Edição Atual - II Jornada de Análises Clínicas das Missões

Сomentários

Transcrição

Edição Atual - II Jornada de Análises Clínicas das Missões
• ANAIS •
Créditos: Aline Schows Griep
• ANAIS •
ISSN online: 2447-7311
II JORNADA DE ANÁLISES CLÍNICAS
DAS MISSÕES
1ª Edição
Santo Ângelo (RS), 2015
DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP)
Jornada de Análises Clínicas das Missões (2.: 2015: Santo Ângelo,
RS).
Anais [recurso eletrônico] / II Jornada de Análises Clínicas das
Missões, 18-20 de novembro em Santo Ângelo, RS./
Organizadores: Yana Picinin Sandri, Bruna Comparsi, Carine
Zimmermann, Caroline Eickcop, Débora Pedroso, Emannuelle
K.V. Mallet, Juliana F. Roncato, Mateus B. Fucks, Matias N.
Frizzo. – Santo Ângelo, IESA, 2015.
ISSN:
1. Evento - Análises Clínicas. 2. Evento – Pesquisa em Saúde.
I. Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo. II.
Título.
CDU: 616-074
Responsável pela catalogação CDU – 37(05)
Adriano Dias de Souza
Revisão
Bruna Comparsi
Formatação
Bruna Comparsi
Publicação
IESA
Rua Dr. João Augusto Rodrigues, 471
CEP: 98801-015
Santo Ângelo (RS), 2015
COMISSÃO ORGANIZADORA
COORDENADORA DO EVENTO
Yana Picinin Sandri Lissarassa
COMISSÃO
Bruna Comparsi
Carine Eloise Prestes Zimmermann
Carolain Felipin Vincensi
Caroline Casalini
Débora Pedroso
Emanuelle Kerber Viera Mallet
Juliana Fredo Roncato
Mateus Batista Fucks
Matias Nunes Frizzo
Yana Picinin Sandri Lissarassa
4
BANCA EXAMINADORA
Bruna Comparsi
Carine Eloise Prestes Zimmermann
Débora Pedroso
Juliana Fredo Roncato
Yana Picinin Sandri Lissarassa
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
5
SUMÁRIO
1 APRESENTAÇÃO..........................................................................9
2 TRABALHOS ORIGINAIS DE PESQUISA..................................10
ATIVIDADE ANTINOCICEPTIVA DE DERIVADOS DE QUINOLINA EM CAMUNDONGOS
Márcia Juciele da Rocha; Vanessa Duarte Gonçalves da Silva; Douglas Mroginski Weber;
Cristiane Luchese; Ethel Antunes Wilhelm
PREVALÊNCIA DE MICRORGANISMOS EM BANDEJAS UTILIZADAS
PELA
ENFERMAGEM NA ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS EM AMBIENTE HOSPITALAR
Kelly Kühn; Cristiane Güths de Freitas; Keli Staud; Izabel Almeida Alves
EFEITO PROTETOR DO FLAVONOIDE QUERCETINA DIANTE DA AÇÃO DO ESTRESSE
TÉRMICO EM CAENORHABDITIS ELEGANS
Renata Rodrigues Cardozo; Larissa Marafiga Cordeiro; Danielle Kunzler Monteiro; Bruna
Comparsi
AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE DA ENZIMA MIELOPEROXIDASE E ENVOLVIMENTO DO
SISTEMA SEROTONINÉRGICO NO EFEITO ANTINOCICEPTIVO DE 7-CLORO-4
(FENILSELENO)QUINOLINA EM CAMUNDONGOS
Mikaela Pinz; Vanessa Duarte Gonçalves da Silva; Renata Leivas de Oliveira; Cristiane
Luchese; Ethel Antunes Wilhelm
ANÁLISE COMPARATIVA DE AGENTES MICROBIOLÓGICOS DO COLO UTERINO NA
REGIÃO NORTE E NOROESTE DO RS
Luana Taís Hartmann Backes, Vanusa Manfredini, Luciane Noal Calil
AVALIAÇÃO DOS MECANISMOS ENVOLVIDOS NA AÇÃO ANTINOCICEPTIVA DE 7CLORO-4-(FENILSELENO)QUINOLINA EM CAMUNDONGOS
Vanessa Duarte Gonçalves da Silva; Márcia Juciele da Rocha; Mikaela Pinz; Cristiane
Luchese; Ethel Antunes Wilhelm
AVALIAÇÃO DO EFEITO DE NANOCAPSULAS CONTENDO MELOXICAM NA DERMATITE
ATÓPICA INDUZIDA POR 2,4-DINITROCLOROBENZENO EM CAMUNDONGOS
Douglas Mroginski Weber; Guilherme Teixeira Voss; Francine Ianiski; Ethel Antunes Wilhelm;
Cristiane Luchese
AVALIAÇÃO DA CAPACIDADE ESTIMULADORA DE ANTÍGENOS DE Pythium insidiosum
EM LINFÓCITOS E CÉLULAS DENDRÍTICAS
Bruna Vargas; Juliana Simoni Moraes Tondolo; Camila Marina Verdi; Érico as Silva Loreto;
Carine Eloise Prestes Zimmermann; Janio Morais Santurio; Pauline Christ Ledur
NÍVEIS DE ANTI-HBS EM ESTUDANTES DA ÁREA DA SAÚDE SUBMETIDOS AO
ESQUEMA VACINAL PARA IMUNIZAÇÃO CONTRA O VÍRUS DA HEPATITE B
Dariane Ramos Abich; Giana Carolina Schulz de Lima; Yana Picinin Sandri Lissarassa;
Emanuelle Kerber Viera Mallet; Bruna Comparsi
AVALIAÇÃO DA INFLUÊNCIA DO EXERCÍCIO FÍSICO EM PARÂMETROS
HEMATOLÓGICOS
Priscila Seibert; Fernanda Bender Ribeiro; Renata Rodrigues Cardozo; Larissa Marafiga
Cordeiro; Emanuelle Kerber Viera Mallet; Bruna Comparsi; Yana Picinin Sandri Lissarassa
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
6
FREQUENCIA DE ANTÍGENOS DO SISTEMA RH EM MULHERES EM IDADE
REPRODUTIVA
Jéssica Silveira; Amanda Tonon; Camila Rodrigues; Francielen Colet; Letícia de Oliveira; Bruna
Comparsi
POTENCIAL INTERFERÊNCIA DOS MEDICAMENTOS UTILIZADOS POR MULHERES NO
CLIMATÉRIO NO EXAME DE GLICEMIA DE JEJUM
Daiana Meggiolaro Gewehr; Vanessa Adelina Casali Bandeira; Cristiane Rodrigues Bellinazo;
Karla Renata de Oliveira; Christiane de Fátima Colet; Marilei Üecker Pletsch
PESQUISA ETINOGRÁFICA: UM PROJETO ESCOLAR INDÍGENA DE EDUCAÇÃO E
PROMOÇÃO DA SAÚDE
Jandaia Pauline Girardi; Juliana Posser; Bruna Comparsi; Débora Pedroso
EDUCAÇÃO EM SAÚDE: DA TEORIA A PRÁTICA
Juliana Posser; Bruna Comparsi; Jandaia Pauline Girardi; Daniela Signori; Débora Pedroso
PROPORÇÃO DE IDOSOS NO BRASIL E O REFLEXO SOBRE A QUALIDADE DE VIDA
Déborah Thaís Julkowski; Tainara Jungton Bönmann; Carine Eloise Prestes Zimmermann
3 RELATO DE VIVÊNCIA...............................................................89
RELATO DE VIVÊNCIA DE ALUNA DO CURSO DE BIOMEDICINA NO VER-SUS
Fernanda Bender Ribeiro; Carine Eloise Prestes Zimermmann
AÇÕES DE PROMOÇÃO À SAÚDE EM UMA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL: UMA
VIVÊNCIA DOS ESTUDANTES DE BIOMEDICINA
Odacir Júnior Czekalski Santos; Fernanda Sauer Ferreira; Pâmela Dominik Engers Bratz;
Priscila Saibert; Carine Eloise Prestes Zimmermann
VIVÊNCIA DOS ESTUDANTES DE BIOMEDICINA EM UMA COMUNIDADE TERAPÊUTICA
Amanda Carpenedo Tonon; Camila de Souza Rodrigues; Francielen Colet da Silva; Laurence
Noetzold Mendes; Carine Eloise Prestes Zimmermann
4 REVISÃO DE LITERATURA......................................................100
O USO INDISCRIMINADO DE ANTIMICROBIANOS COMO UM PROBLEMA DE SAÚDE
PÚBLICA
Taciana Ribeiro de Cândido Faganello; Pâmela Dominik Engers Bratz; Fernanda Sauer
Ferreira; Rafael Pereira; Carine Zimmermann; Caroline Eickhoff Copetti Casalini
AVALIAÇÃO DAS VARIÁVEIS INTER INDIVÍDUOS NA TAXA DE FILTRAÇÃO
GLOMERULAR E CREATININA
Ieda Dorneles; Angelo Viana Weber; Douglas de Menezes; Fernanda Bender Ribeiro; Andressa
Pazzato Ferreira; Débora Pedroso
PREVENÇÃO DA INFECÇÃO PELO PAPILOMAVÍRUS HUMANO ATRAVÉS DA
VACINAÇÃO
Bruna De Almeida Baron; Rejane Madalena Wisniewski; Adriana Catarine Buche; Yana Picinin
Sandri Lissarassa
ASSOCIAÇÃO DOS GENES PKD1 E PKD2 NA DOENÇA RENAL POLICÍSTICA: UMA
REVISÃO
Arthur Basso; Angelo Weber; Andressa Munareto; Bruna Vargas; Natália Motter; Matias Nunes
Frizzo
IMPLICAÇÕES DOS ANTÍGENOS HLA NO TRANSPLANTE RENAL
Ângela Port; Andressa Koning Cezimbra; Eliana Durks; Jandaia Girardi; Marceli Werle; Renata
Cardozo; Bruna Comparsi
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
7
A QUALIDADE DE VIDA DE IDOSOS COM INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA
Laurence Noetzold Mendes; Ana Paula Martins; Carla Soares Carpes; Nathássia Martins
Duarte; Débora Pedroso
ALTERAÇÕES ENDOMETRIAIS RELACIONADAS AO USO DO TAMOXIFENO EM
TRATAMENTO DE CÂNCER DE MAMA: UMA REVISÃO
Tainara Jungton Bönmann; Yana Picinin Sandri Lissarassa
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO NA GESTAÇÃO
Andressa Frohlich; Angelita Carnelutti; Débora Pereira; Eduarda Inticher; Maria
Helena Ramos; Caroline Eickhoff Copetti Casalini
ASPECTOS MOLECULARES DA LEUCEMIA LINFÓIDE AGUDA: UMA REVISÃO
Beatriz Sabrina Giebelmeier Bratz; Mônica Gatzke; Matias Nunes Frizzo
FERTILIZAÇÃO IN VITRO E O DESTINO DOS EMBRIÕES EXCEDENTES
Flávia Suelen De Oliveira Pereira; Angela Maria Blanke Sangiovo; Elisandro Da Silva; Bruna
Lanielle Roratto; Yana Picinin Sandri Lissarassa
TERAPIA TRANSFUSIONAL EM PACIENTES COM INSUFICIENCIA RENAL CRÔNICA
Douglas de Menezes; Evelise Costa; Fabio Fonseca; Jorge Gewehr; Maraísa Somavilla; Bruna
Comparsi
PESQUISA DE STREPTOCOCCUS AGALACTIAE EM GESTANTES
Nathássia Duarte Martins; Amanda Tonon; Camila Rodrigues; Francielen Colet; Jéssica
Silveira; Letícia de Oliveira; Carine Eloise Prestes Zimmermann; Caroline Eickhoff Casalini
Copetti
PROPRIEDADES DO CAENORHABDITIS ELEGANS COMO UM MODELO EXPERIMENTAL
ANIMAL PARA INVESTIGAÇÕES BIOLÓGICAS
Larissa Marafiga Cordeiro; Renata Cardozo; Débora Pedroso; Juliana Fredo Roncato; Bruna
Comparsi
AVALIAÇÃO MOLECULAR NO CÂNCER MEDULAR DE TIREÓIDE: UMA REVISÃO
Letícia de Oliveira; Matias Nunes Frizzo
FATORES ASSOCIADOS À INAPTIDÃO TEMPORÁRIA E PERMANENTE DE CANDIDATOS
À DOAÇÃO DE SANGUE
Danielle Monteiro; Renata Cardozo; Camila Rodrigues; Bruna Comparsi
ESTUDO SOBRE SEPSE: UMA REVISÃO
Larissa de Oliveira; Gabriel Fabrin; Bruna Damacedo Vargas; Angelo Weber; Caroline Eickhoff
Copetti Casalini
ESTUDO SOBRE SEPSE: UMA REVISÃO
Larissa de Oliveira; Gabriel Fabrin; Bruna Damacedo Vargas; Angelo Weber; Caroline Eickhoff
Copetti Casalini
ANEMIA NA DOENÇA RENAL CRÔNICA: UMA REVISÃO
Daniela Signori; Deborah Thais Julkowski; Gabriel Fabrin; Larissa Oliveira; Paola Paulus;
Rayane Gomes de Almeida; Matias Nunes Frizzo
NEOPLASIAS HEMATOLÓGICAS NO IDOSO: UMA REVISÃO
Francielen Colet da Silva; Lucinea da Silva Araújo; Matias Nunes Frizzo
CONTROLE DE QUALIDADE DA ÁGUA REAGENTE NA HEMODIÁLISE
Rejane Madalena Wisniewski; Bruna Baron; Adriana Catarine Buche; Luana Bizzi da Silva;
Jéssica Bittencourt; Yana Picinin Sandri Lissarassa
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
8
IMPORTÂNCIA E OCORRÊNCIA DE PARASITOSES EM HORTALIÇAS
2
Natália Motter; Angelo Weber; Douglas de Menezes ; Evelise da Costa; Débora Pedroso
PAPILOMAVÍRUS HUMANO E O CÂNCER DE COLO UTERINO
Douglas de Menezes; Maraísa Somavilla; Núbia Medeiros; Bruna Roratto; Ieda Dorneles;
Juliana Posser
PREVALÊNCIA DE ANEMIA FERROPRIVA EM PRÉ-ESCOLARES NA REGIÃO NORDESTE
DO BRASIL: UMA REVISÃO
Gabriel Fabrin; Angelo Weber; Natália Motter; Bruna Vargas; Juliana Posser; Ieda Dorneles
VETORES MECÂNICOS E SEUS AGENTES BACTERIANOS EM INFECÇÕES
HOSPITALARES
Jéssica Fabíola Fenner; Renata Cardozo; Larissa Marafiga; Priscila Seibert; Caroline Eickhoff
Copetti Casalini; Carine Eloise Prestes Zimmermann
A IMPORTÂNCIA DA PERCEPÇÃO DOS USUÁRIOS SOBRE O SISTEMA ÚNICO DE
SAÚDE
Fernanda Sauer Ferreira; Fernanda Bender Ribeiro; Yana Picinin Sandri Lissarassa; Carine
Eloise Prestes Zimmermann
COMPLICAÇÕES DO NÃO TRATAMENTO EM HIPOTIREOIDISMO: UMA REVISÃO
Larissa Rolim; Bruna Vargas; Larissa de Oliveira; Gabriel Fabrin; Juliana Posser; Carine Eloise
Prestes Zimmermann; Derliane Glonvezynski dos Santos Beck
TOXINA BOTULÍNICA TIPO A: ABORDAGENS EM SAÚDE
Pâmela Dominik Engers Bratz; Andressa Pazzato Ferreira; Emanuelle Kerber Viera Mallet
PROPRIEDADES DO CAENORHABDITIS ELEGANS COMO UM MODELO EXPERIMENTAL
ANIMAL PARA INVESTIGAÇÕES BIOLÓGICAS
Larissa Marafiga Cordeiro; Renata Cardozo; Débora Pedroso; Juliana Fredo Roncato; Bruna
Comparsi
TERAPIA TRANSFUSIONAL EM PACIENTES COM INSUFICIENCIA RENAL CRÔNICA
Evelise Costa;Douglas de Menezes; Fabio Fonseca; Jorge Gewehr; Maraísa Somavilla; Bruna
Comparsi
LEVANTAMENTO DAS INFLAMAÇÕES CERVICOVAGINAIS CAUSADAS POR AGENTES
MICROBIOLÓGICOS NO SUL DO BRASIL
Angelo Viana Weber ; Luana Taís Hartmann Backes
REVISÃO: BIOMARCADORES DA FUNÇÃO RENAL EM PACIENTES CARDIOPATAS
Camila de Souza Rodrigues; Danielle Kunzler Monteiro; Juliana Foletto Fredo Roncato
TOXINA
BOTULINÍCA:
ASPECTOS
MICROBIOLÓGICOS,
IMUNOLÓGICOS
E
MOLECULARES
Adriana Catarine Buche; Rejane Madalena Wisniewski; Bruna de Almeida Baron; Jandaia
Pauline Girardi; Maraísa Zysko Somavilla; Amanda Vergilio Martins; Juliana Fredo Roncato
ÁCIDO HIALURÔNICO E SUAS ABORDAGENS EM ESTÉTICA FACIAL
Andressa Pazzato Ferreira; Pâmela Dominik Engers Bratz; Emanuelle Kerber Viera Mallet
CENÁRIO DA ATENÇÃO A SAÚDE DO ÍNDIO NO BRASIL
Daniela Signori; Jandaia Pauline Girardi; Juliana Posser; Carine Eloise Prestes Zimmermann;
Débora Pedroso
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
9
APRESENTAÇÃO
As atividades de pesquisa integram o processo de formação e
atualização de profissionais de saúde, estimulando a construção de novas
reflexões e de um perfil profissional preocupado com o seu papel social e
inserção na comunidade.
Os Anais da II Jornada de Análises Clínicas das Missões são
publicados em formato on-line, e visam divulgar a produção científica na área
de análises clínicas. Os Anais são editados e publicados pela Comissão
Organizadora da JACM e pelo curso de Graduação em Biomedicina do
Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo (IESA).
Assim, apresentamos os resumos expandidos de trabalhos originais de
pequisa, relatos de vivências e revisões oriundos da Mostra Científica da II
JACM, desejando a todos uma excelente leitura.
Comissão Organizadora
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
10
TRABALHOS ORIGINAIS DE
PESQUISA
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
11
ATIVIDADE ANTINOCICEPTIVA DE DERIVADOS DE QUINOLINA EM
CAMUNDONGOS1
Márcia Juciele da Rocha2; Vanessa Duarte Gonçalves da Silva3; Douglas
Mroginski Weber4; Cristiane Luchese5; Ethel Antunes Wilhelm6
1
Resultados parciais da dissertação de mestrado;
Mestranda, [email protected];
3
Mestranda, [email protected];
4
Acadêmico, [email protected];
5
Professora, [email protected];
6
Professora, [email protected];
2
Introdução
A dor desempenha um papel fisiológico fundamental, uma vez que, é um dos
fatores responsáveis pelo controle da homeostasia do organismo. A dor é
iniciada a partir de um estímulo nociceptivo que ativa ou sensibiliza os
nociceptores gerando um potencial de ação. Adicionalmente a isso, sua
manifestação ocorre de forma subjetiva por sofrer influência de experiências
prévias que determinaram a individualidade de sua expressão por cada pessoa
(MILLAN, 1999). Muitos esforços têm sido dedicados, buscando compreender
os mecanismos celulares e moleculares envolvidos na origem da dor e da
inflamação, com o objetivo de encontrar drogas eficazes, com baixos efeitos
colaterais e que possam ser empregadas nestas circunstâncias
(KLECZKOWSKA; LIPKOWSKI, 2013).
Neste sentido, derivados quinolínicos que apresentam anel quinolínico
heterocíclico com nitrogênio funcional versátil, têm recebido a atenção de
pesquisadores devido às suas importantes ações farmacológicas, incluindo
propriedades anti-inflamatória, antidepressiva, antinociceptiva, entre outras
(SHTRYGOL'SIU et al., 2012; EL-FEKI; THABET; UBEID, 2014; WILHELM et
al., 2014). Paralelamente aos derivados de quinolina, destacam-se os
compostos orgânicos do selênio e do telúrio, os quais possuem síntese simples
e com grau de toxicidade dependente da dose (NOGUEIRA; ROCHA, 2011;
PESSOA-PUREUR; HEIMFARTH; ROCHA, 2014). Atualmente é bem
conhecido que compostos contendo selênio exercem diversas atividades
farmacológicas, tais como, atividade antioxidante, anti-inflamatória,
neuroprotetora e antinociceptiva (ABDEL-HAFEZ, 2008; BRÜNING et al., 2010;
CHAGAS et al., 2013). Além disso, vários relatórios têm sido publicados
mostrando que os organotelúrios também apresentam ações farmacológicas
como imunomodulador, antioxidante, anticancerígeno e com propriedades antiinflamatórias (NOGUEIRA; ZENI; ROCHA, 2004; FRIEDMAN et al., 2009).
Com base nos resultados descritos aqui, os objetivos do presente estudo foram
(i) avaliar a ação antinociceptiva dos compostos 7-cloro-4(fenilseleno)quinolina
e 7-cloro-4(feniltelúrio)quinolina através do teste de glutamato; (ii) e avaliar a
relação estrutura atividade desses compostos quinolínicos frente a nocicepção
induzida pelo glutamato em camundongos.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
12
Metodologia
Drogas
Os
compostos
7-cloro-4(fenilseleno)quinolina
(QSe)
e
7-cloro4(feniltelúrio)quinolina (QTe) representados na Figura 1, foram sintetizados de
acordo com Savegnago e colaboradores (2013) no Laboratório de Síntese
Orgânica Limpa da Universidade Federal de Pelotas (RS).
Figura 1- Estrutura química de 7-cloro-4-(fenilseleno)quinolina (QSe)
e 7-cloro-4-(feniltelúrio)quinolina (QTe).
Animais
Todos os experimentos que se encontram aqui descritos foram conduzidos de
acordo com as normas do Comitê de Ética e Bem-Estar Animal da UFPel
(CEEA/UFPel, n° 1987). Foram utilizados camundongos Swiss machos adultos
(25-30g) provenientes do Biotério Central da UFPel e mantidos sob condições
de temperatura de 22 ± 2ºC, num ciclo de 12h claro/12h escuro e com livre
acesso a água e comida.
Nocicepção induzida por glutamato
O procedimento experimental foi realizado de acordo com Beirith, Santos e
Calixto (2002). Os camundongos foram tratados com QSe (0,01 a 25 mg/kg, per oral, p.o.) ou QTe (0,1 a 25 mg/kg, p.o.) ou o veículo (óleo de canola, 10
mg/kg, p.o.) 30 minutos antes da administração do glutamato intraplantar (i.pl.)
(30 µMol/pata, 20 µL) na pata traseira esquerda. Os animais foram observados
individualmente durante 15 minutos e o tempo em que o animal permaneceu
lambendo a pata injetada com glutamato foi cronometrado, sendo considerado
como um comportamento nociceptivo.
Análise estatística
Os dados foram analisados pelo Software GraphPad Prism 5 e expressos
como média ± desvio padrão. Os resultados foram analisados utilizando
ANOVA de uma via, seguido pelo teste de Newman-Keuls quando apropriado,
considerando p <0,05 estatisticamente significativo.
Resultados e Discussão
A dor é uma das mais prevalentes condições, dispendiosa e incapacitante, o
que reduz a qualidade de vida. O maior problema no tratamento da dor é que
os analgésicos eficazes podem ter alguns efeitos colaterais desagradáveis.
Com base nestas considerações, a investigação que leva ao desenvolvimento
de novos analgésicos é de interesse para a saúde pública (CAZACU;
MOGOSAN; LOGHIN, 2015). Por conseguinte, considerando que compostos
organoselênio e organotelúrio foram relatados como ativos com propriedades
farmacológicas (TIEKINK, 2012), estes podem representar uma possível
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
13
ferramenta terapêutica para o tratamento da dor.
Verificou-se que o composto QSe (Figura 2) diminuiu a nocicepção induzida
pelo glutamato nas doses de 0,1 a 25 mg/kg em camundongos e seu efeito
inibitório máximo foi de 95% em relação ao controle. Esse dado foi semelhante
a outros estudos que avaliaram a atividade antinociceptiva de compostos
orgânicos de selênio. De fato, o composto 3-aquinil selenofeno (3-ASP)
demonstrou atividade antinociceptiva em diferentes testes de nocicepção, bem
como o composto p-metoxil-difenil disseleneto ((MeOPhSe)2) reduziu a
nocicepção induzida pelo glutamato em 94% (JESSE et al., 2009; WILHELM et
al., 2009). Okoronkwo e colaboradores (2008) revelaram a ação antinociceptiva
de um aquinilselenoálcool no teste do ácido acético nas doses de 1 a 50 mg/kg
em camundongos.
Figura 2- Efeito do QSe administrado per oral sobre o tempo de lambida
induzida pelo glutamato em camundongos. Os asteriscos indicam o nível de
significância quando comparado com o grupo controle (ANOVA de uma via
seguido pelo teste de Newman-Keuls): * p<0,05, *** p<0,001.
No presente estudo também foi possível visualizar que o composto QTe (Figura
3) apresenta atividade antinociceptiva na dose de 25 mg/kg com um efeito
inibitório máximo de 77% em relação ao controle. Este é o primeiro estudo que
demonstra a atividade antinociceptiva de um composto orgânico de telúrio. De
fato, compostos orgânicos de telúrio possuem atividades farmacológicas
importantes, que tornam esta classe relevante (AVILA et al., 2012; LEE et al.,
2014; QUINES et al., 2015). Além disso, os efeitos observados para os dois
compostos podem estar relacionado à estrutura quinolínica, uma vez que,
Wilhelm e colaboradores (2014) relataram que 7-cloroquinolina-1,2,3-triazoil
carboxamidas apresentam ação antinociceptiva em modelos animais.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
14
Figura 3- Efeito do QTe administrado per oral sobre o tempo de lambida
induzida pelo glutamato em camundongos. Os asteriscos indicam o nível de
significância quando comparado com o grupo controle (ANOVA de uma via
seguido pelo teste de Newman-Keuls): ** p<0,01.
De acordo com as Figuras 2 e 3 é possível observar que o QSe apresentou
atividade antinociceptiva melhor que o QTe, uma vez que este último
apresentou ação somente na sua maior dose. Essa diferença pode ser
explicada pela relação estrutura/atividade dos compostos dado que a ligação
selênio-carbono é mais estável que a ligação telúrio-carbono (TIEKINK, 2012).
Ambos os organocalcogêneos apresentam diversas características
farmacológicas importantes, porém o telúrio apresenta um grau de toxicidade
maior em relação ao selênio. No entanto, o efeito tóxico associado aos
compostos de telúrio depende da forma química e do estado de oxidação (BA
et al., 2010).
Conclusão
Com base nos resultados obtidos pode-se concluir que ambos os compostos
apresentaram atividade antinociceptiva avaliada através do teste do glutamato,
porém o QSe apresentou efeito a partir da dose 0,1 mg/kg enquanto que, o
QTe apresentou efeito somente na dose de 25 mg/kg. Além disso, o fator
inibitório máximo do QSe foi superior ao do QTe, assim observou-se um efeito
mais pronunciado do QSe em relação ao QTe. Porém mais estudos são
necessários para verificar a toxicidade destes compostos, bem como seu
mecanismo de ação.
Palavras-chave: nocicepção, quinolina, selênio, telúrio.
Referências Bibliográficas
ABDEL-HAFEZ, S. Selenium containing heterocycles: synthesis, anti-inflammatory, analgesic
and anti-microbial activities of some new 4-cyanopyridazine-3(2H)selenone derivatives.
European Journal of Medicinal Chemistry, v.43, n. 9, p.1971-1977, 2008.
AVILA, D.; BENEDETTO, A.; AU, C.; MANARIN, F.; ERIKSON, K.; SOARES, F.; ROCHA, J.;
ASCHNER, M. Organotellurium and organoselenium compounds attenuate Mn-induced toxicity
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
15
in Caenorhabditis elegans by preventing oxidative stress. Free Radical Biology e Medicine, v.
52, n. 9, p. 1903-1910, 2012.
BA, L.; DÖRING, M.; JAMIER, V.; JACOB, C. Tellurium: an element with great biological
potency and potential. Organic and Biomolecular Chemistry, v. 8, n. 19, p. 4203-4216, 2010.
BEIRITH, A.; SANTOS, A.; CALIXTO, J. Mechanisms underlying the nociception and paw
oedema caused by injection of glutamate into the mouse paw. Brain Research, v. 924, n. 2, p.
219-228, 2002.
BRUNING, C.; PRIGOL, M.; ROEHRS, J.; ZENI, G.; NOGUEIRA, C. Evidence for the
involvement of μ-opioid and δ-opioid receptors in the antinociceptive effect caused by oral
administration of m-trifluoromethyl-diphenyl diselenide in mice. Behavioural Pharmacology, v.
21, n. 7, p. 621-626, 2010.
CAZACU, I.; MOGOSAN, C.; LOGHIN, F. Safety issues of current analgesics: an update. Clujul
Medical, v. 88, n. 2, p. 128-136, 2015.
CHAGAS, P.; BORTOLATTO, C.; WILHELM, E.; ROEHRS, J.; NOGUEIRA, C. Bis
(phenylimidazoselenazolyl) diselenide: a compound with antinociceptive properties in mice.
Behavioural Pharmacology, v. 24, n. 233, p. 37-44, 2013.
EL-FEKI, S., THABET, H., UBEID, M. Synthesis, molecular modeling and anti-inflammatory
screening of novel fluorinated quinoline incorporated benzimidazole derivatives using the
Pfitzinger reaction. Journal of Fluorine Chemistry, v. 161, p. 87-94, 2014.
FRIEDMAN, M.; BAYER, I.; LETKO, I.; DUVDEVANI, R.; ZAVARO-LEVY, O.; RON, B.;
ALBECK, M.; SREDNI, B. Topical treatment for human papillomavirus-associated genital warts
in humans with the novel tellurium immunomodulator AS101: assessment of its safety and
efficacy. The British Journal of Dermatology, v. 160, n. 2, p. 403-408, 2009.
JESSE, C.; ROCHA, J.; NOGUEIRA, C,; SAVEGNAGO, L. Further analysis of the
antinociceptive action caused by p-methoxyl-diphenyl diselenide in mice. Pharmacology,
Biochemistry and Behavior, v. 91, n. 4, p. 573–580, 2009.
KLECZKOWSKA, P.; LIPKOWSKI, A. Neurotensin and neurotensin receptors: characteristic,
structure-activity relationship and pain modulation- a review.
European Journal
Pharmacology, v. 716, n. 1-3, p. 54-60, 2013.
LEE, J.; HALPERIN-SHEINFELD, M.; BAATAR, D.; MUGHAL, M.; TAE, H.; KIM, J.; CARTER,
A.; LUSTIG, A.; SNIR, O.; LAVIE, G.; OKUN, E.; MATTSON, M.; SREDNI, B.; TAUB, D.
Tellurium compound AS101 ameliorates experimental autoimmune encephalomyelitis by VLA4inhibition and suppression of monocyte and T cell infiltration into the CNS. Neuromolecular
Medicine, v. 16, n. 2, p. 292-307, 2013.
MILLAN, M. The induction of pain: na integrative review. Progress in Neurobiology, v. 57, n.
1, p. 1-164, 1999.
NOGUEIRA, C.; ROCHA, J. Toxicology and pharmacology of selenium: emphasis on synthetic
organoselenium compounds. Archives of Toxicology, n. 85, n. 11, p. 1313-1359, 2011.
NOGUEIRA, C.; ZENI, G.; ROCHA, J. Organoselenium and organotellurium compounds:
toxicology and pharmacology. Chemical Review, v. 104, n. 12, p. 6255-6285, 2004.
OKORONKWO, A.; ROSÁRIO, A.; ALVES, D.; SAVEGNAGO, L.; NOGUEIRA, C.; ZENI, G.
Synthesis of x-hydroxy-a-alkyl/aryl-c-organo-selenium and c-organo-tellurium: a new class of
organochalcogen compounds with antinociceptive activity. Tetrahedron Letters, v. 49, n. 20, p.
3252–3256, 2008.
PESSOA-PUREUR, R.; HEIMFARTH, L.; ROCHA, J. Signaling mechanisms and disrupted
cytoskeleton in the diphenyl ditelluride neurotoxicity. Oxidative Medicine and Cellular
Longevity, v, 2014, p. 1-21, 2014.
QUINES, C.; DA ROCHA, J.; SAMPAIO, T.; PESARICO, A.; NETO, J.; NOGUEIRA, C.
Involvement of the serotonergic system in the anxiolytic-like effect of 2phenylethynylbutyltellurium in mice. Behavioural Brain Research, v. 15, n. 277, p. 221-227,
2014.
SAVEGNAGO L.; VIEIRA, A.; SEUS, N.; GOLDANI, B.; CASTRO, M.; LENARDÃO, E.; ALVES,
D. Synthesis and antioxidant properties of novel quinoline–chalcogenium compounds.
Tetrahedron Letters, v. 54, n. 1, p. 40-44, 2013.
SHTRYGOL’SLU;
ZUBKOW,
V;
PODOL’SKII,
I;
GRITSENKO,
I.
2-Methyl-3phenylaminomethylquinolin-4-one as potential antidepressant with nootropic properties.
Eksperimental'naia i Klinicheskaia Farmakologiia, v. 75, n. 4, p. 7-9. 2012.
TIEKINK, E. Therapeutic potential of selenium and tellurium compounds: Opportunities yet
unrealized. Dalton Transactions, v. 41, n. 21, p. 6390-6395, 2012.
WILHELM, E.; JESSE, C.; BORTOLATTO, C.;
NOGUEIRA, C.; SAVEGNAGO, L.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
16
Antinociceptive and anti-allodynic effects of 3-alkynyl selenophene on different models of
nociception in mice. Pharmacology Biochemistry Behavior, v. 93, n. 4, p. 419-425, 2009.
WILHELM, E.; MACHADO, N.; PEDROSO, A.; GOLDANI, B.; SEUS, N.; MOURA, S.; S
SAVEGNAGO, L.; JACOB, R.; ALVES, D. Organocatalytic synthesis and evaluation of 7chloroquinoline-1,2,3-triazoyl carboxamides as potential antinociceptive, anti-inflammatory and
anticonvulsant agent. RSC Advances, v. 4, p. 41437-41445, 2014.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
17
PREVALÊNCIA DE MICRORGANISMOS EM BANDEJAS UTILIZADAS PELA
ENFERMAGEM NA ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS EM AMBIENTE
HOSPITALAR1
Kelly Kühn2; Cristiane Güths de Freitas3; Keli Staud4; Izabel Almeida Alves5.
1
Trabalho de Conclusão de curso.
Acadêmica do curso de farmácia Universidade Regional Integrada do Alto
Uruguai e das Missões (URI) Campus de Santo Ângelo, RS, Brasil.
[email protected]
3
Acadêmica do curso de enfermagem Universidade Regional Integrada do Alto
Uruguai e das Missões (URI) Campus de Santo Ângelo, RS, Brasil.
[email protected]
4
Acadêmica do curso de farmácia Universidade Regional Integrada do Alto
Uruguai e das Missões (URI) Campus de Santo Ângelo, RS, Brasil.
[email protected]
5
Professora Orientadora, Doutoranda em Ciências Farmacêuticas-UFRGS,
Curso de Farmácia URI. [email protected]
2
Introdução
Os hospitais constituem importante fonte de infecções, pois, albergam uma
vasta gama de microrganismos, principalmente bactérias. Há vários fatores que
contribuem para transmissão de microrganismos nos serviços de saúde, como
pacientes colonizados e/ou infectados, contaminação das mãos dos
profissionais, equipamentos e superfícies inanimadas próximo do paciente que
são tocadas pelas mãos dos profissionais e são potenciais reservatórios de
microrganismos.
Infecção hospitalar (IH) é aquela adquirida após a admissão do paciente e que
se manifesta durante a internação ou após a alta e, sua prevenção e controle
envolvem medidas de qualificação da assistência hospitalar, de vigilância
sanitária e outras. Com a lei nº 9.431/97 os hospitais são obrigados a manter
um Programa de Controle de Infecções Hospitalares (PCIH). Este programa é o
conjunto de ações desenvolvidas deliberada e sistematicamente com vistas à
redução máxima possível da incidência e da gravidade das infecções
hospitalares.
O termo infecção hospitalar vem sendo substituído nos últimos anos pelo termo
Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), no qual a prevenção e o
controle das infecções passam a ser considerados para todos os locais onde
se presta o cuidado e a assistência à saúde. Sendo assim, o hospital não é o
único local onde se pode adquirir uma infecção.
Em um estudo realizado em um hospital do interior de Minas Gerais foram
avaliados diversos erros de enfermagem. Entre os erros observados os mais
frequentes foram à falha na higienização das mãos, contaminações,
reutilização de materiais como bandejas, entre outros. Observou-se que as
bandejas eram utilizadas várias vezes sem ser realizada a desinfecção
necessária, sendo que esses itens merecem uma atenção intensa devido ser
um veículo de transmissão de infecção para os pacientes em área hospitalar.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
18
Portanto, conclui que as técnicas corretas de higienização das mãos, materiais
hospitalares e ambiente são importantes como medidas de controle de infecção
associadas a cuidados em saúde.
A limpeza e desinfecção de superfícies em ambientes hospitalares são
subsídios elementares e eficazes como medidas de controle para romper a
cadeia epidemiológica das infecções.
Através da problemática das infecções relacionadas à assistência a saúde
(IRAS), e da importância da limpeza das bandejas utilizadas para a
administração de medicamentos em hospitais, o trabalho tem por objetivo
verificar a prevalência de microrganismos em bandejas utilizadas pela
enfermagem para a administração de medicamentos em ambiente hospitalar,
através do crescimento dos mesmos por técnicas microbiológicas.
Metodologia
O estudo foi do tipo transversal de prevalência com abordagem quantitativa, e
a pesquisa foi realizada no segundo semestre de 2015, nas unidades de
internação de uma Instituição Hospitalar localizada na da região Noroeste do
Estado Rio Grande do Sul. A coleta das amostras foram feita por meio de
swabs estéreis, deslizando os mesmos nos quatro cantos externos, fundo e
centro interno das bandejas utilizadas pela enfermagem para a administração
de medicamentos.
As coletas foram realizadas durante os turnos da manhã, tarde e noite, em
número de duas coletas em cada unidade por turno nas unidades A, clínica
médica, unidade D, unidade E, pediatria e maternidade do Hospital Santo
Angelo-RS, logo após a utilização das bandejas para o procedimento de
administração de medicamentos. As amostras foram cultivadas primeiramente
em ágar sangue de carneiro 5% e ágar MacConkey, e incubadas a 37 o C
durante 24h (BECTON DICKINSON, 2014).
Após o tempo necessário para a incubação, os bacilos Gram-negativos
fermentadores, que cresceram apenas nos meio MacConkey, foram
identificados através de provas bioquímicas (MIO, LIA, TSI, Citrato e Urease) e
os não-fermentadores identificados com uso de um kit NF II (Probac, Brasil)
para identificação (BRASIL, 2004).
Os microrganismos que atingiram crescimento nas placas ágar sangue de
carneiro 5% foram identificados como cocos Gram-positivos, conforme
resultado do teste de Gram. Às mesmas foram realizadas para os testes da
catalase e coagulase. O teste de catalase consiste em coletar o centro de uma
colônia suspeita (devido sua aparência) e esfregá-la em uma lâmina. Colocar
sobre este esfregaço uma gota de água oxigenada a 3% e observar a formação
de bolhas. Para a família de Estafilococos a prova é geralmente positiva e o
teste de coagulase em tubo baseia-se na presença da coagulase livre que
reage com um fator plasmático que atua sobre o fibrinogênio formando a
fibrina, identificando assim se o estafilococo é S.aureus ou coagulase negativo
(BRASIL, 2004).
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
19
Resultados e Discussões
Em todas as unidade estudadas foram observados crescimento de bactérias
patogênicas nas bandejas, conforme pode ser observado na tabela abaixo. Nas
unidades apresentadas como amostras microbiológicas, destaca-se que a
Uniade D e a Unidade E onde foram as unidades onde se observaram maiores
números de microrganismos isolados.
A bactéria Staphylococcus é responsável por causar infecções do trato urinário,
respiratório, pele e endocardite. As cepas coagulase-negativas são muito
comuns na pele, podendo representar 90% da flora normal, são geralmente
patogênicas quando a barreira cutânea é rompida ou invadida por
procedimentos médicos (TORTORA et. al. 2002). A análise das mãos
apresentou 25,6% de contaminação por S. aureus em um estudo feito com
trabalhadores da área de enfermagem em um hospital de Pernambuco (SILVA
et. al. 2012), evidenciando a transmissão direta de agentes patológicos pelas
mãos dos profissionais da saúde.
Em uma pesquisa em três UTI (pediátrica e neonatal), foram analisadas
amostras de 9 bancadas e destas, 88,9% estavam contaminadas por
Staphylococcus coagulase negativa, e, na análise de 10 torneiras, 8
encontravam-se infectadas pela mesma bactéria, assim como 61,1% das
almotolias (MORAES et. al. 2013). A UTI Neonatal do hospital em estudo não
apresentou nenhum crescimento bacteriano, comprovando a eficácia da
higienização da equipe responsável nesta unidade considerada área crítica.
Num estudo feito no CTI Adulto do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, a
maioria das infecções primárias da corrente sanguínea (IPCS) pelo Catéter
Venoso Central (CVC) foi devido ao segundo microrganismo mais encontrado
nas análises, o Staphylococcus coagulase negativa (DALLÉ et. al. 2012). A
Unidade de Terapia Intensiva requer da equipe multidisciplinar muitos cuidados
no que se refere ao paciente e o que está em sua volta, como a higienização
das mãos e do mobiliário passivo, bem como a eficácia dos produtos de
limpeza.
Na Unidade E foi encontrado amostra isolada de Acinetobacter baumannii. Um
grande problema de saúde pública é o aumento da frequência de infecções
hospitalares associadas a espécies de Acinetobacter e o rápido
desenvolvimento de resistência destes microrganismos. Este gênero tem
elevada versatilidade nutricional e metabólica, podendo habituar-se facilmente
a vários ambientes. As espécies mais comumente encontradas como
colonizantes da pele humana são A. baumannii (MARTINS; BARTH, 2013).
A Acinetobacter baumannii tem surgido como um importante patógeno
nosocomial, responsável por diversos surtos principalmente em UTIs. Devido a
sua alta capacidade de mecanismos de resistência, sua disseminação precisa
de controle especial devido às poucas opções de tratamentos existentes
(MARTINS, 2013). Em adultos admitidos em UTIs de Goiânia e Aparecida de
Goiânia, em relação ao sítio de infecção desta bactéria os mais frequentes
foram pulmonar, seguido de infecção do sítio cirúrgico e trato urinário (GODOY,
2012).
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
20
As Pseudomonas, identificadas na Unidade B e Maternidade, são bacilos gramnegativos aeróbicos espalhados no solo e na água, capazes de sobreviver a
ambientes úmidos e em matérias orgânicas incomuns, como resíduos de sabão
ou adesivos de tampas de cateteres, capazes até mesmos de se
desenvolverem em compostos quaternários de amônio (antisséptico) sendo
resistentes a muitos antibióticos e desinfetantes. A P. aeruginosa foi isolada na
amostra, trazendo grande preocupação pela sua forma de sobrevivência em
meios tão incomuns como antissépticos e sabões.
Conforme a análise, portanto, o número total de microrganismos isolados, das
36 amostras, obteve-se o isolamento de 9 (seis) tipos de microrganismos
patogênicos. Assim, de acordo com a Tabela 1, pode-se verificar o percentual
obtido para cada microrganismo.
Tabela 1
Distribuição da coleta das amostras por turnos e crescimento de
microrganismos por unidade
UNIDADES
Amostras por
turnos
Crescimento
bacteriano
Microrganismos patogênicos
isolados (%)
M
T
1
N
3
M
T
-
N
2
M
1
T
3
N
M
1
1
T
2
N
3
M
T
N
M
T
N
1
1
1
-Staphylococcus coagulase negativa
Staphylococcus coagulase negativa
Staphylococcus aureus
Pseudomonas aeruginosa
--Staphylococcus aureus
Klebsiella ozaenae
Staphylococcus coagulase negativo
Klebsiella ozaenae
Klebsiella oxytoca
Staphylococcus aureus
Staphylococcus aureus
Staphylococcus aureus
Staphylococcus aureus
Staphylococcus coagulase negativo
Pseudomonas stutzeri
Staphylococcus coagulase negativo
Acinetobacter baumanni
-Staphylococcus coagulase negativo
--Staphylococcus coagulase negativo
Pseudomonas aeruginosa
Maternidade
Pediatria
Unidade D
Unidade E
Unidade A
Unidade B
Fonte: KÜHN et al., 20155
Conclusão
Perante isso, vale avigorar a importância dos investimentos em programas
educativos que sensibilizem os profissionais de saúde para sua prática
assistencial, tendo como alvo os processos de limpeza hospitalar do ambiente,
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
21
cuidados com equipamentos. E, especialmente a adoção de boas práticas por
estes profissionais como a monitorização sucessiva da higienização das mãos
seja entre os profissionais de saúde e também entre pacientes e pessoas que
circulam no ambiente de assistência à saúde como forma possível de se
reduzir a transferência de patógenos entre profissional, paciente e ambiente.
Referências Bibliográficas
BECTON DICKINSON GMBH. Instruções de utilização – meios em placas prontos a usar.
BD MacConkey II Agar, 2014.
BRASIL. Detecção e Identificação de Bactérias de Importância Médica. Agência Nacional
de Vigilância Sanitária, 2004.
CAMERINI FG, SILVA LD. Segurança do paciente: análise do preparo de medicação
intravenosa em hospital da rede sentinela. Texto Contexto Enfermagem, Florianópolis, 2011
Jan-Mar; 20(1): 41-9.
COELHO, MS., SILVA ARRUDA, C., FARIA SIMÕES, SM. Higienização das mãos como
estratégia fundamental no controle de infecção hospitalar: um estudo quantitativo.
Revista Electronica Trimestral de Enfermaría. p.12, 2011.
CUSTÓDIO, J., et al. Avaliação microbiológica das mãos de profissionais da saúde de um
hospital particular de Itumbiara, Goiás. Revista Ciências Médicas. Campinas, 2009. p. 7-11.
DALLÉ, J.; KUPLICH, N.M.; SANTOS, R.P.; SILVEIRA, D.T. Infecção relacionada a cateter
venoso central após a implementação de um conjunto de medidas preventivas (bundle)
em centro de terapia intensiva. Revista HCPA, 2012. p. 10-17.
FONTANA, Rosane Teresinha. As Micobactérias de Crescimento Rápido e a infecção
hospitalar: um problema de saúde pública. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília,
vol.61, n.3, p. 372, 2008.
GODOY, C.S.M. Infecções por Acinetobacter baumannii em adultos admitidos em
unidades de terapia intensiva (UTIs) de Goiânia e Aparecida de Goiânia. Dissertação de
mestrado. Universidade Federal de Goiás, Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública,
2012.
GUIMARÃES, A.C., et. al. Óbitos associados à infecção hospitalar, ocorridos em um
hospital geral de Sumaré-SP, Brasil. Revista Brasileira de Enfermagem, 2011. p. 864-869.
LABORCLIN Produtos para laboratórios. Manual para antibiograma – Difusão em Disco
(Kerby e Bauer), 2011.
MARTINS, A.F. Epidemiologia dos microrganismos multirresistentes. Journal of Infection
Control, 2013. p. 1-2.
MARTINS, A.F.; BARTH, A.L. Acinetobacter multirresistente – um desafio para a saúde
pública. Revista Scientia Medica (Porto Alegre), 2013. p. 56-62.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
22
EFEITO PROTETOR DO FLAVONOIDE QUERCETINA DIANTE DA AÇÃO
DO ESTRESSE TÉRMICO EM CAENORHABDITIS ELEGANS1
Renata Rodrigues Cardozo2; Larissa Marafiga Cordeiro3; Danielle Kunzler
Monteiro4; Bruna Comparsi5
1
Trabalho de Iniciação científica do curso de Biomedicina – PIBIC/IESA
Aluna do Curso de Graduação em Biomedicina do IESA, PIBIC/IESA, email:
[email protected]
3
Aluna do Curso de Graduação em Biomedicina do IESA, PIBIC/IESA, email:
[email protected]
4
Aluna do Curso de Graduação em Biomedicina do IESA, email:
[email protected]
5
Docente do curso de Biomedicina, Doutora em Ciências Biológicas:
Bioquímica Toxicológica, email: [email protected]
2
Introdução
Os flavonoides são constituintes de um grupo de polifenois e estão entre os
fitoquímicos mais estudados (LANDETE, 2013). O recente interesse por essas
substâncias tem sido estimulado pelos seus potenciais benefícios à saúde
(KUMAR; PANDEY, 2013). Muitos estudos observaram as propriedades
desses elementos e seus efeitos protetores contra diversas doenças
infecciosas e degenerativas, assim como doenças relacionadas com o
envelhecimento (DEL RIO et al., 2013; ROBY et al., 2013).
A quercetina é um dos mais abundantes flavonoides encontrados, e é
conhecida como potente antioxidante natural e eliminador de espécies reativas
de oxigênio e nitrogênio (ROS e RNS). A presença da porção catecol no anel B
e grupos hidroxila livres na estrutura de quercetina são responsáveis pelo seu
potencial antioxidante e pela capacidade em sequestrar radicais livres (NABAVI
et al., 2015). Nesse sentido, há indícios na literatura sobre a capacidade da
quercetina em reduzir o estresse causado pelo calor (FITZENBERGER et al.,
2014).
A variação de temperatura é um dos fatores de estresse mais importantes
existentes no ambiente (NOOR et al., 2013). A influência da temperatura acima
do tolerado, causa uma condição de estresse oxidativo intracelular, gerando
ROS e promovendo danos as células (NOOR, 2015).
Uma das estratégias celulares em resposta ao estresse térmico ou oxidativo é
a ativação das Proteínas de Choque Térmico (Heat Shock Proteins- HSPs).
Estas proteínas possuem a capacidade de interagir de forma reversível com as
proteínas que foram danificadas pela ação dos radicais livres em condições de
estresse, sua ação promove a proteção e manutenção da atividade proteica
(CASTRO et al., 2013). As HSPs são proteínas dependentes do Fator de
Choque Térmico-1 (Heat Shock Factors 1- HSF-1) que pode desencadear a
transcrição instantânea dos genes de HSPs (CIOCCA; ARRIGO;
CALDERWOOD, 2013).
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
23
Muitas vias que regulam a resposta ao estresse oxidativo e que influenciam a
taxa de envelhecimento em C. elegans estão relacionadas às HSPs (VOLOVIK
et al., 2014). No C. elegans a atividade de HSF-1 é altamente conservada e
regulada negativamente pelo fator de insulina (IGF-1) semelhante a via de
sinalização (IIS). Após a ativação do receptor de IIS, as proteínas DDL-1 e
DDL-2 são inibidas e assim ativam o HSF-1 de maneira dependente. Em
resposta o HSF-1 realiza um reconhecimento ao DNA específico e ativa
rapidamente o HSE e assim a HSP-16.2 é transcrita no citoplasma (CHIANG et
al., 2012). Além disso, acredita-se que a HSP-16.2 aumentada por HSF-1
previne a morte celular, assim espera-se que o HSF-1 e HSP-16.2 possam
evitar danos ou até mesmo mortes devido ao estresse (MCCOLL et al., 2010).
Diante disso, este trabalho tem como objetivo investigar os efeitos do
flavonoide quercetina diante da ação do estresse térmico no organismo modelo
C. elegans e sua relação com a proteína de choque térmico HSP-16.2.
Metodologia
Condições de cultura e manutenção
Utilizou-se neste estudo cepas selvagem (N2) e mutantes (PS3551 (hsf-1),
CL2070 (HSP16.2:: GFP)). Após sincronização os vermes foram mantidos a 20
ºC em meio sólido de crescimento de nematódeos (NGM) semeados com E.coli
(OP50) como uma fonte de alimento (BRENNER, 1978). Aos vermes testes
além das E. coli, também foi suspenso ao meio a concentração de 200 µM de
quercetina.
Tratamento com quercetina
A quercetina (200 µM) foi dissolvida previamente em dimetil-sulfóxido (DMSO)
e armazenada. Após a solidificação das placas contendo o meio NGM, a
bactéria foi semeada (E. coli, OP50) e cresceu nas placas por 24 horas (37 ºC).
A quercetina foi então distribuída nas placas de tratamento no volume de 200
µL. Os vermes das diferentes cepas em estágio L1 foram transferidos para
placas contendo ou não quercetina por 48 horas, além disso vermes em
estágio L1 também foram transferidos para placas contendo DMSO (veículo da
quercetina) para as análises descritas abaixo.
Estresse térmico
Para analisar a sobrevivência dos vermes tratados com quercetina por 48
horas frente ao estresse térmico seguimos o protocolo de tratamento abaixo:
(1) Estresse térmico;
(2) Quercetina 200 µM + Estresse térmico;
(3) DMSO 5% (200 µL) + Estresse térmico;
(4) Quercetina 200 µM;
(5) DMSO 5% (200 µL).
Foi observada a sobrevivência em cepas N2 e cepas mutantes PS3551 (hsf1),
ambas as cepas em fase larval L4. Os ensaios de choque térmico foram
realizados em duplicata. Para realizar esse ensaio 10 nematódeos de cada
tratamento foram colocados em microplacas contendo tampão M9 e expostos
ou não a 37 ºC durante 1 h. O número de vermes vivos foi contado após o
ensaio de estresse térmico. O ensaio foi realizado 3 vezes
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
24
Expressão de Proteínas de choque térmico
A fim de avaliar se a quercetina induz a expressão de proteínas de choque
térmico, a cepa CL2070 (hsp16.2:: GFP) foi tratada com quercetina conforme
descrito no item Tratamento com quercetina. Após 24 horas de tratamento, os
vermes foram lavados com M9 em eppendorfs. Então foram transferidos para
lâminas microscópicas contendo agarose 2% e anestésico e observados em
microscópio de fluorescência. As imagens foram adquiridas utilizando-se uma
câmera para fluorescência e o programa ImageJ (NIH) foi utilizado para análise
das imagens e densitometria.
Tratamento estatístico
A análise estatística foi realizada utilizando GraphPad Instat (Versão 5.0,
GraphPad Software, San Diego, CA). Diferenças significativas entre as médias
foram avaliadas por ANOVA de uma via seguido pelo Tukey multiple
comparison test. As análises foram consideradas estatisticamente significativas
quando p < 0,05.
Resultados e Discussão
O efeito protetor da quercetina sobre o parâmetro sobrevivência frente ao
estresse térmico foi pesquisado em cepas N2 e PS3551. Entre os vermes de
cepas N2 expostos ao calor (grupo HS), pode-se perceber redução de
aproximadamente 50% da sobrevivência, demonstrando a fragilidade do C.
elegans diante do estresse térmico (Figura 1A). O grupo de vermes submetido
ao calor e que recebeu suplementação apenas com DMSO apresentou
redução na taxa de mortalidade quando comparado ao grupo HS (Figura 1A),
este resultado já foi observado por FRANKOWSKI et al., (2013) durante estudo
realizado em C. elegans, os autores relataram que o DMSO, na concentração
de 0,9%, aumentou a expectativa de vida do nematódeo em 20% quando
comparado ao grupo controle.
Os resultados demonstram que o tratamento somente com quercetina (200 µM)
ou DMSO não interferiu na sobrevivência da cepa N2 durante o estresse
térmico (Figura 1A). Além disso, observou-se que a suplementação com
quercetina (200 µM) foi capaz de reduzir a mortalidade em C. elegans após a
exposição ao calor (Figura 1A) demonstrando um efeito protetor da quercetina
diante deste agente pró-oxidante.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
25
Uma via de toxicidade por estresse térmico é a geração elevada das ROS,
pode-se supor que a proteção da quercetina ocorreu através da redução da
acumulação das ROS devido a sua atividade antioxidante, entretanto, neste
estudo não realizou-se a determinação da produção de ROS (KAMPKÖTTER
et al., 2007).
Taxas de sobrevivência semelhantes foram verificadas em vermes da cepa
PS3551, entretanto, em cepas mutantes o DMSO não apresentou efeito
protetor frente a ação pró-oxidante do estresse térmico (Figura 1B).
Considerando que a quercetina foi capaz de proteger contra o estresse térmico
nesta cepa, podemos sugerir que o mecanismo de proteção da quercetina
independe ou depende parcialmente da ativação do fator de choque térmico,
ou seja, mesmo na ausência deste fator de transcrição, o efeito protetor é
mantido em parte. Em estudo realizado por FITZENBERGER et al., (2014),
demonstrou que a quercetina foi capaz de proteger a redução da sobrevivência
induzida concomitantemente pela glicose e pelo estresse térmico em C.
elegans.
Além disso, foi possível observar uma pequena redução na sobrevivência de
cepas PS3551 no grupo que recebeu suplementação apenas com DMSO e
quercetina (200 µM) (Figura 1B). Porém, a partir dos resultados obtidos
pretende-se testar outras doses da quercetina utilizando o mesmo protocolo
experimental para esclarecer melhor seus efeitos diante dos parâmetros
analisados.
Em seguida, testou-se os efeitos do tratamento com quercetina (200 µM) em
uma cepa transgênica (CL2070) reguladora de estresse para HSP-16.2 (Figura
2). A cepa foi tratada com quercetina por 24 horas e então observada em
microscópio de fluorescência. Observou-se então que o tratamento com
quercetina (200 µM) aumentou a expressão da HSP-16.2 na cepa CL2070
(Figura 2C) quando comparado ao grupo controle (Figura 2A). Além disso,
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
26
observou-se também que houve um pequeno aumento na expressão nos
vermes tratados com DMSO (Figura 2B) quando comparado ao grupo controle.
Diversos estudos disponíveis na literatura relacionam os efeitos protetores de
flavonoides e polifenois em C. elegans, como citado anteriormente, vários
autores defendem a atividade antioxidante da quercetina, entretanto
demonstrou-se aqui pela primeira vez os efeitos da quercetina em cepa
CL2070.
Conclusão
Em conclusão, demonstrou-se que a quercetina foi capaz de aumentar
significativamente a sobrevivência em C. elegans frente ao estresse térmico. A
capacidade de resistência do verme e o aumento de sua sobrevivência nessas
condições podem ser atribuídas a atividade antioxidante da quercetina e
também pela regulação da expressão da HSP-16.2 através da modulação da
cascata de sinalização insulina IGF-1/ IIS agindo de forma protetora para o
verme. Estes resultados sugerem que a quercetina tem efeitos benéficos sobre
a sobrevivência de C. elegans em condições de estresse térmico, e que ela
pode ter potencial na busca de compostos naturais que atuam contra danos à
células relacionados a diversas doenças que envolvem o estresse oxidativo.
Palavras-Chave: Ação antioxidante, Proteínas de Choque Térmico, Estresse
oxidativo.
Referências Bibliográficas
CASTRO, V.S. et al. Proteínas de choque térmico hsp 70: estrutura e atuação em resposta ao
estresse celular. Acta Veterinaria Brasilica, v.7, n.4, p. 261-271, 2013.
CIOCCA, D.R.; ARRIGO, A.P.; CALDERWOOD, S.K. Heat shock proteins and heat shock
factor 1 in carcinogenesis and tumor development: an update. Archives of Toxicology, v. 87,
n. 1, p. 19-48, 2013.
CHIANG, W.H. et al. HSF-1 Regulators DDL-1/2 Link Insulin-like Signaling to Heat-Shock
Responses and Modulation of Longevity. Cell, v.148, n. 1–2, p. 322–334, 2012.
DEL RIO, D. et al. Dietary (poly)phenolics in human health: Structures, bioavailability, and
evidence of protective effects against chronic diseases. Antioxidants and Redox Signaling, v.
18 n. 14, p. 1818-1892, 2013.
FITZENBERGER, E. et al. The polyphenol quercetin protects the mev-1 mutant of
Caenorhabditis elegans from glucose-induced reduction of survival under heat-stress
depending on SIR-2.1, DAF-12, and proteasomal activity. Mol Nutr Food Res, v. 58, n. 5, p.
98494, 2014.
FRANKOWSKI, H. et al. Dimethyl sulfoxide and dimethyl formamide increase lifespan of C.
elegans in liquid. Mech Ageing Dev, v. 134, n. 3-4, p. 69-78, 2013.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
27
HO, L. et al. Identification of brain-targeted bioactive dietary quercetin-3-Oglucuronide as a
novel intervention for Alzheimer's disease. The FASEB Journal, v. 27, n. 2, p. 769-781, 2012.
KAMPKÖTTER, A. et al. Investigations of protective effects of the flavonoids quercetin and rutin
on stress resistance in the model organism Caenorhabditis elegans. Toxicology, v. 234, n. 1–
2, p. 113–123. 2007.
KUMAR, S; PANDEY, A.K. Chemistry and biological activities of flavonoids: An overview. The
Scientific World Journal, v. 2013, p. 1-16, 2013.
LANDETE, J.M. Dietary intake of natural antioxidants: vitamins and polyphenols. Crit Rev Food
Sci Nutr, v. 53, n. 7, p. 706-721, 2013.
MCCOLL, G. et al. Insulin-like signaling determines survival during stress via Post
Transcriptional Mechanisms in C. elegans. Cell Metab, v. 12, n. 3, p. 260–272, 2010.
NABAVI, S.F. et al. Role of quercetin as an alternative for obesity treatment: You are what you
eat!. Food Chemistry, v. 179, n. 15, p. 305–310, 2015.
NOOR, R. et al. Influence of Temperature on Escherichia coli Growth in Different Culture
Media. Journal of Pure and Applied Microbiology, v. 7, n. 2, p. 899-904, 2013.
NOOR, R. Mechanism to control the cell lysis and the cell survival strategy in stationary phase
under heat stress. SpringerPlus, v. 4, p. 1-9, 2015.
ROBY, M.H. et al. Evaluation of antioxidant activity, total phenols and phenolic compounds in
thyme (Thymus vulgaris L.), sage (Salvia officinalis L.), and marjoram (Origanum majorana L.)
extracts. Industrial Crops and Products. v. 43, p. 827–831, 2013.
VOLOVIK, Y. et al. Differential Regulation of the Heat Shock Factor 1 and DAF-16 by Neuronal
nhl-1 in the Nematode C. elegans. Cell Reports. v. 9, n. 6, p. 2192–2205, 2014.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
28
AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE DA ENZIMA MIELOPEROXIDASE E
ENVOLVIMENTO DO SISTEMA SEROTONINÉRGICO NO EFEITO
ANTINOCICEPTIVO DE 7-CLORO-4 (FENILSELENO)QUINOLINA EM
CAMUNDONGOS1
Mikaela Pinz2; Vanessa Duarte Gonçalves da Silva3; Renata Leivas de
Oliveira4; Cristiane Luchese5; Ethel Antunes Wilhelm6
1
Parcela do trabalho de conclusão do curso
Iniciação científica; [email protected];
3
Mestranda,[email protected];
4
Iniciação científica, [email protected];
5
Professora, [email protected];
6
Professora, [email protected]
2
Introdução
A dor é descrita pela Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP)
como uma experiência sensorial e emocional desagradável associada com
danos nos tecidos, que pode estar relacionado ou não com a inflamação
(IASP,1994). Também é um sintoma clinicamente importante para a detecção e
avaliação de muitas doenças. Porém, quando persistente, a dor provoca
reações emocionais negativas, tornando-se debilitante e causadora de
sofrimento (CHAPMANE GAVRIN, 1999; JULIUS; BASBAUM, 2001; GRIFFIS
et al., 2006). Já a nocicepção refere-se apenas a parte fisiológica da dor, sem
levar em consideração os aspectos psicológicos que também influenciam na
percepção final da mesma (LOESER; TREEDE, 2008).
Durante o processo inflamatório, a migração e acúmulo de leucócitos ativados,
a vasodilatação, a diapedese e o acúmulo de transudatos comprimindo
terminações são evidentes e indicadores do processo.
Além disso, a
mieloperoxidase (MPO) é uma enzima presente em grânulos azurófilos de
células polimorfonucleares, principalmente neutrófilos e macrófagos, que
apresenta importante atividade pró-inflamatória e pró-oxidante.
Diversos fármacos estão disponíveis para o tratamento da dor e inflamação.
Entretanto, a maioria deles causam efeitos adversos relevantes, implicando
assim no prejuízo do uso contínuo. Por isso, há um crescente interesse em
identificar novos compostos para o tratamento destas enfermidades.
Neste sentido, diversos estudos tem demonstrado o efeito farmacológico de
compostos sintéticos de síntese simples, tais como os compostos orgânicos de
selênio (MULLER et al., 1984; MEOTTI et al., 2004; NOGUEIRA et al., 2004;
ZASSO et al., 2005). Alguns destes compostos tem demonstrado ações
efetivas sobre a dor e processos inflamatórios em modelos experimentais
(NOGUEIRA e ROCHA, 2011). Além destes, os compostos derivados de
quinolina também tem demonstrado importantes ações farmacológicas, como
propriedades antimaláricas, anti-inflamatórias, antitumorais, hipoglicemiantes,
anticarcinogênicas, anti-hipertensivas, anti-asmáticas, anti-histamínicas e
antidepressivas (BHASIN et al., 2010, KAUR et al., 2010, MARELLA, 2013;
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
29
SHTRYGOL' SIU et al., 2012), mostrando ser de grande valia sua associação a
compostos orgânicos de selênio.
Estudos prévios do nosso grupo mostraram que o composto 7-cloro-4(fenilseleno)quinolina (4-PSQ), um derivado de quinolina contendo selênio,
demonstrou resultados promissores na redução da nocicepção e inflamação
em alguns modelos experimentais. Desta forma, o presente estudo buscou
determinar o envolvimento da atividade da MPO e do receptor 5HT 3 do sistema
serotoninérgico no efeito anti-inflamatório e antinociceptivo do composto.
Metodologia
Todos os experimentos foram conduzidos de acordo com as normas do Comitê
de Ética e Bem-Estar Animal da Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
(CEEA-1987). Foram utilizados camundongos machos adultos da raça Swiss
provenientes do Biotério Central da UFPel. Estes foram acondicionados em
caixas separadas, sob condições de temperatura de 22 ± 2ºC e mantidos em
um ciclo de 12h claro/12h escuro. A dieta foi constituída de ração comercial
(GUABI, RS, Brasil) e água fresca ad libitum.
O composto 4-PSQ (Figura 1) foi sintetizado de acordo com Savegnago e
colaboradores (2013) no Laboratório de Síntese Orgânica Limpa da UFPel.
Figura 1- Estrutura química de 7-cloro-4-(fenilseleno)quinolina
O teste do edema induzido por óleo de cróton é um modelo inflamatório que foi
realizado de acordo com Tubaro et al. (1986) e Romay et al. (1998), com
algumas modificações. 4-PSQ (0,1 - 25 mg/kg, per oral (p.o.)), meloxicam (25
mg/kg, p. o.) ou o veículo apropriado foram administrados topicamente 30
minutos antes da aplicação de 2,5% de óleo de cróton em acetona (20 µL /
orelha) na orelha direita de cada camundongo. O mesmo volume (20 µL) de
acetona foi aplicado na orelha esquerda. Quatro horas após a aplicação do
agente flogístico os camundongos foram submetidos à eutanásia e ambas as
orelhas foram cortadas na base e a diferença de peso entre as amostras de
orelha controle (esquerda) e da orelha tratado com óleo de cróton (direita)
foram pesadas em uma balança analítica (SWINGLE et al., 1981). Os
resultados obtidos são representados em peso (mg). Subsequentemente, as
orelhas foram usadas para determinar a atividade da enzima MPO.
A atividade da MPO foi determinada de acordo com o método de Suzuki e
colaboradores (1983). A análise cinética desta enzima foi iniciada depois da
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
30
adição de H2O2 (0,01%) e a reação colorimétrica foi medida a 655 nm a 37 °C.
Os resultados são expressos como a densidade óptica (OD)/mg de
proteína/min.
A investigação do possível envolvimento do sistema serotonérgico na ação
antinociceptiva do composto 4-PSQ foi realizado através do pré-tratamento dos
animais com ondansetron (0,5 mg/kg, intraperitoneal (i.p), antagonista do
receptor 5-HT3). Após 15 minutos, os animais foram tratados com 4-PSQ (25
mg/kg, per oral) ou veículo. Trinta minutos após a administração do composto,
os animais foram avaliados no teste de contorções abdominais induzidas por
ácido acético (1,6%, i.p, 450 μl. Os animais foram colocados individualmente
em caixas de vidro e o número de contorções abdominais foi cumulativamente
quantificado durante 20 minutos (CORREA, 1996).
Resultados e discussão
O óleo de cróton aumentou significativamente a atividade da enzima MPO nas
orelhas dos camundongos, quando comparado com o grupo controle. O prétratamento com 4-PSQ (25 mg/kg) ou meloxicam (25 mg/kg, fármaco de
referência), protegeu contra o aumento na atividade da enzima MPO na orelha
de camundongos induzido pelo óleo de cróton, bem como, protegeu contra a
formação do edema, conforme observado na Figura 2B e 2A, respectivamente.
Figura 2 - Efeito da administração oral de 4-PSQ na formação de edema (A) e
a atividade de MPO induzida pelo óleo de croton na orelha direita de
camundongos (B). Os dados foram expressos como média ± erro-padrão, foi
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
31
realizado o pós-teste de Newman-Keuls, com *p <0,05, #p <0,01; *** p<0,05
quando comparado com o grupo controle.
Atividade da enzima MPO é um marcador de influxo de neutrófilos para o
tecido (WERNER e SZELENYI, 1992). Sendo assim, a redução de neutrófilos e
macrófagos infiltrados no tecido parece ser um dos possíveis mecanismos
envolvidos na atividade antinociceptiva e anti-inflamatória do composto 4-PSQ.
Na Figura 3, pode-se constatar que o antagonista ondansetron não reverteu a
ação antinociceptiva de 4-PSQ, dessa forma sugerindo que o receptor 5HT3 do
sistema serotoninérgico não estaria envolvido na ação antinociceptiva do
composto. Porém mais estudos são necessários para avaliar o envolvimento de
outros receptores envolvidos na atividade anti-inflamatória e antinociceptiva de
4-PSQ.
Figura 3- Efeito do Ondansetron na ação antinocicpetiva de 7-cloro-4(fenilseleno)quinolina (4-PSQ) no teste de contorções abdominais induzidas
por ácido acético. Os dados foram expressos como média ± erro-padrão, foi
realizado o pós-teste de Newman-Keuls, com *p ≤ 0,001 em comparação ao
grupo controle veículo e #p ≤ 0,001 em comparação ao grupo controle
Ondansetron.
Conclusão
Pode-se observar que o composto 4-PSQ possui ação anti-inflamatória pois
reduziu a atividade da enzima MPO, a qual está envolvida em processos
inflamatórios. Além disso, pode-se sugerir também que o receptor 5HT3 do
sistema serotoninérgico não está envolvido na ação antinociceptiva e antiinflamatória deste composto.
Palavras-chave: Anti-inflamatório, antinociceptivo, camundongos, selênio
Referências bibliográficas
BHASIN, K.K. Synthesis and characterization of novel quinolone selenium compounds: X-ray
structure of 6-methoxy-3H-[1,2]diselenolo[3,4-b]quinoline. Journal of Organometallic
Chemistry, v. 695, p.1065-1068, 2010.
CHAPMAN, C.R.;GAVRIN, J. Suffering: the contributions of persistent pain. The Lancet, v. 353,
p. 2233 – 2237,1999.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
32
CORREA, C.R.; KYLE, D.J.; CHAKRAVERTY, S.; CALIXTO, J.B. Antinociceptive profile of the
pseudopeptide B2 bradykinin receptor antagonist NPC 18688 in mice.British Journal of
Pharmacology, v. 117, p 552–558, 1996.
GRIFFIS, C.A.; COMPTON, P.; DOERING, L. The effect of pain on leucocyte cellular adhesion
molecules. Biological Research For Nursing , v. 7, p. 297 – 312, 2006.
International Association for the Study of the Pain Task Force on Taxonomy. Classification of
chronic pain: descriptions of chronic pain syndromes and definitions of pain terms. 2ª ed.
Seattle, WA: IASP Press; 1994.
JULIUS, D.; BASBAUM, A.I. Molecular mechanisms of nociception. Nature, v.413, p. 203 –
210, 2001.
KAUR, K.; JAIN, M.; REDDY, R.P.; JAIN, R. Quinolines and structurally related heterocycles as
antimalarials. European Journal of Medicinal Chemistry, v.45, p. 3245- 3264, 2010.
LOESER, J.D.; TREEDE, R.D. The kyoto protocol of iasp basic pain terminology. Pain, v. 137,
p. 473–477,2008.
MARELLA, A.; TANWAR, O.P.; SAHA, R.; ALI, M.R.; SRIVASTAVA, S.; AKHTER, M.;
SHAGUIGUZZAMAN, M.; ALAM, M.M. Quinoline: A versatileheterocyclic. Saudi
Pharmaceutical Journal, v. 21, p.1-12, 2013.
MEOTTI, F.C.; BORGES, V.C.;ZENI, G.; ROCHA, J.B.T.; NOGUEIRA, C.W. Potential renal and
hepatic toxicity of diphenyldiselenide, diphenylditelluride and ebselen for rats and mice.
Toxicology Letters, v.143 p. 9 – 16, 2003.
MULLER, A.; CADENAS, E.; GRAF, P.; SIES, H. A novel biologically active
selenoorganiccompound I. Glutathione peroxidase-like activity in vitro and antioxidantcapacity
of PZ51 (Ebselen). Biochemistry Pharmacology,v. 33 p.3235 – 3239,1984.
NOGUEIRA, C.; ZENI, G.; ROCHA, J. Organoselenium and organotellurium compounds:
Toxicology and Pharmacology. Chemical Reviews, v.104, p. 6255-6285, 2004.
NOGUEIRA, C.W.; ROCHA, J.B; Toxicology and pharmacology of selenium: emphasis on
synthetic organoselenium compounds. Archives of Toxicology, v. 85, p. 1313-1359, 2011.
ROMAY, C.; LEDON,N.; GONZÁLEZ R.Further studies on anti-inflammatory activity of
hycocyanin in some animal models of inflammation. Inflammation Research, v. 47, p.334–8,
1998.
SAVEGNAGO, L. Antinociceptive and anti-allodynic effects of 3-alkynyl selenophene on
different models of nociception in mice. Pharmacology, Biochemistry and Behavior, v.93, p.
419–425, 2009.
SHTRYGOL,
S;
ZUBKOV,
V.; PODOL'SKIĬ,
I.; GRITSENKO,
I.
2-Methyl-3phenylaminomethylquinolin-4-one as potential antidepressant with nootropic properties. Eksp
Klin Farmakol, v.75, p. 7-9, 2012.
SUZUKI, K.; OTA, H.; SASAGAWA, S.; SAKATANI, T.; FUJIKURA, T. Assay method for
myeloperoxidase in human polymorphonuclear leukocytes. Analytical Biochemistry, v.132 p.
345–52, 1983.
TUBARO, A.; DRI, P.; DELBELLO, G.; ZILLI, C.; DELLALOGGIA, R. The croton-oil ear test
revisited. Agents Actions, v.17, p. 347–9, 1986.
WERNER, U.; SZELENYI, I. Measurement of MPO activity as model for detection of
granulocyte infiltration in different tissues. Agents Actions, v.36 p. 101–3,1992.
ZASSO, F.B.; GONÇALES, C.E.P.;JUNG, E.A.C.; ARALDI, D.; ZENI, G.; ROCHA, J.B.T.;
NOGUEIRA, C.W. On the mechanisms involved in antinociception induced by
diphenyldiselenide. Environmental Toxicology and Pharmacology, v.19 p. 283 – 289, 2005.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
33
ANÁLISE COMPARATIVA DE AGENTES MICROBIOLÓGICOS DO COLO
UTERINO NA REGIÃO NORTE E NOROESTE DO RS
Luana Taís Hartmann Backes2, Vanusa Manfredini 3, Luciane Noal Calil4
1
Trabalho de pesquisa - Curso Técnico em Citopatologia - Pronatec
Biomédica, Mestre em Envelhecimento Humano, Especialista em Análises
Clínicas e Toxicológicas, Professora no Curso Técnico em Citopatologia no
Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo IESA/CNEC - Email:
[email protected]
3
Docente na Universidade Federal do Pampa UNIPAMPA – Email:
[email protected]
4
Doutora em Ciências Médicas, Docente na Universidade Federal do Rio
Grande do Sul UFRGS . Email: [email protected]
2
Introdução
As inflamações são consideradas um conjunto de fenômenos de reações a
qualquer agressão tissular, seja bacteriana, viral, micótica, parasitária, póstraumática, química ou física. Isto é, modificações que ocorrem nos tecidos
vivos mediantes a determinados tipos de agressões, sendo uma das principais
reações defensivas do organismo (CHIUCHETTA et al., 2002).
O trato genital feminino apresenta uma grande suscetibilidade às inflamações
que pode variar de acordo com a idade e a localização anatômica. Em
mulheres na idade reprodutiva, o epitélio escamoso altamente proliferativo da
ectocérvice serve como um excelente meio de barreira contra as lesões, já em
crianças e nas menopausadas o epitélio é geralmente atrófico e, essa condição
favorece a instalação de reações inflamatórias (PEREIRA et al., 2012).
O diagnóstico citológico destas infecções, através do exame de papanicolaou
permite determinar facilmente e com pouco custo, parâmetros estatísticos de
uma população e assim, estabelecer precocemente a terapêutica e
complicações futuras. Um extensivo espectro de agentes patogênicos pode ser
detectado na microflora vaginal, isto se dá, provavelmente, por algum
desequilíbrio na flora vaginal normal (SÁEZ et al., 2013).
Segundo alguns autores, os agentes infecciosos mais comuns são a
Gardnerella vaginalis, Trichomonas vaginalis e Candida sp, sendo
responsáveis por 90% dos casos de infecções cervicais (MURTA et al., 2001).
A Gardnerella vaginalis é o agente causal da vaginose bacteriana e é
diagnosticada quando critérios já estabelecidos estiverem presentes, como: pH
vaginal maior de 4.5, presença de “clue-cells” ou células-alvo no fluído ou
esfregaços vaginais; leucorréia fluída, cinza ou branca. Embora a citologia
cervicovaginal não seja o exame de escolha para avaliação da microbiota
vaginal,este teste apresenta sensibilidade de 92% e especificidade de 97%
para detecção de vaginose bacteriana (RIBEIRO et al., 2007).
Trichomonas vaginalis é um protozoário flagelado, comumente encontrado ao
nível dos órgão genitais inferiores da mulher, e ao nível de próstata e uretra no
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
34
homem (MURTA et al., 2001; MARTINS et al., 2007). A infecção causada pela
Trichomonas vaginalis é transmitida por contato sexual, sendo algumas
mulheres assintomáticas. É caracterizada pelo aparecimento de odor fétido,
dispareunia, ardência e prurido na região genital (NAI et al., 2007).
A candidíase vulvovaginal, causada pela Candida spp. é um distúrbio
ocasionado pelo crescimento de fungos do tipo leveduras na mucosa do trato
genital feminino. Trata-se de uma infecção de vulva e vagina, causada por
leveduras comensais que habitam a mucosa vaginal. Estas leveduras podem
tornar-se agressivas quando o sítio de colonização do hospedeiro passa a ser
favorável para o seu desenvolvimento; 80 a 90% dos casos são devidos a
Candida albicans, e 10 a 20% a outras espécies chamadas não C. albicans (C.
tropicalis, C. glabrata, C. krusei, C. parapsilosis) (MURTA et al., 2001).
Tendo em vista a presença destes microrganismo e da possibilidade de outros
agentes acometerem o colo uterino, causando lesões e também doenças
precursoras do câncer de colo do útero, o presente estudo tem por objetivo
determinar a prevalência dos agentes mais comuns, bem como relacionar os
fatores epidemiológicos em exames citopatológico abrangendo a região Norte e
Noroeste do estado do RS, contribuindo para o avanço do conhecimento
destes problemas, afim de enfatizar a prevenção destas doenças, como uma
medida das políticas públicas de saúde.
Metodologia
Foi realizado um estudo quantitativo, comparativo e restrospectivo através da
análise de dados de exames citológicos cervicovaginais obtidos por meio do
Sistema SISCOLO do Ministério da Saúde, provenientes de um Laboratório
privado da cidade de Erechim – RS, que recebe exames oriundos de 84
Unidades Básicas de Saúde da região do Alto Uruguai do Rio Grande do Sul e
de 72 Unidades Básicas de Saúde da região Noroeste do estado do Rio
Grande do Sul representando as duas regiões analisadas, realizado no período
de julho a dezembro de 2012.
O resultado do diagnóstico citopatológico das pacientes, foi obtido através de
uma prévia coleta do material cervicovaginal e obedecendo todas as normas de
procedimentos. O material foi coletado nas Unidades Básicas de Saúde a partir
da ectocérvice e endocérvice distribuído em lâmina através da espátula de
Ayre e citobrush. Os esfregaços foram fixados em etanol a 95%. As amostras
encaminhadas ao laboratório foram então coradas pelo método de
Papanicolaou. A análise citológica foi realizada pelo Sistema de Bethesda,
2001.
Resultados e discussão
Foi analisado um total de 9782 exames citológicos cervicovaginais nas duas
regiões distintas do estado do Rio Grande do Sul. Na região Norte 6499
exames, onde a flora prevalente foi a flora lactobacilar com 3950 exames
(60,8%), seguido pela flora mista com 771 (11,9%), Gardnerella vaginalis com
675 (10,4%), Candida sp com 83 (1,3%) e Trichomonas vaginalis com 25
exames (0,38%). Casos de flora cocóide não foram relatados como pode ser
observado na figura 1.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
35
Figura 1- Prevalência de agentes microbiológicos encontrados em exames
cervicovaginais na região Norte do estado do RS.
Na região noroeste 3283 exames foram analizados, onde a flora prevalente foi
a de lactobacilos com 1877 exames (57,2%), seguido por Gardnerella vaginalis
com 599 (18,2%), a flora cocóide esteve presente com 532 (16,2%), a flora
mista com 158 (4,8%) e, Candida sp com 98 (2,9%) e Trichomonas vaginalis
com 19 (0,58%), como pode ser observado na figura 2.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
36
Figura 2 - Prevalência de agentes microbiológicos encontrados em exames
cervicovaginais na região Noroeste do estado do RS
A predominância dos lactobacilos (Bacilos de Döederlein), produtores de
peróxido tem sido reconhecida como responsável pela manutenção do
equilíbrio do ecossistema vaginal, mantendo o pH ácido vaginal (pH em torno
de 4.5), dificultando a presença de patógenos (CAMPITELLI; HASENACK,
2009). Sendo que a perda dos lactobacilos pode predispor à aquisição de
infecções geniturinárias, por esta razão, os lactobacilos auxiliam na
restauração da microbiota vaginal e na prevenção de infecções (BECKER,
2011). Verificou-se um predomínio da flora lactobacilar nas duas regiões, na
população estudada.
As mulheres sexualmente ativas, nas faixas etárias onde a ocorrência de
lactobacilos está reduzida, aparece a flora de Candida sp, Gardnerella vaginalis
e Trichomonas vaginalis, provocando o surgimento de vaginites. Em trabalho
realizado por Silva et al12, no município de Presidente Dutra, estado do
Maranhão, foram encontrados percentuais que se assemelham aos resultados
do presente estudo, onde Gardnerella vaginalis (22,7%), seguido de Candida
sp. (12,5%) e Trichomonas vaginalis (6,6%).
Quanto ao Trichomonas vaginalis, sua presença pode estar relacionada à
idade, em nosso estudo observou-se que em torno dos 25 anos de idade
representauma faixa de ativa, maior número de parceiros sexuais, oque
consequentemente predispõe á infecções sexualmente transmissíveis e
microrganismos. Neste estudo, observou-se um menor percentual de agentes
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
37
em relação aos demais, o que vem ao encontro dos dados encontrados por
(RIBEIRO et al., 2007).
Os índices do nosso estudo apontaram diferença estatisticamente significativa
(p<0,05) entre as médias de idades. Observou-se que a média de idades foi de
39,4 anos na população feminina diagnosticada da região norte, e na região
noroeste a média foi 38,6 anos de idade, como pode-se observar na tabela 1.
Tabela 1
Médias de idades das pacientes referentes aos agentes microbiológicos
encontrados a partir dos exames cervicovaginais nas duas regiões distintas do
estado do RS.
Flora
Região Norte
Região Noroeste Valor de P
Lactobacilos
36,8
36,9
P=0,91
G. vaginalis
37,9
40,1
P=0.21
Candida sp.
31,8
30,1
P=0,055
T. vaginalis
29,0
30
P=0,92
Cocos
Flora Mista
Média Total
55,1
46,0
39,4
56,2
38,4
38,6
P=0,46
P=0,009
P<0.05
Em relação à idade, a amostragem foi de pacientes entre 20 e 49 anos,
sexualmente ativas, não havendo diferença estatística entre os grupos. Assim,
os dados sugerem que a maior frequência de vaginose bacteriana, pode estar
associados ao trato cervicovaginal de mulheres jovens, devido que a maior
descarga vaginal acontece nos anos reprodutivos, com maior produção de
secreção pelas glândulas cervicais, e pela descamação das células vaginais e
também maior presença das bactérias na flora microbiológica (RODRIGUEZ et
al., 2010).
Conclusão
Os sintomas indesejáveis causados pelos agentes infecciosos modificando a
flora normal e o controle citopatológico justifica a necessidade do screening
periódico, prevenindo o avanço das alterações citopatológicas. Com este
estudo concluiu-se que houve uma maior infecção por Cândida sp.
principalmente em mulheres com idades mais avançadas, e este
microrganismo teve maior prevalência na região Norte do estado do RS, bem
como a presença de flora mista que também foi mais relevante nesta
população em comparação com a região Noroeste do estado do RS. Este
estudo, considerado por relacionar os fatores epidemiológicos em exames
citopatológicos abrangendo duas regiões distintas do estado do RS, vem
contribuir para o avanço do conhecimento dos problemas públicos de saúde
enfrentados pela população, pretendendo enfatizar que a prevenção das
patologias de colo de útero são de extrema importância e deveriam ser vistos
com maior rigidez afim da promoção de saúde pública nestas regiões.
Palavras-chave: Agentes microbiológicos, Exame citopatológico, Prevenção.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
38
Referências bibliográficas
BECKER D.L. Correlação entre Infecções Genitais e Alterações Citopatológicas Cervicais em
Pacientes Atendidas no Sistema de Saúde Pública de Porto Alegre. Jornal Brasileiro de
Doenças Sexualmente Transmissíveis. v. 23, n. 3, p. 116, 2011.
CAMPITELLI, D.V.R.; HASENACK, B. S. Prevalência de Trichomonas vaginalis, Candidasp e
Gardnerella vaginallis em Esfregaços Cérvico-vaginais de Pacientes Atendidos em uma
Unidade Básica de Saúde do Norte do Paraná. Laes & Haes. v.1, n. 1, p. 90, 2009.
CHIUCHETTA, G.I.R.; RUGGERI, L.S.; PIVA, S.; CONSOLARO, M.E.L. Estudo das
inflamações e infecções cérvico-vaginais diagnosticadas pela citologia. Arquivos de Ciencia e
Saúde UNIPAR. v. 6, n. 2, p. 123-128, 2002.
MARTINS M.C.L.; BÔER C.G.; SVIDZINSKI T.I.E.; DONIDALG; MARTINS P.F.A.; BOSCOLI
F.N.S.; et al. Avaliação do método de Papanicolaou para triagem de algumas infecções
cérvico-vaginais. Revista Brasileira de Análises Clínicas. v. 39, n. 3, p. 217-221, 2007.
MURTA, E.F.C.; SOUZA, M.A.H.; ADAD, S.J., ARAÚJO JUNIOR, E. Infecção pelo
papilomavírus humano em adolescentes: relação com o método anticoncepcional, gravidez,
fumo e achados citológicos. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. v. 23, n. 4, p.
217-221, 2001.
NAI G.A.; MELLO A.L.P.; FERREIRA A.D.; BARBOSA R.L. Freqüência de gardnerellavaginalis
em esfregaços vaginais de Pacientes histerectomizadas. São paulo. 2007.
PEREIRA, D.C.; BACKES, L.T.H.; CALIL, L.N.; FUENTEFRIA, A.M. A six-year epidemiological
survey of vulvovaginal Candidiasis in citopathology reports in the state of Rio Grande do Sul,
Brazil. Revista de Patologia Tropical. v. 41, p. 163-168, 2012.
RIBEIRO A.A.; OLIVEIRA D.F.; SAMPAIO M.C.N.; CARNEIRO M.A.S.; TAVARES S.B.N.;
SOUZA N.L.A.; et al. Agentes microbiológicos em exames citopatológicos: estudo de
prevalência. Revista Brasileira de Análises Clínicas. v. 39, n. 3179-181, 2007.
RODRIGUEZ A.C., SCHIFFMAN M., HERRERO R., HILDESHEIM A., BRATTI C., SHERMANN
ME, et al. Longitudinal Study of Human Papillomavirus persistent and cervical intraepithelial
neoplasia grade 2/3: Critical role of duration of infection. JNCI. v. 102, n. 5, p. 315-324. 2010.
SÁEZ, A.; GALLEGO, I.; GARCÍA-ANDRADE, C.; CARRIZO, R.; ROMERO, I.; CORTÉS, J.;
LOZANO, C.; VARGAS, J.; BAJO, J. Initial evaluation of the efficiency of the clinical application
of the new cervical cancer screening recommendations. Revista Brasileira de Ginecologia e
Obstetrícia. v. 55, n. 3, p. 140-143, 2013.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
39
AVALIAÇÃO DOS MECANISMOS ENVOLVIDOS NA AÇÃO
ANTINOCICEPTIVA DE 7-CLORO-4-(FENILSELENO)QUINOLINA EM
CAMUNDONGOS1
Vanessa Duarte Gonçalves da Silva2; Márcia Juciele da Rocha3; Mikaela Pinz4;
Cristiane Luchese5; Ethel Antunes Wilhelm6
1
Resultados parciais da dissertação de mestrado
Mestranda, [email protected];
3
Mestranda, [email protected];
4
Iniciação científica, [email protected];
5
Professora, [email protected];
6
Professora, [email protected]
2
Introdução
A dor é um dos principais sintomas clínicos para a detecção e avaliação de
doenças, pois atua como um mecanismo de defesa para manter a integridade
do organismo. Por outro lado, a dor é um fenômeno de suprema relevância
uma vez que diminui drasticamente a qualidade de vida de seus portadores. A
dor causa reações emocionais negativas e, quando persistente, torna-se
debilitante e causadora de sofrimento (MILLAN, 1999; JULIUS e BASBAUM,
2001; GRIFFIS, COMPTON e DOERING, 2006).
Muitos esforços têm sido dedicados, buscando compreender os mecanismos
celulares e moleculares envolvidos na origem da dor, com o objetivo de
encontrar drogas eficazes, com baixos efeitos colaterais e que possam ser
empregadas nesta circunstância (SZOLCSÁNYI et al., 2011; WELCH et al,
2012; NADAL et al, 2013). Atualmente não existe tratamento satisfatório e nem
medidas adequadas e específicas para o controle da dor, o que motiva novos
estudos para a descoberta de tratamentos efetivos.
Neste sentido, derivados quinolínicos têm recebido a atenção de
pesquisadores devido às suas importantes ações farmacológicas, incluindo as
propriedades anti-inflamatória, antimalárica, antitumoral, anticarcinogênica,
anti-hipertensiva, anti-asmática, anti-histamínica e antidepressiva (BHASIN et
al., 2010, MARELLA, 2012; SHTRYGOL' SIU et al., 2012). Manera e
colaboradores (2007) revelaram que derivados de quinolina apresentam ação
antinociceptiva in vivo, possivelmente devido a sua alta afinidade por
receptores canabinóides. Esta classe de compostos também apresenta potente
atividade em modelo de dor neuropática em ratos (BARE et al., 2007).
Recentemente, nosso grupo de pesquisa demonstrou as ações antinociceptiva,
anti-inflamatória
e
anticonvulsivante
de
7-cloroquinolina-1,2,3-triazoil
carboxamidas em camundongos (WILHELM et al., 2014), reforçando o
potencial desta classe de compostos.
Paralelamente aos derivados de quinolina, destacam-se os compostos
orgânicos do selênio, os quais possuem síntese simples e atividades
farmacológicas relevantes (NOGUEIRA e ROCHA, 2011). Inúmeros compostos
orgânicos de selênio exercem ações efetivas sobre a dor e processos
inflamatórios em modelos experimentais (WILHELM et al., 2009; BRUNNING et
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
40
al., 2010). De acordo, Luchese e colaboradores (2012) demonstraram que o
disseleneto de difenila, um organoselênio, reduz o processo inflamatório
causado por pleurisia induzida por carragenina em camundongos.
Neste sentido, nosso grupo de pesquisa tem buscado elucidar as propriedades
farmacológicas de 7-cloro-4-(fenilseleno)quinolina (Figura 1). Savegnago e
colaboradores (2012) demonstraram que este composto inibe a peroxidação
lipídica e possui capacidade redutora do íon férrico, mostrando-se como um
potente antioxidante. Recentemente evidenciamos um importante potencial
farmacológico de 7-cloro-4-(fenilseleno)quinolina em modelos de nocicepção e
inflamação em camundongos. Desta forma, torna-se de grande importância a
investigação dos possíveis mecanismos envolvidos nas ações farmacológicas
deste derivado quinolínico.
Figura 1- Estrutura química de 7-cloro-4-(fenilseleno)quinolina.
Metodologia
O composto 7-cloro-4-(fenilseleno)quinolina foi sintetizado de acordo com
Savegnago e colaboradores (2013) no Laboratório de Síntese Orgânica Limpa
da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL-RS). As drogas serão adquiridas
da Sigma (St Louis, MO, USA).
Todos os experimentos que se encontram aqui descritos foram conduzidos de
acordo com as normas do Comitê de Ética e Bem-Estar Animal da UFPel
(CEEA/UFPel, n° 8997). Foram utilizados camundongos machos adultos
(pesando entre 25 - 30g) da raça Swiss provenientes do Biotério Central da
UFPel. Estes foram acondicionados em caixas separadas, sob condições de
temperatura de 22 ± 2ºC e mantidos em um ciclo de 12h claro/12h escuro. A
dieta foi constituída de ração comercial (GUABI, RS, Brasil) e água fresca ad
libitum.
A investigação do possível envolvimento do sistema serotonérgico na ação
antinociceptiva do composto 7-cloro-4-(fenilseleno)quinolina foi realizado
através do pré-tratamento dos animais com pindolol (1 mg/kg, intraperitoneal,
antagonista 5-HT1A/1B e antagonista β-adrenérgico), ketanserin (0,3 mg/kg,
intraperitoneal, antagonista preferencial dos receptores 5HT2A) ou way100635
(0,5 mg/kg, i.p., antagonista dos receptores 5-HT1A). Após 15 minutos, os
animais foram tratados com 7-cloro-4-(fenilseleno)quinolina (25 mg/kg, per oral)
ou veículo. Trinta minutos após a administração do composto, os animais foram
avaliados no teste de contorções abdominais induzidas por ácido acético.
O teste das contorções abdominais induzidas por ácido acético é descrito como
um modelo típico de nocicepção inflamatória visceral e permite avaliar a
atividade antinociceptiva de substâncias que atuam tanto em nível central
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
41
quanto periférico. A resposta nociceptiva foi induzida pela injeção
intraperitoneal de 450 µl de ácido acético (1,6%). As contorções abdominais
consistem na contração da musculatura abdominal juntamente com a extensão
das patas posteriores. Após a injeção de ácido acético, os camundongos foram
colocados individualmente em caixas de vidro apropriadas e o número de
contorções abdominais foi cumulativamente quantificado durante um período
de 20 minutos (CORREA, 1993).
Resultados e discussão
Os resultados demonstrados na figura 2 revelaram que o ketanserin, um
antagonista preferencial dos receptores 5HT 2A, reverteu parcialmente a ação
antinociceptiva de 7-cloro-4-(fenilseleno)quinolina (25 mg/kg). Como verificado
nas figuras 3 e 4, o efeito antinociceptivo do composto foi parcialmente
bloqueado pelos antagonistas way100635 (antagonista dos receptores 5-HT1A)
e pindolol (antagonista 5-HT1A/1B e β-adrenérgico), respectivamente. Este
conjunto de resultados sugere que o sistema serotoninérgico está envolvido na
ação antinociceptiva de 7-cloro-4-(fenilseleno)quinolina em camundongos.
Number of Writhing
150
Vehicle
Ketanserin
100
*#
50
*
0
Control
4-PSQ
Figura 2- Efeito de ketanserin na ação antinocicpetiva de 7-cloro-4(fenilseleno)quinolina (4-PSQ) no teste de contorções abdominais induzidas
por ácido acético. Os dados foram expressos como média ± erro-padrão, foi
realizado o pós-teste de Newman-Keuls, com *p ≤ 0,001 em comparação ao
grupo controle veículo e #p ≤ 0,001 em comparação ao grupo controle
ketanserin.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
42
Number of Writhing
150
Vehicle
Way
100
*#
50
*
0
Control
4-PSQ
Figura 3- Efeito de way100635 na ação antinociceptiva de 7-cloro-4(fenilseleno)quinolina (4-PSQ) no teste de contorções abdominais induzidas
por ácido acético. Os dados foram expressos como média ± erro-padrão,
realizado o pós-teste de Newman-Keuls, com *p ≤ 0,0001 em comparação ao
grupo controle veículo e #p ≤ 0,0001 em comparação ao grupo controle
way100635.
Number of Writhing
150
Vehicle
Pindolol
100
*#
50
*
0
Control
4-PSQ
Figura 4- Efeito de Pindolol na ação antinociceptiva de 7-cloro-4(fenilseleno)quinolina (4-PSQ) no teste de contorções abdominais induzidas
por ácido acético. Os dados foram expressos como média ± erro-padrão,
realizado o pós-teste de Newman-Keuls, com *p ≤ 0,0001 em comparação ao
grupo controle veículo e #p ≤ 0,0001 em comparação ao grupo controle
pindolol.
Outros estudos já mostram que compostos derivados de selênio possuem
potentes atividades farmacológicas e de baixa toxicidade (NOGUEIRA et al.,
2004), bem como, demonstram envolvimento dos mecanismos serotorinérgico,
glutamatérgico e nitrérgico (ZASSO et al., 2005; SAVEGNAGO et al., 2007).
Por exemplo, o composto disseleneto de difenila (PhSe)2 e alguns de seus
compostos relacionados, p-metoxi-difenildisseleneto (p-MeOPhSe)2 e mII Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
43
trifluorometil-difenildisseleneto (m-F3CPhSe)2, foram relatados como agentes
antinociceptivos em modelos animais (NOGUEIRA et al., 2003; PINTO et al.,
2008 e BRÜNING et al., 2010) e as ações destes derivados envolvem a
modulação destes três mecanismos.
Recentemente, Sari e colaboradores (2014) demonstraram que o p-cloroselenoesteroide (C34H53ClO2Se), outro composto orgânico de selênio,
apresenta ação antinociceptiva em diferentes modelos animais. Os resultados
obtidos sugerem que os sistemas adenosinérgicos e dopaminérgicos estão
envolvidos nesta ação farmacológica.
Conclusão
Os resultados prévios sugerem que o sistema serotorinérgico está envolvido na
ação antinociceptiva do composto 7-cloro-4-(fenilseleno)quinolina. Outros
estudos estão sendo desenvolvidos para avaliar a contribuição do sistema
glutamatérgico e da via L-arginina-óxido nítrico na ação antinociceptiva deste
composto.
Palavras-chave: Antinocicepção, camundongos, selênio
Referências bibliográficas
BARE, T.; BROWN, D.; HORCHLER, C.; MURPHY, M.; URBANEK, R.; ALFORD
V.; BARLAAM, C.; DYROFF, M.; EMPFIELD,
J.; FORST, J.; HERZOG, K.; KEITH,
R.; KIRSCHNER, A.; LEE, C.; LEWIS, J.; MCLAREN, F.; NEILSON, K.; STEELMAN,
G.; TRIVEDI, S.; VACEK, EP, XIAO W. Pyridazinoquinolinetriones as NMDA glycine-site
antagonists with oral antinociceptive activity in a model of neuropathic pain. Journal of
Medicinal Chemistry, v. 50, p.3113-3131, 2007.
BHASIN, K. Synthesis and characterization of novel quinolone selenium compounds: X-ray
structure of 6-methoxy-3H-[1,2]diselenolo[3,4-b]quinoline. Journal of Organometallic
Chemistry, v. 695, p. 1065-1068, 2010.
BRUNING, C.; PRIGOL, M.; ROEHRS, J.; ZENI, G.; NOGUEIRA, C. Evidence for the
involvement μ-opioid and δ-opioid receptors in the antinociceptive effect caused by oral
administration ofm-trifluoromethyl-diphenyldiselenide in mice. Behavioural Pharmacology, v.
21, p. 621–626, 2010.
CORRÊA, C., CALIXTO, J. Evidence for participation of B1 and B2 kinin receptors in formalininduced nociceptive response in the mouse. British Journal Of Pharmacology, v. 110, p. 193
– 198, 1993.
GRIFFIS, C., COMPTON, P., DOERING, L. The effect of pain on leukocyte cellular adhesion
molecules. Biological Research For Nursing, v.7, p. 297-312, 2006.
JULIUS, D.; BASBAUM A. Molecular mechanisms of nociception. Nature, v. 13, n. 413, p.203210, 2001.
LUCHESE, C., PRIGOL, M., DUARTE, M., NOGUEIRA, C. Diphenyl diselenide reduces
inflammation in the mouse model of pleurisy induced by carrageenan: reduction of proinflammatory markers and reactive species levels. Inflammation Research, v. 61, p.11171124, 2012.
MANERA, C.; CASCIO, M.; BENETTI, V; ALLARÀ, M.; TUCCINARDI, T.; MARTINELLI, A.;
SACCOMANNI, G.; VIVOLI, E.; GHELARDINI, C.; MARZO, V.; FERRARINI, P.; New 1,8naphthyridine and quinoline derivatives as CB2 selective agonists. Bioorganic e Medicinal
Chemistry Letters, v. 17, p. 6505-6510, 2007.
MARELLA, A.; TANWAR, O.; SAHA, R.; ALI, M.; SRIVASTAVA, S.; AKHTER, M.;
SHAQUIQUZZAMAN, M.; ALAM, M. Quinoline: A versatile heterocyclic. Saudi Pharmaceutical
Journal, 2012.
MILLAN, M. The induction of pain: an integrative review. Progress in Neurobiology. v. 57, p.1
– 164, 1999.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
44
NADAL, X.;
PORTA, C.; BURA, S.; MALDONADO, R. Involvement of the opioid and
cannabinoid systems in pain control: New insights from knockout studies. European Journal
Pharmacology, v.14, n.2999, p. 180-185, 2013.
NOGUEIRA, C.; ZENI, G.; ROCHA, J. Organoselenium and organotellurium compounds:
Toxicology and Pharmacology. Chemical Reviews, v.104, p. 6255-6285, 2004.
NOGUEIRA, C.; QUINHONES, E.; JUNG, E.; ZENI, G.; ROCHA; J. Anti- inflammatory and
antinociceptive activity of diphenyldiselenide. Inflammation Research, v. 52, p.56–63, 2003.
NOGUEIRA, C.; ROCHA, J. Toxicology and pharmacology of selenium: emphasis on synthetic
organoselenium compounds. Archives of Toxicology, v.85, p.1313–1359, 2011.
PINTO, L.; JESSE, C.; NOGUEIRA, C.; SAVEGNAGO, L. Evidence for the involvement of
glutamatergic and GABAergic systems and protein kinase A pathway in the antinociceptive
effect caused by p-methoxy-diphenyldiselenide in mice. Pharmacology Biochemistry
Behavior, v.88, p.487– 496, 2008.
SARI, M.; SOUZA, A.; ROSA, S.; SOUZA, D.; RODRIGUES, O.; NOGUEIRA, C. Contribution
of dopaminergic and adenosinergic systems in the antinociceptive effect of p-chloroselenosteroid. European Journal of Pharmacology, v. 25, p. 79-86, 2014.
SAVEGNAGO, L.; PINTO, L., JESSE, C.; ALVES, D.; ROCHA, J.; NOGUEIRA, C.
Antinociceptive properties of diphenyldiselenide: evidences for the mechanism of action.
European Journal of Pharmacology, v. 555, p. 129–138, 2007.
SAVEGNAGO, L.; VIEIRA, A.; SEUS, N.; GOLDANI, B.; CASTRO, M.;LENARDÃO, E.; ALVES,
D. Synthesis and antioxidant properties of novel quinoline–chalcogenium compounds.
Tetrahedron Letters, v.54, p.40–44, 2012.
SHTRYGOL,
S;
ZUBKOV,
V.; PODOL'SKIĬ,
I.; GRITSENKO,
I.
2-Methyl-3phenylaminomethylquinolin-4-one as potential antidepressant with nootropic properties. Eksp
Klin Farmakol, v.75, p. 7-9, 2012.
SZOLCSÁNYI, J.; PINTER, E.; HELYES, Z.; PETHO, G. Inhibition of the function of TRPV1expressing nociceptive sensory neurons by somatostatin 4 receptor agonism:
mechanism and therapeutical implications. Current Topics in Medicinal Chemistry. v.11, p.
2253-2263, 2011.
ZASSO, F.; GONCALES, C.; JUNG, E.; ARALDI, D.; ZENI, G.; ROCHA, J.; NOGUEIRA, C.
On the mechanisms involved in antinociception induced by diphenyldiselenide. Environmental
Toxicology and Pharmacology, v. 19, p. 283 – 289, 2005.
WELCH, S.P., SIM-SELLEY, L.J., SELLEY, D.E. Sphingosine-1-phosphate receptors as
emerging targets for treatment of pain. Biochemistry Pharmacology, v. 84, p.1551-1562,
2012.
WILHELM, E.; JESSE, C.; BORTOLATTO, C.; NOGUEIRA, C.; SAVEGNAGO, L.
Antinociceptive and anti-allodynic effects of 3-alkynyl selenophene on different models of
nociception in mice. Pharmacology Biochemistry Behavior, v. 93, p. 419-425, 2009.
WILHELM, E.; MACHADO, N.; PEDROSO, A.; GOLDANI, B.; SEUS. N.; MOURA, S.;
SAVEGNAGO, L.; JACOB, R.; ALVES, D. Organocatalytic synthesis and evaluation of 7chloroquinoline-1,2,3-triazoylcarboxamides as potential antinociceptive, anti-inflammatory and
anticonvulsant agent. RSC Advances, v.4, p. 41437-41445, 2014.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
45
AVALIAÇÃO DO EFEITO DE NANOCAPSULAS CONTENDO MELOXICAM
NA DERMATITE ATÓPICA INDUZIDA POR 2,4-DINITROCLOROBENZENO
EM CAMUNDONGOS1
Douglas Mroginski Weber2, Guilherme Teixeira Voss3, Francine Ianiski4, Ethel
Antunes Wilhelm5, Cristiane Luchese6
1
Resultados parciais da dissertação de mestrado
Acadêmico, [email protected];
3
Iniciação Científica, [email protected]
4
Doutoranda, [email protected];
5
Professora, [email protected];
6
Professora, [email protected]
2
Introdução
A dermatite atópica (DA) é uma doença alérgica inflamatória crônica e sua
morbidade tem aumentado gradualmente em países desenvolvidos e em
desenvolvimento. uma doença ue acomete principalmente crianças, sendo
ue apro imadamente 50% dos pacientes apresentam o início da doença antes
dos 5 anos de vida, podendo persistir até a fase adulta (BIEBER et al.,2012 .
aracteri a-se por um estado de iper-reatividade cut nea a estímulos
normalmente in cuos a indivíduos não-at picos, ressecamento intenso
(xerose), prurido, eritema, níveis elevados de imunoglobulinas e eosinófilia. A
etiologia da dermatite at pica é astante comple a, porém vários estudos
indicam ue nessa condição cut nea está envolvida a ativação de diferentes
vias imunológicas e inflamatórias (BRUIN WELLER et al., 2012).
Neste sentido, tendo em vista que o processo inflamatório está envolvido na
dermatite atópica, uma alternativa para o tratamento seria utilizar fármacos que
agem em enzimas e mediadores pró-inflamatórios que afetam a
susceptibilidade desse processo. Deste modo, este trabalho busca fornecer
uma possível alternativa para o tratamento da dermatite at pica, usando como
ase a redução do processo inflamat rio com um ini idor seletivo da en ima
ciclo igenase ( O -2. Um potente ini idor desta en ima é o melo icam, um
fármaco pertencente
classe dos antinflamat rios não esteroidais (AINEs
(AH., 2010 . esmo com um arsenal disponível de antinflamat rios, alguns
fatores comprometem a adesão do paciente ao tratamento como o esquema
posológico, efeitos adversos indesejáveis, custo elevado do tratamento, etc
(GOTTLIEB., 2005).
Para isso, aplica-se a nanotecnologia, a qual representa uma abordagem
inovadora e promissora para prevenção e tratamento de diversas doenças. As
nanopartículas são sistemas de entrega de fármacos na escala manométrica,
nas quais o fármaco é dissolvido, aprisionado, encapsulado ou ligado a matriz
da nanopartícula (AHAD et al., 2014). A utilização de polímeros biodegradáveis
no revestimento das nanopartículas tem atraído importante atenção como
dispositivos de distribuição de fármacos, tendo em conta o potencial de suas
aplicações na liberação controlada de ativos, bem como sua capacidade de
direcionar para determinados órgãos e tecidos. Além disso, as nanopartículas
poliméricas quando em contato com fluidos biológicos apresentam maior
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
46
estabilidade do que outros sistemas, e permitem o controle farmacocinético na
vetorização de ativos através de possíveis alterações químicas na sua
superfície (BENONIO et al., 2014).
O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito de nanomateriais contendo
meloxicam na dermatite atópica induzida por 2,4 dinitroclorobenzeno (DNCB)
em camundongos.
Metodologia
Foram utilizados camundongos machos BALB/c (25-30 g) obtidos do Biotério
da Universidade Federal de Pelotas. O projeto foi aprovado no Comitê de Ética
em Experimentação Animal (CEEA 4294-2015). Os animais foram
randomicamente divididos em 5 grupos (n=6): Controle, DNCB, DNCB +
nanocápsulas brancas, DNCB + nanocápsulas contendo meloxicam, DNCB +
meloxicam livre. Os camundongos foram separados por grupos e alojados em
gaiolas ventiladas sob condições livres de patógenos a uma temperatura entre
22 e 24ºC com um ciclo de 12 h entre claro e escuro.
A pele dorsal dos camundongos foi raspada para a retirada dos pelos e
sensibilizada pela aplicação de DNCB (200 µl, 0,5% em acetona: óleo de oliva
(3:1)) nos dias experimentais 1, 2 e 3. Nos dias 14 a 29, os animais receberam
a aplicação de 100 µl de DNCB (1%) na orelha direita e nos dias 14, 17, 20, 23,
26 e 29 receberam esta aplicação na região dorsal (previamente raspada e
sensibilizada). Os animais do grupo controle receberam apenas a aplicação de
acetona: óleo de oliva (3:1). Nos dias 14 a 29, os animais receberam a
aplicação tópica (0,5 g) de nanocápsulas com meloxicam, nanocápsulas
brancas ou meloxicam livre.
No 30º dia, os animais foram submetidos às seguintes avaliações: severidade
da dermatite através de escores, edema de orelha e comportamento de se
coçar (stratching behavior).
Avaliação da severidade da dermatite
A severidade da dermatite na pele dorsal foi avaliada no trigésimo dia do
experimento de acordo com critério descrito previamente (LEUNG et al., 1990).
O escore de avaliação foi: 0 – nenhum, 1 – leve, 2 – moderado, 3 – severo,
para cada um dos quatro sinais de sintomas (eritema/hemorragia, edema,
escoriação/erosão, ressecamento).
Edema de orelha
Foi determinado através da diferença de peso entre a orelha direita e a
esquerda (LIN et al., 2015).
Comportamento de se coçar (stratching behavior)
Mensurado o tempo que o camundongo gasta coçando o nariz, as orelhas e a
pele dorsal com suas patas por 20 min no último dia de experimento (dia 30)
(KIM et al., 2014).
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
47
Análise estatística
Os dados foram analisados pelo Software GraphPad Prism 5 e expressos
como média ± desvio padrão. Os resultados foram analisados utilizando
ANOVA de uma via, seguido pelo teste de Newman-Keuls quando apropriado,
considerando p<0,05 estatisticamente significativo.
Resultados e Discussão
Agentes tópicos tais como corticóides, fármacos anti-inflamatórios nãoesteroides, e imunossupressores são atualmente utilizados para o tratamento
de várias doenças inflamatórias cutâneas, entre elas a dermatite atópica, mas
estes agentes são frequentemente associados com efeitos adversos graves.
Neste aspecto, existe uma grande necessidade para o desenvolvimento de
terapias novas e eficazes para a DA (YUAN et al., 2010).
Nanopartículas ganharam um interesse crescente como formulação de
fármacos tópicos, devido ao pequeno tamanho, a biocompatibilidade, a
capacidade de incorporar além de moléculas lipofílicas como moléculas
hidrofílicas e propriedades de libertação controlada em locais específicos do
corpo (KHURANA at al., 2013). A novidade do presente estudo foi examinar o
meloxicam nanoencapsulado como uma nova opção para o tratamento da
inflamação ocorrida na DA, além, disso foi comparado os efeitos das
nanocápsulas de meloxicam com o meloxicam livre.
Para avaliar o efeito dos nanomateriais com meloxicam na dermatite atópica
induzida por DNCB, foi realizado no 30º dia a avaliação da severidade da
dermatite por escore, aonde pode ser comprovado que a pontuação da
dermatite foi gradualmente maior em camundongos BALB/c induzidos com
DNCB quando comparados com o grupo controle, o tratamento com 0,5 g de
nanocápsulas contendo meloxicam na parte dorsal dos camundongos diminuiu
significativamente os sintomas clínicos da DA quando comparados com os
grupos induzidos por DNCB, e aos grupos tratados com nanocápsulas brancas
e meloxicam livre, como demonstrado na Figura 1(A e B).
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
48
A
B
Figura 2- Efeito das nanocápsulas contendo meloxicam (NCM) e do meloxicam
livre (ML) na avaliação da severidade da dermatite atópica induzida pelo 2,4
Dinitroclorobenzeno (DNCB). (A)Imagens das lesões da pele dorsal dos
camundongos no último dia do experimento (dia 30). (B) Severidade dos
sintomas clinicos da dermatite atópica no ultimo dia do experimento. Os dados
foram expressos como média ± erro-padrão, foi realizado pós teste NewmanKeuls, com * p <0,05 quando comparado ao grupo controle, # p <0,05 quando
comparado ao grupo DNCB e & p <0,05 quando comparado ao grupo ML
No teste de edema de orelha foi avaliado a diferença de peso entre a orelha
direita (induzida por DNCB) e a esquerda qual não recebeu tratamento com o
indutor, sendo que, quanto menor a diferença de peso, maior o potencial de
inibição. No dia 30, as orelhas dos camundongos tratados com DNCB foram
significativamente mais espessa do que as dos camundongos do grupo
controle. Em contraste, as orelhas do grupo tratado com nanocápsulas
contendo meloxicam mostraram-se mais leves quando comparadas ao grupo
induzido e ao com nanocápsulas brancas mas não houve diferença quando
comparado ao grupo tratado com meloxicam livre como pode-se observar na
Figura 2.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
49
Figura 3- Efeito das nanocápsulas contendo meloxicam (NCM) e do meloxicam
livre (ML) na avaliação do edema de orelha induzido pelo 2,4
Dinitroclorobenzeno (DNCB). O edema de orelha foi verificado no último dia do
experimento. Os dados foram expressos como média ± erro-padrão, foi
realizado pós teste Newman-Keuls, com * p <0,05 quando comparado ao grupo
controle, # p <0,05 quando comparado ao grupo DNCB.
LIN et al (2015), ao analisar o efeito anti-inflamatório do extrato de Inula
japônica, na dermatite atópica induzida por 2,4 dinitroclorobenzeno em
camundongos, usando os testes de avaliação da severidade da dermatite e
teste de edema de orelha, constatou que o extrato usado em seu estudo
diminui a hipertrofia da pele dorsal, reduzindo assim os sinais clínicos da DA e
também comprovou uma diminuição no edema da orelha, esses dados
corroboram com os dados encontrados em nossa pesquisa.
Para investigar o efeito das nanocápsulas contendo meloxicam sobre o
comportamento de coçar induzido por DNCB em camundongos BALB/c, os
animais foram monitorados e foi quantificado o tempo que passaram
esfregando o nariz, orelhas e pele dorsal com as patas dianteiras e traseiras.
Como podemos observar na Figura 3, todos os grupos se mostraram
estatisticamente diferente do grupo controle mas não mostraram diferença
estatisticamente significante entre si. Isso possivelmente ocorreu pelo fato do
meloxicam nanoencapsulado não ser aplicado na orelha e sim apenas pele
dorsal do camundongo.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
50
Figura 4- Efeito das nanocápsulas contendo meloxicam (NCM) e do meloxicam
livre (ML) sobre o comportamento de se coçar induzido pelo 2,4
Dinitroclorobenzeno (DNCB). O tempo de coçada foi monitorado no último dia
do experimento. Os dados foram expressos como média ± erro-padrão, foi
realizado pós teste Newman-Keuls, com * p <0,05 quando comparado ao grupo
controle.
Já em um estudo realizado por KIM et al (2014), que estudou o efeito do 7,8,4´trihydroxyisoflavone (7,8,4´-THIF), um metabolito da isoflavona de soja, sobre
os sintomas da DA induzida por aplicações epicutâneas repetidas de 2,4dinitroclorobenzeno (DNCB), aonde ao final do experimento eles avaliaram o
comportamento ao se coçar (stratching behavior), ou seja, monitorando os
animais e quantificando o tempo que passaram esfregando o nariz, orelhas e
pele dorsal com as patas. Assim puderam constatar que o tempo coçando foi
significativamente maior no grupo tratado com DNCB quando comparado ao
grupo controle, e também puderam comprovar que o grupo tratado com 7,8,4´THIF reduziu o tempo de coçadas quando comparado ao tratado com DNCB.
Mas no estudo realizados por eles difere do realizado por nós, por eles também
usaram o produto testado na orelha e rosto dos animais.
Conclusão
Em conclusão, o meloxicam nanoencapsulado teve efeito anti-inflamatório
superior ao meloxicam livre pois teve uma diminuição nos sinais clínicos da
dermatite atópica induzida por DNCB, apoiando assim que nanocápsulas
contendo meloxicam possa ser um possível fármaco para o tratamento dessa
patologia. Mais estudos são necessários para determinar a biodisponibilidade
do meloxicam nanoencapsulado e para provar que a COX-2 é a enzima
envolvida no mecanismo de inibição no presente modelo experimental.
Palavras-chave: Dermatite atópica, 2,4 Dinitroclorobenzeno, nanocápsulas e
meloxicam.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
51
Referências bibliográficas
AH, Y.; CHOI, J.; CHOI, Y.; KI, H.; BAE, J.; A novel transdermal patch incorporating meloxicam:
In vitro and in vivo characterization. International Journal of Pharmaceutics, v. 385, n. 2,
p.12-19, 2010.
AHAD, A.; RAISH, M.; AL-MOHIZEA, A.; AL-JENOOBI, F.; ALAM, M.; Enhanced antiinflammatory activity of carbopol loaded meloxicamnanoethosomes gel. International Journal
of Biological Macromolecules, v.67, p. 99-104, 2014.
BIEBER, T.; CORK, M.; REITAMO, S.; Atopic dermatitis: a candidate for disease-modifying
strategy. Allergy, v.67, n.8, p.969-975, 2012.
BRUIN WELLER, M.; KNULST, A.; MEIJER, Y.; BRUIJNZEEL-KOOMEN, C.; PASMANS, S.;
Evaluation of the child with atopic dermatites. Clinical e Experimental Allergy, v.42, n.3, p.
352-362, 2012.
GOTTLIEB, AB.; Therapeutic options in the treatment of psoriasis and atopic dermatitis.
Journal of the American Academy of Dermatology, v.53, n.1, p. 3-16, 2005.
KHURANA, S.; BEDI.; JAIN.; Preparation and evaluation of solid lipid nanoparticles based
nanogelfor dermal delivery of meloxicam. Chemistry and Physics of Lipids, v.65, n.72, p.175176, 2013.
KIM, H.; KIM, J.; KANG, H.; CHOI, J.; YANG, H.; LEE, P.; KIM, J.; LEE, K.; 7,8,4`Trihydroxyisoflavone Attenuates DNCB-Induced Atopic Dermatitis-Like Symptoms in NC/Nga
Mice. Plos One, 2014 (in press).
LEUNG, D.; HIRSCH, R.; SCHNEIDER, L.; MOOD, C.; TAKAOKA, R.; SHIHUA, l.;
MEYERSON, L.; MARIAM, S.; GOLDSTEIN, G.; HANIFIN, J.; Thymopentin Therapy Reduces
the Clinical Severity of Atopic Dermatitis. Journal of Allergy and Clinical Immunology, v.85,
n.5, p. 927-933, 1990.
LIN, G.; GAO, S.: CHENG, J.; LI, Y.; SHAN, L.; HU, Z.; 1β-Hydroxyalantolactone, a
sesquiterpene lactone from Inula japonica, attenuates atopic dermatitis-like skin lesions induced
by 2,4-dinitrochlorobenzene in the mouse. Pharmaceutical Biology, 2015 (in press).
VILLALBA, B.; IANISKI, F., WILHELM, E.; FERNANDES, R.; ALVES, M.; LUCHESE, C.;
Meloxicam-loaded nanocapsules have antinociceptive and antiedematogenic effects in acute
models of nociception. Life Sciences, v. 115, p. 36-43, 2014.
YUAN, X.; LIU, W.; ZHANG, P.; WANG, Y.; GUO, Y.; Effects and mechanisms of aloperine on
2, 4-dinitrofluorobenzeneinduced allergic contact dermatitis in BALB/c mice. European Journal
of Pharmacology. V.29, n.6, p. 147-152, 2010.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
52
AVALIAÇÃO DA CAPACIDADE ESTIMULADORA DE ANTÍGENOS DE
Pythium insidiosum EM LINFÓCITOS E CÉLULAS DENDRÍTICAS1
Bruna Vargas2, Juliana Simoni Moraes Tondolo3, Camila Marina Verdi4, Érico
as Silva Loreto5, Carine Eloise Prestes Zimmermann6, Janio Morais Santurio7,
Pauline Christ Ledur8
1
Trabalho de Iniciação Científica.
Acadêmica do 6º semestre do Curso de Biomedicina IESA/CNEC,
[email protected]
3
Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Farmacologia, UFSM,
[email protected]
4
Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Farmacologia, UFSM,
[email protected]
5
Pós-doutorando no Programa de Pós-Graduação em Farmacologia, UFSM,
[email protected]
6
Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Farmacologia, UFSM;
Professora no Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo,
[email protected]
7
Professor do Departamento de Microbiologia e Parasitologia, UFSM,
[email protected]
8
Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Farmacologia, UFSM,
[email protected]
2
Introdução
A pitiose é uma doença grave que acomete tanto animais como humanos,
sendo comum principalmente em equinos. É causada pelo Oomiceto Pythium
insidiosum e infecta os hospedeiros por meio de zoósporos móveis aquáticos.
Portanto essa doença é mais comum em regiões alagadas e pantanosas,
principalmente de clima tropical e subtropical, onde as altas temperaturas
favorecem o desenvolvimento do P. insidiosum (MENDOZA et al., 1993).
Apesar dos esforços em se conhecer a biologia deste microrganismo e o
desenvolvimento da pitiose no hospedeito, ainda não se tem um amplo
conhecimento sobre a doença, tampouco um tratamento eficiente, sendo que
muitas vezes essa doença leva a morte de pessoas e animais acometidos.
A pitiose ainda é uma doença de difícil tratamento devido às características do
P. insidiosum que, embora apresente algumas características semelhantes às
de fungos, não é um fungo verdadeiro, não apresentando em sua parede
celular o ergosterol, que é o alvo da maioria das drogas antifúngicas
(MENDOZA & NEWTON, 2005). Dessa forma, o P. insidiosum apresenta pouca
sensibilidade aos fármacos normalmente utilizados no tratamento de doenças
fúngicas.
Por esse motivo, a forma mais eficiente de tratamento contra a pitiose
conhecida atualmente ainda é a excisão cirúrgica de toda a região acometida
pela doença, sendo muitas vezes necessária a amputação de membros
acometidos (GAASTRA et al., 2010). Em casos em que não ocorre a retirada
de todas as hifas do oomiceto, é observada uma grande taxa de recidiva da
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
53
pitiose. Casos mais graves da doença, que acometem regiões vitais do
organismo são potencialmente fatais (SANTURIO et al., 2006).
A abordagem que mais vem obtendo sucesso no tratamento da pitiose é a
imunoterapia, que quando aliada ao diagnóstico precoce e excisão cirúrgica
dos tecidos acometidos pelo Oomiceto apresenta as melhores taxas de cura
(SANTURIO et al., 2003; WANACHIWANAWIN et al., 2004). Nesse sentido, é
necessária uma maior investigação sobre os mecanismos de resposta dos
organismos aos antígenos do P. insidiosum, bem como a resposta do
organismo aos imunoterápicos.
O presente estudo teve como objetivo investigar a capacidade
imunomoduladora desencadeada pelo contato de linfócitos e células
dendríticas à antígenos de Pythium insidiosum in vitro.
Metodologia
Os linfócitos e células dendríticas (CDs) usados nos experimentos foram
obtidos de voluntários saudáveis após assinatura de termo de consentimento
livre e esclarecido. Foram coletados 20 mL de sangue venoso periférico em
tubos com anticoagulante EDTA e posteriormente foi realizada a separação de
células mononucleares de sangue periférico (PBMCs) por centrifugação por
gradiente de densidade com Ficoll® Paque (Sigma-Aldrich). As PBMCs
recolhidas foram submetidas à separação por adesão ao plástico em placas de
24 poços para isolar os monócitos, os quais foram utilizados na diferenciação
das células dendríticas. Os linfócitos, fração celular que não aderiu à placa,
foram utilizados nas atividades experimentais logo após a coleta.
Após a separação, os monócitos isolados foram cultivados em meio RPMI
suplementado com 10% de Soro Fetal Bovino e antibiótico
penicilina/estreptomicina, além dos fatores de diferenciação para CDs, Fator
Estimulador de Colônias de Granulócitos e Macrófagos (GM-CSF) e
Interleucina 4 (IL-4) durante 6 dias. Após esse período as CDs diferenciadas
foram utilizadas nas atividades experimentais.
Para a realização dos experimentos, as suspensões celulares tanto de
linfócitos como de células dendríticas foram ajustadas para uma concentração
inicial de 1 x 106 células/mL e plaqueadas em placa de 96 poços, às quais
foram aplicados os tratamentos: controle negativo (RPMI), controle positivo
(LPS), imunoterápico comercial PitiumVac (400 µg/mL), extraída do micélio do
P. insidiosum (400 µg/mL e β-glucana (50 µg/mL). Em seguida a placa foi
incubada por 72 horas em estufa umidificada com saturação de 5% de CO 2 à
37ºC.
Para fazer a avaliação da viabilidade e proliferação celular foi realizado o
ensaio colorimétrico MTT, no qual o sal de tetrazolium, é facilmente
incorporado por células viáveis, que reduzem este composto em suas
mitocôndrias pela atividade da enzima succinato desidrogenase. Ao ser
reduzido, o MTT é convertido em um composto formazan, insolúvel em água e
de coloração roxo-azulado, que fica armazenado no citoplasma celular, sendo
posteriormente solubilizado, pela a adição do DMSO (dimetilsulfóxido) e
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
54
quantificado através de espectrofotometria em um comprimento de onda de
570 nm, sendo o valor da absorbância proporcional ao número de células
viáveis (MOSMANN, 1983).
Os resultados obtidos foram convertidos à porcentagem de proliferação em
relação ao grupo controle e expressos em média ± desvio padrão, e
submetidos à análise de variância ANOVA de uma via seguida de teste de post
hoc de Dunnett com nível de significância p < 0,05.
Resultados e Discussão
O ensaio do MTT revelou que após o período de incubação de 72 horas houve
uma e pressiva proliferação dos linf citos umanos tratados com a β-glucana
na concentração de 400 µg/mL, havendo um aumento de 26,07% no número
de células viáveis. Esse resultado demonstra o potencial uso da β-glucana
extraída do micélio do P. insidiosum como tratamento imunoterápico contra a
pitiose. Os demais tratamentos não foram estatisticamente significantes (figura
1). Esse resultado corrobora com os resultados obtidos por Tian (2011) que
testou a atividade linfoproliferativa de β-glucana particulada extraída de
leveduras e sua atividade imunomoduladora.
Células Dendríticas
Linfócitos
150
***
Percentual de células
100
50
0
100
50
cv
40
a
bgl
uc
an
uc
gl
-
0
bm
gl
g/
uc
m
an
L
a
50
m
g/
m
L
ac
S
Va
C
LP
on
tr
ol
e
L
50
a
an
a
-
gl
uc
an
Pi
g
/m
g
/m
40
0
Va
c
m
tiu
L
c
va
S
LP
C
on
tr
ol
e
0
Pi
tiu
m
Percentual de células
150
Tratamentos
Tratamentos
Figura 1: Proliferação e viabilidade celular
dos linfócitos. O tratamento com βglucanas (400 µg/mL) obteve a maior taxa
de proliferação (P < 0,05).
Figura 2: Proliferação e viabilidade
celular das células dendríticas. Não foi
observada diferença estatística entre os
tratamentos (P < 0,05).
Já as células dendríticas não apresentaram variação na proliferação celular
entre os tratamentos (figura 2), o que era esperado visto que as principais
funções dessa célula são de capturar os antígenos e transportá-los até os
linfonodos e fazer a apresentação de antígenos aos linfócitos T helper virgem
(Th0), induzindo uma resposta nos diferentes subtipos: Th1, Th2, Th17 e T
regulatória (Treg). Durante o processo de resposta imune e após a ativação, os
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
55
subtipos de células T expressam diferentes citocinas que mediam distintas
funções efetoras (MONTAGNOLI et al., 2002).
Conclusão
Os resultados o tidos demonstram o potencial estimulador das β-glucanas do
Oomiceto Pythium insidiosum na resposta imune por meio da estimulação na
proliferação de linfócitos. Também pode ser observado que tanto os linfócitos
como as células dendríticas permaneceram viáveis após os tratamentos, não
revelando toxicidade dos antígenos testados. Mais estudos são necessários
para uma melhor compreensão dos mecanismos envolvidos na resposta imune
do hospedeiro frente ao Pythium insidiosum para o desenvolvimento de uma
abordagem terapêutica mais eficaz.
Palavras-chave: Pythium insidiosum, pitiose, linfoproliferação, resposta imune,
células dendríticas.
Referências bibliográficas
GAASTRA, W. et al. Pythium insidiosum: An overview. Veterinary Microbiology, v. 146, n. 12, p. 1-16, 2010.
MENDOZA, L.; HERNANDEZ, F.; AJELLO, L. Life cycle of the human and animal oomycete
pathogen Pythium insidiosum. Journal of Clinical Microbiology, v. 31, p. 2967–2973, 1993.
MENDOZA, L.; NEWTON, J. C. Immunology and immunotherapy of the infections caused by
Pythium insidiosum. Medical Mycology, v. 43, p. 477–486, 2005.
MONTAGNOLI, C. et al. The interaction of fungi with dendritic cells: implications for Th immunity
and vaccination. Current Molecular Medicine, v. 2, p. 507-524, 2002.
MOSMANN, T. Rapid colorimetric assay for cellular growth and survival: Application to
proliferation and cytotoxicity assays. Journal of Immunological Methods, v. 65, p. 55–63,
1983.
SANTURIO, J. M. et al. Three types of immune therapy against pythiosis insidiosi developed
and evaluated. Vaccine, v. 21, p. 2535–2540, 2003.
SANTURIO, J. M. et al. Pitiose: uma micose emergente. Acta Scientiae Veterinariae, v. 34, p.
1-14, 2006.
TIAN, J. et al. Increased expression of mGITRL on D2SC/1 cells by particulate β-glucan
+
+
impairs the suppressive effect of CD4 CD25 regulatory T cells and enhances the effector T cell
proliferation. Cellular Immunology, v. 270, p. 183-187, 2011.
WANACHIWANAWIN, W. et al. Efficacy of immunotherapy using antigens of Pythium
insidiosum in the treatment of vascular pythiosis in humans. Vaccine, v. 22, p. 3613–3621,
2004.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
56
NÍVEIS DE ANTI-HBS EM ESTUDANTES DA ÁREA DA SAÚDE
SUBMETIDOS AO ESQUEMA VACINAL PARA IMUNIZAÇÃO CONTRA O
VÍRUS DA HEPATITE B1
Dariane Ramos Abich2; Giana Carolina Schulz de Lima3; Yana Picinin Sandri
Lissarassa4; Emanuelle Kerber Viera Mallet5; Bruna Comparsi6
1
Trabalho de conclusão de curso de Graduação em Biomedicina
Acadêmica
do
Curso
de
Biomedicina
do
IESA.
Email:
[email protected]
3
Biomédica. Email: [email protected]
4
Docente do curso de Biomedicina, Especialista em Análises Clínicas. Email:
[email protected]
5
Docente do curso de Biomedicina, Mestre em Diagnóstico Genético e
Molecular. Email: [email protected]
6
Docente do curso de Biomedicina, Doutora em Ciências Biológicas:
Bioquímica Toxicológica. Email: [email protected]
2
Introdução
Em todo mundo, as hepatites virais continuam sendo importantes problemas de
saúde pública e cerca de um terço da população mundial já foi infectada pelo
vírus da hepatite B (HBV), segundo a World Health Organization (WHO).
Pertencente à família Hepadnaviridae, o HBV é envelopado, contém dupla fita
de DNA, alta infecciosidade e estabilidade no meio ambiente. Possui tropismo
pelas células hepáticas e causa inflamação no fígado, onde a progressão da
doença pode ocorrer de forma aguda ou crônica (SILVA et al., 2012;
FONSECA, 2007). Entretanto, na maioria (90 a 95%) dos casos a infecção
aguda evolui para cura e somente de 5 a 10% dos pacientes apresentam
quadros crônicos da infecção (LACERDA et al., 2011).
A infecção pelo HBV pode ocorrer pelas vias parenteral, sexual e vertical, e,
devido ao alto poder infeccioso, apenas uma partícula viral é suficiente para
causar a contaminação de um indivíduo (MAIA; MAIA; CRUVINEL, 2011). A
partir de 1994, o Ministério da Saúde incluiu os profissionais de saúde na lista
do grupo de risco para contrair hepatite B e eles passaram a receber
orientações quanto à necessidade de realização da vacina contra essa
enfermidade (BRASIL, 2013). Contudo, pesquisadores julgam esta conduta
ainda insuficiente e discutem a necessidade de recomendar a administração de
reforço vacinal a cada cinco anos aos profissionais com grande risco de
exposição a materiais biológicos (SILVA et al., 2012).
A vacina é constituída por um antígeno de superfície do vírus da hepatite B
(HBsAg) purificado, obtido por engenharia genética (SES-SP, 2006) e é
indicada para proteção de todos os subtipos do HBV. Ela tem a capacidade
inclusive de prevenir a infecção pela hepatite D, causada pelo delta-vírus, visto
que ele não se desenvolve na ausência de hepatite B (BRASIL, 2015).
A orientação para a administração da vacina compreende a realização de três
doses respeitando os intervalos de tempo de 30 dias entre a primeira e a
segunda dose e de 180 dias entre a primeira e a terceira, sendo indicado
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
57
efetuar a primeira dose logo após o nascimento da criança (BRASIL, 2007). Na
medida em que são administradas as doses, o organismo passa a montar uma
resposta imunológica contra os antígenos inoculados, produzindo anticorpos
específicos (anti-HBs) e de memória que serão responsáveis pela imunidade
do indivíduo contra o vírus (FERREIRA; SILVEIRA, 2006).
Estando totalmente inseridos nas atividades práticas de ensino, acadêmicos da
área da saúde se expõem aos agentes de risco biológico e a uma variedade de
patógenos durante a graduação. Devido à importância da vacinação e
imunização contra a hepatite B, mostra-se necessário o monitoramento da
situação vacinal de profissionais e acadêmicos da área da saúde. Diante disso,
objetivou-se identificar a porcentagem de indivíduos imunizados para o HBV
em um curso de graduação em Biomedicina, buscando ressaltar a necessidade
da imunização ainda nos primeiros semestres da graduação e, assim, evitar o
aumento do número de pessoas acometidas pelo vírus da hepatite B.
Metodologia
Estudo observacional transversal realizado com acadêmicos de um curso de
Biomedicina nos anos de 2014 e 2015. O protocolo da pesquisa foi aprovado
pelo Comitê de Ética em Pesquisas da Campanha Nacional de Escolas da
Comunidade – CNEC - Bento Gonçalves através do Parecer Número: 890.949
em 28 de nov. de 2014. Os acadêmicos que aceitaram participar assinaram um
termo de compromisso livre e esclarecido, foram questionados a cerca da atual
situação vacinal contra hepatite B, além de apresentarem sua carteira de
vacinação. Na amostra sanguínea obtida dos acadêmicos foram analisados os
títulos séricos de anti-HBs através de método imunoenzimático-ELISA indireto
(Bioclin®). Os resultados dos níveis de anti-HBs de cada acadêmico foram
comparados entre si e entre os outros acadêmicos, estratificados por faixa
etária, sexo e outros fatores associados (intervalo entre as doses, tempo após
a vacinação, etc) identificados através do questionamento. Os dados foram
processados e analisados estatisticamente utilizando-se média ± erro padrão.
Resultados e discussão
Participaram inicialmente do estudo 133 acadêmicos, no entanto, 14 deles
foram excluídos, pois não haviam iniciado o programa de vacinação contra
Hepatite B. Portanto, a população analisada incluiu 119 acadêmicos de
Biomedicina nos anos letivos de 2014 e 2015, 16 (13,4%) eram do sexo
masculino e com idade média de 22 ±1,25 anos, sendo que a maior parcela da
população foi do sexo feminino com 103 (86,6%) acadêmicas e idade média de
20 ±0,43 anos.
Os níveis de anti-HBs de 103 (86,5%) acadêmicos foram considerados
protetores (>10 mUI/ml) e apenas 16 (13,5%) estavam suscetíveis a infecção,
com níveis inferiores a 10 mUI/ml, conforme pode ser observado na Tabela 1.
Quando foram questionados quanto ao número de doses da vacina, 71
acadêmicos (59,8%) afirmaram ter recebido as três doses, todavia, entre estes,
10 (14,1%) não apresentaram níveis de anti-HBs protetores (<10 mUI/ml). Além
disso, 35 (29,4%) acadêmicos não responderam ao número de doses
administradas e apenas um informou não ter entrado em contato com a vacina
(Tabela 2).
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
58
Os dados do estudo de SACCHETTO (2013), obtidos com 179 acadêmicos do
3º ao 9º período de um curso de Odontologia, apresentaram proporcionalidade
semelhante. É possível observar no estudo dele que, entre os 143 (79,9%)
acadêmicos que confirmaram a realização da vacina, 89 (62,2%) receberam as
três doses e que dos 159 acadêmicos submetidos à coleta de material para
análise dos níveis de anti-HBs, obteve-se 126 (79,2%) amostras consideradas
imunes e 33 (20,8%) amostras com níveis não protetores de anti-HBs.
Estudantes de Medicina, seguido dos profissionais auxiliares de enfermagem,
são os mais envolvidos em acidentes com materiais perfuro cortantes e fluídos
biológicos devido aos procedimentos que realizam entre eles a coleta de
exames sanguíneos (SHIMIZU; RIBEIRO, 2002). O estudo de GIR et al.,
(2008), demonstrou que dos 1.125 casos de exposições com material biológico
atendidos em um ambulatório especializado, 170 (15,1%) deles ocorreram com
estudantes de graduação na área da saúde. Em mais de 60% dos relatos
analisados por GIR et. al (2008) não havia informações sobre o uso de EPIs e
referente à imunização da hepatite B, somente para 6,5% foi recomendado
completar a vacinação, enquanto outros 5,9% ainda não haviam a iniciado.
DUMMER (2006) também reforça que o maior índice de acidentes com material
biológico pérfuro-cortante (MBPC) ocorre com manuseio inadequado de
agulhas e que 67,5% dos trabalhadores desconheciam seu estado vacinal.
A população estudada é considerada jovem, visto que a média das idades foi
de 20 ±0,4 anos e não houve grandes variações quando analisadas
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
59
separadamente por intervalo de níveis de anti-HBs. Apenas quatro
participantes possuíam idade superior a 30 anos. Não sendo possível, assim,
estabelecer significativas relações entre a idade e o grau de proteção
imunitária. Todavia, vários estudos indicam associação inversa da idade com
os níveis de anti-HBs. PETRY e KUPEK (2006) descrevem que a soro
conversão decresceu significativamente em relação à idade dos participantes.
No entanto, a efetividade vacinal foi maior em níveis protetores entre 10 e 100
mUI/ml tanto para jovens quanto para maiores de 50 anos.
A porcentagem média de imunização foi maior nos semestres iniciais quando
comparada aos semestres adiantados do curso, sendo as médias de 90% e
79,8%, respectivamente. Entretanto, a soma da população do 1º e 3º semestre
é maior que a soma dos outros dois semestres (Tabela 3). A turma do 4º
semestre foi a que apresentou maior porcentagem de não imunização, com
30% dos acadêmicos não imunes, enquanto 90,3% da turma do 3º semestre
estavam imunizados. Outra pesquisa em universidades brasileiras informou ter
encontrado que alunos do primeiro ano do curso de Medicina tinham menor
adesão à vacinação completa e também menor conhecimento sobre sua
situação vacinal quando comparados aos alunos dos anos finais (SOUZA;
TEIXEIRA, 2014).
Conclusão
Apesar do estudo não ter evidenciado uma significativa porcentagem de
acadêmicos com níveis de anti-HBs não protetores, foi possível notar que
muitos não tinham cuidado com a sua situação vacinal antes da pesquisa, além
da tendência carencial de informações a cerca da prevenção à hepatite B. Isso
ressalta a importância da elucidação do assunto pelas instituições de ensino
logo ao ingressar nos cursos de graduação na área da saúde e do incentivo à
adesão do esquema vacinal completo. Além disso, é considerável a realização
da titulação de anti-HBs para detecção do grau de imunidade dos acadêmicos
e, se necessário, orienta-los a aderir ao reforço da vacina.
Palavras-Chave:
Acadêmicos.
Vírus
HBV,
Vacinação,
Anti-HBs,
Soro
conversão,
Referências bibliográficas
BRASIL. Boletim Epidemiológico: Hepatites Virais. Brasília, Ministério da Saúde, 2015.
BRASIL. Dicas em saúde: Vacinação. Brasília: Ministério da Saúde, 2007. Disponível em:
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/dicas/51vacinacao.html>. Acesso em: jul. 2015.
BRASIL. Nota Técnica Conjunta Nª 02/2013. Brasília: Ministério da Saúde, 2013.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
60
CAIXETA, Roberta de Betânia; BARBOSA-BRANCO, Anadergh. Acidente de trabalho, com
material biológico, em profissionais de saúde de hospitais públicos do Distrito Federal, Brasil,
2002/2003. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 21, n. 3, p. 737-746, jun. 2005.
DUMMER, Verônica Sutil da R. Acidente de Trabalho com Material Biológico PérfuroCortante. Novo Hamburgo: FEEVALE, 2006. Monografia.
FERREIRA, Cristina; SILVEIRA, Themis. Prevenção das hepatites virais atravéz de
imunização. Jornal da Pediatria, Rio de Janeiro, v. 82, n. 3, p. 55-66, 2006.
FONSECA, José Carlos Ferraz da. História Natural da Hepatite Crônica B. Revista da
Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, Brasília, v. 40, n. 6, p. 672-677, nov-dez, 2007.
GIR, Elucir; NETTO, Jeniffer C.; MALAGUTI, Silmara E.; CANINI, Silvia Rita M. da S.;
HAYASHIDA, Miyeko; MACHADO, Alcyone A. Acidente com material biológico e vacinação
contra hepatite B entre graduandos da área da saúde. Revista Latino-Americana de
Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 16, n. 3, mai.-jun. 2008.
LACERDA, Diane Kelly; SILVA, Mauro Afonso da; KNECHT, Daiane; CERQUEIRA, Damiane
S.; OLIVEIRA, Jeovania; VASCONCELOS, Lazia F.; MIRANDA, Lusia B. de. Hepatite B e
Gestação: percepção, prevenção e tratamento. Revista Eletrônica da Univar, n. 6, p. 63-69,
2011.
MAIA, Lúcia; MAIA, Luciana; CRUVINEL, Karla. Transmissão das Hepatites B e C. Revista
Enfermagem Integrada, Ipatinga, v. 4, n. 1, jul-ago. 2011.
PETRY, Andrea; KUPEK, Emil J. Efetividade das vacinas anti-VHB (DNA-recombinante) em
doadores de sangue de uma região endêmica para hepatite B no sul do Brasil. Revista da
Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, Uberaba, v. 39, p. 462-466, set.-out. 2006.
SACCHETTO, Marina Sena Lopes da Silva. Hepatite B: conhecimentos, situação vacinal e
soro conversão de estudantes de odontologia de uma universidade pública. Teresina:
UFPI, 2013. Dissertação (Pós-graduação em Odontologia), Universidade Federal do Piauí,
2013.
SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE SÃO PAULO. Vacina contra hepatite B. Revista
Saúde Pública, São Paulo, v. 40, n. 6, p. 1137-1140, 2006.
SILVA, Alessandro Lisboa; VITORINO, Rodrigo Roger; ESPERIDIÃO-ANTONIO, Vanderson;
SANTOS, Elaine T.; SANTANA, Luiz Alberto; HENRIQUES, Bruno David; GOMES, Andréia
Patrícia. Hepatites virais: B, C e D: atualização*. Revista Brasileira de Clínica Médica, São
Paulo, v. 10, n. 3, 2012.
SOUZA, Eduardo; TEIXEIRA, Marcelo. Hepatitis B Vaccination Coverage and Postvaccination
Serologic Testing Among Medical Students at a Publica University in Brazil. Revista do
Instituto de Medicina Tropical de São Paulo, São Paulo, v. 56, n. 4, p. 307-311, jul-ago.
2014.
WORLD
HEALTH
ORGANIZATION.
Hepatitis
B.
2014.
Disponível
em:
<http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs204/en/>. Acesso em: jan. 2015.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
61
AVALIAÇÃO DA INFLUÊNCIA DO EXERCÍCIO FÍSICO EM PARÂMETROS
HEMATOLÓGICOS¹
Priscila Seibert², Fernanda Bender Ribeiro3, Renata Rodrigues Cardozo4,
Larissa Marafiga Cordeiro5, Emanuelle Kerber Viera Mallet6, Bruna Comparsi7,
Yana Picinin Sandri Lissarassa8
1
Trabalho realizado no Estágio Supervisionado – LAC/IESA
²Acadêmica do 8º semestre do Curso de Graduação em Biomedicina,
[email protected]
3
Acadêmica do 8º semestre do Curso de Graduação em Biomedicina
4
Acadêmica do 8º semestre do Curso de Graduação em Biomedicina
5
Acadêmica do 8º semestre do Curso de Graduação em Biomedicina
6
Biomédica, Professora Mestre em Diagnóstico Genético e Molecular, Curso de
Biomedicina, [email protected]
7
Biomédica, Professora Doutora em Ciências Biológicas: Bioquímica
Toxicológica, Curso de Biomedicina, [email protected]
8
Biomédica, Professora Mestranda em Atenção Integral à Saúde, Curso de
Biomedicina, [email protected]
Introdução
A prática do exercício físico é um hábito importante de quem adota com
regularidade podendo trazer grandes benefícios à saúde. Todavia, dependendo
de seu tipo, intensidade, frequência e duração, exercem papel-chave na
determinação das respostas imunes a um esforço, podendo aumentar ou
reduzir a função imune (ORTEGA, 2003; FITZGERALD, 1988).
A atividade física regular e de intensidade moderada é habitualmente benéfico
para o organismo humano (SMITH et al., 1990; SHEPHARD et al., 1991;
SHARP; KOUTEDAKIS, 1992; SUZUKI; MACHIDA, 1995; BURY et al., 1998).
No entanto, em certas condições, o exercício pode ser considerado como uma
fonte de estresse para algumas estruturas orgânicas (MACKINNON; TOMASI,
1988; RODRIGUEZ et al., 1991), estando dependente da condição física do
sujeito (SOARES; DUARTE, 1989).
Durante sessões de exercícios físicos intensos instala-se o quadro denominado
leucocitose (aumento do número de leucócitos na circulação) sendo as células
NK (NIEMAN et al., 2005) as que mais sofrem elevações se comparada a
outros linfócitos. As NK (MILES et al., 2002) e os neutrófilos (SAXTON et al.,
2003) são as duas células imunes que mais colaboram para ocorrência da
linfocitose em resposta ao exercício (BAGANHA, 2009).
As reduções observadas no número de leucócitos circulantes sofrem influência
do cortisol, particularmente em exercícios de longa duração (JOZSA, 2005;
PEDERSEN, 2000). Essas alterações podem ser chamadas de ajustes
(respostas agudas) e/ou adaptações (respostas crônicas). Entende-se por
respostas agudas aquelas que são encontradas durante e após a realização de
exercícios (exercício agudo) e por respostas crônicas aquelas que são
encontradas após um período de treinamento (exercício crônico) (BAGANHA,
2009).
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
62
Assim, o objetivo deste trabalho é avaliar os parâmetros hematológicos após o
exercício físico de intensidade moderada em jovens estudantes.
Metodologia
Foram selecionadas 11 acadêmicos entre 20 e 27 anos de idade, sedentárias.
Após assinatura de termo de consentimento livre e esclarecido, as acadêmicas
foram convidadas a realizar uma sessão de caminhada em ritmo moderado
com duração de 50 minutos e após realizou-se uma coleta de sangue sob
jejum de oito horas, antes da realização do exercício. Após a coleta, realizaram
a sessão de exercício moderado, modalidade caminhada, por um período de
tempo de cinquenta minutos, após este período, permaneceram em repouso
por um período de dez minutos, após, foram submetidas a segunda coleta de
sangue. As amostras foram coletadas através da punção venosa, em tubos de
EDTA para análise hematológica, tubo de fluoreto de sódio para análise
glicêmica e por último, tubo sem anticoagulante para as demais análises
bioquímicas. Após a colheita, as amostras permaneceram em repouso em
posição vertical para retração do coágulo e a seguir foram centrifugadas. As
dosagens dos testes bioquímicos foram realizadas por automação, através do
equipamento BS-200, no setor de Bioquímica, do Laboratório Escola de
Biomedicina – IESA/CNEC. A análise do hemograma foi realizada por
automação, através do equipamento ABX Micros 60, no setor de Hematologia,
do Laboratório Escola de Biomedicina – IESA/CNEC, os resultados foram
confirmados através da análise microscópica, onde também foi realizado o
exame Velocidade de Hemossedimentação (VHS). Foram excluídas da
pesquisa amostras com lipemia e hemólise.
Resultados
Os valores obtidos foram comparados com os valores basais e aos resultados
posteriores ao exercício físico. A intensidade do exercício provocou alterações
em alguns parâmetros hematológicos nos alunos avaliados. Na Tabela 1 são
evidenciadas as comparações do hemograma (série vermelha) e na tabela 2
dos leucócitos (série branca). As alterações significativas foram observadas no
leucograma, neutrófilos e linfócitos. O valor médio de quando os acadêmicos
estavam em repouso foi inferior ao valor após a realização da atividade física,
indicando que esta pode causar falsos resultados na avaliação laboratorial.
Tabela 1
Comparação na série vermelha do hemograma em acadêmicos em repouso e
submetidos ao exercício físico durante 50 minutos
Fonte: SEIBERT et al., 2015
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
63
Tabela 2
Comparação na série branca do hemograma em acadêmicos em repouso e
submetidos ao exercício físico durante 50 minutos
Fonte: SEIBERT et al., 2015
Discussão
Os resultados descritos neste estudo, com jovens acadêmicas, sedentárias,
assemelham-se a diversos trabalhos, descritos na literatura atual, que têm
investigado mudanças fisiológicas em resposta aos parâmetros hematológicos
após a realização do exercício físico em vários tipos de duração e intensidade.
Alguns autores têm relatado que exercícios de intensidade moderada parecem
exercer um efeito benéfico sobre as células do sistema imunitário, enquanto
que outros relatos observaram uma diminuição da resistência imunitária
(MALM, 2006; EKBLOM et al., 2006; PEDERSEN; SALTIN, 2006; CURI, 2000;
GARCIA et al., 1999).
O presente estudo, demonstrou um aumento no leucograma, devido ao fato de
que neutrófilos marginados apresentarem um aumento nas concentrações
plasmáticas, ou seja, uma leucocitose causada por neutrófilia, não indicando
que estes estejam ativos.
Nieman e colaboradores (2005) analisaram o efeito do exercício físico sobre a
resposta imune de mulheres com idade entre 25 e 55 anos, tendo como
modelo de exercício a caminhada em 32 intensidade moderada 60% a 65% do
VO2max (Volume máximo de oxigênio) por um período de 30 minutos. As
voluntárias já realizavam a caminhada previamente ao estudo por pelo menos
3 meses com uma frequência de 2 a 7 dias por semana. Os resultados
apontaram que: a sessão de exercício causou mudanças modestas e
temporárias na contagem leucocitária (especialmente neutrófilos e células NK);
nenhuma alteração na concentração plasmática de cortisol imediatamente após
o exercício em relação à condição basal.
Bonsignore e colaboradores (2002) realizaram um estudo com 16 corredores
amadores que realizaram meia maratona (8 corredores) e maratona completa
(8 corredores) na 5ª Maratona Internacional de Palermo. Para o grupo que
realizou a meia maratona não foi encontrada alteração na contagem de
neutrófilos pós-corrida e durante a recuperação (manhã seguinte a amanhã da
corrida), já para o grupo que realizou a maratona completa foi observado
aumento significativo na contagem de neutrófilos pós-corrida com os valores
voltando à linha basal após a recuperação.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
64
Segundo Ostrowski et al., (1998) a mobilização de neutrófilos para a circulação
é mediada por hormônios e o estresse. De acordo com Nieman et al., 2005 o
exercício induz aumento no número de neutrófilos. A neutrofilia durante o
exercício ocorre a partir da mobilização do pool marginal (BRENNER et al.,
1998), que de acordo com Nagakawa et al., 1998 acontece pelo aumento no
débito cardíaco e pelas concentrações aumentadas de cortisol no sangue
Conclusão
O presente estudo, demonstrou uma leucocitose logo após a seção de
exercício físico, devido ao fato de que neutrófilos marginados apresentarem um
aumento nas concentrações plasmáticas, assemelhando-se a diversos
trabalhos, descritos na literatura atual.
Desta maneira, percebe-se que a prática do exercício físico antes da coleta de
sangue pode provocar um falso aumento na dosagem de leucócitos, porém, é
necessário aumentar o número de indivíduos da pesquisa para obtenção de
melhores resultados.
Palavras Chave: Atividade física, Respostas Imunológicas, Níveis leucocitários
Referências bibliográficas
BAGANHA, R. J. Modulações no Leucograma, contagem de linfócitos T CD4+ e CD8+ e
níveis séricos de cortisol após treinamento em ciclistas maratonistas 2009. 84 f.
(Dissertação de Mestrado). Universidade Metodista de Piracicaba, Faculdade de Ciências da
Saúde, Piracicaba, 2009.
BONSIGNORE, M.R.; MORICI, G.; SANTORO, A.; PAGANO, M.; CASCIO, L.; BONANNO, A.;
ABATE, P.; MIRABELLA, F.; PROFITA, M.; INSALACO, G.; GIOIA, M.; VIGNOLA, A. M.;
MAJOLINO, I.; TESTA, U.; HOGG, J. C. Circulating hematopoietic progenitor cells in runners.
Journal of Applied Physiology, v. 93, p. 1691 – 1697, 2002.
BRENNER, I.; SHEK, P.N.; ZAMECNIK, J.; SHEPARD, R. J. Stress hormones and the
immunological responses to heat and exercise. International Journal of Sports Medicine, v.
19, p. 130 – 143, 1998.
BURY, T.; MARECHAL, R.; MAHIEU, P.; PIRNAY, F.; Immunological status of competitive
football players during the training season. International Journal of Sports Medicine, n.19,
p.364-368, 1998.
CURI, R. Glutamina: metabolismo e aplicações clínicas e no esporte. Ed. Sprint, São
Paulo, 2000.
EKBLOM, B.; EKBLOM, O.; MALM, C. Infectious episodes before and after a marathon race.
Scand. Scandinavian Journal of Medicine and Science in Sports, v. 4, n. 16, p. 287-293,
2006.
FITZGERALD. L.; Exercise and the immune system. Immunology Today, v.9, n.1, p.9-337,
1988.
GARCIA, C.; PITHON-CURI, T.C.; DE LOURDES, M.F.; PIRES, M.M; NEWSHOLME, P.; CURI,
R. Effect of adrenaline on glucose and glutamine metabolism and superoxide production by rat
neutrophils. Clinical Science, n. 96, p. 549-555, 1999.
JOZSA, R.; OLAH, A.; CORNÉLISSEN, G.; CSERNUS, V.; OTSUKA, K.; ZEMAN, M. Circadian
and extracicardian exploration during daytime hours od circulating corticosterone and other
endocrine chronomes. Biomedicine & Pharmacotherapy, n. 59, p. 109- 116, 2005.
MACKINNON, L.T.; TOMASI, T.B.; Immunology of exercise. In: Sports Medicine, Fitness,
Training and Injuries. Appenzeller, O. (Ed.). New Mexico University, Baltimore. p.273-289,
1988.
MALM C. Susceptibility to infections in elite athletes: the S-curve. Scand. J. Scandinavian
Journal of Medicine and Science in Sports, v.1 n.16, p. 4-6, 2006.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
65
MILES, M. P.; MACKINNON, L. T.; GROVE, D. S.; WILLIAMS, N. I.; BUSH, J.A.; MARX, J. O.;
KRAEMER, W. J.; MASTRO, A. M. The relationship of natural killer cell counts, perforin mRNA
and CD2 expression to postexercise natural killer cell activity in humans. Acta Physiologica
Scand, v. 174, p. 317 – 325, 2002.
NIEMAN, D. C.; HENSON, D. A.; AUSTIN, M. D.; BROWN, V.A. Immune Response to a 30Minute Walk. Medicine & Science in Sports & Exercise, v. 37, n. 1, p. 57 - 62, 2005.
ORTEGA, E.; Neuroendocrine mediators in the modulation of phagocytosis byexercise:
physiological implications. Exercise Immunology Review, v.9, n.1, p.70-93, 2003.
PEDERSEN, B.K.; HOFFMAN-GOETZ, L. Exercise and the Immune System: Regulation,
Integration and Adaptation. Physiological Reviews, n. 80, p. 1055-1081, 2000.
PEDERSEN, B.K.; SALTIN, B. Evidence for prescribing exercise as therapy in chronic disease.
Scandinavian Journal of Medicine and Science in Sports, n.16, p. 3-63, 2006.
RODRIGUEZ, A.B.; BARRIGA, C.; DE LA FUENTE, M.; Phagocytic function of blood
neutrophils in sedentary young people after physical exercise. International Journal of Sports
Medicine, n. 12, p. 276- 280, 1991.
SAXTON, J.M.; CLAXTON, D.; WINTER, E.; POCKLEY, A.G. Peripheral blood leukocyte
functional responses to acute eccentric exercise in humans are influenced by systemic stress,
but not by exercise-induced muscle damage. Clinical Science, v. 104, p. 69 – 77, 2003.
SHARP, N.C.; KOUTEDAKIS, Y.; Sport and the overtraining syndrome: immunological aspects.
British Medical Bulletin. n.48, p.518-533, 1992.
SHEPHARD, R.J.; VERDE, T.J.; THOMAS, S.G.; SHEK, P.; Physical activity and the immune
system. Canadian journal of sport sciences, n. 16, p. 163-185, 1991.
SMITH, J.A.; TELFORD, R.D.; MASON, I.B.; WEIDEMANN, M.J.; Exercise, Training and
neutrophil microbicidal activity. International Journal of Sports Medicine. n.11, p.179-187,
1990.
SOARES, J.A.; DUARTE, J.M.; Miopatia do exercício. Etiologia, fisiopatologia e factores de
prevenção. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, n.7, p.187-200, 1989.
SUZUKI, K.; MACHIDA, K.; Effectiveness of lower-level voluntary exercise in disease
prevention of mature rats. European Journal of Applied Physiology, n.71, p.240-244, 1995.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
66
FREQUENCIA DE ANTÍGENOS DO SISTEMA RH EM MULHERES EM
IDADE REPRODUTIVA¹
Jéssica Silveira2; Amanda Tonon3; Camila Rodrigues4; Francielen Colet5;
Letícia de Oliveira6; Bruna Comparsi7
1
Trabalho realizado no Setor de Imunologia LAC/IESA
Aluna do Curso de Graduação em Biomedicina do IESA, email:
[email protected]
3
Aluna do Curso de Graduação em Biomedicina do IESA, email:
[email protected]
4
Aluna do Curso de Graduação em Biomedicina do IESA, email:
camialdesouzar02gmail.com
5
Aluna do Curso de Graduação em Biomedicina do IESA, email:
[email protected]
6
Aluna do Curso de Graduação em Biomedicina do IESA, email:
[email protected]
7
Docente do curso de Biomedicina, Doutora em Ciências Biológicas:
Bioquímica Toxicológica. Email: [email protected]
2
Introdução
O sistema Rh apresenta grande interesse clínico, pois seus anticorpos estão
envolvidos em mecanismos de destruição eritrocitária, como a reação
transfusional hemolítica e doença hemolítica perinatal (SIMSEK et al., 1995). O
principal antígeno eritrocitário responsável por desencadear reações de
incompatibilidade é o antígeno D do sistema Rh, mas sabem-se que existem
outros 49 antígenos Rh, identificados até agora, e que alguns deles também
estão envolvidos nos mecanismos que desencadeiam esta doença, porém em
menor taxa de incidência e gravidade (MACHADO, BARINI, 2006).
Entre os antígenos do sistema Rh, o antígeno D apresenta maior
imunogenicidade e prevalência (85% da população branca) em comparação a
outros antígenos do mesmo sistema, como por exemplo, o antígeno C. As
hemácias ditas Rh positiva e negativas se referem a presença ou ausência do
antígeno D, respectivamente, mas ambas expressam os antígenos C/c e E/e,
onde o C é antitético ao c e o E ou e. Isso se deve a base molecular desses
antígenos onde cada cromossomo contém os genes C, c, E, e (NARDOSA et
al., 2010; SCHMIDT, CORRÊA, LOURES, 2010).
Nas prevenções das reações envolvidas na doença hemolítica perinatal e
hemolítica transfusional, a compatibilidade para o antígeno d do sistema Rh é
fundamental, ainda assim, é desejável que outros antígenos sejam
compatíveis, especialmente C, c, E, e do sistema Rh (MARTINS et al., 2009).
Diante disso, é importante conhecer a frequências dos antígenos do sistema
Rh na população em geral, principalmente em mulheres em idade reprodutiva.
Assim este estudo tem como objetivo investigar a frequência dos antígenos do
sistema Rh (E, e, C e c) em mulheres em idade reprodutiva e discutir suas
implicações em obstetrícia e medicina transfusional.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
67
Metodologia
O estudo foi realizado no Laboratório Escola de Análises Clínicas (LAC) no
Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo (IESA/CNEC) no ano
de 2015. Realizou a técnica de tipagem em tubo em uma amostra de sangue
total anticoagulado com EDTA seguindo o protocolo descrito a seguir.
Preparou-se uma suspensão de hemácias a 5% e identificou-se os tubos com o
número da amostra do paciente e as seguintes identificações – Anti-A, Anti-B,
Anti-C, Anti-c, Anti-E, Anti-e, Anti-D, Controle(Ctrl). Foi adicionado a cada tubo
uma gota dos anti-soros correspondentes e em seguida, uma gota da
suspensão de hemácias 5% do paciente foi pipetada aos tubos com os antisoros. Homogeneizaram-se todos os tubos e incubou-se a temperatura
ambiente por 1 minuto. Após, todos os tubos foram centrifugá-los por 15
segundos a 3400 rpm. A leitura foi realizada através da leve agitação dos
tubos, realizando a leitura, um a um, sobre um fundo branco. Os tubos que
demonstrarem um resultado negativo ou questionável foram incubados por 15
minutos a temperatura ambiente, a 4ºC e em banho Maria 37ºC e centrifugados
novamente para realizar a leitura. Considerou-se a presença do aglutinogênio
ou aglutinina quando ocorreu aglutinação.
Resultados e discussão
Participaram deste estudo 25 mulheres com idade média de 36,44 anos (±
0,17). A fenotipagem parcial incluiu a pesquisa dos antígenos do sistema ABO
e Rh (D, C,c,E,e) através da técnica em tubo utilizando concentrado de
hemácias. A tipagem ABO indicou frequência de hemácias do tipo O em 28%,
A em 52%, B em 12 % e AB em 8 % (Figura 1).
Figura 1 – Frequência dos aglutinogênios do sistema ABO.
Fonte: SILVEIRA et al., 2015
A pesquisa de antígenos do sistema Rh revelou presença de D em 88% das
pacientes e 12% foram classificadas como Rh negativo, indicando ausência de
D na membrana das hemácias (Figura 2), o resultado da prova de tipagem
direta para pes uisa de D foi confirmado através da prova de “D fraco”.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
68
Figura 2 – Frequência do aglutinogênio D.
Fonte: SILVEIRA et al., 2015
De acordo com BAIOCHI e NARDOZZA (2009) à baixa frequência de
aloimunização pelos outros aglutinogênios do sistema Rh (C, c, E, e) e devido
a presença de anticorpos não-Rh, as pesquisas para desenvolver protocolos
específicos e mais sensíveis são deixadas de lado. Entretanto, SCHIMIDT et
al., (2011) destacam a importância da genotipagem RhD extendida (D, c,c,E,e)
fetal não invasiva no acompanhamento de gestantes RhD negativo.
Ao realizar-se a fenotipagem parcial para pesquisa dos antígenos do sistema
Rh (C, c, E, e) a população avaliada apresentou frequência de 80%, 76%, 24%
e 96%, respectivamente (Tabela 1). MARTINS et al., (2009) também pesquisou
a frequência dos antígenos do sistema Rh em pacientes de ambos os sexos
através da técnica moleculare de PCR e seus resultados apontaram uma
porcetagem de 45% para C, 10% para c, 55% para E e 10%. Os fatores que
podem justificar as diferentes porcentagem relatadas nos estudos
provavelmente estão relacionados a etnia da população analisada. Já que o
estado do RS apresenta grande miscigenação, a região onde se realizou o
estudo foi colonizada principalmente por imigrantes europeus de origem
germânica, espanhola, portuguesa, italiana, russa entre outras, e também pela
população nativa índios guaranis e também uma contribuição de população
negra.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
69
Tabela 1
Caracterização da amostra e fenotipagem Rh
Identificação
da amostra
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
Idade
(anos)
ABO
Antígenos do sistema Rh
D
23
B
Positivo
20
A
Positivo
21
A
Positivo
20
A
Positivo
22
B
Positivo
21
A
Positivo
33
A
Negativo
24
O
Positivo
15
O
Positivo
49
A
Positivo
50
O
Positivo
25
A
Positivo
61
O
Positivo
46
O
Negativo
43
A
Negativo
79
A
Positivo
59
A
Positivo
61
AB
Positivo
45
O
Positivo
74
A
Positivo
21
B
Positivo
27
AB
Positivo
21
A
Positivo
22
A
Positivo
29
O
Positivo
Fonte: SILVEIRA et al., 2015
C,E,c,e
C,e
C,c,e
E,c,e
C,c,e
E,c,e
C,c,e
C,c,e
C,c,e
C,e
C,e
C,c,e
C,c,e
C,e
c,e
c,e
C,E,c,e
C,c,e
C,c,e
C,e
C,E,c,e
C,c,e
E,c,e
C,c,e
C,c,e
C,E
Estudos apontam que aproximadamente 55% da população de indivíduos Rh-D
positivo são heterozigóticos em seu lócus RHD. Já na população negra, 2
terços dela apresentam o pseudogene, o qual leva a não codificação da
proteína D, 15% desta mesma população possuem o gene híbrido RH-D-CE-D,
o qual não expressa o antígeno D e produz um antígeno C alterado. Em
população caucasiana (15% a 17%), ocorre à deleção completa do gene RHD,
ou ocorre também uma hibridização a RDH/CE. Em população japonesa a
ausência do fenótipo RHD é em torno de 1%.
Monteiro et al., (1996) reforça que é necessário, não só investigar o antígeno
D, e sim os outros aglutinogênios deste sistema também. Em seu estudo relata
2 casos de recém-nascidos com hiperbilirrubinemia devido a presença de
anticorpos irregulares ao sistema Rh (c). Nos 2 casos, ambas as mães eram
Rh positivas e os pais Rh negativos. O diagnóstico para anti-c baseou-se na
detecção de AC anti-c pela técnica do Combs direto, indireto e identificação
através do painel de hemácias. Os pais apresentaram fenótipo ddccee e as
mães, DCCee, e o fenótipo das duas crianças foi DdCcee. Ao final, pode-se
perceber que o gene c era procedente
do pai, e responsável pela
sensibilização e produção de anticorpos anti-c maternos. Provavelmente, estas
mães, a exemplo da aloimunização Rh pelo alelo D, foram sensibilizadas em
gestações anteriores.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
70
SAINT MARTIN et al., (1991) recomenda a realização do rastreamento dos
aglutinogênios (C, c, E, e) durante a gestação e demonstram, através da
técnica de radioimunoensaio, a preença de aloanticorpos em 7,1% das
gestantes, das quais dois terços apresentavam AC dirigidos para AG que não
eram o D.
Conclusão
Medidas preventivas em relação as mulheres em idade fértil e gestantes Rh
negativas (com administração de IgG anti-D) são fundamentais para diminuir a
isoimunização Rh. Além disso, mães Rh positivas devem ser acompanhadas
criteriosamente, no sentido de se conhecer o seu fenótipo, também o do pai e
do recém nascido e, com isto, minimizar os efeitos da aloimunização do
sistema Rh pelos outros tipos de antígenos. Mesmo afastando a isoimunização
por anti-D (Genotipo Rh positivo) em pais Rh negativo, pode ser desencadeada
uma reação imunogênica devido à presença de genes irregulares, resultando
em aloimunização daquele antígeno.
Referências bibliográficas
BAIOCHI, E.; NARDOZZA, L. M. M. Aloimunização. Rev Bras Ginecol Obstet. Vol.31, n.6,
p.311-319, 2009.
MACHADO, I. N.; BARINI, R.. Doença Hemolítica Perinatal : Aspectos Atuais. Rev. Ciênc.
Med. Campinas. v. 15, n.1, p. 69-74, Jan/Fev, 2006.
MARTINS, M. L.; CRUZ, K. V. D.; SILVA, M. C. F.; VIEIRA, Z.M. Uso da fenotipagem de grupos
sanguíneos na elucidação de casos inconclusivos na fenotipagem eritrocitária de pacientes
atendidos na fundação Hemominas. Ver. Bras. Hematol. Hemoter. v.31, n.4, p. 252-259,
2009.
MONTEIRO, M. A. G.; FEBERBAUM R.,DINIZ, E. M. de A.; ERICO, C.; ETZEL, M. H.
T.;KREBS, V. L. J.; CECCON, M. E. J.R.; ARAÚJO, M. C. K.; SANTORO, A. L.; VAZ, F. A. C.;
RAMOS, J. L. A. Imunohematologics, Genetics and Clinics Aspects of Two Cases About
Aloimunization of Antibody Anti-c. Pediatria. v.18, n.2, p.95-98, 1996.
NARDOZZA, L. M. M.; SZULMAN, A.; BARRETO, J. A.; et al. Bases moleculares do sistema rh
e suas aplicações em obstetrícia e medicina transfusional. Rev Assoc Med Bras. v.56, n.6,
p.724-728, 2010.
SCHMIDT, L. C.; LOBATO, M. M.s; JÚNIOR, M. D. C.; CABRAL, A. C. V.; FARIA, M. A.
Genotipagem RhD fetal não invasiva no acompanhamento de gestantes RhD negativo.
FEMINA. v.39, n. 7, p. 237-244, Julho, 2011.
SCHMIDT, L.C.; CORRÊA, J. M.D, LOURES, L.F. Updates in the prophylaxis of the Rh
isoimmunization. FEMINA. v.38, n.7, p. 245-252, Julho, 2010.
SIMSEK, S.; FAAS BH.; BLEEKER, P.M.; OVERBEEKE, M.A.; CUIJPERS, H.T.; VAN der S.
C.E.; et al. Rapid RhD genotyping by polymerase chain reaction-based ampli¬fication of DNA.
Blood. v.29, p.75-80, 1995.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
71
POTENCIAL INTERFERÊNCIA DOS MEDICAMENTOS UTILIZADOS
POR MULHERES NO CLIMATÉRIO NO EXAME DE GLICEMIA DE JEJUM1
Daiana Meggiolaro Gewehr2; Vanessa Adelina Casali Bandeira3, Cristiane
Rodrigues Bellinazo4, Karla Renata de Oliveira5; Christiane de Fátima Colet6,
Marilei Üecker Pletsch7.
1
Pesquisa institucional desenvolvida no Departamento de Ciência da Vida
(DCVida), pelo grupo de pesquisa Estudo do Envelhecimento Humano
(GERON).
2
Acadêmica do Curso de Farmácia da UNIJUÍ, Bolsista de Iniciação Científica
PIBIC/UNIJUÍ. [email protected]
3
Farmacêutica, mestranda do programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em
Atenção
Integral
à
Saúde
da
UNIJUÍ/UNICRUZ.
Bolsista
CAPES/UNICRUZ/UNIJUÍ. [email protected]
4
Acadêmica do Curso de Farmácia da UNIJUÍ, Bolsista de Iniciação Científica
PIBIC/CNPQ. [email protected]
5
Farmacêutica, docente do DCVida, orientadora da Bolsista de Iniciação
Científica2, [email protected]
6
Farmacêutica, docente do DCVida, e-mail: [email protected]
7
Farmacêutica, docente do DCVida, e-mail: [email protected]
Introdução
A prevalência do Diabetes mellitus (DM) nas mulheres aumenta no climatério.
Isso decorre principalmente pelo declínio gradativo da produção de estrogênio.
O DM está entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento de
doenças cardiovasculares (FEBRASGO, 2010).
Ressalta-se que o DM pode permanecer assintomático por longo tempo e sua
detecção clínica é frequentemente realizada, através da identificação dos
fatores de risco. Nesse contexto, é importante que as equipes de Atenção
Básica estejam atentas, não apenas aos sintomas do DM, mas a prática de
hábitos alimentares não saudáveis, sedentarismo e obesidade, que associados
a idade são os principais fatores de risco para a DM tipo 2 (BRASIL, 2013).
A determinação da glicose sanguínea é um dos ensaios mais frequente em um
laboratório clínico (BECHER; VERZELETTI, 2014), no qual o exame de
Glicemia de Jejum contribui para o diagnóstico e para a decisão preventiva
e/ou terapêutica a ser tomada no caso de tolerância a glicose diminuída ou a
DM.
Os exames laboratoriais fornecem resultados acurados e precisos de vários
parâmetros normais ou patológicos (BARROS, ELVINO; BARROS, 2010), no
entanto, podem existir interferentes sobre seus resultados, entre os quais se
encontra o uso de medicamentos.
A potencial interferência dos medicamentos sobre os exames laboratoriais
pode ocorrer através de mecanismos in vivo, desse modo o medicamento
interfere na fisiologia do organismo podendo assim modificar os processos
biológicos, e in vitro, quando o medicamento ou seus metabólitos presentes na
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
72
amostra biológica interferem na análise do componente durante alguma fase do
processo analítico (SILVA, 2012)
Desse modo, alguns medicamentos têm potencial para alterar o resultado dos
exames e assim, influenciar no diagnóstico clínico-laboratorial (MARTINELLO;
SILVA, 2003). No que se refere ao exame de glicemia de jejum, destaca-se a
necessidade de resultados adequados, uma vez que a abordagem terapêutica
dos casos detectados, o monitoramento e o controle da glicemia, bem como o
início do processo de educação em saúde são fundamentais para a prevenção
de complicações e para a manutenção da qualidade de vida do usuário
(BRASIL, 2013). Neste contexto, o objetivo do presente estudo é verificar a
potencial interferência dos medicamentos utilizados por mulheres no climatério
no exame laboratorial de glicemia de jejum.
Metodologia
Estudo transversal, descritivo e retrospectivo, com a população constituída por
mulheres na faixa etária de 35 e 65 anos, com cadastro ativo nas unidades de
Estratégias Saúde da Família (ESF) 1, 7 e 8 da área urbana do município de
Ijuí/RS, pertencentes a pes uisa “Estudo do Envel ecimento Feminino” da
UNIJUÍ, aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa, sob o n° 294.456/2014.
Foram incluídas no presente estudo as mulheres participantes da pesquisa
supracitada estavam em uso contínuo de no mínimo um medicamento. Os
medicamentos identificados foram classificados no primeiro nível (grupo
anatômico) da Anatomical Therapeutic Chemical Classification System (ATC)
(WHO, 2015). Para verificar as potenciais interferência dos medicamentos no
exame de glicemia de jejum foram utilizadas as seguintes referências:
BARROS e BARROS, 2010; SANTOS; TORRIANI; BARROS, 2013; XAVIER
2011.
Resultados e Discussão
O estudo foi constituído por 119 mulheres com idade média de 51,50±7,81
anos, todas usuárias de medicamentos, sendo 11 o número máximo de
medicamentos em uso, com média de 3,07±2,26 medicamentos/mulher,
totalizado 392 fármacos em uso, sendo 98 fármacos distintos. Em relação aos
fármacos que podem interferir no exame de glicemia de jejum, constataram-se
45 (45,9%) potenciais interferências, totalizando 259 fármacos (66,07%). A
classe mais prevalente foi dos que atuam no sistema cardiovascular (43,2%),
seguido pelo sistema digestivo e metabólico (20,8%), conforme Tabela 1.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
73
Os medicamentos são interferentes importantes nos exames, principalmente
devido sua ampla utilização (BARROS; BARROS, 2010). Estes não só podem
causar alterações fisiológicas (in vivo), mas também interferir in vitro (REIS,
2005), nesse estudo a prevalência foi a potencial interferência in vivo (35 77,8%), seguida da in vitro (6 -13,4%), ainda quatro (8,9%) medicamentos
podem interferir por ambos os mecanismos.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
74
Os medicamentos cardiovasculares foram os mais prevalentes no presente
estudo, esses fármacos são amplamente utilizados, já que, as doenças
cardiovasculares representam a principal causa de mortalidade atualmente
(NOBRE et al., 2010). Entre aqueles com potencial para interferir no exame de
glicemia em jejum, observa-se que há fármacos cardiovasculares que podem
aumentar os níveis de glicemia como os diuréticos tiazídicos, representados
pela hidroclorotiazida, bem como medicamentos que podem diminuir como é o
caso dos inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA) (SANTOS;
TORRIANI; BARROS, 2013). Estudo realizado por Gewehr et al. (2015) com a
mesma população identificaram que a associação de IECA com diuréticos
tiazídico são os mais utilizados, desse modo infere-se que essa associação
possa atenuar a potencial inferência no exame de glicemia, uma vez que um
medicamento aumenta e o outro diminui seus valores. Nesse contexto, sugerese acompanhamento clinico para verificar a possível interferência desses
fármacos utilizados em associação.
A interferência dos medicamentos nos testes laboratoriais depende entre
outros fatores da dose prescrita, do nível sérico do fármaco e da via de
administração, assim um determinado fármaco pode agir aumentando ou
diminuindo a glicemia (BARROS e BARROS, 2010). No caso dos preparados
hormonais sistêmicos, a dose administrada apresenta importante potencial de
influenciar na diminuição da glicemia, quando se utiliza baixas doses do
estradiol, por exemplo, e tendência de aumento da glicemia quando se utilizam
doses mais altas (ANDERSON, 2000). Em estudo realizado com 76 mulheres
pós menopausa, com média de idade de 60,20 anos, revelou que 5,3%
apresentavam DM e 10,5% tolerância a glicose diminuída, sendo que 38,2%
utilizavam terapia e reposição hormonal (TRH), os autores não verificaram
diferença estatisticamente significativa na correlação entre os valores de
glicemia e reposição hormonal, porém se observou um maior número de
mulheres com tolerância a glicose diminuída e DM nas mulheres que não
fizeram uso de TRH, em relação as que fizeram uso desta terapia (BRUINSMA
et al., 2011).
Os medicamentos utilizados no tratamento da DM são considerados
interferentes no exame da glicose plasmática, no entanto, a diminuição da
glicemia é o efeito terapêutico desejado. Nesse caso, a glicemia de jejum
fornece, juntamente com outros, como o exame da hemoglobina glicada, o
controle dos níveis da glicose sanguínea e por consequência permitem que se
acompanhe a efetividade do tratamento (BRASIL, 2013).
Encontrar, reduzir e eliminar erros em diagnósticos laboratoriais é importante
para a saúde do paciente. As boas práticas em análises clínicas e toxicológicas
é uma das medidas encontradas para que isto ocorra. Para isso é necessário a
educação continuada dos profissionais atuantes nas análises clínicas e
toxicológicas (MOURA, 2014)
Conclusão
A maioria dos medicamentos (66,3%) apresentou potencial de interferir no
exame de glicemia de jejum, assim, ressalta-se que a necessidade do usuário
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
75
em informar os medicamentos em uso ao laboratório, bem como, o laboratório
estar atendo a esses medicamentos e as potencialidades destes na
interferência de exames laboratoriais, principalmente em exames diagnósticos
ou de acompanhamento que são ferramentas norteadoras da prescrição tanto
não medicamentosas quanto medicamentosa. Da mesma forma, conhecer os
medicamentos em uso pelo paciente e o potencial de interferência nos exames
laboratoriais se constitui em um indicador de qualidade para o laboratório de
análises clínicas no que se refere a prevenção de erros pré-analíticos.
Sabe-se que o DM é uma doença prevalente na sociedade e possui
implicações importantes nas condições de saúde do indivíduo, com isso,
garantir resultados fidedignos nos exames de glicemia em jejum, bem como os
demais exames relacionados, permite o manejo adequado destas condições e
garante segurança aos pacientes e aos profissionais de saúde.
Palavras-Chave: Interferência laboratorial, Diabetes Mellitus, Medicamentos,
Glicose.
Referências Bibliográficas
ANDERSSON B. Hormone replacement therapy in postmenopausal women with diabetes
mellitus:a risk-benefit assessment. Drugs Aging. v. 17, n.5, p.399-410, 2000.
BARROS, E.; BARROS, H.M.T. Medicamentos na Prática Clínica. 1. ed. Porto Alegre:
Artmed, 2010.
BECHER, L. A. A.; VERZELETTI, F. B. Influência do Tempo na Determinação de Glicose
Sanguínea. Cadernos da Escola de Saúde, v. 2, n. 12, p. 91–98, 2014.
BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção
Básica. Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica: diabetes mellitus. Brasília:
Ministério da Saúde, 2013.
BRUINSMA, F. et al. Valores de glicemia em mulheres pós-menopausa segundo a reposição
hormonal. Rev. Contexto e Saúde, v. 10, n. 20, p. 525–532, 2011.
FEBRASGO - Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Climatério:
Manual de orientação. São Paulo: Febrasgo, 2010.
FÉLIX, J. T; BEZERRA, L. D. C.; VERAS, H. N. H. Estudo dos fármacos utilizados por
pacientes atendidos em um laboratório clínico e as possíveis alterações em exames
laboratoriais. E-Ciência, v. 3, n. 1, 2015.
MARTINELLO, F.; SILVA, E. L. Interferência do ácido ascórbico nas determinações de
parâmetros bioquímicos séricos: estudos in vivo e in vitro. Jornal Brasileiro de Patologia e
Medicina Laboratorial, v. 39, n. 4, p. 323–334, 2003.
MOURA, J. A. P. Interferência de medicamentos em exames laboratoriais. 2014. 35 f.
Universidade Federal da Paraíba, 2014.
REIS, M. P. Medicamentos que interferem em exames laboratoriais. Porto Alegre: Artmed.
2005.
SANTOS, L.; TORRIANI, M. S.; BARROS, E. Medicamentos na Prática da Farmácia clínica.
1. ed. Porto Alegra: Artmed, 2013.
SILVA, A. S. Avaliação da interferência analítica de fármacos na determinação de
proteínas e cetonas no exame químico de urina – estudos in vitro e in vivo. 81-87 f. Tese
(doutorado). Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC, Florianopolis SC, 2012.
XAVIER, R. M. et al. Laboratório na Prática clínica. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2011.
WHO - WORLD HEALTH ORGANIZATION. Anatomical Therapeutic Chemical. Classification.
Index
with
defined
daily
doses
(DDDs).
Oslo,
2010.
Disponível
em:
<http://www.whocc.no/atc_ddd_index>. Acesso em: 05 nov. de 2015.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
76
PESQUISA ETINOGRÁFICA: UM PROJETO ESCOLAR INDÍGENA DE
EDUCAÇÃO E PROMOÇÃO DA SAÚDE1
Jandaia Pauline Girardi2; Juliana Posser³; Bruna Comparsi4; Débora Pedroso5
1
Trabalho de Iniciação Científica do curso de Biomedicina – PIBIC/IESA
Acadêmica
do
Curso
de
Biomedicina
do
IESAl.
Email:
[email protected]
3
Docente do curso Técnico em Citopatologia (PRONATEC-IESA), Especialista
em Análises Clínicas. Email: [email protected]
4
Docente do curso de Biomedicina, Doutora em Ciências Biológicas:
Bioquímica Toxicológica. Email: [email protected]
5
Docente do curso de Biomedicina, Mestre em Parasitologia. Email:
[email protected]
2
Introdução
Entre as formas de prevenção a saúde, a educação é o principal instrumento
para o acesso ao conhecimento e conscientização de uma população. Além
disso, o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento das crianças
constituem alternativas importantes para garantir a sua saúde, a redução da
morbimortalidade infantil, bem como promover qualidade de vida a esse público
(BRASIL, 2009).
Mesmo diante das ações de saneamento, as infecções parasitárias, ainda
constituem um importante problema de saúde pública. Desta forma, a
educação em saúde no âmbito escolar caracteriza-se como colaborador da
construção e compreensão crítica e reflexiva do escolar, estas práticas
acontecem com o intuito de fornecer informações relativas à promoção,
manutenção e recuperação da sua respectiva saúde, familiares e contexto
onde está inserido (FOCESI, 1992).
Doenças ectoparasitárias, como a pediculose ainda acometem muitos
índividuos e são muito comuns em comunidades indígenas no Brasil. É
frequente a presença de infestação severa e consequentes complicações.
Apesar disso, programas de controle para essas doenças são quase
inexistentes. A pediculose é uma ectoparasitose causada pelo artrópode
Pediculushumanuscapitis, conhecida vulgarmente por piolho, que acomete o
couro cabeludo humano. Em crianças, quando esta doença é associada a
condições sociais precárias e dietas inadequadas, pode ser determinante para
o desenvolvimento de quadros anêmicos, devido a deficiência de ferro
subtraída pela hematofagia exercida pelos piolhos (LINARDI et al., 1995).
Outros complicadores que podem surgir são o baixo desempenho escolar por
dificuldade de concentração, consequência do prurido contínuo e distúrbios do
sono (LINARDI, 2011).
Acredita-se que isso se deve a fácil e rápida transmissão entre pessoas, pois é
devido ao contato com pessoas infestadas que ocorre a transmissão, ou seja,
compartilhando os mesmos objetos, tais como: boné, escovas, roupas,
presilhas, etc, o que é bastante comum em crianças na fase escolar. Logo, é
onde encontramos as maiores taxas de prevalência e incidência da pediculose,
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
77
sendo que as meninas apresentam um percentual de significância maior
quando comparadas aos meninos (BARBOSA et al., 1998)
A Educação em Saúde estabelece um conjunto de saberes e práticas voltadas
para a prevenção de doenças e a promoção da saúde (COSTA & LÓPEZ,
1996). Estendem-se a um método onde os conhecimentos científicos
produzidos no campo da saúde, intermediados por profissionais da área,
atingem o cotidiano das pessoas, havendo a compreensão do processo saúdedoença e oferecendo subsídios para a adoção de novos hábitos e condutas de
saúde (ALVES, 2005).
Segundo Buss (2013), as propostas de promoção de saúde privilegiam ações
educativas normativas voltadas para indivíduos, famílias e grupos. Dessa
forma, ações sobre a prevenção primária de saúde podem ajudar a população
a se prevenir e, ao mesmo tempo, diminuir os gastos dos governos com
tratamentos de doenças.
Para contribuir no processo ensino-aprendizagem, a utilização de jogos
didáticos como prática de ensino se faz presente por ser facilitadora do
aprendizado e da compreensão do conteúdo de forma lúdica, motivadora e
divertida. É através dessa metodologia que conseguimos criar uma relação dos
conteúdos vistos em sala de aula com a vida cotidiana, impulsionando os
alunos a pensarem de formas criativas e eficazes para solucionar os problemas
(LONGO, 2012).
Considerando a importância de desenvolver novas estratégias de ensino que
influenciem de maneira decisiva o desenvolvimento da promoção da saúde, o
estudo teve como objetivo promover a saúde a partir de uma proposta de
aprendizagem lúdico-interativa através de jogos com crianças indígenas
guaranis.
Metodologia
Trata-se de um estudo de caráter qualitativo do tipo exploratório. O método
utilizado foi etnográfico com a finalidade de analisar as interações sociais em
um determinado contexto cultural. Este trabalho tem a finalidade de descrever
as experiências pedagógicas vividas através do projeto de pesquisa intitulado
“ onstruções de indicadores de saúde na população indígena guarani da
região noroeste do RS, Brasil”, vinculado ao Núcleo de Pes uisa e Iniciação
Científica do Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo – IESA,
com a elaboração de materiais didáticos específicos referente ao tema
proposto, vividas na Escola Estadual Indígena Igineu Romeu Kóénju na
comunidade indígena Mbyá Guarani de São Miguel das Missões, RS.
Para realização da pesquisa inicialmente apresentou-se o projeto de pesquisa
à direção da escola e obteve-se autorização para a realização da pesquisa. O
trabalho de campo foi realizado em três momentos. No primeiro momento foi
aplicado um questionário onde os alunos foram orientados a desenhar e
escrever três palavras apartir da visualização da palavra piolho. No segundo
momento aplicou-se os jogos didáticos contemplando o tema piolho, educação,
promoção da saúde e meio ambiente.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
78
Os jogos didáticos ofertados eram distribuídos de acordo com a faixa etária.
Para os alunos de 3-5 anos após a aplicação do questionário, foi utilizado uma
TV confeccionada em papel e através dela foi possível contar uma história
sobre o piolho. Logo em seguida foi disponibilizado o jogo de memória
contendo figuras ilustrativas do parasita e de sua forma de contágio. Para as
crianças com idade superior tinha disponível jogos de tabuleiros que retratavam
o pilho e sua forma de contágio e prevenção. Além disso, utilizamos o jogo de
arca e flecha onde o alvo principal era o piolho, para o reconhecimento
estrutural do parasita, com a intenção de manter viva as raízes indígenas no
desenvolvimento do projeto.
Na próxima etapa do projeto os alunos praticam os jogos didáticos durante o
período de um mês para que no terceiro momento possa ser reaplicado o
questionário utilizado na primeira etapa da pesquisa. Com isso, espera-se
poder
verificar a eficácia dos jogos didáticos no processo ensinoaprendizagem utilizados no projeto.
Resultados e Discussões
A aldeia é constituída atualmente, por 25 famílias, que somam ao total, 150
indivíduos. Na comunidade há uma escola estadual que oferta educação
infantil e aos anos iniciais, com 52 alunos matriculados e distribuídos em quatro
turmas: pré-escola e 1º; 2º ano e 3º ano 4º e 5º ano, com idades entre 2 e 13
anos. O quadro funcional da escola é composto por duas professoras
indígenas, uma diretora e uma merendeira. O material didático utilizado é
fornecido pelo governo do Estado do Rio Grande do Sul, porém esses não
diferem do material utilizado nas demais escolas públicas.
Uma das limitações na realização do estudo foi que as crianças menores de 9
anos compreendiam apenas a língua guarani, idioma oficial utilizado na aldeia.
Diferentes abordagens foram utilizadas para orientação da atividade que seria
desenvolvida e a participação das professoras indígenas na tradução das
orientações foi fundamental na realização do trabalho.
Na primeira etapa, a participação das crianças foi timida, entretanto pode-se
perceber mais interesse pela atividade após a realização de um desenho que
tinha como objetivo representar a figura do piolho e suas implicações para a
saúde (Figura 1). Além disso, surgiram alguns relatos dos estudantes em
relação ao piolho, como por exemplo: “o pil o é feio”.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
79
Figura 1: Desenho realizado por um dos estudantes indígenas para representar o piolho e
suas implicações para a saúde.
FONTE: GIRARDI et al., 2015
Na segunda etapa, os alunos demonstravam maior interesse em realizar as
atividades propostas pelos pesquisadores, acredita-se que a forma com que foi
apresentado o tema de estudo foi fundamental para estimular este
comportamento. A realização de jogos com o objetivo de disfundir e estimular o
aprendizado sobre temas de educação em saúde na prevenção da infecção por
piolho obtese bastante sucesso e o jogo mais procurado pelos estudantes da
foi o de arco e flécha.
Os hábitos culturais foram evidentes no comportamento dos estudantes até
mesmo na escolha do instrumento didático para realizar a atividade proposta
pelos pesquisadores. Este fator reforça a necessidade de elaboração de
materiais didáticos específicos para este público levando em consideração
suas condições de saúde, aspectos culturais, sociais e faixas etárias.
Também foi possível verificar à aceitação destes novos recursos didáticos que
foram ofertados aos estudantes. Nos jogos tradicionais, além da experiência
proveniente da prática do jogo, obtém-se uma experiência social
enriquecedora, pois, ao participar de um jogo, a criança torna-se mais sociável,
de modo que mesmo indivíduos mais tímidos desfrutem experiências
enriquecedoras.
Conclusão
Verificou-se que a satisfação dos alunos durante a prática dos jogos educativos
em saúde, prevalecendo a cooperação, integração e o trabalho em grupo. A
partir desta experiência, sugere-se a elaboração de outros materiais didádicos
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
80
que possam atender as necessidades dos grupos. Espera-se ainda que a
prática dos jogos, com a temática do piolho, tenha contribuído para sensibilizar
os professores para a importância desses materiais, motivando a elaboração
de novos jogos didáticos específicos para atender as necessidades desta
população.
Referências Bibliográficas
AMORIM, F. D. B. et al. Aprender e ensinar parasitologia brincando. XI Encontro de Iniciação à
Docência, João Pessoa, 2008. Acesso em: 11 nov. 2015
ALVES, V. S. Um modelo de educação em saúde para o Programa Saúde da Família: pela
integralidade
da
atenção
e
reorientação
do
modelo
assistencial.
Interface
(Botucatu), Botucatu, v. 9, n. 16, p. 39-52, Fev. 2005. Disponível em: <
http:// www.scielo.br>. Acesso em: 09 nov. 2015.
BARBOSA, J.V.; PINTO, Z.T.; DOS SANTOS, G.C. & TELLES, S.S.A., 1998. Estudo da
Pediculose no Estado do Rio de Janeiro. I Bienal de Pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz. p.
200.
BUSS, P. M. Uma introdução ao conceito de promoção da saúde. Rev Criar Educ Infantil, São
Paulo, v. 19, p. 6-7, 2013
BRASIL. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde na escola,
Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2009.
COSTA, M.; LÓPEZ, E. Educación para la salud. Madrid: Pirámide, 1996.
FOCESI, E. Uma visão de Saúde escolar e educação em saúde na escola. Revista Brasileira
Saúde Escolar, 1992; 2: 19-21.
LINARDI, P. M. et al. Alguns fatores epidemiológicos relativos à infestação humana por
Pediculus capitis (Anoplura, Pediculidae) em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Rev Bras
Entomol, Curitiba, v. 39, p. 921-929, 1995.
LINARDI, P. M. In: NEVES, D. P. et al. (Org.). Parasitologia humana. 12. ed. São Paulo:
Atheneu, 2011.
LONGO, V. C. C. Vamos jogar? Jogos como recurso didático no ensino de ciências e biologia.
Prêmio Professor Rubens Murilo Marques Incentivo a quem ensina a ensinar. Fundação Carlos
Chagas, São Paulo, 2012.
MATTOS C. L. G. A abordagem etnográfica na investigação científica. Rio de Janeiro: UERJ;
2001. Acessado em: 11 nov. 2015.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
81
EDUCAÇÃO EM SAÚDE: DA TEORIA A PRÁTICA1
Juliana Posser2; Bruna Comparsi3; Jandaia Pauline Girardi4; Daniela Signori5;
Débora Pedroso6
1
Trabalho de pesquisa PIBIC/IESA
Biomédica. Especialista em Análises Clínicas. Docente do Instituto Cenecista
de Ensino Superior de Santo Ângelo, Santo Ângelo, Brasil. Email:
[email protected]
3
Professora do Curso de graduação em Biomedicina –IESA. Doutora em
Ciências
Biológicas:
Bioquímica
Toxicológica.
Email:
[email protected]
4
Acadêmica do 4º período do Curso de Biomedicina do Instituto Cenecista de
Ensino Superior de Santo Ângelo, Brasil. Email: [email protected]
5
Acadêmica do 6º período do Curso de Biomedicina do Instituto Cenecista de
Ensino
Superior de Santo Ângelo, Brasil. Email: [email protected]m
6
Professora do Curso de graduação em Biomedicina –IESA.Doutoranda do
Programa de Pós-Graduação em Parasitologia Universidade Federal de
Pelotas, Brasil. Email: [email protected]
2
Introdução
As sociedades indígenas, de modo geral, apresentam processos educativos
próprios, determinados pela cultura e pelas relações sociais existentes dentro
do grupo (ROSA, 2009). A proposta de uma educação escolar indígena
diferenciada, estabelecida pela Constituição de 1988, representa um desafio e
uma inovação no sistema educacional do país. Assim, pesquisadores têm
discutido e proposto caminhos para construção de uma escola abrangendo o
caráter de ser bilíngue, específica e diferenciada (BELTRAME, 2013).
O espaço físico da escola possui grande importância para o corpo discente,
uma vez que este será cenário diário de estudo, discussões, debates,
reflexões, convívios sociais e lazer. O espaço deve ser convidativo para os
educandos, representando relações de intimidade e afetividade, que pode se
manifestar através de apreciação visual ou estética e pelos sentidos a partir de
uma longa vivência. A escola possui um potencial para criar vínculos afetivos e
possibilitar um ambiente facilitador para o desenvolvimento social, além de
estabelecer ou restabelecer valores como preservação e valorização de um
espaço público (MATOS, 2007).
O espaço escolar é um ambiente formador de personalidades e de
representações. Sua infra-estrutura deve ser envolvente para os alunos de
forma que eles possam sentir-se à vontade para ampliarem suas atividades
socioeducativas e desenvolverem seu pensamento crítico. Assim, o espaço
escolar potencializa o desenvolvimento de atividades cognitivas e motoras,
tornando-se, cenário de múltiplos interesses (MARQUES, 2010)
Considerando a importância do ambiente escolar para a formação dos sujeitos
o objetivo desde trabalho é descrever o espaço físico da escola sob um olhar
etnográfico para encontrar métodos apropriados para o ensino de educação em
saúde.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
82
Metodologia
A presente pesquisa é do tipo descritiva com a perspectiva etnográfica. De
acordo com Moreira (2011) os estudos etnográficos são utilizados como uma
ferramenta para estudar e compreender uma cultura, ou o modo de vida de um
grupo de pessoas, isto é, suas crenças, valores, pressupostos e
comportamentos. A partir da década de 70 diferentes estudos em educação
têm sido desenvolvidos com a proposta etnográfica. Mattos (2001) chama
atenção para o fato que trata-se da descrição de um sistema de significados
culturais a partir do ambiente natural onde as interações ocorrem.
Os dados foram coletados a partir da observação que ocorreu em dois turnos
(manhã e tarde) no mês de outubro de 2015, na Escola Estadual Indígena
Igineu Romeu Kóénju, localizada na aldeia Alvorecer da comunidade indígena
Mbyá Guarani, há 30 quilômetros do município de São Miguel das Missões no
Estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Este estudo faz parte do projeto de
pesquisa “ onstruções de indicadores de saúde na população indígena guarani
da região noroeste do RS, Brasil”, vinculado ao Núcleo de Pes uisa e Iniciação
Científica do Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo – IESA.
Resultado e Discussão
A Escola indígena teve início no ano 2001, há sete anos está na zona rural,
instalada em terras indígenas. A estrada que liga o município de São Miguel
das Missões à escola é uma estrada de chão batido. Em dias de chuva é difícil
o acesso ao local. O espaço físico da escola é constituído em três salas de
aula, uma cozinha com refeitório, sala da coordenação pedagógica e área para
atividades externas.
A primeira sala é da coordenação que também é utilizada pelos quatro
professores (dois indígenas), contém “mesa de reuniões”, um computador e um
armário. A segunda sala é o espaço utilizado pelos alunos da pré-escola,
crianças de 4 a 5 anos que possuem cadeiras e classes são apropriadas para a
idade. A professora não possui mesa e cadeira apropriadas para o trabalho.
Destaca-se que esse ambiente é dividido em sala de aula, biblioteca,
brinquedoteca e videoteca. Observa-se um acervo de livros da pré-escola até o
ensino fundamental. A presença de artesanato local ornamenta o ambiente.
Na terceira sala e quarta sala estão os alunos do ensino fundamental dos anos
iniciais, a salas possuem uadros e uma delas conta com o “canto da leitura”
apropriado para a faixa etária.
Observa-se que todos os ambientes contam com iluminação artificial e natural.
Quando comparadas as salas de aula uma é mais arejada do que a outra. Com
relação à cozinha foi possível observar utensílios e equipamentos (fogão,
micro-ondas, geladeira e freezer) adequados para a preparação dos alimentos.
Tomou-se conhecimento que brevemente a escola ganhará um novo espaço, o
refeitório. Atualmente as refeições são realizadas no mesmo ambiente em que
é preparada a alimentação. No espaço de lazer (área externa) foi possível ver
as crianças brincando de pular cordas e jogando bola, também tem a opção de
brincarem no parque infantil.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
83
De acordo com o Guia de Orientações Operacional disponibilizado pelo
Ministério de Educação no ano de 2013, a maioria das escolas brasileiras
localizadas no campo de maneira geral funcionam em prédios pequenos e
muitas vezes em condições inadequadas de ventilação, iluminação, cobertura e
piso. O mobiliário escolar desses estabelecimentos de ensino – carteiras,
mesas, quadro de giz, armários, estantes, etc., muitas vezes são inapropriados
ou não dão condições necessárias ao trabalho dos professores e ao
desenvolvimento das atividades educativas com os estudantes. Alertando a
adequação desses espaços de aprendizado para contribuir à segurança e à
saúde das crianças, adolescentes e jovens e servir de estímulo a sua
permanência na unidade escolar.
A presença de TV e DVD na escola é um ponto que merece ser destacado, já
que diante disso podemos constatar que a escola busca novos meios de
comunicação e interação com os alunos para facilitar a transmissão dos mitos
e histórias que antes eram contados somente oralmente, dessa forma não
precisa haver uma ruptura em relação à escola e a educação tradicional
(BORGES, 2007).
Segundo Ribeiro (2004) os resultados parciais de estudos-piloto no intuito de
conhecer e reconhecer o espaço pedagógico é fundamental para a
transferência de conhecimento. Complementa ainda o papel fundamental que a
estrutura de uma sala de aula pode exercer no processo de ensino e
aprendizagem e sinaliza a necessidade de pesquisas mais profundas nesse
campo de investigação visando uma melhor atuação do educador.
Conclusões
De acordo com o que foi analisado pode-se dizer que teremos uma tarefa
complexa, visando de que hoje um dos principais desafios e prioridades para a
consolidação de uma Educação Escolar Indígena é pautada por manter os
princípios da diferença, da especificidade, do bilingüismo e da
interculturalidade. Sabe-se que o que acontece na sala de aula não está
desvinculado do que está acontecendo na vida da comunidade e, se
acreditarmos que a educação indígena continua existindo como processo
pedagógico capaz de fomentar a identidade étnica de um povo, veremos que o
que está ocorrendo é uma verdadeira apropriação da escola.
Olhar a escola pelas lentes da cultura indígena escolar permite não apenas
ampliar nosso entendimento sobre o funcionamento interno da escola da
comunidade indígena Mbyá Guarani, com o objetivo de encontrar métodos
apropriados para o ensino de educação em saúde como também nos provoca
a rever as relações estabelecidas historicamente entre escola, sociedade e
cultura. Nessa medida, é no ambiente da sala de aula onde podemos encontrar
uma importante ferramenta teórica para explorar o passado e o presente da
escola na sua relação com a sociedade e a cultura, no jogo tenso das lutas de
poder que perpassam o escolar e expressam nele as contradições sociais.
Palavras-Chave: Educação escolar indígena, Educação em saúde, Mbyá
guarani.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
84
Referências Bibliográficas
BORGES, M.F.V. Inserção da informática no ambiente escolar: inclusão digital e
laboratórios de informática numa rede municipal de ensino. 2007. Dissertação (Mestrado
em Educação Tecnológica) – Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, Belo
Horizonte, 2007.
BRASIL. Guia de orientações operacionais. Ministério da Educação, 2013.
BELTRAME, B. C. Etnografia de uma Escola Xikrin. São Carlos, Dissertação de
Mestrado/UFSCar, 2013.
MARQUES C. F. G. As condições do trabalho docente e o processo ensino-aprendizagem
nos anos iniciais do ensino fundamental. Juíz de Fora, Dissertação de Mestrado/ UFJF,
2010.
ROSA, H. A. A trajetória histórica da Escola na comunidade Guarani de Massiambu,
Palhoça/SC – um campo de possibilidades. Florianópolis, Dissertação de Mestrado/UFSC,
2009.
MOREIRA, A. M. Metodologias de Pesquisa e Ensino. 1. ed. São Paulo: Editora Livraria de
Física, 2011.
MATTOS C. L. G. A abordagem etnográfica na investigação científica. Rio de Janeiro:
UERJ; 2001. Acessado em: 11 nov. 2015.
MATOS C. M. Espaço Físico Escolar: Objeto Indispensável Para a Educação Física?. XI
EnFEFE - Encontro
Fluminense de Educação
Física
Escolar.
A
educação
física contribuindo para os processos políticos na escola. Niterói, 2007.
RIBEIRO R. Construção e aplicação de projetos político-pedagógicos: a participação da
comunidade escolar. Brasília, Dissertação de Mestrado/UCB, 2004.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
85
PROPORÇÃO DE IDOSOS NO BRASIL E O REFLEXO SOBRE A
QUALIDADE DE VIDA1
Déborah Thaís Julkowski2; Tainara Jungton Bönmann2; Carine Eloise Prestes
Zimmermann3.
1
Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação em Biomedicina.
Acadêmicas do 8º semestre do curso de Biomedicina CNEC/IESA.
[email protected]; [email protected]
3
Professora Orientadora do curso de Biomedicina CNEC/IESA.
[email protected]
2
Introdução
O envelhecimento populacional está ocorrendo de maneira rápida no Brasil.
Além da transição demográfica, vive-se a transição epidemiológica, ou seja, a
substituição de um cenário onde prevaleciam as doenças infectocontagiosas
por outro onde um maior número de pessoas passa a ser acometido por
doenças crônicas não transmissíveis, comuns entre idosos (LITVOC; BRITO,
2004). Sendo assim, lidar com uma população idosa que vem envelhecendo
em meio a baixos níveis socioeconômicos e educacionais e grande incidência
de doenças crônicas e incapacitantes, será o maior desafio do século XXI
(RAMOS, 2003).
O crescimento da população idosa é um fenômeno mundial e, no Brasil, as
modificações ocorrem de forma radical e bastante acelerada. As projeções
mais conservadoras indicam que, em 2020, o Brasil será o sexto país do
mundo em número de idosos, com um contingente superior a 30 milhões de
pessoas. Atualmente o Brasil é um “jovem país de ca elos rancos”, sendo ue
a cada ano, 65 mil novos idosos são inseridos à população brasileira, onde a
maior parte são portadores de doenças crônicas e outros com algumas
limitações funcionais. (VERAS, 2009). O aumento da população com sessenta
anos ou mais traz a necessidade de conhecer os múltiplos fatores que
determinam suas condições de vida e saúde e de reconhecer a importância
das questões psicológicas, ambientais, socioculturais e econômicas,
desenvolvendo uma visão integral sobre o envelhecimento (PAPALÉO NETTO,
2006).
O envelhecimento ativo reconhece os direitos humanos dos idosos e está
baseado nos princípios de participação, dignidade, independência, assistência
e autorealização, apoiando a participação dos idosos em questões políticas e
outras relacionadas à vida em comunidade. Assim, sendo considerado um
processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança,
tendo por objetivo melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas
ficam mais velhas. Onde é aplicado tanto de forma individual quando a grupos
populacionais, permitindo que as pessoas percebam o seu potencial para o
bem-estar físico, mental e social ao longo do curso da vida (BRASIL, 2006;
PAUL, 2005; WHO, 2005).
Neste contexto, o processo de envelhecimento ativo tem sido estudado a
pouco tempo, bem como, a saúde do idoso que teve uma disseminação maior
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
86
após a criação do Estatuto no ano de 2003. Então, este estudo tem como
objetivo verificar a proporção de idosos no Brasil e por região brasileira e
discutir a influência do envelhecimento na qualidade de vida da pessoa idosa.
Metodologia
Trata-se de um estudo do tipo retrospectivo, quantitativo e descritivo. Para
tanto, foi realizada uma análise da literatura, centrada no período de 19942015. Já a coleta de dados foi realizada através do Guia de Acesso a
Informações para a Gestão do SUS desenvolvido e disponibilizado pelo
CONASS, Conselho Nacional de Secretários de Saúde. As informações são
referentes a proporção de idosos por estado brasileiro, no período de 2003 a
2012. Utilizou-se a busca por publicações a partir de 1994 por ser o ano de
implantação das Estratégias de Saúde da Família, e os dados devido ao marco
para a saúde do idoso no ano de 2003, o Estatuto da Pessoa Idosa. A análise
dos dados foi realizada com auxílio da estatística descritiva, utilizando Microsoft
Office Excel. Os resultados obtidos são apresentados em tabelas cruzada. A
proporção de idosos refere-se ao número médio por estado brasileiro e que
foram agrupados por região, naquele período. Foi incluído também a
percentagem, levando-se em conta a proporção geral do crescimento da
população idosa no Brasil (100%). As informações sobre o material
bibliográfico concentraram-se nas publicações da Biblioteca Virtual em Saúde
(BVS), nas bases de dados Lilacs (Literatura Latino-Americana em Ciências da
Saúde), Medline (Literatura Internacional em Ciências da Saúde) e SciELO
(Scientific Electronic Library Online). Para a consulta nestas bases de dados
utilizou-se o descritor: População idosa, conjugado com Atenção à Saúde,
saúde do idoso, envelhecimento ativo.
Resultados e Discussão
O envelhecimento de uma grande proporção da população mundial é um
fenômeno recente, resultante da redução da mortalidade infantil, da maior
eficácia de novos métodos de diagnóstico precoce e de tratamento de
inúmeras doenças. A partir deste estudo, comprova-se que entre os anos de
2003 e 2012, a população idosa foi aumentando ano a ano nas regiões
brasileiras e também há diferenças populacionais desta população que são
características distintas e regionais.
A partir dos resultados obtidos neste estudo, observa-se que todas as regiões
brasileiras apresentaram um aumento anual no número de idosos da década
em estudo, alguns aumentos discretos outras mais relevantes. Percebe-se que
particularmente as regiões sul e sudeste foram as que apresentaram o maior
percentual de população idosa nos anos estudados. Também se percebe que
as regiões centro-oeste e norte foram as que tiveram a menor população idosa
durante o período em estudo, o que não se refere que nestas regiões não
tenha ocorrido aumento durante os anos.
Veras (2009) aponta que o número de idosos no país passou de 3 milhões em
1960, para 7 milhões em 1975, e 20 milhões em 2008, obtendo assim um
aumento gradativo de quase 700% em menos de 50 anos. Por consequência
disto, as doenças provenientes do envelhecimento obteram maior expressão
no conjunto da sociedade. Já Parahyba e colaboradores (2005) demonstraram
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
87
em seus estudos que as doenças crônicas bem como suas incapacidades, não
são consequências obrigatórias do envelhecimento, por isso, a prevenção é
eficaz em qualquer nível, mesmo nas fases mais tardias da vida, sendo assim,
a relevância na prevenção é a chave para mudar o quadro atual do país.
Parahyba e Simões (2006) relatam que a Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílios sobre a saúde da população idosa no Brasil, apontou que no
período de 1998 e 2003, houve melhoria nas condições de saúde. Sendo que
fatores como melhoria da tecnologia médica, maior acesso aos serviços de
saúde, mudanças comportamentais por parte dos idosos, aumento do nível
educacional e nível socioeconômico dos idosos, influenciaram nestas
condições.
Segundo Caradec (2008) e Peixoto e Clavairolle (2005) apontam que a
situação e a representação das pessoas idosas vem mudando profundamente,
não só em razão da maior longevidade e da transição demográfica, como
tam ém das políticas e direitos para essas pessoas. A “terceira idade” passou
a representar uma etapa de vida a ser vivida plenamente, no período pósaposentadoria, como também com relações afetivas e amorosas fecundas,
diferentemente do retiro, do isolamento e da perda de funções que a velhice
representou.
Veras e Parahyba (2007) afirmam que um modelo de atenção à saúde do idoso
que pretende mostrar efetividade e eficiência, necessita aplicar todos os níveis
de prevenção e possuir um fluxo de ações de educação, promoção à saúde,
prevenção de doenças que podem ser evitadas. Por isso, Veras e
colaboradores (2008) o aumento do número de idosos e a maior utilização do
sistema de saúde, consequente do maior tempo de vidas e de doenças
crônicas se tornam um desafio para o sistema de saúde. Desta forma, Schoeni
e colaboradores (2005) apontam que políticas de promoção e prevenção de
saúde têm mostrado efetividade em todo o mundo, Além disso, Veras e
Parahyba (2007) também relatam que desta forma, temos um cenário de
população idosa mais saudável, apesar das consequências que o processo de
envelhecimento acarreta sobre o aumento das doenças crônicas e necessidade
de atendimento de saúde da população que envelhece e vive até idades mais
avançadas.
Figura 1- Proporção de idosos no Brasil e por região entre os anos de 2003 e
2012.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
88
Conclusão
Neste contexto, observa-se que a população idosa brasileira manteve-se
sempre em crescimento constante durante o período de 2003 a 2012. Sugerese que isso seja reflexo das políticas públicas que assistem a essa população e
aos benefícios que foram sendo adquiridos no decorrer dos anos. Também,
pode estar relacionada com o comprometimento das entidades que buscam
pelo envelhecimento ativo, além do acompanhamento pelas Instituições de
Ensino Superior com seus projetos beneficentes e as famílias, que estão
valorizando mais seu idoso.
Palavras-chave: População idosa, Atenção à Saúde, Saúde do idoso,
Envelhecimento ativo.
Referências Bibliográficas
LITVOC, J.; BRITO, F. C. Conceitos Básicos. In: Envelhecimento: Prevenção e Promoção de
Saúde. São Paulo: Editora Atheneu, 2004.
RAMOS, L. R. Fatores determinantes do envelhecimento saudável em idosos residentes em
centros urbanos: Projeto Epidoso, São Paulo. Cadernos de Saúde Pública, v. 19, n. 3, p. 793798, 2003.
VERAS, R. Envelhecimento populacional contemporâneo: demandas, desafios e inovações.
Revista de Saúde Pública, v. 43, n. 3, p. 548-554, 2009.
PAPALÉO NETTO, M. O estudo da velhice: histórico, definição do campo e termos básicos. In:
FREITAS,
Elizabete
Viana
de
et
al.
Tratado
de
Geriatria
e
gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção
Básica. Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Brasília: Ministério da Saúde, 2006.
PAUL, C. Envelhecimento activo e redes de suporte social. Sociologia. Porto, v. 15, p. 275287, 2005. Disponível em: http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/3732.pdf>. Acesso em 21 ago
2015.
W. H. O. Ageing: exploding the myths. Geneva: World Heath Organization, 1999. Disponível
em: http://whqlibdoc.who.int/hq/1999/WHO_HSC_AHE_99.1.pdf. Acesso em: 21 ago 2015.
GUIMARÃES, G. G. V.; MARQUES, M.; CAVALCANTI, M. R.; A Educação estatística na
educação infantil e nos anos iniciais. Zetetiké – Cempem – FE – Unicamp, v.17, n. 32, p.1128, 2009.
PARAHYBA, M. I.; SIMÕES, C. C. S. A prevalência de incapacidade funcional em idosos no
Brasil. Ciência e Saúde Coletiva. Rio de Janeiro. V. 11, n. 4, p. 967-74, out/dez, 2006.
PARAHYBA, M. I.; VERAS, R. P.; MELZER, D. Incapacidade funcional entre as mulheres
idosas no Brasil. Revista de Saúde Pública, v. 39, n. 3, p. 383-91, 2005.
CARADEC, V. Sociologie de la vieillesse et du vieillissement. 2. ed. Paris: Armand Colin,
2008.
PEIXOTO, C. E; CLAVAIROLLE, F. Envelhecimento, Políticas Sociais e Novas
Tecnologias. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2004.
VERAS, R. P.; PARAHYBA, M. I. C. A. O anacronismo dos modelos assistenciais para os
idosos na área da saúde: desafios para o setor privado. Cadernos de Saude Publica, v. 23, n.
10, p. 2479-2489, 2007.
VERAS, R. P.; CALDAS, C. P.; ARAÚJO, D. V.; MENDES, R. K. W. A assistência suplementar
de saúde e seus projetos de cuidado para com o idoso. Ciência e Saúde Coletiva, v. 13, n. 4,
p. 1119-1126, 2008.
SCHOENI, R.F.; MARTIN, L. G.; ANDRESKI, P. M.; FREEDMAN, V. A. Persistent and growing
socioeconomic disparities in disability among the elderly: 1982-2002. Am J Public Health. v.
95, n. 11, p. 2065-2070, 2005.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
89
RELATO DE VIVÊNCIA
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
90
RELATO DE VIVÊNCIA DE ALUNA DO CURSO DE BIOMEDICINA
NO VER-SUS¹
Fernanda Bender Ribeiro²; Carine Eloise Prestes Zimermmann³.
¹Relato de Vivência de Estágio no VER-SUS.
²Acadêmica do 8° semestre do Curso de Biomedicina – CNEC/IESA.
fernandab[email protected]
² Biomédica. Professora Supervisora do Estágio em Saúde Pública do curso de
Biomedicina CNEC/[email protected]
Local da experiência: Brasil, Rio Grande do Sul, Santo Ângelo.
Qual foi a experiência desenvolvida?
Participação no VER-SUS, edição de verão do ano de 2015, realizada de 23 de
janeiro a 3 de fevereiro, na cidade de Santo Ângelo.
Sobre o que foi?
Estágio de vivência sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) na sua total
realidade, participando de uma imersão de estudos, envolvendo discussões
sobre o trabalho em equipe, gestão, atenção à saúde, educação, controle
social e também como estimular o estudante a trabalhar no SUS.
Como funcionou a experiência?
O VER-SUS é um programa de Vivências e Estágios na Realidade do SUS,
promovido pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Rede Unida e outras
entidades, que tem como objetivo aproximar estudantes de projetos que
estabelecem uma política de educação para futuros profissionais do SUS.
Assim, visando também uma formação de qualidade, capacitando profissionais,
estimulando a mudança curricular na graduação e especialização dos cursos
da área da saúde, e também a educação popular da saúde (BRASIL, 2004).
Foi realizado através de um estágio de vivência de imersão com duração de
nove dias, onde participaram vinte pessoas, sendo elas estudantes de
graduação de diversas áreas como Biomedicina, Enfermagem, Psicologia,
Odontologia, Terapia Ocupacional, Engenharia Civil e também alunos de PósGraduação e Residência Multiprofissional.
O VER-SUS é dividido em três classes, que são elas: Viventes, Facilitadores e
Comissão Organizadora. Os viventes são os estudantes de graduação,
residentes na área da saúde e integrantes de movimentos sociais. Os
facilitadores são pessoas que já vivenciaram o VER-SUS, que participaram da
organização de movimento estudantil e social e participação em algum outro
estágio de vivência, ou seja, pessoas com experiência para poder passar
conhecimento aos viventes. A comissão organizadora preferencialmente é
formada por coletivos de estudantes, docentes, por representantes da gestão
municipal/estadual de saúde e trabalhadores da saúde.
A inscrição foi realizada através da plataforma Otics, onde se realiza um
cadastro com dados pessoais, e depois deve ser respondido algumas questões
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
91
relacionadas ao conhecimento e opinião sobre o SUS. Durante o período de
imersão os participantes ficaram alojados juntos, possibilitando, ao final de
cada dia, uma discussão sobre as atividades realizadas, trocando experiências
sobre as vivências de cada dia.
Todos os dias, ao final das atividades diárias, era realizado um relatório
individual, onde relatava-se o dia vivido, opiniões próprias e percepções sobre
o local visitado, os profissionais que lá atuavam e etc. Ao final de toda a
vivência, os viventes entregaram um relatório final, via plataforma Otics, para
validar a participação, para assim obter o certificado de participação. Também
ocorreram atividades de aprofundamento teórico, a partir de seminários e
oficinas sobre o SUS.
Foram visitados entidades do município como Secretaria Municipal de Saúde
de Santo Ângelo, 12° Coordenadoria Regional de Saúde, Hospital de Caridade
de Santo Ângelo, ESF’s; tam ém foi vivenciado, através de o servação, uma
reunião do Conselho Municipal de Saúde – CMS, onde ficou evidente a
necessidade de maior engajamento por parte da população nos espaços de
discussão e decisão do SUS; também foi realizado uma visita ao município
vizinho de Santa Rosa, para conhecermos a realidade da Fundação Municipal
de Saúde (FUNSSAR), onde foi a melhor oportunidade para discutirmos os
modelos de atenção à saúde, já que o município é um dos únicos do país que
não possui uma secretaria municipal de saúde, mas sim uma fundação. Esta
Fundação tem caráter de autarquia, de certa forma, a sua estrutura
organizacional propicia uma maior agilidade, e o incentivo a qualificação dos
profissionais possibilita um maior engajamento e autonomia no trabalho, desde
a gestão até a execução das ações e serviços.
Além disso, participamos de rodas de conversas: com médicos do programa
Mais Médicos, onde debatemos os entraves existentes no Brasil para que a
saúde de fato seja de qualidade, universal e equitativa; com Psicólogas, onde o
principal debate foi o que falta para que haja de fato um cuidado com a saúde
mental. As rodas de conversa também se estenderam a professores de vários
cursos como de Direito da URI-Santo Ângelo, onde discutimos a parte jurídica
do SUS; debate com professora de Saúde Pública do curso de Biomedicina do
IESA, onde debatemos principalmente sobre a importância da equipe
multiprofissional e a inserção do profissional Biomédico na Saúde Pública;
tivemos a oportunidade de debatermos junto a uma Terapeuta Ocupacional e
uma Assistente Social sobre a atenção a saúde da população negra, população
indígena, população em situação de privação de liberdade, LGBTT e população
em situação de rua.
Além das visitas as entidades, foi vivenciado juntamente com as Agentes
Comunitárias de Saúde (ACS) a realidade da atenção as famílias, onde notouse que existe muito ainda a melhorar, como aumento de ESF e a qualificação
das estruturas, bem como, o aumento do número de ACS, para que assim as
famílias sejam acompanhadas em sua real situação de saúde e ganhem
resolução para seus problemas.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
92
Por fim, um aspecto que considero de grande importância, tanto no VER-SUS,
quanto nos demais estágios de vivência baseados na imersão prolongada, é a
vivência da interdisciplinaridade em sua essência, no sentido do viver em
sociedade. A partir do convívio, os estudantes vão quebrando as barreiras e
construindo a interdisciplinaridade, que é um processo cotidiano e também
estrutural. Além disso, a utilização de metodologias e dinâmicas participativas
instiga a construção do senso crítico e humano dos participantes.
Desafios para o desenvolvimento?
O principal desafio encontrado foi a falta de conhecimento dos demais
estudantes de outras áreas sobre o profissional Biomédico, e também da
inserção da Biomedicina nas rodas de conversa, que discutiam sobre a equipe
multiprofissional, como por exemplo, onde o Biomédico atuaria na Saúde
Pública.
Quais as novidades desta experiência?
As atividades favoreceram o conhecimento de lugares no próprio município,
como a Comunidade Terapêutica SOS Vida, também conhecer a FUNSSAR
num município vizinho, e a forma de organização e gestão do local. Além da
troca de experiências entre todos os participantes, que foi o maior ganho nesta
vivência. Alguns participantes já possuíam experiências profissionais na área
da Saúde Pública, ou então, já haviam participado de outros estágios do VERSUS, possibilitando uma troca de vivências que engrandeceu muito as
discussões.
Durante os nove dias de vivência no VER-SUS, aprendi coisas que a faculdade
não pode me proporcionar. Dentre inúmeros aprendizados, aprendi a ser mais
humana, aprendi a ver a realidade tal qual como ela é, não somente aquela
verdade que nos é passada através de jornais e programas de televisão. Vi
coisas e conheci pessoas que me emocionaram. Vi realidades de vida que são
diferentes da minha, o que fez com que eu aprendesse mais a enxergar e
também entender o lado de outras pessoas.
Além disso, aprendi um pouco mais a trabalhar em equipe, em ouvir mais o
meu colega, conheci diversas profissões, algumas que eu nem imaginava que
eu, como futura Biomédica, poderia trabalhar em parceria. Pude observar que o
SUS tem sim seus problemas e obstáculos, que falta, principalmente, diálogo e
gestão de qualidade, mas também tem suas potencialidades, afinal o SUS é o
sistema de saúde mais humanizado do mundo. Tem seus profissionais que tem
um certo descaso com sua profissão e com os pacientes que atendem, mas
que tem também os profissionais que trabalham por amor a sua profissão,
trabalham visando fazer o melhor para seus pacientes.
Considerações finais
O SUS necessita de profissionais preparados para atuar com competência na
área da saúde pública, questão trabalhada nos serviços por meio do
desenvolvimento de programas de educação continuada e reuniões técnicocientíficas. Entretanto, ainda é visível na rede pública de saúde o despreparo
técnico, científico e político de alguns trabalhadores. Sendo assim, acredito que
o VER-SUS é de grande importância para os acadêmicos da área da saúde,
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
93
pois possibilita um conhecimento teórico-prático que não temos a oportunidade
de termos durante a graduação.
Palavras-chave: VER-SUS; Vivências; Estágios no SUS; Sistema Único de
Saúde.
Referências bibliográficas
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde.
Departamento de Gestão de Educação na Saúde. VER-SUS Brasil: Caderno de Textos.
Brasília: Ministério da Saúde; 2004.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
94
AÇÕES DE PROMOÇÃO À SAÚDE EM UMA ESCOLA DE EDUCAÇÃO
INFANTIL: UMA VIVÊNCIA DOS ESTUDANTES DE BIOMEDICINA1
Odacir Júnior Czekalski Santos2; Fernanda Sauer Ferreira2; Pâmela Dominik
Engers Bratz2; Priscila Saibert2; Carine Eloise Prestes Zimmermann3.
1
Relato de Vivência. Estágio Supervisionado em Saúde Pública.
Acadêmicos
do
8°
semestre
do
curso
de
biomedicina.
[email protected];
[email protected];
[email protected]; [email protected]
3
Biomédica. Professora Supervisora do Estágio em Saúde Pública do curso de
Biomedicina CNEC/[email protected]
2
Local de experiência: Santo Ângelo, Rio Grande do Sul, Brasil.
Qual foi a experiência desenvolvida?
Participação do estudante do curso de Biomedicina em atividades com alunos
da escola infantil do Serviço Social do Comércio (SESC), realizados através do
estágio supervisionado em saúde pública, o qual proporcionou a inserção da
Biomedicina em ações de promoção de saúde para a comunidade.
Sobre o que foi?
Foi realizado uma gincana educativa, com o intuito de promover a promoção e
prevenção da saúde, individual e coletiva, através da realização de ações de
informações básicas sobre a higiene bucal, corporal e hábitos alimentares. O
público alvo foram crianças entre 3 a 5 anos da escola infantil do SESC. Por
meio deste espaço, através do nosso conhecimento, podemos repassar
informações e orientações que auxiliam na prática do dia a dia destas crianças.
Como funcionou a experiência
O ser humano, em todas as fases de sua vida, esta sempre descobrindo e
aprendendo coisas novas pelo contato com seus semelhantes e pelo domínio
sobre o meio em que vive. Ele nasceu para aprender, para descobrir e
apropriar-se dos conhecimentos, desde os mais simples até os mais
complexos, e é isso que lhe garante a sobrevivência e a integração na
sociedade como ser participativo, crítico e criativo (DALLABONA; MENDES,
2004). Sabe-se que não existe ensino sem que ocorra a aprendizagem, e esta
não acontece senão pela transformação, pela ação facilitadora de um
profissional, do processo de busca do conhecimento, que deve sempre partir
do aluno (VALENTE; DA SILVA, 2005). Neste contexto procuramos ensinar
através de estratégias lúdicas educativas, como, músicas, teatros, jogos e
vídeos.
Na escolinha foram apresentado vídeos e imagens sobre assuntos abordados
(higiene corporal, bucal e hábitos alimentares) para facilitar o aprendizado
audiovisual. As apresentações tiveram a participação das crianças através de
perguntas e respostas; também foi aplicado jogos educativos como jogo da
memória e de relacionar as peças corretas. Posteriormente foi apresentado um
teatro de fantoches o qual abordava o assunto de higiene bucal, quanto a sua
importância e consequências de uma má higiene e ao final desta apresentação.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
95
De uma forma didática e interativa os alunos participaram cantando e
dançando paródias elaboradas pelos acadêmicos.
Os jogos envolvem crianças de acordo com os versos por elas cantadas. O
conteúdo das músicas, teatros e vídeos em concordância com os movimentos,
promove o conhecimento natural sobre as noções do ambiente em que estão
inseridos. A ação educativa do jogo, enquanto brincadeira é justamente esta,
instiga o desenvolvimento das esferas cognitivas, sociais e morais.
Desafio para o desenvolvimento
Um dos grandes desafios que enfrentamos foi de elaborar maneiras didáticas
de transmitir os conhecimentos para um público infantil, o qual ainda não
havíamos trabalhado. Trabalhar com crianças exige um aprendizado
diferenciado, tanto na forma de diálogo quanto na forma do envolvimento dos
mesmos.
Esta atividade foi importante para nós futuros biomédicos, pois além de sair da
rotina laboratorial a qual estamos presente diariamente, nos deu a
oportunidade de conhecer um público diferente do qual estamos acostumados.
E consequentemente nos proporcionar uma melhor interação com as crianças,
nos ajudando no ambiente laboratorial, principalmente na hora da coleta, onde
é o nosso único contato direto com os pacientes e que normalmente é um
momento estressante para a criança e podendo provocar algumas alterações
laboratoriais.
Quais as novidades desta experiência
A participação do acadêmico do curso de biomedicina em atividades lúdicas e
educativas, que envolvam diferentes públicos, como as crianças. Isso nos
proporcionou a melhorar a interação com estes pacientes, o qual facilitará na
hora da recepção e coleta. Também nos demonstrou que cada público deve ter
um cuidado especial, e que devemos saber transmitir o conhecimento e as
informações dependendo da idade e entendimento dos indivíduos, pois de
nada adianta passar o conteúdo sem que o público entenda.
Considerações finais
Para nós, acadêmicos de biomedicina, foi uma grande oportunidade, onde
podemos expor e aplicar parte do nosso conhecimento para uma parcela da
sociedade, pois isto é uma forma de atuação da saúde pública e coletiva, que
pode ser inserida de forma simples, com o objetivo de atenção primaria à
saúde, a promoção e prevenção da mesma na comunidade.
Também, foi um momento onde tivemos um crescimento pessoal e profissional,
pois no inicio parecia difícil e complicado achar formas de nos comunicar e
interagir com as crianças, e depois tudo fluiu de forma divertida e recíproca. O
que não foi tão difícil como esperávamos, pois sair da rotina laboratorial e ir
para dentro de uma sala de aula, não costuma fazer parte do nosso cotidiano.
É de extrema importância que todos tenham em mente que a Biomedicina não
precisa ser exercida somente dentro de um laboratório, mas também pode ser
atuada na Saúde Pública, realizando ações de promoção à saúde. Cabe
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
96
ressaltar que o biomédico pode fazer levantamentos de dados estatísticos para
se tomar as medidas necessárias, como tratamento e prevenção, garantindo
uma melhor qualidade de vida para as pessoas.
Palavras-chave: educação em saúde, biomedicina, saúde infantil.
Referências Bibliográficas
DALLABONA, S.R.; MENDES, S.M.S. O Lúdico na educação infantil: jogar, brincar, uma forma
de educar. Revista de divulgação técnico-científica do Instituto Catarinense de PósGraduação, 2004. http://www.posuniasselvi.com.br/artigos/rev04-16.pdf
VALENTE, F.A.M.; DA SILVA, F.M. Atividades lúdicas na educação infantil. 2005. 43 f. Tese
(Trabalho de Conclusão de Curso) Universidade Candido Mendes. 2005
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
97
VIVÊNCIA DOS ESTUDANTES DE BIOMEDICINA EM UMA COMUNIDADE
TERAPÊUTICA¹
Amanda Carpenedo Tonon²; Camila de Souza Rodrigues²; Francielen Colet da
Silva²; Laurence Noetzold Mendes²; Carine Eloise Prestes Zimmermann³.
1
Relato de Vivência. Estágio Supervisionado em Saúde Pública.
Acadêmicos do Curso de Biomedicina CNEC/IESA.
3
Biomédica. Professora Supervisora do Estágio em Saúde Pública do curso de
Biomedicina CNEC/IESA.
2
Local de experiência: Brasil, Rio Grande do Sul, Santo Ângelo.
Qual foi a experiência desenvolvida?
Participação de ações informativas e educativas do estudante do curso de
Biomedicina, em uma comunidade terapêutica, realizando uma palestra sobre
Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs).
Sobre o que foi?
Foi realizado através do estágio supervisionado de saúde pública do curso de
Biomedicina – CNEC/IESA uma vivência em uma comunidade terapêutica,
utilizando-se da estratégia de palestra e indagações ao público alvo,
proporcionado informações em educação à saúde, com o propósito de enfatizar
o esclarecimento de doenças sexualmente transmissíveis.
Tendo em vista que a sexualidade é um aspecto importante de ser analisado,
pois a percepção desse tema é formulada a partir de experiências cotidianas, e
há a necessidade de aprofundamento sobre ele para uma compreensão
efetiva. A estratégia básica para o controle da transmissão das Doenças
Sexualmente Transmissíveis é a prevenção pelos meios que permitam
atividades educativas que focalizem os riscos inerentes a uma relação sexual
desprotegida e o compartilhamento de materiais contaminados (BESERRA;
PINHEIRO; BARROSO, 2008).
Como funciona (ou) a experiência?
Através da experiência podemos constatar a importância de passar
informações básicas acerca deste assunto. Quando nos referimos a processo
de comunicação, nos remetemos à possibilidade de produzir entendimento por
meio do diálogo, dos atos de fala cotidianos que acontecem nas relações face
a face (THOMPSON, 2000; DESLANDES et al., 2009; JACOBI, 2004). A
palestra gerou entre os participantes, inquietação, algum tipo de linguagem
corporal e o questionamento referente à transmissão das DSTs.
Foram o servadas fre uentes dúvidas leigas, tais como: “O uso de an eiros
coletivos poderiam passar as DSTs?”; “ omo surgiu o vírus?”; “Frutas
mac ucadas transmitem as DSTs?”; “Se o compartil amento de cac im o de
crack e canudos de cocaína transmitem as doenças?”; entre outras.
Na palestra foram abordados os temas como HIV, hepatites, sífilis, herpes e
HPV. Dentro destes assuntos, foi dada uma introdução ao agente patológico,
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
98
sua sintomatologia, formas de transmissão, prevenção, o tempo que o vírus
sobrevive em ambiente externo, alterações imunológicas, e como funciona o
tratamento de tais DSTs.
A partir do exposto e segundo o que afirma Braga (2011) e Habermas (1990), a
razão comunicativa não se constrói apenas logicamente, mas, antes de tudo,
na processualidade do debate. Assim, através desta prática, viçou-se induzir a
reflexão nos indivíduos, para que um possível processo de conscientização se
formasse.
Desafios para o desenvolvimento?
Um dos desafios foi a forma de linguagem, abordar conhecimentos científicos
de maneira mais simples e sucinta para que os participantes pudessem
interagir e compreender as informações ali passadas. Além de capturar a
atenção deles, outro desafio foi fazê-los se sentirem confortáveis com o
assunto e a participarem da atividade que não faz parte de seu cotidiano.
Quais as novidades desta experiência?
A principal novidade foi a atuação do estudante do curso de biomedicina do
Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo – IESA, na
comunidade. Também, a importância do papel do Biomédico na disseminação
do conhecimento e do processo de conscientização da população, a respeito
das DSTs, abordando a prevenção e sanando dúvidas a respeito.
Outra experiência a ser relatada foi a interação entre palestrantes e
participantes a respeito da linguagem corporal, isto contribuiu para que a
palestra se tornasse mais agradável. Interação com a sociedade, colaborando
com a recuperação desses pacientes, já que quando isolados, estes possuem
uma dificuldade de se inserirem novamente nesta, como também que ao
entrarem em contato com ela, podem ter uma recuperação mais efetiva.
Considerações finais
A partir desta experiência vivenciada, além de reforçarmos valores em nossas
vidas, percebemos o quanto é importante realizar trabalhos na comunidade,
principalmente para um público mais seleto. Evidenciaram-se muitas dúvidas,
que para nós são simples e nem imaginávamos que havia pessoas que não as
sabiam.
Foi uma experiência muito válida e enriquecedora, nos sentimos valorizados e
ao mesmo tempo concretizamos a teoria na prática, do que adquirimos no
decorrer do curso.
Palavras-chave: Comunidades Terapêuticas, DSTs, Educação em Saúde.
Referências Bibliográficas
BESERRA, E. P.; PINHEIRO, P. N. da C.; BARROSO, M. G. T. Ação educativa do enfermeiro
na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis: uma investigação a partir das
adolescentes. Revista de Enfermagem, v. 12, n. 3, p. 522-28, 2008.
BRAGA, J. L. Constituição do campo da comunicação. Verso e reverso, v. 25, n. 58, p. 62-77,
2011.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
99
DESLANDES, S. F. et al. Processo comunicativo e humanização em saúde. Interface
Comunidade, Saúde e Educação, v. 13, n. Supl 1, p. 641-649, 2009.
HABERMAS, J. T. W. Adorno: pré-história da subjetividade e auto-afirmação selvagem. In:
FREITAG, B.; ROUANET, S. (Orgs.). Habermas. São Paulo: Atica, p.139-50, 1990.
JACOBI, P. Educação e meio ambiente–transformando as práticas. Revista Brasileira de
Educação Ambiental, Brasília, n. 0, p. 28-35, 2004.
THOMPSON, J. B. Ideologia e cultura moderna: teoria social crítica na era de comunicação de
massa. Petrópolis: Vozes, 2000.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
100
REVISÃO DE LITERATURA
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
101
O USO INDISCRIMINADO DE ANTIMICROBIANOS COMO UM PROBLEMA
DE SAÚDE PÚBLICA1
Taciana Ribeiro de Cândido Faganello2; Pâmela Dominik Engers Bratz2;
Fernanda Sauer Ferreira2; Rafael Pereira2; Carine Zimmermann3; Caroline
Eickhoff Copetti Casalini3.
1
Trabalho interdisciplinar, Setor de Saúde Pública e Microbiologia - LAC/IESA
Acadêmicos
do
Curso
de
Biomedicina
do
IESA.
Email:
[email protected];
[email protected];
[email protected]; [email protected]
3
Professoras, Supervisoras do Estágio em Microbiologia e Saúde Pública do
Curso de Biomedicina do IESA. Email: [email protected]
2
Introdução
Os antimicrobianos (ATBs) têm grande importância na manutenção da saúde
humana para o tratamento de doenças infecciosas. Podem ser classificados
em bactericidas, quando têm a capacidade de matar ou lesar irreversivelmente
o microorganismo, ou bacteriostáticos, onde atuam na inibição do crescimento
microbiano (NICOLINI et al., 2008). Entretanto, os ATBs são utilizados de
forma indiscriminada, contribuindo para o aumento progressivo da resistência
bacteriana (PAZIAN, 2006).
Do ponto de vista clínico e de saúde pública, a resistência aos ATBs apresentase como um sério problema, onde em muitas situações, não se tem tratamento
medicamentoso para determinadas infecções. O seu uso indiscriminado
acarreta indução de linhagens bacterianas mais resistentes, tornando o
medicamento menos eficaz, bem como, o indivíduo mais vulnerável às
infecções devido ao uso irracional (PAZIAN, 2006). Diante deste cenário, a
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), criou uma Resolução-RDC
nº 20/2011, onde normatiza a dispensação de ATBs, que somente deverá ser
realizada em receituário privativo do profissional gabaritado ou do
estabelecimento de saúde (ANVISA, 2011).
A resistência microbiana é a capacidade que os microrganismos têm de se
multiplicar na presença de concentrações de antibióticos mais altas do que as
doses terapêuticas. É um fenômeno biológico de adaptação natural das
bactérias que se segue à introdução de agentes antimicrobianos na prática
clínica. As bactérias apresentam uma enorme capacidade de adaptação ao
meio ambiente, podendo tornar-se resistentes a determinado antibiótico de
várias formas (GURGEL et al, 2008). A resistência bacteriana pode ser
classificada como natural ou adquirida. A natural corresponde a uma
característica de espécie bacteriana, quando estes microrganismos são
naturalmente resistentes a certo tipo de antibiótico, tendo características
fenotípicas, transmitida apenas verticalmente à prole (TRABULSI, 2002; DEL
FIO, 2000). Já a resistência adquirida ocorre por mecanismos genéticos
diversos, tais como: produção de enzimas inativadoras, interferência com a
entrada e acúmulo de droga na bactéria, alteração do receptor para ação da
droga, via metabólica alternativa. Ocorre quando há o aparecimento de
resistência em uma espécie bacteriana anteriormente sensível à droga em
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
102
questão. É uma "nova" característica manifestada na espécie bacteriana,
característica essa ausente nas células genitoras. É originada através de uma
alteração a nível genético da célula, de natureza cromossômica pelos
processos de mutação, transdução e transformação ou extra cromossômica
(plasmidial) (GURGEL et al, 2008; DEL FIO, 2000).
Hoje, a resistência bacteriana já é um grande problema da saúde pública
mundial. O avanço das superbactérias está superando as expectativas de
pesquisas para novos fármacos, diminuindo assim, esses estudos, pois seu
custo torna-se inviável para algumas indústrias. Em geral as bactérias
classificam-se como resistentes quando crescem “in vitro”, nas concentrações
médias que os antimicrobianos atingem no sangue (SANTOS, 2004).
O objetivo do presente estudo é abordar o uso indiscriminado de
antimicrobianos na sociedade, e a resistência causada pelo mesmo.
Metodologia
Trata-se de uma revisão de literatura com a finalidade de reunir e sintetizar
resultados de pesquisas sobre determinado tema ou questão, contribuindo para
o aprofundamento do conhecimento do tema investigado. A revisão
bibliográfica foi realizada por meio de busca por artigos científicos encontrados
em bancos de dados, como: PubMed, Scielo e Medline, utilizando-se dos
seguintes descritores: resistência bacteriana, saúde pública, antimicrobianos.
Discussão
Vivenciamos um momento em que a proliferação e a disseminação das
bactérias resistentes estão vencendo os antibióticos, travando com o homem
uma batalha que parece sem fim. As bactérias resistentes a múltiplas drogas
(BRMD) poderão nos levar à era pós-antibiótica, e se isso acontecer, ficaremos
sem qualquer opção de tratamento para os portadores destas cepas (MOURA,
2007). Para combater esta ameaça, os profissionais de controle de infecção
devem tratar o problema de modo simultâneo e em várias direções. As
principais consequências do avanço da resistência bacteriana é o aumento do
custo e do tempo de tratamento, pela utilização de medicamentos mais caros e
até mais tóxicos; aumento do tempo de hospitalização; isolamento do paciente;
aumento da frequência e da gravidade das infecções hospitalares (TRABULSI,
2002).
Segundo PAZIAN (2006) o problema da resistência bacteriana se dá pela
utilização sem controle de antimicrobianos, isso acontece, geralmente, por
conta de desinformação do usuário, que acha que pode manipular as variáveis
da utilização do medicamento. Após a resistência instalada no indivíduo, tornase quase que impossível um tratamento eficaz para controle de tal patógeno. O
mesmo autor ainda reforça que o uso irracional torna o indivíduo susceptível a
infecções.
Muito se tem falado sobre a resistência bacteriana e sua relação entre o uso
indiscriminado dos antibióticos. Medidas relacionadas ao controle e restrição
dos antimicrobianos se referem a sua otimização quanto à escolha, duração do
tratamento, melhorias na prática de prescrição e estabelecimento de sistemas
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
103
de monitoramento específicos para cada instituição hospitalar. Medidas de
controle e prevenção são necessárias e englobam o uso correto dos
antibióticos e educação dos profissionais da saúde para evitar a disseminação
de tais bactérias (MOURA, 2007).
A origem dessa resistência acontece por uma cascata de fatores, onde o
resultado final será a não eficiência de qualquer tratamento convencional.
Fatores que começam no atendimento médico, ao não atendimento. O paciente
que procura consulta médica deve ser interrogado e, se necessário, analisado
laboratorialmente. Nesse contexto, percebemos que nem sempre funciona
assim, ou seja, muitas vezes o paciente já recebe tratamento sem mesmo, o
médico ter pedido uma prévia laboratorial. Isso além de gerar custo
desnecessário pode estar sendo o principal motivo de resistência bacteriana.
Pensemos: um paciente que se queixa de inflamação na garganta e procura
um médico. O ideal é que o profissional peça uma cultura com antibiograma
para haver a certeza absoluta de sobre qual possível agente patógeno está
causando a inflamação. Porém, isso dificilmente acontece. O paciente já sai da
consulta com uma prescrição de medicamentos que são uma aposta do
profissional consultado para o combate à enfermidade. Talvez a justificativa
para tal ato seria o grau em que as pessoas procuram auxílio médico, não
havendo tempo para esperar um atendimento laboratorial. Ainda assim, é um
risco que todos corremos. Falta muita informação e sobra desleixo de ambas
as partes. O paciente também deve dar importância para qualquer sintoma de
enfermidade, não deixando o caso se agravar para procurar orientação
(PAZIAN, 2006).
Conclusões
Diante do exposto, verifica-se que a compra e a utilização são negligenciadas,
seja por falta de fiscalização, orientação do médico ou até mesmo por não ser
realizado um antibiograma a pedido médico, prescrevendo assim, antibióticos
sem sua devida necessidade que ocasiona a resistência bacteriana. O alto
nível de resistência múltipla apresenta um risco potencial para a saúde pública
e pode dificultar o tratamento de doenças, agravando quadros clínicos
curáveis.
A cautela para prevenir a resistência faz com que profissionais de saúde
utilizem drogas de amplo espectro, resultando em gastos mais elevados com o
tratamento e o aumento da ocorrência de casos de resistência a
antimicrobianos devido a velocidade com que os microrganismos desenvolvem
resistência.
Para amenizar essa situação é necessário realizar campanhas educativas para
conscientizar e orientar os profissionais de saúde para a devida utilização
desses antimicrobianos e alertar a população quanto aos riscos da ingestão de
subdosagens de antibióticos.
Palavras-chave: resistência bacteriana, saúde pública, antimicrobianos.
Referências Bibliográficas
ANVISA. Nota Técnica sobre a RDC Nº 20/2011, 2013.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
104
DEL FIO, F.S., FILHO, T.R.M., GROPPO, F. C. Resistência Bacteriana. Revista Brasileira de
Medicina. V. 57, n.10, p. 1129-1140, 2000.
GURGEL, T.C.; CARVALHO, W.S. A assistência farmacêutica e o aumento da resistência
bacteriana aos antimicrobianos. Lat. Am. J. Pharm. V. 27, p. 118-123, 2008.
MOURA, J.P.; GIR, E. Conhecimento dos profissionais de enfermagem referente à resistência
bacteriana a múltiplas drogas. Acta Paul Enferm. Minas Gerais, v. 20, p.351-6, 2007.
NICOLINI, P; NASCIEMENTO, J.W.L; GRECO, K.V; MENEZES, F.G. Fatores relacionados à
prescrição médica de antibióticos em farmácia pública da região Oeste da cidade de São
Paulo. Ciência & Saúde Coletiva. V. 13, p. 689-696, 2008.
PAZIAN, G.M; SASS, Z.F.S. Resistência bacteriana a antibióticos. Revista Cesumar Ciências
Humanas e Sociais Aplicadas. V. 11, n. 1, p. 157-163, Jan - jun de 2006.
SANTOS, N.Q. A resistência bacteriana no contexto da infecção hospitalar. V. 13, 2004.
TRABULSI, L.R; TOLEDO, M.R.F. Resistência Bacteriana a Drogas. 2. ed. São Paulo:
Atheneu, 2002.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
105
AVALIAÇÃO DAS VARIÁVEIS INTER INDIVÍDUOS NA TAXA DE
FILTRAÇÃO GLOMERULAR E CREATININA¹
Ieda Dorneles²; Angelo Viana Weber³; Douglas de Menezes³; Fernanda Bender
Ribeiro³; Andressa Pazzato Ferreira³; Débora Pedroso4
¹ Trabalho de pesquisa do curso do Tec. Citopatologia-IESA
²Biomédica, Professora Tec. Citopatologia-IESA
3
Acadêmicos
do
6°
semestre
de
Biomedicina
[email protected]
4
Professora orientadora do curso de Biomedicina CNEC/IESA.
CNEC/IESA.
Introdução
A Doença Renal Crônica (DRC) é caracterizada por ser uma síndrome que
decorre da perda, geralmente lenta e progressiva, das funções renais
(BASTOS, 2010; SALGADO; JOSÉ; BRITO, 2006). Nesta condição, de modo
geral observam-se rins de dimensões reduzidas ao exame ultrassonográfico.
Do ponto de vista bioquímico, detecta-se elevação das escorias nitrogenadas,
com destaque para o aumento na concentração sérica de creatinina e uréia,
que se constituem importantes marcadores tradicionalmente utilizados para
caracterizar o comprometimento da função glomerular (BORTOLOTTO, 2008).
Deve-se lembrar que o paciente com DRC apresenta muitas complicações,
onde destacam-se anemia e uma série de distúrbios hidroeletrolíticos e
osteometabólicos (LUKS; JOHNSON; SWENSON, 2008). Entre os últimos
pode-se citar queda dos níveis de cálcio no sangue e aumento dos níveis de
fósforo e do hormônio paratireodiano (DELANEY et al., 2006).
O declínio da função renal pode estar ligado a diferentes fatores, como por
exemplo, hipertensão arterial, diabetes mellitus, distúrbios autoimunes,
glomerulonefrite, idade avançada, sobrepeso, fumo, dislipidemia, uso
prolongado de anti-inflamatórios não esteroidais e histórico familiar
(BREGMAN, 2004). O processo de envelhecimento é um fator de alto
comprometimento renal, visto que pacientes com idade igual ou superior a 40
anos, tendem a diminuir a Taxa de Filtração Glomerular (TFG) em torno de
10mL/min a cada década, sendo que este declínio é ainda maior em indivíduos
hipertensos (GUIMARÃES et al., 2007).
A doença renal crônica é caracterizada pela diminuição da TFG, sendo assim,
a melhor forma de quantificar a função renal é através ao cálculo de clearance,
definido como a taxa na qual uma substância é removida do plasma por
unidade de tempo, além da creatinina sérica como um dos principais
marcadores endógenos (BORTOLOTTO, 2008). A creatinina sérica pode ser
analisada isolada ou em ação conjunta com o cálculo do clearence de
creatinina com amostra de urina de 24 horas ou 12 horas. Porém, o método de
dosagem de creatinina sérica isolada, não é mais considerado um bom
parâmetro para avaliação da função renal, devido a variações de resultados de
acordo com a idade, peso, sexo, massa muscular e tipo de dieta do indivíduo.
Por outro lado, o método de clearence apesar de ser o padrão ouro, apresenta
como dificuldade a coleta de urina durante 24 horas pelo paciente, além de
variações inter indivíduos, como etnia, idade e sexo, demonstram variações
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
106
que devem ser consideradas na DRC quando for mensurada a TFG e a
creatinina (PASSIGATI et al., 2014).
Indivíduos que apresentam valores elevados de creatinina sérica geralmente
são vistas em portadores de insuficiência renal crônica e indivíduos com
grande perda de massa muscular (GIANNA, 2007). Entretanto, os valores de
creatinina sérica exercem características próprias entre os indivíduos e seus
valores tendem a variar para crianças, mulheres e homens adultos já que a
mesma é derivada do sistema muscular (PEREIRA, et al., 2006; PEREIRA, et
al., 2006).
Neste contexto, o presente trabalho tem como objetivo avaliar as diferenças de
idade, sexo e etnias envolvidas na TFG e creatinina, através de uma revisão
bibliográfica.
Metodologia
Trata-se de uma revisão bibliográfica com base em artigos acadêmicos, livros,
e dados secundários. As informações sobre o material bibliográfico
concentraram-se nas publicações da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), nas
bases de dados Lilacs (Literatura Latino-Americana em Ciências da Saúde),
Medline (Literatura Internacional em Ciências da Saúde) e SciELO (Scientific
Electronic Library Online).
Discussão
A função renal na maioria das vezes é avaliada através da TFG, que é
acessada pela determinação laboratorial de marcadores endógenos, como a
concentração de creatinina sérica (BARRACLOUGH, et al., 2006). Segundo
Botev e colaboradores (2009) a avaliação da TFG é de extrema importância
para o diagnóstico e tratamento dos pacientes com DRC, e os seus estágios
podem ser apurados através da creatinina sérica (TOFFALETTI, 2010).
A relação entre creatinina sérica e a TFG segundo Nogueira (2007) é afetada
pelas diferenças em sua geração, levando a variações da sua concentração
sérica de acordo com a dieta, superfície corpórea, drogas, diferenças em
métodos laboratoriais, bem como a idade, sexo e raça do indíviduo (Tabela1).
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
107
Tabela 1
Níveis de creatinina sérica basal
Fonte: BELLOMO et al. Acute Dialysis Quality Initiative Workgroup. Acute renal failure—
Definition, outcome measures, animal models, fluid therapy and information technology needs:
The Second International Consensus Conference of the Acute Dialysis Quality Initiative (ADQI)
Group. Crit Care, 2004;8:204–212
Segundo estudos de Passigatti e colaboradores (2014), idosos com 60 anos ou
mais apresentam baixa filtração glomerular quando comparados a indivíduos
de faixas etárias entre 18 a 59 anos. Geralmente, essa situação está
relacionada com o envelhecimento humano o que predispõe um fator de risco
para a diminuição da filtração glomerular, necessitando um melhor controle da
função renal principalmente se associado a outras patologias como a
hipertensão e a obesidade (BRASIL, 2006).
A redução da filtração glomerular encontra-se principalmente em indivíduos de
baixo peso e a pacientes do gênero masculino, do qual não costumam buscar
os serviços de saúde e, na sua maioria, mantém maus hábitos de vida,
apresentando menor controle de agravos à saúde (FRANÇA, 2010). Contudo,
Passos e apoiadores (2003) relatam a dominância do sexo feminino na procura
de serviços de saúde quando associados a dificuldades de filtração glomerular,
a fim de evitar futuros agravos à saúde.
Conclusão
O presente estudo identificou que as principais diferenças entre idade, sexo,
etnias e nível de creatinina envolvidas na TFG em homens, idosos e indivíduos
com baixo peso, mostra a necessidade do monitoramento intensivo da função
renal nesses indivíduos, a fim de não somente rastrear, mas acompanhar a
função renal e estabelecer condutas conservadoras para o controle dessa
função, bem como o encaminhamento dos pacientes, quando necessário, para
os serviços especializados e de referência, retardando assim, a insuficiência
progressiva do rim e a necessidade de terapia renal substitutiva – diálise ou
transplante, aumentando a sobrevida do paciente.
Palavras-Chave: DRC, doença renal crônica, TFG, creatinina sérica.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
108
Referências Bibliográficas
BASTOS, M. G.; BREGMAN, R.; KIRSZTAJN, G. M. Doença renal crônica: frequente e grave,
mas também prevenível e tratável. Revista da Associação Médica Brasileira, v. 56, n. 2, p.
248-53, 2010.
BARRACLOUGH K. E. L. et al. A comparison of the predictive performance of different methods
of kidney function estimation in a well-characterized HIV-infected population. Nephron Clinical
Practice, v. 111, n. 1, p. 39-48, 2009.
BORTOLOTTO, L. A. Hipertensão arterial e insuficiência renal crônica. Revista Brasileira de
Hipertensão, v. 15, n. 3, p. 5-152, 2008.
BOTEV R. et al. Estimating glomerular filtration rate: Cockcroft-Gault and Modification of Diet in
Renal Disease formulas compared to renal inulin clearance. Clinical Journal of the American
Society of Nephrology, v. 4, n. 5, p. 899-906, 2009.
BRASIL. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção
Básica. Prevenção clínica de doença cardiovascular, cerebrovascular e renal crônica.
Cadernos de Atenção Básica, n.14, p.56, 2006.
BREGMAN, R. Prevenção da progressão da doença renal crônica (DRC). Jornal Brasileiro de
Nefrologia, v. 26, n. 3, p. 11-14, 2004.
DELANEY, M. P. et al. Kidney disease. Tietz textbook of clinical chemistry and molecular
diagnosis. Elsevier Saunders, v. 4, p. 1671-1746, 2006.
FRANÇA, A.K.T.C. et al. Filtração Glomerular e fatores associados em hipertensos atendidos
na Atenção Básica. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v.94, n.6, p.779-87, 2010.
GUIMARÃES, J. et al. Nefropatia Diabética: Taxa de Filtração Glomerular Calculada e
Estimada. Acta Médica Portuguesa, v. 20, n. 2, p. 145-150, 2007.
KIRSZTAJN, G.M. Avaliação do ritmo de filtração glomerular. Jornal Brasileiro de Patologia e
Medicina Laboratorial, v.43, n.4, p.257-264, 2007.
LUKS, A. M. et al. Chronic kidney disease at high altitude. Journal of the American Society of
Nephrology, v. 19, n. 12, p. 2262-2271, 2008.
NOGUEIRA, C. S.; OLIVEIRA, C. R. D. Disfunção renal: Definição e diagnóstico. 2007.
PASSIGATTI, C. P.; MOLINA, M. D. C.; CADE, N. V. Alteração de taxa de filtração glomerular
em pacientes hipertensos do município de Vitória-ES. Revista Brasileira de Enfermagem, v.
67, n. 4, p. 543-549, 2014.
PASSOS, V.M.A.; BARRETO, S.M.; LIMA, M.F. Detecção da disfunção renal em base de níveis
de creatinina sérica em uma comunidade brasileira. Jornal Brasileiro de Medicina e Biologia,
v.36, n.3, p.393-401, 2003.
PEREIRA, A.B.; NISHIDA, S.K.; MASTROIANNI, K. G. Como avaliar o ritmo de filtração
glomerular. Jornal Brasileiro de Nefrologia, v.28, n.2, p.8-15, 2006.
PEREIRA, A.B.; NISHIDA, S.K.; SILVA, M.S. A situação atual da avaliação da função renal.
Atualidades em Nefrologia, p. 91-98, 2006.
SALGADO, N. F.; JOSÉ, D.; BRITO, D. A. Doença Renal Crônica: A Grande Epidemia Deste
Milênio Chronic Kidney Disease: The Great Epidemic of This Millennium. Brazilian Journal of
Nephrology, p. 1-5, 2006.
TOFFALETTI J. G. Improving the Clinical Value of Estimating Glomerular Filtration Rate by
Reporting All Values: A Contrarian Viewpoint. Nephron Clinical Practice, n. 115, p. 177-181,
2010.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
109
PREVENÇÃO DA INFECÇÃO PELO PAPILOMAVÍRUS HUMANO ATRAVÉS
DA VACINAÇÃO¹
Bruna De Almeida Baron2; Rejane Madalena Wisniewski3; Adriana Catarine
Buche4; Yana Picinin Sandri Lissarassa5.
1
Trabalho de revisão de literatura.
²Acadêmica do 6º semestre do curso de Biomedicina do Instituto Cenecista de
Ensino Superior de Santo Ângelo- IESA, [email protected]
3
Acadêmica do 6º semestre do curso de Biomedicina do Instituto Cenecista de
Ensino Superior de Santo Ângelo- IESA, [email protected]
4
Acadêmica do 6º semestre do curso de Biomedicina do Instituto Cenecista de
Ensino Superior de Santo Ângelo- IESA, [email protected]
5
Biomédica; Mestranda em Atenção Integral à Saúde – PPGAIS; Professora
Biomedicina - IESA/CNEC - Santo Ângelo, [email protected]
Introdução
A família HPV (papilomavírus humano) consiste em mais de 100 vírus de DNA,
cerca de 40 tipos podem infectar o trato genital, homens são geralmente
assintomáticos, e as mulheres podem desenvolver inflamações no trato
reprodutivo, principalmente no colo uterino, podendo levar ao desenvolvimento
do câncer (LIMBERGER et al., 2012). Dados da Organização Mundial da
Saúde apontam que todos os anos, no mundo inteiro, 500 mil mulheres são
diagnosticadas com a doença. Destas, 270.000, mais da metade, morrerão. No
Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), foram estimados para
2014, 15.590 casos novos (BRASIL, 2014). Em 2011, 5.160 mulheres
morreram devido ao câncer de colo de útero (BRASIL, 2011).
As doenças do HPV quase sempre estão relacionadas aos HPV tipos 6, 11, 16
e 18 (GIRALDO et al., 2008). O HPV tipos 6 e 11 são responsáveis pelas
lesões de baixo grau e 90% das verrugas anogenitais, e os tipos 16 e 18
provocam 70% das neoplasias intraepiteliais cervicais de alto grau e o câncer
cervical invasivo (NADAL, MANZIONE, 2006). Existe um grande período de
latência entre a infecção pelo HPV e o desenvolvimento do câncer, sugerindo
que outros fatores, como comportamento sexual, status imunológico,
predisposição genética, nutrição, tabagismo e nível socioeconômico possam
estar atuando como cofatores na carcinogênese cervical (BOSCH, 2007).
A maioria das infecções por HPV é assintomática e auto-resolutiva, ou seja,
pelo menos 80% delas regridem espontaneamente, sem evoluir para infecção
persistente, com potencial para evoluir para o câncer. Com a infecção
persistente por HPV, e caso não ocorra regressão em fases posteriores, vem a
evoluir para um câncer de colo uterino , isso em um prolongado intervalo de
tempo, de 10 anos ou mais (SNIJDERS, PJ. et al., 2006).
A vacina HPV é destinada exclusivamente à utilização preventiva e não tem
efeito demonstrado ainda nas infecções pré-existentes ou na doença clínica
estabelecida. Portanto, a vacina não tem uso terapêutico no tratamento do
câncer do colo do útero, de lesões displásicas cervicais, vulvares e vaginais de
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
110
alto grau ou de verrugas genitais. Desta maneira, esse trabalho teve como
objetivo revisar a literatura sobre a formas de prevenção contra esse vírus
através das vacinas.
Metodologia
Este estudo trata-se de uma revisão da literatura. Foi realizado a partir de
leitura, análise e discussão de informações extraídas de artigos através das
bases de dados Scielo e Pubmed. Assim como também, dados do Ministério da
Saúde, enfocando dúvidas populares. A pesquisa foi realizada a partir dos
descritores: Papilomavírus humano; vacinação para HPV; câncer de colo
uterino. Foram encontrados 37 artigos nas bases de dados descritas acima e
selecionados 15 artigos que contemplavam o objetivo desta revisão.
Resultados e discussão
Existem hoje dois tipos de vacinas contra o papilomavírus humano em
desenvolvimento: a vacina profilática e a vacina terapêutica. A vacina profilática
estimula a resposta umoral, pelo contato com “partículas semel antes ao
vírus” ou virus-like particles (VLP), que se têm morfologia semelhante ao vírus
sem conter o DNA viral, responsável pelos danos da infecção por esse agente.
O capsídeo dos papilomavírus contém duas proteínas, a L1 e a L2, onde ocorre
a expressão dessas proteínas gera os VLP, que são a principal fonte de
antígenos empregadas em ensaios clínicos para o desenvolvimento de vacinas
profiláticas. Esses anticorpos induzidos pela vacina são liberados na mucosa
genital, impedindo o quadro infeccioso precocemente (SILVA et. al., 2009).
A vacina terapêutica estimula o desenvolvimento da resposta imune celular, ao
sensibilizar células imunocompetentes para atuar no combate à infecção viral.
Encontram-se em fase 1 e 2 de investigação, sendo os resultados de sua
eficácia ainda não muito animadores para uso como terapêutica primária e com
dados que diferem bastante em função das características da população
estudada (SILVA et. al., 2009; BUBENIK, 2008).
É a primeira vez que a população tem acesso gratuito a uma vacina que
protege contra um vírus que pode causar câncer. As duas vacinas
(quadrivalente, aprovada em 2006 e a bivalente, aprovada em 2008) estavam
até o ano de 2013 disponíveis somente na rede privada no Brasil, a partir do
ano de 2014 é que passou a ser ofertada a vacina quadrivalente na rede
pública (ARAÚJO et al ., 2013).
A escolha do público-alvo levou em consideração evidências científicas,
estudos sobre o comportamento sexual e a avaliação de especialistas que
atuam no Comitê Técnico Assessor de Imunizações (CTAI) vinculado ao
Ministério da Saúde. Estimativas indicam que, até 2013, foram distribuídas
cerca de 175 milhões de doses da vacina em todo o mundo (BRASIL, 2015).
A vacina raramente pode ocasionar reações como dor, inchaço e vermelhidão
no local da aplicação. Ocasionalmente, podem ocorrer dor de cabeça, mal
estar e desmaios, que são relacionados à ansiedade ou ao medo da aplicação
da vacina, reação apresentada por pessoas com alguma particularidade
emocional, geralmente desencadeado por dor intensa, medo da injeção ou um
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
111
choque emocional súbito. Até o momento, não há conhecimento de nenhum
efeito colateral grave relacionado à vacinação contra HPV (BRASIL, 2015).
O custo-benefício segundo Osis, (2014) e Zardo, (2014) fez com que se
priorizasse na rede pública a vacinação em meninas que ainda não iniciam a
vida sexual, já que a incidência e mortalidade em homens associada a
contaminação é muito menor, em adultos que já iniciaram vida sexual não foi
priorizada na rede pública pelo alto custo, já que a vacinação não conferiria
imunidade a homens e mulheres já expostos ao vírus, porém, preveniria outros
subtipos virais de HPV que ainda não tenham sido adquiridos.
Sanches (2010), Osis, (2014) e Reis (2010) afirmam que, os níveis de
conhecimento sobre o HPV são baixos, mesmo a mídia com seu amplo acesso
exercendo um papel preponderante na informação em comparação com a
atuação dos serviços de saúde, nem sempre as mensagens transmitidas são
adequadas ou suficientes para informar e incentivar a população a adotarem
uma conduta de prevenção.
Conclusão
Sendo o principal causador de doenças virais sexualmente transmissíveis, o
papilomavirus humano, está relacionado a quase totalidade dos casos de
câncer de colo uterino e tem sido frequentemente associado a casos de
tumores em outros sítios como a orofaringe. Desta maneira, novos meios de
prevenção e profilaxia são desenvolvidos, como as vacinas.
A vacina do HPV, para prevenção, é muito segura, foi desenvolvida pela
engenharia genética, onde, podemos ressaltar é altamente efetiva na
prevenção de lesões do colo uterino, em relação a possíveis efeitos adversos
ainda serão necessários cada vez mais estudos para verificação. Quanto a
vacina profilática, ainda encontra-se em desenvolvimento.
Deste modo, além da vacina, é muito importante ter alguns cuidados como, por
exemplo, manter a higiene íntima, visitar regularmente o médico, como também
adquirir conhecimento de cofatores para o risco de seu desenvolvimento, como
o tabagismo, doenças venéreas, deficiências nutricionais que resultam na
imunidade.
Palavras-chave: Papilomavírus humano, vacinação para HPV, câncer de colo
uterino.
Referências bibliográficas
ALTHUIS MD; DOZIER JM; ANDERSON WE et al. Global trends in breast cancer incidence
and mortality. Int J Epidemiol, 2005.
ARAÚJO, S.C.F; CAETANO, R; BRAGA, J.U, SILVA, F.V.C Eficácia das vacinas
comercialmente disponíveis contra a infecção pelo papilomavírus em mulheres: revisão
sistemática e metanálise, Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 29 ,2013.
BOSCH F.X., de S S. The epidemiology of human papillomavirus infection and cervical cancer.
Dis Markers, v.23, n. 4 p.213-27, 2007.
BUBENIK J. Genetically modified cellular vaccines for therapy of human papilloma virus type 16
(HPV 16)-associated tumours. Curr Cancer Drug Targets, v. 8, n.3, p.180-186, 2008.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
112
BRASIL. ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Câncer de colo de útero: a vacina
para prevenção do HPV e o desafio para a melhoria da qualidade do rastreamento no brasil,
Boletim Brasileiro de Avaliação de Tecnologias em Saúde, Ano VI nº 17 | Dezembro de 2011.
BRASIL, INCA - Instituto Nacional de Câncer/ Ministério da Saúde. Disponível
em:http://www1.inca.gov.br/inca/Arquivos/Diretrizes_rastreamento_cancer_colo_utero.pdf.
Acesso em Instituto Nacional de Câncer (Brasil). Estimativa 2014.
BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Vacinação contra o HPV. Disponível em:
http://portalarquivos.saude.gov.br/campanhas/hpv/oquee.html. Acessado em 07 de out. de
2015.
DERSCHAIN, S F M; SARIAN L O Z. Vacinas profiláticas para o HPV. Rev Bras Ginecol
Obstet, v. 29, n. 6, p. 281-284, 2007.
GIRALDO, PC. et al. Prevenção da Infecção por HPV e Lesões Associadas com o uso de
Vacinas. DST J Brás Doenças Sex Transm., v. 20, n. 2, p.132-140, 2008.
GONÇALVES, S ;RIBEIRO,R. et al. Vacina contra papilomavírus humano: reflexão sobre a
importância e os desafios na vacinação. Revista UNILUS Ensino e Pesquisa v. 12, n. 28,
jul./set, 2015.
LIMBERGER, A et al. Aspectos imunológicos da infecção pelo vírus do papiloma humano
(HPV). Semina: Ciências Biológicas e da Saúde, Londrina, v. 33, n. 1, p.111-122, 2012.
NADAL SR; MANZIONE, CR. Vacinas Contra o Papiloma Vírus Humano, Rev bras. coloproctol. v. 26, n.3, p. 337-340, 2006.
NOVAES, H M D. A vacina contra HPV e o câncer de colo de útero: desafios para a sua
incorporação em sistemas de saúde. Revista Brasileira de Epidemiologia, v.11, n. 3, 2008.
OSIS, M.J.D; DUARTE, G.A.; SOUZA, M.H. Conhecimento e atitude de usuários do SUS sobre
o HPV e as vacinas disponíveis no Brasil. Revista Saúde Pública. v.48, n.1, p.123-133, 2014.
SANCHES, E.B. Prevenção do HPV: A utilização da vacina nos serviços de saúde. Revista
Saúde e Pesquisa. v.3, n.2, p.255-261, 2010.
SILVA, M.J.P.M. A, et. al. A eficácia da vacina profilática contra o HPV nas lesões HPV
induzidas. Femina, v.37, n.10, p. 1-8, 2009.
ZARDO, G P et al. Vacina como agente de imunização contra o HPV. Ciênc. saúde
coletiva ,v.19, n.9, p. 3799-3808, 2014.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
113
ASSOCIAÇÃO DOS GENES PKD1 E PKD2 NA DOENÇA RENAL
POLICÍSTICA: UMA REVISÃO1
Arthur Basso2; Angelo Weber2; Andressa Munareto2; Bruna Vargas2; Natália
Motter2; Matias Nunes Frizzo3
1
Trabalho Interdisciplinar Curso de Biomedicina – CNEC/IESA.
Acadêmicos do Curso de Biomedicina – CNEC/IESA.
[email protected]
3
Professor
do
Curso
de
Biomedicina
–
CNEC/IESA;
[email protected]
2
Email:
Email:
Introdução
As Doenças Renais r nicas (DR s caracteri am-se como uma síndrome
meta lica decorrente da perda progressiva, geralmente lenta, da capacidade
e cretora renal, levando a um processo de Insufici ncia Renal r nica (IR , a
ual, em casos avançados, requer o tratamento dialítico ou o transplante renal.
Em função da redução da função renal, identifica-se no organismo a retenção
de solutos t icos, geralmente provenientes do meta olismo protéico, ue
podem ser avaliados indiretamente através das dosagens da uréia e creatinina
plasmáticas, que se elevam progressivamente (LIMA, 2011).
Inúmeras são as causas de IR , sendo as mais comuns a glomerulonefrite
cr nica, nefropatia tú ulo-instersticial cr nica (pielonefrite), necrose cortical
renal, hipertensão arterial grave, processos renais o strutivos cr nicos,
dia etes, amiloidose, lúpus eritematoso disseminado e doenças ereditárias,
tais como rins policísticos e síndrome de Alport (MOURA, 2007). A causa
multifatorial da patologia decorre do papel central desempenhado pelos rins
numa variedade de funções fisiológicas, como a regulação dos eletrólitos e do
pH, a manutenção da pressão arterial, a regulação do volume, a ativação da
vitamina D e a síntese da eritropoetina. Dentre as doenças renais, destacam-se
as doenças renais policísticas (DRP), sobretudo as hereditárias: a Doença
Renal Policística Autossômica Dominante (DRPAD) e a Doença Renal
Policística Autossômica Recessiva (DRPAR) (MALHEIROS, 2012).
A DRPAD é a enfermidade renal hereditária mais comum em seres humanos,
com prevalência de um caso a cada mil habitantes, sendo responsável por 710% dos pacientes com doença renal em fase terminal (MCGOVERN, 2014).
Esta patologia é reconhecida como doença monogênica multissistêmica, sendo
caracterizada por progressivo crescimento e desenvolvimento de múltiplos
cistos renais bilaterais que destroem o parênquima funcional, bem como por
manifestações extrarrenais (cistos em outros órgãos, anormalidade valvular
cardíaca, aneurismas cerebrais, hérnias abdominais, dores pelo corpo,
colecistopatia calculosa e doença diverticular) (IRAZABEL; TORRES, 2011).
A configuração dominante é causada por mutações em genes específicos dos
cromossomos 16p 13.3 (PKD1) responsáveis por 85% dos casos; 4q 21-23
(PKD2) com frequência de 10-15% dos casos; e possivelmente em um terceiro
gene, PKD3, que ainda não foi totalmente identificado (ALVES et al., 2014). Os
genes PKD1 e PKD2 codificam proteínas que participam de processos
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
114
celulares básicos, como a proliferação, diferenciação e transporte de
moléculas. Diversas mutações têm sido identificadas nestes genes que
codificam as policistinas dos tipos 1 e 2, manifestando uma aparente redução
no potencial funcional destas proteínas, promovendo o surgimento da doença
renal policística (NUNES, 2002; ROWE et al., 2014).
A forma recessiva (DRPAR) está ligada ao público infantil, inclusive em
neonatos. A doença é caracterizada por mutações nos genes específicos do
cromossomo 6p.21.1-p12 (PKHD1) que é responsável pela codificação de uma
proteína integral de membrana que contém 4.074 aminoácidos, denominada de
poliductina ou fibrocistina (DIAS et al., 2010). A proteína compõe a estrutura
primária dos cílios das células epiteliais tubulares do rim e suas alterações
levam a desordens de polaridade e consequentemente ao surgimento de cistos
(MALHEIROS, 2012).
O tratamento específico e curativo para as DRP’s, ainda não foi desenvolvido,
dessa forma são apenas realizados tratamentos sintomáticos dos pacientes
através do uso de analgésicos para dor, antibióticos para infecção cística,
controle da pressão arterial e evitando-se e/ou controlando os fatores de risco,
como hiperlipidemia, tabagismo, sobrepeso, diabetes, cafeína e estrógeno
(MALHEIROS, 2012; MCGOVERN, 2014).
Diante disso, o presente estudo tem como objetivo realizar uma pesquisa
bibliográfica a fim de avaliar os aspectos moleculares dos genes PKD1 e PKD2
na fisiopatologia da doença renal policística.
Metodologia
O estudo foi desenvolvido através de uma revisão descritiva da literatura
científica, abordando o tema associação dos genes PKD1 e PKD2 à doença
renal policística. O processo de revisão foi realizado através de uma busca nas
bases de dados eletrônicas Pubmed, PNAS e Scielo, a partir de artigos
publicados do ano 2000, utilizando os descritores: Rins policísticos
(polycystickidneys), genes PKD1 e PKD2 e doenças renais (renal diseases).
Foram encontrados 1092 artigos, os quais passaram por uma análise de titulo e
resumo, para então refinar aqueles que estavam mais relacionados ao tema
pesquisado. Após essa análise, foram selecionados 94 artigos, dos quais foi
realizada uma leitura na íntegra, sendo selecionados 21. Os demais artigos, no
total de 73, foram excluídos por não abordarem a temática pretendida nesta
revisão.
Discussão
Os genes PKD1 e PKD2 codificam as proteínas policistinas 1 e 2 (PC1 e PC2)
respectivamente. Estas proteínas atuam em conjunto na regulação morfológica
das células epiteliais e no influxo de cálcio intracelular. Porém, quando há uma
anomalia na PC1 ou PC2 o quadro resulta na diminuição do cálcio, aumento
dos níveis de AMPc e de receptores da vasopressina, que por sua vez
promovem a ativação da adenilato ciclase. Desta forma, os níveis elevados de
AMPc promovem a proliferação celular, secreção de fluídos e a migração da
aquaporina 2 para a membrana apical, levando as alterações fenotípicas
(FERNANDES, 2011).
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
115
Antes da identificação das policistinas, três mecanismos eram considerados
necessários para a formação e crescimento dos cistos: a proliferação celular, a
secreção de fluídos e as interações anormais entre as células. As policistinas
regulam cada um desses processos através de complexas vias celulares e
tornam-se essenciais para a diferenciação do epitélio tubular. A redução em
uma das proteínas resulta na alteração fenotípica dos túbulos renais, que se
caracteriza por uma ineficácia em manter a polaridade celular do epitélio do
túbulo, apresentando taxas aumentadas de proliferação e apoptose, expressão
de um fenótipo secretor e remodelação da matriz extracelular (CHAPMAN,
2007; BRAUN, 2009).
As mutações nos genes PKD1 e PKD2 fenotipicamente são indistinguíveis,
pois ambas são caracterizadas pela formação bilateral de cistos renais. Fencl
et al. (2009) relatam em seus estudos que aqueles indivíduos que
apresentarem mutações nos genes PKD1 irão possuir mais cistos renais e que
estes serão mais volumosos, sendo também apresentado como consequência
a hipertensão arterial (HTA) (BINU; BADE; HEUVEL 2014; GRANTHAM; JAW,
2008).
Conclusão
É um consenso entre os diversos estudos de que houve um grande progresso
na avaliação da PKD, desde a identificação de genes associados à DRPAR e
DRPAD. No entanto, ainda existem inúmeras questões a serem elucidadas
acerca da patologia renal, como a relação das policistinas com a proliferação
celular e o desenvolvimento renal anormal. A resposta a estas perguntas
mantém a promessa para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas
eficazes para o tratamento de pacientes de PKD.
Palavras-Chave: Rins Policísticos, PKD1, PKD2, Doenças Renais.
Referências bibliográficas
ALVES et al. Doença renal policística autossômica dominante em pacientes em hemodiálise no
sul do Brasil. Jornal Brasileiro de Nefrologia, v. 36, n. 1, p. 18-25, 2014 .
BINU, P. M.; BADE, G.; HEUVEL, V. Kidney: polycystic kidney disease. Wires Developmental
Biology, v. 3, n. 2, p.465-487, 2014.
BRAUN, W. E. Autosomal dominant polycystic kidney disease: emerging concepts of
pathogenesis and new treatments. Cleve Clin J Med, v. 76, n.2, p. 97-104, 2009.
CHAPMAN, A. B. Autosomal dominant polycystic kidney disease: time for a change? J Am Soc
Nephrol, v.18, n.5, p.1399-1407, 2007.
FERNANDES, M. S. O. M. Doença Policística Renal Autossómica Dominante/Autosomal
Dominant Polycystic Kidney Disease. J Nephrol, v. 1, p.123- 133, 2011.
GRANTHAM, M. D.; JAW, J. Autosomal Dominant Polycystic Kidney Disease.The New
England Journal Of Medicine: clinical practice, v.2, p. 1477-1485, 2008.
IRAZABEL, M.V.; TORRES, V.E. Poliquistosis renal autossômica dominante. Nefrologia Sup
Ext, v. 2, p. 38-51, 2011.
LIMA, E. G. G. R. Estudo das alterações renais induzidas por meio de contraste de alta e baixa
osmolalidade. Dissertação (mestrado). Universidade Federal do Ceará, Pós-Graduação em
Farmacologia: Fortaleza, 2011.
MALHEIROS, G. O. M. Doença Renal Policística: uma revisão da literatura. Universidade
Federal da Bahia. Faculdade de Medicina da Bahia: Salvador, 2012.
MCGOVERN et al. Identification of people with autosomal dominant polycystic kidney disease
using routine data: a cross sectional study. Bmc Nephrol, v. 182, n. 15, p.1-7, 2014.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
116
NUNES, A. C. F. Doença renal policística do adulto em pacientes atendidos nos serviços de
hemodiálise de porto alegre. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Programa de PósGraduação em Ciências Médicas: Nefrologia, 2002.
ROWE et al. Glomerulogenesis prejudicada e migração de células endoteliais em culturas de
órgãos renais Pkd1 deficientes. Jornal Biol Kidney, v.1, p. 234 – 244, 2014.
TORRES, V. E.; HARRIS, P. C. Autosomal dominant polycystic kidney disease: the last 3 years.
Kidney Int, v. 76, n. 2, p. 149-168, 2009.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
117
IMPLICAÇÕES DOS ANTÍGENOS HLA NO TRANSPLANTE RENAL1
Ângela Port 2; Andressa Koning Cezimbra3; Eliana Durks4; Jandaia Girardi5;
Marceli Werle6; Renata Cardozo7; Bruna Comparsi8
1
Trabalho multidisciplinar do curso de Biomedicina – CNEC/IESA
Aluna do Curso de Graduação em Biomedicina do IESA, email:
[email protected]
3
Aluna do Curso de Graduação em Biomedicina do IESA, email:
[email protected]
4
Aluna do Curso de Graduação em Biomedicina do IESA, email:
[email protected]
5
Aluna do Curso de Graduação em Biomedicina do IESA, email:
[email protected]
6
Aluna do Curso de Graduação em Biomedicina do IESA, email:
[email protected]
7
Aluna do Curso de Graduação em Biomedicina do IESA, email:
[email protected]
8
Docente do curso de Biomedicina, Doutora em Ciências Biológicas:
Bioquímica Toxicológica. Email: [email protected]
2
Introdução
O transplante renal é considerado como um grande avanço na medicina
moderna, pois melhora a qualidade de vida de pacientes com insuficiência
renal crônica (GARCIA et al., 2012). É um procedimento cirúrgico que consiste
na transferência de um rim saudável de um indivíduo para outro com doença
renal crônica, tendo como objetivo compensar ou substituir a função que o
órgão doente não pode mais desempenhar (LUCENA et al., 2013). No entanto,
o sucesso desse transplante depende de fatores relacionados a
compatibilidade tecidual, ou seja, de um complexo chamado Antígeno
Leucocitário Humano (HLA) (GUYTON & HALL, 2011).
O HLA é composto por um grupo de genes localizado no braço curto do
cromossomo 6. Esse complexo genético compreende o complexo maior de
Histocompatibilidade (MHC) em humanos (CENTRO DE GENOMAS, 2012).
Atualmente existem inúmeras tentativas para prevenir as reações antígenoanticorpo nos procedimentos de transplante, sendo de extrema importância
para o paciente a não rejeição. Os principais antígenos que estão envolvidos
nestas reações que desencadeiam a rejeição são antígenos que formam o
HLA. Alguns destes antígenos estão presentes nas membranas celulares dos
tecidos de cada indivíduo, porém existem cerca de 150 antígenos diferentes, o
que significa que a menos que a pessoa possua um irmão gêmeo idêntico, é
impossível que duas pessoas possuam os mesmos antígenos HLA. Neste
caso, pode ocorrer esposta imune significativa e risco de ocorrer rejeição do
enxerto/transplante (GUYTON & HALL, 2011).
Historicamente Paul Terasaki em 1965 foi o primeiro pesquisador a sugerir uma
relação entre o sistema HLA e a sobrevivência de aloenxertos renais
(VREDEVOE et al., 1965). Sabe-se que o sistema HLA e diversos outros
fatores são determinantes para o sucesso dos transplantes renais. Diante
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
118
disso, o presente estudo pretende revisar quais as implicações dos antígenos
HLA nas incompatibilidades e rejeições de transplantes renais.
Metodologia
Trata-se de uma revisão bibliográfica com base em artigos acadêmicos, livros e
dados secundários. As informações sobre o material bibliográfico concentramse nas publicações nas bases de dados Scopus, Lilacs (Literatura LatinoAmericana em Ciências da Saúde), Medline (Literatura Internacional em
Ciências da Saúde) e SciELO (Scientific Eletronic Library Online) no idioma
português e inglês, além de site do governo federal. O processo de revisão
ocorreu no ano de 2015, utili ando os descritores “transplante renal”
“Incompati ilidade”, “Rejeição”, “En erto”, “Imunossupressão” e “Antígeno
Leucocitário Humano”. Foram selecionados o total de 20 artigos, estes
passaram por uma análise de título e resumo, incluindo-se artigos publicados a
partir de 2006. Estudos publicados há mais tempo fornecendo conhecimento
básico e imprescindível também foram incluídos. Após essa análise foram
selecionados 18 artigos para leitura na integra e destes, foram selecionados 14
artigos para redação da revisão de literatura.
Discussão
A Lei Federal 10.211 de 23 de março de 2001 indica a obrigatoriedade da
Tipagem HLA, classe I (A e B) e classe II (DR) em doadores e receptores de
transplantes. Segundo Terasaki (2003), o sucesso no transplante renal esta
diretamente relacionado ao grau de compatibilidade HLA entre receptordoador, quanto maior a semelhança HLA, melhor a sobrevida do enxerto,
especialmente no primeiro ano de transplante.
Para verificar a compatibilidade entre os antígenos do doador com os do
receptor é realizada uma tipagem para estes antígenos utilizando linfócitos,
uma vez que os antígenos HLA ocorrem nas membrana destas células
(GUYTON & HALL, 2011).
Um dos principais genes responsáveis pelo reconhecimento de antigênicos
externos é o MHC, nos seres humanos, estes genes codificam várias proteínas
da superfície da membrana celular. Estes alo-antigênicos são conhecidos como
HLA, em humanos, e o seu elevado polimorfismo permite ao sistema
imunológico reconhecer antígenos próprios e não próprios. As moléculas HLA
são divididas em classe I (HLA –A, -B e –C), classe II (HLA-DR, -DQ e –DP) e
classe III com base na estrutura e na função de resposta imunológica. A função
de HLA-A e B assim como o DR tem como foco principal a verificação de
correspondência (OPELZ et al., 2007; PASCUAL et al., 2004; SOLEZA et al.,
2008).
Os anticorpos HLA causam rejeições renais hiperagudas e permitem o
depósitos de células CD4 no tecido renal rejeitado, sendo utilizado como
indicador de rejeição aguda pois, sempre aparecem antes das rejeições. A
rejeição aguda é um dos principais agravos que podem ocorrer após o
transplante renal, sendo classificada de acordo com o mecanismo imunológico
envolvido, em rejeição mediada por células ou por anticorpos (OPELZ et al.,
2007; PASCUAL et al., 2004; SOLEZA et al., 2008).
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
119
Sabe-se que a perda crônica do enxerto é causada por inúmeros fatores, tanto
imunológicos quanto não imunológicos, entretanto os mais frequentemente são
imunológicos. A avaliação da possível causa imunológica de perda crônica do
enxerto deve ser sempre realizada através de biópsia para afastar inflamação
com pesquisa de anticorpos anti-HLA circulantes para afastar um componente
humoral. A sobrevida do enxerto e do paciente quando relacionadas ao grau de
compatibilidade HLA pressupõem um melhor resultado para o transplante
(DAVID-NETO et al, 2012; SOLEZA et al., 2008).
Diante da necessidade de transplante, assim como na transfusão sanguínea,
ocorrem reações transfusionais, pois cada tecido possui seus próprios
complementos de antígenos, com consequência disto, ao transplantarmos
células e órgãos de uma pessoa para outra são desencadeadas respostas
imunes, estas respostas estão relacionadas a defesa de nosso organismo a
agentes externos, a corpos estranhos (GUYTON & HALL, 2011). Martins e cols
(2001), demonstram a evolução e prognóstico dos transplantes de acordo com
a compatibilidade HLA entre doador e receptor (Tabela 1).
A rejeição aguda é um dos principais agravos que podem ocorrer após o
transplante renal, sendo classificada de acordo com o mecanismo imunológico
envolvido. Uma das possibilidades para que não ocorra a rejeição é a
supressão do sistema imune por completo, tornando o enxerto bem-sucedido
sem o uso de terapia significativa, evitando a rejeição. Atualmente a terapia
imunossupressora tenta o equilíbrio entre as incidências aceitáveis de rejeição,
com a moderação dos efeitos adversos dos fármacos que atuam na
imunossupressão. (BORTOLOTTO et al., 2012; SOLEZA et al., 2008).
Conclusão
Diante disso, observou-se que o transplante renal continua sendo o tratamento
de escolha para pacientes com insuficiência renal crônica. E é de extrema
importância a observação de HLA, pois os mesmos estão relacionados a
processos de rejeição aguda, onde uma não compatibilidade desencadeia uma
significativa imunidade contra um destes antígenos resultando na rejeição do
transplante. Além disso, a melhor compreensão das causas da falência do
enxerto, auxilia na obtenção de resultados e avanços em terapia farmacológica
que possibilitam a supressão do sistema imune prevenindo a rejeição desse
enxerto. Assim, com uma maior seguridade de que esse transplante será de
sucesso por um longo período de tempo, há também a expectativa do aumento
do número de doadores.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
120
Palavras Chave: Incompatibilidade, Rejeição, Enxerto, Imunossupressão.
Referências Bibliográficas
BORTOLOTTO, A.S et al. HLA-A,-B, and – DRB1 alleic and haplotypic diversity in a sample of
boné marrow volunteer donors from Rio Grande do Sul State, Brazil. Hum Immunol, v.73, n.2,
p.180-185, 2012.
BRASIL. Lei Federal 10.211, de 23 de março de 2001. Diário Oficial da União. Brasília, DF,
23 mar. 2001. Seção 1, p. 10.
CENTRO DE GENOMAS. Antígenos Leucocitários Humanos (HLA). Carta Molecular, n. 23, p.
1-2, 2012.
DAVID-NETO, E. et al. The impact of pretransplant donor-specific antibodies on graft outcome
in renal transplantation: a six-year follow-up study. Clinics (São Paulo), v. 67, n. 4, p. 355-61,
2012.
ECKHOFF, D.E et al. Racial disparities in renal allograft survival: a public health issue? J Am
Coll Surg, v. 204, p. 894-902, 2007.
GARCIA, G.G et al. O papel global do transplante renal. J Bras Nefrol, v. 34, n. 1, p. 1-7, 2012.
GUYTON, A.C; HALL, J.E. Tratado de Fisiologia Médica. 12ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier,
2011.
LUCENA, A.F et al. Complicações infecciosas no transplante renal e suas implicações às
intervenções de enfermagem: revisão integrativa. Rev enferm UFPE on line, Recife, v. 7, p.
953-9, 2013.
MARTINS, FP et al. Correlação do esquema de imunossupressão com complicações pósoperatórias em transplantes renais através do uso da cintilografia renal dinâmica. Radiol Bras,
v. 34, n. 5, p. 267-272, 2001.
OPELZ, G; DÖHLER, B. Multicenter analysis of kidney preservation. Transplant, v.83, p.247253, 2007.
PASCUAL, J et al. Renal function: defining long-term success. Nephrol. Dial. Transplant, v.
19, n. 6, p. 3-7, 2004.
SOLEZA, K et al. Banff 07 classification of renal allograft pathology: updates and future
directions. Am J Transplant, v. 8, n. 4, p. 753-60, 2008.
TERASAKI, P.I. UCLA Tissue Typing Laboratory. Clinical Transplants. p.148, 1990.
VREDEVOE, D.L et al. Serotyping of human lymphocyte antigens. III. Long term kidney
homograft survivors. Histocompatibility Testing, Copenhagen: Munksgaard, p. 25–35, 1965.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
121
A QUALIDADE DE VIDA DE IDOSOS COM INSUFICIÊNCIA RENAL
CRÔNICA¹
Laurence Noetzold Mendes², Ana Paula Martins²; Carla Soares Carpes²,
Nathássia Martins Duarte²; Débora Pedroso3
¹Trabalho Multidisciplinar, 6° semestre, IESA Santo Ângelo
²Acadêmicos
do
curso
de
Biomedicina-IESA.
[email protected]
³Professora
do
Curso
de
Biomedicina-IESA.
[email protected]
Email:
Email:
Introdução
O aumento da longevidade nas últimas décadas vem ganhando atenção
especial dos profissionais da saúde devido ao seu grande acometimento
populacional. A doença renal crônica (DRC) é uma patologia progressiva e
debilitante, que causa incapacidades e alta taxa de morbimortalidade
(KUSUMOTA; RODRIGUES; MARQUES, 2004).
Atualmente a DRC é considerada um problema de saúde pública mundial
(BASTOS; BREGMAN; KIRSTAJN, 2010). No Brasil, a incidência e prevalência
de pacientes com comprometimento da função renal vêm aumentando
progressivamente, a cada ano o número projetado para pacientes em
tratamento dialítico e com transplante renal no Brasil está próximo dos 120.000,
a um custo de 1,4 bilhão de reais (BASTOS; BREGMAN; KIRSTAJN, 2010).
O número de pacientes mantidos em diálise duplicou nos últimos anos e
mesmo com os avanços nos métodos dialíticos e do transplante renal, os
índices de mortalidade na DRC continuam elevados, especialmente em sua
fase terminal, e quando agregadas a patologias comoa hipertensão arterial
sistêmica (HAS), diabetes mellitus (DM), glomerulopatias, antecedentes
familiares e doenças policísticas (BAUMGARTEM et al., 2012; SCHIFFRIN;
LIPMAN; MANN, 2007; ROMÃO JÚNIOR, 2004).
Conforme o Censo da Sociedade Brasileira de Nefrologia (2013), atualmente
no Brasil existem 100.397 pacientes em terapia renal substitutiva, sendo que a
porcentagem de pacientes entre a faixa etária de 65 a 80 anos compreendem
26,7% do total da população depende de dialise e 4,7% acima de 81 anos.
Esses números vêm crescendo atualmente devido a maior expectativa de vida
que ocorre nos últimos anos.
Alterações renais anatômicas e fisiológicas do
envelhecimento vêm sendo relatadas a partir dos 40
FRANCO, 2010). A população idosa está sujeita
hipertensão arterial, diabetes melittus e insuficiência
agravantes para DRC (CARREIRA, 2003).
processo normal do
anos de idade (SHOLLa comorbidades como
cardíaca, fatores esses
O tratamento paliativo da DRC ocasiona mudanças fisiológicas, psicológicas e
sociais no cotidiano desses pacientes. A hemodiálise pode ser definida como
um processo de transferência de massa fundamentado na difusão entre
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
122
sangue e líquido de diálise, articulado por uma membrana seletivamente
permeável, e capaz de corrigir alguns distúrbios metabólicos da DRC (ROMÃO
JÚNIOR, 2004; SCHIFFRIN; LIPMAN; MANN, 2007). Observa-se que
geralmente as dificuldades de adesão ao tratamento podem estar relacionadas
a não aceitação da doença, a percepção de si próprio, dificultando o convívio
social, tanto familiar quanto interpessoal (CARREIRA, 2003).
Metodologia
Revisão descritiva da literatura cientifica, abordando temas referentes à DRC e
envelhecimento humano. O processo de revisão foi realizado através de uma
busca na base de dados eletrônica, Pubmed e Scielo no ano de 2014,
utili ando os descritores “Doença Renal
r nica, ualidade de vida e
envelhecimento, foram encontrados o total de 5944 artigos, estes passaram por
uma análise de titulo e resumo para então selecionar os que estavam
relacionados ao tema pes uisado” a relação entre a doença renal crônica no
idoso, bem como sua qualidade de vida que foram publicados a partir do ano
de 2003. Após essa análise foram selecionados 19 artigos.
Discussão
Atualmente as doenças crônicas têm recebido maior atenção dos profissionais
de saúde. Isso se deve ao importante papel desempenhado na
morbimortalidade da população mundial, não apenas privilégio da população
mais idosa, mas também atingem os jovens em idade produtiva (TRENTINI,
2004). Dentre essas doenças está a Doença renal crônica (DRC) que é
considerada uma condição patológica, de evolução progressiva, causando
problemas médicos, sociais e econômicos (DUARTE, 2003; VENDITES;
ALMADA-FILHO; MINOSSI, 2010).
Pacientes renais com idade superior a 65 anos são afetados em diversos
aspectos, tanto pelas complicações e dificuldades que são inerentes a terceira
idade, mas também pela dimensão na qual a doença renal se insere (MEDINA
et al., 2010). O cotidiano e a qualidade de vida desses doentes devem ser
analisados tanto pela equipe multidisciplinar, quanto ao suporte familiar
(CARREIRA, 2003). O doente renal crônico dependente de hemodiálise sofre
alterações da vida diária em virtude da necessidade de realizar o tratamento
contínuo, necessitando de suporte de atenção integral à saúde, vivendo em
uma constante dependência da equipe de saúde, da máquina, e de cuidados
constantes de um ente familiar (DUARTE, 2003).
A qualidade de vida, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), é
definida pela percepção da pessoa em relação a sua vida, abrangendo
questões culturais, expectativas e preocupações (DE ALMEIDA, 2012;
DUARTE, 2003). A qualidade de vida, o aspecto mental deve ser direcionado
com o intuito de uma melhor a adaptação psicológica, na qual devem ser
utilizadas estratégias racionais para um melhor enfrentamento da doença. Para
que isso seja possível, a atuação de uma equipe multidisciplinar é extrema
importância, para a manutenção da saúde mental desses pacientes (BASTOS;
BREGMAN; KIRSTAJN, 2010).
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
123
O idoso por si só apresenta dificuldades no seu cotidiano, a DRC e as
complicações do tratamento acarretam uma diminuição e limitação nas
atividades de vida diárias, mudanças psicossociais, alteração da imagem
corporal, restrições dietéticas, assim com a depressão representa uma das
complicações mais comuns em pacientes em Diálise (BASTOS; BREGMAN;
KIRSTAJN, 2010; DE ALMEIDA et al., 2012).
Ainda assim os pacientes prosseguem com o tratamento, visto que a
hemodiálise prolonga a vida do doente, reduz o sofrimento e previne futuras
complicações (DE ALMEIDA et al., 2012; TRENTINI, 2004). Esse tratamento é
responsável por um cotidiano monótono e restrito, e as atividades limitadas
após o início do tratamento. No entanto, os indivíduos ainda reconhecem o
tratamento hemodialítico como fator de sobrevivência e garantia da
manutenção do bem estar (CARREIRA, 2003; CRUZ; CRUZ; BARROS, 2004).
Esses pacientes, que dependem de tecnologia avançada para sobreviver,
apresentam limitações no seu cotidiano e vivenciam inúmeras perdas e
mudanças biopsicossociais que intervêm na sua qualidade de vida (DE
ALMEIDA et al., 2012; FLECK; LOUZADA, 2007; MARTINS; MONTEIRO;
PAIXÃO, 2003).
Observa-se que o fato de ter uma expectativa de vida maior, não significa ter
novamente a mesma qualidade de vida, pois quase sempre há limitações com
prejuízos da participação em várias atividades (FLECK; LOUZADA, 2007;
LAURENTI, 2003).
Conclusões
O paciente renal crônico possui um maior vínculo em relação aos seus
familiares e aos profissionais da saúde. Sendo assim, é necessário conhecer e
avaliar o modo com que cada idoso enfrenta a doença, sua qualidadede vida
praticando a terapia renal substitutiva, para então poder orientá-lo a intervir em
aspectos que afetam sua qualidade de vida e conservar aquilo que o faz seguir
em frente com o tratamento.
O envelhecimento traz consigo dúvidas difíceis de serem sanadas, pois são
diversas as mudanças com que os idosos se deparam: o organismo já não
responde mais como antes, a mudança física é inevitável e em muitos casos
ainda há o acréscimo de patologias indesejadas, como a DRC. Neste sentido,
esta patologia acaba refletindo diretamente na qualidade de vida dos idosos,
pois além do envelhecimento natural os mesmos teem que suportar as
consequências da terapia renal substitutiva.
Evidencia-se também que é necessário o acompanhamento de um profissional
especializado, o qual poderá estabelecer quais as reais necessidades do idoso,
além de poder aplicar medidas que visem enfraquecer ou cessar os riscos de
saúde que surgem em conjunto com o processo de envelhecimento,
oferecendo assim o cuido merecido ao idoso.
Visto que trabalhando na prevenção desta patologia pode se evitar
complicações mais severas, as quais, além de prejudicarem o idoso em seu
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
124
cotidiano, seu convívio com a sociedade e ambiente familiar, ainda podem se
tornar um problema de saúde pública devido ao alto custo do tratamento.
Palavras-Chave: Insuficiência Renal Crônica, Idosos, Qualidade de Vida.
Referências bibliográficas
BASTOS, Marcus Gomes; BREGMAN, Rachel; KIRSZTAJN, Gianna Mastroianni. Chronic
kidney diseases: common and harmful, but also preventable and treatable. Revista da
Associação Médica Brasileira, v. 56, n. 2, p. 248-253, 2010.
BAUMGARTEM, Maria Cristina et al. Percepção subjetiva e desempenho físico de pacientes
com doença renal crônica em hemodiálise. ACTA BRASILEIRA DO MOVIMENTO HUMANOBMH, v. 2, n. 1, p. 5-14, 2012.
CARREIRA L, Marcon SS. Cotidiano e trabalho: Concepções de indivíduos portadores de
insuficiência renal crônica e seus familiares. Rev Latino-Am Enfermagem. 2003.4
CRUZ, J.; CRUZ, H.M.M.; BARROS, R.T. Atualidades em nefrologia. São Paulo:
Sarvier,2004.
DA SOCIEDADE, SBN Censo de Diálise. Brasileira de Nefrologia. 2013 [Cited Apr. 1, 2014].
DE ALMEIDA, Sionara Tamanini et al. ; PERSPECTIVA LIFE-SPAN NA PSICOLOGIA DO
ENVELHECIMENTO: um olhar diferenciado sobre perdas na velhice. Atualizações em
geriatria e gerontologia IV: aspectos demográficos, biopsicossociais e clínicos do
envelhecimento, p. 97, 2012.
DUARTE, P.S. Tradução, adaptação cultural e validação do instrumento de avaliação de
qualidade de vida para pacientes renais crônicos em programa dialítico, 2003, Tese
(Mestrado)- Escola Paulista de Medicina da Universidade de São Paulo.
FLECK M.P.A, LOUZADA et al; Aplicação da versão em português do instrumento de
avaliação de qualidade de vida da Organização Mundial da Saúde; Revista de Saúde
Pública, Rio de Janeiro, v.33, n.2, p.198-205, 2003.
LAURENTI, Ruy. A mensuração da qualidade de vida. Revista da Associação Médica
Brasileira, v. 49, n. 4, p. 361-362, 2003.
MEDINA, Luiz Antonio Rodrigues et al. Atividade física e qualidade de vida em pacientes com
doença renal crônica submetidos à hemodiálise.ConScientiae Saúde, v. 9, n. 2, p. 212-219,
2010.
MARTINS, João PC; MONTEIRO, Josélia C.; PAIXÃO, Ana. Renal function in adult rats
subjected to prenatal dexamethasone*. Clinical and experimental pharmacology and
physiology, v. 30, n. 1‐2, p. 32-37, 2003.
RIELLA, M.C. Princípios de nefrologia e distúrbios hidroeletrolíticos.4 ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2003. SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA et al. Censo da
Sociedade Brasileira de Nefrologia. 2013.
ROMÃO JUNIOR, João Egidio. Doença renal crônica: ddefinição epidemiologia e
classificação. J. bras. nefrol, v. 26, n. 3, supl. 1, p. 1-3, 2004.
SOUSA, Gleison Resende. TECNOLOGIA EDUCATIVA EM SAÚDE PARA PACIENTES EM
TRATAMENTO HEMODIALÍTICOp. 2012. 107 f. TCC (Graduação) - Curso de Enfermagem,
Universidade Federal do PiauÍ, Picos, 2012.
SCHIFFRIN, Ernesto L.; LIPMAN, Mark L.; MANN, Johannes FE. Chronic kidney disease
effects on the cardiovascular system. Circulation, v. 116, n. 1, p. 85-97, 2007.
TRENTINI M, Corradi EM, Araldi MAR, Tigrinho FC. Qualidade de vida de pessoas
dependentes de hemodiálise considerando alguns aspectos físicos, sociais e
emocionais. Texto Contexto Enferm. 2004;13(1): 74-82.
KUSUMOTA, Luciana; RODRIGUES, Rosalina Aparecida Partezani; MARQUES, Sueli. Elderly
persons with chronic kidney failure: health status alterations. Revista latino-americana de
enfermagem, v. 12, n. 3, p. 525-532, 2004.
SHOLL-FRANCO, Alfred et al. Envelhecimento, estresse e sociedade: uma visão
psiconeuroendocrinológica. Ciências e Cognição/Science and Cognition, v. 1, 2009.
VENDITES, Soraya; ALMADA-FILHO, Clineo de Melo; MINOSSI, José Guilherme. General
features of the preoperative assessment of surgical elderly patient. ABCD. Arquivos
Brasileiros de Cirurgia Digestiva (São Paulo), v. 23, n. 3, p. 173-182, 2010.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
125
ALTERAÇÕES ENDOMETRIAIS RELACIONADAS AO USO DO
TAMOXIFENO EM TRATAMENTO DE CÂNCER DE MAMA: UMA REVISÃO1
Tainara Jungton Bönmann2 ; Yana Picinin Sandri Lissarassa3
1
Trabalho de revisão bibliográfica.
Acadêmica do Curso de Biomedicina-8º semestre. Instituto Cenecista de
Ensino Superior de Santo Ângelo, [email protected]
3
Biomédica, Mestranda em Atenção Integral à Saúde - PPGAIS. Orientadora.
Professora do Curso de Biomedicina, [email protected]
2
Introdução
Os moduladores seletivos do receptor de estrogênio (MSRE) são moléculas
que se ligam ao receptor estrogênico com ações agonistas e antagonistas, em
tecidos específicos. Eles apresentam efeitos estrogênicos e antiestrogênicos
em vários órgãos, o que lhes permite diferentes atuações clínicas específicas.
As diferenças nas estruturas moleculares conferem propriedades diferentes de
ligação ao receptor-alvo, resultando em diferenças nos efeitos terapêuticos e
adversos. O Tamoxifeno é um MSRE, utilizado na prevenção e tratamento do
câncer de mama com RE + (Receptor Estrogênio Positivo), geralmente na pósmenopausa (FERREIRA et al., 2011).
O Tamoxifeno é um agente antiestrogênico comumente utilizado no tratamento
do câncer de mama e, mais recentemente, na quimioprevenção em mulheres
com elevado risco de desenvolvimento desse tipo de câncer. Sua prescrição se
dá na terapia adjuvante sistêmica, que ocorre geralmente após o tratamento
cirúrgico ou quimioterápico convencional. Nota-se considerável índice de
prescrição do fármaco Tamoxifeno no tratamento de doenças benignas da
mama, tais como: alterações fibrocísticas, mastalgia intensa e fibroadenoma.
Visto sua capacidade em prevenir a ligação do estrógeno ao tecido alvo, os
resultados têm sido bastante satisfatórios até então. Entretanto na literatura
observam-se diferentes efeitos relacionados ao tratamento com Tamoxifeno
(SILVA et al., 2012).
Segundo o Dicionário de Especialidades Farmacêuticas (2010) e o Dicionário
de Administração de Medicamentos na Enfermagem (2011), efeitos colaterais
relatados devido à ação antiestrogênica da droga são diversos, destacam-se os
principais: ondas de calor, sangramento vaginal, prurido vulvar e corrimento
vaginal, entre outros efeitos gerais relatados.
Tendo em vista os efeitos colaterais relatados e sabendo que cada indivíduo é
único, onde cada organismo responde de uma forma diferente ao tratamento,
este trabalho tem por objetivo fazer uma revisão sobre o uso de terapia com
Tamoxifeno, mostrando os efeitos colaterais, principalmente as alterações
endometrias relacionados à terapêutica.
Metodologia
No presente estudo, utilizou-se o método de revisão bibliográfica. O
levantamento bibliográfico foi realizado por meio de busca por artigos
científicos indexados em bancos de dados de ciências da saúde em geral, tais
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
126
como MEDLINE/Pubmed e Scientific Eletronic Library Online (SCIELO),
utilizando publicações entre os anos de 2001 a 2015.
Os artigos utilizados nesta pesquisa foram buscados através dos descritores:
Câncer de mama; Tamoxifeno; Alterações Endometriais. Os critérios de
inclusão utilizados para a seleção da amostragem foram: textos
disponibilizados na íntegra, através de acesso as bases de dados; e
atendimento à análise das variáveis contempladas para o estudo.
Resultados e Discussão
Segundo o dicionário de Especialidades Farmacêuticas (2010) e o Dicionário
de Administração de Medicamentos na Enfermagem (2011), os efeitos
colaterais relatados devido à ação antiestrogênica da droga são diversos,
sendo os mais frequentemente relatados: ondas de calor, sangramento vaginal,
prurido vulvar e corrimento vaginal, dentre tantos outros efeitos colaterais
gerais descritos como: erupção cutânea, intolerância gastrintestinal, inflamação
do tumor, tontura e, ocasionalmente, retenção de fluidos e alopecia. Um
pequeno número de pacientes com metástases ósseas desenvolveu
hipercalemia no início do tratamento. Diminuição na contagem de plaquetas,
descreveram-se ainda casos de distúrbios visuais, incluindo relatos pouco
frequentes de alterações corneanas, catarata e retinopatia.
Ainda de acordo com Dicionário de Administração de Medicamentos na
Enfermagem (2013) foi relatado fibroma uterino. Tumores ovarianos císticos
foram ocasionalmente observados em mulheres na pré-menopausa.
Leucopenia, algumas vezes associada à anemia e/ou trombocitopenia. Em
raras ocasiões foi relatada neutropenia, que algumas vezes pode ser grave
assim como eventos tromboembólicos que ocorreram durante o
tratamento, têm sido relatados pouco frequentemente. Quando o Tamoxifeno é
usado em combinação com agentes citotóxicos, há um aumento de risco na
ocorrência de eventos tromboembólicos. O Tamoxifeno tem sido associado
com alterações nas taxas de enzimas hepáticas e, em raras ocasiões, a um
espectro mais grave de anormalidades hepáticas, incluindo esteatose hepática,
colestase e hepatite.
Naufel e colaboradores (2014) em seu trabalho relataram o caso de uma
mulher de 55 anos, pós- menopausada com antecedente de câncer de mama,
em uso de Tamoxifeno por dois anos, não apresentava história previa ou
sintomas sugestivos de endometriose, sem outras comorbidades ou
antecedente cirúrgico, que apresentou dor lombar esquerda inespecífica. Após
a realização de uma ressonância magnética foi diagnosticada a ocorrência rara
de endometriose em sítio não usual. Não é possível excluir a possibilidade de
desenvolvimento de foco de endometriose antes não existente, ou mesmo
exacerbação clínica de doença até então assintomática, secundários ao uso de
Tamoxifeno. Entretanto, como a paciente estava próxima do término do
tratamento com o Tamoxifeno, optou-se por suspender a droga, a fim de
possibilitar regressão e redução volumétrica espontânea do tecido
endometriótico, o que de fato aconteceu.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
127
Na pesquisa de Teixeira e colaboradores (2007), ocorreu a presença de
doença endometrial relacionada ao hiperestrogenismo em 53,2% das pacientes
(pólipos, hiperplasia e carcinoma endometrial), em concordância com a
literatura, apontando que a terapia com Tamoxifeno aumenta a incidência de
lesão endometrial relacionada ao efeito agonista do Tamoxifeno, embora a
grande maioria não progrida para câncer.
Feitosa, Juaçaba e Medeiros (2002) em estudo transversal, com 30 pacientes
que usaram Tamoxifeno por 5 anos, realizaram ultra-sonografia transvaginal,
histeroscopia, biópsia de endométrio e análise histopatológica de todas as
pacientes. Pôde-se constatar que a prevalência geral de alterações
endometriais foi de 36,6%. As pacientes com câncer de mama que utilizaram
Tamoxifeno por longo período apresentaram frequentemente alterações
endometriais; as mais comuns foram atrofia cística (46,6%) e pólipos
endometriais (26,6%).
As alterações endometriais ocorrem devido ao efeito do Tamoxifeno em outros
tecidos que não o mamário, como no útero, por exemplo, ser mais complexo,
agindo ao mesmo tempo como potente agonista e antagonista do estrogênio. O
mecanismo de ação, como o de outros agentes antiestrogênicos, seria o
antagonismo à molécula do estrogênio nos seus receptores específicos. Age
ligando-se competitivamente ao receptor de estrógeno no tecido tumoral e em
outros tecidos, formando um complexo nuclear que diminui a síntese de DNA,
inibe os efeitos do estrógeno e causa a parada de crescimento celular, como
no tecido mamário, entretanto, ele pode agir como um agonista parcial,
estimulando a proliferação das células endometriais aumentando as chances
do desenvolvimento de uma neoplasia endometrial; ou como um agonista nos
ossos para intensificar a densidade óssea. Contudo, diversos autores referem
que o mecanismo de ação do Tamoxifeno é complexo e ainda não está
adequadamente elucidado (VIANA, 2007; NAUFEL et al, 2014).
Conclusão
O Tamoxifeno é uma excelente opção para o tratamento de câncer de mama,
porém tem ação em outros tecidos que não o mamário, assim devido seu
método de ação, as pacientes devem ser avaliadas para a utilização do
medicamento, sendo necessária a avaliação do risco beneficio em pacientes
que já tenham alguma alteração principalmente de endometrio que possa se
exacerbar durante o tratamento, além dos demais efeitos adversos relatados
na literatura.
Palavras chaves: Câncer de mama, Tamoxifeno, Alterações Endometriais.
Referências bibliográficas
AME: Dicionário de Administração de Medicamentos na Enfermagem. 8 ed. Petrópolis, RJ,
2011.
Dicionário de Especialidades Farmacêuticas: DEF 2010/ 11. 39 ed. RJ, 2010.
FEITOSA, F.E.L., JUAÇABA, S.F. MEDEIROS, F. C. Alterações Endometriais em Pacientes
com Câncer de Mama Tratadas com Tamoxifeno. RBGO. v. 24, n.4, p. 233-239, 2002.
FERREIRA, M.C.F.; SOUZA, K. Z.D.D., DUMMONT, J.S.F., BARRA, A. A., ROCHA, A. L. L. ,
Moduladores Seletivos do Receptor Estrogênico: Novas Moléculas e Aplicações Práticas.
Selective Estrogen Receptor Modulators: New Molecules and Practical Uses. Feminina, 2011.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
128
NAUFEL, D.; PENACHIM, T. J.; DE FREITAS, L.L.L.; CARDIA, P.P.; PRADO, A. Endometriose
Retroperitoneal Atípica e Uso de Tamoxifeno. RadiolBras. v. 47, n.5, p. 323-325, 2014.
SILVA, C.A.; PARDIL, A. C. R.; RIBEIRO, C. B.; ARRUDA, E. J. D.; SEVERI, M.; CHINGUI, L.
J. Propriedades Glicostáticas em Eritrócitos de Ratas Tratadas com Tamoxifeno. Saúde Rev.,
Piracicaba, v. 12, n. 30, p. 27-34, 2012.
STAFIN, I.; CAPONI, L.G.F.; DE ARAUJO, J.N.; TORRES, T. P.; GUEDES, V. R. Fatores
Prognósticos no Câncer de Mama. HU Revista, v. 38, n. 2, 2014.
TEIXEIRA, A.C.; URBAN, D.B.S. L.; SCHWARZ, R.S.; PEREIRA, C.; MILLANI, T.C. C.;
PASSOS, A.P. Valor da Ultra-Sonografia na Avaliação das Alterações Endometriais em
Pacientes Tratadas com Tamoxifeno. Radiol Bras. v. 40, n. 6, p. 365–369, 2007.
VIANA, O. V. Uso do Tamoxifeno no Tratamento de Câncer de Mama. Trabalho apresentado
à disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso do curso de Farmácia/ FMU. São Paulo,
2007.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
129
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO NA GESTAÇÃO¹
Andressa Frohlich²; Angelita Carnelutti²; Débora Pereira², Eduarda
Inticher²; Maria Helena Ramos²; Caroline Eickhoff Copetti Casalini³
1
Trabalho multidisciplinar do curso de Biomedicina – CNEC/IESA
² Acadêmicas do curso de Biomedicina do Instituto Cenecista de Ensino
Superior
de
Santo
Ângelo
(IESA).
Santo
Ângelo,
RS.
[email protected],
[email protected],
[email protected],
[email protected],
[email protected]
³ Farmacêutica Bioquímica, Mestre em Ciências da Saúde. Docente do Instituto
Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo (IESA). Santo Ângelo, RS.
Email: [email protected]
Introdução
Infecções no trato urinário (ITU) são caracterizadas pela presença e replicação
de agentes infecciosos no trato urinário, que provocam danos aos tecidos
desse sistema (MAZZER, SILVA, 2010). Segundo Mata et al. (2014), as
infecções urinárias são muito frequentes em gestantes, acometendo cerca de
20% deste grupo, enquanto 10% são hospitalizadas com complicações
maternas ou perinatais, tornando-se então de grande importância o diagnóstico
e tratamento precoces.
Este trabalho possui objetivo de trazer informações acerca das infecções no
trato urinário em gestantes: patogênese microbiológica, diagnóstico clínico e a
síndrome clínica envolvendo a repercussão deste sob mãe e filho.
Metodologia
Revisão descritiva da literatura científica, abordando temas referentes à
infecção do trato urinário em gestantes. Para a busca utilizou-se o sistema de
banco de dados online como Scielo, CAPES e Bireme. Os artigos foram
selecionados conforme relevância e aplicabilidade clínica, contemplando os
publicados a partir do ano de 2000.
Discussão
Durante o período gestacional, a mulher passa a ter mais chances de
desenvolver quadros de infecção urinária sintomática. Isso ocorre devido às
grandes modificações fisiológicas e anatômicas que ocorrem no trato urinário.
Dentre essas mudanças, ocorre dilatação das pelves renais e ureteres,
perceptível a partir da sétima semana de gravidez. Essa dilatação procede até
o momento do parto e regressa às condições normais até o segundo mês do
puerpério (DUARTE, 2004).
O aumento nas taxas urinárias de progesterona e estrogênio podem levar à
diminuição da capacidade do trato urinário baixo de resistir à invasão
bacteriana, uma vez que o hiperestrogenismo gestacional favorece a adesão
de certas cepas de E. coli às células uroepiteliais (DUARTE, 2004).
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
130
O diagnóstico é feito habitualmente pelo quadro clínico e exame físico. O
exame microscópico de urina e a urocultura são considerados padrão-ouro
para confirmação da ITU, enquanto a ultrassonografia ou a urografia excretora
mostram alterações renais (SPICER, 2000). O exame de urina salienta a
presença ou não de numerosos leucócitos e bactérias, muitas vezes
acompanhados de proteinúria e hematúria além do pH elevado (STRASINGER,
S.K., LORENZO, M.S.D., 2008).
Dentre os causadores de ITU na gestante, o uropatógeno mais comum é a
Escherichia coli, responsável por aproximadamente 80% dos casos. Outras
bactérias aeróbias Gram–negativas contribuem para a maioria dos casos
restantes, tais como Klebsiella pneumoniae, Proteus mirabilis e bactérias do
gênero Enterobacter spp. Bactérias Gram–positivas também causam ITU
(prevalência
baixa),
destacando–se
o
Staphylococcus
saprophyticus, Streptococcus agalactiae e outros estafilococos coagulase
negativos, principalmente em casos de infecções complicadas com litíase
(formação de cálculos excretores das glândulas – vias biliares, urinárias, etc.)
(DUARTE, 2002).
Vários são os fatores que fazem com que a infecção no trato urinário crie
complicações no período gestacional agravando o prognóstico materno e
também perinatal (QUINTANA, 2008). A preocupação dos profissionais da
saúde responsáveis pelo pré-natal destas pacientes está relacionada à grande
incidência de relatos dessa infecção e em contrapartida a terapia
antimicrobiana restrita para este período (DUARTE, 2006).
Muitas gestantes apresentam bacteriúria assintomática (BA), que caracterizase pelo crescimento acima de 105 colônias/mL. Acredita-se que muitas
gestantes já tinham BA antes da concepção e que, durante a gestação, 30%
destes tornam-se sintomáticos. Infecções sintomáticas aparecem com
acometimento uretral (disúria e polaciúria). A quantificação de colônias
bacterianas/mL de urina cultivado maior que 10 5 (Unidades Formadoras de
Colônia por milímetro – UFC/mL) continua sendo o padrão para confirmação
desse diagnóstico (NICOLLE, 2006).
Outra forma de infecção que pode ocorrer é a cistite, considerada como uma
ITU baixa e que compromete a bexiga, incidindo cerca de 1,5% das gestantes.
É caracterizada por disúria, polaciúria, desconforto suprapúbico, hematúria
macroscópica, urgência miccional e urina de odor desagradável (DUARTE et
al, 2008). Casos de urolitíase também são citados como causadores de
infecção na gravidez. Este comumente causa dor e internação hospitalar,
sendo de mais fácil rastreabilidade e tratamento precoce (COELHO et al,
2008).
A pielonefrite é a forma mais grave de ITU, acometendo cerca de 2% das
gestantes, aparecendo normalmente na segunda metade da gravidez. É uma
infecção sistêmica predominante do rim direito que, dentre seus sintomas,
apresenta febre, calafrios, enxaqueca, vômito, mialgia, indisposição, além dos
sinais e sintomas das infecções urinárias. Está associada com a bacteriúria
assintomática não tratada no começo da gravidez e, se após 72 horas do início
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
131
do tratamento os sintomas persistirem suspeita-se de pielonefrite com cálculo
(GADELHA et al, 2008).
As complicações maternas das ITU são secundarias ao dano tecidual causado
por endotoxinas bacterianas, ocorrendo principalmente nos quadros de
pielonefrite (NEAL, 2008). A insuficiência respiratória decorre do aumento da
permeabilidade da membrana alvéolo-capilar, resultando em edema pulmonar.
O quadro pode ser agravado pelo uso de hiper-hidratação e tocolíticos,
frequentemente utilizados para inibição do trabalho de parto prematuro
(DUARTE, 2006).
Dentre as complicações perinatais das ITUs, destacam-se o trabalho de parto e
parto prematuro, recém-nascidos de baixo peso, ruptura prematura de
membranas amnióticas, restrição de crescimento intra-útero, paralisia
cerebral/retardo mental e óbito perinatal (QUINTANA, CAVALLI, 2008). Mais
recentemente, tem sido relatado casos de leucomalácia encefálica,
secundários tanto às quimiocitocinas maternas (passagem transplacentária)
quanto à septicemia fetal, cuja origem foi a ITU materna (QUINTANA, 2008).
Conclusão
As infecções do trato urinário são de extrema relevância, principalmente na
gravidez, pois podem causar graves danos tanto ao feto quanto à mãe. É muito
importante realizar acompanhamento pré-natal juntamente com exames de
urocultura para rastreamento e tratamento precoces, evitando assim futuras
complicações.
A partir dos estudos realizados, ficou claro que a E.coli é o microrganismo mais
comumente isolado nos casos de ITUs. Vale destacar também a importância
da pesquisa e manejo adequado de pacientes com bacteriúria assintomática,
que se não tratada adequadamente poderá progredir para um quadro mais
avançado, como a pielonefrite.
Palavras-chave: Infecção urinária, gestação, bacteriúria.
Referências bibliográficas
COELHO, F. et al. Prevalência de infecção do trato urinário e bacteriúria em gestantes da
clínica ginecológica do Ambulatório Materno Infantil de
Tubarão-SC no ano de 2005. Arquivos Catarinenses de Medicina Vol. 37, no. 3, 2008.
DUARTE, G.; MARCOLIN, A.C.; FIGUEIRÓ-FILHO, E.A. CUNHA, S.P. Infecções urinárias. In:
Corrêa MD, Melo VH, Aguiar RAP, Correa Jr. MD, organizadores. Noções práticas de
obstetrícia. 13a ed. Belo Horizonte: Cooperativa Editora e Cultura Médica; p. 793-800, 2004.
DUARTE, G.; MARCOLIN, A.C.; GONÇALVES, C.V.; QUINTANA, S.M.; BEREZOWSKI, A.T.;
NOGUEIRA AA, et al. Infecção urinária na gravidez: análise dos métodos para diagnóstico e do
tratamento. Rev Bras Ginecol Obstet. V.24.nº7; p.471–7, 2002.
FERNANDES, F.A. et al. Relevância do diagnóstico e tratamento da infecção do trato urinário
em gestantes: uma revisão da literatura. C&D-Revista Eletrônica da Fainor, Vitória da
Conquista, v.8, n.1, p.54-70, jan./jun. 2015.
GADELHA, P.S. et al. Infecção do trato urinário na gravidez: aspectos diagnósticos,
terapêuticos e prognósticos. FEMINA, vol 36 nº 12. Dez. 2008.
HACKENHAAR, A.A.; ALBERNAZ, E.P. Prevalência e fatores associados à internação
hospitalar para o tratamento da infecção do trato urinário durante a gestação. Revista
Brasileira Ginecológica Obstetrícia. 2013.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
132
LENZ, L.L. Bacteriúria assintomática. Arquivos Catarinenses de Medicina, vol. 35, nº 4.
2006.
MATA, K.S. et al. Complicações causadas pela infecção do trato urinário na gestação. Revista
Espaço para a Saúde, vol 15 nº4 p. 57-63. Londrina, Out./Dez. 2014.
MAZZER, M.; SILVA, J.O. Causas e riscos de infecção urinária em gestantes. Revista
Multidisciplinar da Saúde, ano II, nº 04, p. 62-70. 2010.
NETO, Osvaldo Merege Vieira. Infecção do trato urinário. Simpósio: URGÊNCIAS E
EMERGÊNCIAS INFECCIOSAS. Medicina, Ribeirão Preto. Abr./dez. 2003.
NICOLLE, LE. Asymptomatic bacteriuria: review and discussion os the IDSA guidelines. Int J
Antimicrob Angents. 2006; 28 Suppl 1:S42-8.
SPICER, W.J. Infecções do trato urinário: cistite e pielonefrite. Bacteriologia, Micologia e
Parasitologia Clínicas, 1ªed. v. único. p.148-149, 2000.
STRASINGER, S.K.; DI LOREZO, M.S. Doença Renal. Urinálise e Fluidos Corporais. 5ªed.
v.unico. Cap 8. p.164-165, 2008.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
133
ASPECTOS MOLECULARES DA LEUCEMIA LINFÓIDE AGUDA: UMA
REVISÃO1
Beatriz Sabrina Giebelmeier Bratz2; Mônica Gatzke2; Matias Nunes Frizzo3
1
Trabalho de Conclusão de Curso
Acadêmica
do
Curso
de
Biomedicina
–
[email protected]
2
Acadêmica do Curso de Biomedicina –
[email protected]
3
Professor
do
Curso
de
Biomedicina
[email protected]
2
CNEC/IESA.
Email:
CNEC/IESA.
Email:
CNEC/IESA.
Email:
Introdução
A Leucemia Linfoide Aguda (LLA) é considerada, atualmente, o câncer mais
comum diagnosticado em crianças e representa aproximadamente 25% dos
diagnósticos de câncer em crianças menores de 15 anos (TAISAN; GARDNER,
2015). Dantas et al. (2015) descrevem que as LLAs representam 80% das
leucemias agudas, com uma perspectiva de cura de 80% diante do tratamento
quimioterápico intensivo, já em pessoas adultas, segundo Lamego et al. (2010),
ela representa 20% das leucemias agudas com sobrevida global prolongada
em torno de 30% a 40%.
O diagnóstico e a classificação das leucemias agudas baseiam-se
praticamente, a maioria em análise morfológica e citoquímica das células
neoplásicas, no entanto à falta de reprodutibilidade desses critérios e a
dificuldade para classificar a doença em alguns pacientes demonstra a
necessidade de exames complementares para auxiliar no diagnóstico da
doença. Dessa forma, o diagnóstico e a classificação das leucemias agudas
apoia-se, em grande parte, nos estudos imunofenotípicos por citometria de
fluxo, assim como na citogenética clínica e demais exames moleculares para
avançar no diagnóstico, prognóstico bem como no tratamento das LLAs
(NOVOA et al., 2013).
Nos últimos anos, ocorreram inúmeros avanços no campo da biologia
molecular, permitindo compreender melhor os aspectos patológicos e
diagnósticos das síndromes mielo e linfoproliferativas. A análise molecular se
tornou parte essencial tanto no diagnóstico, prognostico ou tratamento desta
leucemia, pois apresenta capacidade de detecção singular para anormalidades
moleculares associadas ao desenvolvimento da doença (SOMASUNDARAM et
al., 2015).
Atualmente as técnicas de biologia molecular são mais rápidas, sensíveis e
específicas para a detecção de anormalidades moleculares em pacientes com
LLA, bem como recentes estudos demonstram que estudos de cariotipagem,
FISH (Hibridização in situ por fluorescência) e sequenciamento de DNA podem
ser utilizados para predizer o aparecimento da neoplasia antes mesmo que ela
se constitua. Nesse sentido, o presente estudo tem como objetivo realizar uma
pesquisa bibliográfica a fim de avaliar os aspectos moleculares utilizados para
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
134
o diagnóstico, prognóstico e tratamento da LLA, auxiliando assim em uma
maior sobrevida desses pacientes.
Metodologia
Leucemia Linfocítica Aguda (Leukemia Lymphocytic Acute), Diagnóstico Molecular
(Molecular Diagnostics), Prognóstico (Prognosis) e Tratamento (Treatment ),
Obs: destacando somente artigos publicados a partir do ano 2010.
Xx artigosPubmed
58 artigos
Xx artigosScielo
26 artigos
Xx
artigosMedline
23 artigos
Encontrados
por Título e Resumo
Resumo
na Íntegra = 21
artigos
22
22
Incluídos por
Leitura na Íntegra =
9 artigos
EXCLUÍDOS
POR LEITURA
NA ÍNTEGRA
??? ARTIGOS
Artigos
Selecionados
Resultados
e Discussão
26111
A LLA é causada por mutações genéticas que induzem o bloqueio da
maturação22
linfoide normal, apoptose e proliferação descontrolada de blastos
leucêmicos (JABBOUR et al., 2015). Atualmente verifica-se um aumento nos
índices de22
sobrevivência em crianças e adolescentes com câncer. Uma maior
compreensão da heterogeneidade biológica da LLA na infância tem facilitado o
desenvolvimento de novos regimes de quimioterapia com estratificação de
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
135
risco de administrar a terapia intensiva de forma adequada para cada subgrupo
de pacientes (YILMAZ; RICHARD; JABBOUR, 2015).
Nesse sentido, os avanços biomoleculares são fundamentais não apenas para
um diagnóstico precoce, mas também na identificação de marcadores
moleculares específicos das LLAs a fim de desenvolver um tratamento mais
específico focalizado especificamente nos clones leucêmicos e na expressão
diferencial de oncogenes relacionados à tumorigênese e agressividade da
leucemia.
Estudos envolvendo a biologia molecular dos rearranjos cromossômicos
fornecem a percepção do mecanismo de tumorigênese. A reação em cadeia da
polimerase (PCR) é um ensaio molecular que fornece o método mais sensível
e rápido para detectar rearranjos genéticos clonais. Translocações que
resultam na fusão de genes são adequados, principalmente, para análise com
RT-PCR, na qual a fusão do RNAm é transcrita reversamente dentro do cDNA
e, então amplificada por PCR usando primers para genes específicos
(DANTAS et al., 2015).
Também, cabe ressaltar que a biologia molecular não pode ser entendida como
uma ferramenta isolada e esta em constante associação tanto com a
hematologia quanto com a imunologia, pois segundo o National Cancer
Institute - NCI (2015), a citometria de fluxo deve ser realizada para caracterizar
a expressão antigênica e permitir a identificação do subtipo especifico de LLA.
Além disso, para as doenças de linhagem B, a citometria deve ser
complementada obrigatoriamente com ensaios moleculares uma vez que as
células malignas devem ser analisadas usando as técnicas de RT-PCR e FISH
para evidencia do gene de fusão BCR-ABL.
Segundo Wohlfahrt et al. (2015) a citometria de fluxo tem menor sensibilidade e
é mais reproduzível nos laboratórios por ter um custo menor que a prova de
biologia molecular, apesar de que os métodos moleculares são mais rápidos
sensíveis e específicos que a cariotipagem na detecção de anormalidades.
Apesar das inúmeras vantagens, os métodos baseados em PCR não podem
ser substituídos à análise citogenética devido à presença de aberrações
numéricas, translocações balanceadas desconhecidas, hiperploidia e outras
anormalidades que não podem ser detectadas por esta técnica. É por esta
razão, que a avaliação citogenética é também fundamental para um completo
diagnóstico da LLA.
Outro aspecto relevante na citometria de fluxo é de que as células leucêmicas
expressam antígenos específicos de linhagem, no qual são utilizados para
fazer o diagnóstico e definir os subtipos (YILMAZ; RICHARD; JABBOUR,
2015). Os antígenos de superfície e intracelulares podem funcionar como um
alvo terapêutico utilizado para o desenvolvimento de novas estratégias de
tratamento com anticorpos monoclonais, da mesma forma que os marcadores
moleculares e oncoproteínas também são ferramentas para um avanço no
tratamento mais eficaz e curativo das LLAs.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
136
Dessa forma, estudos que avaliem os aspectos moleculares/genômicos
propiciam implicações diagnósticas, prognósticas e terapêuticas. Elucidar
patogênese da leucemia parece ser uma contribuição promissora para
estratificação precisa dos pacientes, reduzindo a toxicidade e efeitos adversos
causados pela intervenção médica/farmacológica, a fim de personalizar o
tratamento e utilizar uma terapia-alvo eficaz, que reduza ainda mais a
mortalidade da doença e aumente as chances de cura.
Conclusão
Embora a LLA tenha a maior incidência na infância, ela pode ocorrer em
qualquer idade. Como a causa desta patologia ainda é desconhecida, é
provável que seja resultante do acumulo de múltiplos processos e, não
somente de um evento isolado. É uma doença de progressão rápida e, por isso
necessita de um diagnóstico e tratamento precoces. Sendo assim, para um
diagnóstico mais completo é necessário a associação de vários critérios
diagnósticos, incluindo, inicialmente, hemograma e, para confirmação realizase o mielograma com análise morfologia complementada por
imunofenotipagem, citometria de fluxo e biologia molecular.
Nesse sentido, os avanços diagnósticos, nos últimos anos, têm contribuído
para um melhor prognóstico e um tratamento mais precoce, tornando cada vez
mais possível a cura, com tratamentos mais precisos e menos agressivos e
invasivos, baseado nas características de cada individuo. O diagnóstico
precoce aumenta a chance de sobrevida destes pacientes, pois a carga
tumoral é bem inferior quando comparado a pacientes com diagnóstico tardio.
Além disso, um maior conhecimento ainda acerca dos SNPs pode proporcionar
a longo prazo um diagnóstico preventivo de leucemia e este talvez seja um dos
marcadores moleculares mais promissores uma vez que visa avaliar o paciente
ainda sem a doença.
Palavras-Chave:
tratamento.
leucemia
linfoide
aguda,
diagnóstico,
prognóstico,
Referencias Bibliográficas
DANTAS, G. K. S.; SILVA, L. T. A; PASSOS, X. S.; CARNEIRO, C. C. Diagnóstico Diferencial
da Leucemia Linfoide Aguda em Pacientes Infanto-Juvenis. Revista da Universidade Vale do
Rio Verde, v.13, n.2, p.3-18, 2015.
JABBOUR, E.; O’BRIEN, S.; KONOPLEVA, .; KANTARJIAN, H. New Insig ts into t e
Pathophysiology and Therapyof Adult Acute Lymphoblastic Leukemia. Cancer, v.121, n.1,
p.2517-2528, 2015.
LAMEGO, R. M.; CLEMENTINO, N. C. D.; COSTA, A. L. B.; OLIVEIRA, M. J. M.;
BITTENCOURT, H. Transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas em leucemias
agudas: a experiência de dez anos do Hospital das Clínicas da UFMG. Revista Brasileira de
Hematologia e Hemoterapia, v.32, n.2, p.108-115, 2010.
NOVOA, V.; NÚÑEZ N. A.; CARBALLO, O. G.; LESSA, C. F.; Inmunofenotipos aberrantes en
leucemias agudas en una población hospitalaria de Buenos Aires. Medicina, v.73, n.1, 2013.
SOMASUNDARAM, R, PRASAD, M. A. J., UNGERBÄCK, J, SIGVARDSSON, M. Transcription
factor networks in B-cell differentiation link development to acute lymphoid leukemia. Blood,
v.126, n.2, p.144-152, 2015.
U.S. Department of Health and Human Services/National Institutes of Health/National Cancer
Institute/USA.gov. Disponível em: <http://www.cancer.gov> Acesso em: 12/10/2015.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
137
WOHLFAHRT, A. B.; HANNEL, L.; OLIVEIRA, L. Z.; SOARES, P. B.; SILVA, J. E. P. The
importance of immunophenotyping by flow cytometry in distinction between hematogones and B
lymphoblasts. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial, v.51, n.1, 2015.
YILMAZ, M.; RICHARD, S.; JABBOUR, E. The clinical potential of inotuzumab ozogamicin in
relapsed and refractory acute lymphocytic leukemia. Therapeutic Advances in Hematology,
v.6, n.5, p.253-261, 2015.
TASIAN, S. K.; GARDNER, R. A. CD19-redirected chimeric antigen receptor-modified T cells: a
promising immunotherapy for children and adults with B-cell acute lymphoblastic leukemia
(ALL). Therapeutic Advances in Hematology, v.6, n.5, p. 228-241, 2015.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
138
FERTILIZAÇÃO IN VITRO E O DESTINO DOS EMBRIÕES EXCEDENTES¹
Flávia Suelen De Oliveira Pereira2, Angela Maria Blanke Sangiovo3, Elisandro
Da Silva4, Bruna Lanielle Roratto5, Yana Picinin Sandri Lissarassa6
¹Revisão Bibliográfica
²Acad mica do 4˚ Semestre do
urso de Biomedicina
NE /IESA,
[email protected]
³Acad mica do 4˚ Semestre do
urso de Biomedicina
NE /IESA,
[email protected]
4
Acad mico do 4˚ Semestre do
urso de Biomedicina
NE /IESA,
[email protected]
5
Acad mica do 4˚ Semestre do
urso de Biomedicina
NE /IESA,
[email protected]
6
Biomédica, Mestranda em Atenção Integral à saúde, Professora do Curso de
Biomedicina CNEC/IESA, [email protected]
Introdução
A fertilização in vitro é um processo realizado em laboratório, para permitir a
fecundação do óvulo com o espermatozóide, fora do corpo da mulher,
transferindo os embriões para seu corpo. Entre os principais motivos nos quais
um casal procura pela técnica é a infertilidade, que é determinada como a falta
de concepção, após, pelo menos, um ano de relações sexuais regulares sem
proteção anticoncepcional (CORRÊA; VIZZOTTO; CURY, 2007). Onde um
entre cada seis casais apresenta infertilidade e, para 20% deles, o único
caminho para obter gestação e, consequentemente, filhos é a reprodução
assistida, sendo que nos casos de infertilidade, o fator masculino representa
50% das causas de infertilidade (PASQUALOTTO, 2007).
Nas mulheres a fertilidade diminui com o passar dos anos, principalmente pela
baixa quantidade de folículos ovarianos, que aos 50 anos chega a um número
aproximado de 1.000 folículos (GOMES et al., 2009).
De acordo, com a normatização do Conselho Federal de Medicina (CFM) de
1992, o casal pode optar pelo número de embriões a serem transferidos, sendo
que os números máximos são de quatro embriões. Ainda, o CFM, estabelece
que os embriões que restarem não devem ser descartados, mas sim,
criopreservados em tanques de nitrogênio, que só é permitida quando para fim
de pró-criação (Resolução
F
n˚ 1358/92 , sendo ue o índice de
sobrevivência pós descongelamento é da ordem de 70-80%. Esses embriões
poderão ser doados, sendo sua comercialização proibida no Brasil, somente
com a finalidade de procriação, de acordo com a Resolução n˚ 1.358/92 do
Conselho Federal de Medicina, item IV1.
Hoje, muito se questiona sobre a destinação dos embriões excedentes,
gerados para procedimentos de fertilização in vitro, como a criopreservação,
doação ou utilização para pesquisas das células-tronco embrionárias. Através
dessa revisão, procura-se abordar os principais preceitos éticos envolvidos em
pesquisas com células-tronco embrionárias e a possível utilização, para este
fim, de embriões excedentes de processos de fertilização in vitro.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
139
Metodologia
Trata-se de uma revisão bibliográfica com base em artigos acadêmicos e
científicos, livros, códigos de ética entre os anos de 1998 a 2015. As
informações sobre o material bibliográfico concentram-se nas publicações da
Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) nas bases de dados Lilacs (Literatura
Latino-Americana em Ciências da Saúde), Medline (Literatura Internacional em
Ciências da Saúde) e SciELO (Scientific Eletronic Library Online) no idioma
português. Os descritores utilizados foram: fertilização in vitro, bioética,
reprodução humana, células-tronco embrionárias.
Discussão
As células-tronco podem ser embrionárias (CTE) ou adultas (CTA). As CTE são
as pluripotentes capazes de se diferenciar em células, das três camadas
germinativas: mesoderme, ectoderme e endoderme (CARVALHO, 2014). As
CTA são aquelas disponíveis na medula óssea e no sangue do cordão
umbilical (PRANKE, 2004). E são classificadas também, de acordo com a sua
capacidade de diferenciação em: totipotentes, pluripotentes e multipotentes.
Sendo para as CTE, as totipotentes, capazes de se diferencias em todos os
tecidos que formam o corpo humano (CARVALHO, 2014).
No ano de 1998, James Thomson publicou o primeiro relato, de pesquisa
utilizando células-tronco embrionárias humanas (CTE). Ele relatou que essas
células possuíam capacidade de auto-renovação e seriam capazes de se
proliferar quando injetadas em animais imunodeficientes; além de não
apresentarem alterações cromossômicas, mesmo quando eram mantidas por
muito tempo em cultura, podendo também, originar vários tipos celulares
(THOMSON et al., 1998).
Após essa primeira publicação, várias outras pesquisas foram surgindo e novos
artigos publicados. Em 2001, foi pulicado um artigo cientifico que apresentou
resultados sobre uma pesquisa que utilizou as células-tronco embrionárias,
porém através de pagamento pelos óvulos e espermatozoides, utilizados para
fins não reprodutivos (ARAÚJO, 2007). Desencadeando várias discussões a
respeito da ética na pesquisa, utilizando embriões e células-tronco
embrionárias humanas.
Para a utilização das CTE, o embrião será obrigatoriamente destruído, após
cinco dias de implantação, no estágio de blastocisto, onde as células-tronco
irão se diferenciar e formam os três folhetos embrionários ( DE SOUZA et al.,
2003). Muitos consideram esse embrião um ser vivo, apesar de representar
uma possível expectativa de ali se constituir e ser gerado uma nova forma de
vida, a partir de sua implantação ao útero materno.
Há várias teorias em torno de quando considerar o início da vida. A teoria
genética define que a vida inicia-se, a partir da fecundação do espermatozoide
com o óvulo. Já a teoria neurológica, diz que o começo da vida se dá a partir
do desenvolvimento da atividade cerebral. E a teoria da nidação, que a partir
da fixação do embrião na parede uterina, inicia-se uma vida (TAVARES et al.,
2009).
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
140
No Brasil, há a Lei n.º 11.105, de 24 de março de 2005, conhecida com Lei de
Biossegurança. O artigo 5º, da mesma, dispõe sobre a permissão, para fins de
pesquisa e terapia, a utilização de células-tronco embrionárias obtidas de
embriões humanos produzidos por fertilização in vitro que não foram utilizados
no respectivo procedimento. Para isso os embriões devem ser considerados
inviáveis ou que estejam congelados há três anos ou mais. Isso, após o
consentimento dos genitores, sendo que esses embriões não poderão ser
usados para atividades que envolvam clonagem humana (DINIZ; AVELINO,
2009). Em outros países, como França, Inglaterra e Espanha, o período
máximo de criopreservação é de cinco anos. Já na Áustria é de um ano e na
Finlândia até quinze anos (GUISE, 2011).
O uso de CTE, tem se mostrado uma alternativa, em indivíduos que sofrem
infarto agudo do miocárdio (IAM) e tiveram a perda de células cardíacas, já que
estas apresentam a capacidade de se diferenciar em qualquer tipo celular,
capacitando a regeneração tecidual das células cardíacas, através da melhora
do débito cardíaco, contratilidade do miocárdio e perfusão miocárdica na região
do infarto (REIS, 2015). Estão sendo estudadas, também, seu uso em
pacientes com diabetes mellitus tipo 1 (DM1), doença resultante da destruição
das células β do p ncreas. Estudos recentes em camundongos mostraram que
CTE podem ser induzidas a se diferenciarem em células β produtoras de
insulina (LOJUDICE; SOGAYAR, 2008).
Conclusão
O uso de CTE tem definido posições diferentes a respeitos do destino dos
embriões excedentes e do uso das células-tronco-embrionárias pelo mundo,
assim como a definição de forma de vida a respeito desses embriões
excedentes. É necessário que as técnicas de fertilização in vitro sejam
aprimoradas, visando diminuir esses números excedentes.
A utilização das CTE mostra-se como uma grande oportunidade de interferir
em doenças degenerativas, restaurando funções de células e tecidos ou
induzindo a regeneração de órgãos e tecidos lesados, como o coração, após o
infarto do miocárdio e em indivíduos com DM1.
Referências Bibliográficas
ARAÚJO, S. Associação Médica Mundial: uma breve história dos Códigos de Ética Médica
contemporâneos. Boletim da FCM, v.3, n.6. Campinas, 2007.
BADALOTTI, M. Aspectos bioéticos da reprodução assistida no tratamento da infertilidade
conjugal. Revista da AMRIGS, v.54, n.4, p.478-485, 2010.
CARVALHO, H.S. Células-tronco e terapias regenerativas. Revista Eletrônica Estácio Saúde,
v.3, n.2. 2014.
CORRÊA, K.R.F.D.C.; VIZZOTO, M.M.; CURY, L.F. Avaliação da eficácia adaptativa de
mulheres e homens Inseridos num programa de fertilização in vitro. Psicologia em estudo,
v.12, n.2, p.363-370. Maringá, 2007.
DE SOUZA, V.F.; LIMA, L.M.C.; REIS, S.R.A. RAMALHO, L.M.P.; SANTOS, J.N. Célulastronco: uma breve revisão. Revista de Ciências Médicas e Biológicas, v.2, n.2, p.252-256,
2003.
DINIZ, D.; AVELINO, D. Cenário Internacional da pesquisa com células tronco-embrionárias.
Revista de Saúde Pública, v.43, n.3, p.541-547. 2009.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
141
GOMES, L.M.O.; CANHA, A.S.; DZIK, A.; NOVO, N.F.; DOS SANTOS, S.I.S.; CAVAGNA, M. A
idade como fator prognóstico in vitro. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, v.31,
n.5, 2009.
LOJUDICE, F.H.; SOGAYAR, M.C.; Células-tronco no tratamento e cura do diabetes mellitus.
Revista Ciência Saúde Coletiva, v.13, n.1. Rio de Janeiro, 2008.
PASQUALOTTO, F.F. Investigação e Reprodução Assistida no tratamento da infertilidade
masculina. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, v.29, n.2. Caxias do Sul, 2007.
PRANKE, P. A importância de discutir o uso de células-tronco embrionárias para fins
terapêuticos. Ciências e Cultura, v.56, n.3, p.33-38, 2004.
REIS, V.W.S.; OTA, M.S.; SILVA, R.M.; PEREIRA, T.B. A utilização de células-tronco em
doenças cardíacas: Apresentação dos estudos publicados no Brasil. Revista Saúde e
Pesquisa, v.8, n.2, p.363-371. 2015.
TAVARES, A.C.V.M.; LEITE, V.A.; COSTA, G.E.; ANGELUCI, C.F. Lei de Biossegurança
por um começo de vida. V Enc. de Iniciação Científica, IV Enc. de extensão universitária e I
Enc. de Iniciação Científica para o Ensino Médio, v.5, n.5, 2009.
THOMSON, J.A., ITSKOVITZ-ELDOR, J.; SHAPIRO, S.S.; WAKNITZ, M.A.; SWIERGIEL, J.J.;
MARSHALL, V.S.; JONES, J.M. Embryonic Stem Cell Lines Derived from Human Blastocysts.
Science, v.282, n.5391, p.1145-1147, 1998.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
142
TERAPIA TRANSFUSIONAL EM PACIENTES COM INSUFICIENCIA RENAL
CRÔNICA¹
Douglas de Menezes2; Evelise Costa3*; Fabio Fonseca4; Jorge Gewehr5;
Maraísa Somavilla6; Bruna Comparsi7
1
Trabalho multidisciplinar do curso de Biomedicina
Aluno do Curso de Graduação em Biomedicina do IESA, email:
[email protected]
3
Aluna do Curso de Graduação em Biomedicina do IESA, email:
[email protected]
4
Aluno do Curso de Graduação em Biomedicina do IESA, email:
[email protected]
5
Aluno do Curso de Graduação em Biomedicina do IESA, email:
[email protected]
6
Aluna do Curso de Graduação em Biomedicina do IESA, email:
[email protected]
7
Docente do curso de Biomedicina, Doutora em Ciências Biológicas:
Bioquímica Toxicológica. Email: [email protected]
* Autora Apresentadora
2
Introdução
A doença Renal Crônica (DRC) é considerada um problema de saúde pública
em todo o mundo. No Brasil, a incidência e a prevalência de falência da função
renal são crescentes e o prognóstico ainda é ruim (BASTOS et al., 2010).
Diversas são as doenças que levam a insuficiência renal crônica, as três mais
frequentes são: a hipertensão arterial, diabetes, glomerulonefrite (SILVA,
2008), e durante o curso da DRC, um achado quase universal entre estes
pacientes, é a anemia, com caracterisca normocrômica, normocítica e com
contagem de células vermelhas na medula óssea normal ou diminuída, devido
ao seu caráter hipoproliferativo (LOBO et al.; 2006), que ocorre devido à
deficiência na produção da eritropoietina pelos fibroblastos peritubulares renais
(ANTUNES et al., 2008).
Além da deficiência de eritropoetina outras situações podem contribuir para o
advento de anemia em pacientes DRC, como a deficiência de ferro, deficiência
de ácido fólico e vitamina B12; perdas sanguíneas, hemólise e inflamação
(ABENSUR, 2005). Nestes casos, a transfusão sanguínea pode ser uma
alternativa de tratamento para pacientes que apresentem manifestações
patológicas em decorrência da insuficiência renal crônica.
A terapia transfusional tem por objetivo repor os níveis de hemocomponentes
no organismo, uma vez que os mesmos não estão sendo liberados
suficientemente pelo corpo. A produção de eritrócitos é realizada por uma
glicoproteína sintetizada pelo rim, órgão responsável por regular 90% da
eritropoiese na medula óssea, formando um processo fisiológico responsável
por obter resultados satisfatórios em níveis hematimétricos, gerando um
controle de uma anemia (GODMAN et al.; 2005).
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
143
Tendo como objetivo o presente trabalho buscar discutir critérios para a
indicação de transfusão de hemocomponentes em pacientes com DRC e
relatar as principais implicações e riscos.
Metodologia
Revisão descritiva da literatura cientifica, abordando temas referentes ao risco
de transfusão de sangue em pacientes com IRC. O processo de revisão foi
realizado através de busca na base de dados eletrônica, Scopus, Scielo,
Pu med, no ano de 2015, utili ando os descritores: “Doença Renal r nica”,
“Transfusão
de
sangue”,
“Risco
de
Transfusão
de
sangue”,
“Hemocomponentes”. Os idiomas de escol a para a seleção dos artigos foi
inglês e espanhol. Foram encontrados ao total de 428 artigos, foram
selecionadas apenas as publicações nos últimos 10 anos. Após essa análise
foram selecionados 286 artigos, estes passaram por uma análise de titulo e
resumo relacionados ao tema pesquisado. Foram selecionados 24 artigos para
a leitura na integra. Os demais artigos foram excluídos por não estarem
relacionando aos objetivos de pesquisa ou por terem sido publicados em anos
anteriores a 2005.
Resultados e discussão
A decisão da indicação de transfusão em pacientes com DRC e quadros
anêmicos deve ser baseada não somente nos níveis de hemoglobina, mas
principalmente no quadro clínico do paciente. Considera-se também que para
pacientes com doença cardiovascular, como aqueles com idade maior que 65
anos, a transfusão estaria indicada quando a concentração de Hb for <8g/dL
(KDIGO, 2012).
A Hemoterapia moderna preconiza que seja realizada a transfusão apenas do
hemocomponentes necessário. Assim, as anemias com nível de Hemoglobina
(Hb) superior a 10g/dL (Hct superior a 30%) a indicação da transfusão é
desaconselhada. Por outro lado, ocorre indicação de transfusão de
concentrado de hemácias, quando os níveis de Hb são inferiores a 7g/dL,
(GUIA PARA O USO DE HEMOCOMPONETES, 2010).
A taxa de variação de Hb e o grau de reposição de ferro desempenham papéis
relativamente menores na tomada de decisões sobre a transfusão. Entretanto,
de acordo com AKIZAWA et al., (2011) as transfusões sanguíneas dever ser
recomendadas à pacientes com limitações severas, além do nível de
hemoglobina estar abaixo de 7 g/dL.
A associação entre DRC e baixos níveis de hemoglobina é bem caracterizada
neste grupo de pacientes, complementar a isso, o aumento do risco de
sangramento devido à disfunção plaquetaria em cirurgias influência na decisão
para a transfusão pré-operatória. Estudo recente sugere que paciente com
DRC que apresente taxa de filtração glomerular < 30 mL/min apresentam maior
probabilidade de realizar transfusão de sangue independente da anemia préoperatória (GRAVES, et al., 2014). No entanto, estudos que discutem este fator
de risco são escassos na literatura e não foram encontrados outros autores que
tenham investigado estes fatores.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
144
JOIST et al., (2006) descreve que a transfusão de sangue é raramente
requeridas quando são feitas administrações de ferro e EPO, dispensando a
necessidade da terapia transfusional e assim evitando o risco de sensibilização
e ativação do sistema imune. Segundo ISHIDA (2014), os procedimentos
transfusionais com administração de ferro em pacientes com IRC estão
diretamente ligados à melhora dos quadros anêmicos graves. Porém, o excesso
desta substância reflete diretamente na deficiência da função imunitária do ser
humano, favorecendo a promoção do crescimento bacteriano. Entretanto, em
uma publicação realizada na revista Kidney International Supplements por
ESCHBACH (2006), descreve que não há nenhuma ligação em níveis elevados
de ferro e possíveis infecções bacterianas em pacientes com IRC. Desta forma,
são importantes mais estudos para esclarecer se os níveis de ferro podem ou
não influenciar no risco de infecções neste grupo de pacientes.
Outras alterações clínicas são descritas para pacientes que recebem
transfusões de sangue, dentre os sinais nota-se febre, calafrios, urticária ou
reação hemolítica em decorrência a erros de compatibilidade ABO e fator Rh,
além da transfusão de hemoderivados aumentar de forma significativa o risco
de transmissão de agentes infecciosos e afetar o perfil imunológico. Para
minimizar esses riscos, os estudos de CARAZZONNE (2006) abrangem
informações de medidas pré - transfusionais como a captação e seleção de
doadores, testes de triagem sorológica, para diminuir sensivelmente a
possibilidade de transmissão de doenças por meio de transfusão, mas não
isentaria de riscos para os receptores. A redução na necessidade de
transfusões de sangue devido ao uso de eritropoietina recombinante reduziu as
taxas de sensibilização associada à transfusão.
Conclusão
A prescrição médica transfusional de hemocomponentes e hemoderivados
deve ser baseada principalmente na anamnese do paciente. A maior parte das
transfusões sanguíneas resulta em reposição temporária, efetiva e segura de
hemocomponentes, entretanto esse procedimento está associado a vários
riscos ao paciente. Em pacientes com DRC que apresentem baixos níveis de
hemoglobina, é indicado à transfusão de determinados hemocomponentes
realmente necessários para manutenção da homeostase corpórea do receptor,
tornando-se a melhor alternativa cujo foco visa reduzir os riscos transfusionais
e garantir à segurança do paciente.
Palavras-chave: Doença Renal Crônica, Transfusão de sangue, Risco de
Transfusão de sangue, Hemocomponentes.
Referências
ABENSUR, H.; Anemia da Doença Renal Crônica. J. Bras Nefrol, v. 26, n. 3, supl.1, 2005.
AKIZAWA, T.; GEIVO, F.; NISHI, S. et al. Positive outcomes of high hemoglobin target in
patients with chronic kidney disease not on dialysis: A randomized controlled study. Ther Apher
Dial, v.15, p. 431–440, 2011.
ANTUNES, A. S.; TEIXEIRA, C. M.; JUNIOR, G.A. Efeitos da pentoxifilina na anemia resistente
à eritropoietina em pacientes sob-hemodiálise. Revista. Brasileira. Hematologia.
Hemoterapia, v. 30, n. 4, p. 303-308, 2008.
ATKINSON, M. A.; PIERCE, B. C.; ZACK, M. R.; et al.; Hemoglobin differences by race in
children with CKD. Am J Kidney Dis, v. 55, p. 1009-1017, 2010.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
145
ATKINSON, M. A.; FURTH S. L.; Anemia in children with chronic kidney disease. Nat Rev
Nephrol, v. 7, p. 635–641, 2011.
BARBOSA, A.D.; et al.; Co-morbidade e mortalidade de pacientes em início de diálise. Acta
Paul Enferm, v. 19, n. 3, p. 304-9, 2006.
BASTOS, G.M.; BREGMAN, R.; KIRSZTAJN, M.G. Doença renal crônica: frequentemente e
grave, mas também prevenível e tratável. Revista da associação Medicina Brasileira, v. 59,
n. 2, p. 248-53, 2010.
CARRAZZONE, C. F.; VERÇOSA, A. F.; VIRGINIA, M. L.; et al.; Importância da avaliação
sorológica pré-transfusional em receptores de sangue. Revista brasileira de hematologia.
Hemoterapia, v.26, n.2, p.93-98, 2005.
ESCHBACH, J. W.; ADAMSON J. W.; Iron overload in renal failure patients: changes since the
introduction of erythropoietin therapy. Kidney Int Suppl, v. 69, p. 35-43, 2006.
GOLDMAN, L.; AUSIELLO, D. Cecil: tratado de medicina interna. Elsevier, 22° Edição. Rio
deJaneiro, 2005.
GRAVES, A.; YATES, P.; HOFMANN, A. et al. Predictors of perioperative blood transfusions in
patients with chronic kidney disease undergoing elective knee and hip arthroplasty.
Nephrology, n. 3, p. 404-409, 2014.
ISHIDA, J. H.; JOHANSEN K. L.; Iron and Infection in Hemodialysis Patients. Seminars in
Dialysis, v. 27, n. 1, p. 26–36, 2014.
JOIST, H.; BRENNAN, D.C.; COYNE, D.W. Anemia in the Kidney-Transplant Patient. National
Kidney Foundation, v.13. n. 1, p. 4-10, 2006.
KDIGO.; Clinical Practice Guideline for the Evaluation and Management of Chronic Kidney
Disease. Official Journal of the International Society of Nephrology,v.3 n. 1, 1012.
LOBO, S. M. et al.; Anemia e Transfusões de Concentrados de Hemácias em Pacientes Graves
nas UTI Brasileiras (pelo FUNDO-AMIB). Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v. 18, n. 3,
2006.
MINISTÉRIO DA SÁUDE. Guia para uso de Hemocomponentes, 2010, acesso em:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_uso_hemocomponentes.pdf.
NANGAKU, M.; ECKARDT K.U.; Pathogenesis of renal anemia. Semin Nephrol, v. 60, p. 268,
2006.
SILVA, A. .; Estudo da atividade das en imas NTPDase e 5’-nucleotidase e do perfil oxidativo
em pacientes com insuficiência renal crônica. Tese (Doutorado em Ciências Biológicas –
Bioquímica). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2008.
THOMAS, R. M.; KANSO, A. M.; SEDOR, R. J. Chronic Kidney Disease and Its Complications.
Prim Care, v. 35, n. 2, p. 329-344, 2008.
U.S. Renal Data System. USRDS 2011 Annual Data Report: Atlas of Chronic Kidney Disease
and End-Stage Renal Disease in the United States, Bethesda: National Institutes of Health,
National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases, 2012.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
146
PESQUISA DE STREPTOCOCCUS AGALACTIAE EM GESTANTES¹
Nathássia Duarte Martins², Amanda Tonon²; Camila Rodrigues²; Francielen
Colet²; Jéssica Silveira²; Letícia de Oliveira²; Carine Eloise Prestes
Zimmermann³; Caroline Eickhoff Casalini Copetti³
¹Revisão de Literatura
²
Acadêmicos do 8º semestre do Curso de Graduação em Biomedicina do IESA
– LAC/ Setor de Microbiologia e Saúde Pública.
³Professoras do curso de Biomedicina e Supervisoras de estágio – Setor de
Microbiologia
e
Saúde
Pública
(CNEC/IESA).
Email:
[email protected], [email protected]
Introdução
Os Streptococcus agalactiae, são bactérias Gram-positivas, catalase negativa,
anaeróbias facultativas que apresentam forma esférica ou ovóide, são
classificados como estreptococos beta-hemolíticos do grupo B (EGB), estão
presente na vagina ou no reto de aproximadamente 10 a 30% das gestantes. A
presença deste microrganismo no trato genital feminino no momento do parto
aponta uma probabilidade de 30% a 70% de transmissão da bactéria para o
neonato (NOGUEIRA et al., 2013).
De acordo com o Centers of Disease Control (CDC), este tipo de infecção,
atualmente, é considerado grave e a colonização pode causar em neonatos a
sepse, meningite, pneumonia, sepse neonatal, óbito neonatal, aborto séptico,
coriomnionite, endometrite, pielonefrite, celulites, artrite séptica, sepse
puerperal, ruptura prematura de membranas, osteomielite entre outras
infecções perinatais (CDC, 2010). E, na gestante pode provocar infecção do
trato urinário, amnionite, endometrite e bacteriemia (GIBBS; SCHRAG;
SCHUCHAT, 2004; EISENBERG et al., 2006).
Os exames clínicos indicados para pesquisa de possíveis infectados são
colhidos da vagina, cérvice uterina e região anal retal. A coleta deve ser
realizada no terço inferior do trato genital (intróito vaginal) e na parte interna do
esfíncter anal. A cultura bacteriana é considerada o padrão-ouro para a
detecção do EGB, quando se utiliza material obtido de coleta vaginal e anal,
semeado em meio de cultura específico. Em recém-nascidos, o material deve
ser coletado logo após o nascimento, a partir do cordão umbilical, canal
auditivo externo, garganta e reto; e em crianças que apresentam sintomas,
devem ser coletados sangue, líquor e urina (TRABULSI, ALTERTHUM, 2005).
O procedimento de cultura deve respeitar as seguintes recomendações: retirar
o swab do meio de transporte e inocular em caldo Todd-Hewitt, adicionado de
gentamicina e ácido nalidíxico ou colistina e ácido nalidíxico. Após incubar de
18-24 horas a 35-37ºC, realizar subcultura no meio de Ágar-Sangue e incubar
por 24 horas. Posteriormente, as placas são avaliadas e aquelas sugestivas
(cocos gram positivos, colônias acinzentadas, circundadas por halo discreto de
hemólise total – B-Hemolítico ou não hemolíticas) devem ser identificadas e
testadas (Catalase, Fator CAMP, Hidrólise de Hipurato de Sódio, Hidrólise de
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
147
Bile-Esculina, entre outros). Culturas negativas devem ser incubadas por no
mínimo 48 horas (COSTA et al., 2008; CDC, 2010).
A detecção do S. agalactiae, tem se mostrado eficiente, porém com algumas
limitações: pouca solicitação deste exame pelos médicos, nem todas as
gestantes efetuam o controle pré-natal adequado, exame indisponível em
laboratórios vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Para superar essa
falha de diagnóstico existem sugestões de implantação de testes rápidos para
a detecção do S.agalactiae. Apesar de muito específicos, nenhum desses
testes apresentou sensibilidade comparável à cultura (BORGER, 2005).
Sabendo da importância deste assunto este trabalho tem como objetivo revisar
o que há de atual na literatura visando verificar se as condutas estão sendo
seguidas conforme as normas e se estão sendo atingidos os objetivos contidos
nelas.
Metodologia
Foi realizada uma revisão bibliográfica, buscando artigos referentes ao tema. A
busca dos artigos foi realizada em meios como Biblioteca Virtual em saúde
(BVS), MEDLINE, Scielo e GOOGLE ACADÊMICO. Os descritores para a
busca foram Streptococcus agalalactiae, gravidez, neonatos. Os métodos de
exclusão foram artigos que não retratassem o tema.
Discussão
FIOLO e colaboradores (2012) realizaram um estudo transversal clínicolaboratorial de janeiro de 2007 a dezembro de 2011, no Centro de Atenção
Integral à Saúde da Mulher (CAISM) do Hospital da Mulher Prof. Dr. José
Aristodemo Pinotti, em Campinas, São Paulo, Brasil; eles analisaram e
descreveram os casos e o perfil microbiológico dos sorotipos de S. agalactiae
provenientes de recém-nascidos (RNs) neste centro, selecionaram os casos
correspondentes às amostras que tiveram cepas de S. agalactiae isoladas de
líquidos biológicos, deRNs. Após isolarem sete amostras de sangue, uma de
líquor e uma de secreção ocular provenientes de nove recém-nascidos com
infecções causadas pelo S. agalactiae, apenas um dos casos foi positivo para
amostras pareadas mãe-filho. Ao analisarem um total de 13.749 partos no
período, os 7 casos corresponderam a 0,5 caso de infecção precoce por
Streptococcus do Grupo B a cada 1 mil nascidos vivos (ou 0,6 casos por 1 mil,
incluindo os 2 de infecção tardia), tendo ocorrido 1, 3, 2, nenhum e 3 casos (um
precoce e dois tardios), respectivamente, nos anos de 2007 a 2011. Os
resultados obtidos foram que, mesmo com casuística limitada, os sorotipos
encontrados coincidiram com os mais prevalentes na literatura mundial, mas
diferem dos estudos brasileiros, exceto para o sorotipo Ia (FIOLO et al., 2012).
TAMITO e colegas (2011), sabendo da importância que a infecção por EGB
tem e que é considerada importante problema de saúde pública, realizaram um
estudo com o objetivo de determinar a melhor estratégia de rastreamento desta
bactéria em gestantes. O estudo teve como propósito avaliar a efetividade das
estratégias de rastreamento de EGB e o impacto na redução da incidência de
sepse neonatal, e no resultado obtido ficou clara a superioridade da estratégia
do screening universal para detecção do EGB em momento oportuno para
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
148
adoção de medidas profiláticas, apontantando que todas as análises foram
favoráveis ao programa de screening universal para a redução da incidência de
sepse neonatal. Concluíram que evidências obtidas no estudo são sugestivas
de que a estratégia de screening universal para as gestantes, associada ao uso
de antibiótico profilático, é segura e efetiva (TAMITO et al., 2011).
Outro estudo, avaliou a prevalência de colonização estreptocócica materna por
comparação de coleta de swab num único local e múltiplos swabs (região
perianal retal, introito vaginal e terço distal da parede vaginal). Após análises
feitas em várias pacientes o pesquisadores concluíram que em culturas de
swabs combinados obtidos em três locais diferentes, a prevalência de
colonização materna S. agalactiae foi maior do que a prevalência observada
em swabs coletados de um único local, demonstrando a importância da coleta
ser em mais de um local (MARCONI et al., 2010).
Conclusão
Em vista dos argumentos citados acima observa-se que o Streptococcus
agalactiae, é um potencial agente causador de infecções neonatais que podem
até evoluir para óbito. Nota-se a necessidade de prevenção, divulgação e
estudos na área, pois muitas das gestantes são acometidas por infecção
provocada por esta bactéria.
Destaca-se a necessidade da assistência adequada à gestante no momento do
pré-natal, buscando a diminuição de mortalidade de neonatos, assim como a
identificação adequada dos fatores de risco. São necessárias políticas de
saúde para busca ativa de gestantes colonizadas e conscientização das mães
e equipe médica do risco que esta contaminação pode trazer.
Palavras chaves: Streptococcus agalalactiae, gravidez, neonatos.
Referências bibliográficas
BORGER, I. L. Estudo da colonização por Streptococcus agalactiae em gestantes atendidas
maternidade escola da UFRJ. [Dissertação de Mestrado] Universidade Federal Fluminense,
Niterói, 2005.
CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Perinatal Group B
streptococcal disease after universal screening recommendations - United States, 2010.
COSTA, A. L. R. et al. Prevalência de colonização por estreptococos do grupo B em gestantes
atendidas em maternidade pública da região Nordeste do Brasil. Rev. Bras. de Ginecol.
Obstet. V. 30, p. 274 – 280, 2008.
EISENBERG, V. H. et al. Prevention of early-onset neonatal group B streptococcal infection: is
universal screening by culture universally applicable? Israel Medical Association Journal, v.
8, n.10, p. 698-702, 2006.
FIOLO K.; ZANARDI CE.; SALVADEGO M.; BERTUZZO CS.; AMARAL E.; CALIL R.; LEVY
CE. Taxa de infecção e sorotipos de Streptococcusagalactiae em amostras de recém-nascidos
infectados na cidade de Campinas (SP), Brasil. Reveista Brasileira de Ginecologia e
Obstetrícia. v.34, n.12, p.544-9, 2012.
GIBBS, R. S.; SCHRAG, S.; SCHUCHAT, A. Perinatal infections due to group B streptococci.
Obstetrics & Gynecology, Colorado, v. 104, no. 5, p. 1062-1076, 2004.
MARCONI C.; ROCCHETTI TT.; RALL VLM.; CARVALHO LR.; BORGES VTM.; SILVA, MG.
Detection of Streptococcus agalactiae colonization in pregnant women by using combined swab
cultures: cross-sectional prevalence study. São Paulo Medicina J.v.128, n.2, p.60-2, 2010.
NOGUEIRA Isadora M. C. do N. et al. Estreptococos B como causa de infecções em mulheres
grávidas: revisão de literatura. Revista UNINGÁ Review, v. 16, n. 03, p. 36 – 41, out. – dez.
2013.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
149
TAMINATO M.; FRAM D.; TORLONI MR.; BELASCO AGS.; Saconato H, Barbosa DA.
Rastreamento de Streptococcus do grupo B em gestantes: revisão sistemática e metanálise.
Revista Latino-Americana de Enfermagem. v.19, n.6, 2011.
TRABULSI LR, ALTERTHUM F. (ORG.). Microbiologia. 5a. ed. São Paulo: Atheneu, 2005.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
150
PROPRIEDADES DO CAENORHABDITIS ELEGANS COMO UM MODELO
EXPERIMENTAL ANIMAL PARA INVESTIGAÇÕES BIOLÓGICAS1
Larissa Marafiga Cordeiro2; Renata Cardozo3; Débora Pedroso4; Juliana Fredo
Roncato5; Bruna Comparsi6
1
Trabalho de Iniciação científica do curso de Biomedicina – PIBIC/IESA
Aluna do Curso de Graduação em Biomedicina do IESA, PIBIC/IESA, email:
[email protected]
3
Aluna do Curso de Graduação em Biomedicina do IESA, PIBIC/IESA, email:
[email protected]
4
Docente do curso de Biomedicina, Mestre em Ciências Biológicas:
Parasitologia. Email: [email protected]
5
Docente do curso de Biomedicina, Mestre em Biologia Celular e Molecular.
Email: [email protected]
6
Docente do curso de Biomedicina, Doutora em Ciências Biológicas:
Bioquímica Toxicológica. Email: [email protected]
2
Introdução
O Caenorhabditis elegans (C. elegans ) é um nematódeo terrestre de vida livre
componente da família Rhabditidae. Facilmente cultivado em laboratório em
placas de petri contendo ágar semeadas com a bactéria Escherichia coli como
alimento. Os vermes atingem a maturidade com 2,5 dias a 25º C e apresentam
um tempo de vida curto de 20 dias a 25ºC. O ciclo de vida do animal
compreende um período de desenvolvimento embrionário (dentro do ovo),
quatro estágios larvais e finalmente o adulto (WORMATLAS, 2014).
Do ponto de vista toxicológico o C. elegans é sensível a diversas substâncias,
incluindo metais pesados, fosfatos orgânicos e pesticidas (SCHOUEST et al.,
2009; LEUNG et al., 2008; WOLLENHAUPT et al., 2014). Vários estudos já
demonstraram que o C. elegans é utilizado como modelo para o teste rápido da
toxicidade de amostras de solo e água ( I HALSKI, 2010), bem como de
compostos farmacêuticos e fitoquímicos (SCHOUEST et al., 2009). Os
parâmetros mais relevantes para a triagem toxicológica são a mortalidade
(DENGG; VAN MEEL, 2004), a longevidade, o comportamento/movimento, a
alimentação, o crescimento e a reprodução (ANDERSON; BOYD; WILLIAMS,
2001). Mudanças no comportamento bem caracterizadas também podem ser
avaliadas, pois o C. elegans se move tipicamente de maneira sinusóide em
placas com ágar enquanto se alimenta de bactérias. Desta forma, a análise de
compostos que alteram tanto o movimento sinusóide quanto o batimento
faríngeo dos animais podem ser avaliados (HELMCKE et al., 2009).
Os ensaios para avaliar toxicidade também podem ser realizados em animais
transgênicos. Cepas transgênicas contendo o gene repórter sob o controle
transcricional do promotor do gene “ eat s ock” hsp-16 foram amplamente
utilizadas para medir a resposta ao estresse associado à toxicidade de metais
pesados, compostos farmacêuticos e amostras ambientais (VAN MEEL, 2004;
DAVID et al., 2003; MUTWAKIL et al., 1997).
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
151
Diante disso, os objetivos deste estudo se direcionam para a investigação da
aplicação do C. elegans como um organismo modelo para estudos, in vivo, que
visam pesquisar efeitos biológicos de diferentes moléculas.
Metodologia
Trata-se de uma revisão da literatura, utilizando-se busca eletrônica de
publicações científicas nas seguintes bases de dados: PubMed e Scopus.
Foram utili ados os descritores “Caenorhabditis elegans”, “e perimental
model”, “ iological properties”, “p armacology” e “to icology”. Foram e cluídos
artigos cujos textos completos não foram obtidos. A etapa seguinte consistiu da
leitura do título e abstract, quando necessário, após realizou-se a leitura na
íntegra dos artigos identificados e selecionados, focando no tipo de estudo,
intervenção realizada e avaliação da qualidade metodológica.
Discussão
O C. elegans é um sistema modelo importante para a pesquisa biológica em
muitos campos, incluindo genômica, biologia celular, neurociência e
envelhecimento (BRENNER, 1973; BYERLY et al., 1976; WOOD, 1988).
Thompson e Pomerai (2005) usaram C. elegans para testar a toxicidade de
diferentes álcoois mostrando diferentes toxicidades. Neste ensaio ele foi usado
para obter o ponto eco toxicológico. É uma boa alternativa para testar metais
pesados e a ação da contaminação por detergentes no ambiente (Harada et
al., 2007).
Entre as várias características notáveis do C. elegans estão à abundância de
recursos genômicos, incluindo o genoma completamente sequenciado (C.
ELEGANS SEQUENCING CONSORTIUM, 1998), um banco de dados de
bioinformática facilmente acessível (CHEN et al., 2005), microarranjos de DNA
(REINKE, 2002 e um cons rcio de construção de mutantes “knock-out”. Estes
recursos, associados ao fato de que cerca de 60-80% de genes homólogos aos
humanos foram identificados no C. elegans (KALETTA, 2006), têm ajudado a
compreender vários processos biológicos comuns a todos os animais, como o
metabolismo xenobiótico e o envelhecimento.
Por ser um organismo multicelular com sistemas fisiológicos conservados e
apresentar um tempo de vida curto, tem sido amplamente utilizado nos estudos
de longevidade e toxicidade (AVILA et al., 2012; CORSI, 2006). É um excelente
modelo para triagem rápida de compostos naturais ou sintéticos com
propriedades biológicas, uma vez que ele dispõe de sistema sensorial e de
defesa análago ao dos mamíferos (HASEGAWA et al., 2010).
Em resumo, a utilidade deste modelo parece não ter fim, vários pesquisadores
utilizaram-o como biossensor para descobrir substâncias que aumentam a
longevidade (OLIVEIRA et al., 2010). Entre eles podemos citar a metformina,
biguanidina usada para tratamento de diabetes tipo 2 (ONKEN, 2010), os
anticonvulsivantes (EVASON et al., 2005), vitamina E (ADACHI, 2000) a
quercetina, flavonóide abundante em plantas comestíveis (PIETSCH et al.,
2009) e os isotiocianatos, sulforafano e alil isotiocianato (HASEGAWA et al.,
2010).
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
152
Conclusão
A utilização de modelos alternativos para investigações científicas tem sido a
alternativa de escolha de muitos grupos de pesquisa atualmente, isso se
justifica pela menor implicação ética e pela busca por modelos que possam
representar mais fielmente o funcionamento do sistema humano. Assim o
Caenorhabditis elegans tem sido extensivamente estudado nós últimos anos e
se mostrou útil para estudos em diversas áreas de pesquisa.
Palavras-chave: modelo alternativo, Caenorhabditis elegans, estudos in vivo.
Referências
ADACHI, H; ISHI, N. Effects of tocotrienols on life span and protein carbonylation in
Caenorhabditis elegans. J Gerontol A Biol Sci Med Sci, v. 55, n. 6, p. 280-285, 2000.
ANDERSON, G.L.; BOYD, W.A.; WILLIAMS, P.L. Assessment of sublethal endpoints for toxicity
testing with the nematode Caenorhabditis elegans. Environ Toxicol Chem, v. 20, n.4, p. 833838, 2001.
AVILA, D.S. et al. Organotellurium and organoselenium compounds attenuate Mn-induced
toxicity in Caenorhabditis elegans by preventing oxidative stress. Free Radic Biol Med. v.1,
n.2, p.1903-10, 2012.
BRENNER, S. The genetics of Caenorhabditis elegans. Genetics, v. 77, n. 1, p. 71-94, 1974.
C. ELEGANS SEQUENCING CONSORTIUM. Genome sequence of the nematode C. elegans:
a platform for investigating biology. Science, v. 282, n 5396, p. 2012-2018, 1998.
CHEN, N. et al. WormBase: a comprehensive data resource for Caenorhabditis biology and
genomics. Nucleic Acids Res, v. 33, p. 383-389, 2005.
CORSI, A.K. A biochemist's guide to Caenorhabditis elegans. Anal Biochem, v. 359, n. 1, p. 117, 2006.
DENGG, M.; VAN MEEL, J.C. Caenorhabditis elegans as model system for rapid toxicity
assessment of pharmaceutical compounds. J Pharmacol Toxicol Methods, v. 50, n. 3, p. 209214, 2004.
EVASON, K. et al. Anticonvulsant medications extend worm life-span. Science, v. 307, n. 5707,
p. 258-262, 2005.
HARADA, H et al. Shortened lifespan of nematode Caenorhabditis elegans after prolonged
exposure to heavy metals and detergents, Ecotoxicology and Environmental Safety, v. 66,
n.3, p. 378-383, 2007.
HASEGAWA, K. et al. Allyl isothiocyanate that induces GST and UGT expression confers
oxidative stress resistance on C. elegans, as demonstrated by nematode biosensor. PLoS One,
v. 5, n. 2, p. 9267, 2010.
HELMCKE, K.J. et al. Characterization of the effects of methylmercury on Caenorhabditis
elegans. Toxicol Appl Pharmacol, v. 240, n. 2, p. 265-272, 2009.
KALETTA, T.; HENGARTNER, M.O. Finding function in novel targets: C.elegans as a model
organism. Nat Rev Drug Discov, v. 5, n. 5, p. 387-398, 2006.
LEUNG, M.C. et al. Caenorhabditis elegans: an emerging model in biomedical and
environmental toxicology. Toxicol Sci, v. 106, n. 1, p. 5-28, 2008.
MICHALSKI E.Z. Efluentes,mesmo tratados, podem conter compostos. Disponível em:
ww.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/45537/Resumo_7772.pdf?... Acesso em: 10/10/2015
MUTWAKIL, M.H. et al. Use of stress-inducible transgenic nematodes as biomarkers of heavy
metal pollution in water samples from an english river system. Arch Environ Contam Toxicol,
v. 32, n. 2, p. 146-153, 1997.
ONKEN, B.; DRISCOLL, M. Metformin induces a dietary restriction-like state and the oxidative
stress response to extend C. elegans Healthspan via AMPK, LKB1, and SKN-1. PLoS One, v.
5, n. 1, p. e8758, 2010.
PIETSCH, K. et al. Quercetin mediated lifespan extension in Caenorhabditis elegans is
modulated by age-1, daf-2, sek-1 and unc-43. Biogerontology, v.10, n. 5, p. 565-578, 2009.
REINKE, V. Functional exploration of the C. elegans genome using DNA microarrays. Nat
Genet, v. 32, p. 541-546, 2002.
SALGUEIRO W.G. et al. Direct synthesis of 4-organylsulfenyl-7-chloro quinolines and their
toxicological and pharmacological activities in Caenorhabditis elegans. Eur J Med Chem, v. 21,
n. 75, p.448-59, 2014.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
153
SCHOUEST, K. et al. Toxicological assessment of chemicals using Caenorhabditis elegans and
optical oxygen respirometry. Environ Toxicol Chem, v. 28, n. 4, p. 791-799, 2009.
THOMPSON, G.; POMERAI, D.I. Toxicity of short-chain alcohols to the nematode
Caenorhabditis elegans: a comparison of endpoints. Journal of Biochemical and Molecular
Toxicology, West Sussex, v. 19, n. 2, p. 87-95, 2005.
WOLLENHAUPT SG et al. Seleno- and telluro-xylofuranosides attenuate Mn-induced toxicity in
C. elegans via the DAF-16/FOXO pathway. Food Chem Toxicol, v. 64, p.192-9, 2014.
WORMATLAS. Disponível em: http://www.wormatlas.org/index.html. Acesso em: 10/10/2015.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
154
AVALIAÇÃO MOLECULAR NO CÂNCER MEDULAR DE TIREÓIDE: UMA
REVISÃO¹
Letícia de Oliveira², Matias Nunes Frizzo³
¹ Trabalho de Conclusão de Curso.
² Acadêmica do Curso de
[email protected]
³ Professor do Curso de
[email protected]
Biomedicina
–
CNEC/IESA.
Email:
Biomedicina
-
CNEC-IESA.
Email:
Introdução
O câncer de tireóide (CT) é a neoplasia mais comum da região da cabeça e
pescoço e o mais comum dos cânceres endócrinos, representa 1% de todos os
tumores malignos na faixa etária dos 30 aos 74 anos. É considerado raro na
maioria das populações mundiais, na qual representa entre 2% e 5% do total
de câncer em mulheres e menos de 2% nos homens. As últimas estimativas
mundiais apontaram para ocorrência de cerca 300 mil casos novos por ano,
sendo 68 mil no sexo masculino e 230 mil no sexo feminino. O CT possui
prevalência três vezes maior no gênero feminino do que no masculino e a
diferença declina após os 48 anos. No Brasil, segundo informações do Instituto
Nacional de Câncer (INCA), a estimativa, para 2014-2015, de novos casos de
CT é 1.150 entre homens (1,15/100mil) e 8.050 entre as mulheres
(7,91/100mil) (BRASIL, 2014; GERHARD et al., 2010; GIUSTI et al., 2010).
Dentre os CT o Carcinoma Medular da Tireóide (CMT) é raro e representa 3%
a 10% dos casos de tumores malignos e pode ocorrer sob a forma esporádica
(75%) ou familiar (25%). O CMT tem como lesão precursora a hiperplasia das
células C apresentando distribuição multifocal e multicêntrica, estando
associado a níveis séricos elevados de calcitonina e pode apresentar-se como
uma Neoplasia Endócrina Múltipla do tipo II (MEN II –Multiple Endocrine
Neoplasia, Type II), caracterizada como uma síndrome tumoral hereditária. É
um tumor muito agressivo, e sua agressividade é correlacionada com a
mutação do gene RET (rearranged during transfection) que tem ligação ao
receptor transmembrana e promove estimulação do sistema tirosina quinase
que é responsável por induzir a proliferação celular; e os microRNAs (miRNA),
que são pequenos RNAs não codificantes, que não traduzem proteínas, mas
que estão ligados a regulação de processos celulares e são considerados
como um dos mais atuais biomarcadores moleculares relacionados ao
desenvolvimento e agressividade tumoral. Dessa forma, é sempre adequado
realizar uma avaliação molecular para as mutações do gene RET assim como
o estudo dos miRNAs associados ao desenvolvimento do CMT (EROVIC et al.,
2012; WOODRUFF et al., 2010; OLIVEIRA et al., 2008; SUZUKI et al., 2008).
Alterações genéticas em tumores vão desde simples deleções, mutações à
translocações e alterações numéricas nos cromossomos, alterações na
expressão gênica, como nos miRNAs. O presente estudo tem como objetivo
realizar uma pesquisa bibliográfica acerca dos aspectos moleculares
relacionados à patogênese, diagnóstico e prognostico do carcinoma medular
da tireóide (YIP et al., 2010).
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
155
Metodologia
Foi realizado um artigo de revisão da literatura, através de uma pesquisa
bibliográfica. A busca realizou-se nas bases de dados NCBI, Scielo, PubMed,
entre os artigos publicados nos últimos dez anos (2005 - até a atualidade).
Utilizaram-se os seguintes descritores: Medullary Thyroid Cancer, miRNAs,
diagnosis, treatment. No total de 125 artigos escolhidos pelo título, foi feito
leitura do resumo de 95 e selecionou-se 75 para leitura integra, incluindo 44
para o desenvolvimento da pesquisa. Conforme figura I.
Resultados e Discussão
O primeiro estudo foi realizado por Nikiforova et al. (2008), analisou a
expressão dos miRNAs em CMT e demonstrou significativos perfis de
expressão de miRNA, ao determinarem e compararem os principais padrões
de expressão de miRNA e mutações oncogênicas específicas, descreveram a
importância diagnóstica e prognóstica a detecção destes miRNAs na avaliação
pré-operatória de nódulos tireoideanos. Encontraram um subconjunto de 10
miRNAs (miR-9, miR-10 a, miR-124 a, miR-127, miR129, miR-137, miR-154,
miR-224, miR-323 e miR-370) com significativa desregulação e altos níveis de
superexpressão, associados a diversos CMTs, demonstrando a precisão
diagnóstica, estabelecendo assim as bases para a utilização de perfis de
miRNAs distintos para o CMT como uma ferramenta de diagnóstico eficaz na
avaliação pré-operatória de nódulos da tireóide (NIKIFOROVA et al., 2008).
Abraham et al. (2011) estudaram o perfil dos miRNAs nos HMTC e nos SMTC,
para identificar biomarcadores de prognóstico e potenciais alvos terapêuticos
principalmente na forma esporádica da doença. Os resultados obtidos através
da detecção em microarray foram comparados entre os SCMT e HCMT e
demonstraram a superexpressão dos miR-183 e miR-375, enquanto o miR-9
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
156
estava sub-expresso em SMTC em comparação com aqueles em HMTC. Os
miR- 183 e miR-375 são preditores para presença de metástases em
linfonodos laterais, doença residual, metástases a distância, mortalidade e são
ligados a agressividade da doença e poderiam ser usados para mudar as
diretrizes atuais de gestão e conduta de cirurgia, indicando não só uma
tireoidectomia com dissecção central mas também lateral dos linfonodos. E a
repressão do miRNA miR-183, induz a morte celular por meio autofagia, indica
que ele pode servir como um alvo terapêutico em potencial (ABRAHAM et al.,
2011).
Ao investigarem a hipótese de diferentes perfis de miRNAs
estarem
relacionados ao status do gene RET e prognóstico em pacientes com HMTC e
com SMTC, Mian e colaboradores (2012) compararam perfis de expressão
gênica de amostras normais com as de HMTC e as de SMTC e observaram
uma super expressão de 9 miRNAs, no qual o miR-21, chamado Oncomir, está
desregulado em vários tecidos, envolvido na carcinogenese de tumores
diferenciado e anaplásico e causa a transformação neoplásica da célula por
atuar inibindo a atividade dos supressores de tumor, como o PTEN. O miR-224
se diagnosticado na fase inicial e/ou em caso com bom prognóstico durante o
seguimento, tem valor de prognóstico pois, altos níveis foram correlacionados a
ausência de metástases em linfonodos e menor agressividade do tumor e ao
status livre de doença bioquimicamente pela dosagem de calcitonina. Já o
miR-127 está super expresso se houver presença de um RET tipo selvagem do
que no RET mutado, indicando a sua ligação com o gene RET e o seu papel
oncogênico (MIAN et al., 2012).
Duan et al. (2014) apontaram que o Mir-129-5p tem regulação negativa na
expressão de RET em CMT e que é capaz de induzir a morte celular em
células de CT, dando uma característica de biomarcador como um potencial
alvo terapêutico, pois tem influência sobre o crescimento celular, indução da
célula tumoral a apoptose, expressões dele podem suprimir o crescimento das
células CMT através da inibição dos níveis de RET, sendo um potencial
supressor (DUAN et al., 2014).
Samimi et al. (2013) descreveram a relação dos miRNAs ligados à fascina proteína envolvida no processo de Transição Epitelial Mesenquimal (EMT) e
associada aos processos de metástases tumorais. Alterações na expressão
gênica que levam ao aumento da fascina no EMT são determinantes no
processo metastático e aumento da agressividade das células tumorais. Os
miR 200a/200b/429/200c/141 são os mais importantes reguladores na síntese
protéica da fascina e o miR-200c com maior atividade de aumento na tradução
protéica.
Após testes de expressão gênica em células de CMT Hudson et al. (2013)
demonstraram que os miR-375, miR- 10a, miR-409-3p, miR-190b, miR-642,
miR-99b e miR-889 estão upregulated nas células tumorais enquanto os outros
miR-455, MIr-20b e o miR-30a-3p estão downregulated. Em estudo análogo ao
de Hudson et al. (2013), Santarpia et al. (2013) avaliaram os miRNAs em
células tumorais de CMT com relação a agressividade tumoral, onde os miR10a, miR-200b- 200c, miR-7 e miR-29 estavam downregulated enquanto os
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
157
miR-130a, miR-138, miR-139a-3p, miR-373 e miR- 498 estavam upregulated
em metástases. Tendo os miRNAs um papel importante na regulação da
atividade metastática, estes foram indicados para serem avaliados como
novos alvos terapêuticos no desenvolvimento de fármacos dirigidos as células
tumorais, inibindo sua ação proliferativa bem como invasiva, permitindo um
tratamento mais eficaz e menos tóxico que os existentes (HUDSON et al.,
2013; SANTARPIA et al., 2013).
Os dados descobertos sobre miRNAs, bem como os demais oncogenes do
CMT demonstram ser potenciais ferramentas para o diagnóstico precoce,
estratificação da doença direcionamento clínico prognóstico e tratamento
também alvos terapêuticos específicos para novas formas de terapias os quais
poderão permitir um tratamento farmacológico direcionado, com ótima resposta
clínica e principalmente sem os efeitos tóxicos das drogas atualmente
disponíveis, possibilitar um aumento de cura da patologia.
Conclusão
Os marcadores moleculares tem se consolidado como forma diagnóstica,
prognóstica e de modelo para desenvolvimento de novos fármacos. No CMT
inúmeros marcadores já tem sido identificados desde oncogenes aos miRNAs.
Embora, ainda há um longo caminho para implantar esses marcadores na
rotina clínica, é indiscutível que eles são fundamentais, desde o diagnóstico,
prognóstico tratamento e para o desenvolvimento de fármacos específicos as
linhagens tumorais. As perspectivas promissoras possibilitam que futuramente
sejam desenvolvidas terapias farmacológicas que possibilitem a cura destas
neoplasias.
Palavras Chave: MedullaryThyroidCancer, miRNAs, diagnosis, treatment.
Referências bibliográficas
ABRAHAM, D.; JACKSON, N.; GUNDARA, J.S.; ZHAO, J.G.; LEIGH D.; ROBINSON, B.G.;
SIDHU, S.B. MicroRNA Profiling of Sporadic and Hereditary Medullary Thyroid and Potential
TherapeuticTargs. Clinical Cancer Research, v.17, n.14, p. 4772-478, 2011.
BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE - INCA- Estimativa 2014: Incidência de Câncer no Brasil.
Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, Coordenação de Prevenção e
Vigilância. Disponível em: http://www.inca.gov.br/estimativa/2014/estimativa-24042014.pdf.
Acesso em jan. 2015.
DUAN, L.; HAO, X.; LIU, Z.; ZHANG Y.; ZHANG, G. Mir-129-5p is down-regulated and involved
in the growth, apoptosis and migration of medullary thyroid carcinoma cells through targeting
RET. FEBS Letters, v. 588, p.1644-1651, 2014.
EVEROVIC B.M.; KIM D.; CASSOL, C.; GOLDSTEIN, D.P.; IRISH, J.C.; ASA, S.L.; METE, O.
Prognostic and Predictive Markers in Medullary Thyroid Carcinoma. Endocrinology
Pathology, v. 23, p. 232-242, 2012.
GERHARD R.; NONOGAKI, S.; FREGANANI, J.H.T. G.; SOARES, F. A.; NAGAI, M.A. NDRG1
protein overexpression in malignant thyroid neoplasms. Clinical Science, v. 65, n.8, p.757762, 2010.
GIUSTI, F.; FALCHETTI, A.; FRANCESCHELLI, F.; MARINI, F.; TANINI, A.; BRANDI, M.L.
Thyroid Cancer: Current Molecular Perspectives. Jornal of Oncology, v.2010, p.1-17, 2010.
HUDSON, J.; DUNCAVAGE, E.; TAMBURRINO, A.; SALERNO, P.; XI, L.; RAFFELD, M.;
MOLEY, J.; CHERNOCK, R.D. Overexpression of miR-10a and miR-375 and downregulation of
YAP1in medullary thyroid carcinoma. Experimental and Molecular Pathology, v.95, p.62-67,
2013.
MIAN, C.; PENNELLI, G.; FASSAN, M.; BALISTRERI, M.; BAROLLO, S.; CAVEDON, E.;
GALUPPINI, F.; PIZZI, M.; VIANELLO, F.; PELIZZO, M.R.; GIRELLI, M.E.; RUGGE, M.;
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
158
OPOCHER, G. MicroRNA Profiles in Familial and Sporadic Medullary Thyroid Carcinoma:
Preliminary Relationships with RET Status and Outcome. Thyroid, v.22, n.9, p.890-896, 2012.
NIKIFIROVA, M.; TSENG, G.C.; STEWARD, D.; DIORIO, D.; NIKIFOROV, Y. MicroRNA
Profiling of Thyroid Tumors: Biological Significance and Diagnostic Utility. The Journal of
Clinical E ndocrinology & Metabolism, v.5, n.93, p.1600-1608, 2008.
OLIVEIRA, V.C.; LIMA, W.P.; MALTA, F.S.V.; PARDINI, V.C.; FERREIRA, A.C.S. Importância
da identificação das mutações do proto-oncogene RET e sua atuação no desenvolvimento dos
diversos fenótipos das neoplasias endócrinas múltiplas tipo 2. Revista Brasileira de Análises
Clínicas, v.40, n.3, p.237-241, 2008.
SAMIMI, H.; DIZAJI, M.Z.; GHADAMI, M.; FAZELI, A.S.; KHASHAYAR, P.; SOLEIMANI, M.;
LARIJANI, B.; HAGHPANAH, V. MicroRNAs networks in thyroid cancers: fosus on miRNAs
related to the fascin. Journal of Diabetes & Metabolic Disorders, v.1, n.23, 2013.
SANTARPIA, L.; CALIN, G.A.; ADAM L.; YE, L.; FUSCO, A.; GIUNTI, S.; THALLER, C.;
PALADINI, L.; ZHANG, X.; JIMENEZ, C.; TRIMARCHI, F.; EL-NAGGAR, A.K.; GAGEL, R.F. A
miRNA signature associated with human metastatic medullary thyroid carcinoma. EndocrineRelated Cancer, v.20, p.809-823, 2013.
SUZUKI T.; MATSUO K.; HASEGAWA Y.; HIRAKI, A., KAWASE, T.; TANAKA, H.; TAJIMA, K.
Anthropometric factors at age 20 years and risk of thyroid cancer. Cancer Causes and
Control, v.19, n.10, p.1233–1242, 2008.
WOODRUFF, S.L.; AROWOLO, O.A.; AKUTE, O.O.; AFOLABI, A. O.; NWARIAKU, F. Global
variation in the pattern of differentiated thyroid cancer. The American Journal of Surgery,
v.200, p. 462-466, 2010.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
159
FATORES ASSOCIADOS À INAPTIDÃO TEMPORÁRIA E PERMANENTE
DE CANDIDATOS À DOAÇÃO DE SANGUE1
Danielle Monteiro2; Renata Cardozo3; Camila Rodrigues4; Bruna Comparsi5
1
Trabalho de conclusão de curso de graduação em Biomedicina.
Acadêmica do curso de Biomedicina. Email: [email protected]
3
Acadêmica do curso de Biomedicina. Email:
[email protected]
4
Acadêmica do curso de Biomedicina. Email: [email protected]
5
Professora do curso de Biomedicina (IESA), Doutora em Ciências Biológicas:
Bioquímica Toxicológicas. Orientadora. Email: [email protected]
2
Introdução
O sangue tem a função de manutenção da vida e por isso, torna-se
indispensável ao organismo humano. Muitas áreas de pesquisa tem como foco
o estudo do sangue e mesmo diante de tantos avanços da ciência e na
tecnologia, ainda não se descobriu uma substância equivalente e que pudesse
substituí-lo. Então, o único meio de obtê-lo é através da doação entre
indivíduos, assim as ações para captação, seleção e proteção de doadores e
receptores de sangue são temas que devem ser incansavelmente investigados.
Na última década a demanda por sangue e hemocomponentes foi crescente e
estimativas indicam que os transplantes de órgãos cresceram 84%, as cirurgias
cresceram 619% e os atendimentos de urgências cresceram 627% no mundo.
A falta da prática do ato de doação de sangue reforça a necessidade em
difundir e conscientizar a população, principalmente os jovens, quanto à
necessidade de realizar a doação, e acredita-se que ações direcionadas a este
público implicariam em mudanças no perfil e conduta da pulação a longo prazo
(MALHEIROS et al., 2014; BRASIL, 2015).
Outro fator determinante para o número reduzido de doadores e baixos
estoques de sangue nos Hemocentros refere-se ao elevado índice de inaptidão
clínica e sorológica entre indivíduos que se dispõem a doar sangue. É,
portanto, um dos grandes desafios dos serviços de hemoterapia, a garantia do
atendimento da demanda transfusional, aliando a qualidade e segurança
transfusional (BRENER et al, 2008). O candidato à doação passa por uma
triagem que envolve três etapas: registro do paciente, triagem clínica e
sorológica que tem como objetivo garantir a segurança transfusional ao doador
e receptor.
Os estudos que investigam os fatores que estão associados a inaptidão clínica
temporária e permanente, definindo assim o perfil dos candidatos a doação de
sangue são importantes para subsidiar as ações de captações e campanhas
para que haja um aumento no número de doações. Com isso, este trabalho
tem o objetivo de revisar os fatores associados à inaptidão temporária e
permanente que mais excluem candidatos à doação de sangue no Brasil.
Metodologia
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
160
No presente estudo, utilizou-se o método de revisão bibliográfica. O
levantamento bibliográfico desta revisão foi realizado utilizando-se busca
eletrônica de publicações científicas nas seguintes bases de dados: Biblioteca
Virtual de Saúde (BVS), PubMed, BIREME e Scielo. Foram utilizados os
descritores “doação de sangue”, “seleção do doador”, “Inaptidão clínica para
doação de sangue”, “inaptidão clínica temporária” e “inaptidão clínica
permanente” em portugu s, sem especificar o ano de pu licação (limitando-se
a artigos publicados até outubro de 2015). Como critério de inclusão
considerou-se os artigos que abordavam o tema proposto no período de 2001 a
2015, publicados no Brasil tanto em português quanto em inglês. As
publicações mais relevantes foram selecionadas e seus dados foram
analisados e apresentados de forma discursiva.
Discussão
A doação de sangue deve ser voluntária, anônima, altruísta e não remunerada,
direta ou indireta, segundo a legislação vigente no Brasil (BRASIL, 2013). Em
acordo com as normas brasileiras, GASPARIN (2005) defende que em casos
de doação voluntária é mais fácil avaliar o estado de saúde do doador, pois a
probabilidade dele ocultar informações importantes na triagem clínica é menor,
quando comparado a um doador remunerado. E é baseada nesta conduta que
a legislação Brasileira justifica a proibição da comercialização do sangue e
seus componentes atualmente. No que se refere aos requisitos para a doação,
a partir de atualização das normas que regulam as ações de envolvem o
sangue e hemocomponentes, o candidato à doação deve ter idade mínima de
16 anos (mediante autorização do responsável), e máxima de 69 anos (desde
que tenha doado a primeira vez até os 60 anos), portar documento oficial de
identidade com foto, estar bem de saúde, pesar no mínimo 50 kg, não estar em
jejum, mas evitar ingestão de alimentos gordurosos nas três horas que
antecedem a doação (BRASIL, 2013).
Pacientes com o hematócrito (Ht) baixo comumente apresentam anemia, e o
principalmente fator determinante desta condição é a deficiência de ferro, logo,
as mulheres tendem a apresentar menores reservas de ferro do que os
homens em razão do fluxo menstrual. Outros fatores que também podem
diminuir os níveis de Ht são a deficiência de vitaminas e minerais, sangramento
recente, cirrose hepática e câncer. Relatos da literatura indicam que o
hematócrito baixo é determinante para a inaptidão de grande parcela dos
candidatos a doação de sangue. Em uma pesquisa realizada por RAMOS e
FERRAZ (2010) no Hemonúcleo de Campo Mourão – PR, no ano de 2008, 255
(41,27%) candidatos foram reprovados em decorrência do Hematócrito baixo.
Segundo VIEIRA et al., (2015) destacou-se no seu estudo como a maior causa
de recusa, Hematócrito/Hemoglobina (Ht/Hb) abaixo dos níveis aceitáveis,
tendo sua prevalência associada à população feminina (VIEIRA et al.;2015).
Diferentes fatores de exclusão são citados entre as pesquisas, percebe-se que
o local de estudo é determinante para a maior frequência de alguns fatores. No
estudo realizado na Fundação Hemominas, por exemplo, o comportamento de
risco, reprovou 32,2% dos candidatos sendo a principal causa de exclusão. Já
no Hemonúcleo de Campo Mourão apenas 78 candidatos a doação de sangue
(12,63%) foram excluídos pelo mesmo motivo (Jornal Hemominas, 2007;
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
161
RAMOS; FERRAZ, 2010). O maior índice de reprovações encontrado na
Fundação Hemominas possivelmente possa estar ocorrendo em decorrência
da tímida realização de campanhas para a prevenção as doenças sexualmente
transmissíveis realizadas pelos sistemas de saúde na região, aponta o autor.
Conclusão
Os estudos que investigam os fatores que estão associados aos tipos de
inaptidões para a doação de sangue ajudam a definir o perfil do doador o que é
importante para subsidiar ações de captações e campanhas para aumentar o
número de doações e reduzir o número de descarte de bolsas de sangue.
Dentre os estudos citados, a principal causa de exclusão de pacientes do sexo
masculino foi o comportamento de risco, isso reforça a necessidade de rigor
durante a triagem clínica para selecionar candidatos saudáveis, de maiores
esclarecimentos sobre as condições necessárias à doação de sangue. Entre a
população feminina, a principal causa de inaptidão encontrada foi o hematócrito
baixo e/ou anemia e sugere-se a ocorrência de deficiência de ferro neste
grupo.
Neste contexto, torna-se imprescindível ressaltar que, para garantir segurança
e qualidade no processo transfusional, todos os procedimentos que envolvem
as etapas de doação devem obrigatoriamente obedecer a rígidos padrões de
qualidade, bem como a execução de cada etapa por profissionais capacitados
e utilizando técnicas específicas e adequadas. Além disso, foi possível
perceber a importância da atualização permanente da legislação que
regulamenta os procedimentos transfusionais para garantir o atendimento às
demandas atuais.
Palavras-chave: Exclusão de doadores, Procedimentos hemoterápicos,
Cadastro de doadores.
Referências bibliográficas
BRASIL. Ministério da saúde. Campanha de doação de sangue 2014. Brasília, 2014. 1 vídeo
(30s). Disponível em: ttps://www.youtube.com/watch?v=OnlzjBWOiuE. Acesso em: 03 out
2015.
BRASIL, Ministério da Saúde, portaria número 2712 de 12 de novembro de 2013.
BRENER, S.; CAIAFFA, W.T.; SAKURAI, E.; PROIETTI, F.A. Fatores associados à aptidão
clínica para a doação de sangue: determinantes demográficos e socioeconômicos. Revista
Brasileira de Hematologia e Hemoterapia. São José do Rio Preto, v. 30, n. 2, Abr. 2008.
GASPARIN, L. B. Estratégias para aumentar a doação de sangue. Monografia à
Universidade Candido Mendes Pós-graduação “Lato Sensu”. Rio de Janeiro. 2005.
Jornal Hemominas, n. 18, out, nov, dez, 2007.
MALHEIROS, G., C.; OLIVEIRA, A. M. S. T.; PINHEIRO, C.B.; MONTEIRO, K. N. de O. Fatores
associados à motivação da doação sanguínea. Rev. Científica da FMC; v. 9, n.1, 2014.
RAMOS, V.F.; FERRAZ, F.N. Perfil epidemiológico dos doadores de sangue do Hemonúcleo
de Campo Mourão – PR no ano de 2008. SaBios: Revista de Saúde e Biologia. Campo
Mourão, v. 5, n. 2, p.14-21, jul/dez, 2010.
VIEIRA, G. N. T.; SOUSA, F.E. DA SILVA.; BARBOSA, D. O. L.; DE ALMEIDA, P. C.; DODT,
R. C. M.; TELES, N. S. B. Triagem Clínica do Processo de doação de sangue: análise da
recusa dos doadores. Revista enfermagem UFPE on line., Recife, v. 9, n. 1, p. 424-430, jan.,
2015.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
162
ESTUDO SOBRE SEPSE: UMA REVISÃO
Larissa de Oliveira²; Gabriel Fabrin²; Bruna Damacedo Vargas²; Angelo
Weber²; Caroline Eickhoff Copetti Casalini³
¹ Trabalho de pesquisa
²
Alunos do curso de graduação de biomedicina CNEC/IESA. Email:
[email protected]
³ Farmacêutica Bioquímica, Mestre em Ciências da Saúde. Docente do Instituto
Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo (IESA). Santo Ângelo, RS.
Email: [email protected]
Introdução
A sepse tornou-se um problema de saúde pública devido ao crescente número
de casos, alta mortalidade e custo elevado de tratamento. Embora tenha
havido nestes últimos anos avanços significativos no entendimento da sua
patogênese, com a melhor compreensão dos mecanismos de ativação das vias
da inflamação e da coagulação, e no tratamento, com o desenvolvimento de
novos fármacos e recomendação para uso de protocolos baseados em
evidências, ainda tem se problemas no seu manuseio clínico (SOARES et al.,
2007).
A sepse é definida como uma síndrome clínica onde a síndrome de resposta
inflamatória sistêmica (SIRS) está associada à infecção. A sepse representa a
principal causa de morte de UTI em todo o mundo. Muitos estudos têm
demonstrado um aumento da incidência ao longo do tempo e apenas uma leve
redução na mortalidade (BOECHAT; et al., 2010; JÚNIOR, 2006).
Segundo Matos (2004) considera-se um caso de sepse, quando a SIRS é
decorrente de um processo infeccioso comprovado. Quando esta for de
ocorrência grave é associada a manifestações de hipoperfusão tecidual e
disfunção orgânica, caracterizada por acidose láctica, oligúria ou hipotensão
arterial. Determina-se como choque séptico, quando a hipotensão ou
hipoperfusão induzida pela sepse é refratária a reanimação volêmica adequada
e com subsequente necessidade de administração de agentes vasopressores.
A questão do diagnóstico precoce e preciso da sepse em seus estágios iniciais,
é de grande importância onde os resultados terapêuticos são mais favoráveis e
também da melhor estratificação dos pacientes, que deve selecionar os
pacientes para as novas intervenções de tratamento, ainda encontram
dificuldades (SOARES et al., 2007).
Dessa forma, este estudo procura explanar características da sepse e o seu
diagnóstico, visando à qualidade de vida do paciente e um resultado fidedigno
para este quadro clínico.
Metodologia
Trata-se de uma revisão descritiva da literatura científica. O processo de
revisão foi realizado através de uma busca nas bases de dados eletrônicas
Pubmed, PNAS e Scielo, utilizando os descritores: Sepse, resposta imune
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
163
inflamatória e choque séptico. Os artigos passaram por uma análise de título,
resumo e ano, para então refinar aqueles que estavam mais relacionados ao
tema pesquisado. Foram selecionadas publicações a partir do ano 2000.
Discussão
A sepse está entre a 10ª e a 13ª causas de morte nos Estados Unidos. Nas
duas últimas décadas, sua incidência aumentou anualmente a uma taxa de 9%.
Angus e colaboradores (2001) estudaram 192.980 casos de sepse grave,
compreendidos em uma corte de mais de 6,5 milhões de pacientes internados
em 847 hospitais em sete estados americanos e estimaram sua incidência,
custo e prognóstico. A incidência de sepse grave foi de três casos por mil
habitantes (751.000 casos/ano para a população americana – incidência que
se tornou um parâmetro comum nos ensaios sobre sepse), superando a da
AIDS e a dos principais tipos de câncer, o que resultaria em 215.000
mortes/ano (28,6% dos casos). Este valor é equivalente ao total de mortes
devidas ao infarto do miocárdio.
Já no Brasil, os estudos epidemiológicos sobre sepse são escassos. O estudo
BASES (Brazilian Sepsis Epidemiogical Study), desenvolvido em 5 UTI dos
estados de São Paulo e Santa Catarina, mostrou uma incidência de sepse de
46,9%, sepse grave de 27,3% e choque séptico de 23%. Posteriormente, um
estudo epidemiológico multicêntrico em 75 UTI de todas as regiões do Brasil
avaliou a incidência de sepse. Em uma população de 3.128 pacientes, 16,7%
apresentaram sepse, com uma mortalidade geral de 46,6% (HENKIN, 2009).
A sepse é resultante de uma complexa interação entre o microrganismo
infectante e a resposta imune, pró-inflamatória e pró-coagulante do hospedeiro.
A progressão da sepse ocorre quando o hospedeiro não consegue conter a
infecção primária por resistência à opsonização, à fagocitose, a antibióticos e
presença de superantígenos. A resposta do hospedeiro e as características do
organismo infectante são as principais variáveis fisiopatológicas da sepse
(RUSSEL, 2006).
A avaliação laboratorial ou complementar é capaz de revelar dois aspectos
distintos da sepse. O primeiro é o que se refere à busca ou identificação do
agente agressor, através do rastreamento microbiológico do paciente; o
segundo, dizem respeito à identificação de alterações metabólicas ou da
homeostasia, indicativas de comprometimento sistêmico e de órgãos
específicos (CARVALHO, 2003).
Para o diagnóstico é recomendada a obtenção de pelo menos duas
hemoculturas (uma de sangue periférico e uma proveniente de cateter central,
a menos que este tenha sido inserido há menos de 48 horas), além de culturas
de prováveis sítios infecciosos (urina, liquor, secreções do trato respiratório,
pontas de cateteres) antes do início da antibioticoterapia (CASTRO; et al.,
2008). Apesar dos grandes esforços no sentido de isolar os microrganismos,
em média, as culturas de sangue são positivas em 34% dos pacientes
“sépticos”, variando entre 9% e 64%. ostrando o difícil diagnóstico em casos
de sepse (BOCHUD, 2001).
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
164
Além dos parâmetros clínicos, hemodinâmicos e laboratoriais convencionais,
diversos estudos têm demonstrado ser possíveis caracterizar a SIRS
(infecciosa ou não) através da presença ou ausência de determinados
indicadores biológicos associados ao processo inflamatório e infeccioso. A
figura 1 mostra o espectro da resposta inflamatória e da sepse definida pelo
consenso American College of Chest Physicians/ Society of Critical Care
Medicine (ACCP/SCCM) de 1991. Apesar de criticado por ser pouco específico,
os critérios de SIRS permitem que, com mínimos recursos, seja identificado o
paciente com manifestação sistêmica em decorrência da doença crítica e a
estratificação da gravidade. Pacientes não infectados com mais de dois
critérios de SIRS apresentam uma probabilidade maior de desenvolver sepse
grave e choque séptico (HENKIN, 2009).
Figura 1- Espectro da resposta inflamatória e da sepse definida pelo consenso
American College of Chest Physicians/ Society of Critical Care Medicine.
Fonte: Adaptado de HENKIN, 2009.
Recentemente diversos estudos têm avaliado o uso da proteína C reativa
(PCR) e da pró-calcitonina (PTC), ambas proteínas de fase aguda, na
diferenciação entre SIRS de origem não-infecciosa e infecciosa (sepse)
(CASTRO; et al., 2008). Outros marcadores também têm sido sugeridos para o
diagnóstico precoce da sepse, dentre os quais está a dosagem sérica de
algumas citoquinas - interleucina- 1 (IL-1), interleucina-6 (IL-6), interleucina-8
(IL-8) e interleucina-10 (IL-10), fator de necrose tumoral (TNF), de seus
respectivos receptores solúveis (receptor do TNF) (CARVALHO, 2003).
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
165
A conduta terapêutica, incluindo a antimicrobiana vai diferir, substancialmente,
de acordo com o local da infecção primária e a não descoberta deste local
possibilitará maior probabilidade de erro terapêutico. Vários trabalhos
mostraram que a escolha inicial inadequada do esquema antimicrobiano pode
levar ao aumento significativo da taxa de mortalidade em pacientes sépticos
(MARRA; et al., 2004).
Conclusão
A sepse é uma enfermidade de alta morbimortalidade, cujo tratamento envolve
altos custos, demanda de um atendimento de excelência nas unidades de
emergência e terapia intensiva. É uma síndrome frequente e está associada a
fatores que alteram os mecanismos de defesa do indivíduo.
O presente estudo demonstrou que existe uma grande dificuldade diagnóstica
para esta patologia. Fica claro que existe a necessidade de projetos
educacionais, novos avanços diagnósticos e terapêuticos a fim de auxiliar no
cuidado do paciente com sepse.
Palavras-Chaves: Sepse, Resposta inflamatória sistêmica, Choque Séptico.
Referências bibliográficas
American College of Chest Physicians/Society of Critical Care Medicine Consensus
Conference: definitions for sepsis and organ failure and guidelines for the use of innovative
therapies in sepsis. Crit Care Med. 1992;20: 864-74
ANGUS, D. C. et al. Epidemiology of severe sepsis in the United States: analysis of incidence,
outcome, and associated costs of care. Crit Care Med, 2001; 29:1303-1310.
BOCHUD PY, Glauser MP, Calandra T. Antibiotics in sepsis. Intens Care Med 2001;27 Suppl
:33-48.
BOECHAT, A. L.; et al. Sepse: diagnóstico e tratamento. Sociedade Brasileira de Clínica
Médica, São Paulo, v. 7, n. 5, p.420-427, 08 out. 2010.
CARVALHO, P. R.A.; et al. Avanços no diagnóstico e tratamento da sepse. J. Pediatr. (Rio
J.), Porto Alegre , v. 79, supl. 2, p. S195-S204, Nov. 2003 .
CASTRO, E. O.; et al. Sepse e choque séptico na gestação: manejo clínico. Revista Brasileira
de Ginecologia e Obstetrícia, São Paulo, v. 30, n. 12, p.631-638, 22 dez. 2008.
HENKIN, C. S. et al. Sepse: Uma Visão Atual. Scientia Medica, Porto Alegre, v. 19, n. 3, p.
135-145. 01/09/2009.
JÚNIOR, J. A. L. Sales et al. Sepse Brasil: Estudo Epidemiológico da Sepse em Unidades de
Terapia Intensiva Brasileiras. Revista Brasileira Terapia Intensiva, Rio De Janeiro, v. 1, n. 1,
p. 9-17. 03/03/2006.
MARRA, A. R.; et al. Controle do Foco – Diagnóstico e Tratamento. Revista Brasileira de
Terapia Intensiva, São Paulo, v. 16, n. 2, p.109-113, 01 jun. 2004.
MATOS, G. F. J.; VICTORINO, Josué Almeida. Critérios para o Diagnóstico de Sepse, Sepse
Grave e Choque Séptico. Revista Brasileira Terapia Intensiva, [s.i], v. 16, n. 2, p.102-104, 01
maio 2004.
RUSSEL JA. Management of sepsis. N Engl J Med. 2006; 355:1699-713.
SOARES, A. J. C. et al. Proteômica e Sepse. Novas Perspectivas para o Diagnóstico. Revista
Brasileira de Terapia Intensiva, [s.i], v. 19, n. 1, p.14-21, 01 mar. 2007.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
166
ANEMIA NA DOENÇA RENAL CRÔNICA: UMA REVISÃO¹
Daniela Signori², Deborah Thais Julkowski³, Gabriel Fabrin4, Larissa Oliveira5,
Paola Paulus6, Rayane Gomes de Almeida7, Matias Nunes Frizzo8
¹ Trabalho Interdisciplinar CNEC/IESA.
² Acadêmica do curso Biomedicina - CNEC/IESA, [email protected]
³ Acadêmica do curso Biomedicina - CNEC/IESA, [email protected]
4
Acadêmico do curso Biomedicina - CNEC/IESA, [email protected]
5
Acadêmica do curso Biomedicina - CNEC/IESA,
[email protected]
6
Acadêmica do curso Biomedicina - CNEC/IESA, [email protected]
7
Acadêmica do curso Biomedicina - CNEC/IESA,
[email protected]
8
Professor do curso de Biomedicina – CNEC/IESA, [email protected]
Introdução
A anemia é uma das principais complicações decorrentes da doença renal
crônica (DRC), estando associada principalmente à deficiência de eritropoetina,
hormônio que estimula a eritropoese, assim como a deficiência de ferro de
forma absoluta ou funcional (ABENSUR, 2010; LOPEZ et al., 2015).A anemia
na doença renal crônica caracteriza-se como normocrômica/normocítica, com
reticulocitopenia, capacidade de ligação de ferro e ferro sérico reduzidos, bem
como níveis plasmáticos de ferritina normais ou elevados, devido ao processo
inflamatório renal (KOURY et al., 2014; HURI; LIM; LIM, 2015).
Considerada um problema de saúde pública em todo mundo, a DRC tem tido
novos casos a cada ano, inclusive no Brasil, no qual os índices de prevalência
e falência renal estão aumentando (BASTOS; BREGMAN; KIRSZTAJN, 2010).
A anemia na DRC geralmente surge precocemente, conforme a redução da
taxa de filtração glomerular, que é usada para estabelecer estágios da doença
renal crônica (PAK et al., 2010; NATIONAL CLINIC GUIDELINE CENTER,
2015). Além disso, o estado inflamatório decorrente da doença renal crônica
leva à produção de citocinas pró-inflamatórias e do peptídio hepático hepcidina;
ambos convergem à diminuição da disponibilidade de ferro por captura no
sistema reticuloendotelial e diminuição da absorção intestinal, respectivamente,
diminuição de eritropoetina e aumento na fagocitose de eritrócitos, levando a
diminuição da eritropoese (FIGUEIREDO, 2010; RUHAB et al., 2015).
O tratamento em pacientes com anemia decorrente de doença renal crônica
deve ser baseado primeiramente na investigação dos estoques de ferro no
organismo, levando à suplementação intravenosa deste íon, além da
administração de medicamentos estimuladores da eritropoese, como a
Eritropoetina Recombinante Humana (EPO) (BASTOS; BREGMAN;
KIRSZTAJN, 2010).
Dessa forma, o presente estudo tem como objetivo realizar uma revisão
bibliográfica de caráter exploratório descritivo, abordando os aspectos gerais
da Anemia na Doença Renal Crônica, fisiopatologia, métodos diagnósticos e
tratamentos disponíveis.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
167
Metodologia
Revisão descritiva da literatura cientifica, abordando temas referentes aos
grupos focais e sua relação com instrumentos de avaliação de qualidade de
vida. A busca restringiu-se à artigos publicados a partir do ano de 2010.
DESCRITORES: DRC, Anemia, InflamaçãoDescritores:
Scielo
PubMed
105 ARTIGOS ENCONTRADOS69
Lilacs
Artigos
25 ARTIGOS INCLUÍDOS POR TÍTULO E
32 Artigos Incluídos
RESUMO
80 ARTIGOS EXCLUÍDOS POR TÍTULO E
EXCLUÍDOS POR LEITURA NA ÍNTEGRA: 07
INCLUÍDOS POR LEITURA NA ÍNTEGRA:
18
ARTIGOS
Excluídos por Leitura
37 Artigos
Excluídos por Título e
RESUMO
ARTIGOS
18 ARTIGOS SELECIONADOS
9
Resultados e Discussão
A doença renal crônica vem aumentando sua prevalência nos últimos anos em
todo o mundo, principalmente pela mudança dos hábitos alimentares e
sedentarismo. A anemia é uma das complicações mais comuns, geralmente
podendo ser explicada pela diminuição na concentração de eritropoetina ou
deficiência de ferro, de forma absoluta ou funcional. A diminuição da síntese de
eritropoetina é decorrente da lesão renal, e aumenta conforme o estágio da
DRC, que é classificada conforme a taxa de filtração glomerular em cinco
níveis que vão de TFG normal com alguma evidência de lesão renal até a
insuficiência renal terminal ou dialítica. Além disso, o status inflamatório
desencadeado pela doença promove um efeito anti-eritropoetico na medula
óssea, principalmente mediado pela IL-6 (KOURI et al., 2014; NCGC, 2015).
A deficiência absoluta de ferro pode ocorrer pelo aumento de hepcidina,
levando à diminuição da absorção intestinal deste íon, ou por perdas
sanguíneas, geralmente no processo de hemodiálise, na qual ocorre perda de
certas quantidades de sangue entre os filtros utilizados. Pacientes em DRC
possuem agregação plaquetária deficiente por alteração do Fator VIII de Von
Villebrand (FIGUEIREDO, 2010; GROTTO, 2010; IQBAL et al., 2015).
A deficiência funcional do ferro, por sua vez, é causada pelo aumento de
citocinas pró-inflamatórias como IL-6, IL-1, IL-18, TNF-α, NFK-β decorrentes do
processo inflamatório renal. Essas citocinas ocasionam o seqüestro de ferro
nos macrófagos, deixando de haver o repasse do ferro remanescente aos
órgãos eritropoéticos. Com isso, aumentam os níveis de ferritina sérica e
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
168
diminui o índice de saturação da transferrina. Além disso, essas citocinas irão
estimular o sistema retículo endotelial a aumentar a taxa de fagocitose de
eritrócitos, diminuindo a sobrevida dos eritrócitos (Figura 1). Todos esses
fatores convergem à diminuição da eritropoese (GROTTO, 2010; GANZ;
NEMETH, 2012; LEMOS et al., 2010). Os pacientes que possuem esse quadro
clínico deverão receber suplementação de ferro intravenoso em doses
pequenas e fracionadas (LEMOS et al., 2010).
Figura 1: Fisiopatologia da Anemia nas DRCs.
Fonte: Adaptado de Blood, 2015.
A anemia na DRC surge normalmente a partir do nível 2 ou 3 da DRC, portanto
o diagnóstico precoce é fundamental para pacientes em diálise, onde a
avaliação laboratorial é mensal, com programas de avaliação laboratorial mais
complexa a cada trimestre, justamente para acompanhar os distúrbios
metabólicos e hematológicos desencadeados pela DRC (ABENSUR, 2010;
RIBEIRO-ALVES; GORDAN,2014).
Na avaliação laboratorial das anemias em pacientes com doença renal crônica
o achado predominante é normocitose e normocromia, com reticulocitopenia,
saturação de transferrina reduzida e ferritina normal ou elevada (KOURY, 2014;
RIBEIRO-ALVES; GORDAN, 2014). Além do diagnóstico laboratorial, é
importante observar os principais sinais clínicos da anemia que podem
ocasionar impactos negativos na qualidade de vida do paciente (BUENO;
FRIZZO, 2014).
O tratamento deve levar em conta a fase da DRC e os estoques de ferro
disponíveis, avaliando-se parâmetros bioquímicos como ferritina e saturação de
transferrina. A reposição de ferro é recomendada a partir dos estágios 1 e 2 da
DRC para manter os níveis normais de ferritina sérica e saturação de
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
169
transferrina (RIBEIRO et al., 2015). Outro tratamento disponível que
revolucionou o prognóstico de pacientes com anemia na DRC são os
medicamentos estimuladores da eritropoese (MEEs), como a Eritropoetina
Recombinante Humana (KOURY, 2014; FREITAS et al., 2014)
Conclusão
A anemia da Doença Renal Crônica demonstra-se um problema de saúde
pública atualmente, devido ao envelhecimento da população e pela mudança
nos hábitos de vida, observa-se um aumento gradativo da patologia na
população. Diante deste cenário, o diagnóstico e acompanhamento destes
pacientes são fundamentais para melhor tratamento clínico da anemia, para
isso parâmetros bioquímicos e hematológicos são imprescindíveis, além do
acompanhamento clínico. A anemia que é desenvolvida ao longo da
fisiopatogênese da doença promove redução na qualidade e expectativa de
vida dos pacientes, o que justifica a necessidade constante de sua
monitorização.
Palavras - Chave: Anemia, doença renal crônica, inflamação.
Referências bibliográficas
ABENSUR, H. Deficiência de Ferro e Anemia na Doença Renal Crônica. Revista Brasileira de
Hematologia e Hemoterapia, v.32, n.2, p. 84-88, 2010.
BASTOS, M.G.; BREGMAN, R.; KIRSZTAJN, G. M. Doença renal crônica: freqüente e grave,
mas também prevenível e tratável. Revista Associação de Medicina Brasil, v.56, n.2, p.24853, 2010.
BUENO, C. S.; FRIZZO, M. N. Anemia na doença renal crônica em hospital da regiãonoroeste
do estado do Rio Grande do Sul. Jornal Brasileiro des Nefrologia, v.36, n.3, p.304-314, 2014.
FIGUEIREDO, M. S. Impacto da inflamação na regulação do Ferro e deficiência funcional de
Ferro. RevistaBrasileira de Hematologia e Hemoterapia, v.12, n.3, p. 18-21, 2010.
FREITAS,
J.
S.;
COSTA,
P.
S.;
COSTA,
L. R.; NAGHETTINI, A. V. Evaluation of clinical and laboratory variables associated with anemia
in pediatric patients on hemodialysis. Jornal de Pediatria, v. 91, n. 1, p. 87-92, 2014.
GANZ, T.; NEMETH, E. Hepcidin and iron homeostasis. Biochimica and Biophysica Acta,
v.45, n.8, p. 1434-1443, 2012.
GROTTO, H. Z. W. Fisiologia e metabolismo do ferro. Revista Brasileira de Hematologia e
Hemoterapia, São Paulo , v. 32, supl. 2, p. 08-17, 2010 .
HURI, H. Z.; LIM, L. P.; LIM, S. K. Glycemic control and antidiabetic drugs in type 2 diabetes
mellitus patients with renal complications. Dovepress, v.76, n.8,p. 4355-4371, 2015.
IQBAL et al. Clinical Significance of C-Reactive Protein Levels in Iron Deficiency
Anemia. Springer Us, v.67, n.23, p. 1375-1381, 2015.
KOURY, M. Abnormal erythropoiesis and the pathophysiology of chronic anemia.
BloodReviews, v.128, n.2, p. 49-66, 2014.
LEMOS et al. A hepcidina como parâmetro bioquímico na avaliação da anemia por deficiência
de ferro. Revista Associação Medicina Brasil, v. 56, n. 5, p. 596-599, 2010 .
LOPEZ et al. Iron deficiency anaemia. The Lancet, v.56, n.32, p.123-134, 2015.
National
Clinical
Guideline
Centre.
Anaemia
Management
in
Chronic
Kidney
Disease.
National
Institute
for
Health and Care Excellence, London, 2015.
OLIVEIRA-JUNIOR, W. V. Inflamação e má resposta ao uso de eritropoetina na doença renal
crônica. Jornal Brasileiro de Nefrologia, São Paulo, v. 37, n. 2, p. 255-263, 2015.
PAK et al. Suppression of hepcidin during anemia requires erythropoietic activity. Blood
Reviews, v.120, n.1, p. 3730-3735, 2010.
RIBEIRO- ALVES, M. A.; GORDAN, P. A. Diagnóstico de anemia em pacientes portadores de
doença renal crônica. J Bras Nefrol, v.36, n.3p.9-12, 2014.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
170
RIBEIRO, S.; BELO, L.; REIS, F.; SANTOS-SILVA, A. Iron therapy in Chronic Kidney Disease:
Recent changes, benefits and risks. Blood Reviews, n.34, v.56, p. 234-298, 2015
RUHAB, Z.; AMIN, H.; ABBAS, K.; HUSSAIN, S.; ULLAH, M.; MOHSIN, S. Serum hepcidin
levels in patients with end-stage renal disease on hemodialysis. Saudi Journal Of Kidney
Disease And Transplantation, n.23, v.7, p. 19-25, 2015.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
171
NEOPLASIAS HEMATOLÓGICAS NO IDOSO: UMA REVISÃO¹
Francielen Colet da Silva², Lucinea da Silva Araújo², Matias Nunes Frizzo 3
1
Resumo de Trabalho de Conclusão de Curso CNEC/IESA.
Aluna do Curso de Biomedicina - CNEC-IESA. Email: [email protected]
2
Aluna do Curso de Biomedicina - CNEC-IESA.Email: [email protected]
3
Professor
do
Curso
de
Biomedicina
CNEC-IESA.Email:
[email protected]
2
Introdução
Com o passar dos anos, o organismo humano passa por um processo natural
de envelhecimento, gerando modificações funcionais e estruturais. As vias
responsáveis pelo equilíbrio corporal também sofrem com o processo do
envelhecimento, gerando grande impacto para os idosos. No Brasil há um
aumento da expectativa de vida da população nos últimos anos, provocando
assim, um aumento na população idosa e dessa forma, aumentando a
prevalência das doenças crônicas nesta faixa etária. Um reflexo deste quadro
são as visíveis mudanças nas pirâmides populacionais brasileiras, do passado,
presente e as projeções para as próximas décadas (RUWER, 2005; MOREIRA
et al., 2013).
De acordo com os dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), cerca de 75%
das neoplasias ocorrem em indivíduos com mais de 60 anos. O aumento da
expectativa de vida não só eleva a exposição do indivíduo aos fatores de risco
presentes no meio ambiente e o tempo dessa exposição, como também o
envelhecimento oferece a oportunidade do surgimento de neoplasias, que só
aparecem mais tardiamente. Entre as afecções neoplásicas hematológicas,
incluem-se, mais comumente, as leucemias, linfomas, mieloma múltiplo, etc.
Estudos mostram que a ocorrência de tais afecções tem crescido com o passar
das décadas e mais frequentemente estão associadas com a idade
(BULYCHEVA et al., 2015).
O presente trabalho tem por objetivo, realizar uma pesquisa bibliográfica sobre
as neoplasias hematológicas no idoso.
Mielodisplasia: é um termo empregado para descrever diversas doenças
clonais cuja principal característica é a inabilidade intrínseca das células de
passar pelo processo normal de diferenciação e maturação da medula. Devido
a essa inabilidade de maturação, embora a medula esteja, na maioria das
vezes, cheia de precursores, ocorre citopenia no sangue periférico. Essa
citopenia pode ser de uma linhagem apenas eritróide, ou afetar as linhagens
megacariocítica e neutrofílicas (PALODETTO et al., 2013). Dessa forma, na
avaliação
do
sangue
periférico
observa-se
anemia
macrocitica,
reticulocitopenia, ferritina aumentada associada a uma trombocitopenia que
pode requerer transfusões frequentes. Além disso, o paciente pode apresentar
neutropenia propiciando risco elevado de infecções (MELCHARDT et al.,
2013).
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
172
A história natural da mielodisplasia varia muito, na dependência da alteração
citogenética, do numero de linhagens envolvidas, da porcentagem de blastos,
podendo lentamente levar a uma progressão fulminante para LMA. Dentre as
alterações citogenéticas mais comuns são deleções do cromossomo 5 e 7 e
trissomia do cromossomo 8. Estudos recentes demonstram que a doença pode
ser consequência de fatores exógenos relacionados aos hábitos de vida
(BABUSHOK, 2015; L'ABBATE et al., 2014).
Do ponto de vista do tratamento, na maioria dos casos, as respostas a varias
drogas usadas é apenas temporário. Devido às transfusões frequentes, os
pacientes acabam evoluindo com refratariedade a transfusão, sobrecarga de
ferro, disfunção hepática e cardíaca ou progressão para leucemia aguda
(TABAK, 2002).
Leucemia Linfoide Crônica: é a mais comum e afeta indivíduos geralmente
na 7ª década de vida, embora possa ocorrer em indivíduos mais jovens. A
patologia é classificada entre as doenças linfoproliferativas de linfócitos B
maduros, sendo considerada uma leucemia de evolução insidiosa e incurável.
Na maioria das vezes se manifesta com linfocitose, acompanhada ou não de
adenopatia, anemia e trombocitopenia (GREGORJ et al., 2007). Metade dos
pacientes são diagnosticados durante hemograma de rotina, contudo, alguns
exames complementares que devem ser pedidos à pacientes com diagnostico
de LLC são: hemograma completo com analise morfológica, imunofenotipagem
de sangue periférico, mielograma, dentre outros (MEDINA GOMEZ, 2012).
Uma vez confirmado o diagnóstico, sendo a LLC uma doença incurável,
somente se deve instituir tratamento se aparecer sintomas e/ou citopenias. A
doença em estado mais avançado pode cursar com anemia, trombocitopenia,
infecções de repetição e hepatoesplenomegalia (CHIATTONE et al., 2006).
Dentre os recursos terapêuticos disponíveis estão quimioterápicos, corticóides
e anticorpos monoclonais. O Transplante halogênico pode ser opção curativa,
mas é plausível para pouquíssimos pacientes, já que a maioria dos pacientes
com LLC tem idade avançada e a morbimortalidade do procedimento ainda é
muito alta (LORAND-METZE, 2006).
A Leucemia Mielóide Crônica: (LMC) constitui uma desordem
mieloproliferativa, na qual há produção excessiva das células granulociticas,
em decorrência da expansão clonal da célula progenitora hematopoiética. A
manifestação se da por leucocitose, hiperplasia mieloide, basofilia e neutrofilia.
A LMC se caracteriza pela presença de uma mutação adquirida que afeta a
célula-tronco hematopoiética, apresenta em 95% dos casos, uma alteração
genética adquirida, o cromossomo Philadelphia (Ph) (BERGANTINI et al.,
2005).
O diagnóstico de LMC é baseado no hemograma (leucocitose e
frequentemente também trombocitose) e na avaliação diferencial dos leucócitos
com desvio a esquerda. A maior parte dos diagnósticos é realizada, ainda, na
fase crônica, e o curso clínico típico tem três fases: fase crônica, fase
acelerada e fase blástica. Para definição de fase acelerada é necessária a
presença de 10% a 19% de blastos no sangue ou na medula óssea, número de
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
173
basófilos >20%, trombocitose ou trombocitopenia não relacionada à terapia, e
evolução clonal na avaliação citogenética. A fase blástica caracteriza-se por
>20% de blastos ou infiltração blástica extramedular (SOUZA et al., 2013; DI
BACCO et al., 2000).
Mieloma múltiplo: é uma doença linfoproliferativa de um único clone de
células plasmáticas da medula ssea, provocando: comprometimento da
função da medula ssea; dano aos ossos adjacentes; li eração da proteína
monoclonal na corrente sanguínea com su se ente supressão da função
imunol gica (SOUZA, 2004). A etiologia ainda não está em definida, mas
fatores genéticos, radiação, en eno, doenças inflamat rias cr nicas, terapia
imunossupressor, exposição aos agrotóxicos e doença autoimune parecem
desencadear a doença. A incid ncia anual é de 4 casos a cada 100.000
pessoas, sendo mais comum em omens e etnia afrodescendente. A idade
média dos acometidos é de 65 anos ao diagn stico e somente 2% tem menos
de 40 anos (MAIOLINO &HUNGRIA, 2008).
Como a evolução do mieloma é progredir, o alivio da dor e a estabilização da
doença em geral indicam algum beneficio terapêutico, sendo a quimioterapia a
única forma de tratamento. A abordagem do tratamento tem como objetivos
controlar a progressão da doença, mantendo ao menos qualidade de vida do
paciente pelo maior tempo possível (VON SUCRO, 2009).
Metodologia
Foi realizada uma revisão descritiva da literatura cientifica, através de uma
busca na base de dados eletrônicas no ano de 2015, utilizando os descritores
Neoplasias hematológicas, idoso, Leucemias, Mielodiaspalsias, Mieloma.
Foram encontrados o total de 262 artigos, estes passaram por uma análise de
titulo e resumo para então selecionar os que estavam relacionados ao tema
pes uisado “incidência de neoplasias hematológicas no idoso” e que foram
publicados a partir do ano de 2000. Após, foram selecionados 74 artigos. Após
a leitura na integra, foram selecionados 18 artigos. Os demais artigos foram
excluídos por não abordarem neoplasias hematológicas referentes à população
idosa e por data em que foram publicados.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
174
Figura 1 - Fluxograma de análise dos artigos.
Resultados e Discussão
Estudos epidemiológicos mostram que a idade é um dos principais fatores de
risco para o desenvolvimento do câncer. Indivíduos com idade mais avançada
apresentam, geralmente, um aumento na probabilidade de mutações, ou de
acúmulo de substâncias com potencial mutagênicos, predispondo assim, o
aparecimento de células tumorais.
O aumento na incidência de leucemias, mielomas e mielodisplasias no idoso
tem se mostrado bastante significativas, principalmente na região sul e sudeste
do Brasil. Uma questão a ser levantada sempre é o aumento na expectativa de
vida da população o que leva ao aumento nas doenças crônicas não
transmissíveis, mas também há de destacar as mudanças na sociedade, como
os hábitos de vida da população, assim como, uma exposição cada vez maior
as substâncias tóxicas no ambiente com caráter oncogênico.
Com relação ao diagnóstico da neoplasia no idoso, um dos maiores problemas
que afetam a cura e/ou sobrevida do paciente é o diagnóstico tardio. Tais
limitações, muitas vezes, ocorrem pela não valorização das queixas dos
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
175
pacientes dessa faixa etária ou por escassez de estudos e publicações na área
de oncogeriatria hematológica, principalmente em âmbito nacional.
Além disso, a idade média de acometimento das doenças cr nicodegenerativas, linfoproliferativas e mieloproliferativasêm é de 65 anos.
Tratando-se de neoplasias hematológicas os tratamentos com maior eficiência
como os transplantes de medula óssea são descartados, restando na maioria
das vezes tratamentos quimioterápicos que são de caráter paliativo a esse
paciente.
Conclusão
Dessa forma, não só o diagnóstico tardio, mas principalmente falta de
tratamento para estas neoplasias nos idosos são questões que necessitam de
investimento em pesquisas e desenvolvimento de novos tratamentos a fim de
proporcionar a cura ou ao menos uma melhor qualidade/expectativa de vida no
paciente.
Palavras-chaves: Envelhecimento, Câncer, Hematologia.
Referências bibliográficas
BABUSHOK et al. Genetic predisposition syndromes: When should they be considered in the
work-up of MDS? Best Pract Res Clin Haematol, v.28, n.1, p. 55-68, 2015.
BERGANTINI et al. Leucemia mielóide crônica e o sistema Fas-FasL. Ver Brás de Hematol e
Hemoter, v.27, n.2, p.120-125, 2005.
BULYCHEVA Myelodysplasia is in the niche: novel concepts and emerging therapies.
Leukemia, v. 29, n. 2, p. 259-268, 2015.
CHIATTONE Leucemia linfóide crônica: nova visão de uma velha doença (II Encontro Brasileiro
de Consenso em LLC-B). Rev Bras Hematol Hemoter, v.27, n.4, p.227-228, 2006.
DI BACCO et al. Molecular abnormalities in chronic myeloid leukemia: deregulation of cell
growth and apoptosis. The Oncologist, v.5, n.5, p.405-415, 2000.
GREGORJ et al. ERK1/2 phosphorylation is an independent predictor of complete remission in
newly diagnosed adult acute lymphoblastic leukemia. Blood, v.109, n.12, p.5473-5476, 2007.
HUNGRIA, V.T.M.; MAIOLINO, A. Mieloma Múltiplo: progressos e desafios. Rev Bras Hematol
Hemoter, v.29, n.1, p. 1-2. 2007.
L'ABBATE et al. FOXP1 and TP63 involvement in the progression of myelodysplastic syndrome
with 5q- and additional cytogenetic abnormalities. BMC Cancer, v.14, n.1, 2014.
LORAND-METZE, I.Interaction of clinical, genetic and molecular features in chronic lymphocytic
leukemia. Rev Bras Hematol Hemoter, v.28, n.1, 2006.
MAIOLINO, A. Mieloma múltiplo: qual o grau de conhecimento sobre a doença em médicos que
atuam no sistema de atenção primária à saúde?. Rev Bras. Hematol Hemoter, v.30, n.6, p.
433-433, 2008.
MEDINA-GOMEZ et al. Estandarización de PCR específica de metilación para ladetección de
metilaciónenlos promotores de los genes CDKN2B Y DBC1 en pacientes con leucemia linfoide
aguda, leucemia mieloide aguda y leucemia mieloide crónica. Actu Biol, v.34, n.96, p. 164-164,
2012.
MELCHARDT et al. Autoimmune hemolysis accompanied by thrombopenia: consumption or
myelodysplasia? Dtsch Med Wochenschr, v. 138, n. 41, p. 2093-2095, 2013.
MOREIRA et al. "Qualidade de vida, saúde e política pública de idosos no Brasil: uma reflexão
teórica." Kairós. Rev F. Cienc Hum Saúde, v.16, n.1, p. 27-38, 2013.
PALODETTO et al. MDR-1 and GST polymorphisms are involved in myelodysplasia
progression. Leuk Res, v.37, n.8, p.970-973, 2013.
RUWER, S. L.; ROSSI, A. G.; SIMON, L.F. Equilíbrio no idoso. Rev. Bras. Otorrinolaringol, v.
71, n. 3, 2005.
SOUZA et al. Leucemia mieloide crônica. Rev Assoc Med Bras, v.59, n.3, 2013.
SOUZA et al. Mieloma múltiplo com plasmocitomas cutâneos. An Brás Dermatol, v.79, n.5, p.
581-585, 2004.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
176
TABAK, D. G. Transplante de medula óssea nas síndromes mielodisplásicas. Ver Bras
Hematol Hemoter, v. 24, n.3, p. 166-181, 2002.
VON SUCRO et al. Mieloma múltiplo: diagnóstico e tratamento. Rev Med M Gerais, v.19, n.1,
p:58-62,2009.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
177
CONTROLE DE QUALIDADE DA ÁGUA REAGENTE NA HEMODIÁLISE¹
Rejane Madalena Wisniewski²; Bruna Baron3; Adriana Catarine Buche4; Luana
Bizzi da Silva5; Jéssica Bittencourt6; Yana Picinin Sandri Lissarassa7
¹Trabalho Interdisciplinar curso de Biomedicina CNEC/IESA
2
Acadêmica do 6º semestre do curso de Biomedicina do Instituto Cenecista de
Ensino Superior de Santo Ângelo-IESA, [email protected]
3
Acadêmica do 6º semestre do curso de Biomedicina do Instituto Cenecista de
Ensino Superior de Santo Ângelo-IESA, [email protected]
4
Acadêmica do 6º semestre do curso de Biomedicina do Instituto Cenecista de
Ensino Superior de Santo Ângelo-IESA, [email protected]
5
Acadêmica do 6º semestre do curso de Biomedicina do Instituto Cenecista de
Ensino Superior de Santo Ângelo-IESA, [email protected]
6
Acadêmica do 6º semestre do curso de Biomedicina do Instituto Cenecista de
Ensino Superior de Santo Ângelo-IESA, [email protected]
7
Biomédica; Mestranda em Atenção Integral à Saúde – PPGAIS; Professora
Biomedicina - IESA/CNEC - Santo Ângelo, [email protected]
Introdução
A hemodiálise ou Terapia Renal Substitutiva é uma alternativa de tratamento
para pacientes com Insuficiência Renal Crônica, pois remove as substâncias
tóxicas e o excesso de líquido acumulado no sangue/tecidos do corpo em
consequência da falência dos rins, através do sistema extracorpóreo (máquina
de diálise), retornando, o sangue depurado para o paciente através de uma
bomba que impulsiona o tecido sanguíneo para um filtro/dialisador (rim
artificial) (BARRETO, 2013) mostrado no esquema da figura 1.
Figura 1: Hemodializador.
Fonte: http://www.nefron.com.br Acesso: setembro, 2015.
A água é o principal componente no tratamento de diálise e deve ser tratada de
modo que apresente um padrão de qualidade de acordo com a Resolução RDC
nº 154, de 15 de Junho de 2004 da Agência Nacional de Saúde (BRASIL,
2004) relatados na tabela 1.
Tabela 1
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
178
Informações sobre os parâmetros aceitáveis dos compenentas na água.
Fonte: RDC nº. 154/04.
O controle da qualidade da água é essencial para prevenção de riscos aos
pacientes e deve ser feito através do monitoramento periódico das análises
microbiológicas e físico-químicas em diferentes pontos de distribuição da água
após tratamento. Problemas relacionados à situação da água podem vitimar os
pacientes em hemodiálise e trazer complicações importantes e, até mesmo, o
óbito (BARRETO, 2013).
Nessas condições esse trabalho tem como objetivo revisar a literatura para
demonstrar a importância do controle de qualidade da água reagente utilizada
nos serviços de hemodiálise.
Metodologia
O estudo foi realizado a partir de leitura, análise e discussão de informações
extraídas de artigos selecionados de revisão bibliográfica sobre o controle de
qualidade da água reagente utilizada na hemodiálise. A pesquisa foi realizada
no período de agosto e setembro de 2015, nas bases de dados Lilacs, Scielo e
Google Acadêmico. A partir das palavras-chave: hemodiálise, controle de
qualidade e água reagente, foram encontrados 32 artigos nas bases de dados
descritas acima e selecionados 8 artigos que contemplavam o objetivo desta
revisão.
Discussão
O sistema renal é fundamental para a manutenção do equilíbrio do organismo
humano, sendo responsável por funções importantes, como, regulatórias,
excretórias e endócrinas. Quando o ritmo da filtração glomerular é diminuído no
caso da Doença Renal Crônica (DRC), que consiste em lesão renal e perda
progressiva e irreversível de suas funções, as quais comprometem o
funcionamento de diversos órgãos vitais do organismo, e, em estágio avançado
da DRC, os pacientes necessitam de Terapia Renal Substitutiva (LOPES;
SILVA; SILVA, 2010).
Pacientes submetidos a hemodiálise, são vulneráveis a contaminantes na água
utilizada para preparação do dialisato ou na água utilizada no reprocessamento
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
179
dos capilares. Esses pacientes são expostos a grandes quantidades de água e
não tem barreiras adequadas nem podem eliminar tais contaminantes, que
incluem: alumínio, cálcio, cloro, cloraminas, cobre, fluoretos, magnésio,
nitratos, sódio, sulfato e zinco, além de bactérias e endotoxinas (COELHO,
2009).
Como relatado por Silva et al., 1996, até a década de 70, acreditava-se que a
água potável servisse para a hemodiálise. Porém, com o aumento do número
de pacientes em tratamento dialítico e de sua sobrevida, acumularam-se
evidências que permitiam correlacionar os contaminantes da água com efeitos
adversos do procedimento.
Dessa maneira a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) por
intermédio da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) 154, que é o órgão
regulamentador para o serviço de diálise no país, que determina parâmetros
diversos para funcionamento da clínica de diálise, inclusive a qualidade da
água utilizada pelos serviços (BRASIL, 2004).
A água tratada produzida é utilizada para abastecer os equipamentos de diálise
e na higienização destes e do subsistema de armazenamento de água. A
solução diálise é produzida de forma automatizada e proporcional pelas
máquinas de hemodiálise (HUNHOFF, 2011).
O sistema está constituído de quatro etapas envolvendo filtro físico, carvão
ativado, abrandado, osmose reversa e dois tanques de armazenamento. Na
primeira etapa, filtro físico, é um filtro multi-meios para remoção de partículas
em suspensão e microrganismos, que protege os demais componentes do
sistema de tratamento. O carvão ativado remove por absorção de cloro,
cloraminas e substancias orgânicas dissolvidas. A seguir um abrandador, faz
uma troca iônica cuja resina catiônica troca cálcio, magnésio e outros cátions
polivalentes por sódio, protegendo as membranas do sistema de osmose
reversa da deposição de cálcio e magnésio, o que poderia levar à diminuição
de vazão de um mau funcionamento do sistema. Se a concentração desses
cátions for elevada na água de alimentação, a liberação de sódio em alta
quantidade pode levar a riscos de hipernatremia, elevada concentração de
sódio no sangue (HUNHOFF, 2011). As quantidades permitidas pela RDC 154
estão especificadas no quadro I e na tabela 2.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
180
Tabela 2
Comparação entre alguns parâmetros indicados nas Portarias do Ministério da
Saúde
Fonte: RDC nº 154/04.
Também conforme a P. 2042/96, a água de abastecimento as Unidades de
Diálise provenientes da rede pública, deve ter padrão de potabilidade em
conformidade com o disposto na P. 36/90, devendo ainda sofrer inspeção e
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
181
tratamento adicional adequado por parte de técnico responsável pela operação
do sistema de tratamento de água da clínica antes de ser utilizada na diálise.
Nesse sistema, a osmose reversa produz uma água de elevada pureza, sendo
capaz de remover 95 a 99% dos contaminantes químicos, além de
microrganismos, pirogênese e proteínas de alto peso molecular, no entanto,
substâncias voláteis e orgânicas de baixo peso molecular podem permear a
membrana (HUNHOFF, 2011).
Segundo Sesso e colaboradores (2008) a osmose reversa é uma metodologia
de purificação encontrada em 93,7% dos serviços de diálise devido à elevada
pureza, a água é adequada ao uso em diálise e está rica em íons e
contaminantes diversos que, segundo TAVARES et al. (2004), pode chegar até
75%.
A RDC Nº. 154, 15 de junho de 2004, estabelece os limites máximos permitidos
para contaminantes inorgânicos e orgânicos na água para diálise, sendo que
arsênio, cádmio e chumbo estão entre os principais contaminantes a serem
controlados, além de outras substâncias ou microrganismo, os quais fazem
parte do programa de controle da qualidade da água para diálise, realizado
pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde
(INCQS/FIOCRUZ), a fim de monitorar e garantir a segurança deste tratamento
(BARRETO, 2013).
Conclusão
O controle de qualidade da água em hemodiálise é de grande importância, a
fim de prevenir riscos aos pacientes, é feito através de um monitoramento
realizado em pontos de distribuição da água após o tratamento, que objetiva
verificar as condições físicas, químicas e biológicas da água. É muito
importante realizar este controle da água da diálise, pois, a mesma não
estando adequada poderá trazer graves complicações à saúde dos pacientes,
podendo levar a óbito.
A purificação feita pela osmose reversa faz com que se obtenha uma elevada
pureza tornando a água adequada ao uso em diálise, verificou-se assim que
esse é o melhor método para ter uma água de qualidade e garantir a
segurança do paciente, assim como a desinfecção, feita com o método de
cloração, faz com que diminua a incidência da transmissão de doenças.
Palavras-chave: Hemodiálise, Controle de qualidade, Água reagente.
Referências bibliográficas
BARRETO, A.F.G. et al. Qualidade da Água dos serviços de hemodiálises- Natal/RN. 17ª
SENPE, Natal, v.15, n.1, p. 45-48, Jun, 2013.
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução de Diretoria Colegiada 154 de
15 de junho de 2004. Estabelece o Regulamento Técnico para o funcionamento dos
Serviços de Diálise. Brasília, 2004.
COELHO, A.A.S. et al., Cloração da água utilizada nas sessões de hemodiálise em hospitais
da cidade de Recife-Pernanbuco. Acta Paulista de Enfermagem, Recife, v. 22, n. 1, p. 540602, 2009.
HUNHOFF, A. F. Estudo de caso abordando operações unitárias e equipamentos visando
o uso racional de água purificada no setor hospitalar. Porto Alegre, RS, Jun de 2011.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
182
LOPES, R.C.; SILVA, G.B; SILVA, J. W. F. Perfil dos pacientes com doença renal crônica em
hemodiálise na cidade de Parnaíba - PI. Enciclopédia Biosfera, Parnaíba Piaui, n., p.1-27,
2010. Disponível em: www.conhecer.org.br/enciclop/2010/perfil.pdf
SESSO, R. et al . Relatório do Censo Brasileiro de Diálise. J. Bras. Nefrol. São Paulo, SP, v.
30 n. 4 p. 233-238, 2008.
SILVA, A.M.M. et al. Revisão/Atualização em Diálise: Água para hemodiálise. J Bras. Nefrol.,
v.18, n. 2, p.180-8, 1996.
TAVARES, G. A. et al. Implantação de uma estação de produção de água deionizada para uso
dos laboratórios do CENA/USP empregando resinas de troca-iônica. Revista Analytica, SP, v.
abril/maio, n. 10, p. 243-253, 2004.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
183
IMPORTÂNCIA E OCORRÊNCIA DE PARASITOSES EM HORTALIÇAS1
Natália Motter2; Angelo Weber2; Douglas de Menezes2; Evelise da Costa2;
Débora Pedroso3
1
Trabalho Multidisciplinar - IESA.
Acadêmicos do Curso de Biomedicina – IESA. [email protected]
3
Mestre em Parasitologia. Professora do Curso de Biomedicina – IESA
[email protected]
2
Introdução
Há muito tempo acredita-se que o consumo de hortaliças in natura auxilia na
prevenção de doenças, porém a relação entre alimentação e saúde nunca foi
tão estreita quanto nos dias atuais. Os consumidores, atraídos por hábitos
alimentares saudáveis, aliado a alimentos de baixa caloria como as hortaliças,
podem se expor a diversas enfermidades entéricas, incluindo as parasitoses
que, por sua vez, são capazes de provocar consequências graves, até mesmo
a carência de elementos essenciais ao organismo (CARVALHO et al., 2006).
As hortaliças, especialmente as consumidas cruas, têm especial importância
para a saúde pública, pois são amplamente consumidas pela população e
podem conter cistos de protozoários, ovos e larvas de helmintos, servindo
como uma importante via de transmissão de parasitas intestinais (SIMÕES et
al., 2001).
As enteroparasitoses estão entre os casos mais frequentes de contaminação
em hortaliças, além de ser um problema característico de países em
desenvolvimento, estando entre os fatores debilitantes da população. Elas
causam quadros de diarréia crônica e desnutrição, comprometendo o
desenvolvimento físico e intelectual das faixas etárias mais jovens. Em função
desses efeitos e dos fatores econômicos, diversas iniciativas têm sido dirigidas
para o controle das parasitoses intestinais em diferentes países (RAGAZZI,
2011).
Diante disso, o objetivo deste trabalho foi realizar uma revisão da literatura de
publicações existentes acerca das análises parasitológicas em hortaliças,
verificando principalmente a presença dos parasitas nos vegetais e quais
agentes etiológicos foram mais encontrados.
Metodologia
O estudo foi desenvolvido através de uma revisão descritiva da literatura
científica. O processo de revisão foi através de uma busca nas bases de dados
eletrônicas BVS, Scielo e Google Acadêmico, a partir de artigos publicados no
ano 2000, utilizando os descritores: Enteroparasitoses, Hortaliças, Parasitas,
Transmissão. Na busca, foram encontrados 60 artigos relacionados ao tema,
sendo excluídos 15 artigos por não atenderem aos critérios prévios de inclusão,
10 destes foram publicados antes do ano 2000 e 05 não se enquadravam à
temática. A partir desta análise, foram escolhidos 45 artigos para a revisão.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
184
Discussão
Na maioria dos artigos pesquisados, ocorreram altos índices de contaminações
por formas parasitárias. Esses valores refletem as condições sanitárias,
práticas de cultivo, a exemplo da compostagem com fezes de animais, e
manipulação pós-colheita inadequadas do ponto de vista higiênico-sanitário
(FREITAS, 2004). As características regionais de clima, ambiente, cultura e
manejo agrícola também podem influenciar na variabilidade na ocorrência de
parasitos, tais como larvas, ovos, oocistos e cistos e sua maior ou menor
incidência em hortaliças (ALVES et al., 2013).
Estudos realizados têm demonstrado um elevado número de contaminação de
alfaces por helmintos e protozoários, por estas apresentarem maior
possibilidade de contaminação por água e solo poluído devido à presença de
folhas largas, justapostas, flexíveis e estrutura compacta, permitindo maior
contato com o solo durante seu cultivo e maior fixação das estruturas
parasitárias, propiciando maior resistência aos processos de higienização
(RAMOS et al., 2014).
Com relação aos parasitos encontrados, os resultados mostraram maior índice
de contaminação por Entamoeba sp., seguido de Ascaris sp. e Strongyloides
sp. De acordo com Santana et al. (2006), todos os enteroparasitos identificados
em hortaliças são de suma importância para a saúde pública, pois indicam
contaminação fecal de origem humana e/ou animal, por apresentar espécies de
ocorrência nos homens, animais ou em ambos.
Segundo Neres (2011), resultados associados à presença de Entamoeba sp.
em alimentos são indicadores de baixas condições sanitárias, o que indica forte
potencial de contaminação fecal-oral. Já a presença de Strongyloides sp. e
Ascaris lumbricoides representa importante problema para a saúde pública,
pois desencadeiam transtornos que causam consideráveis perdas econômicas
e na produtividade. Além disso, enfermidades intestinais provocadas pelos
helmintos são importantes pela facilidade na permanência e transmissão, já
que podem contaminar o solo, água e alimentos.
Para se obter maior eficiência em diagnóstico parasitológico para
contaminação, torna-se ideal o uso de pelo menos duas técnicas com
fundamentos diferentes. No estudo de Parteli e Gonçalves (2005), empregouse o método de sedimentação espontânea, o qual se mostrou simples, de fácil
execução, apresentando baixo custo e rapidez nos resultados. Porém, os
autores enfatizam a necessidade de um método padrão, a fim de correlacionar
os resultados e observar a eficiência do método empregado, porque não se
tem a certeza da retirada de todas as estruturas parasitárias da amostra.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
185
*continuação na próxima página.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
186
Conclusão
A frequência de parasitos em hortaliças apresenta uma grande importância
para a saúde pública, fornecendo informações para a vigilância sanitária sobre
a situação em que esses produtos se encontram do ponto de vista higiênicosanitário, permitindo o controle das condições de pré e pós-cultivo. Todavia, o
controle desses parasitos é um grande desafio, particularmente quando se
verifica a inclusão cada vez maior de hortaliças na dieta da população mundial.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
187
Palavras-chave: Enteroparasitas, Hortaliças, Transmissão.
Referências bibliográficas
ALVES, A.S; NETO, A.C. Parasitos em alface-crespa (Lactuca sativa), de plantio convencional,
comercializada em supermercados de Cuiabá, Mato Grosso, Brasil. Rev. Patol. Trop., v. 42, n.
2, p. 217-229, abr/jun. 2013.
CARVALHO, P.G.B.; MACHADO, C. M. M.; MORETTI, C. L. Hortaliças como alimentos
funcionais. Rev. Horticultura Brasileira, v. 24, p. 397-404, 2006.
COSTA, J.R. Ocorrência de Enteroparasitos em amostras de alface (Lactuca sativa L.)
comercializadas na feira livre de Pocinhos – PB. Universidade Estadual da Paraíba, 2012
ESTEVES, F. A. M.; FIGUEIRÔA, E. O. Detecção de enteroparasitas em hortaliças
comercializadas em feiras livres do município de Caruaru (PE). Revista Baiana de Saúde
Pública, v.33, n.2, p. 38-47abr./jun. 2009.
FRAVET, A.. Qualidade da água utilizada para irrigação de hortaliças na região de
Botucatu - SP e saúde pública. Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual Paulista,
2006.
FREITAS, A. A.; KWIATKOWSKI, A. Avaliação parasitológica de alfaces (Lactuca sativa)
comercializadas em feiras livres e supermercados do município de Campo Mourão, Estado do
Paraná. Acta Scient. Biol. Sciences, v. 26, n. 4, p.381-384, 2004.
MESQUITA D. R. et al.; Ocorrência de parasitos em alface-crespa (Lactuca sativa l.) em hortas
comunitárias de Teresina, Piauí, Brasil. Revista Patol. Trop., v. 44, n.1, p. 67-76, 2015.
NERES, A.C. NASCIMENTO, A. H. et al. Enteroparasitos em amostras de alface (Lactuva
sativa var. crispa), no município de Anápolis, Goiás, Brasil. Biosci. J.,Uberlândia, v. 27, n. 2, p.
336-341, 2011.
NORBERG, A.N. RIBEIRO, P.C.. et al. Prevalência de ovos, larvas, cistos e oocistos de
elementos parasitários em hortaliças comercializadas no município de Nova Iguaçu, Rio de
Janeiro, Brasil. Revista de Ciência & Tecnologia v. 8 ,n.1, 2008.
OLIVEIRA S. R. P. et al.; Prevalência de parasitos em alface em estabelecimentos comerciais
na cidade de Bebedouro, São Paulo. Revista Saúde, v.7, n.1-2, 2013.
PARTELI, D.P.; GONÇALVES, S.A. Pesquisa de parasitas intestinais em folhas de alfaces
(Lactuca sativa) comercializadas no município de Vitória-ES. Faculdade Brasileira Univix
Centro de Educação Superior. Vitória: 2005.
QUADROS, R. M.; MARQUES, S.T.; FAVARO, D.A. et al. Parasitos em alfaces (Lactuca sativa)
de mercados e feiras livres de Lages - Santa Catarina. Revista Ciência & Saúde, Porto
Alegre, v. 1, n. 2, p. 78-84, jul/dez. 2008.
RAGAZZI, M. Estudo comparativo da qualidade parasitológica e toxicológica entre
hortaliças cultivadas com água de reuso e hortaliças comercializadas em Ribeirão Preto
- SP. Dissertação (Mestrado). Universidade de São Paulo, 2011.
RAMOS, M.; BEGOTTI, I. L. et al. Avaliação parasitológica de alfaces (Lactuca sativa)
comercializadas no município de Umuarama, Paraná, Brasil. Revista Brasileira de Higiene e
Sanidade Animal, v. 08, n. 3, p. 1-12, 2014.
RODRIGUES, J. Detecção de Enteroparasitos em Alface (Lactuca sativa L) servidas em
restaurantes self servisse de Campina Grande – PB. Universidade Estadual da Paraíba
(UEPB), 2012.
SANTANA, L. R. R.; CARVALHO, R. D. S. Qualidade física, microbiológica e parasitológica de
alfaces (Lactuca sativa) de diferentes sistemas de cultivo. Ciência e Tecnologia de
Alimentos, v. 2, n. 26, p. 264-269, 2006.
SANTARÉM, V.A. GIUFFRIDA, R. CHESINE, P. A. F. Contaminação de hortaliças por
endoparasitas e Salmonella spp. em Presidente Prudente, São Paulo, Brasil. Colloquium
Agrariae, v. 8, n.1, p. 18-25, 2012.
SILVA, M. G..; GONTIJO, E.. E.. L. Avaliação parasitológica de alfaces (Lactuca satiiva)
comercializadas em supermercados e feiras livres do município de Gurupi, Tocantins. Revista
Científica do ITPAC, Araguaína, v.5, n.4, 2012.
SIMÕES, M.; PISANI, B.; MARQUES, E.G.L. Condições higiênico-sanitárias das hortaliças e
águas de irrigação de hortas no município de Campinas, SP. Revista Brasileira de
Microbiologia, v.32, n.4, p. 331-333, 2001.
SOARES, B.; CANTOS, G. Detecção de estruturas parasitárias em hortaliças comercializadas
na cidade de Florianópolis, SC, Brasil. Rev. Bras. Cienc. Farm., São Paulo, v. 42, n. 3, 2006.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
188
VIEIRA, J. N.; PEREIRA, C. P. et al. Parasitos em hortaliças comercializadas no sul do Rio
Grande do Sul, Brasil. Revista de Ciências Médicas e Biológicas, v.12, n.1, p.45-49, jan/abr.
2013.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
189
PAPILOMAVÍRUS HUMANO E O CÂNCER DE COLO UTERINO¹
Douglas de Menezes²; Maraísa Somavilla³; Núbia Medeiros³; Bruna Roratto³;
Ieda Dorneles4; Juliana Posser5.
¹ Trabalho interdisciplinar de Laudos Citopatológicos e SISCAN
² Aluno do curso Téc. Citopatologia-IESA
3
Alunos Téc. Citopatologia-IESA, [email protected]
4
Biomédica, Professora Téc. Citopatologia-IESA
5
Professora orientadora do curso Técnico em Citopatologia-IESA
Introdução
O câncer de colo uterino constitui um importante problema de saúde pública
nos países subdesenvolvidos. No Brasil, as maiores taxas de incidência e
mortalidade concentram-se nas capitais das regiões norte e nordeste
(CORRÊA, 2005). A população feminina enfrenta o câncer do colo uterino
como a terceira maior neoplasia fatal, perdendo apenas para o câncer de pele
e mama. Anualmente, aproximadamente 400.000 novos casos de câncer de
colo uterino são diagnosticados e mais de 200.000 mulheres morrem em
consequência desta neoplasia (PARKIN et al., 2005). Em média, 80% destes
eventos ocorrem nos países em desenvolvimento (MUNOZ, 2003).
O câncer de colo uterino é uma doença de evolução lenta que acomete,
geralmente, mulheres acima de 25 anos. Frequentemente, os cânceres de colo
uterino são incidentes de células escamosas e podem ser classificados em
diferentes graus de benignidade e malignidade, entre elas as lesões intraepiteliais de baixo grau (L-SIL) e as lesões intra-epiteliais de alto grau (H-SIL)
(BRINGHENTI, 2010; FEDRIZZI, 2008).
Uma das descobertas mais importantes da investigação etiológica do câncer
nos últimos 25 anos é a relação entre a infecção pelo HPV e o câncer de colo
de útero (BRAGAGNOLO, 2010). Além da hereditariedade existem outros
fatores de risco para o desenvolvimento de câncer do colo do útero, como o
uso constante de tabaco, paridade, uso de contraceptivos orais e a
imunossupressão adquirida provocada pela infecção do vírus HIV também se
tornam importantes fatores de exposição (GASPAR, 2015; BRASIL, 2010). A
idade da sexarca, o número de parceiros sexuais e a história de doenças
sexualmente transmissíveis estão ligadas ao processo de aquisição do HPV e
não são considerados cofatores para a progressão da infecção pelo vírus
(ROSA et al., 2009).
Conforme estudos, apenas a infecção pelo HPV não é suficiente para levar a
progressão da lesão inicial até o estágio de câncer, pois a história natural das
mulheres com diagnóstico de lesões precursoras de baixo grau é caracterizada
por regressão espontânea e apenas pequena porcentagem persiste evoluindo
para um câncer. Visto isso, a infecção pelo HPV não significa,
necessariamente, que a mulher desenvolverá câncer, poderá haver somente
manifestações sintomatológicas e a mulher pode ter um sistema imune
resistente. Assim, desenvolverá anticorpos para combater e eliminar o vírus, se
tratado precocemente (PEDROSA et al., 2008).
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
190
O diagnóstico do câncer é realizado através do Papanicolaou, porém esse
exame não identifica diretamente a presença do HPV e sim as alterações que
ele pode causar na célula. Diante disso, novas técnicas foram criadas para sua
detecção em casos de câncer de colo uterino, oferecendo melhor sensibilidade
ao diagnóstico. Técnicas como a PCR (reação em cadeia da polimerase) e
captura híbrida podem ser utilizadas em associação à citologia do diagnóstico
precoce e têm como objetivo a identificação de seu genótipo por meio da
amplificação de regiões específicas do DNA viral (BRINGHENTI, 2010; TULIO,
2007).
Atualmente, dois tipos de vacinas são comercializados como medidas
profiláticas e terapêuticas para o HPV (WOLSCHICK et al., 2007). A vacinação
é preventiva e deve ser dada antes da infeção por HPV, a fim de ajudar o
sistema imune a reconhecer a infecção viral antes que a doença se estabeleça
(BRAGUETO & SUZUKI, 2008).
O objetivo deste trabalho é avaliar as perspectivas de prevenção e diagnóstico
precoce de infecções por HPV com o objetivo de reduzir o número de
incidência e mortalidade por câncer de colo uterino no Brasil através da
educação em saúde.
Metodologia
O presente artigo foi realizado através de uma pesquisa bibliográfica em
literatura específica da área, abrangendo o tema de estudo que é o câncer
uterino e HPV, a partir de uma extensa seleção de artigos, obtidos junto aos
principais bancos de dados e bibliotecas virtuais de saúde e medicina. Na
pesquisa de artigos, seguiram-se critérios de inclusões restritos, como: câncer
do colo do útero, vírus HPV, carcinogênese e vacinas profiláticas. As bases de
dados utilizados foram Google acadêmico e SciELO (Scientific Electronic
Library Online).
Discussão
Segundo dados, estima-se que pelo menos 50% dos indivíduos sexualmente
ativos adquirirá algum tipo de HPV durante a vida, e 80% das mulheres
entrarão em contato com algum HPV até os 50 anos de idade (GELLER et al.,
2008).
Um dos primeiros países a introduzir o exame para a detecção precoce do
câncer de colo do útero, o Papanicolau, foi o Brasil em 1940 e, mesmo
contando com esse privilégio, essa doença ainda se constitui como um grave
problema de saúde pública. O Brasil ocupa uma preocupante posição de
destaque no alto índice de contaminação por HPV, uma das conseqüências
deste problema é que apenas 30% das mulheres submetem-se ao exame
citopatológico pelo menos três vezes na vida, o que resulta em um diagnóstico
tardio, em fase já avançada em 70% dos casos (ITO et al., 2010).
O diagnóstico precoce é a forma mais eficaz de combater a doença no estágio
inicial, pois permite o rastreamento das lesões oriundas de infecção por HPV,
que provocam alterações morfológicas nas células e podem ser detectadas em
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
191
citologia de raspados cervicovaginais, caracterizando o exame de rotina para
detecção de câncer de colo do útero um importante aliado na redução de casos
por essa patologia (VALDERRAMA et al., 2003).
É de suma importância cuidados especiais aos fatores relacionados com a
evolução da neoplasia cervical, uma vez que sua relação com a persistência da
infecção por HPV e progressão para câncer de colo uterino está estabelecida
(ITO et al., 2010). Portanto, controle do uso de tabaco, uma dieta com
qualidade nutricional e a diminuição do número de parceiros sexuais contribui
para a profilaxia e regressão da doença (GUERRA et al., 2005).
Conclusão
Portanto, oferecer informação para comunidade em geral, visando à
conscientização de todos, sobre a importância da detecção precoce, levando
informações sobre o tratamento e prevenção, desmistificando, assim, a
doença, principalmente em classes econômicas onde as condições de vida são
menos favorecidas é de grande importância para a redução dos casos dessa
patologia.
Palavras-Chave: Câncer do colo do útero, Vírus HPV, Carcinogênese, Vacinas
profiláticas.
Referencias bibliográficas
BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer. Plano de Ação para Redução da
Incidência e Mortalidade por Câncer do Colo do Útero, 2010.
BRINGHENTI, M.E.Z. et al. Prevenção do câncer cervical: associação da citologia oncótica a
novas técnicas de biologia molecular na detecção do Papilomavírus humano. Jornal Brasileiro
de Doenças Sexualmente Transmissíveis, v.22, n.3, p.135-140, 2010.
BRAGAGNOLO, A.; ELI, D.; HAAS, P. Papiloma Vírus Humano (HPV). Revista Brasileira de
analises clinicas, v.42, p.91-96, 2010.
BRAGUETO, T.; SUZUKI, L.E. Vacinas contra o Papilomavírus Humano–HPV. Revista
NewsLab, v.87, p.58-68, 2008.
CORRÊA, G.J. Prevalência do Papilomavírus humano (hpv) em mulheres portadoras de lesões
intra-epiteliais escamosas de alto grau e carcinoma epidermóide invasor do colo uterino. Pósgraduação em medicina tropical, Manaus, 2005.
FEDRIZZI, E.N.; SCHLUP, C.G.; MENEZES, M.E.; OCAMPOS, M. Infecção pelo Papilomavírus
humano (hpv) em mulheres de Florianópolis, Santa Catarina. Jornal Brasileiro de Doenças
Sexualmente Transmissíveis, v.20, n.2, p.73-79, 2008.
GASPAR, J.; QUINTANA, S.M.; REIS, R.K.; GIR, E. Socio demographic and clinical factors of
women with HPV and their association with HIV. Revista Latino Americana de
Enfermagem, Ribeirão Preto, v.23, n.1, 2015.
GELLER, M.; ABOIM, E.; CAMPOS, C.D. Papilomavírus humano – fatores de risco,
carcinogênese, resposta imune e tratamento. Jornal Brasileiro de Medicina, v.94, n.3, p.4346, 2008.
GUERRA, M.R.; GALLO, C.V.M.; MENDONÇA, G.A.S. Risco de câncer no Brasil: tendências e
estudos epidemiológicos mais recentes. Revista Brasileira de Cancerologia, v.51, n.3 p.227234, 2005.
ITO, M. et al. Dimensão da participação do Papilomavírus humano (HPV) na evolução do
câncer cérvico-vaginal. Revista Brasileira de Análises Clínicas, v.42, n.2, p.127-129, 2010.
MUNOZ, N.; BOSCH, F.X.; SANJOSÉ, S. et al. Epidemiologic Classification of Human
Papillomavirus Types associated with Cervical Cancer. England Journal of Medicine, v.348,
n.6, p.518-527, 2003.
PEDROZA, M.L.; MATTOS, I.E.; KOIFMAN, R.J.
Lesões intra-epiteliais cervicais
em
adolescentes: estudo dos achados citológicos entre 1999 e 2005, no município do Rio de
Janeiro, Brasil. Caderno de Saúde Pública, v.24, n.12, p.2881-2890, 2008.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
192
PARKIN, D.M.; BRAY, F.; FERLAY, J.; PISANI, P. Global câncer statistics Câncer. Journal
of Clinical Oncology, v.55, n.2, p.74-108, 2005.
ROSA, M.I.; MEDEIROS, L.R.F.; ROSA, D.D. et al. Papilmavírus humano e neoplasia
cervical. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.25, n.5, p.953-964, 2009.
TULIO, S.; PEREIRA, L.A.; NEVES, F.B. et al. Relação entre a carga viral de HPV oncogênico
determinada pelo método de captura híbrida e o diagnóstico citológico de lesões de alto grau.
Jornal Brasileiro de Patologia Médica laboratorial, v.43, n.1, p.31-35, 2007.
VALDERRAMA, A.J. et al. Importância de critérios morfológicos não clássicos para o
diagnostico citológico do Papilomavírus Humano. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina
Laboratorial, v.39, n.1, p.81-89, 2003.
WOLSCHICK, N.M.; CONSOLARO, M.E.L.; SUZUKI. L.E. et al. Câncer do colo do útero:
tecnologias emergentes no diagnóstico, tratamento e prevenção da doença. Revista Brasileira
de Analises. Clinicas, v.39, n.2, p.123-129, 2007.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
193
PREVALÊNCIA DE ANEMIA FERROPRIVA EM PRÉ-ESCOLARES NA
REGIÃO NORDESTE DO BRASIL: UMA REVISÃO¹
Gabriel Fabrin2; Angelo Weber²; Natália Motter2; Bruna Vargas²; Juliana
Posser3; Ieda Dorneles4
¹Trabalho de pesquisa bibliográfica.
2
Acadêmicos do curso técnico em Citopatologia e Biomedicina CNEC/IESA.
[email protected]
³Biomédica,
Professora
do
curso
técnico
em
Citopatologia.
[email protected]; [email protected]
Introdução
As anemias constituem um sério problema de Saúde Pública no mundo,
sobretudo, as anemias carenciais, atingindo mais de 2 bilhões de pessoas,
principalmente, em países em desenvolvimento. Segundo a Organização
Mundial de Saúde (OMS), preconiza-se anemia nutricional qualquer situação
em que os valores de Hemoglobina (Hb) estejam abaixo de 11 g/dL, levando
em consideração a idade, o gênero e o estado fisiológico. Considera-se anemia
os valores de Hb que forem inferiores à 13 g/dL para homens, 12 g/dL para
mulheres e 11g/dL para gestantes e crianças (CAPANEMA, 2003; UMBELINO,
2006).
As anemias nutricionais são causadas pela carência simples ou combinadas de
nutrientes, como a vitamina B12, ácido fólico e ferro. A deficiência de ferro que
causa um quadro clínico conhecido como Anemia Ferropriva é uma anemia
carencial, comum e com abrangência em todo o mundo, principalmente em
áreas subdesenvolvidas (OSÓRIO, 2002; BRUNKEN, 2001). Dados mais
recentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), estimam que a
anemia ferropriva atinja cerca de 50% das crianças em idade pré-escolar e
20% em adolescentes (GOMES, 2013).
Embora a anemia atinja todas as camadas sociais, faz-se necessário voltar
atenção especial para as regiões brasileiras com maiores desigualdades
sociais e econômicas, como o Nordeste do Brasil. Nesta região, a população
vive em constante insegurança alimentar e nutricional, abrangendo os
municípios de piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil
(CAVALCANTI, 2014).
A dosagem de Hb é o meio mais comum utilizado no diagnóstico de anemias,
entretanto, esse parâmetro, quando usado isoladamente, possui baixa
especificidade e sensibilidade, isso porque os níveis de Hb não acompanham a
redução do estoque de ferro. Para o diagnóstico correto, os parâmetros que
devem ser avaliados na determinação de uma anemia ferropriva são: ferro
sérico, ferritina sérica, capacidade de ligação total do ferro, índice de saturação
da transferrina, protoporfirina eritrocitária e o recepetor de transferrina
(GROTTO, 2010; VERRASTRO, 2002).
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
194
Dessa forma, o presente estudo tem como objetivo realizar uma pesquisa
bibliográfica sobre a prevalência de Anemia Ferropriva em pré-escolares na
região nordeste do Brasil.
Metodologia
Trata-se de uma revisão descritiva da literatura científica, abordando temas
referentes aos grupos focais e sua relação com instrumentos de avaliação de
qualidade de vida. O processo de revisão foi realizado através de uma busca
nas bases de dados eletrônicas Pubmed, PNAS e Scielo, a partir de artigos
publicados do ano 2000, utilizando os descritores: Anemia, Anemia Ferropriva,
Deficiência de Ferro. Foi encontrado um total de 10.600 artigos, estes
passaram por uma análise de título, resumo e ano, para então refinar aqueles
que estavam mais relacionados ao tema pesquisado. Após essa análise, foram
separados 56 artigos, dos quais foi realizada uma leitura na íntegra, sendo
selecionados 18. Os demais artigos, totalizando 38, foram excluídos por não
abordarem a temática pretendida nesta revisão.
Discussão
Tem-se observado nas últimas décadas um aumento da gravidade dos casos
de anemia ferropriva nos grupos de risco, em todas as regiões do país,
independente de seu nível socioeconômico. Essas evidências são de grande
importância epidemiológica, na medida em que a anemia exerce efeito negativo
no desenvolvimento psicomotor e na aprendizagem da criança e diminui a
capacidade de resposta do sistema imunológico (SANTOS, 2007).
Após a realização da análise dos artigos, constatou-se através dos trabalhos
que avaliavam a anemia ferropriva em crianças na região nordeste do Brasil,
que a média regional é de 53% de crianças acometidas pela anemia ferropriva
(Tabela 1). Além disso, foi possível analisar a média da faixa etária regional
destas crianças, equivalendo, ao público infantil, a 22 meses como o período
mais susceptível para a ocorrência desta enfermidade.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
195
Tabela 1
Relação entre artigos consultados e prevalência de anemia.
A média nacional de anemia ferropriva em pré-escolares, segundo NutriSUS
(2015), é de aproximadamente 50% em todo o Brasil, valor similar encontrado
de prevalência da região nordeste, correspondendo a 53%. De acordo com
Jordão et al (2009), os fatores associados à maior prevalência de anemia na
região nordeste são o baixo consumo de ferro heme devido as precárias
condições de pobreza, rede de distribuição pobre em alimentos de origem
animal, condições ambientais desfavoráveis para o plantio de frutas e verduras,
saneamento básico precário e alto riso de parasitoses. Vide tabela em anexos.
A faixa etária média encontrada nos estudos foi de 22 meses, assim como
relata Cardoso et al (2008) em seu estudo, onde a faixa etária mais acometida
na infância pelo baixo aporte de ferro são crianças entre 6 e 24 meses, em
função do crescimento e desenvolvimento acelerado, que exigem
necessidades de ferro aumentadas. Além disso, a dieta das crianças nesta
faixa etária tende a ser mais monótona com baixo consumo de carnes e
alimentos enriquecidos com ferro, associada ao desmame precoce, ou seja, à
medida que diminui a duração do aleitamento materno a criança fica mais
carente de alguns nutrientes, dentre eles, o ferro (SIILVEIRA et al., 2008).
Para Teixeira (2006), os fatores envolvidos na etiologia da anemia ocorrem
dentro de um contexto político, econômico e social, que, quando adverso,
levam a uma precariedade da qualidade de vida e saúde da população,
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
196
colaborando para o agravamento do quadro de carências nutricionais,
principalmente nas crianças.
Conclusão
Considerando as consequências da anemia ferropriva, ações mais efetivas na
saúde pública devem ser promovidas, reforçando as práticas de alimentação
de lactentes e crianças, promover o aleitamento materno e orientar a
alimentação complementar adequada. A suplementação com sais de ferro e /
ou fortificação de alimentos básicos com o objetivo de restaurar as reservas de
ferro em populações vulneráveis seria uma estratégia a ser implantada.
Palavras-Chave: Anemia, Anemia ferropriva, deficiência, criança.
Referências bibliográficas
ASSIS, A. M.; BARRETO, M.L.; et al. Childhood anemia prevalence and associated factors in
Salvador, Bahia, Brazil. Cad. Saúde Publica. v.20, p. 1633-41, 2004.
ASSIS, A. M.; GAUDENZI, E. N.; et al. Hemoglobin concentration, breastfeeding and
complementary feeding in the first year of life. Rev. Saúde Publica. v. 38, p. 543-51, 2004.
BRUNKEN, Gisela S, et al. Anemia em crianças menores de 3 anos que frequentam creches
públicas em período integral. Jornal de Pediatria. Porto Alegre, v. 77, n.1 p. 50-56, agosto
2001.
CAPANEMA, Flávio Diniz, et al. Anemia ferropriva na infância: novas estratégias de prevenção,
intervenção e tratamento. Rev. Med Minas Gerais., Minas Gerais, v. 13, n. 4, p. 30-34, julho
2003.
CAVALCANTI, Débora Silva et al . Iron intake and its association with iron-deficiency anemia in
agricultural workers' families from the Zona da Mata of Pernambuco, Brazil. Rev. Nutr.,
Campinas, v. 27, n. 2, p. 217-227, Apr. 2014.
CORREA, M. M.; ARPINI, L. da S. B.; FERREIRA, D. M. Estado nutricional e prevalência de
anemia em crianças menores de 36 meses. Rev. Bras. Promoç. Saúde, v. 27, n. 1, p.109-116,
2014.
COSTA, M. J.; TERTO, A. L.; et al. Supplementation with West Indian cherry and its effects on
the blood levels of vitamin C and hemoglobin in preschool children. Rev. Nutr., v. 14, p. 13-20,
2001.
FERREIRA, M. L.; FERREIRA, L. O.; et al. Effectiveness of weekly iron sulfate in the Family
Health Program in Caruaru, Pernambuco State, Brazil. Cad. Saude Publica, v.19, p. 375-81,
2003.
GOMES, I. K. O. et al., Proposta de plano assistencial para gestantes com anemia ferropriva.
Rev. de Enfermagem da Universidade Federal do Pernambuco, ed.7, v. 7, p. 4789-4795,
jul./2013.
GROTTO, Helena Z. W.. Diagnóstico laboratorial da deficiência de ferro. Rev. Bras. Hematol.
Hemoter., São Paulo , v. 32, supl. 2, p. 22-28, Jun 2010 .
JORDÃO, R. E.; BERNARDI, J. L. D.; et al. Prevalência de anemia ferropriva no Brasil: uma
revisão sistemática. Rev. Paulista de Pediatria, v.27, n.1, p.90-8, 2009.
LEAL, L. P.; OSÓRIO, M. M. Validity and reproducibility of the clinical signs for the diagnosis of
anemia in children. Cad. Saude Publica, v. 21, p. 565-72, 2005.
LIMA, A. C.; LIMA, M. C.; et al. Impact of weekly treatment with ferrous sulfate on hemoglobin
level, morbidity and nutritional status of anemic infants. J. Pediatr, v.82, p. 452-7, 2006.
NUTRISUS. Guia de Evidências – Estratégia de fortificação da alimentação infantil com
micronutrientes (vitaminas e minerais) em pó. Ministério da Saúde, Brasília - Distrito Federal,
2015.
SANTOS, M.M. Efetividade de diferentes estratégias de intervenção com ferro nos níveis de
hemoglobina e ferritina em escolares de Teresina, Piauí, Brasil. Cad. Saúde Pública v. 23, n.7,
p. 1547-1552, 2007.
TEIXEIRA, C. N. Conhecimentos e práticas de educadoras infantis sobre anemia. Rev. Bras.
Saude Mater. Infant. v.6, n.2, p. 209-16, 2006.
UMBELINO, D. C.; ROSSI, E. A. Deficiência de ferro: Consequências biológicas e propostas de
prevenção. Rev. de Ciências Farmacêuticas Básica e Aplicada, v. 27, n. 2, p. 103-112,
2006.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
197
VERRASTRO, T. Hematologia e hemoterapia: Fundamentos de morfologia, fisiologia,
patologia e clínica. Atheneu: São Paulo, 2002.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
198
VETORES MECÂNICOS E SEUS AGENTES BACTERIANOS EM
INFECÇÕES HOSPITALARES¹
Jéssica Fabíola Fenner2; Renata Cardozo²; Larissa Marafiga2; Priscila Seibert2;
Caroline Eickhoff Copetti Casalini3; Carine Eloise Prestes Zimmermann3.
1
Trabalho Interdisciplinar – Revisão de Literatura. Setor de Microbiologia e
Saúde Pública- LAC/IESA.
2
Acadêmicas do Curso de Biomedicina do CNEC/IESA.
[email protected]; [email protected];
[email protected]; [email protected]
3
Professora Supervisora do Estágio em Microbiologia e Saúde Pública do
Curso de Biomedicina do CNEC/IESA. [email protected];
[email protected]
Introdução
As bactérias são parte natural da vida na terra, podem ser encontradas em
qualquer lugar, são imprenscindíveis para manter o equilibrio do organismo
humano, revestindo pele, mucosas e trato intestinal (SANTOS, 2004). Em
razão de um desequilibrio da flora normal devido ao estado de saúde dos
indivíduos ocorrem as infecções cujo mecanismo de defesa contra a mesma
fica debilitado (LOPES, 2010).
A resistência bacteriana pode ser adquirida ou natural. Considerando a
resistência adquirida, a qual ocorre em quase todas as espécies de bactérias,
devido aos fenômenos genéticos que estão relacionados à existência de genes
contidos no microrganismo que impede a ação das drogas (TAVARES, 2000).
Toda essa resistência facilita a disseminação dos microrganismos,
principalmente aos hospitais pelo fato de se ter indivíduos vulneráveis à
diversas patologias (GURGEL; CARVALHO, 2008).
Infecção hospitalar é um problema de saúde pública e considerado um fator
preocupante devido ao alto índice de mortalidade. A contaminação contraída
no periodo de internação hospitalar, muitas vezes é desenvolvida após o
desequilibrio da flora bacteriana, depois do contato com a microbiota hospitalar
e procedimentos invasivos. Sendo que o risco de infecções nesse ambiente
ocorre devido a reunião de pessoas com diferentes vulnerabilidades à
patologias (SAMPAIO; DIAS; DE OLIVEIRA, 2013). Segundo o Ministério da
Saúde, na Portaria nº 2.616 de 12/05/1998, que determina que a infecção
hospitalar é toda e qualquer infecção adquirida pelo paciente, que se manifeste
durante a internação ou após a alta, quando puder ser relacionada com a
internação ou procedimentos hospitalares.
A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) dá suporte de vida para falências
orgânicas, bem como monitorização intensiva para pacientes com quadros
graves (MARTINS, 2006). Segundo Moura et al. (2007) os pacientes internados
em UTI estão sujeitos a riscos cerca de 10 vezes maiores para adquirir
diversos tipos de infecções do que aqueles que estão internados em outras
unidades do hospital, e são expostos a maiores fatores de risco devido a
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
199
procedimentos invasivos, drogas imunosupressoras, cirurgias complexas,
antimicrobianos e contato direto com equipes de saúde.
Cada vez mais, tem se observado que vetores mecânicos são um dos
principais causadores de infecções hospitalares, sendo os artrópodes os
vetores hospitalares mais importantes. Dentre eles, destacam-se as formigas e
as baratas, devido a sua fácil adaptação a diversos ambientes. A presença
desses vetores influencia na qualidade do atendimento hospitalar, além de
causar diversos danos aos pacientes (JACOBS; ALVES, 2014).
Beste contexto, o objetivo do presente estudo foi realizar uma revisão de
literatura abordando alguns vetores mecânicos relacionados a infecções
hospitalares e seus principais agentes bacterianos.
Metodologia
Trata-se de uma revisão bibliográfica com base em artigos acadêmicos e
dados secundários. As informações sobre o material bibliográfico concentramse nas publicações da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) nas bases de dados
Lilacs (Literatura Latino-Americana em Ciências da Saúde), Medline (Literatura
Internacional em Ciências da Saúde) e SciELO (Scientific Eletronic Library
Online) no idioma português. Os descritores utilizados foram: Infecções
bacterianas hospitalares, bactérias causadoras de infeçcões hospitalares,
vetores mecânicos de infecções hospitalares. Foram encontrados o total de 22
artigos, estes passaram por uma análise de título e resumo para então
selecionar os ue estavam relacionados ao tema pes uisado “Principais
agentes causadores de infecções em ospitais e suas causas” e ue foram
publicados nos últimos 20 anos.
Discussão
Os insetos vetores são artrópodes que transferem o agente infeccioso da fonte
de infecção para um hospedeiro suscetível. O vetor mecânico é considerado
um vetor acidental, nele os agentes etiológicos não são capazes de multiplicarse, mas quando presentes em grande quantidade no ambiente, podem
carregar em partes de seu corpo os agentes etiológicos de um local para o
outro (REYS, 2003). A associação entre formiga e bactéria representa um
perigo potencial a saúde coletiva, devido a facilidade das bactérias serem
carreadas por esses insetos em sua superfície corporal. Com isso formigas
presentes em hospitais geralmente apresentam alguma espécie de bactérias
patogênicas (MAIA et al., 2009).
Segunda Da Costa et al. (2006) relatam que a disseminação de infecções
hospitalares tem como vetores mecânicos as formigas, pelo fato das mesmas
transportarem microrganismos patogênicos, circularem por vários setores do
hospital (LOPES, 2010), possuirem grande mobilidade (TANAKA et al., 2007) e
serem carreadas pelo ser humano, de sua residência, até o hospital (SÁ,
2013). De acordo com Lopes (2010) a estrutura dos hospitais favorece o
deslocamento das formigas, que podem adquirir bactérias em ambientes
contaminados tais como banheiros, cozinha, enfermarias e as carrearem para
locais restritos a microrganismos como esterilização, centro cirurgico e UTI.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
200
Um estudo realizado por Jacobs e Alves (2014), os quais determinaram a
distribuição de formigas no setor hospitalar, foi observado que havia uma maior
quantidade de formigas na unidade Pré/Pós cirúrgica (SUS). Esse resultado
vem de encontro com o observado por Lopes (2010), que verificou a clínica
cirurgica como o local mais acometido por formigas. Corroborando, Santos,
Fonseca e Sanches (2009) observaram a presença de formigas no bloco
cirúrgico e em locais de isolamento, sendo esses considerados áreas de risco.
Os hospitais oferecem às baratas, além de abrigo, alimentação, através da
comida servida aos pacientes e também alimentação através de excrementos e
secreções destes, roupas e lixos. Com isso ao percorrer o ambiente hospitalar
elas carreiam os microrganismos através das partes de seu corpo, podendo
muitas vezes contaminar alimentos dos pacientes, roerem os lábios e ponta
dos dedos dos mesmos em busca de alimento (REYS, 2003).
Conclusão
Diante disso, observou-se que dentre os vários meios de contaminação e
disseminação de patógenos nos hospitais, a presença de insetos que agem
como vetores mecânicos é preocupante. Sendo importante ressaltar que os
insetos podem estar atuando como principais fontes em diversos casos de
infecção cruzada, seja diretamente, ao entrar em contato com o paciente ou
indiretamente, quando passam por equipamentos médicos que entrarão em
contato com o paciente. Cabe então ao setor responsável pelo controle de
pragas juntamente com outros setores, não somente com as formigas e
baratas mas também ácaros, moscas e outros insetos, tornando assim, o
cuidado com infestações, um ato muito importante para a qualidade de
atendimento hospitalar e do bem estar dos pacientes.
Palavras-chave:
hospitalares.
Infecções
hospitalares,
Vetores
mecânicos,
Bactérias
Referências Bibliograficas
DA COSTA, S.B. et al. Formigas como vetores mecânicos de microorganismos no Hospital
Escola da Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Revista da Sociedade Brasileira de
Medicina Tropical, v. 39, n. 6, p. 527-529, 2006.
GURGEL, T; CARVALHO, W. A Assistência Farmacêutica e o Aumento da Resistência
Bacteriana aos Antimicrobianos. Latin American Journal of Pharmacy, v. 27, n. 1, p. 118-23,
2008.
JACOBS, C; ALVES, I.A. Identificação de microrganismos veiculados por vetores mecânicos no
ambiente hospitalar em uma cidade da região noroeste do estado Rio Grande do Sul. Revista
Epidemiologia e Controle de Infecção, v. 4, n. 4, p. 1-11, 2014.
LOPES, C.A. Formigas como vetores de bactérias em ambiente hospitalar no município
de Bebedouro, São Paulo. 2010. 24f. Trabalho de conclusão de curso (Bacharel/licenciatura
em Ciências Biológicas) Faculdades Integradas Fafibe- Curso de Ciências Biológicas,
Bebedouro, 2010.
MAIA, Z.P; GUSMÃO. A.B; BARROS, T.F. Formiga como fator de risco para infecções
nosocomiais. SaBios: Rev. Saúde e Biol, v.4, n.2, p.47-51, 2009.
MARTINS, P. Epidemiologia das Infecções em centro de terapia intensiva de adulto. 2006.
Dissertação (Mestrado em Medicina Tropical) Universidade Federal de Minas Gerais:
Faculdade de Medicina, Belo Horizonte, 2006.
MOURA, M.E et al. Infecção hospitalar: estudo de prevalência em um hospital público de
ensino. Rev. bras. enferm, v. 60, n.4, 2007.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
201
MINISTÉRIO DA SAÚDE (BR). Expede na forma de anexos diretriz e normas para a prevenção
e controle das infecções hospitalares: Portaria Nº 2.616, de 12 de maio de 1998. Diário Oficial
da União jul 1998.
REYS, L.M. Baratas como Fonte Mecânica de Transmissão de Patógenos Hospitalares.
14 f. Trabalho de Conclusão de curso. Centro Universitário de Brasília: Faculdade de Ciências
da Saúde, Brasília, 2003.
SÁ, D.M. Diversidade de formicidae em ambiente hospitalar público do município de
Macapá-Amapá. 2013, 81f. Dissertação (Mestrado em Ciências da Saúde). Fundação
Universidade Federal do Amapá, Macapá, 2013.
SAMPAIO, C.P; DIAS, F.M; DE OLIVEIRA, M.V. Principales bacterias que causan infección
hospitalaria. EFDeportes.com, Revista Digital. v.18, n. 182, p. 1, 2013.
SANTOS, N.Q. A resistência bacteriana no contexto da infecção hospitalar. Texto & Contexto
– Enfermagem, v.13, p. 64-70, 2004.
SANTOS, P.F; FONSECA, A.R; SANCHES, N.M. Formigas (Hymenoptera: Formicidae) como
vetores de bactérias em dois hospitais do município de Divinópolis, Estado de Minas Gerais.
Rev. Soc. Bras. Med. Trop, v. 42, n. 5, p. 565-569, 2009.
TANAKA, I.I; VIGGIANI, A.M; PERSON, O.C. Bactérias veiculadas por formigas em ambiente
hospitalar. Arq Med ABC. v. 32, n. 2, p. 60-63, 2007.
TAVARES, W. Bactérias gram-positivas problemas: resistência do estafilococo, do enterococo
e do pneumococo aos antimicrobianos. Rev. Soc. Bras. Med. Trop, v. 33 n.3, 2000.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
202
A IMPORTÂNCIA DA PERCEPÇÃO DOS USUÁRIOS SOBRE O SISTEMA
ÚNICO DE SAÚDE¹
Fernanda Sauer Ferreira²; Fernanda Bender Ribeiro²; Yana Picinin Sandri
Lissarassa3; Carine Eloise Prestes Zimmermann3
1
Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação em Biomedicina.
Acadêmicas do curso de Biomedicina do CNEC/IESA.
[email protected]; [email protected]
3
Professora Orientadora do curso de Biomedicina do CNEC/IESA.
[email protected]; [email protected]
2
Introdução
As transformações que ocorreram no país a partir da inserção do Sistema
Único de Saúde (SUS) ocasionaram a busca por uma estratégia prática de
reorganização da Atenção Primária a Saúde (APS) e que gerassem resultados
sobre o quadro sanitário (PEREIRA, 2014). A Estratégia de Saúde da Família
(ESF), junto com o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS)
apresentaram a familia como parte da ação programática de saúde nas
comunidades e não mais somente o indivíduo, sendo assim inserida a
cobertura por família (VIANA; DAL POZ, 1998).
Visando essas melhorias no atendimento e a valorização dos profissionais da
saúde e dos usuários do sistema, em 2003, surgiu a Política Nacional de
Humanização da Atenção e Gestão do SUS – Humaniza SUS (PNH). O qual
veio encorajar novos planos de ações para as políticas públicas e também
visou transformar o modelo de atenção e de gestão do SUS, priorizando o
acolhimento dos cidadãos e fortalecendo a APS (BENEVIDES; PASSOS,
2005).
O ato de acolher se refere a reconhecer o que o próximo traz como sua queixa
e necessidade de saúde. Através do acolhimento é que se afirma a relação
entre equipe/serviço e usuário/comunidade que deve ser oferecido pelo SUS.
Ele é realizado de forma coletiva e contínua, a partir da verificação dos
processos de trabalho e tem como propósito a implantação de confiança,
compromisso e vínculo entre o profissional e o sujeito que necessita de auxilio,
para a resolução do seu “pro lema” na rede de saúde (BRASIL, 2003 .
Nesse sentido, a PNH também inclui em suas metas ter a educação
permanente em saúde como principal estratégia para o progresso nos serviços
de saúde. O Ministério da Saúde prioriza o atendimento como qualidade e a
participação dos gestores, profissionais e usuários em todo processo, com o
propósito de proporcionar a humanização da assistência (BRASIL, 2006;
CARVALHO, 2008).
O acolhimento tem as práticas relacionadas com as ações de atenção e gestão
na saúde, favorecendo a construção de uma relação com confiança e
compromisso dos usuários juntamente com as equipes e os serviços, assim
gerando a promoção da cultura de solidariedade e legitimação do sistema
(BREHMER; VERDI, 2010). Além disso, visa transformar a maneira de
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
203
organizar o funcionamento das instituições de saúde, favorecendo ao usuário
entender o sistema e ser beneficiado com o trabalho da equipe
multiprofissional, que irá orientar e disponibilizar uma resposta para a queixa do
paciente (BRASIL, 2006).
A percepção do usuário do SUS é de grande importância para avaliar as ações
que são desenvolvidas no setor da saúde pública, seja no âmbito municipal ou
estadual, e serve como condutor de direcionamento e planejamento dos
serviços. Dessa maneira, a melhoria das ações em saúde pode ser baseada
nessas avaliações, que se baseiam totalmente na visão que o usuário teve
quando necessitou de atendimento, servindo de orientação para melhoria do
sistema. Sendo assim, essas avaliações são uma maneira de acolher o
usuário, percebendo suas maiores necessidades e dificuldades, fazendo com
que o usuário tenha um vínculo otimizando assim os serviços e facilitando o
acesso (ARAKAWA et al., 2012).
Neste contexto o presente estudo tem como objetivo discutir sobre a
importância da percepção dos usuários sobre o Sistema Único de Saúde.
Metodologia
Trata-se de uma revisão de literatura com base em artigos acadêmicos, livros,
códigos de ética e dados secundários. As informações sobre o material
bibliográfico concentraram-se nas publicações da Biblioteca Virtual em Saúde
(BVS), nas bases de dados Lilacs (Literatura Latino-Americana em Ciências da
Saúde), Medline (Literatura Internacional em Ciências da Saúde) e SciELO
(Scientific Electronic Library Online). Os descritores utilizados para a busca do
material foram: percepção, usuários do SUS, atenção primária a saúde e
acolhimento.
Discussão
De acordo com os princípios do SUS os serviços devem ser direcionados,
principalmente, para a prevenção e promoção da saúde, não somente
buscando a cura das doenças ou resolutividade de algum problema de saúde.
Segundo Ribeiro e colaboradores (2006) o padrão de atendimentos de usuários
e não usuários do SUS está ligado ao estado de falta de saúde e também
quanto a percepção que estes possuem do sistema.
Segundo estudos realizados por Falk e colaboradores (2010) sobre o
acolhimento, dentre os usuários entrevistados, 30% deles definiam-o como
“atenção”, 27,3% definiram como “rapide e agilidade no atendimento”, 10%
entendiam como “resolutividade”. Sc imit
e Lima (2004 definem o
acolhimento como a escuta qualificada, onde busca-se entender a real
necessidade do paciente através de conversas, gerando assim um vínculo
entre profissionais, usuários e a comunidade. Quando os profissionais da
saúde foram questionados sobre o acolhimento, 27,3% definiriam o
acol imento como “encamin amento para outros profissionais”, 27,3%
“individualidade e escuta” e 18,2% atenção (FALK et al., 2010 . Perce e-se
então que não existe uma definição padrão entre os profissionais, entretanto há
uma noção sobre essa ferramenta e a execução da mesma.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
204
Um estudo realizado por Almeida e colaboradores (2009), sobre o ensino nas
Instituições de Ensino Superior, constatou que a grade curricular dos cursos
são muito importantes para a formação do profissional. Neste mesmo estudo
foi pesquisado a relevância da disciplina de saúde pública e a maioria
concordou ser “relevante” para as práticas de estágio e futuro profissional.
Complementando esse contexto e associando com o cotidiano da saúde
pública, percebe-se que nem todos os profissionais conseguem praticar
acolhimento e entendem a logística dos serviços, resultando numa percepção
não tão positiva para o usuário. O qual julga o serviço como mal organizado e
muitas vezes até como desumano quando seu problema não é resolvido.
Sendo assim, a possibilidade de analisar a percepção de usuários sobre o SUS
é de extrema importância, pois além de avaliarem o seu conhecimento sobre o
sistema, transparecem as principais fragilidades do mesmo. Então através
dessa discussão forma-se a seguinte questão: Como as Instituições podem
colaborar para formar um profissional apto para atender as necessidades do
SUS? Segundo Ciuffo e Ribeiro (2008), o SUS deve ser reconhecido como
ordenador da formação em todos os cursos da saúde, e Feuerwerker (2002)
destaca que isso requer uma mudança nos currículos dos cursos, orientados
pela integralidade e pela revisão do trabalho e gestão do SUS. Assim, com
profissionais conhecedores da área e preparados para qualificar os serviços de
saúde, os usuários terão uma percepção diferente dos serviços e
consequentemente uma melhor satisfação.
Conclusão
O acolhimento torna os processos de atendimentos mais adequado,
contribuindo para a satisfação do usuário e também gerando resolutividade do
problema, através da escuta qualificada e da criação do vínculo
usuário/profissional. A possibilidade de analisar a percepção dos usuários
sobre o SUS pode evidenciar as fragilidades do sistema e indicar os pontos
que deverão ser fortalecidos na rede de atendimento, da mesma forma pode
indicar o nível de qualificação dos profissionais do SUS.
Sendo assim, destaca-se a importância da inserção de práticas e vivências,
juntamente com o envolvimento em políticas públicas, nas Instituições de
Ensino Superior, para que o futuro profissional tenha capacidade de auxiliar na
resolutividade do serviço, qualificando o atendimento e o tornando humanizado.
Palavras-chave: Acolhimento, SUS, Percepção do usuário.
Referências bibliográficas
ALMEIDA, A. F. et al. Estudantes da área da saúde vivenciando o SUS: Enfermagem,
Farmácia e Psicologia. Revista Brasileira de Pesquisa em Saúde, v. 11, n. 4, p. 10-16, 2009.
ARAKAWA, A. M. et al. Percepção dos usuários do SUS: expectativa e satisfação do
atendimento na estratégia de saúde da família. Revista Cefac, v. 6, n. 14, p.1108-1114. 2012.
BENEVIDES R., PASSOS E. Humanização na saúde: um novo modismo? Interface:
Comunicação, Saúde e Educação, v. 9, n. 17, p. 398-406. 2005.
BRASIL. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Legislação do SUS / Conselho
Nacional de Secretários de Saúde. v. 20, p. 604. 2003.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
205
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretária de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da Política
Nacional de Humanização. Acolhimento nas práticas de produção de saúde. 2ed. Brasília:
Ministério da Saúde: 2006.
BREHMER, L. C., VERDI, M. Acolhimento na Atenção Básica: Reflexões Éticas sobre a
Atenção à Saúde dos Usuários. Revista Ciência & Saúde Coletiva, v. 15, n. 3, p. 3569- 3578.
2010.
CARVALHO, C. A. P., et al. Acolhimento aos usuários: uma revisão sistemática do atendimento
no Sistema Único de Saúde. Revista Arquivos de Ciências da Saúde, São Paulo, v. 15, n. 2,
p.5-93. 2008.
CIUFFO, R.S; RIBEIRO, V. M.B. Sistema Único de Saúde e a formação dos médicos: um
diálogo possível? Interface – Comunicação, Saúde, Educação, n. 24, p. 125-140, 2008.
FALK, M. L. R., et al. Acolhimento como dispositivo de humanização: percepção do usuário e
do trabalhador em saúde. Revista APS, v. 13, n. 1, p. 4-9, 2010.
FEUERWERKER, L. C. M. Além do discurso de mudança na educação médica: processos
e resultados. Rio de Janeiro: Editora Hucitec, 2002.
PEREIRA, I. C., OLIVEIRA, M. A. C. Atenção Primária, Promoção da Saúde e o Sistema
Único de Saúde: Um diálogo necessário, p. 109, 2014.
RIBEIRO, M. C. S. A., et al. Perfil sociodemográfico e padrão de utilização de serviços de
saúde para usuários e não-usuários do SUS. Revista Ciência e Saúde Coletiva, n. 11, p. 221011, 2006.
SCHIMITH, M. D.; LIMA, M. A. D. S. Acolhimento e vínculo em uma equipe do Programa Saúde
da Família. Caderno Saúde Pública, v. 20, n. 6, p. 1487-1494, 2004.
VIANA, A. L. D.; POZ, M. R. D. A Reforma do Sistema de Saúde no Brasil e o Programa de
Saúde da Família. Revista Saúde Coletiva, v. 15, p. 225-264, 2005.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
206
COMPLICAÇÕES DO NÃO TRATAMENTO EM HIPOTIREOIDISMO: UMA
REVISÃO¹
Larissa Rolim²; Bruna Vargas²; Larissa de Oliveira²; Gabriel Fabrin 2; Juliana
Posser³; Carine Eloise Prestes Zimmermann4; Derliane Glonvezynski dos
Santos Beck4.
¹Trabalho de Revisão de Literatura.
2
Acadêmicos do curso de Biomedicina CNEC/IESA. [email protected];
[email protected];[email protected]
[email protected];
³Professora do Curso Técnico em Citopatologia PRONATEC/IESA.
[email protected]
4
Professoras do Curso de Biomedicina e Fisioterapia CNEC/IESA.
[email protected]; [email protected];
Introdução
O hipotireoidismo é uma síndrome clínica decorrente da produção ou
concentração diminuída dos hormônios tireoidianos. Seus manifestos e sinais
incluem ganho de peso, constipação e anemia, entre outros sintomas. Quando
mal comedido, caracteriza-se por metabolismo lento, predisposição a
obesidade e desordens lipídicas séricas, justificando a indicação a respeito da
redução calórica. A manifestação que o hipotireoidismo determina em essência
em todos os tecidos não depende da causa, mais sim do grau de deficiência
hormonal (SETIAN, 2007; BAGGENSTOSS, 2012; SILVA et al., 2011).
Para que haja uma produção precisa e perfeita do hormônio da tiroide, é
considerável que o eixo hipotálamo-hipófise-tireóide esteja correto, segurando
a sequência das ações do hormônio liberador hipotalâmico (TRH) sobre a
hipófise gerando hormônio tireotrófico (TSH), o qual atua na tireóide, gerando
os hormônios tireoidianos (HT). A falta de produção ou na ação dos HT leva ao
quadro de hipotireoidismo, que é uma das doenças hormonais que pode
ocorrer em todas as idades, mas que aparece com maior frequência na faixa
etária que vai dos 40 aos 60 anos, numa proporção de 4 mulheres para cada
homem. Inicialmente, há uma queixa de cansaço, desânimo e falta de forças
para as atividades diárias (SETIAN, 2007).
Quando o hipotireoidismo se encontra sem tratamento, a longo prazo, aparece
alterações físicas mais excessivas com final grave como mixedema e logo após
coma mixedematoso, onde teve seu primeiro relato conhecida como ser uma
verdadeira síndrome em de 1874, feita por Gull, sendo que a definição de
mixedema foi feita por Ord em 1878. O nome mixedema para a doença
permanece durante vários anos, porém Haliburton, em 1893, invocasse a
atenção para a carência deste sinal em muitos pacientes. Os quadros clínicos
decorrentes da deficiência do HT dependerão da causa, duração, gravidade e
fase desta deficiência, atingindo quase que todos os tecidos em maior e menor
intensidade. A doença é insidiosa e a aparência pode variar de normal até o
mixedema e por último em coma mixedematoso podendo levar a óbito
(MINISTERIO DA SAUDE DO BRASIL, 2003).
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
207
O mixedema é uma infiltração cutânea causadora de edema firme e elástico
nos tecidos, especialmente do rosto e dos membros, acarretada por diminuição
da atividade da tireoide (hipotireoidismo), a doença é conhecida como uma
desordem que acaba refletindo na pele e nos tecidos. O mixedema pode
aparecer por acúmulo de mucopolissacarídeos no tecido celular, subcutâneo e
outros tecidos, porém pode ser reversível em adultos, com o tratamento. Já
sintomatologia em sua forma mais avançada é a lerdeza de movimentos e dos
reflexos osteotendineos, podendo chegar a musculatura cardíaca, que pode ter
sua massa aumentada e até derrame pericárdico. Entretanto, o retardo mental
e somático pode ser permanente quando associado à deficiência do HT,
provocando o cretinismo, efeito grave e irreversível do hipotireoidismo
(MACIEL, 2003).
Já o coma mixedematoso (CM) é definido como forma extrema de
hipotireoidismo, que instala-se na falta de tratamento adequado por longo
período e em que os mecanismos de compensação são incapazes de manter a
homeostase. Trata-se de uma emergência endocrinológica rara cuja evolução
está intimamente ligada ao diagnóstico precoce e à instituição imediata de seu
tratamento. No passado, a mortalidade atingia taxas de até 80%, mas
atualmente o avanço na capacidade diagnóstica reduziu esses valores para
20% a 40% (SASAZAWA et al., 2013).
Neste contexto o objetivo do presente estudo foi realizar uma busca sobre as
complicações do não tratamento em hipotireoidismo mostrando a importância
de fazer o tratamento adequado melhorando a qualidade de vida do paciente.
Metodologia
Trata-se de uma revisão descritiva da literatura científica, abordando temas
referentes aos grupos focais e sua relação com instrumentos de avaliação de
qualidade de vida. O processo de revisão foi realizado através de uma busca
nas bases de dados eletrônicas Pubmed, PNAS e Scielo, utilizando os
descritores: Hipotireoidismo, mixedema, coma. Foi encontrado um total de
8.930, estes passaram por uma análise de título, resumo e ano, para então
refinar aqueles que estavam mais relacionados ao tema pesquisado. Após
essa análise, foram separados 67 artigos, dos quais foi realizada uma leitura na
íntegra, sendo selecionados 12. Os demais artigos, totalizando 56, foram
excluídos por não abordarem a temática pretendida nesta revisão.
Discussão
O coma mixedematoso é raro e grave. A maioria dos casos é precipitada por
infecção aguda, tranquilizantes e sedativos, analgésicos ou anestésicos. A
temperatura corporal torna-se bem baixa, a pele é fria e seca, os reflexos
osteotendinosos se prolongam. Surge incontinência esfincteriana, hipotensão
arterial e coma, as declarações extremas do estado hipotireoideo representado
por uma situação clinica incomum, mais potencialmente letal. Pacientes
hipotireoideos, graves tem uma história extensa de cansaço, ganho de peso,
constipação intestinal e intolerância pelo frio. De acordo com o Ministério da
Saúde (2001) na desconfiança de coma mixedematoso, os pacientes deverão
ser aceitos em uma unidade de terapia intensiva e para cuidados respiratórios
e cardiovasculares.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
208
Existem relatados de casos de pacientes com coma mixedematoso, que
evoluiu para óbito após 27 dias de tratamento intensivo. A mortalidade pode
chegar a 60% dos casos (MAIA et al., 2001; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001).
A mensuração do TSH tem sido utilizada como triagem no diagnóstico de
disfunção tireoideana, especialmente do hipotireoidismo não suspeitado. O
diagnóstico de um verdadeiro hipotireoidismo coexistente às vezes é
praticamente impossível em função da ação supressiva sobre o TSH. Por outro
lado, o uso do glicocorticoide induz uma queda rápida dos níveis hormonais em
pacientes tóxicos com doença de graves (GRAF, 2002; OLIVEIRA et al., 2001).
De acordo com Andrade, Gross e Maia (2001), o hipertireoidismo da doença de
graves é caracterizado imunologicamente por infiltração linfocitária da glândula
tireóide e por ativação do sistema imune com elevação dos linfócitos T
circulantes, aparecimento de autoanticorpos que se ligam ao receptor do TSH
(TRAb) e que estimulam o crescimento e a função glandular. As razões do
desencadeamento deste processo auto-imune ainda não estão completamente
entendidas, mas estão possivelmente envolvidos fatores como susceptibilidade
genética e fatores ambientais. Sabendo-se que a doença de Graves constitui a
forma mais comum de hipertireoidismo, onde três abordagens terapêuticas são
atualmente utilizadas, tais como: drogas antitireoidianas (DAT), cirurgia e iodo
radioativo.
O tratamento baseia-se principalmente na reposição do T4 que possui potência
e durabilidade, 80% da dose ingerida é absorvida e pode ser tomada em dose
única, cedo e em jejum, meia hora antes da primeira refeição. Se ingerida com
alimento pode ter importante diminuição da absorção. Variando-se a
quantidade de hormônio durante a vida (CASTRO, 2014).
Conclusão
O referido estudo evidencia que o hipotireoidismo é uma condição de saúde
que exige um olhar amplo das comorbidades a fim de evitar desfechos
desfavoráveis no futuro e melhorar a qualidade de vida do paciente.
Complementarmente, valoriza um diagnóstico laboratorial eficiente e a
utilização de medidas intervencionista como a reposição de levotiroxina.
Palavras chaves: Hipotireoidismo, mixedema, coma.
Referências bibliográficas
ANDRADE, V.A.; GROSS, J.L.; MAIA, A.L. Tratamento do hipertireoidismo da Doença de
Graves. Arq Bras Endocrinol Metab, São Paulo, v. 45, n. 6, p. 609-618, Dec. 2001.
BAGGENSTOSS, R. O hipotireoidismo e a doença celíaca. Correio Medico Ciencia, Joinville,
v.8, n.28, ago. 2012.
BRASIL, Ministério da Saúde. Doenças relacionadas ao trabalho. Brasília, DF, 2001. 155p.
BRASIL, Ministério da Saúde. Profissionalização de auxiliares de enfermagem. Brasília, DF,
2003. 54p.
CASTRO, M.P.R.; SOARES, J.C.C. Hipotireoidismo. Moreira Jr. Editora, [S.I], v. 71, n. 14,
p.100-105, 01 out. 2014.
GRAF, H.; CARVALHO, G.A. Fatores Interferentes na Interpretação de Dosagens Laboratoriais
no Diagnóstico de Hiper e Hipotireoidismo. Arquivo Brasileiro Endocrinologia Metabolica,
São Paulo, v. 46, n. 1, p. 51-64, fev. 2002.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
209
MACIEL, L.M.Z. Coma mixedematoso. Urgências e emergências endócrinas, metabólicas e
nutricionais, São Paulo, Dez. 2003.
MAIA, F.F.R. et al. Coma mixedematoso. Rev. méd. Minas Gerais, Belo Horizonte, v.1, n.1,
2001.
SETIAN, N. Hipotireoidismo na criança: diagnóstico e tratamento. Jornal de Pediatria, Porto
Alegre, v.83, n.5, supl. Nov. 2007.
SILVA, E.B.O. et al. Restrição calórica e de glicotoxinas dietéticas em paciente com
hipotireoidismo e sobrepeso. Nutrire, São Paulo, v.36, n. 4 supl. p.85-85, 2011.
SASAZAWA, D.T. et al. Coma mixedematoso em Paciente com neurofibromatose tipo 1: Rara
Associação Arq Bras Endocrinol Metab, São Paulo, v 57, n. 9, p. 743-747, dezembro 2013.
OLIVEIRA, M.C. et al. Sinais e sintomas sugestivos de depressão em adultos com
hipotireoidismo primário. Arq Bras Endocrinol Metab, São Paulo, v. 45, n. 6, dez. 2001.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
210
TOXINA BOTULÍNICA TIPO A: ABORDAGENS EM SAÚDE1
Pâmela Dominik Engers Bratz2; Andressa Pazzato Ferreira2; Emanuelle Kerber
Viera Mallet3
1
Trabalho de conclusão de curso de graduação em Biomedicina
Acadêmicas do curso de Biomedicina–8º semestre. IESA. Email:
[email protected]; [email protected]
3
Mestre em Diagnóstico Genético e Molecular. Orientador/a. Professora do
Curso de Biomedicina.Email: [email protected]
2
Introdução
A toxina botulínica (TB) é uma das mais potentes neurotoxinas produzida por
um organismo gram positivo, anaeróbio estrito e esporulado, chamado
Clostridium botulinum, sendo apresentado em sete diferentes sorotipos (A, B,
C, D, E, F e G) (BENECKE, 2012; SILVA, 2009).
O Botox (toxina botulínica tipo A) tem sido uma arma potente e eficaz em
procedimentos terapêuticos e estéticos, sendo um dos procedimentos estéticos
não cirúrgico mais realizado nos Estados Unidos e no Brasil (SPOSITO, 2004;
SANTOS, 2013).
Injetada via intramuscular, a TBA liga-se aos receptores terminais encontrados
nos nervos motores, bloqueando a liberação de acetilcolina no terminal présináptico através da desativação das proteínas de fusão, impedindo que a
acetilcolina seja lançada na fenda sináptica, iniciando o bloqueio da contração
da musculatura 6 horas após sua aplicação, porém seus efeitos clínicos são
observados dentro de 24-72 horas (RIBEIRO et al, 2014; ALSHADWI, 2014).
Atualmente a indústria farmacêutica vem dando suporte ao rejuvenescimento
facial, colocando no mercado inúmeros produtos com o propósito de auxiliar os
profissionais em procedimentos que resultem em uma aparência mais jovem e
saudável, o que leva as pessoas a buscarem métodos mais baratos e menos
invasivos (GIMENEZ, 2006).
A área estética foi uma das pioneiras no uso da TBA, porém, atualmente a área
terapêutica tem ganhado um importante espaço no mercado, ajudando
pacientes que possuem determinadas morbidades a terem uma melhor
qualidade de vida (SILVA, 2009).
Mediante o exposto, este trabalho tem como objetivo avaliar as principais
aplicações da toxina botulínica tipo A em pacientes para uso terapêutico e
estético.
Metodologia
No presente artigo, utilizou-se o método de revisão bibliográfica, que tem a
finalidade de reunir e sintetizar resultados de pesquisas sobre determinado
tema ou questão.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
211
O levantamento bibliográfico desta revisão foi realizado por meio de busca por
artigos científicos encontrados em bancos de dados, como o
MEDLINE/Pubmed, SciELO – ScientificElectronic Library Online e
LILACS/Bireme, utilizando os seguintes descritores e/ou palavras chaves:
Botox, Toxina Botulínica e Abordagens em Saúde.
Discussão
A utilização da TBA em procedimentos estéticos está em constante
crescimento,
sendo
empregada no tratamento
de
diferentes
condições distônicas,
como atenuação de
linhas
de
expressão, na
região frontal, periorbicular, terço médio e inferior da face, pescoço e colo,
hiperidrose palmar, axial, plantar, correções de assimetrias faciais e síndrome
de Frey (SPOSITO, 2004).
Para que não se tenha complicações em sua utilização, os profissionais
habilitados a realização deste procedimento minimamente invasivo são os
biomédicos estetas e médicos que devem ser cautelosos e ter conhecimento
anatômico, muscular, nervoso e subcutâneo da face. A qualidade do produto,
sua origem, a utilização de doses pequenas em locais seguros e com técnicas
apuradas garantem a segurança da TBA (HEXSEL, 2011; SANTOS, 2013).
Conforme Ribeiro (2014), o índice de resposta é alto e a utilização da toxina é
eficaz por até 24 semanas. Baseando-se nas linhas faciais, a aplicação da
TBA, em dois estudos com 537 pacientes que apresentavam linhas glabelares,
frontais e nas áreas lateral orbital, os índices de resposta atingiram de 60% a
95% de sucesso em média.
Apesar da toxina botulínica ser amplamente conhecida por sua utilização
cosmética, sua aplicação também é voltada para uso terapêutico, o que tem
contribuído para a melhoria da qualidade de vida de muitas pessoas (SILVA,
2009).
Em estudo foi verificado a diminuição da sudação axilar e palmar que se iniciou
na primeira semana pós-tratamento, mantendo-se por 16 a 26 semanas. O
tratamento com a TBA é relativamente fácil de executar e melhora
substancialmente a qualidade de vida dos doentes. É um procedimento
ambulatorial bem tolerado e com poucas contra-indicações, porém, sua
principal desvantagem é a duração limitada e o alto custo (ALVES, 2013;
HASSON, 2014).
A toxina botulínica diminui os níveis de dor, freqüência dos eventos de
bruxismo e satisfaz os pacientes no que diz respeito à eficácia da toxina
botulínica nesta patologia. Assim, o tratamento com TBA parece ser seguro e
eficaz para pacientes com bruxismo em dosagens inferiores a 100UI
(TEIXEIRA, 2013).
Em pacientes com bexiga neurogênica secundária, injeções de TBA no
músculo detrusor, resultou em efeito dentro de 1 a 2 semanas após o
tratamento. A duração média da melhora sintomática foi de 8 meses, afirmando
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
212
mais uma vez que a toxina é um tratamento eficaz e bem tolerado para bexiga
hiperativa neurogênica (TAWEEL, 2015).
Com o fato de pacientes espásticos enfrentarem tantas limitações, a injeção
intramuscular de TBA, quando complementada com um tratamento
fisioterapêutico, tem demonstrado resultados benéficos, reduzindo
temporariamente a espasticidade, melhorando a postura, posicionamento,
alivio do desconforto e facilitando o cuidado e uso de órteses, melhorando a
capacidade funcional, motora e social destas pessoas (SEO, 2015; TEDESCO,
2014).
Schellini (2006) destaca os ótimos resultados na aplicação da toxina para o
tratamento do espasmo hemifacial e blefarospasmo essencial.
Na paralisia cerebral, a aplicação de TBA nas glândulas submandibulares e
parótidas, fornece um alívio temporário para a desativação da baba (MOLLER,
2015).
Considerando que a toxina botulínica tipo A é uma ferramenta de grande valia
na área cosmética em que é mais procurada, cabe salientar que sua aplicação
na área médica para os mais diferentes tratamentos, a qual pode e deve ser
utilizada, pois é uma aliada e adjuvante de muitas doenças do ser humano, tem
como propósito uma significativa melhora da qualidade de vida.
Conclusão
Por ser um produto disponível recentemente no mercado, os estudos sobre a
TBA devem ser continuados devido à carência de informações sobre os efeitos
colaterais a longo prazo.
Diante da revisão bibliográfica realizada neste artigo, pode-se concluir que a
TBA utilizada sozinha ou como procedimento auxiliar apresenta um avanço
considerável na medicina estética e terapêutica, contribuindo para a melhoria
da qualidade de vida de muitos indivíduos, contudo, deve se seguir protocolos,
respeitando normas e indicações, cumprindo com rigor as dosagens das
aplicações, as quais devem ser realizadas por um profissional qualificado.
Palavras-Chave: Toxina botulínica, Estética, Qualidade de vida.
Referências bibliográficas
ALSHADWI, A.; NADERSHAH, M.; OSBORN.T. Therapeutic applications of botulinum
neurotoxins in head and neck disorders. The Saudi Dental Journal.V. 27, n. 1, p. 3-11, 2014.
ALVES, J.; GOULÃO, J.; BRANDÃO, F.M. Tratamento da Hiperidrose Primária com Toxina
Botulínica- Experiência de 5 anos. Sociedade Portuguesa de Dermatologia e
Venereologia.V. 1, n. 1, 2013.
BENECKE, R. Clinical Relevance of Botulinum Toxin Immunogenicity. Biodrugs. V. 26, N.2, p.
1-9, agosto de 2012.
GIMENEZ, R.P. Análise retrospectiva das alterações da dinâmica facial após aplicações
seriadas de toxina botulínica tipo A. São Paulo: Faculdade de Medicina, Universidade de
São Paulo, 2006.
HASSON, A.; KAM, S.; CATALDO, K. Toxina botulínica em el tratamiento de La hiperhidrosis
focal primaria. DermatolRev Mex. Artículo original. V. 58, p. 331-338, 2014.
HEXSEL, D.M.; COSTA, R.O.; MAZZUCO, R.; HEXSEL, C.L. Tratado de Medicina Estética:
Farmacologia e Imunologia. Editora Roca, 2° Ed., v. 2, c. 83, p. 1113-1121, 2011.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
213
MOLLER, E.; PEDERSEN, S. A.; VINICOFF, P.; BARDOW, A.; LYKKEAA, J.; SVENDSEN, P.;
BAKKE, M.Onabotulinumtoxin A Treatment of Drooling in Children with Cerebral Palsy: A
Prospective, Longitudinal Open-Label Study. Jabbari B, ed. Toxins. V. 7, n. 7, p. 2481-2493,
2015.
RIBEIRO, I.N.S.; SANTOS, A.C.O.; GONÇALVES, V.M.; CRUZ, E.F. O Uso da Toxina
Botulínica tipo A nas Rugas Dinâmicas do Terço Superior da Face.Revista da Universidade
Ibirapuera. São Paulo, v. 7, p. 31-37, jan/jun, 2014.
SANTOS, T.J. Aplicação da Toxina Botulínica em Dermatologia e Estética e suas
Complicações: Revisão de Literatura. Monografia (Especialização). Instituto de ciências da
Saúde – ICS / Faculdades Unidas do Norte de Minas – FUNORTE. Alfenas, 2013.
SCHELLINI, S. A. Blefarospasmo essencial e espasmo hemifacial: características dos
pacientes, tratamento com toxina botulínica A e revisão da literatura. Arq. Bras.Oftalmol. V.69,
n.1, p. 23-26, 2006.
SEO, H.G.; PAIK, N.; LEE, S.; OH, B.; CHUN, M.H.; KWON, B.S.; BANG, M.S. Neuronox
versus BOTOX in the Treatment ofPost-Stroke Upper Limb Spasticity: A Multicenter
Randomized Controlled Trial. Fasano A. Ed. PLoS ONE. V. 10, n.6, june de 2015.
SILVA, J.F.N. A aplicação da Toxina Botulínica e suas complicações. Revisão Bibliográfica.
Porto: Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar da Universidade do Porto, 2009.
SPOSITO, M.M.M. Toxina botulínica tipo A - propriedades farmacológicas e uso clínico.
Revista acta fisiátrica. V.11, supl. 1, p.S7-S44, nov. 2004.
TAWEEL,W.A; ALZYOUD, K.M. The effect of spinal cord-injury level on the outcome of
neurogenic bladder treatment using OnabotulinumtoxinA. UrologyAnnals.V.7, n.3, p. 320-324,
2015.
TEDES O, A.P.; ARTINS, J.S.; PANISSON, R.D’A.N. Focal treatment of spasticity using
botulinum toxin A in cerebral palsy cases of GMFCS level V: evaluation of adverse effects.
Revista Brasileira de Ortopedia. V.49, n.4, São Paulo, 2014.
TEIXEIRA, S.A.F.; SPOSITO, M.M.M. A utilização de Toxina Onabotulínica A para bruxismo:
Revisão de Literatura. Revista Brasileira Odontologia. V. 70, n. 2,Rio de Janeiro, dezembro
de 2013.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
214
PROPRIEDADES DO CAENORHABDITIS ELEGANS COMO UM MODELO
EXPERIMENTAL ANIMAL PARA INVESTIGAÇÕES BIOLÓGICAS1
Larissa Marafiga Cordeiro2; Renata Cardozo3; Débora Pedroso4; Juliana Fredo
Roncato5; Bruna Comparsi6
1
Trabalho de Iniciação científica do curso de Biomedicina – PIBIC/IESA
Aluna do Curso de Graduação em Biomedicina do IESA, PIBIC/IESA, email:
[email protected]
3
Aluna do Curso de Graduação em Biomedicina do IESA, PIBIC/IESA, email:
[email protected]
4
Docente do curso de Biomedicina, Mestre em Ciências Biológicas:
Parasitologia. Email: [email protected]
5
Professora, Mestre em Biologia Celular e Molecular , Curso de Biomedicina,
email: [email protected]
6
Docente do curso de Biomedicina, Doutora em Ciências Biológicas:
Bioquímica Toxicológica. Email: [email protected]
2
Introdução
O Caenorhabditis elegans (C. elegans) é um nematódeo terrestre de vida livre
componente da família Rhabditidae. Facilmente cultivado em laboratório em
placas de petri contendo ágar semeadas com a bactéria Escherichia coli como
alimento. Os vermes atingem a maturidade com 2,5 dias a 25º C e apresentam
um tempo de vida curto de 20 dias a 25ºC. O ciclo de vida do animal
compreende um período de desenvolvimento embrionário (dentro do ovo),
quatro estágios larvais e finalmente o adulto (WORMATLAS, 2014).
Do ponto de vista toxicológico o C. elegans é sensível a diversas substâncias,
incluindo metais pesados, fosfatos orgânicos e pesticidas (SCHOUEST et al.,
2009; LEUNG et al., 2008; WOLLENHAUPT et al., 2014). Vários estudos já
demonstraram que o C. elegans é utilizado como modelo para o teste rápido da
toxicidade de amostras de solo e água ( I HALSKI, 2010), bem como de
compostos farmacêuticos e fitoquímicos (SCHOUEST et al., 2009). Os
parâmetros mais relevantes para a triagem toxicológica são a mortalidade
(DENGG; VAN MEEL, 2004), a longevidade, o comportamento/movimento, a
alimentação, o crescimento e a reprodução (ANDERSON; BOYD; WILLIAMS,
2001). Mudanças no comportamento bem caracterizadas também podem ser
avaliadas, pois o C. elegans se move tipicamente de maneira sinusóide em
placas com ágar enquanto se alimenta de bactérias. Desta forma, a análise de
compostos que alteram tanto o movimento sinusóide quanto o batimento
faríngeo dos animais podem ser avaliados (HELMCKE et al., 2009).
Os ensaios para avaliar toxicidade também podem ser realizados em animais
transgênicos. Cepas transgênicas contendo o gene repórter sob o controle
transcricional do promotor do gene “ eat s ock” hsp-16 foram amplamente
utilizadas para medir a resposta ao estresse associado à toxicidade de metais
pesados, compostos farmacêuticos e amostras ambientais (VAN MEEL, 2004;
DAVID et al., 2003; MUTWAKIL et al., 1997).
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
215
Diante disso, os objetivos deste estudo se direcionam para a investigação da
aplicação do C. elegans como um organismo modelo para estudos, in vivo, que
visam pesquisar efeitos biológicos de diferentes moléculas.
Metodologia
Trata-se de uma revisão da literatura, utilizando-se busca eletrônica de
publicações científicas nas seguintes bases de dados: PubMed e Scopus.
Foram utili ados os descritores “Caenorhabditis elegans”, “e perimental
model”, “ iological properties”, “p armacology” e “to icology”. Foram e cluídos
artigos cujos textos completos não foram obtidos. A etapa seguinte consistiu da
leitura do título e abstract, quando necessário, após realizou-se a leitura na
íntegra dos artigos identificados e selecionados, focando no tipo de estudo,
intervenção realizada e avaliação da qualidade metodológica.
Discussão
O C. elegans é um sistema modelo importante para a pesquisa biológica em
muitos campos, incluindo genômica, biologia celular, neurociência e
envelhecimento (BRENNER, 1973; BYERLY et al., 1976; WOOD, 1988).
Thompson e Pomerai (2005) usaram C. elegans para testar a toxicidade de
diferentes álcoois mostrando diferentes toxicidades. Neste ensaio ele foi usado
para obter o ponto eco toxicológico. É uma boa alternativa para testar metais
pesados e a ação da contaminação por detergentes no ambiente (Harada et
al., 2007).
Entre as várias características notáveis do C. elegans estão à abundância de
recursos genômicos, incluindo o genoma completamente sequenciado (C.
ELEGANS SEQUENCING CONSORTIUM, 1998), um banco de dados de
bioinformática facilmente acessível (CHEN et al., 2005), microarranjos de DNA
(REINKE, 2002 e um cons rcio de construção de mutantes “knock-out”. Estes
recursos, associados ao fato de que cerca de 60-80% de genes homólogos aos
humanos foram identificados no C. elegans (KALETTA, 2006), têm ajudado a
compreender vários processos biológicos comuns a todos os animais, como o
metabolismo xenobiótico e o envelhecimento.
Por ser um organismo multicelular com sistemas fisiológicos conservados e
apresentar um tempo de vida curto, tem sido amplamente utilizado nos estudos
de longevidade e toxicidade (AVILA et al., 2012; CORSI, 2006). É um excelente
modelo para triagem rápida de compostos naturais ou sintéticos com
propriedades biológicas, uma vez que ele dispõe de sistema sensorial e de
defesa análago ao dos mamíferos (HASEGAWA et al., 2010).
Em resumo, a utilidade deste modelo parece não ter fim, vários pesquisadores
utilizaram-o como biossensor para descobrir substâncias que aumentam a
longevidade (OLIVEIRA et al., 2010). Entre eles podemos citar a metformina,
biguanidina usada para tratamento de diabetes tipo 2 (ONKEN, 2010), os
anticonvulsivantes (EVASON et al., 2005), vitamina E (ADACHI, 2000) a
quercetina, flavonóide abundante em plantas comestíveis (PIETSCH et al.,
2009) e os isotiocianatos, sulforafano e alil isotiocianato (HASEGAWA et al.,
2010).
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
216
Conclusão
A utilização de modelos alternativos para investigações científicas tem sido a
alternativa de escolha de muitos grupos de pesquisa atualmente, isso se
justifica pela menor implicação ética e pela busca por modelos que possam
representar mais fielmente o funcionamento do sistema humano. Assim o
Caenorhabditis elegans tem sido extensivamente estudado nós últimos anos e
se mostrou útil para estudos em diversas áreas de pesquisa.
Palavras-chave: modelo alternativo, Caenorhabditis elegans, estudos in vivo.
Referências
ADACHI, H.; ISHI, N. Effects of tocotrienols on life span and protein carbonylation in
Caenorhabditis elegans. J Gerontol A Biol Sci Med Sci, v. 55, n. 6, p. 280-285, 2000.
ANDERSON, G.L.; BOYD, W.A.; WILLIAMS, P.L. Assessment of sublethal endpoints for toxicity
testing with the nematode Caenorhabditis elegans. Environ Toxicol Chem, v. 20, n.4, p. 833838, 2001.
AVILA, D.S. et al. Organotellurium and organoselenium compounds attenuate Mn-induced
toxicity in Caenorhabditis elegans by preventing oxidative stress. Free Radic Biol Med. v.1,
n.2, p.1903-10, 2012.
BRENNER, S. The genetics of Caenorhabditis elegans. Genetics, v. 77, n. 1, p. 71-94, 1974.
C. ELEGANS SEQUENCING CONSORTIUM. Genome sequence of the nematode C. elegans:
a platform for investigating biology. Science, v. 282, n 5396, p. 2012-2018, 1998.
CHEN, N. et al. WormBase: a comprehensive data resource for Caenorhabditis biology and
genomics. Nucleic Acids Res, v. 33, p. 383-389, 2005.
CORSI, A.K. A biochemist's guide to Caenorhabditis elegans. Anal Biochem, v. 359, n. 1, p. 117, 2006.
DENGG, M.; VAN MEEL, J.C. Caenorhabditis elegans as model system for rapid toxicity
assessment of pharmaceutical compounds. J Pharmacol Toxicol Methods, v. 50, n. 3, p. 209214, 2004.
EVASON, K. et al. Anticonvulsant medications extend worm life-span. Science, v. 307, n. 5707,
p. 258-262, 2005.
HARADA, H. et al. Shortened lifespan of nematode Caenorhabditis elegans after prolonged
exposure to heavy metals and detergents, Ecotoxicology and Environmental Safety, v. 66,
n.3, p. 378-383, 2007.
HASEGAWA, K. et al. Allyl isothiocyanate that induces GST and UGT expression confers
oxidative stress resistance on C. elegans, as demonstrated by nematode biosensor. PLoS One,
v. 5, n. 2, p. 9267, 2010.
HELMCKE, K.J. et al. Characterization of the effects of methylmercury on Caenorhabditis
elegans. Toxicol Appl Pharmacol, v. 240, n. 2, p. 265-272, 2009.
KALETTA, T.; HENGARTNER, M.O. Finding function in novel targets: C.elegans as a model
organism. Nat Rev Drug Discov, v. 5, n. 5, p. 387-398, 2006.
LEUNG, M.C. et al. Caenorhabditis elegans: an emerging model in biomedical and
environmental toxicology. Toxicol Sci, v. 106, n. 1, p. 5-28, 2008.
MICHALSKI E.Z. Efluentes,mesmo tratados, podem conter compostos. Disponível em:
ww.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/45537/Resumo_7772.pdf?... Acesso em: 10/10/2015
MUTWAKIL, M.H. et al. Use of stress-inducible transgenic nematodes as biomarkers of heavy
metal pollution in water samples from an english river system. Arch Environ Contam Toxicol,
v. 32, n. 2, p. 146-153, 1997.
ONKEN, B.; DRISCOLL, M. Metformin induces a dietary restriction-like state and the oxidative
stress response to extend C. elegans Healthspan via AMPK, LKB1, and SKN-1. PLoS One, v.
5, n. 1, p. e8758, 2010.
PIETSCH, K. et al. Quercetin mediated lifespan extension in Caenorhabditis elegans is
modulated by age-1, daf-2, sek-1 and unc-43. Biogerontology, v.10, n. 5, p. 565-578, 2009.
REINKE, V. Functional exploration of the C. elegans genome using DNA microarrays. Nat
Genet, v. 32, p. 541-546, 2002.
SALGUEIRO W.G. et al. Direct synthesis of 4-organylsulfenyl-7-chloro quinolines and their
toxicological and pharmacological activities in Caenorhabditis elegans. Eur J Med Chem, v. 21,
n. 75, p.448-59, 2014.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
217
SCHOUEST, K. et al. Toxicological assessment of chemicals using Caenorhabditis elegans and
optical oxygen respirometry. Environ Toxicol Chem, v. 28, n. 4, p. 791-799, 2009.
THOMPSON, G.; POMERAI, D.I. Toxicity of short-chain alcohols to the nematode
Caenorhabditis elegans: a comparison of endpoints. Journal of Biochemical and Molecular
Toxicology, West Sussex, v. 19, n. 2, p. 87-95, 2005.
WOLLENHAUPT S.G et al. Seleno- and telluro-xylofuranosides attenuate Mn-induced toxicity in
C. elegans via the DAF-16/FOXO pathway. Food Chem Toxicol, v. 64, p.192-9, 2014.
WORMATLAS. Disponível em: http://www.wormatlas.org/index.html. Acesso em: 10/10/2015.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
218
TERAPIA TRANSFUSIONAL EM PACIENTES COM INSUFICIENCIA RENAL
CRÔNICA¹
Evelise Costa3;Douglas de Menezes2; Fabio Fonseca4; Jorge Gewehr5;
Maraísa Somavilla6; Bruna Comparsi7.
1
Trabalho multidisciplinar do curso de Biomedicina
Aluno do Curso de Graduação em Biomedicina do IESA, email:
[email protected]
3
Aluna do Curso de Graduação em Biomedicina do IESA, email:
[email protected]
4
Aluno do Curso de Graduação em Biomedicina do IESA, email:
[email protected]
5
Aluno do Curso de Graduação em Biomedicina do IESA, email:
[email protected]
6
Aluna do Curso de Graduação em Biomedicina do IESA, email:
[email protected]
7
Docente do curso de Biomedicina, Doutora em Ciências Biológicas:
Bioquímica Toxicológica. Email: [email protected]
2
Introdução
A doença Renal Crônica (DRC) é considerada um problema de saúde pública
em todo o mundo. No Brasil, a incidência e a prevalência de falência da função
renal são crescentes e o prognóstico ainda é ruim (BASTOS et al., 2010).
Diversas são as doenças que levam a insuficiência renal crônica, senso as
principais: a hipertensão arterial, diabetes, glomerulonefrite (SILVA, 2008), e
durante o curso da DRC, um achado quase universal entre estes pacientes, é a
anemia, com caracterisca normocrômica, normocítica e com contagem de
células vermelhas na medula óssea normal ou diminuída, devido ao seu caráter
hipoproliferativo (LOBO et al.; 2006), que ocorre devido à deficiência na
produção da eritropoietina pelos fibroblastos peritubulares renais (ANTUNES et
al., 2008).
Além da deficiência de eritropoetina outras situações podem contribuir para o
advento de anemia em pacientes DRC, como a deficiência de ferro, deficiência
de ácido fólico e vitamina B12; perdas sanguíneas, hemólise e inflamação
(ABENSUR, 2005). Nestes casos, a transfusão sanguínea pode ser uma
alternativa de tratamento para pacientes que apresentem manifestações
patológicas em decorrência da insuficiência renal crônica.
A terapia transfusional tem por objetivo repor os níveis de hemocomponentes
no organismo. A produção de eritrócitos é realizada por uma glicoproteína
sintetizada pelo rim, órgão responsável por regular 90% da eritropoiese na
medula óssea, formando um processo fisiológico responsável por obter
resultados satisfatórios em níveis hematimétricos, gerando um controle de uma
anemia (GODMAN et al.; 2005).
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
219
Tendo como objetivo o presente trabalho buscar discutir critérios para a
indicação de transfusão de hemocomponentes em pacientes com DRC e
relatar as principais implicações e riscos.
Metodologia
Revisão descritiva da literatura cientifica, abordando temas referentes ao risco
de transfusão de sangue em pacientes com IRC. O processo de revisão foi
realizado através de busca na base de dados eletrônica, Scopus, Scielo,
Pu med, no ano de 2015, utili ando os descritores: “Doença Renal r nica”,
“Transfusão
de
sangue”,
“Risco
de
Transfusão
de
sangue”,
“Hemocomponentes”. Os idiomas de escol a para a seleção dos artigos foi
inglês e espanhol. Foram encontrados ao total de 428 artigos, foram
selecionadas apenas as publicações nos últimos 10 anos. Após essa análise
foram selecionados 286 artigos, estes passaram por uma análise de titulo e
resumo relacionados ao tema pesquisado. Foram selecionados 18 artigos para
a leitura na integra. Os demais artigos foram excluídos por não estarem
relacionando aos objetivos de pesquisa ou por terem sido publicados em anos
anteriores a 2005.
Discussão
A decisão da indicação de transfusão em pacientes com DRC e quadros
anêmicos deve ser baseada não somente nos níveis de hemoglobina, mas
principalmente no quadro clínico do paciente. Considera-se que para pacientes
com doença cardiovascular, como aqueles com idade maior que 65 anos, a
transfusão estaria indicada quando a concentração de Hb for <8g/dL (KDIGO,
2012).
A Hemoterapia moderna preconiza que seja realizada a transfusão apenas do
hemocomponentes necessário. Assim, as anemias com nível de Hemoglobina
(Hb) superior a 10g/dL (Hct superior a 30%) a indicação da transfusão é
desaconselhada. Por outro lado, ocorre indicação de transfusão de
concentrado de hemácias, quando os níveis de Hb são inferiores a 7g/dL,
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2010).
A taxa de variação de Hb e o grau de reposição de ferro desempenham papéis
relativamente menores na tomada de decisões sobre a transfusão. Entretanto,
de acordo com AKIZAWA et al. (2011) as transfusões sanguíneas dever ser
recomendadas à pacientes com limitações severas, além do nível de
hemoglobina estar abaixo de 7 g/dL.
JOIST et al. (2006) descreve que a transfusão de sangue é raramente
requeridas quando são realizadas administrações de ferro e EPO, dispensando
a necessidade da terapia transfusional e assim evitando o risco de
sensibilização e ativação do sistema imune. Segundo ISHIDA (2014), os
procedimentos transfusionais com administração de ferro em pacientes com
IRC estão diretamente ligados à melhora dos quadros anêmicos graves.
Porém, o excesso desta substância reflete diretamente na deficiência da
função imunitária do ser humano, favorecendo a promoção do crescimento
bacteriano. Entretanto, em uma publicação realizada na revista Kidney
International Supplements por ESCHBACH (2006), descreve que não há
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
220
nenhuma ligação em níveis elevados de ferro e possíveis infecções bacterianas
em pacientes com IRC. Desta forma, são importantes mais estudos para
esclarecer se os níveis de ferro podem ou não influenciar no risco de infecções
neste grupo de pacientes.
Outras alterações clínicas são descritas para pacientes que recebem
transfusões de sangue, dentre os sinais nota-se febre, calafrios, urticária ou
reação hemolítica em decorrência a erros de compatibilidade ABO e fator Rh,
além da transfusão de hemoderivados aumentar de forma significativa o risco
de transmissão de agentes infecciosos e afetar o perfil imunológico. Para
minimizar esses riscos, os estudos de CARAZZONNE (2006) abrangem
informações de medidas pré - transfusionais como a captação e seleção de
doadores, testes de triagem sorológica, para diminuir sensivelmente a
possibilidade de transmissão de doenças por meio de transfusão, mas não
isentaria de riscos para os receptores. A redução na necessidade de
transfusões de sangue devido ao uso de eritropoietina recombinante reduziu as
taxas de sensibilização associada à transfusão.
Conclusão
A prescrição médica transfusional de hemocomponentes e hemoderivados
deve ser baseada principalmente na anamnese do paciente. A maior parte das
transfusões sanguíneas resulta em reposição temporária, efetiva e segura de
hemocomponentes, entretanto esse procedimento está associado a vários
riscos ao paciente. Em pacientes com DRC que apresentem baixos níveis de
hemoglobina, é indicado à transfusão de determinados hemocomponentes
realmente necessários para manutenção da homeostase corpórea do receptor,
tornando-se a melhor alternativa cujo foco visa reduzir os riscos transfusionais
e garantir à segurança do paciente.
Palavras-Chave: Doença Renal Crônica, Transfusão de sangue, Risco de
Transfusão de sangue, Hemocomponentes.
Referências bibliográficas
ABENSUR, H. Anemia da Doença Renal Crônica. Jornal Brasileiro de Nefrologia, v.26, n.3,
p.26-28, 2005.
AKIZAWA, T.; GEIVO, F.; NISHI, S. et al. Positive outcomes of high hemoglobin target in
patients with chronic kidney disease not on dialysis: A randomized controlled study.
Therapeutic Apheresis and Dialysis, v.15, n.5, p.431–440, 2011.
ANTUNES, A.S.; TEIXEIRA, C.M.; JUNIOR, G.A. Efeitos da pentoxifilina na anemia resistente à
eritropoietina em pacientes sob hemodiálise. Revista Brasileira de Hematologia e
Hemoterapia, v.30, n.4, p.303-308, 2008.
ATKINSON, M.A.; PIERCE, B.C.; ZACK, M.R. et al. Hemoglobin differences by race in children
with CKD. American Journal of Kidney Diseases, v.55, n.6, p.1009-1017, 2010.
ATKINSON, M.A.; FURTH S.L. Anemia in children with chronic kidney disease. Nature
Reviews Nephrology, v.7, p.635–641, 2011.
BARBOSA, A.D. et al. Co-morbidade e mortalidade de pacientes em início de diálise. Acta
Paulista de Enfermagem, v.19, n.3, p.304-309, 2006.
BASTOS, G.M.; BREGMAN, R.; KIRSZTAJN, M.G. Doença renal crônica: frequentemente e
grave, mas também prevenível e tratável. Revista da associação Medicina Brasileira, v.59,
n.2, p.248-253, 2010.
CARRAZZONE, C.F.; VERÇOSA, A.F.; VIRGINIA, M.L. et al. Importância da avaliação
sorológica pré-transfusional em receptores de sangue. Revista Brasileira de Hematologia e
Hemoterapia, v.26, n.2, p.93-98, 2005.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
221
ESCHBACH, J.W.; ADAMSON J.W. Iron overload in renal failure patients: changes since the
introduction of erythropoietin therapy. Kidney International Supplements, v.69, n.55, p.35-43,
2006.
GOLDMAN, L.; AUSIELLO, D. Cecil: tratado de medicina interna. Rio de Janeiro. Elsevier,
v.22, 2005.
ISHIDA, J.H.; JOHANSEN K.L. Iron and Infection in Hemodialysis Patients. Seminars in
Dialysis, v.27, n.1, p.26–36, 2014.
JOIST, H.; BRENNAN, D.C.; COYNE, D.W. Anemia in the Kidney-Transplant Patient. National
Kidney Foundation, v.13. n.1, p.4-10, 2006.
KDIGO. Clinical Practice Guideline for the Evaluation and Management of Chronic Kidney
Disease. Official Journal of the International Society of Nephrology, v.3 n.1, 2010.
LOBO, S.M. et al. Anemia e Transfusões de Concentrados de Hemácias em Pacientes Graves
nas UTI Brasileiras (pelo FUNDO-AMIB). Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v.18, n.3,
2006.
MINISTÉRIO DA SÁUDE. Guia para uso de Hemocomponentes, 2010. Acesso em:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_uso_hemocomponentes.pdf
NANGAKU, M.; ECKARDT, K.U. Pathogenesis of renal anemia. Seminars in Nephrology,
v.60, n.4, p.268, 2006.
SILVA, A.C. Estudo da atividade das en imas NTPDase e 5’-nucleotidase e do perfil oxidativo
em pacientes com insuficiência renal crônica. Tese (Doutorado em Ciências Biológicas –
Bioquímica). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2008.
THOMAS, R.M.; KANSO, A.M.; SEDOR, R.J. Chronic Kidney Disease and Its Complications.
Primary Care, v.35, n.2, p.329-344, 2008.
U.S. Renal Data System. USRDS 2011 Annual Data Report: Atlas of Chronic Kidney Disease
and End-Stage Renal Disease in the United States, Bethesda: National Institutes of Health.
National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases, 2012.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
222
LEVANTAMENTO DAS INFLAMAÇÕES CERVICOVAGINAIS CAUSADAS
POR AGENTES MICROBIOLÓGICOS NO SUL DO BRASIL¹
Angelo Viana Weber 2 ; Luana Taís Hartmann Backes3
¹ Trabalho de pesquisa – Curso Técnico em Citopatologia IESA/CNEC.
2
Acadêmico do Curso Técnico em Citopatologia e
Graduando em
Biomedicina. Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo (IESA).
[email protected]
³ Mestre em Envelhecimento Humano pela Universidade de Passo Fundo –
UPF, Biomédica Citopatologista, Especialista em Análises Clínicas e
Toxicológicas, Professora no Curso Técnico em Citopatologia IESA-CNEC.
[email protected]
Introdução
A inflamação é um conjunto de fenômenos reacionais frente a uma agressão
biológica, química ou física, na qual desempenha a função de defesa do
organismo. Estas respostas defensivas são geralmente benéficas, agindo para
limitar a sobrevivência e proliferação dos agentes invasores, promover a
sobrevivência do tecido, reparo e recuperação (LIMA et al., 2007).
A susceptibilidade do sistema genital feminino às inflamações deve-se a
atividade sexual, número de parceiros sexuais, fase do ciclo menstrual,
imunidade, fator socioeconômico, idade e a localização anatômica na mulher.
Em mulheres com idade reprodutiva, o epitélio escamoso altamente
proliferativo serve como barreira contra lesões. Em crianças e mulheres na
pós-menopausa, o epitélio escamoso é usualmente atrófico e essa condição
facilita a instalação de reações inflamatórias. Estas anormalidades
inflamatórias do epitélio do colo uterino nascem de uma proteção do próprio
organismo, e são caracterizadas por reações vasculares, modificações
estruturais do epitélio, presença do agente causal, secreções e alterações
morfológicas (CHIUCHETTA et al., 2002).
As infecções e inflamações vaginais correspondem uma das principais causas
de queixas em mulheres que procuram atendimentos ginecológicos. Este fato
deve-se ao complexo ecossistema em que a vagina e o colo do útero estão
inseridos, pois há numerosas espécies de bactérias, vírus, fungos e
protozoários que possam vir a constituir este ambiente, podendo ser comensais
e durante o processo fisiológico normal do amadurecimento da mulher, se
modificam tornando-se patogênicos, desencadeando processos inflamatórios e
infecciosos (FREITAS et al., 2014).
Dessa forma, visto que os sintomas relacionados pelas infecções
cervicovaginais causadas por agentes microbiológicos possa representar o
principal motivo de procura por atendimentos ginecológicos, o estudo proposto
tem como objetivo determinar a prevalência de infecções cervicovaginais
causadas por agentes microbiológicos cervicovaginais na região sul do Brasil.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
223
Metodologia
O estudo baseia-se em uma revisão bibliográfica conduzida em três etapas. Na
primeira etapa foram definidas as bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde
(BVS), Scientific Electronic Library Online (SCIELO) e Google Acadêmico para
a identificação dos artigos. A segunda etapa baseia-se na definição dos
descritores inseridos na busca dos artigos e dos critérios de inclusão. Os
termos utilizados na busca foram delimitados a partir das palavras-chave
presentes em artigos adequados ao tema, lidos previamente de forma não
sistemática. O uso dos descritores utilizados em conjunto para a identificação
dos artigos foram os seguintes termos: Papanicolaou; Infecções cervicovaginais; Vaginose bacteriana; Tricomoníases; Candidíases. A busca se
restringiu a artigos publicados a nível nacional e internacional entre janeiro de
2000 e agosto de 2015, fazendo referência a dados encontrados na região Sul
do Brasil, abrangendo os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e
Paraná.
A consulta às bases de dados ocorreu entre julho e outubro de 2015. Foi
encontrado um total de 4.600 artigos, estes passaram por uma análise de título,
resumo e ano, para então refinar aqueles que estavam mais relacionados ao
tema pesquisado. Após essa análise, foram separados 72 artigos, dos quais
foi realizada uma leitura na íntegra, sendo selecionados 28. Os demais artigos,
totalizando 44, foram excluídos por não abordarem a temática pretendida nesta
revisão.
Discussão
A partir da análise de prevalência das infecções causadas por agentes
microbiológicos do colo uterino, com base nos estudos realizados a partir de
diagnósticos citopatológicos de exames Papanicolaou, constatou-se que o
estado do Rio Grande do Sul teve o maior índice, predominando a infecção
causada por Gardnerella vaginalis (Tabela 1). No presente estudo a
Gardnerella vaginalis correspondeu a 26% dos achados laboratoriais (Figura
1). Constatou-se também a presença de demais agentes microbiológicos que
exercem grande importância no diagnóstico laboratorial, como Lactobacillus sp,
Candida sp, Cocos e Bacilos, Trichomonas vaginalis, Chlamydia trachomatis,
bem como a presença do vírus HPV e Herpes vírus.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
224
Tabela 1
Agentes microbiológicos causadores de infecções cervicovaginais encontrados
na região Sul do Brasil.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
225
Figura 1- Prevalência de agentes microbiológicos causadores de inflamações
cervicovaginais.
Pedroso e colaboradores (2009) descrevem a vaginose bacteriana como um
dos problemas ginecológicos mais comuns, sendo o corrimento vaginal uma
das razões mais frequentes pela qual a mulher procura o atendimento
ginecológico, esta infecção corresponde de 40% a 50% dos casos. Os achados
correspondentes com diagnóstico de Gardnerella vaginalis neste estudo, vem
de acordo com os dados da literatura. Entretanto, o número total de pacientes
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
226
analisados, é desconhecido nos artigos, justificando um baixo percentual,
mesmo assim a sua significância se mostra dentro dos valores esperados.
O suporte laboratorial mais utilizado para o diagnóstico de vaginose bacteriana
por Gardnerella vaginalis é o método de Gram. Contudo, a prevalência de
Papanicolaou seguido por bacterioscopia, permite ao citologista visualizar
melhor as características citológicas conhecidas por clue cells nos esfregaços
cérvico-vaginais, que são células escamosas recobertas por bactérias, dando
um efeito de apagamento nas bordas celulares. A bacterioscopia evidencia
também, a diminuição de lactobacilos e polimorfonucleares, com numerosos
cocobacilos gram negativos ou gram variáveis. Além disso, se é observado no
esfregaço o predomínio de células escamosas maduras (STINGHEN, 2002;
NETO, 2011).
Segundo a Nomenclatura Brasileira para Laudos Cervicais e Condutas
Preconizadas (2006), a presença de Lactobacillus sp, Cocos e Bacilos,
representam a flora normal da microbiota vaginal, sendo assim, não
caracterizam infecções. Os outros achados como Candida sp, Trichomonas
vaginalis e Chlamydia trachomatis são considerados potenciais causadores de
inflamação resultando em um desiquilíbrio biológico da microbiota vaginal
(NETO, 2011).
O emprego do método de Papanicolaou em diferentes estudos é mais
disseminado do que os métodos microbiológicos, devido ao fato do mesmo
desempenhar um papel importante na prevenção e controle do câncer cervical.
Desta forma, por permitir a identificação de alguns agentes infeciosos, pode ser
útil na detecção de outras doenças causadas por eles, entretanto, este método
apresenta alta sensibilidade e especificidade para a pesquisa de Gardnerella
vaginalis, porém, para a investigação de Trichomonas vaginalis, Candida spp. e
Chlamydia trachomatis, o método demonstra ser bastante específico mas
pouco sensível, para isso, recomenda-se outras técnicas específicas para o
diagnóstico destes agentes (STINGHEN, 2002).
Conclusão
O presente estudo identificou que o principal agente envolvido nas infecções
cervicovaginais, é a Gardnerella vaginalis, por meio do método de
Papanicolaou. Esta técnica é empregada na maioria dos estudos por resultar
boa sensibilidade no diagnóstico de Gardnerella vaginalis, embora não seja o
seu principal objetivo, ainda assim, mostra-se uma técnica de boa
reprodutibilidade, mas sabe-se que para o diagnóstico correto deste agente o
mesmo deve ser realizado por técnicas microbiológicas.
As demais infecções e inflamações prevalentes pelo Trichomonas vaginalis,
Candida spp. e Chlamydia trachomatis, têm um grande impacto na saúde da
mulher, sendo muitas vezes, evolutivo para um quadro patológico, para isso, a
melhor forma de reverter essa situação é a partir da prevenção e controle
dessas infecções que na grande maioria das vezes são curáveis, tornando-se
assim, um papel importante e fundamental dos projetos de educação em saúde
para a orientação e procedimentos a serem tomados.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
227
Palavras-chave:
Papanicolaou.
Agentes
microbiológicos,
Inflamações
cervicovaginais,
Referências Bibliográficas
CHIUCHETTA, G. I. R.; RUGGERI, L. S.; PIVA, S.; CONSOLARO, M. E. L. Estudo das
inflamações e infecções cérvico-vaginais diagnosticadas pela citologia. Arquivos Ciências da
Saúde Unipar, 6(2):123-128, 2002.
FREITAS, T. F.; FREITAS, R. F.; ROCHA, N. G. S.; MAIA, R. C.; ALMEIDA, R. F.; SOBRINHO,
J. S. R. Agentes microbiológicos em exames citopatólogicos de pacientes: um estudo de
prevalência. Revista Digital Deportes.com. Buenos Aires. v. 18, n. 190, 2014.
LIMA, R. R.; COSTA, A. M. R.; DE SOUZA, R. D.; LEAL, W. G.; Inflamação em doenças
neurodegenerativas. Revista Paraense de Medicina. v. 21 (2) abril-junho 2007.
NETO, P. G. S. G. Vaginose Bascteriana por Gardnerella vaginalis. Revista da Universidade
Paulista. Recife, 2011.
NOMENCLATURA
BRASILEIRA
PARA
LAUDOS
CERVICAIS
E
CONDUTAS
PRECONIZADAS RECOMENDAÇÕES PARA PROFISSIONAIS DE SAÚDE. Revista
Brasileira Ginecologia e Obstetrícia. Rio de Janeiro, v. 28, n. 8, p. 486-504, Aug. 2006 .
PEDROSO, L. A. Estudos dos aspectos clínicos da Gardnerella vaginalis e candidíase vaginal.
2009. 45 f. Monografia (Curso de Pós-Graduação Especialização em Ciências Farmacêuticas) Universidade do Extremo Sul Catarinense-UNESC, Criciúma, 2009.
STINGHEN, A. E. M. Método de Papanicolaou em amostras cérvico-vaginais: contribuição para
a triagem de algumas doenças sexualmente transmissíveis. Revista da UFPR, Curitiba, 2002.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
228
REVISÃO: BIOMARCADORES DA FUNÇÃO RENAL EM PACIENTES
CARDIOPATAS¹
Camila de Souza Rodrigues²; Danielle Kunzler Monteiro²; Juliana Foletto Fredo
Roncato³
¹Revisão de literatura
²Acadêmicas do Curso de Biomedicina – 8° semestre. Instituto Cenecista de
Ensino
Superior de
Santo
Ângelo. [email protected],
[email protected] com
³Farmacêutica Bioquímica Especialista em Toxicologia Aplicada (PUCRS)
Mestre em Biologia Celular e Molecular (PUCRS). Orientadora. Professora do
Curso de Biomedicina IESA/CNEC. [email protected]
Introdução
A doença renal crônica (DRC) é uma patologia que frequentemente vem sendo
estudada devido sua gravidade e por se tratar de um dos principais problemas
de saúde; Seu fator é agravado ainda mais quando esta se encontra
relacionada à outra patologia como, cardiopatias acarretando a síndrome
cardiorrenal que esta entre as principais causas de morbidade e mortalidade
em pacientes que são submetidos a acompanhamento e tratamento de
doenças renais.
É estimado que a disfunção renal é relatada em um entre quatro pacientes com
insuficiência cardíaca. Os riscos de gravidade em pacientes com insuficiência
cardíaca aumentam gradualmente com o aumento de alguns biomarcadores da
função renal ou a diminuição na taxa de filtração glomerular (ZORLU et al.,
2012).
A alta prevalência da síndrome cardiorrenal a partir de um quadro que pode
começar tanto de insuficiência renal quanto de insuficiência cardíaca se deve
em parte à elevada taxa de doenças coexistentes que por sí só não são
suficiente para explicar a extensão da síndrome cardiorrenal, mas quando
analisados em conjunto tem uma significante relevância (AMMIRATI,
CANZIANI, 2009).
Sendo o objetivo deste trabalho avaliar as inter-relações entre doença renal,
insuficiência cardíaca, juntamente com os biomarcadores para que este venha
contribuir com o diagnóstico precoce e tratamento adequado.
Metodologia
A metodologia deste trabalho é baseada em revisões bibliográficas realizadas
em livros, sites e artigos científicos que foram selecionados com base na
relevância do conteúdo e data de publicação.
Discussâo
Analisando comparativamente os estudos observa se a incidência semelhante
entre as taxas de prevalência da insuficiência cardíaca em pacientes com
complicações renais.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
229
As doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de complicações
em pacientes que são submetidos a acompanhamento e tratamento de
doenças renais, contando com cerca de 40% das hospitalizações e
aproximadamente 50% dos óbitos (MIRANDA et al., 2009; ECHAZARRETA,
2010).
Conforme o estudo de BASTOS et al., 2010 a alta prevalência de doença
cardiovascular (DCV) nos pacientes com DRC se deve, em parte, à elevada
taxa de doenças coexistentes, entre estas pode ser apontadas diabetes
mellitus e glomerulonefritel, que causam tanto lesão do tecido renal quanto do
sistema cardiovascular entre estes estão também a anemia que afeta cerca de
90% dos pacientes com DRC e a hipertensão arterial, podendo ocorrer em
mais de 75% dos pacientes de qualquer idade (MIRANDA et al., 2009).
Outro fato que é confirmado entre associação de estudos é a presença de
fatores múltiplos e complexos dependentes e independentes que se associam
tanto com a lesão do tecido renal quanto do tecido cardíaco levando a
síndrome cardiorrenal. Apesar da solida evidência existente quanto ao impacto
negativo desses fatores, alguns estudos demonstrarão que a ocorrência destes
não é suficiente para explicar a extensão da DCV associada à DRC. A alta
incidência de fatores de risco tradicionais para DCV, que são dislipidemia,
idade avançada e sedentarismo, devemos levar em consideração que a
ocorrência destes fatores não é suficiente para explicar a extensão da DCV
associada à DRC. Fatores relacionados à uremia, tais como anemia,
sobrecarga de volume, distúrbios do metabolismo mineral ósseo, inflamação,
aumento do estresse oxidativo, também podem servir como fatores para
precipitar uma descompensação funcional de lesões cardiovasculares
preexistentes ou ainda induzir o aparecimento das mesmas. Não somente a
participação de fatores preexistentes como idade e sobrepeso, mas estes
associados a uma doença de base podem servir de subsidio pra complicações
renais e cardíacas. Na avaliação DRC e da DCV é preciso levar em
consideração o total da patologia, ou seja as relações de base e as
ecoexistentes (AMMIRATI, CANZIANI, 2009).
O diagnóstico ficou facilitado com analise das alterações da taxa de filtração
glomerular (TFG) e de marcadores de lesão da estrutura renal já que
frequentemente o curso da doença é silencioso e assintomático até os seus
estágios mais avançados. Os biomarcadores da função renal são ferramentas
que podem fornecer informações necessárias, especialmente quando usado
em conjunto com dados clínico, são de fase discriminatórias entre o estado de
saúde e doença. Um biomarcador deve consistir em indicador de processos
biológicos, patogênicos ou resposta farmacológica para um tratamento
terapêutico. No quadro 1: Discussão acerca dos marcadores, a seguir esta a
comparação de estudos correspondentes ao perfil de biomarcadores que
frequentemente são usados em laboratórios de analises clinicas para avaliação
da função renal. (MAGRO, VATTIMO, 2007; MONTENEGRO et al, 2011).
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
230
Conclusão
Conforme a complexa interação entre o rim e o coração estudada conclui-se
que o funcionamento anormal do coração condiciona o desempenho anormal
dos rins, e vice-versa. Sendo notório que o tratamento dos pacientes com DRC
associado a cardiopatias requer o reconhecimento de aspectos distintos, porém
relacionados, que englobam a doença de base, o estágio da doença, a
velocidade da diminuição da filtração glomerular, a identificação de
complicações e a análise minuciosa dos biomarcadores, que tenham o intuito
de sinalizar a lesão renal auxiliando no diagnóstico e tratamento conforme as
particularidades da patologia. Desta maneira faz se necessários estudos
adicionais para demonstrar e complementar o impacto da síndrome
cardiorrenal sobre a morbimortalidade dos pacientes com insuficiência cardíaca
e renal.
Palavras-chave: Biomarcadores, Função Renal, Sindrome Cardiorrenal.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
231
Referências bibliográficas
ALVES, Maria. et al. Biomarcadores na nefrologia. São Paulo: Hugo Abensur, 2011.
AMMIRATI, Adriano; CANZIANI, Maria. Fatores de risco da doença cardiovascular nos
pacientes com doença renal crônica. São Paulo: J Bras Nefrol, 2009.
BASTOS, Marcus; BREGMAN Rachel; KIRSZTAJN, Gianna. Doença renal crônica: frequente
e grave mas também prevenível e tratável. Vol.56. São Paulo: Rev Assoc Med Bras, 2010.
CAETANO, Francisca. et al. Síndrome cardiorrenal na insuficiência cardíaca aguda: um
círculo vicioso?. Revista Portuguesa de Cardiologia, 2014.
ECHAZARRETA, Diego. Insuficiencia cardíaca y síndrome cardio-renal. Vol.5. Buenos
Aires: Insuf. card., 2010.
GABRIEL, Ivana; NISHIDA, Sonia; KIRSZTAJN, Gianna. Cistatina C sérica: uma alternativa
prática para avaliação de função renal. São Paulo: J. bras. nefrol., 2013.
MAGRO, Márcia; VATTIMO, Maria. Avaliação da função renal: creatinina e outros
biomarcadores. vol.19. São Paulo: Rev. bras. ter. intensiva, 2007.
MIRANDA, Samuel. et al. Síndrome cardiorrenal: fisiopatologia e tratamento. vol.55. São
Paulo: Rev. Assoc. Med. Bras, 2009.
MONTENEGRO, Ana; SILVA, Luis; UMÑOZ, Angélica. Síndrome cardio-renal anémico
Cardio-renal anemia syndrome. Vol.36. Bogotá: Ver. Acta Med Colomb, 2011.
ZORLU, Ali. et al. Efeito do levosimendan em pacientes com insuficiência cardíaca
sistólica severa e agravamento da função renal. vol.98. São Paulo: Rev.Arq. Bras. Cardiol,
2012.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
232
TOXINA BOTULINÍCA: ASPECTOS MICROBIOLÓGICOS, IMUNOLÓGICOS
E MOLECULARES¹
Adriana Catarine Buche²; Rejane Madalena Wisniewski²; Bruna de Almeida
Baron²; Jandaia Pauline Girardi²; Maraísa Zysko Somavilla²; Amanda Vergilio
Martins²; Juliana Fredo Roncato³.
¹ Trabalho de Revisão de Literatura.
² Acadêmicas do curso de Biomedicina do Instituto Cenecista de Ensino
Superior
de
Santo
ÂngeloIESA;
[email protected];
[email protected];
[email protected];
[email protected];
[email protected];
[email protected]
³ Farmacêutica- Analista Clínica; Mestre em Biologia Celular e Molecular;
Professora de Biomedicina e Fisioterapia - IESA/CNEC - Santo Ângelo;
[email protected]
Introdução
Botulismo é uma intoxicação alimentar provocada pela Clostridium botulinum,
bactéria gram-positiva de extrema gravidade, caracterizada por distúrbios
digestivos e neurológicos, devido à ingesta de diversos tipos de alimentos,
embutidos ou enlatados, de origem animal ou vegetal, insuficientemente
esterilizados ou conservados que permitiram a germinação dos esporos da C.
botulinum presentes no alimento e a multiplicação do microrganismo, tendo
como consequência a produção da toxina botulínica (BRASIL, 2006; SILLOS &
FAGUNDES, 2007). Nesses alimentos há condições adequadas para o agente
produzir uma potente neurotoxina capaz de levar os intoxicados ao óbito
(GERMANO, 2003; ESTADOS UNIDOS, 2004).
A C. botulinum tem um período de incubação variável, mas o mais habitual é
12 a 36 horas, após surge um quadro de disfunção autonômica e sintomas
anticolinérgicos, que podem, em formas mais graves, conduzir a falência
respiratória. O diagnóstico é essencialmente clínico e epidemiológico,
confirmado pelo isolamento da toxina em produtos biológicos do doente (soro,
fezes ou suco gástrico) ou no produto alimentar ingerido ou pelo isolamento do
microrganismo em cultura dos mesmos produtos (CARDOSO et al, 2004).
As toxinas atuam nas junções neuromusculares, provocando paralisia funcional
motora, sem interferência com a função sensorial. Os efeitos farmacológicos
das toxinas acometem principalmente os nervos periféricos, os quais têm a
acetilcolina como mediador. As toxinas ligam-se na membrana nervosa
bloqueando a liberação da acetilcolina, causando a paralisia flácida que evolui
para a morte, devido à paralisia dos músculos respiratórios, sem o
desenvolvimento de lesões histológicas (CDC, 2000; SOUZA, 2001; JOHNSON
& BRADSHAW, 2001).
Metodologia
Para o presente estudo, foram utilizados diversos artigos, como scielo e
pubmed sendo os principais. Foram usadas as palavras chaves: botulismo,
Clostridium botulinum, intoxicação alimentar e toxína botulínica. Foram
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
233
encontrados 32 artigos e utilizados 10 sendo descartados aqueles que,
possuíam informações sobre botulismo animal e toxína botulínica utilizada em
estética.
Resultados e discussão
Aspectos Moleculares: o complexo macromolecular de cada sorotipo tem um
tamanho aproximado de 300 a 900 Kda. Quando sintetizado pela C. botulinum
a neurotoxina apresenta-se com uma cadeia polipeptídica simples de
aproximadamente 150 kDa. A ativação da neurotoxina ocorre quando a
molécula de 150 kDa é clivada pela protease da bactéria, gerando dois
fragmentos polipeptídicos unidos por uma cadeia dissulfídica. Esta divisão gera
uma cadeia leve, dependente de zinco e uma cadeia pesada, contendo dois
domínios funcionais. A obtenção de uma dupla cadeia a partir de uma simples
depende do sorotipo da toxina e se a cepa envolvida expressa a protease
específica da clivagem. Os sorotipos da toxina botulínica exibem certa
semelhança estrutural com relação aos seus domínios, apresentando assim um
domínio de ligação (cadeia pesada), um domínio catalítico (cadeia leve), e um
domínio de translocação (BACHUR et al, 2009).
Aspectos Toxicológicos: cada estirpe de C. botulinum produz um tipo de toxina,
designadas de A a G, sendo as de tipo A, B, E e F as que causam doença
humana, enquanto os tipos C e D são quase exclusivas dos animais. As
toxinas afetam predominantemente as junções neuromusculares periféricas
(onde se ligam de modo irreversível impedindo a libertação de acetilcolina) e as
sinapses autonômicas (CARDOSO et al, 2004).
Normalmente as toxinas precisam ser ativadas para evidenciar máxima
toxicidade; nos casos proteolíticos (A, B e F), essa ativação é desnecessária,
sendo, no entanto, fundamental para o tipo E e outros não proteolíticos. A
tripsina é a mais eficiente das enzimas utilizadas na ativação da toxina,
cabendo lembrar que o tempo de contato deve ser controlado para não reduzir
o efeito tóxico (ROITMAN et al, 1991).
Aspectos Imunológicos: cada grupo de neurotoxina (A-G) cliva sítios
específicos das proteínas do complexo SNARE, impedindo a montagem
completa do complexo de proteínas envolvidas na fusão, e, consequentemente,
o bloqueio da liberação de acetilcolina. As toxinas botulínicas tipo A, C e E
clivam a SNAP-25, sendo que o tipo C também cliva a sintaxina. As toxinas
botulínicas do tipo B, D, F e G, clivam a cinaptobrevina (ARNON &
SCHECHTER, 2001).
Conclusão
O botulismo alimentar não é comumente acometido, acontece principalmente
em áreas ruirais, e em áreas onde o saneamento básico é muito precário,
sendo assim, também um grande problema de saúde pública. Pode também,
acontecer em grandes indústrias, mas as chances são menores, por ter um
avanço maior de tecnologias e cuidados. Principalmente onde indivíduos fazer
seus produtos artesanais, tendo um perigo ainda maior, tanto por falta do
conhecimento sobre os riscos que podem trazer quanto por uma falta de
higienização e limpeza.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
234
Palavras-chave: Clostridium botulinum, botulismo, intoxicação alimentar,
toxína botulínica.
Referências bibliográficas
ARNON & SCHECHTER et al. Botulinum Toxin as a Biological Weapon. Medical and Public
Health Management, v.285, n8, 2001.
BACHUR, T. P. R.; VERÍSSIMO, D.M.; SOUZA, M. M. C.; VASCONCELOS, S. M.; SOUSA, F.
C. F. Toxina botulínica: de veneno a tratamento. Revista eletrônica de pesquisa médica, v.3,
n1, 2009.
BRASIL. Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Guia de vigilância
epidemiológica. 5.ed. Brasília: FUNASA,2002. 842p.
Brasil. Ministério da Saúde. Vigilância epidemiológica do Botulismo. Disponível em:
<http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/Botulismo.ppt.pdf>. acesso em: 21 mar. 2015.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Guia de vigilância
epidemiológica. 6. ed. Brasília. ministério da Saúde, 2005. p. 170-186.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância
Epidemiológica. Manual integrado de vigilância, prevenção e controle de doenças transmitidas
por alimentos.Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2010.
CARDOSO, T. et al. Botulismo alimentar: estudo retrospectivo de cinco casos. Acta
Médica Portuguesa, v. 17, p. 54-58, 2004.
JOHNSON, E.A.; BRADSHAW, M. Clostridium botulinum and its neurotoxins: a metabolic
and cellular perspective. Toxicon, Oxford, v.39, p.1703-1722, 2001.
Manual Integrado de Vigilância Epidemiológica do Botulismo. p.80, 2006.
NETO, Cláudia. SILVA, Armandina. CARDOSO, Lúcia. SILVA, Sandra. BARREIRA, João L.
Botulismo: um receio latente. revista do hospital de crianças maria pia, ano 2009, vol
XVIII, n.º 1.
Salguero, P. V. B.; Domingues, P. S. T. A Incidência do Botulismo no Brasil entre 1999 e
2008. Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP /
Journal of Continuing Education in Animal Science of CRMV-SP. São Paulo: Conselho
Regional de Medicina Veterinária, v. 9, n. 3 (2011), p. 14–19, 2011.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
235
ÁCIDO HIALURÔNICO E SUAS ABORDAGENS EM ESTÉTICA FACIAL¹
Andressa Pazzato Ferreira²; Pâmela Dominik Engers Bratz²; Emanuelle Kerber
Viera Mallet³
¹Trabalho de conclusão de curso do Curso de graduação de Biomedicina.
²Acadêmicas do Curso de Biomedicina – 8º semestre. Instituto Cenecista de
Ensino Superior de Santo Ângelo.Email: [email protected];
[email protected]
3
Mestre em Diagnóstico Genético e Molecular. Orientador/a. Professora do
Curso de Biomedicina. [email protected]
Introdução
A valorização da face é natural, pois é a parte do corpo mais representativa e
exposta, na qual expressamos nossos sentimentos e emoções. O desejo de
conservar a beleza é procurado pela grande maioria das pessoas com o
objetivo de manter-se jovem, bela, e desejada contribuindo desta forma para a
qualidade de vida e satisfação pessoal (BORGES, 2006).
O envelhecimento da pele é um processo biológico, que se caracteriza por
alterações celulares e moleculares. Com o tempo, as células vão se
desgastando, resultando nos primeiros sinais de envelhecimento, sendo o
envelhecimento biológico natural. Porém, o processo natural de
envelhecimento pode ser acelerado através de fatores como o sol,
alimentação, fumo, álcool, mudanças hormonais, menopausa e doenças
(RIBEIRO, 2005).
Para reduzir os sinais do envelhecimento, os procedimentos estéticos estão
cada vez mais sendo procurados. Os indivíduos buscam procedimentos que
possam ajudá-los com sua imagem, tendo como objetivo aumentar sua
autoestima, melhorando suas relações sociais e sua probabilidade de sucesso
(OLIVEIRA, 2010).
Para atender esse novo mercado da beleza e da saúde, a Resolução nº 200,
de 01 de Julho de 2011 do Conselho Federal de Biomedicina possibilita o
biomédico esteta a realizar a avaliação do paciente e procedimentos como a
eletroterapia e eletroestimulação; laserterapia, microagulhamento, peelings,
biotecnolopias, procedimentos invasivos não cirúrgicos e a cosmetologia
avançada.
A busca pelos métodos não invasivos, assim como novas tecnologias, drogas e
outros produtos para a correção das alterações cutâneas relacionadas ao
envelhecimento é tendência cada vez mais expressiva. A técnica de
preenchimento cutâneo inclui-se entre os procedimentos não cirúrgicos mais
utilizados e preferidos para a correção de rugas, sulcos, depressões, melhora
do contorno e volume dos lábios, cicatrizes de acne e reposição do volume
facial (HARGITTAI, 2008).
Mediante o exposto, este trabalho tem como o objetivo avaliar as principais
abordagens do ácido hialurônico em estética facial.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
236
Metodologia
No presente artigo, utilizou-se o método de revisão bibliográfica, que tem a
finalidade de reunir e sintetizar resultados de pesquisas sobre determinado
tema ou questão. O levantamento bibliográfico desta revisão foi realizado por
meio de busca por artigos científicos encontrados em bancos de dados, como o
MEDLINE/Pubmed, SciELO – Scientific Electronic Library Online e
LILACS/Bireme, utilizando os seguintes descritores e/ou palavras chaves: ácido
hilurônico, rejuvenescimento e estética facial.
Discussão
Desde os tempos antigos, o homem tenta substituir tecidos orgânicos por
materiais que suavizam deformidades causadas por tumores, traumas, defeitos
congênitos e ainda danos faciais causados pelo envelhecimento. Ainda não há
material totalmente inerte ao tecido humano, mas alguns são bem tolerados
pelo organismo, podendo propiciar benefícios estéticos e funcionais (VAZIN,
2008).
Os materiais de inclusão utilizados na estética requerem características ideais
como não ser modificado pelos tecidos e líquidos orgânicos, ser minimamente
inerte, não causar reação inflamatória, não ser carcinogênico, não produzir
reações alérgicas, ser capaz de resistir a tensões mecânicas, ser moldável e
de fácil retirada (ARRUDA, 2010).
Existem diferentes tipos de substâncias utilizadas como preenchedores faciais,
e as mais utilizadas são: colágeno, preenchedores sintéticos com microesferas
e os preenchedores de ácido hialurônico. Embora possamos classificar os
preenchedores de acordo com suas substâncias, eles são geralmente
classificados com a duração de seu efeito em permanentes e os nãos
permanentes (GLADSTONE, 2005).
Dentre os nãos permanentes, o que merece maior destaque é o ácido
hialurônico, devido ao perfil de segurança, eficácia, versatilidade, facilidade de
armazenamento e de uso, satisfação e gratificação dos resultados tanto para o
profissional quanto para o paciente (BAUMANN, 2005).
O ácido hialurônico é um polissacarídeo de elevado peso molecular e
componente essencial da matriz extracelular da derme que está diretamente
envolvido na reparação de tecidos. Pode ser de origem animal, extraído dos
tecidos, sendo sua maior parte oriunda da crista de galo, ou obtido por
bactérias através de fermentação ou biossintetizado. Sua quantidade é
inversamente proporcional ao tempo de vida do ser humano (HARGITTAI,
2008).
Conforme KIM (1996) o ácido hialurônico está presente nos tecidos conjuntivos
de mamíferos, preenchendo assim espaços intercelulares. Suas funções estão
ligadas à flexibilidade e manutenção da estrutura dos tecidos. No ser humano,
este mucopolissacarídeo está presente no líquido sinovial, na pele, nos
tendões, no olho e no cordão umbilical.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
237
No ramo da estética, essa substância é usada no preenchimento de rugas e
sulcos faciais como, por exemplo, os sulcos nasojugais, conhecidos
popularmente como olheira, sulcos nasogenianos, também conhecido como
bigode chinês, rugas glabelares, que são as rugas do nariz e entre as
sobrancelhas, rugas finas como os populares pés de galinha, e pode também
ser aplicado com a finalidade de aumentar o volume dos lábios, do zigomático
ou maçã do rosto, queixo, mandíbula, seios, nádegas e bochechas, além de
suavizar cicatrizes (MONTEIR0, 2010).
Encontrado em vários produtos, o ácido hialurônico pode ser ministrado por via
oral, tópica ou injetável. O gel de ácido hialurônico injetável é um dos mais
novos biomateriais desenvolvidos para o preenchimento de partes moles.
Possui propriedades de transporte do corpo, dando volume à pele, forma aos
olhos e elasticidade às articulações. Na pele as moléculas de ácido hialurônico
são injetadas na derme para corrigir rugas estáticas e tratar o contorno facial
(MAIO, 2011).
Ao injetarmos o material so a pele, ele age de maneira ue “empurra” a pele
acima dele para fora, suavizando as rugas, sulcos e imperfeições nessa região
(FERRARI, 2010).
O tempo de permanência no local de aplicação é de aproximadamente 6 a 12
meses, dependendo das propriedades viscoelásticas, do tipo de ácido
hilurônico usado e das forças mecânicas e físico-químicas teciduais locais
(FERREIRA; BRENE 2011).
É importante saber que quando um preenchedor é injetado na pele, sempre
ocorre uma reação inflamatória decorrente do trauma da injeção (trauma
mecânico) e/ou da resposta do organismo à substância (MONTEIRO, 2010).
As reações alérgicas são descritas em 0,1% dos casos, e inicia-se entre três e
sete dias após a aplicação do produto, prazo, entretanto, que se pode estender
até o período de um a seis meses. As complicações com uso de
preenchedores à base de ácido hialurônico podem ser decorrentes de
inexperiência ou técnica incorreta (CROCCO, 2012).
Conclusão
O ácido hialurônico é um produto que vem tornando-se cada vez mais seguro,
e suas complicações na atualidade são relacionadas principalmente à técnica
de aplicação e inadequada higienização da pele. Seu uso em sua versão
injetável constitui um tratamento eficaz no combate aos sinais do
envelhecimento estando diretamente relacionado com a sua capacidade de
retenção da água e consequentemente de dar volume às partes moles.
Palavras – chave: Ácido hialurônico, preenchedores, rejuvenescimento.
Referências bibliográficas
ACCURSIO, Célia. Alterações da Pele na Terceira Idade. Revista Brasileira de Medicina.
São Paulo, n.1, vol.38, p.22-25, set. 2011.
AZULAY, Rubem. Dermatologia. Rio de Janeiro, Guanabara Koogam. 4.ed. 2013.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
238
BAUMAN, Saimon. Skin and aging: How to choose a filler.The New England
Journal of Medicina. v. 354, p. 260-271, jul. 2005.
BORGES, Fábio dos Santos. Modalidades Terapêuticas nas Disfunçôes Estéticas. São
Paulo: Phorte, 2006.
FERRARI, Geyse Freitas. Os benefícios do ácido hialurônico no envelhecimento
facial. Sociedade Brasileira de Dermatologia. Rio de Janeiro, p. 25-36, jun. 2010.
FERREIRA, Ingrid.; BRENE, Cleiciane. O envelhecimento cutâneo e seus meios de
prevenção.
Disponível
em:
<http://www.unifil.br/portal/arquivos/publicacoes/paginas/2012/8/485_760_publipg.pdf >Acesso
em: 01 out. 15.
GLADSTONE, Barbara. Informações básicas no uso dos preenchedores estéticos. In:
CARRUTHER, Jean. Técnicas de preenchimento. 2. Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.
HARGITTAI, Magdolna. Molecular structure of hyaluronan: An introduction.Structural
chemistry. n. 5, vol. 19, p. 697-717, fev. 2008.
KIM, John. Selection of a Streptococcus and mutant and optimization of culture
conditions for the production of high molecular weight hyaluronic acid. Disponível em:
<http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0141022996000191>Acesso em 05 out 15.
MAIO, Maurício. Tratado de Medicina Estética. 2.ed. São Paulo: Roca, 2011.
MONTEIRO, Érica. Envelhecimento facial: perda do volume e reposição com ácido
hialurônico. Disponível em: <http://www.moreirajr.com.br/> Acesso em 25 set. 15.
OLIVEIRA Aparecida. Fatores Motivadores do Crescimento da Medicina Estética na
Sociedade atual e seus Aspectos Éticos: Uma breve revisão literária. Curitiba, 2010.
Resolução Conselho Federal de Biomedicina CFBM Nº 200 De 01 de julho de 2011. Disponível
em: < http://www.crbm3.org.br/?pg=4&subpg=4&menu> Acesso em 20 set.15
RIBEIRO Cristiane Pinto. Fotoenvelhecimento. Revista Personalité A Estética com a
Ciência. São Paulo, n. 42, jul. 2005.
VANZIN, Sara. Entendendo cosmecêuticos, diagnósticos e tratamentos. 2. ed. São Paulo:
Santos, 2008.
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
239
CENÁRIO DA ATENÇÃO A SAÚDE DO ÍNDIO NO BRASIL¹
Daniela Signori², Jandaia Pauline Girardi², Juliana Posser³, Carine Eloise
Prestes Zimmermann 4, Débora Pedroso5
¹
Trabalho de Iniciação Científica PIBIC/IESA
²Acadêmicas do curso de Biomedicina do Instituto Cenecista de Ensino
Superior de Santo Ângelo – CNEC/IESA. [email protected]
3
Professora, Especialista, Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo
Ângelo- IESA Pós Graduanda do Programa Educação em Ciências,
Universidade
Federal
do
Rio
Grande
do
Sul
–
UFGRS
[email protected]
4
Biomédica; Especialista em Gestão de Organização Pública em Saúde;
Mestre em Farmacologia; Doutorando do Programa de Pós-Graduação em
Farmacologia da Universidade Federal de Santa Maria, Brasil; Docente do
Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo CNEC-IESA.
[email protected]
5
Biomédica; Mestre em Ciências Biológicas. Doutoranda do Programa de PósGraduação em Parasitologia Universidade Federal de Pelotas, Brasil; Docente
do Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo CNEC-IESA.
[email protected]
Introdução
A atenção à saúde indígena atual remete ao conhecimento de seu histórico,
desde o período colonial. Com o passar das décadas, o atendimento aos índios
passou pelos missionários, pela Igreja e finalmente passou a ser competência
do Estado brasileiro. Durante este período, surgiram diversas políticas de
atenção à saúde indígena conforme a ampliação do pensamento indigenista no
país (GARNELO, 2012).
Atualmente, o serviço de saúde de atenção aos índios conta com uma
estruturação voltada ao atendimento integral destas populações, levando em
conta suas particularidades no atendimento, respeitando de forma íntegra sua
cultura e costumes. Porém, este atendimento integral à população indígena
ainda representa um desafio de adaptação aos profissionais e serviços de
saúde (BERNARDES, 2011).
Nesse sentido, o objetivo deste estudo foi realizar uma revisão bibliográfica
sobre a atenção à saúde indígena no Brasil.
Material e métodos
Foi realizada uma revisão descritiva da literatura científica em bases de dados
Scielo, PubMed, Capes e Lilacs. Os descritores utilizados em conjunto para
identificação dos artigos foram: Atenção a saúde, Saúde de Populações
Indígenas, Serviços de Saúde. A busca se restringiu a artigos publicados em
português no período compreendido entre janeiro de 1989 e julho de 2015. A
consulta às bases de dados foi realizada em outubro de 2015. Artigos que não
atenderam a algum dos critérios propostos foram excluídos das análises
posteriores. Foram também pesquisados livros, teses e dissertações que
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
240
versassem sobre o assunto, sendo que esses passaram por seleção
semelhante à descrita anteriormente.
Discussão
Pouco se conhece sobre a situação atual da saúde indígena, sendo os dados
gerais escassos ou inexistentes. Os dados parciais disponíveis são gerados
por instituições como a FUNASA, FUNAI, diversas organizações nãogovernamentais e ainda por missões religiosas que prestam assistência à
saúde destas populações (FUNASA, 2002).
A atenção à saúde indígena teve origem durante o período colonial no século
XIX, onde os índios eram acolhidos principalmente pelos missionários das
igrejas, que realizavam o atendimento e a assistência à saúde de muitos povos
indígenas espalhados pelo Brasil (GARNELO; SAMPAIO, 2003).
Com o passar do tempo, a proteção aos índios deixou de ser responsabilidade
da Igreja e passou a ser do Estado, sendo estabelecidas desde então uma
série de políticas públicas destinadas à população indígena do país, incluindo a
atenção à saúde, que apenas ganhou maior relevância após a Constituição
Federal de 1988 (Figura 1). As entidades representativas indígenas sempre
estiveram presentes, de forma a garantir os direitos indigenistas. Uma síntese
da evolução das políticas de saúde para os indígenas no Brasil, desde o
período colonial até os anos 2010 pode ser visualizada na Figura 1.
FIGURA 1: HISTÓRICO DAS POLÍTICAS DE ATENÇÃO À
SAÚDE DO ÍNDIO NO BRASIL
1500
PERÍODO COLONIAL
1910
SPI
1967
FUNAI
1988
CONSTITUIÇÃO FEDERAL
1991
FNS
1994
FNS/FUNAI
• Atenção à saúde realizada por missionários;
• Ausência de política pública indigenista.
• Implementação da política indigenista;
• Serviço de Proteção ao Índio (1918)
•
•
•
•
Responsável pela execução da política indigenista;
Divisão de Saúde (Equipes volantes de Saúde)
Casas dos Índios
Rotatividade de profissionais
• Saúde: direito de todos e dever do Estado;
• Atendimento universalizado e socializado;
• Ministério da Justiça a execução da política indigenista;
• Fundação Nacional de Saúde (FNS)
• Divisão na Execução da política indigenista
• FUNAI: Controle das ações de saúde indígena
• FUNASA: ações de prevenção e controle de agravos à saúde.
1999
FUNASA
• Ministério da Saúde -gestão e execução
• Lei Arouca - Atenção à saúde articulada com a rede do SUS
(Subsistema de Atenção à Saúde Indígena)
• Implantação de 34 DSI’s em todo o território nacional.
2001
FUNASA
• Estabelece diretrizes para elaboração de projetos de
estabelecimentos de saúde, abastecimento de água, melhorias
sanitárias e esgotamento sanitário
2002
FUNASA
• Aprova a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas
• Cria o programa de Promoção da Alimentação Saudável em
comunidades indígenas
2010
DSEI's
• Responsável pela coordenação e execução do Subsistema de Atenção
à Saúde Indígena
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
241
Atualmente, as operacionalização das ações da saúde são efetuadas por meio
de unidades de saúde nas comunidades indígenas, polos-base em territórios
indígenas que devem comportar as Equipes Multidisciplinares de Saúde
indígena (EMSIs),e as Casas de Saúde Indígena (CASAIs) (CARDOSO, 2014).
As equipes Multidisciplinares de Saúde indígena (EMSIs), são compostas por
médicos, odontólogos, enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem,
agentes de saúde e agentes indígenas de saneamento, sendo o número, a
qualificação e o perfil dos profissionais determinados em conformidade com o
planejamento de atividades, levando em consideração fatores como:
quantidade de habitantes, condições de acesso, perfil epidemiológico e
necessidades específicas para controle de endemias (CRUZ; COELHO, 2012).
Além disso, existe o Agente Indígena de Saúde (AIS), membro da aldeia
capacitado pela FUNASA para prestar assistência à saúde aos demais
integrantes de sua própria aldeia (DIHEL, LANGDON, 2012). O polo-base tem
como principal missão a promoção de saúde das aldeias por meio de
assistência aos casos não solucionados nos postos de saúde. Caso a estrutura
oferecida pelos polos-base não seja suficiente devido à complexidade de certos
casos, o paciente é repassado então para os serviços de referência para
atenção à saúde de média e alta complexidade na rede de serviços já
existentes do SUS que atende a população brasileira em geral (HOKERBERG,
2001). A Casa de Apoio à Saúde Indígena (CASAI), é um estabelecimento
localizado em municípios estratégicos, inclusive nas capitais dos estados. Sua
atribuição é receber o índio que vem referenciado de sua aldeia em busca de
assistência na rede do SUS. Desde o início do subsistema, os serviços de
saúde nas terras indígenas têm sido executados através de convênios com
municípios e/ou ONGs, caracterizando a terceirização do subsistema
(GARNELO;SAMPAIO, 2012).
As ações à saúde indígena atualmente são de competência da Secretaria
Especial de Saúde Indígena (SESAI), órgão criado pela lei nº 12.314/2010 e
Decreto nº 7.336/10 como resposta às reivindicações indígenas, em busca da
implementação de um novo modelo de gestão e atenção no âmbito do SUS
(SANTOS et. al, 2008).
Segundo dados do Ministério da Saúde (2015), em toda a rede existem 751
postos de saúde nas cinco regiões geográficas, situados nas mais de 4,2 mil
aldeias indígenas existentes no país. Os postos de saúde são construídos de
acordo com a necessidade de cada região, neles são executados os serviços
de atenção básica à saúde, como o acompanhamento de crianças e gestantes,
imunização, acompanhamento de pacientes crônicos e doenças que ocorrem
com freqüência (LANGDON, 2007). Ações estas que já refletiram no índice de
mortalidade infantil, o qual apresentou uma queda nos últimos anos de 40,55%
demonstrando com isso a efetividade da política de proteção à saúde dos
índios brasileiros implantada ultimamente (BASTA, 2012).
A inexistência de um sistema de informação atualizado e completo acerca da
saúde indígena impede a análise detalhada e epidemiológica das populações
indígenas, ficando também limitados estudos de avaliação de certos programas
de saúde pública destinados à estas populações (VARGAS, 2010).
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
242
Conclusões
Diante do exposto, tem-se uma visão geral sobre situação da atenção à saúde
do índio no Brasil. Este estudo faz parte de uma ampla pesquisa sobre a saúde
indígena que está sendo desenvolvido por este grupo de pesquisa, como
consequência da carência de dados e atividades de pesquisas científicas que
explorem este segmento da sociedade e que acrescentem as discussões sobre
a saúde dos povos indígenas. Sugere-se que mais estudos sejam realizados,
para que se tenha uma atenção integral e conhecimento amplo sobre a
situação de saúde das populações indígenas.
Referências bibliográficas
Garnelo L, Sampaio S. Bases socioculturais do controle social em saúde indígena: problemas e
questões na Região Norte do Brasil. Cad S Pub. 2003; 19(8):311-7.
Garnelo L. Política de Saúde Indígena no Brasil: notas so re as tend ncias atuais do processo
de implantação do su sistema de atenção
saúde. Em Garnelo e Pontes (Orgs.) Saúde
Indígena: uma introdução ao tema. Brasília: Mec/Secadi/Unicef. 2012; 1(2):234-346.
Bernardes AG. Saúde Indígena e Políticas Públicas: alteridade e estado de exceção. Com,
Saúde e Educ. 2011; 15(4):153-164.
Confalonieri UEC. O sistema único de Saúde e as Populações Indígenas: Por uma integração
diferenciada. Cad de Saúde. 1989; 5(2):441-450.
Santos R. V. et al. Saúde dos Povos Indígenas e Políticas Públicas no Brasil. In: GiovanellaL
et.al. Políticas e Sistema de Saúde no Brasil. RJ Fiocruz. 2008; 14(6):1035-1056.
Bastos GAN, Duca GFD, Hallal PC, Santos IS. Utilization of medical services in the public
health system in the Southern Brazil. Rev S Pub.2011; 45(3):475-484.
Langdon EJ, Diehl EE. Participação e Autonomia nos Espaços Interculturais de Saúde
Indígena: reflexões a partir do sul do Brasil. Saúde e Soc. 2007; 16(2): 19-36.
Chaves MBG, Cardoso AM, Almeida C. Implementação da política de saúde indígena no Pólobase Angra dos Reis, Rio de Janeiro, Brasil: entraves e perspectivas. Cad S Pub 2006;
22(4):295-305.
Garnelo L, Sampaio S. Organi ações indígenas e distritali ação sanitária: os riscos de “fa er
ver” e “fa er crer” nas políticas de saúde. ad S Pu . 2005; 21(4 :1217-1223.
Souza MC, Scatena JHG, Santos RV. O Sistema de Informação da Atenção à Saúde Indígena
(SIASI) criação, estrutura e funcionamento. Cad S Pub. 2007;23(4): 853-861.
Ministério da Saúde, Brasil. Secretaria especial de Saúde Indígena. Relatório de gestão do
exercício de 2013. BRAS 2013.
Cardoso MD. Saúde e povos indígenas no Brasil: notas sobre alguns temas equívocos na
política atual. Cad S Pub. 2014; 30(4):860-866.
Cruz KR, Coelho EMB. A Saúde Indigenista e os Desafios da Particip(Ação) Indígena. Saúde e
Soc. 2012; 21(6):185-198.
Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Distritos Sanitários Especiais
Indígenas.[acesso em 15 abr 2015].Disponível em ://portalsaude.saude.gov.br/index.php/oministerio/principal/secretarias/secretaria-sesai/mais-sobre-sesai/9540-destaques
Dihel EE, Langdon EJ, Scopel RPD. Contribuição dos agentes indígenas de saúde na atenção
diferenciada à saúde dos povos indígenas brasileiros. Cad S Pub. 2012; 15(9):819-831.
Hokerberg YHM, Duchiade MP, Barcellos C. Organização e qualidade da assistência à saúde
dos índios Kaingáng do Rio Grande do Sul, Brasil. Cad S Pub. 2001; 8(4): 261-272.
Vargas ID. Secretaria Especial de Atenção à Saúde Indígena: desafios. BIS, Bol. Inst. Saúde.
2010;129(2):167-171.
Basta PC, Orellana JDY, Arantes R. Perfil epidemiológico dos povos indígenas no Brasil: notas
sobre agravos selecionados. In: Garnelo, Luiza; Pontes, Ana L. Saúde Indígena: uma
introdução ao Tema. MEC-SECADI. 2012; 32(2): 60-107.
Ministério da Saúde. Mais médicos contribui para melhorar atendimento aos povos indígenas
[acesso em 15 ago 2015]. Disponível em: http: // www.brasil.gov/saúde/2015/07
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS
243
www.jacmissoes.com.br
APOIO:
PATROCÍNIO:
II Jornada de Análises Clínicas das Missões
18 a 20/11/2015 – Santo Ângelo-RS