Novo Jornal 296 – Economia

Сomentários

Transcrição

Novo Jornal 296 – Economia
NÚMERO DA SEMANA
4
mil Quilómetros de estrada
Objectivo de construção para a província
do Kuando Kubango no período 2013-2017
Este suplemento faz parte integrante do semanário Novo Jornal e não pode ser vendido separadamente
fábrica compal
O
grupo
português
Sumol+Compal
assinou
quinta-feira, 12, em Luanda, o contrato de investimento com a Agência
Nacional de Investimento Privado (ANIP) para a
construção de uma fábrica
de enchimento de sumos,
néctares e refrigerantes,
informou o grupo em comunicado. O investimento
previsto no contrato assinado com a ANIP ascende
a 45 milhões de dólares, a
serem aplicados na construção e exploração de uma
fábrica de enchimento de
sumos, néctares e refrigerantes em TetraPak e latas.
Quarto carregamento
Angola está a preparar
o quarto carregamento
de Gás Natural Liquefeito (LNG) para o início da
próxima semana, antes da
fábrica do Soyo paralisar
a sua actividade para tarefas de manutenção que vão
durar 53 dias, divulgou a
agência Reuters durante o
dia de ontem, quinta-feira.
A manutenção está marcada para começar a 29 de Setembro, segundo uma fonte citada pela agência. “O
próximo embarque deverá
ocorrer no início da próxima semana, segunda-feira
ou terça-feira “, disse. O
nível de produção previsto
para o Soyo pode não se
materializar antes que a
estrutura feche para testes
de diagnóstico.
Kilamba
Clientes
ameaçam
processar
Sonangol
>> P. 05
Lifebuoy em promoção
A Unilever, representante
mundial da marca Lifebuoy,
apresentou-se quarta-feira, em Luanda, para lançar
no próximo dia 15 de Outubro uma campanha de saúde escolar que visa reduzir
a mortalidade infantil. O
projecto está avaliado em
100 mil dólares, e vai decorrer até ao final do ano.
Segundo Gerrie Kapfidze,
um dos responsáveis da
Lifebuoy, é a primeira vez
que a marca vai trabalhar
em parceria com a direcção
provincial da Saúde e da
Educação.
actual
Entrevista
fecho
Novos espaços
para todo o país
Luanda tem tudo
para ser mais saborosa
Capital recebe
quatro lojas em 2015
Comércio
>> P. 03
Restauração
>> P. 06
Continente
>> P. 12
02
20 Setembro 2013
Análise
Impacto da Lei Cambial
ainda incerto
O Comité de Política Monetária manteve a taxa de juro básica
nos 10% desde Janeiro, tendo,
no entanto, sido alterada a taxa
utilizada nas operações de absorção de liquidez do banco central,
aplicando-se agora uma remuneração de 1% (menos 0.25% do que
anteriormente) sobre os depósitos
efectuados junto do BNA no prazo overnight. A taxa da facilidade
permanente de cedência de liquidez foi mantida nos 11.25%.
Segundo o último relatório sobre
Angola feito pelo Banco Português
de Investimentos (BPI), que em
Angola controla o Banco Fomento
Angola (BFA), no final de Junho,
o Comité de Política Monetária decidiu também alterar o coeficiente
de reservas obrigatórias sobre os
depósitos dos bancos comerciais
em moeda nacional.
O coeficiente aplicado era de
20%, tendo sido reduzido em 5%,
para 15%. Este passa a ser idêntico
ao coeficiente aplicável nos depósitos em moeda estrangeira, traduzindo o objectivo das autoridades
em reduzir custos de financiamento dos agentes económicos que recorrem a crédito bancário.
No entanto, estes custos de financiamento apresentam uma
tendência mista. As taxas pratica-
das no crédito até 6 meses subiram
desde o final de 2012, tendo atingido os 18% em Abril, enquanto
que no crédito até um ano, as taxas de juro praticadas mantiveram
uma tendência descendente desde
Julho de 2012. Esta evolução nas
taxas de juro activas contrasta
com uma relativa estabilidade das
taxas de juro praticadas no mercado interbancário. No prazo de seis
meses e um ano, as taxas LUIBOR
variam actualmente em torno dos
9% e 11%, respectivamente. Constrangimentos estruturais (fraca
execução de contratos e falta de
instrumentos de monitorização do
risco de crédito) continuam a dificultar a expansão do crédito, especialmente a pequenas e médias
empresas e ao sector informal, que
se estima que represente cerca de
40% do PIB não-petrolífero.
Em Angola, teve início, no dia um
de Julho, a obrigatoriedade das sociedades operadoras do sector
petrolífero, nacionais e estrangeiras, de efectuarem pagamentos de
fornecimentos de
bens e serviços
a residentes
cambiais ex-
clusivamente em moeda nacional.
Esta obrigatoriedade é a penúltima
etapa da Nova Lei Cambial Aplicável ao Sector Petrolífero, criada em
2012 com o objectivo de reduzir o
nível de dolarização da economia
angolana e aumentar a eficácia da
política monetária, melhorando o
controlo da inflação. A concretização da última etapa do processo
está prevista para Outubro de 2013,
altura em que as entidades do sector
petrolífero serão obrigadas a efec-
tuar pagamentos de bens e serviços
ao exterior a partir de contas junto
de entidades financeiras locais.
O impacto da Nova Lei Cambial ainda é incerto, havendo estudos que
indicam que a obrigatoriedade de
pagamentos a fornecedores através
de instituições locais pode gerar uma
liquidez adicional de 10 mil milhões
de dólares ao ano (para compreender
a sua dimensão, este valor representa cerca de 40% dos depósitos totais
em instituições financeiras).
No entanto, apenas uma pequena parte ficará na economia local,
prevendo-se que a maior parte deste volume seja utilizada para pagamentos a fornecedores estrangeiros. A política monetária seguirá
atentamente a evolução da liquidez no sistema, sinalizando eventualmente um ciclo de aperto caso
a evolução de indicadores de inflação e financeiros (forte aumento
da inflação; acumulação de
desequilíbrios entre activos e passivos dos
bancos) assim o
justifique.
Inflação
estabiliza
Depois de atingir um mínimo
histórico de 8.9% em Janeiro, a
inflação em Angola acelerou ligeiramente a partir de então, estando
a variar em torno dos 9%. Em Junho, a inflação homóloga atingiu
os 9.19%, retomando a tendência
descendente iniciada em Novembro de 2010. A classe “ Alimentação e Bebidas não Alcóolicas” é a
que mais influencia a variação do
índice geral, tendo contribuído
em mais de metade para a subida
mensal da inflação nos últimos
três meses. O comportamento desta variável no primeiro semestre
de 2013 torna plausível o cenário
do FMI para a inflação este ano.
Angola poderá alcançar uma inflação média anual de 9.4% (inflação homóloga de 9.2%) no final
de 2013, face a uma taxa média
de 10.3% em 2012. Nos próximos
anos, o FMI, no seu último World
Economic Outlook projecta uma
descida moderada dos preços, até
se fixarem numa variação de 7%
em 2016. Esta previsão dependerá
da velocidade de implementação
do plano de investimentos públicos em infra-estruturas, que ajudará a resolver problemas de logística e de distribuição de bens de
consumo em território nacional.
20 Setembro 2013
Actual
03
Uma agência do Banco de Poupança e
Crédito (BPC) será aberta em 2014, no
município do Curoca, província do Cunene
Supermercados
reclamam apoio
do Governo
Novas lojas até 2015
A ministra do Comércio,
Rosa Pacavira, pediu celeridade
na apresentação de propostas
por parte dos empresários com
vista a materializar o plano de
expansão de lojas e exigindo a
desburocratização do processo.
A governante avançou que as
empresas têm um prazo de 15
dias para remeter ao órgão de
tutela as propostas, contendo
o volume de investimentos necessário para cada empreitada,
garantindo haver fundos do Estado para o efeito. O programa
deverá ser implementado num
período de 24 meses.
H. S.
Tom Carlos
Ministra do Comércio, Rosa Pacavira, quando se dirigia aos comerciantes
As diferentes cadeias de supermercados e grandes distribuidores
de alimentos são favoráveis ao alargamento da rede comercial em todo
o território nacional, mas solicitam
maior apoio institucional, especialmente do Governo e da banca, para
a implementação dessa tarefa.
O ponto de vista foi defendido
de forma unânime pelos responsáveis dos distintos supermercados
de Luanda, durante um encontro
realizado nesta quarta-feira, 18, e
orientado pela ministra do Comércio, Rosa Pacavira. A par disso os
participantes reflectiram sobre a
necessidade dos grupos comerciais
grossistas criarem lojas de retalho
para impedir o fomento do comércio informal, através da venda de
elevadas quantidades de mercadorias a pessoas singulares.
No final da reunião, o patrão
da Pomobel, Raúl Mateus, considerou que apesar de existir maior
sensibilidade da parte do ministério de tutela subsistem muitas
preocupações, sobretudo na venda de produtos perecíveis.
“Há ainda produtos frescos a serem
vendidos nas ruas sem o mínimo de
higiene. Existem muitas preocupações. É preciso aperfeiçoar o atendimento e as condições em que podemos vender os bens alimentares à
população”, sublinhou Raúl Mateus.
Nesse sentido, o empresário
pactua com a posição do Executivo
ao pretender reorganizar o sector
comercial, sendo por isso favorável a um plano director de desenvolvimento do sector do Comércio,
que prevê a criação de lojas das
Tom Carlos
Gilberto Magalhães da rede Nosso Super e Raúl Mateus da Pomobel
diferentes redes em todo o país.
“Há um défice muito grande a
nível do país de superfícies comerciais. Assim estamos a criar condições para o surgimento do mercado
ambulante, que não oferece condições para melhor servir a população, o que provoca um grande
constrangimento na saúde pública”, disse Raúl Mateus.
Por seu lado, Farid Rehmani, do
grupo Alimenta Angola, questionou
as relativas dificuldades no acesso ao
direito de superfície para erguer lojas
e solicitou apoio do Governo para
viabilizar este tipo de processos.
“Temos vários espaços e já temos
pago o direito de superfície que
ainda não possuímos, sendo isso
a garantia para aceder à licença de
construção. Queremos esse apoio
para ajudar na expansão com uma
melhor rede de supermercados,
cujo propósito é atingir um mercado mais formal”, afirmou Rehmani.
Petróleo
Angola aproxima-se da Nigéria
A exportação de petróleo vai aumentar para 1,74 milhões de barris
por dia em Novembro, de acordo
com a lista de embarques para esse
mês divulgada por compradores em
Londres e em Genebra.
Com aquele valor, Angola aproxima-se rapidamente da exportação
da Nigéria, o principal exportador do
continente, mas que tem sido afectado por uma série de problemas relacionados com o roubo de petróleo.
De acordo com dados obtidos pela
agência financeira Reuters, a Nigéria deverá exportar em Outubro
1,79 milhões de barris por dia, em
quebra relativamente aos mais de 2
milhões de barris por dia exporta-
dos no ano passado, o que representa uma perda de receita mensal estimada em 700 milhões de dólares.
Em contraste, os embarques angolanos de petróleo previstos para
Outubro aumentaram relativamente a Setembro, mês em que os embarques atingiram 1,70 milhões de
barris por dia na sequência de re-
parações efectuadas na plataforma
Saturno operada pela BP.
A exportação angolana de petróleo continua mesmo assim abaixo
da meta de 2 milhões de barris por
dia prevista para este ano, com o
ministro dos Petróleos, Botelho de
Vasconcelos, a ter de adiar o alcance
dessa produção para 2014 ou 2015.
“Temos um plano de expansão da
nossa rede de lojas que já foi apresentado ao Ministério do Comércio.
Estamos a trabalhar . Temos prevista
a abertura de vários supermercados
nos próximos cinco anos, em Luanda, e noutras províncias”, anunciou.
Relativamente aos armazéns de
Viana, que ficaram destruídos na
sequência de um incêndio, Rehmani anunciou a sua reabilitação já
concluída e a re-inauguração prevista para Novembro.
Já o director de logística da rede
Nosso Super, Gilberto Magalhães,
o grupo com maior número de lojas no país, disse apenas que promete tudo fazer para que os projectos sejam efectivados.
“Achei bem claras e objectivas as
propostas do Ministério do Comércio e podem realmente combater o
comércio informal. É isso que pretendemos”, sustentou Magalhães.
HORTÊNCIO SEBASTIÃO
04
20 Setembro 2013
Empresas
Quintiliano dos Santos
Novo PCA da TAAG continua
refundação
O novo presidente da Transportadora Aérea Angolana (TAAG),
Joaquim Cunha, prometeu dar
continuidade ao processo de refundação da companhia de bandeira
de forma a manter “a garantia da
segurança operacional”.
O gestor falava ao Novo Jornal
na sexta-feira, 13, no final da cerimónia de tomada de posse das
direcções das empresas ligadas ao
Ministério dos Transportes.
“Vamos continuar o trabalho
de refundação da TAAG, de forma
a manter a garantia da segurança operacional e para melhorar o
serviço ao cliente, em suma, para
melhorar a prestação de serviços”,
salientou Joaquim Cunha.
Questionado sobre os avanços
obtidos pela transportadora nos
últimos tempos, nomeadamente a
autorização de sobrevoo do espaço
aéreo europeu com as aeronaves de
última geração, referiu ter sido o
resultado do esforço iniciado com
o lançamento do processo de refundação.
Em relação ao recente movimento reivindicativo que desembocou
numa greve envolvendo os pilotos,
Joaquim da Cunha considerou a
situação como normal, sublinhando que o processo de negociação
continuará até serem esbatidas
as questões que actualmente são
colocadas ao nível desta classe de
profissionais. “É um processo que
não está encerrado”, acrescentou.
Sobre a futura ocupação do seu
antecessor, Pimentel Araújo, o
novo PCA da TAAG disse não ser
uma questão que lhe compete definir, mas à direcção do Ministério
de tutela.
Enquanto isso, Rui Carreira, ex-membro do Conselho de Administração da TAAG, foi empossado pelo
ministro dos Transportes, Augusto
“É um processo
que não está
encerrado”,
acrescentou
Joaquim Cunha
sobre as negociações
com os pilotos
da Silva Tomás, no cargo de director geral-adjunto do Instituto Nacional da Aviação Civil (INAVIC).
Por seu lado, o presidente do
Porto de Amboim, na província do
Kwanza-Sul, Abel Cosme, revelou
os desafios que o esperam no sentido de reorganizar aquela empresa
portuária.
“São novos desafios e novos projectos. Vamos trabalhar, há boas
perspectivas para aquela área, esperámos para ver, pois estamos dispostos a trabalhar e a dar o nosso
máximo para ajudar a reorganizar a
estrutura”, frisou.
Como primeiro passo, o antigo
PCA da UNICARGAS afirmou que
passa pelo conhecimento do local,
os projectos e depois criar uma estratégia de desenvolvimento e de
acompanhamento.
Já Daniel Kipaxe, que foi reconduzido no cargo de presidente do
Caminho-de-Ferro de Moçâmedes
(CFM), para além de dar prosseguimento às tarefas em curso pretende
introduzir melhorias na qualidade
dos serviços prestados.
“Dentro da perspectiva e dos tra-
Velhas caras novas
Ao todo foram 81 entidades
que tomaram posse nas empresas sob tutela do Ministério dos
Transportes. Destes sobressaem
os antigos governadores provinciais do Zaire, Zeferino Juliana,
do Namibe, Joaquim Matias e do
Bié, Luís Paulino dos Santos, que
foram empossados nos cargos de
administradores não-executivos
do Porto de Cabinda, Caminho-de-
-Ferro de Moçâmedes e do Porto
de Amboim, respectivamente.
Desponta ainda o antigo presidente da Federação Angolana de
Futebol, Justino Fernandes, que
tomou posse como administrador
não-executivo do Porto de Luanda
e Diogo de Jesus, ex-secretário-geral da Assembleia Nacional,
com a mesma função no Caminho-de-Ferro de Luanda.
H. S.
balhos que nos estão consignados
vamos dar prosseguimento ao que
já vínhamos fazendo, melhorar o
que temos de melhorar, para que
as performances sejam atingidas e
possamos prestar um serviço condigno, com qualidade e comodidade que se deseja tanto na transportação de pessoas, como de bens”,
declarou Kipaxi.
O CFM já apita no Menongue, capital provincial do Kuando-Kubango e a novadministração pretende
aumentar as frequências na região.
HORTÊNCIO SEBASTIÃO
Quintiliano dos Santos
Luís Paulino dos Santos, exgovernador do Bié
20 Setembro 2013
Negócios
05
4.225 quilogramas de café mabuba foram
colhidos no município de Buco Zau, província de
Cabinda, de Maio a Julho deste ano
Kilamba
SONIP devolve dinheiro com juros
A maka das casas das novas centralidades continua na ordem do dia.
Depois dos clientes manifestarem-se
à porta da Sonangol, esta decidiu
chamar a imprensa para dar a sua versão, numa conferência de imprensa
que ficou marcada pela propaganda
da construção das novas centralidades. Pelo meio, ficou a garantia que
os clientes defraudados terão os seus
direitos garantidos.
“Todos os candidatos podem, a
qualquer momento, receber a devolução dos valores pagos. A SONIP
está disponível a devolver estes valores, acrescidos da taxa de juro legal praticada no mercado”, explicou
Paulo Cascão, administrador da Delta Imobiliária, parceira da Sonangol
Imobiliário e Propriedade (SONIP).
Malambas à parte, a verdade é
que os apartamentos do tipo T3 estão esgotados no Kilamba. Também
é verdade que a Sonangol, através
do seu braço imobiliário, a SONIP,
colocou à disposição dos clientes
algumas alternativas.
“Recebemos uma instrução da
SONIP para que todos os clientes
que eventualmente se tenham candidatado para tipologias T3 ou T3+1
poderem se beneficiar dos apartamentos T5. Esses mesmos candidatos poderão ter a possibilidade de
pagar o diferencial entre a T3 e a T5
(8 mil dólares) no prazo de 12 me-
ses. A outra solução é fazer um contrato, de imediato, com os clientes
em que estarão previstas as condições de acesso para a fase seguinte.
Para o candidato que eventualmente não teve a possibilidade de receber uma casa nesta primeira fase,
vai realizar-se um contrato para a
fase seguinte dos vários projectos”,
frisou Paulo Cascão.
O que não foi explicado é que a
Sonangol, ao não entregar os apartamentos T3 aos compradores, não
está a cumprir a sua parte do contrato. E este não cumprimento acarreta
eventuais prejuízos para o comprador que vê um conjunto de expectativas a não serem realizadas.
Se é verdade que quem preferir
pode solicitar o reembolso do valor
já pago, também não é menos verdade que o direito à indemnização
a todos os compradores que já não
vão receber os T3 este ano se aplica. O pré-acordo entre a SONIP e os
compradores previa a entrega destes apartamentos ainda este ano.
Ao não se concretizar, os compradores têm direito a serem ressarcidos por eventuais danos causados,
independentemente de virem a receber os apartamentos no próximo
ano ou em 2014.
Sem esquecer que a “devolução
dos valores já pagos observando a
taxa de juro pratica pelo mercado”
Quintiliano dos Santos
pode dar azo a especulações.
Entretanto, Francisco Lemos, PCA
da Sonangol, afirma que as casas de
Cacuaco começam a ser entregues
na próxima semana. “Entre 23 e 30
de Setembro começaremos a entregar as habitações”, disse o patrão da
petrolífera angolana.
Durante o encontro com os jor-
Se a SONIP recebeu 20.002
apartamentos e vendeu 12.425
restam 7.577 apartamentos. Se
subtrairmos os 6.690 cidadãos
que terão pago e ainda não receberam, restam 887 apartamentos,
que Deolinda Sena não explicou
onde estão. Até porque a primeira
fase de vendas está encerrada.
Kilamba reforçado
Para tranquilizar os cidadãos,
coube ao vogal da SONIP, Osvaldo
Veloso, apresentar o plano de construção em curso para atender as necessidades de quem se candidatou
e de futuros candidatos.
Segundo Veloso, a Leste da cidade do Kilamba está a ser desenvolvido um programa de construção de
cinco mil fogos da tipologia T3 com
uma área de 100 metros quadrados
não tinha sido convidado e, segundo Mateus Cristóvão, o convite
era restrito a órgãos nacionais e
credenciados. A atitude não caiu
bem entre os meios de comunicação social e passou a sensação que
a conferência de imprensa era uma
reunião de Estado.
Faustino Diogo
Quintiliano dos Santos
Sete mil pendurados
Segundo a directora comercial
da SONIP quase sete mil cidadãos
continuam à espera de casa no Kilamba já depois de terem pago a
primeira prestação. Deolinda Sena
explicou que, das 20.002 habitações recebidas, até sexta-feira, 13
de Junho, tinham sido vendidas
12.425 e entregues 11.516.
Ainda assim faltam entregar quase sete mil apartamentos a clientes, na sua maioria candidatos à
tipologia T3, que já pagaram a primeira prestação. Os referidos apartamentos já estão todos ocupados.
“Temos o registo de 6.690
clientes que ainda não receberam
habitações na centralidade do Kilamba”, disse Deolinda Sena. No
entanto, a directora comercial da
SONIP não explicou a “magia” destes números.
nalistas, o novo director de comunicação da Sonangol, Mateus Cristóvão, fez questão de interrompeu
a intervenção do Presidente do
Conselho de Administração, Franciso de Lemos, por entender que
o gestor não deveria responder às
questões colocadas pelo jornalista
da Voz da América. Alegadamente
por apartamento. Este programa
foi lançado em Março de 2012 e tem
previsão de entrega por parte do
empreiteiro em Abril de 2014. são
2.190 unidades e as restantes 2.810
serão entregues em Junho de 2015.
O crescimento do Kilamba não
fica por aqui. A Oeste serão edifi-
cadas mais cinco mil casas do tipo
T3. A primeira fase será concluída
em Junho do próximo ano quando
serão entregues as primeiras 2.500
habitações. A outra metade fica
para Dezembro de 2014.
A Sul do Kilamba a SONIP espera lançar ainda este mês mais
5.008 unidades, sendo 2.368
unidades do tipo T3, 2.640 do
tipo T3+1. Todas serão concluídas
em Novembro de 2015.
O reforço estende-se também a
outras centralidades, com Cacuaco a receber mais 300 unidades
do tipo T3. Com previsão de conclusão para Outubro de 2014. No
Zango 5 estão a ser construídas
8.000 unidades do tipo T3 a serem entregues em Março de 2014,
1.297 unidades, em Junho, 1.989
unidades, em Setembro 2.087 e
em Dezembro de 2014 estarão
concluídas as últimas 2.627 casas.
Já no Zango 1 estão em construção mais 1.456 unidades do tipo T3
e 1.008 unidades do tipo T4, com
entrega prevista para Dezembro
do próximo ano. Na localidade de
Kapari, a SONIP espera concluir a
construção de 3.504 até Dezembro de 2014. No mesmo período,
a imobiliária da Sonangol espera
concluir a construção de 1.984 unidades no Km-44.
F. D.
06
20 Setembro 2013
Entrevista
“Nem todos os restaurantes
de qualidade precisam ser de luxo”
Cláudio Silva é um dos principais dinamizadores do portal Luanda Nightlife (LNL). O LNL é um dos
maiores divulgadores, na internet, da restauração de Luanda. Preferiu não mostrar o rosto para que os
proprietários dos restaurantes não o reconheçam. A restauração tem um enorme potencial para a geração
de novos negócios em todo o país.
Texto de miguel gomes
Fotos de arquivo
Que opinião tem acerca da restauração na cidade de Luanda?
Para quem acompanha a realidade
desde o fim da guerra, em 2002, vê-se que houve uma mudança muito
grande. Antigamente, para sair e ter
uma refeição agradável contavam-se os lugares onde era bem servido.
Os restantes eram de má qualidade.
Nos últimos cinco anos aconteceram
ainda mais mudanças. Para melhor.
Mas continua a haver uma grande debilidade no atendimento. Em
muitos locais os “garçons” não sorriem, são antipáticos e parece que
nos estão a fazer um favor.
Porque isso acontece? Será falta
de exeriência, de perfil, de formação? Será falta de motivação?
É falta de formação e falta de experiência. Vivi muito tempo nos EUA
onde há uma cultura muito grande
de gorjeta. Em Luanda, talvez os trabalhadores sejam mal pagos e desta
forma não têm nenhuma vontade
de servir bem o cliente. A falta de
formação é evidente. Eu já trabalhei
num restaurante e parte do meu salário vinha das gorjetas. Isto faz com
que os “garçons” tenham outra perspectiva. Mas também é verdade que
hoje já posso ter uma boa refeição
em Luanda, com bom atendimento e
sem pagar exorbitâncias.
Um dos problemas da cidade: os
preços.
No LNL procurámos sítios não muito caros e com uma boa experiência
para oferecer aos clientes. Um dos
nossos artigos mais famosos é uma
lista de lugares onde se pode comer
por menos de 2000 kwanzas. Porque
a nossa cidade é caríssima. Em Nova
Iorque uma refeição fantástica, com
tudo incluído, pode custar apenas
1500 kwanzas ou 2000 kwanzas.
Aqui é o preço médio de um prato.
Fora as bebidas.
Mas quais são as razões para os
preços elevados? Falta de água e
energia, tentativa de lucrar rapidamente ou apenas funciona a
famosa lei da oferta e da procura?
É uma combinaçaão de todos esses factores. Converso com clientes,
chef’s, conzinheiros e existe sim uma
ânsia por dinheiro rápido. É verdade.
Mas outro grande problema é que é
“Quem domina
a restauração em
Luanda são os
portugueses”
Perfil
Cláudio Silva saiu de Angola com cinco anos de
idade. Viveu em Washington (EUA), depois de uma
pequena temporada em Portugal e outra na Inglaterra. Fez a universidade em Washington onde estudou Gestão de Empresas e Empreendedorismo.
Antes de regressar a Luanda trabalhou num banco
de investimento na famosa Wall Street, em Nova
Iorque. “Para quem gosta de comida está no paraíso. É quase uma experiência de vida frequentar
os restaurantes daquela cidade”, frisa. Entretanto bateu a saudade. Decidiu que aquela não era a
vida que queria e acredita que há oportunidades
fantásticas no país. Adora cozinhar. Tem toda a
família em Angola. Voltou definitivamente no
princípio de Julho. Durante os anos que esteve
fora vinha sempre de férias e sempre manteve um
grande contacto com Angola. Considera-se um viciado em internet. Agora está a tempo inteiro com
o projecto LNL. Com mais dois sócios. O objectivo
é inovar e, no futuro, tornar o LNL um portal de
referência para a restauração de todo o país.
difícil gerir um restaurante. Água e
energia são indispensáveis e podem
custar um balúrdio. O mesmo se aplica à conservação dos ingredientes. O
nosso contexto económico e social
dita estas regras. Outra coisa que
aprendi com os cozinheiros é que há
escassez de certos ingredientes no
mercado. Hoje o pimento pode estar
a X e amanhã custar o dobro. Tem de
haver da parte dos proprietários dos
restaurantes uma ginástica muito
grande para absorver os custos nos
preços. Mas é verdade que os preços
das refeições são elevados.
E ainda por cima os locais de qualidade, preço acessível e comida
angolana divulgam pouco o seu
trabalho. Concorda?
Se já há pouca divulgação dos lugares “oficiais” então dos restantes
nem se fala... Isso também decorre
da pouca valorização que damos
aos pratos nacionais. A verdade é
que a maioria da população come
nesses quintais e nesses locais
informais. Alguns têm qualidade
mas são pouco conhecidos. Merecem outra atenção e eu acho que
vale a pena descobri-los. Faz todo
o sentido. É preciso olhar para esta
questão com outros olhos. Muitos
amigos estrangeiros que vivem ou
passam por Luanda perguntam-me: “Mas afinal vocês comem o
quê? Que tipo de comida?” Há restaurantes de todo o tipo mas não há
grande oferta de pratos nacionais.
Porque isso acontece? Muitos proprietários de restaurantes são
estrangeiros e por isso oferecem
o que sabem fazer melhor. Os angolanos têm investido pouco na
restauração?
Quem domina a restauração em
Luanda são os portugueses. Eles
são fortes neste tipo de negócios.
Alguns proprietários são brasileiros
mas há poucos restaurantes detidos
por angolanos. Mas atenção: já há
alguns locais, de comida angolana
e de chefes angolanos, a fazer comida da terra com outro requinte e
inovação. A nossa cultura enquanto
angolanos também não é muito de
restaurante. Todos os fins-de-semana temos o nosso funje em casa de
20 Setembro 2013
07
“Se houvesse uma demanda muito grande
por pratos nacionais de certeza que havia
muito mais restaurantes com essa oferta”
amigos, de familiares, então quando
vamos a um restaurante queremos
outro tipo de comida.
Ou seja, muitos angolanos ainda
não têm o hábito de fazer refeições
fora de casa?
Se houvesse uma demanda muito
grande por pratos nacionais de certeza que havia muito mais restaurantes com essa oferta. A cultura de
restaurante está a mudar mas, por
exemplo, a maioria dos espaços estão vazios durante a semana. Já nos
fins-de-semana estão todos cheios.
É possível que isto esteja relacionado com o dia-a-dia da cidade. As
pessoas trabalham, saem às 18 horas
mas nem todos têm a vontade de sair
e de enfrentar os engarrafamentos.
Noutros países é normal que, no final do dia, as pessoas frequentem
os bares e restaurantes das cidades
para descontrair depois de um dia
normal de trabalho.
Qual será o futuro da restauração
nacional?
Há o que eu acho e o que eu quero
que aconteça. O que eu quero é que
tenhamos cada vez mais cozinheiros
angolanos a fazerem comida nacional fantástica. Temos uma culinária
muito rica e com várias influências
(Portugal, Brasil, África). Se o caminho for de evolução contínua
julgo que os preços vão baixar e que
vai começar a haver mais atenção
ao serviço e ao cliente. Nesse caso,
poderemos ter uma restauração de
muita qualidade e diversidade.
Há condições para isso?
Temos peixe com fartura. Temos,
no interior do país, gado e ingredientes frescos de todos os tipos. Podemos ter um destino de culinária.
Hoje em dia já temos variedade: comida italiana, japonesa, mexicana,
francesa... Podemos continuar com
esta variedade. Faz sentido. O único
problema é o preço. E a falta de alternativas de qualidade para os pratos
nacionais.
No futuro, Luanda pode tornar-se
uma referência de culinária e locais a frequentar dentro do continente africano?
Sim. Hoje em dia já oiço isso. Sobretudo quando comparamos com
outros países de África. Tenho amigos que foram viver no Uganda, no
Ghana, e tiveram dificuldades porque há pouca oferta. Precisamos
apenas de vontade de trabalhar, de
mudar algumas mentalidades e de
não ir sempre à caça do lucro fácil.
Nem todos os restaurantes de grande qualidade precisam ser de luxo.
Hoje já temos muita oferta de restaurantes de luxo. Talvez esteja na
altura de pensar noutros conceitos.
De que tipo?
Há espaço para restaurantes
mais rústicos, simples, de comida honesta e preços honestos. Os
clientes vão aparecer.
“Ninguém nos paga nada”
Como começou o LNL?
A ideia original era de um grupo
de franceses que vivia em Luanda.
Chegaram aqui e não sabiam onde
comer, onde sair à noite e onde
tomar um copo. Há pouquissima informação na internet sobre
Luanda. Eles começaram o projecto em 2009. Era um projecto amador. Conheci-os em 2010. Achei a
ideia fantástica, mandei-lhes um
e-mail, disse que ia para Luanda
de férias e que seria uma boa ideia
nos encontrarmos. Fizemos uma
amizade. Quando acabou o contrato deles o blogue ficou completamente parado durante um ano.
De que forma se associou ao projecto?
O convite surgiu já em 2012.
A pessoa que dinamizou o LNL
foi para a Indonésia e criou uma
página com o mesmo conceito.
Chegou a ser um dos sites mais visitados daquela região. Ele agora
está a viver em Bali, na Indonésia.
Quando peguei na ideia quis fazer
uma coisa séria.
De blogue no início estamos
agora a falar de um conceito
mais amplo.
Exactamente. Já não vejo
como um blogue. É uma espécie
de portal.
E vão apostar apenas nas criticas
a restaurantes ou pensam alargar o espectro?
A ideia é ser um sítio de crítica
relacionada com a restauração. Mas
estamos a pensar em novas estratégias. Por exemplo, há uma empresa
que presta um serviço de entrega
de refeições ao domícilio. Eles têm
contrato com vários restaurantes
de Luanda e levam o pedido à casa.
É uma coisa fantástica para Luanda. Agora somos parceiros, proximamente vamos fazer uma crítica
sobre eles e temos o logótipo no
nosso portal. Criámos sinergias. No
futuro vamos começar a fazer críticas a hotéis, porque quem vem a
Luanda não sabe bem onde ficar. A
única coisa que sabe é que vai pagar
um balúrdio pela estadia.
As pessoas que vos lêem por
vezes questionam se recebem
dinheiro e se a critica é mesmo
livre. Como preparam as visitas
aos restaurantes?
Vamos aos sítos de forma anónima e ninguém nos paga nada.
Obviamente que vamos chegar a
um tempo em que os resturantes
podem querer uma critica patrocinada. Nesse caso, aparecerá no
portal a devida referência. Para
todos saberem do que se trata. Até
agora nunca fomos pagos e poucas
pessoas sabem quem somos. E não
avisamos quando vamos a um sítio
porque queremos ser atendidos
como um cliente normal.
Mas raramente são taxativos em
relação a um serviço de má qualidade.
Sim, é uma coisa que temos visto.
Nós somos optimistas. Se alguma
coisa está mal, como já aconteceu,
nós escrevemos o que se passou.
Não há problema nenhum. Felizmente não tem acontecido muito
mas quando temos motivos para
falar mal, nós falamos. Queremos
que o portal seja uma voz amiga.
Em quem os leitores podem confiar.
Como escolhem os locais a visitar?
É completamente aleatório, mas
estamos a tentar ser um bocado
mais organizados. Temos uma lista
de sítios para ir. Agora, qualquer
saída ou uma ida a um restaurante tornou-se motivo de trabalho.
Estou sempre atento. Temos uma
base de dados muito grande de fotografias e muitas criticas já feitas.
E em termos de visitas? Quem
vos visita mais?
Neste momento, a maioria dos
leitores são angolanos. No início
era completamente ao contrário.
Continuamos a ter textos em inglês e português mas o nosso feedback tem sido mesmo fantástico.
Neste preciso momento, 10 de Setembro, temos cerca de 10.300 fãs
no facebook. Temos cerca de 430
seguidores no instagram e 200 no
twitter. No portal, a média de visitas ronda as 500 por dia. O nosso
dia com mais visitas é à sexta-feira. Temos menos visitas ao domingo. Isto reflecte os hábitos das
pessoas de Luanda. Onde temos
mais actividade e mais audiência
é mesmo no facebook. No portal
publicamos duas a três matérias
por semana mas nas redes sociais
estamos activos todos os dias.
A internet pode ter um papel
importante na divulgação deste
tipo de serviços.
Em Angola há cada vez mais
usuários de internet. Quando comecei a usar o facebook praticamente ninguém tinha perfil nas
redes sociais. O sector da restauração pode aproveitar. Por exemplo, se eu sou novo em Luanda e
não conheço a cidade como é que
vou aos sítios mais agradáveis?
Onde posso me informar? Até
agora não há guias completos sobre Luanda. As poucas coisas que
existem tendem a focar-se nos
mesmos lugares de sempre – a
ilha e esses locais mais badalados.
Nota-se que tentam fugir um
pouco a essa forma de ver as
coisas. É uma tendência que pretendem aprofundar?
Tentamos fazer um esforço para
fugir dos locais habituais e da zona
histórica da cidade. Viana, Bairro
Operário, Bairro Popular, Maculusso já têm sitios que merecem ser
divulgados. A nossa ideia também
passa por preencher este vazio.
“Criar uma empresa é caro”
Enquanto jovem empreendedor,
que opinião tem acerca do Guichet
Único de Empresas (GUE) e do fomento dos jovens empresários e
de novos negócios?
É chato e é caro mas é uma ferramenta minimamente rápida para
criar uma empresa. Conseguimos
tratar de todo o processo em cerca
de seis semanas. Sem pressas. Fizemos quase tudo sozinhos apenas
com a ajuda de um amigo que conhece bem estes procedimentos. A
experiência foi boa... Mas cara.
“Há muitos
entraves para
se criar uma
empresa”
Isso é um entrave para os jovens.
Há muitos entraves para se criar
uma empresa. Não deveria ser necessária toda esta burocracia e
preencher todos os documentos
que pedem. Mas temos de reconhecer que o cenário melhorou. E temos
também de perceber que para ser
empresário não é preciso ter dinheiro. O que é necessário é ter uma boa
ideia e a disposição e o tempo para
trabalhar no duro. Por outro lado, é
uma aberração o imposto industrial
incidir sobre 35 por cento dos lucros
das empresas. Noutros países há
uma série de incentivos para novos
negócios, criação de empresas, mas
aqui cada um está por sua conta.
Não há ajudas para nada.
Recorreu à banca para financiar
o seu projecto?
Não. Pedi um empréstimo familiar. No mínimo, investimos cerca
de dois mil dólares apenas para
constituir a empresa. Sem o empréstimo não ia conseguir. E fizemos tudo sozinhos.
08
20 Setembro 2013
Internacional
Audi volta a construir no Brasil
Depois de se reunir com a presidente Dilma Rousseff, no Palácio
do Planalto, o presidente mundial
da Audi, Rupert Stadler, anunciou
investimentos de 225 milhões de
dólares, até 2016, para adaptar
a fábrica que a empresa tem em
parceria com a Volkswagem, para
iniciar a produção dos dois novos
modelos - A3 Sedan e o Q3, uma espécie de SUV. “Apesar do mercado
de luxo ser ainda pequeno no Brasil, a expectativa é que ele cresça
170 por cento até 2020”, declarou.
A nova fábrica da Audi será em São
José dos Pinhais, no estado do Paraná. O lançamento do A3 Sedan será
em 2015 e do Q3 só em 2016. A ideia
da Audi é vender, em 2018, 30 mil
carros por ano, considerando carros
fabricados no Brasil e importados.
O ministro do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, que acompanhou a audiência no Planalto, lembrou que esta é
a nona fábrica de automóveis que
se instalana no Brasil após ter sido
criado o regime automotivo especial,
o Inovar-Auto. “Isso mostra que o
esforço que nós fizemos foi bem sucedido e as empresas estão, de facto,
a vir para o Brasil. As que já estavam
aqui, estão a expandir as suas actividades”, declarou o ministro.
Pimentel acrescentou ainda que se
o Brasil não tivesse criado o regime
Inovar-Auto estaria provavelmente,
com metade do mercado “ocupado
por carros importados, o que não faz
nenhum sentido num país que tem
indústria automobilística instalada,
antiga e sólida, e que tem um mercado deste tamanho, o quarto mercado
do mundo automóvel”. O presidente
da Audi também elogiou o Inovar,
reconhecendo que é uma “grande
alavanca, um grande propulsor, que
proporciona uma boa perspectiva de
investimento no Brasil”.
Na entrevista, o presidente da
Audi disse que vê o Brasil “como um
mercado muito promissor” e que
espera que a economia “continue
a crescer”. “Tenho esperança que
vai dar tudo certo”, disse. Segundo
Rupert Stadler, “é importante para
a Audi voltar ao Brasil” e começar a
fazer grandes investimentos depois
das apostas na China, na Rússia e
na Índia. “Pretendemos aproveitar
o grande crescimento do mercado
brasileiro”, frisa o gestor alemão.
Ao falar da perspectiva de crescimento do mercado de carros de luxo
no país, o presidente da Audi ressaltou que “a situação económica
estável do Brasil, as perspectivas de
crescimento da economia, que ain-
“Pretendemos
aproveitar
o grande
crescimento
do mercado
brasileiro”, diz
o responsável da
marca alemã
Jörg Hofmann é o novo presidente e CEO da Audi Brasil
da estão muito boas, mas também
as perspectivas do aumento do poder aquisitivo não somente da classe média como da população como
um todo, faz acreditar que vai haver
mercado para todos”. Os carros a serem produzidos no Brasil custarão
mais de 45 mil dólares a unidade.
O ministro Fernando Pimentel explicou que “a leitura que a indústria
automobilística está a fazer é que o
segmento de carros premium vai ter
uma curva muito acentuada no Brasil, muito mais que a de carros populares, em função da mudança do
padrão de renda e do crescimento da
classe média”. Na opinião do ministro, são bons sinais para a indústria
e para a economia brasileira porque
“o segmento de carros premium é
onde há mais tecnologia incorporada na produção, o que vai atrair
fornecedores de maior capacidade
tecnológica e vai exigir trabalhadores mais qualificados”.
O ministro lembrou que o Brasil
nunca teve fábricas do segmento
de luxo de automóveis de primeira
linha e agora já tem quatro anunciadas: a BMW, a Audi e a Mercedes-Benz, além da Land Rover, que
está em vias de anunciar um forte
investimento naquele país.
Competitividade
Cabo Verde lidera em português
Cabo Verde é o país africano de
língua oficial portuguesa mais competitivo, de acordo com a lista elaborada pelo Fórum Económico Mundial
que é liderada pela Suíça, no geral, e
pelas Ilhas Maurícias, em África.
Cabo Verde manteve a posição
do ano anterior e ficou classifica-
do em 122º lugar numa lista de 148
países analisados pelo WEF para a
elaboração do Índice de Competitividade Global (GCI) 2013-2014,
que coloca Portugal em 51.º lugar e
o Brasil em 56.º.
Entre os três países de língua portuguesa africanos avaliados (Angola,
Moçambique e Cabo Verde), o arquipélago regista a melhor posição, conseguindo até o primeiro lugar no que
diz respeito ao indicador sobre a inflação, e estando na primeira metade
da tabela em indicadores como o peso
dos regulamentos governamentais,
a confiança pública nos políticos e a
corrupção e subornos.
No que diz respeito a Angola, o
relatório sublinha a perda de três
posições relativamente ao relatório
de 2011-2012, tendo Moçambique
subido um lugar, de 138.º para 137.
Fora do continente africano, Timor-Leste perdeu dois lugares face
ao relatório anterior, ocupando o
138.º lugar.
Portugal voltou a perder lugares
na lista mundial de competitividade de 2013-2014, caindo para o
51.º lugar e numa tendência que se
prolonga desde 2005, com excepção do ano de 2011.
A Suíça continua a liderar a lista
mundial de competitividade, seguida de Singapura, Finlândia, Alemanha – que sobe duas posições – e
Estados Unidos da América.
Chineses fornecem
metro do Rio
O grupo estatal China CNR
Corporation Ltd., um dos maiores fabricantes de comboios do
país, vai construir 15 composições ferroviárias para o metropolitano do Rio de Janeiro,
anunciou o grupo citado pela
Rádio Internacional da China.
De acordo com o comunicado divulgado pela China CNR,
a subsidiária Changchun Railway Vehicles Co. Ltd. assinou
um contrato com a Metro Rio
para o fornecimento de 15
composições com um total de
90 vagões para começarem a
ser utilizados nos Jogos Olímpicos de 2016.
As composições circularão na
Linha 4 do metropolitano do Rio
de Janeiro, projecto que visa ligar a Barra do Tijuca a Ipanema,
passando por vários bairros das
zona oeste e sul da cidade.
As novas composições permitirão ainda ligar a Vila Olímpica e o centro de jogos em Copacabana, no Rio de Janeiro,
a uma velocidade máxima de
100 quilómetros por hora.
20 Setembro 2013
09
Opinião
Rota meridional
Jonuel Gonçalves
O FED tem dois
meses para
avaliar o impacto
da sua política de
compra de ativos
e compará-la com
os dados macro
económicos e
sociais, entre os
quais a criação de
novos empregos
Jonuel Gonçalves
Sérgio Calundungo
Estados Unidos
mantêm estímulos
à economia
Anteontem, a Reserva Federal norte-americana - equivalente a Banco Central
- causou grande surpresa ao decidir-se
pela manutenção do programa de aquisição de ativos, na base de 85 mil milhões
de dólares por mês, visto esperar-se uma
redução do programa no imediato e sua
supressão no começo de 2014.
A medida significa vitória dos partidários dos estímulos e, portanto, receio
de queda nos desempenhos caso esses
estímulos diminuam. Em maio ultimo,
Ben Bernanke, que dirige a entidade,
tinha anunciado aquela duas etapas
(redução e posterior supressão) causando grande alvoroço nos mercados.
Fundos colocados em economias emergentes migraram em alta escala desde
então para os Estados Unidos e a cotação do dólar subiu, na expectativa de
valorização proporcional à sua menor
circulação, devido ao encolhimento
dos elevados estímulos atuais.
O anuncio de quarta feira acalmou a
tendência para alta na taxa de cambio
da moeda norte-americana, com o Euro
a passar no imediato para 1,35, o Rand
a 9,58 e o Real para 2,19.
Para países, como Angola, que têm
a grande maioria das suas reservas em
dólares US, há uma redução no valor
das mesmas mas, em contrapartida, o
preço do barril de petróleo voltou a subir, com base na percepção de não haver
Rota meridional
Desenvolvimento e utopia
risco de recuo nas grandes atividades
mundiais exigentes em energia.
Para a Reserva Federal, não é prudente mexer no montante dos estímulos
até que a taxa de desemprego caia para
7% e nem tem intenções de subir a taxa
de juros, enquanto esse dado não atinja
6,5% ou a inflação chegue a 2,5%.
O anuncio surgiu pouco mais de 48
horas após o anuncio de desistência da
candidatura do ex secretario do Tesouro,
Lawrence Summers, a substituto de Bernanke e o surgimento de candidaturas
mais dispostas ao compromisso. Summers faz parte do grupo favorável a rigor
financeiro, ou seja, acha que os estímulos
foram longe demais e é tempo de deixar o
mercado mais entregue a si próprio.
Tal desistência decorre da rejeição
desse posicionamento do ex secretario
do Tesouro entre os Democratas, onde a
ala esquerda parece ter crescido, a ponto
de pesar numa decisão dessa envergadura. Aliás, o “New York Times” escreveu que essa ala estaria cada vez mais
“exasperada” com a política económica
de Obama.
Na pratica - por motivos distintos
- nota-se aproximação de atitude entre a esquerda democrata e as grandes
empresas listadas nas bolsas, pois estas
reagiram imediatamente em alta.
Mas é evidente que se trata de medida
provisória, com Bernanke preocupado
em não causar uma comoção nos mercados no momento em que se prepara o fim
do seu mandato. Não só poderia criar
dificuldades ao sucessor - ou sucessora
- como daria a impressão de mau humor
na hora da saída. O FED tem dois meses
para avaliar o impacto da sua política de
compra de ativos e compará-la com os
dados macro económicos e sociais, entre
os quais a criação de novos empregos.
A próxima direção, no entanto, não
poderá manter este esforço mensal de
85 MM de dólares durante muito tempo,
sob risco de transformar a maior economia do mundo em contexto subsidiado.
Isto quer dizer que as grandes empresas beneficiados com os estímulos vão,
sem duvida, sofrer pressões para serem
mais decididas nos investimentos e na
ampliação do mercado de trabalho.
É interessante constatar como o fator trabalho é considerado nas economias mais avançados como definidor
central. Pelo menos para isso, a crise
em curso foi util.
Desenvolvimento
económico local
Embora não se tenha ainda realizado o censo
populacional em Angola sabemos que a população encontra-se desigualmente distribuída
pelo país. Será esta uma tendência que se vai
manter nos próximos tempos?
As estatísticas indicam que a tendência de
urbanização está a viver uma fase especial de
aceleração. A continuar assim, Angola vai a caminho de uma taxa de urbanização superior a
80 por cento em quase todas as províncias do
país nos próximos 10 anos.
Tudo isto porque a possibilidade de encontrar trabalho, a facilidade com que circulam informações, a probabilidade de acesso a bens e
serviços, tornam a vida nas cidades muito mais
atractiva em comparação com as zonas rurais.
Logicamente que viver na cidade não são
só vantagens. Por exemplo, no caso de quem
optar por Luanda, terá de lidar com constrangimentos que vão desde os custos com a moradia, as perdas de tempo devido aos problemas
de trânsito, as dificuldades de adaptação e
inserção social, os problemas com a criminalidade e burocracia, entre
outros.
Ainda assim, todos
estes constrangimentos
parecem não ser causa
suficiente para inibir a
tendência de emigração
para as cidades. O que
torna as principais cidades mais apetecíveis
para os jovens que abandonam as zonas rurais
de diversas provincias?
Os economistas certamente mencionariam as
vantagens competitivas
que as cidades enquanto
núcleos de desenvolvimento apresentam. Outros diriam que há mais
possibilidades de acesso a bens, serviços e estilos de vida que dificilmente se podem encontrar
nas zonas rurais.
Já lá vão os tempos em que a acessibilidade
de recursos naturais economicamente valiosos,
a existência de vastos recursos minerais, potencial agrícola, recursos hídricos e terras aráveis,
eram suficientes para fixação das pessoas sobretudo dos jovens numa dada localidade.
Porque razões estão entre as localidades com
enorme potencial agrícola, pecuário e mineral, as
que observam um maior êxodo da população jovem que emigra para as áreas urbanas, em busca
de emprego e outras formas de rendimento?
Apesar dos esforços feitos pelo executivo
Angolano no âmbito da reconstrução nacional,
as oportunidades de acesso às infraestruturas
sociais e económicas estão distribuídas de maneira assimétrica ao longo de todo país, sendo
que uma grande densidade de infraestruturas
de transportes, energia e novas tecnologias de
informação e comunicação, estão concentradas nos centros urbanos.
Um exemplo elucidativo desta realidade é o
facto de que Angola possui uma rede extensa de
estradas principais feitas em ritmo acelerado,
que estão em condições razoáveis, facilitando
a circulação de pessoas e bens. Mas entretanto
as estradas secundárias e terciárias são em menor número e mais degradadas, o que dificulta
imenso o exercício de actividades económicas.
Vivemos tempos em que os factores críticos
de desenvolvimento mudaram, ou seja, aliados
à existência de recursos naturais e boa localização geográfica, uma economia municipal para
ser competitiva necessita: de um bom funcionamento dos serviços da administração local do
estado, um sistema de transportes que facilite
a ligação entre a sede municipal, as comunas e
aldeias, e entre o município e outros pontos do
país, um bom sistema de serviços públicos e de
contínuos investimentos do estado.
Hoje falar do desenvolvimento local, implica
falar de um conjunto de
infraestruturas muito bem
desenhadas, de actores
económicos capazes de articular de modo adequado
as actividades produtivas,
o conhecimento local, e o
comércio, sem nos esquecermos dos requisitos de
sustentabilidade ambiental e de eficiência energética.
Se a tudo isto tivermos
de adicionar factores
como a permeabilidade
cultural para a introdução de inovações, a livre
circulação de ideias e
informações, a cultura
de participação cívica, e
o compromisso de todos os actores locais políticos, privados e sociais, ficamos com uma
clara ideia acerca dos desafios económicos,
políticos e sociais que cada município de Angola terá de enfrentar.
A visão romanceada segundo a qual uma localidade desenvolve-se facilmente quando está
bem localizada e dispõe de abundantes recursos
naturais, ou alberga um grande complexo agro-industrial ou mineiro, parece estar em claro declínio.
Lá onde as pessoas têm dificuldades de lidar
com a precariedade dos serviços de saúde em
contextos onde as doenças humanas e animais
chegam a ser a maior ameaça económica para as
famílias... Lá onde estão ausentes ou funcionam
muito mal os serviços de registo e identificação
civil, cartórios notariais, tribunais, instituições
bancárias e repartições ficais... Não pode haver
desenvolvimento económico local!
As oportunidades
de acesso às
infraestruturas
sociais e
económicas estão
distribuídas
de maneira
assimétrica ao
longo de todo país
10
20 Setembro 2013
Mercados
actividade económica
Monitor da Crise Financeira na Europa
Banco da Inglaterra não vê necessidade para mais estímulos À medida em que a economia se fortalece
Os legisladores do Banco da
Inglaterra votaram por unanimidade para manter a política monetária inalterada
este mês, devido a melhoria
das perspectivas económicas, tendo chegado a um
acordo de que não seriam
necessárias mais medidas de
estímulo. Durante o mês de
Agosto alguns membros do
Comité de Política Monetária viram uma oportunidade
interessante para um abrandamento da política, e a reunião de 3-4 de Setembro serviu para mostrar que nenhum
membro do comité julgou
que mais medidas de estímulo fossem apropriadas no momento. Na quarta-feira (18
de Set.), foram publicadas
actas em que a maioria dos
membros votou para manter
o programa de compra de
títulos, em £375 mil milhões
($598,000 milhões) e taxa de
juros inalterada num mínimo
recorde de 0,5%. Segundo o
Banco da Inglaterra (BOE) ao
nível doméstico, houve sinais
crescentes de uma recuperação económica. De acordo
com o relatório do BOE publicado em Agosto sobre a inflação, dados recentes apresentaram um risco ascendente
para o perfil de crescimento.
A economia britânica tem
vindo a dar sinais de fortalecimento tendo o Banco central estimado um crescimento de 0,7% este trimestre
contra os 0,5% registados o
mês passado. O bureau político do governador Mark
Carney, deu orientações sobre as taxas de juros no mês
passado, comprometendo-se
a mantê-las baixas até que
a taxa de desemprego caia
para 7%.
empresas
Multinacional Vodafone compra acções da Kabel Deutschland
A Vodafone anunciou na última segunda-feira (16) a compra de 76,48 % das acções da
Kabel Deutschland, a maior
empresa alemã de telecomunicações a cabo, pelo que pagou cerca de €7,7 mil milhões,
(cerca de $10 mil milhões).
Na quinta-feira (12 de Set.)
a multinacional britânica, tinha já afirmado ter garantido
75% das acções necessárias
para a concretização do negócio. A Vodafone, que este
mês concordou em vender a
sua participação na operadora
Americana Verizon Wireless
por $130 mil milhões, viu na
alemã Kabel Deutschland,
uma maneira não só de expandir o seu negócio na Europa
como também a possibilidade de oferecer mais serviços
de televisão e de telefone de
rede fixa na Alemanha, que é
tão somente a maior rede de
telefone móvel do mercado
europeu. Contudo, o acordo
requer ainda a aprovação das
autoridades reguladoras da
Comissão Europeia, com a
realização de uma primeira
revisão prevista até 20 de Setembro. A Vodafone deu ainda
a conhecer aos accionistas da
Kabel Deutschland que não
venderam as suas acções, que
puderão fazê-lo durante as
próximas duas semanas, uma
vez que o período de oferta só
acaba a 30 de Setembro. Após
a conclusão do negócio, a Vodafone pretende introduzir o
chamado acordo de controlo
com Kabel Deutschland, o
que permitiria a multinacional
britânica determinar a estratégia da Kabel Deutschland
e não menos importante, ter
acesso aos seus fluxos de caixa, o que é permitido pela Lei
Alemã, quando um comprador
detém 75 % da empresa. Pressupõem-se que provavelmente
será usado por alguns fundos
hedge ou de cobertura, incluído a Elliott Management, Davi-
dson Kempner e o York Capital,
que nas últimas semanas compraram acções da Kabel Deutschland, na esperança de que o
tribunal vá forçar a Vodafone a
oferecer um preço mais elevado na próxima fase de compra
de acções. A participação da
Elliott na Kabel Deutschland
permanece acima de 10%.
Esta mesma táctica usada por
esses fundos, já foi usada pela
Elliott Management aquando
da aquisição da fabricante de
guindastes alemã Demag, pela
rival norte-americana Terex há
dois anos. No entanto, a decisão judicial para este caso está
ainda pendente.
mercados
Merkel diz que eleições alemãs serão decisivas para o futuro do EUR
A Chanceler Alemã, Angela
Merkel referiu às eleições
alemãs do dia 22 de Setembro como sendo um referendo sobre a estabilidade do
EUR. Durante um discurso
perante o seu partido, União
Democrata Cristã, Merkel enquadrou as próximas eleições
como uma decisão entre a sua
política de resgates aos países mais frágeis da zona euro,
e o que ela ilustrou como planos pela oposição alemã para
conjugar as dívidas de todos
os países membros da moeda
única. O Partido Social Democrata, liderado pelo Peer
Steinbruek e o Partido Verde,
pretendem derrubar Merkel
e formar uma nova coligação partidária, bem como
defendem a criação de um
fundo conjunto de amortização da dívida e outras opções
que “atiram todas as dívidas
numa panela só”, afirmou
Merkel, insistindo que “É por
isso que as vossas decisões
determinarão o percurso futuro da Europa”, ao dirigir-se
ao eleitorado. Merkel, no poder desde 2005, tem basea-
“O fosso
entre
os ricos
e os pobres
está
claramente
a aumentar”
10%
Percentagem das receitas anuais dos Bancos
Europeus, a ser cobrada aos mesmos como multa,
caso falhem na tarefa de combate à manipulação
financeira.
do a sua campanha eleitoral
na sua gestão económica e
a sua insistência para que a
assistência financeira aos
países da zona euro em crise
fosse acompanhada por reformas. A sua mensagem de
boa gestora foi reforçada na
terça-feira (17 de Set.), com
um aumento na confiança de
investidores alemães em Setembro, notado pela subida
do Índice mensal do Instituto ZEW para 49,6, acima
do nível de 45 esperado por
economistas entrevistados.
Por sua vez, Steinbrueck,
Ministro das Finanças durante o primeiro mandato da Chanceler, diz que a
imposição de medidas de
austeridade por Merkel tem
dividido a Europa, enquanto este na sua campanha dá
maior ênfase ao crescimento económico. Num discurso
perante o seu partido, Steinbrueck acusou a Chanceler de
ter negligenciado a própria
economia doméstica, dando
“orientações, mas nenhuma
direcção”. “O fosso entre os
ricos e os pobres está claramente a aumentar” afirmou
Steinbrueck, defendendo os
planos do seu partido para
aumentar a taxa mais elevada
sobre o rendimento de 42%
para 49%, e impor uma taxa
sobre o património. Este,
exige que os bancos sejam
“finalmente” chamados para
pagar pela crise que originaram, afirmando que o seu
partido irá banir “trocas especulativas” sobre matérias-primas e produtos alimentares. Apesar da Chanceler
Alemã ter uma liderança considerável sobre Steinbrueck,
as últimas sondagens demonstram resultados pouco
$28 mil milhões
Lucro obtido pelo governo dos EUA com o resgate
aos bancos do país, na sequência da falência do
Lehman Brothers, há cinco anos, no auge da crise
financeira.
PAÍS
Yelds
10 anos
CDS
5 anos (Bp)
PIB IIº Trim
Dívida/ Défice/
2013
Var. Hom. PIB 2013 PIB 2013
IPC
Mensal
Portugal
534,00
7,08%
-2,10
1,24
-6,40%
0,20%
Irlanda
138,50
398,70%
-0,90
1,18
-7,60%
0,20%
Itália
240,00
4,37%
-2,10
1,27
-3,00%
1,20%
Grécia
N.A.
10,16%
-3,80
1,57
-10,00%
-1,30%
Espanha
224,00
4,38%
-1,60
0,84
-10,60%
1,50%
Hungria
280,50
6,00%
0,50
0,79
-1,90%
1,30%
Bélgica
56,50
2,73%
0,00
1,00
-3,90%
1,10%
França
66,00
2,46%
0,30
0,90
-4,80%
0,90%
Alemanha
25,00
1,96%
0,50
0,82
0,20%
1,50%
Reino Unido
33,00
2,92%
1,50
0,90
-6,30%
2,70%
Taxas de JURO
TBC- 63 dias
TBC- 182 dias
BT- 182 dias
BT- 364 dias
EURIBOR 1 M
EURIBOR 6 M
EURIBOR 12 M
LIBOR 1 M
LIBOR 6 M
LIBOR 12 M
LUIBOR 1 M
LUIBOR 6 M
LUIBOR 12 M
MOEDA
AKZ
AKZ
AKZ
AKZ
EUR
EUR
EUR
USD
USD
USD
AKZ
AKZ
AKZ
16-Set-13
3,62
5,07
2,92
3,56
0,128
0,338
0,542
0,179
0,380
0,656
0,076
0,089
0,099
Var. Sm. Bp
0,00
0,00
0,00
-13,00
-0,10
-0,40
-0,50
-0,27
-0,75
-0,95
-0,01
-0,03
-0,01
Var. Ac. Bp
-347
-173
-133
-199
-98
-132
-145
-11
-42
-47
-9
-12
-11
Taxas de Juro Banco Central
Taxa Básica do BNA:
Taxa de Redesconto:
Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez:
Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez:
9,75%
20,00%
11,00%
0,75%
Taxas de CÂMBIO SPOT
Cotação
USD/AKZ
EUR/AKZ
ZAR/AKZ
EUR/USD
GBP/USD
USD/ZAR
USD/BRL
USD/CNY
16-Set-13
96,748
128,631
9,733
1,3338
1,5908
9,8121
2,2762
6,1203
Var. Sem.
-0,11%
0,92%
0,89%
0,65%
1,36%
-1,67%
-0,03%
-0,01%
Var. Acum.
1,29%
4,04%
-17,41%
2,21%
1,88%
22,06%
23,89%
-2,76%
Mercados Accionistas
Índice
DOW JONES
NASDAQ
S & P 500
FTSE 100
PSI 20
Nikkei 225
BOVESPA
16-Set-13
15.494,78
1.697,60
3.717,85
6.622,86
53.821,63
6.009,54
14.404,67
Var.Sem.
2,87%
1,55%
0,33%
1,61%
-0,79%
0,96%
1,50%
Var.Acum.
24,38%
32,93%
40,36%
16,19%
-8,78%
5,41%
70,36%
Commodities Matérias primas
Brent
Crud oil (Angola)
Gas Natural
Ouro Spot
Platina
16-Set-13
109,83
110,12
2,33
1.312,98
1.436,00
claros para a sua coligação
governamental. O resultado
mais provável para o dia 22 é
Var. Sem.
-2,93%
-2,05%
17,09%
-5,33%
-3,38%
Var.Acum.
1,38%
-1,33%
-10,04%
-16,13%
3,01%
de uma grande coligação dos
dois maiores partidos federais – a UDC e o PSD.
0,1%
Aumento do Índice de preços do Consumidor de
Julho à Agosto nos EUA, inferior ao aumento de
0,2% em Julho.
12
20 Setembro 2013
Fecho
Uma unidade hoteleira de quatro estrelas foi
inaugurada na cidade do Lubango, capital da
província da Huíla, pelo ministro da Hotelaria e
Turismo, Pedro Mutindi
EM FRANÇA
Governadores destacam
oportunidades
Lyon é o segundo maior centro de
negócios de França e foi para lá que
se dirigiram todos os membros da
delegação dos governos do Kuando
-Kubango, Zaire, Uije e Bengo. No
seu primeiro dia, os trabalhos estiveram focalizados na questão do
turismo e agro-indústria.
Durante um almoço de trabalho
com os principais operadores de
turismo, em Lyon, os governadores receberam explicações sobre o
funcionamento do sector, principal
destino turístico mundial que recebe, em média, oitenta milhões de
pessoas por ano.
Para o governador Higino Carneiro é urgente que os franceses façam
mais turismo em Angola. Tendo em
vista o fortalecimento das relações
entre os dois Estados, principalmente entre as empresas, falou-se
sobre as possibilidades de criação
de uma câmara de comércio e indús-
Histórico da cooperação
As relações bilaterais entre Angola e França iniciaram-se em Janeiro de 1977, ano
em que aquele país europeu
reconheceu a independência
da então República Popular de
Angola, culminando em 26 de
Julho de 1982, com a assinatura
do Acordo Geral de Cooperação,
marcando assim o limiar das relações de cooperação bilateral
entre ambos os países.
Após o referido Acordo Geral, e
como consequência das boas relações, foram assinados diversos
instrumentos jurídicos, alguns já
vencidos e outros ainda em vigor.
A França, como parceiro tradicional, pouco diversificou a sua
presença em Angola mantendo o seu principal interesse no
domínio petrolífero e serviços
inerentes a essa actividade, tornando a interacção empresarial
limitada e condicionada a um
único sector, o que caracterizou
as relações nas décadas de 80,
90 e início do século XXI.
Entretanto, com a chegada ao
poder de Nicolas Sarkozy, após
a sua vitória nas eleições presidenciais em Maio de 2008,
surgiu uma nova dinâmica nas
relações de cooperação com
certos países africanos, entre
os quais Angola, marcada pela
visita oficial que efectuou, aos
23 de Maio de 2008.
A nova conjuntura política, derivada das últimas eleições presidenciais de Maio de 2012 que levou o Partido Socialista a estar à
frente dos destinos dos franceses,
com a eleição do Presidente François Hollande e do seu Governo
dirigido por Jean-Marc Ayrault,
estão, igualmente, a apostar no
reforço desta cooperação.
Para o governador
Higino Carneiro
é urgente
que os franceses
façam mais
turismo
em Angola
tria. “Aventou-se a possibilidade de,
o mais depressa possível, instituir-se a Câmara de Comércio e Indústria bilateral”, frisou Carneiro.
Para além do turismo, a delegação angolana visitou uma fábrica
de camiões da Renault, especializada na produção de motores para
camiões, barcos e autocarros, assim como percorreram o principal
centro de formação profissional
para atender às necessidades da
indústria naquela região.
A AFPI é um instituto que forma
técnicos e engenheiros e é uma
escola de referência. Para o embaixador Miguel da Costa, Angola
precisa deste tipo de experiências
para que possamos formar “recursos humanos com qualidade para
que possam atender às necessidades da indústria”. “A indústria não
se faz apenas com engenheiros”,
frisou o diplomata.
Durante os encontros, os governadores provinciais trocaram
vários contactos e mostraram-se
disponíveis em acolher as empresas interessadas em fazer parcerias
com os angolanos.
Segundo o governador do Kuando Kubango, foram apresentados
os nossos programas para que o
empresariado lyonês pudesse entender “que Angola não está parada”. “O nosso país tem necessi-
Continente terá quatro lojas
O projecto luso-angolano de
abertura, em Angola, dos hipermercados Continente contempla
a abertura de quatro lojas e um
centro de logística, em Luanda, informou o administrador do grupo
português Sonae, Luís Reis, citado
pela agência financeira Reuters.
Luís Reis adiantou que os empreendimentos abrem ao público
em 2015, depois de estarem solucionadas as dificuldades opera-
cionais que causaram o adiamento
do projecto detido em 51 por cento
pelo grupo angolano Condis, ligado a Isabel dos Santos, e em 49 por
cento pelo grupo Sonae.
À margem de uma conferência sobre investimento no norte de Portugal, o administrador adiantou que os
dois parceiros continuam a acreditar
“que ainda há oportunidades no mercado” angolano e revelou que “o projecto tem a aprovação do governo”,
estando actualmente a ser elaborada
a sua “configuração operacional.”
“Caso as lojas a serem abertas se
adaptem bem ao mercado e forem
bem recebidas pelos consumidores
há a intenção de lançar o formato
em todo o território angolano”,
disse ainda o administrador do
grupo Sonae.
O grupo detém 440 estabelecimentos do ramo alimentar em Portugal,
sendo o maior retalhista do país.
dade de investimento estrangeiro
e não só, mas de qualquer forma
não está aqui de mão estendida.
Apresenta realizações. Apresenta
projectos e, desta feita, também
estamos receptivos para trabalhar
em parceria com as diferentes empresas que se mostrem disponíveis
em trabalhar para o nosso país”,
destacou Higino Carneiro.
A delegação dos governos provinciais tem ainda previstos outros
encontros com os empresários em
Paris e visitas a empreendimentos
industriais em Lille, numa iniciativa da Embaixada de Angola em
França e do MEDEF, movimento
das empresas francesas.