Resposta aos Recursos Prova Lingua Espanhola.

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Resposta aos Recursos Prova Lingua Espanhola.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
COORDENADORIA DE CONCURSOS – CCV
Evento – Seleção Pública para Composição de Banco de Recursos Humanos de Professores da
SEDUC
PARECER
A Comissão Examinadora da Prova de Língua Espanhola efetuou a análise do recurso Administrativo e
emitiu seu parecer nos termos a seguir.
Conhecimentos específicos – Questão 19
A questão 19 versa sobre o significado correspondente de alguns termos em espanhol com base no texto
“Adquisición y/o aprendizaje del español/le”. Isso significa dizer que, apesar de um termo poder possuir
vários “sinônimos” possíveis tendo em vista os dicionários, há uma significação que se relaciona
diretamente ao entorno contextual em que a palavra se insere no texto.
Se buscarmos o significado da palavra “plantear” no dicionário, por exemplo, encontramos várias acepções
para tal termo, conforme se constata no “Diccionario de la Real Academia”:
“plantear1.
(De planta).
1. tr. Tantear, trazar o hacer planta de algo para procurar el acierto en ello.
2. tr. p. us. Establecer o poner en ejecución un sistema, una institución, una reforma, etc.
3. tr. Proponer, suscitar o exponer un problema matemático, un tema, una dificultad o una
duda.
4. tr. Enfocar la solución de un problema, lléguese o no a obtenerla. U. t. c. prnl.
plantear2.
(De planto).
1. intr. desus. Llorar, sollozar o gemir. Era u. t. c. tr.”
Fonte: http://buscon.rae.es/draeI/. Acesso em: 13 mar. 2012.
Em nenhuma das acepções para “plantear”, aparece como “sinônimo” a palavra “abordar”. O significado
atribuído a “plantear”, levando-se em consideração a leitura do texto, é o de “proponer”, o que é feito pela
autora ao reconhecer que, do ponto de vista psicológico, existem dois tipos de conhecimentos diferentes, a
saber: os adquiridos e os aprendidos. Entretanto, de uma perspectiva metodológica, ela propõe um
continuum, uma escala entre esses dois tipos de conhecimentos (“podemos plantear um continuum entre
ambos y utilizar todos los recursos a nuestro alcance...”). Em sendo assim, o significado “abordar” não se
encaixa nesse contexto.
É certo que, se buscarmos “abordar” no mesmo dicionário, veremos que “plantear” aparece como a sexta
significação:
“abordar.
(De bordo).
1. tr. Dicho de una embarcación: Llegar a otra, chocar o tocar con ella. U. t. c. intr.
2. tr. Atracar una nave a un desembarcadero, muelle o batería.
3. tr. Dicho de un pasajero: Subir a un medio de transporte. Abordar un tren, un avión, un
barco
4. tr. Acercarse a alguien para hacerle una pregunta, iniciar un diálogo o tratar algún asunto.
5. tr. Emprender o plantear un negocio o asunto.
6. tr. Plantear un asunto en el curso de una exposición oral o escrita.
7. intr. Mar. Aportar, tomar puerto, llegar a una costa, isla, etc.”
Fonte: http://buscon.rae.es/draeI/. Acesso em: 13 mar. 2012.
Entretanto, ao recorrermos novamente ao contexto de uso de “plantear”, percebemos que não é possível,
nesse caso, o significado de “abordar”. Segundo Cassany (2004), em “Las palabras y el escrito”, o
contexto possui um valor em relação ao significado de uma palavra:
Vale salientar ainda que o uso do dicionário constitui apenas um dos muitos recursos que um leitor possui
a seu dispor no momento de leitura de um dado texto. Assim, por não ser permitido o uso desse
instrumento para a resolução da prova, recorre-se a outras estratégias voltadas ao reconhecimento do
significado de um termo, como a morfossintaxe da palavra, o contexto de uso, o tema/ assunto tratado, o
conhecimento prévio, entre outras.
A questão não busca uma “definição exata” da palavra, mas o seu significado contextual, o que pode ser
apreendido a partir da inferência lexical. Com isso, se tentamos fazer a correspondência entre “plantear” e
“abordar”, conforme se encontram no texto, vemos que elas não se equivalem, pois a autora não “aborda”
um continuum, mas o “propõe” em relação à perspectiva metodológica, o que pode ser comprovado pelo
último parágrafo que sintetiza o que a autora propõe (“En resumen, lo que propongo es que, para
conseguir estadios más altos de competencia comunicativa...”).
Em face da argumentação apresentada, a Comissão indefere o recurso e ratifica o gabarito oficial.
Referência:
CASSANY,
D.
“Las
palabras
y
el
escrito”.
Disponível
em:
<
http://www.educacion.gob.es/dctm/redele/MaterialRedEle/Revista/2004_00/2004_redELE_0_05Cassany.pdf?documentId=0901e72b80e0c73c>. Acesso em:
13 mar. 2012.
Fortaleza, 14 de março de 2012.
Profa. Maria de Jesus de Sá Correia
Presidente da Coordenadoria de Concursos – CCV
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
COORDENADORIA DE CONCURSOS – CCV
Evento – Seleção Pública para Composição de Banco de Recursos Humanos de Professores da
SEDUC
PARECER
A Comissão Examinadora da Prova de Língua Espanhola efetuou a análise do recurso Administrativo e
emitiu seu parecer nos termos a seguir.
Conhecimentos específicos – Questão 28
A questão 28 versa sobre gênero textual, especificamente, sobre o reconhecimento de um dado gênero
narrativo por parte dos usuários da língua a partir de um texto que entrelaça linguagem verbal e nãoverbal. Trata-se de uma “tira” desenvolvida por Nik, um argentino que produziu um personagem chamado
“Gaturro”.
Para a resolução da questão, três itens parecem estar entrelaçados, mas não são equivalentes, a saber: a)
tira; b) tebeo; c) chiste.
É certo que, segundo o “Diccionário de la Real Academia”, as significações de “tira” são:
“tira.
(De tirar).
1. f. Pedazo largo y angosto de tela, papel, cuero u otra cosa delgada.
2. f. historieta (‖ serie de dibujos).
3. f. vulg. Gran cantidad de algo. Vino LA tira de gente
4. f. Derecho que se pagaba en las escribanías por tomar el pleito que iba en apelación al
tribunal superior y se regulaba por las hojas, a tanto por cada una. Era u. m. en pl.
5. f. Mar. Parte de un cabo que pasando por un motón se extiende horizontalmente de modo
que se agarren de ella los marineros para halar.
~ cómica.
1. f. historieta (‖ serie de dibujos).
~ emplástica.
1. f. Ur. esparadrapo.
□ V.
asado de tira”
Fonte: http://buscon.rae.es/draeI/. Acesso em: 13 mar. 2012.
Nessa definição, a palavra “historieta” aparece como um link para outra definição, a qual remete à tira:
“historieta.
1. f. Serie de dibujos que constituye un relato cómico, dramático, fantástico, policíaco, de
aventuras, etc., con texto o sin él. Puede ser una simple tira en la prensa, una página
completa o un libro.”
Fonte: http://buscon.rae.es/draeI/. Acesso em: 13 mar. 2012.
Percebe-se que o exemplo dado é uma “tira” ou uma página inteira, e não um “chiste”.
Em relação a “chiste”, o dicionário apresenta o seguinte:
“chiste.
(De chistar).
1. m. Dicho u ocurrencia aguda y graciosa.
2. m. Dicho o historieta muy breve que contiene un juego verbal o conceptual capaz de mover
a risa. Muchas veces se presenta ilustrado por un dibujo, y puede consistir solo en este.
3. m. Suceso gracioso y festivo.
4. m. chanza. Hacer chiste de algo”
Fonte: http://buscon.rae.es/draeI/. Acesso em: 13 mar. 2012.
O uso da palavra “historieta” na definição de “chiste” não é o mesmo da palavra “historieta” (link para
outra acepção no dicionário) na definição de “tira”. Nos dois casos, temos o sufixo diminutivo {-eta}, mas,
na primeira, ele indica apenas “história pequena, curta”; enquanto na outra (“historieta”), já pode
denotar um novo referente, que, a depender da variedade da língua, pode ser considerado como
equivalente a “tebeo”.
A palavra “historieta” aparece no significado das palavras “tira” e “chiste”, porque é um “hiperômino”, ou
seja, é um indicador de classe, nos termos de Koch (2005), o que constitui um recurso importante na
construção da definição das palavras pelos dicionários. É certo que “tira” e “chiste” possuem
características convergentes, mas não a mesma carga semântica, pois, ainda que parecidas, a estrutura
textual, a função social e a designação dos referentes são diferentes, pois um “gênero” textual é
concebido como “entidades sócio-discursivas e formas de ação social incontornáveis em qualquer situação
comunicativa”. Segundo Marcuschi (2005), em “Gêneros textuais: definição e funcionalidade”, os gêneros
textuais possuem as seguintes características:
“(...) a) realizações linguísticas concretas definidas por propriedades sóciocomunicativas;
b) constituem textos empiricamente realizados cumprindo funções em situações
comunicativas;
c) sua nomeação abrange um conjunto aberto e praticamente ilimitado de
designações concretas determinadas pelo canal, estilo, conteúdo, composição e
função; (...)”. (p.23)
Desse modo, a “tira” é um tipo de “historieta” assim como o “chiste”, pois ambos constituem uma
narrativa, mas distingue-se primordialmente pela estruturação textual: a “tira” é uma composição de mais
de um quadro de desenho (“uma série de desenhos” - como ocorre no texto em questão), de modo que a
narrativa se desenvolve ao longo de vários quadros; o “chiste” é uma narrativa curta que pode ser
ilustrada com um desenho ou ser constituído por um único desenho, conforme aparece na explicação do
dicionário, pois em geral, este gênero caracteriza-se pelo uso quase exclusivo da linguagem verbal. Não
há, portanto, a sequência de quadros, como ocorre na “tira”. Além disso, o “chiste” pretende produzir um
efeito de sentido típico: “provocar risos”, o que nem sempre é uma característica da “tira”.
Nas definições de cada palavra “tira” e “chiste”, não há referência de uma com a outra, mas com
“historieta”, o que pode levar a uma conclusão equivocada de que as duas primeiras designam o mesmo
referente, ou seja, a um falso silogismo do tipo “Toda ‘tira’ é uma ‘historeta’/ Um ‘chiste’ é uma
‘historieta’/ Então uma ‘tira’ é um ‘chiste’.”.
A diferença estrutural que se estabelece aqui é equiparável a que existe entre os gêneros “romance”,
“novela”, “conto”, por exemplo. Todos esses são, em geral, narrativas, mas diferenciam-se pelo tamanho
da narrativa, pela complexidade temática, pelos personagens, etc, o que faz com que cada um seja
reconhecido como um “gênero textual” específico. Desse modo, a alternativa C não é uma resposta
possível.
Em relação à “tebeo”, o dicionário traz o seguinte:
“tebeo2.
(De TBO, nombre de una revista española fundada en 1917).
1. m. Revista infantil de historietas cuyo asunto se desarrolla en series de dibujos.
2. m. Sección de un periódico en la cual se publican historietas gráficas de esta clase.
Fonte: http://buscon.rae.es/draeI/. Acesso em: 13 mar. 2012.
Como se vê, a palavra “tebeo” não se relaciona ao gênero textual em si, mas ao suporte material
(revista/ seção de jornal), ou seja, à “dimensão midialógica dos enunciados”. Desse modo, a alternativa
B não é uma resposta possível.
Um “tebeo” o um “cómic” apresenta uma continuidade narrativa sobre um dado personagem, como
“Homem-Aranha”, “Superman”, sendo mantido com uma freqüência de tiragem pré-estabelecida pelas
editoras.
Por fim, vale salientar dois pontos importantes:
a) O próprio autor do texto reconhece-o como “tira”, ao colocar no seu site (http://www.gaturro.com/) o
link denominado “tiras”, de onde foi extraído o texto para a composição da questão 28.
b) Os equivalentes para “tira” e “chiste” em português são, respectivamente, “tirinha” e “piada”.
Em face da argumentação apresentada, a Comissão indefere o recurso e ratifica o gabarito oficial.
Referências:
KOCH, I, V. A coesão textual. São Paulo: Contexto, 2005.
MARCUSCHI, L. A. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: DIONISIO, A. P. et al. (Orgs.). Gêneros
textuais & Ensino. 4ª. Ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005, p.19-36.
Fortaleza, 14 de março de 2012.
Profa. Maria de Jesus de Sá Correia
Presidente da Coordenadoria de Concursos – CCV