Classificação dos Grupos Funcionais para Fins de Nomenclatura*

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Classificação dos Grupos Funcionais para Fins de Nomenclatura*
GEOGRAFIA
Prof.: Sabbath
Lista: 05
Aluno(a): _______________________________________________
Turma: ____________________________
A queda do Muro de Berlim
As transformações políticas também chegaram ao maior símbolo da
Guerra Fria na Europa, a Alemanha dividida. O governo da Alemanha
Oriental sofria pressão para flexibilizar as autorizações de viagens para
a parte Ocidental. Diante de uma informação equivocada do porta-voz
do governo, a de que as viagens para o Ocidente seriam permitidas a
partir daquele momento, a população se concentrou junto ao Muro. Na
noite de 9 de novembro de 1989, uma enorme multidão reuniu-se junto
ao Muro de Berlim e, armados com pás, martelos e picaretas, diante de
guardas da RDA, passou a destruir fisicamente o muro, até que uma
retroescavadeira abriu uma passagem entre Berlim Oriental e
Ocidental.
Data: 10/03/2015
Desde a reunificação alemã, fluíram somas em torno de 1,2 trilhão
de euros rumo aos territórios da antiga Alemanha Oriental. (...) Ou seja,
uma vida de Alice no País das Maravilhas está longe de ser realidade
nesta Alemanha sem o Muro. O entusiasmo estampado nas imagens
históricas do 9 de novembro de 1989 já foi há muito substituído por
uma sobriedade que analisa o passado na ponta do lápis. Tantos por
cento de desemprego, tantos bilhões de euros transferidos, um semnúmero de preconceitos daqui, uma série de acusações acolá.
De uma forma ou de outra, frente à dramaturgia das reformas no
palco político, a sensação, segundo o Die Zeit, é de um medo
generalizado.
"Não só o trabalhador tem medo, não apenas o desempregado e
aquele que recebe ajuda social, mas hoje em dia até o médio
empresário, a antiga e a nova burguesia, os especialistas e os talentosos.
Isso sem contar a resignação prematura dos recém-formados. Quando
as pessoas têm medo, é absurdo especular se este medo é legítimo ou
não. Ele é um fato social." Um fato social a ser enfrentado por um país
sem Muro. Quer queira, quer não.
Disponível em: <http://www.dw-world.de/dw/arti-cle/0,1564,1387613,00.html>.
Acesso em: 10 jan. 2005.
A desintegração
das "democracias populares"
Em 10 de novembro de 1989, no dia seguinte à queda do Muro de
Berlim, o Primeiro-Ministro da Alemanha Ocidental, Helmut Kohl,
propôs a reunificação das duas Alemanhas. Surpreendentemente, um
ano depois a proposta foi concretizada, menos como reunificação
igualitária e mais pela anexação da parte Oriental pela Ocidental.
Menos de dois meses depois da queda do Muro, todos os regimes
comunistas do Leste tinham caído. Formaram-se novos países e outros
se desmembraram, como no caso da Tchecoslováquia que se dividiu,
anos mais tarde, em República Tcheca e Eslováquia. O estado
policialesco socialista da URSS e do Leste europeu tinha abafado
durante décadas antigas disputas étnicas nessa região e o afrouxamento da repressão trouxe à tona também o nacionalismo.
Entre os ex-países socialistas, a Iugoslávia enfrentou a maior crise.
O país, que reunia sob seu regime povos de origens étnicas e religiosas
diferentes, ao ver desaparecer o regime comunista entrou em guerra
logo depois. A Eslovénia e a Croácia tornaram-se independentes em
1991; Bósnia-Herzegóvina, Sérvia e Montenegro e a província de
Kosovo foram palco do maior conflito dentro do território europeu
desde a Segunda Guerra. Sentimentos nacionalistas e rivalidades
internas desintegraram a antiga Iugoslávia.
A crise nos Bálcãs
A lugoslávia era formada por seis repúblicas (Eslovénia, Croácia,
Bósnia-Herzegóvina, Sérvia, Montenegro e Macedónia) e duas regiões
autónomas, situadas na Sérvia (Voivodina e Kosovo).
A Sérvia alimentava antigas pretensões hegemónicas sobre a região
balcânica, onde se situava a lugoslávia. Em 1989 foi eleito presidente
da Sérvia, Slobodan Mílosevic. Por ser a república mais populosa, com
maioria cristã-ortodoxa, o dirigente pretendia submeter os outros
Estados à liderança sérvia. Em 1990, a Eslovénia e a Croácia, as duas
províncias mais ricas, iniciaram a busca por sua independência, obtida
no ano seguinte. Milosevic declarou guerra primeiramente contra
eslovenos e depois contra os croatas, pois temia que os sérvios fossem
expulsos das áreas que habitavam quando ainda existia a lugoslávia.
A guerra civil matou milhares de pessoas. A Macedónia e a BósniaHerzegóvina seguiram o mesmo caminho da independência.
Milosevic, no entanto, não aceitou a independência bósnia e
iniciou, em 1992, com a ajuda dos sérvios que habitavam a Bósnia,
uma guerra que teve um caráter de "limpeza étnica", cercando
inicialmente a cidade de Sarajevo, matando mais de dez mil pessoas.
Houve um verdadeiro genocídio na Bósnia, o que significou expulsar,
torturar, mutilar e assassinar bósnios e croatas. Em uma única ação,
realizava-se o desejo de vingança contra dois povos distintos, já que a
Croácia havia obtido sua independência. Com a perseguição dos
sérvios a bósnios e croatas, os dois povos se uniram contra o exército
de Milosevic. A comunidade internacional fez pressão para que o
conflito terminasse e interveio, usando forças contra o exército de
A queda do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989, não
significou apenas a derrubada de um paredão, mas o fim do regime
comunista na Europa e da Guerra Fria.
Vivendo seu tempo
Quinze anos após a queda do Muro de Beriím, "Ossis"
(orientais) e "Wessis" (ocidentais) traçam, sem resquícios da
euforia iniciai, um panorama desta década e meia sem divisão
(...) A Alemanha celebra os 15 anos do fim do muro que dividiu o
país durante 28 anos. As perguntas lançadas no ar pela mídia alemã
nesta ocasião são várias: o que pensam os adolescentes de hoje, que
poucas lembranças têm de uma Alemanha dividida? E os ativistas da
antiga Alemanha Oriental, que foram às ruas pouco antes da queda do
Muro, o que foi feito deles? E o Muro real, de concreto - cujos supostos
restos foram espalhados em chaveiros por todo o mundo - deve ou não
ser considerado património histórico da humanidade?
As questões que para os alemães, no entanto, parecem ser cruciais
nesta data, estão ligadas às diferenças que persistem entre Ossis
(orientais) e Wessis (ocidentais). O medo de uns e de outros frente à
crise económica está levando o país a cortar as regalias do Estado do
bem-estar social. As formas de reação nos dois "ex-lados" frente a essas
mudanças e os conflitos que elas acarretam. E talvez a ainda persistente
sensação dos orientais de que seus compatriotas "do lado de lá" os
consideram "cidadãos de segunda classe".
"Experiências vividas no Leste alemão valem pouco na Alemanha
reunificada. Como filhos da RDA, os orientais foram intitulados depois
da construção do Muro de 'o resto bobo'. Isso suscitou um sentimento,
que persiste até hoje, de que seriam cidadãos de segunda classe.
Embora os cinco estados do Leste do país sejam tudo exceto desfavorecidos no que diz respeito à divisão das verbas oficiais", escreve o
diário suíço Neue Zúrcher Zeitung.
1
Milosevic e derrotando-o em 1995. A Bósnia, enfim, tornava-se
independente.
Em 1998, a província do Kosovo, situada na Sérvia, tentou sua
autonomia. A reação de Milosevic foi idêntica, iniciando uma guerra
em 1999. Só que desta vez promovendo uma limpeza étnica contra os
albaneses que lá moravam e os kosovares muçulmanos. A OTAN
interferiu na guerra em junho de 1999, bombardeando a Sérvia e
obrigando o ditador sérvio a recuar. O Kosovo tor-nou-se um
protetorado internacional, sendo administrado pela ONU e contando
com a presença de uma força de paz da OTAN.
Milosevic foi preso por crimes contra a humanidade e seria julgado
pela Corte Internacional de Haia, por seus crimes nas guerras da Bósnia e
do Kosovo, mas morreu em 2006 antes que o julgamento chegasse ao fim.
Da antiga lugoslávia, a última divisão ocorreu em 2006, quando por
meio de um plebiscito as regiões de Sérvia e Montenegro decidiram se
separar, desta vez sem guerra.
Disseram a respeito
As ambíguas heranças do socialismo que realmente existiu
O socialismo foi decisivo para a destruição do nazismo. Sem a
URSS, a história da humanidade, dominada pela besta nazista, poderia
ter sido radicalmente diferente.
Pode-se dizer o mesmo dos impérios coloniais europeus. Sem a
retaguarda soviética, política, militar, diplomática, moral, seria
impensável a sua desagregação, pelo menos na velocidade que se
verificou.
As referências socialistas também seriam de capital importância
para a constituição das correntes nacional-estatistas na América Latina,
na Ásia e na África. (...)
O Estado do bem-estar social (Welfare State), basicamente
construído após a Segunda Guerra (...) na área da Europa Ocidental,
deveu-se também, e amplamente, à existência do socialismo soviético e
seus congéneres. A ameaça vermelha aconselhava à prudência e às
concessões. (...)
Como heranças destrutivas, o socialismo deixou, sem dúvida, um
rastro de intolerância. A negação das liberdades e do pluralismo, a
cultura do centralismo e da ditadura (...).
Em um plano mais geral, o socialismo que realmente existiu não foi
capaz, historicamente, de construir e de gestar uma alternativa ética,
convincente, ao capitalismo. Seus valores mais centrais - igualitarismo,
solidariedade, cooperação, coletivismo -, além do fato de que não eram
levados a sério pelas próprias elites socialistas, acabaram associados à
ineficiência e à ditadura.
Fonte: REIS FILHO, D. A. Crise e desagregação do socialismo.
In: REIS FILHO, D.A; FERREIRA, J.; ZENHA, C. O Século XX.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002. p. 181-183.
Cinemateca
A insustentável leveza do ser (1988, EUA, dir.: Philip Kaufman)
Um médico tcheco procura sua realização e liberdade, mas a invasão
das tropas do Pacto de Varsóvia no país, em 1968, na chamada
Primavera de Praga, tem profundos reflexos sobre ele.
Adeus, Lênin! (2003, Alemanha, dir.: Wolfgang Becker) Pouco
antes da queda do Muro de Berlim, uma mulher, comunista ferrenha,
entra em coma. Ao despertar, o filho faz de tudo para que ela não perceba
que não existe mais a Alemanha comunista, com medo que ela piore.
Guantanamera (1995, Cuba, dir.: Tomás Guitier-rez Alea e Juan
Carlos Tabío) O filme mostra a vida na ilha de Cuba no pós-Guerra Fria.
Underground - mentiras de guerra (1995, França/lugoslávia,
dir.: Emir Kusturica) Em um subterrâneo em Belgrado, uma família
sobrevive à guerra produzindo armas para os rebeldes. Um dia a guerra
acaba, mas o atravessador deles prefere não avisá-los.
Wall Street - poder e cobiça (1987, EUA, dir.: Oliver Stone) Um
corretor jovem e ambicioso torna-se amigo de um milionário experiente
na Bolsa de Valores, que passa a ser seu tutor nos negócios.
Terra
de
ninguém
(2001,
Bósnia-Herzegóvina/
Eslovénia/França, dir.: Danis Tanovic) Dois soldados, um sérvio a
um bósnio, estão em uma trincheira durante a Guerra da Bósnia. Um
terceiro soldado está deitado sobre uma mina e qualquer movimento
poderia acioná-la. A ONU é chamada para intermediar a situação
insolúvel diante das câmeras de TV.
A guerra da Bósnia teve características de limpeza étnica. Campos
de concentração eram novamente instalados na Europa, o que levou
diversos países a exigir a intervenção da ONU na região.
REVISITANDO A HISTÓRIA
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01. Explique o que foi a détente e quais os principais aspectos que a
tornaram possível.
afetou a todas elas, fossem quais fossem suas configurações políticas, sociais e económicas.
HOBSBAWM, E. J. A Era dos Extremos: o breve século XX. São Paulo:
Companhia das Letras, 1995. p. 19.
02. Enumere dois motivos que levaram ao fim da détente e à volta da
competição entre URSS eEUA.
Fonfe: Der Tagesspiegel, Berlim, 19 dez. 1988.
Hobsbawm avalia que a queda do socialismo soviético insere-se em
um contexto de crise global que se desdobra no mundo
contemporâneo. Nessa direção, a crise global:
a) cria uma nova polarização política baseada no antagonismo
entre a Europa e os Estados Unidos;
b) favorece a emergência de novas nações, levando à eclosão de
conflitos étnicos e religiosos;
c) impede o desenvolvimento de tecnologias capazes de produzir
armas químicas, biológicas e atómicas;
d) libera uma grande quantidade de capitais para o financiamento
do desenvolvimento industrial da Rússia;
e) elimina os conflitos políticos e sociais que ameaçavam a
hegemonia norte-americana no mundo.
04. Por que a queda do Muro de Berlim é o ícone do fim do
socialismo?
05. Explique como o esfacelamento da URSS e do sistema socialista
foram importantes para o ressurgimento das questões nacionalistas
e separatistas.
04. (UNESP) Líderes europeus e centenas de milhares de pessoas
celebraram ontem no leste e no oeste da Europa a entrada de dez
novos membros na União Europeia, levando para 25 o total dos
membros do bloco e enterrando de vez a divisão (...) surgida no
final da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
03. O bserve a charge ao lado, publicada em um jornal alemão. Agora
responda:
a) Qual a principal mensagem da charge?
b) O que a charge mostra em relação à Polónia e Hungria?
Hungria - 1
Tchecoslováquia - 2
RDA (República Democ. Alemã) - 3
Roménia - 4
Polónia - 5
Folha de S. Paulo, 2 maio 2004.
06. Releia o quadro "As ambíguas heranças do socialismo que
realmente existiu" e faça um breve texto analisando a avaliação do
historiador Daniel Aarão Reis Filho sobre a experiência socialista.
O texto refere-se à divisão havida na Europa em:
a) nações industrializadas e países exportadores de produtos
primários;
b) regimes monárquicos e estados centralizados e autoritários;
c) países capitalistas e regimes comunistas, sob a liderança da
União Soviética;
d) países possuidores de impérios coloniais e nações desprovidas
de mercados.externos;
e) potências nucleares e estados sustentados por exércitos
populares.
Questões de vestibular
01. (PUC - RJ) Entre meados da década de 1950 e meados dos anos
1970, os Estados Unidos e a União Soviética realizaram uma
política de aproximação chamada "détente". Sobre esse momento
das relações entre as duas superpotências, é correto afirmar:
a) americanos e soviéticos assinaram tratados para controle dos
arsenais nucleares e ampliaram os contatos diplomáticos como
caminho para resolver as situações de conflito entre os dois
países.
b) a aproximação entre os Estados Unidos e a União Soviética
diminuiu o investimento em armas e tecnologia, do que
resultaram diversas crises na indústria militar de ambos os
países.
c) a política de "Coexistência Pacífica" fracassou, aprofundando a
instabilidade nas relações políticas internacionais.
d) a "Coexistência Pacífica" pôs fim à Guerra Fria e significou um
novo período nas relações entre os dois países, caracterizado
pela competição económica e não pelo conflito militar.
e) o relaxamento das tensões políticas entre americanos e
soviéticos possibilitou a ascensão de outras potências -tais
como, China, Japão e Alemanha - o que provocou, a partir dos
anos 70 a desagregação da ordem internacional bipolar.
05. (UFG - GO) Leia o texto a seguir: O que levou a União Soviética
com rapidez crescente para o precipício foi a combinação de
glasnost, que equivalia à desintegração de autoridade, com uma
perestroika, que equivalia à destruição dos velhos mecanismos que
faziam a economia funcionar, sem oferecer qualquer alternativa, e
consequentemente o colapso cada vez mais dramático do padrão de
vida dos cidadãos.
HOBSBAWM, E. J. A Era dos Extremos: o breve século XX.
São Paulo: Companhia das Letras, 1995. p. 468.
De acordo com o texto, a ideia de "desintegração da autoridade" da
glasnost de Gorbatchev relaciona-se com:
a) o fim do sistema unipartidário, do papel condutor do par tido
com a revitalização dos Sovietes;
b) a nova experiência da União Soviética rumo a uma sociedade
democrática e capitalista;
c) a legalização de pequenas empresas privadas e a bancarrota das
empresas estatais;
d) a desestruturação da economia soviética e o fim da produção
económica planejada;
e) a dissolução dos regimes comunistas satélites da Europa.
02. (UFRGS - RS) Na década de 80, a URSS enfrentou uma guerra ao
invadir o Afeganistão para apoiar o governo daquele país. Em
relação a essa guerra, é correto afirmar que:
I. Os oponentes dos soviéticos eram identificados como os
"combatentes da liberdade" pelo presidente Reagan, sendo
apoiados pelos EUA.
II. Os soviéticos se retiraram durante o governo de Gorbatchev,
sem ter derrotado os guerrilheiros afegãos.
III. A resistência afegã contou com a participação de Osama bin
Laden, que teria sido recrutado pela CIA entre os
fundamentalistas islâmicos da Arábia Saudita.
Quais estão correias?
a) apenas I
b) apenas I e II
d) apenas II e III e) I, II e III
06. (UECE) Sobre a desagregação do bloco socialista, iniciada a partir
dos anos oitenta, é correto afirmar:
a) as mudanças fundamentais iniciaram-se na Rússia, quando
Mikhail Gorbatchev assumiu a direção do governo soviético;
b) as lutas na maioria dos países da Europa Oriental foram
dirigidas pelo Sindicato Solidariedade;
c) o regime socialista subsistiu na China, em virtude do
fechamento da economia às empresas capitalistas ocidentais;
d) Albânia e Cuba foram os únicos países que conseguiram se
manter fiéis ao regime socialista.
c) apenas I e III
03. (UFG - GO) Embora o colapso do socialismo soviético e suas
enormes consequências, por enquanto impossíveis de calcular por
inteiro, mas basicamente negativas, fossem o incidente mais
dramático das Décadas de Crise que se seguiram à Era de Ouro,
essas iriam ser décadas de crise universal ou global. A crise afetou
as várias partes do mundo de maneiras e em graus diferentes, mas
07. (UFES - adaptada) O colapso do socialismo levou a uma
redefinição política e territorial do Leste europeu. Sobre essas
mudanças, pode-se afirmar que:
I. em 1989, teve início a reunificação das Alemanhas: Oriental e
Ocidental, com a destruição histórica do Muro de Berlim, que
voltou a sediar a capital da Alemanha unificada.
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das desigualdades sociais e regionais, e uma infinidade de questões que
desafiam o homem contemporâneo.
Mas a história, como vimos, é feita por homens e mulheres em sua
própria época. Desta forma, não há prognósticos que garantam o futuro.
Há expectativas e projetos que são construídos e reconstruídos
conforme as escolhas feitas em cada uma das circunstâncias e que
englobam as dificuldades e possibilidades de transformações
individuais e coletivas.
Neste último capítulo, vamos tratar de processos que estão
ocorrendo em nosso tempo. Muitos episódios são apresentados no
tempo imediato como rupturas e que, pouco depois, são tratados como
algo efémero, passageiro. Há outros que se constituem como parte de
novas decisões e desdobramentos. Por isso nos cabe a pergunta: o que
apreender da história presente?
A resposta é imprecisa, como em toda área de conhecimento
humano; por isso, vale mais observarmos alguns percursos da
atualidade e reconhecermos que a história continua. Ela nos instiga a
apreender aspectos e indagar continuamente, pois ninguém pode se
tornar um conhecedor apenas repetindo informações preexistentes. É o
exercício da reflexão que nos permite compreender os processos que
estamos vivendo.
Nosso objetivo, portanto, não é simplesmente apresentar dados
sobre processos ocorridos no período entre os anos 90 e o início do
século XXI, mas procurar compreendê-los em suas especificidades, tal
como fizemos ao longo do livro. Temas como a globalização, as
questões relacionadas ao terrorismo, à biodiversidade, às novas formas
de sociabilidade, aos movimentos sociais e individuais de seres que
estão construindo a história de seu próprio tempo são submetidos à
análise do leitor a partir de visões que o inserem dentro desta história,
pois falam de seu tempo e de sua realidade mais imediata.
I.
em face da crise do socialismo e da emergência de antigas
rivalidades nacionalistas, a Tchecoslováquia sofreu um
desmembramento que deu origem às repúblicas Tcheca e da
Eslováquia;
III.
após a morte do General Tito, a lugoslávia perdeu
importantes territórios - Lituânia, Estónia, Letónia e Belarus
(Bielo-Rússia) - que ainda vivem um dramático conflito de
etnias;
IV.
em 1991, a Croácia e a Eslovénia declararam independência. No ano seguinte, bósnios e croatas votaram pela
autonomia da Bósnia-Herzegóvina. Todavia, a Sérvia não
aceitou essa decisão e promoveu um cerco a Sarajevo, o que
deixou mais de dez mil mortos.
Assinale a opção que contém as afirmativas corretas:
a) apenas I, II e III
d) apenas I, II e IV
b) apenas II, III e IV
e) I, II, III e IV
c) apenas I e IV
08. (FUVEST - SP) "... a morte da URSS foi a maior catástrofe
geopolítica do século. No que se refere aos russos, ela se tornou
uma verdadeira tragédia."
Vladimir Putin, presidente da Rússia, abril de 2005.
"Para mim, o maior evento do século XX foi o colapso da URSS,
que completou o processo de emancipação das nações."
Adam Rotfeld, chanceler da Polónia, abril de 2005.
As duas declarações
a) coincidem, a partir de pontos de vistas opostos, sobre a
importância do desaparecimento da União Soviética.
b) revelam que a Polónia, ao contrário da Rússia e dos demais expaíses do Pacto de Varsóvia, beneficiou-se com o fim da União
Soviética.
c) mostram ainda ser cedo para afirmar que o desaparecimento da
União Soviética não foi historicamente importante.
d) consideram que o fim da União Soviética, embora tenha sido
uma tragédia, beneficiou russos e poloneses.
e) indicam já ser possível afirmar, em caráter definitivo, que o fim
da União Soviética foi o acontecimento mais importante da
história.
Disseram a respeito
A visão americana do "fim da história”
A cientista político Francis Fukuyama que trabalhava no
Departamento de Estado dos EUA publicou um artigo e depois um
livro defendendo a tese de que a História culminaria no modelo liberal.
De uma forma ou outra as nações teriam seus próprios processos, mas
com a derrocada do socialismo, não havia projetos pungentes e
mobilizadores de Estados e povos fora daquele modelo. Mais tarde, em
2004, o cientista reviu sua tese e criticou a adoção do modelo
neoliberal que levou à destruição e fragmentação de diversos países
pobres:
"O colapso ou a debilidade do Estado já criou grandes desastres
humanitários e de direitos humanos durante a década de 1990 na
Somália, no Camboja, na Bósnia, em Kosovo, no Haiti e no Timor
Leste. Durante algum tempo, os Estados Unidos e outros países
puderam fingir que esses problemas eram apenas locais, mas o dia 11
de setembro provou que a fraqueza do Estado também constituía um
enorme desafio estratégico".

A História continua:
dinâmicas e questões do início do século XXI
FUKUYAMA, F. Construção de Estados - Governo e organização no século XXI. Rio de Janeiro:
Rocco, 2004. p. 11.
No entanto, a tese da vitória liberal era propalada no início dos anos
1990 como a principal teoria para explicar a vitória do capitalismo e a
configuração da Nova Ordem Internacional defendida pelos EUA.
Leia o que escreveu o autor na introdução de seu livro sobre o tema:
Este livro tem como origem distante o artigo intitulado "O Fim da
História?" que escrevi (...) no verão de 1989. Nesse artigo eu
argumentava que, nos últimos anos, surgiu no mundo todo um notável
consenso sobre a legitimidade da democracia liberal como sistema de
governo, à medida que ela conquistava ideologias rivais como a
monarquia hereditária, o fascismo e, mais recentemente, o comunismo.
Entretanto, mais do que isso, eu afirmava que a democracia liberal pode
constituir o "ponto final da evolução ideológica da humanidade" e "a
forma final de governo humano", e como tal, constitui o "fim da
história". Isto é, enquanto as formas mais antigas de governo
caracterizavam-se por graves defeitos e irra-cionalidades, que as
levaram ao colapso final, a democracia liberal estava aparentemente
livre dessas contradições internas fundamentais. Não significa que as
democracias estáveis atuais, como os Estados Unidos, a França ou a
Suíça, estejam isentas de injustiças e sérios problemas sociais. Porém
são problemas de implementação incompleta dos princípios de
liberdade e igualdade, nos quais essas democracias se baseiam, e não
oriundos de falhas nos próprios princípios. Embora alguns países
contemporâneos não chegassem a alcançar uma democracia liberal
estável, e outros revertessem para outras formas mais primitivas de
Refletir sobre as questões que surgem em nosso tempo e os
processos protagonizados por homens da atualidade e que constroem as
suas histórias continua a nos instigar. Sua interpretação é um grande
desafio, por serem processos em andamento.
A década de 1990, com o fim da "era soviética", na expressão do
historiador Eric Hobsbawm, encerrou o "breve século XX". A
consolidação da liderança dos EUA era um fato reconhecido naqueles
anos. Um cientista político chegou a proclamar que a humanidade
alcançara o "fim da história", ou seja, ao longo de tantos processos que
acompanhamos neste livro, o desdobramento final seria a consolidação
de valores associados à política liberal, como a democracia, a lógica do
mercado, o respeito à diversidade e, paradoxalmente, a permanência
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governo, como a teocracia ou a ditadura militar, não seria possível
aperfeiçoar o ideal da democracia liberal.
(...) A princípio muitas pessoas ficaram confusas com o uso que fiz
da palavra "história". Tomando a história no sentido convencional de
ocorrência de eventos, citavam a queda do Muro de Berlim, a rejeição
do comunismo chinês na manifestação da Praça Tíananmen [da Paz
Celestial] e a invasão do Kuwait pelo Iraque como provas de que "a
história continuava" e que (...) minha teoria estava errada.
Contudo, o que eu sugeria não era o fim da ocorrência dos eventos,
nem dos fatos grandes e importantes, mas da História, ou seja, da
história como um processo único, coerente e evolutivo, considerando a
experiência de todos os povos em todos os tempos.
política que dominou o cenário mundial durante os anos 1990,
conhecida como neoli-beralismo. Este é uma adaptação das teorias do
liberalismo clássico (século XVIII) às condições do capitalismo atual,
no qual cria-se um Estado mínimo, ou seja, sem a interferência do
Estado nas atividades produtivas. Os neoli-berais defendem que o
Estado deve ser o regulamentador das atividades produtivas, estabelecendo as regras e mecanismos de funcionamento que assegurem a
livre-concorrência e a competição comercial, mas sem interferir
diretamente no sistema produtivo.
A política neoliberal dominou as políticas ocidentais dos anos 1990,
recomendando aos países em desenvolvimento que privatizassem suas
empresas estatais, abrissem sua economia ao mercado internacional e
permitissem o incremento das trocas de mercadorias e serviços.
A adoção desse processo ficou conhecida como globalização.
Disseram a respeito
A globalização
A globalização do mundo expressa um novo ciclo de expansão do
capitalismo, como modo de produção e processo civilizatório de alcance
mundial. Um processo de amplas proporções, envolvendo nações e
nacionalidades, regimes políticos e projetos nacionais, grupos e classes
sociais, economias e sociedades, culturas e civilizações. Assinala a
emergência da sociedade global como uma totalidade abrangente,
complexa e contraditória. Uma realidade ainda pouco conhecida,
desafiando práticas e ideais, situações consolidadas e interpretações
sedimentadas, formas de pensamento e voos da imaginação.
Para reconhecer essa nova realidade, precisamente no que ela tem
de novo, ou desconhecido, toma-se necessário reconhecer que a trama
da história não se desenvolve apenas em continuidades, sequências,
recorrências. A mesma história adquire movimentos insuspeitados,
surpreendentes. Toda duração se deixa atravessar por rupturas. A
mesma dinâmica das continuidades germina possibilidades inesperadas,
hiatos inadvertidos, rupturas que parecem terremotos. (...)
De maneira lenta e imperceptível, ou de repente, desaparecem as
fronteiras entre os três mundos, modificam-se os significados das
noções de países centrais e periféricos, do norte e sul, industrializados e
agrários, modernos e arcaicos, ocidentais e orientais. Literalmente,
embaralhou-se o mapa do mundo, umas vezes parecendo reestrutura rse sob o signo do neoliberalismo, outras parecendo desfazer-se no caos,
mas também prenunciando outros horizontes. Tudo se move. A história
entra em movimento, em escala monumental, pondo em causa
cartografias geopolíticas, blocos e alianças, polarizações ideológicas e
interpretações científicas.
Fonte: FUKUYAMA, F. O Fim da História e o Último Homem. Rio de Janeiro: Rocco, 1992.
p.11-12, 406-407.
A Ordem Mundial dos anos 1990
Fonte: IANNI, O. Globalização e a nova ordem internacional.In: REIS FILHO, D. A.; FERREIRA,
J.; ZENHA, C. O Século XX.Rio de janeiro: Civilização Brasileira, 2002. p. 207-208.
A década de 1990 também foi caracterizada pela intensificação da
revolução tecnológica e dos meios de transportes e telecomunicações.
A geração e a detenção de tecnologia de ponta tornaram-se a principal
forma de dominação económica e política, sendo, entretanto, restrita a
poucos países ricos do mundo. A internet, os satélites artificiais, a
mecatrônica, a biotecnologia, a microeletrônica, a informática,
mudaram os paradigmas a respeito do conhecimento e da forma de
transmiti-lo, alterando até mesmo as noções de distância e tempo.
Temos a nítida sensação de que as distâncias encurtaram e o tempo
acelerou-se; os acontecimentos mundiais são transmitidos em tempo
real seja pela internet, redes de televisões, rádios, fax, graças aos
avanços das telecomunicações. Hoje os fatos e acontecimentos ganham
dimensão mundial e nunca os homens receberam uma quantidade tão
grande de informações como atualmente.
O fim da União Soviética em 1991 trouxe uma nova correlação de
forças internacionais que foi definida pelo presidente americano
George Bush como a Nova Ordem Mundial que, segundo ele, traduz
"um mundo onde os países estão unidos, livres dos impasses da Guerra
Fria, onde a liberdade e os direitos humanos são respeitados por todos".
Reagan nos Estados Unidos e Marga-reth Thatcher, primeiraministra conservadora do Reino Unido (1979-1990), adotaram uma
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hegemónicos, mas o mundo se torna menos unido, tornando mais
distante o sonho de uma cidadania verdadeiramente universal.
Enquanto isso, o culto ao consumo é estimulado. (...)
Esses poucos exemplos, recolhidos numa lista interminável, permitem indagar se, no lugar do fim da ideologia proclamado pelos que
sustentam o processo de globalização, não estaríamos, de fato, diante
da presença de ideologização maciça, segundo a qual a realização do
mundo atual exige como condição essencial o exercício das tabulações.
O mundo como é: a globalização está se impondo como uma
fábrica de perversidades. 0 desemprego crescente torna-se crónico. A
pobreza aumenta e as classes médias perdem qualidade de vida. 0
salário médio tende a baixar. A fome e o desabrigo se generalizam em
todos os continentes. (...) A educação de qualidade é cada vez mais
inacessível.
Alastram-se e aprofundam-se males espirituais e
morais, como os egoísmos, os cinismos, a corrupção.
A perversidade sistémica que está na raiz dessa evolução negativa
da humanidade tem relação com a adesão desenfreada aos
comportamentos competitivos que atualmente caracterizam as ações
hegemónicas. Todas essas mazelas são direta ou indiretamente
imputáveis ao processo de globalização.
Fonte: SANTOS, M. Por uma outra Globalização. Rio de Janeiro: Record, 2000. p. 18-20.
Saiba mais
A febre do fax
As guerras
da Nova Ordem
As Guerras do Golfo I e II (1991 e2003)
Consideradas até pouco tempo um exótico equipamento de
escritório, as máquinas de fax tornaram-se comuns quase que da noite
para o dia, onde quer que se fizesse negócios - das 500 maiores
empresas listadas pela revista Fortune às pizzarias da esquina. Em
1998, mais de um milhão de unidades foram vendidas nos Estados
Unidos, em comparação com meras 50 mil, em 1983. A Europa não
estava longe, e no Japão, o principal fabricante e usuário do fax, os
velozes dispositivos de telecomunicações eram responsáveis por até
20% do tráfego telefónico.
A febre do fax (abreviação de fac-símile) foi um caso clássico da
procura alcançando a oferta. Desde o início dos anos 1970, as máquinas
ocupavam um cantinho discreto e exclusivo do mercado de aparelhos
para escritório. Em 1980, o fax moderno tornou-se possível graças a um
novo sistema que permitia a conversão de um documento em sinais
digitais, enviados por linhas telefónicas normais e recebidos em um
minuto ou menos. Os preços despencaram - de 2 mil dólares de um
modelo barato, em 1984, para cerca de 400, em 1988 -, não era
mais possível viver sem fax.
Fonte: Nosso Tempo. Op. c/f. v. II, p. 642.
Em 1990, o dirigente iraquiano, Saddam Hussein ordenou a invasão
ao Kuwait visando ao seu fortalecimento geopolítico e alegando argumentos históricos de que aquele país pertencera ao Iraque no passado.
Os Estados Unidos, reforçando sua liderança mundial, lideraram
uma coalizão de mais de 30 países que invadiu o Iraque, em janeiro de
1991, com anuência da ONU. A guerra durou apenas dois meses, com a
vitória da coalizão.
Apesar de derrotado, Saddam não caiu e continuou como líder
máximo iraquiano, sendo acusado de fabricar armas de destruição em
massa, tendo inclusive usado armas químicas contra a população curda
do norte do país em 1980.
A ONU decretou embargo total ao Iraque, que não permitia a
inspeção de seu território por técnicos desse organismo, em busca de
arsenais e locais de fabricação.
No governo de George W. Bush, uma nova ofensiva foi feita no
Iraque, em 2003, desta vez sem a autorização da ONU e com a
alegação de que o regime de Saddam produzia armas químicas. Saddam
foi deposto, mas as armas nunca foram
encontradas e o país entrou em guerra civil, dividido entre os
diversos grupos que o compõem.
A ação de Bush foi sustentada na nova doutrina de defesa nor-teamericana, implantada depois dos ataques de 11 de setembro de 2001,
pela qual se adotou o conceito de "guerra preventiva". Os EUA, em sua
defesa, criaram uma justificativa para ações militares no início do
século XXI. A Nova Ordem Mundial, termo que foi ficando em desuso,
não representava necessariamente a vitória de um modelo liberal, muito
menos a instauração de um mundo seguro.
Houve uma aceleração das trocas mundiais em todos os níveis, seja
nas transações comerciais, no fluxo de capitais ou de pessoas. Também
ocorreu uma reorganização espacial da indústria, que busca locais mais
favoráveis onde a relação custo-beneíício seja maior, encontrados
principalmente nas economias emergentes, com mão-de-obra mais
barata e incentivos fiscais. Com isso deu-se a internacionalização do
capital e da produção, efetivada pelas empresas transnacionais
apoiando-se na economia de mercado. Entende-se como economia de
mercado o sistema económico regido pelas leis do mercado, pela
liberalização do comércio (com o fim ou diminuição das barreiras
alfandegárias e das tarifas protecionistas), pela fixação dos preços pela
lei da oferta e procura, pelo fim do Estado intervencionista e a livre
circulação do capital como ponto central para o desenvolvimento
económico.
Essas grandes mudanças estruturais na economia e na geração de
riqueza e bem-estar, entretanto, não incluíram os países mais pobres do
mundo, que concentram mais de dois terços da população mundial. A
globalização, em vez de incluir, tem excluído as mais diversas nações
da dinâmica económica mundial, aumentando o fosso entre ricos e
pobres.
Disseram a respeito
A máquina ideológica que sustenta as açóes preponderantes da
atualidade é feita de peças que se alimentam mutuamente e põem em
movimento os elementos essenciais à continuidade do sistema. (...)
Fala-se, por exemplo, em aldeia global para fazer crer que a difusão
instantânea de notícias realmente informa as pessoas. A partir desse
mito e do encurtamento das distâncias - para aqueles que realmente
podem viajar - também se difunde a noção de tempo e espaço
contraídos. (...) Há uma busca de uniformidade, a serviço de atores
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A guerra que parecia fácil e “cirúrgica”, como previa o Secretário
de Defesa americano Donald Rumsfeld, mostrou-se muito mais onerosa
e desgastante depois da queda de Saddam, capturado em dezembro de
2003.
A rede al-Qaeda reivindicou a autoria dos atentados de Madri,
Espanha, nas vésperas da eleição espanhola. O atentado aconteceu em
trens lotados na manhã de 11 de março de 2004 e tinha como obje-tivo
"punir" os espanhóis por terem mandado tropas para o Iraque.
Os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001
Em 11 de setembro de 2001, os EUA foram alvo de um grupo de
terroristas ligados à al-Qaeda. O mundo assistiu, pelas televisões, aos
ataques a ícones do poderio americano, como as Torres Gémeas de
Nova York e ao Pentágono, órgão de defesa dos EUA. Aviões
sequestrados por terroristas ligados a grupos fundamentalistas islâmicos
foram jogados contra os alvos.
A ação surpreendeu o mundo, que viu a maior economia do globo
sendo atacada. A rede terrorista al-Qaeda, dirigida pelo saudita Osama
bin Laden, já havia praticado atentados contra alvos americanos, como
às embaixadas dos EUA no Quénia e na Tanzânia em 1998.
Bin Laden e seu grupo fundamentalista foram apresentados ao
Ocidente como um grupo que se opõe às ingerências do Ocidente,
especificamente dos EUA, em assuntos dos países islâmicos. Nesse
contexto se fundem questões como religião e petróleo, a luta por
autonomia dos povos árabes e a tensão entre modelos laicos e
religiosos. Bin Laden também se opõe a países árabes, como a Arábia
Saudita, sua terra natal, que tem relações amistosas com os norteamericanos e abriga bases militares norte-americanas em seu território.
A televisão mostrou ao vivo o momento no qual o avião bateu na
segunda torre do World Trade Center. Pouco depois o prédio desabava.
A resposta dos EUA,
além
de
reforçar
a
segurança interna, foi uma
pronta ação militar contra o
Afeganistão.
O
grupo
fundamentalista
talibã
governava o Afeganistão
desde 1996 e acolheu bin
Laden e seus seguidores,
dando-lhes
refúgio
e
permitindo que instalassem
campos de treinamento para
a al-Qaeda no país. Os EUA
lideraram uma força de
coalizão para depor o talibã,
desfazer a rede terrorista e
prender bin Laden e outros
líderes. A milícia talibã foi
derrubada, mas bin Laden
não foi encontrado.
Outros
ataques
atribuídos
à
al-Qaeda
ocorreram em Madri, em
2004, e em Londres, em
2005. Espanha e Inglaterra
eram os principais parceiros
dos EUA na ação militar no
Iraque que depôs Saddam
Hussein.
Compreendendo os conflitos atuais
Um importante debate caracteriza as discussões sobre o terrorismo
do início do século XXI. A visão de um choque entre o mundo ocidental
e o mundo islâmico, que pressupõe um acirramento das tensões entre
estas civilizações, foi apresentada pelo cientista político Samuel
Huntington, em artigo escrito em 1993. Após os atentados de 11/09 a
tese voltou a ser apresentada para justificar o confronto.
Contestando essa visão, o crítico literário Edward Said apontou
incongruências e preconceitos em relação à visão ocidental sobre o
Oriente. Vejamos os argumentos dos dois escritores:
O choque de civilizações
No mundo pós-Guerra Fria, a cultura é, ao mesmo tempo, uma
força unificadora e divisiva. Os povos separados pela ideologia mas
unidos pela cultura se juntam, como fizeram as duas Alemanhas, e
como as duas Coreias e as diversas Chinas estão começando a fazer. As
sociedades unidas pela ideologia ou por circunstâncias históricas,
porém divididas pela civilização, ou se partem, como aconteceu na
União Soviética, na lugoslávia e na Bósnia, ou ficam sujeitas a fortes
tensões, como é o caso da Ucrânia, Nigéria, Sudão, índia, Sri Lanka e
muitos outros. Os países que têm afinidades culturais cooperam em
termos económicos e políticos. As organizações internacionais
baseadas em Estados com aspectos culturais em comum tais como os
da União Europeia, têm muito mais êxito do que aquelas que tentam
transcender as culturas. Durante 45 anos, a Cortina de Ferro foi a linha
divisória central na Europa. Essa linha se moveu várias centenas de
quilómetros para o leste. Ela é agora uma linha que separa os povos
muçulmanos e ortodoxos, do outro. Embora culturalmente partes do
Ocidente, a Áustria, a Suécia e a Finlândia tiveram que se manter
neutras e ficar separadas do Ocidente na Guerra Fria. Na nova era, elas
estão se juntando a seus afins culturais, e a Polónia, a Hungria e a
República Tcheca as estão seguindo.
Os pressupostos filosóficos, os valores subjacentes, as relações
sociais, os costumes e as formas de ver a vida de forma geral se
diferenciam de modo significativo entre as civilizações. A revitalização
da religião em grande parte do mundo está reforçando essas diferenças
culturais. As culturas podem se modificar e a natureza de seu impacto
sobre a política e a economia pode variar de um período para outro.
Contudo, as principais diferenças em desenvolvimento político e
económico entre as civilizações estão nitidamente enraizadas em suas
culturas diferentes. O êxito económico da Ásia Oriental tem sua origem
na cultura asiática oriental, da mesma maneira que as sociedades
orientais têm tido dificuldades em estabelecer sistemas políticos
democráticos estáveis. A cultura islâmica explica em grande parte por
que a democracia deixou de emergir na maior parte do mundo
muçulmano. A evolução dos acontecimentos nas sociedades póscomunistas da Europa Oriental e na ex-União Soviética é moldada por
suas identidades civilizacionais. Aquelas que têm uma herança cristã
ocidental estão fazendo progresso na direção do desenvolvimento
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económico e da política democrática. Nos países ortodoxos as
perspectivas de desenvolvimento económico e político são incertas.
Nas repúblicas muçulmanas, as perspectivas são sombrias.
O Ocidente é e continuará a ser por muitos anos a civilização mais
poderosa. Contudo, seu poder em relação ao de outras civilizações está
declinando. À medida que o Ocidente tenta impor seus valores e
proteger seus interesses, as sociedades não-ocidentais se defrontam
com uma escolha. Algumas tentam emular o Ocidente e a ele se juntar
ou "atrelar-se" a ele. Outras sociedades confucianas e islâmicas tentam
expandir seu próprio poder económico e militar para resistir e para
"contrabalançar" o Ocidente. Desse modo, um eixo central da política
mundial pós-Guerra Fria é a interação do poder e da cultura ocidentais
com o poder e a cultura de civilizações não-ocidentais.
(...) Darei alguns exemplos para ilustrar. A linguagem da identidade
de grupo aparece de modo especialmente agudo da metade para o final
do século XIX, como culminância de décadas de competição
internacional entre as grandes potências europeias e americanas por
territórios na África e na Ásia. Na batalha pelos espaços vazios da
África - o continente negro -, a França e a Grã-Bretanha, assim como a
Alemanha e a Bélgica, recorrem não apenas à força, como também a
uma porção de teorias e retóricas para justificar a pilhagem.
(...) Em resposta a esse tipo de lógica, ocorrem duas coisas. Uma é
que as potências em competição inventam sua própria teoria do destino
cultural ou civilizacional para justificar suas ações no exterior. A
Inglaterra tinha uma tal teoria, a Alemanha tinha, a Bélgica tinha e, é
óbvio, no conceito de destino manifesto, os Estados Unidos também
tinham a sua teoria. Essas ideias redentoras dignificam a prática da
competição e do choque, cujo verdadeiro objeti-vo (...) era o autoengrandecimento, o poder, a conquista, o tesouro e o orgulho sem
limites de si mesmo. (...) E, por sua vez, isso provoca o conceito de
"mundos em guerra" que obviamente está no centro do artigo de
Huntington.
(...) A segunda coisa que acontece é que, como admite o próprio
Huntington, os povos "inferiores", obje-tos do olhar imperial, por assim
dizer, reagem e resistem a sua manipulação e ao assentamento forçado.
Sabemos agora que a resistência primária ativa ao homem branco
começou no momento em que ele pôs os pés em lugares como a
Argélia, a África oriental ou a índia. Depois, ela foi substituída por uma
resistência secundária, pela organização de movimentos políticos e
culturais decididos a obter a independência e a libertação do controle
imperial.
(...) Portanto, tanto no contexto colonial como pós-colonial, as
retóricas da cultura geral ou da especificidade civilizacional marcharam
em duas direções potenciais: uma utópica, que insistia num padrão
geral de integração e harmonia entre todos os povos; a outra que
sugeria que todas as civilizações eram de fato tão específicas e ciosas,
(...) a ponto de se rejeitarem e entrarem em guerra contra todas as
outras. Entre os exemplos da primeira linha estão a linguagem e as
instituições das Nações Unidas (...) e o surgimento (...) de várias
tentativas de um governo mundial baseado na coexistência, nas
limitações voluntárias da soberania e na integração harmoniosa de
povos e culturas. A segunda direçáo deu origem à teoria e à prática da
Guerra Fria e, mais recentemente, à ideia de que o choque de
civilizações é - se não uma necessidade para um mundo de tantas partes
diferentes - uma certeza. De acordo com essa concepção, as culturas e
as civilizações estão basicamente separadas umas das outras. (...)
(...) Quem quer que tenha a menor compreensão de como as
culturas funcionam sabe que definir uma cultura, dizer o que ela é para
os membros dessa cultura, é sempre uma grande disputa democrática,
mesmo nas sociedades autoritárias. Há autoridades canónicas que
precisam ser selecionadas e periodicamente revisadas, debatidas, reselecionadas ou dispensadas. Há ideias de bem e mal, pertencer ou não
pertencer (o mesmo e o diferente), hierarquias de valores a serem
especificadas, discutidas, rediscutidas e estabelecidas ou não, conforme
o caso. Ademais, cada cultura define seus inimigos.
(...) A cultura oficial é aquela dos sacerdotes, dos académicos e do
Estado. Fornece definições de patriotismo, lealdade, fronteiras e do que
chamei de pertencimen-to. É essa cultura oficial que fala em nome do
todo, que tenta expressar a vontade geral (...), os pais e textos fundadores, o panteão de heróis e vilões, e assim por diante, e exclui o que
é estrangeiro, diferente ou indesejável no passado. Dela vêm as
definições do que pode ou não ser dito, as proibições e proscrições
necessárias para qualquer cultura que pretenda ter autoridade.
E também verdade que ao lado da cultura oficial (...) encontramos
culturas dissidentes, alternativas ou heterodoxas que contêm muitas
vertentes antiautoritá-rias competindo com a cultura oficial. Podemos
chamá-las de contraculturas, um conjunto de práticas associadas a
vários tipos de outsiders: os pobres, os imigrantes, os boémios
artísticos, trabalhadores, rebeldes, artistas.
(...) Nos Estados Unidos, o debate sobre o que é americano passou
por um grande número de transformações e, às vezes, por mudanças
enormes. Na minha infância, os filmes de faroeste mostravam os
nativos americanos como demónios malignos que deviam ser
destruídos ou domados; eram chamados de índios peles-vermelhas e,
uma vez que não tinham qualquer função na cultura em geral - isso
valia tanto para os filmes como para a história académica -, serviam
para dar relevo ao avanço da civilização branca. Hoje, isso mudou
completamente.
Na argumentação de Huntington, o mundo multipo-lar e
multicivilizacional significa a perda de espaço do domínio ocidental e o
aumento de conflitos.
Em suma, o mundo pós-Guerra Fria é um mundo de sete ou oito
civilizações principais. Os aspectos comuns e as diferenças moldam os
interesses, os antagonismos e as associações dos Estados. Os países
mais importantes do mundo provêm, em sua maioria, de civilizações
diferentes. Os conflitos locais que têm maior probabilidade de se
transformarem em guerras mais amplas são os que existem entre grupos
e Estados de civilizações diferentes. Os padrões predominantes de
desenvolvimento político e económico diferem de uma civilização para
outra. As questões-chave do cenário internacional envolvem diferenças
entre civilizações. O poder está se deslocando da civilização ocidental
que há tanto tempo predomina para civilizações não-ocidentais. A
política mundial tomou-se multipolar e multicivilizacional.
Fonte: HUNTINGTON, S. P. O Choque de Civilizações
e a Recomposição da Ordem Mundial.
Rio de Janeiro: Objetiva, 1997. p. 28-29.
O choque de definições
O artigo "O choque de civilizações?", de Samuel Huntington,
publicado no verão de 1993 (...) anunciava em sua primeira frase que "a
política mundial está entrando numa nova fase". Com isso, ele queria
dizer que enquanto os conflitos mundiais no passado recente ocorreram
entre facções ideológicas que agrupavam o Primeiro, o Segundo e o
Terceiro Mundo em campos rivais, o novo estilo de política levaria a
conflitos entre civilizações diferentes e presumivelmente em choque:
"As grandes divisões entre a humanidade e a fonte predominante de
conflito serão culturais (...). O choque de civilizações vai dominar a
política mundial". Mais adiante Huntington explica que o principal
choque será entre as civilizações ocidental e não-ocidental e, com
efeito, ele passa a maior parte do artigo discutindo os desacordos
fundamentais, potenciais ou reais, entre o que chama de Ocidente, de
um lado, e as civilizações islâmicas ou confucianas, de outro. Quanto
aos detalhes, dá muito mais atenção ao islã do que a qualquer outra
civilização, inclusive ao Ocidente.
(...) É tão forte e insistente a noção de Huntington de que outras
civilizações entram necessariamente em choque com o Ocidente e tão
agressiva e chauvinista sua receita do que o Ocidente deve fazer para
continuar a ganhar, que somos forçados a concluir que ele está
realmente muito interessado em continuar e expandir a Guerra Fria por
meios diferentes de propor ideias sobre a compreensão da cena mundial
ou de tentar reconciliar culturas diferentes.
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(...) Há um debate semelhante no mundo islâmico, o qual se perde
de vista totalmente em meio à gritaria histérica sobre a ameaça do islã,
do fundamentalismo islâmico e do terrorismo, gritaria encontrada com
tanta frequência na mídia ocidental. Tal como qualquer outra cultura
mundial importante, o islã contém uma espantosa variedade de
correntes e contracorrentes, cuja maioria não é discernida pelos
orientalistas tendenciosos, para os quais o islamismo é objeto de medo
e hostilidade, ou por jornalistas que não conhecem nenhuma das
línguas ou histórias relevantes e se contentam em se basear nos
estereótipos que perduram no Ocidente desde o século X. O Irá - que se
tornou alvo de um ataque politicamente oportunista dos Estados Unidos
- está às voltas com um debate acirrado sobre justiça, liberdade,
responsabilidade pessoal e tradição que não é coberto pelos repórteres
ocidentais.
(...) Como sustentei em vários de meus livros, o que é definido
atualmente como "islã", tanto na Europa como nos Estados Unidos,
pertence ao discurso do orientalismo, uma construção fabricada para
fomentar hostilidade e antipatia contra uma parte do mundo que por acaso tem importância
estratégica devido ao seu petróleo, sua proximidade ameaçadora do
mundo cristão e sua formidável história de rivalidade com o Ocidente.
Contudo, isso é algo muito diverso daquilo que o islã é realmente para
os muçulmanos que vivem em seus domínios. Há todo um mundo de
diferença entre o islã na Indonésia e no Egito.
(...) Mas o que é realmente fraco na tese do choque de civilizações
é a separação rígida que ela pressupõe entre as civilizações, apesar da
evidência acachapante de que o mundo de hoje é feito de misturas,
migrações, cruzamentos de fronteiras. Uma das maiores crises que afeta
países como a França, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos foi provocada pela percepção (...) de que nenhuma cultura ou sociedade é
puramente uma coisa única. Minorias de contingente respeitável africanos do norte na França; as populações africanas, caribenhas e
indianas na Inglaterra; elementos asiáticos e africanos nos Estados
Unidos - contestam a ideia de que civilizações que se orgulhavam de
ser homogéneas possam continuar a sentir esse orgulho. Não existem
culturas ou civilizações ilhadas. Qualquer tentativa de separá-las nos
compartimentos estanques propostos por Huntington causa danos em
sua variedade, diversidade e total complexidade de elementos, em sua
hibridez radical. Quanto mais insistirmos na separação de culturas e
civilizações, mais imprecisos seremos sobre nós mesmos e os outros.
No meu modo de pensar, a noção de uma civilização isolada é
impossível. A verdadeira questão é se queremos trabalhar para
civilizações separadas ou se devemos tomar o caminho mais integrador,
mas talvez mais difícil, que é tentar vê-las como um imenso todo cujos
contornos exatos uma pessoa sozinha não consegue captar, mas cuja
existência certa podemos intuir e sentir.
milhares de ' franceses protestaram nos bairros mais pobres, reivindicando
melhorias nesta área, pois o índice de jovens
(18-25
anos)
desempregados \ naquele país era o dobro do registrado entre
o restante da população. Após dias de pro-l testos violentos a polícia
reprimiu o mlvimento, protagonizado
por jovens
descendentes
de migrantes que, embora nascidos na França, não são incorporados
àquela sociedade.
Em 4 de abril de 2006, estudantes franceses foram às ruas
manifestar seu des-contentamento frente às novas leis do governo.
Chávez e Morales: novas lideranças na América Latina
A ascensão de Hugo Chávez na Venezuela, em 1999, e de Evo
Morales, o primeiro presidente indígena da Bolívia, em 2006, tem
chamado a atenção dos países latino-americanos e dos EUA.
Chávez, protagonista de uma tentativa fracassada de golpe militar em
1992, chegou ao poder pelo voto nas eleições de 1998. Seu amplo apoio
entre os venezuelanos o levou a propor mudanças na Constituição e, em
meio a plebiscitos e eleições, tem uma perspectiva de um amplo período
de poder. A oposição tentou depor Chávez em 2002, mas protestos
populares asseguraram a garantia do mandato do presidente. Os críticos
acusam-no de uma gestão personalista e autoritária. Os defensores
afirmam que Chávez é vítima de uma campanha constante dos grandes
empresários do país, incluindo os da área de comunicação.
O presidente da Venezuela, amparado em uma economia sustentada
no petróleo, aproximou se de líderes como Fidel Castro e de países
como o Irã. O Irã é um dos países que integram o "eixo do mal",
segundo o presidente norte-americano George W. Bush. Na América
Latina, o governo de Caracas enfrenta rivalidades com a Colômbia, seu
país vizinho, mas tem conseguido apoio de outros países mediante
empréstimos para o crescimento de economias da região, como ocorre
na Argentina. A ingerência de Chávez, no entanto, desagrada à
diplomacia brasileira, por sua ação como protagonista na política
continental e com a parceria oferecida, por exemplo, ao presidente da
Bolívia.
Evo Morales, pertencente ao MAS (Movimento ao Socialismo),
iniciou seu governo com medidas polémicas, como a desapropriação de
empresas de energia estrangeiras que exploram o gás boliviano, a
principal riqueza do país, como a brasileira Petrobras.
Morales fez uma campanha afirmando governar para os mais
pobres. Mas agitações nas áreas mais ricas têm desafiado o presidente,
assim como suas ações em relação ao capital internacional têm gerado
apreensão nos investidores.
Fonte: SAI D, E. W. Reflexões sobre o Exílio e outros Ensaios.
São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
p. 316-317, 321-327, 332-334.
Na visão de Edward Said, o desafio da atualidade é a construção de
sociedades plurais, posto que as culturas são dinâmicas e, por isso, ele
rejeita a teoria do "choque de civilizações".
Multiplicidades do mundo contemporâneo
Vamos destacar alguns episódios políticos e culturais ocorridos no
século XXI. Além das « questões relativas ao "choque de civilizações'
a diversidade cultural, Dolítica e social tem apresentado desafios a
países ricos e pobres. Enfim, processos incessantes que demonstram
que homens e mulheres do século XXI estão fazendo a sua história.
França e os novos movimentos dos estudantes em 2006
Mesmo em países desenvolvidos como a França, as questões
relativas ao emprego representam um quadro de crise. Em / 2006,
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A crise do gás na Bolívia, quando o presidente anunciou a
nacionalização das reservas do produto e o controle da produção,
desagradou aos investidores e países consumidores, como o Brasil,
principal comprador do produto boliviano. Muitos especialistas
acreditam que houve ingerência do presidente venezuelano no episódio.
A retórica da integração do continente, presente nos discursos de
Kirchner (Argentina), Morales (Bolívia), Lula (Brasil) e Chávez
(Venezuela), atravessou momentos críticos, como este em 4 de maio de
2006.
Constituição mexicana que dava garantias legais à propriedade comunal
das terras agrícolas. Este princípio era uma herança da reforma agrária
iniciada durante a Revolução Mexicana de 1910.
O subcomandante Marcos apresenta-se como porta-voz do
movimento, que reúne as comunidades indígenas de uma das áreas
mais pobres do México. Os zapatistas, que têm este nome em
homenagem ao líder da Revolução Mexicana, Emiliano Zapata,
assassinado em 1919, vincularam dois temas centrais no México: a
questão indígena e a agrária. O movimento adquiriu grande
popularidade graças às divulgações das mensagens feitas pelo
subcomandante Marcos pela internet. Os indígenas e camponeses de
Chiapas e suas reivindicações tiveram repercussão mundial.
Ruanda: o massacre que envergonha
Em 1994 teve início um terrível genocídio em Ruanda, naÁírica.
As etnias hutus (85% da população) e tutsi se confrontaram, levando à
morte cerca de 800 mil tutsis. Nas lutas que duràram0mais 'de cem dias,
os hutus bloqueavam e impediam que a minoria tutsi tivesse
possibilidade de defesa.
Os países desenvolvidos, inicialmente não enviaram tropas para
barrar o genocídio. Nepi mesmo chegaram a reconhecer que se tratava
de um confronto étnico e político. j^Ias, diante do agravamento da
situação houve interferência da ONU e o estabelecimento de uma
"operação de paz" que, sob a liderança da França, auxilia na
implantação de um tribunal para julgar os criminosos. Segundo relatos
oficiais há mais de 120 mil pessoas aguardando julgamento, numa
tentativa de apaziguar e fechar as cicatrizes de um território
conflagrado pelo ódio étnico.
Apresentando reivindicações indígenas e das questões agrárias, o
movimento de Chiapas se comunicava pela internet, obtendo a simpatia
de diversos intelectuais pelo mundo. Alguns chegaram a classificar que
era o primeiro movimento a usar sistematicamente a rede de
computadores para obter apoio às suas causas.
Vida cotidiana
A preocupação com o desenvolvimento sustentável
As preocupações com o meio ambiente cresceram ao longo das
décadas de 1970 e 1980. Por pressão de diversas organizações não
governamentais (ONG's) a Organização das Nações Unidas (ONU)
realizou no Rio de Janeiro, em junho de 1992, a Conferência das
Nações Unidas sobre o Ambiente e o Desenvolvimento. As discussões
resultaram na chamada Agenda 21, ou seja, recomendações para que os
diferentes países e povos tomassem medidas para se obter o
desenvolvimento sustentável com o controle da emissão de poluentes e
proteção à biodiversidade (leia o quadro Saiba Mais a seguir).
Saiba mais
A pouca atenção da comunidade internacional com os países mais
pobres permitiu que massacres como os de Ruanda ocorressem sem um
grande repúdio dos países desenvolvidos.
O que é desenvolvimento sustentável?
O desenvolvimento sustentável (...) pretende criar um modelo
económico capaz de gerar riqueza e bem-estar e, ao mesmo tempo,
promover a coesão social e impedir a destruição da natureza. Por isso
coloca na berlinda o modelo de produção e consumo ocidentais, que
ameaça o equilíbrio do planeta.
O desenvolvimento sustentável abrange os aspectos económico
(crescimento do Terceiro Mundo), social (integração e solidariedade
entre os Hemisférios Norte e Sul) e ambiental (preservação dos bens
mundiais de todos e regeneração dos recursos naturais). Além disso, se
preocupa com os problemas a longo prazo, enquanto o atual modelo de
desenvolvimento fundado em uma lógica puramente económica se
centra no "aqui e agora".
O termo foi utilizado pela primeira vez em 1980 por um organismo
privado de pesquisa, a Aliança Mundial para a Natureza (UICN). (...)
"A formulação do conceito de desenvolvimento sustentável implicava o
reconhecimento de que as forças de mercado abandonadas à sua livre
dinâmica não garantiam a não-destruição dos recursos naturais e do
ambiente", afirma o economista e consultor ambiental espanhol Antxon
Olabe.
O neozapatismo em Chiapas (México)
Em 1.° de janeiro de 1994, no sul do México, o Exército Zapatista
de Libertação Nacional (EZLN) deflagrou uma rebelião em Chiapas
por meio da Primeira Declaração da Selva de Lacandona. Dizendo
"Basta!" reivindicavam trabalho, terra, teto, alimentação, saúde, educação, independência, liberdade, democracia, justiça e paz. É desta forma
que o movimento zapatista de Chiapas expõe oficialmente a declaração
de guerra ao exército federal mexicano e pede aos outros poderes da
nação mexicana que restaurem a legalidade e a estabilidade da nação,
depondo o presidente Carlos Salinas de Gortari, considerado ditador
pelos zapatistas.
A reação governamental foi imediata e após nove dias de combate
entre o EZLN e o exército federal morreram 145 pessoas. A opinião
pública urbana se manifestou contra o governo e em favor dos zapatistas.
O governo pediu trégua e o líder zapatista, subcomandante Marcos,
anunciou suas reivindicações. Entre elas, a restituição de um artigo da
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Na Eco-92, cúpula realizada no Rio de Janeiro, essa expressão foi o
centro das discussões. Desde então, em um extremo se situam os
ecologistas puros e radicais, que defendem um crescimento zero para
pôr fim ao esgotamento dos recursos. Em outro lado, estão aqueles que
acham que o progresso tecnológico permitirá resolver todos os
problemas do ambiente.
Essa segunda visão é utilizada para explicar atitudes como a do
presidente norte-americano, George W. Bush, que anunciou que
Washington não ratificará o Protocolo de Kyoto (1997), sobre a
redução dos gases que produzem o efeito estufa. (...) O termo
desenvolvimento sustentável não facilitou as discussões no Rio de
Janeiro (...), onde os países do Norte tentaram defender o direito a um
ambiente saudável e os do Sul, que simplesmente queriam o direito de
se desenvolver.
Por isso o documento que resultou daquele encontro, a Agenda 21,
é um conjunto de 2.500 recomendações que nunca foram aplicadas.
Mas o entretenimento não é o único setor que se beneficia da
"internet rápida". Transações comerciais entre consumidores e
empresas e entre empresas (business to business) começam a acontecer
em tempo real, com leilões instantâneos de mercadorias e serviços e
pagamentos virtuais. Os custos por transação despencam
vertiginosamente, o que faz com que novos conceitos de produtividade
possam apoiar os que, talvez com algum exagero, falem em "nova
economia".
As inúmeras associações não-govemamentais que atuam política e
socialmente com fins diversos para melhorar as condições de vida no
planeta há muito se utilizam do espaço da internet com seus sites, onde
é possível encontrar desde estatutos até denúncias, bancos de dados,
listas de discussões e questionários para elaboração de pesquisas. Num
tempo onde a luta contra qualquer tipo de discriminação ganhou
proporções cada vez mais amplas, o uso de meios de comunicação
interativos parece imprescindível. Principalmente quando percebemos
que muitos problemas antes enfrentados em nível local por cada país
hoje recebem o apoio de associações que ganharam força em nível
mundial, entre os quais podemos citar a Anistia Internacional e o
Greenpeace. Esforços que, conjugados, têm, mesmo que ainda
insuficientemente, obtido resultados impossíveis para as associações
restritas à atuação ao nível nacional. Parece que, sem dúvida, os usos
para os novos meios de comunicação entre os homens não se limitarão
à mera diversão.
Disponível em:
<http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2002/rio-mais10/o_que_e-3.shtml>.
Acesso em: 14 jun. 2005.
Fonte: ZENHA, C. Mídia e informação no cotidiano contemporâneo. In: REIS FILHO, D. A.;
FERREIRA, J.; ZENHA, C. Op. cit. p. 244-245.
Ativistas do Greenpeace se penduram na âncora de embarcação
norte-americana demonstrando seu protesto con-o carregamento de
milho geneticamente modificado.
A rede mundial de computadores
São poucos aqueles que hoje nas grandes cidades não têm acesso à
rede mundial de computadores, mais conhecida com web ou www. Por
meio da internet, sistema que permite o acesso e "navegação" por essa
rede, pode-se transmitir mensagens digitais, falar com outras pessoas,
ter acesso a arquivos e informações digitalizadas etc.
Nas cidades, multiplicam-se as chamadas lan-houses, "lojas" em
que o usuário pode locar por hora os computadores e se utilizar da
internet.
Se essa parece ser a realidade das grandes cidades, não é o que
ocorre em termos de Brasil. A inclusão digital doméstica está muito
distante de nossa realidade. Dados de 2001, do Mapa da Exclusão
Digital (CPS/IBRE/FGV), mostram que apenas 12,46% da população
brasileira tinha computador em casa e 8,31% tinha acesso à internet.
Segundo o sociólogo espanhol, Manuel Castells, a informatização e
a criação de uma sociedade em rede “é um sistema aberto, altamente
dinâmico e suscetível a inovações”, constituindo-se “instrumentos
apropriados apra a economia capitalista baseada em inovação,
globalização e concentração descentralizada”.
As cidades e os “shoppings”
A crítica Beatriz Sarlo comenta sobre uma das instituições do
mundo contemporâneo: os shoppings centers. Eles se tornaram presentes no cotidiano de milhões de pessoas no mundo todo. Esses
espaços, segundo a autora, representam um certo esvaziamento das
ruas, do conhecimento das cidades, tal como no passado as pessoas se
dirigiam para ir ao "centro" das grandes cidades.
Nos shoppings se está como dentro de uma cápsula espacial. Este
esvaziamento, mais do que um comportamento, é uma mudança
política, na qual as esferas de vida pública são pouco reconhecidas.
Vivendo seu tempo
A difusão da internet
Na segunda metade da década de 1990, um novo sistema de
comunicação eletrônica começou a ser formado a partir da fusão da
mídia de massa personalizada, globalizada, com a comunicação
mediada por computadores - a multimídia, que estende o âmbito da
comunicação eletrônica para todo o domínio da vida: da casa ao
trabalho, de escolas a hospitais, de entretenimento a viagens. Apesar da
grande aposta que muitas empresas e até mesmo governos vêm
realizando, os possíveis usos e perfis deste meio de comunicação
parecem ainda pouco definidos.
A possibilidade de fazer com que o conteúdo do rádio, do cinema e
da televisão ganhe a flexibilidade da internet, até então limitada pela
capacidade (bandwidth) de transmissão das linhas telefónicas, tomou-se
realidade com as alternativas dos cabos e microondas. Já é possível
tecnicamente - e está se tornando viável comercialmente - ouvir rádio,
ver TV e assistir a filmes em um PC ligado à internet.
Disseram a respeito
(...) Ir ao centro não é o mesmo que ir ao shopping center (...). Em
primeiro lugar pela paisagem: o shopping center, seja qual for sua
tipologia arqui-tetônica, é um simulacro de cidade de serviços em
miniatura, onde todos os extremos do urbano foram liquidados (...).
Hoje, o shopping contrapõe a essa paisagem do "centro" sua
proposta de cápsula espacial acondicionada pela estética do mercado.
Num ponto, todos os shoppings centers são iguais: em Minneapolis, em
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Os shoppings, grandes centros de consumo, tornaram-se na
atualidade um espaço de lazer comum nas grandes cidades, ocupando
funções que anteriormente eram realizadas nas ruas das cidades.
Miami Beach, em Chevy Chase, em New Port, em Rodeo Drive, em
Santa Fé e Coronel Díaz, cidade de Buenos Aires. Para um recémchegado de Júpiter, somente o papel-moeda e a língua dos vendedores
permitiria saber onde está. A constância das marcas internacionais e das
mercadorias se soma à uniformidade de um espaço sem qualidades: um
vôo interplanetário a Cacharei, Stephanel, Fiorucci, Kenzo, Guess e
McDonalds, numa nave fretada sob a insígnia das cores unidas das etiquetas do mundo.
A cápsula pode ser um paraíso ou um pesadelo. 0 ar se renova com
a reciclagem dos condicionadores; a temperatura é boa; as luzes são
funcionais e não entram no conflito do claro-escuro, que sempre pode
parecer ameaçador; outras ameaças são neutralizadas pelos circuitos
fechados, que fazem a informação fluir até (...) o pessoal da segurança.
Como numa nave espacial, é possível realizar ali todas as
atividades reprodutivas da vida: come-se, bebe-se, des-cansa-se,
consomem-se mercadorias e símbolos segundo regras não escritas
porém absolutamente claras. Como numa nave espacial, perde-se com
facilidade o sentido da orientação: o que se vê de um ponto de vista ó
tão parecido com o panorama do lado oposto que só os especialistas, os
profundos conhecedores de pequenos detalhes e os que se locomovem
de olho num mapa seriam capazes de dizer onde estão a cada momento.
(...) Como uma nave espacial, o shopping tem uma relação
indiferente com a cidade à sua volta: essa cidade é sempre o espaço
externo, sob a forma de autopista ladeada por favelas, avenida
principal, bairro suburbano ou rua de pedestres. Dentro de um
shopping, ninguém se importaria em saber se determinada ala, onde se
encontrou a loja procurada, é paralela ou perpendicular a uma rua
qualquer, no exterior; acima de tudo o que não se pode esquecer é em
que prateleira está a mercadoria desejada.
(...) O shopping é todo futuro: constrói novos hábitos, vira ponto de
referência, faz a cidade acomodar-se à sua presença, ensina as pessoas a
agirem no seu interior. No shopping pode-se descobrir um "protótipo
premonitório do futuro": shoppings cada vez mais extensos, dos quais
nunca se precise sair, como se fossem uma fábrica flutuante. (...) São
aldeias-shoppings, museus-shoppings, bibliotecas e escolas-shoppings,
hospitais-shoppings.
(...) A rapidez com que o shopping se impôs na cultura urbana não
teve precedentes em nenhuma outra mudança de costumes, nem mesmo
neste século marcado pela transitoriedade da mercadoria e pela
instabilidade dos valores. Dir-se-á que a mudança não é fundamental
nem pode ser comparada com outras, anteriores. Mesmo assim,
acredito que ela sintetiza os traços básicos daquilo que virá, ou melhor,
daquilo que veio para ficar: em cidades que se fraturam e se
desintegram, esse abrigo antinuclear é perfeitamente adequado ao tom
de uma época. Onde as instituições e a esfera pública já não podem
construir marcos que se pretendam eternos, erige-se um monumento
baseado justamente na velocidade do fluxo mercantil.
Cinemateca
A caminho de Kandahar (2001, Irã, dir.: Mohsen Makhmalbaf)
Uma jovem afegã, que fugiu para o Canadá em meio à guerra civil dos
talibãs, volta ao país para salvar sua irmã que lhe enviou uma carta
avisando que iria se suicidar.
Invasões bárbaras (2003, Canadá/França, dir.: Denys Arcand)
Homem à beira da morte revê o filho e amigos e relembra sua vida. O
filme faz um paralelo, a partir do 11 de setembro de 2001, entre
diversos temas da atualidade e a vida dos personagens.
Hotel Ruanda (2004, África do Sul/Canadá/Reino Unido, dir.:
Terry George) Em Ruanda, na África, o genocídio de mais de um
milhão de pessoas por diferenças étnicas. Um homem, em meio a esse
cenário, munido de coragem e amor à sua família, faz de tudo para
escapar vivo e salvar seus entes queridos.
Nós que aqui estamos por vós esperamos (1999, Brasil, dir.:
Marcelo Masagão) Memória do século XX, a partir de recortes
biográficos reais e ficcionais de pequenos e grandes personagens.
Vôo United 93 (2006, França/Reino Unido/EUA, dir.: Paul
Greengrass) O filme aborda os 90 minutos do vôo 93 de United
Airlines, sequestrado no dia 11 de setembro de 2001, que foi abatido
quando sobrevoava a Pensilvânia.
REVISITANDO A HISTÓRIA
01. Por que no final do século XX foi apresentada a teoria do "fim da
história"? Em que ela se baseia?
02. O que é a globalização? Como as divisões entre países pobres e
ricos são abordadas neste processo?
03. Relacione o principal argumento da polémica entre Samuel
Huntington e Edward Said sobre as explicações dos conflitos do
mundo recente.
04. Como a tecnologia alterou a percepção do mundo nas sociedades
atuais?
05. Apresente dois processos vividos nos tempos recentes que
demonstram a existência de conflitos e tensões nas sociedades
atuais.
Questões de vestibular
01. (ENEM) Um certo carro esporte é desenhado na Califórnia,
financiado por Tóquio, o protótipo criado em Worthing (Inglaterra)
e a montagem é feita nos EUA e México, com componentes
eletrônicos inventados em Nova Jérsei (EUA), fabricados no Japão.
(...). Já a indústria de confecção norte-americana, quando inscreve
em seus produtos "made in USA", esquece de mencionar que eles
foram produzidos no México, Caribe ou Filipinas.
Fonte: SARLO, B. Cenas da Vida Pós-moderna. Rio de Janeiro:
Editora da UFRJ, 2004. p.14-17, 22.
Renato Ortiz, Mundialização e Cultura.
O texto ilustra como em certos países produz-se tanto um carro
esporte caro e sofisticado, quanto roupas que nem sequer levam
uma etiqueta identificando o país produtor. De fato, tais roupas
costumam ser feitas em fábricas -chamadas "maquiladoras" situadas em zonas-francas, onde os trabalhadores nem sempre têm
direitos trabalhistas garantidos. A produção nessas condições
indicaria um processo de globalização que:
a) fortalece os Estados Nacionais e diminui as disparidades
económicas entre eles pela aproximação entre um centro rico e
uma periferia pobre.
b) garante a soberania dos Estados Nacionais por meio da
identificação da origem de produção dos bens e mercadorias.
c) fortalece igualmente os Estados Nacionais por meio da circulação de bens e capitais e do intercâmbio de tecnologia.
d) compensa as disparidades económicas pela socialização de
novas tecnologias e pela circulação globalizada da mão-deobra.
e) reafirma as diferenças entre um centro rico e uma periferia
pobre, tanto dentro como fora das fronteiras dos Estados
Nacionais.
02. (UFPR) Norberto Bobbio define terrorismo da seguinte maneira:
"O terrorismo, que não pode consistir em um ou mais atos isolados,
é a estratégia escolhida por um grupo ideologicamente homogéneo,
que desenvolve sua luta clandestinamente entre o povo para
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convencê-lo a recorrer a ações demonstrativas que têm, em
primeiro lugar, o papel de 'vingar' as vítimas do terror exercido pela
autoridade e, em segundo lugar, aterrorizar esta última."
Hobsbawm avalia que a queda do socialismo soviético insere-se em
um contexto de crise global que se desdobra no mundo
contemporâneo. Nessa direção, a crise global:
a) cria uma nova polarização política baseada no antagonismo
entre a Europa e os Estados Unidos;
b) favorece a emergência de novas nações, levando à eclosão de
conflitos étnicos e religiosos;
c) impede o desenvolvimento de tecnologias capazes de produzir
armas químicas, biológicas e atómicas;
d) libera uma grande quantidade de capitais, para o financiamento
do desenvolvimento industrial da Rússia;
e) elimina os conflitos políticos e sociais que ameaçavam a
hegemonia norte-americana no mundo.
BOBBIO, N. Dicionário de Política, 1996. p. 1242.
Com base nessa definição, leia o seguinte comentário: "As fotos de
tortura na prisão de Bagdá ilustram, de forma dramática, o que vem
se tornando claro para quem guarda na memória a América Latina
dos anos 60 e 70: quanto mais os governos americano e britânico
aplicam suas diretrizes antiterroristas, mais parecidas elas ficam
com a velha Doutrina da Segurança Nacional (...). Subversão
comunista era o pretexto daquela época para adotar medidas
arbitrárias em defesa da segurança nacional; agora, o inimigo é o
terrorismo".
BOCCANERA, S. Primeira Leitura, n. 28, p. 67, jun. 2004.
05. (UERJ) "A bolha especulativa que estourou Nova York começou a
respingar pelo resto do mundo e afetou de maneira especialmente
dura a América Latina. Investidores começaram a tirar dinheiro de
fundos latino-americanos por aversão ao risco da região."
Com base nessas citações sobre o terrorismo e nos conhecimentos
sobre o assunto, é correto afirmar:
a) O ataque ao Iraque, realizado pelos Estados Unidos, Inglaterra
e Alemanha, é consequência do conflito entre palestinos e o
Estado de Israel.
b) O terrorismo é um movimento político da atualidade que
defende o retorno do socialismo soviético.
c) Os acontecimentos mencionados por Sílio Boccanera ão
resultantes da globalização, a qual aprofundou desigualdades
sociais e levou ao surgimento de novos movimentos de
esquerda, como IRA (Exército Republicano Irlandês) e alQaeda (movimento internacional liderado por Osama bin
Laden).
d) O terrorismo lança mão de estratégias políticas incompatíveis
com a paz e a democracia, por desrespeitar as leis e os
princípios fundamentais dos direitos humanos.
e) O terrorismo praticado por ativistas muçulmanos não condiz
com a definição de Norberto Bobbio porque se mantém fiel à
autoridade dos governantes dos Estados árabes.
Folha de S. Paulo, 18 mar. 2001.
"O sinal mais recente que a crise afetou com intensidade a América
Latina veio de um relatório preparado pelo banco de investimentos
Salomon Smith Barney, nos Estados Unidos (...). Embora a fuga
dos fundos tenha sido menor na última semana, alguns investidores
dizem que a região está sendo vista com mais pessimismo."
Adaptado de: Folha de S. Paulo, 18 mar. 2001.
A caracterização do continente latino-americano como região de
risco e o pessimismo dos investidores, apontados nos textos acima,
podem ser explicados por:
a) subordinação cultural e isolamento externo;
b) especulação financeira e fragilidade industrial;
c) desajuste económico e instabilidade política;
d) defasagem comercial e saturação do mercado interno.
03. (CESGRANRIO-RJ)
MARÇO/1941 - Surge nos EUA o Capitão América, o primeiro
super-herói a socar Hitler.
OUTUBRO/2001 - "Depois dos atentados em New York, a Editora
Marvel convidou artistas para criar uma revista especial. Alguns
como Mike Deodato, Dale Keown e Frank Miller retrataram
personagens como o Capitão América e Hulk em ação no World
Trade Center.
06. (UFSCar - SP) Há dois tipos de terrorismo. Um, de longa tradição
histórica, é político. Usa o terrorismo para propagandear sua causa
e inculcar o medo na população civil inimiga. Normalmente é
utilizado por movimentos de libertação nacional. A associação
desse terrorismo com o islamismo é errónea. (...) O outro tipo de
terrorismo, mais recente, é civilizacional. Seu objetivo não é
chamar atenção para algum conflito. Quanto muito, usam-no como
desculpa. (...) este se sente perpetuamente vitimado. (...) Sua
mensagem é: ninguém está seguro.
Veja, São Paulo, Abril, p. 54, 28 de novembro de 2001.
Gustavo loschpe. Folha de S.Paulo, 7 ago. 2005.
A partir dos dados acima, é possível afirmar que a utilização do
personagem:
a) por seu caráter recorrente, tem sido uma forma de defesa do
mercado norte-americano contra investidas japonesas na
indústria cinematográfica;
b) no primeiro caso, reforçou a euforia pelas vitórias já obtidas em
Midway e Leningrado; no segundo caso, teve a função de
consolar a população americana após os atentados do último 11
de setembro;
c) em ambos os casos, visou reforçar o espírito agressivo e
estimular o revanchismo, o que seria garantido pela conhecida
superioridade bélica norte-americana;
d) em ambos os casos, visou reforçar as características da
população norte-americana, em oposição às crescentes
migrações da população oriental;
e) nos dois casos, teve como objetivo reforçar os ideais
americanos e relembrar que, mesmo tendo sido ameaçados ou
atingidos, estes ideais permanecem.
A partir das duas definições apresentadas pelo autor do texto, é
exemplo de grupo terrorista do segundo tipo:
a) OLP - Organização para a Libertação da Palestina.
b) AL-QAEDA - grupo extremista islâmico.
c) IRA - Exército Republicano Irlandês.
d) HAMAS - grupo que luta pelo Estado palestino islâmico.
e) ETA - grupo separatista basco.
04. (UFG - GO) Embora o colapso do socialismo soviético e suas
enormes consequências, por enquanto impossíveis de calcular por
inteiro, mas basicamente negativas, fossem o incidente mais
dramático das Décadas de Crise que se seguiram à Era de Ouro,
essas iriam ser décadas de crise universal ou global. A crise afetou
as várias partes do mundo de maneiras e em graus diferentes, mas
afetou a todas elas, fossem quais fossem suas configurações políticas, sociais e económicas.
HOBSBAWM, E. J. A Era dos Extremos-o breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Companhia das
Letras, 1995. p. 19.
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