perfil epidemiológico da companhia

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perfil epidemiológico da companhia
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS
Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde
Departamento de Medicina Veterinária
Curso de Medicina Veterinária em Betim
Marcela Fonte Boa Rabelo
PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA COMPANHIA DE CÃES DA POLÍCIA MILITAR DE
MINAS GERAIS, BELO HORIZONTE - MG, 2009 a 2012
Betim
2013
Marcela Fonte Boa Rabelo
PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA COMPANHIA DE CÃES DA POLÍCIA MILITAR DE
MINAS GERAIS, BELO HORIZONTE - MG, 2009 a 2012
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado
ao Curso de Medicina Veterinária em Betim da
Pontifícia Universidade Católica de Minas
Gerais, como requisito parcial para obtenção do
título de Bacharel em Medicina Veterinária.
Orientador: Maria da Consolação Magalhães
Cunha
Betim
2013
Marcela Fonte Boa Rabelo
PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA COMPANHIA DE CÃES DA POLÍCIA MILITAR DE
MINAS GERAIS, BELO HORIZONTE - MG, 2009 a 2012
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado
ao Curso de Medicina Veterinária em Betim da
Pontifícia Universidade Católica de Minas
Gerais, como requisito parcial para obtenção do
título de Bacharel em Medicina Veterinária.
____________________________________________
Maria da Consolação Magalhães Cunha (orientadora) – PUC Minas
____________________________________________
Denise Nogueira Jones – Polícia Militar de Minas Gerais
____________________________________________
Henrique Leonardo Guerra – PUC MINAS
Betim, 19 de junho de 2013
Á toda a minha família pelo incentivo,
apoio e carinho!
AGRADECIMENTOS
Diante da conquista alcançada e dessa felicidade contagiante, agradeço a
Deus por todos os desafios impostos, não somente nestes anos como universitária,
mas ao longo de toda a minha vida!
O que dizer da minha família: vocês são minha base forte, o alicerce da minha
vida! Porque o mundo pode se acabar que estamos juntos nos piores e melhores
momentos! A vocês a minha gratidão e a oportunidade!
Lígia, obrigada pelo companheirismo, dedicação e amor!
Amigos: vocês acrescentaram e agregaram valores, vocês também fazem
parte da minha família!
Professoras Maria da Consolação e Maria Isabel, obrigada pelo carinho,
oportunidade, conselhos, palavras de conforto e sabedoria, e principalmente pela
orientação.
Capitã Denise, obrigada pela oportunidade e aprendizado.
Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder
com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve, a
vida é "muito" para ser insignificante. (adaptação Charles Chaplin).
RESUMO
Trata-se de um estudo descritivo de análise das variáveis de 138 animais da
Companhia de Cães da Policia Militar do Estado de Minas Gerais em Belo
Horizonte. Do universo estudado apenas 93 cães encontravam-se no recinto durante
o período de coleta, e os dados refletem o período de 2009 a 2012. Dos 93 cães
estudados no período 72% apresentam-se microchipados. Do total de cães
estudados 57% são machos; identificou-se a seguinte distribuição por faixa etária:
29% dos cães entre dois a oito meses e vinte e nove dias; 20,4% entre nove meses
e um ano e seis meses; 44% maiores um ano e seis meses e menores que sete
anos e finalmente seis animais acima de sete anos, a idade mínima foi de dois
meses e a máxima de 10 anos e seis meses. Dentre as raças existentes o Pastor
Alemão representou 65,5% da matilha, seguido do Labrador Retriever com 21,5%,
Pastor Belga de Mallinois com 8,6% e o Mestiço de Labrador com 4,3%. Do universo
analisado de registros de atendimentos (1.742) identificou-se que aproximadamente
46%
representaram
algum
cuidado
com
prevenção
(CID
Z00-Z99);
6%
correspondiam aos agravos do aparelho digestivo (CID KOO-K93), 6% às doenças
infecciosas e parasitárias (CID A00-B99), destacando-se a giardíase em 37%,
cinomose em 8,3% dos registros deste grupo. As doenças do ouvido (CID H60-H95)
e do sistema osteomuscular e conjuntivo (M00-M99) com o percentual aproximado
de 3% respectivamente; as demais ocorrências ficaram entre as outras categorias
de morbidade da CID-10 totalizando 8%. Dentro dos registros deste estudo foram
encontrados 22% de diagnósticos provisórios e 9% de diagnósticos definitivos, os
baixos percentuais levam a pesquisar as dificuldades em fechar diagnósticos.
Espera-se, com o desenvolvimento deste trabalho, que a Instituição de Segurança
Pública do Estado de Minas Gerais, Companhia de Cães da Policia Militar,
mantenha o vínculo entre a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais,
Unidade Betim, e permita a criação de espaços de Educação pelo Trabalho para a
Saúde Animal.
Palavras-chave: cães, perfil epidemiológico, classificação de doenças, morbidade.
ABSTRACT
It is a descriptive analysis of the variables of 138 Dogs Company Military Police of
Minas Gerais in Belo Horizonte. The universe studied only 93 dogs which were in the
room during the collection period, and the data reflect the period from 2009 to 2012.
Of the 93 dogs studied during that period of time, 72% were microchipped. Of all
dogs studied 57% were males; identified in the following age distribution: 29% of
dogs between the ages of two years old, eight months old and twenty-nine days old ;
20.4% between the ages of one year old, nine months old and six months old, 44 %
over one and a half year old and under seven years old. Finally six animals were
over seven years old. The minimum age was two months old and the maximum was
10 and half years old. Among the existing bree ds, the German Shepherd
represented 65.5% of the pack, followed by 21.5% Labrador Retriever, 8.6% Belgian
Shepherd Mallinois, 4.3% mongrel of Labrador. The universe analyzed from the
attendance records (1742) identified that approximately 46% accounted for some
preventive care (Z00-Z99 CID), 6% were injuries to the digestive system (K93-KOO
CID), 6% were of infectious parasitic diseases (A00-B99 ICD), especially giardiasis
accounting for 37% and distemper in 8.3% of the records of this group. Diseases of
the ear (ICD H60-H95) and the musculoskeletal system and connective tissue (M00M99) accounted for approximately 3% respectively and the remaining occurrences
were among the other categories of morbidity of ICD-10 totaling 8%. Within the
records of this study 22% were diagnostic provisional and 9% were definitive
diagnoses, the low percentage led to a research of the difficulties in closing
diagnoses. It is expected, with the development of this work, that the institution of
Public Security of the St ate of Minas Gerais Military Police Dogs Company, keep the
bond between the Pontificia Universidade Católica of Minas Gerais, Unit Betim, and
allow room for Education on Animal Health.
Keywords: dogs, epidemiology, classification of diseases, morbidity
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 Planilha Tronco ................................................................................ 24
Figura 2 Planilha Registros de Atendimentos ................................................ 26
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................17
2 REFERENCIAL TEÓRICO .....................................................................................18
3 MATERIAIS E MÉTODOS.................................................................................... 23
3.1 Pesquisa ............................................................................................................ 23
3.2 A População e amostra .................................................................................... 24
3.3 As Estratégias ................................................................................................... 24
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO............................................................................. 26
5 CONCLUSÃO........................................................................................................ 35
REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 36
ANEXOS .................................................................................................................. 41
10
1. INTRODUÇÃO
Os animais de estimação, e os cães em particular, pela sua domesticação são
criados, muitas vezes, de acordo com os hábitos e costumes de vida dos seres
humanos levando a incorporação de práticas equivocadas ao cotidiano dos animais,
privando-os de seus instintos saudáveis e naturais. Tais alterações comprometem a
qualidade e expectativa de vida das populações caninas. A percepção coletiva
dessa afirmativa pode ser identificada por pesquisas em dados secundários dos
serviços de atenção individual ou daqueles que lidam com o controle das zoonoses.
As informações sobre a ocorrência, distribuição e características das doenças na
coletividade, permitem a identificação das diferentes situações epidemiológicas dos
eventos e das alternativas de prevenção e controle necessárias.
A saúde coletiva dos animais de companhia é um tema contemporâneo e
preocupante considerando o crescimento populacional de cães e gatos nos grandes
centros urbanos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 1990) e o
Instituto Pasteur de São Paulo (1999) as razões entre a população humana e canina
(domiciliada) variam de 10:1 a 7:1. Estas razões se aproximam da estimativa de
população de cães de Belo Horizonte identificada pela Secretaria Municipal da
Saúde, censo municipal de 2012, em 276.091 animais1. (SMSA/PBH, 2013).
O planejamento e a gestão dos serviços da saúde coletiva voltados para o
manejo de cães nos municípios brasileiros são mais frequentes nos Centros de
Controle de Zoonoses (CCZ), canis comerciais e públicos e nos hospitais escola.
Estes setores incluem em suas atividades os procedimentos de registro dos dados e
sua análise, entre elas a classificação das doenças, o que permite agilidade e
cobertura às intervenções que podem evitar controlar ou diminuir danos causados
por doenças infecciosas, crônicas e degenerativas. O objetivo deste trabalho é
conhecer o perfil de morbidade dos animais de um canil público e discutir as
variáveis envolvidas nos agrados à saúde. Conhecer e traçar o perfil da população
canina neste ambiente permite elaborar um diagnóstico situacional de saúde
coletiva, etapa necessária para obtenção de resultados positivos em menor espaço
1
Dados obtidos do Reconhecimento Geográfico dos imóveis de Belo Horizonte, enviados aos autores
deste artigo em planilhas eletrônicas pela Gerência de Controle de Zoonoses, Secretaria Municipal
Saúde / Prefeitura de Belo Horizonte, 2013.
11
de tempo. A efetividade do planejamento e a avaliação dos resultados das ações de
proteção e preservação da saúde são desafios perseguidos pelo profissional da
saúde, médico veterinário, ao trabalhar com populações humanas e animais.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
O cão está inserido em nossa sociedade há milhares de anos, a princípio a
relação era de caráter utilitário. Aqueles cães que se adequaram melhor aos hábitos
estabelecidos pelos humanos ganharam determinada vantagem adaptativa, criando
mais oportunidades de sobrevivência e descendência entre os demais animais,
porém o reconhecimento de seu potencial de trabalho foi um marco contemporâneo
das transformações operacionais da polícia militar a serviço da sociedade brasileira.
(LOIOLA, 2010; TATIBANA, COSTA-VAL, 2009).
A revisão bibliográfica deste trabalho enfatiza os determinantes do
adoecimento mais frequentes em cães de abrigo, especialmente cães policiais,
buscando diferentes variáveis como raça, trabalho, manejo e comportamento.
O tipo de atividade desenvolvida pelo indivíduo (trabalho) merece importante
atenção nos estudos de morbidade, a adaptação e o desgaste dos cães nas
atividades militares também é fator de adoecimento e morte. Na polícia militar os
cães desenvolvem duas funções básicas, captura e patrulha. A primeira atividade
tem como treinamento o protocolo denominado “Hunting drive” (unidade de caça)
onde o animal é estimulado a usar seu instinto natural de caça até o seu
adestramento em captura que consiste em localizar indivíduos pelo faro. A patrulha é
desenvolvida a pé ou em veículos motorizados e tem a característica de uso do
enfrentamento e força ou somente o efeito psicológico no policiamento ostensivo
geral. (MIRANDA, 2011). As atividades dos cães na rotina da Companhia de Cães
militar são descritas como treinamento, demonstração, monitoramento, participação
em eventos, faro de drogas, manejo, patrulha e rondas ostensivas com cães
(ROCCA).
O trabalho do cão policial prevê sua atuação em casos de imprevisibilidade
onde há reféns, ou até mesmo em busca de componentes químicos, explosivos
devido a sua habilidade nata para o faro. (VALLE, 2009). Em Portugal, a Guarda
12
Nacional Republicana é composta por um Grupo de Intervenção Cinotécnico, serviço
de segurança com a participação de homens e cães treinados para o cumprimento
de diversas missões como atuar em ações de manutenção da ordem e intervenção
táctica; detecção de odores químicos, papel-moeda, explosivos, armas, drogas e
componentes incendiários. Os cães são adestrados para enfrentarem situações
extremas, estando assim sujeitos a variáveis epidemiológicas diferentes do animal
de companhia. (VIDAL, 2013). O treinamento dos cães policiais é fundamental para
o resultado do desempenho no trabalho e implica na discussão do comportamento
destes animais. Sabe-se da necessidade básica dos canídeos de fazerem “parte de
uma matilha, e de terem um chefe de matilha, isto é, um indivíduo dominante que
possa entendê-los e comportar-se diante deles com justiça; muitas vezes o homem
assume esse papel de liderança” e quanto mais correta e constante for a relação,
maior a interação, dedicação e afeto (CARTERI, VESIGNA, 2000), variáveis
diretamente ligadas à saúde animal.
A interação homem/cão nem sempre é benéfica, as animais de estimação por
serem criados conforme a rotina de vida de seus responsáveis incorporam hábitos
que inibem o seu comportamento instintivo e natural. Tais manifestações refletem
diretamente na expectativa de vida e qualidade de vida. (BERZIN, 2000, WONG,
1999). A atribuição de características humanas aos animais (antropomorfização)
geralmente é aceitável, desde que haja a consciência que cães e humanos possuem
necessidades diferentes. O antropomorfismo exagerado é repudiado cientificamente,
além de nocivo ao animal, pois gera transtornos compulsivos. (TATIBANA, COSTAVAL, 2009).
Andrade citado por Frutuoso et al. (2006) informam que “o temperamento do
cão varia de acordo com a raça e principalmente com a forma em que é educado. A
pessoa que lida com o animal tem nele bastante influência e é através do
temperamento do dono que ele baseia a forma de se comportar”. (ANDRADE apud
FRUTUOSO et al., 2006). As condutas mais eficientes para controlar a
agressividade dos cães são aquelas que visam educar e responsabilizar os
proprietários e cães. (ROSSI, 2004).
Dentre os cães mais usados para o trabalho policial, de forma geral, é
importante citar três raças; o Pastor Alemão, o Pastor Belga Malinois e o Labrador
Retriever. O Pastor Alemão é um animal oriundo da Alemanha, de tamanho médio,
levemente mais comprido que alto, de construção sólida, musculoso, de olhos
13
expressivos, com pelagem característica, coloração preta e marcas avermelhadas
até a cor cinza claro. Este cão é bem equilibrado, autoconfiante, vigilante, dócil,
corajoso e possui instinto de luta e uma real capacidade de aprendizagem por gostar
de obediência, dependendo da educação recebida condicionará o comportamento
futuro. (ROYAL CANIN, 2001).
O Pastor Belga Malinois é uma raça com a
variedade de pêlo curto, mediolíneo, harmoniosamente proporcionado com
elegância e robustez. A cor da sua pelagem é fulvo encarvoado com máscara preta.
Desenvolvido na região de Malinois, é o mais popular dos pastores na Bélgica. Tem
como qualidades a excelência na guarda, a lealdade, a devoção ao dono e a
inteligência. É utilizado por equipes policiais de vários países. (TAUSZ, 2005;
ROYAL CANIN, 2001). O Labrador Retriever é oriundo da Grã Bretanha, possui
corpo potente, musculoso com boa ossatura. É uma raça equilibrada e nunca
agressiva, sabe procurar com calma a pista da caça com tenacidade, como
habilidade nata, o faro é bastante utilizado pela polícia como detector de drogas e
explosivos. (TAUSZ, 2005).
Estudar a frequência e a duração dos eventos em uma população canina no
espaço e no tempo permite o monitoramento do indivíduo e de sua coletividade, ou
seja, conhecer as causas mais comuns das doenças e óbitos, o que possibilita
adotar medidas preventivas e prioritárias. (BENTUBO et al., 2007). As zoonoses
urbanas se tornam ainda mais evidentes quando discutida sua determinação, ou
seja, fatores que geram doenças decorrentes do convívio domiciliar com o homem.
Nessa situação as medidas preventivas devem ser adequadas, mas na prática a
prevenção de doenças, principalmente aquelas transmitidas por vetores biológicos é
bastante difícil, e se agrava quando associada à existência de reservatórios
domésticos e silvestres e aos aspectos ambientais, incluindo aspectos físicos da
coabitação. (GONTIJO e MELO, 2004).
Distinguir o perfil epidemiológico da comunidade de cães em diferentes
ambientes é fundamental para compreender o processo da instalação dos agravos
ou doenças em cães sadios. Budziak (2010) afirma “que atualmente, não se
conhece o perfil clínico e laboratorial de animais de abrigos e se esses animais
necessitam de uma abordagem diferente daqueles cães domiciliados”, no entanto
em canis comerciais e particulares a casuística apresentada por Schafer (2008)
demonstrou que a “infecção por protozoários foi observada em 80,7% dos animais
avaliados. O gênero Cryptosporidium sp. foi o parasita de maior prevalência. Os
14
caninos jovens e de raça definida, apresentaram maior incidência de protozoários.
Bartmann e Araújo (2004) ao descreverem os motivos que levaram os proprietários a
recorrerem às consultas em clínicas veterinárias da cidade de Porto Alegre
apontaram a giardíase como diagnostico mais frequente.
Cães sem raça definida têm maior susceptibilidade de adquirir doenças
causadas por vírus, pois geralmente apresentarem títulos baixos de anticorpos.
(BARBOSA e PASSOS, 2008). As doenças infecciosas destacaram-se como
principal causa de morte nos estudos desenvolvidos por Bentubo et al. (2007)
caracterizando fator de risco que reduz a expectativa de vida dos cães no Brasil. A
idade média de vida dos cães, encontrada em pesquisa realizada na Região
Metropolitana de São Paulo, foi de 36 meses, valor inferior aos resultados
encontrados na Dinamarca (120 meses), Estados Unidos (117), Inglaterra (132) e no
Japão (99 meses). (BENTUBO et al., 2007).
A importância de estudar as doenças articulares em cães se sustenta na
ocorrência segundo raças, porte, trabalho e demais determinantes, Tôrres e outros
(2010) afirmam que a displasia coxofemoral pode acometer qualquer raça, porém é
mais comum em raças de grande porte.
Ao discutir outros agravos em cães é importante relatar estudos que tratam da
microbiota oral dos animais, esses microrganismos são responsáveis pela
contaminação e infecção de feridas nos indivíduos agredidos, homens e outros
animais, e pelas contaminações de feridas cirúrgicas nos próprios cães devido ao
hábito de se lamberem. (BRAGA et al., 2005).
As alterações do sistema tegumentar apresentaram grande importância
dentro da clínica médica de pequenos animais, atingindo cerca de 30% da
população dos animais domésticos que procuraram atendimento clínico em São
Paulo, independente da localização geográfica e do nível socioeconômico da região.
(LARSSON, 1995). As dermatopatias bacterianas foram às afecções encontradas
com maior frequência
no Paraná e em São
Paulo (CARDOSO, 2011,
LARSSON,1995), semelhante ao estudo de 1990, em Quebec, onde a foliculite e
furunculose bacteriana foram diagnosticadas em 25,3% dos casos. (SCOTT,
PARADIS, 1990).
Ao pesquisar sobre doenças gastrointestinais em cães, os autores Goldston e
Hoskins (1999) não encontraram nenhuma doença clássica relacionada à idade,
15
sabe-se que a “renovação celular se assemelha a da pele em relação a velocidade,
tendendo a diminuir conforme a idade avança, ocorrendo também mudanças na
microbiota intestinal”. (GOLDSTON e HOSKINS, 1999).
Ao finalizar a revisão bibliográfica de um conjunto de morbidades comuns aos
cães deve-se ainda discutir as alterações neurológicas em que também são
necessários o conhecimento dos dados epidemiológicos e a história clínica do caso.
Conhecer a evolução clínica, as diferentes enfermidades que afetam o sistema
nervoso associado ao exame clínico correto permite saber a possível localização das
lesões, o que é fundamental para o diagnóstico presuntivo e tratamento (RIETCORREA, RIET-CORREA, SCHILD, 2002)
Considerando a complexidade do conjunto de situações que levam a
morbimortalidades dos cães e a determinação do ambiente no desfecho dos casos é
fundamental a identificação e discussão dos fatores de risco no manejo nos animais
de canis. Nas populações mais protegidas, que habitam áreas nas quais as variáveis
de risco ambiental são controladas, a morte pode ser adiada até um limite biológico
máximo de existência, levando a maior longevidade (GOLDSTON, HOSKINS, 1999),
o que direciona o planejamento das medidas de prevenção. O impacto destas
medidas pode ser explicado quando os índices de morbidade e mortalidade são
conhecidos e os fatores de risco bem estabelecidos. Em estudo semelhante ao
proposto neste trabalho, desenvolvido por João e Conrado (2010) em mamíferos do
Jardim Zoológico de Belo Horizonte de 2004 a 2009, 48 % dos atendimentos
ambulatoriais foram relacionados a medidas preventivas, tais como: coleta de
material
para
exames,
vacinação,
vermifugação,
cura
de
umbigo.
Estes
procedimentos aconteciam em muitas das vezes durante o registro dos animais e
demonstra a importância do cuidado precoce. (JOÃO, CONRADO, 2010).
O tipo de estudo proposto neste trabalho (estudo epidemiológico
descritivo) permite, de maneira científica, apresentar as variáveis de determinada
realidade explicitando as categorias envolvidas. “Um enunciado descritivo tem duas
finalidades: serve para individualizar um elemento ou componente do objeto e para
atribuir-lhe certa propriedade”. (BARATA, 1997). As variáveis como idade, sexo,
raça, local de moradia são elementos fundamentais nos estudos de perfil
epidemiológico.
16
Compreender o papel do animal no grupo social humano a que pertence e
avaliar as variáveis dos indivíduos no coletivo é essencial para alcançar os objetivos
desejados na prática veterinária, como controle sanitário, diminuição dos agravos de
saúde, qualidade de vida, bem estar animal.
3 MATERIAIS E MÉTODOS
3.1 Pesquisa
Este estudo tem caráter transversal (avalia um determinado momento no
tempo), descritivo quantitativo com análise qualitativa e acontecerá a partir do
levantamento das fichas de registro dos cães vivos que representavam a população
total da Companhia de Cães da Policia Militar de Minas Gerais (CC-PMMG), no
período de 2009 a 2012, situada no bairro Saudade, região Leste de Belo Horizonte,
MG.
Foram coletadas e consolidadas as fichas clínicas individuais compostas por
formulários de atendimento clínico, tratamento, evolução, controle de vacinação e
controle de vermifugação. A coleta de dados aconteceu durante quatro (4) meses
nos anos de 2012 e 2013, com transcrições para planilhas do programa Excel.
A análise das principais variáveis (idade, raça, sexo, ocorrências de cuidado
veterinário,
prevenção,
diagnóstico
e
prescrição
terapêutica)
foi
realizada
obedecendo a um padrão geral para identificação de médias e proporções das
variáveis do grupo e entre o grupo.
3.2 A população e amostra
Todos os procedimentos registrados no cadastro e nas fichas clínicas dos 138
cães que passaram pela CCPMMG no período de 2009 a 2012 (138 vivos
analisados no estudo com maior intensidade, 25 óbitos, um extraviado, 16 alienados
e dos três animais que saíram do canil como forma de pagamentos por fins
reprodutivos).
3.3 As estratégias
17
As planilhas foram divididas em: Planilha Tronco (Figura 1) compostas das
seguintes informações: data da coleta dos dados; número de série; número de
registro por microchip quando existente; nome do animal; raça; pelagem; atividade;
procedência; data de entrada na CCPMMG; idade estimada no momento da entrada;
filiação (pai e mãe); recinto atual (coletivo ou individual); situação atual (vivo, morto
ou leiloado); registro de saída; motivo da saída e observação.
Figura 1: Planilha Tronco
Fonte: Elaborada pelas Autoras
Em sequência ao cadastro (Planilha – Tronco) foram coletados em outra
planilha, os registros de procedimentos (Figura 2), as ocorrências na CCPMMG, as
planilhas de procedimentos. Dos exames clínicos foram obtidos o diagnóstico
provisório e definitivo, os exames complementares, e os tratamentos recebidos com
especificações de data. Estas informações foram categorizadas seguindo a
18
classificação de doenças descritas pela Classificação Internacional de Doenças na
sua última revisão em 2010 (CID-10), em anexo.
A classificação de doenças pode ser explicada como um conjunto ordenado
de manifestações patológicas segundo um critério estabelecido, com várias linhas
ramificadas de possíveis subclassificações. Em uma classificação estatística de
doenças, todas as situações de uma enfermidade ou agravo devem estar
organizadas em um número de classes. A CID é uma divulgação oficial da
Organização Mundial de Saúde (OMS) para a descrição das condições ou estados
de saúde de uma comunidade (doenças, distúrbios, lesões, etc.) permitindo “análise
de situação geral de saúde de grupos populacionais e o monitoramento da
incidência e prevalência de doenças e outros problemas de saúde”. (DI NUBILA,
BUCHALLA, 2008). A CID-10 é a revisão mais recente de uma série iniciada em
1850. (BONITA, BEAGLEHOLE, KJELLSTRÖM, 2010). Os registros da CID-10
foram ordenados na planilha a partir da classificação das ocorrências em CID
provisório e CID definitivo. Optou-se pela mesma considerando a inexistência de
referencia na medicina veterinária de lista de categorização de doenças e agravos,
uma vez que o Código Sanitário para Animais Terrestres da Organização
Internacional de Epizootias (THIERMAN, 2012) não contempla as doenças crônicas
degenerativas, os acidentes, as mudanças de comportamento animal e outras
situações envolvidas no processo saúde-doença dos animais.
A CID-10 tornou-se o padrão de classificação diagnóstica para todos os
propósitos epidemiológicos e de registros em saúde. Categorizando doenças e
outros problemas de saúde em diferentes tipos de registros, incluindo atestados de
óbito
e
registros
hospitalares,
permite
recuperar
informações
clínicas
e
epidemiológicas e compará-las com estatísticas nacionais de morbimortalidade.
(BONITA, BEAGLEHOLE, KJELLSTRÖM, 2010).
Figura 2: Planilha Registro de Procedimentos
19
Fonte: Elaborada pelas autoras
Após a consolidação dos dados, as variáveis foram avaliadas usando as
medidas de tendência central e de dispersão e comparadas às realidades descritas
pelos autores dos artigos consultados.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados apresentados neste trabalho correspondem as análises de
ocorrências dos animais de um período de 2009 a 2012, configurando uma pequena
série histórica o que impede qualquer afirmativa de tendência.
Trata-se de um estudo descritivo de análise das variáveis de 138 cães da
Companhia de Cães da Policia Militar do Estado de Minas Gerais (PMMG) situado
no Bairro Saudade, região Leste de Belo Horizonte. Do universo estudado apenas
93 cães encontravam-se no recinto durante o período de coleta, e os dados refletem
o período de 2009 a 2012. Não foram analisadas as variáveis dos cães que foram a
óbito (25), do extraviado (um), dos alienados (16) e dos animais que saíram da
CCPMMG como forma de pagamentos por fins reprodutivos (3).
Dos
93
cães
estudados
no
período
72%
(67/93)
apresentam-se
microchipados, o que possibilita a identificação do animal e a posse responsável
20
uma vez que é possível registrar dados referentes ao animal no microchip
implantado através de um programa virtual.
Analisando-se a casuística sexo, identificou-se 57% (53/93) machos. O
trabalho predominante para os machos foi socialização e sociabilização, com o
envolvimento de 28% (15/53) do grupo, para as fêmeas predominou o treinamento
para combate as drogas com o percentual de 27% (8/30), no entanto as fêmeas não
desenvolveram a atividade de faro de drogas no período estudado.
Do grupo de 93 animais a média de idade foi de trinta meses e a mediana de
dezenove, identificou-se a seguinte distribuição por faixa etária: 29% dos cães entre
dois a oito meses e vinte e nove dias (27/93); 20,4% entre nove meses e um ano e
seis meses (19/93); 44% maiores um ano e seis meses e menores que sete anos
(41/93) e finalmente seis animais acima de sete anos, a idade mínima foi de dois
meses e a máxima de 10 anos e seis meses; esta classificação ocorreu segundo a
maturidade sexual dos cães.
Bentubo e outros (2007) desenvolveram uma pesquisa com 2.011 animais
provenientes de hospital veterinário universitário, clínicas particulares, canis e de
proprietários particulares na região metropolitana de São Paulo. A média de vida
encontrada no estudo foi de 36 meses, próxima a média encontrada na CCPMMG.
Os autores registraram maior longevidade em animais de porte médio, grande e
gigante, comparado aos cães de porte pequeno. Assim como as estatísticas em
humanos as fêmeas viveram mais que os machos, a variável raça (pura e sem raça
definida) não apresentou diferença ao morrer.
Dentre as raças existentes o Pastor Alemão representou 65,5% (61/93) da
matilha, seguido do Labrador Retriever com 21,5% (20/93), Pastor Belga de
Mallinois com 8,6% (8/93) e o Mestiço de Labrador com 4,3% (4/93). Estas raças em
sua maioria já possuem uma habilidade nata, qualidade de serem facilmente
adestradas e treinadas para funções específicas tornando aptas a desenvolverem o
trabalho em canil de segurança pública tais como atividades de patrulha, ronda, faro
de explosivos e entorpecentes.
A pesquisa sobre os agravos aos cães da CCPMMG militar identificou uma
frequência de 1.742 registros de procedimentos, no período de 2009 a 2012. Estes
registros geraram ocorrências em prontuários sobre o motivo da consulta, o exame
clínico, a vacinação e vermifugação. Para cada ocorrência pesquisou-se sua
21
descrição pela categoria do Código Internacional de Doenças (CID-10). É importante
ressaltar que os diagnósticos provisórios e definitivos não foram achados frequentes
nos estudos das ocorrências.
Do universo analisado de registros de procedimentos (1.742) identificou-se
que aproximadamente 46% (806/1742) representaram algum cuidado com
prevenção (CID Z00-Z99), sendo as práticas mais comuns, a imunização profilática
através de protocolos vacinais representando 52% (420/806), a tartarectomia com
21,3% (172/806), e a vermifugação com 13,5% (109/806). Os demais procedimentos
desta categoria compreenderam o controle ectoparasitário, os exames laboratoriais
periódicos e exames clínicos de inspeção realizados por auxiliares do Serviço de
Atendimento a Saúde Veterinária (SAS – VET). Os protocolos vacinais assumem
grande importância por diminuir o número de hospitalizações e tratamentos médicos
onerosos, melhoria da produtividade, prevenção de efeitos em longo prazo das
doenças além de diminuir a incidência de incapacitação permanente (PARANÁ,
2009). As bactérias presentes na cavidade oral podem penetrar na corrente
sanguínea e atingir órgãos importantes como fígado, rins e coração causando lesões
significativas. A remoção de tártaro associado a outros métodos de controle como a
antibioticoterapia visa diminuir a microbiota presente e a chance de gerar lesões em
órgão subjacentes, (FONSECA e outros, 2011, DOMINGUES e outros, 1999). A
vermifugação e o controle antiparasitário visam diminuir o grande potencial zoonótico
de determinados agravos de saúde, que muitas vezes passam despercebidas pela
população.
A análise de situação geral de saúde dos cães da CCPMMG militar permitiu
identificar que os agravos predominantes foram o comprometimento da pele, tecido
subcutâneo e seus anexos (CID L00-L99), com um percentual de 27% (470/1742)
dos motivos de atendimento. Estima-se que entre 20% e 75% de todos os animais
examinados na prática clínica apresentam problemas de pele e as dermatopatias
representam aproximadamente 30% a 40% dos casos presenciados na clínica dos
animais de companhia. (WILLENSE, 2002, SCOTT, 1996). Vale ressaltar que os
cães deste estudo residem em um ambiente controlado, como qualquer outro canil
comercial, no entanto o cumprimento das atividades de captura e patrulha,
particularidades do trabalho, dificultam a comparação entre a morbidades
prevalentes em outros serviços de saúde animal, ambulatório, clínicas, hospitais.
Outra dificuldade em comparar a morbidade canina está na forma de classificação
22
das doenças adotadas pelos autores, Bueno (2009) e Santos (2006) usaram em
seus estudos a categorização dos eventos segundo a classificação de agravos
zoonóticos e não zoonóticos.
Os agravos do aparelho digestivo (CID KOO-K93) e algumas doenças
infecciosas e parasitárias (CID A00-B99) apareceram cada uma delas, com 6%
do total de registros, respectivamente (109 e 108/1742). A tabulação de doenças
parasitárias gerou 108 ocorrências e destacou-se a giardíase em 37% (40/108) dos
registros, envolvendo 28 cães dos 93 estudados, o que representa uma prevalência
de 30%. Ao analisar a morbidade giardíase, após a retirada de seis cães alienados,
encontrou-se uma razão de 1,4 de fêmeas parasitadas em relação aos machos.
Sobre a idade destes animais a média do grupo foi de 20 meses (22 para os machos
e 18 para as fêmeas), a mediana do grupo foi de 22 meses, a moda 23, variando
entre dois a 68 meses. Comparando o parasitismos em relação a idade, identificouse uma ocorrência de 22,7% (5/22) entre os menores de um ano, 72,7% (16/22)
entre os animais de um a dois anos e meio e 4,5% (1/22) entre os animais acima de
dois anos e meio a seis anos, ressaltando que cães a partir de sete anos de idade ,
tem a sua atividade policial encerrada permanecendo na CCPMMG até a sua
alienação.
Bentubo e outros (2007) constataram em seus estudos na Região
Metropolitana de São Paulo que as causas mais importantes de mortalidade foram,
em ordem decrescente de ocorrência, as doenças infecciosas, as neoplasias e os
traumas. Os autores concluíram que a expectativa de vida dos cães foi menor que a
observada na literatura internacional e que as doenças infecciosas constituem a
principal causa de óbito.
Os resultados parasitológicos identificados na CCPMMG deste estudo se
assemelham a frequência estimada de Giardia sp. de outros autores, Bartmann e
Araújo (2004) relataram entre 33,50% a 41,78% de positividade em exames
parasitológicos de fezes de animais suspeitos de parasitismo gastrintestinal,
requisitados por médicos veterinários. Na giardíase o contato direto animal-animal
facilita a transmissão e nos canis o maior número de animais em um espaço limitado
pode facilitar a contaminação, sendo essa a possível explicação para a frequência
tão elevada. (MUNDIM e outros, 2003). No sul da Alemanha as infecções por Giardia
sp. ocorreram com maior frequência em filhotes de cães e em canis, ou em
estabelecimentos de criação intensa, do que em animais mais velhos, cães mantidos
23
individualmente como animais de estimação ou cães de canis de pequeno porte.
(BARUTZIK, SHAPER, 2003). Os cães do presente estudo, apesar de mantidos em
box
individuais, dividem a área externa para treinamento e adestramento em
contato direto com outros animais, além de exercerem atividade policial à campo.
Devido a esta mobilidade do animal, a exposição ao meio ambiente é direta, sabe-se
que a contaminação ambiental é fator determinante ao parasitismo.
No grupo de animais diagnosticados com giardíase no canil estudado foi
possível identificar animais em que o parasitismo foi persistente, havendo ainda
registro de comorbidade. O animal de número um (fictício) manteve os sinais clínicos
por oito meses, com assistência veterinária em intervalos de dois a três meses e a
cadela dois (fictício) recebeu o diagnóstico de cinomose e durante um ano
apresentou sinais de enterite e parasitismo. Estes relatos levam a discussão da
importância do papel de portadores e de sua responsabilidade na contaminação do
ambiente e de outros animais.
A discussão de sazonalidade e doenças infecto-parasitárias em Belo
Horizonte remete à investigação da Leishmaniose Visceral Canina (LVC). Durante o
período desta pesquisa, apenas no ano de 2009, houve registro de oito casos da
LVC na CCPMMG da capital, estes animais foram eutanasiados conforme a
recomendação do Programa Nacional de Controle da Leishmaniose Visceral Canina
(PNCLV). A partir do ano de 2010 não houve diagnóstico desta doença no canil, este
fato está relacionado ao conjunto de mediadas adotadas pela instituição e se
sustenta na busca ativa sistemática de cães soropositivos desenvolvida pela
companhia. Este procedimento merece ampla discussão considerando a localização
geográfica da instituição e a condição epidemiológica da doença na região.
Pergunta-se o que o PNCLV e Centro de Controle de Zoonoses de Belo Horizonte
poderiam pesquisar na unidade para compreender a dinâmica de transmissão da
doença no entorno da companhia.
Segundo o responsável técnico da CCPMMG, todas as medidas preconizadas
pelo Ministério da Saúde para o controle da Leishmaniose Visceral Canina, e outras
medidas complementares são adotadas integralmente, dentre elas o saneamento
ambiental, o controle químico de flebotomíneos através da impregnação de produtos
químicos nas superfícies das paredes dos imóveis e dos anexos (borrifação), a
busca ativa de cães positivos através de exames laboratoriais sequenciais - ELISA,
RIFI - (BRASIL, 2006), a vacinação, o uso de coleiras impregnadas com
24
Deltametrina a 4%, e os exames de PCR. O controle da LVC é realizado a partir de
um esquema profilático sistemático o que justifica o investimento em prevenção,
gestão de recursos, capacitação de colaboradores, situação encontrada no canil
estudado.
Belo Horizonte apresenta uma longa serie histórica da doença, iniciada em
1994 na região Leste com expansão para todo o território do município alcançando,
em determinados anos, a soropositividade de 8%. Dados da Secretária Municipal de
Saúde de Belo Horizonte estimam a população canina em 276.091 animais, no ano
de 2012 o inquérito sorológico canino demonstrou 3,2% de positividade para a LVC,
fato que revela uma importante diminuição de soropositividade quando comparada
aos anos anteriores, possivelmente resultado da ampliação das medidas preventivas
e profiláticas em maiores coberturas territoriais. (BELO HORIZONTE, 2013). O
diagnóstico clínico da Leishmaniose Visceral Canina (LVC) é muitas vezes um
problema para o médico veterinário, pois há um amplo espectro de sinais clínicos,
passando por animais aparentemente saudáveis (oligossintomáticos) até estágios
severos da doença. Uma característica importante é a permanência da doença
clinicamente inaparente por longos períodos. (GONTIJO e MELO, 2004).
Ainda sobre a classificação das doenças infeciosas e parasitárias - CID A00B99, encontrou-se em 8,3% (9/108) dos registros o diagnóstico definitivo de
cinomose dentro do período estudado. A cadela de número três (fictício) apresentou,
em final de março de 2010, sintomas de diarreia com presença de sangue,
prostração e inapetência tendo recebido o diagnóstico suspeito de giardíase, na
semana seguinte foi confirmado como cinomose, na sequencia outros oito animais
receberam o mesmo diagnóstico.
No ano de 2010 registrou-se 60 animais com doenças infecto-parasitárias, 14
desenvolveram cinomose e destes cinco foram a óbito representando uma letalidade
de 35,7%, o surto ocorreu entre os meses de abril e maio deste ano. Segundo o
responsável técnico pela CCPMMG, o surto ocorrido neste período fora
consequência de falha na primovacinação de determinadas ninhadas. As falhas
vacinais ocorrem por fatores interligados à vacina e ao próprio organismo do animal
que recebe o imunobiológico, o indivíduo pode estar em período de incubação da
doença, momento em que os estímulos imunogênicos não serão satisfatórios ou se
manifestarão de forma tardia. Outros fatores importantes estão interligados à
conservação e manipulação da vacina ou a administração de volume menor que o
25
recomendado. A conservação em temperatura inadequada ou com oscilações
intensas, assim como a limpeza e esterilização inadequada dos materiais utilizados
também contribuem para as falhas vacinais. E por fim merece citar a aplicação da
vacina por via ou local contra-indicado e uso da vacina em animais de espécies
diferentes. (SÃO PAULO, 1999). Estas falhas colocam em risco a biosseguridade de
todo um canil, pois determinadas doenças, como a cinomose pode manifestar-se em
qualquer fase da vida do cão. Os monitoramentos das questões colocadas devem
ser prioridade em um programa vacinal na busca de efetivo controle vacinal.
Dos motivos que levaram os animais para o atendimento clínico veterinário
com suspeita inicial de doenças infecto-parasitarias 5% (6/108) apresentaram
posteriormente transtornos digestivos como enterites, vômitos e náuseas. As
enterites representaram 12,5% (27/ 217) dos agravos independentes da causa
primária na classificação das doenças do aparelho digestivo - CID K00-K93 (109) e
das infecto-parasitárias - CID A00-B99 (108). A pesquisa da relação do motivo do
atendimento ao quadro clínico permite sugerir que cães que manifestaram sinais
clínicos de suspeita de uma alteração infecto-parasitária também apresentaram
alterações do trato digestivo. Foram observados picos de ocorrência para as
doenças infecto-parasitárias - CID A00-B99 – com inicio em março e alta em abril, e
como nova ascensão em setembro com alta em outubro, sugerindo uma
sazonalidade relacionada aos períodos chuvosos.
Na sequência da distribuição encontram-se as doenças do ouvido (CID H60H95) e do sistema osteomuscular e conjuntivo (M00M99) com o percentual
aproximado de 3%, respectivamente. Neste grupo das doenças do ouvido, a otite foi
identificada em 64% (38/59), na clínica este diagnóstico não é visto como uma
doença isolada do canal do ouvido, mas é uma síndrome que muitas vezes reflete
uma doença dermatológica subjacente (JACOBSON, 2002), e está presente em
cerca de até 25% dos cães atendidos em clínicas veterinárias de Porto Alegre,
procuradas por outro motivo. (NASCENTE, 2006).
Do total das alterações osteomusculares (50), 34,5% (10/29 cães)
compreende animais na faixa etária de 3 a menores de 7 anos, e 24%(7/29)
representa animais maiores que 7 anos. Ainda entre os registros deste grupo, 56 %
manifestaram claudicação que é um dos primeiros sinais clínicos para a displasia
coxofemoral, o que foi demonstrado por Tôrres e outros (2010, 2001, 1993) em
Minas Gerais, com alta prevalência em cães de grande porte, em especial os cães
26
de raça Pastor Alemão que compõem a maioria dos animais do presente estudo,
seguido dos Labradores Retriever.
Dentro dos registros deste estudo foram encontrados 22% (379/1742) de
diagnósticos provisórios e 9% (153/1742) de diagnósticos definitivos, os baixos
percentuais levam a pesquisar as dificuldades em fechar diagnósticos. Ao avaliar as
doenças transmissíveis estas dificuldades podem ser explicadas pela quantidade de
diagnósticos diferenciais necessários para algumas morbidades. A experiência
profissional do clínico assemelha-se ao principio da epidemiologia clínica e pode
ajudar o profissional a resolver casos particulares, no entanto a falta de visão da
medicina veterinária coletiva pode interferir na definição do diagnóstico de outras
morbimortalidades, tais como aumento de determinadas enfermidades em
determinadas épocas do ano, ou em determinados grupos. (BUENO, 2009).
A anamnese e o exame clínico bem descrito demonstram a importância da
vigilância epidemiológica para determinar o diagnóstico e subsequentemente o
prognóstico dos animais estudados no canil público.
Ao descrever as condições de vida e trabalho destes cães semoventes é
importante alertar para o tempo de sua produtividade, eles tornam-se aptos a
exercerem a sua atividade policial por volta dos dois anos de idade, iniciando a
preparação física e o condicionamento necessário, caso não haja nenhuma doença
crônica degenerativa concomitante. Em alguns casos estes cães se encontram no
ápice de seu desempenho e, quando atingem a idade de sete anos, deixam de
exercer a sua função primária, podendo até atuar de forma secundária ou não atuar.
O tratamento recebido pelo Serviço de Atendimento a Saúde – Veterinária (SASVET) da CCPMMG, continua o mesmo que outrora quando o animal estava em
pleno gozo de suas funções. Devido a condição de “aposentaria” estes cães serão
alienados através de um leilão público, por serem considerados pelo estado como
bens patrimoniados. A qualidade de serviços prestados pela SAS-VET, o cuidado
com a saúde, promove uma considerável qualidade de vida levando a crer que o
limite biológico poderá ser ampliado e estes cães poderão exercer suas atividades
dentro de um período maior.
A manutenção de um registro sistemático fornece à CCPMMG um perfil de
situações de saúde-doença facilitando a detecção de desvios da normalidade de
desempenho da raça e dos padrões de morbidade e mortalidade esperados. Estes
27
registros devem ser modificados para atender as condições locais de práticas de
manejo e as escolhas de conduta dos veterinários. (THRUSFIELD, 2004).
5. CONCLUSÃO
As medidas preventivas e profiláticas são pertinentes para que ocorra a
diminuição dos agravos de saúde. A alimentação contínua dos registros nos
prontuários clínicos é fundamental para elucidar a situação de saúde/doença dos
animais e promover o monitoramento (vigilância epidemiológica) dos agravos na
CCPMMG, além de propiciar um feed back aos colaboradores, possibilitando um
diagnóstico situacional dinâmico.
A categorização pela Classificação Internacional de Doenças permite
exemplificar os eventos dentro da rotina clínica e hospitalar facilitando a análise de
pontos críticos, adoção de medidas estratégicas preventivas e corretivas.
A continuidade desde trabalho permitirá a elaboração e adoção de
procedimentos
operacionais
padrões
(POP´S)
para
o
enfrentamento
de
determinadas situações vivenciadas na rotina da CCPMMG. O fluxo da atenção
clínica devidamente registrada facilitará a triagem e seleção de casos clínicos para o
planejamento do atendimento à saúde animal.
O sistema informatizado de procedimentos por meio de fichas zootécnicas e
emissão de relatórios (produtivos, reprodutivos, sanitários e econômicos) é uma
rotina no planejamento da criação de animais de produção. O IBGE trabalha com
informações de efetivo de rebanho atualizando suas bases de forma contínua, no
limite das atualizações dos dados pelos municípios. No entanto, esta não é a
realidade na clínica de pequenos animais, com exceção aos serviços públicos de
controle de zoonoses, não existe um banco de dados em rede que permita a análise
de morbimortalidade dos animais de companhia.
Espera-se, com o desenvolvimento deste trabalho, que a Instituição de
Segurança Pública do Estado de Minas Gerais, CCPMMG, mantenha o vínculo entre
a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Unidade Betim, e permita a
criação de espaços de Educação pelo Trabalho para a Saúde Animal.
Agradecimento especial à Capitã Denise Nogueira Jones que permitiu a realização
deste estudo.
28
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TÔRRES, R.C.S. Prevalência da displasia coxofemoral em cães da raça Pastor
Alemão, 1993. 69f. Dissertação (Mestrado) – Escola de Veterinária, Universidade
Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.
VALLE, Vitor Batista do. O uso de cães como ferramenta na resolução de
ocorrências críticas. Série Práticas e Saberes policiais, n. 1, a. I, p.11-21, abr,
2009.
VIDAL, Rui André Carvalho. Rastreio de agentes de doenças caninas de
transmissão vectorial numa população de cães com funções militares e
policiais. Diss. (mestrado) Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de
Medicina Veterinária, 2013.
WONG, S.K. et al. Healthy pets, healthy people. Journal of the American
Veterinary Medical Association, v.215, n.6, p.335-338, 1999.
WILLENSE, T. Dermatologia clínica de cães e gatos. Ed. Manole, 2002. p.117.
São Paulo.
34
ANEXO A - Classificação Internacional de Doenças – CID
Capítulo I Algumas doenças infecciosas e parasitárias (A00-B99);
Capítulo II Neoplasias [tumores] (C00-D48);
Capítulo III Doenças do sangue e dos órgãos hematopoiéticos e alguns
transtornos imunitários (D50-D89);
Capítulo IV Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas (E00-E90);
Capítulo V Transtornos comportamentais (F00-F99);
Capítulo VI Doenças do sistema nervoso (G00-G99);
Capítulo VII Doenças do olho e anexos (H00-H59);
Capítulo VIII Doenças do ouvido e da apófise mastóide (H60-H95);
Capítulo IX Doenças do aparelho circulatório (I00-I99);
Capítulo X Doenças do aparelho respiratório (J00-J99);
Capítulo XI Doenças do aparelho digestivo (K00-K93);
35
Capítulo XII Doenças da pele e do tecido subcutâneo (L00-L99);
Capítulo XIII Doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo (M00M99);
Capítulo XIV Doenças do aparelho geniturinário (N00-N99);
Capítulo XV Gestação, parto e puerpério (O00-O99);
Capítulo XVI Algumas afecções originadas no período perinatal (P00-P96);
Capítulo XVII Malformações
cromossômicas (Q00-Q99);
congênitas,
deformidades
e
anomalias
Capítulo XVIII Sintomas, sinais e achados anormais de exames clínicos e de
laboratório, não classificados em outra parte (R00-R99);
Capítulo XIX Lesões, envenenamento e algumas outras conseqüências de
causas externas (S00-T98);
Capítulo XX Causas externas de morbidade e de mortalidade (V01-Y98);
Capítulo XXI Fatores que influenciam o estado de saúde e o contato com os
serviços de saúde (Z00-Z99);
Capítulo XXII Códigos para propósitos especiais (U00-U99
ANEXO B- Ficha de registro de atendimento clínico do Canil da Polícia Militar
de Minas Gerais – Serviço de Atendimento a Saúde Veterinária (SAS-VET)
PMMG –CIA PM IND CÃES – SAS VET
FICHA CLÍNICA: POC I ( ) POC II ( )
NOME:................................................ DATA:......./......./....... TURNO:........... HORA..............
ATENDENTE:....................................... RESPONSÁVEL PELO SEMOVENTE:.................................................
OCORRÊNCIA
ANAMNESE
36
DADOS CLÍNICOS
TEMPERATURA:..........°C. PULSAÇÕES/MIN:............MOV.
RESP./MIN:...........PULSO/MIN:.........TPC:..........PESO:............KG.
EVACUAÇÃO (TIPO, COR, CHEIRO):............................................MICÇÃO (COR):.....................MUCOSA
(COR):........................
TEMPERAMENTO: ....NERVOSO ....CALMO ....APÁTICO ....OUTRO(.......................................). DOR:....SIM....NÃO.
EXAMES AUXILIARES
RADIOGRAFIA/LAUDO:..............................................................................................................................................
.............................
....HEMOGRAMA ....BIOQUÍMICA ....URINA ROTINA ....RASPADO DE PELE .... FEZES
....OUTROS(.......................................)
MEDIDAS TOMADAS
OFICIAL VETERINÁRIO:
EXAME CLÍNICO E DIAGNÓSTICO
37
DIAGNÓSTICO PROVISÓRIO:
DIAGNÓSTICO DEFINITIVO:
DATA
HORA
TRATAMENTO PRESCRITO E EVOLUÇÃO
38
Anexo C - CONTROLE SANITÁRIO
Vacinação
Nome:
Nascimento:
/
/
Nome Pai:
Nome Mãe:
Data
Vacina
Assinatura
39
Anexo C - CONTROLE SANITÁRIO
Vermifugação
Nome:
Nascimento:
/
/
Nome Pai:
Nome Mãe:
Data
Vermífugo
Rubrica
Data
Vermífugo
Rubrica
40

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