o lince 01 - Jornal O Lince

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o lince 01 - Jornal O Lince
NOVA FASE - ANO 2 - Nº 21 - 20 de setembro de 200
20088 - APARECIDA-SP
Fundado em 20 de outubro de 1969
DIRETOR FUNDADOR: Benedicto Lourenço Barbosa
Tem o que le
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www.jornalolince.com.br
Quem é quem nas eleições municipais?
As eleições municipais se aproximam
e é chegada a hora de definir a quem confiar o voto. Para tanto, alguns esclarecimentos são necessários para que o eleitor
possa analisar as conseqüências da decisão que adotar. Dentre os esclarecimentos necessários, é fundamental saber a diferença entre eleições majoritárias e proporcionais.
De fato, em 5 de outubro, haverá duas
eleições distintas: uma para prefeito e outra para vereadores.
A eleição para prefeito, também chamada de majoritária, estabelece uma relação direta entre o desejo da maioria dos
eleitores e o candidato ao cargo, ou seja, é
eleito aquele que recebe o maior número
de votos válidos em apenas um turno ou
no segundo turno de votação, no caso de
serem dois.
Já nas eleições proporcionais, nem
sempre é eleito aquele que é mais votado.
O que existe é uma proporção de cadeiras
no legislativo em função do desempenho
de cada partido no pleito eleitoral.
Assim sendo, cada partido obtém uma
vaga a partir do momento em que atinge
um número mínimo de votos que resulta
da divisão dos votos válidos pelo número
de cargos existentes no legislativo. Esse
SOMOS DEMOCRATAS (DEM, PTC)
Aloísio André Arneiro (Lu Arneiro - 25007)
Edna Aparecida Ferreira Torres (25780)
João Vicente Braga Vieira (25500)
José Benedito Ferreira da Rocha (Zé da Elza - 25100)
José Ricardo Damião Alves (Cachorro - 25555)
Josiane Pereira de Moura (25013)
Lúcio José Pedrini (25668)
Maria Aparecida Castro Rocha (25660)
Maurílio Benedito dos Santos Reis (25000)
Nilton Isaias de Andrade (Beiçola - 36666)
Paulo Lopes Guimarães (Paulinho da Renovação - 25600)
Waldemir José Pedroso (Wadê - 25012)
Welington Nogueira Silva (25025)
APARECIDA MELHOR (PTN, PSL, PDT, PPS)
Adval Benedito Coelho (23690)
Ana Lúcia Moura (12222)
Antonio Carlos Firmino (12570)
Bernadete da Silva Santos (Irmã Bernadete - 19230)
Domingos Léo Monteiro (23023)
Eliane de Almeida da Silva (23423)
Eliane Dias Camargo (Lia - 12000)
Elisabete Maria de Melo Oliveira (12765)
João Carlos Leme (João do Aroeira - 19000)
Luís Cláudio da Silva (Claudião Cantor - 12100)
Luís Marcelo Marcondes Pinto (23123)
Marcelo Monteiro Gonçalves (Cabo Monteiro - 12012)
Marco Antonio Gonzaga da Silva (23500)
Marcos Antonio da Silva (Marquinhos da Guarda - 23153)
Maria Aparecida de Oliveira (19136)
Nelma Fátima Silva Cleto Ferreira (Nelma do Povo - 17333)
Wilson Manoel Aparecido Delfino (Gilso Cachorrão - 12005)
Pesquisador
afirma que prefeito
com alta aprovação
faz o sucessor
HÁ POUCO mais de um mês das eleições
municipais, a Rádio-TV Aparecida promoveu, no dia
03 de setembro, o Seminário de Educação Política Voto Consciente, um ato de cidadania. Cerca de 100
pessoas, entre elas vários candidatos a prefeito e a vereador, acompanharam as locuções do historiador Gilberto Souza, da Comissão de Justiça e Paz da CNBB, e
do Prof. Dr. Alberto Almeida, sociólogo, pesquisador
da Universidade Federal Fluminense e autor do livro
"A cabeça do brasileiro". O sociólogo Alberto Almeida
apontou várias características do eleitor brasileiro e
foi categórico ao afirmar que as suas pesquisas demonstram que, quando um governo é muito bem avaliado pela população, o administrador público faz o
seu sucessor.
Aguardemos as eleições!
número mínimo é chamado de quociente
eleitoral e define quantas vagas caberão a
cada agremiação partidária.
Trata-se de um eficiente dispositivo legal quando a intenção é valorizar as
agremiações partidárias e não as candidaturas avulsas. Ocorre, portanto, de nem
sempre os mais votados serem os eleitos e
de nem sempre serem eleitos aqueles que
o eleitor desejaria dentro de um partido
ou coligação.
Por isso, é preciso estar atento, pois o
seu voto pode ajudar a eleger alguém que
você não gostaria que fosse o seu representante na Câmara Municipal. Visando,
então, dar elementos de reflexão para o
eleitor, O Lince publica a relação dos candidatos a vereador em Aparecida-SP, as coligações a que pertencem e a votação dos
atuais candidatos que concorreram nas
eleições de 2004.
É certo que o quadro político se alterou, alguns candidatos mudaram de partido, o número de votos pode aumentar
ou diminuir em razão de diferentes fatores e há muitos candidatos estreantes cujas
votações permanecem incógnitas. Porém,
uma boa análise do quadro abaixo pode
ajudar a escolher de maneira melhor informada e menos ingênua
COMPROMISSO COM APARECIDA (PSB, PSDC)
Antonio Jorge da Silva (Pai Jorge - 40678)
Denise Maria Silva de Oliveira
(Denise da Promoção Social - 40777)
Elisabeth Moreira da Cunha (40003)
Gilson Ferreira da Costa ( Macaquinho - 27017)
Harlei Diniz de Carvalho (40123)
Hernando José Plentz da Silva (40800)
Joaquim Noivo da Silva (Joaquim Cabeleireiro - 40024)
José Cândido de Souza (Candinho - 40999) - 125
Júlio José Ferreira dos Santos (Júlio da Banca - 40222)
Luiz Carlos Ferreira (Corpo Seco - 40000)
Marcelo Pereira Rangel (40111)
Marcos Antônio Tavares (Marcão Tavtur - 40555)
Paulo Roberto Dias (Paiá - 40444)
Selma Lúcia Charleaux Gouvêa dos Reis (40666)
Valdecir de Oliveira (Padre Vito - 40040)
APARECIDA SEM MEDO DE SER FELIZ
(PR, PSDB, PMN, PSC)
Adilson José de Lima Castro (Adilson Boi na Brasa - 45000)
Edgar dos Santos Filho (Edgar da Farmácia - 45555)
Francisco Egidio Monteiro Vaz (Fram Pé Sujo - 45222)
Gilda Catarina da Silva (Imã Gilda - 20020)
João Ferreira (45685)
João Luiz Mota (Dão - 45670)
José Benedito Ribeiro (Prof. Zé Dito - 45645)
Júlio Bustamante Sá Júnior (20000)
Maria Tereza Dias Gomes (45045)
Nadir Pereira Neves (Nadir Imóveis - 20600)
Patrícia Almeida Gonçalves Pereira (45678)
Paulo Benedito dos Santos (Paulinho Feroz - 22666)
Paulo Caputo (45655)
Pedro César de França Freire (Rei da Cocada - 45123)
Regina Helena de Castro (Prof. Regina - 45111)
Rosa Maria de Jesus (Rosinha - 33456)
Valdeci Martins da Silva (33633)
Wilian Camargo de Oliveira (20123)
RUMO CERTO (PTB, PMDB)
Alcir de Souza Siqueira (Pastor Alcir - 14616)
Amélia Rodrigues Zocoler (Amélia manicure - 14333)
Ângelo Reginaldo Leite (14444)
Celso Pereira (Celso Pintor - 14500)
Elcio Ribeiro Pinto (Elcinho - 14123)
Emerson Camargo Perez (Dengue - 14004)
José Antonio de Jesus (15015)
José Odir de Campos (Carneirinho - 14888)
José Rosa do Prado (Zé Rosa - 14699)
Luiz Otávio de Toleto Piza (Tavinho Piza - 14000)
Maria Aparecida de Jesus Ventura da Silva
(Cidinha Ventura - 14700)
Milton Martins Pereira (Milton do Salgado - 14660)
Nei Aurélio Rangel (Nei Lebrinha - 15000)
Pedro Ricardo Goussain (Pedrão Santa Casa - 14714)
PV
Ana Carolina Gonçalves Pinto (43020)
Antonio Trindade (43088)
Benedito Carlos Ribeiro Wendling (43066)
Dirceu Fulgêncio Pinto (43010)
Guido Machado Braga (43007)
Hidélcio Guimarães de Oliveira (43099)
Luiz Carlos da Silva (43000)
Maria Inês Rocha (43034)
Maria Margarida Silva de Freitas (da TMC Turismo- 43013)
Susi de Cássia Freire (43030)
Valberto Wagner da Silva (Beto do Bruno - 43043)
JUVENTUDE, OUSAR E AVANÇAR (PP, PRB, PT)
Agnaldo Gomes Ribeiro (Baiano do Jegue - 11611)
Alessandro Antonio Ribeiro Rodrigues (10123)
Alexandro de Souza Dias (Pingo - 13000)
Antonio Carlos Mathias (Iê - 11111)
Benedito da Conceição Belchior
(Ditinho do Itaguaçu - 11210)
Carlos Eduardo Thomaz da Silva (11000)
Edino Aparecido Rocha (11123)
Ivan Claudinei de Carvalho (11113)
Josué Antonio Lourenço Barbosa (Cambé - 13013)
Luis Carlos de Siqueira (Piriquito - 11456)
Luiz Carlos de Souza (11011)
Nislair Fabian de Melo (11789)
Roger Bertolaccine Andare (11222)
PSOL
Ednaldo de Oliveira Sant'Anna (50123)
José Benedito dos Santos (Zezinho - 50000)
Aparecida
Locais de Votação
1 a 6 - EE Américo Alves
7 a 11 - EM Virgulina M. M. Fázzeri (Coteca)
12 a 15, 95 e 113 - EM Chagas Pereira
16 a 19, 67, 97 e 106 - EE Maria Conceição Pires do Rio
20, 21, 62, 70 e 105 - EM Sólon Pereira
22 a 26 e 69 - EM Maria Helena
Camargo Lourenço Barbosa
27 a 30, 66, 96 e 108 - EE Paulina Cardoso
31 a 33, 59, 73 e 104 - EM Marieta Braga
34 a 37 e 74 - EM Anísio Novaes
38 a 40 e 48 a 50 - EE Murillo da Amaral
51 a 54, 56, 57 e 116 - EE Comendador Salgado
60, 71, 98, 107 e 115 - EM Edgar de Souza
63 - EM Maria Aparecida Encarnação (especial)
65 e 103 - EM Maria Aparecida Encarnação
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Aparecida, 20 de setembro de 2008
1
E DITORIAL
Á GORA
O sorriso da russa
Jinglemania
Ou de como levar o eleitor a não pensar
Alexandre Marcos Lourenço Barbosa
EM 2008, afora as boas intenções da
legislação eleitoral, a afronta à legislação
ambiental tem sido constante. A poluição
visual cedeu lugar à poluição sonora. São
bombardeios, em decibéis, caindo como
chamarizes, sem hora marcada e em intervalos reduzidos, nos tímpanos de eleitores e não-eleitores. Haja martelo, estribo e
bigorna para suportar, sem perder a lucidez, esta overdose publicitária, quase sempre de mau gosto, expressa nos jingles dos
candidatos.
Antes, diante dos outdoors, fecharmos
os olhos ou redirecioná-los era possível,
mas, agora, como fazer o mesmo com os
ouvidos? Imagino a cena surreal e a
comicidade de ver as pessoas, nas ruas e
em suas casas, com chumaços de algodão
nas orelhas protegendo-se de um
marketing agressivo sem qualquer conteúdo significativo, mesmo porque os
jingles não trazem em si este propósito.
Ao contrário, a finalidade publicitária
destas vinhetas sonoras é vedar o pensamento, sedar a consciência e acirrar os
instintos para transformar as eleições
num grande game no qual as pessoas se
perfilam por afinidades, simpatias e interesses pessoais.
É penoso manter a sobriedade uma vez
inserido neste jogo coordenado por candidatos e marqueteiros. Isso exige do eleitor algo mais que, na maioria das vezes,
ele não dispõe ou, se dispõe, não está disposto a ceder.
A rigor, falo da capacidade de penetrar
analiticamente os discursos e a história dos
candidatos, auscultar-lhes a dimensão do
não-dito, perceber o recôndito e em que
medida aquilo que se esconde é ou não
comprometedor. Não falo das pequenas
faltas e fraquezas humanas, estas são
desconsideráveis se não forem graves, e sim
de grupos e pessoas bem ou mal intencionados, muito, pouco ou nada preparados,
dispostos ou não para o altruísmo inerente
ao verdadeiro homem público.
Eleições não são bienais de entretenimento nem finais de campeonato esportivo. O momento eleitoral não é um acontecimento sem maiores conseqüências. Estas são diretas e, às vezes, imediatas. Daí as
eleições não permitirem a leviandade do
eleitor sem que a realidade regurgite sobre ele. E a realidade é impiedosa com os
irresponsáveis e, em certos casos, também
com os demais. Escolhas mal feitas podem ter efeitos nefastos sobre todos.
À guisa de exemplo, e para ficar apenas neste, poderíamos perguntar qual é
o dano social causado por um professor
aprovado em um concurso público fraudado? Ele terá sob sua tutela cerca de 30
a 35 crianças durante um período de pelo
menos 25 anos. Se ele não estiver bem
preparado, quantas famílias não serão
atingidas pela sua inaptidão e/ou incapacidade? E o custo para a sociedade
que investiu durante anos para obter
como resultado uma horda de
despreparados?
Na essência da política não creio que
necessariamente esteja o bem comum,
pois ela bem pode - e isto é fato - estar
avessa ao interesse coletivo. O que constitui, a meu ver, o núcleo da vida política é a sua dimensão eminentemente
humana e o seu alcance inevitavelmente público. Em política não há o destino, não há o divino. Nela, as coisas não
acontecem porque assim deveriam ser,
mas ocorrem porque há homens que
escolheram que assim fosse. Não há fatalidades, há escolhas bem ou mal
conduzidas.
A política entrega ao homem a responsabilidade pela condução de sua história, único sentido possível para a palavra destino. E a história exige seres
humanos resolvendo (ou não!) problemas humanos. Não há como fugir desta
sorte sem renunciar à liberdade. Política e História imbricam-se e reclamam,
ambas, a ruptura com uma indiferença
presumida e jamais atingida, pois, teórica e praticamente, é impossível estar
acima ou além da trama de valores representada pelo jogo do poder.
As eleições municipais estão aí e os
diferentes grupos partidários também.
É hora de escolher e de expressar os
nossos julgamentos. É hora de lembrar,
com Lord Byron, que "o melhor profeta
do futuro é o passado", pois ninguém
pode ser avaliado pelo que ainda não
fez. Seria preconceito puro.
Mirar os olhos de cada candidato e
traduzir-lhe a fronte é o que se espera de
um eleitor arrazoado. Afinal, como ensinou o mestre Balzac, "não é a fronte o
que há de mais profético no homem?"
O futuro que teremos dependerá da
escolha que fizermos. Tão óbvio quanto verdadeiro.
PROPRIETÁRIO:
Alexandre Marcos Lourenço Barbosa
ENDEREÇO: Rua Alfredo Penido, 101
Tel.: (12) 9138-5576 — [email protected]
PROJETO GRÁFICO: Marco Antônio Santos Reis
REVISÃO: Heloísa Helena Arneiro Lourenço Barbosa
JORNALISTA RESPONSÁVEL: Rita de Cássia Corrêa (MTB 26.190/SP)
IMPRESSÃO: Gráfica e Editora Santuário
TIRAGEM: 3000 exemplares - Distribuição Gratuita
Os artigos assinados são de exclusiva responsabilidade de seus autores.
Registro no Oficial de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos e Civil
de Pessoa Jurídica - Comarca de Guaratinguetá - SP,
sob nº 26, fls. 17 do livro B-1.
2
Getúlio Martins
ASSISTI a muito pouco dos Jogos Olímpicos de Pequim. Desse pouco que vi, achei que
a ginástica é uma coisa muito chata. As atletas,
quando não estão chorando, roem as unhas,
num banco duro, aguardando a nota como se
fosse uma sentença de morte.
Esporte tem que dar prazer, se não for assim, não compensa. Não se conseguem bons
resultados.
A Mauren disse que no dia em que saltou
7,04 m pediu, nas suas orações, uma ajuda para
conseguir fazer o melhor. Veja que ela não pediu para vencer. Pois, se assim o fosse, como é
que o Senhor ia fazer com os outros competidores, que certamente tinham pedido a mesma coisa? Ela conseguiu porque treinou muito, tem um biótipo favorável para a modalidade que pratica e porque achava que podia ganhar. Já o Jadel não venceu, apesar da garra.
Estava sozinho sem o treinador, padrinho seu,
o Pedrão.
O João do Pulo, quando saltou no México,
ganhou a medalha de ouro e bateu o recorde
mundial, que só seria ultrapassado dez anos
depois. Contou que, no dia da prova, tinha acordado com a alma leve e achou o dia bonito.
Uma série de fatores positivos contribuiu para
o sucesso dele: treino, biótipo, garra e prazer.
Observe numa partida decisiva de futebol,
logo no início do jogo, as jogadas de bola dividida. Quem ganha são os campeões. Viu aquela dividida do Ronaldinho Gaúcho com o argentino Fernando Gago. O argentino elegante
se jogou por trás, desajeitado, para cortar uma
jogada na lateral sem nenhuma importância
aparente. O brasileiro riu do esforço do jogador argentino. Você viu quem riu no final.
Competição não exclui solidariedade. Na
maratona, depois de correr 30 km, o atleta usa
o seu estoque extra de energia, porque já consumiu tudo que tinha, apesar de o locutor dizer que ele não aparenta cansaço. Depois de
passar por um posto de abastecimento de água,
o atleta de Eritréia ofereceu água para o
queniano que estava ao seu lado, na liderança
da prova, e não alcançara a sua garrafa. Não sei
se a água fez diferença, mas o queniano ganhou ouro e o outro ficou em quarto.
Diante do quadro de medalhas, o que mais
se discute é como tornar o Brasil uma potência
nos esportes e não somente no futebol. O caminho todo mundo sabe: tem que começar
pela escola. O jeito de caminhar é que são elas.
Nenhuma escola poderia funcionar sem instalações adequadas para práticas de, pelo menos, cinco modalidades esportivas. No currículo teria que ter teoria esportiva e nutricional.
Competição entre as escolas da cidade tem
que ter todo ano. Nos bairros, tem que se conseguir espaços para atividades esportivas e palestras, para todas as faixas de idades, coordenados por professores bem remunerados e
dedicados em tempo integral.
Não dá para separar educação de esporte,
pois ele é a maneira mais fácil de educar. Normalmente, os secretários de educação não conseguem alcançar essa visão. Apegam-se aos seus
recursos como o alcoólatra se apega ao copo
de pinga ou ao maço de cigarros.
Teve uma coisa rara durante a ginástica dos
jogos na China. Uma russa sorriu para a companheira, antes de caminhar para a barra. Não
sei se ganhou ouro, mas me lembro bem do
rosto dela.
Getúlio Martins é doutor em Saúde Pública
pela Universidade de São Paulo
A dança dos hormônios
Sílvia Maria de Carvalho Farias
DURANTE todo o ciclo vital pelo qual
passamos, desde a concepção até o findar dos
nossos dias, os hormônios estão presentes em
nosso organismo.
Eles compõem uma orquestra bem-sincronizada, comandada pelas glândulas endó-crinas. Essas glândulas secretam hormônios para
o sangue circulante, que por sua vez inicia uma
espécie de dança, atuando sobre células-alvo
em muitos pontos do nosso corpo. Existem
seis glândulas endócrinas muito importantes
e várias outras de menor importância. A delas
é a hipófise, uma glândula bem pequenina que
exerce uma função vital em nossa vida, tanto
que é conhecida como glândula-mestra.
O corpo humano é controlado por dois
sistemas muito eficientes: o nervoso e o
endócrino, e a nossa pequenina glândula-mestra funciona como uma ponte entre esses dois
sistemas que são constituídos por duas metades: uma que contém tecido nervoso e a outra,
tecido glandular.
Desde a nossa concepção, que é o encontro da célula da nossa mãe com a célula do
nosso pai, os hormônios atuam de forma
esplendorosa dentro do corpo materno, com
uma perfeição que só a natureza divina pode
proporcionar. É um corpo nutrindo, forman-
DO
do, dando vida a outro corpo. Nascemos, e os
hormônios continuam trabalhando, fazendonos crescer. Chegamos à puberdade, e os
hormônios maturam nossas células. Com isso,
tornamos-nos homens e mulheres capazes de
nos reproduzirmos, de nos multiplicarmos, de
gerarmos novas vidas, de sermos eternos.
E assim encontramos, com a maturidade, a
sabedoria da experiência vivenciada dia a dia.
Olhamo-nos no espelho e vemos as marcas de
expressão dos nossos sonhos, dos nossos fracassos. É o sistema endócrino promovendo alterações em sua dança, a música se torna lenta,
como se fosse uma valsa acompanhando o cair
da tarde, esperando o início da noite.
O findar dos nossos dias deve ser bem-programado para que possamos ter uma velhice
bem-sucedida. É fundamental participarmos de
algum projeto para a melhor idade, ouvir
Roberto Carlos, dançar forró e valsas, muitas
valsas, de preferência acompanhados da pessoa
que amamos, que nos fez e nos faz feliz.
Sílvia Maria de Carvalho Farias, graduanda
de Enfermagem Fatea/Lorena, funcionária
do hospital Unimed de Lorena .
e-mail: [email protected]
LEITOR
Oi Lince, vocês poderiam nos ajudar a decidir
pelo vereador, que é o que tá difícil! Onde encontro
um curriculum dos candidados a vereança? Como
vou saber se são honestos, trabalhadores, tem
consciência ambiental? Se estudou, se honra seus
compromissos, se não tem nome no SPC e
Serasa? Se, alguma vez, lutou por alguma causa
sem ferir os direitos do seu próximo? Onde trabalha? Se é patrão, cumpre suas obrigações legais
de empregador? Se é empregado cumpre seus
deveres com dedicação? Se é bom pai ou mãe,
bom marido ou esposa, bom filho? Se é uma
pessoa equilibrada, se tem princípios morais e
religiosos? Você poderia abrir uma página assim
para nós, eleitores. Um abraço.
Lidia Almeida Carvalho — Aparecida - SP
Caro Alexandre,
Venho acompanhando a sua coluna no jornal O Lince, que muito me agrada.
Eu gosto de política, sobretudo de escrever
sobre. Atualmente, tenho uma coluna no jornal
eletrônico: http://www.politicadovale.com.br/,
onde escrevo sobre a política de Lorena, onde moro.
No meu último artigo, eu me inspirei em um
dos seus artigos. Forte abraço, saúde e paz.
Jean Domingos — Lorena - SP
Oi, Alexandre, como vai? Desejo que esteja
bem. Quero reforçar aqui que admiro seu trabalho, já fui sua aluna em vários cursos, tem feito
um grande trabalho unindo através do seu jornal
os artistas da região e acima de tudo trabalha pela
educação. Denise de Souza — Guaratinguetá - SP
Aparecida, 20 de setembro de 2008
F OCUS
Com Ziraldo na Bienal
Márcia Filippo recebe prêmio
em Belo Horizonte
Márcia Fillipo, à esquerda, recebe o troféu “Mulher Influente” de 2008
Ziraldo com Sofia e Alice
SOFIA HELENA, a escritora-mirim da seção Grafias de O Lince, esteve na 20 Bienal
Internacional do Livro de São Paulo e participou da sessão de autógrafos do escritor
Ziraldo.
O consagrado criador do "Menino
Maluquinho" foi atencioso e amável com
Sofia e sua irmã Alice. Trocaram algumas
palavras e Ziraldo, interessado, pediu a
Sofia que lhe mandasse alguns textos escritos por ela. Certamente, um encontro inesquecível para a pequena e iniciante autora.
Exposição - 50 anos de
Arquidiocese de Aparecida
A SECRETÁRIA Municipal de Turismo de
Aparecida, Márcia Fillipo, recebeu o Troféu
Mulher Influente, prêmio concedido pelo
Jornal MG Turismo às mulheres que se destacam nos diversos setores de atuação. O
prêmio é concedido a diversas categorias e
no quesito Administração Pública, a dinâmica e dedicada secretária de turismo foi
agraciada com o galardão maior.
Em sua décima segunda edição, a entrega do Troféu aconteceu no último dia 8
de setembro, às 20 horas, no salão nobre
do Othon Palace Hotel, em Belo Horizonte. Mulheres de expressão de todo o
país lá estiveram reunidas e Márcia
Filippo, escolhida entre suas pares, foi a
oradora da turma.
O Troféu Mulher Influente coroa de
mérito e reconhecimento o trabalho competente e criativo de Márcia Filippo à frente do turismo de Aparecida ao longo de
quase oito anos.
Viagem Literária
Cerimônia de a ber tur a contou com inúmer os con
vidados
convidados
Centro de Apoio
aos Romeiros
Asa Oeste - Aparecida-SP
[email protected]
(12) 3104-1263
e 3104-1264
Aparecida, 20 de setembro de 2008
Pelo
Jovem
e seu
primeiro
emprego
com
registro
em
carteira
Lu Arneiro, seu companheiro!
LU ARNEIR
O
ARNEIRO
NA TARDE de 11 de setembro, o escritor Moacyr Scliar esteve em Guaratinguetá,
na Biblioteca Municipal "Dr. Diomar Pereira Rocha", onde participou de um batepapo com leitores da região.
Batizado de "Viagem Literária", o encontro encheu a sala de leitura com um público formado por professores, alunos e
apreciadores da obra do premiado autor,
cujos livros somam mais de 60 títulos, entre romances, contos, crônicas, ensaios e
literatura infantil, alguns dos quais traduzidos para vários idiomas.
Durante a apresentação, Moacyr Scliar,
que é membro da Academia Brasileira de
Letras, discorreu um pouco sobre sua inColigação Rumo Certo
com Silvino e Dina
Aquário
de Aparecida
Santuario
VEREADOR
Moac
yr Sc
liar
Moacyr
Scliar
liar,, ladeado por Tonho F
Frr ança e W ilson Gor j de “O Lince”
PTB
Eleitor,
valorize
seu voto.
O futuro
da
cidade
está
em suas
mãos.
Vote
com
consciência
VEREADOR
Reginaldo Leite
cnpj:10.082.650/0001-87
ção
Promo al
especi
para
escolas
DEM+PTC
NO DIA 02, próximo passado, foi inaugurada, na sede da Cúria Metropolitana de
Aparecida, a Rua Barão do Rio Branco, no.
412, centro, Exposição comemorativa dos
50 anos de Criação e Instalação da
Arquidiocese de Aparecida.
A Exposição apresenta acervo fotográfico com os fatos marcantes da história da
Arquidiocese, seus Arcebispos, suas Paróquias, Santuário Nacional, visitas do Papa
João Paulo II e do Papa Bento XVI.
Conta ainda com acervo de Imagens que
retratam a piedade popular. Objetos
litúrgicos e outros objetos importantes para
a nossa história. Quer a Exposição fazer,
ainda, homenagem a três grandes homens
da nossa história, os quais optaram por permanecerem na recém-criada Arquidiocese
de Aparecida: Monsenhor Oswaldo de Barros Bindão; Monsenhor Rodrigo da Silva
Araújo; Cônego Francisco Eloy.
Fazem parte da Exposição os aposentos preparados para Sua Santidade, o Papa
Bento XVI, por ocasião de sua vinda a
Aparecida para a abertura da V Conferência do Episcopado Latino-Americano e
Caribenho.
A presente Exposição deseja fazer memória desses 50 anos de caminhada do Povo de
Deus nesta circunscrição eclesiástica. Fazer,
aos mais antigos, recordarem o já vivido e,
aos mais novos, contar a história, para que
construam o futuro. E que esteja presente a fé
na presença de Deus, em toda essa caminhada, pois o Senhor não abandona o Seu Povo.
A Exposição está aberta à visitação pública, de quarta-feira a domingo, das 13h30min
às 16h30min. Aberta nesse mês de setembro,
ficará à disposição de todos até o mês de dezembro.
Será uma honra receber a todos que
queiram conhecer um pouco de nossa
história comum.
SOMOS DEMOCRATAS
Padre Paulo Tadeu
25007 14444
(da Associação Comercial)
fância em Porto Alegre e falou de sua formação como médico e escritor. A seguir, o
autor colocou-se à disposição para responder às perguntas da platéia. Esgotada esta
parte, a viagem literária teve por desfecho
uma rápida sessão de autógrafos e fotografias.
Aos que perderam esta oportunidade
fica o convite para participarem dos próximos encontros, com outros autores, previstos a ocorrerem ainda este ano.
Para maiores informações, os interessados devem procurar a biblioteca pública
situada à Praça Condessa de Frontim, 160 Centro - Guaratinguetá. Ou entrar em contato através do telefone (12) 3133-9301.
ESCRITÓRIO
CONTÁBIL
DICO
Avenida Monumental, 446
Tel. 3105-2716
3
R EPUBLICANDO
REGULAMENTO DO TRÂNSITO
DE VEHICULOS NO MUNICÍPIO
DE APPARECIDA - ESTADO DE SÃO PAULO
CAPITULO V - DOS CONDUCTORES DE VEHICULOS E SEU
DEVERES
Artigo 38 - Só poderão conduzir vehiculos pessoas que obtiverem
a respectiva carteira de habilitação, na Prefeitura, depois de approvados
em exame, exceptuados os carroceiros que conduzem carroças a pé, os
carreiros e os proprietários e conductores de bicycletas.
§ 1º - Para o fim das determinações do presente artigo, os candidatos a conductores de vehiculos deverão provar:
a) ser maior de 18 annos.
b) Não sofrer de moléstia transmissível, por simples convivência
transitória, nem de mal que o possa privar subitamente do governo do
vehiculo.
c) Ter visão e audição perfeitas.
d) Ter attestado firmado por pessoa idônea, a juízo da Prefeitura, de que é honesto, morigerado e não se dá ao vício da embriaguez.
e) Que comprehende e falla o idioma nacional.
§ 2º As exigências constantes das letras "b" e "e" serão dispensadas
quando se tratar de habilitação de candidatos a conductores de
vehiculos particulares.
§ 3º - Os assim habilitados deverão prehencher as disposições
dispensadas no paragrapho anterior, sempre que desejarem passar a
conduzir vehiculos de aluguel.
Artigo 39 - Os exames effectuar-se-hão no local que for designado
pela Prefeitura e perante examinadores por ella designados.
Artigo 40 - Approvado o candidato, não começará a exercer o seu
mister sem que previamente esteja munido da carta de habilitação e
matricula na policia.
Artigo 41 - Nas cartas de conductores de automóveis constarão:
nome, filiação, idade, estado, naturalidade, residência, signaes particulares, e photographia dos respectivos conductores.
quando o serviço a executar exceder de duas horas. Tão pouco poderá
interromper o serviço começado, salvo desarranjo irremediavel no
motor, não podendo, então, cobrar pelo serviço até então prestado,
mais do que a metade do que marcar a tabella.
§ 1º - todo conductor de automóvel, que tenha sido ajustado para
determinado serviço é obrigado a comparecer a hora estipulada e
logar designado.
§ 2º - por sua vez, a pessoa que haja contractado um vehiculo e
prescindir, sem prévio aviso, do seu serviço, ou não fôr encontrada no
logar e hora marcada, é obrigada a pagar a importância do serviço
ajustado.
§ 3º - antes de tomar um automóvel, o passageiro deverá declarar
se o serviço a executar será por hora ou por corrida.
CAPÍTULO VI - DO EMPLACAMENTO E NUMERAÇÃO DOS
VEHICULOS
Artigo 48 - todo vehiculo terá uma placa de numeração, que será
affixada com parafusos ou rebites e do modo seguinte:
a) nos vehiculos de carga de tracção animal, no lado direito e
logar mais alto possível;
b) nos vehiculos de passageiros e tracção animal, na parte posterior, sendo o numero repetido nas lanternas
c) nos vehiculos a motor, o numero é mostrado em duas placas,
colocadas uma na parte posterior, sob a laterna, e outra na frente,
deixando livre toda a parte do irradiador.
§ único - é prohibido terminantemente alterar a placa de numeração, quer na sua cor, quer no seu formato ou tamanho.
Artigo 49 - nos casos de extravio de uma placa, outra poderá ser
dada em substituição, uma vez justificada a perda, a juízo da Prefeitura.
Artigo 42 - Nenhum conductor de vehiculo de aluguel poderá
recusar serviçopara o fim a que estiver destinado.
§ único - a nova placa será sempre com numero novo, ficando os
números das placas perdidas cancellados para todos os effeitos, durante o exercício.
Artigo 43 - Os conductores de automóveis de aluguel são obrigados a recusar o seu vehiculo a passageiros que façam algazarra ou por
qualquer modo perturbem o socego e a ordem publica.
Artigo 50 - em caso algum a placa de um vehiculo pode ser mudada para outro, mesmo que o vehiculo para o qual ella for fornecida
desappareça da circulação, salvo caso de inutilisação do mesmo.
Artigo 44 - Ao conductor de automóvel que, posteriormente à sua
matrícula, commetter actos, devidamente comprovados, contra a
moralidade ou segurança publicas ou que forneça o seu vehiculo para
pratica de actos criminosos, será cassada a carteira, independentemente das penas a que ficar sujeito pelo Codigo Penal.
§ único - para esse effeito, as placas são selladas com sello de
chumbo.
Artigo 45 - São obrigações communs de cada um dos conductores
de vehiculos:
a) trazer comsigo a sua carta de hjabilitação, e licença do
vehiculo.
b) estar vestido descentemente.
c) não carregar o vehiculo com peso ou lotação maior ao estabelecido.
d) diminuir a marcha nos cruzamentos de rua
e) não descer ladeira sem que o vehiculo esteja sufficientemente
travado, não sendo permittido fazel-o por meio de cordas, correntes,
etc.
f) conservar o vehiculo no máximo asseio possível.
g) ter sempre accesas, a noite, quando em movimento, as lanternas de que trata o artigo 22.
h) guardar a ordem estabelecida para a direcção do transito;
i) caminhar quando possível, conservando a sua direita, não
rodando sobre as guias dos passeios lateraes.
j) entregar dentro de 24 horas, à Prefeitura ou policia, qualquer
objecto ou volume por ventura esquecidos em seus vehiculos.
k) tratar o público com toda pollidez e respeitar e acatar as
ordens das autoridades municipaes e policiaes.
l) não confiar a outrem a direcção do vehiculo em que estiver
matriculado e nem ceder os seus documentos.
m) não fazer correrias nas vias publicas para angariar passageiros ou freguezes
n) não fazer estacionar o vehiculo nas ruas e praças, de encontro
aos passeios, salvo nos casos de carga e descarga de volumes muito
pesados.
o) Não abandonar o vehiculo, sem que esteja travado em suas
rodas e guardado por pessoas que delle tomem conta.
Artigo 46 - São obrigações especiaes dos conductores de vehiculos
destinados ao transporte de passageiros:
a) guardar a maior ordem nos pontos de estacionamento, não
promovendo algazarras ou ajuntamentos;
b) tratar com pollidez e attenciosa deferência os passageiros e as
autoridades, evitando toda e qualquer alteração com os mesmos
c) conduzir os passageiros ao lugar do seu destino, sem atrazar
propositalmente a marcha, ou fazer caminho mais longo que o necessário;
d) não exigir do passageiro preço maior que os da tabella;
e) exigir a tabella sempre que o passageiro exigir;
f) não permittir passageiros viajando nos estribos.
Artigo 47 - Todo conductor de automóvel que se achar em qualquer logradouro publico, ou nos pontos de estacionamento, quando o
vehiculo estiver livre, sobre pretexto algum poderá recusar passageiros,
salvo maltrapilhos, ébrios e portadores de moléstias contagiosas, ou
4
CAPÍTULO VII - DO ESTACIONAMENTO DE VEHICULOS
Artigo 51 - Os vehiculos de aluguel poderão estacionar livremente
nos pontos estabelecidos e lotados pelo Prefeito.
Artigo 57 - Poderão ainda ser applicadas as seguintes penas disciplinares aos conductores de vehiculos que, no exercício de sua profissão,
occasionarem desastres pessoaes.
§ 1º - em casos de ferimentos leves, ficará immediatamente suspenso
pelo prazo de 30 dias. Essa pena será relevada desde que, do relatório
da autoridade policial, fique apurada a não responsabilidade do
conductor e demonstrado que o mesmo não pretendeu evadir-se depois
do desastre e que facilitou socorro ao ferido.
§ 2º - em casos de ferimentos graves, a suspensão será pelo prazo
de 60 dias. Essa pena relevada no fim de 30 dias, desde que fique
apurada a não responsabilidade do conductor e demonstrado que o
mesmo não pretendeu evadir-se depois do desastre e que facilitou socorro ao ferido.
§ 3º - em casos de morte, ficara suspenso por 90 dias e por mais
tempo, se a sentença não sentença não for proferida dentro desse
prazo pelo Juiz de Direito da Comarca.
§ 4º - em caso de reincidência, não prevalecerá a vantagem do
relevamento da pena e, si o conductor do vehiculo fugir ou deixar de
prestar auxilio ao ferido, as penas serão impostas em dobro.
§ 5º - quando se verificar a reincidência em desastres que
occasionarem morte, a carta do conductor será definitivamente cassada.
§ 6º - todo conductor de vehiculo que, estando suspenso, for encontrado no exercício de sua profissão terá a sua carta cassada definitivamente.
CAPITULO IX - DO IMPOSTO DE VEHICULOS
Artigo 58 - O imposto de vehiculos é devido pelos seus proprietários embora sejam estes dirigidos por terceiros, e será cobrada na razão
de uma taxa para cada vehiculo.
Artigo 59 - A arrecadação geral deste imposto é feita, na Prefeitura Municipal de primeiro a 31 de Janeiro de cada anno, em uma só
prestação.
Artigo 60 - Quanto aos novos vehiculos não registrados no anno
anterior, o pagamento será feito antes de serem utilisados.
Artigo 61 - Os proprietários de vehiculos que não satisfizerem o
pagamento de imposto nos prazos regulamentares, ficarão sujeitos a
multa de 20%, além da aprehensão do vehiculo, para effectividade da
cobrança dos impostos, multas e despesas de depósito.
Artigo 62 - O pagamento de imposto só prevalece dentro do exercício para que tenha sido effectuado, qualquer que seja a data em que
se realise.
CAPÍTULO X - DISPOSIÇÕES GERAES
Artigo 52 - A collocação a observarem os vehiculos nos pontos
designados para estacionamento, obedecerá ao que for estabelecido
pelas autoridades municipaes e policiaes, que terão em vista a
commodidade publica.
Artigo 53 - Os automóveis de aluguel que estacionarem nos pontos
permitidos, deverão ser munidos de um deposito destinado a receber
óleos e graxas usados nesse vehiculos, devendo não só esse recpetor,
como os demais apparelhos, funccionar perfeitamente, de modo a
impedir o derramamento de graxa ou óleo nas vias publicas.
CAPITULO VIII - DAS MULTAS E SUAS APLICAÇÕES
Artigo 54 - Para os casos de infracção das disposições da presente
lei, ficam estabelecidas as seguintes penas:
a) falta de licença e matricula do vehiculo - multa de 20$000 a
50$000 e apprehensão do vehiculo até que seja cumprida a disposição
legal;
b) excesso de velocidade - pela primeira infracção, multa de
20$000 a 50$000 e, nos casos de infracções reiteradas, além do máximo da multa, cassação temporária da licença ou carta por 10 a 30
dias;
c) falta de carta - pela primeira infracção, multa de 20$000 a
50$000 e prisão por 3 a 8 dias nas reincidências;
d) inobservância da tabella de preços - pela primeira infracção,
multa de 10$000 a 30$000 e 50$000 na reincidências;
e) pela recusa de serviços, para o fim a que estiver destinado o
vehiculo, multas de 10$000 a 50$000;
f) falta de freios de pé ou de mão, ou mau funccionamento dos
mesmos, multa de 10$000 a 30$000 e 50$000, nas reincidências;
g) transitar contra mão - multa de 20$000
Artigo 55 - Para os casos de outras infracções da presente lei, será
imposta a pena de multa de 10$000 a 20$000 e o dobro nas reincidências.
Artigo 56 - Todas as multas provenientes de infracções da presente
lei, serão consignadas em autos, nos quaes se mencionará a infracção,
não sendo licito, sem o seu processo, tornar-se effectiva a pena.
§ 1º - as importâncias das multas arrecadadas, serão recolhidas
por meio de guias à Thesouraria Municipal.
§ 2º - em tudo quanto se refere à applicação das penas estabelecidas
na presente lei, a decisão final competirá, privativamente, ao Prefeito
Municipal.
Artigo 63 - A fiscalisação do serviço de vehiculos no Município de
Apparecida, será exercida tanto pela Prefeitura e seus agentes como
pelas autoridades policiaes.
Artigo 64 - É permittido a qualquer pessoa notória idoneidade
authenticar as infracções occorrentes e leval-as ao conhecimento de
quem de direito.
Artigo 65 - Além das penas impostas aos conductores de vehiculos,
a Prefeitura poderá cassar-lhes a carta, temporária ou difinitivamente,
sempre que ficar provado a sua incompetência para continuar a exercer a profissão.
Artigo 66 - Em todos os casos de infracções da presente lei, será
ligitima para garantia das cobranças das multas e impostos devidos, a
aprehensão dos vehiculos ligados à respectivas contravenções.
§ 1º - os vehiculos serão conduzidos ao depósito municipal ou
garage, de onde só serão retirados depois de pagas as multas e impostos devidos, bem como as despesas do depósito.
§ 2º - passados oito (8) dias de deposito, serão levados a praça, na
forma da lei.
Artigo 67 - Os serviços referentes a exame de conductores de
vehiculos em geral, lotação e designação de pontos de estacionamento
para vehiculos, expedição de cartas, numero de vehiculos, fiscalisação
da cobrança dos impostos respectivos são de cargo exclusivo da Prefeitura Municipal.
Artigo 68 - Em qualquer tempo a Prefeitura, por meio de editaes
publicados pela imprensa local, poderá alterar ou supprimir qualquer
disposição da presente lei, bem assim, accrescentar outras que julgar
convenientes.
Artigo 69 - A presente lei entrara em vigor immediatamente após
à sua publicação.
Artigo 70 - Revogam-se as disposições em contrario.
Registre-se e publique-se.
Prefeitura Municipal de Apparecida, 6 de Maio de 1929.
Américo Alves Pereira Filho
Prefeito Municipal
Pedro Natalício de Castro
Secretário da Câmara
Final
Aparecida, 20 de setembro de 2008
E LEIÇÕES
2008
Publicidade
Vote com segurança
Cambé
VEREADOR
SARGENTO
13013
RANGEL
JOSY MOURA
25013
cnpj: 10.037.965/0001-02
Nessa eleição,
não jogue
seu voto fora.
Josy Moura,
é agora.
VEREADORA
DEM+PTC
40111
CNPJ 10.028.917/0001-58
25
A família que há 40
anos luta por você
na Câmara
de Aparecida
PT
Coligação: PT, PP, PRB
SOMOS DEMOCRATAS
Prefeito: Silvino
Vice: Dina
Lourenço Barbosa
Venho pedir o seu voto, aparecidense,
para que possamos lutar juntos por uma saúde
e uma educação de qualidade.
É Aparecida de cara nova!
Adilson Boi na Brasa
45000
Com Márcio prefeito
Beto Barbosa vice
Resgate da dignidade
de jovens e adolescentes
PSDB
Com a experiência
e a presidência do PTB,
Prof. Gentil confia
e apóia a candidatura do Dengue.
DEM+PTC
CNPJ: 09.938.884/0001-02
Você conhece,
você pode confiar!
Vote VEREADOR
SOMOS DEMOCRATAS
Trabalho social
Vereador
CNPJ 07.711.503/0001-14
Geração de empregos
14004
Gente igual a gente!
CNPJ 09.938.654/0001-35
João Vicente
25500
com Silvino para prefeito
Aparecida, 20 de setembro de 2008
Através das pequenas coisas,
transformamos a sociedade —
Escola de Música e Ar
tes
Artes
5
G RAFIAS
Moda "desevoluída"
Sofia Helena Arneiro Lourenço Barbosa
Olá! Estamos em 3008 tentando filmar o, talvez, último desfile de moda do
mundo. Sabem o porquê disso? Porque o
ser humano "desevoluiu".
Agora estamos aqui com a tecnologia
de câmera de olho de pterodátilo e microfone de osso tentando gravar algo.
Ainda não se sabe se... Uga, buga, ubagh...
Desculpem-me! Isso foi um sinal de minha "desevolução". Continuando... Ainda não se sabe se voltaremos a evoluir.
Agora, vamos ao nosso desfile! Na
passarela, o mais novo modelo de pele
de mamute! É ideal para o inverno e dias
gelados da Nova Era do Gelo. A próxima
modelo traz um vestido de pele de tigredente-de-sabre com colar de presas de
tiranossauro rex. É difícil conseguir o
colar e por isso ele custará umas mil escamas azuis.
O próximo modelo veste uma roupa
esportiva de pele de tricerátops com
estegossauro. Como podem ver, é ideal
para corridas de tarde ou fugas de
diplodocus. E, para encerrar, a próxima
modelo traz um jeans de pele de
brachiossauro.
Vocês devem estar querendo saber
como os dinossauros chegaram aqui para
que essas roupas fossem feitas. Bem...
Essa é outra história.
Sofia Helena tem 10 anos
e gosta de escrever histórias
[email protected]
A noite núbia...
Ruth Guimarães
A noite núbia
debruçou-se sobre nós
límpida e calma,
coroada de estrelas.
Que importa sejam os deuses mitos,
os espaços vazios
e todo sonho termine pela cruz?
Eis-nos, pois, olhando estrelas
e a ouvi-las talvez,
em seu cósmico rumor imperceptível.
Dá-me a mão e sigamos,
lá em cima, há o roteiro claro das
estrelas
e aqui a vida é como um grande rio.
A força que guia os astros
há de levar-nos
ao nada final
com ou sem
as inúteis interrogações.
A correnteza nos conduz.
Ruth Guimarães
é escritora, e ocupa a cadeira nº 22
da Academia Paulista de Letras
Marco Antônio Santos Reis
Algumas rugas do tempo, à
As reflexões, confusas,
direita do rosto marcado, inembaralhando-se num camconstantes ou volúveis, de repo prata, rindo de mim, de
pente, mudaram de lado.
outra dimensão.
O mesmo se deu com o olho
Bósons?
esquerdo, um tanto inclinado.
Estaria eu olhando para lá,
Passou para a direita.
ou de lá estaria sendo olhaNão dei-me conta de contas
do? Porque tudo assim tão
estranhas, com números invertrocado, se, trocado, contiESPELHO
tidos como escrita rúnica.
nuo tão assim?
O braço esquerdo do CrucifiAlívio, talvez, por manter,
cado me benzendo à direita.
mesmo em vista de tantos
Na camiseta não notei alteração. Bem
inversos, alguns portos onde atracar.
grande, no peito, continuou escrito
Alguns portos feitos de idéias, outros
“AMA”.Estranho a caneta na mão esde mãos, ou de corações, onde aninharquerda. Justo eu, que mal escrevo com
me em meio a tantas humanas confua direita. Canhoto? Esquisito o cabelo
sões. Tudo isso frente ao espelho. Me
penteado para a direita.
vendo do lado trocado. Sem diferença
Meu lado preferido na cama passou
alguma, nem vantagem aparente. A não
para o outro lado. A porta abriu-se ao
ser pensar que você poderia estar, tamcontrário...
bém no coração do meu lado direito.
1
Pipa
Colorida
Wilson Gorj
O SINAL anunciava o fim de mais
um dia de aulas na escola Murillo
do Amaral.
Para muitos alunos, era como se
soasse um apito de largada, tamanha
a pressa. Dentre esses, um garoto
magricela tomava a dianteira, a
fome exigindo de suas pernas o máximo de velocidade. De manhãzinha,
antes de sair de casa, a mãe havia lhe
prometido para o almoço a sua comida predileta. Panquecas! Correndo, imaginava-as no seu prato, fumegantes e cheirosas.
Estava, portanto, absorto nessa visão deliciosa, quando, ao atravessar
a avenida, não percebeu o carro vindo em sua direção.
O automóvel deu uma freada
brusca. De modo que o veículo que
vinha logo atrás não pôde evitar o
embate violento, com o que provocou um barulho não menos assustador que o estrago na traseira do carro à frente.
Caído no asfalto, o menino levantou-se assustado e, sem olhar para
trás, continuou a correr, ou melhor,
a fugir desembestadamente.
Natural que fugisse. Não queria
que aquele acidente chegasse aos ouvidos de sua mãe. O castigo seria
certo, pois falta de aviso não era. A
mãe nunca se cansava de alertá-lo
para o perigo daquela via movimentada. "Antes de atravessar a avenida,
preste muita atenção. Nunca tenha
pressa. Só passe quando não vier nenhum carro."
Ora, justamente por conta de sua
pressa e desatenção ocorrera o tal
acidente. Sendo assim, quanto mais
se distanciasse dali, melhor. Quem
sabe, se corresse bem, a notícia daquele infeliz episódio não o acompanhasse até em casa.
Dessa maneira, ia correndo, quando suas pernas afoitas, ao atingirem
a rua Sebastião dos Santos, deram
uma brecada tão forte quanto a do
automóvel que há pouco o havia arremessado de encontro ao asfalto.
Logo na primeira esquina, avistara uma velha de xale preto.
Quem era?
Sua tia!
Tão logo a reconheceu, seu cora-
ção se pôs acelerado, forçando-o a uma
nova corrida desembestada.
Enquanto corria, pensava no finado avô, de quem aquela tia solteirona
cuidara. Se ainda fosse vivo, poderia
buscar nele um pouco de cumplicidade e proteção; afinal, sempre contara
com sua amigável intercessão nas ocasiões em que a mãe ameaçava aplicarlhe umas boas chineladas.
Ah, que saudade sentia do avô! Das
tardes azuis em que passavam juntos a
empinar papagaios coloridos.
Mas daquela tia beata... Dela não
gostava nem de se lembrar. Chata,
ranzinza! Quantas vezes ela se metera
na amizade deles, proibindo o avô de
acompanhá-lo em suas brincadeiras,
sempre com a justificativa de que essas poderiam ser prejudiciais à saúde
já debilitada do "velho pai".
Saudade. Medo. Na mente apavorada do menino, lembranças e pensamentos se cruzavam, atropelavam-se.
Ao fim da sua rua, teve de se deter
pela segunda vez. A mãe acabara de sair
pelo portão de casa e vinha afobada ao
seu encontro.
Resignado, postou-se à espera das
chineladas e dos puxões de orelha. Óbvio que ela já estava a par de tudo.
No entanto, a mulher passou pelo
filho como se não o visse.
O garoto, vendo o desespero dela,
sentiu o coração apertado. Tanto que
não se importou mais com o castigo que
viria. Agora só queria abraçá-la,
consolá-la, pedir-lhe desculpa. Todavia,
não pôde levar adiante essa vontade,
visto que algo desviou sua atenção em
direção oposta. Acabara de ouvir um
assobio familiar.
Virando-se, de imediato reviu a tia a falecida tia, cuja cabeça, emoldurada
pelo xale preto, meneava-se severamente em mais um gesto de censura.
Aflito e confuso, o menino ainda escutou um segundo chamado. Voltou-se,
então, para o local exato de onde vinham aqueles assovios.
Bem ali, sentado num banco da praça Santo Antônio, um simpático velhinho lhe acenava, chamando-o para perto de si.
No céu azul, bailava uma linda pipa
colorida.
Wilson Gorj — Aparecida-SP
Primeiro colocado no XIX Concurso de Contos
“Aconteceu em Aparecida” da Biblioteca
Municipal de Aparecida-SP
[email protected]
Comemorando mais um aniversário de sua patrona,
a Biblioteca Municipal de Aparecida promoveu, na noite
de 19 de setembro, a 19ª cerimônia de premiação dos
três primeiros classificados no Concurso de Contos
“Aconteceu em Aparecida”.
Acima, os textos.
6
Aparecida, 20 de setembro de 2008
G RAFIAS
2
Encontro
em Aparecida
Walkíria Valério da Silva
Adentraram pela rampa de acesso à imagem da Padroeira. Maria dos Anjos, moída
da longa viagem de carona em um caminhão, em que trouxera uma criança de três
anos deitada ao colo, parou em frente à dona
da casa e começou a experimentar sensações diferentes. Sentia-se muito leve e com
uma inesperada paz interior. Começou a
chorar descontroladamente. Grossas lágrimas saltaram-lhe dos olhos, molhando o
vestido simples.
As crianças, que acompanhavam a jovem mulata, estranharam. O menino mais
novo, agarrado ao vestido dela, principiou
um soluço. Uma senhora que admirava a
cena de perto procurou consolar: " Sua irmã
está emocionada, filhinho. É só isso!". De
nada adiantou, pois o menino chorou ainda
mais e dirigindo-se à garota, chamou por
mainha. Pessoas ao lado estranharam. A
mesma senhora observou: "Eles são
baianos! Na Bahia eles tratam todas as
mulheres pelo nome de mainha."
O primogênito de Maria dos Anjos, vendo que a mãe não se importava com a confusão que as pessoas ao redor faziam, apenas puxou o irmão para junto de si. Apesar
de ser apenas três anos mais velho que o
outro, sabia que não podia interromper
quando alguém orava. Também estava cansado da viagem, mas o que lhe incomodava
eram os ruídos que vinham de sua barriga.
Assim que terminou as orações, Maria
dos Anjos, que nem ouvia o que se passava
ao redor, fez o sinal da cruz, secou o rosto
com as mãos e essas no vestido. Depois pegou o filho pequeno no colo e saiu da
Basílica para comprar algo para eles comerem, seguida pelo filho mais velho.
Maria dos Anjos comprou apenas duas
coxinhas e as entregou nas mãos dos filhos.
Ela não comeria nada, pois era preciso economizar para a viagem de volta para casa.
Estava habituada com a dor de fome. O que
a incomodava, freqüentemente, era a dor
de cabeça. Inacreditavelmente, neste dia,
mesmo em jejum, não sentia nada. Acreditava ser um milagre de Nossa Senhora
Aparecida. Desde que pararam em frente à
imagem sentia aquela sensação boa. Não
pôde deixar de sentir um pouco de inveja
das pessoas que moravam bem perto da
Basílica. Imaginou como seria morar ali ou
em uma cidade vizinha.
A garota de dezoito anos olhava carinhosamente os meninos. Pensava nas dificuldades que enfrentava. Naquela vida amarga
e sofrida que levavam.
O filho mais velho nascera fruto de um
acidente. Pelo menos em sua cabeça adolescente, era assim que pensava: "foi um
acidente". Ocorreu em um dia em que lava-
va a cozinha da família para a qual trabalhava. Estava sozinha com o patrão, quando este a chamou ao quarto. Nem se lembrava ao certo como tudo ocorrera. Tudo
tão rápido e repulsivo que era como se sua
mente apagasse aqueles momentos desagradáveis. Depois foi aquele tornado! Sua
tranqüila vidinha de menina se transformou totalmente. A mãe, viúva, e os três
irmãos, culpando-a e insultando-a. Tornouse a vergonha da cidadezinha do interior
da Bahia. Ela própria, na época, acreditou
ser culpada, mesmo sem entender ao certo o motivo. Não conhecia, nem ao menos
hoje, a história de que a imagem da Virgem Aparecida fora encontrada no rio
com a cabeça separada do restante do corpo, negra e com uma saliência no ventre,
para mostrar ao povo a insatisfação no céu
com os assassinos, a mando dos patrões,
de escravas grávidas de seus senhores.
Maria dos Anjos viera no percurso todo
da viagem pensando no futuro dela e de
seus filhos. Imaginou que, certamente,
quando os meninos crescessem mais um
pouco iriam abandoná-la, assim como fizera seu marido, pai do filho mais novo,
que fora trabalhar no Rio de Janeiro há
dois anos e jamais dera notícias. Durante
a viagem até pensara que seria o melhor
para eles. Já vinha até se conformando com
a idéia de ficar só e entregar as forças. Afinal, nada teria mais sentido sem eles. Por
eles que se levantava cedo e seguia sua dura
rotina. Sozinha, poderia deitar seu frágil
corpo castigado no chão e esperar sua hora.
Nada mais faria sentido.
Depois da experiência em frente à imagem de Nossa Senhora Aparecida sentia
algo diferente. Olhando as crianças, viu
que o filho menor, que já devorara sua
coxinha, recebia a metade do quase intacto
salgado do irmão. Os olhos de Maria dos
Anjos marejaram. Sabia que o filho mais
velho também estava faminto, mas mesmo assim, ele se contivera, comendo
devagarzinho para poder dividir com o
irmão caçula. A garota lembrou-se de
como muitos aconselharam sua mãe para
que abortassem o menino. Agora ali, vendo a generosidade do primogênito, Maria
dos Anjos se felicitava por ter resistido às
investidas da mãe que se livrassem dele.
Era um fruto do seu ventre! Novas esperanças inundavam-lhe a alma. Encheu-se
de ânimo e sorriu para os meninos. Tinha
a certeza de que nada mais no mundo impediria de serem felizes.
Walkíria Valéria da Silva — Guaratinguetá-SP
Segunda colocada no XIX Concurso de Contos
“Aconteceu em Aparecida” da Biblioteca
Municipal de Aparecida-SP
Aparecida, 20 de setembro de 2008
3
Os fotógrafos
de Aparecida
Lúcio Mauro Dias
Todo final de semana de movimento, a disputa entre os fotógrafos da Praça Nossa Senhora Aparecida pela
"romeirada" era intensa. E apesar de
todo empenho dos "lambe-lambe", diversas romarias que anualmente estavam na cidade viravam fregueses e
sempre usavam fotografar com o mesmo profissional. Era uma espécie de
gratidão pelo atendimento especial que
recebiam toda vez que por aqui chegavam. A romaria não tirava fotografia
nenhuma enquanto o "retratista oficial" não aparecesse por lá. Esses fotógrafos, tal como seus pseudônimos,
eram pessoas simples, com uma pronuncia informal, capazes de criar até
mesmo uma espécie de dialeto entre
eles.
A expressão "frú", por exemplo, era
quando a fotografia ficava tremida ou
fora de foco. "Velô" era quando se perdia uma chapa por ter entrado luz dentro da máquina. "Granulô", fotografia
que perdia a nitidez. Ficou uma "água",
quando a chapa não revelava. "Pé de
galinha", tipo de fungo que dava nas
lentes objetivas. Em razão disso a lente "não cortava", ou seja, não dava perfeição na fotografia.
E sem querer a arte da fotografia
acabou tendo influência nesse aspecto
lingüístico deles.
Quando surgiu a primeira máquina fotográfica houve uma revolução
mundial e quando a primeira fotografia foi feita surgiu um modo novo de
conhecimento humano que ia além do
tempo e da própria história.
A influência estrangeira da fotografia teve o seu auge quando se
infiltraram máquinas, lentes objetivas
e ampliadores com nomes complicados de serem pronunciados. Surgiu
então um amontoado de palavras que
acabaram fazendo parte do cotidiano
daquelas pessoas simples.
Certa vez a esposa de um fotógrafo
lá da praça quase abandonou o lar fazendo o cidadão ficar um tanto intrigado. Algum tempo depois ele foi
descobrir que havia pronunciado a palavra "Werlisa" enquanto dormia, o que
fez a esposa achar que o retratista tinha arranjado uma "amante". Werlisa
foi o nome de uma máquina fotográfica famosa antigamente.
Naquele tempo não existia ainda
em Aparecida o velório municipal.
Quando ocorria alguma morte era costume velar o morto na própria residência. Depois, o féretro se encaminhava
até a igreja mais próxima onde se rezava uma missa de corpo presente. O defunto era então levado para o cemitério Santa Rita.
Certa vez, uma romaria vinda de
Minas Gerais, chegou à praça procu-
rando um fotógrafo que tinha ido almoçar em casa naquela ocasião. Eram fregueses de longa data e sempre que vinham pra cá jamais deixaram de usar os
serviços dele. Procurando pelo retratista sem o encontrar, o chefe da romaria
foi perguntar para um outro sobre o paradeiro do colega:
— O senhor não ficou sabendo o que
aconteceu? O nosso amigo partiu desta
para uma outra.
— Não brinca não seu moço! Nóis
vêm tudo ano aqui pra tirá retrato cum
ele. Tem inté um fio meu que nasceu
esse ano e é a primêra veis que nóis tráis
ele aqui na Paricida do Norte.
Naquele dia, tinha falecido uma senhora muito idosa lá da Santa Rita que
teve que ser enterrada às pressas. Foi
realizada uma missa na Igreja Velha e o
caixão estava saindo bem naquela hora:
— Olha lá senhor, o coitado já está
indo para o cemitério. Deus o tenha na
sua glória infinita...
— Jesuis amado, moço, que situação triste...
— Ele era muito meu amigo. Antes
de morrer ele me disse que vocês viriam esta semana. Eu faço questão de tirar quantos retratos vocês quiserem
para ajudar a viúva nessa hora triste.
Depois de muitas chapas batidas a
romaria desceu a Monte Carmelo
entristecida com o fato ocorrido.
Alheio a tudo, estava subindo o "falecido". Ele reconheceu o chefe da romaria e foi ao seu encontro. O homem
levou o maior susto, tamanha a surpresa em ver o "morto" subindo a rua. Depois de saber de toda a história, o retratista foi "ter" com o colega. Quase saíram no braço. Mas depois da intervenção da turma do deixa disso, acabaram
mesmo é tomando umas pingas juntos
até escurecer o dia.
Hoje, esse folclore vai virando passado. A maioria dos romeiros agora traz
suas próprias máquinas fotográficas e
não têm mais aquela fidelidade com os
retratistas.
O bom da história é que nenhum
"Guardião da Santa" precisou mais
"morrer" antes da hora para que outros pudessem eternizar as imagens
dessa linda devoção à Padroeira do
Brasil.
A saudade daquela época áurea nem
mesmo a tecnologia digital irá conseguir remontar e revelar com tanta
maestria e precisão. E essa tecnologia
só será considerada um ganho incontestável para a história da fotografia se souber desenvolver também um dom de
preservar a memória dessa arte.
Lúcio Mauro Dias — Aparecida-SP
Terceiro colocado no XIX Concurso de Contos
“Aconteceu em Aparecida” da Biblioteca
Municipal de Aparecida-SP
7
R ETRATO
Ruth Guimarães
José Luiz Pasin
RUTH GUIMARÃES Botelho nasceu em
Cachoeira Paulista, no dia 13 de junho de
1920, em sítio de seu avô materno, o português José Botelho, guarda-chaves da Estrada de Ferro Central do Brasil, na rua do
Aterro, atual Carlos Pinto, situado entre as
barrancas do rio Paraíba e os trilhos da estrada de ferro. Filha de Cristino Guimarães e de Maria Botelho. Aos três anos de
idade, foi morar em uma fazenda no sul de
Minas Gerais - a Fazenda Campestre, na
localidade de Pedra Branca, atual município de Delfim Moreira, ao pé da Serra de
São João. Fez o curso primário no Grupo
Escolar Dr. Evangelista Rodrigues, em Cachoeira Paulista e o magistério na Escola
Normal Patrocínio São José, em Lorena.
Mudando-se para São Paulo, freqüentou a
Escola Normal Padre Anchieta e concluiu
seus estudos na Escola Normal de
Guaratinguetá. Aos dez anos de idade, residindo com os avós maternos, em Cachoeira Paulista, publicou seus primeiros versos nos jornais locais "A Região" e "A notícia". Retornando a São Paulo, em 1938,
ingressou no Curso de Letras Clássicas da
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras
da Universidade de São Paulo, onde foi aluna de Silveira Bueno, Antonio Soares Amora, Fidelino de Figueiredo, Roger Bastide e
outros mestres de renome internacional.
Freqüentou a Escola de Arte Dramática, de
Alfredo Mesquita. Foi aluna e discípula de
Mário de Andrade, que a iniciou nos estudos de folclore e literatura popular. Trabalhou para diversas editoras como revisora
e tradutora e escreveu crônicas, artigos e
crítica literária para jornais e revistas de
São Paulo, Rio de Janeiro e Lisboa: Correio
Paulistano, a Gazeta, Diário de São Paulo,
Folha da Manhã, publicando contos no
Suplemento Literário do jornal O Estado
de São Paulo e crônicas semanais para o
jornal Folha de São Paulo. Repórter das
revistas Noite Ilustrada, Carioca, Globo,
Semana Ilustrada, Senhora, Quatro Rodas, Realidade, Atualidades Literárias e
Revista Lusitana (Portugal). Em 1946,
lançou, pela Editora da Livraria Globo,
seu primeiro livro Água Funda, romance
que retrata o universo rural e caipira do
Vale do Paraíba paulista e mineiro, nas
vertentes da Serra da Mantiqueira, sucesso de público e de crítica.
M EMÓRIA
Seu segundo livro Filhos do Medo, ampla pesquisa folclórica sobre o diabo e todas as manifestações demoníacas no imaginário do homem valeparaibano, valeulhe um verbete na "Enciclopedie Française
de la Plêiade", sendo Ruth Guimarães a
única escritora latino-americana a receber
esta distinção.
Lecionou em colégios e faculdades:
francês na Aliança Francesa de São Paulo,
grego na Universidade de Taubaté, Folclore na Faculdade de Música Santa Cecília de Pindamonhangaba, Psicologia da
Arte e Literatura Latina nas Faculdades
Integradas Tereza D'Ávila, em Lorena, Literatura Brasileira e Portuguesa na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de
Cruzeiro. Há trinta anos vem pesquisando
as ervas e raízes medicinais, preparando
uma enciclopédia em doze volumes sobre medicina natural, a ser lançada pela
Edart Editora.
Fundou a Academia Cachoeirense de
Letras, o Museu de Folclore Valdomiro
Silveira e a Guarda Mirim de Cachoeira
Paulista. Participou ativamente do I Congresso Brasileiro de Folclore, da Sociedade Paulista de Escritores, do Centro de Pesquisas Folclóricas "Mário de Andrade", da
Comissão Estadual de Folclore, dos Festivais de Folclore de Olímpia, sendo membro do Instituto de Estudos Valeparaibanos
e da União Brasileira de Escritores.
Em 1989, recebeu o prêmio "Eugênia
Sereno".
Além de mais de quarenta livros publicados, incluindo biografias, antologias e traduções do latim, do espanhol,
do francês e do italiano, Ruth Guimarães participou da montagem da peça
"Romaria", dirigida por Miroel Silveira,
com músicas de Almir Sater e Renato
Teixeira. O Grupo de Teatro do SESC de
São Paulo encenou a peça de sua autoria
"A pensão de Dona Branca".
Reside atualmente em Cachoeira
Paulista, no sítio herdado de seu avô materno, onde cuida das suas plantas, cachorros, galinhas e patos, pesquisa e escreve seus
livros, contos e crônicas, recebe os amigos, alunos e admiradores para a prosa
gostosa e hospitaleira. Terminou a mais
completa pesquisa sobre Pedro
Malazartes, o herói mitológico popular e
está escrevendo um novo romance
intitulado O Livro da Bruxa.
Casada com seu primo, o fotógrafo e
jornalista José Botelho Neto, amigo e
companheiro de jornadas e pesquisas, tiveram nove filhos: Marta, Rubem, Antônio José, Joaquim Maria, Judá, Marcos,
Rovana, Olavo e Júnia: poetas, jornalistas, professores.
Segundo seu filho Joaquim Maria Guimarães Botelho, "Ruth Guimarães vive dizendo que quer arranjar tempo para se dedicar à bruxaria... Ruth vive sem tempo,
mas já é uma bruxa - a bruxa boa que o
folclore valeparaibano representa nas suas
histórias como a simpática velhinha que
ensina o caminho às perdidas, que destrói
com artimanhas geniais os monstros para
deixar passar os príncipes que vão, por sua
vez, salvar as princesas transformadas em
rãs e as donzelas amaldiçoadas pelas feiticeiras malvadas.
É assim que Ruth quer continuar vivendo neste Vale do Paraíba que ela conta e
reconta nos seus escritos deliciosos,
pesquisados com o carinho de quem garimpa brilhantes.
Na sua calma de cachoeirense, Ruth
vem abrindo a alma há 76 anos, para ser o
relicário vivo das informações e da cultura
valeparaibanas..."
Texto originalmente publicado em 1996.
Joaquim Maria Guimarães Botelho
O Vale do Paraíba em forma de pepitas
DEM+PTC
SOMOS DEMOCRATAS
CNPJ 09.938.654/0001-35
RUTH GUIMARÃES vive dizendo que quer arranjar tempo para se dedicar à bruxaria. Ela é uma
bruxa assumida, daquelas que cozinham poções encantadas em caldeirões de ferro e panelas de pedra,
que curam doenças com mezinhas, tinturas e extratos de ervas medicinais, das que arranjam situações
ruins com simpatias, rezas fortes, palavras mágicas.
Ruth vive sem tempo, mas já é uma bruxa - a bruxa
boa que o folclore valeparaibano representa nas suas
histórias como a simpática velhinha que ensina o
caminho às perdidas, que destrói com artimanhas
A mulhr está sempre presente
na família, no trabalho, na comunidade.
Vamos estar presentes, também,
na vida pública.
Edna Torres
25780
com Silvino para prefeito
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geniais os monstros para deixar passar os príncipes
que vão, por sua vez, salvar as princesas transformadas em rãs e as donzelas amaldiçoadas pelas feiticeiras
malvadas.
É assim que Ruth quer continuar vivendo neste
Vale do Paraíba que ela conta e reconta nos seus
escritos deliciosos, pesquisados com o carinho de
quem garimpa brilhantes. Na sua calma de
cachoeirense, Ruth vem abrindo a alma há 71 anos,
para ser o relicário vivo das informações e da cultura
valeparaibanas.
Ruth é simples como a sua gente. Humilde como
suas histórias. Sábia como seus avós. Tem o dom do
magistério e o pratica pelo exemplo, pelo comportamento, pela força de caráter. Foi menina moleque, de
nadar em represa, enforcar aulas para ler romances,
fazer traquinagens com os animais, correr, brincar,
ser. Foi chefe de família muito moça, cuidando de
três irmãos mais novos, mourejando o sustento de
todos na São Paulo dos anos quarenta, acumulando
dois e três trabalhos com o curso de Letras Clássicas
da Universidade de São Paulo e um aprendizado de
literatura com mestres como Mário de Andrade,
Monteiro Lobato, Amadeu Amaral. Cedo escreveu
seu primeiro romance: "Água Funda", um relato
mais-que-perfeito do tipo popular valeparaibano.
Guimarães Rosa lhe dedicou, depois de ler "Água
Funda", em manuscrito bilhete, o apelido de parenta
minha. Foi cronista do jornal "Folha de São Paulo",
intercalando a coluna com Cecília Meirelles, Carlos
Heitor Cony e Padre Vasconcelos. Comentou literatura no Rodapé Literário do jornal "O Estado de São
Paulo". Biografou personalidades como Cristo,
Lesseps, Valdomiro Silveira e Buda. Estréia a Editora
Cultrix com trabalhos de fôlego como o "Dicionário
de Mitologia Grega", "As mães na Lenda e na História", "Líderes Religiosos", "Lendas e Fábulas do Brasil" e dezenas de outros. São mais de 40 trabalhos de
pesquisa, pedaços de amor cada um deles. Traduções
são muitas, do francês, espanhol, italiano, grego e
latim. É de sua lavra a belíssima versão do "Asno de
Ouro", de Apuleio. Ruth não pára. Dorme quatro
horas por noite e lê o que pode, tudo o que pode, o
mais que pode. Tem um livro rascunhado, outro em
produção e um terceiro na cabeça. Tem sido assim
nos últimos cinqüenta anos. Que os digam seus
milhares de alunos, que guardam dela ensinamentos
de arte, de cultura, de vida. Ruth tem a qualidade
singular de não passar despercebida. Ninguém consegue ficar indiferente ao seu jeito calmo e seguro.
Muito menos à sua impressionante capacidade de
trabalho. Um capinador, seu empregado, costumava
se queixar dela, dizendo que ela era a pessoa que havia
inventado o trabalho.
Cada trabalho seu tem um sentido pedagógico,
exemplar, de resgate das coisas do povo. Sua melhor
pesquisa, que chamou de "Filhos do Medo", recupera todas as manifestações desse gigante da alma, no
dizer de Mira y López. Gnomos, duendes, assombrações, sacis, mulas-sem-cabeça, diabos e demônios,
envolvidos nas mais diversas e arrepiantes situações
que o povo se encarrega de fazer perdurar na memória dos descendentes pelo reconto, pela tradição
oral. Mestre Ruth é especialista em escrever como
quem fala ao filho ou ao amigo, de forma singela e clara e simples e objetiva. E linda. E sábia.
Seu jeito fácil de contar a maior das complexidades dá sabor de descoberta à leitura. Ela explica e
a gente entende, como bem deve ser o repassar
de informações. Neste ponto ela tangencia o
jornalismo, e a ele presta inestimável serviço,
completando aspectos que a notícia não apura.
Aprendizado de muitas reportagens para a "Revista do Globo", "Quatro Rodas", jornal
"Valeparaibano" e "Revista Realidade".
E, pois, se a palavra como signo lingüístico
é arbitrária, a imagem tem por vezes que ser
buscada para conotar a informação. E Ruth encontrou no primo José o parceiro e cúmplice
para o trabalho de duas vidas. Casaram-se. Tiveram nove filhos. Mas continuam entregando à
vida novos rebentos de criação, na forma de re-
portagens, pesquisas folclóricas, exposições, livros, aulas. São professores, os dois. São garimpeiros de brilhantes. José desenha com a luz,
em preto e branco, e fotografa as belezas das
gentes e das coisas das gentes. O casal revisita a
dialética de texto e imagem de Roland Barthes,
nessa parceria. E prossegue Amadeu Amaral,
recupera Valdomiro Silveira, revive Mário de
Andrade e resgata Guimarães Rosa.
Neste registro do cotidiano de alguns lugares do Vale do Paraíba, as leréias dos morros e
das serras, o clima dos mercados, o rosto das
pessoas, as mãos dos artesãos, os trabalhadores,
os lugares e seus ocupantes. Ruth e José, meus
pais, bruxos, amados, nos remetem à singeleza
do que verdadeiramente é importante. Mais não
lhes poderemos pedir.
O autor é jornalista e filho de Ruth Guimarães
Originalmente publicado em
Crônicas Valeparaibanas.
São Paulo, Centro Educacional Objetivo /
Fundação Nacional do Tropeirismo, 1992.
Aparecida, 20 de setembro de 2008
D ROPS
H ISTÓRIA
Trezentos da Ponte do Sá
HÁ 80 ANOS, o semanário A Liberdade estampava, em primeira página, um
artigo intitulado "Abaixo a escravidão!".
Nele, o colunista recorre a um episódio
ocorrido no início da República - que tem
suas origens no final do terceiro quartel
do século XIX - para repetir o chamamento público pela emancipação de Aparecida
do jugo guaratinguetaense que insistia em
manter a canga sobre seus ombros.
Assinado sob o pseudônimo "o velho
apparecidense", é provável que o seu autor seja o Cônego Antônio Marques
Henriques, considerando o grau de
engajamento do mesmo no movimento, o
adjetivo utilizado na assinatura, o estilo
lacônico e obstinado no escrever, e a sua
forte ligação com Pedro Salgado, então
diretor-gerente do jornal.
É difícil saber com que fidelidade os
fatos são relatados, visto que os redatores
do periódico estavam de tal modo entranhados em seus propósitos que alguma
distorção não pode ser desconsiderada.
Propositalmente ou não, entretanto,
fato é que a idéia de 300 aparecidenses
contra 6.000 guaratinguetaenses remete
ao heroísmo do rei espartano Leônidas e
seus trezentos soldados no épico combate às tropas persas, comandadas pelo rei
Xerxes, no desfiladeiro das Termópilas,
em 480 a.C.
A narrativa histórica - apesar de ser
consenso entre os historiadores que os números apresentados por Heródoto são
exagerados - fala de uma superioridade
numérica descomunal a favor do exército persa. Eram cerca de duas a três centenas de milhares de persas contra trezentos espartanos. Xerxes, em tom de ultimato, chegou a enviar mensagem a
Leônidas dizendo que as flechas de seu
exército tapariam o Sol. "Melhor, pois se
os Medos taparem o Sol, combateremos à
sombra", respondeu Leônidas. Diante da
inevitabilidade do confronto, os
espartanos, em respeito á Constituição de
Licurgo (que declarava ser a deserção a
suprema desonra para um espartano), resistiram alguns poucos dias, mas o massacre foi inevitável.
Felizmente, o contrário aconteceu na
ponte do ribeirão do Sá, escolha típica de
estratégia militar. A intimidação foi o bastante para evitar qualquer confronto na
Aparecida do início da República. As contendas continuariam em outros planos, é
bem verdade, mas a imagem de Nossa Senhora Aparecida, definitivamente, não
mais foi dividida com Guaratinguetá.
SOBRE O TEMPO
O tempo é a imagem móvel da eternidade imóvel.
Platão
O tempo é o mais sábio dos conselheiros.
Plutarco
As quatro coisas que não voltam para
trás: a pedra atirada, a palavra dita, a
ocasião perdida e o tempo passado.
Autor desconhecido
A vida já é curta e nós a encurtamos
ainda mais desperdiçando o tempo.
Victor Hugo
O tempo que você gosta de perder
não é tempo perdido.
Bertrand Russell
O melhor profeta do futuro é o passado.
Lord Byron
Matamos o tempo - o tempo nos enterra.
Machado de Assis
Haja Hoje para tanto Ontem.
Paulo Leminski
O tempo que se passa rindo é um
tempo que se passa com os deuses.
Provérbio chinês
Pode-se enganar a todos por algum
tempo. Pode-se enganar alguns por
todo o tempo. Mas não se pode enganar a todos todo o tempo.
Autor desconhecido
A Liber
dade
Liberdade
Orgam propugnador dos interesses locaes
Redacção - junto à Luz d'Apparecida
Director-Gerente - Pedro Salgado
Anno V - Apparecida do Norte, 19 de agosto de 1928 - n. 208
Abaixo a escravidão!
É tempo de levantar este grito. Os dias
vão passando; as horas vão correndo; os
congressistas estão reunidos e nem uma
estrella brilha na noite escura da escravidão d'Apparecida annunciando a nossa liberdade.
Não posso adivinhar.
A minha mente de velho, já embaçada, não pode descobrir a razão porque,
em um país com 40 annos de liberdade,
se conserva ainda um povo amarrado ao
poste da ignomínia.
E é por isso que vou continuar as apreciações que vinha fazendo sobre a pressão que sempre se fazia contra o povo
d'Apparecida.
Estávamos no ano de 1879, sendo vigário de Guaratinguetá, o Cônego Miguel
Martins.
Este reunido aos chefões d'aquella cidade a pretexto de obedecerem à devoção
do povo, dirigiram uma petição ao bispo
de São Paulo para que lhes concedesse licença de levarem a imagem de Nossa Senhora afim de assistir lá às Novenas de
todo o Mez de Maria.
Com a licença, que lhes foi concedida, o Vigário, todos os annos, no primeiro
domingo de Abril já convidava o povo
para vir no dia seguinte buscar a Imagem
de Nossa Senhora, que lá ficava durante
quatro e cinco mezes.
Os romeiros carregados de família, e
muitas vezes sem recursos, chegavam cá
e, não encontrando a Imagem, voltavam
logo, sem ver a Santa, reclamando contra
o logro que tomavam. À vista de tantos
clamores, os habitantes dÁpparecida, enviaram uma representação ao Bispo,
Aparecida, 20 de setembro de 2008
allegando que os romeiros vinham de longes terras e tinham de voltar sem verem a
Santa Imagem.
Porém o Bispo respondeu que não podia attender, porque se tratava de uma devoção do povo de Guaratinguetá.
Os reclamantes ficaram quietos, e as
coisas continuaram até que, passado tempos, o vigário Miguel Martins foi expulso
da parochia e nomeado em seo logar o
Cônego Benedicto Teixeira, que continuou
com a mesma expeculação de seu
antecessor.
Logo que foi proclamada a Republica, os reclamantes d'Apparecida pediram ao Presidente do Estado que interviesse a favor dos romeiros para que
a Santa Imagem não fosse mais para
Guaratinguetá, mas elle respondeu que
nada podia fazer porque a Igreja estava
separada do Estado.
Passado algum tempo, Deodoro da
Fonseca, presidente da República,
depôz os presidentes dos Estados e nomeou para S. Paulo o Dr. Américo
Brasiliense, que nomeou delegado de
Polícia em Guaratinguetá o Dr. Lycurgo
de Castro Santos.
No anno seguinte, no primeiro domingo de Abril, estando eu na quitanda, porque n'esse tempo não havia mercado, chegou o povo que vinha da Egreja e convidava a todos que se apromptassem para virem buscar a Santa na manhã do dia seguinte, porque o vigário os tinha convidado para isso.
Montei logo a cavallo e vim à disparada contar aos amigos tudo quanto em
Guaratinguetá se planejava.
Como respeitávamos a lei e as autoridades, fomos contar ao Delegado tudo
quanto se passava, fazendo-lhe ver os pedidos que já tínhamos feito sem que nenhum fosse attendido.
Então o Dr. Lycurgo nos respondeu que
não passava de uma expeculação o que se
estava passando com a imagem.
Si fosse devoção viriam cumprir os
votos na sua Igreja, e por isso que procedêssemos como entendêssemos.
Voltando de lá, reunimos umas 300
pessoas e fomos para a ponte do Sá na 2.
feira. Ali, armados de cacete, fizemos voltar umas 6.000 pessoas, que vinham dispostas a levarem a Santa.
O Cônego Benedicto Teixeira chegando a Guaratinguetá passou ao Bispo um
longo telegramma, fazendo-lhe ver o ocorrido e pedindo providencias. D. Lino por
sua vez telegraphou ao Delegado perguntando como é que uma authoridade consentia taes abusos? A isso respondeu o Dr.
Lycurgo que abusos estava elle, bispo, praticando há muitos annos, pois o que se
estava passando com a imagem não era
mais do que uma expeculação comercial
e nada mais. Que a Republica separou a
Egreja do Estado, mas não admitte comerciar com a capa da Religião, e tudo quanto fosse de justiça havia de fazer-se ou por
bem ou por mal. Foi isto o que fez o povo
d'Apparecida.
Não conseguia por bem, lançou mão
da força.
O bispo novamente respondeu que serenassem os ânimos; que a Santa não
sahiria mais de sua Igreja sem consentimento do Papa.
E assim ficou até hoje.
Sirva isto ao menos de exemplo e
encorajamento à mocidade d'Apparecida
para a sua libertação.
E assim sendo, levantem um grito tão
alto, q' o seu ecco percorrendo as quebradas da serra da Mantiqueira ainda
reproduza ao longe:
Viva a nossa liberdade!
O velho apparecidense.
Tudo tem o seu tempo determinado
e há tempo para todo propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e
tempo de morrer; tempo de chorar e
tempo de rir; tempo de abraçar e tempo de afastar-se; tempo de amar e
tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz.
Eclesiastes
O presente é a sombra que se move
separando o ontem do amanhã. Nela
repousa a esperança.
Frank Lloyd Wright
Os dias talvez sejam iguais para um
relógio, mas não para um homem.
Marcel Proust
Todos os relógios da cidade / Começam a girar e a tocar / Mas não deixe / O tempo te enganar / Pois o
tempo / Não há quem conquiste /
Em angústias e preocupações / A
vida escoa vagamente / E a todos /
O tempo há de consumir / Seja agora ou no porvir.
W.H. Auden
Muitas vezes não temos tempo para
dedicar aos amigos, mas para os
inimigos temos todo o tempo do
mundo.
Leon Uris
O homem que tem coragem de desperdiçar uma hora do seu tempo não
descobriu o valor da vida.
Charles Darwin
Há ladrões que não se castigam,
mas que nos roubam o mais precioso: o tempo.
Napoleão Bonaparte
Tempo. Coisa que acaba de deixar a
querida leitora um pouco mais velha
ao chegar ao fim desta linha.
Mario Quintana
9
E NTREVISTA
Ruth Guimarães
O Lince - Estamos na residência da escritora Ruth Guimarães, em Cachoeira PaulistaSP, para uma entrevista exclusiva para o Jornal
O Lince. Dona Ruth, muito bom-dia! Eu gostaria de começar fazendo um questionamento à
senhora que é de praxe: Como começou essa
ligação da senhora com o escrever, com a escrita, enfim, com a literatura de um modo geral?
Ruth Guimarães - Eu acho que isto
vem da minha família. Meu pai tinha uma biblioteca, então, quando eu era bem pequena,
eu já brincava com livro, já folheava livro. Quando eu estava na escolinha da roça, já lia os livros do meu pai, apesar de que ele tinha só o
Machado de Assis e outros da mesma época,
mas a gente lê o que tem, né? Lê o que pode. Li
Monteiro Lobato. Monteiro Lobato foi o meu
iniciante.
O Lince - Depois desse primeiro contato,
o que levou a senhora a buscar um curso de
Letras Clássicas, o que levou a senhora a buscar essa aproximação maior com a literatura?
Teve algum fato marcante ou esses primeiros
contatos com Machado, com Monteiro Lobato
é que foram a provocação, o estímulo bastante
para isso?
Ruth Guimarães - Eu tive mãe muito
imaginosa e gostava muito de ler romance. Em
Lorena, eu estudei no começo do ginásio em
Lorena, e em Lorena havia uma família, Di
Domênico, que alugava livros a 200 réis cada
um, por oito dias, e como minha mãe gostava
muito de romance, ela me mandava fazer uma
assinatura e trazer uns quatro ou cinco livros
pra casa. E aqueles livros corriam, mas eram
livros assim: Delly... eu nem me lembro mais
os autores... esses livrinhos pra moça, porque
era isso que minha mãe lia, e eu lia também,
mas, com a continuação de leitura, eu fui apurando a maneira de escrever, ficou fácil pra mim
escrever. A prática né! Então, tendo prática de
escrever, quando havia aula de redação na escola, a minha redação, ainda mais que eu contava com a imaginação da minha mãe que eu
herdei... eu tenho muito imaginação... então,
com essa prática de ler romance, eu fiquei com
uma facilidade muito grande de escrever e quando havia aula de redação que a professora mandava escrever historinha, mandava descrever a
sala de aula, claro que eu tinha uma provinha
ou um trabalho diferente dos outros trabalhos
por causa da minha prática. E aí as professoras
se entusiasmavam e mandavam pro jornalzinho da cidade. Chamava-se "O Cachoeirense".
Então, com dez anos, eu escrevia n'O
Cachoeirense (risos). Pena que eu não tenho,
não guardei, não me incomodei com isso pra
ver que porcarias que eu escrevia (risos).
O Lince - Para uma criança de dez anos,
com certeza, tinha muita qualidade.
Ruth Guimarães - Pois é! Porque eu
era constantemente solicitada pra escrever. Tinha um cantinho lá pra mim no jornal da cidade. E quando eu estudei em Guará, eu tinha
uns treze anos, por aí, doze ou treze anos, aí eu
escrevia pro jornal da cidade, porque eu fui aluna do professor Jerônimo de Aquino (graaande
professor!), e ele me ensinou a métrica. Olha!
Ninguém estava aprendendo métrica, só eu
(risos). A minha vida foi orientada no sentido
de escrever.
O Lince - Então, obviamente que estes
contatos desde a família até a escola, escolas...
Ruth Guimarães - A escola me aju-
dou muito... porque me tirou da minha casa.
Eu fiquei sem pai e sem mãe cedo e fiquei com
a minha avó materna. Minha avó era caipira,
mineira, contadeira de história. Veja como as
coisas vão se acomodando. Quando as coisas
têm que ser parece que tudo se encaminha
nessa direção. Então, eu fiquei contadeira de
história também, e contadeira de história tanto
falando como escrevendo. Eu sou contadeira
de história até hoje.
O Lince - E a partir daí, então, o contato
da senhora com o mundo acadêmico e, por conseqüência, o contato com a literatura universal
mais ampla, mais vasta. Como é que a senhora
avalia essa formação acadêmica na definição
dos seus rumos literários?
Ruth Guimarães - O que acontece é
que toda gente que tinha contato comigo, contato com a minha família, o divertimento era
me ensinar coisas. Cada um me ensinava aquilo que sabia e logo cedo eu peguei uma experiência grande nesse sentido e mudei a escolha
de livros, aí eu pude escolher... aí não eram
mais aqueles livros de moça, aquela literatura
pra moça que era M. Deli e outros. Eu comecei
a ler literatura mais séria. Mas literatura mesmo e não historinha.
O Lince - E a partir daí, quando que a
senhora decidiu escrever o primeiro livro, escrever a primeira obra?
Ruth Guimarães - Eu não decidi escrever um livro não, o livro se escreveu sozinho (risos) porque eu escrevi uma coisa e outra, e quando eu fui para São Paulo, fui procurar os artistas. Veja só que atrevimento! Eu
tinha dezessete anos, fui pra São Paulo, fui
trabalhar, e gostava de escrever, e fiz uma visita
a Abner Mourão do Correio Paulistano, defunto Correio Paulistano. O Abner Mourão leu o
que eu escrevi, com aquele jeitão dele, botou
os dois cotovelos em cima da mesa, da cátedra
dele, de trabalho, e falou pra mim assim: "Foi a
senhora mesmo que escreveu isso aqui?" Então aquele "mesmo" me esporiou, né? Claro
que fui eu que escrevi, e considerei como um
grande elogio: "foi a senhora mesmo que escreveu isto?" E publicou, e publicou. E isto foi
um estímulo porque eu falei: Se o grande Abner
Mourão considera bom, então tá bom, então tá
bom, então eu vou escrever, e continuei escrevendo.
O Lince - A gente vê também em todo o
trabalho da senhora um grande apreço pelas
traduções, especialmente Dostoiévski,...
Ruth Guimarães - ... eu ganhava o
extra fazendo tradução do francês. Dostoiévski
eu fiz do francês, de segunda mão... fiz Balzac,
fiz Prosper Mérimée, fiz Oscar Wilde, fiz uma
porção de traduções. Traduzi do italiano, traduzi do espanhol,...
O Lince - E desse contato com originais
ou traduções a partir textos de "segunda mão",
a senhora foi costurando, alinhavando a sua
própria forma de...
Ruth Guimarães - Muito mais fora da
USP do que dentro. Muito mais. O Diaulas, da
Cultrix, ele dizia pra mim assim: "Você que
devia me pagar pra fazer a tradução para a editora, porque o que você está aprendendo aqui
você não aprendia em nenhuma escola do mundo". Pois é!
O Lince - E dessas traduções, desse trabalho fora da universidade, somado ao traba-
Entrevista gravada em 29.08.08,
na residência da autora, em Cachoeira Paulista - SP
lho acadêmico, como a senhora definiria suas
maiores influências literárias? Quais são os autores da sua predileção, quais são os autores
que mais influenciam sua obra?
Ruth Guimarães - Bom, o que eu admiro mais e com quem eu concordo no total é
Machado de Assis... Machado de Assis... não
tem outro pra ele. Eu gosto do Mário de
Andrade, por exemplo; gosto muito do Guilherme de Almeida, apesar de que eu não o
considero um grande poeta, é um grande escritor de versos (risos)... tem uma grande música
e uma grande beleza também, mas é pouco
profundo, né? Ele é mais no ritmo do sambinha (risos).
O Lince - Há poucos dias, saiu na Folha
de São Paulo, um artigo remetendo a uma pesquisa de um professor de uma universidade do
Rio Grande do Sul comparando Machado de
Assis e Borges e fazendo críticas bastante pesadas ao modernismo, a Mário de Andrade, a
Osvald. Como é que a senhora vê os escritores
modernistas no Brasil?
Ruth Guimarães - São muito bons...
mas são muito bons. O maior de todos é o
Mário. Eu fui aluna do Mário! Porque, quando
eu escrevi Os Filhos do Medo... eu estava escrevendo Os Filhos do Medo e não tinha pra
quem mostrar... e não tinha uma pessoa que
me dissesse... que me dissesse alguma coisa,
que fizesse alguma crítica contundente, uma
crítica que fosse fundo do que eu estava escrevendo. Escrevi e não sabia se aquilo tava... se
era bem assim ou se não era. Aí eu procurei o
Mário e tive várias sessões com ele, ele se interessou muito, ele era uma criatura sempre disponível pra gente... e fez umas críticas dolorosas, mandou cortar, mandou jogar fora... (risos). E depois ele disse pro Fernando Góes que
era jornalista e era amigo comum, dele e meu:
"Sabe aquela menina", porque eu tava com vinte anos ou menos, e ele falou: "Aquela menina
sabe, oh Góes, ela reagiu à altura". Isto, na fala
do Mário de Andrade, foi um estímulo pra mim,
foi um empurrão pra cima, e daí que eu fiquei
mesmo pesquisadora e estudando folclore, sociologia. Fiz sociologia com o Bastidinho e curso pós na USP. Porque, sabe, eu tenho essa
idéia de que quando a gente faz uma coisa, ou
faz bem feito ou não faz. História de ligar
Internet aí, e copiar, não dá certo. A gente dar
opinião sem estar com uma base boa, também,
é até um pecado.
O Lince - Temerário.
Ruth Guimarães - Temerário. Então,
o que eu faço, eu faço bem feito, o mais bem
feito possível. Quando foi pra escrever os livros religiosos, que eu escrevi para a Cultrix
também, eu levei dois anos fazendo Teogonia,
pra depois pegar o livro e escrever, que era pra
dar uma súmula, um apanhado da religião ou
de cada religião direito né, o que era. Então
sabia o que era Pentecostes, o que é
transubstanciação, o que é que faz a diferença
entre o evangélico e o católico, mas não diferença de fé, diferença de conhecimento, por
que a religião católica se apóia em Cristo sem
discutir se Cristo existe ou não existe, ou existiu como homem ou existiu como Deus, mas a
filosofia da religião.
O Lince - E como é que nesse evoluir da
escritora Ruth Guimarães, como é que a senhora, didaticamente, colocaria as fases pelas quais
a senhora passou. Que temário, que temática
que, de certa maneira, foi conduzindo a senhora ao longo dessa carreira de escritora... dessa
vida de escritora? O início, como foi? Que preocupações conduziam a senhora?
Ruth Guimarães - Eu tinha umas idéias a respeito da linguagem. Eu sempre gostei
muito de discutir a linguagem dos autores.
Então, eu via, por exemplo, Lima Barreto, um
grande escritor, tem muitas idéias, ia fundo
nos pensamentos dele, mas uma linguagem
horrível... quer dizer, não era uma linguagem
horrível não. Era uma linguagem muito boa,
mas sem aquele aval do escritor que sabe escrever. Pegar Jorge Amado... Jorge Amado comove as pessoas, tem uma linguagem bonita... ele
dá adjetivação... ele é um narrador muito bom...
ele é um descritivo também muito bom, mas
não sabe escrever. Então, ele prejudicou a perenidade dos livros dele. Daqui a cinqüenta anos,
quem vai ler Jorge Amado? E assim: esta leviandade de fazer o que não sabe. E aí eu resolvi
escrever sabendo o que eu estava fazendo,
mesmo se não fosse o escritor aquela criatura
de idéias, pelo menos a língua...
O Lince - A forma...
Ruth Guimarães - Isso mesmo, a forma. Por isso que eu entrei na USP, na seção de
Letras Clássicas, para aprender latim, grego e
português, três línguas mortas (risos).
O Lince - Desta primeira preocupação
com a linguagem, com a adequação com a forma...
Ruth Guimarães - Então, eu queria
escrever como se falava, mas não escrever como
se falava à maneira do Guimarães Rosa. Briguei muito com o Guimarães Rosa, imagine
que atrevimento! Mas eu dizia: "Guima, você
não tem direito de cunhar palavras, de criar
palavras, a palavra só existe se tiver um povo
que fale, a palavra é povo. E você põe aí, por
exemplo, o mato aeiouava. Muito bonita a palavra, muito engraçada também, mas não vale
nada, quem vai falar essa palavra daqui pra frente? Só você. Nos seus livros, daqui a não sei
quantos anos, esta palavra que está aqui não
existe".
O Lince - Acaba gerando um hermetismo...
Ruth Guimarães - É. E ele tem muitas
assim desse tipo.
O Lince - A senhora acha que isso tornaria, então, a obra anacrônica, dentro de sua
própria época?
Ruth Guimarães - Não, anacrônica
não! Defunta. (risos) Palavra que não é de povo,
é palavra morta. Esta história de ter uma língua universal. O inglês universal porque tem
um monte de gente que fala. Usar o esperanto
e aquele, o sânscrito. Ah! O que é isso? Não
tem povo que fale, não existe O que existe é
gente. Então, esse o meu sentido, a direção da
minha escrita. E aí quando eu escrevi, eu quis
escrever numa linguagem que ninguém tinha
usado que era a linguagem valeparaibana. Qual
é o escritor que escreveu o valeparaibano? Só
eu. E eu tinha direito, primeiro, porque eu sou
povo daqui, eu sou caipira, e, segundo porque
eu tinha uma experiência grande da linguagem mais profunda, da linguagem que se usa
pra rezar, por exemplo, da linguagem que se
usa para amar, então, eu sou intérprete de uma
língua que existe, que é o valeparaibano, e eu
escrevi, em valeparaibano, e de Minas também,
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Aparecida, 20 de setembro de 2008
E NTREVISTA
porque eu vim de uma fazenda de Minas. Não
nasci lá, sou daqui de Cachoeira Paulista, mas
eu vim de uma fazenda de Minas. Escutei aquelas conversas todas lá e pus no livro com a
maior fidelidade possível, porque eu sou uma
criatura, sou caipira, mas em cima do
caipirismo, da caipirice, eu sou uma criatura
estudada, trabalhada.
O Lince - De todas as obras que a senhora
escreveu, que a senhora produziu, existe alguma
de sua predileção? Alguma obra que mais tenha
gerado encantamento, orgulho de autoria?
Ruth Guimarães - Olha, eu aprecio
todas as minhas obras e aquelas que eu não
aprecio, que eu não dou o meu aval, eu jogo
fora. Já escrevi romance de duzentas páginas e
joguei fora porque não me satisfez. E quando
acabo de escrever um livro, não é meu mais,
acabou, vai embora. Eu não tenho os meus
livros. Agora é que os meus filhos estão colecionando. (risos)
O Lince - O que a senhora tem de trabalho recente é a série Macunaíma para crianças,
é isso?
Ruth Guimarães - É a série Macunaíma
para crianças. Tem um livro que estou escrevendo, faz tempo que estou escrevendo. Chama-se: Um tal de Zé. Um romance, mas um
romance do comportamento do povo valeparaibano. Esse daí de vez em quando eu pego
e escrevo e reescrevo. E também recente são as
crônicas que estou escrevendo no Valeparaibano, toda quarta-feira escrevo uma, vou
fazer uma coleção e publicar em livro.
O Lince - E já gostaria de deixar o convite aqui para senhora. Seria uma honra, para
nós, tê-la escrevendo n'O Lince. É uma vez por
mês só, mas...(risos)
Ruth Guimarães - Me dê os tamanhos,
porque eu sou muito irregular nesta questão
de medida. Uma vez escrevo demais, outra vez
escrevo de menos. A minha imaginação não
tem medida, não tem tamanho.
O Lince - E o jornal tem o tamanho de
sua imaginação. O que achar que deve escrever,
estaremos dispostos a publicar... E gostaria de
fazer mais uma pergunta: agora, recentemente, a senhora, assumindo uma cadeira na Academia Paulista de Letras, poucos valeparaibanos
tiveram essa honra de lá estar...
Ruth Guimarães - ... Poucos e bons.
Péricles Eugênio,....
O Lince - Exatamente. Então, gostaria
de saber qual é o sentimento, o que a senhora
tem a dizer sobre esse reconhecimento de toda
uma vida e de toda uma obra e desta possibilidade de estar representando o Vale do Paraíba
na Academia Paulista de Letras?
Ruth Guimarães - E estou um pouco
Cinderela. Uma coisa que acontece uma vez na
vida, né, e quando acontece, se acontece. Foi
muito bom.
O Lince - Como é o processo de escolha
de um membro da Academia?
Ruth Guimarães - Geralmente a proposta é feita por um dos confrades, um dos
membros. Eu já tive convites antes, quando
eu era bem moça, por um acadêmico chamado
Fernando Góes. Bem mais tarde eu tive convite por outro que é o Paulo Bonfim, o poeta,
mas eu não tava pra Academia não, sabe! Porque prestígio não me tenta muito, e eu tinha a
impressão que não ia fazer grandes coisas lá na
Academia. O que que eu ia fazer lá na Academia? E também o meu estilo de vida não dava
pra Academias não. Eu tinha muito compromisso, eu tinha muita complicação na minha
vida. Trabalhava em dois empregos pra susten-
tar os meus irmãos, que eram os meus filhos
ao mesmo tempo, porque eu criei os irmãos
menores com a morte do meu pai e minha
mãe. E não dava mesmo! Não dava tempo, não
tinha tempo, não tinha maneira de conciliar as
coisas e freqüentar a Academia, nem pensar,
nem pensar. Agora eu trabalho bastante também, mas estou aposentada, chefio um Departamento de Cultura do município de Cruzeiro,
sou funcionária pública de carteirinha (risos)
Trabalho muito, trabalho muito! E este lugar
na Academia, eu consegui porque eu sou muito trabalhadeira. Eu tenho uma religião que é
mais ou menos a religião de São Paulo, São
Paulo, o santo, e não São Paulo, o estado. O
São Paulo dizia assim: "Aquele que não trabalha, que não coma". Lapidar. Eu também sou
assim. Acho que aquele que não trabalha, que
não coma. Se no Brasil se trabalhasse mais, se
fizesse a religião do trabalho, estava em muito
melhores condições.
O Lince - Meu avô também tinha uma
frase lapidar neste sentido. Ele dizia: "Quem
não trabalha, não merece o prato que come".
Ruth Guimarães - É a mesma coisa.
Exatamente. Então, eu sempre trabalhei muito e sempre procurei trabalhar certo. Então, se
eu tenho algum merecimento, eu devo ao trabalho.
O Lince - Existe alguma influência Durkheimiana, positivista, nesta visão, nesta religião do trabalho?
Ruth Guimarães - Não. A minha é a
sabedoria popular (risos). A minha é a sabedoria do caipira.
O Lince - E falando um pouco em sabedoria do caipira. E essa ligação da senhora com
o folclore, esse desejo de escrever sobre essa sabedoria. Isso se traduziu numa série de obras.
Que obras são essas e o que a senhora buscou
nessas obras?
Ruth Guimarães - Eu busquei o registro. Porque nós somos um país continental, com comportamentos diferenciados em cada
uma das áreas e está tudo por fazer. Então, eu
que estou aqui e que sei, e que sinto esta
efervescência da cultura popular, achei que era
meu dever fazer o registro e fazendo o registro
eu faço o estudo. Estudei o folclore... também.
(risos)
O Lince - Falando ainda em Folclore,
nós tivemos em Aparecida uma representante
do folclore na região...
Ruth Guimarães - ... a Conceição
Borges...
O Lince - ...não, a Maria de Lourdes,
irmã dela, que foi da Comissão Nacional do
Folclore. A senhora chegou a conhecê-la? Teve
algum contato com ela?
Ruth Guimarães - Elas são primas do
meu marido. E eu fui colega do irmão delas...
como é que ele se chama? Eu me esqueci o
nome dele. Faz tanto tempo isso. Eu estudei
em São Paulo, na Escola Normal Padre
Anchieta, em 1935. Em 35, eu estava, em São
Paulo, estudando. Então, eu andava...
O Lince - Teve que se virar muito cedo...
Ruth Guimarães - Eu tive que me virar muito cedo e não tinha muito apego assim
a lugar nenhum não. Eu morava na casa do
meu avô, aqui mesmo em Cachoeira Paulista,
mas se fosse para ir fazer algum curso, alguma
coisa em algum lugar, e o meu avô, não sei por
que, ele tinha predileção por mim. Eu era a
neta da predileção dele e, tudo o que eu queria
fazer, ele permitia e eu quis estudar em São
Paulo, ele deixou (risos)... Fui eu pra São Paulo (risos).
O Lince - Ainda bem que deixou!
Ruth Guimarães - Ainda bem que deixou. (risos)
O Lince - Pois bem! E a questão do demônio do subconsciente das pessoas. Como é
que a senhora vê esta questão?
Ruth Guimarães - O problema estava
no meu subconsciente. Eu morava numa fazenda... casarão... uma imensidade... tinha vinte
e seis cômodos a casa. Um dos cômodos era
um salão que dava para se fazer baile. Se faziam
bailes lá na minha casa, e a minha mãe tomava
conta lá da fazenda, morava lá meu pai também. Tinha quatro empregadas para poder gerir a fazenda. Tinha a cozinheira, a copeira, a
arrumadeira,...
O Lince - E a faxineira?
Ruth Guimarães - Não, não, não era a
faxineira. A faxineira vinha de fora. Não morava lá. E a outra era a lavadeira. A lavadeira se
desdobrava em duas: era a lavadeira e a filha.
Então, ia uma vez por semana, e uma vez por
semana em casa se fazia uma espécie de mutirão
para fazer doce. Então, se fazia doce em calda e
doce em cacheta. E, nestes dias de descascar
marmelo, descascar pêssego, figo... era dia de
contar história. E o pessoal contava história de
arrepiar.
O Lince - Na beira do tacho.
Ruth Guimarães - Não. Descascando
fruta. Quando era a hora do tacho, não me
deixavam ficar na cozinha, porque era uma
mexeção de tacho. Tudo quente e gente correndo pra lá e pra cá... aquelas águas lá. Então,
eles não me deixavam ficar. Porque também eu
fui muito arteira, Nossa Senhora! "Dona Maria, tira a Ruth daqui que ela é muito arteira!"
(risos) Eles não me deixavam ficar na cozinha.
E com isto, eu me familiarizei com todo o folclore de horror, e o diabo era um personagem
importantíssimo. Era o que aparecia em tudo.
Eu sabia como é que a gente chamava o diabo,
como é que entregava a alma pra ele, como é
que tinha que rezar, como é que fazia invocação, as árvores que ele freqüentava - a figueira
brava, a peroba. Então, isto foi ficando entranhado, isto foi se fazendo lá no meu inconsciente. Eu não acreditava em Deus, nem sabia o
que era Deus, porque eu ainda não tinha tido
nem catecismo e já sabia quem era o diabo.
Então, eu tive um inconsciente moldado pelo
demônio e eu tive que escrever um livro sobre
o demônio para me ver livre dele. Só depois que
eu escrevi este livro é que o diabo deixou de me
incomodar, porque mesmo não acreditando,
porque eu não acredito, mesmo agora, a religião não conseguiu repor o diabo no lugar... a
minha religião... nem tenho religião nenhuma. Mas, o diabo ocupava um lugar muito grande e me dava ordens. Eu era apavorada... Entrar
num lugar escuro assim... Se eu lembrasse que
o diabo não gosta de escuro, não gosta de luz...
então eu tinha aqueles pavores. Quase que foi
um caso de internação.
O Lince - De psicanálise....
Ruth Guimarães - De psicanálise, não.
De psiquiatria. (risos) É. Era apavorada. E então, como eu ainda tinha, mesmo na minha
linguagem, de falar do diabo, contar a história
do diabo, estava me incomodando. Aí eu escrevi Os Filhos do Medo e me libertei. (risos)
O Lince - E economizou uma série de
consultas (risos).
Ruth Guimarães - Isso. E ficou um
bom livro, porque é muito sincero. É muito
vivo. Meu Os Filhos do Medo é muito vivo
porque eu vivi todas as coisas lá.
O Lince - Como é que a senhora vê, hoje,
essa relação das pessoas com a literatura, como
é que a senhora vê, hoje, o brasileiro como leitor?
Ruth Guimarães - Eu não vejo o brasileiro como leitor (risos). Eu não conheço nenhum brasileiro leitor (risos). Eu leio livro à
noite, mas não conheço ninguém que leia mais
de dez livros por ano.
O Lince - Que indicações a senhora faria para quem quer realmente entrar em contato com a literatura de qualidade, com a boa
literatura?
Ruth Guimarães - Que humildemente vá lendo estes livrinhos aí. Vamos ler o velho Machado, vamos ler o Mário de Andrade,
vamos ler Lima Barreto, vamos ler Eça de
Queiroz,...
O Lince - A senhora já falou aqui pra
gente sobre a importância do trabalho. Eu acredito que essa seja talvez a grande receita para
ser alguém bem-sucedido, faça o que fizer. Agora, além de muito trabalho o que a senhora
sugeriria para aqueles que queiram, não digo
se tornarem escritores, mas se aprimorarem no
processo de escrever? Existe alguma dica que a
senhora possa aproveitar da sua experiência
pessoal?
Ruth Guimarães - A gente só aprende
com os outros, né! Esta história de autodidatismo, isso aí é tudo balela porque, se a pessoa não sabe, como é que vai aprender consigo?
Só pode aprender com quem sabe. Então procurar boas escolas. A boa escola. E trabalhar lá na
escola com honestidade. Trabalhar sempre.
O Lince - A senhora também nos disse,
quando chegamos, que já conhecia o Jornal O
Lince. Agora uma questão muito pessoal, o que
a senhora tem achado do jornal?
Ruth Guimarães - Ah, muito bem feito... muito bem feito. A gente vê que por trás
d'O Lince está uma pessoa que pensa, que tem
idéias. E a pessoa só tem idéias quando tem
conhecimento. Antes de ter conhecimento, ter
idéia como? É só uma repetência, né! A pessoa
vive por procuração.
O Lince - Vou tomar isso como um elogio
e estímulo!
Ruth Guimarães - E é. É. Gostei muito, aprovei muito, e estou acostumada a ver
esses jornalecos por aí. Eu recebo muito jornal.
O Lince - E para concluir, Dona Ruth,
gostaria que a senhora ficasse à vontade para
fazer as suas considerações que, por ventura, o
entrevistador, por ignorância, deixou de perguntar e a senhora gostaria de falar.
Ruth Guimarães - Perguntou bem. Eu
falei sinceramente, falei à vontade. As perguntas foram perguntas que me deram ocasião de
confessar (risos)... E isso também é um elogio.
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O Concurso de Contos "Aconteceu
em Aparecida", organizado pela Divisão
de Cultura do Departamento de Educação de Aparecida, através da Biblioteca
Pública Municipal, premiou os vencedores de 2008 na noite de ontem. Há
dezenove anos consecutivos, o evento
comemora, no dia 19 de setembro, o
aniversário da professora e folclorista
Maria de Lourdes Borges Ribeiro,
patrona da biblioteca. Mais uma vez, o
autor de Sem Contos Longos e colunista
de O Lince, Wilson Gorj, recebeu o primeiro prêmio.
A seção Grafias desta edição publica
os três contos vencedores.
O cartunista Maurílio Reis, do jornal O
Lince, terá charge publicada em uma enciclopédia para estudantes, em 20 volumes,
com conteúdo elaborado pela Editora Moderna e distribuição feita pelo jornal O
Estado de São Paulo. O humor do desenhista constará do volume 17, dedicado à
gramática e à lingüística, e de um portal
dedicado aos assinantes. Lançada em 2005,
a enciclopédia já vendeu mais de sete milhões de exemplares na Espanha e em dez
países da América Latina. Em 2006, a coleção recebeu o The Worddidac Award, o
mais importante prêmio do mundo para
materiais educacionais e pedagógicos concedido pela Worlddidac Foundation, da
Suíça. Uma grande oportunidade para os
brasileiros conhecerem um pouco da arte
e do humor de Maurílio Reis.
Ruth Guimarães na Academia
Paulista de Letras
Festação marca a reabertura da
Estação Ferroviária de Aparecida
Na última quinta-feira, 18, a escritora
Ruth Guimarães foi recebida na Academia Paulista de Letras para assumir a cadeira número 22, outrora ocupada por
Guilherme de Almeida.
Coube ao escritor Paulo Bonfim o discurso de saudação a esta valeparaibana de
Cachoeira Paulista, 88 anos, e autora de
mais de quarenta livros.
Convidada outras duas vezes, as
atribulações de uma vida muito ativa não
permitiram a láurea em outras ocasiões.
Desde agora, porém, esta "contadeira de
histórias" - como ela mesma afirma - que
Comunidade em ação
Maurílio
Maurílio Reis
Reis
25000
registram a cultura do homem valeparaibano, tem seu nome imortalizado ao
lado de outros grandes da nossa literatura
regional, dentre eles: Almeida Nogueira
(Bananal), Carlos Rizzini (Taubaté),
Cassiano Ricardo (São José dos Campos),
César Salgado (Pindamonhangaba), Dino
Bueno (Pindamonhangaba), Gabriel Benedito Isaac Chalita (Cachoeira Paulista), J.
C. Nogueira Moutinho (Pindamonhangaba), Monteiro Lobato (Taubaté),
Péricles Eugênio da Silva Ramos (Lorena),
Plínio Salgado (São Bento do Sapucaí) e
Valdomiro Silveira (Cachoeira Paulista).
Desfile cívico comemora
a Semana da Pátria
Na noite do dia 12 de setembro, foram reabertas as portas da antiga estação
de trem de Aparecida, onde funciona a
Divisão de Cultura do Departamento de
Educação e Cultura da cidade. O prédio
da Estação, totalmente remodelado,
torna-se um importante espaço cultural, do qual a cidade carecia há anos.
Também a Casa do Artesão passou
por minucioso trabalho de reforma.
Todo o mérito seja dado às professoras
Therezinha Amaral e Jussara Chad, que
não mediram esforços em busca dos recursos necessários à obra. Uma exposição de quadros, comidas típicas e
shows variados, marcaram o evento.
Celso Alves em aniversário
de Quércia
A Avenida Monumental Papa João Paulo II foi o palco da parada cívica do Dia da
Independência, acontecida na manhã do
último dia 5 de setembro. Escolas públicas e privadas do município, grupos policiais e militares, Guarda Municipal e De-
fesa Civil, funcionários de diversos departamentos da administração municipal e
participantes de vários projetos desenvolvidos na cidade, participaram da grande
festa em comemoração aos 186 anos de
liberdade política do Brasil.
O ex-governador de São Paulo Orestes
Quércia completou o seu septuagésimo
ano de vida no último dia 18 de agosto e o
atuante vereador Celso Alves, presidente
do PMDB de Aparecida, a convite do exgovernador paulista, esteve em sua festa
de aniversário.
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