• Explicar o que pode causar a depressão pós-parto
• Ajudá-la a considerar a melhor maneira de se auto-ajudar
• Sugerir vários outros locais para obter ajuda e apoio.
E se eu me sentir demasiado deprimida até
para ler?
Se está deprimida, provavelmente tem dificuldade para se
concentrar, até para ler este folheto. Talvez pareça demasiado
longo e difícil? Não se preocupe. Contém muitas informações, por
isso avance um pouco de cada vez. Se achar qualquer parte difícil
de compreender, talvez possa discuti-la com a sua enfermeira ao
domicílio ou o médico de família, ou mesmo voltar a lê-la mais tarde
quando se sentir um pouco melhor. Se um conselheiro ou terapeuta
lhe deu o folheto, poderá ser útil analisá-lo com a sua ajuda.
O que é a depressão pós-parto?
A depressão pós-parto (DPP na forma abreviada) é um tipo
de depressão que ocorre depois de ter um bebé. Por vezes
a depressão pode começar durante a gravidez, mas só será
designada como depressão pós-parto se continuar depois a
mulher ter tido o seu bebé.
A depressão pós-parto é muito comum, e sabemos que entre dez e
quinze mulheres em cada cem que deram à luz a experimentarem.
O número real pode inclusive ser maior, pois muitas mulheres não
procuram ajuda nem falam com outras pessoas sobre os seus
sentimentos.
2
Em que é diferente a depressão pós-parto da
depressão “normal”?
Os sintomas da DPP são idênticos aos de qualquer depressão.
Incluem sentir-se em baixo e perder o interesse em coisas que
são normalmente agradáveis. A única diferença é que estes
sentimentos normalmente começam durante os primeiros três
meses depois de ter um bebé. É igualmente possível sofrer de
depressão pós-parto a começar mais tarde, mas se os sintomas
se manifestarem mais de um ano depois de uma mulher ter dado
à luz, é pouco provável que seja tratada como uma depressão
pós-parto. Como a DPP é muito semelhante à depressão “normal”,
poderá achar úteis os nossos folhetos “Depressão e mau humor
– Um guia de auto-ajuda” e “Depressão – Um folheto informativo”.
Pergunte por eles ao seu terapeuta ou médico de família.
As boas notícias são que, tal como outras formas de depressão,
a depressão pós-parto reage bem ao tratamento e a maioria das
mulheres recuperam completamente.
Existem outros problemas pós-parto que as mulheres
podem experimentar?
Existem duas outras condições emocionais angustiantes que por
vezes as mulheres experimentam depois de terem um bebé.
Baby blues
O primeiro é extremamente comum e é conhecido como “baby
blues”. Trata-se de uma forma moderada de depressão que ocorre
em até oito em cada dez mulheres durante os primeiros dias
depois de terem tido os seus bebés. Quando sofrem dos “baby
blues”, as mães sentem-se normalmente muito emotivas e podem
irromper em lágrimas sem uma razão específica. As novas mães
também se sentem muitas vezes ansiosas, tensas e esgotadas e
podem ter dificuldade para adormecer.
Os médicos acham que as alterações súbitas nos níveis de
hormonas por volta da altura do parto dão origem aos “baby
blues”, mas também podem existir outras causas, tais como o
trauma do próprio nascimento e a agitação que um novo bebé
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pode trazer. É uma altura em que você necessita de muito
repouso para recuperar as suas forças, mas é também altamente
improvável que o consiga!
Os “baby blues” normalmente duram apenas um ou dois dias e
em seguida desaparecem tão rapidamente como chegaram. Não
são uma causa de preocupação, a menos que os sentimentos
continuem ou se agravem, podendo nesse caso ser o início da
depressão pós-parto.
Psicose puerperal
O segundo problema que as mulheres por vezes experimentam
depois de darem à luz é muito menos comum. Chama-se psicose
puerperal ou pós-parto. Esta ocorre em apenas uma nova mãe
em cada mil mulheres, sendo mais grave do que a depressão
pós-parto. O problema manifesta-se normalmente de forma muito
repentina durante as primeiras duas semanas após o parto,
com um humor e um comportamento gravemente perturbados.
As mulheres com psicose pós-parto podem ficar extremamente
agitadas e confusas e revelam frequentemente crenças invulgares
e perturbadoras sobre elas próprias e/ou os seus bebés.
Este folheto não se destina a mulheres com este tipo de
problema. Elas necessitam da ajuda de um psiquiatra e devem
solicitar ajuda ao seu médico imediatamente.
O tratamento habitual inclui medicação e uma curta estada numa
unidade para a mãe e o bebé. É importante lembrar que, embora
a psicose pós-parto possa ser assustadora e preocupante para
a nova mãe e a sua família, este tratamento é muito eficaz e a
maioria das pessoas recuperam completamente.
Quais são os sintomas da depressão pós-parto?
As mulheres descrevem um conjunto de sintomas, a maioria
dos quais são descritos abaixo. Estes sintomas podem parecer
esmagadores numa altura em que um novo bebé necessita de
tantos cuidados e atenção.
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Estes são alguns dos sinais ou sintomas que poderá sentir caso
sofra de depressão pós-parto.
Emoções ou sentimentos (assinale a caixa caso se sinta desta
maneira)
• Sente-se triste, perturbada, desesperada
• Chora muito ou sente-se incapaz de chorar
• Sente-se inútil
• Humor variável
• Sente-se culpada
• Perda de interesse
• Perda do prazer/satisfação
• Sente-se ansiosa ou em pânico e preocupada
• Sente-se irritadiça e zangada
• Não se sente como quer com o seu novo bebé.
Sinais físicos ou corporais
• Tem falta de energia e sente-se exausta
• Perturbação do sono
• Lenta, ou
• Acelerada, agitada e incapaz de relaxar
• Falta de interesse no sexo
•Mudança de apetite – comer demasiado, ou não
comer o suficiente.
Pensamentos – quando as pessoas estão deprimidas, tornam-se
“especialistas” em pensar de uma forma muito negativa e melancólica.
• Critica-se a si própria
“Sou inútil como mãe”, “Estou um frangalho”, “Não consigo
compreender este folheto, devo ser estúpida!”
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•Preocupa-se
“O bebé não está a alimentar-se devidamente”
• Parte para conclusões
“A culpa é minha”
• Espera o pior
“Tudo vai correr mal – as coisas nunca mais vão melhorar”
• Pensamentos sem esperança
“As coisas não têm solução. Às vezes acho que toda a
gente estaria melhor sem mim”
• Pensamentos sobre outras pessoas
“Toda a gente aguenta. Ninguém se preocupa comigo”
• E o mundo
“Que lugar terrível para trazer uma criança…”
Pensamento – é igualmente afectado pela depressão de outras
formas.
• Falta de concentração
• Incapacidade para tomar decisões
• Pensamentos confusos e desordenados.
Comportamento
• Evita as pessoas e não sai de casa
• Não faz coisas de que costumava gostar
• Não faz as tarefas do dia-a-dia, ou tenta fazer demasiado
• Adia as decisões
• Mais discussões, gritos, perda de controlo.
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Se assinalou várias caixas, e se tem sentido assim na maior parte
do tempo durante as últimas duas semanas ou mais, é provável
que esteja a sofrer de alguma forma de depressão. Se esta ocorreu
passadas algumas semanas ou meses depois de ter um bebé, é
muito provável que tenha algum tipo de depressão pós-parto.
Devo pedir ajuda?
Se tem depressão pós-parto, é importante que o reconheça e
procure ajuda.
Muitas vezes as pessoas não reconhecem a depressão pós-parto.
Acontece numa altura de grande mudança, e as novas mães
não sabem frequentemente o que é normal ou o que esperar. O
problema pode instalar-se lentamente, e muitas vezes as mães
acham que simplesmente não estão a aguentar, em vez de
reconhecerem que estão a sofrer de depressão pós-parto.
Além disso, muitas mulheres com depressão pós-parto sentem-se
envergonhadas ou embaraçadas e escondem os seus sintomas
dos outros.
Quanto mais cedo reconhecer que tem depressão pós-parto,
melhor, pois existem muitos tratamentos eficazes e também vários
passos que pode realizar para se auto-ajudar.
Lembre-se: a depressão pós-parto é muito comum e
provavelmente afecta pelo menos uma mulher em cada dez.
Por isso, fale com a sua família, a enfermeira ao domicílio ou o
médico de família e peça ajuda.
Quem está em risco de desenvolver depressão
pós-parto?
Alguém que tem um bebé pode desenvolver depressão pós-parto.
No entanto, existem vários factores que podem indicar que corre
um risco maior. Estes incluem:
• Já teve uma depressão antes
• Dar à luz foi particularmente difícil e traumático para si
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• Está a ter problemas com o seu relacionamento
•Está a experimentar outros acontecimentos difíceis na sua vida
•Está socialmente isolada, sem família e amigos que possam
ajudar
• A sua própria mãe não está presente para ajudá-la
No entanto, isto não significa que toda a gente que experimenta
estas dificuldades irá desenvolve uma depressão pós-parto.
O que causa a depressão pós-parto?
Ter um bebé é uma altura de grande mudança. As novas mães
experimentam alterações biológicas, físicas, emocionais e sociais.
É provável que a depressão pós-parto seja causada por uma
mistura destas coisas. Outros acontecimentos stressantes na vida
que ocorrem por volta da mesma altura também podem contribuir.
Alterações biológicas
O parto implica alterações hormonais no seu corpo. A depressão
pós-parto pode estar associada a estas alterações. Mas embora
isto possa ser uma parte do quadro geral, as provas sugerem
que as hormonas não são a única causa. As suas circunstâncias
individuais e sociais são igualmente importantes.
No entanto, os antidepressivos ou outra medicação podem ser
úteis. Peça ao seu médico para discutir isto consigo.
Alterações físicas
O próprio parto pode ser esgotante e por vezes resulta em
problemas físicos, como dor pós-operatória depois de uma
cesariana. A recuperação nem sempre é fácil. Ter de cuidar de
uma criança exigente dificulta o descanso, pelo que poderá achar
que não está a dormir o suficiente. Se tem outros filhos, estes
poderão reagir ao novo bebé ao reclamarem mais atenção da sua
parte. Isto pode deixá-la ainda mais cansada.
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Talvez o seu apetite seja fraco e não esteja a alimentar-se devidamente.
Quando isto acontece, é fácil ficar fisicamente abatida.
Algumas mulheres também se sentem menos confiantes e menos
atraentes após o parto porque a forma do seu corpo muda e não
têm tempo para cuidar delas. Ao mesmo tempo, muitas mulheres
que sofrem de depressão pós-parto têm um cuidado particular
com o seu próprio aspecto e do bebé para ocultar a sensação
de falhanço que podem sentir por causa da depressão. Manter
as aparências e sorrir quando não apetece também pode ser
fisicamente esgotante!
Alterações emocionais
Muitas vezes as mulheres não experimentam os sentimentos que
esperavam quando têm um bebé. Quando seguram o seu bebé
pela primeira vez, um grande número de mulheres não sente
um afluxo esmagador de “amor maternal”. Sentem-se apenas
cansadas e um pouco distantes. Isto é perfeitamente normal.
Algumas mães amam efectivamente o seu bebé à primeira vista,
mas outras aprendem a amá-lo mais gradualmente.
O principal é não se preocupar ou ficar demasiado desapontada
se o parto não corresponder às suas expectativas. Também é
verdade que muitas mulheres dizem que se sentem mais emotivas
após o parto, por isso, quando as coisas correm mal, isso poderá
fazê-las sentirem-se muito pior do que normalmente aconteceria.
Alterações sociais
Ter um bebé pode causar uma grande agitação. As exigências
de uma nova criança podem tornar difícil manter uma vida
social activa. Ter um novo bebé também pode colocar tensão no
relacionamento dos próprios pais, pois muitas vezes é difícil passar
tempo juntos enquanto casal.
Muitas pessoas já não vivem perto de outros familiares, logo
grande parte dos novos pais podem estar isolados, e as novas
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mães podem não ter muitas pessoas para as ajudar. Em particular
as que não contam com o apoio da própria mãe poderão achar
esta altura particularmente exigente. Mesmo as que têm família e
amigos por perto podem achar difícil pedir ajuda prática.
Os jornais, as revistas e os programas de televisão referem que
ter um bebé é uma experiência maravilhosa, mas nem sempre
mencionam as partes mais difíceis. Por causa do que ouvem nos
meios de comunicação social, e do que outras pessoas poderão
dizer sobre a maternidade, as mulheres por vezes sentem que
deveria ser uma altura “perfeita”. Elas acham que todas as outras
pessoas conseguem dar à luz de forma natural e fácil e tornaremse imediatamente nas mães perfeitas. Isto pode dificultar imenso
pedir ajuda.
Mas estes mitos sobre a maternidade estão muito longe da verdade
para a maioria das pessoas. Dar à luz pode ser muito stressante,
e ser uma mãe é um novo papel que temos de aprender a
desempenhar, tal como qualquer outro papel nas nossas vidas.
Hoje em dia, as mulheres poderão mesmo estar sujeitas a um
maior número de exigências do que antigamente. Elas podem estar
habituadas a sair de casa para irem trabalhar e sentir-se isoladas
em casa, sentido a falta da convivência com os colegas. No entanto,
caso decidam regressar ao trabalho, poderão achar que conciliar
um emprego e um novo bebé pode ser muito stressante.
Acontecimentos stressantes na vida
Sabemos igualmente que as pessoas que experimentaram outros
acontecimentos stressantes na vida no passado ou presente podem
ter mais probabilidades de sofrer de depressão pós-parto depois de
terem um bebé. Por exemplo, um aborto anterior, a perda da própria
mãe, problemas financeiros, problemas de habitação, etc.
Finalmente, é importante lembrar que uma das causas mais
comuns do stress é a mudança, e nada muda tanto a sua vida
como um novo bebé.
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O que pode ajudar?
Lembre-se que está disponível ajuda, havendo igualmente vários
passos que pode realizar para se auto-ajudar.
Primeiros passos
• Aceite que há algo de errado
•Fale com o seu companheiro e/ou um familiar ou amiga sobre o
que está a sentir
• Lembre-se de que vai ficar melhor
• Fale com a enfermeira ao domicílio ou o seu médico.
… E em seguida
Conforme vimos, são muitas as causas de depressão pós-parto,
pelo que vários tratamentos diferentes podem ajudar.
A medicação pode ajudar?
Os antidepressivos podem ser realmente úteis, embora não possa
tomar medicação enquanto estiver a amamentar. Fale com o seu
médico a este respeito. Os antidepressivos são particularmente
úteis se está a sentir muitos dos sintomas físicos da depressão,
como perda de apetite, falta de sono ou perda de energia.
Se o seu médico lhe receitar antidepressivos, lembre-se de que
são necessárias pelo menos duas semanas para fazerem efeito.
Acredita-se que este tipo de medicação normalmente não causa
dependência, embora, como sucede com qualquer medicamento,
convém não parar a toma abruptamente. É importante fazer o
tratamento completo, normalmente durante pelo menos seis
meses. O seu médico irá discutir todas estas questões consigo se
achar que a medicação pode ajudar.
Vou sofrer efeitos secundários?
Algumas pessoas experimentam efeitos secundários, como
cansaço e boca seca, mas estes sintomas deverão desaparecer
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ao fim de algumas semanas. Entretanto, chupar um doce e
beber muita água pode ajudar. Além disso, embora estes efeitos
secundários possam parecer desagradáveis, as vantagens pesam
mais na balança. Em particular, tomar antidepressivos pode ajudar
outros tratamentos, como a terapia do diálogo, a serem mais
eficazes. Uma vez mais, o seu médico discutirá isto consigo.
E a terapia?
A investigação revela que o aconselhamento é um tratamento
muito eficaz para a depressão pós-parto. A sua enfermeira ao
domicílio é muitas vezes a pessoa mais indicada com quem falar,
podendo muito bem ter formação em termos de competências
de aconselhamento. Também o seu médico pode encaminhála para um conselheiro no seu consultório local ou para um
terapeuta psicológico ou enfermeira psiquiátrica comunitária. O
seu conselheiro poderá explorar consigo quaisquer questões do
passado que considere serem relevantes, bem como a forma
como se sente e pensa no momento.
Como posso auto-ajudar-me?
Há vários passos práticos que pode realizar para se sentir melhor.
Fale com outras pessoas Faça exercício
Faça coisas que gosta
Liste tarefas
Seja realista
Descanse
Conviva com outras mamãs
•É importante falar sobre os seus sentimentos. Poderá parecer
difícil falar com o seu companheiro, mas se guardar os seus
sentimentos para si constantemente, ele poderá sentir-se
excluído. Isto pode ser particularmente verdadeiro se não lhe
apetece ter sexo, que é frequentemente o caso quando as
pessoas estão deprimidas.
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•Procure não ficar sozinha o dia todo, todos os dias. Faça um
esforço para ver os seus amigos ou conhecer outras mães. A
sua enfermeira ao domicílio poderá indicar-lhe grupos locais
onde pode conhecer outras mulheres. Por vezes existem grupos
de apoio que podem ser muito úteis. Há também organizações
de voluntários cujos membros podem prestar apoio prático ou
emocional (veja as moradas no fim deste folheto).
•Aceite todas as ofertas de ajuda prática. Não tenha vergonha
de pedir ajuda nem se culpe por aceitá-la. As mulheres que têm
uma depressão grave poderão ser elegíveis para receber ajuda
em termos de cuidados infantis ou lida doméstica.
•
Não tente ser a dona de casa perfeita. Não importa se a sua
casa está ou não imaculada. Mantenha a sua carga de trabalho
no mínimo indispensável.
•Descanse o máximo que conseguir, porque o cansaço parece
agravar a depressão.
• Certifique-se de que segue uma dieta saudável.
•
Procure arranjar tempo para si. Isto poderá soar completamente
irrealista, mas um banho demorado, uma caminhada rápida ou
mesmo ler simplesmente uma revista durante meia hora pode
ajudá-la a descontrair.
• O exercício é particularmente útil.
O que mais posso fazer?
Poderá ser difícil implementar estas alterações, devido à forma
como a depressão afecta o nosso pensamento, os nossos
sentimentos e, por sua vez, o modo como nos comportamos. As
técnicas seguintes também podem ajudar a vencer pensamentos,
comportamentos e sentimentos depressivos.
1. Faça um plano diário.
Quando as pessoas estão deprimidas, muitas vezes não se
sentem com vontade para fazer o que quer que seja. Têm
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dificuldade para decidir o que devem fazer diariamente e podem
acabar por fazer muito pouco.
Se isto é um problema para si, pode começar por lidar com a
situação fazendo uma lista das coisas que quer fazer. Em seguida,
planeie uma lista de acções. Comece pela tarefa mais fácil em
primeiro lugar e não aponte demasiado alto. Percorra a sua lista de
acções e assinale o que já fez. No fim do dia, poderá olhar para
trás e ver o que alcançou. O exercício físico e a actividade podem
ajudar realmente a levantar o seu humor. Procure incluir algum
no seu plano diário. Conviver com amigos, familiares e vizinhos
também pode ajudar. As organizações voluntárias ou grupos locais
podem prestar apoio e ajudá-la a começar a conviver novamente.
Lembre-se de não apontar demasiado alto. As coisas que antes
lhe pareciam fáceis antes agora poderão parecer muito mais
difíceis. Comece a partir do ponto em que está e evolua até ao
ponto em que estava quando se sentia bem.
Liste alguns exercícios ou actividades que pode fazer.
Podem ser tão simples como uma caminhada rápida ou fazer as palavrascruzadas com um familiar. Lembre-se de ser realista – acabou de ter um bebé.
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Procure preencher este plano de acções; continue com outros
semelhantes:
Hora
Seg
Ter
Qua
Qui
Se
Sáb
Dom
09h00 11h00
11h00 13h00
13h00 15h00
15h00 17h00
17h00 18h00
2. Realização e prazer
Quando as pessoas estão deprimidas, muitas vezes esquecem-se
do que alcançaram e do que gostam. A maioria das pessoas têm
mais coisas a seu favor do que normalmente se apercebem.
Quando tiver anotado todos os acontecimentos do dia no seu
plano de acções, coloque um P ao lado dos que lhe deram prazer
e um R ao lado das actividades em que sentiu que tinha realizado
algo e que fez bem.
Tente não ser modesta. As pessoas que estão deprimidas têm
tendência para não assumir o crédito pelas suas realizações.
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Procure não se comparar constantemente à sua antiga pessoa.
Simplesmente elogie-se a si própria pelo que quer que seja que
consegue gerir. Quando está deprimida, fazer algo pode ser um
desafio e deve ser reconhecido e recompensado, por isso tente
incluir alguns acontecimentos agradáveis no seu dia-a-dia. Mimese – isso irá ajudá-la.
3. O ABC dos sentimentos em mudança
É provável que alguém que sofra de depressão pós-parto tenha
pensamentos melancólicos capazes de causar mau humor. Isto é
válido para alguém com qualquer tipo de depressão. Tente pensar
num acontecimento recente que a tenha perturbado e deprimido.
Deverá ser capaz de distinguir três partes:
A. O acontecimento.
B. Os seus pensamentos sobre ele.
C. Os seus sentimentos sobre ele.
A maioria das pessoas normalmente apenas têm consciência de A
e C. Vejamos um exemplo.
Suponha que o seu bebé não pára de chorar quando você fez tudo
o que lhe veio à cabeça para o acalmar.
A. O acontecimento – o bebé não pára de chorar.
B.Os seus pensamentos – “Não aguento isto. Quero abaná-lo. Sou
uma mãe inútil. Não o mereço.”
C. Os seus sentimentos – deprimida, culpada.
Que deprimente! Não admira que se sinta mal! É importante tomar
consciência destas três etapas A, B e C. Isto porque podemos
mudar o que pensamos acerca de um acontecimento e, por
conseguinte, mudar a forma como sentimentos a seu respeito.
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Agora pense no seu próprio exemplo. Anote as suas próprias
etapas A, B e C.
A. Acontecimento
B. Pensamentos
C. Sentimentos
4.Equilíbrio
O “equilíbrio” é uma técnica útil para experimentar. Quando tem um
pensamento crítico negativo, equilibre-o com uma afirmação mais
positiva de si própria. Por exemplo:
O pensamento: “Não sou boa como mãe”, pode ser equilibrado
com: “a minha enfermeira ao domicílio diz que estou a ir muito bem, e
o bebé está a crescer”
Obviamente, isto é muito mais fácil de dizer do que fazer. Quando
se sente negativa, muitas vezes é difícil mudar esses pensamentos
negativos, mas com a prática fica mais fácil.
5. A técnica das duas colunas
Outra técnica que pode ajudar consiste em anotar os seus
pensamentos negativos numa coluna e, ao lado de cada um,
escrever um pensamento positivo mais equilibrado. Exemplo:
Pensamentos negativos:
Não estou a aguentar com
tudo – a minha casa está uma
confusão.
Pensamentos equilibrados:
Não há problema que a
casa esteja um pouco mais
desarrumada do que o habitual.
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Pode levar isto um pouco mais longe e manter um diário de
acontecimentos, sentimentos e pensamentos. Poderá parecer-se
um pouco com o gráfico seguinte. Utilize as abordagens descritas
para obter pensamentos mais equilibrados. Tenha atenção às
formas melancólicas de pensar semelhantes às mencionadas nas
páginas 5-7.
Acontecimento Sentimento
ou emoção
Exemplo:
Uma mamã na
clínica ignorou-me
Em baixo e
deprimida
Pensamentos Outros
na sua cabeça pensamentos
mais
equilibrados
Ela não gosta de
mim, ninguém
gosta
Ela provavelmente
estava distraída
com alguma coisa
– estou a partir
para conclusões
de que ela não
gosta de mim.
O seu exemplo:
6. Tente lembrar-se dos detalhes
A investigação diz-nos que alguém que está deprimido não se
lembra dos detalhes dos acontecimentos, mas tem tendência para
pensar em afirmações gerais, como “Eu nunca fui boa em nada”.
Tente treinar-se a si própria a lembrar-se de detalhes para poder
recordar momentos e experiências agradáveis. Um diário pode
ajudá-la com isto. Faça listas de realizações e de bons aspectos
de si própria, como “Chego sempre a horas”, “Ajudei a minha
amiga na terça-feira”, “O meu companheiro elogiou-me pelo meu
trabalho na semana passada”.
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Em suma
Utilizar um plano diário, notas de prazer e realização e manter
um diário de pensamentos negativos e pensamentos mais
equilibrados pode ajudá-la a combater a depressão e os
pensamentos melancólicos que a acompanham.
7. Resolver problemas difíceis
Por vezes sentimo-nos esmagadas pelas mesmíssimas coisas
complicadas e difíceis que temos de fazer. Uma abordagem que
ajuda é anotar cada um dos passos de que necessita para concluir
a tarefa; em seguida, lide com um passo de cada vez.
Até resolver pequenos problemas pode parecer mais difícil
quando está deprimida. Se tem um problema particularmente
difícil, tente rever alturas em que poderia ter resolvido problemas
semelhantes com êxito e utilize a mesma abordagem. Ou pergunte
a um amigo o que faria numa situação semelhante. Anote toda as
opções possíveis, mesmo as que parecem ridículas. Seja o mais
criativa possível. Quantas mais soluções possíveis conseguir gerar,
mais probabilidades terá de encontrar a que funciona. Depois
de considerar todos os pontos a favor e contra, escolha a que
considera ser a melhor solução.
Tente você mesma esta forma de resolução de problemas.
Qual é o problema? (Anote-o):
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Tente o seguinte: Liste todo o tipo de soluções. Recorde-se
de como teria resolvido problemas semelhantes no passado.
O que aconselhariam as suas amigas? Ou o que sugere a uma
amiga numa situação semelhante?
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Escolha as melhores soluções. (Anote-as)
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Passos para lidar com o problema:
Passo 1: ........................................................................................
Passo 2: ........................................................................................
Passo 3: ........................................................................................
Passo 4: ........................................................................................
Passo 5: ........................................................................................
8. Crenças de longa data
Por vezes as pessoas têm opiniões de longa data acerca delas
próprias que são muito autocríticas. Por exemplo, “Não sou
uma pessoa muito inteligente” ou “Não sou uma pessoa muito
simpática”. Estas crenças são frequentemente um produto da
nossa experiência passada e podem não ser de todo verdadeiras
actualmente. Tente desafiar este autocriticismo, pare de se deitar
abaixo e procure provas que desmintam estas crenças.
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9. Onde posso obter mais ajuda?
Esperamos que ponha em pática os exercícios e conselhos
disponibilizados neste folheto. Deverão ajudá-la a vencer a
sua depressão pós-parto e a retomar o controlo sobre os seus
pensamentos e a sua vida.
No entanto, se achar que necessita de mais ajuda, fale com o
seu médico de família ou a enfermeira ao domicílio. Conforme já
mencionámos, existem outros tratamentos que a podem ajudar.
Caso se sinta tão deprimida ao ponto de pensar em magoar-se
a si própria ou ao bebé, visite o seu médico de família o mais
rapidamente possível. Lembre-se de que a depressão pósparto reage muito bem ao tratamento e a maioria das pessoas
recuperam rapidamente.
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Organizações e linhas de apoio úteis:
Locais
• Lifeline
Tel.: 0808 808 8000 Telefone com comunicação escrita para pessoas com
dificuldade de audição: 18001 0808 808 8000
Sítio Web: www.lifelinehelpline.info
Os conselheiros da Lifeline estão disponíveis 24 horas por dia para prestar apoio a
pessoas angustiadas.
• National Childbirth Trust
Tel.: 08442 436047
Sítio Web: www.nct.org.uk/belfast
Presta aconselhamento e apoio em todos os aspectos do parto e
da parentalidade inicial.
•
Relate
Tel.: 028 9032 3454
Linha de apoio: 08702 426091
Sitio Web: www.relateni.org
3 Glengall Street, Belfast BT12 5AB
Ajuda com problemas conjugais ou de relacionamento. Serviços disponíveis na
área do Southern Trust.
•
Samaritans
Linha de apoio: 0845 790 9090
Sítio Web: www.samaritans.org
E-mail: [email protected]
Apoio confidencial para pessoas em crise.
Nationais
•
Association for Post-Natal Illness
Tel.: 0207 386 0868
Sítio Web: www.apni.org
Para mulheres que sofrem de depressão depois do nascimento do seu bebé.
•
British Association for Counselling and Psychotherapy
Tel.: 01455 883 300
Sítio Web: www.bacp.co.uk
Disponibiliza um serviço de informação para aconselhamento em Inglaterra e Gales.
22
•
Mental Health Matters
Tel.: 0191 516 3500
Sítio Web: www.mentalhealthmatters.com
Uma organização nacional que presta apoio e informações sobre emprego,
habitação, apoio comunitário e serviços psicológicos.
•
Mind Infoline
Tel.: 0300 123 3393
Sítio Web: www.mind.org.uk
Fornece informações sobre um conjunto de temas, incluindo tipos de problemas
mentais, onde obter ajuda, medicamentos e tratamentos alternativos e apoio
judicial. Também fornece detalhes de ajuda e apoio para pessoas na respectiva
área de residência.
Linha de apoio disponível de segunda a sexta, das 09h00 às 17h00.
•
NHS Choices – Your Health, Your Choices
Sítio Web: www.nhs.uk
Informações sobre condições, tratamentos, serviços locais e vida saudável.
Organizações locais
A sua enfermeira ao domicílio ou o médico de família poderá
fornecer-lhe os números de contacto de organizações locais
capazes de a ajudar.
Depressão pós-parto
As seguintes organizações, linhas de apoio e recursos online
também podem ser úteis:
•
Net Mums
Sítio Web: www.netmums.com/belfast
Home Start:
•
HomeStart, Armagh/Dungannon
Tel.: 028 8778 9489
E-mail: [email protected]
•
HomeStart, Craigavon
Tel.: 028 3834 5357
E-mail: [email protected]
•
HomeStart, Newry and Mourne
Tel.: 028 3026 6139
E-mail: [email protected]
23
Sure Start:
•
Arke SureStart, Armagh
Tel.: 028 3751 8569
E-mail: [email protected]
•
Blossom, Portadown
Tel.: 028 3833 7455
E-mail: [email protected]
•
Clogher Valley SureStart, Augher
Tel.: 028 8554 9898
E-mail: [email protected]world.com
•
Dungannon SureStart
Tel.: 028 8772 9695
E-mail: [email protected]
•
Orana SureStart, Newry
Tel.: 028 3026 5714
•
Splash SureStart, Craigavon
Tel.: 028 3831 3360
•
SureStart, South Armagh
Tel.: 028 3083 0022
E-mail: [email protected]
Além disso
Pode estar disponível o serviço de massagem de bebés; pergunte
à sua enfermeira ao domicílio. Isto pode ser uma actividade
relaxante e útil simultaneamente para a mãe e o bebé.
Leitura adicional
• Surviving Postnatal Depression
Cara Aiken, Jessica Kingsley, 2000
Este livro visa ajudar as pessoas que sofrem, e os profissionais que trabalham com
elas, a compreender esta doença. O livro conta as histórias de dez mulheres com
passados muito diferentes – incluindo a autora – que sofreram de depressão pós-parto.
•
Feeling Good: the new mood therapy
David Burns, HarperCollins, 2000
Um guia livre de medicamentos para curar a ansiedade, culpa, pessimismo,
procrastinação, baixa auto-estima e outras perturbações depressivas que utiliza
métodos testados cientificamente para elevar o humor e afastar os “baby blues”.
24
•
Coping with Postnatal Depression
Dra. Sandra Wheatley, Sheldon Press, 2005
Este livro destina-se às mulheres que sofrem de depressão pós-parto
e às suas famílias.
•
Feelings After Birth: the NCT book of postnatal depression
Heather Welford, NCT Publishers Ltd, 2002
Este livro pretende fornecer uma compreensão e uma visão das causas e efeitos
da depressão pós-parto.
•
Overcoming depression
Paul Gilbert, Robinson, 2000
Guia de auto-ajuda que utiliza técnicas comportamentais cognitivas, este livro está
repleto de sugestões passo-a-passo, exemplos de casos e ideias práticas para
ganhar o controlo sobre a depressão e o mau humor.
• Dealing with Depression
Kathy Nairne e Gerrilyn Smith, The Women’s Press, 2001
Este é um guia prático para as pessoas que sofrem de depressão e para quem
sabe de alguém que está deprimido. Identifica as causas da depressão e as muitas
formas que pode assumir, explora formas de lidar com ela e recuperar e avalia a
ajuda disponível.
• Depression: the way out of your prison
Dorothy Rowe, Taylor and Francis, 2003
Fornece-nos uma forma de compreender a nossa depressão que corresponde à
nossa experiência e que nos permite retomar o controlo da nossa vida e mudá-la.
•
Mind over Mood
Christine Padesky e Dennis Greenberger, Guilford Press, 1995
Baseia-se na extensa experiência dos autores enquanto clínicos e professores de
terapia cognitiva para ajudar com êxito clientes a compreender e melhorar os seus
humores, alterar o seu comportamento e dinamizar as suas relações.
•
Overcoming Depression and Low Mood: a five areas approach
Christopher Williams, Hodder Education, 2006
Totalmente actualizado e baseado em comentários extensos, Overcoming
Depression and Low Mood é uma série de breves livros de exercícios de autoajuda que se destinam às pessoas que sofrem de humor instável e depressão.
Desenvolvido em ligação com um vasto leque de especialistas, o curso dá acesso
à comprovada abordagem da terapia comportamental cognitiva (TCC). Com
informações acessíveis e ensinando aptidões de vida essenciais, os livros de
exercícios constituem uma forma prática e eficaz de melhorar a forma como se sente.
Redigido pelo Dr. Lesley Maunder e por Lorna Cameron,
Psicólogos Clínicos Consultores, Northumberland,
Tyne and Wear NHS Foundation Trust
Este folheto baseia-se em material produzido pelo
Northumberland, Tyne and Wear NHS Foundation Trust
(www.ntw.nhs.uk). © 2012 Reproduzido com permissão.

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