william beckford - Mosteiro da Batalha

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william beckford - Mosteiro da Batalha
WILLIAM BECKFORD
William Beckford (1760-1844) visita a Batalha, em Junho de 1794, durante a sua segunda
estadia em Portugal. Beckford herdara a maior fortuna de Inglaterra, aos 10 anos, por morte
prematura do pai. Enquanto filho único, foi criado na mansão de campo de Fonthill, por uma
mãe despótica e por tutores e professores particulares. Aprendeu precocemente a falar e
escrever em várias línguas, a tocar piano, cantar e compor, a desenhar e pintar, além de, aos
vinte e dois anos, ter escrito o primeiro conto oriental de uma longa tradição literária do
Romantismo.
A nobilitação como Barão de Fonthill e uma carreira política no Parlamento foram-lhe negados
após os rumores acerca da sua ligação com o pequeno William Courtenay, situação que
impediu, até ao fim da sua vida, a sua integração na corte e na alta sociedade inglesa de então.
William Beckford tomou contacto com Portugal, pela primeira em 1788. Do agrado desse
primeiro encontro resultou a estadia de cerca de um ano. À medida que melhor conhecia o
País começava a sentir fazer parte dele. Vinte e dois anos depois ainda escrevia: “as memórias
de Portugal são as que mais próximas estão do meu coração”.
Regressaria em 1793 para partir apenas em 1795. Em junho de 1794, visitava os mosteiros de
Alcobaça e Batalha. Quarenta anos mais tarde escreveria a obra Recollections of an Excursion
to the Monasteries of Alcobaça and Batalha, uma das obras que acabaria por o colocar entre
os escritores de maior mérito literário do seu tempo. Neste pequeno livro, relata a chegada à
Batalha, na noite de 8 de junho, a receção pela comunidade conventual e a estadia, que se
concluiu ao final da manhã do dia seguinte. Foi contra vontade que, segundo relata, Beckford
regressou a Alcobaça com sua a comitiva, numa aparatosa caravana. Por esse motivo volta à
Batalha, no dia 10 de junho, atravessando a solidão dos campos de Aljubarrota no seu cavalo
árabe.
No domínio de Fonthill, onde o pai construira uma vasta mansão neoclássica, começará a
nascer uma construção neogótica que não vai parar de crescer até 1812, absorvendo não
apenas a anterior mansão, que acabou por ser totalmente demolida, como toda a atenção e
fortuna de Beckford. Uma primeira versão da torre central, assente num octógono com os seus
arcobotantes, é conhecida hoje apenas através de uma aguarela, pois desmoronou-se com
uma tempestade em 1800, verificando-se que, nela persistia o modelo da Capela do Fundador.
Na torre reconstruída haviam de ser instalados quatro vitrais que copiavam obras da Batalha,
as “Batalha windows”. Na ampliação de Fonthill ficaria também plasmada, sob variadas
formas, a genealogia e a heráldica da Casa de Lancaster, de que Beckford cada vez mais estava
persuadido de descender.
No início da década de vinte do séc. XIX, Beckford começa a ver-se em sérias dificuldades para
manter a sua propriedade de Fonthill Abbey. Quer devido à queda dos lucros provenientes
das suas plantações de açúcar na Jamaica, quer por razão da dimensão que o próprio projeto
adquirira, acaba por colocar a abadia e todo o seu extraordinário recheio à venda.
Beckford mudara-se, entretanto, para Bath, onde viveu as últimas duas e mais tranquilas
décadas da sua vida, tendo regressado à arquitetura neoclássica, continuado a colecionar
livros raros, obras de pintura e artes decorativas, a dar os seus passeios diários a cavalo e a
modificar os jardins privilegiando o seu sentido mais natural como fizera já em Fonthill e em
Monserrate, Sintra, durante a terceira estadia em Portugal (1798-99). Construiu também uma
nova torre, Lansdown Tower, onde a sua memória pode ainda hoje ser revisitada e escreveu as
recordações da viagem a Alcobaça e à Batalha.

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