48 jogadores 01

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48 jogadores 01
48 JOGADORES 01
EDITORIAL
A crise
e as oportunidades!
“Não nos iludamos: a dignidade da profissão de futebolista depende
de todos. De ti também. Não fiques de fora da nossa equipa”
Joaquim Evangelista
Presidente do SJPF
A propósito da dimensão da crise muitos perspectivaram
oportunidades para o País e para o futebol. Quais
oportunidades?
Bruno Teixeira
Joaquim Evangelista | Presidente da Direcção
Áreas de Intervenção
Assessoria Jurídica e Fiscal
Formação e Qualificação Profissional
Protecção Social e Seguros
Defesa da Saúde
Fundo de Garantia Salarial
Fundo de Solidariedade Social
Estágio do Jogador
Football Jobs - O Portal do Emprego
Futebol Feminino, Futsal e Futebol de Praia
Acordos e Benefícios
02 JOGADORES 48
Com efeito, as medidas anunciadas pressupunham
um ajustamento ao qual o desporto não seria
alheio. Mais se convenceram os portugueses
que o seu esforço seria exigido a todos e que as
medidas teriam consequências positivas.
Afinal, constata-se que, além de não resolverem,
agravaram os problemas e penalizaram os mais
vulneráveis e os rendimentos do trabalho.
Nestas circunstâncias e após o anúncio do
aumento da Taxa Social Única dos trabalhadores
de 11 para 18 por cento os portugueses decidiram
dar um murro na mesa e ser “activos” no
futuro de Portugal. As reacções (na rua ou não)
sucederam-se e não há ninguém indiferente.
Assim, também o desporto, e o futebol em
particular, deve assumir-se. O Sindicato dos
Jogadores Profissionais de Futebol fê-lo de
imediato. Não estamos reféns da ideia que
alguns erradamente insistem em promover de
que os futebolistas são uns privilegiados. Esses
Selecção
Nacional AA
Duas vitórias
no arranque
para o Mundial 2014.
não conhecem ou não querem falar do país
desportivo. Limitam-se a hipocritamente a
criticar algumas transferências milionárias
e a tentar associar todos a uma realidade
excepcional. Essa, todos sabemos, não é
a realidade do futebol português nem é a
realidade dos futebolistas portugueses, antes
pelo contrário.
Infelizmente, com falsos argumentos,
progressivamente atingiu-se toda a classe.
Pois bem, é hora de os jogadores também
serem activos na defesa dos seus direitos.
À semelhança dos demais cidadãos, estas
medidas também os atingem. À semelhança
dos demais cidadãos é preciso reagir com
sentido de responsabilidade.
10.º Estágio do Jogador
A propósito da crise e das dificuldades,
o Sindicato, através desta acção de
Cidade
do Futebol
Uma infra-estrutura
bem-vinda
ao futebol português.
responsabilidade social, mobilizou 88
jogadores. De facto, dos 46 jogadores que
participaram no Norte, 21 arranjaram clube
e dos 42 que estiveram nos trabalhos no
Sul, 19 conseguiram rubricar um contrato
de trabalho. No total, e até à data em que
escrevo este editorial, 40 vincularam-se
a clubes de Norte a Sul do País e até no
estrangeiro (Gabão e Moldávia).
Entretanto decorreram 10 edições desde
o primeiro evento (2002). Mobilizámos
jogadores, treinadores, médicos,
fisioterapeutas… Com o apoio de vários
parceiros e uma equipa fantástica estamos
na primeira linha no apoio aos jogadores de
futebol mais carenciados. Poucos se podem
orgulhar de fazer tanto, com tão pouco, pelos
protagonistas que alimentam uma indústria
de milhões que há muito deixou de se
preocupar com os seus problemas reais.
GOVERNO
As medidas
de austeridade têm limites.
A mudança da TSU
foi a gota de água.
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memória
“
É inadmissível
que um jogador trabalhe
e não receba
ASF - Agência de Serviços Fotográficos - [email protected] | Imagens que fazem história
Bruno Teixeira
”
Edição e propriedade
SJPF, Rua Nova do Almada, nº 11
3º Drt., 1200-288 Lisboa
www.sjpf.pt | [email protected]
T: 213 219 590 | f: 213 431 061
Director
Dossier:
10.º Estágio do Jogador
P.14
Liga dos Campeões:
Os jogadores portugueses
P.30
Portugal no Mundo:
Marco Soares
P.34
Joaquim Evangelista
Director adjunto
Vitor Crisóstomo
Redacção
Tiago Abreu
Design
M&M Design
Paginação
Bruno Teixeira
Fotografia
Bruno Teixeira, Stephane Saint Raymond,
ASF, Lusa, EPA
Colaboradores
Gustavo Pires,
José Neto e Manuel Sérgio
Impressão
Locape
Tiragem
Jovens Talentos:
As Nossas Internacionais:
Bruma e Ivan Cavaleiro
Sónia Matias
P.42
P.44
3 Editorial 4 Índice 5 Memória: Fernando Gomes
6 Zoom: Homenagem a Marco Aurélio 08 Entrevista: Licá
14 Dossier: Balanço final do 10.º Estágio do Jogador 24 Notícias
26 Gabinete Jurídico 28 FIFPro 30 Os jogadores portugueses na Liga dos Campeões
32 Estudos vs Profissão: Nuno Piloto 34 Portugal no Mundo: Marco Soares
36 Área Técnica: Paulo Fonseca 38 Apito: Jorge Sousa 40 Rumo ao Mundial 2014
41 Opinião: Gustavo Pires 42 Jovens Talentos: Bruma e Ivan Cavaleiro
44 As Nossas Internacionais: Sónia Matias 46 Futsal
47 Onze Remates: Pedro Mendes e João Pedro 48 Opinião: Manuel Sérgio
49 Clipping 50 Glórias: José Travaços 52 Lazer: Automóveis, Relógios e Jogos
57 O Meu Estádio: Emílio Peixe 58 Regresso à Infância: Tiago
membro
2500 Exemplares
Dep. Legal 256825/07
O MEU ESTÁDIO: Peixe P.65
Lazer: Toyota GT86 P.52
Fernando Gomes
O capitão do FC
Porto exibe a
Supertaça Cândido
de Oliveira,
época 1983/84,
conquistada frente
ao Benfica.
Como tem sido hábito nos últimos anos, o FC Porto iniciou mais uma época a ganhar.
Os azuis e brancos bateram a Académica por 1-0 e conquistaram a 19.ª Supertaça
(quarta consecutiva) da sua história. Farias, Falcão, Rolando e Jackson Martínez
foram os principais responsáveis pelos triunfos portistas nas derradeiras edições
mas na década de oitenta do século passado, era Fernando Gomes, um goleador
genuinamente português quem dava cartas e contribuía decisivamente para a alegria
da nação portista.
Fotografia de capa: Bruno Teixeira
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zoom
Marco Aurélio, o escultor de campeões
Aos 64 anos, Marco Aurélio é muito provavelmente o principal rosto da formação do Sporting. Pelas suas mãos já passaram inúmeros jogadores e entre eles
dois Bolas de Ouro (Luís Figo e Cristiano Ronaldo). O Sporting, e bem, homenageou-o. André Martins, Pereirinha, Adrien, Carriço e Cédric foram alguns dos
seus “meninos” que não perderam a oportunidade de dar aquele abraço ao mestre. Um tributo merecido ao qual o SJPF se junta com apreço.
Rui Raimundo/ASF
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48 JOGADORES 07
ENTREVISTA
“
Espero que seja o ano da minha afirmação na I Liga
”
Avançado rápido e letal, Licá foi peça-chave na subida do Estoril à I Liga e considerado o melhor jogador da II Liga na última
época. Espera brilhar novamente em 2012/13 e ajudar o clube da Linha a atingir rapidamente a manutenção. Entre outras
ideias fortes, Licá elogia o papel do Sindicato e critica os clubes que não honram os seus compromissos.
Texto: Vitor Crisóstomo | Fotografia: Bruno Teixeira
Qual foi o seu trajecto até chegar ao Estoril?
Estive no Crasto, uma equipa de Castro Daire,
perto de Viseu, até ao primeiro ano de júnior. No
segundo ano de júnior fui para o Social de Lamas,
uma equipa que estava na III Divisão, e já jogava
pelos seniores. Nessa época marquei alguns golos
e fui contratado pela Académica de Coimbra.
Cheguei a Coimbra no meu primeiro ano de sénior.
No primeiro ano fui emprestado pela Académica
ao Tourizense. No segundo fazia parte do plantel
da Académica mas ia jogar ao Tourizense. No
terceiro ano comecei na Académica e depois
fui emprestado ao Trofense. Na época a seguir
mantive-me no Trofense. No ano a seguir, deixei a
Académica e assinei pelo Estoril.
joga nos distritais mas não fui influenciado por
ninguém. Eu morava a 50 metros do campo de
futebol da minha aldeia e desde pequeno que
ocupava todo o meu tempo livre a jogar futebol.
Terminou contrato com a Académica e
rumou ao Estoril. Foi a aposta certa?
Sem qualquer dúvida. O que consegui o ano
passado e a subida do Estoril à I Liga demonstram
isso mesmo.
De quem partiu a iniciativa de sair da
Académica? De si ou do clube?
Soube que não contavam comigo e como era o
meu último ano de contrato e não valia a pena
estar a ser emprestado. Por isso decidimos
rescindir e felizmente que vim para o Estoril.
O gosto pelo futebol vem de família? Houve
alguém que tivesse um papel determinante
na sua carreira?
O meu pai foi jogador – jogou na distrital – e o
meu irmão jogou na formação do Boavista e ainda
O Estoril é um clube para ficar mais algum
tempo?
Sim, acredito neste projecto. Tanto é que renovei
o meu contrato por mais dois anos. É um clube
que me dá garantias de sucesso e contribuir para
Porquê a opção pelo Estoril?
Tive outros convites mas o Estoril foi o clube que
mostrou mais vontade em me contratar. Qualquer
coisa me disse que tinha de vir para este clube
e foi a melhor opção que tomei.
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Como ganhou a alcunha de Licá?
Desde pequeno que me chamam assim. A minha
madrinha começou a chamar-me Licá – o meu
nome é Luís Carlos – e ficou.
a minha afirmação na I Liga.
Como foi a sua experiência em Coimbra?
Foi boa. Não me posso queixar. Só facto de ter
saído da forma que sai, rescindi contrato… mas
não guardo qualquer rancor. Em todo o caso foi a
Académica que me lançou no futebol profissional
e por isso estarei sempre agradecido ao clube.
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ENTREVISTA
Até então, tinha jogado em clubes do
Norte e do Centro. Vir para o Estoril
significou uma alteração da zona
geográfica. Pensou nisso antes de assinar
pelo Estoril?
Pensei mas depois de estar aqui não estou
nada arrependido, antes pelo contrário. Estou
aqui com a minha família e a adaptação foi
fácil.
De ano para ano (12 em 2011/12) tem
vindo a melhorar o seu registo pessoal de
golos. Qual a sua marca para esta época?
Não tenho qualquer meta de golos definida. O
meu objectivo é ajudar o Estoril. Claro que se
conseguisse o mesmo de número de golos do
ano passado seria muito bom. Mas só penso
em ajudar o Estoril.
Como jogador quais são os seus pontos
fortes?
A técnica, a velocidade e trabalho muito para
a equipa. Desgasto as defesas adversárias e
ajudo a minha equipa a defender.
E pontos a melhorar?
Posso melhorar na finalização, no aspecto
físico… todos os dias é possível melhorar mais
um bocado.
Pode dizer-se que 2011/12 foi a
temporada da sua afirmação?
Sim, sem dúvida. Na época passada comecei a
ser visto por muito mais pessoas e espero que
este ano seja o da minha afirmação na I Liga.
Tem notado muitas diferenças da I para a
II ligas?
Na I Liga as equipas têm mais qualidade e,
como é óbvio, o ano passado, o Estoril lutava
para subir de divisão. Esta época os objectivos
são diferentes. Por isso não podemos jogar da
10 JOGADORES 48
mesma forma. Penso que, acima de tudo, a
grande diferença entre as duas ligas está na
qualidade das equipas.
As marcações aos avançados são mais
cerradas?
Os jogadores têm mais qualidade e por isso a
dificuldade aumenta. Mas mesmo na II Liga
há muitos jogadores que têm qualidade para
estar na I Liga.
Na última época foi considerado o Melhor
Jogador da II Liga e ganhou várias vezes
os prémios de Melhor Jogador e Melhor
Jovem do Sindicato dos Jogadores
Profissionais de Futebol (SJPF). O que
significam para si? Considera importante
que o Sindicato distinga os jogadores?
Para começar é muito importante que o
Sindicato exista e que os jogadores se tornem
sócios. Podem não precisar dele no momento
mas nunca se sabe no futuro. O facto do
Sindicato distinguir os jogadores com os seus
prémios é muito positivo porque ajuda-nos a
trabalhar ainda mais. Chegar ao final de um
mês e ser distinguido com um prémio é muito
gratificante.
Faz bem ao ego?
Muito.
Ficou surpreendido pela capacidade
demonstrada pelo treinador Marco Silva?
Um pouco. Só conhecia o Marco como director
desportivo. No início, quando pegou na equipa,
na forma como falou, como nos motivou,
acreditei imediatamente que podíamos ter
sucesso.
Como tem visto o trabalho do SJPF?
Conheço jogadores que já necessitaram do
Sindicato e este mostrou-se disponível para
tudo. O Sindicato é muito importante e está a
fazer um grande trabalho. Espero que continue
assim e que haja cada vez mais adesão dos
jogadores.
Na pré-época, o Estoril defrontou uma
equipa do 10.º Estágio do Jogador,
formação constituída por futebolistas
desempregados. Como colega de
profissão o tema do desemprego no
futebol é algo que o preocupe?
Claro que me preocupa. São meus colegas de
profissão e acho que o tema do desemprego
não passa ao lado de nenhum jogador. Mais
uma vez o Sindicato tem um papel muito
importante nesta área já que através do
Estágio faz jogos com outras equipas e ajuda
os jogadores desempregados a arranjar clube.
“
O Estágio do Jogador
é importante para as
equipas abrirem os olhos
e verem que há jogadores
desempregados com
qualidade
”
Quando jogou contra essa equipa ficou
surpreendido com a qualidade desses
jogadores?
Sim mas muitos dos jogadores que estão
nessa situação têm valor para estar em
boas equipas. O Estágio é importante para
as equipas abrirem os olhos e verem que há
jogadores desempregados com qualidade.
Tem a ambição de jogar no estrangeiro?
Sim, o meu sonho é jogar no campeonato espanhol.
Em qual equipa?
No Real Madrid. Mas para já quero fazer a minha
história na I Liga portuguesa e só depois pensar
no estrangeiro.
Tem espírito de emigrante?
Sim, acho que poderia fazer umas boas épocas
no estrangeiro. Mas ainda só tenho 24 anos. Claro
que se aparecesse um bom convite para mim e
para o Estoril, poderia aceitar mas para já não
estou a pensar nisso.
O que pensa da emigração de jogadores
portugueses para campeonatos de menor
visibilidade como o Irão, Chipre ou Roménia?
Em Portugal, infelizmente, não apostam muito nos
jogadores portugueses e muitos decidem emigrar.
Depois, a parte financeira também conta, paga-se
melhor no estrangeiro e os jogadores têm de se
fazer à vida.
Por exemplo, se neste momento recebesse
um convite de um clube destes países,
valorizaria mais a parte desportiva ou
financeira?
Com a minha idade dificilmente aceitaria
mas dependeria sempre da proposta.
Deveriam ser tomadas mais medidas
contra os salários em atraso no futebol
português?
Sem dúvida. É inadmissível que um jogador
trabalhe e não receba quando chega o final do
mês. Os clubes são os principais responsáveis
pelos salários em atraso porque oferecem
mundos e fundos e depois não conseguem
cumprir. Os clubes devem oferecer o que podem
pagar, depois quem quer quer, quem não quer não
quer. O Estoril é um exemplo a seguir.
48 JOGADORES 11
ENTREVISTA
“
Os clubes são os principais responsáveis
pelos salários em atraso porque oferecem mundos
e fundos e depois não conseguem cumprir
”
Já teve salários em atraso?
Felizmente que não. Não tive qualquer problema
pelos clubes por onde passei.
Na hora de optar por determinado clube,
o jogador pensa se este é ou não um clube
cumpridor relativamente aos salários?
Sim, é preferível ter um contrato mais baixo
e saber que recebemos do que um mais alto
e chegar ao final do mês e não receber.
As chamadas equipas grandes deviam apostar
mais no jogador português?
Acho que sim. É uma evidência, as chamadas
equipas grandes têm poucos jogadores nas suas
equipas titulares. Isso também ajuda que o jogador
português tenha que emigrar para ser valorizado.
O que pensa do regresso das equipas B?
É positivo. Muitos clubes tinham vários jogadores
e assim podem metê-los na equipa B e estarem
disponíveis para a equipa principal. Quem sai dos
juniores tem a oportunidade de integrar a equipa B
e talvez seja mais fácil chegar à equipa principal.
Pode ser que assim seja mais fácil apostar no
jogador português.
Deveria existir uma limitação de jogadores
estrangeiros por equipa?
Sim, seria importante para dar mais oportunidades
aos jogadores portugueses e evitaria que
muitos destes emigrassem para campeonatos
12 JOGADORES 48
como os do Chipre ou do Irão.
É um tema recorrente a escassez de
avançados portugueses de qualidade
para a selecção.
Na posição específica de ponta-de-lança
concordo com essa tese. Talvez seja
necessário trabalhar melhor os avançados
ou então procurar melhor… mas sim, acho
que faltam pontas-de-lança portugueses de
qualidade.
maiores assistências de espectadores nos
estádios?
Acho que não. Dá-me a ideia que as assistências
nos estádios estão a diminuir. Talvez seja por
causa da crise. É triste porque era bom ter os
estádios cheios.
Tem algum ídolo no futebol?
Cristiano Ronaldo, pela forma como trabalha e
como continua depois de tudo o que já ganhou.
É um exemplo a seguir.
Como alterar isso?
Talvez apostar mais nessa posição desde a
formação e depois dar-lhes oportunidades
quando chegarem a seniores. Quem foi o defesa mais difícil de enfrentar
até ao momento?
Já apanhei vários mas não particularizo nenhum
em especial.
Ambiciona chegar à selecção A?
Claro, todos os jogadores portugueses têm
essa ambição e eu não fujo à regra. Não vai
ser fácil mas vou lutar por isso.
O melhor golo da sua carreira até agora?
Pela Académica frente ao Marítimo (3-1).
Foi o meu primeiro golo na I Liga.
O horário dos jogos influencia
o rendimento dos jogadores?
Sim, principalmente nas alturas do ano de
mais calor. É melhor jogar à noite, do género
20 ou 20h30, do que às 16 ou às 17 horas.
É verdade que o horário influencia mas é
para as duas equipas e não pode servir de
desculpa para uma derrota.
Luís Carlos Pereira Carneiro
08/09/1988 (24 anos)
Naturalidade: Lamelas, Castro Daire
Posição: Avançado
Camisola nº: 88
Clubes: Social Lamas, Académica,
Tourizense, Trofense e Estoril-Praia
Títulos: Campeão Nacional da II Liga
(2011/12)
Internacional sub-21 por Portugal
Os jogos à tarde não contribuiriam para
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dossier
Balanço final
positivo
Sucesso. É desta forma que se
pode caracterizar o 10.º Estágio do
Jogador, uma iniciativa do Sindicato
dos Jogadores Profissionais de
Futebol (SJPF) para futebolistas
desempregados.
Tal como em edições anteriores a
procura por este evento foi intensa.
À primeira vista parece bom mas
na realidade é um sinal de que há
ainda muitos jogadores sem contrato
de trabalho. Na expectativa de
minorar este flagelo o SJPF permitiu
que 88 jogadores desempregados
14 JOGADORES 48
participassem no 10.º Estágio do
Jogador. No pólo Norte, no Estádio
Municipal da Lavandeira, em Vila
Nova de Gaia, evoluíram 46 atletas
às ordens da equipa técnica liderada
por Nandinho. Já na Zona Sul, nos
trabalhos realizados no Jamor, 42
jogadores estiveram ao cuidado de
José Carlos e companhia. Durante
dois meses (Julho e Agosto), os
jogadores evoluíram com afinco
na esperança de alcançarem um
contrato de trabalho. Treinaram
arduamente e mostraram-se em
28 encontros, tanto a nível nacional
como internacional (Torneio
FIFPro). Durante esse período foram
observados por olheiros, agentes,
treinadores e dirigentes de clubes.
Findo o 10.º Estágio do Jogador, dos
88 jogadores que participaram, 40
conseguiram arranjar clube. Mas
este número não está fechado. A
qualquer momento podem surgir
novas contratações. “Não tenho
dúvidas de que dentro em breve
mais jogadores conseguiãor arranjar
clube. Os clubes começam a
Textos: Vítor Crisóstomo | Fotografia: Bruno Teixeira, Stephane Saint Raymond
detectar falhas para esta ou aquela
posição e recorrem ao Sindicato.
O ano passado foi assim. Em
Novembro e Dezembro ligaram-me
dirigentes de clubes a perguntar-me
por este ou aquele jogador. Espero
que volte a acontecer”, explica
Nandinho, treinador da equipa da
Zona Norte do SJPF.
O Estágio do Jogador é uma
bandeira do Sindicato e já uma
referência a nível nacional.
“Enquanto o Sindicato tiver
desempregados deve continuar a
apostar no Estágio. Este momento
é importante para os jogadores
desempregados. É a fase que lhes
permite estar a treinar mais ou
menos como num clube. Ganham
forma para chegarem aos clubes
em boas condições. Este é o
objectivo primordial do Estágio”
adianta José Carlos, treinador
da equipa da Zona Sul e vicepresidente do SJPF.
O destino dos 40 jogadores
contratados até 31 de Agosto
foi variado. Desde I Liga até
aos distritais, não esquecendo
o estrangeiro, ninguém ficou
indiferente à valia dos atletas
presentes
no 10.º
Estágio. E
os futebolistas
aplaudiram o
trabalho do SJPF.
“Foi muito bom. Fiz
grandes amizades e
tive a possibilidade
de trabalhar com
excelentes treinadores que sempre
me apoiaram. O Sindicato está de
parabéns”, afirma Álvaro, jogador
contratado pelo Leixões (II Liga).
Também
Hugo
Cardoso,
guarda-redes que
foi para o União de
Leiria (2.ª Divisão),
não tem reservas
sobre a importância
da iniciativa: “O
Estágio do Jogador
é já uma referência no panorama
futebolístico nacional para os
jogadores desempregados. É uma
boa montra para quem precisa de
clube”, revela.
Por fim, nota de agradecimento
pelo seu empenho para todos os
envolvidos no projecto (treinadores
e jogadores) e para as entidades
que apoiaram o Estágio, tais como:
FPF, IPDJ, Câmara Municipal
de Vila Nova de Gaia, Gaianima,
Central de Cervejas, FIFPro, Treze,
Cambridge School, Museu da
Cerveja e Record.
48 JOGADORES 15
Bruno Anciães
Álvaro
“O Estágio está muito bem organizado”
“O Sindicato está de parabéns”
contratado pelo Cesarense
contratado pelo Leixões
A nível pessoal, que balanço é que faz do 10.º
Estágio do Jogador?
Foi óptimo. Só posso dizer bem. Tive a oportunidade
de me mostrar e além disso estive englobado num
excelente grupo de trabalho. O balanço é muito
positivo e recomendo a qualquer jogador que esteja
desempregado.
O que é que pode ser melhorado
para o futuro?
A meu ver nada. O Estágio está muito bem
organizado com todos a remarem para o mesmo
lado.
Hugo
“O Estágio abriu-me
Cardoso
muitas portas”
O que é que pode ser melhorado
para o futuro?
Apostar também num treinador de
guarda-redes.
O Sindicato deve continuar a apostar nesta
iniciativa?
Claro que sim. O Estágio do Jogador é já uma
referência no panorama futebolístico nacional
e é uma boa montra para quem precisa de clube.
O que é que pode ser melhorado
para o futuro?
Só passaria de campo sintético para natural.
O Sindicato deve continuar a apostar
nesta iniciativa?
Acho que sim e o ideal seria que fosse ainda
mais promovido. Ainda há um certo estigma,
uma certa vergonha de se dizer que está
desempregado. E isso não tem razão
e ser. Uma grande parte dos participantes
no Estágio conseguiu colocação.
dossier
O Sindicato deve continuar a apostar nesta
iniciativa?
Sem hesitar. O Sindicato deve continuar a apostar
no Estágio. Este abre muitas portas para quem
precisa.
A nível pessoal, que balanço é que faz
do 10.º Estágio do Jogador?
Só lucrei em participar no 10.º Estágio do
Jogador. Se não estivesse integrado no
Estágio provavelmente não tinha tido a
hipótese de treinar no Estoril, por exemplo.
Tenho a certeza de que o Estágio abriu-me
muitas portas.
contratado pela União de Leiria
A nível pessoal, que balanço é que faz
do 10.º Estágio do Jogador?
Foi muito bom. Fiz grandes amizades
e tive a possibilidade de trabalhar
com excelentes treinadores que sempre
me apoiaram. O Sindicato está de parabéns.
16 JOGADORES 48
48 JOGADORES 17
Ricardo Campos
Nandinho (treinador da Zona Norte)
“Aconselho a todos os que estejam no desemprego”
“Foi um Estágio bastante produtivo”
contratado pelo Boavista
A nível pessoal, que balanço é que faz do 10.º Estágio do Jogador?
Foi uma experiência muito positiva porque abriu-me muitas portas. Conheci
gente muito boa e competente. Além disso estava a trabalhar e não em casa
à espera que o telefone tocasse. No Estágio, com os treinos e os jogos-treino, mostrei-me diariamente aos clubes. É uma iniciativa que aconselho
a todos os jogadores que estejam no desemprego. Que se inscrevam
e, se possível, participem. Além disso o SJPF permitiu ainda que jogássemos
o Torneio da FIFPro, o que foi uma experiência muito enriquecedora.
O que é que pode ser melhorado para o futuro?
Acho difícil fazer mais. O SJPF já faz bastante e se calhar podia ter mais
ajudas de outras entidades. Por exemplo, o campo onde treinámos não
estava nas condições ideais e podia ter contribuído para alguma
lesão.
ZONA NORTE
Académica 3 - SJPF 0
Freamunde 3 - SJPF 1
Braga B 2 - SJPF 0
Desp. Aves 2 - SJPF 0
Rio Ave 1 - SJPF 1
Arouca 8 - SJPF 0
Santa Clara 5 - SJPF 0
Leixões 2 - SJPF 0
Padroense 1 - SJPF 0
Tirsense 4 - SJPF 1
Sousense 1 - SJPF 2
SJPF 4 - Candal (jun.) 4
Leça 4 - SJPF 0
Gondomar 0 - SJPF 0
Lousada 3 - SJPF 1
Cesarense 0 - SJPF 0
Boavista 0 - SJPF 2
U. Nogueirense 1 - SJPF 1
Boavista 3 – 2 SJPF
ZONA SUL
SJPF 1 - Belenenses 1
SJPF 1 - Belenenses 3
Estoril 1 - SJPF 0
SJPF 2 - Atlético 7
Oriental 0 - SJPF 1
SJPF 0 - Fátima 2
TORNEIO FIFPRO
Eslovénia 2 - Portugal 0
Portugal 0 - Holanda 3
Portugal 2 - Dinamarca 2
(2-3 após G.P.)
Ficou surpreendido
ou desiludido com a
qualidade dos jogadores?
Fiquei surpreendido pela positiva,
tivemos jogadores com bastante
qualidade. Ainda ficaram alguns
com muita qualidade mas que
por esta ou aquela razão, ainda
não foram contratados. Mas não
tenho dúvidas de que dentro em
breve irão conseguir arranjar
clube. Os clubes começam a
detectar falhas para esta ou
aquela posição e recorrem ao
Sindicato.
É uma iniciativa na qual o
Sindicato deve continuar a
apostar?
Acho que sim. Para a maior
parte destes jogadores ou
para alguns jogadores que
tenham o infortúnio de ficar no
desemprego acho que é uma boa
forma de se motivarem.
O Estágio é uma montra.
José Carlos (treinador da Zona Sul)
“Enquanto existir um desempregado deve apostar-se no Estágio”
Qual o balanço que se pode
fazer do 10.º Estágio do
Jogador?
O balanço é positivo partindo
do princípio que temos todas as
condições para que os jogadores,
tanto no Sul como no Norte,
possam desenvolver a sua
actividade. Desde que se permita
que possam treinar e jogar os
objectivos são sempre cumpridos.
Depois o número de jogadores
que são ou não colocados é
sempre relativo.
Ficou surpreendido ou
desiludido com a qualidade
dos jogadores?
Este ano, tirando raras excepções
como Boa Morte ou o Ricardo
André, tivemos mais jogadores
mas com muito menos currículo
do que em anos anteriores.
Há duas formas de ver isto:
uma pelo lado positivo, que
nos permite concluir que os
bons jogadores à partida estão
empregados, têm clube, o que
é óptimo. Ou então, que não
apareceram. Inclino-me mais
para a primeira opção.
É uma iniciativa na qual o
Sindicato deve continuar a
apostar?
Acho que sim, faz todo o
sentido. Enquanto existir um
desempregado o Sindicato deve
continuar a apostar no Estágio.
dossier
O Sindicato deve continuar
a apostar nesta iniciativa?
Sem dúvida alguma. É um bem
para os jogadores. A quota anual
do Sindicato não é cara e o dinheiro
é bem investido. O Estágio do Jogador
ajuda-nos muito porque estamos em
actividade, a ser observados por
olheiros e preparados
para ingressar num
clube a qualquer
momento. Posso dizer
que vim para o Boavista
graças ao Estágio.
RESULTADOS
Qual o balanço que se pode
fazer do 10.º Estágio
do Jogador?
O Estágio correu muito bem,
dentro daquilo que era esperado.
Foi pena não termos conseguido
colocação para todos os
jogadores. De qualquer forma, foi
um Estágio bastante produtivo na
medida em que fizemos 19 jogos
em dois meses e não há nada
melhor que jogos para mostrar os
jogadores.
18 JOGADORES 48
48 JOGADORES 19
Zona Sul
Zona Norte
OUSMANE
TIAGO MAIA
DINO
ZÉ PEDRO
SABINO
b. pereira
r. campos
h. cardoso
tiago jorge
joão aragão
papis coly
brito
Guarda-redes
Guarda-redes
Defesa
Defesa
Defesa
Defesa
Guarda-redes
Guarda-redes
Guarda-redes
Guarda-redes
Guarda-redes
Defesa
20 Aaos
19 anos
30 anos
27 anos
22 anos
22 anos
27 anos
25 anos
24 anos
21 anos
26 anos
27 anos
União Leiria
Pinhalnovense
Vasco Gama
Livre
Livre
Vila Real
Livre
Vilaverdense
Paivense
Livre
Livre
Boavista
d. cavadas
Oliveira
césar
artur silva
faneca
william
n. brito
r. andré
d. Oliveira
tiago pires
paulo alves
joãozinho
Defesa
Defesa
Defesa
Defesa
Defesa
Defesa
Defesa
Defesa
Defesa
Defesa
Defesa
Defesa
21 anos
25 anos
21 anos
22 anos
30 anos
32 anos
28 anos
29 anos
22 anos
25 anos
18 anos
20 anos
Livre
Livre
Leça
Livre
Livre
Tondela
Livre
Livre
Atl. Reguengos
União Leiria
Nogueirense
Vila Real
j. cardoso
hugo coelho
h. oliveira
dani
jorge luiz
johnny
s. Gomes
bolinhas
bruno sousa
pedro m.
m. pereira
carlos f.
Defesa
Defesa
Defesa
Defesa
Defesa
Médio
Defesa
Defesa
Defesa
Defesa
Defesa
Defesa
28 anos
31 anos
27 anos
27 anos
36 anos
26 anos
25 anos
22 anos
26 anos
21 anos
19 anos
34 anos
Sertanense
Livre
Vianense
Livre
Livre
Vilaverdense
Vitória do Pico
Fabril Barreiro
Livre
Livre
Livre
Livre
paiva
m. pinho
pastel
artur
joel pires
rodilson
h. Ramos
fábio silva
marcelo r.
f. marques
boatenge
williams
Médio
Médio
Médio
Médio
Médio
Médio
Médio
Médio
Médio
Médio
Médio
Médio
24 anos
20 anos
30 anos
25 anos
33 anos
26 anos
30 anos
25 anos
25 anos
21 anos
22 anos
23 anos
Livre
Livre
Famalicão
Livre
Boavista
Livre
Gabão
Livre
Moldávia
Oriental
Castrense
Livre
jordan
anderson
luís silva
renan
cissé
adilson
boa morte
fitas
paulo david
Miguel s.
S. zeferino
adilson p.
Médio
Médio
Médio
Avançado
Avançado
Médio
Médio
Médio
Médio
Médio
Médio
Médio
19 anos
32 anos
29 anos
19 anos
22 anos
20 anos
35 anos
23 anos
23 anos
30 anos
27 anos
23 anos
FC Lixa
Livre
Livre
Livre
U. Nogueirense
Livre
Livre
Livre
Livre
Livre
Livre
Livre
macky
ludovic
messias
coronel
r. costa
pigo
pio júnior
lourenço
Ibraima
mané
Tino
adul
Avançado
Avançado
Avançado
Avançado
Avançado
Avançado
Avançado
29 anos
26 anos
24 anos
24 anos
23 anos
Médio
Médio
Médio
Médio
Avançado
20 anos
26 anos
28 anos
26 anos
27 anos
24 anos
22 anos
Livre
Livre
Livre
Livre
Salgueiros
Livre
Livre
Farense
Oriental
Vasco Gama
Sintra Football
Livre
ribeirinho
p. campos
jorginho
Álvaro
beré
anciães
mauro
claúdio g.
b. Severino
j. tavares
hugo gil
márcio a.
Avançado
Avançado
Avançado
Avançado
Avançado
Avançado
Avançado
Avançado
Avançado
Avançado
Avançado
Avançado
22 anos
26 anos
26 anos
24 anos
23 anos
SL Cartaxo
Livre
Livre
Livre
Livre
20 anos
26 anos
28 anos
29 anos
24 anos
Vilaverdense
Custóias
Lousada
Leixões
Vilaverdense
Cesarense
Livre
waldir
ibraima
leandro
joão pinto
Avançado
Avançado
Avançado
Avançado
20 anos
25 anos
21 anos
21 anos
Livre
Livre
Lavrense
Livre
dossier
26 anos
26 anos
20 JOGADORES 48
48 JOGADORES 21
3
4
5
1
2
7
dossier
1
2
3
4
5
6
7
8
22 JOGADORES 48
Eslovénia - Portugal [2-0] FIFPro
Rio Ave - SJPF [1-1]
Sp. Braga B - SJPF [2-0]
Leixões - SJPF [2-0]
Estoril - SJPF [1-0]
SJPF - Belenenses [1-1]
Portugal - Holanda [0-3] FIFPro
Portugal - Dinamarca [2-3 após G.P.] FIFPro
6
8
48 JOGADORES 23
notícias
Miguel Relvas, ministro-Adjunto
e dos Assuntos Parlamentares,
Alexandre Mestre, secretário
de Estado do Desporto e da
Sebastien Nogier/EPA
Tiago e Sílvio vencem
Supertaça Europeia
Ao derrotar o Chelsea por 4-1, o Atlético de
Madrid conquistou a sua segunda Supertaça
Europeia da sua história. Falcao foi a grande
estrela do encontro ao marcar três dos golos
da vitória dos colchoneros. Aos 60 minutos,
o brasileiro Miranda apontou o outro golo do
24 JOGADORES 48
Atlético de Madrid enquanto Gary Cahill, aos
75 minutos, fez o tento de honra do conjunto
inglês.
Os portugueses do Atlético de Madrid não
chegaram a jogar. Tiago ficou na bancada e
Silvio no banco (suplente não utilizado).
Ao empatar a zero com
a Polónia na última
jornada do Grupo 6 da
fase de apuramento
para o play-off de
acesso ao Campeonato
da Europa de 2013,
a Selecção Nacional
de sub-21 não logrou
alcançar a qualificação.
Portugal terminou
esta fase no segundo
lugar do grupo com 15
pontos, menos dois do
que a Rússia.
Sub-21 falham
Euro 2013
Alberto Martin/EPA
Destaque para o grande golo do
internacional português que, de
calcanhar, fez a bola passar por cima
de Piqué e rematou de forma a bater
Victor Valdés.
Com este triunfo, José Mourinho
venceu a sua primeira Supertaça de
Espanha e o Real Madrid a nona da
sua história.
Portugal faz história na UEFA
Pela primeira vez o futebol português
apresenta seis equipas na fase de
grupos das competições europeias.
FC Porto, Benfica e Sporting de Braga
participam na Liga dos Campeões,
enquanto Académica, Sporting e
Marítimo jogam a Liga Europa.
Até hoje, Portugal nunca tinha tido
A revista “France Football” elaborou
uma lista com os 50 melhores
estrangeiros da Liga francesa e Pedro
Pauleta ficou no 13.º lugar. O bósnio
Safet Susic (antiga glória do PSG)
foi o vencedor da iniciativa. Na segunda
posição ficou o croata Josip Skoblar
(jogador do Marselha nas décadas
de 60 e 70).
Além de Pedro Pauleta, a lista refere
ainda outros jogadores bem conhecidos
dos portugueses. São os casos dos
ex-benfiquistas Carlos Mozer (12.º)
e Ricardo Gomes (41.º), do antigo
sportinguista Gabriel Heinze (46.º)
e do ex-portista Lisandro Lopez (50.º).
mais de quatro equipas na fase de
grupos. Aconteceu em 2004/05, época
em que o Sporting chegou à final da
Taça UEFA e em 2009/10, quando
Portugal contou com três equipas
na fase de grupos da Liga Europa Benfica, Sporting e Nacional – e o FC
Porto na Liga dos Campeões.
Pedro Trindade
representado na cerimónia por
Joaquim Evangelista e José Carlos,
respectivamente presidente e vicepresidente do Sindicato.
Quatro anos depois, os merengues
voltaram a ganhar o troféu graças ao
triunfo por 2-1 diante do Barcelona
(3-2 na primeira-mão para os
catalães).
No Santiago Bernabéu, Gonzalo
Higuaín e Cristiano Ronaldo marcaram
para o Real Madrid, enquanto Lionel
Messi fez o golo do Barça.
Pauleta
entre os melhores
Srdjan Suki/EPA
A Tribuna de Honra do Estádio
Nacional, no Jamor, foi o palco
da apresentação pública da
Cidade do Futebol. O SJPF esteve
Portugueses ganham
Supertaça espanhola
Juventude, Gilberto Madaíl, Vítor
Pereira, Hermínio Loureiro e Mário
Figueiredo, entre outros, também
não faltaram. A “Cidade do Futebol”,
projecto da responsabilidade do
arquitecto José Paradela e cuja
obra está orçada em 10 milhões
de euros, será erguida no Vale do
Jamor e incluirá a construção de
vários campos de futebol. Além da
Selecção Nacional AA, a infraestrutura servirá os interesses das
camadas jovens, do futebol feminino
e das equipas de futsal e futebol de
praia. Serão ainda construídos vários
edifícios complementares tais como
um centro de estágio, entre outros.
A candidatura da obra
acontecerá em Dezembro de 2013,
sendo esta adjudicada em Janeiro de
2014. Os trabalhos têm uma duração
prevista de 18 meses.
Adam Warzawa
Manuel de Almeida/LUSA
Sindicato na “Cidade do Futebol”
48 JOGADORES 25
Gabinete Jurídico
esclarece
Texto: João Lobão (Jurista)
Guia Prático
Não estejas desprevenido
Com o início da época desportiva,
recorrentemente, ocorrem situações que
colocam em causa as relações laborais e
prejudicam
os profissionais de futebol.
Os problemas são muitos. Ora, sem pretensões
de ser exaustivo, propomos uma análise sumária
a alguns deles sugerindo pistas e formas de
actuação. Desta forma queremos que estejas
mais esclarecido e informado evitando situações
de conflitualidade.
1. Não faço parte das opções,
o treinador mandou-me ir procurar
clube.
A posição do jogador tem que ser clara. Os
contratos são para se cumprir. A celebração do
contrato depende de duas partes e desde que o
jogador cumpra com as suas obrigações o clube
tem de respeitar todos os seus direitos.
Cabe ao clube encontrar uma solução que
seja da concordância do jogador. No limite o
treinador tem de contar respeitar os contratos
celebrados
e integrar esses jogadores. A
desresponsabilização que assistimos por parte
do clube
e dos treinadores não é aceitável.
2. Querem emprestar-me a outro
clube. Enquanto não aceitar treino
à parte.
O empréstimo a outro clube tem sempre, e em
26 JOGADORES 48
qualquer situação, que ser da concordância do
jogador. Quando celebra contrato com o clube
o jogador tem determinadas expectativas, quer
pessoais e profissionais (jogar num escalão
mais elevado, melhores condições laborais,
localização do clube, etc), que não podem ser
ignoradas. Ninguém é obrigado a concordar com
uma qualquer cedência. O facto de o jogador não
aceitar a cedência não legitima o clube a usar
de expedientes ilegais como por exemplo colocar
os jogadores a treinar à parte, dizer-lhe que tem
de sair da casa ou que não lhe paga.
O jogador confrontado com estas situações no
limite pode rescindir com justa causa o contrato
de trabalho. Numa situação destas entra
imediatamente em contacto com o Gabinete
Jurídico para mais e melhores esclarecimentos.
3. Não fui inscrito para participar
nas provas oficiais.
O jogador contratado tem o direito de ser
inscrito nas provas que o clube participa.
A não inscrição do jogador impede-o de
competir oficialmente e desta forma de exercer
a actividade para que foi contratado pelo que lhe
confere
o direito de rescindir o contrato unilateralmente
com justa causa.
4. O clube não conta mais comigo,
riscou/rasgou o contrato
e disse para ir embora.
O “Riscar”/”Rasgar” o contrato não significa
que não tens um contrato válido com o Clube.
Na maioria das vezes esta situação configura
uma atitude de prepotência da entidade patronal
tendo em vista o enfraquecimento da posição
do jogador. Não cedas. Informa-te. Documenta
sempre a tua situação profissional e conserva
os documentos. No limite contacta o Gabinete
Jurídico do Sindicato que te dará as indicações
necessárias.
viabilizar a inscrição dos clubes que depois não
horam os compromissos. Além disso geram-se situações de concorrência desleal que não
favorecem a competição nem os jogadores.
6. Estou a jogar no Clube
mas não sei qual é a minha categoria.
Os jogadores inscritos em provas não
profissionais, onde o jogador pode ser inscrito
como Amador ou Profissional, deparam-se
com situações em que assinaram um contrato
mas não sabem se o clube os inscreveu como
Amadores ou Profissionais.
Será sempre aconselhável pedir essa informação
à Federação Portuguesa de Futebol, para
clarificar essa situação. Os jogadores por vezes
assinam documentos, pensando serem contratos
profissionais quando estão assinar simples fichas
de inscrição. Outras vezes assinam contratos de
trabalho mas o clube não procede ao seu registo.
7. Assinei o contrato
mas não me deram a cópia.
Todo o trabalhador deve ter a cópia do seu
contrato de trabalho. O contrato de trabalho é a
garantia do equilíbrio de relações entre o clube
e o jogador. O clube tem obrigação de dar uma
cópia do mesmo ao jogador. E o jogador tem a
obrigação de o pedir e conservar.
Se não o fizer, pode pedi-lo junto da Federação
Portuguesa de Futebol, e/ou Liga Portuguesa de
Futebol Profissional. Se precisares de ajuda neste
aspecto contacta o Gabinete Jurídico.
8 - O clube quer baixar o meu salário.
O salário é um direito, irrenunciável
e indisponível. As cláusulas e declarações em
sentido oposto são nulas. Este princípio radica
essencialmente na função social do trabalho e da
respectiva retribuição, na dignidade da pessoa
humana e no facto de afectar mais do que o
simples interesse individual do trabalhador. O
salário constitui, para a maioria dos trabalhadores,
a sua única base de subsistência, sendo, por isso,
essencial para a satisfação das suas necessidades
pessoais e familiares. É, por isso que as normas
que impõem o seu pagamento pontual e integral
são inderrogáveis, que tem subjacentes interesses
de natureza e ordem pública.
9 - O Clube quer que eu renuncie
a créditos salariais ou prémios.
Qualquer renúncia à retribuição ou acordo escrito
nesse sentido durante a vigência do contrato é
nula, não podendo produzir qualquer efeito. Findo
o contrato fica na disponibilidade do jogador
prescindir ou não dos créditos salariais.
5. Querem que assine recibos
de salários que não recebi.
O jogador não é obrigado a assinar recibos de
verbas que não recebeu.
Esta situação, normalmente, verifica-se, no
período que antecede o controlo financeiro
e o licenciamento dos clubes. Alguns clubes
pretendem através de documentos falsos
contornar a ilegalidade em que se encontram
e por diversas razões (económica, emotiva, etc)
alguns jogadores são cúmplices. Os jogadores
devem fazer um esforço acrescido e, apesar das
dificuldades, resistir a receber uma parte para
48 JOGADORES 27
Em Agosto, Kevin Sammut foi
suspenso pela UEFA por 10 anos
por envolvimento em tentativa
de manipulação de resultados. O
castigo ao futebolista maltês de
31 anos foi uma consequência das
acusações de Mario Cyrtak, antigo
elemento de uma empresa de
apostas que em 2011 foi condenado
pelo tribunal alemão de Bochum por
manipulação de resultados.
Segundo Cyrtak, um dos jogos
viciados foi o Noruega-Malta,
disputado a 22 de Novembro de
2007, a contar para a fase de
qualificação para o Euro 2008.
Cyrtak assegurou que Sammut
desempenhou um papel-chave no
“arranjo” do encontro que acabou
com a vitória da Noruega por 4-0.
Sammut nega tudo e clama por
inocência.
A FIFPro está preocupada com os
procedimentos legais adoptados
e com a desproporcionalidade
do castigo aplicado. O Sindicato
Mundial de Jogadores questiona
se a UEFA está suficientemente
bem apetrechada para julgar este
caso em comparação com os
tribunais civis. Ou seja, pode estar
a prejudicar a defesa jurídica do
jogador.
A FIFPro tem ainda sérias dúvidas
sobre o castigo aplicado ao jogador
e considera que 10 anos é uma pena
demasiado pesada. Acrescenta que
a carreira média de um profissional
é de cerca de 10 anos e assim este
castigo a Sammut, 31 anos, significa
o fim da sua actividade como
futebolista profissional.
Por outro lado, a FIFPro adianta que,
regra geral, não são os jogadores
que tomam a iniciativa de manipular
resultados mas sim vítimas e que
muitas vezes sofrem ameaças físicas
e psicológicas.
A FIFPro questiona ainda a
credibilidade de Cyrtak, pessoa
alheia ao mundo do futebol, e com
um passado duvidoso. A FIFPro
considera improvável que o jogador
maltês, se teve efectivamente
alguma culpa, fosse o único
envolvido no esquema.
Por fim, a FIFPro assinala que
um caso como este constitui uma
enorme ameaça ao bem-estar de
um jogador. Independentemente de
Antonio Bat/EPA
Caso Sammut preocupa FIFPro
ser ou não inocente, o jogador tem
de defender-se às suas custas num
julgamento que pode levá-lo à ruína.
A FIFPro conclui recordando que
está contra qualquer forma de
manipulação de resultados e que
está directamente envolvida no
combate a esse flagelo. Porém,
defende um processo justo, com
sanções proporcionais para todos os
envolvidos, especialmente para os
futebolistas profissionais.
A tecnologia da linha de golo
Dois meses após a International
Football Association Board (IFAB) ter
dado luz verde sobre a introdução
da tecnologia da linha de golo e de
mais árbitros continua sem haver
uma data para a aplicação de ambos
os sistemas.
Na altura a medida mereceu o
aplauso de Joaquim Evangelista,
28 JOGADORES 48
presidente do SJPF, e da FIFPro.
“Defendo a introdução das novas
tecnologias no futebol há algum
tempo mas com moderação. A
introdução de outras medidas deve
ser feita de forma progressiva e
muito ponderada”, disse então
Joaquim Evangelista.
Tijs Tummers, da FIFPro, lamenta
agora a demora. “Estivemos à
espera tanto tempo da tecnologia
na linha de golo e dos árbitros
adicionais que é decepcionante
que não exista um planeamento
integral para a sua introdução.
A luta interna entre FIFA e UEFA
parece predominar sobre este
importante assunto.”
Para o dirigente da FIFPro, “o facto
de que um golo seja ou não válido
é a essência do futebol, e tanto no
último Europeu como no Mundial
a ausência da tecnologia na linha
de golo foi determinante. Se temos
a possibilidade de fazer com que
o futebol seja mais transparente
devemos utilizá-la”.
48 JOGADORES 29
Portugueses na
Além dos jogadores inscritos por FC Porto, Benfica e Sporting de Braga, há mais 21 portugueses inscritos
Portugal, logo seguido pelo Real Madrid de José Mourinho, com quatro. Seguem-se o Valência, Málaga
Liga dos Campeões
na fase de grupos da Champions. O clube romeno do Cluj, com um total de seis jogadores, conta com o maior contingente fora de
e Zenit, todos com dois jogadores cada. Chelsea, Manchester United, Dínamo de Kiev, Dínamo de Zagreb e Olimpiakos têm um cada.
SL BENFICA SP. BRAGA
R. MADRID
VALÊNCIA
MÁLAGA
CHELSEA
MAN. UTD
D. KIEV
ZENIT
Moutinho C. martins custódio
ronaldo
j. pereira
eliseu
p. ferreira
nani
m. veloso
dani
Embora o plantel
do Chelsea conte
ainda com o
guarda-redes
Hilário, o clube
londrino apenas
inscreveu Paulo
Ferreira na liga
milionária.
Além de Nani,
o Man. United
tem ainda outro
português no
plantel: Bebé.
Porém, o antigo
jogador do V. de
Guimarães não
entra nas contas
de Alex Ferguson.
O médio da
Selecção Nacional
trocou neste
defeso o Génova
de Itália pelos
ucranianos do
Dínamo de Kiev e
assim voltou à Liga
dos Campeões.
FC PORTO
Elói, J. Costa, M.
Lopes, Rolando,
David, T. Ferreira, L.
Pereira, Luís Rafael,
Castro, Edu, Tomás,
Sérgio Oliveira,
Tó-Zé, Varela,
Fábio Martins e
Gonçalo Paciência
P. Lopes, José Costa,
B. Varela, André
A., Miguel Vítor, F.
Cardoso, Cancelo, D.
Martins, B. Gaspar,
J. Nunes, L. Martins,
A. Gomes, M. Rosa, I.
Cavaleiro, H. Costa,
Raphael Guzzo, J.
Teixeira e Sancidino
30 JOGADORES 48
Quim
Cristiano
Beto
Nuno A. Coelho
Rúben Amorim
Rúben Micael
Hugo Viana
Hélder Barbosa
Éder
Pepe
Fábio Coentrão
Ricardo Carvalho
Ricardo Costa
Duda
Bruno Alves
D. ZAGREB OLIMPIAKOS
tonel
p. machado
O defesa central
que se transferiu
do Sporting para o
Dínamo de Zagreb
volta à Liga dos
Campeões depois
da campanha do
ano passado não
ter corrido muito
bem.
O médio
português trocou
os franceses
do Toulouse
pelos gregos do
Olimpiakos. A
formação helénica
é treinada
pelo português
Leonardo Jardim.
CLUJ
cadú
Rui Pedro
Ivo Pinto
Camora
Diogo Valente
Mário Felgueiras
48 JOGADORES 31
Estudos versus profissão
NUNO PILOTO
“A obrigatoriedade de conciliação de estudos
deveria ser uma política imperativa nos clubes formadores”
Licenciado em Bioquímica
pela Universidade de
Coimbra e com o grau
de mestre, Nuno Piloto,
30 anos, é um exemplo
a reter. O médio do
Olhanense alerta para
a importância de quem
segue a profissão de
futebolista não abdicar dos
estudos.
O Nuno é um exemplo de que é
possível conciliar os estudos com
o futebol ao mais alto nível.
Foi difícil?
Olhando em retrospectiva creio
que implicou alguns sacrifícios,
determinação e força de vontade mas
também, aquando da conclusão, uma
sensação de dever cumprido e de
realização pessoal, que se sobrepõe
claramente, e minimiza as dificuldades
sentidas.
Sentiu-se sempre apoiado pela
família e pelos clubes por onde
passou para concluir os estudos?
A minha família, e mais concretamente
os meus pais, é a grande responsável
pela minha educação e formação.
Assim sendo o percurso académico
constituiu uma prioridade e um passo
natural. A Académica, tendo uma longa
32 JOGADORES 48
tradição de jogadores estudantes, foi a
“casa” ideal para esse desiderato.
Falta adoptar medidas que
facilitem a conciliação do estudo
com a profissão de futebolista
profissional?
Essa é uma possibilidade que
poderia representar um aumento de
oportunidades para os futebolistas
profissionais desde que implementadas
de forma rigorosa e justa, e não
colidam com os deveres profissionais
dos atletas.
Porquê a opção pelo curso
de Bioquímica?
Devido à minha escolha e predilecção
pela área de Ciências, pelo interesse
no conhecimento dos processos
fisiológicos e enzimáticos que se
processam ao nível molecular e pelo
gosto pelo trabalho de investigação
laboratorial.
O SJPF está a criar uma estrutura
de formação online que combate,
em parte, a dificuldade provocada
pela mobilidade (mudança de
clube ou até de país) dos atletas.
Parece-lhe uma boa ideia?
Parece-me ser uma excelente ideia e
uma base de apoio que poderá ser de
grande utilidade para os atletas.
Texto: Vitor Crisóstomo | Fotografia: Carlos Vidigal Jr./ASF
O SJPF está também a criar um
cheque-formação para que os
jogadores possam frequentar
determinados cursos. Pode ser
algo apelativo para os jogadores?
Tendo em conta a actual conjuntura
sócio-económica do País que se
reflecte no decréscimo generalizado
dos salários dos atletas e em
dificuldades de cumprimento dos
prazos de pagamentos, diria que será
uma mais-valia.
Um jogador com formação
académica e até mesmo superior
torna-se um melhor jogador?
Não necessariamente, visto que as
tarefas específicas desempenhadas
dentro das quatro linhas vão sendo
desenvolvidas à custa de muitas horas
de treino. No entanto existem áreas
de aprendizagem que podem ser
potencializadas, por exemplo, dentro
da Bioquímica compreender o nível
da mobilização e recrutamento de
substratos energéticos poderá ajudar
a uma melhor performance.
Quando acabar a carreira pensa
continuar ligado ao futebol ou
enveredar pela área na qual se
formou?
Não tenho essa situação bem definida
até porque não se coloca no imediato,
no entanto revejo-me mais na
segunda opção.
É visto pelos seus colegas como
um exemplo? Dá-lhes conselhos
para não abandonarem os
estudos?
Posso ser um exemplo na medida
em que consegui conciliar os
estudos com a prática desportiva,
provei que não é impossível e nesse
sentido tenho alguma legitimidade
para os aconselhar e alertar para a
efemeridade/fragilidade da nossa
carreira.
Abandonar os estudos
precocemente é a maior “praga”
de quem quer ser futebolista
profissional?
Conjuntamente com a dificuldade
de afirmação do jovem jogador
português. A obrigatoriedade de
conciliação de estudos deveria ser
uma política imperativa nos clubes
formadores.
Nuno Piloto
Idade: 30 anos
Posição: Médio
Clubes: Académica, Anadia,
Académica, Tourizense,
Académica, Iraklis (Grécia)
e Olhanense
48 JOGADORES 33
portugal no mundo
MARCO SOARES
“Há muitos portugueses no Chipre porque nunca lhes
foi dada uma oportunidade em Portugal”
Depois de uma época muito
atribulada na União de Leiria,
que terminou com a rescisão
colectiva, o ex-capitão leiriense
Marco Soares rumou ao
Chipre para representar o
Omonia e acrescenta que há
muitos portugueses que vão
para a liga cipriota porque
não têm oportunidades em
Portugal.
Chegou ao Omonia e já ganhou
a Supertaça de Chipre (5-3 o
AEL Limassol). Foi chegar, ver
e vencer?
Pode dizer-se que sim. Era uma
competição que queríamos vencer
e conseguimo-lo. Tínhamos
também como objectivo chegar
à fase de grupos da Liga Europa
mas fomos eliminados pelo Estrela
Vermelha.
A nível pessoal e profissional
como está a correr a integração
a Chipre?
Bem. As pessoas são simpáticas, as
do clube tratam-me muito bem e
há muitos portugueses na equipa o
que sempre ajuda na integração.
Está a viver sozinho, com a
34 JOGADORES 48
família ou amigos? Num hotel?
Trouxe a minha família, o que
também acaba por ser um apoio
importante, e já temos habitação
própria.
O facto de ser a sua segunda
aventura no estrangeiro (jogou
na Roménia em 2008) ajuda-o
a ultrapassar as dificuldades
iniciais de adaptação a um novo
país?
Acaba por ser diferente porque
da primeira vez que emigrei era
mais novo, fui sozinho… Agora
tenho mais experiência e o facto de
também ter a minha família comigo
torna as coisas mais fáceis.
temos folgas aproveitamos para
estar juntos.
Os preços dos produtos são
idênticos nos dois países?
Aqui, no Chipre, a vida é mais cara.
Depois dos problemas da última
época na União de Leiria, a ida
para Chipre foi uma opção ou
uma necessidade?
Foi uma opção minha. Penso que já
estava na altura de sair de Portugal
e experimentar uma nova aventura.
O Omonia é um grande clube – é
uma espécie de Benfica em Portugal
– e o nível competitivo surpreendeume pela positiva.
A nível interno quais são os
vossos objectivos?
Ser campeão.
Costuma estar com os seus
colegas fora do clube?
Sim, encontrei no Omonia vários
colegas de equipa e de selecção
com quem já tinha jogado. Quando
Por que é que a liga cipriota
é atractiva para os jogadores
portugueses?
Muitos estão aqui porque nunca
lhes foi dada uma oportunidade
em Portugal. Além disso,
financeiramente, o Chipre paga
melhor do que em Portugal. Por
fim, a qualidade de vida também é
atractiva. Faz-se uma vida tranquila
e joga-se num bom campeonato.
Continua a seguir a Liga
portuguesa?
Sempre, pela televisão e pela
internet.
Qual a importância das redes
sociais para quem está a jogar
no estrangeiro?
É muito importante, principalmente
para manter o contacto com os
amigos. Estando longe faz-nos sentir
mais perto.
Mesmo no estrangeiro, sentese apoiado pelo Sindicato dos
Jogadores Profissionais de
Futebol?
Sim, mesmo tendo vindo para Chipre
tenho estado sempre em contacto
com o Sindicato. Estar em Portugal
ou no Chipre é igual. Basta um
telefonema e o Sindicato ajuda-me
no que for preciso.
Marco Soares
Idade: 28 anos
Posição: Médio
Clubes: Barreirense, U. Leiria,
Olhanense, U. Leiria, Pandurii
(Roménia), U. Leiria
e Omonia (Chipre)
Texto: Vitor Crisóstomo | Fotografia: Paulo Cunha/Lusa
48 JOGADORES 35
ÁREA TÉCNICA
PAULO FONSECA
“Hoje quem lidera valoriza a empatia e a proximidade treinador/jogador”
É um dos bons valores
da nova geração de
treinadores. Paulo
Fonseca, 39 anos, estreiase esta época na I Liga
no comando técnico do
Paços de Ferreira. Nesta
entrevista, o técnico
pacense enaltece a
qualidade do treinador
português e explica a
evolução na relação entre
jogadores e treinadores.
Na I e II ligas só há um treinador
estrangeiro (Jokanovic, no União
da Madeira). É sinal do valor do
treinador português?
Claramente, este facto atesta o
valor e a evolução do treinador
português. Mas não sou contra a
vinda de treinadores estrangeiros.
Nós também estamos numa fase,
porque estamos valorizados, em que
temos necessidade de emigrar. Agora
não tenho dúvidas, que o treinador
português tem um conhecimento
do treino e do jogo único e que nos
permite estar ao nível dos melhores.
A reintrodução das equipas B é
bom para a competição?
Sim, penso que em termos de
qualidade do jogo vem acrescentar
algo. O que é mau é o número
36 JOGADORES 48
Texto: Vitor Crisóstomo | Fotografia: Vitor Garcez/ASF
excessivo de equipas. Quanto à
aposta em promover jogadores
jovens, ainda tenho algumas dúvidas,
mas acredito que naturalmente isso
irá acontecer.
O horário dos jogos tem
influência no rendimento
dos atletas? Qual a sua hora
preferida para a sua equipa
jogar?
Depende do estado do tempo.
Quando está demasiado calor
o rendimento dos jogadores
diminui. Não tenho uma hora
preferida, mas não gosto muito de
jogar de manhã.
O Paulo foi um jogador de I
Divisão. Nota muitas diferenças
do futebol actual para o do seu
tempo?
Muitas e para melhor. Só não
melhorou o entusiasmo e a paixão
dos adeptos. De resto, ao nível do
treino e do jogo, houve uma evolução
natural nos seus processos e também
ao nível das condições em geral
houve uma evolução significativa.
A relação treinador/jogador tem
mudado ao longo dos anos?
Sim e muito. Antigamente havia
uma distância muito grande entre
ambos, impunha-se uma liderança
fria e distante. Hoje, quem lidera
valoriza a empatia e a proximidade.
Neste aspecto, houve uma revolução
na forma de liderar. Julgo que hoje
os treinadores valorizam imenso o
relacionamento próximo como forma
de influenciar positivamente o grupo.
Agora é treinador. Quando era
jogador teve alguma atitude para
com os seus treinadores que
agora, ao olhar para trás, veja que
deveria ter agido de outro modo?
Por exemplo?
Não recordo nenhum episódio em
especial, já que tinha uma
grande preocupação em ter um
comportamento correcto. Agora nós
enquanto jogadores somos muito
individualistas e eu naturalmente
também tive momentos em que o “eu”
influenciava o meu estado de espírito.
Mas orgulho-me de ter sido treinado
por muitos e bons treinadores e ter
sempre uma boa relação com todos.
Os dirigentes estão mais
pacientes com os treinadores e
não recorrem tanto à chamada
chicotada psicológica, ou isto é
daquelas coisas que não há volta
a dar?
Depende das pessoas que dirigem
os clubes e até da própria cultura
dos clubes. Mas nós somos talvez
a profissão que sofre maior avaliação
e temos de estar sempre preparados
para tudo. A linha que separa o sucesso
do insucesso é quase invisível e temos
de lidar com isso de uma forma
natural.
Qual a sua opinião sobre a
reformulação dos quadros
competitivos?
Não me parece que tragam melhorias
significativas. Continuam-se a tomar
decisões sem ouvir quem está no
terreno e percebe realmente disto. Há
quem decida sem nunca ter vivenciado
o jogo.
Existe algum local ou fórum
entre a classe de treinadores
para debaterem ideias sobre a
profissão?
Existe a Associação Nacional de
Treinadores de Futebol e pelo menos
no Norte faz-se de vez em quando
uns almoços onde nos juntamos para
debater ideias. Mas penso que é
pouco, deveríamos ser uma classe com
muito mais força e mais unida.
Paulo Fonseca
Idade: 39 anos
Clubes como treinador: Estrela da
Amadora (juniores), 1.º de Dezembro,
Odivelas, Pinhalnovense, Desportivo
das Aves e Paços de Ferreira
48 JOGADORES 37
Apito
JORGE SOUSA
“O árbitro está no campo para ajudar os jogadores”
Aos 37 anos, Jorge Sousa,
da Associação de Futebol
do Porto, é considerado
um dos melhores árbitros
portugueses. Diz que
arbitragem portuguesa
está a passar por uma
boa fase mas que é
necessário apostar
na profissionalização
e essencialmente na
formação. Acrescenta
que a relação árbitro/
jogador está a mudar e
que os futebolistas não
podem ver o juiz como
um inimigo.
e as prestações que temos tido alémfronteiras são a prova evidente do que
estou a dizer.
Qual é o estado da arbitragem em
Portugal?
A arbitragem está a passar uma
fase muito boa por força do que
tem acontecido nos últimos tempos.
Fomos confrontados com uma série
de boas notícias e a vários níveis
que culminaram com a presença
no Campeonato da Europa e nas
finais da Liga dos Campeões e do
Campeonato da Europa, o que é uma
demonstração clara e inequívoca
do valor da arbitragem portuguesa.
Porém, nós sabemos que a nível
interno vivemos muito do penálti que é
ou não assinalado, da clubite acima de
tudo. Mas é um facto que a arbitragem
está viva, a trabalhar no caminho certo
Que medidas devem ser
implementadas para melhorar o
sector?
Nós árbitros de primeira categoria,
apesar de estarmos numa estrutura
totalmente profissional e sendo um
interveniente importante no jogo,
somos os únicos amadores. Enquanto
não forem dadas aos árbitros todas
as condições para puderem potenciar
o seu trabalho, não lhes podem
exigir rendimentos de excelência, de
profissionais, quando não o são. Esta é a
mais pura verdade. . O que eu faria era
dar aos árbitros verdadeiras condições
para que possam desenvolver da melhor
forma a sua actividade. Isto passa pela
profissionalização.
38 JOGADORES 48
Foi benéfica a passagem da
arbitragem da Liga para a FPF?
Ainda estamos numa fase muito
embrionária. Antes estávamos de uma
forma que não era normal porque
nas associações internacionais a
arbitragem está num só pólo e em
Portugal estávamos divididos. No fundo,
em termos legais, as coisas ficaram
agora no seu devido lugar. Agora, em
termos de estrutura, a mudança da
Liga para a FPF, só o tempo o dirá se
as coisas estão melhores ou piores.
A profissionalização é o grande
desafio da arbitragem?
A arbitragem tem que ser pensada em
toda a sua estrutura e não apenas na
questão da profissionalização. Tudo
começa na formação. É preciso trazer
jovens para a arbitragem, dar-lhes
condições, motivá-las, mostrar que
a arbitragem pode ser uma carreira
interessante. Estamos muito longe do
número ideal de árbitros em Portugal.
Pode dizer-se que, neste momento,
ser árbitro não é uma actividade
apelativa para os jovens?
Sim, não é apelativa. Por exemplo, um
jovem que esteja a estudar, que tenha
uma bolsa de estudo e que venha para
a arbitragem, automaticamente perde
essa bolsa porque vai ter rendimentos,
que não são nada de outro mundo,
antes pelo contrário, e a arbitragem
vai até dar-lhe prejuízo para a sua vida
profissional. Logo, está longe de ser
apelativa.
Como é que deve ser uma relação
árbitro/jogador?
É uma resposta algo subjectiva. Eu
tento sempre mostrar aos jogadores
que o adversário é a outra equipa
e não a equipa de arbitragem. Nós,
árbitros, estamos no terreno de jogo
para ajudarmos naquilo que podemos
o jogo e os jogadores. Acima de tudo
salvaguardar a sua integridade física
e fazer com que o encontro decorra
dentro das leis e das regras. Depois,
tentar um relacionamento árbitro/
jogador o mais cordial possível e passar
a mensagem de que o árbitro é alguém
que está lá para os ajudar. Muitas vezes
a ideia é que, para além da equipa
adversária, o árbitro também é um
adversário. É uma ideia um bocadinho
enraizada na nossa cultura em que
nos preocupamos demasiado com os
árbitros.
Tendo em conta a sua experiência,
nota se ao longo dos anos os
jogadores têm mudado o seu
comportamento para com os
árbitros?
Não tenho dúvidas de que hoje o
relacionamento árbitro/jogador é muito
melhor do que era no passado.
Seria positivo que os clubes
tivessem na sua estrutura exárbitros para auxiliarem jogadores,
técnicos e dirigentes?
Quanto mais e melhor uma estrutura
perceba e compreenda todas as outras
que fazem parte da profissão e do
negócio melhor estará preparada para
fazer face aos seus desafios.
Jorge Sousa
Idade: 37 anos
Associação: Porto
Profissão: Empresário
Texto: Vitor Crisóstomo | Fotografia: Rui Raimundo/ASF
48 JOGADORES 39
MUNDIAL 2014
opinião
Dois jogos, duas vitórias,
o Brasil mais perto
Gustavo pires Presidente do Fórum Olímpico de Portugal
Para uma Ética do Conflito
Paulo Santos/ASF
Depois do triunfo no Luxemburgo
(1-2), Portugal derrotou o Azerbaijão
por 3-0 na segunda jornada do Grupo
F, da fase de apuramento para o
Mundial 2014.
No Estádio AXA, em Braga, perante
cerca de 30 mil espectadores, a
Selecção Nacional realizou uma boa
exibição e onde o resultado final
(3-0) apenas peca por escasso.
Portugal chegou ao intervalo
empatado a zero mas com inúmeras
ocasiões de golo desperdiçadas e
várias bolas (três, duas de Postiga e
uma de Moutinho) nos postes. A ineficácia continuou no segundo
tempo – mais dois remates aos
postes – até que aos 63 minutos,
Silvestre Varela, acabadinho
de entrar, quebrou o enguiço e
inaugurou o marcador.
Na recta final do encontro, os
comandados de Paulo Bento
acertaram a mira e marcaram por
mais duas vezes: Hélder Postiga,
aos 85, após assistência de Ronaldo,
e Bruno Alves, aos 88, num bom
cabeceamento na sequência de um
pontapé de canto.
Com esta vitória, Portugal lidera o
Grupo F juntamente com a Rússia,
ambas com seis pontos, embora a
formação de Fabio Capello tenha
melhor diferença entre golos
marcados e sofridos.
O próximo jogo de Portugal será a
12 de Outubro, frente à Rússia, em
Moscovo.
Classificação do Grupo F:
1. Rússia, 6 pontos
2. Portugal, 6
3. Luxemburgo, 1
4. Irlanda do Norte, 1
5. Azerbaijão, 1
6. Israel, 1
Próximos jogos:
Rússia-Portugal (12/10)
Luxemburgo-Israel (12/10)
Rússia-Azerbaijão (12/10)
Portugal-Irlanda do Norte (16/10)
Israel-Luxemburgo (16/10)
Brazuca, a bola do Mundial de 2014
O nome foi escolhido após uma
votação online que contou com
a participação de mais de um
milhão de adeptos brasileiros.
Brazuca obteve 77,8 por cento
das preferências, enquanto
as alternativas Bossa Nova e
Carnavalesca registaram 14,6 por
cento e 7,6 por cento dos votos,
respectivamente.
40 JOGADORES 48
“Ele [o treinador] é o guardião do
templo e, por isso, para além do “fair
play”, o defensor de uma ética de
conflitos que, acima de tudo, deve ser
respeitada no mundo do futebol.”
A Adidas Brazuca sucede assim
à Jabulani (usada no Mundial
da África do Sul, em 2010)
e à Teamgeist (adoptada na
Alemanha, em 2006).
Segundo a FIFA, Brazuca é um
termo informal, utilizado pelos
brasileiros para descrever o
orgulho nacional pelo estilo de
vida do país. Simboliza emoção,
orgulho e boa vontade com todos,
de forma semelhante à abordagem
local ao futebol.
Refira-se que foi a primeira vez que
os adeptos estiveram directamente
envolvidos na escolha do nome da
bola do Campeonato do Mundo.
O esférico ainda não foi lançado
no mercado (está ainda a ser
desenvolvido e testado).
futebol é um jogo de confronto
direto, pelo que um treinador,
enquanto não tiver abatido o
adversário, mantém-se receoso
de ser abatido por ele. Ora, esta circunstância pode
gerar uma escalada de violência, na medida em
que toda a ação provoca uma reação. Qualquer
esforço ofensivo de uma das equipas desencadeia
um esforço defensivo da outra equipa que, para
ser superado, exige um acréscimo do esforço
ofensivo que será, novamente, contrariado por
um acréscimo do esforço defensivo e assim
sucessivamente. Em consequência deste jogo
de parada e resposta, desenvolvido com uma
intensidade crescente, pode-se gerar uma espiral
de violência que tendencialmente se projeta para
uma situação insustentável porque, se um treinador,
no quadro dos interesses do futebol moderno, é
naturalmente levado a pôr a equipa a jogar no limite
da permissibilidade das regras a fim de superar
o adversário, este, se não recorrer às mesmas
atitudes, procedimentos e ações, pode acabar por
ficar numa situação de desvantagem competitiva.
Entra-se, assim, numa escalada de violência que,
tendencialmente, evoluiu para o limite do “jogo
absoluto” caso as entidades encarregues de o
controlar não agirem em tempo útil.
É perante esta realidade que o treinador tem de
idealizar a grande estratégia para o campeonato
bem como a estratégia operacional que há de pôr
em ação, jogo a jogo, em função das circunstâncias
de cada momento. Por isso, muitas vezes, as suas
decisões são completamente incompreensíveis para
um mero observador que se limita a acompanhar
o campeonato ou a escrever para a imprensa
desportiva.
O treinador decide em função de, pelo menos, cinco
ideias estratégicas fundamentais:
1. Espaço: Tendo em atenção o país, a região, as
instituições, a cultura, o clube, os recursos, os
apaniguados e, entre outros aspetos, a competência
dos dirigentes, para além da equipa de jogadores
e técnicos, o treinador tem de ser capaz de
determinar o espaço que lhe resta a fim de
organizar a vitória possível;
2. Tempo: Se o jogo é um “continuum” de paradas
e respostas, o que é facto é que, muitas vezes, se
pode decidir num momento único. O campeonato
tem de ser considerado como uma sucessão de
pausas entre jogos. O treinador tem de saber fazer
uma gestão parcimoniosa do tempo e dos recursos
a fim de organizar a vitória antes, durante e depois
do jogo;
3. A assimetria entre o ataque e a defesa: Se só
o ataque permite a vitória, contudo, a defesa é a
forma mais favorável de ganhar o jogo. Enquanto
a defesa escolhe os terrenos, os momentos e as
condições de luta mais favoráveis, já o esforço
ofensivo de quem ataca é possuidor de entropia que
o leva ao esgotamento;
4. A informação: A informação é o bem mais
precioso do treinador. Permite-lhe medir a incerteza
do ambiente desordenado que é o campeonato, de
maneira a superar os constrangimentos do azar e
do acaso de cada jogo.
O futebol é um jogo simples o que não significa que
seja fácil. Assim sendo, o treinador na dialética do
jogo, tem de dominar a dinâmica de violência que,
uma vez fora de controlo, pode destruir o próprio
jogo. Ele é o guardião do templo e, por isso, para
além do “fair play”, o defensor de uma ética de
conflitos que, acima de tudo, deve ser respeitada no
mundo do futebol.
48 JOGADORES 41
jovens talentos
Benfica B | Avançado | 18 anos
BRUMA
É uma das grandes figuras do Sporting
B e já tem alguns colossos europeus
no seu encalce.
42 JOGADORES 48
Miguel Nunes/ASF
Ivan Ricardo Neves Abreu Cavaleiro nasceu a 18 de Outubro de 1993, em
Vialonga, Vila Franca de Xira. Deu os primeiros pontapés aos 10 anos no
Vialonga. Passou depois pelo Alverca até que chegou ao Benfica.
Não foi fácil a adaptação de Ivan Cavaleiro ao clube encarnado. Devido
ao seu comportamento impróprio foi emprestado, numa espécie de
castigo, ao Belenenses no final do primeiro ano. No emblema do Restelo
recuperou a alegria de jogar. Embora fosse juvenil chegou a alinhar pelos
juniores. A sua boa temporada valeu-lhe o regresso ao Benfica. Ivan
Cavaleiro não desaproveitou a segunda oportunidade e destacou-se
com a camisola encarnada.
Começou a ser chamado às selecções jovens e esteve presente no
Europeu de sub-17. Na última época marcou 15 golos no Campeonato
Nacional de Juniores. Representou Portugal no Europeu de sub-19 e
este ano foi escolhido para integrar o plantel do Benfica B e não tem
desiludido, antes pelo contrário. Nas quatro primeiras jornadas da II, Ivan
marcou cinco golos. Os responsáveis encarnados estão atentos ao valor
de Ivan Cavaleiro e propuseram-lhe a renovação do contrato por mais
três anos (até Junho de 2018) e blindaram-no com uma cláusula de
rescisão de 30 milhões de euros.
IVAN
CAVALEIRO
Nas quatro primeiras jornadas
da II Liga, o avançado do Benfica B
marcou cinco golos.
Alexandre Pona/ASF
Sporting B | Avançado | 17 anos
Apesar de estar blindado com uma cláusula no valor de 30 milhões de
euros, Bruma – na realidade o seu nome é Armindo Tué Na Bangna –
tem sido atentamente seguido por alguns dos maiores clubes europeus.
Segundo notícias recentes, o Sporting já recusou uma tentadora proposta
do Manchester City para adquirir o jogador.
Natural da Guiné-Bissau, Bruma começou a jogar no União Desportiva
Internacional de Bissau mas com apenas 14 anos veio para Portugal e
para o Sporting. No clube de Alvalade percorreu os escalões de formação,
granjeou estatuto e chegou esta época à equipa B dos leões.
Internacional português nas equipas jovens – foi inclusive o jogador mais
novo a actuar no Euro sub-17, no Liechtenstein, em 2010 –, Bruma tem
dado nas vistas neste início de temporada na II Liga cotando-se como um
dos elementos mais valiosos da formação leonina. Como curiosidade, digase que aos 15 anos, Bruma foi apontado pela imprensa britânica como um
dos alvos preferenciais do Chelsea, e chegou inclusive a ser considerado o
novo Cristiano Ronaldo.
Rápido e tecnicista não tem medo de encarar os defesas arriscando
amiudamente no um para um. Além disso revela ainda boa capacidade
finalizadora. Com estas qualidades não é de estranhar que andem de olho
em Bruma.
48 JOGADORES 43
As nossas internacionais
“O campeonato português
ainda é pouco competitivo”
Sónia Matias, 29 anos, é uma das jogadoras
da selecção portuguesa de futebol feminino. A
sua paixão pela modalidade surgiu em criança.
“O futebol para mim é magia”, revela.
Certo dia Sónia Matias foi convidada por Graça
Simões, então treinadora do 1.º Dezembro,
para jogar na formação de Sintra. A sua
adaptação ao futebol de 11 não foi fácil. “Foi
complicado porque no futsal fartava-me de
marcar golos e no futebol de 11 havia mais
regras. Fui adaptada a defesa-esquerda mas
só com o tempo é que tudo melhorou, ao ponto
de ter sido chamada à Selecção”, explica.
Aos 25 anos surgiu o início da aventura
espanhola. Depois de um Mundialito, onde
estiveram presentes vários olheiros, Sónia foi
contactada pelo Prainsa Saragoça. Receou
aceitar o convite para jogar em Espanha mas
a companhia de outras colegas de selecção
tornou a decisão mais fácil. “No início fiquei
na dúvida, muito reticente, mas como ia ter
o apoio da Edite Fernandes e da Ana Borges
resolvi aceitar. E em boa hora o fiz porque
estou a gostar de viver e jogar em Espanha”,
afirma a número cinco da equipa das quinas.
Actualmente a jogar no Espanhol, de Barcelona,
a esquerdina diz que o objectivo desta época
é lutar pelo título. “Saíram muitas jogadoras,
o orçamento foi mais uma vez reduzido mas,
44 JOGADORES 48
apesar disso, queremos lutar pelo título e
ganhar a Taça à semelhança do que fizemos
na última temporada”, diz.
Sobre os últimos acontecimentos que
guindaram o futebol feminino português a
um patamar mais mediático, Sónia Matias
põe alguma água na fervura. “Tudo ainda
está longe do profissionalismo. Faltam muitos
apoios. O campeonato português ainda é pouco
competitivo porque muitas jogadoras estão
a sair para o estrangeiro. Isso é bom para
a selecção mas é mau para o País. Todavia,
com os últimos feitos, em especial com a boa
prestação das sub-19 no último Europeu, que
me deixou muito contente, pode significar o
início de uma mudança positiva para o futebol
feminino”, conclui.
SÓNIA MATIAS
Nacionalidade Altura
Portuguesa 1,67 m
Naturalidade Peso
Lisboa 57 kg
(17/05/1983) Posição
Idade Defesa
29 anos Esquerda
Clubes
1.º Dezembro, Prainsa Saragoça e Espanhol
Texto: Tiago Abreu | Fotografia: Carlos Vidigal Jr./ASF
48 JOGADORES 45
FUTSAL
Paulo Esteves/ASF
ntral, 21 anos
Sporting B, defesa ce
Grupo Revelação
e Three Songs
Em Busca da Felicidade
Coca-Cola
Grupo de música favorito?
Um filme?
Uma bebida?
Avatar
Coca-Cola
Audi
Zara
Marca de roupa?
Salsa
FIFA
Jogo de PC ou consola?
FIFA
Denzel Washington
Dânia Neto
Bacalhau à Braz
Esparguete à Bolonhesa
Ir ao cinema
Pepe (Real Madrid)
O que espero vir a ser:
Treinador de futebol
Actor
e actriz preferidos?
anos
Música brasileira
Marca de automóveis?
Lamborghini
46 JOGADORES 48
Naval, avançado, 26
Raúl Cardoso/A
SF
Ao derrotar o Modicus por 5-3 os encarnados
conquistaram a sexta Supertaça do seu historial e
alcançaram o 18.º título na modalidade, tornandose no clube mais titulado do futsal português (o
Sporting tem 17 troféus).
O Pavilhão dos Congressos, em Matosinhos, foi o
palco da final entre o Benfica e o Modicus. Num
encontro muito disputado, a formação de Sandim
seguiu na frente do marcador (Luís Miguel) mas o
Benfica deu a volta e chegou ao intervalo a ganhar
por 2-1 (golos de Davi e Joel Queirós).
Na segunda parte, o Modicus voltou a igualar a
partida (Gabriel), mas encarnados ripostaram e
adiantaram-se no marcador até aos 4-2 (Marinho
e Vítor Hugo). O Modicus ainda reduziu para 3-4
(Luís Miguel) mas o Benfica sentenciou o encontro
com o quinto golo apontado por Gonçalo Alves.
Sporting CP
Benfica torna-se no clube
mais titulado do futsal português
Denzel Washington
Angelina Jolie
Prato favorito?
Arroz de Marisco
Hobbie?
Jogar playstation
Ídolo?
A minha filha
Se não fosse futebolista profissional Sempre quis ser
jogador de futebol
o que gostaria de ser?
48 JOGADORES 47
clipping
opinião
O presidente do SJPF
e as medidas do Governo
Mais dois jogadores
contratados no 10º Estágio
“Com alguma ousadia, tenho aconselhado
alguns treinadores a levantarem, dentro de
si mesmos, antes dos treinos, esta questão:
‘Que homem quero eu que nasça, nos meus
jogadores, nos exercícios que vou orientar?’”
Tiago e Hugo Cardoso
no Leiria
MANUEL SÉRGIO Filósofo do Desporto
Para uma crítica desportiva
o livro “Ao Encontro da
Palavra” (Livraria Morais,
1960) Manuel Antunes
sustentava que, no seu
trabalho crítico, procurava conjugar dois
métodos: “o fenomenológico e o dialético”.
Faço minhas as palavras do insigne
pensador. Também eu, dentro dos meus
parcos limites, procuro desenvolver a minha
atividade crítica, tornando visível que a
crítica desportiva deveria inspirar-se não só
nos valores tipicamente desportivos, mas
também naqueles que lhe são exteriores
e afinal são os fundamentais. Ou seja, a
minha crítica do desporto não se realiza na
perspetiva exclusivamente desportiva, não é
um produto tão-só do fenómeno desportivo,
mas do sistema que ele é e donde nasce.
Uma crítica desportiva que se pretende
48 JOGADORES 48
rigorosa, ou tem em conta o todo de que o
desporto é elemento, ou deixou de ser fiável.
É a dialética entre o todo e as partes, entre
a génese e a estrutura, entre o texto e o
contexto, que nos permite uma visão global, e
não apenas setorial, do desporto.
Do que vem de escrever-se é lícito concluir
que pensar o desporto é pensar bem
mais do que o desporto. E assim elaborar
uma crítica a um jogo de futebol é bem
mais do que andar à cata dos erros dos
árbitros. Para encontrar as “causas das
causas” do resultado de uma competição
desportiva, torna-se imperioso salientar que a
competição (gosto mais do termo coopetição,
como síntese de competição e cooperação)
há-de converter-se num encontro entre
homens e é a sua humanidade o radical
fundante das vitórias ou das derrotas.
Com alguma ousadia, tenho aconselhado
alguns treinadores a levantarem, dentro
de si mesmos, antes dos treinos, esta
questão: “Que homem quero eu que nasça,
nos meus jogadores, nos exercícios que
vou orientar?”. Homem, primeiro que tudo,
homem a quem nada do que é humano
parece estranho; homem sempre em busca
de uma vida qualitativamente superior e que
toma o desporto como pretexto para vivêla em plenitude – eis aí o campeão (atleta
ou treinador) do Futuro e com Futuro. E
campeão nas vitórias e nas derrotas, porque
em todas as situações se vence, mesmo que
se não vença nos estádios.
Saná
agradece ao SJPF
Grande entrevista de
Joaquim Evangelista sobre
a actualidade desportiva
48 JOGADORES 49
glórias
JOSÉ TRAVAÇOS
Integrou os Cinco Violinos, famosa linha avançada do Sporting que espalhou classe pelos
relvados nas décadas de 40 e 50. Travaços ficou ainda conhecido como o Zé da Europa por
ter sido em 1955 o primeiro futebolista português a integrar a selecção do Velho Continente.
Texto: Vítor Crisóstomo | Fotografia: Nuno Ferrari/ASF
No passado mês de Agosto, o Sporting
organizou a primeira edição do Troféu
Cinco Violinos. Uma justa homenagem
a cinco jogadores – Jesus Correia,
Vasques, Peyroteu, Travaços e Albano –
que marcaram uma era no Sporting e no
futebol português.
Travaços foi provavelmente o grande
maestro deste quinteto. O antigo jogador
e treinador Manuel de Oliveira chegou
a dizer que Travaços “foi o primeiro
número 10 que o futebol nacional
conheceu, se o entendermos nos
moldes de organizador como hoje o
assimilamos”.
José António Barreto Travaços
(22/02/1926 – 12/02/2002) foi e só
podia ter sido sportinguista já que
nasceu entre o Lumiar e o Campo
Grande, precisamente no local onde
mais tarde foi erguida a Bancada Nova
do Estádio José de Alvalade. Adorava
desporto, principalmente futebol e
atletismo (corria os 100 metros em
11 segundos). Mas antes de se tornar
futebolista de renome teve que aprender
um ofício – os tempos eram outros. Em
miúdo apanhou pombos numa carreira
de tiro perto de sua casa (talvez por isso
foi um apaixonado pela caça ao longo
da sua vida). Aos 13 anos foi para uma
oficina aprender a profissão de torneiro.
Três anos depois, aos 16, foi trabalhar
para os estaleiros da CUF. Mais tarde
50 JOGADORES 48
passou para as oficinas. Entretanto
jogava futebol pela CUF.
Em 1946, foi convidado para jogar pelo
FC Porto. Travaços pediu 20 contos e
casa mobilidade no Porto. O emblema
da Invicta aceitou as exigências mas
deparou com um “intruso”: o Sporting.
Sabendo do assédio portista, os
responsáveis verde e brancos levaram
Travaços para Torres Vedras e ali o
mantiveram durante 15 dias. Porém, o
FC Porto descobriu-o e resgatou-o para
o Porto. Inicialmente foi hospedado num
hotel e posteriormente transferido para
leoninos, arranjasse um plano o “safar”
do FC Porto. Chegou então ao Porto
um telegrama de Lisboa a informar
que Travaços tinha de se apresentar
na capital para a inspecção militar.
Tanga. No dia seguinte, assinou pelo
Sporting a troco de 20 contos de luvas
e a promessa de 700 escudos de salário
mensal.
Perdeu o emprego na CUF e foi
trabalhar na Frigidaire. Mais tarde,
apoiado pelo Sporting, Travaços, em
sociedade com Manuel Vasques, abriu
um negócio de construção e reparação
de frigoríficos.
Com idade júnior
Travaços foi treinar
ao Sporting. Josef
Szabo recusou-o.
“Menino, vai comer
batatas com
bacalhau”, disse.
Sporting e Europa.
Depois de quatro anos na CUF (2.ª
Divisão), Travaços chegou ao Sporting
em 1946. Tinha 20 anos. Afirmou-se
gradualmente na primeira equipa e
alguns meses os Cinco Violinos estavam
consolidados.
Com a camisola verde e branca,
Travaços realizou 454 jogos, marcou 182
golos e conquistou oito campeonatos
nacionais e duas Taças de Portugal.
Somou ainda 35 internacionalizações
(seis golos) por Portugal.
Travaços foi o primeiro jogador
português a integrar uma selecção
mundial. A 13 de Agosto de 1955 fez
parte da Selecção da Europa que
defrontou a Grã-Bretanha, em Belfast,
uma casa particular na aldeia minhota
do Escaramão, onde ficou durante duas
semanas. Mas Travaços não esqueceu
o Sporting e o seu sportinguismo. Então
escreveu a um dos seus irmãos a pedir
que ele, juntamente com os dirigentes
nas comemorações dos 75 anos da
Federação Irlandesa de Futebol. A
Selecção da Europa, com o austríaco
Ocwirk, os franceses Vincent e Kopa e o
jugoslavo Boskov, entre outros, venceu
por 4-1 e Travaços encheu o campo
com duas assistências para golo.
Travaços teve outros momentos de
pura magia. No seu primeiro jogo com a
camisola do Sporting contra o Benfica,
em Fevereiro de 1947, marcou três
dos seis golos da vitória leonina (6-1).
Antes do encontro um ourives de Lisboa
prometeu-lhe um relógio de ouro se
ele marcasse três golos. E lá ganhou o
relógio! Foi ainda protagonista no jogo
FC Porto-Sporting (1-4) que aparece
no filme “Leão da Estrela” com um
golo soberbo. A 26 de Janeiro de 1947,
Portugal alcançou a sua primeira vitória
oficial sobre a Espanha (4-1). Travaços
marcou dois dos golos.
A 24 de Maio de 1959, com 33 anos,
efectuou o último desafio oficial com
o Sporting. Foi com a Académica,
em Coimbra, a contar para a Taça de
Portugal. Os leões venceram por 3-1.
Após pendurar as botas tornou-se
treinador das camadas jovens do
Sporting. Reformou-se e acabou por
morrer no Algarve, após algum tempo
doente, a 12 de Fevereiro de 2002. Foi
sepultado no Cemitério do Lumiar, em
Lisboa. Tinha 75 anos.
48 JOGADORES 51
LAZER
carros
Toyota GT86
Exclusividade com raça
Peugeot RCZ Onyx
A Peugeot lançou no mercado nacional
a série especial RCZ Onyx, que tem na
exclusividade e na relação preço-equipamento
os seus argumentos mais fortes. Com uma
personalidade ímpar e um comportamento em
estrada de referência, o Onyx é um reforço de
peso na gama RCZ.
Reconhecido pelo seu design apurado, o
Peugeot RCZ passa a contar, na sua gama,
com uma edição ainda mais exclusiva
e distinta, com um forte conteúdo de
equipamento – a série especial Onyx.
Com toda a sua raça bem expressa no estilo
exterior, o RCZ Onyx caracteriza-se pelos
seguintes equipamentos específicos:
Jantes em liga leve 19’’ Sortilège Midnight
Silver; Retrovisores exteriores em preto
Perla Nera; Grelha do pára-choques dianteiro
52 JOGADORES 48
em preto brilhante; Pack Easy Motion:
Acendimento automático dos faróis + Followme-home + Limpa-vidros dianteiro automático
com sensor de chuva + Retrovisores
exteriores indexados à marcha-atrás +
Retrovisor interior electrocromático + Ajuda
ao estacionamento dianteiro e traseiro;
Pack Sport: Volante de 3 raios Sport em couro,
de diâmetro reduzido e regulável em altura e
profundidade + Painel de instrumentos Sport
com design específico; Navegação WIP Com
3D.
A panóplia de equipamentos acima descrita é
avaliada em 2175 euros.
Outro elemento que diferencia o Onyx é o
novo revestimento interior Meio-couro Nappa
Mistral preto. Quanto a cores de carroçaria,
estão disponíveis Branco Opale, Cinzento
Já está à venda em Portugal o GT86, o desportivo
compacto de 2+2 lugares da Toyota. O preço arranca
nos 39 780 euros (valor sem legalização, transporte,
pintura metalizada e ecovalor) na versão caixa
manual de seis relações, estando também disponível
uma caixa automática.
Para a Toyota, o desenvolvimento do novo GT86 teve
como objectivo expressar o mais puro e intrínseco
prazer de condução através de um desportivo capaz
de dar uma resposta instantânea e precisa, mesmo
nas mais pequenas solicitações do acelerador
ou do volante, para todos os que encaram a
condução como uma paixão, e não tanto como uma
necessidade.
O GT86 dispõe de uma carroçaria de linhas baixas
e aerodinâmicas, fixas a um chassis de dimensões
curtas, o que o torna num automóvel desportivo de
quatro lugares compacto ímpar.
Aliado a um chassis apurado encontra-se o motor
atmosférico a gasolina de 2.0 litros, que resulta de um
desenvolvimento conjunto entre a Subaru e a Toyota.
O novo Toyota GT86 está disponível com dois níveis
de equipamento, o GT86 e GT86 Sport. A versão
de entrada conta com faróis de xénon, jantes 17
polegadas, diferencial autoblocante Torsen, sistema
de ar condicionado automático bi-zona com controlo
independente da temperatura à esquerda e à direita,
cruise control, smart Entry, pedais em alumínio, bancos
desportivos e sistema áudio Toyota Touch.
A versão Toyota GT86 Sport acrescenta os bancos em
pele e alcântara, o sistema de aquecimento dos bancos
dianteiros e as patilhas por detrás do volante na versão
de caixa automática.
Ficha técnica
Cilindrada (cc)
Potência (CV)
Binário máximo (N.m)
Velocidade máxima (km/h) 0-100 km/h (s) Consumo médio (l/100 km)
Preço (euros)
1998
200
205
230
7,6
7,8
Desde 39 780
Versões e preços
RCZ Onyx 1.6 THP 156 CVM6: 31 380 euros
RCZ Onyx 1.6 THP 200 CVM6: 34 340 euros
RCZ Onyx 2.0 HDi 163 CVM6: 40 690 euros
Sidobre, Cinzento Haria e Preto Perla Nera.
Em termos de motorizações são três as
escolhas possíveis: 1.6 THP 156 cv, 1.6 THP
200 cv e 2.0 HDi 163 cavalos de potência.
Regresso às raízes desportivas
48 JOGADORES 53
LAZER
LAZER
relógios
jogos
Guerra dos Tronos
Para matar saudades
BREITLING Para comemorar os 60 anos da Esquadrilha da Fumaça da Força Aérea Brasileira, a Breitling lançou uma edição limitada do seu Navitimer World.
BAUME & MERCIER A Baume & Mercier revelou uma série de três pequenos relógios Hampton Women, clássicos e refinados, verdadeiramente femininos.
vulcain Para homenagear o pianista Herbie Hancock, a Vulcain lançou o 50s Presidents’ “Herbie Hancock”. Disponível em duas versões (ouro rosa ou aço).
Para controlar o
Se é um fã da série televisiva Game
of Thrones (em português Guerra
dos Tronos) e enquanto aguarda pela
terceira temporada (deverá estrear em
2013), pode ir matando, com as devidas
ressalvas, o bichinho nas consolas com
o videojogo com o mesmo nome.
Como não poderia deixar de ser,
“Guerra dos Tronos”, disponível
para PlayStation 3, Xbox 360 e
PC, é um título baseado na série
televisiva – apesar disso não exige um
conhecimento prévio da série. Assim,
magia, criaturas sobrenaturais, heróis,
vilões e um mundo fantástico são
algumas das características presentes
no jogo. Uma boa oportunidade para
visitar Porto Real ou a enigmática
Muralha.
“Guerra dos Tronos” é um RPG de
acção, voltado para os combates, com
vários momentos em que é o jogador
quem escolhe os diálogos dos seus
personagens. O jogador pode controlar
duas personagens: Mors, um membro
da Patrulha da Noite, e Alisteir, um
clérigo de R’hllor que regressa a Porto
Real após um exílio de 15 anos do outro
lado do Mar Estreito.
Cada capítulo termina com um gancho
para o próximo. Trinta é o número de
horas para concluir o jogo mas parece
que demora mais devido ao elevado
número de carregamentos. Algo
desagradável para quem aprecia um
bom jogo de acção.
tempo
The Amazing Spider-Man
O “aranhiço” que manda em Nova Iorque
GRAHAM Novas versões do consagrado Chronofighter Oversize. que incluem a característica alavanca para início e paragem do cronógrafo no lado esquerdo da caixa.
PATEK PHILIPPE Grande clássico, o calendário perpétuo automático extraplano, calibre 240 Q, recebeu uma nova interpretação com um estilo retro-contemporâneo.
JAEGER-LECOULTRE Criado em 1931, o emblemático modelo Reverso aparece mais uma vez no último filme da trilogia Batman.
54 JOGADORES 48
Os super-heróis nunca passam de
moda e a febre volta em força quando
estreia um novo filme no cinema. E este
vem quase sempre “acompanhado”
pelo jogo. Et voilá, aí está o videojogo.
Em o “The Amazing Spider-Man”
(em português foi traduzido para O
Fantástico Homem-Aranha) o jogador,
como não poderia deixar de ser, encarna
o papel do jovem Peter Parker (para
os mais distraídos, Peter é o HomemAranha). Enquanto vai descobrindo e
aprimorando os seus novos poderes,
Peter combate os mais diversos inimigos
como o Lagarto (Dr. Curt Connors),
entre outros.
Além das missões principais (em
ambientes fechados), existem ainda as
secundárias. Nestas é possível sobrevoar
a cidade de Nova Iorque apoiado na
força das suas teias (pode sempre cair
em queda livre e esperar pelo último
segundo antes de soltar uma teia e
subir novamente a grandes altitudes
para aumentar a adrenalina) e salvar a
população dos mais variados bandidos
que tentam assaltar bancos ou provocar
incêndios, entre outras “brincadeiras”.
O Homem-Aranha é bastante fácil de
dominar e se quer passar um bom
momento de diversão, então “The
Amazing Spider-Man” é uma boa aposta.
48 JOGADORES 55
Estádio josé De alvalade
O MEU ESTÁDIO
André Alves/ASF
Emílio Peixe
Nacionalidade: Portuguesa
Naturalidade: Nazaré
Posição: Médio
Idade: 39 anos
Clubes: Nazarenos, Sporting, Sevilha,
FC Porto, Alverca, Benfica e União de Leiria
Características:
ção: 75.000
Medidas: 105M x 64 M - Lota
Ano de construção: 1956
Palco “carregado” de história
O Estádio José de Alvalade surgiu a 10
de Junho (Dia de Portugal) de 1956.
No dia da sua inauguração, o então
sexto campo do Sporting, teve direito
a um desfile, perante mais de 60 mil
pessoas, de várias colectividades do
País. Palco de grandes conquistas
leoninas, em 1983 e pela mão do então
presidente João Rocha, o estádio
foi finalizado com a inauguração da
chamada Bancada Nova, que substituiu
o então peão, permitindo o aumento da
lotação de 52 400 para 75 000 lugares.
Emílio Peixe, internacional português
e formado em Alvalade, recorda
esses tempos com nostalgia. “Entrar
em campo era um momento único.
As claques estavam por trás de nós
quando subíamos pelo túnel e isso
criava um espectáculo único. Lembrome que os jogadores estrangeiros
ficavam maravilhados com a atmosfera
criada”, explica.
O antigo médio salienta que foi muito
feliz em Alvalade. “Houve muitos bons
momentos vividos naquele estádio.
Fiz lá toda a minha formação e ter
chegado a sénior e jogar naquele
estádio cheio, ninguém esquece”,
56 JOGADORES 48
Texto: Tiago Abreu | Fotografia: Helena Valente/ASF
recorda.
Emílio Peixe passou 11 épocas, quatro
como júnior e sete como sénior de leão
ao peito. Actualmente é treinador dos
sub-17 de Portugal, tendo iniciado a
carreira de técnico em 2008 ao serviço
dos sub-15 lusos. Anteriormente
marcou presença nos órgãos sociais do
SJPF e foi inclusive técnico no Estágio
do Jogado. No início do século XXI, e
tendo em vista o Euro 2004, o estádio
começou a ser demolido para dar
lugar ao actual Estádio José Alvalade,
integrado no complexo Alvalade XXI.
“O estádio actual é diferente, o público
não está tão próximo dos jogadores, o
que também fazia criar uma vivência
diferente em cada jogo, mas são outros
tempos e compreende-se”, adianta
Emílio Peixe.
O antigo estádio foi ainda palco
de eventos desportivos de outras
modalidades como o atletismo e a
Volta a Portugal em Bicicleta. Ficou
igualmente conhecido como anfiteatro
de grandes concertos como por
exemplo GNR, Michael Jackson, Pink
Floyd, Metallica, Tina Turner, Rolling
Stones ou Guns N´ Roses, entre outros.
48 JOGADORES 57
regresso à infância
Quando teve noção de que gostava de futebol?
Começou nos intervalos da escola primária e depois passou para os
jogos de rua.
Jogou muitos jogos de bairro?
Sim.
E onde jogavam?
Tínhamos um descampado com as balizas praticamente feitas ou
então nos torneios entre freguesias onde jogávamos num campo
pelado.
Jogava em que posição?
Nessa altura era mais tudo atrás da bola.
Dividiam-se as equipas por clubes?
Eram divididas por freguesia nos torneios ou simplesmente por ruas
onde cada um de nós morava. A minha era considerada a melhor
porque ganhávamos quase sempre e os outros queriam sempre
derrotar-nos.
E tinham algum prémio?
O troféu era uma garrafa que servia de motivação e para “gozar” com
quem perdia.
Tinha alguma alcunha?
Que me lembre não.
Para além da bola, o que não podia faltar?
Essencialmente era o gosto e vontade de jogar futebol.
Mudava e terminava aos quantos?
Mudava aos 5 e terminava aos 10.
TIAGO
Primeiro a bola ou a namorada?
Naquela altura só interessava a bola, as raparigas só vieram mais
tarde.
Trofense, médio, 37 anos
“O troféu era uma garrafa
e servia para ‘gozar’ com quem perdia!”
58 JOGADORES 48
Texto: Tiago Abreu | Fotografia: Vitor Garcez/ASF
Muitos joelhos esfolados?
Fazia parte da praxe.
Havia algum ”chato” que não gostava de ver a malta a
jogar?
Existia um vizinho que quando a bola ia parar ao seu quintal, ele não
nos dava a bola e até chegou a rasgar algumas. Era um chato do pior!
48 JOGADORES 59
60 JOGADORES 48