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Caderno de Resumos
Ano VI – Número 11
09, 10, 11 e 12 de Dezembro de 2014
UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO
CAMPUS MORRO DO CRUZEIRO
1
XV ENCONTRO DIDÁTICO CIENTÍFICO DO CURSO DE MEDICINA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO
Ouro Preto, MG
XV ENCONTRO DIDÁTICO CIENTÍFICO DO CURSO DE MEDICINA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO
Marcone Jamilson Freitas Souza
Reitor
Célia Maria Fernandes Nunes
Vice-Reitora
ESCOLA DE MEDICINA
Márcio Antônio Moreira Galvão
Diretor
George Luiz Lins Machado Coelho
Vice-Diretor
COLEGIADO DE MEDICINA
Fausto Aloísio Pedrosa Pimenta
Presidente
XV ENCONTRO DIDÁTICO CIENTÍFICO DO CURSO DE MEDICINA
João Milton Martins Oliveira Penido
Presidente Docente
2
Ana Cláudia dos Santos
Presidente Discente
ESCOLA DE MEDICINA DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO
OURO PRETO – MINAS GERAIS
PREFÁCIO
O presente caderno foi cuidadosamente produzido como fruto da experiência adquirida
e vivenciada pelos alunos e professores das diversas disciplinas da graduação do Curso de
Medicina da Escola de Medicina (EMED) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).
Trata-se a uma compilação dos trabalhos científicos, citações sobre palestras proferidas por
professores convidados e oficinas realizadas sobre temas diversos em Saúde Pública e
apresentados durante a XV Edição do Encontro Didático Cientifico (EDC) do Curso de
Medicina. O EDC teve sua origem com a extraordinária busca pelo saber e dedicação da
professora Adriana Maria de Figueiredo e alunos do 1º período que cursavam a disciplina
“Saúde e Sociedade”, estruturada e ministrada por ela desde os primórdios do Curso de
Medicina da UFOP. Em adição, não poderíamos deixar de registrar o interesse, colaboração e
participação ativa dos professores e da Diretoria da EMED em sua fundamental contribuição
ao pleno êxito deste projeto. Na atualidade o EDC não é mais uma página em branco. Suas
edições em períodos subsequentes e semestrais foram gradualmente incorporando habilidades
que buscam a excelência em sua organização, produção científica e integração entre alunos,
professores e funcionários administrativos. O aprendizado neste espaço do aprimoramento do
saber é o reflexo de ações interativas desenvolvidas nas comunidades dos territórios de
abrangência dos Municípios de Ouro Preto e Mariana. O EDC é hoje um evento
transformador, permitindo a todos nós um crescimento na arte de ensinar com olhar presencial
e ampliado sobre o observado e analisado e uma reflexão profunda na aplicação da pesquisa
clínica no cuidado com o outro. De permeio a atividades científicas abriu-se também a
oportunidade para espaços culturais, o que muito acrescenta ao intelecto de todos nós e nos
torna mais humanos. Em sua XV edição os professores da EMED tiveram a oportunidade de
participar da palestra “Inovação Tecnológica Aplicada ao Ensino” proferida pela professora
do Centro de Ensino a Distância da UFOP Tânia Garbin, que apresentou aos docentes a novas
ferramentas tecnológicas aplicadas a educação. Uma exposição sobre “Tabagismo”, sua
história, as estratégias de normalização do tabagismo pela indústria do tabaco até 1950 e a
reação aos estudos que relacionaram o tabagismo ao Câncer de Pulmão proferida pelo Prof.
Paulo César Rodrigues Pinto Corrêa muito sensibilizou aos alunos e professores presentes. Em
adição, tivemos a oportunidade de assistir à palestra “Doação de Órgãos” proferida pela
Professora e coordenadora da disciplina Doação de Órgãos e Transplante da Universidade
Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Clotilde Druck Garcia. Ela destacou
a importância do processo de doação de órgãos para a sociedade por viabilizar o retorno às
atividades pessoais e ao trabalho e também por aumentar a sobrevida dos indivíduos que
3
possuem doenças que comprometem o funcionamento de um órgão específico. As apresentações
dos alunos da graduação dos trabalhos científicos em forma pôster e tema oral foram
exemplares. Aos alunos da graduação que trabalharam com afinco na organização do evento
nossos sinceros agradecimentos. O EDC em sua complexidade criou um cenário de reflexão
sobre o aprendizado otimizando a maneira como se dá o conhecimento, um dos assuntos que há
séculos instiga a curiosidade humana.
Professor Joao Milton Martins de Oliveira Penido
Setor de Clínica Médica da EMED da UFOP
Presidente Docente do XV EDC
CADERNO DE RESUMOS
REALIZAÇÃO:
ESCOLA DE MEDICINA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO
COMISSÃO ORGANIZADORA
Professora Dra. Adriana Maria de Figueiredo (UFOP)
Professor Dr. João Milton Martins Oliveira Penido (UFOP)
Professor Dr. Leonardo Cançado Monteiro Savassi (UFOP)
Professora Dra. Luciana Hoffert Castro Cruz (UFOP)
Professora Dra. Olívia Maria de Paula Alves Bezerra (UFOP)
Acadêmica de Medicina Allana Silva Mamédio (UFOP)
Acadêmica de Medicina Isabela Gonzaga Silva (UFOP)
Acadêmica de Medicina Mariana Fontes Pereira (UFOP)
CADERNO DE RESUMOS ORGANIZADO POR
Professora Dra. Adriana Maria de Figueiredo (UFOP)
Acadêmica de Medicina Allana Silva Mamédio (UFOP)
4
SUMÁRIO
Apresentações orais de trabalhos
Disciplina Saúde e Sociedade - 11
Psicodermatologia: instrumentos de avaliação de portadores de
psicodermatoses - 11
A vacinação do HPV: diferentes perspectivas na sociedade - 13
Os estigmas da depressão - 15
Alzheimer: aspectos clínicos e implicações sociais - 17
Hanseníase: uma abordagem do tratamento excludente e do padecimento
dos portadores - 19
Ouro Preto e a ocorrência de Pneumoconiose - 21
Disciplina Práticas em Serviços de Saúde II – 23
Educação em saúde – Literacia em Diabetes mellitus tipo II como forma
de prevenção e melhoria da qualidade de vida de pacientes diabéticos, da
Comunidade de Vila Gonçalo, Itabirito, MG. - 23
“Hipertensão: Vamos conversar?” – uma ação educativa na comunidade
de Cachoeira do Campo, Ouro Preto, MG. - 25
Disciplina Epidemiologia nos Serviços de Saúde – 27
Análise e descrição do perfil de pacientes da endocrinologia no Centro de
saúde UFOP - 27
Relato de experiência a partir da coleta, análise e preenchimento de
formulário com dados dos prontuários de cirurgia ambulatorial. – 29
Avaliação da adequação dos formulários de Dermatologia aos
prontuários do Centro de Saúde da Universidade Federal de Ouro Preto. - 30
5
Prevalência de transtornos mentais em uma amostra de pacientes
psiquiátricos do Centro de Saúde da UFOP - 32
Perfil epidemiológico dos pacientes atendidos pela pneumologia na
disciplina de Semiologia I na Universidade Federal de Ouro Preto - 34
Análise descritiva de idosos atendidos no centro de saúde da
Universidade Federal de Ouro Preto - 35
Complicadores na construção de um banco de dados para análises
estatísticas a partir de consultas Ginecológicas - 37
A epidemiologia nos serviços de saúde: um enfoque na pratica clínica da
pediatria -39
Disciplinas Medicina Geral de Adulto I e II – 42
Abordagem da agenesia renal em paciente com dificuldade de adesão ao
tratamento - 44
Relato de caso: diagnóstico, tratamento e acompanhamento de paciente
portador de diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial sistêmica no contexto
na disciplina de Medicina Geral de Adultos I - 46
Relato de Caso Clínico - Alopecia areata simultânea em irmãos com
provável gatilho psicogênico - 48
Multimorbidade, polifarmácia e falta de adesão na perspectiva da
medicina centrada na pessoa - 50
Abordagem de paciente hipertenso com história prévia de infarto agudo
do miocárdio atendido na UBS de Passagem de Mariana- Mariana/MG - 49
Pé diabético: diagnóstico e abordagem - 52
Suspeita de diabetes tipo mody - 54
Síndrome Nefrótica Corticodependente - 56
Abordagem, prevenção e controle de nefrolitíase – Relato de caso - 58
Abordagem de paciente com insuficiência arterial periférica e
comorbidades associadas - 60
Disciplinas Medicina Geral da Criança I e II – 62
Varicela em paciente em fase escolar – Considerações e Relato de caso 64
6
Enxaqueca em paciente em idade escolar – Relato de caso e
Considerações - 66
Infecção do trato urinário recidivante em lactente: relato de caso - 68
Obesidade infantil: Relato de caso - 70
Perda ponderal significativa após episódio de diarreia aguda - 72
Negligência infantil: Relato de caso - 74
Diagnóstico e investigação de infecção do trato urinário em lactente
atendida na Unidade de Atenção Primária à Saúde Santo Antônio em Mariana,
Minas Gerais - 76
Diagnóstico diferencial entre o transtorno conversivo e epilepsia, em
paciente pediátrico: um relato de caso - 78
Relato de caso: lactente afebril com sintomas respiratórios inespecíficos 80
Relato de Caso Clínico: A dificuldade de aceitar um diagnóstico de
autismo pela família - 82
Otite média aguda supurativa em lactente - Relato de caso - 84
Angina de Plaut-Vincent, um breve relato - 86
Atendimento a paciente pediátrico com crise de asma - 88
Um possível caso de hipotonia cervical associado ao apgar baixo em
neonato com icterícia patológica, uma investigação baseada na anamnese e no
exame físico - 90
Relato de caso: sobrepeso e molusco contagioso - 92
Relato de caso: baixa estatura - 94
Triagem dos alunos do 1° ano de uma escola municipal do município de
Mariana/MG - 96
Triagem dos alunos do 3° ano de uma escola municipal no município de
Mariana/MG - 98
Triagem auditiva neonatal - 100
Triagem e avaliação clínica de crianças do 2º ano do ensino fundamental
de uma escola do município de Mariana-MG: “Projeto saúde na escola” - 98
Relato de caso: varicela não complicada - 102
Abordagem de paciente pediátrico com urticária gigante - 104
7
Crises convulsivas em lactente – Relato de caso - 106
Criptorquidia Bilateral em lactente - Relato de caso - 108
Disciplina Clínica Cirúrgica – 110
Cirurgia bariátrica e suas repercussões na obesidade e no diabetes
mellitus tipo 2 - 110
Cirurgia transluminal endoscópica por orifícios naturais (notes): revisão
de literatura - 112
Atendimento ao paciente politraumatizado - 114
Diagnóstico e tratamento da insuficiência hepática aguda e insuficiência
hepática fulminante: perspectivas e manejo baseado em evidências - 116
Megacólon tóxico - 118
Abdome agudo infantil - 120
Disciplina Semiologia Pediátrica – 122
Avaliação de desenvolvimento e crescimento em lactente de 6 meses a
partir de consultas de puericultura no Posto de Saúde da Universidade Federal de
Ouro Preto - 122
Varicela: um relato de caso - 124
Acompanhamento a consultas de puericultura de lactente do sexo
feminino - 126
Apendicite aguda em pacientes pediátricos: particularidades e achados na
anamnese e exame físico - 128
Sinostose radioulnar congênita: relato de caso - 130
Craniossinostose: um relato de caso - 132
Desencadeadores do atraso no desenvolvimento neuropsicomotor em
recém nascida de 11 meses - 134
Cefaleia primária: dos sintomas ao diagnóstico - 136
Crise Asmática com atelectasia em lobo superior direito em pré-escolar
de 5 anos - 138
A consulta de puericultura como instrumento facilitador da promoção à
saúde da criança: um relato de caso - 139
8
Relato de caso de um paciente pediátrico com transposição de grandes
vasos corrigida e escoliose congênita – 141
Disciplina Diagnóstico e Tratamento das Doenças da Mama – 143
Fatores de risco relacionados ao câncer de mama - 143
A influência da prática de atividade física na prevenção e prognóstico do
câncer de mama - 145
Apresentações de Pôsteres
Disciplina Modelos Educativos do Processo de Saúde – 147
Epidemiologia das doenças crônicas não transmissíveis no Brasil - 147
Análise do processo saúde-doença como fator social baseado na obra de
Asa Cristina Laurel - 149
A importância da vigilância epidemiológica no controle da epidemia de
HIV/AIDS - 151
A epidemia do ebola no oeste africano: medidas para conter a
disseminação - 153
Revolta da vacina – Uma reflexão histórica - 155
Controle do uso da Talidomida no combate à sua Síndrome - 157
Temas Livres - 159
Diagnóstico diferencial entre artrite reumatóide e osteoartrite: relato de
caso - 159
Cardiopatia reumática – Um relato de caso - 161
Relato de Caso de Síndrome Metabólica na Unidade Básica de Saúde
(UBS) de Amarantina, distrito de Ouro Preto-MG - 163
Onicomicose: Qual o melhor método diagnóstico? - 165
Hipertensão Arterial Sistêmica e suas Limitações Terapêuticas devido a
Efeitos Adversos - 167
HIV e AIDS – Relato comparativo entre dois casos clínicos - 169
Vitiligo: O Rei do Pop e a histologia - 171
9
APRESENTAÇÕES ORAIS – DISCIPLINA SAÚDE E SOCIEDADE
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
PSICODERMATOLOGIA: INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE PORTADORES
DE PSICODERMATOSES
Adriana Maria de Figueiredo
Geraldo Magela Magalhães
Bruno Francia Maia Atadeu
Débora de Oliveira Antunes Rocha
Erick Veiga Franco da Rosa
Isabella Pereira de Sousa
Oscar Campos Lisboa
Paulo Eduardo Lopes Ferreira
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina.
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil.
INTRODUÇÃO: A psicodermatologia é o ramo da dermatologia que estuda a
correlação entre a pele e o psiquismo expressa no aparecimento de distúrbios
10
psicocutâneos. A crescente importância dessa área vem fomentando o desenvolvimento
de novos instrumentos de avaliação que investigam a qualidade de vida e os estressores
psicossociais dos afetados a partir de questionários estruturados, escalas e métodos de
avaliação. OBJETIVOS: Investigar a relação entre as alterações cutâneas e os fatores
psicológicos, identificar e analisar alguns dos instrumentos de avaliação referentes a
condições clinicas específicas ou a outros aspectos como a qualidade de vida e fatores
mentais, bem como destacar a importância desses instrumentos para um tratamento
integral dessas dermatoses. DISCUSSÃO: A disfunção ocasionada por qualquer
problema, doença ou transtorno dermatológico – como a psoríase, por exemplo – tem
impacto na qualidade de vida dos pacientes. Nesse sentido, a tentativa de quantificar
aspectos psicossociais e fenômenos mentais a partir dos diferentes instrumentos de
avaliação ganha crescente importância em psicodermatologia. Entre os principais
instrumentos, pode-se citar o SPI (Simplified Psoriasis Index), o PASI (Psoriasis Area
and Severity Index), o BAI (Beck Anxiety Inventory), o ISSL (Inventário de Sintomas de
Stress para Adultos-ISSL), o DLQI (Dermatology Life Quality Index), entre outros. É
importante salientar que as principais diferenças entre esses métodos avaliativos se
baseiam no enfoque investigativo. Enquanto alguns investigam a qualidade de vida dos
afetados, outros dão maior relevância a fatores individuais – como níveis de stress ou
ansiedade – e até mesmo às condições clínicas específicas de determinadas doenças.
Uma vez que o trabalho de interconsulta e diálogo entre médicos e profissionais de
saúde mental pode ser aprimorado a partir do conhecimento compartilhado desses
métodos de aferição, fica evidente a relevância desses métodos para uma melhor
compreensão do processo de adoecimento. CONCLUSÃO: A existência de um
atendimento mais abrangente e interdisciplinar para os pacientes que desenvolveram
uma doença crônica, em especial as psicodermatoses, destaca-se como essencial para a
promoção de saúde dentro de um modelo integrativo. Nesse sentido, o desenvolvimento
de tais métodos de avaliação, por estes envolverem também os aspectos psicossociais,
pode resultar em melhorias nas alternativas de tratamento e no consequente prognóstico
dos afetados.
REFERÊNCIAS:
SILVA, Juliana Dors Tigre da; MULLER, Marisa Campio. Uma integração teórica
entre psicossomática, stress e doenças crônicas da pele. Estudos de psicologia.
Campinas, p. 247-256. Jun. 2007
ARRUDA, Lucia; MARTINS, Gladys Aires; MUGNAINI, Aline Schaefer Buerger.
Validação de questionários de avaliação de qualidade de vida em pacientes de psoríase.
Anais Brasileiros de Dermatologia. Rio de Janeiro, p. 521-535. Out. 2004.
11
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
A VACINAÇÃO DO HPV: DIFERENTES PERSPECTIVAS NA SOCIEDADE
Gabriel Rodrigues Couto
Giuliana Dias Machado
Joana Glória Pimenta de Resende
Júnio César Costa
Pedro Martins Corrêa
Thaís de Meira Alves
Orientador: Rodrigo Pastor
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina.
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil.
INTRODUÇÃO: O Papilomavírus humano (HPV) é o nome genérico para um grupo
composto por mais de cem vírus responsáveis pela formação de verrugas na pele e nas
mucosas. Tais lesões são de alto risco por desencadearem neoplasias femininas
malignas, como o câncer de colo uterino, cuja evolução mórbida e alta taxa de
mortalidade elevaram a enfermidade à séria questão de saúde pública. Para tanto, tem
sido estimulada a vacinação da população, o que tem gerado divergentes perspectivas
do assunto aos olhos dos atores sociais. OBJETIVOS: Analisar a abordagem da mídia,
artigos científicos e estudantes de medicina quanto à aplicação, efetividade, reações
adversas e contraindicações da Vacina. MÉTODOS: Realizaram-se coletas de dados
primários através de artigos acadêmicos de sítio da internet de apoio à decisão clínica.
Elaborou-se um questionário estruturado com quatorze perguntas para aplicação a vinte
e seis alunos do nono período de medicina da Universidade Federal de Ouro Preto,
tendo como referência dados obtidos dos artigos sobre o tema. Os resultados foram
processados com o programa Excel 2010, formulando informações estatísticas das
respostas. Por fim, foram analisados dados de um jornal de grande circulação, no
período de 10/03/2014 a 26/11/2014, utilizando o filtro Vacinação e HPV. Esses
resultados foram comparados quanto à eficácia, aos tipos e aos procedimentos da
vacina. RESULTADOS: A análise do questionário revelou divergências entre o
conhecimento dos alunos e as informações disponíveis nos artigos lidos. Quanto ao
público alvo e à faixa etária deste, a opinião de mais de 80% dos acadêmicos está em
consonância com as informações científicas e as divulgadas na mídia. Contudo, os
estudantes divergem das informações contidas nos dados primários nos seguintes
aspectos: mais de 60% dos alunos acreditam que a vacina é eficaz contra o câncer de
colo uterino, mais de 45% contra verrugas vaginais e cerca de 40% contra lesões
intraepiteliais de vagina e vulva. Quanto à dosagem de aplicação, 54% desconhecem a
mais adequada. Em relação ao enfoque dado pela mídia ao assunto, 84,7% dos alunos
avaliam que a mídia abordou o tema de maneira não fidedigna. Das 33 reportagens
avaliadas, 42% abordavam informações sobre a realização da campanha de vacinação,
prazos e metas, 45% falavam das reações adversas e 12% esclareciam os princípios de
ação da vacina e sua eficácia. CONCLUSÃO: Observaram-se concordâncias e
divergências entre o embasamento teórico estudantil e as informações disponíveis no
meio científico. Resultados mostram que os alunos tendem a hipervalorizar a vacina.
12
Com relação aos meios de comunicação, eles aparentam ter uma postura crítica sobre as
informações neles divulgadas. O pouco esclarecimento científico quanto ao assunto e
aos procedimentos recém-descobertos, juntamente com a ausência de discussões no
meio universitário, colaborariam para esse desconhecimento. A imprensa realiza uma
cobertura majoritariamente direcionada aos supostos efeitos colaterais da vacina,
evitando o debate sobre eficácia, custos e mudanças comportamentais ligadas ao tema.
Palavras-chave: HPV, vacina, sociedade.
Referências:
GERBERDING, J. L. et al. Quadrivalent Human Papillomavirus Vaccine. In:
Recommendations and Reports. Atlanta, v. 56, RR-2, March 2007. Disponível em
<http://www.cdc.gov/mmwr/PDF/rr/rr5602.pdf>. Acesso em 19 de novembro de 2014.
FOLHA DE SÃO PAULO. Disponível em <http://www1.folha.uol.com.br/>. Acessado
em 19 de novembro de 2014.
13
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
OS ESTIGMAS DA DEPRESSÃO
Adriana Maria de Figueiredo
Luciana Hoffert
Caroline Luchesi
Júlia Viegas Alves
Maria Rita Alves Barbosa de Paiva
Matheus Augusto de Araújo Baeta Vaz
Mayra Fonseca Borges
Raísa Becker
INTRODUÇÃO: A depressão é um transtorno de humor com polaridade para a tristeza
que acomete, segundo a Organização Mundial de Saúde, cerca de 350 milhões de
pessoas em alguma fase da vida. Os indivíduos afetados apresentam grande sofrimento
físico e psíquico que pode levar à morte por suicídio. A depressão está associada a um
grande ônus para a sociedade devido à perda de produtividade, sendo, desta forma, um
dos maiores problemas de saúde pública no mundo e refletir sobre o estigma é atitude
urgente. OBJETIVOS: Definir depressão como doença, refletir sobre seu estigma e
discutir sobre qual forma a sociedade lida com esta doença. DISCUSSÃO:
Historicamente, as sociedades estabelecem meios de categorizar pessoas de acordo com
atributos comuns a membros de cada categoria. Assim, quando um estranho é
apresentado, as primeiras impressões permitem prever sua categoria e dar a ele uma
identidade social. As características definidoras dessa identidade são estigmas,
principalmente caso seu efeito seja de descrédito. Logo, quando pessoas são encaixadas
em identidades às quais elas não necessariamente pertencem, deixa-se de considerá-las
como criaturas comuns e totais, reduzindo-as a pessoas estragadas e diminuídas. Uma
das três dimensões de estigma propostas por Goffman enxerga o processo de
estigmatização pautado em valores contextuais atribuídos ou interpretados através de
relações culturais, e não como fatos absolutos ou realidade. Assim, o estigma na
depressão vem do caráter invisível da doença que faz com que o paciente receba a culpa
por sua depressão, como se ela fosse escolha pessoal e até mesmo fruto da preguiça,
ignorando as bases fisiológicas dessa patologia. Além disso, a depressão traz
indubitável estigma para o doente no que tange o pensamento generalizado que a
associa à loucura, desilusão e incapacidade mental e produtiva que vai contra os valores
e comportamentos aceitáveis dentro da sociedade. Em contrapartida, nas últimas
décadas, estudos genéticos, bioquímicos e de neuroimagem ampliaram a compreensão
acerca da fisiopatologia da depressão reconhecendo-a como condição médica
semelhante à hipertensão e ao diabetes, o que possibilitou a classificação desta doença
pelo DSM IV e pela classificação internacional de doenças, da Organização Mundial de
Saúde como transtorno depressivo. Todo e qualquer comportamento possui o encéfalo
como substrato biológico, portanto, o equilíbrio entre os sistemas de neurotransmissão é
crucial para as funções cognitivas, entre eles o serotoninérgico e dopaminérgico, por
mediar o humor e a cognição, relacionar-se com expressões emocionais, aprendizado,
capacidade hedônica, além de auxiliar na regulação da motivação, concentração e
iniciação de tarefas cognitivas. CONCLUSÕES: Atitudes estigmatizantes são frutos do
desconhecimento e falta de informação do caráter fisiológico da depressão. Assim, um
14
maior nível de informação sobre essa patologia provavelmente contribui para a
diminuição do preconceito, reduzindo o estigma.
Palavras-chaves: depressão, estigma, fisiologia
Referências:
1. TENG, C. T.; NAKATA, A. C. G.; ROCCA, C. C. de A.; YANO, Y. Depressão
e Cognição. São Paulo: Atheneu, 2010. 122 p.
2. GOFFMAN, E. Estigma: Notas sobre a Manipulação da Identidade
Deteriorada. 4ª ed. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1982. 158 p.
15
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
ALZHEIMER: ASPECTOS CLÍNICOS E IMPLICAÇÕES SOCIAIS
Adriana Maria de Figueiredo
Leonardo Santos Bordoni
Alice Soares Trindade
Anna Elisa Borges Barcelos
Bianca Hellen Sousa Martins
Carolina Bretas Araújo
Júlia de Carvalho Machado
Laís Martins de Abreu
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina.
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil.
INTRODUÇÃO: A doença de Alzheimer é a mais frequente doença neurodegenerativa
associada à idade e cujas manifestações cognitivas e neuropsiquiátricas resultam em
deficiência progressiva e incapacitação. Estima-se que, em 2050, mais de 25% da
população mundial será idosa, aumentando, assim, a prevalência da doença.
OBJETIVO: Apresentar etiologia, manifestações clínicas, possíveis tratamentos e
impactos sociais. DISCUSSÃO: A maioria das pessoas com Alzheimer possui entre 61
e 86 anos e é do sexo feminino. Grande parte é casada e mais de 90% dessas pessoas
possuíam alguma ocupação antes da doença. Na maioria das vezes, a doença não é
hereditária, mas, quando é, desenvolve-se mais cedo do que o normal. As causas do
Alzheimer estão relacionadas com o acúmulo da proteína beta-amiloide no centro do
cérebro e com a perda do controle da proteína tau. Ademais, pode-se relacionar o
Alzheimer com degeneração dos neurônios do núcleo basal de Meynert e de dois grupos
de neurônios no hipocampo. O sintoma inicial da doença é perda progressiva da
memória recente e, posteriormente, ocorrem alterações na cognição, como deficiências
na fluência verbal e nas funções viso-espaciais. Associada a esses sintomas, pode-se
notar a presença de distúrbios comportamentais, como a agressividade, depressão,
alucinações e hiperatividade. Embora não exista cura para a doença, os tratamentos
conhecidos permitem que o paciente tenha uma sobrevida maior e uma qualidade de
vida melhor, mesmo nos estágios mais avançados do Alzheimer. Há dois tipos de
tratamento: o farmacológico, dividido em terapêutica específica, abordagem profilática,
tratamento sintomático e terapêutica complementar e o não farmacológico, que consiste
na estimulação cognitiva do paciente bem como estimulação social e física. A DA
agrava progressivamente de forma lenta e irreversível, mudando significativamente o
cotidiano familiar e trazendo forte repercussão emocional, principalmente para aqueles
que assumem a função de cuidadores, pessoas que apresentam altos níveis de impacto
subjetivo sobre o doente e também enfrentam desafios, pois, por vezes, são familiares e
podem ser sobrecarregados devido às exigências por cuidados intensos e por
desenvolver um exacerbado senso de responsabilidade em contraposição com o
reduzido senso de liberdade, envolvendo perdas na vida pessoal como diminuição de
independência e restrição de tempo para atividades pessoais. CONCLUSÃO:
Compreender o funcionamento do Alzheimer é imprescindível a fim de perceber
possíveis sintomas, os quais serão essenciais para um diagnóstico precoce da doença,
retardando seu avanço. Como essa enfermidade não possui cura é um desafio tanto para
16
o âmbito familiar quanto para o social, uma vez que, mundialmente, países vivenciam
uma inversão da pirâmide etária, com ênfase no envelhecimento populacional, o que
aumenta a prevalência da doença e, concomitantemente, faz surgir a necessidade de
integrar esses pacientes no contexto social, não restringindo sua autonomia ou
desrespeitando princípios bioéticos.
Palavra-Chave: Alzheimer, cuidadores, envelhecimento.
Referências:
SERENIKI, A; VITAL, M. A. B. F. A doença de Alzheimer: aspectos fisiopatológicos e
farmacológicos. Rev. Psiquiatr, Rio Gd. Sul, vol.30, n.1, suppl., pp. 0-0, 2008.
http://dx.doi.org/10.1590/S0101-81082008000200002. Disponível
em
<
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010181082008000200002&lang=pt>. Acesso em 24 de Novembro de 2014.
LUZARDO, A. R; GORONI, M. I. P. C; SILVA, A. P. S. S. Características de idosos
com doença de Alzheimer e seus cuidadores: uma série de casos em um serviço de
neurogeriatria. Texto Contexto Enferm, Florianópolis, v.15, n.4, 2006. Disponível em <
http://www.scielo.br/pdf/tce/v15n4/v15n4a06.pdf> Acesso em 24 de Novembro de
2014.
17
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
HANSENÍASE: UMA ABORDAGEM DO TRATAMENTO EXCLUDENTE E
DO PADECIMENTO DOS PORTADORES
Leonardo Cançado Monteiro Savassi
Eduardo Mesquita de Souza
Guilherme Augusto Sousa Batista
Leticia Coelho Teixeira
Livya Isabella Teles de Oliveira Lima
Matteus Murta Lage
Mona Rezende Ferreira Holanda
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina.
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: A Hanseníase é uma enfermidade milenar caracterizada por sua
complexidade biológica e, principalmente, social. A segregação dos portadores de
hanseníase tem seus registros iniciais na Bíblia Sagrada, sendo referidos como seres
pecaminosos que carregam a doença como forma de punição. Esse comportamento de
exclusão e condenação dos portadores permaneceu na Idade Média e tem seus reflexos
na atualidade. Dessa forma o diagnóstico desse tipo de doença socialmente
estigmatizada reforça a ideia de fugacidade do ser em relação à vida social e à própria
vida fisiológica, fato esse resultante principalmente da desinformação e negligência.
OBJETIVOS: Compreender e esclarecer o processo saúde-doença relacionado à
hanseníase. Abordar a realidade de privações e a perda de autonomia do portador de
hanseníase. DISCUSSÃO: Compreendendo a hermenêutica do processo de saúde –
resgate do ser que adoece em sua integralidade transpondo um modelo tecnicista a partir
de uma concepção humanística – pode-se vislumbrar o processo de adoecimento da
hanseníase a partir de uma perspectiva atrelada aos princípios de Heidegger. Nesse
sentido, o filósofo alemão rompe com o pensamento de saúde e doença como
fenômenos estritamente biológicos e opostos, compreendendo-os como modos de existir
no mundo. “Trata-se, no entanto, de compreender que no fenômeno de adoecimento a
saúde está presente pela sua falta, ou seja, a saúde mostra-se de maneira modificada,
subtraída, restrita” (MARTINS et.al. 2013: 60). Dessa forma, doenças estigmatizadas,
como a hanseníase, trazem consigo representações que transcendem quaisquer
definições técnico-científicas ou biomédicas, trazendo à tona limitações das
possibilidades de existir no mundo, contextualizando um propósito de padecimento –
existir em privação, característico do ser doente. Com isso os projetos e planejamentos
anteriores à doença devem ser ressignificados, tendo em vista as novas limitações
adquiridas com a enfermidade. A materialização do processo de privação do ser
portador de hanseníase foi confirmada por meio de políticas governamentais que
atribuíam a profilaxia da “lepra” a um tripé: leprosários, preventórios, dispensários. A
18
desinstitucionalização ocorreu com a adoção de uma nova perspectiva de tratamento
seguindo o modelo ambulatorial: explorando a doença e a sua experiência, entendendo a
pessoa como um todo, elaborando um plano conjunto de manejo dos problemas e
incorporando a prevenção e a promoção da saúde. CONCLUSÕES: Como
consequência do modelo de tratamento excludente, o portador de hanseníase perde sua
identidade como cidadão para assumir a posição de hanseniano. Sendo assim, este se
encontra em uma condição de “autoestigma” que, segundo Corrigan e Watson (2002),
refere-se ao processo de internalização pelo indivíduo, em condição estigmatizante, dos
estereótipos negativos atribuídos ao seu transtorno, passando a considerá-los e aplicálos a si próprio. Observa-se, assim, a perda da sua plenitude social.
Palavras chaves: Hanseníase, privação, negligência.
Referências:
MARTINS, A. M. et al. Privação e padecimento: Uma compreensão existencial do ser
frente à hanseníase. Hansen Int. 2012; 37(1):59-67.
STEWART, M. et al. Medicina centrada na pessoa – transformando o método clínico.
2. ed. 376 p. Artmed. 2010.
19
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
OURO PRETO E A OCORRÊNCIA DE PNEUMOCONIOSE
Márcio Antonio Moreira Galvão
Camila Eugênia Fonseca Passos
Izabela Washington de Souza Pereira
Renata Durães Vaz de Melo Barreto
Tiago Medeiros Pravato
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: A utilização da pedra-sabão em Ouro Preto remonta desde seu uso no
século XVIII quando começou a ser utilizada na ornamentação das igrejas Barrocas e
estatuária. Trata-se de uma rocha metamórfica compacta e de baixa dureza e seu
principal componente é o talco. O artesanato que utiliza a referida matéria prima é
caracterizado por processos de trabalho rudimentares, com pouca mecanização,
essencialmente familiar e exercido de forma informal. O subdistrito de Mata dos
Palmitos, por exemplo, possui 180 habitantes, dos quais 123 são artesãos; portanto,
nessa localidade a produção de objetos decorativos em pedra-sabão constitui uma
importante fonte de renda informal. A produção artesanal emite poeira mineral na
atmosfera expondo os trabalhadores e a população da região. Recentes publicações
indicam que existem cerca de 5000 trabalhadores expostos a poeira da pedra-sabão em
Ouro Preto. A pneumoconiose é uma doença difusa do parênquima pulmonar
relacionada à inalação de poeira, estando assim atrelada ao artesanato, existindo em
quatro formas causadas pela aspiração de talco: talcose pura, talcosilicose,
talcoasbestose e talcose pulmonar. OBJETIVOS: Analisar a relação entre a ocorrência
de pneumoconiose nos artesãos que utilizam a pedra-sabão na região de Ouro Preto.
DISCUSSÃO: Segundo os trabalhos da área analisados, Bezerra (2003) nos trouxe uma
abordagem em que, do total de 123 trabalhadores em pedra-sabão residentes na
localidade de Mata dos Palmitos, 89 participaram da anamnese clínica, 123 na
investigação de sintomatologia respiratória, 117 na realização de exames radiográficos e
99 na realização de exame espirométrico. A quantidade de trabalhadores (n =16) cujo
exame radiográfico foi considerado “alterado” correspondeu a 13,7% dos 117
trabalhadores radiografados e a prevalência de casos estabelecidos de pneumoconiose
(n=5) correspondeu a 4,3% do total dos 117 trabalhadores radiografados. Foi
identificado espessamento pleural do tipo placa em 1 trabalhador e indicada a
possibilidade em outros dois trabalhadores. O sintoma mais frequente entre os
informantes foi a dispneia, atingindo 34,3% dos trabalhadores para os quais esse
sintoma foi pesquisado. Realizaram-se 27 espirometrias válidas e contatou-se que 7
trabalhadores apresentaram alguma alteração. Faria (2013) nos mostrou que,
trabalhando com 12 pacientes submetidos à radiografia de Tórax selecionados entre 261
artistas de 3 distritos históricos de Ouro Preto e Mariana, entre exames 2000-2010,
todos apresentaram danos no septo interlobular sendo 75% pequenos nódulos
centrinlobulares e 67% opacidade. Tais dados reafirmam o que a publicação de 2003
relata, ou seja, a pedra-sabão corrobora ou é causadora de pneumoconioses.
CONCLUSÃO: A ocorrência de pneumoconiose (5 casos diagnosticados) e
20
principalmente de espessamento pleural (1 caso diagnosticado) entre os 117
trabalhadores radiografados de Mata dos Palmitos pode ser considerada pouco
expressiva em termos quantitativos. Contudo, a existência de apenas um caso já é
preocupante evidenciando a necessidade de medidas preventivas eficazes. Os dados
supracitados fornecem fortes indícios da relação existente entre pneumoconiose e as
atividades laborais exercidas pelos artesãos de pedra-sabão.
Palavras Chave: Doenças Profissionais; Talco; Pneumoconiose.
Referências:
BEZERRA, Olívia Maria de Paula Alves. Condições de vida, produção e saúde em uma
comunidade de mineiros e artesãos em pedra-sabão em Ouro Preto, Minas Gerais: Uma
abordagem a partir da ocorrência de pneumoconiose. 2002. 170 f. Tese (doutorado em
ciência animal) - Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais. Belo
Horizonte.
2002.
Disponível
em
http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/handle/1843/BUOS-8FEKPW. Acesso em
17 de Novembro de 2014.
FARIA Henrique Pereira; VEIGA Alessandro Souza; BEZERRA, Olívia Maria de
Paula Alves; CARNEIRO Ana Paula Scalia; FERREIRA Sergio; MARCHIORI Elena.
Talcosis in soapstone artisans: High resolution CT findings in 12 patients. Clinical
Radiology (Harlow Print), v. 69, p. e136-e139,2014; Disponível em :http:
//www.sciencedirect.com/Science/article/pii/S0009926013005126. Acesso em 18 de
Novembro de 2014.
21
APRESENTAÇÕES ORAIS – DISCIPLINA PRÁTICAS EM SERVIÇOS DE
SAÚDE II
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
EDUCAÇÃO EM SAÚDE – LITERACIA EM DIABETES MELLITUS TIPO II COMO
FORMA DE PREVENÇÃO E MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA DE
PACIENTES DIABÉTICOS DA COMUNIDADE DE VILA GONÇALO, ITABIRITOMG
Orientador: Leonardo Cançado Monteiro Savassi
Autores: Gessica Mendes de Almeida
Jordana Mol Teixeira
Kamylla Versiani Araújo Faro
Nicole Críscia Naves da Silva
Vinícius Nascimento Ferreira
Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP
Unidade Básica de Saúde Vila Gonçalo, Itabirito, MG
IDENTIFICAÇÃO DO PROBLEMA: O diabetes mellitus (DM) é uma doença
metabólica caracterizada por hiperglicemia, que ocorre por defeitos na ação e/ou
secreção de insulina, e está associada ao surgimento de complicações crônicas
microvasculares, além de neuropatia diabética. Essa doença crônica acomete cerca de
7,6% da população brasileira entre 30 e 69 anos de idade. CENÁRIO: O projeto foi
uma ação realizada Unidade Básica de Saúde (UBS) Vila Gonçalo, em Itabirito. Após a
realização do diagnóstico institucional, identificou-se o DM como uma doença de alta
prevalência nesta unidade de saúde, pois atinge 19,6% dos pacientes e também se
identificou a inexistência de projetos para pessoas acometidos por essa enfermidade.
Portanto, o grupo propôs ações de educação em saúde para diabéticos, com o objetivo
de aumentar a adesão ao tratamento, melhorar a qualidade de vida e de prover
conhecimento para que os pacientes sejam agentes ativos no seu tratamento cotidiano.
DESENVOLVIMENTO: Neste contexto, a educação em saúde se presta ao papel de
facilitador das ações em saúde, já que prima pela literacia em saúde. Para atingir o
objetivo pretendido, foram realizadas reuniões semanais por um grupo de acadêmicos
do curso de Medicina da Universidade Federal de Ouro Preto com esse grupo, nas quais
22
desenvolveram-se ações com a função de aumentar o conhecimento em saúde, com os
temas relacionados ao DM, como: dieta, exercício físico, e as complicações que o
diabetes pode provocar. Essas reuniões aconteceram no período de cinco semanas, e
foram na maioria de caráter expositivo, devido a demanda do grupo. Utilizou-se de
palestras e vídeos explicativos associados com algumas dinâmicas e momentos de
diálogo. O grupo priorizou a troca de saberes, em que os participantes esclareceram suas
principais dúvidas e expuseram suas experiências, de forma que não houvesse qualquer
forma de hierarquização entre os estudantes e participantes, favorecendo o
entendimento do processo de promoção da saúde e o intercâmbio entre saber científico e
popular. RESULTADOS: Os integrantes do projeto demonstraram ter adquirido maior
conhecimento sobre os temas abordados nas reuniões e também mudanças favoráveis ao
tratamento. Além disso, o projeto foi de grande relevância para os estudantes, pois
possibilitou detectar as principais carências de informação dos participantes, o que
possibilitará na sua atuação médica melhor compreensão dos seus pacientes e a relação
deles com o DM. CONCLUSÕES: Os profissionais de saúde da rede básica têm
importância primordial nas estratégias de controle da diabetes. Assim, o trabalho em
grupo demonstrou-se um recurso eficiente para a Atenção Primária interferir
positivamente na saúde da população. Não obstante, a realização da literacia em saúde
capacitou as pessoas para manterem saudáveis a si e aos seus familiares, através do
acesso à informação e a oportunidades que permitam fazer escolha por uma vida mais
saudável aliada a melhor adesão ao tratamento.
Palavras-chave: Educação em saúde; Diabetes Mellitus; Atenção Primária à
Saúde.
REFERÊNCIAS:
TORRES, H. C.; PEREIRA, F. R.L.; Alexandre, L. R. Avaliação das ações educativas
na promoção do autogerenciamento dos cuidados em diabetes mellitus tipo 2, Revista
da Escola de Enfermagem da USP, São Paulo, 45(5):1077-82, 2011.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de
Atenção Básica. Diabetes Mellitus. Brasília, 2006. (Cadernos de Atenção Básica, n. 16).
23
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
“HIPERTENSÃO: VAMOS CONVERSAR?” – UMA AÇÃO EDUCATIVA NA
COMUNIDADE DE CACHOEIRA DO CAMPO, OURO PRETO, MG
Leonardo Cançado Monteiro Savassi
Alba Larissa dos Santos Esperidião
Gabriela Moreira do Nascimento
Natália Darc Queiroz Pimenta
Renan Ibrahim Neiva
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina.
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil.
IDENTIFICAÇÃO DO PROBLEMA: O cenário da prática é a “Unidade Básica de
Saúde Dom Bosco - Bem Viver”, localizada em Cachoeira do Campo, distrito da cidade
de Ouro Preto, MG. Após realização do diagnóstico comunitário foi detectado alto
índice de pessoas portadoras de hipertensão arterial sistêmica (HAS). Voltado para
portadores ou interessados em saber sobre a HAS foi desenvolvido o projeto educativo
“Hipertensão: Vamos Conversar?”. CENÁRIO: O projeto foi voltado, sobretudo, para
a população assistida pela UBS Dom Bosco - Bem Viver. Ressaltam-se as condições
infraestruturais limitantes e potencialmente prejudiciais ao agravo da HAS, incluindo-se
também a limitação do acesso ao sistema público de saúde, caracterizada pela ausência
do médico na unidade. DESENVOLVIMENTO: A execução do projeto se deu em 14
semanas. As três primeiras foram dedicadas ao reconhecimento do local no qual as
atividades seriam desenvolvidas, optando-se pelo “Clube da Maior Idade Estrela do
Oriente de Cachoeira do Campo”, local de fácil acesso e identificação com o público
alvo - onde já eram realizadas reuniões voltadas para o tema. As três semanas seguintes
foram utilizadas para realizar o embasamento teórico e metodológico que instruíram os
encontros e a elaboração e revisão do projeto, sendo a 6ª semana dedicada à divulgação
dos encontros via cartazes afixados em locais estratégicos e divulgação na rádio local.
Os encontros foram realizados às terças-feiras, com início às 8h30min e duração de
1h30min e contaram com a colaboração da equipe técnica da UBS para aferição da
pressão arterial (PA) dos participantes e da sua glicemia. Da 8ª à 12ª semanas ocorreram
os encontros com a seguinte programação: 1) apresentação inicial dos discentes e dos
participantes, abordando qual seria a finalidade do projeto e sua estrutura; 2) relação
entre hipertensão e obesidade, tendo como dinâmicas a medida da circunferência e o
cálculo do IMC; 3) importância da atividade física para diminuição da PA; 4) correlação
24
entre a hipertensão e a nutrição, que teve como dinâmica a demonstração do teor de sal
em determinados alimentos; 5) explanação sobre temas solicitados pelos participantes
como depressão e hipo/ hipertireoidismo, além do fechamento das atividades. Os
encontros contaram com a realização de dinâmicas de encerramento e cerca de 9 a 11
participantes. As 13º e 14º semanas foram dedicadas à elaboração do relatório final do
projeto. Cabe lembrar a participação majoritária de idosos devida, sobretudo, ao horário
da atividade. PRINCIPAIS RESULTADOS: O cronograma foi cumprido com
mínimas alterações, sugeridas, inclusive, pelos integrantes. A prática pedagógica
utilizada mostrou-se eficaz. Durante a realização das atividades, os participantes
relataram aquisição de aprendizado. CONCLUSÕES: Notou-se que a didática aplicada
aos encontros possibilitou ampla participação dos integrantes, que demonstraram estar
muito à vontade durante as reuniões. A continuidade do grupo, pré-existente e
readaptado ao projeto proposto, mostrou-se atenta às necessidades da comunidade e
eficaz na transmissão dos novos conhecimentos acerca da HAS.
Palavras-chave: educação em saúde, hipertensão arterial, grupos de treinamento
de sensibilização
Referências:
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção
Básica. Hipertensão arterial sistêmica para o Sistema Único de Saúde / Brasília, 2006.
TOLEDO, Melina Mafra; RODRIGUES, Sandra de Cássia; CHIESA, Anna Maria.
Educação em saúde no enfrentamento da hipertensão arterial: uma nova ótica para um
velho problema. Texto Contexto Enferm, v. 16, n. 2, p. 233-8, 2007.
25
APRESENTAÇÕES ORAIS
SERVIÇOS DE SAÚDE
–
DISCIPLINA
EPIDEMIOLOGIA
NOS
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
ANÁLISE E DESCRIÇÃO DO PERFIL DE PACIENTES DA
ENDOCRINOLOGIA NO CENTRO DE SAÚDE UFOP
George Luiz Lins Machado Coelho
Isabella Gomes Santos
Marco Antônio Soares
Victor da Silveira Verona
Waleska Giarola Magalhães
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: As doenças endócrino-metabólicas são uma das principais causas de
procura ao atendimento médico. No continente americano, o número de indivíduos com
diabetes mellitus (DM) foi estimado em 35 milhões para o ano 2000 e 64 milhões em
2025. Nos países latino-americanos, a tendência é triplicar a prevalência na faixa etária
de 45-64 anos (Sartorelli e Franco, 2003). Como estão associadas à alta taxa de
hospitalizações e maior incidência de outros tipos de comorbidades, esses distúrbios
representam uma grande carga para o Sistema de Saúde. De acordo com o Ministério da
Saúde (2011), o diabetes causa uma perda de 40,3 anos de vida saudável, enquanto
outras doenças metabólicas provocam redução de 25,9 para os homens. No caso das
mulheres, esses valores são de 50,8 e 34,4, respectivamente. Conhecer o retrato
epidemiológico da população local contribui para o entendimento de como essas
morbidades a afetam e ajuda a traçar estratégias para melhorar os serviços em saúde.
OBJETIVOS: Analisar e descrever o perfil do paciente endocrinológico no Centro de
Saúde da UFOP, elencar as principais dificuldades metodológicas e avaliar o Serviço de
Saúde oferecido pela UFOP. MÉTODOS: A base de dados foi criada a partir dos
prontuários de pacientes da Endocrinologia do Centro de Saúde da UFOP, atendidos no
período de março a novembro de 2014. Aqueles sem dados suficientes ou não inerentes
a essa especialidade foram excluídos da coleta de dados, restando 15 prontuários.
RESULTADOS: Por meio da análise, encontramos como perfil: paciente do sexo
feminino (64,2%), 37 anos. Como média dos dados antropométricos e vitais, obtivemos
a altura 1,65m, peso 79,75kg, IMC 25,6kg/m² (pré-obeso), circunferência abdominal
masculina 93,12cm e feminina 98,5cm, pressão arterial sistêmica 126,1 x 81,4 mmHg,
frequência cardíaca 75,17 bpm e frequência respiratória 17,7 irpm. Dentre os pacientes
analisados, não houve tabagistas e 26,6% eram etilistas. A maioria dos pacientes
procurou o Serviço de Saúde para acompanhamento de morbidades. As patologias
endócrino-metabólicas mais prevalentes encontradas foram hipotireoidismo (20%),
nódulos na tireoide (20%) e DM (26,6%). Como comorbidades, obesidade, cefaleia,
anemia, dislipidemia, hipertensão arterial sistêmica, entre outros. Foi observada
prevalência familiar de DM (53,3%), hipertensão arterial sistêmica (60,0%) e distúrbios
de tireoide (20%), principalmente. CONCLUSÕES: O tamanho da amostra não
permite inferir a real prevalência das morbidades endócrino-metabólicas na população
assistida pelo Centro de Saúde da UFOP. Houve dificuldade para se localizar os
prontuários, devido à falta de organização e padronização do registro das consultas na
26
agenda de controle. A principal dificuldade para a coleta de dados foi a precariedade do
registro de informações imprescindíveis nos prontuários. O registro adequado permite,
posteriormente, analisar e melhorar a assistência oferecida à comunidade. Diante disso,
sugerimos a padronização do registro de dados nos prontuários por meio da criação de
um prontuário eletrônico ou físico que evidencia os pontos mais importantes de um
exame clínico.
PALAVRAS-CHAVE: Centro de saúde, Endocrinologia, Perfil Epidemiológico
Referências:
SARTORELLI D.S; FRANCO L. J. Tendências do diabetes mellitus no Brasil: o papel
da transição nutricional. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.19, supl. 1, 2003
FIOCRUZ; MINISTÉRIO DA SAÚDE. Carga Global de Doença do Estado de Minas
Gerais, 2005. Junho de 2011.
27
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
RELATO DE EXPERIÊNCIA A PARTIR DA COLETA, ANÁLISE E
PREENCHIMENTO DE FORMULÁRIO COM DADOS DOS PRONTUÁRIOS
DE CIRURGIA AMBULATORIAL
George Luiz Lins Machado Coelho
Cirênio Barbosa
Larissa Silveira Gusmão
Matheus Thomé Pinheiro
Victor Luiz de Matos Franco
Vinícius Trevizam Soares
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina.
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil.
Identificação do problema: Carência de informações epidemiológicas relacionadas aos
atendimentos ambulatoriais de cirurgia durante o ano de 2014, importantes para a
elaboração de um perfil patológico da comunidade com possíveis intervenções
posteriores. Cenário: Ambulatório Escola de Medicina – UFOP. Desenvolvimento:
Foram analisados onze prontuários de cirurgia ambulatorial, dentre os quais cinco
relatavam retirada de lipoma, quatro relatavam exérese de unhas encravadas e dois
relatavam retiradas de cistos. Com isso, foi possível observar as seguintes frequências:
25% de unha encravada em mulheres e 75% em homens; 50% de retirada de cisto em
mulheres e 50% em homens; 100% de retirada de lipoma em homens. No entanto, o
acesso aos prontuários foi dificultado pela burocracia apresentada pelo sistema adotado
no Ambulatório Escola de Medicina – UFOP. Isto porque os prontuários são arquivados
por número de registro ou endereço – pacientes residentes no bairro da unidade - dados
não existentes na planilha de pacientes fornecida. Além disso, o formulário criado tinha
o intuito de obter informações importantes para realização dos procedimentos na clínica
ambulatorial, entretanto, as mesmas não se mostraram essenciais, visto que algumas não
são abordadas no preenchimento do prontuário ou até mesmo inadequadas para a
realidade da pratica cirúrgica ambulatorial do cenário em questão. Principais
Resultados: Dificuldade de acesso associado a um número limitado de prontuários;
incompatibilidade entre dados presentes no prontuário e os necessários para o
preenchimento do formulário; dificuldade de desenvolvimento de estudo
epidemiológico com base na pequena amostra coletada. Conclusões: A partir da
experiência vivenciada pelo grupo ficou evidente que tanto o formulário bem como o
atendimento devem ser reestruturados, caso a finalidade seja a coleta de dados e sua
utilização em pesquisas epidemiológicas. Assim, seria possível traçar um perfil
epidemiológico da comunidade atendida no Ambulatório Escola – UFOP.
Palavras Chave: cirurgia ambulatorial, prontuários, formulários, perfil epidemiológico.
Referências:
MEDRONHO, R.A.; CARVALHO, D.M.; BLOCH, K.V.; LUIZ , R.R. & WERNECK,
G.L. Epidemiologia. 2ª ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2009.
28
PEREIRA, M.G. Epidemiologia: Teoria e prática. 1ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan, 2007.
29
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
AVALIAÇÃO DA ADEQUAÇÃO DOS FORMULÁRIOS DE
DERMATOLOGIA AOS PRONTUÁRIOS DO CENTRO DE SAÚDE DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO.
Orientador: George Luiz Lins Machado Coelho
Co-Orientador: Geraldo Magela Magalhães
Dafne Fernandes Machado
Lívia Maria de Oliveira Gomes
Mariana Oliveira Teixeira
Neila Caroline Alves Amaral
Talita Ribeiro Monteiro
Universidade Federal de Ouro Preto
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
Introdução: A dermatologia constitui uma especialidade médica fortemente
influenciada por sua origem de cunho morfológico, entretanto observa-se uma maior
inserção dos estudos epidemiológicos e das pesquisas nessa área clínica. Essa
modernização modifica intensamente o entendimento de sua fisiopatologia e o
desenvolvimento de novas formas terapêuticas. Para que seja estabelecida uma terapia
adequada, faz-se necessária a utilização de dados epidemiológicos, uma vez que estes
fornecem informações sobre prevalência e incidência das doenças dermatológicas e
acurácia terapêutica. Objetivos: Avaliar a adequação dos formulários de Dermatologia
aos prontuários de atendimento e observar a queixa principal mais comumente atendida
no Centro de Saúde (CS) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Métodos: A
partir de uma autorização da coordenação do CS UFOP, foram coletadas informações
dos prontuários de atendimento da Dermatologia do período de janeiro a outubro de
2014 para fins exclusivamente acadêmicos. Embora cinquenta e dois pacientes tenham
sido atendidos, segundo a lista de produção médica do CS UFOP, foram encontrados os
prontuários de apenas dezenove pacientes, destes prontuários somente doze continham
informações das consultas dermatológicas. Os formulários - desenvolvidos pelos alunos
de Medicina da UFOP no primeiro semestre de 2014 na disciplina Epidemiologia dos
Serviços de Saúde na plataforma Epi InfoTM 7 - foram preenchidos com os dados
obtidos desses doze prontuários e foi realizado o cálculo da frequência da queixa
principal mais comum. Resultados: Os formulários criados são inapropriados, uma vez
que possuem opções limitadas de preenchimento e não condizem com a prática clínica
dermatológica. A limitação se deve à inexistência de campos essenciais como peso,
altura e consultas de retorno, e à inadequação das alternativas de resposta como somente
três opções de naturalidade e ausência da opção “não informado”. Além disso, a
incongruência entre o formulário e as informações dos prontuários explicita a
superficialidade e a incompletude do registro das consultas dermatológicas no
prontuário, por exemplo, a ausência do questionamento sobre o vício de fumar e nível
de exposição ao sol. Por fim, a queixa principal mais comumente atendida (41,7%) foi
de acne, o que está diretamente relacionada à faixa etária jovem. Conclusões: O registro
das informações médicas em prontuários é de extrema relevância tanto para a prática
clínica quanto para as pesquisas epidemiológicas, sendo essa estratégia negligenciada
30
pela maioria dos profissionais da área da saúde. Na medida em que essas informações
são importantes para o acompanhamento da evolução do quadro clínico do paciente e
para análises epidemiológicas, faz-se importante a elaboração de prontuários eletrônicos
que alimentem bases de dados para este fim. Logo, torna-se evidente a necessidade de
uma maior articulação entre as áreas clínica e epidemiológica da UFOP para atingir
esses objetivos no ambulatório escola.
Referências:
 GALINDO, Caroline do Carmo et al. Caso para diagnóstico. An. Bras.
Dermatol., Rio de Janeiro , v. 78, n. 2, abr. 2003.
Disponível em
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S036505962003000200012&lng=pt&nrm=iso>. Acessos em 28 nov. 2014.
http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962003000200012.
 LUPI, Omar. Uma nova concepção na dermatologia. An. Bras. Dermatol., Rio
de
Janeiro
,
v.
78, n.
1, Feb.
2003.
Disponível
em
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S036505962003000100001&lng=en&nrm=iso>. Acessos em 28 Nov. 2014.
http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962003000100001
Palavras-chave: Dermatologia, epidemiologia, formulários.
31
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
PREVALÊNCIA DE TRANSTORNOS MENTAIS EM UMA AMOSTRA DE
PACIENTES PSIQUIÁTRICOS DO CENTRO DE SAÚDE DA UFOP
George Luiz Lins Machado Coelho
Luciana Regina de Souza Carvalho
Mariana Cardoso Gomes Segato
Miriam Cláudia Cardoso dos Santos Marçal
Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: Os transtornos mentais estão se tornando uma das principais causas
de adoecimento e incapacitação para o desempenho da vida social na atualidade. Com
as constantes mudanças na sociedade, o indivíduo pode encontrar dificuldade para
adaptar-se e sentir-se parte dessa nova realidade moderna. Estatísticas de estudos
levantados pela Organização Mundial de Saúde em 2009 revelam que esses transtornos
são uma das principais causas para afastamento do trabalho, incapacitando os
indivíduos de realizar seus afazeres profissionais, bem como de desfrutar de suas
relações pessoais.1Estudos epidemiológicos têm demonstrado diferenças de gênero na
prevalência e curso de transtornos mentais e do comportamento. OBJETIVO:
Determinar a prevalência dos transtornos mentais segundo o gênero e a faixa etária
através da análise dos prontuários disponíveis dos pacientes que utilizam o serviço de
atendimento em Psiquiatria no Centro de Saúde da UFOP – Bauxita, durante o ano de
2014. METODOLOGIA: Foram levantados 68 prontuários de todos os pacientes
agendados para consulta em 2014 com um médico psiquiatras do Centro de Saúde.
Destes, 27 foram selecionados para análise por possuírem CID-10 em seus diagnósticos.
Os dados foram repassados para uma planilha eletrônica previamente elaborada no
programa EpiInfo7. Foram avaliados: idade, sexo, diagnóstico e terapia medicamentosa.
RESULTADOS: Dos prontuários analisados, 14 pacientes eram mulheres (52%) e 13
pacientes, homens (48%). A faixa etária predominante foi entre 16-29 anos, com 8
pacientes (29,6%) e 30-39 anos, com 7 pacientes (25,9%). Entre os homens, a faixa
etária predominante foi entre 16-29 anos, com 5 pacientes (38,5%) e entre mulheres, foi
a faixa entre 30-39 anos, com 4 pacientes (28,6%). Dentre as Hipóteses Diagnósticas
obtidas, 7 pacientes (25,9%) foram diagnosticados com F48.9 (Transtorno Neurótico
não-especificado), dos quais 6 pacientes homens e 1 mulher; 7 pacientes (25,9%) foram
diagnosticados com F 41.2 (Transtorno Misto Ansioso e Depressivo), dos quais 5
pacientes mulheres e 2 homens. Em segundo lugar, 3 (11,1%) pacientes foram
32
diagnósticos com F34 (Transtornos de humor [afetivos] persistentes), dentre os quais 2
eram mulheres e 1 era homem. Dentre os medicamentos receitados, a Fluoxetina é
usada por 6 pacientes (22,2%), seguida da Nortriptilina, com uso por 5 pacientes.
(18,5%). Os transtornos mentais ocorrem mais tardiamente entre as mulheres em
comparação aos homens, fato este que pode ser visto na amostra selecionada, bem como
a maior porcentagem de mulheres apresentando Transtornos do Humor – Episódio
Depressivo. Porém, dados epidemiológicos afirmam que homens apresentam maior
prevalência de transtornos associados ao uso de substâncias psicoativas, incluindo
álcool e transtornos de personalidade anti-social.2 Contrariamente à literatura, nos
resultados obtidos pode-se verificar que a maioria dos homens apresentou Transtorno
Neurótico não-especificado. CONCLUSÃO: Foi encontrada discordância na
prevalência dos transtornos avaliados entre o gênero masculino, em relação aos estudos
atuais. Sugere-se o estudo mais amplo com aumento do espaço amostral para
confirmação destes dados preliminares.
Palavras Chaves: Transtornos Mentais, epidemiologia, Saúde Coletiva.
Referências:
1-
TAVARES, LAT. A depressão como "mal-estar" contemporâneo: medicalização
e (ex)-sistência do sujeito depressivo [online]. São Paulo: Editora UNESP; São
Paulo: Cultura Acadêmica, 2010. 371 p. ISBN 978-85-7983-113-3. Disponível
em: SciELO Books <http://books.scielo.org>. Acessos em 28 nov. 2014.
2-
MIRANDA, Christiane Albuquerque de; TARASCONI, Carla Ventura;
SCORTEGAGNA, Silvana Alba. Estudo epidêmico dos transtornos
mentais. Aval. psicol., Porto Alegre, v. 7, n. 2, ago. 2008. Disponível em
<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S167704712008000200015&lng=pt&nrm=iso>. Acessos em 28 nov. 2014.
33
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS PACIENTES ATENTIDOS PELA
PNEUMOLOGIA NA DISCIPLINA DE SEMIOLOGIA I NA UNIVERSIDADE
FEDERAL DE OURO PRETO
George Luiz Lins Machado Coelho
Paulo César Rodrigues Pinto Corrêa
Amanda Leal Brangioni
Felipe Guerra Quintão
Jorge Donizetti Yamamoto Junior
Taís Aparecida Coelho
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
IDENTIFICAÇÃO DO PROBLEMA: a utilização de informações contidas em
prontuários se configura como um meio importante para a análise de dados que são
uteis para o desenvolvimento de pesquisas, perfis epidemiológicos da população e
elaboração de estratégias que visam melhorias na qualidade de vida. CENÁRIO: as
informações registradas nos prontuários de pacientes atendidos na área de pneumologia,
no Centro de Saúde da UFOP se encontram muito dispersas, dificultando o
agrupamento das mesmas e uma possível análise de dados. DESENVOLVIMENTO: a
partir da análise de todas as consultas, na área de pneumologia, realizadas no período de
Abril a Novembro de 2014, foi coletado o nome dos pacientes para acesso aos
prontuários. Este acesso ocorreu mediante autorização previa do professor que ministra
a disciplina. Dos 54 prontuários aos quais houve acesso, apenas 16 continham
informações viáveis para preenchimento dos itens requeridos por um questionário
disponibilizado pelo professor George, elaborado no programa Epi.Info 7 pelos alunos
do atual sexto período. O questionário possuía três páginas que abordavam itens sobre
anamnese especial do sistema respiratório, como tosse, chieira, exposição a fatores de
risco, exames complementares e retorno. Muitas informações do questionário não foram
preenchidas pela ausência de dados nos prontuários analisados. PRINCIPAIS
RESULTADOS: Não foi possível uma análise de nenhuma variável devido à falta de
informações nos prontuários e no próprio questionário, que não abordava dados como a
idade, sexo, pressão arterial e peso. Muitos prontuários estavam incompletos, não
registrando dados como o tabagismo, resultado de exames e a data da consulta.
CONCLUSÕES: O preenchimento dos prontuários muitas vezes é feito de forma
inadequada, deixando de registrar dados importantes referentes ao paciente, o que
dificulta análises posteriores. Além disso, o questionário em questão não estava
adequado à realidade dos prontuários, necessitando de uma revisão dos itens solicitados.
Palavras-chave: Epidemiologia, Pneumologia, Sistema de Registros Médicos.
Referências:
WITTER, Geraldina Porto. “Pesquisa em comunidades”. Brazilian Journal of Health, v.
2, n. 3, 2014.
34
MARTINS, Lourdes Conceição et al. “Air pollution and emergency room visits due to
pneumonia and influenza in São Paulo, Brazil”. Rev. Saúde Pública 2002, vol.36, n.1,
pp. 88-94. ISSN 0034-8910.
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
ANÁLISE DESCRITIVA DE IDOSOS ATENDIDOS NO CENTRO DE SAÚDE
DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO
George Luiz Lins Machado Coelho
Gustavo Moura da Mata Machado Ferreira Pinto
Isabela Gonzaga Silva
Mariana Gonçalves Teixeira
Rafael Cândido Mota
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
Introdução: O processo de envelhecimento é marcado por mudanças fisiológicas e
emocionais, frutos da senescência e da senilidade. Nesse sentido, convém destacar a
mudança na distribuição de massa corporal, com perda progressiva de massa magra e
aumento da gordura corpórea, diminuição da estatura e cifose, contribuindo para
alterações do IMC acima dos 60 anos (Cabrera e Jacob, 2001). Estudos indicam menor
prevalência de obesidade acima dos 80 anos em ambos os sexos, não havendo diferença
entre os 60 a 80 anos (Santos e Sichieri, 2005). A literatura demonstra que melhores
índices de qualidade de vida são observados em idosos casados, enquanto os menores
escores são observados em idosos solteiros ou viúvos (Faller et al, 2010). Espera-se,
assim, que indivíduos casados utilizem menos medicamentos e tenham maior
expectativa de vida, com médias de idade maiores. Objetivos: Descrever a população
idosa atendida pela geriatria do Centro de Saúde; analisar a efetividade dos
questionários previamente elaborados por discentes de Medicina da Universidade
Federal de Ouro Preto (UFOP); comparar o uso de medicamentos entre pacientes
casados e pacientes solteiros ou viúvos; pesquisar relações entre o estado civil e a idade
dos idosos; estabelecer relações entre idade e IMC dos idosos. Métodos: Foram
analisados os prontuários da Geriatria, cujo atendimento realizou-se durante o período
de Março a Novembro de 2014 no Centro de Saúde UFOP. Os prontuários não
encontrados foram excluídos, obtendo-se ao final n=25, sendo analisados utilizando-se a
função Analysis do programa Epi Info 7. Na comparação entre uso de medicamentos e o
estado civil, foram estabelecidos dois grupos: até 2 e maior que 2 medicamentos por
dia; os estados civis foram estratificados em casados e não casados. Resultados: Dos
35
pacientes atendidos, 12% não eram idosos, 40% eram idosos jovens, 44% idosos velhos
e 4% idosos muito idosos. 47,83% dos pacientes eram casados, 43,48% eram viúvos e
8,70% solteiros. A média de IMC foi de 30,44. 24% não utilizam medicamentos; 40%
utilizam até 2; 16% utilizam até 4; 24% utilizam mais de 4. A análise qui-quadrado não
demonstrou relação entre o uso de medicamentos e o estado civil dos pacientes,
comparando-se os grupos viúvo+solteiro e casado; viúvo e solteiro; viúvo e casado ou
solteiro e casado (P>0,05). A comparação entre as médias das idades e o estado civil
demonstrou que não há influência do estado civil (viúvo e solteiro ou casado) na idade
do idoso (Teste t de Student - P>0,005). A análise dos três grupos por meio de ANOVA
não foi possível (P de Bartlett<0,05). A regressão linear realizada para estabelecer
relações entre o IMC dos idosos e a idade resultou em uma correlação positiva fraca
(r=0,2). Conclusões: Conclui-se que não há relação entre as hipóteses testadas. Dessa
forma, não há relação entre IMC e idade, o estado civil não influenciou
significativamente a quantidade de medicamentos utilizados ou a média de idade dos
idosos. Acredita-se que isso se deve ao tamanho pequeno da amostra. Além disso,
faltam campos importantes nos questionários, impedindo uma coleta mais apurada dos
dados contidos nos prontuários, sendo necessária sua reformulação.
Referências:
1- Cabrera, MAS.; Jacob Filho, W. Obesidade em idosos: prevalência, distribuição
e associação com hábitos e co-morbidades. Arq Bras Endocrinol Metab. 2001,
vol.45, n.5, pp. 494-501.
2- Santos, D. M.; Sichieri, R. Índice de massa corporal e indicadores
antropométricos de adiposidade em idosos. Rev. Saúde Pública. 2005, vol.39,
n.2, pp. 163-168 .
3- Faller JW, Melo WA, Versa GLGS, Marcon SS. Qualidade de vida de idosos
cadastrados na estratégia saúde da família de Foz do Iguaçu-PR. Esc Anna Nery.
2010;14(4):803-10
Palavras-chave: geriatria; senescência; idoso.
36
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
COMPLICADORES NA CONSTRUÇÃO DE UM BANCO DE DADOS PARA
ANÁLISES ESTATÍSTICAS A PARTIR DE CONSULTAS GINECOLÓGICAS
Clarissa Queiroz Gonçalves¹
Jaqueline Iara Doneda¹
Lucas Wendell da Cruz¹
Nagibe Tayfour Oliveira¹
George Luiz Lins Machado Coelho2
Jacqueline Braga Pereira Dantas2
1
Discente da Escola de Medicina da Universidade Federal de Ouro Preto – MG.
2
Docente da Escola de Medicina da Universidade Federal de Ouro Preto – MG.
Escola de Medicina da Universidade Federal de Ouro Preto
Ouro Preto, dezembro de 2014.
Identificação do problema: É sabido que a criação de um banco de dados para
posteriores análises estatísticas é de grande valia, já que permite conhecer a realidade da
população alvo a ser estudada, focalizar as políticas públicas com planejamentos e
decisões racionais que priorizem esse ou aquele tipo de ação. Cenário: Reunião de
informações dos prontuários dos pacientes ginecológicos do segundo semestre de 2014,
da professora Dra. Jacqueline Braga Pereira Dantas, que atende no Centro de Saúde da
Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Apenas 30 (trinta) prontuários mostraramse viáveis para preenchimento de um formulário elaborado pelos alunos do sexto
período de medicina da UFOP e disponibilizado para o grupo pelo professor George
Luiz Lins Machado Coelho. Desenvolvimento: Após o preenchimento dos prontuários,
seriam escolhidas duas ou mais variáveis para análise estatística com o auxílio do
programa Epi Info. Entretanto, essa análise não foi possível, devido à dificuldade de
coleta de dados dos prontuários fornecidos, o que prejudicou o preenchimento completo
dos formulários e, assim, a seleção de variáveis para a análise ficou inviável. Portanto, o
grupo optou pela realização de um trabalho de relato de experiência ao invés de um
trabalho de pesquisa, demostrando a importância de um prontuário ao ser bem
preenchido e digitalizado. Principais Resultados: Como não há uma padronização nas
consultas, a quantidade e a qualidade de informações nos prontuários varia muito.
Sendo assim, um prontuário único e homogêneo para as consultas mostrou-se
extremamente necessário. Conclusão: A construção de um formulário padronizado para
37
ser utilizado nas consultas ginecológicas pode garantir uma uniformização na coleta de
dados e, consequentemente, facilitar o acompanhamento da história clínica e
propedêutica dos pacientes. Além disso, tornaria possíveis estudos estatísticos sobre a
população atendida no Centro de Saúde e possibilitaria o planejamento de políticas
públicas na área da saúde, voltadas, neste caso, à Ginecologia.
Palavras-chave: Ginecologia, Prontuário, Epidemiologia.
Referências:
SOUSA,M. H.; SILVA, N. N. Comparação de softwares para análise de dados de
levantamentos complexos. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v. 34, n. 6, Dec. 2000.
Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S003489102000000600013&lng=en&nrm=iso>. Acessado em 20 de novembro de 2014.
DATASUS. Histórico. Ministério da Saúde. Disponível em:
http://www.datasus.gov.br/RNIS/historico.htm. Acessado em: 23 de novembro de 2014.
38
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
A EPIDEMIOLOGIA NOS SERVIÇOS DE SAÚDE: UM ENFOQUE NA
PRATICA CLINICA DA PEDIATRIA
Geoger Luiz Lins Machado Coelho ([email protected])
Graciela Larissa Amaral Rievers ([email protected])
Lucas Vilaça ([email protected])
Filipe Faleiros ([email protected])
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: A epidemiologia está estreitamente incorporada às políticas,
programas e serviços públicos de saúde. Nos últimos anos, alguns dos principais
desafios técnicos impostos ao SUS foi o desenvolvimento de mecanismos para o seu
aperfeiçoamento gerencial, a ampliação do escopo de atuação da Vigilância à Saúde.
Para realizar-se uma análise e aperfeiçoamento pode-se utilizar o programa Epi Info®
que é um pacote que contém uma série de programas desenvolvidos para o Microsoft
Windows. Os programas foram criados pelo Centro para o Controle e Prevenção de
Doenças e são destinados ao uso por profissionais de saúde que conduzem investigações
de epidemias, administração de bancos de dados para vigilância de saúde pública e
outras tarefas, além de ser um banco de dados para uso geral e aplicações estatísticas.
Com Epi Info®, alunos e profissionais de saúde, bem como outros trabalhadores podem
desenvolver um questionário rapidamente ou podem personalizar o processo de entrada
de dados e gerenciar a entrada e a análise de um banco de dados. Ao longo do período,
na disciplina de epidemiologia nos serviços de saúde, trabalhamos com o programa Epi
Info, que permite o gerenciamento e a análise de dados na área da saúde. OBJETIVOS:
Analisar a qualidade do prontuário eletrônico criado no Epi Info para ser utilizado na
área da pediatria durante os atendimentos no ambulatório da Escola de Medicina da
Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), bem como o estudo descritivo dos dados
coletados. METODOLOGIA: Foram selecionados prontuários pediátricos cujos
atendimentos ocorreram nos meses de março a novembro de 2014. Sendo que os
mesmos foram digitados no prontuário eletrônico criado no Epi Info. Além disso, foi
escolhida a variável tipo de parto para a análise estatística, por apresentar um melhor
padrão e espaço amostral. RESULTADOS: Durante o preenchimento dos prontuários
pediátricos no modelo pré-estabelecido, observamos que o prontuário criado é um
protótipo ideal para os atendimentos, pois contem campos variados e que permitem um
registro completo de toda anamnese e exames físicos realizados durante uma consulta,
além de permitir uma padronização. Contudo, o modelo não condiz com a realidade dos
atendimentos analisados, porque durante o trabalho percebemos que diversos campos do
prontuário eletrônico não estão presentes no prontuário manual. Quanto a análise
estatística demonstrou-se uma maior frequência de partos normais do que cesarianas,
dado que não condiz com a realidade brasileira, na qual a maioria dos partos realizados
são cesarianas. CONCLUSÃO: O registro das informações dos pacientes é uma tarefa
diária de suma importância na prática médica. Registrar de maneira clara e completa os
dados e as queixas dos pacientes é fundamental. Entretanto, a criação de um prontuário
eletrônico deve ser feita com a colaboração de todos os profissionais envolvidos em seu
39
preenchimento, de forma a torna-lo prático e ideal, para que contribua no arquivamento
das informações relevantes para a prática médica e permitir a padronização dos
prontuários. Outros aspectos positivos residem no fato de os prontuários eletrônicos
serem de fácil manuseio, são econômicos e capazes de armazenar maior quantidade de
dados. O presente estudo encontrou viés em virtude do baixo espaço amostral e baixa
padronização.
Palavras-chaves: Epi info, epidemiologia, pediatria.
Referencias:
Ângelo Jose Gonçalves Bos. Epi Info Sem Mistérios – Um Manual Prático.
EdiPucRS: Porto Alegre, 2012.
Domingues RMSM et al. Processo de decisão pelo tipo de parto no Brasil: da
preferência inicial das mulheres à via de parto final. Cad. Saúde Pública, Rio de
Janeiro, 30 Sup:S101-S116, 2014.
40
APRESENTAÇÕES ORAIS – DISCIPLINAS MEDICINA GERAL DO ADULTO
I E II
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
ABORDAGEM DA AGNESIA RENAL EM PACIENTE COM DIFICULDADE
DE ADESÃO AO TRATAMENTO
Allan Jefferson Cruz Calsavara
Vinícius Carvalho Tostes
Francis Júnior de Miranda Alves
Lídia Lelis Leal
Natália Cristina Carvalho de Souza
Raquel Domingos da Costa
Renata Barbosa Nogueira Gibram
Roberta Alves Pereira
Vítor Antonacci Condessa
Waleska Brito Rabelo
Wanessa Torres Bernardes
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: A agenesia renal unilateral (ARU) é uma anomalia relativamente
comum que ocorre aproximadamente em 1:1.000 recém-nascidos. Segundo SannaCherchi, 2009, a ARU não causa nenhum sintoma, por isso pode não ser descoberto na
infância, como no caso relatado. A adesão ao tratamento constitui um grande desafio
para os profissionais da saúde, o déficit de conhecimento sobre a doença, a ausência de
sintomatologia em algumas doenças e a prática inadequada das atividades de
autocuidado corroboram para a não adesão ao tratamento (Demoner MS, 2012).
RELATO DE CASO: L.A.C., sexo feminino, 17 anos, solteira, compareceu à Unidade
Básica de Saúde Santo Antônio, em Mariana / M. G., no dia 28/08/14. Paciente com
queixa de ardência ao urinar e odor forte na urina, que se agravaram há duas semanas,
sem febre ou demais sintomas associados. Nega ter feito uso de medicamento.
Resultado de exames 27/06/14: Urina rotina: compatível com infecção do trato urinário;
Na revisão de sistemas queixou-se de um corrimento brancacento, pruriginoso, sem
ardência ou odor característico. Na história pregressa, descobriu-se pela revisão do
prontuário, agnesia renal direita. Vacinação em dia, negou cirurgias e alergias, não
tabagista e não etilista. Faz uso de anticoncepcional de forma errática. A paciente tem
um acompanhamento multiprofissional, mas, mesmo assim, não tem boa adesão ao
tratamento. Ao exame físico, mostrou-se em bom estado geral, hidratada, normocorada,
acianótica e anictérica. O peso foi de 62 kg, altura de 1,48 m, com cálculo de índice de
massa corporal (IMC) igual a 28, 31, mostrando sobrepeso. A pressão arterial foi
120x80 mmHg. Os exames do sistema cardiovascular, respiratório e o exame do
abdome não mostraram alterações à ausculta, palpação ou percussão. Urina 24h: volume
urinário: 2000 ml, volume/minuto: 1,39 ml, creatinina (urina): 45,00 mg/dl, creatinina
(sangue): 0,40 mg/dl, peso: 63,6 kg, altura: 148 cm, superfície corporal: 1,57 m²,
clearance de creatinina: 172,0 ml/min/1,73m², proteinúria volume urinário 2000 ml: 400
41
mg/ 24h.Como conduta, foi encaminhada para a ginecologia, novo encaminhamento
para a nefrologia (paciente não compareceu à primeira consulta com o nefrologista).
Iniciou-se um tratamento com Inibidor da Enzima Conversora da Angiotensina (iECA),
devido à proteinúria com o objetivo de retardar agressões ao rim único. Posologia: um
comprimido de 5 mg de Enalapril diariamente. Teve-se o cuidado de aferir a pressão da
paciente novamente, devido ao fato de saber-se que o Enalapril é um hipotensor.
DISCUSSÃO: A ARU afeta mais frequentemente homens do que as mulheres e
geralmente o rim esquerdo é o ausente. De acordo com os resultados obtidos, pacientes
com rim único deveriam ser considerados como tendo uma doença renal progressiva.
Assim, é necessário controle frequente da pressão arterial, creatinina sérica e
preoteinúria (Sanna-Cherchi 2009). Além disso, vigilância de infecções urinárias,
recomendações nutricionais, como boa hidratação e ingesta protéica adequada, são
fundamentais. Em caso de proteinúria, iniciar iECA (Sanna-Cherchi 2009). Segundo
Demoner MS, 2012, pacientes mais jovens (18-40 anos), apresentam menor grau de
adesão ao tratamento em relação aos de faixas etárias maiores. A falta de compreensão
do paciente às recomendações da equipe de saúde também é fator complicador à adesão.
Dessa forma, é importante estabelecer uma relação médico-paciente efetiva, avaliar se
as recomendações estão sendo transmitidas em linguagem compreensível e informar ao
paciente da maneira mais clara possível sobre a doença, a gravidade de suas
complicações, bem como sobre a prescrição da medicação sem deixar dúvidas ou
questionamentos (Demoner MS, 2012).
Palavras-chave: Agnesia renal; Proteinúria; Baixa adesão ao tratamento.
REFERÊNCIAS:
SANNA-CHERCHI, Simone et al. Renal outcome in patients with congenital anomalies
of the kidney and urinary tract. Kidney international, v. 76, n. 5, p. 528-533, 2009.
Demoner MS, Ramos ERP, Pereira ER. Fatores associadosà adesão ao tratamento antihipertensivo em unidadebásica de saúde. Acta Paul Enferm. 2012;25(n. esp.1):27-34.
42
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
RELATO DE CASO: DIAGNÓSTICO, TRATAMENTO E
ACOMPANHAMENTO DE PACIENTE PORTADOR DE DIABETES
MELLITUS TIPO 2 E HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA NO
CONTEXTO NA DISCIPLINA DE MGA I
Orientador: Prof. Roberto Veloso ([email protected])
Autores: Ana Clarisse da Costa Porto ([email protected])
Eliana Maia Fernandes ([email protected])
Emilia Silva Calil ([email protected])
Júlia Carvalho Oliveira ([email protected])
Maira Kroetz Boufleur ([email protected])
Universidade Federal de Ouro Preto
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: As Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) são doenças com
causas múltiplas, caracterizadas por início gradual, de prognóstico usualmente incerto,
com duração longa ou indefinida. Sabe-se que Hipertensão arterial (HA) e Diabetes
mellitus (DM) atingem, respectivamente, 23,3% e 6,3% dos adultos brasileiros,
apresentando-se, portanto, dentre os problemas de saúde de maior prevalência na
atualidade. O diagnóstico precoce, a prevenção e o controle das DCNT e seus fatores de
risco são fundamentais para evitar um crescimento epidêmico dessas doenças e suas
consequências nefastas para a qualidade de vida do paciente e para o sistema de saúde
no país. RELATO DE CASO: JBS, sexo masculino, 49 anos, obeso, etilista, hipertenso
não controlado, sem história prévia ou familiar de DM, iniciou quadro de perda de peso,
poliúria, polidispsia e noctúria 2 semanas antes da primeira consulta, e quadro de
sonolência, tontura e diminuição do apetite na véspera do primeiro atendimento.
Durante o atendimento, apresentou glicemia ao acaso >400 mg/dL. Ao exame físico,
apresentou-se agitado, acianótico e anictérico, com mucosa orbicular pálida, exoftalmia
e acantose nigricans. Como conduta foram solicitados: hemograma, glicemia de jejum,
hemoglobina glicada, triglicérides, colesterol total e frações, AST/ALT, fosfatase
alcalina, gama-GT, proteína total e frações, bilirrubina total e frações, urina rotina,
ureia, creatinina, proteinúria, microalbuminúria; Rx de tórax PA e perfil; ECG;
prescrição de Losatana, HCTZ, Anlodipina, AAS, Metformina e Sinvastatina; e
encaminhado para acompanhamento nutricional. Ao primeiro retorno, glicemia ao acaso
mostrou-se >600 mg/dL; radiografia revelou um discreto aumento cardíaco e
espessamento da aorta ascendente em decorrência da HA mal controlada. Como
43
conduta, foram prescritas insulina regular e insulina NPH, e indicação de manutenção
da medicação oral previamente prescrita. Nos retornos seguintes, paciente apresentou
glicemia controlada, relatou estar em acompanhamento nutricional, já tendo alterado
seus hábitos alimentares, bem como eliminado o consumo de bebidas alcoólicas e
iniciado a prática de atividades físicas. Foi encaminhado ao oftalmologista para controle
de possíveis complicações do DM. DISCUSSÃO: Trata-se de um caso de paciente
hipertenso, com diagnóstico recente de DM que, a partir de uma conduta baseada em
evidências, vem apresentando boa evolução. A medicina baseada em evidências é tanto
voltada para o acompanhamento medicamentoso quanto ao não-medicamentoso; sendo
assim, buscou-se o tratamento e controle da DM e da HAS, assim como a prevenção de
possíveis complicações, encorajando mudanças de hábitos de vida com o intuito de
atingir uma melhor qualidade no seu cotidiano, sempre com a atenção multiprofissional.
A conduta desse caso foi todo o tempo centrada no paciente, embasada em uma relação
de respeito, confiança e empatia, o que propiciou adesão ao tratamento e resultados
evidentes. Dessa forma, percebeu-se que o paciente se assumiu como produtor social de
sua saúde, retornando com índices pressóricos e glicêmicos controlados, que favorecem
um bom prognóstico.
PALAVRAS-CHAVE: Doenças crônicas. Medicina Geral. Medicina Baseada em
Evidências.
REFERÊNCIAS:
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de
Atenção Básica. Diretrizes para o cuidado das pessoas com doenças crônicas nas redes
de atenção à saúde e nas linhas de cuidado prioritárias / Ministério da Saúde, Secretaria
de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília: Ministério da Saúde,
2013.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 4.279, de 30 de dezembro de 2010.
Estabelece diretrizes para organização da Rede de Atenção à Saúde no âmbito do
Sistema Único de Saúde (SUS). Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF,
31 dez. 2010, Seção
44
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
RELATO DE CASO CLÍNICO - ALOPÉCIA AREATA
SIMULTÂNEA EM IRMÃOS COM PROVÁVEL GATILHO
PSICOGÊNICO
Orientadora: Prof (a)Marina de Oliveira Serravite
Autores: Ana Cláudia dos Santos
Amália Assis de Freitas
Débora Dumont Cruz Nunes
Elen Cristina da Mata
Luciana Silva de Godoy
Washington Miguel Almeida
Najla Braz da Silva Vaz
Samira Karolyne da Siva Romão
Sara Helena Resende Carvalho
Escola de Medicina – Universidade Federal de Ouro Preto
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
Introdução: A alopécia areata (AA) é uma afecção crônica dos folículos pilosos e das
unhas, de etiologia desconhecida, provavelmente multifatorial com evidentes
componentes autoimunes e genéticos. Determina queda dos cabelos e/ou pelos, por
interrupção de sua síntese, sem que ocorra destruição ou atrofia dos folículos, motivo
pelo qual pode ser reversível. A afecção pode iniciar-se em qualquer idade, havendo um
pico de incidência entre os 20 e os 50 anos, sendo que 60% dos doentes apresentam o
primeiro episódio da doença antes dos 20 anos e ambos os sexos são igualmente
afetados(RIVITTI1,2005). Em geral, os doentes relatam perda importante de cabelos e
presença abrupta de uma ou mais áreas de alopécia. A lesão característica da AA é uma
placa alopécica lisa com coloração da pele normal atingindo o couro cabeludo ou
qualquer área pilosa do corpo. Nas fases agudas, as lesões podem ser levemente
eritematosas e edematosas, e surgem na periferia das placas os pelos peládicos ou pelos
em ponto de exclamação, que se apresentam afilados e menos pigmentados no ponto de
emergência do couro cabeludo e com espessura maior na extremidade distal. Objetivo:
Relatar o atendimento de dois irmãos com AA de aparecimento em datas próximas com
possível fator desencadeante psicogênico. Discussão: G.L.B e G.L.B, ambos do sexo
masculino, 34 e 37 anos, compareceram ao Centro de Saúde de Cabanas- Mariana, com
quadro de alopécia com intervalo de aparecimento de três meses entre os dois. Ambos
relataram, também, sintomas como como dor muscular difusa, predominantemente em
membros, fadiga e astenia na época de aparecimento da alopécia. O irmão mais novo
estava em tratamento para quadro de deficiência de testosterona (inferior a 12ng/dl,
colhido no mês de julh de 2014) com reposições parenterais deste hormônio (Nebido).
No final de 2013, este paciente havia iniciado quadro de perda da libido e dificuldade
em manter a ereção, perda total dos pêlos dos braços, axilas e pernas (áreas sobre a
influência hormonal em homens). Todos estes sintomas desencadearam problemas
conjugais, dificuldades laborais e um quadro depressivo. O início da AA veio logo após.
O irmão mais velho assumiu a posição de cuidador do doente, ajudando-o em suas
45
atividades diárias, mantendo uma convivência próxima. Após este período de cuidado e
convivência, iniciou por sua vez quadro semelhante de alopécia areata e dores
musculares. Realizada revisão laboratorial completa neste paciente, não verificando
deficiência de testosterona ou qualquer outra causa orgânica que explicasse tais
sintomas. Conclusão: O estresse emocional tem sido frequentemente citado como
desencadeador da AA, já que episódios traumáticos agudos podem provocar
desequilíbrio psicológico e queda de pelos no indivíduo. A demonstração científica da
participação de fenômenos psiquiátricos na gênese de AA é muito difícil, o que torna a
terapia dermatológica um desafio para os médicos que procuram aprimorar sua
efetividade. Tornam-se necessários, então, mais estudos no sentido de se entender
melhor os mecanismos patogênicos envolvidos no desencadeamento da AA por fatores
psicogênicos.
Palavras-chave: Alopécia, alopécia areata, testosterona.
Referências Bibliográficas:
1- RIVITTI1, E.A. Alopecia areata: revisão e atualização. Anais Brasileiros de
Dermatologia, São Paulo, v.80, n.1, p. 57-68, 2005.
2- Yazigi et al. Estudo do manejo do estresse em pacientes acometidos por alopecia
areata. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 14, n. 1, p. 93-99, jan./mar. 2009.
46
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
MULTIMORBIDADE, POLIFARMÁCIA E FALTA DE ADESÃO NA
PERSPECTIVA DA MEDICINA CENTRADA NA PESSOA
Mírian Santana Barbosa
Amanda Freire Vieira
Larissa Amaral Lauriano
Luísa Coutinho Teixeira
Rodrigo Vilela Ventura
Samuel Silva Ferreira
Túlio Henrique Versiani de Oliveira
Vinícius de Jesus Rodrigues Neves
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina.
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil.
Introdução: No cenário das doenças crônicas, principalmente aquelas que necessitam
de mudanças comportamentais e de uma variedade de medicações para bom o
controle, é comum nos depararmos com uma baixa adesão ao tratamento. Tais
doenças podem ainda apresentar complicações diversas, comorbidades, lesões de
múltiplos órgãos alvo, que demandam do paciente uma disciplina para exames
periódicos e consultas médicas regulares. Tal situação, se adotada uma postura centrada
na doença, pode levar à estigmatização do paciente, como pelos termos “poliqueixoso”
e “não-cooperativo”. Apresentaremos aqui um caso que nos levou a discutir
necessidades de mudanças na abordagem médica e estratégias para melhor efetividade
no processo de busca pela saúde. Encontramos na Medicina Centrada na Pessoa, um
método clínico que objetiva um entendimento integral da vivência individual a fim de
construir conjuntamente um plano terapêutico, fortalecer a relação médico-paciente e
estimular a autonomia da pessoa no processo. Relato do Caso: VB, sexo masculino, 75
anos, procura atendimento médico devido síncopes hipoglicêmicas, que têm sido o
maior motivo de preocupação dele e da família. Relata ainda dor recorrente em mão e
pulso esquerdos, diminuição progressiva da acuidade visual, claudicação intermitente,
tinnitus, urgência miccional, noctúria e polaciúria. É portador de hipertensão arterial
sistêmica e diabetes mellitus descompensados, doença arterial coronariana com
hipertrofia de ventrículo esquerdo, angina estável, doença arterial periférica,
dislipidemia, insuficiência renal crônica. Tabagista 50anos/maço. Em uso irregular de
sete classes de medicamentos, incluindo insulina. História pregressa de hiperplasia
nodular prostática benigna, insuficiência venosa superficial, tratadas cirurgicamente. Ao
exame apresenta edema e ausência de pulsos periféricos e de sensibilidade tátil em
membros inferiores. Aposentado, mora com a filha, genro e neto. À revisão do
prontuário nota-se inúmeros encaminhamentos a outros profissionais, como cirurgião
vascular e nutricionista, sem no entanto, haver contrarreferência ou comunicação com a
equipe de saúde. Discussão: Um dos enfoques atuais no contexto da prática clínica
inclui a percepção e crenças do sujeito quanto à sua condição, suas perspectivas de cura
ou melhora, e a postura frente à morbidade, como negação ou regressão. Estabelece que
o cuidado efetivo requer um olhar atento às reais necessidades do paciente e respeito às
suas opiniões sobre o adoecimento e sua cultura, além de uma concordância entre
médico e paciente no que tange ao diagnóstico, prioridades, e papel de cada indivíduo
47
na busca da saúde. A má adesão ao tratamento pode ser uma das muitas formas que o
paciente tem de expressar sua discordância em relação a algum desses parâmetros, e
essa cumplicidade é fundamental para a obtenção de metas em comum acordo. Além
disso, nota-se a importância de conhecer o sistema de saúde local e interagir
adequadamente numa equipe multiprofissional. Conclui-se, portanto, que a Medicina
Centrada na Pessoa provê recursos e estratégias para o manejo, de forma mais eficiente,
integral e humana, em casos complexos como o relatado.
PALAVRAS-CHAVE: doenças crônicas, medicina centrada na pessoa, assistência
integral à saúde
REFERÊNCIAS:
FERREIRA, D. C. SOUZA, I. D. ASSIS, C. R. S. A Experiência do Adoecer: uma
Discussão sobre Saúde, Doença e Valores. Revista Brasileira de Educação Médica. v.
38, n. 2, p. 283-288. 2014.
STEWART, Moira, et al. Medicina centrada na pessoa: transformando o método
clínico. 2ª edição. Porto Alegre: Artmed. 2010.
48
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
ABORDAGEM DE PACIENTE HIPERTENSO COM HISTÓRIA PRÉVIA DE
INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO ATENDIDO NA UBS DE PASSAGEM DE
MARIANA-MARIANA/MG
Orientador: João Milton Penido
Autores: Ana Luiza Martins Reggiani
Bruno de Araújo Pinheiro
Christian Gomes Cardoso Viana
Gabriela Oliveira Leopoldo
Gabriella Noronha Frois
Heloisa Cirilo Sousa
Jesssica Almeida Horta Duarte
João Luis de Freitas
Maria Gabriela Ribeiro Madeira
Silvio Vassão Junior
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina.
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
Introdução: As doenças do aparelho circulatório constituem a principal causa de
mortalidade no Brasil desde a década de 60. O termo infarto do miocárdio significa
morte de cardiomiócitos causada por isquemia prolongada. Em geral, essa isquemia é
causada por trombose e/ou vasoespasmo sobre uma placa aterosclerótica. A abordagem
do infarto agudo do miocárdio é fundamental pela alta prevalência, mortalidade e
morbidade da doença. Diversas variáveis são utilizadas para prever a evolução e
orientar o tratamento dos pacientes acometidos pelo infarto agudo do miocárdio, entre
as quais podemos citar: sexo, idade, história de hipertensão arterial sistêmica e diabetes
mellitus, tamanho e localização do infarto, presença de disfunção cardíaca, dentre
outros. O infarto agudo do miocárdio é um evento que requer internação, tendo um
diagnóstico clínico relativamente simples e bem estabelecido, geralmente baseado no
tripé história clínica, evolução eletrocardiográfica e curva enzimática. Relato do caso
clínico: Paciente J.M.E, 55 anos, sexo masculino, hipertenso, residente em MarianaMinas Gerais. Em 15/09/2015, sofreu um infarto agudo do miocárdio e foi internado no
Hospital São Franscisco em Belo Horizonte. Permaneceu internado por 25 dias na
unidade de terapia intensiva. Realizou cateterismo que evidenciou lesão em terço
proximal de artéria descendente anterior, com posterior intervenção coronária
percutânea com implante de stent. Realizou Ecocardiograma que evidenciou trombo em
ventrículo esquerdo. Recebeu alta hospitalar com valor de Razão Normalizada
Internacional dentro da normalidade, prescrição de varfarina por 3 meses (7,5mg ao
dia), além da prescrição de enalapril (20 mg ao dia), ácido acetilsalicílico (100mg ao
dia), sinvastatina (20 mg ao dia), anlodipino (5 mg ao dia), hidroclorotiazida (25mg ao
dia), orientação de dieta hiposódica, hipolipídica e exercícios físicos. A primeira
consulta na unidade básica de saúde de Passagem de Mariana ocorreu dia 25/10/2014
para controle de Razão Normalizada Internacional. Nesta data não havia iniciado a
dieta, apenas a prática de atividade física referindo dor precordial e dispneia durante sua
realização. Nas consultas seguintes o valor da Razão Normalizada Internacional variou
entre 2 e 3. Entretanto, na consulta do dia 13/11/2014 este valor se elevou, atingindo
49
4,87, fazendo com que a dose da varfarina fosse reduzida para 6,25mg ao dia. Paciente
foi orientado a retornar para acompanhamento, controle de exames e uso dos
medicamentos. Discussão: Ao longo dos atendimentos realizados na unidade básica de
saúde, observou-se a alta prevalência de pacientes que apresentam complicações
cardiovasculares como no presente caso. Isto evidencia a necessidade do sistema único
de saúde adotar medidas preventivas e de promoção à saúde que visam minimizar as
possíveis complicações que de doenças cardiovasculares, que interferem diretamente na
qualidade de vida do indivíduo.
Palavras chave: infarto agudo do miocárdio, isquemia, mortalidade.
Referências
Diretrizes da sociedade brasileira de cardiologia sobre angina instável e infarto agudo
do miocárdio sem supra desnível do segmento ST (2ª Edição, 2007) – Atualização
2013/2014. Sociedade Brasileira de Cardiologia • ISSN-0066-782X • Volume 102, Nº
3, Supl. 1, Março 2014.
Zornoff,LAM.,Paiva, SAR., Assalin,VM., Pola, PMS ., Becker,LE ., Okoshi, MP.,
Matsubara, LS ., Inoue, RMT., Spadaro,J. Perfil Clínico, Preditores de Mortalidade e
Tratamento de Pacientes após Infarto Agudo do Miocárdio, em Hospital Terciário
Universitário. Arq Bras Cardiol, volume 78 (nº 4), 396-400, 2002.
50
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
PÉ DIABÉTICO: DIAGNÓSTICO E ABORDAGEM
Luciana Van der Bergen1
Bernardo Arantes Neves de Abreu2
Clayton Marcos dos Santos2
Daniel Guilherme de Oliveira e Silva2
Fábio Fernandes de Mendonça2
Fernanda dos Santos da Silva2
Filipe Nappi Mateus2
Giovanny Viegas Rodrigues Fernandes2
Guilherme Ângelo dos Santos Silva2
Pedro Gadbem Bobst2
Simone Alves Edmundo2
Thaís Borges Finotti2
1 Docente da Clínica Médica da Universidade Federal de Ouro Preto
2 Discentes do VII período de Medicina da Universidade Federal de Ouro Preto
INTRODUÇÃO: O diabetes mellitus é um importante e crescente problema de Saúde
Pública em todos os países. Há uma associação da diabetes com a hospitalização de seu
portador devido a suas complicações como hipoglicemia, cetoacidose metabólica, coma
hiperosmolar, ulcerações do pé diabético. O pé diabético é um estado fisiopatológico
multifacetado, caracterizado por lesões que surgem nos pés dos diabéticos em
decorrência de neuropatia em 90% dos casos, de doença vascular periférica e de
deformidades. As lesões geralmente decorrem de trauma e podem se complicar com
gangrena e infecção, ocasionadas por falhas no processo de cicatrização as quais podem
resultar em amputação em 85% dos casos, quando não se institui tratamento precoce e
adequado. Este relato de caso tem como objetivo sensibilizar profissionais da saúde,
neste caso alunos de medicina sobre a importância e a técnica de uma exame físico
para abordagem eficiente do pé de um diabético. RELATO DO CASO CLÍNICO: J.
A. G., 68 anos, sexo masculino, casado, aposentado, hipertenso controlado e diabético
não controlado há sete anos, chegou à Unidade Básica de Saúde São Cristóvão com
úlcera em tornozelo direito consequente de trauma há dois anos. O paciente possuía
história de acidente vascular cerebral prévio sendo caracterizado como alto risco
cardiovascular. Faz uso das seguintes medicações: glibenclamida, metformina,
losartana, hidroclorotiazida e acido acetilsalicílico. A abordagem inicial de sua úlcera
51
associou melhora da analgesia, e curativo diário com a equipe de saúde. O paciente era
resistente aos curativos e medicações prescritas. Houve falência no tratamento, o que
desencadeou a internação do paciente para tratamento com debridamento cirúrgico.
Progressivamente o paciente permitiu o uso de pomada bem como passou a fazer a
higienização e os curativos em casa evoluindo melhora progressiva. O Paciente não
obteve controle glicêmico adequado com hipoglicemiantes orais. Após um ano de
acompanhamento, conseguiu-se iniciar insulina NPH 4 UI, toda manhã no posto, e,
posteriormente, em casa. DISCUSSÃO: É urgente e necessário que os profissionais de
saúde avaliem os pés diabéticos de forma minuciosa e com frequência regular, bem
como desenvolverem atividades educativas, visando a melhorar o autocuidado,
principalmente a manutenção de um bom controle glicêmico. As medidas educativas
têm por objetivo sensibilizar, motivar e mudar atitudes da pessoa sobre os cuidados com
os pés e calçados, no seu dia-a-dia, reduzindo, o risco de ferimento, úlceras e infecção.
A avaliação dos pés constitui-se em passo fundamental na identificação dos fatores de
risco que podem ser modificados, o que reduzirá o risco de ulceração e amputação de
membros inferiores nas pessoas com diabetes.
Palavras-chaves: pé diabético, úlceras do pé, amputação.
Referências:
 CUBAS, Marcia Regina et al. Pé diabético: orientações e conhecimento sobre
cuidados preventivos. Fisioter. mov, Curitiba , v. 26, n. 3, Sept. 2013.
Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010351502013000300019&lng=en&nrm=iso>. Acesso em
26
Nov.
2014.
http://dx.doi.org/10.1590/S0103-51502013000300019.
 Ochoa-Vigo, Kattia, and Pace AE. "Pé diabético: estratégias para prevenção."
Acta Paul Enferm 18.1 (2005): 100-9.
52
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
SUSPEITA DE DIABETES TIPO MODY
Ivan Batista Coelho
Ana Cláudia dos Santos
Amália Assis de Freitas
Débora Dumont Cruz Nunes
Elen Cristina da Mata
Luciana Silva de Godoy
Washington Miguel Almeida
Najla Braz da Silva Vaz
Samira Karolyne da Silva Romão
Sara Helena Resende Carvalho
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: O diabetes da maturidade com início na juventude (MODY) é um
subtipo de Diabetes Melito (DM) caracterizado por herança autossômica dominante,
início precoce da hiperglicemia, comumente antes dos 25 anos, em que há disfunção na
secreção de insulina¹. Estima-se que as variantes MODY representem 5% do diabetes
tipo 2 nos países industrializados². RELATO DO CASO CLÍNICO: J.E., sexo
feminino, 20 anos, residente em Mariana-MG apresenta-se à clínica médica no dia
23/09/14 às 9 horas após aferição da glicemia em 18/09/2014 sem os valores e confirma
a presença de polifagia, poliúria, polaciúria e polidipsia. Na anamnese especial referiu
cefaleia transitória, má cicatrização, presença de queloide e parestesia periférica. Possui
história pregressa de atopia alimentar e história familiar materna de DM tipo 2 de longa
data em insulinoterapia e paterna de infarto agudo do miocárdio aos 64 anos. A paciente
habitua-se à alimentação desregrada e exercício físico irregular. Ao exame físico
apresentou pressão arterial (PA)=130x80mmHg, frequências cardíaca e respiratória
normais, glicemia capilar=264mg/dl, IMC=28,2Kg/m². O exame dos demais sistemas
não mostrou alterações. À ectoscopia ressalta-se concentração adiposa abdominal. A
hipótese diagnóstica foi hiperglicemia a esclarecer com a conduta de glicemia
plasmática urgente. Ao retorno em 23/09/14 às 13 horas, o resultado da glicemia foi
237mg/dl, com relatos de noctúria e PA= 150x10mmHg. Continuou-se o esclarecimento
da hiperglicemia e solicitou-se o uso de insulina NPH 100 (8UI, 0, 4UI). As condutas
foram: solicitação de exames complementares, pesquisa de diabetes tipo MODY,
encaminhamento à nutricionista e orientações à paciente. Em novo retorno em 30/09/14
J.E. refere boa adesão à insulinoterapia, prática de atividade física regular, perda de
2,600kg/m² e glicemia capilar =133mg/dl ás 21 horas do dia 29/09/14. Sua
PA=140x90mmHg, a glicemia capilar= 166mg/dl e demais dados vitais sem alterações.
Solicita-se o aumento da dose de insulina diária para (10UI,0,6UI) e o retorno em 15
dias. Não veio ao retorno. DISCUSSÃO: Para os doentes assintomáticos é essencial
pelo menos mais de um teste á glicose no sangue/plasma com resultado positivo, seja
em jejum, ao acaso ou prova de tolerância oral á glicose. As premissas diagnósticas do
MODY são: diagnóstico efetuado antes dos 25 anos em pelo menos um membro da
família; transmissão autossômica dominante com 3 gerações acometidas; capacidade de
controle da doença sem uso de insulinoterapia (e sem desenvolver cetose) por no
53
mínimo 2 anos ou níveis significativos de peptídeo C. A dosagem de auto-anticorpos
contra as células beta pancreáticas pode ser realizada, contudo, a sua frequência em
crianças caucasianas saudáveis é de 1% a 4%, de modo que a presença isolada de autoanticorpos não é suficiente para excluir o DM tipo2 em jovens, ou afirmar o diagnóstico
de DM tipo1. Assim, é necessário, diferenciar o MODY do diabetes autoimune latente
do adulto (LADA) em que os níveis de peptídeo C estão baixos ou indetectáveis. E
ainda mediante os achados clínicos e laboratoriais diferenciá-lo de endocrinopatias, uso
de drogas, e a associação com doenças genéticas.
Palavras-chaves: Diabetes mellitus, resistência à insulina, MODY
Referências:
1-HARRISSON, Tinsley R.; FAUCI, Antony S.; KASPER, Dennis L.;LONGO, Dan L;
BRAUNWALD, Eugene; HAUSER, Sthephen L.; JAMESON, J. Larry; LOSCALZO,
Joseph. Harrisson Medicina Interna. Rio de janeiro: Mc Graw-Hill Interamericana do
Brasil, 17ª ed. v.II, 2008.
2- OLIVEIRA, Carolina S.V.; FURUZAWA, Gilberto K.; REIS, André F. Diabetes
Mellitus do Tipo MODY. Arq Bras Endocrinol Metab, São Paulo, v. 46, n. 2, Apr.
2002. Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S000427302002000200012&lng=en&nrm=iso>.
Acesso
em
22
Nov.
2014.
http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27302002000200012.
54
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
SÍNDROME NEFRÓTICA CORTICODEPENDENTE
Orientador:
Joao Milton Martins de Oliveira Penido ([email protected])
Autores:
Ana Luiza Martins Reggiani ([email protected])
Christian Gomes Cardoso Viana ([email protected])
Gabriela Oliveira Leopoldo ([email protected])
Bruno de Araújo Pinheiro ([email protected])
Gabriella Noronha Frois ([email protected])
Heloisa Cirilo Sousa ([email protected])
Jéssica Almeida Horta Duarte ([email protected])
João Luis de Freitas ([email protected])
Maria Gabriela Ribeiro Madeira ([email protected])
Silvio Vassão Junior ([email protected])
Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP
Ouro Preto, Minas Gerais
Introdução: A síndrome nefrótica é caracterizada por proteinúria de nível > 3,5 g/m² de
superfície corpórea/dia (ou > 3,0 g/dia), presença de hipoalbuminemia e edema. A
dislipidemia geralmente está presente. Os sinais e sintomas apresentados nesse quadro
clínico são o edema, espuma na urina, hipertensão arterial sistêmica (HAS) e
manifestações das doenças de base que podem ter dado origem à síndrome nefrótica. O
diagnóstico da síndrome nefrótica é clínico e laboratorial. O tratamento consiste em
dieta adequada, medidas para controle do edema, tratamento da dislipidemia e da HAS,
além do tratamento da glomerulopatia propriamente dita. A indicação de biópsia nos
pacientes com síndrome nefrótica é feita para aqueles com rins de tamanhos normais na
ausência de contraindicações. Relato de caso: D.A.P.O, sexo masculino, 27 anos,
caucasiano, residente em Mariana – MG. O paciente foi internado na Santa Casa de São
Paulo (SIC) aos 3 anos de idade, e nesta ocasião recebeu o diagnóstico clínico de
síndrome nefrótica por glomerulopatia por lesões mínimas, quadro que foi prontamente
responsivo à corticoterapia. Nos últimos anos, o paciente apresentou exacerbações da
proteinúria e do quadro de síndrome nefrótica, apresentando-se com anasarca em várias
ocasiões, com variações de proteinúria acima de 3,0g nos controles subsequentemente
realizados. Dessa forma, foi necessário realizar o ajuste da dose basal de prednisona (20
mg/dia) até 60 mg/dia, o que resultou em uma redução da proteinúria a valores
inferiores a 1000mg/24hr. Entretanto, o paciente sempre manteve o uso de ao menos
20mg/dia de prednisona, pois foram observadas recidivas em doses menores que isso,
caracterizando uma corticodependência por parte do paciente. O paciente vem
apresentando valores controlados de pressão arterial e vem sendo monitorizado a partir
da realização de exames laboratoriais. Atualmente o paciente está em uso de prednisona
55
20mg MID, espironolactona 25mg MID e captopril 25mg BID. O paciente possui um
diagnóstico clínico de síndrome nefrótica primária a esclarecer e foi encaminhado para
biópsia renal para definir com precisão o diagnóstico histológico da glomerulopatia e
então realizar adequação do tratamento. O resultado da biópsia não foi entregue ao
paciente antes do término dos atendimentos de MGA. Discussão: O paciente realizou o
tratamento de inicial de prednisona oral 1mg/kg/dia pelo tempo indicado. Quando
suspendeu o tratamento apresentou recidiva, tendo que manter o uso de uma dose de
20mg/dia do corticosteroide, caracterizando uma corticopendência. Uma das
preocupações com o paciente é uso crônico de altas doses de corticosteroide, que pode
levar a um quadro de síndrome de Cushing iatrogênica, requerendo um
acompanhamento de perto do paciente. No próximo retorno do paciente à UBS
Passagem de Mariana o resultado da biópsia deve ser analisado e o tratamento deverá
ser adequado ao tipo histológico da glomerulopatia diagnosticado.
Referências:
 KIRSZTAJN, G. M. . Glomerulopatias: manual prático: uso diário ambulatorial
e hospitalar. São Paulo: Livraria Balieiro, 2011. 186 p.
 SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA. Glomerulopatias. Jornal
Brasileiro de Nefrologia, Volume XXVII, nº 2, Supl. 1, Junho de 2005.
Disponível em: < http://sbn.org.br/pdf/diretrizes/recomendacoes.pdf>. Data de
acesso 26/11/214.
Palavras-chave: síndrome nefrótica, doença renal crônica, glomerulopatia de lesões
mínimas.
56
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
ABORDAGEM, PREVENÇÃO E CONTROLE DE NEFROLITÍASE – RELATO
DE CASO
Orientador: Prof. João Milton Penido
Autores: Adélie Nicole Martins Gai
Géssica Santana Marota
Ludyanne da Silva Gomes
Luisa Martino Avelar
Luiz Gustavo Minaré Conessa
Priscila Cintra Campos
Rafaela Arantes
Taylane Glória Magalhães Coelho
Escola de Medicina – Universidade Federal de Ouro Preto
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil.
INTRODUÇÃO: O quadro de nefrolitíase caracteriza-se por concreções de cristais
minerais, que se formam no interior do trato urinário e que podem migrar através dele
ou obstruí-lo, causando dor. A formação de cálculos urinários resulta habitualmente do
colapso de um delicado equilíbrio entre solubilidade e precipitação dos sais. Segundo
dados da literatura, sua prevalência está em torno de 5 a 15% da população ao redor do
mundo. A nefrolitíase causa grande impacto na saúde da população, pois cerca de 50%
desses pacientes podem apresentar recorrência em até 10 anos após o primeiro episódio.
Em geral afeta jovens, com seu pico de incidência durante a terceira e quarta décadas de
vida, entretanto também ocorre comumente em crianças. RELATO DE CASO
CLÍNICO: T.T.P, sexo feminino, 29 anos, compareceu à Unidade Básica de Saúde do
Antônio Dias, em Ouro Preto, com histórico de nefrolitíase de repetição, sendo um
episódio sindrômico com complicação obstrutiva ureteral e infecção urinária,
necessitando de intervenção urológica para retirada da concreção, bem como
antibioticoterapia para tratamento da infecção. Considerando que a paciente continuava
clinicamente metabolicamente ativa, apresentando episódios sequenciais de cólica renal,
realizou-se estudo metabólico de nefrolitíase em amostras de sangue e urina de 24
horas, solicitou-se também um exame de urina rotina, aferição do PH urinário pelo
método de phmetro e avaliação da função renal. A paciente relata ter diagnóstico de
hipertensão arterial sistêmica parcialmente controlada desde 22 anos, cuja etiologia
ainda está sendo investigada. Entre os diagnósticos encontram-se também sobrepeso,
sedentarismo e quadro depressivo. A conduta clínica incluiu dietoterapia específica para
o controle da nefrolitíase, hipertensão arterial e sobrepeso, bem como orientações para
57
atividade física, renovação da receita de Losartana 50 mg, Hidroclorotiazida 25 mg,
Anlodipina 5mg, solução de citrato alcalino, citrato de potássio, citrato de sódio, ácido
cítrico e aromatizante, Nortriptilina 25 mg. DISCUSSÃO: A nefrolitíase é considerada
atualmente um epifenômeno de doenças sistêmicas. Diversos fatores predispõem a esta
doença, tais como: gênero, idade, ocupação, sedentarismo, hereditariedade, alterações
anatômicas e metabólicas. As alterações metabólicas habitualmente encontradas em
pacientes metabolicamente ativos são hipercalciúria, hipocitratúria, hiperucosúria,
cistinúria, hiperoxalúria. Também contribuem para a formação de cálculos as alterações
anatômicas do trato urinário, como a obstrução da junção ureteropélvica e a inserção
alta do ureter na pelve renal, drenagem deficiente, com estase urinária. A abordagem de
pacientes que apresentarem episódios de cálculos recidivantes deve incluir avaliação
metabólica a fim identificar fatores de risco para formação de concreções, iniciar a
terapia preventiva médica e, dessa forma, reduzir o risco de recidiva e dano renal futuro.
Palavras-chave: nefrolitíase, cólica renal e dietoterapia.
Referências:
KASPER, Dennis L., JAMESON, J. Larry et al. Medicina Interna de Harrison 18ª
edição. Porto Alegre: AMGH, 2013.
XU, Hongshi; ZISMAN, Anna L†; COE, Fredric L; WORCESTER, Elaine M. Kidney
stones: an update on current pharmacological management and future directions.
Chicago: Department of Medicine, 2013.
58
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
ABORDAGEM DE PACIENTE COM INSUFICIÊNCIA ARTERIAL
PERIFÉRICA E COMORBIDADES ASSOCIADAS
Orientador: Professor Dr. Alexandre Barbosa
Aline Ferreira Ricieri
Catarine Alves Silveira
Cecília Carneiro e Silva
Fernanda de Faria Mariano
Fernanda Mendes Oliveira Rossi
Lígia Barros de Oliveira
Wanderley Souza
Universidade Federal de Ouro Preto
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
Introdução: A doença arterial periférica é um distúrbio clínico no qual há uma estenose ou
oclusão nas artérias dos membros, causada, frequentemente, por aterosclerose. Pode ser
assintomática ou sintomática cujo principal sintoma é a claudicação intermitente. Os fatores
de risco relacionados à doença são: sedentarismo, tabagismo, obesidade, diabetes e
hipertensão arterial e ausência dos pulsos tibiais posteriores. Relato do caso clínico:
Paciente do sexo feminino M.R.M. 91 anos, compareceu à Unidade Básica de Saúde de
Amarantina (UBS) em 03/09/14 com queixa de dor e feridas no pé esquerdo. As feridas
começaram em Julho desse ano na forma de rachaduras que foram evoluindo para úlceras. A
enfermeira dessa UBS fazia curativos nas úlceras 1 vez ao dia com soro fisiológico e
pomada de colagenase. A dor aparecia nas trocas de curativos e na deambulação. A paciente
relatou também claudicação intermitente no membro inferior esquerdo. A paciente fazia uso
de Ibuprofeno, Paracetamol e Cefalexina no momento da consulta, porém, já tinha usado a
pomada de sulfadiazina de prata e nebacetim, sem sucesso na cicatrização da úlcera. Na
anamnese especial, foram detectadas a presença de glaucoma e dificuldade de deambulação
pela presença das úlceras. A paciente relatou ainda que era hipertensa há 30 anos, por isso
fazia uso de Anlodipino 5mg; Hidroclorotiazaida 25 mg; Enalapril 20mg. Além disso, já
teve dois episódios de hemorragia intestinal devido ao uso do ácido acetil-salicílico. Ela
trouxe o resultado do Duplex Scan dos Membros Inferiores realizado no dia 27/08/14 que
revelou: ateromatose difusa dos membros inferiores, oclusão do segmento médico da artéria
femoral superficial à esquerda e sinais de doença arterial progressiva notadamente em
membro inferior esquerdo. Ao exame físico: sinais vitais: PA sentada em MS direito e
esquerdo: 150/60mmHg; Sistema cardiovascular: BNFNR em 2T, sopro sistólico com foco
59
mitral +++/6+, pulsos pediosos: finos e de difícil palpação principalmente à esquerda.
Diminuição da perfusão capilar principalmente à esquerda. Exame do pé esquerdo: presença
de úlceras no calcâneo, região lateral do pé próximo ao 5º pododáctilo e parte anterior dos
dedos. Presença de necrose no calcâneo e diminuição da temperatura do pé esquerdo.
Hipóteses diagnósticas: HAS, Glaucoma, Insuficiência arterial periférica devido à
ateromatose difusa em membros inferiores, Úlceras arteriais em pé esquerdo com necrose
úmida. Conduta: manutenção da medicação em us, uso oral: 1-Clopidogrel, 75mg
Cilostazol, 50mg, Tramadol, 50mg; Sinvastatina 20mg; encaminhamento para a Unidade de
Pronto Atendimento de Ouro Preto (UPA) para desbridamento da úlcera e para realização de
cateterismo de membros inferiores. A paciente foi internada no hospital Santa Casa de Ouro
Preto e veio a falecer por hemorragia digestiva devido ao uso de warfarina. Discussão:
Provavelmente, a insuficiência arterial periférica da paciente foi resultado de mau controle
da hipertensão arterial, sedentarismo e hábitos alimentares inadequados. A obstrução parcial
da artéria femoral dificulta a chegada de sangue oxigenado nos membros inferiores,
resultando na formação de úlceras arteriais.
PALAVRAS-CHAVE: insuficiência arterial periférica, ateromatose, úlcera
arterial
REFEÊNCIAS:
Dan L. Longo; Anthony S. Fauci; Dennis L. Kasper; Stephen L. Hauser; J. Larry
Jameson; Joseph Loscalzo; Medicina Interna de Harrison; 18º edição; Editora:
McGraw-Hill, 2013.
REMAKDISSE, Marcia et al. Prevalência e fatores de risco associados à doença arterial
periférica no projeto corações do Brasil. Arq. Bras. Cardiol., São Paulo , v. 91, n.6,
Dec.2008.
60
APRESENTAÇÕES
CRIANÇA I E II
ORAIS
–
DISCIPLINAS
MEDICINA
GERAL
DA
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
VARICELA EM PACIENTE EM FASE ESCOLAR – CONSIDERAÇÕES E
RELATO DE CASO
Prof. Luiz Walter Furtado Sousa
Luísa Martino Avelar
Rafaela Arantes
Taylane Glória Magalhães Coelho
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina.
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil.
INTRODUÇÃO: A varicela é uma doença infecciosa aguda, altamente transmissível. É
caracteristicamente uma doença da infância, de alta morbidade, baixa mortalidade e de
distribuição universal, no entanto passível de prevenção através de imunização.
RELATO DO CASO CLÍNICO: IKCS, gênero feminino, 7 anos, natural e procedente
de Mariana, parda apresentou-se a Unidade Atendimento de Programas de Saúde
(UAPS) Santo Antônio em Mariana – MG, acompanhada pela mãe queixando-se de
cefaleia, febre e hiporexia havia uma semana com ingestão de poucos alimentos, com
preferência por sucos e água. Apresentou quadro de diarreia durante os três primeiros
dias, evoluindo com hábito intestinal constipado, dor abdominal periumbilical havia
dois meses, intermitente e de intensidade 4/10. Apresentou febre no dia anterior à
consulta, no entanto não termometrada, além de dois episódios de vômito alimentar
desde o início do quadro de hiporexia. Apresentava ao exame físico durante a consulta
estado geral deprimido, lesões papulosas, de cor central perolácea e com borda
eritematosa, pruriginosas, dispersas por todo o corpo e presença de lesões
esbranquiçadas e com borda eritematosa em mucosa jugal. Estava febril com
temperatura axilar de 39° C e apresentava dor e defesa à palpação superficial e profunda
do abdome. As hipóteses diagnósticas foram: crescimento e desenvolvimento
adequados para a idade, enterite aguda resolvida e varicela. A conduta foi prescrição de
Paracetamol 200 mg/mL de 6 em 6 horas, se dor ou febre e Desloratadina 2,5 mg/mL, 1
vez ao dia e atestado médico por 7 dias. DISCUSSÃO: A varicela é uma doença com
alta relevância em nosso país devido ao seu caráter altamente contagioso e sintomático,
além de prevalente no período escolar em crianças com menos de 10 anos de idade,
sendo um fator importante de absenteísmo escolar por infecção. O contágio ocorre a
61
partir de 2 dias antes do aparecimento do exantema, por via respiratória, sendo cada vez
menos contagiosa após seu início. O período de incubação é de 14 a 16 dias e o
diagnóstico é usualmente clínico com o aparecimento de lesões vesiculares
características com distribuição centrípeta pelo corpo que evoluem para crostas em
poucos dias (Doença exantemática de padrão papulovesicular). Atualmente a vacinação
é recomendada para crianças acima de 12 meses de idade pela Sociedade Brasileira de
Pediatria (SBP) e introduzida ao calendário vacinal infantil aos 15 meses de idade pelo
Ministério da Saúde (MS).
Palavras-chaves: varicela, exantema, criança
Referências:
TONELLI, E.; FREIRE, L.M.S. Doenças infecciosas na infância e adolescência. São
Paulo: MEDSI; 2000.
CARVALHO, E.S.; MARTINS, R.M. Varicela: aspectos clínicos e prevenção.
Disponível em: http://www.jped.com.br/conteudo/99-75-S126/port.pdf, acessado em
18/11/14.
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APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
ENXAQUECA EM PACIENTE EM IDADE ESCOLAR – RELATO DE CASO E
CONSIDERAÇÕES
Professora:
Célia Maria da Silva
Discentes:
Adélie Nicolli Martins Gai
Luiz Gustavo Minaré Conessa
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina.
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: A migrânea ou enxaqueca é uma doença que possui alta prevalência
mundial, e é desencadeada por vários fatores, tais como: idade, cor da pele, nível
socioeconômico. O paciente passa por uma série de eventos e culminando na dor, com
importantes repercussões em atividades diárias. RELATO DO CASO: GASP,
masculino, 7 anos, natural e procedente de Mariana, negro, foi levado pela mãe adotiva
a Unidade de Atenção Primária em Saúde (UAPS) Antônio Dias em Ouro Preto-MG,
queixando-se de crises de cefaleia há 3 meses, que o levaram ao pronto atendimento,
queda do rendimento escolar, hiporexia e distúrbios do sono concomitantes. As
cefaleias eram intensas, incapacitantes, em aperto, frontais com dor periorbital esquerda,
foto e fonofobia, apresentando vômitos e aura durante a crise. Obtém alívio discreto
com o uso de paracetamol ou dipirona. Estava afebril e sem alterações significativas ao
exame físico. A hipótese diagnóstica principal foi a de enxaqueca com aura. A conduta
foi a de solicitar de exames, laboratoriais para excluir alguns diagnósticos diferenciais,
manter medicação antálgica quando necessário, encaminhamento ao neurologista, e
orientações no sentido de evitar desencadeantes de enxaqueca. DISCUSSÃO: A
prevalência de cefaleia em escolares varia muito, ocorrendo em 5,9 – 82%.
(HENDGES, 2013) Cerca de 8% das crianças do Brasil têm enxaqueca, sendo que 0,6%
apresentam a forma crônica da doença. O risco de dificuldades na escola quase triplica
entre crianças com o problema; e as chances de sintomas como depressão e ansiedade
aumentam em quase seis vezes nesses jovens. (ARRUDA, 2012). Há correlação entre
migrânea com aura e infarto migranoso em crianças. (RIBEIRO et. al., 2009)
Parassonias (terrores noturnos, sonambulismo, sonilóquio). (FIALHO et. al., 2012, apud
STEVENSON, 2006, COWAN, 1989). Crianças com migrânea apresentaram
desempenhos inferiores em vários domínios cognitivos como atenção, velocidade de
processamento, memória e organização perceptual. (MOUTRAN et. al., 2011). O
tratamento eficaz de um episódio agudo de cefaleia (enxaqueca) passa pela identificação
dos fatores desencadeantes e pela idealização de uma estratégia terapêutica cujo
objetivo seja a eliminação da cefaleia após uma ou duas horas. (GHERPELLI, 2002).
Concluiu-se que a enxaqueca tem prevalência significativa e causa prejuízos na faixa
escolar, sejam eles sociais ou pessoais e cognitivos. A cefaleia não deve ser esquecida
em pediatria apesar de ser um tema pouco explorado pela literatura e pelas disciplinas
de Semiologia Pediátrica e Medicina Geral de Crianças I da UFOP.
Palavras-chave: Enxaqueca com aura, Criança, Transtornos da Cefaleia.
63
Referências
1- GHERPELLI, J.L.D. Tratamento das cefaléias. J. Pediatr. 2002, vol.78,
suppl.1, pp. S3-S8.
2- HENDGES, L.P. Epilepsia e cefaleia: diferenças entre faixas etárias de início
da epilepsia e aspectos neuropediátricos - tese de Mestrado. Universidade
Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Medicina. 2013
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APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO RECIDIVANTE EM LACTENTE:
RELATO DE CASO
Orientador (a): Célia Maria da Silva
Géssica Santana Marota
Ludyanne da Silva Gomes
Priscila Cintra Campos
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina.
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: A infecção do trato urinário (ITU) é uma das doenças mais
frequentes na clínica pediátrica diária. A ITU pode levar a graves complicações, como
disseminação bacteriana e lesão do parênquima renal. A abordagem da ITU envolve o
alívio dos sintomas, erradicação do agente infeccioso com profilaxia, quando indicado,
e a procura por anormalidades funcionais e anatômicas do trato urinário. As uropatias e
as disfunções vesicais são as causas mais importantes e devem ser pesquisadas em
qualquer criança com surto comprovado de ITU. O correto diagnóstico e o pronto início
do tratamento são cruciais na prevenção de dano renal. RELATO DO CASO
CLÍNICO: Paciente, Y.G.D.B, sexo masculino, lactente de 9 meses, vem a Unidade
Básica de Saúde de Antonio Dias, acompanhado pela mãe com queixa de “Infecção
Urinária recorrente”. Mãe relata que seu filho iniciou episódios de infecção do trato
urinário desde os dois meses de vida. Tratados anteriormente com antibioticoterapia, e
melhora do quadro clínico. Foi realizado posteriormente uretrocistografia miccional e
exame ecográfico não evidenciando alterações. Desta vez, o quarto episódio recidivante,
refere que a urina está fétida, coloração amarela claro, sem sangue. Foi internado há
uma semana sendo submetido ao tratamento com Gentamicina endovenosa por sete
dias, porém a febre persistiu após 48hs da suspensão do antibiótico. Após cinco dias da
suspensão da Gentamicina e persistência da febre, retorna com a Nitrofurantoína. Mãe
refere ainda, diminuição do peso e febre termometrada em 38,8 °C há 4 dias com crise
convulsiva no período febril. Na História Pregressa relata gravidez não planejada, sem
intercorrências, 14 consultas de pré-natais e alterações da pressão arterial durante a
gestação. Parto cesárea de urgência. Apgar 1’: 9; 5’: 9; Comprimento 49cm; Peso:
3,345Kg; Perímetro cefálico: 34cm. Vacinação em dias. Teste do pezinho, teste do
coraçãozinho e teste da orelhinha sem alterações. Na História Familiar nega
consanguinidade. Pai, 29 anos, ex-tabagista, não etilista, sem outros problemas de
saúde. Mãe, 25 anos, não tabagista, G1P1A0, sem problemas de saúde. Ao exame
físico: Paciente de facies atípica, sem linfonodomegalias cervicais, submandibulares e
supraclaviculares, boa perfusão capilar, pulsos periféricos presentes e simétricos. Sinais
Vitais: FC: 106bpm; FR: 24irpm; Temperatura: 36,4 ºC. Otoscopia e oroscopia sem
alterações. Aparelho cardiovascular, respiratório e abdome sem alterações ao exame.
Ao exame da genitália nota-se fimose fisiológica. A impressão diagnóstica foi Infecção
do Trato Urinário recidivante. Conduta: Pedido de exame de urina rotina, Urocultura e
Gram de Gota. Retorno para o dia seguinte trazendo resultado de antibiograma para
65
prescrição do antibiótico e encaminhamento para nefrologia pediátrica. DISCUSSÃO:
Visto a importância de uma abordagem integral ao paciente, dá-se a importância de se
investigar a causa primária da sintomatologia apresentada para que a mesma seja
corretamente tratada em tempo hábil de forma a prevenir danos futuros. Dada a
frequente associação entre anomalias congênitas do trato urinário em pacientes com
histórico de ITU recidivante, sua busca torna-se parte da abordagem a esses pacientes.
Além disso, o diagnóstico precoce por meio de exames ultrassonográficos, radiológicos,
cintilográficos, urodinâmicos e urológicos possibilita o tratamento correto e melhor
prognóstico a esses pacientes.
Palavras Chave: ITU, anomalias congênitas, prognóstico.
Referências:
LEÃO, E. et col. Pediatria Ambulatorial 5ª Ed. Belo Horizonte: Coopmed, 2013.
KOCH, Vera H.; ZUCCOLOTTO, Sandra M.C. Infecção do trato urinário. Em busca
das evidências. São Paulo: Jornal de Pediatria, Vol.79, Supl.1, 2003. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/jped/v79s1/v79s1a11.pdf.
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APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
OBESIDADE INFANTIL: RELATO DE CASO
Mônica V. N. Pinheiro de Queiroz
Daniel Guilherme de Oliveira e Silva
Filipe Nappi Mateus
Guilherme Ângelo dos Santos Silva
Giovanny Viegas Rodrigues Fernandes
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: A obesidade e o sobrepeso tornaram-se uma epidemia global do
século XXI, sendo considerado um problema de saúde emergente. Na faixa etária
pediátrica, estudos nacionais demonstram prevalências que variam entre 10,8% a 33,8%
nas diferentes regiões. Utilizam-se os critérios definidos pela Organização Mundial de
Saúde (OMS), Ministério da Saúde e Sociedade Brasileira de Pediatria, que consideram
para as faixas etárias de crianças de 0 a 5 anos o índice de massa corporal (IMC) com
escore Z maior que +3, e para crianças maiores de 5 anos o IMC com escore Z acima de
+2. RELATO DE CASO: Paciente M. E. S., 7 anos, estudante, negra, natural e
residente de Ouro Preto-MG, comparece à consulta acompanhada da mãe queixando
episódios frequentes de amigdalite associados a febre alta (41° na última vez). Relata
também cefaleia recorrente e dificuldade para visualizar a escrita no quadro na sala de
aula. Gravidez de alto risco, mãe teve pré-eclampsia tratada com Aldomet® 500mg. Ao
nascimento APGAR de 9 no 1’ e 10 no 5’; peso 3280g; comprimento 46cm; perímetro
cefálico 34cm. Vacinação em dia. História de anemia ferropriva de difícil tratamento,
persistente, além de infecções de vias aéreas superiores recorrentes e história pregressa
positiva para parasitoses (A. lumbricoides e T. trichiuria). Realiza 5 refeições diárias,
em grande quantidade e alimentos variados; pratica atividade física 2x/semana na escola
(educação física); bom rendimento escolar. Mãe hipertensa, diabética e obesa; pai
hipertenso; avó materna hipertensa e com glaucoma; irmã (4anos) com hipertensão
infantil. Ao exame: hipocorada (+/4+); Peso: 27,6 kg (escore Z entre +2 e +3); Altura:
1,14m (escore Z entre +1 e +2); IMC: 21,24 (escore Z entre +2 e +3); Pressão arterial
90x56 mmHg; tonsilas palatinas hipertrofiadas (3+/4+); à ectoscopia, lesão plana e
hiperpigmentada em região cervical posterior, sugestiva de acantose nigricans. Em
consulta de retorno paciente traz resultados de exames solicitados: Hemácias 4,5
milhões/mm³; Hematócrito 33%; Hemoglobina 11,2g/dl; VCM 73u³; HCM 24pg;
CHCM 33%; Plaquetas 307000/mm³; Leucócitos 4200/mm³; Neutrófilos segmentados
41%(1722/mm³); Eosinófilos 7%(294/mm³); Linfócitos típicos 42%(1764/mm³);
Monócitos 10% (420/mm³); Glicemia de jejum 91mg/dl; Colesterol total 178mg/dl;
LDL 106,4mg/dl; HDL 55mg/dl; Triglicérides 80mg/dl; Ferritina 13,4 ng/ml; Ferro
sérico 64mcg/100ml; IST 27%; Capacidade total de ligação do ferro 240mcg/ml. Para a
obesidade e para o controle do colesterol, foram feitas orientações em relação à
alimentação e atividade física e para a anemia ferropriva foi prescrito sulfato ferroso
suspensão. DISCUSSÃO: A obesidade está intimamente relacionada ao
desenvolvimento de inúmeras desordens metabólicas, incluindo-se a intolerância à
glicose, hiperlipidemia e hipertensão arterial na criança. Sua abordagem deve ser
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construída de modo integral e multidisciplinar, compreendendo o contexto familiar e
social do paciente. O diagnóstico precoce e uma abordagem adequada são essenciais no
controle desta enfermidade e de suas complicações.
Palavras-chave: obesidade infantil, diagnóstico, complicações.
Referências:
SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Obesidade na infância e adolescência:
Manual de Orientação 2ª edição. São Paulo: SBP, 2012, 142 p.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de
Atenção Básica. Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica: obesidade.
Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica.
Brasília: Ministério da Saúde, 2014, 212 p.
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APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
PERDA PONDERAL SIGNIFICATIVA APÓS EPISÓDIO DE
DIARREIA AGUDA
Navarro Santos Gribel
Amália Assis de Freitas
Débora Dumont Cruz Nunes
Sara Helena Resende Carvalho
Universidade Federal de Ouro Preto
Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: A diarreia aguda caracteriza-se pela alteração do hábito intestinal,
acompanhada de diminuição da consistência das fezes e do aumento do número de
evacuações, podendo estar associada a vômitos e febre. Em alguns casos, há presença de
muco e sangue (disenteria). A duração é autolimitada de até no máximo 14 dias. A
diarreia aguda é de ocorrência universal e em populações carentes é responsável por
altos índices de morbidade e de mortalidade. As etiologias mais comuns devem-se ás
infecções por bactérias, vírus, protozoários, helmintos e a causas alimentares e
emocionais. Assim, para sua redução é imprescindível a adoção de medidas preventivas
e melhoria das condições de saneamento básico. RELATO DO CASO CLÍNICO:
V.S.R., 8 anos e 3 meses, estudante, residente de Ouro Preto-MG comparece com a mãe
á clínica pediátrica com o relato de perda ponderal de 5 kg no último mês. Há um mês
iniciou quadro de diarreia aquosa e amarelada com frequência de 2 a 3 vezes ao dia
associada á vômito e afebril. Foi levado á Unidade de Pronto Atendimento (UPA) onde
foi orientado a fazer uso de solução de reidratação oral e solução hipertônica com
resolução em 5 dias. Há uma semana iniciou novo quadro semelhante de diarreia com
duração de 3 dias, retornou à UPA, onde foi administrado Metoclopramida. Seu peso
usual é 25 kg e o atual é de 19 kg. Na história pregressa, parto cesáreo e idade
gestacional de 36 semanas. Peso ao nascer de 2.500 kg e estatura de 43 cm. Internação
em período neonatal devido á hipoglicemia. Não trouxe o cartão de vacina. Aleitamento
materno exclusivo até os 6 meses e complementado até os 3 anos. Na anamnese
especial: cefaleia e ronco ao dormir. Á ectoscopia apresentou-se em bom estado geral,
corado, hidratado, acianótico e anictérico, presença de manchas hipocrômicas no dorso
e linfonodo submandibular esquerdo palpável, de 1cm, fibroelástico e indolor. Ao
exame físico apresentou sinais vitais condizentes com a idade, pesou 19 kg (percentil
10-25) e altura 1,24 (percentil 25). Demais sistemas sem alterações. As hipóteses
diagnósticas foram parasitose, anemia, atopia, diabetes e baixo peso. As condutas foram
a solicitação de exames complementares e orientações. Ao retorno, o peso foi 19.400
kg, o leucograma apresentou eosinofilia de 11% e V.S.R. não fez o exame
parasitológico de fezes. Foi receitado, Albendazol 40mg consonante com a hipótese de
Parasitose intestinal, cetoconazol creme para tratar a pitiríase versicolor e orientações
relacionadas ao baixo peso. DISCUSSÃO: os exames complementares foram normais
para anemia e glicemia. Houve ganho de 400g quando de seu retorno e questionamos a
grande perda de peso relatada pela mãe em um curto período. A diarreia é a 2ª causa de
69
morte em crianças menores de 5 anos em todo o mundo. A precariedade das condições
sanitárias municipais contribui para o aumento na incidência de diarreia e na morbidade
infantil. Apesar de o paciente estar acima dessa faixa etária e a diarreia aguda ser de
fácil resolução na atenção primária, destaca-se a importância da compreensão das
vulnerabilidades e dos determinantes dos processos de adoecimento que interferem na
recorrência e prognóstico da doença.
Palavras-chaves: diarréia, desidratação, epidemiologia
Referências:
LEÃO, E; CORRÊA, EJ; VIANA, MB; MOTA, JAC; VASCONCELOS, MC. Pediatria
ambulatorial. Belo horizonte, Minas Gerais, 5ª Ed. COOPMED, 2013.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Guia Vigilância em saúde. Secretaria de Vigilância á
saúde. Doenças diarreicas agudas. Volume único, Ministério da saúde, Brasília, Distrito
Federal, 2014.
Disponível em: <www.saude.gov.br/bvs>acesso em: 21 de Novembro20
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APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
NEGLIGÊNCIA INFANTIL: RELATO DE CASO
Orientadora: Mônica Versiani Queiroz
Autores: Clayton Marcos dos Santos
Fernanda dos Santos da Silva
Simone Alves Edmundo
Thaís Borges Finotti
Universidade Federal Ouro Preto, Escola de Medicina.
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil.
Introdução: Os maus-tratos são definidos pela OMS como “toda forma de maus-tratos
físicos e/ou emocionais, abuso sexual, abandono ou trato negligente, exploração
comercial ou outro tipo, da qual resulte um dano real ou potencial para a saúde,
sobrevivência, desenvolvimento ou dignidade da criança, no contexto de uma relação de
responsabilidade, confiança ou poder”. A negligência é o tipo mais frequente de maustratos e inclui a negligência física, a emocional e a educacional. O grande número de
filhos, baixa renda, desemprego e pobreza são fatores associados a alto risco para
negligência dos filhos, sendo negligência física a mais associada com pobreza. Relato
do caso clínico: Paciente de 6 anos e 4 meses, do sexo feminino comparece à consulta
acompanhada da irmã de 10 anos, apresentando queixa de lacrimejamento, prurido e
ardência ocular. A ausência da mãe na consulta foi justificada pelo fato de que ela
possui depressão, e devido a esse problema de saúde não conseguiu sair de casa. A irmã
relata um acidente ocorrido com a paciente há cerca de 1 ano, em que um caco de vidro
perfurou o seu olho direito. Durante a anamnese, foi constatado desenvolvimento
adequado, erro nutricional e atraso nas vacinas a serem tomadas na idade da paciente
em questão. Ao exame físico, foi verificada hiperemia no olho direito da paciente e
presença de escabiose. Discussão: Os maus-tratos podem provocar danos para a
criança, adolescente, família e sociedade por toda a vida. O impacto da negligência,
entretanto, é influenciado por fatores como idade, grau de desenvolvimento, tipo de
abuso, frequência, duração, gravidade do abuso e a relação existente entre vítima e
abusador. No contexto da prática clínica, deve-se seguir a lei de notificação obrigatória
de casos suspeitos e confirmados de maus-tratos. Entretanto, o desafio do profissional é
identificar tais casos no contexto familiar de vulnerabilidade social.
Palavras-chave: maus-tratos em crianças; negligência infantil.
Referências:
PIRES, Ana L. D.; MIYAZAKI, Maria C. O. S. . Maus-tratos contra crianças e
adolescentes: revisão da literatura para profissionais da saúde. Arquivos de Ciência da
Saúde, São José do Rio Preto, v. 1, n. 12, p.42-49, jan. 2005.
71
BANNWART, Thais Helena; BRINO, Rachel de Faria. Dificuldades enfrentadas para
identificar e notificar casos de maus-tratos contra crianças e/ou adolescentes sob a
óptica de médicos pediatras. Revista Paulista de Pediatria, São Paulo, v. 2, n. 29,
p.138-145, 2011.
72
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
DIAGNÓSTICO E INVESTIGAÇÃO DE INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO
EM LACTENTE ATENDIDA NA UNIDADE DE ATENÇÃO PRIMÁRIA À
SAÚDE SANTO ANTÔNIO EM MARIANA, MINAS GERAIS.
Navarro Santos Gribel
Andressa Harpis Bastos
Natália Dias do Nascimento
Vanessa Almeida de Camargos
Introdução: A infecção do trato urinário (ITU) caracteriza-se por invasão e
multiplicação principalmente bacteriana, acometendo os rins e as vias urinárias. Estimase que pelo menos 8% das meninas e 2% dos meninos apresentarão no mínimo um
episódio de ITU durante a infância. Em crianças maiores é possível encontrar os
sintomas clássicos de ITU como disúria, polaciúria, urgência miccional, dor lombar,
alterações de cor e odor urinário. Em lactentes, porém, o quadro tende a ser inespecífico
e a febre, muitas vezes, é o único sinal. A recorrência de ITU após a primoinfecção
acontece em 50% das meninas durante o primeiro ano de seguimento e em 75% delas
dos casos no período de dois anos. As infecções de repetição podem ser devido à
recidiva ou a reinfecção. A maioria das recorrências deve-se a reinfecções. Escherichia
coli está presente em mais de 80% das ITU em meninas e em menos de 40% das ITU
em meninos nos quais prevalece o agente Proteus sp. A confirmação da suspeita ITU é
feita através dos exames laboratoriais urina rotina, gram de gota e urocultura. O
diagnóstico e tratamento precoces do episódio infeccioso agudo são essenciais à
minimização de dano renal crônico e suas consequências clínicas. Relato do caso:
L.A.N, lactente, 1 ano e 4 meses, natural e residente em Mariana, Minas Gerais foi
atendida na Unidade de Atenção Primária à Saúde (UAPS) Santo Antônio no dia
09/09/2014 acompanhada pela mãe. Tratava-se de um quadro de diarreia aguda com
assadura perianal, sendo que a criança estava hidratada, corada e não havia alterações
no exame dos aparelhos cardiovascular, respiratório e abdominal bem como na
oroscopia e otoscopia. Na semana seguinte, a paciente retornou com melhora da
sintomatologia anterior, porém com febre de 38,1ºC sem foco. Na propedêutica para
essa febre, aliando a clínica e a utilização de exames complementares, foi feito o
diagnóstico de ITU com Escherichia coli superior a 100000 UFC/L no antibiograma.
Posteriormente, no controle de cura da ITU, a urina rotina ainda possuía nitrito positivo,
numerosos piócitos para o campo e flora aumentada, e no gram de gota observou-se
numerosos bastonetes gram negativos. Questionou-se então se a ITU ocorreu por
recorrência ou recidiva e foi feita propedêutica para ITU. Discussão: Considerando a
pouca especificidade dos sintomas apresentados pela paciente em sua segunda consulta,
destaca-se a importância da avaliação clínica correta associada à utilização judiciosa de
exames complementares, que resultam em diagnóstico e conduta adequados. A
requisição de um ultrassom de vias urinárias para seguimento foi o procedimento de
escolha para avaliação de sequelas. A orientação correta da mãe da lactente também foi
essencial para o acompanhamento do caso, permitindo a investigação prolongada do
curso da infecção.
Palavras-chave: Lactente; Diarreia aguda; Cistite.
73
Referências: CALADO, Adriano. Infecção urinária na infância: Aspectos atuais.
Núcleo de Urologia Pediátrica da Escola Paulista – UNIFESP, 2004. / CARVALHÃES,
J.T.A.; ANDRADE, M.C. Infecção urinária na infância. In PRADO, F.C.; RAMOS, J.;
VALLE, J.R. Atualização Terapêutica 2007. São Paulo: Artes Médicas. 2007/Sociedade
de Pediatria de São Paulo: Tratamento da infecção do trato urinário na infância.
Recomendações – Atualização de Condutas em Pediatria, 2002. /RIYUZO, Márcia et al.
Fatores associados à recorrência da infecção do trato urinário em crianças. Rev. Bras.
Saúde Matern. Infant., Recife, 7 (2): 151-157, abr. / jun. 2007.
74
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL ENTRE O TRANSTORNO CONVERSIVO E
EPILEPSIA, EM PACIENTE PEDIÁTRICO: UM RELATO DE CASO
Orientadora: Fátima Lúcia Guedes Silva
Autores: Flávia Pádua Tavares
Francisco Patruz Ananias de Assis Pires
Túlio Felício da Cunha Rodrigues
Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Escola de Medicina.
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
Introdução: O Transtorno Conversivo é uma situação que não pode ser explicada por
doença clínica, tendo origem neuropsicológica, e envolve perda ou alteração na função
motora ou sensorial voluntárias. Tais condições não podem ser atribuídas à simulação,
em que há influência direta do paciente sobre elas. Em contrapartida, a Epilepsia é
caracterizada por manifestações clínicas decorrentes de descarga elétrica neuronal
anormal transitória, que pode ser decorrente de anormalidade cerebral estrutural ou
resposta a eventos externos. O diagnóstico diferencial destas duas patologias pode ser
difícil devido a semelhanças. Relato do caso clínico: Paciente L.M.V.M., sexo
masculino, 10 anos, vítima de agressão doméstica aos 7 anos, procurou o Centro de
Saúde da UFOP com o diagnóstico prévio de epilepsia, queixando-se de ausência de
responsividade aos medicamentos. As crises iniciaram após o episódio da agressão e sua
incidência está relacionada a situações de estresse. L.M.V.M. relata sofrer bullying
escolar e ter dificuldades de aprendizado, sendo que após o incidente apresentou uma
regressão na sua alfabetização. A criança possui histórico familiar conturbado. Segundo
laudo de eletroencefalograma, realizado em 11/10/2013, possui sinais de disfunção de
estruturas cortico-subcorticais de sugestiva especificidade devendo ser correlacionada
aos dados clínicos do paciente. As crises consistem na hipertonia dos músculos do
membro superior, seguidas de flexão dos punhos e eversão ocular sem perda de
consciência, com posterior interrupção momentânea da fala. As crises não apresentam
padrão tônico-clônico. Discussão: L.M.V.M. foi diagnosticado com epilepsia e iniciou
o uso dos medicamentos Carbamazepina e Fenobarbital. Entretanto, o uso destes
anticonvulsivantes não conferiu uma resposta satisfatória e nem melhora do quadro
clínico. Desse modo, pode-se pensar também em um transtorno conversivo, já que este
pode advir da repressão de possíveis conflitos intrapsíquicos inconscientes, reflexos da
agressão sofrida e do convívio familiar complicado, que acabam convertendo a
ansiedade em um sintoma físico. Como a Epilepsia e o Transtorno conversivo podem
apresentar uma linha clínica parecida, surge a hipótese de que a lesão cerebral de
L.M.V.M não seja acompanhada por descargas elétricas anormais, afastando o quadro
de epilepsia.
Palavras-chave: Pediatria; Conversão; Epilepsia.
75
Referências:
LEÃO, Ennio; CORRÊA, Edison José; MOTA, Joaquim A. César; VIANA, Marcos
Borato; Pediatria Ambulatorial; 4ª Ed.,COOPMED: Editora Médica; cap. 87, p.845 e
853; 2005.
ALVES, Ricardo. Ataque de pânico e Síndrome Conversiva. Disponível em <
http://www.ccs.ufsc.br/psiquiatria/981-14.html>. Aceso em 25 de setembro de 2014.
76
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
RELATO DE CASO: LACTENTE AFEBRIL COM SINTOMAS
RESPIRATÓRIOS INESPECÍFICOS
Orientador: Prof. Navarro Santos Gribell
Autores: Ana Clarisse da Costa Porto
Eliana Maia Fernandes
Emilia Silva Calil
Júlia Carvalho Oliveira
Universidade Federal de Ouro Preto
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: O acometimento de vias aéreas em lactentes tem suma importância
na qualidade de vida do paciente pediátrico, assim como a evolução e possíveis
complicações decorrentes. As doenças agudas das vias aéreas inferiores são os
principais motivos de manutenção das altas taxas de morbi-mortalidade em menores de
cinco anos, nos países em desenvolvimento, responsáveis por mais de 4 milhões de
óbitos por ano. Dessa forma, o presente artigo visa demonstrar a inespecificidade de
alguns sintomas respiratórios comumente apresentados por lactentes, discutindo as
principais hipóteses diagnósticas frente a eles, bem como a frequente necessidade de se
optar por um tratamento empírico. RELATO DE CASO: Recém-nascido K. S. R.,
masculino, 27 dias de vida, deu entrada no Pronto Atendimento do Hospital Monsenhor
Horta, acompanhado pela mãe, com relato de febre, tosse seca, congestão nasal e
vômitos há dois dias. Ao exame físico, encontrava-se eupnéico e hidratado; ACV sem
alterações; AR com roncos de transmissão, saturação de 96% em ar ambiente; AD sem
alterações; temperatura de 37,4°C, peso 4 Kg, diurese e evacuações presentes;
fontanelas normotensas e sugando bem ao seio materno. À radiografia de tórax
observou-se padrão intersticial e opacificação em hemitórax direito. As hipóteses
diagnósticas elencadas foram de síndrome gripal, pneumonia viral, pneumonia por
Clamídia e Refluxo Gastroesofágico (RGE). Diante desse quadro, foi feita a prescrição
de seio materno, Claritromicina 250mg/5mL, Tamiflu® 75 mg, nebulização,
Paracetamol, Simeticona, elevar cabeceira, oxigenioterapia, fisioterapia respiratória e
cuidados de enfermagem. O RN seguiu afebril, com tosse persistente e sem mais
alterações ao exame clínico. O paciente recebeu alta 4 dias após a admissão,
encontrando-se consciente, eupnéico, afebril, em ótimo estado geral, corado e hidratado,
exame físico sem alterações, amamentando bem ao seio materno e sem intercorrências
durante a internação. A mãe foi orientada quanto a qualquer modificação no estado
77
geral da criança e foi mantido o tratamento domiciliar com claritromicina e
prednisolone por mais seis e cinco dias, respectivamente. O paciente seguiu o
acompanhamento pediátrico ambulatorial com os acadêmicos de Medicina da disciplina
Medicina Geral da Criança I, apresentando boa evolução. DISCUSSÃO: A presença de
sintomas inespecíficos, mas que se superpõem a vários quadros respiratórios, torna
muitas vezes difícil o diagnóstico. Diante de um recém-nascido com esse quadro
clínico, a diferenciação entre etiologia viral e bacteriana é tarefa árdua e nem sempre
possível. Quanto menor a criança, maior a necessidade de observação rigorosa da
evolução clínica, considerando-se o elevado risco de complicações como falência
respiratória, apneia, aspiração e choque séptico, sendo fundamental avaliar a indicação
de internação. Além disso, considerando a possibilidade de infecção mista e a
importância de se evitarem internações e óbitos por essa causa, recomenda-se que seja
iniciada a antibioticoterapia, conduta essa adotada empiricamente pela equipe médica.
PALAVRAS-CHAVE: Lactente. Pediatria. Pneumologia.
REFERÊNCIAS
1.
IBIAPINA, C.C et al. Pneumonias comunitárias na infância: etiologia,
diagnóstico e tratamento. Revista Médica de Minas Gerais. 2004.
2.
TOLAN, R.W. Afebrile Pneumonia Syndrome Clinical Presentation. Disponível
em: http://emedicine.medscape.com/article/1000724-clinica#showall. Acesso em 24Nov.-2014.
78
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
RELATO DE CASO CLÍNICO: A DIFICULDADE DE ACEITAR
UM DIAGNÓSTICO DE AUTISMO PELA FAMÍLIA
Orientador: Navarro
Autores: Luciana Silva de Godoy
Najla Braz da Silva Vaz
Washington Miguel Almeida
Escola de Medicina – Universidade Federal de Ouro Preto
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
Introdução: O termo autismo é originário da palavra grega autos, que significa próprio,
foi cunhado por Bleuler em 1911, para descrever um sintoma da esquizofrenia, definido
como“estreitamento com o mundo exterior”(FRITH,1989). Atualmente, segundo
Gillberg (1990), o autismo é considerado uma síndrome comportamental de base
biológica com múltiplas etiologias. Vários quadros neurológicos e genéticos são
descritos concomitantes à sintomatologia autística, caracterizada por déficits na
interação social e de linguagem, bem como alterações de comportamento. Crianças com
autismo apresentam grande variação no grau de inteligência, estando ele associado tanto
a graus profundos de deficiência mental quanto a performances acima da normalidade
em alguns testes psicométricos (LORD e RUTTER, 1994). Em estudo de Bryson e Col.
conduzido no Canadá, o autismo seria duas vezes e meio mais frequente em meninos do
que em meninas. De acordo com o DSM-IV, epidemiologicamente apresenta-se de dois
a cinco casos a cada 10000 pessoas. Um estudo realizado pela Universidade Federal de
Goiás apresenta quatro principais dificuldades enfrentadas pelas mães: reconhecer as
características do autismo; aceitar o diagnóstico vivenciando o preconceito e temendo o
futuro; dificuldade em cuidar do filho. O diagnóstico de autismo traz fortes repercussões
para a vida das mães e elas necessitam de atenção especial por parte dos profissionais da
saúde, atualmente o diagnóstico de transtorno do espectro autista já pode ser suspeitado
desde os primeiros meses de vida por profissional habilitado. Objetivo: Relatar o
atendimento de uma criança de 4 anos com queixas principais de bronquite e tosse e
espectro autista evidente, negado pela mãe durante a consulta. Discussão: G. O. G.,
sexo masculino, 4 anos e 4 meses, natural de Ouro Preto. Vem à consulta no PSF Padre
Faria, acompanhado pela mãe com queixas respiratórias. Mãe relata gestação sem
intercorrências, e desenvolvimento neuropsicomotor adequado até 1 ano e 3 meses o
paciente foi internado com quadro de pneumonia aguda por 5 dias e após o uso de
amoxicilina apresentou hipotermia, segundo a informante-chave, após esse episódio o
filho ficou irritado e voltou a falar apenas aos 3 anos. Para a mãe, esse episódio
relaciona-se ao quadro de atraso no desenvolvimento do filho. Houve suspeita de
espectro autista por uma equipe multidisciplinar, mas a mãe nega o diagnóstico. Ao
exame, paciente apresenta-se irritado, nervoso, não cooperativo e com aspectos autistas
evidentes, como dificuldade de concentração e interação. Foi realizada a conduta frente
ao quadro respiratório, e foi encaminhado à neurologia, no Centro de Saúde da UFOP.
Conclusão: O autismo geralmente leva o contexto familiar a viver rupturas por
interromper suas atividades sociais normais. A família sente-se, frustrada frente ao
79
meio, o autismo do filho coloca os pais frente a emoções de luto pela perda da criança
saudável que esperavam. Os pais, quase sempre apresentam sentimentos conflituosos
por terem sido escolhidos para viver essa experiência, e podem vivenciar fases distintas
que vão desde a negação do diagnóstico do filho, passando pela raiva, barganha,
depressão até chegar à aceitação. Nesse sentido, quanto mais cedo for realizado o
diagnóstico, melhor a aceitação da família e melhores as perspectivas no
desenvolvimento da criança.
Palavras-chave: Autismo. Cuidadores. Família.
Referências Bibliográficas:
1- SILVA, E. B. A.(PUCGoiás) e RIBEIRO, M. F.M. (UFG) Aprendendo a ser
mãe de uma criança autista, Estudos, Goiânia, V.39, n.4, p.579-589,
ou/dez.2012.
2- Assumpção, F.B e Pimentel, A.C.M. Autismo Infantil Rev. Bras.
Psiquiatr. vol.22 s.2 São Paulo Dec. 2000. Serviço de Psiquiatria da Infância
e da Adolescência do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (SEPIA-IPqHCFMUSP). Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG).
80
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
OTITE MÉDIA AGUDA SUPURATIVA EM LACTENTE, RELATO
DE CASO.
Mônica Versiani Queiroz ([email protected])1
Bernardo Arantes Neves de Abreu ([email protected])2
Fábio Fernandes de Mendonça ([email protected])2
Pedro Gadbem Bobst ([email protected])2
1 – Professora e Orientadora da disciplina MED – 150 – Medicina Geral da Criança I
2 – Graduandos do Sétimo Período de Medicina
Universidade Federal de Ouro Preto
Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: A otite média (OM), depois do resfriado comum, é a afecção mais
frequente na infância. Quase todas as crianças apresentarão um episódio de otite média
aguda (OMA) por ano nos 3 primeiros anos de vida. A mais alta prevalência encontra-se
entre os 6 meses e os 3 anos, sobretudo até um ano. Isso ocorre devido à imaturidade
imunológica, à hipertrofia das tonsilas adenoidianas e à anatomia das tubas auditivas,
que é mais curta e horizontal, prejudicando os mecanismos antirrefluxo e de drenagem
da orelha média. A OM é a causa mais frequente de perda auditiva na infância (podendo
acarretar alterações da fala e retardo do desenvolvimento) bem como de complicações
decorrentes de possível supuração. A otite média supurativa (OMS) é um processo
inflamatório do ouvido em que ocorre perfuração da membrana timpânica (MT),
espontaneamente ou por miringotomia, com drenagem copiosa de líquido hemorrágico
ou serossanguinolento, que logo torna-se mucopurulento. A otalgia e febre do estágio de
exsudação regridem. A perfuração da MT é sempre na pars tensa e pequena, do
tamanho suficiente para permitir a saída da secreção. Usualmente a perfuração
timpânica apresenta resolução espontânea, no entanto, em alguns casos pode ser uma
lesão permanente. Os patógenos envolvidos podem ser virais ou bacterianos. O
diagnóstico correto é essencial para nortear a terapêutica. A antibioticoterapia, quando
escolhida, tem a amoxicilina como primeira escolha, 40mg/kg/dia, em duas doses.
RELATO DO CASO CLÍNICO: EVFFS, masculino, 7 meses. Pai relata secreção
purulenta drenando do ouvido esquerdo há aproximadamente 1 semana. Nega febre,
tosse e coriza. Nascido pré-termo, com 1550g e 38cm. Mãe, 38 anos, etilista e tabagista
crônica, não interrompeu o uso durante a gravidez. Aleitamento materno
complementado por fórmula infantil desde o primeiro mês, outros alimentos
introduzidos aos 6 meses. Firmou a cabeça aos 6 meses. Alimentação inadequada para a
idade. Otoscopia não realizada (impedida pela presença da secreção). Demais aparelhos
sem alterações. Levantada hipótese diagnóstica de Otite Média Aguda Supurativa
secundária à postura inadequada na amamentação. Prescrito Amoxicilina durante 14
81
dias. DISCUSSÃO: Ao retorno, após 15 dias da consulta, paciente apresentou melhora
dos sintomas e otoscopia dentro da normalidade, confirmando a eficácia do tratamento.
Não foram identificadas outras alterações. Otite média (OM) corresponde a um terço
das consultas na infância e a 25 – 40% das prescrições de antibióticos orais,
principalmente quando se apresenta na sua forma supurativa (OMS). No caso descrito a
posição horizontalizada no momento da mamada foi a principal hipótese levantada
como causa da OMS diagnosticada. Outros fatores de risco abordados pela literatura são
o baixo nível socioeconômico, o sexo masculino, o aleitamento artificial, o elevado teor
de poluentes ambientais (como no tabagismo passivo), a vacinação inadequada e a
institucionalização da criança.
Palavras-chaves: Otite Média; Lactente; Dor de Orelha
Referências:
LEÃO, E.; CORRÊA, E.J.; VIANA, M.B.; MOTA, J.A.C.; VASCONCELOS, M.C..
Pediatria ambulatorial. Belo horizonte, Minas Gerais, 5ª Ed. COOPMED, 2013.
WECKX, Luc L. M.. Presença ou ausência de bactérias na otite média com
efusão. J. Pediatr. Rio de Janeiro [online]. 2004, vol.80, n.1, pp. 5-6. ISSN 0021-7557.
Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/S0021-75572004000100003.> ; Acesso em:
28/11/2014.
82
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
ANGINA DE PLAUT-VINCENT, UM BREVE RELATO.
Felipe Sabec Folgueral¹
Maira Kroetz Boufleur¹
Paulo Henrique Castanha Miranda¹
Navarro Gribel²
1 – Discente da Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP
2 – Docente da Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP
PALAVRAS CHAVES:
Otorrinolaringologia
Angina
de
Plaut-Vincent
–
Relato
de
Caso
–
INTRODUÇÃO - A Angina de Plaut-Vincent ou Amigdalite Fusoespiralar é uma
infecção aguda das tonsilas palatinas e gengivas causada pela infecção concomitante de
duas bactérias: Fusobacterium necrophorum e Borrelia vincenti. Embora saprófitas
habituais da cavidade oral, quando associadas, essas podem culminar na patologia
descrita. (HAMPP, 1945). RELATO CASO CLÍNICO - S.O.F., sexo feminino, pré
escolar – 2 anos e 1 mês - acompanhada da mãe. Há 5 dias, paciente iniciou febre de
39ºC quando, segundo a mãe, surgiram feridas no ápice da língua e gengivas. Desde
esta data, nega alimentação sólida. Aceitava e pedia água, alimentos líquidos. Não
houve episódios de vômito. Mãe tabagista. Foram relatadas gengivas hiperemiadas,
ausência de escovação devido a dor e aftas pela boca da paciente. Sono comprometido –
acordava a noite chorando de dor. Estado geral com piora à noite - irritabilidade e
choro. Ao exame físico, estava em estado geral regular, irritada, anictérica, hidratada,
normocorada, ausência de linfonodomegalias. À oroscopia, gengivas hiperemiadas, em
framboesa, sangraram facilmente ao toque do abaixador de língua, halitose intensa,
amígdalas hiperemiadas, língua com grande quantidade de saburro. Ausência de rigidez
de nuca. Giordano Negativo. Restante do exame físico sem alterações. Hipótese
Diagnóstica 1) Angina de Plaut- Vicent; 2) Gengivoestomatite. Conduta : 1)
Fenoximetilpenicilina (Pen-ve-Oral), 3,5mL de 8/8 horas por 7 dias ; 2) Ibuprofeno,
50mg, 10 gotas de 6/6 horas ; 3) Paracetamol, 50mg, de 6/6 horas em caso de dor ; 4)
Hidratação oral e preferência por alimentos gelados. DISCUSSÃO - A Angina de
Plaut-Vincent é uma patologia com maior incidência em adolescentes e adultos jovens,
embora o caso relatado seja em pré-escolar - sendo o público feminino o mais
acometido estatisticamente. Como fatores predisponentes encontram-se: má higiene
oral, má alimentação, tabagismo, imunossupressão, estresse e gengivites pré-existentes
(FUNDAÇÃO OTORRINOLARINGOLOGIA, 2013). Esta infecção pode ter início
súbito, acompanhada de febre, piora do estado geral do paciente e linfoadenopatias.
Ulcerações em gengivas e amígdalas acompanhada de odor fétido característico também
fazem parte do quadro clínico desta comorbidade. Trata-se de uma infecção de fácil
tratamento, porém caracterizada por quadro clínico desagradável ao paciente e aos pais
do mesmo (no caso de pediatria): choro, febre, irritabilidade e negar alimentação são
características que alarmam as famílias. Atualmente, a incidência dessa doença vem
diminuido, devido às melhores condições de higiene bucal e à antibioticoterapia
83
disponível. Todavia, fatores como: locais de baixo poder social - precaridade econômica
e sanitária (condições biopsicosociais inadequadas) ainda contribuem para que essa
patologia apareça em território nacional. Ressalta-se a importância de inovações nas
políticas de saúde na atenção primária, incluindo-se orientação e acompanhamento
odontológico. Além disso, medidas públicas que busquem erradicar os determinates
socias citados podem atuar na prevenção de doenças graves da cavidade oral.
REFERÊNCIAS
1 – HAMPP E.G. Vincent's infection - A wartime disease - Observations on the oral
spirochetal flora present in Vincent's Infection. Am J Public Health. 1945;35:441-50;
2 – Fundação Otorrinolaringologia [Internet]. Faringotonsilites. [Acesso em
26/11/2014]. Disponível em http://www.forl.org.br/pdf/seminarios/seminario_24.pdf
84
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
ATENDIMENTO A PACIENTE PEDIÁTRICO COM CRISE DE ASMA
Luiz Walter
Wanderley Souza
Jordan Mariano
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: A asma é uma doença inflamatória crônica, caracterizada por hiperresponsabilidade das vias aéreas inferiores e limitação variável do fluxo aéreo,
reversível espontaneamente ou com tratamento, manifestando-se clinicamente por
episódios recorrentes de sibilância, dispneia, aperto no peito e tosse. Resulta de uma
interação genética, exposição ambiental a alérgenos e irritantes, e outros fatores
específicos que levam ao desenvolvimento e manutenção dos sintomas1. No Brasil,
dados de 2005 mostram que as hospitalizações por asma correspondem a 18,7%
daquelas por causas respiratórias e a 2,6% de todas as internações no período1. Foi
formulado o indicador composto Internações por Condições Sensíveis à Atenção
Primária (ICSAP) a partir de uma lista de problemas de saúde para os quais ações
efetivas no nível da atenção primária, tais como prevenção de doenças, diagnóstico e
tratamento precoce de patologias agudas e o controle e acompanhamento de patologias
crônicas, diminuiria o risco de internações2. Abordar especificamente problemas de
saúde que são responsáveis por um grande contingente de atendimentos de urgência e
internações, no caso em questão, a asma na infância, permite avaliar os efeitos da
atenção primária à saúde sobre determinadas situações, direcionando as intervenções
que possam qualificar o cuidado neste nível de atenção. RELATO DO CASO
CLÍNICO: em 17/11/2014, compareceu ao consultório da UBS de Amarantina a
criança M.E, sexo feminino, 03 anos e 6 meses acompanhada pela mãe, queixas: tosse
seca, chiados. No histórico das consultas da criança, havia relatos de sibilância
recorrente e tosse, além de episódios de eczema/atopia e informações da acompanhante
de que a criança foi conduzida, no ano de 2014, à Unidade de Pronto Atendimento por
02(duas) vezes com quadro clínico característico de asma. O pai da criança apresenta
atopia e possui histórico de asma na infância. No exame físico foi constatada
taquidispneia, sibilos predominantemente expiratórios, uso de musculatura acessória e
batimento de aletas. No acompanhamento da criança, pode-se constatar a falta de
orientação da genitora no que se refere ao tratamento da asma, bem como das condutas
profiláticas e de controle das crises de broncoespasmo. Ademais a mãe desconhece o
uso de espaçadores para veiculação de medicação por via inalatória. A conduta diante
da crise de asma persistente moderada, a esclarecer, foi o uso imediato de
micronebulização na UBS com agonista β2 e encaminhamento posterior para
acompanhamento em Unidade de Pronto Atendimento. DISCUSSÃO: A redução nas
hospitalizações por asma é a principal meta dos programas para o controle da asma. O
85
difícil acesso às medicações adequadas e o acompanhamento irregular do asmático no
Sistema Único de Saúde têm sido apontados como causas da superutilização dos
serviços de emergência e do grande número de internações por asma. A realidade do
município de Ouro Preto é de disponibilidade dos medicamentos para controle da asma
e profissionais capacitados para a organização de grupos operativos sobre as condutas
terapêuticas na asma. Diante do exposto, a gestão da saúde municipal, deve considerar a
oferta de espaçadores no sistema público, para utilização eficaz da medicação pelos
pacientes pediátricos, além da organização do serviço em saúde a fim de empenhar
profissionais nos cuidados dos pacientes com asma.
REFERÊNCIAS:
IV Diretrizes brasileiras para o manejo da asma. J Bras Pneumol. 2006;32(Supl 7):S447-74
ALFRADIQUE, M. E, BONOLLO, P.F. et al. Internações por condições sensíveis à atenção primária: a
construção da lista brasileira como ferramenta para medir o desempenho do sistema de saúde (Projeto
ICSAP – Brasil). Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 25, n.6, 2009. p. 1337-1349
Palavras-chave: asma, paciente pediátrico, tratamento profilático, gestão pública.
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APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
UM POSSÍVEL CASO DE HIPOTONIA CERVICAL ASSOCIADO AO APGAR
BAIXO EM NEONATO COM ICTERÍCIA PATOLÓGICA, UMA
INVESTIGAÇÃO BASEADA NA ANAMNESE E NO EXAME FÍSICO
Orientadora: Aline Joice Nicolato (email: [email protected])
Autores: Aihancreson Kirchoff Vaz Oliveira (email: [email protected])
Fernanda Linhares de Carvalho Pereira (email:
[email protected])
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: A entrevista é muito importante na prática pediátrica porque há
grande relação de dependência do recém-nascido (RN) com o microambiente que o
envolve. Segundo WAECHTER (1979), o RN de risco pode ser identificado antes do
nascimento através da anamnese, das condições da gestação ou de alguma intercorrência
durante o parto. O exame físico do RN é um procedimento que se avaliam as condições
gerais e específicas e identificam-se, com maior precisão, os problemas de saúde. Para
PIZZARO; POIAN (1982), no exame físico o médico poderá constatar alterações,
chegar ao diagnóstico e planejar uma intervenção. RELATO DO CASO CLÍNICO:
Paciente M.A.F., sexo masculino nasceu no dia 08/10/14 na Santa Casa da Misericórdia
de Ouro Preto. Dados maternos: Mãe P.B.F., 28 anos nega qualquer doença crônica
e/ou infecção durante a gravidez. Grupo sanguíneo e fator Rh: A positivo. Realizou
acompanhamento pré-natal constituído de 11 consultas e fez uso de sulfato ferroso e
ácido fólico. Sorologia não reativa para Sífilis (VDRL), Anti-HIV, HBsAg e susceptível
a toxoplasmose. G2P2nA0. SUAB: negativo. Parto: normal, bolsa rota no ato/ IG
(DUM)=37semanas e 5 dias, apresentação cefálica, líquido amniótico claro e 2
circulares de cordão. Trabalho de parto: 1 hora. Peso ao nascer=2.720Kg(AIG), Apgar
1° minuto=1, 5º minuto=5 e 10º minuto=8, comprimento=47,5cm, e PC=35cm. Pela
complicação pós-parto, abordado como suspeita de sepse, foi realizada punção lombar,
utilizou 24 horas de antibiótico, sendo suspenso após descartar tal hipótese. Bilirrubina
total=20,09mg/dl (12/10/14 ás 11 horas). Após 11 horas sob fototerapia, a bilirrubina
total=18,8mg/dL. Exame físico (13/10/14): peso: 2.650kg (perda de 2,57% do peso de
nascimento), comprimento:47,5cm, PC:35cm, FC=108bpm e FR=59irpm. Pele Ictérica
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e com presença de manchas pequenas hipercrômicas. Fontanelas anterior e posterior
com tensão, tamanho e características típicas e sutura sagital justaposta. Pulsos femorais
palpáveis e simétricos. Genitália masculina típica, com testículos palpáveis, ânus pérvio
e bem posicionado. Reflexos de sucção, Magnus-Kleijn, preensão palmar e plantar, do
Moro e tônus apendicular adequado. Presença de hipotonia cervical importante.
Paciente realizou tomografia de crânio e ressonância magnética para avaliação da
hipotonia, porém não foi possível saber o laudo. DISCUSSÃO: O tratamento da
icterícia do RN faz-se necessário quando, para determinada idade gestacional e pósnatal, a bilirrubina total atinge níveis de risco para o RN. É importante avaliar a
presença de fatores de risco associados, como: incompatibilidade ABO ou Rh, sepse,
asfixia ou doenças metabólicas. Como as complicações durante o parto são causas
importantes de asfixia perinatal, o acompanhamento integral da gestante durante o pré,
per e pós-parto faz-se necessário para redução de sequelas e morbidade associadas.
Apesar de a mãe ter tido uma conduta adequada e exemplar com a gestação, o índice de
Apgar foi < 7. Este valor pode indicar asfixia e necessidade de atenção especial, pois
pode gerar hipotonia e um déficit no desenvolvimento psicomotor. Torna-se assim,
imperativo um acompanhamento visando evitar desfechos graves.
Palavras-chave: Asfixia Neonatal, Icterícia Neonatal, Fototerapia
Referências:
- PIZZATO, M.G.; POIAN, V. R.L. Enfermagem Neonatológica. Porto Alegre: Editora
Universidade, 1982. p. 27-38. Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000092&pid=S01041169199900040001000005&lng=en>Acesso em 22 de novembro de 2014.
- Cecilia Maria Draque. Icterícia Neonatal. Especialização em Saúde da Familia, Unesp.
Disponível em: <http://www.sbp.com.br/pdfs/Ictericia_sem-DeptoNeoSBP11nov12.pdf> Acesso em 22 de novembro 2014.
- Sampaio B et al – Causa rara de hipotonia em lactente. Acta Pediatr Port
2009:40(1):9-11
Disponível em:
<http://repositorio.hospitaldebraga.pt/bitstream/10400.23/373/1/causa%20rara%20de%
20hipotonia%20cervical%20em%20lactente.pdf> Acesso em 23 de novembro de 2014.
- Waechter EH, Blake, FG. Enfermagem Pediátrica. 9. ed. Rio de Janeiro:
Interamericana; 1979. Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000087&pid=S01041169200300040000500001&lng=es> Acesso em 27 de novembro de 2014.
88
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
RELATO DE CASO: SOBREPESO E MOLUSCO CONTAGIOSO
Luiz Walter Sousa
Fátima Guedes
Francis Junior Miranda
Lídia Lelis Leal
Natália Carvalho
Raquel Costa
Renata Barbosa Nogueira Gibram
Roberta Alves Pereira
Vítor Antonacci
Waleska Brito Rabelo
Wanessa Torres Bernardes
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: O Molusco Contagioso (MC) é uma doença infecciosa viral cutânea
frequente em crianças, principalmente entre os 2 e 5 anos de idade (GASPAR, 2012). É
geralmente autolimitada e suas complicações são raras, indo desde eczema ou irritações
à celulite, abscesso e disseminação das lesões. O diagnóstico do MC é eminentemente
clínico, através da observação das lesões.A conduta preconizada é a expectante. Há na
literatura descrições de tratamentos alternativos, como a curetagem e o uso de
medicamentos tópicos. A obesidade é fator de risco para várias comorbidades, como
hipertensão arterial, dislipidemia e transtornos psicológicos. uanto mais tempo o
indivíduo se mantém obeso, maior é a chance e a precocidade das complicações,
mostrando a importância da abordagem do sobrepeso já durante a infância.De acordo
com SCHWIMMER, 2013, as crianças e adolescentes severamente obesos têm menor
qualidade de vida do que as crianças e adolescentes saudáveis. RELATO DE CASO:
O presente caso é de uma criança de 4 anos, sexo masculino, que compareceu
juntamente com a mãe no Posto de Saúde. A mãe queixou-se de lesões cutâneas que
duravam dois meses e estavam se disseminando. As lesões foram descritas como não
pruriginosas, não descamativas, sem exsudatos, edemaciadas e dolorosas. A mãe negou
o uso de medicamentos ou outros sintomas associados. A mãe afirmou que a
imunização da criança estava atualizada, negou alergias, internações ou cirurgias.
Houve relato de que a criança era sedentária e tinha uma alimentação hipercalórica. No
exame físico, a criança se mostrava em bom estado geral, altura de 1,04 m (escore entre
-2 e -3), peso de 20,5 kg (escore entre 2 e 3) e índice de massa corpórea de 18,95
(escore entre 2 e 3). À ectoscopia, as lesões foram tidas como pápulas umbilicadas, da
cor da pele, medindo menos que 0,5 cm, numerosas e localizadas no pescoço, pálpebra
superior direita, braço e antebraço direitos e abdome. Não mostrou alterações nos
sistemas restantes. A hipótese diagnóstica aventada foi a de molusco contagioso, além
de um IMC elevado.Como conduta, o paciente recebeu orientações quanto à dieta e à
89
prática de atividade física regular. O paciente foi encaminhado para dermatologista,
com o intuito de se fazer a avaliação da necessidade de retirada das lesões através de
curetagem e para o nutricionista, para avaliação alimentar. DISCUSSÃO: O
conhecimento sobre infecções de pele se mostra bastante importante no cenário
pediátrico, pois são queixas frequentes. A anamnese e o exame físico completos, com
uma ectoscopia detalhada, são fundamentais para o diagnóstico do MC, já que este
possui um diagnóstico basicamente clínico. É importante que o médico tenha a
capacidade de identificar o MC, tranquilizando a mãe e explicando que o quadro é
geralmente autolimitado. O acompanhamento e observação das lesões são fundamentais
para que as complicações possam ser percebidas e tratadas precocemente. A
investigação da obesidade na infância é também muito importante, pois é através dela
que medidas precoces podem ser adotadas para a prevenção de comorbidades
associadas.
Palavras-chave: Obesidade Pediátrica, Molusco Contagioso, Atenção Primária à
Saúde.
REFERÊNCIAS:
GASPAR, Maria Ana; PINHEIRO, Ana Filipe; SANCHES, Ana. Molusco contagiosointervenção terapêutica na idade pediátrica: Revisão Baseada na Evidência. Revista
Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, v. 28, n. 6, p. 418-426, 2012.
SCHWIMMER, Jeffrey B.; BURWINKLE, Tasha M.; VARNI, James W. Healthrelated quality of life of severely obese children and adolescents.Jama, v. 289, n. 14, p.
1813-1819, 2003.
90
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
RELATO DE CASO: BAIXA ESTATURA
Luiz Walter Furtado Sousa
Fátima Lúcia Guedes Silva
Francis Júnior de Miranda Alves
Lídia Lelis Leal
Natália Cristina Carvalho de Souza
Raquel Domingos da Costa
Renata Barbosa Nogueira Gibram
Roberta Alves Pereira
Vítor Antonacci Condessa
Waleska Brito Rabelo
Wanessa Torres Bernardes
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: A análise do crescimento é um componente importante para avaliar a
saúde do paciente (ZEFERINO et al, 2003). Inclui peso, estatura e perímetro cefálico e
faz parte de todas as consultas de puericultura. Segundo LIMA, 2011, muitas crianças
são diagnosticadas erroneamente com baixa estatura devido à dificuldade em
estabelecer se o crescimento é normal ou patológico. Baixa estatura é definida como a
condição na qual a altura dos indivíduos se encontra abaixo do percentil 3 na curva da
Organização Mundial de Saúde, ou está 2 desvios-padrão abaixo da média da altura das
crianças com a mesma idade e sexo. Pode ser divida em dois grandes grupos: Variantes
da Normalidade (Retardo Constitucional do Crescimento e Baixa Estatura Familiar) e
Patológicas (Proporcionadas e Desproporcionadas). Portanto, é fundamental enquadrar
o paciente no diagnóstico correto, para seguir a propedêutica adequada e evitar exames
e tratamentos indevidos. RELATO DE CASO: O presente caso é de uma criança de 9
anos e 4 meses, sexo feminino, que compareceu com sua mãe ao Posto de Saúde para
mostrar exames e, ao analisar os dados contidos no prontuário, observou-se que ao
longo do tempo a criança apresentou estatura no percentil menor que 3. Neste dia, peso
20,1 kg, altura 115 cm, (< percentil 3). Após análise dos exames, concluiu-se que a
criança estava com anemia ferropriva, sendo prescrito, sulfato ferroso e pedido para
realização da cinética do ferro. A mãe retornou com os exames e, a partir dos
resultados, constatou-se que a anemia foi adequadamente tratada. Em consultas
posteriores a paciente apresentou Peso 21,4 kg, Altura 117,5 cm (abaixo percentil 3);
Peso 22,1 kg, Altura 118 cm (< percentil 3); Peso 22,8 kg, Altura 119 cm (< percentil
3); Peso:21,30 Kg, Altura: 120cm (< percentil 3); Peso 22 kg, altura 121 cm (percentil
3). Na penúltima consulta foi calculada a estatura alvo da paciente (1,59 m) e solicitada
91
radiografia de punho esquerdo. Em retorno, a radiografia mostrou como resultado: data
cronológica do exame 9 anos, 2 meses e 10 dias; idade óssea 7 anos e 10 meses.
Estatura corrigida para idade óssea: percentil entre 3 e 15. Ao exame físico, Peso 22,80
kg, Altura 122 cm (< percentil). Foi, então, aventada a hipótese diagnóstica de baixa
estatura constitucional. Paciente retornará em 6 meses para acompanhamento do quadro
com avaliação dos dados antropométricos e quanto à necessidade de solicitar exames,
como hormônios tireoideanos. DISCUSSÃO: O crescimento é um processo dinâmico
que envolve alteração do comprimento em função do tempo, sendo um dos melhores
indicadores do estado de saúde da criança. Portanto, é preconizado o acompanhamento
do crescimento como atividade de rotina na atenção à criança. Logo, é de suma
importância uma avaliação completa da paciente, com anamnese e exame físico
detalhados, pois possibilitará nortear hipóteses diagnósticas, já que existem várias
causas de baixa estatura. Dessa forma, é fundamental que o pediatra saiba utilizar todos
os critérios de avaliação estatural, de forma a diferenciar as causas fisiológicas e
patológicas, desempenhando corretamente, seu papel na vigilância do crescimento.
Palavras-chave: Saúde da Criança, Estatura por idade, Serviços Básicos de Saúde,
REFERÊNCIAS:
ZEFERINO, Angélica M.B. et al. Acompanhamento do crescimento. J. Pediatr. (Rio J.),
Porto Alegre, v. 79, supl. 1, Junho de 2003.
LIMA, Thalita F. Abordagem inicial da baixa estatura Para o pediatra geral: Revisão de
literatura, SÃO PAULO, 2011.
92
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
TRIAGEM DOS ALUNOS DO 1° ANO DE UMA ESCOLA MUNICIPAL DO
MUNICÍPIO DE MARIANA/MG
Aline Joice Pereira Gonçalves Nicolato
Bruno de Araújo Pinheiro
Gabriella Noronha Frois
Heloisa Cirilo Sousa
Maria Gabriela Ribeiro Madeira
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
Introdução: Esta intervenção surgiu a partir de uma demanda dos discentes de
graduação em Medicina do 8º período, em atendimento pediátrico preconizado pela
disciplina Medicina Geral da Criança II no Centro de Saúde de Passagem de Mariana,
pelo número pequeno de pacientes durante aula prática na unidade de saúde. Após
contato com a escola municipal próxima ao centro de saúde, observou-se uma demanda
por atendimentos médicos por parte dos profissionais da educação, já que lidam
diariamente com crianças em quadros patológicos agudos ou com condições crônicas
sem o devido acompanhamento médico ou orientação. Além disso, no âmbito da
atenção primária faz-se necessário integrar o indivíduo, a família e comunidade através
de parcerias intersetoriais, sendo a rede de ensino elemento importante nessa integração,
facilitando o enfrentamento dos desafios epidemiológicos da saúde da criança, muitos
destes com componentes psicossocial. Objetivo geral: Realizar triagem clínica por
meio de exame físico nos alunos matriculados em uma escola municipal em Mariana,
contemplando dados vitais e antropométricos, histórico vacinal, avaliação dos aparelhos
respiratório, cardiovascular, locomotor e exame neurológico. Objetivos específicos:
Avaliar estado geral e nutricional dos escolares por peso, estatura, IMC,
correlacionando os dados com os gráficos de referência utilizados em pediatria;
Identificar escolares portadores de doenças agudas ou crônicas e encaminhamento para
acompanhamento médico especializado; Identificar as principais queixas e condições
clínicas dos escolares; Realizar educação em saúde. Métodos: O trabalho foi realizado
em visitas agendadas à escola, nos horários de aula das crianças e dos acadêmicos
envolvidos no projeto. Todos os alunos da escola foram convidados a participar. Em
uma sala ampla disponibilizada pela direção da escola foram montadas estações para
realização de exame físico completo e dividido por sistemas corpóreos. Os acadêmicos
foram supervisionados pela docente responsável pela disciplina. Foram examinados 19
alunos do 1° ano e os dados foram anotados em um questionário próprio. Todas as
crianças receberam um resumo do exame para levarem para os responsáveis, assim
como os encaminhamentos necessários. Resultados: Foram avaliadas 19 crianças,
sendo 10 meninas e 9 meninos, com faixa etária entre 6 e 7 anos. Das 19 crianças, 7
estavam com as vacinações atualizadas,9 desatualizadas e 3 não tinham o cartão. Foram
93
encaminhadas 9 crianças que apresentavam dentes cariados e má higiene bucal para o
serviço de odontologia do município, 4 identificadas e encaminhadas com sobrepeso e 2
com obesidade, sendo que uma já apresentava acantose nigricante. Conclusões: Os
dados encontrados serão retornados à escola como informação básica e poderão servir
de ferramenta para desenvolvimento de estratégias de ação e promoção de saúde
direcionada, além de facilitar a abordagem de professores e pedagogos no
acompanhamento diário dos alunos. A promoção da saúde nas escolas apresenta-se
como uma forma de pensar e agir em sintonia com a área da educação, cuja finalidade é
a formação de sujeitos e projetos pedagógicos voltados para o direito à vida.
Palavras chave: saúde da criança, educação infantil, pediatria.
Referências
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção
Básica. Saúde da criança: crescimento e desenvolvimento / Ministério da Saúde.
Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. – Brasília: Ministério
da Saúde, 2012.272 p.: il. – (Cadernos de Atenção Básica, nº 33)
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção
Básica. Saúde na escola / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde,
Departamento de Atenção Básica. – Brasília: Ministério da Saúde, 2009. 96 p.: il. –
(Série B. Textos Básicos de Saúde) (Cadernos de Atenção Básica; n. 24)
94
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
TRIAGEM DOS ALUNOS DO 3° ANO DE UMA ESCOLA MUNICIPAL NO
MUNICÍPIO DE MARIANA/MG
Aline Joice Pereira Gonçalves Nicolato
Ana Luiza Martins Reggiani
Gabriela Oliveira Leopoldo
Jésssica Almeida Horta Duarte
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: No segundo semestre de 2014 havia a demanda por pacientes em
atendimento pediátrico para a disciplina Medicina Geral da Criança II no Centro de
Saúde de Passagem de Mariana, cursada por discentes de graduação em Medicina do
oitavo período. Adotou-se então a estratégia de buscar pacientes para as aulas e após
contato com a equipe de saúde percebeu-se que a Escola Municipal do distrito possuía
interesse mútuo na atividade, já que lida diariamente com crianças em quadros
patológicos agudos ou com condições crônicas sem o devido acompanhamento médico.
Além disso, no âmbito da atenção primária a busca se justifica, pois para enfrentar os
novos desafios epidemiológicos da saúde da criança, muitos destes com componentes
psicossocial, é necessário integrar o indivíduo, a família e comunidade através de
parcerias intersetoriais, sendo a rede de ensino elemento importante nessa integração.
OBJETIVO: Essa pesquisa tem por objetivo conhecer a saúde de escolares do 3° ano
do ensino fundamental em escola pública de Passagem de Mariana. MÉTODOS: O
trabalho foi realizado em visitas agendadas à escola, nos horários de aula das crianças e
dos acadêmicos envolvidos no projeto. Todos os alunos da escola foram convidados a
participar. Em uma sala ampla disponibilizada pela direção da escola foram montadas
estações para realização de exame físico completo e dividido por sistemas corpóreos. Os
acadêmicos foram supervisionados pela docente responsável pela disciplina. Exame
físico completo foi realizado, sendo mensurado peso, estatura, pressão arterial e
calculado o índice de massa corporal (IMC). Os dados foram anotados em um
questionário próprio e analisados conforme os valores de referência recomendados
atualmente. Todas as crianças receberam um resumo do exame para levarem para os
responsáveis, assim como os encaminhamentos necessários. RESULTADOS: Foram
examinadas 17 crianças com idade entre 8 e 12 anos, sendo 10 do sexo masculino e 7 do
sexo feminino. Em relação ao IMC, 28,5% das meninas apresentavam sobrepeso,
enquanto 20% dos meninos estavam abaixo do IMC ideal. Do total de crianças 23,5%
apresentaram PA sistólica ≥90% e 52,9% apresentaram PA diastólica ≥90%, uma
criança foi diagnosticada com hipertensão por apresentar PA sistólica em 95% e
diastólica 99%. Foram encaminhadas 7 crianças para o serviço de Odontologia do
Município, 1 criança diagnosticada com obesidade, 1 com sindactilia, 2 com alterações
dermatológicas, 2 com problemas respiratórios, além de 4 crianças com atraso escolar.
CONCLUSÕES: Os dados encontrados podem ser importante ferramenta para
desenvolvimento de estratégias de ação e promoção de saúde direcionada, além de
facilitar a abordagem de professores e pedagogos no acompanhamento diário dos
alunos. A promoção da saúde nas escolas apresenta-se como uma forma de pensar e agir
95
em sintonia com a área da educação, cuja finalidade é a formação de sujeitos e projetos
pedagógicos voltados para o direito à vida.
Palavras chave: saúde da criança, educação infantil, pediatria.
Referências
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção
Básica. Saúde da criança: crescimento e desenvolvimento / Ministério da Saúde.
Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. – Brasília: Ministério
da Saúde, 2012.272 p.: il. – (Cadernos de Atenção Básica, nº 33)
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção
Básica. Saúde na escola / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde,
Departamento de Atenção Básica. – Brasília: Ministério da Saúde, 2009. 96 p.: il. –
(Série B. Textos Básicos de Saúde) (Cadernos de Atenção Básica; n. 24)
96
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
TRIAGEM AUDITIVA NEONATAL
Ana Maria de Jesus Cardoso
Larissa Amaral Lauriano
Rodrigo Vilela Ventura
Samuel Silva Ferreira
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: a audição está estritamente ligada ao desenvolvimento da linguagem,
é através dessa relação, que a criança adquire e desenvolve o vocabulário, as habilidades
de linguagem, inteligibilidade da fala e dos repertórios de fonemas. Dessa maneira,
gerando o desenvolvimento sócio-emocional e permitindo a interação com o outro.
Além disso, a criança se torna capaz de desenvolver e organizar pensamentos e
sentimentos. Cerca de 50% das perdas auditivas poderiam ser evitadas ou suas sequelas
diminuídas, se ocorressem precocemente medidas de detecção, diagnóstico e
reabilitação. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que todos os recémnascidos devem ser submetidos à triagem auditiva neonatal até um mês de idade e todas
as crianças com deficiência auditiva devem ser identificadas antes dos três meses.
RELATO DE CASO CLÍNICO: Paciente G.G.M, sexo masculino, 5 meses e 27 dias,
sob guarda da tia materna, foi recebido pela equipe pediátrica da UFOP, trazendo como
queixa, uma suspeita de deficiência auditiva e um pedido de avaliação geral da criança.
Na anamnese, segundo a tia, lactente nasceu de parto vaginal e de 33 semanas e nos
informou que a mãe da criança submeteu a consultas de pré-natal somente a partir da
27ª semana de gestação, chegando a realizar somente 3 consultas. Os exames
laboratoriais da mãe no pré-natal mostraram VDRL e anti-HIV não reagentes; HBsAg
reagente, anti-HBS no valor de 2,00 mUI/ml; IgG para toxoplasmose no valor de 1/1024
e IgM para toxoplasmose não reagente. Ao exame clínico, apresentou falta de resposta
auditiva aos estímulos comportamentais. Foram feitas as seguintes hipóteses:
deficiência auditava unilateral; dieta inadequada; paciente em risco social.
DISCUSSÃO: a triagem auditiva neonatal (TAN) consiste na realização do teste de
orelhinha, e deve ser organizada em duas etapas: teste e re-teste. A TAN permite a
detecção de possíveis alterações auditivas, e a realização do teste no período
preconizado permite fazer um diagnóstico e uma intervenção precoce, possibilitando
assim, melhores resultados no desenvolvimento da criança, principalmente da
linguagem. Analisando o caso desse paciente, conclui-se que houve uma falha no
sistema de busca ativa da criança, pois não foi realizada a triagem auditiva de maneira
preconizada pelo Ministério da Saúde. Em crianças de risco, a realização da triagem em
nível hospitalar minimiza o atraso de diagnóstico por motivos relacionados à condição
da social das famílias e/ou da estrutura do sistema. O atraso no diagnóstico gera uma
intervenção tardia, o que pode comprometer o desenvolvimento desta criança.
PALAVRAS CHAVES: deficiência
desenvolvimento da linguagem.
auditiva,
97
triagem
auditiva
neonatal,
REFERÊNCIAS: Sociedade Brasileira de Pediatria, Associação Brasileira de
Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial e Sociedade Brasileira de Genética
Médica. Projeto Diretrizes. Perda Auditiva na Infância. 2012.
98
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
TRIAGEM E AVALIAÇÃO CLÍNICA DE CRIANÇAS DO 2º ANO DO ENSINO
FUNDAMENTAL DE UMA ESCOLA DO MUNICÍPIO DE MARIANA-MG:
“PROJETO SAÚDE NA ESCOLA”
Aline Joice Pereira Gonçalves Nicolato
Christian Gomes Cardoso Viana
João Luis de Freitas
Silvio Vassão Junior
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: Dentro do âmbito da universidade, incluindo o desenvolvimento de
pesquisas, o ensino e os serviços de extensão à comunidade, podem ser incluídas as
atividades de triagem (prevenção) e investigação de doenças na infância dentro de
escolas. Dessa forma, foi realizada uma parceria entre a Escola de Medicina da
Universidade Federal de Ouro Preto-UFOP e uma escola municipal de Mariana-MG,
para realização do “Projeto Saúde na Escola”. OBJETIVOS: O objetivo geral deste
trabalho foi realizar triagem clínica de crianças de uma escola do município de MarianaMG. METODOLOGIA: Foi realizado exame físico completo em todos os estudantes
do segundo ano. Foram avaliadas as medidas de peso, estatura, pressão arterial,
ectoscopia, exame dos aparelhos cardiovascular, respiratório, abdominal, neurológico.
Todas as crianças levaram para casa resumo do atendimento e orientações para
acompanhamento ou encaminhamentos, caso necessário. Antes da ação, foi solicitado à
escola que enviasse um informativo aos pais sobre o trabalho. A vacinação foi avaliada
através da cópia do cartão da criança na ficha escolar. RESULTADOS: Foram
avaliadas 18 crianças, sendo sete meninas e 11 meninos, com faixa etária entre sete e
nove anos de idade. Dessas, 22,2% tinham sete anos de idade, 66,7% tinham oito anos
de idade e 11,1%, nove anos de idade. Todas as crianças tinham escolaridade adequada
para idade. Das 18 crianças, 16 estavam com as vacinações atualizadas e apenas duas
não tinham o cartão. A partir do IMC por idade e sexo, contatou-se que 27,3% dos
meninos e 42,9% das meninas avaliadas apresentaram excesso de peso, corroborando
assim, com os dados mundiais de obesidade infantil e evidenciando a importância da
triagem realizada. Em relação à estatura, foram observados valores de baixa estatura em
18,2% das crianças do sexo masculino e em 14,3% das do sexo feminino. Todos os
valores de pressão arterial sistêmica estavam normais para idade. Além disso, foram
diagnosticados ao exame físico duas (11,1%) crianças com fácies de respirador oral,
cinco (27,8%) com dentes cariados e higiene bucal precária e três encaminhamentos ao
posto de saúde para consulta pediátrica. No exame neurológico nenhuma criança
apresentou alterações significativas e no desenvolvimento psicomotor, todas estavam
adequadas para a idade. DISCUSSÃO: As doenças cardiovasculares (DCV)
configuram-se como a principal causa de morte no mundo. Essas doenças se
desenvolvem ao longo da vida de forma lenta e gradual, tendo a infância como ponto de
99
partida. Dessa forma, a triagem clínica para diagnóstico precoce dessas doenças,
através, de avaliações rotineiras em consultas de puericultura têm papel fundamental no
diagnóstico precoce dos fatores de risco associados às DCV, como hipertensão arterial,
obesidade e dislipidemia. CONCLUSÃO: O trabalho realizado na escola nos
proporcionou um maior contato e convívio com a comunidade, participando ativamente
de seu dia a dia e contribuindo para melhorar a saúde dos escolares. Além disso, uma
nova forma de aprimorar os conhecimentos adquiridos e ter novos aprendizados nos
possibilitou crescer como futuros profissionais de saúde.
Palavras-chave: triagem, infância, doença.
Referências:
1-BERGMANN, Gabriel Gustavo et al . Índice de massa corporal para triagem de
fatores
de
risco
para
doenças
cardiovasculares
na
infância.
ArqBrasEndocrinolMetab, São Paulo, v. 55, n. 2, Mar. 2011. Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S000427302011000200003&lng=en&nrm=iso>. Acesso entre 01 e 05 de Nov. 2014.
2-HERZBERG, E.; CHAMMAS, D. Triagem estendida: serviço oferecido por uma
clínica-escola de Psicologia. Paideia, jan.-abr. 2009, Vol. 19, No. 42, 107-114.
Universidade de São Paulo, São Paulo-SP, Brasil.
100
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
RELATO DE CASO: VARICELA NÃO COMPLICADA
Luiz Walter Sousa
Fátima Guedes
Francis Junior Miranda Alves
Lídia Lelis Leal
Natália Carvalho
Raquel Costa
Renata Barbosa Nogueira Gibram
Roberta Alves Pereira
Vítor Antonacci
Waleska Brito Rabelo
Wanessa Torres Bernardes
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: A varicela é uma infecção aguda, com curso benigno e autolimitado
na infância. É causada pelo vírus RNA Varicella-Zoster (VZ). A transmissão se dá pelo
ar, inspirando o vírus presente em gotículas eliminadas por pacientes infectado ou por
contato direto com as lesões na pele. A principal característica clínica da doença é o
polimorfismo das lesões cutâneas acompanhadas de prurido. A presença de enantemas
reforça o diagnóstico de varicela. No período prodrômico, pode ocorrer febre baixa ou
moderada, cefaleia e sintomas sistêmicos, como astenia e anorexia. A maioria dos casos
de varicela em crianças não necessita de tratamento específico, apenas medidas gerais
que incluem analgésicos, antitérmicos e anti-histamínicos. Além disso, deve-se tomar
medidas de controle como afastamento das atividades escolares até a fase de crosta da
doença e, se o paciente estiver internado, isolamento de contato e respiratório. A terapia
antiviral está indicada apenas para casos de varicela de evolução moderada ou grave em
maiores de 12 anos, com doença cutânea ou pulmonar crônica. RELATO DE CASO:
I.K.C.S, 7 anos, sexo feminino, compareceu à UBS Santo Antônio, Mariana-MG
acompanhada pela mãe, no dia 29/09/2014, que relata que, há uma semana, criança
iniciou quadro de cefaleia, febre não termometrada e hiporexia e dois episódios de
vômito. Foi informado também que há um dia surgiram pápulas pruriginosas por todo
corpo. Ao exame, criança apresentava-se com estado geral regular e febril (39°C).
Observaram-se lesões pápulovesiculares peroláceas e bordas eritematosas disseminadas,
inclusive em mucosa oral. A hipótese diagnóstica aventada foi varicela sem
complicações. Adotou-se a conduta de prescrição de desloratadina e paracetamol. Em
consulta de retorno em dois dias, criança evoluiu sem febre, dor ou vômitos. No
entanto, as lesões se disseminaram e o prurido estava mais intenso. Não foi feito uso da
desloratadina, pois este não estava disponível na farmácia de referência da UBS. Ao
exame físico, a escolar apresentava-se afebril (36,7°C) e foram observadas lesões
pápulovesiculares, com base eritematosa, disseminadas. Após avaliação, foi mantido o
diagnóstico de varicela sem complicações e foi prescrita dextroclorfeniramina para
alívio do prurido. Após atendimento, procedeu-se a notificação do caso. DISCUSSÃO:
101
A vacina contra a varicela faz parte do calendário básico de vacinações desde setembro
de 2013, para crianças partir dos 15 meses de idade até 23 meses e 29 dias. No relato de
caso descrito não houve complicações clínicas, mas elas podem ocorrer. Entre as mais
frequentes estão: infecções bacterianas secundárias de pele como o impetigo, abscesso,
celulite ou erisipela. É importante saber também sobre a Síndrome de Reye,
caracterizada por quadro neurológico de rápida progressão e disfunção hepática,
associado ao uso de ácido acetilsalicílico na presença de quadro viral. Diante disso, fazse necessária a prevenção e a detecção precoce através de programas educativos para a
população, promovendo o conhecimento para os sintomas da doença, fatores de risco e
importância da vacinação.
Palavras-chave: Varicela, Vacinação, Atenção Primária à Saúde
REFERÊNCIAS:
Governo do Estado de Minas Gerais. Protocolo de Varicela. 3ª edição. Belo Horizonte.
2013.
Parmet S, Lynm C, Glass RM. Chickenpox. JAMA - Journal of the American
Medical Association. 294(7):866. 2005.
102
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
ABORDAGEM DE PACIENTE PEDIÁTRICO COM URTICÁRIA GIGANTE
Orientadora: Professor Dra. Célia Maria
Aline Ferreira Ricieri
Cecília Carneiro e Silva
Fernanda de Faria Mariano
Universidade Federal de Ouro Preto
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
Introdução: Urticária é o edema da derme superficial, enquanto o edema da derme
profunda, do subcutâneo e do trato gastrointestinal é chamado de angioedema. A urtica é
lesão elementar dermatológica constituída por três características típicas: edema central de
tamanho variado, prurido associado; natureza efêmera, com a pele retornando ao aspecto
normal geralmente em período que varia de uma a 24 horas a 1 hora. O quadro clínico se
caracteriza pela presença placas eritêmato-edematosas grandes, pruriginosas, de início súbito
e duração efêmera, acompanhadas, com frequência, de fenômenos gerais. Vários fatores
podem desencadear a urticária como: frutos do mar, castanha, chocolate, medicamento,
hemoderivados, picada de abelha e vespa, infecções virais e doenças febris. O tratamento é
feito com anti-histamínicos H1, corticoides em casos mais graves e epinefrina, quando a
urticária não responde à terapêutica convencional. Relato do caso clínico: A criança
E.A.M.N., 10 anos, foi atendida na Unidade Básica de Amarantina no dia 26 de Agosto de
2014, em uma consulta de urgência, com queixa de manchas vermelhas no rosto e corpo que
coçavam. O paciente relatou que na tarde anterior ele começou com um quadro de prurido
em corpo e rosto. Na manhã do dia seguinte, o prurido foi aliviado por banho quente. No dia
da consulta, apareceram manhas vermelhas no tórax e abdome. A mãe relatou que as
manchas no rosto apareceram há 5 dias atrás. O paciente negou o uso de cremes, pomadas e
a troca de sabonete. Negou também o uso de materiais diferentes nos últimos dias. Na
anamnese especial, a criança relatou que somete faz uso de lentes corretivas para miopia. A
história familiar indicou que os avôs paternos e maternos são hipertensos. Os irmãos mais
novos da criança são asmáticos. Na história pregressa, a mãe da criança relatou que ela já
teve varicela e que a vacinação estava em dia. Ao exame físico, ectoscopia: bom estado
geral, ativo, reativo, corado hidratado e edema palpebral discreto; antropometria: peso de
29,850, altura: 1,41m; sinais vitais: frequência cardíaca de 80bpm; pele e fâneros: manchas
em rosto, tórax e abdome, pápulas no rosto, máculas e pápulas em 2/3superiores das costas e
103
coxas, presença de máculas coalescentes. A hipótese diagnóstica foi urticária gigante e a
conduta foi: uso oral no local: prednisona 20mg um comprimido e meio e 1 ampola de
prometazina intramuscular-50mg/20mL. A criança ficou em observação por 40 minutos na
UBS e houve melhora do quadro, por isso foi liberada com a receita: uso oral de predinisona
20mg 1 comprimido por 5 dias e dexclorferinamina. Discussão: A criança com urticária
gigante deve ser avaliada cuidadosamente e medicada rapidamente. Em caso de não resposta
à terapêutica convencional deve-se usar epinefrina.
PALAVRAS-CHAVE: urticária, angioedema, pápulas
REFEÊNCIAS:
CRIADO, Paulo Ricardo et al. Urticária. An. Bras. Dermatol. Rio de Janeiro, v. 80, n.
6, Dec. 2005
LEÃO, E; CORREA, E.J.; MOTA, J.A.C.; VIANNA, M.B.; VASCONCELLOS, M.C.;
Pediatria Ambulatorial. 5º edição, editora: Coopmed, 2013
104
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
CRISES CONVULSIVAS EM LACTENTE – RELATO DE CASO
Luiz Walter Souza
Catarine Alves Silveira
Fernanda Mendes de Oliveira Rossi
Lígia Barros de Oliveira
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: As crises epitéticas são manifestações neurológicas frequentes na
infância, correspondendo a importante causa de atendimento em unidades de
emergência pediátrica. Cerca de 50% dos casos de epilepsia ocorrem em crianças
menores de 5 anos de idade¹. Crises epiléticas correspondem a manifestações clínicas de
uma descarga elétrica neuronal anormal, excessiva, síncrona e transitória. Podem iniciar
em um grupo restrito de neurônios (crises parciais) ou em área mais extensa,
acometendo os dois hemisférios cerebrais (crises generalizadas) ². Na abordagem dos
pacientes portadores de epilepsia, é fundamental a caracterização das crises para fins de
orientação do tratamento e prognóstico. Para isso, deve-se realizar cuidadosa pesquisa
clínica e exames complementares direcionados. RELATO DE CASO: L.E.A., 6 meses,
sexo feminino, peso 5.920g, é levada pela mãe ao consultório do Posto de Saúde de
Amarantina-OP, em 01/09/14, relatando que a criança apresentava crises convulsivas.
Aos dois meses de idade a paciente manifestou a primeira crise, durante a qual
apresentou tremores de tronco, membros e pálpebras, com duração de poucos segundos.
Nas semanas seguintes, a frequência das crises era de cerca de 6 a 7 vezes ao dia. Mãe
negou presença de febre durante os episódios, ou história prévia de infecção
intracraniana, traumatismo crânio-encefálico, neoplasia, acidente vascular encefálico e
distúrbio hidroeletrolítico na paciente. Histórico familiar também negativo para
disritmias cerebrais. A criança foi medicada com fenobarbital por quatro semanas,
porém sem melhora do quadro. Aos quatro meses de idade, foi iniciado uso de
Depakene® (ácido valpróico 250mg/5ml) com remissão completa do quadro. No dia
13/10/14, mãe retornou ao consultório alegando retorno das crises convulsivas, com
frequência de 2 a 3 crises por semana. Alegou, ainda, que em consulta com neurologista
no início do mês, este aumentou a dose do Depakene® para 2ml (100ml) duas vezes ao
dia, dose máxima permitida à paciente, mas sem redução na frequência das crises. Nessa
105
ocasião, foram solicitados os exames de Eletroencefalograma (EEG) e Ressonância
Nuclear Magnética (RNM) de crânio, os quais ainda não foram realizados. Ao exame
físico, não foram detectadas alterações neurológicas, criança com crescimento e
desenvolvimento adequados para a idade. O neurologista da criança foi, então,
contatado e interrogado sobre a melhor conduta a ser adotada no momento. Ele decidiu
por prescrever Carbamazepina 100mg/5ml, 1ml ao dia, até que a mãe pudesse retornar
com a criança em seu consultório. DISCUSSÃO: O termo epilepsia é reservado a
situações em que ocorrem duas ou mais crises convulsivas sem evidências de insultos
agudos como febre ou condição tóxico-metabólica¹. O diagnóstico baseia-se em uma
anamnese minuciosa, exame físico e neurológico e propedêutica complementar. O EEG
está indicado em todos os casos confirmados ou suspeitos de crise epilética. O exame de
neuroimagem padrão-ouro é a RNM do encéfalo, pois revela alterações no crânio,
permitindo estudo mais detalhado¹. No caso descrito, a paciente ainda está sob
investigação para melhor classificação do tipo de crises epilética apresentada.
Palavras-chave: Convulsões, Epilepsia, Infância
Referências:
1. LEÃO E., Corrêa E.J., Mota J. A. C., Vianna M. B., Vasconcellos M.C.( Ed.)
Pediatria Ambulatorial, 5ª edição, Belo Horizonte, Coopmed, 2013.
2. RIZZUTTI, S.; MUSZKAT, M. & VILANOVA, L.C.P. – Epilepsias na Infância
Rev. Neurociências 8(3): 108-116, 2000.
106
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
CRIPTORQUIDIA BILATERAL EM LACTENTE: RELATO DE CASO
Lélia Maria de Almeida Carvalho
Amanda Freire Vieira
Luísa Coutinho Teixeira
Túlio Henrique Versiani de Oliveira
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
Introdução: Criptorquidia é a anomalia congênita mais comum que afeta a genitália de
recém-nascidos (RN) do sexo masculino. Ocorre quando há um defeito congênito nos
processos anatômicos ou regulatórios da deiscência testicular, de etiologia multifatorial.
Fatores de risco para tal incluem: prematuridade, retardo do crescimento intrauterino e
excessiva exposição a estrógenos durante a gestação. Níveis adequados de androgênios
fetais são essenciais para a deiscência testicular. Aproximadamente 10% dos casos
afetam ambos os testículos (bilateral). Normalmente, os testículos descem até o escroto
no sétimo mês de gestação e a incidência da criptorquidia diminui com a idade, sendo:
30% em RN pré-termo, 3% em RN, 1,5% com 1 mês e 0,75% com 1 ano de vida. A
classificação mais útil para a criptorquidia é clínica, na qual se distingue em testículos
palpáveis ou não palpáveis. Dentre suas complicações, tem-se o comprometimento da
fertilidade e o aumento do risco para câncer. Relato de caso: IEA, lactente, sexo
masculino, 5 meses e 15 dias é trazido pela mãe à UBS de Cabanas em Mariana, MG,
com queixa de febre não termometrada que apareceu no dia anterior, sem sintomas
associados. Mãe relata que os dentes incisivos inferiores estão nascendo. À anamnese
especial, mãe relata que a criança é respiradora oral, e tem fimose. História gestacional
demonstra gravidez não planejada, não bem aceita, sem intercorrências, com realização
de 6 consultas pré-natal, resultados de sorologias negativos. Mae hígida, utilizou sulfato
ferroso durante a gestação, não fumou ou bebeu. Criança nasceu no dia 17/04/14, a
termo, parto vaginal sem intercorrências. PAN=2935g, estatura 47cm, APGAR 1’=8 e
5’=9. Criança esteve em amamentação exclusiva até o 3o mês de vida, atualmente com
alimentação complementar com Nutribom. História pregressa negativa para cirurgias,
internações, alergias. Vacinação em dia. Ao exame físico, além da fimose relatada, foi
observada criptorquidia bilateral, com testículos não palpáveis, e presença de pápulas
eritematosas na região inguinal direita. Paciente afebril, acianótico, anictérico,
hidratado, sem outras alterações ao exame. Como hipóteses diagnósticas, tem-se a febre
ocasionada por erupção dentária, dermatite atópica na região da fralda, e criptorquidia
bilateral. O paciente foi encaminhado para avaliação cirúrgica da criptorquidia e
aguarda marcação da consulta. Discussão: O escroto provê um ambiente que é cerca de
4ºC menor que a temperatura corporal, o que é essencial para sua função normal. A
falha da acomodação testicular no escroto após o nascimento leva a anormalidades
progressivas na bioquímica e fisiologia dos testículos, o que interfere na maturação
normal das espermatogônias. Atualmente recomenda-se que seja realizada orquiopexia
entre 3 e 6 meses de idade caso os testículos persistam não deiscentes após o
nascimento, baseado na ideia de que as anomalias das células germinativas são
potencialmente preveníveis ou reversíveis com a colocação dos testículos no ambiente
107
correto. Os benefícios da realização de exames de imagem em pacientes com testículos
não palpáveis é controverso. O sucesso da cirurgia alcança taxas de até 92% de sucesso.
Referências:
Hutson, JM; Clarke, MCC. Current Management of Undescended Testicle. Seminars in
Pediatric Surgery, 16(1) 64-70, (2007)
Comploj, E; Pycha, A. Diagnosis and Treatment of Cryptorchidism. European
Urology Supplements, 11, 2-9, (2012)
108
APRESENTAÇÕES ORAIS – DISCIPLINA CLÍNICA CIRÚRGICA
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
CIRURGIA BARIÁTRICA E SUAS REPERCUSSÕES NA OBESIDADE E NO
DIABETES MELLITUS TIPO 2
Iure Kalinine Ferraz de Souza
Natália Cristina Carvalho de Souza Renata Barbosa Nogueira Gibram
Vítor Antonacci Condessa
Waleska Brito Rabelo
Wanessa Torres Bernardes
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: O Diabetes Mellitus (DM) é uma doença crônica caracterizada como
uma síndrome de múltipla origem devida à não produção de insulina ou mesmo à
incapacidade desta de exercer plenamente suas funções. Entre os seus tipos, destaca-se o
DM tipo 2 (DM 2), que representa 90% dos casos. Sua característica é a hiperglicemia
que, de acordo com Gross et al.,2002, se manifesta por sintomas como poliúria,
polidipsia, polifagia,perda de peso, visão turva e por complicações agudas, como a
cetoacidose diabética. A hiperglicemia crônica está associada à disfunção de órgãos,
especialmente olhos, rins, nervos, coração e vasos sanguíneos. Um importante fator de
risco para a evolução do DM 2 é a obesidade. Segundo Fontaine KR,et al,2003, a
obesidade caracteriza-se pelo acúmulo excessivo de gordura corporal e pode acarretar
em distúrbios respiratórios, locomotores e dermatológicos, favorecendo, também, o
surgimento de doenças letais, além do DM 2, como dislipidemias e doenças
cardiovasculares. A indicação de cirurgia abrange a análise de múltiplos fatores em
relação às manifestações clínicas de cada paciente. Para tanto, faz-se necessário uma
avaliação multidisciplinar. A cirurgia bariátrica é o tratamento mais efetivo para
obesidade grau III. Além disso, são observadas prevenção, melhora e reversão do DM
2. Logo, a finalidade da cirurgia consiste em melhorar tanto a qualidade, quanto a
expectativa de vida do paciente obeso. OBJETIVOS: O objetivo geral do presente
trabalho foi determinar a relação entre a cirurgia bariátrica e seus efeitos sobre DM 2,
no que concerne à redução de glicemia e outros parâmetros metabólicos após a cirurgia.
Os específicos foram entender a fisiopatologia que envolve a obesidade, o DM 2 e o
pós-cirúrgico; esclarecer as indicações para tratamento cirúrgico e conservador; destacar
as principais vantagens e desvantagens das cirurgias bariátricas realizadas atualmente,
bem como suas técnicas. MÉTODOS: Foi realizada uma revisão bibliográfica e a busca
consistiu nos tipos de cirurgias bariátricas correlacionadas à remissão ou melhora do
DM 2 nas plataformas eletrônicas Scielo, Lilacs, PubMed e Periódicos Capes. As
palavras-chave utilizadas foram: “cirurgia bariátrica”, “fisiopatologia”, “Diabetes
109
Mellitus”, e seus correspondentes na língua inglesa. RESULTADOS: Os tratamentos
da obesidade e da DM 2 coincidem em vários aspectos como perda de peso com
melhora da ingesta alimentar e atividade física. Há, ainda, as alternativas
medicamentosas e cirúrgicas. Vários estudos realizados nas últimas décadas mostraram
que pacientes que sofriam de obesidade associada ao DM 2, tiveram, além da perda de
peso, a normalização da glicemia e, muitas vezes, a remissão completa da doença sem a
necessidade de medicamentos orais e/ou insulina. CONCLUSÕES: As cirurgias
bariátricas têm feito com que muitos pacientes alcancem a normalização total ou parcial
dos valores de glicemia, o que demonstra ser um tratamento efetivo do DM 2. Porém, é
preciso atentar-se para o imediatismo que surge a partir de procedimentos cirúrgicos a
despeito dos riscos que eles trazem. Deve-se ressaltar que os resultados não são os
mesmos para todos os pacientes.
Palavras-chave: Cirurgia Bariátrica, Fisiopatologia, Diabetes Mellitus
REFERÊNCIAS:
1-ERBERLY LE, et al For the Multiple Risk factor Intervention Trial Research
Group.Diabetes Care 2003; 26:848-54.).
2-MONTEIRO CA, CONDE WL. A tendência secular da obesidade segundo estratos
sociais: nordeste e sudeste do Brasil, 1975-1989-1997. Arq Bras Endocrinol Metabol
1999; 43(3):186-94.)
110
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
CIRURGIA TRANSLUMINAL ENDOSCÓPICA POR ORIFÍCIOS
NATURAIS (NOTES): REVISÃO DE LITERATURA
Iure Kalinine Ferraz de Souza
Francis Junior de Miranda Alves
Jordan M.S. Araujo
Lídia Lelis Leal
Raquel Domingos da Costa
Roberta Alves Pereira
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: A Técnica cirúrgica endoscópica transluminal por orifícios
naturais (NOTES) surgiu da confluência de endoscopia e laparoscopia em 2004 com
equipe liderada por Kalloo. NOTES apresenta as vias de acesso Transvaginal,
Transgástrica, Transesofágica, Transretal e Transvesical e ocorre por meio da
perfuração intencional e controlada de vísceras para acessar a cavidade peritoneal ou
torácica. As abordagens incluem o tipo Pura, na qual utiliza-se apenas a via endoscópica
e Híbrida, na qual são utilizadas as vias laparoscópica e endoscópica. OBJETIVOS:
revisão da literatura e apresentação das principais técnicas da NOTES. DISCUSSÃO:
NOTES via oral é uma técnica inovadora para o acesso à cavidade abdominal por via
transgástrica, e para o acesso ao tórax, por via transesofágica. Pela via transgástrica é
viável a execução de procedimentos como esplenectomia, gastrojejunostomia,
gastrojejunostomia em Y de Roux, colecistectomia, ooforectomia, laqueadura tubária. A
partir da via transesofágica, pode-se realizar excisão de adenoma de paratireoide,
mediastinoscopia simples e operações do epicárdio. Além disso, podem-se realizar
procedimentos como toracoscopia e mediastinoscopia para estadiamento de doenças
oncológicas, realização de biópsia, linfadenectomia, ressecção de pulmão e para a
resolução de acalasia. Os procedimentos por NOTES transvaginal são os mais
realizados, dentre eles colecistectomia, apendicectomia e gastrectomia. A NOTES
transvaginal pode apresentar menor potencial de complicações como fístula e peritonite,
quando comparado a outras vias de acesso, mas apresenta como desvantagens a
restrição da técnica à população feminina, o uso de antibióticos, a necessidade de
cateterismo vesical e o risco de infecção. Já os procedimentos de NOTES transvesical,
como nefrectomias, peritoneoscopia e procedimentos no diafragma permitem a
realização de acesso à cavidade abdominal através da uretra. A NOTES transanal pode
ser realizada através de abordagens transretais e transcolônicas Para viabilizar tais
acessos, foi desenvolvida a plataforma TEM (Transanal Endoscopy Microsurgery), que
representa alternativa minimamente invasiva para lesões do reto e contribui para a
padronização de abordagens transluminais. O acesso transanal pode ser útil no
diagnóstico de doenças intra-abdominais e no estadiamento do câncer, bem como
representa alternativa para acesso a doenças do cólon esquerdo, como câncer de reto e
sigmoide, doença diverticular e colite ulcerativa. Dentre as vantagens, destacam-se a
possibilidade de ser utilizada em ambos os gêneros além de permitir a abordagem das
doenças extracolônicas e colônicas. Além disso, o canal retal permite a utilização de
instrumentos de maior diâmetro e recuperação de espécimes maiores. Apesar de suas
vantagens, o acesso transrretal foi o tipo de NOTES menos relatado, devido aos riscos
111
de contaminação e dificuldades no fechamento confiável do cólon. CONCLUSÃO:
NOTES tem um futuro promissor frente à evolução que já ocorreu, mas ainda necessita
de mais estudos e investimentos para sua total inclusão no meio propedêutico cirúrgico.
Palavras-chave: Cirurgia, Endoscopia, Transluminal.
REFERÊNCIAS:
1. BINGENER, J.; IBRAHIM‐ZADA, I. Natural orifice transluminal endoscopic
surgery for intra‐abdominal emergency conditions. British Journal of Surgery, v. 101,
n. 1, p. e80-e89, 2014.
2. TYSON, Mark D.; HUMPHREYS, Mitchell R. Urological applications of natural
orifice transluminal endoscopic surgery (NOTES). Nature Reviews Urology, 2014.
112
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
ATENDIMENTO AO PACIENTE POLITRAUMATIZADO
Iuri Kalinine Ferraz de Sousa
Bruno de Araújo Pinheiro Christian Gomes Cardoso Viana João Luis de Freitas
Sílvio Vassão Júnior Wanderley Souza
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
Introdução: Responsável pela segunda ou terceira causa de morte na maioria dos
países, o trauma, chega a ser responsável por cerca de 80% das mortes que ocorrem na
adolescência. No Brasil, cerca de 130 mil mortes por ano e mais de 400 mil sequelas
importantes ocorrem devido ao trauma. O primeiro atendimento ao paciente
politraumatizado constitui importante passo para a diminuição da taxa de mortalidade
deste, e para que isto ocorra, é necessário o atendimento pré-hospitalar adequado e
rápida admissão hospitalar. Tendo em vista a importância do atendimento préhospitalar, é fundamental que ocorra uma abordagem sistematizada com respeito da
ordem de gravidade das lesões, seguindo a regra do ABCDE, preconizado pelo
Advanced Trauma Life Support (ATLS). O tratamento do doente consiste em avaliação
primária rápida, reanimação das funções vitais, avaliação secundária mais
pormenorizada possível e, finalmente, o início do tratamento definitivo. Em alguns
países desenvolvidos como Estados Unidos da América e Canadá existe um sistema de
registro de trauma integrado, o qual constitui um banco de dados específico para o
trauma. Estes registros coletam informações referentes aos traumatismos, classificamnos, definem a gravidade e agrupam as informações para análises individuais e
coletivas. No Brasil esses registros ocorrem de forma integrada somente em alguns
locais, e são fundamentais para direcionamento das decisões e ações pertinentes às
vítimas de trauma, tornando possível o conhecimento de causas e resultados do trauma
e, consequentemente, planos de intervenção e gastos de forma correta. Objetivos:
Reunir informações mais atuais possíveis sobre a assistência primária ao
politraumatizado. Abordando as condutas desde o transporte da vítima até o
atendimento hospitalar inicial. Discussão: As melhorias na organização e planejamento
dos serviços de trauma podem diminuir as complicações das vítimas de traumas. Para
isso, necessita-se de maior conhecimento sobre os óbitos após traumatismo, através de
estudos epidemiológicos e registros dos traumatismos em nível municipal e estadual.
Além disso, informações referentes ao atendimento pré-hospitalar da vítima, e a
integração entre os hospitais de complexidades diferentes e o Instituto Médico Legal.
Conclusão: Vê-se que é fundamental um atendimento inicial adequado ao paciente
politraumatizado, seguindo protocolos e diretrizes preconizados em diversos países.
Alguns países desenvolvidos possuem um sistema organizado de registro de
atendimento com abrangência nas diferentes fases do trauma, contribuindo para baixos
índices de mortalidade. Esse sistema é avaliado por programas de controle de qualidade,
que constituem parte fundamental na melhoria do atendimento ao paciente
politraumatizado. Estudos mais abrangentes devem ser realizados no Brasil, a fim de
implantar um sistema organizado de registro e programas de controles do trauma,
diminuindo a morbimortalidade das vítimas de trauma.
Palavras chaves: trauma, mortalidade, registros médicos.
113
REFERÊNCIAS:
FRAGA, Gustavo Pereira. Programas de qualidade no atendimento ao trauma.
Medicina (Ribeirão Preto); 40 (3):321-8, jul./set, 2007. Disponível em:
<http://www.revistas.usp.br/rmrp/article/view/329>. Acesso entre 20 e 25 de novembro
de 2014.
ALBINO, Rubia Maria; RIGGENBACH, Viviane. Atendimento hospitalar inicial ao
politraumatizado. Arquivos Catarinenses de Medicina; Vol. 33; n°.3; 2004. Disponível
em: <http://www.acm.org.br/revista/pdf/artigos/179.pdf>. Acesso entre 20 e 25 de
novembro de 2014.
114
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DA INSUFICIÊNCIA HEPÁTICA AGUDA
E INSUFICIÊNCIA HEPÁTICA FULMINANTE: PERSPECTIVAS E MANEJO
BASEADO EM EVIDÊNCIAS
Iure Kalinine Ferraz de Souza
Ana Luiza Martins Reggiani Gabriela Oliveira Leopoldo
Gabriella Noronha Frois
Heloisa Cirilo Sousa
Jesssica Almeida Horta Duarte
Maria Gabriela Ribeiro Madeira
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina.
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil.
INTRODUÇÃO: Insuficiência hepática aguda (IHA) é uma síndrome rara que pode ser
definida por um rápido declínio na função hepática caracterizada por icterícia,
coagulopatia (razão normalizada internacional [RNI] >1.5) e encefalopatia hepática em
pacientes sem evidência de doença hepática prévia. A classificação da Insuficiência
Hepática é feita de acordo com o tempo decorrido entre a icterícia e o início da
encefalopatia hepática, podem ser usados os seguintes termos para caracterizar a
síndrome: falência hepática superaguda, aguda e subaguda. Em outra classificação
foram utilizados dois termos: falência hepática subfulminante é aquela na qual a
encefalopatia se instala duas a 12 semanas após o início da icterícia enquanto falência
hepática fulminante é aquela na qual a encefalopatia se instala antes de duas semanas.
Identificar a causa da insuficiência hepática aguda (IHA) tem importante valor
prognóstico, além de determinar se devem ser iniciadas terapias específicas para uma
determinada etiologia. OBJETIVOS: Este trabalho tem como objetivo elucidar as
principais características e o diagnóstico e manejo da insuficiência hepática sem
distinção etiológica, com enfoque no reconhecimento e manejo da insuficiência hepática
fulminante. DISCUSSÃO: O quadro clínico na insuficiência hepática aguda pode se
apresentar de maneira insidiosa, ou rápida e progressiva, podendo levar à insuficiência
de múltiplos órgãos e sistemas. Inicialmente os sintomas são inespecíficos, e incluem
náuseas, mal-estar e fadiga, além da icterícia que se manifesta logo no começo da
doença. Devemos ressaltar que a falência hepática aguda é uma síndrome na qual, além
do fígado, outros órgãos podem ser acometidos, como o cérebro, rins, pulmões, medula,
sistema circulatório e sistema imunológico. A IHA pode levar a uma necrose hepática
maciça e outras complicações como síndrome hepatorrenal, icterícia, hipoalbuminemia,
coagulopatia, hipoglicemia e infecções. Várias dessas complicações ocorrem
simplesmente devido à perda das funções normais do fígado. Entretanto, a complicação
mais temida é a encefalopatia hepática, que consiste em um conjunto de manifestações
neuropsíquicas (alterações na personalidade, da capacidade intelectual e consciência;
tremores musculares e nos casos graves, coma). O estadiamento do quadro é
normalmente realizado com base na gravidade do quadro clínico. As manifestações
clínicas podem ser precipitadas por aumento de proteínas na dieta, cirurgia, hemorragia
gastrointestinal, infeccções ou administração de drogas. CONCLUSÃO: Conclui-se
que a Insuficiência Hepática Fulminante (IHF) durante a sua evolução causa síndrome
115
de falência de múltiplos órgãos, por isso é necessário uma visão global da doença. O
monitoramento em unidade de terapia intensiva (UTI) durante a hospitalização é muito
importante no manejo de pacientes com insuficiência hepática aguda (IHA), a fim de
fornecer cuidados ideais e minimizar complicações. Insuficiência hepática
fulminante (IHF) é talvez a maior e mais grave emergência em Hepatologia. Sem o
diagnóstico precoce e o tratamento apropriado, incluindo transplante hepático em
muitas ocasiões, a mortalidade alcança cifras de 80 a 90%.
Palavras chave: cirurgia, fígado, hepatopatias.
Referências
Bernal W et al. Lessons from look-back in acute liver failure? A single centre
experience of 3300 patients. J Hepatol. 2013 Jul; 59(1):74–80.
Rutherford A et al. Development of an accurate index for predicting outcomes of
patients with acute liver failure. Gastroenterology. 2012 Nov;143(5):1237–43.
116
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
MEGACÓLON TÓXICO
Iure Kalinine Ferraz de Souza
Amanda Freire Vieira
Larissa Amaral Lauriano
Luísa Coutinho Teixeira
Rodrigo Vilela Ventura
Samuel Silva Ferreira
Túlio Henrique Versiani de Oliveira
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: O Megacólon tóxico (MT) é uma complicação grave da doença
inflamatória intestinal (DII): retocolite ulcerativa (RCU) e doença de Crohn (DC) ou da
colite infecciosa, principalmente infecções por Clostridium difficile e citomegalovírus
(CMV). Caracteriza-se por dilatação colônica não-obstrutiva, total ou segmentar, de
pelo menos seis centímetros, associada a sinais de toxicidade sistêmica. A incidência de
MT na RCU e na DC é de 1% a 5%. A colite pseudomembranosa por Clostridium
difficile pode evoluir para MT em 0,4 a 3% dos casos. OBJETIVOS: Revisar as
principais doenças relacionadas com a complicação do MT e analisar as caracteristicas
clínicas, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento do megacólon tóxico através de revisão
bibliográfica. DISCUSSÃO: O processo inflamatório das colites pode se estender para
as camadas de músculo liso e para a serosa. Essa condição permite a migração
neutrofílica e macrofagocítica para a parede colônica, bem como induz a secreção de
mediadores inflamatórios e óxido nítrico (NO). A elevação local de NO reduz o tônus
da musculatura lisa do cólon, o que permite a sua dilatação. Os critérios para o
diagnóstico do MT são: evidência radiográfica de distensão colônica, com a presença de
pelo menos três dos seguintes: febre maior que 38ºC, frequência cardíaca superior a 120
bpm, leucocitose neutrofílica superior a 10.500 cels/mm³ ou anemia e pelo menos um
dos seguintes: desidratação, alteração do estado de consciência, distúrbios eletrolíticos
ou hipotensão. Como propedêutica complementar solicita-se o hemograma, Proteína C
Reativa (PCR), Velocidade de Hemossedimentação (VHS) e gasometria arterial em
caso de repercussão hemodinâmica ou absortiva. A Radiografia simples de abdome
auxilia no diagnóstico e monitoramento diário da evolução clínica do doente. A
Endoscopia digestiva é particularmente útil quando a etiologia não está definida,
sobretudo em pacientes com doença inflamatória intestinal desconhecida. A
colonoscopia é contra-indicada devido ao alto risco de perfuração do colo. O tratamento
baseia-se na estabilização e controle dos dados vitais do paciente, bem como das
alterações nos exames complementares. Terapia específica da doença de base é
essencial. Recomenda-se a utilização de Vancomicina intracolônica em colite
infecciosa. O tratamento com ciclosporina A para colite ulcerativa grave tem boa
resposta incial e reduz a necessidade de colectomia de urgência, mas apresenta efeitos
colaterais. Em pacientes com doença inflamatória intestinal, corticosteróides
intravenosos são a base do tratamento. Novas abordagens como o uso de Ifliximabe e
leucocitaferese demonstraram efetividade no controle do MT. A abordagem cirúrgica é
indicada após 48-72 horas de falha terapêutica medicamentosa. A cirurgia de escolha é a
colectomia total ou subtotal com ileostomia terminal. CONCLUSÃO: O MT é uma
117
complicação potencialmente letal das doenças inflamatórias intestinais, portanto, é
importante que se tenha conhecimento das patologias de base que levam ao quadro, para
estabelecer o diagnóstico precoce e tratamento adequado com intuito de melhorar a
qualidade de vida do paciente.
PALAVRAS-CHAVE: Megacólon tóxico; Retocolite ulcerativa; Colite
REFERÊNCIAS:
MINIELLO, S. et al. Toxic megacolon in ulcerative rectocolitis. Current trends in
clinical evaluation, diagnosis and treatment. Ann Ital Chir, v. 85, n. 1, p. 45-9, 2014
Jan-Feb
2014.
ISSN
2239-253X.
Disponível
em:
<http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24755987>.
AUTENRIETH, D. M.; BAUMGART, D. C. Toxic megacolon. Inflamm Bowel Dis, v.
18, n. 3, p. 584-91, Mar 2012. ISSN 1536-4844. Disponível em:
<http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22009735>
118
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
ABDOME AGUDO INFANTIL
Orientador: Professor Dr. Iuri Kalinine
Aline Ferreira Ricieri
Catarine Alves Silveira
Cecília Carneiro e Silva
Fernanda de Faria Mariano
Fernanda Mendes Oliveira Rossi
Lígia Barros de Oliveira
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: A expressão “abdome agudo” refere-se a sinais e sintomas de dor
intensa e súbita e sensibilidade abdominal, uma manifestação clínica que, em geral,
requer terapia cirúrgica de emergência (TOWNSEND, 2010). As causas de abdome
agudo podem ser divididas em congênitas e adquiridas. As principais causas congênitas
são: atresia duodenal, atresia de vias biliares, atresia de esôfago, anomalia anorretal,
obstrução intestinal e obstrução biliar. As causas adquiridas são obstrutivas ou
inflamatórias, como a apendicite, colecistite e pancreatite agudas. As obstrutivas
incluem: obstrução secundária a bridas pós-operatórias, invaginação intestinal,
neoplasias (linfoma não Hodgkin), hérnia inguinal encarcerada e obstrução intestinal
por novelo de Ascaris lumbricoides. OBJETIVOS: Estudar o tema abdome agudo:
causas, quadro clínico e tratamento, e propor um esquema de propedêutica inicial, no
atendimento da criança com abdome agudo, voltado para o médico generalista.
MÉTODOS: Realizar uma revisão não sistemática com base em artigos datados de
2010 em diante e livros teóricos como fonte auxiliar. RESULTADOS: No lactente, as
causas mais comuns de abdome agudo são: invaginação intestinal, anomalias anorretais,
estenose pilórica, atresia de íleo e de colón, volvos e bridas, e alguns autores também
trazem as hérnias encarceradas como causas. As causas mais comuns na idade préescolar e escolar são: apendicite aguda, colecistite aguda, secundária a bridas pósoperatórias, invaginação intestinal, neoplasias, hérnia inguinal encarcerada, obstrução
intestinal por novelo de A. lumbricoides e pancreatite aguda. A faixa etária de lactente
inclui crianças de 28 dias até dois anos, os pré-escolares são as crianças de 2 a 6 anos e
119
os escolares são as crianças de 6 a 10 anos. CONCLUSÕES: O abdome agudo é
relativamente comum em crianças, por isso é importante saber avaliar e identificar a
causa dessa doença. Além disso, é preciso atender de imediato esse paciente e saber
conduzir o quadro, pois o abdome agudo pode ter repercussões graves para a vida da
criança. O cirurgião, responsável pelo tratamento de abdome agudo em crianças, deve
ter conhecimento das particularidades existentes na manifestação de uma mesma
afecção em indivíduos de faixas etárias diferentes. Dessa forma, é de grande
importância que esse tema seja a abordado e as características das diversas síndromes
sejam estudadas.
PALAVRAS-CHAVE: abdome agudo infantil, dor abdominal, tratamento do abdome
agudo
REFERÊNCIAS:
1.
TOWNSEND; BEAUCHAMP; EVERS; MATTOX; SABISTON, Tratado de
cirurgia- A base biológica da prática cirúrgica moderna. 18° edição, volume 2, Editora:
Elsevier, Rio de Janeiro, 2010
2.
Moore, C. Anne Waugh. "Duodenal Atresia and Duodenal Stenosis." Pediatric
Radiology (2013): 116.
120
APRESENTAÇÕES ORAIS – DISCIPLINA SEMIOLOGIA PEDIÁTRICA
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
AVALIAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO E CRESCIMENTO EM LACTENTE
DE 6 MESES A PARTIR DE CONSULTAS DE PUERICULTURA NO POSTO
DE SAÚDE DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO
Helena Távora de Senna Albuquerque Guimarães
Bruna Ferraz Lima
Orientadora: Lélia Maria Carvalho
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: Estima-se que 17% das crianças (0 a 18 anos) têm um transtorno do
desenvolvimento e/ou do comportamento. Porém, apenas 30% são identificados antes
de entrada na escola. Na clínica de atenção primária, as famílias encontrarão
profissionais capazes de detectar eventuais intercorrências. A vigilância e a triagem
baseada em evidências facilita a identificação antecipada dos problemas de
desenvolvimento e de crescimento e possibilita o encaminhamento precoce para
intervenção. A fim de otimizar a identificação precoce de crianças com tais problemas,
a Academia Americana de Pediatria recomenda que todos os bebês e crianças sejam
rastreados para atrasos de desenvolvimento. A seguir, relato de caso de um lactente com
adequados desenvolvimento e crescimento para a idade. RELATO DO CASO
CLÍNICO: Primeira consulta: D.H.M.G, sexo masculino, 5 meses, natural de Ouro
Preto, data de nascimento 21/05/2014. Paciente acompanhado da mãe. Bom estado
geral, ativo, reativo, normocorado, hidratado. Gestação sem intercorrências, com 6
consultas de pré-natal, nasceu com 38 semanas, de parto natural, alta junto à mãe.
Apresentou índice de Apgar 9/10; peso 3,030 Kg; 47cm de comprimento, perímetro
cefálico: 34 cm. Alimenta-se de leite materno exclusivo. Apresenta cartão de vacinas
atualizado. Exame físico: Peso 6,950kg, comprimento 66,5cm, IMC 16,44. Perímetro
cefálico (PC): 43,5cm, perímetro torácico (PT): 43cm, perímetro abdominal 38cm.
Frequência cardíaca (FC): 125bpm, pulsos braquiais e femorais palpáveis, simétricos e
sem alterações. Testículos eutópicos. Z escore: entre 0 e -2 para peso, entre 0 e 2 para
comprimento e entre 0 e 2 para PC. Impressão diagnóstica: Adequados crescimento e
desenvolvimento para a idade. Segunda consulta: D.H.M.G, 6 meses, acompanhado da
mãe. Paciente hidratado, normocorado, ativo, reativo. A mãe introduziu papa salgada e
121
frutas, além do leite materno. Atraso no calendário vacinal. Mãe relata que D.H.M.G
rola há 2 meses, senta sem apoio há 1 mês e leva objetos à boca. Exame físico: Peso
7.445 Kg, comprimento 68cm. PC 46 cm, PT 45 cm, perímetro abdominal 36 cm. FC
130 bpm, pulsos braquiais e femorais sem alterações. Exame físico do aparelho genital:
Fimose. Z escore entre 0 e -2 para peso, entre 0 e 2 para comprimento e entre 0 e 2 para
PC. Impressão diagnóstica: Adequados crescimento e desenvolvimento para a idade;
Fimose. Conduta: Encaminhamento para cirurgia ambulatorial e orientação a respeito
das vacinas. DISCUSSÃO: Nos últimos vinte anos a expectativa de vida da população
aumentou, e uma proporção importante disso decorre da redução da mortalidade
infantil. Entretanto, isso nem sempre foi acompanhada por uma melhoria nas condições
de vida das crianças e de suas famílias em geral, no Brasil. Assim, vê-se a importância
da consulta pediátrica completa na atenção primária, que possibilita traçar um
diagnóstico e conduta precoces. Estas condições são preponderantes para alcançar as
Metas de Desenvolvimento do Milênio para 2015. Isso contribuirá para o incremento da
sobrevivência infantil e da qualidade de vida das crianças.
Palavras chave: cuidado do lactente, desenvolvimento infantil, pediatria
Referências:
1. LAROSA, Angela. Developmental-behavioral surveillance and screening in
primary
care.
UpToDate.
2014.
Disponível
em:
<http://www.uptodate.com/online>. Acesso em: 25/11/2014
2. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Manual para vigilância do desenvolvimento infantil
no
contexto
da
AIDPI.
Disponível
em:
<file:///C:/Users/PC/Dowloads/si_desenvolvimento.pdf> Acesso em: 25 de
Novembro de 2014.
122
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
VARICELA: UM RELATO DE CASO
Juliana Oliveira Pedrosa
Mariana Fontes Pereira
Maria Cristina Veiga Aranha Nascimento
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUCÃO: Paciente, C.E.S., 8 meses, feminino, leucoderma, admitido na Santa
Casa de Ouro Preto em 04/11/14. Relata aparecimento de lesões cutâneas difusas,
acompanhada de febre de 39°C iniciados há 7 dias. Associado ao quadro apresentou
vômitos, prostração, hiporexia e fadiga. Foi diagnosticada com Varicela infectada.
Embora considerada uma doença benigna da infância, atualmente tem-se demonstrado
uma crescente incidência de complicações severas com um alto potencial de morbimortalidade em crianças e adultos previamente saudáveis. Por isso destaca-se a
relevância em se realizar um estudo dessa doença e possíveis diagnósticos diferenciais.
O objetivo deste trabalho é apresentar um relato de caso clínico de varicela infectada em
lactente, seu diagnóstico e evolução. Para realização desse trabalho foi assinado termo
de consentimento pela responsável da paciente. RELATO DE CASO: Em 04/11/2014
criança apresentou lesões pústulo crostosas infectadas por todo o corpo acompanhada de
febre e relato de que há 6 dias apresentou lesões cutâneas (pápulo-vesiculosas) difusas
acompanhadas de febre de 39°C e há 2 dias, com progressão das lesões e aumento da
febre. Apresentou ainda episódios de hiporexia, vômito e diarreia. Relata contato com
outras crianças do bairro com lesões semelhantes. Nega passado de alergias, internações
ou doenças anteriores. Pré-natal de baixo risco, com acompanhamento adequado. Parto
cesáreo, 39 semanas. Peso ao nascimento: 3,600kg. Ao exame físico à admissão
apresentava-se ativa, reativa, com mucosas hidratadas, corada, anictérica, acianótica,
urina sem alterações, fezes amolecidas, recusa alimentar, aceitando apenas o leite
materno. Demais aparelhos: sem alterações. Tratada com Oxacilina 100mg/kg/dia mais
sintomáticos. Paciente evoluiu satisfatoriamente, afebril desde o início do tratamento,
com alta após 3 dias de internação, em 7/11/2014, com manutenção da
antibióticoterapia (cefalexina) por mais 5 dias e sintomáticos. Em 12/11/14 paciente
retorna para consulta ambulatorial, no Posto de Saúde da UFOP, apresentando melhora
do aspecto geral, do apetite e do sono, diminuição do tamanho e número das lesões
cutâneas. Recebeu alta ambulatorial com diagnóstico de varicela infectada curada.
DISCUSSÃO: A varicela é uma doença de alta contagiosidade, causada por um vírus
pertencente à família Herpetoviridae. A maioria dos casos ocorrem em crianças com
menos de 10 anos. Manifesta-se por um período prodrômico caracterizado pelo
123
surgimento súbito de febre baixa ou moderada, (podendo durar de horas até 3 dias),
acompanhada de sintomas inespecíficos como cefaléia, vômito, anorexia e febre. Em
seguida ocorre o período exantemático com surgimento de pequenas lesões máculopápulas que dentro de horas tornam-se vesículas, evoluindo para formação de pústulas e
posteriormente crostas. O diagnóstico é essencialmente clínico, devendo-se afastar a
criança do ambiente escolar e de outras pessoas, por um período de 7 dias ou até que
todas as vesículas tenham se transformado em crostas. Apresenta-se como doença
benigna ao acometer crianças sadias. É considerado caso de alerta quando acomete
crianças internadas, ou imunodeprimidas.
Palavras-chaves: Varicela, lactente, criança.
Referências:
1- LEAO, Enio; CORREA, Edison. Pediatria Ambulatorial. Editora
COOPMED. 4° edição, 2005.
2- PIVA, Pedro Jefferson; RAMOS GARCIA, Pedro celiny- Medicina
Intensiva em Pediatria- 1° Edição, Editora Revinter; Rio de Janeiro, 2005.
124
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
ACOMPANHAMENTO A CONSULTAS DE PUERICULTURA DE
LACTENTE DO SEXO FEMININO
Orientador: Lélia Maria de Almeida Carvalho
Autores:Carla Gomes de Paiva
Larissa Meireles Braga
Lauanny Ribeiro Aguiar
Linamar Salomé Santana Machado
Universidade Federal de Ouro Preto
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
Introdução: A puericultura, conjunto de técnicas adotadas para garantir o perfeito
desenvolvimento físico e mental da criança desde a gestação até 4 ou 5 anos de idade,
através da prevenção de doenças e promoção da saúde, deve ser realizada
periodicamente, de modo que o pediatra possa acompanhar crescimento e
desenvolvimento da criança. Ressalta-se que o crescimento vai além do aspecto físico,
englobando aspectos mentais, sociais e afetivos do ser humano. Cabe ao pediatra
orientar os pais sobre os cuidados que devem ter para que a criança tenha um
crescimento saudável. Em uma consulta de puericultura são analisados o
desenvolvimento neuropsicomotor, o crescimento físico e nutrição bem como a
vacinação. Nesse trabalho será relatado sobre três consultas de puericultura realizadas
em lactente do sexo feminino na Unidade Básica de Saúde Bauxita no período de
29/09/14 a 24/11/14. Relato do caso clínico: AGS, sexo feminino, nascimento em
18/09/13, natural de Ouro Preto, apresenta-se com a mãe, informante, no dia 29/09/14,
com queixa de “caroço na cabeça”. Desde então, vem sendo acompanhada pela equipe
de pediatria da Bauxita. O nódulo apresenta consistência endurecida, móvel, sem sinais
flogísticos. Foi percebido aos 4 meses de idade e encontra-se na região occipital direita,
com aumento de tamanho ao longo de 8 meses, mas nos últimos 2 meses tem regredido.
Na primeira consulta paciente possuía obstrução nasal, excesso de secreção nasal
esverdeada, orofaringe e membrana timpânica direita hiperêmica. Relato de respiração
bucal e roncos esporádicos. Alimentação: leite materno associado à alimentação
familiar. Dados antropométricos: peso foi 8.810 kg, perímetro cefálico 45cm,
comprimento: 72cm. Na terceira consulta, retornou apenas para controle, queixando-se
de corisa nasal. Dados antropométricos: peso foi 8.800 kg, perímetro cefálico 45cm,
comprimento: 74cm. O nódulo na região occipital direita estava presente em ambos os
atendimentos. Teve episódios de diarréia nos dias 10 e 11 de outubro. No segundo
atendimento não foram aferidos dados antropométricos, pois foi somente um retorno
para acompanhamento do tamanho do nódulo. Observa-se que a criança apresenta
adequado padrão de crescimento para sua idade, está com as vacinas em dia e possui
125
uma alimentação adequada. O nódulo na região occipital ainda precisa ser esclarecido.
Foi prescrito azitromicina para combater a infecção bacteriana responsável pela
secreção purulenta, e soro fisiológico para desobstrução das narinas na 1ª e 3° consultas.
Nas três consultas realizadas, a paciente apresentava-se anictérica, hidratada, afebril e
acianótica, e houve aconselhamento sobre a importância da hidratação oral. Estudos
mostram que crianças com idade de 8º mês até o final do 2º ano de vida costumam
chorar, dificultando o exame físico, o que foi constatado por nós, pois em nenhuma das
consultas foi possível mensurar a freqüência cardíaca da paciente, pois ele estava
chorando muito e irritada. Discussão: avaliar o crescimento da criança é de extrema
importância. A paciente apresenta crescimento adequado, pois seu comprimento e peso,
segundo a curva de acompanhamento, estão dentro da normalidade.
Palavras-chave: Puericultura; Lactente; Crescimento.
Referências:
Tratado de pediatria: Sociedade Brasileira de Pediatria. – 2.ed. – Barueri, SP: Manole,
2010.
Bonilha LRCM e RivorÍdo CRSF. Puericultura: duas concepções distintas. Jornal de
Pediatria
Vol.
81,
Nº1,
2005.
Disponível
em
http://www.scielo.br/pdf/jped/v81n1/v81n1a04.pdf. Acesso em 24 de novembro de
2014.
126
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
APENDICITE AGUDA EM PACIENTES PEDIÁTRICOS:
PARTICULARIDADES E ACHADOS NA ANAMNESE E EXAME FÍSICO
Orientadora: Aline Joice Pereira Gonçalves Nicolato
Autores: Fernanda Pinheiro Manhães
Ludmila Moreira Cruz
Luisa Guimarães Hofner
Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
Introdução: Apendicite aguda é a inflamação do apêndice decorrente de sua obstrução
por fecalitos, hiperplasia linfoide, corpos estranhos ou tumor. Dor periumbilical ou
difusa, mal localizada, migrando, posteriormente, para fossa ilíaca direita, acompanhada
de anorexia, náusea, vômito e, às vezes, febre baixa são os principais achados durante a
anamnese e o exame físico. Além disso, vê-se sinais positivos para as manobras de
Blumberg, Rovsing, Psoas e Obturador em alguns casos. A apendicite aguda representa
a principal causa de abdome agudo cirúrgico de emergência na criança maior de 2 anos
e é responsável por cerca de 10% de todas as admissões em salas de emergência
pediátrica. Relato do caso clínico: M. F. S., masculino, 10 anos, com queixa de dor
abdominal de início dia 15/11/14. Sem melhora no quadro, no dia 17/11/14, foi levado
pelos pais à Santa Casa de Ouro Preto com permanência da dor e ausência de febre. No
hospital, foi realizada anamnese e exame físico do paciente. Ao exame físico, observouse paciente corado, hidratado, anictérico, acianótico, afebril (temperatura axilar 36,2°C),
em posição antálgica, frequência cardiaca de 70 bpm, eupneico e com sinais de
Blumberg, Rovsing e Psoas positivos. Além disso, foi solicitada, como exame
complementar, uma ultrassonografia (US) abdominal pelo cirurgião. Na US, foi
evidenciada uma estrutura cilíndrica, fixa e distendida em fossa ilíaca direita,
corroborando com a suspeita de apendicite aguda. No dia 18/11/14, às 16h, o paciente
foi encaminhado ao bloco cirúrgico, onde foi realizada uma apendicectomia de campo
aberto, sem intercorrências. Discussão: Na criança, a apendicite apresenta-se com um
quadro atípico, caracterizado por letargia, vômitos mais intensos e diarreia mais
frequente. Por vez correlaciona-se a um diagnóstico tardio, principalmente nos menores
de 2 anos, quando a apendicite é incomum. Seu diagnóstico por meio da US depende do
estágio em que se encontra, sendo as principais dificuldades e erros no diagnóstico
exames de qualidade técnica pobre, incompletos e a posição do apêndice, que pode ser
retrocecal.No exame físico, podem ser encontrados abaulamentos ou desvios da cicatriz
umbilical e distensão abdominal sugere fase mais avançada da apendicite. Também é
127
observado taquicardia, hiperestesia cutânea, defesa muscular e massa palpável em
flanco inferior. Sobre as manobras realizadas, é observado a positividade do sinal do
Psoas em pacientes com apêndice retrocecal, devido ao contato direto da estrutura sobre
o músculo íleo-psoas, ou quando já existe um abcesso formado na região. A manobra de
Rovsing tem como base fisiológica a compressão do gás do colo em direção ao ceco e a
de Blumberg, dor à descompressão por irritação peritoneal. Relacionando-se os
principais sinais e sintomas da apendicite aguda, com aqueles apresentados pelo
paciente, pode-se ver que ele manifestou dor periumbilical mal localizada, náuseas,
vômito, defesa muscular e distensão abdominal. Apesar de serem sintomas comuns, a
anorexia e a migração da dor para fossa ilíaca direita não foram vistas no caso clínico
em questão.
Palavras-chave: apendicite infantil, anamnese, exame físico.
Referências:
•
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010039842003000200
004. Acesso em 20 de novembro de 2014.
•
http://www.scielo.br/pdf/rb/v40n3/11.pdf. Acesso em 20 de novembro de 2014.
128
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
SINOSTOSE RADIOULNAR CONGÊNITA: RELATO DE CASO
Orientador
Prof.ª Fátima Lúcia Guedes Silva
Autores
Carolina de Almeida e Silva
Jorge Costa Ribeiro
Márcio Massao Sueto
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto – Minas Gerais
Introdução: A sinostose radioulnar congênita é uma condição rara em que há uma
fusão total ou parcial do rádio com a ulna. Geralmente é uma deformidade isolada,
entretanto pode estar associada à outras anomalias, como a hipoplasia do polegar, o
sinfalangismo, o pé torto congênito, a artrogripose e a Sindrome de Apert. Pode ser
herdada de forma autossômica dominante, como também ocorrer sem história prévia da
doença na família. O objetivo do relato é trazer ao conhecimento esta anomalia rara e
demostrar a importância do acompanhamento clínico-pediátrico no estabelecimento do
diagnostico precoce em alterações ortopédicas. Relato do Caso Clínico: C.A.T, sexo
feminino, negra, 10 anos, vem à consulta queixando-se de hiperpneia e epistaxe. Refere
quadro crônico de hiperpneia ao repouso com cerca de 2 episódios por dia, nega fatores
de alívio ou agravo. Detalha ainda epistaxe crônica, cerca de 2 a 3 episódios por dia
com aproximadamente 1 minuto de duração, fazendo o uso de soro fisiológico e
hiperextensão cervical para aliviar o sangramento. Nega cirurgias ou internações
prévias, confirma prática de atividades físicas. História familiar negativa para
neoplasias, diabetes, dislipidemias e doenças ortopédicas hereditárias. Ao exame físico
apresentou cicatriz herpética na região lombar, sinostose radioulnar proximal em
membro superior esquerdo, cotovelo esquerdo valgo, geno valgo, hiperlordose,
escoliose, diferença de comprimento de membros inferiores e flacidez ligamentar.
Discussão: A sinostose radioulnar é uma condição rara pouco descrita na literatura,
podendo apresentar vários níveis de comprometimento da movimentação dos membros
superiores. O principal achado é um antebraço fixo, impedindo a pronação e com
reduzida capacidade de supinar o antebraço e a mão. Usualmente, não há alteração no
ombro ou na articulação distal. Apesar de ser um achado raro, o estabelecimento de um
diagnóstico diferencial é de grande relevância tendo em vista que a sinostose radioulnar
pode estar associada à outras síndromes, cursando inclusive com má formações
cardíacas em alguns casos. O tratamento deve ser avaliado individualmente, sendo a
indicação cirúrgica reservada a casos com problemas funcionais limitantes.
129
Palavras chave: Anormalidades congênitas, sinostose, extremidade superior.
Referências:
FRANCA BISNETO, Edgard Novaes. Deformidades congênitas dos membros
superiores. Parte II: falhas de formação e duplicação. Rev. bras. ortop., São Paulo, v.
48,
n.
1,
Feb.
2013.
Available
from
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010236162013000100003&lng=en&nrm=iso>. Acessado em: 28 Nov. 2014.
FARZAN M,., DANESHJOU KH, ., MORTAZAVI SMJ, ., ESPANDER R, ..
Congenital radioulnar synostosis: A report of 11 cases and review of literature. Acta
Medica
Iranica,
Tehran,
Iran,
40,
Apr.
2013.
Available
at:
<http://acta.tums.ac.ir/index.php/acta/article/view/2619>. Acessado em: 28 Nov. 2014.
130
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
CRANIOSSINOSTOSE, UM RELATO DE CASO.
Maria Cristina Veiga Aranha Nascimento
Caroline Ferreira Vieira
Geiza das Dores Conceição
Laís Sato dos Santos
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: Craniossinostose é uma condição patológica onde ocorre
ossificação prematura das fontanelas cranianas. Essa condição resulta em
crescimento e formato anormais de crânio, com ou sem alterações da função
cerebral (Bickley, 2013). Pode ocorrer em todas as suturas ou em apenas
algumas, o que permite, nesses últimos casos, o crescimento craniano através
das suturas não afetadas. A croniossinostose, por ser uma
patologia relativamente frequente, acometendo cerca de 0,6 recém nascidos a
cada 1.000 nascidos vivos, deverá constituir motivo de atenção especial por
parte do pediatra na avaliação em consulta de rotina. Quando ocorre a suspeita
de tal diagnóstico, o lactente deve ser encaminhado prontamente a uma
avaliação neurológica, uma vez que se indicada a cirurgia, a recuperação e o
prognóstico são melhores quanto antes efetuado o procedimento (Cristovão,
2006). Esse relato pretende chamar atenção dos profissionais de saúde para uma
patologia de simples detecção e onde o diagnóstico precoce pode ser o
diferencial para a melhoria da qualidade de vida do paciente. RELATO DO
CASO CLÍNICO: Recém-nascido, TMS, sexo masculino, 7 dias de vida,
melanoderma, antecedentes familiares irrelevantes. A mãe foi submetida à
colecistectomia laparoscópica quando ainda não tinha conhecimento da
gestação, no segundo mês, tendo feito uso de anestesia geral e no período póscirúrgico administração analgésico via oral, sem precisar o nome. Nascido de
parto normal, 39 semanas e 6 dias, com Apgar em 1’ e 5’ de 8 e 9
respectivamente. Peso do nascimento 3465g, comprimento 49 cm e perímetro
cefálico 36 cm. A configuração craniana era aparentemente normal, entretanto,
ainda no hospital, ao exame físico foi observado um estreitamento das
131
fontanelas. Submetido a uma Tomografia Computadorizada (TC), sem
evidências de alteração. O Perímetro cefálico no sétimo dia de vida foi de 36,5
cm, com um mês de 38,0 cm e com dois meses de 40 cm, mostrando
crescimento cefálico adequado. O paciente foi então encaminhado ao
neurologista que considerou o exame neurológico dentro da normalidade.
DISCUSSÃO: Nos recém-nascidos com estreitamento de fontanelas, as mães
devem ser orientadas sobre a importância do acompanhamento neurológico, uma
vez que existem técnicas não cirúrgicas e técnicas cirúrgicas para abordagem
destes casos. No relato, TMS apresenta um estreitamento de ambas as
fontanelas, entretanto, a ossificação ainda não se completou, não havendo,
portanto a indicação cirúrgica. A necessidade do acompanhamento neurológico
ainda assim se faz importante, pois caso essa fontanela estreitada complete
precocemente sua ossificação, a intervenção prematura é determinante na
evolução clínica, evitando sequelas morfológicas, hipertensão intracraniana e
déficits neurológicos. A atenção do Pediatra nesses casos mostra-se de suma
importância. A realização de um completo exame físico, incluindo em todas as
consultas de puericultura, medida do perímetro cefálico, palpação e medidas das
fontanelas é essencial no diagnóstico das craniossinostoses, além da boa
avaliação global, para exclusão de uma forma sindrômica de craniossinostose.
Palavras chave: craniossinostose, fontanelas, desenvolvimento.
REFERÊNCIAS:
Bickley LS, Szilagyi PG. Bates: Propedêutica Médica. 10ª edição. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2013.
Cristovão C, Emilio A, Soares MR, Dias AI, Matos M, Távora L. Craniossinostoses
Importância Clinica e Implicações Funcionais. Nascer e Crescer: Revista do Hospital de
Crianças Maria Pia. 2006, vol XV, nº 4:213-215.
Trad CS, Rosique RG. Craniossinostoses primárias: Ensaio Iconográfico. Radiol
Bras 2005; 38(5): 377-380.
132
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
DESENCADEADORES DO ATRASO NO DESENVOLVIMENTO
NEUROPSICOMOTOR EM RECÉM NASCIDA DE 11 MESES
Fátima Lucia Guedes Silva
Bianca Silveira
Mariane Habib Sales de Paula
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: As últimas décadas foram marcadas por grandes avanços nos
conhecimentos acerca do desenvolvimento da criança. Foi evidenciada a intensa
neuroplasticidade do cérebro humano, que é mais acentuada nos primeiros anos de vida,
e suscetível à estimulação. Desta forma, a evolução das crianças com alterações do
desenvolvimento poderia ser otimizada pelo diagnóstico e pela intervenção precoces.
Quanto menor o tempo para iniciar a estimulação maior será o aproveitamento da
plasticidade cerebral, e menores as alterações no desenvolvimento da criança. Nesse
sentido, a suspeita de atraso deve ser precoce, e baseada no conhecimento dos fatores de
risco associados a alterações do desenvolvimento. (MONTEIRO, Rosa; PUCCINI,
Rosana Fiorini; SILVA, Edina Mariko Koga da. Fatores de risco associados a
alterações no desenvolvimento da criança. Universidade Federal de São Paulo, Escola
Paulista de Medicina. 2007). RELATO DE CASO: M.A.S.R, sexo feminino, nascida
em 16/12/2013, na Santa Casa de Misericórdia de Ouro Preto. Segunda gemelar, a
primeira gemelar faleceu por pneumotórax. Idade gestacional 32 semanas. Nascida com
muito baixo peso (1250 g) e internada em UTI na cidade de São João Del Rei, para onde
foi transferida, por um mês e 15 dias. Apgar no primeiro minuto igual a 6 e no quinto
minuto igual a 7. Desenvolveu com desconforto respiratório e recebeu surfactante. No
dia da alta, pesava 1990 g. Desde então, acompanhada no centro de saúde do seu bairro.
Apresenta retardo no desenvolvimento neuropsicomotor, com teste de Denver II
compatível com 4 meses de idade e hipotonia cervical. Mãe com 25 anos de idade na
gravidez, sétima gestação, três partos, sendo um deles gemelar, e quatro abortos.
DISCUSSÃO: A maioria dos estudos relacionados ao fator de risco prematuridade
investiga a prevalência de paralisia cerebral, deficiência mental e deficiência auditiva e
visual profundas. Nos últimos anos, em decorrência da maior sobrevida dessas crianças
e, portanto, do maior tempo de acompanhamento, danos menores como dificuldades
escolares, distúrbios de comportamento e distúrbios psiquiátricos têm sido investigados.
(MONTEIRO, Rosa; PUCCINI, Rosana Fiorini; SILVA, Edina Mariko Koga da.
Fatores de risco associados a alterações no desenvolvimento da criança. Universidade
Federal de São Paulo, Escola Paulista de Medicina. 2007). Sendo assim, reforça-se a
importância de um diagnóstico precoce para uma possível reversão do quadro.
Palavras-chave: Prematuridade, Desenvolvimento, Diagnóstico Precoce
Referências:
133
MONTEIRO, Rosa; PUCCINI, Rosana Fiorini; SILVA, Edina Mariko Koga da.
Fatores de risco associados a alterações no desenvolvimento da criança. Universidade
Federal de São Paulo, Escola Paulista de Medicina. 2007. Disponível em <
http://pediatriasaopaulo.usp.br/upload/html/1214/body/07.htm>
HALPERN, Ricardo; BARROS, Fernando C.; HORTA Bernardo L.; VICTORA, Cesar
G. Desenvolvimento neuropsicomotor aos 12 meses de idade em uma coorte de base
populacional no sul do Brasil: diferenciais conforme peso ao nascer e renda familiar.
Cad. Saúde Pública [online]. 1996, vol. 12, suppl. 1, pp S73-S78. ISSN 0102-311X.
Disponível
em
<
http://www.scielosp.org/scielo.php?pid=S0102311X1996000500011&script=sci_abstract&tlng=enen>
134
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
CEFALEIA PRIMÁRIA: DOS SINTOMAS AO DIAGNÓSTICO
Maria Cristina Veiga Aranha Nascimento
Ligiane Figueiredo Falci
Luana Almeida Silveira
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina.
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil.
Introdução: A cefaleia é uma queixa recorrente nos ambulatórios médicos, sendo a
terceira forma de dor mais comum entre crianças e adolescentes (LEÃO, 2013). É
importante classificar a cefaleia como primaria ou secundária, porque a partir dessa
distinção se direcionará a abordagem terapêutica. A cefaleia primária é caracterizada
quando a dor no segmento cefálico é o principal sintoma apresentado pelo paciente, por
exemplo, cefaleia tensional. Enquanto a categoria secundária abrange as cefaleias
sintomáticas, ou seja, aquelas em que a dor é uma manifestação oriunda de eventos
patológicos ou síndromes subjacentes, como na hipertensão intracraniana e infecções. O
presente relato descreve um quadro de cefaleia do tipo primária, no qual o envolvimento
de fatores emocionais converge para um diagnóstico de cefaleia psicogênica. Propõe-se
discutir, de acordo com a literatura, os critérios diagnósticos para cefaleia primária.
Relato do Caso Clínico: A.J.F., 10 anos, acompanhada por sua mãe, procura
atendimento na clínica pediátrica do Centro de Saúde queixando-se de cefaleia aguda de
instalação gradual que perdura há quase dois meses. Declara que no último mês a dor
foi recorrente, evoluindo a episódios diários, entretanto sem caráter progressivo. A
qualidade da dor foi descrita pela paciente como “em aperto, dor ardida” e sua
localização foi definida solicitando que a criança apontasse o segmento cefálico
acometido, sendo indicadas as regiões temporais bilaterais com irradiação frontal que
em sequência se torna difusa. A mãe declara que apesar de reclamar de dor, a paciente
não interrompe suas atividades diárias, portanto, pode-se inferir que o estimulo álgico
seja de intensidade leve a moderada. A duração da cefaleia foi relatada como crises
longas, perpetuando-se por horas e até um dia inteiro. O alívio da dor é obtido com a
administração de analgésico. Ademais, a paciente afirma que as crises associam-se a
náuseas e muitas vezes ocorrem após momentos de nervosismo relacionado a fatores
emocionais ou em decorrência da exposição ao sol e a sons altos. Ao exame físico,
paciente em bom estado geral e cooperativa. A fim de executar a propedêutica indicada,
solicitou-se hemograma, glicemia de jejum, colesterol total e frações. Nenhuma
alteração dos exames laboratoriais foi identificada. Para fins de estudo do caso, foi
assinado o termo de consentimento livre e esclarecido pelo responsável legal da
paciente. Conclusão: A cefaleia tensional é uma afecção frequente entre mulheres e
135
pode surgir em qualquer idade. A dor é bilateral de distribuição holocraniana, em
aperto, leve a moderada, não piora com atividades rotineiras, normalmente não há
náuseas ou vômitos associados e fono ou fotofobia podem estar presentes (LÓPEZ,
1999). Fatores emocionais são os principais desencadeantes desse tipo de cefaleia.
Ressalta-se o valor de uma anamnese detalhada como a principal ferramenta para a
abordagem da criança com cefaleia, uma vez que os exames de neuroimagem são pouco
uteis nesses casos (LEÃO, 2013). A paciente apresenta a maior parte das características
condizentes com quadro de cefaleia tensional.
Palavras-chave: Pediatria; diagnóstico diferencial; cefaleia tensional.
Referências:
LEÃO, E. et al. Pediatria Ambulatorial. 5ª edição. Belo Horizonte: Coopmed, 2013, p.
311 -319;
LÓPEZ, M. Semiologia Médica: As Bases do Diagnóstico Clínico. 4ª edição. Rio de
Janeiro: Revinter, 1999. Volume 2, p. 1060 -1067.
136
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
CRISE ASMÁTICA COM ATELECTASIA EM LOBO SUPERIOR DIREITO
EM PRÉ-ESCOLAR DE 5 ANOS.
Filipe Mateus Costa Teixeira
Gustavo Moreira Madeira
Iara Proença Xavier
ORIENTADORA: Professora Fátima Guedes.
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas caracterizada pela
obstrução do fluxo aéreo com episódios recorrentes de sibilância, dispnéia, aperto no
peito e tosse. Quando os brônquios inflamam ocorre uma produção excessiva de muco,
levando a uma obstrução brônquica, que pode evoluir para uma atelectasia de
reabsorção. Paciente A.L.G, sexo feminino, 5 anos, admitida no Hospital Santa Casa,
Ouro Preto-MG, apresentou-se com crise de tosse seca intensa, dispnéia e sibilância.
Mãe relata que os episódios de asma são praticamente mensais e que sempre procura
serviços de urgência. Ao exame físico apresentava sibilos e roncos à ausculta,
taquipnéia e tiragem intercostal. Exame radiológico indicava atelectasia do lobo
superior direito. Foi hospitalizada e iniciou-se antibioticoterapia com amoxilina +
clavulanato para tratamento de possível pneumonia, administrado salbutamol e
realizado oxigenoterapia e fisioterapia respiratória. Após alta iniciou tratamento
pofiláxico com clenil spray e indicado uso de salbutamol em caso de crise.
Palavras Chave: asma, atelectasia, pediatria.
Referências:
1. http://www.jped.com.br/conteudo/98-74-S48/port.pdf (acesso em 26/11/2014 às
14h)
2. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010442302008000500021 (acesso em 26/11/2014 às 14h)
137
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
A CONSULTA DE PUERICULTURA COMO INSTRUMENTO FACILITADOR
DA PROMOÇÃO À SAÚDE DA CRIANÇA: UM RELATO DE CASO
Lélia Maria Almeida Carvalho
Eric Moreira Costa Braga
Izabela Zarnowski Passos
Maria Alice Matias Cardoso
Paulo Henrique de Melo Figueiredo Neto
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
Introdução: O crescimento e o desenvolvimento são eixos referenciais para todas as
atividades de atenção à criança e ao adolescente sob os aspectos biológico, afetivo,
psíquico e social (Série Cadernos de Atenção Básica; n. 11. MS). Dessa forma a
consulta de puericultura, que realiza esse acompanhamento da criança, deve ser
realizada de maneira efetiva, analisando os parâmetros de crescimento e
desenvolvimento. Uma anamnese e exame físico bem realizados fornecem uma análise
do estado de saúde da criança e permite ao puericultor evitar, afastar ou controlar os
riscos que possam interferir no crescimento do paciente. Relato do Caso Clínico: A.S,
3 anos e sete meses, acompanhado do pai, para consulta de puericultura no ambulatório
de pediatria da Universidade Federal de Ouro Preto no dia 24 de novembro de 2014. O
pai negou queixas relacionadas ao paciente e relatou que era para uma consulta de
rotina. O paciente apresentava-se com bom estado geral, atento e orientado, corado,
hidratado, acianótico e anictérico. Nascido com 3.535kg, 47 cm de comprimento,
perímetro cefálico de 34 cm e apagar 9 e 10 no 1º e 5º minuto respectivamente, parto
cesáreo por ausência de dilatação porém sem complicações. O histórico familiar consta
pais hígidos e avó paterna diabética, falecida aos 64 anos por complicações cardíacas.
Paciente residindo em zona rural e em contato com animais. Amamentação até os 18
meses de vida, atualmente faz as refeições juntamente com a família, incluem-se frutas,
feijão, arroz, carne e laticínios. O calendário vacinal encontra-se atualizado. O
informante nega perda de peso, febre ou sudorese, nega traumas e prostração. Nega
otalgia, odinofagia ou cefaleia. Nega dificuldades locomotoras. Nega síncopes, chieira,
138
tosse, expectoração, coriza e dispneia. Nega vômito, informa hábitos intestinais sem
alteração e fezes com aspecto normal. Relata urina de aspecto e odor típicos. Paciente
eupnéico, afebril, pesando 13.150 kg, medindo 97 cm e com IMC 13,97 kg/m2.
Perímetro cefálico 47 cm, frequência cardíaca de 90 bpm e Pressão arterial em decúbito
dorsal 100 x 60 mmHg. Tórax simétrico com expansibilidade normal. Frêmito
tóracovocal sem alteração, murmúrio vesicular fisiológico sem ruídos adventícios à
ausculta e som claro pulmonar á percussão. Bulhas cardíacas normorítmicas,
normofonéticas em dois tempos, todos os pulsos simétricos e presentes bilateralmente.
Abdome plano, ruídos hidroaéreos presentes, palpação superficial e profunda sem
massas ou tumorações e indolor, percussão timpânica. Otoscopia com presença discreta
de cerume, mucosa oral corada, sem sinais de inflamação. Linfonodo submandibular
direito com aspecto móvel, fibroelástico, indolor e ¼ de polpa digital palpável, sendo os
demais linfonodos não palpáveis. Discussão: Os achados da anamnese e exame físico,
são compatíveis com crescimento e desenvolvimento adequados para idade. Quando
avaliado pelo parâmetro do scoreZ encontramos: entre -2 e 0 para peso e altura e -2 para
o IMC, fato esse que corrobora com a adequação do paciente na faixa normal de
desenvolvimento. Dessa maneira a consulta de puericultura é um instrumento
indispensável para avaliação da saúde da criança.
Palavras-chaves: desenvolvimento, pediatria, puericultura.
Referências:
-Ministério da Saúde: Saúde da Criança. Acompanhamento do crescimento e
desenvolvimento infantil.Séries Cadernos de Atenção Básica nº11, Ministério da Saúde,
Brasília 2002.
Disponível em: bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/crescimento_desenvolvimento.pdf
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Disponível em:
http://www.sbp.com.br/show_item2.cfm?id_categoria=52&id_detalhe=3102&tipo_deta
lhe=s. Acesso em 24 de novembro de 2014
139
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
RELATO DE CASO DE UM PACIENTE PEDIÁTRICO COM TRANSPOSIÇÃO
DE GRANDES VASOS CORRIGIDA E ESCOLIOSE CONGÊNITA
Prof.a Aline Joice P. Gonçalves Nicolato
Daniel Magalhães Nobre
Henrique Resende Rodrigues
Pedro Fonseca Abdo Rocha
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
Introdução: A transposição dos grandes vasos da base corrigida é uma cardiopatia
congênita com prevalência de 0,05%. Essa cardiopatia consiste em uma discordância
dupla, atrioventricular e ventriculoarterial, e a maioria dos pacientes apresenta algum
outro tipo de anormalidade cardíaca congênita. No caso da transposição corrigida, temse um átrio esquerdo normal que, por meio da válvula tricúspide, comunica-se com o
ventrículo direito, que origina uma aorta transposta. O átrio direito, através da válvula
mitral, conecta-se com o ventrículo esquerdo, que também origina uma artéria pulmonar
transposta. A escoliose congênita, por sua vez, é uma anomalia do desenvolvimento
vertebral com incidência de 1 em cada 1000 nascimentos, possível de ser detectada na
vida intrauterina. Relato de caso: Trata-se de paciente de um ano e dez meses, atendido
em consulta de rotina no Centro de Saúde UFOP. Apresentou sopro ao nascer, fadiga
após as mamadas e taquipneia, ocasionando sua internação com poucos dias de vida.
Durante a internação, realizou um ecocardiograma que constatou a transposição dos
grandes vasos da base corrigida, comunicação interatrial e comunicação
interventricular, sendo iniciado tratamento para insuficiência cardíaca com Furosemida,
Captropil, Digoxina e Espironolactona. Após um ano de acompanhamento médico e
novo ecocardiograma em 2013, suspendeu-se o uso dos medicamentos, pois o paciente
encontrava-se assintomático. O paciente também é portador de escoliose congênita, já
em acompanhamento com ortopedia. Ao exame físico de novembro de 2014,
identificou-se, no aparelho cardiovascular, a presença de sopro cardíaco protossistólico
grau V, ictus palpável e propulsivo, B1 não audível e hipofonese de B2. Aparelho
respiratório sem alterações e com frequência respiratória de 40 irpm. À palpação de
abdome, fígado palpável na linha média e ausência vísceromegalias. Oroscopia e
otoscopia sem alterações. Quanto ao aparelho locomotor, escoliose importante à
esquerda, claudicação, porém membros inferiores simétricos. Peso, estatura e perímetro
cefálico inseriram-se no escore Z=0. O paciente evoluiu sem complicações e apresentou
melhora dos sinais e sintomas, no entanto faz-se importante o acompanhamento
especializado. Discussão: A transposição dos vasos da base corrigida é uma cardiopatia
incomum e que demanda atenção continuada para garantir uma melhor qualidade de
vida ao paciente, evitando-se, por exemplo, fadigas constantes. Esta cardiopatia é
140
passível de ser detectada na vida intrauterina, entretanto o diagnóstico do paciente
acima foi realizado após o nascimento, compondo-se esse caso uma representação da
importância de um pré-natal criterioso, o que poderia ter conferido a esse paciente um
diagnóstico mais precoce. Não menos importante, a escoliose congênita também merece
uma atenção especial, executando-se uma puericultura atenta e de boa qualidade para
conferir ao paciente um bom desenvolvimento motor e evitar a progressão desta
anomalia e suas complicações. Encaminhamentos para serviços especializados devem
ser realizados visando a melhora do controle clínico, tendo a puericultura o papel de
integrar os cuidados prestados ao paciente.
Palavras-chave: Transposição; Vasos; Escoliose.
Referências:
OLIVEIRA, R. P. et. al. Transposição corrigida das grandes artérias: apresentação
clínica tardia, na quinta década de vida. Arq Bras Cardiol, São Paulo, v. 91, n. 4, p.
35-37,
2008.
Disponível
em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0066782X2008001600015&script=sci_arttext>. Acesso em: 26 nov. 2014.
RITO, C.; MARQUES, E.; FILIPE, F. Escolioses congênitas: diagnóstico e tratamentos.
Revista SPMFR, s.l., v. 21, n. 1, p. 40-47, 2012. Disponível em:
<http://spmfrjournal.org/index.php/spmfr/article/view/22/22>. Acesso em: 26 nov. 2014
141
APRESENTAÇÕES ORAIS – DISCIPLINA DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO
DE DOENÇAS DA MAMA
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
FATORES DE RISCO RELACIONADOS AO CÂNCER DE MAMA
Orientador: Alexandre Almeida Barra
Autores: Fernanda Souza Pereira
Marcelo Pinto Maciel
Rodrigo Magno da Silva Oliveira
Taylla Mendes Silva
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
Introdução: O câncer de mama é o mais incidente na população feminina mundial e
brasileira, excetuando-se os casos de câncer de pele não melanoma, respondendo por
22% dos casos novos a cada ano. No Brasil, as taxas de mortalidade por câncer de
mama continuam elevadas, muito provavelmente porque a doença ainda é diagnosticada
em estádios avançados. Na população mundial, a sobrevida média após cinco anos é de
61%. (INCA, 2014). Objetivo: Relacionar e descrever, por meio de revisão
bibliográfica, os principais fatores de risco com evidência científica na gênese do câncer
de mama. Discussão: A prevenção primária do câncer de mama está relacionada ao
controle dos fatores de risco reconhecidos. Os fatores hereditários e os associados ao
ciclo reprodutivo da mulher não são, em princípio, passíveis de mudança, porém fatores
relacionados ao estilo de vida são modificáveis. Dentre os fatores de risco com
evidência científica comprovada, destaca-se a história familiar, obesidade pósmenopausa, sedentarismo, consumo excessivo de álcool e terapia de reposição
hormonal. A história familiar, principalmente em parentes de primeiro grau antes dos 50
anos, é importante fator de risco para o câncer de mama e podem indicar predisposição
genética associada à presença de mutações em determinados genes. Outros fatores
incluem a ingestão regular de bebida alcoólica, mesmo que em quantidade moderada
(30g/dia), obesidade, principalmente quando o aumento de peso se dá após a
menopausa, e a terapia de reposição hormonal, utilizada para melhorar os sintomas da
menopausa, sendo contraindicada em casos de câncer de mama. Estima-se que por meio
da alimentação, nutrição e atividade física é possível reduzir em até 28% o risco de a
mulher desenvolver câncer de mama (INCA, 2014). Conclusão: É importante o
reconhecimento dos principais fatores de risco comprovadamente envolvidos no câncer
de mama para que haja uma adequada orientação do paciente quanto à prevenção desta
neoplasia.
142
Palavras-chave: neoplasias da mama, fatores de risco, prevenção primária.
REFERÊNCIAS:
1. INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER (INCA/MS); Controle do Câncer de
Mama;
disponível
em:
http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/acoes_programas/site/home/nobrasil
/programa_controle_cancer_mama (Acesso em 28 de novembro de 2014)
2. AMERICAN CANCER SOCIETY; Breast Cancer; disponível em:
http://www.cancer.org/cancer/breastcancer/detailedguide/breast-cancer-riskfactors (Acesso em 28 de novembro de 2014)
143
APRESENTAÇÃO ORAL DE TRABALHOS
A INFLUÊNCIA DA PRÁTICA DE ATIVIDADE FÍSICA NA PREVENÇÃO E
PROGNÓSTICO DO CÂNCER DE MAMA
Orientador: Alexandre de Almeida Barra
Autores: Isabella Neiva Liboreiro
Maria Cristina Fernandes Souza
Mirla Fiuza Diniz
Rodrigo Vieira Gomes
Universidade Federal de Ouro Preto
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
Introdução: Globalmente, o câncer de mama é a neoplasia mais frequentemente
diagnosticada e a principal causa de morte por câncer em mulheres. Cerca de metade
dos cânceres de mama recém-diagnosticados podem ser explicados por fatores de risco
conhecidos tais como sexo feminino, raça branca, idade da menarca, idade da primeira
gestação, entre outros. Um adicional de 10 por cento são associados com uma história
familiar positiva. Além disso, o risco pode ser modificado por aspectos como
amamentação e atividade física, esta que será o enfoque desta reflexão teórico
metodológica. Embora não haja evidências diretas de que a inatividade física está
associada a um risco aumentado de câncer, o exercício físico regular parece oferecer
proteção contra câncer de mama, especialmente em mulheres na pós-menopausa. A
maioria dos esforços em estratégias de prevenção e tratamento do câncer tem grande
parte focada em terapias farmacológicas que são economicamente inviáveis e podem
resultar em morbimortalidade a longo prazo. Portanto, a procura de novos métodos que
possam melhorar a qualidade de vida e oferecer outros benefícios à saúde da mulher, é
uma área de investigação contínua. Objetivos: Estabelecer a relação existente entre
atividade física e prevenção do câncer de mama, identificar a associação da atividade
física com a redução da mortalidade por câncer de mama e identificar o tipo de
atividade física adequado para prevenção/prognóstico do câncer de mama. Discussão:
Diversos estudos epidemiológicos mostraram uma relação inversa entre o risco de
câncer de mama e os níveis de atividade física. A World Health Organization (WHO)
em sua recente diretriz reconheceu que o aumento dos níveis de atividade física pode
reduzir o risco de câncer de mama em 20-40%. Outros estudos demonstraram que o
exercício sistematizado e o aumento dos níveis de atividade física após o diagnóstico de
câncer de mama estão associados com um melhor prognóstico (redução do índice de
recorrência e de mortalidade). Atividades físicas de moderada a vigorosa reduzem o
risco de câncer de mama, embora seus efeitos nos diferentes estágios da vida e na
menopausa ainda estejam incertos. Exercícios dessa magnitude são mais eficazes que as
mais intensas na redução da adiposidade, dos hormônios sexuais, dos marcadores
144
inflamatórios e na resistência à insulina. Conclusão: Evidências acumuladas claramente
sugerem que níveis mais altos de atividade física estão associados com um risco menor
de câncer de mama. Além disso, sobreviventes do câncer de mama devem aderir à
prática sistemática de atividade física a fim de atingir uma melhor recuperação e
aprimorar a saúde, a qualidade de vida e o prognóstico da doença.
Palavras-chave: Câncer de mama, atividade física, prognóstico.
Referências:
1. Xi J, Su Y, Fadiel AB, Lin Y, Su FX, Jia WH, Tang LY, Ren ZF. Association of
physical activity and polymorphisms in FGFR2 and DNA methylation related
genes with breast cancer risk. Cancer Epidemiol. 2014 Sep 27.
2. Konstantinos A. Volaklis, Martin Halle, Savvas P. Tokmakidis. Exercise in the
prevention and rehabilitation of breast cancer. Wien Klin Wochenschr (2013)
125:297–301.
145
APRESENTAÇÕES
DE
PÔSTERES
–
DISCIPLINA
EXPLICATIVOS DO PROCESSO DE SAÚDE E TEMAS LIVRES
MODELOS
APRESENTAÇÃO DE PÔSTER DE DISCIPLINA
EPIDEMIOLOGIA DAS DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS NO
BRASIL
Olívia Maria de Paula Alves Bezerra
Augusto Almeida e Fonseca
Bernardo Santos Corrêa
Laura Rabelo Silva
Lucas Arantes Siqueira
Mateus Silva de Carvalho
Thiago Guimarães Teixeira
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: As Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) são as principais
causas de mortes no mundo. Além da perda da qualidade de vida com alto grau de
limitação nas atividades de trabalho e lazer, elas geram impactos econômicos para as
famílias, comunidades e a sociedade em geral, agravando as iniquidades e aumentando a
pobreza. No Brasil, as DCNT também se constituem como o problema de saúde de
maior magnitude, sendo responsáveis por 72% das causas de mortes, com destaque para
as doenças do aparelho circulatório (31,3%), câncer (16,3%), diabetes (5,2%) e doença
respiratória crônica (5,8%), atingindo indivíduos de todas as camadas socioeconômicas
e, de forma mais intensa, aqueles pertencentes a grupos vulneráveis, como os idosos e
os de baixa escolaridade e renda (MS, 2011). OBJETIVOS: Este trabalho tem como
objetivo analisar as transformações políticas, sociais e do espaço urbano que contribuem
para mudanças demográficas e epidemiológicas e o consequente aumento das DCNT no
Brasil. Além disso, pretendeu-se verificar o padrão de ocorrência e níveis de
determinação das DCNT no país, e discutir a importância da reestruturação do sistema
público de saúde para atender às necessidades dos pacientes portadores de DCNT.
DISCUSSÃO: O Brasil tem experimentado acentuadas transformações, reflexos da
história social, econômica e cultural de constituição das suas diversas regiões. A partir
do século XX, se instalaram formas capitalistas de produção, trabalho e consumo que
levou à aceleração do processo de industrialização e urbanização. Acompanhando esse
cenário, iniciaram-se intensas e contrastantes modificações na evolução das condições
de saúde da população. As transformações demográficas, econômicas, sociais e as
mudanças nutricionais, associadas ao aumento da longevidade populacional de modo
acelerado, aumentam a probabilidade de expressão das enfermidades crônicas. Essas
enfermidades, em geral, produzem elevados custos com hospitalizações, incapacidade
temporária ou permanente e invalidez. Tais constatações levantam questionamentos
sobre quais são e quais deveriam ser as políticas adotadas pelo sistema público de saúde
146
para se adaptar a essa mudança ao perfil nacional de morbidade. Iniciativas como o
Programa de Educação Permanente em Hipertensão e Diabetes apresentado pelo
Ministério da Saúde representam um avanço nesse processo de adaptação. No entanto, o
incentivo ao desenvolvimento de novos programas de educação para capacitação dos
profissionais de saúde, a valorização das ações educativas em saúde e o estímulo, no
SUS, de atividades voltadas à mudança no estilo de vida da população ainda se
apresentam deficientes se comparados com a demanda atual. CONCLUSÃO: O
combate às DCNT requer a ampliação de políticas públicas e ações intersetoriais com o
objetivo de promover uma melhor distribuição de renda, para combater as grandes
desigualdades sociais ainda existentes, e incentivar adoção de hábitos saudáveis pela
população brasileira. Além disso, faz-se necessário à expansão da atenção básica, de
média e alta complexidade e a implementação de todo um sistema de vigilância e
monitoramento dessas enfermidades.
Palavras-chaves: transição epidemiológica, doenças crônicas, indicadores de
morbimortalidade.
Referências:
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Plano de Ações Estratégicas para o
Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) No Brasil, 20112022. Disponível em www.portalsaude.gov.br. Acesso em 24 de novembro de 2014.
Pan American Health Organization (PAHO)/ World Health Organization (WHO).
Improving Chronic Illness Care through Integrated Health Service Delivery Networks.
Washington, D.C.: OPS, 2012.
147
APRESENTAÇÃO DE PÔSTER DE DISCIPLINA
ANÁLISE DO PROCESSO SAÚDE-DOENÇA COMO FATOR SOCIAL
BASEADO NA OBRA DE ASA CRISTINA LAURELL
Olívia Maria de Paula Alves Bezerra
Aline Souza de Oliveira
Allana Silva Mamédio
Arthur Corradi Lavarini
Frederico Prado Abreu
Manainy Avezani Miranda Carrilho
Natália Franco Pimenta
Victor Hugo Carvalho Foureaux
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
Introdução: A partir da década de 1960 as teorias que criticavam o modelo da história
natural da doença propuseram uma abordagem mais ampla, que considerasse as relações
da saúde com a produção social e econômica da sociedade, devido às dificuldades de se
explicar os problemas das doenças nos países industrializados a partir do modelo de
história natural da doença. O modelo da determinação social da saúde/doença procura
articular as diferentes dimensões da vida envolvidas nesse processo. Assim, são
considerados os aspectos históricos, econômicos, sociais, culturais, biológicos,
ambientais e psicológicos que configuram uma determinada realidade sanitária.
Objetivos: Realizar uma reflexão teórico-metodológica a respeito do processo saúdedoença não só a partir de seu caráter biológico, mas também social, relacionando essas
dimensões de forma sistêmica, integradas em uma totalidade na qual são identificados
os níveis de determinação e os condicionantes do fenômeno observado. Discussão: Asa
Cristina Laurell avaliou o caráter histórico do processo saúde-doença por meio de
análise e comparação das taxas de mortalidade das populações do México, de Cuba e
dos Estados Unidos da América (EUA). Observou-se que México e Cuba se
assemelhavam quanto ao desenvolvimento econômico, mas diferiam quanto à relação
social de produção. O perfil patológico mexicano apresentava, principalmente, doenças
infecto-contagiosas - doenças típicas da sociedade moderna - e cirrose hepática,
enquanto no perfil patológico de Cuba havia um predomínio de doenças
cardiovasculares e tumores malignos. Com isso, as análises das condições coletivas de
saúde em diferentes sociedades confirmam o caráter social da doença.
Supreendentemente, a análise do perfil patológico dos EUA revela que os tipos de
doenças predominantes possuíam muitas semelhanças quando comparados com os
dados de Cuba, mas essas nações diferem quanto à frequência dessas afecções. Apesar
de ser um trabalho ambicioso e inovador ao comparar países com realidades
socioeconômicas tão distintas, a utilização exclusiva do indicador taxa de mortalidade
não oferece uma análise ampla e sólida do estudo, já que existem outros fatores, os
quais ela não tinha acesso, importantes para o processo saúde-doença, como:
prevalência, incidência, cultura, longevidade, clima, entre outros. Conclusão: A
construção de uma interpretação do processo saúde-doença deve ser abordada a partir de
uma explicação biológica da doença somada às circunstancias sociais, que fazem com
que determinado processo fisiológico interfira nas atividades cotidianas e, portanto
148
determina o eixo do desenvolvimento do processo saúde-doença, configurando, assim, a
ocorrência do orgânico.
Palavras-Chave: História natural da doença. Mortalidade. Processo saúde-doença.
Referências:
LAURELL, Asa Cristina. A saúde-doença como processo social. In: Medicina social
aspectos históricos e teóricos. São Paulo: Global Editora, 1983. p 135-158.
FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. O território e o processo saúde-doença. Disponível
em:
<
http://www.epsjv.fiocruz.br/pdtsp/index.php?area_id=2&id=6&arquivo=livros_sub_cap
itulos&livro_id=6>. Acesso em 26 nov. 2014.
149
APRESENTAÇÃO DE PÔSTER DE DISCIPLINA
A IMPORTÂNCIA DA VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA NO CONTROLE DA
EPIDEMIA DE HIV/AIDS
Débora Cristina de Freitas Batista
Kelly Cordeiro Silva
Maria Teresa de Andrade Sol
Mirelly Cota Quites
Olívia Maria de Paula Alves Bezerra
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: Segundo estimativas realizadas pelo Departamento de DST, AIDS e
Hepatites Virais, divulgadas no Boletim Epidemiológico: AIDS e DST/2013,
aproximadamente 718 mil pessoas vivem com HIV/AIDS no Brasil. Atualmente, os
esforços para o controle dessa epidemia no país estão concentrados na prevenção da
infecção, no diagnóstico precoce, no controle dos agravos à saúde e na queda da
mortalidade. Diante deste quadro, os sistemas de informação em saúde e vigilância
epidemiológica de HIV/AIDS têm papel fundamental ao promover o monitoramento do
estado de saúde da população e possibilitar a formulação, o planejamento e a execução
de políticas de saúde pública para controle da infecção e dos agravos. OBJETIVO:
Analisar o papel da vigilância epidemiológica no controle da epidemia de HIV/AIDS no
Brasil. MÉTODOS: Revisão bibliográfica por meio de consulta ao portal do Ministério
da Saúde e às plataformas PubMed e Scielo, utilizando-se as palavras-chave: “vigilância
epidemiológica”, “saúde pública” e “AIDS”. Foram utilizados quatro artigos dos
últimos 10 anos e o Boletim Epidemiológico de AIDS e DST publicado em 2013.
DISCUSSÃO: O Sistema de Vigilância Epidemiológica de HIV/AIDS é importante
para delinear o perfil da epidemia e acompanhar mudanças de seu padrão
epidemiológico. Desde 1980 a vigilância epidemiológica dos casos de AIDS é baseada
na notificação compulsória por meio do Sistema de Informação de Agravos de
Notificação (SINAN) da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.
Inicialmente, eram notificados apenas os casos sintomáticos e, a partir de 2000,
passaram a serem notificados casos de gestantes HIV positivas e crianças expostas ao
vírus. Entretanto, o sistema de notificação ainda reflete uma situação de vários anos
após a infecção ter acontecido e as informações estão distantes da real magnitude de
prevalência da infecção pelo HIV. Por exemplo, no período de 2000 a junho de 2013,
apenas 72,5% dos casos de AIDS no Brasil foram notificados no SINAM, sendo em
2012, 64,8% dos casos notificados e com importantes diferenças entre as regiões
brasileiras. Por isso, desde junho de 2014, a infecção por HIV passou a ser de
notificação compulsória a partir da confirmação do diagnóstico. A notificação dos
portadores assintomáticos do vírus é importante e poderá trazer melhorias significativas
no conhecimento da epidemia no país, pois considerando o longo período de incubação
desta infecção, o perfil epidemiológico apresentado pelos casos de AIDS reflete um
padrão de transmissão do vírus de 5 a 10 anos atrás. CONCLUSÕES: As informações
do sistema de HIV positivos podem ser utilizadas na elaboração de estratégias mais
eficazes de prevenção, além de fornecer subsídios para uma melhor organização das
atividades assistenciais e de planejamento. Dessa forma, diante da importância da
vigilância epidemiológica no planejamento e execução de medidas de prevenção e
150
controle de agravos, há a necessidade de aprimorar e intensificar a vigilância
epidemiológica de HIV/AIDS para que se tenha então um controle mais eficiente da
epidemia no Brasil.
Palavras-chaves: vigilância epidemiológica, AIDS, saúde pública.
REFERÊNCIAS:
SANTOS, Naila Janilde Seabra et al. A aids no Estado de São Paulo: as mudanças no
perfil da epidemia e perspectivas da vigilância epidemiológica. Rev. bras.
epidemiol., São Paulo , v. 5, n. 3, Dezembro 2002.
BRASIL. Ministério Da Saúde. Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais.
Boletim Epidemiológico: AIDS e DST. Brasília, DF, 2013.
151
APRESENTAÇÃO DE PÔSTER DE DISCIPLINA
A EPIDEMIA DO EBOLA NO OESTE AFRICANO: MEDIDAS PARA CONTER
A DISSEMINAÇÃO
Orientadora: Olívia Maria de Paula Alves Bezerra
Denise Lucilia Xavier
Evanilde Aparecida Santos
Jéssica Lúcia de Paula Rufino
Lucas Rocha Delatorre
Mariana da Silva Lopes
Renata Cristina Resende
Sarah Viana Fialho
Tatiane Nicolela Prata Costa
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina.
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil.
INTRODUÇÃO: A doença por vírus Ebola (DVE), provocada por vírus do gênero
Ebolavirus (família Filoviridae, ordem Mononegavirales), apareceu pela primeira vez
em dois surtos simultâneos, em 1976, no Sudão e na República Democrática do Congo.
O surto atual, no oeste da África, iniciado em março de 2014, tem se mostrado de difícil
controle, com um número maior de mortes do que o visto nos surtos anteriores. Iniciouse em Guiné e já afeta gravemente Guiné, Serra Leoa e Libéria, países com sistemas de
saúde deficientes, com falta de recursos humanos e de infra-estrutura. A DVE é
transmitida entre humanos por contato direto através da pele e mucosas com secreções,
sangue, órgãos e outros fluídos corporais de pessoas infectadas ou com superfícies
contaminadas. O vírus causa uma doença aguda, cujos sintomas incluem febre,
indisposição, mialgia, dor de cabeça, faringite, vômitos, diarréias e rash cutâneo,
seguidos por diátese hemorrágica e disfunção de múltiplos órgãos. OBJETIVO:
Apresentar as medidas adotadas para a contenção do vírus do Ebola visando minimizar
a disseminação da atual epidemia no oeste Africano. DISCUSSÃO: Segundo a
Organização Mundial de Saúde, até o dia 23 de novembro havia um total de 15.935
casos (incluindo confirmados, prováveis e suspeitos), em oito países (Guiné, Libéria,
Mali, Serra Leoa, Espanha, Estados Unidos, Nigéria e Senegal). Dentre os fatores que
facilitam a disseminação estão: o uso inadequado e impróprio de equipamentos de
proteção individual (EPI), práticas funerárias comuns no oeste africano, como a
lavagem dos corpos, e o ato de beijar os corpos durante o velório, e a ausência de um
acompanhamento adequado dos infectados. Para minimizar o papel desempenhado por
esses fatores na disseminação é necessário a conscientização dos profissionais da saúde
acerca da importância do uso correto e consciente dos EPI, o que minimiza as
transmissões nosocomiais e o risco de infecção nesse grupo; o desenvolvimento de
medidas educativas que promovam práticas funerárias mais sanitárias, como a
desinfecção do corpo e seu selamento em sacas apropriadas; além do isolamento
adequado dos pacientes infectados, incluindo quarentenas e precauções de contato.
CONCLUSÃO: O Ebola mostra-se como uma ameaça não somente ao oeste da África,
mas a toda a comunidade internacional, o que ressalta a necessidade de conter a
disseminação internacional do vírus. Em virtude da ausência de tratamentos terapêuticos
aprovados, o uso de outras medidas de intervenção deve ser empregado.
152
Palavras-chave: ebolavirus, epidemias, prevenção & controle
Referências:
TEAM, WHO Ebola Response. Ebola virusdisease in West Africa—thefirst 9
monthsoftheepidemicandforwardprojections. N Engl J Med, v. 371, n. 16, p. 1481-95,
2014.
PANDEY, Abhishek et al. Strategies for containing Ebola in West Africa.Science, v.
346, n. 6212, p. 991-995, 2014.
153
APRESENTAÇÃO DE PÔSTER DE DISCIPLINA
REVOLTA DA VACINA – UMA REFLEXÃO HISTÓRICA
Olívia Maria de Paula Alves Bezerra
Amanda Cristina Virgilio Alves
Bárbara Rodrigues Tonelli
Gabriela Cunha Arantes
Pedro Calazans Rabello
Rachel Zarnowski
Yohanna Bastani de Mattos
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: O Rio de Janeiro, na passagem do século XIX para o século XX, era
uma cidade com saneamento precário e foco de doenças. Assim, iniciava-se o programa
de saneamento de Oswaldo Cruz. Para combater a peste, ele criou brigadas sanitárias
que cruzavam a cidade espalhando raticidas, mandando remover o lixo e comprando
ratos. Depois, o alvo foram os mosquitos transmissores da febre amarela. Finalmente,
restava o combate à varíola. Assim, foi instituída a lei de vacinação obrigatória. A
população não acreditava na eficácia da vacina e rejeitava a exposição das partes do
corpo a agentes sanitários. A vacinação obrigatória foi o estopim para que o povo, já
profundamente insatisfeito, se revoltasse. Durante uma semana, enfrentou as forças da
polícia e do exército até ser reprimido com violência. O episódio transformou, no
período de 10 a 16 de novembro de 1904, a cidade do Rio de Janeiro numa praça de
guerra, onde foram erguidas barricadas e ocorreram confrontos generalizados.
OBJETIVO: realizar uma revisão bibliográfica da revolta da vacina, com foco no
modelo de saúde pública e vigilância sanitária da época e seus reflexos no modelo atual.
DISCUSSÃO: A varíola esteve no topo da agenda sanitária do país do século XIX até o
final da década de 1910, porque a República instaurada em 1889 tinha como meta a
modernização do país. Após o período turbulento da Revolta, a vacinação continuou
sendo realizada e incorporada ao cotidiano da população da capital e das principais
cidades do país. O controle da varíola nas campanhas das duas primeiras décadas do
século XX e a prevalência a partir de 1930 de sua forma benigna produziu resultados
reversos: não se consolidou em relação à varíola uma tradição de pesquisa, ela não foi
introduzida como tema relevante nas escolas médicas, não se organizou uma
comunidade de especialistas e não se produziram rotinas de notificação, registro e
vigilância. A história da varíola e da vacinação pode ser lida como um ciclo:
“prioridade, invisibilidade e erradicação”. A varíola desapareceu das preocupações dos
governos brasileiros a partir de 1920. O retorno da varíola à agenda sanitária nacional
em 1958 esteve associado a diferentes articulações do Brasil com a saúde internacional
e com o contexto da Guerra Fria. Porém, o sucesso em se erradicar a varíola em sete
anos (1966-1973), durante o Governo Militar, foi também resultante de adaptações,
inovações e ampliação da agenda da saúde. Sua erradicação foi a oportunidade para a
constituição de um Programa Nacional de Imunizações e um Sistema Nacional de
Vigilância Epidemiológica. A erradicação da poliomielite e a meta de erradicação de
154
outras doenças imunopreviníveis são consequências das estruturas que emergiram da
erradicação da varíola. CONCLUSÃO: A campanha foi conduzida de maneira
arbitrária e sem os devidos esclarecimentos à população, o que culminou em
descontentamento popular. Foi consequência do processo de modernização excludente e
não uma reação explosiva da massa ignorante ao progresso. Apesar da revolta, a
campanha teve um impacto positivo em relação ao combate da varíola e contribuiu para
a instalação de uma “cultura de imunização” existente hoje no Brasil.
Palavras chave: vigilância sanitária, vacina, saúde pública
Referências
GÓIS JÚNIOR, Edivaldo. Movimento Higienista na história da vida privada no Brasil:
do homogêneo ao heterogêneo. ConSCIENTIAE SAÚDE. Revista Científica núm. 1,
2002, pp. 47-52. UNINOVE, São Paulo. Disponível em
<http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=92900109> Acesso em 27 de novembro de
2014.
HOCHMAN, Gilberto. Vacinação, varíola e uma cultura da imunização no Brasil.
Ciência & Saúde Coletiva, vol. 16, núm. 2, 2011, pp. 375-386. Associação Brasileira
de Pós-Graduação em Saúde Coletiva. Brasil. Disponível em
<http://www.redalyc.org/pdf/630/63018970002.pdf> Acesso em 27 de novembro de
2014.
155
APRESENTAÇÃO DE PÔSTER DE DISCIPLINA
CONTROLE DO USO DA TALIDOMIDA NO COMBATE À SUA
SÍNDROME
Olívia Maria de Paula Alves Bezerra
Ana Beatriz Castello Branco Fiume Pires
Leila Batista Pena
Luana Pimentel Duarte
Ruan Carling Schott Wondollinger
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: A Talidomida foi lançada na década de 50, considerada como
calmante e ansiolítico, sendo largamente usada por gestantes para controlar as náuseas e
a tensão. No entanto, gerou milhares de casos de Focomelia, síndrome caracterizada
pela aproximação ou encurtamento dos membros junto ao tronco do feto, além de
graves defeitos visuais, auditivos, da coluna vertebral e, em casos mais raros, do tubo
digestivo e problemas cardíacos. OBJETIVOS: Retratar a importância das orientações
para o uso controlado da talidomida, buscando também orientar os leitores sobre os
riscos do medicamento e as possíveis formas de se evitar as consequências do mau uso.
DISCUSSÃO: Primeiramente, há grande responsabilidade dos estabelecimentos que
dispensam a talidomida, sendo imprescindível escriturar toda movimentação do estoque
do medicamento em livros de registro. Além disso, as autoridades sanitárias devem
fiscalizar desde a produção até a dispensação ou uso da substância. Devem existir
também medidas de segurança no armazenamento, garantindo acesso restrito e
preservação da qualidade.Em relação à assistência farmacêutica, o profissional
responsável pela prescrição do medicamento deve assistir o paciente em suas
necessidades de tratamento e cuidado, acompanhar e avaliar o resultado do uso de
medicamentos, além de notificar à Vigilância Sanitária a ocorrência de Reações
Adversas a Medicamentos através do Sistema Notivisa. Ademais, o farmacêutico é
responsável por preencher corretamente todos os itens da Notificação de Receita e do
Termo de Responsabilidade/Esclarecimento antes de dispensar a talidomida. Ele deve
acompanhar o cumprimento das medidas estabelecidas para se evitar a gravidez, assim
como garantir que o paciente entenda sobre a doença, compreenda a receita e seja
educado a respeito do uso e riscos do medicamento. CONCLUSÕES: A vigilância
epidemiológica associada às medidas de controle de uso da talidomida são essenciais à
informação da população e à segurança em seu uso, evitando a ocorrência de grande
número de casos da síndrome apresentada.
Palavras-chave: talidomida, controle de uso, assistência profissional.
Referências bibliográficas:
A.B.P.S.T – Associação Brasileira dos Portadores da Síndrome da Talidomida;
Disponível em <http://www.talidomida.org.br/oque.asp> Acesso em 21 de Novembro
de 2014.
156
MINISTÉRIO DA SAÚDE Talidomida, Orientações para o uso controlado. Disponível
em:<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/talidomida_orientacao_para_uso_contro
lado.pdf> Acesso em 21 de Novembro de 2014
157
APRESENTAÇÃO DE PÔSTER DE TEMA LIVRE
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL ENTRE ARTRITE REUMATÓIDE E
OSTEOARTRITE: RELATO DE CASO
Allan Jefferson Cruz Calsavara
Vinícius Carvalho Tostes
Francis Júnior de Miranda Alves
Lídia Lelis Leal
Natália Cristina Carvalho de Souza
Raquel Domingos da Costa
Renata Barbosa Nogueira Gibram
Roberta Alves Pereira
Vítor Antonacci Condessa
Waleska Brito Rabelo
Wanessa Torres Bernardes
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: A artrite reumatoide (AR) é uma doença inflamatória, crônica e
progressiva. Apresenta-se como inflamação simétrica de diversas articulações
denominada sinovite1. Esta representa o principal fator que promove a destruição
articular. Pode cursar com dor, aumento de volume, rigidez nas articulações e sintomas
sistêmicos extra-articulares. Diversas doenças entram nos diagnósticos diferenciais,
como artrite psoriática, Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), gota e osteoartrite (AO). O
diagnóstico da AR é estabelecido com base em achados clínicos e exames
complementares, embora, isolados, nenhum possa confirmar o diagnóstico. Em 2010, o
Colégio Americano de Reumatologia (ACR) e a Liga Europeia Contra o Reumatismo
(EULAR) desenvolveram novos critérios de classificação que se baseiam em um
sistema de pontuação através de um escore de soma direta e são divididos em quatro
parâmetros: número e local das articulações envolvidas (pontuação de 0 a 5), alterações
sorológicas (0 a 3), elevação das provas de fase aguda (escala de 0-1) e duração dos
sintomas (2 níveis; intervalo 0-1). A AR será classificada quando for obtido um total de
6 ou mais pontos, mas caso um paciente apresente história compatível com AR, além de
erosões radiográficas, pode-se ter o diagnóstico, mesmo quando os critérios não são
estabelecidos. RELATO DE CASO: G.L.C.,47 anos, procurou o Posto de Saúde com
queixa de edema em joelhos, pés, mãos e cotovelos. Relata dor, rubor, calor, rigidez
matinal e fraqueza. Pequenos movimentos pioram a dor, interferindo nas atividades
diárias. Medicamentos em uso :Cloridrato de Metformina. Ao exame físico: peso 72Kg;
altura 1,60m; IMC 25,35; CA:102cm e PA 160X100mmHg. Joelhos com derrame
capsular moderado e crepitação. HD: AR e Síndrome Metabólica. Conduta: Pedido de
Hemograma, Glicemia de jejum, Hemoglobina glicada, Colesterol TF, Triglicérides,
Ácido úrico, íons, Uréia, Creatinina, Microalbuminúria, FAN, PCR, VHS, FR, T4 L e
TSH. Resultados dos exames: PCR < 6mg/mL; VHS 12mm; Ácido Úrico 4,4mg/mL;
FR 96U/l; FAN negativo e RX de mãos sem alterações. Ao exame PA 130X90mmHg.
Novas hipóteses aventadas: Osteoartrose e Hipertensão Arterial. Prescrição de
Metformina; Enalapril; Sinvastatina, ASS e Ibuprofeno. DISCUSSÃO: Clinicamente, a
paciente apresentou edema e manifestações características de processo inflamatório, o
que sugere sinovite. O RX solicitado não apresentou alterações, descartando-a. Foram
158
usados os critérios da ACR/EULAR e solicitados FAN e Ácido úrico, que apresentaram
valores dentro dos limites de referência, excluindo LES e Gota. A paciente, então,
recebeu nota zero no primeiro critério. Recebeu nota zero também pelo FR negativo,
pelos resultados de VHS e PCR dentro dos valores considerados normais e pela duração
dos sintomas. O somatório das notas não foi maior que 6 e a hipótese de AR foi
descartada. O principal diagnóstico diferencial é a OA. A paciente possui uma CA
102cm e IMC 25.35, o que indica quadro de sobrepeso e exerce atividade laboral de
diarista. Esses fatores de risco para OA reforçam o diagnóstico diferencial, sendo que,
para completar a propedêutica, foi solicitada radiografia de joelhos.
Palavras-chave: Artrite Reumatoide, Sinovite, Osteoartrite
REFERÊNCIAS:
1. DA MOTA, L. M. et al. Consenso da Sociedade Brasileira de Reumatologia 2011
para o diagnóstico e avaliação inicial da artrite reumatoide. Rev Bras Reumatol, v. 51,
n. 3, p. 199-219, 2011.
2. DE OLIVEIRA, Leda M. et al. Acompanhamento da capacidade funcional de
pacientes com artrite reumatoide por três anos. Revista Brasileira de Reumatologia,
2014.
159
APRESENTAÇÃO DE PÔSTER DE TEMA LIVRE
CARDIOPATIA REUMÁTICA – UM RELATO DE CASO
Orientador:
Alexandre Barbosa Andrade
Autores:
Aline Ferreira Ricieri
Catarine Alves Silveira
Cecília Carneiro
Fernanda de Faria Mariano
Fernanda Mendes de Oliveira Rossi
Lígia Barros de Oliveira
Wanderley Souza
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
Introdução: A cardiopatia reumática crônica é uma complicação não supurativa da
faringoamigdalite causada pelo estreptococo beta-hemolítico do grupo A e decorre da
resposta imune tardia a esta infecção em populações geneticamente predispostas. Essa é
uma doença que está frequentemente associada à pobreza e às más condições de vida e
permanece como um grande problema de saúde pública, principalmente nos países em
desenvolvimento. A febre reumática (FR) afeta especialmente crianças e adultos jovens.
A mais temível manifestação é a cardite, que responde pelas sequelas crônicas, muitas
vezes incapacitantes, em fases precoces da vida, gerando elevado custo social e
econômico. Relato do caso clínico: S.A.M, sexo feminino, 34 anos, é portadora de
cardiopatia reumática e comparece à UBS-Amarantina para controle ambulatorial. Foi
diagnosticada em outubro de 2013 e, desde então, faz tratamento farmacológico com
eritromicina 250 mg de 12/12h uma vez que é alérgica à Penicilina. A paciente, na
época do diagnóstico apresentava dispneia branda e cansaço principalmente à noite e
após atividades laborais. Foi solicitado um Ecocardiograma Transtorácico, no qual foi
evidenciado dupla lesão valvular discreta, regurgitação valvular mitral e tricúspide
discreta, função sistólica biventricular normal em repouso e relaxamento diastólico
normal do ventrículo esquerdo. Atualmente a paciente realiza o mesmo exame a cada 6
meses, além do tratamento medicamentoso e relata não apresentar mais os sintomas
anteriores, salvo em situações de intenso estresse emocional. Discussão: Em países
desenvolvidos ou em desenvolvimento, a faringoamigdalite e o impetigo são as
infecções mais frequentemente causadas pelo estreptococo beta-hemolítico do grupo A.
No entanto, somente a faringoamigdalite está associada ao surgimento da FR. O
diagnóstico da febre reumática é clínico. Os critérios de Jones, estabelecidos em 1944 e
modificados em 1992, continuam sendo considerados o "padrão ouro" para o
diagnóstico do primeiro surto da FR. Baseados neles, a Organização Mundial da Saúde
desenvolveu critérios para o diagnóstico da cardiopatia reumática crônica, sendo que a
presença de lesões valvares crônicas, como estenose mitral pura ou dupla lesão de
mitral, não há necessidade de critérios adicionais para fazer o diagnóstico. A paciente
em questão apresenta cardite subclínica e faz controle antibiótico para profilaxia de
febre reumática, apresentando boa evolução e sem complicações.
160
Palavras-chave: Cardite; Febre reumática; Penicilina
Referências:
DIRETRIZES BRASILEIRAS PARA O DIAGNÓSTICO, TRATAMENTO E
PREVENÇÃO DA FEBRE REUMÁTICA. Arq. Bras. Cardiol. vol.93 no.3 supl.4 São
Paulo Sept. 2009. Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0066-782X2009002100001
>. Acesso em 8 de novembro 2014.
HARRISON, Medicina interna. 18ª edição. Porto Alegre: AMGH, 2013.
161
APRESENTAÇÃO DE PÔSTER DE TEMA LIVRE
RELATO DE CASO DE SÍNDROME METABÓLICA NA UNIDADE BÁSICA
DE SAÚDE (UBS) DE AMARANTINA, DISTRITO DE OURO PRETO-MG
Roberto Veloso Gontijo
Ana Clarisse da Costa Porto
Andressa Harpis Bastos
Eliana Fernandes Maia
Emilia Calil Silva
Felipe Sabec Folgueral
Júlia Oliveira de Carvalho
Maira Kroetz Boufleur
Natália Dias do Nascimento
Paulo Henrique Castanha Miranda
Vanessa Almeida de Camargos
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, a Síndrome
Metabólica (SM) é um transtorno complexo representado por um conjunto de fatores
de risco cardiovascular, relacionados à deposição central de gordura e à resistência à
insulina. Os critérios diagnósticos são: Obesidade, medida pela circunferência
abdominal > 102 em homens e > 88 em mulheres; Triglicérides ≥ 150mg/dL; HDL
Colesterol < 40mg/dL em homens e > 50mg/dL e mulheres; Pressão Arterial (PA)≥ a
130mmHg ≥ 85mmHg e Glicemia de Jejum ≥ 110mg/dL. Sendo necessário apenas três
para a identificação da síndrome. RELATO DE CASO: J.G.F., feminino, 37 anos,
natural e residente em Amarantina, Ouro Preto, Minas Gerais. Apresentou-se à UBS em
27/08, questionando o efeito que o anticoncepcional teria sobre o quadro de Hipertensão
Arterial Sistêmica (HAS). Foi diagnosticada em 2013 e utilizava Losartana 50mg e
Hidroclorotiazida 25mg simultaneamente ao anticoncepcional noretisterona 0,35mg
desde junho de 2014, quando foi receitado pelo ginecologista que a encaminhou ao
clinico geral para a reavaliação do quadro de HAS. Portava resultados de exames
laboratoriais realizados em abril de 2014 com alteração em glicemia de jejum
(110mg/dL) e HDL (37mg/dL). Ao exame físico, notou-se acantose nigricans nas
axilas, pescoço e braços. O valor da PA aferido foi 138x80mmHg; o peso era 143,1Kg,
com altura 1,64m e IMC 53,2. Foram levantadas as hipóteses de pré-diabetes e SM.
Após orientação sobre os riscos do uso de anticoncepcionais, a paciente foi contrareferenciada para ginecologia. Em 25/09, a paciente retornou informando que havia
suspendido a noretisterona e averiguou-se que a PA se encontrava em níveis
preconizados pela Diretriz de Hipertensão. Requisitou-se, então, nova glicemia de
jejum. Na terceira consulta, em 23/10, trouxe o resultado do exame (111mg/dL),
corroborando a hipótese de SM. DISCUSSÃO: A síndrome metabólica representa uma
patologia de importante discussão no âmbito da saúde pública, principalmente por ser
considerada um agravante ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Sendo
assim, as intervenções devem concentrar-se principalmente na perda de peso,
diminuição dos níveis glicêmicos e controle da HAS e dos níveis plasmáticos de
triglicérides e colesterol. Cabe ao profissional de saúde juntamente com uma equipe
162
multidisciplinar intervir nos fatores de risco passíveis de modificação a fim de
minimizar esses riscos.
Palavras-Chave: Acantose Nigricans, Estado Pré-Diabético, Síndrome X Metabólica.
Referências:
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA / Sociedade Brasileira de
Hipertensão / Sociedade Brasileira de Nefrologia. VI Diretrizes Brasileiras de
Hipertensão. Arq Bras Cardiol 2010; 95(1 supl.1): 1-51.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE HIPERTENSÃO / Sociedade Brasileira De
Cardiologia / Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia / Sociedade
Brasileira de Diabetes / Associação Brasileira para Estudos da Obesidade. I Diretriz
brasileira de diagnóstico e tratamento da Síndrome Metabólica, Arq Bras Cardiol 2005;
84(1 supl. 1).
163
APRESENTAÇÃO DE PÔSTER DE TEMA LIVRE
ONICOMICOSE: QUAL O MELHOR MÉTODO DIAGNÓSTICO?
Ivan Batista Coelho
Amanda Freire Vieira
Larissa Amaral Lauriano
Luísa Coutinho Teixeira
Rodrigo Vilela Ventura
Samuel Silva Ferreira
Túlio Henrique Versiani de Oliveira
Vinícius de Jesus Rodrigues Neves
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: As onicomicoses são infecções fúngicas freqüentes que acometem as
unhas, responsáveis por 15 a 40% das doenças ungueais. Sua prevalência está em
crescimento e elas estão em destaque nas patologias de regiões tropicais, principalmente
devido ao clima quente e úmido. Fazem parte de sua origem três grupos de fungos bem
definidos: os dermatófitos, em 80 a 90%, dos gêneros Trichophyton e Epidermophyton;
raramente o gênero Microsporum, seguidos pelas leveduras, em cinco a 7%, sendo a
Candida albicans o organismo mais comum, e os fungos não dermatófitos em dois a
12%. A classificação das onicomicoses foi baseada nos quatro tipos clínicos específicos
de alterações ungueais: Onicomicose subungueal distal e lateral (OSDL), Onicomicose
branca superficial (OBS), Onicomicose subungueal proximal (OSP) e Onicodistrofia
total (OT). RELATO DO CASO CLÍNICO: Paciente, sexo feminino, 17 anos,
compareceu à consulta acompanhada de sua mãe com queixa de lesão ungueal e
periungueal em dedo indicador direito. Segundo ela, as lesões apareceram há 20 dias e a
mesma não fez uso de nenhuma medicação para tratamento. Ao exame físico, lesão em
dedo indicador direito na região do hiponíqueo e na borda distal e lateral da lâmina
ungueal, estendendo-se até o setor proximal da unha. Paciente foi então diagnosticada
com onicomicose subungueal distal e lateral. Foi então, solicitado exames de prova da
função hepática. DISCUSSÃO: O diagnóstico de onicomicose é clínico,
epidemiológico e micológico. A aparência clínica da lesão ungueal orienta em relação à
possível causa fúngica como pode também sugerir o agente da mesma. O diagnóstico
laboratorial das onicomicoses pode ser realizado pelo exame micológico direto, por
cultura fúngica e exame histopatológico. Devido à disponibilidade de antifúngicos
sistêmicos eficazes, grande número de pacientes recebe diversos tratamentos só com a
suspeita clínica de onicomicose, sem comprovação diagnóstica. O procedimento
adequado seria utilizar os métodos complementares disponíveis no diagnóstico da
onicomicose, uma vez que os tratamentos implicam alto custo, efeitos colaterais e
tempo. No entanto, estudos demonstram que algumas informações do histórico do
paciente (diagnóstico anterior de doença fúngica, descamação plantar anormal,
onicomicose considerado o diagnóstico mais provável por um dermatologista e presença
de tinea interdigital) e do exame são úteis para o diagnóstico da onicomicose, podendo o
diagnóstico clínico apoiá-lo de maneira tão exata quanto os testes de laboratório, além
de ser mais barato e mais rápido. De acordo com os estudiosos, quando os
dermatologistas consideraram onicomicose o diagnóstico mais provável e a descamação
plantar estava presente, o valor preditivo positivo para presença de fungos foi de 81%; e
164
quando ambos os sinais estavam ausentes, o valor preditivo positivo para a ausência de
fungos foi de 71%. A avaliação laboratorial, como exames da prova da função hepática,
deve ser realizada antes de iniciar o tratamento e durante, dependendo das condições
clínicas do paciente. O tratamento pode ser realizado através de antifúngicos tópicos,
sistêmicos ou da combinação de ambos os métodos.
PALAVRAS-CHAVE: Onicomicose; diagnóstico clínico; micologia
REFERÊNCIAS:
GARCIA-DOVAL, I et al. Clinical diagnosis of toenail onychomycosis is possible in
some patients: cross-sectional diagnostic study and development of a diagnostic rule.
British Journal of Dermatologists, v. 163, p. 743–751, Out. 2010. Disponível em
<http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20618320?dopt=Abstract>. Acesso em 20 Nov.
2014
LAWRY, M. A. et al. Methods for diagnosing onychomycosis: a comparative study and
review of the literature. Arch Dermatol. v. 136, n. 9, p. 1112-1116. Set. 2000.
Disponível em <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10987866?dopt=Abstract>.
Acesso em: 20 Nov. 2014.
165
APRESENTAÇÃO DE PÔSTER DE TEMA LIVRE
HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA E SUAS LIMITAÇÕES
TERAPÊUTICAS DEVIDO A EFEITOS ADVERSOS
Luciana Van Den Bergen
Bernardo Arantes Neves de Abreu
Clayton Marcos dos Santos
Daniel Guilherme de Oliveira e Silva
Fábio Fernandes de Mendonça
Fernanda dos Santos da Silva
Filipe Nappi Mateus
Giovanny Viegas Rodrigues Fernandes
Guilherme Ângelo dos Santos Silva
Pedro Gadbem Bobst
Simone Alves Edmundo
Thaís Borges Finotti
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: A hipertensão arterial sistêmica (HAS) representa um sério problema
de saúde no Brasil, tanto por sua prevalência elevada como por suas taxas de
morbimortalidade. Ela é um dos mais importantes fatores de risco para o
desenvolvimento de doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e renais. Modificações
de estilo de vida são de fundamental importância no processo terapêutico. Alimentação
inadequada, obesidade, sedentarismo, tabagismo e uso excessivo de álcool são alguns
dos fatores de risco que devem ser adequadamente abordados e controlados a fim de
evitar complicações advindas da HAS. Apesar dessas evidencias, incontestáveis, esses
fatores relacionados a hábitos e estilos de vida continuam a crescer na sociedade
levando a um aumento contínuo da incidência e prevalência da HAS, assim como do
seu controle inadequado. RELATO DE CASO: Paciente T.C.C, sexo masculino,
natural de Ouro Preto, 53 anos, aposentado. Poliqueixoso, relata dores em articulações,
quedas constantes da própria altura, impotência sexual, ginecomastia e dificuldades para
seguir dieta orientada por nutricionista. Etilista, não fumante. Obesidade; Hipertenso
descompensado (média 180x130 mmHg); sequelado de AVE cerebelar com
comprometimento do equilíbrio e disartria; gota. Paciente em tratamento para a
hipertensão com Propanolol 40mg 2x ao dia (BID), Hidroclorotiazida 25mg 1x ao dia
(MID), Anlodipino 5mg MID, AAS 100mg MID, Losartana 50mg BID. Relata ter
deixado de usar Captopril 25mg devido tosse seca crônica. Em primeiro momento,
mantido o esquema terapêutico. Porém, após 3 semanas e mantida média de PA em
180x130 mmHg, proposto novo esquema terapêutico:
Aspirina 100mg BID,
Furosemida 40mg MID, Hidralazina 25mg 3x ao dia, Carvedilol 3,125mg BID,
Anlodipino 5mg BID, Losartana 50mg BID. Após 2 semanas em novo esquema,
paciente ainda mantém média de PA em 180x130 mmhg, apresentando ainda episódio
de Urgência Hipertensiva em consultório médico. A partir deste episódio, reforça-se a
suspeita de Hipertensão Secundária (com solicitação de exames a confirmar) ou não
adesão ao tratamento. DISCUSSÃO: Os efeitos colaterais dos antihipertensivos
acarretam, em muitos casos, grande prejuízo na qualidade de vida do paciente,
166
contribuindo, assim, para a não adesão ao tratamento e para o difícil manejo da
Hipertensão. Em situações de Hipertensão Arterial de difícil controle, como no caso
citado, onde é necessária a associação de diversas classes medicamentosas, esses efeitos
tornam-se ainda mais pronunciados. No caso em questão, destacam-se: gota, tosse,
urgência miccional, impotência sexual, ginecomastia e hipotensão postural.
Palavras-chave: hipertensão, terapia e complicações.
Referências:
1. DIRETRIZES. Sociedade Brasileira de Cardiologia / Sociedade Brasileira de
Hipertensao /Sociedade Brasileira de Nefrologia. VI Diretrizes Brasileiras de
Hipertensao. ArqBras Cardiologia 2010; 95(1 supl.1):1-51.
2. Medicina Interna de Harrison, Longo D., et al.; 18º ed. Porto Alegre: AMGH,2013.
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APRESENTAÇÃO DE PÔSTER DE TEMA LIVRE
HIV E AIDS – RELATO COMPARATIVO ENTRE DOIS CASOS CLÍNICOS
Prof. João Milton Martins Oliveira Penido
Profª. Carolina Ali Santos
Adélie Nicolli Martins Gai
Géssica Santana Marotta
Ludyanne da Silva Gomes
Luísa Martino Avelar
Luiz Gustavo Minare Conessa
Priscila Cintra Campos
Rafaela Arantes
Taylane Glória Magalhães Coelho
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: A AIDS ainda apresenta alto grau de mortalidade e perspectiva de
um contínuo crescimento e propagação, mesmo com o desenvolvimento de novas
terapias. Com o advento dos antirretrovirais (ARV), observou-se uma melhora
significativa na qualidade de vida dos pacientes. As Diretrizes Terapêuticas de 2014
preconizam que a terapia antirretroviral (TARV) deve ser iniciada imediatamente ao
diagnóstico. RELATO DO CASO CLÍNICO: Caso 1: RMSV, feminino, 50 anos,
natural de Ouro Preto, casada, melanoderma, HIV+ há 1 ano e 6 meses, compareceu ao
Centro de Saúde da UFOP para consulta de retorno. Em 25/09/14 relatou cansaço a
pequenos esforços, sono intermitente e diurno, náusea, vômitos ao alimentar-se, perda
ponderal e tontura. Exame físico: hipocorada, pele ressecada e pouco elástica,
anoréxica, IMC:11,52, fígado palpável a 3 cm do RCD. Estado geral ruim. Em 13/11:
relatou dificuldade em manter o sono, apresentava sonda nasogástrica com
suplementação, vômitos ao alimentar-se há 20 dias, 1 episódio de febre noturna
(38,7°C), perda de 100g. Exame físico: fácies hipocrática, hipocorada, IMC:13,99,
fígado palpável a 4 cm do RCD. Medicações em uso: Nortriptilina, Citalopram,
Dapsona, Fenofibrato, Efavirenz, Lamivudina, Zidovudina. História pregressa:
internação por pneumocistose, internação 3 vezes por desnutrição e anorexia,
osteoporose diagnosticada há 6 meses, trombose de MID; esofagite por Candida sp.
diagnosticada em 25/09, neurossífilis tratada. Exames em 20/5:carga viral (CV):775,
linfócitos T CD4+:170. Caso 2: MCS, masculino, transexual, 46 anos, procedente de
Ouro Preto, solteiro, funcionário público, melanodermo, HIV+ há 20 anos sem uso de
ARV, consulta em Centro de Saúde da UFOP no dia 15.09.14 para controle de saúde.
Ex-usuário de maconha, crack, e cocaína, em abstinência havia 8 meses. Herpes-zoster
em dez/2013; Depressão e distúrbio do sono tratado com Fluoxetina e diazepam. Usou
hormônios femininos por 10 anos. CV:3.131 e linfócitos T CD4+:536. DISCUSSÃO:
168
Paciente do Caso 1 está em falha terapêutica, sendo necessário realizar genotipagem. O
paciente do Caso 2 é um controlador de elite que deve ser orientado sobre uso de
TARV. Estudos mostram que aproximadamente 80% dos pacientes alcançam CV
plasmática inferior a 50 cópias/mL após um ano de tratamento e que a supressão viral se
mantém ao longo do tempo, demonstrando a durabilidade da TARV tanto para terapia
inicial quanto para esquemas de resgate. Embora as taxas de sucesso sejam elevadas,
pacientes, como a do nosso Caso 1, normalmente necessitam de alterações em seus
esquemas antirretrovirais: “esquema de resgate”. O reconhecimento precoce da falha
virológica e a escolha adequada do novo tratamento são fundamentais para minimizar as
consequências da supressão viral parcial ou incompleta. Já pacientes como o Caso 2,
são chamados controles de elite (manutenção de RNA de HIV a menos de 50 cópias/ml
na ausência de terapia). Parece ocorrer em cerca de 1% de toda a população infectada
com HIV(OKULICZ, 2011). Estudos estão sendo conduzidos, tendo sido já postuladas
algumas teorias relativas ao mecanismo primário pelo qual estes indivíduos raros
controlam a replicação do HIV.
Palavras-chaves: HIV, Antirretrovirais, AIDS
Referências:
SOUSA, P.K.R., et. al. Vulnerabilidades presentes no percurso vivenciado pelos
pacientes com HIV/AIDS em falha terapêutica. Rev. Bras. de Enferm. Brasília; 2013;
ed.66, vol.2, pp.202-207.
SEIDL, E.M.F., et. al. Pessoas vivendo com HIV/AIDS: variáveis associadas à adesão
ao tratamento anti-retroviral. Cad. Saúde Pública. Rio de Janeiro; out-2007; ed.23,
vol.10, pp.2305-2316.
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APRESENTAÇÃO DE PÔSTER DE TEMA LIVRE
VITILIGO: O REI DO POP E A HISTOLOGIA
Géssica Mendes de Almeida 1
Matteus Murta Lage 1
Natália D’Arc ueiroz Pimenta 1
Luciana Hoffert Castro Cruz 2
1. Discentes do curso de Medicina da Universidade Federal de Ouro Preto
2. Professora adjunta do DECBI da Universidade Federal de Ouro Preto
Universidade Federal de Ouro Preto, Escola de Medicina
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
INTRODUÇÃO: A pele é um órgão que recobre a superfície corporal e é constituída
por uma porção epitelial, a epiderme, e por uma conjuntiva, a derme. A melanina,
pigmento proteico, é produzida pelos melanócitos, células de formato arredondado
derivadas da crista neural e presentes no estrato basal da epiderme, que possuem função
protetora contra os raios ultravioleta. O vitiligo é uma patologia dermatológica que
atinge cerca de 1 a 2% da população mundial e é caracterizado pela redução quantitativa
e funcional desse tipo de células. Na década de 90, o cantor Michael Jackson, o rei do
pop, em uma entrevista, revelou ter vitiligo, justificando o notável clareamento de sua
pele. A autopsia, em 2009, comprovou esse testemunho. OBJETIVOS: Abordar as
bases histopatológicas do vitiligo e exemplificar o progresso da doença por meio do
relato do caso do Michael Jackson. DISCUSSÃO: O vitiligo é uma doença
melanocitopênica, de etiologia complexa, ainda não completamente esclarecida. As
hipóteses mais aceitas são aquelas que a relacionam a fatores autoimunes, neurais ou
ainda autocitotóxicos. Sabe-se que há alguns fatores precipitantes, dentre eles o estresse
físico e emocional, traumas mecânicos e o uso de substâncias químicas. O vitiligo é
classificado em quatro tipos, de acordo com o padrão das lesões – focal, segmentar,
generalizado e universal. A evolução de cada quadro está relacionada a essa subdivisão,
podendo estabilizar, progredir, e, até mesmo, regredir. Para o estudo histológico dessa
patologia, produzem-se lâminas com dois tipos distintos de coloração: a HematoxilinaEosina e a Fontana-Masson, que avalia a presença de pigmento de melanina. Indivíduos
com a doença apresentam ausência ou deficiência dos melanócitos, sendo a ausência o
quadro histopatológico predominante. Essa doença não possui um tratamento eficiente,
apenas opções terapêuticas que buscam amenizar os efeitos das lesões provocadas na
pele. Como opções encontram-se o uso de protetor solar, o uso de cosméticos da cor da
pele e o uso de corticoides tópicos, recomendados apenas em situações iniciais e com
lesões localizadas. Na atualidade, utiliza-se, na maioria dos casos, a radiação
ultravioleta associada a fármacos. Diante dessa realidade, Michael Jackson durante sua
carreira não observou melhoras por meio das ações terapêuticas, optando pela
despigmentação da pele nas regiões que ainda não haviam sido lesionadas, o que mudou
consideravelmente sua aparência ao longo da carreira e permitiu que o vitiligo torna-se
170
uma patologia discutida em âmbito global. CONCLUSÃO: O vitiligo é uma doença
relativamente frequente na população mundial. Apesar de ter seu destaque mundial com
o rei do pop, as mudanças fisionômicas observadas em Michael Jackson não
representam o quadro evolutivo comum dessa patologia, principalmente porque o ídolo
submeteu-se a procedimentos dermatológicos paralelos. Dessa forma, é de extrema
importância ressaltar os vários tipos dessa patologia, bem como esclarecer os seus
respectivos quadros evolutivos ordinários. Os estudos histológicos, associados às
aplicações clínicas, são essenciais para a compreensão dessa doença ainda complexa,
cuja etiologia ainda é baseada em hipóteses.
Palavras chave: Vitiligo, Melanócitos, Melanina.
REFERÊNCIAS: Lopes AC, Amato Neto, V. TRATADO DE CLÍNICA MÉDICA – 3
VOL. 2ª Edição. São Paulo: Roca, 2006.
GARTNER, L.P., ET AL Tratado de Histologia em Cores. Rio de Janeiro: 3ª Edição
Guanabara Koogan, 2007.
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