- Substantivo Plural

Сomentários

Transcrição

- Substantivo Plural
Sobre a recente excomunhão
Caros amigos:
O médico excomungado manteve a serenidade: defendeu a correção do gesto que
ele e sua equipe realizaram, lembrou erros clamorosos da Igreja Católica no
passado - a Inquisição é um exemplo gritante, sem esquecer do silêncio durante o
Nazi-Fascismo - e reafirmou sua formação pessoal nos quadros do Cristianismo.
Penso que o legado das igrejas é muito pesado. Sempre aconselho os que crêem a
se comunicarem diretamente com Deus porque os intermediários são muito
chegados em dinheiro e pensam pouco, embora tenham instrumentos preciosos
para pensarem em profundidade: domínio de línguas, convívio com grande arte etc.
Agora, um breve desconto: os religiosos fazem besteiras porque são seres
humanos; pena que pretendam falar como porta-vozes de Deus; e que transformem
esse pressuposto em exercício de poder.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 10/03/2009 - Horário: 19h01min
Gullar, FSP, João da Mata
Prezado João da Mata:
Além de ter uma obra no passado, Gullar mantém prestígio. Vc acha que o último
emprego que sobrou para ele no planeta foi escrever aquelas indignidades na FSP?
Outras pessoas sobrevivem, até em nossa classe (média), sem essas atitudes
degradadas. Talento não justifica fazer qualquer coisa. Manter o status de
celebridade também não justifica.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 10/03/2009 - Horário: 17h32min
Excomunhão preventiva
O arcebispo de Olinda e Recife, com o perdão da expressão, perdeu uma ótima
oportunidade de ficar calado, quando tentou justificar a medida de excomunhão da
equipe médica que realizou o aborto em uma menina de oito anos, que havia
engravidado após ter sido abusada sexualmente pelo padrasto. A emenda saiu pior
do que o soneto.
Ao tentar se justificar o arcebispo declarou para a imprensa que o ―pecado‖
cometido pela equipe médica era pior do que o pecado cometido pelo padrasto
pedófilo e que não poderia ter excomungado o homem que abusou de uma criança
porque ―estupro‖ não seria um pecado elencado na lista de ofensas passiveis de
excomunhão pela Igreja Católica.
Não sei como andam as aulas de filosofia nos seminários teológicos para a
formação de padres, mas acho que talvez, o arcebispo não se lembre das lições
sobre o conceito de pecado, dadas de modo tão exato por Agostinho, no século IV
da era comum. No livro ―O Livre Arbítrio‖, Agostinho, que também foi bispo da
Igreja, argumenta contra o famoso problema do mal que alimentava as idéias dos
maniqueístas.
Para o pensador, canonizado pela mesma Igreja que hoje condena a equipe de
médicos de Recife, o pecado era uma inversão na hierarquia de bens proposto pelo
Eterno, criador do universo.
O que significa isso? Simples, peca aquele que põe um bem de menor grau, acima
de um bem de maior grau, como por exemplo, um latrocida, que põe o desejo por
dinheiro e bens econômicos, acima da vida de sua vítima. Assim como peca, o
padrasto que põe seu desejo sexual acima da dignidade e do bem estar de uma
criança de oito anos. O erro, não é a escolha do mal (que para Agostinho não tem
existência autônoma). O erro é o equivoco na escolha do bem.
Se o arcebispo tivesse se esforçado um pouco, e lembrado das velhas leituras de
filosofia cristã no seminário talvez ele tivesse atentado para o fato de que a equipe
médica, como a legislação brasileira preconiza, não cometeu a rigor nenhum
pecado, porque não inverteu a hierarquia dos bens pensada por Agostinho. A
escolha dos médicos foi entre a vida e a vida. A vida dos fetos e a vida de uma
criança de oito anos (sem estrutura biológica e psicológica para suportar uma
gravidez desse tipo). Os médicos escolheram. Mas escolheram entre dois bens de
igual importância. Ao optar pela vida da criança eles não se omitiram e tomaram a
única postura condizente com a dignidade do homem e com a hierarquia dos bens
pensado pela ética daqueles que anda insistem em seguir uma religião
genuinamente cristã.
Desculpe senhor arcebispo, mas o senhor pecou. Talvez não um pecado teológico,
mas sim um pecado jurídico. Agiu por impulso e de modo automático, sem usar de
uma reflexão racional e tranqüila sobre o caso. O erro da medida de excomunhão
dos médicos, bem que exigia uma retratação e um pedido de desculpas. Isso
porque, no julgamento das leis da Igreja, o Arcebispo esqueceu da equidade.
Esqueceu que as normas jurídicas, legais ou religiosas, quando aplicadas de modo
automático, sem uma leitura de sua finalidade e de seu sentido geram o absurdo da
injustiça. Mas o erro do orgulho de tentar justificar o próprio erro, com um erro maior
ainda é um pecado mais intenso.
Agora, enquanto escrevo esse artigo, ouço no telejornal que o vaticano apóia a
medida do bispo de Olinda e Recife e penso comigo: o que está acontecendo com a
Igreja Católica? A defesa do erro conceitual do Arcebispo me faz pensar que a
Igreja católica anda perdida, sepultando seu próprio pensamento e esquecendo os
fundamentos teológicos que ela mesma construiu. Se continuar desse modo, acho
que vou entrar com um pedido no arcebispado de Olinda e Recife para que se
providencie minha excomunhão preventiva, porque, se optar pela vida de uma
menina de nove anos é pecado, eu quero morrer pecador.
Pablo Capistrano www.pablocapistrano.com.br
Data: 10/03/2009 - Horário: 14h56min
O OCEANO GULLAR
O MARANHENSE GULLAR FOI E CONTINUA SENDO UM GRANDE POETA. O
POEMA SUJO É MARAVILHOSO, MAS SUA POESIA COMO UM TODO É ACIMA
DA MÉDIA.
POLITICAMENTE DISCORDO DELE, COMO DISCORDO DE POUND E BORGES.
AINDA POR CIMA É UM DOS MAIORES CRÍTICOS DE ARTE DO BRASIL. E ELE
FALANDO MARANHÃO É LINDO. PENA QUE TENHA QUE SOBREVIVER
ESCREVENDO PARA A FSP.
Traduzir-se - GULLAR
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?
De Na Vertigem do Dia (1975-1980)
João da Mata Costa
Data: 10/03/2009 - Horário: 14h58min
A Máquina de Lavar-Louça
O Papa falou que a máquina
De lavar louça fez
Mais pela mulher que a
Pílula anticoncepcional
Nunca se vendeu tanto
Esse eletrodoméstico
Acho que foi um plano
Arno- Multinacional.
Ponha sabão em vez de fazer sabão
Coloque a louça dentro
Feche e relaxe
Diz o sumo pontífice
Tome um cafezinho com as amigas
Namore bem de mansinho
E lave tudo na máquina.
Se engravidar não pode abortar.
Diz o papa excomungando.
Trepar só para procriar
Em vez da pílula, lave louça.
E depois um cafezinho.
João da Mata Costa
Data: 10/03/2009 - Horário: 14h49min
Hebe 80
Hebe é símbolo da rádio e televisão brasileira. Uma artista multimídia. Cantora, atriz
e apresentadora de televisão. Uma grande comunicadora. Mesmo que você não
goste, a sua tia gosta. Quem sabe a sua filha. Hebe é mesmo um fenômeno. Uma
gracinha. Símbolo no que a televisão tem de entretenimento e transformismo. O
preto se transforma no louro e a Vênus prateada ocupa cada vez mais espaço no
vazio das pessoas assustadas e praticantes de um hedonismo jamais visto. O
programa de Hebe não é para pensar, mas para distrair. Ela é umas das poucas
remanescentes de um time de grandes canastrões e comunicadores da TV
brasileira. Flávio Cavalcanti, J, Silvestre, Bolinha, Silvio Santos, J. Alencar (rádio),
etc. Pessoas representativas no que a televisão e rádio têm de melhor e pior.
No aniversário de 80 anos de Hebe Camargo ocorrido no último dia 08 de março
compareceram reis, rainhas e a nata da granfinagem e do high society. Impossível
imaginar a televisão brasileira sem Hebe. Ela começou cantando e gravou vários
discos. Tem uma voz pequena, mas bem colocada. Possui ótima dicção e já beijou
muita gente. Mesmo não assistindo os seus programas, sei que muita gente gosta e
ela faz parte do nosso imaginário coletivo afetivo televisivo. Assim como uma
parente velhinha. Assim, também, como as grandes atrizes.
Politicamente não gosto de suas posições. E detesto o seu apoio a Maluf. Mas,
ninguém é perfeito já dizia Billy Wilder.
Parabéns Hebe
Um grande Beijo
João da Mata Costa
Data: 10/03/2009 - Horário: 14h33min
À deriva
Concordo com o Marcos Silva a respeito de Ferreira Gullar, cuja produção poética é
relevante, assim como sua produção teórico-crítica da década de 60. O Poema Sujo
é um execelente poema. Mas ultimamente muito do que escreve tem a ver com o
que afirma o Marcos.
Joao Batista
Data: 10/03/2009 - Horário: 14h32min
Manifestação contra a FSP
Caros amigos:
Reproduzo notícia sobre a manifestação contra a branda FSP: "Folha, de rabo
preso com o feitor", escrito por Leonardo Severo.
DO EDITOR
Texto postado em PROSA.
Marcos Silva
Data: 10/03/2009 - Horário: 11h42min
Copa do Mundo
Caro Tácito
Li agora há pouco no site NOMINUTO e também no blog do jornalista Sérgio Vilar
(a cada dia melhor e mais competente) que Natal deverá sediar uma das vagas
para a Copa de 2014. A informação, de acordo com o site e também o jornalista
Sérgio, foi antecipada pela revista Placar. Tive essa sensação, de que Natal teria
chance, quando comecei a observar a movimentação do deputado Henrique Alves.
Você pode perguntar: de que forma? Pela forma extrema e totalmente política dele,
o me levou a pensar isso. Chegando inclusive a posar numa foto ao lado de Ricardo
Teixeira. A nota da própria CBF desautorizando qualquer especulação também me
pareceu contribuir. O que resta agora é aguardar a veracidade da noticia. Mas,
como tudo que é político (e eu não tenho medo de dizer isso) a intenção da nossa
classe política em sediar, é e terá sempre rigorosamente, o aproveitamento do fato
politicamente, com vistas inclusive às eleições de 2010. O que implica dizer, de
outra forma, penso eu (é só imaginar o que era e o que é hoje o Machadão), que
terminado a Copa, e esse é o problema, não há como imaginar que o Estado irá
tomar conta da grande construção. De qualquer forma, quanto será investido
financeiramente, quem irá aplicar os recursos, se a iniciativa privada, e com quanto
o governo estadual (leia-se o contribuinte) irá entrar financeiramente nessa história,
quem irá administrar a Arena depois de terminada a Copa, ainda é tudo muito
nebuloso. Resta agora, repito, aguardar que a informação dada pelo veículo e por
Sérgio, venha a se confirmar.
Laurence Bittencourt
Data: 10/03/2009 - Horário: 11h12min
Gullar à deriva
Caros amigos:
A queda do muro de Berlim foi ótima, sucedida pelo erguimento do muro entre
EEUU e México (para não falar de Guántanamo e torturas contra prisioneiros
iraquianos). Ao mesmo tempo, receio que muita gente ficou soterrada na ocasião
pelos destroços do muro, dentre os quais, o poeta e ensaísta Ferreira Gullar, que
escreveu coisas importantes no passado mas, hoje em dia, empresta seu nome à
FSP.
Sim, a entrevista está num nível superior ao habitual da revista Bravo. Mas a teoria
do talento que não é divino e sim carga genética... Sim, o elogio do estudo e da
seriedade é legal mas o eclipse das relações sociais...
Apesar disso, Gullar tem um passado, sim. Fez até letra para Caetano Veloso
("Onde andarás")!
Abraços:
Marcos Silva
Data: 10/03/2009 - Horário: 11h08min
Obrigado pelo apoio Denise!!!
Amiga Denise, você nem precisava pedir perdão. Até o cuidadoso Tácito foi
induzido ao erro. O sujeitinho que pretendeu com seu chafurdo causar animosidade
entre nós, deu com os burros n´água e se tivesse o mínimo de ombridade deveria
pedir desculpas públicas.
Confesso que matutei muito sobre o caso e até pensei em sugerir ao Tácito que na
reformulação do site, acrescente algum dispositivo de segurança, seja uma senha
individual para postar ou qualquer outro artifício que ajude-nos na proteção contra
pessoas da espécie que intentou contra nós. Um abraço de consideração e
amizade!
Marcos Cavalcanti
Data: 10/03/2009 - Horário: 11h06min
Jânio Freitas e os historiadores
Caros amigos:
O texto de Jânio é muito legal mas injusto em relação AOS HISTORIADORES. Ele
se aplica, certamente a CERTOS HISTORIADORES (com destaque para Marco
Antonio Villa, que colaborou com Elio Gaspari). Mas existem historiadores, bem
antes de Villa, que examinam a ditadura desde seus primeiríssimos passos.
Imodestamente, lembro que editei uma coletânea chamada "1964/1968 - A ditadura
já era ditadura", colocando exatamente o caráter inaugural do regime desde seu
lamentável nascimento. Sou historiador, os colaboradores do livro - dentre eles, a
natalense Neusah Cerveira - são historiadores. E sabem que outros confrades
pensam criticamente sobre aqueles horrores.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 10/03/2009 - Horário: 11h03min
os erros do DOM
Tácito,
Na coluna de João Saraiva há um dado relevante e interessante: os erros
exagerados no Diário Oficial do Município. Erros são comuns, mas o exagero, não.
http://www.dnonline.com.br/ver_blog/22/
Sílvio Andrade
Data: 09/03/2009 - Horário: 18h03min
Ferreira Gullar
BRAVO!: O senso comum costuma apregoar que poetas nascem poetas.
Poesia é destino?
Ferreira Gullar: Prefiro dizer que é vocação. O poeta traz do berço um modo próprio
de lidar com a palavra. Não se trata, porém, de um presente dos deuses, de uma
concessão divina, como se pregava em outras épocas. Trata-se de um fenômeno
genético, biológico, sei lá. Há quem nasça com talento para pintar, jogar futebol ou
roubar. E há quem nasça com talento para fazer poemas. Sem a vocação, o sujeito
não vai longe. Pode virar um excelente leitor ou crítico de poesia, mas nunca se
transformará num poeta respeitável. Quando um jovem me mostra originais,
percebo de cara se é ou não do ramo. Leio dois ou três poemas e concluo de
imediato. Por outro lado, caso o sujeito tenha a vocação e não trabalhe duro,
dificilmente produzirá um verso que preste. Se não estudar, se não batalhar pelo
domínio da linguagem, acabará desperdiçando o talento. "Nasci poeta, vou ser
poeta." Não, não funciona assim. Converter a vocação em expressão demanda um
esforço imenso. Tudo vai depender do equilíbrio entre o acaso e a necessidade. A
vocação é acaso. A expressão é necessidade. Compreende a diferença? No fundo,
a vida não passa de uma constante tensão entre acaso e necessidade.
Do poeta Ferreira Gullar em ótima entrevista à revista BRAVO.
http://bravonline.abril.com.br/conteudo/literatura/poesia-surge-espanto-424674.shtml
Tácito Costa
Data: 09/03/2009 - Horário: 17h58min
Semente
YERMA MAGALHÃES
POETA
Ergue-te em plumas de pavão
Transbordando a exuberância dos teus suores.
Faz-se outra vez correnteza das cachoeiras.
Anda!
Vem ser Loba em minha matilha
Derrama sobre mim lavas do teu vulcão.
Percorre o caminho das minhas matas
Desvenda a trilha dos meus desejos.
Despeja teu sal em meus mares.
Crava em mim a semente da tua vinda.
Seja eu solo fértil,
Germina-me.
Tácito Costa
Data: 09/03/2009 - Horário: 17h32min
Nouvelle Vague
Na sua opinião, o que resta da nouvelle vague hoje no presente?
A nouvelle vague é um acontecimento na história da arte, que marca tudo o que a
ela se seguiu, incluindo a reação contra ela - como o impressionismo marca a
história da pintura ou Joyce marca a história da literatura. O cinema mudou
radicalmente com ela, mesmo se ela própria se inscreva em um movimento mais
amplo. A nouvelle vague permanece um "princípio ativo" hoje em dia, naquilo em
que ela valorizou a ideia da juventude na direção de cinema, de liberdade e ruptura.
Podemos dizer que Lisandro Alonso, Apichatpong Weerasethakul ou Jia Zhang-Ke
(por exemplo) devem alguma coisa à nouvelle vague, não porque seus filmes se
assemelhem aos de Truffaut, Godard, Chabrol ou Rohmer (que aliás não se
parecem nem entre si mesmos) mas porque eles ganharam, graças à nouvelle
vague, mais legitimidade para inventar seus próprios cinemas.
Do crítico Jean-Michel Frodon, diretor de redação da Cahiers du Cinéma, em
entrevista a Luiz Zanin.
http://blog.estadao.com.br/blog/zanin/
Tacito Costa
Data: 09/03/2009 - Horário: 16h40min
Brasileiros não sabem quem elegem
Os brasileiros não sabem quem elegem?
Não, não sabem. Precisaríamos dessa clarificação sobre os candidatos, inclusive
do ponto de vista judicial. Isso aperfeiçoaria o sistema.
Do cientista político Hélio Jaguaribe em entrevista ao Estadão.
http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup335233,0.htm
Tacito Costa
Data: 09/03/2009 - Horário: 15h46min
Janio de Freitas, imperdível
―Os historiadores à brasileira não sabem que as ditaduras vão até onde lhes é
vitalmente necessário, e enquanto podem fazê-lo. A diferença entre elas não é a
sua essência, nem a sua prática: é a medida do necessário. ―
Do excelente artigo de Jânio de Freitas, na FSP de domingo. Leia a íntegra em
PROSA.
Tácito Costa
Data: 09/03/2009 - Horário: 15h37min
Folha admite que errou
A FSP publicou ontem matéria sobre ato público em frente à sede do jornal, que
reuniu (segundo a Folha), 300 pessoas, em protesto contra o editorial que qualificou
a ditadura brasileira de "ditabranda". Ao lado, uma nota do diretor do Jornal em que
admite que errou. A pressão dos blogs e da opinião pública funcionou. A nota
poderia ser mais generosa com os professores Comparato e Benevides, mas o
importante é que o jornal foi obrigado a reconhecer o absurdo que escreveu. Abaixo
a nota:
Folha avalia que errou, mas reitera críticas
DA REDAÇÃO
O diretor de Redação da Folha, Otavio Frias Filho, divulgou ontem as seguintes
declarações:
"O uso da expressão "ditabranda" em editorial de 17 de fevereiro passado foi um
erro. O termo tem uma conotação leviana que não se presta à gravidade do
assunto. Todas as ditaduras são igualmente abomináveis.
Do ponto de vista histórico, porém, é um fato que a ditadura militar brasileira, com
toda a sua truculência, foi menos repressiva que as congêneres argentina, uruguaia
e chilena -ou que a ditadura cubana, de esquerda.
A nota publicada juntamente com as mensagens dos professores Comparato e
Benevides na edição de 20 de fevereiro reagiu com rispidez a uma imprecação
ríspida: que os responsáveis pelo editorial fossem forçados, "de joelhos", a uma
autocrítica em praça pública.
Para se arvorar em tutores do comportamento democrático alheio, falta a esses
democratas de fachada mostrar que repudiam, com o mesmo furor inquisitorial, os
métodos das ditaduras de esquerda com as quais simpatizam."
Otavio Frias Filho
Tacito Costa
Data: 09/03/2009 - Horário: 15h26min
Vergonha
Marcos Cavalcanti
Escrevo com atraso.
Para mim não é surpresa que pessoas sem caráter postam neste site. Eu já sabia.
Confesso que cedi ao intento vil da contenda e acreditei ser você o autor da ofensa
besta. Já vi muitas pessoas inteligentes aqui trocarem farpas pessoais.
Marcos, neste mundo só as dores, medos e limitações são tamanhos. Mais uma vez
sou pequena e sinto muita, muita vergonha do que fiz. Fui arrogante e prepotente.
Se puder me perdoar, ficarei melhor.
Abs,
Denise Araújo Correia
Data: 09/03/2009 - Horário: 15h31min
O Phantasma se diverte
DO POETA JAIRO LIMA, NO ECTOPLASMA:
Ontem fui ao Nalva Café assistir à sessão de arte do Cine Clube Natal.
Não fosse a imagem deformada na tela (o filme full screen foi exibido em formato
16x9), tudo estaria perfeito. O filme, uma obra-prima, o apresentador simpático,
inteligente e bem informado, a platéia educada e silenciosa. Celulares
civilizadamente desligados, suspensão do serviço de bar durante o filme, perfeito,
ninguem foi sequer fazer xixi para não atrapalhar.
Agora, a presença mais notável era a da Grande Ausencia.
Apenas 11 gatos pingados, aliás 10 porque phantasma é ser etéreo e não se conta,
prestigiavam o evento sendo que dois deles eram do próprio cine clube e, portanto,
não contavam.
Fiquei bobo, me perguntando o que acontece com uma cidade de mais de um
milhão de habitantes (grande Natal) que não conseque encher algumas cadeiras
para assistir e debater uma grande obra de arte, amplamente divulgada.
Ora, se o Cine Clube que cobra apenas 2 reais não conseque público numa límpida
noite de verão, imagine a Kriterion, a Limbo, a Velvet, a AS Livros, a Sparta e todos
as outras vítimas da Grande Ausência.
Eu, hem? Vou pro shopping também. Fui.
(O Phantasma da Kriterion)
http://www.kriterion.zlg.br/page65.aspx
Tácito Costa
Data: 09/03/2009 - Horário: 14h43min
Viagem à tromba do elefante
Vou em busca de procurar cidades, tardes e brisas de lugares antes só apreciados
nos mapas e nomes. Belos nomes os da minha aldeia. Tangará, Santo Antonio do
Salto da Onça, Jandaíra, Santana dos Matos, etc. Atravesso o elefante riograndense do norte. A margem é verde e frondosa. Muitas cruzes nas estradas
lembram do reino de lete. Garças suspensas no ar suspendem a manhã tropical.
Em Lajes a primeira parada para tomar café. Bolos e canjicas pesadas ao peso. O
café aquece o peito dos quatro viajantes e um destino: A Serra do Martins. Terra do
meu amigo Junior, que enriquece de lembranças, amizades e sentidos o que a
cidade esconde para viajantes apressados. Por sob as cores, sombras e
monumentos da cidade escoa um rio de lembranças.
Dia de feira no interior é dia de festa e encontros. Na pequena feira da cidade o
meu amigo Junior encontra pessoas da sua infância. Um senhor grisalho olha
quase sem acreditar. - É o Junior? - Sim, é ele mesmo, O amigo conterrâneo e
contemporâneo. Um milagre que só a vida pode proporcionar. Duas vidas que
correm paralelas se encontram na cidade-infância. A professora Francisca encontra
o aluno Junior e o abraça. Ali o local onde funcionou a loja onde foi comprado o
primeiro livro. O homem volta a ser menino na sua Pasárgada antiga e nunca
esquecida. A cidade e a Serra. Sinto como se estivesse lendo uma historia narrada
com linhas vivas.
No sábado de feira um homem bêbado vai pelas ruas fazendo discursos. No
mercado recém inaugurado muitas frutas, panelas de flandres, chocalhos, tiras,
rodas e chapéus de couros. As roupas encontro em qualquer lugar. Em frente uma
lan-house e na parede uma gaiola com passarinhos. Cachorros esparramados em
plena rua repousam profundamente num silencio de pedras.
No museu histórico da cidade, antiga residência do senador Almino Afonso, muitas
fotos de seus moradores mais ilustres. Em uma praça no centro da cidade, próximo
à rua das pedras, esconde-se por entre folhas de uma árvore frondosa, o busto do
escritor Raimundo Nonato, nascido em Martins a 18/07/1907. Bem próximo a
capelinha mandada construir pelo pai que não queria que seus filhos fossem servir
á sanguinária guerra do Paraguai.
Do mirante da Carranca uma vista deslumbrante dos açudes, cidades, serras e
torreões. A centenária casa de pedra e suas estalactites no sopé da serra é visita
obrigatória, com seus quartos, corredores e sala. Do promontório vê-se essa
belíssima casa e sinto no ar o aroma do verde que embriaga. Sinto a presença do
Rouxinol de Keats. A tarde vai embora com o seu crepúsculo e o manto da noite
desce iluminando as cidades de pontos luminosos. Os vagalumes piscam. Lá longe
os relâmpagos anunciam vendavais.
A casa de cultura estava fechada (elas estão sempre fechadas). Na Escola
Estadual Almino Afonso que completa um século de existência, encontra-se o
museu Demétrio Lemos. Além de uma bela coleção em bronze com as figuras
ilustres de Dante, Galileu, Milton, Camões, Virgilio, etc; encontra-se uma preciosa
coleção de livros raros, com destaque para as edições monumentais de Os
Lusíadas, de Camões ( edição Biel dedicada a Dom Pedro II), O Orlando Furioso,
de Ariosto e o Inferno, de Dante.
A cidade também abriga uma rica coleção de peças retiradas de escavações.
Valiosa coleção arqueológica e paleológica que conta a pré- história da cidade.
Depois de nos despedir da cidade uma breve visita à cidade de Portalegre, também
na tromba do elefante. No hotel muitas fruteiras. Depois de nos deliciarmos com as
frutas retiradas do pé, resolvemos retornar à Natal via Caicó. Ao passar por Viçosa
percebemos com alegria as benfeitorias na cidade do escritor François. Por entre
árvores majestosas, vê-se a entrada do conjunto Dr. François Silvestre.
Depois Umarizal, Olho d´agua dos Borges, Patú, Belém e Brejo do Cruz. A fronteira
Paraíba- Rio Grande do Norte é perigosa. O sopé da serra da Borborema pode
esconder surpresas ruins. A estrada é péssima e nenhum dos dois estados assume
esse trecho pouco trafegável.
Almoço em Patú com sobremesa de espécie. Visita ao belo santuário no cume da
serra. Bela arquitetura, belas imagens e uma rica coleção de ex-votos. Na capela
principal em Cone Prateado uma excelente acústica e iluminação natural. Obra de
muito bom gosto de um padre arquiteto.
Chegada a Caicó. A cidade adormece depois da feira e da semana. Na praça da
alimentação cerveja só depois das 18h. Uma visita obrigatória á ilha de Santana.
Bela construção com uma capelinha e vários teatros e locais para eventos. Só não
vimos movimento de gente e esperamos que esse belo equipamento seja melhor
utilizado para além da necessária caminhada. Voltamos à noite e ninguém.
Na bela matriz da Santana acontece uma missa. Nessa igreja fui batizado e tenho
por ela uma extrema devoção. São belas as imagens de Santana ensinando o
menino Jesus.
Bela viagem de regresso ás nossas Ítacas e verdes que te quero. A companhia
ilustradas e eruditas dos amigos D. Inácio, Manoel Onofre Jr, Homero e João da
Mata fez dessa viagem uma festa de muitas cores, sabores e alegrias muitas. Não
fora o prazer da viagem o prazer maior de contar para vocês.
João da Mata Costa
Data: 09/03/2009 - Horário: 14h27min
Aborto e excomunhão
Laurence,
Francamente, não me surpreendeu a atitude do arcebispo de Olinda e Recife,
d.José Cardoso Sobrinho, de excomungar a mãe da menina de nove anos de idade,
grávida de gêmeos depois de estuprada pelo padrasto, e a equipe médica
responsável pelo aborto. As posições das igrejas são daí pra pior. Sinceramente,
você esperava outra coisa? Lamento pelas seqüelas emocionais e sociais que essa
família carregará de agora por diante. Os médicos, pessoas mais esclarecidas, não
vão ligar para a decisão. Aliás, a classe média não está nem aí para a Igreja e faz
abortos sempre que precisa. Sou favorável ao aborto, que deve ser uma decisão
soberana da mulher. Não sigo e nem gosto de igrejas e nem de igrejinhas.
Tacito Costa
Data: 09/03/2009 - Horário: 10h30min
Cassia Kiss
Um dos destaques da ISTO É é uma entrevista com a atriz Cassia Kiss.
http://www.terra.com.br/istoe/
Tácito Costa
Data: 09/03/2009 - Horário: 10h03min
Marcelo Yuka
Leia na ÉPOCA entrevista com Marcelo Yuka. Vítima de novo assalto, o músico
símbolo da luta contra a violência diz que a solução é social, e não policial.
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI63207-15228,00MARCELO+YUKA+O+TAL+CHOQUE+DE+ORDEM+E+PARA+QUEM.html
Tácito Costa
Data: 09/03/2009 - Horário: 09h52min
O silêncio dos bons
ROBERTO POMPEU DE TOLEDO
VEJA
"O conceito de ‗governabilidade‘ foi interpretado, na política brasileira, como a
necessidade de reservar áreas do governo à livre prática da corrupção"
Agora já não há mais dúvidas: houve uma batalha entre os bons e os podres, e os
podres venceram. É simples assim. Tal qual num teatro em que o autor finalmente
desvela o que ainda faltava desvelar, e os espectadores são contemplados com o
chocante desfecho, os últimos dias, começando pela tentativa de assalto
comandada por um ministro a um fundo de pensão, e terminando com a articulação
para eleger o novo presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado, disseram
tudo.
A mesma turminha braba agiu num caso como no outro. Aquela turminha famosa
mesmo antes de o senador Jarbas Vasconcelos denunciá-la na VEJA de três
semanas atrás, e mais famosa ainda depois. Ela estende sua sombra por um vasto
condomínio: o Senado, a Câmara, os ministérios de mais polpudos orçamentos, o
comando das estatais. Onde há ainda algum cofre fora de seu alcance, ou algum
promissor recanto do estado a salvo de seu poder de chantagem, não se perde por
esperar. Eles estão com as garras afiadas e, certos de que não há força capaz de
barrar-lhes o avanço, ainda chegam lá. É simples assim: acabou. Eles venceram.
Como foi isso acontecer? Já se cansou de falar da voracidade com que os políticos
se lançaram ao pote, quando do desmanche da ditadura. Já se cansou de falar da
impunidade, já se arquicansou de falar de regras eleitorais favoráveis à trapaça e ao
engodo. Ficou faltando falar de um fator igualmente decisivo, ou mais: o silêncio dos
bons. Os podres avançaram na mesma proporção em que os bons recuavam.
Quanto mais silêncio de um lado, mais estimulado se sentia o outro em seguir
adiante. A audácia com que recentemente descartaram os últimos escrúpulos tem
sua perfeita contrapartida na atitude daqueles que, por timidez ou, pior, por
conveniência, se recusaram a atrapalhar-lhes o caminho.
Um aviso ao leitor incréu: existem, sim, os bons. Existe gente honesta e com a
cabeça no bem do país no Congresso e nos ministérios, no governo dos estados e
nas prefeituras. É tão equivocado achar que todo político é desonesto quanto achar
que todos são anjos. Quando o senador Jarbas Vasconcelos soltou o verbo,
expondo o PMDB como um partido cuja vocação é pleitear cargos para praticar a
corrupção, seria de esperar que os bons viessem em peso engrossar o coro. Enfim,
surgia um paladino daquela verdade que todo mundo via, mas que ninguém de
semelhante prestígio e influência ousara denunciar. A obrigação dos bons, tanto
nos outros partidos quanto nos minoritários bolsões de honestidade no próprio
PMDB, seria, num tropel de cavalaria justiceira, vir em reforço do senador. Era de
esperar uma mobilização que, do mais humilde vereador ao mais poderoso
governador de estado, passando pelos senadores e deputados que exercem seu
mandato com honradez, contaminasse a sociedade com um estrondo de avalanche.
Em vez disso, o que se viu foi uma ou outra protocolar declaração de apoio, o
silêncio de muitos, e vida que segue.
Por que o silêncio dos bons? Eis outra revelação para deixar a plateia chocada:
porque puseram na cabeça que não podem prescindir dos maus. Não é que
toleram; se assim fosse, não seria tão grave. Eles cortejam os maus. Acenam para
eles com carinho, jogam beijinhos, reviram os olhos. Chegaram à conclusão de que
sem eles não se governa, por isso se desdobram nas amabilidades e solicitudes.
Esse fenômeno vem lá do funesto governo Sarney. O governo Fernando Henrique
Cardoso foi a penúltima esperança de que pudesse ser detido. O governo atual, em
que atingiu sua expressão máxima, foi a última. "Governabilidade", uma palavra que
em outros países significa encontrar pontos doutrinários comuns, entre partidos
diferentes, para permitir efetividade à ação administrativa, no Brasil ganhou o
significado de reservar áreas do governo à livre prática da corrupção, em troca de
apoio em votações no Congresso e em campanhas eleitorais. Em outras palavras,
legalizou-se a corrupção. Acabou-se a história. A vitória foi entregue de bandeja à
banda podre.
O homem escolhido para chefiar a Comissão de Infraestrutura do Senado, um posto
que oferece boas possibilidades de manipulação e chantagem, é o ex-presidente
Fernando Collor. Expulso do poder por corrupção em 1992, o homem que pedia
para não ser deixado só teve seu desejo atendido: conta com a companhia amiga
dos colegas, numa teia de solidariedade que corre até o centro do governo. Sozinho
ficou o senador Jarbas Vasconcelos.
Tacito Costa
Data: 09/03/2009 - Horário: 09h46min
Conto de Cortazar
O Caderno Idéias, do Jornal do Brasil, publica conto inédito no Brasil do escritor
Julio Cortazar.
http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/03/06/e060319997.asp
Tetê Bezerra
Data: 09/03/2009 - Horário: 08h55min
Mini-conto de Ivana Bentes
IVANA BENTES
Até hoje fico gelada toda vez que lembro da mulher dele correndo atrás de mim,
com uma faca na mão: – Eu mato essa vagabunda. Ele a prendia pela cintura,
tentando acalmá-la: - Esquece, isso é só um biscate. Duas horas depois, tava de
joelhos aos meus pés pedindo desculpas.
Tetê Bezerra
Data: 09/03/2009 - Horário: 08h50min
Losa sobre Onetti
Vargas Llosa fala do uruguaio Juan Carlos Onetti, "o primeiro escritor
moderno da língua espanhola" e tema de seu novo livro:
"Acho que Onetti era um desses escritores cuja imaginação nasce da autobiografia.
Creio que inventava, fantasiava, a partir de sua experiência de vida. E sobretudo,
talvez, das limitações, frustrações ou vazios que sentia em sua maneira de viver.
Havia nele uma contradição curiosa: por um lado, era um homem muito inteligente,
muito culto; por outro, era um homem muito desvalido. Onetti era uma pessoa,
digamos, muito mal preparada para o que se dá o nome de luta pela vida. Era um
homem que não fazia concessões, tinha horror a renunciar a certos princípios para
escalar posições.
Era algo que ele não apenas detestava como não sabia fazer; ou seja, na vida real
ele estava condenado a ser sempre muito marginal, a ter uma existência mais ou
menos medíocre. Por outro lado, era uma pessoa que sentia muito claramente que
havia nele, tanto do ponto de vista intelectual como moral, uma hierarquia em
relação a muitas pessoas que o rodeavam. Acho que é com tudo isso ele faz
literatura; é um desses escritores que se entregam, naquilo que possuem de melhor
e de pior, no que escrevem.
E por isso penso que toda sua obra tem uma autenticidade rara. Não havia nada de
impostado nele."
Fernando Monteiro
Data: 09/03/2009 - Horário: 08h48min
Excomunhão
oi, tacito!
excomungo a falta de sensibilidade no mundo, que sobra nos dizeres de denise,
priscila e yerma. novo triunvirato do splural. um abraço.
edjane
Data: 09/03/2009 - Horário: 08h46min
DIA ESPECIAL
Não me deseje feliz dia da mulher. Festeja-me por todo o ano.
Não me diga amor. Seja o amor que percorre os dias incolores, tornando-os
minutos, e os anos tornando-os horas.
Não me dê uma rosa. Seja o encantamento que só a beleza e a diversidade delas
provocam. Isso não é grande proeza, garanto.
Não me diga que eu sou uma boa pessoa. Coroe a minha bondade com a sua.
Não me surpreenda com novos elogios. Poetiza-me! Beija-me a face e contempla
todas as luas comigo.
Não sorria impiedoso das inocências e das credulidades. São cultivadas dolorida e
involuntariamente. Enamoraram-se da incompletude do meu ser e dos descaminhos
fartos. São companhias que não desejo, porém suporto.
Não zombe de minhas convicções e dilemas religiosos. A fé salvou-me de ser mais
um moribundo que jaz antes da hora. Foi o revide para uma vida severina. Quando
criança, o mundo tinha uma aridez que não se explicava. O tacho não sabia fartura.
Mais tarde, João Cabral de Melo Neto esclareceu-me o que era aquilo:
―- Dizes que levas somente
coisas de não:
fome, sede, privação.‖
Não minta, criando universos e fingindo comportamentos. Meu troféu não é o amor
que amo, mas a honestidade de que esse amor é imbuído. Saia um pouco de si e
decifra, como a Esfinge, meu universo. Ele carece de zelo e esmero. A vida rogoume força e eu não fujo da sina. As emoções divagam sobre um fio tênue, quase
invisível. Se eu não aguentar, a cachoeira rompe caudalosa e singra desordeira.
Não diga que meu corpo é delicioso. Deleite-se sabendo nele infinitos sentimentos.
Não seja amo, seja amor. Desprezo a fulgacidade. Não quero só gemer entre
lençóis, mas entre a confusão dos suores, conversar com sua alma fugidia. Sentir
que o paraíso pode apresentar-se em leito que arde e arde. Ver no outro aquele que
não planeja escapes, e não incorpora a pura veleidade cantada por Vinícius:
―Você que só faz usufruir
E tem mulher pra usar ou pra exibir
Você vai ver um dia
Em que toca você foi bulir!
A mulher foi feita
Pro amor e pro perdão
Cai nessa não, cai nessa não
Você, por exemplo, está aí com a boneca do seu lado, linda e chiquérrima, crente
que é o amo e senhor do material. É, amigo, mas ela anda longe, perdida num
mundo lírico e confuso, cheio de canções, aventura e magia. E você nem sequer
toca a sua alma. É, as mulheres são muito estranhas, muito estranhas.‖
Não derrame lágrimas de sentimentos vãos. Transborde sua verdade. É com ela
que eu sonho.
Não diga que vai ficar comigo. Cuida-me com ternura a cada dia. Desse jeito, até
suas sem-palavras serão ditosas.
Não ache que a idade avançada é álibi para suportar a superficialidade de ser
usada. Sou mulher incompleta na escola da sofreguidão.
Não cultive a frieza peculiar de quem só procura para atender interesses. Não, não
faça isso! Fatiga meu desprendimento. Exaura-me com pensamentos irrequietos.
Só então Afrodite me possuirá. A natureza será meu véu e incensará minha
existência da mais fogosa pluralidade. Provem isso chuviscos e torrentes, desertos
e florestas, gravetos e baobás.
Não desminta encantos, belezas e doces promessas feitas há pouco. Assim, revelase o caráter deplorável. Faz de mim alguém sem memória, quase um ser
inexistente.
Não me erga braços de chumbo, provocando-me dor. Basta menos para atingir o
intento: olhares intolerantes, mentiras repetidas, e o pior, desprezos vis.
Não me adormeça deusa e me desperte mortal. Não me ensinaram o abandono.
Sequer aprendi a romper laços com o desvario de quem estilhaça vitrais sem
recolher os cacos. Segura minha mão, sorria, entenda-me. Escalar abismos
necessita de cordas, e não de pedras atiradas. Se inevitável é o abandono, não
estranhe o entristecer da canção, o desbotar do verde das árvores, a tez
assombrada voltada para o chão e a escrita mórbida, sem a pena da criatividade.
Antes, assim estou.
Mas, se há a prerrogativa de um dia tido como meu, gostaria de nele, só nele, não
ouvir ofensas imerecidas, reafirmações do meu desvalor, interrogações pérfidas do
quanto custou ($)meu afeto, e depois abafar meu choro. Gostaria de ouvir sinfonias,
Bolero de Ravel, a brisa suave movendo copas frondosas e o que de mais delicado
a sua boca puder proferir. Hoje. Só por hoje, não brade a sua desumanidade ...
Feliz dia da mulher é ouvir minhas bobagens e corrigi-las com a calma de um
monge. É ver a espinha destoante na testa e ignorá-la. É ver meus pés horríveis e
dizê-los lindos. É reconhecer com louvor a boa mãe que sou. É ver as dobras
salientes e amá-las com uma volúpia inexplicável. É completar minha falta de
palavras com um beijo. É completar um verso meu com outro seu. É completar a
minha vida com a sua. E depois que formos um só, o meu dia será o seu.
Denise Araújo, Priscila Garcia e Yerma Magalhães
Data: 08/03/2009 - Horário: 10h50min
POEMINHA DA EXCOMUNHÃO
Excomungo o ignóbil sacerdote
excomungo-o sem dó nem piedade,
que ele viva eternamente macambúzio
preso a sua idiotice travestida de verdade.
Excomungo-o por sua cruel vilania;
excomungo-o por sua ausência de humanidade;
excomungo-o com o título da anticidadania;
excomungo-o por sua indisfarçável veleidade.
Que em seu peito se ponha uma grande placa
com os dizeres vermelhos: sou um Sobrinho
do arcebispado da igreja da maldade,
elevado à condição de Dom Persona non Grata.
E já que excomunguei o arcebispo
Aproveito a polêmica para excomungar o papa.
Marcos Cavalcanti
Data: 08/03/2009 - Horário: 10h49min
A poesia de João Cabral
Caros amigos:
No texto de Antonio Cícero sobre vanguardas, João Cabral erra nas teses e acerta
na poesia. Conclusão: viva João Cabral, via a Poesia!
Mas é preciso discutir mais as relações entre vanguardistas e canonistas. Qualquer
grupo que pretenda deter o monopólio da poesia pode chegar a uma situação de
monólogo intra-grupal. Melhor pensar que os caminhos da poesia são múltiplos e
que as teses (vanguardistas ou canonistas) prévias não os resolvem. Hay que tener
engenho e arte, como dizia o velho Luiz (o luso).
Abraços:
Marcos Silva
Data: 08/03/2009 - Horário: 10h49min
"O Filho da Mãe"
O premiado escritor Bernardo Carvalho mostra o outro lado da turística São
Petersburgo em seu décimo livro, "O Filho da Mãe". Leia entrevista no Estadão.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090307/not_imp334828,0.php
Tácito
Data: 07/03/2009 - Horário: 16h39min
Vanguarda e fetiche
ANTONIO CICERO
FOLHA DE SÃO PAULO
DE MANEIRA geral, as teses vanguardistas são verdadeiras na medida em que
abrem caminhos, e falsas na medida em que os fecham. João Cabral de Melo Neto,
por exemplo, julgava inferior a poesia que falasse "de coisas já poéticas", pois
acreditava que a poesia devia procurar "elevar o não-poético à categoria de
poético".
Essas teses se tornaram dogmas entre muitos jovens poetas. Ora, para começo de
conversa, é questionável a tentativa de tomar a temática de uma obra de arte como
base para pronunciar juízos estéticos sobre ela.
Tais teses não são verdadeiras senão pela metade. No caso mencionado, são
verdadeiras porquanto afirmam que a poesia não precisa falar de coisas já poéticas;
por outro lado, porquanto implicam proibir a poesia de falar de coisas já poéticas,
são falsas.
Afinal, o que é uma coisa já poética senão uma coisa de que a poesia já falou ou de
que já falou muito? E por que não poderia um poeta fazer excelente poesia ao falar
de algo de que muitos outros poetas já tenham falado? Então Goethe não deveria
ter escrito a sua obra-prima porque já houvera, antes dele, não sei quantos
"Faustos"?
Jamais um grande poeta temeu abordar pela enésima vez um tema poético (Fausto,
Ulisses, Orfeu, Narciso, a brevidade da vida, a juventude, a velhice, o sol, a noite, o
amor, a saudade, a beleza etc.). Ele o aborda e é capaz de fazê-lo como se
ninguém antes o tivesse feito: como se não fosse um tema poético. Só o poeta fraco
quer fazer algo tão "novo" que não possa ser comparado com o que os grandes
mestres do passado já fizeram. O poeta forte, longe de temer tal comparação,
provoca-a.
Entretanto, é preciso observar que, ao se opor aos temas poéticos tradicionais,
Cabral estava reagindo contra preconceitos arraigados que haviam sido usados
para desclassificar a sua própria produção poética. Sérgio Buarque de Hollanda
relata que Domingos Carvalho da Silva, por exemplo, membro do grupo conhecido
como Geração de 45, ao qual o próprio Cabral havia pertencido, "decretara que o
bom verso não contém esdrúxulas (apesar de Camões), que a palavra "fruta" deve
ser desterrada da poesia, em favor de "fruto", e a palavra "cachorro" igualmente
abolida, em proveito de "cão'; e mais, que o oceano Pacífico (adeus Melville e
Gauguin!) não é nada poético, bem ao oposto do que sucede com seu vizinho, o
oceano Índico".
Ora, já na primeira estrofe de "Cão sem Plumas", João Cabral infringe dois desses
tabus: "A cidade é passada pelo rio / como uma rua / é passada por um cachorro; /
uma fruta / por uma espada".
Esclareço que, ao que afirmar que os poetas fortes não temem tema algum, não
tenho a menor intenção de insinuar que Cabral seja um poeta fraco.
Cabral não temia coisa alguma: ele estava apenas, de acordo com o ethos
vanguardista, proscrevendo aquilo que pensava haver superado.
O que ocorre é que se, antes do modernismo, determinadas formas haviam sido
fetichizadas, isto é, se a elas (por exemplo, às rimas) atribuíam-se determinados
poderes, o legado da vanguarda foi a desfetichização dessas formas tradicionais.
Mencionei um poeta que atribui às palavras "fruto", "cão" e "Oceano Índico" certa
virtus poética da qual as palavras "fruta", "cachorro" e "Oceano Pacífico" são
carentes. Ora, ao desencantar as formas encantadas, a vanguarda mostrou que na
poesia ou no poético não existe prêt-à-porter à disposição do poeta, nestas ou
naquelas formas fixas ou rimas ou metros ou palavras.
Inversamente, mostrou também que a poesia não é necessariamente incompatível
com nenhuma forma determinada. Isso implica o reconhecimento de que a poesia
se encontra somente em obras singulares, onde é o produto de uma combinação
imprevisível e irreproduzível de fatores que não podem ser definidos a priori.
Mas essa descoberta é o resultado final da atividade das vanguardas: é o que ficou
depois que elas terminaram o seu trabalho, isto é, depois que percorreram o
caminho que nos trouxe da pré-modernidade à modernidade plena.
Esse caminho, porém, não foi uma linha reta. A história nunca é assim. Antes de
desfetichizar as formas tradicionais, a vanguarda as manteve fetichizadas, porém
inverteu o valor desse feitiço.
Se tradicionalmente as formas convencionais haviam sido as únicas formas
admissíveis na poesia, a vanguarda passou a tomá-las como as únicas formas
inadmissíveis na poesia. Foi assim que Cabral proscreveu justamente os temas
tradicionalmente poéticos.
Tácito
Data: 07/03/2009 - Horário: 16h34min
Homero lança livro dia 11
Caro Jornalista Tácito Costa,
Como leitor freqüente do seu blog, gostaria de informar sobre o lançamento do livro
do escritor potiguar Homero de Oliveira Costa no dia 11 de março deste ano na
Poty Livro do praia shopping. Trata-se de uma coletânea de artigos publicados na
imprensa local, entre l998 e 2008. São artigos variados, que vão desde reflexões
sobre a Ética na Política, Mídia e democracia, no qual o autor chama de dilemas da
representação política: os partidos políticos ("os partidos políticos e a lei de ferro
das oligarquias" e "Há futuro para os partidos políticos?"), sobre financiamento de
campanhas eleitorais, pesquisas eleitorais, medidas provisórias ("Medidas
provisórias ou permanentes?").
Costa Junior
Data: 07/03/2009 - Horário: 15h52min
Política potiguar
José Agripino Maia, Agaciel Maia, João Maia? Tudo farinha podre do mesmo saco
furado...
Moacy Cirne
Data: 07/03/2009 - Horário: 15h45min
Atraso
Caro Tácito a atitude do arcebispo de Recife ex-comungando (já viu, isso?) os
médicos que fizeram aborto de uma menina que fora estuprada pelo padrasto,
representa todo o atraso da igreja católica ao longo de séculos e mais ainda em
nosso país. É essa mentalidade que gerou, em muito, e fixou a nossa formação
social e cultural. E mais ainda a nossa ―moral‖, o que é contraditório. Se o mundo
fosse depender dessa ―mentalidade‖ estaríamos vivendo dentro de um mosteiro,
ainda que dentro do mosteiro a corrupção estivesse presente. O mundo terreno foi
totalmente renegado, da boca para fora. Não é à toa tanta corrupção na própria
igreja e na política (executivo e legislativo) em nossa ―nação‖ (os políticos não
perdem uma festa religiosa) o que resvala no nosso judiciário dos homens.
Laurence Bittencourt
Data: 07/03/2009 - Horário: 15h45min
Maciel comenta filmes
Ivan Maciel escreve na Tribuna do Norte sobre alguns bons filmes em cartaz, como
O Leitor, A Dúvida e Foi Apenas um Sonho.
http://tribunadonorte.com.br/coluna.php?id=2004&art=102888
Tácito
Data: 07/03/2009 - Horário: 09h44min
Schlink comenta 'O leitor', de Daldry
Bernhard Schlink lançou ―O leitor‖ (Record) em 1995. No livro, Michael Berg, com
15 anos, descobre o amor com Hanna em tempos de guerra na Alemanha. Anos
depois, Berg, estudante de direito, reencontra Hanna como ré num julgamento
sobre terríveis crimes contra judeus. Fascínio e repulsa o dominam, numa trama
que traz à tona questões de moral e culpa. Schlink, que não deu entrevistas sobre a
adaptação cinematográfica dirigida por Stephen Daldry — concorrente ao Oscar em
várias categorias, incluindo melhor filme — só aceitou conversar com a equipe da
própria editora, Diogenes Verlag AG Zurich. No link abaixo, trechos da conversa.
Em abril, a Record lançará mais um romance de Schlink, ―O outro‖.
http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/
Dica: Acesse o link e desça a barra de rolagem. A entrevista vem depois de várias
outras (muito boas também), lá embaixo.
Tácito
Data: 07/03/2009 - Horário: 09h31min
O avião de João
Josias de Souza http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/
Na semana passada, soube-se que Agaciel Maia, o ex-mandachuva da
administração do Senado, escondera a propriedade de uma mansão avaliada em
R$ 5 milhões.
Nesta semana, descobre-se que o deputado federal João Maia (PR-RN), em cujo
nome a supercasa de Agaciel fora registrada, também é adepto do escondeesconde.
Arrastado às manchetes pela encrenca do irmão Agaciel, João Maia ganhou uma
visibilidade que a ação parlamentar não lhe havia conferido.
Percorrendo o repentino rastro de luminosidade do deputado, o repórter Rodrigo
Rangel descobriu que João Maia é um feliz proprietário de avião, um bimotor
Sêneca.
A exemplo do que fizera com a mansão que assumira no lugar de Agaciel, João
Maia esquivou-se de incluir o avião na declaração de bens que entregou à Justiça
Eleitoral.
Inquirido a respeito, o deputado simulou surpresa: ―Não está na minha declaração?
Não acredito. Vou mandar retificar já, vou retificar‖.
João Maia conta que comprou a aeronave antes de virar deputado. Uma razão a
mais para que o aparelho constasse da lista patrimonial enviada à Justiça.
Segundo o deputado, o avião lhe custou R$ 488 mil. Adquiriu-o de uma distribuidora
de petróleo. Pagou, segundo diz, por meio de ―uma transferência bancária‖.
E por que diabos a transação foi mantida à sombra? ―A minha contadora, no Rio,
vai ter de dizer o que houve‖, disse o deputado na última quinta-feira (5).
Depois disso, João Maia não foi mais localizado pelo repórter Rodrigo Rangel.
Noves fora o Sêneca, João Maia figura como sócio de várias empresas.
Uma delas, com sede na cidade potiguar de Caicó, o deputado pôs no nome de
Maria Suerda Medeiros, sua funcionária.
Trata-se de uma emissora de rádio, a Caicó AM. A exploração de concessões
raidofônicas é vedada a detentores de mandatos parlamentares. Nada que o
esconde-esconde dos Maia não possa resolver.
Tácito
Data: 07/03/2009 - Horário: 09h20min
“A nova toupeira”
Leia no link abaixo a íntegra da entrevista feita por Rodrigo de Almeida, editorexecutivo do Jornal do Brasil, com o sociólogo Emir Sader, que acaba de publicar o
livro ―A nova toupeira‖.
(http://www.jblog.com.br/ideias.php)
Tácito
Data: 07/03/2009 - Horário: 09h17min
“O povo marcado não tá feliz”
Postei em PROSA o texto ―O povo marcado não tá feliz‖, de Zema Ribeiro, sobre a
cassação do governador do Maranhão Jackson Lago.
Tácito Costa
Data: 07/03/2009 - Horário: 09h11min
Reforma moral
Oi, Tácito!
Faço também minhas as palavras de Jairo. O seu comentario me fez lembrar o
episodio sobre o assassino do indio pataxo (lembra?). Hoje, o mesmo é funcionario
federal. Concursado, passou em 65°, onde tinham 12 vagas. Se tiver que ser feita
alguma reforma, a mais urgente é, sem duvida, a moral.
Um abraço.
Edjane
Data: 07/03/2009 - Horário: 09h04min
Jornalismo e política
‖O jornalismo brasileiro, desde os começos, serve a este poder nascido na casagrande, por ter a mesma, exata origem. A mídia nativa é rosto explícito do poder. As
conveniências deste e daquela entrelaçam-se indissoluvelmente porque coincidem
à perfeição.‖
De Mino Carta em artigo reproduzido no site de Paulo Henrique Amorim. Só agora
há pouco li o texto, recomendado por Silvio Andrade em post mais abaixo. Reforço
a recomendação de Silvio. Leiam!
http://www2.paulohenriqueamorim.com.br/?p=6978
Tácito Costa
Data: 06/03/2009 - Horário: 18h01min
Obama e a África
Antonio Risério
TERRA MAGAZINE
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3615206-EI6608,00Para+nao+dizer+que+nao+falei+de+Obama.html
"E se Obama fosse africano? A pergunta é do escritor moçambicano Mia Couto, em
artigo publicado no jornal Savana. Nele, Mia Couto, falando da emoção intensa de
africanos comuns com a vitória de Obama, questionou mensagens enviadas por
dirigentes daquele continente, quase todas tratando o presidente eleito dos EUA
como "nosso irmão". Estariam sendo realmente sinceros? Obama seria mesmo
"irmão" deles? Couto acha que não. Diz que, se Obama fosse candidato a uma
presidência africana, passaria por situações terríveis, impostas pelos mesmos
dirigentes que o saudaram."
Tácito Costa
Data: 06/03/2009 - Horário: 17h42min
“Foi apenas um sonho”
Levado pelos comentários entusiasmados do jornalista e escritor Mário Ivo fui
ontem ao cinema assistir ―Foi apenas um sonho‖, do diretor Sam Mendes. Não me
arrependi. Neste filme, o diretor volta a escarafunchar a vida dos norte-americanos
de classe média, como já tinha feito anteriormente, com êxito, em ―Beleza
Americana‖. São dois filmes crus, impactantes, que revelam o que, realmente, se
esconde sob o modelo de vida dos americanos médios. Agora, achei que ―Foi
apenas um sonho‖ trata de questões que não são pertinentes somente aos
americanos, como a acomodação e o medo de se tentar ou buscar uma vida
diferente. Quantas pessoas ao nosso redor se consomem em vidas ordinárias, sem
nenhum sentido, movidas apenas pelos magros ou gordos contra-cheques
mensais? Claro que o filme, no geral, tem a ―cara‖ da América, com seus valores
muito bem delineados, quase estereotipados a essa altura, de tanto que já foram
explorados. Mas a questão principal enfocada pode ser encontrada em muitos
lugares do mundo, principalmente hoje, com a supremacia do deus mercado.
Tácito Costa
Data: 06/03/2009 - Horário: 17h37min
Assino embaixo
O que vc diz em "Política e sociedade" é o que penso, palavra por palavra. Tu é o
cara, Tácito.
Jairo Lima
Data: 06/03/2009 - Horário: 16h56min
Política e sociedade
A qualidade dos nossos representantes políticos piorou nos últimos anos. Os fatos
estão aí e se engana quem quer. Mas é preciso reconhecer que esses políticos não
são marcianos. O Congresso, Assembléias e Câmaras não são instituições à parte
da sociedade, isoladas, como se fossem outros mundos, galáxias situadas a anos
luz. Embora às vezes, de tão surreais, levem-nos a pensar isso. Essas casas
parlamentares não são piores do que, digamos, esse outro mundo, habitado por
nós, os sem mandato e eleitores. Não podemos cair na tentação maniqueísta e
irreal de achar que os políticos são mauzinhos e o povo é bonzinho. Político e
eleitor são faces de uma mesma moeda. Os quadros políticos são oriundos da
sociedade. Onde a corrupção é imensa. Essa é que é a verdade. Todo mundo quer
se dar bem. Não importa os métodos utilizados.
O que me enoja é o discurso moralista, a hipocrisia do cara que sonega impostos,
que falsifica carteira de estudante, que rouba o erário, que acerta um serviço e
deixa pela metade, que dirige embriagado, que dá ―bola‖ a servidores públicos etc,
etc, etc, enfim, que pratica as mais variadas e imorais práticas, tentar se passar por
―santinho‖. Sejamos justos, a safadeza abarca do pobre ao rico. Claro, existem
honestos na sociedade e nos parlamentos. Mas o que estamos vendo nos últimos
anos é que a maioria dos que seguem a carreira política é formada por carreiristas e
picaretas, em resumo, ―cabras de peia‖. O resultado é esse que acompanhamos
todos os dias, da eleição de Collor ao aumento do número de servidores da Câmara
de Natal.
Tácito Costa
Data: 06/03/2009 - Horário: 16h08min
Mais uma vilania da Câmara
A Câmara Municipal de Natal tem 585 cargos de assessor parlamentar. A
informação está no Diário de Natal de hoje, em matéria à página 3. É isso mesmo
que vocês leram: quinhentos e oitenta e cinco. Quem mora aqui em Natal e já
esteve um dia na Câmara sabe que é impossível caber mais de cem pessoas
naquele prédio. Fora esses, ainda tem uma parte de funcionários que a Prefeitura
cede, através dos famigerados convênios. Mas, os nossos impávidos vereadores
estão achando pouco e apresentaram um projeto de lei criando mais 40 cargos. O
que irá aumentar a folha em mais R$ 1.365.000,00. É isso. Não passa um dia sem
que sejamos surpreendidos com alguma vilania dos nossos parlamentares, nos três
níveis, municipal, estadual e federal.
Tácito Costa
Data: 06/03/2009 - Horário: 15h17min
Viva o cine-clube!
Caros amigos:
Exibir "Contos da lua vaga" é motivo para festa: poucos filmes vão tão longe em
matéria de beleza.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 06/03/2009 - Horário: 14h25min
Funcarte
Tácito,
Essa celeuma sobre o pagamento dos artistas durante o carnaval começou por
causa dessa nota:
http://www.nominuto.com/blog/bazar/bodega-fara-pagamentos-de-artistas-docarnaval/5493/
Alex de Souza
Data: 06/03/2009 - Horário: 14h25min
Os cachês do carnaval
A Tribuna do Norte publica hoje duas boas matérias sobre a polêmica do
pagamento dos cachês aos artistas contratados para o carnaval de Natal, uma no
Caderno Política, e outra no caderno Viver. A prefeitura decidiu suspender os
pagamentos e fazer uma auditoria. Pelo que entendi o atual presidente da Funcart
seguiu o modelo de pagamento aos artistas herdado da administração anterior. Se
há alguma ilegalidade, é no tocante a empresa escolhida para agenciar o
pagamento, que não estaria em dia com o fisco, estadual e municipal. Vamos
aguardar os desdobramentos do caso.
http://tribunadonorte.com.br/
Tácito Costa
Data: 06/03/2009 - Horário: 11h10min
Três cartas a Giulia
Antonio Gramsci
"Voltava, em pensamento, a todas as recordações da nossa vida em comum, do
primeiro dia que eu a vi, quando não ousei entrar no quarto porque você havia me
intimidado (é verdade, você me intimidou e hoje lembro-me sorrindo desta
impressão), do dia em que você foi embora a pé e eu lhe acompanhei até a grande
estrada através da floresta e fiquei tanto tempo parado vendo você se afastar
sozinha, com o teu encargo de viajante, pela grande estrada, em direção ao mundo
grande e terrível."
―Você veio a Moscou no dia 5 de agosto como havia dito? Esperei-a três dias. Não
me afastei do quarto com medo que pudesse acontecer como da outra vez... Você
não veio a Moscou, não é verdade? Se tivesse vindo, certamente me teria feito uma
visitinha ao menos... Você virá logo? Ainda poderei vê-la?... Escreva-me. Todas as
suas palavras me fazem um grande bem e me fazem mais forte‖.
"Quantas vezes me perguntei se era possível uma ligação à massa quando nunca
se quis bem a ninguém, nem mesmo aos próprios parentes, se era possível amar
uma coletividade se nunca amara profundamente criaturas humanas individuais.
Será que isso não teve um reflexo na minha vida de militante, não esterilizou e
reduziu a um puro fato intelectual, a um puro cálculo matemático a minha qualidade
de revolucionário? Pensei muito em tudo isso e tornei a pensar nesses dias, porque
tenho pensado muito em você, você que entrou na minha vida e me deu amor e me
deu aquilo que sempre me havia faltado e que me tornava mau e carrancudo."
Tetê Bezerra
Data: 06/03/2009 - Horário: 09h06min
Violência
―O esforço da polícia em prender o assassino do sueco assassinado em Pipa se
deve, unicamente, à repercussão do caso. Meninas do Golandim são estupradas
todos os dias, ora bolas. Não dá Ibope. Mas um turista sueco, gente, não é todo dia
que é friamente abatido. [...]‖
No blog de Patrício Júnior.
www.patriciojr.com.br
Tácito Costa
Data: 06/03/2009 - Horário: 09h05min
Indignação
Tácito,
o texto de Mino Carta é mais um manifesto de inconformismo contra a defesa da
Folha em favor da Ditadura brasileira, que nada teve de branda. Vale conferir o
texto hospedado lá em PHA. http://www2.paulohenriqueamorim.com.br/?p=6978
Sílvio Andrade
Data: 06/03/2009 - Horário: 09h59min
Elogio Musical!
Quero fazer um elogio público à coluna do Diário de Natal, Arpejos, inaugurada
recentemente pelo nosso Moisés de Lima. Faltava esse espaço na imprensa para
divulgação da música feita por estas terras.
Ademais, Moisés se destaca, cada vez mais, como um bom instrumentista e
bluesman.
Vivas para ele!
Lívio Oliveira
Data: 06/03/2009 - Horário: 08h37min
Cineclube retoma atividades
Caro Tácito,
O Cineclube Natal voltou do limbo - e em grande estilo. Nesta sexta-feira, dia 06 de
março de 2009, o Cineclube Natal, retomando sua cativa parceria com o Nalva Melo
Salão Café, apresentará, às 20:00 horas, o filme japonês Contos da Lua Vaga
"Ugetsu Monogatari", 1953), do diretor Kenji Mizoguchi. Além disso, para
comemorar o dia internacional da mulher, uma programação especial foi montada
no Natal Shopping. Maiores informações no nosso blog:
www.cineclubenatal.blogspot.com
Gianfranco Marchi
Data: 05/03/2009 - Horário: 22h32min
Sobre corrupção
Charles,
Entendo o termo corrupção de uma maneira mais ampla, diria macro para ficar no
mesmo campo semântico da discussão; assim entendo também para o termo
cultura e outros mais. Mas vou apresentar-lhe a minha concepção, a minha
interpretação e sem recorrer ao dicionário ou a etmologia. Para mim, corrupção é
substantivo análogo à degeneração (de caráter por exemplo, ou degeneração ética)
de modo que o indivíduo que furta, rouba ou mata, não importa o modus operandi
ou o quê ou o valor que tenha, degenera-se, corrompe-se. A micro corrupção a que
me referi, se vista em sua totalidade, também é uma macrocorrupção e faz um mal
danado ao país. E volto a afirmar que são bem poucos os seres humanos que já
não incorreram numa ou noutra. Retirar da empresa uma resma de papel para si,
uma caneta, um detergente ou o que quer que seja, é uma forma de corrupção sim,
pelo menos é assim que entendo, e a diferença para o grande corrupto que rouba
milhões, muitas vezes está apenas na oportunidade.
Marcos Cavalcanti
Data: 05/03/2009 - Horário: 22h26min
Autorização ao ectoplasma
Amigo Jairo sinta-se autorizado. Um abraço fantasmagórico neste país de
fantasmas.
Marcos Cavalcanti
Data: 05/03/2009 - Horário: 22h25min
Obrigado Tácito e Denise
Caro amigo Tácito,
Sou-lhe muito grato pelo esclarecimento e pela confiança, bem como a Denise, a
quem muito admiro e já o expressei anteriormente. Quanto ao canalha que fez isso,
fiquemos todos certos de que a sua "consciência" pesará, porque ninguém é capaz
de enganar-se a si mesmo. Sei que é extremamente difícil levar um criminoso
destes aos tribunais, mas não exitaria em fazê-lo caso pudesse descobrir a
identidade dele e provar o seu crime.
Ria cretino de sua covardia, seja como for, um dia hás de pagar pelo que fizestes.
Marcos Cavalcanti
Data: 05/03/2009 - Horário: 22h24min
Jogo sujo
Prezado Marcos,
O post criticando Denise chegou a partir do e-mail [email protected] O canalha
foi ardiloso, escreveu um e-mail com suas iniciais para eu não desconfiar. Postei às
14h30. Como até o fim da tarde você não se manifestou (acredito que não teve
tempo de acessar o Splural nesse ínterim) passei a acreditar que fosse seu mesmo.
Infelizmente, não tenho como checar a veracidade dos endereços eletrônicos. Peço
desculpas a você pelo que ocorreu e lamento que pessoas inescrupulosas e
covardes façam uso desse tipo de expediente. Confesso que fiquei surpreso com o
post, mas sei lá, poderia ser que existisse alguma animosidade entre vocês. Falei
com Denise por telefone e pedi autorização para deletar a resposta dela ao post
que provocou a confusão. Ela gentilmente concordou. Espero que o assunto morra
por aqui.
Tácito Costa
Data: 05/03/2009 - Horário: 18h41min
Solidariedade
Acabei de postar a minha indignação e assim que cliclei em enviar, percebi que
deveria ter feito referência ao próprio texto de Denise "Não voltarei atrás", de todo
modo, fico triste Tácito, que vc pudesse imaginar que eu seria capaz de tamanho
absurdo e reitero o pedido de ajuda para descobrir o infeliz que tentara macular a
minha honra e a de Denise.
Atenciosamente.
Marcos Cavalcanti
Data: 05/03/2009 - Horário: 18h21min
Cretinice covarde!!!
Caríssima amiga Denise, tomei um grande susto ao abrir o substantivo plural e me
deparar com o seu post intitulado Solidariedade. Angustiado fui descendo cada post
para ver o que havia dito que por ventura a tivesse afetado, bem como às mulheres
em geral (pois os únicos textos que eu havia postado foram sobre a corrupção e o
poema BRASIL eNMPORCALHADO). E li indignado o que algum canalha
inescrupuloso fez ao achincalhar-lhe gratuitamente, atribuindo-me a autoria. Vc me
conhece Denise e devia saber que eu seria incapaz de um gesto tresloucado
destes. Vc inclusive deve estar lembrada de minhas opiniões quando a coisa aqui
descambava para a agressões verbais gratuitas. Lamento profundamente que
alguém imbuido de tanta maldade se esconda de forma covarde e inescrupulosa.
Peço por fim ajuda a Tácito, pois se for possível, gostaria muito de ver identificado
esse grandissíssimo cafajeste.
Marcos Cavalcanti
Data: 05/03/2009 - Horário: 18h18min
Racismo e preconceito
Postei em PROSA o texto ―Racismo e Preconceito no Brasil – Parte I‖, de Bruno
Ribeiro, enviado por Tetê Bezerra, que também pode ser lido no blog:
http://botequimdobruno.blogspot.com/2009/02/racismo-e-preconceito-no-brasilparte-i.html
Tácito Costa
Data: 05/03/2009 - Horário: 17h56min
Ondas Literárias
A poeta Andréa Catrópa realizou uma série de entrevistas com poetas brasileiros
contemporâneos para a rádio Cultura. Estão lá Claudio Daniel, Marcelo
Montenegro, Virna Teixeira, Alice Ruiz, Annita Costa Malufe, Donizete Galvão,
Rodrigo Garcia Lopes e eu, entre vários outros. Quem estiver a fim de ouvir pode
acessar o site da rádio: (http://zonabranca.blog.uol.com.br/index.html)
Tetê Bezerra
Data: 05/03/2009 - Horário: 17h49min
As faces da degradação
JANIO DE FREITAS
FOLHA DE SÃO PAULO
Na vitória de Collor/Renan germina ameaça nebulosa de acontecimentos
impróprios para o regime democrático
A ELEIÇÃO DE Fernando Collor para presidir a Comissão de Infraestrutura do
Senado e o artifício de Renan Calheiros que fez esta vitória formam um fato muito
positivo, em duas direções. Para a maioria que precisa de grandes aberrações para
dar-se conta da realidade -arrastões em praia, invasões urbanas do PCC e outros,
para admitir o nível de criminalidade-, a vitória de Collor/Renan vem demonstrar que
a degradação de Senado e Câmara não é exagero dos críticos: nela germina uma
ameaça nebulosa de acontecimentos, não necessariamente de origem militar,
impróprios para o regime democrático. Seja como for, que a crescente degradação
não levará a bom resultado, não levará mesmo.
De outra parte, a vitória de Collor, no voto, contra a petista Ideli Salvatti, comprova e
castiga o fisiologismo barato a que o PT se entregou, no servilismo sem limite ao
governo e à "base governista". Quando se iniciaram as revelações sobre alguns
métodos de Renan Calheiros, como o pagamento da pensão de sua filha pelo
lobista de uma empreiteira, o PT alinhou-se logo ao PMDB na defesa do então
presidente do Senado e em acusações ao trabalho jornalístico. À frente dessa
infantaria petista, a senadora Ideli Salvatti, autora, já no início da Comissão de
Ética, da exaltada proposta de sustar ali mesmo qualquer propósito investigatório.
Renan Calheiros retribuiu a solidariedade de Ideli Salvatti, e do PT, a seus feitos,
articulando agora as espertezas que a derrotaram. Ideli Salvatti, o PT e Renan
Calheiros continuam aliados.
A represália
A reabertura do Santos Dumont, em detrimento do Tom Jobim-Galeão, a linhas em
geral além da ponte Rio-SP, provocou no governador Sérgio Cabral uma fúria que
incluiu, entre outras, a ameaça de elevar o ICMS do combustível, naquele
aeroporto, de 4% para os mesmos 17% de outros aeroportos. A fúria durou pouco,
mas a disposição quanto ao ICMS sobreviveu a ela.
Com a promessa de um resultado prático: a Agência Nacional de Aviação Civil, a
mal afamada Anac, cede às pressões pela reabertura; as empresas aéreas arcam
com o ICMS aumentado, e os passageiros pagam o novo imposto acrescentado ao
custo das passagens.
Mistérios
O problema de Agaciel Maia para o Senado não se resolve com seu pedido de
demissão como diretor-geral. Porque não se restringe à aquisição da casa a
estranheza a ser esclarecida pelo Tribunal de Contas da União e, é provável, por
outras instâncias. As admiráveis qualidades da casa e de seu entorno, com o
tratamento primoroso que têm, suscitaram a suspeita de que seu custo permanente
leve Agaciel Maia a gastos, só aí, incompatíveis com seus vencimentos no Senado,
mesmo sendo altos.
Pior ou melhor ainda, bastaria uma irregularidade encontrada na vida funcional do
ex-diretor para pôr em risco o mistério que são as contas do Senado, criando-se a
oportunidade, ou necessidade, de verificações alargadas. Em tal caso, o problema
de Agaciel Maia teria mérito idêntico ao da vitória de Collor/Renan: revelações aos
descentes.
Tácito Costa
Data: 05/03/2009 - Horário: 16h52min
Dicas para não parar no hospício ou na cadeia (rs)
Leia no link abaixo reportagem bem interessante – principalmente para marinheiros
de primeira viagem – sobre a convivência de casais separados que voltam a casar
com os filhos e os papéis de madrasta/padrasto.
http://br.noticias.yahoo.com/s/05032009/25/entretenimento-mulher-pai-relacaodelicada.html
Tácito Costa
Data: 05/03/2009 - Horário: 16h43min
Luís Nassif
Caro Tácito,
Segue comentário muito pertinente de Luis Nassif sobre as 'liaisons dangereuses'
entre a mídia e a política no Brasil hoje. Achei que podia interessar, embora
suponho que muitos já devem ter lido na fonte.
http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/03/04/o-jogo-midiatico-do-escandaloseletivo/
DO EDITOR
Texto postado em PROSA.
Chico Moreira Guedes
Data: 05/03/2009 - Horário: 16h31min
Crise na saúde
Enquanto a atual gestão e a anterior discutem o funcionamento da Maternidade (ou
Hospital da Mulher) Leide Moraes, uma informação pode constranger ainda mais a
prefeita Micarla de Souza (PV). Os profissionais de nível elementar e médio lotados
na maternidade receberam o salário de dezembro e nenhum centavo nos meses de
janeiro e fevereiro. Enquanto isso, os médicos que estão lotados lá recebem até por
plantões "dados" em uma unidade de saúde que ainda não funcionou. Era bom que
alguém pudesse explicar essa mágica.
Daniel Dantas
Data: 05/03/2009 - Horário: 15h26min
A POLÍTICA É NECESSÁRIA
Não existe corrupção pequena ou grande. Ela existe simplesmente e não é
prerrogativa do Brasil. Devemos gritar, sim, pela sua extinção e por um país mais
ético.
A democracia é o melhor regime. Mas precisa ser aperfeiçoada constantemente.
Nada de morte aos partidos políticos. Eles precisam ser fortalecidos.
Precisamos pensar na melhor forma de representação.
O Brasil lentamente muda. O Lago está para sair. O Cunha Lima saiu.
Isso jamais podia ser cogitado antes.
A nossa representação no Congresso Nacional tem um pouco a nossa cara.
E não esqueça: ―O PIOR ANALFABETO É O POLÍTICO‖.
Do meu querido Bertold Brecht:
―Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis‖.
João da Mata Costa
Data: 05/03/2009 - Horário: 15h08min
FESTA PARA A MÚSICA
Meus Caros,
Hoje é o dia da Música em comemoração ao maior músico brasileiro, Heitor Villa
Lobos. Um genio da música com presença garantida nas grandes orquestras do
mundo.
No Teatro Alberto Maranhão tem concerto a partir das 18h.
João da Mata Costa
Data: 05/03/2009 - Horário: 14h50min
JH Primeira Edição teve silêncio comprado
O novo editor-adjunto do JH Primeira Edição, Wagner Guerra, informou aos seus
jornalistas que a Prefeitura Municipal de Natal aumentou para R$ 20 mil a verba
publicitária no veículo. Devido a isso, os jornalistas foram informados que não
poderão mais fazer matérias negativas sobre a prefeitura. Se houver alguma notícia
ruim sobre a prefeitura, o JH Primeira Edição somente dará no caso de todos os
jornais já terem falado no assunto. Um dos presentes sugeriu, então, que Wagner
fechasse a editoria de Cidades porque, de uma maneira ou de outra, fazer matérias
falando dos problemas da cidade é falar mal da prefeitura. Segundo Wagner, é
assim que se faz jornalismo, não da maneira como é ensinado nas universidades.
No caso da Federal, é seu tio e patrão o professor de ética. Algo que agora faltará
ao JH Primeira Edição, segundo a posição expressa pelo seu editor-adjunto.
Daniel Dantas
Data: 05/03/2009 - Horário: 14h25min
Pelé e a chata
Denise, tu é muito chata, deixa o Pelé em paz.
Marcos Cavalcanti
Data: 05/03/2009 - Horário: 14h24min
Quando o Nordeste Ciscou para Dentro
A historia do coronelismo no Brasil ainda é bem recente. Os nossos representantes
são frutos dessa terrível herança. Várias vezes o nordeste ―ciscou para dentro‖.
Ciscou quando elegeu o atirador Cunha Lima. Ciscou quando a menina de nove
anos estuprada pelo padrasto foi impedida de abortar pela inquisição da igreja de
Olinda- PE. Ciscou quando a pernambucana simulou gravidez e ataque neonazista.
Essas simulações não só nossas, mas elas são realçadas preconceituosamente por
alguns jornalistas e formadores de opinião. Não concordo com as opiniões de
Mônica Waldvogel e Danuza Leão quando destaca esses acontecimentos e outros
referentes ao nordeste.
Foi o Brasil que ciscou para traz quando elegeu presidente Collor de Mello. O Brasil
perde novamente quando o elegeu em detrimento da senadora Ideli para uma
importante comissão do senado. Collor que foi o pior governante que esse pais já
teve com relação à cultura e educação, não merecia esse premio. Ele foi mais uma
vez deselegante e grosseiro quando disse no senado que a senadora Ideli ―Ciscava
Para Dentro‖. Ao ser admoestado por Mercadante disse ser uma expressão muito
comum no nordeste. Eu não conheço essa expressão, mas acho que ela se aplica
muito bem a ele. Com a sua eleição o BRASIL CISCOU PARA TRAS.
João da Mata Costa
Data: 05/03/2009 - Horário: 14h23min
Autorização
Amigo Marcos, espero que vc me autorize a publicar o seu lúcido e oportuno poema
no Ectoplasma, o site da falecida Kriterion. Gestos como o seu têm que ganhar as
ruas neste país.
Parabéns.
Jairo Lima
Data: 05/03/2009 - Horário: 14h22min
Morte dos partidos políticos!
Estou com Cazuza: "Meu partido é um coração partido!"
Não dá mais, não dá mais! Acreditar na absurda política partidária brasileira é tarefa
para os incautos!
A política partidária morreu para mim (que, confesso minha ingenuidade anterior, já
acreditei nela) e - penso - também morreu para a maior parte da população
brasileira.
Ontem tivemos mais uma prova de que isso só piora, com a eleição de Collor para a
presidência de uma das comissões do Senado. Um prêmio pelo apoio a José
Sarney e Renan Calheiros.
É...fico me lembrando de quando Collor chamava Sarney, nos bastidores de sua
campanha, de... f.d.p!
Lívio Oliveira
Data: 05/03/2009 - Horário: 14h21min
Corrupção
Corrupção macro ou micro? Corrupção é corrupção, não existe diferença. E entre
todas as corrupções a de malefícios desproporcionais é a encabeçada pelo
selecionado do jornalismo pernóstico. Este mesmo que a pouco tempo respondia
pela alcunha de "formadores de opinião", título arrogante e prepotente que hoje
distancia-se do imaginário popular. Deixou de habitar o pensamento e direcionar as
vontades de nossa gente.
Ítalo de Melo Ramalho
Data: 05/03/2009 - Horário: 14h20min
Micro corrupção???????????? Levar canetas ou
papel da Empresa?????
Micro corrupção???????????? Levar canetas ou papel da Empresa?????
Caro Marcos Cavalcanti,
A ―corrupção‖ está indissociavelmente ligada ao que chamamos de ―suborno‖ e é
corolário de um comportamento ―ativo‖ (o corruptor) e/ou de um ato ―passivo‖ (o
corrompido). Portanto, dentro deste contexto de definição e imprecisão, atiro-lhe,
como foi solicitado, a primeira pedra. Foi infeliz na definição.
É exatamente este tipo de entendimento que leva brasileiros ao pensamento
desatento, e a descartarem a real peçonha e o mal que o corrupto faz, e da noção
de corrupção em si. Se assim pensarmos, imbricaremos atos distintos em camadas
quase imperceptíveis de modo a não fazermos distinção entre uma espécie de
comportamento que não se qualifica como corrupção e o próprio ato viral da
corrupção.
Talvez levar uma caneta ou uma folha de papel da empresa, como você sugeriu,
qualifique dentro do tipo penal ―furto‖, e ainda assim este tipo penal atende ao
principio da insignificância. Mas jamais, jamais, seria corrupção.
Saudações,
CHARLES M. PHELAN
Data: 05/03/2009 - Horário: 14h20min
NOVAMENTE A CANALHA A CALHAR
Amigo Jairo, publiquei este poema no Recanto das Letras e penso que agora vem
novamente a calhar. Detalhe, ontem, no 3 a 1, Ciro Gomes disse que a corrupção
estava diminuindo no Brasil, só faltou a comprovação, que ele nem ninguém tem
pra dar.
UM BRASIL EMPORCALHADO
No Brasil em que tudo encalha,
Encalham os projetos na Câmara,
Encalham as CPIs no Senado,
Encalham os livros publicados,
Encalham a fome e a miséria social,
Encalha o sistema habitacional,
Encalha a balança da Justiça,
O sistema viário é areia movediça,
E a cangalha é posta no lombo do brasileiro,
No Brasil o que se move é a cobiça,
E o que calha é o canalha do Calheiro.
Encalha o sistema de saúde,
Encalha o PAC, esta paca que empaca
Encalhando o desenvolvimento econômico.
A política é um ato tragicômico
E Gregório continua com a razão,
Vivemos ainda numa escravidão,
Travestida de liberdade e democracia,
Aqui a corrupção é um ato de todo dia,
A impunidade é uma fato corriqueiro,
E nesse cenário espúrio, de demagogia,
Ainda calha um canalha, o Calheiro!
Só não encalha o meu protesto
Que percorre as estradas da internet
Levando a minha indignação
Pros cinco cantos da nação.
E se faz eco junto a ti, companheiro,
Foge do PT, de seu chiqueiro
E não procures mais nenhum partido.
Tornei-me um cético, um desiludido
De ver no congresso tanta bandalheira,
Num sistema podre, cruel e carcomido
Pelos canalhas da politicalha brasileira!
MARCOS CAVALCANTI
Data: 05/03/2009 - Horário: 09h04min
O país aceita a corrupção
O dinheiro roubado pelos corrutos produz cadáveres nas portas dos hospitais,morte
de inocentes nas ruas desprotegidas das nossas cidades, violência no campo e
analfabetos nas escolas.
Espanta-me a forma "isenta", fatalista, quase que leniente como a imprensa e todas
os segmentos organizados da sociedade respondem a este tema.
Como se todos os políticos,à direita ou à esquerda, sindicalistas, líderes
comunitários, movimentos sociais, igrejas e o escambau quisessem apenas
assegurar o seu direito à rapina. Corrupção não é crime contra o patrimônio, mas
contra a vida.
Não é roubo, é genocídio. Basta de tolerância com corruptos.
Nota 1: Renan Calheiros foi premiado com a presidência do PMDB. E as ruas de
Brasília e do Brasil responderam com o silêncio e a indiferença. Assim como
responderão as urnas.
Nota II:Recentemente o STF consagrou a impunidade, através de uma
interpretação zarolha do texto constitucional. O crime organizado comemorou,
assim como já havia comemorado ruidosamente a volta da progressão da pena que trágica ironia chamar a este dispositivo de progressão! - para crimes hediondos
e a imprensa toda ignorou solenemente a pauta óbvia. As ruas.como sempre,
calaram.
Jairo Lima
Data: 05/03/2009 - Horário: 08h33min
Proposição
Diante da proposição de Marcos Cavalcanti, aceitar que se deve ser ético no macro
e no micro, é o correto ou é ser intolerante?
Laurence Bittencourt
Data: 05/03/2009 - Horário: 08h32min
De CORRUPÇÃO em corrupção
No meu modesto entendimento há dois tipos de corrupção: a macro e a micro. A
macro gera os Alexandres, os castelos e as mansões. A micro é aquela em que o
sujeito leva pra casa uma folha de papel ou uma caneta da instituição ou empresa
em que trabalha. Quem estiver fora de uma destas modalidades que atire a primeira
pedra. Advertência desnecessária: tanto o micro quanto o macrocorrupto podem
burlar o imposto de renda.
Marcos Cavalcanti
Data: 04/03/2009 - Horário: 20h02min
"O que falou e sobre o que falou"
Caro Tácito, não penso que as colocações de Jarbas sejam o usual no meio político
brasileiro. Ao contrário. No mundo político conta-se nos dedos aqueles que têm
coragem de dizer o que ele disse e mais ainda com a extensão e da forma que ele
disse. Óbvio que sobre o que ele disse, qualquer pessoa medianamente que
acompanhe o noticiário político (o que parece redundante e também um paradoxo)
sabe que é o usual. De qualquer forma estou com você, acho que é necessário
resistir e falar.
Com um abraço do amigo,
Laurence Bittencourt
Data: 04/03/2009 - Horário: 20h07min
Saneamento Básico - O filme
Por um desses descaminhos que não sei explicar ainda não tinha assistido
―Saneamento Básico – O Filme‖, dirigido por Jorge Furtado (O Homem que Copiava
e Meu Tio Matou um Cara)., e lançado há dois anos. Embora acompanhe de perto
os bons filmes brasileiros, passei batido nesse. Vi essa semana e adorei. O elenco
é da pesada: Fernanda Torres, Lázaro Ramos, Paulo José, Wagner Moura... por aí.
O filme trata de assuntos sérios (verbas públicas, patrocínio cultural, cinema...) de
maneira debochada, irônica e cômica. Conta a luta de uma pequena comunidade do
interior do Rio Grande do Sul para construir uma fossa e salvar um rio onde o
esgoto é despejado. Mas a prefeitura só dispõe de verba – federal - para um filme
de ficção. Para não devolver o dinheiro à Brasília a Prefeitura sugere que a
comunidade rode um filme de ficção e com a grana faça a fossa. O jeitinho
brasileiro em ação. Temos, então, um filme dentro de outro filme, com situações
engraçadíssimas, mas que levam à reflexão.
Tácito Costa
Data: 04/03/2009 - Horário: 18h25min
Um Drummond vai bem
CONSOLO NA PRAIA
Vamos, não chores...
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o 'humour'?
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.
Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.
Carlos Drummond de Andrade
Marcos Silva
Data: 04/03/2009 - Horário: 16h38min
Que dança é essa!
Collor vence Ideli
e Abraça Agripino.
O Maia da família
daquele da mansão
Jarbas diz verdades
e muitos se calam.
Dança eu Dança voce
no meio desse salão
Jota Eme
Data: 04/03/2009 - Horário: 15h28min
Sublime e infame
Caro Laurence,
Jarbas não disse nada que qualquer um que acompanhe o noticiário político
brasileiro não saiba. FHC e Lula tiveram de se dobrar ao PMDB para governar.
Objetivamente, é possível governar no Brasil sem negociar cargos e outras coisas
com os partidos? Do Congresso Nacional às câmaras municipais dos menores
municípios a sistemática é a mesma: ―é dando que se recebe‖. A situação é
desalentadora, mas devemos resistir e lutar para mudar esse quadro. Nós que
colaboramos aqui no SPlural, cada um a sua maneira, já fazemos isso.
Eu ia acrescentar no post anterior, dirigido a Marcos, que o ser humano é sublime e
infame, mas achei desnecessário por considerar isso já meio implícito. Marcos
reforçou isso.
Tácito Costa
Data: 04/03/2009 - Horário: 15h16min
SOMOS HUMANOS
Prezado Tácito;
Associo a atual corrupção ao capitalismo porque ele está aí como sistema
econômico e social dominante. Tendo a pensar que os seres humanos são
corruptíveis, não corruptos por natureza. E falo isso como ser humano, de dentro
dessa condição. Não sou corrupto, tenho certeza de que vc não o é e de que muitos
outros seres humanos não o são.
Alguns seres humanos degradam tudo. Outros seres humanos nobilitam tudo.
Penso nos poetas, nos visionários, nos que buscam "a palavra que nunca foi dita":
como vc sabe, eles existem, estão entre nós, nós somos uns deles.
Abraços com sentimento de Anne Frank (ainda acreditar nos seres humanos, rumo
à morte):
Marcos Silva
Data: 04/03/2009 - Horário: 15h09min
Corrupção e ser humano
Caro Marcos,
Acho que não devemos associar corrupção com democracia, com capitalismo,
socialismo ou qualquer outro ismo. E sim com o ser humano. Este sim, é capaz de
degradar tudo que toca, sob qualquer regime ou circunstância.
Tácito Costa
Data: 04/03/2009 - Horário: 14h36min
Ainda sobre a política
Caro Tácito, só mais um adendo ao caso da política. O silêncio em torno da fala de
Jarbas, que os partidos promoveram, é uma forma de negá-lo. Mas a negação,
freudianamente, ou subjetivamente, é apenas uma outra maneira, que confirma a
verdade do que ele disse.
Laurence Bittencourt
Data: 04/03/2009 - Horário: 14h27min
Corrupção aqui não há!
Charles, Laurence e Tácito:
Quanta falta de esperança há em seus escritos! Pergunto-me intimamente o porquê
de tamanha desilusão...
O Brasil é um país maravilhoso. Não há o que reclamarmos. Aqui, quem tem poder
e comete crimes é devidamente processado e condenado. Ocorre que não há
políticos corruptos. Até prova em contrário, são todos inocentes. Porque desconfiar
dos parlamentares, se podemos sentir a sinceridade de suas palavras ao
vociferarem indignados: ―somos inocentes‖. Ora, seria malícia imaginar que essas
pessoas faltam com a verdade.
Também é induvidoso que em nosso país não há violência, porque o Estado
garante a segurança pública. Como consequência, percebe-se que ninguém utiliza
segurança privada. Vivemos em casas com muros baixos, sem cercas elétricas,
sem cães pastoradores, sem vigias particulares de rua etc. É impressionante como,
apesar de desnecessárias, essas empresas de segurança privada conseguem se
manter e perdurar no tempo. Ainda mais se estivermos na praia, local agradável,
arejado e acima de tudo, seguro.
Quando a saúde pública, não há o que reclamar. Pessoas adoecem todos os dias,
mas o Estado está preparado para amparar os enfermos, com seus hospitais
incrivelmente bem estruturados. De tão bons, vivem lotados de pessoas. Em
verdade são verdadeiros hotéis cinco estrelas. Não vou falar em educação, porque
sabe-se que tudo no Brasil só vai bem, graças a qualidade do ensino público.
Portanto, caros escritores, retornando ao cerne da questão, corrupção aqui não há!
A esmagadora maioria dos brasileiros que acredita existir corrupção está totalmente
equivocada. É uma maioria míope e surda, que fala coisas absolutamente
desconexas com a realidade fática.
Dentre essas pessoas equivocados, que erroneamente julgam existir corrupção,
descaso com a saúde, com a segurança e com a educação pública, encontram-se
vocês três e, com a alma pesada, confesso também me incluir nesse grupo.
Que venha a luz!
Marcelo Negreiros
Data: 04/03/2009 - Horário: 12h28min
Corrupção e capitalismo
Caros amigos:
Considero perigosa a associação entre democracia e corrupção: pode levar alguns
a concluirem que corrupção é coisa da democracia. Que tal lembrarmos que
vivemos no universo capitalista, onde tudo vale a pena se a apropriação privada da
riqueza não é pequena? É claro que abomino a corrupção com dinheiro público mas
não tenho ilusões de que o dinheiro privado seja limpo e incorrupto.
Sobre Jarbas Vasconcelos: ele demorou muito tempo para perceber onde estava,
não é?
Abraços:
Marcos Silva
Data: 04/03/2009 - Horário: 12h26min
Leopoldo Nelson de Souza Leite
Três lustros de seu Encantamento
Leopoldo foi uma espécie de Fausto que ama sua Margarida. Um homem insaciável
na sua busca de conhecimento. Pintor, poeta e médico. Fez seu doutorado na
Espanha e se apaixonou por sua cultura e Quixotes. Sua arte depois disso ficará
impregnada dessas figuras goyescas e trágica. Sofrida como o cristo. A via sacra
sua obra prima. O Cristo está nu. As mulheres, muitas mulheres grávidas, tristes,
famintas e em romarias. Olhos expressivos denunciam desespero. As mãos são
levadas á boca. A boca está gritando. ―quem, se eu gritasse , me ouviria dentre as
ordens dos anjos? Perguntam esses seres desesperados de Rilke na epígrafe de
Leopoldo Nelson.
Da boca também pode sair flores. As mulheres são do mundo. Podem ter um
pescoço a la Modigliani. Ou pode ser uma nordestina faminta. O grito está sempre
no ar. Jovens e Velhas. Mulheres de Munch. Rostos algumas vezes redondos,
angulosos e ovalóides. Do negrume de seu pincel a carne dilacerada de sua arte.
Nos rastros de traço um destino próximo anuncia. É preciso um pacto. E preciso se
embriagar das sombras das madrugadas. Uma constelação de rostos humanos
iluminam de escuridão a sua arte. O vermelho-sangue esparrama em algumas de
suas telas. Sofreu muitas influencias, mas sua pintura traz a marca do
expressionismo do século.XX.
O poeta é apaixonado por Garcia Lorca, Rilke, Goya, El Greco e Dali que ele
encontra moribundo e o pinta com seu bigode eloqüente. Você meu amigo e os
livros. Poeta do traço e homem da ciência. Professor da UFRN. Receba a minha
gratidão nesse dia que comemora o seu encantamento e saudades de quem nunca
o esqueceu.
O Leopoldo Jovem e solitário na Catalunha encontra a sua arte. Os Quixotes que
ele encontra na Espanha estão em toda parte. .... ―porque, ainda existe em cada
Espanhol, um Dom Quixote vivo. Talvez, estes D. Quixote não sejam mais do que
os sonhos impossíveis, sonhados por todos os Sanchos Pança, nas suas buscas
particulares de estrelas mais distantes‖, diz Leopoldo em fragmentos biográficos de
1981. Continua Leopoldo ... ―o povo Espanhol que, simbolicamente, transfere para o
touro o desconhecido da sua alma.― Leopoldo transferiu para as suas telas todo o
seu sofrimento. O sofrimento de todos nós. Um Brinde para você meu amigo e
poeta das madrugadas de luas escorridas e mortas.
João da Mata Costa
Data: 04/03/2009 - Horário: 12h26min
Pelé
Denise, não se assombre. Romário já disse que Pelé com uma bola no pé é um
poeta, mas falando é uma verdadeira m...
Carlos de Souza
Data: 04/03/2009 - Horário: 12h25min
Charles tem razão
Caro Charles, você tem toda razão. No Brasil a política é simplesmente um
escárnio, que causa engulhos ao mais circunspeto dos cidadãos. A relação de
promiscuidade entre mídia e poder é alarmante. Em nosso estado não há mais
limites. Já conversarmos algumas vezes sobre isso. A conclusão, diante de um
discurso como o de Jarbas Vasconcelos, que deveria ser a norma, é que ele é que
foge à norma. Ele passa a ser a exceção, onde o silencio reina em torno, ou o que é
pior, ele é que é colocado à margem. Percebe? É intolerável isso, mas é assim.
Tenho um amigo que diz, sociologicamente falando, que há três estágios numa
democracia (ele diz isso mas nada tem a ver com os três estágios de Augusto
Comte, acho que ele nem mesmo tem leitura do positivista): o primeiro momento
onde há corrupção, ninguém sabe, nem se diz nada. O segundo momento, onde há
corrupção se fala, mas nada acontece. E um terceiro, onde há corrupção, se sabe e
o corrupto é punido. Você acredita nesses três estágios, e mais ainda, acredita que
ele possa se aplicar ao Brasil?
Abs,
Laurence Bittencourt
Data: 04/03/2009 - Horário: 08h24min
Já foi pior
Charles,
Há poucos dias um leitor enviou uma carta irada para o Jornal de Hoje criticando a
má qualidade da imprensa potiguar. Somente Alex Medeiros repercutiu em sua
coluna, no mesmo jornal. Dando razão ao missivista. Um caso isolado de comunhão
entre jornalista e leitor. Tenho para mim que a maioria dos jornalistas acha que se
faz um bom jornalismo em Natal. Isso porque somente uma minoria da categoria,
três ou quatro gatos pingados, ousam apontar as falhas desse jornalismo. O seu
comentário levanta um aspecto importantíssimo que é o controle da mídia no estado
por grupos políticos. Eu acrescentaria: quando não ocorre o controle político, vigora
o controle econômico ou ideológico. De um modo geral, os veículos dependem de
publicidade, oficial ou privada, e isso acaba tolhendo qualquer veleidade de
liberdade de expressão. Acho que devemos continuar atentos e criticando, como
fazemos aqui no SPlural, onde o tema volta e meia é levantado. Quem sabe um dia
os blogs tenham força para levar um corrupto à justiça e à cadeia, como quer
Laurence. Antes, a situação era muito pior porque não havia um canal onde
pudéssemos nos manifestar. Agora, temos a internet, que eu considero um avanço
fantástico. Os poucos blogs independentes que existem em Natal incomodam e
temos exemplos concretos disso. E se depender de mim incomodarão cada vez
mais.
Tácito Costa
Data: 03/03/2009 - Horário: 22h01min
Listas de livros mais vendidos
Isso que o Fernando Monteiro aponta na matéria que foi feita com ele no "Jornal do
Commercio", e que foi transcrita aqui (hoje), aponta para algo muito grave que está
ocorrendo com as preferências de leitura (???) de TODOS nós, brasileiros, a julgar
pelas "santas" listas dos mais vendidos das revistas, pelo menos.
Donato Assis
Data: 03/03/2009 - Horário: 21h15min
Pedradas
Fico por aqui e sento sobre o meu telhado, já esperando as pedras que podem vir
de algum aficionado pelo "rei do futebol".
Tem nada não, será só mais uma pedrada. Depois de algumas já sentidas e
ouvidas, não doerá tanto...
Denise Araújo
Data: 03/03/2009 - Horário: 20h56min
Gikovate e Winslet na Marie Claire
Duas dicas de textos. Ambos publicados na revista Marie Claire.
'O amor romântico está com os dias contados.' É o que prevê Flávio Gikovate no
livro 'Uma História do Amor... com Final Feliz' (MG Editores) . Aqui, o psicoterapeuta
explica por que os relacionamentos duradouros são os que unem dois inteiros e não
duas metades.
http://revistamarieclaire.globo.com/Marieclaire/0,6993,EML1689659-1731,00.html
―Kate Winslet já havia chegado ao topo quando estrelou Titanic, a maior bilheteria
da história, mas foi à estratosfera na atual temporada: sexta indicação ao Oscar em
apenas 18 anos de carreira, feito raro. Ao vivo, ela fala palavrões e faz piada de si
própria, quebrando, assim, qualquer pose de 'movie star‖.
http://revistamarieclaire.globo.com/Marieclaire/0,6993,EML1696654-1729,00.html
Tácito Costa
Data: 03/03/2009 - Horário: 18h59min
“Cortázar e suas lições de liberdade”
Postei em PROSA o texto ―Cortázar e suas lições de liberdade‖, assinado por
Tomás Eloy Martinez.
Tácito Costa
Data: 03/03/2009 - Horário: 18h53min
Quanto ao podre Pelé
Tácito, pior do que qualquer arrogância, pretensão ou até mesmo burrice, é a
desumanidade, a falta de hombridade. Ainda não li a entrevista do Pelé (e nem sei
se vou ler), mas há muito já deixei de mitificá-lo como a mídia quer que, cegamente,
façamos. Aquela dedicatória emocionada do milésimo gol às criancinhas
abandonadas não convenceu quem o observou após isso. Nem todo amor dito é
amor praticado. Nem toda humanidade expressa em lágrimas é fronteiriça da
verdade de um coração. Exemplo pessoal pior do que o dele em relação a Filha
Sandra, já falecida, é difícil encontrar. Mesmo após comprovada a paternidade
biológica, o desprezo. A pensão só veio por força de determinação judicial.
Difamou-a em público, mesmo sem ela ter motivado tamanho ódio. Apesar da filha
implorar amor em público, sempre ter tido uma conduta de pessoa íntegra, não
bastou. Ela casou-se, foi mãe, tornou-se evangélica, depois vereadora... Enfim,
morreu tenramente com um câncer terrível e nem nesse momento soube o que era
um pai. Para completar, ele enviou uma mísera coroa de flores para o velório, que,
em minha opinião, serviu para coroar finalmente a crueldade que nele jaz.
Quem não entender o que eu escrevo, compreendo perfeitamente. Afinal, só
mesmo quem é órfão de pai vivo pode mensurar o tamanho de uma dor assim...
Abs,
Denise Araújo Correia
Data: 03/03/2009 - Horário: 21h13min
Conto húngaro
Caros Amigos,
Este é só para informar que acabei de postar o conto Károly, de Bartis Attila, um
autor contemporâneo magiar dos mais quentes no meu blog de manias de Hungria
http://hungaromania.wordpress.com/
Chico Guedes
Data: 03/03/2009 - Horário: 18h45min
Finalmente, "O corvo"
Postei em POESIA a tradução feita por Milton Amado e a preferida de João da Mata do
poema ―O Corvo‖, de Poe. Transcrevi o poema do ―Portal Edgar Allan Poe‖ (link mais
abaixo), que descobri há pouco. Nele o leitor poderá encontrar tudo sobre o escritor, com
destaque para traduções de ―O Corvo‖, por Fernando Pessoa, Milton Amado, Machado de
Assis, Gondin da Fonseca, Alexei Bueno, Haroldo de Campos, uma versão em prosa e
outra adaptada de Paulo Leminsky.
http://www.poebrasil.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=38&Itemid=58
Tácito Costa
Data: 03/03/2009 - Horário: 18h42min
Diário de Bordo
Som
O segundo disco de Carito e os Poetas Elétricos é de uma sonoridade inusitada. Eu
escuto, escuto e nunca me canso de explorar. Porque ali está um futuro, uma
atualidade, uma percepção de portas abertas. Quanto mais eu escuto mais gosto.
De Carlos de Souza, em sua coluna, em mais um Diário de Bordo. Confiram!
Tácito Costa
Data: 03/03/2009 - Horário: 18h25min
ALCATRAZ E A ILHA DA PILANTRAGEM
Caros Laurence e Tácito,
É verdade que a imprensa pode e tem poder para ―balançar‖ o barco. Trata-se de
força relativa entretanto, pois que não é toda a imprensa que detém tamanho poder.
Sabe-se que em províncias onde os próprios políticos são os donos da imprensa
(rádios, tv‘s, jornais, etc.) esse conceito de ―poder da mídia‖ desmorona-se.
Ademais, vejo neste pequeno e recorrente episódio a elástica e frágil noção de
punibilidade que nos domina (brasileiros). Parece que quando a fumaça da
corrupção e da falcatrua surge ninguém enxerga além do fato sob escopo. Como é
que ninguém, e digo ABSOLUTAMENTE ninguém, fez questionamentos sobre o
deputado que supostamente é proprietário do ―casarão‖ em Brasília, e irmão do
supostamente ―real‖ dono da mansão?
Aquele que detém a escritura pública de um bem, dono dele é. E ponto final. Em
outras palavras, temos uma situação onde supostamente ―algo‖ ilícito ocorreu (a
compra de um imóvel bem além dos padrões de qualquer funcionário publico e a
desculpa de que esse bem estava sob o nome do irmão, e que teria esquecido de
transferi-lo para si), mas esquecemos que outro ilícito ―supostamente‖ ocorreu
também, qual seja, a não declaração ou omissão de patrimônio pelo irmão. Outro
ato questionável. Além, evidentemente, da necessária comprovação de como,
quando, e com qual dinheiro o bem foi adquirido, porque com o salário de
funcionário público ou o de deputado com certeza não pode ser. Portanto, a meu
sentir, investigações deveriam iniciar-se para ambos os casos.
Mas quando falo de investigação no Brasil, uma tristeza sobrevém. A gastrite se
manifesta. Hemorróidas, se as tivesse, se inflamariam. Nada acontece. Nada.
Nunca entendi como pessoas que ganham 8, 10 15, 20 ou 30 mil reais por mês
podem ter apartamentos de mais de um milhão de dólares ou casas de 3 milhões
de dólares ou castelos... e por ai vai? E tudo escancarado à vista de tudo e de
todos.
A revista VEJA (há duas semanas) recentemente nos brindou com a revelação do
patrimônio de vários políticos. Melhor não é o que possuem atualmente, mas o
patrimônio declarado antes de serem eleitos. Uns declararam possuir pouco mais
que um fusca antes das legislaturas, agora agregam montas assombrosas.
Por fim, a ordem pública e o dinheiro público devem ser protegidos. E quanto ao
―balançar o barco‖, ou ter mansão na lagoa, acho que passada a fase da presunção
de inocência, e em sendo reconhecida a culpabilidade dos envolvidos, estes
deveriam subir a bordo e levados deste Brasil para algum Alcatraz longe daqui.
Como seria uma ilha habitada apenas por pilantras?
Abraços,
CHARLES M. PHELAN
Data: 03/03/2009 - Horário: 17h55min
"O Corvo" fica para mais tarde
O poema ―O Corvo‖, enviado por João da Mata, chegou desconfigurado, inclusive a
versão remetida para o meu e-mail. Deletei a tradução que postei em PROSA e à
noite eu tento consertar isso porque estou sem tempo agora à tarde.
Tácito Costa
Data: 03/03/2009 - Horário: 15h07min
O que foi que deu errado?
JORNAL DO COMMERCIO
COLUNA "ESCRITA" DE SCHNEIDER CARPEGIANNI
A preocupação de Fernando Monteiro em cutucar/entender o rumo do mercado
literário brasileiro é antiga. Vai desde suas entrevistas, sempre atravessadas por um
quê inegável de polêmica, e passa por sua ficção, que brinca e esnoba com os
limites do real. É o caso do romance O grau Graumann, que forjou a idéia de um
ganhador do Nobel de Literatura nascido no Brasil, que ninguém nunca ouviu falar,
mas que cai do dia para a noite nas graças da mídia. FM voltou a ironizar com
universo literário do país numa série de artigos que começou a publicar no jornal
literário Rascunho de Curitiba (rascunho.rpc.com.br).
O primeiro deles, com o título A cabeça no fundo do entulho da leitura, toma como
ponto de partida a famosa lista de livros mais vendidos da Revista Veja, de 12 de
agosto de 1981, para perguntar ―o que deu errado?‖. ―Naquele dourado ano de
1981: o leitor brasuca havia levado ao primeiríssimo lugar (ao longo de cinco
meses) o já citado Memórias de Adriano – ficção baseada em rigorosas pesquisas
da Yourcenar sobre o imperador romano do século 2 (―o século dos últimos homens
livres‖, segundo a autora belga) – e, em seguida, virava assunto da matéria especial
de agosto daquele ano por se revelar atraído por qualidade acima de qualquer
suspeita: estava lendo o romance Sempreviva – do bom Antonio Callado – e se
mostrava também influenciado pelo cinema, ao guindar O beijo da mulher-aranha,
de Manuel Puig‖. Ainda pela mesma lista O livro dos seres imaginários, de Jorge
Luis Borges.
Uma lista difícil de entender, se tivermos em mente os títulos mais vendidos hoje.
―Menos de trinta anos depois, você vai e confere que estamos patinando, nas listas,
no pântano dos Paulos Coelhos, esforçamo-nos para alcançar as 100 escovadas
antes de ir para a cama (Melissa Panarello), queremos saber Por que os homens
fazem sexo e as mulheres fazem amor? (Allan e Barbara Pease), se Tudo valeu a
pena (Zibia Gasparetto) para o Homem-cobra e a mulher-polvo (Içami Tiba) e
também Quem mexeu no meu queijo? – pergunta transcendental do título da obra
de Spencer Johnson (seja lá quem for)‖, polemiza Fernando Monteiro. Nada mais
oportuno.
Tácito Costa
Data: 03/03/2009 - Horário: 14h36min
O papel da imprensa
Caro Tácito, olha a importância e o papel decisivo da imprensa em uma
democracia, ainda que incipiente. Uma reportagem da Folha de São Paulo,
mostrando ilicitude na declaração de bens, consegue tirar do cargo o diretor geral
do senado, Agaciel Maia, que parecia fincado a sete chaves. Agaciel é irmão de um
dos governadoráveis aqui do nosso estado, João Maia. Não seria legal, que essas
denúncias que ocorrem por aqui, pudessem ter o mesmo peso e resultado?
DO EDITOR
Sem dúvida Laurence. Por que isso não acontece? Talvez a nossa imprensa
não tenha a credibilidade e a força da do Sudeste.
Laurence Bittencourt
Data: 03/03/2009 - Horário: 14h33min
RIO GRANDE ( O DO NORTE )
É o Rio Grande do Norte na grande, média e pequena imprensa.
O Sueco é Morto. Só esqueceram de noticiar a prostituiçao e bacanal às drogas.
Agaciel Maia de Natal entrega casa. Para quem? Depois o João Maia é re-eleito.
Que não sabe de nada.
Mas tem uma boa e grande novidade na política do Rio Grande (o do Norte).
Fernando Bezerra vai voltar.
E assim la nave vá.
Pena que só temos isso para mostrar. Depois é só dar um passeio pelas ruas
alagadas de Natal. Na praia nem morta, quando chove só vejo Bosta.
Jota Eme
Data: 03/03/2009 - Horário: 14h29min
MUDANÇAS
Tácito,
as mudanças previstas na Folha podem trazer mais mudanças.
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=527IMQ001
Sílvio Andrade
Data: 03/03/2009 - Horário: 14h28min
O CORVO
Meus Caros,
Lembrando ainda os 200 anos de nascimento de Edgar Allan Poe, ofereço-lhes o
Corvo ―The Raven‖ na tradução de Milton Amado. Esse belo poema foi traduzido
por muitos e geniais escritores. Traduziram O Corvo nada menos que Machado de
Assis e Fernando Pessoa. Charles Baudelaire, Mallarmé, Didier Lamaison, Emilio
de Menezes, Gondin da Fonseca, Benedito Lopes, Alexei Bueno e Jorge
Wanderley. O grande tradutor e amigo Ivo Barroso publicou um livrinho com essas
famosas traduções. Um das minhas preferidas é a de Milton Amado, que transcrevo
como uma veneração a esse escritor genial.
DO EDITOR
O poema chegou desconfigurado, inclusive a versão remetida para o meu email. Deletei a tradução que postei em PROSA e à noite eu tento consertar
isso porque estou sem tempo agora à tarde.
João da Mata Costa
Data: 03/03/2009 - Horário: 15h02min
De Beránger
Querida Denise,
Gosto muito das epígrafes. Muitas já me levaram a outros mares. Estava lendo uma
e lembrei dele. Você sabe de quem?
―Son cœur est un luth suspendu..."
sitôt qu'on le touche il résonne."
De Beránger (1780-1857)
―Seu coração é um alaúde suspenso
Tão logo a gente o toca, ele ressoa‖
Abraços Fraternos,
João da Mata Costa
Data: 03/03/2009 - Horário: 14h23min
O rei da precisão no chute
Caros amigos:
Cada vez que leio as bobagens que Pelé fala, relembro da beleza de seus passes e
outros atos futebolísticos. Periga ser o melhor de sempre, embora o encanto da
fantasia, em Garrincha, seja outro capítulo do futebol como grande arte.
Sim, Pelé é um falador insuportável. Deveria continuar tão bom no jogo e chutar
com os pés, ao invés de usar as palavras daquele jeito vexaminoso. Mas ninguém é
perfeito.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 03/03/2009 - Horário: 14h22min
Mutantes mutantes
Caros amigos:
Os dois primeiros discos dos Mutantes são excepcionalmente bons. Depois: piora
gradativa, culminando com a saída de Rita, que fez grande carreira solo noutras
direções.
É preciso lembrar que eles participaram do clássico coletivo "Tropicália" - duetos
com Nara & Cia.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 03/03/2009 - Horário: 08h42min
Ruy Castro
Leia no SOPÃO DO TIÃO
http://www.sopaodotiao.blogspot.com/
―Uma coisa é suportar a soberba de quem faz pose de intelectual de bom gosto sem
saber bem onde o galo está cantando. Outra, bem diferente, é baixar a cabeça para
a escrita blasé mas irresistível de quem elege os melhores e detona o que não lhe
apetece com a destreza de saber analisar com prudência, estilo e elegância, e a
competência de deixar claras as bases desse julgamento. E tudo isso com um
pouco de charme verbal, que não é talento concedido pela providência a qualquer
mortal. De quem eu estou falando, já descobriu? Do Ruy Castro que todo mundo
descobriu mesmo foi lendo a "biografia" da bossa nova, o soberbo "Chega de
saudade" - e que continuou nos tratando muito bem com seus livros seguintes,
como o "Anjo pornográfico" que espanou a poeira de moralismo que impedia os
brasileiros de admirar Nelson Rodrigues de peito aberto.‖
Tácito Costa
Data: 02/03/2009 - Horário: 22h02min
A história pela lente da história
―Se só se pode julgar a história pela lente da história, sabemos hoje que a
indiferença pelo destino dos não-familiares e a escolha de cuidar da própria vida ignorando a dos outros- têm um nome: cumplicidade criminosa. Foi essa pretensa
neutralidade, ao preço de uma brutal desidentificação com a condição humana, que
instalou na Alemanha o que Hanna Arendt chamou de "banalidade do mal".
Da psicanalista Maria Rita Kehl em PROSA (em teste, se sumir, eu posto aqui
mesmo).
Tácito Costa
Data: 02/03/2009 - Horário: 21h52min
A linha editorial de Veja
Na revista Imprensa que está nas bancas tem uma entrevista com o diretor de
redação de Veja, Eurípedes Alcântara, onde ele diz que a revista fica à esquerda do
leitor, quando o assunto é comportamento, e à direita, quando trata de economia.
Quem ler a Veja atentamente, sabe que não é bem assim. A linha editorial de Veja
é reacionária e, em alguns momentos, fundamentalista e messiânica, em defesa do
mercado e do status quo.
Tácito Costa
Data: 02/03/2009 - Horário: 21h29min
Noam Chomsky
ISTOÉ - O sr. está dizendo que Obama é igual a George W. Bush?
Chomsky - Para começar, há uma distinção entre o primeiro e o segundo mandato
de Bush. O primeiro foi muito arrogante e agressivo, desconsiderou as leis
internacionais e foi tão abusivo que se distanciou de países aliados. O segundo
mandato amaciou a retórica e as ações, que estavam causando danos demais aos
interesses dos Estados Unidos. É possível que Obama dê continuidade às políticas
do segundo mandato. Em alguns aspectos, Obama ainda é mais agressivo, como
no Paquistão e no Afeganistão, que, pelo que vejo, são suas principais
preocupações internacionais."
De Noam Chomsky em entrevista, que pode ser acessada pelos internautas, à
revista Isto É.
http://www.terra.com.br/istoe/
Tácito Costa
Data: 02/03/2009 - Horário: 18h58min
A entrevista de Pelé
Embora já saibam o que irão encontrar, mesmo assim postei a entrevista de Pelé à
Veja. Leia em ENTREVISTA.
Tácito Costa
Data: 02/03/2009 - Horário: 18h54min
Pelé quando abre a boca...
"Eu me aposentei como atleta profissional. Desde outubro, recebo 3 000 reais do
INSS. Já posso pegar ônibus de graça e pagar meia-entrada no cinema".
A frase acima é de Pelé, em entrevista à Veja. Por essa resposta você já pode
deduzir o nível das demais. Arrogante, vaidoso, pretensioso, totalmente sem
noção... Mais uma vez fica demonstrado que o craque só deveria abrir a boca em
casos extremos. Fiquei chocado com as respostas do jogador.
Tácito Costa
Data: 02/03/2009 - Horário: 18h29min
“Ditabranda' para quem?”
―O que explica essa inacreditável estupidez da Folha?
A meu ver, três pontos devem ser levantados: 1. A combativa atuação do advogado
Comparato para impedir que os torturadores permaneçam ―anistiados‖ (atenção: o
caso será julgado em breve no STF!). 2. O insidioso revisionismo histórico, com
certos acadêmicos, políticos e jornalistas, a quem não interessa a campanha pelo
―Direito à Memória e à Verdade‖. 3. A possível derrota eleitoral do esquema PSDBDEM, em 2010. (Um quarto ponto fica para ―divã de analista‖: os termos da nota –
não assinada – revelam raiva e rancor, extrapolando a mais elementar ética
jornalística.)‖
De Maria Victoria de Mesquita Benevides, no artigo ―Ditabranda' para quem?‖ ,
publicado na Carta Capital.
http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=8&i=3462
Tácito Costa
Data: 02/03/2009 - Horário: 16h26min
Fim dos cadernos literários
Claro que devemos lamentar e protestar contra a perda de espaço e o fechamento
de cadernos literários, como o Book World, do Washington Post, relatado em post
mais abaixo. Lá os textos referentes à literatura irão dividir espaço com as notícias
de entretenimento. Coisa que já acontece há bastante tempo nos jornais brasileiros.
Essa uma tendência que me parece inexorável. No caso mais específico de Natal,
tem ainda as colunas sociais, que ocupam mais da metade do espaço dos cadernos
ditos culturais. Mas acho que há espaço para resistência e publicação de textos
sobre literatura em outros espaços do jornal. Vamos pegar como exemplo a Tribuna
do Norte. Ivan Maciel, às sextas, Nei Leandro, aos sábados, Nelson Patriota,
Carmen Vasconcelos e Cláudio Emerenciano, aos domingos, todos escritores,
podem escrever – escrevem aqui e ali – sobre literatura. Tem ainda o espaço da
página dois que pode, eventualmente, tratar do tema. Se somarmos isso, ao que é
publicado na internet, temos um quadro menos dramático. Se não fosse a internet a
situação seria muito pior.
Tácito Costa
Data: 02/03/2009 - Horário: 16h19min
Os Mutantes quarentões
2008 passou e ninguém lembrou do aniversário de 40 anos do debute em disco dos
Mutantes.
A memória do Inimigo tarda, mas não falha. Lá tem um artigo de Hugo Morais sobre
o assunto. Segue o link
http://www.oinimigo.com/blog/?p=1153
Alexis Peixoto
Data: 02/03/2009 - Horário: 12h27min
EUREKA EUREKA
Ele nasceu há duzentos anos atrás. Morreu novo e bêbado. Louco e genial. Deixou
uma obra de visionário. Escreveu alguns dos maiores contos da literatura universal.
O Corvo e o Escaravelho de Ouro são antológicos. Perco-me nesse poço que vai
dar nos confins da existência débil e atormentada.
YYYYYYYYYYYYYYYYESSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS.
Alguns outros loucos geniais o traduziram e ampliaram a sua cosmogonia fértil e
translúcida par alguns. Chama Baudelaire, Mallarmé e Paul Valéry.
Um Erudito. Antes de morrer EUREKA. Deixou esse poema sobre a cosmogonia
dedicado a outro gênio: Humboldt.
Já tinha explorado os confins do ser. Da loucura. Do imaginário. Precisava
Vasculhar todo o universo para além do mundo sub-lunar. E pensar que alguns se
esborracham na lama. Não conseguem ver além do umbigo. Ele foi longe. Leu
sobre tudo e construiu uma bela cosmogonia. Não!.Ele escreveu um belo poema de
Adeus. Mais um, por favor! POE POE POE
João da Mata Costa
Data: 02/03/2009 - Horário: 12h26min
Volonté é Homenageado no DP
Mais do que uma justa homenagem a sacanagem de alguns que não sentem a
ameaça.
Que se locupletam. Que gostam do folclore poético para se promoverem.
Todo o meu escárnio para eles e um forte abraço ao amigo louco e peripatético
Volonté. Que faz da vida uma poesia, muitas vezes sem rimas e rimos.
Arrimo. Couraça. Hipocrisia.
João da Mata Costa
Data: 02/03/2009 - Horário: 12h30min
ALCEU
Alceu em Entrevista ao J. Do Comércio- PE
Portugal
"Nós do Brasil somos escrotos com Portugal. A gente fala da nossa africanidade,
com toda razão, porque ela está presente. Fala-se da nossa coisa indígena.
Ninguém fala em Portugal, incrível. Portugal trouxe pra cá o trovador, trouxe
pastoril, o fado, músicas juninas, e ninguém fala nisso?"
E eu complementaria. Trouxe uma grande civilização. Trouxe o Cancioneiro,
Camoes, Bocage, Pessoa et al.
Amo a Lusitanidade.
João da Mata Costa
Data: 02/03/2009 - Horário: 12h28min
Lançamento do livro de Homero Costa
O escritor potiguar Homero de Oliveira Costa lança no dia 11 de março deste ano
na Poty Livro do Praia Shopping o seu mais recente livro. Trata-se de uma
coletânea de artigos publicados na imprensa local, entre l998 e 2008. São artigos
variados, que vão desde reflexões sobre a Ética na Política, Mídia e democracia, no
qual o autor chama de dilemas da representação política: os partidos políticos ("os
partidos políticos e a lei de ferro das oligarquias" e "Há futuro para os partidos
políticos?"), sobre financiamento de campanhas eleitorais, pesquisas eleitorais,
medidas provisórias ("Medidas provisórias ou permanentes?").
No livro há outros artigos publicados nos principais jornais de Natal como, o
populismo na política brasileira, temas da reforma política (sistema eleitoral,
fidelidade partidária, sistema eleitoral (majoritário ou proporcional?), em defesa do
voto facultativo, eleições e democracia, crise da representação política, os limites da
reforma política, as metamorfoses do governo representativo, a partidarização do
judiciário, os rumos do governo Lula.
Existem ainda artigos sobre a indústria do charlatanismo, o (des) gosto pela política,
a importância do voto e a atualidade de Maquiavel. Enfim, sugestões de boa leitura
e muita polêmica. Homero de Oliveira Costa é formado em ciências sociais pela
UFRN e tem mestrado em ciência política (Unicamp/SP) e doutorado em ciências
sociais (área de política) pela PUC-SP, professor Associado da UFRN (Área de
Ciência Política do Departamento de Ciências Sociais e Programa de PósGraduação em Ciências Sociais) e é autor dos livros "A Insurreição comunista de
l935" (Ensaio/SP), Reforma Política no Brasil e outros ensaios (Sebo Vermelho,
Natal/RN), Democracia e representação política no Brasil (Sulina/RS). Colaborou,
entre outras coletâneas, nos livros "Dicionário Crítico Câmara Cascudo"
(Perspectiva/SP), e Dicionário Crítico Nelson Werneck Sodré (UFRJ/RJ). É também
Editor-adjunto da Revista Cronos (revista da pós-graduação em Ciências Sociais da
UFRN).
Costa Júnior
Data: 02/03/2009 - Horário: 09h30min
Jean Daniel/Entrevista
PERGUNTA - Em seu livro sobre Camus, leem-se quatro diretrizes que
resumem as obrigações de um jornalista: "Reconhecer o totalitarismo e
denunciá-lo. Não mentir e saber admitir o que se ignora. Negar-se a dominar.
Negar-se sempre, sob qualquer pretexto, a praticar qualquer tipo de
despotismo, incluindo o provisório". Quais são, para o sr., as obrigações de
um jornalista hoje?
DANIEL - A lista de Camus ainda é válida. O que é preciso acrescentar a ela?
Provavelmente a capacidade de conhecer as novas armadilhas da tecnologia.
Quando Camus enumerou essas obrigações, ainda não existia a televisão. E o
reinado da imagem mudou tudo, incluindo a forma de escrever. Imagine um
romancista que escrevesse um romance e em cada parágrafo alguém lhe dissesse
que seu nível de audiência estava caindo ou subindo. Escrever em razão da reação
imediata do leitor! A grande inovação que intensificou os temores enunciados por
Camus é a simultaneidade, a onipresença, o fato de que, quando alguém fala,
faltam segundos para que a Terra toda saiba o que diz. Isso é algo extraordinário.
Do diretor da "Nouvel Observateur" Jean Daniel. Leia a íntegra em ENTREVISTA.
Enviada por Vânia Marinho.
Tácito Costa
Data: 01/03/2009 - Horário: 22h38min
Crise atinge cadernos de livros
FOLHA DE SÃO PAULO
"Washington Post" extingue "Book World"; "San Francisco Chronicle" e "New York
Times" são os únicos a ainda manterem suplementos
LILA AZAM ZANGANEH
Saiu em 15 de fevereiro a derradeira edição do suplemento literário do "Washington
Post", um dos maiores jornais dos EUA. Esse célebre suplemento intitulado "Book
World", com vários críticos que já receberam o Prêmio Pulitzer, saía no interior do
jornal, mas também era vendido separadamente.
Desde 22 de fevereiro, seus artigos passaram a aparecer em duas rubricas
dedicadas a outros temas: "Outlook", uma página de debates e comentários, e
"Style & Arts", uma seção que trata do "entretenimento" sob todas as suas formas.
De agora em diante, "Book World" continuará a ser publicado separadamente
apenas na internet, com exceção de algumas edições especiais: a edição de
leituras de verão e a de livros para crianças.
Qual é a razão dessa parada mortal? A falta de anúncios. "É a publicidade, é claro.
Ela não justificava o espaço dedicado semanalmente à cobertura de livros no "Book
World'", declarou na semana passada Marcus Brauchli, um dos redatores-chefes do
"Washington Post".
Mas acrescentou que o número de críticas publicadas no jornal "quase" não
diminuirá, "embora seja verdade que vamos dispor de menos espaço". Embora seja
criticada por todos os meios literários do país -especialmente pelo muito respeitado
Círculo Nacional dos Críticos de Livros, que fez circular uma petição assinada por
alguns grandes nomes da literatura americana -, a decisão parece ser inapelável.
Isso porque não está vinculada apenas à crise econômica que devasta a indústria
de livros nos EUA.
Nova política
Já há vários anos que as editoras gastam uma parte ínfima de seu orçamento de
marketing com anúncios em jornais, preferindo fechar acordos de cooperação com
cadeias de livrarias como Barnes & Noble, que garantem que determinados livros
serão claramente destacados nas vitrines das livrarias. O efeito disso sobre a
cultura literária, já pisoteada pela lógica da cultura de massa, corre o risco de ser
deletério, como observam vários críticos, escritores e leitores. "Enquanto as
estatísticas nacionais dão conta de um pequeno aumento do interesse pela leitura",
observa um blogueiro de Washington, "os jornais parecem assumir a posição
vergonhosa de enxergar a literatura como prática marginal e pouco lucrativa".
Para acalmar a angústia que tomou conta do mundo literário americano com a
anúncio do fechamento do "Book World", o "Washington Post" anunciou que vai
experimentar "novas formas de reportagens literárias", mais vinculadas a temas da
atualidade.
"Se saírem três livros sobre Lincoln", explica Brauchli, "nós os juntaremos num só
artigo ou, então, faremos um artigo sobre a influência de Lincoln sobre a política de
Obama". Um fato que pode dar alguma esperança aos amantes dos livros é que o
"Book World", criado em 1967, já havia sido relegado à seção "Style" em 1973,
antes de reconquistar o lugar de entidade separada no início da década de 1980.
Portanto, tudo ainda é possível. Vários editores, aliás, justificam as transformações
atuais, declarando estar certos de que a integração das críticas de livros às páginas
gerais vai chamar a atenção de um grupo maior de leitores. E as resenhas,
garantem, vão continuar e serão ampliadas na internet. Acontece que, para muitos
jornalistas, a internet modifica a própria natureza da função crítica, pois, para o
leitor, trata-se mais de fazer uma busca por um artigo do que de passear com o
olhar por várias páginas.
Esse fato, concretamente, limita o alcance de uma crítica sobre um autor pouco
conhecido do grande público.
Já vai tarde
Dito isso, alguns leitores do "Book World" não terão problemas em adaptar-se a seu
desaparecimento. Um blogueiro do Colorado parece fazer eco a uma parte
significativa dos leitores quando escreve: ""Book World" era tão medíocre que,
francamente, não era digno de um jornal tão prestigioso. (...) Enquanto conceito,
portanto, "Book World" não me fará falta; enquanto realidade, eu diria que ele vai
tarde!".
Os únicos suplementos literários que estão resistindo à crise até agora são os do
"San Francisco Chronicle" -apesar de o número total de artigos ter diminuído
nitidamente- e do "New York Times". O "Los Angeles Times" eliminou seu
suplemento literário em 2007, apesar de ter aumentado o número de artigos on-line.
"Talvez seja apenas uma nostalgia idiota de minha parte", explica seu último
redator-chefe, Steve Wasserman, "mas gosto de pensar que a República dos Livros
merece uma região que lhe seja própria".
O sacrossanto "New York Times Book Review" ainda é o maior suplemento literário
dos EUA, com até 30 páginas todos os domingos, 15 jornalistas e dezenas de
colaboradores. O "NYTBR" é vendido separadamente a 23.500 assinantes, e a
cada semana 4.200 exemplares são comprados em livrarias de todo o país.
Mesmo assim, os editores se negam a pronunciar-se sobre o futuro do suplemento,
tendo
em conta que a crise já provocou os maiores prejuízos que o "New York Times"
sofreu desde o crack de 1929.
**********
A íntegra deste texto saiu no "Le Monde".
Tradução de Clara Allain.
Fernando Monteiro
Data: 01/03/2009 - Horário: 11h47min
PARA LÍVIO
Boa, Lívio.
Não é fácil incutir o pensamento da auto-valoração.
Abs,
CHARLES M. PHELAN
Data: 01/03/2009 - Horário: 11h29min
Só é triste quem não se recorda
POR FABRÍCIO CARPINEJAR
"(...) Só é triste quem não se recorda, quem não mistura os fatos com as
impressões. Toque-me no pescoço, o braço ficará arrepiado e será um
acontecimento. Toque-me na memória e vou me encontrar mais do que me
pertenci. Nenhuma separação é maior do que a possibilidade de restauração da
memória. Não existe escombro que não possa servir de pedra novamente. A
memória devolve o que não tínhamos. A memória é a saudade do que virá. Não há
quem não feche os olhos ao comer, não há quem não feche os olhos ao cantar a
música favorita, não há quem não feche os olhos ao beijar, não há quem não feche
os olhos ao abraçar. Fechamos os olhos para garantir a memória da memória. É ali
que a vida entra e perdura, naquela escuridão mínima, no avesso das pálpebras.
Concentramo-nos para segurar a dispersão, para segurar a barca ao calor do remo.
O rosto é uma estrutura perfeita do silêncio. Os cílios se mexem como pedais da
memória. Experimenta-se uma vez mais aquilo que não era possível. Viver é boiar,
recordar é nadar. Escrevo na água, no vento da água. O passado sem os olhos
fechados é como uma roupa enrugada. Sem corpo. Sem as folhas dos plátanos."
Tetê Bezerra
Data: 28/02/2009 - Horário: 16h58min
Todorov e a verdade dos livros
POR FÁBIO DE SOUZA ANDRADE
COLUNISTA DA FOLHA
APESAR DE Campos de Carvalho e seu divertido "O Púcaro Búlgaro", não é
literatura o que primeiro ocorre a este colunista quando se menciona a Bulgária. No
entanto, para além do sabor das burekas, da sonoridade estranha e única dos coros
de vozes femininas ou da sombria memória da vida atrás da cortina de ferro, vem
de um influente ensaísta búlgaro, radicado na França há mais de 40 anos, Tzvetan
Todorov, uma das defesas modernas mais enfáticas da importância da experiência
literária na vida do homem comum.
Em "A Literatura em Perigo", o autor de "A Conquista da América" entrelaça sua
biografia intelectual a um diagnóstico pessoal e crítico (mas longe de solitário,
quase que uma tópica moderna) das práticas de leitura hegemônicas na atualidade.
Para Todorov, assistimos a uma progressiva conversão da literatura em coisa de
iniciados, tendo os textos literários se tornado cada vez mais pretextos para um
bricabraque teórico-conceitual autônomo (entre os críticos) ou exercícios formais
autorreflexivos (entre os autores).
De pouco em pouco, apostas institucionais (currículos escolares, modas
acadêmicas e jornalismo cultural incluídos) têm apagado a presença essencial do
mundo no literário, turvando a possibilidade desde sempre associada aos livros de,
neles, nossa vida se cruzar com outras, imaginárias. Aos seus olhos, o modo
contemporâneo de ler ficção e poesia -solipsista, niilista e formalista- pede uma
guinada abrupta, voltando a valorizar as verdades complexas e a visão peculiar de
um conjunto de valores que um grande romance ou um belo poema carregam. Não
deixa de ser irônico que a proposta caiba logo a um dos maiores expoentes do
estruturalismo francês dos anos 60. Filho de bibliotecários, Todorov, ainda menino,
devorava adaptações de clássicos (de "Oliver Twist" a "Os Miseráveis") e, estudante
de letras, em Sófia, viu-se forçado a primeiro optar pelo viés formalista, como
solução geracional para driblar a censura totalitária.
Uma bolsa de estudos em Paris o jogou no colo do estrutralismo nascente,
intensificando este aparente divórcio inicial entre literatura e vida. Mas, se militou no
coração da ortodoxia estruturalista (que o digam os leitores de seu "A Gramática do
Decameron", redução de Boccaccio a esquemas emprestados aos contos
populares), Todorov, em mea-culpa discreto, sustenta que o conhecimento das leis
da forma nunca foi, para ele, senão etapa preliminar.
E, de fato, livros sobre as consequências trágicas da incompreensão do outro
durante a conquista espanhola da Mesoamérica ou no colaboracionismo francês
mostram que, como leitor, ele nunca ignorou a centralidade da experiência humana,
nem jamais rechaçou o leitor aparentemente ingênuo, aquele que pergunta em que
a literatura pode fazê-lo melhor.
*************
A LITERATURA EM PERIGO
Autor: Tzvetan Todorov
Tradução: Caio Meira
Editora: Difel
Quanto: R$ 25 (96 págs.)
Avaliação: ótimo
Tácito Costa
Data: 28/02/2009 - Horário: 16h30min
SOS Línguas
POR IVAN LESSA
Colunista da BBC Brasil
A Unesco acaba de publicar uma nova edição de seu Atlas Interativo de Línguas em
Perigo de Extinção. O Brasil é o terceiro país do mundo com línguas ameaçadas.
Consta que no mundo, de um total de 6 mil línguas, 199 são faladas por menos de
10 pessoas. O número redondo de 200 deixou de sê-lo quando morreu, em janeiro
deste ano, Marie Smith Jones, a última mulher a falar Eyak, um dialeto do Estado
do Alasca.
A primeira coisa que nos ocorre é dar os parabéns a nós mesmos por, entre as
sobras da reforma, ou acordo ortográfico, terem nos deixado ressuscitar, ou chamar
ao terreiro, como um pai de santo chama um exu, as letras w, y e k. A segunda é
perguntar: se Marie Smith Jones era a última pessoa a fazer uso da língua, agora
infelizmente extinta, com quem é que ela conversava? Falava sozinha, a pobre?
Saía pelas ruas recitando o equivalente aos Lusíadas em eyak? Nunca saberemos.
Ficará um mistério para toda a eternidade. Tal como o dialeto alasquiano.
Vai-se uma língua, vai-se junto uma cultura. Todos nós, do Alasca ao Zimbábue,
temos uma percepção particularíssima do mundo e é através da língua, fonema
após fonema, que vamos tentando devassar o vasto mistério que nos cerca a todos.
Cada pequena descoberta é uma pequena aproximação à realidade. Quem disse
pela primeira vez "pássaro" foi também quem o inventou. Um "pássaro" no Quênia
não é a mesma coisa que um "pássaro" em Goiás. São parecidos. Voam com
semelhança. Mas um pássaro não é um pássaro não é um pássaro. Parafraseando
as rosas de Gertrude Stein que, no fim das contas, eram uma só.
O Atlas linguístico da Unesco reserva espaço também para o que chama de
"línguas seguras". São aquelas faladas por 100 mil pessoas ou mais. Línguas que
exercem poder e influência. As manda-chuvas das línguas. Feito o inglês e o
mandarim.
Até onde sei, o nosso português, do Brasil e de Portugal e outros países signatários
do acordo, que é também reforma, é falado, mesmo que mal, por mais de 100 mil
pessoas. No entanto, nos artigos que li a respeito da publicação, ele é atingido sim, o verbo está correto - só de passagem. Segundo especialistas, e vamos
chamá-los logo de linguistas, há 2.500 línguas em perigo ou "estado crítico".
Esse perigo manifesta-se sob a forma de pressão. Pressão política, econômica e
cultural, e, muitas vezes, militar também. Não é fato para causar surpresa que dois
dos países mais em risco de sofrer sérios abalos em seu modo de falar são a Índia
e o Brasil, em vista da tremenda migração das zonas rurais para as urbanas.
Ambos, Brasil e Índia, passam por uma rápida transformação econômica. Desta
forma, uma língua passa a representar modos de vida tradicionais cedendo às
línguas dominantes.
Em 1961, levaram nos cinemas uma chanchada chamada Um candango na
Belacap, com Ankito, ora com biografia fartamente ilustrada, nas estantes. Sem
saber, o filme registrava, logo no título, duas transformações linguísticas, dois
neologismos. As transformações prosseguem. Prosseguem agora em outro tipo de
chanchada, passada nas academias de letras e ciências de Brasil e Lisboa,
conforme comentaria um tipo mais mal-humorado que os outros.
A Unesco aponta as línguas "assassinas", que chama de "killers", não se passasse
a organização no idioma do país de Barack Obama. As línguas "assassinas", como
um "grande tubarão branco", são precisamente essas que ocorrem a qualquer
cidadão médio: o inglês, o francês e o espanhol. Reconquistas século 21, digamos.
O mar - esse mare nostrum - não está para peixinho miúdo.
Encerremos pois, à antiga, tecendo loas a algumas das 12 ou mais línguas onde
resta apenas uma única pessoa a praticá-las, no que voltamos à pergunta original:
se é uma pessoa só, com quem fala ela?
Às loas:
O wintu-nomlaki. Praticado na zona ocidental da cidade de Sacramento, no estado
da Califórnia.
O livoniano. 30 mil pessoas se entendiam e desentendiam em livoniano, na Letônia,
por volta do século 13. Há tentativas de reativar o idioma. Pouco provável que dê
certo.
O yahgan. Esse é chileno. Da ilha Navarino. Sabe-se o nome da senhorita (não
pode ser senhora, senão o marido arranharia algumas palavras em yahganês) que
o fala: Cristina Calderón. Longa vida a ela.
O kaixiná. Essa é com a gente. E pertence com exclusividade a Raimundo Avelino,
de 78 anos. A tribo dos Kaixanás, com cerca de 200 pessoas, se entendia em
kaixiná, numa aldeia com o nome de Japurá, nas proximidades de um rio com o
mesmo nome, no Estado do Amazonas. Foram, os kaixinás, desta para melhor,
sobrou o bom Raimundo. Nem foi preciso a reforma ortográfica dar uma chegada à
região. Qualquer tentativa de reviver a língua perdida será prontamente reformada e
acordada segundo os moldes e padrões atuais.
Napoleão Paiva
Data: 28/02/2009 - Horário: 16h14min
O que falta à Bienal?
Tácito, envio o texto que escrevi por ocasião da última Bienal de Natal, e que
causou, entre alguns, certa controvérsia:
"A Bienal do Livro de Natal já se constitui em importante evento do calendário
cultural do Rio Grande do Norte, frisando-se, desde logo, que a sua iniciativa é
louvável por si só, vez que oferece ao público de nosso Estado mais uma alternativa
de entretenimento e cultura, ainda que de forma efêmera e pouco profunda. No
entanto, por essa falta mesma de profundidade, efetiva-se em meio a alguns
equívocos – uns menos, outros mais graves – em sua realização e que se fazem
perceber a partir de uma análise superficial mesma, frente à explicitude com que se
têm demonstrado em suas primeiras edições nesta terra de Cascudo.
Tem sido assim aos olhos do mais atento observador especializado como também à
vista daqueles que, buscando um diferencial no que respeita ao seu rol de
diversões ou escolhas culturais, terminam por sofrer decepções no meio do
caminho (neste ano, mais longo e molhado, até o distante Centro de Convenções).
Nessa última edição, recentemente concluída, algumas falhas gritantes se
repetiram, outras foram tristemente inauguradas.
Dentre aquelas mais freqüentes está a já batida desvalorização dos escritores da
terra. Aparentemente lembrados, houve apenas um parcial, incompleto, imperfeito
chamamento de alguns a participarem de mesas-redondas, debates e lançamentos,
obviamente sempre à margem de alguns expoentes nacionais (muitos não tão
convincentes). Não se tem uma lógica de homenagens sérias, de estudos
profundos ou de exposição consistente da Literatura Potiguar, nem mesmo da
nacional. Nem os mais privilegiados autores da terra, nem mesmo os escritores
(raros) convidados a fazer parte direta do evento tiveram repercussão importante e
tratamento digno de suas obras e personalidades. Tudo é muito superficial e vazio
e, deve-se salientar, não serão cafezinhos e brindes baratos em uma sala VIP
improvisada que farão a revolução ou o resgate da Literatura Potiguar ou do Brasil.
Lançamentos e muitos re-re-re-lançamentos (desculpem-nos a falha redacional)
foram tratados, também, de maneira rápida e rasteiríssima, não permitindo aos
leitores a deglutição (de lembrar, ainda, a fraquinha praça de alimentação) da
programação e a compreensão da seqüência lógica dos acontecimentos.
Até mesmo uma iniciativa importante como foi a da premiação de autores mirins em
um concurso de contos sofreu com a pouca e rápida divulgação das regras e dos
resultados e com os prêmios financeiros de reduzido valor (será que faltou dinheiro
também para outros aspectos do evento?).
Num momento em que se começa a trabalhar junto à Assembléia Legislativa do Rio
Grande do Norte – a partir de uma iniciativa da União Brasileira de Escritores neste
Estado – uma Lei que visa proteger e garantir condições para a formação de um
mercado digno para o livro e para o autor potiguar, a Bienal não se propõe a incluir
na sua lista de debates nenhum tema (e o da Lei seria imprescindível!) que
aprofunde a verdadeira discussão acerca de quem somos, onde estamos e o que
produzimos dentro da história literária deste pobre Estado do Rio Grande do Norte e
do próprio país.
Lembre-se que o povo do Rio Grande do Norte, através de seu governo generoso,
destinou somas astronômicas à realização da efeméride, nas palavras da própria
governadora do Estado, que, tristemente, levou uma grande vaia por ocasião da
palestra do escritor e cartunista Ziraldo. Por quê? Respostas para os organizadores
do evento.
Outras mudanças – sempre postas a lume e jamais tratadas a contento – podem
ser exemplificadas a partir da banalização das atrações de mercado trazidas ao
ambiente da ―Feira‖. Fácil foi ouvir, com freqüência, que a maior parte dos estandes
exibia produtos de má qualidade, para venda fácil (e retorno cultural nem tão
evidente), buscando desovar estoques e mais estoques de papel encadernado que,
se não fosse um evento como o aqui ora tratado, ficariam anos envelhecendo longe
dos consumidores mais incautos (muitos destes que terminam participando – da
forma mais angelical – da farsa cultural que se lhes impõem, ocasionalmente).
Importante que os empresários (acreditamos que estão de boa-vontade e boa-fé)
que cuidam do evento se sensibilizem e passem a se cercar de pessoas
verdadeiramente envolvidas com o universo do livro, da literatura e da cultura neste
Estado, constituindo em torno de si um círculo de consultores qualificados que
possam demonstrar os aspectos histórico-culturais referentes à atividade da escrita
e da leitura, num processo em que se deixe no Rio Grande do Norte, após a
chamada Bienal, muito mais do que resquícios de papelaria e livros e autores em
miniatura.
Ou, então, uma sugestão mais séria: Que os tais empresários peçam ajuda e
orientação a Gabriel, o Pensador."
Lívio Oliveira
Data: 28/02/2009 - Horário: 09h34min
O leitor
OLGÁRIA MATTOS
Filósofa, professora titular da USP.
(http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4165)
Grandes obras são aquelas capazes de comover e ensinar. O ―que saberíamos do
amor e do ódio, dos sentimentos éticos e, em geral, de tudo o que chamamos de si
mesmo‖, pergunta Paul Ricoeur, ―se isso tudo não tivesse passado à linguagem,
articulado pela literatura?‖
―O Leitor‖ é um filme sobre o amor em tempos sombrios. Na Alemanha dos anos
1950, Michael, um adolescente, vive um encontro com Hanna, uma mulher mais
velha, e passa a ler para ela os livros que estuda na escola. De Homero a Tchekov,
de Chardelos de Laclos às aventuras de Tintin, o amor nasce misturado à ficção.
Essa ―mentira que diz a verdade‖ é, em ―O Leitor‖, transmitida, na alternância das
gerações, pelo ensino da literatura e seu cânone.
Diversamente da simples convenção, sua exemplaridade preserva, como um dom,
―grandes obras‖, aquelas capazes de comover e ensinar. Pois ―que saberíamos do
amor e do ódio, dos sentimentos éticos e, em geral, de tudo o que chamamos de si
mesmo‖, pergunta Paul Ricoeur, ―se isso tudo não tivesse passado à linguagem,
articulado pela literatura?‖
Grandes obras e grandes autores são aqueles sem os quais o mundo seria
incompleto.
Sem despedir-se, Hanna subitamente abandona a cidade; mais tarde, Michael,
agora estudante de direito, iria acompanhar os processos dos crimes de guerra,
quando a revê, responsabilizada pela morte de prisioneiras judias durante um
bombardeio. Aos poucos vão-se esclarecendo as razões da partida e os motivos
pelos quais renuncia à defesa. Na época em que os campos de extermínio
sucederam aos de concentração, Hanna desiste da fábrica em que trabalha, de
onde, por seu desempenho, fôra promovida ao setor de escritório. Como analfabeta
e no ímpeto de escondê-lo, resta-lhe o trabalho de carceragem em um Lager de
então.
Hanna sente vergonha por não ler. Mas não por temor do desdém ou da
humilhação pública. Não sendo externa, essa vergonha decorre do desejo íntimo do
mundo mágico do qual está excluída, das fantasias que eternizam as experiências
dos homens, resistem ao esquecimento e caminham em sentido contrário ao da
morte. Como na obra primeira escrita no Ocidente: a Ilíada e Homero ressuscitaram
Tróia da qual até mesmo as ruínas haviam desaparecido.
O amor de Michael permaneceu incólume à passagem do tempo. Seu casamento
durou pouco; e a melancolia da perda de Hanna se confronta, agora, com a
culpabilidade alemã e o genocídio. Pedida a prisão perpétua, a pena é agravada
quando a protagonista aceita a acusação de ter assinado o documento que a
incrimina, mas de que não poderia ser autora. Michael não intervém, mesmo
quando descobre seu segredo. Nada diz aos acusadores sobre o que poderia
diminuir a pena. Na prisão, Hanna é visitada por Micahel, que não deixou de amála, mas não consegue aceitar seu comprometimento no campo, no conflito entre o
sentimento e a lógica da punição.
Em diálogo com G.Grecco - e no âmbito de uma dificuldade semelhante -Primo
Levi, sobrevivente de Auschwitz, diversamente do personagem, se esquiva em
imputar a todos os que viveram esses anos: ―sempre me recusei a formular um
juízo geral sobre o homem. Mesmo sobre os nazistas. Para mim, o único processo
que se pode instruir, e com todas as precauções necessárias, é o dos indivíduos.‖
De resto era o preconizado pelo professor com quem Michael freqüenta o tribunal.
Hanna não libertou as prisioneiras. Também escolhera, no campo, algumas que
teriam a morte adiada, tempo durante o qual liam romances para ela. Sua resposta
evocava a ―lei do dever‖. Como Eichamnn. Este afirmava cumprir ordens e se
orientar pelo imperativo categórico kantiano. Considerava-se ―culpado diante de
Deus, mas não ―responsável diante dos homens‖; também Hanna diz não ter podido
agir de outro modo. Devolvendo,porém, a questão aos juízes pergunta sobre o que
eles próprios fariam se estivessem em seu lugar. Michael, ao visitá-la, espera uma
retratação que não vem. Indaga se ela nada aprendera com a prisão, a que se
segue : ―aprendi a ler‖.
Nada se aprende em situações de trauma. Choque paralisador da vida, o trauma
bloqueia o pensamento. Michael pressupõe a autonomia moral no interior do Lager.
Hanna testemunha, ao contrário, que, no campo, a vida se encontra em estado de
exceção. Assim, Primo Levi narra ter furtado o chapéu de um outro prisioneiro,
quando o seu desaparecera – o que acarretava a pena de morte, sentindo horror
por si mesmo. Também os ―muçulmanos‖ dos campos se encarregam do extermínio
de outros judeus ao conduzi-los às câmaras de gás. Primo Levi e Hanna revelam
que, em Auschwitz, carrasco e vítima confundidos, a violência é nua. No universo
concentracionário não há dignidade nem liberdade .
Sem ser compreendida por Michael, tampouco aceita, desfaz-se, para ela, o laço
tênue de amor aos livros e à vida. Seu suicídio atesta que, no pós-guerra, as ruínas
não são materiais, mas morais e existenciais. Os amantes, fatalizados pelo
nazismo, viveram um tempo condenado em que foi ―meia-noite na História‖.
Tetê Bezerra
Data: 28/02/2009 - Horário: 09h13min
Sobre a mentira
―O principal é não mentir para si mesmo. Quem mente para si mesmo e dá ouvidos
à própria mentira chega a um ponto em que não distingue nenhuma verdade nem
em si, nem nos outros e, portanto, passa a desrespeitar a si mesmo e aos demais.‖
DOSTOIÉVSKI, em Os Irmãos Karamazov, tradução de Paulo Bezerra.
Tetê Bezerra
Data: 28/02/2009 - Horário: 09h10min
O blog do Chico Guedes
Caro Tácito,
Como te disse ontem na Siciliano, resolvi iniciar um blog pra dar vazão à minha
mania pelas coisas ligadas à Hungria. Convido a ti e aos amigos do SP para darem
uma passada lá qualquer hora se tiverem curiosidade sobre a literatura, a cultura e,
inclusive, a malafamada língua magiar. Vai ser uma honra e uma alegria pra mim.
O url é http://hungaromania.wordpress.com/
abraço,
Chico Moreira Guedes
Data: 28/02/2009 - Horário: 09h09min
O Caso Paula
Não faz vinte dias e eu havia acabado de chegar, à noite de mais uma maratona de
aulas na faculdade em que trabalho. Geralmente meus rituais de fim de expediente
se repetem e como a maior parte do meu trabalho é noturno, esses rituais
acontecem entre as 23 e as 01 da manhã. Não sei se você já pensou nisso, mas
são preciso cerca de uma hora e meia ou mais para que um professor possa estar
pronto para dormir, após quatro horas de falatório para turmas de 60 ou 70 alunos.
É preciso desacelerar. Um banho quente, uma bebida morna e um telejornal para
repassar notícias do dia fazem parte desse conjunto particular de cacoetes (acho
que só o telejornal é desaconselhado pelos especialistas nos mistérios do cérebro,
porque hoje, eles são feitos para servir ao deus da insônia).
Como eu dia dizendo, não faz vinte dias que um desses telejornais despejou no
Brasil uma notícia chocante, dessas de deixar ligado a madrugada inteira até o mais
hipotônico depressivo. Uma jovem advogada brasileira, grávida de gêmeos, havia
sido vítima na Suíça, de um ataque de jovens Skinheads neonazistas, um dos quais
com a suástica tatuada na cabeça. A jovem teve seu corpo retalhado, abortou os
gêmeos, e, em meio hematomas que lhe cobriam dos pés à cabeça, teve a sigla do
Partido do Povo Suíço (SPV) riscada à golpes de navalha nas pernas e no ventre.
Essa era a bomba do dia, o furo da semana. A revolta tomou conta da nação, ainda
mais quando a polícia suíça passou a insinuar que a brasileira poderia estar
mentindo. Veio a mente de todos, o caso do brasileiro Jean Charles, executado sem
piedade pela polícia da Inglaterra, após ser confundido com um terrorista.
Semanas depois o mesmo telejornal entra com um outro informe confirmando que
Paula Oliveira havia enganado todo mundo.
Nada daquilo era real, a gravidez, o ataque de Skinheads, a violência xenófoba
contra estrangeiros (ao menos naquele caso). O SPV (partido com uma retórica
eminentemente neo-fascista e contrária a presença de imigrantes no país) havia
retirado seu esfíncter político da reta e a boa imagem da Suíça como um país
tolerante havia sido preservada.
De repente, de vítima a advogada Paula Oliveira se transformou em agente de uma
inquietante farsa e motor de um dos grandes vexames do segundo governo Lula,
que se adiantou às informações oferecidas pela embaixada Suíça e se pronunciou
como se a notícia daquele telejornal noturno fosse suficiente para pautar sua
atuação em política externa.
A mudança de tonalidade dos jornais foi rápida e eficaz. Do mesmo modo como
haviam plantando em nós a certeza da veracidade do ataque covarde à pobre
advogada brasileira, tomando a versão como fato sem ao menos uma informação
segura da polícia Suíça e sem ao menos admitir outra possibilidade que não a
veiculada pela família, ou pelos espaços da internet (que noticiam instantaneamente
qualquer informação que lhes caiam nas teclas).
O lado terrível dessa história é que nós não fomos enganados por Paula Oliveira.
Ela talvez tenha tentado enganar o namorado ou a família dizendo que estava
grávida ou talvez tentando enganar as autoridades suíças simulando um ataque
político para conseguir indenização, ou mesmo, quem sabe, só estivesse tentando
enganar a si mesma simulando um universo de fantasias psicóticas onde a auto
mutilação, é apenas um dos aspectos de algum tipo de mal com raízes mais
aprofundadas em sua psique. O fato é que Paula Oliveira não nos enganou. Não foi
ela que nos fez pensar que sua história era real. Não foi ela que nos ludibriou com
aquelas marcas, com aquela ultrasonografia montada via Google, com aquela
narrativa de uma verossímil violência racista em um continente cercado de racismo
por todos os lados. Foram os telejornais e sua reação em cadeia em busca do furo
absoluto que nos fizeram embarcar no surto da Paula. Todo mundo surtou junto e
hoje, só a automutilação da mídia telejornalística ainda carece de uma explicação
ou de no mínimo, um pedido de desculpas.
Pablo Capistrano. www.pablocapistrano.com.br
Data: 28/02/2009 - Horário: 09h08min
LIVROS, LEITURAS, BIENAIS
Caros amigos:
O post sobre Bienal do Livro vem a calhar. É preciso encarar aqueles eventos como
atividades de mercado, mais dirigidas a livreiros que a leitores e escritores. Nesse
aspecto, valeria a pena deixar a cargo dos empresários o financiamento de seus
encontros. Outra coisa é fomentar a leitura e promover diálogos diretos entre
escritores e leitores.
Não hostilizo frontalmente essas promoções (e as feiras de Paraty & Cia.), apenas
considero-as menos centrais para a literatura do que a imprensa parece sugerir.
Priorizo o cotidiano da escrita e da leitura. Temos muito a fazer pelas bibliotecas e
nas bibliotecas, passando por escolas, universidades, imprensa periódica e
associações de escritores (aí incluídas as academias de letras).
Abraços:
Marcos Silva
Data: 28/02/2009 - Horário: 09h02min
Um Rabo Cheio
Caros Colegas,
Nas Bienais (algumas) o que menos importa é o livro e sua divulgação e leitura.
É um rabo cheio para a empresa que promove.
Ticket Livro sem opçao de escolha.
Visitantes para dizer o que a gente já sabe.
Livros? Não há escolha!
Restolhos e ponta de estoque foi o que vi na ultima de Natal.
Como amante do livro e bibliófilo exijo providências.
João da Mata Costa
Data: 28/02/2009 - Horário: 09h01min
Bienal do Livro: cadê a leitura?
Como este ano, em outubro, teremos a Bienal do Livro de Natal, achei oportuno
transcrever o texto abaixo, que fornece ótima munição para uma reflexão sobre o
evento.
Por Geraldo Maia
http://www.cronopios.com.br/
Podemos afirmar com uma grande margem de acerto que a indústria editorial no
Brasil (e na Bahia) vai muito bem, obrigado. E não é para menos. Afinal, no ano de
2003, foi promulgada a Lei 10.573, a charmosa Lei do Livro, que acabou com os
impostos relativos à produção do livro no país a fim de baratear o seu custo e de
criar um Fundo de Incentivo à Leitura através de 1% do faturamento das editoras.
Claro que a idéia, aparentemente, é ótima, pois o menor preço do livro acarretaria
um maior acesso ao mesmo com um conseqüente número bem maior de
consumidores.
Tudo muito belo. Mas na prática tal não acontece.
O governo deixa de arrecadar cerca de 300 milhões de dólares em impostos anuais,
que poderiam construir e abastecer centenas de bibliotecas esperando arrecadar
algo em torno de 20 milhões de dólares/ano para atividades de incentivo á leitura.
Nem o preço do livro baixou, nem o acesso ao livro aumentou, nem as editoras
contribuem para o tal Fundo de Incentivo à Leitura. E o que acontece mesmo? Bem,
o mercado do livro no Brasil fatura anualmente cerca de três bilhões de dólares,
mas só o Ministério da Educação compra algo em torno de 70% do que é vendido,
quase tudo livro didático (e para-didático), quase nada de literatura e nada, nada
mesmo de poesia. E se for literatura e poesia negra e/ou indígena aí o bicho pega,
nadíssimo de nada.
Então, a cadeia produtiva do livro envolve um volume fantástico de recursos que
despeja no mercado milhões de livros de excelente qualidade, de preço altíssimo,
mas a capacidade de compreensão de leitura atinge índices vergonhosos. Apesar
disso as Bienais do Livro continuam subsidiadas com dinheiro público sob a
alegação de que incentivam a leitura. Onde e como isso acontece? Quer dizer que
"vale-livro", que não pode comprar nada que não seja complementado pelo bolso do
contemplado é incentivo à leitura? Ou que a aquisição maciça de livros para as
escolas e professores, ou que as excursões de crianças à bienal apenas com o
objetivo de atrair seus pais para o consumo mecânico de livros sejam atividades de
incentivo à leitura?
Será que a presença dos mesmos escritores de todos os anos para falar ou
desenvolver temas propostos pelos "doutores" e "curadores" e "assessores"
distantes das ações de leitura no campo, das necessidades de leitura (entre outras)
de comunidades de baixíssimo índice de desenvolvimento humano onde nunca
puseram os pés, locais, ao contrário das bienais e academias, onde a leitura é
ferramenta indispensável à sobrevivência, libertação, evolução e independência
pessoal e social, será que essas e outras ações cosméticas promovidas por esse
tipo de pessoas ao longo de uma bienal são realmente "incentivo à leitura"?
A Bienal do Livro só contempla, dentro da cadeia produtiva do livro, um único
aspecto: o produto livro e o seu lugar no MERCADO. Na realidade nem o leitor, nem
o escritor, nem as livrarias, nem as editoras, distribuidoras, gráficas, indústrias de
celulose, nada disso é contemplado na Bienal do Livro. Senão vejamos: o leitor (os
poucos que existem) tem que PAGAR para entrar na bienal subsidiada e é visto
pela bienal não como leitor mas apenas e tão somente como consumidor de livros.
O escritor não é contemplado porque o preço do livro é alto (em média, mais de
10% do salário mínimo), as editoras ainda não produzem cópias numerada das
edições dos livros e não há um trabalho efetivo de formação de novos leitores que o
possam compreender e pensar junto realmente.
As editoras, apesar da Lei do Livro e de venderem diretamente os seus livros sem
os custos de distribuição não praticam preços inferiores aos de mercado por causa
das suas margens de lucro e dos custos altos de sua presença na bienal. O mesmo
se dá com relação às livrarias e distribuidoras. A exorbitância dos custos dos
estandes de uma bienal do livro inviabiliza qualquer possibilidade de patrocínio de
atividades de leitura por parte dos demais integrantes da indústria do livro. Assim só
as grandes marcas conseguem se fazer presente.
Então por que a insistência em subsidiar Bienais do Livro? Está mais do que claro
que só se interessam pelo mercado, pelo lucro, pela ganância, pela usura, enquanto
que a saída é investir na Bienal de Leitura, ou na Feira de Leitura, sem vale-livro e
totalmente aberta à população (sem cobrança de ingressos) em parceria com o
COLE (Congresso Brasileiro de Leitura), com a ALB (Associação de Leitura do
Brasil), com a PNL (Política Nacional de Leitura), com a FNLIJ (Fundação Nacional
do Livro Infantil e Juvenil), com o PROLER, com o PNLL (Plano Nacional do Livro e
Leitura), com o sistema "S", com a Biblioteca Nacional, Ministério da Cultura,
Ministério da Educação e Secretarias Estaduais e Municipais de Educação e de
Cultura.
Tácito Costa
Data: 27/02/2009 - Horário: 21h47min
Sobre a saudade
"Eu era um sujeito perseguido pela saudade. Sempre fora, e não sabia como me
desligar e viver tranqüilamente. Ainda não aprendi. É desconfio que não aprenderei
nunca. Pelo menos já sei algo valioso: é impossível me desligar da memória. É
impossível se desligar daquilo que se amou. Tudo isso estará sempre junto
conosco. Sempre teremos tanto o desejo de refazer o bom da vida como o de
esquecer e destruir a lembrança do mau. Apagar as maldades que cometemos,
desfazer a recordação das pessoas que nos prejudicaram, remover as tristezas e as
épocas de infelicidade.É totalmente humano, então, ser um nostálgico, e a única
solução é aprender a conviver com a saudade. Talvez para a nossa sorte, a
saudade possa transformar-se, de algo depressivo e triste, numa pequena chispa
que nos dispare para o novo, para entregar-nos a outro amor, a outra cidade, a
outro tempo, que talvez seja melhor ou pior não importa, mas que será diferente..."
(Trilogia Suja em Havana - Pedro Juan Gutierrez)
Tetê Bezerra
Data: 27/02/2009 - Horário: 17h53min
Obrigado, Denise
Denise:
Considero o verso "Acostuma-te à lama que te espera" um dos mais belos da língua
portuguesa, no nível dos maiores escritores da língua. Obrigado.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 27/02/2009 - Horário: 17h53min
Augusto dos Anjos, o profeta mor
Quer para os tolos, quer para os sábios: Quão lindo é entoar textos vestidos do
bálsamo da originalidade e da revelação mais hedionda. Mais ainda se ele é uma
poesia, mas ainda se ele é uma verdade inexorável. Eita vidinha cheia de
inspiração! Leiamos, então.
Abs,
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro da tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
Augusto dos Anjos
Denise Araújo Correia
Data: 27/02/2009 - Horário: 17h10min
A reação a FSP
O portal Observatório da Imprensa traz alguns artigos bem interessantes sobre o
editorial da FSP, qualificando a ditadura brasileira de ―ditabranda‖, e o ataque do
jornal aos professores Maria Victoria de Mesquita Benevides e Fábio Konder
Comparato. Se você tiver tempo leia também o de Eugenio Bucci sobre a entrevista
de Jarbas Vasconcelos à Veja.
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/
Tácito Costa
Data: 27/02/2009 - Horário: 15h44min
Manifesto contra a FSP
No blog de Luiz Carlos Azenha
http://www.viomundo.com.br/
Benevides vai ao ato de repúdio à Folha
POR CONCEIÇÃO LEMES
Anote em letras bem grandes na sua agenda: 7 de março, 10 horas, em frente à
Folha de S. Paulo, na rua Barão de Limeira, ato público em repúdio à "ditabranda" e
solidariedade aos professores Maria Victoria de Mesquita Benevides e Fábio Konder
Comparato.
"Eu entrei como Pilatos no credo", avalia o professor Comparato. "A meu ver, o fato
gravíssimo é que o jornal procurou absolver o regime hediondo, criminoso,
justamente no momento em que o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do
Brasil, por meu intermédio, impetrou no Supremo Tribunal Federal uma arguição de
descumprimento de preceito fundamental a fim de que o STF declare que os
assassinos, os torturadores, os estupradores do regime militar não foram abrangidos
pela anistia."
"Como pessoa atacada, prefiro não ir ao ato público", antecipa. "Mas gostaria que,
você, em meu nome, dissesse a todos que lá estarão que estou muito emocionado
com imensa solidariedade que tenho recebido."
A professora Maria Victória Benevides irá. Acaba de confirmar a sua presença ao
Viomundo. A repercussão surpreendeu-a.
"Se consideramos que o manifesto de repúdio e solidariedade começou a circular
em pleno carnaval e já conta com mais de 3 mil assinaturas, é muito mais do que
poderíamos imaginar", afirma Maria Victoria. "Isso sem falar da grande quantidade
de sites e blogs que repercutiu positivamente a nosso favor."
"Isso mostra como nós podemos usar a internet e os blogs decentes como
alternativa concreta, real e perfeitamente viável para nos desvincularmos dos
jornalões, da imprensa de rabo preso", prossegue a professora. "Outra coisa
interessante é o apoio que tem vindo também dos jovens. Eles não viveram a
ditadura. Também não aprenderam sobre ela, porque isso não costuma ser
ensinado nas escolas, com raríssimas e honrosíssimas exceções. Eu fico feliz de
ver como eles entenderam que uma coisa é discordar, outra é apresentar uma visão
facciosa, no caso da Folha até ignorante, porque o conceito de "ditabranda" foi
inventado num outro contexto."
O ato público na Folha de S. Paulo está sendo convocado pelo Movimento dos
Sem-Mídia, liderado pelo Eduardo Guimarães, do blog Cidadania.com.
http://edu.guim.blog.uol.com.br/
Link para assinar o manifesto:
http://www.ipetitions.com/petition/solidariedadeabenevidesecomparat/signatures.html
Tácito Costa
Data: 27/02/2009 - Horário: 15h13min
Enquanto caminho na calçada
Engraçado esse blá-blá-blá da mídia para o Oscar 2009 com o filme indiano. Índia,
China, Austrália e Brasil são os mercados emergentes de cinema comercial. A Índia
e a China, sobretudo. Hoje vi alguém vendendo o filme indiano na rua (Milionários)
e, com um breve passeio na calçada vi a moda da novela da Globo, por todos os
lados. Depois dizem que ideologia morreu e a globalização não é fera faiscante.
Interessante é que recentemente tivemos nas telas "Austrália". A idústria do cinema
sempre foi um misto de sonho e tino comercial. Pelo visto, big boss não perdeu o
faro.
Gustavo de Castro
Data: 27/02/2009 - Horário: 14h24min
Utilidade pública
O TEXTO ABAIXO, PUBLICADO PELO ESTADÃO, FOGE AO FOCO PRINCIPAL
DO SPlural, MAS ACHEI SUPERIMPORTANTE, DO INTERESSE DE TODOS NÓS
E POR ISSO TRANSCREVI.
Bons hábitos podem evitar câncer em 30%
Doze tipos da doença foram pesquisados em 4 países
Emilio Sant'Anna
Cerca de 30% dos casos de 12 tipos de câncer registrados no Brasil poderiam ter
sido prevenidos com hábitos saudáveis, como dieta equilibrada, controle do peso e
prática regular de exercícios. O resultado está em relatório divulgado ontem que
mapeou a probabilidade de prevenção de tumor em quatro países, entre eles o
Brasil. A estimativa é do relatório Política e Ação para a Prevenção do Câncer realizada pelo Fundo Mundial de Pesquisas sobre Câncer e Instituto Americano
para a Pesquisa do Câncer.
A pesquisa analisou mais de 7 mil estudos sobre a incidência de tumores de
esôfago; boca, faringe e laringe; estômago; cólon; pâncreas; mama; pulmão; rim;
vesícula; fígado; próstata e endométrio. Com base nas evidências e no
comportamento dos pacientes, apontou a probabilidade de prevenção no Brasil,
EUA, Reino Unido e China. O tabagismo, responsável por cerca de 25% dos casos,
não foi analisado. De forma geral, 19% de todos os tumores poderiam ser evitados
no Brasil caso as indicações fossem seguidas. Segundo o estudo, os tumores
evitáveis de cólon e de mama no Brasil são respectivamente 37% e 28% dos
casos.
"A alimentação balanceada é composta por elementos que podem proteger dos
fatores de agressão às células", explica o coordenador da área de alimentação,
nutrição e câncer do Instituto Nacional de Câncer, Fábio Gomes. O câncer de cólon,
por exemplo, pode ser evitado com dieta que inclua fibras vegetais. "Na própria flora
intestinal já existem substâncias com potencial cancerígeno e o consumo de fibras
ajuda a diminuir o tempo que essas substâncias permanecem em contato com o
intestino", diz Gomes.
Outras substâncias como o alfa-caroteno, encontrado em alimentos como a
cenoura, auxiliam no processo de destruição de células percussoras do câncer. Ou
frutas cítricas, como a laranja, que contêm agentes antioxidantes que se ligam aos
radicais livres das células, impedindo que sejam agredidas e destruídas.
O relatório aponta outro vilão: as bebidas alcoólicas. Quando se analisam as
probabilidades de tumores de esôfago e boca, faringe e laringe que poderiam ser
evitados, a relação fica clara. No Brasil, cerca de 60% dos casos de câncer de
esôfago são evitáveis. Para os tumores de boca, faringe e laringe, o índice no País
é de 63%.
Outros, como vegetais oleaginosos (amendoim, nozes, etc.) são importantes para
prevenir o câncer de próstata, diz a nutricionista Anita Sachs, da Universidade
Federal de São Paulo (Unifesp). Para as mulheres, Anita alerta que os alimentos
com alto teor de gordura, como carne e certos tipos de leite, são os vilões do câncer
de mama.
Tácito Costa
Data: 27/02/2009 - Horário: 11h39min
REFERENCIAR A FONTE
Caro Tácito,
Essa matéria assinada pelo Preto está no Correio do Brasil (Link Abaixo)
http://www.correiodobrasil.com.br/noticia.asp?c=150067
Gostaria de implorar aos colegas. Fazer sempre a referência da fonte de onde foi
tirada a matéria.
João da Mata Costa
Data: 27/02/2009 - Horário: 11h55min
Paixões diferentes
―... deitar com uma mulher e dormir com ela, eis duas paixões não somente
diferentes mas quase contraditórias. O amor não se manifesta pelo desejo de fazer
amor (esse desejo se aplica a uma série inumerável de mulheres), mas pelo desejo
do sono compartilhado (este desejo diz respeito a uma só mulher).‖
Trecho- A insustentável leveza do ser - Milan Kundera
(http://www.literatus.blogspot.com)
Tetê Bezerra
Data: 27/02/2009 - Horário: 10h59min
O folk do mangue
Aos que gostam de folk, psicodelia e dos sons que emanavam do Nordeste em
meados da década de 70 (Zé Ramalho, Lula Côrtes, Belchior) recomendo uma
sacada no som do pernambucano Jean Nicholas.
O Inimigo fez uma matéria com ele e disponibilizou para download o single de
estréia do rapaz.
http://www.oinimigo.com/blog/?p=1088
Alexis Peixoto
Data: 27/02/2009 - Horário: 10h56min
Cavalcanti no Brasil
Caros amigos:
Um artigo (GOMES, Sheila. ―Coisa de Cinema / Perfil / Alberto Cavalcanti‖. Texto
disponível no Google, consultado no dia 24 de abril de 2007) comentou, a respeito
de Alberto Cavalcanti:
―Suas posições de esquerda e sua homossexualidade incomodavam a atrasada
sociedade brasileira.‖
Quer dizer que sua saída da Vera Cruz foi uma versão nacional de caça às bruxas,
sem Broadway, Hollywood, John Edgar Hoover nem Joseph Raymond McCarthy? E
os atrasados empregadores de Cavalcanti (não ―a atrasada sociedade brasileira.‖,
jamais consultada a respeito) julgavam ter algum direito sobre a intimidade e a
cidadania alheias?
Parece mais crível que Alberto Cavalcanti perturbasse os donos da Vera Cruz por
apresentar exigências e projetos. Se o comunista homossexual fosse submisso à
razão patronal, para que os empresários se preocupariam com sua militância
política e erótica?
A menos que tais patrões fossem muito inseguros sobre suas próprias preferências
em política e sexualidade: aí, as práticas do outro representariam perigosas
tentações.
Em qualquer caso, como no samba-canção de Dorival Caymmi e Carlos Guinle,
―Não tem solução.‖.
Marcos Silva
Data: 27/02/2009 - Horário: 10h55min
Sobre Cuba
Olá, Tácito!
Li que o Alex de Souza divulgou meu blog no Substantivo. Sou estudante de
jornalismo e cheguei ontem de Havana. Não sei se você sabe, mas estava com um
espaço sobre a viagem no Nominuto.com - onde ainda farei minhas considerações
finais. O endereço é http://www.nominuto.com/blog/cartas-de-cuba/
Peço que dê uma olhada e, se puder, divulgue em seu site. Abraço!
Conrado Carlos Pereira da Silva
Data: 27/02/2009 - Horário: 08h12min
PARECE COM O RN
Karen Kupfer, da revista de fofocas Quem, da Rede Globo, publicou há poucos dias
uma notinha reveladora sobre a relação promíscua entre jornalistas e políticos:
―Para comemorar o sucesso do programa Saia Justa, Suzana Villas Boas abriu sua
casa no Alto de Pinheiros para uma festança daquelas. A turma de convidados, que
também era recebida por Arnaldo Jabor, marido de Suzana, reuniu políticos, artistas
e jornalistas. O candidato José Serra, para quem Suzana presta assessoria, foi
prestigiá-la. Ficou um pouco e trocou idéias com alguns jornalistas‖. Luís Frias,
presidente do Grupo Folha, também participou da festança, ―que ferveu na pista até
o sol raiar‖.
No mesmo período, a colunista Hildegard Angel escreveu no Jornal do Brasil outra
nota curiosa: ―Elmar Moreira, irmão de Edmar Moreira [o deputado dos demos que
ficou famoso pelo castelo construído no interior mineiro], é casado com Ana Leitão,
irmã de Miriam Leitão‖ – a jornalista da TV Globo famosa por seus palpites furados
sobre economia, pela adoração ao deus-mercado e pela oposição doentia ao
governo Lula. O interessante neste caso é que a colunista global, metida a sabetudo, nunca descreveu aos seus telespectadores os detalhes do luxuoso castelo
demo.
Artista global com Kassab
Para encerrar a série sobre as relações indecentes entre jornalistas e políticos da
direita, a sempre atenta Mônica Bergamo, uma das raras exceções do jornal Folha
de S.Paulo, revelou no início de fevereiro: ―O marido de Ana Maria Braga [estrela da
TV Globo e do finado movimento golpista ‗Cansei‘] é o mais novo colaborador da
administração Gilberto Kassab (DEM-SP). Candidato derrotado à Câmara
Municipal, Marcelo Frisoni vai assumir um cargo de ‗coordenação‘ na Secretaria de
Modernização, Gestão e Desburocratização‖ da prefeitura paulistana.
Dias antes, Bergamo foi ameaçada pelo marido brigão da artista global, que o
irônico José Simão batizou de ―Ana Ameba Brega‖. Frisoni se irritou com a pergunta
sobre o pagamento da pensão alimentícia para os dois filhos do seu casamento
anterior: ―Publica o que quiser. No dia seguinte, vou à redação dessa bosta de
jornal e encho essa Mônica Bergamo de porrada na frente de todo mundo... A única
pessoa que tentou ferrar comigo foi o Madrulha [ex-marido da apresentadora da TV
Globo] e eu acabei com ele. Hoje ele é secretário de cachorro e não consegue mais
nada‖.
Cadê o “tribunal macartista” de Mainardi?
Deixando de lado as baixarias dos ―famosos‖, o que chama a atenção nestas
notinhas é a relação obscena entre figurões da TV Globo e políticos da direita
demo-tucana do país. Outra estrela da poderosa emissora, o filhinho de papai Diogo
Mainardi, criou no início do mandato de Lula o seu ―tribunal macartista
mainardiano‖, no qual promoveu abjeta cruzada contra alguns profissionais da
imprensa. ―A minha maior diversão é tentar adivinhar a que corrente do lulismo
pertence cada jornalista‖, explicou o troglodita na sua coluna de estréia na revista
Veja, em dezembro de 2005.
Aos poucos, Mainardi dedurou alguns colunistas mais independentes. ―Tereza
Cruvinel é lulista. Dessas que fazem campanha de rua. Paulo Henrique Amorim
pertence à outra raça de lulistas. É da raça dos aloprados, dos lulistas bolivarianos.
Acha que a primeira tarefa do lulismo é quebrar a Globo e a Veja‖, atacou. O caso
mais famoso desta cruzada fascista foi o do jornalista Franklin Martins, acusado
levianamente de possuir uma ―cota de nomeações pessoais no serviço público‖.
Após longo bate-boca, a TV Globo preferiu apoiar o delator direitista e demitiu
Franklin Martins.
Perguntar não ofende: será que Mainardi, ―difamador travestido de jornalista‖, fará
barulho agora contra seus amiguinhos da TV Globo que gozam das intimidades
demo-tucanas. Pedirá a cabeça de Arnaldo Jabor, cuja esposa é assessora do
presidenciável tucano José Serra, freqüentador de sua mansão? Criticará a ―cota de
nomeações pessoais no serviço público‖ da cansada Ana Maria Braga? Pedirá
detalhes picantes do castelo dos demos à ―ortodoxa‖ Miriam Porcão – ou melhor,
Leitão? Ou todos juntos – Jabor, Leitão, Ana Maria Braga e o macartista Mainardi –
fazem parte do esquemão montado pela TV Globo para viabilizar a vitória do tucano
José Serra em 2010?
PRETO
Data: 26/02/2009 - Horário: 23h09min
Buraco da Catita
Tácito e leitores do SP.
Amanhã, dia 27 de fevereiro, teremos a partir das 21:00 no Espaço Cultural Buraco
da Catita a presença do CANTEIRO DO SAMBA.
Esperamos vocês por lá.
Grata por divulgar este evento.
Ana Maria Guimarães
Data: 26/02/2009 - Horário: 23h05min
A contribuição de Cavalcanti
A contribuição de Alberto Cavalcanti começa - internacionalmente - por sua
preocupação (pouco conhecida aqui no Brasil) com o SOM como rico elemento da
linguagem cinematográfica pós-30.
Cavalcanti fez avançar o uso criativo da banda sonora no mínimo uns 30 anos,
durante sua passagem pela G.P.O., na Inglaterra, quando se tornou o braço direito
de John Grierson na condução do que viria a ser conhecido como a "escola do
Documentarismo inglês". O célebre Grierson, conforme hoje se sabe, era o que se
chama, atualmente, de "captador de recursos", pessoa hábil e de grande
sensibilidade política para arrancar financiamentos oficiais etc, muito mais do que
um cineasta na expresão da palavra (de relevante, realmente, ele só realizou
"Drifters" e mais nada).
Cavalcanti se tornaria, assim, o mentor artístico da "escola" britânica, e nela se
formaram talentos como Norman McLaren, Basil Dearden e outros futuros diretores
de renome. E todos foram unânimes em reconhecer - na grande retrospectiva que o
British Film Institute fez, em 1977, da obra cavalcantiana - que, SEM o brasileiro,
suas carreiras não teriam se orientado da mesma forma, ou seja, no sentido da
preocupação rigorosa com o Filme como produto artístico, antes de mais nada.
Quanto à contribuição que Alberto deu ao Brasil, é claro que não foi ao se ver
envolvido com aquele grande equívoco da Vera Cruz, empresa monitorada por um
grupo de ítalos-paulistas (Franco Zampari etc) que nada entendiam de cinema, nem
deixavam que Cavalcanti (que ENTENDIA, e muito) trabalhasse em paz.
Mesmo assim, ele trouxe técnicos de alta qualidade - montadores e iluminadores
como Chick Fowle, por exemplo - para a empresa, e lá os profissionais estrangeiros
puderam passar muita coisa da sua larga experiência para jovens técnicos
brasileiros (muitos dos quais seriam
posteriormente incorporados ao "Cinema Novo").
Sobre a possível antecipação do diretor de "O Canto do Mar" com relação a certos
cânones, digamos, do novo cinema que surgiria aqui nos anos 60, é suficiente ver o
filme que Cavalcanti produziu e dirigiu em Pernambuco (em 1952), para perceber a
transparente preocupação social do diretor filiado ao Partido Socialista britânico
desde o momento em que botou o pé em Londres, a convite de Grierson (aliás,
frequentemente incomodado com as posições mais "à esquerda" da Esquerda do
seu braço direito)...
Fico por aqui, embora ainda houvesse muito o que dizer sobre o assunto. Ou talvez
seja melhor deixá-lo para o palco do III Goiamum Audiovisual, no qual - eu espero Alberto Cavalcanti possa ser homenageado de uma forma que o Brasil (para não
falar de São Paulo e Recife) está lhe devendo há muito tempo.
Fernando Monteiro
Data: 26/02/2009 - Horário: 23h04min
O AMOR COMO REMÉDIO
Caros amigos:
Ler Carmen Vasconcelos é sempre um prazer. E escrevendo sobre amor, melhor
ainda. Só quero lembrar que o amor é um santo remédio pra umas tantas chatezas
da vida. Embora ele tb a complique, de vez em quando. Mas, como disse
sabiamente Vinicius de Morais, numa linda melodia de Edu Lobo, "é melhor viver do
que ser feliz" (acho que o título é "Só fez bem", muito bem cantada por Maria
Bethânia naquele disco que ela fez com Edu).
Abraços:
Marcos Silva
Data: 26/02/2009 - Horário: 23h02min
Os remédios do amor
―São quatro os remédios do amor humano, diz Vieira: o tempo, a ausência, a
ingratidão e, sobretudo, o melhorar de objeto. O amor sem remédio é sobrehumano, o amor divino e, como tal, não nos é dado amar, embora que em nossa
última hora, segundo ainda Vieira, muito lamentemos não ter amado o amor sem
remédio.‖
De Carmen Vasconcelos, em sua coluna, na crônica ―Gracias, Vieira‖.
Tácito Costa
Data: 26/02/2009 - Horário: 19h01min
Alberto Cavalcanti deve ser debatido
Caros amigos:
É ótimo que Fernando Monteiro esteja trazendo para nossa discussão a figura de
Alberto Cavalcanti. Trata-se de diretor de alto nível, destratado no Brasil até hoje - o
acesso a seus filmes é muito difícil, assisti a "O canto do mar" na Fundação
Cinemateca Brasileira.
Discordo da suposta ascendência desse bom filme sobre o Cinema Novo. É um
trabalho com destacada qualidade fotográfica, prejudicado por um elenco muito
irregular e um argumento pouco resolvido. Certamente, demonstra um tipo de
preocupação social incomum no cinema brasileiro da época, além de qualidades
artísticas incomuns. E nada justifica as grosserias que Cavalcanti sofreu no Brasil
quando já era um importante diretor internacional, com presença de relevo na
Avant-garde francesa e no documentário inglês do período da II Guerra Mundial.
Penso que ele e Alex Viany são diretores anteriores ao Cinema Novo que merecem
um bom debate, ainda muito incipiente entre nós. E precisam ter filmes acessíveis
em dvd para que esse debate deslanche mais.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 26/02/2009 - Horário: 17h29min
Alberto Cavalcanti: O CINEASTA "ACIMA DA
MENTALIDADE DOS BRASILEIROS"
No centenário de nascimento de Alberto Cavalcanti (6 de fevereiro de 1997), nada
se fez, neste país, para homenagear esse que foi dos nossos artistas maiores: um
cineasta, diretor teatral e esteta cuja biografia o alinha, aqui no Brasil, entre os
nossos compatriotas de menor sorte no trato tanto com o poder público quanto com
a esfera privada (e raramente por sua culpa).
Internacionalmente aclamado como um dos diretores mais influentes da história do
cinema, o diretor de ―As aventuras de Nicholas Nickleby‖ (1947) faleceu em Paris,
às dez horas da manhã de 23 de agosto de 1982, profundamente magoado como o
seu país.
Tinha 85 anos – e uma longa carreira em dois continentes, nos quais seu nome
figurava como importante para, pelo menos, três cinematografias (francesa, inglesa
e brasileira).
Era um cidadão do mundo, uma figura legendária da ―sétima arte‖, por ele abraçada
em detrimento da arquitetura, o curso no qual se diplomou, em 1917, na cidade de
Genebra. Também estudou Estética, em Paris, com Victor Basch e trabalhou, por
um tempo, no escritório do célebre arquiteto Alfred Agache.
Homem de extrema cultura, o carioca de ascendência pernambucana fez sua
entrada no meio cinematográfico na Europa, trabalhando como cenógrafo para
Marcel L‘Herbier, Louis Delluc e outros nomes da avant-garde francesa. O filme que
ele realizou com base em ―Nicholas Nickleby‖ – um dos grandes romances de
Charles Dickens –, ainda é considerado das melhores adaptações do escritor
vitoriano. Para alguns, até mesmo a melhor – o que implica na comparação com
filmes dirigidos por cineastas como David Lean, Carol Reed e outros. O brasileiro
Cavalcanti concebeu uma Londres de época (1830) irretocável, num ―Nickleby‖ com
toques Tudor e toda uma "confusão" pré-vitoriana típica, compondo o melodrama
cheio daquela verve dos personagens de Dickens, num filme memorável que, volta
e meia, é reprisado na TV londrina, na semana de Natal.
Uma historinha mais do que exemplar relaciona-se com a reprise dessa produção
inglesa de Michael Balcon, no dia 23 de dezembro de 1974, constatada pelo próprio
Alberto, ―num cinema elegante" (o Carnegie Hall) de Nova York. O que pareceu
irônico ao cineasta vai aqui relatado por ele mesmo, numa carta daquele mesmo dia
e enviada de Nova Iorque – para um jovem amigo no Recife – como lição do quanto
podia ser obtuso um exibidor brasileiro dos anos 50:
―Isto é um apêndice da minha carta de três dias atrás... Achei engraçada, Fernando,
a ressurreição do filme – ―Nicholas Nickleby‖ – pelo Natal, em um cinema elegante
de New York!, e bem me lembro do Severiano Ribeiro tê-lo rejeitado (o filme) como
julgando-o – sic – acima da mentalidade do público brasileiro!"
Foi mais uma decepção – dentre muitas – na experiência de Alberto com o seu
próprio país. E das mais ―leves‖, até, pois as delongas e as indelicadezas dos
diretores da antiga Embrafilme, inviabilizando o último projeto de longa-metragem
do diretor – ―Antonio José, o Judeu‖ – com certeza foram mais difíceis de suportar
do que "caso" do filme de 1947, com o astuto e poderoso Ribeiro.
Em 1997, tivemos ocasião de testemunhar mais um insulto, dessa vez oficial e, já
então, à memória do falecido diretor de ―O canto do mar‖ (que, para muitos, teria
antecipado o espírito do Cinema Novo): a Empresa de Correios e Telégrafos não
considerou Alberto Cavalanti notável o bastante para figurar em selo comemorativo
do centenário de nascimento. A ECT deu o seu veredicto ―cultural‖, e não saiu o
selo comemorativo dos 100 anos do autor de ―Rien que les heures‖ (1926), o filme
que o genial cineasta japonês Akira Kurosawa lista entre aqueles que mais o
influenciaram, junto com obras de John Ford, Jean Renoir, Charles Chaplin, Fritz
Lang, Sergei Eisenstein, Carl Dryer, Murnau e Luis Buñuel. Conforme se lê na
autobiografia de Kurosawa (―Gama no Abura‖, 1984), é em tal companhia que o
diretor de ―Os Sete Samurais‖ coloca o filme do brasileiro. Ele a viu no longínquo
Japão, na sua juventude, por sorte e mercê de não existir por lá nenhum Severiano
Ribeiro nipônico, naquela época.
Fernando Monteiro
Data: 26/02/2009 - Horário: 16h39min
Deserto Feliz: algumas considerações
O Filme ―Deserto Feliz‖ em exibição no Cinemark é outro grande filme de temática
social e atual. O elenco é formado por uma adolescente Nash Laila (Jéssica) e
alguns dos grandes atores da nova safra de cinema nacional. João Miguel, de
Estômago e Hermila Guedes, de O Céu de Sueli. Dois outros grandes filmes. O
roteiro a oito mãos tem a participação de Paulo Caldas, Marcelo Gomes, Manoela
Dias e Xico Sá e direção de Paulo Caldas.
A equação,
POBREZA + PADRASTO + PROSTITUIÇÃO + PÓ + PRÍNCIPE ENCANTADO
(Branco e Estranja) = Política de Países Pobres
É uma triste realidade que precisa ser pensada por todos nós. Pode ser uma leitura
linear e não necessariamente acontece nessa ordem e no nordeste do Brasil. Uma
realidade continental, mas estamos falando do nordeste, palco de grandes filmes
com a mesma temática.
O silêncio da protagonista de menor é também o silêncio de Lorna (Albanesa) e de
muitas outras protagonistas do cinema atual. Silencio que vem da falta de
perspectivas e do ―Deserto Feliz‖ da existência.
Em o Deserto Feliz é mostrado o contraste entre o mundo pobre e seco do nordeste
(terra da menina) e o mundo branco e cheio de neve da Alemanha (terra do
namorado). Na Alemanha, a menina é bem vestida e mora num apartamento bem
mobiliado e cheio de livros. Aqui no Brasil ela já não conseguia comer o cuscuz com
bode e lá ela dá de comer salsichas aos bodes e ovelhas bem nutridos e belos. No
Brasil ela dividia com outras duas amigas prostitutas um pequeno quarto fétido e
sem ventilação. Mesmo a mãe dizendo que era sua mãe e pai, ela preferiu o mundo
da prostituição a continuar a vida de estudante e pobre nordestina. O contraste
entre os dois mundos tenta se impor num mundo plano. A Alemanha não é tão
branco e a vida lá não é esse mar de rosas. O conto de fadas logo termina. A
menina precisa aprender a língua e fazer alguma coisa, diz o namorado.
Se não conhecesse a famosa Alexanderplatz em Berlim, eu diria: que lindo!. Que
sonho essa menina vive. A realidade é outra. Nessa praça, na Alemanha, corre um
rio de impunidades, drogas e prostituição. Nessa praça e em outras muitas do
mundo. A miséria é universal e que bom que a nossa esteja sendo mostrada nas
telas do cinema. Nunca o cinema brasileiro mostrou tanto a sua cara é não é à toa
que a maior parte desses filmes de forte temática social se realiza no nordeste.
Pernambuco é um grande pólo. Baixio das Bestas, O justiceiro e outros grandes
filmes mostram uma realidade que precisa ser conhecida pelos brasileiros.
Não entendo quando o crítico de cinema diz que sente falta de um país nos nossos
filmes. O Brasil pobre e de fortes contrates sociais está presente em boa parte do
cinema nacional atual. Um país continental desconhecido da maioria.
Se ainda não temos um grande cinema, o glamour e dinheiro, muitas histórias
temos para contar. Pena que tão poucos assistam. Glamour. Pena que muitos não
conheçam essa realidade e prefiram a pasteurização de outros mundos que não o
seu. Daí a dicotomia. Daí as divisões artificiais e compartimentalizações do olhar e
do saber. Há se fossem discutidos!. Pelo menos saberíamos mais, mesmo que
fosse só para saber. Só podemos intervir conhecendo essa realidade que o cinema
nacional mostra. Mesmo que incomode. Mesmo que ainda não tenham atingido um
nível técnico razoável. Ele precisa existir. E o Brasil precisa mostrar a sua cara. Viva
o cinema nacional. Longa Vida.
João da Mata Costa
Data: 26/02/2009 - Horário: 16h31min
Persona e outros filmes de Bergman
Caro amigo Tácito:
Comecei a ver filmes de Bergman em Natal, telas grandes. Em SP, ainda vi muitos
filmes dele no cinema. Hoje em dia, é mais comum o acesso via dvd, embora
alguns ciclos ainda ocorram em salas médias.
Bergman é excepcionalmente bom. Grande diretor de atores (trabalhou com teatro
até o final da vida), concepção de fotografia e montagem muito peculiar.
Eu teria muita dificuldade para escolher entre "O sétimo selo", "Persona" e
"Morangos silvestres", dentre outros filmes excepcionais dele. No caso de Persona,
sinto a permanência de alguns grandes temas de Bergman (o que é ser humano, o
indivíduo e o outro, as normas e a força do desejo). "Persona" tem uma
historicidade particular, feito num tempo de grandes experimentos e desafios - os
complicados anos 60. As minúcias narrativas (fotografia, memória de cenas)
assumem um peso ainda maior que nos filmes anteriores.
Esses filmes são similares aos livros de Dostoiévsky e Machado, aos quadros de
Goya e Cézanne: pra vida toda.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 26/02/2009 - Horário: 14h40min
Alberto Cavalcanti no Goiamum
Tácito:
esta notícia natalense vai em primeira mão para vosmicê: É possível que o III
Goiamum Audiovisual faça uma justíssima homenagem, em setembro, ao mais
injustiçado dos cineastas brasileiros: o internacional - e grande - ALBERTO
CAVALCANTI, nome importante para três cinematografias: a brasileira, a britânica e
a francesa (da "avant-garde"). Aqui no Brasil, Cavalcanti criou o antigo Instituto
Nacional do Cinema, fundou a Vera Cruz e foi antecipador, segundo a avaliação
mais criteriosa do tempo etc, do espírito do "Cinema Novo" (com o filme O Canto do
Mar, de 1952).
Abraço,
Fernando Monteiro
Data: 26/02/2009 - Horário: 12h03min
Persona, de Bergman
Aproveito o carnaval para rever em casa ―Persona‖, de Bergman, filme que havia
assistido há muito tempo e que não tinha me impressionado tanto como outros do
cineasta, como ―O sétimo selo‖ e ―Morangos silvestres‖. O que me intrigava é que
―Persona‖ é considerado por muitos críticos e cinéfilos como o melhor do diretor
sueco, mas eu não o tinha nesse patamar. Pois bem, em que pesem as qualidades
notórias do filme (mesmo o Bergman menos aclamado está bem acima da média de
muitos filmes considerados bons que vemos hoje em dia), mantenho a mesma
opinião.
O que pode significar que continuo o mesmo espectador limitado de anos atrás e a
essa altura um caso perdido. Vou continuar pendendo sempre para filmes mais
―fáceis‖, menos ―cabeça‖. O que não significa que deixe de assistir a esses filmes,
tidos como complexos. Não dá também para generalizar porque, certamente, tem
filmes considerados difíceis que curto. Na verdade, não discrimino e nem me deixo
levar pela opinião alheia. Assisto a todos os filmes, sejam taxados de fáceis ou
difíceis. E escolho os da minha preferência respeitando as opções dos críticos – e
vendo o que eles indicam - mas não abrindo mão de fazer minhas próprias
escolhas.
Tácito Costa
Data: 26/02/2009 - Horário: 11h57min
Watchmen no cinema? Tô fora!
Melhor não se empolgar muito com essa adaptação cinematográfica de Watchmen.
Longe de mim reacender uma discussão velha (e chatíssima, aliás) que vez por
outra pipoca por aqui, sobre adaptações literárias vertidas para o cinema e a
validade das mesmas e tal.
Não confio nessa versão é por causa do tal Zack Snyder, diretor de veia
videoclíptica e publicitária que, a bem da verdade, não vale um real. Mas, pela
curiosidade mórbida e pelo dever cívico de fã, irei ver o filme, claro.
O curioso é que no fim dos anos 80, quem esteve muito cotado para dirigir uma
adaptação de Watchmen foi Terry Gillian, ex-Monty Phyton e diretor de Medo e
Delíro em Las Vegas, As Aventuras do Barão de Munchausen e outros favoritos de
Alex de Souza. Aí, talvez rendesse um caldo interessante.
Alexis Peixoto
Data: 26/02/2009 - Horário: 11h07min
Cortazar e Carol
―A história de Julio {Cortazar} e Carol é o que eu queria pra minha vida. Queria tanto
que poderia dizer que se um gênio aparecesse e me perguntasse o que eu queria
nesse exato minuto diria: um grande amor, uma viagem, um diário dessa viagem,
muitas noites insones conversando, trocando impressões, visitando lugares e
conhecendo pessoas, ainda que o preço para isso fosse morrer pouco tempo
depois. Acho que seria o canto do cisne, aquele momento tão único, tão perfeito e
definitivo que seria bobagem viver depois disso.‖
Leia mais no blog LITERATUS.
http://angelblue83.multiply.com/journal/item/151/151)
Tácito Costa
Data: 26/02/2009 - Horário: 10h13min
"Milk", o preço da liberdade
CONTARDO CALLIGARIS
FOLHA DE SÃO PAULO
ASSISTINDO a "Milk - A Voz da Igualdade", de Gus Van Sant (extraordinário Sean
Penn no papel de Harvey Milk), lembrei-me de um e-mail que recebi em abril de
2008. Era uma circular de www.boxturtlebulletin.com (um site sobre os direitos das
minorias sexuais), que "comemorava" os 55 anos de um evento sinistro: em 1953,
Dwight Eisenhower, presidente dos EUA, assinou um decreto pelo qual seriam
despedidos todos os funcionários federais que fossem culpados de "perversão
sexual". Essa lei permaneceu em vigor durante mais de 20 anos: milhares de
americanos perderam seus empregos por causa de sua orientação sexual.
Fato frequentemente esquecido (um pouco como foi esquecida, durante décadas, a
perseguição dos homossexuais pelo nazismo), nos anos 50, no discurso do senador
McCarthy, a caça às bruxas "comunistas" se confundia com a caça às bruxas
homossexuais. Por exemplo, uma carta do secretário nacional do Partido
Republicano (citada na circular) dizia: "Talvez tão perigosos quanto os comunistas
propriamente ditos são os pervertidos escusos que infiltraram nosso governo nos
últimos anos". Essa não era uma posição extrema: na época, a revista "Time"
defendeu o projeto de despedir todos os homossexuais que trabalhassem para o
governo federal.
É nesse clima que, nos anos 70, em San Francisco, Milk se tornou o primeiro
homossexual assumido a ser eleito para um cargo público.
Poderia escrever sobre as razões que, quase invariavelmente, levam alguém a
querer esmagar a liberdade de seus semelhantes. O segredo (de polichinelo) é que
muitos preferem odiar nos outros alguma coisa que eles não querem reconhecer e
odiar neles mesmos. E poderia contar a história de Roy Cohn, braço direito de
McCarthy, que morreu, em 1984, odiando e escondendo sua homossexualidade e
gritando ao mundo que a causa de sua morte não era a Aids (ele foi imortalizado
por Al Pacino na peça e no filme "Anjos na América", de Tony Kushner).
Mas, depois de assistir a "Milk", estou a fim de festejar o caminho percorrido em
apenas meio século: o mundo é, hoje, um lugar mais habitável do que 50 anos
atrás. Aconteceu graças a milhares de Harvey Milks e a milhões de outros que não
precisaram ser nem homossexuais nem comunistas nem coisa que valesse: eles
apenas descobriram que só é possível proteger a liberdade da gente se
entendermos que, para isso, é necessário defender a liberdade de nosso vizinho
como se fosse a nossa. Nos anos 70, quase decorei a carta aberta que James
Baldwin (escritor, negro e homossexual) endereçou a Angela Davis (jovem filósofa,
negra e militante), quando ela estava sendo processada por um assassinato que
não cometera, e o risco era grande que o processo acabasse em uma condenação
"exemplar". Baldwin lembrava as diferenças de história, engajamento e pensamento
entre ele e Davis, para concluir: "Devemos lutar pela tua vida como se fosse a
nossa - ela é a nossa, aliás - e obstruir com nossos corpos o corredor que leva à
câmara de gás. Porque, se eles te pegarem de manhã, voltarão para nós naquela
mesma noite".
Os direitos fundamentais não são direitos de grupo, eles valem para cada indivíduo
singularmente, um a um. É óbvio que grupos particulares (constituídos por raça,
orientação sexual, ideologia, etnia etc.) podem e devem militar coletivamente pelos
direitos de seus membros, mas, em uma sociedade de indivíduos, a liberdade de
cada um, por "diferente" que ele seja, é condição da liberdade de todos. Por quê?
Simples: se meu vizinho, sem violar as leis básicas da cidade, for impedido de ter a
vida concreta que ele quer, então meu jeito de viver poderá ser tolerado ou até
permitido, mas ele não será nunca mais propriamente meu direito. "Milk" é um filme
sobre um momento crucial na história das liberdades, mas não é um filme
"arqueológico". A gente sai do cinema com a sensação renovada de que a
militância libertária ainda é a grande exigência do dia. Ótimo assim.
Um amigo me disse recentemente que eu dou uma importância excessiva à
contracultura dos anos 60/70. Acho, de fato, que ela foi a única revolução do século
20 que deu certo e, ao dar certo, melhorou a vida concreta de muitos, se não de
todos. Acho também que suas conquistas só se mantêm pelo esforço cotidiano de
muitos. Afinal (quem viu o filme entenderá), surge uma Anita Bryant a cada dia.
Tácito Costa
Data: 26/02/2009 - Horário: 09h30min
Que é região? Que é universo?
Caros amigos:
Os comentários sobre literatura que a imprensa brasileira publica hoje em dia são
bem fracos. É assim que algumas críticas dedicadas a Milton Hatoum oscilam entre
o deslumbramento e a rejeição sem matizes. Perde-se uma boa oportunidade para
tratar região como problema, não como questão resolvida desde sempre. Nesse
sentido, os grandes Graciliano e Guimarães continuam exemplares, não como
objetos de imitação e sim como exemplos a serem retomados noutros patamares.
Eles gritam, em altos estilos, que existem especificidades e universalidades. Não
sentem vergonha de colocar o vocabulário mais local em confronto com situações
que vão da Bíblia e dos mitos gregos à literatura européia do século XX.
Penso que região é um recorte e universo uma ampliação: uma está no outro.
Alguém ainda supõe que o nordeste brasileiro, por exemplo, seja uma realidade
homogênea?
Alguém pensa que o sul do mesmo país, noutro exemplo, está acima de classes,
gêneros e faixas de idade? A libido nos contos de Dalton Trevisan aflora em
Curitiba mas dialoga com Belgrado, Kansas City e Havana, dentre outros lugares do
planeta porque: 1) a escrita transcende uma referência imediata; 2) todo lugar é ele
e seu outro. Vcs já sentiram New York, Roma e Barcelona em becos natalenses?
Eu já, com a ajuda de contos de Newton Navarros e poemas de Sanderson
Negreiros e Luís Carlos Guimarães, dentre outros.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 26/02/2009 - Horário: 08h16min
Diarréia
Meu querido Tácito.
O KINEMA existe? É deserto? É feliz? É perfumado?
Augusto Lula
Data: 25/02/2009 - Horário: 23h43min
Ainda o regionalismo
Os críticos de Veja e Época nem parecem que leram o mesmo livro, ―A Cidade
Ilhada‖, de Milton Hatoum, o primeiro de contos do escritor amazonense. Enquanto
para Veja a obra é péssima, para a Época trata-se de um excelente livro. A Veja
acha pouco e ainda retoma a discussão sobre regionalismo literário, que segundo a
revista, está presente em Hatoum, no pernambucano José Luiz Passos, no
cearense Ronaldo Correia de Brito e no gaúcho Vitor Ramil. Não custa lembrar que
o tema foi objeto de debate acalorado e de alto nível em 2008 aqui no SP.
Abaixo a matéria de VEJA, assinada por Jerônimo Teixeira. Não posto a da
ÉPOCA, que elogia o livro de Hatoum, porque não está disponível online. Li na
edição impressa da revista.
Minha terra tem primores
Os escritores não gostam de ser qualificados de "regionalistas", mas a própria
resistência ao termo prova que ele ainda tem algum sentido
Os escritores contemporâneos esperneiam para não ser tachados de regionalistas.
Já consagrado por romances como Dois Irmãos, o amazonense Milton Hatoum, 56
anos, que está lançando seu primeiro livro de contos, A Cidade Ilhada (Companhia
das Letras; 218 páginas; 31 reais) – o título faz referência a Manaus –,
recentemente declarou à Folha de S.Paulo que o conceito de regionalismo ficou
datado e precisa ser revisado. Professor de literatura da Universidade da Califórnia,
o pernambucano José Luiz Passos, 38 anos, que estreia na ficção com Nosso Grão
Mais Fino (Objetiva/Alfagura; 168 páginas; 37,90 reais), nega que o romance seja
"tipicamente nordestino" – embora a ação do livro se desenvolva na zona
açucareira de seu estado natal. O pernambucano Raimundo Carrero e o cearense
Ronaldo Correia de Brito também já protestaram contra o rótulo. A ideia de uma
literatura regionalista, portanto, deixou de fazer sentido? Talvez não: o próprio fato
de tantos autores se voltarem contra o conceito atesta que, de alguma forma, ele
sobrevive. O curioso é que a classificação que hoje parece pejorativa responde
pelas melhores obras da ficção brasileira do século XX – clássicos como Vidas
Secas e São Bernardo, de Graciliano Ramos, e Grande Sertão: Veredas, de
Guimarães Rosa.
Talvez seja exatamente pela qualidade do regionalismo que se consolidou a partir
da chamada Geração de 1930 que o termo tenha ficado tão pesado para os novos
escritores. Graciliano, Jorge Amado, José Lins do Rego, Erico Verissimo estavam,
afinal, desbravando o interior profundo do Brasil. Redescobriram o sertão, o pampa,
o canavial, paisagens até então pouco visitadas pela literatura (ou mal visitadas, se
lembrarmos O Gaúcho e O Sertanejo, exotismos extremos dentro da obra exótica
de José de Alencar). Hoje, porém, certas marcas regionalistas tornaram-se
convenções literárias desgastadas. Junte um coronel, alguns retirantes, um ou outro
jagunço, embale tudo em uma linguagem "oral", e está pronto um romance
nordestino. O regionalismo tornou-se uma variedade de beletrismo. Para piorar, o
termo pode ser contestado também por sua imprecisão. Se qualquer lugar, afinal,
pode ser uma "região", por que as narrativas manauaras de Milton Hatoum seriam
regionais, quando os contos cariocas de Rubem Fonseca ou curitibanos de Dalton
Trevisan passam por "urbanos"? Satolep, belo romance do cantor e compositor
gaúcho Vitor Ramil, deixaria de ser regionalista (como já o consideraram) se tivesse
lugar em Porto Alegre, e não em Pelotas? Afirmar que a boa literatura não é
regional, mas "universal", não resolve a parada. "Universal"é um adjetivo ainda mais
gasto e vago. Por mais relativo que o termo seja, o regionalismo ainda tem sua
utilidade para designar certos valores literários. Pelo modo como descem a
minudências na descrição dos dados locais e às vezes incorporam certos
maneirismos de linguagem, A Cidade Ilhada e Nosso Grão mais Fino têm, sim,
certo parentesco com a literatura que a Geração de 30 praticava. Isso não diz nada
sobre a qualidade desses livros. O romance de Passos é poderoso, embora
irregular; os contos de Hatoum são regulares na mediocridade.
Hatoum cultiva uma crença ingênua na autenticidade telúrica da Amazônia. Nos
seus contos, todo estrangeiro que visita Manaus ou a floresta em torno cai
fatalmente enfeitiçado (em A Casa Ilhada, uma noite de festa com um dançarino
local basta para uma inglesa abandonar o marido). As exuberâncias nativas, as
profusas referências à fauna, à flora, à culinária amazônicas – nada disso disfarça a
prosa pedestre do autor, incapaz de expressar qualquer matiz psicológico mais sutil.
Em Um Oriental na Vastidão, por exemplo, um misterioso biólogo japonês deixa
determinações póstumas para que uma colega brasileira despeje suas cinzas em
um rio da Amazônia – e eis a reação banal da personagem ao tomar conhecimento
do fato, no que deveria ser o clímax do conto: "Fiquei emocionada" (o leitor não
poderá dizer o mesmo).
Apesar de seu estilo, torrencial como a enchente que toma conta do Recife nas
páginas finais, Nosso Grão Mais Fino não traz a mesma natureza encantada. Pelo
contrário, a paisagem canavieira que serve de fundo para a história de paixão e
dissolução familiar criada por Passos é assombrada pela ruína (nesse ponto, há
certa afinidade com a decadente fazenda do sertão que dá título a Galileia, lançado
por Ronaldo Correia de Brito no ano passado). O romance traz um dos suicídios
mais espetaculares da literatura brasileira: a bordo do dirigível Zeppelin, um senhor
de terras abre uma porta – e despenca para a morte. No ambiente onírico do
romance, a cena aparentemente implausível torna-se impecavelmente verdadeira
(por contraste, em um dos contos de Hatoum, uma mulher se joga de uma prosaica
varanda em Copacabana – mas o efeito é de um histrionismo pouco convincente).
Passos, porém, tem a tendência de se encantar com as próprias imagens,
perdendo-se pelo excesso. Há sempre uma palavra sobrando: uma mulher não
arranha as costas do amante – ela arranha "a pele que lhe recobre as costas". O
leitor será capaz de adivinhar o que é a "cicatriz do canal por onde saciou a primeira
fome apegada ao fôlego do simples cordão torcido e vigoroso"? É apenas uma
perífrase barroca para dizer "umbigo". Estamos, como se vê, longe da prosa seca e
econômica de um Graciliano. Há muitos caminhos para chegar ao sertão – ou a
qualquer outra região.
Tácito Costa
Data: 25/02/2009 - Horário: 21h08min
Pirate Bay
O partido político socialista norueguês Rødt (Vermelho) lançou na semana passada
a campanha This Is What A Criminal Looks Like (É Assim Que Um Criminoso Se
Parece), em que pede que usuários de programas de compartilhamento deem o
upload de fotos suas e "mostrem seu apoio ao Pirate Bay". O Pirate Bay é está
sendo processado por grandes empresas de mídia, como Warner Bros, MGM, 20th
Century Fox, Sony BMG, entre outras, por "promover infrações contra leis de
direitos autorais realizadas por terceiros". Autodenominado o maior site de
compartilhamento de arquivos do planeta, o Pirate Bay chega a ter 25 milhões de
pessoas conectadas simultaneamente. Na última segunda-feira (16) começou na
Suécia o julgamento dos administradores do site, Gottfrid Svartholm (anakata),
Fredrik Neij (TiAMO) e Peter Sunde (brokep), e junto com eles o empresário sueco
Carl Lundström, apoiador do Pirate Bay. Batizado de Spectrial (tag usada para se
referir ao processo no Twitter), o julgamento virou sensação em Estocolmo e no
mundo, com transmissões do áudio ao vivo pela internet e lugares no tribunal sendo
vendidos a 60 coroas suecas (R$ 16).
LEIA MATÉRIA COMPLETA NA REVISTA ÉPOCA.
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI29482-15224,00INTERNAUTAS+DE+TODO+O+MUNDO+APOIAM+PIRATE+BAY.html
Tácito Costa
Data: 25/02/2009 - Horário: 20h37min
Deserto Feliz
Quem quiser conhecer um pouco mais sobre prostituição, violência sexual, turismo
sexual e como é a vida das mulheres que fazem parte desse universo no Brasil,
sem falsos moralismos, de ―ouvir falar‖ ou em seminários e que tais, o cinemark
oferece uma oportunidade imperdível. Está em cartaz, só até sexta-feira, ―Deserto
Feliz‖, do pernambucano Paulo Caldas (assinou em parceria com Lírio Ferreira
―Baile Perfumado‖ e dirigiu ―O Rap do Pequeno Príncipe contra as Almas
Sebosas‖). Conta a história da adolescente Jéssica que após ser violentada pelo
padrasto, na cidade de Deserto Feliz, no interior de Pernambuco, parte para Recife
onde se prostitui e sonha com um ―gringo‖ que melhore a sua vida. Que, afinal,
acaba aparecendo. Mas entre o sonho de uma vida feliz na Alemanha, para onde
ela se muda, e a realidade, a distância é grande e insuportável. No elenco dois
atores conhecidos, João Miguel (de Estômago) e Hermila Guedes (O Céu de Sueli).
Ambos são excelentes atores e não me surpreenderam. Fiquei surpreso mesmo foi
com o desempenho da estreante Nash Laila, que faz Jéssica. O filme adota um viés
realístico que se aproxima muito do documentário. Na minha opinião, retrata com
respeito e um humanismo triste o mundo de muitas garotas de programa brasileiras.
O nome da cidade se chamar Deserto Feliz é uma triste ironia. Deserto, vá lá, mas
feliz!?
Tácito Costa
Data: 25/02/2009 - Horário: 20h19min
A fortaleza chamada Fernanda
Ainda recordo com lembranças cheias de frescor. Foi em 2005. Durante um curso
na Academia de Polícia, todos nós sofremos muito. Falo dos alunos, claro. Mas é
óbvio que existiam os bons e engraçados momentos. Em certa aula de ordem unida
em que eu e outros tantos erramos um bocado, o instrutor disse que aquilo parecia
uma ―loucademia de polícia‖. Não sei por que, entretanto no militarismo nunca ouvi
falar em professor. Todos eram instrutores.
Tudo era muito puxado e corrido, e os intervalos eram curtinhos. Em muitos desses
momentos livres, eu aproveitava para ir ao banheiro e, por coincidência, Fernanda
sempre estava lá também. Até que um dia essa recorrência bizarra virou piada e ela
passou a dizer que éramos as ―meninas do xixi‖ (ou do pipi, não lembro bem). Tinha
dia em que nos encontrávamos mais de uma vez por lá. Era impressionante como
vertíamos muito líquido e de maneira quase sincronizada, já que sempre sentíamos
vontade no mesmo horário. Nós ríamos da situação, mas não conversávamos tanto
porque, como já disse, o tempo era escasso... Ela também chamava-me de policialbailarina, pois eu sempre saia das aulas de educação física direto para o balé. Era
uma comédia.
Fernanda sempre foi uma pessoa simpática, simples e agradável, daquelas de
quem é bom estar perto. Muito bonita e querida, ela começou a namorar o cadete
Pedro (naquele momento também havia essa turma de alunos oficiais em
formação). Formaram um belo casal, e assim permaneceram. Após nossa
formação, fomos trabalhar em lugares distintos e não nos vimos mais. Acho que a
reencontrei no fim de 2006, quando tentava pleitear uma vaga onde eu trabalhava.
Após isso, novo desencontro.
No ano passado, soube que havia ocorrido há pouco tempo um acidente de carro
envolvendo Fernanda e o tenente Pedro, então noivos. Ele e a mãe dele faleceram,
e Fernanda estava recuperando-se no hospital. Fiquei chocada. Eles sempre foram
um casal que considerei exemplar. Ele, muito jovem e já morto. Bem, a primeira
coisa que fiz, já que não tinha telefone ou endereço de Fernanda, foi entrar em
contato com ela através do Orkut. Qual foi a minha surpresa ao constatar uma
mulher completamente expandida, grande, uma verdadeira fortaleza. Apesar do
sofrimento naturalíssimo em ocasião tão desoladora e de estar de cama, ela
enfrentava tudo com muita dignidade, força e vontade de recuperar-se. As
mensagens de consolo eram inúmeras, o que comprova o quão ela é amada. A
minha, apenas mais uma.
Ela respondeu-me com rapidez e agradecimento, legando a Deus todo o conforto
que estava recebendo e provando que permanecia atenciosa com todos. Impossível
não se emocionar. Ela, que pôs na página inicial do Orkut uma linda homenagem
póstuma àquele que considera o seu ―eterno amor‖, continua com o hábito regular
de mandar aos amigos mensagens de agradecimento e em ocasiões de datas
comemorativas. Eu, que sou fascinada por pessoas fortes, não poderia deixar de
render essa ínfima, porém sincera homenagem a ela. Infelizmente não uso mais
meu Orkut. Quando outrora o acessava, pude acompanhar os escritos iniciais e
emocionados dela, logo após o acidente. Ela transcreveu (e eu transcrevo agora
também) a letra da música Uma vez mais, de Blanch, interpretada por Ivo Pessoa.
Informou que era a canção mais identitária daquele momento, contudo que jamais
esperava cantá-la para um noivo falecido.
Uma vez mais
Voa minha ave
Voa sem parar
Viaja pra longe
Te encontrarei
Em algum lugar
Permaneço em ti
Como sempre foi
Mais perfeito e mais fiel
Mesmo sozinho sei que estás perto de mim
Quando triste olho pro céu
Quando eu te vi o sonho aconteceu
Quando eu te vi meu mundo amanheceu
Mas você partiu sem mim
E sei que estás em algum jardim
Entre as flores...
Anjo meu tão amado anjo
Bem sei que estás
E eu do brando sono hei de acordar
Para os teus olhos ver uma vez mais
O verdadeiro amor espera uma vez mais
Quando eu te vi o sonho aconteceu
Quando eu te vi o mundo amanheceu
Quando eu te vi o sonho aconteceu
Quando eu te vi o mundo amanheceu
Mas você partiu sem mim
E sei que estás em algum jardim entre as flores...
Nota: Como daqui a duas semanas o mundo comemorará o dia da mulher, resolvi
escrever textos em tributo a algumas mulheres admiráveis que, graças a Deus, eu
conheci. Feliz 08 de março e todos os outros do ano para Fernanda, para as
mulheres, e para os homens que sabem nos respeitar com palavras e com a práxis,
principalmente.
Denise Araújo Correia
Data: 25/02/2009 - Horário: 19h24min
WATCHMEN
Tendo sido teletransportado de um outro planeta chego ao planeta Terra depois de
um vendaval. Muitos guizos e risos foram jorrados. Fala-se em crise sempre. A
ameaça é iminente. Como parte dos eternos vigilantes espero com muita ansiedade
para a saga dos ―minitmen‖ nas telas do cinema. Watchmen é, na minha opinião,
um dos maiores quadrinhos de todos os tempos. Lançado no Brasil em seis
volumes na década de 80 do século passado acaba de ser lançado em edição única
em capa dura acompanhando o lançamento do filme.
Uma das graphic novels mais belas em conteúdo narrativo e desenhos. Uma obra
prima escrita por Alan Moore e desenhada pelo mago Dave Gibbons. A nova edição
em livro foi recolorizada digitalmente por John Higgins, o colorista original.
O Watcmen tem alguns dos maiores super-heróis dos quadrinhos. Quem matou o
ex-comediante? E a Laurie?, uma das personagens mais cativantes dos
quadrinhos. Bela mulher. Gostosa. Sally Júpiter, Hooded Justice, Rorschach e
outros grandes personagens desse quadrinho eterno. Viajar em suas páginas é
percorrer o que de melhor já foi feito em termos de Graphic Novel. Uma obra Prima.
Espero não ser decepcionado no cinema.
Lendo o diário de Rorschach em 12 de Outubro de 1985:
― Esta cidade tem medo de mim porque conheço a sua verdadeira face‖. Próximo
Balão: ―as ruas são extensões das sarjetas cheias de sangue...‖ A sujeira
acumulada de sexo e crime envolverá prostitutas e políticos que voltarão os olhos
para cima implorando salve-nos‖... Eles tiveram escolha e poderiam ter seguido os
passos dos homens bons, continua esse quadrinho instigante, Não vou dizer mais
para não estragar o gozo. Divirtam-se.
João da Mata Costa
Data: 25/02/2009 - Horário: 13h57min
Preá e Brouhaha
Fevereiro está chegando ao fim e reina a indefinição acerca do futuro das revistas
Preá e Brouhaha, editadas, respectivamente, pela Fundação José Augusto e
Fundação Capitania das Artes. A primeira está há um ano sem circular. A segunda
não tem editor até o momento. Carlos de Souza foi convidado, mas a nomeação
não saiu até hoje. Como o presidente da Funcart anunciou que a revista terá
periodicidade trimestral, é muito provável que o primeiro número já saia atrasado.
Isso se o editor assumir o posto em março, quando a revista já deveria está
circulando. Vamos torcer para que a Brouhaha não sofra o mesmo destino da Preá.
Tácito Costa
Data: 25/02/2009 - Horário: 11h16min
Literatura e pop
―Não existe literatura pop. Literatura é o contrário do pop, a começar por
ser um produto cuja essência --o texto literário-- é por princípio
inadaptável às exigências da massa e inadequado ao marketing. Você só
consegue vender um livro pelo que é extraliterário, pelos atrativos
exteriores, a vida e a imagem do autor, a "verdadeira história por trás do
livro", a capa, mas nunca pelo que pode haver de propriamente literário no
texto.‖
Do escritor Bernardo Carvalho, em artigo publicado no Ectoplasma, do poeta Jairo
Lima.
http://www.kriterion.zlg.br/page65.aspx
Tácito Costa
Data: 25/02/2009 - Horário: 11h04min
Hanif Kureishi/Entrevista
O estilo literário de Tenho Algo a Te Dizer tem a ver com a tradição satírica de
Swift, no sentido de eleger a farsa para tratar de problemas sérios. Essa é uma
maneira de dizer, parafraseando D.H. Lawrence, que a nossa é uma era
essencialmente trágica, mas incapaz de entender a tragédia?
Não acho que caminhamos para o cinismo apenas por ver as coisas de modo
diferente dos gregos. Vivemos, sim, uma tragédia cotidiana, mas nosso dilema não
é o de entender a tragédia, mas enfrentá-la. A verdade é que, a despeito da
situação crítica mundial, não deixamos de ser otimistas. É o que muda nossa
postura diante dos gregos. Quando criança, adorava comédia. A farsa foi meu
caminho literário natural para entender o mundo. E continua sendo.
Do escritor londrino Hanif Kureishi em entrevista ao jornalista Antonio Gonçalves
Filho, do Estadão.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090225/not_imp329371,0.php
Tácito Costa
Data: 25/02/2009 - Horário: 10h43min
Diferença entre filmes americanos e estrangeiros
dilui-se cada vez mais
INÁCIO ARAUJO
CRÍTICO DA FOLHA
O Oscar deste ano aprofunda a política cinematográfica dos últimos anos, que
consiste em indiferenciar os cinemas americano e estrangeiro. Não interessa mais
se um filme é produzido nos EUA, na Europa, no Paquistão. Importa que leve gente
aos cinemas ou, ao menos, não desaponte o espectador dos multiplex que não
conseguiu lugar no filme preferido.
"Quem Quer Ser um Milionário?" era, de todos da competição, aquele que mais
seguia nessa direção. Ao enfocar a miséria e as misérias decorrentes da miséria em
um país dito emergente, valoriza a "função realista" do cinema, desenvolve o seu
viés catártico (nós, ricos, nos comovemos com a situação; com isso, purgamos
nossas culpas) e ajuda a penetrar num mercado marcado por filmes produzidos na
dita Bollywood.
De todos esses fatores, o segundo é o que mais terá favorecido a lavada que o
filme de Danny Boyle deu: a crise que bate feio no mundo chama a atenção para os
problemas sociais. Desde "Cidade de Deus", note-se, acentuou-se o interesse pelos
pobres dos países pobres, pela via de filmes claros, acessíveis, óbvios até -como
me parece "Quem Quer Ser...".
Levando-se em conta que o Oscar tem hoje, antes de tudo, a função de espetáculo
para vender o espetáculo, o ritmo foi melhor -descontada a insuportável carga de
intervalos. O ponto baixo foi a vergonhosa homenagem por "feitos humanitários" a
Jerry Lewis. Ele respondeu na mesma moeda, ao dizer-se assombrado com a ideia
de que atos de benemerência deviam ser premiados.
Tácito Costa
Data: 24/02/2009 - Horário: 12h05min
Documentos de barbárie
Caros amigos:
A imprensa noticiou que peças roubadas de museus iraquianos durante a guerra
estadunidense naquele país foram parcialmente recuperados e estão novamente
expostos. Melhor que voltaram. Pior que um dia saíram. Benjamin acertou na
mosca: todo documento de cultura (entenda-se: os acervos dos museus
hegemônicos - Britânico, Louvre, Smithsonian) é um documento de barbárie. No
caso, documentos fundantes da humanidade foram tratados como souvenirs e
surrupiados. Assassinatos de outras memórias. Tristeza a mais, junto com
matanças e torturas. Horror, horror.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 24/02/2009 - Horário: 11h57min
A falta que o Babilônia faz
O Espaço Cultural Babilônia marcou época em Natal. Eu era assíduo freqüentador.
E, claro, estive nesse primeiro Bloomsday. Guardo com carinho uma foto minha
com Cecília, menininha, tirada por Ayres em um dos eventos promovidos pelo
Espaço. Se tivesse um scanner aqui postaria agora. Fica pra outra ocasião. Ayres
lutou muito para manter o espaço. Fiquei seu amigo e acompanhei tudo de perto.
Mas sem ajuda das fundações culturais oficiais ficou impossível sustentar o
Babilônia. Não falo nem das empresas porque essas são que não ajudam mesmo.
Para quem não alcançou essa época (início dos anos 90), esclareço que o Espaço
era a própria residência do casal. Uma casa ampla, que servia de morada e
ambiente para eventos culturais. Era incrível como apenas duas pessoas, Ayres e
Gigliola, conseguiam movimentar culturalmente a cidade. Acho que isso gerou
muita inveja, principalmente das tais fundações. Hoje o Espaço Babilônia, que
ficava ali na entrada da Vila de Ponta Negra, do lado esquerdo, foi transformado em
pousada. Durante alguns anos, depois da partida de Ayres e Gigliola para a Itália
(onde ela nasceu, Ayres é paulista), o Espaço ficou abandonado. E sempre que eu
passava por ali as recordações mexiam comigo. Foram muitas noitadas movidas a
vinho, boas conversas e arte. Por tudo que representou o Babilônia foi único.
Depois dele não apareceu nada parecido. Por isso, faz uma falta danada.
Tácito Costa
Data: 24/02/2009 - Horário: 11h33min
Documentos babilônicos
Queridos amigos babilônicos, iniciei a publicação no meu blog de alguns
documentos do Espaço Cultural Babilônia. Comecei pelo Bloomsday de 1993.
Talvez valha a pena conferir.
http://ayresmarques.blogspot.com/
Um grande abraço a todos.
Ayres e Gigliola
Data: 24/02/2009 - Horário: 09h21min
As Confissões de Lúcio, de Fernando Monteiro
MILTON RIBEIRO
http://miltonribeiro.opsblog.org/
Minha amizade com Fernando Monteiro começou quando citei, há três anos e aqui
neste blog, seu livro Aspades, ETs, etc. como uma obra-prima ignorada pelo grande
público. Ele me escreveu uma mensagem de agradecimento e, desde então,
começamos farta troca de e-mails, CDs, livros, jornais, revistas, recortes e sei lá
mais o quê, comprovando mais uma vez a capacidade da rede em criar e manter
grandes amizades de eleição. Paralelamente aos intensivos e cada vez mais bem
humorados contatos por e-mail, eu acompanhava seu trabalho na Rascunho - onde
ele atualmente publica um romance em capítulos -, na Bravo e na pernambucana
Continente.
Anos depois, Fernando Monteiro convidou-me para escrever a ―orelha‖ de seu
último livro. Foi uma surpresa e uma honra para mim. Em vez de convidar um
figurão como das outras vezes, Fernando apareceria em versão despojada e me
daria, em sua 15ª obra, a oportunidade de colocar algumas palavras em seu livro.
Ele supôs que eu fosse um leitor capaz de apreender o que há de sério, de mordaz
e de cômico em As Confissões de Lúcio. Após a leitura, eu apenas podia garantir
que era o melhor de seus livros, um notável romance, como já o foram O Grau
Graumann e o Aspades. É uma coisa que me persegue - as pessoas sempre
acham que sou um leitor atento e sagaz, enquanto eu respondo ―pff‖, pois só eu sei
o quanto divago.
Os romances de Fernando são desafiadores, sutis e surpreendentes, são biscoitos
finos a serem saboreados em nossa rota de fuga do óbvio e do fácil. Mas não vejo
melhor forma de apresentar As Confissões de Lúcio a meus 7 leitores do que
transcrevendo a versão original da ―orelha‖ enviada à editora. Digo ―versão original‖
porque o primeiro parágrafo sofreu alguns cortes por razões de espaço. Alguns
cortes? Não, muitos cortes! Não sei porque não me pediram para reduzir um pouco
o texto.
************
São esperadas duas coisas de quem é convidado a escrever a orelha de um livro:
um agradecimento pessoal ao autor pela honra concedida e a imediata produção de
um cerrado discurso laudatório. Não creio que vá decepcioná-lo, caro leitor, que tem
As Confissões de Lúcio em suas mãos, mas permita-me antes dar-lhe uma noção
da obra. O livro tem início com uma notícia que certamente o deixará orgulhoso e
um tanto escandalizado por seu desconhecimento sobre um fato fundamental para
a cultura nacional: em 2001, o obscuro e difícil escritor gaúcho Lúcio Graumann
recebeu o Prêmio Nobel de Literatura – o primeiro Nobel brasileiro! -, porém, tal
qual aquele presidente, não pôde tomar posse da cobiçada láurea, tendo falecido
onze dias antes da cerimônia. Narrado principalmente pelo jornalista e escritor
Mauro Portela, grande amigo de Graumann, o livro poderia tornar-se uma comédia
simplória sobre um país culpado e ignorante, sem conhecer ou saber o que fazer
com seu recém-ilustre morto; contudo, As Confissões de Lúcio está longe, bem
longe disso. Fernando Monteiro, valendo-se de um delicioso e ousado humor
mozartiano que perpassa toda a obra, transita sua narrativa pelas risíveis reações
oficiais da Academia Brasileira de Letras ao novo e autêntico imortal (ainda que
morto), pelo trabalho de Mauro Portela como revisor do espólio literário de
Graumann e pela vida pessoal e intelectual de ambos.
Apesar de todos os segmentos que compõem o romance fotografarem
microscopicamente cada detalhe, a vida cultural brasileira não é posta à margem e
podemos ver Graumann – este escritor para escritores - e sua obra interagindo com
personagens reais de nossa literatura, os quais são citados, sem maiores pudores,
por seus nomes. A incompreensão e o desconcerto da intelectualidade brasileira
poderiam ser resumidos por esta observação retirada quase ipsis litteris do
romance: ―Nossa cultura no vácuo compreende a outra, mas não se compreende. E
Lúcio é o emblema de um pequeno mistério reluzente como um espelho em que
qualquer um pode enxergar o que quer na superfície polida‖.
Mauro começa a cuidar da memória de seu amigo fazendo publicar, na Folha de
São Paulo, uma entrevista apócrifa… Depois, a namorada de Lúcio – pessoa
desinteressada em assuntos tais como literatura e arte – envia-lhe uma caixa de
papelão com anotações e fragmentos da produção graumanniana a fim de serem
analisados. O espólio do escritor é estudado por um alguém deprimido e ressentido,
pois Mauro, além de protagonizar complicada vida pessoal, julga-se plagiado em
uma das principais obras do grande escritor… ―Uma história é de quem melhor a
conta?‖.
Tais argumentos servem de arcabouço para As Confissões de Lúcio – a
semelhança do título para com o do pequeno livro de Sá-Carneiro não é casual -,
um fascinante mosaico que satisfaz plenamente as condições dos teoremas
propostos nas obras de Graumann e que acrescenta a elas sinceridade e exposição
raramente encontráveis.
Tetê Bezerra
Data: 24/02/2009 - Horário: 09h16min
E ofendidos seguimos...
Serviram para sublimar qualquer estado de espírito já ofendido essas "novidades"
de auxílios-moradia do TCE e de jornal de circulação nacional amenizando de forma
vil acontecimento histórico tão igualmente vergonhoso, ilegal e cruel. Aquele golpe
de 1964 e os governos militares inauguraram certamente alguns dos mais
ultrajantes momentos de nossa história nacional ( por ser tão sanguinolento e
pungente , só comparo à escravidão, mesmo esta sendo estatizada naquele
momento). Somente durante o acontecimento de guerras eu vi atrocidades
atentadas contra a dignidade humana acontecerem com a permissividade
desmedida que ocorreu. Interromper sem respaldo algum um regime democrático,
calar, humilhar, torturar e matar só podem ser vistas de uma forma branda e
pretensamente naturalista por pessoas declaradamente sem ética, desumanas e
autoritárias. Contudo, como uma tônica natural da humanidade parece ser negar,
desmentir com veemência, esquecer-se da singular aurora do dia logo ao
entardecer, então tamanha canalhice tão amplamente rechaçada pode ser ainda
veiculada com desastre, como já disse, por jornalistas de um veículo da imprensa
nacional. Ultraje, ultraje, ultraje.
Denise Araújo Correia
Data: 24/02/2009 - Horário: 09h12min
É ÍNDIA PRA TUDO QUE É LADO
Rapazes e Moças,
Como tem Índia nas mídias.
É Índia nas Escolas de Sambas. Na Novela da Globo. E o Oscar sem graça, foi uma
festa para esse país.
Tomara que alguém tenha aprendido alguma coisa dessa rica cultura.
Principalmente, o belo Kama Sutra.
João da Mata Costa
Data: 23/02/2009 - Horário: 18h56min
O 'meu' Oscar
LUIZ CARLOS MERTEN
BLOG/ESTADÃO http://blog.estadao.com.br/blog/merten/
Estou chocado, não sei se comigo ou se com a academia. Nunca acertei tantas
previsões para o Oscar, sinal de que a premiação deste ano foi mesmo sem
surpresas.
Tácito Costa
Data: 23/02/2009 - Horário: 14h35min
OSCAR 2009
Confira os vencedores
FILME
"Quem Quer Ser um Milionário?"
DIRETOR
Danny Boyle, por "Quem Quer Ser um Milionário?"
ATOR
Sean Penn, por "Milk - A Voz da Igualdade"
ATRIZ
Kate Winslet, por "O Leitor"
ATOR COADJUVANTE
Heath Ledger, por "Batman - O Cavaleiro das Trevas
ATRIZ COADJUVANTE
Penélope Cruz
("Vicky Cristina Barcelona")
ROTEIRO ORIGINAL
"Milk - A Voz da Igualdade"
ROTEIRO ADAPTADO
"Quem Quer Ser um Milionário?"
ANIMAÇÃO
"Wall-E"
DIREÇÃO DE ARTE
"O Curioso Caso de Benjamin Button"
CURTA-METRAGEM
"Spielzeugland" ("Toyland")
CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
"La Maison en Petits Cubes"
MAQUIAGEM
"O Curioso Caso de Benjamin Button"
FOTOGRAFIA
"Quem Quer Ser um Milionário?"
FIGURINO
"A Duquesa"
DOCUMENTÁRIO
"Man on Wire"
DOCUMENTÁRIO CURTA-METRAGEM
"Smile Pinki"
FILME ESTRANGEIRO
"Departures" (partidas, em tradução livre), do Japão
MIXAGEM DE SOM
"Quem Quer Ser um Milionário?"
CANÇÃO ORIGINAL
"Jai Ho", de "Quem Quer Ser um Milionário?", por A.R. Rahman and Gulzar
EFEITO ESPECIAL
"O Curioso Caso de Benjamin Button"
EDIÇÃO DE SOM
"Batman - O Cavaleiro das Trevas"
Tácito Costa
Data: 23/02/2009 - Horário: 14h18min
quase retrato
MÁRCIA MAIA
quase retrato
um resto de torta no prato
o copo inda rubro de vinho
resquício de riso nos lábios
um canto de edu e torquato
e o avesso do verso por véu
Tetê Bezerra
Data: 23/02/2009 - Horário: 13h59min
De rabo preso com quem?
ALÍPIO FREIRE (*)
A criação pelo jornal Folha de S. Paulo (FSP), da expressão ―ditabranda‖ em seu
editorial de 17 de fevereiro, para nomear a ditadura imposta com o golpe de 1964 e,
em seguida, a agressão aos professores Maria Victoria de Mesquita Benevides e
Fábio Konder Comparato, expressa em nota na seção de cartas da edição de 20 de
fevereiro, não podem ser atribuídas apenas aos ―maus bofes‖ de um jovem (?)
herdeiro rico, mimado, que se supõe gênio (o que diariamente lhe repete sua corte),
que não conhece limites e, portanto, afeito a chiliques.
Embora seja também isso, é muito mais, e só pode ser entendido a partir da história
daquele jornal, e no quadro mais amplo do avanço (em nível internacional) das
idéias, valores e políticas nazi-fascistas.
Sobre a trajetória do pasquim da Barão de Limeira, vejamos alguns depoimentos:
―Abandono do emprego‖
A jornalista Rose Nogueira, presa pelos órgãos de repressão da ditadura no dia 4
de novembro de 1969, quando estava de licença maternidade da FSP, onde
trabalhava, conta:
―Vinte e sete anos depois [19997], descubro que fui punida não apenas pela polícia
toda-poderosa (...), pela justiça militar (...). Ao buscar, agora, nos arquivos da Folha
de S. Paulo a minha ficha funcional, descubro que, em 9 de dezembro de 1969,
quando estava presa no Deops, incomunicável, ‗abandonei‘ meu emprego de
repórter do jornal. Escrito a mão, no alto: ABANDONO. E uma observação oficial:
Dispensada de acordo com o artigo 482 – letra ‗i‘ da CLT abandono de emprego‘.
Por que essa data, 9 de dezembro? Ela coincide exatamente com esse período
mais negro, já que eles me ‗esqueceram´por um mês na cela‘. (...) Todos sabiam
que eu estava lá (...) Isso era – e continua sendo – ilegal em relação às leis
trabalhistas e a qualquer outra lei, mesmo na ditadura dos decretos secretos. Além
do mais, nesse período, se estivesse trabalhando, eu estaria em licença
maternidade‖. (Rose Nogueira, ―Em corte seco‖, in ―Tiradentes um presídio da
ditadura‖, Coord. Alípio Freire, Izaías Almada e J.A. de Granville-Ponce – Scipione
Cultural - 1997).
Palafreneiros da ditadura
O jornalista Mino Carta, em entrevista à AOL, em 2004, quando se completavam 40
anos do golpe, comenta as relações da FSP com a ditadura:
―A Folha de São Paulo não só nunca foi censurada, como emprestava a sua C-14
[carro tipo perua, usado para transportar o jornal] para recolher torturados ou
pessoas que iriam ser torturadas na Oban [Operação Bandeirante]. Isso está mais
do que provado. É uma das obras-primas da Folha, porque o senhor Caldeira
[Carlos Caldeira Filho], que era sócio do senhor Frias [Octavio Frias de Oliveira],
tinha relações muito íntimas com os militares. E hoje você vê esses anúncios da
Folha - o jornal desse menino idiota chamado Otavinho [Otavio Frias Filho] - esses
anúncios contam de um jeito que parece que a Folha, nos anos de chumbo, sofreu
muito, mas não sofreu nada. Quando houve uma mínima pressão, o sr. Frias
afastou o Cláudio Abramo da direção do jornal. Digo que foi a "mínima pressão"
porque o sr. Frias estava envolvido na pior das candidaturas possíveis, na sucessão
do general Geisel. A Folha estava envolvida com o pior, apoiava o Frota [general
Sílvio Frota, ministro do Exército no governo Geisel]. O Claudio Abramo foi afastado
por isso.―("A mídia implorava pela intervenção militar" Entrevista com Mino Carta.
Por Adriana Souza Silva, da Redação AOL, abril de 2004)
O testemunho da pesquisadora
A historiadora e pesquisadora carioca, doutora Beatriz Kushnir, autora do mais
completo trabalho sobre o comportamento da grande mídia comercial durante a
ditadura, ―Cães de Guarda‖, é lembrada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim, em
sua ―Conversa Afiada‖ de 20 de fevereiro, a propósito da FSP:
―Como demonstrou Beatriz Kushnir (...) a Folha cedia as vans para o Doi-Codi fazer
diligências, levar suspeitos para as sessões de tortura e fingir que se tratava de um
carro de reportagem em atividade jornalística‖. (―Cães de Guarda‖ – jornalistas e
censores do AI-5 à Constituição de 1989‖, de Beatriz Kushnir, Boitempo Editorial).
Em sua coluna, Amorim reitera ainda a denúncia feita por Mino Carta a respeito do
afastamento do jornalista Cláudio Abramo do comando do jornal.
Quanto ao episódio da utilização dos carros da FSP para fins repressivos – como
apontam Mino Carta e Paulo Henrique – é fato que consta de diversas publicações
e depoimentos. A revista ―Teoria & Debate‖ – da Fundação Perseu Abramo – nos
anos 1990, publicou uma carta do ex-preso político e hoje advogado de movimentos
populares e causas ligadas aos direitos humanos, Aton Fon Filho, que denuncia
exaustivamente essa ligação criminosa.
Um diário oficial da repressão
Mas, não pensem os leitores que a história da empresa Folha da Manhã
(propriedade da família Frias), da qual a ―Folha de S. Paulo‖ nos anos da ditadura
era apenas um título (ainda que o carro chefe), num conjunto que somava mais de
meia dúzia de outros, como os jornais ―Última Hora‖, ―Noticias Populares‖, ―Folha de
Santos‖, etc., sem esquecermos, é claro, a menina-dos-olhos da repressão, a
―Folha da Tarde‖.
A ―Folha da Tarde‖ (FT) é um capítulo à parte. Algo assim, como se a FSP
coubesse em ―obras escolhidas‖ e ela, a FT, merecesse ―obras completas‖. Até
1968 esse jornal cobria de forma razoavelmente decente o movimento estudantil, e
outras manifestações de oposição à ditadura. Contava com uma equipe formada,
em sua maioria esmagadora, de bons e sérios profissionais – muitos dos quais
acabariam posteriormente presos, como o caso da jornalista Rose Nogueira. Na
ocasião, o logotipo do jornal era vermelho. Passados alguns meses da decretação
do Ato Institucional Número 5, de repente, não apenas o logotipo foi mudado para
preto, como sua direção passou a ser composta de pessoas ligadas aos órgãos de
repressão, inclusive à famosa Escuderie Le Coc (nome fantasia do Esquadrão da
Morte) – o que facilmente qualquer neófito é capaz de perceber, folheando a
coleção desse jornal. Também a essa questão se refere, com detalhes, a
historiadora Beatriz Kushnir em seu livro ―Cães de Guarda‖.
Uma ameaça a todos os brasileiros
Dadas essas breves pinceladas sobre a trajetória da Ilustre Folha, cabe chamar a
atenção para um importante aspecto que é o verdadeiro significado da nota e da
agressão contra os professores Maria Victoria e Comparato: ao atacar tão virulenta
e desrespeitosamente essas duas figuras que merecem toda a admiração do nosso
povo e de todos os homens e mulheres que lutam por uma sociedade democrática
e justa, onde os direitos humanos e todos os direitos dos cidadãos sejam
respeitados, o que pretende a Folha de S. Paulo, sua direção, é ameaçar todos os
que se oponham à sua visão de mundo e aos seus objetivos.
Aliás, entendemos que caberia ao governador José Serra, seu partido e seus
aliados do DEM – de quem a FSP é deslavado cabo eleitoral, transgredindo todas
as normas éticas e legislação eleitoral – manifestarem-se publicamente a respeito
desse episódio que, sem dúvida alguma, os compromete.
(*)jornalista e escritor, foi presidente da Associação Brasileira de Imprensa – Seção
São Paulo (1978-1979), e editor de Política Internacional da Folha de S. Paulo
(1977-1979). Preso político (1969-1974), pertence hoje aos conselhos editoriais do
jornal Brasil de Fato, da Editora Expressão Popular e da Revista Fórum, além de
integrar o Conselho Político da revista Teoria & Debate. Colabora ainda com
diversas publicações populares e de esquerda.
Tácito Costa
Data: 23/02/2009 - Horário: 13h55min
TCE é também "berçário" seguro e sofre de
"miopia"
CARLOS SANTOS
(http://www.blogdocarlossantos.com.br/)
O Tribunal de Contas do Estado (TCE) é também uma espécie de "berçário" da elite
política potiguar. Não emprega apenas a velha guarda da política.
Há lugar para a meninada.
A prefeita mossoroense Fafá Rosado (DEM) aboletou o filho caçula num cargo
especial por lá. A portaria saiu no dia 29 de fevereiro do ano passado (Veja AQUI).
Ou seja, em pleno ano eleitoral.
Quem assinou o ingresso foi Paulo Roberto Alves, então presidente do TCE, irmão
do senador Garibaldi Alves Filho (PMDB), aliado político de Fafá. O próprio Paulo,
ex-secretário de estado do RN por duas vezes, na gestão de Garibaldi, que o fez
conselheiro vitalício do TCE.
Ufa!
A senadora Rosalba Ciarlini (DEM) também possui um filho por lá. Esse há bem
mais tempo.
O procedimento é ilegal? Não, não é. Digamos que seja amoral.
É estranho que um órgão técnico, fiscalizador da coisa pública, promova esse tipo
de privilégio. Torçamos pelo menos para que não signifiquem escambos
promíscuos com o dinheiro do contribuinte.
Criado pelo governador Dinarte Mariz e implantado pelo sucessor Aluízio Alves no
início dos anos 60, o TCE é especialista no uso de força desproporcional.
Mostra rigor contra agentes políticos de pequenos municípios, mas possui
considerável miopia quando a lisura em questão diz respeito aos grandalhões.
Às vezes, duram anos e anos a análise de prestação contábil de municípios como
Mossoró.
Sentato seria, um TCE formado por bacharéis em Direito, contabilistas, economistas
etc. Todos concursados. Não, o que vale no RN e em todos os estados federados, é
o compadrio e a influência política.
Pobre Brasil.
Tácito Costa
Data: 23/02/2009 - Horário: 13h51min
Valéria Oliveira
Caros Colegas,
Gosto dela e a conheço há muito tempo. Conheço a sua trajetória. Já ouvi em
muitos lugares e no aconchego da casa. Sou apaixonado e não vou justificar a
minha paixão.
Gosto dela cantando músicas românticas. Mas, Valéria é uma artista completa.
Cantando carnaval é contagiante. Me arrepiei ouvindo, hoje, ela cantando Dosinho.
Um charme. Desenvoltura das grandes intérpretes. Elegância de uma bela mulher a
serviço da arte. Encontrei com ela e a grande Mônica. Uma mulher também
maravilhosa. Monica que nos tem prestado um grande serviço; Social e cultural. Um
beijo para as duas. O carnaval de Natal com Valéria, Kristal, Simona Talma e
grandes músicos está de bom tamanho. Não preciso ir para nenhum lugar para me
divertir. Ponta Negra e comunidade agradecem o grande carnaval: Com chuva, suor
e muita animação.
Valéria é maravilhosa. Se não comprou o disco de Carnaval, vá correndo comprar.
Além de Natal e Japão, o Brasil precisa conhecer melhor Valéria.
João da Mata Costa
Data: 23/02/2009 - Horário: 14h02min
Contra a FSP e sua grosseria
Caros amigos:
Se quiserem assinar o documento de protesto contra o horror da FSP, sua
ditabranda e sua grosseria contra quem a critica, acessem o seguinte link:
http://www.ipetitions.com/petition/solidariedadeabenevidesecomparat?e
Abraços:
Marcos Silva
Data: 23/02/2009 - Horário: 13h42min
Lenício - Um Amigo de Ginasial
Caros,
Fiquei pasmo com essa notícia. Nao quero acreditar. Lenicio era um amigo de muito
tempo. Estudamos juntos no Padre Monte. Um grande amigo e grande caráter.
Amante do cinema. Um grande ator. Sua maior atuação foi para mim em Apareceu
a Margarida. Peça que o consagrou nacionalmente.
Uma grande perda para a nossa combalida cultura.
Faleceu cedo Jeziel. Agora Lenício. Meu Deus!
João da Mata Costa
Data: 23/02/2009 - Horário: 13h41min
Zizek, Fukuyama e o "fim da história"
"É FÁCIL zombar da ideia do "fim da história" de Francis Fukuyama", diz Slavoj
Zizek, "mas hoje a maioria é fukuyamista: o capitalismo liberal-democrático é aceito
como a fórmula finalmente encontrada da melhor sociedade possível, e tudo o que
se pode fazer é torná-la mais justa, tolerante etc.". À primeira vista, Zizek pretende,
ao contrário da "maioria" que despreza, ser antifukuyamista. Será?
Uma semelhança óbvia é que ambos são hegelianos ou pretendem sê-lo. Assim,
ninguém ignora que a própria tese do fim da história, de Fukuyama, origina-se no
pensamento de Hegel. Quanto a Zizek, ele mesmo declarou, em entrevista recente,
ser "profundamente hegeliano". Mas há uma ligação ainda mais profunda entre o
pensamento de Zizek e o de Fukuyama. É que ambos se entediam com a época em
que vivemos.
Fukuyama pensa, como diz com inconfundível sotaque hegeliano, que não há mais
lugar para "a luta pelo reconhecimento, a disposição de arriscar a vida por um fim
puramente abstrato, a luta ideológica mundial, que havia suscitado audácia,
coragem, imaginação e idealismo". Comentando que, além de sentir em si próprio
"poderosa nostalgia pelo tempo em que a história existia", percebe esse mesmo
sentimento nos outros, arremata: "Talvez a própria perspectiva de séculos de tédio
ao fim da história servirá para fazer a história recomeçar".
Observo, en passant, que, assim como não entendo que haja quem precise
acreditar no sobrenatural para não achar a vida tediosa, tampouco entendo que
haja quem, para o mesmo fim, precise acreditar na História (com agá maiúsculo).
Então tais pessoas não se admiram com o mistério já da própria existência, do
próprio ser? Não se espantam com o excesso de terror e de esplendor a que estão
expostos pelo mero fato de existirem? Ou o percebem e renegam, ocultando-o por
trás da cortina do tédio? E será que não sabem que a noção de história está longe
de ser universal? A maior parte das culturas jamais produziu tal noção. Devemos
supor que quase toda a humanidade sempre se tenha sentido brutalmente
entediada com a vida?
Pois bem, Zizek, ostentando tédio, manifesta nos seus textos o desejo de fazer a
história "recomeçar". Julgando que a lógica interna do capitalismo não levará
automaticamente à sua própria superação, ele crê que, de certo modo, "Fukuyama
ESTAVA certo, o capitalismo global É o "fim da história'", de modo que teme que,
"no interior da nossa clausura tardo-capitalista do fim da história", já não sejamos
capazes de experimentar o "impacto assustador" de uma "abertura histórica
autêntica".
De que maneira Zizek, que despreza a "democracia liberal global", cujo verdadeiro
conteúdo lhe parece ser, como para Foucault, a "administração biopolítica da vida",
imagina que seja possível "fazer a história começar de novo"?
A resposta é clara: por meio da pura vontade "revolucionária". Trata-se da apologia
do voluntarismo, da violência e do terror. Segundo ele, a incapacidade de aceitar a
violência e de suspender a ética constituem limitações da posição liberal. São esses
os limites que quer superar, para recomeçar a história.
Não admira, portanto, que Zizek chame os direitos humanos de "obscenos" ou que
faça a apologia de Robespierre, Lênin, Stálin e Mao. Isso mostra porém que, no
fundo, a "abertura histórica autêntica" que busca não passa da lamentável -e
reacionária- tentativa não só de reabilitar, mas de tornar paradigmáticas algumas
das mais abomináveis experiências políticas dos tempos modernos.
Ora, é em parte como repúdio ao horror dessas experiências que hoje se dá o
reconhecimento crescente do caráter universal dos direitos humanos; e é a partir
desse reconhecimento que todo ser humano é capaz de se sentir autorizado a
criticar qualquer manifestação de barbárie, quer esta se manifeste na Coreia do
Norte, no Irã ou nos Estados Unidos. O verdadeiro progresso jamais poderia estar
em ignorar ou limitar esses direitos, mas sim em reconhecer que eles incluem,
como quer Amartya Sen, direitos não apenas políticos, mas também direitos à
segurança social, ao trabalho, à educação, à proteção contra o desemprego, à
sindicalização e mesmo a uma remuneração justa e favorável.
Só mesmo uma espantosa cegueira ideológica pode levar Zizek a considerar
enclausuradas as sociedades em que tem lugar a luta pelo reconhecimento e pela
aplicação de tais direitos; e só a mesma razão pode levá-lo a considerar aistórico
um mundo em incessante e evidente transformação, como este em que vivemos.
ANTONIO CICERO - Folha de São Paulo
Data: 21/02/2009 - Horário: 14h40min
Ator Lenício Queiroga é achado morto
NOMINUTO
www.nominuto.com.br
Na manhã deste sábado (21), a polícia confirmou a morte do ator Lenício Queiroga,
encontrado sem vida no seu apartamento, na Av. Ayrton Senna.
De acordo com o Aspirante Leão, policial que participou da diligência, o corpo do
ator já estava em avançado estado de putrefação.
Ainda segundo o policial, o ator teria morrido de causas naturais há três dias, mas
ainda não há confirmação sobre a causa mortis. Familiares de Queiroga acionaram
a polícia, que se dirigiu até o local.
Lenício Queiroga era figura carimbada em espetáculos populares. O Auto de Natal
de 2008 foi dirigido por ele.
Outra participação marcante de Queiroga aconteceu em 1973, quando interpretou
Tião Poeta e o padre Rolim, personagens de "Boi de Prata", longa-metragem norterio-grandense rodado na cidade de Caicó.
Tácito Costa
Data: 21/02/2009 - Horário: 14h31min
Caso de polícia no TCE do Rio Grande do Norte
LUIS FAUSTO
NOMINUTO.COM
Quebro o queixo ao ler na Tribuna do Norte de hoje uma nota escrita por Eliana
Lima informando que os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE)
aprovaram um auxílio-moradia retroativo, que permitirá a cada um deles receber
cerca de 150 mil reais.
Eu já sabia, como todo mundo também já sabe, que o TCE do Rio Grande do Norte
é igual aos tribunais de contas do Brasil inteiro - uma casa do espanto de doer a
espinha, refúgio preferido dos poderosos de plantão para arrumar a vida dos
parentes próximos que sem o empurrãozinho providencial estariam catando coco na
beira do mar.
Eu não sabia, porém, que os conselheiros potiguares já haviam perdido o senso de
decência, de razão e de ética.
É um caso de polícia.
E um escândalo cabeludíssimo.(http://www.nominuto.com/blog/brasilia-urgente/)
Tácito Costa
Data: 21/02/2009 - Horário: 14h29min
O segundo céu
Eu também fiquei indignado com a aprovação indecorosa desse auxílio moradia
para os ―membros da corte‖ do Tribunal de Contas do Estado. Os TCE‘s são as
sinecuras mais sonhadas do país. Dizem que consegue ser melhor do que o
Senado, que um senador potiguar uma vez qualificou de céu. Todos sabem os
requisitos para ser conselheiro dos TCE‘s. No do RN, estão o irmão de Garibaldi
Alves, o irmão de Vivaldo Costa, os ex-deputados Antônio Câmara e Valério
Mesquita... esses são os que lembro agora, puxando pela memória. Como pode
apadrinhados políticos terem alguma isenção na hora de julgar as contas dos
municípios? Brincadeira, né...Esse auxílio moradia é de um cinismo exemplar. Ora,
esses conselheiros já vivem em mansões e ganham super salários e não fazem
nada. Não precisam de mais auxílio nenhum, precisam é trabalhar.
Tácito Costa
Data: 21/02/2009 - Horário: 10h09min
Escândado com dinheiro público
COLUNA DE ELIANA LIMA - Tribuna do Norte
Bolha
Os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado agora se enquadra na categoria
'Sem-Teto'. Na sessão da última quarta-feira, eles aprovaram um auxílio moradia
retroativo, de 1995 a 2001. Cada membro da Corte receberá cerca de nada menos
que R$ 150 mil...
Sr. Editor do Substantivo Plural,
A se confirmar a notícia acima, nós contribuintes do Estado do RN vamos arcar com
mais este custo. Quero crer que os integrantes do TCE/RN, pessoas com grande
respeitabilidade (afinal são encarregados de analisar as contas públicas) podem
perfeitamente justificar tal medida. No aguardo da chegada destas explicações, faço
algumas perguntas, partindo de um pobre contribuinte, e esperando que alguma
alma caridosa me responda: O auxílio moradia (ainda por cima retroativo) é justo
porque: 1) Os conselheiros ganham tão pouco que não tem uma moradia condigna
com suas funções? Neste caso porque outras categorias de servidores públicos que
ganham menos (bem menos) não são também aquinhoadas? 2) São mais
preparados profissionalmente que os outros? Inclusive médicos e professores? 3)
São mais necessários ao serviço público do que outras categorias? Quanto tempo
sobreviveríamos sem garis,policiais, médicos,enfermeiras.etc.... 4) O dinheiro sai de
uma rubrica destinada exclusivamente `aquela corte e não vai implicar gastos
adicionais? Neste caso, se há folga orçamentária nesta rubrica não poderíamos
pensar em transferí-la (é nosso dinheiro afinal) para outros setores do estado mais
necessitados (segurança, saúde, educação, incentivo `a produção, etc...) Longe de
mim duvidar do espírito público de tão alta corte. mas se o dinheiro é de todos, seu
usufruto deve ser mínimamente equilibrado (e não falo de igualitarismos utópicos,
ingênuos e ineficientes). Atenciosamente, Giordano Bruno, do além, psicografando
um espírito que parece ser o de Stanislaw Ponte Preta: "Ou moralizamos esta joça
ou nos locupletemos todos".
Galileu Giordano da Silva
Data: 21/02/2009 - Horário: 09h24min
O leitor - livro e filme
Há dez anos eu trabalhava na assessoria de imprensa da Editora Nova Fronteira –
o equivalente funcional de colocar a raposa para tomar conta do galinheiro, ou por o
viciado para gerenciar a boca de fumo – e uma das perólas que descobri na época
foi um pequeno romance alemão, ―O Leitor‖, de Bernard Schlink. Fiquei satisfeito
em vê-lo adaptado para o cinema, e um tanto surpreso que tenha demorado tanto,
dada a força da história.
Schlink é jurista, professor universitário e também se dedica à ficção. Seus
romances tratam de temas relacionados ao Direito. ―O Leitor‖ é um conto de amor e
tomada de consciência, tendo como pano de fundo os processos judiciais pelos
quais a Alemanha tentou lidar com o passado nazista.
O personagem principal é Michael, um adolescente que na Alemanha da década de
1950 inicia um caso com Hannah, uma mulher mais velha. No ritual que
desenvolvem, o rapaz lê para ela obras clássicas da literatura e do teatro, e depois
fazem amor. Michael se intriga com a relutância de Hannah em falar sobre seu
passado, e como ela parece carregar um pesado fardo. O romance dos dois dura
apenas um verão, e a mulher desaparece sem avisar e sem deixar vestígios.
Oito anos depois, Michael estuda Direito e participa de um seminário especial sobre
os crimes nazistas e nessa situação assiste ao julgamento de um grupo de
mulheres que pertenceram às SS. Entre elas, está Hannah, acusada de um
conjunto de atrocidades. E alguns detalhes do comportamento da ex-amante com
as prisioneiras fará Michael rever de maneira dolorosa o caso de amor entre os
dois.
Gostei da adaptação para o cinema, em particular pelo desempenho excepcional de
Kate Winslet como Hannah – pelo qual ela está indicada ao Oscar. Infelizmente, o
roteiro optou por ressaltar os aspectos mais melodramáticos da trama, incluindo um
longo e desnecessário epílogo na época atual, com Michael interpretado no piloto
automático por Ralph Fiennes (com a mesma expressão facial de seus últimos
quatro ou cinco filmes).
A escolha do roteirista deixa de lado a possibilidade de desenvolver a relação de
Michael com seu professor de Direito, vivido pelo sempre excelente Bruno Ganz. Os
dois discutem a validade de julgar apenas alguns dos crimes cometidos durante o
nazismo, e se as mulheres em julgamento não estariam sendo usadas como bodes
expiatórios para aplacar a consciência culpada de milhões de outros alemães, que
nada fizeram para impedir as atrocidades do período. Há um debate sobre as
relações entre lei, justiça e moralidade, mas para Michael a questão é mais urgente
e visceral: o que fazer quando ele descobre que a mulher que ama é culpada de
coisas tão terríveis? Certamente uma pergunta que, em maior ou menor grau,
atingiu a muitas pessoas na Velha Europa do pós-guerra.
Mauricio Santoro http://todososfogos.blogspot.com/
Data: 20/02/2009 - Horário: 18h34min
Oscar de mal a pior
Em post recente comentei que os filmes que concorrem ao Oscar este ano me
pareciam inferiores aos do ano passado. Embora ressalvasse que só vi dois filmes,
―O Leitor‖ e ―O curioso caso de Benjamin Button‖. Parece que tenho razão. O crítico
da FSP Inácio Araújo, em texto sobre ―Quem quer se um milionário?‖, um dos que
disputam a estatueta este ano, diz que ―o Oscar 2009 busca ser a pior edição de
todos os tempos‖. O melhorzinho, com ressalvas, segundo o crítico, é ―Milk – a voz
da igualdade‖, de Gus van Sant. Sobre ―Quem quer ser...‖, Araújo afirma que ―o
longa vai mal desde a premissa inicial‖.
Tácito Costa
Data: 20/02/2009 - Horário: 16h44min
Cães de guarda
O Livro ―Cães de Guarda – jornalistas e censores do AI-5 à Constituição de 1989‖,
de Beatriz Kushnir põe o dedo no intocado tema para o Governo e grande
imprensa. Ao mesmo tempo critica historiadores que esqueceram as relações
especiais da Folha (e Folha da Tarde) com os militares da linha dura. Octavio Frias
Filho, publisher da Folha (da Tarde), não quis dar entrevista a Kushnir.
O SITE DE PHA fala sobre isso:
http://www2.paulohenriqueamorim.com.br/?p=6370
Sílvio Andrade
Data: 20/02/2009 - Horário: 17h01min
Astronomia e o Carnaval 2009
2009: O Ano Internacional da Astronomia
Há 400 anos atrás um homem ousou olhar para o céu com a lente de aumento de
uma luneta. Ele viu coisas que nunca haviam sido vistas antes. O mundo, depois
disso, não seria mais o mesmo. A lua tinha crateras e montanhas. O sol tinha
manchas. Vênus tinha fases. O homem que viu tudo isso foi uma dos maiores
físicos de todos os tempos. Um dos criadores da física moderna. O italiano Galileu
Galilei não inventou o telescópio, mas aperfeiçoou-o e ampliou os horizontes do
homem pra além do campo de visão onde a vista humana a olho nu podia alcançar.
Por esse grande feito em 1609, o ano de 2009 foi escolhido pela comunidade
astronômica internacional como o ANO INTERNACIONAL DA ASTRONOMIA.
Como acontece sempre que há uma data cultural importante algumas escolas de
samba do Brasil escolheram como enredo de 2009 a astronomia. São elas a
Acadêmicos da Asa Norte (DF), Imperial de Atibaia (Atibaia-SP) e Unidos da Tijuca
(RJ).
A escola do plano piloto de Brasília canta o samba-enrêdo ―Astronomia e mitos
sobre o céu‖de Kadu Sousa. Uma samba que faz alusão à procura de vida
inteligente em outras galáxias, e uma alusão ao poder dos astros em nossas vidas
(astrologia);
―Abre a janela amor / Vem ver o que esse céu tem pra contar /Pelas mãos da
astronomia / O tempo e o espaço mensurar / Buscar centenas de galáxias / Bailar
em luz e graça / ser um astronauta explorador / Procurar por vida inteligente / Basta
ver se sambam, meu senhor (bis) / Hoje o Sol mandou plantar o amor e partilhar/
Marte se encantou, Vênus beijou, não quis ficar / Lua plena e linda, chorou mas não
quis se entregar / Pelo espaço da pureza, os astros vem nos ensinar ( ... ) .
A escola de samba do interior de São Paulo (Atibaia), onde existe um famoso rádiotelescópio, faz alusão ao próprio Galileu e seu livro Mensageiro das Estrelas: ―
Galileu Galilei, o Mensageiro das Estrelas, é o Mestre da Folia". O autor do samba
enredo Jamil Scatena se inspira em Galileu para cantar os feitos do grande sábio.
Alem do telescópio, Galileu viu no isocronismo pendular a base do sistema para
medir o tempo:
Foi Galileu /|Ao vislumbrar o universo/ Me inspirou fazer os versos / Que a Imperial
vem cantar / Sabedoria! / Transformou toda ciência / Mostrando ao mundo o
telescópio / E o sistema pendular ...
A escola de samba Unidos da Tijuca (RJ) vai desfilar cantando um belo samba
inspirado na Astronomia. Julio Alves e Totonho compuseram ―Uma odisséia no
Espaço‖, baseado no cometas, constelações e lendas do céu;
Dourado é o sol a clarear
No azul do céu, estende o véu, isso é Tijuca
Chegou, na cauda do cometa, o pavão
E a minha estrela foi buscar na imensidão
Cruzou o céu no limiar do infinito
O meu Borel visto de cima é mais bonito
Eu vou alçar ao espaço
Cavaleiro alado a desvendar
Além das estrelas o Monte de Zeus
Horizonte de meu deus, Oxalá
Vai Tijuca, me faz delirar
A essência vem de lá
Da ciência a navegação
Luar que embala meus sonhos
Luar de qualquer estação
Eu vi brilhar, em seu olhar, a devoção
A lenda do guerreiro e o dragão
O despertar da fantasia
Vi também, a criança em seu carrossel
De heróis das estrelas, um céu
De mistérios e magia
Na tela, tantas jornadas pelos astros
Quem dera poder viver em pleno espaço
Vejo em minha lente a imagem sideral
Viagem do meu carnaval
A nave vai pousar
E conquistar seu coração
O dia vai chegar
Quando brilhar nossa constelação
João da Mata Costa
Data: 20/02/2009 - Horário: 16h29min
A DITADURA DE 21 ANOS
IMPORTANTE NÃO ESQUECER:
Em exposição apresentada no último FSM foram mostradas algumas cenas cruéis e
dados alarmantes dos primeiros anos dessa terrível realidade tão proxima de muitos
de nós e que os jovens não podem esquecer jamais.
Cinqüenta mil pessoas foram presas nos primeiros anos do regime militar, 356
mortos e vinte mil submetidos à tortura.
Só nos primeiros anos. Muitos colegas ainda sofrem as consequencias dessas
torturas.
Uma historia que precisa ser lembrada. UM DITADURA CRUEL.
POBRE FSP.
João da Mata Costa
Data: 20/02/2009 - Horário: 15h33min
Sobre a solidão
Eu moro sozinho. Eu durmo numa rede. Sozinho. Eu ando sozinho por aí. Também
ando acompanhado. Mas nem sempre me sinto sozinho. Só às vezes. Sozinho ou
acompanhado. Eu aprendi que a solidão é algo que eu carrego dentro de mim.
Solidão não é descer a Rua Augusta sozinho de madrugada, admirando as garotas
na calçada. Solidão não é atravessar as ruas totalmente bêbado, descer as escadas
do Gruta e não encontrar ninguém pra jogar bilhar, e ficar dando voltas em torno da
mesa girando um taco imaginário. Solidão talvez seja ouvir as bolas caindo na
caçapa. Solidão não é uma casa no meio da neve. Solidão talvez seja minha avó
contando histórias de assombração. Um garoto de doze anos chorando sozinho
numa cama com saudades de casa. Solidão não é ter o telefone desligado na sua
cara. É você ouvir notícias de um país distante num rádio velho. O que eu quero
dizer é que há pilhas de romances e poemas sobre a solidão. E você acha que eu
nunca sinto medo? Eu penso em Hemingway com a espingarda na boca e Silvia
abrindo o gás. Estamos chegando perto demais? O velho bêbado apaixonado pela
garota de 23 anos e sonhando em fugir com ela pra Las Vegas. Existe algum outro
tipo mais cruel de solidão? Não estou vaticinando meu fim. Estou sussurrando em
seu ouvido um segredo. Você faz o que quiser com ele. Pensa bem se isso também
não é solidão. Saber é solidão. Não é você ser abandonado no meio do mar. É você
ter consciência num navio de bêbados. Não é uma tempestade sobre a cruz no
Gólgota. É aquela cidade onde o sol nunca se põe. A solidão não é uma senhora de
capuz parada na beira da estrada. Talvez seja o padre vociferando no púlpito. A
solidão é um show de rock and roll e a garota gordinha modernete e cheia de
opiniões e que vai voltar sozinha pra casa enquanto sua amiga burra e linda ficou
com o guitarrista da banda. Não é o sujeito no caixão com as mãos em torno do
rosário e o nariz entupido de algodão. Isso não é solidão. A solidão é o velório que
sempre foi uma piada triste. A solidão é a passagem dos dias. A solidão não é um
blues de Corey Harris. A solidão é o carnaval. A solidão é um farol. Eu apenas me
deixo guiar. A solidão vai durar eternamente. O dia que eu sentir que não pode mais
ser assim, juro que dou um jeito nisso. Ou então como diria o último boy scout, eu
arrumo um cachorro.
Mário Bortolloto
Data: 20/02/2009 - Horário: 15h02min
Retrato de Natal
Comentários rápidos acerca de dois assuntos abordados aqui. Primeiro sobre texto
de Serrão. De fato, ali está o retrato de Natal. Mas não só de Natal. Acredito que as
mazelas alinhadas no texto estão presentes em quase todas as cidades brasileiras,
em maior ou menor grau. Isso, claro, não pode ser entendido como atenuante e
cabe a nós criticar essa realidade. O outro comentário é sobre a postura errática e
arrogante da FSP. Confesso que fiquei perplexo com essa do jornal qualificar a
ditadura militar de ―ditabranda‖. Se não bastasse ainda soltou os cachorros em cima
de quem discordou. Merece todo o nosso repúdio o disparate do jornal paulista.
Tácito Costa
Data: 20/02/2009 - Horário: 15h00min
Voz sem saída
Era uma livraria de cidade pequena, e as opções da estante de ficção, restritas.
Quase às cegas em meio aos títulos, encontrei ―Voz sem saída‖, da jovem francesa
Céline Curiol, que ostentava uma faixa com recomendação de leitura do Paul
Auster: ―um livro marcante que anuncia a chegada de um novo talento à cena
literária‖. Na segunda orelha, descubro que Celine é francesa, tem 30 anos, e que
esse é seu primeiro livro.
Compro.
Gosto logo de cara do jeito da narrativa, do tom com que a protagonista vai falando
de sua saída de uma festa. É a tradução, em palavras, de uma visão idiossincrática
do mundo chamado ―normal‖.
Aos poucos, ela vai me conquistando com suas pequenas implicâncias,
indelicadezas, resistências. E vai crescendo em densidade, intensidade e interesse
conforme avanço nas 230 páginas que, passadas da metade, não consigo mais
largar.
Há uma revelação a ser feita, e o que será revelado o leitor pode ir intuindo,
avistando, mas nenhum dos sinais que vão sendo apontados ao longo do texto
arrefece o impacto do relato desta revelação.
Estamos no limiar de uma tragédia, e Céline opera bem as palavras a ponto de
manter esticada a corda dessa expectativa até o final.
E, se de tudo até aqui não tiver sido suficiente, as últimas 30 páginas valeram o
preço do livro. Tenho visto muitos jovens autores errarem a mão exatamente no
final, como se não tivessem capacidade de sustentar a narrativa até o fim. Céline
fez exatamente o oposto: reservou ao leitor um desfecho que justifica toda a leitura.
Registre-se ainda o cuidado da edição da Nova Fronteira, em tradução impecável
de Bluma Waddington Vilar.
Carla Rodriques - http://carlarodrigues.uol.com.br/
Data: 20/02/2009 - Horário: 14h36min
Cinema de Publicidade
O texto do sr. Luiz Carlos Oliveira Jr. é um primor. Ufa, finalmente alguém falou o
que todos nós comentávamos por aí. Fernando Meirelles e Walter Salles instituíram,
no Brasil, o cinema de publicidade, ou melhor, a publicidade cinematografada.
Também achei Ensaio sobre cegueira (com aquela luz estourada) um acinte a
qualquer apreciador da fotografia. Entre outras bobeiras. E o socialmente correto da
Linha Passe, o olhar "tadinho deles" é um saco. Mas quem não sabe que ambos
veem da publicicidade? Eles e mais uma penca como Heitor Dhalia, Daniel Filho,
entre outros. Bom, não vou nem comentar sobre a "miséria da crítica " p.q. acredito
que o jornalismo cultural se tornou um "negócio entre amigos". Mas uma coisa eu
discordo do sr. Luiz Carlos Oliveira Jr. Não acho de todo negativo a crítica querer
hoje debater em vez de meter o pau. Acho também errado querer só debater. Pior é
quando nem debate acontece. Acho que ele se refere, claro, a imprensa sulista. A
miséria da crítica brasileira e a vitória da publicidade sobre o cinema são marcos
terríveis, mas indicativos de como a televisão se aproximou também do cinema.
além do supra citado Daniel Filho, temos Jayme Monjardim, Luis Fernando
Carvalho, Guel Arraes, Cao Hamburguer, Carla Camurati, Jorge Furtado, Carlos
Manga, etc. Em todo caso, parabéns ao autor do texto. Uma belezura de crítica à
falta de crítica.
Gustavo de Castro
Data: 20/02/2009 - Horário: 14h29min
Não existem ditabrandas!
Caros amigos:
A Folha de São Paulo, em editorial contra Hugo Chávez, caracterizou o regime
brasileiro de 1964/1984 como "ditabranda". É um absurdo: quer dizer que quem
morreu, foi torturado ou sofreu arrocho salarial daquele regime deve respirar
aliviado porque ele era brando! Não existem ditaduras brandas! Ditaduras são
ditaduras!
Pior: a FSP respondeu, em sua coluna de cartas do leitor, de maneira grosseira e
ofensiva, a Benevides e Comparato, intelectuais sérios que ousaram criticar aquele
termo medonho.
Transcrevo convite de Caio Navarro Toledo (Professor da UNICAMP) para os
ofendidos escreverem cartas de protesto à FSP:
[email protected],
carta que enviei a colegas da Unicamp. Caso concordem com seus termos, peço
que a divulguem em suas listas;
abs,
Caio
ps. cartas de protesto à Folha devem ser encaminhadas a [email protected] com
cópia para [email protected]
Colegas,
Repulsivas e agressivas duas recentes posições editoriais de Folha de S. Paulo: em
`Limites a Chavez´, editorial de 17/2, o jornal apela para a ignominiosa expressão
de "ditabranda" para se referir à ditadura militar brasileira que, durante vinte anos,
prendeu, torturou e assassinou brasileiras e brasileiros; hoje, após publicar as
cartas dos profs. Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato - que
contestaram o emprego da esdrúxula e falsificadora expressão -, o jornal, sem
argumentos e razões, agride a atuação pública destes dois combativos intelectuais
por meio de uma leviana "nota de redação".
Diante de todas estas agressões ao pensamento democrático, cartas de protesto ao
jornal e o cancelamento da assinatura não seriam as respostas mais consequentes
?
sds,
caio
ps. abaixo as cartas dos dois colegas e a leviana nota do jornal:
MARIA VICTORIA DE MESQUITA BENEVIDES, professora da Faculdade de
Educação da USP (São Paulo, SP): "Mas o que é isso? Que infâmia é essa de
chamar os anos terríveis da repressão de "ditabranda'? Quando se trata de violação
de direitos humanos, a medida é uma só: a dignidade de cada um e de todos, sem
comparar "importâncias" e estatísticas. Pelo mesmo critério do editorial da Folha,
poderíamos dizer que a escravidão no Brasil foi "doce" se comparada com a de
outros países, porque aqui a casa-grande estabelecia laços íntimos com a senzala que horror!"
FÁBIO KONDER COMPARATO , professor universitário aposentado e advogado
(São Paulo, SP): "O leitor Sérgio Pinheiro Lopes tem carradas de razão. O autor do
vergonhoso editorial de 17 de fevereiro, bem como o diretor que o aprovou,
deveriam ser condenados a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao
povo brasileiro, cuja dignidade foi descaradamente enxovalhada. Podemos brincar
com tudo, menos com o respeito devido à pessoa humana."
Nota da Redação - A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da
qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas
dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides,
figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda,
como aquela ainda vigente em Cuba, sua "indignação" é obviamente cínica e
mentirosa.
Marcos Silva
Data: 20/02/2009 - Horário: 14h28min
PARA O SERRÃO
CANTATA PARA NATAL
"Não cante tua cidade, deixa-a em paz."
Drummond
São quatrocentos retratos
Quatrocentos três por quatro
Cidade quatrocentão
Trago-te no coração
O mar te bronzeia
E o sol te faz fagueira
Tuas verdes dunas acaricio
E te banhas por inteira
E o galo cantando
lá na torre de Toinho
Nos convida a um carinho
Na pedra do rosário
Cidade outrora presépio
Foi assaltada de prédios
Pirulitada de falos
A vida sobe e eu calo
Cidade macondenada
À vida só de fachada
Já te quiseram aboio
E te fizeram de apoio
Trampolim de outras vitórias
Somos parte desta história
Que te contam em três por quatro
E cansamos de maltratos
Tu és ponta do Brasil
Entre outras mil
És tu Natal
Meu Carnaval
Natal for all
NATAL PARA TODOS
João da Mata Costa
Data: 20/02/2009 - Horário: 11h50min
Natalvesmaia, agora mi cala também
Natal é uma cidade de fidalgos, isso nem todo mundo sabe. Em Natal o talento é
sempre substituído pelo pedigree familiar. Se você for descendente da família
Plutão, Marte, ou Jarbas, pode ficar tranquilo. Sua agência de publicidade será
próspera, seu escritório de advocacia competente. Sua casa de praia sempre estará
protegida de assaltos e a blitz de Pium nem vai olhar na sua cara. Natalvesmaia,
agora mi cala também. A cidade não gosta de ninguém, também não é amiga de
ninguém. Dizem que é por causa do provincianismo, dos valores medievais do
interior. Por exemplo: Niemeyer em Natal não é nada. Casas de vinhos raros
fecham suas portas antes do primeiro ano, cadê nossa elite? Outro dia uma
tradicional confraria de gaúchos desapareceu no meio de um açude artificial. E os
condomínios dos gringos. Que engrandece as praias, ecológicos, reivindicadores de
civilização na praieira. Agora fechados, a venda, sale.
Burler Marx, uma lenda urbana natalense?
Tudo que é bom, dura pouco, já dizia o dito popular. Em Natal, esse pouco é breve.
E ainda tem quem diga que é uma cidade que adora o que vem de fora.
Círculos de afinidades, igrejinhas, cantões, são os hits que conduzem a ópera do
horror natalense. Cidade que cresce pra cima. Coletivos de carros novos
transformam suas ruas em cinza, preto e branco. Mosaico de latas monocolor,
bicolor, tricolor, e só. O sentido coletivo do natalense é comprar pão na esquina, de
automóvel, é claro. Só em Natal as padarias não vendem cervejas.
Cascudo viu uma cidade já grande, mas embriagada de vícios provincianos e disse:
―Em Natal ninguém se dá bem e nem mal‖. Desculpe mestre, os fatos são outros.
Em Natal os políticos se dão muito bem, e já fazem até sucessores hereditários,
velha capitania que deu certo, apesar da história dizer o contrário. Aqui pelo jeito a
monarquia dá certo, sim.
Tem coisas que só acontecem em Natal: Lagoas de captação em geologia dunar.
Essa é demais, não é nem chamar de idiota, é bater na cara. Ao mesmo tempo em
que murmura-se derrubar o Machadão, preserva-se a rua da Conceição. Cidade
confusa. Natal, diz pra mim quem és tu, quimera! Uma pantera?
Socorro disco voador!!! Os postos Ipiranga estão cheios de gente, as livrarias estão
fechando. A maionese vencida do sanduíche de frango, gelado, dormido, iguaria
sem igual, antepasto nas madrugadas. Só os postos Ipiranga são felizes. Bom
exemplo pra juventude é o yuppie tardio, anda limpinho, surdinho, e dirige uma
Hillux.
O povo de Natal gosta tanto de carro, e de som no carro, que compra o bicho
mesmo sem ter a jaula pra botar. Ai compra outro bicho, e outro. É quando chega
pra gente e fala:
- Você pode-me emprestar sua jaula, é que meu filho veio pra casa hoje com o
corsa da firma.
Já mandei chumbar o portão!
Isso é sério, o automóvel criou uma coisa chamada: imobilidade social. Nem a
ditadura conseguiu essa tal imobilidade.
Os bebês já estão nascendo com pneus no lugar dos pés. Em vez de olhos, farol de
milha. Os braços, retrovisores, e as mãozinhas, os piscas alerta. Tem vermelho e
amarelo. Tomam muito líquidos pra se acostumar logo cedo com o álcool. E a
papinha cremogema? É para não estranhar o óleo diesel.
Os rapazes há muito tempo passam gasolina no corpo. Até o poeta Helmut anda
tomando banho de querosene (cadê ele hein?).
E Natalvesmaia, agora mi cala também. Caminha Natal, segue sua trilha para o fim.
Vocação imposta, geografia do individualismo, território da esperteza. Riqueza
visual, pobreza imaterial.
Franklin Serrão
Data: 20/02/2009 - Horário: 11h21min
Sobretudo, um livro sobre o amor
“Fernando Sabino, meu amigo, as rosas estão frias
E estremeceram nas hastes como uma voz de eternidade”
~ Hélio Pellegrino, em carta-poema, 4 de maio de 1945
Não era meu cronista preferido (pronto, falei!). A verdade é que, entre os ―quatro
mineiros do Apocalipse‖, afeiçoei-me mais ao lirismo comedido do Paulo Mendes
Campos e ao pessimismo permanente do Otto. Mas não é sempre que um romance
lido quando já passada a adolescência entra numa lista particular (e
necessariamente ilógica) dos ―livros de nossa vida‖. Os títulos que relacionamos
costumam perdurar e em geral circundam textos sorvidos na quentura da
descoberta, quando olhamos para o mundo e, ao nos flagarmos nus, então
percebemos que a nudez não nos é exclusiva.
Falo de ―O encontro marcado‖, evidentemente. Que segue firme, ao lado de Kafkas,
Dostoievskis, Clarices e Camus na prateleira mais preciosa de minha estante
íntima. Com a morte de Sabino, o último dos quatro mineiros, pus-me a pensar por
que afinal esse livro fora capaz de forçar espaço nessa listagem, apesar de tão
tardiamente. E revisitei o romance, relendo apenas as frases sublinhadas:
―Estamos imprensados entre esses dois acontecimentos: o nascimento e a morte.
Temos apenas 60 anos para resolver o problema, talvez menos.‖
―A idéia da morte os fazia mais velhos.‖
―Quem fala em sangue, e não esta sangrando, é um impostor.‖
―Há uma fresta em minha alma por onde a substância do que sou está sempre
escapando mas não vejo onde nem porquê.‖
As quatro acima são apenas exemplos soltos das tantas passagens que mereceram
rabiscos daquele rapaz de vinte e poucos anos que era eu, por falarem de coisas
intangíveis e ressonantes. Que continuam ressonantes, mesmo na leitura
apressada de anteontem à noite. Contudo, para além das frases, da prosa fluente
do narrador, compreendi que minha profunda ligação com a obra atrelava-se
essencialmente ao fato de ―O encontro marcado‖ ser antes de tudo um romance
sobre o amor, urgido no sentimento trágico diante da vida que uniu Sabino, Hélio,
Otto e Paulo. Aquele mesmo amor que os levava a ―puxar angústia‖, em expressão
que se tornou clássica. Pobre de quem nunca ―puxou angústia‖ ao ouvir um samba
triste, ao engolir o quinto chope numa mesa de bar, ou ainda ao encontrar um
cartão antigo, já amarelado, dormindo esquecido dentro de um livro...
―Vivíamos em estado permanente de discussão‖, comentou certa vez Sabino,
referindo-se ao grupo. E as delongas superavam tempo ou geografias. Na
correspondência trocada entre eles, anos e anos depois das travessuras na Praça
da Liberdade de uma Belo Horizonte quase provinciana, o misterioso fio que os
ligava permanecia firme. Como o demonstra carta remetida a Hélio, datada de
1945. Sabino confessava ter o coração cheio de ―alegria triste‖, e observava: ―Há
qualquer coisa de comovente nesse encontro de nós quatro assim de longe – tão
longe que estamos um do outro, você do Paulo, o Paulo do Otto, o Otto de mim, e
no entanto tão juntos, que nossa respiração se confunde, nossas mãos se tocam no
ar e há um resto de doçura no olhar de cada um, que é a lembrança dos outros
três.‖
Essa doçura valente - presente em cada linha de ―O encontro marcado‖- nasce da
generosidade de ―mostrarmos nossos corações uns para os outros‖, como bem
definiu um desses amigos que sabem ser doces. É ela que confere intensidade às
relações humanas. É ela que me faz situar o romance entre os grandes livros que li.
É ela, enfim, como bem souberam o próprio Sabino e seus parceiros Hélio, Otto e
Paulo, que faz da amizade uma forma [sublime] de amor.
Marcelo Moutinho
Data: 19/02/2009 - Horário: 17h31min
Crepúsculo dos deuses?
É, Monteiro, diante de certos padrões que o cinema tem eleito, confesso que faz
tempo que não recebo um bom "soco no estômago", com alguma novidade a que
se possa dar o título de, no mínimo, "imortal". Por isso, vale a crítica à ausência de
crítica!
Às vezes, penso que o cinema foi enterrado, aos pedaços, em túmulos como os de
Fellini, Glauber, Bergman, Antonioni, Buñuel, Mastroianni, Brando...!
Fernando, Moacy, Jairo, Alex... digam-me, por favor... e urgentemente: O cinema
está em extinção?
Abraços!
Lívio Oliveira
Data: 19/02/2009 - Horário: 17h44min
Para Marcelo Negreiros e aos que concordam com
seu artigo
Prezado Marcelo Negreiros...
É com angústia que escrevo.
Li seu artigo postado nesse espaço cultural.
Sinceramente, senti-me atingido e magoado com as palavras em seus escritos. A
bem da verdade, senti-me como parte do artigo.
Infelizmente, encaixo-me perfeitamente na sua descrição sobre quem é babado por
todos. Nunca havia sentido qualquer remorso ou sequer tinha parado para refletir
minuciosamente sobre o assunto.
Com seu artigo, a minha alma sentiu a dor de quem fica sabendo qual é a realidade.
Percebo, então, que realmente estou só. É depressivo. Mas sou forte para agüentar
a realidade, que nada mais é que pura decorrência de minhas atitudes.
Seu texto não é bom, mas sim brilhante e genial...
Portanto, reconheço a excelência do texto, mesmo sabendo que possuo todas as
características negativas lá narradas. A concisão não conseguiu suprimir a
profundeza de suas palavras.
Assim, mesmo me sentido alvo, ainda que indireto (como milhares de outras
pessoas), de suas palavras, dou-lhe minhas sinceras e humildes congratulações.
Continue nesse caminho.
Agradecido,
Arnaldo
Data: 19/02/2009 - Horário: 17h15min
O trote torto!
Tenho realmente me enojado com a insistência de alguns jovens universitários em
continuarem com os trotes idiotas pela nossa província em crescimento, mesmo
contrariando normas expressas (no caso, da UFRN). Nada de criativo, nada de
produtivo, nada que denote alguma fagulha de inteligência nos cérebros dos novos
acadêmicos! Somente rebeldia sem causa e uma manifestação suja, bizarra e sem
graça (talvez, até, arriscada)! Não há uma bandeira a ser defendida ou mesmo uma
piada a ser bem contada! O que vejo, somente, são os tais jovens elameados,
abordando de maneira constrangedora os motoristas (e às vezes, os pedestres),
implorando e se humilhando por moedas, atrapalhando o trânsito e perturbando a
paz pública.
Inclusive, como disputam com lavadores de pára-brisas, vendedores de quase-tudoquanto-existe, dentre outras tribos, termina havendo uma espécie de incentivo
"didático-pedagógico" à invasão dos cruzamentos da cidade. É como se disessem: Vambora, pessoal, essa coisa de trânsito e de educação é mesmo sem futuro!
E eu, aqui, vou matutando:
Futuro, futuro, futuro....???
Lívio Oliveira
Data: 19/02/2009 - Horário: 17h13min
Joio do trigo
Muito bom o artigo de Luiz Carlos Oliveira Jr. remetido por Fernando Monteiro. Toca
em vários pontos cruciais para o cinema, como quando diz: ―...a crítica que quer
debater, mas não quer criticar.‖ Esse ―debate‖ funciona como publicidade para o
filme. É só prestar atenção quando ocorre o lançamento de um filme. É um bla bla
bla interminável, mas crítica mesmo que é bom, passa bem longe. Eu disse
fundamental, acima, porque cabe a crítica, que em tese, reúne condições
intelectuais para tanto, separar o joio do trigo, lançar um olhar diferenciado e
aprofundado sobre a obra em questão. Uma última palavra sobre essa revista de
cinema Contracampo, onde foi publicado o artigo e que eu acesso há tempos. É
uma das melhores da internet. Quem gosta de cinema e quer críticas abalizadas
não pode deixar de lê-la.
Tácito Costa
Data: 19/02/2009 - Horário: 15h28min
A publicidade venceu
Tácito amigo:
Gostaria de chamar sua atenção e a dos colegas [mais agudos] do SUBSTANTIVO
(os que são normalmente "anestesiados", não irão gostar - eu já prevejo), PARA
ESTE TEXTO QUE CONSIDERO O MELHOR QUE EU LI, SOBRE CINEMA, NOS
ÚLTIMOS DEZ ANOS (PELO MENOS).
Em tempo: "nunca antes" eu ouvira falar de Luiz Carlos Oliveira Jr. - o seu autor.
Confesso esta ignorância imperdoável - porque quem pensa (e escreve) assim,
deveria ser conhecido dentro e fora "deste país" etc.
Grande abraço,
DO EDITOR
Leia o texto em ENTREVISTA. A seção PROSA está bichada e os textos
longos irão, provisoriamente, para ENTREVISTA.
Fernando Monteiro
Data: 19/02/2009 - Horário: 14h57min
Exposição e pagamento em moeda corrente
Prezado Sílvio:
O problema é que a agência de publicidde faturou em cima do poeta. É diferente de
um centro acadêmico que inclui um poema em jornal de circulação restrita. Ou um
professor que faz apostilas para seus alunos quase artesanalmente e põe um texto
de conhecido. Na publicidade, o poema virou mercadoria. Alguém ganhou com isso
- e parece que não foi o poeta.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 19/02/2009 - Horário: 14h57min
O Silêncio de Lorna
(Le silence de Lorna, BEL/FRA/ITA/ALE, 2008)
Rapaz, passei assim sem querer nada no moviecom. Nem sabia desse filme. Nao
tinha lido nada sobre ele. Parei a caminhada e fui ver o "Silencio de Lorna". Que
atriz maravilhosa. Talentosa e sem maiores rompantes circenses. Um interpretação
intimista. Uma atriz que segura a cena com o silencio e pausas. Um grande roteiro e
direção dos veteranos Jean-Pierre Dardennee e Luc Dardenne.
Um elenco maravilhoso. O Claudy que faz o papel do viciado está magistralmente
interpretado por Jérémie Renier. A competente atriz Lorna (Arta Dobroshi ) está
com um filho dele e uma máfia quer fazer o seu divorcio com a tirada do filho e
posterior casamento com um russo. Tudo em função do dinheiro sujo. Um filme que
transcorre no tempo exato de segurar o espectador pela emoção e toca bem fundo
ao coração. Bela fotografia e trilha sonora.
Maravilhoso,
João da Mata Costa
Data: 19/02/2009 - Horário: 14h47min
Lendo Moreno
Muito bom o livro do Cláudio Moreno ―O Prazer das Palavras‖. Fico sabendo que o
dicionário é um livro como outro qualquer. Há muitas diferenças entre os dicionários
Houaiss e Aurélio. Diferenças ortográficas e de adjetivos. Moreno consultou muitos
dicionários para esse olhar com muito humor sobre a nossa fantástica Língua
Portuguesa. Além dos dicionários acima citados, Moreno consultou os grandes
dicionários do Bluteau e Morais.
Fico todo feliz quando ele diz que Câmara Cascudo foi um dos escritores que mais
contribuíram a nossa língua. Discordo dele quando diz que Guimarães Rosa criou
uma língua só para ele e que, em termos de inovação, sua criação é zero. Que suas
palavras inventadas não serão usadas por ninguém, a não ser por alguns poucos
imitadores.
E qual a diferença entre estória e História? Guimarães escreveu ―Primeiras
estórias‖, ―Estas estórias‖, etc.
Do ponto de vista lingüístico não existe distinção entre Estória e História, diz
Moreno. Errou Cascudo e outros folcloristas quando fazem essa distinção proposta
por João Ribeiro em 1919. João cunhou o termo Estória para designar a Narrativa
Popular, o Conto tradicional e outros estudos do folclore.
O erro se propaga quando se transfere ou se traduz o português do medievo para a
idade moderna. Na idade média não havia distinção entre Estória e História. Os
folcloristas desejaram distinguir a História do Brasil das Histórias da Carochinha.
Para Moreno uma distinção inútil. E eu estou com ele, mesmo não sendo da área. E
chega de História de Estórias. Ler o livro do Moreno é uma delícia. Como é lindo
meu Português!
João da Mata Costa
Data: 19/02/2009 - Horário: 14h30min
PIO, PIO, PIO, PIO, PIO, PIO......E A METÁFORA DA
SACANAGEM...
Amigo , Negreiros, e por falar em política...
Política provinciana é desestimulante e fadada a discutir coisas menores (com raras
exceções). A política alimenta muitos. Digo alimenta no sentido literal da palavra.
Sustenta mesmo. Alimenta os famintos ―passarinhos‖ que ficam no ninho de bico
aberto esperanto uma migalha, um resto que lhe será regurgitado. Isso se chama,
no mundo moderno, de ―falta de independência‖. Quem é independente não senta
no ninho esperando migalhas. Quem é independente não é adestrado.
Perceba que o favor político vasculariza o meio social. Ninguém quer ser pego com
a calça na altura dos joelhos e com a bunda murcha, peluda e furúnculenta de fora.
Criticar? Nem pensar. É o medo que controla com punho forte quem depende das
hienas da política (evidentemente havendo escassas exceções quanto as hienas).
Não se pode confundir lealdade com humilhação. Quem é dependente é humilhado,
adestrado e submisso. Quem tem independência pode dar-se o luxo de ser leal. O
inverso é coisa rara.
Quem é dependente deve, como forma de se preservar, praticar com deleite, afinco
e perfeição, a lambedura de saco. Eu que nem poderoso e nem político sou, já tive
meu saco lambido. E puxado também. È muito bom por certo tempo, depois cansa.
Por outro lado, deve ser mais prazeroso ter o saco lambido ou puxado quando se é
político. Ter o saco lambido é uma relação de poder. . Deve haver algum nexo
causal entre o prazer de ter seu saco lambido e os efeitos do ego. Sugiro um estudo
mais aprofundado. Sugiro também um estudo aprofundado entre o político
provinciano, a arte de ludibriar, a riqueza súbita e a burrice do povo.
E por falar em burrice do povo, não é difícil ver os eleitores brigando, agredindo,
indo as ruas com magnanimidade defender a unhas e dentes os mesmos que lhes
manterão nas masmorras da pobreza e da necessidade de favores.
Quer ver favores, basta ir ao gabinete de um político para ver o povo fazendo fila
para pedir favores. Basta ir até a casa de um político para testemunhar o entra e sai
de gente querendo um farelo do bolo. O ninho é grande e são muitos bicos para
manter. Pio, pio, pio, pio, pio, pio........ Isso sim é política de terceiro mundo. Política
de fundo de quintal. Política menor.
Independência ou ovos.
Por fim, grande abraço meu caro Negreiros.
CHARLES M. PHELAN
Data: 19/02/2009 - Horário: 14h29min
Luiz (ou Luis) e seu chapéu
Como coloquei os pés na Cooperativa Cultural do Campus, pela primeira vez, lá
pelos idos de 91/92, vem de longa (apesar de imprecisa) data a minha amizade com
Luiz (ou Luis, nunca lhe vi a identidade). Não encontrá-lo com o indefectível chapéu
(ou gorro, quem sabe boné, sabe-se lá) à moda de agricultor francês, será sempre
um vazio entre as prateleiras da livraria. Que retornes bem e de pronto da cirurgia,
pois teus amigos e livros te esperam. Ainda estou, caro amigo, tentando aprender a
escrever poemas com cara e tamanho de poemas. Quando aprender, corro a te
mostrar.
Abraço fraterno.
Paulo Benz
Data: 19/02/2009 - Horário: 14h27min
Exposição
Concordo, Marcos, de pagando ou não, o poeta Frederico Barbosa "ganha" em
exposição.
Sílvio Andrade
Data: 19/02/2009 - Horário: 14h27min
Mercadinhos e mercadões
Caro Tácito.
Lendo os posts sobre supermercados me lembrei de uma crônica que mandei para
o JH em 2006, mas que, por ter afinidade com o tema, achei por bem desencavar.
Fica ao teu critério colocá-la na seção de prosa ou na "faixa laranja".
abraço
Mercadinhos e Mercadões!
Terça-feira. 7 horas e 30 minutos da matina. No supermercado, depois de deixar o
filho na escola.
Não por esporte, mas por estratégia, costumo fazer a ronda dos mercados de Natal
em busca de conseguir que o mês financeiro se limite aos trinta dias do calendário,
de modo a que coincida com a data em que meu salário é depositado.
Nessa longa jornada entre prateleiras de supermercado, nas três capitais onde já
morei, aprendi que a pesquisa é amiga primeira do orçamento, chegando a fazer
um levantamento entre os preços mais altos e mais baixos de uma dessas minhas
epopéias, para descobrir que no final, entre os preços de topo e os de ofertas, havia
um abismo, no final da lista de compras, de mais de quarenta por cento! Dinheiro
meu que iria para as cucuias.
Mas, voltando à primeira linha. Como cheguei bem cedo, às 7:30h já estava no
caixa, com as compras previamente listadas todas no carrinho e pronto para a pior
parte: pagar.
Foi aí que percebi que umas três pessoas, todas uniformizadas, passaram pelo
embalador e o abraçaram. Prontamente perguntei se era seu aniversário, já
disposto a dar os parabéns, mesmo sem nunca tê-lo visto.
A resposta foi imediata:
- Não, Doutor. Aqui nós nos abraçamos no começo do trabalho para transmitir calor
humano.
Com isso parei para observar o ambiente à volta.
Realmente, o que se via eram funcionários se cumprimentando, sorrindo, dando as
mãos e em alguns casos se abraçando. Não notei nenhum traço de falsidade ou de
demagogia. Pareceu-me que eles estavam se cumprimentando com sinceridade.
Comentei com a atendente do caixa que realmente aquilo parecia dar bom
resultado, pois eles, funcionários, me pareciam sempre de bom humor, mesmo
sabendo da pedreira que é trabalhar em supermercado, coisa de um ou dois
feriados no ano (sem contar os corujões 24 horas).
O resultado é, obviamente, uma significativa melhora na qualidade do atendimento,
aspecto da maior importância. O nome do Santo? Como é pra elogiar, lá vai:
Nordestão Cidade Jardim.
Bem, mas como eu ia dizendo, não fico em apenas um mercado. Faço a ronda, até
porque com os anos de experiência, já sei os preços da maioria das coisas no meu
―HD‖, o que facilita meu econômetro. Dali, fui a um desses grandes mercados de
atacado, para sacar das prateleiras aquelas algumas coisas que realmente valem a
pena de carregar no carrinho e jogar sem sacolas na mala do carro. Até aí, tudo
bem.
O verdadeiro problema começa onde tudo termina. Depois de o cidadão revisar o
mercado todinho, enfrentar engarrafamentos de carrinhos gigantes e às vezes uma
fila bem demoradinha para passar os ―pertences‖, e pagar por tudo isso (isso
mesmo, não foi de graça!), vem a cartada final. Compras pagas, soltas no carrinho,
há mais uma fila para enfrentar: a da presunção de desonestidade!!!
Presume-se que sejamos, todos, desonestos. Afinal, qual a razão de, após termos
retirado todos os objetos comprados do carrinho e passado pela mão de uma
funcionária do caixa (que eu presumo como verdadeira representante legal do
mercado) para que ela faça o registro e nos cobre pelo que levamos, termos de nos
submeter a uma verdadeira revista para ver se não estamos levando nada além
daquilo que foi pago.
Confesso que vou contrariado, toda vez. Só vou por economia. Minha rebeldia é
deixar as compras o mais bagunçadas possível dentro do carrinho, para ao menos
dar um pouco de trabalho ao ―seu poliça‖ particular.
O nome desse Santo eu não conto, presumam, até porque de Santo não tem nada.
Por isso eu falava de Mercadinhos e Mercadões. Mas não no que se refere ao
tamanho, e sim, à mentalidade.
Se algum gerente de mercado ler isso e chegar à conclusão de que é com ele,
repito o que disse a uma estagiária a quem tive de puxar as orelhas, por não levar o
estágio a sério: ou você vai passar o resto da vida com raiva de mim, ou um dia vai
me agradecer por ter dito isso. Tomara que venha a segunda opção.
Paulo Benz - Poeta (e consumidor)
Data: 19/02/2009 - Horário: 14h26min
Usou, pagou!
Prezado Silvio Andrade:
A agência que usou poema de Frederico Barbosa merece parabens por valorizar a
poesia. Agora: tem que valorizar O POETA (sujeito físico que come, paga aluguel,
etc). Fará isso PAGANDO PELO USO DO POEMA. Publicidade é uma atividade
bem remunerada pelos clientes. O autor do texto original tem que ser
recompensado! Não é crime usar poesia pra publicidade. É crime usar sem pagar
ao poeta.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 19/02/2009 - Horário: 09h04min
Llosa escreve sobre Onetti
―O mundo literário de Onetti ‗nos entristece, nos desmoraliza. Porém, ao mesmo
tempo, há tanto talento que é possível pensar que o mundo não deve ser tão mal
nem a negatividade tão profunda, quando se dedica a escrever e o faz com tanta
excelência".
De Vargas Llosa sobre Juan Onetti, na revista BULA, que traz outros textos bem
interessantes. Vale a pena conferir!
http://www.revistabula.com/
Tácito Costa
Data: 19/02/2009 - Horário: 08h50min
Virus ou virose?!
Alex,
Segundo Davi, que dá suporte técnico ao SP, um vírus provocou o sumiço dos
textos (tá mais para virose, que no final pode ser tudo, de uma gripe à dengue).
Peço desculpas a todos pelo ocorrido. Infelizmente, tivemos esse tipo de problema
várias vezes por aqui. Minha esperança é que no novo site, que está sendo
elaborado e em breve estará no ar (entre março e abril), possamos evitar tais
transtornos e constrangimentos.
Tácito Costa
Data: 19/02/2009 - Horário: 08h43min
A poesia brasileira Contém 1g
Tácito,
Lá no site Cronópios está uma ―materinha‖ sobre a nova campanha publicitária
mundial do perfume Coco Mademoiselle da Coco Chanel. A milionária marca usa
fragmentos dos poema "Day Dream" do poeta Frederico Barbosa para acompanhar
os delicados gestos da também linda e delicada Keira Knightley. Mas o negócio é
que o autor nem sabia dessa apropriação indébita, mas bem devida, de seu
poema.
http://www.cronopios.com.br/site/noticias.asp?id=3815
Sílvio Andrade
Data: 19/02/2009 - Horário: 08h32min
Sumiu!
Tácito,
Fui lá em prosa conferir o texto de Caio Fernando Abreu e encontrei a seção em
branco. Sumiu, escafedeu!
Alex de Souza
Data: 19/02/2009 - Horário: 08h30min
Gabadores servis
Grande Phelan, política é fundamental em um Estado Democrático de Direito.
Contudo, concordo que as abordagens acerca desse assunto são exageradas em
nosso Estado.
Quanto aos lambedores dos ovos alheios, realmente a situação causa repulsa.
Aproveito e envio o artigo que fiz sobre esse assunto:
Gabadores servis
Não é só aqui nesse Estado que existem os puxa-sacos, os babões, os totalmente
submissos a uma autoridade pública. Verdadeiras rêmoras que comem os restos de
seus superiores, com o repugnante desígnio de galgar posições a custa de favores.
É a torpeza presente no âmago dessas criaturas. Quanto ao bajulado, esquece ele
que não tem verdadeiros amigos, mas sim uma corja de servos que apenas o
adulam enquanto durar o seu poder, e quando esse passar para as mãos de
outrem, aqueles que o lisonjeavam servilmente também seguirão o novo ocupante
do poder e assim essa bajulice continuará repetindo-se de forma inumerável,
porque sempre existirão os adulados e os aduladores...
Mais agradável é viver a existência bem longe desses ambientes palatinos,
repulsivamente infestados de hipocrisia, com falsos devotos proferindo
incansavelmente belas palavras com o único objetivo de louvar quem está no poder
e receber favores imerecidos.
O bajulado, que teve seus pés e ovos lambidos lá está, impávido colosso, porque
pensa que tem real apoio de seus seguidores, até o instante em que perde o poder,
ocasião em que sente a falta do chão, o tremor das pernas e a dor da realidade de
quem viveu com alicerce em mentiras graciosas proferidas por puxa-sacos. Sente
então o peso do abandono, que nada mais é que o retorno a realidade, pois todo
apoio que tinha não passava de ficção, tendo como fundamento a ambição
exagerada de gabadores servis, aproveitadores da repugnante vaidade daquele que
estava no poder.
Melhor mesmo permanecer distante desse tipo de centro cortesão e deixar a tarefa
de bajuladores aos sabidamente bosteiros.
Abraços,
Marcelo Negreiros
Data: 19/02/2009 - Horário: 08h30min
Oscar e Eastwood
Ainda não assisti todos os filmes que concorrem ao Oscar de Melhor Filme de 2009.
Mas os dois que vi até agora, ―O Leitor‖ e ―O Curioso Caso de Benjamin Button‖,
não me agradaram totalmente. É impressão minha ou a qualidade caiu do ano
passado pra cá? Os outros que estão na disputa, ―Quem Quer Ser Um Milionário?‖,
―Frost/Nixon‖ e ―Milk - A Voz da Liberdade‖ ainda não entraram em cartaz. Vi ontem
e gostei de ―A Troca‖, de Eastwood. Mais uma vez ele volta a explorar os desvãos
da América. E acerta a mão novamente. Um grande diretor!
Tácito Costa
Data: 18/02/2009 - Horário: 23h08min
Cahiers escolhe os melhores de 2008
LUIZ ZANIN
BLOG/ESTADÃO
Recebo, com atraso, os Cahiers du Cinéma de janeiro. Capa para o Che, de
Soderbergh, (ainda não li o que disseram do filme) e os top ten da equipe crítica da
revista. Aí vão eles, com títulos em português para os que aqui foram lançados:
1) Redacted, de Brian de Palma
2) Juventude em Marcha, de Pedro Costa
3) Cloverfield, de Matt Reeves
4) Onde os Fracos não Têm Vez, de Joel e Ethan Coen
5) Two Lovers, de James Gray
6) Valsa com Bashir, de Ari Folman
7) Dernier Maquis, de Rabah Ameur Zaïmeche
8) Hunger, de Steve MacQueen
9) A Short Film About the Indio Nacional, de Raya Martin
10) De la Guerre, de Bertrand Bonello
Os 10 mais dos leitores dos Cahiers:
E já que coloquei os top ten dos críticos, aí vão os melhores de 2008 para os
leitores dos Cahiers du Cinéma. Mais próximos de nós, como vocês podem conferir:
1- O Silêncio de Lorna, dos irmãos Dardenne
2- Onde os Fracos não Têm Vez, dos Coen
3- Valsa com Bashir, de Ari Folman
4- Um Conto de Natal, de Arnaud Depleschin
5- Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson
6- Two Lovers, de James Gray
7- Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen
8- Hunger, de Steve McQueen
9- A Vida Moderna, de Raymond Depardon
10 - Entre as Paredes da Escola, de Laurent Cantet
Tácito Costa
Data: 18/02/2009 - Horário: 22h46min
Embriaguez
―Mas elas sabiam, ou melhor, descobriam, em plena era dos trinta, que nem sempre
as contradições se resolvem em exclusão. Aquelas meninas aprendiam que, às
vezes, as contradições se encontram, contemplam-se por um momento, e depois se
enlaçam num abraço de síntese, tese e antítese cedendo um pouco do seu ser para
a outra respirá-lo.‖
De Carmen Vasconcelos, em sua coluna.
Tácito Costa
Data: 18/02/2009 - Horário: 21h46min
Luis foi cirurgiado
Querido Marcos,
Obrigado. Eu sei que ele lhe quer muito bem.
Veja o que recebi depois de enviar o texto para uma lista da UFRN:
"Prof. o Senhor não imagina quão importante é o reconhecimento,
principalmente advindo de um coração amigo. Fiz questão de repassar a
homenagem abaixo para a filha do Seu LUIZ, só não imaginei que a fizesse
chorar tanto (Seu Luiz esta passando por uma cirurgia hoje, mas como DEUS
é um PAIZÃO, certamente dará tudo certo). Ela manda agradecer ao Senhor e
diz que o Pai é o exato reflexo da sua narração." (Cavalcanti)
João da Mata Costa
Data: 18/02/2009 - Horário: 21h38min
A livraria de Luís continua
João da Mata:
Gostei muito de seu texto sobre Luís Damasceno. Aprendi muito com ele enquanto
morei aí. Depois que saí de Natal, ele sempre foi um amigo querido, com
discordâncias e tudo mais - amizade boa aceita as diferenças.
Penso que a livraria de Luís sempre foi e continuará a ser na cabeça dele e no
coração de quantos aprenderam com ele: nunca fechará!
Quando o encontrar, diga-lhe que eu mandei um beijo.
Marcos Silva
Data: 18/02/2009 - Horário: 19h52min
O nascimento do novo
Caro Charles:
As sociedades humanas são complicadas, Natal e o RN não é/são exceção. E a
disputa por espaço na vida intelectual tem como complicador especial a sagacidade
dos contendores: guerreiros muito inteligentes, via de regra.
Como eu moro fora de Natal há quase quatro décadas, findo não vivenciando certas
tensões de maneira mais direta. De qualquer maneira, penso que é preciso
batalhar.
Organizei, com Bené Chaves, um pequeno livro sobre cinema ("Clarões da tela"),
com críticos potiguares, e gostei muito de conhecer gente nova e talentosa, junto
com os velhos talentos. Sim, a imprensa é difícil - não é à toa que a consideram
quarto poder. A universidade também é, os vários espaços humanos todos são.
À luta! Em nosso caso, com palavras - a mais vã, meu irmão e semelhante.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 18/02/2009 - Horário: 19h51min
“Existe sempre alguma coisa ausente”
Postei em PROSA a crônica ―Existe sempre alguma coisa ausente‖, de Caio
Fernando Abreu, enviada por Tetê Bezerra.
Tácito Costa
Data: 18/02/2009 - Horário: 16h43min
Assistencialismo e Estado
Por Carlos Eduardo Freitas
http://tesourasocial.blogspot.com/
SOBRE TRECHO DA ENTREVISTA DE JARBAS VASCONCELOS:
É muito interessante como estratos da classe média brasileira atualizam
constantemente um discurso negativo (naturalizado) acerca de políticas
assistenciais desenvolvidas pelo Estado. Sempre operando com o sofisma de que
"é mais importante ensinar a pescar do que dar o peixe" - sem levar em
consideração as condições estruturais de reprodução da miséria social. Como bem
demonstrou Richad Sennett, essa visão negativa de que toda ou qualquer forma de
assistência estatal gera parasitismo social, tem origem no séc. XIX no pensamento
liberal (Locke, Kant e Adam Smith). Para esses homens, a dependência social era
sinônimo de degradação humana ou traço de infantilidade. Assim, o Estado, ao
intervir na vida social, promovia a preguiça intelectual e impedia o livre
desenvolvimento das capacidades humanas, esse, só possível num ambiente de
livre disputa social. Ao deixar os indivíduos jogados a própria sorte, aqueles
assumiriam a responsabilidade própria sobre suas vidas, o que representaria um
amadurecimento civilizatório. Também interessante é observar setores da esquerda
compartilhar com a visão negativa do Estado-assistencial, o tachando como
"populista" (categoria auto-explicativa, ou senso comum-douto). Para os marxistas
tradicionais, ao promover políticas "assistencialistas", o Estado desmantelaria
qualquer possibilidade de "tomada de consciência" das classes trabalhadoras.
Assim, tanto para os liberais quanto para os marxistas apocalípticos, é necessário
um choque de capitalismo na medida, pois que representa etapa "natural" do
desenvolvimento das forças produtivas. É "destruição criativa" shumpteriana
reinando nos discursos de hoje (à direita e à esquerda).
Tetê Bezerra
Data: 18/02/2009 - Horário: 16h42min
O drama de Clotilde
Postei em PROSA o texto ―Casa própria: sonho ou pesadelo?‖, de Clotilde Tavares,
e um comentário do jornalista Francisco Duarte sobre o texto da escritora. Quem
comprou imóvel financiado ou pensa em comprar não pode deixar de conhecer a
amarga experiência que Clotilde está passando.
Tácito Costa
Data: 18/02/2009 - Horário: 16h29min
A RESPEITO DOS SUPERMERCADOS
Concordo com o Sr. João da Mata pois os supermercados não tem o menor
respeito pelo consumidor, numa certa ocasião fui ao Carrefour comprar maçã e pêra
e estas estavam passando do ponto de consumo, logicamente não iria levar, mas
não consegui apenas ir embora e procurei o gerente para saber se na frança eles
colocavam aquele produto para vender naquele estado de conservação e o que
mais me irritou foi ouvir que a rede se adaptava as cidades, ou seja nos chamou de
porcos. Numa outra ocasião levei iogurtes e ao abrir em casa os mesmos estavam
estragados e retornei porque na época tinha filhos menores e pensei em pais que
poderiam levar o produto. Chegando ao Carrefour procurei a gerencia e o mesmo
foi me devolver o dinheiro, mas pedi para testar outras bandejas e estavam na
mesma situação e exigi que fosse recolhido todo o lote que coincidentemente tinha
data de validade longa, mas estava em promoção.
No Hipermercado Bompreço Supermercado Bompreço os preços são diferentes, ao
ver um anuncio de carne na tv fui ao hiper da Roberto Freire e não havia promoção
e sim no supermercado da mesma Roberto Freire. No mesmo dia fui ao hiper da
Prudente e percebi que os preços estavam diferenciados e a informação que tive é
que os preços variam de acordo com a demanda de clientes, ou seja no hiper da
Prudente é mais caro que no hiper da Roberto Freire. Mas o supermercado da terra
da gente também tem suas mazelas: na seção de frios é muito comum nós
consumidores levarmos mussarela e presunto e muitas vezes eles usam de má fé,
por exemplo o mussarela está por R$ 13,00 e presunto a R$ 11,90 ai o presunto
entra em promoção por R$ 9,90 e mussarela passa para R$ 14,50, ou seja se vc
costuma levar os dois produtos a promoção não é de R$ 2,00 e sim de R$ 0,50.
Como temos que ficar atentos vale lembrar que frutas e verduras devem ser
compradas em supermercados de bairros ou seja os de menor porte ou na Ceasa.
As diferenças são absurdas, por exemplo o maracujá custa numa grande rede em
torno de R$ 4,00 e nos menores fica pela metade.
Antonio Oliveira
Data: 18/02/2009 - Horário: 16h22min
"Jovens" e "velhos"
Caros Colegas,
Abraços., poeta Livio. Como vai? De quando em vez tenho meus momentos de
rebeldia. Tudo que eu disse é o que acredito como verdade. Apenas não me fiz
claro quanto a ―velharia‖, palavra carinhosa. O compartilhar de experiências é o
ideal. Velhos e jovens, um mix perfeito. Desaprovo, todavia, o favorecimento
unilateral de um grupo (velhos) em detrimento do outro grupo (jovens). Digo jovens
não estrito senso, mas ―jovens‖ no sentido mais amplo do vernáculo, ou seja, quase
sinônimo de ―novo‖ ou ―novas caras‖.
Abraços aos que não conheço pessoalmente, ( Daniel Dantas, Marcos Silva e João
da Mata) mas que leio seus escritos neste site.
Caro Marcos Silva, saudações e obrigado pelo ―jovem‖. Confesso que temos muito
a compartilhar enquanto ―jovens‖ e ―velhos‖. Eu, que tão jovem já não sou, e se
seguir à gênica de minha família já devo, hoje no auge dos meus exatos quarenta
anos, ter vivido 3/4 de minha vida útil, devo dizer que a renovação de talentos é
necessária. A nossa Natal, a minha e a sua e a dos outros colegas, é um mausoléu
cheio de criptas de quem já foi, e de quem nunca será. Lamento, mas essa é nossa
realidade. Aqui na nossa terrinha prestigia-se quem vem além das fronteiras do
elefante, mas abafa-se nas criptas do subsolo quem é daqui. Esse perfil reflete um
lugar de frágil personalidade. Quer 1 (um) exemplo? Lá vai: perdemos a praia de
Ponta Negra para um bando de pedreiros do estrangeiro e um curral de prostitutas.
Eles foram chegando, chegando, chegando....e nós .....nós ―abrimos‖. Outro
exemplo: o mercado imobiliário foi adequado para o capital de fora, excluindo a
realidade local. Aqui na nossa cidade, quando não matamos o talento existente,
matamos a ―galinha dos ovos de ouro‖. Em outros termos, mata-se um jeito ou de
outro. Aqui o importante é matar.
Abraços para todos,
CHARLES M. PHELAN
Data: 18/02/2009 - Horário: 15h54min
A Livraria do Luis
Era assim que era conhecida por muitos a Cooperativa Cultural da UFRN. Uma das
mais importantes livrarias de Natal está completando 32 anos de existência. Livraria
que é o coração da UFRN e ajudou a formar muitas bibliotecas de seus alunos,
funcionários e professores. Um dos vendedores dessa livraria era o meu amigo Luis
Damasceno. Muito mais de um vendedor Luis era um agitador cultural. Falava muito
e por isso angariou alguns desafetos. Sabia de muita coisa depois de mais de
quarenta anos vendendo livros. Sabia de cor muitos títulos e autores. Sugeria livros
e dava sugestões. Muitos de nós somos agradecidos pelas sugestões valiosas de
Luis. Leitor voraz quase sempre mostrava grifado o que estava lendo. Um dos seus
livros preferidos era ―Os Cus de Judas‖.
Antes da Cooperativa Cultural Luis foi funcionário da famosa Livraria Universitária
ali no centro da cidade alta. Foi nessa livraria que um dia ele foi preso durante o
regime militar. Sua querida esposa foi uma militante do movimento estudantil.
Ultimamente Luis andava meio cabisbaixo. Dorminhoco e soturno. Todos nós
estávamos preocupados com o seu estado de saúde. A livraria sem Luis era
diferente. Com quem conversar e fofocar por entre brochuras, fólios e orelhas de
livros. Passar na livraria e não encontrar Luis era uma tristeza. Muitos só
compravam se fosse a ele. Afinal, a cooperativa era conhecida como a Livraria do
Luis. Quantas dicas literárias não recebemos do Luis. Livros que não estava
pensando em comprar: comprei. Minha biblioteca tem muitos livros comprados a
Luis. Ele conhecia todo mundo. Fez o curso de direito, mas não exerceu a
profissão. Como conselheiro administrativo que fui da cooperativa - algumas vezes,
queria dar uma bronca no Luis pelo não comprimento das promessas de livros que
o Luis dizia solicitar. Tinha que dar um desconto pela sua bonita história. Ele que foi
um dos maiores livreiros de Natal.
Quando pensávamos promover algum evento e precisava falar com alguém da
sociedade potiguar, o Luis era a senha e intermediário qualificado. Depois do
almoço no centro de convivência o cafezinho regado com as novidades de Luis.
Para saber das ultimas novidades e fofocas. Daquele escritor que havia cometido
um erro grave de português. Ou mesmo um erro conceitual. As más línguas diziam
que ele foi um grande leitor de orelhas de livros. Outros diziam que o seu caixão só
caberia sua língua ferina.
No final do ano passado Luis surpreendeu a todos quando disse que desejava se
aposentar. E aí, o que fazer como administrador da cooperativa? Sugerimos que ele
ficasse com um regime de trabalho de meio expediente. A cooperativa não podia
ficar sem Luis. Estávamos muito preocupados com o que ele iria fazer da vida. Ele
que passou a maior parte da sua vida dentro de uma livraria. Lendo e opinando. Os
amigos não entenderam aquela decisão brusca e definitiva. Nenhum argumento
Luis aceitava para o demover daquela decisão. Alguma coisa séria estava
acontecendo com a insônia/ sonolência do Luis. Algum problema de saúde, talvez?
Alguns diziam que os novos vendedores não entediam Luis e suas manias.
Brincava sério algumas vezes. Ou seria brincadeira de mal-gosto.
Luis nos deixou e ficamos órfãos de suas conversas e brincadeiras. A cooperativa
renovou seus funcionários e tem um excelente quadro de profissionais. Mas, para
mim, não é mais a mesma. Ficou aquele vazio. Ficou aquele silencio. Não sei mais
a quem pedir sugestão de livros. A cooperativa não é mais de Luis.
Fica a lembrança de grandes momentos vividos na sua companhia de alguém que
amava os livros. Luis tem uma excelente coleção de livros. Livros autografados por
Henfil e outros grandes escritores. Colocar um sebo foi uma sugestão que lhe dei.
Não, não sei o que Luis vai fazer da vida. E não sei o que será de mim sem a sua
companhia de grande amante dos livros. O conhaque que tanto ele gostava talvez
aqueça esses momentos da sua solidão.
Ate breve meu amigo,
João da Mata Costa
Data: 18/02/2009 - Horário: 14h54min
Algumas verdades
Esse texto de Phelan mostra algumas verdades inexoráveis, com muito bom
humor.
É, Charles, seria cômico se não fosse trágico!
Abs.
Lívio Oliveira
Data: 18/02/2009 - Horário: 14h14min
Nuno!
Grande pedida essa do "Aprecie Pub" para a sexta e para o sábado que antecedem
o carnaval: o guitarrista angolano/paulista Nuno Mindelis. O Blues é um gênero
muito interessante e, quando executado por um virtuose como Nuno (um dos
melhores guitarristas do mundo), fica muito bom de ouvir. Até para verificar as
interrelações com o Rock e o Jazz.
Esse "Clube do Blues" do "Aprecie Pub" tem trazido gente boa, como Flávio
Guimarães (fundador do Blues Etílicos), que veio no mês que passou.
Vou conferir, até mesmo como uma forma de prevenção contra o massacre do Axé
que vem caceteando por aí!
Lívio Oliveira
Data: 18/02/2009 - Horário: 14h14min
Falta ou excesso?
Concordo com as colocações do Charles. Com uma única discordância: acredito
que Natal e o RN têm jornais em excesso (talvez isso faça parte do processo que
levam os salários dos colegas ao subterrâneo). São quatro diários em Mossoró e
quatro diários em Natal (o JH são duas edições). Na soterópolis de onde sai em
outubro, temos dois jornais diários. Nas capitais de SP e RJ, na prática, são dois ou
três jornais diários. Temos excesso de veículos o que pode, também, contribuir para
o seu embrutecimento desses mesmos veículos.
Daniel Dantas
Data: 18/02/2009 - Horário: 14h14min
Cultura e arte: o velho e o novo
Prezado Charles Phelan:
Li seu post "E por falar em (não) apreço pela cultura, arte etc...". Quero comentar
alguns aspectos dele.
Confesso que tenho 58 anos e gosto de minha idade (a saúde atrapalha mas o
resto é ótimo). Penso que o povo em minha faixa de idade é muito diversificado concepções de mundo, poderes etc. É mais provável que em sua faixa de idade
ocorra o mesmo. As relações entre velhos e novos não se dão como contatos entre
dois blocos homogêneos.
Vc caracteriza Natal como uma "cidade que vive do passado". Lembrei de um filme
alemão interessante, "Uma cidade sem passado". Compartilho essa preocupação
com alguma cidade viver no puro passado. Acrescento o receio de que a cidade
pretenda viver como puro presente. Melhor que passado e presente, cada um deles
muito diversificado, iluminem-se reciprocamente. E os velhos ainda não morreram,
ainda são presente. Os jovens, por sua vez, não são apenas projeto de futuro, já
são presente.
Em alguns grupos indígenas brasileiros, houve intenso conflito interno entre homens
maduros (que controlavam as fêmeas disponíveis) e homens jovens (sem acesso
às fêmeas devido àquele controle). Sei que nossa sociedade é diferente - as
fêmeas que lerem esta mensagem poderão até ficar bravas comigo mas saibam
que as respeito muito, não pretendo controlá-las. Tenho a impressão de que é
preciso identificar as diferenças e semelhanças entre velhos, as diferenças e
semelhanças entre jovens, as diferenças e semelhanças entre velhos e jovens.
Publicar (tornar público) é difícil para a maioria de velhos e jovens. Sua geração se
beneficia dos novos veículos eletrônicos (a minha também, claro). É preciso lutar
igualmente pelos outros veículos.
Abraços de um natalense que mora longe, com a cidade "on my mind":
Marcos Silva
Data: 18/02/2009 - Horário: 14h13min
De Supermercados e suas falcatruas
Sou da geração que viu o aparecimento dos supermercados em Natal. Uma
instituição que mudou muito os costumes e prolifera feito um gigante com seus
muitos tentáculos e gula. Aumentou a concorrência e apareceram muitas novidades
importadas, nem sempre de boa qualidade. Gosto muito dos supermercados que
vendem livros e isso pode fazer a diferença na minha opção. Procuro também
aqueles que vendem iogurte natural e na data de validade. Almoço quase sempre
na rua. Fiquei assustado com o que vi na cozinha dos restaurantes. E agora João!!!
Ultimamente ando muito irritado com esses estabelecimentos. Atendimentos ruins e
produtos de terceira e quarta categoria. Ja comprei cerveja importada quase
vencida. Consumimos o que não é exportado. Os cartões dos supermercados são
formas de agarrar o cliente e deixá-los eternamente dependente. Divide-se o valor
da compra sem mesmo pedir. O pagamento da fatura feito no próprio supermercado
é mais barato ( EXTRA, EXTRA)) .
No Carrefour encerrei a minha conta/ cartão, pois a fatura sempre chegava atrasada
me obrigando a ir fazer o pagamento no próprio supermercado. E comprar mais o
que não precisava.
No Extra fiquei mais irritado ainda. As gôndolas oferecem produtos com preços ― à
parti de...‖. Uma tremenda sacanagem para atrair clientes. Não bastassem os
preços 3,999.... Quase sempre o objeto que você escolhe tem o preço maior do que
o mínimo. Em estando no caixa e cansado, você não volta para trocar ou verificar.
Ontem no Bom Preço fiquei mais chateado ainda. No cesto de pão não havia o
preço. Fui pesar e o preço cobrado pela manhã era bem menor do que à tarde.
Escuta, e estamos com essa inflação diuturna?
Os supermercados continuam praticando um comércio desleal. A escolha depende
de você. Continuo achando o Nordestão um dos mais simpáticos. E não é porque
foi o primeiro e não pertence á multi-nacionais.
Por um comércio mais leal com os clientes. Acuso e exijo os meus direitos.
João da Mata Costa
Data: 18/02/2009 - Horário: 14h13min
NATAL NÃO É DIFERENTE
Meus Colegas exaltados salve-salve,
Vivemos numa cidade maravilhosa sob muitos aspectos, que não é o cultural.
Somos novinhos, ainda é tempo. Tempo de sonhar e lembrar.
O que Phelan comenta não é prerrogativa de Natal, mas de maioria das cidades do
Brasil e do mundo. Veja o crápula do Belusconi na Itália. Veja o Bush.Veja o
ministro japonês bêbado e delirando no parlamento. O mundo passa por um
esgarçamento do seu tecido existencial. Uma detioração do seus valores. A crise é
sobretudo moral e cultural. Ninguém mais do que eu chorou o fechamento físico da
Kliterion. Jairo sabe que foi abraçado por essa cidade. Jairo viu coisas que não
sabia. Não é a primeira vez que fecha uma livraria. Nem se trata de uma cultura de
shopping. Ninguém mais que eu compra livros. E compro no mundo inteiro.
O Brasil elege o pior para sua representação. Veja o caso Sarney saído dos porões
mais tenebrosos que esse país produziu. Filho de um regime ditatorial e mandante
de um dos estados mais pobres do Brasil.]
Em Natal, temos uma ― elite‖ cultural bastante controversa , mas não somos únicos
nessa mazela.
Outras coisas mais importantes acontecem nessa cidade e ninguém comenta. Meu
amigo Luis Damasceno, o maior livreiro dessa cidade, aposentou com mais de 40
anos de livraria e ninguém comentou nada. Luis é uma instituição. Choramos a sua
saída. Estamos preocupados com ele.
Vi muitas livrarias fecharem. Vi muitos cinemas fecharem. Continuo um amante dos
livros e do cinema e vou muito pouco a shopping. Vamos continuar em contato com
Jairo, e isso é o mais importante. E mais ainda: não vamos deixar de amar os livros,
um bom papo e um bom prato.
João da Mata Costa
Data: 20/02/2009 - Horário: 08h24min
E POR FALAR EM (NÃO) APREÇO PELA CULTURA.,
ARTE E ETC...
Evito falar sobre nossa cidade e sobre seus vícios. Todavia, não me contive.
Moramos numa cidade que vive do passado. Numa cidade que tem apenas três
jornais de circulação mais abrangente, e que é dominada por uma minoria sebosa
que vive de fotos em colunas sociais. Aqui só se fala de quem já morreu (inclusive
como objeto da morte – falaram da Kriterion, que poderia ter tido mais atenção
enquanto vivia). É mais fácil prestigiar quem não poderá colher os louros do elogio,
pois só assim sabem que o defunto não se sobressairá e ofuscará quem elogia.
Aqui quem elogia sente-se mais importante que o elogiado. Engraçado, é como
gozar com o pau dos outros. Aqui só se fala de política, não há espaço para outro
tema. Aqui é um verdadeiro mata-talento e mata-cultura.
Ninguém quer saber de cultura. Nos meios jornalísticos, então, são poucos que
defendem a bandeira. Mas para os que defendem, meus parabéns.
Vivemos numa cidade/estado que elege um bobão para ser Deputado Federal (o
mais votado).. Vivemos numa cidade/estado que mantém um deputado federal por
40 anos no parlamento. É uma piada de mau gosto. Um retrocesso. Uma vergonha.
Como esperar que haja evolução. O circulo de confiança e oportunidades está
fechado. Só entra quem é amigo do rei. Geralmente os babões sem talento. Ou
como dizem na América ―os de narizes marrons‖. Chamam de ―Brown Noser‖
aqueles que vivem com o nariz enterrado no rabo dos chamados ―poderosos‘, e,
portanto, melando a ponta de merda.
O jornalista Laurence Bittencourt disse melhor, ―aqui tudo é política‖.
Até mesmo esses jornaiszinhos de merda, só publicam os mesmos caras-pálidas,
as mesma colunas sem graça, a mesma velharia falando as mesmas bostas de
sempre – política. Para mim é mais fácil publicar na revista Newsweek com tiragem
de seis milhões de exemplares por semana, e distribuído para o mundo todo, que
passar pelo crivo dos editores da Tribuna e do Diário.
Aqui vai um exemplo de criatividade desses editores, e como estão dispostos a
promover novos escritores, articulistas, resenhistas, culturalistas, pintores, enfim,
abrir portas: sai um artigo num dos jornais e teria qualquer tema como por exemplo:
―quando eu mijava no Potengi – parte 18‖ ou ―lembro do pé de sapoti próximo ao
Atheneu – parte 27‖ ou ―Meu carnaval com Pedro Álvares Cabral – parte 175‖ Esse
tipo de merda é que demonstra claramente o fedor criativo de quem escreve, mas,
sobretudo, de quem publica. Geralmente esses artigos são dos mesmos e
cansados cidadãos de sempre. Por que não incentivar que alunos do curso de
letras publiquem artigos, por que não abrir espaço para matérias feitas por jovens
jornalistas acadêmicos, por quê?
Numa cidade que não renova, não há se esperar evolução. Sem evolução não há
oportunidades. Sem oportunidades a arte e a cultura ficam no escuro. Quem
deveria ficar no escuro é quem mantém uma linha editorial retrograda e inerte.
Existe vida cultural e artística na cidade que vai além da velharia. Eles merecem
respeito, mas a fila tem que andar, e oportunidades devem ser dadas até para
quem não é amigo do rei.
CHARLES M. PHELAN
Data: 18/02/2009 - Horário: 10h22min
O DOM QUIXOTE DE PETRÓPOLIS
Ignorantes puseram na fogueira quase todos os livros de Dom Quixote. A passagem
é uma clara alusão ao período inquisitorial espanhol, em que no velho continente
queimavam-se livros à mão-cheia por ordenação católica apostólica romana.
Quando uma biblioteca desaparece, lampejos da humanidade sucumbem com ela
ou no mínimo se desagregam, deixando órfãos para sempre os seus leitores reais e
virtuais. A de Alexandria é a que melhor simboliza esta perda. Com as livrarias ou
sebos não é muito diferente, uma vez que servindo livros (ainda que pagos ou
trocados) ajudam a alimentar a boa fogueira, a fogueira do conhecimento e da
cultura, cujo fogo devora tudo e permanece sempre faminto. De uma outra fome se
alimentam os egos das vaidades e nem mesmo feijoadas e vinhos conseguem
aplacar-lhes tamanha gula.
Deus está morto! Exclamou Nietzsche sem medo e sem piedade, e
lamentavelmente nenhum jornal fez o obituário de Deus. Michelle Ferret e Vilar
fizeram com bom critério e sentidas dores, o necrológio da Livraria Kriterion (não sei
se foram feitos os obituários das anteriores citadas nas matérias ou se o fizeram
com a mesma ênfase), destacando não só a sua importância para a vida cultural da
cidade, mas também apontando a(s) causa(s) mortis da mesma, segundo as
opiniões de seu próprio idealizador, o poeta Jairo Lima, que as carpiu uma por uma
num lamento quase revoltado até chegar nos R$4 reais. Por alguma razão, o seu
fiel escudeiro, se não estou enganado, de nome Geraldo, nada disse, ou se disse,
no barulhento velório do mercado de Petrópolis, nada se ouviu.
O latim é uma língua morta e a orquestra sinfônica do Rio Grande do Norte não
executou réquiens para a falecida do poeta das árias, do tempo e de todos nós. E
por falar em tempo, ele de tudo se encarregará, inclusive das nossas dores pelo fim
da Kriterion. Por fim, mas não por último, Vicente pôs a última pá de cal no
Jornalismo Cultural desta terra de Poty mais inculta, como diria outro colunista
CULTural, e aproveitou o ensejo ou o cortejo para exercitar o necrológio de um
poeta-vivo, mais que amigo, quase irmão. De minha parte: vida longa ao grande
Jairo e outras conquistas mais, ademais, os jornais por seus jornalistas já estão
declaradamente a disposição para noticiá-las!). E segue-se a incelência ―Natal não
consagra nem desconsagra ninguém‖. Segue-se a insolência: E como desconsagra,
aliás, faz questão de desconsagrar porque Natal é amiga de todos e de ninguém!
Enquanto isso, no hiato do estribilho do consagrar e desconsagrar, o Substantivo
Plural ainda goza os louros, com méritos, diga-se de passagem, de ter sido
premiado pela FJA, como o melhor site de jornalismo cultural do estado. Quais
foram os seus concorrentes? Perguntei faz tempo aqui, mas ninguém quis ou soube
virtualmente me responder, e eu, que não acredito em coisa do outro mundo vou
navegar no plasma da Kriterion, pois pra nossa sorte, O Dom Quixote de Petrópolis
não morreu e continua a alimentar-nos com seus livros e sua cultura!
Marcos Cavalcanti
Data: 18/02/2009 - Horário: 09h55min
Dias de literatura: Wasabi, de Alan Pauls
―Wasabi‖, a terceira ficção do argentino Alan Pauls - ele é professor de teoria
literária e autor de vários ensaios sobre a obra de Borges e de Manuel Puig - estava
na minha estante desde que a Cosac&Naify lançara, em 2007, ―O Passado‖, cujas
500 páginas devorei e adorei.
A raiz japonesa que dá título ao curto romance (são pouco mais de 120 páginas) é
uma metáfora para uma pomada homeopática que o casal protagonista usa como
alucinógeno. Portanto, todo o relato em tom de realismo fantástico, sustentação do
livro, pode ser uma viagem fantástica promovida pelo consumo do wasabi. Além do
mais, o protagonista é um escritor que sofre de narcolepsia – de repente, perde a
consciência por longos sete minutos e quando volta a si não tem idéia do que lhe
aconteceu nesse intervalo.Alucinação ou imaginação? O relato que lemos é fruto da
imaginação do autor ou da alucinação do personagem? Há uma diferença
importante entre esses dois termos?
A minha resposta é não. De alguma forma, toda literatura é uma alucinação de um
autor que ousou dar voz à imaginação – a louca da casa, como diz Rosa Montero.
Mas o que há de mais interessante no Alan Pauls anterior ao sucesso de O
Passado é justamente esse tom de realismo fantástico que apresenta ao leitor um
relato absurdo – um escritor que traça um plano para matar o tradutor e pensador
Pierre Klossowski – como uma narrativa plausível.
Do filósofo Jacques Derrida gosto sempre de repetir uma frase que considero
soberba: a literatura é o lugar onde se pode dizer tudo. Derrida está com isso
querendo mostrar como as narrativas são sempre uma ficção, mesmo aquelas que
se apresentam com a pretensão de mostrar ―as verdades dos fatos‖. E a literatura é
uma narrativa autorizada a embaralhar as noções entre imaginação, alucinação e
realidade.
Pauls embaralha todos esses elementos num livro que, se não está na categoria de
imperdível, serviu ao que eu pretendia: percorrer a bibliografia do autor. Ainda tenho
pela frente o elogiadissimo ―El pudor del pornógrafo‖ e ―História do pranto‖, um
lançamento do ano passado que ainda não atravessei.
*********
Wasabi, Alan Pauls
Iluminuras - R$ 35,00, 122 páginas
Tetê Bezerra
Data: 17/02/2009 - Horário: 17h10min
Blitz e Byngton
POR MÁRIO BORTOLOTTO
Tava vendo uma foto da Olivia Byngton na Internet, no Estadão (ela vai lançar um
disco novo) e por coincidência também li uma matéria no Estadão sobre o
lançamento de um livro contando a história da Blitz. Ontem tava aqui em Palmas
fazendo a peça do Marcelo Paiva ("A noite mais fria do Ano") e com a gente veio o
Chico que é sobrinho do Marcelo. Ele veio pra ajudar na produção já que a
assistente Larissa não conseguiu vir. O Chico é um moleque. Acho que tem menos
de 18 anos, o que faz com que ele seja constantemente zoado pelos velhos atores
do elenco (Hugo e eu - O Hugo mais do que eu - quer dizer, o Hugo tem a mesma
idade que eu - é que ele zoa mais o Chico - eu reservo minha munição para os
momentos que o aluguel se dirige ao "jovem" Alex Gruli).
São duas gerações diferentes. O Chico não deve sequer saber quem é a Blitz
(talvez o Marcelo tenha falado pra ele), muito menos a Olivia Byngton. Eles são da
nossa geração (minha e do Hugo - e do Marcelo também). Fiquei lembrando da
Blitz. Da capa da "Veja" ainda com o Lobão na banda. Daquela garotinha linda com
o cabelo espetado que era a Fernanda Abreu. Da música que tomou de assalto as
rádios ("Você não soube me amar"). Foi o tempo do filme "Menino do Rio" (o
Evandro trabalha no filme) e era o tempo de Olivia Byngton que também era linda
(na verdade ainda é) e que gravou uma música da Rita Lee ("Doce de Pimenta") e
foi também o tempo da sua irmã (que também era linda -e ainda é) Bianca Byngton
que foi a "Garota Dourada" (continuação de "Menino do Rio").
Fiquei ouvindo o Chico falar e ser zoado pelo Hugo e fiquei pensando na minha
juventude, na Blitz e nas Byngton. Fiquei pensando em Paula Toller, nos Paralamas
do Sucesso cantando "Vovó ondina é gente fina", no Chacrinha, no primeiro e
antológico disco do Barão Vermelho (a Olivia Byngton gravou "bilhetinho azul" e
"todo o amor que houver nessa vida" no seu disco de 84).
Daí lembrei de Mickey Rourke que foi nosso herói (né, Carola?) e que agora
ressuscitou genialmente no filme "O Lutador". Pensei em mim mesmo fazendo um
monte de merda, mas também se divertindo a beça. Esse não é um post
saudosista. Gosto da minha fase atual. Gosto de ser um "velho bêbado barrigudo
tocador de blues" (acho que era só o que eu queria ser desde a minha juventude).
Lembro quando o Evandro apareceu cantando na televisão e a cunhada de um
amigo entrou correndo na cozinha e falou: "Olha lá, Edson, tem um cara na tv
imitando o Mário". Dia desses o Pinduca disse pra mim que gosta mais das últimas
músicas do CD da "Tempo Instável" e que as primeiras tem "uma coisa meio Blitz".
Eu entendi o que ele quis dizer, e acho mesmo que ele tem razão. E tá tudo certo.
Acho que vou comprar o livro da Blitz. Aliás, quero comprar também o livro do
Barão Vermelho e até vou assistir o documentário dos Titãs. E vou comprar também
o disco da Olivia Byngton.
Pensando bem, os anos 80 não foram grande coisa (concordo com quase tudo o
que o Mirisola escreveu na sua crônica), mas os anos 90 não foram muito melhores
e não dá pra ter orgulho da época atual. Dá sim pra ter orgulho do que você é, do
que você foi e do que pretende ser. É o que podemos fazer. Afinal depois dos anos
50 e 60 e parte dos 70 não aconteceu nada muito admirável por aí. Mas hoje me
peguei gostando muito dos meus contêmporaneos. Hoje me peguei lembrando das
irmãs Byngton, da Blitz, da Fernandinha Abreu e da Paula Toller, do Cazuza e do
Celso Blues Boy. Do genial disco "Cena de cinema" (o primeiro do Lobão) que o
meu irmão Rubens K tava cantarolando no carro dia desses. Do Mickey Rourke, do
Matt Dillon e da Diane Lane, da Editora Brasiliense, dos lançamentos beats no
Brasil, do primeiro livro do Bukowski lançado por aqui, do genial caderno de leitura
da Folha de Londrina, do livro "Tanto Faz" do Reinaldo Moraes e do "Feliz Ano
Velho" do Marcelo Paiva, do Arrigo Barnabé, da Patife Band e do programa
"Armação Ilimitada" e da Buzina do Chacrinha.
Hoje me lembrei dos pontos da minha fimose estourando quando a Rita Cadilac
fazia a dança da pantera. Hoje me peguei gostando de ter sido jovem nos anos 80.
Hoje me peguei lembrando do que eu fui. E saquei que gosto do que sou, hoje. O
Chico dizia ontem no jantar que o mundo vai ser dominado pelos evangélicos e
pelos emos. Eu acho que ele tá certo. E que tal um hibrido dos dois? Alguma
espécie de "emangélicos" ou "evangemos"? No meu tempo não tinha disso não. Os
evangélicos não tinham a força que tem hoje. A política não tinha aberto as pernas
pra eles da maneira vergonhosa que abriram nos últimos anos e os rockeiros não
ficavam chorando feito uns frescos brega sertanejos nos clipes emos. Os rockeiros
pediam mais batata frita e diziam que preferiam as "garotas nuas". E tinha um
maluco que dizia que um office boy tinha se transformado em Clara Crocodilo e
outro que dizia "que ficava louco e fazia cara de mau".
Pensando bem, era muito melhor, né? Não era nenhum paraíso, mas era muito
melhor. Sinto muito, Chico, éramos todos jovens naquele tempo, mas eu não posso
negar que a gente tava bem melhor acompanhado. É ou não é, Hugo?
Tetê Bezerra
Data: 17/02/2009 - Horário: 17h06min
Celso Furtado
―O novo em Celso Furtado, assim como nos outros autores já citados, é a
construção de uma complexa relação entre teoria e história, que não se limita à
mera justaposição mecânica e simplista. Assim, Furtado e sua obra se distanciam
da tradição que ficou conhecida no Brasil como bacharelesca, que buscava
enquadrar a realidade, a história, em pré-conceitos, em modelos abstratos (Oliveira,
2003). ―
De Tiago Nery, em PROSA, em texto sobre os 50 anos do livro ―Formação
Econômica do Brasil, de Celso Furtado.
Tácito Costa
Data: 17/02/2009 - Horário: 16h58min
Caminho sem volta
Quer gostemos ou não o jornalismo cultural feito pelos veículos impressos do RN
trilhou um caminho sem volta. Os jornais de SP e RJ ainda mantém suplementos
semanais com textos mais consistentes e densos, que convidam ao debate e à
reflexão. Aqui não temos nada nem parecido. Acho que o último caderno nesse
estilo foi o do extinto A República, editado no final da década de 70 pelo jornalista
Nelson Patriota. Durante a semana os grandes jornais (FSP, Globo, Estadão)
editam cadernos parecidos com os daqui, sempre cobrindo os assuntos da agenda
cultural e do show business – estréias de filmes, peças, lançamentos literários,
shows etc. Um jornalismo de serviço, que a Internet já faz em tempo real e a TV
com um dia de antecedência, geralmente.
Para nossa sorte, o jornalismo cultural encontrou na Internet um canal de expressão
fantástico, que supre muito bem essa deficiência apresentada pelos impressos.
Então, acho que é hora de parar de se lamentar por algo que não tem conserto. As
empresas jornalísticas locais não têm nenhum interesse em investir em jornalismo
cultural. Alguns dirigentes desses veículos tem horror a tudo que diga respeito à
cultura e para eles tanto faz como tanto fez que o jornal tenha um caderno voltado
para esse setor. Não adianta Michelle, Sérgio e Isaac se esfolarem porque pouca
coisa vai mudar, apesar das boas intenções e honestidade intelectual de todos
eles.
Os problemas enfrentados pelos jornalistas que cobrem cultura são os mesmos das
outras editorias. Excesso de pautas, falta de motivação com os rumos do trabalho,
baixos salários, estrutura de trabalho deficiente, entre outros. Tem ainda a questão
conceitual. Na minha opinião, os impressos deveriam apostar num jornalismo mais
consistente, interpretativo, analítico e de debates. Porque as notícias e reportagens
superficiais as tvs, rádios e os sites já oferecem. E bem antes dos impressos
chegaram às ruas.
No entanto, apesar dos sinais de esgotamento do atual modelo de produção de
notícias, os impressos continuam fazendo de conta que está tudo bem. Muitos,
inclusive, continuam na era pré-internet. Não se deram conta da revolução
representada pela Internet e pelo celular (mais um novo canal de notícias online).
Talvez, quando isso acontecer, seja tarde.
Tácito Costa
Data: 17/02/2009 - Horário: 16h33min
CINCO SÉCULOS EM MANUSCRITOS
Caros Colegas,
Vejo numa livraria francesa um livro que interessa a todos os biblíófilos e amantes
das letras. O nosso colega Pedro Correa do Lago lançou um livro de manuscritos e
autógrafos da sua prestigiosa coleção em cinco séculos de abrangência. Pedro é
um dos maiores bibliófilos do Brasil e já foi diretor da Biblioteca nacional. Organizou
muitos livros de artes e muitas bibliotecas. Fico feliz de um brasileiro lançando livro
e mostrando a sua coleção para o mundo. O livro está sendo vendido a um preço
módico na chapitre.
Cinq Siecles Sur Papier
Autographes Et Manuscrits De La Collection Pedro Corrêa Do Lago
Auteur : Correa Do Lago, Pedro
Description - Cinq Siecles Sur Papier
Message de Napoléon à Talleyrand, lettre de Freud à sa mère, de Flaubert à Hugo,
de Trotski à Frida Kahlo, photos signées de Picasso, Einstein ou des Beatles les
quelques 400 pièces de la collection Pedro Corrêa do Lago présentées dans ce
magnifique ouvrage dévoilent de nombreux épisodes méconnus de la vie des plus
grands personnages des cinq derniers siècles.
Résumé - Cinq Siecles Sur Papier
Lettres, manuscrits, dessins, autographes et photographies signées, les documents
présentés dans cet ouvrage dévoilent de nombreux épisodes méconnus de la vie
des plus grands personnages des cinq derniers siècles. Message de Napoléon à
Talleyrand, lettre de Freud à sa mère, de Flaubert à Hugo ou encore de Trotski à
Frida Khalo, photos signées de Picasso, Einstein ou des Beatles, ces quelque 400
pièces sont autant d'intimes et émouvants témoignages.
Cinq Siècles sur Papier est le fruit du travail de Pedro Corrêa do Lago,
collectionneur passionné et ce livre, d'une étonnante diversité, répondra à la
curiosité de tous.
João da Mata Costa
Data: 17/02/2009 - Horário: 16h34min
Polícia para quem precisa
Muito pertinente o comentário de Marcelo Rubem Paiva. As barreiras policiais
precisam ser urgentemente repensadas. Não sou contra as tais barreiras, mas
gostaria que elas fossem mais eficientes. Por exemplo: a barreira policial existente
na entrada de Pium serve exclusivamente para pedir documentos aos motoristas.
Outro dia perguntei ao guarda porque não havia um adesivo de identificvação de
moradores de Pium. Ele disse que os ladrões de carro poderiam usar o adesivo
para enganar a patrulha. Mas ele não quis me explicar como é que a fiscalização de
roubo de carros pode ser feita se existe um desvio por Parnamirim que sai depois
do Posto Policial e isso facilita e muito a vida dos ladrões. Então o posto se
justificaria para coibir o uso de bebidas alcoolicas pelos motoristas. Nunca vi por lá
o tal bafômetro. Nunca vi ninguém ser revistado para saber se estão transportando
armas, isso sim, fundamental para a segurança da população. Não vejo muita
utilidade prática para aquela barreira policial, pois tenho visto com muita frequência
notícias sobre assaltos (com reféns) a residências em Pirangi e praias próximas.
Tenho visto notícias sobre trocas de tiros entre bandidos e policiais, isso sim, um
perigo para todos. Outro dia um estudante de Direito foi morto por engano pela
polícia. Acho que precisamos de um pouco mais de seriedade e menos hipocrisia
por parte de nossas autoridades públicas. Quanto ao fenômeno do achacamento de
usuários de maconha pela polícia, não é novidade por aqui. Aliás, toda a forma do
combate ao uso de drogas está errada no Brasil que segue cegamente as diretrizes
dos EUA. Tire a forma como o traficante ganha dinheiro que você acaba com o
tráfico. E isso só se consegue com uma lei mais realista com relação às drogas, a
exemplo do que vem fazendo a Holanda. O resto é baboseira e oportunismo.
Carlos de Souza
Data: 17/02/2009 - Horário: 16h34min
Salman Rushdie
"Há algo que não se diz de Os Versos Satânicos: que ele é muito cômico. Também
uma das coisas que não se diz muito de Kafka é que ele é um escritor muito
gracioso. Se a gente olha principalmente as cenas de O Castelo, todas elas são
graciosas, embora o efeito acumulativo seja o que chamamos de kafkiano, que não
é gracioso. Eu não posso ler com prazer autores que não tenham sentido de
humor."
De Salman Rushdie, no Portal TERRA MAGAZINE.
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3491465-EI6595,00.html
Tácito Costa
Data: 17/02/2009 - Horário: 15h38min
Entrevista/ Fávio Wanderley
Isso quer dizer que o toma-lá-dá-cá é inerente à política?
Na democracia político-eleitoral, sim. E num país como o nosso, em que o
eleitorado é precariamente educado e desatento à política, não há razão para
presumir que o povo vá se orientar com alguma sofisticação na hora de votar,
avaliando os políticos a partir de um diagnóstico preciso do País. Isso é papo de
intelectual. E não é assim em lugar nenhum do mundo.
Do professor emérito da UFMG, Fábio Wanderley Reis em entrevista ao Aliás, do
ESTADÃO.
http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup324174,0.htm
Tácito Costa
Data: 17/02/2009 - Horário: 15h26min
JAIME ADOUR (e documentário)
Caro Tácito e colaboradores do SP,
Recebi o seguinte e-mail da produtora de documentários Chica Mendonça (São
Paulo) - que me localizou por orientação de Xico Sá. Peço que, se alguém dispuser
de alguma informação, repasse-me, para colaborar com a iniciativa descrita:
"Oi Livio, Tudo bem?
Sou produtora de documentários, estamos fazendo um doc tv, programa a ser
exibido na Tv Cultura.
O nome do filme é O Rei do carimã, dirigido por Tata Amaral, conta a história de
seu pai, que comercializava algodão nos anos 40/50
Fizemos uma leitura na biblioteca do Museu Paulista (no Ipiranga) de um techo
do livro "Salvador Piza: o homem e o lavrador', escrito por Jaime Adour da Camara.
O Salvador é tio da Tata e queremos colocar trecho da leitura no filme.
Para isso, precisamos da autorização da família ou detentor dos direitos do
escritor. Será que você poderia me ajudar a localizar o Jaime Adour da Camara?
(...)
Muito obrigada e espero que até breve.
Atenciosamente,
Chica Mendonça
Produtora"
**********
Pelo que me consta, o Jaime Adour é falecido. Mas, se alguém dispuser de
informações sobre a família, repassarei à Chica.
Desde já, agradeço!
Lívio Oliveira
Data: 17/02/2009 - Horário: 14h27min
Jairo
Direito de Pergunta: E por que esse tal de Serejo não escreveu a matéria para o
Jornal de Hoje, se ele conhecia a história do cara?
Carlos Borges
Data: 17/02/2009 - Horário: 14h26min
Jornalismo Gutural!
Não considerei correta a abordagem de Serejo sobre o assunto "Jairo/Kriterion"!
Acredito que os papéis dos jornalistas que cobriram o passamento da Kriterion
foram coerentes e lógicos diante do fato recente e ainda presente (face ao luto que
perdura, inclusive com certa morbidez [humor?], no site do meu amigo Jairo). Sentime bem informado, lendo as matérias de Sérgio e Michelle e acho que eles tiveram
o "olho" para o acontecimento recente e suas causas e consequências relativas a
nossa província em crescimento. Até me surpreendi com a ampla cobertura - nos
jornais locais - que a finada loja recebeu, em se tratando dos objetos que expunha:
o livro e a cultura. Acontece que resta evidente que os comandos dos jornais locais
não acreditam no assunto "jornalismo cultural" como algo que venda e interesse os
leitores. A prioridade de quase todos, quando se trata do tema, é dar espaço
magnífico ao colunismo social, algumas vezes travestido, mas sempre medíocre e
rasteiro. Acredito que a alternativa melhor para quem busca cultura está mesmo na
internet e em sites como este, como o de Alex Gurgel, o blog de Alex de Souza, do
próprio Sérgio, dentre outros poucos. Realisticamente, fora das redações dos
jornais, que têm suas limitações bem conhecidas, inclusive frente às regras
capitalistas de concorrência, é o espaço virtual que nos cabe buscar. Inclusive,
porque iniciativas outras como as das revistas Brouhaha e Preá estão, ao menos
aparentemente, congeladas.
Retornando, por derradeiro, ao deslocamento do objeto das matérias para a figura
de Jairo (que se daria em detrimento da cobertura do "sebicídio"), considero
indevido para aquele momento, mesmo acreditando que Jairo é personagem a
merecer atenção em muitas outras matérias - que deverão vir por aí. O resto são
gritos e sons desesperadamente guturais e alguns autopromocionais.
Abs.
Lívio Oliveira
Data: 17/02/2009 - Horário: 14h25min
Jornalismo
Ei, Tácito, passo para avisar que estamos com uma contribuição muito valorosa do
estudante Conrado Carlos lá no Nominuto, com um blog sobre uma viagem que ele
faz por Cuba. Os textos são bacanas e as fotos demoram um pouco pra chegar por
causa da lentidão da internet,mas estamos tentando resolver essa bronca. Ah, o
endereço (http://www.nominuto.com/blog/cartas-de-cuba/)
Abraço.
Alex de Souza
Data: 17/02/2009 - Horário: 08h49min
Peu d'élegance
Tácito:
Lendo a nota que vc reproduziu sobre o ambiente edílico de Natal, lembrei da velha
expressão francesa, um pouco modificada: décadence avec peu d' élegance.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 17/02/2009 - Horário: 08h49min
Racismos brasileiros e sofística da Imprensa
Caros amigos:
Dia desses, um colunista da FSP lembrou que os afro-descendentes nos EEUU,
cujos antepassados foram escravos, vivem melhor que os africanos que ficaram em
seu continente de origem. Conclusão: até que a escravidão teve um desfecho legal
- afinal, um afro-descendente preside os EEUU!
Pensei dois cenários como exercícios argumentativos:
1) Muitos israelenses vivem melhor que seus antepassados na Europa préNazismo. Alguem concluiria que o Holocausto teve um desfecho legal, via
indenizações pagas pela Alemanha e apoios financeiros de vários outros países?
2) Muitos nisseis, no Brasil, vivem melhor que seus antepassados forçados à
emigração no início do século XX. Alguém concluiria que a miséria da imigração
teve um desfecho legal, apesar da neo-miséria dos dekaseguis?
No sofisma sobre os afro-descendentes dos EEUU, o comentarista ignorou
solenemente mais de um século de lutas daquela comunidade por seus direitos.
Agiu como se sua situação atual derivasse naturalmente da experiência norteamericana. Os sofrimentos alheios são solenemente desprezados em função de um
suposto final feliz.
Precisamos reler o diálogo "Sofista", de Platão. Umas pitadas dos "Pensamentos",
de Pascal, e do "Cãndido", de Voltaire, também cairão bem.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 17/02/2009 - Horário: 08h48min
Começou o choque de gestão da prefeita
Finalmente começou o "choque de gestão" prometido pela prefeita Micarla de
Souza, que a levou a visitar vários estados em busca do modelo ideal. Começou,
claro, por seu gabinete. Confiram as notas que saíram hoje na coluna de Jota
Oliveira, na Tribuna do Norte:
Elegance
A sala da prefeita esta completamente reformada, com papel de parede em
tom de prata, luminárias pretas sobre a mesa de trabalho, assim como as
poltronas. As mesas de jacarandá, raríssimas, foram conservadas pela
arquiteta. O hall do Palácio recebeu mesa redonda, decorada com vaso de
flores naturais. A prefeita Micarla de Sousa, como adora flores naturais, tem ao lado
da sua mesa, um vaso de murano com lírios brancos,
sua flor predileta, perfumando todo o ambiente.
Categoria
Toda cutelaria da gabinete foi renovada e servirá à Prefeita e seus
convidados. O pedido foi de charme e discrição. Micarla de Sousa
determina que seus convidados sejam bem tratados e para isso, servirá seus
almoços em pratos personalizados com borboletas estampadas, taças
altas verdes em um jogo americano branco. Para os lanchinhos, fruteiras
e boleiras em porcelana. Chique, muito chique.
Tácito Costa
Data: 17/02/2009 - Horário: 08h36min
ENTREVISTA/Suzana Herculano-Houzel
Postei extensa entrevista da cientista carioca Suzana Herculano-Houzel dada ao
Programa Roda Viva, em que ela fala das descobertas da neurociência
relacionadas a doenças como Parkinson e Alzheimer e ainda explica o que se sabe,
até agora, sobre o funcionamento do cérebro. Enviada por Tetê Bezerra. Leia em
ENTREVISTA.
Tácito Costa
Data: 17/02/2009 - Horário: 08h22min
Ainda sobre o Jornalismo (?) Cultural
Michelle, se você acha a tragédia de ser repórter solitária no Viver complicada,
imagine fazer cultura e cidades ao mesmo tempo, além de fuçar sozinho as próprias
pautas e dar uma olhada rápida na página antes de mandar pra gráfica, como eu
faço no JH Primeira Edição... Realmente, fazer jornalismo cultural (?) nessa cidade
é coisa pra Quixote. Com todos os problemas já identificados aqui, é claro que os
cadernos não poderiam ser irrepreensíveis.
Enfim,existe uma série de questões complicadas, e que envolvem a importância
que o RN e seu povo dão à cultura, que desaguam tanto na qualidade dos
cadernos, e páginas de cultura, como no fechamento da Kriterion, por sua vez o
motivo de todo esse moído.
No mais, acho que não cabe pôr a conta da fatura nas costas de Sérgio Vilar,
Michelle Ferret, Daniela Pacheco, Ramilla ou mesmo nas minhas costas, para ficar
nos repórteres das publicações mais conhecidas. A crítica de Serejo, que até
poderia ser aproveitada em essência, soou grosseira. Não há remédio, a não ser
continuar trabalhando.
Ps: Parabéns pelas matérias, Sérgio e Michelle.
Isaac Lira
Data: 17/02/2009 - Horário: 07h56min
Jornalismo cultural
Olá Tácito,
Ponto pra Sérgio Vilar que tratou do assunto "jornalismo cultural" e referiu-se ao
artigo de Serejo com racionalidade, elegância e uma saudável dose de humildade.
Michelle Ferret, por outro lado, parece ter escorregado numa poça de bile, com um
resultado sofrível. Não me surpreenderia, se ela mesmo estiver lamentando agora
sua reação atabalhoada. A propósito, não conheço nenhum dos dois pessoalmente.
Faço apenas um comentário de leitor.
Abraço,
Chico Moreira Guedes
Data: 16/02/2009 - Horário: 23h59min
Criação versus evolução: a batalha pela verdade
Postei em PROSA o texto ―Criação versus evolução: a batalha pela verdade‖,
enviado por Tales Costa, em que Steve Herzig e Lorna Simcox contestam as
opiniões do biólogo britânico Richard Dawkins, autor de ―Deus, um delírio‖.
Tácito Costa
Data: 16/02/2009 - Horário: 23h54min
Que jornalismo cultural?
Não sinto que ocorra jornalismo cultural nos diários do RN, nem de lugar nenhum
do Brasil, com raras exceções aqui e ali. O que temos é um agendamento do
mercado cultural nas redações. Faz tempo que as redações são regidas pela
agenda de shows, espetáculos, eventos sazonais, etc. Experimente escrever um
livro e não fazer lançamento. Logo os jornalistas dirão que "precisam de um
gancho". E que o gancho optimum é o lançamento numa livraria do shopping, etc.
Além disso, os cadernos de Cultura não passam de um saco-de-gatos para tudo o
mais: Colunas Sociais, Horóscopos, Palavras-Cruzadas, Resenhas, Programação
de Novelas, menos o óbvio: leitura e pensamento. É por isso que o melhor
jornalismo cultural do RN, me perdoem os incautos, é feito neste espaço meiolaranja-meio-não do Tácito. Mas queria saber: De que jornalismo cultural estamos
falando mesmo? Daquele praticado pela ex-Preá, o saudoso Galo, ou àquele do
dia-a-dia da Tribuna ou do Diário, quiça della Gazzeta d'Oggi? Não sei se a terra de
Cascudo carece de bons jornalistas culturais. Acho que não. Serejo, Tácito, Marize,
Ailton, Moisés, Carlão, Isaac, tantos, cada qual com seu estilo e sua marca.
Quando Serejo assume rapidamente o papel de ombusdman do jornalismo cultural,
apontando uma falha (vista daqui como correta, "esqueceram o personagem da
notícia") pelas outras editorias do Diário e da Tribuna, o que ele faz é contribuir para
a melhoria da própria editoria no Jornal de Hoje, ou não é assim? Ou ainda - já que
é influente com Micarla -, na própria cidade do Magos. Por exemplo: o que será que
Micarla anda lendo? Qual foi o primeiro livro que ela leu ao assumir a prefeitura?
Isso Serejo poderia nos informar também. O que Michelle Ferret diz é forte: com
todas as letras (e aspas) diz que o jornalismo cultural é pobre porque os jornalistas
da terrinha são igualmente pobres. ―A pobreza dos jornalistas "ditos" culturais dessa
cidade é puro reflexo da "riqueza" do lugar.‖ Mas não acho que esses "ditos" aí
sejam com vc, Tácito. Acho que não existe jornalismo cultural p.q. todo jornalismo é,
por si só, cultural já que toda informação possui naturalmente seu composto
simbólico, imaterial, signico. Bom, deixa essas divagações teóricas pra lá. Depois
que fiquei sabendo, aqui neste espaço que a prefeita disse: "O POVO FEDE", digase, o povo de Felipe Camarão, pediria amanhã mesmo aos meus repórteres que me
trouxessem uma matéria sobre perfumes populares, outra sobre o dia-a-dia de uma
vendedora da Avon ou da Natura na periferia, e uma matéria especial, para
Domingo, com a lista dos perfumes, os desodorantes e os cremes que a prefeita
adota. Por fim, uma retranca sobre a venda de ventiladores para o povo pobre,
claro, no governo Lula.
Gustavo de Castro
Data: 16/02/2009 - Horário: 23h41min
Jornalismo cultural e debate
Caros amigos:
Tenho acompanhado os posts sobre jornalismo cultural. Os problemas levantados,
em diferentes direções, são relevantes. Quero acrescentar que não é um problema
apenas local. Grandes jornais e revistas de circulação nacional também ficam a
desejar na área (e noutras áreas, claro). Os critérios de mercado são endeusados:
um filme que tem milhões de espectadores rende uma atenção que excelentes
filmes menos vistos não merecem nem de longe. Gerou-se uma cultura de
celebridades que reflete quase nada (ou nada mesmo) sobre conteúdos. Tácito tem
toda razão quando evoca a diversidade introduzida pelos blogs e congêneres. Sem
esquecer do sempre eficiente meio da conversa direta.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 16/02/2009 - Horário: 23h38min
jornalismo cultural
É verdade Tácito, concordo com você que o jornalismo cultural da cidade está
fadado aos vícios antigos e perpetuados à precariedade material e financeira
oferecidas pelas redações. Essa é uma discussão profunda e uma triste realidade.
Acho importante sim que venham as críticas em cima dos jornalistas dos cadernos
de cultura, mas falta sensibilidade em observar essa realidade. O jornalismo cultural
aqui na verdade não existe. Existe sim um jornalismo de serviço. Nos jornais de
Recife, Salvador, São Paulo e Rio as equipes são formadas por até 9 repórteres
específicos para escrever cinema, música, literatura..etc. Aqui nós - falo por mim e
pelo que sei dos outros jornais da cidade - existe apenas um repórter para
acompanhar toda a cultura. A gente que escreve para o caderno precisa se virar e
escrever sobre literatura, música, cinema, gastronomia, moda, dança, teatro, artes
visuais e ainda extrapolar todos os horários que restam para dar conta de assistir
tudo o que passa na cidade. Escrever num mesmo dia sobre um livro importante
que está sendo lançado, uma exposição de um artista plástico e por fim escrever
uma crítica sobre um filme que acabou de ser lançado. É uma carga que ninguém
vê, mas que nós carregamos por amor. Eu pelo menos tenho muito prazer em
entrevistar cada ser humano, cada artista que sobe na redação ou quando vou a
qualquer lugar, tento me despir de qualquer fôrma para me entregar aquela história
específica, mesmo que seja por horas a fio. No caso da livraria, são inúmeras as
matérias que temos sobre a importância de Jairo, mas ali estávamos para discutir e
mostrar o fim da quinta livraria em menos de seis meses. Fico realmente triste
quando comentários como o de Serejo chegam de forma agressiva, colocando-nos
num saco amarrado sem sentido nenhum em existir. Perdoem o jeito que escrevi o
texto abaixo, mas tem horas que precisa de muito sangue frio para continuar
vivendo nessa cidade.
Michelle Ferret
Data: 16/02/2009 - Horário: 23h37min
Sobre jornalismo cultural
Vicente Serejo, Michelle Ferret e Sérgio Vilar escrevem sobre o jornalismo cultural
praticado pelos jornais impressos da cidade. Acredito que eles e as torcidas do ABC
e América concordam que este jornalismo poderia ser melhor. Não é menos
verdadeiro, contudo, que se isso não acontece se deve menos à qualidade dos
profissionais que o fazem e muito mais a vícios antigos e perpetuados e à
precariedade material e financeira oferecidas pela redações. Por sinal, situação
idêntica às das outras editorias. Confesso que não entendi direito a frase de
Michelle: ―A pobreza dos jornalistas "ditos" culturais dessa cidade é puro reflexo da
"riqueza" do lugar.‖ Gostaria, se possível, que ela fosse mais explícita. No meu
entendimento, da forma como está pode gerar mal entendido. Não acho que tudo
deva perecer sob o peso dos egos de uma minoria e nem que só exista um escritor.
Acredito que ela esteja se referindo a Cascudo. O mundo mudou, o jornalismo
cultural também. Se foi para melhor ou pior depende do ponto de vista de cada um.
Para mim, por exemplo, mudou para pior. A boa notícia é que o jornalismo cultural
hoje não se resume ao dos jornais impressos. Quem tem computador e interesse
pode até prescindir do jornalismo cultural feito pelos impressos ou mesmo usá-lo
como complemento às leituras online. O jornalismo cultural morreu! Viva o
jornalismo cultural!
Tácito Costa
Data: 16/02/2009 - Horário: 20h38min
Um ano sem Regis
Eu o via alegre
Correndo
Forte
Lendo sempre
Escrevia
Amigo de todos
Profissional competente
Cheio de vida
Namorador
Freqüentador de livrarias
Leio o artigo do Washington
Belo artigo
Aquariano como eu
Dia 08 de Fevereiro
Mataram meu amigo
Há um ano mataram
Vejo sua foto
Como dói
João Regis
Meu xará
Amigo
Eles matam sempre
Sem distinção
Irmã Dorothy
Chico Mendes
E milhares de outros
Nenhum culpado
Nenhum culpado
Nenhum culpado
Nenhum culpado
Nenhum culpado
ATÉ QUANDO!!!!!
Jota Eme
Data: 16/02/2009 - Horário: 18h09min
BRAVO
Meu caro João & demais amigos do Substantivo:
Deixei de comprar a Bravo! quando eles publicaram a ridícula edição especial sobre
música erudita. Tudo bem, gosto é gosto, e toda e qualquer listagem de 10, 20, 50
ou 100 "Mais" tem seus problemas. Mas a Bravo! se excedeu na matéria em pauta.
Um horror, para ser generoso com a Bravo-Caras-Veja.
Um abraço.
Moacy Cirne
Data: 16/02/2009 - Horário: 18h09min
Bravo sempre foi presunção
Caro João da Mata:
A revista "Bravo" sempre foi abaixo de abaixo, a começar pelo raivoso colaborador
Olavo. Aquela programação das maiores cidades do mundo (concertos,
espetáculos, exposições) tinha mais cara de tópico para conversa de gente
desocupada que outra coisa. Uma matéria ou outra melhor não salvava um projeto
desde sempre de exibicionismo medíocre.
Lembro de um velho comentário na velha revista "Mirante das artes": revista boa
não depende de papel espetacular, mas do conteúdo impresso.
Agora: em respeito aos pobres, melhor não chamar aquele revistinha de pobre.
Vamos colocá-la em seu devido lugar: nula.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 16/02/2009 - Horário: 18h06min
Racismos @ racismos
Caros amigos:
Algumas afirmações de Ali Kamel sobre a inexistência de racismo no Brasil
parecem piadas de mau gosto. Dizer que os (as) brancos (as) não se misturavam
com as (os) negras (os) nos EEUU é desatino: misturar, misturavam MUITO, agora
não assumiam minimamente a prole nem idealizavam o resultado da mistura. E no
Brasil, misturavam, assumiam simbolicamente mas relegavam (e, em larga escala,
ainda relegam) o coletivo de outra cor à sarjeta. Um clássico mundial do racismo,
Gobineau, foi amigo pessoal e correspondente de Pedro II e se referiu a exemplos
brasileiros. Existe vasta literatura de intelectuais brasileiros com teorias racistas
explícitas - os melhores, como Euclides da Cunha e Sylvio Romero, vão muito além
do racismo. Será que Kamel nunca leu Oliveira Viana?
Agora, não foi Kamel quem inventou a crítica às políticas afirmativas raciais no
Brasil. Desde que elas começaram, são duramente criticadas por gente séria das
universidades que defendem critérios outros de afirmação social, que abrangerão,
evidentemente, pessoas de múltiplas cores.
Aconselho Kamel a assistir às novelas e aos outros programas do canal onde ele
trabalha. O racismo começou a diminuirnessa programação, apenas nos últimos
anos mas ainda pode ser encontrado. Paulo Francis, que tinha a língua maior que a
sala da casa onde morava, diz no romance "Cabeça de papel" que um riquíssimo
empresário do setor de comunicações (sugere ser o Roberto) escondia a mãe negra
do público. Sim, é fofoca mas...
Abraços:
Marcos Silva
Data: 16/02/2009 - Horário: 18h05min
O Carnaval do Lourival
O bar do Lourival comemora o seu nono ano de carnaval, com muita alegria e
grande orquestra. Em se tratando de Natal uma glória. Lourival e seu bar histórico,
também longevo numa cidade tão transitória. Lourival não está presente, mas a sua
família dá conta do recado. A cerveja é quente para o meu gosto. O caldo de
mocotó estava ótimo. Depois no frevo, só cerveja em lata. Piorou.
Antes de começar tocar a orquestra, toca um rapaz o seu violão eclético. Percebese a sua predileção por Roberto Carlos. Um outro colega chega e toca a sua gaita.
Conheço todos, mas não sei os nomes. Na mesa ao lado da minha tem um colega
há muito aposentado da UFRN. Com ele está a rainha do carnaval do Lourival.
Simpática, torce o pé quando subiu ao palco no meio da rua. Dança pulando numa
perna só. A platéia inicial mais parece o bar do coelho. A idade é avançada e a
alegria não é menor. A musica? A mesma de sempre. Parece que nada mudou. As
grandes marchinhas das décadas de 30 e 40 do século passado. O rei momo do
Lourival passa para dançar com algumas columbinas soltas Sinto uma certa tristeza
com aquelas músicas.
Uma fila de cadeira no meio-fio vai lentamente tomando conta da rua. Depois não
passa na avenida. A rua é tomada. Muitos amigos presentes. O carnaval é mesmo
democrático. A média de idade diminui. A animação é contagiante. Ao redor dos
foliões muitas barraquinhas vendendo churrasquinhos e outros comes-e-bebes. A
cerveja continua quente. A minha amiga Lourinha me empresta uma máscara para
tirar aquela do dia-a-dia. A irmá do Celso toma num copo que ninguém sabe
quantas. O Celso traz a sua burrinha. Gostei dela. Danço um frevo. Me abraça o
meu amigo pintor aquariano. Ao lado, Odaires. De longe aceno para o Reinaldo.
Mijar, naqueles baheirinhos químicos. A orquestra pára muitas vezes. Será porque
os foliões não agüentam. Quando encaixo um passo, mais uma pausa. È hora de ir
embora e tomar uma cerveja bem gelada em outro lugar.
O carnaval do Lourival é uma brasa, mora! Nem pude comprar a camisa. Quando
cheguei já n ao tinha mais. Vou ficar só com a lembrança das músicas e com a
certeza de que no próximo ano será tudo igual.
Evoè Lourival,
João da Mata Costa
Data: 16/02/2009 - Horário: 13h05min
Jornalismo dito cultural
Se todas as matérias tivessem o olhar que o leitor deseja, não precisaria escrevêlas. Nem mesmo os poemas precisariam ser escritos. Nem crônicas, artigos, nada.
A pobreza dos jornalistas "ditos" culturais dessa cidade é puro reflexo da "riqueza"
do lugar. Um lugar amaldiçoado por não existir ninguém bom, porque o EGO das
pessoas são maiores do que os próprios olhos que cansados de olhar enxergam
apenas seus umbigos gigantes, que parecem rios inteiros afundando barcos,
naufragando esperanças. Essa cidade merece que as livrarias inteiras se fecham e
que nenhum artista tenha o merecido reconhecimento. Essa cidade merece também
que os intelectuais só se preocupem em acabar com o futuro dos outros, porque o
próprio não existe, já afundou no rio de vez... naufragou. Naufragados somos todos
nesse mar que é Natal... nessa cidade aparência onde as pessoas adoram exibir
suas ―riquezas‖ e esquecem de abraçar uns aos outros, porque se cortariam. Aqui
não existe mais ninguém além de um só escritor. É uma maldição. Maldição
também é a roda de moer gente que não se cansa. Ninguém pode ir além, nem
tentar enxergar com lentes de aumento porque os óculos precisam estar
embaçados uma vida inteira.
Michelle Ferret
Data: 16/02/2009 - Horário: 13h04min
BRAVO: uma porcaria
Meus colegas,
Voces ja viram a miséria jornalística e cultural em que se transformou a revista
Bravo. Cada vez mais parecida com aquela; VEJA.
Matérias pobres e de uma torpeza atroz. Leiam a matéria sobre o meu querido John
Lennon. Não aceitem sugestão nenhuma em matéria cultural dessa revista pobre.
Bem as CARAS de nossa miséria cultural e intelectual.
João da Mata Costa
Data: 16/02/2009 - Horário: 12h07min
"Não somos racistas"
O diretor de jornalismo da Globo, Ali Kamel, escreveu um livro interessante: "Não
somos racistas". A tese de Kamel é simples: diferente dos EUA, onde existiu sim o
racismo, pois lá os brancos sexualmente não se misturaram com os negros, haviam
leis que discriminavam negros de estudarem em escolas de brancos, frequentarem
restaurantes de brancos, teve a KKK etc. no Brasil, ao contrário, houve a
miscigenação, não houve leis, depois da abolição, apartando pela cor da pele etc.
(Kamel segue aquela tese do Gilberto Freyre, que, no entanto, não negam o
preconceito -- este, sim, ainda hoje existente, inclusive noutras áreas sociais, por
outros motivos). Kamel vai além, e critica muitos pesquisadores da academia, assim
como alguns órgãos do governo, que colocam no mesmo índice populacional os
negros e os pardos, apresentando todos somente como negros, totalizando uma
inevitável maioria da população "negra". Para Kamel, há muitos brancos pobres e
analfabetos, que perambulam pelas ruas, e vivem em condições piores que alguns
negros e muitos pardos. Assim, conclui o autor, o corte a ser feito deveria ser não
pela cor da pele, mas pela condição social. Por exemplo: o cara a ser ajudado a
entrar na universidade deveria ser pelo nível de pobreza em que se encontra, e não
pela tez que carrega no corpo. Assim, os negros, historicamente postos nas classes
subalternas, seriam resgatados -- e com eles aqueles outros que também ali se
encontram, independentemente da cor da pele. Concordo em grande medida com o
Kamel.
Francisco Duarte Guimarães
Data: 16/02/2009 - Horário: 10h05min
Comunicação, literatura e fotografia
Postei em PROSA os textos ―Um problema comum a todos‖, ―Um romance pelo
avesso‖ e ―Cartier-Bresson: o olhar do século 20‖, enviados por Tetê Bezerra.
Tácito Costa
Data: 16/02/2009 - Horário: 10h04min
Jarbas Vasconcelos/Entrevista
O que representa para a política brasileira a eleição de José Sarney para a
presidência do Senado? É um completo retrocesso. A eleição de Sarney foi um
processo tortuoso e constrangedor. Havia um candidato, Tião Viana, que, embora
petista, estava comprometido em recuperar a imagem do Senado. De repente,
Sarney apareceu como candidato, sem nenhum compromisso ético, sem nenhuma
preocupação com o Senado, e se elegeu. A moralização e a renovação são
incompatíveis com a figura do senador.
De Jarbas Vasconcelos à VEJA. Enviada por Belchior Vasconcelos. Leia em
ENTREVISTA.
Tácito Costa
Data: 16/02/2009 - Horário: 08h36min
Muitas histórias
Tenho ouvido cada história esses dias. Histórias cabeludas.
Uma delas deu conta que toda equipe de marketing da campanha da prefeita votou,
na verdade, em Fátima. Por diversos motivos. Um deles aconteceu um dia em que
uma caminhada foi cancelada em Felipe Camarão por causa da chuva. O assessor
Eugênio Bezerra interrompeu uma reunião da equipe para informar à prefeita que a
chuva impediria a caminhada. "Graças a Deus! Aquele povo de Felipe Camarão
fede demais", respondeu a agora prefeita. Que foi mais votada em Felipe Camarão.
A terra de gente fedorenta.
Poucas testemunhas dessa conversa. Uma delas me contou o fato. Como também
confirmou a falta total de propostas da candidata verde. A decisão sobre propor
dobrar o número de crianças atendidas no Tributo à Criança foi tomada pela equipe
de redatores. Porque Micarla havia decidido falar sobre o Tributo e o Projovem. Mas
não tinha o que dizer. O tal GPS, que ela diz ser seu plano de governo, dizia coisas
do tipo: fazer luais para integrar estrangeiros e nativos nas praias da Via Costeira.
Minha fonte também lamentou que a campanha de Fátima não tivesse usado as
gravações da Operação Impacto. Deixaria a prefeita em maus lençois. Porque ali
fica claro que a prefeita não liga a mínima para a cidade, mas apenas para a sua
carreira política.
Triste!
Daniel Dantas
Data: 16/02/2009 - Horário: 08h18min
Delírio coletivo
NA TRIBUNA DO NORTE
Demolição do Machadão é aprovada pelos natalenses
A frieza apresentada pela população natalense durante a passagem dos inspetores
da Fifa pela cidade, que briga para ser uma das sede da Copa do Mundo de 2014
com outra 11 cidades, despertou o interesse de Paulo de Tarso, diretor presidente
do instituto Consult e Presidente da Associação dos Institutos de Pesquisas do RN,
que quis saber da população duas questões específicas: 1) Se os natalenses
estavam informados que a cidade poderia abrigar a competição. 2) Se eles
aprovavam a decisão das autoridades de derrubar o estádio Machadão e o ginásio
Humberto Nesi para a construção do novo complexo esportivo para abrigar o
evento.
No primeiro caso, ficou comprovado que é significativo (88.33%) o percentual da
população que tem conhecimento de que a capital potiguar poderá ser uma das
sede da Copa. Do universo de 600 entrevistados, apenas 70 deles, ou seja, 11%,
informou não saber que Natal se encontrava envolta nessa disputa. Entre os que
responderam que sim, o maior grau dos entrevistados são do sexo masculino e na
faixa etária entre 24 e 25 anos.
―Nós observamos que todas as candidatas receberam a comitiva da Fifa com festa,
em Natal não houve isso e daí surgiu a minha preocupação. Talvez as autoridades
locais envolvidas no trabalho junto a entidade souberam distinguir melhor as
orientações, sabendo que a mobilização popular não acrescentaria nada neste
caso‖, frisou Paulo de Tarso.
Quando a pergunta é sobre a demolição do Machadão e do Machadinho, 59.50%
dos entrevistados se mostraram favoráveis, 33% se posicionaram contra e 5.33
disseram ser indiferente a questão. Ou seja, o natalense vem apoiando a decisão
das autoridades no projeto de modernização do parque esportivo da cidade.
―A população que é favorável não pleiteia apenas a vinda das seleções para a
cidade. Eles são favoráveis a modernização dos nossos equipamentos esportivos
que ficaria comparado aos dos grandes centros do mundo. Aqueles que foram
contrários, alegaram que seria um investimento alto para um estado onde o futebol
não é tão desenvolvido‖, frisou Tarso.
Natal privilegiou apenas o lado técnico da visita
A secretário de Planejamento do RN, Fernando Fernandes, se confessou satisfeito
com a aprovação do natalense aos trabalho das autoridades que visam fazer da
cidade um dos focos mundiais em 2014, sediando a Copa do Mundo. Ele destacou
que entre mobilizar a população para realizar uma recepção calorosa aos
inspetores da Fifa e privilegiar o lado técnico da visita, a comissão potiguar preferiu
a segunda opção.
―Nós cumprimos rigorosamente tudo o que nos foi solicitado devido a exiguidade de
tempo dos inspetores. Mobilizar a população não influiria em nada na decisão final,
mas ainda assim os inspetores tiveram uma pequena demonstração da cultura do
RN‖, disse.
Fernandes se disse satisfeito pelo nível de aprovação do projeto de Natal e salienta
que o natalense não demostrou frieza, apenas não foi convocado a comparecer as
ruas. ―No momento que sair o resultado e Natal for aprovada, tenho certeza que o
natalense irá fazer uma grande festa‖, salientou o secretário.
Franklin Serrão
Data: 16/02/2009 - Horário: 08h17min
Dos cadernos culturais
Quem fechou foi a Kriterion ou foi Jairo Lima? Espero que o poeta, teatrólogo e
publicitário continue aberto à realização de suas atividades e, quando lançar um
livro ou estrear uma peça as editoriais culturais possam publicar matéria com ele.
Não foi o caso. A notícia da vez foi o fechamento da Kriterion. E as matérias, em
minha humilde opinião e modéstia, deram o enfoque certo.
Na matéria do Diário que escrevi e também na da Tribuna, escrita por Michelle
Ferret, o foco não foi só o fechamento da Kriterion. Também procuramos comparar
com o fim de outros espaços alternativos para evidenciar o desinteresse do
natalense por este tipo de lugar e a preferência pela cultura superficial dos
shoppings.
Jairo gostou da matéria, que deu o enfoque que ele queria e ainda o citou como
poeta e publicitário da maior agência do Norte e Nordeste, sem citar o nome porque
não vi motivo para tal propaganda. Até colocou em seu novo site. Matéria de meia
página escrita às pressas, diga-se de passagem, porque o repórter precisa cumprir
obrigações também em outro emprego.
Acho que Serejo escolheu o foco errado para seu artigo de algumas linhas e
publicado dias depois do fato. Mas Tácito acertou em jogar o texto para este
espaço. Acho que as discussões sadias deste Substantivo deveriam se voltar mais
para as questões locais. Não vamos acabar com o conflito em Gaza. E os cadernos
culturais, a dita ética jornalística precisam do olhar crítico de vocês.
Sérgio Vilar
Data: 16/02/2009 - Horário: 08h12min
Do jornalismo cultural
DE VICENTE SEREJO, NO JORNAL DE HOJE
Esses dias, na pachorra das horas vadias, fiquei lendo as matérias de página inteira
publicadas pelas editorias culturais sobre o fechamento da Livraria Kriterion, no
Mercado de Petrópolis. Não estranhei todo o destaque. Pelo contrário. Uma livraria
quando morre há de merecer seus réquiens. De espantar foi a pobreza de cada
olhar, como se o fato econômico que fechou suas portas prescindisse de seu
personagem. Como se o bom jornalismo cultural pudesse abrir mão da história
humana para cair no velho ramerrão da banalidade.
A Livraria Kriterion tem uma história e essa história tem um personagem formado,
na publicidade e na literatura, de todas as singularidades indispensáveis a um
homem incomum. Começou em Recife, com seu filho Pietro, e depois chegou a
Natal. Não mais como grande ponto de encontro que foi, em Casa Forte, depois que
a Livro 7 fechou, mas uma pequena livraria de livros novos e usados, com a mesma
marca - aquela exclamação de cor laranja sobre um fundo lilás, requinte que
denuncia a criatividade do publicitário.
Comecemos do começo. Jairo Lima é um dos mais eruditos poetas de sua geração,
no Recife, autor de um livro lançado por uma editora que consagra os nomes da
poesia no Brasil e traduz a melhor poesia do mundo, a Iluminuras. Seu 'Livro das
Árias e das Horas & Pequeno Livro das Nuvens', com longo prefácio, quase ensaio,
de Mário Hélio, poder ser a medida exata da magnitude da desinformação e
insensibilidade dos repórteres ditos culturais. É pior: o desastre não acaba ai. É
bem mais grave por sua própria magnitude.
Além de poeta - escrevo sem detalhes, ao correr da pena, como diria José de
Alencar, o antigo - Jairo é um autor que embora Nordestino, de Triunfo, é premiado
nacionalmente como teatrólogo. É dele a peça 'Cancão de Fogo' que recebeu o
Prêmio Matarazzo; 'Lampião no Inferno' numa montagem que contou com Madame
Satã no papel de Satanás; e 'Ilustríssimos Senhores', premiada e publicada pelo
então Serviço Nacional de Teatro, SNT, com edições esgotadas, mas que só o
desinformado não ousa ao menos perguntar.
Como publicitário também é premiado no Brasil e no exterior. Foi um dos quatro
sócios da então maior e mais consagrada agência de publicidade do Nordeste, a
Ítalo Bianchi, onde durante trinta anos foi diretor de criação. Recebeu o Prêmio
Colunista do Norte e Nordeste; do Festival de Filmes Publicitários de Nova Iorque, e
Profissionais do Ano, nacional, da Rede Globo. Nos EUA foi laureado com um filme
sobre o lixo, na gestão do prefeito Jarbas Vasconcelos; e, em Cannes, foi um dos
finalistas do seu grande festival.
Tem um livro inédito, de poesias - 'Livro da Sétima - Danças'. Composto de sete
capítulos, um para cada dia da semana, cada um com sete poemas. Nada disso as
matérias culturais levaram aos leitores, esses pobres enganados que, como este
cronista, se alimentam do pão e do leite do jornalismo. Ora, Jairo Lima é um poeta,
um inventor de mundos. Jamais um prisioneiro da desinformação e insensibilidade
de um falso jornalismo cultural que não sabe perceber o personagem das histórias
que escreve e publica para os leitores.
Tácito Costa
Data: 14/02/2009 - Horário: 18h24min
Charles Darwin
―O ponto comum é a ampla comprovação experimental de suas ideias, ainda que
em graus diferentes de uma disciplina para a outra. Darwin deixou claro em A
Origem das Espécies que esperava que muito trabalho metódico seria feito para
confirmá-la – além do que ele mesmo fez, razão principal pela qual demorou 30
anos para publicar sua teoria em livro. E foi o que aconteceu. A maior controvérsia,
porém, é sobre sua aplicação para o estudo do comportamento humano. Em
autores como Edward Wilson, trata-se apenas de uma questão de tempo para que
se possa explicar 100% materialmente os traços da psique.‖
De Daniel Piza, em seu blog no Estadão, sobre Darwin.
http://blog.estadao.com.br/blog/piza/
Tácito Costa
Data: 14/02/2009 - Horário: 18h18min
Kennedy e Marilyn
Seu livro traz alguma novidade sobre a morte de Kennedy?
Não, nenhuma. Mas traz novidade sobre sua vida: era um homem cuja moralidade
era inexistente. Ele foi criado por um homem crente que o dinheiro podia comprar
tudo e que seus filhos eram de uma casta superior. Um pai simpatizante do
nazismo, além de gângster. Ele legou valores desvirtuados aos filhos. E suas filhas
não eram nada. Quanto à morte do JFK, penso que houve uma diabólica aliança
entre os exilados cubanos e a plebe. No mês anterior, houve dois atentados contra
a sua vida, com o mesmo modus operandi: um atirador com experiência cubana e,
à sombra, um grande chefão da máfia, provavelmente Carlos Marcello.
Do romancista e crítico de cinema francês François Forestier, autor de ―Marilyn e
JFK‖.
NO ESTADÃO
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090214/not_imp323663,0.php
Tácito Costa
Data: 14/02/2009 - Horário: 18h04min
Milton Hatoum
―Para ele {Milton Hatoum}, a noção de regionalismo virou algo datado e deve ser
contestada, porque pressupõe que exista em oposição a um romance central.
"Kafka era da periferia, Flaubert, da província, García Márquez, também do interior.
O que interessa é o que o escritor faz a partir de um centro simbólico, de um chão
histórico." (FSP.)
De Milton Hatoum. Em ENTREVISTA.
Tácito Costa
Data: 14/02/2009 - Horário: 18h03min
Tocando em frente (com gratidão)!
Fico grato pelas palavras de Tácito e pela amizade e sensibilidade de Gustavo de
Castro, inclusive porque com ele fiz uma de minhas melhores entrevistas.
Vou ver se consigo publicar o livro ainda neste ano, e, enquanto trabalho nisso,
penso em dar continuidade às entrevistas. Ainda há excelentes nomes a serem
provocados. Cito, por exemplo,dentre alguns mais próximos: Rodrigo Levino,
Carmen Vasconcelos, Iracema Macedo, Lisbeth Lima, Iara Carvalho, Carlos de
Souza, Mário Ivo, Napoleão de Souza, o próprio Tácito, Nivaldete, Francisco
Sobreira,Eli Celso, etc. Depois (ou simultaneamente) dessa série com escritores,
deverei entrevistar pessoas de outros setores da cultura: das artes plásticas, teatro,
música...
Abraços!
Lívio Oliveira
Data: 14/02/2009 - Horário: 17h31min
O delírio é generalizado
"A estimativa de gastos do Rio para promover os Jogos Olímpicos de 2016 é a
maior entre as quatro cidades que disputam a fase final de indicação pelo Comitê
Olímpico Internacional (COI). O orçamento oficial, divulgado ontem, prevê gastos de
R$ 29,5 bilhões (em infraestrutura urbana, construção e reforma de instalações
esportivas, além de custeio do comitê organizador), quase oito vezes o que foi
investido para tirar o Pan 2007 do papel (R$ 3,8 bilhões). O custo do projeto
brasileiro, que prevê inclusive reformas e ampliação de instalações usadas no Pan,
fica próximo do orçamento que Londres, que será a próxima sede das Olimpíadas
(2012), atualizou na semana passada. Os ingleses planejam gastar R$ 30,7 bilhões.
O valor é o dobro do previsto quando ganhou a disputa, há quatro anos."
Enquanto isso, a saúde, a segurança, o saneamento, a educação, a miséria no país
está no patamar que todos você já sabem. Antes o RJ já havia gasto mais de 3 bi
com o Pan. Autor de propostas como essa tinha era de ser preso e levar uma boa
surra de urtiga.
Tácito Costa
Data: 14/02/2009 - Horário: 10h33min
Os Dois Lobos
Uma noite um velho Cherokee contou ao seu neto sobre uma batalha que acontece
dentro das pessoas.
Ele disse, "Meu filho, a batalha é entre dois "lobos" dentro de todos nós.
Um é Mal.
É a raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, arrogância, pena de si mesmo,
culpa, ressentimento, inferioridade, mentiras, orgulho falso, superioridade, e ego.
O outro é Bom.
É alegria, paz, esperança, serenidade, humildade, bondade, benevolência,
empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé."
O neto pensou naquilo por alguns minutos e perguntou ao seu avô:
"Qual lobo vence?"
O velho Cherokee simplemente respondeu:
"O que você alimenta."
Tetê Bezerra
Data: 14/02/2009 - Horário: 10h14min
O livro de Lívio
Lívio, parabéns por seu livro, ele é bem mais do que testemunhos, entrevistas e
diagnósticos da literatura e da cultura contemporânea. Ele é um pouco da
multiplicidade e da curiosidade que vc acalenta. Abraço e obrigado por ter me
colocado sob foco, no bojo dos seus entre-avistados.
Gustavo de Castro
Data: 14/02/2009 - Horário: 10h04min
O dia de Darwin
"O que realmente separa criacionistas de evolucionistas é a idéia de finalidade da
evolução."
De Pablo Capistrano, em PROSA.
Tácito Costa
Data: 13/02/2009 - Horário: 19h50min
Montaigne
NO SITE DA FALECIDA KRITERION, AGORA ECTOPLASMA:
http://www.kriterion.zlg.br/page65.aspx
Ignorância Sábia
Michel de Montaigne
"Aconteceu aos verdadeiros sábios o que se verifica com as espigas de trigo, que
se erguem orgulhosamente enquanto vazias e, quando se enchem e amadurece o
grão, se inclinam e dobram humildemente. Assim esses homens, depois de tudo
terem experimentado, sondado e nada haverem encontrado nesse amontoado
considerável de coisas tão diversas, renunciaram à sua presunção e reconheceram
a sua insignificância. (...) Quando perguntaram ao homem mais sábio que já existiu
o que ele sabia, ele respondeu que a única coisa que sabia era que nada sabia. A
sua resposta confirma o que se diz, ou seja, que a mais vasta parcela do que
sabemos é menor que a mais diminuta parcela do que ignoramos. Em outras
palavras, aquilo que pensamos saber é parte — e parte ínfima — da nossa
ignorância."
Tácito Costa
Data: 13/02/2009 - Horário: 17h43min
Borges e os peronistas
"Os peronistas não são bons, nem ruins... são incorrigíveis." A frase é do escritor
argentino Jorge Luis Borges (1899-1986), que tinha com os seguidores do general e
presidente Juan Domingo Perón uma relação de elevada tensão. Em 1946, para
humilhá-lo - e tentar calar sua refinada ironia com o novo governo - os peronistas
removeram Borges de seu posto de diretor de biblioteca e o designaram "inspetor
de galinhas e ovos" em feiras públicas. Nos anos seguintes, o peronismo colocou
sua irmã e mãe na cadeia.‖
NO ESTADÃO
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090213/not_imp323213,0.php
Tácito Costa
Data: 13/02/2009 - Horário: 17h26min
Lêdo Ivo ganha Prêmio Casa das Américas
~"O livro de poemas "Réquiem", do escritor alagoano e imortal Lêdo Ivo, venceu a
categoria literatura brasileira na 50ª edição do concurso literário Casa das Américas,
cujos resultados foram anunciados anteontem. Em romance, o ganhador foi o
boliviano Claudio Ferrufino-Coqueugniot, por "El Exilio Voluntario". Nesta edição,
mais de 600 obras da América Latina e do Caribe concorreram ao prêmio." (FSP)
Gosto da poesia de Lêdo Ivo e parece-me que ele, espremido entre outros grandes
poetas, como Drumnmond, Vinícius, Bandeira e João Cabral, seus
contemporâneos, acaba sendo esquecido ou muito pouco citado. Creio que ele
merece um pouco mais de consideração. Talvez não se ombrei aos quatro citados,
mas ainda assim, faz poesia de qualidade.
Tácito Costa
Data: 13/02/2009 - Horário: 16h18min
“Verequete – o mestre do tambor”
Postei em PROSA o texto ―Verequete – o mestre do tambor‖, assinado por João da
Mata Costa, em que ele escreve sobre Augusto Gomes Rodrigues, Verequete, um
dos ícones da cultura paraense.
Tácito Costa
Data: 13/02/2009 - Horário: 15h39min
Aprovação da Academia!
Caro Tácito,
É com prazer que venho informar que, tendo apresentado ao Conselho da Editora
da UFRN o volume com as mais de 40 entrevistas que realizei originariamente para
este Substantivo Plural, obtive parecer de APROVAÇÃO subscrito pelo douto
professor Humberto Hermenegildo de Araújo.
Num dos trechos de seu parecer, o nobre professor Humberto Hermenegildo frisa:
"...considerável material com amplas possibilidades de aproveitamento em
pesquisas sobre vida literária, sociologia da literatura e literatura comparada, de
interesse para a área de Letras. Os entrevistados têm representatividade e
visibilidade nos meios acadêmicos e literários nacionais e locais, e há vários pontos
de vista significativos para a compreensão da cultura brasileira na atualidade."
Tácito, como esse livro é praticamente um produto da minha colaboração com o seu
site, quero renovar o meu pedido - solicitando sua pronta resposta afirmativa (!) -
para que você escreva um texto introdutório a se juntar àquele de Xico Sá e a uma
apresentação/justificativa que também farei.
Abraços(aguardando resposta)!
DO EDITOR
Parabéns Lívio. A qualidade das entrevistas é inquestionável e a edição,
aprovada por Humberto, coroa isso. Quanto ao texto só posso fazê-lo no
decorrer de março devido a um trabalho freelancer que peguei recentemente.
Abraço!
Lívio Oliveira
Data: 13/02/2009 - Horário: 15h33min
Prostituição e trabalho
Caros amigos:
O tema da prostituição é muito delicado. Para encarar essa atividade como opção, é
necessário pensar nas alternativas - às vezes, penso que não existem num
mercado de trabalho com salários de ficção. Tratando-a como trabalho, precisamos
definir direitos das trabalhadoras (e dos trabalhadores: existe muita prostituição
masculina!), proibição de trabalho infantil (não é moralismo, é necessidade de
formação física, psicológica e intelectual).
Prostituição não se confunde com direito à sexualidade. Prostituição é trabalho
(prestação de serviços sexuais), o que engloba proteção à saúde e à integridade de
prestadores e clientes.
É claro que não apenas as prostitutas e os prostitutos precisam dessas garantias:
elas são necessidades de qualquer trabalhador. E o mercado dito informal de
trabalho despreza solenemente direitos.
E é bom não pensar que cada prostituto ou prostituta é um pequeno empresário: a
maioria é assalariado ou menos, escravidão existe nesse campo (como em tantos
outros - indústria de confecções em São Paulo, trabalhadores rurais pelo Brasil
todo, etc), deve ser sempre combatida.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 13/02/2009 - Horário: 15h21min
Prostituição e histeria
O Caderno MAIS, da FSP, trouxe recentemente uma entrevista com Laura Agustín,
autora de ―Sexo nas Margens – Migração, Mercado de Trabalho e a Indústria do
Resgate, em que ela critica a vitimização e criminalização das prostitutas migrantes.
Para a socióloga o correto seria enquadrá-las no perfil de migrantes ilegais do que
de escravas. E acrescenta que uma parte dessas mulheres não quer ser resgatada,
fizeram uma opção, entre tantas outras, e querem permanecer vendendo prazer.
Ela culpa o ―feminismo fundamentalista‖, para o qual a prostituição é sempre uma
violência, portanto não pode ser tolerada. Essa abordagem me chamou atenção
porque pode ser transposta aqui para Natal. Há poucos dias, o SBT mostrou uma
série de reportagens sobre prostituição na nossa cidade. Eu não assisti. Mas posso
imaginar a abordagem. Ontem o Jornal da Globo do início da tarde levou ao ar uma
reportagem sobre o mesmo tema feita em Recife. No caso da prostituição no Brasil,
o ―feminismo fundamentalista‖ ganha o reforço do falso moralismo da classe média
e das ONG (algumas dominadas por essas feministas). Então, se cria um clima de
histeria, de Sodoma e Gomorra, que impede uma abordagem realista da situação.
Lá fora e aqui no Brasil a maioria das prostitutas quer continuar fazendo o seu
trabalho em paz, preferem ralar algumas horas e ganhar um Salário Mínino do que
algo em torno de 250 horas (no mercado formal, com carteira assinada) para ter
direito ao mesmo valor ao final de um mês de trabalho. É uma opção, não se trata
de imposição. Claro que há exceções, como em tudo na vida. Mas, as que optaram
conscientemente precisam ser respeitadas.
Tácito Costa
Data: 13/02/2009 - Horário: 11h05min
A lentidão da justiça
―A situação da Justiça brasileira é dramática. Seus tempos superam os limites da
razoabilidade. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), 60% dos
casos não são analisados no ano em que são protocolados.‖
De Maria Tereza Sadek. Em PROSA.
Tácito Costa
Data: 13/02/2009 - Horário: 08h50min
Juanita Banana
A dica é da escritora Ivana Arruda, lá no seu ótimo blog
http://doidivana.wordpress.com/
―Essa e outras relíquias podem ser ouvidas no delicioso programa Ondas Latinas,
apresentado pelo Zé Simão na rádio UOL, onde ele toca latinidades de todas as
épocas e lugares. É imperdível. Do tango eletrônico à Chavela Vargas e Bievenito
Grande, está tudo lá. O programa inédito vai ao ar toda quarta-feira às 21h, mas os
anteriores ficam disponíveis pra você ouvir quando quiser. É só clicar, pegar as
maracas e sair rumbando pela sala.‖
AQUI: http://radio.musica.uol.com.br/ondaslatinas.jhtm
Tetê Bezerra
Data: 13/02/2009 - Horário: 08h46min
Direitos humanos
Do historiador Marco Mondaini, autor de Direitos Humanos no Brasil, ao blog NÓS,
do ESTADÃO.
http://blog.estadao.com.br/blog/nos/
NÓS - A sociedade tende a reagir negativamente quando são denunciados maus
tratos a presos. A sensação de impunidade tem um peso enorme, e parece fazer
sentido manter em condições sub-humanas 'criminosos que logo estarão nas ruas
matando de novo'. As penas são consideradas brandas e o sofrimento parece ser o
único castigo real. Como o cidadão comum pode acreditar que a defesa dos direitos
humanos não é apenas um benefício aos criminosos?
MARCO MONDAINI - Infelizmente, não tenho como negar a posição minoritária
daqueles que vêm refletindo sobre o fenômeno carcerário de maneira crítica na
trilha aberta por Michel Foucault nos anos 1970 e continuada mais recentemente
por pensadores como Loïc Wacquant, Zigmunt Baumann e Emilio Santoro.
Não é de hoje que a prisão deixou de ser pensada como um instrumento de
recuperação do indivíduo que cometeu um desvio, como foi pensada pelos
reformadores sociais do século XVIII. E, aqui, obviamente, não se trata de discutir a
função disciplinadora da prisão, isto é, de ajustamento dos indivíduos em relação às
novas exigências do mundo do trabalho.
O que precisa ser dito de maneira muito clara para a sociedade é que, hoje, as
prisões já fazem aquilo que uma boa parcela dessa mesma sociedade deseja, ou
seja, acarretar o máximo possível de sofrimento, por meio do isolamento nas piores
condições imagináveis, a indivíduos cada vez mais destinados a viver em guetos
desprovidos de qualquer sentido de liberdade, sendo a prisão exatamente o último
gueto imaginável da falta de liberdade.
Isso, para indivíduos marcados quando do seu próprio nascimento, pois as nossas
prisões estão apinhadas de jovens pobres, negros ou mulatos, ex-moradores de
favelas e periferias.
Creio que ao invés de uma resposta, deva ser feita uma pergunta aos que
defendem esse estado de coisas: as nossas vidas têm se tornado mais seguras em
função dessa opção pelo encarceramento? A realidade de prisões abarrotadas e de
múltiplas execuções sumárias cotidianas (uma pena de morte de fato já em curso
há muito no País) faz com que nos sintamos mais tranquilos, tanto no espaço
público como no espaço privado? Falando de uma maneira mais sofisticada, o
Estado penal é uma alternativa civilizatória ao Estado social?
Tácito Costa
Data: 12/02/2009 - Horário: 19h58min
Toda maconha do presidente
Por Marcelo Rubens Paiva
BLOG/ESTADÃO
Rosana, Dani e duas amigas pegaram a Dutra para passar o Carnaval no Rio.
Festeiras, cantaram durante toda a viagem, doidas. Acertaram a entrada para a
Linha Vermelha. Temiam se perder. Uma blitz da PM fez sinal para elas pararem.
Obedeceram.
Os policiais mandaram elas descerem e deram uma geral. Encontraram a ponta de
um baseado. Nenhuma delas fumara durante a viagem. Nem sabiam com certeza
de quem era aquela ponta.
Não adiantaram os argumentos de Dani, advogada. A conta saiu cara. Tiveram de ir
com os canas para um shopping perto. Cederam senhas de seus cartões de banco.
Raparam as contas das meninas.
Rosana, jornalista, anotou mentalmente a placa e o registro da viatura. Ao serem
liberadas, ligou para a revista semanal em que trabalhava. Checaram as
informações. Descobriu-se que a placa e o registro estavam adulterados.
Há um mês, o mesmo aconteceu com filho de um amigo, no Rio. A diferença é que
a ponta foi plantada. Por serem quatro rapazes, o terror foi maior: mão na cabeça,
revista aos pontapés, humilhações e tapas. A conta foi acertada ali mesmo: R$ 1 mil
por cada um.
Quantas histórias parecidas não ouvimos ou testemunhamos? Quantos amigos não
sofreram achaques semelhantes? Sem contar o terror praticado pela Polícia
Rodoviária Federal em gerais nas estradas. Ou alguém atravessa sossegado os
postos rodoviários de Paraty, na BR 101, e de Mauá, na BR 116, fábricas de
corruptos?
Essa humilhação que os brasileiros sofrem há décadas terminaria com uma simples
descriminalização do porte de maconha, defendida ontem publicamente pelo expresidente Fernando Henrique Cardoso. E quem sabe a polícia pararia de afanar o
cidadão comum. Não tem mais o que fazer?
Tácito Costa
Data: 12/02/2009 - Horário: 19h46min
Paulo Bezerra
Linaldo Guedes - Você considera mesmo esta obra a melhor do escritor
russo? Por quê?
Paulo Bezerra - Em parte, esta questão já foi respondida na anterior. Em termos
composicionais, considero a obra mais bem acabada do autor, a única que ele
escreveu sem credores batendo à porta e apressando a publicação de um novo
livro para saldar dívidas. Como síntese do imaginário romanesco universal, o
romance recria à luz da história e da cultura russa temas que vêm da tradição
trágica e cômica grega, da Bíblia, d'A divina comédia de Dante, do Fausto de
Goethe, do Caim de Byron, da Tentação de Santo Antônio de Flaubert, de Os
miseráveis de V. Hugo, etc., e tudo isso combinado com um amplo e profundo
mergulho filosófico e psicológico nas motivações do comportamento humano e
apresentado num vasto painel narrativo de amplitude épica à altura de um Homero.
Do tradutor Paulo Bezerra, sobre ―Os irmãos Karamazov". Leia em ENTREVISTA.
Tácito Costa
Data: 12/02/2009 - Horário: 19h01min
E por falar em Miles Davis...
Cros amigos:
Em 1991, fui a um congresso de americanistas em New Orleans, USA. Numa das
enormes lojas de música de lá, comprei, meio sem saber de sua imensa
importância, o cd "Kind of blue", de Miles Davis, mas não o escutei durante a
viagem. Segui para New York. Passeando no Central Park, vi um sexteto de
saxofonistas. Parei para ouvi-los. Atacaram um tema jazzístico de enorme beleza,
memorizei algumas das frases melódicas e trechos de harmonia. Voltando para
casa, na semana seguinte, ouvi o disco de Davis. Aquele tema ouvido no Central
Park era "Freddie Freeloader", uma obra-prima daquele "Kind of blue", que é
composto só de obras-primas.
Pois é.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 12/02/2009 - Horário: 18h21min
O direito à filmagem
Caros amigos:
Comentei, há alguns dias atrás, a digressão de Rui Lopes contra Glauber Rocha.
Deixei de abordar outro tema que Lopes discutiu: "Se filme até com relógio hoje em
dia. É uma arma nas mãos de quem não sabe atirar. Cinema é arte. Há toda uma
orquestração por trás."
Gosto muito que Lopes reafirme a condição artística do cinema. No caso de se
filmar "até com relógio", vejo uma ampliação do direito à filmagem. Isso não garante
que daí resultem bons nem maus filmes. Assim como o aparato pesado da
orquestração profissional não o garante. Tal como ocorreu com a fotografia (todo
mundo fotografa, não é?), temos uma reeducação do olhar e das possibilidades de
expressão. Dos milhares de fotógrafos amadores que registram filhos e namorados
ou namoradas - ou ambiente de trabalho e movimentos sociais, dentre outros temas
-, poderá nascer um fotógrafo com expressividade artística. A arte fotográfica não
sai diminuída dessa experiência mas potencializa novos atores.
Cacá Diegues, autor de uma filmografia irregular (mas que abriga bons filmes, como
"Xica da Silva" e "Chuvas de verão"), comentou recentemente que foi a uma favela
e ficou favoravelmente surpreso com o fato de que o público local tinha feito muitos
filmes - alguns, até com relógio. A refilmagem de "5 vezes favela", que ele anima,
tornou-se a favela pelos favelados. Cacá (ex-cinemanoveista) está envelhecendo
bem.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 12/02/2009 - Horário: 18h19min
Violência urbana
―Apáticos, os cidadãos se recusam a encarar a evidência do esfacelamento das
velhas funções organizadoras e centralizadoras da urbe clássica. Fingem
individualmente acreditar na permanência dos"choques de ordem" apregoados pelo
marketing dos administradores recém-eleitos, quando sentem grupalmente a
obsolescência dos mecanismos tradicionais de decisão e a incongruência dos
sistemas de controle social.‖
De Muniz Sodré, em PROSA.
Tácito Costa
Data: 12/02/2009 - Horário: 17h05min
Viva Charles Darwin!
Com o texto ―Parabéns Mr. Darwin‖, de Nelson Pretto, publicado em PROSA, o SP
presta homenagem a Charles Darwin, que nasceu nesta quinta-feira há 200 anos.
Tácito Costa
Data: 12/02/2009 - Horário: 16h04min
Microcosmo da sociedade
FOLHA - Por que o tráfego é um "microcosmo da sociedade", como o sr. diz em seu
livro?
VANDERBILT - O tráfego talvez seja a manifestação mais verdadeira da sociedade,
pois a rua e a estrada, diferentemente de outros lugares, em geral misturam
pessoas de todas as idades, classes, raças, religiões etc. Elas estão repletas de
momentos de poder implícito, cheias de mostras ofensivas de egoísmo, de todo tipo
de outros fenômenos psicológicos de muito interesse.
De Tom Vanderbilt, autor de "Por Que Dirigimos Assim - E o Que Isso Diz sobre
Nós" (ed. Campus, trad. Cristina Yamagami, 300 págs., R$ 69,90), que está sendo
lançado no Brasil, à FSP. Leia em ENTREVISTA.
Tácito Costa
Data: 12/02/2009 - Horário: 15h50min
Os ilusionistas
Tácito,
É claro que um administrador público, ao assumir um cargo, só sabe a dimensão
real do que herdou, quando senta na cadeira ainda quente de seu antecessor. Os
números nunca batem quando há oposição. No primeiro mês é sempre assim:
estamos em calamidade, ficamos com um rombo de (os números são sempre
milionários) etc. Quando vejo isso, penso: porra, tudo que esse pessoal promete em
campanha é mentira (às vezes, somos ingênuos). Eles apontam números, dizem
que é assim e assado, mas na realidade, não têm projeto algum para administrar a
cidade. Tudo começa ali, depois que é feita uma devassa, na maioria das vezes,
viciada por apegos políticos. E a gente que acreditou em programas lançados nas
campanhas, que achou que havia projeto viável? Tudo falácia, sofisma? E as
equipes que ajudaram a ―digitar‖ os tais programas, já não deveriam ter idéia para
agir? Ou era tudo mesmo programa de governo com prazo de validade até o dia 02
de outubro de 2008?
Sílvio Andrade
Data: 12/02/2009 - Horário: 12h23min
“Marx, Engels e o Partido Comunista”
Postei em PROSA a segunda parte do texto ―Marx, Engels e o Partido Comunista‖,
de Augusto Buonicore. Enviado por Tetê Bezerra.
Tácito Costa
Data: 12/02/2009 - Horário: 09h06min
Papel do gestor
Oi, Tacito!
Seu comentario sobre o inicio da nova gestao da prefeitura de natal é muito
interessante. deixou claro qual o papel de um gestor: arregaçar as mangas e
mostrar para que veio. a populaçao agradece.
um abraço,
Edjane
Data: 12/02/2009 - Horário: 09h01min
Chega de enrolação
Finalmente temos uma análise racional, feita por pessoa do ramo, o economista
Aldemir Freire, sobre as acusações de que o ex-prefeito Carlos Eduardo deixou
uma dívida de R$ 200 milhões para a prefeita Micarla de Souza. Assunto que vem
dominando o noticiário político local desde o início de janeiro. Até o economista
escrever sobre a polêmica, estávamos perdidos entre o que dizia o ex-prefeito e
seus ex-secretários e seguidores e Micarla e seus secretários e seguidores.
Eu não me manifestei antes por absoluta falta de conhecimento abalizado sobre
economia e balanços. Mas que estava achando tudo muito estranho isso eu estava.
Afinal, a diferença de valores entre o que dizem Carlos e Micarla não é pequena,
pelo contrário, fica em algo como R$ 190 milhões. Ou existia um erro grosseiro ou
má fé. Segundo o economista, que escreve sobre a questão no seu blog Economia
do RN http://www.economia-do-rn.blogspot.com/, a prefeita recebeu a Prefeitura
superavitária, com R$ 10 milhões em caixa. Então, fica claro que a dívida foi inflada
com propósitos, por enquanto, ainda nebulosos.
Lendo as matérias que saíram nos jornais (que não se deram ao trabalho de ouvir
nenhum economista ou sequer um bodegueiro para analisar os números, ficaram
como sempre no jornalismo declaratório de lado a lado), para chegar aos R$ 200
milhões em dívidas, o secretário Viveiros (o nome não vem de vivo, mas poderia),
arrolou dívidas da prefeitura que remontam ao arco da velha (a dos precatórios, por
exemplo, é uma delas) e que vem sendo empurradas pela barriga há não sei
quantos anos, mas que foram negociadas. Realmente, se computar essas dívidas,
chega-se aos tais 200 milhões. Mas a discrepância dos números não pode ser
reduzida à metodologias, como algum ingênuo - se é que ainda existam - poderia
acreditar. A verdade deve ser buscada na política.
A verdadeira questão, agora, é descobrir o que queria a nova administração quando
canalizou todas as suas energias para a falsa questão da dívida ao invés de
começar imediatamente a trabalhar. O que a prefeita quer encobrir ou disfarçar com
essa polêmica? A falta de projetos? De um norte administrativo? A sua
perplexidade? A incompetência administrativa? Ganhar tempo? Ou tudo isso junto?
Acho que já passou da hora desse pessoal começar a trabalhar de fato e não ficar
chamando a imprensa a toda hora para relatar que encontraram as secretarias
assim e assado.
É bem verdade que algumas estavam mesmo assim e assado. Como a Semurb e a
Saúde (em estados de calamidade), principalmente, e nisso não foi de todo mau
que Fátima perdesse porque só assim tivemos a dimensão de como as coisas
andavam em algumas secretarias. Mas agora chega, né, cansou. Carlos Eduardo
foi um prefeito medíocre e perdulário, deixou um monte de problemas, mas não
adianta ficar nesse denuncismo sem fim, enquanto a cidade espera urgentemente a
solução para antigos e graves problemas. Está na hora da prefeita dizer, na prática,
a que veio.
Tácito Costa
Data: 11/02/2009 - Horário: 23h17min
O Capibaribe pelo Ganges
RONALDO CORREIA DE BRITO
TERRA MAGAZINE
A empregada de nossa casa não compreende porque um rapaz bonito como Marcio
Garcia não pode casar com Juliana Paz, na novela "Caminho das Índias". Ela, como
milhares de brasileiros, confundem os nomes das personagens com os nomes dos
atores. Explico que Bahuan pertence à categoria dos intocáveis, aqueles que são "a
poeira aos pés do deus Brahma" e que por esse motivo é considerado impuro. E
que nem mesmo sua sombra pode projetar-se sobre uma pessoa de outra casta,
feito Maya, a filha de um comerciante.
Como tornar claro para ela o que significam casta e intocável, se em nosso país,
mesmo com um apartheid real determinado pela má distribuição de renda, somos
todos iguais perante a lei e o Estado? Digo que na Índia as pessoas têm de
obedecer à lei do dharma, e precisam viver de acordo com os costumes das castas
em que nasceram. Ninguém muda de status através da mobilidade social; no lugar
em que o indivíduo nasce, tem viver e morrer. Explico ainda que todos esses
absurdos já foram abolidos por lei, mas que permanecem nos costumes e na
tradição, em benefício dos de sempre. E afirmo que foram os brâmanes e os nobres
que inventaram esse perverso sistema em proveito próprio e usam justificativas
religiosas para mantê-lo até os dias de hoje.
Minha empregada continua achando a explicação complexa, não entende bulhufas
de dharma e Bhrama para ela é apenas uma marca de cerveja. Eu que sou da
geração hippie e da contracultura, de um tempo em que nos voltamos para o
Oriente, ouvimos a cítara de Havi Shankar e até investimos na macrobiótica,
abandonada anos mais tarde numa boa churrascaria, insisto no meu hinduismo
superficial como o de Glória Perez. Explico que existem três divindades principais:
Bhrama, Shiva e Vishnu e que através delas o universo se cria, destrói e recompõe.
Pelas caretas da moça percebo que avancei o sinal. Que nada! Vejam o que a
danada me pergunta:
- E Ganesha? E Kali?
Aí é demais para um hinduísta dissidente. O que Glória Perez anda fazendo com o
juízo das pessoas? Não bastou a ciganada da novela "Explode Coração"?
Lembram? Aquela em que um cigano feito por um tal Ricardo Macchi só sabia dizer:
Dara! Como dançavam o tempo todo. E quanta informação esotérica sobre a
ciganagem. Depois veio "O Clone" e uma nova cartilha de etno-geografia, dessa
vez sobre o povo árabe e o Marrocos. E tome mais dança. Como se dança nas
novelas de Glória Perez. Até em "América", outro folhetim sobre costumes e
geografias, a turma de Miami não parava de dançar. Transportaram todas as
gafieiras do Rio de Janeiro para os Estados Unidos.
Felizmente, as novas danças são indianas. Pena que o kata kali exija anos de
treinamento para se alcançar a técnica exata e o máximo que os atores de
"Caminho das Índias" alcançam são alguns trejeitos. Mas dá para fazer um charme
para a platéia pouco exigente e desinformada. Afinal, também era isso que
Hollywood exportava nos tempos áureos. Até mesmo o austríaco Fritz Lang, diretor
dos mais importantes filmes do expressionismo alemão - Dr. Mabuse; Metropolis; M,
o vampiro de Durseldorf - não resistiu à tentação americana. E produziu exotismos
como "O tigre de Bengala" e "O sepulcro indiano", parecidos com o nacional
"Caminho das Índias".
Um dia desses a nossa empregada acendeu vários incensos pela casa e preparou
um arroz ao curry. Nada mal enquanto ela não inventar de abrir a porta para as
vacas que pastam na rua e também não exigir que eu mergulhe no Capibaribe para
me purifica.
Tácito Costa
Data: 11/02/2009 - Horário: 19h32min
Miles Davis
POR JOSÉ ALBERTO BOMBIG
―Há 50 anos, Miles Davis e uma turma fantástica lançavam ―Kind of Blue‖, alvo de
reedição comemorativa que reafirma a obra como ―o suprassumo do cool‖
Leia este e outros textos interessantes na Bravo online.
http://bravonline.abril.com.br/
Tácito Costa
Data: 11/02/2009 - Horário: 19h17min
Carmem Miranda e Ademilde Fonseca
Carmem Miranda não foi só uma das maiores interpretes da Musica Popular
Brasileira, como deixou inúmeros as) imitadoras. Seu estilo de cantar era único. O
turbante e o pomar ajudavam a aumentar sua estatura. Uma pequena- notável
como outras pequenas e grandes atrizes do cinema. Toda a homenagem é pouca
no seu centenário. Quando ela voltou dos EUA disseram que ela tinha voltado
americanizada. Que nada! A ginga, insinuações e malemolencia nunca deixou os
passos dessa artista unica. Uma das maiores interpretes brasileira é a nossa
conterranea Ademilde Fonseca. Ademilde gravou um disco‖ A la miranda‖ cantando
os sucessos se Carmem. Um disco monumental que passei 20 anos paa adquirir.
De tão raro. Uma das músicas desse disco é, na minha opinião, uma das maiores
musicas do cancioneiro popular mundial. Muitas outras interpretes gravaram essa
canção. Qunado eu me despedir algum dia, pode tocar bem alto essa música
eterna. Ouçam a interpretação inigualável da eterna rainha Ademilde Fonseca.
Ouçam também na voz de Marisa Monte
Adeus batucada
(Sinval Silva)
Clique para ouvir em RealPlayer com Carmen Miranda
Adeus, adeus
Meu pandeiro de bamba
Tamborim de samba
Já é de madrugada
Vou-me embora chorando
com meu coração sorrindo
E vou deixar todo mundo
Valorizando a batucada
Em criança com o samba eu vivia sonhando
Acordava, estava tristonha chorando
Jóia que se perde no mar só se encontra no fundo
Samba mocidade
Sambando se goza nesse mundo
E do meu grande amor sempre me despedi sambando
Mas da batucada agora eu despeço chorando
E trago no peito esta lágrima sentida
Adeus batucada, adeus batucada
Querida
João da Mata Costa
Data: 11/02/2009 - Horário: 15h24min
Todos os discos são chatos e furados
Abundantes em outras épocas, as lojas especializadas em discos e artigos de
música são um tipo de estabelecimento cada vez mais raro nas ruas de Natal.
Praticamente inexistentes nos dias atuais, o comércio de CDs originais acabou
ficando restrito às seções específicas de lojas de departamento, que tratam o
produto como mais um dentre os vários que oferecem aos clientes. Sem a
renovação do estoque com novidades e atrativos especiais para os colecionadores,
a imagem da loja exclusivamente dedicada ao comércio de discos vai ficando cada
vez distante na memória do natalense.
Matéria completa em: www.oinimigo.com
Alexis Peixoto
Data: 11/02/2009 - Horário: 15h17min
Concurso Docente UnB
Prezados, aproveitando a carona do tema concursos públicos, divulgo que até 2 de
março teremos concursos na UnB nas seguintes áreas:
para assistente (com mestrado)
-
Produção Audiovisual - edição e finalização
Jornalismo Digital e impresso
Planejamento e Gestão em Assessoria de Comunicação
Jornalismo em Rádio e Televisão
Produção Audiovisual - Captação Audiovisual
Planejamento, Marketing e Gestão Estratégica em Comunicação Integrada
Comunicação Visual para Web e Gráfica
Publicidade: criação e redação
para adjunto (com doutorado)
- Políticas de Comunicação
- Métodos e teorias da Comnicação
Os editais serão lançados até 2 de março.
Gustavo de Castro
Data: 10/02/2009 - Horário: 19h39min
Kinema
Glauber Rocha pode até ter extrapolado em determinada época de sua vida e
começado a achar que só seu modo de fazer cinema era o certo. Mas seus filmes
Terra em Transe, Deus e o Diabo na Terra do Sol e Santo Guerreiro Contra o
Dragão da Maldade são verdadeiras aulas de cinema. Só esses aí são suficientes
para garantir a glória do cara. Essa onda de revisionismo da obra de Glauber é só
uma tentativa tacanha de chamar a atenção. Não liguem, meus amigos.
Carlos de Souza
Data: 10/02/2009 - Horário: 18h25min
A ressurreição de quem nunca morreu
Depois dos ataques feitos por ilustre desconhecido da terrinha ao cineasta Glauber
Rocha, recomendo a leitura da revista ―Trópico‖ na internet. Talvez agora com a
restauração de sua obra completa, os jornais deixem de dar voz a imbecis.
http://p.php.uol.com.br/tropico/html/textos/3057,1.shl
Lula Agusto
Data: 10/02/2009 - Horário: 16h51min
A Literatura que vem do Norte – I
Postei em PROSA o texto de João da Mata Costa "A Literatura que vem do Norte –
I".
Tácito Costa
Data: 10/02/2009 - Horário: 13h01min
Só louco
Caros amigos:
Para nos protegermos daquele psiquiatra americano, a melhor saída é lermos os
clássicos: nas tragédias gregas e elizabetanas, os loucos são videntes, entendem o
que se passa mais que os outros. E, mais recentemente, Dorival Caymmi nos
ensinou que "de amor para entender / é preciso amar".
Conclusão: as artes vêem longe!
Abraços:
Marcos Silva
Data: 10/02/2009 - Horário: 11h52min
Copa do mundo II
João da Mata, imagine um bloco de Carnatal, pulando e sacudindo as mãozinhas. A
pergunta deve ser: qual o abadá, do nana ou do chiclete?
Franklin Serrão
Data: 10/02/2009 - Horário: 11h51min
Teses sem consistência
Eu não ia nem comentar esse post de Tales, de tão estapafúrdio, mas como ele me
cita, numa clara provocação, sou obrigado a me manifestar. Considerar Obama e
Hilary Clinton esquerdistas... é, para dizer o mínimo, risível. Também não vou cair
na tentação de considerar maluco esse psiquiatra porque cairia no mesmo erro que
ele cometeu, de desqualificar quem pensa diferente, atribuindo-lhes problemas
mentais. Atitudes típicas de ditaduras e de quem não tolera conviver com a
diversidade. Fica clara a orientação política de extrema direita do psiquiatra, já com
saudades da era Bush. O que acho mais lamentável não é o cara escrever idiotices
dessa envergadura. É ter quem leia e acredite, piamente, que sejam verdadeiras as
teses defendidas por ele.
Tácito Costa
Data: 10/02/2009 - Horário: 09h57min
Liberais são clinicamente loucos
Tácito e Assis Castro, esse texto é prá lá de intrigante. O que vcs acham?
Renomado psiquiatra defende tese de que a ideologia esquerdista é desordem
mental
© 2008 WorldNetDaily
WASHINGTON, EUA — Justamente quando os liberais estavam pensando que é
seguro começarem a se identificar como liberais, um aclamado e experiente
psiquiatra está defendendo a tese de que a ideologia que os motiva é realmente
uma desordem mental.
―Com base em convicções e emoções impressionantemente irracionais, os liberais
modernos persistentemente minam os princípios mais importantes sobre os quais
foram fundadas nossas liberdades‖, diz o Dr. Lyle Rossiter, autor do livro recém
publicado ―The Liberal Mind: The Psychological Causes of Political Madness‖ (A
mente liberal: as causas psicológicas da loucura política). ―Como crianças mimadas
e coléricas, eles se rebelam contras as responsabilidades da vida adulta e exigem
um governo paternal para lhes suprir as necessidades desde o começo até o fim da
vida‖.
Embora os ativistas políticos do outro lado do espectro tenham feito observações
semelhantes, Rossiter ostenta credenciais profissionais e uma vida virtualmente
livre de ativismo e ligações com ―a vasta conspiração direitista‖.
Por mais de 35 anos ele tem diagnosticado e tratado de mais de 1.500 pacientes
como psiquiatra clínico credenciado e ele já examinou mais de 2.700 casos civis e
criminais como psiquiatra judicial credenciado. Ele recebeu seu treinamento médico
e psiquiátrico na Universidade de Chicago.
Rossiter diz que só dá para entender como desordem psicológica o tipo de
liberalismo que Barack Obama e sua oponente democrática Hillary Clinton
demonstram.
―Um cientista social que entende a natureza humana não fará vista grossa aos
papéis vitais da livre escolha, cooperação voluntária e integridade moral — como
fazem os liberais‖, diz ele. ―Um líder político que entende a natureza humana não
ignorará as diferenças individuais em talento, impulso, apelo pessoal e ética
profissional, e então tentará impor igualdade econômica e social na população —
como fazem os liberais. E um legislador que entende a natureza humana não criará
um ambiente de leis que sobrecarrega os cidadãos com regulamentos e impostos,
corrompe o caráter deles e os reduz a funcionários do Estado — como fazem os
liberais‖.
O Dr. Rossiter diz que a agenda liberal explora as fraquezas e sentimentos de
inferioridade da população da seguinte forma:
* criando e reforçando percepções de vitimização;
* satisfazendo reivindicações imaturas de direitos, privilégios e compensações;
* aumentando os sentimentos primitivos de inveja;
* rejeitando a soberania do indivíduo, subordinando-o à vontade do governo.
―Dá para identificar as raízes do liberalismo — e suas loucuras associadas —
compreendendo como as crianças se desenvolvem desde a infância até a vida
adulta e como um desenvolvimento distorcido produz convicções irracionais da
mente liberal‖, diz ele. ―Quando a mente liberal moderna se queixa de vítimas
imaginárias, se enfurece contra vilões imaginários e busca acima de tudo o mais
administrar a vida de pessoas que têm competência própria para administrar suas
próprias vidas, fica dolorosamente óbvia a neurose da mente liberal‖.
Fonte: WND
Tales Costa
Data: 09/02/2009 - Horário: 23h50min
Estado e mercado
DO SOCIÓLOGO JESSÉ SOUZA, EM SUPLEMENTOS (ESTADÃO).
http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup320117,0.htm
"Qual é a ideia-força que domina a vida política brasileira contemporânea? Minha
tese (influenciada pela leitura do liberalismo brasileiro em Florestan e Werneck
Vianna, mas desenvolvida de modo bastante modificado e pessoal a seguir) é a de
que essa ideia-força é uma espécie muito peculiar de perceber a relação entre
mercado, Estado e sociedade, onde o Estado é visto, a priori, como incompetente e
inconfiável e o mercado como local da racionalidade e da virtude. O grande
sistematizador dessa ideia foi o patrono da sociologia moderna brasileira: Sérgio
Buarque de Hollanda."
Tácito Costa
Data: 09/02/2009 - Horário: 19h47min
Meus caros João da Mata e Lívio Oliveira
Obrigado pelas palavras que acabo de ler e que me deixaram comovido como o
diabo. Mais do que isso, gratificado. Afinal, se é para fazer amigo do naipe de vocês
a Kriterion valeu a pena.
Falar nisso, o Phantasma quer ver sempre vcs lá no nosso Ectoplasma. Que
continua no mesmo endereço da falecida Kriterion, www.kriterion.zlg.br
Abração.
Jairo Lima
Data: 09/02/2009 - Horário: 19h48min
Filmes em cartaz
Entre ―O carregador de almas‖, em cartaz no Moviecom, e ―Fôlego‖, no Cinemark,
acabei indo assistir o primeiro. Fiz a escolha errada porque o filme não me
convenceu. É daquele tipo de filme que você depois fica querendo saber do que ele
tratava exatamente. Não por ser complexo ou difícil. Mas porque a história não leva
a lugar nenhum. Um cara tentando entregar um operário morto à família, que não é
encontrada em lugar nenhum. E só! Um amigo assistiu ―Fôlego‖ e fez rasgados
elogios. É uma pena porque devido ao horário (15h) não poderei assistir.
Tácito Costa
Data: 09/02/2009 - Horário: 17h44min
Luiz Ruffato
DE LUIZ RUFFATO NO PAIOL LITERÁRIO DO JORNAL RASCUNHO
http://rascunho.rpc.com.br/
―Me surpreendo quando vejo colegas dizendo que a literatura não serve para nada.
Se a literatura não serve para nada, para que fazê-la?‖
Tácito Costa
Data: 09/02/2009 - Horário: 16h29min
Fórum Social Mundial
Postei em PROSA texto de João da Mata Costa sobre o Fórum Social Mundial,
realizado em Belém (PA). Ele esteve presente e conta o que viu e ouviu.
Tácito Costa
Data: 09/02/2009 - Horário: 16h15min
Ainda sobre o Decom
Gustavo,
Não há como não assinar embaixo de sua fala. E disse algumas coisas dessas na
defesa de meu Memorial, sexta.
Espero, também, que a UnP possa aproveitar sua oportunidade - histórica -,
especialmente quando foi adquirida pelo grupo Lauretis.
É isso aí. Minha esperança é ser mais um jornalista doutor até 2011.
Abraços.
Daniel Dantas
Data: 09/02/2009 - Horário: 15h36min
Rosa de Pedra
No SOPÃO DO TIÃO, sobre o CD do grupo Rosa de Pedra.
http://www.sopaodotiao.blogspot.com/
"Pois relaxe, que a Rosa conseguiu: o disco é um aqui e ali que ora soa blues
notívago tipo Bar do Buraco dos anos 80 – certamente uma influência da presença
de Eduardo Taufic na produção – ora pratica sem vergonha de ser elegante e
informativo o samba-funk que descadeira bundas mulatas morros afora. O ritmo, por
sinal, é o título de uma das faixas. Ainda é possível encontrar hits perfeitos e
acabados – e se eles não caem na boca do povo muito além do Beco da Lama é só
porque as rádios (e não só as de Natal) foram todas vítimas da segmentação mais
burra."
Tácito Costa
Data: 09/02/2009 - Horário: 10h40min
A banalidade do bem
POR ANTONIO PRATA
(http://blog.estadao.com.br/blog/antonioprata/)
Seu Pedro era um português rabugento, que tratava todos os moradores como se
fossem usurpadores de seu castelo: o edifício São Jorge, do qual era proprietário,
síndico e zelador. ―Pode ficar tranquilo, seu Pedro, que eu vou cuidar muito bem do
apartamento‖, disse meu amigo Paulo, assim que recebeu as chaves. ―Não faz mais
do que a obrigação e não lhe agradeço por isso‖, respondeu o velho, com o sotaque
que trouxe do Alentejo na primeira metade do século XX, junto a uma trouxa de
roupas, uma guitarra portuguesa e a fé no santo que viria dar nome ao prédio, anos
mais tarde.
Foi em 1973, com o dinheiro ganho em três padarias, que o próspero imigrante
construiu seu refúgio na rua Apinagés. Deu um apartamento para cada um dos sete
filhos e foi morar no térreo, com sua senhora. Com o tempo, as padarias fecharam
ou foram vendidas, os filhos casaram-se e mudaram-se e seu Pedro passou a viver
de alugueis, cuidando da esposa doente e reclamando da decadência do mundo.
As lendas sobre a mesquinharia do síndico corriam pelo prédio, sem se intimidarem
com as grades ao pé da escada, as câmeras de vigilância ou a estátua de São
Jorge, cuja lança erguida parecia lembrar aos moradores qual o espírito vigente no
condomínio. A Dona Marli do 23, por exemplo, contava do ex-vizinho que havia sido
intimado a comparecer ao tribunal de pequenas causas por devolver o apartamento
sem trocar uma lâmpada de 60 W, queimada, na área de serviço. O Robson do 42
tinha certeza de que fora seu Pedro quem envenenara sua samambaia, com um
cálice de aguarrás, por causa das folhas que sujavam o hall. Nem os portões do
castelo se-guravam o Macbeth da Pompéia, que mais de uma vez saiu na calada da
noite para esvaziar pneus dos carros que avançavam centímetros sobre a guia
rebaixada da garagem. E adivinha quem chamou a polícia quando desconfiou que
aquele odor vindo do apartamento dos estudantes da PUC não era de incenso?
Mas você veja só como é o ser humano: um dia meu amigo estava saindo para
trabalhar e ouviu uma música belíssima na garagem, foi indo atrás do som do
violão, esgueirando-se por entre os carros, até que deu com seu Pedro atrás da
coluna, sentado num engradado de cerveja, curvado sobre um toca-fitas CCE. ―Que
música mais bonita, Seu Pedro, que que é isso?‖. O velho levantou o rosto para
responder, mas engasgou e tossiu. Meteu então a mão na boca, tirou a dentadura e
disse: ―é uma serenata de Schumann. Sou eu a tocar em minha guitarra
portuguesa‖. Por um momento, meu amigo pensou que ele chorava, mas não deu
tempo de descobrir, pois seu Pedro logo enfiou os dentes de volta, refez a carranca
e disse alguma coisa sobre as faixas pintadas no chão da garagem.
Tetê Bezerra
Data: 09/02/2009 - Horário: 09h58min
Obrigado
Amigo Jairo,
Choro sempre que fecha uma livraria. A sua kliterion era mais mais que uma loja,
era uma armazém de idéias. Ainda bem que vamos ficar em contato via a net
ectoplasma. Dizer que voce vai deixar saudades e que fez um bem muito grande a
Natal. Uma pessoa com a sua sensibildade é rara e devemos protegê-la das
intempéries.
Muito obrigado por tornar Pernambuco mais próximos de nós.
Obrigado por tudo o mais,
João da Mata Costa
Data: 09/02/2009 - Horário: 09h47min
Memória também é dignidade
Uma trapalhada dígna do Sargento Pincel, foi a entrevista passada na TV Cabugi
sobre esse tal projeto da Copa em Natal.Matéria duvidosa, tinha até um arquiteto
representando o projeto, e escolheram estrategicamente para enquete o centro do
Alecrim, no auge do seu sábado movimentado pela feira e pelas compras. E aí,
surpresa! o povo não é bobo. perguntados pelo repórter, os entrevistados não foram
a favor da derrubada do velho templo do futebol. A memória gritou no peito do povo.
O mais engraçado foi o engenheiro Moacir gomes, que aproveitou os 2 segundos
de descuido da matéria para defender sua cria, dizendo: "ninguém propôs derrubar
o maracanã, o Beira Rio,...por que só o Machadão?
Carlos Assis
Data: 09/02/2009 - Horário: 09h44min
Uma cidade sem Kriterion!
A cidade perde com a ausência da Kriterion. Ali, muitos de nós tivemos momentos a
serem guardados na memória sentimental e no intelecto. Mais um capítulo
encerrado de uma confusa e indefinida história da cultura de Natal.
Meu abraço a Jairo Lima, mestre e amigo!
Lívio Oliveira
Data: 09/02/2009 - Horário: 09h44min
Um novo Decom
Caro Daniel Dantas,
Tenho a leve impressão de que, qualquer que seja o resultado final dos concursos
realizados para o Depto de Comunicação da UFRN, ele significará uma mudança
substancial no quadro da instituição. É triste, mas já fomos um dos piores cursos de
Comunicação do Brasil. Durante décadas, parte dos professores do curso via a
mentalidade acadêmica com desdém. Alguns sequer incentivavam seus alunos a
continuar seus estudos, com a honrosa exceção do Rogério Cadengue. Muitos
deles não tinham dedicação exclusiva (DE) nem eram comprometidos com
publicações (a não ser de notinhas em suas colunas). A UFRN era um bico de luxo.
As aulas não passavam de relatos de experiências pessoais com retórica beletrista.
Bibliografia específica na área nem pensar. Logo no governo FHC foram dadas
condições dos professores buscarem mestrados e doutorados, digo, condições
estruturais (incentivos, bolsas, etc), mas poucos da velha guarda o fizeram. A
geração que buscou a qualificação foi logo acusada de querer instituir a "república
dos doutores". Eu, Adriano, M. Bolshaw, Graça Pinto, Josimey, entre outros fomos
os primeiros a tentar buscar o doutorado, p.q. até 2001, não havia nenhum jornalista
com doutorado no RN.
Quando fiz minha graduação, na década de 80, eram cerca de 35 cursos de
graduação em Comunicação no país. Hoje são mais de 1.200. Esse crescimento
dos cursos deu maior visibilidade às federais e o nosso querido Decom teve de
aprender que não bastam nomes ilustres da mídia da cidade em seus quadros.
Mesmo eles têm de ralar. As consequências destes anos de deformação vc mesmo
viu aqui nos debates do SP e pode acompanhar dia-a-dia no noticiário. Vou dar um
exemplo simples: vc já reparou na diferença de produção e comprometimento do
Depto de Ciência Sociais e o de Comunicação? Para vc, p.q. são tão diferentes?
Ano passado, num rápido café com o nosso querido Marcos Silva, aqui em Brasília,
ele me explicou algo muito simples, que fez toda a diferença. Na criação dos cursos
de Humanas, na UFRN, parte dos professores de Ciências Sociais vieram de fora
do Estado, enquanto os de Comunicação foram arrebanhados do Diário, da
Tribuna, das assessorias, etc. Vc deve perceber claramente no que, ao longo dos
anos, isso significou na formação dos profissionais. O professor não comprometido
(ainda mais no serviço público) prejudica a formação de uma geração inteira de
jovens. Espero que a abertura do Mestrado signifique uma nova etapa para o
Decom, assim como a chegada destes novos docentes.
No entanto, espero tb o crescimento da UnP e o investimento na capacitação dos
professores. Espero que a mentalidade de "horistas" seja superada, que haja
investimento em pesquisa, extensão e na produção bibliográfica, com verbas para
os profs apresentarem trabalhos em congressos e tudo o que envolve a vida
acadêmica.
Abraço e boa sorte,
Gustavo de Castro
Data: 09/02/2009 - Horário: 09h50min
Velhice e dignidade
Ouvi certa vez que um país que não respeita suas crianças e idosos não mereceria
existir. Concordo. Esse texto de Charles Phelan serve de denúncia com o que se
faz dos idosos. E esse desprezo impiedoso parte de todos os lugares, parecendo
que certos infelizes não cumprirão a sina natural do envelhecimento também.
Infelizmente, essa ignomínia não ocorre só nesse espaço de instituições com
estrutura desumana, mas nos próprios seios familiares e em diversos lugares
públicos, às vezes com notoriedade e alarde. Já presenciei situações tão cruéis que
sinto até vergonha e repulsa em descrevê-las.
Charles, precisamos dar dignidade aos idosos se quisermos envelhecer com ela.
Esse é o verdadeiro ciclo da vida. Assim eu creio.
Parabéns pelo texto. E pela sensibilidade também.
Denise Araújo Correia
Data: 08/02/2009 - Horário: 12h15min
Laurence e Tácito
Vocês que sempre deram a maior força pra Kriterion agora prestam solidariedade.
Brigadão, companheiros. A Kriterion morreu mas o velório continua até que se
venda o último livro, tudo pela metade do preço, até os raros.
A boa notícia é que o site vai continuar no mesmo endereço www.kriterion.zlg.br
mas com novo nome e de visual novo e aterrorizante: agora se chama Ectoplasma,
o site da finada Kriterion. Talvez valha a pena espiar.
Jairo Lima
Data: 08/02/2009 - Horário: 10h52min
Assassinos da memória
Caros amigos:
Sobre o tema abordado por Pablo no texto "As viúvas do holocausto", aconselho a
leitura do excepcional livro "Assassinos da memória", de Pierre Vidal-Naquet
(lançado no Brasil pela Papirus), discussão excelente dos que negam o holocausto,
demonstrando sua irresponsabilidade intelectual. Quero lembrar que o grande Isaac
Deutscher (judeu!) nunca negou o holocausto mas comparou a relação do estado
de israel com os palestinos à situação do judeu que, torturado num prédio pelos
nazistas, arremessado pela janela, cai sobre um sujeito palestino na rua, levanta-se
e começa a espancar o sujeito sobre o qual caiu. E que o holocausto, como indicou
Pablo (mas até seu final), matou comunistas, ciganos, gays, eslavos, deficientes
físicos, testemunhas de Jeová etc.
Marcos Silva
Data: 08/02/2009 - Horário: 10h50min
Perda cultural para a cidade
Muito triste a notícia dada por Laurence Bittencourt. Só tenho a lamentar. A Livraria
Kriterion se tornou, ao longo do tempo, um espaço muito bacana e democrático,
tocado com zelo e carinho pelo poeta Jairo Lima. É uma perda cultural significativa
para uma cidade que já tem tão poucas opções nessa área.
Tácito Costa
Data: 07/02/2009 - Horário: 17h50min
Cicero e Pablo
Postei em PROSA os textos "Os estudos literários e o cânone", de Antonio Cicero, e
"As viúvas do holocausto", de Pablo Capistrano.
Marcos Silva faz referência em post mais abaixo ao texto de Antonio Cicero.
Tácito Costa
Data: 07/02/2009 - Horário: 17h44min
Idosos, família, instituições
Caros amigos:
Muito tocante o texto de Charles Phelan. É preciso encarar a velhice como etapa
normal de vida, não como momento de ser condenado a instituição
desumanizadora. Enquanto existir família, melhor conviver com ela - e as partes
envolvidas aprenderem a conviver, o que é sempre difícil. Se a instituição for
inevitável, que exista em bases democráticas de tratamento decente.
Orientei uma bonita pesquisa, de Nelson Tomelin, "A cultura da loucura", sobre
idosos internados em hospícios (falas deles registradas). Pode ser encontrada on
line no banco de teses da FFLCH/USP, área de História social.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 07/02/2009 - Horário: 17h36min
Concursos e cursos
Uma leva de novos professores vai oxigenar o Decom, da UFRN. Ou não. Depois
daquela nossa intensa discussão sobre o jornalismo e sua particular ética (ou nem
tão particular assim), o atual concurso parece que poderá trazer novos ares para
aquele espaço acadêmico. Em Ética e legislação em radialismo, não houve
aprovados. Em uma disciplina de publicidade, também não. Esta semana três
concursos. Em um deles, a nova professora Valquyria ensinará edição em televisão
aos alunos. Em outro, não sei o resultado, mas os três que chegaram a reta final
prometem (Ruy Alckmin, Edvânia e Eugênio). Naquele que disputei, devo ter ficado
em segundo, mas certamente a nova professora de mídia digital da UFRN é um
ganho - Taciana Burgos.
De minha parte, continuo minha batalha para formar bons jornalistas na UnP. Ali,
numa turma em que, ironia, Priscila de Sousa e Marcelo Guerra de Sá se tornaram
meus alunos.
Daniel Dantas
Data: 07/02/2009 - Horário: 17h34min
Encerramento
Tácito, é com tristeza que fiquei sabendo pelo próprio Jario que a Kriterion está
fechando suas portas. Uma pena, uma pena, uma pena.
Abraços,
Laurence Bittencourt
Data: 07/02/2009 - Horário: 17h31min
Marx, Literatura, História
Caros amigos:
Antonio Cícero é um bom letrista (algumas das melhores canções gravadas por
Marina Lima, sua irmã, têm textos dele) e também cronista inteligente. Sua coluna
na FSP de 7.2, "Os estudos literários e o cânone", aborda uma questão clássica:
Marx é bem melhor que a maioria dos marxistas - no caso, o pior é Terry Eagleton.
Discordo, todavia, do conceito que AC usa de documento histórico: "se ele é
autêntico e o que representou para as pessoas que o produziram e dele se
serviram". AC trata o documento histórico como coisa e como puro passado. As
pessoas apenas "se serviram" dele, não foram servas dele em tantos casos? E o
historiador e demais profissionais que dialogam com o documento, não contam? E
os documentos falsos são o quê, um nada? E o poema ser também documento o
diminui?
Mas vale a pena ler a coluna, é um elogio da poesia e da literatura em geral.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 07/02/2009 - Horário: 10h50min
UM ESTRANHO, MUITAS LIÇÕES
È difícil imaginar que alguém entregaria um familiar ao perverso efeito corrosivo do
tempo, mas entregam! Presenciei o abandono destas pessoas, durante uma visita a
um abrigo de idosos.
Ao entrar no estacionamento do abrigo vi os primeiros idosos. Relegados a tristeza,
numa cadeira de balanço, olhando e sentindo cada segundo, cada minuto, cada
hora de um tempo sem esperança, e nada para vibrar. O estacionamento estava
vazio. Parei, sai do carro, e dirigi-me até o terraço onde estavam. Olhavam curiosos
de longe. Alguns já balbuciavam algo ininteligível. Outros sorriam, provavelmente na
esperança de rever o ente querido que os abandonou.
Ao me aproximar, senti um cheiro de urina tão forte, que meu primeiro foi impulso
foi de engulhar. Diminui os passos numa tentativa de me adequar ao odor do
ambiente. Não queria desaponta-los, voltando do meio do caminho. A principio
questionei se fui confundido com algum familiar, ou se a solidão os havia forçado a
aceitar a presença de qualquer um, como algo positivo. ―Como o senhor se
chama?‖ Perguntei ao primeiro senhor que vi.
―Francisco.‖
―Quantos anos o senhor têm?‖
Pôs a mão no queixo sobre a barbicha esbranquiçada ainda por fazer, revirou os
olhos e disse sem hesitar. ―Sou de 1926, ‗tô com..... setenta e alguma coisa, moço.‖
Sorriu orgulhoso, já esperando a próxima pergunta.
―Sua família lhe visita?‖ Fiquei nervoso, e mais ainda com a possível resposta.
Silencio.
Seu Francisco desviou o olhar. Fiquei receoso de perguntar novamente. De
repente, com um brilho nos olhos que prenunciava um choro há muito tempo preso,
falou baixinho:
―Sem visitas há quinze anos. Criei sete filhos e alguns netos. Lembro como se fosse
hoje a última vez que vieram aqui. Trouxeram frutas e bolachas. Passaram pouco
tempo, mas o que mais lembro foi quando disseram, tchau. Palavra forte, moço...‖
Meu coração afundou com a resposta. Passei pouco mais de uma hora papeando
com seu Francisco. Naquele momento seus olhos brilhavam de satisfação. E os
meus brilhavam de admiração e tristeza por aquele desconhecido corajoso.
Por fim, dei-lhe um aperto de mão, que convergiu num abraço inesperado. Agradeci
pela atenção, sorri e disse tchau. Virei pela última vez para acenar, quando li os
lábios de seu Francisco murmurarem algumas palavras que evidentemente não
queria que eu ouvisse,
―Palavra forte, moço!‖
Ele, mais que eu, sabia que não me veria mais.
CHARLES M. PHELAN
Data: 07/02/2009 - Horário: 10h45min
ENTREVISTA/ Alain Touraine
É possível encarar a crise como uma oportunidade real de mudança? Basta
um passeio no site do Fórum de Davos para perceber que há muita gente
buscando soluções paliativas, que permitam a manutenção do sistema...
Há três visões em curso em Davos. A primeira diz que é preciso reconstruir apenas
as partes do sistema que apresentaram defeito. A segunda, defendida por um
batalhão de especialistas sem poder de pressão, é a visão de que é preciso
controlar o sistema econômico global. E há uma terceira visão sugerindo que não
serão as pessoas, nem as inteligências e nem os governos que vão domar a crise,
pois o sistema é capaz de se corrigir sozinho. Esta visão nos remete a um sistema
de não-governo, a uma espécie de destino ou de catástrofe anunciada: ninguém
pode agir contra o que está aí. Desse ponto de vista, a discussão que Barack
Obama traz ao mundo é positiva. Bem-vindo o discurso de que é preciso reforçar o
sistema político para que ele possa, de fato, promover a regulação do sistema
financeiro-econômico!
Do sociólogo francês Alain Touraine, no ESTADÃO. Leia em ENTREVISTA.
Tácito Costa
Data: 06/02/2009 - Horário: 20h01min
Filmes em cartaz
Fiquem atentos meninos e meninas que entraram em cartaz alguns filmes que
prometem. Anotem: ―O Leitor‖, ―Fôlego‖, ―O Carregador de Almas‖ e ―Verônica‖. Já
estava em cartaz o novo dos irmãos Coen, ―Queime Depois de Ler, que também
merece ser visto.
Tácito Costa
Data: 06/02/2009 - Horário: 19h42min
Cesare Battisti
Estou torcendo muito para que o STF decida logo o destino do italiano Cesare
Battisti. Talvez assim encerre a discussão, a essa altura inteiramente ideologizada e
transformada em ―gravíssima‖ questão nacional pela mídia. Como se não
tivéssemos problemas, esses sim graves, a espera de solução.
Tácito Costa
Data: 06/02/2009 - Horário: 19h38min
Filmes brasileiros: muito diversificados!
Caros amigos:
Na matéria de Gabriela Rassy postada em "Prosa", fiquei intrigado com duas
opiniões:
a de Marcelo Dória ("Os filmes nacionais não são bons produtos. Eles não contam
as histórias que o público quer assistir.); e a
de Pedro Butcher ("Projetos mais comerciais estão começando, mas o perfil da
produção brasileira ainda é muito baseado no conceito de filmes de autores, com
temática mais difícil"). Resumo da ópera: fazer o que o público já quer e fazer o
fácil. Bons produtos e projetos comerciais são as soluções!
Defendo a diversidade de produção: cinema sueco não é só Bergman, cinema
italiano não é só Visconti, Antonioni e Fellini. Defendo que um dos segmentos do
cinema amplie os saberes do público: não era isso que Bergman, Visconti,
Antonioni e Fellini faziam? (nos cinemas norte-americano, francês, soviético,
japonês etc, a pergunta se mantém).
Não sei o que é "fácil". Alguém acha que "Quanto mais quente melhor" ou "Meu tio"
são fáceis? Ou, mesmo num patamar mais humilde, Spielbeg e Lucas são fáceis?
Respeitem a arte!
Parece que ninguém falou sobre preço de ingressos, boicote da tv ao cinema
nacional e outros temas.
Estão faltando uns pedaços!
Abraços:
Marcos Silva
Data: 06/02/2009 - Horário: 18h33min
Novos textos na CULT
―Em 40 anos de produção literária, Hilda Hilst conquistou prêmios e teve a obra
traduzida em países como França, Alemanha e Itália. Sua relação com a crítica foi
instável ao longo dos anos.‖
Leia esse e outros textos na edição online da revista CULT.
http://revistacult.uol.com.br/novo/
Tácito Costa
Data: 06/02/2009 - Horário: 17h51min
Filmes nacionais
Postei em PROSA a matéria ―Por que os filmes nacionais não são exibidos?‖, de
Gabriela Rassy.
Tácito Costa
Data: 06/02/2009 - Horário: 17h46min
Mino Carta fecha blog
―O balanço de seis anos de Lula no poder não é animador, na minha visão. A
política econômica privilegiou os mais ricos e deu aos mais pobres uma esmola. Há
quem diga: já é alguma coisa. Respondo: é pouco, é uma migalha a cair da mesa
de um banquete farto além da conta. O desequilíbrio é monstruoso. Na política
ambiental abriu a porta aos transgênicos, cuidou mal da Amazônia, dispensou
Marina Silva, admirável figura, para entregar o posto a um senhorzinho tão
esvoaçante quanto seus coletes.‖
De Mino Carta, em texto em que anuncia o fim do seu blog e faz um balanço do
país nos últimos anos.
http://www.cartacapital.com.br/
Tácito Costa
Data: 06/02/2009 - Horário: 17h01min
Utilidades da literatura
―Se a literatura se presta a utilidades gerais, inclusive àqueles que lidam com
instâncias fundamentais como a lei e os costumes, só se pode lamentar que um
presidente da República vire as costas a esses valores por motivos declaradamente
pífios.―
De Nelson Patriota, em sua coluna.
Tácito Costa
Data: 06/02/2009 - Horário: 15h37min
Caminho dos Índios
Caros amigos:
Estou montando um projeto para Bollywood (a Globo está de olho): uma
superprodução sobre o exótico Brasil, com foco principal em suas refinadas elites,
sem negligenciar sofridas massas (destituídas de direitos, todavia). Cenas na
catedral de Brasília e também em belas igrejas coloniais de MG, BA e MA (as
ruínas de 7 Povos da Missões serão evitadas para não se transmitir nenhuma
metáfora de decadência; o critério se aplica ao belo litoral alagoano). Mansões
paradisíacas de famílias típicas locais - Neves, Magalhães, Sarney -, sem esquecer
de províncias e grupos similares menores mas representativos (Alves e outros).
Catolicismo com um peculiar molho televisivo e afro-indígena, mais uns toques neopent. Participação especial do ator brasileiro Chico Anísio, com seu clássico
personagem Painho, casamenteiro e-vidente. Sofrimentos dos excluídos (não tem
castas mas preconceito é a coisa mais fácil de se arrumar), final feliz garantido.
Cenas de globalização explícita - desvios de bilhões para contas no interior de
províncias menores.
Informarei sobre o andamento. Tendo em vista o propalado nível técnico da
produção cinematográfica brasileira atual (comparada aos primários cinemanovistas
e chanchadeiros), é provável que surja uma co-produção internacional, com
chances no Oscar.
Marcos Silva
Data: 06/02/2009 - Horário: 15h24min
Natal devastada, sob o domínio do delírio
A idéia contemporânea de destruição é um acelerador de partículas autofágico.
Puramente ideológico. Delirante? Não, é tudo muito bem calculado.
Se destrói tudo em nome do novo, do "moderno". Se destrói a história da arte, da
música, o patrimônio arquitetônico. Sem essa destruição, construir o novo não faz
sentido. Assim pensa a nossa sociedade moderna,contemporânea.
Franklin Serrão
Data: 06/02/2009 - Horário: 15h21min
COPA DO MUNDO
Meus Colegas,
Acho legal a copa do mundo vir para Natal. Muitas cidades estão disputando e
investindo bastante. Os gastos depois são revertidos em equipamentos para a
cidade.
Belém apresentou o carimbó como atração. Manaus mostrou a dança na floresta.
Qual seria a nossa atração?
João da Mata Costa
Data: 06/02/2009 - Horário: 15h20min
Copa do Mundo em Natal
Abaixo, o colunista Mário Ivo (Jornal de Hoje) escreve sobre o projeto do Governo
do Estado e da Prefeitura para Natal sediar dois jogos da Copa do Mundo. Outros
três importantes colunistas Vicente Serejo (Jornal de Hoje), Woden Madruga
(Tribuna do Norte) e Cassiano Arruda (Diário de Natal) também emitiram opiniões
sobre o projeto. Serejo e Madruga se posicionaram contra. Cassiano é favorável. Eu
estou no bloco dos que acham o projeto faraônico e despropositado. Já comentei o
assunto aqui há alguns dias. Só lamento os cerca de R$ 3 milhões gastos com a
elaboração do projeto, sem ter nenhuma garantia de que ele será aprovado. E
pensando bem, a essa altura, se o prejuízo for só esse devemos dar graças a Deus.
A coisa pode sem bem pior.
Tácito Costa
Data: 06/02/2009 - Horário: 12h25min
E por falar em Veneza...
A dança do funiculí
(marcha/carnaval, 1941) Benedito Lacerda e Herivelto Martins
Passei um Carnaval em Veneza
Com muitas saudades daqui
Tentei cantar a Tirolesa
A Jardineira, mas não consegui
O povo de lá só cantava
A sua canção popular
E eu vendo que nada arranjava
Entrei no cordão e comecei a cantar assim:
Iamo, iamo, iamo, iamo, iamo
Iamo, iamo, iamo, iamo, iá
Funiculí, funiculá
Funiculí, funiculá
Atacaram a Tarantela
E não quiseram mais parar!
Marcos Silva
Data: 06/02/2009 - Horário: 12h25min
Natal devastada
Por Mário Ivo
htbtp://embrulhandopeixe.blogspot.com/
Ômi, querem saber? Destruam logo tudo. Botem abaixo não apenas o Centro
Administrativo e o Machadão e o Machadinho. Aproveitem e venham deitando por
terra tudo que se levante a dois palmos do chão na direção do Atlântico. Uma turma
vem pela Salgado Filho em direção à Hermes da Fonseca, outra vem pela
Romualdo Galvão, uma terceira pela Prudente de Morais.
A que vem pela Romualdo há de vir mais ligeira, que agora a Prefeitura Butterfly
acabou com o estacionamento ao longo do meio-fio, no que obrou muito bem – e o
digo com todo louvor, respeito, seriedade e espírito cívico. Ali, vejamos, não tem
muita coisa pra botar abaixo, não. Pra provar que falo sério e desprovido de outros
interesses, podem começar pelo Villaggio di Roma, onde tenho até um
apartamentozinho que pretendia deixar paras as meninas, mas, sacrifico a herança
em nome do progresso. Na seqüência, derrubem as duas concessionárias de
automóveis, um colégio que dizem ser da elite, e, lá pra frente, a clínica psiquiátrica
do meu ex-professor Severino Lopes e a TV Tropical de Zé Agripino e Jânio Vidal.
Na Salgado Filho tem mais coisa boa de se derrubar: a começar por aquela caixa
de biscoito rococó-moderno que é um templo evangélico ou coisa que o valha.
Depois, a Fiern, onde, dizem, reina nossa brava indústria de pães, bolachas e
pirulitos; pegando pelas esquerdas, o Portugal Center (que nos traz a duvidosa
lembrança dos antigos colonizadores deste quinhão de terra), mais concessionárias
de automóveis (ô terra pra se vender carro!), um supermercado, a Faculdade de
Odontologia (já bastante deturpada, ofendida e vilipendiada por aquela grade
horrorosa); e, quando a avenida se transforma na velha 15, o Bar do Expedicionário
(pena, mas estão todos mortos ou quase) e, maravilha das maravilhas, o Midway
Mall.
Não se esqueçam de derrubar este último com um monte de gente dentro, pra
economizar no processo. A Etfrn, nem se fala, o Walfredo Gurgel – viva! acaba-se,
enfim, um problemão medonho –, a Caern, o 16 RI, o Museu Câmara Cascudo, a
Aabb, o escritório de Diógenes da Cunha Lima (desculpa Diógenes, é necessário),
a Escola Doméstica, e por aí vai: o estádio Juvenal Lamartine, o edifício de nome
mais bonito – o Étoile –, o mercado de Petrópolis, enfim, esses troços todos que só
atravancam o progresso e os interesses de nossas bravas construtoras.
Quando chegarem na pancada do mar, nem se preocupem: já tá tudo caindo aos
pedaços, mesmo, basta uma empurradinha pra depois do calçadão – já destruído.
Depois, é só virar os bulldozers na direção oposta ao epicentro, ou seja, MachadãoMachadinho-Centro Administrativo.
Tácito Costa
Data: 06/02/2009 - Horário: 12h13min
Machado claro-escuro
Caros amigos:
A entrevista de Marcelo Moutinho nos faz pensar sobre grandezas de Machado de
Assis. Entendo que não é somente sobre a república que ele fez péssimas
avaliações: "Memórias póstumas de Brás Cubas" foi publicado antes desse regime
e faz péssimas avaliações sobre o Brasil, desde a colônia! É legal que Faoro preste
atenção em Machado mas a advertência sobre insinuações me parece quase boba:
escrita literária pode legitimamente ir por aí. O prefácio das "Memórias sentimentais
de João Miramar", de Oswald de Andrade, supostamente assinado por Machado
Penumbra, costuma ser mais interpretado pelo ângulo da galhofa. Talvez a
penumbra seja também espaço de esclarecimentos - táteis e outros. E por falar em
"O alienista": aquilo não é só república, aquilo é cientificismo do século XIX, que o
império cultivava bastante, mantendo a escravidão até às vésperas da derrocada tema virtual de Machado, que ele não abordou diretamente mas... insinuou
bastante.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 06/02/2009 - Horário: 09h07min
Sobre Faoro
Machado de Assis, sobre quem Faoro escreve um estudo clássico, é citado
em várias entrevistas. Sobretudo pelo conto O alienista, do qual Faoro se
utiliza para ilustrar a tese de que as mudanças no Brasil são sempre feitas
pela 'elite'. Machado ainda explica o Brasil?
Claro que sim. Não sou especialista em Machado. Mas ele fez péssimas avaliações
sobre a nascente República brasileira. Desconfiava da plutocracia brasileira. Isto é,
da influência das elites econômicas. O Brasil naturalmente mudou. Transformações
incomodamente lentas. O estandarte da lentidão tem escrito nele a célebre frase: "O
bolo deve crescer primeiro para, depois, ser distribuído". Machado ajuda muito a
entender o Brasil de hoje. Mas devemos prestar atenção, como advertia Faoro, para
o fato de que insinuava mais do que dizia.
De entrevista feita por Marcelo Moutinho com o jornalista Maurício Dias. Leia em
ENTREVISTA.
Tácito Costa
Data: 05/02/2009 - Horário: 19h57min
Fetiche pra quem gosta
Caros amigos:
Joyce é ótimo. Não vejo nada de louco nele: trabalhou horrores para fazer o que
fez. O fetichismo ao redor do bloomsday começa a me dar tédio. Em SP, é coisa de
classe média deslumbrada - uma Daslu intelectualizada que ouve leitura em
coreano pelo prazer de nada entender. Incluam-me fora. Melhor ficar em casa ou na
rua (fora de bares para meia dúzia), lendo Joyce e outros grandes - porque ele não
é o único grande, sequer no século XX.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 05/02/2009 - Horário: 20h01min
Bloonsday em Veneza
Caríssimos Francisco Ivan e Tácito Costa,
já pensaram um Bloonsday em Veneza, em ano de Bienal como este de 2009? A
última página de Ulysses, nas barcas a vapor, lida em tantas línguas como são os
turistas no verão da Cidade Flutuante? Artistas, performers, atores, filósofos e
literatos de passagem por um texto e por uma cidade que não passam jamais. E
tudo isso em direta para ser seguido por internet pelo mundo inteiro. O prefeito de
Veneza é um filósofo famoso, Massimo Cacciare, amigo de um meu professor,
também filósofo importante, Umberto Galimberti. Ivan, se você conseguir envolver a
Embaixada da Irlanda fica tudo fácil. Os contatos com a Università Ca' Foscari di
Venezia eu tenho, os artistas eu conheço. A glória seria se fosse possível trazer
também algum "maluco genial" como o Jota Medeiros, um Chico Canhão, um Eli
Celso e até quem sabe uma Molly Bloom como a Florence pra aprontarem alguma
por aqui. O tempo é curto, mas não é impossível. E aí, meu velho, se você topar eu
já estou na barca. Traga também um cronista como Gregório Simpsons, pois esse
Bloomsday passaria à história dessa nossa província planetária.
Abraço
Ayres Marques
Data: 05/02/2009 - Horário: 19h16min
Enquete: o caso Battisti
Se fizéssemos uma enquete aqui sobre o caso Battisti, eu votaria contra o refúgio e
asilo.
Argumentos:
1. O Brasil está se expondo (ou estão expondo o Brasil?);
2. O Brasil pode estar se intrometendo (pode estar querendo aparecer);
3. Estão colocando a soberania do Brasil à prova, ou simplesmente brincando com
ela (a soberania brasileira é uma coisa muito séria);
4. Vale a pena se desgastar tanto perante a comunidade européia e do resto do
mundo por conta disso? Battisti representa tanto assim para o Brasil?
5. Uma injustiça em relação aos atletas cubanos;
6. Mesmo que seja uma injustiça, em relação a Battisti, o problema é
exclusivamente italiano.
7. O Brasil, país democrático, pode estar ferindo a democracia italiana,
confrontando-a, enfrentando-a (é preciso respeitar as outras democracias).
Tales Costa
Data: 05/02/2009 - Horário: 16h11min
Rever
Caros amigos:
Revi ontem, no canal TCM, "Festim diabólico", de Hitchcock. Embora ainda prefira
as obras-primas "Um corpo que cai" e "Janela indiscreta" (mais uma brecha para
"Psicose"), não há como negar o toque de mestre em cada detalhe do filme. A
ilusão de uma tomada contínua, mais que virtuosismo, é um achado narrativo - o
mundo fechado do apartamento, ultrapassado apenas antes do assassinato e
depois da descoberta de tudo pelo professor. De quebra, uma reflexão sobre o
fascismo cotidiano de uma inteligência auto-centrada e medíocre. Brilhante.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 05/02/2009 - Horário: 16h10min
Direito de pergunta
Quem danado é Rui Lopes?
Augusto Lula
Data: 04/02/2009 - Horário: 19h04min
Novo blogueiro no Estadão
DE MARCELO RUBENS PAIVA, NO ESTADÃO.
http://blog.estadao.com.br/blog/marcelorubenspaiva/
O blog não substituirá a literatura nem o jornalismo impresso. É um novo gênero,
que muitos não botavam fé, e se firmou.
Creio que a linguagem do blog já amadureceu, é um fato, é parte de nós.
Aqui, você encontrará achismos metafísicos, chutes, protestos, dicas e o correr da
vida de um cara que está sempre em movimento (sobre rodas).
Admirei muitos blogueiros que se consolidaram e servem de insPIRAÇÃO. Decidi
fazer parte deste on-iverso.
Espero que me recebam bem.
Tácito Costa
Data: 04/02/2009 - Horário: 17h58min
Battisti e os três Georges do Chacrinha
ELIO GASPARI
FOLHA DE SÃO PAULO
Um passeio no passado, para complicar um caso onde os juízos absolutos são
fáceis, e errados
ESTE ARTIGO destina-se a aumentar a confusão em torno do destino do italiano
Cesare Battisti. O Supremo Tribunal Federal julgará o pedido de sua extradição
encaminhado pelo governo da Itália, onde a Justiça de um país democrático o
condenou à prisão perpétua. Como militante da organização Proletários Armados
pelo Comunismo, ele teria participado do assassinato de quatro pessoas, entre as
quais um joalheiro e um açougueiro. Battisti nega a autoria desses crimes.
Os ministros do STF decidirão questões de competência e de legitimidade que
estão mais ou menos demarcadas pelas leis. O Judiciário pode extraditar um
cidadão a quem o comissário Tarso Genro concedeu a condição de refugiado? O
Supremo pode julgar a legitimidade da condenação italiana?
Há outra componente, dominante no debate. Tendo sido condenado pela prática de
crimes de sangue, ainda que por motivos políticos, Battisti foi um criminoso comum
ou um combatente?
É aí que se instala uma confusão que obriga qualquer juízo a aceitar um legítimo
ingrediente de arbítrio pessoal. Há no Brasil inúmeros beneficiários do programa
Bolsa-Ditadura que em suas ações armadas mataram pelo menos dez pessoas que
nada tinham a ver com o regime ou com a manutenção da ordem. Eram bancários,
motoristas ou vigias de estabelecimentos comerciais. Fazendo-se de conta que
esses casos não aconteceram, pode-se enumerar três exemplos, a partir dos quais
sente-se o peso da toga de ministro do Supremo:
"Georges 1" é um professor francês e em 1943 assumiu a direção do Comitê
Nacional de Resistência, braço armado da mobilização comandada de Londres pelo
general Charles De Gaulle. Os alemães e o governo do marechal Pétain
consideravam "insurgentes" os quadros da Resistência e mataram milhares deles.
"Georges 2" é o ministro das Relações Exteriores da França. Derrotada a
Alemanha, ele caça colaboracionistas e pede ao governo da Dinamarca a
extradição do romancista Louis Ferdinand Céline, propagandista antissemita
durante a ocupação. Outro escritor, Robert Brasillach, que pedira a execução
sumária dos combatentes da Resistência, foi fuzilado. Céline só voltou a Paris em
1951, anistiado.
"Georges 3" é um político que defende o domínio colonial francês na Argélia. Ligase a militares que tentam um golpe contra o governo de Paris e organizam uma
rede terrorista que pratica milhares de atentados e mata 5.000 pessoas. Em 1961,
com a prisão do general que comandava a organização, "Georges 3" assume o seu
lugar. Encurralado, foge para a Alemanha, pede proteção do chanceler Konrad
Adenauer, mas ele não responde à sua carta. Temendo ser sequestrado, vai para
Portugal e pede um visto de entrada nos Estados Unidos. Barrado, exila-se no
Brasil, onde vive de 1962 a 1966 e chega a lecionar direito no Rio. Beneficiado por
outra anistia, "Georges 3" voltou à França em 1968.
Os três Georges foram uma só pessoa: Georges Bidault. Numa mesma vida esteve
em todas as pontas do problema, foi caçado por defender a França do general De
Gaulle e juntou-se a gente que tentou matá-lo pelo menos 20 vezes. No poder,
tentou o recurso da extradição contra um fascista que jamais tocara em alguém.
Como diria Abelardo Chacrinha, Bidault não explica, complica. Todavia, ajuda a
pensar.
Tácito Costa
Data: 04/02/2009 - Horário: 17h05min
Literatura, vida, batatas.
Caros amigos:
O bonito texto de Homero Fonseca "Sobre literatura e batatas" é um estímulo para a
discussão: quais os referenciais de um escritor (ou músico, ou artista plástico, ou
cineasta) ao realizar sua obra - o produto de outros artistas ou a vida que corre?
Parto do princípio de que literatura e outras formas de arte são vida. E também de
que todo escritor e artista precisa aprender com seus pares - portanto, não tem
como escapar de se basear também na linguagem que escolheu para se expressar,
o que não se confunde jamais com "formalismo". Tendo a pensar que a noção de
"realismo" é enganosa: dá para imaginar Graciliano Ramos sem a leitura de Eça de
Queiroz e Machado de Assis?
A força social da literatura e de outras formas de arte deriva de sua capacidade de
linguagem em relação ao resto do mundo, alargando a compreensão do mesmo.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 04/02/2009 - Horário: 16h51min
Seleção de textos
Postei em PROSA os textos ―Henfil não morreu‖, de Karina Padial, ―Rui Barbosa
voltou‖, de Heródoto Barbeiro, ―Marx e Engels e o Partido Comunista - 1º parte‖, de
Augusto Buonicore‖ e ―Cidadezinhas' reforça prosa flaubertiana de John Updike ―,
de André de Leones. Enviados por Tetê Bezerra.
Tácito Costa
Data: 04/02/2009 - Horário: 16h14min
Glauber fazia cinema!
Caros amigos:
Discordo respeitosamente de Rui Lopes: Glauber conhecia cinema (foi crítico na
área), dialogava com mestres - Ford, Buñuel, Kurosawa, Fellini - e fazia o cinema
de uma época precisa, marcada pela vontade de revolução. Hoje, vivemos o
crepúsculo absoluto dessa vontade. Para não cairmos numa presentismo tolo, como
se o presente fosse o melhor dos mundos, é preciso entender projetos diferentes
dos que predominam atualmente. Situo Glauber num grupo que inclui Pasolini e
Godard: insatisfação com o existente, vontade do impossível, amor pelo cinema.
Alguns outros espectadores ilustres apreciaram e apreciam o fazer cinematográfico
de Glauber: Luís Buñuel, Martin Scorcese. Não se trata de nos submetermos à voz
de nenhuma autoridade. Mas vale a pena prestar atenção ao que eles dizem.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 04/02/2009 - Horário: 15h29min
Sobre literatura e batatas
HOMERO FONSECA
http://www3.interblogs.com.br/homerofonseca/
Encontro o jovem professor Fábio Andrade na Livraria Cultura (Recife) e tivemos
uma dessas conversas rápidas, mas frutíferas. Compartilho algumas opiniões que
expressei, sem que meu interlocutor tenha qualquer responsabilidade por elas.
- A meu ver, existem duas grandes correntes literárias: a literatura cuja fonte é a
vida e a literatura cuja fonte é a própria literatura. Por temperamento, inclino-me
pela primeira, cujos expoentes seriam gente como Tolstoi, Dostoievski, Balzac,
Flaubert, Dickens, Machado. No time da segunda, brilham Borges e todos os
formalistas. Eu classificaria Kafka entre os primeiros e reconheço que alguns têm
um pé numa banda e outro, na outra: Joyce e Guimarães Rosa, por exemplo. Joyce
é oscilante entre os dois pólos, já Rosa está mais próximo de uma síntese.
- A melhor literatura é aquela que traz a marca pessoal do seu autor, situando-se,
entretanto, dentro da moldura mais ampla da sociedade. (Fábio aqui citou um
teórico, cujo nome não lembro, sobre a experiência de se contemplar um quadro
envidraçado, em que se vê a pintura através do vidro.) Sem a marca do autor (de
visão de mundo, estilística etc.) temos apenas uma reprodução automática da
realidade. Sem estar dentro da moldura social, cai-se no deplorável giro em torno
do próprio umbigo. (Vejam como em boa parte dos romances nacionais
contemporâneos os protagonistas são escritores, jornalistas, publicitários,
fotógrafos, designers... Ou seja, não se sai do pequeno universo do autor, que é
importantíssimo para ele, mas que, para mim, como leitor, não me interessa.)
- Alguns tentam enveredar pela realidade social, mas como bons pequenos
burgueses, sem conhecimento de causa, carregam nas tintas, focando apenas o
lumpen (como se houvesse apenas duas classes, quando as nuanças sociais são
muitíssimo mais amplas) e emprestando-lhe sentimentos e atitudes artificiais.
- Por isso, o povo brasileiro é quase invisível na nossa literatura (e não estou
demandando nada que nem remotamente se refira a panfletarismo). Existem
exceções, claro, como, só para ficar por aqui, Gilvan Lemos (e seu universo do
microdrama de gente de carne e osso), Fernando Monteiro (e seu diálogo com
todas as literaturas sem tirar os pés do chão), Raimundo Carrero (cada vez mais
afastado do ninho armorial, enveredando pela loucura humana e sua contraface
mística) e Ronaldo Correia de Brito (revisitando o Sertão numa perspectiva
contemporânea). E para não ficar apenas na província, o mineiro radicado em São
Paulo Luiz Rufatto, filho de pobres e portador de diploma universitário, transitando
assim entre as dores do proletariado e as aflições da pequena burguesia, cuja série
―Inferno Provisório‖ é uma grande saga brasileira. (Fábio lembrou Osman Lins, de
―Avalovara‖).
- Não acredito em quem diz que escreve para si próprio. Esses, se fossem sinceros,
deixariam suas obras geniais nas gavetas. Quando o camarada procura um editor,
manda seu texto e se contorce na expectativa de vê-lo aprovado, sufocando-se de
revolta caso a resposta seja um não, é porque está em busca de leitores. Aliás,
creio que uma obra só se completa quando é lida, assim como só nos
reconhecemos em face do Outro.
- O escritor escolhe o seu público, exercendo uma saudável autonomia, dentro de
um contínum que vai das multidões (prosa redundante) ao restrito grupo dos
iniciados (experimentações vanguardistas). Como um texto pode ter múltiplas
leituras e camadas de significados, as obras geniais, ao meu ver, são as que
conseguem se situar num espectro o mais amplo daquela linha contínua (―Dom
Quixote‖ é o exemplo por excelência).
- E arremato com uma frase ao estilo de Geneton Moraes Neto (que não falei na
conversa com Fábio): Não existe literatura sem cânone, mas os epígonos são a
desgraça dos grandes autores. Como no caso de leitores de Machado que vivem
citando, fora de contexto ou num contexto errado, a máxima de Quinas Borba.
Esses não merecem as batatas.
(De propósito, não cito nenhum teórico de sobrenome polonês nem escritor
somente conhecido de iniciados nem a palavra epifania.)
Tácito Costa
Data: 04/02/2009 - Horário: 13h04min
Filmes?
Tem uma coisa que me intriga. Quem danado já assistiu a algum filme de Rui
Lopes? quem viu, por favor diga quando e onde. Nem o Goiamum conseguiu
desentocar um filme do Rui! pense numa caranguejeira grande tem nessa gaveta...
Cristiano M. Ferreira
Data: 04/02/2009 - Horário: 09h56min
Poemas inéditos de Gullar
Postei em POESIA cinco poemas inéditos de Ferreira Gullar. Após dez anos sem
publicar versos, o escritor prepara "Em Alguma Parte Alguma", que lançará pela
Jose Olympio. Os poemas foram publicados no PORTAL LITERAL.
http://www.portalliteral.com.br/
Tácito Costa
Data: 03/02/2009 - Horário: 18h17min
Poemas de Gélman
Postei em POESIA uma série de poemas do poeta argentino Juan Gélman
traduzida por Max Moreira.
Tacito Costa
Data: 03/02/2009 - Horário: 16h59min
Glauber não fazia cinema?!
De Rui Lopes no Diário de Natal (MUITO) de hoje.
"Rui Lopes, 50, é designer e escreve roteiros de cinema desde a adolescência. Nos
últimos seis anos coseguiu incluir sete curtas-metragens nas leis de incentivo
cultural do município e do Estado. Sua relação com o cinema é estreita e as
opiniões a respeito da sétima arte são polêmicas. Rui critica não só o aclamado
Cinema Novo de Glauber Rocha, como também as neo produções digitais.
‗‗A digitalização representa a era do consumo; a degeneração do cinema. Se filma
até com relógio hoje em dia. É uma arma nas mãos de quem não sabe atirar.
Cinema é arte. Há toda uma orquestração por trás‘‘. Em contrapartida, Rui elogia a
boa fase do cinema nacional embasado na produção cinematográfica brasileira nas
décadas de Cinema Novo e pornochanchadas.
‗‗O cinema nacional vive sua melhor fase. Aprendemos a dominar a linguagem do
cinema. Os roteiros da década de 70 era horrível. Glauber Rocha fazia
questionamentos políticos, mas não há cinema ali‘‘. Para Rui, o autor de Deus e o
diabo na terra do sol e Terra em transe se apropriou de um espaço ainda
inexistente na produção nacional e produziu o que já se fazia no início da história do
cinema. ‗‗Não foi inovação. Claro, a contrariedade também é estética, mas até
quando? Americanos e franceses contrariavam a estética com linguagem de
cinema‘‘, opinou."
Tácito Costa
Data: 03/02/2009 - Horário: 16h08min
A morte de um crítico
"Aos 84 anos faleceu, no Rio, o crítico de cinema Antonio Moniz Vianna, que se
destacou na imprensa carioca sobretudo nos anos 60. Por ser extremamente
conservador em suas preferências estético-cinematográficas, preferíamos outros
nomes. Como, por exemplo, José Lino Grunewald (para nós, até hoje, o melhor de
todos eles.) Mas sempre o respeitamos. A sua admiração por John Ford chegava a
ser emocionante. O que não deixa(va) de ser mais um motivo para respeitá-lo."
De Moacy Cirne em seu BALAIO VERMELHO.
http://www.balaiovermelho.blogspot.com/
Tácito Costa
Data: 03/02/2009 - Horário: 10h36min
Benjamin Button
―O curioso caso de Benjamin Button‖ é um vasto catálogo de especulações ligeiras,
compacto o suficiente para caber numa sessão de cinema, mas rico e democrático
o bastante para ser lido por gente de idade, formação, repertório e experiências
variadas."
De Sebastião Vicente, no SOPÃO DO TIÃO.
http://sopaodotiao.blogspot.com/
Tácito Costa
Data: 03/02/2009 - Horário: 10h34min
Wanderlea é uma figura musical importante
Caros amigos:
O texto de Pedro Alexandre Sanches sobre Wanderlea nos faz lembrar dessa
personalidade musical. Augusto de Campos, no livro "Balanço da bossa", elogiou o
canto da jovem guarda, incluindo ela e Erasmo (muito destratados musicalmente
pela crítica, na época). Wanderlea gravou Egberto Gismonti e mpb variada nos
anos 70 (de Assis Valente a Jorge Mautner). E fala coisa com coisa quando recorda
os anos dourados da música brasileira na Record (festivais, grandes programas). E
tem uma presença na tv que poucos cantores alcançam, magnetismo de estrela.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 03/02/2009 - Horário: 09h07min
“Pequeno manual prático de coisas inúteis”
A Editora Flor do Sal, do poeta Adriano de Sousa, lança nesta terça-feira (3), a
partir das 18 horas, no Nalva Melo Salão Café, o livro ―Pequeno manual prático de
coisas inúteis‖, de Theo G. Alves. O Salão fica na Av. Duque de Caxias, ao lado do
jornal Tribuna do Norte.
Tácito Costa
Data: 02/02/2009 - Horário: 23h34min
“Estados terroristas”
Postei em PROSA o texto ―Estados terroristas‖ do filósofo José Arthur Giannotti
publicado na FSP.
Tácito Costa
Data: 02/02/2009 - Horário: 23h33min
Wanderléa, Mussa e Lúcia Guimarães
Postei em PROSA texto sobre a cantora Wanderléa e em ENTREVISTA, entrevistas
com o escritor Alberto Mussa e a jornalista Lúcia Guimarães. Tudo enviado por Tetê
Bezerra (o texto sobre Madame Bovary também foi ela que mandou).
Tacito Costa
Data: 02/02/2009 - Horário: 19h54min
Um bonde chamado desejo
―Um Bonde Chamado Desejo é uma peça que funciona como uma cebola. São
camadas e mais camadas de texto que vão se descascando na compreensão do
espectador ou do leitor.‖
De Carlos de Souza, em sua coluna.
Tacito Costa
Data: 02/02/2009 - Horário: 19h21min
Filmes de guerra
Caro Tácito,
Vendo a relação de filmes de Guerra postado aqui lembrei de um dos filmes mais
marcantes que assisti, ainda no Cine Rio Grande. Na verdade um filme antibélico,
chocante, que até hoje me vem à memória. Como essa mesma memória anda
gasta recorri à memória coletiva "googlesga" para pegar mais informações pois
careço da capacidade neuronial de Alex, por exemplo, para ditar autores e diretores
sem risco do contradito, nesses tempos de tanta patrulha. Trata-se de Johnny Vai à
Guerra: primeiro e único filme dirigido pelo escritor e roteirista Dalton Trumbo, uma
das grandes vítimas do macarthismo.
Johnny Vai à Guerra é um monumento cinematográfico erigido contra todas a
guerras: do passado, do presente e do futuro. Afinal, Trumbo criou a figura do
soldado sem nome como uma metáfora de todos os homens que perderam a vida
na guerra. Filme poético e chocante, é narrado em dois níveis, com o preto e branco
e o colorido separando a vida e a agonia de um soldado reduzido a um torso em
combate durante a 1ª Guerra Mundial.
Por meio de um monólogo interior, somos testemunhas do que foi a vida do jovem
soldado e acompanhamos o que restou do seu corpo numa sala escura de hospital.
Ainda me dá arrepios. Soube também que já tem em DVD. Espero rever em breve e
guardar para emprestar às pessoas que ainda acham a Guerra aceitável desde que
embalada em alguma ideologia e "justificativa".
Abraços plurais,
Eugênio Pereira Soares - Eugênio 1/2 Kg
Data: 02/02/2009 - Horário: 19h16min
Jornalistas
Recomendo a leitura urgente do blog de Carlos Fialho sobre folhetinistas da São
Petesburgo de Dostoiévski, que tinham o costume de ameaçar donos de
restaurantes com notinhas agressivas, caso não conseguissem de graça um bom
regabofe. Fialho não fica surpreso com a semelhança com alguns de nossos
colunistas e blogueiros locais de hoje em dia. Grande Fialho, dê uma olhada de
novo nas Ilusões Perdidas, de Balzac, que você também vai ver lá os mesmos tipos
espertinhos.
Carlos de Souza
Data: 02/02/2009 - Horário: 19h13min
Ao Sr Alex
O Sr Alex vê em mim qualidades que não tenho nem a elas posso aspirar. Imagine
ser conhecido no Substantivo Plural pela GROSSERIA. Não, amigo, não tenho
forças nem méritos para vencer os demais concorrentes nesta categoria.
Permito-me, também, imaginar que defender assassinos e mais, enaltece-los é uma
forma de grosseria talvez mais eficiente do que a minha, que produz apenas
desagrado no senhor. Enquanto que a outra produz cadáveres.
Portanto, senhor, recuso a candidatura por falta de currículo, ou, pelo menos, por
notória desqualificação no quesito estupidez ideológica.
Paulo Couto
Data: 02/02/2009 - Horário: 18h51min
Madame Bovary
―É impressionante como os clássicos reabrem em nós esconsos emocionais nos
quais nos refugiamos sempre. É como se, relendo-os, tendo já vivido por
procuração aquelas intensidades dramáticas de vidas fictícias, tivéssemos, de
algum modo, criado latências semelhantes, pequenas entidades psíquicas de certa
autonomia que disputam com nossas partes mais conhecidas e racionais um lugar
na nossa personalidade total.‖
DO EDITOR
Do texto de Chico Lopes, que postei em PROSA.
Tetê Bezerra
Data: 02/02/2009 - Horário: 18h00min
Cego é quem não quer ver
Senhora Tetê, muito boa a sua indicação de texto. Não é preciso ter formação
acadêmica para entender a arrogância de como o governo italiano vem tratando a
decisão legal e lúcida o governo brasileiro em relação ao caso Cesare Battisti.
Questionar a decisão nacional é direito do governo Berlusconi, mas desqualificar a
soberania de nosso país é uma afronta. Até um governo conhecido por sua
xenofobia como o de Berlusconi merece respeito.
Sílvio Andrade
Data: 02/02/2009 - Horário: 12h49min
Pense!
É, Paulo Couto. Não sei quanto ao Brasil, mas o senhor com certeza vai ficar
conhecido aqui no Substantivo Plural como uma pessoa grosseira, que ataca as
pessoas em vez de se preocupar em argumentar. Tetê Bezerra poderia até ser
acusada de algo, mas duvido muito que seria por falta de leituras. Que, por sinal, o
senhor deve estar precisando: já que anda meio fraco de retórica, aconselho pelo
menos um bom livro de etiqueta. Francamente...
Alex de Souza
Data: 02/02/2009 - Horário: 12h48min
Bloomsday
Caríssimo Francisco Ivan,
menino, esta história de procurar o material do Bloomsday deixou meu coração
capenga em alvoroço. A lembrança daquele dia que durou mais que as suas horas,
que começou antes do tempo e que de repente ressuscitou e fugiu enlouquecido da
vala comum da memória adormecida onde jazia, tirou tudo do lugar, abriu tantas
gavetas emperradas revirou a papelada, amarelada, abandonada e as fitas que
guardavam imagens estremecidas de moças bonitas recitando em coro a oração de
Molly Bloom, numa filmagem improvável feita com uma videocâmera nervosa nas
mãos do Alfredo Giacometti que morreu no dia primeiro de janeiro deste nosso
2009. Aquela escultura amorfa de fumaça que eu chamei famigerada por conta de
uma briga feia que se travava há muito tempo dentro de mim e que naquele dia
explodiu na Babilônia quebrando as vidraças e lançando panelas de óleo fervendo
pela janela e causando aquele fuzuê danado, foi também um Bloomsday, o primeiro
Bloomsday em Natal, segundo o Folhetim da Babilônia número 2 que diz: "Dublin,
16 de Junho 1904, Bloomsday! O relato de um único dia na vida de Leopold Bloom,
protagonista do Ulysses de James Joyce, que tornou-se o símbolo da revolução
literária do século XX. Natal, 16 de Junho de 1993. O Professor Francisco Ivan da
Silva, representante da Associação Brasileira de Estudos Irlandeses, juntamente
com o Espaço Cultural Babilônia, organizam um evento instigante para comemorar
o Primeiro Bloomsday em Natal." E aí tem fotos de Eulício Lacerda e do Professor
Wladson Pinheiro que leu a tradução que fez da última página de Ulysses em
Interlíngua. E tem também o João da Rua com aqueles olhos colírico de serafins
que passeiam pela pubiscidade à dobra da baía miramares. E Falves Silva que
apresenta suas colagens e desenhos eróticos num depoimento pudicamente tímido
e comovente. Tem também o poeta Franklin Capistrano recitando joyceanamente
seus poemas visuais e visionários que enaltecem e lamentam a posição de eterna
avanguarda à qual a grande literatura é inremediavelmente condenada. E a Ilária
Ferreira, uma Molly atrás dos óculos, que no seu Português lê textos de Joyce. Mas
a grande epifania da noite daquele dia foi o rito erótico de vozes, de faces, de
corpos de mulheres celebrando os SIMS, únicos deuses capazes de erguerem os
homens aos céus, pronunciados em Francês, pela Florence Dravet, em Inglês pela
Irene Sedda, em Portanhol pela Graça Pinto, em Italiano pela minha amada Gigliola
e em Português de um Brasil mais Nordestino e belo da belíssima Fátima Arruda. E
tem tanta foto, menino, do público incrédulo naquela noite babilônica frequentada
por Salésia Dantas com o irmão dela, Tácito Costa conversando com Marize
Castro, uma roda quente de Afonso Martins, Volonté, Marcelo Fernandes e o
grande Chico Miséria esfolhando o Folhetim número zero que foi lançado naquele
dia. É, Mestre Francisco Ivan, não tem mesmo nada mais luxuoso, como você disse
na sua fala, de frente ao atlântico mar de Ponta Negra, do que recitar Joyce numa
noite de Natal, mesmo com a fome, com a seca, com a opressão , com os roubos...
Prometo enviar-lhe fotos e o vídeo quando tiver sido restaurado. Mande-me notícias
deste povo e o abraço eu espero-lhe dar quando você chegar por aqui, no próximo
Bloomsday.
Ayres Marques
Data: 01/02/2009 - Horário: 23h02min
Sobre o direito humano de existência
Caros amigos:
O bonito texto de Pablo Capistrano "Direito de existência" é um convite ao
pensamento, como costuma ocorrer sempre que ele escreve.
Considero urgente ultrapassarmos as visões exclusivamente nacionais ou dos
esquemas vastos e sem fim (por isto mesmo tornados inúteis) de direita e esquerda
pra enfrentarmos as questões que Pablo aborda. Nações: cada um de nós pertence
a alguma; experiência de civilidade é irmos além de reiterarmos o que já somos.
Como nós seríamos limitados se dialogássemos somente com o que já somos (quer
dizer: monologássemos!)! Sou brasileiro, subdivisão nordestino, experiência paulista
de 38 anos, mas não me concebo sem ler Cruz e Souza (nasceu em Santa
Catarina) ou Rimbaud (nasceu na França), Faulkner (nasceu nos EEUU) e Juan
Rulfo (nasceu no México), mais tantos outros e outras. Direita/esquerda: não
chegarei ao ponto de dizer que tudo virou a mesma coisa (a tentação é grande!)
mas quero lembrar que se transformaram, sim, em álibis para ausência de autocrítica. Se alguém identificado como esquerdista comete erros calamitosos (e
muitos esquerdistas os cometem porque são seres humanos falíveis) e eu me calo
porque não sou de direita, estou renunciando ao ato de pensar. O mesmo raciocínio
se aplica aos direitistas coniventes com os colegas de opção política (no começo do
nazismo, a maioria da grande imprensa ocidental encarava Hitler e seus colegas
com discreta ou ruidosa simpatia).
Pablo nos convida a pensar sobre o direito à vida para palestinos, judeus e todos os
povos. Se for para acreditar em Deus (qualquer deus), melhor pensar que Ele criou
todos os seres humanos, não uma nacionalidade que pretende se apropriar de seu
Ser para aniquilar os outros. Se for para falar sem o apelo ao argumento teocrático,
então, todos os homens precisam se reconhecer reciprocamente em suas
diferenças, ou a humanidade findará antes do que pensamos.
No tempo da Antropologia estrutural, isso era mais palpável: a condição humana
aparecia nas diferenças. Mas o Estruturalismo é tratado hoje como moda de outro
tempo.
Um lembrete nada estruturalista: o caderno "Mais" da FSP de 1º de fevereiro,
publicou bonito texto de José Arthur Giannotti com o título "Estados terroristas".
Recomendo a todos.
Beijos entre seres humanos iguais no direito de existência através das diferenças:
Marcos Silva
Data: 01/02/2009 - Horário: 22h59min
Ensaio sobre a cegueira
Não, Tetê, o Brasil não é só conhecido por suas putas e por seu apoio incondicional
ao crime - E NÃO SÓ AO CRIME COMETIDO SOB PRETEXTO POLÍTICO infelizmente é também conhecido pela cegueira ideológica de gente pouco afeta ao
pensamento e à leitura como você.
Paulo Couto
Data: 01/02/2009 - Horário: 22h57min
Direito de existência
O último artigo que escrevi sobre a questão da faixa de Gaza me rendeu algumas
incompreensões. Nada mais natural quando se escreve sobre o discurso alheio, no
caso, do Shimon Peres (e não o Ehud Olmert como eu havia dito), que teria
justificado a morte de crianças palestinas na operação militar dos últimos meses
com uma frase infeliz (―nós cuidamos de nossas crianças‖). O artigo acabou me
rendendo, a partir de uma leitura neocon, o atributo, (na melhor das hipóteses) de
ser ―pro-palestino‖ ou (na pior delas) de ser ―pro-hamas‖. Como minha consciência
adoece toda vez que é enquadrada em algum estereotipo dicotômico, e como, no
caso do atual conflito em Gaza eu me posiciono contrário tanto ao Hamas quando
ao Governo Israelense, resolvi escrever outro artigo sobre o assunto, na esperança
dessa vez, de ser considerado pela esquerda judaico-fóbica como um ―sionista
safado‖, e assim desagradar aos dois lados.
Um dos instrumentos de manipulação usados por aqueles que insistem na tese de
destruição Israel, é a conexão entre a origem do conflito palestino-israelense e a
criação em 1948 do Estado de Israel. Na maioria das vezes em que se explica na
TV o conflito, retrocede-se para o momento de criação do estado de Israel, gerando
a falsa impressão que os conflitos entre palestinos e israelenses começaram em
1948.
Nada mais simplista. Há registros de embates e massacres envolvendo
comunidades judaicas e palestinas ainda nos anos vinte, logo após a queda do
império otomano e muito antes do Estado de Israel ter sido reconhecido pela ONU.
A lógica dessa manipulação é simples, identifica-se a origem dos conflitos com o
surgimento de Israel, para extrair daí a falácia de que o fim dos conflitos deve
ocorrer com o fim do Estado de Israel. Essa manipulação, muito útil ao Hamas,
Hezbolah e seus patrocinadores, reforça o discurso de ódio que separa judeus e
palestinos. Além disso, ao identificar o Estado de Israel com a presença judaica na
região, causa, inclusive em muitos judeus, a impressão de que discordar das
políticas do governo israelense é questionar a existência do Estado de Israel e,
como conseqüência a presença judaica na área. Ora, o governo de Israel não se
identifica com o Estado que governa, nem com o povo que representa. Qualquer
aluno primeiro anista de um curso de ciência política sabe que Estado e Governo
são distintos. Do mesmo modo, esse mito de origem esconde o fato de que a
migração de judeus azquenazitas para o oriente no final do século XIX e começo do
XX (incrementado com a perseguição nazista e com os pogrons russos) se deu
justamente pela falência da tese da assimilação, próspera após o ato de Napoleão
que reconheceu o status de cidadão ao judeu europeu.
Antes de Napoleão, os judeus não tinham sua cidadania reconhecida, após a
promulgação do código de 1804 os guetos medievais começaram a ser
desmontados e muitos judeus, passaram a acreditar que naquele momento
poderiam ter uma vida normal, como qualquer católico ou protestante. O problema é
que anos depois, muitos judeus convertidos ao cristianismo continuavam sofrendo
as mais miseráveis discriminações. O sionismo (que produziu um acréscimo
migratório para a terra de Israel de judeus azquenazitas) é uma conseqüência do
antisemitismo. Deste modo, os conflitos em Gaza e na Cisjordânia remontam a
circunstâncias muito anteriores à criação do Estado de Israel.
O problema é que não é possível imaginar mais nenhum tipo de paz naquela região
sem o reconhecimento do direito à permanência das comunidades judaicas naquela
terra. O Israel não pode ser destruído sem uma hecatombe humana que varreria o
Oriente Médio e condenaria multidões (de persas, sírios, judeus e árabes) à morte,
porque ele não é uma ficção jurídica da ONU. Ele é o resultado de um longo
processo histórico, cujas bases estão fincadas nas profundezas da relação orienteocidente. Israel tem o direito de existir, assim como os palestinos tem o direito à sua
autonomia e a preservação de sua nacionalidade. Enquanto isso não for
reconhecido, haverá guerra, interpretações simplistas e discursos de ódio.
Pablo Capistrano www.pablocapistrano.com.br
Data: 31/01/2009 - Horário: 19h01min
Brasil com o rabo entre as pernas?
Por Rui Martins - Suíça
Jornalista e escritor.
O caso Cesare Battisti pode ter um fim inesperado para todos quantos são contra
sua extradição.
O governo italiano com suas pressões e ofensas, como a última, proferida por um
deputado neofascista italiano da Liga do Norte de que o Brasil é mais conhecido por
suas putas (dançarinas) que por seus juristas, parece ter conseguido seu intento,
para grande alegria da imprensa entreguista e de muitos jornalistas sem brio do
nosso país.
Articula-se um jeitinho, um arranjo, enfim uma pizza para o caso Battisti.
O premiê italiano Silvio Berlusconi, que joga nossos emigrantes para fora,
esquecendo-se dos milhões de emigrantes italianos que o Brasil acolheu e que
ajudaram a construir nosso Brasil, vem se utilizando da amizade dos nossos dois
povos para ofender e tentar diminuir a imagem do Brasil no Exterior. A última foi a
de recorrer ao Conselho de Ministros da União Européia alegando uma
incapacidade de julgar do nosso judiciário, denúncia rejeitada pelos europeus.
É hora do governo brasileiro, de nós brasileiros dizermos um Basta, antes que o
Brasil, de rabo entre as pernas, entregue Cesare Battisti e perca toda credibilidade
internacional.
Agora não deve mais interessar o que você acha sobre a extradição ou não de
Cesare Battisti, é uma questão de honra, de brio, de dignidade nacional. Não haja
como parte da nossa imprensa entreguista, diga Basta aos insultos do governo
italiano.
az alguns anos, a Europa viu o desespero da Banda Baader, o grupo terrorista
alemão que, logo seria imitado pela Brigada Vermelha italiana. Há, mesmo um filme
passando aqui na Europa, O Complexo Baader Meinhof, rememorando aqueles
anos em que uma parte da juventude alemã, entre o desespero de viver num país
que jogara o mundo numa guerra racista e imperialista, e a de um país ocupado,
partia para o terrorismo.
Alemanha de hoje já enterrou esse assunto, uma das últimas participantes do grupo
Andreas Baader foi libertada recentemente. Já lá se vão mais de trinta anos. Mas a
Itália, ao contrário, sopra as cinzas do passado para querer recuperar um fugitivo, já
integrado na sociedade, como fez, no passado, o imperador romano ao mandar
empalar, na Via
Ápia, todos os seguidores da revolta de Spartacus.
E, ontem, um deputado da Liga do Norte ousou mesmo dizer que o Brasil é mais
conhecido por suas dançarinas que por seus juristas. Em outras palavras, o Brasil é
mais conhecido por suas putas que por seus juristas.
Sabem o que é a Liga do Norte ? É um movimento neofascista que luta pela
separação do norte italiano da Itália, mais ou menos com o mesmo argumento de
certos separatistas sulistas neonazistas que, felizmente minoritários, querem a
separação do sul do Brasil.
Faz duas semanas, depois da decisão do ministro Tarso Genro de não extraditar
Battisti, que o governo italiano trata o ministro brasileiro, a justiça brasileira, o
governo brasileiro de tudo quanto é ofensa.
Ora se fosse só em Roma, onde o Papa reabilita negacionistas, nada grave. Dentro
de casa, cada país faz o que quer. Mas o governo Berlusconi, autor de uma lei que
o protege dos processos por corrupção e detentor do total controle da televisão
italiana, decidiu meter sua colher dentro de nossa casa. Foi até pedir apoio para o
Conselho da Europa contra uma decisão soberana do Brasil e, nosso presidente do
Supremo Tribunal Federal, em lugar de como Floriano Peixoto defender nosso brio
e nossa honra, cede, deixa mesmo ter acesso ao processo, e provavelmente,
depois de acuado, votará pela extradição de Battisti.
Battisti deixou de ser um fugitivo para ser um símbolo. De todos nós que na
juventude lutamos contra o Sistema. As acusações e os temores dos anos 60,
mesmo em países pretensamente democráticos, mas governados como a Itália por
uma coligação da qual fazia parte a Máfia, se confirmam hoje.
Contra quem lutava o grupo Baader Meinhof e a BrigadaVermelha ? Contra o
capitalismo e sua degenerescência. E o que aconteceu 40 anos depois ? A crise
que assola hoje toda Europa e que chega, embora em menor escala ao Brasil. Esse
jovens foram extremados, cometeram erros graves, mas viram longe e muitos deles
pagaram com seu próprio sangue a visão profética.
Há em nós todos, que fomos contra a ditadura brasileira, um pouco do jovem Battisti
que lutou contra o governo italiano, onde máfia e ex-fascistas conviviam.
Na questão de Cesare Battisti nenhum de nós pode lavar as mãos. De um lado
Mino Carta, Carta Capital, que querem vê-lo apodrecer na prisão e tantos outros
que o acusam de criminoso mas que alegremente se unem como cúmplices do
projeto e desejo de matá-lo devagar numa prisão italiana, baseados apenas em
acusações de neofascistas e de corruptos políticos italianos, que ousam mesmo
ofender nosso país, nosso ministro e nossos juristas.
O caso Battisti não é só uma questão jurídica. É um questão de direito, de
humanidade, de compaisão, enfim, uma questão política. E também uma questão
de honra nacional.
Tetê Bezerra
Data: 31/01/2009 - Horário: 19h00min
Grandes Encontros
Tony Belotto
Dando prosseguimento à série Grandes Encontros - narrei outro dia meu encontro
casual com o poeta Lawrence Ferlinghetti numa livraria em São Francisco -, relato
agora meu encontro não menos casual, mas absolutamente mais bizarro, com
Stevie Wonder. Não sei se o pessoal mais jovem - aqueles com menos de trinta tem idéia da grandeza do talento do Stevie Wonder. Ele anda meio silencioso
atualmente. Cego de nascença, Stevie ficou famoso mundialmente ainda muito
novo, como um menino prodígio da música.
Sua musicalidade sempre foi impressionante e arrasadora. Mas não contente em
ser simplesmente um músico excepcional, ele revolucionou a música pop nos anos
1970, com discos clássicos como Talking Book, Innervisions e Songs In The Key Of
Life, entre outros, em que introduziu sintetizadores e instrumentação de rock ao
suingue tradicional da música negra americana, além de acrescentar crítica social e
ativismo político às letras. O resultado é o que se conhece: Stevie Wonder é mais
que um músico, é a Música em si.
Voltando ao tema, no comecinho dos anos 1990, eu estava com os Titãs em Los
Angeles (sempre a Califórnia. Eis aí um lugar realmente mágico). Representávamos
o Brasil na festa da MTV, pois ganháramos o prêmio da escolha da audiência na
festa da MTV brasileira. Numa noite, fomos jantar num restaurante badalado de LA,
levados por músicos locais, que havíamos conhecido por intermédio de amigos
brasileiros comuns. Em determinado momento, depois de alguns litros de cerveja,
resolvi ir ao banheiro.
Acontece. Vocês sabem.
Já um tanto alto pela cerveja, aproximei-me de um daqueles mictórios dos
banheiros masculinos. Imagino que as moças saibam do que estou falando. E de
repente, enquanto eu, bem, fazia xixi, deu-se o milagre. Quem, ao meu lado, como
um reles mortal, também fazia xixi? Ele mesmo, Mister Music, Stevie Wonder. Muita
gente duvida quando conto essa história, dizendo que a cerveja ingerida afetou meu
discernimento. Mas tenho certeza - e um orgulho meio bobo - de que o cara que
urinava ao meu lado era o Stevie Wonder.
Tetê Bezerra
Data: 31/01/2009 - Horário: 18h46min
Estádio Delirante
VICENTE SEREJO
JORNAL DE HOJE
O delírio, Senhor Redator, pode ser um estado ou um estádio. No nosso caso, aqui
nesta vila que foi Aldeia Velha de Felipe Camarão e Capitania Hereditária do mui
lido senhor João de Barro, o intelectual amigo do rei, é um estádio. Surto ou
estratégia, não importa. Basta saber-se que o plano de construí-lo parte da
demolição de um conjunto arquitetônico - Machadão e Machadinho - para não citar
os prédios do Centro Administrativo, tudo para uns incertos três jogos da Copa do
Mundo.
Os que defendem a idéia, mesmo tocados pela boa fé, como é o caso do secretário
Fernando Fernandes, parecem esquecidos - ou, tanto pior, desprezam - que a
arquitetura, no mundo antigo ou moderno, faz parte dos traços culturais de um
povo, daí o risco da demolição. Mais ainda se refletem um tempo, um estilo, um
sentimento, uma marca da criação humana. É bem o caso do Machadão. E olhe,
Senhor Redator, este cronista não tem espírito esportivo nem compleição física
para exercê-lo.
Ora, se vivemos uma calamidade pública na saúde no Estado visto e decretado; um
sistema estadual de ensino público degradado, com os piores índices de
ineficiência; e uma segurança carente de investimento, como o governo se
apresenta à opinião pública para anunciar a construção do que chamou de Arena
das Dunas? Colosso encomendado aos gringos e a ser vendido em plena crise
econômica mundial? Tenho pra mim, Senhor Redator, que isso é coisa do reinado
da danação.
Das duas uma: se perdeu a fronteira do bom senso; ou, tanto pior, é por
consciência que se ensaia esse jogo como um cenário maroto para alimentar no
povo a ilusão de que assistirá a dois ou três jogos da Copa. É aquele artifício: se
não acontecer, paciência. Foi feito o possível, a pantomima dos acordes na
orquestração do povo.
Com a Ponte Newton Navarro também foi assim. O governo acabou pagando a
conta porque ninguém veio assumi-la para explorar seus lucros. E não havia crise.
Na Arena das Dunas, mesmo no imaginário do que faz o governo nesse campo de
atuação, vão rosnar, isto sim, as feras do remorso nascido da irresponsabilidade de
pretender construir não só um colosso de concreto armado, mas uma pequena
cidade administrativa.
Perdoem os governantes, se é que há capacidade de perdoar nas suas almas
poderosas, mas é uma forma de luxúria perversa esse simulacro, esse gesto de
anunciar uma obra que nasce da destruição de um patrimônio público.
É de espantar que alguns agentes executivos da Prefeitura apóiem a iniciativa na
mesma hora em que discute um dito Plano de Fluição do Trânsito para Natal.
Como, se querem plantar na nesga estreita entre duas grandes avenidas de
penetração e escoamento - Cordeiro de Farias / BR 101 e a Prudente de
Morais/Jorge O'Grady, que cobrem toda extensão urbana da cidade?
Querem produzir o estrangulamento com uma convulsão total? É o estádio de
delírio. Que Deus tenha piedade de nós.
Tácito Costa
Data: 30/01/2009 - Horário: 19h20min
Os 10 melhores filmes de guerra
A revista 'Aventuras na História', da Editora Abril, reuniu especialistas em cinema
como: Rubens Ewald Filho, Fabiano Onça, entre outros grandes nomes, para eleger
quais os dez melhores filmes de guerra de todos os tempos.
Em primeiro lugar ficou 'Apocalypse Now', do diretor Francis Ford Coppola. No
filme, que se passa no Vietnã, o capitão Willard (Martin Sheen), enlouquecido,
desaparece na selva do Camboja à procura do coronel Kurtz (Marlon Brando).
Durante sua busca, o agente se depara com situações estarrecedoras e
testemunha absurdos mostrados com dramaticidade.
Em segundo lugar na lista dos '10 melhores filmes de guerra de todos os tempos'
ficou 'Sem Novidades no Front', longa de 1930, onde soldados adolescentes
alemães, convocados para a 1ª Guerra Mundial, passa o dia 25 de dezembro em
pleno campo de batalha, em uma trincheira gelada e cheia de ratos.
O ranking ainda inclui clássicos mais atuais de guerra, tais como 'O Resgate do
Soldado Ryan (1998)', 'A Lista de Schindler (1993)' e 'Cartas de Iwo Jima'.
Veja a lista completa abaixo:
1º. Apocalypse Now
2º.Sem Novidades no Front (1930)
3º.Glória Feita de Sangue (1957)
4º.Cartas de Iwo Jima (2006)
5º.Tempo de Glória (1989)
6º. O Resgate do Soldado Ryan (1998)
7º. Além da Linha Vermelha (1998)
8º.A Lista de Schindler (1993)
9º. Cruz de Ferro (1977)
10º. Waterloo (1970)
Tácito Costa
Data: 30/01/2009 - Horário: 19h15min
Button
Tácito,
também concordo com a visão de Zanin. Acho que o Benjamin Button segue
mesmo um curso muitas vezes adocicado, poderia dar uma pirada, fugir de uma
linearidade que por vezes o prende, cortar para o surrealismo, o absurdo. E ser a
provável obra-prima que uns proclamam ser (e não é).
Pedro Lucas
Data: 30/01/2009 - Horário: 17h39min
Li Po, Tu Fu, Assis Lima
Ronaldo Correia de Brito
Terra Magazine
http://terramagazine.terra.com.br/
Na introdução aos poemas chineses de Li Po e Tu Fu, traduzidos por Cecília
Meireles, Alexei Bueno escreve que chegaram a recensear 2300 poetas na dinastia
Thang (618-906 d.C.), cifra quase inimaginável para nós ocidentais, segundo
Bueno. "Naquela época cada homem era um poeta", foi dito sobre a dinastia
Thang.
O escritor pernambucano Fernando Monteiro publicou no jornal Rascunho, como se
fosse uma peça literária, a parte de uma lista de poetas brasileiros constantes do
site de Leila Míccolis, que há três anos se aproximavam de oito mil nomes. A
intenção irônica de Fernando Monteiro não torna sem sentido a pergunta: será que
no Brasil cada homem é um poeta?
Sempre que afirmo gostar mais de um determinado poeta, alguém me questiona,
indaga nomes que eu desconheço e que escrevem na sombra do anonimato. Se
viajo para o Rio Grande do Norte e Maranhão, ou para a remota Amazônia,
encontro homens e mulheres dedicadas ao ofício da poesia, trabalhando o verso
como se fosse uma lavoura. Descubro talentos e me entristeço em saber que eles
serão pouco lidos. Depois me alegro, pois sei que nenhum artista deve criar apenas
na perspectiva de ser conhecido em todo o planeta. Há vários alcances para um
poeta: o de sua família, sua rua, sua vila, sua cidade...
Li Po nunca imaginou que encantaria uma escritora brasileira. Até porque o Brasil
nem existia para ele quando escreveu:
Diante da minha cama, estende-se o luar.
Parece geada no chão.
Levanto a cabeça: avisto a montanha e a lua.
Torno a deitar-me. E penso na minha terra natal.
Certamente, ele só pensava na China, ou apenas no espaço em que vivia na corte.
No entanto, sua terra natal tornou-se todas as terras natais, minha, de Cecília
Meireles e de qualquer um que leia seus versos. Porque a arte possui essa
qualidade única de reviver através dos que a recriam lendo, olhando, ouvindo,
sentindo.
Certamente, o poeta cearense Assis Lima não constava da lista interminável de
Fernando Monteiro, pois ele só publicou seu primeiro livro - Poemas Arcanos -, no
ano passado, embora escrevesse desde a infância. - "O triunfo do tempo e da
medida trabalham silenciosos. E o livro ganhou força. Porque ele pediu mais ao
menos. Corte. Risco. E faca." - assinalou o também poeta Marco Lucchesi. E mais
adiante: - "Assis Lima realiza uma visão de mundo que reúne as partes dispersas
de um país que mal se adivinha, a não ser dentro do âmbito de suas mais árduas
pluralidades".
Colhendo o poema e cada palavra
em lâmina e pétala.
No afiado gume do tempo.
Em cor e dor.
Na precisa lembrança do tempo.
Poema-estação - de águas?
Vestígios do passado sem fim.
Nostalgia do tempo essencial.
Quem escreveu esses versos foi Assis Lima. Ou teria sido Li Po? Ou Tu Fu? A
poesia possui o mistério de ser atemporal.
É verdade, o mundo mudou e os americanos também precisam mudar em muitas
coisas. Como já fez há algum tempo o lindo casal de Berkeley.
Tácito Costa
Data: 30/01/2009 - Horário: 16h20min
Benjamin Button
LUIZ ZANIN
ESTADAO
Achei legal O Estranho Caso de Benjamin Button, de David Fincher, o líder das
indicações para o Oscar. Só não acho que seja uma obra-prima, como andaram
dizendo por aí. A ideia de inverter o curso do tempo – que se deve a F. Scott
Fitzgerald no conto homônimo – rende uma história interessante, e que não deixa
de ser comovente, desde que você entre no pressuposto mágico da coisa. O filme é
muito bem feito. Inclusive no principal – o ―envelhecimento‖ de Brad Pitt, que vai
rejuvenescendo à medida em que passam os anos. Eu achei que o filme poderia
ser mais radical, se não fossem alguns cacoetes de ―filme de Oscar‖ nele presentes,
como a luz e a música, ambos às vezes muito adocicados. Mas vi bem, acompanhei
bem e não me aborreci. Em alguns momentos senti emoção – como na morte do
bebê idoso no colo da mulher amada. O abandono do ser humano, seu desamparo
mais profundo, está naquele momento. Fora isso, gostei de passagens de humor,
engraçadas mesmo. Acho que o caráter fantástico da história também poderia ser
aprofundado. Mas aí poderia afastar um pouco o tal do público médio, meio avesso
a surrealismos e outros bichos estranhos. Enfim, o filme é bom; mas poderia
―enlouquecer‖ um pouquinho a mais para dar um salto de qualidade.
DO EDITOR
A minha leitura é a mesma de Zanin. Ja tinha adiantado isso em post ha alguns dais
e fiquei feliz com a coincidencia de opinioes.
Tacito Costa
Data: 30/01/2009 - Horário: 16h02min
Tom Jobim
DANIEL PIZA
BLOG NO ESTADAO
Eu ainda não havia lido a biografia de Tom Jobim por Sérgio Cabral (Lazuli/
Companhia Editora Nacional), lançada em 2008. Vale a pena principalmente por
detalhar a formação musical de Tom, que disse que por pouco não foi para a
literatura. (Chico Buarque também trocou a literatura pela MPB, mas depois voltou
para a outra vocação. Talvez um dos motivos para a canção brasileira ser tão forte
seja a dificuldade de viver de escrever no Brasil?) Chopin, Prokofiev e Villa-Lobos
dividem sua formação com Nelson Cavaquinho, Dorival Caymmi e Ary Barroso, mas
também com os americanos como George Gershwin, Glenn Miller ou Gerry
Mulligan. Dessas fontes Tom criou sua sonoridade; quando conheceu a batida de
João Gilberto, o estilo sincopado e anti-retórico de seu violão e canto, nasceu a
Bossa Nova.
Claro, é divertido ler histórias do Tom amante de plantas, bichos e mulheres, que
com Vinicius batizou Brasília de ―Polígamo das Secas‖ durante a construção e que
havia escrito ―um cigarro, um violão‖ em vez de ―um banquinho‖... A biografia dá
também a merecida atenção à segunda fase de Tom, o período de Matita Perê, em
que sua velha atração pelas suítes vocais se materializa num tipo de canção
popular sofisticada que não tem herdeiro.
Tacito Costa
Data: 30/01/2009 - Horário: 15h57min
âncora tatuada
"Ele nunca chorava, nem mesmo nos sonhos, pois a dureza de coração era um
ponto de orgulho. Uma grande âncora de ferro resistente à corrosão do mar e
desprezando as cracas e ostras dos costados dos navio, afundando, brilhante e
indiferente, em meio aos montes de cacos de vidro, pentes desdentados, tampinhas
de garrafa e camisinhas-de-vênus, na lama do fundo do porto - era assim que
gostava de imaginar seu coração. Algum dia haveria de ter uma âncora tatuada no
peito."
(Yukio Mishima em "O Marinheiro que Perdeu as Graças do Mar")
Tete Bezerra
Data: 30/01/2009 - Horário: 15h26min
A mente vazia
"Manter a mente vazia é uma proeza, e uma proeza muito saudável. Estar
silencioso o dia inteiro, não ver nenhum jornal, não ouvir rádio, não escutar
tagarelices, estar perfeita e completamente ocioso, perfeita e completamente
indiferente ao destino do mundo é o mais excelente remédio que um homem pode
administrar a si mesmo. Os jornais engendram mentiras, ódio, ganância, inveja,
desconfiança, medo, maldade. Nós não precisamos da verdade como ela nos é
servida nos jornais diários. Precisamos de paz, solidão e ociosidade. "
(Henry Miller)
Tete Bezerra
Data: 30/01/2009 - Horário: 15h25min
Sobre O Romanceiro
Tacito,
obrigado por ter ido ver o romanceiro. Ficamos felizes com a sua presença e
também com o seu comentário, neste espaço. Acredito que teremos outras
oportunidades de mostrar o espetáculo mais vezes em Natal. O público, mesmo
com o TCP superlotado interagiu bem e a receptividade foi muito boa. O elenco
ficou muito satisfeito. Todos agradecemos.
Grande abraço.
Vescio Lisboa
Data: 30/01/2009 - Horário: 15h20min
Se a Rádio Senado é pública...
Caros amigos:
Seria legal discutirmos publicamente a gestão de uma emissora como essa.
Eventualmente, ela poderia ir além da auto-promoção de um ou outro e atender a
reais demandas da sociedade desde que submetida a controles públicos. Que tal
começarmos a debater isso?
Abraços:
Marcos Silva
Data: 30/01/2009 - Horário: 15h18min
Rádio Senado no RN
FOLHA DE SÃO PAULO
Ao custo de R$ 550 mil, Senado instala rádio no principal reduto de Garibaldi
ADRIANO CEOLIN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
De saída da presidência do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) conseguiu
colocar em prática um antigo projeto da Casa de expansão da Rádio Senado pelo
país. A primeira cidade contemplada é Natal -que vem a ser o principal colégio
eleitoral do senador potiguar. O negócio custou R$ 550 mil em dinheiro público.
A maior parte do valor é referente ao aparelho de transmissão que capta o sinal via
satélite da Rádio Senado e o retransmite para a região metropolitana de Natal. Com
o prefixo 106,9 FM, essa rádio retransmite desde novembro a programação
produzida em Brasília.
Garibaldi disse à Folha que, depois de assumir a presidência da Casa, solicitou a
instalação de um retransmissor da TV Senado em Natal. "Mas, sobre a rádio, eu
juro para você que eu não sabia. Muito menos que Natal era a primeira capital a ter
transmissão", disse.
O presidente do Senado afirmou que a rádio não lhe traz votos porque tem baixa
audiência. "E, apesar da boa programação, não é voltada para classes mais
populares", disse.
O projeto de expansão da rádio e da TV Senado foi aprovado pela Mesa em 2004,
quando a Casa era presidida por José Sarney (PMDB-AP).
Na época, foi constituída uma comissão formada por 11 servidores do Senado. Eles
foram responsáveis por viabilizar a instalação de transmissores em todas as
capitais do país.
Até então, só o projeto da TV havia conseguido sair do papel. Atualmente, há
canais da TV Senado em nove capitais.
No caso da expansão da rádio, o atual ministro das Comunicações, Hélio Costa,
senador licenciado pelo PMDB-MG, teve papel fundamental. Foi ele quem ajudou a
conseguir a maioria das 23 concessões de rádios já disponíveis para o projeto.
Ficaram de fora São Paulo e Belo Horizonte.
Em princípio, o transmissor usado em Natal deveria ser instalado no Rio, que tem 6
milhões de habitantes, contra 798 mil da capital potiguar. Isso não ocorreu devido a
desentendimentos com a TV Brasil.
O secretário de Comunicação do Senado, Helival Rios, disse que Natal foi escolhida
por "razões técnicas" e graças a uma parceria com a Universidade Federal do Rio
Grande do Norte, que permitiu a redução dos custos de manutenção. Segundo ele,
quem decidiu instalar o transmissor em Natal foi a comissão de servidores.
Rios disse ainda que, além de Natal, só Salvador tinha condições de abrigar o
transmissor: "Mas o local estava em obras". O secretário afirmou que o presidente
do Senado não pediu para Natal ganhar uma rádio.
A Folha apurou que houve gestões para beneficiar a capital potiguar. A reportagem
também obteve a informação de que pelo menos 2 dos 11 integrantes da comissão
responsável pelo projeto de expansão da rádio eram contra a ideia.
Tácito Costa
Data: 30/01/2009 - Horário: 10h53min
"O romanceiro" de Véscio
Assisti ontem no TCP ―O Romanceiro‖, espetáculo baseado nos romances e
cantigas de Dona Militana, dirigido por Véscio Lisboa. Montagem simples,
despojada, com atores amadores preparados no projeto social que Véscio
desenvolve há alguns anos em Diogo Lopes, pequena cidade próxima a Macau,
com apoio da Petrobras. Gostei muito de espetáculo. Eu já assisti umas duas ou
três vezes dona Militana cantando seus romances. É bacana, mas acho meio
cansativo. Como o espetáculo montado por Véscio mistura dança, música e teatro,
claro que ganha mais dinamismo, nuances. Fica alegre, vistoso. E mais importante:
é uma releitura que enriquece o trabalho de Dona Militana. Torço para que o
espetáculo volte a ser encenado (foi apresentação única). Inclusive falei isso para
Véscio à saída do TCP ontem. Não é todo dia que temos a encenação em nossos
teatros de trabalhos sérios, dignos. Nos últimos tempos os teatros e espaços
culturais de Natal foram invadidos pelos shows de humor duvidosos e peças caças
níqueis com atores globais. Está de parabéns Véscio, a equipe e os atores. Como
seria massa se um trabalho desses pudesse chegar às escolas...
Tácito Costa
Data: 30/01/2009 - Horário: 09h38min
Nelson Motta
Postei entrevista com Nelson Motta enviada por Tetê Bezerra. Leia em
ENTREVISTA.
Tacito Costa
Data: 29/01/2009 - Horário: 19h31min
O olhar da homeopatia
Denise:
Sabe que na homeopatia o furúnculo é bem visto? É considerado eliminação, pelo
organismo, do que está incomodando, fim de uma coisa ruim - e não a coisa ruim.
Obrigado por suas palavras. Escrever é se arriscar e ousar vencer (se perder, valeu
ter lutado).
Abraços:
Marcos Silva
Data: 29/01/2009 - Horário: 19h26min
O ocaso da galinha
Para Clarice Lispector e demais
Quando criança, um dia vi um familiar matar uma galinha. Não lembro se era
domingo, mas certamente ela ainda estava viva às nove horas da manhã.
Acompanhei todo o fardo da coitada ave até seu último fôlego de vida. A crueldade
com a qual aquele facão bifurcou o pescoço fino fez-se retida em minha mente até
hoje. A cor escarlate daquelas penas confundia-se com o sangue que jorrava. Eu,
que nada fiz e apenas observei, passei os três dias seguintes chorando
compulsivamente e sem nada dizer. Minha mãe, desesperada e sem entender,
claro. Os anos passaram-se. Tantas cenas degradantes com pessoas eu vi.
Espancamentos, miséria, desespero, humilhações, corrupção e tantas
arbitrariedades no trabalho, corpos de amigos jovens...No turbilhão de informações
do meu cérebro, de pouca coisa eu lembro com clareza e riqueza de detalhes.
Contudo, o ocaso daquela galinha é uma imagem que não se esvai da memória. Ela
vai, mas sempre volta. É grotesco. Repugnante. A perplexidade e o recolhimento
pessoal diante do estúpido, do injusto e do inexplicável são atitudes que ainda
preservo. Com certa fraqueza, confesso. Às vezes tendo a pensar que gosto mais
de bicho que de gente. Todavia, como poderia eu mensurar tamanho absurdo?
Principalmente após constatar o quão nobres podem ser nossas atitudes...Lealdade
inconteste, então, é algo que meus gatos e meus cachorros precisam aprender
rápido com os homens. Urgente urgente!
Denise Araújo Correia
Data: 29/01/2009 - Horário: 18h31min
A metáfora suavizada
Marcos Silva,
Pude sentir em seus exemplos bucólicos a leveza da pluma a qual Ítalo Calvino
referiu-se. Obrigado por suavizar a metáfora, e até meu dia também. Todavia,
certamente que quando nos comunicamos, isolamos uma significação vocabular
para o momento, pois do contrário ficaríamos louco com as possibilidades de
plurissignificação... O poder e a esperteza aos quais eu referi-me são os
―medonhos‖ mesmo. Pode ser tanto a esperteza da flor que perfuma, a do orvalho
que refrigera ou a do furúnculo, que cresce vertiginosamente e lateja enquanto a
última gotícula de pus não é expelida do corpo.
Abs,
Denise Araújo Correia
Data: 29/01/2009 - Horário: 18h31min
MODÉSTIA À PARTE...
Caros amigos:
Mais uma vez, o Iraque e o mundo se curvam diante do Substantivo Plural: saiu no
noticiário UOL sobre um comentário sobre monumento de bronze em homenagem
ao jornalista Muntazer al-Zaidi, que atirou um sapato contra o ex-presidente dos
Estados Unidos George W. Bush durante uma entrevista coletiva, exposto em Tikrit,
a 180 quilômetros de Bagdá, onde al-Zaidi está preso desde o incidente noticiário.
Modestamente, lembro que propus neste trepidante blog um MONUMENTO AO
SAPATO DESCONHECIDO, homenageando o ocorrido.
O mérito é de todos nós do SP, estamos de parabens mais uma vez.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 29/01/2009 - Horário: 18h30min
Israel teocrático
Caros amigos:
Segue um com artigo de José Luiz Fiori, da UFF:
A VISÃO SAGRADA DE ISRAEL
José Luiz FIORI
―Se o Hamas quer acabar com Israel, Israel tem que acabar com o Hamas antes‖.
Efraim, 23 anos, estudante de uma escola religiosa de Jerusalem" (FSP
24/01/2009).
Durante vinte uns dias de bombardeio contínuo, Israel lançou 2500 bombas sobre a
Faixa de Gaza – um território de 380 km2 e 1.500 milhão de habitantes - deixando
1300 mortos e 5500 feridos, do lado palestino, e 15 mortos, do lado militar israelita.
A infra-estrutura do território foi destruída completamente, junto com milhares de
casas e centenas de construções civis. E é provável que Israel tenha utilizado
bombas de ―fósforo branco‖ – proibidas pela legislação internacional com
conseqüências imprevisíveis, no longo prazo, sobre a população civil, em particular
a população infantil. Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, se declarou
―horrorizado‖, depois de visitar o território bombardeado, e considerou
―escandalosos e inaceitáveis‖ os ataques israelitas contra escolas e refúgios
mantidos em Gaza, pelas Nações Unidas.
Robert Fisk, relator especial da ONU sobre a situação dos Direitos Humanos em
Gaza, também declarou que, ―depois de 18 meses de bloqueio ilegal de alimentos,
remédios e combustível, Israel cometeu crimes de guerra, e contra a humanidade,
na sua última ofensiva contra os territórios palestinos. Crimes ainda mais graves
porque 70% da população de Gaza tem menos de 18 anos‖. Dentro de Israel,
entretanto – com raras exceções – a população apoiou a operação militar do
governo israelita.. Mais do que isto, as pesquisas de opinião constataram que o
apoio da população foi aumentando, na medida em que avançavam os
bombardeios, até chegar a índices de 90%. E no final, na hora do cessar-fogo,
metade desta população era favorável à continuação da ofensiva, até a reocupação
de Gaza e a destruição do Hamas. (FSP, 24/01/09).
Seja como for, duas coisas chamam a atenção – de forma especial – nesta ultima
guerra: a inclemência de Israel, e sua indiferença com relação às leis e às críticas
da comunidade internacional. Duas posições tradicionais da política externa
israelita, que têm se radicalizado cada vez mais, e são quase sempre explicadas
―escalada aos extremos‖ do próprio conflito. Mas existe um aspecto desta história
que quase não se menciona, ou então é colocado num segundo plano, como se as
―visões sagradas‖ do mundo e da história fossem uma característica exclusiva dos
países islâmicos.
Desde sua criação, em 1948, Israel se mantém sem uma constituição escrita, mas
possui um sistema político com partidos competitivos e eleições periódicas, tem um
sistema de governo parlamentarista segundo o modelo britânico, e mantém um
poder judiciário autônomo. Mas, ao mesmo tempo, paradoxalmente, Israel é um
estado religioso, e uma grande parte da sua população e dos seus governantes,
tem uma visão teológica do seu passado, e do seu lugar dentro da história da
humanidade. Israel não tem uma religião oficial, mas é o único estado judeu do
mundo, e os judeus se consideram um só povo, e uma só religião que nasce da
revelação divina direta, e não depende de uma decisão, ou de uma conversão
individual: ―se ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, sereis uma
propriedade peculiar entre todos os povos. Vós sereis para mim um reino de
sacerdotes e uma nação santa‖ Êxodo, 19, 5-6. Além disto, o judaísmo estabelece
normas e regras específicas e inquestionáveis que definem a vida quotidiana e
comunitária do seu povo, que deve se manter fiel e seguir de forma incondicional as
palavras do seu Deus, mantendo-se puros, isolados e distantes com relação aos
demais povos e religiões: ―não seguireis os estatutos das nações que eu expulso de
diante de vós...Eu Javé, vosso Deus, vos separei desses povos.Fareis distinção
entre o animal puro e o impuro.. não vos torneis vós mesmos imundos como
animais, aves e tudo o que rasteja sobre a terra‖ Levítico, 20, 23-25. Para os
judeus, Israel é a continuação direta da história deste ―povo escolhido‖, e por isto, a
sua verdadeira legislação ou constituição são os próprios ensinamentos bíblicos. O
Torá conta a história do povo judeu e é a lei divina, por isto não pode haver lei ou
norma humana que seja superior ao que está dito e determinado nos textos bíblico,
onde também estão definidos os princípios que devem reger as relações de Israel
com seus vizinhos e/ou com seus adversários. Em Israel não existe casamento civil,
só a cerimônia rabínica, e os soldados israelenses prestam juramento com a Biblia
sobre o peito e com a arma na mão: ―Javé ferirá todos os povos que combateram
contra Jerusalém: ele fará apodrecer sua carne, enquanto estão ainda de pé, os
seus olhos apodrecerão em suas órbitas, e a sua língua apodrecerá em sua boca.‖
Zacarias, 14, 12-15 .
As idéias religiosas dos povos não são responsáveis nem explicam
necessariamente as instituições de um país e as decisões dos seus governantes.
Mas neste caso, pelo menos, parece existir um fosso quase intransponível entre os
princípios, instituições e objetivos da filosofia política democrática das cidades
gregas, e os preceitos da filosofia religiosa monoteísta que nasceu nos desertos da
Ásia Menor. Mas o que talvez seja mais importante do ponto de vista imediato do
conflito entre judeus e palestinos, e do próprio sistema mundial, é que Israel – ao
contrário dos palestinos – junto com sua visão sagrada de si mesmo, dispõe de
armas atômicas, e de acesso quase ilimitado a recursos financeiros e militares
externos. Com estas idéias e condições econômicas e militares, Israel seria
considerado – normalmente – um estado perigoso e desestabilizador do sistema
internacional, pela régua liberal-democrática dos países anglo-saxônicos. Mas isto
não acontece porque no mundo dos mortais, de fato, Israel foi uma criação e segue
sendo um protetorado anglo-saxônico, que opera desde 1948, como instrumento
ativo de defesa dos interesses estratégicos anglo-americanos, no Oriente Médio.
Enquanto os anglo-americanos operam como a âncora passiva do ―autismo
internacional‖ e da ―inclemência sagrada‖ de Israel.
Marcos Silva
Data: 29/01/2009 - Horário: 15h21min
QUE É CANTAR?
Prezado Preto:
Fernanda Takai canta algo. É um estilo de canto. Não nasceu com a bossa nova
nem com o cool jazz. Se vc ouvir atentamente cantorias nordestinas, encontrará
exemplos de canto "falado". Outros estilos de canto folk vão por esse caminho, em
diferentes países.
Não é fácil cantar "Insensatez" nem "Lindonéia". Fernanda dá conta do recado, sim
- preste atenção às complicadas harmonias de Jobim, ela não errou nenhuma.
Qual a mídia de um programa "Ensaio" da TV Cultura, Preto? Eu não estou me
referindo ao Domingão do Faustão, viu? Mas, independentemente da midia ou da
não-midia, tive o prazer de encontrar uma jovem aluna da USP que conhecia
"Lindonéia" via Fernanda. É algo.
Vc deve saber que alguns ouvintes também acharam que Nara Leão não cantava
nada, inclusive ouvintes ilustres - Ellis Regina e Caetano Veloso (o último esqueceu
de explicar porque a aceitou no disco coletivo "Tropicália"; a primeira, excelente
cantora, tinha uma insegurança tola em relação à outra). Discordo desses ouvintes
ilustres também: eles tendem a uniformizar a emissão, acham que cantar é soltar a
voz numa determinada direção - pode ser isso e muito mais, quem já ouviu Mário
Reis sabe disso.
As qualidades de Valéria de Oliveira não dependem da desqualificação de outras
cantoras, amigo.
Abraços cordiais:
Marcos Silva
Data: 29/01/2009 - Horário: 15h14min
CANTA NADA
DESCULPE AMIGO MARCOS SILVA, FERNANDA TAKAI NÃO CANTA
ABSOLUTAMENTE NADA, ACHO QUE VC TA MAIS ENTUSIAMADO COM A
MÍDIA DO QUE COM AS QUALIADES MISICAIS DA CANTORA, NEM NO PATO
FU AQUELEE ROCK PÃO DE QUEIJO CONVENCE, O FATO DE ESTAR NOS
CADERNOS CULTURAIS, SARAUS MODERNINHOS E SER SUCESSO DA MTV,
Ñ QUER DIZER QUE TEM QUALIADE, O DISCO DELA QUE HOMENAGEIA
NARA É PURO PRODUTO DE MARKETING. PREFIRO MIL VEZES VALERIA DE
OLIVEIRA.
PRETO
Data: 29/01/2009 - Horário: 13h18min
Crise na saúde?
Crise na saúde? Resultado do crime organizado e perpetrado por meio das
cooperativas médicas. Esses médicos, quando se juntam, viram quadrilha. Essas
cooperativas, sim, merecem ser responsabilizadas pela crise.
Daniel Dantas
Data: 29/01/2009 - Horário: 13h17min
Novidades no Sopão
O SOPÃO foi ao teatro ("Maria Stuart"), ouviu um CD ("Achou", de Ceumar e Dante
Ozetti) e ainda deu um jeito de entrar na reunião do Copom do Banco Central
("Spread, a minissérie").
Para ler, vá até www.sopaodotiao.blogspot.com
Um porém: alguma coisa aconteceu por lá que sumiram elementos da template
caprichosamente feita por Marcya Reis. Pedimos desculpas pela casa mal
arrumada, mas prometemos resolver o quanto antes.
Sebastião Vicente
Data: 29/01/2009 - Horário: 10h33min
TAKAI NO ENSAIO
Caros amigos:
O programa "Ensaio", da TV Cultura, apresentou a cantora Fernanda Takai (do Pato
Fu), interpretando canções de seu disco dedicado ao repertório de Nara Leão.
Gosto muito desse gesto: um disco em homenagem a uma grande cantora,
revisitando seu universo (Olívia Byington fez isso em relação a Aracy de Almeida,
disco excelente). Fernanda tem uma delicadeza apropriada para a tarefa. E os
arranjos findaram preservando o espírito de risco que tanto caracterizou a carreira
de Nara, trazendo umas misturas de canção estadunidense com bossa nova,
Tropicalismo e rock brasileiro, mais um molho de baladas dos Beatles. É ótimo que
isso aconteça, vez por outra, na tv brasileira. Poderia ter mais.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 28/01/2009 - Horário: 23h41min
Aquém das dunas II
Caros amigos:
Parafraseando João Bosco: nossa cidade - um pedaço da Faixa de Gaza. E quem
bombardeia nossos conterrâneos?
Abraços:
Marcos Silva
Data: 28/01/2009 - Horário: 23h37min
Natal aquém das dunas
Caros amigos:
Tristeza, tristeza.
Maior hospital de Natal está no limite do "colapso", segundo diretor Paulo Francisco
Especial para o UOL Notícias
de Natal (RN)
O maior hospital público de Natal (RN), o Walfredo Gurgel, que recebe doentes de
todo o Rio Grande do Norte, não tem mais onde alojar seus pacientes depois de
quase um mês da crise da saúde.
Crise em Natal
Corredor lotado do hospital Walfredo Gurgel, o maior de Natal.
Hospital privado conveniado ao SUS operou idosas que esperavam por um mês por
cirurgia, após publicação de reportagem do UOL.
Idosas que esperavam por cirurgia são operadas
Prefeita de Natal pede ajuda ao governo federal
Veja mais fotos da crise nos hospitais em Natal
Até os corredores do hospital, do governo do Estado, viraram enfermarias para
receber os pacientes, principalmente as vítimas de acidentes de trânsitos e da
violência urbana, muitos dos quais precisam de cirurgias eletivas com urgências sob
pena de ficarem com sequelas.
"Aqui está parecendo a Faixa de Gaza", disse o neurocirurgião José Luciano de
Araujo, que tem 37 anos de medicina e há 20 anos atende nessa unidade
hospitalar.
"Nunca enfrentei uma situação como essa, onde a gente não podia nem andar, de
tantas macas no chão", disse o médico, que trabalha em regime de sobreaviso,
relatando como foi o último final de semana no maior hospital da capital.
Segundo ele, no Corredor do Centro Cirúrgico (CRO), uma ala para receber os
pacientes após as cirurgias, com capacidade para dez leitos, está com um excesso
de 26 pacientes. "Não tem mais onde colocar os pacientes, todas as macas estão
ocupadas. Eu queria que a governadora e as promotoras viessem aqui ver a
situação. O Walfredo Gurgel vai explodir", afirmou o médico.
O diretor do hospital, José Renato Machado, admite que a situação está no limite do
"colapso", mas não coloca a culpa apenas na crise da saúde que Natal enfrenta
desde o dia 1º. Em janeiro desse ano, quando a secretaria de Saúde do Estado não
renovou os contratos com as cooperativas médicas que atendiam na rede hospitalar
pública e privada.
"Nesse último fim de semana, tivemos uma demanda muito maior de cirurgias,
principalmente de vítimas de acidentes de trânsito, o que levou o hospital a sofrer
essa situação", explicou Machado, minimizando as declarações do neurocirurgião.
Segundo o diretor, o hospital tem 259 leitos, mas diante da demanda desses últimos
dias está sendo obrigado a colocar os doentes e operados em macas espalhadas
pelos corredores. "Temos 360 pacientes internados e faltam leitos para atender a
essa demanda de doentes que estão vindo para cá diariamente. No último fim de
semana, realizamos cerca de 50 cirurgias de urgências e não está havendo a
transferência desse pacientes para os outros hospitais conveniados do SUS", disse
ontem (27/1) o diretor.
Antes da crise, outros três hospitais particulares conveniados em Natal, o Itorn, o
Memorial e o Médico Cirúrgico, atendiam aos pacientes que necessitavam de
cirurgias ortopédicas. Mas com a não-renovação dos contratos das cooperativas
médicas, cerca de 500 médicos filiados a elas, incluindo os anestesistas, deixaram
de atender nesses hospitais, sobrecarregando o hospital Walfredo Gurgel, que
realiza cerca de 700 cirurgias de traumas por mês.
Mais sobre a crise da saúde em Natal
Falta de médicos já adiou cerca de 2.000 cirurgias em Natal neste ano
Sem anestesistas, idosas esperam por cirurgia há um mês
Médicos defendem cooperativas e dizem que não formam cartel em Natal
Governo admite déficit de servidores
Um cirurgião bucomaxilofacial, que prefere não se identificar, afirma que a situação
do hospital Walfredo Gurgel, com macas nos corredores, é "corriqueira" e se
agravou por dois motivos, "a violência urbana aumentou nos últimos anos e o
sucateamento da rede básica de saúde de Natal, que não atende os doentes ainda
nos seus bairros de origens, levando-os a procurar o hospital Walfredo Gurgel."
O cirurgião afirma que a situação de macas nos corredores só vai acabar quando a
atenção básica de saúde no município chegar à população e quando um novo
complexo hospitalar for construído para atender as urgências e emergências da
cidade. "Natal dobrou o seu número de habitantes nos últimos 20 anos e continua
com a mesma estrutura hospitalar", afirmou o cirurgião.
Marcos Silva
Data: 28/01/2009 - Horário: 19h39min
Chico de Oliveira analisa a crise
CM - Estamos diante de um longo processo de solavancos e limbo sem redenção...
Chico - Uma crise longa, dura, que exigirá reacomodação brutal de forças e vai
impor mudanças em todo o mundo e no Brasil também. Mas não tenhamos ilusão: o
capitalismo não chegou ao limite. Tampouco é o fim da associação China/EUA; de
algum modo ela prosseguirá porque é proveitosa aos dois lados. Ademais, o
capitalismo não se destrói, ele é superado, como o leitor atento de Marx bem sabe.
Do sociólogo Chico de Oliveira. Leia em ENTREVISTA.
Tacito Costa
Data: 28/01/2009 - Horário: 15h58min
Gangorra
Indiferente ao encantamento que causa, como a musa de Chico Buarque em ―As
Vitrines‖, a água passa, entornando poesia sobre as pedras. Quem colherá essa
poesia eu não sei, talvez não haja mesmo quem a colha, talvez a poesia acabe
secando, mas ela retornará. Virão as chuvas, virá o sangramento do açude. Voltará
o caminho das águas.
De Carmen Vasconcelos, em sua coluna.
Tacito Costa
Data: 28/01/2009 - Horário: 15h39min
Resenha sobre Pedro Alexandre Sanches
Caros amigos: A entrevista com Pedro Alexandre Sanches está muito boa.
Publiquei resenha de um livro muito inteligente que ele publicou há alguns anos,
"Decadência bonita do samba". Segue para vcs. Abraços:
DO EDITOR
Texto postado em PROSA.
Marcos Silva
Data: 28/01/2009 - Horário: 15h26min
Poder e beleza
Denise:
Quero retomar sua metáfora da selva como expressão da vida. Poder e esperteza
não são necessariamente configurações do mal. Fico pensando sobre o poder e a
esperteza de flores e borboletas na selva. E as selvas seriam muito mais sem graça
sem elas (ou sem orvalhos, sem pios de passarinhos, sem cheiros).
Legal desvincularmos poder e esperteza da culpa. Certamente, há poderes e
espertezas medonhos. Pensemos noutros poderes e noutras espertezas. Artistas
possuem poderes e espertezas que fazem um bem danado.
Um beijo poderoso e esperto:
Marcos Silva
Data: 28/01/2009 - Horário: 15h13min
A boa metáfora
A selva é realmente a boa metáfora para a vida (talvez a melhor). Vive melhor quem
tem mais poder ou é mais esperto.
Abs,
Denise
Denise Araújo Correia
Data: 28/01/2009 - Horário: 12h38min
Casarão da Poesia
NO BLOG GRANDE PONTO
http://www.grandeponto.blogspot.com/
Alex Gurgel
Currais Novos é uma cidade de porte médio, encravada em pleno sertão do Seridó
e distante 220 km de Natal, onde brota um grupo de poetas talentosos. Alguns
desses poetas se uniram para formar um grupo de estudos poéticos chamado
―Casarão de Poesia‖ para estudar e divulgar a literatura currais-novense.
De acordo com a poetisa Iara Carvalho, o grupo surgiu em 2006 nos corredores da
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Campus de Currais Novos. ―já
éramos conscientes de que a nossa missão ultrapassava as fronteiras da amizade...
O nosso amor pela Poesia seria capaz de florescer cactos e enfeitar de
sensibilidade esses Currais esquecidos de cultura‖, diz o texto de nascimento do
Casarão de Poesia.
Do grupo, vários poetas já foram premiados em diversos concursos de poesia no
Estado. Na última terça-feira, o poeta Wescley Gama veio à Natal para receber o
prêmio do 4º Concurso Zila Mamede de poesia, batendo outros 96 inscritos de 15
municípios do Rio Grande do Norte. ―Isso é uma prova que a poesia de Currais
Novos está no caminho certo‖, declarou Wescley.
O Concurso de Poesia Zila Mamede é promovido pelo jornal Potiguar Notícias, sob
a direção dos jornalistas Cefas Carvalho e Pinto Junior. Os poetas vencedores e
aqueles que ganharam Menção Honrosa terão seus versos publicados no livro que
reúne os melhores poemas inscritos no concurso. ―É uma forma de incentivar a
produção poética do Rio Grande do Norte, afirmou o jornalista Pinto Junior.
Esse ano, a 4ª edição do concurso Zila Mamede de Poesia agraciou em dinheiro e
certificados o vencedor Wescley Gama, de Currais Novos; a 2ª colocada Elizabeth
Rose, de Natal; e a 3ª colocada Adélia Danielli, também de Currais Novos e
pertencente ao grupo Casarão da Poesia. ―É muito gratificante ter nossos versos
expostos como reconhecimento de um bom trabalho‖, ressaltou Adélia.
Ano passado, na 3ª edição do prêmio Zila Mamede de Poesia, o primeiro lugar ficou
com a currais-novense Iara Carvalho, esposa de Wescley e ambos fundadores do
grupo Casarão de Poesia. Wescley também conquistou a última versão do concurso
Luiz Carlos Guimarães de poesia, promovido pela Fundação José Augusto.
Com a conquista de vários prêmios, os poetas de Currais Novos têm adquirido o
devido respeito no meio intelectual norte-riograndense. ―A Poesia é nossa arma,
calibre grosso, porte de ouro, quinhão de luz brilhando no topo do céu. Compartilhe
desse gosto de sonho conosco!‖, convida o texto criador do Casarão de Poesia.
Para conhecer mais o trabalho dos poetas do grupo acesse o blog:
http://www.casaraodepoesia.blogspot.com/
Tácito Costa
Data: 28/01/2009 - Horário: 10h47min
A fraude da minha fralda
Oh, sim, Paulo, merci, por corrigir minha imensa ignorância. Ainda bem que temos
"Hoiass" (ou será Houaiss o que vc quis dizer?) para ver o termo certo.
Abraço.
Gustavo de Castro
Data: 28/01/2009 - Horário: 10h26min
ENTREVISTA/Pedro Alexandre Sanches
Postei entrevista feita por Ricardo Queiroz Pinheiro, do blog
http://klaxonsbc.wordpress.com/, com o crítico de música e escritor Pedro Alexandre
Sanches, enviada por Tetê Bezerra. Em ENTREVISTA.
Tácito Costa
Data: 28/01/2009 - Horário: 09h59min
Frauda? Que é frauda?
Caro Gustavo, fiquei com a frase "todos acabaremos com fraudas" atravessada na
garganta como uma espinha de peixe. O que diabo é "frauda", amigo? Consultei o
Hoaiss e o Caldas Aulete e não encontrei o vocábulo, a não ser como indicativo
presente do verbo "fraudar".
Você poderia, então, me esclarecer?
Será que é "fraldas"?
Paulo Couto
Data: 28/01/2009 - Horário: 09h07min
Humildade, sensibilidade, espiritualidade ...
grandiosidade
Tão grandioso e profundo quanto o livro de Marcelo Bolshaw (Sonhar a vida, viver o
sonho, o simbólico na comunicação política, na seção Estante) é a frase de Cristo,
logo de início: ―Sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas.‖
(Mateus: 10.16). Muitos são também, hoje, os mestres e doutores, nas mais
diversas áreas, que reconhecem em Jesus Cristo tudo aquilo que há de mais
sublime e maravilhoso. E é justamente aos pés de Cristo onde achamos o lugar
mais elevado. Isso é o que chamo de sensibilidade espiritual.
Tales Costa
Data: 27/01/2009 - Horário: 23h45min
Complexo esportivo faraônico
Há meses que o caos na saúde do estado não sai das páginas dos jornais. A
situação tem gerado um debate acirrado e um jogo de empurra sem fim. Mas,
concretamente, nada foi feito. A população agoniza diariamente nos postos e
hospitais. As reportagens e fotos sobre o problema são estarrecedoras. Lembram
os hospitais de Gaza. Mas, de tanto sair na imprensa, não causam mais sequer
estranhamento. É como se isso fosse a coisa mais normal do mundo. Não sei de
nenhum plano ou projeto para, pelo menos, minimizar o sofrimento das milhares de
pessoas que não tem plano de saúde. Mas, de forma muito diligente foi elaborado
em pouco tempo, um projeto de construção de um complexo esportivo para Natal
sediar uma das etapas da copa do mundo. O projeto apresentado hoje custará
cerca de R$ 1 bilhão e prevê a demolição do estádio Machadão, do Centro
Administrativo e do Kartódromo. Contará com arena, bosque, estacionamento
subterrâneo, shopping, teatro, hotéis e centro administrativos. A idéia é que seja
construído através de PPPs – Parceria Público-Privadas. Isso para dizer que não
entrarão muitos recursos públicos no negócio, o que diante da crise soaria
escandaloso. Até onde eu sei, no país não existem muitos exemplos dessas
parcerias. O meu medo é que depois fique o elefante branco aí, como foi o caso do
Papódromo, construído para a vinda do papa João Paulo II e que não teve até hoje
serventia nenhuma. Só que em termos de custos, comparativamente, o papódromo
saiu por uma mixaria. Outro dia, o deputado Fábio Farias criticou o tímido debate na
imprensa acerca da importância e viabilidade do projeto. Acho que devemos discutir
sim e não vejo no deputado qualificação técnica ou competência política para
debater a questão.
Tácito Costa
Data: 27/01/2009 - Horário: 20h38min
Mais Benjamin
Gustavo,
A tensão a que você se refere não faz sentido nesse filme, visto que o roteirista,
como frisei, fez uso apenas da idéia utilizada por Fitzgerald para desenvolver o seu
conto. Você cita uma frase que achou interessante. Taí outra coisa que não gostei.
Tem muita frase clichê, que me remeteu a livros de auto-ajuda e que tais, tipo "A
vida é imprevisível", "Aproveite cada momento da vida" e coisas do gênero que não
lembro agora (as frases que citei não são literais).
Tácito Costa
Data: 27/01/2009 - Horário: 19h17min
Benjamin
Acho que nunca vai ter fim esta tensão entre roteiro original e roteiro adaptado. É
por isso que a palavra adaptação não ajuda mais a entender a transposição da
literatura para o cinema. Talvez a palavra indicada seja "releitura", "diálogo". Quanto
às críticas ao filme, entendo o fato de ser cinemão hollywoodiano, de ser
melodrama, de usar recursos (piadas) circenses, como o velho que leva raios, de
ter Brad Pitt Bull como ator central, etc. Apesar de tudo isto, para mim, o filme vale
como reflexão sobre o que fazemos com o tempo. No fim, diz um personagem,
"todos acabaremos com fraudas". Outra reflexão importante: vc pode lutar contra o
tempo, reclamar, ficar insatisfeito, mas não podemos deixar de lado a possibilidade
de apaziguamento, que o próprio tempo sugere.
Gustavo de Castro
Data: 27/01/2009 - Horário: 18h59min
Benjamin Button
Assisti ontem ―O Curioso Caso de Benjamin Button‖. Não conheço o conto de
Fitzgerald. Mas já sabia que dele o roteirista só manteve a idéia e o nome do
personagem que remoça. Gostei do filme. Com restrições. Que não tem nada a ver
com o conto, lógico. Lembrou-me Titanic. Feito para ganhar muitos Oscars. Em
certos momentos apela para o melodrama. Por isso, não estranhei quando vi o
cinema lotado em plena segunda-feira. Um público certamente atraído pela
divulgação das indicações ao Oscar e também pela propaganda boca-a-boca. Achei
pertinentes as observações de João Pereira Coutinho. Agora, se o diretor tivesse
optado por uma adaptação, como sugere Pereira, o resultado seria outro. Não teria
recebido tantas indicações ao Oscar e nem tanta gente estaria indo vê-lo.
Tácito Costa
Data: 27/01/2009 - Horário: 18h15min
O verdadeiro Benjamin Button
JOÃO PEREIRA COUTINHO
FOLHA DE SÃO PAULO
O TEMPO é o melhor crítico que existe. Na minha adolescência, mergulhado em
Hemingway e Fitzgerald, minha preferência era Hemingway: lendo as suas
narrativas de frases breves e secura ornamental, eu imaginava-me como o velho
Ernest, em caçadas africanas ou touradas espanholas, bebendo de manhã à noite.
Havia uma certa urgência vital na prosa de Hemingway, o deslumbramento típico
das primeiras experiências, a celebração imediata do sensorial. E eu admito que o
ritmo das suas frases, rigorosamente melódicas e pontuadas, acabaram por passar
para a minha corrente sanguínea. Digo mais: não existe nenhum jornalista que,
consciente ou inconscientemente, não tenha absorvido a música de Hemingway.
Então amadurecemos. Hemingway continua no seu sítio e, uma vez por outra,
regressamos a ele para relembrar a frescura dos primeiros tempos. Os diálogos, por
exemplo, continuam magistrais, apesar da ilusão de realismo que transportam: lidos
com a voz da consciência, até acreditamos que as pessoas falam assim, finalizando
cada frase com um "meu querido" ou "minha querida". Obviamente, não falam.
Basta ler tudo em voz alta para perceber o artifício.
Mas é então que Fitzsgerald regressa para nos assombrar. A elegância, o
refinamento e o humor de Fitzgerald, ausentes em Hemingway, começam
lentamente a ocupar o espaço do seu colega de geração. E se os romances de
Fitzgerald nunca precisaram de qualquer reavaliação crítica ("O Grande Gatsby" ou
"Suave É a Noite" são intemporais), é triste como por vezes nos esquecemos dos
seus contos.
Um deles tem sido falado ultimamente por causa de filme indicado ao Oscar.
Intitula-se "O Curioso Caso de Benjamin Button" e eu voltei a lê-lo numa velha
edição da Penguin que julgava perdida. A história do conto, tal como a história do
filme, é conhecida: Benjamin nasce velho e morre bebê. O tempo anda ao contrário
para ele. Mas as semelhanças terminam aqui: o conto de Fitzgerald, ao contrário do
filme de David Fincher, é essencialmente um prodígio de humor sem qualquer
pretensão filosófica ou sentimental.
Esse humor só é possível porque o Benjamin Button de Fitzgerald não manifesta
qualquer dissonância entre o corpo e a mente. No conto, Benjamin nasce
fisicamente velho mas também nasce com os hábitos e os conhecimentos de um
velho. Ele tem rugas, barba branca, ossos minados pelo reumatismo. Mesmo no
berço, ele fala com propriedade, fuma charuto e gosta de ler a "Encyclopaedia
Britannica". E se o pai se horroriza com a primeira visão do filho, jamais pensa em
abandoná-lo.
Pelo contrário: a família aceita a aberração e as visitas até dizem que ele é a cara
chapada, não do pai mas do avô. O rapaz cresce, ou seja, rejuvenesce. Aos 18,
embora tenha cara e cabeça de 58, conhece donzela compatível para casar.
Casam. Mas Benjamin rapidamente descobre que fez mau negócio: se ele fica cada
vez mais jovem, e mais enérgico, e até mais irresponsável, a mulher vai ficando
mais velha, e mais cansada, e mais quadrada. As discussão entre ambos são
hilárias.
Benjamin termina seus dias com corpo e cabeça de criança, a brincar com o neto,
como se fossem dois colegas de infantário.
O diretor David Fincher não respeitou o conto de Fitzgerald e preferiu uma história
grandiloquente sobre a implacável fugacidade do tempo. Ou, se preferirem, sobre a
crueldade do destino de Benjamin Button, que poderá viver a sua história de amor
na breve intersecção da sua meia-idade com a meia-idade da sua amada, até ao
momento em que ambos têm que se afastar: ele, a caminho da infância; ela, a
caminho da velhice.
O resultado é tépido, arrastado, sem propósito ou fulgor, com dois atores
manifestamente à deriva.
Uma pena. Tivesse Fincher e os seus roteiristas respeitado o material original,
teríamos um filme poderosamente onírico, divertido e até politicamente incorreto,
capaz de desafiar as convenções da idade e das relações entre as gerações e os
sexos.
E se David Fincher, apesar de tudo, desejasse ainda uma mensagem final, ela
também é sugerida no conto de Fitzgerald quando Benjamin Button morre como um
recém-nascido, física e mentalmente falando.
Porque talvez essa seja a lição maior: mais triste do que deixar o nosso mundo de
experiências e memórias quando a velhice se instala, é morrer vazio, como um
bebê, sem levar desse mundo experiência ou memória alguma.
Tacito Costa
Data: 27/01/2009 - Horário: 17h27min
John Updike
―O escritor norte-americano John Updike morreu hoje aos 76 anos em decorrência
de um câncer no pulmão. Frequentador assíduo das listas de mais vendidos,
Updike escreveu novelas, contos, poemas, críticas, as memórias ''SelfConsciousness'' e ainda um famoso ensaio sobre o jogador de baseball Ted
Williams. Publicou mais de 50 livros em sua carreira que começou na década de 50
e ganhou praticamente todos os prêmios literários, incluindo dois Pulitzers e dois
National Book Awards.―
Tácito Costa
Data: 27/01/2009 - Horário: 17h06min
FM 106,9
Ei Tácito, avise aí ao nosso grande Sebastião Vicente que consegui sintonizar a FM
Senado na praia de Zumbi, depois de improvisar uma antena meio esquisita com
fios que encontrei por lá. A programação musical é sublime é de matar de vergonha
as nossas FMs dedicadas à música popular brasileira. Só tem um defeito: não toca
artistas potiguares.
P.S: Aviso aos amigos. Não abram um cartão de natal que está chegando com meu
e-mail. É virus contraído no computador da lan house em Zumbi.
Carlos de Souza
Data: 27/01/2009 - Horário: 16h59min
Adélia Prado
Recebi a crônica abaixo hoje pela manhã. Ao ler, lembrei da palestra que a Adélia
Prado proferiu numa das edições da Flip (e que o Henrique, inclusive, menciona no
texto). Foi uma fala à flor da pele, que deixou o público comovido e cuja força se
originou da combinação, aparentemente paradoxal, entre simplicidade (da forma de
olhar para as coisas) e epifania (ao ver, nas coisas, para além delas). A crônica do
HR, que reproduzo a seguir, fala mais ou menos disso. Marcelo Moutinho.
http://www.marcelomoutinho.com.br/)
"Adélia me pôs para dormir"
Henrique Rodrigues
"Hoje à tarde vi Adélia Prado na televisão. Depois de almoçar com a família,
prostrei-me no sofá e de repente me vi zapeando, até que o dedo parou tão logo
visse a mineira, acredito que a nossa mais importante escritora em atividade.
Falava de coisas extremamente simples e essenciais, como o fato de a arte ser
voltada para o sentimento, não para a lógica, e que a poesia existe porque nós não
nos contentamos com a instância ordinária das coisas: precisamos do
extraordinário.
Porém, como tivesse comido feijoada com a voracidade dominical, e os meus
recursos internos se concentrassem na difícil extração digestiva daqueles nutrientes
inusitados, fui adormecendo.
E dormi um sono em que Adélia continuava sua conferência. No surrealismo desse
estado, em vez de falar para a platéia numerosa e atenta do programa gravado, a
poeta conversava apenas e diretamente comigo. E era como se me lembrasse de
coisas das quais já havia me esquecido, ou então alertava para que não as
esquecesse. Aquele ensinamento íntimo abarcou desde questões técnicas da
escrita até a necessária manutenção de um olhar que retirasse literatura da vida,
mas que depois não deixasse de devolver para a mesma vida o que eu viesse a
construir ou modificar pela arte da palavra.
Em dado momento, devo ter balbuciado que não estou mais escrevendo poemas
porque fiquei cansado, embora depois talvez volte. Em vez de me fazer refém da
minha própria inspiração e sugerir uma continuidade forçada, ouvi uma frase que
dizia algo como ―o tempo da poesia é um tempo diferente e deve ser respeitado‖.
Foi um alívio que me fez despertar, no momento final do programa, quando ela
começava a ler seus poemas.
Adélia chora ao ler alguns dos seus textos. Quem esteve na Festa Literária de
Parati ano retrasado certamente conferiu e partilhou com ela essa experiência de se
emocionar diante da beleza pura e aguda das palavras. Pelo que me lembro, foram
raros os que não choraram também, mesmo os que, como eu, só puderam assistir
pelo telão. Hoje eu não chorei, mas sorri enquanto me esticava no sofá feito um
gato preguiçoso. Levantei-me e fui conferir minha mãe e meu irmão tirando um
cochilo, cada um no seu canto. Olhando-os assim, pensei, ainda sonolento, que
eles são o meu grande poema.
E agora, madrugada de domingo para segunda, antes de entrar no sono para
começar uma nova jornada rumo ao cotidiano prático e ordinário, rogo para que as
doces palavras de Adélia Prado voltem a frequentar meus sonhos e os transcenda
rumo à vida. E que aquela espécie de acalanto nos inspire a buscar o extraordinário
ao longo de todo o dia."
Tete Bezerra
Data: 27/01/2009 - Horário: 16h34min
Carnaval x Saúde (?)
Segundo o No Minuto, a Funcarte cortou o financiamento para o Carnaval
Multicultural 2009 sob o argumento da crise da saúde. Quer faturar em cima de
nossa ignorância. Como se fosse possível utilizar uma verba de orçamento
destinada à cultura para solucionar o problema da saúde.
Daniel Dantas
Data: 27/01/2009 - Horário: 15h37min
Chomsky e a questão palestina
Caros amigos:
Há um ótimo video com Chomsky abordando a situação atual na Faixa de
http://www.youtube.com/watch?v=30X2tYUGK_8
Gaza:
Abraços:
Marcos Silva
Data: 27/01/2009 - Horário: 15h36min
Quem é mesmo governo? Quem é mesmo
terrorista?
Prezado Tales:
É bom pensar criticamente sobre ações do governo brasileiro. Não penso que esse
governo seja igual a PT (existe um monte de partidos aliados do PT, não é?). Não
penso que governo seja somente o executivo federal (PSDB e DEM são partidos de
peso no legislativo e em inúmeros executivos estaduais e municipais, não é?).
Mesmo no executivo federal, muitos ministros são ligados a outros partidos que não
o PT, não é?
Nos EEUU, o argumento "terroristas" serviu para um triste funeral da democracia:
prisões sem provas, interrogatórios sob tortura, etc. Tomara que isso melhore com
Obama: a esperança é a última que morre.
Quanto a Israel e palestinos, há muitos anos o Hamas age, há mais anos os
palestinos vivem em condições péssimas, não é?
Numa entrevista à revista "Veja", a importante filósofa brasileira Maria Sylvia
Carvalho Franco disse que ideologia emburrece. É um brutal paradoxo: dizer isso
no principal antro da ideologia do Brasil atual. Apesar disso, ela tem razão.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 27/01/2009 - Horário: 09h18min
Crimes de guerra na Faixa de Gaza
Caros amigos:
Uma leitura fundamental para minha formação e minha escolha profissional por
História foi "Crimes de guerra no Vietnam", de Bertrand Russel (final dos anos 60).
Hoje, outros crimes de guerra são cometidos impunemente.
Divulgo convite e endereço eletrônico de uma demanda para que o Estado de Israel
seja julgado pelo Tribunal Penal Internacional por "crimes de guerra".
Si vous êtes d'accord pour considérer qu'Israêl a largement dépassé les bornes de
l'ignominie, je vous invite à signer le doc joint : Demande pour qu'Israêl soit jugé par
le Tribunal Pénal International pour crimes de guerre:
http://www.tlaxcala.es/detail_campagne.asp?lg=fr&ref_campagne=10
Abraços:
Marcos Silva
Data: 27/01/2009 - Horário: 09h18min
Terroristas no colo do PT
POR BRUNO PONTES
Em 2003, o presidente Alvaro Uribe, da Colômbia, enviou uma carta aos países
latino-americanos pedindo a cada presidente que classificasse formalmente as Farc
como organização terrorista ―e que nos proporcione seu apoio para que o mesmo
ocorra nos diferentes fóruns regionais e internacionais‖. O PT ficou calado.
Assassinato de inocentes, seqüestros (de crianças, inclusive), mutilações em
campos minados, decapitações, partos de reféns feitos a faca... Tudo isso é
considerado aceitável pelo partido que manda no Brasil. Quando as tropas
governamentais de Uribe mandaram os chefões das Farc que operavam no
Equador para o inferno, a diplomacia petista exigiu que o presidente colombiano se
desculpasse.
Integrantes das Farc já foram recebidos como convidados ilustres do petista Olívio
Dutra, durante sua gestão como governador do Rio Grande do Sul, em pleno
Palácio Piratini. Quando o petista Antônio Palocci era prefeito de Ribeirão Preto, as
Farc tinham na cidade um escritório de representação. As reuniões deviam ser
bastante interessantes.
Você sabe quem é Francisco Cadenas Colazzos? Nem adianta procurar o nome.
No Brasil ele atende por Olivério Medina e se diz padre. É na verdade um homem
das Farc protegido pelo PT. A mulher dele, Angela Maria Slongo, também ganhou
um mimo do governo: um cargo comissionado no Ministério da Pesca por indicação
de ninguém menos que Dilma Rousseff, que, sinto muito por todos nós, será
presidente daqui a dois anos, por absoluta falta de oposição.
Na primeira semana de janeiro, o PT divulgou nota chamando Israel de Estado
terrorista e comparando a reação israelense a oito anos de foguetes do Hamas às
práticas do exército nazista. Nós já sabemos que, caso a população brasileira fosse
atacada por foguetes de um grupo terrorista de um país qualquer, Lula e os
companheiros do PT ficariam só olhando. E se algum brasileiro reclamasse, seria
devidamente repreendido por Celso Amorim.
Em 14 de janeiro, o governo acobertou outro santo: o italiano Cesare Battisti, chefe
dos Proletários Armados pelo Comunismo, condenado pela Justiça italiana à prisão
perpétua pela participação em quatro assassinatos cometidos nos anos 70. O
crédito é do petista Tarso Genro, o ministro da Justiça especialista em leninismo —
o mesmo que retornou à ditadura de Fidel Castro dois atletas que queriam asilo no
Brasil.
O ministério italiano de Relações Exteriores apelou ao presidente Lula ―para que
sejam tomadas todas as iniciativas que possam promover, no quadro da
cooperação judiciária internacional na luta contra o terrorismo, uma revisão da
decisão judiciária adotada‖. Em vão. O PT já marcou posição: solidariedade total
aos terroristas. É a moral dessa gente que manda no Brasil.
Tales Costa
Data: 26/01/2009 - Horário: 16h51min
Eu Chupei o Tamarindo.
Estive lá. Era uma vontade antiga. Conhecer a terra onde viveu o poeta de o ― Eu‖!
Um livro extraordinário. Poeta de um livro só. Inclassificável. Todos os estilos em
um único livro. Viveu rápido. Seu irmão ajudou a pagar a publicação da primeira
edição de mil exemplares. ―Meu coração tem catedrais...‖. O engenho Pau d`Arco
do poeta. Uma terra fértil de grandes engenhos. Lá viveram cinco mil homens. Sinto
a nostalgia do povo. O povo que viveu uma grande época de prosperidade. O
engenho. A casa grande. A capelinha do senhor do Bom fim. Chupo um tamarindo
centenário do poeta. Quase choro de emoção.
Converso com um ex- vereador que trabalha na casa-museu da ama do poeta.
Arvore genealógica e as muitas edições da rica fortuna crítica do poeta. O Eu e
suas muitas edições. Converso com Sebastião. Ele que trabalhou no engenho e faz
aniversário no dia do santo. Construiu uma réplica perfeita do engenho. Ofereceu
uma cachaça do engenho Pau d´Arco. O ex- vereador mostra a sua obra. Uma
parada de ônibus. Nem sei se ali naquela saudade passa ônibus. A tristeza sinto no
povo que lembra. O poeta ajuda colocar aquele lugar no mapa. Tudo gira em torno
dele. Lugar mal sinalizado precisa de cuidados. Para subir na bela casa –
restaurada da ama é difícil. Pode escorregar nas pedras lisas. Banheiro não há ali.
Compro o livrinho do Adauto Ramos falando do Paraibano do Século XX. A
paisagem é linda. Me despeço para breve voltar. Depois visito o Jardim de
Academus onde existe uma bela exposição em homenagem ao poeta. Todos os
livros e documentos. A cadeira da academia que pertenceu ao poeta. Um poeta do
hediondo. ― eu sou aquele que ficou sozinho / contando sobre ossos do caminho / a
poesia de tudo quanto é morto‖. Poeta plural. Multifacetário. Eterno.
Jota Eme
Data: 26/01/2009 - Horário: 11h56min
Coelho X Azevedo
Vale a pena acompanhar (para o bem da grande imprensa)a polêmica envolvendo
Marcelo Coelho X Reinaldo Azevedo,nos seus respectivos blogs.
Gustavo de Castro
Data: 26/01/2009 - Horário: 11h56min
Janeiro de Grandes Espetáculos
Meus Colegas,
Estive no Recife e presenciei um grande evento já na sua 15ª edição, o " Janeiro de
Grandes Espetáculos". Uma grande idéia, aproveitar as férias e promover grandes
espetáculos a preços populares. Os espetáculos acontecem nos teatros: Santa
Isabel, do parque, Apolo, Hermínio Borba Filho, Armazém e Barreto Junior. O
janeiro desse ano homenageou uma grande atriz, Leda Alves. Viúva do grande
Hermínio e grande atriz. Conheceu seu ex- maridos nos palcos teatrais e é
respónsável pela preservação da sua memória. Hermínio foi uma grande escritor e
teatrólogo. Leda merece todas as nossas homenagens.
Assisti no Santa Izabel ao espetáculo de dança " Crendices...Quem disse? Um
espetáculo de um grupo curitibano baseado em Suassuna e nos ditos populares.
Muito boas as coreografias e musicas com instrumentos Indianos e dos Aborígenes
do norte da Austrália- o didgeridoo.
Senti falta de um tempero Cascudiano e de outros grandes estudiosos da cultura
popular.
Jota Eme
Data: 24/01/2009 - Horário: 18h56min
O fenômeno Barack Obama
ANTONIO CICERO
FOLHA DE SÃO PAULO
NEM OS representantes da direita cínica nem os da esquerda dogmática
conseguem esconder seu rancor contra a alegria com que tanta gente saudou a
posse de Barack Obama. Tanto uns quanto os outros debocham da "ingenuidade"
dos que pensam que, com o novo presidente, alguma coisa possa melhorar nos
Estados Unidos ou em qualquer outra parte do mundo. Segundo eles, nada pode
mudar senão para pior.
Acontece que as pessoas que conheço e que ficaram admiradas e alegres com a
eleição e a posse de Obama estão longe de ser tão ingênuas quanto eles supõem.
Elas não acreditam em milagres ou messias ou "grandes timoneiros"; são
conscientes de que o presidente dos Estados Unidos não pode fazer tudo o que
quer; percebem que Obama ainda não se provou como administrador; sabem que
vivemos um momento de crise econômica mundial sem precedentes; entendem a
gravidade das guerras no Oriente Médio e no Afeganistão; compreendem que
vivemos um momento instável de imprevisíveis transformações nas correlações
internacionais de forças econômicas, políticas e militares etc. etc.
Apesar disso, os que celebram a posse de Obama -entre os quais me incluoacreditam que já há bastante razão para fazê-lo. Em primeiro lugar, é extraordinário
que um homem negro, filho de imigrante, com um nome de origem árabe, tenha
sido eleito presidente dos Estados Unidos. Em segundo lugar, é maravilhoso que tal
homem deva sua eleição, em grande parte, à superioridade do seu brilho, do seu
carisma, das suas ideias. Em terceiro lugar, é esplêndido que, ao eleger Obama, os
eleitores americanos tenham claramente repudiado o governo mais vil de que se
tem memória nos Estados Unidos, que foi o da extrema direita do Partido
Republicano, na figura lamentável de George W. Bush.
Em resposta aos que afirmam que nada poderá mudar no novo governo, pode-se
dizer que esses três fatos já representam uma imensa mudança.
Mas há mais. Curiosamente, sob influência de comentaristas das grandes redes de
televisão norte-americanas, muitos afirmam que Obama nada disse de novo no seu
discurso de posse. Isso é uma falsidade. De modo educado, porém firme, ele
deixou bem claras as suas diferenças em relação ao antecessor. Entre outras
coisas, falou de restaurar ao devido lugar a ciência (que foi vilipendiada, como se
sabe, pelo apoio ideológico e material dado por Bush à charlatanice do "design
inteligente"); declarou ser falsa a oposição entre os princípios e a segurança
(quando Bush, em nome desta, sacrificou aqueles); ressaltou a necessidade de
abandonar dois dogmas: o primeiro, quanto ao tamanho do Estado (que o governo
Bush pretendeu tornar mínimo no que diz respeito à segurança social, mas não no
que diz respeito às forças de repressão e guerra); e o segundo, quanto ao papel do
mercado (que o governo Bush quis maximizar por meio, entre outras coisas, de uma
desregulamentação cujas consequências se manifestam na atual crise econômica);
observou, contra o fanatismo religioso (que Bush sempre cortejou), que o povo dos
EUA não se compõe apenas de crentes, mas também de incréus; e afirmou, contra
os conservadores, que "o mundo mudou e nós devemos mudar com ele".
As ideias de que o mundo mudou -que o próprio Obama não só afirma mas
encarna- e de que devemos mudar com ele são, no fundo, as que mais irritam tanto
os direitistas cínicos quanto os esquerdistas dogmáticos.
Outra ideia que lhes é inaceitável -e que constitui o próprio teor do discurso de
posse- é a de que a sociedade aberta é melhor do que a fechada.
Quanto à direita, ninguém ignora que ela se define exatamente em oposição às
ideias de mudança para melhor e de sociedade aberta. Já para a esquerda
dogmática, a situação é um pouquinho mais complexa. O que ela é incapaz de
admitir é que possa haver qualquer melhora real ou substancial no mundo antes da
superação do capitalismo, isto é, antes da "Revolução". Sendo assim, dado que
qualquer mudança real desmentiria suas teses, não lhe resta senão crer que toda
mudança e todo projeto de mudança que se apresente como tal seja um mero
engodo. Assim lhe parece ser também a sociedade aberta, que ela descarta como
"democracia burguesa".
A meu ver, o que não consegue mudar são as ideologias. As coisas reais mudam o
tempo todo, ora para pior, ora para melhor e, embora não possamos saber o que
acontecerá daqui para frente, a verdade é que, no momento em que escrevo, o
fenômeno Obama já representa uma mudança real para melhor.
Tácito Costa
Data: 24/01/2009 - Horário: 08h50min
"Não matei, mas sei quem fui"
Assisti ontem e recomendo a peça "Não matei, mas sei quem fui", monólogo cômico
em cartaz hoje às 21 horas e amanhã às 20 horas no Teatro de Cultura Popular (R.
Jundiaí), com o ator César Amorim. O texto tem momentos muitos risíveis e a
atuação do ator é excelente. Na próxima semana a peça será novamente encenada
no mesmo local.
Tácito Costa
Data: 24/01/2009 - Horário: 08h29min
O cara que sempre pesava
Por Mário Bortolotto
Ele era um cara difícil. Saía da linha constantemente. Algumas pessoas costumam
sair da linha, constantemente. Ele era um deles. Testemunhei vários amigos
perdendo a paciência com ele. E não os culpo. Ele provocava. Ele importunava. Ele
excedia. Ele passava da conta. Mas qual é mesmo a medida? Alguém sabe? A
gente sempre soube que qualquer hora dessas alguém não ia entender. Depois de
um tempo tentando evitá-lo (era praticamente impossível), passei a entender o cara
e em pouco tempo passei a gostar muito dele. Mesmo quando ele passava da
conta, quando importunava, quando excedia. Lembro dele indo assistir uma de
nossas peças no nosso teatro em 2.003 e inacreditavelmente se comportando. Por
incrível que pareça, nem notei que ele estava lá. Só quando ele veio falar comigo no
final do espetáculo.
Lembro dele assistindo nossos shows e todas as nossas peças no Centro Cultural.
Eu sempre pagava cachaça pra ele. Entrava no bar, comprava e dava a cachaça
pra ele na calçada. Os donos dos bares não gostavam da presença dele no bar. Os
freqüentadores ficavam aterrorizados. E eu não culpo os freqüentadores. Ele
aterrorizava mesmo. Às vezes ele tinha a grana pra cachaça, mas os caras não
vendiam pra ele. Então ele me dava o dinheiro e pedia pra eu comprar pra ele.
Por baixo de toda a loucura, era um sujeito incrivelmente articulado e com um texto
próprio. E era um cara doce e sensível. Confesso que vacilei. Prometi que ia levar a
câmera e deixar ele contar sua história daquele jeito maluco que ele falava (o
Selingardi imita direitinho). Eu não cumpri a promessa. E ele sempre me
interpelava: "E aí, Mário? Quando é que você vai trazer a câmera?" Eu vacilei.
Lembro que chegava no Centro Cultural e ele inevitavelmente se materializava na
minha frente: "Como que é, Mário? Satisfação. Cê sabe que nós é louco, né? Os
otário não percebe que nós é louco. Deixa eles". Ele guardava os carros na frente
do Centro Cultural. Sempre tava duro e o pouco dinheiro que ganhava era pra
indefectível cachaça. Ele me dizia: "Sabe qual é o segredo, Mário? Não importunar
(logo ele falando isso). É assim mesmo. Eu sou amigo do Fagundes por exemplo,
mas não fico enchendo o saco dele, abusando da amizade. No aniversário dele, eu
ligo lá, cumprimento, ou no Natal, só em data especial, tá ligado, Louco?"
Ele era assim. Lembro que o meu amigo Pedro Guilherme chegou no Centro
Cultural com a cabeça quente e com cara de poucos amigos. Ele não titubeou.
Chegou pro Pedro e soltou na lata: "Qual que é, Mano? Tá apreensivo?" Pedro não
querendo conversa respondeu: "Não tô não, cara, tá tudo certo". Ele não era de se
intimidar: "Não tá não, cê tá apreensivo, Louco. Tô vendo na sua cara" E mandou
mais 5 minutos de aluguel pra cima do Pedrão que cansado e se dando por
vencido, esboçou um leve sorriso. Ele então, satisfeito, mandou essa: "Tá vendo só,
Louco? Tirei o apreensivo de dentro do seu coração".
O nome dele era Flávio. Ele guardava carros na frente do Centro Cultural. Ele era
excessivo. Ele era impertinente. Ele colava na banca. Ele pesava. Ele era folgado
pra caralho. Muita gente não gostava dele. E eu entendo. Ele não era fácil. Eu
gostava muito dele. Muito mesmo. O Flávio era de uma verdade assustadora. E
verdade é um troço que assusta. Eu entendo. Da última vez que nos encontramos,
Flávio fez questão de me pagar uma dose de whisky. Eu não podia recusar. Ele ia
ficar ofendido. Sei como são os caras do naipe do Flávio. Eles ficam muito
ofendidos. Eu aceitei.
Ninguém mais vai encontrar o Flávio na frente do Centro Cultural. Ele não vai mais
pedir pra eu comprar cachaça pra ele. E ele não vai mais tirar "o apreensivo" do
coração de ninguém. No dia 30 de Dezembro, alguém (ou alguns - ninguém sabe e
ninguém vai procurar saber - o Flávio não tem importância nenhuma - pra maioria
das pessoas ele era só um bêbado inoportuno) não suportou o Flávio. Bateram
muito nele e quebraram seu pescoço. Só fiquei sabendo ontem. Deus (Jordão) me
contou. Não saiu no jornal. Talvez ninguém tenha chorado a morte dele. Eu sempre
vou me lembrar dele. Todas as vezes que atravessar a Rua Vergueiro, na frente do
Centro Cultural e conseguir encostar no balcão do bar sem ninguém me interpelar,
vou lembrar do Flávio, pesando na minha: "E aí, Máriooo? Cê sabe que nós é louco,
né? Falei pra todo mundo aqui. Tem que ver a peça do Mário. É doidera. Peça do
Mário é doidera. Tem que ver. Cê tá ligado que nós é louco, né Mário? Deixa os
otário. Deixa os otário". Vai com Deus, Flávio.
Espero que tenha um bar bacana aí em cima e os caras deixem você comprar sua
própria cachaça. Quando eu chegar por aí, eu compro pra você, mas tô ligado que
você não vai mais precisar. Deixa "os otário".
Tetê Bezerra
Data: 24/01/2009 - Horário: 08h24min
Ingenuidade II
Tem petista chorando pitangas pela perda de sinecuras na Prefeitura aqui neste
santo SP? Ou é só impressão minha?
Essa turma continua a achar que está escrevendo para imbecis.
Paulo Couto
Data: 24/01/2009 - Horário: 08h07min
EDIÇÕES FLOR DO SAL E A POESIA DE THÉO
O poeta currais-novense Théo G. Alves lançará o seu livro "pequeno manual prático
de coisas inúteis", pelas Edições Flor do Sal. A quem desejar conhecer um pouco
mais da poesia desse jovem poeta, acesse o seu Museu de Tudo
www.museudetudo.blogspot.com ou o blog do Grupo Casarão de Poesia
(www.casaraodepoesia.blogspot.com).
DATA/LANÇAMENTO: 03/02/09
HORÁRIO: A partir das 18 h.
LOCAL: Nalva Melo Salão Café (Av. Duque de Caxias, 110, Ribeira, ao lado do
jornal Tribuna do Norte)
Iara Maria
Data: 23/01/2009 - Horário: 19h52min
Sobre o Oriente Médio
Postei em PROSA os artigos "Obama está em descompasso com região", de
Robert Fisk, do Independent, e "Questão palestina impõe escolhas difíceis", de
Steven Erlanger, do New York Times. Ambos publicados na FSP de hoje.
Tácito Costa
Data: 23/01/2009 - Horário: 18h48min
Prefeita das equipes
Enquanto a prefeita de Natal continuar a formar equipes para todos os problemas
existentes e ainda falar que no seu governo se fará o possível e o impossível para
solucionar os problemas continuaremos sem solução, pois a mesma tem que agir e
não fingir que trabalha indo olhar obras de drenagem e problemas causados pelas
chuvas. Certamente jogará as roupas usadas no lixo. Aliás a prefeita está
trabalhando muito: perseguindo funcionarios e aumentando o salario dos
secretarios, que passaram de pouco mais de 3 mil reais para 9.2 mil reais. Pelo
andar da carruagem a mesma demonstra um total despreparo e será manipulada
pelos gaviões que a apoiaram na campanha e estão nas diversas secretarias da
prefeitura. O tempo dirá se teremos melhoras na nossa quase ex-bela cidade do
sol.
Marcus Sales
Data: 23/01/2009 - Horário: 18h44min
Oscar Gado
Concordo inteiramente com o que Marcos Silva diz sobre o Oscar. E acrescento: a
preocupação com "filme estrangeiro" é um desses indícios (sintoma) desta vontadede-ser-América, típico de certa casta média latinoamericana.
Que importa o Oscar? Qual a importância que não a do famigerado mercado? Vejo
aquilo como um circo com feras e aves maravilhosas, cobertas com tecidos caros e
perfumes que a minha imaginação devaneia até os lírios do campo...
O Oscar funciona igual alimentação de gado no pasto. Após o ganhador do prêmio,
como gado, todo mundo vai ao cinema ver. Como dizem meus alunos, nesta
perfeita cacofonia: "o senhor vai assistir hoje o Oscar Gado?"
Gustavo de Castro
Data: 23/01/2009 - Horário: 12h44min
Maysa, Estudos
Caros amigos:
A TV Cultura transmitiu o programa "Maysa, Estudos", dia 22 de janeiro de 2009,
22:10 horas. Confirma a excepcional grandeza da cantora: beleza de voz, senso
interpretativo. Junto com isso, uma mulher que pensa o tempo todo, um ser humano
que pensa o tempo todo. Cantar e pensar não são departamentos separados. Se o
seriado da Globo serviu para essa retomada de Maysa, valeu a pena.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 23/01/2009 - Horário: 09h31min
Retorno a Kant
Prezado Paulo Couto:
Quando li o texto "Resposta à questão: que é Esclarecimento", de Kant, fiquei muito
impressionado com a ênfase dele em cada um pensar por seus próprios recursos,
sem um intelectual (ou uma pesada propaganda de estado) que pense por cada
um. Para mim, foi uma experiência muito importante: o duro aprendizado de
enfrentar os problemas sem soluções prévias representadas por uma ironia de
segunda.
Quanto ao conflito entre israelenses e palestinos, considero necessário certa
gravidade: tem gente morrendo, vida é só uma.
Cordialmente:
Marcos Silva
Data: 23/01/2009 - Horário: 09h30min
MISTÉRIOS DO OSCAR
Caros amigos:
As indicações para Oscar e as premiações distribuídas anualmente correspondem a
muita coisa, poucas delas referentes à arte cinematográfica. Seria tedioso indicar os
não-premiados, ou premiados quase-postumamente (pedido de desculpas?). Em
1955, "Janela indiscreta", de Hitchcock, concorreu com "Sindicato de ladrões", de
Kazan, e "Sete noivas para sete irmãos", de Stanley Donen. O primeiro filme nada
ganhou, o outro levou apenas o prêmio musical, Kazan foi muito premiado - talvez
mais por motivos políticos. E era uma competição entre filmes muito bons! Noutros
anos, os médios ou ruins mesmo levaram prêmios a granel.
A indústria cinematográfica brasileira, anualmente, fica mobilizada ao redor do
tópico "filme estrangeiro". Acho que não vale o esforço.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 23/01/2009 - Horário: 09h29min
Ingenuidade ou doutrinação política?
Mudar o que? Israel se retirar, pedir desculpas pelo estrago e negociar um espaço
na Sibéria pra armar o seu circo?
Israel deixar de se defender dos foguetinhos fofinhos do Hamas?
O Hamas deixar de fazer da população civil a sua trincheira?
Ora, gente, pensar não queima neurônio, o que queima neurônio é droga.
Vamos deixar de ser tão inocentes.
Paulo Couto
Data: 22/01/2009 - Horário: 21h13min
A fala de Obama
Enfim, Obama falou sobre o Oriente Médio. Foi em coletiva hoje. Repetiu
praticamente a mesma coisa que os seus antecessores já disseram.
"Nós entendemos que Israel tem o direito de se defender pois nesses últimos anos
o [movimento islâmico] Hamas lançou diversos foguetes na região. Porém, os
Estados Unidos estão comprometidos com a criação de dois Estados onde
palestinos e israelenses poderão conviver juntos".
Quem tinha alguma ilusão de que a política norte-americana para aquela região
mudaria alguma coisa pode tirar o cavalinho da chuva. Senão ele pega uma
pneumonia. Decepcionante!
Tacito Costa
Data: 22/01/2009 - Horário: 19h59min
Alex escreve sobre Poe
Alex de Souza escreve em sua coluna BAZAR, no portal NOMINUTO.COM sobre o
200 anos de nascimento do escritor Edgar Allan Poe.
http://www.nominuto.com/colunas/bazar/poe_200_anos/33077/
Tácito Costa
Data: 22/01/2009 - Horário: 19h42min
Sobre FAHRENHEIT 451
De Manuel da Costa Pinto, em texto publicado no site da Livraria Kriterion, que
reproduzi em PROSA:
http://www.kriterion.zlg.br/page65.aspx
"Sob certo aspecto, portanto, Fahrenheit 451 não é uma distopia, mas um romance
realista, que flagra a dialética demoníaca da sociedade de massas, em que as
massas parecem ser títeres das elites, mas na qual as elites só existem em função
das massas. Como lembra Faber, em um diálogo com Montag, a sociedade do
espetáculo é uma espécie de servidão voluntária:
―Os bombeiros raramente são necessários. O próprio público deixou de ler por
decisão própria. Vocês, bombeiros, de vez em quando garantem um circo no qual
multidões se juntam para ver a bela chama de prédios incendiados, mas, na
verdade, é um espetáculo secundário, e dificilmente necessário para manter a
ordem. São muito poucos os que ainda querem ser rebeldes.‖
Tácito Costa
Data: 22/01/2009 - Horário: 19h22min
Oscar 2009
LUIZ ZANIN
ESTADÃO
O ofício exige, estava até agora há pouco envolvido com matéria sobre a divulgação
dos indicados ao Oscar. Os premiados serão conhecidos daqui a um mês, dia 22 de
fevereiro, domingo de Carnaval. Não vi qualquer surpresa nas indicações. Talvez a
ausência de Batman entre os indicados a melhor filme possa causar alguma
estranheza. Heath Ledger, o Coringa, deve ganhar estatueta póstuma. Hoje
completa-se um ano de sua morte. Para mim, o maior escândalo dessa edição do
Oscar está na ausência de Gomorra, o extraordinário filme de Matteo Garrone sobre
a máfia napolitana. Nessa categoria (a de filme estrangeiro), quem deve ganhar é
Valsa com Bashir, animação israelense de Ari Folman, sobre o massacre de Sabra
e Chatila. Com o recente banho de sangue na Faixa de Gaza, ganha nova (e
trágica) atualidade.
Tacito Costa
Data: 22/01/2009 - Horário: 18h53min
Livro novo na ESTANTE
Coloquei na ESTANTE o livro ―Sonhar a Vida, Viver o Sonho – O Simbólico na
Comunicação Política‖, do professor do curso de Comunicação Social da UFRN
Marcelo Bolshaw.
Tácito Costa
Data: 22/01/2009 - Horário: 18h08min
Tantos centenários
Tácito e leitores
E para frisar uma opinião bem pessoal, acho um tanto triste e caliginoso esse hábito
de comemorar aniversários de morte com tanta euforia. Não sei se por minha
convicção religiosa ou por meu medo da morte... Enfim, anualmente isso é feito com
algum escritor importante. Ultimamente tem calhado de ser centenários... de morte.
Ano passado foi o de Machado de Assis; esse ano é o de Euclides da Cunha. Acho
mais alegre (todavia não mais importante) comemorar bodas de nascimento.
Exemplo, esse ano ocorre o bicentenário de nascimento de Edgar Allan Poe.
Alguém já mencionou isso com pompom de frevo? Rs. No entanto meu bom senso
ajuda-me a perceber que importante mesmo é fazer lembrar nossos maestros da
escrita e evidenciá-los para todos. Agora, abrir mão de que eu acho dark essas
manias comemorativas, ah isso eu não abro...
Beijos,
Denise Araújo Correia
Data: 22/01/2009 - Horário: 17h47min
Oscar?
Entre o Oscar e o Oscarito, prefiro o segundo.
Abraços.
Moacy Cirne
Data: 22/01/2009 - Horário: 17h46min
Virou moda!
Agora, todo dia um secretário da borboleta faz coletiva pra anunciar "a situação em
que encontrou a secretaria etc, etc....". A próxima coletiva anunciada - pra amanhã é a do diretor da Urbana. Porque é que esse povo não arregaça as mangas e vai
trabalhar, ao invés de ficar criando factóides e tentando culpar a admistração
passada por todas as mazelas do mundo???
lissa
Data: 22/01/2009 - Horário: 17h48min
Sai lista de indicados ao Oscar
"O Curioso Caso de Benjamin Button" obteve 13 indicações ao Oscar 2009, apenas
uma a menos do que os recordistas históricos, "A Malvada" (1950) e "Titanic"
(1997), cada um com 14 indicações. Quem Quer Ser Um Milionário?" também é
favorito e obteve dez indicações. Mas concorre em nove categorias, incluindo
melhor filme, diretor (Danny Boyle), roteiro adaptado (Simon Beaufoy). Na categoria
melhor canção, o filme aparece duas vezes, com as músicas "Jay Ho" e "O Saya".
Na categoria de melhor ator, Brad Pitt ("O Curioso Caso de Benjamin Button") e
Mickey Rourke ("O Lutador") se enfrentam novamente este ano. Kate Winslet ficou
com apenas uma indicação, a de melhor atriz por "O Leitor", frustrando quem
achava que repetiria a dobradinha do Globo de Ouro. No seu lugar, na categoria de
melhor atriz coadjuvante, entrou a atriz Taraji Henson, que faz a mãe adotiva de
Brad Pitt em "O Curioso Caso de Benjamin Button".
A cerimônia de entrega do Oscar se realizará no domingo, 22 de fevereiro, a partir
das 22h.
Tacito Costa
Data: 22/01/2009 - Horário: 16h57min
O contrário das horas
Por Michelle Ferret
Tribuna do Norte
Se Charlie Chaplin estivesse vivo se identificaria urgente com o filme
O Curioso caso de Benjamim Button do diretor David Fincher. Em cartaz
em todas as cidades brasileiras e em várias partes do mundo, o longa
(realmente longa, quase três horas de duração), se assemelha à seguinte
citação dita por Chaplin ?A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira
como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de
trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.
Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito
novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40
anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria.
Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a
faculdade. Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança,
não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta
para o útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E
termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito??
Assim é também a essência do roteiro do filme ?O Curioso Caso de
Benjamim Button? baseado no livro publicado em 1920 pelo escritor F.
Scott Fitzgerald.
A história é a de um bebê que já nasceu velho, com seus 80 anos, logo
após o fim da Primeira Guerra Mundial (1918) em Nova Orleans. Abandonado
pelo pai e órfão de mãe (que morreu no parto), Benjamim é deixado na
porta de um asilo de idosos. Sua estranha aparência, cheia de rugas,
faz com que a dona do asilo (Taraji P. Henson) sinta compaixão.
Assustada pela aparência física da criança, ela esconde Benjamim mas
depois decide mostrá-lo a todos os moradores do lugar, que também sentem
pena e ao mesmo tempo se encantam com a possibilidade de uma criança
conviver entre eles.
Quem conta a história é Dayse - já no leito de morte (estrelada na
memória por Cate Blanchett) - a menina por quem Benjamim se apaixonou
perdidamente desde a primeira vez que a viu. Sempre ao contrário, assim
como o relógio instalado na ferrovia da cidade, a sequencia do filme
acontece no tempo cronológico, porém existencialmente ao contrário se
visto pela idade do personagem principal e pela narrativa.
Com diálogos intensos e carregados de sentidos sobre a humanidade, a
obra ? com a bela fotografia de Claudio Miranda, anuncia-se num
claro/escuro revelador de esperanças e o segredo de existir sem ter idade.
Esse é um dos pontos interessantes da obra, a brincadeira do convívio
entre os idosos do lar e uma criança/idosa que passa a mostrar a eles
outra perspectiva de vida. A obra mostra também a peculiaridade de cada
um no seu jeito de observar ao redor. A cantora de ópera com sua
radiola, o contador de histórias que foi atingido por raios mais de sete
vezes e as imaginações férteis de quem já deixou de produzir para o
mundo capitalista. Outro ponto forte e notoriamente o carro chefe é em
si a história de amor entre Benjamim e Dayse que embora eles tenham a
mesma idade quando se conheceram se distanciam fisicamente por ele ter
seus 60 e poucos anos enquanto ela tem apenas 7. Ao passar dos anos,
Dayse vai crescendo enquanto ele vai rejuvenescendo e assim seguem numa
angustia pela busca de um amor que escapa a cada tique do segundo de um
relógio. Nesse correr dos dias, ele se aventura na vida conhecendo
vários lugares, indo a alto mar com um comandante que lhe ensinou a
enxergar ao redor de uma maneira livre com ?arte?. O encontro entre os
dois no retorno das andanças de Benjamim é um dos momentos mais lindos e
dolorosos do longa.
A música assinada por Alexandre Desplat é primorosa e consegue costurar
as cenas dividas entre a realidade (cena em que Dayse está na cama
contando sua história para a filha) e as imagens das lembranças (onde se
desenvolve praticamente toda a história).
Longe do lugar comum e perto de um drama bem feito, o longa toca o
espectador em diferentes esferas ao puxar o tapete de nós mesmos
desfazendo preconceitos quanto à idade e aos idosos, quando muitas vezes
estão à margem socialmente em casas de repouso, distante dos olhos do
mundo.
Bem aclamado pela crítica e pelo público, Benjamin Button é um filme
para assistir com calma e não ficar olhando o relógio enquanto se espera
as quase três horas de duração correrem.
Tacito Costa
Data: 22/01/2009 - Horário: 16h26min
Particularidades
Por Luana Vignon
O que mais me atrai numa viagem é o chamado "turismo gastronômico". Como diz
o Pierre, viajar é como trocar de bar, isso porque não somos adeptos da cidade
para turistas, mas sim da cidade real, com seus fedores e aromas, sabores e
dessabores. Sentar numa das mesinhas da Adega Pérola no Rio de Janeiro e
apreciar uma legítima morcela portuguesa é a minha concepção de um turismo bem
feito. Ou ainda, saborear deliciosas pataniscas na ébria companhia de Miguel do
Rosário e Priscila Miranda no Pavão Azul. Camilla Lopes nos indicou uma ótima
feijoda no Catete. Felizmente não só o Rio oferece essa miríade de riquezas
gastronômicas. Em Londrina, no Bar do Jaime, experimenta-se uma suculenta
costela de porco, somente às sextas-feiras; no mesmo centro comercial, no andar
superior, o Portuga oferece um fantástico bolinho de carne, comparável até mesmo
aos famosíssimos croquetes do Moraes, no centro de São Paulo. Em Araçatuba,
vejamos, o inigualável cupim casqueirado com mandioca cozida e molho batido é
obrigatório. Por isso, não me venham com cristos redentores ou cataratas do
iguaçú, o que torna uma cidade única são suas peculiaridades, a forma como um
povo lida na cozinha diz muito mais sobre sua história do que monumentos de
concreto. Outro dia vi num programa de tv um ―tour gastronômico‖ pelas pizzarias
de Nova Iorque, passando especialmente pelo Brooklin, comparando as famosas
pizzas napolitana e siciliana, relembrando antigos hábitos dos italianos que por lá
aportaram. Porém, aos que não dispõem de sensibilidade gustativa, sempre restará
a estátua da liberdade.
Tete Bezerra
Data: 22/01/2009 - Horário: 16h21min
Fórmula para uma guerra sem fim
Postei em PROSA o texto Fórmula para uma guerra sem fim, de Hal Lindsey,
enviado por Tales Costa.
Tacito Costa
Data: 22/01/2009 - Horário: 16h14min
Nós fazemos
Essa semana eu não quero que vocês leiam um texto meu.
Prefiro que vocês vejam o vídeo abaixo, criado por alguns amigos de forma gratuita,
produzida a preço de custo e exibido com o apoio de veículos de comunicação.
Como a causa é boa, cedo o espaço dessa coluna para ajudar na divulgação.
Já estava com um texto prontinho detonando nossas ―otoridades‖ que querem fazer
mais uma farra com nossa grana a pretexto da Copa de 2014. Ah, paciência, eles
vão ter que esperar mais uns dias.
Assista:
http://www.youtube.com/watch?v=g1Ss08Pj7Jk
Acesse:
www.nosfazemosevoce.com
Carlos Fialho
Data: 22/01/2009 - Horário: 13h04min
Sobre a morte
DE MOACY CIRNE NO SEU
www.balaiovermelho.blogspot.com
"Mas a morte de uma pessoa amiga, de uma pessoa muito próxima da gente, tem
uma dimensão cósmica que não se esgota em palavras de conforto, de bem-querer,
de boa vontade. A rigor, tem uma dimensão cósmica que escapa ao próprio sentido
da dor. Que escapa ao próprio sentido da vida, por mais que a vida continue. Para
suas filhas. Para seu companheiro. Para seus irmãos e irmãs. Para seus amigos e
amigas."
Tácito Costa
Data: 22/01/2009 - Horário: 12h36min
Mito e literatura
Caros amigos:
No texto de Rachel Nunes, a relação de Guimarães Rosa com o universo mítico
aparece como uma deficiência em relação ao real. Estamos falando de literatura!
Mito não é fuga nem bobagem, é fabulação, forma de indagar sobre o mundo!
Literatura é o reino do mito-poético! Mitos aparecem nos melhores autores realistas
do planeta: que dizer do episódio da morte de Baleia ou do encontro de Fabiano
com o soldado amarelo, ambos em "Vidas secas"?
Quando eu era mlk, em Natal, ouvi alguns colegas dizerem que Guimarães Rosa
era apenas um virtuose da forma. Relendo o autor de "Grande sertão", discordo
cada vez mais dessa avaliação. É impossível separar materialidade e mito na carne
da literatura. Sem mito, adeus literatura! E arte em geral!
Abraços:
Marcos Silva
Data: 22/01/2009 - Horário: 12h32min
Sobre a PMN e o espaço público.
Caros amigos:
Os acontecimentos que Daniel Dantas narrou (perseguições contra funcionários
municipais por discordâncias políticas) são mais graves porque evidenciam uma
apropriação indevida do espaço público. Um novo governo não é um novo dono do
pedaço. Ninguém é eleito para ser déspota e sim para administrar e propor
políticas.
Eu sempre tenho esperanças de que as coisas possam melhorar. Só que elas
dependem de nós para melhorarem. E a imprensa eletrônica mais quaisquer outros
meios disponíveis são instrumentos preciosos naquela garantia de melhora.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 22/01/2009 - Horário: 12h31min
Caça às bruxas
Se pussesse um título nesta nota, seria Caça às bruxas. A senhora prefeita chamou
uma servidora pública de sua confiança para uma conversa sobre o SUS. No meio
da conversa, disparou que queria todos aqueles que trabalharam para Cida França
na campanha eleitoral fora da SMS. Foi surpreendida com a resposta que ouviu da
sua interlocutora, que sugeriu que a prefeita começasse com ela mesma, que votou
em Micarla e em Cida. A ação de perseguição por parte de Micarla é autoritária,
anti-democrática e desprovida de fundamento. Afinal, o tal grupo que a prefeita quer
ver fora da Secretaria, não é pequeno e é composto por servidores públicos que
têm liberdade de expressão e de voto - o que significa que não podem ser punidos
por isso. Isso parece com algo que soube que Augusto Viveiros fez no
Planejamento. Ele desmobilizou todo um setor, de forma abrupta e intempestiva.
Um setor que era responsável por um projeto do ministério das cidades. Que é
comandado pelo PP, do vice-prefeito Paulinho Freire. Os servidores chegaram para
trabalhar e encontraram documentos espalhados e computadores desmontados.
Caça às bruxas. A diferença é que a mídia digital atualmente nos permite publicar o
que antes ficava escondido dos olhos do público.
Daniel Dantas
Data: 22/01/2009 - Horário: 11h41min
Amor e paz - Relembrando Vinicius e Baden
Caros amigos:
Lendo a resposta de Domingos de Oliveira sobre amor, felicidade, solidão e paz,
lembrei de uma das obras-primas de Vinicius de Morais e Baden Powel no
espetacular disco "Os afro-sambas", regravado na íntegra por Mônica Salmaso e
Paulo Belinatti:
Tempo de Amor (Samba do Veloso)
(Baden Powell e Vinícius de Moraes)
Ah, bem melhor seria
Poder viver em paz
Sem ter que sofrer
Sem ter que chorar
Sem ter que querer
Sem ter que se dar
Mas tem que sofrer
Mas tem que chorar
Mas tem que querer
Pra poder amar
Ah, mundo enganador
Paz não quer mais dizer amor
Ah, não existe
Coisa mais triste que ter paz
E se arrepender
E se conformar
E se proteger
De um amor a mais
O tempo de amor
É tempo de dor
O tempo de paz
Não faz nem desfaz
Ah, que não seja meu
O mundo onde o amor morreu
xxxxx
Abraços:
Marcos Silva
Data: 22/01/2009 - Horário: 11h39min
Anna & Euclides: um PS
Caros amigos:
Deixei de comentar uma coisa sobre Euclides da Cunha e su mulher: Anna não era
prostituta; se o fosse, teria o direito de ficar com quem quisesse.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 22/01/2009 - Horário: 11h38min
Sobre os quatro elementos
Segundo o pensamento de JUNG, a personificação do bem em um Deus-pai é um
fato psicológico unilateral que forçou inevitavelmente a personificação do mal na
criação do satanás, como solução ao fato psicológico de que a contrapartida natural
da existência de um homem bom -um deus pai-, teria de ser a existência de uma
mulher má -uma madrasta ou uma bruxa-, e que pelo princípio homoestático esse
par teria de ser alternado pelo seu contrário, o par de um homem mal versus uma
mulher do bem, o que torna o símbolo da tetráde não o dá trindade uma
representação mais completa do todo. Como vimos o cristianismo vale-se de um
artifício anti natural para a questão dele não ter a resposta para o por que da
existência do mal, e ao optar pelo mito do anjo caido como solução, teve que
amputar a natureza pela repressão violenta do princípio feminino. Não sem razão o
tema que movimenta o Gêneses(a criação) é o erro cometido por EVA. O quarto
elemento é a mulher que foi identificada com o mal, e por isso reprimida, para que
assim projetada numa entidade fora do "ser", o "homem" pudesse se entregar ao
domínio do mal sem ser necessário assumir a responsabilidade ética dos seus atos.
Com certeza essa amputação é um dos motivos principais do caos que vemos na
existência do planeta.
Luis Sávio Dantas
Data: 22/01/2009 - Horário: 11h38min
Domingos Oliveira
"Gente amiga, fiz dobradinha na Revista Aplauso
http://www.aplauso.com.br/site/portal/default.asp deste mês: tem entrevista com
Domingos Oliveira e resenha de A Chave de Casa, da Tatiana Salem Levy.
Como não posso postar aqui (não ainda) a entrevista inteira (tampouco a resenha),
e vontade não me falta, vou servir pelo menos uma entrada.
Pedi pra algumas pessoas, como Fabiano de Souza e Selton Mello, fazerem
perguntas ao Domingos.
Essa veio do JP Cuenca:
João Paulo Cuenca: Quando eu vou parar de sofrer pelas mulheres?
Domingos Oliveira: Vou ter que dar uma resposta direta. Nunca. O amor não é pra
trazer felicidade, não é pra trazer paz, não é feito isso, é uma injustiça pedir isso a
dele, é uma violência pedir isso dele. O amor dá muitas outras coisas, mas não a
felicidade, muitas outras. A felicidade, ao contrário é um atributo da solidão, a paz é
um atributo da solidão.
http://manoelasawitzki.blogspot.com/
Tetê Bezerra
Data: 21/01/2009 - Horário: 21h21min
Órion
O órion
Navega na constelação
Seca de meu mar
O franklin
Vomita palavras
Nas linhas paralelas
Dos acordes carvalhescos
Poesia em órbita...
Canal freqüente
Fluindo veias adentro
Nas terras da boa esperança
O órion
Com o olhar na janela
O poeta
Com o verso
No uni
Verso...
Oreny Júnior
Data: 21/01/2009 - Horário: 21h15min
Euclides @ Anna: humanos
Prezado Tácito:
Euclides da Cunha é um escritor brilhante. Isso não significa endossar sua trajetória
biográfica. Nem significa achincalhar seu corpo e fazer comparações anacrônicas
(com o assassino de Eloá ou outros assassinos de mulheres).
Não tenho paciência para esses exames de corpo que levam a conclusões
apressadíssimas. Li uma coisa dessas sobre Verlaine, excelente poeta, e as
dimensões de seu pênis. Excetuando os eventuais usuários dessa parte de seu
corpo (ou, numa dimensão oposta, as eventuais usuárias da mesma parte do corpo
de Garrincha), não vejo interesse público nenhum em tal afirmação.
Se Euclides sofria de demência e escreveu aquilo tudo, precisamos rever
urgentemente o conceito de demência.
Ele sentiu ciúmes, fez bobagem (penso que a melhor solução para separações é
arranjar outra ou outro, ao invés de matar quem traiu). Claro que Anna não era
prostituta, era uma mulher que gostava de homem - se gostasse de mulher seria
igualmente saudável.
No centenário de Euclides, seria ótimo que publicassem mil análise sobre sua
escrita tão bonita.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 21/01/2009 - Horário: 21h15min
Disputa literária
Marcos,
também acho besteira colocar Machado em disputa com Guimaraes. São dois
clássicos da na nossa literatura. Ponto. Lembro que já tentaram fazer isso com
Drummond e Bandeira, o poeta mineiro reagiu com desdém, perguntando se havia
um metro que media. Obrigada pela dica do livro de Walnice. Abraços...
Tetê Bezerra
Data: 21/01/2009 - Horário: 19h14min
As memórias inventadas de Manoel de Barros
POR MICHELLE FERRET
TRIBUNA DO NORTE
Escutar a voz dos passarinhos e fazer delirar os verbos são funções vitais na vida
do escritor Manoel de Barros. Com 92 anos encompridando rios e fazendo casas
sobre os orvalhos da manhã, ele se faz raro. Nessa tarefa de transformar a palavra
em brinquedo, Manoel acaba de anunciar que suas obras da coleção "Memórias
Inventadas", lançadas pela editora Planeta, são suas últimas. Em série, ele publicou
a
primeira, segunda e a terceira infância, desdobrando a prosa em poesia
em forma de despedida.
Como um passageiro na vida e na escrita, Manoel consegue trazer na delicada
coleção os livros mais bonitos já vistos na literatura brasileira. Suas páginas soltas
com iluminuras de Martha de Barros (filha do escritor) são amarradas por uma fita
de cetim colorida (cada obra tem uma cor diferente) e representam a delicada
maneira do velho menino poeta enxergar a vida.
Ao abrir, o leitor pode se deliciar com a construção de um texto criativo e forte. Uma
prosa arrodeada de poesia como o capítulo chamado "O apanhador de
desperdícios" que diz, "uso a palavra para compor meus silêncios. Não gosto das
palavras fadigadas de informar. Dou mais respeito as que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo
(...) Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos. Tenho abundância de ser feliz
por isso. Meu quintal é maior do que o mundo. Sou um apanhador de
desperdícios... só uso a palavra para compor os meus silêncios". Para abrir os
quinze capítulos que permeiam a obra, Manoel se apresenta de início, anunciandose. "Eu tenho um ermo enorme dentro do olho. Por motivo do ermo não fui um
menino peralta. Agora tenho
saudade do que não fui. Acho que o que faço agora é o que não pude fazer na
infância. Faço outro tipo de peraltagem. Quando era criança deveria pular muro do
vizinho para catar goiaba. Mas não havia vizinho. Em vez de peraltagem eu fazia
solidão".
Dos silêncios e da solidão, Manoel retira o que é importante. Como o
canto dos pássaros numa tarde longa ou as águas carregadas nas
peneiras de sua infância. Em seqüência aos livros, a "Segunda Infância" traz um
Manoel mais adolescente, com olhar voltado aos prazeres da vida, numa ciranda de
palavras e desejos. "[..] Que o canto das águas e das rãs é mais
importante para os músicos do que os ruídos dos motores da Fórmula 1. Há um
'desagero' em mim de aceitar essas medidas. Porém não sei se isso é um defeito
do olho ou da razão. Se é defeito da alma ou do corpo. Se fizerem algum exame
mental em mim por tais julgamentos, vão encontrar que eu gosto mais de conversar
sobre restos de comida com as moscas do que com os homens doutos".
A tríade segue sempre nessa caminhada de Manoel pela vida, quando ele descobre
que os homens cultos se despedem dos passarinhos para viverem enclausurados
em si mesmos. Talvez por isso, ele inicie as três obras com a frase "Tudo o que não
invento é falso" e assim ele se derrete em palavras transformando tudo ao redor de
si, inclusive sua paixão pelas
rãs que amanhecem coloridas. O último livro "A Terceira Infância" é talvez o mais
belo e o mais triste de Manoel, quando uma reflexão sobre a vida e o que estamos
fazendo nela vem à tona. O poeta inicia contando que três personagens o ajudaram
a compor suas memórias. "A criança, os passarinhos e os andarilhos. A criança me
deu a semente da palavra, os passarinhos me deram o desprendimento das coisas
da terra e os andarilhos a pré-ciência da natureza de deus". E assim ele se despede
das publicações lembrando a todo tempo da solidão de sua infância em
Corumbá, no Mato Grosso do Sul, e a divertida invenção da vida no fazer das latas
de goiabada os seus carrinhos. E assim Manoel segue em sua história, inventando
palavras, acompridando rios, observando os caracóis como a solidão que anda na
parede e ouvindo a voz de sua mãe que sempre dizia: esse menino vai ser poeta,
vai passar o resto da vida carregando água na peneira. E vai encher o mundo com
suas peraltagens". E assim se fez.
Memórias Inventadas. Editora Planeta. Autor: Manoel de Barros.
"Infância", "Segunda Infância" e "Terceira Infância". Preço médio R$
25 reais cada.
Tácito Costa
Data: 21/01/2009 - Horário: 19h03min
Você é certeiro
Tácito, você é certeiro e sintomático com os excertos que escolhe para postar.
Obrigado por responder e, por sua indicação, vou iniciar a leitura. Obrigado pela
oferta, mas gosto de ler o livro meu mesmo, pois minha possessão é meio doentia...
Não consigo ler sem rabiscar, marcar, conversar com o autor, entende?
(obs.: Antes de mais nada, concordei com o trecho quando fala que compreensão é
imprescindível. E se o amor é tema deveras complicado, creio que quem mais
aproxima-se de desvendá-lo são os escritores).
Beijo,
Denise Araújo Correia
Data: 21/01/2009 - Horário: 17h08min
O curioso caso de Benjamim Buton
Uma reflexão para todas as idades: o que é ser criança sendo adulto e adulto sendo
criança? A fábula de Benjamim Butos é a história de quem não teme tempestades.
Gustavo de Castro
Data: 21/01/2009 - Horário: 17h08min
Euclides da Cunha
Natália Gurgel
ISTO É
Celebra-se em 2009 o centenário de morte do genial escritor Euclides da Cunha
(1866-1909), autor de Os sertões - livro que narra o massacre do líder messiânico
Antônio Conselheiro no vilarejo de Canudos, no sertão nordestino. Euclides foi
assassinado a tiros pelo amante de sua mulher. Entrou para a história, assim, pelo
seu talento literário e também por ter sido entronizado -- pela cultura machista que
justifica ao homem todo destempero quando se trata de "lavar a honra" - como
vítima da esposa adúltera, Anna Ribeiro, que o traiu com o militar Dilermando de
Assis.
OLHAR FEMININO
A autora absolve Anna Ribeiro, a mulher adúltera de Euclides da Cunha (à esq.),
das acusações e do "achincalhe" de que foi vítima
Agora, chega às livrarias um livro que coloca as ideias no lugar: baseado em
documentos da época, mostra que o escritor foi mais algoz do que vítima. A obra
chama-se Matar ou morrer: o caso Euclides da Cunha (Saraiva, 151 págs. R$ 54),
de autoria da procuradora de Justiça de São Paulo Luiza Nagib Eluf. Ela tem a
coragem dos iconoclastas e o rigor metodológico de quem coteja fatos. "As
motivações que levaram Euclides a ir armado à casa onde moravam sua mulher e o
amante, disposto a matá-los, não são diferentes das que causaram mortes
recentes, como a da adolescente Eloá, assassinada pelo ex-namorado que, assim
como Euclides, não aceitava o fim do relacionamento", disse ela à ISTOÉ.
Luiza Eluf montou o seu livro a partir da leitura do processo contra Dilermando:
"absolvo o casal Anna e Dilermando dos achincalhes de que foram vítimas" -conta-se que, ainda hoje, na cidade paulista de São José do Rio Pardo, onde foi
escrito Os sertões, corre o comentário: "Perdemos um gênio por causa de uma
prostituta". Na opinião da autora, Euclides foi vítima de sua vaidade pessoal e do
conservadorismo. Luiza Eluf reproduz análise do médico Walter Guerra do laudo
necroscópico de Euclides. Aí está uma revelação: ele seria portador de demência
decorrente de sífilis (doença sexualmente transmissível), o que teria agravado o seu
temperamento impulsivo. Isso não foi revelado à época porque Euclides era um
"mito em vida". "Seu desinteresse pelas mulheres era notório. Tudo leva a crer que
fosse misógino", escreveu Guerra. Nos dias de hoje, o fato não cria estigmas para
Euclides. Mais: retira de Anna o rótulo de prostituta. Como a esmagadora maioria
das mulheres, ela queria amor e não teve medo de vivenciá-lo.
Tacito Costa
Data: 21/01/2009 - Horário: 16h25min
Corretor online
Um site que corrige automaticamente a sua escrita de acordo com as novas regras
ortográficas
http://ramonpage.com/ortografa
Nestes tempos de mudanças ortográficas, sempre temos dúvidas.
Para quem quer uma resposta rápida, uma ótima dica é este site em que você digita
a frase e ele responde com as novas regras em vigor:
http://ramonpage.com/ortografa/
Foi usada a frase: "As conseqüências do anti-semitismo são desastrosas, uma
péssima idéia", como exemplo, e o site me retornou:
"As consequencias do antissemitismo são desastrosas, uma péssima ideia".
Tete Bezerra
Data: 21/01/2009 - Horário: 15h50min
O quarto elemento
Postei em PROSA o texto O quarto elemento, do escritor Pablo Capistrano.
Tacito Costa
Data: 21/01/2009 - Horário: 15h51min
A responsabilidade da FSP (e de similares)
Caros amigos:
O texto de Marcelo Coelho na FSP é legal. Sinto falta de maior cobrança sobre a
responsabilidade editorial de quem junta aquele time, escolhido a dedo. Não é
acidente, é projeto.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 21/01/2009 - Horário: 15h42min
Guimarães Rosa e o Brasil
Prezada Tetê:
Gosto muito de Machado e Guimarães. Considero perda de tempo a enquete da
FSP por dois motivos:
1) A literatura brasileira não se reduz aos dois. Cadê Cruz e Souza, Souzândrade,
Drummond, Lima Barreto, Euclides (etc)?
2) O mundo seria muito mais chocho sem um dos dois.
Penso que Guimarães encara o Brasil, sim. Basta ler "Grande sertão: veredas":
quer mais Brasil que aquilo?
Mas nos contos e nas novelas de Guimarães também tem um Brasilzão danado:
"Conversa de bois" (o trabalho e a hominização), "Recado do morro" (o poder da
arte e as metamorfoses da razão) e muito mais.
O Brasil, felizmente, gerou esses dois ótimos escritores e mais outros excelentes.
Sobre a resposta de Walnice, aconselho a leitura do livro dela "As formas do falso":
excepcional.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 21/01/2009 - Horário: 15h40min
Espetáculo teatral
Prezado Tácito,
Neste dia 29 de janeiro vamos estrear um novo espetáculo em Natal, trata-se d O
Romanceiro - de Teatro, Música e Dança concebido a partir dos antigos romances e
canções cantados por Dona Militana, romanceira potiguar. Em Natal O Romanceiro
fará apresentação única Dia 29 de janeiro, 5ª feira Às 20 horas No Teatro de
Cultura Popular, anexo à Fundação José Augusto, Rua Jundiaí, 641 Tirol Entrada
Franca. No elenco, 35 artistas da RDS Ponta do Tubarão / Macau. Concepção e
Direção Véscio Lisboa Patrocínio Petrobras Realização Centro Ama-Goa e Rancho
– Centro Petrobras de Desenvolvimento Sustentável. Gostaria de contar com a sua
presença e também na divulgação, claro.
grande abraço. véscio.
[email protected]
Véscio Lisboa
Data: 21/01/2009 - Horário: 13h10min
Machado, Rosa e os críticos
RACHEL NUNES
Uma enquête da Folha de São Paulo impôs uma decisão: qual é o melhor escritor
brasileiro, Machado de Assis ou Guimarães Rosa? Responderam à questão
teóricos e críticos literários, boa parte apontando a artificialidade do
questionamento, ou sua frivolidade. Nada contra, mas não vemos na escolha algo
arbitrário como ―você torce pelo Flamengo ou pelo Fluminense? Em tudo podemos
enumerar razões, e alguns o fizeram para determinar suas escolhas. Destacamos, a
princípio, o texto de Alcir Pécora, professor da Unicamp: ―Machado vence o dérbi
por uma cabeça. O estilo elegante, o raciocínio frio, o comentário irônico , o humor
ácido, o ceticismo engenhoso, a habilidade de fazer e desfazer o romanesco sem
perder o fio da meada, e moralismo demolidor que associa cada ponto de vista ao
jogo de enganos (...). Rosa, campeão da experimentação lingüística, por vezes,
permite que a exuberância da linguagem mascare um ponto de vista, senão
populista, bem próximo ao sendo comum: a ciência não explica tudo, o doutor não
sabe que não sabe, a mitologia popular é sábia, o que acaba resultando em
sentenciosidades do tipo ‗viver é muito perigoso‘, ‗o mundo é misterioso‘ etc.‖.
Nosso entendimento não é outro, e por isso é surpreendente a resposta de Walnice
Nogueira Galvão, da USP, à pergunta ―Que imagem do Brasil de depreende da obra
de Rosa?‖: ―Um Brasil em que existe uma oligarquia, que por sua própria natureza é
minúscula, comandando, dominando, explorando uma plebe enorme‖. Nada contra
a afirmação, mas sim da origem pois, como Alcir, desconfiamos que Rosa
desconversa rumando pelos mares do mito, fugindo ao confronto com relações
sociais muito mais brutais e cruas, sem emergências de mitos fundadores e/ou
libertadores das gentes. Donde se deduz que, sim, o Fla-Flu existe, e podemos
afirmar, assumindo os riscos, que, sim, Machado de Assis é melhor que Guimarães
Rosa, sobretudo por nos obrigar a olhar para o país nas suas imensas contradições
e em meio delas, enquanto Rosa parece se dirigir ao leitor desde os tempos
imemoriais da cultura grega, passando pelos cavaleiros da távola redonda e
sedimentando-se no sebastianismo português. Claro, existem fragmentos dessas
informações em nossa formação cultural, mas isso não turva as relações presentes
cujos fundamentos não estão nos mitos, mas em um processo de poder de onde
emergem não deuses ou cavaleiros andantes, mas pessoas em conflito, lutando
pelo poder, pelo domínio das coisas. Nesse universo Machado incide com mais
vigor, e também com mais graça.
Tetê Bezerra
Data: 21/01/2009 - Horário: 13h04min
Brouhaha
A escolha de Carlão para editar a Brouhaha é a melhor notícia dos últimos meses.
parabéns carlão. você é um homem de muita coragem, viu!
Franklin Serrão
Data: 21/01/2009 - Horário: 15h43min
DuSouto: desorganizar para botar no lugar
"A divulgação ajuda a abrir mais portas. Certamente São Paulo é um lugar para
aportar, mas vai depender de muitas outras coisas. Não temos muita preocupação
em relação a isso não. Natal é uma cidade linda e maravilhosa, pra podermos sair
daqui tem que ter um motivo muito forte."
De Paulo Souto, baixista da banda natalense DuSouto, que teve duas músicas
selecionadas para a trilha sonora da série 9MM, da Fox.
Matéria completa: www.oinimigo.com
Alexis Peixoto
Data: 21/01/2009 - Horário: 12h21min
Memórias de Poe
Aproveitando a carona do artigo de Alex (massa, por sinal), puxo da memória
minhas lembranças das primeiras leituras de Poe: foi num volume da coleção
Universidade de Bolso, editada pela Ediouro em priscas eras e que trazia, salvo
uma ou outra ausência, o grosso da produção ficcional e poética do homem. O tal
livro, de capa vermelha e com um desenho meio bizonho misturando a figura de
Poe a de um corvo na capa, não sei porque me chamava atenção na estante do
meu pai. Até que um dia, depois de assistir um dos famosos episódios de halloween
dos Simpsons que tinha uma paródia de "O Corvo", o velho Peixoto sacou o livro da
estante e me mostrou o poema. Não entendi muito, óbvio, já que devia ser mais
novo do que Alex quando leu os contos pela primeira vez. Ler mesmo, só fui ler
alguns anos depois quando caiu na mão uma edição da editora Ática, que tinha "O
Escaravelho de Ouro" como carro-chefe. Mas até hoje, na minha estante, está lá o
mesmo livro vermelho que meu pai me mostrou há sei lá quanto tempo, todo
remendado, mas ainda assim resistindo. E quando leio Poe, só leio dessa edição.
Em tempo: meus contos favoritos são "O Barril de Amontillado", "Manuscrito
Encontrado Numa Garrafa" e "O Estranho Caso do Senhor Waldemar".
Alexis Peixoto
Data: 21/01/2009 - Horário: 12h21min
Como qualquer outro americano
A quem diga que os EUA só se construíram porque os estadunidenses crêem no
seu Destino Manifesto. A quem diga que a filosofia do Destino Manifesto é o mito
fundador da nação norte-americana. O discurso de posse do presidente Obama
relembra que, nesse aspecto, ele é um americano como outro qualquer:
"Ainda somos uma nação jovem, mas, nas palavras da escritura, chegou o tempo
de pôr de lado as coisas infantis. Chegou o tempo de reafirmar nosso espírito
resistente; de escolher nossa melhor história; de levar adiante esse dom precioso,
essa nobre ideia, transmitida de geração em geração: a promessa dada por Deus
de que todos são iguais, todos são livres e todos merecem a oportunidade de
perseguir sua plena medida de felicidade.
(...)
Essa é a fonte de nossa confiança -- o conhecimento de que Deus nos chama para
moldar um destino incerto.
".
Daniel Dantas
Data: 21/01/2009 - Horário: 12h20min
Os Doutores do Pessimismo
MARCELO COELHO
FOLHA DE SÃO PAULO
Será chamado de ingênuo aquele que quiser algo melhor do que o mundo em que
vive
NÃO É PRECISO ser um grande gênio para constatar que vivemos num mundo
bárbaro.
Que o ser humano é capaz das maiores atrocidades. Que a vida é feita de
competição, inveja, egoísmo e crueldade.
Ninguém precisa ter vivido num campo de prisioneiros na Sibéria nem ter sido
moleque de rua no Capão Redondo para saber disso. Mas virou moda entre muitos
intelectuais e jornalistas anunciar uma espécie de "visão trágica" do mundo, como
se se tratasse da mais surpreendente novidade.
Com certeza, há nisso uma reação saudável contra o excesso de otimismo. Durante
o século 20, grande parte da esquerda não quis ver as barbaridades cometidas por
Stálin e Mao porque, em última instância, "tudo iria dar certo". Belas esperanças
tornaram-se pretexto para atos de horror. Nada mais correto do que denunciar o
horror.
O que me parece estranho é que, mais do que denunciar o horror, esses
pensadores trágicos e jornalistas sombrios gostam de destruir as esperanças.
O reconhecimento do Mal, a crítica à violência da esquerda, a percepção de que
ninguém é "bonzinho" e de que a realidade é uma coisa dura e feia vão se
transformando em algo próximo do fascínio.
E, com diferentes níveis de elaboração e de cortesia pessoal, esses autores tendem
a fazer do fascínio uma estratégia de choque.
Quanto mais chocarem o pensamento corrente (que considera ruim bombardear
crianças e bom defender a Amazônia, por exemplo) mais ganharão em
originalidade, leitura e cartas de protesto. Parece existir uma competição nas
páginas dos jornais e na internet para ver quem conseguirá ser o mais "durão", o
mais "realista", o mais desencantado.
Há diferenças notáveis de atitude e de opinião entre pessoas como Luiz Felipe
Pondé, João Pereira Coutinho, Demétrio Magnolli ou Reinaldo Azevedo. Mas é um
time e tanto, e minha experiência pessoal com a violência do ser humano, adquirida
nos pátios de recreio do ginásio, é suficiente para não querer polemizar com alguns
deles.
Não vou, portanto, individualizar as minhas críticas. Mas, de modo geral, os
"durões" do mundo opinativo parecem correr um mesmo risco. A crítica às utopias
do século 20 faz sentido, com certeza, mas termina funcionando para justificar
muitos erros e abusos do presente -desde que sejam suficientemente "nãoutópicos". Será chamado de ingênuo ou nostálgico todo aquele que quiser algo
melhor do que o mundo em que se vive.
Nem todos os "durões" de que falo abdicam desse "melhorismo". Mas ai de quem
tiver ideias um pouquinho mais à esquerda do que as deles -o que não é difícil.
Às vezes, a crítica ao stalinismo se compraz em tornar stalinista quem se afaste um
milímetro das opiniões de quem a professa. Outras vezes, a crítica às velhas
utopias tende a se transformar numa glorificação da realidade.
Curiosamente, então, aquilo que deveria ser ponto de partida se torna ponto de
chegada. O mundo é horrível e a realidade é cruel. É um ingênuo quem quiser
mudar essa situação. O horror e a crueldade fazem parte da paisagem. Melhor
assim, quem sabe: nós, pelo menos, tiramos disso a satisfação de não sermos
ingênuos.
Você está esperançoso com a vitória de Obama? Ouço um risinho: que otário. Mas
fico feliz de nunca ter sido otário a respeito de Bush. Você se choca com as
crianças mortas em Gaza? Ouço um risinho: os militares israelenses entendem
mais do problema que você.
Você quer que se preservem as reservas indígenas da Amazônia? Mais um risinho:
os militares brasileiros entendem mais do problema que você, que pensa ser
bonzinho mas é tão malvado como todos nós.
Pois o ser humano é mau, desgraçado e infeliz, desde que foi expulso do Paraíso.
Você não sabe disso?
O que sei é algumas pessoas foram expulsas do Paraíso para morar numa mansão
em Beverly Hills, e outras para morar em Darfur. Todo o poder aos poderosos, toda
realidade aos realistas, e todas as bombas para quem ficar no meio do caminho. Eis
o resumo da atitude dos "durões". Mas quem precisa de articulistas num mundo
desses? Os militares dão conta do recado.
Tácito Costa
Data: 21/01/2009 - Horário: 10h33min
Julgar Israel
Caros amigos:
Recebi de Ana Esther Ceceña(UNAM, www.geopolitica.ws) a seguinte sugestão:
Va la propuesta en 16 lenguas
Israël doit être jugé par la Cour pénale internationale - Pétition universelle
Israel debe ser juzgado por la Corte Penal Internacional - Petición universal
Israel must be judged at the International Criminal Court - Universal petition
Israel muß vor dem Internationalen Strafgerichtshof verurteilt werden-universale
Petition
Israel deve ser julgado pelo Tribunal Penal Internacional - Petição universal
Israele deve essere giudicato dalla CPI - Petizione universale
Israel ha de ser jutjat per la Cort Penal Internacional - Petició universal
‫عري ضة عال م ية –ت ع ين أن ت حاك م ا سرائ يل ف ي ال مح كمة ال ج نائ ية ال دول ية‬
Israel måste dömas av den internationella brottsmålsdomstolen-Universell
namninsamling
‫ال م ل لی محاک مه شوده ج ناي ی ب ينا سراي يل ب اي د در دادگ ا‬
Το Ιζραήλ πρέπει να δικαζηεί από ηο Διεθνές Ποίνικό Δικαζηήριο - Παγκόζμια
αίηηζη
Israelul trebuie să fie judecat de către Curtea Penală Internațională - Petiție
universală/
ИЗРАИЛЬ ДОЛЖЕН БЫТЬ СУДИМ МЕЖДУНАРОДНЫМ УГОЛОВНЫМ СУДОМ
‫ על ישראל להישפט בפני בית המשפט הדין הבינלאומי‬:‫עצומה אוניברסלית‬
Israël moet berecht worden voor het Internationaal Strafhof - Universele petitie
Uluslararası Ceza Mahkemesinde İsrail yargılanmalıdır- Evrensel İmza Kampanyası
Marcos Silva
Data: 21/01/2009 - Horário: 10h28min
Utilidade pública
(VALE A PENA CONFERIR!!!)
COISAS QUE NINGUÉM CONTA PRA GENTE! Serviço 102(Informações) Quando
você precisar do serviço 102, que custa R$ 2,05. Lembre-se que agora
existe o concorrente que cobra apenas R$ 0,29 por informação fone
0300-789-5900. Para informações da lista telefônica, use o nº 102030
que é gratuito, enquanto que o 102 e 144 são pagos e caros. *Correios*
Se você tem por hábito utilizar os Correios, para enviar
correspondência, observe que se enviar algo de pessoa física para
pessoa física, num envelope leve, ou seja, que contenha duas folhas mais ou
menos, para qualquer lugar/Estado, e bem abaixo do local onde
coloca o CEP escrever a frase 'Carta Social', você pagará somente R$0,01 por ela.
Isso está nas Normas afixadas nas agências dos correios, mas é claro que não está
escrito em letras graúdas e nem
facilmente visível. O preço que se paga pela mesma carta, caso não se escreva
'Carta Social', conforme explicado acima custará em torno de
R$0,27 (a grama). Agora imaginem no Brasil inteiro quantas pessoas desconhecem
este fato e pagam valores indevidos por uma carta pessoal diariamente? *Telefone
Fixo para Celular* A MELHOR DE TODAS!!! Se você
ligar de um telefone fixo da sua casa para um telefone celular, será cobrada sempre
uma taxa a mais do que uma ligação normal, ou seja, de
celular para celular. Mas se acrescentar um número a mais, durante a discagem,
lhe será cobrada apenas a tarifa local normal.. Resumindo:
Ao ligar para um celular sempre repita o ultimo dígito do número.
Exemplos: 9XXX - 2522 + 2 9X7X - 1345 + 5 Atenção: o número a ser acrescido
deverá ser sempre o último número do telefone celular chamado! Serviços
bancários pela Internet Para quem acessa o Home Banking de casa. Vale a pena
ler e se prevenir. Quando for fazer uso
dos serviços bancários pela internet, siga as 3 dicas abaixo para verificar a
autenticidade do site: 1 - Minimize a página. Se o teclado virtual for minimizado
também, está correto. Se ele permanecer na tela sem minimizar, é pirata! Não tecle
nada. 2 - Sempre que entrar no site do banco digite SUA SENHA ERRADA na
primeira vez, Se aparecer uma
mensagem de erro significa que o site é realmente do banco, porque o sistema tem
como checar a senha digitada. Mas se digitar a senha
errada e não acusar erro é mau sinal. Sites piratas não têm como conferir a
informação, o objetivo é apenas capturar a senha. 3 Sempre que entrar no site do banco verifique se no rodapé da página aparece o
ícone de um cadeado; além disso clique 2 vezes sobre esse ícone; uma pequena
janela com informações sobre a autenticidade do site deve aparecer. Em alguns
sites piratas o cadeado pode até
aparecer, mas será apenas uma imagem e ao clicar 2 vezes sobre ele, nada irá
acontecer. Os 3 pequenos procedimentos acima são simples, mas garantirão que
você jamais seja vítima de fraude virtual. SEJA
SOLIDÁRIO, REPASSE AOS SEUS AMIGOS!!!
Tales Costa
Data: 21/01/2009 - Horário: 10h27min
Poe
Terminando minha avalanche de posts por hoje, aviso que a coluna desta terça traz
uma homenagem ao norte-americano Allan Poe. O bicentenário de nascimento do
moço foi na segunda-feira, mas todo mundo só quer saber de Obama.
Alex de Souza
Data: 21/01/2009 - Horário: 10h25min
Revisores
Deixa eu defender um pouco o leite das crianças: é muito bom ficar malhando os
pobres revisores e gramáticos, mas muito pior é suportar a avalanche de
analfabetos funcionais assassinando textos por aí. E a quem eles recorrem?
Alex de Souza
Data: 21/01/2009 - Horário: 10h24min
Maysa
Nesse programa tem uma interpretação de fuder de 'ne me quittes pas', que
inclusive pode ser conferida no youtube
(http://br.youtube.com/watch?v=lIrEewDVEhQ)
Alex de Souza
Data: 21/01/2009 - Horário: 10h25min
Lynch
Tácito,
Um detalhe sobre A História Real. O título original é The Straight Story, que seria
algo como 'história em linha reta' - e aí dá pra entender por que o filme é linear em
todos os sentidos.
Alex de Souza
Data: 21/01/2009 - Horário: 10h21min
Mais sobre "De Verdade"
Denise,
―De Verdade‖ é um bom livro. Estou quase no final. Mas ainda considero ―As
Brasas‖ o melhor livro do escritor húngaro Sándor Márai. Entre os livros dele tem
um sobre a guerra de canudos, que também li e gostei, chamado ―Veredicto em
Canudos‖. O curioso é que ele nunca esteve no Brasil. ―De Verdade‖ foi escrito ao
longo de quatro décadas, e na voz de três narradores. Numa linguagem elegante e
minuciosa, Márai traz ao leitor todos os conflitos do amor e do casamento, além de
mostrar com maestria, os bastidores da burguesia decadente na Europa Central no
período das duas grandes guerras. A obra é dividida em três longos capítulos,
dedicados aos três principais personagens (na verdade, um triângulo amoroso,
formado por um homem e duas mulheres). Em cada capítulo, um personagem dá a
sua versão sobre os episódios vividos, envolvendo os outros. É muito interessante
constatar o diálogo de surdos entre eles, os equívocos e perceber como é difícil a
relação amorosa. O livro é bastante elogiado pela escritora Ivana Arruda Leite,
descobri há pouco, quando pesquisei no Google um trecho da obra, que segue logo
abaixo (posso emprestar-lhe, caso interesse):
―Você diz que para o amor não é preciso nem possível haver 'compreensão'? Está
enganada, querida. Eu também dizia isso, durante muito tempo gritei essa resposta
e essa acusação para os céus. O amor,ou ele existe ou não existe. O que há para
'compreender' nisso?... De que vale o sentimento humano que tem por trás uma
intenção, uma consciência?... Escute ,quando a gente envelhece, descobre que
tudo é diferente, é preciso 'compreender' tudo, é preciso aprender tudo, também
sobre o amor. Sim, não balance a cabeça, não sorria. Somos humanos, e tudo nos
atinge por meio da nossa compreensão. Os sentimentos e impulsos se tornam
toleráveis por meio da compreensão; de outro modo seriam insuportáveis. Não
basta amar."
Tacito Costa
Data: 20/01/2009 - Horário: 20h09min
Livro insinuante
Tácito, insinuante o trecho que você postou desse romance que está lendo ("De
verdade"). Deu vontade de lê-lo. Procurar entender sobre emoções e sentimentos
nunca é demasiado... É sobre isso que o livro versa?
Denise Araújo Correia
Data: 20/01/2009 - Horário: 19h40min
Ainda sobre o cinemão americano
Caros amigos:
Quando elogiei o belo filme "História real", findei cometendo uma injustiça
involuntária com outros grandes nomes do cinema americano (e mundial) que
furaram o cerco da indústria: Alfred Hitchcok, John Ford, os musicais, Scorcese e
Coppola...
Lynch é ótimo mas tem antecessores na área.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 20/01/2009 - Horário: 19h22min
Mudar para continuar igual
A posse de Obama é a notícia do dia, da semana, do ano. Nas Tvs, rádios, sites e
blogs não se fala em outra coisa. E nem poderia ser diferente. Concordo. Afinal,
toma posse o presidente de uma superpotência. Se não bastasse isso, é o primeiro
negro a assumir esse cargo nos EUA. Tem ainda a crise econômica e a gravíssima
situação no Oriente Médio. E o alivio que representa a saída do fundamentalista e
criminoso Bush. Li num dos jornais que ele teme vir a responder pelos crimes que
cometeu contra a humanidade. O que é bom não acontece. Se houvesse justiça no
mundo ele pagaria pelas atrocidades que patrocinou. Acompanho, como jornalista e
leitor, as analises dos especialistas. Minha opinião é que haverá um avanço, se
tomarmos como referencia o governo desastroso de Bush, em todos os sentidos,
mas não estou entre os que esperam mudanças substanciais na postura dos
Estados Unidos. Não compartilho desse otimismo generalizado presente nos artigos
escritos nos últimos dias. Nesse sentido, foi sintomático o silencio de Obama sobre
o genocídio promovido por Israel na Faixa de Gaza. Muito provavelmente, as coisas
mudaram para continuarem iguais, ou quase iguais. A conferir, nos próximos dias e
meses.
Tacito Costa
Data: 20/01/2009 - Horário: 18h23min
Maysa na TV Cultura
Quinta-feira, a partir das 22h10 (horário de Brasília), a TV Cultura exibe o ultimo
programa de TV que contou com a participação da cantora Maysa. Produzido por
Antonio Abujamra e Dorival Dellias, em 1975, Maysa Estudos foi remasterizado e
será exibido no mesmo dia em que se completam 32 anos da morte da cantora.
Tacito Costa
Data: 20/01/2009 - Horário: 18h13min
O convento foi pro brejo
João da Mata:
O convento das Mercês sofreu um crime, né? Uma construção do século XVIII
abrigando o carro da posse de Sarney (mais sua papelada governatória). Mário de
Andrade deve sofrer muito vendo essas coisas.
Normal qualquer um fazer um museu-arquivo auto-badalativo. Mas construa um
prédio, não achincalhe o patrimônio de dois séculos atrás.
Os órgãos de defesa (?) do patrimônio devem ter sido coniventes com essa
avacalhação (perdão, vacas).
Abraços:
Marcos Silva
Data: 20/01/2009 - Horário: 18h24min
Galeano e Gaza
Caros amigos:
Encaminho texto de Eduardo Galeano sobre a Faixa de Gaza.
DO EDITOR
Texto postado em PROSA.
Marcos Silva
Data: 20/01/2009 - Horário: 17h25min
PERGUNTA!
Caros Marcos,
Gostei da lembrança do Sarney by Glauber. Estive no Maranhão e o que vi fiquei
estarrecido: Ponte Jose Sarney e um grande prédio público (Convento das Mercês)
destinado a guardar as comendas, espadas e outros materiais particulares do
Sarney.
Com relação ao post do Fernando Rodrigues,a pergunta que não quer calar é
minha.
Desculpe a confusão
Um forte abraço!
João da Mata Cosra
Data: 20/01/2009 - Horário: 17h22min
Dossiês Cult
A revista Cult digitalizou os dossiês que publica mensalmente desde 1997 e
disponibilizou gratuitamente para os leitores na internet. Lacan, Hanna Arendt,
Bourdieu, estão entre os que mereceram dossiês da publicação.
http://revistacult.uol.com.br/
Tacito Costa
Data: 20/01/2009 - Horário: 16h50min
George Steiner
Leia entrevista do critico literário George Steiner publicada no El Pais e na FSP. Em
ENTREVISTA.
Tacito Costa
Data: 20/01/2009 - Horário: 16h33min
Sarney by Glauber
Caros amigos:
Existem cenas impagáveis de Sarney (ainda moço) no filme "Maranhão 66", de
Glauber Rocha. O filme foi encomendado para registrar a posse de Sarney no
governo de seu (no sentido de origem, não de propriedade) estado. Tem uns
momentos sobre a miséria maranhense até hoje insuperados. E outros cômicos
sobre a pompa e circunstância da posse, inclusive usados depois, como colagens,
em "Terra em transe".
A respeito da pergunta de Fernando Rodrigues em relação à renúncia de Garibaldi,
lembro de um provérbio de minha infância referente ao tamanho das pedras que os
passarinhos engoliam.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 20/01/2009 - Horário: 16h20min
Sobre gramáticos e revisores
RUBEM ALVES
Folha de Sao Paulo
OS GRAMÁTICOS SÃO entidades dotadas de um grande poder.
Eles têm o poder para baixar leis sobre como as palavras devem ser escritas e
sobre como elas devem ser ajuntadas. Seu poder vai ao ponto de poderem
estabelecer que uma certa palavra existe ou que tal palavra não existe. Quando a
dita palavra aparece num texto, eles a desrealizam por meio de uma palavra latina,
"deleatur", afirmando que se trata de um simples fantasma.
Foi o que aconteceu com a palavra "estória". Atreva-se a escrevê-la! Os "revisores",
policiais da língua que cumprem as ordens dos gramáticos, logo a transformam em
"história", assumindo que o escritor a escreveu por ignorar que ela foi a óbito.
Os revisores são seres obedientes: cumprem e fazem cumprir as leis ditadas pelos
gramáticos. Saramago descreve a sua condição como seres "atados de pés e mãos
por um conjunto de proibições mais severas que um código penal". Olhos de falcão,
têm de estar atentos aos mínimos detalhes. Sua concentração nos detalhes é de tal
ordem que, por vezes, o sentido do texto, aquilo que o escritor está dizendo, lhes
escapa.
Aconteceu comigo. Escrevi um livro -"O poeta, o Guerreiro, o Profeta". O argumento
se construía precisamente sobre a diferença entre "estória" e "história". Num
capítulo era "estória". No outro, era "história". Se ele, o revisor, tivesse prestado
atenção naquilo que eu estava dizendo, ele teria notado que o aparecimento
alternativo de "estória" e "história" não podia ser acidental. Mas ele, obediente às
leis dos gramáticos, transformou todos os "estórias" em "história", tornando o meu
livro gramaticalmente correto e literariamente "nonsense". Noutra ocasião, o revisor
enquadrou na reforma ortográfica uma fala do Riobaldo, que eu citava. Ficou
divertido ler Riobaldo, jagunço de muitas mortes, contando seus casos com fala de
professora primária.
Saramago tem medo dos revisores. Não permite que eles metam o bedelho nos
seus livros para enquadrá-los às regras da gramática.
Desprezando vírgulas e pontos ele vai em frente consciente de que seus leitores
são suficientemente inteligentes para colocar as virgulas e os pontos nos lugares
que sua respiração e o sentido determinarem.
Mas o escritor português sabe que os revisores são pessoas que sofrem. Deve ser
terrível viver o tempo todo sob a tirania das leis dos gramáticos e sob a tirania do
texto do autor a que eles têm de se submeter, sem dar sua contribuição pessoal.
Afinal de contas o revisor não gosta de ser revisor. Ele queria mesmo era ser
escritor.
Compadecido do sofrimento dos revisores, Saramago escreveu o livro "História do
Cerco de Lisboa". Pois nesse caso o revisor do dito livro que, se não me engano, se
chamava Raimundo Silva, se rebelou contra o seu destino e resolveu fazer história.
No lugar onde o autor escrevera que os portugueses foram ajudados pelos
cruzados, Raimundo Silva inseriu um "não" entre os "portugueses" e o "foram" -o
texto ficou "e os portugueses não foram ajudados pelos cruzados...".
Assim, contrariamente ao que já disse, fico a pensar que talvez o poder dos
revisores seja maior que o poder dos gramáticos: com uma única palavra, eles
podem mudar o mundo ou arruinar um livro...
Tacito Costa
Data: 20/01/2009 - Horário: 16h16min
Brouhaha
Não aposto muito nesse governo de Micarla. As figurinhas carimbadas na corrupção
como Kelps, João Bastos, Viveiros e cia me faz ficar com minhas precauções. Mas
não poderia deixar de reconhecer e aplaudir a excelente escolha de Bob Pai para a
revista Brouhaha.
Carla Santos
Data: 20/01/2009 - Horário: 16h02min
GARIBALDI - SARNEY
Meus Colegas,
Já não ta bom esse mandato quase eterno de Sarney- O DONO DO MARANHÃO.
Por que será que Garibaldi já quer se mandar do cargo de presidente do Senado,
ele que quase não esquentou a cadeira e tem feito um mandato bom?.
Por Fernando Rodrigues - BLOG
20/01/2009
Garibaldi se diz pronto para renunciar e apoiar Sarney
O presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB)-RN), acaba de confirmar
sua disposição de se retirar da disputa por mais um mandato no comando da Casa.
Ele disse ao blog:
"Diante da decisão de Sarney, a viabilidade de minha candidatura a esta altura é
precária. Mas é necessário aguardar a decisão oficial da bancada do PMDB, que
vai se reunir para oficializar o lançamento de Sarney. Quando isso acontecer,
apoiarei Sarney".
Essa frase de Garibaldi complementa o post abaixo, no qual o blog relatava o
encontro entre ele e Sarney.
Garibaldi está ciente de que prestou grande serviço ao PMDB ao se lançar
candidato a presidente do Senado no final do ano passado. "Ajudei um bocado. Se
não fosse a minha candidatura, talvez a do Tião Viana tivesse se consolidado antes
que Sarney se decidisse".
O entendimento entre Garibaldi e Sarney ocorreu ontem (19.jan.2009). Os dois se
encontraram pouco depois das 22h. Sarney passou na casa do colega depois de ter
se encontrado com o presidente Lula, quando comunicou que seria candidato a
presidir o Senado.
Hoje de manhã, Sarney já atuou intensamente na sua campanha. Falou com o
senador Pedro Simon (PMDB-RS), que era até o momento um dos principais
defensores da candidatura de Garibaldi Alves.
A eleição para presidentes da Câmara e do Senado ocorre no dia 2 de fevereiro,
uma segunda-feira. Até lá, os congressistas estão em recesso. Por essa razão, é
possível que a reunião da bancada do PMDB para oficializar a candidatura de
Sarney só ocorra lá pelo final da próxima semana --ou até no domingo, dia 1 de
fevereiro, véspera da disputa. O suspense continuará em público, mas nos
bastidores já está tudo acertado: Sarney é candidato e Garibaldi desiste da disputa.
Como em política é arriscado prever o futuro, é melhor esperar até 2 de fevereiro
para saber se tudo isso se confirma. Mas esse script já era conhecido há mais de
um mês e todos os seus pontos vêm sendo cumpridos de maneira rigorosa.
Jota Eme
Data: 20/01/2009 - Horário: 15h34min
XANGÔ DA MANGUEIRA
O ano começou se despedindo de umas das lendas do samba. Benção meu
querido Olivério Ferreira, o Xangô da Mangueira falecido no dia 07 de janeiro aos
85 anos. O rei do Partido Alto nasceu no Estácio (berço de sambistas) começou a
compor e tocar na Portela e foi junto com Paulo da Portela um dos fundadores da
grande Escola de Samba Portela. Em 1939 mudou para a mangueira e foi
integrante de sua prestigiosa ala de harmonia e de compositores. Até 1951 foi o seu
puxador de samba oficial quando passou a batuta e o gogó para o grande Jamelão.
Compôs mais de 150 músicas. Entre elas alguns clássicos:
"Moro na roça, iaiá... nunca morei na cidade..." (adaptação de Xangô – Zagaia)
"Formiguinha pequenina já mordeu meu pé..." "Piso, mulata, eu piso... piso na barra
da saia..."
―Cheguei no Samba cheguei agora
O Samba não está bom pra mim
Levaram minha cabrocha
Mandaram meu tamborim
Sem meu tamborim não fico
Sem minha cabrocha não vou
Quero mostrar a esses caras
Quero mostrar quem eu sou
Quero mostrar a esses caras
Quero mostrar quem eu sou‖
Discografia em Vinil
CHÃO DA MANGUEIRA 1982
XANGÔ DA MANGUEIRA VOL. 3 1978
VELHO BATUQUEIRO 1975
REI DO PARTIDO-ALTO 1972
Jota Eme
Data: 20/01/2009 - Horário: 13h15min
Carlão na Brouhaha
Concordo, Tácito. Carlão é uma ótima escolha pra editar a Brouhaha.
Ana Luiza
Data: 20/01/2009 - Horário: 12h58min
Carta sobre questão palestina.
Caros amigos:
Encaminho uma comovente carta sobre o atual conflito na Faixa de Gaza, seus
antecedentes e seus desdobramentos.
DO EDITOR
Texto postado em PROSA.
Marcos Silva
Data: 20/01/2009 - Horário: 12h58min
Profetas
Alguém profetizou neste espaço, pouco depois da eleição, exatamente o que está
agora acontecendo com a Prefeitura de Natal. Dizia-se que a prefeita iria culpar a
crise e a gestão anterior pela letargia e inação de seu primeiro ano de mandato,
originadas da total falta de projeto. Os únicos que estão sendo anunciados,
inclusive na área da cultura, são reproduções fiéis da gestão anterior, agora
apresentados como novidades.
Como Carlos Eduardo não tem muitos amigos na nossa imprensa, não sei que
veículos repercutirão os desmentidos precisos e embasados que estão sendo
dados, principalmente por Virgínia. Ai de nós, ai de nós, que temos quatro anos de
demos e Viveiros para suportar.
Daniel Dantas
Data: 20/01/2009 - Horário: 10h59min
Chorinho na Cidade Alta
Um grupo de entusiastas, produtores culturais e músicos, celebram hoje o Dia
Nacional do Choro nas adjacências do Beco da Lama, Cidade Alta. O palco será
armado em frente ao Bar do Catombo, na Rua Gonçalves Ledo, ao lado do
camelódromo. Palco para receber a presença de grupos locais, como o
cavaquinista Xumbinho, o maestro Duarte e banda, entre outros. O evento será
organizado pelo produtor João Batista de Lima Filho, o grande Zizinho. É coisa pra
inciar em fim da tarde ou início da noite e varar no choro pela madrugada.
Acho bacana a iniciativa. A tentativa de revitalizar o Centro Histórico e,
principalmente, aquele trecho da Cidade Alta passa pela promoção de bons
eventos. Alguns já se cristalizaram com boas programações, mas são pontuais;
anuais. Falta uma atração mais regular, semanal, como o chorinho que agrega
centenas no Buraco da Catita, às sextas-feiras de Ribeira. Algo que traga um
público novo e forme entusiastas. Zizinho e outros desejam isso para o Centro e
tentam o intuito agora com essa promoção. De certo virão outras e torço para o
sucesso. E por isso venho aqui propagar o evento.
Sérgio Vilar
Data: 20/01/2009 - Horário: 10h13min
Sobre a História Real
Tácito:
Gosto muito mesmo de "História real". Além das magníficas interpretações dos
atores, Lynch foi especialmente feliz na construção de metáforas cinematográficas:
o aparador de grama na estrada, a comunicação profunda e afetuosa entre pai e
filha com necessidades especiais, o desfecho (encontro dos irmãos que não se
falam há anos), a densidade da vida diante da morte que se aproxima. Grande
filme, demonstra que é possível pensar até dentro do cinemão americano.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 20/01/2009 - Horário: 10h13min
Esperança
Espero que a prefeita não vete o nome de Carlão, por ser colaborador deste
Substantivo Plural.
Daniel Dantas
Data: 19/01/2009 - Horário: 23h42min
O novo editor da Brouhaha
O novo editor da Brouhaha Carlos de Souza é o homem certo no lugar certo. Mais
uma escolha feliz do presidente da Funcarte César Revoredo. Currículo e talento
não faltam a Carlão. Ex-professor de jornalismo, na UFRN e na UNP, romancista,
poeta, mestre em Literatura, transita com igual competência no meio acadêmico e
no jornalismo cultural (foi editor do Muito, do Diário de Natal e do TN Escola, entre
outros), que exerce com paixão desde os tempos de estudante. Não tenho
nenhuma dúvida de que dará continuidade ao excelente trabalho desenvolvido pelo
jornalista Moisés de Lima.
Tácito Costa
Data: 19/01/2009 - Horário: 21h37min
Amor e amizade
―Não gosto de me entregar às emoções... Esse sentimento, a amizade, é muito
mais fino e complicado que o amor. É o sentimento humano mais forte...
verdadeiramente desinteressado. As mulheres não o conhecem‖.
De Sándor Márai, em seu romance ―De Verdade‖, que enfrento por esses dias
calorentos.
Tácito Costa
Data: 19/01/2009 - Horário: 21h29min
A História Real
Esperei quase dez anos para assistir A História Real, de David Linch. Este filme não
passou nos cinemas e nunca o vi nas locadoras. No sábado, remexendo no acervo
pirata da 7 Arte deparei com ele. Um filme bem diferente de todos os que Linch fez,
como Veludo Azul, O Homem Elefante, Coração Selvagem, entre outros, em que
violência e bizarria dão o tom. Um filme distinto de tudo o que ele antes e depois,
mas igualmente muito bom. Destaque para os atores Richard Farnsworth e Sissi
Spacek e a trilha sonora.
Tácito Costa
Data: 19/01/2009 - Horário: 21h23min
um banho
há de ferver
até convulsa
minha água interior
depois escorrer lírica
sobre papéis e silêncios
www.mulhernajanela.blogspot.com
Iara Maria Carvalho
Data: 19/01/2009 - Horário: 21h10min
as flores mallarmaicas
as flores mallarmaicas
Lau Siqueira
queria
num poema
oferecer flores
um jeito lógico
de não arrancá-las
da placidez silvestre
! como as flores
da adivinha mallarmaica
―que nunca estão no buquê‖
e cujo aroma experimentamos
nas planícies viageiras
do significado
a palavra pétala
entre húmus e caules de linguagem
embriagando a dor extraída
deste pólen com o qual enlouqueço
as abelhas africanas
do esquecimento
mas tudo que tenho
são essas mãos vazias e uma
paixão petrarquiana
de insuportável hálito
modernista
(poema do meu terceiro livro, Sem meias palavras, publicado em 2002 pela Idéia
Editora)
Tete Bezerra
Data: 19/01/2009 - Horário: 16h17min
Moacyr Luz
Postei em PROSA texto sobre o compositor Moacyr Luz, escrito por Bruno Ribeiro e
enviado por Tetê Bezerra.
Tácito Costa
Data: 19/01/2009 - Horário: 10h48min
É UMA PENA!
OI AMIGO TÁCITO
GOSTO MUITO DA MUSICA DE CLEUDO FREIRE, PRINCIPALMENTE DURANTE
O PERIODO DOS BAMBELOUCOS, MAS ME DEPARAR NAS PAGINAS DO POTI
VENDO ELE DEFENDER ISRAEL FOI UM SOCO NO ESTOMAGO E DE
DESCARAMENTO SEM IGUAL, FICO MUITO TRISTE EM VER GENTE
CONSCIENTE SE FAZENDO DE DOIDO, ELE TEM MEDO QUE PICHEM A
ASSOCIAÇÃO ISRAELITA, ORA CLEUDO , VÁ PENTEAR MACACO... PRETO
Flavio Preto
Data: 19/01/2009 - Horário: 10h37min
O Inimigo
Música para quem gosta, por quem gosta. Recomendado aos que suportam
frequências mais altas:
www.oinimigo.com
Alexis Peixoto
Data: 19/01/2009 - Horário: 10h34min
Elton John e Marilyn Monroe
Elton John é um dos mais profícuos e bem sucedidos compositores Pop do mundo.
Junto com o letrista Bernie Taupin ele compôs algumas das canções mais
conhecidas do mundo. Numa parceria iniciada em 1967 ele compôs belas canções
como Saturday Nigth Alright for Fighting, The bitch is back, Daniel e I´m Still
Standing. Todas essas belas músicas estão no belo livro ― The complete Lyrics de
Elton John e Bernie Taupin. Um livro com muitas fotos e pinturas maravilhosas.
Particularmente, uma das mais belas canções de Elton-T aupin é na minha opinião
―Candle in the Wind‖. Essa música foi composta em 1973, e é uma bela
homenagem a Norma Jean ( Marylin Monroe). Uma das maiores atrizes de todos os
tempos. Uma atriz que encantou os cinco continentes do mundo e mais alguns se
houvera. A namoradinha de todos nós amantes da sétima arte. Uma mulher frágil
como uma vela acesa ao vento, tão bem traduzido nessa canção eterna. UMA
CHAMA QUE JAMAIS SE APAGARÁ. Elton depois faria algumas modificações
nessa canção para homenagear a Princesa Diana, em 1997. Parabéns Elton e seu
belo show no Brasil.
CANDLE IN THE WIND(GOODBYE NORMA JEAN)
Vela ao vento (Adeus Norma Jean)
GOODBYE NORMA JEAN
Adeus Norma Jean
THOUGH I NEVER KNEW YOU AT ALL
Embora eu nunca te conheci direito
YOU HAD THE GRACE TO HOLD YOURSELF
Você teve a virtude para se manter firme
WHILE THOSE AROUND YOU CRAWLED
Enquanto aqueles ao seu redor ratejaram
CRAWLED OUT OF THE WOODWORK
Rastejaram por você fora palco
AND THEY WHISPERED INTO YOUR BRAIN
E eles sussurarraram em seu ouvido
THEY SET YOU ON A TREADMILL
Que te colocariam no topo
AND THEY MADE YOU CHANGE YOUR NAME
E eles fizeram você mudar o seu nome
AND IT SEEMS TO ME YOU LIVED YOUR LIFE
E me parece que você viveu a sua vida
LIKE A CANDLE IN THE WIND
Como uma vela ao vento
NEVER KNOWING WHO TO CLING TO
Nunca conhecendo que te agarrava
WHEN THE RAIN SET IN
Quando o tempo ruim chegou
AND I WOULD ?VE LIKE TO KNOW YOU
E eu adoraria ter conhecido você
BUT I WAS JUST A KID
Mas eu era apenas um garoto
YOUR CANDLE BURNED OUT LONG BEFORE
Sua chama se apagou muito cedo
YOUR LEGEND EVER DID
Sua lenda jamais se apagará
LONELINESS WAS TOUGH
A solidão era difícil
THE TOUGHEST ROLE YOU EVER PLAYED
O papel mais difícil que você já representou
HOLLYWOOD CREATED A SUPERSTAR
Hollywood criou uma superstar
AND PAIN WAS THE PRICE YOU PAID
E a dor foi o preço que você pagou
EVEN WHEN YOU DIED
Até mesmo quando você morreu
ALL THE PRESS STILL HOUNDED YOU
Toda a imprensa ainda falava mal de você
ALL THE PAPERS HAD TO SAY
Todos as manchetes tinham que dizer
?WAS THAT MARILYN WAS FOUND IN THE NUDE?
?Foi aquela Marilyn que foi encontrada sem roupa?
GOODBYE NORMA JEAN
Adeus Norma Jean
THOUGH I NEVER KNEW YOU AT ALL
Embora eu nunca te conheci direito
YOU HAD THE GRACE TO HOLD YOURSELF
Você teve a virtude para se manter firme
WHILE THOSE AROUND YOU CRAWLED
Enquanto aqueles ao seu redor se ratejavam
GOODBYE NORMA JEAN
Adeus Norma Jean
FROM THE YOUNG MAN IN THE 22ND ROW
Do rapaz da 22ª fileira
WHO SEES YOU AS SOMETHING MORE THAN SEXUAL
Quem te ver como algo mais do que um símbolo sexual
MORE THAN JUST OUR MARILYN MONROE.
Mais do que nossa Marilyn Monroe
YOUR CANDLE BURNED OUT LONG BEFORE
Sua chama se apagou muito cedo
YOUR LEGEND EVER DID
Sua lenda jamais se apagará
João da Mata Costa
Data: 19/01/2009 - Horário: 10h25min
Atenção às coberturas
Esta estratégia de acusar a administração anterior logo de saída lembra muito
certas práticas retóricas mui ardilosas. Bom, se o caso do rombo na prefeitura
realmente tiver fundamento, vá lá. Mas se for apenas firula de início de gestão ou
problema fiscal que qualquer contador entenderia rapidamente, fica claro (logo de
saída) o jogo cênico com a mídia que o sr. Viveiros pretende bancar, claro, com
Micarla a reboque.
Gustavo de Castro
Data: 17/01/2009 - Horário: 18h45min
Notícias
Grande Osair,
menino, que prazer foi receber seu imeio! Me veio logo em mente aquele encontro
simpático que tivemos quando levei a jornalista italiana Paola Ciccioli pra visitar o
Diário em 1999, justamente em janeiro! Caramba, dez anos atrás! Tá lembrado?
Há 7 anos não retorno a Natal ou ao Brasil. Da última vez que estive por aí quase
dava um chute à "Bota" e recomeçava a vida sozinho na Cidade do Sol. De volta à
Itália, passei por uma fase de depressão terrível, de saudade daquelas que matam
a gente. Então decidi que só voltaria à Terrinha quando fosse pra ficar ou pra
participar a um projeto que me levasse e me trouxesse de volta à Gigliola e Marina,
sem dores, sem tentações.
Nestes anos de distância aprendi que são as amizades verdadeiras a herança que
resiste mais à ação do tempo. Mantive os laços com várias pessoas, menos de
quantas desejasse, e algumas delas até vieram-me visitar por aqui. Chico Canhão
com a família, João de Deus da Honda e até Vicente Vitoriano acabei indo
encontrar em Roma. Todos eles prometeram voltar este ano. A gente adora receber
os amigos em casa. Este é um convite também a você e à sua família.
Recebo notícias da galera através dos jornais, dos blogs e das crônicas que o
Tácito Costa escreve ad hoc pra mim, contando o que sabe das pessoas que
conheço mas que não aparecem nos quotidianos da cidade. Desde que me mudei
pra cá, agarrei-me no galho da fotografia feito macaco avoador que pulou longe
demais. Por dois anos trabalhei de operário em uma indústria gráfica, mas
fotografava até mesmo no horário de serviço. Depois comecei a trabalhar com meus
semelhantes: os doidos e os velhos e continuo até hoje.
Trabalho num centro de saúde mental e num asilo chic, que aqui chamam casa de
repouso. Utilizo a fotografia como instrumento lúdico, relacional e reabilitativo.
Acabei-me reciclando profissionalmente. Publiquei um livro com o título "Il Volto e la
Voce del Tempo", A Face e a Voz do Tempo. Fiz um mestrado na Universidade de
Veneza em Comunicação e Linguagens não Verbais: Musicoterapia,
Psicomotricidade e Performance. Agora estou fazendo uma segunda graduação,
em psicologia, na Universidade "La Sapienza" de Roma. Comecei a colaborar
esporadicamente com a Universidade de Veneza, onde fiz belas amizades e onde
encontrei um terreno fértil para continuar uma pesquisa iniciada no campo da
fotografia terapêutica ou fototerapia.
Moro em Loreto, na região Marche, que se pronuncia "Marque", mas é em Veneza
que me sinto como se estivesse em casa, uma casa que flutua no tempo e num
espaço improvável. Recentemente recebi as fitas de vídeo em VHS com o registro
de 10 anos de presepadas babilônicas e de vida deliciosamente besta da Vila de
Ponta Negra. Tudo mofado mas recuperável, como espero seja a memória de um
período aventuroso que vivi em plena consciência de que era a parte mais bonita da
minha vida.
Um grande abraço babilônico a você e a todos da redação do Diário.
Ayres Marques
Data: 17/01/2009 - Horário: 15h48min
Entre a utopia e a estupidez
Com a quantidade de olhos dirigidos a ele, Obama tornou-se o alvo de uma
tempestade de expectativas. Atraídos pela mídia onipresente da Aldeia Global,
motivados por um momento histórico inédito ou para saciar a simples curiosidade
que se manifesta em massa, os olhares do mundo esperam as palavras, os gestos
e os atos do novo presidente americano. ―Podemos mudar‖, disse em campanha. O
que fará em prol da mudança o presidente Barack Obama?
A disposição de fechar Guantánamo é o primeiro sinal de que o discurso pode, de
fato, ser traduzido em ações concretas, respondendo a anseios que ultrapassam as
fronteiras de seu país e os sonhos daqueles que votaram nele. Aquela prisão militar
para terroristas se transformou num castelo de horrores de tortura e execração, um
lugar onde o mofo da história, em sua pior espécie, recorda a estupidez humana.
Sua desativação será uma boa notícia, mas não basta. O desastre diplomático do
governo de Bush júnior, por si só, pede um rearranjo estrutural nas relações entre
os EUA e a comunidade internacional. Para resgatar a confiança e melhorar a
imagem de arrogância, que vem de longe e alcançou o auge na era Bush, será
necessário ir além das promessas conceituais que fizeram de Obama o primeiro
negro na Casa Branca.
Para deixar de lado o entusiasmo dos obamistas e superar uma extravagante
sensação de que toda utopia será real de agora em diante, nada como o confronto
direto com a estupidez humana em sua forma mais comum e rasteira, que não se
limita a Guantánamo. A guerra em Gaza (ou a crise, ou o massacre, como se
queira) parece ter sido feita sob encomenda para a emergência de um líder ao
mesmo tempo carismático e ponderado. Antes mesmo da posse, mas depois de um
intervalo de tempo considerado excessivo, Obama declarou que o papel de seu
governo será o de um ―ponto de equilíbrio‖ cuja inserção teria grande influência na
solução do conflito.
Embora a paz entre palestinos e israelenses seja cada vez mais uma utopia,
principalmente depois da morte de mil e tantos novíssimos mártires, justifica-se a
esperança de que a mera posse de um chefe de estado com vestes de líder
mundial faça alguma diferença. Até porque, especula-se, a ação militar pode ter
sido estrategicamente deflagrada às vésperas desta mesma posse, no vácuo
político de uma potência com dois presidentes simbólicos e nenhuma iniciativa.
Diante da desproporção de forças, expressa de modo grotesco pelo número de
corpos de lado a lado, da decisão do governo israelense de ir em frente apesar das
resoluções da ONU, e da condenação da opinião pública global – sobretudo a
européia – mesmo em face da proibição de cobertura jornalística na Faixa de Gaza,
a ansiedade geral cresce em paralelo ao sentimento de impotência: o que podemos
fazer para estancar esse sangue?
Torcemos para que Barack Obama possa fazer alguma coisa. No rol imenso de
expectativas que pairam sobre ele, encontra-se o uso intenso da razão, no tabuleiro
pouco razoável da geopolítica mundial depois da rala inteligência de George W.
Bush. Além de representar a conquista notável de uma raça estigmatizada pela cor
da pele, Obama é o retrato de uma geração que amadureceu na poeira de utopias
perdidas e provas repetidas de estupidez. Uma geração que prima pelo encontro de
culturas, e não leva fé no choque de civilizações. Se Obama será um retrato fiel
dessa geração, ainda vamos ver.
O irracionalismo está no homem-bomba e no míssil guiado a laser. Os fanáticos não
se importam com a razão, está certo – e isto reforça o argumento, ao invés de
matá-lo. De todas as mudanças que aguardamos, a virada racional é talvez a mais
importante. Pois a guerra contra o fanatismo e o terror, ou é uma guerra de
iluminação, ou é uma guerra perdida.
Fábio Lucas
Data: 17/01/2009 - Horário: 11h22min
De dívida e dúvidas
O jornalismo potiguar se limita às declarações dos entrevistados. É de uma
indigência constrangedora. Não questiona, não investiga, não analisa ou interpreta.
O leitor que se dane, entre as declarações oficiais de um lado e do outro. Queremos
muito mais do que os famosos dois lados da notícia, que é o máximo que se
oferece por essas bandas. Agora mesmo, a nova prefeita anuncia que encontrou
um rombo na Prefeitura de R$ 123 milhões. Os secretários da gestão anterior (o
prefeito está de férias e não foi localizado) dizem que não é bem assim. Nessa
dívida estaria incluído até um débito de R$ 50 milhões com o Bandern, banco do
estado extinto há milhares de anos. O assunto vai render e ficaremos, como
sempre, no fogo cruzado entre as versões apresentadas pela nova administração e
pelas da gestão que saiu. Quem apóia Micarla compra a versão divulgada por ela.
Quem é contra fica com a versão dos secretários do ex-prefeito. E quem quiser
saber o que de fato aconteceu contrate um detetive particular.
Tácito Costa
Data: 17/01/2009 - Horário: 10h04min
Palestinos: PT sai do muro
Caros amigos:
Demorou mas saíu uma nota legal do PT sobre a questão palestina atual:
PT condena ataques criminosos
Os ataques do exército de Israel contra o território palestino, que já causaram
milhares de vítimas e centenas de mortes, além de danos materiais, só podem ser
caracterizados como terrorismo de Estado.
Não aceitamos a "justificativa" apresentada pelo governo israelense, de que estaria
agindo em defesa própria e reagindo a ataques.
Atentados não podem ser respondidos através de ações contra civis. A retaliação
contra civis é uma prática típica do exército nazista: Lídice e Guernica são dois
exemplos disso.
O governo de Israel ocupa territórios palestinos, ao arrepio de seguidas resoluções
da ONU. Até agora, conta com apoio do governo dos Estados Unidos, que se
realmente quiser tem os meios para deter os ataques.
Feitos sob pretexto de "combater o terrorismo", os ataques de Israel terão como
resultado alimentar o ódio popular e as fileiras de todas as organizações que lutam
contra os EUA e seus aliados no Oriente Médio, aumentando a tensão mundial.
O Partido dos Trabalhadores soma sua voz à condenação dos ataques que estão
sendo perpetrados pelas forças armadas de Israel contra o território palestino e
convoca seus militantes a engrossarem as manifestações contra a guerra e pela
paz que estão sendo organizadas em todo o Brasil e no mundo.
O PT reafirma, finalmente, seu integral apoio à causa palestina.
Ricardo Berzoini
Presidente nacional
Valter Pomar
Secretário de Relações Internacionais
Abraços:
Marcos Silva
Data: 16/01/2009 - Horário: 21h56min
Livros capitais
Carlão:
Quer dizer que vc levanta a lebre de livros marcantes e não faz lista? Pois a minha
veio no automático:
1) Recordações da casa dos mortos.
2) Eugénie Grandet.
3) Ana Karênina.
4) O processo.
5) Moby Dick.
6) O volume de Fernando Pessoa da coleção "Nossos clássicos".
7) Uma coletânea de Cruz e Souza, não me lembro da editora.
8) Triste fim de Policarpo Quaresma.
9) Memórias póstumas de Brás Cubas.
10) Vidas secas.
11) Sagarana.
12) A rosa do povo.
13) "A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica".
14) Homens livres na ordem escravocrata.
15) Os sertões.
16) Uma temporada no inferno.
17) O dezoito brumário de Luís Bonaparte.
18) Condições de vida da classe trabalhadora na Inglaterra.
Mais os livros com reproduções de pintura européia do século XIX e do começo do
século XX.
Tem outros. Mas esses foram uns socos na boca do estômago.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 16/01/2009 - Horário: 21h36min
Livros
―Quantos livros sacudiram a minha mente e me fizeram mudar de atitude diante da
vida? Uma dezena deles e nem vou me dar ao trabalho de listá-los aqui. A grande
arte tem este poder catártico de provocar mudanças nas pessoas. Existem muitos
livros bons por aí que depois de lidos, ou durante a leitura, não dão nem um teco no
coração da gente.‖
De Carlos de Souza, em sua coluna.
Tácito Costa
Data: 16/01/2009 - Horário: 19h08min
Chomsky tem sido um farol no meio da escuridão
do governo buche
O que diz-nos Chomsky? O que vemos às claras. O governo de Israel comete
genocídio, não há interesse algum em negociar, tenta-se mesmo exterminar um
povo. O Estado de Israel tornou-se definitivamente no governo do odiado buche II,
um estado de terroristas e marginais, pois não cumprem nenhuma resolução das
leis internacionais, nem aquelas que se reportam as guerras. O que temos que nos
indignar mais ainda é que o odiado buche II poderia nos ter poupado de mais um
crime no seu currículo. O que Chomsky nos diz mais aínda? que o senhor Obama é
tão servil quanto buche a sanha desses genocídas.
Luis Sávio Dantas
Data: 16/01/2009 - Horário: 19h01min
Chomsky escreve sobre Gaza
Postei em PROSA o texto Pesadelo em Gaza, de Noam Chomsky.
Tãcito Costa
Data: 16/01/2009 - Horário: 16h28min
A esmo e a granel
JANIO DE FREITAS
Esta não é a guerra meticulosa contra o inimigo declarado; é o uso militar sem o
fundamento militar
O FESTIVAL ISRAELENSE de ontem fez mais do que bombardear a sede da ONU
em Gaza e o hospital da região. Com isso, tornou incontestável, em definitivo, que o
seu ataque não tem uma tática militar, nem é verdade que se oriente por serviço de
informação e que a população civil proporcione escudo aos selecionados alvos dos
israelenses. É outra a certeza: o bombardeio israelense é a esmo e a granel.
Assim se explicam as bombas e a artilharia que resultam em adversidades políticas
para os próprios israelenses, como os ataques à ONU, e a massa de vítimas nãocombatentes com que o governo de Israel empilha já mais de mil mortos e de 5.000
feridos -nos dois monturos, um terço de crianças.
Diante desses efeitos, é fácil alegar que ativistas do Hamas protegem-se em locais
comuns, e pronto. Na direção de caminhões sob bandeira da ONU e com
mantimentos? Nas escolas da ONU em que mais de cem se refugiavam dos
bombardeios? Bem, neste caso, o governo de Israel, com presteza e energia,
acusou o noticiário de mentir: "não houve o ataque". Comprovados 43 corpos e as
ruínas que os envolviam, o ataque passou a existir, mas porque "ativistas do Hamas
estavam nas escolas". Quatro dias depois, a contestação persistente da ONU
obtém algo novo do governo israelense: "Foi um erro, de fato não havia presença
do Hamas nas escolas, Israel fará um pedido de desculpas à ONU". Bombardeio à
universidade, ao cemitério, ambulâncias alvejadas? O ataque desatinado, e com
mortes, de tanques contra um prédio ocupado por soldados do próprio Exército
israelense? Até bombas jogadas do outro lado da fronteira, em solo do Egito de
relações amigáveis com Israel?
Não é a guerra meticulosa contra o inimigo declarado. É o bombardeio a esmo e a
granel. É o extermínio sem alvo, é o uso militar sem o fundamento militar.
A satisfação dada pelos israelenses à reação ao morticínio da população palestina
traz, também, uma contribuição complementar à compreensão das ações em Gaza.
Vários artigos têm louvado a "atitude humanitária" que é o aviso (ocasional) de
bairros e áreas que, sujeitos a próximos bombardeios extensivos, os moradores
devem abandonar. Se a população em geral tem sido vitimada porque "o Hamas a
utiliza como escudo", é claro que os ativistas fogem com os moradores. E, portanto,
o bombardeio não se fará para atingir ativistas localizados por serviços de
informação e tecnologia. Sua única finalidade possível é reduzir bairros e outras
áreas a ruínas.
A lembrança deixada pela guerra de Israel no Líbano, em 2006, contra o Hizbollah,
leva a concluir que a ação israelense atual continua o mesmo gênero daquela. A
diferença está nos adversários, o Hamas muito fraco em todos os sentidos e o
Hizbollah em condições de fazer com que, em Israel, a investida no Líbano seja
vista como um insucesso dos militares israelenses.
Nada a ver agora, porém, com desproporção, este conceito que tantos confessam
ignorar. Mas não se perderão por isso. Basta que, bons sionistas, retomem a Bíblia
e passem os olhos na lenda de Davi e Golias. É a mais bem-sucedida imagem de
desproporção de forças, e inquestionável, para esses leitores, por ser uma lição
hebreia. Cuidado, porém. Nada de interpretações além do mais simples, para não
chegar a coisas como a vitória do mais fraco e seus possíveis ensinamentos
bíblicos. Ficar com a mortandade a esmo e a granel é mais cômodo.
Tacito Costa
Data: 16/01/2009 - Horário: 16h06min
Ataque contra imprensa
Em Gaza, como todos já sabem, o alvo agora é a imprensa. Pelo visto, o deus
guerreiro dos judeus continua a querer sangue, crianças e agora tb o livre direto à
informação. Como todos já sabem, a diplomacia faliu.
Gustavo de Castro
Data: 16/01/2009 - Horário: 15h53min
Uma tarde em Natal
Ele chegou,
Assim no crepúsculo
A tarde cinza.
O céu cinza
Os dias tristes
Uma presença delicada
Escrevia no céu
Com as cores de
Um Arco-Íris
Quadro diáfano
Se faz no teto
Entre silêncios
Um beijo de Paul Klee
Contorcendo o tempo
E re-inventando a vida.
João da Mata Cosra
Data: 16/01/2009 - Horário: 15h46min
De César Revoredo e sua equipe
Pelo que tenho lido e ouvido sobre César Revoredo é bastante animador. O cara
sabe o que está fazendo, é criterioso, tem bom senso e é inteligente. Ou seja, se
Dácio Galvão executou um bom trabalho, certamente seus quatro anos não serão
perdidos. Tenho fé de que o novo presidente da Capitania das Artes dará
continuidade e até aprimorará os bons projetos de seu antecessor.
E isso é bastante positivo. Ele soube escolher pessoas-chave para formar sua
equipe de trabalho. Josenilton Tavares é um nome que exemplifica bem as minhas
impressões futurísticas sobre o progresso da cultura de Natal. Josenilton trabalhou
na gestão anterior, mas acho que fora sobrecarregado e ao mesmo tempo
subutilizado/explorado. Agora, numa posição à sua altura e com poder real de
mudanças, poderá render ainda mais e fazer valer os seus desejos. Você merece,
Josenilton! Meus parabéns!
Outro nome que destaco é o de Jane Heyre, mulher forte, determinada e muito
batalhadora. Outra que estava precisando de um reconhecimento como esse!
Quanto ao resto, há, sim, algumas escolhas um tanto suspeitas. Mas, também não
podemos sonhar com um gestor perfeito, não é? Muita gente eu nunca nem ouvi
falar. E isso pode ser muito bom... ou não!
Mas, é isso. Acredito que Revoredo deverá executar um trabalho de alto nível,
fazendo de Natal também uma rota cultural do turismo regional, nacional e até
mesmo internacional. (Uma pena o Liceu das Artes não ter dado certo!)
Não apostei em Micarla, mas acho que Fátima Bezerra, se eleita, talvez não tivesse
tido - nesse caso específico da área cultural - uma escolha tão bem acertada. Por
isso, parabenizo a prefeita pela escolha!
Adriana Amorim
Data: 16/01/2009 - Horário: 15h41min
Odete e Vianinha
Um belo e sofrido amor eterno
DÊNIS DE MORAES
Foram dois encontros no sítio dela em Mury, alguns telefonemas e um encontro por
certo nada casual em um supermercado. Assim conheci e passei a admirar a atriz
Odete Lara, que viveu com o dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho, Vianinha, um
amor tórrido e difícil na década de 1960. Durou menos de um ano e creio que
permaneceu vivo até a morte precoce de Vianinha, em 1974, aos 38 anos.
Convertida ao budismo na década de 1980, Odete viaja pelo país em palestras,
traduz e escreve livros místicos e vivencia a maior parte das horas no sítio - lugar
absolutamente cósmico, com um verde que ainda não vi igual em parte alguma do
planeta. Foi lá que, emocionada, ela me falou - a princípio desconfiada, depois
vulcanicamente - do homem que mais amou. Contei esta impressionante história
em meu livro Vianinha, cúmplice da paixão (Record, 2000) e a republico aqui, em
homenagem aos dois. Odete completará 80 anos em 17 de abril, e o tempo não
interfere em sua beleza como mulher e como ser humano."
Texto completo em http://comcult.blogspot.com/
Tácito Costa
Data: 16/01/2009 - Horário: 13h07min
Sopão do Tião
―Se você também pretende se inocular com o vírus do vídeo da tevê aberta,
previna-se: na segunda-feira, o dependente tem que ser rápido no controle remoto
para não perder nem o final de "Maysa" nem o inicio do episódio do dia de "A lei e o
crime", seriado da Record que emula "Cidade de Deus", chafurda na estética de
tiroteio de "Tropa de Elite", recorre a referências didáticas da série e do filme
"Cidade dos Homens", remete à experiência anterior da própria emissora (a novela
"Vidas opostas") e, assim como a minissérie global, é filmada com equipamento de
alta definição - o que confere, por si só, um visual supratelevisivo à produção.‖
No SOPÃO DO TIÃO.
http://sopaodotiao.blogspot.com/
Tácito Costa
Data: 16/01/2009 - Horário: 13h02min
Walter Benjamin: filósofo, escritor, profeta.
Caros amigos:
O grande filósofo judeu-alemão Walter Benjamin impressiona intensamente pela
acuidade do pensamento e pela beleza da escrita. Uma das passagens de seu
ensaio "Sobre o conceito de história" diz:
"O dom de despertar no passado as centelhas da esperança é privilégio exclusivo
do historiador convencido de que também os mortos não estarão em segurança se
o inimigo vencer. E esse inimigo não tem cessado de vencer."
Literalmente: os bombardeios na Faixa de Gaza já atingiram cemitérios.
Metaforicamente: a vitória sobre os mortos é apagar sua memória. Pior ainda
quando os vitoriosos apagam sua própria memória: eles se nivelam aos mortos que
desrespeitam, mesmo que continuem aparentemente vivos.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 16/01/2009 - Horário: 11h46min
Maysa
Ivana Arruda Leite
http://doidivana.wordpress.com/
FALA, LIRA
Hoje o Lira Neto, autor da biografia da Maysa, escreveu na Folha sobre a minisérie.
Eu estou assistindo e adorando, mais pela forma do que pelo conteúdo (‖rever‖
Maysa, relembrar a época, o figurino, etc). Todos sabemos que a realidade passa
longe da história que está sendo contada. Mesmo assim eu não perco. Ele não
escreveu, mas ontem colocarem a Elis como Lisa foi de doer. E sabe quando a
Maysa beijou Elis e desejou-lhe sucesso na carreira???
"Ao assistir aos capítulos de ―Maysa - Quando Fala o Coração‖, logo me veio à
lembrança o dia em que um jornalista quis saber a opinião da escritora Rachel de
Queiroz a respeito da adaptação de seu romance ―Memorial de Maria Moura‖ para a
televisão, à época também levada ao ar na forma de minissérie. Rachel, com
irresistível senso de humor, sapecou: ―Até estou gostando; eles lá na Globo é que
não gostaram muito de meu livro, pois trataram de mudar tudo na história‖.
Do mesmo modo, no caso da minissérie sobre Maysa assinada por Manoel Carlos e
dirigida por Jayme Monjardim, os roteiristas parecem não ter gostado muito da
verdadeira história da cantora de olhos felinos e alma atormentada.
É compreensível que na transposição de qualquer história para as telas seja
permitido -e necessário- o recurso a algumas licenças poéticas, como o acréscimo
de diálogos imaginários e situações fictícias. É preciso, claro, amarrar o roteiro e
conferir fluência à narrativa. O problema é quando esse tipo de artifício legítimo, no
caso de personagens reais, sobrepõe-se à história verdadeira, oferecendo ao
telespectador uma visão distorcida dos acontecimentos, uma contrafação da
biografia dos protagonistas.
Baniram Nara Leão
O personagem de Ronaldo Bôscoli, por exemplo, é apresentado na série como um
conquistador abobalhado e, por vezes, patético. Bôscoli, cafajeste assumido,
devorador de mulheres, jamais teve pudores de levar Maysa para a cama pelo fato
de ser comprometido com outra moça, como nos quiseram fazer crer os roteiristas
da minissérie. A propósito, não se sabe por qual motivo eles perderam a
oportunidade de dizer que, em vez da simples atriz de teatro amador que aparece
no roteiro, a então noiva de Bôscoli atendia pelo nome de Nara Leão. Ela mesma, a
musa da bossa nova, que foi banida da história.
Em um dos capítulos apresentados na semana passada, Bôscoli tenta convencer
Maysa de que gravar um disco bossanovista seria algo importantíssimo para Tom e
Vinicius. Como se desde seu segundo disco de dez polegadas, de 1957, ela já não
gravasse sistematicamente canções da dupla.
Por vezes, há a tentativa de idealizar certos personagens e amenizar as asperezas
da vida real. Como quando se coloca André Matarazzo sentado candidamente na
plateia da cerimônia de entrega de um prêmio concedido a ex-mulher. Ele não
estava lá.
Nas cenas da histórica temporada de Maysa em Buenos Aires ao lado de Bôscoli,
Roberto Menescal e o célebre Tamba Trio, ela surge cantando bolerões rasgados.
Uma pena. A minissérie sonegou assim ao telespectador a informação de que,
justamente naquela viagem, Maysa se tornou a primeira cantora brasileira a cantar
um repertório de bossa nova fora do Brasil.
Angústia virou capricho
Assim, a principal vítima das inconsistências e simplificações da minissérie é
mesmo a própria Maysa. Todas as suas perplexidades, seus tormentos e suas
angústias foram reduzidos a meros caprichos e desvarios de uma moça mimada. A
complexidade de sua personalidade intensa e autodestrutiva, os abismos
existenciais de sua alma, tudo isso foi transfigurado em queixumes e rompantes de
uma rebelde sem causa, traumatizada pela separação do marido.
O esmero da produção, a exuberância dos cenários, a perfeição dos figurinos, a
assombrosa semelhança da atriz Larissa Maciel com a diva estão arrebatando o
público e arrancando suspiros até mesmo de parcela da crítica especializada.
Resultado: Maysa está de novo na pauta do dia. Isso é ótimo para sua memória e
faz justiça a seu talento. Mas, se os telespectadores estão encantados com a
Maysa da televisão, o que diriam se conhecessem a verdadeira Maysa, em carne,
osso e amargura. Humana, demasiadamente humana."
Tetê Bezerra
Data: 15/01/2009 - Horário: 22h02min
Poesia e Prosa
Postei em POESIA o poema ―minha filha sem mim‖, de Fabrício Carpinejar; e em
PROSA o texto ―Em busca da esfinge Leminski‖, do jornalista Rodrigo Garcia
Lopes. Ambos enviados por Tetê Bezerra.
Tácito Costa
Data: 15/01/2009 - Horário: 16h19min
O dorminhoco do vale
Caros amigos:
Citei em post anterior esse poema pacifista de Rimbaud. Envio agora o texto
integral do poema, em tradução minha:
O dorminhoco do vale.
É um furo de verde onde canta um riacho
Que agrega loucamente às ervas uns halos
De prata; onde o sol, da montanha, num cacho,
Chispa: é um pequeno vale a espumar seus embalos.
Jovem soldado, aberta boca, crânio nu vem,
E a nuca se banhando em agrião folhagem,
Dorme; estendido o corpo nas ervas, há nuvem,
Pálido em verde leito, luz e chuva agem.
Com os pés nos gladíolos, dorme. E sorriu
Como o faria um bebê doente, tem frio:
Natureza, tão quente, acalanta-o no peito.
Os perfumes não mais excitam seu nariz;
Dorme sob esse sol, com as mãos nos quadris,
Tranqüilo. Rubros furos no lado direito.
Marcos Silva
Data: 15/01/2009 - Horário: 16h17min
Sobre as escolhas de Reveredo
Uma equipe técnica e com experiência (a maioria). De alguns eu conheço o bom
trabalho realizado em outras instituições. Outros, representam uma novidade para
mim, mas pode ser que sejam conhecidos de outras pessoas do meio cultural. É
possível que se levante uma ou outra objeção com relação a algum nome. Mas, no
geral, acho que a equipe é boa e pode fazer um excelente trabalho. Faltou o nome
do editor da Brouhaha. Alex não fala nada sobre isso em sua matéria. Talvez a
escolha tenha ficado para depois. Como já frisei em outras ocasiões, na área
cultural no RN, as ações dependem da vontade política, seja do governador ou do
prefeito. Sem isso, não tem equipe que resolva.
Tácito Costa
Data: 15/01/2009 - Horário: 16h02min
Revoredo anuncia equipe
O presidente da Funcarte César Revoredo anuncia a sua equipe completa. Leia no
portal NOMINUTO.COM matéria de Alex de Souza.
http://www.nominuto.com/cultura/diario_oficial_traz_equipe_da_funcarte/32831/
Tácito Costa
Data: 15/01/2009 - Horário: 15h46min
Estética da Violência
Considerações intempestivas
Quantos caminhos o homem tem que andar para saber que o outro precisa existir?
Quantos inocentes mortos para saber que o estado não protege?
Por que precisa do soldado francês morto para saber que o Argelino existe?
Por que matar tanto se não se pode matar um ideal, uma esperança, uma cultura,
uma sombra no deserto?
O maior exército do mundo não precisa justificar que está matando a barbárie. Já
estão matando desde que o mundo é mundo.
A SITUAÇÃO COLONIAL DO MUNDO ESTÁ ASSEGURADA POR UM LONGO
TEMPO.
O império espanhol soterrou uma grande civilização
Há dois mil anos o cristianismo mata e salva. A inquisição foi uma espécie de
nazismo.
O Brasil cristão foi muito cruel com os paraguaios.
E os Estados Unidos foram fragorosamente derrotados no Vietnam.
A estética da violência é facilmente introjetada quando não se tem valores.
È violência tentar nos impor um padrão universal. Um único sotaque.
Não desejo uma faixa de terra, quero paz.
Não quero o pão da ajuda comunitária, quero vida.
Não desejo o teu abrigo de torpedos e mísseis
Por favor, não no matem, eles já sabem que não existimos.
João da Mata Costa
Data: 15/01/2009 - Horário: 15h35min
Cultura de paz
Caros amigos:
Gostei muito do post de Francisco de Assis de Castro. Quero acrescentar que essa
cultura de paz, tão necessária, até existe mas é pouco conhecida, desvalorizada.
Um samba como "Juízo final", de Nelson Cavaquinho, é explícito: "O sol há de
brilhar mais uma vez". E na cena pop internacional, não dá para esquecer do
pacifista "Imagine", de John Lennon, dentre tantos outros. E desde bem antes: "O
dorminhoco do vale", de Arthur Rimbaud, é um belíssimo poema anti-bélico.
Precisamos investir mais energia nessa área.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 15/01/2009 - Horário: 09h11min
Robertos Carlos
Caros amigos:
Eu era moleque quando a ascensão de RC começou. E já era adolescente quando
a MPB mais refinada (Nara Leão, Maria Bethânia, Caetano Veloso) começou a falar
bem de sua voz: MB, pouco antes do Tropicalismo, dizia que considerava RC
melhor que os emepebistas solenes; Nara Leão, antes de Bethânia, cantou "Nossa
canção" (de Luís Ayrão, grande sucesso na interpretação de RC) no programa de
Chacrinha.
RC tem vários momentos na carreira: o início que mesclava rock a bossa nova, com
um canto frequentemente sussurado mesclado aos temas de juventude urbana; um
enorme sucesso de tv, com o programa "Jovem guarda"; a crise no final dos anos
60, diante das radicais transformações da música pop internacional (os Beatles a
partir de "Sgt. Peppers", Jimmy Hendrix, Janis Joplin) e com o Tropicalismo; o novo
sucesso meio soul, meio pornô-soft, meio católico a partir dos anos 70. Suas
gravações de Ataulfo Alves, Tom Jobim e Luís Carlos Paraná são muito boas.
Quando ele gravou um acústico na MTV, que só vi parcialmente divulgado, dava
para perceber um cuidado de emissão inabitual em seus especiais de fim de ano. E
as regravações por outros bons cantores (Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano
Veloso, Nara Leão) demonstraram potencialidades especiais em seu repertório.
Lembro-me, no final dos anos 60, do escândalo que o livro "Balanço da bossa", de
Augusto de Campos, provocou entre emepebistas ortodoxoso ao classificar RC
como João Gilberto da Jovem Guarda. Guardadas as proporções (João Gilberto
tem só um), até que Campos percebeu algo a mais em RC.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 15/01/2009 - Horário: 09h10min
Mudança de posição
A mudança de posição do PMDB em relação à prefeita eleita me decepciona,
especialmente no que se refere a Hermano, que sempre julguei um homem
honrado.
Será que vão ter mesmo a coragem de apoiar uma gestão que, até agora, no
campo cultural só provocou terror e que teve como uma das principais propostas na
saúde um projeto já existente e funcionando? Ou apoiar uma gestão que deseja
manter as fraudes dos convênios com as cooperativas médicas, porque é uma
forma de manter um fluxo de dinheiro para as entidades e evitar tratar de frente a
questão do salário dos profissionais de saúde do estado e do município. Sem contar
que mantém a separação dos profissionais de saúde entre os médicos e os demais.
Daniel Dantas
Data: 15/01/2009 - Horário: 09h09min
Roberto e Bartolomeu
Leia em PROSA texto de Jotabê Medeiros sobre os 50 anos de carreira de Roberto
Carlos, enviado por Tetê Bezerra.
Em sua coluna Nelson Patriota fala sobre ―Aquela estórias‖, o novo livro de contos
de Bartolomeu Correia de Melo.
Tácito Costa
Data: 15/01/2009 - Horário: 00h02min
Fundamentalismos
O debate que empolga o mundo é a guerra desigual travada entre o exército de
Israel e os militantes do Hamas. E que tem por base o fundamentalismo de ambos
os lados, onde a não aceitação do outro chega ao extremo da promoção de sua
eliminação física. Na loucura desse argumento belicoso prospera o delírio de que é
possível usar da violência até a completa aniquilação do oponente. É a cultura da
guerra, hegemônica no mundo globalizado e que penetra subrepticiamente até na
linguagem cotidiana: combate à dengue, enfrentamento dos problemas, eliminação
dos obstáculos, combate à seca e por aí vai. Os nossos heróis históricos são
violentos. Até nosso Hino Nacional prega que "um filho teu não foge à luta" e o
"penhor dessa igualdade conquistamos com o braço forte". Carecemos do
desenvolvimento de uma cultura de paz, onde o sol é para todos, onde não existe
exclusão, mas inclusão, rompendo com a cultura binária do "e/ou". Quando nem a
inocência das crianças é respeitada pelos dirigentes militares dos dois lados o
nosso planeta fica mais triste.
Francisco de Assis N. de Castro
Data: 14/01/2009 - Horário: 23h58min
Comunidade de Ciro Pedroza
Tácito,
Nosso colega Ciro Pedroza criou no Orkut uma comunidade com a nossa turma de
jornalismo (Jornalismo UFRN 1982). Ele me encontrou na Net e me fez o convite.
Hoje, arrumando alguns papéis encontrei o convite da nossa formatura, lembra? e
você está lá. Tomei um susto, pois não me lembrava que havíamos terminado o
curso juntos. Beijos,
Ana Barros
Data: 14/01/2009 - Horário: 23h43min
Maysa Winehouse
Esta frase do João da Mata chamou minha atenção de imediato (no seu texto sobre
Maysa): Maysa foi "destroçada e massacrada pela imprensa que gosta de desgraça
e sangue."
Será mesmo? Se for verdade o que vc diz, João, acho que sempre foi assim, nunca
mudou. Nem no seriado nem na vida real. A imprensa nasce junto ao comércio, a
corrupção e a mentira. É verdade q tb nasce com vocações mais nobres. Informar,
educar, cooperar, mas me diga, vc acha mesmo isso?
Pense comigo: se a imprensa gostasse mesmo de sangue não estaria cobrindo
avidamente este massacre na periferia de Natal: média de 3 jovens mortos por dia?
Sempre tive dúvida com relação a isso. Como retratar alguém, Maysa, Pelé,
Cartola, ainda mais quando a retratada é sua mãe? Deus me livre de contar a
história de minha mãe em horário nobre. Preferia que outro contasse, eu não.
Assisti um capítulo do seriado e prestei mais atenção na atriz do que na história da
Maysa propriamente dita. Ah essa minha desatenção!, daí não vi mais. Está bm
pelo visto. Sei lá, fiquei com a sensação de que Maysa lembrava a Amy Winehouse
tupiniquim.
Gustavo de Castro
Data: 14/01/2009 - Horário: 23h43min
Maysa: uma mulher autentica
Caros Colegas,
Concordo plenamente com o texto do Artur Carvalho, postado em prosa. Não
bastasse o pastiche que o Jayminho fez com Olga, acaba de cometer mais um
grave crime contra a nossa memória histórica e musical. Aconselho ao Jayminho,
estudar um pouco a nossa cultura e a nossa MPB. Maysa, uma mulher insegura
como tantas outras, foi destroçada e massacrada pela imprensa que gosta de
desgraça e sangue.
Maysa participou dos grandes festivais da canção. Conviveu com todo mundo da
Musica Brasileira. A serviço de uma verdade, a serviço de uma carreira trágica.
Uma interprete sem igual. Ninguém soube entender melhor Maysa que a própria
Maysa. Uma boa escritora. Basta ver seu auto-diário não publicado. Todos os
grandes personagens da música popular brasileira passaram por Maysa. De Bricio
Abreu a Julio Medalha. De Antonio Maria a Ricardo Cravo Albim.
Mais uma vez venceu o pastiche que tanto Maysa combatia. Uma perda de
oportunidade enorme com material tão vasto e profundo sobre uma das maiores
personalidades culturais do Brasil nas décadas de 50 e 60. E o grande show no
Canecão, inaugurando o acesso de milhares de pessoas pagando um preço módico
por um ingresso? E a grande atriz que foi Maysa? E o fracasso na montagem de
Woyzeck de Buchner, bancado por Maysa. Maysa foi precursora em muitos campos
da cultura. Mas foi, sobretudo, uma mulher de caráter. Uma mulher verdadeira. A
bebida era pra esquecer as ruindades do mundo. A podridão dos falsos. A mentira
de muitos.
João da Mata Costa
Data: 14/01/2009 - Horário: 18h17min
Delicatto
Fui ver Essência do Tempo, do Delicatto, no Alberto Maranhão. A tentativa de unir
música, poesia e teatro é mesmo uma constante. A música de Glaucia Santos,
Ailson Saraiva e Teresa Quintiliano unida a voz de Hilkelia Carlem (que lembra
muito a de Teresa Salgueiro, do MadreDeus) merecem já um CD. No Essência do
Tempo, performance do grupo cresce com as composições do grego Yanni
Chrisomallis e de Oswaldo Montenegro, assim como com a participação do corpo
de balé, mas, mesmo assim, fiquei com vontade de ver algumas composições
próprias.
Gustavo de Castro
Data: 14/01/2009 - Horário: 18h15min
Maysa é maior... II
Caros amigos:
O texto de Arthur Carvalho é bom mas ainda vejo uma micro-vantagem em fazerem
esses seriados: tem gente mais jovem que nunca tinha ouvido Maysa antes. Nesse
sentido, tomara que façam um seriado sobre Dolores Duran! (E que venham as
magníficas Nora Ney e similares)
Abraços:
Marcos Silva
Data: 14/01/2009 - Horário: 18h12min
Elogio a João da Mata
Caros amigos:
O texto de João da Mata sobre Maria Rendeira é comovente: tempo, relações
humanas, identidades. Precisa escrever mais nessa área, Matão!
Abraços:
Marcos Silva
Data: 14/01/2009 - Horário: 18h11min
Maysa
Postei em PROSA texto sobre Maysa, do jornalista Arthur Carvalho, publicado no
Jornal do Commercio e enviado por Fernando Monteiro.
Tacito Costa
Data: 14/01/2009 - Horário: 16h42min
Maria Rendeira
Maria fazia rendas com seus bilros mágicos. Era uma das tantas Marias irmãs, tias
e mães. Mulher de fibra curtida pela praia de Ponta-Negra. Moradora da vila era a
Maria do Simplício. A conhecia desde muito. A sua barraca em Ponta-Negra era
uma das minhas preferidas. Ali me sentia abrigado e feliz. Muitas vezes deixava a
bolsa e ia caminhar. Depois tomava uma. Quantas horas passadas em sua sombra
com as bênçãos de Maria. O caranguejo, o caldo de ostra e peixe eram regalos
divinos. Nos rejubilava-mos com a sua culinária feita com muito carinho ao som das
marolas e Sol de Ponta-Negra. Há pessoas que fazem parte da nossa culinária
existencial. Maria era uma delas. O peixe-frito com macaxeira era o almoço. Ali
onde a vista não cansava de ver as meninas. Passava os dias naquele vai-e-vem. A
toalha ou esteira estendida na areia da praia era a cama dos meninos queimados
de sol e sal. A barraca do Simplício era ponto de encontro de amigos. Nem
precisava agendar. Era só ir e encontrar. O final de semana estava garantido. Maria
era como uma mãe. Quantas e quantas gargalhadas Maria não ouviu. Quantos
segredos e briguinhas. Beliscões aos olhos indiscretos. Maria viu nossos filhos
crescerem.
Simplício era baixinho e célere no atendimento. Atendia tão rápido quanto tomava
umas e outras. Morreu muito novo. Uma beleza de pessoa. A barraca ficou. Maria
ficou só. Não, Maria ficou com seus bilros e segredos. Maria entretia as horas
rendando. A encontrava nas feiras de artesanatos e eventos culturais. Sempre
tranqüila e sorridente. Quando passava ela chamava, Joooããoooo. Era como se
estivesse chamando um tempo que passou. A renda era a sua companhia de todos
os momentos. Tecia flores e armava labirintos. Nem sabia que ela estava doente.
Uma amiga falou de sua doença e eu ia passar no quiosque de Simplício para saber
notícias. Abro o jornal e vejo um daqueles quadrinhos de morte. Simplício (in
memorian) e familiares chamavam para missa de sétimo dia de falecimento ocorrido
no último dia de 2008. O dia em que a praia de Maria se encheria de gente para
saldar o ano novo. Com Maria foi uma parte de mim e de Natal. Na próxima feira de
artesanato não vou mais encontra-la e as feiras perderá um pouco seu encanto,
assim como a praia de ponta-negra não é mais a e mesma sem aquelas belas
barracas. O quiosque de Simplício ainda está lá perto do Morro. Lindalva era uma
outra barraqueira que morreu há pouco tempo num acidente de carro. Meu querido
Toinho morreu. Ponta-Negra definitivamente não é a mesma. E eu fico sem graça.
Sem Maria. Natal esta mais triste!
João da Mata Costa
Data: 14/01/2009 - Horário: 16h28min
Praia
Grande Tácito, avise aí aos amigos Carlos Magno Araújo e Carlos Peixoto,
importantes homens de imprensa de nossa província, que encontrei a praia de
Zumbi bem limpinha. O prefeito eleito Egídio mandou limpar tudo, ficando só
pequenos sacos plásticos aqui e ali, vistos muito raramente. Sempre que posso saio
apanhando o que restou de lixo plástico no meu caminho. Mas, passado o final de
semana, com uma festa no meio e chegada de farofeiros e mais veranistas, a praia
voltou a mostrar pequenos focos de lixo. Coisa pouca que ainda dá para ser
resolvida. Porém, como todo Jardim do Éden tem seus problemas, Zumbi sofre com
a falta de saneamento básico. A lama escorre pelo calçamento. Uma pena, quando
vemos ao longe na chegada que tem uma linda usina eólica implantada aqui (há
previsão para a construção de mais uma). Um triunfo da nova mentalidade
ecológica em nosso Estado. Um fato curioso por aqui é que tem aumentado
consideravelmente a população de cães de rua. Certamente, se não houver um
controle efetivo, podemos ter problemas de zoonoses num futuro próximo. No mais,
é a vida mansa, de leituras, banho de mar e cerveja. Acabei de ler O Mundo sem
Nós, de Alan Weisman, que tira sérias conclusões sobre o que estamos fazendo de
mau e de bom (mais de mau) com o nosso planeta. Leitura obrigatória para
qualquer ser humano preocupado com o meio-ambiente. Na volta escrevo algo mais
aprofundado sobre o assunto. Ademais, estou escrevendo de uma lan house em
Zumbi. Não é fascinante este admirável mundo novo?
Carlos de Souza
Data: 14/01/2009 - Horário: 16h21min
Violência em Natal
Prezado Tácito:
Seu texto sobre violência em bairros pobres de Natal é muito importante mas não
podemos nos iludir em relação a nosso mundo de classe média (ou mais que
média, leitor endinheirado). Rolam quedas misteriosas de jovens em festas,
assassinatos de gays, violências domésticas contra mulheres e homens, idem
contra crianças, gente morrendo por excesso de drogas (inclusive alcóol e tabaco, é
claro). Precisamos ficar de olho porque nossos privilégios - três refeições por dia,
educação adequada, acesso a algum consumo e a alguma informação - não
incluem uma bolha anti-violência. Talvez a violência nos bairros pobres seja apenas
mais visível, dando a impressão de que nada temos com isso - mas temos!
Abraços:
Marcos Silva
Data: 14/01/2009 - Horário: 16h15min
Israel tem um enorme advogado: os EUA!
Caros amigos:
A retórica de Marcos Guterman a favor do estado de Israel se confunde facilmente
com sofística elementar. Dá a impressão de que ele nunca ouviu falar do Conselho
de Segurança da ONU, onde o referido estado conta com um advogado dotado de
poder de veto: os EUA!
Não gosto de uma demonização de Israel porque esse país (como qualquer outro,
até a Alemanha durante o horror nazista) inclui seres humanos com sentimentos e
propostas muito diversificadas. Melhor situar claramente as responsabilidades no
estado de Israel, em seus sucessivos governos.
Considero asqueroso o argumento estatístico de Guterman para definir o que é o
que não é genocídio (percentuais da população): depois de Auschwitz, não dá para
ficarmos esperando alguns milhões de vítimas a mais para condenarmos a prática
de assassinatos em massa. Já ouvi argumentos similares para salvaguardar a
ditadura brasileira, dizendo que ela matou menos que as congêneres chilena e
argentina. Infelizmente, os mortos pela ditadura brasileira não podem opinar sobre a
vantagem ou não de serem assassinados por ditadores "benignos"!
Assisti a documentários norte-americanos, feitos pelo exército de seu país quando
suas tropas invadiram os campos de concentração nazistas. Junto com as cenas
medonhas de cadáveres amontoados e seres vivos agonizantes - que o diretor de
"Shoah", Claude Lanzman, considera pornográficas -, vinham legendas advertindo
sobre o horror sem comparação daquilo em relação a tudo que aconteceu antes e
que poderia acontecer depois. Quer dizer: liberou geral, jogar bombas atômicas
sobre populações civis não é genocídio, manter apartheid no sul dos EUA até o
início dos anos 60 não é para-nazismo, torturar prisioneiros não é crime contra a
humanidade, matar crianças palestinas corresponde a desmazelo de seus pais etc.,
etc.
Enquanto isso, a noção de humanidade caminha pro brejo. Receio que, pelo andar
da carruagem, não sobre nenhum povo escolhido por Deus nem pelo destino.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 14/01/2009 - Horário: 16h13min
aniversário do bardallos
tácito,
sábado dia 17 é o aniversário de quatro anos do bardallos, um conhecido resistente
da boemia. na sexta, eu marcellus bob, gilson nascimento, tiago vicente, valderedo
nunes, fábio eduardo, civone medeiros e mais alguns bons de tinta, vamos fazer
uma exposição em homenagem a diniz grilo
no sábado é a vez da turma: balalaika brega band,
neguedmundo,
romildo soares,
isaque galvão,
iggor dantas,
geraldinho carvalho,
donizete lima,
rodolfo amaral e
edja alves, soltar a voz.
franklin gomes serrão
Data: 14/01/2009 - Horário: 16h11min
Tradição e modernidade
Caros amigos:
O texto de Ronaldo Correia Brito (Prosa) chama nossa atenção para uma dialética
incontornável: não tem presente nem futuro sem passado, não tem passado sem o
presente que o pensa. É claro que cada tempo, por sua vez, é marcado por
inúmeras tensões internas.
Na peleja entre Gilberto Freyre e os modernistas, é melhor ficar criticamente com as
duas partes: Freyre não é só tradição, os modernistas não são só o presente deles.
Cãmara Cascudo, inteligentemente, dialogou com as duas frentes: fez bem.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 14/01/2009 - Horário: 16h09min
Respeito à tradição
―Quando Gilberto Freyre retornou ao Brasil, depois de temporada numa
Universidade Americana, deu de cara com o manifesto modernista e atacou-o por
sentir que nele faltava respeito à tradição. Acusado de conservador, Gilberto
cobrava atenção pela cultura que nos forma e que de tão desenraizada e amorfa
nos fragiliza e empobrece.‖
De Ronaldo Correia de Brito. Leia em PROSA.
Tácito Costa
Data: 14/01/2009 - Horário: 11h20min
Direito a advogado
―Bem, se até o diabo tinha direito a advogado, Israel também deveria ter. Nesse
estranho mundo em que vivemos, porém, não é bem assim que funciona.‖
Do texto de Marcos Guterman, enviado por Tales Costa. Postei em PROSA.
Tácito Costa
Data: 14/01/2009 - Horário: 09h39min
Sexo via tv
Caros amigos:
As notícias sobre um programa da rede globo com cenas de sexo ao vivo me
provocam profundo tédio. No tempo de Woodstock, transar em público tinha um
significdo afirmativo contra uma moral sufocante. A nova moral sufocante é ter que
transar em público ou ter que assistir aos outros transando em público. Continuo
considerando as relações amorosas muito especiais na vida de qualquer ser
humano. Reivindico o direito à privacidade, sim. Tem gente que acha isso
conservador. Se for, existem alguns valores a serem conservados. É por isso que
nunca vi nem tenho vontade de ver o referido programa.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 13/01/2009 - Horário: 23h46min
Violência
Tácito,
O que você fala faz sentido. mas também é absurdo o silêncio sobre a misteriosa
morte do advogado João Régis, crime até hoje sem um esclarecimento satisfatório.
A quem interessa calar sobre esse assassinato?
Alex de Souza
Data: 13/01/2009 - Horário: 23h45min
Cinema
Grande Tácito,
Pode até ser que alguém resolva seguir sua sugestão de distribuir ingressos para a
garotada, mas acho difícil. Nos últimos três anos, a prefeitura foi patrocinadora
oficial do FestNatal e a única vez que isso aconteceu foi qunado Valério de Andrade
teve a idéia de incluir uma mostra de filmes infantis na programação. A prefeitura
mesmo nunca mexeu uma palha nesse sentido, vide iniciativas como o Goiamum
Audiovisual, que poderia abrigar algo no estilo. Esperemos que alguém se lembre
de encaixar essa idéia na tão propalada contrapartida social da atual gestão da
Funcarte.
Alex de Souza
Data: 13/01/2009 - Horário: 23h45min
A nossa Gaza
Com uma média de três assassinatos por dia, do início do mês até hoje, a violência
na Grande Natal dá mostras de que está fora de controle. Violência essa restrita à
população pobre, que mata e morre, das formas mais brutais possíveis. Talvez
devido a isso, não tenha até agora havido nenhuma discussão sobre a questão ou
repercussão nos meios de comunicação e entre formadores de opinião. Tivesse
atingido alguém da classe média pra cima o alarido seria grande e algumas
providências estivessem sendo analisadas.
Tacito Costa
Data: 13/01/2009 - Horário: 19h43min
Cinema para os estudantes
O governo de São Paulo desenvolveu no ano passado e vai repetir este ano um
projeto cultural muito interessante. Chamado de ―Vá ao Cinema‖, distribui ingressos
para alunos da rede pública assistirem filmes brasileiros nos cinemas. A idéia foi
copiada pelo governo do RJ, que inicia este ano sua versão. Lá se chamará
―Cinema para Todos‖. Bem que o governo do estado ou a prefeitura de Natal
poderiam implantar algo parecido por aqui.
Tacito Costa
Data: 13/01/2009 - Horário: 19h33min
É prudente retirar as crianças da sala
Leio na Folha que uma das atrações do Big Stupid Brasil, que começa hoje na
Globo, é uma cama gigante, apelidada pela produção de ―quarto dos sonhos‖ e de
―surubão‖. É bom retirar as crianças da sala, o que não será fácil, está todo mundo
de férias, acordando tarde e com o horário de verão o BSB vai ao ar bem cedinho.
Tacito Costa
Data: 13/01/2009 - Horário: 19h27min
Godard e Truffaut
NA REVISTA BRAVO
www.revistabravo.com.br
Os cineastas Jean-Luc Godard e François Truffaut consumiram suas vidas numa
guerra aberta. O conflito que alimentou a criatividade de ambos ajuda a entender
uma época genial e turbulenta do cinema francês.
Tacito Costa
Data: 13/01/2009 - Horário: 17h03min
Editoras fazem parceria
Uma das parcerias mais promissoras do setor editorial brasileiro foi fechada ontem
em Natal entre as editoras Flor do Sal, de Adriano de Sousa e Flavia, e a Casa das
Musas, de Gustavo de Castro e Florence. A primeira tem sede em Natal e a
segunda em Brasilia. Vamos aguardar porque vem muitas novidades por ai. O
primeiro livro a ser lancado sera uma antologia das cronicas do jornalista Carlos
Magno Araujo, do Diario de Natal.
PS
Texto sem acentos, mas nao tem a ver com reforma ortografica nao - rs. O teclado
travou as teclas dos acentos.
Tacito Costa
Data: 13/01/2009 - Horário: 19h05min
Ainda mudando as palavras
Michel Chedid é meu colega de Petrobras. É descendente de libaneses. É tucano e
anti-Lula, mas escreve bem. Traduziu de forma simples uma situação complexa de
nossos dias.
DO EDITOR
Texto postado em PROSA.
Daniel Dantas
Data: 13/01/2009 - Horário: 15h52min
Livro do João Bosco amanhã na Siciliano
Pessoal, divulgo aqui um lançamento bem legal: o livro do João Bosco, um cara
cheio de histórias:
Primeira Chamada
Meus queridos amigos e amigas
Volto a Natal para celebrar. Nasci no sertão, em Juazeiro no vale do cariri,
esperando um dia ele se encher e de novo virar mar. Como o mar não veio fui a
Natal com ele me encontrar. Da cidade trampolim vim para São Paulo na busca de
outras vitórias. Mas, mesmo sendo um caririense volto a Natal como quem volta à
cidade natalícia. Até porque, queridos meus a adotaram como cidade Natal. Doce e
importante parte de mim, se constituiu nas águas do rio Potengi; meus sonhos e
minha carne foram salgados, ensolarados nas praias de Ponta Negra, Redinha,
Maracajau e Pipa. Minhas idéias, princípios, foram forjados nos campus da UFRN e
nas pelejas dos movimentos sociais, junto com tantos companheiros e
companheiras. Meu riso foi lapidado nas pândegas e irreverentes peças de teatro
de rua. Se hoje sinto-me forte é graças as paredes brancas dos reis magos, onde
uma estrela guia me ensinou a ser equilibrista e escritor. Volto a Natal e trago na
bagagem o desejo de reencontrar amigos e amigas, trago livros produzidos na
paulicéia, porém, iluminados pelo sol da saudade do meu nordeste, dos afetos
amigos. "Um gole d'água para refrescar a memória", com contos de cá e contos de
lá, é o livro que vou lançar na livraria Siciliano no dia 14/01/2008. No lançamento
teremos uma contação de história feita por um Anjo da Guarda de puta e escritor,
que por estar de férias topou dar uma canja no evento. Será um prazer enorme
encontrá-los para uma boa prosa, beber, rir e compartilhar mais um sonho
realizado.
Aguardo vocês. Dia 14/01/2008 ás 18:00 hs na Livraria Siciliano do Shopping
Midway.
João Bosco A. Sousa
Carmen Vasconcelos
Data: 13/01/2009 - Horário: 15h49min
Narcisa
agora que sou uma
mulher aprendida
no amor
recolho os frêmitos elaborados
frente às águas
e ao meu sono fluvial retorno
como uma sereia desativada
pra peixes e homens.
Iara Maria Carvalho
Data: 13/01/2009 - Horário: 15h48min
In Golda they trust
Caros amigos:
A Folha de São Paulo de hoje, 13.1.9, traz dois textos que citam a mesma fala de
Golda Meir: "Prefiro receber protestos a receber condolências".
É uma frase de senso comum egocêntrico: enquanto ela recebia protestos, parentes
de pessoas mortas pelas tropas que ela comandava recebiam condolências. A
lógica de Golda é: a dor dos outros não diz respeito a mim, inclusive quando eu sou
responsável por essa dor.
Golda renuncia à condição humana e se refugia aristocraticamente no seio dos que
ela considera iguais. O resto da humanidade nem merece a identificação de
humanidade.
É uma tristeza só.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 13/01/2009 - Horário: 13h41min
Câmara Cascudo, letras de música e poesia
Caros amigos:
Ainda sobre letras de música e poesia, é importante lembrar que a poesia oral se
manifesta largamente na forma de música. Os grandes clássicos de Câmara
Cascudo "Vaqueiros e cantadores" e "Literatura oral no Brasil" estão aí para nós
aprofundarmos essa realidade. É claro que a poesia escrita possui imensa
legitimidade mas não podemos negligenciar a face de poesia própria a cantorias,
autos e outras manifestações populares. É possível que parte da chamada música
popular (de mercado) tenha preservdo traços desse caráter poético da oralidade.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 13/01/2009 - Horário: 09h26min
Maysa é mais que a Globo
Caros amigos:
Maysa é uma das maiores entre as maiores. O seriado da Globo se fixa em
bebedeiras e namorados, deixando de lado a trabalheira que ela certamente
enfrentou para atingir uma voz magnífica como aquela (emissão, expressão) e
também uma escrita inteligente, antenada com o ato de ser mulher (e, além do
sexo, ser humano) nos anos 50 e depois.
Quando gravava outros compositores, Maysa fazia escolhas brilhantes, no nível de
"Demais"; e interpretava em francês como poucas e poucos (é possível que o "Ne
me quitte pas" dela seja o melhor jamais gravado, apesar da grandeza de Nina
Simone e do próprio Jacques Brel).
Penso que ela e Nora Ney são figuras magníficas para entender muito do que vem
depois no canto feminino brasileiro (e mundial), como Maria Bethânia e Cássia Eller.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 13/01/2009 - Horário: 09h26min
Lições (culturais) de vida
É nisso o que dá o intelectual subestimar coisas aparentemente simples e sem
importância. Eu havia dito a Tácito, semana passada, que o Coringa tinha dado um
show à parte em ―Batman – O Cavaleiro das Trevas‖, emprestando, inclusive, o
DVD a ele. Resultado: Heath Ledger foi homenageado (no 66º Globo de Ouro) com
o prêmio póstumo de melhor ator coadjuvante, por seu papel nesse filme. Também
lhe falei sobre Hulk 2 e Homem de Ferro (tão ótimos quanto Batman), ao que ele
retrucou: ―lá vem você com os super-heróis!‖ Fazer o quê?
Tales Costa
Data: 13/01/2009 - Horário: 00h42min
Artigo e entrevista sobre Gaza
Postei em PROSA o texto ―Por que nos odeiam tanto?!"‖, do jornalista Robert Fisk,
publicado no The Independente e enviado por João da Mata; e entrevista com o
jornalista Phillip Knightley, autor do livro "The First Casualty" (A Primeira Vítima - O
Correspondente de Guerra como Herói e Construtor de Mitos, da Criméia ao Iraque,
Johns Hopkins University Press, 608 págs., US$ 24, R$ 53), publicada no MAIS, da
FSP, que foi dedicado à cobertura jornalística em Gaza (―A Batalha da Informação‖).
Tácito Costa
Data: 12/01/2009 - Horário: 17h21min
Maysa é mostrada de forma rasteira
Caros Colegas,
Concordo com o biógrafo de Maysa (ver folha online). É rasteira a forma como está
sendo apresentada a vida de Maysa Matarazzo.
Maysa que lá fora gostava de ser chamada condessa. Que veio a Madrid a convite
de uma grande dama, e ficou com o marido de sua anfitriã e amiga. Maysa que não
tinha escrúpulos ao tomar o homem de quem quer que fosse.
Ronaldo deixou simplesmente Nara Leão para namorar com Maysa. Grandes
personagens da nossa música não estão sendo realçadas nessa mostra mais que
maquiada. Maysa que não seguia os contratos e muitas vezes não comparecia aos
shows programados. Se por um lado, tem o mérito de está sendo mostrado para o
grande público
( inclusive muitos jovens) a vida de umas de nosas maiores interpretes e
compositora da MPB, tem a desvantagem da superficialidade com que é
apresentada um personalidade complexa como Maysa. Só os olhos da atriz que faz
o papel de Maysa não basta. A dublagem é problemática. Vamos ver o restante!
João da Mata Cosra
Data: 12/01/2009 - Horário: 17h02min
Tu pisavas nos astros distraída
Orestes Barbosa foi outro grande poeta. A letra de Chão de Estrelas é sua. Uma
obra prima. Qualquer poeta gostaria de ter escrito " tu pisavas nos astros distraída".
Para Manoel Bandeira, uma dos mais belos versos da nossa poesia
Chão de estrelas ( Sílvio Caldas , Orestes Barbosa )
Minha vida era um palco iluminado
E eu vivia vestido de dourado
Palhaço das perdidas ilusões
Cheio dos guizos falsos da alegria
Andei cantando minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações
Meu barracão lá no morro do Salgueiro
Tinha o cantar alegre de um viveiro
Foste a sonoridade que acabou
E hoje, quando do Sol a claridade
Forra o meu barracão, sinto saudade
Da mulher, pomba-rola que voou
Nossas roupas comuns dependuradas
Na corda qual bandeiras agitadas
Pareciam um estranho festival
Festa dos nossos trapos coloridos
A mostrar que nos morros mal vestidos
É sempre feriado nacional.
A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua furando nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão
E tu pisavas nos astros distraída
Sem saber que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão
João da Mata Cosra
Data: 12/01/2009 - Horário: 15h57min
Só mesmo na Coréia...
Os jornais locais trouxeram encartada no final de semana uma revista de
propaganda do presidente do Senado senador Garibaldi Filho. Toda em papel
couché e colorida, bem diagramado, tem 52 páginas. O senador potiguar aparece
em fotos ou charges nada menos que 44 vezes. Quase uma foto ou ilustração por
página. Acho que só na Coréia do Norte ainda se acha tamanho culto à
personalidade.
Tácito Costa
Data: 12/01/2009 - Horário: 15h44min
MPB e Poesia
Cacaso Abel Silva, Sueli Costa, Fausto Nilo, Chico Buarque, Paulo César Pinheiro,
etc, são excelentes poetas e emprestaram seus poemas para a MPB. Seus
poemas/ letras se sustentam enquanto poemas
Catulo da Paixão Cearense foi um grande poeta e engrandeceu a Musica Popular
Brasileira.
O casamento entre a Poesia e a Música Popular Brasileiro é eterno.
A Nossa música começou modinheira e será eternamente fruto de uma grande
miscigenação, produto de "três raças tristes".
Difícil separar algumas letras da bela melodia que a acompanha. Outras letras
podem constar em qualquer antologia de poesia.
João da Mata Cosra
Data: 12/01/2009 - Horário: 15h32min
Capas que falam por si
Manchetes de capa das quatro principais revistas semanais brasileiras nas bancas:
VEJA – Israel sob o ódio dos vizinhos.
ISTO É – O terrorismo de Israel.
ÉPOCA – Gaza: como entender a guerra. O dramático custo humano. O que pode
encerrar o conflito.
CARTA CAPITAL – A razão agredida.
Em VEJA e ÉPOCA a guerra não foi a manchete principal. Nas outras duas, sim.
VEJA focou a crise econômica. E ÉPOCA ficou com o tema ―Amor e Sexo – por
toda a vida‖. Tentativas, claras, de fugir à pauta do dia, ao assunto incômodo, que
realmente interessa nesse momento ao mundo, que é o terror patrocinado por Israel
em Gaza.
Tácito Costa
Data: 12/01/2009 - Horário: 11h53min
Perseguição política, não
Alex de Souza, em sua coluna BAZAR, no portal NOMINUTO, toca num assunto
que precisamos ficar atentos, que é a caça às bruxas, ou perseguição política, na
nova administração municipal, notadamente na Funcarte. Claro que ninguém é
idiota de achar que Micarla iria convocar a legião que apoiou a candidatura de
Fátima para ajudá-la a administrar a cidade, tipo Moacy Cirne para editar a
Brouhaha ou Tácito Costa e Daniel Dantas para auxiliar de estagiário na Assessoria
de Imprensa (rs). Mas, daí a pedir atestado de voto e escantear bons profissionais
somente porque fizeram outra opção política é demais.
Tácito Costa
Data: 12/01/2009 - Horário: 11h37min
Mudanças no Substantivo
Caros amigos,
Pedi ao webdesign Davi José que apresente um projeto de reformação gráfica do
Substantivo Plural. Graficamente será construído um site bem diferente do atual,
com novas cores, diagramação mais leve e agradável de navegar. Vamos buscar
avançar e oferecer mais qualidade a vocês. Algumas seções vão acabar e outras
serão remanejadas. Haverá também a implementação de novas ferramentas,
notadamente na área de audiovisual. A lentidão no acesso aos textos e os links
para os demais endereços digitais, que hoje aborrecem vocês, serão questões que
merecerão prioridade. Quem tiver alguma idéia ou sugestão para o novo site envie
que eu e Davi analisaremos com atenção. Pode mandar aqui para o SP ou para o
meu e-mail: [email protected] Temos ainda algumas novidades que
pretendemos implementar este ano, mas por enquanto não posso adiantar.
Tácito Costa
Data: 12/01/2009 - Horário: 11h12min
Boicote contra Israel
―É mais que hora. A melhor estratégia para pôr fim à sangrenta ocupação é que
Israel se torne alvo do tipo de movimento mundial que pôs fim ao apartheid na
África do Sul.‖
Da jornalista Naomi Klein, Leia em PROSA.
Tácito Costa
Data: 12/01/2009 - Horário: 10h50min
Bazar
Tácito,
Tá lá no ar a coluna desta segunda. Esquentando os tamborins!
http://www.nominuto.com/colunas/bazar/alto_la/32675/
Alex
Data: 12/01/2009 - Horário: 10h45min
Globo de Ouro
Deu o que todo mundo esperava. O ator Heath Ledger ganhou o Globo de Ouro
como melhor ator coadjuvante por "Batman - O Cavaleiro das Trevas", do diretor
Christopher Nolan (no UOL ou na FSP tem a lista completa dos vencedores).
Somente ontem comecei a assistir o filme, em DVD. Subestimei esse filme e não fui
assisti-lo no cinema. Depois, com todos falando bem, fiquei arrependido. Aí só
restou apelar para o DVD.
Tácito Costa
Data: 12/01/2009 - Horário: 10h26min
Felicidade
De Franklin Leopoldo e Silva, no site da Livraria Kriterion:
http://www.kriterion.zlg.br/page65.aspx
A noção de felicidade, que está relacionada com o prazer no epicurismo, foi
apropriada por meio de uma leitura moderna em que a felicidade e o prazer são
individuais. E é isso principalmente que distingue a doutrina de Epicuro daquilo que
nós entendemos por prazer e felicidade.
A partir daí, você tem a noção de prazer ligada a interesse próprio, voltado para
questões materiais, algo próprio da civilização capitalista, e projetamos isso em
Epicuro. Quando, ao contrário, a leitura dos textos de Epicuro mostra que o
indivíduo não é nada sem a comunidade.
Tanto é que no inventário que Epicuro faz dos prazeres, um dos que ocupam o topo
da lista é a amizade. Porque é o convívio –constantemente estar com o outro– que
é motivo de prazer e felicidade. Não tem nada a ver com a realização de interesses
próprios. Hoje fala-se em indivíduo ―epicurista‖, mas para Epicuro o indivíduo
sozinho não pode ser feliz.
Tácito Costa
Data: 12/01/2009 - Horário: 10h08min
Tanta coisa pode ser poesia! (até letra de música...)
Caros amigos:
O tema discutido no texto sobre letras de música e poesia é muito bom e até já o
discuti em textos antigos (um deles publicado no jornal "O galo"). Penso que letras
de músicas são textos, que dialogam com diferentes gêneros de escrita: poesia,
conto, crônica, reportagem. O argumento de que poesia independe de melodia é ahistórico: aedos e trovadores faziam magnífica poesia COM MELODIA. A diferença
não é por aí.
Gosto muito que Chico Buarque não se deslumbre com a etiqueta "poesia". Muitas
letras dele e de outros músicos populares são poesia, outras são crônicas e por aí
vai.
Em tempo: Rimbaud já nos lembrava que muita coisa denominada poesia não
passa de prosa rimada, às vezes má prosa rimada.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 12/01/2009 - Horário: 09h51min
Das pás
Caros amigos:
Quer dizer que um Prêmio Nobel da Paz justificou a matança atual na Faixa de
Gaza? Estocolmo errou: era pra ter dado o Prêmio Nobel das Pás (de coveiro).
Abraços:
Marcos Silva
Data: 12/01/2009 - Horário: 09h49min
“Letra de música x Poesia”
Postei em PROSA o texto ―Letra de música x Poesia‖, do jornalista Bruno Ribeiro
enviado por Tetê Bezerra.
http://www.cosmo.com.br/blog/blog_post.php?post_id=4337&blog_id=12
Tácito Costa
Data: 12/01/2009 - Horário: 09h51min
Tragtenberg, Deutscher e outros judeus críticos
Caros amigos: Reproduzo uma boa síntese das reflexões que Tragtenberg e
Deutscher fizeram sobre o conflito do estado de Israel com os palestinos.
DO EDITOR
Texto postado em PROSA.
Marcos Silva
Data: 11/01/2009 - Horário: 23h20min
Palestina
Caro Tácito,
Tenho acompamhado seu blog desde o início e hoje me emociono lendo as
manifestações à causa Palestina, que acredito ser uma causa de todos os povos,
inclusive do povo judeu, haja visto que ao longo dos séculos a humanidade sofre os
mais diferentes tipos de violência em prol de governantes cujo interesse é
exclusivamente de se manterem poderosos: típico do instinto humano, sem jamais
ser do HUMANO. Palestinos e judeus sempre conviveram pacíficamente antes da
criação de Estado de Israel. Sessenta anos depois, Israel vem desrespeitando mais
e mais, cada vez mais os Direitos dos palestinos em sua próprias terras. Vivendo
como refugiados privados da liberdade de ser e de existir, os Palestinos tentam
chamar a atenção do mundo inteiro, porque queremos viver dignamente na
Palestina, enquanto Israel insiste que somos uma ameaça para ele, atacando e
destruíndo o estabelecimento de um país palestino de modo cada vez mais atroz.
Gostaria de convidar você e todos aqueles que queiram a assistirem terça feira, dia
13, as 18h, na OAB, a palestra sobre a questão palestina.
Um grande abraço,
Nadira Khalil Hazboun
Data: 11/01/2009 - Horário: 19h35min
A lógica dos genocidas
Caros amigos:
Tenho lido argumentos a favor do genocídio na Faixa de Gaza que são dignos de
nota. O que mais me impressionou foi aquele que louvou o zelo israelense ao
construir abrigos anti-aéreos para proteger suas crianças, culpando a incúria dos
palestinos pela morte de seus filhos. Conclusão: a culpa é das vítimas! SOCORRO!
Valham-nos Aristóteles, Descartes, Kant, Wittgenstein! Hannah Arendt já
demonstrara a mediocridade como traço básico da personalidade nazista, em nome
de disciplina, espaço vital e nação acima de tudo. Os neo-genocidas herdaram
também esse traço de seus antecessores.
A lógica é clara: genocídio contra os outros é normal, genocídio contra os nossos é
crime contra a humanidade (humanidade seletiva).
Participei do protesto contra a atual guerra, hoje, domingo, às 10 horas, partindo do
MASP (Av. Paulista, São Paulo). Havia muita gente. Noutras partes do mundo, atos
semelhantes ocorrem. Ainda resta alguma esperança.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 11/01/2009 - Horário: 19h31min
Protestos de judeus contra a guerra
Canadá, 8 de enero de 2009.- Un grupo de mujeres judías entraron el día de ayer al
fuertemente custodiado consulado de Israel en Toronto y procedieron a realizar una
protesta pacífica en contra de la masacre del estado hebrero en contra del pueblo
palestino.
"Israel pretende representar a todos los judíos del mundo, pero esas atricidades no
son cometidas en nuestro nombre" aseguró la cineasta Cathy Gulkin, una de las
manifestantes.
"Hacemos un llamado a todos los judíos a no quedarse callados ante esta masacre
y demandar que Israel detenga el bombardeo, salga de Gaza y haga una paz con
justicia para los palestinos" agregó la académica y comentadora política Judy
Rebick
El grupo, que incluía intelectuales, académicos, estudiantes y pacifistas, fue
arrestado y posteriormente liberado. "Hay muchos judíos en Canadá, USA, Europa
e Israel que estamos avergonzados, que no quieremos que esta masacre se lleve
acabo en su nuestro nombre" concluyó la Prof. Rebick.
En otras partes del mundo, incluyendo Israel, y Nueva York, judíos han levantado su
voz de indignación en contra de la brutalidad de la operación militar Israelí.
Pacifistas israelíes exigen fin de la "masacre" y retirada de los soldados
EUROPA PRESS
La influyente organización pacifista israelí Gush Shalom ha convocado una
manifestación en Tel Aviv "contra la locura" en la Franja de Gaza y para reclamar el
"fin de la masacre" y de los "crímenes de guerra", así como la retirada de los
soldados israelíes de la región, según se lee en su página de Internet.
La manifestación ha sido convocada para "poner fin" a la "masacre", el "derramiento
de sangre", la "destrucción" y los "crímenes de guerra" y para conseguir "la retirada
de los soldados" de la Franja de Gaza, así como para acabar con el bloqueo y
reclamar la apertura de los pasos fronterizos.
Según la organización, presidida por el ex militar y escritor Uri Avnery, "esta guerra
es inhumana e innecesaria" y "no puede traer nada bueno a Israel". "La muerte de
cientos de palestinos y la destrucción de las infraestructuras vitales en la Franja de
Gaza son actos abomibles", aseveró.
Ya el pasado 3 de enero marcharon cerca de 150 000 personas en distintas
ciudades de Israel en repudio a la agresión israelí, ahora se espera una asistencia
mucho mayor.
Marcos Silva
Data: 11/01/2009 - Horário: 11h09min
Pela paz
Caros amigos:
Divulgo mensagem pela paz porque quem gosta de guerra é coveiro:
Caros amigos,
O derramamento de sangue em Gaza está escalando – o número de mortos já
chegou a 600 pessoas sendo quase metade civis, entre eles mais de 100 crianças.
Os tanques, aviões e artilharia Israelense estão bombardeando áreas densamente
povoadas, incluindo escolas da ONU. Milhares estão feridos e 1.5 milhões de civis
aterrorizados não têm para onde escapar mantidos como prisioneiros dentro de
fronteiras fechadas. Enquanto isso o Hamas continua e lutar e lançar foguetes
contra o sul de Israel, 11 israelenses foram mortos incluindo por ―fogo amigo‖.
O nosso chamado global por um cessar−fogo começou a ressoar alto e claro,
ganhando o apoio de líderes da Europa, Oriente Médio e além, definindo assim os
termos para um acordo. Porém Israel continua a rejeitar uma trégua e o Presidente
dos EUA, George Bush, está barrando um cessar−fogo negociado na ONU
pressionando por uma alternativa que pretende legitimar o isolamento sufocante de
Israel em Gaza.
Precisamos dizer: BASTA. Não podemos deixar os EUA e companhia bloquear um
cessar−fogo justo e negociado. 250.000 pessoas assinaram a petição pelo
cessar−fogo, vamos mostrar que podemos conseguir meio milhão. Esta petição,
com o número de assinaturas, será publicada num anúncio forte no Washington
Post direcionado aos líderes americanos e será também entregue em reuniões com
os membros do Conselho de Segurança da ONU. Clique no link abaixo para ver o
anúncio, assinar a petição e encaminhar esta mensagem para todos os seus
amigos e familiares:
http://www.avaaz.org/po/gaza_time_for_peace/
Nossos esforços podem realmente fazer a diferença – o próprio Ministro das
Relações Externas de Israel admitiu que se a pressão internacional for forte o
suficiente, ela pode garantir um cessar−fogo. Enquanto a comunidade internacional
continua a debater demoradamente, mais civis morrem todos os dias. Os oficiais da
ONU em Gaza dizem: ―Não há lugar seguro em Gaza. Todos aqui estão
aterrorizados e traumatizados‖. Ao bloquear a resolução da ONU, o Bush pretende
excluir o Hamas de qualquer acordo de cessar−fogo dando carta branca para Israel
continuar com a violência. Por isso estamos direcionando o nosso apelo ao novo
Presidente Obama e o Congresso Americano, assim como a União Européia e
outros líderes internacionais. Só assim conseguiremos uma resolução justa e
estável.
Para ser duradouro, um cessar−fogo deve proteger os civis e parar os ataques a
ambos os lados – tanto o bombardeio e incursão israelense quanto os foguetes
palestinos lançados ao sul de Israel. Uma supervisão internacional é crucialmente
necessária para que a fronteira de Gaza possa ser reaberta deixando entrar
alimentos, combustíveis, medicamentos e outros produtos, e impedindo a entrada
de armamentos ilegais que só tem aumentado desde que as fronteiras foram
bloqueadas. A supervisão internacional também é essencial para monitorar e
garantir o cessar−fogo em ambos os lados.
O Hamas, que ganhou as eleições em 2006 e agora governa Gaza, diz que irá
concordar com o cessar−fogo. Eles devem cumprir sua promessa assim como
Israel. Não há uma solução militar para a situação, em nenhum dos lados. Chegou
a hora dos poderes globais intervirem dando avanço a um acordo justo para
proteger civis em ambos os lados para que eles possam viver suas vidas com paz e
segurança. Assine a petição agora no link abaixo, se você já assinou, envie esta
mensagem para todos que você conhece – ela será publicada no Washington Post
e outros meios, e será entregue em reuniões pessoais com a equipe do Obama, o
Conselho de Segurança da ONU e lideranças européias:
http://www.avaaz.org/po/gaza_time_for_peace/
Marcos Silva
Data: 11/01/2009 - Horário: 11h08min
Mirante e memorial de Natal
Hoje, com meus sobrinhos soteropolitanos, minha esposa, cunhadas, irmão, fui ao
Parque da Cidade. Meu objetivo único era mostrar o Memorial de Natal e a visão da
cidade desde o mirante. Para a nossa surpresa, o Mirante/Memorial está fechado
pela nova gestão da prefeitura de Natal. Hoje, um sábado de janeiro, à tarde, com a
cidade fervilhando de turistas, a prefeita teve ousadia de manter fechado o
espetáculo de obra de Carlos Eduardo/Oscar Niemeyer.
Daniel Dantas
Data: 11/01/2009 - Horário: 11h07min
Muçulmanos e cristãos
Um pequeno reparo na fala do amigo Pablo: nem todas as crianças palestinas são
muçulmanas, mas existe um parcela de população cristã entre elas.
Daniel Dantas
Data: 11/01/2009 - Horário: 11h06min
NaSemana
Caro Tácito e leitores do SP,
Após minha queixa ao jornal NaSemana neste site - depois de duas tentativas de
contatos privativos não sucedidos -, eis que recebo um telefone com pedido de
desculpas. A justificativa foi dada, as desculpas aceitas e a assinatura mantida.
Agradeço a Thaís (da equipe do jornal) pelas edições extras enviadas a mim, mais
a edição deste sábado e ainda uma camiseta e caneta de brindes.
Adriana Amorim
Data: 11/01/2009 - Horário: 11h05min
"Histórias da Janela" no Youtube
Sabe aquela tríade em que o vendável é ‗sexo, drogas e rock‗n‘roll‘? Sabe mesmo?
Pois bem... Isso, nós ainda não aprendemos! Longe de ser uma produção para toda
família, a idéia é a seguinte: Esculhambação, sim. Frescura, não! Tudo começou
como uma brincadeira e continua sendo uma boa piada. 'Lilica Filmes' nada mais é
que uma sátira, até porque são produções amadoras gravadas em ‗vídeo‘, a partir
de uma Sony Handycam DCR-SR85. E o que estava restrito apenas aos amigos e
ao blog 'Histórias da Janela', chega ao imenso e liberado mundo do YouTube
(www.youtube.com/macadr). São, neste momento, 21 vídeos, de caráter público e
experimental, que contam histórias rotineiras com o objetivo principal de registrar
bons momentos ao lado dos amigos, família, dos bichinhos de estimação, enfim...
São edições bem-humoradas, simples e com uma capacidade única de socializar as
nossas e as 'cagadas' alheias. E a lista só tende a crescer. Confira breves sinopses
das produções disponibilizadas e, para aqueles que sabem apreciar vídeos ‗trash‘,
tenham bons momentos de esculhambação... ou não!
Acesse www.historiasdajanela.blogspot.com!
Adriana Amorim
Data: 10/01/2009 - Horário: 19h26min
A grande imprensa faz assessoria para o Hamas
Além de lançar foguetes (mais de 6.000) contra a população das cidades ao sul de
Israel desde 2001, contando com a prestativa indiferença dos pacifistas que se
ergueram da noite para o dia contra a reação israelense, os filantropos do Hamas,
essas criaturas adoráveis empenhadas em matar todos os judeus sobre a face da
Terra, podem contar também com a assessoria que a grande imprensa
internacional está oferecendo de graça.
O exemplo mais emblemático desse serviço de relações públicas é o caso da
escola da ONU que teria sido explodida por soldados israelenses. Quase todos os
jornais do mundo deram variações sobre a mesma manchete: Israel ataca escola e
massacra civis. O episódio foi usado para demonizar os israelenses. Mas há uma
informação que não aparece nos despachos das agências: as coisas não
aconteceram exatamente assim.
Testemunhas contaram ao Jerusalem Post que homens do Hamas entraram na
escola, onde civis buscavam refúgio, para atirar bombas em soldados israelenses
estacionados na vizinhança. Os soldados revidaram. E então o fogo cruzado atingiu
as bombas armazenadas no interior do prédio (uma escola sendo usada como
depósito de armas – cortesia do Hamas), que explodiram e mataram dezenas de
pessoas que lá estavam. Esta também foi a versão apresentada pelas Forças de
Defesa Israelenses.
O Hamas já havia usado uma escola de Gaza para lançar foguetes contra Israel. A
ação foi filmada pela Força Aérea Israelense. É isso que o Hamas faz: se posiciona
deliberadamente em meio à população civil, em porões de apartamentos, hospitais,
mesquitas, para causar o maior número de mortes possível. Eles não hesitam em
fazer mal ao seu próprio povo em favor da propaganda.
Ver crianças mortas em zona de guerra é de cortar o coração. Por isso mesmo a
questão deve ser tratada com seriedade. É preciso observar a responsabilidade de
cada lado. Enquanto Israel protege seus cidadãos construindo abrigos, mantendoos longe dos foguetes, o Hamas se enfia de propósito em áreas habitacionais para
que sua propaganda seja encharcada de sangue. Enquanto as tropas israelenses
evitam ao máximo atingir inocentes, dando avisos aos moradores de Gaza para que
evacuem os alvos, os nobres combatentes do Hamas aproveitam esse escrúpulo
para encher os telhados de mulheres e crianças.
O caso da escola da ONU será estampado insistentemente por órgãos interessados
em fazer o jogo do Hamas (notadamente a BBC, como os israelenses e leitores
mais atentos estão cansados de saber). Quando ouvir a notícia, lembre-se disso: os
terroristas do Hamas resolveram usar aquele local precisamente por saber que civis
mortos dão boa publicidade. A culpa é deles. Primeiro agridem Israel por oito anos.
Depois correm e se escondem atrás de mulheres e crianças.
Bruno Pontes
Data: 10/01/2009 - Horário: 19h23min
Crise espiritual
Leia na revista TRIP entrevista com o antropólogo Wade Davis. Para ele, a crise
não é econômica. É espiritual.
http://revistatrip.uol.com.br/173/especial_diversidade/wade/home.htm
Tetê Bezerra
Data: 10/01/2009 - Horário: 14h50min
Pablo em PROSA
―Existem ao menos três formas retóricas de você se escandalizar com o massacre
de crianças em Gaza.
(1) você se escandaliza porque israelenses estão matando crianças palestinas;
(2) você se escandaliza porque judeus (apoiados por cristãos ocidentais) estão
matando crianças mulçulmanas;
(3) você se escandaliza porque estão matando crianças.‖
De Pablo Capistrano, em PROSA.
Tácito Costa
Data: 10/01/2009 - Horário: 14h47min
Os maniqueístas, o pastoril e o CD
Se dependesse dos maniqueístas o Nordeste perderia uma de suas mais autênticas
tradições populares, o pastoril. Pense num pastoril com um só cordão, o azul OU o
encarnado e sem nehuma Diana, é claro.
Aliás, os maniqueístas só criaram um bom avanço tecnológico: o CD, que só tem
um lado.
Paulo Couto
Data: 10/01/2009 - Horário: 14h40min
Literatura
Postei em PROSA os textos "Imaginação crítica", de Manuel da Costa Pinto,
publicado na FSP, e "A presença do mar", de Ivan Maciel de andrade, publicado na
Tribuna do Norte.
Tácito Costa
Data: 10/01/2009 - Horário: 09h11min
Chega de estupidez
O maniqueísmo é a arte da desproporção. Ao lado de uma burrice infinita e
inesgotável o maniqueísta exibe o supra sumo da ingenuidade: a visão de um
mundo com um UNICO demônio e legiões de deuses. Entre os quais, claro, o
próprio débil mental se inclui.
Paulo Couto
Data: 10/01/2009 - Horário: 08h12min
Posicionamento politico
Buchinho é um anjo mau, no sentido que sempre se posiciona ao lado da morte.
Quando foi governador não indultou nenhum sentenciado a pena capital. É um
facínora no sentido mais lato da palavra, e como tal, serviu como uma luva para ser
bucha de canhão do estado terrorista que é o estado de Israel, e autorizou a mando
das bestas judaicas a destruição da Babilônia, o massacre de Afegões, o
assassinato do grande Arafat, e agora no apagar de luzes dum governo triste
autoriza o massacre de crianças palestinas. Cadê os tribunais internacionais que
não punem estes genocídas, estes terroristas, estes marginais?
Luis Sávio Dantas
Data: 09/01/2009 - Horário: 19h39min
Concretos e tropicalistas
Postei em PROSA o texto ―Polêmica entre Alexei Bueno e Caetano Veloso
reacende discussão entre concretos e tropicalistas‖, publicado em O Globo.
Tácito Costa
Data: 09/01/2009 - Horário: 17h30min
Posicionamentos políticos
Os EUA não somente não assinaram a resolução da ONU para um cessar fogo em
Gaza como tem se omitido de ações diplomáticas mais consistentes na região com
vistas a garantir a paz. Não se esperava outra coisa do Governo Bush. O que
chama atenção nesse momento é o silêncio do novo presidente Obama, que já
falou sobre o que vai fazer em vários setores, mas sobre a guerra no Oriente Médio
não se ouviu uma palavra dele.
Dizem que conceitos como esquerda e direita estão mortos. E não duvido. Mas os
posicionamentos políticos sempre levam em conta esse maniqueísmo. Agora
mesmo, as forças de esquerda mundiais pendem para o lado palestino, enquanto
as forças à direita se alinham com Israel. Claro que tem muitas exceções, estou me
referindo a maioria dos posicionamentos.
Por isso, não estranha o posicionamento de um Reinaldo Azevedo, que estará
sempre do lado oposto onde tenha pelo menos um esquerdista.
Tácito Costa
Data: 09/01/2009 - Horário: 16h19min
SOBRE A DITA REAÇÃO DESPROPORCIONAL
"De todas as coisas estúpidas que se podem dizer na censura a Israel, a maior é a
que aponta a chamada ―reação desproporcional‖. Então é preciso definir o que é
―proporcionalidade‖. O que deveria fazer um estado organizado? Jogar alguns
foguetes em Gaza? Dada a densidade demográfica da região, um único mataria
certamente mais palestinos do que todos aqueles disparados pelo Hamas contra
Israel, fazendo quatro vítimas. A guerra viraria uma espécie de jogo de salão. E
Israel seria sempre um caudatário das escolhas dos terroristas. E o mundo,
incluindo o Brasil, ficaria em silêncio. Quatro mortos aqui? Quatro lá. Cinco aqui?
Cinco lá. O estado agredido ficaria sempre à espera do recrudescimento da ação do
adversário. Bem, há uma lógica implícita aí, não? Adivinhem quem morreria
primeiro.
Não fosse o veto dos EUA, a ONU teria emitido uma resolução cobrando de Israel a
imediata suspensão da ação militar. O texto, acreditem, não fazia menção aos
foguetes disparados cotidianamente pelo Hamas. Nessas circunstâncias, parece
que os críticos da chamada ―reação desproporcional‖ censuram menos os quase
500 mortos da Faixa de Gaza do que os poucos mortos do lado Israelense. Para
essa gente — incluindo o governo brasileiro —, uma guerra justa precisa ter mais
judeus mortos do que os havidos até agora. Mais ainda: censuráveis parecem ser a
competência de Israel para se defender e a incompetência do Hamas para atacar.
Na prática, pedem que Israel permita primeiro que seu inimigo cresça o bastante
para poder matar com mais eficiência. E tudo seria ético e justo."
Fonte: Reinaldo Azevedo
Tales
Data: 09/01/2009 - Horário: 15h28min
ARTIGO DO TARIK ALI
Leia em Guardian. co. uk artigo do Tarik Ali sobre o premeditado assalto a Gaza.
http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2008/dec/30/gaza-hamas-palestiniansisrael1
O assalto a Gaza, em planejamento há mais de seis meses e executado em
momento cuidadosamente selecionado, foi feito, como Neve Gordon observou
corretamente, como instrumento de campanha eleitoral, com vistas às próximas
eleições que visam manter no poder os partidos que estão hoje no governo de
Israel. Os palestinenses assassinados são trunfo eleitoral, numa disputa cínica
entre a direita e a extrema-direita israelenses. Seus aliados em Washington e na
União-Européia, perfeitamente informados de que Gaza estava para ser atacada,
exatamente como no caso do Líbano em 2006, sentaram e esperaram.
...
João da Mata Costa
Data: 09/01/2009 - Horário: 15h27min
POTY-BAR
Caros Colegas Substantivos,
Tudo certo para o nosso encontro logo mais no Poty-Bar
em Ponta Negra. Pertinho da casa de Tetê, vendo a Lua que está bela. A festa
maior é a possibilidade desse encontro tão certo e necessário.
O horário é a partir de quando o sol vai sumindo para reinar ela - a bela Lua
(Isis, Afrodite). Chego cedo
Todos são convidados.
Até logo,
João da Mata Costa
Data: 09/01/2009 - Horário: 13h16min
Paulo Mendes Campos
Da série "trechos inesquecíveis que eu gostaria de ter escrito":
"Meu destino era amar o futebol. Amei-o. Desde criança, quando espiava na lonjura
da janela a bola que dançava no capim do clube aldeão. Até hoje não é o perfume
da aubépine ou de qualquer outra planta altiva que me proustianiza; é o aroma
rasteiro da grama que me espacia."
.
(Paulo Mendes Campos, em Descanso de futebol)
Tetê Bezerra
Data: 09/01/2009 - Horário: 12h50min
A lógica da guerra
Postei em PROSA o texto de Gilles Lapouge ―A lógica realista da guerra em Gaza‖,
publicado no Estadão.
Tácito Costa
Data: 09/01/2009 - Horário: 10h12min
Ato Público
"O Comitê Potiguar de Solidariedade ao Povo Palestino, formado por grupos norteriograndenses ligados à luta na defesa dos Direitos Humanos, organiza um Ato
Público em defesa dos palestinos hoje, a partir das 16h, na Avenida João Pessoa,
no Centro."
Tácito Costa
Data: 09/01/2009 - Horário: 09h39min
Sobre Salinger
Não me incluo entre os fãs do festejado J. D. Salinger. Minha vida não mudou. Não
senti nada de mais após ler ―O apanhador no campo do centeio‖, tratado como
bíblia e clássico por muitos leitores inteligentes. Esqueci de quase tudo sobre o
livro. Um mau sinal. Depois li ―‖Pra cima com a viga, moçada‖, bela sacada para um
título, mas continuei insensível a prosa super elogiada do escritor americano. De
onde se conclui que o problema é deste leitor de folhetim.
Tácito Costa
Data: 08/01/2009 - Horário: 17h11min
SUGESTÃO DE LOCAL
Caros Colegas,
O local escolhido precisa ser pouco barulhento para conversarmos. Sugiro o Poty
Bar (antigo canguarejo) que fica ali na calçada da rua onde está a Peixada da
Comadre em Ponta Negra. Na rua margeando o conjunto. No Poty o tir-gosto não é
bom, mas tem o melhor cantor de samba de Natal, o Zé. A cerveja é bem gelada.
Lugar simples e barato. O Zé só toca nas sextas feiras. Se a fome aumentar
podemos depois ir na Negona, uma das melhores cozinhas de Natal. Podemos
também tomar um caldo na UTI do Caldo. Belchior nao pode ficar falando a noite
inteira de política. A pluralidade nos caracteriza.
João da Mata Costa
Data: 08/01/2009 - Horário: 17h07min
Salinger e guerra em PROSA
Postei em PROSA o texto ―O longo silêncio de J.D. Salinger‖, sobre o autor do
―Apanhador no Campo de Centeio‖, que completou 90 anos no dia 1.º e há 40 vive
recluso, publicado no Estadão; e três artigos sobre a guerra no Oriente Médio,
publicados na Folha.
Tácito Costa
Data: 08/01/2009 - Horário: 16h28min
Elias Canetti
"Dentre as coisas mais importantes que urdem dentro de nós estão os encontros
adiados – trate-se de lugares ou de pessoas, de quadros ou de livros. Existem
cidades pelas quais anseio tanto, que é como se estivesse, desde o início,
predestinado a passar nelas toda uma vida. Usando uma centena de subterfúgios,
evito ir até elas, e cada nova oportunidade de uma visita que se me apresenta
intensifica em mim de tal maneira a sua importância, que se poderia pensar que só
por elas ainda estou neste mundo, que, se não fosse por elas sempre a me esperar,
eu teria já de há muito perecido. Existem pessoas sobre as quais gosto que me
falem, tanto e com tanta avidez que se poderia pensar que, afinal, sei mais delas
que elas próprias. Contudo, evito ver-lhes um retrato, esquivo-me de qualquer
imagem visual, como se pesasse uma pesada e justa interdição sobre o conhecerlhes o rosto.
Há, também, pessoas que durante anos encontro ao passar por um mesmo
caminho, sobre as quais reflito – pessoas que se me apresentam como enigmas
que me são dados a desvendar – e às quais não dirijo palavra: passo mudo por
elas, como elas por mim; olhamo-nos com um ar inquiridor, mantendo os lábios
solidamente selados. Fico imaginando uma primeira conversa e excita-me a idéia
de todas as coisas inesperadas que ela reserva para mim.
Por fim, existem pessoas que amo há anos, sem que elas possam suspeitar disso.
Envelheço, torno-me cada vez mais velho, e deve certamente parecer uma ilusão
absurda a idéia de que algum dia eu venha falar-lhes de meu amor, ainda que, na
imaginação, viva continuamente da expectativa desse momento divino. Sem esses
meticulosos preparativos para o futuro, eu não poderia existir: eles são para mim, se
perscruto a mim mesmo com rigor, não menos importantes do que as surpresas
repentinas que surgem como que do nada e nos subjugam de imediato."
(Elias Canetti, O Jogo dos Olhos (História de uma vida/ 1931-1937).
Tetê Bezerra
Data: 08/01/2009 - Horário: 15h44min
Saúde municipal
Falando em saúde, me horrorizei ao descobrir que Levi Jales anunciou um 'novo'
programa: atendimento domiciliar e transporte para atendimento médico. Só que
esse programa foi criado na gestão de Cida França e Carlos Eduardo. E transporta
pessoas com mobilidade até para afazeres particulares.
Daniel Dantas
Data: 08/01/2009 - Horário: 15h38min
Belchior no Demo
Tácito,
eu vou ao encontro. Quero saber quanto Belchior vai abonar a ficha de filiação dele
ao DEMO.(risos).
Tetê Bezerra
Data: 08/01/2009 - Horário: 15h33min
Reabertura do Espaço Cultural Buraco da Catita
Convidamos os leitores do SP para a reabertura do Espaço Cultural Buraco da
Catita, nesta sexta-feira 09/01 a partir das 18:30 hs, com muita música e alegria.
Obrigado e até lá.
Ana Guimarães
Data: 08/01/2009 - Horário: 15h27min
O Local está em Aberto
Meus Amigos,
Eu deixei a prerrogativa da escolha do local para o Carlão. Em sendo á noite, limita
um pouco o espaço. Limita também o fato de ser um local que permita levar bebida.
Também gosto do Rum Cubano. Todos estão convidados. Lívio, eu sei que gosta
de uísque. Seria ótimo a presença de Anchella para reforçar o grande time feminino
do substantivo. Com relação à Melzinha eu só tenho o seriado que comprei para ver
eternamente em sonhos esplendidos.
DO EDITOR
João, Carlão está em Zumbi, de férias e não vai participar. Assuma o comando
da nau etílica e dê as ordens, democraticamente
João da Mata Costa
Data: 08/01/2009 - Horário: 14h15min
Carta aos israelenses
Senhores, basta. É cruel, desumano e covarde o que estão fazendo com o povo
palestino. A cada minuto, cada hora, cada manhã, há mais cadáveres na Faixa de
Gaza. Vejo imagens de crianças sendo enterradas e já nem sei, ninguém sabe, o
número de mortos. A última e sinistra atualização é desesperadora - já são mais de
600 vítimas fatais - um quarto são civis.
São mulheres, donas de casa, faxineiras, costureiras. São trabalhadores,
lenhadores, eletricistas. São meninos que tinham sonhos, que ontem estavam
chutando uma bola ou catando uma pedra, para jogar de forma patética, como um
grito que voa, em um dos mais poderosos exércitos do mundo.
Senhores, nove israelenses morreram, neste mesmo período. Nove. Não há guerra,
mas um massacre.
Leio horrorizado que até um barco com quatro toneladas de medicamentos, foi
atingido por um barco da Marinha de Israel. Os remédios, que salvariam dezenas
de vidas, nunca chegarão aos feridos, que já devem estar mortos.
Há pedidos de cessar-fogo do mundo inteiro. Um povo que já teve suas terras, sua
vida, está sendo arrasado. Quero mais que cessar-fogo. Quero o fim da insanidade,
da matança, da covardia que está sendo este ataque maciço contra os palestinos.
Lembro agora de todos os escritores, poetas, músicos, oriundos de Israel. Sei que
muitos não aceitam a carnificina, e sonho que eles, de alguma forma, lutem contra
isso. Lembro do rabino Henry Sobbel, que entrevistei tantas vezes, e de sua
felicidade ao receber o prêmio Wladimir Herzog de Direitos Humanos, ao lado do
cardeal Dom Paulo Evaristo Arns e do pastor Jaime Wright. Rabino, será que
concordas com o recente bombardeio de uma escola da ONU, na Faixa de Gaza?
Onde andará meu amado Amóz Oz, com seus romances que me deram tanta
alegria? Falou algo? Tem protestado?
Recorro a Robert Fisk, único jornalista confiável que cobre a região, para um
pequeno lembrete:
―É por isso que Gaza existe: os palestinos que viviam em Ashkelon e nos campos
vizinhos - Askalaan, em árabe - foram expulsos de suas terras em 1948 quando
Israel foi criado, e terminaram nas praias de Gaza. Eles ou seus filhos, netos e
bisnetos estão entre os 1,5 milhão de palestinos amontoados na fossa fétida de
Gaza, onde 80% das famílias vivem em terras que hoje pertencem a Israel‖.
―A existência de Gaza serve como lembrete aos israelenses das centenas de
milhares de palestinos que perderam seus lares, que fugiram ou foram expulsos por
medo de limpeza étnica que Israel conduziu 60 anos atrás, quando levas de
refugiados ainda vagueavam pela Europa e um bando de árabes expulsos de suas
terras não preocupava o mundo‖.
Daqui de muito longe, desarmado e engasgado, mando este pedido, que vocês
nunca lerão.
Samarone Lima
Data: 08/01/2009 - Horário: 14h13min
Brel
Caro Tácito,
Para João da Mata e demais apreciadores de Jacques Brel:
http://leslivresdebenjamin.blogspot.com/2008/12/jacques-brel-textes-etchansons.html
Feliz 2009 a todos.
Márcia
Data: 08/01/2009 - Horário: 14h12min
Tardes-noites substantivas a la João da Mata, Claro!
Tácito, amigos, por favor, vamos sim marcar presença (e ampliar) o encontro etílico
do João da Mata. Eu aceito desde que João da Mata leve uma foto da Mel Lisboa.
Quanto a mim, a cerveja pode ter alcool. Deixa que eu levo uma garrafa de rum.
Aproveitamos e comemoramos o prêmio que o Substantivo ganhou. Tácito, claro,
paga uma rodada.
DO EDITOR
Pago sim! João da Mata pode agendar dia, hora e local. Acho que sexta ou
sábado à noite são dois dias bons. Essa foto da Mel é imprescindível, claro
(rs)
Gustavo de Castro
Data: 08/01/2009 - Horário: 09h03min
Livros e Bibliotecas para Todos!!!
Sigo várias das sugestões de João da Mata ao Sr. Presidente da Funcarte, César
Revoredo. Desejo a ele, inclusive, boa sorte. Sugiro também à senhora prefeita,
Micarla, que esteja sensível a área cultural na sua gestão. De início, acho que os
artistas da cidade deveriam entregar conjuntamente uma carta à administração
municipal, com suas necessidades e propostas.
Da minha parte, sugiro tanto a classe artística quanto à senhora prefeita e o senhor
pres. da Funcarte, que estejam sensíveis aos livros, por favor.
Sugiro somente uma coisa. Uma apenas: a criação de boas bibliotecas em todos os
bairros de Natal. Há experiências pelo mundo mostrando o que este simples ato
político pode provocar. Experiências voluntárias no Coque, em Recife, ou o modelo
português de biblioteca popular, hj assumido por vários países da Europa, revelam
que o espaço da biblioteca torna-se um polo aglutinador de culturas: teatro, dança,
ensino de redação, criação de contos, poesias; leitura dos meios de comunicação;
pintura e leitura, claro. A biblioteca de bairro (obviamente administrada por artistas,
sebistas, gestores e produtores culturais e não por burocratas empedernidos),
torna-se um foco de aprendizado, partilha, alegria, disseminação de outros olhares
e gostos.
Acho que a juventude natalense flerta longa e perigosamente com o mal gosto de
algumas expressões (Não Todas) do forró, do axé music, do calipso e outas
baboseiras mercadológicas. Levar o livro a sério e fazer dele um catalizador dos
artistas locais, é levar a cultura a sério. É fazer cultura de fato mediante ações
diferentes.
Gustavo de Castro
Data: 07/01/2009 - Horário: 23h46min
O encontro de João da Mata
Tácito,só vou a esse encontro se tiver cerveja sem alcóol, não dirijo quando vou
beber. Também tetê tem que se fazer presente, cantando Maysa. Qual é o dia
mesmo?
Belchior de Vasconcelos Leite
Data: 07/01/2009 - Horário: 23h44min
Sugestões ao atual Presidente da Funcarte
Ilmo Sr. César Revoredo,
Foi com alegria que recebemos as suas primeiras declarações sobre como
pretende administrar a cultura da Cidade de Natal nos quatro próximos anos. Natal
é uma cidade de uma cultura pungente que precisa ser valorizada e bem
administrada. Ficamos felizes de saber que projetos vitoriosos como o ENE, Revista
Brouhaha, Carnaval Multicultural, editoração de livros, e Auto-de-Natal não sofrerão
descontinuidade.
Acompanho com atenção as manifestações culturais de Natal há 50 anos e gostaria
de propor algumas sugestões:
1-Uma maior atenção como os grupos culturais de Natal. Maior participação dos
grupos musicais nos eventos de final de ano. Os artistas de fora precisam ser
renovados. Não agüento mais assistir Elba Ramalho, Fagner, Geraldinho e Cordel
do Fogo Encantado. Cordel que esse ano apresentou uma palhaçada em Natal,
com o Lirinha mal podendo falar. Merecemos respeito e esse grupo não devia ser
convidado por um longo tempo.
2-Os encontros de cultura popular devem ser mantidos e ampliados, com uma
melhor utilização do teatrinho Sandoval Wanderley.
3-A fundação Capitania das Artes precisa formar um publico receptor e crítico de
Artes: Cinema, Teatro, Balé, Artes Plásticas, etc. A crítica feita em Natal é pobre e
impressionista, com pouco discernimento crítico e historiográfico.
4-A capitania deve fornecer cursos de ―Apreciadores de Arte‖. Como apreciar de
maneira crítica um filme, um quadro, uma ópera, etc.
5-Natal deve entrar na rota dos grupos culturais que visitam Fortaleza, Recife e
Paraíba.
6-O turismo cultural deve ser incentivado com ênfase no homem que faz a arte. E
não na construção de mais prédios e fachadas que depois ficarão obsoletos.
7-Por uma cidade mais humana e feliz torcemos pela sua administração. Vamos
estar atentos para cobrar, criticar e sugerir. Essa é a nossa parte como
consumidores e praticantes da grande cultura do Rio Grande do Norte.
Atenciosamente,
João da Mata Costa
Data: 07/01/2009 - Horário: 18h30min
Pirataria e cultura
Do pesquisador do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à
Informação (GPOPAI), da USP, Pablo Ortellado, em entrevista à Carta Capital:
CC: Seu entendimento é de que a pirataria permite o acesso à cultura. A
indústria, por outro lado, o vê como crime e desrespeito aos direitos de autor.
PO: A indústria fala de pirataria com um sentido muito amplo. Talvez não seja
correto chamar de pirataria o compartilhamento de arquivos sem interesses
comerciais porque não envolve dinheiro. Mas vamos pensar na pirataria comercial,
na venda em camelôs, que é uma transação comercial e um empreendimento de
capital de pequeno porte. Quando esse tipo de pirataria é voltado para o segmento
popular, ele tem a característica de oferecer às pessoas pobres o acesso a bens
culturais digitais. O benefício comercial é enorme: a estimativa é de que se
multiplica por sete o acesso à musica e por 2,5 aos filmes. Isso não causa prejuízo
significativo para a indústria porque essas pessoas estavam excluídas do mercado,
pois não têm meios econômicos para pagar R$ 30,00 em um CD ou R$ 60,00 em
um DVD.
http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=6&i=3066
Tácito Costa
Data: 07/01/2009 - Horário: 18h18min
Trunfos do jornalismo humanista
07/01/2009 - 10h01
Por Alberto Dines, do Observatório da Imprensa
Como cobrir guerras sem provocar outras? Como descrever os resultados do ódio
sem aumentá-lo? O grande desafio do jornalista em zonas de conflito é
pormenorizar o horror para acabar com o horror. Tarefa sobre-humana: impossível
ignorar sentimentos, preferências, preconceitos ou fingir objetividade diante da dor.
Jornalistas não são máquinas de escrever. As guerras contemporâneas são
conjunto de batalhas, geralmente curtas, grande é a rotatividade dos enviados às
frentes de combate. Todos mais ou menos novatos, veteranos tentariam ser mais
frios, o público quer sentir as emoções do terreno.
O fator de equilíbrio é o veículo. Cabe ao jornal, revista, rádiojornal, telejornal ou
portal de internet abrigar e comparar divergências, somar pontos de vista, exibir o
amplo espectro da controvérsia. Juntar interpretações – geralmente encontradas a
boa distância das ocorrências – com as vivências in loco. Veicular opiniões e
colocá-las a serviço da racionalidade.
Se as partes não oferecerem um mínimo de credibilidade, o conjunto ficará
claudicante. O jornalismo é um processo orgânico e não uma colcha de retalhos,
desigual.
Sessenta anos
As edições dos jornalões de referência nacional da segunda-feira (5/1) ofereceram
um mostruário deste jornalismo múltiplo, pós-individual. Com o feriadão do fim de
ano e a invasão da Faixa de Gaza pelo exército israelense, foi o primeiro dia da
guerra plena.
Folha de S.Paulo, Estado de S.Paulo e Globo buscaram o equilíbrio – mostrar os
dois lados felizmente virou rotina. Despachar repórteres para a região do conflito
também (o Globo serviu-se da correspondente).
A Folha saiu-se melhor, a partir da primeira página. Arrasadora, aquela imensa
imagem negra, enlutada, e, no canto, as lágrimas correndo no rosto da menina
palestina (foto de Ismayil Zaydah/Reuters). A longa chamada dividida em tópicos
oferece ao leitor (provavelmente recém-chegado das férias/festas) uma visão ampla
desta nova batalha da Guerra da Palestina, a mais longa dos séculos 20 e 21
(desde 1948, 60 anos).
Os três diários oferecem praticamente o mesmo espaço (quatro páginas), mas a
Folha acrescentou a primeira página quase inteira e a oportuníssima análise de Igor
Gielow, de Brasília, na Página 2 mostrando o nonsense da nossa diplomacia.
Além da farta produção dos enviados e correspondentes, os três selecionaram
excelentes textos de grandes jornais internacionais (a Folha serviu-se do Financial
Times, o Globo usou Washington Post e Independent, o Estado preferiu as
agências de notícias).
Partido da racionalidade
A diferença, a grande diferença a favor da Folha foram as entrevistas da última
página do primeiro caderno (A-10) com dois lúcidos especialistas: o palestino Bashir
Bashir, que leciona na Universidade Hebraica de Jerusalém, e o israelense Eyal
Zisser, da Universidade de Tel-Aviv.
Aqui fica visível o que acima foi designado como "fator de equilíbrio", o trabalho de
edição, a orquestração. De nada adiantariam entrevistas com delirantes
adversários. O leitor ficaria mais confuso, mais vulnerável às simplificações e,
sobretudo, ao ódio.
A maestria – a função social do jornalismo – exibiu-se na escolha de dois expoentes
da cultura regional. Teoricamente em guerra, divergentes, o palestino e o israelense
mostraram como é possível produzir aproximações. Mostraram também o quilate
das respectivas elites, o potencial de bom senso e sofisticação cultural ao lado
daquele enorme barril de pólvora.
Cobrir uma guerra mostrando como a guerra é insensata, absurda; cobrir uma
guerra tomando o partido da racionalidade é um dos trunfos – triunfo – do
jornalismo verdadeiramente humanista, tão fácil de entender, tão difícil de praticar.
(www.observatoriodaimprensa.com.br)
Márcio Capriglione
Data: 07/01/2009 - Horário: 18h29min
Não há interesse em parar a guerra
Guerras de ocupação, em geral, resultam em violências, ignomínias e banhos de
sangue, com a população civil pagando um preço altíssimo, como agora em Gaza.
A história mostra que os exércitos invasores acabam sendo expulsos. Mas ninguém
aprende com a história. Lembrei-me, agora, da guerra de independência da Argélia,
talvez devido ao documentário ―A Batalha de Argel‖, que pagou um preço elevado
para livrar-se da França. Lendo recentemente um ensaio de Isaiah Berlim, lembro
que ele faz referência a ocupação de países por estrangeiros. Comenta que a
população prefere viver sob domínio de uma tirania ou ditadura nativa do que sob o
governo de algum país que ofereça melhores condições políticas e de vida. Quer
dizer, todo esse derramamento de sangue em Gaza, servirá para quê, afinal?!
Acompanho com interesse e leio o que posso sobre a questão, que é mais
complexa do que muita gente que está escrevendo sobre o assunto pensa. Dá para
perceber que não existe, nesse momento, interesse dos principais protagonistas
(EUA, países árabes e Israel) em parar a carnificina e encontrarem uma saída para
o impasse. Todos desejam o fim ou o enfraquecimento do Hamas, mesmo que para
isso se bombardeie hospitais infantis, universidades, mesquitas, enfim, o que tiver
pela frente.
Tácito Costa
Data: 07/01/2009 - Horário: 17h15min
Rascunho atualizado
De Fabrício Carpinejar, no Rascunho:
"Eu sou um camaleão, eu sou transformista, eu sou a drag queen da poesia
brasileira."
O conteúdo do jornal foi atualizado e traz, como sempre, bons textos sobre
literatura.
http://rascunho.rpc.com.br/
Tácito Costa
Data: 07/01/2009 - Horário: 16h12min
"Curveball"
De Eliane Cantanhêde, na Folha online:
―Nesses tempos de crise e de guerras, sugiro uma parada estratégica para ler
"Curveball" (Editora Novo Conceito, 270 páginas), do jornalista norte-americano Bob
Drogin, já traduzido para o português. Você vai encontrar ali, detalhe por detalhe, a
novela completa e chocante de como os órgãos de inteligência dos Estados Unidos
conduziram George W. Bush e Colin Powell ao desastre da guerra do Iraque.
Porque queriam ser conduzidos...‖
http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/elianecantanhede/ult681u487214.shtml
Tácito Costa
Data: 07/01/2009 - Horário: 16h08min
Guerras
Caros, em 2008 aconteceram no mundo cerca de nove guerras e 130 conflitos, com milhões de mortos,
inclusive em genocídios avassaladores como Darfur. Nos pronunciemos sobre isso, sobre a África, sobre
o Iêmem, sobre o Quênia, sobre as milícias muçulmanas do Congo que matam, estupram, incendeiam e
mutilam com o estandarte de Alá. Israel vende jornal e é um alvo fácil, é poderoso, tendemos a ficar ao
lado de quem quer que seja e pareça mais fraco, mesmo que seja covarde e terrorista como o Hamas e
seus escudos humanos. Mas vamos ser contra todas as mortes, gritar a favor do continente africano, da
Ossétia do Sul oprimida pelos russos, assim o protesto é realmente humanista e não seletista. Mais
dados aqui:
http://www.economist.com/research/articlesBySubject/displaystory.cfm?subjectid=7933596&story_id=127
58508
Rodrigo Levino
Data: 07/01/2009 - Horário: 16h37min
Sobre o título
Só complementando o texto de Carlão e os comentários de Moacy Cirne e de Alex,
com uma curiosidade: o título Blade Runner, que foi dado ao filme de Riddley Scott,
adaptado do romance Do Androids Dream of Electric Sheep? foi "emprestado" de
um livro de William Burroughs. O livro na verdade é uma releitura, feita por
Burroughs em forma de roteiro cinematográfico, de uma história também intitulada
Blade Runner originalmente escrita por um escritor de ficção científica chamado
Alan E. Nourse. A trama nada tem a ver com o romance de Philip K. Dick. Os
produtores do filme gostaram do título, compraram o direito de usá-lo e
incorporaram o termo "blade runner" ao vocabulário dos personagens, na
adaptação.
Alexis Peixoto
Data: 07/01/2009 - Horário: 15h28min
Ne me quitte pas
Tetê e colegas,
Estava esperando o final do seriado para comentar. Também conheço muito bem a
obra de Maysa. Quero só ver se eles não vão mencionar a grande biografia de
Maysa " Só numa multidão de Amores" do cearense Lira Neto. É um grande livro e
difícil falar dessa maravilhosa cantora e compositora sem mencionar essa fonte. Por
enquanto deixo voces na companhia de " Ne me quitte pas" do
Jacques Brel. Uma das mais pungentes e arrebatadores interpretações da eterna
Maysa
Ne me quitte pas
Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit déjà
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
A savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
A coups de pourquoi
Leurs coeurs s'embraser
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Moi je t'offrirai
Des perles et des pluie
Venues de pays
Où il ne pleut pas
Je creuserai la terre
Jusqu'après ma mort
Pour couvrir ton corps
D'or et de lumière
Je ferai un domaine
Où l'amour sera roi
Où l'amour sera loi
Où tu seras reine
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Je t'inventerai
Des mots insensés
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants-là
Qui ont vu deux fois
Leurs coeurs s'embraser
Je te racontrai
L'histoire de ce roi
Mort de n'avoir pas
Pu te rencontrer
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
On a vu souvent
Rejaillir le feu
De l'ancien volcan
Qu'on croyait trop vieux
Il est paraît-il
Des terres brûlées
Donnant plus de blé
Qu'un meilleur avril
Et quand vient le soir
Pour qu'un ciel flamboie
Le rouge et le noir
Ne s'épousent-ils pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Je ne vais plus pleurer
Je ne vais plus parler
Je me cacherai là
A te regarder
Danser et sourire
Et à t'écouter
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
João da Mata Costa
Data: 07/01/2009 - Horário: 15h27min
Zuza Homem de Mello
A culpa desse paradigma de valorizar o banal na música brasileira é do
público ou da mídia?
As TVs e as rádios estão muito mal servidas de pessoas que entendem de música.
Há poucas exceções, como Fernando Faro, diretor da TV Cultura. Mas em regra
não conseguem distinguir um Dó de um Sol; não têm sequer as noções básicas de
música.
De entrevista feita por Sérgio Vilar com Zuza Homem de Melo.
http://www.sergiovilar.blogspot.com/
Tácito Costa
Data: 07/01/2009 - Horário: 12h11min
Jânio de Freitas
Só para situar alguns leitores. Em seu artigo, Sergio Malberger dispara sua artilharia
contra um ―humanista‖ que criticou a ação israelense. O ―humanista‖, no caso, é o
jornalista da FSP Jânio de Freitas, que em artigo fez duras críticas ao estado
israelense.
Tácito Costa
Data: 07/01/2009 - Horário: 11h51min
Dois textos sobre Gaza
Postei em PROSA os textos ―As Barbaridades sobre Gaza‖, de Sergio Malberger,
enviado por Rodrigo Levino; e ― Força da ONU foi o que Iasser Arafat pediu‖, de
Roberto Fisk, que transcrevi da Folha de São Paulo.
Tácito Costa
Data: 07/01/2009 - Horário: 11h43min
Gaza
FOLHA DE SÃO PAULO
Palestinos carregam corpo de menina achada entre escombros de casa atingida por
ataques de Israel.
Tácito Costa
Data: 07/01/2009 - Horário: 11h20min
Balaio Vermelho
MOACY CIRNE
http://www.balaiovermelho.blogspot.com/
UMA OBRA-PRIMA DAS HQs
EDITADA NO BRASIL PELA PRIMEIRA VEZ
Arte. Política. Quadrinhos. Historietas. Humanismo. Socialismo. Guerrilha. América
latrina? América Latina! América ladina... Uma obra-prima: sobre Che. Che
Guevara. Ernesto Che Guevara. O homem. O revolucionário. O mito. E há o
grafismo renovador. O claro-escuro definido. O preto no branco. O branco no preto.
A iluminação crua. A narrativa modelar. A decupagem precisa. A fluência-textura
gráfica e temática. O final antológico. A rigor, 78 páginas antológicas: luminosas,
iluminadas - verdadeiras iluminagens. O traço de Alberto Breccia influenciaria Hugo
Pratt, influenciaria Frank Miller. Quem mais? Quem mais? A considerar outras obras
de sua autoria igualmente importantes. A considerar, também, o desenho de
Enrique Breccia, seu filho. E o texto de Héctor Oesterheld, que foi assassinado pela
didatura militar argentina em 1977 (assim como praticamente o foi toda a sua
família), por ter ousado, em 1968 - ano da primeira edição da HQ em pauta -, louvar
a vida de um líder cubano. Che - Os últimos dias de um herói. Contra toda e
qualquer ditadura. Sim, a ditadura. Seja no Brasil. Seja no Uruguai. Seja no Chile.
Seja na Argentina. Seja em outros países. "Primeiro matamos os subversivos,
depois seus colaboradores e então os que continuam indiferentes, até, finalmente,
matamos os tímidos", dizia o general Ibérico Saint Jean exatamente em 1977 (cf. a
ótima Nota da edição brasileira, assinada por Rogério de Campos). Mas o mito Che
resistiu ao tempo. Como resiste a hq Che. Não só um dos grandes lançamentos
editoriais de 2008/2009. Desde 68, uma obra para ficar. Como ficou O encouraçado
Potemkin, de Eisenstein. Como ficou a poesia de Vladimir Maiakóvski.
Tácito Costa
Data: 07/01/2009 - Horário: 10h57min
César Revoredo
Alex de Souza avalia em sua coluna BAZAR, no portal NOMINUTO.COM a
indicação de César Revorêdo para a Funcarte. Assino embaixo do que ele disse. O
novo secretário se mostrou bem intencionado em suas primeiras declarações,
escolheu alguns bons auxiliares e merece um crédito. Vamos aguardar os
acontecimentos.
Tácito Costa
Data: 07/01/2009 - Horário: 10h49min
Maysa
IVANA ARRUDA LEITE
(http://doidivana.wordpress.com/)
"O rosto de Maysa está entre as primeiras imagens televisivas que eu trago na
memória. Final dos anos 50, começo dos 60, eu morando recente em São Paulo
vinda de Araçatuba, o fascínio da tevê Admiral brilhando no meio da sala como um
jarro fosforescente e nele uma flor estranha, enigmática, dois olhos imensos que eu
nem sabia que eram verdes porque a tevê estava longe de ser colorida naquela
época. Maysa me hipnotizava desde pequena. Quando eu via aquela cantora de
voz grave, com aqueles olhos estatelados na tela, e vestido tomara-que-caia
mostrando um colo macio, redondo, que me dava vontade de colocar a cabeça
(devia ser muito macio o colo de Maysa) eu parava o que estava fazendo e corria
para ouvi-la. ―Essa cantora é uma mulher muito louca, bêbada, só canta música
triste‖. Isso era tudo que eu sabia daquela que, estranhamente, tinha o mesmo
sobrenome da família que eu sabia que era a mais rica de São Paulo. Um dos
passeios da época era passar na frente da mansão dos Matarazzo na avenida
Paulista (um dia eu conto minha aventura com os Matarazzo, prometo). Aos dez
anos eu ganhei meu primeiro violão. Azul, meio fumê. Última moda. A primeira
música? Ouça. Aprendi, decorei e tocava sem parar. Até hoje quando pego um
violão sai Ouça instintivamente. Os escândalos na vida de Maysa era tantos que a
gente nem sabia mais de que marido ou namorado estavam falando. Ela tinha um
filho quase da minha idade que morava na Espanha. Eu sabia tudo da vida desse
filho. Eu amava a Maysa e o que lhe dissesse respeito. Eu me lembro quando meus
pais foram ao famoso show do Urso Branco para comemorar uma das muitas voltas
da cantora à vida artística depois de um dos muitos tsunamis que arrasaram sua
vida. Meus pais e os amigos dos meus pais ficaram dias, meses, falando da beleza
do show. ―Agora ela toma juízo. Está magra, linda‖. Tomava nada. Mais um pouco e
lá estava ela bêbada, de voz pastosa, cigarro em punho e espada nos olhos e na
língua. Ferina. Ficou conhecida como ―A condessa descalça‖, pelo hábito de atirar
sapato na platéia. Tive um amigo que era muito amigo de amigos dela. As histórias
que me chegavam eram de rolar de rir e de chorar. Eu me lembro até hoje daquele
22 de janeiro de 77, do choque de ouvir a notícia de sua morte. Da tristeza em ver
uma mulher que me inspirava desde criança ir embora tão cedo, de forma tão
trágica. A morte da Maysa é daquelas em que a gente não sabe se fica triste ou
feliz. Onde o jargão ―ela descansou‖ tem uma propriedade absoluta. Adorei o
primeiro capítulo da minissérie. A menina é assustadoramente parecida com a diva.
Mas hoje vou fazer a experiência de assistir com a tevê muda pois quando ela abre
a boca a gente cai num abismo. A voz da Maysa era muito grave, em todos os
sentidos. Mas mesmo assim vale a pena. O que eu fico puta é quão pouco se fala
do autor do livro (Lira Neto) que fez toda a pesquisa e escreveu a maravilhosa
biografia que inspirou Manoel Carlos que inspirou o Jaiminho a fazer o seriado. O
autor, cadê o autor? Viva o Lira Neto! Uma única vez eu o encontrei pessoalmente e
tive a oportunidade de dizer o quanto gostei do livro. Neste dia eu lhe fiz um pedido
que era quase uma ordem: ―só você pode fazer a biografia da Elis‖. Escrevo aqui
pra coisa ficar pública. Espero que esteja a caminho."
Tetê Bezerra
Data: 07/01/2009 - Horário: 10h06min
Apoio brasileiro ao povo palestino
Caros amigos:
Cinco revistas marxistas brasileiras divulgaram o seguinte manifesto de apoio aos
palestinos:
NOTA DE REPÚDIO E SOLIDARIEDADE
Os editores das revistas abaixo relacionadas manifestam publicamente seu mais
firme e veemente repúdio à operação de extermínio desencadeada pelo Estado de
Israel contra o povo palestino na Faixa de Gaza. Inegável é reconhecer que a
política genocida de Israel contra os palestinos é beneficiária do apoio direto do
imperialismo norte-americano e demais potências imperialistas. Entendemos que a
possibilidade de uma paz duradoura no Oriente Médio impõe que o governo dos
Estados Unidos e as demais potências imperialistas cessem sua política
intervencionista na região e que a legítima reivindicação histórica de criação do
Estado livre e independente da Palestina se transforme em concreta e imediata
realidade.
Diante das atrocidades em curso, os editores das publicações signatárias
manifestam sua mais viva e irrestrita solidariedade à heróica resistência do povo
palestino.
Editores de
CRÍTICA MARXISTA
MARGEM ESQUERDA
MAISVALIA
NOVOS RUMOS
OUTUBRO
xxxxx
Abraços:
Marcos Silva
Data: 07/01/2009 - Horário: 10h01min
Quem deu o primeiro tiro?
"Sentimos enorme tristeza ao vermos os inocentes sofrerem e morrerem, por culpa
das centenas de fanáticos que provocam Israel e depois se escondem, armados até
aos dentes, nos campos de refugiados, em Gaza."
Tales
Data: 07/01/2009 - Horário: 10h00min
Encontro
Meus caros:
Tácito, Gustavo, Belchior, Tetê, Alex, Carlão e todos os que estiverem em Natal
nesse calor de amolecer os miolos. Vamos tomar uma e molhar a palavra?.
Carlão escolhe o local. Pode ser no Cu, Bar do Rei, Canto do Mangue, Redinha,
Ponta Negra, Biroska, Cobra-Choca
etc.
João da Mata Costa
Data: 07/01/2009 - Horário: 09h59min
K. Dick
Moacy,
O Homem no Castelo Alto não foi adaptado ainda para o cinema, mas seguindo a
mesma linha "o que teria acontecido se..." temos a telessérie Fatherland, baseada
no livro homônimo de Robert Harris, em que os nazistas também teriam vencido a
segunda guerra.
Se bem que a visão apresentada por Philip em seu romance (que inaugura o
subgênero da história alternativa) pra mim ainda é imbatível.
Por outro lado, O Homem do Castelo Alto foi reeditado recentemente pela Editora
Aleph, com uma tradução pra lá de competente a cargo do escritor Fábio
Fernandes. Vale a pena conferir.
Alex de Souza
Data: 07/01/2009 - Horário: 09h58min
Decisões equivocadas
―Está demonstrado que o não-reconhecimento das eleições legitimas (referendadas
por Jimmy Carter) que levaram ao poder o Hamas e sua classificação como
movimento terrorista foram decisões equivocadas. ―
De Paulo César Pinheiro, em PROSA.
Tácito Costa
Data: 06/01/2009 - Horário: 17h38min
PAZ, EU QUERO PAZ
Colegas,
Muito bom o artigo do Hatoum (em PROSA). Israel não quer paz. Nunca quis. Quer,
sim, manter um mini-imperio naquela região. Um braço das
potências ocidentais contra o mundo Árabe. Um exercito poderoso que pode
destruir boa parte do mundo. O que fazer, quando uma das partes nao quer a paz.
Alguns intelctuais judeus são contra esse massacre. Lembro dos grandes cientistas
judeus e fico triste. Lembro mais triste ainda do genocídio da segunda guerra. Só
uma coisa tem relação com a outra: o mundo está longe de ter paz.
Sou um admirador da cultura judáica e de seus grandes cientistas e escritores, mas
sou veementemente contra esse massacre e guerra.
Paz, eu quero paz.
João da Mata Costa
Data: 06/01/2009 - Horário: 17h27min
Falta, sobretudo, cultura
Eis o que falta às câmaras municipais, à câmara federal, às assembléias
legislativas, e ao senado federal: CULTURA. Vamos mudar esse quadro
(deformado, viciado, asqueroso, mal-acostumado, aético, preconceituoso,
discriminatório, etc, etc.).
Tales
Data: 06/01/2009 - Horário: 17h26min
Revoredo fala à imprensa
Manter os projetos já consolidados (ENE, Brouhaha...) e integração com a
educação e o turismo. Esses são os planos (resumidamente) do novo secretário da
Funcarte, César Reveredo. Ele anunciou poucas mudanças, algumas relativas a
adequação de eventos ao calendário, outras para oferecer mais transparência as
ações, e também novos projetos. O Diário de Natal traz uma entrevista longa
(caderno MUITO), em que ele explica tudo o que pretende realizar. Eu gostei das
respostas do novo secretário e fiquei animado. Vamos ver na prática como suas
idéias funcionarão.
Tácito Costa
Data: 06/01/2009 - Horário: 13h05min
Revisão é café pequeno
Ana,
Fui lá no Kibeloco e vi o que você recomendou (manchete do Diário de Natal com a
palavra estruturado com "x"). Se os problemas dos jornais do RN se resumissem a
revisão estaríamos no melhor dos mundos. O buraco é muito mais embaixo. Ou
acima. Depende da perspectiva que se olhe.
Tácito Costa
Data: 06/01/2009 - Horário: 12h05min
Kibeloco
Tacito, vc ja viu o Kibeloco? Nossa, traz uma página do Diário de Natal, vá lá da
uma olhada. Falta revisor para os erros de digitação? Bom, o certo é que estamos
lá, digo: um jornal da nossa cidade.
Ana Patricia Alencar
Data: 06/01/2009 - Horário: 11h57min
Deu no UOL,
"Se eu fosse você - 2" bate recorde
Foi do tipo arrasa-quarteirão o fim de semana de estréia de Se eu fosse você - 2:
575 000 espectadores nos 330 cinemas onde o filme de Daniel Filho foi exibido. É o
melhor resultado de público do cinema brasileiro numa estréia, desde meados dos
anos 90, quando ocorreu a chamada "retomada". Supera, assim, o campeoníssimo
2 Filhos de Francisco. Somado ao público que compareceu às pré-estréias
realizadas a partir do dia de Natal, chega-se a quase 900 000 espectadores para Se
eu Fosse Você - 2.
Gustavo de Castro
Data: 06/01/2009 - Horário: 11h55min
Imprensa e direito do consumidor
O que diz Adriana Amorim faz pensar. Cada vez que venho ao RN fico espantado
com a qualidade do jornalismo daqui. Perdão, mas parece que está cada vez pior.
Matérias sem ânimo; fundo retórico misturado a uma visível preguiça em apurar e
escrever. Deve ser o calor, só pode. É a síndrome do jornalismo-cumpre-tabela. Há
quanto tempo um jornalista daqui não ganha um prêmio importante? Vemos
jornalistas cearences, pernambucanos e baianos vencendo concursos importantes
e nada do RN. Fiquei olhando aqueles cadernos especiais da Tribuna do Norte
dedicados a Micarla e Eliana Lima, cheio de anúncios e fiquei pensando que nada
mudou. Tudo continua como dantes na terra de abrantes. Acho que a qualidade do
jornalismo televisivo já ultrapassou a das redações de impresso. Será? A relação
entre os jornalistas de impresso e os de televisão é uma história a parte. Dá para
escrever um livro: A história universal da soberba. Não foi só o RN que ficou
olhando o próprio umbigo. Sua imprensa também. E deu nisto. Uma imprensa pobre
e feia. Quiça fosse também uma imprensa maldita. Mas aí é querer demais.
Gustavo de Castro
Data: 06/01/2009 - Horário: 00h47min
NaSemana? Nem no fim-de-semana...
Caro Tácito, conto com a baita democracia deste espaço para relatar o seguinte:
O jornal NaSemana, versão impressa do portal Nominuto que circula aos sábados,
até hoje não bateu em minha porta. Fiz a assinatura semestral no dia 7 de
dezembro - tendo efetuado pagamento logo após o cadastro - e, passadas quatro
semanas, nada de jornal!
Entrei em contato com o departamento responsável via e-mail (não, não liguei! Não
é um portal? Teoricamente, o atendimento online deveria ser uma maravilha...) e
sequer obtive uma resposta.
No dia 23 envio novamente uma mensagem, dessa vez ao dono do negócio, sr.
Diógenes Dantas. Para não ter dúvidas quanto ao recebimento/visualização, postei
diretamente em sua coluna, no post 'O erro'. Até frisei que tal mensagem não fosse
publicada. E não foi mesmo.
E nem respondida...
É uma pena! Perdi R$ 25,00 e, especialmente, o interesse pelo periódico. Estava
mesmo ansiosa (e não apenas eu) em acompanhar um produto que, até então,
estava sendo visto com bons olhos. Só faltou mesmo o respeito para com uma acima de qualquer coisa - leitora de jornais impressos.
Melhor mesmo é rever as ambições e, quem sabe, aproveitar mais o lado virtual da
coisa, que, pelo que me parece, tem ido muito bem. JORNALISMO IMPRESSO dá
trabalho, exige muito mais esforço e equipes competentes. Tenho certeza que a
parte jornalística da coisa tem cumprido sua função. Quanto ao resto...
Adriana Amorim
Data: 05/01/2009 - Horário: 23h48min
K. Dick e a FC
Muito bom o texto de Carlão sobre K. Dick e a sua ficção científica adaptada para o
cinena. Aliás, para mim, 'O homem do Castelo Alto', do próprio K. Dick, é uma das
grandes obras da literatura americana do século XX. Não saberia dizer se já foi
adaptada para o cinema; Alex de Souza talvez o saiba. Ou o próprio Carlão, que se
revelou um leitor antenado de FC. E que, de qualquer maneira, não registou
nenhuma adaptação do livro em questão.
Abraços.
Moacy Cirne
Data: 05/01/2009 - Horário: 18h32min
Um passeio pelo futuro antigo
―Ler a versão de Blade Runner - O Caçador de Andróides, de Philip K. Dick em
português não é a mesma coisa que ver o filme.‖
De Carlos de Souza, em sua coluna.
Tácito Costa
Data: 05/01/2009 - Horário: 18h02min
Reforma
Antes que eu me esqueça: não pretendo seguir as novas normas ortográficas. Vou
continuar escrevendo (bem ou mal) do mesmo jeito que aprendi há quase meio
século. Deixo as novas regras gramaticais para dar rasteiras em quem vai fazer
concurso a partir de agora. Hahaha.
Carlos de Souza
Data: 05/01/2009 - Horário: 17h52min
Mundo
A foto do pai palestino enterrando a filha de quatro anos embrulhou meu estômago
e estragou a reserva de felicidade que eu tinha armazenado nas festas de fim de
ano na companhia de meus familiares. Decididamente, não gosto da humanidade
de um modo geral. Para mim tanto faz se tudo vai acabar num suspiro ou numa
explosão. Acho tudo isso uma grande merda. Vou me refugiar nos livros, discos e o
mar de Zumbi. Fui.
Carlos de Souza
Data: 05/01/2009 - Horário: 17h52min
“A paz não passa pelo massacre”
Postei em PROSA o artigo ―A paz não passa pelo massacre‖, do escritor Milton
Hatoum. Nele, entre outros, o escritor cita recente texto do jornalista Robert Fisk, já
publicado por nós em PROSA.
Tácito Costa
Data: 05/01/2009 - Horário: 15h19min
“Alegria difícil”
―Penso que a ―alegria difícil‖ esteja ligada, de alguma forma, à noção de
sobrevivência. Quero dizer, talvez a várias noções e histórias de sobrevivência. A
alegria difícil é o resultado de uma, ou de muitas travessias. Atravessar a tragédia é,
precisamente, viver. De algum modo muito atávico, muito primordial, somos todos
nômades. Somos em alguma medida, ciganos, viajando em nós mesmos.‖
De Carmen Vasconcelos, em sua coluna.
Tácito Costa
Data: 05/01/2009 - Horário: 15h33min
Sobre Gaza
Crise fortalece Hamas e dificulta paz, diz Khalidi
Catedrático da Universidade Columbia critica ação militar israelense
Gustavo Chacra, Sderot, Israel
ESTADÃO
O ataque israelense contra a Faixa de Gaza fortalece o grupo islâmico Hamas e
inviabiliza por um bom tempo a retomada das negociações de paz entre israelenses
e palestinos. A avaliação é do historiador Rachid Khalidi, que ocupa a cadeira
Edward Said de Estudos Árabes da Universidade Columbia, nos EUA.
"A autodeterminação dos palestinos está mais distante Tdo que nunca e a
ocupação israelense hoje é maior do que antes do início das negociações dos
Acordos de Oslo (firmados em 1993)", disse ao Estado Khalidi, que tem
nacionalidade americana, mas vem de uma das mais tradicionais famílias de
intelectuais palestinos de Jerusalém. "Além disso, mesmo que Israel consiga tirar o
Hamas do poder, terá poucas alternativas no que diz respeito a quem entregar o
controle da Faixa de Gaza: o Egito se recusará a assumir responsabilidade pela
região e é difícil imaginar qualquer outra força (como a ONU) assumindo o poder
sem o consentimento dos palestinos."
Khalidi esteve no centro de uma grande polêmica durante a campanha presidencial
americana, no ano passado. Na época, republicanos questionaram os vínculos
entre o professor palestino - a quem chamaram de "radical" - e o então candidato
democrata Barack Obama, que admitiu ser seu amigo.
Para Khalidi, Israel é responsável pela escalada de tensões que culminou na
ofensiva na Faixa de Gaza por ter matado seis membros do Hamas em novembro,
desrespeitando o cessar-fogo que também previa a abertura das passagens entre o
território israelense e o palestino para a entrega de ajuda humanitária. Ele admite,
porém, que o Hamas também tem parte da culpa pelo conflito já que lançou
foguetes contra Israel.
"Tanto o Hamas como Israel cometeram crimes de guerra neste conflito ao atacar
civis", afirma Khalidi. O professor, que lançará em fevereiro o livro Sowing Crisis:
American Dominance and the Cold War in the Middle East ("Crise Disseminada:
Dominação Americana e a Guerra Fria no Oriente Médio"), alerta que o número de
vítimas civis entre palestinos deve subir bastante.
"A Faixa de Gaza é uma das áreas mais populosas do mundo e com armas como F16, Apaches e tanques muitos inocentes morrerão", afirma. "A questão é como a
máquina de propaganda israelense conseguirá ofuscar essa brutal realidade no
Ocidente."
Khalidi também critica duramente o Hamas e o Fatah por não terem conseguido se
reconciliar. "Os palestinos fracassaram em desenvolver uma estratégia para
reivindicar seu direito a um Estado e os países árabes fizeram pouco ou quase
nada para ajudá-los", diz. "Além disso, o Estado palestino não conseguiu ser
formado em 18 anos de negociações e 41 anos de ocupação israelense também
porque Israel não o permitiu. O número de colonos na Cisjordânia dobrou desde
1991 e o controle de Israel na região aumentou."
DOIS ESTADOS
Segundo o especialista, para viabilizar a formação de dois Estados (Israel e
Palestina) são necessárias três medidas. Primeiro, o processo de expansão dos
assentamentos israelenses precisa ser revertido e o meio milhão de colonos
israelenses que vivem na Cisjordânia e Jerusalém Oriental devem ser removidos.
Em segundo lugar, segundo Khalidi, os serviços de segurança israelenses precisam
se convencer de que não é preciso controlar todos os aspectos da vida dos 3,5
milhões palestinos.
Por último, algo precisaria ser feito com os milhares de israelenses e as centenas
de empresas de Israel com interesses materiais e burocráticos ligados ao controle
dos palestinos sob ocupação.
Para Khalidi, o movimento nacional palestino está enfraquecendo como resultado
do colapso do Fatah (partido que comanda a Autoridade Palestina) e do fracasso do
Hamas em assumir o seu lugar.
Tácito Costa
Data: 05/01/2009 - Horário: 12h48min
Ocupação e terror
FOLHA DE SÃO PAULO
Menina palestina chora durante funeral de seu irmão, morto após ataque aéreo
israelense na região norte da faixa de Gaza.
Tácito Costa
Data: 05/01/2009 - Horário: 12h10min
Kriterion abre novo espaço
Do poeta Jairo Lima, no ótimo site da Kriterion:
―Criamos um novo espaço dedicado aos kriterienses que colaboram com este site.
Contos, poemas, ensaios, artigos, crônicas, tudo arrumado em bancas individuais
para facilitar a vida do fregûes.Acese FEIRA LIVRE e confira.
Para ser feirante, basta cumprir três regrinhas básicas:
• primeiro, não mandar textos muito compridos, meu cumpade, que banca de feira
não é armazém e ninguem tem saco de ler calhamaço na telinha do computador.
Não tem espaço determinado, mas vale o bom senso.
• Segundo, o cabra só pode mandar um texto por dia, que eu mesmo não vou
endoidar guardando uma ruma de texto para ir postando um de cada vez.
• E terceiro, tem que ser kriteriense, ou seja, já ter comido, lido, bebido ou proseado
na Kriterion. Os textos devem ser enviados em arquivos anexados para
[email protected]
Valeu? Então tá. Mande a mercadoria que eu arrumo bem direitinho a sua banca.‖
http://www.kriterion.zlg.br/page65.aspx
Tácito Costa
Data: 05/01/2009 - Horário: 11h54min
Sobreira e Tim Maia no Sopão
Sebastião Vicente abre o ano em seu SOPÃO DO TIÃO falando de dois livros que
leu recentemente: ―A noite mágica‖, contos do cearense/potiguar Francisco
Sobreira; e ―O som e a fúria de Tim Maia‖, de Nelson Motta.
http://sopaodotiao.blogspot.com/
Tácito Costa
Data: 05/01/2009 - Horário: 11h48min
Dorian Gray Caldas
O artista plástico Dorian Gray Caldas é entrevistado por Isabela Santos. Leia, em
Cultura, no portal NOMINUTO.COM
www.nominuto.com.br
Tácito Costa
Data: 05/01/2009 - Horário: 11h35min
Tremei, Padre Cícero!
Uma gracinha a entrevista ao Diário de Natal do presidente reeleito da Câmara
Municipal de Natal, Dickson Nasser. Uma das pérolas do edil: Vai a Juazeiro pagar
promessa pela vitória. É um santo!
www.diariodenatal.com.br
Tácito Costa
Data: 05/01/2009 - Horário: 11h22min
Dar-se enfim
"O prazer é abrir as mãos e deixar escorrer sem avareza o vazio-pleno que se
estava encarniçadamente prendendo. E de súbito o sobressalto: ah, abri as mãos e
o coração, e não estou perdendo nada! E o susto: acorde pois há o perigo do
coração estar livre!
Até que se percebe que nesse espraiar-se está o prazer muito perigoso de ser. Mas
vem uma segurança estranha: sempre ter-se-á o que gastar. Não ter pois avareza
com este vazio-pleno: gastá-lo."
C.L. [claro]
Tetê Bezerra
Data: 05/01/2009 - Horário: 11h01min
Daniel Filho e o cinema
Caros amigos:
Daniel Filho foi um bom ator em bons filmes dirigidos por outrem, como "Os
cafajestes", de Ruy Guerra, e "Chuvas de verão", de Cacá Diegues. Ele é mais
conhecido como diretor de tv e, nos últimos anos, de um cinema muito próximo da
linguagem televisiva. No lançamento atual de seu filme "Se eu fosse você II", ele
destilou ressentimentos contra cinema experimental e crítica especializada, que não
costuma elogiar suas obras nessa área. Considero bobagem a atitude de Daniel:
embora não aprecie seus filmes, entendo que toda cinematografia abriga vários
gêneros. Pior que os críticos não elogiarem os filmes de Daniel é ele ficar
expressando rancor contra gêneros de filmes diferentes dos seus. Existem bons
filmes de mercado (penso que não é o caso dos de Daniel) e alcançar boas
bilheterias não faz mal a ninguém - talvez apenas a expectadores que não assistam
a outros tipos de filmes.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 05/01/2009 - Horário: 10h15min
Continuidade asquerosa
A reeleição do Presidente da Câmara Municipal de Natal é uma demonstração clara
de que a grande maioria dos ditos representantes do povo estão preocupados
mesmos é em conseguir benesses e privilégios, remetendo para as calendas a ética
e a transparência. São representantes de uma cultura política expressa na chamada
"Lei de Gérson", que medra no meio do povo como erva daninha, cada um
procurando passar a perna no outro e disputando o troféu do mais esperto: furar fila,
ficar com o troco erroneamente passado, avançar o sinal de trânsito, sonegar
tributos, passar trote. Definitivamente a nossa Câmara Municipal está perdida.
Francisco de Assis N. de Castro
Data: 05/01/2009 - Horário: 10h14min
Adivinhe o filme
Joguinho pra vocês que gostam de cinema tanto quanto eu. Peguei os taglines
(meio que slogans) que vem na capa ou poster de cada filme, e os separei da obra.
Cabe a vocês adivinharem qual tagline pertence a qual filme. São vinte no total.
Usem suas cabecinhas, que dá pra descobrir até os slogans dos filmes que vocês
não viram, embora todos sejam bem famosos. Esta relação é só referente a
produções americanas dos anos 80 (e a tradução é minha, desculpem. É provável
que quem traduziu o tagline pro português na época escolheu palavras melhores,
mas tentem encontrar os posters em português... Impossível!).
Exemplo. O tagline é ―The first scream was for help. The second is for justice‖ (―O
primeiro grito foi por ajuda. O segundo foi por justiça‖). E o filme é... Acusados
(aquele em que a Jodie Foster é estuprada num bar, e leva todo mundo à justiça).
Então, vamulá. Primeiro, claro, tentem adivinhar o slogan. Alguns são fáceis. De
lambuja, vocês praticam seu inglês. Depois se Tácito quiser eu coloco aqui os
resultados. E aí, conhecem todos os filmes?
Os taglines:
1) At the end of the universe lies the beginning of vengeance (No fim do universo
está o começo da vingança)
2) A tale of murder, lust, greed, revenge, and seafood (Uma história de assassinato,
luxúria, cobiça, vingança, e frutos do mar)
3) Be Afraid. Be very afraid (Tenha medo. Tenha muito medo)
4) Can two friends sleep together and still love each other in the morning? (Podem
dois amigos dormir juntos e ainda se amar pela manhã?)
5) Crime is a disease. Meet the cure. (Crime é uma doença. Conheça a cura)
6) Does for rock and roll what The Sound of Music did for hills (Faz pelo rock'n roll o
que A Noviça Rebelde fez pelos vales)
7) Don't get him wet, keep him out of bright light, and never feed him after midnight
(Não o molhe, mantenha-o longe da luz forte, e nunca o alimente depois da meia-
noite)
8) Harry Angel is searching for the truth... Pray he doesn't find it (Harry Angel está
procurando a verdade. Reze para que ele não a encontre)
9) He is afraid. He is alone. He is three million light years from home (Ele está com
medo. Ele está sozinho. Ele está a três milhões de anos-luz de casa)
10) He's the only kid ever to get into trouble before he was born (Ele é o único
garoto a se meter em encrenca antes de nascer)
11) It's a strange world (É um mundo estranho)
12) It's the story of a man, a woman, and a rabbit in a triangle of trouble (É a história
de um homem, uma mulher, e um coelho num triângulo de encrenca)
13) Man has made his match... now it's his problem (O homem criou seu
equivalente... agora o problema é dele)
14) Part man. Part machine. All cop (Parte homem. Parte máquina. 100% policial)
15) The Adventure Continues... (A Aventura Continua...)
16) The Biggest Mother of Them All! (A Maior Mãe de Todas!)
17) The creators of Jaws and Star Wars now bring you the ultimate hero in the
ultimate adventure (Os criadores de Tubarão e Guerra nas Estrelas trazem o herói
definitivo na aventura definitiva)
18) The first casualty of war is innocence (A primeira vítima da guerra é a inocência)
19) They're here... (Eles estão aqui...)
20) Who you gonna call? (Quem você vai chamar?)
Alexia Bohria
Data: 05/01/2009 - Horário: 10h14min
Vitor Ramil
Prezado Tácito
Desejo-lhe um ótimo 2009.
O primeiro contato que tive com a obra de Vitor Ramil foi com o cd "Cantorias e
cantadores 2"da Kuarup e fiquei fã do cara. Fui ao Rio G. Sul participar do Fórum
Mundial e comprei todos os cds dele.Ele esteve duas vezes em Natal,uma
acompanhando os irmãos no Seis e Meia e a outra no Pixinguinha no Teatro
Sandoval Wanderley.Não repetição em Vitor Ramil,cada trabalho é obra única.
Janilson Carvalho
Data: 04/01/2009 - Horário: 19h22min
A história dela
Que diferença da mulher o homem tem?, pergunta a música de Durval Vieira
interpretada por Gal Costa
‖Espera aí que eu vou dizer, meu bem
É que o homem tem cabelo no peito
Tem o queixo cabeludo
E a mulher não tem‖
A mulher na história, quase sempre foi colocada numa posição inferior ao Homem.
Para o médico grego Galeno ( séc II DC) a mulher possuia menos calor e por isso a
sua inferioridade. O orgão sexual masculino e feminino eram os mesmos, só que o
da mulher estava invertido para dentro. O que era testículos no homem, na mulher
era ovário. O clitoris da mulher desempenhava o papel do penis, no homem. O culto
à vagina (yoni) é anterior ao do falo. O clitoris ja foi designado ―o orgão do extase‖ ,
―a doçura do amor‖ e- quando excitado, ―amendua açucarada em delírio‖. O que
hoje chamamos ―trompas de falópios‖ já foi chamada de chifres. Em muitas
esculturas medievais e inscriçoes que remontam a vários séculos antes de cristo
aparece a imagem da vagina, muitas vezes representada por um triangulo. Em
muitas mitologias, rituais e várias culturas a vagina está associada com o
crescimento da fertilidade. A vagina ja foi utilizada para fazer crescer as plantações
de linho e afugentar o mal. Leio tudo isso no belo livro ―A Hsitória da V‖, da
Catherine Blackledge. O centro do prazer feminino, a sede da criação da
humanidade é ainda pouco conhecida das mulheres e homens. Inspiração
permanente nas artes e literatura. Quando Gustave Coubert pintou o belíssimo
quadro ―O nascimento do Mundo‖ não pode mostrar aquela bela vulva ao mundo
por quase um século. O ―diário de Anne Flank‖ editado em sua primeira edição em
1947, teve que ser cortado para omitir algumas revelaçoes sexuais. A igreja foi
responsável pela mutilação de grandes obras de arte que faziam alusões aos
orgãos sexuais. O principio do prazer feminino é fonte inesgotável de exploração do
homem. Conhecê-lo é imprescindível para a nossa felicidade e alegria na terra. A
história da boceta é uma parte da historia do homem ainda pouco explorada. Seja
por preconceitos, motivos religiosos ou educação castradora. Conhecendo melhor o
Penis e a Vagina seremos mais felizes. Ha muito o que aprender e descobrir. Abrir
essa Caixa de Pandora é o que pretende o belo livro da Catherine. O PRAZER É
NECESSÁRIO E URGENTE. ―A VAGINA ENXERGA NO ESCURO‖, mas ainda vive
escondida num mar caudaloso de ignorancia. Escalo o monte de Venus e morro de
prazer e tesão.
João da Mata Costa
Data: 04/01/2009 - Horário: 19h17min
Maysa na tv
Caros amigos:
Não sei se o seriado da Globo sobre a excepcional cantora Maysa está bom mas
considero a iniciativa muito importante em termos de memória musical. Maysa é
uma das 3 ou 4 cantoras mais importantes do país (Carmen Miranda, Ângela Maria,
Elis Regina e ela), sem esquecer outras excepcionalmente boas que a música
brasileira abriga - Dalva de Oliveira, Nora Ney, Clementina de Jesus, Elza Soares a ala feminina em nosso cancioneiro é fogo. Quem nasceu a partir dos anos 70 terá
a oportunidade de ouvir mais a bela e expressiva voz de Maysa, a nova mulher que
ela representou naqueles anos 50/60. Espero que dêem ênfase à grandeza da
cantora e que os episódios dramáticos de sua vida apareçam em função de sua
imensa qualidade artística.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 04/01/2009 - Horário: 19h15min
O que vence é o que voce alimenta
Uma noite, um velho índio falou ao seu neto sobre o combate que acontece dentro
das pessoas.
Ele disse:
- A batalha é entre os dois lobos que vivem dentro de todos nós.
Um é Mau.
É a raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, arrogância, pena de si mesmo,
culpa, ressentimento, inferioridade, mentiras, orgulho falso, superioridade e ego.
O outro é Bom.
É alegria, fraternidade, paz, esperança, serenidade,
humildade, bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e
fé.
O neto pensou nessa luta e perguntou ao avô:
- Qual lobo vence?
O velho índio respondeu:
- Aquele que você alimenta!
João da Mata Costa
Data: 04/01/2009 - Horário: 19h15min
Poemas de Eli Celso
Postei em POESIA três poemas de Eli Celso (MARSEMFIM, DENTRO e LEITE &
SANGUE), enviados pelo poeta Henrique Pimenta, que mora em Campo
Grande,MS. Fiquei sabendo essas coisas depois que acessei o blog dele
www.dobardo.blogspot.com – onde publica seus trabalhos.
Tácito Costa
Data: 03/01/2009 - Horário: 14h32min
Estevão Azevedo
Adriano,
Fiquei muito curioso em saber mais sobre Estevão Azevedo. Nunca tinha ouvido
falar. Mas é assim mesmo. Várias vidas não bastariam para darmos conta da
infinitude de escritores que tem no mundo. Essa semana li a coletânea de poemas
"Laranja Seleta", de Nicolas Behr, que também não conhecia. Vim a saber desse
poeta devido a sua participação no último ENE. E o cara já tem mais de vinte livros
publicados. Li e gostei dos poemas contidos no livro de Behr, que inaugura a
coleção Língua Real, da Editora Língua Geral, que tem a frente o escritor José
Eduardo Agualusa.
Tácito Costa
Data: 03/01/2009 - Horário: 14h09min
Deu na Folha de SP
RODAPÉ LITERÁRIO
Vivendo no rascunho
Com abertura impactante, primeiro romance de Estevão Azevedo investe em revolta
de personagem de papel
FÁBIO DE SOUZA ANDRADE
COLUNISTA DA FOLHA
"O DRAMA começou quando eu, ao perceber que era personagem de um livro,
amputei o dedo mínimo da mão esquerda [...], o que dificultaria a leitura e me
possibilitaria, talvez, morrer." A abertura impactante de "Nunca o Nome do Menino",
primeiro romance de Estevão Azevedo, potiguar radicado em SP e autor dos contos
reunidos em "O Som do Nada Acontecendo" (Edições K), entrega sem demora sua
linhagem. Uma protagonista que, de chofre, em um parágrafo, se confessa não
apenas personagem, mas inconformada com seu estatuto imaginário, traz à mente
uma infinidade de referências fortes. Remete tanto ao Borges de "As Ruínas
Circulares" (citado numa das epígrafes do livro), à vida sonhada de Calderón de la
Barca, quanto aos recentes roteiros de Charlie Kaufman ("Adaptação", "Quero Ser
John Malkovich") e Zach Helm ("Mais Estranho que a Ficção").
O apelo e a elasticidade do tema são inegáveis. Permitem falar do que realmente
interessa na narrativa (as fronteiras instáveis entre a experiência e sua
representação, fato e ficção), discutir eficácia e finalidade do jogo literário, enquanto
se joga. Cartas na mesa e aposta alta desde o primeiro lance, o desafio está em
refrear o desdobramento ainda mais explosivo que o gesto inicial da mutilação,
dramático e ab-rupto, arremessando o leitor no colo de um conflito insustentável, faz
prever.
Como freio, Azevedo introduz um contraponto narrativo, em retrospecto, alimentado
pela memória. A mulher-marionete, indignada com seu criador-manipulador, busca
no primeiro amor de adolescência sinais remotos da crise presente. Mas, aqui, à
confusão natural que toda lembrança encobre (forjada, fragmentária, recomposta ao
sabor da necessidade), soma-se o complicador de saber-se criatura de papel e
estar incumbida de criticar a própria inverosimilhança ocasional.
Cindida nestas duas linhas narrativas, a que dá conta das consequências da
insurreição da personagem e a que recompõe sua identidade a partir da origem, a
armação estrutural do romance é engenhosa, mas o autor sofre para, nos
meandros, manter-se à altura da promessa inicial. Paralelos felizes entre a
experiência do primeiro amor e a invenção ficcional - combinando, ambos,
corporeidade e projeção de desejos, descoberta, fantasia e frustração - perdem-se
em meio à profusão de passagens líricas em que a ironia autoconsciente, essencial
à ideia por trás do livro, se dilui. Seu enredo bem tramado, contudo, faz de "Nunca o
Nome do Menino" estreia digna e sugere que Estevão Azevedo tem fôlego para
mais.
*******
NUNCA O NOME DO MENINO
Autor: Estevão Azevedo
Editora: Terceiro Nome
Quanto: R$ 26 (184 págs.)
Avaliação: bom
Adriano de Sousa
Data: 03/01/2009 - Horário: 13h59min
O reveillon dos porcos
Como nenhum jornal, Tv, site ou blog registrou, registro eu. Preferiram falar só dos
fogos. As praias de Ponta Negra e dos Artistas se transformaram num gigantesco
lixão após o reveillon. A maioria das pessoas fez seus piqueniques e churrascos e
deixaram para trás montanhas de lixo. Eu nunca tinha visto algo parecido. Fiquei,
num primeiro momento, estupefato, e depois revoltado com tamanha falta de
consciência ecológica. Tanto de famílias humildes quanto de abastadas. Um bando
de porcos, não cabe outra definição. No dia 1º fui caminhar na praia dos Artistas,
pensando em depois tomar um banho. Desisti do banho. A praia era só desolação,
lixo por toda parte. Um espetáculo vergonhoso e deprimente.
Tácito Costa
Data: 03/01/2009 - Horário: 13h55min
O mel das mulheres
Caros amigos:
Meu querido amigo João da Mata lamenta os efeitos do tempo sobre o corpo de Mel
Lisboa. Entendo o comentário como pertencente ao mundo dos belos ícones
impessoais - que continuarão a existir, para sempre, na condição de ícones, v.
Marylin Monroe. Quando a gente ama uma mulher, o passar do tempo e suas
marcas no corpo (rugas, excessos etc.)fazem parte do amor e aumentam o tesão
que por ela sentimos. Espero que as mulheres sintam o mesmo em relação aos
homens que amam e que os amantes de pessoas do mesmo sexo também o
façam. Conheço uns casais que manifestam esse sentimento em mão dupla.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 03/01/2009 - Horário: 11h33min
Vitor Ramil/Entrevista
"Quem é Vitor Ramil? Fiz esta pergunta meses atrás quando divulgaram a lista dos
vencedores do Prêmio Tim de Música. O gaúcho compositor, musicista de voz
suave está na estrada desde o início da década de 80 e foi premiado pela escolha
do público. Vitor Ramil é desses fenômenos musicais que surgem de tempos em
tempos e consegue, após décadas de trabalho, conquistar públicos aqui e alhures e
juntar tudo numa boa sopa de legumes selecionados. A música é refinada."
De Sérgio Vilar, que publica em seu blog entrevista com o artista gaúcho.
www.sergiovilar.blogspot.com
Tácito Costa
Data: 03/01/2009 - Horário: 10h20min
Judeus e Palestinos
―A tragédia de Gaza não é uma tragédia religiosa. Não se trata também de um
conflito doutrinário envolvendo judeus e mulçumanos (como os líderes religiosos
mundo a fora tentam divulgar). Muitos árabes e palestinos são cristãos e muitos
israelenses são tão laicos quanto qualquer ateu europeu.‖
De Pablo Capistrano, em PROSA.
Tácito Costa
Data: 03/01/2009 - Horário: 09h57min
O mundo é mesmo pequeno (2)
Caro João da Mata,
longe de mim provocar inveja em você. Mas a Mel estudou na Comunicação da
UFF, antes de estrelar "Anita". Aliás, eu mesmo me encarreguei de fazer a sua
matrícula.
Um abraço.
Moacy Cirne
Data: 03/01/2009 - Horário: 09h49min
Cony surfando na grosseria
Caros amigos:
Tem escritor que exagera no direito a dizer besteira. O comentário de Cony sobre
Fernando Pessoa abre o festival de idiotices do ano com brilho. Não é preciso
admirar ferrenhamente o maior poeta da língua no século XX (e um dos dois ou 3
maiores de sempre) para entender as ressonâncias daquele verso - deriva entre
necessidade e precisão. E Cony ignora solenemente que escritores lêem escritores,
reescrevem seus pares: ntertextualidade. A Academia e a Imprensa brasileiras
estão MUITO mal servidas neste começo de 2009 por celebridades que falam
asneiras desse porte!
Abraços:
Marcos Silva
Data: 03/01/2009 - Horário: 09h49min
JOVENS ISRAELENSES CONTRA A VIOLÊNCIA
Caros amigos:
Ainda resta alguma esperança: jovens israelenses se recusam a participar da
violência atual contra os palestinos em Gaza. E sofrem conseqüências.
Cliquem http://december18th.org/ e ASSINEM: apoio a jovens israelenses que têm
sido presos por se recusarem a participar da brutal violência contra os palestinos!
Abaixo um dos depoimentos:
Name: Omer Goldman
Age: 19
Location: Tel-Aviv
―I believe in service to the society I am part of, and that is precisely why I refuse to
take part in the war crimes committed by my country. Violence will not bring any kind
of solution, and I shall not commit violence, come what may.‖
First Sentence: 22nd Sept. - 10th Oct. 2008 (18 days)
Second Sentence: 12th - 24th Oct. 2008 (10 days)
Abraços:
Marcos Silva
Data: 03/01/2009 - Horário: 09h50min
2009 - Navegar não é preciso
―De uma vez por todas fica decretado: navegar não é preciso. Chega! Já deu para
encher o saco. A frase é antiga, de 2.000 anos pelo menos, foi ressuscitada pelo
autor português Fernando Pessoa, que volta e meia gostava de assumir poetas
gregos e latinos caídos mais ou menos em desuso.‖
De Carlos Heitor Cony, na FSP e em PROSA.
Tácito Costa
Data: 03/01/2009 - Horário: 02h08min
Myriam, Celso e Eli
A antologia poética é de fato extensa e de muito bom gosto. Mas notei a falta de
três nomes, bons poetas, de uma mesma família daí: Myriam Coeli, Celso Silveira e
Eli Celso. Eles morreram para a poesia?
DO EDITOR
"Prezado Henrique, a antologia postada em POESIA não é minha. E nem de
ninguém. É coletiva e foi construída aos poucos ao longo de quase dois anos
de existência do SP. Constam dela poemas enviados por poetas, admiradores,
leitores e colaboradores. Se você nos enviar uma pequena seleção de poemas
de Celso, Myriam e Eli agradecemos e postaremos com o maior prazer. São
três nomes importantes da poesia brasileira, permanecem vivos através de
suas obras e fazem falta em POESIA.
Henrique Pimenta
Data: 03/01/2009 - Horário: 00h53min
Sobre a imagem de Cristo
Caro Pablo, mais do que a iconografia cristã, o que prevalece, lamentavelmente é a
ilusão que domina o imaginário dos que esperam o inexistente reino de deus ou dos
céus. Esse apelo que engana parte da humanidade há mais de 2000 anos é mais
forte do que qualquer imagem, é o verdadeiro ópio do povo. De resto, todos sabem
que qualquer imagem do cristo é tão real como uma cédula de 3 reais. Tão falsa
como o sudário de Turim. E mais não digo, porque já é demais!
Marcos Cavalcanti
Data: 03/01/2009 - Horário: 00h41min
Esses religiosos deveriam ter vergonha!!!
APELO À PA(Z)LESTINA
Não venha o verso
Nem a palavra poética!
É hora da musa silenciar seu canto
Para que todos os poetas berrem, se desesperem!
Que a humanidade chore a morte dos inocentes!
Declaro guerra aos artistas:
Estourem e disparem tintas, mexam-se!
Derramem cantos de Paz!
Encenem a tragédia que não cessa!
Fotografias de ruínas nos flashem!
Há farpas de ódio em toda parte,
Templos cercados de tanques e arames farpados!
E os olhos do terror devoram o tempo dos armistícios!
Turba, turbantes negros da intolerância,
A terra tem uma fome maior que a tua
E devora sem piedade!
Quem proclamará a Paz?
A Paz que se esconde de vergonha
E chora derramados rios de sangue,
Manchando-lhe o alvo manto.
Nem Alá, nem Jeová,
Nem Deus, nem Javé,
Nem Salomão, nem Abraão,
Nem Jesus, nem Maomé.
A Paz é só uma questão de amor,
Amor humano, fraterno amor!
Do livro meu Imarginário(2008)
Marcos Cavalcanti
Data: 03/01/2009 - Horário: 00h40min
Mel Lisboa é Mãe
Ah as Mulheres! Não deviam casar. Por quê? Ainda lembro dela. Mel Lisboa em
"Presença de Anita". Hoje tem filho. Não, não quero saber. Vou revê a presença de
Anita e olhá-la sem barriga. Nuazinha provocando o titio. Um belíssimo seriado
baseado num grande romance. Um belo momento da nossa televisão. Um belo
livro. Uma bela mulher. Mel, eu quero Mel.
João da Mata Costa
Data: 03/01/2009 - Horário: 00h39min
Mau começo
Não poderia começar pior a agenda política municipal esse ano. Com folga, o
vereador Dickson Nasser foi reeleito presidente da Câmara Municipal de Natal.
Contou com voto e abstenções do Partido Verde (Paulo Wagner, eleito vicepresidente, e abstenções de Edivan Martins e Aquino Neto) da prefeita Micarla de
Souza. Surpreendeu-me o voto de Sargento Regina (PDT) em favor de Dickson.
Dos outros novatos, Alberto Dickson, Chagas Catarino e Maurício Gurgel, já
esperava o voto em Dickson, um vereador assistencialista, atrasado e que no ano
passado foi indiciado por corrupção. Embora, publicamente, a prefeita não tenha se
manifestado sobre a eleição na Câmara, o seu vice Paulinho Freire trabalhou com
afinco por Nasser. Isso, apesar de instituições e movimentos sociais terem se
manifestado contra a reeleição. Agora, é torcer para que os vereadores que ficaram
contra Dickson fiscalizem o trabalho dele e honrem os seus mandatos.
Tácito Costa
Data: 02/01/2009 - Horário: 14h55min
Wally Salomão
No link abaixo (Revista Trip) leia entrevista com Wally Salomão montada a partir de
declarações dada por ele ao longo do tempo.
http://revistatrip.uol.com.br/170/especial/02.htm
Tetê Bezerra
Data: 02/01/2009 - Horário: 14h39min
A Vida de Nosso Senhor
Ainda sobre os influxos da festa da natividade e do ano bom que se inicia leio ao
belo livro ―A Vida de Nosso Senhor‖ do Charles Dickens. Belíssima edição ilustrada
com cenas de arte religiosa e reproduzindo uma edição feita em Londres, em 1934,
e publicada pela Associated Newspapers Ltd. O autor de David Copperfield
escreveu esse belo livro de inspiração divina para seus filhos. Dickens costumava
contar aos seus filhos a história dos evangelhos e escreveu esse livro, bastante
didático, sem pensar em publicação. O livro foi publicado inicialmente em capítulos
seriados num jornal e depois comprado e negociado por vários colecionadores. A
edição da Francisco Alves, com tradução do Geir Campos, ainda contém um
fotografia rara dos quatros filhos do escritor Charles Dickens. A história do nosso
Senhor é uma história edificante e vem encantando a humanidade há dois milênios.
A história do seu nascimento numa manjedoura é inspiração para muitos presépios
no mundo cristão. A cidade de Natal já foi considerada cidade presépio e muitos
artistas populares e outros se inspiraram na historia do cristo e seus milagres para
perpetuar seus ensinamentos em quadros, presépios e música. Ilustra esse artigo
um presépio rústico feito por um artesão popular da cidade de Patú (RN). A história
do bom Samaritano é uma história eterna e exemplo para todos nós. Uma historia
que se renova - a cada ano, numa grande celebração popular e cristã. O seu
sentido não pode ser perdido e quem que não tiver cometido nenhum pecado, que
atire a primeira pedra.
João da Mata Costa
Data: 02/01/2009 - Horário: 14h35min
SOBRE O BOMBARDEIO DA UNIVERSIDADE
ISLÂMICA DE GAZA
Caros amigos:
O DOCUMENTO abaixo está sendo divulgado nos meios acadêmicos brasileiros.
Quem desejar assiná-lo, favor enviar sua adesão a [email protected]
Professores condenam ataque à Universidade Islâmica de Gaza
Enquanto a carnificina causada pelo ataque israelense à Faixa de Gaza
nos enche de horror, tristeza e indignação, um fato nos obriga a nos manifestar: a
destruição da Universidade Islâmica de Gaza. Assim como as universidades
católicas e pontifícias em todo o mundo, a Universidade de Gaza é uma instituição
dedicada ao ensino e à pesquisa acadêmica. Devido à negação ao acesso e
compartimentação da vida nos territórios
palestinos, a Universidade Islâmica tornou-se ainda mais importante para a
população jovem de Gaza, impedida de cursar faculdades na Cisjordânia, em Israel
ou no exterior, inclusive quando são aceitos como bolsistas. A
Universidade atende mais de 20.000 estudantes, 60% dos quais são mulheres.
Formada por 10 faculdades, oferece cursos de graduação e
pós-graduação em educação, religião, arte, comércio, charia, direito, engenharias,
ciêncais exatas, medicina e enfermagem. Usa-se o mesmo
sofisma com o qual se ataca o povo de Gaza: os estudantes e os professores da
Universidade seriam do Hamas, o mesmo pretexto dos regimes fascistas para
decretar a morte da cultura. O que querem é a morte da memória, da história, da
identidade do povo palestino.
Condenamos toda violência e lamentamos cada morte, seja em Israel, seja nos
Territórios Palestinos Ocupados ilegalmente por Israel. Mas não podemos aceitar
calados que seja lançado literalmente aos escombros o direito à educação, à
dignidade, à vida nessa pequena faixa de terra
onde há décadas a população vive na mais absoluta negação. Ao atacar o direito à
educação e à cultura em Gaza, coloca-se à prova a educação e a cultura mundiais.
Arlene Clemesha, FFLCH/USP
Emir Sader, LPP/UERJ e USP
Mamede Jarouche, FFLCH/USP
Michel Sleiman, FFLCH/USP
Mona Hawi , FFLCH/USP
Safa Jubran, FFLCH/USP
Caio N. de Toledo, IFCH, Unicamp
Marcos Silva
Data: 02/01/2009 - Horário: 14h10min
O Discurso da Prefeita Eleita
Meus Caros,
Ouvi o discurso emocionado da prefeita eleita de Natal, empossada no dia primeiro
de janeiro de 2009.
Alguns destaques foram evidenciados. O choro ao se referir ao seu pai Carlos
Alberto. Uma cena bastante teatral e lacrimosa.
Outro destaque o seu agradecimento a Deus. Esse também bastante enfático. Do
conteúdo programático pouca coisa. Que o seu governo vai ser para todos, mas
com ênfase na população mais humilde. Ao sair do Teatro Alberto Maranhão, onde
tomava posse, a prefeita Micarla ia se dirigir ao bairro de Felipe Camarão. Bairro
popular que lhe deu bastante respaldo em termos de votos. Gostei quando a
prefeita disse que ia tirar os meninos da ruas de Natal.
Ela ressaltou o seu compromisso ético. Lembrou que é uma jornalista, e que os
jornais foram bastante imparciais ao cobrir a eleição para a prefeitura da cidade do
Natal. Do seu marido Miguel deu pouca ênfase. Deixou-nos bastante curiosos ao se
referir ao Rogério Marinho, falando de um silêncio que só eles sabem do que se
trata. Muito lembrado o vice-prefeito Paulinho Freire. A prefeita também realçou o
grande interesse que vai devotar ao verde, como prega o seu partido PV. Foi
bastante enfática ao se referir ao descaso com a saúde publica da gestão que hora
deixa o governo. Vamos torcer para que se cumpra o prometido e que nossa cidade
prospere e fique cada vez melhor.
João da Mata Cosra
Data: 02/01/2009 - Horário: 14h08min
Patrício Jr. de volta a Net
O jornalista e publicitário Patrício Jr. está de volta ao universo online, agora em
novo endereço. Confiram!
http://www.patriciojr.com.br/
Tácito Costa
Data: 02/01/2009 - Horário: 11h27min
Revolução
Vale o registro: ontem, nos 50 anos da Revolução dos sonhos de muitos, a
borboleta começou a bater suas asas sobre nós.
Daniel Dantas
Data: 02/01/2009 - Horário: 11h22min
Não , Não chore mais
Adeus ao compositor de "No Woman, no cry", atribuida a Bob Marley e eternizada
na voz e versão de Gilberto Gil
No Woman no Cry
Gilberto Gil
Composição: Bob Marley
No, woman, no cry, no woman, no cry (Bis)
Bem que eu me lembro, a gente sentado ali
Na grama do aterro sob o sol
Ob... observando hipócritas
Disfarçados, rondando ao redor
Amigos presos, amigos sumindo assim, pra nunca mais
Nas recordações retratos de um mal em sí
Melhor é deixar pra tráz
Não, não chores mais... não, não chores mais
Bem que eu me lembro, a gente sentado alí
Na grama do aterro sob o céu
Ob... observando estrelas, junto a fogueirinha de papel
Quentar o frio, requentar o pão, e comer com você
Os pés de manhã, pisar o chão
Eu sei, a barra de viver, mas se Deus quiser
Tudo, tudo, tudo vai dar pé! Tudo, tudo, tudo vai dar pé
Tudo, tudo, tudo vai dar pé! Tudo, tudo, tudo vai dar pé
No, woman, no cry, no, woman, no cry!
Não, não chores mais ... menina não chore assim
João da Mata Costa
Data: 31/12/2008 - Horário: 22h02min
gitanjali( oferenda lírica)
Tácito, com crise ou sem crise, com Deus ou sem Deus, desejo a você e a todos
que fazem o substantivo, um feliz ano novo.
*******
Fizeste-me sem fim, pois esse é teu prazer. Esvazias continuamente este frágil
vaso, e de novo sempre o enches de vida fresca. Levaste por montes e vales esta
pequena flauta de bambu, e nela sopraste melodias eternamente novas. Ao toque
imortal de tuas mãos, meu pequeno coração perde seus limites na alegria, e faz
nascer inefáveis expressões. Teus dons infinitos vêm a mim apenas sobre estas
pequenas mãos. Passa o tempo,continuas derramando, e sempre há lugar a
preencher.
Belchior de Vasconcelos Leite
Data: 31/12/2008 - Horário: 18h41min
Kitano e Volonté
MÁRIO IVO
http://embrulhandopeixe.blogspot.com/
O senhor Kitano e Il signore Volonté
Sexta passada fui assistir ―Glória ao cineasta‖.
Sexta passada fui ao lançamento de ―Lira de viagem‖.
―Glória ao cineasta‖ foi dirigido por Takeshi Kitano. Em 2007.
―Lira de viagem‖ é um apanhado de textos pelas mãos de Volonté. Poeta. Maldito.
Não necessariamente nesta ordem. É dest‘ano, 2008.
Este filme de Kitano não é como um filme de Kitano – aliás, essa é a sua premissa.
Kitano dirige a si mesmo e se mostra como provavelmente se encontrava, então, à
época: um cineasta em crise. Sem querer repetir o gênero que o havia consagrado
(inclusive com um Leão de Ouro ao Festival de Veneza, com ―Hana-bi‖), ou seja,
filmes violentos sobre a Yakuza, a máfia japonesa, o diretor tenta outros gêneros –
filmes de época, dramalhões, filmes de terror. Os resultados são ridículos e risíveis.
Termina por enveredar na ficção científica, e é aqui que o ―filme dentro do filme‖
ganha mais força e tempo.
Este livro de Volonté não é um clássico livro de Volonté. Até porque não existe isso
de clássico livro de Volonté. Volonté é seu próprio livro. Ambulante. Deambulador.
Deambulatório. Alguém já definiu o poeta como ―peripatético‖. Ou seja, alguém que,
à moda de Aristóteles, ensina ao caminhar. Talvez porque o poeta é visto ao
mesmo tempo em vários pontos da City. Pode estar arrastando a sandália entre as
estantes da Poty Livros da Felipe Camarão e, minutos depois, exibir sua camisa
pólo entre as gôndolas da livraria do Midway. Termina, pois, o livro de Volonté, com
dois poemas de Volonté. O último, parece, já antológico para a intelligentzia da City:
―No começo/ era o verbo/ depois chegaram os canalhas‖. O sobrescrito prefere
―Red‖, dois versos: ―A traição/ era fogo‖.
Kitano faz uma bela homenagem aos cineastas japoneses – logo no início leva um
boneco que representa a si mesmo para uma bateria de exames: tomografia
computadorizada, endoscopia, o escambau. A cada exame surge um novo nome na
ficha do paciente: Yasujiro Ozu, Akira Kurosawa, Shohei Imamura, todos grandes
cineastas japoneses.
Volonté homenageia ao seu modo os participantes da antologia: tem Napoleão de
Paiva, tem Octavio Paz, tem Woden Madruga descrevendo o Sertão de Alex
Nascimento.
Sexta passada fui assistir ―Glória ao cineasta‖. Kitano estava lá, na tela, com seu
olhar de peixe-morto, como seu humor japonês, com seu surrealismo ácido e
particular – não é preciso terminar o filme para pensarmos, nós com nós mesmos,
no escurinho do cinema: ―Muito doido‖.
Sexta passada fui ao lançamento de ―Lira de viagem‖. Cheguei nem tão atrasado
assim: mas o poeta não estava lá. Nem sua barba por fazer, nem sua mão
abraçando a cabeça de fios pretos e fios brancos, nem seu ranço real contra
inimigos imaginários. A mesa de autógrafos o canto mais limpo. Só mesmo Volonté,
para contrariar sua própria onipresença.
Tácito Costa
Data: 31/12/2008 - Horário: 17h03min
Feliz 2009
Que 2009 seja melhor do que está parecendo que vai ser. Que seja frenético e belo
como um côco de Jacintho Silva na voz de Khrystal. Que seja doce e bárbaro como
Lindonéia na voz de Nara Leão. Que seja simples e completo como assim são os
nossos artistas - populares e eruditos, como a rabeca e o violino de Tiquinha
Rodrigues. Que seja rico e democrático, como o Substantivo Plural.
Daniel Dantas
Data: 31/12/2008 - Horário: 16h52min
Eleitor da adversária
Ouvi dizer que o novo secretário de saúde do município, dr. Levi Jales, foi eleitor de
Fátima em 6 de outubro. Surpreendente. Mas explicável pelo fato de que foi o
sindicato dos médicos - e nenhum político - que o indicou para o cargo.
Daniel Dantas
Data: 31/12/2008 - Horário: 16h51min
Povo judeu e estado israelense
Caros amigos:
Tenho o máximo respeito pelo povo judeu. É claro que precisamos respeitar todos
os povos. Sinto extremo horror em relação ao que o estado israelense está fazendo
com outros povos. Sugiro uma releitura urgente do ensaio de Isaac Deutscher "O
judeu não-judeu" com temperos de "Eichmann em Jerusalém", de Hannah Arendt.
Não basta ter sido vítima dos nazistas. Tem que não retomar argumentos
nazificantes.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 31/12/2008 - Horário: 16h35min
João Melo & Milton Ribeiro
Caro Tácito:
1. O mundo é mesmo pequeno. O poeta angolano João Melo foi meu aluno no Dpto
de Comunicação da Universidade Federal Fluminense, em Niterói. Tenho, com
simpática dedicatória (datada de 5/7/1985), o seu primeiro livro: "Definição". Já
publiquei dois ou três de seus poemas no "velho" Balaio. Voltarei a fazê-lo, em
breve.
2. Milton Ribeiro, entre outras coisas, é um profundo conhecedor de música erudita.
Mais do que eu, ele detonou - de forma arrasadora - o número da Bravo! que
"brincou" irresponsavelmente de música clássica.
3. Grato por ter divulgado a minha seleção dos melhores & piores de 2008.
4. Para você, seus amigos e leitores, um 2009 maravilhoso.
Abraços.
Moacy Cirne
Data: 31/12/2008 - Horário: 16h34min
Pesadelo
NA FOLHA DE SÃO PAULO:
FOTO: Mohammed Abed/France Press
Corpo de menina palestina de 4 anos, morta com a irmã de 11 em ataque de Israel,
é enterrado
Postei em PROSA artigo de Robert Fisk, publicado na FSP, sobre a guerra
desfechada por Israel contra os palestinos.
Tácito Costa
Data: 31/12/2008 - Horário: 14h40min
Blog de Milton Ribeiro
O blog de Milton Ribeiro está entre os melhores do país apontados por Moacy Cirne
na sua seleção das melhores coisas de 2008. Não conhecia ainda. Fui lá e gostei
muito. Entre os posts mais recentes, destaco a lista de Milton sobre os filmes bons e
ruins de 2008 e vários textos sobre o terror promovido por Israel contra os
palestinos.
http://miltonribeiro.opensadorselvagem.org/
Tácito Costa
Data: 31/12/2008 - Horário: 14h13min
2008, por Moacy Cirne
DE MOACY CIRNE, NO BALAIO VERMELHO
www.balaiovermelho.blogspot.com
Brasil
FOLHA PORRETA 2008
Acontecência
Torcida tricolor (RJ), nos jogos da Libertadores
Artes
Regina Pouchain & Wlademir Dias pino (RJ)
Blogue
Improvisações (RS), de Milton Ribeiro
Cinema
Serras da desordem (SP), de André Tonacci
Disco
Banda Sinfônica (RN),
com Leo Gandelman, Dominguinhos & outros
Espaço Cultural
Sala Cecília Meireles (RJ)
Futebol
Internacional (RS), pelo título da Sul-Americana
Imprensa
Carta Capital (SP)
Jornalismo eletrônico
Via Política (RS)
Literatura
Além do nome (RN), de Marize Castro
Poesia
Thálassa (RN), de Francisco Ivan
Quadrinhos
Chibata! (CE), de Hemetério & Olinto Gadelha
Sítio
Substantivo Plural (RN)
Televisão
Pontapé inicial (SP), com José Trajano
Vídeo
Diário de uma prostituta (RJ), de Marcelo Ikeda
OS PIORES ACONTECIMENTOS DO ANO
Cultura
A edição especial da Bravo! (SP)
dedicada à música erudita
Futebol
A seleção brasileira,
sob o comando de Donga
Política
A eleição de Micarla de Souza (RN)
para a Prefeitura de Natal
Tácito Costa
Data: 31/12/2008 - Horário: 13h52min
Eventos paralelos
Oportuno e certeiro o comentário de Cassiano Arruda, em Roda Viva (entra no site
e busca colunistas), hoje no Diário de Natal, acerca da duplicidade de eventos
promovidos pela Prefeitura e Governo do estado em Natal. Esse ano já era. Vamos
torcer para que a lição seja lembrada em 2009.
www.diariodenatal.com.br
Tácito Costa
Data: 31/12/2008 - Horário: 13h45min
Lendo os africanos
WODEN MADRUGA, NA TRIBUNA DO NORTE:
"Aí o Carlão - Carlos de Souza - passou pelo meu canto e deixou em cima
do birô o livro de João Melo, Filhos da Pátria. O escritor é angolano,
jornalista, faz publicidade em Luanda, ensina Comunicação e ainda tem
tempo para ser deputado da Assembléia Nacional de Angola. Também é poeta
e seus livros já foram traduzidos para o alemão, húngaro e o italiano.
João Melo viveu no Brasil, estudando em universidades do Rio de
Janeiro. Tanto assim que o leitor percebe na sua escrita um certo acento
brasileiro. Pelo menos percebi assim lendo o seu Filho da Pátria, livro
de contos. Bom contista. Em todos eles, a alma africana de Angola, sua
gente, sua cultura, suas lutas, suas esperanças. Li e gostei.
Gosto da literatura africana de língua portuguesa. O Carlão sabe disso.
Ele também gosta e ali e acolá a gente troca figurinhas. O Carlos
Peixoto é outro da tribo que aprecia. Um dia desses me emprestou Os
Flagelados do Vento Leste, uma das minhas boas leituras do ano que está
findando. É um romance do escritor Manuel Lopes, de Cabo Verde, dos
maiores nomes da literatura de seu pequeno e bravo país. O Manoel Lopes
morreu em Lisboa, em janeiro de 2005. Tinha 97 anos. O romance conta da
seca que assola as ilhas do arquipélago. Senti que tinha qualquer coisa
que me fez lembrar o nosso Graciliano.
Esta semana que passou li Bom Dia Camaradas, o primeiro romance de
Ondjaki, outro angolano, que eu já conhecia do seu livro de contos
Momentos de aqui. Seus livros são traduzidos para o francês, o alemão e
o espanhol e o autor tem vindo sempre ao Brasil participar dessas
bienais e festas de escritores, tipo Paraty. Li o Bom Dia Camaradas de
uma tacada só gozando o alpendre de Queimadas de Baixo. Gozando a aragem
que sopra da Serra de Joana Gomes e o lirismo de Ondjaky ( ?...a água é
que traz todo aquele cheiro que a terra cheira depois de chover.?). O
livro tem apresentação de Luiz Ruffato, muito bom escritor mineiro,
autor de O Mundo Inimigo e Eles eram muitos cavalos, entre outros títulos.
Me chamou a atenção no texto de Ruffato a citação que ele faz de Luis
Romano, como ?um dos fundadores da literatura cabo-verdiana em criolo?.
Luis Romano, também é um dos pioneiros da independência do seu país,
vive em Natal há muitos anos. E mesmo com problemas de saúde continua
produzindo intelectualmente. E muito. Dele recebi, recentemente, o livro
Kabverd - Civilização & Cultura, com gentil dedicatória. Romano conta a
história de Cabo Verde, a história e a cultura do seu povo, a história
literária de sua gente, seus poetas, seus escritores, seus artistas. Lá
eu encontrei o Manoel Lopes e o Germano Almeida, dois de seus principais
escritores, que estão no patamar dos mais importantes escritores da
língua portuguesa, não somente dos africanos, mas de toda a literatura
de língua portuguesa, como estão Mia Couto e Suleima Cassamo
(Moçambique), Pepetela, José Eduardo Aqualusa e João Melo (Angola), e
nesse time de angolanos escala-se o José Luandino Vieira (Prêmio Camões)
que nascido em Portugal se fez escritor em Luanda e lá lutou, também,
pela independência do país africano, e de quem li este ano A cidade e a
infância (contos).
E tem o Gonçalo M. Tavares, nascido em Angola, mas fazendo carreira
literária em Portugal. Premiadíssimo. José Saramago é seu fã de
carteirinha: ?Gonçalo M. Tavares não tem o direito de escrever tão bem
apenas aos 35 anos: dá vontade de lhe bater!?. Li dele, com água na
boca, o romance Jerusalém, e recentemente O Senhor Brechet. É diferente
de tudo que se anda escrevendo por aí.
E tem ainda os africanos que não são portugueses de falar e escrever.
Guardo-os com muito carinho na minha estante. Por exemplo: o somaliano
Nuruddin Farah, autor de Mapas, romance que conta aquelas brigas do seu
povo com as tribos etíopes; Ahmadou Kourouma, de Costa do Marfim (?Sol
das Independências?); o egípcio Naguib Mahfouz (?Em Busca?); o
sul-africano J.M. Coetzee, a sua patrícia Nadine Gordimer; o argelino
Albert Camus, todos os quatro ?Nobel de Literatura?. Africanos, belos
escritores.
Africano também é Santo Agostinho."
Tácito Costa
Data: 31/12/2008 - Horário: 13h34min
2009 melhor
Caros amigos:
Desejo que muita coisa mude para melhor e outras continuem tão boas quanto já
são.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 31/12/2008 - Horário: 12h52min
Feliz 2009 para todos
O Substantivo Plural deseja aos leitores, colaboradores e amigos (alguns são tudo
isso junto) um feliz 2009. Espero que possamos continuar travando o bom diálogo
por aqui nesse novo ano que começa.
Tácito Costa
Data: 31/12/2008 - Horário: 01h02min
Somos otários
Publicado no blog de Ricardo Noblat.
Belchior de Vasconcelos Leite
Data: 31/12/2008 - Horário: 00h45min
Revorêdo e Dácio se encontram
DE SÉRGIO VILAR, EM SEU BLOG.
www.sergiovilar.blogspot.com
Revorêdo visita Dácio
"O futuro e o presente estiveram juntos hoje. O nomeado presidente da Capitania
das Artes, César Revorêdo visitou o ainda chefe da cultura natalense, Dácio Galvão
na manhã de hoje. Foram discutidas questões burocráticas e administrativas, num
exemplo de civilidade e postura democrática. E mais novidades da Capitania: para o
lugar da diretora de projetos culturais, Candinha Bezerra já foi chamado o
iluminador Castelo Casado, e para coordenar o Museu Djalma Maranhão, o nome
escolhido foi Everardo Ramos. Joenilton Tavares, hoje no Cemai, trabalhará
diretamente com César, na parte de projetos; será uma espécie de secretário
adjunto. Ilana Félix, continua na assessoria técnica. Também será mantido o nome
da coordenadora da programação de carnaval, reveillon e diretora do Teatro
Sandoval Wanderley, Ivonete Albano. A princício, Ivonete está confirmada para
organizar o carnaval deste ano. É isso. Outros nomes também já foram escolhidos.
Divulgarei aqui na medida do possível."
Tácito Costa
Data: 31/12/2008 - Horário: 00h38min
2008 por Alex de Souza
O jornalista Alex de Souza faz na sua coluna BAZAR, no portal NOMINUTO.COM
um balanço detalhado das coisas boas e ruins de 2008.
www.nominuto.com.br
Tácito Costa
Data: 31/12/2008 - Horário: 00h35min
Dois artigos de Pablo
Postei em PROSA os artigos ―O Jesus mulçumano‖ e ―O Jesus judeu‖, de Pablo
Capistrano.
www.pablocapistrano.com.br
Tácito Costat
Data: 31/12/2008 - Horário: 00h34min
ENTREVISTA/Zé Ramalho
Em entrevista a Felipe Branco, do Estadão, Zé Ramalho fala sobre o álbum que
acaba de lançar, com músicas de Bob Dylan, devolve pedradas em forma de
ataques à mídia e ao jornalismo e fala de drogas e de ETs. Leia em ENTREVISTA.
Tácito Costa
Data: 30/12/2008 - Horário: 17h03min
Ensaios
Meio enjoado de romances – ainda tentei ―Diário de um ano ruim‖, de Coetzee, já
citado em post anterior - , voltei-me nos últimos dois meses aos ensaios. Depois
dos de Isaiah Berlin, contidos em ―A força das idéias‖, mais voltados para política e
filosofia, parti para ―De poesia e prosa‖, de T. S. Eliot, traduzidos por Ivan
Junqueira. Já tinha lido alguns, conforme constato pelas linhas mais interessantes
grifadas. Releio as partes sublinhadas e leio com satisfação, notadamente, ―As
fronteiras da crítica‖. De onde pinço esse trecho: ―Há muitos anos salientei que toda
geração deve produzir sua própria crítica, pois como disse ‗cada geração traz à
contemplação da arte suas próprias categorias de julgamento, faz suas próprias
exigências artísticas e desenvolve seus próprios usos da arte‖.Ontem, li um ensaio
magnífico de Carlos Fuentes sobre Borges, contido na coletânea ―A geografia do
romance‖, com textos sobre alguns escritores, sendo que o primeiro é sobre a tão
propalada e ilusória ―morte do romance‖. Além do ensaio sobre o escritor argentino,
li o que ele escreve sobre Ítalo Calvino. Mas, este último me pareceu aquém do
italiano e muito mais aquém ainda do que ele dedicou a Borges. Nesse último,
inclusive, tem uma referência elogiosa a Machado de Assis. Gosto dos ensaios de
Fuentes, são escritos de forma apaixonada, elegante e fluente. Esse de Borges iria
agradar em cheio a Belchior Vasconcelos, que andou lendo o autor argentino – e
elogiando-o – recentemente.
Tácito Costa
Data: 30/12/2008 - Horário: 15h36min
Eis o que falta à humanidade: piedade.
Em seus Últimos Sonetos, assim cantou o admirável poeta Cruz e Souza: ―O
coração de todo o ser humano foi concebido para ter piedade‖.
Confúcio: ―Piedade e obediência, eis as raízes da humanidade‖.
S. Paulo (a Timóteo): ―Exercita-te a ti mesmo na piedade‖.
Tales
Data: 30/12/2008 - Horário: 15h31min
“Guerras, pra que te quero”
―Não há nada mais eficiente para sanar uma crise econômica, com víeis financeiro,
do que uma boa e sanguinolenta guerra.‖
De Alex Medeiros, no artigo ―Guerras, pra que te quero‖. Em PROSA.
Tácito Costa
Data: 30/12/2008 - Horário: 14h51min
"O perdão, a verdade...
Duarte velho,
o artigo é bem interessante. Quase na mesma linha, é também interessante ler "O
perdão, a verdade, a reconciliação: qual gênero?", de Derrida, onde ele discorre
sobre o perdão-incondicional, como o verdadeiro perdão e saida, inclusive em
certas questões políticas, como a dos judeus e palestinos - in "Pensar a
Desconstrução", da Ed.Estação Liberdade, SP, 2005.
Um abração e Boa Energia em 2009!!!
Ruben G Nunes
Data: 30/12/2008 - Horário: 09h51min
Os mistérios da Roberto Freire
A repórter Carla Dutra desvenda um dos mistérios da Av. Engenheiro Roberto
Freire num domingo de novembro...
Mais uma inesperada e impertinente produção Lilica Filmes!
www.historiasdajanela.blogspot.com
Adriana Amorim
Data: 30/12/2008 - Horário: 09h46min
2009 expectativas de reencantamento do mundo.
TRAVESSIA de fantasmas, fobias & fantasias entre o Recife e São Paulo, cidades
invisíveis...
1. Leitores travessos não se preOCUPEM com numerAções ritmando tambores
jamais silenciados pelas in dus tri a li za ções e aquecimentos globais.
2. O carnaval continua sendo o acontecimento multicultural dos Leões do Norte &
LEOAS DESNORTEADORAS. RecifResta/Sampa fervendo nas interfaces de
Madonna/Marina/Gal.
3. Surpreendido Fred Zeroquatro com a maestria FORRÓ na performativa
Orquestra Popular da Bomba do Hemetério. Sejamos voluntários entre signos da
carnavália mais intencional.
4. D‘Ângelo e Valéria desatando os NÓS em passos de frevo n‘roll. Evoé Baco
FLAVIOLA!
5. Melancolia dos Blocos líricos da Saudade sem DEPRESSIONISMOS. Épica
poeticidade dos maracatus energizando Nação Zumbi, Corpos Percussivos e Cordel
do Fogo visionário.
6. Projeto civilizatório na era da barbárie: todos entre o CENTRAL e o FRONTAL
com DJ Dolores, Anco Márcio, Renato L, Xico Sá e suas meninas.
7. Nossa contemporaneidade esquizo-analítica. Nossa cartografia de desejos
violentadores. FOME de TUDO nos entrelugares da economia política de penúrias
com a fartura dos micropoderes da libido.
8. A luta de classes cedendo passagem ao gozo interminável da luta corporal. O
povo-povinho-povão engolindo classes médias com fobias e fantasias atravessadas
pelo GALO da MADRUGADA.
9. A psicanalista Noemi Araujo indagando ao Chico de Oliveira: por que A NOIVA
da REVOLUÇÃO (sic) não assistiu aos filmes AMARELO MANGA, ÁRIDO MOOVIE
e AMIGOS de RISCO?
10. É preciso e urgentíssimo reler o CÃO SEM PLUMAS de João Cabral. Torcer
pela finalização do INCENSO de M. Hanois e Pedrinho Celso homenageando
Ascenso. Em transfigurações.
11. Misturar com S e X a Vocação do Recife de Frederico Barbosa com o Rassif de
Marcelino Freire. Dialogar concreções musicais do CID CAMPOS com o dionisismo
do piano de VITOR ARAUJO.
12. Os Estados Alterados do Poder, Fantasia & cia...: dramatização e mangoterapia
de Eduardo Maia: 06 de janeiro, 20h, Teatro do Parque, rua do Hospício, Recife:
para todas as cidades de Josué de Castro e Ítalo Calvino. Mais do que profecias e
mercadorias.
13. Pela força estranha da autonomia das artes, pessoas, comunidades,
linguagens. BRIC-a-breques carnavalescos. Travessias d‘A COISA (das ding).
Jomard Muniz de Britto
Data: 29/12/2008 - Horário: 20h00min
ótimo!
"equíveis" é ótimo!
João Batista
Data: 29/12/2008 - Horário: 19h31min
Revoredo fala a Sérgio Vilar
Fiquei mais animado depois que li a curta entrevista do novo presidente da
Funcarte, Cesar Revoredo, a Sérgio Vilar, onde afirma que vive uma "tempestade
de idéias" e que está pensando coisas "equiveis" para a Funcarte. Tal como Woden
fez recentemente com a palavra transversalidade, citada pela prefeita Micarla de
Souza, corri para os dicionários disponíveis na internet, mas não localizei a tal
palavra. Seria a criação dessa palavra fruto já da tempestade de idéias do
secretário?
Mas algumas coisa deve estar acordada, como o desejo de manter algum
projeto ou de executar um outro.
Ainda não. Estou numa tempestade de idéias. Tenho que pensar e apresentar
coisas equíveis. Prefiro esperar para divulgar depois, quando tudo estiver pronto,
bem pensado.
www.sergiovilar.blogspot.com
Tácito Costa
Data: 29/12/2008 - Horário: 16h46min
“O corpo e seus símbolos”
Postei em PROSA o texto ―O corpo e seus símbolos‖, de Jean-Yves Leloup,
também enviado por Duarte Guimarães.
Tácito Costa
Data: 29/12/2008 - Horário: 16h19min
Troféu Grande Ponto
O jornalista Alex Gurgel publica em seu blog os vencedores do Troféu Grande
Ponto de Cultura 2008.
www.grandeponto.blogspot.com
Tácito Costa
Data: 29/12/2008 - Horário: 16h08min
Artistas
Natal tem artistas como Geraldinho Carvalho, Rosa de Pedra, Pedrinhos Mendes,
Babau, Galvão, Cristal, Valéria Oliveira, Mirabô... E mais uma dezenas de outros
tão bons como os acima citados. Mas quando alguém quer programar um show, um
showzinho, um encontro qualquer, cuida logo de trazer gente de fora. Traz gente
pra contar piada, gente pra ler monólogo, gente pra cantar todo tipo de porcaria.
Mas nunca tem dinheiro para pagar a um bom artista potiguar. Por que? Eu
pergunto e eu mesmo respondo. Porque a burrice grassa por aqui. Porque a burrice
é nosso maior patrimônio e nossa elite cultural é pior que titica de galinha. Por isso
prefiro ficar em casa escutando meus CDs. Não saio de casa pra ouvir lixo
importado. Meus sentidos não são latrina. E eu tô num mau-humor dos diabos!
Carlos de Souza
Data: 29/12/2008 - Horário: 16h03min
Gloria ao Cineasta
Gloria ao cinema e aos seus vários estilos. Um hino ao cinema de uma grande
escola. Um grande cineasta japonês Takeshi Kitano deseja realizar um filme
definitivo. Um filme lento como os produzidos pelo eterno Yasujiro Ozu já foi feito.
Um filme violento como os de artes marciais pareceria anacrônico e já não contagia.
Talvez um filme de terror. Ou quem sabe um filme futurista. Melhor, uma historia de
amor. Uma grande atuação do ator Beat Takeshi (e seu dublê) no papel do
cineasta. Grande filme-homenagem ao grande teatro japonês e ao grande diretor
Kitano. Um hino de amor ao cinema.
Moviecom 28/12/08
João da Mata Costa
Data: 29/12/2008 - Horário: 16h03min
FELIZ ANO NOVO
Tácito,
Em 2008 tivemos a sua companhia e a companhia dos seus colaboradores e isso
foi muito agradável. Aprendi um tanto mais sobre a vida e sobre o comportamento
humano lendo o seu Substantivo. Vi desfilar por aqui sentimentos e características
nobres como a inteligência, a solidariedade, o respeito ao próximo e tantos outros,
mas também pude pressentir nas palavras lidas no seu Substantivo sentimentos e
características pouco nobres como a soberba, a prepotência, a vaidade e o orgulho
exarcebados. Mas enfim, vi um tanto de vida trafegando em seu Substantivo. Feliz
ano novo e muitos, muitos anos de vida para que possamos continuar tendo um
espaço plural imensamente singular como este.
Grande abraço. Suely Magna.
Ps. A noite aqui em Buenos Aires è pura magia. Muita boemia, muito tango, muita
poesia...tudo de bom!
Suely Magna
Data: 29/12/2008 - Horário: 16h02min
Ainda de um 2008 inesquecível
Vale o destaque para O cavaleiro das trevas também.
E o meu regresso para Natal.
Daniel Dantas
Data: 29/12/2008 - Horário: 16h02min
A máscara do governo Wilma
Tácito, segue o artigo, "A máscara do governo Wilma" sobre o atual governo.
Apenas para reflexão e debate.
Abração.
DO EDITOR
Artigo postado em PROSA.
Duarte Guimarães
Data: 29/12/2008 - Horário: 16h01min
Regalitos
O melhor filme que vi (igual ao Tácito), em 2008, foi A vida dos outros, do alemão
Florian Henckel von Donnersmarck. O filme devia chamar "Sonata para um Homem
Bom" de tão perfeito que é.
O melhor romance foi o do Tezza, redundância, eu sei, mas O Filho Eterno, de tanta
vontade ser preciso, um romance-de-relojoeiro, devia chamar Exercícios de
Crueldade.
A melhor ação para o RN foi, de longe, a regulamentação da Lei do Patrimônio
Vivo, de Fernando Mineiro. Parabéns, deputado!
A melhor releitura foi Poesias, de Paul Celan. Ed. Tempo Brasileiro, 1977. Trad.
Flávio B. Kothe.
Melhor leitura de poesia nacional foi Toda Poesia, de José Paulo Paes (Ed. Cia das
letras, 2008). E a melhor leitura de poesia estrangeira foi Violin y otras cuestiones,
de Juan Gelman, Buenos Aires, Ed. Seix Barral, 2006. Reedição fac-símile da Ed.
original de 1956.
Melhor ensaio: A Delicadeza, de Denilson Lopes (Ed. UnB, 2007).
Gustavo de Castro
Data: 29/12/2008 - Horário: 15h52min
70 anos de Vidas Secas
Caros amigos:
É muito oportuna a lembrança dos 70 anos da grande obra-prima "Vidas secas", de
Graciliano Ramos.
Algumas universidades e instituições similares do Brasil enviaram-me
correspondências sobre comemorações condignas dessa data tão importante:
1) Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil (Fortaleza e Juazeiro do Norte),
de 1º a 30 de novembro.
2) SESC e Universidade Federal de Alagoas (Maceió), de 25 a 29 de novembro.
3) Universidade Sul de Santa Catarina, dia 21 de outubro.
4) Universidade de Brasília, Universidade de São Paulo e UNICAMP, dia 3 de
dezembro.
5) Fundação Casa de Jorge Amado, dia 27 de outubro.
É possível que outras instituições públicas e privadas tenham se juntado a essas na
justa homenagem a um dos mais belos textos da literatura brasileira e universal,
filmado brilhantemente por Nelson Pereira dos Santos.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 29/12/2008 - Horário: 15h51min
Nietzsche e a ontologia
Pablo, a sua colocação de que falta a dimensão ontológica ao pensamento de
Nietzsche é muito acertada, e sem dúvida é o que o leva ao exagero e o que o
levou a sua enfermidade. O pensamento de todo neurótico é exagerado, pois
alicerçado em cima de um instinto, não conhece ponderação ou meio termo ou seja,
ou é oito ou oitenta, e Nietzsche tenta compensar essa sua tendência através da
arte, seja com a música ou com a poesia, e com certeza através da psicologia, há
uma frase sua que diz " só acredito numa filosofia, que seja ancila da psicologia", e
o próprio super homem deve ser entendido nessa vertente, como não conseguiu
essa mediação ficou pairando num mundo de fantasias que destruiu sua
personalidade. Nietzche é vitima da vontade que tudo cria, pois identificou-se com
ela, faltou-lhe a ajuda da psicologia para mediar-lhe as imagens e fazê-lo dar o salto
necessário para sua humanização.
Luis Sávio Dantas
Data: 29/12/2008 - Horário: 15h50min
Dez coisas que me lembro de 2008
Embora tenha feito já meu balanço e publicado na primeira quinzena do mês, roubo
o formato de Tácito para citar mais alguns nomes. Algumas escolhas de Tácito eu
ratificaria, como Abimael e o Cineclube, mas procurei homenagear outros:
1 - Uma leitura: Mobydick, de Herman Melville - não é lançamento, claro, mas de
longe foi o melhor livro que li este ano.
2 - Um filme: Batman, O Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan - sem medo de
errar.
3 - Um show: Benito De Paula, no Seis e Meia.
4 - Um grande acontecimento cultural no RN: a regulamentação da Lei do
Patrimônio Vivo, de autoria do deputado Fernando Mineiro.
5 – Uma instituição que merece um prêmio pela importância do trabalho e
persistência: Casa da Ribeira.
6 – Sai mas deixa saudades: Não pode ser outro senão Dácio Galvão, então, crio
uma nova sessão: Fica e deixa todos putos: Crispiniano Neto.
7 – Permanece e continua fazendo muito pela literatura: Editora Queima Bucha.
8 – Não cansei de ouvir em 2008: Despedida de Glorinha Oliveira dos palcos, para
registro; o cd Coisa de Preto, de Khrystal; e o cd Estirado no Estirâncio (ou sol sem
sombra de dúvidas), do Poetas Elétricos.
9 – Uma perda lamentável: mestre Cornélio Campina
10 – Um ganho inestimável: Museu Djalma Maranhão.
Sérgio Vilar
Data: 27/12/2008 - Horário: 17h12min
2008, o anos que partiu
tento delimitar os bordos
mortos e fugidios
o ano é ágil (morre)
sinto a falta dela
(verossemelhança)
A solidão inunda
Ela, a bela, foge.
Ditadura da lembrança
Fatos erectus
Jorram emoções
Adversas o verso
Tergiverso a dor
Não, não vá.
Em vão tento agarrar os
Cabelos do vento.
Tempo tento tempo
João da Mata Costa
Data: 27/12/2008 - Horário: 15h46min
Dez coisas que me lembro de 2008
1 - Uma leitura: Não uma, mas várias. A maior parte livros de ciência. Dos
romances, Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios, de Marçal Aquino.
Destaque para Racife, de Marcelino Freire.
2 - Um filme: Ensaio sobre a cegueira, de Meireles.
3 - Um show: Um só? É difícil. Vi shows muito bons, na minha etapa Soteropolitana:
Chico César, no Teatro Castro Alves; Zé Ramalho, na Concha Acústica do TCA;
Paulinho Moska, Zizi e Luíza Possi, no Loucos por Música; e a versão de
Soteropólis de Titãs e Paralamas juntos.
4 - Um grande acontecimento cultural no RN: gostei do crescimento dos prêmios de
jornalismo, como os da Fiern, Petrobras e da FJA. Destaco, no entanto, o Buraco da
Catita. Nota especial para o ENE, que conheci esse ano, e o Auto do Menino Deus.
5 – Uma instituição que merece um prêmio pela importância do trabalho e
persistência: o Buraco da Catita.
6 – Sai mas deixa saudades: Dácio Galvão.
7 – Permanece e continua fazendo muito pela literatura: Abimael Silva.
8 – Não cansei de ouvir em 2008: Bossa Nova, nos seus cinquenta anos. Também
não cansei de ouvir Khrystal e outros artistas da terra, assim como as homenagens
a Cartola. Nota especial para o novo CD de O Rappa. Dos melhores da discografia
do grupo.
9 – Uma perda lamentável: artista plástico Diniz Grilo.
10 – Um ganho inestimável: concordo com Tácito a respeito do Instituto de
Neurociência de Natal, que já não é nenhuma novidade, apesar do esquecimento
por parte dos colegas de imprensa.
Daniel Dantas
Data: 27/12/2008 - Horário: 15h45min
Sobre Florestan Fernandes
Caros amigos:
Existe um bom video preparado pela Cãmara de Deputados sobre o sociólogo
Florestan Fernandes:
http://www.consciencia.net:80Vale a pena.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 27/12/2008 - Horário: 15h44min
Sobre Vidas Secas
VICENTE SEREJO, NO JORNAL DE HOJE
VIDAS SECAS
Agora faço como um amigo meu quando quer resmungar seu desespero diante das
coisas perdidas: acabou que ninguém fez nada. Pois, para que não digam que nada
se fez neste 2008, 70 anos de Vidas Secas, e como é invencível o silêncio das
instituições, transcrevo a carta que Graciliano Ramos escreveu para João Condé e
publicada nos seus 'Arquivos Implacáveis', em O Cruzeiro, junho de 1944. Um texto
de próprio punho, reproduzido na edição fac-similar patrocinada pela Eletropaulo,
1988, num pequeno estojo cartonado, quando dos cinqüenta anos do grande
romance de Graciliano. Faltou o autor dizer: antes de ser Vidas Secas, a saga de
Fabiano, com sua cachorra Baleia - aquela que sonhava com preás gordos - tinha o
título de um dos capítulos: O Mundo Coberto de Penas. Nos originais que estão na
biblioteca José Mindlin - e estive com eles nas mãos - é fácil constatar:o velho
Graça riscou e, logo abaixo, escreveu: 'Vidas Secas'. Leiam a carta. Ele conta como
nasceu o grande romance.
"Terrível Condé:
Atendo à sua indiscrição. No começo de 1937 utilizei num conto a lembrança de um
cachorro sacrificado na Maniçoba, interior de Pernambuco, há muitos anos.
Transformei o velho Pedro Ferro, meu avô, no vaqueiro Fabiano; minha avó tomou
a figura de sinhá Vitória; meus tios pequenos, machos e fêmeas, reduziram-se a
dois meninos.
Publicada a história, não comprei jornal e fiquei dois dias em casa, esperando que
os meus amigos esquecessem Baleia. O conto me parecia infame - surpreendeume falarem dele. A princípio julguei que as referências fossem esculhambação, mas
acabei aceitando como razoáveis o bicho, o matuto, a mulher e os garotos.
Habituei-me tanto a eles que resolvi aproveitá-los de novo. Escrevi Sinhá Vitória.
Depois, apareceu Cadeia. Aí me veio a idéia de juntar as cinco personagens numa
novela miúda - um casal, duas crianças e uma cachorra, todos brutos.
Octávio de Faria me dissera, em artigo enorme, que o sertão, esgotado, já não dava
romance. E eu havia pensado:
- Santo Deus! Como se pode estabelecer limitações para essas coisas?
Fiz o livrinho sem paisagens, sem diálogos. E sem amor. Nisso, pelo menos, ele
deve alguma originalidade. Ausência de tabaréus bem falantes, queimadas, cheias,
poentes vermelhos, namoro de caboclos. A minha gente, quase muda, vive numa
casa velha de fazenda; as pessoas adultas preocupadas com o estômago, não têm
tempo de abraçar-se. Até a cachorra é uma criatura decente, porque na vizinhança
não existem galãs caninos.
A narrativa foi com posta sem ordem. Comecei pelo nono capítulo. Depois
chegaram o quarto, o terceiro, etc. Aqui ficam as datas em que foram arrumados:
Mudança, 16 julho 1937; Fabiano, 22 agosto; Cadeia, 21 junho; Sinhá Vitória, 18
junho; O menino mais novo, 26 de junho; O menino mais velho, 8 julho; Inverno, 14
julho; Festa, 22 julho; Baleia, 4 maio; Contas, 29 julho; O soldado amarelo, 6
setembro; O mundo coberto de penas, 27 agosto; Fuga, 6 de outubro. Dou estas
minúcias porque me dirijo a um homem curioso, que guarda convites para enterros
e cartas de cobrança.
Adeus, Conde.
Um abraço.
a) Graciliano Ramos, Rio - junho - 1944.
Tácito Costa
Data: 27/12/2008 - Horário: 09h46min
Lula Carvalho
Vale lembrar também Alex, que o Walter Carvalho é o fotógrafo do ―Boi de Prata‖ de
Augusto Ribeiro Junior, o seu primeiro longa. Em recente conversa com um amigo ,
falou que tinha interesse em restaurar o filme do cineasta da fazenda Boa
Passagem.
Augusto
Data: 27/12/2008 - Horário: 09h12min
Dez coisas que me lembro de 2008
1 - Uma leitura: Os detetives selvagens, do chileno Roberto Bolaño.
2 - Um filme: A vida dos outros. Direção e roteiro do alemão Florian Henckel von
Donnersmarck.
3 - Um show: Gilberto Gil, no Machadão.
4 - Um grande acontecimento cultural no RN: lançamento pela UFRN, de uma vez,
de 15 obras importantes da literatura do estado.
5 – Uma instituição que merece um prêmio pela importância do trabalho e
persistência: Cineclube Natal.
6 – Sai mas deixa saudades: Dácio Galvão.
7 – Permanece e continua fazendo muito pela literatura: Abimael Silva.
8 – Não cansei de ouvir em 2008: Cartola, que teve justas homenagens em seu
centenário de nascimento.
9 – Uma perda lamentável: artista plástico Thomé Filgueira.
10 – Um ganho inestimável: Instituto de Neurociência de Natal (quase ninguém se
deu conta, ainda, da importância deste centro para o RN).
Faça também a sua lista de destaques de 2008 e envie para o SP. Pode ser um,
dez ou mais indicados. Uma lista complementa a outra e no final teremos uma
média aproximada de coisas importantes que ocorreram durante esse ano que está
no fim.
Tácito Costa
Data: 27/12/2008 - Horário: 01h20min
Artigo e entrevista no Cronópios
Vale a pena conferir no portal CRONÓPIOS o texto de Affonso Romano de
Sant‘Anna, sobre a prisão da pichadora das paredes da Bienal de Arte de São
Paulo e entrevista com o poeta Manoel de Barros.
http://www.cronopios.com.br/
Tácito Costa
Data: 27/12/2008 - Horário: 00h17min
Um esclarecimento particularíssimo!
Sr. Caio Graco, só agora pude ler o seu comentário, e depois de lê-lo, resta-me
fazer-lhe alguns esclarecimentos:
Aprendi antes mesmo de cursar jornalismo na UFRN, mas já exercendo-o em Santa
Cruz, na condição de editor do Memorial Santacruzense, que é um dever do
jornalista ouvir sempre todas as partes envolvidas em uma questão.
Se o senhor porventura é jornalista e aprendeu de modo diferente, paciência. Se
não o é, está perdoado, pois sempre é tempo de aprender.
Ora, a matéria em análise apresentou apenas a opinião de um dos segmentos a
quem interessava o tema abordado na matéria, ou seja, a regulamentação em
âmbito federal da lei da meia-entrada para estudantes, regulamentação esta que
certamente pautará todas as demais leis em vigor atualmente. Será que tal fato só
interessa aos produtores de espetáculo? Os estudantes (para quem a lei estabelece
um "benefício" ) não têm nada a dizer sobre a limitação em 40% das vagas em uma
casa de espetáculo? E os artistas, estes também não devem se posicionar a
respeito?
Eu não sei se o senhor como leitor, tem esse nível de exigência, e tão pouco eu
posso exigir-lhe isso. Cada um lê como quer e pensa como quiser. De minha parte,
fiz tão somente algumas observações enquanto leitor e consumidor. É só!
Marcos Cavalcanti
Data: 26/12/2008 - Horário: 23h45min
Diário de um ano ruim
Fui vencido pela engenhosidade e conseqüente dificuldade (pessoal) de leitura do
romance ―Diário de um ano ruim‖, de J. M. Coetzee, um escritor muito bom, de
quem li praticamente tudo que foi traduzido. Ter iniciado ―Entre nós‖, de Philip Roth,
antes de concluir o livro de Coetzee foi um sinal de que a coisa não ia bem. É que
leio um livro por vez. Não começo outro sem ter acabado o que estava lendo.
Mesmo assim ainda avancei, lentamente – outro sinal de que a leitura não está me
agradando – até a página cem, num livro que tem 240 páginas. O livro de Coetzee
conta a história do relacionamento de um escritor com uma moça bem mais jovem,
que ele contrata para digitar uma série de artigos escritos sob encomenda de um
editor sobre temas atuais e polêmicos. Então, ―Diário de um ano ruim‖ reproduz
esses artigos, na metade superior da página e na parte inferior as falas, na primeira
pessoa, do professor e da digitadora, com participação, aqui e ali, do marido dela. A
forma como tudo isso foi diagramado – é provável que não houvesse outra saída –
dificulta a leitura e teve momentos em que li os artigos, adiantava, e depois voltava
para ler as intervenções dos personagens da ficção. Mas achei cansativo e
arrastado e desisti. Pensando melhor, não credito somente a isso ter desistido do
livro, penso que se a obra tivesse me empolgado mesmo eu teria ido adiante.
Tácito Costa
Data: 26/12/2008 - Horário: 16h13min
Revista Critério
Um site/blog leva a outros e assim vamos a cada dia descobrindo coisas novas e,
algumas, maravilhosas, como é a revista virtual CRITERIO
http://www.revista.criterio.nom.br/, que recomendo a todos. A revista é editada pelo
professor Marcelo Chagas.
Tácito Costa
Data: 26/12/2008 - Horário: 12h22min
Juan Gelman
JAL ¿Cómo fue tu relación con poetas que tuvieron una posición política
francamente contraria a la tuya, digamos Borges u Olga Orozco?
JG A mí nunca me ocurrió que debía negar la obra de Borges por sus posiciones
políticas, lo que no significa que hago caso omiso de su posiciones políticas por el
esplendor de su obra literaria. Es muy difícil descubrir las relaciones entre la
ideología de un autor, que es apenas una parte de su cosmovisión, y lo que
transmite su obra, su carga de lenguaje. Es muy difícil encontrar en Borges la raíces
que lo llevaron a tomar determinadas posiciones. Te contaré la anécdota que
protagonizaron dos compañeros presos bajo una dictadura militar argentina en que
todavía podían entrar libros a las cárceles. Uno de ellos le insistía mucho a otro
para que leyera Viaje al fin de la noche, de Céline. Pero el otro se resistía porque
argumentaba que él no podía leer a un autor tan fascista como Céline. Pasó el
tiempo y el dueño del libro arrancó hojas de la portada y le cambió las cubiertas. Le
prestó el libro al compañero renuente, quien luego de leer la novela declaró que era
una obra muy buena, interesante. Cuando supo quién era el autor se llevó la
sorpresa de su vida. Céline colaboró con los nazis que ocuparon Francia y escribió
panfletos antisemitas y pronazis terribles, pero en esa obra revolucionó la novela
francesa de los años treinta y expresó soledades, desolaciones y miserias que son
comunes a mucha gente Borges, por su parte, en la época más dura de la dictadura
militar, tuvo una valentía que pocos intelectuales mostraron en la Argentina, muchos
habían sido asesinados, otros estaban en el exilio y luego las condiciones de
represión eran brutales.
Do poeta argentino Juan Gelman, em entrevista publicada pela revista AGULHA.
http://www.revista.agulha.nom.br/
Tácito Costa
Data: 26/12/2008 - Horário: 12h00min
Batman
De Luiz Carlos Merten, no Estadão.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081226/not_imp299037,0.php
―Para tornar mais complexa essa questão do mercado - e dos gêneros, das
categorias -, o melhor filme do ano foi um filme de invenção (e de consumo de
massa), aliás, o maior sucesso comercial do ano - Batman, o Cavaleiro das Trevas,
de Christopher Nolan.‖
Tácito Costa
Data: 26/12/2008 - Horário: 11h30min
Morre Harold Pinter
FOLHA DE SÃO PAULO
"Um dos maiores autores de teatro contemporâneos, o dramaturgo, diretor, ator e
poeta inglês Harold Pinter, Prêmio Nobel de Literatura em 2005, morreu anteontem
à noite, aos 78 anos, em Londres.
Ele sofria de câncer no esôfago, diagnosticado em 2002. A notícia foi dada por sua
segunda mulher, a escritora Antonia Fraser, que também declarou: "Foi um
privilégio viver com ele por mais de 33 anos. Ele nunca será esquecido".
Pinter escreveu mais de 30 peças, com destaque para "Volta ao Lar", de 1964.
Também poeta, assinou ainda textos para rádio e TV, e roteiros, como "A Mulher do
Tenente Francês" (1981). Um de seus últimos trabalhos foi o roteiro do filme "Um
Jogo de Vida ou Morte" (adaptação para a peça "Sleuth", de Anthony Shaffer).
À emissora de televisão BBC o crítico de teatro do jornal "Sunday Telegraph", Tim
Walker, disse que as peças de Pinter tinham "longos silêncios, em que os
personagens nem sempre iam a algum lugar, algo bem parecido com a vida real.
Ele trouxe realismo ao teatro."
Em entrevista à emissora de TV britânica Sky News, Michael Billington, amigo e
biógrafo de Pinter, afirmou que o dramaturgo "era uma figura política, um
polemicista e empreendeu duras batalhas contra a política externa americana [...],
mas na vida privada ele era o mais leal dos amigos e mais generoso dos humanos."
Pinter nasceu em 30 de outubro de 1930, no East End londrino, filho de imigrantes
judeus. Em meados da década de 50 começou a escrever peças, sendo "O Quarto"
a primeira a ser publicada, em 1957. Um ano depois, "Festa de Aniversário" foi
montada no West End londrino, logo saindo de cartaz após receber péssimas
críticas. Foi somente com a segunda peça, "O Zelador" (1959), que se firmou como
um dos mais importantes dramaturgos do país.
No Reino Unido, Pinter era associado ao grupo Angry Young Men (jovens irados),
movimento cultural no teatro, literatura e cinema britânico de meados dos anos 50,
cujo vetor nos palcos foi o "kitchen sink drama" (drama pia da cozinha): peças que
descreviam situações domésticas da classe operária. Atualmente, sua influência
como dramaturgo é sentida nos trabalhos de Patrick Marber, na Inglaterra, e Sam
Shepard e David Mamet, nos EUA.
Em 2002, o dramaturgo se referiu à doença num poema publicado no "The
Guardian": "Células cancerosas são aquelas que esqueceram de morrer." Em 2005,
Pinter disse, em entrevista à BBC, que não iria mais escrever peças: "Acho que
parei de escrever agora, mas não parei de escrever poemas. Acho que o mundo já
teve peças minhas o suficiente."
Tácito Costa
Data: 26/12/2008 - Horário: 10h09min
Surfista Prateado
Alex de Souza escreve na sua coluna BAZAR, no portal NOMINUTO sobre o
―Surfista prateado, o Hamlet dos super-heróis‖, criado pelo desenhista Jack Kirby.
www.nominuto.com.br
Tácito Costa
Data: 26/12/2008 - Horário: 10h06min
Volonté lança hoje "Lira de Viagem"
Quem me avisa e convoca é o poeta Napoleão Paiva. Hoje a partir das 19 horas, na
Livraria Siciliano do Midway, o poeta Volonté lança o seu livro ―Lira de Viagem‖. A
obra reúne textos de autores brasileiros e estrangeiros e dois poemas de Volonté.
Tácito Costa
Data: 26/12/2008 - Horário: 10h03min
Lula Carvalho
Vale lembrar, Michelle, que o Lula Carvalho é filho de outro grande fotógrafo
cinematográfico brasileiro, o Walter Carvalho. O novo sempre vem.
Alex de Souza
Data: 26/12/2008 - Horário: 11h20min
Jesus Cristo
Postei em PROSA o texto ―O nascimento de Jesus Cristo foi resultado do
planejamento de Deus e do ―sim‖ de uma jovem‖, de Julio Severo, enviado por
Tales Costa.
Tácito Costa
Data: 26/12/2008 - Horário: 09h53min
Feliz Natal: Um filme existencial e raro
Respirar junto com os personagens e sentir na pele a dor de existir. Assim é o filme
―Feliz Natal‖, primeiro longa de Selton Melo que está em cartaz nos cinemas e em
Natal no Moviecom e Cinemark. O estar junto é a proposta do diretor ao optar por
filmar a maioria das cenas com a câmera (quase sempre em mãos) muito próxima
aos personagens, quando se dá para notar até os poros. O roteiro - escrito por
Selton em parceria com Marcelo Vindicatto – parte de Caio, personagem de
Leonardo Medeiros. Um homem de quarenta anos que trabalha em um ferro velho
no interior e sempre foi visto pela família como a peça difícil da família. Naquele
lugar cercado de sucata e sujeira, ele tenta se revisitar. Depois de ter passado pela
fase da inconseqüência, no filme mostra um homem estável ao lado de uma
companheira carinhosa e um equilíbrio que nenhum membro da família encontrou.
A história começa quando ele resolve voltar para ver como estão todos em pleno
natal. Lá encontra em cada um, na cunhada (Graziela Moretto), no irmão (Paulo
Guarnieri), nos sobrinhos, na mãe (Darlene Glória), no pai (Lúcio Mauro) e na a
sobrinha (Nathalia Dill) um quebra-cabeça para reconstruir sua própria existência.
Ele que era considerado um filho ―problemático‖ retorna e vê de perto sua mãe
abandonada, seu pai namorando com uma jovem, o irmão um inseguro e uma
família totalmente desestruturada. O mais interessante é que todos são
protagonistas e contam suas peculiaridades através do olhar e da aproximação com
o espectador, quando a câmera, como já foi dito, respira junto a dor e o sofrimento
em existir.
A fotografia de Lula Carvalho – mesmo diretor de fotografia do primeiro longa de
Matheus Nachtergaele ―A Festa da Menina Morta‖ - é primoroso e acompanha as
idéias de Selton ao ―brincar‖ com a iluminação de natal da casa onde se desenvolve
a história, quando as luzes saltam aos olhos e muitas vezes ficam mais focadas do
que o próprio personagem. A trilha sonora de Plínio Profeta é angustiante e com
apenas três acordes consegue transcender o tempo do filme e ―martelar‖ na cabeça
em doses acentuadas nos momentos de tensão da obra que não são poucos.
Uma das cenas mais belas do filme é o encontro de Mércia (Darlene Glória) com o
filho. A atriz se desnuda e consegue transmitir a solidão e o abandono de uma
maneira sublime. Tudo isso enquanto as luzes continuam acesas atrás dela e o
natal não acabou. A volta de Darlene ao cinema é um presente e sua atuação dá
arrepios de tão intensa que é a entrega.
É nítida a coragem que Selton Melo teve ao se aventurar no outro lado das câmeras
e conseguiu construir uma obra rara. Desde as imagens belíssimas feitas com a
delicadeza e o cuidado de poucos, até a maneira como a história se desenvolve. A
solidão e a dor nunca foram tão bem retratadas num filme brasileiro. E ao que
parece é o momento fértil da boa safra de novos diretores que trazem nitidamente o
olhar desfocado no caleidoscópio da vida.
Selton Melo e Matheus Nachtergaele respiram essa coragem de levarem às telas
histórias tão intensas contadas com a maestria de poucos cineastas. Desses que
nascem raramente no precário roll da indústria cinematográfica brasileira e por isso
merecem todo o respeito do mundo.
Que venha a Festa da Menina Morta... brevemente.
Michelle Ferret
Data: 26/12/2008 - Horário: 09h38min
Palmas para o moviecom ARTE
Filme de festival é filme de festival. Em geral vistos por uma pequena confraria de
cinéfilos. Aqueles caçadores de imagens, de um novo
enquadramento, um som um roteiro. Os festivais de Veneza, Cannes e outros
são templos sagrados. Alguns desses filmes nunca serão vistos pela maioria.
Poucos chegarão a cult. Temos que tentar as cinematecas e
cineclubes. Em Natal chegaram alguns desses filmes e assisti ao que foi
possível. Dos oito filmes exibidos em horário péssimo (1515h) assisti a cinco. Foram
filmes acima da média. O de hoje foi para mim o mais
hermético. ―O carregador de almas‖ é a história de um empregado chinês que se
encarrega de entregar um corpo morto em uma fábrica de construção.
Todo o filme é o caminhar desse operário com o defunto. Ele procura algum parente
do morto para entregar o corpo e não encontra. O corpo é retirado da Van e o
operário fala com ele e lhe oferece saquê debaixo de um forte
temporal, numa das cenas mais tocantes do filme. O atestado de óbito foi feito de
improviso e o importante era de desfazer do corpo sem alterar o andamento da
empresa. O operário que não pode comemorar seu aniversário
por falta de 10 yuans, será recompensado na empresa por esse serviço.
Somos o que fazemos com os nossos mortos e no filme todo o tempo o corpo não
consegue ser enterrado.
O filme israelense ―Gesto Obsceno‖ é um belo filme com um desfecho previsível.
Um gesto com um dedo da mulher do casal provocou a ira do seu
vizinho Dreyfus que quase mata a família da mulher que estirou o dedo maior de
todos. O vizinho acelera o carro e arrebenta a porta do carro da família da médica
que fez o gesto obsceno. O filme todo é a tentativa de
justiça pelos danos provocados. Ao procurar a justiça o dono do carro é
agredido pelo agressor e sua gangue. Entre uma fuga e outra o casal se hospeda
num hotel e o marido relaxado diz para a mulher: O hotel desperta na gente a libido.
Um filme tenso e com belas fotografias. Ao final o
agredido consegue matar o violento Dreyfus e sua temível gangue. A tensão
daquela região perpassa toda a trama do filme.
―Hanna sobe as Escadas‖ é um belo filme que mostra o envolvimento de Hanna
(Greta Gerwig) com dois de seus colegas de trabalho numa produtora. Hanna sofre
de insatisfação crônica e deixa um rastro de destruição com
quem ela se envolve. Não consegue subir escadas nesse filme de belos diálogos. A
humanidade é má. Ao brindarmos queremos mostrar que a bebida não contém
veneno. As pessoas dão a mão para mostrar que não estão com
armas. O amigo de Hanna tem um blog muito concorrido e ela deseja que ele seja
transformado em livro. O final com Hanna tocando na banheira com o novo
componente do triangulo amoroso é patético. Um filme americano.
O filme húngaro ―Palmas Brancas‖ mostra toda a tensão na preparação de
uma atleta ginasta para as olimpíadas num regime fechado e autoritário. O menino
sofre horrores com muitas chicotadas num adestramento para lá de fascista. Depois
ele vai trabalhar num circo e sua vida gira com o numa
montanha russa. Quando o protagonista vai trabalhar como treinador no Canadá,
sua relação com o atleta a ser preparado é tensa e preconceituosa e competitiva.
Seu inglês é horrível, diz um aluno que teima em não obedecer ao professor.
O filme The Speed of Life (30 quadros por segundo) já comentei aqui: De um
punhado de imagens roubadas monto um filme. Belo filme dirigido por Ed Ratke.
Viajar nas imagens dos outros. Ver o mundo com o olhar do outro.
―O importante não o que você ver, mas como ver‖. A vida cabe num filme em 30
quadros por segundo. Será? A tradução já denuncia o que filme pretende mostrar; A
VIDA UM FILME. Filme colagem muito bem roteirizado e sonorizado. Desde
―Cinema Paradiso‖,
muitos filmes tratam do mesmo temA. Juntar os pedaços de imagens assim como
na vida tentamos juntar o que vai ficando no caminho. A vida, como o cinema é a
arte de juntar essas imagens.
Lembranças. A arte está em como fazer. Em como ver.
João da Mata Costa
Data: 25/12/2008 - Horário: 21h21min
Instituto de Neurociências na Piauí
De Marcelo Leite, na revista Piauí, sobre experiência desenvolvida no Instituto de
Neurociências de Natal.
www.revistapiaui.com.br
―Se o experimento se confirmasse, o Instituto de Natal seria o primeiro a mostrar o
recrutamento de neurônios individuais, mais uma indicação da plasticidade do
cérebro. Ficaria provado que as mesmas células podem responder a estímulos
sensoriais de modalidades diversas, dependendo da necessidade."
Tácito Costa
Data: 25/12/2008 - Horário: 20h07min
Show do Cordel
Eu também vi o show do Cordel do Fogo Encantado. Pelo que pude perceber, a
maioria dos espectadores, formada por fàs, adorou. Independente das condições do
cantor, que me pareceu mais pra lá do que pra cá, do som ou da banda como um
todo. Não há muita distância entre fàs e fanáticos, é quase impossível o diálogo
com eles. Rock, maracatu ou seja lá o que for que o Cordel apresentou não me
agradou. Pessoalmente não gosto de shows barulhentos. Fui mais para conferir,
mas claramente era o cara errado no show errado.
Tácito Costa
Data: 25/12/2008 - Horário: 18h54min
Um pouco atrasado
Caro Tácito, o tempo é pouco para a internet, por isso sempre aproveito o feriado
pra dar uma passadinha aqui nesse blog de discussões inteligentes. Dando uma
geral nos assuntos da semana, entre uma ou outra besteira ainda discutida por
aqui, vi um assunto levantado pelo senhor Marcos Cavalcanti que gostaria aqui de
complementar. O assunto da reportagem em questão da menina da Tribuna do
Norte não era a meia-entrada para estudantes, já que esta conquista está em vigor
há muito tempo - o que é uma vitória não só para os estudantes, mas para a
terceira idade e no caso de natal, para professores! Pelo que entendi o tema da
matéria era sobre a regulamentação dessa lei em nível federal, já que ela existe em
alguns municípios apenas, e cada uma tem uma regra diferente. Enfim, não vi nada
errado na reportagem da menina. Estava corretíssima. Parabéns a ela que foi a
única a levantar essa questão. Também concordo com o que disse o artista
Henrique fontes, que era preciso fiscalizar as carteiras para quem é estudante e não
pode pagar, tenha esse direito. POr que se a regulamentação for de 40% e não
houver fiscalização, muita gente que não é estudante vai comprar os ingressos na
frente de quem precisa.
Caio Graco
Data: 25/12/2008 - Horário: 18h42min
Duas coisas
Tácito,
Tive o mesmo sentimento de regozijo quando soube da liberação do dinheiro.
Carlos Eduardo não merecia sair esganado por essa trupe de malfeitores da CMN.
Gustavo,
Duas coisas ficaram muito complicadas no show do Cordel: o som e a voz. O som
estava ruim e o cantor estava rouco. Prejuízo do público.
Daniel Dantas
Data: 25/12/2008 - Horário: 18h41min
Coletânea de Poesia como projeto editorial
Aceito de bom grado o convite do Alex de Souza para compilar livremente dez
poemas de um poeta potiguar. Vou começar minhas pesquisas amanhã mesmo
para contribuir. Seria bom se outros amantes da poesia aceitassem esta bela idéia:
uns editando os outros.
Gustavo de Castro
Data: 25/12/2008 - Horário: 16h39min
Derrota da banda podre da CMN
Gostei de ler a edição online dos jornais hoje e saber que o STF liberou os R$ 40
milhões retidos da Prefeitura de Natal, bloqueados devido ação popular movida pelo
vereador Enildo Alves. Recursos oriundos da cessão da conta da PMN ao Banco do
Brasil. O Ministério Público Federal também foi favorável à liberação. Admito que
existiam dúvidas acerca do acordo do banco com a prefeitura. Dúvidas que foram
transformadas em ações revanchistas por vereadores sem mandato a partir de
janeiro e alguns indiciados por corrupção devido a Operação Impacto. Esses
poucos vereadores, aliados aos jornalistas que apóiam a nova prefeita, numa
aliança esquisita, tentaram e conseguiram, em parte, desgastar a imagem do
prefeito. Que se não fez uma grande administração, tendo se limitado ao feijão com
arroz, não merecia sair da prefeitura sem pagar os salários de dezembro dos
funcionários, devendo aos fornecedores e enfrentando uma grave na coleta de lixo,
três coisas que afundam qualquer administração. O que estava em jogo no episódio
não era a moralidade, quem conhece os vereadores sabe que eles jamais se
preocuparam com isso em seus mandatos, mas ressentimentos, ódios e o desejo
de destruir politicamente o prefeito. Felizmente, a banda podre da câmara foi
derrotada. Vamos aguardar, agora, o desfecho da eleição naquela casa, onde um
dos indiciados é forte candidato à presidência, com apoio público do vice-prefeito
Paulinho Freire. O que me preocupa mais é o silêncio da prefeita Micarla de Souza.
Todos esperamos que ela tome uma posição clara contra essa nefasta candidatura,
sob pena de começar muito mal a sua gestão.
Tácito Costa
Data: 25/12/2008 - Horário: 12h57min
Millôr Fernandes
De Millôr Fernandes em entrevista à revista BRAVO.
http://bravonline.abril.com.br/conteudo/literatura/livrosmateria_407204.shtml
A cultura escrita está perdendo prestígio no mundo inteiro. Isso é ruim?
O volume de escritos está numericamente maior e percentualmente menor. Com a
internet, cada um tem seu blog, e, quando há um volume muito grande de gente
praticando, tudo se abastarda. Quando se deliberou que não haveria mais métrica e
rima na poesia, toda senhora de 50 anos começou a fazer poesia. Hoje o marketing
é violento. Quando o cara consegue explodir, como o Paulo Coelho, está feito: nada
faz mais sucesso que o sucesso. Eu só li um livro dele, um com nome árabe [O
Zahir]. Outro dia ele disse que não liga para o que os tradutores fazem com seus
livros. Pô, o tradutor só pode melhorar aquilo! Mas vai melhorar o Guimarães
Rosa...
Tácito Costa
Data: 25/12/2008 - Horário: 12h00min
A salvação de alguns
Tácito, gostaria de tornar público, através do Substantivo Plural, a minha indignação
com alguns eventos religiosos da cidade. Bom, é sabido que quando o assunto é
atividade de bairro, nem todos os interesses são atendidos, então não seria
diferente com aqueles promovidos por paróquias. Pelo menos, não foi, no meu
ponto de vista, no caso do final de semana passado, aonde algum evento (não sei
qual) era promovido na Igreja Santa Terezinha em Petrópolis/Tirol. Não sei se
aqueles que estavam no evento lembravam, mas naquele quarteirão se encontram
dois hospitais, aonde o silêncio para os pacientes é imprescindível. Chegaram todos
fazendo 'buzinaço', em vários carros, inclusive desrespeitando várias normas de
segurança no trânsito, ao se sentarem nas janelas dos carros, deixando meio corpo
de fora, ou ao aglomerarem na parte de trás de caminhonetes. Eu imagino que o
barulho realmente tenha incomodado já que eu presenciei o acontecido do 15º
andar do último prédio do quarteirão, então imagine para os hospitais, que são mais
próximos...eu estava com uma câmera e peguei, infelizmente, só o finalzinho e
postei aqui no Youtube: http://br.youtube.com/watch?v=yHouzxZhPJ4
Pedro Fiuza
Data: 25/12/2008 - Horário: 10h37min
Bonvicino detona Madonna
Leia no link abaixo texto demolidor de Régis Bonvicino sobre Madonna. Cheguei a ele depois de ler
trechos no site de Ailton Medeiros www.ailtonmedeiros.com.br
http://ultimosegundo.ig.com.br/opiniao/regis_bonvicino/2008/12/13/madonna+e+um+lixo+3208158.html
Tácito Costa
Data: 24/12/2008 - Horário: 19h41min
Talvez
Oi Luis, eu ainda não sou Doutor (talvez um dia, quem sabe?), e mesmo que
realmente não dê para evocar o Doutor Fausto, talvez a gente possa pedir uma
ajuda ao Mefistófeles (quem sabe ele entenda algo de ética).
O paradoxo que Heidegger apontou em Nietzsche é o de que se você se entrega a
vontade de viver você morre.
A vontade de potência não leva o homem a superar os antigos valores e substituir
por novos porque falta a ela uma reflexão sobre o Ser (a tão falada "dimensão
ontológica do pensamento"). A vontade de poder pura e simples, desprovida dessa
base, leva ao nada, porque no mundo das formas, vida e morte são a mesma coisa.
Aquilo que te compõe, também te despedaça. Esse é o fluxo. (hard core, não é?)
"o deserto cresce, a terra devastada se expande"
Pablo Capistrano
Data: 24/12/2008 - Horário: 19h36min
"Entre nós"
De Milan Kundera para Philip Roth, no livro ―Entre nós‖ (ensaios e entrevistas), que
ganhei de presente de natal e estou lendo:
―A burrice das pessoas vem de elas terem uma resposta para tudo.A sabedoria do
romance vem de ele ter uma pergunta para tudo... O romancista ensina o leitor a
compreender o mundo como uma pergunta. Nessa atitude há sabedoria e
tolerância. Num mundo baseado em certezas sacrossantas, o romance morre. O
mundo totalitário – seja ele baseado em Marx, no islã ou em qualquer outra coisa –
é um mundo de respostas e não de perguntas. Nesse mundo o romance não tem
lugar. Seja como for, creio que em todo o mundo as pessoas hoje em dia preferem
julgar e não compreender, responder e não perguntar, de modo que a voz do
romance é difícil de ouvir em meio a toda a tagarelice insensata das certezas
humanas.‖
Tácito Costa
Data: 24/12/2008 - Horário: 19h19min
O PRESÉPIO e O MENINO
O menino acordou bem antes do sol nascer. A escuridão do fim da madrugada não
assustava o menino que até pouco tempo tinha medo do escuro. Esse ano não teve
medo. Dizem que de um ano para outro muitas coisas mudam. E mudou mesmo. O
medo se foi. Até o medo de ficar sozinho na sala com o presépio desapareceu. Os
personagens ali o assustavam demasiadamente e, aos cinco anos, sua imaginação
lhe impunha mais medo que prazer. Mas agora tudo havia mudado. Estava mais
velho.
O menino estava com seis anos e já podia conter, embora nem sempre, sua
imaginação. E se não gostasse do que estava imaginando, fechava os olhos
espremendo-os e trincando os dentes, enquanto cerrava os punhos. Todo o esforço
lhe distraia, fazendo com que esquecesse o que estava pensando. Passado o
susto, entretanto, punha-se novamente a pensar e embarcar em novas aventuras,
novas explorações da imaginação. O menino era tão criativo que sonhava acordado
e também dormindo. Neste dia de natal sonhou e imaginou muito.
Sem acender qualquer luz, o menino saiu de seu quarto na ponta dos pés cuidando
para não acordar seu irmão de oito meses que dormia no berço ao lado de sua
cama. Se o acordasse não ficaria impune. Portanto, foi cuidadoso.
Abriu a porta do quarto delicadamente para permitir apenas que seu pequeno corpo
passasse. A casa estava tão escura quanto no interior do quarto. Apenas as luzes
que adornavam a árvore de natal produziam alguma claridade. Podiam ser vistas no
final do corredor, iluminando a descida para escada, quebrando assim o breu
absoluto da madrugada. Até onde o corredor dobrava e a escada começava, havia
quatro quartos e dois banheiros. O caminho era longo até a escada, mas o menino
vestido com seu pijama do batman e meias grossas prosseguiu tateando pelas
paredes, passo-a-passo, sempre com a perna esquerda a liderar. Seguiu assim até
o final do corredor. Procedeu da mesma forma ao descer a escada. Lento e sutil.
Segurou firme o corrimão com suas pequenas mãos. Lentamente a escuridão
transformou-se em penumbra, e a sala de visita podia ser vista sem maiores
dificuldades.
A primeira visão foi da árvore com suas luzes piscando e trocando de cores. Bolas
vermelhas imensas e a guirlanda que lia Merry Christmas o puseram em transe. Ao
redor, no chão, os presentes esparramados engoliam toda a base da árvore. Ao
lado, um presépio enorme onde os bonecos se mexiam, e o menino Jesus era
retirado do feno fresco e posto na manjedoura.
O menino pôs as mãos gordinhas sobre a boca e viu-se ao lado dos personagens
que cercavam Jesus. Passou a ser um dos personagens. Estava ali no centro do
estábulo testemunhando aquela criança crística berrar sem consolo. Cercado por
ovelhas e cabras, olhava o bebê Jesus chorar sem parar enquanto os outros
personagens olhavam para o menino desconfiados. Jesus chorava forte, mas
ninguém se movia. Percebeu também que as cabras e ovelhas também passaram a
observá-lo.
Sem resistir, o menino lançou-se sem medo em direção ao menino Jesus, tomoulhe para si, e o confortou com segurança contra seu peito de criança. Sentou-se.
Jesus silenciou. Todos silenciaram. De cima, observou os anjos cantando e
anunciando a chegada do filho de Deus.
Contra seu pequeno corpo o menino sentiu o calor do corpo do bebê Jesus. Seus
corações devidamente alinhados batiam harmonicamente um contra o outro. O
menino desta vez começou a choramingar. Choramingou muito, mas o bebê Jesus
continuou silente e a dormir.
O Choramingo acordou os pais do menino que foram até o quarto, abriram a porta
sem preâmbulo e observaram o menino ainda dormindo segurando seu pequeno
irmão contra o peito, sentado no chão, encostado contra o berço. Eles dormiam,
embora o menino choramingasse em seu sono.
Charles M. Phelan
Data: 24/12/2008 - Horário: 19h00min
Na defesa de Madonna e Suzana Vieira
ô Levino, o que vc tem contra a terceira idade?
Gustavo de Castro
Data: 24/12/2008 - Horário: 18h15min
Artistas natalenses e do mundo
Caros amigos:
A fala de Alex Gurgel sobre os pagamentos a diferentes artistas merece atenção. É
melhor que os artistas locais recebam boa remuneração.
Prefiro que os artistas e o público locais convivam também com os artistas de fora
porque são faces diferentes (sem hierarquia) do campo artístico. Seria péssimo,
para o público potiguar, nunca assistir a apresentações de bons artistas de outras
cidades ou de outros países, sem que isso diminua o respeito aos artistas locais.
Imagino o que significou para tantos ter assistido a Baden Powell ou Paulinho da
Viola. Imagino o que significa para tantos poder asssistir a Mônica Salmaso ou Edu
Lobo.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 24/12/2008 - Horário: 18h14min
Cordel desencantado
Pode ser o fato de Lirinha estar sem voz, mas não vi graça alguma no Cordel do
Fogo Encantado, ontem, no anfiteatro do Campus. Já havia escutado os cd's e lido
sobre a poesia e a hipnose do seu astro principal, por isso tive ainda mais
curiosidade de ver. Deve ser p.q. estou ficando velho, não tem outra explicação.
Perdão se ofendo o gosto de algum leitor deste SP, mas prefiro a poesia do Lirinha
ao Cordel enquanto grupo musical. E olhe que tinha tudo para gostar, já que eles
exortam o tempo todo à cultura afro-brasileira, mas o caso não é este, para mim,
falta arranjo, às vezes, durante o show, achei que faltava ensaio, sem contar que o
Lirinha adota mais uma postura messânica do que de cantor, bom, mas ele é
poeta...Deixa pra lá...
Gustavo de Castro
Data: 24/12/2008 - Horário: 18h13min
Em defesa dos autos
Não tenho essa visão de Alex Gurgel, que coloca o Carnatal e os autos natalinos no
mesmo saco. Penso que são coisas bem diferentes. Acho que os espetáculos são
bem feitos e oportunos, tanto é que atraem sempre um bom público. Independente
de artistas de fora. No tempo de Woden na FJA o ―Presente de Natal‖, realizado em
frente ao Palácio Potengi, sempre atraiu uma boa quantidade de pessoas e não
tinha artista de fora. Outro aspecto interessante desses autos é que utiliza os
artistas locais. E não são de terceira categoria, vejo aí exagero e rigor excessivos
na avaliação. De fato, os autos são sazonais e nem poderia ser diferente, mas não
são atos culturais isolados. Quem participa são atores, músicos e bailarinos que
mantém atividades regulares em suas companhias ou oriundos das escolas
artísticas da cidade. Quanto à questão dos cachês diferentes entre os cantores de
fora e os daqui essa é uma questão polêmica e difícil de resolver. Acho que em
qualquer cidade do mundo, pelo menos na maioria, os que fazem mais sucesso no
tal mundo artístico ganham bem mais. É assim que funciona. Se é justo ou não são
outros quinhentos. Se Valéria ou Pedro Mendes fizerem um show em Santana do
Matos certamente que o cachê deles será quinze ou vinte vezes maior do que o
artista santanenses convidado para abrir o show.
Tácito Costa
Data: 24/12/2008 - Horário: 17h37min
Um natal pra turista besta ver
De Alex Gurgel em www.grandeponto.blogspot.com
"A carnavalização natalina da Capital Potiguar acaba hoje com o show do grupo
pernambucano Cordel de Fogo Encantado, no Anfiteatro da UFRN. Enquanto os
artistas estrangeiros ganham espaço e muita grana com as apresentações, os
artistas da terra são relegados ao segundo escalão musical, fazendo esteira
(quando são convidados) para as apresentações principais.
No gramado do Machadão, com a direção de Lenilton Teixeira, trilha sonora de
Joca Costa (música de Valéria Oliveira, Simona Talma e Luiz Gadelha), o Auto de
Natal mostrou o texto de Marize Castro, ―A Face Feminina de Deus‖, durante dois
dias, atraindo um público médio de 40 mil pessoas (segundo a mídia local).
Toda a concepção do ―Auto de Natal‖ foi feito por artistas potiguares, mas se não
fosse o peso das atrações nacionais como Elba Ramalho, Fagner, Simone, entre
outros, o teatro ao ar livre teria sérias chances de não ter público. Com atores de
terceira categoria, o espetáculo dublado não empolgou ninguém e nada trouxe de
concreto para se fixar como atração para os próximos anos.
Essa política de eventos sazonal é chamada de ―cultura‖ pelos cadernos
especializados da nossa imprensa, que não têm a menor vergonha em publicar os
releases distribuídos pelas instituições governamentais, que alimentam algumas
redações incultas, como se esses eventos transmitissem conhecimentos de raiz,
levando o público a uma reflexão.
Mesmo ganhando 10% do que receberam os artistas nacionais, os potiguares
Jubileu, Glorinha Oliveira, Geraldo Carvalho, Galvão Filho, Khrystal e Lane Cardoso
farão um show amanhã (24), no Anfiteatro do Campus, fechando o ciclo circense
desse natal em Natal, promovido pela Fundação José Augusto. Apesar do timaço
de músicos, este blogueiro duvida muito que o show possa atrair esse mundaréu de
gente.
A concepção do ―natal em Natal‖, idealizado pelos gestores culturais, começou no
início de dezembro com o famigerado Carnatal, seguindo com alguns eventos pra
turista besta ver e tem seu desfecho na Praça do Campus com o show da galera
potiguarina, que se contentam calados com as migalhas governamentais."
Tácito Costa
Data: 24/12/2008 - Horário: 17h17min
Sobre a tagarelice
No blog do filósofo Roberto Romano.
http://robertounicamp.blogspot.com/
"De fato, quem fala demais corre o risco de dizer o que não deve. Mas a tagarelice,
segundo Plutarco, não é só um desejo desmedido de falar; oculta algo mais
profundo, a incapacidade real de ouvir. Fala-se muito para não escutar os outros e,
talvez, para não escutar a si próprio." Regina Schöpke.
Tácito Costa
Data: 24/12/2008 - Horário: 13h55min
Madonna
De Rodrigo Levino no www.adeuscolumbus.com
"Não, eu não fui ao show da Madonna. A verdade é que acho essa senhora - sim,
ela já goza a sua melhor idade, para ficarmos num eufemismo - um tanto caída e
cafona. Convenhamos, a diferença entre ela e Susana Vieira é que uma dança
melhor que a outra, mas, no geral, são pessoas que deixaram de ser artistas (época
em que mereciam algum respeito) há muito tempo e tornaram-se celebridades.
Obviamente, encaixadas (sem trocadilhos) nesse grupo, sobrevivem de factóides
reproduzidos por uma imprensa reverente e sem o menor senso, eu diria que não
de iconoclastia, mas de apuro crítico, mesmo, entende? Faz décadas que o trabalho
de Madonna deixou de ser importante, então qualquer interesse que você tenha por
cultura pop, música em último grau, torna-se um oxímoro caso haja interesse pelo
que ela faz hoje em dia, que é, basicamente, prostituir bons produtores e tentar soar
moderninha, além produzir coisas inconsistentes a três por quatro (Cabala, visita a
Israel, excesso de fitness, traições, separação), amplificadas pela indústria da
fofoca. Mesmo discos como o Confessions on a Dance Floor, que podem ser
considerados relevantes do ponto de vista musical, poderiam ser feitos por qualquer
garota de quinze anos, muito mais sexy e cheia de vitalidade - é diferente de
excesso de malhação - nas mãos de um bom produtor musical. Escândalo por
escândalo e música pop bem feita, Britney Spears produz com muita classe.
Madonna, inclusive pelo deslocamento que há entre idade e atitude, virou um bibelô
desses que a gente ganha da avó e guarda pro resto da vida para lembrar de uma
época. No geral, é preferível que se ponha o disco em casa e vá ouvir Material Girl
e Like a Virgin, ao invés de rargar-se diante de, repito, uma senhora que difere
pouco do life style de Susana Vieira, que a essa altura ao invés de estar lidando
com o luto por exus do brejo drogados da baixada, poderia estar cuidando dos
netinhos em casa. Poderiam aprender a serem relevantes pela conservação de
fatos passados e pela postura digna das pelancas que exibem, como Virginia
Westwood, não?‖
Tácito Costa
Data: 24/12/2008 - Horário: 13h48min
Fim de ano
De Sheyla Azevedo em seu www.bichoesquisito.blogspot.com
"Todo ano é sempre a mesma coisa também, no quesito fazer listinhas para
melhorar o ano que está chegando. Confesso que não gosto muito das listas porque
elas tendem a limitar o campo de visão da gente."
Tácito Costat
Data: 24/12/2008 - Horário: 13h42min
O Cristo de Pasolini
De Moacy Cirne, no www.balaiovermelho.blogspot.com
"Será que, na história do cinema, existirá filme mais belo e expressivo sobre a vida
de Cristo do que O evangelho segundo São Mateus, realizado pelo marxista Pier
Paolo Pasolini? Acreditamos que não. O filme do cineasta italiano, produzido nos
anos 60, continua insuperável em sua beleza quase minimalista, com sua fotografia
crua, com seus atores não-profissionais, com sua narrativa clara e límpida. Nunca
um Cristo foi tão humano, religioso e verdadeiro - e tão essencialmente Cristo quanto aqui, em seu despojamento histórico, em seu despojamento ontológico. E
mais: em seu despojamento cinematográfico. Uma obra-prima, simplesmente."
Tácito Costa
Data: 24/12/2008 - Horário: 13h28min
César Revoredo na Funcarte
O artista plástico e proprietário de uma galeria de arte César Revoredo será o novo
secretário da Funcarte. Não houve surpresa na indicação. Os jornalistas que
cobrem os passos da prefeita Micarla de Souza davam como certa a escolha.
Segundo os blogs de política, ele participou do programa (até agora secreto) para a
cultura da prefeita. Portanto, temos de aguardar que o programa e as idéias do
novo secretário sejam conhecidas para uma avaliação justa. Antes disso, é
prematuro um pré-julgamento. O que podemos adiantar é que César, escolha
pessoal da prefeita, se encaixa no perfil empresarial que ela defende para
administrar a cidade. Natal, conforme já deixou claro a nova prefeita, será
administrada como uma empresa. Vamos ver no que isso vai dá. Com relação a
Funcarte, para além das idéias e boas intenções de quem quer que fosse indicado,
uma coisa é certa, sem o apoio direto do prefeito não se faz nada. A notória má
vontade das demais secretárias com relação à cultura, a falta de orçamento ou
orçamentos insignificantes e a burocracia são entraves insuperáveis. O desafio de
César Revoredo não é pequeno e as comparações com o trabalho realizado nos
últimos anos serão inevitáveis.
Tácito Costat
Data: 24/12/2008 - Horário: 13h21min
Poesia
aí, tácito
devia ter uma lei mandando todos os blogs da província publicar miguel cirilo três
vezes por semana.
Vou deixando uma sugestão editorial para o blog: já que temos tantos poetas e
leitores de poesia passeando por aqui, convide alguns a publicarem algumas
seleções temáticas com, sei lá, 10 poemas. O desafio é segurar o ego e indicar
obras dos outros.
abraços natalinos.
Alex de Souza
Data: 24/12/2008 - Horário: 13h16min
Pastoris clássicos
Prezado João da Mata:
Sempre lembro com especial emoção de uns versos transmitidos a mim por Dona
Nazaré de Souza, trecho de Pastoris de sua infância:
―Enchei os pobres da terra dos prazeres mais profundos
porque nasceu Jesus Cristo
para a redenção do mundo‖.
E de uma despedida de Pastoril pernambucano:
"Às quatro horas da manhã
quando vem rompendo a aurora
os anjos cantam no céu
e as pastorinhas vão embora".
A poesia está aí.
Abraços:
Marcos Silva
Data: 24/12/2008 - Horário: 13h16min
Auto de Natal
A jornalista Michelle Ferret faz uma avaliação, no VIVER da Tribuna do Norte
www.tribunadonorte.com.br, sobre o auto de natal promovido pela FJA, que, no
geral, coincide com a minha. Duas coisas me chamaram a atenção no texto dela.
Ela reclama, com razão, da repetição do boi no auto, e pergunta se a cultura
popular não tem outras alternativas. Perfeita a observação. O segundo ponto, no
qual eu discordo, é sobre a parte do assassinato das crianças por Herodes. Ela
achou a cena excessiva. Pode até ser excessiva, mas o episódio em si é tão forte
que não vejo como amenizá-lo.
Gostei muito dos comentários de João da Mata. Ele traduziu muito bem o espírito
dos dois autos. Assino embaixo dos textos dele.
Tácito Costa
Data: 24/12/2008 - Horário: 12h17min
“Agenda para um novo ano”
―Quando ceticismo e auto-ironia se encontram na mesma encruzilhada da história,
como sucede presentemente, não cabe lugar para atitudes excessivamente
ousadas‖.
De Nelson Patriota, em sua coluna, na crônica ―Agenda para um novo ano‖.
Tácito Costa
Data: 24/12/2008 - Horário: 11h06min
Procissão
Blog de Ricardo Noblat publica poema de Zila Mamede.
Zila Mamede
Quando vem a procissão
no seu passo de perdão,
Alcaide, comendador
dominam povo e andor
Cada grupo de irmandade
empunhando uma verdade:
A das Filhas-de-Maria
virgindade em romaria
Do SSmo Sacramento
vermelha de emproamento
Do Senhor Jesus dos Passos
roxo em santos e devassos
Irmãs da Ordem Terceira
terço em mãos de camareiras
Os meninos da Cruzada
fome na barriga inchada
A Banda da Prefeitura
solo e soldo de amargura
Estandartes, confrarias
escondem velhacarias
O Santo vai carregado
pelos donos do mercado
E o povo segue inocente
descalço, nu, paciente:
- A compacta multidão
carente de Deus e pão
Tetê Bezerra
Data: 24/12/2008 - Horário: 10h52min
“A Festa do Menino Jesus”
A Festa do Menino, com texto de Racine Santos e direção de João Marcelino,
é um espetáculo grandioso. Não dar para comparar um espetáculo com outro
nem muito menos tentar colocar Prefeitura contra Governo do Estado. Os
dois são bons e com concepções diferentes.
O espetáculo apresentado na Concha acústica da UFRN é um poema Sinfônico e
teve as melhores condições para ser executado. Bom texto, Figurinos,
cenários móveis e Música. Uma grande poema sinfonico do mestre Danilo Guanais.
Um
teatro de arena maravilhoso com excelente acústica. O que menos aparece
nesse espetáculo é o texto popular e rimando de Racine. Um texto clássico,
sem muitas novidades. A história contada por Mateus, Birico e o Mestre,
personagens do Bumba Meu Boi é uma boa sacada. O Casal de retirantes José
e Maria, vindos do Seridó, para ter o filho em Natal é comovente.
Grandiosa a encenação de nascimento do cristo. As ondas do mar e os
efeitos cenográficos são maravilhosos. Muito bom os dois telões contíguos
com a tela central iluminada e com efeitos eletrônicos em movimentos
muitos bonitos. Tudo o que o texto do Racine podia ter de melhor para a
sua execuç