Informe Epidemiológico CIEVS

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Informe Epidemiológico CIEVS
C I E V S / Vi g i l â n c i a e m S a ú d e
P AL M AS - T O
JULHO 2014
Nº I ANO I
Informe Epidemiológico do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde - CIEVS
A febre de Chikungunya (CHIK)
A doença já afetou milhões de pessoas e continua a causar
epidemias em muitos países. No final de 2013, a primeira
transmissão
local
(autóctones)
nas
Américas
foi
documentada.
Tabela 1 - Características clínicas da febre de Chickunya
Sintomas Comuns
Other potential symptoms
Febre
Estomatite
Fotofobia
Artralgia
Úlceras orais
Dor retro-orbital
Poliartrite lombar
Hiperpigmentação
vômito
Dor de cabeça
Dermatite esfoliativa
Diarréia
Erupção cutânea
(em crianças)
Síndrome meníngea
Mialgias
Adaptado de OMS/SEARO Guidelines on Clinical Management of Chickugunya fever, 2008
Aedes aegypti, agente transmissor do Chikungunya
Manifestações clínicas
A febre de CHIK atinge todas as faixas etárias, e ambos gêneros se afetam por igual. Depois de um período de incubação de
3-7 dias ( faixa: 1 - 12 dias ) da picada de mosquito, o vírus de CHIK causa uma enfermidade febril, associada com
artralgia/artrite (87%), dor nas costas (67%) e cefaléia (62%) (Tabela 1). A viremia persiste por até 8 dias do surgimento
clínico. A dor das articulações tende a ser pior no de manhã, aliviada pelo exercício leve e exacerbada por movimentos
dinâmicos. Os tornozelos, munhecas e articulações pequenas da mão tendem a ser mais afetadas. As articulações maiores
como o joelho, ombro e a coluna também podem ser afetados. Poliartrite migratória com efusões e observada em ao redor
de 70% dos casos.
Resultado
Na maioria dos pacientes, os sintomas desaparecem em 1-3 semanas. Entretanto, alguns pacientes podem ter uma recaída
dos sintomas reumatológicos (por exemplo, poliartralgia, poliartrite e tenossinovite) nos meses seguintes à doença aguda.
Proporções variáveis de pacientes relatam dores articulares persistentes durante meses ou anos. Seqüelas neurológicas,
emocionais e dermatológicas também são descritas. Os indivíduos mais velhos e aqueles com doenças articulares
reumáticas e traumáticas subjacentes parecem ser mais vulneráveis a desenvolver os sintomas articulares crônicos. A
mortalidade é rara e ocorre principalmente em adultos mais idosos.
Expediente
CIEVS Palmas
Karolyne Botelho
Chefe de Div. de Doenças Transmissíveis
Whisllay Maciel Bastos
Diretor de Vigilância em Saúde
Silvely Tieme Kojo
Chefe de Div. de Doenças não Transmissíveis
Ana Paula Marques dos Santos
Coordenação do CIEVS
Michelle Rosa - URR
Edifício Durval Silva – Plano Diretor Sul
103 Sul Rua SO – 07 Lote 03
Fone: (63) 3218-5210
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Informe Epidemiológico
Diagnóstico Diferencial
Como a febre de CHIK é uma doença emergente, a
mesma ainda não recebeu cobertura suficiente
ainda nos currículos médicos. O tratamento
específico não está disponível e não há vacina.
Esta publicação compreende a experiência de
especialistas, conforme publicado em uma série
de orientações da OMS/SEARO e da OPAS/OMS.
Febre de Chik pode não ter as manifestações típicas ou pode
coexistir com outras doenças infecciosas e não infeccioas. O
diagnóstico diferencial deve levar em conta aspectos
epidemiológicos, tais como local de residência, histórico de
viagens e de exposição.
Algumas das doenças que podem ser considerados no
diagnóstico diferencial são as seguintes:
(1) Dengue. Diagnóstico laboratorial confirmatório é possível.
Efeito na gravidez
A febre CHIK parece ter um impacto direto sobre a
gravidez com raros relatos de abortos espontâneos e
transmissão de mãe para filho no período perinatal.
Febre
Efeito em recém-nascidos
Mães que sofrem com febre CHIK no período
perinatal (-4 dias até +1 dia) podem transmitir a
febre CHIK a recém-nascidos por transmissão
vertical. Cesariana não aparenta prevenir a
transmissão. A febre CHIK neonatal está associada
com febre, falta de apetite, dor edema distal, várias
manifestações
cutâneas,
convulsões,
meningoencefalite
e
anormalidades
ecocardiográficas no recém-nascido.
Informação
A ocorrência de casos na comunidade precisa ser
comunicada imediatamente para as autoridades
de saúde pública a fim de permitir a
implementação de medidas de controle nos níveis
da comunidade e do distrito.
.
Critérios clínicos: início agudo de febre > 38,5°
C e grave artralgia/artrite não explicada por outras
condições médicas.
.
Critérios
epidemiológicos:
residir
ou
ter
visitado zonas epidêmicas com transmissão
notificada 15 dias antes do inicio dos sintomas.
Nesta base, os casos devem ser classificados
como
.
Febre CHICKV
Dengue
+++
++
Mialgias
+
++
Artralgias
+++
+/-
Erupção cutânea
++
+
Discrasias sanguíneas
+/-
++
-
+/-
Leucopenia
++
+++
Linfopenia
+++
++
Neutropenia
+
+++
Trombocitopenia
+
+++
Choque
Adaptado de PAHO/WHO preparedness and response for Chikungunya vírus in the
Americans, 2010
(*) Frequência de sintomas a partir de estudos em que as duas doenças foram
diretamente comparadas entre pacientes em busca de cuidados; +++ = 70 - 100%
of patients; ++ = 40 - 69%; +=10 - 39%; +/- =<10%, - =0%
(2)
(3)
(4)
(5)
(6)
Leptospirose
Malária
Meningite
Artrite pós-infecção
Outros vírus: Mayro, rubéola, sarampo, parvovírus, os
enterovírus
Sangue, órgãos e tecidos
Caso possível: um paciente que se que se
enquadre nos critérios clínicos
.
Características clínicas
Caso provável: um paciente que se enquadre
em ambos critérios clínicos e epidemiológicos
Caso confirmado: que se enquadre nos critérios
laboratoriais (ver tabela 3), independentemente da
apresentação clínica.
A transmissão por sangue é possível. Peça os doadores
para relatarem qualquer doença que venham a apresentar
após a doação de sangue, enquanto guarda as doações de
sangue por vários dias (por exemplo, 2-5 dias) antes de
liberá-las.
Informe Epidemiológico
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Quando encaminhar pacientes
• Dúvida com uma doença tratável
• Febre persistente por mais de cinco dias
• Dor intratável
• Tontura postural, extremidades frias
• Diminuição da produção de urina
• Qualquer sangramento sob a pele ou através de qualquer orifício
• Vômito incessante
• Gravidez
• Pessoas acima de 60 anos de idade e recém-nascidos
Medidas de saúde pública relevantes a
clínicos
Diagnóstico laboratorial
Testes laboratoriais para CHIKUNGUNYA
Teste

Cultura de Vírus

RT PCR

Pesquisa de anticorpo IgM

IgG ou ensaio de anticorpo
neutralizador mostrando
títulos crescentes
Tempo após a Doença
3 primeiros dias da doença
1-8 dias
4 dias a 2 meses
Duas amostras separadas por
14 dias, onde a primeira
amostra é coletada após o
sétimo dia
Nenhuma constatação hematológica significativa é observada.
Leucopenia com predominância de linfócitos é a observação de
costume. A trombocitopenia é rara. A taxa de sedimentação de
eritrócitos é geralmente elevada. Proteína C-Reativa é aumentada
durante a fase aguda e pode permanecer elevada por algumas
Pacientes infectados pelo vírus de CHIK podem ser reservatórios
de infecção para os outros na casa e na comunidade. Portanto, as
medidas de saúde pública para minimizar a exposição ao
mosquito se tornam imperativas para evitar que o surto se espalhe. Eduque o paciente e outros membros da família sobre o
risco de transmissão para outras pessoas e sobre as formas de minimizar o risco, minimizando a população do vetor e
minimizando o contato com vetores.
Minimizar a população do vetores
 Intensificar os esforços para reduzir os habitats das larvas nas casas em seus entornos, retirar a água parada de todos os
itens espalhados nas casas e nas áreas peri-domésticas.
Minimizar o contato de vetor-paciente
 Ter o paciente e crianças repousar sob mosquiteiros, de preferência impregnados de permetrina.
 Fazer com que o paciente, bem como outros membros da família, usem mangas compridas para cobrir as extremidades.
 Fios de malha ou redes nas portas e janelas são recomendados.
Princípios para o manejo clínico
• Não há nenhum medicamento antiviral específico contra o vírus CHIK
• O tratamento é inteiramente sintomático
• Paracetamol é a droga inicial de escolha até que outras etiologias, como a dengue, sejam descartadas
• Outros analgésicos narcóticos tais como drogas antiinflamatórias não-esteroidais podem ser utilizados se o
acetaminofeno não proporcionar alívio
• Durante a fase aguda da doença, os esteróides não são geralmente indicados por conta de possíveis efeitos adversos
• A aspirina deve ser evitada devido a preocupações teóricas com hemorragia ou síndrome de Reye
• Formas leves de exercício e fisioterapia são recomendadas para pessoas em recuperação
• O tratamento deve ser instituído em todos os casos suspeitos sem que se espere pela confirmação sorológica ou viral
• Durante uma epidemia, não é imperativo que todos os casos sejam submetidos a investigações virológicas/sorológicas
• Todos os casos suspeitos devem ser mantidos sob mosquiteiros durante o período febril da doença
• Comunidades em áreas afetadas devem ser sensibilizadas sobre as medidas de controle do mosquito a serem adotadas
nas instalações hospitalares e casas.
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Informe Epidemiológico
Nova Portaria do Ministério para as Doenças de Notificação Compulsória
PORTARIA Nº 1.271, DE 6 DE JUNHO DE 2014 Publicada no Diário Oficial da União em 09/06/2014.
1- a. Acidente de trabalho com exposição a material biológico
b. Acidente de trabalho: grave, fatal e em crianças e adolescentes
2- Acidente por animal peçonhento
3- Acidente por animal potencialmente transmissor da raiva
4- Botulismo
5- Cólera
6- Coqueluche
7- a. Dengue - Casos
b. Dengue - Óbitos
8- Difteria
9- Doença de Chagas Aguda
10- Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ)
11- a. Doença Invasiva por "Haemophilus Influenza"
b. Doença Meningocócica
12- Doenças com suspeita de disseminação intencional:
a. Antraz pneumônico
b. Tularemia
c. Varíola
13- Doenças febris hemorrágicas emergentes/reemergentes:
a. Arenavírus
b. Ebola
c. Marburg
d. Lassa
e. Febre purpúrica brasileira
14- Esquistossomose
15- Evento de Saúde Pública (ESP) que se constitua ameaça à
saúde pública (ver definição no Art. 2º desta portaria)
16- Eventos adversos graves ou óbitos pós-vacinação
17- Febre Amarela
18- Febre de Chikungunya
19- Febre do Nilo Ocidental e outras arboviroses de importância
em saúde pública
20- Febre Maculosa e outras Riquetisioses
21- Febre Tifóide
22- Hanseníase
23- Hantavirose
24- Hepatites virais
25- HIV/AIDS - Infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana
ou Síndrome da Imunodeficiência Adquirida
26- Infecção pelo HIV em gestante, parturiente ou puérpera e
Criança exposta ao risco de transmissão vertical do HIV
27- Infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV)
28- Influenza humana produzida por novo subtipo viral
Referências
29- Intoxicação Exógena (por substâncias químicas, incluindo
agrotóxicos, gases tóxicos e metais pesados)
30- Leishmaniose Tegumentar Americana
31- Leishmaniose Visceral
32- Leptospirose
33- a. Malária na região amazônica
b. Malária na região extra Amazônica
34- Óbito:
a. Infantil
b. Materno
35-Poliomielite por poliovirus selvagem
36- Peste
37- Raiva humana
38- Síndrome da Rubéola Congênita32 Leptospirose
33- a. Malária na região amazônica
b. Malária na região extra Amazônica
34- Óbito:
a. Infantil
b. Materno
35- Poliomielite por poliovirus selvagem
36- Peste
37- Raiva humana
38- Síndrome da Rubéola Congênita
39- Doenças Exantemáticas:
a. Sarampo
b. Rubéola
40- Sífilis:
a. Adquirida
b. Congênita
c. Em gestante
41- Síndrome da Paralisia Flácida Aguda
42- Síndrome Respiratória Aguda Grave associada a Coronvírus
a. SARS-CoV
b. MERS-CoV
43- Tétano:
a. Acidental
b. Neonatal
44- Tuberculose
45- Varicela - Caso grave internado ou óbito
46- a. Violência: doméstica e/ou outras violências
b. Violência: sexual e tentativa de suicídio
1. OPAS/CDC. Preparativos e resposta para o vírus de Chikungunya nas Américas. Washington, D.C.: A OPAS, 2011.
http:/www.paho.org/hq/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=16984& Itemid=&lang=en
2. Organização Mundial da Saúde, Escritório Regional de Escritório Regional do Sudeste Asiático. Diretrizes para a Administração Clínica de febre de
Chikungunya. Nova Délhi, 2008. http:/www.searo.who.int/entity/emerging_diseases/documents/SEA_CD_180/en/index .html
Ministério da Saúde, Nova portaria <http://dtr2004.saude.gov.br/sinanweb/novo/Documentos/Portaria_1271_06jun2014.pdf>

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