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A nova receita da
marriott
A rede americana investe no País para
convencer os clientes da geração Y a se
hospedarem em hotéis descolados, mas
sem abrir mão do requinte
pesquisamos
para fazer tudo
do jeito que o
brasileiro mais
gosta
Tim sheldon,
presidente da Marriott na
América Latina
André JANKAVSKI
A
rede americana Marriott, uma das maiores do setor hoteleiro no mundo,
quer alterar a visão de que o luxo precisa custar caro. Para isso, a dona de
alguns dos mais caros hotéis cinco estrelas do Brasil, como o tradicional
Renaissance, na região da Avenida Paulista, em São Paulo, cuja diária na suíte presidencial chega a R$ 50 mil, está colocando a mão no bolso. A empresa investe, atualmente, R$ 400 milhões na abertura de 11 novos hotéis no Brasil, que se somarão
aos 3,7 mil estabelecimentos espalhados pelo planeta, responsáveis por um faturamento de US$ 14 bilhões. O aporte quase triplicará o número de hotéis da rede no
País, atualmente em seis. Para provar
que sofisticação não significa ostentação,
a empresa tem um alvo em específico:
a geração Y, formada por jovens
que nasceram entre 1980 e 2000.
O foco na juventude é novidade para a
Marriott no Brasil. A maior parte dos clientes de seus hotéis são empresários e executivos estrangeiros. Para mudar essa situação,
o grupo trará ao País uma de suas principais
bandeiras, a AC. Trata-se de uma joint venture entre a própria Marriott e a espanhola
AC Hotels. O objetivo, segundo Tim
Sheldon, presidente da rede na América
Latina, é conquistar os brasileiros de 25 a 40
anos com o seu estilo mais descolado.
“Queremos que a geração Y venha e aproveite todos os serviços dos nossos hotéis”, diz
Sheldon, enquanto preparava uma caipirinha. “É claro que pesquisamos para fazer
tudo do jeito que o brasileiro mais gosta.”
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Dinheiro 14/10/2015
Até 2017, serão três novas
aberturas com a marca AC,
duas no Rio de Janeiro, para
atender a demanda da
Olimpíada de 2016, e uma
em Florianópolis.
Para agradar os brasileiros, o executivo americano se inspira na experiência
do próprio AC Hotels. O
espanhol Antonio Catalan,
fundador da rede, costuma dizer que um
hotel tem a oportunidade de ser algo
melhor do que a casa do cliente. Por isso,
todos os estabelecimentos são desenhados
de acordo com as vontades da geração Y,
mas sem perder o requinte. Os lobbies, por
exemplo, são inspirados em escritórios de
muitas startups, com lugares abertos e
móveis compartilhados. A ideia é de que as
tradicionalmente tediosas recepções se
transformem em fonte de criatividade dos
executivos durante o dia, além de um reduto social à noite, com serviços como bares,
teatros e cafés. “Esse público quer ter um
local para socializar depois do trabalho”,
afirma Guilherme Cesari, vice-presidente
de desenvolvimento da Marriott no Brasil.
“E o design do AC faz com que um hotel
quatro estrelas se pareça com um de cinco.”
Todos os serviços, de pedidos de alimen-
foto: Claudio Gatti
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Marcando
território
A Marriott planeja
ampliar sua
presença no País
Faturamento global:
US$ 14 bilhões
Hotéis no mundo:
3,7 mil
Hotéis no Brasil:
6
Investimento no Brasil:
R$ 400 milhões
Previsão de abertura de
hotéis no Brasil:
11
Fonte: empresa
Espaços de
convivência: o
objetivo da Marriott
com os hotéis da
bandeira AC é criar
espaços abertos para
estimular o contato
entre os hóspedes
mais jovens e fazê-los
desfrutar melhor os
serviços. A maioria
deles poderá ser
solicitada através de
smartphones
tos e bebidas a travesseiros e camareiras,
podem ser solicitados por meio de um aplicativo para celular. As diárias custarão até
R$ 800. A estratégia do AC visa também
diminuir a força do Airbnb, portal americano de locações de imóveis, entre os jovens.
“O público de 20 a 30 anos já ganha bem e é
extremamente exigente quanto aos serviços
hoteleiros”, afirma Lucila Quintino, sócia da
Hotel Consult. “Isso exige uma abordagem
diferenciada e inovadora, como a ambientação e os restaurantes do hotel.” A empresa
também construirá hotéis destinados aos
clientes de alto padrão. Os principais deles
são o da bandeira Marriott, de cinco estrelas, que será instalado em Recife, e o
Residence Inn, no Rio de Janeiro, voltado
para executivos que terão longa estada em
determinada região. O Courtyard, que já
existe na capital pernambucana e possui
quatro estrelas, também terá uma unidade.
Metade dos investimentos está sendo
destinada ao Rio de Janeiro, segundo
Sheldon. O restante será dividido em
empreendimentos espalhados por
Pernambuco, Santa Catarina, Paraná e Rio
Grande do Sul. As cidades de Porto Alegre,
Recife, Curitiba e a catarinense São José
receberão a Fairfield, bandeira econômica
do grupo, mas também direcionada para o
segmento corporativo. A ideia é aproveitar o
atual momento de dificuldades econômicas
para fincar de vez as bandeiras da Marriott,
que, até aqui, tinha uma participação incipiente no Brasil. “Eles vêm com um plano
de longo prazo”, afirma José Ernesto
Marino, presidente da consultoria BSH
International, especializada no setor.
“Em um cenário de crise, a empresa sabe
que não vai gastar mais do que precisa.”
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