LITERATURAS COLONIAIS - Colóquio Internacional Conhecimento

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LITERATURAS COLONIAIS - Colóquio Internacional Conhecimento
COLÓQUIO INTERNACIONAL CONHECIMENTO E CIÊNCIA COLONIAL
Lisboa, 26-29 de novembro de 2013
LITERATURAS COLONIAIS: A QUIMERA DE ÁFRICA E O SONHO AMERICANO
Manuela Araújo
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
[email protected]
Resumo
A imposição da objectividade e imparcialidade da Razão à subjectividade dos sentimentos e emoções
marcou todo o pensamento ocidental da modernidade (Idade Moderna), período histórico associado à
corrente de pensamento iluminista e à revolução científica, emergentes na segunda metade do século
XVII. Determinado por concepções cegas de progresso e de civilização, o pensamento racionalista
moderno investiu na superioridade da cultura ocidental, vindo, assim, a legitimar o colonialismo.
Partindo da obra O Vélo d’Oiro, de Henrique Galvão, primeiro Prémio da Literatura Colonial, atribuído
em 1933, e aludindo a situações discursivas do designado «Novo Mundo», americano, particularmente
dos E.U.A., pretende-se reflectir sobre as implicações deste ideário no discurso colonial, bem como
indagar sobre textos gerados no seu reverso, os quais foram desconstruindo o mito da Quimera de
África e do Sonho Americano.
Respeitando a periodologia de Francisco Noa, a literatura colonial produzida nos países africanos
colonizados por Portugal, é demarcada entre finais do séc. XIX e princípios do séc. XX, até 1974,
conhecendo esta grande actividade com o advento do Estado Novo. Já as designadas Literaturas da
América Colonial estendem-se por vários períodos e escritos, anteriores aos discursos de John
Winthrop, o profeta da «cidade no alto da colina», a bordo do Arbella, em 1630. Remontam ao tempo
de Cristóvão Colombo (1451-1506), à carta que ele escreveu a Gabriel Sanchez, em 1493, sobre a
«descoberta da América», e vão até ao início do nacionalismo americano, no séc. XVIII. Todavia, as
escritas de Benjamin Franklin (1706-1790), Lucy Terry (1730-1821), Thomas Jefferson (1743-1826),
Toussaint L’Ouverture (1744?-1803), Olaudah Equiano (1745-1797) e Phillis Wheatley (1753-1784), são
incluídas num grupo temático-cronológico específico, porque marcadas por uma certa contestação.
Falar de literatura colonial implica observar o modo de defesa e de influência de um ideário, que dirigiu
um universo civilizacional cultural específico, o qual se afirmou como dominante. Por essa razão, e
pensando no grau de subjectividade contido em qualquer acto de fala, o que torna compreensível o
raciocínio de que quem fala sobre, fala também de si próprio, quando o discurso colonial refere a
quimera de África, nomeia a realidade africana por comparação com o mundo europeu. Ao conceber
África como mera extensão da Europa, o discurso colonial diz o que para si é novo, a partir de uma
relação de semelhança com aquilo que conhece. Em O Vélo d’Oiro, o discurso da personagem Rodrigo
permite-nos o acesso a um mundo interior culturalmente pré-determinado, um olhar condicionado pelo
seu mundo primeiro, o mundo “civilizado” em que, à luz de da alegoria Shakespeareana, Caliban
recusou falar a língua de Próspero.
A formulação discursiva acima exposta, comum às narrativas do colonialismo, pressupõe locus
epistemologicus dissemelhantes, e pode motivar a discussão acerca das generalizações observadas à
volta do nome do continente africano. Dentro da perspectiva lusocêntrica, África foi um nome
ficcionalizado de forma vaga, lugar impreciso, aberto ao imagismo utópico, prometeico, tal como o
próspero mundo do Sonho Americano, que os autores afro-americanos supra-mencionados começaram
por denunciar, ainda que dentro da moral religiosa puritana.
Palavras-chave: Discurso colonial, África, E.U.A., dinâmica anti-colonial
Maria Manuela Araújo é doutorada em Estudos Literários e mestre em Estudos Anglísticos, pela
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. É membro da Associação Internacional de Lusitanistas e
da Academia de Letras, ALTM. Tem vindo a participar em eventos científicos internacionais e a publicar
com regularidade
Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa
Centro de História do Instituto de Investigação Científica Tropical

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