Memorial circunstanciado de formação artística

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Memorial circunstanciado de formação artística
Memorial circunstanciado de formação artística, científica e atividades de Julio Plaza
Gonzalez, Professor Associado, MS-S, Candidato ao Concurso Público para
provimento de um cargo de Professor Titular, na Área de Artes Plásticas, junto ao
Depto. de Artes Plásticas, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de
São Paulo.
Apresentar as realizações de uma vida, de forma sistemática,
é uma tarefa
que mostra o que fizemos, os nossos êxitos e malogros, criando uma espécie de
síntese entre o que estava no nosso projeto e não aconteceu e o que não estava e
aconteceu.
A organização
desses dados esconde uma história inconsciente, não
escrita, uma configuração que revela, ao mesmo tempo, as interações entre a vida e a
"signagem" na vida, isto é, como a vida migra para o signo e este para a vida, ou,
como diria Ortega y Gasset, "el hombre y su circunstancia".
É função destas memórias interpretar e trazer à luz essa história inscrita de forma
intensiva na extensão dos frios dados. Tudo isso com a perspectiva de alguns anos e
sem esquecer que trazemos o passado para o presente partindo da ótica deste
presente. Encaro o relato desta memória como produtor de linguagem, pois a vida
do sujeito sempre se projetará naquilo que faz.
A minha vocação para a arte, em especial pela pintura, manifestou-se desde
bem cedo. O meu primeiro "paideuma" artistico aconteceu no Museu do Prado em
Madrid. Ali descobri Zurbarán, Velázquez e Goya, o clichê expressivo hispânico.
Dos modernos, o madrilenho e cubista analítico Juan Gris e Picasso. Na época,
combinava trabalho e estudo. Depois do trabalho cotidiano, assistia à noite aulas de
desenho e pintura aproveitando as poucas oportunidades existentes.
Acompanhava
a cultura artística no ambiente madrilenho de pós-guerra, da década de cinquenta,
percebendo o conflito entre abstratos e figurativos: a expressão das vanguardas
internacionais ligadas ao informalismo, com o grupo "EI Paso" à frente; contrapondo
os segundos que advogavam por uma arte engajada, em vista da situação política e
social. Havia que "pintar con fuerza",
"Ia estética de Ia
miséria" ou, o grito
"metafisico" e "social" do ser humano. A geometria (tanto para abstratos como para
figurativos) era "fria", "alienada" e "formalista", era portanto anti-estalinista.
A estética marxista e lukacsiana e as diretrizes do "realismo socialista", eram
promovidas pelo PCE (Partido Comunista Espanhol) e que tomaram forma através
da "Estampa Popular". Os "gritos" do "Guernica" (J 937) e do "Corea" (1951), de
Picasso, (exilado até o fim da sua vida na França) ressoavam junto com a vela
expressiva ibérica e catalizavam as influências, visando uma contraposição com a
arte plena de sentido, grandiloquente,
megalomaníaca
do regime franquista. Por
aqueles tempos, o caráter repressivo do fascismo espanhol impunha suas condições
à cultura. AI1istas e intelectuais de uma forma ou de outra sentiam a pressão política
e policial. Havia também, a oscilação de consciência entre arte e vida, entre poética e
política, como no caso do vasco Agustin Ibarrola que fizera parte do concreto
"Equipo
57" e depois
começou
a fazer arte
engajada
com
preocupações
socializantes. Isto, depois de atravessar períodos alternos de prisão e liberdade.
Também existiam
geografia
espanhola
aqueles que faturavam com o sistema e enchiam a
de iconogratias
principalmente pintores:
alegóricas
vivos, presos,
do fascismo.
Havia de tudo,
exilados, engajados, ricos e pobres. Todos
eles lutavam por uma Espanha democrática. Paris estava cheia de pintores espanhóis
que pintavam paredes para sobreviver enquanto não se realizava o sonho de veremse incluídos na história da arte, o decano de todos eles: Picasso. Salvador Dalí,
(anagramatizado
por Breton como "Ávida Oollars"), ficava em cima do muro,
decorando-o com ovos, surrealisticamente.
Em sincronia, o grupo catalão de cunho surrealista "Oau ai Set", com Tápies,
Miró, Tarrats e outros, e também as tendências concretas com o
"Equipo 57",
grupo este que colocava a criação de forma radical e coletiva com a eliminação do
ego artístico e sua assinatura, pintavam em grupo a mesma obra. Preferia-se a
concreção da escultura do vasco Jorge de Oteiza (premiado em 1951, na Bienal de
São Paulo), em lugar do abstrato Chillida. Neste panorama de miséria material, mas
rico em lutas ideológicas, políticas e culturais, iniciava-me na arte. Minha preferência
manifestava-se no desejo
de construir e não de expressar. Preferia a Espanha da
criação concisa, das formas lapidadas (como em Zurbarán) em pedra na paisagem
ensolarada e vazia, no limite entre o céu e a terra, de Castela; a Espanha do
românico, da arquitetura militar dos castelos, cujos volumes ordenam a luz, também
a Espanha árabe e oriental que se manifesta através dos diagramas e da geometria
como expressão universal e cósmica. Começo a perceber uma Espanha da expressão
que oculta e abafa uma Espanha da construção. João Cabral de MeIo Neto diria anos
depois em "Agrestes": "Espanha é coisa de tripa! e que é de donde o andaluz sabe/
fazer subir seu cantar tenso/ a expressão, explosão, de tudo/ que se faz na beira do
extremo/. ..
li .
Percebia o conflito cultural entre a ordem de uma arte sintática e o suspeito
gosto pelo sentido, que reflete a arte figurativa. A minha primeira fase artística mais
significativa, ... fQi
figurativa,
meu tema: o telúrico da paisagem, a natureza morta, os
'
.
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objetos. Visão construída, menos as figurlls do que o espaço plástico, menos o tema
e mais a construção, menos o quadro Êloque a pintura. Mas o interessante daquela
época foi realmente o contato com museus, exposições e obras artísticas da história,
recebendo o conflito entre originais e reproduções de massa, ou seja, o "Museu
Imaginário" ("avant Ia lettre") Era a década de cinquenta e a minha primeira viagem
pela Europa. Vi a trilogia da arte moderna Van Gogh/Cézanne/Gauguin
no Jeu de
Paume. Foi chocante, pois conhecia a obra destes artistas através das reproduções.
Assistia então, às aulas livres do Circulo de Bellas Artes em Madrid, modelo
vivo, pintura. A Ecole de Beaux Arts e Academie Julian de Paris veio depois, onde
proseguia meus estudos, também em Colonia e Dusseldorf por onde ,andava o grupo
"Fluxus" e o Muro de Berlim era construido. Nesta segunda viagem'pela Europa, no
..
começo dos sessenta, fiz a minha primeira exposição.
Amplia-se o repertório:
Mondrian, Malevitch, Klee, Kandinski, Veermer de..., Delft, Gabo, Pevsner, a Arte
.
Concreta,
a Bauhaus, Moholy Nagy. É no começo 'desta década que a minha
expressão
al1ística começa a frutificar
a partir do contato com as obras da
vanguarda russa existentes nos museus europeus.
De
volta
à
Espanha,
surgiram
as
primeiras
expOSlçoes,
coletivas
principalmente e a formação de grupos e núcleos de discussões artísticas. Surgem
também as primeiras críticas e convites para realizar exposições, também o mercado
da arte e a selva artística. Pronto, percebi que o artista plástico vira comerciante,
"companheiro
de viagem", "colega", capaz de manter posições políticas e não
poéticas, bajulador do poder que vive da direita e se alinha politicamente com a
esquerda ...
Por outro lado, começa a configurar-se, no contexto cultural dos sessenta, a
noção de "geração" em arte, capitalizada pelo crítico Juan Antonio Aguirre, que nos
apresenta
como
grupo
artístico
oposto
ao
informalismo.
Apesar
desta
arregimentação "extensiva" de artistas que se definem pela diacronia e que abrigava
portanto, um pluralismo de estilos, preferia a relação "intensiva"
ou sincrônica, isto
é,. como configuração paradigmática e "afinidade eletiva".
Surgem as primeiras esculturas como "estruturas primárias", mínimas, que
enfatizam o espaço e as relações entre elementos.
O espaço, a superficie, a
geometria
e o número começam a tomar forma e a traduzir-se
concretas,
do lado poético, já do lado político da cultura, a organização
"Cooperativa
de Producción
em Imagens
Artística" em Madrid, nos colocamos
da
questões
relativas a interdisciplinaridade. Poetas, escritores, músicos e pintores debatem as
poéticas da modernidade e colocam o problema da produção/consumo
no contexto
de uma
implantação
da
sociedade
sociedade
de
que está em processo
massas
e começa
em arte. Isto,
de industrialização
abrir-se
para
e
o exterior.
Paralelamente nos organizamos, na mesma Cooperativa, para driblar a censura e o
sequestro de informação pela ditadura. Era no exterior que íamos procurar as nossas
fontes de informação. Surgem assim, os primeiros contatos com a poesia visual
internacional, a semiótica, e, em particular, com a Poesia Concreta Brasileira do
grupo "Noigandres" (1962).
Na minha arte, as estruturas primanas e
minimalistas, tomam forma ao
mesmo tempo em que surge, em meu horizonte poético, a arte combinatória,
permutacional e modular, que se coditica na "obra aberta". Pura intuição, pois pouco
tempo depois entraria em contato com a teoria de U. Eco, confirmando as minhas
intuições em relação a exploração
do "campo dos possíveis".
Tomei contato
também com "A arte no horizonte do provável" de Haroldo de Campos, com quem
troquei alguma correspondência na época. Surgem também, as primeiras idéias para
computação gráfica, não realizadas pela falta de tecnologia disponível. Começo a
interessar-me pela semiótica, a estética informacional (Bense), o desenho industrial e
comunicação visual,
aspectos estes que culminam no livro de artista como obra
autônoma, trabalhos estes, que tomarão forma na década de 70 no Brasil.
Depois de realizar uma exposição individual em Madrid (1966), ganhei uma
bolsa do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), a título de "Cooperação
Intelectual Brasil-Espanha". Esta bolsa, me traz ao Rio de Janeiro, onde fui muito
bem recebido pela ESDI, Escola Superior de Desenho Industrial da Guanabara e sua
diretora, Carmen Portinho, que me abriu os espaços da Escola e seus ateliês para
trabalhar. Entre julho de 67 e 69, toda minha produção foi realizada lá. Vim ao
Brasil,
também
Internacional
connhecer
acompanhando
a representação
espanhola
para a IX Bienal
de São Paulo daquele mesmo ano e com grande interesse por
Brasília e os integrantes do grupo "Noigandres": Haroldo de Campos,
Décio Pignatari, Augusto de Campos e também Waldemar Cordeiro. Com a leitura
dos textos e teorias deste grupo, aumenta meu interesse pela poesia, principalmente
a visual e a teorização sobre as artes. Começam as primeiras exposições de artes
plásticas no Brasil e também com o grupo de "Poesia Processo" de Wladimir Dias
Pino, Alvaro e Neide de Sá. Era o Rio da problemática política de 68. Fiz amizade
com Hélio de Oticica, Alexander Wolner, Pignatari, Aluísio Magalhães e Carmen
Portinho. Também com Frederico de Morais, Ivan Serpa, Cildo Meirelles, Raimundo
Collares e outros artistas, que na época se iniciavam no campo da arte.
Na ESDI, as artes gráficas, o desenho industrial e a comunicação visual
entram definitivamente
no meu campo de interesse e se integram nas minhas
pesquisas e poéticas. Nessa época, dividia meu tempo entre Rio e São Paulo, pois a
convite de Julio Pacello, editor de livros de arte, realizo o
livro: "Julio Plaza-
Objetos", em São Paulo. Com este projeto, entrei em contato com o poeta Augusto
de Campos, a quem convidei para fazer uma espécie de prólogo para o livro que
resultou num objeto-poema. A partir de então, iniciamos juntos, Augusto e eu, um
trabalho de colaboração de cunho intersemiótico que integra poesia visual e espaço,
através do "livro-objeto". Terminada a impressão, surge um convite da Universidad
de Puerto Rico para realizar esculturas para seu campus, ao mesmo tempo em que se
estrutura o programa em artes no Depto. de Humanidades
e sou incumbido de
organizar os ateliês, salas de exposições e toda a infra-estrutura para o ensino de
alie. Foi lá que comecei a escrever os primeiros textos sobre arte de forma
sistemática. Ensino, teoria, estudo e prática artística começam a criar em mim uma
configuração,
que tem como
produto
imediato,
a pesquisa
e a instituição
universitária como suporte da mesma. Ainda morando em Puerto Rico, vim
ao
Brasil para lecionar cursos no Instituto de Artes da UFRGS em Porto Alegre.
Na época, me correspondia
com Waldemar Cordeiro, pois acompanhava,
com interesse, suas pesquisas com a arte computacional, além de participarmos de
uma exposição. Waldemar convidou-me
para lecionar no Instituto de Artes da
Unicamp, que no momento vinha sendo organizado. Convite este, não concretizado,
pois Waldemar Cordeiro viria a falecer tempo depois.
O eixo arte-pesquisa-teoria-ensino
supõe o abandono do mercado da arte e a
dominância da pesquisa em arte. A conceituação sobre o suporte da arte, a sua
inclusão dentro de um sistema mais vasto, me levam à arte conceitual e às práticas
com os multimeios.
Surge a "arte pelo correio" como forma de comunicação
"anárquica", além exposições e curadorias como forma de criar novos meios e
públicos, novas leituras e espaços.
Passados quatro anos em Puerto Rico, regressei a São Paulo (1973), onde
ingresso na FAAP, a convite de seu diretor Donato Ferrari e na ECA-USP, a convite
do Prof. Walter Zanini, com quem colaborei e organizei exposições no MAC-USP:
"Plásticas Visuais" e "Prospectiva'74"
dois marcos para a arte "não-sistema" no
Brasil e que se configuram com as anteriores JAC (Jovem Arte Contemporânea),
organizadas pelo professor Zanini e Donato Ferrari. Nesse período, também fazia a
programação visual do Museu de Arte Contemporânea da USP durante a direção de
Walter Zanini, com quem mantenho uma singular amizade até hoje.
Comecei a lecionar no Departamento de Artes Plásticas da ECA em 1974,
disciplinas relacionadas
com a linguagem visual,
mantendo ao mesmo tempo,
intensa atividade cultural no âmbito de São Paulo, do pais e do exterior. Continuam
as colaborações
"Poemóbiles"
tecnológicos
com Augusto de Campos, resultando na edição de dois livros:
(1974) e "Caixa Preta"
(1975),
além de trabalhos
com meios
que se extendem até hoje com a holografia e a infografia. Começa
também nessa época, a
edição de revistas alternativas e a colaboração
com
escritores e poetas, procurando uma relação dialética com outras séries artisticas.
Como pesquisador, trabalhei no IDART (Centro de Documentação de Arte
Brasileira) de São Paulo (1977), onde realizei pesquisas sobre linguagem gráfica
comparada na imprensa de São Paulo e produção editorial. Muita pesquisa de campo
foi feita em relação ao sistema industrial paulista de produção
destes objetos
culturais. Era a gestão de Décio Pignatari como diretor e posteriormente a de Paulo
Emílio Salles Gomes e Maria Eugênia Franco. Aquelas pesquisas foram muito
utilizadas por pesquisadores e alunos do curso de Jornalismo da PUC-SP.
Nese momento, organizo em São Paulo, a escola de Artes Visuais: "Aster",
junto com Walter Zanini, Regina Silveira e Donato Ferrari. Esta escola propunha-se
como um ateliêr-escola e em torno da qual, organizaram-se numerosas atividades de
trabalho com as diversas "linguagens" aiiísticas, bem como seções de vídeo e
conferências. Por esta escola passaram alunos que hoje estão em plena atividade
profissional. Finalmente, a escola tornou-se insustentável, pois entramos em conflito
com a Prefeitura de São Paulo, que nos atingiu com pesada multa por operar em
área residencial. Apesar da sua curta duração, seu balanço foi positivo para os
alunos e profissionais que passaram por lá. Penso que para nós, os organizadores,
também.
No campo do ensino, a experiência na FAAP, na ECA-USP e também como
professor na PUC-SP, nos cursos de "Jornalismo Gráfico" e "Análise dos sistemas
audiovisuais",
possibilitou
a indicação
do MEC para lecionar as respectivas
disciplinas e por outro lado, a necessidade de fazer pós-graduação. Inscrevo-me, por
"afinidade eletiva", no programa de pós- graduação da Comunicação e Semiótica da
PUC-SP, onde realizo estudos de Mestrado com a dissertação: "Videografia em
Videotexto", apresentada à banca composta pelos Profs. Drs. Maria Lúcia Santaella
Braga, Fredric Michael Litto e Lucrécia D'Aléssio Ferrara. Posteriormente, realizei o
Doutorado
com a tese: "Sobre Tradução
Intersemiótica",
apresentada
à banca
composta pelos Profs. Drs. Maria Lúcia Santaella Braga, Fernando Segolin, Walter
Zanini, Haroldo
de Campos
e Annateresa
Fabris. Ambos os títulos
foram
reconhecidos pela USP e os trabalhos de pesquisa publicados.
Os estudos de semiótica desenvolveram em mim, um potencial de capacidade
e desempenho
no campo da teoria da comunicação,
da alie e dos multimeios,
unificando teoria e prática, criação e reflexão sobre a produção simbólica, que
sintetizam os reencontros das séries artísticas com as tecnologias. Paralelamente,
surgem as primeiras "instalações" em galerias de arte de São Paulo e o interesse
pelos "multimeios": cinema, vídeo-arte e também Videotexto, com o que início uma
nova fase de criação
artística e de reflexão teórica
sobre os novos meios
tecnológicos.
Em relação à atividade de pesqUIsa, ela está inserida na continuidade
histórica
das
contemporânea
minhas
preocupações
relacionada
e reflexões
com a tecnologia.
sobre
a produção
A situação
artística
em sequência
das
pesquisas de mestrado, doutorado é significativa não somente pela continuidade do
pensamento, mas também pela uni cidade dos temas tratados que se relacionam com
a criação,
produção
e comunicação
do signo estético. Nesses aspectos,
está
subjacente a idéia de mutação constante possibilitada por processos tradutórios
dominantemente
tecnológicos.
Essa
produção
teórica,
no entanto,
tem sido
acompanhada de forma indissociável de práticas criativas em diferentes meios das
Novas Tecnologias
organização
da Comunicação,
de exposições,
disponíveis no contexto cultural e com a
através de projetos estéticos definidos que criaram
espaços de reflexão e mostra de objetos culturais realizados com esses meios:
Videotexto, gráfica computacional, holografia, telemática, vídeo, cinema, fotografia,
artes gráficas, enfim, os chamados multimeios, constituem pluralidade de centros de
atenção
e
interesse
relacionamento
interdisciplinar.
Como
entre arte e tecnologia,
Plásticas disciplinas de Multimídia.
resultado
desse
processo
instauramos no Departamento
de
de Artes
Recentemente, e no campo da pós-graduação
na ECA-USP, criamos no Depto. de Artes Plásticas a linha de pesquísa "Poéticas
Visuais". Esta linha procura
uma reflexão sobre as práticas al1ísticas e sua
formatividade, isto é, sobre os modos de operar em arte, ampliando assim, o leque
de opções das linhas de pesquisa que enfatizam a reflexão sobre a obra de arte
depois de feita. A instauração
desta linha de pesquisa é produto evidente da
experiência conquistada com anos de trabalho e também de colaboração com um
projeto departamental. Por outro lado, e dentro do quadro de professores da ECAUSP, prossegui o processo de atualização na carreira universitária. Nesse contexto,
realizei a pesquisa com o título: "A Imagem Digital: Crise dos Sistemas de
Representação",
que se desenvolveu
sistematicamente como um projeto dirigido
p~ra tese acadêmica de Livre-Docência que foi apresentada ao Departamento de
Artes Plásticas da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo
em novembro
de 1991. A Banca examinadora
era formada pelos Professores
Titulares: Walter Zanini, Lucrécia D'Aléssio Ferrara, Décio Pignatari, Anateresa
Fabris e Aurora Fornoni Bernardini. Esta banca examinou minuciosa e atentamente
essa pesquisa, fazendo críticas construtivas, análises inteligentes, sugestões e pontos
de vista que serviram de estímulo e contribuiram para esclarecer vários aspectos de
meu trabalho que agora entra em fase de publicação.
Com relação aos últimos cinco anos, posso afirmar que esse período tem se
pautado por uma forte e constante
graduação,
pesquisa, concursos,
atuação, principalmente
exposições
nas áreas de pós-
e também de produção
de textos
teóricos e criativos.
Em abril de 1991, fui convidado pelo Departamento
de Multimeios do
Instituto de Artes da Unicamp, para colaborar no Programa de Pós-Graduação
do
Depto. como Professor Colaborador em acúmulo legal de cargo com a ECA-USP.
Essa colaboração com o Depto. de Multimeios tornou-se fonte de prazer intelectual
e ao mesmo tempo, desafio profissional. Desde então,
continuo
ministrando as
disciplinas: "Estética e Semiótica em Artes" e "Processo Criativo e Metodologia",
em nível de Pós-graduação.
Atualmente tenho sob a minha responsabilidade dez orientandos, três dos
quais estão em fase final de apresentação
de Dissertação
no Departamento
de
Multimeios, além de três doutorandos na ECA-USP. Dentre as atividades científicas
realizadas no período, cabe destacar a participação
Qualificação, de Mestrado
e Doutorado
em bancas de Exames de
bem como de concursos públicos, não
somente no IA, Unicamp, como também na ECA-USP, FAU-USP e UNESP, além
de ter formado vários orientandos na ECA-USP. Nesse período, foi concluída a
pesquisa "As Linguagens Holográficas" financiada pelo CNPq de 1992 a 1994,
tendo o relatório tlnal aprovado.
Apresentei
trabalhos
em congressos
que estão em vias de publicação.
Publiquei vários aliigos em revistas especializadas e um capítulo de livro, bem como
trabalhos gráficos, de cunho criativo.
Referente às atividades artísticas, realizei exposições de
arte no Brasil,
POliugal, Itália e Espanha com produções próprias. Em 1992, recebemos (como
parte de um coletivo),
o Prêmio de "Arte-Comunicação"
dado pela APCA,
Associação Paulista de Críticos de Arte, pela participação na exposição coletiva:
"Homenagem à Avenida Paulista", realizada no SESC Paulista em 1991.
No período em
questão, recebi várias referências bibliográficas pelo meu
trabalho na área de artes, onde cabe destacar a exposição "Bienal Brasil: Século XX"
realizada pela Fundação Bienal de São Paulo em maio de 1994.
Com relação à prestação de serviços à comunidade, exerço essas atividades
de forma circunstancial e conforme a demanda. De um modo geral, são atividades de
caráter diverso, como depoimentos e/ou entrevistas aos meios de comunicação (caso
do programa no Canal 2 Cultura que na sua emissão de 12110/94, levou ao ar uma
matéria sobre arte no Museu de Arte Contemporânea da USP), como formador de
opinião, artigos em jornais, participação em juris de seleção (de concursos de arte,
de vídeo, marcas e logotipos,
orientações
cartazes,
etc.). Assessorias
as mais diversas e
informais a profissionais e estudantes são os casos mais incidentes.
Também incide a colaboração com jornais- laboratório e cursos específicos.
Do lado administrativo, exerci a Vice-Chefia do Depto. de Artes Plásticas
(1991-93) e a Chefia durante biênio de 1993-95.
Relacionado á carreira universitária, realizei, em junho de 1994, concurso
para Professor Assistente MS-2, junto ao Depto. de Alies Plásticas da ECA-USP. A
Banca examinadora era formada pelos Professores Titulares: Walter Zanini (ECAUSP),
Élide Monzéglio
(FAU-USP),
Anateresa
Fabris (ECA-USP),
Eduardo
Penuela Canizal (ECA-USP) e Virgílio Noya Pinto (ECA-USP).
Atualmente, foi elaborado um projeto de pesquisa, com apoio da FAPESP,
com o título: "Processos Criativos Computacionais: A Imagem Digital", que visa
construir modelos em 3D (três dimensões), em computação gráfica, que servirão
como material didático para disciplinas. Também estou preparando livro com ensaios
sobre poéticas tecnológicas.
Como trajetória científica, atuo na linha de pesquisa que interelaciona arte
com tecnologia e que tem como objeto específico as "poétícas visuais", ou seja, as
práticas artísticas e sua formatividade ou modos de operar em arte. Nesse sentido,
procuro inserir meus projetos de pesquisa nessas áreas onde falta informação, como
o confirmam as teses produzidas para mestrado, doutorado e livre-docência. De
outro lado, tenho claro o meu papel como pesquisador e como artista, pois se o
segundo
utiliza a pesquisa
como meio Uá que não há compromisso
com a
"verdade"), o primeiro utiliza a pesquisa como fIm, isto é, como compromisso com a
verdade do conhecimento.
Como trajetória artística, fica evidente uma configuração alinhada com o
paradigma da arte como interesse estético e criação autônoma que faz uma ponte
interdisciplinar com a ciência (tecnologia), a teoria (que ilumina o real), o Oriente
(ideograma) e a prática intertextual
(poesia). Levando em conta a historicidade dos
suportes
da arte (multimídia),
quer dizer, algo que se inscreve numa teoria
"formalista" da arte e que procura eliminar, sempre que possível, o formulismo e o
formolismo.
Como fica manifesto neste memorial, conclui-se que a atuação é múltipla e
diversificada pois abrange atividades docentes, científicas (pesquisa) e artísticas,
além das administrativas, como mostra o elenco a seguir das atividades e eventos
realizados no período.