A comunicação pelas novas mídias

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A comunicação pelas novas mídias
A comunicação pelas novas mídias
José Manuel Moran
Na Internet desenvolvemos formas novas de comunicação, da escrita, da fala e da
imagem. Fundamentalmente o que fazemos hoje na Internet é escrever para fazer
registros (de idéias, notícias, sentimentos); para publicar (divulgar páginas
pessoais, serviços...) e para comunicar-nos (instantaneamente ou não). O brasileiro
gosta de falar, de comunicar-se, de relacionar-se presencial e virtualmente. É muito
ativo em listas de discussão, salas de bate papo, em programas de comunicação
instantânea, como Messenger ou o ICQ; em sites de relacionamento como o
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Orkut , em blogs, fotoblogs ou videoblogs.
Na Internet hoje sempre estamos escrevendo, “teclando”, digitando. Alternamos a
linguagem formal e a coloquial. Neste momento é mais simples escrever na
Internet, do que falar e ver outras pessoas. Estamos ainda no estágio da
predominância da escrita sobre o som e a imagem. Mas já começamos a perceber o
avanço da imagem audiovisual, do acesso rápido a músicas, vídeos e falas.
Com o avanço do acesso à banda larga, o streaming de vídeo e áudio não são
mais uma exceção, já se incorporam ao cotidiano das grandes cidades. Os jovens
“baixam” músicas e as tocam o tempo todo no seu computador ou em seus i-pods.
Acessam shows de bandas online, debates com jornalistas e famosos nos grandes
portais.
O celular seve para conversar, enviar mensagens, acessar a Internet, tirar e enviar
fotos. As tecnologias caminham na direção da integração, da instantaneidade, da
comunicação audiovisual e interativa. Acontecerá nos próximos anos em grande
escala a facilidade com que repórteres e apresentadores de televisão hoje se vêem,
falam e compartilham simultaneamente uma mesma tela a distância. No Brasil hoje
o número de celulares é maior do qeu o número de linhas telefônicas fixas.
Professores e alunos se encontrarão presencial e virtualmente, com todos os
recursos da comunicação instantânea audiovisual. Será fácil abrir salas virtuais
equipadas com acesso às imagens de professores e alunos e com ferramentas de
gestão de ensino-aprendizagem muito variadas.
Como conseqüência, escreveremos menos. Escreveremos só para guardar o que
consideremos mais importante e, mesmo assim, a escrita não acontecerá
diretamente num teclado, mas com softwares de reconhecimento de voz.
Falaremos e as mensagens ficarão imediatamente gravadas no formato impresso e
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www.orkut.com
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sonoro. Escreveremos sínteses, esquemas, frases importantes, conclusões de
pesquisa, idéias novas. O restante será falado, comunicado, intercambiado
oralmente, audiovisualmente, juntos ou interconectados.
Muitos professores aceitam a Internet porque favorece a escrita, mesmo que seja a
coloquial dos chats e blogs: os alunos exercitam sua capacidade de expressar-se.
Como as tecnologias permitirão que não precisemos escrever, teremos que
repensar formas de ensinar o aluno a aprender a escrever manual e
eletronicamente, combinadas com as tecnologias mais avançadas de
reconhecimento de voz e de comunicação instantânea audiovisual. Os educadores
mal começam a se acostumar com a Internet e ela já se está modificando e
trazendo novas soluções e novos problemas para o sempre complicado desafio de
ensinar a ler, a escrever e a pensar critica e criativamente.
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Mídias na comunicação virtual
Há um campo enorme de possibilidades de comunicação entre pessoas, grupos
pequenos e grandes na educação e na vida. Há tecnologias de comunicação
instantânea, em tempo real e tecnologias de comunicação flexível, livre, em que
cada um o faz quando o acha mais conveniente.
Mídias de comunicação em tempo real
Teleconferência
A teleconferência é uma comunicação simultânea, a distância, entre pessoas ou
grupos através de mídias eletrônicas (sons, imagens e dados). Geralmente grupos
de indivíduos se congregam em salas especialmente equipadas para teleconferência
para conversar com outros lugares.
Audioconferência
Permite a transmissão de voz via Internet ou telefone (através do uso de modem).
Alguns oferecem recursos de telas de digitação, como num chat ,onde se digitam
alguns trechos da conversa que possa ter sido truncada durante a transmissão.
Na lista abaixo, é possível encontrar inúmeros programas gratuitos e outros para
experimentação por tempo determinado, após o qual, se você quiser continuar
utilizando precisa comprar:
ƒ
Netmeeting (gratuito), em geral já vem com o pacote Windows, caso não
esteja funcionando, basta completar a instalação, seguindo as instruções
do programa.
ƒ
Audiovox: www.audiovox.com
ƒ
Vox Chat www.voxchat.com
ƒ
Hear Me: www.hearme.com
ƒ
Webphone: www.webphone.com
ƒ
Internet Phone: www.vocaltec.com
O programa mais famoso para conversa pelo telefone na Internet é o skype:
www.skype.com. Outro interessante também é o Ivoice: www.ivoice.com.
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Videoconferência
Sistema interativo de comunicação em áudio e vídeo, que permite a interatividade
em tempo real. A transmissão em geral é feita via satélite ou linhas telefônicas
discadas ou dedicadas, onde a velocidade de transmissão varia entre 128 a 384
Kps. Tanto a sala que gera a transmissão como as que a recebem possuem o
mesmo equipamento básico - câmera, monitor de TV, computador, aparelho para
compressão e descompressão de sons e imagens (CODEC), modem, microfone e
teclado de conferência.
Pode-se trabalhar ponto a ponto ou no formato multiponto, conectando em tempo
real diversas salas remotas.
Possibilita a transmissão de imagens do espaço ambiente (professor, platéia);
palestra com auxílio de material gerado em softwares de apresentações como o
Powerpoint; imagens retroprojetadas; material escrito no softboard (um tipo
especial de quadro branco ligado ao computador); disponibilização de documentos
físicos retroprojetados, ou arquivos (textos, planilhas, gráficos) arquivados no
computador.
A câmera utilizada possui um controle manual (keyboard) ou automático que segue
o palestrante por sua voz. É possível controlar a posição da câmera da sala remota,
via sala geradora; mostrando detalhes da platéia, mudando ângulos de visão.
A recepção da imagem pode ser através de TV, ou um telão, para grandes públicos.
Existe também o recurso de recebê-la individualmente em computador, desde que
se tenha o hardware, software (CODEC) e periféricos (microfone, webcam, caixas
de som) apropriados.
Nas corporações a videoconferência tem utilização ampla para reciclagem de
profissionais, discussão de projetos conjuntos entre unidades geograficamente
distantes (Petrobrás, Siemens). Na área educacional, sua utilização ainda é
modesta frente às corporações, mas é utilizada para programas de mestrado interunidades (FEA de São Paulo- Ribeirão Preto- Ceará, www.fea.usp.br); programas
de parcerias acadêmicas internacionais (Fundação Vanzolini da USP www.vanzoliniead.org.br); qualificações e defesas de tese além de reuniões administrativas.
Outros usos, especialmente nos EUA e Canadá são as "Field Trips" ou viagens
virtuais a museus, aquários, zôos, para estudantes de ensino básico, fundamental e
médio. Uma aplicação que cresce a cada dia é a tele-medicina. Através dela, podese assistir em tempo real cirurgias inéditas ou de grande porte; trabalhar em
diagnósticos conjuntos; treinar profissionais localmente com a tutoria de experts
em diversas áreas.
Para saber mais sobre videoconferência visite os sites das grandes empresas nesta
área como a Polycom http://www.polycom.com/; Cusee Me, Refletor).
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Conferências virtuais para grandes públicos (Web Conferences)
Algumas empresas ferramentas como a Placeware (www.placeware.com) , o
Centra (www.centra.com), a Macromedia Breeze
(http://www.macromedia.com/software/breeze/), aulavox entre outras,
desenvolveram plataformas de comunicação síncrona, altamente sofisticadas onde
via Internet, em tempo real e na tela de seu computador, é possível assistir
palestras, enviar e-mail com questões aos apresentadores, assistir ao vídeo da
conferência ou apresentação de slides com narração, ouvir transmissões de áudio.
Além disso há possibilidade de se consultar fontes de consulta sobre o tema do
evento e enviar um feedback através de questionário pré-formatado no site.São
verdadeiros auditórios virtuais, equivalentes a eventos como palestras presenciais.
Alguns endereços para consulta:
http://www.interwise.com; http://www.centra.com ("Symposium");
http://www.ilinc.com ("LearnLinc"); http://www.onetouch.com;
http://www.netpodium.com; http://www.communicast.net;
http://www.insynctraining.com; http://www.krm.com;
http://www.servicesoft.com; http://www.Usertech.com; http://www.vstream.com
Softwares de Groupware
São softwares desenhados para permitir a realização de reuniões virtuais com
objetivos de desenvolvimento de trabalho colaborativo. Tem como funcionalidades
o compartilhamento de agendas, elaboração de material coletivo em tempo real,
acesso à base de dados, compartilhamento de desktop, envio de arquivos,
apresentação de slides, whiteboard, tela de chat e vídeo (1 a 1) e som.
Tudo isso feito de uma maneira remota, síncrona, utilizando a Internet ou somente
telefone (via modem ou banda larga).
O exemplo gratuito e acessível deste tipo de software é o NetMeeting da
Microsoft, que não exige nenhum recurso requintado de hardware e acessórios.
Funciona mesmo se você não tiver webcam, microfone ou autofalantes.
Para saber um pouco mais visite estes links:
A Short Report on Groupware
http://ozemail.com.au/~squain/meeting_reports/GroupWare_Report.htm
Curso on line sobre Netmeeting- http://www.aprender.org.ar/aulas/avanm/
Groupware Links http://www.usabilityfirst.com/cscw.html
Página bem organizada, com os conceitos básicos de EAD, programas, incluindo
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videoconferência e Netmeeting http://www.cciencia.ufrj.br/educnet/
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Chats
Um chat pode ser definido como uma série de textos ou frases curtas em tempo
real, trocadas entre participantes, conectados simultaneamente no mesmo sistema
de computadores, usufruindo as mesmas facilidades. As interações aparecem na
tela, como linhas individuais de texto, associadas ao nome do autor.
Salas de chat em provedores de acesso e portais
Você tem a possibilidade de atualmente, dentro dos sites dos grandes provedores
de acesso e portais (UOL, ZAZ, Starmedia, AOL, Compuserve, Yahoo) abrir uma
sala particular, para a discussão de um assunto específico. Elas não são
absolutamente privadas, podendo a qualquer momento ser acessada por uma
pessoa de fora do grupo. Caso o usuário deseje, pode se engajar em alguma
discussão das salas públicas destes provedores, que separam sua audiência por
assunto e temas.
Chats Privados
Possível de serem realizados quando se utilizam programas do tipo Groupware
(Netmeeting), softwares de gerenciamento de ambientes de aprendizagem em
educação e na área organizacional (Aulanet, Blackboard, WebCT, Teleduc, Learning
Space), sites que disponibilizam este tipo de serviço ( páginas de grupos como o
Yahoo ou MSN) e Escribe, desde que cadastrado no site), ou um programa como o
ICQ.
2
O Messenger ou o ICQ são gratuitos e extremamente populares na Internet,
permitem a conversação 1 a 1 ou em grupo, onde se conectam no chat somente as
pessoas convidadas para este fim. São extremamente fáceis de se utilizar, pode-se
além do chat, enviar arquivos (documentos, imagens, sons) indicar endereços de
sites, enviar mensagens de voz e outras facilidades. Possuem também um sistema
detector de presença online de seus contatos.
Cada vez mais se percebe a utilidade dos chats para desenvolvimento de trabalhos
colaborativos e discussões focadas, juntamente com as mídias assíncronas e
eventuais discussão presencial.
Eles permitem um senso de comunicação imediata, de presença pessoal (o que se
ressente na comunicação assíncrona). Os diálogos gerados nesta forma de
comunicação, quando bem estruturados, podem ser uma boa saída para diminuir a
sensação de isolamento e a distância transacional; questões pendentes podem ser
resolvidas rapidamente e mal entendidos solucionados.
Eles são extremamente úteis nos processos de tomada de decisão, resolução de
problemas, brainstorming, criação e fortalecimento de laços sociais; mas por outro
2
ICQ - (trocadilho de I seek you, ou eu te procuro em inglês)
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lado não são adequados para atividades onde se exija tempo maior de reflexão e
elaboração de conteúdos mais complexos.
A sensação de presença social existe, já que acontecem em tempo real (há alguém
ao vivo do outro lado da tela), vivencia-se uma experiência de fluxo, onde a ação e
atenção caminham juntas; não se percebe o tempo passar e o engajamento é
profundo.
Este senso de envolvimento e engajamento é crítico na construção de uma
comunidade de aprendizagem.
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Comunicação assíncrona
E-mail
Permite a troca de mensagens e informações de uma maneira ágil e eficaz. Pela sua
simplicidade, revolucionou a Internet. Tornou-se o meio de comunicação mais
utilizado entre pessoas.
Listas de discussão
As mensagens são enviadas via e-mail para o endereço eletrônico da lista e
distribuída a todos os assinantes da mesma. Elas podem ser lidas enviadas pelos
programas regulares de correio eletrônico como o Outlook ou o Eudora.
As listas podem ser abertas, fechadas, moderadas ou não. Mesmo nas listas não
moderadas, existe a figura de um administrador responsável em controlar seu
fluxo, verificar problemas de distribuição de mensagens, descadastrar participantes
com postura inadequada ao grupo, evitar spam (mensagens não desejadas),
mensagens off topic (fora do assunto tratado), correntes, etc.
Em geral as listas de discussão tratam de assuntos mais focados, específicos que os
Newgroups (outra modalidade assíncrona de discussão).
Ë possível manter o registro do fluxo das mensagens em sites para consulta,
pesquisa, levantamento estatístico ou somente com fins de leitura na interface Web
(Escribe, Topica, e-groups ou servidores privados).
A lista eletrônica interna ajuda a criar uma conexão virtual permanente entre o
professor e os alunos, a levar informações importantes para o grupo, orientação
bibliográfica, de pesquisa, a dirimir dúvidas, a trocarmos sugestões, envio de
textos, de trabalhos.
A lista eletrônica é um novo campo de interação que se acrescenta ao que começa
na sala de aula, no contato físico e que depende dele. Se houver interação real na
sala, a lista acrescenta uma nova dimensão, mais rica. Se no presencial houver
pouca interação, provavelmente também não a haverá no virtual.
A participação em listas e fóruns de discussão permite ao usuário a interação com
os parceiros tanto no que se refere à troca de informações e discussão de cunho
teórico, quanto à resolução conjunta de problemas. Por permitir a expressão,
discussão e contraposição de idéias entre os sujeitos, é um recurso que promove a
aprendizagem e possibilita a construção do conhecimento.
“É preciso criar situações para que esse aluno estabeleça relações. Para que
estabeleça relações entre relações, que faça construções renovadas e reinvente as
noções que se pretende que ele aprenda. Só assim se alcança a compreensão de
um conhecimento”.3
3
NITZKE, J. A. CARNEIRO, M. L. F. FRANCO, S. R. K. Ambientes de
Aprendizagem Cooperativa Apoiada pelo Computador e sua Epistemologia.
In: Informática na Educação: teoria & prática. Porto Alegre: UFRGS. Programa de
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Web Fóruns
Para colocar comentários no fórum e ler as disponibilizadas por outros
participantes, basta acessar a página do fórum localizado na Internet, o processo é
totalmente feito online;o que pode ser um problema do ponto de vista de tempo,
dinheiro e velocidade de conexão. Não há necessidade de baixar as mensagens
para seu computador. Os softwares gerenciadores de fórum permitem a busca por
assunto, autor, thread, conteúdo, data.
As mensagens tendem a ser mais curtas e sintéticas em termos de discussão do
que nos e-mails, listas e newsgroups.
O professor tem um grande leque de opções metodológicas, de possibilidades de
organizar sua comunicação com os alunos, de introduzir um tema, de trabalhar com
os alunos presencial e virtualmente, de avaliá-los.
Cada docente pode encontrar sua forma mais adequada de integrar as várias
tecnologias e procedimentos metodológicos. Mas também é importante que amplie,
que aprenda a dominar as formas de comunicação interpessoal/grupal e as de
comunicação audiovisual/telemática.
Não se trata de dar receitas, porque as situações são muito diversificadas. É
importante que cada docente encontre o que lhe ajuda mais a sentir-se bem, a
comunicar-se bem, ensinar bem , ajudar os alunos a que aprendam melhor. É
importante diversificar as formas de dar aula, de realizar atividades, de avaliar.
Alguns endereços para criar grupos:
www.yahoo.com.br
www.nossogrupo.com.br
http://www.grupos.com.br
Blogs, fotologs e videologs
Os alunos preferem algumas ferramentas da Internet. Uma delas é o blog, o fotolog
e o videolog. São páginas na Internet, fáceis de desenvolver e que permitem a
participação de outras pessoas. Começou no modo texto, depois evoluiu para a
publicação de fotos, desenhos e outras imagens e atualmente está na fase do
vídeo. Professores e alunos podem gravar vídeos curtos com câmeras digitais e
disponibilizá-los como ilustração de um evento ou pesquisa.
O uso de blogs tem se difundido nas escolas por permitir o registro de forma rápida
e simples. O blog funciona como um diário no qual o usuário (aluno ou professor)
pode registrar atividades, eventos ou impressões acerca de determinado assunto.
Ao contrário do webfólio apresentado, que se refere às atividades de cada escola, o
Pós-Graduação em Informática na Educação, 2002
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blog tem sido utilizado pelas escolas parceiras também como registro de grupo,
uma vez que, compartilhado o endereço da publicação, vários usuários podem
acrescentar informações ao diário construído.4
A construção de um blog pode ser feita, por exemplo, a partir do site
www.blogger.com.br. Uma vez feito um cadastramento do usuário e definida uma
senha, ela qual pode ser compartilhada por um grupo no caso de construção letiva.
É possível inserir imagens e alterar os dados postados. Os alunos e professores
parceiros têm desenvolvido bloggers para relatar atividades, documentar eventos e
planejar desafios cooperativos. O acesso ao blog é feito diretamente no endereço
de publicação, portanto mesmo que a escola não tenha página pode fazer os
registros utilizando o acesso à Internet. A construção de um blog de forma
cooperativa também possibilita a interação entre os sujeitos e promove a troca de
idéias e a resolução de desafios de forma colaborativa.
Alguns endereços para criar blogs:
http://www.blogger.globo.com/
http://www.webblogger.com.br
http://www.blogspot.com/
http://www.blogger.com/
http://www.blogspot.com/
www.bigblogue.blogspot.com
4
Ítalo Modesto Dutra e Rosália Procasko Lacerda .Tecnologias na escola: algumas
experiências e possibilidades. Informática na Educação: teoria & prática. Porto
Alegre, V. 1 Nº 1, Fevereiro, 2003
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Sintese
A escola e as novas formas de escrita e de comunicação falada
As ferramentas de comunicação virtual até agora são predominantemente escritas,
caminhando para ser audiovisuais. Por enquanto escrevemos mensagens,
respostas, simulamos uma comunicação falada. Esses chats e fóruns permitem
contatos a distância, podem ser úteis, mas não podemos esperar que só assim
aconteça uma grande revolução, automaticamente. Depende muito do professor,
do grupo, da sua maturidade, sua motivação, do tempo disponível, da facilidade de
acesso. Alguns alunos se comunicam bem no virtual, outros não. Alguns são
rápidos na escrita e no raciocínio, outros não. Alguns tentam monopolizar as falas
(como no presencial) outros ficam só como observadores. Por isso é importante
experimentar uma nova metodologia da educação on-line, desenvolvendo
atividades, pesquisas, projetos, formas de comunicação em ambientes presenciais
e virtuais.
O brasileiro gosta de falar, de comunicar-se, de relacionar-se. Ele é muito ativo em
blogs, programas de comunicação instantânea, como Messenger, ICQ; sites de
relacionamento como o Orkut. A escola precisa aproveitar essa paixão pela
comunicação para enriquecer o seu conhecimento, o seu olhar, a sua expressão. É
fácil melhorar a escrita, quando o aluno gosta de escrever. Muitos professores, só
pensam na correção do escrever, não na força da escrita. Uma parte deles
consegue desestimular a escrita, em nome da norma culta. É importante partir de
onde o aluno está: dos blogs, chats. Valorizá-los e avançar paulatinamente na
melhoria da expressão e não simplesmente fingir que a escrita na escola começa e
se encerra ali.
A escola tem focado mais o escrever bem do que escrever com paixão, com
vida. Isso leva o aluno a escrever pensando em errar menos do que em se
expressar mais e melhor. A escrita vai ficando burocrática, correta, previsível. Mais
do que insistir na correção da redação vale a pena insistir na força da narração, da
expressão das palavras, gestos, sentimentos, idéias. Sei que linguagem correta é
importante, mas a ênfase do professor deve ser, em primeiro lugar, na linguagem
criativa, espontânea, viva, e não só nas áreas de linguagem.
Outro resultado comum à maior parte dos projetos na Internet confirma a riqueza
de interações que surgem, os contatos virtuais, as amizades, as trocas constantes
com outros colegas, tanto por parte de professores como dos alunos. Os contatos
virtuais se transformam, quando é possível, em presenciais. A comunicação afetiva,
a criação de amigos em diferentes países se transforma em um grande resultado
individual e coletivo dos projetos.
Além de incentivar a expressão oral, escrita, audiovisual, convém também
encontrar caminhos para publicar uma parte desses produtos. Se o aluno sabe que
uma parte do que ele escreve será mostrado para os colegas, será colocado numa
página WEB, ele vai sentir imediatamente a necessidade de corrigir o texto, de
fazer bonito, de escrever melhor. Publicar tem um efeito benéfico para a autoestima, para aprender a se expor, a ser apreciado e julgado. Temos que
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estar atentos a alunos mais tímidos para não expô-los desnecessariamente ao
ridículo (colegas podem ser cruéis), mas incentivá-los, quando vemos um bom
trabalho a que ele seja divulgado, como forma de atrair críticas positivas, fazendo-o
nós também como forma de compensar o medo que sentem da rejeição.
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