a copa delas - Torcedores.com

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A COPA DELAS
História dos Mundiais
Femininos de Futebol
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Prefácio – Allan Simon .......................................................................... 4
Introdução – Allan Simon ...................................................................... 6
China-1991 – Mário Fontes Jr. ............................................................... 7
Suécia-1995 – Mário Fontes Jr ............................................................. 11
EUA-1999 – Allan Simon...................................................................... 16
EUA-2003 – Felipe Chegan................................................................... 20
China-2007 – Felipe Chegan ................................................................ 22
Alemanha-2011 – Felipe Chegan ......................................................... 24
O Brasil nas Copas do Mundo – Júlia Vergueiro.................................... 26
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A Copa Delas – História dos Mundiais Femininos
Edição
Allan Simon
Textos
Allan Simon
Felipe Chegan
Júlia Vergueiro
Mário Fontes Jr.
Foto da capa: Paul Gilham/Getty Images
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A história também é delas e precisa ser contada
Autor: Allan Simon
São incontáveis os livros presentes no mercado brasileiro que
contam a história das Copas do Mundo. A cada quatro anos, eles
ganham novas edições atualizadas. A forte concorrência faz com que
a criatividade seja necessária e outros caminhos, ou o que
chamamos de enfoques, sejam buscados pelos escritores e
jornalistas.
É assim que surgem livros sobre os maiores jogos, as maiores
seleções, as camisas que foram usadas em cada partida dos mais de
80 anos de história do Mundial de futebol, as bolas, entre tantos
outros temas.
Mas o futebol feminino também tem sua parcela na história da
modalidade, uma história que precisa ser contada. A Copa do Mundo
Feminina da Fifa chega em 2015 à sétima edição de uma trajetória
que começou há 24 anos, de forma tímida, em um campeonato com
12 países disputado na China.
O Canadá receberá uma competição consolidada, sucesso de
audiência e público nos estádios em edições anteriores, que terá
simplesmente o dobro de participantes da primeira edição. Serão 24
países brigando pela taça.
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Taça, que por seis vezes esteve em jogo em campeonatos
inesquecíveis que chegaram a juntar mais de 90 mil pessoas em um
estádio para uma decisão de Copa do Mundo Feminina da Fifa. Um
recorde histórico para competições entre mulheres, algo que o
futebol conseguiu e que não pode ser esquecido.
O Torcedores.com tem um compromisso com a divulgação do futebol
feminino no Brasil. E agora, com a publicação deste e-book, o site
não apenas consolida sua proposta de jornalismo colaborativo, com
a participação de pessoas que compartilham dessa vontade de fazer
a modalidade ter o merecido espaço, mas também dá um passo
firme para a eternização da história da Copa do Mundo Feminina.
Quando resolvemos transformar este conteúdo especial, publicado
em nosso site, neste produto que agora você tem no seu
computador, tablet, celular, etc, a ideia era justamente fazer com
que cada pedacinho dessa ainda curta, mas rica história, possa
chegar ao conhecimento de mais pessoas.
Enquanto o Brasil ainda sonha com o dia em que o futebol feminino
será inteiramente profissionalizado, com condições para que as
nossas melhores jogadoras possam se desenvolver por aqui, fazendo
crescer a modalidade em nosso país, o que nos cabe é brigar por um
dia em que não precisemos bater mais na tecla de que futebol
“também é coisa de mulher”. Isso é óbvio, e assim tem que ser
percebido por todas as pessoas. Boa leitura!
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Introdução: Conheça a história da Copa Feminina
Autor: Allan Simon
Falta menos de um mês para a sétima edição da Copa do Mundo
Feminina de futebol, organizada pela Fifa desde 1991, e que neste
ano será disputada no Canadá.
O Brasil nunca venceu a competição, mas chegou perto com o vice
conquistado em 2007. As maiores vencedoras são Estados Unidos e
Alemanha, com duas conquistas cada. A seleção do Japão é a atual
campeã.
Além dessas, a seleção da Noruega é a outra vencedora, tendo
conquistado a segunda edição, em 1995, quando venceu a
Alemanha na final, por 2 a 0. Aquela Copa foi disputada na Suécia.
Da primeira edição, há 24 anos, na China, à atual, o Mundial
Feminino cresceu, se desenvolveu, mostra um futebol melhor e
mais bem disputado a cada dia.
O Torcedores.com reuniu sua equipe de colaboradores de futebol
feminino para contar a história da competição.
Confira neste e-book tudo sobre as seis Copas anteriores e a
participação do Brasil nelas. Elaboraram este conteúdo especial os
colaboradores Felipe Chegan, Júlia Vergueiro e Mário Fontes Jr, com
coordenação do repórter do Torcedores.com, Allan Simon.
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China-1991, o início de tudo
Autor: Mário Fontes Jr.
A história do torneio mundial de futebol feminino começou antes
mesmo de sua primeira edição, após iniciativa do presidente da FIFA
João Havelange. Em 1988, a entidade máxima do futebol resolveu
criar uma competição de futebol feminino, que serviria como teste
para uma possível criação de um Mundial. Realizada na China, o
“Torneio Internacional de Futebol Feminino” teve a participação de
12 seleções, entre elas Estados Unidos, Suécia e Brasil.
Com um público de 35 mil pessoas, a Noruega sagrou-se campeã
diante da Suécia. A equipe brasileira chegou na terceira colocação,
vencendo a China nos pênaltis. Com o sucesso da competição, três
anos depois, as atenções voltaram-se para a China, desta vez para a
primeira Copa do Mundo de Futebol Feminino da história.
Contando com 45 seleções nas Eliminatórias, o torneio teria a
presença de 12 seleções de 6 confederações diferentes, novamente
com o Brasil entre as equipes. A competição foi sediada em 4
cidades, tendo 6 estádios recebendo partidas do torneio.
SELEÇÃO BRASILEIRA
A equipe que foi para a China disputar o primeiro Mundial era
composta majoritariamente de atletas do Esporte Clube Radar,
equipe do Rio de Janeiro. O clube foi um dos pioneiros na prática do
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futebol feminino, e cedeu 16 atletas, das 18 convocadas. Tendo a
terceira colocação no Torneio Internacional, a equipe brasileira caiu
em um grupo difícil no Mundial, com Japão, Estados Unidos e Suécia.
Na primeira partida, diante de 14 mil pessoas em Foshan, o Brasil
venceu as japonesas pelo placar de 1 a 0, com seu único gol na
competição. Elane fez o primeiro gol da história da Seleção Brasileira
em uma Copa do Mundo Feminina. Mesmo com uma vitória no
início, as brasileiras não conseguiram se igualar ao nível de Estados
Unidos e Suécia, sendo eliminadas após perderem por 5 a 0 e 2 a 0,
respectivamente.
O TORNEIO
Iniciado no dia 16 de novembro de 1991, na cidade de Guangzhou, o
Mundial Feminino teve como sua partida de estreia pelo grupo A,
China contra Noruega. Melhor para as donas da casa, que fizeram 4 a
0 nas norueguesas e se classificaram em primeiro. Na outra partida, a
Dinamarca bateu a Nova Zelândia, que foi o saco de pancadas do
grupo. Ao final da fase de grupos, China, Noruega e Dinamarca (com
o melhor 3º lugar) avançaram para as quartas de final.
No grupo B, o do Brasil, Estados Unidos e Suécia avançaram, e a
Seleção Brasileira ficou na terceira colocação, tendo a pior campanha
entre os terceiros. As japonesas saíram da competição sem marcar
nenhum ponto, e sem marcar gols. De destaque mesmo, a vitória por
8 a 0 das suecas frente ao Japão, com boa atuação de Lena Videkull,
que marcou dois gols.
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No grupo C da competição, formado por Alemanha, Itália, Taipé
Chinesa e Nigéria, as alemãs conseguiram se sobressair, e irem para
a próxima fase como líderes, com cem por cento de aproveitamento.
Além do ótimo aproveitamento, as alemãs não tomaram nenhum
gol.
QUARTAS DE FINAL
Formadas as quartas de final, uma surpresa acabou tirando as
anfitriãs da competição. Enfrentando a Suécia, a China foi derrotada
diante de 55 mil torcedores seus pelo placar de 1 a 0, dando um
adeus precoce à competição. Nas semifinais, as suecas seriam
derrotadas pelas norueguesas pelo placar de 4 a 1. Em outro jogo
das quartas-de-final, uma avassaladora seleção americana venceu
Taipé Chinesa pelo placar de 7 a 0, com destaque para a atacante
Michelle Akers, que marcou 5 gols na partida.
SEMIFINAIS
Nas semis, as americanas iriam enfrentar a Alemanha, que havia
eliminado a Dinamarca nas quartas. Sem muitas dificuldades, a
equipe americana venceu pelo placar de 5 a 2, com boa atuação da
atacante Carin Jennings, que fez um hat-trick. Na final, a seleção dos
Estados Unidos iria encontrar a Noruega, que goleou a Suécia, e faria
no Tianhe Stadium, em Guangzhou, a primeira final da história da
Copa do Mundo de Futebol Feminino.
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A FINAL
Diante de um histórico público de 63 mil espectadores, no Tianhe
Stadium em Guangzhou, Estados Unidos e Noruega entraram em
campo na primeira final da Copa do Mundo de Futebol Feminino.
Com sucesso de público total na competição, a disputa foi grande no
jogo final.
Para a alegria das americanas, brilhou mais uma vez a estrela de
Michelle Akers, que marcou duas vezes mais na competição, o gol de
abertura e o da virada. Com o placar de 2 a 1 contra a valente
seleção norueguesa, as americanas conseguiram o primeiro título da
Copa do Mundo de Futebol Feminino, com a melhor jogadora eleita
sendo Carin Jennings, e a artilheira Michelle Akers, com 10 gols.
VIDA PÓS-FAMA
Apesar de terem conseguido um título mundial, ao chegar em seu
país, as americanas não receberiam as glórias de um campeão de
futebol masculino. Muito pelo contrário. Pouquíssimas pessoas
sabiam que aquelas atletas que desembarcavam da China haviam
conseguido um título da Copa do Mundo.
Mesmo assim, quatro anos depois a seleção do Estados Unidos
chegaria como favorita para a segunda edição do Mundial, que seria
realizada na Suécia.
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Suécia-1995, a Copa da consolidação
Autor: Mário Fontes Jr.
Quatro anos após os Estados Unidos terem se sagrado campeões da
Copa, o maior torneio de futebol feminino do mundo desembarcaria
na Suécia, com um grande clima de festa. Não somente no Estádio
Rasunda, em Estocolmo, mas também nas outras quatro sedes da
competição.
Com estádios acanhados, a Suécia viveu durante os dias 5 e 18 de
junho, um total clima de festa na competição, que iria reunir
novamente as 12 seleções mais fortes do mundo. Entre elas, estava
novamente a Seleção Brasileira, que teria basicamente a mesma
base que viajou para a China em 1991. Austrália, Canadá e Inglaterra
estrearam na competição, sendo eliminadas também na primeira
fase.
SELEÇÃO BRASILEIRA
Estreando no grupo A contra as anfitriãs, o Brasil venceu o jogo de
abertura em Helsingborg pelo placar de 1 a 0, com gol de Roseli.
Contando com a Alemanha e Japão, a Seleção Brasileira não
conseguiu mais uma vez a classificação para a próxima fase, pois
perdeu seus dois jogos seguintes para o Japão por 2 a 1, e para a
Alemanha, por 6 a 1.
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Roseli foi o destaque da seleção, marcando dois gols na competição.
Pretinha também estava no grupo, e deixou seu gol na derrota para a
equipe japonesa. Apesar de terem sido campeãs da Conmebol com
sobras, as brasileiras voltavam para casa novamente antes da fase
final, mesmo tendo vencido uma partida.
O TORNEIO
Novamente com três grupos com quatro seleções, a Copa do Mundo
teria mais um atrativo para as seleções participantes. Ela também
garantiria vaga nos Jogos Olímpicos de 1996, em Atlanta (EUA). Além
disso, o sucesso apresentado em 1991 trouxe para os estádios um
bom público, ficando com uma média de 4.316 espectadores por
partida, um bom número se levar em conta o tamanho dos estádios.
No grupo A, as suecas tiveram um susto na primeira partida, quando
perderam para o Brasil. Mesmo assim, com duas vitórias, o time
anfitrião conseguiu avançar na segunda colocação, juntamente com
a Alemanha e Japão. As alemãs, quarta colocadas em 1991,
trouxeram mais uma vez uma equipe forte, que contava com Silvia
Neid, atual treinadora da seleção, e a revelação Birgit Prinz. Com
vitórias sobre Brasil e Japão, por 6 a 1 e 1 a 0 respectivamente, a
Alemanha chegava como uma das favoritas ao título.
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Já o grupo B reuniu duas seleções estreantes, e a vice-campeã de
1991. Canadá e Inglaterra disputavam pela primeira vez uma Copa
do Mundo, enquanto que a Noruega, liderada por Hege Riise,
buscava seu primeiro título. A Nigéria completou o grupo. Com 100%
de aproveitamento, as norueguesas passaram para a próxima fase na
liderança do grupo, depois de marcarem 17 gols e não sofrerem
nenhum (8 a 0 contra a Nigéria, 2 a 0 contra a Inglaterra e 7 a 0
contra o Canadá).
O grupo C reuniu duas das seleções mais fortes da competição. Os
Estados Unidos iriam enfrentar China, Dinamarca e Austrália em
defesa de seu título. Contando novamente com Michelle Akers, as
americanas não deveriam ter dificuldades para passar, mas o
primeiro jogo contra a China desmentiu isso. No empate por 3 a 3, a
equipe americana perdeu Akers, que se machucou.
O comando da equipe ficou então para Mia Hamm, que viria a ser a
maior jogadora da história dos EUA. A China passou na segunda
colocação, confirmando o favoritismo, e a Dinamarca também
avançou às quartas, sendo uma das melhores terceiras colocadas,
como o Japão.
QUARTAS DE FINAL
Nas quartas, grandes confrontos estariam reservados para o matamata. A fase eliminatória marcaria a despedida das anfitriãs, que
foram eliminadas pela China nos pênaltis, após o 1 a 1 no tempo
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normal, na revanche do confronto de 1991. A equipe chinesa
enfrentaria a Alemanha, que passou sem dificuldades pela Inglaterra,
segunda colocada do grupo B.
O destaque continuava para as americanas, que fizeram 4 a 0 nas
japonesas, mesmo sem sua principal atleta. No último confronto das
quartas, a Noruega despachou a Dinamarca pelo placar de 3 a 1.
SEMIFINAIS
Assim como em 1991, Estados Unidos, Noruega e Alemanha estavam
entre as quatro melhores seleções do mundo. Contra a China, as
alemãs garantiram sua primeira final da história, ao vencer por 1 a 0,
gol de Bettina Wiegman. No outro confronto, as duas seleções que
fizeram a final da edição anterior voltariam a se encontrar, mas desta
vez a história teria um desfecho diferente.
Jogando em Vasteras, as norueguesas venceram as americanas pelo
magro placar de 1 a 0, com gol da artilheira Ann-Kristin Aarones. As
americanas, sem Akers e com Mia Hamm, iriam se despedir do
torneio na decisão de terceiro lugar, quando perderam para a China
por 2 a 0. Uma nova seleção seria campeã na Suécia.
A FINAL
Diante de 17 mil pessoas no Estádio Rasunda, palco da final do
Mundial Masculino de 1958, Noruega e Alemanha jogariam em
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busca de seu primeiro título da história. Apesar da boa campanha
das alemãs, o “trenzinho” norueguês acabou se sobressaindo,
coroando uma campanha avassaladora.
Com gols de Hege Riise e Marianne Pettersen, a Noruega sagrou-se
campeã da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 1995.
CURIOSIDADES
– Pela primeira vez a FIFA utilizou o sistema de “timeout” pedido
durante a partida
– A sueca Ingrid Johansson tornou-se a primeira mulher a apitar uma
final de Copa do Mundo Feminina
Quatro anos depois, o torneio seria realizado na casa da primeira
seleção campeã, os Estados Unidos, onde o futebol feminino iria ter
seu “boom”.
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EUA-1999: O mundo conhece a força do futebol
feminino
Autor: Allan Simon
A Copa do Mundo Feminina da Fifa chegava em 1999 à sua terceira
edição. Depois de passar pela China e pela Suécia, a competição
desembarcava em um dos países onde o futebol feminino era mais
difundido, os Estados Unidos. O time da casa tinha força, chance de
título, já era campeão uma vez do torneio, e tinha na figura da
jogadora Mia Hamm uma estrela.
Hamm era a melhor jogadora dos EUA, já havia contracenado em
comerciais com ninguém menos do que Michael Jordan, o astro
maior do basquete americano e mundial. Sua popularidade ficou tão
grande que a Mattel lançou uma boneca Barbie jogadora inspirada
nela.
Mas o Mundial Feminino tinha muita história para escrever. O
casamento perfeito entre competição e sede fez com que a torcida
norte-americana comparecesse em peso aos jogos. A seleção local
fez o jogo de abertura contra a Dinamarca, no dia 19 de junho de
1999, em Nova Jersey, no Giants Stadium.
O estádio é um dos mais tradicionais dos Estados Unidos. No mundo
do futebol, marcou época ao receber sete jogos da Copa do Mundo
masculina, apenas cinco anos antes. Três foram da Itália, que viria a
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ser vice-campeã ao perder para o Brasil na decisão que rendeu o
tetra ao futebol brasileiro comandado por Parreira.
Logo de cara, os EUA colocaram quase 79 mil pessoas para assistir ao
duelo de estreia. Nenhum jogo da Copa de 1994 teve um público
igual ou maior do que esse no Giants Stadium.
Em campo, as meninas responderam ao apoio da torcida. Venceram
as dinamarquesas por 3 a 0, com Hamm fazendo o primeiro gol do
campeonato. Naquele mesmo dia, a seleção brasileira estreava
contra o México, no mesmo estádio. A Fifa fez um sistema de
rodadas duplas, onde a torcida via os dois jogos em sequência. 7 a 1
para o Brasil, que era de outra chave.
No dia 24 de junho, 65 mil compareceram ao Soldier Field, em
Chicago, para ver a segunda rodada. Os EUA venceram a Nigéria por
7 a 1. Na sequência, as brasileiras passaram pela Itália por 2 a 0. Na
rodada final, nova vitória americana, agora sobre a Coreia do Norte,
por 3 a 0. O Brasil empatou em 3 a 3 com a Alemanha e também
garantiu o primeiro lugar de sua chave.
QUARTAS DE FINAL
As chaves de Brasil e EUA se cruzaram nas quartas de final. Os
Estados Unidos venceram a Alemanha em uma partida emocionante,
por 3 a 2. Na sequência, no mesmo estádio, em Maryland, o Brasil
empatou com a Nigéria em 3 a 3 no tempo normal. Sissi marcou o
gol de ouro na prorrogação e classificou a seleção brasileira.
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SEMIFINAL
O duelo esperado entre brasileiras e norte-americanas aconteceu no
dia 4 de julho de 1999, no Standford Stadium, em Palo Alto, no
estado da Califórnia. Logo aos cinco minutos, os EUA abriram o
placar da semifinal com um gol de Parlow. O Brasil tentou, mas não
conseguiu empatar. O golpe de misericórdia veio aos 35 minutos do
segundo tempo, com um pênalti cobrado por Akers.
Festa dos EUA em pleno feriado nacional do Independence Day. Na
sequência, a China goleou a Noruega por 5 a 0 e ficou com a outra
vaga. A decisão estava marcada para um sábado, 10 de julho, no
Rose Bowl, o mesmo palco da final da Copa de 1994.
FINAL
O público presente naquela tarde foi de 90.185 pessoas. Apenas
quatro mil a menos do que o Brasil x Itália de cinco anos antes. Era o
maior público da história de qualquer evento feminino em esportes.
Um marco para o futebol mundial.
Mas uma coincidência criou uma espécie de “fantasma”. A final entre
EUA e China terminou 0 a 0 no tempo e na prorrogação, assim como
a decisão masculina de 1994. Para piorar o cenário, a disputa de
terceiro lugar entre Brasil e Noruega havia sido a preliminar, horas
antes. Acabou 0 a 0 no tempo normal também, com vitória brasileira
nos pênaltis por 5 a 4.
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Os mais de 90 mil presentes passaram 210 minutos sem ver um
golzinho sequer. As finais de Copa do Mundo da Fifa disputadas ali
somaram 240 minutos de seca. Ao todo, 330 minutos sem que
ninguém balançasse as redes. A decisão ia para os pênaltis de novo.
As norte-americanas fizeram a festa ao bater as chinesas por 5 a 4
nas cobranças. EUA bicampeão mundial.
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EUA-2003: Sede modificada às pressas
Autor: Felipe Chegan
A Copa do Mundo de futebol feminino de 2003, que teria a China
como anfitriã, foi sediada nos Estados Unidos, por conta de uma
epidemia que atingiu o continente asiático no fim do ano de 2002, e
se arrastou pelo ano de 2003.
A doença SARS é uma síndrome respiratória aguda grave e um risco
para as atletas. Como compensação, a FIFA manteve a classificação
automática da China no Mundial, e ainda teve o direito de sediar
automaticamente a Copa do Mundo de 2007.
Mudança de local à parte, o Mundial de 2003 fora considerado um
dos mais fortes tecnicamente, contando com as grandes forças da
época. A Alemanha fez praticamente um torneio perfeito, sendo
campeã invicta na competição, tendo o melhor ataque, artilheira e
melhor jogadora do torneio.
Este foi o primeiro Mundial levado para casa pelas alemãs, ao vencer
a Suécia na final por 2×1, em um jogo emocionante, com gol na
Morte Súbita. As alemãs que haviam batido na trave nos torneios
anteriores, perdendo na semifinal em 1991 e na final em 1995. Em
1999, não conseguiram passar das quartas-de-final.
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Alguns números e informações da Copa do Mundo feminina de 2003:
Melhor ataque: Alemanha com 24 gols.
Melhor defesa: Estados Unidos com quatro gols levados em seis
jogos.
Média de gols: 3, 34 por partida. Foram 107 gols em 32 jogos, com
16 equipes participantes. (Além de Suécia e Alemanha, finalistas e
China até então era país-sede, participaram CAF Nigéria e Gana –
AFC Coreia do Sul, Coreia do Norte e Japão – OFC Austrália –
Concacaf Estados Unidos e Canadá – UEFA Noruega, França e Rússia
– Conmebol Brasil e Argentina).
Média de público: 20.525 por partida.
Luvas de Ouro: Silke Rottenberg (Alemanha).
Melhor jogadora e melhor marcadora: Birgit Prinz com 7 gols.
Prinz, que conquistaria naquele mesmo ano, e nos próximos dois
anos seguintes, o prêmio de melhor jogadora do Mundo, entregue
pela FIFA.
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China-2007: Brasil dá show, mas alemãs faturam o bi
Autor: Felipe Chegan
A Copa do Mundo feminina de 2007, realizada na China (após
problemas por doença não conseguiu realizar o Mundial de 2003),
foi o Mundial em que o Brasil ficou mais próximo do título,
conseguindo chegar até a decisão.
Vencendo os EUA na semifinal pelo placar massacrante de 4×0, o
Brasil teria de vencer nada mais nada menos que a Alemanha,
detentora do título conquistado quatro anos antes e que havia
atropelado Costa Rica e Noruega por 3×0 nas quartas e semifinais.
E a final acabou premiando não a melhor seleção tecnicamente, e
sim a melhor fisicamente. Não deu para Marta, Cristiane e Cia, e o
título ficou com a Alemanha, que venceu o Brasil por 2×0, com gols
de Prinz e Laudehr.
A Copa do Mundo realizado na China só perde em gols marcados
para o Mundial disputado nos EUA, em 1999: 123 a 111. Muito se
deve pela goleada da Alemanha aplicada sobre a Argentina, pela
primeira fase do grupo A de 2007, a qual bateu recorde de maior
placar em Mundiais femininos: 11×0.
Veja outros números e informações do torneio:
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Melhor ataque: Alemanha com 21 gols. Brasil ficou em segundo com
17 gols.
Melhor defesa: Alemanha, que não levou um gol sequer, em seis
jogos.
Média de gols: 3, 47 por partida. Foram 123 gols em 32 jogos, com
16 equipes participantes (além de Brasil e Alemanha, finalistas e
China, país cede, participaram CAF Nigéria e Gana – AFC Austrália,
Coréia do Norte e Japão – Concacaf Estados Unidos e Canadá – UEFA
Noruega, Suécia, Dinamarca e Inglaterra – Conmebol Argentina).
Média de público: 36.155 por partida.
Luvas de Ouro: Nadine Angerer (Alemanha).
Melhor jogadora e melhor marcadora: Marta com 7 gols.
Mesmo com o vice-campeonato, Marta também seria eleita pela
FIFA a melhor jogadora do Mundo naquele ano, e a Alemanha se
fortaleceria como uma das melhores seleções do mundo, sendo
favorita para o tricampeonato, já que o Mundial de 2011 seria
disputado em solos alemães.
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Alemanha-2011: Surpresa japonesa
Autor: Felipe Chegan
A Copa do Mundo de futebol feminino de 2011, disputado na
Alemanha, traria as donas da casa como a maior favorita para
conquista do torneio, já que vinha de um bicampeonato Mundial.
Porém, as alemãs não conseguiram sequer passar das quartas-definal, perdendo para o Japão, que se sagraria mais tarde campeã do
Mundial, eliminando a Suécia na semifinal, e vencendo as norteamericanas, na final, nas cobranças de pênaltis (2×2 placar no tempo
normal, 3×1 nos penais).
Não que a conquista japonesa poderia ser considerada uma zebra, já
que a seleção do Japão ficou como cabeça de chave, junto à
Alemanha, Brasil e EUA.
O Mundial de 2011 ficou marcado pelo número de gols marcados.
Não por muitos, e sim por poucos. Foram marcados 86 gols em 32
partidas, batendo recorde negativo em média de gols.
Veja outros números e informações do torneio:
Melhor ataque: EUA com 13 gols, seguido do Japão, com 12.
Melhor defesa: Brasil com 2 gols. Porém foi eliminado nas quartas de
final.
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Média de gols: 2,69 por partida. Como já dito acima, foram 86 gols
em 32 jogos, com 16 equipes participantes (além de Japão e EUA,
finalistas, e Alemanha, país cede, participaram CAF Nigéria e Guiné
Equatorial – AFC Austrália e Coréia do Norte – Concacaf – Canadá e
México – UEFA Noruega, Suécia, Dinamarca, Inglaterra – Conmebol –
Brasil e Colômbia – OFC Nova Zelândia).
Média de público: 26.427 por partida.
Luvas de Ouro: Hope Solo (EUA), que também ficara conhecida como
“Musa” do Mundial.
Melhor jogadora e melhor marcadora: Homare Sawa com 5 gols. A
Copa do Mundo feminina de 2015, que acontecerá no Canadá em
junho, terá o aumento de oito seleções participantes, ou seja, serão
24 seleções na briga pelo título. E contará com oito estreantes:
Equador, Camarões, Costa do Marfim, Costa Rica, Tailândia, Holanda,
Espanha e Suíça.
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O Brasil nas Copas do Mundo
Autora: Júlia Vergueiro
Em 2015, no Canadá, o Brasil fará sua sétima participação em Copas
do Mundo Femininas da FIFA. Após ter conquistado seu 6o título de
Copa América com uma performance incontestável, a seleção
canarinha chega como uma das favoritas e em busca da sua primeira
taça mundial.
A seleção brasileira feminina se classificou para todas as Copas até
hoje. Nas duas primeiras edições, foi eliminada ainda na fase de
grupos. Após a conquista do 3o lugar em 1999, a esperança era de
que o título chegaria em breve, mas a história não foi bem assim.
O saldo matemático, no entanto, é positivo: em 6 edições, foram 15
vitórias, 4 empates, 7 derrotas e saldo de 21 gols.
1991 – China
Posição: fase de grupos
Campeã: EUA
A principal conquista brasileira nessa primeira edição não veio do
plantel de jogadoras. Claudia de Vasconcelos, árbitra da disputa de
3o lugar, se tornou a primeira juíza mulher a apitar nesse nível em
uma competição da FIFA.Em campo, demos o azar de cair no grupo
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de EUA, Suécia e Japão. As duas primeiras terminaram o torneio em
1o e 3o lugar, respectivamente.
1995 – Suécia
Posição: fase de grupos
Campeã: Noruega
Apesar do início surpreendente, com uma vitória no 1o jogo sobre o
time da casa, o Brasil mais uma vez não passou da primeira fase.
Disputamos mais uma vez com Suécia e Japão, além da futura vicecampeã Alemanha, e ficamos pelo caminho. A revanche veio no ano
seguinte, quando as brasileiras eliminaram Alemanha e Japão nos
Jogos Olímpicos de Atalanta e terminaram em 4o lugar.
1999 – Estados Unidos
Posição: 3o lugar
Campeã: EUA
Após a boa performance nas Olimpíadas em 96, o Brasil chegou em
solo americano sendo considerada a seleção que mais havia evoluído
desde a última edição. No entanto, estava mais uma vez no
intitulado “Grupo da morte”, segundo a imprensa. A equipe foi
brilhantemente liderada por Sissi, que fez todos os 5 gols nos dois
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primeiros jogos do Brasil, e também o Golden Goal na prorrogação
das quartas de final contra a subestimada Nigéria.
A conquista do 3o lugar veio nos pênaltis, contra a Noruega, em um
jogo que teve a prorrogação cancelada devido à falta de tempo. Os 7
gols renderam a Sissi o prêmio Golden Shoe, da Adidas, concedido à
artilheira do campeonato.
2003 – Estados Unidos
Posição: quartas-de-final
Campeã: Alemanha
Com apenas 17 anos, Marta foi considerada uma das principais
promessas do futebol mundial após a Copa de 2003. No entanto,
com um time quase totalmente renovado e inexperiente, o Brasil
chegou apenas até as quartas-de-final, quando foi eliminado pela
Suécia, que viria a ser a vice-campeã naquela segunda edição sediada
pelas americanas.
2007 – China
Posição: vice-campeã
Campeã: Alemanha
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As previsões a respeito de Marta estavam corretas. Mesmo tendo
perdido um pênalti durante o tempo regulamentar na final contra a
Alemanha, a brasileira levou os dois prêmios da Adidas, concedidos à
artilheira (Golden Shoe) e à melhor jogadora (Golden Ball) do
torneio. A seleção brasileira, ainda em formação, surpreendia com
um ataque fuzilante, que chegou à final com 17 gols marcados. Em
votação popular no site da FIFA, o Brasil ganhou disparado como a
equipe preferida dos internautas.
2011 – Alemanha
Posição: quartas-de-final
Campeã: Japão
Finalmente, o Brasil não caíra no grupo da morte. Tudo indicava que
as atuais vice-campeãs teriam caminho fácil até as finais. De fato, as
vitórias na fase de grupos vieram tranquilamente. No entanto, o
primeiro lugar do grupo nos levou a pegar os Estados Unidos logo
nas quartas-de-final. Em um jogo disputadíssimo, o Brasil começou
perdendo com um gol contra, e o empate em 1×1 levou a disputa
para a prorrogação. Em menos de 2 minutos, Marta marcou e virou o
jogo para as brasileiras. O jogo estava quase ganho, até que as
americanas empataram nos acréscimos do 2o tempo. Nos pênaltis,
5×4 e as americanas seguiram na competição.
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Para 2015: No Canadá, além da experiência e qualidade de Marta,
Cristiane e Formiga, a esperança está em que a motivação pela busca
da medalha de ouro olímpica, em casa, no ano seguinte, leve as
brasileiras a nos dar a melhor das expectativas.
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