e-Terra Elementos sobre Epistemologia da Geologia: uma

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e-Terra Elementos sobre Epistemologia da Geologia: uma
Revista Electrónica de Ciências da Terra
Geosciences On-line Journal
e-Terra
http://e-terra.geopor.pt
ISSN 1645-0388
Volume 6 – nº 2
2008
GEOTIC – Sociedade Geológica de Portugal
_________________________________________________________
Elementos sobre Epistemologia da Geologia: uma contribuição no
Ano Internacional do Planeta Terra
Epistemological Fundamentals of Geology: an account in the
International Year of Planet Earth
EDITE BOLACHA – [email protected] (LabGExp, Centro de Geologia da Faculdade de Ciências da
Universidade de Lisboa, Portugal)
RESUMO: Seguindo uma perspectiva histórica, revelam-se princípios filosóficos e metodologias inerentes
à construção do conhecimento geológico, não raras vezes apresentados como inquestionáveis, mas que
terão sido estabelecidos durante anos de debate e trabalho científico. Muitas questões ainda se colocam e
a emergência e evolução de teorias globalizantes, como a Tectónica de Placas, fazem repensar e apurar os
princípios e metodologias das actuais Geociências, cuja relevância se destaca na Terra Global, em que o
paradigma Sustentabilidade se apresenta como a solução para problemas de diversa índole.
PALAVRAS-CHAVE: Epistemologia da Geologia, AIPT, Sistema Terra, Raciocínios Geológicos, Métodos
Geológicos.
ABSTRACT: Following an historical perspective, the main philosophical principles and methodologies
inherent to the geological knowledge creation are addressed in order to show the fundamentals of an
evolution rooted in long-term debate and scientific work. Many questions are still open and recent
advances in global theories, as Plate Tectonics, put in evidence the need to go deep in second thoughts.
This justifies the re-appraisal and improvement of the common principles and methodologies used in
Geosciences, whose relevance is outstanding in Global Earth, where the Sustainability paradigm
emerges as a solution for problems of miscellaneous nature.
KEYWORDS: Epistemology of Geology, IYPE, Earth System, Geological Reasoning, Methodology of
Geology.
1. INTRODUÇÃO
A IUGS/UNESCO dedicou o triénio 2007-2009 às “Ciências da Terra para a Sociedade” e,
neste contexto, 2008 foi proclamado pela Assembleia-Geral das Nações Unidas como o “Ano
Internacional do Planeta Terra” (AIPT). Os diversos eventos integrados nesta iniciativa decorrem
até 2009, procurando: a) chamar a atenção para os problemas que afectam o Planeta em que
vivemos; e b) sensibilizar a Sociedade para a importância vital do conhecimento geocientífico na
resolução dos numerosos problemas (identificados e que se antecipam) relacionados com o
desenvolvimento sustentável (http://www.yearofplanetearth.org).
Foi justamente há 100 anos que Frank Taylor, glaciologista americano, propôs a hipótese da
Deriva dos Continentes para explicar a formação das montanhas asiáticas e europeias, a qual
viria a ser publicada em 1910 (Wagner, 1991). Um ano e meio depois, como é do conhecimento
geral, Alfred Wegener, um meteorologista alemão, propunha a Teoria Unificada da Deriva dos
Continentes, porque fundamentada com argumentos de natureza interdisciplinar. Comemora-se
também em 2008 o centenário do nascimento de Tuzo Wilson (1908-1993), cientista que, em
meados dos anos 60 do século XX, estabeleceu alguns conceitos chave subjacentes à Teoria da
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Tectónica de Placas, teoria que permite explicar fenómenos geológicos tão distintos e
aparentemente sem relação como o vulcanismo, as cadeias de montanhas ou os sismos
(Mattauer, 1998). Para além do seu valor conceptual, a Tectónica de Placas deu assim um
importante contributo ao desenvolvimento da epistemologia das Geociências (Marques, 1998),
fornecendo uma visão integrada e interdisciplinar da Terra.
Atribui-se a Tuzo Wilson o mérito de ter demonstrado que algumas bacias oceânicas
apresentam uma história cíclica de abertura, expansão e fecho, seguida de colisão continental e,
posteriormente, de abertura de novos oceanos (Wilson, 1966), estabelecendo o que mais tarde
viria a designar-se por ciclo de Wilson; modelo que confere uma dimensão evolutiva ao
tradicional ciclo das rochas (Fichter & Poche, 2001). Integrando este ciclo na Tectónica de
Placas, é possível narrar a história da Terra, comprometendo as diversas valências do
conhecimento geocientífico numa explicação multi- e interdisciplinar dos processos responsáveis
pela génese dos principais objectos de estudo da Geologia, porque constituintes fundamentais: os
minerais e as rochas.
A procura de teorias explicativas sobre a dinâmica da Terra representou sempre um dos
maiores desafios para os geólogos. Para isso terão utilizado métodos e princípios orientadores da
investigação comuns aos restantes ramos da Ciência, para além de outros que, específicos e
perfeitamente adequados aos seus objectos de estudo, desenvolveram e ajustaram desde a
individualização da Geologia até hoje. Por outro lado, à medida que as teorias da Terra se foram
consolidando e foi sendo reconhecida a importância do conhecimento geológico para a resolução
de problemas relacionados com o progresso da Civilização e o bem-estar da Humanidade (como
sejam os que advêm da exploração dos recursos geológicos e da caracterização das perigosidades
naturais), aumenta a necessidade de introduzir, debater e utilizar esses métodos e princípios nos
sucessivos estádios de instrução básica de qualquer cidadão. Justifica-se, assim, a sua inclusão
nos curricula oficiais, principalmente a nível do Ensino Secundário, situação que se concretizou
recentemente em Portugal. Com efeito, o acréscimo de conteúdos de Geologia nos novos
curricula do Ensino Secundário, acompanhado da individualização desta componente na
disciplina bienal de Biologia e Geologia, prova a assumpção de que, para além do conhecimento
de conteúdos, torna-se relevante o conhecimento das metodologias da Geologia, fundamental à
resolução consciente e crítica de situações-problema de carácter multi-, inter- e transdisciplinar.
Neste sentido, verifica-se uma tendência para que os assuntos sejam abordados cada vez mais
sob perspectivas sistémicas, que incluem a multi-, a inter- e a transdisciplinaridade (e.g. Orion,
2001; Mayer, 2001; Mateus, 2001), quer para compreender e mitigar os problemas globais
colocados em destaque pelos objectivos do AIPT, quer para analisar e conhecer a dinâmica da
Terra, que se afigura como determinante na resolução dos problemas referidos. É aqui que as
Geociências atingem um protagonismo nunca antes assumido, devido ao seu carácter de síntese e
interdisciplinar, que adquiriram (Frodeman, 2001) por meio das Teorias Unificadoras da Terra
como a Tectónica de Placas e o estudo da Terra como um Sistema Aberto [internamente (auto-)
organizado e sujeito a transformações cíclicas que, movidas por fluxos de matéria e energia, são
indissociáveis da sua evolução]. Este novo entendimento da Terra, leva-nos a uma reflexão do
que foi e é a Geologia, ou seja, da sua epistemologia (ibidem), incluindo métodos e princípios
orientadores, bem como os propósitos que a individualizaram e consolidaram enquanto domínio
autónomo do Saber.
(…) o problema do conhecimento da Natureza não se pode dissociar do problema da
natureza do conhecimento.
Edgar Morin, 1977
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2. PRINCIPAIS ASPECTOS DO PENSAMENTO GEOLÓGICO
A fundação conceptual efectiva da Geologia terá ocorrido entre 1780 e 1830 (Laudan, 1987),
tendo tido, desde esse período, um desenvolvimento significativo mas atingindo renovada
expressão no século XX, principalmente através da proposição da Teoria da Tectónica de Placas.
De acordo com Allègre (1999), poucas disciplinas experimentaram durante o mesmo período
(vinte anos) uma transformação tão radical nos seus modos de pensar, nos seus conceitos e nos
seus métodos de aproximação às realidades naturais. Todavia, Laudan (1987) considera que
muitos dos problemas básicos debatidos no “período clássico” continuam a sê-lo na actualidade,
e que muitos dos acordos estabelecidos entre geólogos das várias áreas do Saber acerca dos
objectivos e métodos da disciplina, permaneceram até hoje.
Com a Tectónica de Placas, a Terra surge como uma entidade viva que se modifica e cujo
funcionamento só pode ser estudado numa perspectiva global (Allègre, 1999); a Terra é, então,
considerada como um sistema cuja dinâmica é regulada por causas múltiplas que se relacionam e
inter-regulam. Mas esta visão contemporânea tem apenas, na opinião de Allègre (1999),
implicações na “lógica geral do planeta Terra”, pois continua a fornecer respostas concretas a
toda uma série de questões que o Homem coloca a si próprio desde que observa o planeta (idem).
Lembremo-nos que as reflexões sobre a Terra tiveram início nas culturas mitológicas quando
raciocínios nesse campo eram interpretados como actos de fé, reforçados através de mitos e
lendas e que, ainda hoje, os mitos estão presentes na ciência através da sua linguagem
metafórica; é o caso do conceito de placa tectónica, uma entidade física abstracta (Oldroyd,
1996). Também outros conceitos em Geologia exigem elevado grau de abstracção, daí a
necessidade de utilizar metáforas e termos de comparação, quer por parte de quem investiga,
quer por parte de quem ensina. Outro aspecto obrigatório da construção do pensamento
geológico corresponde às análises baseadas em tipologias e na extrapolação, por sua vez
essenciais à construção de sínteses (ibidem); por exemplo, a elaboração dos primeiros mapas
geológicos (sínteses) no início do século XIX resultou da acumulação de dados empíricos
(análises) de vastas regiões (Engelhardt & Zimmermann, 1988).
A Geologia contemporânea persegue igual finalidade, pois procura uma síntese que abrange
teorias sobre a estrutura e os mecanismos internos da Terra, bem como teorias acerca dos
processos modeladores da superfície terrestre, incluindo a actividade dos seres vivos, com vista a
um maior entendimento de como estes, compondo a Biosfera, afectam a geodinâmica externa e,
a longo termo, a interna (Oldroyd, 1996).
O novo conceito sistema Terra integra aspectos epistemológicos importantes já presentes na
Teoria da Tectónica de Placas, acrescentando maior abrangência e exigindo maior grau de interrelação entre os conhecimentos e metodologias das diversas Geociências (e.g. Geofísica,
Geoquímica, Estratigrafia, etc.). De acordo com esta perspectiva, exige-se ao geólogo que,
apesar de especialista na sua área de intervenção, seja capaz de coordenar equipas
pluridisciplinares no estudo de problemas a diversas escalas de tempo e de espaço (local,
regional, global), bem como na análise de elementos de sistemas complexos, os sistemas
naturais, cujos dados terá que reunir e interpretar com vista à construção de uma visão integrada.
Não de somenos importância, a aplicação de metodologias básicas como a observação e a
descrição que o trabalho de campo possibilita, assim como a narrativa de processos geológicos
passados, são determinantes para a construção do pensamento geológico (e.g. Frodeman, 1995).
Estas metodologias básicas, utilizadas como metodologias pedagógicas, permitem o
desenvolvimento de competências de maior grau de complexidade, como as capacidades de
interpretar e de inferir, também elas relevantes na construção do conhecimento geológico. Mas
além destas competências, é de realçar ainda que o estudo dos sistemas e objectos geológicos, ao
nível dos afloramentos e das paisagens, exige a reconstituição mental dos processos a 4D
(incluindo a dimensão tempo), o que estimula positivamente a imaginação e a criatividade
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assente em premissas lógicas de raciocínio (Andrews, 1998), todas elas competências essenciais
a qualquer cidadão responsável e interventivo no Mundo Global.
2.1 Raciocínios geológicos temporais e causais
O mundo geológico de Descartes, Leibniz, Buffon, Hutton e muitos outros era visto como se
o conhecimento estivesse contido na realidade, sendo relatado como descrições pedagógicas do
passado da Terra (Engelhardt & Zimmermann, 1988). Actualmente, tanto os objectos de estudo,
como as questões de investigação em Geologia, diferem das que eram colocadas nos séculos
XVII e XVIII, sendo também distintas em alguns aspectos das que são formuladas em outras
áreas científicas.
Qualquer investigação de base empírica poderá ser desencadeada pela questão “qual o
problema?” que, por sua vez, será subdividida em outras questões de acordo com o objecto de
estudo, como “quando?” e “onde?”. Estas questões permitem perspectivar o objecto de estudo
em termos de tempo e espaço, respectivamente, variáveis exclusivas das ciências históricas,
sendo praticamente alheias a outras ciências, como a Física ou a Química (Engelhardt &
Zimmermann, 1998). Àquelas questões podem seguir-se outras, como “quanto?” e “qual a
dimensão?”, cujo fim é a mensurabilidade, enquanto as questões anteriores visavam
simplesmente a descrição qualitativa de factos. Todavia, a investigação em Geologia não se
reduz a descrições, pois para além de se perguntar “qual o problema?”, também se pretende
explicá-lo ao questionar “porquê este problema?”. A procura de explicações faz deslocar a
investigação de base empírica para níveis de conhecimento mais elevados (Engelhardt &
Zimmermann, 1988) que, consequentemente, exigem o desenvolvimento de competências de
maior grau de complexidade se aplicada ao Ensino. Estas duas grandes etapas na investigação
em Geologia, descrições e explicações, tiveram particular importância na individualização e
desenvolvimento desta área científica; não andaram, contudo, sempre associadas, pois os
geólogos não terão perseguido sempre o mesmo e único objectivo (Laudan, 1987).
Em termos gerais, é possível agrupar os objectivos da Geologia em dois conjuntos que se
complementam: os históricos e os causais; os primeiros visam, na sua essência, a descrição da
evolução da Terra ao longo da sua história; os segundos, procuram identificar as causas
responsáveis pela génese dos objectos geológicos. O “geólogo histórico” do princípio do século
XIX pretendia apenas reconstruir sequências de formações que materializavam eventos
históricos únicos, conjuntos de rochas gerados durante um determinado período de tempo, não
manifestando qualquer tipo de preocupação com o estabelecimento de relações causais entre os
acontecimentos que tinha reconstituído. O mesmo não se passa hoje, pois a maioria dos geólogos
tem objectivos muito mais alargados que abrangem não só a descrição de um conjunto de
fenómenos ou de objectos, mas também a explicação causal dos processos geológicos que os
desencadearam ou estiveram na sua génese, respectivamente. Estas duas correntes
epistemológicas em Geologia eram perseguidas por grupos de geólogos distintos com objectivos
de estudo diferentes que utilizavam também métodos e técnicas diversos (Wilson, 1954). Este
autor atribuiu aos “geólogos históricos” a coragem de terem recolhido uma enorme quantidade
de dados empíricos, apesar de as suas preocupações privilegiarem as modificações da superfície
terrestre em detrimento da sua natureza e das causas que determinaram os seus processos
fundamentais. No que diz respeito aos “geólogos causais”, Wilson (1954) elogiou a vontade
demonstrada para a compreensão dos processos geológicos, não deixando, no entanto, de criticar
a inabilidade que demonstraram na análise de muitos resultados empíricos. Contrariamente a
Wilson, Shumm (1998) não separa os geólogos nestes dois grupos (“históricos” e “causais”),
preferindo alertar para a grande dicotomia que pensa existir em Geologia entre a investigação
historicamente orientada e a investigação causalmente orientada. E considera que a maior parte
dos geólogos desenvolve as suas investigações nas duas áreas: geologia histórica e geologia
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causal, uns mais numa que noutra, não deixando de realçar que o facto da existência destas duas
formas de fazer investigação geológica conduziu frequentemente a problemas de comunicação e
interpretação entre os seus pares.
Em suma, existem registos de descrições e de tentativas de explicações dos fenómenos
ocorridos na Terra desde a Antiguidade (Laudan, 1987); a Geologia, como ciência, tornou-se
autónoma só no princípio do século XIX, no meio de disputas entre os que discutiam as teorias
da Terra, buscando explicações para o que observavam e os que, no sossego do seu gabinete,
classificavam rochas, minerais e fósseis. Essas duas maneiras de ver os fenómenos geológicos
nem sempre fizeram parte do mesmo processo investigativo. Contudo, hoje, essas duas maneiras
de fazer e compreender esta Ciência complementam-se, pois como refere Allègre (1999):
A geologia tradicional, aquela que aprendemos na escola, que é retratada
frequentemente pelas classificações das rochas, da tabela das eras geológicas, dos
desenhos de cortes e de cartas, e que só se pode exprimir com um vocabulário tão
bárbaro quanto esotérico, foi substituída hoje por uma geologia muito mais viva,
muito menos estática (p. 14).
A Geologia actual reside não só na descrição de fenómenos registados por todo o Planeta,
mas também no estudo da relação entre todos os dados recolhidos através de diversos métodos e
técnicas com vista ao estabelecimento de teorias geológicas, que são designadas deste modo
porque se baseiam em entidades (minerais, rochas, estruturas, etc.) e processos geológicos
(Laudan, 1987).
2.2. Categorização dos conceitos geológicos
Segundo Engelhardt & Zimmermann (1988), a diversidade das disciplinas científicas
possibilita observações do Mundo a partir de diferentes perspectivas, descrições diversas, bem
como interpretações e explicações de acordo com diferentes modelos, contrariando visões
cartesianas. Os conceitos, em disciplinas científicas como a Geologia, são as unidades mais
básicas. A constituição de sistemas de conceitos (e.g. classificações sistemáticas) articulados e
complexos, permite, na opinião de Diéz & Moulines (1997), uma maior eficácia do
conhecimento da realidade a que esses conceitos dizem respeito. Eles permitem identificar,
diferenciar e comparar os objectos do mundo real, e encontram-se intimamente relacionados com
as palavras, dado que existe uma relação implícita entre o sistema de conceitos de uma disciplina
e o seu vocabulário.
A linguagem descritiva das Geociências revela conceitos e categorias que são específicos da
disciplina e que identificam as entidades geológicas, mas que podem ser exclusivos da Geologia
ou partilhados com outras ciências (Engelhardt & Zimmermann, 1988). Relacionam entidades
diversas como objectos, configurações ou substâncias com a sua arquitectura, distribuição ou
organização no espaço e no tempo.
As Geociências descrevem objectos permitindo a sua categorização, como é o caso do granito
quando classificado como rocha ígnea; mas também descrevem objectos únicos que não
satisfazem qualquer critério sistemático, sendo identificados apenas pelos seus nomes próprios,
como por exemplo o vulcão dos Capelinhos na ilha do Faial (Açores). Nas Geociências os nomes
próprios adquirem assim uma importância que raramente se verifica nas outras ciências
(Engelhardt & Zimmermann, 1988), sublinhando a relevância da singularidade dos objectos
sujeitos a estudo, independentemente de respeitarem as características que permitem estabelecer
as analogias necessárias à sua inclusão em determinada categoria ou tipologia.
Cada objecto geológico ocupa um espaço tridimensional e pode experimentar modificações
ao longo do tempo (e.g. fóssil, mineral, rocha). A identidade do objecto depende de propriedades
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essenciais, pelas quais ele é reconhecido; as propriedades contingentes, que podem variar ao
longo do tempo, não afectam a sua identidade. Para além disso, os objectos têm uma duração
temporal limitada. Por exemplo, a identidade de um granito é dada por um conjunto de minerais
essenciais, mas que podem ser sujeitos a alteração química; caso a alteração seja pronunciada,
conduzindo a modificações mineralógicas significativas, muitas vezes acompanhadas por
variações na coesão da rocha, a designação “granito” deixa de ser usada, sendo substituída por
uma outra que “codifica” não só a nova constituição mineral essencial, mas também o processo
que lhe deu origem.
Há, de acordo com os autores acima citados (idem), diversos critérios para classificar
entidades geológicas, entres os quais se salientam: as configurações, as substâncias, o tempo e o
espaço. As configurações são formações ou estruturas existentes em determinados objectos
geológicos, cuja categorização pode basear-se na morfologia ou génese (e.g. dobras
halocinéticas, em que o primeiro termo diz respeito à forma e o segundo à génese). Não existem
limites entre a configuração e o objecto. A mesma entidade geológica pode ser denominada
configuração num contexto e objecto noutra situação distinta; ao estudar, por exemplo, uma duna
é possível considerar a evolução da sua forma e movimentação (configuração) ou a areia que a
constitui (objecto). Há, no entanto, configurações que nunca podem ser tomadas como objectos;
tal é o caso da estratificação em rochas sedimentares, dos horizontes num solo, dos vales, das
crateras de impacto, etc. Existem classes morfológicas de configurações que incluem, por
exemplo, as diferentes texturas das rochas, e classes genéticas, que incluem, por exemplo, os
diferentes tipos de falhas tectónicas.
As substâncias são os materiais que constituem os objectos e formam o substrato das
configurações. Algumas substâncias constituem séries hierárquicas onde cada elemento faz parte
da constituição do elemento seguinte, como: elemento químico, mineral e rocha. Em Geologia,
as substâncias podem ser definidas e classificadas seguindo diversos critérios, como as suas
propriedades físicas, a sua composição química ou a sua génese.
O conceito e a dimensão do tempo são de particular importância, (ibidem) no universo das
Geociências, pois têm contribuído para uma maior interacção entre as suas diversas áreas com
vista à explicação de fenómenos observados na natureza resultantes de processos que se
combinam e que, desse modo, têm actuado ao longo da história da Terra. Os fenómenos
geológicos, especialmente associados ao conceito de tempo geológico dividem-se em processos
e eventos geológicos. Os processos são, segundo Engelhardt & Zimmermann (1988), mudanças
ocorridas nos sistemas naturais da Terra, observáveis directamente ou reconstruídas
hipoteticamente. Os eventos incluem os processos de duração muito curta e as mudanças
momentâneas decorrentes da cessação temporária do processo. Um caso particular de evento é a
catástrofe ou seja, um tipo de evento que, de algum modo, causa efeitos espectaculares (e.g.
avalanche).
O tempo em Geologia tem duas características que, de certo modo, se opõem: a ciclicidade e
a direccionalidade (Gould, 1990). Caracterizam, respectivamente, o que este autor considera
como o tempo cíclico e o tempo sagital, e assentam em princípios epistemológicos distintos,
orientadores da investigação em Geologia, problemática que abordaremos mais adiante. O
problema do tempo é de facto dos aspectos mais difíceis em Geologia (Schumm, 1991), porque
não é possível medir o tempo geológico, recorrendo a um relógio. O tempo em Geologia é uma
medida de mudança (idem), como é o caso da idade de uma rocha ou de um mineral, medida
pelo intervalo de tempo decorrido a partir do momento em que se formou ou do instante em que
sofreu alguma transformação. A medida do tempo geológico apresenta múltiplas vantagens,
fundamentando, por exemplo, correlações de eventos geológicos espacialmente distantes
(Engelhardt & Zimmermann, 1988), baseadas em inversões do campo magnético, regressões ou
transgressões marinhas, orogéneses, etc., e que são muito importantes por proporcionarem uma
visão global da dinâmica terrestre.
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A ordenação de eventos geológicos no espaço e no tempo requer simultaneamente um
sistema espacial de coordenadas e uma escala de tempo global. A definição de escalas e a
generalização das suas divisões foram estabelecidas a partir de dados de investigação colhidos e
trocados entre investigadores de muitos países. As divisões nestas escalas estabelecem-se com
base em critérios de datação isotópica, a partir do decaimento de elementos radioactivos, e com
base em critérios de datação relativa, ou seja, através das formações de rochas sedimentares e
dos fósseis que contêm. As cartas geológicas, ferramentas essenciais para a compreensão da
história geológica de uma região, são sempre acompanhadas por uma escala de tempo geológico
(Oldroyd, 1996), permitindo assim a síntese de diversos dados e conceitos localizados espacial e
temporalmente.
2.3. Procura histórica de métodos geológicos
Se, conforme refere Laudan (1987), os geólogos nos séculos XVIII e XIX, constituíram dois
grupos com objectivos diferentes, os problemas com os quais se confrontaram na procura de
métodos quer para elaborar teorias causais (a partir da determinação das causas responsáveis pela
Terra como hoje a conhecemos), quer para reconstruir a sequência de acontecimentos que terão
ocorrido no passado a partir dos registos actuais, terão sido sensivelmente os mesmos.
Os acontecimentos que a história geológica tenta reconstituir não são nem reversíveis nem
repetíveis e também não são observáveis. Esta é, na opinião de Schumm (1998), a diferença
fundamental entre a Geologia e as outras ciências. Ao contrário dos outros cientistas, o geólogo
estuda sistemas complexos que funcionam durante largos períodos de tempo e que possuem as
suas particularidades. Cada um é diferente de qualquer outro, impedindo generalizações em
sentido estrito. Assim, o geólogo necessita, em casos específicos, de fazer inferências, ou seja de
determinar quais terão sido as causas responsáveis por um dado fenómeno (Engelhardt &
Zimmermann, 1988); por exemplo, ao encontrar fósseis marinhos numa rocha sedimentar, o
geólogo infere a origem marinha dessa rocha.
Também devido à complexidade intrínseca dos sistemas naturais, há uma enorme variedade
de problemas que exigiu o desenvolvimento de uma multiplicidade de metodologias (Schumm,
1991; Laudan, 1987); em função do problema em causa, o geólogo ou a equipa de geólogos,
escolhem o/os método(s) que melhor se adequa(m) à pesquisa da solução. Nos finais do século
XVIII, por altura da individualização das Ciências Naturais, os geólogos, assim como outros
cientistas, utilizavam e discutiam a aplicabilidade de métodos distintos para determinar as
relações causa / efeito, entre os quais se destacavam o das hipóteses, das analogias, indutivo e o
da vera-causa (Laudan, 1987). De entre os métodos das hipóteses, realça-se o hipotéticodedutivo que teve particular aceitação no século XVII entre os cosmogonistas que o utilizavam
para descrever a história da Terra (Laudan, 1987), bem como o indutivo-experimental de Francis
Bacon (1561-1626), considerado durante muito tempo como o “verdadeiro” (único) método
científico. Nesta linha de pensamento, Carrilho (1994) defende que,
O extraordinário desenvolvimento da ciência moderna levou (…) à identificação da
indução como a chave do seu sucesso, dando assim origem a uma das mais fortes
concepções da filosofia das ciências: o indutivismo, ou seja, a ideia de que a
descoberta e a justificação das causas dos fenómenos - e, portanto, o respectivo
estabelecimento das leis - se faz através, e só através, da utilização dos processos
indutivos (p. 19).
Na perspectiva indutivista, o conhecimento é adquirido na forma de dados empíricos
conducentes à verdade eterna (Engelhardt & Zimmermann, 1988). Em França e na GrãBretanha, foram adoptadas as ideias de Bacon, tanto pelas instituições geológicas como a
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Geological Society of London, bem como pelos cientistas da época como Buffon, Playfair e
Cuvier (Ellenberger, 1994). Actualmente, segundo Engelhardt & Zimmermann (1988), ainda
muitos cientistas baseiam as suas investigações na leitura do livro da natureza, que lhes revela a
verdade da história da Terra.
Os indutivistas eliminativos utilizavam os dados recolhidos para provar a veracidade de uma
hipótese, refutando todas as outras que se lhe opunham, enquanto os indutivistas enumerativos
legitimavam as teorias a partir de simples generalizações baseadas nos dados recolhidos
(Laudan, 1987). Este método foi perfilhado por muitos geólogos, particularmente no século
XVIII e no princípio do século XIX.
A fiabilidade da indução foi questionada por David Hume, argumentando que a passagem de
observações particulares a uma lei geral, é, digamos, ilegítima, dado que a base lógica desta
operação desaparece (Carrilho, 1994). Na simplicidade dos seus procedimentos, o método
indutivo conduz, frequentemente, à formulação de proposições gerais que se revelam inexactas
ou mesmo falsas (ibidem). Se isto é “perigoso” noutras ciências, ainda é mais em Geologia, dado
que muitas das inferências causais se estabelecem com base na relação entre factos presentes e
outros que se inferem a partir desses. Em geral, o efeito pertence à ordem do observável, ao
contrário da causa (Carrilho, 1994). Os geólogos têm a expectativa da repetição de certas
relações causais passadas ou presentes, entre objectos que nos parecem similares aos envolvidos
nesses eventos anteriormente (ou actualmente) experienciados (Silva, 1998). Desse modo
inferem do presente para o passado ou do presente para o futuro ou ainda do passado para o
futuro.
Muitos outros críticos do método indutivo enumerativo, na área da Geologia, consideraram
que a sua eficiência dependia da capacidade dos cientistas observarem conjugações relevantes
entre causas e efeitos numa determinada situação para procederem à sua generalização (Laudan,
1987). Acontece que nem sempre as causas que actuaram no passado são observáveis e, as que
actuam no presente, progridem não raras vezes segundo taxas tão baixas que se torna difícil
relacionar de forma inequívoca causas e efeitos. Este problema ainda é mais delicado quando se
pensa em processos de geodinâmica interna, também não observáveis.
Ao contrário de Laudan (1987), Hallam defende que os geólogos estavam muito pouco
inclinados para os métodos indutivos e para que os mesmos se tornassem mais credíveis no seio
desta comunidade científica, Chamberlin estabeleceu o método das hipóteses múltiplas (Hallam,
1985; Chamberlin, 1890) que incluía observações dos fenómenos naturais, a partir das quais se
formulavam diversas hipóteses possíveis na tentativa da sua explicação. O processo
metodológico era encerrado pela escolha das hipóteses mais apropriadas ao estudo.
Apesar de geólogos como Werner, Hutton, Buckland, Lyell e Wegener terem valorizado o
carácter indutivo do seu trabalho, como forma de combater as teorias especulativas dos
cosmogonistas, desenvolveram teorias às quais foram juntando provas (Hallam, 1985). É o caso
de Hutton que terá desenvolvido a sua obra Theory of the Earth muito antes de ter descoberto as
provas fundamentais à sua sustentação, como a célebre discordância angular de Siccar Point.
Parece-nos assim que o processo investigativo dos geólogos dos séculos XVIII e XIX, ter-seá desenvolvido mais persistentemente através de metodologias hipotético-dedutivas, como
tentativa da formulação de hipóteses justificativas das suas observações e teorias, do que
propriamente recorrendo a metodologias indutivas.
Outra metodologia frequentemente utilizada por geólogos e professores de Geologia, é a que
abrange analogias, metáforas e comparações. Este costume justifica-se pelos problemas com que
estes profissionais se vêem frequentemente confrontados, como sejam a inacessibilidade a
muitos processos geológicos, a relevância da evidência experimental, o longo período de tempo
requerido para muitas mudanças geológicas e a complexidade dos fenómenos geológicos
(Laudan, 1987). Era já criticado por alguns geólogos, no final do século XVIII, quando a
Geologia se começava a individualizar, o uso de analogias nas experiências de laboratório e na
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explicação de processos geológicos. Os geólogos consideravam que as condições naturais e
laboratoriais eram tão díspares que só poderiam conduzir a concepções erróneas acerca dos
processos que se propunham examinar (Laudan, 1987); este método generalizou-se, contudo, no
século XIX em reconstruções paleoambientais. Também de acordo com Engelhardt &
Zimmermann (1988), os modelos de comportamento análogo são importantes para explicar
fenómenos quando os mecanismos que os constituem não possibilitam uma análise empírica. A
grande vantagem para Laudan (1987) do método das analogias face a outros métodos é garantir
inferências a partir de eventos conhecidos para outros desconhecidos que apresentam particulares
semelhanças com esses, enquanto que, por exemplo, a indução enumerativa só permite fazer
inferências a partir de eventos conhecidos para outros que lhe são similares nos aspectos mais
relevantes. Contudo, o método das analogias apresenta algumas desvantagens, nomeadamente
quando se coloca o problema de decidir que acontecimentos ou objectos são similares (idem).
O outro método utilizado pelos geólogos é o da vera causa ou das causas verdadeiras, cuja
paternidade é atribuída a Isaac Newton. O princípio das causas verdadeiras da autoria deste físico
afirma que não se deve admitir mais causas para os objectos naturais do que aquelas que, ao
mesmo tempo, são verdadeiras e suficientes para explicar os seus efeitos. Este método evitava as
conjecturas e restringia as causas apenas às que podiam ser observáveis e foi nesta base que
Hutton e Lyell formularam o princípio do uniformitarismo.
3. MÉTODOS MAIS ADEQUADOS À GEOLOGIA
Os métodos que segundo Engelhardt & Zimmermann (1988) permitem ao geólogo
ultrapassar os limites do mundo dos factos empíricos levando-o à construção de hipóteses e
teorias são: a indução, a dedução e a abdução. Na opinião destes autores apenas a dedução
produz uma inferência no estrito sentido lógico do termo; no entanto, é vulgar referir as
inferências quando se trata dos métodos de indução ou de abdução, tanto nas Geociências como
noutras áreas científicas. De acordo com estes autores (idem), chama-se igualmente inferência
quando: na abdução, as causas são inferidas a partir de um fenómeno; ou na indução, em que
uma lei é produzida a partir de muitas observações. Estes autores distinguem estes três métodos
de investigação, dedução, abdução e indução, utilizando o exemplo prático da génese do
diamante. Em cada método, partem de duas premissas que conduzem a uma inferência (Tabela
1). Ao utilizarem experiências de laboratório, estes autores estão ao mesmo tempo a utilizar
analogias entre os processos simulados e os processos geológicos reais. A abdução é, nesta
experiência, o único método que não recorre à experimentação; logo tratar-se-á da inferência que
está mais próxima da argumentação que os geólogos usualmente utilizam. Apenas na abdução a
premissa 2 corresponde a uma lei geológica com a qual o geólogo vai confrontar o efeito
observado, concluindo, ou melhor dizendo, inferindo a causa.
Apesar de nos dias de hoje os três métodos serem igualmente utilizados, a indução terá tido
maior aplicação no início da individualização da Geologia (fins do século XVIII, princípios do
século XIX) do que os outros dois, porque terá sido por essa altura que se produziram grande
parte das leis e dos princípios que orientam a investigação geológica como, por exemplo, a
coluna estratigráfica, o autêntico fundamento da geologia histórica, elaborada através de
métodos indutivos (Hallam, 1985).
Depois desse período inicial, a indução terá sido considerada um método pouco seguro em
Geologia, desde que aplicado isoladamente, pois as generalizações a partir de um ou de vários
casos isolados, podem conduzir ou não a teorias conclusivas dado que os sistemas terrestres
comportam múltiplas variáveis. Assim, pode-se considerar que a dedução e a abdução são hoje
métodos mais fiáveis e de maior aplicação em investigação geológica do que a indução, sendo
que a abdução adquire por si só uma maior relevância em Geociências do que nas denominadas
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ciências experimentais como a Física e a Química. É ponto assente que, em Geologia, é crucial
inferir causas desconhecidas a partir de efeitos conhecidos (Engelhardt & Zimmermann, 1988).
No entanto, a utilização conjunta destes três métodos para inferir processos e eventos geológicos,
pelos riscos que cada um deles utilizado isoladamente pode comportar, aumentará a fiabilidade
do processo investigativo.
Tabela 1 – Principais métodos da investigação geológica (e.g. génese do diamante) - adaptado de Engelhardt &
Zimmermann, 1988.
Table 1 – Main methods of geological research (e.g. diamond origin) – adaptated from Engelhardt & Zimmermann,
1988.
Etapas do
MÉTODO
Premissa 1
Premissa 2
Inferência
Em várias experiências, o
Em todas as experiências, a
carbono é submetido a
um valor de pressão nunca
vários valores de pressão,
inferior a 55 kbar,
na ausência de O2 e a uma
produziu-se diamante.
temperatura de 1000ºC.
Se o carbono for exposto,
na ausência de O2, a
55 kbar de pressão e a
1000ºC de temperatura,
produzir-se-á diamante.
ABDUÇÃO
Foram encontrados
diamantes em chaminés
vulcânicas na África do
Sul.
Os diamantes são
produzidos apenas a partir
do carbono, em condições
de temperatura próxima
dos 1000ºC e pressões de
pelo menos 55 kbar.
Dentro das chaminés
vulcânicas, os materiais
consolidam em
profundidade cuja pressão
ronda os 55 kbar.
DEDUÇÃO
Em condições de pressão
próximas de 55 kbar e à
temperatura de 1000ºC, na
ausência de O2, o carbono
transforma-se em
diamante.
Numa experiência, o
carbono é sujeito a uma
pressão de 80 kbar e a uma
temperatura de 1200ºC.
Nesta experiência
produzir-se-á diamante.
INDUÇÃO
Utilizando estes três tipos de inferências (indução, dedução e abdução), conjuntamente com
métodos analógicos e tendo por base princípios orientadores, que em seguida descreveremos, os
geólogos fazem extrapolações que envolvem a projecção de informações conhecidas quer para o
passado, quer para o futuro (Schumm, 1991). E, apesar da complexidade dos sistemas naturais
dificultar as descrições e as previsões exactas, mesmo quando as condições presentes são
conhecidas e estudadas, as inferências para o passado ou para o futuro podem, mesmo assim, ser
realizadas com algum grau de confiança (ibidem).
4. PRINCÍPIOS ORIENTADORES DA GEOLOGIA
Os princípios orientadores da Geologia sustentam a actividade científica e são habitualmente
inquestionáveis, para além de permitirem o entendimento do funcionamento desta disciplina. A
sua longevidade e a tenacidade com que foram aceites devem-se, segundo Engelhardt &
Zimmermann (1988) a várias razões, entre as quais, destacam: (i) o facto de não terem sido
inferidos indutivamente mas de, pelo contrário, servirem como base de experiências; (ii)
constituírem-se como guia para os investigadores; e (iii) ajudarem a integrar teorias em contextos
mais alargados. Há, de acordo com estes autores (idem), uma hierarquia dos vários princípios,
situando no topo os princípios gerais das Ciências Naturais, ou seja, o princípio da causalidade
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ou da homogeneidade do espaço e do tempo, a que se seguem princípios mais específicos que
precedem a experiência, utilizados para fundamentar hipóteses e raciocínios.
Através dos princípios orientadores, a investigação em Geologia consegue ultrapassar
problemas únicos e inerentes a esta disciplina, pois eles fornecem regras que possibilitam a
aplicação de observações efectuadas no presente para a elaboração de teorias que explicam o
passado ou que fazem extrapolações para o futuro (Engelhardt & Zimmermann, 1988).
Enunciam-se e consubstanciam-se de seguida os principais princípios que orientam a construção
do conhecimento geológico, devendo, por isso, ser assumidos por investigadores e professores de
Geociências.
O princípio orientador do uniformitarismo, conhecido assim na Grã-Bretanha, mas designado
por princípio do actualismo por alemães e franceses, teve grande importância para o
desenvolvimento da Geologia no final do século XVIII, sendo considerado, ainda hoje, como a
mais importante base da investigação em Geociências (Engelhardt & Zimmermann, 1988). Este
princípio pressupõe a uniformidade temporal dos processos geológicos assim como das suas
causas. Segundo estes autores (ibidem), este enunciado assenta nos seguintes três pressupostos:
1- as leis físicas e químicas têm uma validade temporalmente ilimitada;
2- as forças geológicas mantêm-se qualitativamente iguais no presente, no passado e futuro;
3- as forças geológicas mantêm-se, não só qualitativamente, mas também quantitativamente
iguais no presente, no passado e no futuro.
O uniformitarismo, em sentido estrito, ou seja, quando se aplica apenas à Geologia, assume a
validade dos três anteriores pressupostos (Engelhardt & Zimmermann, 1988). Este princípio
fornece à investigação geológica a vantagem de se restringir a eventos observáveis em várias
regiões e a regularidades que podem ser inferidas a partir deles, evitando-se, quando se pretende
explicar fenómenos passados, o registo de incertezas relativas a processos desconhecidos de
intensidade indeterminada (ibidem).
O termo uniformidade e uniforme já seriam utilizados muito antes de Hutton ou Lyell terem
enunciado o princípio do uniformitarismo (Ellenberger, 1988). Contudo este princípio terá sido o
guia ideal de James Hutton, porque através dele tornar-se-ia possível inferir leis eternamente
válidas que sustentam todos os processos geológicos do passado, presente e futuro (Engelhardt
& Zimmermann, 1988).
Ainda de acordo com estes autores (ibidem), o princípio do actualismo é uma modificação do
uniformitarismo, tendo sido formulado por geólogos alemães do princípio do século XIX. Ao
contrário deste último, o princípio do actualismo baseia-se só nos pressupostos 1 e 2, acima
descritos, do princípio do uniformitarismo. O principal mentor do princípio do actualismo, von
Hoff, acreditava que certos vestígios da actividade vulcânica, ocorrida no passado, podem ser
explicados pelo pressuposto de que as energias vulcânicas terão sido muito maiores no passado
que na actualidade, tendo decrescido de intensidade ao longo do tempo, o que se confirma pelos
traps – espessas formações geológicas constituídas por materiais vulcânicos – existentes em
diversas áreas do Globo, algumas delas associadas a períodos de extinções em massa (Courtillot,
1999).
O princípio orientador dos ciclos não é mais do que uma síntese dos anteriores: o
uniformitarismo e o actualismo. Os processos cíclicos sucedem-se e repetem-se em sequências
sem fim por todas as regiões, permitindo que a destruição seja regularmente compensada pela
construção (Engelhardt & Zimmermann, 1988). É a partir deste princípio que normalmente se
distinguem os processos geológicos construtivos (e.g. vulcânicos, construção de cadeias de
montanhas) dos processos geológicos destrutivos (e.g. erosão), herança que nos terá sido
transmitida por James Hutton. De acordo com Stephen Jay Gould (1990), este geólogo escocês
descreve um mundo privado de história em que a uniformidade da temporalidade cíclica
equilibra os fenómenos de destruição e de renovação, fenómenos que Hutton agrupa sob a
designação genérica de economia fundamental ou de equilíbrio da Terra, termos certamente
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adoptados por influência do seu círculo de amigos do Iluminismo Escocês, entre os quais se
destacaram, entre outros, Adam Smith, Thomas Malthus e James Watt.
Para James Hutton, as sucessões dos acontecimentos geológicos não eram mais do que dados
que possibilitavam o estabelecimento de teorias gerais de sistemas intemporais (Gould, 1990),
tendo assim eliminado o curso real do tempo em Geologia. Contudo, é preciso perceber o
contexto da época para que se compreender verdadeiramente as intenções de James Hutton.
Realmente a teoria uniformitarista de Hutton e Lyell conferiu ao tempo uma duração infinita,
falseando, durante séculos, a verdadeira noção de tempo geológico (Allègre, 1987), mas foi a
única possibilidade encontrada por James Hutton para contrariar as teses neptunistas de Werner e
as convicções clericais da época que defendiam um “tempo geológico” curto e finito. A
infinidade do tempo afastava, assim, por completo da esfera da Geologia, os conceitos de início e
de idade da Terra bem como as discussões religiosas.
O princípio do catastrofismo, em termos históricos e epistemológicos encontra-se
directamente relacionado quer com os princípios já descritos (uniformitarismo e actualismo),
quer com o que será abordado de seguida, o do evolucionismo. Desde o princípio do século XIX
começou a colocar-se em causa os princípios do uniformitarismo e actualismo. Pressupunha-se a
imutabilidade das leis da natureza, mas colocava-se a hipótese de as forças geológicas terem
diferido no passado, quanto ao tipo e intensidade, relativamente à actualidade.
O Discurso sobre as revoluções da superfície do Globo, publicado em 1812 por Georges
Cuvier, considerado como o pai da Paleontologia, fundamenta uma teoria considerada como
catastrofista (Engelhardt & Zimmermann, 1988). Baseados em métodos actualistas, Cuvier e
Brongniart, defenderam esta teoria demonstrando que as formações do Terciário da bacia de
Paris apresentavam alternâncias cíclicas de água doce e salgada (Hallam, 1985). Para além das
mudanças litológicas, encontraram também variações repentinas nos conteúdos fossilíferos das
mesmas, que se repetiam noutras áreas geográficas. Estes factos levaram-se a concluir a extinção
de formas de vida pré-existentes e a alteração de condições em que novas formas de vida se terão
desenvolvido (Engelhardt & Zimmermann, 1988). Mais tarde, como estes dois geólogos, Élie de
Beaumont, ao estudar os estratos dobrados das cordilheiras montanhosas da Europa, terá
utilizado argumentos catastrofistas, afirmando que as causas actuais são manifestamente lentas e
graduais para que pudessem produzir tais efeitos (Hallam, 1985).
Debaixo da designação catastrofismo cabem assim todas as teorias cujos princípios
orientadores incluam, segundo Engelhardt & Zimmermann (1988), dois aspectos: (i) a noção de
que as mudanças importantes, ocorridas ao longo da história da Terra, terão resultado não só de
processos lentos, mas também como resultado da acção de eventos raros e catastróficos; e (ii) a
rejeição de aplicar sempre o princípio do actualismo a qualquer tipo de acontecimento geológico.
No entanto, como refere Hallam (1985), a possibilidade de obter conclusões catastrofistas com
recurso a métodos actualistas não é afastada. É possível utilizar as causas actuais para tentar
explicar fenómenos como os traps ou os vales de vertentes abruptas cujas causas, no princípio do
século XIX, não se conseguiam encontrar, porque como refere o mesmo autor (idem), as
correntes de água e os rios modernos pareciam conter muito pouca água e não corriam com
suficiente rapidez para escavar os vales por onde fluíam; no entanto, as causas terão sido as
mesmas mas movidas por forças de maior intensidade. É de realçar que o conceito de causas
actuais hoje é diferente do conceito de Hutton e Lyell (Ager, 1999) porque eles desconheciam
alguns dos processos geológicos actualmente estudados como, por exemplo, o impactismo, assim
como o vasto leque de intensidades que cada processo geológico pode ter e que se encontra
documentado em relatos históricos e bíblicos (ibidem).
Grande parte da história do desenvolvimento da Geologia terá sido marcada, na opinião de
Lunine (1999), pela batalha entre uniformitaristas (aqueles que argumentavam a favor de
fenómenos geológicos que sofriam uma mudança gradual ao longo de largos períodos de tempo)
e catastrofistas (que defendiam que a Terra seria um planeta relativamente novo e marcado por
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uma sucessão de fenómenos catastróficos). Os cálculos para a idade da Terra, possibilitados
principalmente pela técnica da datação isotópica (Hallam, 1985), conduziram a idades mais
avançadas do que se pensava, fornecendo trunfos aos uniformitaristas (Lunine, 1999). Todavia,
nas últimas décadas do século XX, a importância das alterações catastróficas da Terra tornouse clara, em larga medida, através do estudo de outros planetas (ibidem). O estudo de
determinados fenómenos geológicos (e.g. sismos) demonstraram que a Terra comporta
acontecimentos graduais e catastróficos e que, para o mesmo fenómeno, podem coexistir
aspectos graduais (como a acumulação lenta de energia – antes do sismo – e a ruptura superficial
quasi-instantânea, originando a libertação de energia responsável pelos efeitos provocados).
Em resumo, o uniformitarismo e o catastrofismo são teorias opostas que têm dois princípios
que não compartilham, mas que seguem um outro: o do actualismo. Nos dias de hoje, este
princípio é comum às duas maneiras de interpretar os diferentes fenómenos geológicos, sendo
reconhecido como o grande princípio orientador da investigação em Geologia. É, no entanto,
importante não esquecer que as causas no passado nem sempre terão sido as mesmas que as
actuais (Ager, 1999).
O evolucionismo é o princípio orientador da construção do conhecimento geológico mais
recente. Ao pretender retirar a vertente histórica, James Hutton pretendeu conferir maior rigor à
Geologia aproximando-a das ciências experimentais como a Física ou a Química. Terá sido a
razão pela qual atribuiu à orogénese um carácter cíclico, revelando que se trata de um processo
lento, gradual, repetitivo, acompanhado de um cortejo de sedimentos especiais, de rochas
magmáticas e de transformações metamórficas (Ellenberger, 1994). Por coincidência ou não, é
uma ideia recuperada por Tuzo Wilson no seu modelo, apesar de contextualmente diferente. Na
opinião de Gould (1990), Hutton, idealizava a Terra como um planeta perfeito, que não sofria
qualquer tipo de desenvolvimento, não obstante ter concluído que as rochas sedimentares
poderiam ser sujeitas a processos cíclicos como o metamorfismo (Ellenberger, 1994).
Os contemporâneos de Hutton não tinham ainda resolvido o problema das extinções (Gould,
1990); Lamarck e outros naturalistas continuavam a defender que as espécies não se podiam
extinguir (ibidem), sendo que, apenas no princípio do século XIX, terão formulado a hipótese de
uma contínua evolução dos seres vivos, por sua vez relacionada com a correspondente evolução
do ambiente abiótico (Engelhardt & Zimmermann, 1988). A hipótese da evolução biológica só
viria a ser aceite pela comunidade científica depois de Darwin ter efectuado a reconciliação
entre o princípio do uniformitarismo e a evolução através da teoria da selecção natural
(ibidem). Este mecanismo, a selecção natural, funcionava sempre do mesmo modo ao longo de
toda a história da Vida, em que eram seleccionados os mutantes capazes de viver e reproduzir-se
em situações de mudança, espacial e temporal, das condições ambientais. Os autores do livro
Theory of Earth (Engelhardt & Zimmermann, 1988) dão outro exemplo de teoria evolucionista,
no sentido geológico do termo, protagonizada por Élie de Beaumont, geólogo francês do século
XIX. A sua teoria defendia que a Terra se encontrava em processo contínuo de arrefecimento e
contracção, explicação para os esporádicos episódios da formação de montanhas. É
principalmente devido ao surgimento deste tipo de teorias que, desde meados do século XIX, os
termos desenvolvimento e evolução, no princípio apenas exclusivos da Paleontologia, passaram a
ser aplicados em todas as Geociências (ibidem). Frequentemente aplicam-se estes termos aos
solos, ao relevo, aos continentes e a muitas outras entidades geológicas. O princípio do
evolucionismo que decorre assim da aplicação dos termos evolução e desenvolvimento a
fenómenos e entidades geológicas, restitui-lhes a sua dimensão histórica, contrariando as teses de
Hutton e Lyell. Tudo passa a ter um princípio e um fim, entre os quais existe uma série de
estádios de evolução; através deste princípio torna-se possível rever e compreender as condições
e acontecimentos geológicos de acordo com a sua sequência cronológica.
Hoje, na investigação geológica conjugam-se o princípio do evolucionismo com o princípio
dos ciclos (baseado no princípio do uniformitarismo em sentido lato), considerando que, apesar
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de os fenómenos geológicos não serem nem repetíveis nem reversíveis, os sistemas em que
decorrem apesar de complexos mantêm algumas similitudes (Shumm, 1991). E evoluem, sendo
que essa evolução até pode não ser constante. Ao contrário do que Hutton e Lyell pensavam, e
apesar dos muitos processos geológicos aparentarem decorrer de forma cíclica, a sua intensidade
não é uma variável que se mantenha constante ao longo do tempo (e.g. a acumulação da energia
nas falhas, a expansão dos fundos oceânicos, a erosão costeira, a actividade vulcânica).
Integrando as duas componentes do tempo geológico, a ciclicidade e a direccionalidade (Gould,
1990), os ciclos geológicos não podem ser vistos como a roupa numa máquina de lavar em que
se vê constantemente o mesmo andar à volta, como é frequentemente ilustrado o ciclo das
rochas (Fichter & Poche, 2001) nos manuais escolares; mas como ciclos de matéria sujeitos a
mudanças espaço-temporais, sujeitos a interrupções (e.g. riftes abortados), e integrados e
interligados com outros ciclos através de fluxos de matéria e energia que perpassam os
subsistemas do grande Sistema Dinâmico que é o planeta Terra.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Geologia individualizou-se como domínio científico autónomo no início do século XIX por
meio da delimitação e categorização dos seus objectos de estudo, bem como da construção de
materiais de apoio à investigação (como a coluna estratigráfica e as cartas geológicas). A partir
daí desenvolveu métodos necessários à delimitação no espaço e no tempo das formações
geológicas, possibilitando ultrapassar obstáculos e dificuldades inerentes às Ciências Históricas
como a reconstituição de processos decorridos no passado. Os princípios orientadores, a par de
formas particulares de pensar, como as inferências e os raciocínios historicamente orientados,
ajudaram a combater essas dificuldades e a objectivar a Geologia enquanto área científica. Por
fim, a Teoria da Tectónica de Placas veio revelar a nova Geologia, explicando a interligação
entre muitos fenómenos geológicos e produzindo uma visão articulada entre as diferentes
componentes do Sistema Terra, com implicações maiores na compreensão das razões que
determinam as principais perigosidades naturais e a composição e distribuição dos vários
recursos geológicos.
A visão global da Terra como um sistema aberto e dinâmico, abrange outros subsistemas
terrestres perpassados por ciclos e fluxos de matéria e energia que a Tectónica de Placas não
contemplava fornecendo uma perspectiva ainda mais abrangente e intrincada do planeta. De
acordo com uma visão global, mas simultaneamente localizada, o AIPT foca a atenção sobre as
problemáticas terrestres na perspectiva de sustentabilidade, que afectam, hoje em dia, grande
parte da Humanidade. A resolução desses problemas exige a actuação de equipas inter- e
transdisciplinares com capacidade de intervenção a diversas escalas, por isso, utilizando
metodologias variadas. Os geólogos, se conhecedores da panóplia de metodologias que as
Geociências têm desenvolvido ao longo da sua História, perspectivam-se como profissionais
competentes para contribuir na resolução desses problemas (Frodeman, 1995). A Geologia como
área científica, face aos problemas que lhe são inerentes e às novas teorias unificadoras do
conhecimento da Terra, adquiriu formas de raciocínio, métodos e princípios orientadores, que a
tornam na disciplina sintética e fornecedora de uma visão global e particular do planeta Terra.
Os geólogos e os professores de Geologia devem assim tomar consciência da importância
desta Ciência enquanto ciência útil à resolução dos problemas globais mas, simultaneamente,
reconhecer e transmitir o seu valor epistemológico, o qual permite desenvolver múltiplas
capacidades e competências cognitivas, muitas delas de grande complexidade, e determinantes
para a formação de cidadãos conscientes da singularidade e da dinâmica do Planeta em que
vivemos.
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Nota
Este artigo resultou de uma releitura atenta e recontextualizada do item “Raciocínios e
Aprendizagens em Geologia” da tese de Mestrado da autora.
Agradecimentos
Aos professores João Félix Praia e Luís Marques, as observações e sugestões apresentadas.
À professora Filomena Amador por nos ter dado a conhecer alguns dos autores citados no texto e,
particularmente, ao estímulo para a escrita deste item da dissertação.
Ao professor António Mateus pela correcção final do artigo, mas principalmente pelos múltiplos e
frutíferos debates de ideias que consolidaram inequivocamente o gosto da autora pela Epistemologia da
Geologia.
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Recebido em 20-Maio-2008
Revisto em 22-Junho-2008
Publicado em 3-Julho-2008
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