Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro Escola

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Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro Escola
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Escola Nacional de Botânica Tropical
Levantamento florístico e etnobotânico em um hectare de
floresta de terra firme na região do Médio Rio Negro,
Roraima, Brasil.
Juan Gabriel Soler Alarcón
2005
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Escola Nacional de Botânica Tropical
Levantamento florístico e etnobotânico em um hectare de
floresta de terra firme na região do Médio Rio Negro,
Roraima, Brasil
Juan Gabriel Soler Alarcón
Dissertação apresentada ao Programa de
Pós-Graduação em Botânica, Escola
Nacional de Botânica Tropical, do
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico
do Rio de Janeiro, como parte dos
requisitos necessários para a obtenção do
título de Mestre em Botânica.
Orientador: Ariane Luna Peixoto
Rio de Janeiro
2005
ii
Levantamento florístico e etnobotânico em um hectare de
floresta de terra firme na região do Médio Rio Negro,
Roraima, Brasil.
Juan Gabriel Soler Alarcón
Dissertação submetida ao corpo docente da Escola Nacional de Botânica
Tropical, Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, como
parte dos requisitos necessários para a obtenção do grau de Mestre.
Aprovada por:
Prof. Dra. Ariane Luna Peixoto - Orientador
Prof. Dra. Alpina Begossi
Prof. Dra. Rejan R. Guedes Bruni
Em 23/02/2005
Rio de Janeiro
2005
iii
Soler Alarcón, Juan Gabriel
S685L
Levantamento florístico e etnobotânico em
um hectare de floresta de terra firme na região do
Médio Rio Negro, Roraima, Brasil. – Rio de
Janeiro, 2005.
ix, 121 f. : il. ; 28 cm.
Dissertação (mestrado) – Instituto de Pesquisas Jardim
Botânico do Rio de Janeiro/Escola Nacional de Botânica Tropical,
2005.
Orientadora: Ariane Luna Peixoto.
Banca examinadora: Alpina Begossi, Rejan R. Guedes Bruni.
Bibliografia.
1. Etonobotânica. 2. Florística. 3. Fitossociologia. 4. Floresta
Amazônica. 5. Plantas úteis. I. Título. II. Escola Nacional de Botânica
Tropical.
CDD 581.61
iv
Este trabalho é dedicado a
meus pais, Germán e Myriam, e a meu irmão por me apoiarem e acreditarem sempre em
mim;
ao povo brasileiro que abriu as portas do país, desde que nele pisei, permitindo-me
caminhar nesta terra maravilhosa;
à comunidade de Caicubi por ter me acolhido e compartilhado comigo aventuras
inesquecíveis.
v
Agradecimentos
Quero agradecer especialmente à Ariane Luna Peixoto pela excelente orientação
e paciência que teve comigo durante este etapa especial da minha vida. A minha família
por terem apoiado sempre, mesmo nos momentos difícies. Ao Beto e à Pascale pelo
apoio que me deram quando cheguei no Rio de Janeiro. Ao instituto Caiuá por financiar
o projeto, e principalmente a Walo Leuzinger por ter acreditado em nosso trabalho. À
comunidade Caicubi pela acolhida carinhosa, em especial a Ernane Fontes Barbosa pela
ajuda e dedicação no campo, a Pedrinho Jazinto Ogasti “Wilson”, José dos Santos
“Passarinho”, Juzelino Ferreira da Silva, Duacir de Melos das Chagas “Gavião”, Elio
Brasão “Gari”, Arlindo Mendes da Costa, Elizabeth Araújo da Costa, Plinia de Melo,
Alberto Cerrão dos Santos “Mutum” e Esteban Brás Monteiro pela colaboração e
dedicação no campo; a Mana Fé por ser uma das mulheres mais bondosas que eu já
conheci durante minha vida. Aos meninos da comunidade pelas altas pescarias que
realizamos durante meu transcurso na comunidade. A Santiago Palacios, um grande e
velho amigo, que me acolheu em Manaus, fazendo me sentir em casa. A Maria de Paula
por compartir momentos inesquecíveis no Rio de Janeiro e me ensinar coisas que os
livros não podem. A todos meus companheiros do mestrado que tantas estórias
vivemos. Aos parceiros do Anexo que virou um lugar de irmandade e camaradagem,
Valeu irmãos! A Daniela Caride fiel parceira de escalada que passamos por aventuras
inesquecíveis no estado do Rio de Janeiro virando irmãos para sempre. Ao Programa de
Pos-graduação do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro pela
oportunidade de realização do trabalho. A secretaria da ENBT por todo o apoio
logístico durante estes dois anos. A C.A.Cid Ferreira pelo inestimável apoio no herbário
do INPA. A Pablo Assunção pelo auxílio na confirmação das identificações no herbário
do INPA. Aos especialistas Alberto Vicentini, Douglas Daly, José Eduardo Ribeiro,
vi
Michael Hopkins pela identificação de espécies de famílias de suas especialidades. A
CAPES pela bolsa de mestrado concedida.
vii
Resumo
Este estudo trata sobre a florística, fitossociologia e etnobotânica das plantas
(indivíduos arbóreos, lianas e hemiepífitas) com DAP > 10cm encontradas em 1ha de
floresta de terra firme na zona de interflúvio Rio Negro-Rio Branco (01°01’43”S,
62°05’21”W), município de Caracaraí, estado de Roraima, Brasil. Na florística e
fitossociologia encontrou se que a altura média da floresta foi de 16,63m, com árvores
emergentes que alcançaram alturas de 58m, 48m e 47m. Foram encontrados 544
indivíduos pertencentes a 194 espécies, das quais cinco estavam representadas por
lianas e duas por hemiepífitas. A família de maior riqueza específica foi Leguminoseae.
A espécies com densidade maior foi Clathrotropis macrocarpa. No total 17 famílias e
76 gêneros estiveram representadas por apenas uma espécie; enquanto 40 gêneros e 106
espécies estiveram representados por apenas um indivíduo. A família com maior Valor
de Importância (VI) foi Leguminosae. O maior VI para as espécies foi encontrado em
Clathrotropis macrocarpa. A área basal total encontrada foi de 26,35m2. O índice de
Shannon (H’) encontrado foi de 4,66 e a equabilidade (J) de 0,88. A região de
interflúvio entre o Rio Branco e o Rio Negro, em relação à flora era dita como
insuficientemente conhecida mais de provável importância. Os dados e informações
aqui apresentados e discutidos apontam a importância florística da floresta de terra
firme desta área. Na etnobotânica realizou-se um estudo com os caboclos da vila de
Caicubí, município de Caracaraí, envolvendo o seu conhecimento sobre as espécies com
indivíduos com DAP > 10 cm no hectare de floresta de terra firme. Foram entrevistados
11 informantes chaves com idades entre 34 a 74 anos. Foram analisadas 191 espécies
das quais 187 (98%) mostrarão ser de alguma utilidade; das 43 famílias encontradas, 42
(98%) apresentam espécies úteis. A família com maior valor de uso para comunidade
foi Arecaceae. A espécie com maior valor de uso foi Bertholletia excelsa. As
Arecaceae, Lecythidaceae e Sapotaceae são famílias que se destacaram em várias
categorias de uso. As categorias com maior valor de uso foram combustível, tecnologia
e construção, sendo tecnologia a categoria com maior quantidade de usos. O valor de
uso médio por espécie foi de 1,6. Os recursos mais utilizados da floresta foram madeira,
folhas e espinho e exsudatos.
viii
Abstract
A floristic, phytosociolocal and ethnobotanical inventory of plants (trees, lianas and
hemiepiphytes) with DBH > 10 cm was realized in a 1ha. of terra firme forests in the
region between Rio Negro-Rio Branco (01°01’43”S, 62°05’21”W). In the floristic and
phytosocilogical inventory were found that the media height of the forest was 16,63m,
with canopy trees of 58m, 48m e 47m. The plot had 544 individuals, 194 species, of
which five were represented by lianas and two by hemiepiphytes. The richest family
was Leguminoseae. The species with highest density was Clathrotropis macrocarpa. A
total of 17 families and 76 genera were represented only by one species; meanwhile 40
genera and 106 species were represented only by one individual. The family with the
highest important value (IV) was Leguminoseae. The highest IV for the species was
found in Clathrotropis macrocarpa. The basal area was of 26,35 m2. The Shannon
Index (H’) found was of 4,66 and the equitability (J) 0,88. This region that is localized
between the rivers Rio Branco and Rio Negro is been poorly studied with respect of the
flora but it is been said of probable importance. The data and information presented in
this study shows the floristic importance of terra firme forest in this area. In the
ethnobotanical inventory results are presented with the caboclos of the village of
Caicubi, Caracarai county, state of Roraima. The study involved the knowledge of the
caboclos among the species, with individuals of DBH > 10 cm, in a 1ha of terra firme
forest. A total of 11 informants were interviewed with ages between 34 and 74 years
old. From the 191 species analyzed, 187 (98%) were useful for the caboclos. The family
with the highest use value for the community was Arecaceae. The species with the
highest used value was Bertholletia excelsa. The Arecaceae, Lecythidaceae and
Sapotaceae were the families that show the highest use values between the categories of
use. The categories with the highest use values were firewood, technology and
construction; technology was the category with the more uses. The mean use value for
species was 1,6. The resources more utilized in the forest were wood, leaves, spines and
exudates.
ix
Sumário
Resumo...........................................................................................................................viii
Abstract............................................................................................................................ix
Introdução Geral………………………....……………....................................................1
Referências Bibliográficas.................................................................................................3
Artigo. Florística e Fitossociologia de um Hectare de Floresta de Terra Firme no Estado
de Roraima, Amazônia, Brasil...........................................................................................4
Resumo..................................................................................................................6
Abstract..................................................................................................................7
Introdução..............................................................................................................8
Materiais e métodos.............................................................................................10
Área de estudo..........................................................................................10
O método..................................................................................................12
Resultados e discussão.........................................................................................14
Conclusão.............................................................................................................42
Agradecimientos..................................................................................................43
Referências Bibliográficas...................................................................................43
Artigo. Estudo Quantitativo sobre o Uso da Floresta de Terra Firme pelos Caboclos da
Vila de Caicubi, no Médio Rio Negro, Brasil.................................................................47
Resumo................................................................................................................48
Abstract................................................................................................................49
Introdução……….......…………………………………………………….........49
Área de estudo ....................................................................................................51
Métodos...............................................................................................................52
Resultados e discussão.........................................................................................56
Conclusões ..........................................................................................................91
Agradecimentos...................................................................................................93
Referências Bibliográficas...................................................................................93
Anexo 1................................................................................................................96
Conclusões e recomendações........................................................................................115
Anexo.............................................................................................................................116
x
Introdução Geral
A região de influência do Rio Negro exibe extensas áreas intactas de floresta. Duas
características de sua vegetação merecem destaque: a alta diversidade em uma região de solos
extremamente pobres e o grande número de espécies endêmicas (Oliveira et al. 2001).
A região do Rio Negro constitui-se em um grande laboratório para pesquisas, pois a sua
extensa área de floresta tropical ainda está pouco fragmentada pela ação do homem. Esse fato
reveste-se de importância, especialmente para o futuro, tendo em vista que ainda é possível
planejar a ocupação e o uso de seu solo, buscando conciliar a utilização dos recursos naturais e a
conservação da biodiversidade, garantindo assim a continuidade da floresta com toda a sua
riqueza (Vicentini, 2001).
A densidade demográfica, 1,3 habitante por 100 hectare, vem se alterando pelo rápido
crescimento populacional no baixo Rio Negro. A extração de madeira e de outros produtos
naturais e a queima de áreas para o plantio e criação de pastagens direcionadas à pecuária, vêm
provocando a destruição de grandes trechos da floresta (Zeiderman, 2001). O bem-estar das
populações tradicionais locais será sacrificado se não se criar mecanismos para estabelecimento
de áreas mínimas necessárias para conservação. Um bom conhecimento botânico da Amazônia é
imprescindível para todas as atividades relacionadas ao uso e à conservação da floresta
(Vicentini, 2001).
Atualmente a Bacia do Rio Negro é ocupada por dois grupos principais: o índio e o
caboclo. Apesar de existirem diferenças marcantes entre estes dois grupos étnicos, semelhanças
amplamente difundidas podem ser apontadas, destacando-se a similaridade na agricultura de
corte-queima com base no cultivo da mandioca, dieta baseada principalmente em proteína
fornecida por animais silvestres, baixa densidade populacional, uma cultura de tecnologia
material simples, incluindo ferramentas e utensílios de fibras vegetais (German, 2001).
Diversas e complexas estratégias de utilização de recursos transformam o ambiente em
uma rica base de subsistência para esses povos (German, 2001). Entretanto, a alta diversidade
biológica condicionada à baixa densidade da maioria das espécies vegetais e animais dificulta a
atividade de coleta e extração e determina uma relação custo-benefício, na maioria dos casos,
desfavorável à exploração intensa de um único recurso (German, 2001). Soma-se a isto o fato dos
solos alagáveis do Rio Negro serem muito ácidos e pobres em nutrientes, não se prestando para a
agricultura. Assim diversas adaptações culturais a essas características ecológicas fundamentam
1
as práticas de subsistência das populações tradicionais, erroneamente percebidas como primitivas
(German, 2001). Nesse contexto, o extrativismo é parte de um sistema diversificado e integrado
nas práticas de subsitência, junto com a agricultura, a pesca, e outros, e não se constitui em uma
atividade isolada de sutento (German, 2001).
O projeto que originou a presente dissertação teve o objetivo de 1) estudar a florística e a
estrutura de um trecho de um hectare de floresta de terra firme na região do médio Rio Negro e 2)
identificar as espécies vegetais utilizadas por uma comunidade de caboclos ribeirinhos que
habitam a vila de Caicubi, no igarapé Caicubi, afluente do Rio Jufari, determinando a importância
e o valor de uso das espécies.
Tal conhecimento poderá ajudar na implementação de projetos de sustentabilidade da
floresta, visando à conservação da Bacia do Rio Negro. Também poderá auxiliar projetos já em
desenvolvimento em comunidades da Amazônia, com aporte de novos conhecimentos sobre
comunidades tradicionais amazônicas.
O projeto também se insere no conjunto de estudos já realizados no Brasil sobre
comunidades de ribeirinhos amazônicos, dando continuidade à busca de conhecimento sobre o
saber destas comunidades tradicionais. O Ministério do Meio Ambiente em 2001 listou 168
trabalhos publicados sobre caboclos/ribeirinhos amazônicos. Destes trabalhos 54 (32,1%)
envolveram estudos de etnoconhecimento (Diegues & Arruda, 2001). A comunidade que habita a
vila de Caicubi ainda não foi contemplada com estudos desta natureza. A região de interfluvio
Rio Branco-Rio Negro é apontada como área de alta importância biológica, prioritária para
conservação da biodiversidade, com ausência de unidades de conservação é reconhecida como de
Alta Importância Biológica para aves, mamíferos, répteis e anfíbios (Capobianco, 2001). As
florestas da região são ditas como prioritárias para inventários, sendo classificadas como uma
Área Insuficientemente Conhecida mas de Provável Importância (Capobianco, 2001).
Optou-se pela apresentação dos resultados da pesquisa na forma de dois artigos
científicos. O primeiro deles, intitulado “Florística e fitossociológia de um hectare de floresta de
terra firme no estado de Roraima, Amazônia, Brasil” trata do inventario das espécies arbóreas,
lianas e hemiepifitas com diâmetro igual ou maior de 10 cm ocorrentes em 1 ha. de floresta de
terra firme. Buscou, além do inventário florístico, determinar a riqueza, densidade, freqüência,
dominância e valor de importância das espécies da área. Este artigo foi submetido à revista
científica Acta Amazônica, publicada pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, e está
2
apresentado segundo as normas da revista.
O segundo artigo, intitulado “Estudo Quantitativo sobre o Uso da Floresta de Terra Firme pelos
Caboclos da Vila de Caicubi, no Médio Rio Negro, Brasil” trata da identificação das espécies
vegetais de terra firme utilizadas pela comunidade de caboclos da vila de Caicubi e da
compreensão e importância das espécies vegetais do ponto de vista da comunidade de Caicubi.
No artigo buscou-se resgatar, sistematizar e categorizar as informações sobre as espécies vegetais
ocorrentes em 1 ha. de floresta de terra firme utilizadas pela comunidade de Caicubi, calculando
o valor de uso. Este artigo será enviado para a revista científica Economic Botany, publicada pelo
New York Botanical Garden.
Referências Bibliográficas
Capobianco, J.P.R. (Org.). 2001. Biodiversidade na Amazônia Brasileira. Ed. Estação
Liberdade/Instituto Socioambiental. São Paulo, SP. 540 p.
Diegues A.C. & Arruda R. S. V. 2001. Saberes Tradicionais e Biodiversidade no Brasil.
Biodiversidade 4. Ministério do Meio Ambiente. Brasília. 176 p.
German L. 2001. Cap. 7. Formas Tradicionais de Exploração e Conservação das Florestas. In:
Oliveira A.A. & Daly, D. (ed.). Florestas do Rio Negro. The New York Botanical Garden,
New York. 221-253
Oliveria A.A., Daly D. C., Vicentini A., Cohn-Haft M. 2001. Cap. 6. Florestas sobre Areia:
Campinaranas e Igapós. In: Oliveira A.A.& Daly, D. (ed.). Florestas do Rio Negro. The New
York Botanical Garden, New York. 179-219
Vicentini A. 2001. Cap. 5. As Florestas de Terra Firme. In: Oliveira A.A.& Daly, D. (ed.). 2001.
Florestas do Rio Negro. The New York Botanical Garden, New York. 143-177
Zeidermann V.K. 2001. Cap. 2. O Rio das Águas Negras. In: Oliveira A.A.& Daly, D. (ed.).
Florestas do Rio Negro. The New York Botanical Garden, New York. 61-87
3
Artigo
FLORÍSTICA E FITOSSOCIOLÓGIA DE UM HECTARE DE FLORESTA DE TERRA
FIRME NO ESTADO DE RORAIMA, AMAZÔNIA, BRASIL
4
FLORÍSTICA E FITOSSOCIOLOGIA DE UM HECTARE DE FLORESTA DE TERRA
FIRME NO ESTADO DE RORAIMA, AMAZÔNIA, BRASIL¹,²
Juan Gabriel Soler ALARCÓN³
Ariane Luna PEIXOTO4
¹Parte da dissertação de mestrado do primeiro autor, desenvolvida na Escola Nacional de
Botânica Tropical do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
² Apoio financeiro e logístico da Fundação Caiuá de Gestão Ambiental.
³ Mestrando, Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Bolsista Capes;
4
Pesquisadora do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Rua Pacheco Leão
2040, 22460-038, Horto, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Bolsista CNPq.
5
FLORÍSTICA E FITOSSOCIOLOGIA DE UM HECTARE DE FLORESTA DE TERRA
FIRME NO ESTADO DE RORAIMA, AMAZÔNIA, BRASIL
RESUMO. São apresentados dados florísticos e fitossociológicos de 1 ha. de floresta de terra
firme localizada na região do baixo Rio Branco (01°01’43”S, 62°05’21”W), Roraima, Brasil. A
amostragem incluiu os indivíduos arbóreos, lianas e hemiepífitas com DAP > 10cm. A altura
média da floresta é de 16,63m, com árvores emergentes que alcançaram alturas de 58m, 48m e
47m. Foram encontrados 544 indivíduos pertencentes a 194 espécies, das quais cinco estavam
representadas por lianas e duas por hemiepífitas. As famílias de maior riqueza específica foram
Leguminoseae, Cecropiaceae, Burseraceae, Chrysobalanaceae e Moraceae. Os gêneros de maior
riqueza específica foram Pourouma, Inga, Licania, Protium e Pouteria. As espécies com
densidades maiores foram Clathrotropis macrocarpa, Bocageopsis multiflora, Eschweilera
coriacea, Euterpe precatoria, Inga alba, Pourouma cf. tomentosa subsp. apiculata. Dezessete
famílias e 76 gêneros estiveram representados por apenas uma espécie; 40 gêneros e 104 espécies
representados por apenas um indivíduo. As famílias com maiores Valor de Importância (VI)
foram Leguminosae, Cecropiaceae, Lecythidaceae, Annonaceae e Arecaceae. Os maiores VI para
espécies foram encontrados em Clathrotropis macrocarpa, Goupia glabra, Bocageopsis
multiflora, Eschweilera coriacea, Euterpe precatoria. A área basal total encontrada foi de
26,35m2. O índice de Shannon (H’) encontrado foi de 4,66 e a equabilidade (J) de 0,88. A região
de interfúlvio entre o Rio Branco e o Rio Negro, em relação à flora era dita como
insuficientemente conhecida, mas de provável importância.
Os dados e informações aqui
apresentados e discutidos comfirmam a importância florística da floresta de terra firme desta
área. Também se procura fornecer dados que permitirão comparar esta pesquisa com outras
similares, realizadas na Amazônia.
6
Palavras-chave – inventário florístico, estrutura fitosociologica, floresta de terra firme,
Amazônia brasileira.
ABSTRACT. (Floristic compositon and structure in one hectare of terra firme forest, state of
Roraima, Amazon, Brazil) A quantitative floristic and phytosociological inventory in a 1 ha. of
terra firme forests were conducted in the region of the lower Rio Branco (01°01’43”S,
62°05’21”W), Roraima State, Brazil. This study included trees, lianas and hemiepiphytes with
dbh > 10cm. The media height of the forest was 16,63m, with canopy trees of 58m, 48m e 47m.
The plot had 544 individuals, 194 species, of which five were represented by lianas and two by
hemiepiphytes.
The richest
families
were Leguminoseae,
Cecropiaceae, Burseraceae,
Chrysobalanaceae and Moraceae. The richest genera were Pourouma, Inga, Licania, Protium e
Pouteria. The species with highest densities were Clathrotropis macrocarpa, Bocageopsis
multiflora, Eschweilera coriacea, Euterpe precatoria, Inga alba, Pourouma cf. tomentosa subsp.
apiculata. A total of 17 families and 76 genera were represented by only one species; 40 genera
and 104 species by only one individual. The families with the highest important value (IV) were
Leguminosae, Cecropiaceae, Lecythidaceae, Annonaceae e Arecaceae. The highest IV for the
species was found in Clathrotropis macrocarpa, Goupia glabra, Bocageopsis multiflora,
Eschweilera coriacea, Euterpe precatoria. The basal area was of 26,35m2. The Shannon Index
(H’) found was of 4,66 and the equitability (J) 0,88. This region, which is localized between the
rivers Rio Branco and Rio Negro is said to have been poorly studied with respect of the flora but
of probable importance. The data and information presented shows the floristic importance of the
forest of terra firme in this area and looks forward to provide tools that will permit to compare
this study with similar ones carried out in the Amazons.
Key words – floristic composition, structure phytosociology, terra firme forest, Brazilian
Amazon.
7
Introdução
A região Amazônica ocupa uma área aproximada de seis milhões de km 2 na América do
Sul, dos quais cerca de 60% encontra-se em território brasileiro (Pires, 1980). O relevo é um dos
fatores principais para determinar o tipo de vegetação, e esta está dividida em dois grupos
principais: a vegetação de terra firme e a vegetação que sofre inundação (Pires & Prance, 1985).
Outra forma prática para expressar as diferenças entre tipos de vegetações é de correlacionar as
diferenças entre índices de biomassa: tipos de vegetação similar contém aproximadamente a
mesma biomassa (área basal por hectare)(Pires & Prance, 1985). Com estes dois fatores Pires &
Prance (1985) dividem os principais tipos de vegetação na Amazônia. O presente estudo foi
desenvolvido em floresta densa de terra firme, segundo esta classificação e muitas vezes chamada
na literatura de floresta de terra firme (Milliken, 1998; Campbell et al. 1986; Ferreira & Prance,
1999, entre outros). As florestas de terra firme são reconhecidas no sistema de Veloso et al.
(1991) como Florestas Ombrófilas Densas.
Embora a literatura hoje disponível sobre inventários florísticos e fitossociológicos em
florestas de terra firme, várzea e igapó seja considerável, muitas vezes é difícil comparar os
resultados entre os diferentes inventários devido à diferença entre os métodos empregados, os
critérios de inclusão de indivíduos e a grande diversidade local.
Campbell et al. (1986) tecem comentários sobre a dificuldade de se fazer comparações
entre diferentes inventários realizados na Amazônia por muitos deles utilizarem distintos critérios
de inclusão. Apresentam uma tabela contendo 20 inventários realizados, incluindo o deles, que
amostraram entre 0,5 e 3,8ha com formato de área variado e critério de inclusão, entre 8 e 15cm
de DAP.
Oliveira & Nelson (2001), fazem uma analises da composição florística, a nível genérico,
entre 12 localidades da Amazônia Brasileira, uma na Bolívia e uma Costa Atlântica Brasileira
8
com base em inventários publicados. Não analisaram os dados a nível específico por
reconhecerem a existência de problemas de indentificação botânica e nomenclatura das espécies.
Nelson & Oliveira (2001) escrevendo sobre o estado de conhecimento florístico da
Amazônia, comentam sobre inventários quantitativos de árvores em florestas de terra firme e em
florestas periodicamente inundadas, desde os primeiros realizados na região em 1934, até os mais
recentes. Apresentam uma tabela síntese de 37 destes inventários. Comentam sobre as
dificuldades para comparações entre os diferentes estudos devido à variedade de metodologias,
principalmente quanto à forma e tamanho da área amostral e diâmetro de inclusão. Ressaltam as
dificuldades de se obter boas amostras de material testemunho e a complexidade de identificações
destas amostras, o que dificulta ainda mais as comparações florísticas e estruturais ao nível de
espécies.
Embora já seja significativo o conhecimento sobre a florística e a estrutura da floresta
Amazônica, quando se considera o tamanho e a diversidade biológica da região, a informação
ainda é insuficiente para uma interpretação satisfatória da fitogeografia e da fitossociologia da
Amazônia (Milliken, 1998). Na revisão de literatura sobre inventários apresentada por Nelson &
Oliveira (2001), não há nenhuma citação para trabalhos realizados em Roraima. Entretanto, a
região de interfúlvio Rio Branco-Rio Negro, onde o presente trabalho foi realizado, é apontada
como área de alta importância biológica, prioritária para biodiversidade, com ausência de
unidades de conservação, é reconhecida como de Alta Importância Biológica para aves,
mamíferos, répteis e anfíbios. Também suas florestas são ditas como prioritárias para inventários,
sendo reconhecidas como uma Área Insuficientemente Conhecida, mas de Provável Importância
(Capobianco, 2001).
O presente estudo objetivou a busca de conhecimento sobre a estrutura e a composição
florística de um hectare da floresta de terra firme, considerando-se apenas árvores, lianas e
9
hemiepífitas arbóreas com diâmetro altura do peito (DAP) > 10cm. Esta pesquisa faz parte de um
estudo etnobotânico que visa identificar a utilização das espécies do trecho de floresta estudado
pela comunidade ribeirinha da vila de Caicubi. Os dados e informações aqui apresentados e
discutidos visa contribuir também para uma futura interpretação mais acurada do vasto espaço
florestado da Amazônia, fornecendo ferramentas para a conservação.
Materiais e Métodos
Área de estudo
O estudo foi realizado em um hectare de floresta de terra firme, localizado próximo à vila
Caicubi (com coordenada central de 01°01’43”S e 62°05’21”W, altitude de 50 msnm). Esta vila,
habitada por 400 pessoas em 72 famílias (Com. Pes. Orange Ferreira), localiza-se na margem do
igarapé Caicubí, afluente do rio Jufarí, na região do baixo Rio Branco (interfluvio Rio Branco/
Rio Negro), município de Caracaraí, Roraima (Fig. 1). As cidades mais próximas à vila de
Caicubi são Barcelos e Manaus (Amazônia) localizadas no Rio Negro, e Caracaraí, Roraima no
Rio Branco. Segundo a classificação de Veloso et al. (1991), a área de estudo caracteriza-se
como Floresta Ombrófila Densa das terras baixas e segundo a classificação de Pires & Prance
1985 a floresta densa de terra firme.
10
Figura 1 Mapa de localização do trecho de floresta de terra firme próximo à vila de Caicubi,
Município de Caracaraí, Estado de Roraima, Brasil.
Vila Nova et al. (1976), apresentam dados climatológicos de Barcelos (0o59’S, 62o55’W)
onde se localiza a estação meteorológica mais próxima a Caicubi e apontam, em uma série de 30
anos (1931-1960), temperatura media anual de 26 °C; pluviosidade média anual de 1999 mm,
sendo os meses mais chuvoso s abril, maio e junho; umidade relativa de 86%. O clima da região é
tipicamente quente e úmido (Afi de Köepen). O trabalho desenvolvido pelo RADAMBRASIL
(1978)
identifica
o
trecho
estudado
como
pertencente
à
Formação
Solimões;
geomorfologicamente está classificado como Interflúvio tabular de relevo de topo aplainado, cujo
solo é do tipo Latossolo Amarelo Álico (RADANBRASIL, 1978).
A escolha do trecho selecionado para o estudo foi feita numa área que, de acordo como a
população local, teve pouca intervenção, tendo sido extraídos produtos não madeiráveis,
principalmente de espécies como: açaí (Euterpe precatória), bacaba (Oenocarpus bacaba), cipó
11
titica (Heteropsis cf. flexuosa), arumã (Ishnosiphon sp.), castanha (Bertholletia excelsa), ubim
(Geonoma spp.).
O método
O método escolhido para o estudo florístico e fitossociológico foi o de parcelas, de modo
geral empregado em estudos similares na Amazônia (Campbell et al. 1986, Milliken, 1998,
Ferreira & Prance, 1999, entre outros). Na área previamente escolhida delimitou-se 1 ha. em
forma de retângulo (200m x 50m), sob oreintação Norte-Sul subdividido em parcelas de 10m x
10m. Optou-se por um retângulo, pois ao tentar se delimitar um quadrado de 100m x 100m se
encontrou castanhais nos quais a população local coleta frutos e para tal limpam parcialmente um
trecho correspondente ao diâmetro das copas das castanheiras. Mas a diferença de forma da
parcela entre quadrado e retângulo, das dimensões empregadas, parece não influenciar
significativamente analises relativas à riqueza de espécies (Laurance et al. 1998); retângulos mais
estreitos (10m x 1000m), entretanto, podem capturar maior riqueza (Laurance et al. 1998).
Dentro das parcelas foram numerados seqüencialmente, com pequenas placas de material
plástico, todos os indivíduos arbóreos, lianas e hemiepífitas com diâmetro a altura do peito
(DAP) > a 10cm. Quando as árvores apresentavam sapopemas, o DAP foi medido acima destas.
Para todos os indivíduos anotou-se em planilhas dados de altura total, altura do fuste, DAP e
características morfológicas, como cor do ritidoma, exsudatos (látex, seiva, resina, goma), odor,
ou outros caracteres que pudessem auxiliar na identificação, bem como o nome popular. No
período de novembro de 2003 a fevereiro de 2004, em duas estadias que totalizaram 56 dias na
vila de Caicubi, foram coletados ramos de todas as morfo-espécies, com exceção Astrocaryum
aculeatum, Attalea maripa, Euterpe precatoria, Oenocarpus bacaba e Jacaranda copaia. A
12
coleta foi realizada com tesoura de alta poda e, para os indivíduos com copas acima de 14 m, foi
necessário escalar as árvores utilizando peconha, técnica amplamente utilizada pelos habitantes
da região, para a coleta de alguns recursos vegetais das palmeiras de açaí (Euterpe precatoria),
bacaba (Oenocarpus bacaba) e patauá (Oenocarpus bataua), entre outras. As amostras botânicas
foram prensadas em jornal e preservadas em álcool durante todo o período de permanência no
campo. Após cada um dos dois períodos no campo as amostras foram secas em estufa nos
laboratórios do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). A coleção completa das
amostras foi depositada no herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB) e duplicatas de
exemplares férteis encontram-se depositadas no herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da
Amazônia (INPA).
A identificação taxonômica foi realizada inicialmente no campo, utilizando-se dois
manuas de campo muito empregados em identificação de árvores (Gentry, 1993; Ribeiro et al.
1999). As identificações foram realizadas com literatura especializada e comparando as amostras
coletadas com exemplares depositados nos herbários do INPA e RB. Para algumas famílias as
identificações foram confirmadas pelos seus especialitas: Lauraceae (A. Vicentini ), Burseraceae
(D. Daly), Moraceae (J. E. Ribeiro) e Leguminoseae (M. Hopkins). Não foi possível identificar
três espécimes as quais foram tratadas como um grupo à parte, denominado Indeterminadas.
Estes espécimes permaneceram desfolhados durante toda a permanência em campo, o que
impossibilitou também suas coleta para constituir exemplares testemunhos. Três morfo-espécies,
idênticas a táxons ainda não descritos táxonômicamente, porém citados em Ribeiro et al. (1999),
são citadas como nesta obra (Ocotea sp. E, Aniba aff. williamsii, Qualea sp.1).
O tratamento das famílias adota o sistema de classificação de Cronquist (1981), exceto
para Leguminosae que foi considerada como família única, como indicadod por Polhill & Raven
(1981). Optou-se por este procedimento para possibilitar uma melhor comparação entre o trecho
13
estudado e outros estudos realizados na região Amazônica. A grafia dos nomes das espécies foi
conferida em revisões taxonômicas ou no Index Kewensis, versão on line. Os nomes dos autores
dos táxons encontram-se abreviados segundo Brummit & Powel (1992). Os nomes populares
foram indicados por 11 colaboradores da vila de Caicubí que auxiliaram nos trabalhos de campo.
O programa Fitopac 1 (Shepherd, 1995) foi utilizado para analisar os parâmetros
fitossociológicos. No caso das espécies e das famílias foram calculados os valores absolutos e
relativos de densidade, freqüência e dominância e os valores de importância (VI) (MüllerDombois & Ellenberg, 1974), assim como o índice de diversidade de Shannon (H’) e a
Equabilidade (J) (Magurran, 1988).
Resultados e discussão
No trecho de um hectare de floresta de terra firme foram encontrados 544 indivíduos,
distribuídos em 43 famílias, 106 gêneros e 192 espécies. Com respeito ao hábito, 185 eram de
espécies arbóreas (em 100 gêneros), seguido pelas lianas com cinco espécies (em 4 gêneros e
uma indeterminada) e hemiepífitas com duas espécies (em dois gêneros).
A Tabela 1 apresenta as espécies ocorrentes na área de estudo, em ordem alfabética de famílias,
juntamente com os nomes populares pelos quais são reconhecidas pelos moradores locais e seus
respectivos números de coleta do exemplares testemunhos.
14
Tabela 1. Espécies arbóreas, lianas e hemiepífitas com DAP >10cm amostradas em 1 ha. de
floresta de terra firme na vila de Caicubi, Caracaraí, Roraima, Brasil,, seus nomes comuns
utilizados localmente e número de coleta de Juan G. Soler A. (hemiepífita*, lianas**, nomes
utilizados por Ribeiro et al. ***).
FAMÍLIAS/ESPÉCIES
NOMES POPULARES
ANACARDIACEAE
Tapirira guianensis Aubl.
ANNONACEAE
Bocageopsis multiflora (Mart.) R.E. Fr
Fusaea longifolia Safford.
Guatteria citriodora Ducke
Xylopia aff polyantha R.E.Fr.
Xylopia amazonica R.E.Fr.
APOCYNACEAE
Ambelania acida Aubl.
Couma guianensis Aubl.
Odontadenia cognata (Stadelm.)
Woodson **
Rhigospira quadrangularis Miers.
132
Envira-surucucu, envira-ferro, envirapreta
envira-ferro
Envira-pimenta, envira
Envira-preta, envirera
Envira-vasourinha, envira-surucucuvermelha
4
160
44
12
40
Pepino-do- mato
Sorva, sorvão
Cipó-cururu
7
57
141
Balatarana
204
AQUIFOLIACEAE
Ilex divaricata Mart ex Reiss.
ARALIACEAE
Schefflera morototoni
(Aubl.)Maguire,Steyerm. & Frodin
No
Col.
86
Morototo, murucututu
8
ARECACEAE
Astrocaryum aculeatum Wallace
Attalea maripa Mart.
Euterpe precatoria Mart.
Oenocarpus bacaba Mart.
Tucumã
Inajá
Açaí
Bacaba, bacabeira
S/C
S/C
S/C
S/C
BIGNONIACEAE
Jacaranda copaia D.Don
Para-pará
S/C
Envira-branca
25
168
BOMBACACEAE
Quararibea ochrocalyx Visch.
Rhodognaphalopsis cf. duckei A.
15
Robyns
BORAGINACEAE
Cordia bicolor A.DC. ex Dc.
Cordia exaltata Lam.
Cordia nodosa Lam.
Cordia panicularis Rudge
Cordia sp.
BURSERACEAE
Crepidospermum cf. rhoifolium
(Benth.) Triana & Planchon
Dacryodes cf. hopkinsii Daly
Dacryodes sclerophylla Cuatrec.
Protium amazonicum (Cuatrec.) Daly
Protium grandifolium Engl.
Protium hebetatum Daly
Protium opacum Swart subsp. Opacum
Protium subserratum Engl.
Protium trifoliolatum Engl.
Trattinnickia boliviana ( Swart.) Daly
Trattinnickia glaziovii Swart.
CARYOCARACEAE
Caryocar glabrum (Aubl.)Pers. subsp.
parviflorum (A.C.Sm.) Prance & M.F.
da Silva
Caryocar glabrum (Aubl.) Pers. subsp.
Glabrum
CECROPIACEAE
Cecropia distachya Huber
Coussapoa sprucei Mildbr.*
Pourouma cf. cuspidata Warb. &
Mildbr.
Pourouma cf. tomentosa subsp.
apiculata (Benoist) C.C. Berg & Van
Pourouma cucura Standl. & Cuatrec.
Pourouma ferruginea Standl.
Pourouma guianensis Aubl. subsp.
guianensis
Pourouma melinonii Benoist subsp.
melinonii
Envira-pimenta, envira-tai
Ovo-de-mucura, saco-de-mucura
Envira-preta, embira
Muela –de-inambu, tintarana, breuxicantã
Breeira, tinturana
Breu-cicantaá
Breera, breu-cajarana
Breu-cicantaá, cicantaá-de-inambú
Breu-cicantaá, breu
Moela-de-inambu, breeira-da-folhagraúda
Moela-de-inambu, tinturana
Breu
Breu-cicantaá
Breera-breu xicantá, cajarana
18
38
261
76
216
99
187
289
178
133
53
70
158
15
109
77
Piquiarana
312
Piquiarana
50
Imbaúba-branca, imbaúba-da-folhagraúda
Mata-pau
Imbauba, imbaubarana
69
251
60
Imbaubão, cucuraí, imbaúba-da-terrafirme
Imbaúba-branca, imbaúba, cucura
Imbaúba, cucurarana, cucura
Imbaúba-bengüe, caimbe, cucura-do-mato
20
111
205
202
Imbaubão, cucura, imbaúba
19
16
Pourouma minor Benoist
Imbaúba-branca, imbaúba, imbaúba-defolha-miúda
Imbaúba-branca, cucurarana, cucura,
Imbaúba-branca, cucura–do-mato
284
218
Imbaúba, cucurai, imbaúba-branca
148
Imbaúba-bengüe, caimbe, cucurarana
105
Cupiúba
11
Cumanda, macucuí
Caraipé branco, caraipé, jutaí-pororoca
270
78
Caraiperana, uchibravo, caraipé
Macucuí
Macucuí
282
101
255
Macucuí, macucuí-preto
172
Macucuí, macucuí-legitimo, macucuíbranco
Caraipe, Guará, , caraipé-preto, Uararana,
Ararana
Caraipé, caraipé-de-casca fina, caraipépreto
Macucuí, macucuí-branco
Macucuí-branco
114
Apuí
Bacurizinho, Anani, Ananirana,
pachiubarana
Pachiubarana, pachiubinha, Ananirana
264
106
DILLINIACEAE
Pinzona coriacea Mart. & Zucc. **
Cipó-d´agua
241
ELAEOCARPACEAE
Sloanea cf. synandra Spruce ex. Benth.
Urucurana
113
Pourouma ovata Trec.
Pourouma tomentosa Miq. subsp.
essequiboensis (Stand.) C.C. Berg &
Heusden
Pourouma tomentosa Miq. subsp.
tomentosa
Pourouma villosa Trecúl
CELASTRACEAE
Goupia glabra Aubl.
CHRYSOBALANACEAE
Couepia aff. obovata Ducke
Hirtella racemosa var. hexandra
(Willdenow ex Roemer & Schultes)
Prance
Licania canescens Benoist
Licania caudata Prance
Licania cf. prismatocarpa Spruce ex
Hook. F.
Licania heteromorpha Benth. subsp.
Heteromorpha
Licania hirsuta Prance
Licania micrantha Miq.
Licania octandra subsp. pallida
(Hooker f.) Prance
Licania sothersiae Prance
Licania unguiculata Prance
CLUSIACEAE
Clusia grandiflora Splitg. *
Symphonia globulifera L.
Tovomita schomburgkii Planch. &
Triana
36
75
122
88
143
13
17
Sloanea pubescens Benth.
Sloanea rufa Planch. ex Benth.
Sloanea sp.1
EUPHORBIACEAE
Alchornea schomburgkii Klotzsch
Alchornea triplinervia Mull. Arg.
Croton lanjouwensis Jabl.
Hieronyma mollis Muell. Arg.
Euphorbiaceae sp1
FLACOURTIACEAE
Laetia procera Eichl.
Laetia sp.1
Lindackeria cf. paludosa Gilg.
GNETACEAE
Gnetum leyboldii Tul.**
HUGONIACEAE
Hebepetalum humiriifolium (Planch.)
Jackson
LAURACEAE
Aniba aff. williamsii O. C. Schmidt ***
Licaria guianensis Aubl.
Mezilaurus subcordata (Ducke)
Kosterm
Ocotea nigrescens A. Vicentini
Ocotea rhodophylla A. Vicentini
Ocotea sp. E ***
Ocotea subterminalis H. van der Werff
Pleurothyrium vasquezii H. van der
Werff
LECYTHIDACEAE
Bertholletia excelsa Humb & Bonpl.
Eschweilera bracteosa Miers
Eschweilera coriacea Mart. ex O.Berg
Eschweilera grandifolia Mart ex DC.
Eschweilera pedicellata
Urucurana
Canala-de-velho, canela-de-maçarico
Urucurana
278
211
279
Dima
165
22
128
212
210
Pau-judeu, matutexi, matute
9
235
47
Cipó-curucuda, cipó-tuiri
250
Suim
6
Louro-rosa, abacaterana, louro-chumbo
Louro-alitú, louro-gavali
208
98
214
Louro-preto, louro-santo, louro-chumbo,
marirana
Louro-rosa, louro-bosta, louro-alitu,
marirana
Abacaterana, louro-bosta
Louro-santo
Louro-chumbo, louro-abacaterana
42
Castanheira
Matamata-preto, matamata
Ripeira, matamata, matamata-preto,
matamatá-folha-graúda
Matamata-branco, sapucaia-castanha,
catanharana
Matamata-preto, matamata-folha-miúda,
197
162
82
283
S/C
45
54
125
199
18
(Richard)S.A.Mori
Gustavia augusta Amoen. Acad.
Lecythis poiteaui O.Berg.
Lecythis retusa Spruce ex O.Berg
Lecythis zabucaja Aubl.
LEGUMINOSAE
CAESALPINIOIDEAE
Bahuinia guianensis Aubl. **
Dicorynia paraensis Benth.
Sclerolobium aff. setiferum Ducke
Sclerolobium chrysophyllum Poepp. &
Endl.
Sclerolobium setiferum Ducke
Tachigali myrmecophila Ducke
Tachigali venusta Dwyer
MIMOSOIDEAE
Cedrelianga cataeniformis (Ducke)
Ducke
Dinizia excelsa Ducke
Enterolobium schomburgkii Benth.
Inga aff. bicoloriflora Ducke
Inga aff. Capitata Desv.
Inga alba (Swartz) Willd.
Inga cf. laurina Willd.
Inga cf. paraensis Ducke
Inga grandiflora Ducke
Inga paraensis Ducke
Inga rhynchocalyx Sandwith
Inga thibaudiana DC.
Inga umbratica Poepp. & Endl.
Parkia sp.
Parkia nitida Miq.
Pseudopiptadenia psilostachya (DC.)
G.Lewis & M.P.M. de Lima
Stryphnodendrom paniculatum Poepp.
& Endl.
Zygia racemosa (Ducke) Barneby &
J.W.Grimes
canhizera
Envira-de-cutia, periquito-castanha,
ripeira
Envira-de-cutia, envira-de-periquito,
cuyombo, ripeira
Envira-de-cutia, matamata, castanhasapucaia, cajurana
Castanha-sapucaia, piquiteira, ripeira
220
273
226
269
Escada-de-jabuti
Coração-de-negro, tintarana
Tachi-preto, tachi
Tachi-vermelho, tachi
27
96
134
276
Tachi-preto, tachi
Tachi, tachi-preto, tachi-vermelho,
Tachi-preto, tachi
41
66
84
Cedrarana, cedrão-vermelho
300
Angelim, paracaxii, angelim-pedra,
cavivi-da-terra firme
Angelim, sucupira, cavivi-da-terra-firme
Ingá, ingarana, ingá-xixica
Ingá-de-macaco, ingá-xixica, ingá-pretp
Ingá-xixica, ingarana
Ingá-xixica, ingarana
Ingá-de-macaco
Ingarana
Ingá-de macaco, ingá-xixica, ingá-preto,
ingaí, cumanda
Ingá-xixica, ingarana
Ingarana, ingá-xixica, ingá-preto
Ingarana, ingá-de-macaco, ingá-xixica,
Piradabi-do-mato
Piradabi-do-mato, angelirana, piradabida-terra-firme, fava
Angelim-babão, cavivi-da-terra-firme,
sucupira-branca
Taquarirana, tachi, tachirana
246
Pau-santo, rabo-de-tatu, angelim, cavivida-terra-firme
267
236
153
73
238
245
206
48
37
189
31
90
80
244
68
28
19
PAPILIONOIDEAE
Andira micrantha Ducke
Clathrotropis macrocarpa Ducke
Papilionoideae sp. 1
Ormosia aff. nobilis Tul. var. nobilis
Ormosia grossa Rudd.
Pterocarpus officinalis Jacq.
Swartzia cf. dolichopoda R.S.Cowan
Swartzia corrugata Benth.
MELASTOMATACEAE
Miconia traillii Cogn.
Sucupira-amarela, cavari-babão
Amarelinho, cavari, baudera, paratari
Tento, tento-vermelho
Tento
Sucupira-preta, jutaí-pororoca, cavivirana
Coração-de-nego
Tento, tenturana
Goiaba-de-anta, canelha-de-velha,
buchucho
MELIACEAE
Guarea guidonia (L.) Sleumer
Guarea silvatica C.DC.
MORACEAE
Clarisia racemosa Ruiz & Pav.
Helianthostylis sprucei Baill.
Helicostylis tomentosa (Poepp. & End.)
Macbride
Maquira sclerophylla (Ducke)
C.C.Berg.
Moraceae sp1
Virola calophylla Warb.
Virola enlongata (Benth.) Warb.
Virola theiodora Warb.
193
285
234
Guariuba
Anani-branco
Muiratinga, pé-de-jabuti, fruta-dejabuticaba
Muiratinga, abiurana-branca
Paratari-branco, saboarana-da-terra-firme,
mirapiringa
Naucleopsis glabra Spruce ex Pittier
Muiratinga, pé-de-Jabuti
Perebea guianensis Aubl.
Muiratinga, pé-de-jabuti, jaboticaba
Perebea mollis (Planch. & Endl.) Huber Muiratinga, pé-de-jabuti, tinteira,
subsp mollis
jaboticaba
Pseudolmedia laevis (Ruiz &
Muiratinga, taquari-da-terra-firme,
Pav.)Macbride
muiratinga, manichi
Sorocea guilleminiana Gaudich.
Piranha caã, matacalado, língua-de-tucano
MYRISTICACEAE
Iryanthera juruensis Warb.
Iryanthera coriacea Ducke
Iryanthera grandis Ducke
Osteophloeum platyspermum Warb.
237
92
127
112
277
222
157
81
Copeira, punã, lacre, taquari,
Copeira, punã, jiigua
Punarana, virola
Marupa-vermelho, pau-pra-tudo, miracêe,
uicui, copeira
Envirola, ucuuba, puna-da-folha graúda,
ucuuba, lacre
Ucuuba-vermelha, puna, puna-branca
Virola-branca, ucuuba-vermelha, copeira,
136
290
24
192
33
43
39
239
35
155
5
123
175
203
156
312
21
20
Virola venosa Warb.
punã, virola, ucuuba
Punarana, virola, taquari, copeiro-branco
173
MYRSINACEAE
Cybianthus aff. detergens Mart.
Tintarana-da-terra-firme
23
Araçarana, araçá, pau-mulato
Daicú, tintarana, caçari-da-terra firme,
araçá
Pau vidro, guajabinha, caçari-da-terrafirme
Pau-vidro, araçá, araçarana
Chumberi, tamandaré, araçá-do-mato
Pau-vidro, araçá, mustinha, ouvido-depeixe
Araçarana, caçari-da-terra-firme, araçá,
pau-mulato
169
150
Acariquarana, acariquara
16
Macucuirana, louro, macucui, lourinho
Paratari, paracaxi-do-vermelho,
taperebarana
170
16
Carapitiu-da-terra-firme, daicurana, paucravo
225
Apuruí
Itaubarana
Itaubarana-da-folha-miúda
249
51
72
Tamaquarerana
223
MYRTACEAE
Calycolpus sp.
Eugenia aff. florida DC.
Eugenia cf. cuspidifolia DC.
Eugenia cf. omissa McVaugh
Eugenia sp.1
Myrcia aff. rufipila McVaugh
Myrcia sylvatica DC.
OLACACEAE
Minquartia guianensis Aubl.
QUIINACEAE
Quiina florida Tul.
Touroulia guianensis Aubl.
ROSACEAE
Prunus myrtifolia Urb.
RUBIACEAE
Borojoa claviflora (K.Schum.)Cuatrec.
Ferdinandusa rudgeoides Wedd.
Ferdinandusa sp1.
SABIACEAE
Ophiocaryon aff. manausense
(W.A.Rodrigues)Barneby
85
182
271
256
46
SAPINDACEAE
Cupania scrobiculata Rich.
136
SAPOTACEAE
Chrysophyllum sanguinolentum (Pierre) Abiurana
281
21
Baehni
Micropholis guyanensis (A.DC.) Pierre
subsp. Guyanensis
Pouteria caimito Radlk.
Pouteria cuspidata (A.DC.)Baehni
Pouteria durlandii (Standl.) Baehni
Pouteria glomerata Radlk.
Pouteria guianensis Aubl.
Pouteria sp.1
Cedrinho, cedro-branco, caramuri,
balatarana
Abiurana-ferro, abiurana
Mortinha
Abiurana, abiurana-ferro
Abiurana, abiurana-ferro, araru
Abiurana-ferro, abiurana
Taquari, goiaba-de-jabuti
145
120
74
131
34
257
Cajurana
117
Marupá, marupa-branco
63
Envira, biriba, biriba-do-mato, cupuíbravo
Cupuí-bravo
89
Cacau, cupu-do-mato
Cupuí
Cacau
110
55
83
Sororoca, bananeira-do-mato
78
Biriba-do-mato, biribarana, bolacheira,
bolacharana
83
VIOLACEAE
Paypayrola sp.
Abacaterana
91
VOCHYSIACEAE
Erisma bracteosum Ducke
Qualea paraensis Ducke
Qualea sp.1 ***
Vochysia vismiaefolia Spruce ex Warm.
Ripeira
Cafearana-branca, cafearana
Cupiubarana
Macucui-da-branca
140
64
243
108
SIMAROUBACEAE
Simaba polyphylla (Cavalcante)
W.W.Thomas
Simarouba amara Aubl.
STERCULIACEAE
Theobroma microcarpa Mart.
Theobroma obovatum Klotzch ex
Bernoulli
Theobroma speciosa Willd. ex Spreng.
Theobroma subincanum Mart.
Theobroma sylvestris Aubl. ex Mart.
STRELITZIACEAE
Phenakospermum guyanense (L. C.
Rich.) Endl.
TILIACEAE
Apeiba echinata Gaertn.
INDETERMINADAS
Indet. sp.1
Indet. sp.2 **
Indet. sp.3
93
14
S/C
S/C
S/C
22
A família com maior riqueza foi Leguminosae com 32 espécies, 17 delas pertencem à
subfamília Mimosoideae, oito à subfamília Papilionoideae e sete à subfamília Caesalpinoideae.
As outras famílias com maior riqueza de espécies foram Cecropiaceae (13 espécies), Burseraceae
(11), Chrysobalanaceae (11) e Moraceae (10). Foram encontradas 17 famílias representadas por
apenas uma espécie.
A família Leguminosae, também se caracterizou por apresentar o maior número de
indivíduos (102), pertencendo 46 deles à subfamília Papilionoideae, 43 a Mimosoideae e 13 a
Caesalpinioideae. As outras famílias com maior número de indivíduos foram Cecropiaceae (51),
Lecythidaceae (46), Annonaceae (42) e Arecaceae (32). Foram encontradas 10 famílias
representadas por apenas um indivíduo (Tabela 2).
Tabela 2. Famílias listadas em ordem decrescente de valor de importância (VI), com número de
indíviduos (No. Ind.), espécies (N. Spp.) coletados na vila de Caicubi, município de Caracaraí,
Roraima, Brasil.
Família
No.Ind
Leguminosae
102
Cecropiaceae
51
Lecythidaceae
46
Annonaceae
42
Arecaceae
32
Celastraceae
9
Moraceae
30
Myristicaceae
25
Burseraceae
20
Chrysobalanaceae
19
Clusiaceae
14
Euphorbiaceae
11
Sapotaceae
13
Lauraceae
15
Sterculiaceae
16
Rubiaceae
14
Caryocaraceae
5
No.Spp
32
13
9
5
4
1
10
8
11
11
3
5
8
8
5
3
2
VI
59.77
24.91
24.60
19.79
14.26
14.15
13.61
11.13
10.39
9.29
7.56
7.42
7.29
7.27
7.14
6.80
6.42
23
Flacourtiaceae
Simaroubaceae
Vochysiaceae
Apocynaceae
Myrtaceae
Boraginaceae
Bignoniaceae
Hugoniaceae
Elaeocarpaceae
Quiinaceae
Araliaceae
Bombacaceae
Myrsinaceae
Strelitziaceae
Indet
Meliaceae
Rosaceae
Melastomataceae
Tiliaceae
Aquifoliaceae
Sapindaceae
Gnetaceae
Anacardiaceae
Dilliniaceae
Violaceae
Sabiaceae
Olacaceae
7
5
5
7
7
5
2
4
5
5
2
4
1
3
3
2
2
2
1
1
1
1
1
1
1
1
1
3
2
4
4
7
5
1
1
4
2
1
2
1
1
3
2
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
4.33
4.08
4.05
3.72
3.05
2.96
2.66
2.63
2.48
2.41
2.26
1.58
1.46
1.34
1.34
1.05
0.92
0.90
0.83
0.74
0.60
0.50
0.50
0.46
0.46
0.45
0.44
Os gêneros que apresentaram maior riqueza de espécies foram Pourouma (11 espécies),
Inga (10), Licania (9), Protium (7) e Pouteria (6). Estiveram representados por apenas uma
espécie 76 gêneros (Fig. 2).
24
76
80
No de espécies
70
60
50
40
30
20 11 10
9
10
6
6
5 5
4
4
4 4
4
3
3 3
2
2
2 2
2
2
2 2
2
2
2 2
2
2
2
Po u ro u m a
In g a
L ican ia
Pro tiu m
Po u teria
Co rd ia
T h eo b ro m a
E sch w eilera
E u g en ia
O co tea
Slo an ea
V iro la
Iry an th era
L ecy th is
Sclero lo b iu m
T rattin ick ia
A lch o rn ea
Cary o car
D acry o d es
Ferd in an d u sa
G u area
Laetia
M y rcia
O rm o sia
Park ia
Pereb ea
Q u alea
Sw artzia
T ach ig ali
X y lo p ia
O u tro s
0
Gêneros
Figura 2. Número de espécies por gênero em um trecho de floresta de terra firme na vila de
Caicubi, Roraima (Outros = gêneros representados por uma espécie).
Em relação ao número de indivíduos por gênero observa-se também Pourouma foi o mais
abundante, com 45 indivíduos, seguido por Clathrotropis (39), Eschweilera (35), Bocageopsis
(30) e Inga (29). Gêneros representados por apenas um indivíduo, somam 40.
O gênero Pourouma se destacou como o mais abundante, porque somou os indivíduos de
dois táxons bem representados na área, P. cf. tomentosa subsp. apiculata (15 indivíduos) e P.
minor (13 indivíduos). As outras nove espécies estiveram assim representadas: duas espécies
com quatro indivíduos, duas espécies com dois indivíduos e cinco espécies com apenas um
indivíduo.
As espécies com maior número de indivíduos foram Clathrotropis macrocarpa (39),
Bocageopsis multiflora (30), Eschweilera coriacea (21), Euterpe precatoria (20), Inga alba (15)
e Pourouma cf. tomentosa subsp. apiculata (15). Estas seis espécies representaram 3% do total
de espécies, porém 25,7% dos indivíduos amostrados (Fig. 3).
25
45
40
39
No de indivíduos
35
30
30
25
21
20
20
15
15
15
13
12
10
12
12
10
9
8
7
6
6
6
5
5
5
5
5
5
5
5
5
4
4
4
4
4
4
4
4
4
0
Espécies
Figura 3. Número de indivíduos por espécies, amostrados pelo menos quatro vezes em um trecho
de floresta de terra firme na vila de Caicubi, Município de Caracaraí, Roraima, Brasil. 15
espécies foram amostradas três vezes; 39 duas vezes; 104 uma vez.
Do total de 192 espécies do trecho estudado apenas 11 estiveram representadas por 10 ou
mais indivíduos, as quais juntas representam 38,2% dos indivíduos. Também, é interessante
ressaltar que as 25 espécies com densidades maiores representam 51,6% do total dos indivíduos.
Isto corrobora com Pires & Prance (1985) quando afirmam que não existe uma espécie
dominante nas florestas úmidas tropicais; entretanto sempre vai existir um grupo de espécies
dominantes, entre cinco a dez ou às vezes até trinta, que quando somados os indivíduos destas
ultrapassam 50% do total.
O surgimento progressivo de novas espécies amostradas encontra-se representado na
curva espécies/área (curva do coletor) (Fig. 4). O número de espécies amostradas em cada
subparcela de 10m x 10m variou de 1 a 10. Observa-se que embora tenha havido dois pontos de
aparente estabilidade entre 0,52 a 0,56ha e entre 0.85 a 0.88ha, não há, no final da amostragem
uma estabilidade, demonstrando que a área é insuficiente para uma boa representação da riqueza
da floresta de terra firme. Tal informação corrobora com pesquisas realizadas por Milliken (1998)
26
e Campbell et al. (1986), que observaram também que os dados de 1 ha. na floresta de terra firme
da Amazônia não são suficientes para uma avaliação acurada da riqueza de espécies.
número de espécies
250
200
150
100
50
0
0
0,2
0,4
0,6
0,8
Area amostral=1ha
1
1,2
Figura 4. Curva do coletor em um trecho de floresta de terra firme na vila de Caicubí, Município
de Caracaraí, Roraima, Brasil.
As espécies representadas por apenas um indivíduo somam 104, ou seja, 54,2% do total
(Fig. 5). As cinco espécies de lianas e as duas espécies de hemiepífitas amostradas estiveram
representadas por apenas um indivíduo. Considerando como espécies raras aquelas representadas
por apenas um indivíduo em um hectare, Martins (1991) compara alguns trabalhos realizados em
florestas brasileiras e cita três inventários em áreas de 1 ha. na Amazônia que utilizaram como
critério de inclusão, árvores com DAP>10cm: Pires et al. em 1953, em floresta de terra firme em
Castanhal, Pará, encontraram 45 espécies raras (25,14%); Black et al. em 1950, em floresta de
terra firme em Tefé, Amazonas, encontraram 42 de espécies raras (53,16%); Porto et al. em 1976
em “mata de baixio” em Manaus, Amazonas, encontraram 58 espécies raras (50,88%) (apud.
Martins, 1991).
27
% de espécies
54,2%
20,3%
7,8%
4,7% 4,2%
1,6%
1
2
3
4
5
6
1,6%
0,5% 0,5% 0,5% 0,5%
7
8
9
10
11
12
1,0%
0,5%
13
14
15
0,5% 0,5% 0,5% 0,5%
16
17
18
19
20
21
22
número de indivíduos
* A classe 22 corresponde a 30 indivíduos amostrados, e a classe 23 a 39 indivíduos amostrados.
Figura 5. Porcentagem de espécies em relação ao de número de indivíduos amostrados em um
trecho de floresta de terra firme na vila de Caicubi, município de Caracaraí, Roraima, Brasil.
O índice de Shannon (H’) encontrado foi de 4,652 e a equitabilidade (J) foi de 0,885. Os
altos valores para o índice de Shannon (H’) e de equitabilidade (J) podem ser atribuídos ao
grande número de espécies raras (54,2%). Considerando apenas as espécies arbóreas os valores
para H’ e J foram 4,616 e 0,884, respectivamente. O número de espécies raras encontrado em
Caicubi, foi maior do que qualquer outro citado acima, e os altos valores do índice de diversidade
e da equitabilidade vem corroborar com o indicativo exposto em Capobianco (2001) que o
interfluvio entre os rios Branco e Negro é uma área de alta diversidade e que é necessário estudos
para inventariar a sua biota.
As cinco famílias de mais alto VI no trecho estudado foram Leguminosae (59,77),
Cecropiaceae (24,91), Lecythidaceae (24,60), Annonaceae (19,79) e Arecaceae (14,26) (Tabela
2).
28
23
A Tabela 3 apresenta as espécies com seus respectivos parâmetros fitossociológicos. As
cinco espécies com maior VI foram Clathrotropis macrocarpa, Goupia glabra, Bocageopsis
multiflora, Eschweilera coriacea e Euterpe precatoria representando, juntas, 21,87% dos
indivíduos amostrados e 23,8% da área basal. C. macrocarpa foi a espécie de maior VI pela sua
abundância (39 indivíduos), tendo alcançado as maiores densidade e freqüência relativas. C.
macrocarpa é uma árvore de porte médio, sua altura total variou de 8m a 28m, sendo a altura
media de 16 m, seu DAP variou de 10,2cm a 37,9 cm sendo o DAP médio de 20cm. Bocageopsis
multiflora, Eschweilera coriacea e Euterpe precatoria, com 30, 21 e 20 indivíduos,
respectivamente, também tem destaque por sua abundância e freqüência na área estudada.
Tabela 3. Espécies listadas com os parâmetros fitossociológicos, em ordem decrescente de valor
de importância (VI), na Vila de Caicubi, município de Caracaraí, Roraim, Brasil.
N: número de indivíduos; DR: densidade Relativa; DA: Densidade Absoluta; DoR: Dominância
Relativa; DoA: Dominância Absoluta; FR: Freqüência Relativa; FA: Freqüência Absoluta; VI:
Valor de importância.
Especie
Clathrotropis macrocarpa
Goupia glabra
Bocageopsis multiflora
Eschweilera coriacea
Euterpe precatoria
Cedrelianga cataeniformis
Inga alba
Pourouma cf. tomentosa subsp. apiculata
Pourouma minor
Symphonia globulifera
Eschweilera pedicellata
Caryocar glabrum subsp. parviflorum
Ferdinandusa rudgeoides
Oenocarpus bacaba
Parkia nitida
Ormosia grossa
Bertholletia excelsa
Virola theiodora
Simaruba amara
N
39
9
30
21
20
1
15
15
13
12
12
3
12
10
3
1
5
8
4
DA
39
9
30
21
20
1
15
15
13
12
12
3
12
10
3
1
5
8
4
DR DoA DoR FA FR
VI
7,17 1,40 5,29 33 6,41 18,87
1,65 2,75 10,44 9 1,75 13,84
5,51 0,69 2,62 26 5,05 13,18
3,86 1,16 4,42 18 3,5 11,77
3,68 0,27 1,02 18 3,5
8,2
0,18 1,99 7,55
1 0,19 7,93
2,76 0,60 2,27 12 2,33 7,36
2,76 0,58 2,21 12 2,33 7,3
2,39 0,52 1,99 12 2,33 6,71
2,21 0,46 1,75 12 2,33 6,29
2,21 0,36 1,37 11 2,14 5,71
0,55 1,12 4,26
3 0,58 5,4
2,21 0,21 0,82 12 2,33 5,35
1,84 0,25 0,94 10 1,94 4,72
0,55 0,86 3,26
3 0,58 4,39
0,18 1,05 3,98
1 0,19 4,36
0,92 0,51 1,95
5 0,97 3,84
1,47 0,19 0,71
8 1,55 3,74
0,74 0,52 1,96
4 0,78 3,48
29
Laetia procera
Euphorbiaceae sp.1
Licania octandra subsp. pallida
Trattinickia glaziovii
Xylopia aff. Polyantha
Helicostylis tomentosa
Jacaranda copaia
Guatteria sp.1
Perebea guianensis
Cecropia distachya
Hebepetalum humiriifolium
Tachigali myrmecophila
Inga paraensis
Iryanthera juruensis
Schefflera morototoni
Qualea paraensis
Theobroma subincanum
Theobroma microcarpa
Iryanthera coriacea
Couma guianensis
Zygia racemosa
Pseudolmedia laevis
Pourouma melinonii subsp. melinonii
Pourouma cf. cuspidata
Pourouma cucura
Croton lanjouwensis
Lecythis retusa
Cybianthus aff. detergens
Ocotea rhodophylla
Aniba aff. williamsii
Ocotea nigrescens
Sorocea guilleminiana
Naucleopsis glabra
Quiina florida
Sloanea rufa
Crepidospermum cf. rhoifolium
Theobroma sylvestris
Phenakospermum guyanense
Alchornea triplinervia
Moraceae sp.1
Clarisia racemosa
Licania micrantha
Perebea mollis subsp. mollis
Sclerolobium setiferum
Micropholis guyanensis subsp. guyanensis
5
3
7
5
5
6
2
4
6
5
4
6
5
5
2
1
5
4
4
3
4
4
2
4
4
3
2
1
3
3
3
3
3
3
2
3
3
3
2
2
2
2
2
1
2
5
3
7
5
5
6
2
4
6
5
4
6
5
5
2
1
5
4
4
3
4
4
2
4
4
3
2
1
3
3
3
3
3
3
2
3
3
3
2
2
2
2
2
1
2
0,92
0,55
1,29
0,92
0,92
1,1
0,37
0,74
1,1
0,92
0,74
1,1
0,92
0,92
0,37
0,18
0,92
0,74
0,74
0,55
0,74
0,74
0,37
0,74
0,74
0,55
0,37
0,18
0,55
0,55
0,55
0,55
0,55
0,55
0,37
0,55
0,55
0,55
0,37
0,37
0,37
0,37
0,37
0,18
0,37
0,36
0,52
0,12
0,30
0,24
0,11
0,48
0,28
0,08
0,17
0,26
0,10
0,11
0,10
0,38
0,47
0,09
0,09
0,09
0,17
0,07
0,05
0,25
0,05
0,04
0,13
0,18
0,28
0,07
0,06
0,06
0,05
0,05
0,04
0,14
0,04
0,04
0,03
0,11
0,11
0,11
0,10
0,09
0,19
0,09
1,37
1,97
0,44
1,12
0,93
0,42
1,84
1,08
0,32
0,63
0,98
0,38
0,41
0,37
1,44
1,8
0,33
0,36
0,33
0,64
0,25
0,21
0,95
0,19
0,17
0,51
0,67
1,05
0,28
0,22
0,22
0,21
0,2
0,16
0,53
0,14
0,13
0,11
0,42
0,42
0,41
0,36
0,35
0,73
0,34
5
3
7
5
5
6
2
4
6
5
4
5
5
5
2
1
4
4
4
3
4
4
2
4
3
2
2
1
3
3
3
3
3
3
2
3
3
3
2
2
2
2
2
1
2
0,97
0,58
1,36
0,97
0,97
1,17
0,39
0,78
1,17
0,97
0,78
0,97
0,97
0,97
0,39
0,19
0,78
0,78
0,78
0,58
0,78
0,78
0,39
0,78
0,58
0,39
0,39
0,19
0,58
0,58
0,58
0,58
0,58
0,58
0,39
0,58
0,58
0,58
0,39
0,39
0,39
0,39
0,39
0,19
0,39
3,26
3,1
3,09
3,01
2,82
2,69
2,59
2,59
2,59
2,52
2,49
2,45
2,3
2,26
2,2
2,18
2,03
1,87
1,84
1,77
1,76
1,72
1,71
1,7
1,49
1,45
1,43
1,43
1,41
1,36
1,35
1,34
1,33
1,3
1,29
1,27
1,27
1,24
1,18
1,18
1,17
1,12
1,1
1,1
1,09
30
Sclerolobium aff. setiferum
Quararibea ochrocalyx
Pouteria caimito
Xylopia amazonica
Pouteria guianensis
Alchornea schomburgkii
Pouteria durlandii
Protium hebetatum
Touroulia guianensis
Pouteria cuspidata
Inga rhynchocalyx
Cordia bicolor
Licania hirsuta
Lecythis zabucaja
Licaria guianensis
Virola venosa
Pourouma villosa
Protium opacum subsp. opacum
Theobroma obovatum
Dicorynia paraensis
Stryphnodendrom paniculatum
Caryocar glabrum
Prunus myrtifolia
Pouteria glomerata
Inga grandiflora
Protium grandifolium
Theobroma speciosa
Miconia traillii
Ambelania acida
Vochysia vismiaefolia
Virola calophylla
Protium amazonicum
Apeiba echinata
Osteophloeum platyspermum
Virola enlongata
Ilex divaricata
Couepia aff. obovata
Eschweilera grandiflora
Tovomita schomburgkii
Hieronyma mollis
Attalea maripa
Parkia cf. decussata
Cupania scrobiculata
Ferdinandusa sp.1
Pourouma guianensis subsp. guianensis
2
3
2
2
1
2
2
2
2
2
2
1
2
2
2
2
2
2
2
1
2
2
2
2
2
2
2
2
2
2
2
1
1
2
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
2
3
2
2
1
2
2
2
2
2
2
1
2
2
2
2
2
2
2
1
2
2
2
2
2
2
2
2
2
2
2
1
1
2
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
0,37
0,55
0,37
0,37
0,18
0,37
0,37
0,37
0,37
0,37
0,37
0,18
0,37
0,37
0,37
0,37
0,37
0,37
0,37
0,18
0,37
0,37
0,37
0,37
0,37
0,37
0,37
0,37
0,37
0,37
0,37
0,18
0,18
0,37
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,09
0,03
0,08
0,07
0,17
0,06
0,06
0,06
0,05
0,05
0,05
0,15
0,04
0,04
0,04
0,04
0,03
0,03
0,03
0,13
0,03
0,03
0,02
0,02
0,02
0,02
0,02
0,02
0,02
0,02
0,02
0,11
0,11
0,05
0,09
0,09
0,07
0,07
0,06
0,05
0,05
0,05
0,05
0,05
0,05
0,32
0,13
0,31
0,28
0,64
0,25
0,24
0,23
0,18
0,18
0,18
0,55
0,15
0,15
0,14
0,14
0,12
0,12
0,11
0,48
0,1
0,1
0,09
0,09
0,08
0,08
0,07
0,07
0,07
0,06
0,06
0,42
0,42
0,2
0,36
0,33
0,28
0,26
0,25
0,2
0,2
0,19
0,19
0,19
0,19
2
2
2
2
1
2
2
2
2
2
2
1
2
2
2
2
2
2
2
1
2
2
2
2
2
2
2
2
2
2
2
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
0,39
0,39
0,39
0,39
0,19
0,39
0,39
0,39
0,39
0,39
0,39
0,19
0,39
0,39
0,39
0,39
0,39
0,39
0,39
0,19
0,39
0,39
0,39
0,39
0,39
0,39
0,39
0,39
0,39
0,39
0,39
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
1,08
1,07
1,06
1,04
1,02
1
1
0,99
0,94
0,94
0,93
0,93
0,9
0,9
0,9
0,89
0,88
0,87
0,87
0,86
0,86
0,86
0,85
0,84
0,84
0,83
0,83
0,83
0,82
0,82
0,82
0,8
0,8
0,76
0,74
0,71
0,66
0,64
0,62
0,58
0,58
0,57
0,57
0,57
0,57
31
Pourouma tomentosa subsp. tomentosa
Guarea guidonia
Hirtella racemosa var. hexandra
Cordia panicularis
Cordia sp.
Inga cf. laurina
Swartzia cf. dolichopoda
Andira micrantha
Lecythis poiteaui
Pseudopiptadenia psilostachya
Enterolobium schomburgkii
Myrcia aff. Rufipila
Protium trifoliolatum
Pourouma ovata
Pleurothyrium vasquezii
Eschweilera bracteosa
Fusaea longifolia
Odontadenia cognata
Sclerolobium chrysophyllum
Eugenia aff. florida
Licania sothersiae
Gnetum leyboldii
Tapirira guianensis
Erisma bracteosum
Pouteria sp.1
Astrocaryum aculeatum
Helianthostylis sprucei
Simaba polyphylla
Dacryodes sclerophylla
Pourouma ferruginea
Chrysophyllum sanguinolentum
Guarea silvatica
Inga umbratica
Laetia sp.1
Inga thibaudiana
Licania heteromorpha subsp.
heteromorpha
Sloanea cf. synandra
Licania canescens
Tachigali venusta
Protium subserratum
Pterocarpus officinalis
Inga aff. Bicoloriflora
Coussapoa sprucei
Pinzona coriacea
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,05
0,04
0,04
0,04
0,04
0,04
0,04
0,04
0,03
0,03
0,03
0,03
0,03
0,03
0,03
0,03
0,03
0,03
0,03
0,02
0,02
0,02
0,02
0,02
0,02
0,02
0,02
0,02
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,18
0,17
0,14
0,14
0,14
0,14
0,14
0,13
0,13
0,12
0,12
0,11
0,11
0,1
0,1
0,1
0,1
0,1
0,09
0,09
0,09
0,09
0,09
0,08
0,08
0,07
0,06
0,06
0,06
0,06
0,06
0,06
0,05
0,05
0,05
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,56
0,55
0,52
0,52
0,52
0,51
0,51
0,51
0,51
0,5
0,49
0,49
0,48
0,48
0,48
0,48
0,48
0,47
0,47
0,47
0,47
0,47
0,46
0,46
0,46
0,44
0,44
0,44
0,43
0,43
0,43
0,43
0,43
0,43
0,43
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,05
0,05
0,05
0,05
0,05
0,05
0,05
0,05
0,05
1
1
1
1
1
1
1
1
1
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,43
0,43
0,43
0,43
0,43
0,43
0,43
0,43
0,43
32
Licania unguiculata
Paypayrola sp.
Ormosia aff. nobilis var. nobilis
Eugenia sp.1
Trattinickia boliviana
Ocotea subterminalis
Calycolpus sp.
Licania cf. prismatocarpa
Qualea sp.1
Ocotea sp.E
Cordia exaltata
Indet sp.3
Pourouma tomentosa subsp.
essequiboensis
Ophiocaryon aff. manausense
Rhigospira quadrangularis
Indet sp.2
Myrcia sylvatica
Gustavia augusta
Maquira sclerophylla
Sloanea pubescens
Swartzia corrugata
Mezilaurus subcordata
Licania caudata
Dacryodes cf. hopkinsii
Borojoa claviflora
Bahuinia guianensis
Clusia grandiflora
Inga aff. capitata
Lindackeria cf. paludosa
Eugenia cf. omissa
Eugenia cf. cuspidifolia
Dinizia excelsa
Rhodognaphalopsis cf. duckei
Indet sp.1
Iryanthera grandis
Leg: Papilionoideae sp.1
Cordia nodosa
Minquartia guianensis
Sloanea sp.1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,05
0,05
0,05
0,05
0,05
0,05
0,05
0,05
0,04
0,04
0,04
0,04
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,42
0,42
0,42
0,42
0,42
0,42
0,42
0,42
0,42
0,42
0,42
0,42
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,04
0,04
0,04
0,04
0,04
0,04
0,04
0,04
0,04
0,03
0,03
0,03
0,03
0,03
0,03
0,03
0,03
0,03
0,03
0,03
0,03
0,03
0,03
0,03
0,03
0,03
0,03
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,19
0,42
0,42
0,42
0,42
0,42
0,41
0,41
0,41
0,41
0,41
0,41
0,41
0,41
0,41
0,41
0,41
0,41
0,41
0,41
0,41
0,41
0,41
0,41
0,41
0,41
0,41
0,41
Por outro lado, Goupia glabra com nove indivíduos e Cedrelinga cataeniformis com
apenas um indivíduo, têm valores baixos de densidade e freqüência relativas, apresentando os
33
maiores valores de dominância relativa (DoR), 10,44% e 7,55%, respectivamente, o que as
coloca entre as seis espécies de maiores VI. Este padrão também se repete para Caryocar
glabrum subsp. parvifolium com três indivíduos e DoR de 4,26%, Parkia nitida com três
indivíduos e DoR de 3,26% e Ormosia grossa com um indivíduo e DoR de 3,98%.
Além das quatro espécies de maiores populações (C. macrocarpa, B. multiflora, E.
coriaceae, E. precatoria), as espécies Inga alba (15 indivíduos), Pourouma cf. tomentonsa
supbsp. apiculata (15), Pourouma minor (13), Eschweilera pedicellata (12), Symphonia
globulifera (12), Ferninandusa rudgeoides (12) e Oenocarpus bacaba (10)
apresentam
populações com mais de 10 indivíduos e valores elevados na freqüência relativa, mostrando
assim a distribuição uniforme destas espécies dentro do trecho estudado.
Os 544 indivíduos amostrados, dentro dos parâmetros estabelecidos, somaram uma área
basal de 26,35m². Pires & Prance (1985) citam que florestas densas podem ultrapassar 40m 2 de
área basal e que florestas abertas encontram-se entre 18 a 24 m2. Os resultados indicam que se
trata de uma floresta densa com uma baixa área basal.
Na distribuição das árvores por classes de diâmetro (Fig. 6), observa-se uma
predominância de indivíduos (45,96%) na classe diamêtrica de 10-15cm. 23,35% dos indivíduos
estão inseridos na classe de >15-20 cm; 10,85% na classe >20-25 cm; 6,6% na classe de >25-30;
3,49% na classe de >30-35; 3,3% na classe >35-40; os demais, totalizando 6,43%, dividem-se
em classes diamêtricas acima deste valor. O maior diâmetro foi de 159,15cm, encontrado no
único indivíduo de Cedrelinga cataeniformis. O diâmetro médio foi de 20,15 cm incluindo todos
os indivíduos da amostragem e excluindo as lianas o diâmetro foi de 20,24 cm. A curva formada
pelos valores no conjunto de classes estabelecidas mostra a configuração de J invertido,
demonstrando que há uma maior quantidade de indivíduos de menor porte e poucos indivíduos
34
emergentes. Isto é esperado que ocorra com o incremento do diâmetro dos indivíduos, pois a
distribuição de classes de tamanho é conseqüência da dinâmica da floresta onde a quantidade de
espaço constringe o número de árvores que podem se acomodar em um determinado tamanho de
classe (Swaine, 1989).
300
250
200
150
127
100
1
0
1
>60-65
>65-70
>70-75
>75-80
>80-85
>85-90
0
1
1
1
0
1
1
>120
1
>115-120
2
>110-115
2
>105-110
4
>100-105
3
>90-95
8
>95-100
8
>55-60
19 18
>50-55
36
50
>45-50
59
>40-45
No de indivíduos
250
>35-40
>30-35
>25-30
>20-25
>15-20
>10-15
0
Classes diamétricas (cm)
Figura 6. Distribuição da freqüência das classes de diâmetro de todas os indivíduos amostrados
em um 1 ha. de floresta de terra firme na vila de Caicubi, Roraima, Brasil.
Agruparam-se os indivíduos amostrados em 12 classes de altura (Figura 7), variando a
amplitude de alturas entre 3m a 58m. O maior número de indivíduos concentrou-se na segunda
(31,25%) e terceira classes (30,15%). A classe de maior altura apresentou apenas um indivíduo,
Ormosia grossa, representada na área por um único indivíduo. O pequeno número de amostras na
primeira classe deveu-se ao fato de varias árvores desta classe se apresentaram com a copa
quebrada (o que diminuía a sua altura total), e 46% dos indivíduos desta classe possuíam alturas
de 7m, encontrando-se próximo à altura da segunda classe (>7-12m). A altura media encontrada
foi de 16,41m (excluindo as lianas), sendo as árvores emergentes, indivíduos de Ormosia grossa
(58m de altura), Jacaranda copaia (48m), Laetia procera (48m) e Cedrelinga cataeniformis
35
(47m). Jacaranda copaia e Laetia procera estavam representadas por dois e cinco indivíduos
respectivamente e as duas outras espécies por apenas um indivíduo.
170
164
140
120
100
80
43
1
2
0
1
>57
>32-37
>27-32
>22-27
>17-22
>12-17
>7-12
15
>52-57
22
>47-52
17
20
0
>42-47
26
>37-42
60
40
83
>3-7
No de Indivíduos
180
160
Classes de altura (m)
Figura 7. Distribuição da freqüência das classes de altura dos indivíduos amostrados em 1 ha. de
floresta de terra firme na vila de Caicubi, município de Caracaraí Roraima, Brasil.
Na Vila de Maré (61º15’W, 1º45”S), em terras Waimiri Atroari, Milliken (1998),
inventariou 1 ha. de floresta de terra firme utilizando método de parcela e tendo como parâmetro
de inclusão DAP de 10cm, sendo esta a área mais próxima àquela estudada em Caicubi.
Encontrou 662 indivíduos, em 216 espécies e 41 famílias, sendo 17 lianas em 14 espécies e 8
famílias e uma estranguladora. O número de espécies e de famílias é aproximado ao que foi
encontrado no presente estudo. O número de indivíduos, porém, é maior (118 indivíduos).
Ao comparar as dez famílias com maior VI apresentadas por Milliken (1998) com aquelas do
presente estudo, sete delas são comuns, sendo Leguminosae a de maior VI em ambas as áreas. As
demais aparecem em diferentes ordenações. Em relação às espécies, Cathrotropis macrocarpa é
a de maior VI nas duas áreas: em Vila de Maré apresentou VI de 24,7 e 72 indivíduos; em
Caicubi apresentou VI de 18,87 e 39 indivíduos. Eschweilera coriacea é a segunda espécie de
maior VI em Vila de Maré (VI de 18,2 e 53 indivíduos) e é a quarta de maior VI em Caicubi (VI
de 11,77 e 21 indivíduos). Além destas duas espécies não há outras espécies comuns entre as 10
36
espécies de maior VI, em ambas as áreas. Dentre as 10 mais importantes da área de Vila Maré,
quatro não foram nem mesmo amostradas em Caicubi. A Tabela 4 sintetiza os dados
apresentados acima para a Vila da Maré e para outros dois estudos realizados na Amazônia
Central e Sudeste.
Tabela 4. Número de indivíduos, de espécies, gêneros, famílias e área basal encontrados em
quatro estudos fitossociológicos realizados trechos de 1 ha em florestas de terra firme na
Amazônia. (*** incluindo lianas).
Trabalhos com
DAP>10cm
Boom, 1986
Campbell et al. 1986 (1)
No Espécies
ind
649
94
393
133
Campbell et al. 1986 (2)
Campbell et al. 1986 (3)
Ferreira & Prance, 1999
(1)
Ferreira & Prance, 1999
(2)
Ferreira & Prance, 1999
(3)
Milliken, 1998***
Nosso estudo***
567
46
639
162
118
144
669
Gêneros
Famílias
A.Basal T.
62
76
28
33
21,48
27,63
83
72
33
33
36
32,14
28,68
32,8
159
41
37,8
713
137
37
40,2
662
544
216
194
41
43
ca 31
26,353
>109
68
Ferreira & Prance (1999) amostraram 3ha de floresta alta no Parque Nacional Jaú (1º
90’–3º 00´S, 61º 25’–63º50’W), usando DAP≥10cm. Encontraram uma media de 146,7
espécies/ha e densidade média de 673,7 árvores/ha; o mais rico apresentou 159 espécies e o de
maior densidade apresentou 713 indivíduos. Em dois dos hectares por eles amostrados cinco das
famílias de maiores VI estão incluídas entre as 10 de maiores VI em Caicubi (Leguminosae por
eles tratada em três famílias). No outro hectare, são seis famílias que estão entre as 10 de maiores
VI em Caicubi. Escweilera coriacea é a única espécie comum entre as 10 de maiores VI entre um
dos hectares estudados por Ferreira & Prance (1999) e Caicubi. Também esta é a única espécie
comum entre as dez de maiores VI entre o estudo de Milliken (1998) e de Ferreira & Prance
37
(1999). Os outros dois hectares, de Ferreira e Prance (1999), não possuem espécies em comum
com Caicubi, quando se observam as dez espécies de maiores VI (Tabelas 5, 6).
Campbell et al. (1986), em O Deserto, no Rio Xingu, Pará (3º 29’ S/ 51º 40’ W), amostraram três
hectares de floresta de terra firme, utilizando também como critério de inclusão DAP > 10cm.
Encontraram 393, 567 e 460 indivíduos em cada um dos hectares estudados; e 133, 162 e 118
espécies respectivamente; encontraram 33 famílias nos três hectares estudados. Das dez famílias
com maiores VI, cinco estão entre as dez de maiores VI em Caicubi. Nenhuma espécie, entre as
10 de maiores VI, são comuns ao trecho estudado em Caicubi (Tabelas 5, 6).
Boom (1986) em Beni, Bolívia (11o45´S, 66o02´W), amostrou um hectare de floresta de
terra firme, utilizando um DAP > 10 cm. Encontrou 649 indivíudos, 94 espécies e 28 famílias.
Das dez famílias com maiores VI sete estão entre as dez de maiores VI em Caicubi, mas não há
nenhuma espécie em comum entre as 10 de maiores VI (Tabelas 5, 6).
38
Tabela 5. Comparação das dez famílias com maiores VI entre estudos realizados em trechos de 1 ha. de terra firme na Amazônia
Caicubi
Leguminosae
Cecropiaceae
Lecythidaceae
Annonaceae
Milliken, 1998
Leguminosae
Lecytidaceae
Sapotaceae
Burseraceae
Arecaceae
Celastraceae
Moraceae
Lauraceae
Chrysobalanacea
e
Myristicaceae
Moraceae
Myristicaceae
Burseraceae
Meliaceae
Chrysobalanaceae Annonaceae
Ferreira &
Ferreira &
Prance, 1999
Prance, 1999
(Hectare 1)
(Hectare 2)
Chrysobalanaceae Myristicaceae
Myristicaceae
Burseraceae
Bombacaceae
Leguminosae
Burseraceae
Bombacaceae
Ferreira &
Prance, 1999
(Hectare 3)
Lecythidaceae
Myristicaceae
Leguminosae
Lauraceae
Campbell et al.
1986
Leguminosae
Arecaceae
Lecythidaceae
Moraceae
Boom, 1986
Moraceae
Myristicaceae
Arecaceae
Leguminosae
Leguminosae
Sapotaceae
Lauraceae
Lecythidaceae
Burseraceae
Leguminosae
Bombacaceae
Meliaceae
Melastomataceae
Cecropiaceae
Euphorbiaceae
Lauraceae
Euphorbiaceae
Leguminosae
Chrysobalanaceae Sterculiaceae
Sapotaceae
Nyctaginaceae
Lecythidaceae
Cecropiaceae
Cecropiaceae
Combretaceae
Bombacaceae
Euphorbiaceae
Vochysiaceae
Annonaceae
Chrysobalanaceae Chrysobalanaceae
Sapotaceae
Rubiaceae
Tabela 6. Comparação das dez espécies com maiores VI entre estudos realizados em trechos de 1 ha. de terra firme na Amazônia
39
Caicubi
Clathrotropis
macrocarpa
Goupia glabra
Bocageopis
multiflora
Eschweilera
coriacea
Euterpe
precatoria
Cedrelinga
cataeniformis
Inga alba
Pourouma cf
tomentonsa
supbsp.
apiculata
Pourouma
minor
Symphonia
globulifera
Milliken, 1998
Clathrotropis
macrocarpa
Eschweilera
coriacea
Protium
hebetatum
Protium
apiculatum
Eschweilera
grandiflora
Oenocarpus
bacaba
Pouteria
glomerata
Ferreira &
Prance, 1999
(Hectare 1)
Alexa
grandiflora
Scleronema
micrantum
Pourouma
sp.1
Iryanthera
sp.1
Ferreira &
Prance, 1999
(Hectare 2)
Scleronema
micrantum
Eschweilera
coriacea
Iryanthera sp
1
Alchorneopsi
s sp.1
Protium sp.1
Iryanthera
tricordis
Swartzia ulei
Orbygnia
speciosa
Guarea scabra
Emmotun cf
fagifolium
Protium sp.2
Couepia
longipendula
Pourouma sp
Alexa
grandiflora
Protium sp.1
Protium sp.2
Buchenavia
sp.2
Tetragastris
sp.1
Orbygnia
speciosa
Ferreira &
Prance, 1999
(Hectare 3)
Alexa
grandiflora
Scleronema
micrantum
Iryanthera
sp.1
Protium
pedicellatum
Campbell et
al. 1986
(Hectare 1)
Cenostigma
macrophyllum
Campbell et al.
1986 (Hectare
2)
Cenostigma
macrophyllum
Campbell et
al. 1986
(Hectare 3)
Cenostigma
macrophyllum
Orbygnia sp.
Alexa
imperatricis
Rinorea
juruana
Orbygnia sp.
Orbygnia sp.
Inga sp.10
Theobroma
speciosum
Iryanthera
tricordis
Berhtolletia
excelsa
Micropholis
sp.3
Ceiba
pentandra
Theobroma
speciosum
Sterculia
pruriens
Neea altissima
Theobroma
speciosum
Guatteria
schomburgkian
a
Hirtella piresii
Euterpe
oleracea
Lecythis retusa
Guatteria
macrophylla
Couepia sp.1
Trichilia sp.1
Coccoloba
coronata
Matisia sp.1
Neea altíssima
Astrocarium
mombaca
Micrandra
Sclerolobium
sp 2
Acacia sp.1
Lecythis retusa
Guarea
macrophylla
Protium
opacum
Matisia sp.1
Boom, 1986
Iryanthera
juruensis
Pseudolmedia
laevis
Euterpe
precatoria
Pseudolmedia
macrophylla
Socratea
exorrhiza
Vochisia
vismiifolia
Iryanthera
tessmanii
Cecropia
sciadophylla
Sclerolobium
chrysophyllum
Diplotropis
purpurea
40
Os dados encontrados em Caicubi e nos quatro últimos trabalhos acima citados
corroboram com Nelson & Oliveira (2001) quando afirmam que a composição das florestas
amazônicas varia em função de sua fisionomia e da distância entre sítios amostrados, e vem a
trazer aporte de dados para a confirmação da hipótese de que a floresta de terra firme é um
mosaico de florestas com variada composição e estrutura.
A família Leguminosae, quando considerada como um só táxon, é de modo geral a de
maior importância fitossociológica nos estudos acima citados, excetuando Boom (1986) que
encontrou Moraceae como a família dominante. A família Leguminosae também é apontada
como de grande importância em outros estudos realizados na Amazônia (Nelson & Oliveira,
2001). Entretanto, em relação às espécies, não há nenhuma que possa ser considerada como de
destaque no conjunto de trechos estudados, o que vem corroborar com Campbel et al. (1986)
quando afirmam que a Amazônia é um grande mosaico de florestas e com Campbel et al. (1986)
e Nelson & Oliveira (2001) quando alertam para se ter cuidado ao se tentar fazer generalizações
para a Amazônia a partir de dados florísticos e estruturais oriundos de amostras pontuais.
A família Lecythidaceae alcança sua maior expressão nas florestas de terra firme da
Amazônia, e a presença de muitas espécies dessa família pode ser considerada como indicadora
de florestas preservadas (Mori, 2001). Os dados encontrados em Caicubi comprovam este fato.
Foram encontradas nove espécies de árvores desta família, uma delas representadas por 21
indivíduos (Eschweilera coriacea), uma por 12 indivíduos (E. pedicellata), uma com cinco
indivíduos (Bertholetia excelsa), duas com dois e quatro por apenas um indivíduo. E. coriacea é
uma espécie comum e de distribuição ampla na Amazônia e apontada entre as espécies com
destaque em diversos inventários (Salomão et al. 1988; Ferreira & Prance, 1999; Milliken, 1998)
sendo a quarta espécie em VI no trecho estudado.
Em Caicubi, Cecropiaceae é a segunda família de maior VI. Das 13 espécies amostradas,
11 pertencem ao gênero Pourouma, um gênero de árvores de floresta. Uma espécie pertence a
41
Coussapoua, um gênero de estranguladoras, e uma espécie de Cecropia que é um gênero que
agrega predominantemente espécies pioneiras (Ribeiro et al. 1999). Cecropiaceae não aparece
como família de destaque no trecho estudado por Milliken (1998), embora seja este o trecho
mais próximo de Caicubi, o mesmo ocorrendo nos trechos estudados por Campbel et al.(1986).
Em Ferreira & Prance (1999) não ocorre com destaque em um dos trechos e é a décima em VI
nos outros dois trechos estudados por estes autores.
Conclusão
O trecho estudado na vila de Caicubi, Caracarí, RR, em termos de estrutura, diversidade e
composição florística, dentro dos limites estabelecidos pela metodologia utilizada, vem a
corroborar com as características estruturais apontadas por diferentes autores para as florestas de
terra firme da Amazônia.
As famílias mais importantes representadas no estudo realizado são de modo geral
aquelas encontradas em outros trabalhos realizados na Amazônia sendo elas Leguminosae,
Cecropiaceae, Lecythidaceae, Annonaceae, Arecaceae, Moraceae, Myristicaceae, Burseraceae,
Chrysobalanaceae, Sapotaceae e Lauraceae.
A importância particular das Leguminosas, encontrada no trecho estudado, parece ser
uma característica de várias florestas de terra firme da Amazônia, especialmente daquelas na
bacia do Rio Negro. Ao nível específico a similaridade não é muito evidente e detectável
principalmente por espécies mais amplamente distribuídas.
A composição de espécies encontrada difere substancialmente de outros inventários
conduzidos na Amazônia, suportando as premissas de que a floresta de terra firme é um mosaico
de florestas e que para a manutenção da biodiversidade local deve-se levar em conta a
preservação de pedaços grandes de floresta.
42
Embora os inventários em pequenas áreas (1 ha., no contexto da Amazônia) não sejam
adequados para amostrar toda a diversidade de espécies, como explicitado pela de coletor,
estudos em áreas deste tamanho podem espelhar as diferenças em composição de espécies de
distintos trechos de floresta de terra firme.
Devido a diferenças em metodologias aplicadas em inventários na floresta de terra firme
da Amazônia, é difícil fazer comparações entre resultados encontrados por diferentes autores que
estudaram estas florestas. Listagens completas de espécies e seus exemplares de referência,
tabelas contendo dados de estrutura são essenciais para a comparação entre os trabalhos
possibilitando conclusões mais abrangentes sobre estas florestas.
Agradecimentos
Ao instituto Caiuá por financiar o projeto, e principalmente a Walo Leuzinger por ter
acreditado em nosso trabalho. À comunidade Caicubi pela acolhida carinhosa, em especial a
Ernane Fontes Barbosa pela ajuda e dedicação ao campo; A C.A.Cid Ferreira pelo inestimável
apoio no herbário do INPA. A Paulo Assunção pelo auxílio na confirmação das identificações no
herbário do INPA. Aos especialistas Alberto Vicentini, Douglas Daly, José Eduardo Ribeiro,
Michael Hopkins pela identificação de espécies de famílias de suas especialidades. A CAPES
pela bolsa de mestrado concedida. Ao Programa de Pos-graduação do Instituto de Pesquisas
Jardim Botânico do Rio de Janeiro pela oportunidade de realização do trabalho.
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46
Artigo
Estudo Quantitativo sobre o Uso da Floresta de Terra Firme pelos Caboclos
da Vila de Caicubi, no Médio Rio Negro, Brasil
47
Estudo Quantitativo sobre o Uso da Floresta de Terra Firme pelos Caboclos da Vila de
Caicubi, no Médio Rio Negro, Brasil.
Resumo
Juan Gabriel Soler A. & Ariane Luna Peixoto (Escola Nacional de Botânica Tropical, Jardim
Botânico do Rio de Janeiro, Rua Pacheco Leão 2040, CEP 22460-030, Rio de Janeiro, RJ,
Brasil). ESTUDO QUANTITATIVO SOBRE O USO DA FLORESTA DE TERRA FIRME
PELOS CABOCLOS DA VILA DE CAICUBI, NO MÉDIO RIO NEGRO, BRASIL. Economic
Botany--Realizou-se um estudo etnobotânico com os caboclos da vila de Caicubí, estado de
Roraima, Brasil. Esta vila localiza-se na área de interfluvio Rio Negro/Rio Branco (01°01’43”S,
62°05’21”W). Os dados foram coletados em 1 ha. de floresta de terra firme e envolveu o
conhecimento dos caboclos sobre as espécies com indivíduos de DAP > 10 cm. Foram
entrevistados 11 informantes chaves com idades entre 34 a 74 anos. Foram analisadas 191
espécies das quais 187 (98%) mostraram ser de alguma utilidade; das 43 famílias encontradas 42
(98%) apresentam espécies úteis. A família com maior valor de uso para comunidade foi
Arecaceae. A espécie com maior valor de uso foi Bertholletia excelsa. As Arecaceae,
Lecythidaceae e Sapotaceae são famílias que se destacaram em várias categorias de uso. As
categorias com maior valor de usos foram combustível, tecnologia e construção, sendo
tecnologia a categoria com maior quantidade de usos. O valor de uso médio por espécie foi de
1,6. Os recursos mais utilizados da floresta foram madeira, folhas e espinho e exsudatos.
Palavras chaves: Inventário etnobotânico, floresta amazônica, conhecimento tradicional, plantas
úteis.
48
Abstract
Results are presented for an ethnobotanical study with the caboclos of the village of Caicubi,
state of Roraima, Brazil. This village is localized in the area between the rivers Negro and
Branco (01°01’43”S, 62°05’21”W). The data was collected in a 1 hectare of terra firme forest
and involved the knowledge of the caboclos among the species with individuals of DBH > 10
cm. A total of 11 informants were interviewed with ages between 34 and 74 years old. From the
189 species analyzed, 185 (98%) were useful for the caboclos. The family with the highest use
value for the community was Arecaceae. The species with the highest used value was
Bertholletia excelsa. The Arecaceae, Lecythidaceae and Sapotaceae were the families that show
the highest use values between the categories of use. The categories with the highest use values
were firewood, technology and construction; technology was the category with the more uses.
The mean use value for specie was 1,6. The resources more utilized in the forest were wood,
leaves, spines and exudates.
Key words: Ethnobotanical inventory, Amazon forest, traditional knowledge, use of plants.
Introdução
Estudos etnobotânicos têm procurado resgatar o conhecimento de diferentes comunidades
tradicionais. Métodos quantitativos vem sendo utilizados para analisar o conhecimento
tradicional, por fornecerem maior confiabilidade na informação coletada, analisada e na
comprovação das hipóteses (Phillips 1996). Na Amazônia estudos quantitativos de 1 ha. têm sido
realizados com o objetivo de demonstrar o quanto é útil uma floresta para as comunidades
tradicionais em termos do número e proporção de espécies e famílias (Phillips et al. 1994).
Embora estes tipos de trabalhos sejam poucos até o momento, podem-se citar alguns realizados
com indígenas (Boom 1988, 1989, 1990; Baleé 1986, 1987; Milliken et al. 1992; Prance et al.
49
1987; Paz y Miño et al. 1995) e com comunidades tradicionais não indígenas (Pinedo-Vasquez et
al. 1989; Phillips & Gentry, 1993a, 1993b, Phillips et al. 1994).
Prance (1995) enfatiza a importância de se trabalhar com comunidades tradicionais não
indígenas, as quais têm sido pouco valorizadas pelos etnobotânicos; provavelmente muito do
conhecimento e usos das plantas por estas comunidades provêem das culturas indígenas, algumas
já extintas. Além do estilo de vida, o conhecimento destas comunidades na Amazônia está
desaparecendo rapidamente pela expansão da pecuária, instalação de hidroelétricas, mineração e
outros projetos em desenvolvimento. Por outro lado, o resgate do conhecimento destas
comunidades pode ser usado para um desenvolvimento mais racional destas regiões (Prance
1995) devido ao tempo de convivência destas comunidades com a floresta. É interessante
ressaltar que algumas comunidades indígenas têm adaptado conhecimento de comunidades
tradicionais não indígenas (Campos & Ehringhaus 2003).
Os caboclos da Amazônia são descendentes de índios e portugueses e apesar de existirem
muitas diferenças entre o índio e o caboclo, semelhanças amplamente difundidas indicam uma
lógica comum de ocupação e de usos dos recursos da região (German 2001). Mas os caboclos ao
serem menos exóticos que os indígenas e se apresentarem menos interessantes para alguns
pesquisadores, seu conhecimento, uso e manejo dos recursos na Amazônia têm sido pouco
estudado (Parker 1989). Na Amazônia Brasileira, os caboclos têm se mantido como uma
população discreta, e nesta região se concentra a grande identidade e expressão de sua cultura
(Parker 1989).
Até o momento não se têm estudos quantitativos em 1 ha. de floresta de terra firme com
caboclos na Amazônia Brasileira. Este estudo tem a finalidade de conhecer e quantificar o uso
das plantas com DAP> 10 cm em 1 ha. de terra firme utilizados pelos caboclos da vila de
Caicubi, município de Caracarai, estado de Roraima, Brasil.
50
Área de estudo
A vila de Caicubi localiza-se no igarapé Caicubi, afluente do Rio Jufari na região do
médio Rio Negro, na área de interflúvio Rio Negro/ Rio Branco (com coordenada central de
01°01’43”S, 62°05’21”W) (Fig. 1). Pertence politicamente ao município de Caracaraí, estado de
Roraima e é habitada por cerca de 400 habitantes em 72 famílias. As cidades mais próximas à
vila são Barcelos e Manaus (localizadas no Rio Negro) e Caracaraí (no Rio Branco). Mas estas
cidades ficam relativamente longe para seus habitantes (12 horas de motor de rabeta até
Barcelos, dois dias de barco até Manaus ou três dias de barco para Caracaraí) o que dificulta o
comércio entre os moradores da vila e as cidades, o que acaba sendo feito através de
intermediários. A vila possui uma escola com ensino até oitava série do primeiro grau e um posto
de saúde com condições precárias de atendimento. O principal credo religioso é o cristianismo,
havendo duas igrejas, uma católica e outra Universal do Reino de Deus. A comunidade vive
principalmente da pesca, caça, agricultura de subsistência e extrativismo dos recursos da floresta.
A principal fonte de renda é a venda de castanha (Bertholletia excelsa) e cipó-titica (Heteropsis
spp.) na época das chuvas e de peixes ornamentais no período da seca. Alguns artesanatos como
tupés e balaios, feitos principalmente de Arumã (Ischnosiphom sp.) e cestos ou paneiros, feitos
de Ambé-coroa (Phlilodendron sp.), são vendidos esporadicamente. Os primeiros habitantes de
Caicubí chegaram na década de 1940, fixando-se no local para extração da castanha. Pouco a
pouco outros habitantes foram chegando, oriundos de várias regiões da Amazônia, porém,
principalmente de diferentes regiões do Rio Negro (Alto, Médio e Baixo Rio Negro), e também
do Rio Solimões e de algumas regiões de Roraima. A língua principal é o português, mas
algumas pessoas, dentre as mais idosas, provenientes da região do Alto e Médio Rio Negro,
também falam a Língua Geral, ainda muito usada no alto Rio Negro (Ricardo F. P. et al. 2005).
51
A caracterização da área de estudo, sua geomorfología, clima e análise florística e
estrutural da floresta de terra firme encontra-se em Soler & Peixoto (ined.)
Figura 1. Mapa de Localização da vila de Caicubi, município de Cararacaí, RR, Brasil.
Métodos
O método utilizado para o estudo foi aquele desenvolvido por Phillips & Gentry (1993a,
1993b) que se baseia no consenso dos informantes. Entretanto algumas adaptações nessa
metodologia foram feitas e são a seguir especificadas: (1) Na organização dos dados trabalhou-se
com os nomes científicos das espécies e não com os nomes populares devido à grande variação
de nomes dados para cada espécie entre os informantes; (2) Os informantes não foram escolhidos
ao acaso, e sim pelo reconhecimento da comunidade sobre o saber que detinham acerca das
plantas. A permanência na vila de Caicubí se deu por dois períodos entre novembro de 2003 e
fevereiro de 2004, totalizando 56 dias. Na primeira semana de permanência, após a apresentação
do projeto de pesquisa à comunidade, buscou-se fazer um reconhecimento prévio da floresta no
52
entorno da vila, caminhando-se através de três trilhas que partiam da comunidade em direção às
roças chegando até a floresta. Escolheu-se uma destas trilhas, usada pela comunidade para
coletar castanhas no inverno. Em uma área sem exploração dentro da floresta delimitou-se uma
unidade amostral de 50 m x 200 m (1 ha.).
A coleta de material botânico e informações foi realizada em duas etapas: na primeira
delimitou-se 0.5ha que subdividido em parcelas de 10m x 10m. Dentro destas parcelas foram
numerados todos os indivíduos arbóreos, lianas e hemiepífitos, com diâmetro a altura do peito
(DAP) ≥ 10 cm.. De todos os indivíduos foram coletados ramos que, além de armazenados em
sacos plásticos para posterior herborização, eram colocados ao lado da árvore para auxiliar os
informantes no processo de identificação das plantas. Para cada indivíduos anotou-se
informações relativas à altura total, altura do fuste e DAP, além de características morfológicas
que pudessem auxiliar na posterior identificação taxonômica. Ao final de cada dia de trabalho as
amostras de plantas eram prensadas e preservadas em álcool.
Uma vez marcados e coletados todos os indivíduos, foram escolhidas seis pessoas,
apontadas pela própria comunidade, como conhecedores da flora local os quais estavam
dispostos a colaborar como informantes chaves na pesquisa. Nesta etapa só foram entrevistados
homens, com idades entre 34 e 65 anos. Utilizou-se a metodologia “caminhado na floresta”
(Alexiades, 1996), onde cada informante percorreu todo o trecho de 0,5ha, mostrando-lhe cada
árvore numerada e coletada, e perguntado-lhe: se a planta era conhecida, por qual nome era
conhecida e se tinha algum tipo de uso. Os usos eram anotados assim como as partes empregadas
eram especificadas. Objetivando diminuir o cansaço do informante optou-se por argüir sobre
todas as espécies presentes na área e não sobre todos os indivíduos. Quando uma planta ocorria
mais de uma vez na área perguntava-se apenas até se ter assegurado que não havia variação na
resposta da identificação. Foi considerado um evento o processo de perguntar ao informante, em
um dia, a respeito dos usos de cada espécie (Phillips & Gentry, 1993a). Porém, se em um dia a
53
espécie era encontrada mais de uma vez, a resposta do informante era combinada com as outras
entrevistas, com exceção apenas para o caso do informante fornecer um nome popular diferente
para a mesma espécie (Phillips & Gentry, 1993a).
Uma vez terminada esta etapa, o material coletado foi herborizado no herbário do
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em Manaus, procedendo-se também a
identificação taxonômica dos exemplares.
Na segunda etapa da pesquisa delimitou-se 0,5ha, seguindo-se os mesmos procedimentos,
porém das espécies já identificadas não se coletou novos exemplares para herborização. Nesta
etapa foram entrevistados também seis informantes, cinco dos quais distintos daqueles da
primeira etapa, sendo duas mulheres e quatro homens, com idades entre 34 e 74 anos.
Cada informante foi entrevistado individualmente para que suas respostas não fossem
influenciadas pelos demais. Dos onze informantes entrevistados, dez permaneceram todo o dia
em atividade no campo.O outro foi contratado para ajudar no trabalho de campo e foi
entrevistado durante vários dias.
Elaborou-se uma base de dados, em planilha EXCELL, com registros para cada espécie
de planta indicada pelos informantes como útil, contendo os seguintes itens: nome científico,
família, número dos indivíduos (de árvores, lianas ou hemiepífitas) do hectare estudado, número
do coletor, nomes populares, tipos de usos, partes da planta utilizadas e nome do informante.
Os usos indicados foram tratados de uma perspectiva etic, a qual conceitualiza e organiza
a informação etnobotânica do ponto de vista do pesquisador (Zent, 1996). Os usos foram tratados
em oito categorias: construção, tecnologia, medicina, comércio, alimentar, artesanato,
combustível e outros. A definição das categorias de uso para construção, medicinal, alimentação
e tecnologia seguiu, de modo geral, aquelas indicadas por Galeano (2000). A categoria
artesanato foi tratada separadamente segundo Pinedo-Vasquez et al. (1989); combustível foi
54
tratado como Baleé (1987); a categoria outros foi tratado com Prance et al. (1994) acrescentando
frutos que servem para caça.
Seguem-se as categorias com suas respectivas definições:
Construção: casas, cercas e postes.
Tecnologia: material de pesca, caça, agricultura, utensílios de cozinha, canoas, móveis, folhas
para fumar.
Medicinal: substâncias utilizadas para curar e aliviar doenças.
Comércio: uso econômico.
Alimentar: alimento para o homem.
Artesanato: cascas para tingir fibras para cestaria; ripas para a borda de cestaria; folha para
tecer, sementes para anéis e brincos
Combustível: lenha, carvão e resinas voláteis.
Outros: plantas ritualísticas, brinquedos, frutos para alimentação de animais silvestres.
O valor de uso para cada espécie foi calculado seguindo a metodologia de Phillips &
Gentry 1993a, através da qual se obtém um valor de uso da espécie por cada informante (a), para
depois obter o valor de uso da espécie (b):
a) VUis = ∑Uis / nis
Onde Uis é o número de usos mencionados em cada evento pelo informante i para a
espécie s, e nis é o numero de eventos por espécie s com o informante i
b) VUs = ∑UVis / ns
onde ns é igual a o número de informantes entrevistados para a espécie s
O valor de uso para cada família foi calculado seguindo a metodologia de Phillips &
Gentry 1993a, onde
VUF= ∑VUs / nf
55
Onde VUs = valor de uso das espécie
nf = número de espécies na família.
Os valores de uso das dez espécies mais importantes foram comparados estatisticamente
com a teste não paramétrico “Mann-Whitney test” (Zar, 1996) para ver se existiam diferenças
significativas entre elas.
As amostras botânicas encontram-se depositadas no herbário do Jardim Botânico do Rio
de Janeiro (RB), e as duplicatas de espécimes férteis, no herbário do Instituto Nacional de
Pesquisas da Amazônia (INPA). O número de coleta de J.G.Soler A. para cada espécime
encontra-se em Soler & Peixoto (ined).
Resultados e Discussão
No trecho de 1 ha. de floresta de terra firme estudado foram analisadas 189 espécies, das
quais 185 (98%) foram reconhecidas pelos informantes como de alguma utilidade, enquanto as
outras quatro espécies não foram reconhecidas por nenhum dos informantes (Ilex divaricata,
Laetia sp.1, Guarea guidonia, Leguminosae: Papilionoideae sp.1). Além destas, três espécies
arbóreas permaneceram dormentes durante o período de estudo, não sendo, portanto utilizadas
para as entrevistas no presente estudo. Dentre as 43 famílias amostradas, 42 (98%) têm espécies
apontadas como úteis. Neste trecho, dentro do critério de inclusão adotado (DAP ≥ 10 cm),
encontram-se 541 indivíduos entre os quais 537 (99%) são reconhecidos como de alguma
utilidade. Quando os dados são analisados sem a categoria de combustível, a que agrega a maior
número de espécies e indivíduos, observa-se que 180 espécies (95%) têm utilidade e 98% dos
indivíduos e 93% das famílias têm utilidade. O Anexo 1 apresenta as espécies ocorrentes em 1
ha. de floresta de terra firme na vila de Caicubí, Caracaraí, Roraima, Brasil, em ordem alfabética
de família, seguido de nome científico, nome comum e usos indicados pelos caboclos.
56
Foram obtidos 1763 eventos independentes. A média de usos por espécie em 1 ha. foi de
5,4. No total 110 usos foram descritos para as espécies no trecho estudado (Tabela 1). O maior
número de usos atribuído a uma espécie foi 14 encontrado apenas em Berthollethia excelsa; 34
espécies apresentaram cinco usos e nove espécies um uso (Fig. 2).
Tabela 1. Usos da floresta pelos caboclos de Caicubi, Roraima, Brasil. Listadas por categorias.
Construção
Tecnologia
Cabo de enxada, machado, terçado, faca,
Caibros, linhas, travessas, esteio.
Cascas para paredes.
Tábuas para paredes de casas e sualho.
Folha para tecer cobertura de casas.
foice.
Embira para paneiro, peçonhas, como corda.
Talheres.
Folha de sobreposição em telhados de
palha.
Estacas e moirão de cercas.
Ripas para estrutura de forno de farinha,
Móveis
Espinhos para caçar garfanhotos.
construção de casas e cercas.
Compensado.
Barrote, pernamancas.
Postes.
Pecíolo para fazer pipas.
Pecíolo para ponta de flechas.
Pecíolo colher látex.
Medicinal
Látex para distenção muscular.
Raiz para anemia.
Breu para dor de cabeça.
Estípula para puxar tumor.
Resina para desinflamar pancadas e
Arcos.
Caniço.
Breu para afastar morcêgos e carapanas.
Breu para calafetar canoas.
Construção de canoas, barcos e batelão.
Bucha de motor e de bomba.
Folha para empalhar carne seca evitando
torções.
Opérculo para carne crescida.
varejera.
Casca para tingir linhas de pesca.
Ripa para instrumentos de pesca de peixinhos
Seiva contra veneno de cobra.
Casca contra veneno de cobra.
ornamentais.
Látex como cola.
Sapopemas para tábuas de lavar roupa, leme
Casca para diarréia.
Semente para apendicite.
Folha para tirar panema de cachorro
de barco e remos.
Fruto pixidio como pilhão.
Ripa para cabeceira de lanterna.
Jaticá, cabo de zagaia e astia p/ pesca de peixe
Casca para males dos rins.
Seiva para dor de dente.
Seiva como antiséptico e cicatrizante.
boi.
Folha para cobertura de caiera de fazer carvão.
Tronco como rolete para deslizar
57
Seiva como coagulante.
Semente contra dor de urina.
Látex como veneno.
Seiva contra vômito.
Casca contra hemorroides.
embarcações.
Latex como veneno para caça.
Balsas.
Espinho para tira espinho.
Semente para plantar
Abanos.
Folha na prensa de farinha para não grudar a
Casca para hemorragia em aborto.
Casca para o sapinho na boca das crianças.
massa com a prensa.
Coronha de espingarda
Folha para botar a caça encima para tirar o
Casca para friera brava (micose), curuba.
Casca para sarna do cachorro (pirento)
Estípula para barriga d’ água.
Casca contra câncer.
Folha para banho de crianças quando
couro.
Pecíolo para apitar e chamar anta.
Látex para fazer balata.
Tronco como adubo para canteiro.
choram muito.
Folha para lixar.
Meristema apical e de troncos velhos onde se
Látex para matar piolho.
cira mixigua usada como isca de pesca.
Folha para torrar massa de farinha para
Casca para matar piolho.
Seiva para derrame.
Casca para diabetes.
massoca.
Folha para fumar.
Jirao para assar peixe.
Fruto como isca para pescar com espinhel.
Folha para fazer sabão.
Fruto como timbó para mata peixe.
Casca para fazer fogão de barro.
Combustible
Lenha e carvão.
Breu para fazer fogo.
Casca para queimar.
Pericarpo da catanha para carvão.
Outros
Defumação de pessõas para afastar e tirar
Artesanato
Folha nova para cestaria, chapéu.
Semente para anéis e brincos.
Ripa para borda de cestaria.
Casca para tingir fibras.
doenças.
Fruto no chão para caçar inambu, anta.
Tronco para fazer brinquedos
Breu para queimar quando vem temporal.
Breu para afastar os maus espiritos.
Folha para estragar pessoas.
Casca para pegar mulher.
Alimetar
Fruto comestível.
Palmito.
Âmago e larva (michigua) que se cria
Comércio
Sementes
dentro do tronco dentro do tronco.
Seiva para beber.
Semente comestível.
Látex para beber.
Breu e Látex
Palmito vende
Galhos vendem para turistas
58
Folha para chá.
porcentagem das spp. úteis
20%
18%
18%
16%
14%
12%
12%
11% 11%
10%
11% 11%
8%
8%
6%
6%
5%
3%
4%
2%
2%
1%
1%
1%
12
13
14
0%
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
Número de usos por espécie
Figura 2. Número de usos por espécie (%) com DAP > 10cm de 1 ha. de floresta de terra firme
indicado pelos caboclos da vila de Caicubi, Município de Caracaraí, RR, Brasil.
A Tabela 2 mostra que dentro dos 109 usos, 44 (40%) estão na categoria tecnologia, seguida por
medicinal (27%), construção (8%), alimentar (6%), comércio (3%), combustível (3%), artesanato
(3%), outros (6%). A madeira é o recurso mais utilizado (26%) dentro dos usos descritos;
seguidos pelas exsudatos (látex, resina e seiva) (22%), folhas e espinhos (21%), casca (15%),
frutas e semente (13%), meristema apical (envolve o palmito e uma larva usada como alimento)
(4%), raízes (2%) e estípula (2%).
Quando analisado os usos por categoria (Tabela 2), observa se que em tecnologia os
recursos mais utilizados são a madeira (36%) e as folhas e espinhos (34%); na categoria de
construção a madeira é o recurso mais utilizado (88%); na categoria de comércio quatro itens
(madeiras, frutos e sementes, exsudatos e coração do tronco) totalizaram 100% com a mesma
proporção (25%) para cada um deles. Na categoria medicinal as cascas e os exsudatos são os
recursos mais utilizados com 37% para cada categoria. Na categoria alimentar os recursos mais
utilizados são frutos e sementes (28,6%), exsudatos (28,6%) e meristema apical de palmeira
(28,6%). Na categoria combustível os recursos estão igualmente dividido em madeiras, frutos e
59
sementes, exsudatos e cascas (25% para cada item). Em artesanato os recursos estão divididos
em madeiras, frutos e sementes, folhas e espinhos e cascas com 25% para cada item. Para a
categoria de outros usos predomina o uso de exsudatos 43%.
Tabela 2. Partes utilizadas das árvores, cipós e hemiepifitas com DAP > 10cm pelos caboclos da
vila Caicubi, Caracaraí, Roraima, Brasil, distribuídas por categorias de usos. (Cons: construção;
Tec: tecnologia; Alim: alimentar; Med: medicinal; Arte: artesanato; Comb: combustível, Com:
comércio, Outr: outros).
Parte Utilizada
Madeira
frutos, sementes,
Exsudatos
folhas e espinhos
Casca
Raízes
coraçao do tronco *
Estípula
Total de usos
utilizados
Cons
8
0
0
1
0
0
0
0
Com
1
1
1
0
0
0
1
0
Med
0
3
11
2
11
1
0
2
Alim
0
2
2
1
0
0
2
0
Tec
16
5
4
15
3
0
1
0
Comb
1
1
1
1
0
0
0
Arte
1
1
0
1
1
0
0
0
Outr
1
1
3
1
1
0
0
0
Total
28
14
22
21
17
1
4
2
%Total
26%
13%
20%
19%
15%
1%
4%
2%
9
4
30
7
44
4
4
7
109
100%
*coração do tronco envolve ao âmago e uma larva que se cria dentro do tronco quando este cai.
Phillips et al. 1994 enfatizam que o simples processo de totalizar o número de espécies
úteis e o número de usos por espécie em uma área é somente uma forma muito crua de mostrar a
importância cultural da floresta e que estes resultados têm que ser interpretados com cautela. A
figura 3 sustenta este fato quando mostra as 30 espécies com maiores números de uso e
paralelamente mostra seus VU. Observa-se que estes valores não seguem o mesmo padrão. Estas
inconsistências refletem o fato de existirem usos ocasionais para quase todos as espécies de
árvores, mais só algumas espécies são intensamente utilizadas (Phillips et al. 1994).
A maioria das espécies (23%) apresenta valor de uso (VU) entre >0,5 e 1,5 (Fig. 4). VU
altos estão concentrados em poucas espécies. O VU médio por espécie é 1,59; o VU médio por
espécie para combustível é 0,43; tecnologia de 0,43; construção de 0,39; alimentação 0,14;
medicinal de 0,13; artesanato de 0,02; comércio de 0,02 e para outros 0,04. As espécies com
maior VU são Bertholletia excelsa seguida por Pouteria glomerata, Eschweilera pedicellata,
60
Eschweilera coriacea, Euterpe precatória (Tabela 6). A lista das espécies com VU totais e por
categoria, sua abundância relativa, número de eventos, e número de informantes encontram-se na
Tabela 3.
1 6 ,0 0
VUTotal
1 4 ,0 0
nutotal
Valores
1 2 ,0 0
1 0 ,0 0
8 ,0 0
6 ,0 0
4 ,0 0
0 ,0 0
Berth o letia
E sch w eilera
V iro la th eio d o ra
E sch w eilera
In g a alb a
Po u teria
Bo cag eo p sis
G u atteria sp 1
Po u ro u m a cf.
O co tea
G u stav ia au g u sta
Po u teria caim ito
X y lo p ia
O en o carp u s
X y lo p ia aff
G o u p ia g lab ra
Sy m p h o n ia
L icaria
E sch w eilera
Helico sty lis
Iry an th era
Po u teria
Crep id o sp erm u m
A ttalea m arip a
E u terp e
Cecro p ia
L ican ia cau d ata
L ican ia h irsu ta
A n ib a aff.
O co tea
2 ,0 0
Figura 3. Trinta espécies com maior número de usos totais e com seus respectivos valores de uso
(VU Total) citados pelos caboclos da vila de Caicubi, Município de Caracaraí, RR, Brasil.
23%
21%
20%
15%
15%
12%
11%
5%
2%
1%
1%
0%
1%
5 ,5 - 6
8%
5 - 5 ,5
7%
>4 ,5 - 5
10%
>4 - 4 ,5
Porcentagem das spp. úteis
25%
>3 ,5 - 4
>3 - 3 ,5
>2 ,5 - 3
>2 - 2 ,5
>1 ,5 - 2
>1 - 1 ,5
>0 ,5 - 1
0 ,1 7 - 0 ,5
0%
Valor de uso
Figura 4. Distribuição dos valores de uso (UV) para as 185 espécies utilizadas pelos caboclos da
vila de Caicubi, Município de Caracaraí, RR, Brasil, encontradas em 1 ha. de floresta terra firme.
61
Tabela 3. Lista de plantas apontadas como úteis pelos caboclos da vila de Caicubi, Caracaraí, RR, Brasil, encontradas em 1 ha. de floresta de
terra firme, mostrando o valor de uso total (VUTot), valor por categoria de uso (VUCons = construção; VUCom = comércio; VUAli =
alimentar; VUMed = medicinal; VUTec = tecnología; VUComb = combustível; VUArt = artesanato; VUOu = outros usos), número de usos
(nu), número de entrevistas (ne), número de informantes (ni), densidade relativa (DRe).
Espécies
ANACARDIACEAE
Tapirira guianensis Aubl.
ANNONACEAE
Bocageopsis multiflora (Mart.) R.E. Fr.
Fusaea longifolia Safford.
Guatteria citriodora Ducke
Xylopia aff. polyantha R.E.Fr.
Xylopia amazonica R.E.Fr.
APOCYNACEAE
Ambelania acida Aubl.
Couma guianensis Aubl.
Odontadenia cognata (Stadelm.) Woodson
Rhigospira quadrangularis Miers.
ARALIACEAE
Schefflera morototoni (Aubl.)Maguire,Steyern. & Frodin
ARECACEAE
Astrocaryum aculeatum Wallace
Attalea maripa Mart.
Euterpe precatoria Mart.
Oenocarpus bacaba Mart.
BIGNONIACEAE
Jacaranda copaia D.Don
BOMBACACEAE
Quararibea ochrocalyx Visch.
Rhodognaphalopsis cf. duckei A. Robyns
BORAGINACEAE
Cordia bicolor A.DC. ex DC.
Cordia exaltata Lam.
Cordia nodosa Lam.
VUTot VUCons VUCom VUAli VUMed VUTec VUComb VUArt VUOu nu
ne
ni D.Re
0,17
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,17
0,00
0,00
1
6
6
0,18
3,56
3,33
2,08
3,12
2,95
0,92
0,50
0,63
1,06
1,09
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,09
0,00
0,10
0,00
0,00
1,63
2,00
0,85
1,18
1,05
0,92
0,83
0,50
0,88
0,82
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
10
6
10
9
9
25
6
16
20
12
11
6
10
11
11
5,51
0,18
0,74
0,92
0,37
1,23
2,39
0,83
0,83
0,00
0,09
0,00
0,00
0,09
0,18
0,00
0,00
0,91
1,09
0,00
0,00
0,00
0,27
0,83
0,17
0,18
0,73
0,00
0,33
0,05
0,03
0,00
0,33
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
4
5
1
4
12 11 0,37
14 11 0,55
6 6 0,18
6 6 0,18
0,55
0,27
0,00
0,00
0,00
0,18
0,09
0,00
0,00
3
12 11 0,37
3,50
3,50
3,86
3,09
0,00
1,00
1,09
0,98
0,17
0,00
0,09
0,00
1,50
1,50
1,41
1,56
0,00
0,00
1,00
0,09
0,67
0,83
0,27
0,45
0,00
0,00
0,00
0,00
1,17
0,17
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
6
8
8
9
6 6 0,18
6 6 0,18
14 11 3,68
16 11 1,84
1,00
0,58
0,00
0,00
0,00
0,17
0,25
0,00
0,00
3
9
0,86
1,33
0,14
0,50
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,36
0,67
0,36
0,17
0,00
0,00
0,00
0,00
6
4
13 11 0,55
6 6 0,18
0,50
1,67
0,50
0,33
0,33
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,17
0,00
0,00
0,00
0,17
0,83
0,00
0,00
0,50
0,33
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
2
5
1
6
6
6
6
6
6
6
0,37
0,18
0,18
0,18
62
Cordia panicularis Rudge
Cordia sp.
BURSERACEAE
Crepidospermum cf. rhoifolium (Benth.) Triana & Planchon
Dacryodes cf. hopkinsii
Dacryodes sclerophylla Cuatrec.
Protium amazonicum (Cuatrec.) Daly
Protium grandifolium Engl.
Protium hebetatum Daly
Protium opacum Swart subsp. Opacum
Protium subserratum Engl.
Protium trifoliolatum Engl.
Trattinickia boliviana (Swart.) Daly
Trattinickia glaziovii Swart.
CARYOCARACEAE
Caryocar glabrum (Aubl.)Pers. subsp. parviflorum
Caryocar glabrum Pers.
CECROPIACEAE
Cecropia distachya Huber
Coussapoa sprucei Mildbr.
Pourouma cf. cuspidata Warb. & Mildbr.
Pourouma cf. tomentosa subsp. apiculata (Benoist) C.C.
Berg & Van
Pourouma cucura Standl. & Cuatrec.
Pourouma ferruginea Standl.
Pourouma guianensis Aubl. guianensis
Pourouma melinonii Benoist subsp. melinonii
Pourouma minor Benoist
Pourouma ovata Trec.
Pourouma tomentosa Miq. subsp. essequiboensis
Pourouma tomentosa Miq. subsp. tomentosa
Pourouma villosa Trec.
CELASTRACEAE
Goupia glabra Aubl.
CHRYSOBALANACEAE
Couepia aff. obovata Ducke
Hirtella racemosa var. hexandra (Willdenow ex Roemer &
1,17
0,67
0,33
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5
4
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6
6
6
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2,68
2,22
0,80
1,83
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2,77
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0,00
0,00
0,05
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0,00
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0,50
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0,00
0,00
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5
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0,00
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0,00
0,00
0,00
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10
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1,20
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1,00
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0,00
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6 6 0,18
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20 11 2,39
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6 6 0,18
4 4 0,18
10 10 0,37
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0,00
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0,00
9
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4
6
6
6
6
0,18
0,18
0,18
0,18
63
Schultes) Prance
Licania canescens Benoist
Licania caudata Prance
Licania cf. prismatocarpa Spruce ex Hook. f.
Licania heteromorpha Benth. subsp. heteromorpha
Licania hirsuta Prance
Licania micrantha Miq.
Licania octandra subsp. pallida (Hooker f.) Prance
Licania sothersiae Prance
Licania unguiculata Prance
CLUSIACEAE
Clusia grandiflora Splitg.
Symphonia globulifera L.
Tovomita schomburgkii Planch. & Triana
DILLINIACEAE
Pinzona coriacea Mart. & Zucc.
ELAEOCARPACEAE
Sloanea cf. synandra Spruce ex. Benth.
Sloanea pubescens Benth.
Sloanea rufa Planch. Ex Benth.
Sloanea sp.1
EUPHORBIACEAE
Alchornea schomburgkii Klotzsch
Alchornea triplinervia Mull. Arg.
Croton lanjouwensis Jabl.
Euphorbiaceae sp.1
Hieronyma mollis Muell. Arg.
FLACOURTIACEAE
Laetia procera Eichl.
Lindackeria cf. paludosa Gilg.
GNETACEAE
Gnetum leyboldii Tul.
HUGONIACEAE
Hebepetalum humiriifolium (Planch.) Jackson
LAURACEAE
Aniba aff. Williamsii O. C. Schmidt. (Guia Ducke)
Licaria guianensis Aubl.
0,50
2,33
2,00
3,00
3,75
1,25
2,26
2,67
1,83
0,00
0,67
0,33
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0,83
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0,22
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0,67
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0,00
0,00
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0,17
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0,17
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1,42
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1,15
0,83
0,50
0,33
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0,83
0,67
0,83
0,67
0,89
0,83
0,67
0,00
0,00
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0,33
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0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
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6
8
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5
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6 6 0,18
6 6 0,18
6 6 0,18
7 6 0,37
9 6 0,37
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6 6 0,18
6 6 0,18
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1,80
1,33
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0,00
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0,09
0,00
1
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5
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15 11 2,21
6 6 0,18
1,50
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0,00
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0,67
0,00
0,17
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0,00
6
6
6
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1,00
1,00
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0,00
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0,00
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0,20
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0,00
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0,18
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0,41
0,00
0,00
6
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3,55
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0,00
0,00
0,00
0,00
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0,00
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0,36
0,00
0,00
0,00
0,00
8
9
11 6 0,55
12 11 0,37
5
0,18
64
Mezilaurus subcordata (Ducke) Kosterm
Ocotea nigrescens A. Vicentini
Ocotea rhodophylla A. Vicentini
Ocotea sp. E (guia Ducke)
Ocotea subterminalis H. van der Werff
Pleurothyrium vasquezii H. van der Werff
LECYTHIDACEAE
Bertholetia excelsa Humb & Ponpl.
Eschweilera bracteosa Miers
Eschweilera coriacea Mart. ex O.Berg
Eschweilera grandifolia Mart ex DC.
Eschweilera pedicellata (Richard)S.A.Mori
Gustavia augusta Amoen. Acad.
Lecythis poiteaui O.Berg.
Lecythis retusa Spruce ex. O.Berg
Lecythis zabucajo Aubl.
LEGUMINOSAE CAESALPINIOIDEAE
Bahuinia guianensis Aubl.
Dicorynia paraensis Benth.
Sclerolobium aff. Setiferum Ducke
Sclerolobium chrysophyllum Poepp. & Endl.
Sclerolobium setiferum Ducke
Tachigali myrmecophila Ducke
Tachigali venusta Dwyer
LEGUMINOSAE MIMOSOIDEAE
Cedrelianga cataeniformis (Ducke) Ducke
Dinizia excelsa Ducke
Enterolobium schomburgkii Benth.
Inga aff. bicoloriflora Ducke
Inga aff. capitata Desv.
Inga alba (Swartz) Willd.
Inga cf. laurina Willd.
Inga grandiflora Ducke
Inga paraensis Ducke
Inga rhynchocalyx Sandwith
Inga thibaudiana DC.
Inga umbratica Poepp. & Endl.
0,40
3,20
3,06
2,50
1,83
1,33
0,00
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6 6 0,18
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5 5 0,18
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2,17
1,67
1,00
0,83
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1,46
1,22
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6
2
11
7
4
8
4
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6 6 0,18
6 6 0,18
6 6 0,18
6 6 0,18
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22 11 0,92
10 9 0,37
6 6 0,18
6 6 0,18
65
Parkia nitida Miq.
Parkia sp.
Pseudopiptadenia psilostachya (DC.) G.Lewis & M.P.M.
de Lima
Stryphnodendrom paniculatum Poepp. & Endl.
Zygia racemosa (Ducke) Barneby & J.W.Grimes
LEGUMINOSAE PAPILIONOIDEAE
Andira micrantha Ducke
Clathrotropis macrocarpa Ducke
Ormosia aff. Nobilis Tul. var. nobilis
Ormosia grossa Rudd.
Pterocarpus officinalis Jacq.
Swartzia cf. dolichopoda R.S.Cowan
Swartzia corrugata Benth.
MELASTOMATACEAE
Miconia traillii Cogn.
MELIACEAE
Guarea silvatica C.DC.
MORACEAE
Clarisia racemosa Ruiz & Pav.
Helianthostylis sprucei Baill.
Helicostylis tomentosa (Poepp. & End.) Macbride
Maquira sclerophylla (Ducke) C.C.Berg.
Moraceae sp1
Naucleopsis glabra Spruce ex Pittier
Perebea guianensis Aubl.
Perebea mollis (Planch. & Endl.) Huber subsp. mollis
Pseudolmedia laevis (Ruiz & Pav.)Macbride
Sorocea guilleminiana Gaudich.
MYRISTICACEAE
Iryanthera coriacea Ducke
Iryanthera grandis Ducke
Iryanthera juruensis Warb.
Osteoplhoeum platyspermum Warb.
Virola calophylla Warb.
Virola enlongata (Benth.) Warb.
Virola theiodora Warb.
1,42
1,00
1,83
0,75
0,50
0,67
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,17
0,00
0,42
0,00
0,50
0,25
0,33
0,67
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
5
4
6
7
6
6
6
6
6
0,55
0,18
0,18
0,64
2,02
0,09
0,68
0,00
0,00
0,00
0,00
0,18
0,05
0,09
0,41
0,27
0,89
0,00
0,00
0,00
0,00
4
8
11 11 0,37
17 11 0,74
1,83
2,75
1,67
2,33
1,50
1,20
0,83
0,17
0,25
0,17
0,83
0,33
0,40
0,17
0,00
0,00
0,17
0,17
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,33
1,29
0,17
0,67
0,17
0,00
0,17
0,50
0,25
0,33
0,33
0,33
0,40
0,33
0,83
0,96
0,50
0,33
0,67
0,40
0,17
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,33
0,00
0,00
0,00
0,00
7
8
5
8
5
5
5
6
12
6
6
6
5
6
6
8
6
6
6
5
6
0,18
7,17
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
1,17
0,33
0,00
0,17
0,00
0,08
0,58
0,00
0,00
5
11
6
0,37
0,50
0,00
0,00
0,00
0,33
0,00
0,17
0,00
0,00
3
6
6
0,18
1,41
0,17
1,69
0,83
0,75
1,18
0,73
1,08
0,73
1,23
0,14
0,17
0,20
0,17
0,08
0,09
0,09
0,08
0,05
0,00
0,00
0,00
0,14
0,17
0,00
0,09
0,03
0,00
0,05
0,00
0,27
0,00
0,53
0,00
0,08
0,18
0,23
0,33
0,09
0,00
0,00
0,00
0,03
0,00
0,17
0,00
0,00
0,08
0,00
0,91
0,82
0,00
0,24
0,17
0,25
0,18
0,00
0,00
0,32
0,09
0,18
0,00
0,51
0,33
0,17
0,45
0,33
0,50
0,23
0,23
0,00
0,00
0,05
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,18
0,05
0,08
0,00
0,00
8
1
9
4
8
7
5
4
8
6
12
6
21
7
11
12
13
11
16
12
11
6
11
6
6
11
11
6
11
11
0,37
0,18
1,1
0,18
0,37
0,55
1,1
0,37
0,74
0,55
1,55
0,83
2,05
1,33
1,36
2,50
2,20
0,40
0,33
0,61
0,33
0,36
0,50
0,48
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,40
0,33
0,42
0,67
0,32
0,75
0,74
0,25
0,00
0,41
0,17
0,23
0,75
0,36
0,50
0,17
0,61
0,17
0,45
0,50
0,63
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
7
5
9
5
7
8
12
12
6
19
8
12
4
23
10
6
11
6
11
4
11
0,74
0,18
0,92
0,37
0,37
0,18
1,47
66
Virola venosa Warb.
MYRSINACEAE
Cybianthus aff. detergens Mart.
MYRTACEAE
Calycolpus sp.
Eugenia aff. Florida DC.
Eugenia cf. cuspidifolia DC.
Eugenia cf. omissa McVaugh
Eugenia sp.1
Myrcia aff. rufipila McVaugh
Myrcia sylvatica DC.
OLACACEAE
Minquartia guianensis Aubl.
QUIINACEAE
Quiina florida Tul.
Touroulia guianensis Aubl.
ROSACEAE
Prunus myrtifolia Urb.
RUBIACEAE
Borojoa claviflora (K.Schum.)Cuatrec.
Ferdinandusa rudgeoides Wedd.
Ferdinandusa sp1.
SABIACEAE
Ophiocaryon aff. manausense (W.A.Rodrigues)Barneby
SAPINDACEAE
Cupania scrobiculata Rich.
SAPOTACEAE
Chrysophyllum sanguinolentum (Pierre) Baehni
Micropholis guyanensis (A.DC.) Pierre subsp. guyanensis
Pouteria caimito Radlk.
Pouteria cuspidata (A.DC.)Baehni
Pouteria durlandii (Standl.) Baehni
Pouteria glomerata Radlk.
Pouteria guianensis Aubl.
Pouteria sp.1
SIMAROUBACEAE
Simaba polyphylla (Cavalcante) W.W.Thomas
0,95
0,36
0,00
0,00
0,23
0,14
0,23
0,00
0,00
7
12 11 0,37
0,33
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,33
0,00
0,00
1
6
6
0,18
2,67
2,33
1,00
2,00
0,50
1,17
2,00
0,83
0,50
0,00
0,83
0,00
0,17
0,33
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,33
0,33
0,17
0,17
0,00
0,00
0,67
0,00
0,00
0,00
0,00
0,17
0,00
0,17
0,50
0,67
0,00
0,17
0,00
0,17
0,00
1,00
0,83
0,83
0,83
0,17
0,83
0,83
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,17
0,00
0,00
6
6
2
5
3
3
5
6
6
6
6
6
6
6
6
6
6
6
6
6
6
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
0,18
3,33
2,17
0,00
0,17
0,00
0,33
0,67
0,00
0,00
8
6
6
0,18
1,00
0,45
0,27
0,05
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,09
0,18
0,05
0,55
0,27
0,00
0,00
0,00
0,00
4
4
13 11 0,55
12 11 0,37
0,33
0,00
0,00
0,08
0,08
0,00
0,17
0,00
0,00
2
12
2,17
2,55
0,50
0,33
1,21
0,17
0,00
0,00
0,00
1,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,17
0,68
0,17
0,67
0,65
0,17
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
4
7
3
6 6 0,18
21 11 2,21
6 6 0,18
0,60
0,00
0,00
0,00
0,00
0,20
0,40
0,00
0,00
2
5
5
0,18
0,17
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,17
0,00
0,00
1
6
6
0,18
3,00
1,55
3,45
0,50
2,59
4,92
3,33
0,83
0,83
0,73
1,05
0,09
0,73
1,50
1,33
0,33
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,17
0,00
0,00
0,00
0,00
0,18
0,00
0,27
0,50
0,50
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,17
0,41
1,23
0,09
1,05
1,83
0,67
0,00
1,00
0,41
1,00
0,32
0,55
0,92
0,83
0,50
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
6
7
10
3
11
9
8
3
6
12
12
11
11
9
6
5
6
11
11
11
11
6
6
6
0,18
0,37
0,37
0,37
0,37
0,37
0,18
0,18
0,33
0,00
0,00
0,00
0,00
0,17
0,17
0,00
0,00
2
6
6
0,18
6
0,37
67
Simaruba amara Aubl.
STERCULIACEAE
Theobroma microcarpa Mart.
Theobroma obovatum Klotzch ex Bernoulli
Theobroma speciosa Willd. ex Spreng.
Theobroma subincanum Mart.
Theobroma sylvestris Aubl. ex Mart.
STRELITZIACEAE
Phenakospermum guyanense (L. C. Rich.) Endl.
TILIACEAE
Apeiba echinata Gaertn.
VIOLACEAE
Paypayrola macrophylla
VOCHYSIACEAE
Erisma bracteosum Ducke
Qualea paraensis Ducke
Qualea sp.1 (Guia Ducke)
Vochysia vismiaefolia Spruce ex Warm.
TOTAL
1,67
1,17
0,00
0,00
0,06
0,28
0,00
0,00
0,17
6
8
6
0,74
1,39
1,75
1,70
1,88
1,75
0,27
0,08
0,00
0,09
0,00
0,00
0,00
0,10
0,00
0,08
0,14
0,67
1,20
1,00
1,33
0,00
0,00
0,10
0,36
0,00
0,64
0,50
0,10
0,09
0,17
0,34
0,50
0,20
0,33
0,17
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
8
6
6
5
5
19 11 0,74
10 6 0,37
11 10 0,37
13 11 0,92
8 6 0,55
3,23
1,05
0,00
0,09
1,14
0,95
0,00
0,00
0,00
7
12 11 0,55
0,67
0,17
0,00
0,00
0,00
0,50
0,00
0,00
0,00
3
6
6
0,18
1,00
0,20
0,00
0,00
0,00
0,40
0,40
0,00
0,00
4
5
5
0,18
1,83
1,17
0,50
0,33
0,67
0,83
0,17
0,08
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,50
0,33
0,17
0,00
0,67
0,00
0,17
0,25
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
5
5
3
2
6
6
6
9
6
6
6
6
0,18
0,18
0,18
0,37
306,14
73,31
3,18
27,22
25,32
82,44
82,24
3,98
8,44 5,52 1739
98,46
68
Foram encontradas quatro espécies de lianas com DAP > 10cm, representadas cada uma
por um indivíduo; a média dos VU para estas espécies foi de 1,12; sendo que o 48% deste valor
correspondeu à categoria de medicina, 33% à categoria alimentar, 11 % à categoria tecnologia e
8% à categoria combustível. No hábito hemiepífito foram encontradas duas espécies com dois
indivíduos, a média dos VU para as espécies foi de 0,42; sendo que o 100% deste valor provêem
da categoria medicinal. No hábito arbóreo o VU médio por espécie foi de 1,61 e as categorias
mais importantes são tecnologia, combustível e construção (Tabela 4).
Tabela 4. Contribuição dos valores de uso por categoria e por hábito encontrados em 1 ha. de
floresta de terra firme utilizados pelos caboclos da vila de Caicubi, Caracaraí, RR, Brasil (VU:
valor de uso; Cons: construção; Tec: tecnologia; Alim: alimentar; Med: medicinal; Arte:
artesanato; Comb: combustível, Com: comércio, Outr: outros, No de spp.: número de espécies).
Hábito
%VU
%VU
%VU
%VU
%VU
%VU
%VU
%VU
No de
Tec
Arvoreo
27,2
Lianas
11,1
Hemiepífito
0
Total
26,9
Cons
24,7
0
0
23,9
Comb
27,2
8,1
0
26,9
Med
7,4
48,1
100
8,3
Alim
8,7
32,6
0
8,9
Arte
1,3
0
0
1,3
Com
1,1
0
0
1
Outr
2,4
0
0
3
spp.
183
4
2
189
As categorias com maior VU são combustível, tecnologia e construção. Estas três
categorias juntas somam 78,1% do total dos VU (Fig. 5). É interessante destacar que o 91% das
espécies úteis no hectare estudado têm utilidade para combustível, enquanto 83% em tecnologia
e 75% em construção (Fig. 6). Poucas destas espécies têm uso exclusivo numa categoria, apenas
3% das espécies são exclusivas para a categoria de combustível e 1% para a categoria de
construção; não há nenhuma espécie exclusiva na categoria de tecnologia. Ao analisar figura 6
se observa que foram citados mais espécies com usos medicinal que alimentar (44% a 35%), por
outro lado as porcentagens nos VU para estas categorias têm pouca diferença entre elas (8,2% e
9,0% respectivamente) mostrando que no conhecimento agregado existe maior quantidade de
plantas medicinais conhecidas que alimentar, mas a floresta esta sendo utilizada na mesma
69
proporção para estas duas categorias de uso (Fig. 5). O mesmo ocorre com as categorias
30,0%
2 6 ,8 %
2 7 ,0 %
2 4 ,3 %
25,0%
20,0%
15,0%
8 ,2 %
2 ,4 %
1 ,3 %
1 ,0 %
A rtesan ato
O u tro s
M ed icin al
A lim en tar
Co n stru ção
0,0%
Tecn o lo g ia
5,0%
Co m êrcio
9 ,0 %
10,0%
Co m b u stív el
Porcentagem de valores de uso
combustível e tecnologia e com as categorias de comércio e artesanato (Fig. 5,6).
Categorias de uso
Todas as spp usadas
nesta categoria
91%
83%
75%
Exclusivas da categoria
44%
35%
2%
11%
8%
0%
A rtesan ato
0%
O u tr o s
M ed icin al
1%
A lim en tar
1%
Co n stru ção
0%
0%
Co m êrcio
11%
3%
T ecn o lo g ia
100%
90%
80%
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
Co m b u stív el
porcentagem das spp. úteis
Figura 5. Contribuição dos valores de uso por categoria encontrados em 1 ha. de floresta de terra
firme utilizados pelos caboclos da vila de Caicubi, Caracaraí, RR, Brasil.
Categoria de Uso
Figura 6. Distribuição das espécies com potencial de uso entre as categorias encontradas em 1
ha. de floresta de terra firme pelos caboclos da vila Caicubí, Cararacaí, RR, Brasil.
As categorias de artesanato, comércio e outros são categorias com baixos porcentagens
nos VU e no número de espécies úteis (Fig 5, 6), mostrando que as espécies (considerando os
indivíduos com DAP>10cm) oferecem poucos recursos para esta comunidade nestas categorias.
70
Seria interessante fazer outros estudos abrangendo DAP menores para melhor analisar os
resultados nestas categorias. Sabe-se que espécies de Heteropsis, conhecidas como cipó-titica e
de Ischnosiphom, conhecidas com arumã, encontradas comumente na parcela (porem não
amostradas porque não alcançavam o critério de inclusão) são espécies muito utilizadas no
artesanato e no comércio local.
Famílias e espécies
Ao analisar as dez famílias com maior VU (Tabela 5), observa-se que as Arecaceae são
as de maior VU, isto também foi encontrado para quatro comunidades indígenas e uma de
“mestizos” dentro da Amazônia (Prance et al. 1987; Phillips & Gentry 1993a). A razão deste
valor no presente estudo deve-se a que a família é importante em várias categorias, mostrando
destaque nos VU nas categorias de alimentar, artesanato, comércio, em medicinal, construção e
tecnologia. As famílias Olacaceae e Strelitziaceae, posicionadas nos VU totais em segunda e
terceira posição respectivamente, ambas representadas por uma espécie, têm destaque porque
apresentam VU altos em uma determinada categoria: Olacaceae encontra-se na primeira posição
na categoria construção e em sexta posição na categoria combustível; Strelitziaceae se destaca na
categoria medicinal (primeira posição) e na categoria de construção (quarta posição). As
Lecythidaceae é a quarta família no VU total, tendo destaque nos VU em várias categorias: no
comércio, tecnologia, em artesanato, construção e alimentar. Annonaceae, tem destaque em VU
nas categorias de construção e combustível. Celastraceae tem destaque nos VU de construção,
combustível, tecnologia e medicinal. Sapotaceae tem destaque nas categorias de tecnologia,
construção, combustível, comércio e alimentação. Lauraceae tem destaque em construção
(terceira) e tecnologia (quartas). Burseraceae se destaca nas categorias outros (primeiras),
combustível (terceiras) e comércio (quartas). Chrysobalanaceae tem destaque em combustível
(sétimas) e tecnologia (oitavas).
71
Estes resultados apontam famílias que se destacam em várias categorias de uso
mostrando flexibilidade para ser utilizadas em várias categorias: Arecaceae e Lecythidaceae em
seis categorias, Sapotaceae em cinco categorias e Celastraceae em quatro categorias. . Por outro
lado as Burseraceae têm destaque em três categorias; as Olacaceae, Strelitzeacea, Annonaceae,
Lauraceae e Chrysobalanaceae têm destaque apenas em duas categorias, mostrando que são
famílias com utilidades mais especificas.
As categorias alimentar e outros estão citados em apenas oito famílias; a categoria
artesanato em quatro famílias (Tabela 5), mostrando pouca riqueza para estas categorias
considerando-se o critério de inclusão utilizado.
Ao analisar as dez espécies com maior VU total, Bertholletia excelsa, foi a de valor mais
alto (Tabela 6). B. excelsa se destacou entre as dez espécies com maiores VU nas categorias:
comércio (primeira posição), medicinal (terceira posição), alimentar (oitava posição).
Bocageopsis multiflora, em sétima posição dos VU total, destacou-se apenas na categoria de
tecnologia (quinta posição). Cada uma das outras oito espécies se destacaram em duas
categorias de uso (Tabela 7). Os testes de Mann Whitney mostram que Bertholletia excelsa
possui diferenças significativas no valor de uso total com cinco das dez espécies mais
importantes. Pouteria glomerata mostrou diferenças significativas com as espécies Bocageopsis
multiflora e Euterpe precatoria. As outras espécies não mostraram diferenças significativas entre
elas (Tabela 6). Isto mostra que os usos estão distribuídos em várias espécies, mostrando a
grande oferta de usos da floresta de terra firme para a comunidade.
Tabela 5. Famílias com maiores valor de uso por categoria apresentados no hectare (VU: valor
de uso; Cons: construção; Tecn: tecnologia; Alim: alimentar; Med: medicinal; Arte: artesanato;
Comb: combustível, Com: comercio, Outr: outros)
72
Família
Arecaceae
Olacaceae
Strelitziaceae
Lecythidaceae
Annonaceae
Celastraceae
Sapotaceae
Lauraceae
Burseraceae
Chrysobalanaceae
N spp.
4
1
1
9
5
1
8
8
11
11
VUTotal
3,49
3,33
3,23
3,05
3,01
2,68
2,52
2,36
2,11
1,92
Família
Olacaceae
Celastraceae
Lauraceae
Strelitziaceae
Lecythidaceae
Annonaceae
Sapotaceae
Arecaceae
Bignoniaceae
Simaroubaceae
N spp.
1
1
8
1
9
5
8
4
1
2
VUCons
2,17
1,11
1,06
1,05
0,92
0,84
0,82
0,77
0,58
0,58
Familia
Annonaceae
Lecythidaceae
Strelitziaceae
Lauraceae
Sapotaceae
Celastraceae
Caryocaraceae
Chrysobalanaceae
Elaeocarpaceae
Arecaceae
N spp.
5
9
1
8
8
1
2
11
4
4
VUTec
1,34
1,04
0,95
0,93
0,80
0,68
0,67
0,64
0,56
0,56
Família
Arecaceae
Sterculiaceae
Gnetaceae
Dilliniaceae
Apocynaceae
Rubiaceae
Myrtaceae
Lecythidaceae
Sapotaceae
Moraceae
N spp.
4
5
1
1
4
3
7
9
8
10
VUAlim
1,49
0,87
0,80
0,67
0,50
0,33
0,24
0,22
0,18
0,17
Familia
Strelitziaceae
Dilliniaceae
Caryocaraceae
Myristicaceae
Meliaceae
Apocynaceae
Arecaceae
Clusiaceae
Leguminosae
Celastraceae
N spp.
1
1
2
8
1
4
4
3
31
1
VUMed
1,14
0,67
0,50
0,48
0,33
0,32
0,27
0,25
0,19
0,18
Família
Annonaceae
Myrtaceae
Burseraceae
Celastraceae
Sapotaceae
Olacaceae
Chrysobalanaceae
Melastomataceae
Lecythidaceae
Rubiaceae
N spp.
5
7
11
1
8
1
11
1
9
3
VUComb
0,79
0,76
0,75
0,70
0,69
0,67
0,66
0,58
0,56
0,49
Familia
Burseraceae
Flacourtiaceae
Simaroubaceae
Moraceae
Clusiaceae
Myrtaceae
Lauraceae
Leguminosae
N spp.
11
2
2
10
3
7
8
31
VUOutr
0,53
0,08
0,08
0,03
0,03
0,02
0,01
0,01
Família
Lecythidaceae
Apocynaceae
Arecaceae
Burseraceae
Moraceae
Sterculiaceae
Sapotaceae
Leguminosae
N spp.
9
4
4
11
10
5
8
31
VUCom
0,08
0,07
0,06
0,06
0,05
0,04
0,02
0,01
Familia
Arecaceae
Chrysobalanaceae
N spp.
4
11
VUArte
0,33
0,12
73
Lecythidaceae
Leguminosae
9
31
0,07
0,02
Tabela 6. Dez espécies com maiores VU total em 1 ha. de floresta de terra firme indicados pelos
caboclos da vila de Caicubi, Município de Caracaraí, RR, Brasil. As letras representam
diferenças estatísticas encontradas com testes Mann-Whitney.
Familia
Lecythidaceae
Sapotaceae
Lecythidaceae
Lecythidaceae
Arecaceae
Chrysobalanaceae
Annonaceae
Lauraceae
Arecaceae
Arecaceae
Gênero sp
Bertholletia excelsa
Pouteria glomerata
Eschweilera pedicellata
Eschweilera coriacea
Euterpe precatoria
Licania hirsuta
Bocageopsis multiflora
Licaria guianensis
Astrocaryum aculeatum
Attalea maripa
VUTotal
5,55 a
4,92ab
4,35ac
4,24ac
3,86c
3,75bc
3,56c
3,55bc
3,50ac
3,50bc
Tabela 7. Dez espécies com maiores VU por categoria em 1 ha. indicados pelos caboclos da vila
de Caicubi, Município de Caracaraí, RR, Brasil. (VU=valor de uso; Const=construção; Tecno=
tecnologia; Alim= alimentar; Med= medicinal; Arte= artesanato; Comb= combustível, Com=
comércio; Outros= outros).
Familia
Olacaceae
Lauraceae
Lauraceae
Sapotaceae
Lauraceae
Euphorbiaceae
Lauraceae
Leguminosae
Gênero sp
Minquartia guianenses
Licaria guianensis
Ocotea nigrescens
Pouteria glomerata
Aniba aff. williamsii
Croton lanjouwensis
Ocotea sp. E
Cedrelianga cataeniformis
VUConst
2,17
1,82
1,50
1,50
1,42
1,33
1,33
1,33
74
Sapotaceae
Rubiaceae
Pouteria guianensis
Ferdinandusa rudgeoides
Familia
Lecythidaceae
Annonaceae
Lecythidaceae
Sapotaceae
Annonaceae
Lecythidaceae
Chrysobalanaceae
Lauraceae
Lauraceae
Lauraceae
Gênero sp
Eschweilera pedicellata
Fusaea longifolia
Eschweilera coriacea
Pouteria glomerata
Bocageopsis multiflora
Bertholletia excelsa
Licania hirsuta
Ocotea rhodophylla
Licaria guianensis
Ocotea nigrescens
Familia
Arecaceae
Arecaceae
Arecaceae
Arecaceae
Sterculiaceae
Sterculiaceae
Apocynaceae
Lecythidaceae
Rubiaceae
Sterculiaceae
Gênero sp
Oenocarpus bacaba
Astrocaryum aculeatum
Attalea maripa
Euterpe predatoria
Theobroma sylvestris
Theobroma speciosa
Couma guianensis
Bertholletia excelsa
Borojoa claviflora
Theobroma subincanum
Familia
Leguminosae
Strelitziaceae
Lecythidaceae
Arecaceae
Moraceae
Apocynaceae
Myristicaceae
Myristicaceae
Clusiaceae
Dilliniaceae
Leguminosae
Gênero sp
Clathrotropis macrocarpa
Phenakospermum guyanense
Bertholletia excelsa
Euterpe predatoria
Sorocea guilleminiana
Odontadenia cognata
Virola enlongata
Virola theiodora
Clusia grandiflora
Pinzona coriacea
Bahuinia guianensis
Familia
Lecythidaceae
Burseraceae
Apocynaceae
Arecaceae
Burseraceae
Leguminosae
Leguminosae
Moraceae
Gênero sp
Bertholletia excelsa
Dacryodes sclerophylla
Couma guianensis
Astrocaryum aculeatum
Dacryodes cf. Hopkinsii
Ormosia aff. nobilis var. nobilis
Ormosia grossa
Maquira sclerophylla
1,33
1,21
VUTecn
2,02
2,00
1,93
1,83
1,63
1,59
1,42
1,42
1,36
1,35
VUAlime
1,56
1,50
1,50
1,41
1,33
1,20
1,09
1,00
1,00
1,00
VUMed
1,29
1,14
1,02
1,00
0,91
0,83
0,75
0,74
0,67
0,67
0,67
VUComercio
0,80
0,20
0,18
0,17
0,17
0,17
0,17
0,17
75
Sapotaceae
Moraceae
Pouteria glomerata
Helicostylis tomentosa
0,17
0,14
Familia
Arecaceae
Chrysobalanaceae
Leguminosae
Chrysobalanaceae
Gênero sp
Astrocaryum aculeatum
Licania hirsuta
Inga alba
Licania cf. prismatocarpa
Licania heteromorpha subsp.
Chrysobalanaceae
Lecythidaceae
Lecythidaceae
Lecythidaceae
Arecaceae
Chrysobalanaceae
heteromorpha
Eschweilera pedicellata
Gustavia augusta
Eschweilera coriacea
Attalea maripa
Licania sothersiae
Familia
Burseraceae
Burseraceae
Burseraceae
Burseraceae
Burseraceae
Burseraceae
Burseraceae
Burseraceae
Burseraceae
Burseraceae
Gênero sp
Trattinickia boliviana
Dacryodes sclerophylla
Protium hebetatum
Dacryodes cf. hopkinsii
Trattinickia peruviana
Trattinickia glaziovii
Protium opacum subsp. opacum
Protium grandifolium
Crepidospermum cf. rhoifolium
Protium trifoliolatum
VUOutros
0,83
0,80
0,68
0,67
0,67
0,65
0,56
0,50
0,41
0,33
Familia
Burseraceae
Burseraceae
Burseraceae
Myrtaceae
Sapotaceae
Sapotaceae
Burseraceae
Lecythidaceae
Leguminosae
Lecythidaceae
Gênero sp
Dacryodes sclerophylla
Protium hebetatum
Protium opacum subsp.opacum
Calycolpus sp.
Chrysophyllum sanguinolentum
Pouteria caimito
Trattinickia glaziovii
Eschweilera coriacea
Clathrotropis macrocarpa
Eschweilera pedicellata
VUComb
1,40
1,14
1,00
1,00
1,00
1,00
0,98
0,97
0,96
0,95
VUArte
1,17
0,50
0,36
0,33
0,33
0,22
0,20
0,20
0,17
0,17
Construção
Das 139 espécies utilizadas na categoria construção (75% das espécies úteis), Minquartia
guianeneis, conhecida pela comunidade como acariquara é a que apresentou maior VU nesta
76
categoria (Tabela 7). Esta espécie é bem conhecida na Amazônia e muito utilizada em
construção. Para os índios Tembé é também a mais importante na categoria construção (Prance
et al, 1987). Na vila Caicubí é utilizada para construção de casas (caibros, travessas, linhas,
pilares e esteios), postes e estacas. Observa-se que dentro das dez espécies mais importantes,
quatro pertencem à família Lauraceae; esta família é de grande importância madeireira na
Amazônia (Vicentini et al. 1999). Outra espécie importante é Cróton lanjouwensis, conhecida
como dimã: sua madeira é muito apreciada e utilizada para construção de casas (caibros,
travessas e linhas), porém foi reconhecida pelos informantes como pouco resistente à umidade,
sendo utilizada predominantemente no interior das casas. Pouteria glomerata e P.guianensis
conhecidas por quase todos os informantes como abiurana ou abiurana-ferro (indiferentemente)
são espécies utilizadas para construção de casas, tábuas, estacas e pilares.
Tecnologia
Das 153 espécies utilizadas nesta categoria (83% das espécies úteis), Eschweilera
pedicellata e E. coriacea se destacam pelos altos VU nesta categoria (Tabela 7). Estas duas
espécies, geralmente conhecidas em Caicubi como ripeira ou matamatá, são utilizadas para tirar
ripa do tronco a qual é muito utilizada para fazer instrumentos de pesca chamados de cacuri e
rapiche, em cabeceira de lanterna (estrutura que se coloca para que a lanterna funcione presa à
cabeça em atividades de pesca e caça); para tecer folhas de ubim (várias espécies de Geonoma)
para os tetos das casas; nas estruturas dos fornos de barro (categoria de construção). O tronco
dessas duas espécies também é utilizado para construção de zagaias, cabo de ferramentas
(machado, enxada e boca de lobo); suas cascas fornecem embira de boa qualidade, utilizadas
para amarrar diversas coisas, fazer peconhas e alças de paneiros para transportar mandioca. Suas
tábuas são utilizadas na confecção de canoas, porém, são consideradas de baixa qualidade.
Pouteria glomerata, chamada de abiurana-ferro ou abiurana, por sua resistência, é considerada
77
pelos informantes uma da melhores madeiras para fazer cabo de ferramentas, em especial cabo
de machado, também para fazer zagaias e jaticá; é empregada para construção de embarcações
pela sua durabilidade dentro d’água. Outras espécies importantes nesta categoria são Fusaea
longifólia e Bocageopsis multiflora, conhecidas como envira-surucucu (que na língua geral
significa cobra brava devido a seu ritidoma assemelha uma cobra), envira-preta ou envira-ferro.
Seus troncos são utilizados para confecção de cabo de ferramentas (machado, enxada e boca de
lobo) e para caniço; sua casca é utilizada como embira para paneiros e para amarrar coisas, com
ressalva de que a embira de B. multiflora só é utilizada quando seus indivíduos são jovens.
Licania hirsuta, conhecida como macucuí, tem seu tronco utilizado na confecção de cabo de
ferramentas (machado, enxada e boca de lobo), cabo de zagaia, enquanto sua casca é empregada
para tingir linhas de pesca como forma de evitar apodrecimento das mesmas. Licaria guianensis,
conhecida por quase todos os informantes como louro-alitú ou louro- gavali, é empregada na
confecção de canoas e remos por sua durabilidade na água. Também serve para fazer cabo de
ferramentas (machado, enxada e boca de lobo), assim como cabo de zagaia e jaticá. Bertholletia
excelsa, a castanheira, é importante nesta categoria, pois que sua casca é utilizada como estopa
para calafetar canoas com látex; também sua casca serve como embira para amarrar coisas
quando o tronco é jóvem. O tronco algumas vezes é usado para fazer canoas e remos. Ocotea
rhodophylla, O. nigrescens e Licaria guianensis, três espécies de Lauraceae, são muito utilizadas
na confecção de canoas e outras embarcações, remos, cabo de ferramentas, cabo de zagaia e
jaticá e móveis; as duas primeiras são comumente chamadas de louro-preto, louro-bosta, lourochumbo e às vezes de louro-alitú, Licaria guianensis é conhecida como louro-alitú. Licania
octandra subsp. pallida, conhecida como caraipé, embora não esteja entre as dez espécies de
maior VU nesta categoria, tem sua casca utilizada para construir fogão de barro para cozinhar.
Esta casca é misturada com barro (tabatinga) para moldar fogareiros, ainda muito utilizados
pelos moradores embora alguns já utilizem fogão a gás.
78
Alimentar
Das 65 espécies que são utilizas na categoria alimentar (35% das espécies úteis), a família
Arecaceae é a mais importante. Dentre as dez espécies com maior VU nesta categoria (Tabela 7)
Oenocarpus bacaba (bacaba), Attalea maripa (inajá), Astrocaryum aculeatum (tucumã) e
Euterpe precatória (açaí) são bem utilizadas pela população. Os frutos da bacaba e açaí para
fazer suco (chamado de vinho, em Caicubi) e óleo para cozinhar; os frutos de tucumã se comem
após cozimento e os de inajá se come in natura. Nas quatro espécies anteriormente mencionadas,
o meristema apical, chamado de palmito, é utilizado para a alimentação. Além disto, no estipe da
bacaba é na semente de inajá se desenvolve uma larva chamada de “michigua” usada como
alimento e medicamento para a asma. Na família Sterculiaceae, encontram-se as espécies
Theobroma sylvestris e T. speciosa, conhecidas como cacau, cuja polpa é utilizada na
alimentação e a semente para fazer chocolate. A polpa T. subincanum, cupuí, é também de uso
alimentar. Couma guianensis (sorva), da família Apocynaceae, tem fruto comestível é seu látex é
bebido misturado com café. Os informantes afirmam que se deve usar em pequenas quantidades,
por ser adstringente e causar constipação. Borojoa claviflora (apuruí), da família Rubiaceae, tem
seu fruto utilizado para fazer suco. As sementes de Bertholletia excelsa (castanheira) são
utilizadas in natura, e quando amassadas e espremidas produz um “leite” usado na elaboração de
um bolo com farinha de mandioca conhecido como “pé de moleque”.
Medicinal
Das 82 espécies apontadas como de uso medicinal (44% das espécies úteis),
Clatrhotropis macrocarpa, geralmente chamada de cavari ou amarelinho, é a espécie de maior
VU para esta categoria (Tabela 7). A casca é utilizada para tratamento de impigem, curuba,
diarréia e banho como estimulante para ativar o corpo. Apresenta ainda uso veterinário em
79
cachorros pirentos. Entre os índios Waimiri Atroari a casca desta espécie é utilizada como
veneno para peixe (Milliken et al. 1992). Phenakospermum guyanense,chamada de sororoca, tem
sua seiva utilizada como coagulante para cicatrizar feridas quando alguém se corta e para
tratamento de mordida de cobra (em forma oral e colocando-a diretamente sobre a ferida).
Berholletia excelsa, castanheira, tem sua casca colocada em água e utilizada no tratamento de
diabetes, dor no corpo e para diarréia. As raízes novas de Euterpe precatoria, açaí, são utilizadas
para anemia. Sorocea guilleminiana, mais conhecida como piranha-caã, tem látex é venenoso
(quando ingerido pode matar a pessoa) e utilizado para matar piolhos e no tratamento de
impigem. Odontadenia cognata, conhecida como cipó-cururu, e Clusia grandiflora, conhecida
como apuí, têm o látex utilizado para distensões musculares (ex. peito aberto). Os moradores
aplicam o látex na região afetada e o cobrem com um pano, deixando até que este “emplasto”
caia. Virola enlongata e V. theiodora conhecidas como punãs ou ucuubas, sendo esta última
também denominada copeira, têm a seiva avermelhada usada como analgésico para dor de dente,
anti-séptico de feridas e também ingeridas para o tratamento de diarréia e vômito. A seiva de V.
theiodora é utilizada também para matar piolhos. Os Yanomami utilizam a casca desta espécie
no paricá, um rapé alucinógeno (Prance 1972). A casca de Bahunia guianensis, conhecida como
escada-de-jabuti, é utilizada em forma de chá para o tratamento de diarréia e como
antiinflamatório.
É importante esclarecer que estes usos foram descritos pelos informantes, não querendo dizer
que são realmente eficientes, testes químicos teriam que ser feitos para comprovar seu
verdadeiro valor.
Comércio
Das 21 espécies da categoria comércio (11% das espécies úteis), Bertholletia excelsa é a
de maior VU nesta categoria (Tabela 7) e umas das principais espécies que propicia a entrada de
80
moeda para comunidade no inverno. Espécies de Heteropsis, conhecidas como cipó-titica são
economicamente importantes pelo mesmo motivo, porém não foram amostradas no presente
estudo. As outras nove espécies com maior VU nesta categoria são espécies com pouco valor
comercial, pois fornecem produtos que não são vendidos fora da comunidade: As duas espécies
de Dacryodes fornecem breus vendidos para calafetar canoas ou para defumação; Couma
guianensis cujo látex foi importante no Ciclo da Borracha para fazer balata. Pouteria glomerata
foi apontada porque também foi utilizada para fazer balata. As duas espécies de Moraceae,
Maquira sclerophylla e Helocostylis tomentosa, chamadas de muiratinga têm seus galhos
vendidos para turistas devido a sua forma fálica, embora turistas nesta área não sejam freqüentes,
este uso foi indicado por informantes que moravam em Barcelos, local muito turístico. As duas
espécies de Ormosia, chamadas de tento, têm suas sementes vendidas para confecção de
artesanato. O Astrocaryum aculeatum, tucumá, a folha nova serve para fazer abanos e chapéus,
enquanto sua semente é utilizada para fazer brincos e anéis, mais sua comercialização e escassa.
Artesanato
A Tabela 7 mostra as dez espécies com maior VU para esta categoria. Das 14 espécies
usadas para artesanato (8% das espécies úteis), Astrocaryum aculeatum (tucumã) é a espécie
com maior VU nesta categoria. Suas folha novas são utilizas para fazer chapéus e abanos,
enquanto suas sementes para fazer brincos. Dentro da família Chrysobalanaceae encontram-se
três espécies de Licania, chamadas de macucuí, enquanto em Leguminosae encontram-se Inga
alba, chamada de ingá-xixica, cujas cascas são usada para tingir várias espécies de Ischnosiphon,
conhecido na região como arumã, empregadas para tecer tupés e para tingir fibras de
Philodendron sp, ambe-coroa, utilizadas para fazer cestos ou paneiros. As três espécies de
Lecythidaceae, Eschweilera pedicellata, E. coriacea e Gustavia augusta, a ripa do tronco são
81
utilizadas para fazer a cabeceira dos balaios de arumã. Attalea maripa (Inajá) suas sementes
servem para fazer brincos e anéis.
Combustível
Esta é a categoria que reuniu o maior número de espécies (168 espécies ou 91% das
espécies úteis) devido ao fato de que a maioria das espécies é usada como lenha e carvão. As
espécies que apresentaram maiores VU foram os breus (quatro espécies das 10 mais importantes,
Tabela 7), isto se deve a que seu exsudato chamado de breu é um combustível considerado
ótimo. Sua madeira também fornece lenha e carvão.
Outros
Esta categoria agrega usos diversos que não puderam ser incluídos em nenhuma das
categorias anteriores e engloba 20 espécies (11% do total das espécies úteis). A tabela 7 mostra
as dez espécies com maior VU para esta categoria, predominando entre elas os chamados breus,
muito utilizados num ritual chamado defumação, feito quando as crianças estão doentes, com
falta de ar (asma) ou com paralisia infantil. O ritual é dirigido por numa pessoa que tem o
conhecimento de reza (geralmente transmitido de pai para filho); o breu é ascendido no momento
de rezar à criança; também o breu é indicado para queimar no interior das casas para afastar
maus espíritos. Outra espécie utilizada para defumar com as mesmas finalidades é Simarouba
amara, utilizando-se, neste caso as folhas. Lindackeria cf paludosa tem suas folhas utilizadas em
banhos para “estragar a pessoa”.
Comparações com outros trabalhos
Prance et al. (1987) comparam o uso de plantas por quatro comunidades indígenas em
diferentes trechos de 1 ha. de florestas de terra firme na Amazônia considerando indivíduos com
82
DAP > 10 cm. Ao analisarem seus dados suprimiram as categorias de combustível e caça já que
quase todas as árvores estariam incluídas nestas categorias. Milliken (1992) utiliza a mesma
metodologia com uma comunidade de indígenas Waimiri Atroari. Os resultados de Prance et al.
(1987), assim como os de Milliken (1992) e os que compõem o presente estudo (aqui excluindo
as categorias de combustível e outros, para possibilitar comparações mais acuradas) são a seguir
comparados (Tabela 8).
Observa-se que o presente estudo apresenta maior porcentagem de plantas utilizadas que
as outras comunidades estudadas. Nas categorias de construção e tecnologia as porcentagens são
bem mais altas do que nos demais estudos (quase o dobro das outras comunidades). É importante
ressaltar que Prance et al. (1987) e Milliken (1992) agrupam os usos da floresta de uma forma
diferente do tratamento aqui adotado, como por exemplo: a construção de canoas foi incluída em
construção nos trabalhos citados, enquanto neste estudo foi incluída em tecnologia. Ainda assim
pode-se reconhecer uma maior utilidade das florestas pelos caboclos de Caicubi nas categorias
de construção e tecnologia. Na categoria medicinal observa-se também uma maior porcentagem
em relação aos outros estudos. Estes resultados mais elevados de usos pelos caboclos de Caicubi
podem ser atribuídos a duas razões: (1) os caboclos entrevistados poderiam ter identificado
errado as árvores, dando uma maior utilidade a algumas espécies. Mas este erro pode ocorrer em
qualquer trabalho usando esta metodologia; (2) os informantes provêm de várias regiões da
Amazônia trazendo conhecimento de vários lugares. Ao contrário das comunidades indígenas
cujo conhecimento provém de um só lugar e ao mesmo tempo por habitar a mais tempo o lugar
possuem maior domínio sobre a área e acurácia no reconhecimento das espécies. Assim sendo
pode-se pensar que os caboclos de Caicubi usam os recursos de uma forma mais generalista,
agregando fontes diferenciadas de saber popular e as comunidades indígenas de uma forma mais
especialista. Mesmo assim ressalta-se o comentário feito por Phillips et al. (1994) que o processo
de simplesmente totalizar os usos das espécies numa área determinada é uma forma crua de
83
mostrar a importância cultural das florestas e estes resultados devem ser interpretados com
cautela.
Tabela 8. Comparação das porcentagens das plantas utilizadas encontradas em 1 ha. de florestas
de terra firme com diferentes comunidades na Amazônia, sem adicionar as espécies que servem
para caça e para combustível. (WA= Waimiri Atroari; * estão juntas as categorias tecnologia e
outros).
Comunidade Sp. Úteis
Alimentar
Construção Tecnologia Medicinal
Ka’apor *
76,3%
34,3%
20,2%
19,2%
21,2%
Tembé *
61,3%
21,8%
30,3%
21%
10,9%
Chácabo *
78,7%
40,4%
17%
18,1%
35,1%
Panare *
48,6%
34,3%
2,9%
43,0%
7,1%
WA **
79%
27%
32%
31% *
15%
O Presente
95%
35%
75%
83%
44%
* Dados incorporados de Balée & Boom, apresentados em Prance et al. (1987).
** Dados apresentados em Milliken et al. 1992.
Comercio
2%
5%
1%
4%
0%
11%
Ao comparar com outras comunidades tradicionais não indígenas se observa que numa
comunidade de “mestizos” de Tambopata, Madre de Dios, Peru (Phillips et al. 1994)
encontraram que em duas florestas de terra firme as espécies úteis totalizaram 89,3% e de 85,7%
das espécies, predominando os VU das categorias de construção, alimentar e comércio. Num
estudo com os afro-americanos do Pacífico Colombiano, Chocó (Galeano 2000), encontrou
62,8% de espécies úteis (com critério de inclusão DAP > 5 cm) e nos VU as categorias mais
importantes foram construção, tecnologia e combustível. Os VU encontrados por Galeano (2000)
se assemelham aqueles do presente estudo (Fig. 7).
84
Porcentagem do VU spp.
35%
Caicubí
32%
30%
30%
28%
Chocó
28%
25%
25%
21%
20%
15%
9% 9%
10%
8%
5%
5%
4%
1%
Com ércio
M edicinal
Alim entar
Com bustível
Tecnologia
Construção
0%
Categorias de Uso
Figura 7. Comparação dos VU das espécies indicadas pelos caboclos da vila de Caicubi e os
afro-americanos do Chocó, Colômbia (Galeano 2000).
Estes resultados mostram o grande conhecimento que as comunidades tradicionais detêm
do seu ambiente. Ressalta-se que as florestas neotropicais constituem um grande mosaico de
florestas, abrangendo e oferecendo uma grande diversidade de recursos para estas comunidades.
Assim os usos das plantas por comunidades tradicionais em diferentes regiões envolvem
predominantemente dois atributos: o conhecimento das plantas e a oferta de recursos de cada
floresta.
Os resultados do presente estudo mostram o alto conhecimento da floresta pelos caboclos
de Caicubi, ratificando, o exposto por Prance (1995) quando diz que estas comunidades
tradicionais não indígenas carregam um grande conhecimento da flora e que é muito importante
continuar fazendo estudos com este tipo de comunidades.
85
Conclusões
A família com maior VU para a comunidade de Caicubi é Arecaceae. Esta família
também foi apontada como de grande importância em outros etnobotânicos na Amazônia. As
Arecaceae, Lecythidaceae e Sapotaceae são famílias que se destacaramm em várias categorias de
uso, mostrando a grande importância destas famílias tanto para a comunidade de Caicubi, como
para a conservação da floresta amazônica.
A espécie com maior VU foi Bertholletia excelsa. Esta espécie embora apresente vários
usos em quase todas as categorias de uso, é mais utilizada na alimentação e comercialização de
sua castanha. Embora B. excelsa tenha apresentado o maior VU e o maior número de usos, não
se pode considerá-la essencial para a comunidade; existe um grande numero de espécies úteis e
utilizadas pela comunidade.
Embora existam espécies mais conhecidas e mais utilizadas pela comunidade, também há
espécies de uso exclusivo por um número pequeno de pessoas.
As categorias com maior quantidade de usos e mais utilizadas pelos caboclos de Caicubi
são combustível, tecnologia e construção; isto se reflete principalmente no hábito arbóreo. Entre
as lianas e as hemiepífitas a categoria mais importante foi medicinal, embora o tamanho amostral
tenha sido baixo para estes dois hábitos, seria interessante fazer estudos mais detalhados com
estes hábitos para obter resultados mais acurados.
Um total de 98% das plantas do trecho estudado são reconhecidas como de alguma
utilidade mostrando o alto conhecimento da floresta de terra firme pela comunidade de Caicubi.
O resgate desta informação mostra a importância de se continuar trabalhando com comunidades
tradicionais não indígenas pela riqueza do saber ai acumulado.
A quantificação de usos pela metodologia de valor de uso é uma forma complementar à
citação de usos. O valor de uso ressalta as espécies mais utilizadas para a comunidade enquanto a
86
citação de usos dá uma informação ampla do uso das espécies. A utilização dessas metodologias
em conjunto são imprescindíveis para o estabelecimento de prioridades conservacionistas.
Os resultados parecem indicar que esta comunidade de caboclos utiliza maior quantidade
de plantas que outras comunidades indígenas na Amazônia para as categorias de construção,
tecnologia e medicinal. É necessário continuar-se aprofundando no conhecimento sobre estas
comunidades tanto indígenas como não indígenas para poder entender melhor suas culturas e
suas maneiras de lidar com as florestas.
Reitera-se que ao comparar dados quantitativos entre diferentes comunidades é
importante considerar que cada floresta oferece diferentes recursos e cada comunidade poderá
utilizar a floresta pela quantidade de recursos oferecidos e pelo seu grau de conhecimento.
Acredita se que o uso de um maior número de categorias tornem a analise quantitativa
mais acurada. Entretanto é importante padronizar as categorias de uso para possibilitar
comparações mais aprofundadas. O uso de réplicas em trabalhos etnobotânicos são necessários
para possibilitar comparação dos resultados dentro da comunidade estudada e posteriormente
entre comunidades.
Os resultados desta pesquisa são baseados no conhecimento dos usos que os informantes
detêm da floresta, não querendo dizer que todos as espécies e seus usos fazem parte da vida
diária da comunidade. Para poder saber o que realmente utilizam teria que se fazer um
monitoramento detalhado para observar os usos atuais; mesmo assim com estes resultados
observa-se o vasto conhecimento que os caboclos detêm da floresta.
87
Agradecimentos
Ao instituto Caiuá por financiar o projeto, e principalmente a Walo Leuzinger por ter
acreditado em nosso trabalho. À comunidade Caicubi pela acolhida carinhosa, em especial a
Ernane Fontes Barbosa pela ajuda e dedicação ao campo, a Pedrinho Jazinto Ogasti “Wilson”,
José dos Santos “Passarinho”, Juzelino Ferreira da Silva, Duacir de Melos das Cahagas
“Gavião”, Elio Brasão “Gary”, Arlindo Mendes da Costa, Elizabeth Araújo da Costa, Plinia de
Melo, Alberto Cerrão dos Santos “Mutum” e Esteban Brás Monteiro pela colaboração e
paciência; A C.A.Cid Ferreira pelo inestimável apoio no herbário do INPA. A Pablo Assunção
pelo auxílio na confirmação das identificações no herbário do INPA. Aos especialistas Alberto
Vicentini, Douglas Daly, José Eduardo Ribeiro, Michael Hopkins pela identificação de espécies
de famílias de suas especialidades. A CAPES pela bolsa de mestrado concedida. Ao Programa de
Pos-graduação do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro pela oportunidade de
realização do trabalho.
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90
Anexo 1. Espécies ocorrentes em 1ha de floresta de terra firme na vila de Caicubí, Caracaraí,
Roraima, Brasil, em ordem alfabética de família, seguido de nome científico, nomes comuns e
usos indicados pelo ribeirinhos.
ANACARDIACEAE
Tapirira guianensis Aubl
Sem nome comum
Lenha
ANNONACEAE
Bocageopsis multiflora (Mart.) R.E. Fr
Envira-preta, envira-surucucu, envireira, envira, envira-ferro.
Tronco: madeira para casas, estacas, tábuas, móveis, cabo de zagaia, cabo de ferramentas
caniço, lenha, carvão; embira (quando jovem); sumo da casca p/mordida de cobra;
Fusaea longifolia Safford.
Envira-ferro, envira-surucucu, envira-preta, envira.
Tronco: construção de casas, cabo de enxada, caniço, cabo de zagaia, lenha, carvão; embira
para paneiro.
Guatteria citriodora Ducke
Embireira, envira-surucucu, samaumera-de-terra-firme, envira-preta, envira-preta-de-cascafina, envira-pimenta, envira, envira-pindaiba.
Tronco: madeira para casas, tábuas, estacas, cabo de enxada, caniço, cabo de zagaia, lenha,
carvão; casca p/ fazer paredes, p/ mordida de cobra; embira (quando jovem)..
Xylopia aff. polyantha R.E.Fr.
Envira-preta, envireira, envira-vasourinha, envira-vassoura, envira-ferro, envira, envira-taí,
envira-verde, envira-branca, biribarana.
Tronco: Construção de casas, tábuas, estacas, cabo de ferramentas, cabo de zagaia, caniço,
carvão; casca p/ fazer paredes; embira para amarrar.
Xylopia amazonica R.E.Fr.
Envira-vasourinha, envira-surucucu-vermelha, envira-ferro, envira-vassoura, envira-preta,
envira, envira-fina.
Tronco: construção de casas, tábuas, estacas, barrote, cabo de ferramentas, carvão, arcos,
cabo de jaticaceira e zagaia; embira (quando jovem).
APOCYNACEAE
Ambelania acida Aubl.
Pepino-do-mato, pepino, cururú, pepino-branco
Caule: lenha, látex vendido como balata e p/ pegar passarinhos; fruto comestível.
Couma guianensis Aubl.
Sorva, sorvão, sorveira
Látex: para calafetar canoas, tomar com café, p/ diarréia e comercializado; fruto comestível.
Odontadenia cognata (Stadelm.) Woodson
91
Cipó-cururú, cipó-sucuúba
Látex como emplastos p/ distenções musculares e peito aberto.
Rhigospira quadrangularis Miers.
Balatarana
Madeira p/ fazer talheres, lenha; látex para calafetar canoas;.
AQUIFOLIACEAE
Ilex divaricata Mart ex Reiss.
Sem nome comum.
Sem utilidade.
ARALIACEAE
Schefflera morototoni (Aubl.)Maguire,Steyern. & Frodin
Morototo , imbaúba-da-terra-firme, pará-pará-da-terra-firme, morocotutu, imbaubeira.
Tronco: tábuas, móveis, balsas.
ARECACEAE
Astrocaryum aculeatum Wallace
Tucumã
Palmito; folhas novas: balaios, chapéus; espinhos p/caçar gafanhotos; fruto comestível;
semente p/ artesanato e p/ plantar.
Attalea maripa Mart.
Inajá
Estipe: para prensar farinha, adubo para canteiro, criação de uma larva de besouro (michigua)
que se come e se usa para pescar; o broto p/ palmito; folha: p/ cobrir casas; pecíolo/baínha
para fazer papagaios e pontas de flechas; fruto: comestível; semente p/ artesanato.
Euterpe precatoria Mart.
Açaí
Estipe para assoalho e parede de casas; broto p/ palmito; raiz: p/ falta de sangue, anemia,
tirizia (cansaço); folha para prensar massa de farinha (para não unir a prensa com a farinha);
pecíolo/baínha para colher (como jarra); fruto comestível, comercializado em Barcelos,
vinho, óleo.
Oenocarpus bacaba Mart.
Bacaba, bacabeira
Estipe: cabo de astia e zagaia, arcos, ripa para cercas; criação de uma larva de besouro
( michigua) usado p/ asma; broto p/ palmito; folha proteger tetos de palha; fruto: vinho, óleo.
BIGNONIACEAE
Jacaranda copaia D.Don
Pará-pará
Tábuas, móveis, lenha.
BOMBACACEAE
Quararibea ochrocalyx Visch.
Envira-branca, envira-de-porco, canhiceira, envira
92
Tronco: cabo de enxada, cabo de zagaia e jaticaceira, canhicera, construção de casas
(caibros) lenha e carvão; embira.
Rhodognaphalopsis cf. duckei A. Robyns
Piriquiteira, munguba, munguba-arana, munguba-da-terra-firme
Tronco: construção de casas, tábuas, lenha e carvão; embira:amarrar diversas coisas e p/
arriata.
BORAGINACEAE
Cordia bicolor A.DC. ex DC.
Louro-cururú
Tronco: tábuas, embira p/ paneiro.
Cordia exaltata Lam.
Envira-pimenta, envira-tahi, envira, envira-preta
Tronco: construção de casas, cabo de ferramentas, cabo de zagaia, lenha, carvão; embira p/
paneiro.
Cordia nodosa Lam.
Ovo-de-mucura, saco-de-mucura
Lenha, carvão
Cordia panicularis Rudge
Envira-preta, envira, chapéu-de-sol
Tronco: construção de casas, cabo de enxada, balsas, lenha e carvão; embira.
Cordia sp.
Suin
Tronco: lenha; casca contra piolhos e frieira brava (micose); fruto comestível.
BURSERACEAE
Crepidospermum cf rhoifolium (Benth.) Triana & Planchon
Moela-de-inambú, tintarana, breu, breu-xicantã, breero.
Tronco: cabo de enxada, lenha e carvão; breu: calafetar canoas, defumação de crianças,
espantar morcegos, dor de cabeça, fazer fogo, para vender; fruto comestível
Dacryodes cf hopkinsii
Breera, tinturana, breero, breu.
Tronco: construção de casas, lenha e carvão; breu para defumação, calafetar canoas, vender.
Dacryodes sclerophylla Cuatrec.
Breu-xicantã, breera, breero, breu.
Tronco: madeira: lenha, carvão; breu: espantar morcegos, para calafetar canoas, defumação,
dor de cabeça, fazer fogo, vender.
Protium amazonicum (Cuatrec.) Daly
Breera, breu-cajarana , Apichuna.
Tronco: tábuas, lenha, carvão; breu: calafetar canoas, defumação.
93
Protium grandifolium Engl.
Breera-branca, tintarana, breu, breu-xicantã, breera, xicantã-de-inhambú
Tronco: tábuas, lenha e carvão, cabo de zagaia; breu: defumação, calafetar canoas, fazer
fogo.
Protium hebetatum Daly
Breu-xicantã, breera, breu.
Tronco: lenha, carvão; breu: defumação, espantar morcegos e mosquitos, calafetar canoas, p/
dor de cabeça, fazer fogo, vender.
Protium opacum Swart subsp. opacum
Tatapiririca, breera-da-folha-grauda, farinha-seca, breera, breu-xicantã, breu.
Tronco: moirão, lenha e carvão; breu: espantar morcegos, defumação,calafetar canoas, dor de
cabeça, fazer fogo.
Protium subserratum Engl.
Moela-de-inhambú, breera, tinturana.
Tronco: lenha e carvão; breu:defumação, calafetar canoas.
Protium trifoliolatum Engl.
Breu, breera
Tronco: tábuas, lenha e carvão; breu: defumação, calafetar canoas, fazer fogo.
Trattinickia boliviana
Breu-xicantã, breera, breu.
Tronco: tábuas, lenha e carvão; breu: calafetar canoas, dor de cabeça, defumação, fazer fogo.
Trattinickia glaziovii Swart.
Breera, cajarana, breu-xicantã
Tronco: madeira, tábuas, cabo de sagaia, lenha e carvão; breu: defumação, dor de cabeça,
calafetar canoas, espantar morcegos, fazer fogo, vender.
CARYOCARACEAE
Caryocar glabrum (Aubl.) Pers. subsp. parviflorum
Piquiarana, assacú
Tronco: tábuas para assoalho, bucha de motor, canoas; casca: p/ frieira brava (micose);
fruto: para tinguijar peixe (mistura com barro e joga na água).
Caryocar glabrum Pers.
Piquiarana
Tronco: tábuas, canoas, bucha de motor, lenha, carvão; casca p/ frieira brava.
CECROPIACEAE
Cecropia distachya Huber
Imbaúba-branca, imbaúba-de-folha-grauda, imbaúba-legitima, imbaúba.
Tronco: balsa, bucha de motor, tábuas, lenha e carvão; estípula: p/ barriga d’água, (bebe-se a
água da estípula), p/ puxar forúnculos; folha: empalhar a carne para não dar varejera, para
fumar.
94
Coussapoa sprucei Mildbr.
Apuí, apuizeiro, pau-de-pachiuba, mata-pau.
Látex: p/ peito aberto.
Pourouma cf cuspidata Warb. & Mildbr.
Imbaubarana, imbaúba-branca, cucuraí, Imbaúba, cucurarana, cucura
Tronco: balsas, bucha de motor, lenha e carvão; casca para disenteria; folha para fumar;
estípula para puxar tumor; fruto comestível.
Pourouma cf. tomentosa subsp. apiculata (Benoist) C.C. Berg & Van
Imbaubão, cucuraí, Imbaúba-preta, imbaúba-da-terra-firme, imbaúba, cucurarana
Tronco: balsas, bucha de motor, tábuas, cabo de machado, lenha e carvão; casca p/ dor de
barriga; folha: empalhar carne, fumar, estipula p/ puxar furúnculo; fruto comestível;
Pourouma cucura Standl. & Cuatrec.
Imbaubão, cucura, imbaúba-branca, Imbaúba, cucuraí-branca
Tronco: balsas, bucha de motor, lenha: estípula p/ puxar furúnculo.
Pourouma ferruginea Standl.
Imbaubão, imbaúba, cucurarana, cucura.
Tronco: tábuas, lenha; folha para empalhar carne; estípula p/ puxar furúnculo; fruto
comestível.
Pourouma guianensis Aubl. subssp. guianensis
Caimbé, imbaúba-vic, cucura-do-mato.
Tronco: madeira, lenha e carvão; folha para lixar; resina p/ pancadas; fruto comestível.
Pourouma melinonii Benoist subspp. melinonii
Imbaubão, Imbaúba, cucurarana, cucura
Tronco: construção de casas (baixa qualidade), balsas, lenha e carvão; folha p/ empalhar
carne, estípula para puxar furúnculo; fruto comestível.
Pourouma minor Benoist
Imbaúba branca, cucuraí-da-folha-miuda, cucuraí, imbaúba, imbaubarana, imbaúba-da-folhamíuda, cucura-do-mato
Tronco: balsas, bucha de motor, lenha e carvão; casca para disenteria; folha: fumar; estípula:
para puxar furúnculo: fruto comestível.
Pourouma ovata Trec.
Imbaúba-branca, imbaúba, caimbe, cucurarana, cucura.
Trono: lenha e carvão; folha para fumar; estípula p/ puxar furúnculo; fruto comestível,
Pourouma tomentosa Miq. subsp. essequiboensis
Cucura do mato, imbaúba, cucurarana, imbaúba-branca
Tronco: lenha; estípula puxa forúnculo, fruto comestível.
Pourouma tomentosa Miq. subsp. tomentosa
95
Imbaúba, cucurai, imbaúba-branca
Tronco: balsas, lenha.
Pourouma villosa Trec.
Imbaúba-vic, cucurairana, imbaúba-bengüe, imbaúba, caimbe, cucurarana
Tronco: bucha de motor, balsas, lenha e carvão; seiva para baques (quedas); folha: p/ fumar,
estípula: puxar furúnculo.
CELASTRACEAE
Goupia glabra Aubl.
Cupiúba
Tronco: tábuas, moirão, canoas, cabo de ferramenta, móveis, remos, lenha e carvão; casca:
disenteria, banho para tirar moleza.
CHRYSOBALANACEAE
Couepia aff. obovata Ducke
Cumanda, macucuí
Tronco: carvão; casca: impingem (raspa e coloca num pouco d’água).
Hirtella racemosa var. hexandra (Willdenow ex Roemer & Schultes) Prance
Caraipé-branco, caraipé, jutaí-pororoca
Tronco: estacas, cabo de enxada, barrote, carvão, lenha.
Licania canescens Benoist
Caraiperana, uchibravo, caraipé
Tronco: lenha e carvão; casca para fazer fogão com barro.
Licania caudata Prance
Macucuí
Tronco: construção de casas, barrote, estacas, cabo de enxada e machado, cabo de zagaia,
lenha e carvão; casca: tingir linha, dor de estômago,
Licania cf. prismatocarpa Spruce ex Hook. F.
Macucuí
Tronco: construção de casas, cabo de enxada, lenha e carvão; casca: tingir artesanato e linha
de pesca.
Licania heteromorpha Benth. subsp. heteromorpha
Macucuí, macucui-preto, cumate
Tronco: construção de casas, cabo de ferramentas, cabo de zagaia, lenha e carvão; casca:
tingir linhas e artesanato.
Licania hirsuta Prance
Macucuí, macucuí-legítimo, macucuí-branco
Tronco: construção de casas, estacas, cabo de ferramentas, cabo de zagaia, lenha e carvão;
casca: tingir linhas e artesanato, dor de barriga.
Licania micrantha Miq.
Caraipé, guara, caraipé-preto, uararana, pajurá
96
Tronco: construçãorução de casas, cabo de ferramentas, lenha e carvão, astia; casca: para
fazer fogareiros.
Licania octandra subsp. pallida (Hooker f.) Prance
Caraipé-branco, caraipé, caraiperana, caraipé-de-casca-fina, caraipé-preto, caraipéverdadeiro, caraipé-da-terra-firme
Tronco: construção de casas, cabo de ferramentas, cabo de zagaia, carvão e lenha; casca: para
fazer caraipé para fogão e cerâmicas.
Licania sothersiae Prance
Macucuí, macucuí-branco
Tronco: construção de casas, barrote, cabo de ferramentas, lenha e carvão; casca: tingir linha
e arumã, dor de estômago.
Licania unguiculata Prance
Macucuí-branco, macucuí
Tronco: construção de casas, cabo de enxada, lenha e carvão.
CLUSIACEAE
Clusia grandiflora Splitg.
Apuí
Látex: distenção muscular, peito aberto.
Symphonia globulifera L.
Bacurizinho, anani, ananirana, bacuri, breera, breu, pachiubarana, apuizeiro
Tronco: construção de casas, tábuas, canoas, lenha e carvão; fruto: comestível, como isca no
espinel; breu: calafetar canoas, cheira para dor de cabeça, defumar.
Tovomita schomburgkii Planch. & Triana
Pachiubaarana, pachiubinha, ananirana
Tronco: construção de casas, estacas, ripa para instrumentos de pesca de peixinho ornamental
(rapiche, cacuri, pusa), carvão; látex como cola.
DILLINIACEAE
Pinzona coriacea Mart. & Zucc.
Cipá-d'agua
Seiva: para beber e para diarréia, derrame, tirizia (cansaço), mordida de cobra; caule: carvão.
ELAEOCARPACEAE
Sloanea cf. synandra Spruce ex. Benth.
Urucurana
Tronco: cabo de machado, enxada, carvão; sapopemas: para remos, tábua de lavar roupa.
Sloanea pubescens Benth.
Urucurana
Tronco: cabo de ferramenta; sapopemas: remos, tábuas de lavar roupa.
Sloanea rufa Planch. ex Benth.
97
Canela-de-velho, canela-de-maçarico, cacauaçu,
Tronco: lenha e carvão; galho: talher para mingau; casca: febre, dor de estômago; folha: chá
para beber.
Sloanea sp1
Urucurana
Tronco: cabo de ferramentas, carvão; sapopemas: remos, tábuas de lavar roupa.
EUPHORBIACEAE
Alchornea schomburgkii Klotzsch
Sem nome comum
Tronco: cabo de enxada, carvão.
Alchornea triplinervia Mull. Arg.
Língua-de-tucano
Tronco: tábuas, lenha.
Croton lanjouwensis Jabl.
Dima
Tronco: construção de casas (não pode molhar), tábuas.
Euphorbiaceae sp1
Uxirana
Lenha e carvão
Hieronyma mollis Muell. Arg.
Abiurana, abiurana-ferro, itaubarana, uchirana, macucui, sapucaia-castanha
Tronco: construção de casas, estacas, carvão; sapopemas: remos; casca: curuba (diretamente
no corpo ou em beberagem), disenteria; fruto comestível.
FLACOURTIACACEAE
Laetia procera Eichl.
Pau-judeu, matutexi, matute, garotera,
Tronco: construção de casas, tábuas, astia de arpão, cabo de ferramentas, carvão; casca p/
vômito.
Laetia sp.1
sem utilidade
Lindackeria cf. paludosa Gilg.
Sem nome
Tronco: carvão; folha: banho para estragar a pessoa.
GNETACEAE
Gnetum leyboldii Tul.
Cipó-curucuda, cipó-tuiri
Fruto cozido comestível; carvão
HUGONIACEAE
98
Hebepetalum humiriifolium (Planch.) Jackson
Suim
Tronco: tábuas, cercas, lenha e carvão; casca, em chá para disenteria, dor de corpo e cólicas;
fruto comestível.
LAURACEAE
Aniba aff. williamsii O. C. Schmidt. (Guia Ducke)
Louro-rosa, abacaterana, louro-chumbo
Tronco: construção de casas, canoas e embarcações, tábuas, pernamancas, cabo de
ferramentas, remos, móveis, lenha e carvão.
Licaria guianensis Aubl.
Louro-alitu, louro-gavali
Tronco: construção de casas, tábuas, canoas e embarcações, remos, cercas, barrote, cabo de
ferramentas, cabo de zagaia e jatica, móveis, lenha e carvão.
Mezilaurus subcordata (Ducke) Kosterm
Sem nome
carvão
Ocotea nigrescens A. Vicentini
Louro-preto, louro-santo, louro-chumbo, louro-bosta, louro-gavali, louro-alitu
Tronco: tábuas, estacas, barrote, construção de casas, móveis, cabo de ferramentas, cabo de
zagaia, embarcações e canoas, remos, lenha e carvão
Ocotea rhodophylla A. Vicentini
Louro-preto, louro-bosta, louro-abacaterana, louro-chumbo, louro-alitu, marirana, louro- rosa
Tronco: construção de casas, tábuas, móveis, cabo de ferramentas, cabo de zagaia, canoas e
embarcações, remos, carvão.
Ocotea sp. E
Abacaterana, louro-bosta, louro
Tronco: construção de casas, tábuas, remos, canoas, lenha e carvão.
Ocotea subterminalis H. van der Werff
Louro santo, louro
Tronco: construção de casas, tábuas, canoas, remos, lenha e carvão
Pleurothyrium vasquezii H. van der Werff
Louro-abacaterana, louro-chumbo
Tronco: tábuas, cercas;canoas e embarcações, cabo de enxada, cabo de zagaia, lenha e
carvão.
LECYTHIDACEAE
Bertholetia excelsa Humb & Ponpl.
Castanheira
Tronco: construção de casas, canoas, embarcação, pernamanca, remos, carvão; casca:
remédio p/dor no corpo, canseira (tirizia), diabetes, diarréia, e estopa de canoas; envira: para
99
amarrar; opérculo do fruto: para carne crescida; casanha contra veneno de cobra, comestível,
comercialização.
Eschweilera bracteosa Miers
Matamata-preto, matamata
Tronco: construção de casas, estacas, lenha e carvão; embira: para paneiros; casca: banho
para coceira de curuba.
Eschweilera coriacea Mart. ex O.Berg
Matamata-preto, matamata, ripeira, matamata-folha-grauda
Tronco: construção de casas, canoas, estacas, barrote, cabo de ferramentas, cabo de zagaia,
ripa para estrutura de forno e tetos, ripa para cacuri (cabeceira de lanterna) e ripa para
artesanato, lenha e carvão; embira: amarrar.
Eschweilera grandifolia Mart ex DC.
Matamata-branco, sapucaia-castanha, sapucaiarana, castanha-arana
Tronco: construção de casas, canoas estacas, tábuas, ripa, cabo de enxada, machado e zagaia,
lenha e carvão: envira: amarrar.
Eschweilera pedicellata (Richard)S.A.Mori
Ripeira, matamatá-da-folha-miuda, caniceira, matamata-preto, matamatazeiro
Tronco: construção de casas, estacas, ripa, tábuas, cabo de ferramentas, zagaia ripa para
cabeceira de lanterna e cacuri, rapiche (instrumentos de pesca de peixinho ornamental), ripa
para balaios, lenha e carvão; embira: amarrar coisas.
Gustavia augusta Amoen. Acad.
Envira-de-cutia, periquito castanha, ripeira
Tronco: construção de casas, moirão, tábuas, barrote, cabo de enxada, canoas, ripa para
balaios, ripa para cabeceira de lanterna, lenha e carvão; fruto comestível
Lecythis poiteaui O.Berg.
Envira-de-cutia, envira-de-periquito, cuiombo, ripeira
Tronco: construção de casas, carvão; embira: paneiro. .
Lecythis retusa Spruce ex. O.Berg
Envira-de-cutia, matamata, castanha-sapucaia, sapucaia castanha-cajurana
Tronco: construção de casas, canoas e barcos, tábuas, estacas, carvão; embira: paneiros;
semente comestível.
Lecythis zabucajo Aubl.
Piquiteira, sapucaia, sapucaia-castanha, ripeira
Tronco: construção de casas, canoas e barcos, tábuas, moirão, lenha e carvão; casca: curuba
(friera brava); envira: paneiro, semente comestível.
LEGUMINOSAE
LEG: CAESALPINIOIDEAE
Bauhinia guianensis Aubl.
Escada-de-jabuti
100
Embira: amarrar; casca p/ diarréia e inflamação.
Dicorynia paraensis Benth.
Coração-de-nego, tintarana
Tronco: construção de casas, embarcações.
Sclerolobium aff. setiferum Ducke
Tachi-preto, tachi
Construção de casas, tábuas, estacas, cabo de enxada, cabo de zagaia, lenha e carvão; casca
diarréia.
Sclerolobium chrysophyllum Poepp. & Endl.
Tachi-vermelho, tachi
Tronco: tábuas para casas, cabo de zagaia, jirão (para assar peixe), lenha e carvão: casca:
para diarréia.
Sclerolobium setiferum Ducke
Cumanda, tachizeiro, tachi
Tronco: construção de casas, tábuas, cabo de enxada, lenha e carvão.
Tachigali myrmecophila Ducke
Tachi, tachizeiro, tachi-preto, tachi-vermelho, tachi-de-terra-firme
Tronco: tábuas, cabo de zagaia, cabo de enxada, lenha e carvão; casca para diarréia.
Tachigali venusta Dwyer
Tachi-preto, tachi
Tronco: construção de casas, tábuas, cabo de zagaia, lenha e carvão; casca: para diarréia e
vômito.
LEG: MIMOSOIDEAE
Cedrelianga cataeniformis (Ducke) Ducke
Cedroarana, cedrão-vermelho, cedrão
Tronco: construção de casas, tábuas, pernamancas, canoas, móveis, carvão.
Dinizia excelsa Ducke
Angelim-vermelho, paracaxii, angelim, angelim-pedra, cavivi-da-terra-firme
Tronco: construção de casas, canoas, tábuas, móveis, pilão, cabo de zagaia (quando jovem),
lenha e carvão.
Enterolobium schomburgkii Benth
Sucupira, angelim, cavivi-da-terra-firme, angelim
Tronco: construção de casas, canoas, tábuas, barrote, móveis, lenha e carvão.
Inga aff. bicoloriflora Ducke
Inga, ingarana, ingá-xixica
Tronco: tábuas, canoas, lenha e carvão; casca: tingir linhas, disenteria, hemorróides.
Inga aff. capitata Desv.
Ingá-de-macaco, ingá-xixica, ingá-preta, ingá, ingarana
101
Lenha e carvão; fruto comestível.
Inga alba (Swartz) Willd.
Ingarana, ingá-xixicá, ingá-de-macaco, ingá- xixi, ingá-do-mato
Tronco: Construção de casas, tábuas, móveis, cabo de enxada, lenha e carvão; casca: tingir
linhas, artesanato, hemorróides e disenteria; folha: banho para crianças que choram muito;
fruto comestível.
Inga cf. laurina Willd.
Ingá-xixica, ingarana
Tronco: madeira de casas, cabo de enxada, lenha e carvão; casca: tingir artesanato, curar
sapinho na boca das crianças (raspa e passa na boca), dor de barriga; fruto comestível.
Inga grandiflora Ducke
Ingarana, ingá, ingá-preta, ingá-peludo, ingá-xixica, ingá xixi, ingá de macaco
Cabo de machado, fruto comestível, casca para tingir aruma lenha e carvão
Inga paraensis Ducke
Ingá-de-macaco, ingá-xixica, ingá, ingá-branca, ingá-preta, ingaí, cumanda, ingazeira,
ingarana
Tronco: construção de casas, cercas de quintal, astia, cabo de ferramentas, carvão, lenha;
casca: tingir arumã, como anti-séptico para feridas; fruto comestível.
Inga rhynchocalyx Sandwith
Ingarana, ingá-xixicá, ingá, ingarana, tamanqueira
Tronco: madeira de casas, cabo de enxada, machado, boca de lobo, carvão; fruto:comestível.
Inga thibaudiana DC.
Ingarana, ingá-xixica, ingá-preta, ingá, ingá-xixica-vermelha
Tronco: tábuas, cabo de enxada, carvão; casca: tingir arumã e cestos; fruto comestível.
Inga umbratica Poepp. & Endl.
Ingá-de-macaco, ingarana, ingá-xixica, jutaí-pororoca, ingá
Tronco: lenha e carvão; casca: curar sapinho na boca das crianças (raspa e passa na boca);
fruto comestível.
Parkia nitida Miq.
Piradabi-do-mato, angelirana, piradabi-da-terra-firme, fava
Tronco: construção de casas, móveis, tábuas, lenha e carvão; sapopemas: tábuas para lavar roupa
e remos.
Parkia sp.
Piradabi da terra firme
Tronco: construção de casas, tábuas, carvão; casca: p/disenteria.
Pseudopiptadenia psilostachya (DC.) G.Lewis & M.P.M. de Lima
Angelim-babão, cavivi-da-terra-firme, cavivi, iurara, sucupira-branca
Tronco: construção de casas, canoas, móveis, moirão de cerca, cabo de zagaia, lenha e carvão.
102
Stryphnodendrom paniculatum Poepp. & Endl.
Taquarirana, tachirana, iurara
Tronco: construção de casas, lenha e carvão; látex: curar coceira, veneno para matar caça.
Zygia racemosa (Ducke) Barneby & J.W.Grimes
Pau-santo, piradabi-da-folha-grauda, rabo-de-tatu, angelim, cavivi-da-terra-firme,
angelinzeiro, paracachi, cavivirana
Tronco: construção de casas, móveis, canoas, tábuas, moirão de cerca;cabo de ferramentas e
zagaia, carvão e lenha; casca para disenteria.
LEG: PAPILIONOIDEAE
Andira micrantha Ducke
Sucupira-amarela, cavari, cavari-babão
Tronco: construção de casas, móveis, acabamentos de embarcações, cabo de enxada e
terçado, lenha e carvão; casca: p/ dor de barriga e hemorroides.
Clathrotropis macrocarpa Ducke
Cavari, amarelinho, baudera, paratari, saboeiro
Tronco: tábuas, carvão: casca: banho em cachorro pirento (com sarna), p/ curuba e em pessoas,
diarréia, p/ tirar a moleza do corpo; folha: p/ feridas, p/empalhar farinha, fazer sabão.
Leg: Papilionoideae sp. 1
sem utilidade
Ormosia aff. nobilis Tul. var. nobilis
Tento, tentera, tento-vermelho
Tronco: tábuas, móveis, lenha e carvão; semente: p/ jogar dominó, p/ dor de urina, venda.
Ormosia grossa Rudd.
Tento
Tronco: construção de casas, canoas, tábuas, móveis, lenha e carvão; chá para abortar e para
os rins; semente p/ vender.
Pterocarpus officinalis Jacq.
Sucupira-preta, jutaí pororoca, cavivirana
Tronco: esteio de casas, móveis, canoas, lenha e carvão; casca: p/ disenteria.
Swartzia cf. dolichopoda R.S.Cowan
Coração de nego
Construção de casas,estacas, cabo de machado construção de batelão, lenha e carvão
Swartzia corrugata Benth.
Tento, tenturana
Tronco: construção de casas, móveis, cabo de enxada, lenha e carvão; casca: p/ dor de rins.
MELASTOMATACEAE
Miconia traillii Cogn.
Goiaba-de-anta, canela-de-velha, buchucho, buchuchorana, goiaba-do-mato
103
Tronco: construção de casas, moirão, cercas, cabo de machado, lenha e carvão; fruto comestível
(pouco).
MELIACEAE
Guarea guidonia (L.) Sleumer
sem nome
sem utilidade.
Guarea silvatica C.DC.
sem nome
Tronco: lenha e carvão; casca: dor de cabeça, disenteria.
MORACEAE
Clarisia racemosa Ruiz & Pav.
Guariuba
Tronco: construção de canoas, casas, móveis, cabo de ferramentas, carvão; látex: calafetar
canoas e cola; fruto comestível.
Helianthostylis sprucei Baill.
Anani-branco
Construção de casas
Helicostylis tomentosa (Poepp. & End.) Macbride
Muiratinga, pé-de-jabuti, fruta-de-jaboticaba, jaboticaba,
Tronco: construção de casas, tábuas, cabo de enxada e de zagaia, carvão, galho para vender a
turistas; fruto comestível.
Maquira sclerophylla (Ducke) C.C.Berg.
Muiratinga, abiurana-branca
Tronco: fazer tapiriri (casinha pequena), cabo de machado, lenha e carvão, galho para vender a
turistas.
Moraceae sp1
Paratari-branco, pé-de-jabuti, mirapiringa
Tronco: construção de casas, cabo de zagaia, machado, móveis, lenha e carvão; casca p/
disenteria, dor no corpo; fruto comestível.
Naucleopsis glabra Spruce ex Pittier
Muiratinga, muiratinga-verdadeiro, pé-de-jabuti
Tronco: construção de casas, cabo de enxada, arcos, galho para vender a turistas e brinquedos,
lenha e carvão; fruto comestível.
Perebea guianensis Aubl.
Pé-de-jabuti, muiratinga, cauchurana, jaboticaba
Tronco: construção de casas, lenha e carvão, galho para vender a turistas e brinquedo; fruto
comestível.
104
Perebea mollis (Planch. & Endl.) Huber subsp mollis
Muiratinga, pé-de-jabuti, jaboticaba
Lenha e carvão; látex para impigem; fruto comestível.
Pseudolmedia laevis (Ruiz & Pav.)Macbride
Taquari-da-terra-firme, manichi, muiratinga, cauchurana
Tronco: construção de casas, cabo de enxada, cabo de zagaia, lenha e carvão, galhos para
vender a turistas; látex: como cola; fruto comestível.
Sorocea guilleminiana Gaudich.
Matacalado, piranheira, piranhacãa, língua-de-tucano
Tronco: cabo de enxada, lenha e carvão; látex: como veneno, p/ matar piolhos e frieira brava,
p/ estancar o sangue após a mordida do morcego.
MYRISTICACEAE
Iryanthera coriacea Ducke
Copeira, Punã, jiigua
Tronco: construção de casas, tábuas, cabo de ferramentas, talheres de pau, lenha e carvão;
seiva: p/ dor de dente; casca p/ disenteria.
Iryanthera grandis Ducke
Punarana, virola
Tronco: tábuas, compensado, lenha e carvão; seiva: p/ dor de dente, limpar feridas.
Iryanthera juruensis Warb.
Copeira, punã, envira, lacre, copero, envira-amarela, taquari, abiurana-branca
Tronco: construção de casas, tábuas, talheres de pau, cabo de ferramentas, lenha e carvão;
envira: amarrar; seiva: p/dor de dente, disenteria, matar impigem.
Osteoplhoeum platyspermum Warb.
Marupa-vermelho, miracêe, uicui, copeira, pau-pra-tudo
Tronco: construção de casas, móveis, lenha e carvão; seiva: disenteria e p/lavar feridas.
Virola calophylla Warb.
Envirola, ucuuba, puna-da-folha-graúda, virola, ucuuba-da-terra-firme, lacre, copero
Tronco: construção de casas, tábuas, cabo de ferramentas, talheres de pau, lenha e carvão;
seiva p/ dor de dente, p/ matar impinge na pele,
Virola enlongata (Benthan) Warb.
Ucuuba-vermelha, punã, puna-branca
Tronco: cabo de ferramentas, móveis, construção de casas, tábuas, lenha e carvão; seiva: p/
diarréia (bebe-se com água), p/ cicatrizar feridas, dor de dente.
Virola theiodora Warb.
Copeira, copeira-vermelha, puna, ucuuba-branca, ucuuba, envirola, puna-branca, virola,
punarana, ucuuba-vermelha, ucuuba-da-terra-firme
Tronco: construção de casas, tábuas, móveis, cabo de ferramentas, cabo de zagaia, talheres
de pau, lenha e carvão; seiva p/ dor de dente, diarréia, cicatrizar feridas, matar piolhos; casca
p/ vômito.
105
Virola venosa Warb.
Punarana, virola, taquari, copero-branco
Tronco: colher de pau, tábuas e compensado, cabo de machado, lenha; seiva: p/dor de dente,
cicatrizar feridas.
MYRSINACEAE
Cybianthus aff. detergens Mart.
Tintarana-da-terra-firme
Lenha e carvão
MYRTACEAE
Calycolpus sp.
Araçarana, araçá, pau-mulato
Tronco: esteio de casas, estacas, cabo de enxada, carvão, vara de pesca (quando novo); fruto
comestível.
Eugenia aff. florida DC.
Daicú, tintarana, caçari-da-terra-firme, araçá
Tronco: estacas, barrotes, cabo de zagaia, cabo de ferramentas, lenha e carvão; fruto
comestível.
Eugenia cf. cuspidifolia DC.
Pau-vidrio, guajabinha, caçari-da-terra-firme
Tronco: lenha e carvão, fruto p/ suco.
Eugenia cf. omissa McVaugh
Pau-vidro, araçá, araçarana
Tronco: esteio de casas, estacas, cabo de enxada, carvão; fruto comestível.
Eugenia sp.1
Chumberi, tamandare, araçá-do-mato
Tronco: lenha e carvão; casca: para matar a pira do cachorro (sarna), e para pegar mulher
(macumba).
Myrcia aff. rufipila McVaugh
Araça, mustinha, ouvido-de-peixe, pau-vidrio
Tronco: moirão de cercas, cabo de ferramentas, lenha e carvão.
Myrcia sylvatica DC.
Araçarana, caçari-da-terra-firme, goiaba-de-anta, araça, pau-mulato
Tronco: construção de casas, cercas, lenha e carvão; casca p/ curuba; fruto comestível.
OLACACEAE
Minquartia guianensis Aubl
Acariquarana, Acariquara
Tronco: cabo de enxada, esteio de casas, postes de luz, cabo de ferramentas, barrote, estacas,
lenha e carvão; fruto comestível.
106
QUIINACEAE
Quiina florida Tul.
Macucuirana
Tronco: construção de casas, tábuas, cabo de ferramentas, carvão.
Touroulia guianensis Aubl.
Paratari, paracaxi-do-vermelho, taperebarana
Tronco: construção de casas, móveis, lenha e carvão; casca p/ mordida de cobra.
ROSACEAE
Prunus myrtifolia Urb.
Carapitiu-da-terra-firme, daicurana-de-terra-firme, pau-cravo.
Tronco: lenha e carvão; casca p/ dor de estômago.
RUBIACEAE
Borojoa claviflora (K.Schum.)Cuatrec.
Apurui
Tronco: esteio de casas, cabo de machado, moirão, carvão; fruto comestível.
Ferdinandusa rudgeoides Wedd.
Itaubarana
Tronco: esteio de casas, tábuas, cercas, barrote, cabo de ferramenentas, astias, canoas, carv.
Ferdinandusa sp1.
Itaubarana-da-folha-miuda
Tronco: cabo de ferramentas, construção de casas, lenha e carvão.
SABIACEAE
Ophiocaryon aff. manausense (W.A.Rodrigues)Barneby
Tamacuarerana.
Lenha
SAPINDACEAE
Cupania scrobiculata Rich
Sem nome
Carvão
SAPOTACEAE
Chrysophyllum sanguinolentum (Pierre) Baehni
Abiurana
Tronco: construção de casas, cercas, cabo de ferramentas; arcos, jaticá e cabo de zagaia,
lenha e carvão.
Micropholis guyanensis (A.DC.) Pierre subsp. guyanensis
Cedrinho, cedro-branco, caramuri, balatarana
Tronco: construção de casas, tábuas, estacas, cabo de ferramentas, móveis, canoas e barcos,
lenha e carvão.
107
Pouteria caimito Radlk.
Abiurana-ferro, abiurana
Tronco: tábuas, estacas, esteio de casas, cabo de ferramentas, batelão, cabo de zagaia e jaticá,
arcos, bulinete para prensa de farinha, lenha e carvão; fruto comestível.
Pouteria cuspidata (A.DC.)Baehni
Mortinha
Tronco: construção de casas, madeira, cabo de enxada, lenha e carvão.
Pouteria durlandii (Standl.) Baehni Abiurana (E,W,J,G)
Abiurana-ferro
Tronco: construção de casas, tábuas, moirão, estacas, barrote, cabo de ferramentas, zagaia e
jaticaceira, arcos, carvão; látex para fazer balata; fruto comestível.
Pouteria glomerata Radlk.
Abiurana, abiurana-ferro, Araru
Tronco: construção de casas, embarcações, estacas, móveis, jaticá e zagaia, cabo de
ferramentas, lenha e carvão; látex para vender; fruto comestível.
Pouteria guianensis Aubl..
Abiurana-ferro, abiurana, abiurana-da-terra-firme
Tronco: construção de casas, tábuas, estacas, barrote, cabo de ferramentas, astia e jaticá,
lenha e carvão; fruto comestível.
Pouteria sp.1
Taquari, goiaba-de-jabuti
Tronco: estacas, construção de casas, lenha e carvão.
SIMAROUBACEAE
Simaba polyphylla (Cavalcante) W.W.Thomas
Cajurama
Tronco: coronha de espingarda, lenha e carvão.
Simaruba amara Aubl.
Marupá, marupa-branco
Tronco: tábuas, balsas, cercas, móveis, casca para diarréia; folha: defumação.
STERCULIACEAE
Theobroma microcarpa Mart.
Envira-ferro-de-folha-miúda , cacau, envira, envira-branca, biriba, cupuí-bravo, cupuí
Tronco: construção de casas, tábuas, canoas, cabo de ferramentas, cabo de zagaia, lenha e
carvão, embira para amarrar; fruto comestível.
Theobroma obovatum Klotzch ex Bernoulli
Cupui-bravo
Tronco: construção de casas, cabo de zagaia, cabo de machado, embira, lenha e carvão; fruto
comestível.
Theobroma speciosa Willd. ex Spreng.
108
Cacau, cupui, cupu-do-mato
Tronco: cabo de machado, lenha e carvão; casca: p/ disenteria; fruto: comestível; semente:
fazer chocolate e vende;
Theobroma subincanum Mart.
Cupuí, cacau, cupu-do-mato
Tronco: construção de casas, cabo de martelo, lenha e carvão; casca p/ disenteria; fruto
comestível.
Theobroma sylvestris Aubl. ex Mart.
Cacau, cupui, cacau-de-jacaré
Tronco: cabo de ferramentas, carvão; fruto comestível, semente faz chocolate e vende.
STRELITZIACEAE
Phenakospermum guyanense (L. C. Rich.) Endl.
Sororoca, bananeira-do-mato
Tronco: água do tronco (olho) para mordida de cobras (bate, tira água e bebe) e para
cicatrizar feridas, ripas para tecer; folha: cobertura de casas, botar a caça acima para retirar o
couro; pecíolo: apito de chamar anta, embira para amarrar.
TILIACEAE
Apeiba echinata Gaertn.
Biribarana, biraba-do-mato, bolacheira, bolachaarana
Tronco: balsas, tábuas; embira para paneiro
VIOLACEAE
Paypayrola macrophylla
Abacaterana
Tronco: construção de casas, cabo de enxada, cabo de zagaia, lenha e carvão
VOCHYSIACEAE
Erisma bracteosum Ducke
Ripeira
Tronco: construção, ripas p/ construção, cercas, cacuri (para lanterna), lenha e carvão.
VOCHYSIACEAE
Qualea paraensis Ducke
Cafearana branca, cafearana
Tronco: construção de casas, tábuas, barrotes, canoas, móveis.
Qualea sp.1
Cupiubarana
Tronco: canoas, cercas, carvão.
Vochysia vismiaefolia Spruce ex Warm.
Sem nome
Madeira p/ construção de casas, carvão.
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Conclusões e Recomendações
Os trabalhos
de fitossociologia
são
importantes
ferramentas auxiliares
para
implementação de estratégias de conservação; estes trabalhos mostram a riqueza e a diversidade
de áreas pré-estabelecidas e indicam as espécies de maior valor de importância local. O presente
estudo apresentou dados de um hectare, o que possibilitou a comparação com outros estudos
similares realizados na Amazônia. Entretanto, como foi mostrado na curva de coletor, seria
interessante continuar fazendo o levantamento fitossociologico até estabilizar a curva de coletor
para poder afirmar com mais precisão a riqueza e diversidade desta área biogeográfica e poder
afirmar sua importância botânica.
Os dados fitossociológicos mostraram que Leguminosae é a família com maior VI, dado
também compartilhado com outros estudos realizados na Amazônia. Os dados etnobotânicos
mostraram que o maior VU foi encontrado em Arecaceae sendo Leguminosae a 17ª família em
VU. Por outro lado, Arecaceae ocupa a 5ª posição em VI. Ao comparar as dez famílias com
maiores VI com as dez famílias com maiores VU encontraram-se cinco famílias em comum
porém em diferentes posições (Arecaceae, Lecythidaceae, Annonaceae, Burseraceae,
Chrysobalanacea). Ao nível de espécie, ao comparar as dez espécies com VI mais altos com as
dez espécies com VU mais altos observam-se três espécies em comum (Eschweilera coriacea,
Bocageopsis multiflora, Euterpe precatoria). Isto sugere uma relação entre os dados
fitossociologicos e etnobotânicos. Análises mais detalhadas são necessárias para esclarecer estas
relações.
Demostrou-se que os caboclos da vila de Caicubi possuem um conhecimento detalhado
da floresta de terra firme. É interessante continuar fazendo estudos em outro tipo de florestas
como, por exemplo, as florestas de igapó, um ecossistema que os caboclos da vila de Caicubi
supostamente utilizam também.
Resgatar o conhecimento das comunidades tradicionais é de suma importância para se
entender quais são os recursos principais e essências para estas comunidades. Tal conhecimento
poderá ser utilizado em estratégias de conservação, auxiliando na preservação do ambiente e de
sua cultura.
A inclusão de exempleras de referência (voucher), oriundos inventários fitossociológicos
e etnobotânicos, em coleções de hervários são essenciais para respaldar os dados e as
informações desses estudos. Tais exemplares possibilitam maior acuracia entre trabalhos
pretéritos e atuais.
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ANEXO. Algumas fotografias que mostram a floresta de terra firme onde foi realizado o estudo,
os informantes chaves que colaboraram na parte etnobotânica e atividades realizadas pelos
caboclos da vila de Caicubi.
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