Leia - Associação Brasileira de Angus

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Leia - Associação Brasileira de Angus
Impresso
Setembro/Outubro de 2009
Especial
2219/03 – DR/RS
Associação
Brasileira de Angus
CORREIOS
1
2
Setembro/Outubro de 2009
Associação Brasileira de Angus
Diretoria Biênio 2009/2010
Diretoria Executiva
Diretor Presidente
Joaquim Francisco Bordagorry
de Assumpção Mello
Diretor 1º Vice-Presidente
Fábio Luiz Gomes
Diretor vice-presidente
Mariana Franco Tellechea
Diretor vice-presidente
José Roberto Pires Weber
Diretor vice-presidente
Paulo de Castro Marques
Diretor Financeiro
Marco Antônio Gomes Costa
Diretor de Marketing
João Francisco Bade Wolf
Diretor de Núcleos
Ignacio Silva Tellechea
Diretor sem Designação Específica
Ronaldo Zechlinski de Oliveira
Coordenador de Exposições
Luiz Walter Leal Ribeiro
Conselho de Administração
Membros Eleitos
Afonso Motta
Antônio dos Santos Maciel Neto
Cristopher Filippon
Renato Zancanaro
Washington Humberto Cinel
Membros Natos – (Ex-Presidentes da ABA)
Angelo Bastos Tellechea
Antonio Martins Bastos Filho
Fernando Bonotto
Hermes Pinto
João Vieira de Macedo Neto
José Roberto Pires Weber
José Paulo Dornelles Cairoli
Reynaldo Titoff Salvador
Conselho Fiscal
Membros Efetivos
Eduardo Macedo Linhares
Roberto Soares Beck
Ruy Alves Filho
Membros Suplentes
Elizabeth Linhares Torelly
Carla Sandra Staiger Schneider
Roberta Riemke Leon
Conselho Técnico
Susana Macedo Salvador – Presidente
[email protected]
Antônio Martins Bastos Filho
[email protected]
Luis Felipe Ferreira da Costa
[email protected]
Luiz Alberto Muller
[email protected]
Sérgio Tellechea
[email protected]
Ulisses Amaral
[email protected]
Amilton Cardoso Elias - Representante ANC
[email protected]
Coordenação
Simone Patro
[email protected]
Jornalistas Responsáveis
Eduardo Fehn Teixeira - MTb/RS 4655
e Horst Knak - MTB/RS 4834
Colaboradores: jorn. Nelson Moreira e jorn.
Luciana Radicione
Apoio: Assessoria de Imprensa da ABA - jorn.
Luciana Bueno
Diagramação: Jorge Macedo
Departamento Comercial: Daniela Manfron
51 3231.6210 // 51 8116.9784
Edição, Diagramação, Arte e Finalização
Agência Ciranda - Fone 51 3231.6210
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Associação Brasileira de Angus
Av. Carlos Gomes, 141 / conj. 501
CEP 90.480-003 - Porto Alegre - RS
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Fone: 51 3328.9122
* Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores.
EDITORIAL
Temporada de oportunidades
Prezados amigos da raça Aberdeen Angus, sócios e parceiros;
Começamos esta temporada de
Primavera com boas oportunidades
de negócios sendo realizadas já no
Parque Assis Brasil, em Esteio (RS),
durante a Expointer. Na mostra, apesar de ter ocorrido redução de preços
em algumas categorias, obtivemos
liquidez total na oferta de animais.
A raça Aberdeen Angus movimentou
R$ 1,513 milhão com a venda de animais em leilões de rústicos, argola e de
novilhas. O acréscimo é de 37% em
relação ao volume negociado na edição
do ano passado. Tivemos pista limpa,
e ágil, em todos nossos remates, o que
demonstra a procura e aceitação, entre
os compradores, por nossos animais,
aliado, ainda, à alta representatividade
da Angus presente com 340 exemplares,
nessa exposição. Números que confirmam, mais uma vez, a liderança da
raça entre os animais de corte presentes,
em Esteio.
A partir de agora, até o início de
novembro, daremos sequência a uma
série de leilões que receberão a chancela
da Associação Brasileira de Angus. São
28 leilões chancelados no total, neste
semestre. Vamos manter a direção do
investimento seguro, que é possibilitado
pela pecuária, e desta forma, reitero o
convite aos usuários da raça de aproveitarem oportunidades de compra
nos próximos remates de produção. A
qualidade dos animais está assegurada
como temos visto desde a participação
dos criadores nas exposições.
Também convidamos a todos para
participar da festa de confraternização
de fim-de-ano da Associação Brasileira
de Angus. Na ocasião, estaremos realizando o VI Leilão Angus Nova Era. O
evento está marcado para 03 de dezembro na Associação Leopoldina Juvenil,
em Porto Alegre (RS).
Nesta edição de Setembro/Outubro
NOVIDADES
Simone Patro assume
gerência da ABA
Apesar de nunca haver atuado na área do agronegócio, a administradora de
empresas, Simone Patro, diz para o que veio! Com 12 anos de experiência na área
administrativo-financeira, com foco em resultados e planejamento estratégico, esta
canoense de 35 anos, que adora desafios, veio fazer parte da equipe ABA para agregar
melhorias no gerenciamento dos processos a fim de, cada vez mais, fomentar a raça com
credibilidade. Ela se soma ao grupo que busca sempre o melhor padrão de atendimento
ao associado e a qualidade na participação e organização dos eventos da entidade.
HUMOR
do [email protected] também vamos
mostrar a cobertura completa do
IV Concurso de Carcaças Angus,
realizado na primeira quinzena de
setembro, em Bagé (RS), e detalhes da
parceria estabelecida com o Frigorífico
Silva, que passa a integrar o grupo de
parceiros do Programa Carne Angus
Certificada. Você está convidado para
conferir as páginas a seguir.
Finalizando, desejamos aos amigos uma ótima leitura e excelentes
negócios!
Joaquim Francisco Bordagorry
de Assumpção Mello
Presidente da Associação
Brasileira de Angus
EXPOSIÇÕES
Setembro/Outubro de 2009
3
Criadores preparam 2ª Exposição Nacional de Rústicos Angus
Fotos: Divulgação/ABA
A esperada Nacional
de Rústicos ocorre
em Bagé, RS
Uma intensa programação, inclusive com degustação de
uma vaquilhona Angus assada e com a presença do Anonymus
Gourmet, já está confirmada para a 2ª Exposição Nacional de
Rústicos Angus, evento organizado em conjunto pela Associação
Brasileira de Angus (ABA) e Núcleo Regional de Criadores de
Aberdeen Angus de Bagé, que acontece paralelamente à 97ª
Exposição Feira Agropecuária de Bagé, de 14 a 17 de outubro,
no parque da Associação/Sindicato Rural de Bagé, entidade que
também compõe o grupo de realizadores do evento.
Tanto o presidente da Associação Brasileira de Angus, Joaquim
Francisco Bordagorry de Assumpção
Mello, quando o dirigente do Núcleo Regional de Criadores de Aberdeen Angus de Bagé, José Teixeira,
prometem muita movimentação
ao mundo Angus, envolvendo os
animais rústicos de ponta e palestras
sobre temas da hora.
O dia 14 (quarta-feira) está
programado para a recepção dos
animais e a partir do dia seguinte,
sempre começando às 8 horas, e até
o dia 16, se desenvolvem os julgamentos de classificação, este ano a
cargo dos uruguaios Raul Irazabal e
Ignacio Algorta, atuando como árbi-
tro Paulo Ricardo de Souza Dias.
Mas atividades aos participantes
não faltam. Às 20 horas da quintafeira, tem início o Ciclo de Palestras
sobre a Cadeia Produtiva da Carne
Bovina, cuja abertura será realizada pelo presidente da Associação
Brasileira de Angus, selecionador
Joaquim Mello, sabidamente um
entusiasta do gado rústico e do Programa Carne Angus Certificada.
Tendo como mediador o chefegeral da Embrapa Pecuária Sul de
Bagé, Dr. Roberto Silveira Collares,
o evento terá a realização de quatro
palestras, que vão culminar com
uma mesa de debates sobre os temas
abordados. Logo após a abertura,
entra em cena a primeira palestra,
a ser conduzida pela criadora uru-
Angus e Semeia em Dia de Campo
Genética, reprodução e técnicas foram abordadas no evento
Com uma programação que envolveu palestras e visita a campo, a
Associação Brasileira de Angus (ABA),
em parceria com a Semeia Genética, realizou no dia 23 de setembro um Dia de
Campo em São José dos Ausentes, RS,
reunindo mais de cem participantes de
diversas regiões do Estado gaúcho.
Na programação de palestras, o
gerente do Programa Carne Angus Cer-
tificada, veterinário Fernando Velloso,
falou sobre a importância da genética
no resultado da pecuária de corte. A
utilização de Inseminação Artificial
em Tempo Fixo – IATF, foi abordada
pelo técnico da ABA, Dimas Rocha.
Já o técnico da Emater dos Campos de
Cima da Serra, veterinário João da Luz,
tratou do tema “reprodução de bovinos
de corte”.
Após o almoço, os participantes
visitaram a Cabanha Mangueirões, de
Francisco Boeira, onde foram apresentados os excelentes resultados obtidos pela
IATF realizada pela Semeia na temporada 2008/2009 na propriedade.
Conforme o técnico da Semeia,
Gustavo Araújo, a cabanha possui
um plantel de 300 matrizes Angus e
na ocasião foram revisadas cerca de
cem fêmeas, além da demonstração da
evolução genética de várias gerações de
machos e fêmeas da raça.
O evento contou também com
dados históricos da propriedade, numa
pesquisa que levantou informações desde 1860 e foi apresentada pelo gerente
da Cabanha Mangueirões, Sebastião
Vieira.
Segundo Fernando Velloso, a raça
Aberdeen Angus cresce bastante naquela região. Ele constata a grande
procura pela raça em função de sua
boa adaptação e desempenho em baixas
temperaturas, como é o caso de São José
dos Ausentes.
guaia Maria Mattos, que vai abordar
o manejo de animais de cabanha.
O segundo tema fica a cargo das
médicas veterinárias Dras. Marcela
Eugster e Gessy Druillet, que vão
abordar a Ecografia em qualidade
de carne. O tema Programa Carne
Angus Certificada, da ABA, será
conduzido pelo gerente do programa de carne de qualidade da
entidade, veterinário Fernando Furtado Velloso. E a temática A Carne
Bovina e o Coração estará a cargo do
cardiologista Dr. Renato Kalil.
No dia 16, à noite, ocorre jan-
tar com entrega de prêmios. Na
ocasião, com a presença do famoso
Anonymus Gourmet, será degustada uma vaquilhona Angus “assada
no couro”. Já para o dia 17, às 11
horas, está programada a posse da
nova diretoria do Núcleo Regional
de Criadores de Aberdeen Angus
de Bagé, liderada pelo criador Alfredo da Cunha Pinheiro, o novo
presidente. E às 16 horas, será a vez
da comercialização, com o remate
chancelado pela ABA. No comando
do martelo estará o leiloeiro Aluízio
Tavares, da AT Remates, de Bagé.
Exposições Ranqueadas 2009
SETEMBRO
73º EXPOSIÇÃO DE URUGUAIANA
28/09/2009 a 04/10/2009
OUTUBRO
59º FEAPEC – EXPOSIÇÃO DE
CACHOEIRA DO SUL
01/10/2009 a 11/10/2009
EXPOSIÇÃO DE PELOTAS
02/10/2009 a 15/10/2009
48º EXPO RIO PRETO
1º/10/2009 a 9/10/2009 EXPOFEIRA DE BAGÉ
2ª Exposição Nacional de Rústicos
Angus
14/10/2009 a 17/10/2009 EXPOFEIRA DE DOM PEDRITO
A partir de 1º/10/2009 67° EXPOSIÇÃO AGROPECUÁRIA DE
ALEGRETE
12/10/2009 a 31/10/2009
EXPOFEIRA DE RIO GRANDE
20/10/2009 a 26/10/2009
EXPOSIÇÃO DE LIVRAMENTO
15/10/2009 a 16/10/2009
43° EXPOSIÇÃO AGROPECUÁRIA DE
SÃO FRANCISCO DE ASSIS
22/10/2009 a 26/10/2009
EXPOSIÇÃO STA. VITÓRIA PALMAR
30/10/2009
NOVEMBRO
EXPOVEL – CASCAVEL
OUTROS EVENTOS
03/10/2009 - XXXVIII Exposição Rural de São Borja
Cabanha dos Tapes mostra
seleção e manejo em evento
O 2º Dia de Campo da Cabanha
dos Tapes, do diretor da Associação
Brasileira de Angus (ABA), João Bade
Wolf, foi realizado em 25 de setembro, na propriedade, em Camaquã,
RS. O objetivo do encontro foi a
apresentação dos animais que serão
ofertados dia 7 de outubro, no remate
Marca Angus, em Camaquã, além de
mostrar aos presentes como são selecionados e manejados estes animais
desde o nascimento até a venda.
Na ocasião a Assessora Técnica
da ABA, Fernanda Kuhl, desenvolveu
uma apresentação sobre a entidade e
o trabalho de Melhoramento Genético do Gado Angus, ressaltando a
importância de produção e aquisição
de animais superiores (dupla marca),
além de outros detalhes das empresas
parceiras da propriedade, como Saltchê, Axelgen, RealH.
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Setembro/Outubro de 2009
CARNE
Sustentabilidade, saúde e qualidade
de vida no foco do produtor de carne
Fotos: Kéke Barcellos/ABA
O Workshop Carne Angus, neste ano em sua sexta edição, não só já faz parte
da programação envolvendo os eventos realmente importantes da Expointer,
como também deixou claro novamente neste ano o seu crescimento em termos
de abordagens pontuais sobre o tema carne de qualidade, que é a principal
meta do Programa Carne Angus Certificada, da Associação Brasileira de Angus
(ABA).
E sobre a presença de interessados, acompanhando todas as palestras e
debates, nem se fala. A exemplo de anos anteriores, faltaram lugares.
Realizado no dia 3 de setembro, na Casa da RBS, no parque Assis Brasil, em
Esteio, RS, o evento confirmou as expectativas otimistas tanto de organizadores
como de palestrantes e de participantes. Os assuntos abordados acertaram em
cheio no interesse do setor, que a cada momento quer saber mais e mais.
Carne Angus para todos
Todas as pessoas presentes na Casa da RBS logo antes do início do evento foram brindadas
– e por certo seduzidas – por uma apetitosa degustação de carne Angus. A ação, organizada
pela ABA, através do Programa Carne Angus Certificada, contou com o apoio do Serviço de
Informação da Carne (Sic), que distribuiu farto material promocional da carne brasileira.
Produtores Top Mercobeef Angus
Presidente da ABA e Eduardo Linhares
Vanderlei Garcia (à direita), da Quiri
José Azhaury Linhares,
da AML (à direita)
A ocasião também serviu como
palco adequado para que um dos
parceiros da ABA, o Frigorífico Mercosul, realizasse a entrega de prêmios a
seus produtores e, juntamente com o
Programa Carne Angus, homenageasse
três produtores com o prêmio Produtor
Top Carne Angus. Foi a terceira edição
desta premiação anual, que agora apresentou uma novidade: um certificado
que garante por um período de um
ano, a partir da premiação, um bônus
por desempenho aos criadores que se
destacaram em um conjunto de requisitos técnicos como fornecedores do
Programa Carne Angus ao frigorífico.
O bônus corresponde a 1% sobre o
valor da compra do gado até o dia 1º
de agosto de 2010.
Foram distinguidos com o Prêmio
Produtor Top Mercobeef Angus 2009 os
gaúchos Eduardo Macedo Linhares, da
Gap Genética (Uruguaiana/RS) em primeiro lugar, o segundo lugar ficou com
Vanderlei Garcia, da Agropecuária Quiri
(Dom Pedrito/RS) e na terceira colocação
o produtor José Azhaury Linhares, da
AML Agropecuária (Santana do Livramento/RS e Manoel Viana/RS).
Os critérios de avaliação do prêmio:
Constância, Rastreabilidade, Qualidadade, Fidelidade, e categorizado po
volume de animais.
Por Eduardo Fehn Teixeira
N
a seqüência o diretor do Canal Rural, Donário Lopes de
Almeida, realizou a abertura
dos trabalhos do seminário, chamando a atenção dos presentes para a
relevância dos temas em foco.
Muito bem freqüentado, lá estava
o atual presidente do braço tecnológico do agribusiness, a Embrapa. Num
flash à platéia, Pedro Arraes observou
que a pesquisa está cada vez mais
avançada e também mais complexa.
“Há bem pouco tempo, a grande luta
era por produtividade. Hoje temos a
percepção pública focada na sustentabilidade, observando aspectos sociais
e econômicos, além de componentes
como saúde e qualidade de vida”,
asseverou o dirigente.
Logo a seguir tomou a palavra o
atual presidente da Associação Brasileira de Angus (ABA), Dr. Joaquim
Francisco Bordagorry de Assumpção
Mello, que além dos agradecimentos
a todos, destacou a importância da
organização da cadeia produtiva da
carne brasileira e de todos que, através de seu incansável trabalho, estão
tornando possível não só a produção
da carne Angus, mas a necessária
ampliação da imagem do produto e
da consagrada marca Carne Angus
para todo o Brasil e também já sendo
um positivo referencial de carne de
qualidade no mundo. O presidente
da ABA também apresentou a nova
parceria da entidade e do Programa
Carne Angus: o Frigorífico Silva,
com sede em Santa Maria e detentor
da marca Best Beef, com mais de 35
anos de mercado.
Entre outras citações, homenagem também ao produtor e criador de Angus em Alegrete Afonso
Antunes da Motta, vice-presidente
institucional do Grupo RBS. Em
rápidas palavras aos presentes, Motta
ressaltou a importância da valorização do conceito de cadeia produtiva
da carne e do foco na produção de
carne de qualidade. “Sempre haverá
mercado para a qualidade e este
mercado sabe valorizar o trabalho dos
produtores dedicados ao fornecimento de animais que geram esses cortes
diferenciados”, disse ele, observando
também que os operadores das bolsas
de valores terão que aprender a dirigir
tratores, porque no futuro, a riqueza
vai estar no campo.
O gerente do Programa Carne Angus Certificada, veterinário Fernando
Velloso, agradeceu aos parceiros frigoríficos Mercosul e Marfrig, Angus da
Gruta, Grupos VPJ e Zaffari, saudou
a nova parceria com o Frigorífico Silva
e apresentou à platéia os palestrantes
convidados e de imediato passou a
palavra para a apresentadora da RBS
TV, jornalista Ana Amélia Lemos,
justo no momento em que o evento
passava a ser transmitido ao vivo e a
cores via Canal Rural.
Como os consumidores dos mercados interno e externo vêem a carne
bovina produzida no Brasil? Este foi
o tema de abertura do workshop. E
para fornecer e comentar essas respostas, assumiu a cena a articulada
especialista Dra. Márcia Dutra de
Barcellos, que traçou um paralelo
com outros alimentos (outras cadeias,
CARNE
Joaquim Francisco Bordagorry de
Assumpção Mello
Setembro/Outubro de 2009
5
Afonso Antunes da Motta, vicepresidente da RBS
Presidente da ABA e dirigentes do Frigorífico Silva, agora parceiros do Programa Carne Angus
ou seja, de animais criados ao ar livre,
assim como se fosse uma galinha
caipira com selo de certificação. Este
selo existe desde a década de 60 e é
famoso não só na França, mas em
toda a Europa e países de primeiro
mundo.
Na atualidade, existem na França
cerca de seis mil fazendas certificadas
cujos produtos recebem este selo. “Os
frangos com este selo de certificação,
apesar de custarem o dobro do preço
na comparação com frangos comuns,
representam em torno de 33% de to-
como lácteos, soja, frangos e suínos,
alimentos orgânicos, funcionais) e
comparou suas estratégias para o
aumento do consumo e conscientização do consumidor global. O que
a cadeia da carne tem para ensinar e
o que deve aprender foram os principais focos das abordagens de Márcia,
do alto de seus conhecimentos como
profe ssora e pesquisadora da PUCRS
- Programa de Pós-Graduação em
Administração.
Segundo Márcia, para consumidores mais exigentes, como os europeus,
por exemplo, a qualidade da carne é
mesmo fundamental. A carne precisa
ter maciez, suculência e palatabilidade e, junto a esses atributos, aparece
outro item que esses consumidores
não abrem mão: a segurança – a carne
precisa ser um alimento totalmente
seguro do ponto de vista de sanidade. A carne precisa ser inócua, não
representando qualquer tipo de risco
como o chef inglês Jamie Oliver, que
aparecem em anúncios promocionais,
emprestando seu prestígio à carne.
Márcia Dutra de Barcellos
“No Reino Unido, em 2008, as vendas de frangos comuns caíram 11%,
ao passo que a comercialização de
na área de transmissão de doenças às
frangos free-range e também orgânipessoas. “Esses consumidores também
cos apresentaram, no mesmo período,
se preocupam com outros atributos
um crescimento da ordem de 35%”,
relacionados ao produto carne, como
ilustrou a pesquisadora, médica vea origem, a preservação do meio amterinária por primeira formação em
biente, as boas práticas de manejo na
nível superior.
criação e o bem estar animal e consiO Brasil, conforme ela, na percepderam de suma importância que essa
ção dos consumidores estrangeiros,
carne tenha um
reúne condições
selo de certificação
plenamente favoráA melhoria da qualidade, a certificação de origem e veis, especialmente
de qualidade e de
origem, concedido a construção de uma imagem positiva no mundo são os pelo tipo de pecupor uma organiária, de produção
grandes desafios do segmento da carne do Brasil
zação indiscutià pasto. “Mas as
velmente idônea”,
pessoas tem ruavisou a técnica.
moroso descrédito
Em sua palesespecialmente na área de segurança
tra, Márcia de Barcellos citou alguns das as vendas de frangos naquele país”, alimentar, sem falar da qualidade da
exemplos do primeiro mundo, para informou, para surpresa geral.
carne propriamente dita”, apontou,
Na construção da imagem das lembrando que na midia, para neumostrar como funciona a percepção
das pessoas com relação ao produto carnes de primeira linha, o primei- tralizar os efeitos de cada mensagem
carne. Um deles é o selo francês Label ro mundo se utiliza com eficiência negativa, são necessárias no mínimo
Rouge, utilizado na produção de fran- dos chamados comerciais baseados cinco mensagens positivas ...
gos e que dá um status de free-range, em testemunhais. São celebridades,
Em pesquisa que realizou durante
Pedro Arraes, presidente da Embrapa
Ana Amélia Lemos (à direita) apresentou o painel
Fernando Furtado Velloso
o seu trabalho de doutorado, Márcia
perguntou a escoceses sobre a imagem que tinham das carnes Angus da
Escócia, da Austrália e do Brasil. O
primeiro lugar, a preferência, todos
podem adivinhar: a carne escocesa,
com certeza. Em segundo lugar a
carne da Austrália, por razões similares
às citadas para a escocesa. E sobre a
carne brasileira, em primeiro lugar as
respostas, via de regra, foram negativas, do tipo não conheço, não tenho
certeza da qualidade, desconfio da
segurança, carne muito dura, animais
submetidos a maus tratos e outros
argumentos nesta linha.
Márcia citou os argentinos com o
grande exemplo de sucesso de carne
de qualidade na América Latina.
“Temos que aceitar que eles são muito
bons produtores de carne e também
são excelentes marqueteiros. Eles
conseguem passar um conceito de
qualidade da carne que produzem
e, junto ao produto carne, também
conseguem passar a boa imagem do
assado, do churrasco, que já ficou conhecido em todo o mundo”, sinalizou
a especialista.
Os grandes desafios do Brasil são,
a melhoria da qualidade da carne, a
certificação de origem do produto
(junto à garantia de segurança alimentar) e a construção de uma imagem
positiva da carne produzida no Brasil.
“Uma imagem altamente positiva
que o Brasil já tem é a produção de
carne a pasto. Mas nos outros itens,
ainda temos que nos dedicar e muito”,
advertiu Márcia. Para ela, nós precisamos das ações de uma entidade que,
com franco apoio do governo brasileiro, centralize e represente a cadeia
da carne não só internamente mas
em especial para o resto do mundo,
com destaque aos principais países
importadores do produto.
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6
Setembro/Outubro de 2009
CARNE
Crescimento com base na tecnologia
É
possível produzir carne
no Brasil de
forma sustentável e
socialmente correta? Para responder a
este apelo foi convidado o zootecnista Ocimar Villela, do Instituto para
o Agronegócio Responsável (ARES),
com sede em São Paulo. “Sustentabilidade é ficar sempre atento à área
da pesquisa, é pautar e resgatar as
informações de como era feito no
passado, para que não venhamos a repetir novos erros”, impactou Villela.
O técnico afirmou que a pecuária no
Brasil é bastante sustentável devido à
existência de reservas legais e a recuperação e conservação das Áreas de
Preservação Permanentes (APPs). “A
nossa pecuária também é a campo, a
pasto, e por estar integrada à agricultura, torna-se bastante competitiva e
sustentável”, afirmou.
Segundo ele, práticas como
queimadas e principalmente desmatamentos, são caminhadas contrárias
aos conceitos de modernidade, de
sustentabilidade. “A pecuária – isso
é imprescindível – precisa crescer.
Mas é importante que esse desenvolvimento e aperfeiçoamento de mé-
Fotos: Kéke Barcellos/ABA
todos em busca de maior eficiência
seja feito de forma vertical, baseado
na tecnologia, e não no alargamento
de fronteiras, de forma convencional,
ou horizontal”, alertou.
Com referência às mudanças
climáticas que visivelmente vem
ocorrendo, ele classificou como um
verdadeiro tiro no pé. “Para não
interferirmos negativamente geando novas mudanças no clima e no
meio ambiente, até inviabilizando
a produção, precisamos trabalhar
com novos métodos e com muito
mais eficiência tecnológica”, defende.
Conforme Ocimar Villela, “é imperioso que nos voltemos à recuperação
de pastagens, investindo em calcário,
fósforo e uréia para consagrar a criação de animas a pasto com muito
mais resultados do que os que temos
na atualidade”.
Ele criticou programas de governo do tipo “plante que o João
garante e integrar para não entregar”. “Foram programas bem
intencionados em suas épocas, mas
hoje tudo precisa ser repensado,
planejado e realizado tecnicamente.
Do contrário, vamos novamente
incentivar ocupações de áreas para
A uma atenta platéia, Ocimar
Villela destacou que a pecuária
precisa perseguir conceitos de
produzir com modernidade
logo a seguir criar regras que vão
inviabilizar a produção”, lembrou.
Integração é soja com pecuária,
milho e capim, árvores junto com
o pasto... Para ele, nosso produtor,
tanto é competente, que trouxe o
Zebu da Índia e o está melhorando
a olhos vistos, especialmente a partir de cruzamentos, com genéticas
como a Angus, por exemplo.
Para o zootecnista do Instituto
ARES, precisamos de segurança no
trabalho, gestão certificada, muita
informação e tecnologia. Agindo
assim, poderemos obter apoios como
financiamentos capazes de alavancar
projetos modernos, que poderão
produzir em escala com qualidade,
criando imagem positiva para o
mundo e se transformando em copiados cases de marketing. “Carne é
o alimento de maior valor biológico
que existe”, promoveu o técnico no
encerramento de sua fala.
Nossa carne é brasileira, mas as pesquisas são norte-americanas
Mitos e verdades sobre a carne
bovina e a saúde humana foi mais
um tema de controverso nas palestras do workshop deste ano. Para
abordar este polêmico assunto tomou a palavra a médica do serviço
de epidemiologia do Instituto de
Cardiologia de Porto Alegre, a Dra.
Vera Lúcia Portal. Ela abordou a
relação entre o consumo de carne e
o colesterol e doenças coronarianas.
Sem hesitar, confirmou a enorme
importância da ingestão de carne
para a dieta humana, em função do
produto carne vermelha apresentar
uma variada gama de destacadas
propriedades nutricionais. E disse
também que estudos científicos ainda
não comprovaram que a carne magra
seja causadora de doenças no coração
ou de casos de câncer.
Muito bem informada sobre a
questão, ela afirmou, entretanto, que
em primeiro lugar todas as informações que se tem na área de pesquisa
vem dos Estados Unidos, que sabidamente tem um sistema de criação
bastante diverso no que é praticado na
pecuária brasileira. “Lá os animais são
confinados e racionados, fazem muito
pouco ou quase nada em termos de
exercícios e praticamente não comem
pasto. Justamente o contrário do
Brasil, onde 90% da criação de gado
é realizada totalmente a pasto”, relata
a médica, alertando que basicamente
por essa questão, os dados que vem
de lá simplesmente não representam
a nossa realidade e sim a dos norteamericanos, que além disso exigem
uma capa de gordura mais grossa e
gordura entremeada em maior quantidade na carne. E ainda vai mais
além com essas diferenciações: “além
do mais, mesmo vindos dos Estados
Unidos, esses estudos não feitos a
partir de carnes normais e não com
carnes magras”.
A Dra. Vera Lúcia foi enfática
ao afirmar que “para nós, os estudos
existentes não servem, porque têm
como base realidades que não são
as nossas”. Ela sugere que a cadeia
da carne brasileira, em lugar de absorver argumentos negativos sobre
o consumo de carne bovina vindos
dos Estados Unidos, se dedique,
isto sim, a promoção de pesquisas
fundamentadas na carne que o Brasil
produz, que é quase única, totalmente
a pasto. “Esses estudos realizados no
Brasil vão mostrar novos marcadores
de risco cardíaco, que por certo serão
bem mais amenos comparados aos
norte-americanos. E de resto vão gerar
argumentos realmente científicos, que
se de um lado nos vão dar realidades
verdadeiras sobre os efeitos de nossa
carne sobre nosso organismo, vão
também servir como argumentos
incontestáveis em favor da carne de
qualidade que produzimos totalmente
a pasto”, sintetiza a especialista do
Instituto de Cardiologia.
>>>
A cardiologista Vera Lúcia Portal destacou a vital importância do consumo de carnes para a saúde humana
Setembro/Outubro de 2009
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Setembro/Outubro de 2009
CARNE
O mercado do boi e o meio ambiente
Fotos: Kéke Barcellos/ABA
Fabiano: a pressão dos ambientalistas exerce influência cada vez maior sobre a produção primária
A
o abrir sua palestra intitulada De 1998 até 2008 nossa produção ocorrer não sobre o aumento de área,
“o mercado do boi e o meio cresceu cerca de 67%. No mesmo mas sobre produtividade.
ambiente”, o Dr.
A pressão do meio
Fabiano Tito Rosa sentenambiente, apesar de ser
ciou: “Apesar da relevância
Dono da maior pecuária e da maior
algo relativamente novo,
do tema sustentabilidade,
área de floresta do mundo, o Brasil é alvo é também fulminante e
o debate em torno dele no
exerce influência cada
Brasil não tem sido muito perfeito para os lobistas e para os ambienvez maior sobre a área de
sustentável...”
talistas, especialmente do primeiro mundo produção e sobre como
Zootecnista por formaessa produção é desenção, analista de mercado
volvida. O Brasil tem a
de pecuária e agribusiness e diretor período, a exportação aumentou maior pecuária do mundo e tamda Scot Consultoria, em Bebedouro, nada menos de 475%. E nossa área bém tem a maior área de floresta do
SP, Tito Rosa lembrou que a pecuá- de pastagem permaneceu a mesma. A
ria brasileira se expandiu sobre um pecuária está mesmo – e não poderia
modelo de produção que realmente ser de outra forma – bastante comsaturou e vai precisar ser alterado o prometida com a questão ambiental.
mais rápido possível. “Temos que Apesar da área de pasto não ter
agregar tecnologia à nossa produção aumentado, houve desmatamento.
e assim fazê-la crescer verticalmente Isso se explica porque se a pecuária
e não somente através da expansão avançou em área no norte do País, ao
de áreas, com decorrente desmata- mesmo tempo houve conpensação
mento e agressão ao meio ambiente”, porque encolheu no centro sul. O
adverte.
crescimento do setor no Norte do
Segundo ele, nos últimos anos a Brasil é algo altamente positivo e
expansão da pecuária brasileira foi não deve parar. Mas precisa ser feito
muito maior em termos de produti- de forma sustentável, com o uso de
vidade do que em aumento de área. alta tecnologia para que isso possa
Fabiano Tito Rosa
mundo. “Somos um alvo perfeito, o
maior alvo do mundo para os lobistas
e para os ambientalistas, especialmente do primeiro mundo. Temos que
modernizar muito as nossas áreas e
métodos de produção e nos aparelhar
e ter redobrada atenção aos mercados
internacionais, reunindo argumentos
capazes de rebater à altura todas as
críticas que são feitas hoje e serão
também contundentes no futuro sobre nossa produção. Os argumentos
em forma de severas críticas, especialmente partindo da Europa, que é
nosso maior concorrente, começaram
com o Sisbov, com a ausência de
rastreabilidade em nossos rebanhos.
E a cada momento surgem novos
bombardeios, mais recentemente
alicerçados em questões ambientais.
Temos que cuidar melhor não só de
nosso desenvolvimento, que precisa
ser feito de forma sustentável, mas
também da imagem do Brasil e da pecuária e carne brasileira no mundo.
Segundo a Embrapa, o Brasil
ainda tem 67% de suas florestas
originais. Já a Europa tem somente
0,3% de suas florestas originais. Ou
seja: o Brasil tem desmatamento
simplesmente porque ainda tem
florestas para desmatar, coisa que
a Europa não tem mais, porque o
desmatamento lá já aconteceu. Há
oito mil anos o Brasil detinha 9% das
florestas mundiais. Hoje tem 28%
dessas áreas de florestas. Isso bem
mostra os níveis de desmatamento
ocorridos no mundo.
Para Fabiano Tito Rosa, é imperioso que a cadeia produtiva da
carne bovina e da pecuária brasileira
se organize e se desenvolva com mais
modernidade, ao ponto de encontrar
argumentos válidos para rebater com
veemência a todas as críticas que
vem de fora. As principais críticas
vem da Europa e isto acontece em
função da concorrência. Lá os custos
de produção são elevadíssimos em
comparação aos nossos e isto justifica
os ataques que temos sido vítimas.
Somos um gigante aos olhos do
mundo e por isto, pelo medo de nossa
concorrência, sofremos os ataques
que precisamos rebater com firmeza
e consistência.
Organizado a partir de uma
programação consistente, oportuna
e atrativa, o evento marcou seu encerramento com um amplo debate
envolvendo a platéia e os palestrantes, sob a coordenação do diretor do
Canal Rural, Donário Almeida. “Fiquei impressionado com o interesse
e a efetiva participação das pessoas,
levantando questionamentos sobre
os diversos temas aos palestrantes.
Apesar da experiência com o setor,
realmente essa integração coroou
de êxito a realização do evento deste
ano”, sentenciou o dirigente.
O diretor do Canal Rural, Donário Lopes de Almeida (à esquerda) conduziu o painel
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CARNE
Na vitrine, a qualidade da carne gaúcha
Fotos: Kéke Barcellos/ABA
O Programa Carne Angus Certificada obteve singular
destaque na Vitrine da Carne Gaúcha, uma promoção realizada
pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul
(Farsul), no pavilhão internacional do Parque Assis Brasil, em
Esteio, RS, durante a Expointer 2009. Através de uma enorme
vitrine permitiu que olhares curiosos de uma verdadeira multidão
conferissem a desossa e a produção na mesma hora dos cortes de
carne mais conhecidos pelo consumidor.
A
s apresentações das carnes certificadas Angus prenderam a
atenção de centenas de pessoas
durante as ações envolvendo palestras e
desossa comentada das carnes certificadas pela Associação Brasileira de Angus
(ABA) das marcas Zaffari Angus, Angus da Gruta e Mercobeef Angus.
As ações, desenvolvidas do dia 29
de agosto a 5 de setembro, reuniram
dez diferentes marcas de carnes certificadas de bovinos e de ovinos, na
promoção da Farsul com apoiuo do
Ministério e Secretaria da Agricultura
do Rio Grande do Sul.
IDÉIA DE SUCESSO
Tudo começou quando, há alguns anos, o então coordenador da
Comissão de Pecuária de Corte da
Farsul, o técnico e criador de Angus
Carlos Simm, organizou, no estande
do Senar, durante a Expointer, uma
desossa comentada de carne. “Esta foi
a origem da promoção realizada este
ano, agora ampliada através da Vitrine
da Carne Gaúcha, que na verdade deu
enorme visibilidade pública a uma
ação antes desenvolvida de forma
restrita no estande do Senar”, revelou
o coordenador do evento, Fernando
Adauto Loureiro de Souza, um dos
diretores e consultor da Farsul na área
de pecuária de corte. Segundo Souza,
as carnes certificadas têm características
especiais que vão desde a aparência até
o sabor e a maciez.
Para Fernando Velloso, gerente do
A idéia teve unanimidade e serviu para promover as carnes certificadas
O público se aglomerava para assistir o espetáculo dos cortes da carne durante todos os dias da Expointer
Programa Carne Angus Certificada, a
Vitrine da Carne Gaúcha foi uma idéia excelente que serviu para mostrar às pessoas
comuns as enormes vantagens das carnes
certificadas, em especial a Angus.
Durante os vários dias da Expointer, o técnico do Programa Carne
Angus Certificada, Fábio Medeiros,
realizou palestras sobre as qualidades
da carne Angus e comentou a desossa
de vários cortes do produto.
DESOSSA DE CINEMA
Um especialista em desossa de
carnes especiais, mas também um
homem show, que soube cativar e até
divertir o público que diariamente
assistia, em frente à vitrine de vidro, a
desossa das carnes certificadas gaúchas.
Esse era Marcelo Conceição, também
conhecido como Marcelo Bolinha,
consultor credenciado do Sebrae na
área, com mais de 20 anos de experiência na atividade e cursos de Boas
Práticas de Fabricação de Carnes e de
APPCC – Análise de Pontos Críticos
de Controle da Carne.
Segundo Marcelo, antigamente
somente algumas casas requintadas é
que ofertavam esses cortes nobres de
carnes de qualidade. “Mas hoje eles
estão à disposição não só nas casas
especializadas, mas também nas prateleiras dos supermercados, ao alcance
de qualquer consumidor”, revela o
especialista. Ele igualmente destaca
que as carnes gaúchas se distinguem
entre as demais no Brasil. “No Rio
Grande do Sul temos carnes de gados
europeus e britânicos que além de
maciez e suculência, com um sabor
inigualável, ainda proporcionam uma
maior rendimento na desossa.
Ele também enfatizou que quando
a carne é de primeira, tudo é de primeira, dos cortes nobres até os chamados
cortes de dianteiro. “Desde que elaborados de maneira correta, todos os
cortes são bons, desde os de panela,
como paleta e acém, até os de traseiro,
que convidam um espeto ou grelha
para serem assados”, resume o expert.
Para ele, outra qualidade das carnes
certificadas é a segurança alimentar –
a certeza de que elas provêm de gado
sadio, com estreita fiscalização técnica
em todos os processos e a garantia de
que não vão levar qualquer tipo de
doença ao consumidor.
Marcelo Conceição recomenda
que o consumidor deve procurar essas
carnes de qualidade em casas especializadas, onde poderá obter orientações
sobre o tipo de corte ideal para o que
quer preparar.
O Dr. Viedo Facin, da Secretaria da
Agricultura demonstrou todo o trabalho
que é feito para a garantia da saúde e inocuidade da carne abatida sob inspeção.
Marcelo Conceição fazia a desossa e explicava à platéia
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Concurso de Carcaças:
Resultado da qualificação do produtor
Fotos: Kéke Barcellos/ABA
Valorizando a carne, raça Angus
conquista importância e ganha espaço
na pecuária de qualidade e resultado
Por Eduardo Fehn Teixeira
O
Concurso de Carcaças
promovido pela Associação
Brasileira de Angus (ABA),
através de seu Programa Carne Angus Certificada, a cada edição atrai
mais competidores, e o que é ainda
mais importante: é cada vez mais
considerado como importante argumento qualificador do trabalho das
propriedades participantes junto ao
mercado.
Neste ano realizado nos dias 10 e
11 de setembro, na unidade industrial
do Frigorífico Mercosul de Bagé, RS,
o IV Concurso de Carcaças Angus
cresce aos olhos do mercado e prende a
atenção de um número cada vez maior
de pecuaristas, preocupados com a
produção de carne de qualidade.
A meta, segundo os organizadores,
não é de apenas premiar de forma
pontual as melhores carcaças. Na
verdade o concurso embute todo um
conceito de trabalho com pecuária,
que visa deixar nítido ao produtor
a necessidade de melhoramento genético dos rebanhos, com a meta da
produção de animais cada vez mais
padronizados e que apresentem no
abate carcaças pesadas e corretas em
acabamento.
A promoção reúne os melhores
produtores com objetivo de evidenciar a qualificação da produção de
carcaças de alta qualidade a partir
da genética Angus, com foco no
consumidor.
O que se viu na linha de matança
do frigorífico, sem dúvida deixou na
saia justa os responsáveis pela escolha
as melhores carcaças. Todas eram
excelentes. E antes disso, vivos, nos
currais do frigorífico, os exemplares,
definidos ou cruzas Angus, já chamavam a atenção pelo alto padrão
apresentado, que era mesmo flagrante,
chamando a atenção até de leigos no
assunto.
Mas depois dos abates, desfilando
na linha industrial como carcaças,
aí o bicho pegou de verdade: eram
todas muito uniformes e os jurados
tiveram que recorrer aos detalhes
para apontar as melhores, porque
todas eram realmente de alto nível e
muito padronizadas, segundo definiu
o gerente do Programa Carne Angus
Certificada e um dos responsáveis pela
organização do evento, o veterinário
Fernando Furtado Velloso.
CRESCIMENTO
É EVIDENTE
Em 2008, a terceira edição do
concurso contou com 292 animais,
apresentados por 13 produtores. Já
neste ano, participaram 12 produtores
de várias regiões do Rio Grande do
Sul, que apresentaram um total de
270 animais para a competição. Entre
as exigências, todos os animais precisavam possuir o padrão de qualidade
buscado pelo Programa Carne Angus
Certificada.
“A promoção visa gerar estímulo à
A produção de animais de qualidade superior é objetivo do programa da ABA
produção de animais de qualidade superior, assim como também o direcionamento desta produção aos padrões
de qualidade exigidos pela indústria”,
apontou o gerente do Programa
Carne Angus Certificada, Fernando
Velloso. Para ele, desde o início, cada
edição do concurso têm mostrado
visível evolução dos animais, o que é
bastante positivo, mostrando que os
criadores se preocupam cada vez mais
com os itens qualidade e eficiência na
produção pecuária. “A cada edição, os
animais são mais jovens, porém mais
pesados e com melhor terminação,
deixando evidente a melhoria no plano alimentar nas fazendas, aliada ao
crescimento da qualificação genética
dos exemplares.
Velloso igualmente aponta uma
inversão nos lotes definidos e cruzas,
desde a primeira edição da competição. “No início a predominância era
para os lotes cruza e agora a grande
maioria foi de lotes definidos. “Essa
tendência revela uma mostra da
maior expansão da raça, com maior
valorização do apuro genético dos
touros comerciais e a conseqüente
padronização dos rebanhos, que é a
meta principal não só do concurso de
carcaças, mas da associação de Angus
como um todo”, destaca o técnico.
Segundo ele, este ano, por solicitação dos próprios criadores, foi elevada
a pontuação para o item acabamento,
valorizando o trabalho daqueles produtores que mostraram animais com
boa terminação.
Como forma de incentivo à participação dos produtores – e garantindo
também um bom número de competidores - a indústria concedeu uma
bonificação adicional de 5% sobre os
valores das classes de pagamentos nas
quais os animais foram classificados.
Para os lotes campeões de cada
categoria, além do troféu do concurso, foi paga bonificação adicional
de 10% sobre o valor das classes de
pagamento. Já os segundos e terceiros
lugares foram distinguidos através
dos troféus.
Para o produtor de genética –
enfatiza Velloso - participar deste
concurso significa, para o mercado,
que os touros produzidos por estas
propriedades geram animais com as
condições de excelência nas carcaças
apresentadas na competição. Já para
o produtor comercial, Velloso evidencia que a participação no concurso
resulta numa melhor relação com o
frigorífico. “O produtor mostra à indústria que tem condições de produzir
carcaças de elevado padrão, desde
que haja remuneração adequada a tal
qualificação”, argumenta.
>>>
Critérios de avaliação:
Palestra que antecedeu os abates explicou regras do Programa Carne Angus
Idade – 30%
Peso – 30%
Terminação – 20 %
Conformação – 20 %
(Foram valorizados também quesitos relacionados à sanidade, característica essencial quando se pensa
em carne de qualidade)
Nos julgamentos de classificação das carcaças, foram valorizados critérios de avaliação tais como: peso,
maturidade (idade), conformação e acabamento.
Os animais também precisavam apresentar um mínimo de 50% de sangue Angus no cruzamento com
raças européias ou um mínimo de 5/8 de sangue Angus no cruzamento com raças zebuínas (padrão
racial Carne Angus Certificada), ser jovens, com idade de até quatro dentes, e o lote possuir um mínimo
de 20 animais.
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Evolução em uniformidade
Padronização dos lotes inscritos chamou a atenção
E
ste ano tivemos lotes padronizados, de excelente qualidade,
mostrando franca evolução em
uniformidade e também em características de carcaça em relação e edições
anteriores, observou o técnico do
Programa Carne Angus Certificada,
Fábio Medeiros. Para ele, aliás, desde
a primeira edição os animais já superavam em muito a média do mercado,
mostrando que há muitos produtores
que, a partir da padronização de seus
rebanhos e do esmero em seleção
genética a campo, reúnem condições
de gerar uma produção formada por
animais realmente diferenciados.
A coordenação do concurso ficou
a cargo de uma comissão formada
por dois técnicos do Programa Carne
Angus Certificada e mais dois técnicos
do Frigorífico Mercosul.
Para o criador e Diretor de Ma-
rketing da ABA, João Francisco Bade
Wolf, da Cabanha dos Tapes, de
Tapes, RS, o Concurso de Carcaças
é a verdadeira oportunidade para
apresentar a qualidade Angus e medir
a competitividade do material produzido nas propriedades.
“No frigorífico é que se vê a verdadeira qualidade da carne e o resultado
real do trabalho desenvolvido na área
de produção. Por isso eu acredito no
Programa Carne Angus Certificada”,
promoveu o conhecido criador de
Angus. Ele ainda acrescenta que, em
exposições e feiras, o animal é visto,
mas não pode haver um julgamento
preciso da carcaça, da carne que ele
produz.
Ana Doralina Alves Menezes é outra técnica do Programa Carne Angus
Certificada que participou ativamente
de todos os momentos do concurso
deste ano, repetindo ações suas de
edições anteriores desta promoção.
Supervisora do Programa Carne
Angus Certificada no Rio Grande
do Sul, a veterinária Ana Doralina
destacou a aplicação dos produtores,
que visivelmente prepararam seus
lotes para a competição deste ano.
“Praticamente todos, ou muitos dos
participantes reuniam condições de
vitória, pelo altíssimo nível dos lotes
que apresentaram”, definiu a especialista em carne Angus.
O acabamento dos animais que
participaram do concurso igualmente
foi elogiado pelo diretor de compras de
gado do Frigorífico Mercosul, agrônomo Gustavo Móglia. Segundo ele, foi
este quesito que determinou o diferen-
cial do produto apresentado este ano.
“Tivemos praticamente um só padrão”,
ilustrou. Móglia salientou que este deveria ser o aspecto mais valorizado numa
avaliação da qualidade dos animais. Ele
também atribuiu o bom desempenho
dos participantes à época do ano, que
é favorável às pastagens, permitindo
analisar o gado na melhor época do
ano em termos de qualidade de pasto,
onde os animais podem expressar todo
seu potencial. “Pegamos o auge da
qualidade do rebanho”, disse.
Fotos: Kéke Barcellos/ABA
Selo Carne Angus aplicado durante tipificação de carcaças
Os grandes campeões deste ano
Daniel Mello conferiu os abates
Joaquim Francisco Bordagorry
de Assumpção Mello não escondia a
satisfação e alegria de ter apresentado no Concurso de Carcaças Angus
deste ano o lote que foi selecionado
como o Grande Campeão em Angus Definido da competição. “Na
administração da pecuária, o foco
da Santa Eulália está alicerçado no
gerenciamento de um programa
que, sinteticamente, está baseado no
manejo, na sanidade, na alimentação
e na genética. Todas essas questões
devem funcionar como algo uno, que
precisa ser constantemente cuidado
e monitorado, para que os ajustes e
as correções, caso necessárias, sejam
sempre executados em seu devido
tempo”, começa argumentando
Joaquim Mello, reconhecido como
um grande incentivador do Programa Carne Angus Certificada. Atual
presidente da Associação Brasileira
de Angus (ABA), ele sempre diz - e
repete incansavelmente - que, se por
um lado o olho do dono engorda o
boi, de outro a qualidade da carne
Angus é o grande pilar da raça.
Falando sobre seu trabalho como
pecuarista, produtor de touros
comerciais de elevado potencial
genético e de novilhos para abate
focados em carne de qualidade, ele
argumenta que a sanidade dos animais precisa ser absoluta. “A saúde
é fundamental”, sentencia. Observa
que tudo precisa ser detectado a
tempo, para que não haja nenhum
prejuízo para a produção. “Além
da atenção permanente, é preciso
estruturar um programa contendo as
rotinas que vão garantir a sanidade
do rebanho”, acrescenta.
Sobre o item nutrição, Joaquim
Mello destaca que é necessário fornecer
aos animais, em cada época do ano,
uma alimentação ou carga alimentar
condizente com as metas a serem alcançadas em nível de produção. “Em
meu rebanho, chego a ter até 95% de
prenhez e minha equipe sabe que isto
só se obtém como boa comida e boa
água”, comenta. O grande segredo
da garantia de nutrição ao rebanho,
conforme o criador, está na integração
lavoura-pecuária. “Aproveito toda a
estrutura que tenho montada para a
agricultura na produção de pastagens
para a pecuária, otimizando essa
estrutura ao máximo, inclusive para
uma boa equalização na área de custos,
com a obtenção de benefícios a mais ao
gado. “Ambas as atividades ficam viabilizadas e se completam, numa perfeita
integração”, reforça o produtor.
No setor de genética, Joaquim
Mello não esconde que grande parte
de sua produção de touros é para uso
em seus próprios rebanhos. “Procuro
trabalhar sempre com touros tops,
comprovados em performance, de
olho na produção de carne de qualidade, com o foco voltado ao campo”,
define o campeão do concurso de carcaças. Ele revela, por exemplo, que os
touros precisam ter frames medianos
(6, na média), com características
voltadas à produção de novilhos e
carcaças pesadas, de bom tamanho e
com correta cobertura de gordura e
acabamento.
E na área do manejo, Joaquim
Mello destaca o bem-estar animal
aliado às boas práticas, com instalações eficientes, peonada treinada,
ausência de cachorro e tudo feito de
forma rápida, porém com serenidade,
sem pressões ou judiarias, para não
estressar ou machucar o gado e gerar
perdas desnecessárias.
Especificamente sobre o lote vencedor do concurso, Joaquim Mello
divide os méritos com seu filho, o
veterinário Daniel Mello (que participou ativamente das atividades e
do abate, no Mercosul de Bagé). “Foi
ele quem selecionou os animais, na
propriedade que ele cuida, a Fazenda
Santo Antônio, em Tapes, RS, onde
está todo o nosso gado de cria. Mas
a terminação e acabamento foram
tarefas realizadas na Santa Eulália,
onde está a produção de touros e que
cuido pessoalmente, onde tenho um
azevém perene, na resteva da lavoura
de soja”, sintetizou.
Para o dirigente da ABA, o concurso de carcaças é uma excelente ferramenta de melhoramento genético
do gado e também para a divulgação
das comprovadas qualidades da raça
Angus na produção de carne de qua-
lidade. “Mostramos ao mercado que
trabalhamos com um gado precoce,
que responde bastante bem a sistemas
de produção eficientes”, diz o presidente da Angus, observando que especialmente de 2003 para cá se constata
grande evolução qualitativa no gado
do Rio Grande do Sul, e grande parte
desta melhoria pode ser creditada, sem
medo de errar, à intensificação do uso
da genética Angus.
Com orgulho, Joaquim Mello
recorda que nos últimos tempos está
mesmo com a bola cheia: “Entre
outros trunfos, conquistei o trio
campeão PO de rústicos e o melhor
touro rústico na Nacional de Angus
de Alegrete e fui campeão do ranking
de rústicos do ano passado, e agora
conquisto o lote campeão de Angus
Definido do concurso de carcaças”,
comemora.
>>>
Grupo que acompanhou o concurso, em Bagé
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CARNE
Concurso é termômetro do trabalho na fazenda
Fotos: Kéke Barcellos/ABA
A padronização é uma máxima, tanto no gado, quanto nas carcaças
“É
nessa pista que eu quero
correr”, sintetizou o
produtor e criador de
Angus Emerson Bassan, da Estância
Banhado/Angus Junquero, de Aceguá, RS, que obteve a segunda colocação entre os lotes Angus Definido
durante o Concurso de Carcaças
Angus deste ano. Juntamente com
Paula Lopes da Cunha Bassan e Sílvia
Echenique Lopes, Emerson dirige a
Banhado Parceria Agrícola/Pecuária,
que participou pela primeira vez este
ano da seleta competição.
“Criamos Angus há mais de 13
anos e há bastante tempo viemos
trabalhando para isto, para apresentar animais com carcaças de real
qualificação”, disse Bassan. Segundo
ele, na propriedade as preocupações
com padronização racial e eficiência
produtiva são as molas mestras de
todo o trabalho.
“Nossas principais operações
envolvem cria e invernada, sempre de
olho nos resultados econômicos, na
receita, que precisa ser cada vez mais
positiva”, definiu, observando que
abatem bois que aos dois anos, com
carcaças corretas em acabamento e
mais de 500 quilos de peso.
“Trabalhamos dentro de nossa
propriedade e, pelas nossas avaliações, somadas à receptividade da
indústria e considerando os ganhos
financeiros que temos obtido, já
sabíamos que o gado era bem bom.
Mas este concurso veio confirmar
essas nossas expectativas, uma vez
que nossos animais competiram com
o que há de melhor na pecuária na
atualidade e as avaliações objetivas
foram realizadas por técnicos de elevada especialização, o que confirma
que estamos no caminho certo em
nossa produção”, considerou Emerson Bassan.
Bastante satisfeito com o resultado
do concurso, ele garante que vão usar
esta premiação para qualificar o marketing da propriedade e também vão
seguir participando desta competição,
sempre focados na premiação máxima.
“Vamos considerar este concurso como
um termômetro para a avaliação de
nosso trabalho, que precisa estar em
constante evolução, gerando cada vez
mais qualidade e resultados financeiros”, diz o criador de Angus.
PONCHE VERDE FICOU
EM TERCEIRO
Vencedora em 2008 na categoria
Angus Definido, neste ano a Estância
Vista Alegre do Ponche Verde, de
Dom Pedrito, RS, ficou com a terceira colocação na mesma categoria.
Pertencente ao Condomínio Yordi
Vicente e Silva, a estância é administrada por Antônio Carlos Torres
Vicente e Silva, o Perico, como é
mais conhecido entre os pecuaristas
gaúchos.
Entusiasta das metas de qualificação de rebanhos disseminadas
pela Associação Brasileira de Angus,
através de seu Programa Carne Angus
Certificada, Perico, que participa
ativamente desde a primeira edição
do concurso, avalia que a competição
se revela como uma eficiente ação da
ABA, que através de seu programa
de carne de qualidade alavanca a
produção pecuária de nível superior
em todo Rio Grande do Sul e Brasil,
valorizando o trabalho de qualidade
que desenvolvemos em nossas propriedades”.
Nos Angus cruza, vencedores vibraram
Lotes conferidos com todo o critério técnico
A Cabanha Paipasso, propriedade
da Corrêa Osório Agropecuária, especializada em Red Angus, faturou no
Concurso de Carcaças Angus a premiação máxima entre os lotes Cruza
Angus. “Essa importante vitória tem
tudo a ver com o foco de nosso trabalho. Fazemos o ciclo completo e nos
especializamos na produção de novilhos qualificados para abate”, vibrou
Fernando Osório, um dos diretores
do estabelecimento, localizado em
Santana do Livramento, na fronteira
oeste do Rio Grande do Sul.
“Recebemos essa premiação como
um reconhecimento máximo, que nos
mostra que estamos certos na condução de nosso trabalho com pecuária
de resultado”, valiou o produtor, que
foi o primeiro dirigente do Programa
Carne Angus Certificada.
Segundo Fernando, o lote vencedor era formado por animais cruzados
Angus, num grau de sangue próximo
ao 5/8, que seria o Brangus. “E todos
de pelagem vermelha”, faz questão de
destacar Osório, ferrenho defensor
dos Red Angus.
“Temos hoje mais de 1.800 vacas
em serviço. A metade são Angus e
a outra parte Brangus. Mas todas
vermelhas”, insiste o comunicativo e
competente criador, que também é um
especialista em cortes nobres de carne.
Para ele, o segredo do sucesso do trabalho da Paipasso é a soma de genética
superior ao ambiente, juntamente com
sanidade e correto manejo.
Fernando Osório (esquerda), um dos vencedores
O vice-campeão entre os lotes
cruza Angus veio de Aceguá, da Estância da Formosa, propriedade da
PAP Aluizio J. Jacinto Cantão, que é
comandada em conjunto pela esposa
do falecido Sr. Aluízio, Sra. Edda
Cantão, e pelos filhos Flávio, Ronaldo
e Aluízio.
“Há cerca de 12 anos, depois de
experiências com outras genéticas, de
olho nos resultados obtidos, elegemos
a Angus como a raça que mais se
adapta ao nosso sistema de trabalho e
à região onde estamos”, saiu dizendo
o advogado (e dublê de veterinário,
porque não concluiu o curso), Flávio
Cantão, que destaca a precocidade e
a qualidade da carne produzida pela
genética Angus.
“Trabalhamos com o desmame
precoce, aos 60 dias, especialmente
nas vaquilhonas de primeira cria.
Fazemos assim deste o início dos anos
90. E observamos que o Angus, na
comparação com outras raças, ia ao
cocho – aprendia a comer – mais rapidamente, bem antes das outras genéticas”, aponta Cantão, observando que
o terneiro Angus é pequeno ao nascer,
mas se apronta em velocidade. “Tivemos até Shorthorn, um gado ótimo,
mas mais exigente, que acabou sendo
absorvido pelo Angus”, contou.
Flávio Cantão lembrou que sua
propriedade participou de um projeto
de vanguarda, com a consagrada Fazenda Ana Paula, que visava à produção de
novilhos para abate muito jovens – de
18 a 20 meses, com peso médio entre
380 Kg a 400 Kg. “Foi nesta ocasião
que vimos, com nitidez, que a genética
Angus é mesmo superior, é campeã em
performance, gerando uma carcaça
e uma carne realmente inigualável”,
reforçou o criador.
A Estância da Formosa trabalha
atualmente com mais de 600 vacas
em produção, opera ciclo completo
e já começou a produzir os primeiros
touros de campo, para uso próprio.
“É fácil falar de uma raça que
possui um conjunto de qualidades
tão importantes para a produção de
uma carne diferenciada, nobre, de
qualidade superior”, propagandeia o
criador, alegando que “a família ficou
mais que satisfeita com o prêmio
numa competição tão acirrada. Isto
mostra que estamos na cancha e entre
os primeiros”, instigou.
>>>
Fábio Medeiros e Fernando Velloso
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CARNE
Confira aqui os depoimentos
dos vencedores do concurso de 2008
Fotos: Kéke Barcellos/ABA
Antonio Carlos Torres Vicente e Silva (Perico)
Anos de trabalho com
a genética certa
Vitorioso na categoria Cruza Angus em 2008 e vice-campeão em 2007, o proprietário da Fazenda
Pulqueria, de São Sepé, RS, Fernando Costa Beber, realizou palestra a uma platéia interessada no
dia anterior ao concurso (10/09), na Associação Rural de Bagé, onde o Programa Carne Angus
Certificada e Frigorífico Mercosul promoveram um jantar tendo Carne Angus no prato principal.
S
egundo Costa Beber, o Brasil está
mudando rapidamente em todos
os setores e especialmente na
pecuária. No Rio Grande do Sul, disse,
“se não evoluirmos e aproveitarmos
nossas vantagens competitivas, seremos
tragados pela avalanche de carne barata
do centro do País. Estas vantagens são
invernos úmidos e gado europeu”.
Para Costa Beber, o Rio Grande
do Sul, com seu clima mediterrâneo, é
ideal para pastagens temperadas. Estas, com nutrição adequada,
podem produzir os mesmos ganhos
de peso por hectare que são obtidos
com as pastagens tropicais do norte,
onde só chove no verão. “Isso os está
forçando ao uso intensivo do confinamento, no inverno, a um custo
muito maior do kg produzido do
que com nossas pastagens invernais”,
compara.
O mundo está enriquecendo e as
pessoas que estão ganhando mais não
somente estão comendo mais carne,
mas exigindo qualidade. E não se faz
carne de qualidade com zebu, observa
o produtor.
Ana Doralina Menezes teve
participação ativa em todos os
momentos da promoção
“O padrão de qualidade dos
novilhos que produzimos resulta
da eficiente genética Angus, mais
um bom manejo, sanidade e correta alimentação. Com bom nível
nutricional conseguimos reduzir a
idade de abate e aumentar a maciez
e o marmoreio da carne”, destacou
em sua palestra o produtor Antonio
Carlos Torres Vicente e Silva (Perico),
à frente do Condomínio Yordi Vicente e Silva - Estância Vista Alegre do
Ponche Verde, de Dom Pedrito, RS,
vencedora do Concurso de Carcaças
Angus em 2008 na categoria Angus
Definido.
Para ele, o concurso de carcaças proporciona que os produtores
mostrem sua competência, o que
reverte em benefícios para toda cadeia
produtiva.
“O trabalho que temos hoje
resulta de mais de quatro décadas
de seleção, sempre trabalhando com
Angus, a genética certa”, atribui o
criador. Segundo Perico, como produtor de touros comerciais, tem a
visão correta do que se deve produzir.
“Nossos touros são selecionados para
produzir este padrão de carcaças,
com peso de 265 kg e com 54% de
rendimento”, sintetizou o criador,
que na palestra teve a parceria de seu
assistente técnico, o agrônomo Luís
Fernando Alvim Silva, que realizou
explanação pontual sobre o projeto
de trabalho desenvolvido pela Vista
Alegre do Ponche Verde.
“É por iniciativas como essa é
que a carne Angus é cada vez mais
conhecida e realmente diferenciada
no mercado”, declarou Perico.
Confira os participantes deste ano
do Concurso de Carcaças Angus
Neste Concurso de Carcaças Angus participaram os criadores/produtores, todos do Rio
Grande do Sul: José Azhaury Macedo Linhares; Antonio Carlos Torres Vicente e Silva; Joaquim
Francisco Bordagorry de Assumpção Mello, Estância Santa Eulália; Fernando Costa Beber;
Banhado Parceria Agrícola/Pecuária; Beatriz Izabel Corrêa Osório; Maria Zulmira Dias Mariano
da Rocha; Ayrto Alberto Schvan; Bernardo João Rietje; PAP Aloísio Jacinto Cantão.
Fernando Costa Beber e a filha Fernanda, estudante de veterinária
Setembro/Outubro de 2009
19
20
Maio/Junho de 2009
CARNE
Interconf debateu novas tendências em confinamento
Realizada de 15 a 17 de setembro, em Goiânia, a 2ª Conferência
Internacional de Confinadores – Interconf 2009, repetiu o sucesso da
primeira edição, realizada em 2008,
reunindo este ano mais de 1200
produtores e profissionais ligados
ao confinamento. Num verdadeiro
ponto de encontro da pecuária de
alta performance, lá estiveram também representantes de países como
Austrália, Inglaterra, África do Sul,
Argentina e Uruguai, que abordaram as tendências e soluções para
o confinamento bovino, discutindo
novos caminhos para um sistema de
produção sustentável na pecuária de
corte intensiva.
elo segundo ano consecutivo, a
Associação Brasileira de Angus
(ABA) foi a única entidade de
raça presente no evento, representada
pelos técnicos Fábio Medeiros e Carlos Eduardo Velasco, que prestaram
atendimento aos interessados no
Programa Carne Angus Certificada,
da Associação Brasileira de Angus
(ABA), num estande exclusivo da entidade, montado em área privilegiada
do evento.
“Tivemos grande procura por informações referentes ao programa de
P
carne de qualidade da Angus
e sobre a utilização do Angus
no Cruzamento Industrial”,
aponta o técnico do Programa
Carne Angus
Certificada, veterinário Fábio
Medeiros. Ele
observa que o
crescimento da
par ticipação
do Angus nos
Equipe do Programa Carne Angus e convidados
rebanhos da
confinamento estão entrando no
Região Central
do Brasil não é fruto apenas das van- mercado, a atividade tem peso muito
tagens proporcionadas pelo Programa maior na composição dos preços,
Carne Angus, mas também deve-se às respondendo por até 30% do total de
vantagens produtivas que a raça apre- gado abatido pelos frigoríficos nesse
senta quando utilizada no cruzamento período”, analisa diretor executivo da
Associação Nacional dos Confinadoindustrial.
res (Assocon), Juan Lebrón.
Importância estratégica
Com um rebanho bovino de 95
O confinamento de gado no
Brasil é uma atividade que assume milhões de cabeças, os Estados Unidos
importância cada vez mais estratégica é dono da maior produção mundial
no fornecimento de carne, principal- de carne em regime de confinamento,
mente durante os meses de entressafra com volume de abate superior a 15
do boi. “Entre os meses de agosto a milhões de cabeças, enquanto no
novembro, quando os animais do Brasil esse número é de 3 milhões/ca-
beças, com um rebanho de cerca
de 170 milhões, relaciona o dirigente. “Diante desse cenário, é
fundamental o investimento em
sistemas de produção intensivos
que utilizem tecnologia capaz de
permitir o aumento da produtividade por área, além de atender
as exigências do mercado quanto
à padronização, escala e regularidade no fornecimento de carne”,
afirma o presidente da Assocon,
Ricardo de Castro Merola.
Também estiveram presentes
no evento os parceiros da ABA:
Frigorífico Marfrig, representado pelo Gerente do Marfrig
Confinamento, Roberto Barcellos; Angus da Gruta, representado
pelo sócio Danilo Garcia e pelo
gerente João Batista, além da Semeia
Genética, representada pelo técnico
Felipe Escobar, que realizou ações de
divulgação da parceria recentemente
firmada com a VPJ Pecuária.
Segundo Felipe Escobar, o evento
foi muito positivo, pois mais uma
vez propiciou o debate de todos os
aspectos importantes para quem
integra a cadeia produtiva da carne,
desde a produção até a negociação
do produto.
Restaurante Angus
da Expointer serve
mais de 1 tonelada
de carne certificada
Durante a Expointer 2009, o
Restaurante Angus no Parque de
Exposições Assis Brasil ficou pequeno para tanto sucesso de público.
Além dos gaúchos, visitantes das
Regiões Nordeste, Centro-Oeste,
Sudeste, do Estado do Paraná e até
estrangeiros apreciaram cerca de
3.500 refeições à base de Carne Angus Certificada servidas no local.
Pelo sexto ano consecutivo,
o local é administrado por Jorge
Antônio Kowalczyk, que neste ano
inovou no cardápio diversificado,
apresentando a picanha com panquecas de batata com cogumelos,
além de conservar os pratos mais
procurados: o bife de chorizo e o filé
de costela com risoto de pinhão.
Segundo Kowalczyk a carne
estava num padrão de qualidade
perfeito, sabor excelente e maciez
adequada. “Os clientes ficaram
muito satisfeitos e o restaurante foi
muito bem freqüentado”, destacou
o administrador, prometendo novidades para 2010, com pelo menos
dois novos cortes, além de uma possível reforma no estabelecimento.
CONSELHO TÉCNICO
Como escolher o melhor
reprodutor nesta temporada?
Diante de mais uma temporada de remates de primavera, o
produtor sempre tem algumas dúvidas na hora de escolher o
reprodutor adequado para o seu rebanho ou para o seu objetivo
comercial. Para auxiliar o comprador a fazer sua escolha, o
Conselho Técnico da ABA elaborou um “check-list” que enumera
os pontos principais a serem levados em consideração.
A
inda antes de adquirir qualquer reprodutor em leilão,
é importante estudar o seu
pedigree e avaliar os dados disponibilizados no catálogo, como os pesos
e outras medidas, as DEP’s, os vários
índices considerados relevantes do
ponto de vista genético e econômico.
Cada um deverá realizar – junto às
mangueiras - uma revisão prévia dos
materiais ofertados no evento, selecionando os animais que suprem a
demanda do seu projeto de produção.
Desta forma, o comprador reduzirá
em muito o risco de escolher animais
somente pelo fenótipo, podendo
aproveitar todo o evento com mais
segurança, já que terá muito claras as
suas opções e/ou preferências apontadas com antecipação.
Dê preferência sempre para animais com avaliação genética!! Este
é um ponto muito importante para
o sucesso de sua produção pecuária, escolha sempre os animais com
desempenho positivo na avaliação
genética.
Escolha touros com circunferência
escrotal (CE), no mínimo, aceitável
para sua idade. O Conselho Técnico
da ABA não recomenda a
compra de touros com menos
de 29 cm de CE com mais de
18 meses de idade. Não podemos esquecer que estamos
falando de uma raça com
destacada precocidade sexual,
e esta é uma característica
transmissível aos produtos
destes touros.
Observe os aprumos destes animais, devem ser os mais
corretos possíveis, para garantir uma longa vida produtiva
em seu rebanho.
Não se esqueça da pelagem.
Se quiser aumentar ou diminuir
a freqüência da pelagem preta
ou vermelha em seu rebanho, o cliente
deverá comprar animais homozigotos
ou heterozigotos para estas características, de acordo com tabela abaixo.
Não esqueça que a pelagem vermelha
é recessiva na raça.
No caso de fêmeas, escolha os animais com cria ao pé, ou que já tenham
parido pelo menos uma vez, observando
que o sistema mamário destes animais
deve ser desenvolvido e com tetos
adequados para o terneiro (bezerro)
se alimentar. Estamos falando de uma
raça de corte precoce e prolífera, com
destacada habilidade materna.
Observe o temperamento dos animais, escolhendo animais com temperamento mais calmo, mais dócil. Esta
é uma característica transmissível à sua
progênie, que irá interferir no seu sistema de produção e até na qualidade
do seu produto final, a carne.
Setembro/Outubro de 2009
21
Saiba utilizar os dados
disponíveis nos catálogos
DEP
É a Diferença Esperada na Progênie, em relação à média da raça,
ou seja, são desvios, positivos ou
negativos, esperados na produção
dos filhos dos animais que serão
comercializados. Não se esqueça
de utilizá-la!
Exemplo: Touro com DEP 5 para
peso a desmama: espera-se que seus
filhos tenham 5 kg a mais na desmama quando comparados com a
média da raça.
Sempre levar em conta as diferenças entre as DEP´s e não os valores
absolutos!!!
ÍNDICES
Os índices agregam, num único
valor, o mérito genético total do
animal. Pode ser Índice Final ou
Índice Desmama. Quanto maior
o Índice, melhor!
DECAS
São uma apresentação dos ani-
mais em classes de 10%. Elas são
especialmente importantes, pois
permitem rápida visualização e
classificação objetiva da DEP de
um determinado animal em relação aos demais. A DECA 1 indica
que o animal está entre os 10%
melhores; a DECA 2 indica que
o animal está entre os 11 e 20%
melhores e assim por diante.
PERÍMETRO
ESCROTAL (PE)
Esta medida é expressa em centímetros. É um forte indicador da
precocidade sexual de suas filhas
e da velocidade de crescimento e
precocidade de seus filhos.
PESO ADULTO
Esta medida é importante, pois
demonstra a capacidade de ganho
de peso que o animal possui e que
passará para sua progênie. Mas
não exagere, não quer dizer que o
animal mais pesado é o melhor.
Pelagens possíveis na raça Aberdeen Angus
Desfile de touros Alta/Progen atraiu criadores
A Associação Brasileira de Angus (ABA), em parceria com a Alta
Genetics e Progen promoveu no dia
22 de agosto o tradicional desfile de
seu catálogo de reprodutores 2009.
Realizado na sede da Progen em Dom
Pedrito, RS, o evento, além do desfile
dos touros, contou com a realização
de palestras sobre temas ligados à
produção pecuária. Manejo Reprodu-
tivo de Gado de Cria foi o conteúdo
da palestra do veterinário Dr. Walter
Ney Louzada Ribeiro e Resultados de
IATF no RS em 2008 foi abordado
pelo técnico da Ouro Fino, Dr. José
Ricardo Garla de Maio.
Na tourada – desfilaram um
total de 23 touros - destaque aos
reprodutores participantes do Teste
de Progênie Angus no ano de 2007
– reprodutores El Saycan e, em 2008
Netto e Touareg.
“Estes touros foram selecionados a
participar do Teste de Progênie Angus
pelo seu desempenho nas avaliações
do Promebo, e após o término do teste
foram contratados pelas centrais para
fazerem parte da bateria comercial”,
observou a assessora do Conselho
Técnico da ABA, Fernando Kuhl.
Segundo ela, o Teste de Progênie
Angus foi lançado oficialmente pela
ABA em 2007, durante a VII Exposição Nacional da Raça Aberdeen
Angus, na Feicorte, em São Paulo,
SP. Na ocasião, a formalização da
parceria entre ABA e as Centrais Alta
Genetics e Progen foi assinada pelo
então vice-presidente da ABA, Luis
Anselmo Cassol e pelo presidente da
Alta Genetics, Heverardo Resende de
Carvalho.
“O Teste de Progênie trabalha
coletando sêmen de touros nacionais selecionados, distribuindo este
material para uso de vários criadores
de diferentes regiões do País e registrando os dados de desempenho
através do Promebo, para nascimento,
desmame e sobreano”, recorda a Dra.
Fernanda.
Para o representante da Alta Genetics, Marcos Longas, o evento foi
um sucesso. “Sempre fazíamos a apresentação dos touros em sextas-feiras
e este ano realizamos num sábado.
O resultado foi a presença maciça
de criadores e uma comercialização
de sêmen bem acima do habitual,
o que foi mesmo ótimo”, avaliou o
dirigente.
Já o sócio administrador da Progen, médico veterinário Fábio Gularte
Barreto, o evento foi sucesso absoluto
de público. “Foi um grande início de
temporada de venda de sêmen, onde
nesta arrancada sempre aproveitamos
para apresentar a bateria de touros e
trazer temas de interesse dos produtores”, sintetizou.
22
CONSELHO TÉCNICO
Setembro/Outubro de 2009
Sumário de Touros:
A escolha certa do melhor reprodutor
“P
or reunir informações
envolvendo 168,5 mil
animais avaliados e 317
rebanhos, o Sumário de Touros Angus/ANC 2009 oferece ao criador e
ao usuário da genética Angus, dados
que não haveria como tê-los de qualquer outra forma. Usar os dados dos
reprodutores que constam no Sumário
Angus representa a maior garantia de se
fazer um real melhoramento genético,
estreitando muitíssimo as margens de
erro nas escolhas dos touros ideais para
acrescentar as características que o produtor esteja buscando para agregar ao
seu rebanho”, sai dizendo o veterinário
de campo, especialista em seleção genética e membro do Conselho Técnico da
Associação Brasileira de Angus (ABA),
Luis Alberto Müller.
Foi ele quem realizou a palestra
de apresentação da nova publicação,
literalmente hipnotizando todos
os presentes, no dia 24 de agosto,
véspera da Expointer, na Casa de
Carnes Angus da Gruta, em Porto
Alegre, RS.
Apresentado num formato de
fácil entendimento, onde os touros
são listados com seus dados através
das respectivas DECAS (significa
onde ele está no ranking de cada
característica), no Sumário está a nata
dos melhores touros indicados para
agregar as principais características
para resultados econômicos. É um
imperdível guia, especialmente para
os participantes do Programa Carne
Angus Certificada, que representam
os produtores tecnicamente mais
sofisticados do mercado.
Através do Promebo/Angus (Programa de Melhoramento de Bovinos
de Carne), ali estão as avaliações de
738 touros - 495 são reprodutores
com avaliação completa na desmama
e no sobreano e 84 com avaliação para
dados de carcaça. E entre as novidades deste ano, está a apresentação de
touros jovens, considerados tops na
avaliação da geração 2007. São touros
com desempenho superior na avaliação genética, disponíveis no mercado
já a partir desta Primavera.
Ainda conforme Muller, a ABA
estuda a criação de um banco de
embriões para facilitar o acesso dos
associados à informações sobre exemplares de destaque da raça com vistas a
melhoramento genético. “A iniciativa
está em elaboração e utilizará como
base informações do Sumário de
Touros Angus”, informa.
CONSELHO TÉCNICO
Setembro/Outubro de 2009
23
Publicação contém dados de valor incalculável
Suzana Macedo Salvador (centro): dados bem utilizados garantem futuro da raça e qualidade da carne
“Esta 19ª edição do Sumário representa a essência do trabalho de uma associação, porque além
de reunir preciosas informações da maior parte dos rebanhos e dos criadores da raça, representa a
reunião de várias informações que são de valor incalculável, que são divulgadas pela entidade para
seus sócios e para todos os usuários da eficiente genética Angus”, valoriza a veterinária e criadora
Suzana Macedo Salvador, presidente do Conselho Técnico da Associação Brasileira de Angus (ABA).
Para a dirigente, pode-se afirmar, sem medo de exagerar, que esses dados, bem utilizados, vão garantir
o futuro genético da raça e da produção da qualificada carne Angus, famosa por seus diferenciais
em todo o mundo.
L
uis Müller chama entretanto
a atenção dos criadores e usuários de Angus para algo que
ele considera fundamental: “Além de
usar o Sumário, é mais que importante
saber usá-lo”. Segundo ele, é preciso
que sejam buscadas as características
desejáveis em touros que apresentam
a prova mais consistente, com maior
acurácia”, observa.
Para o técnico, de modo geral as
pessoas não percebem e precisam se dar
conta do enorme valor dessas informações e também dos ganhos que se pode
obter utilizando-as corretamente.
“Usar um touro sem prova – simplesmente porque gostou da fotografia
ou porque ele foi recomendado por
um colega criador – significa a grande
possibilidade de perder muito, e levar
muito tempo para corrigir o estrago”,
alerta o objetivo Muller.
Na avaliação da Assessora do
Conselho Técnico da ABA, veterinária
Fernanda Kuhl, foram alcançados os
objetivos da entidade: congregar criadores usuários do Promebo, técnicos
especializados e Imprensa especializada
para prestigiar o lançamento do Sumário de touros Angus/ANC/Promebo
2009, “uma ferramenta que mais
representa o trabalho da associação e
traduz o fundamento desta, pois há o
envolvimento dos rebanhos da raça,
de técnicos para coletar as informações
e processá-las”, promove Fernanda.
Ela ressalta que este ano, em especial,
pela primeira vez o Sumário estampa
dados de avaliação na desmama de
produtos dos touros do Teste de Progênie. “Assim fechamos um ciclo, pois
selecionamos os touros pelos dados de
desempenho no Promebo para o teste,
e após a avaliação de seus filhos, estes
estão presentes na publicação”, enfatiza
a veterinária da ABA.
Jaime Tarouco, professor e pesquisador da UFRGS e especialista em ul-
trassonografia, que prestou consultoria
técnica para a elaboração do Sumário,
diz que com a publicação, torna-se
possível escolher animais superiores
com a aplicação sistemática de pontos
de controle envolvidos na obtenção de
informações objetivas, além da possibilidade de quantificar a qualidade das
características selecionadas.
O professor José Fernando Piva
Lobato, do Departamento de zootecnia da UFRGS (ganhador do premio
“O Melhorista”, pela ANC em 97),
argumenta que selecionar ou comprar
touros e novilhas com caracgerísticas
genéticas aditivas pé um dos quatro
fundamentos necessários para o aumento da produtividade dos rebanhos
e do lucro em pecuária de corte. “Acredite e use características mensuráveis
para a melhoria de seu rebanho”,
recomenda o especialista.
Já o criador e ex-presidente da
ABA, Ângelo Bastos Tellechea, lembra
que desde 2001 são feitas as avaliações
de todas as gerações com as medidas
de área de olho de lombo (AOL) e espessira de gosrdura subcutânea (EGS).
Esses dados, incorporados às novas
expressões do Promebo, contribuem
para melhor avaliar o que cada ventre
está produzindo, quantitativa e qualitativamente. Como resultados torna-se
mais fundamentada a classificação que
buscamos para fazê-los integrar grupos
mais valorosos, participando inclusive
de programas de Transferência de
embriões.
“Para o progresso da raça e para
consolidar o espaço na produção de
carne de qualidade é preciso contar
com um programa consistente de
avaliação genética de reprodutores. A
Angus conta com o Promebo e tem se
destacado neste trabalho, que é uma
ferramenta imprescindível a todo o
processo de seleção”, sustenta o superintendente da ANC e Coordenador
Técnico do Promebo, Leonardo Talavera Campos. Segundo ele, o Sumário
fornece ao criador/produtor toda a
referência para a escolha, segundo
critérios técnicos comprovados, do reprodutor mais adequado a seu caso. Os
touros estão relacionados pelo nome e
ordenados em função do índice final
de seleção. Assim, o produtor poderá
perceber a importância do touro dentro dos critérios de seleção da raça. Os
touros com boa acurácia na avaliação
são especialmente indicados, comenta
o técnico.
Na mesma linha, o Superintendente da ANC, Amilton Cardoso
Elias destaca os 35 anos de trabalho
do Promebo, na avaliação de reprodutores. “No Sumário estão os melhores
reprodutores para a multiplicação
genética em rebanhos de produção”,
enaltece o dirigente, observando que é
importante que aqueles produtores que
por ventura ainda encontre dificuldades para uma melhor compreensão do
Sumário, que procurem apoio junto ao
técnico que dá atendimento à sua propriedade. “O futuro da pecuária não
existe sem a utilização do Sumário de
Touros como ferramenta de trabalho,
com vistas a uma produção eficiente e
segura”, sentencia Elias.
Os interessados em obter o material podem solicitar junto à Associação
Brasileira de Angus pelo fone (51)
3328 9122 ou e-mail [email protected]
org.br.
Na Expointer Sumário foi apresentado aos criadores no stande da ANC
24
É hora de usar touros Dupla Marca Seletiva Angus
Setembro/Outubro de 2009
ARTIGO
Nesta Primavera, atenção ao Remate! Tem reprodutor Dupla Tatuagem em pista
Por Leonardo T. Campos
Neste início de primavera, quando acontece um grande número de
remates de produção, gostaríamos de
alertar e destacar alguns importantes
conceitos ligados ao processo de seleção da raça Angus. Um reprodutor
Dupla Marca não é somente um macho ou fêmea jovem classificado no
relatório final do Promebo® entre as
Decas de 1 a 4, como muitos usuários
e clientes Angus podem pensar. É
muito mais que isto e gostaríamos de
esclarecer este conceito agora.
ualquer animal candidato
a esta dupla marca seletiva
deve estar relacionado no
Relatório de Recursos Genéticos,
emitido junto com o Relatório Final
do Promebo®.
Como critério de qualificação
para ser incluído nos Recursos Genéticos tem-se:
(1) Classificado entre os 40%
superiores (decas de 1 a 4) quanto
ao índice final de seleção Angus, em
comparação atualizada com todos os
Q
animais avaliados na raça integrantes
de rebanhos conectados;
(2) Escore para caracterização
racial na avaliação final superior
(entre 3 e 5);
(3) Índice a desmama positivo ou
maior do que zero;
(4) Deve apresentar DEPs balanceadas, ou seja, animal com DEPs
desbalanceadas é desqualificado.
Assim, um animal deca 10 em 2 características quaisquer que compõe o
índice final de seleção Angus ou deca
10 para perímetro escrotal perde a
condição de candidato e não estará
relacionado no relatório de Recursos
Genéticos.
Destacamos adicionalmente que
muito trabalho de melhoramento
genético está por trás deste conceito
de Dupla Marca Seletiva:
- Base de dados única e centralizada incluindo informações de registro
genealógico e de performance;
- Rebanhos conectados, que
apresentam laços genéticos através
de touros pais usados em comum,
e que permitem eliminar diferenças
ambientais entre fazendas e grupos
contemporâneos;
- Dados de campo coletados por
avaliadores credenciados que passaram por treinamentos e reciclagens
periódicas;
- Avaliação genética centralizada
utilizando metodologia estatística
avançada;
- Consistência dos dados rigorosa
fixando limites máximos e mínimos
das variáveis para sua inclusão na
análise;
- Índices de seleção Angus: ponderação e obrigatoriedade das diferentes
características componentes definida
pelo Conselho Técnico da ABA;
A Dupla Marca resulta então:
1º) Superioridade fenotípica e
de padrão racial: 1a marca CA (para
animais puros controlados) ou P
(animais puros de origem);
2º) Superioridade e equilíbrio na
genética aditiva: 2a marca CACA
ou PP.
A valorização dos animais dupla
marca é um fruto do trabalho do
Conselho Técnico e do Comitê de
Melhoramento da ABA. Em pleno século XXI, a raça Angus é ainda a única
de nossas raças que estabelece como
norma que somente animais superiores no programa de avaliação genética,
ou seja, animais de dupla marca, estão
aptos a padrear rebanhos na categoria
puros controlados (PC).
Esta marca seletiva tem sido valorizada não somente pelo produtor
de reprodutores, mas também, pelo
produtor comercial, o que pode ser
prontamente avaliado pelas médias
nos remates particulares ou em exposições. Observa-se, como resposta do
mercado, uma valorização de 10 até
30% no preço dos touros dupla marca
em remates chancelados.
Como resultante do trabalho dos
técnicos da raça na orientação de seus
clientes, já se está observando uma
redução da pré-seleção dos animais
inscritos e desmamados no programa.
A pré-seleção é um dos maiores entraves para a execução de um processo
de avaliação genética consistente,
prejudicando a estimação do mérito
genético dos animais superiores e
favorecendo a dos inferiores (ou seja,
piora o melhor e melhora o pior). A
partir de 2010, somente rebanhos que
inscrevem e desmamam toda sua produção até esta fase, incluindo animais
de ambos os sexos, estarão aptos a
produzirem animais de dupla marca.
Para finalizar, no que se refere à
importância do PROMEBO ® para o
futuro da raça no Brasil, vale lembrar
o que já diziam nossos professores,
mestres em genética e melhoramento,
nas décadas de 70 e 80, o que se torna
evidente no alvorecer deste terceiro
milênio: na produção de proteína
animal, somente sobreviverão neste
mercado altamente competitivo entre
bovinos, suínos e aves, as raças bovinas
que tenham programas consistentes
de avaliação genética e melhoramento.
E a raça Angus vem cumprindo seu
papel. Para prosseguir nesta jornada
de sucesso na produção de carne bovina de qualidade precisa de criadores
unidos e atualizados.
Fuja do “apagão”. Não fique no
escuro! Escolha a melhor opção, a
Dupla Marca Seletiva Angus.
Coordenador Técnico Promebo®
[email protected]
Setembro/Outubro de 2009
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Setembro/Outubro de 2009
EXPOSIÇÕES
Fotos: Kéke Barcellos/ABA
Angus na Expointer 2009: cartaz em casa!
Aconteceu de novo, embora todos já esperassem. A Angus fez, mais uma vez, um
grande sucesso na Expointer 2009, o quintal mais famoso de sua casa, o Rio Grande
do Sul. A raça não só manteve como também ampliou o seu já consagrado brilho
e liderança no pavilhão de gado de corte e nas pistas de julgamentos e leilões do
parque Assis Brasil, em Esteio, RS, de 29 de agosto a 6 de setembro. Mostrou que
não tem medo de marolinhas e que sua fama de eficiência produtiva e comercial é
mesmo mais forte que nuvens passageiras.
Filas de touros têm disputas acirradas
C
om a realização da 2ª Feira
da Novilha Angus, ao apagar
das luzes da Expointer, no
dia 5 de setembro, a Angus encerrou
sua participação na feira registrando
comercialização global de R$ 1,51
milhão. No VIII Angus Rústico do
Sul foram movimentados R$ 177,21
mil; no Remate Rincon del Sarandy
mais R$ 756,24 mil, e no Golden
Angus R$ 207,36 mil. Na edição
de 2008 a Angus movimentou R$
1,10 milhão.
Em seu primeiro ano ocupando
o cargo máximo da entidade, o ativo
e sempre participante presidente
da Associação Brasileira de Angus
(ABA), Joaquim Francisco Borda-
gorry de Assumpção Mello, vibrou
com o faturamento recorde da raça
na Expointer, observando que os
resultados das pistas dos julgamentos e dos leilões é conseqüência da
igualmente positiva performance da
raça e de seus criadores. “Tivemos
pista limpa e boas médias nos nossos
remates, o que mostra que a raça se
destaca com alta procura, entre os
compradores, juntamente à representatividade obtida nesta Expointer”,
avalia o dirigente.
A julgar pelas ações e participações até aqui registradas, tanto
em eventos, exposições ou - e especialmente - em leilões, fica evidente
que a eficiente genética Angus está
realmente à frente e acima do desaquecimento que perturba o mundo,
mas que no Brasil já mostra evidentes
sinais de superação.
Compare: este ano foram 292
animais de argola, contra os 285
do ano passado e os 268 inscritos
em 2007. A Expointer teve 54
expositores (inclusive do Uruguai)
- 6 de rústicos e 48 de animais de
argola, número que praticamente se
iguala ao ano passado, mas mostra
importante crescimento em relação
a 2007, quando a raça contou com
a presença de 45 expositores. Em
argola foram 209 fêmeas e 83 machos
e nos rústicos a raça compareceu com
48 animais (15 fêmeas e 33 machos)
entre PO e PC + 40 fêmeas AD (lotes
comerciais). Na eleição dos melhores
animais deste ano, os campeões e os
grandes campeões, atuou o jurado
escocês radicado na argentina Norman Catto.
Rústicos crescem cada vez mais na Expointer
mercado com a crise internacional
e que a partir de agora a evolução
comercial da raça será ainda maior
nas pistas das consagradas cabanhas
de Angus e das feiras desta temporada
de leilões da Primavera.
Joaquim Mello, que avalia a Expointer como o momento supremo
da Angus, considera oportuno lembrar aos investidores em genética que
“a pecuária sempre foi um porto seguro, gerando um retorno compensatório e garantido”. E ele alerta: quem
não investir agora, em três anos vai
amargar perdas, quebrando o ritmo
e o giro de suas propriedades.
“Tivemos enorme sucesso este
ano nas feiras de terneiros, onde o
Terneiro Angus Certificado mostrou
que agrega valor, fixando médias
acima do mercado, e com certeza
faremos uma temporada de Primavera similar a bons anos de vendas de
reprodutores”, assinala o dirigente da
ABA, deixando aos criadores e investidores uma mensagem de otimismo
e oportunidade nas disputas de pista
que agora se sucedem.
Vendas na primavera
devem evoluir
Considerada de certa forma
como um termômetro comercial,
sinalizando a performance dos leilões
que se sucedem agora na Primavera,
por certo esta Expointer deixou
claro que a preferência por Angus
foi maior que as preocupações do
Jurado Norman Catto teve muito trabalho para escolher vencedores
EXPOSIÇÕES
Setembro/Outubro de 2009
Recuerdos da grande mostra
Expointer é sempre um momento de festa para a raça Angus.
Múltiplas festas, na verdade. Festa nas pistas de julgamento, porque
ali está o que de melhor se produz e a competição é aguerrida.
Festa nas pistas de remates com a oferta de uma verdadeira nata da
raça. Festa nos rústicos, onde se apresenta uma amostra do que as
cabanhas preparam para comercializar na primavera. Festa na hora
em que o jurado aponta os campeões.
Festa expressa com cambalhotas, pulos de alegria e
voos de chapéus... Festa no Workshop, onde se discute
a sustentabilidade e o futuro da pecuária de corte. Festa
durante a entrega de prêmios e na degustação da carne
Angus, prova maior do acerto da escolha da raça para
produzir carne de qualidade. Veja nesta página alguns
momentos da verdadeira festa que a raça Angus
realizou na Expointer 2009, que estarão guardados
para a posteridade.
29
30
EXPOSIÇÕES
Setembro/Outubro de 2009
Catanduva e Corticeira/GB faturam campeonatos da Expointer
Fotos: Kéke Barcellos/ABA
Grande Campeã: Don Francisco 079 Carol Brigadier T
Reservada de Grande Campeã: Rincon Embusteira 1270 del Sarandy
Terceira Melhor Fêmea: Reconquista 1338 Naja Nostradamus G
Grande Campeão: Quito Quebracho da Corticeira
Reservado de Grande Campeão: ASD 623 Payador Carrasco
Terceiro Melhor Macho: Rincon Intruso 1248 del Sarandy
N
o dia 1º de setembro, o
jurado escocês radicado na
Argentina, Norman Catto,
elegeu a fêmea Don Francisco 079
Carol Brigadier TE, propriedade
de Fábio e Fabiana Gomes, como a
Grande Campeã da raça Aberdeen
Angus da Expointer 2009. Com cria
ao pé, a fêmea geração 2006 integrou
pela primeira vez a exposição.
Segundo Fábio Gomes, um dos
titulares da Cabanha Catanduva (em
Cachoeira do Sul, RS), a campeã é
filha de Catanduva Mandala, melhor
produção da Catanduva na análise
do criador. “Catanduva Mandala
já foi grande campeã da Exposição
Nacional de Angus e é filha do touro
Catanduva Gramático. Já que vendi
Mandala em leilão, fui buscar sua
genética comprando uma de suas
filhas da Cabanha Don Francisco”,
comentou Gomes.
O jurado elogiou as características
de conformação como profundidade
e úbere, e destacou o lindo terneiro
ao pé. “A vaca apresenta um quadro
completo, além de ser boa mãe”,
descreveu.
O título de Reservada de Grande
Campeã foi para a fêmea Rincon Embusteira 1270 del Sarandy, geração
2007da Cabanha Rincon del Sarandy
(em Uruguaiana, RS), propriedade de
Cláudia Indarte Silva.
O exemplar Reconquista 1338
Naja Nostradamus G ficou com o título de Terceira Melhor Fêmea, numa
parceria da Reconquista Agropecuária (em Alegrete, RS), de José Paulo
Dornelles Cairoli, com Fábio Gomes
e Marco Antônio Gomes Costa.
No dia 2 de setembro foi a vez da
parceria Cabanha da Corticeira, de
Luiz Anselmo Cassol (São Borja, RS) e
GB Agropecuária, de Carlos Eduardo
dos Santos Galvão Bueno (em Porecatu, PR) brilhar entre os machos da
Expointer 2009. Quito Quebracho da
Corticeira, geração 2007 e 934 quilos,
encantou o jurado Norman Catto e
levou a faixa de Grande Campeão da
raça Aberdeen Angus deste ano. Foi
o primeiro grande campeonato de
machos da parceria.
“É um touro correto, com aprumo e massa muscular invejável,
apresenta leveza ao caminhar, o que o
torna um boi pai”, avaliou o jurado.
A Estância Olhos D´Água (em
Alegrete, RS), de Antonino Souza
Dorneles, ficou com o título de
Reservado de Grande Campeão
com o exemplar ASD 623 Payador
Carrasco, geração 2007. Já o Terceiro
Melhor Macho ficou com o touro
Rincon Intruso 1248 del Sarandy,
da Cabanha Rincon del Sarandy,
em Uruguaiana, RS, propriedade de
Claudia Indarte Silva.
O presidente da Associação Brasileira de Angus (ABA), Joaquim
Francisco Bordagorry de Assumpção Mello, comentou a evolução
da raça Aberdeen Angus nas pistas.
“O crescimento da raça é nítido e o
que se vê é que estamos trabalhando
para dar uma boa continuidade às
futuras gerações de Angus”, declarou
o dirigente.
Dados dos Animais Campeões da Expointer 2009
GRANDE CAMPEÃO
Pel: V BOX: 1069
Tatuagem: TE623 Nascimento: 24/07/2007
Idade: 770d
Pai: TRES MARIAS 6241 PAYADOR TE
HBB: IA848
Mãe: ASD 182 PANCHO SPC JUMBO
HBB: 83808
Peso: 1000 CE: 4000 Alt: 142 Dent: 2
Frame: 600
AOL: 12130 EGS: 1470 P8: 1700
CDP Nasc: 32 CDP205: 359 CDP365: 498
CDP550: 750
Expositor: ANTONINO SOUZA DORNELES,
ESTANCIA OLHOS D’AGUA, ALEGRETE/RS
Criador: ANTONINO SOUZA DORNELES
QUITO QUEBRACHO DA CORTICEIRA
HBB: 120007 Pel: V BOX: 1057
Tatuagem: Q796 Nascimento: 05/10/2007
Idade: 697d
Pai: TRES MARIAS 5839 QUEBRACHO TE
HBB: IA755
Mãe: FORTUNA DA CORTICEIRA F231
HBB: 73726
Peso: 934 CE: 4650 Alt: 140 Dent: 2
Frame: 550
AOL: 10340 EGS: 1920 P8: 1700
CDP Nasc: 40 CDP205: 326 CDP365: 405
CDP550: 719
Expositor: PARC CABANHA DA CORTICEIRA E
GB AGROPECUARIA, CAB. DA CORTICEIRA/GB
3º MELHOR MACHO
AGROPECUARIA, SAO BORJA/RS E PORECATU/PR RINCON INTRUSO 1248 DEL SARANDY
Criador: LUIS ANSELMO CASSOL
HBB: 121584 Pel: P BOX: 1059
Tatuagem: 1248 Nascimento: 07/09/2007
RESERVADO DE GRANDE CAMPEÃO Idade: 725d
Pai: TRES MARIAS 6301 ZORZAL TE
ASD 623 PAYADOR CARRASCO HBB: 120767
HBB: IA850
Mae: RINCON DESTEMIDA TE013 FULL DEL
SARANDY HBB: 99953
Peso: 906 CE: 4350 Alt: 138 Dent: 2
Frame: 550
AOL: 10950 EGS: 1340 P8: 1900
CDP Nasc: 32 CDP205: 275 CDP365: 463
CDP550: 695
Expositor: CAB RINCON DEL SARANDY, CABANHA
RINCON DEL SARANDY, URUGUAIANA/RS
Criador: CABANHA RINCON DEL SARANDY
GRANDE CAMPEÃ
DON FRANCISCO 079 CAROL BRIGADIER T
HBB: 121591 Pel: V BOX: 1276
Tatuagem: TE079 Nascimento: 27/12/2006
Idade: 979d
Pai: PASTORIZA 565 BRIGADIER TE
HBB: IA796
Mae: CATANDUVA 613 MANDALA TE15-157
HBB: 92916
Peso: 776 Alt: 137 Dent: 4 Frame: 650
AOL: 10380 EGS: 1230 P8: 1950
CDP Nasc: 30 CDP205: 294 CDP365: 388
CDP550: 589
Expositor: FABIO LUIZ GOMES E FABIANA
DEFERRARI GOMES, CAB CATANDUVA,
CACHOEIRA DO SUL/RS
Criador: PAULO EDGARD DE OLIVEIRA VALDEZ
RESERVADA DE GRANDE CAMPEÃ
RINCON EMBUSTEIRA 1270 DEL SARANDY
HBB: 121578 Pel: P BOX: 1212
Tatuagem: 1270 Nascimento: 01/10/2007
Idade: 701d
Pai: PASTORIZA 565 BRIGADIER TE
HBB: IA796
Mae: RINCON BALONE HBB: 110102
Peso: 774 Alt: 137 Dent: DL Frame: 650
ER: P+
AOL: 11000 EGS: 890 P8: 1080
CDP Nasc: 30 CDP205: 268 CDP365: 418
CDP550: 592
Expositor: CAB RINCON DEL SARANDY,
CABANHA RINCON DEL SARANDY,
URUGUAIANA/RS
Criador: CABANHA RINCON DEL SARANDY
3ª MELHOR FÊMEA
RECONQUISTA 1338 NAJA NOSTRADAMUS G
HBB: 121378 Pel: V BOX: 1265
Tatuagem: TE1338 Nascimento: 22/07/2007
Idade: 772d
Pai: CATANDUVA TE213 NOSTRADAMUS K ROB
TE 12 HBB: 99045
Mae: RECONQUISTA 592 GLEBA CANYON
BARTOLOME HBB: 93050
Peso: 732 Alt: 129 Dent: 2 Frame: 550
ER: P+
AOL: 9050 EGS: 1290 P8: 1700
CDP Nasc: 32 CDP205: 245 CDP365: 389
Expositor: PARC JOSE PAULO CAIROLI, FABIO
GOMES E MARCO COSTA, RECONQUISTA
AGRICULTURA E PECUARIA, ALEGRETE/RS
Criador: JOSE PAULO DORNELLES CAIROLI
EXPOSIÇÕES
Setembro/Outubro de 2009
31
Cabanha Cantagalo e Cia Azul
foram destaque nos rústicos
Dia 31 de agosto, o jurado
escocês radicado na Argentina,
Norman Catto escolheu os campeões rústicos da raça Aberdeen
Angus apontando a excelente
qualidade dos animais a campo
apresentados.
O lote 05 (tatuagens 2945,
2923, 2975) de propriedade da
Cabanha Cantagalo (Santana do
Livramento, RS), de Carlos Renato
Acosta Ferreira foi escolhido o trio
grande campeão de machos PO da
raça Aberdeen Angus na Expointer
2009. O touro tatuagem 2945,
integrante do lote, foi apontado
como o melhor macho Angus a
campo PO.
Já nas as fêmeas a campo PO, a
Cia Azul Agropecuária (Uruguaiana,
RS), de Susana Macedo Salvador,
faturou o trio grande campeão PO
com o lote 08 (1043, 0943, 1057),
sendo a terneira tatuagem 1043, geração 2008, a melhor fêmea Angus
a campo.
A Estância da Barragem (em
Quarai, RS), de Ricardo Macedo
Gregory ficou com a premiação de
trio reservado grande campeão PO
com o lote 04 (169, 164, 154). Nas
fêmeas, o trio reservado grande campeão PO foi o lote 09 (840, Q807,
Q805), da parceria da Cabanha
da Corticeira (São Borja, RS) GB
Agropecuária (Porecatu, PR).
Nos animais PC, a Agropecuária
Melhor exemplar fêmea PO
Maipu (Ibirubá, RS), propriedade
de Alberto de Abreu Medeiros garantiu a premiação de trio grande
campeão de machos com o lote 12
(441, 437, 439). O melhor touro
Angus a campo foi o tatuagem B59,
da geração 2006, da Cabanha Santa
Amélia (em Santa Vitória do Palmar,
RS), de Helena Rodrigues Rotta.
A Cabanha Santa Amélia também
faturou o trio reservado grande
campeão PC com o lote 14 (B184,
B165, B59).
Entre as fêmeas PC, o lote 15
(615, 612, 608) da Estância da Barragem (Quarai, RS) levou o campeonato, sendo a melhor fêmea PC o
exemplar de tatuagem 612, geração
2006, integrante do lote.
Melhor exemplar macho PC
Jurado Norman Catto
Melhor exemplar macho PO
Melhores cabanheiros
da Expointer 2009
Trio Grande Campeão fêmeas PO
Trio Grande Campeão machos PO
Trio Grande Campeão fêmeas PC
Trio Grande Campeão machos PC
A tradicional confraternização entre criadores,
técnicos e cabanheiros durante a Expointer movimenta
a grande família Angus. Durante a Expointer, foram
eleitos os melhores cabanheiros/tratadores da mostra.
Em 2009, os vencedores foram Vitor Mauri Rodrigues Rosado, Élson Rodrigues Rosado, Valnir Jaques
Gonsalves e Eduardo Lopes Gamarra (que não está na
foto) foram recebidos na casa do Angus em Esteio e
agraciados pelo diretor da ABA, Ignácio Tellechea, e
pelo coordenador técnico da Expointer, José Carlos
Guasso.
32
Setembro/Outubro de 2009
Golden Angus vendeu
fêmea por R$ 31,3 mil
Promovido pela Associação Brasileira de Angus (ABA), no dia
2 de setembro, no palco do restaurante internacional, durante a
Expointer 2009, no Parque Assis Brasil, em Esteio, RS, o Leilão
Golden Angus, que teve ao martelo o leiloeiro Guilherme Minssen,
com o bastidor a cargo da Knorr Remates, comercializou a campeã
terneira menor da mostra, Rincon Mensageira 1436 del Sarandy,
propriedade da Cabanha Rincon del Sarandy, de Cláudia Indarte
Silva, pelo valor de R$ 31,3 mil. Foi o recorde de preço para gado
de corte na edição deste ano da feira.
O lance veio de São Paulo, Castro Marques, da Casa Branca
feito pelo comprador Paulo de Agropastoril, com escritório em
São Paulo e propriedade em Fama,
MG. Castro Marques adquiriu
também a prenhez da grande campeã da raça, Don Francisco 079
Carol Brigadier TE, pelo preço de
R$ 26,4 mil. A venda foi realizada
pela Cabanha Catanduva, de Cachoeira do Sul, RS, de propriedade
de Fábio e Fabiana Gomes.
Outro destaque da noite foi
a comercialização de Catanduva
1393 Repleta Widespread. A
fêmea geração 2007 da Cabanha
Catanduva saiu do recinto avaliada em R$ 24 mil, arrematada
por Rubem César Prates Kury, de
Cachoeira do Sul, RS.
O Leilão Golden Angus comercializou 21 lotes (16 fêmeas,
4 machos e uma prenhez) totalizando R$ 207,36 mil. Os quatro
machos Angus saíram pelo valor
médio de R$ 7,2 mil. Entre eles,
um exemplar de Alberto de Abreu
Medeiros saiu por R$ 10,8 mil
para Sulimar Nunes Farias.
Pista limpa no VIII
Angus Rústico do Sul
Com pista limpa, o VIII Leilão
Angus Rústico Sul, realizado dia 31
de agosto, na Pista J do Parque de
Exposições Assis Brasil, em Esteio,
RS, durante a Expointer 2009, comercializou um total de R$ 177,21
mil. Foram negociados vinte machos PO e PC ao preço médio de
R$ 6,3 mil e 21 fêmeas PO, CA
e AD. As terneiras PO saíram de
pista pelo valor médio de R$ 4 mil,
as vaquilhonas PO por R$ 2,7 mil
e as vacas AD se venderam à média
de R$ 1,7 mil.
Numa promoção da Associação
Brasileira de Angus
(ABA), o leilão comercializou o melhor touro Angus a
campo PO, tatuagem 2945, da Expointer 2009, pelo
valor de R$ 8 mil,
arrematado pela criadora Maria Beatriz
D. Lorentz, titular da Fazenda da
Refundanga, em Formigueiro, RS.
“Há três anos participo deste evento,
comprando touros para reposição, e
também atenta ao período de monta
natural da Primavera”, comentou a
investidora.
O presidente ABA, Joaquim
Francisco Bordagorry de Assumpção
Mello, destacou a liquidez do leilão.
“A pista do remate foi bastante
ágil, com predomínio de procura
por touros para produção de gado
comercial”, observou.
Pela primeira vez adquirindo
animais no Leilão Angus Rústico
do Sul, o criador Vanderlei Guerra,
da Cabanha Baraúna, em Arroio
Grande, RS, investiu em dois touros
a campo PO para a temporada de
reprodução, levando o exemplar de
tatuagem 1178, integrante do lote
04, trio reservado grande campeão
PO do Angus Rústico do Sul, pelo
preço de R$ 7,5 mil, além do exemplar 164 do lote 03, terceiro melhor
trio a campo PO, por R$ 5,5 mil.
“Compro animais da raça Angus
para reforçar e elevar a padronização
e a qualidade do plantel”, frisou
Guerra, que cria gado geral há mais
de 20 anos.
O leiloeiro Fábio Crespo explicou que o perfil do investidor
do evento foi o produtor de gado
comercial. “Quem comprou foi produtor de boi gordo, que veio buscar
genética para produzir terneiros de
olho na carne Angus, que é a melhor
carne do mundo”, elogiou Crespo
que atuou no leilão juntamente com
a Casarão Remates.
Feira da Novilha
comercializa R$ 373 mil
Fotos: Kéke Barcellos/ABA
Em parceria com a Farsul e
leiloeira Santa Úrsula Remates,
a Associação Brasileira de Angus
(ABA), através do Programa Carne Angus Certificada, realizou
no dia 5 de setembro, ao apagar
das luzes da Expointer 2009, no
Parque Assis Brasil, em Esteio,
RS, a segunda edição da Feira da
Novilha Angus, evento paralelo
à 5ª Feira de Novilhas Selecionadas. Foram comercializados 480
animais, num total de R$ 373
mil, sendo que as fêmeas Angus
e cruza Angus obtiveram valor
médio de R$ 777,00, ou R$ 2,90
o quilo vivo.
Um dos diferenciais deste ano
foi a parceria com centrais de inseminação artificial que doaram doses
de sêmen para os compradores dos
lotes das novilhas Angus e cruza
Angus. Participaram as centrais
ABS Pecplan, Alta/Progen, Axelgen, Ciale, Semex, CRI e Semeia
Genética.
O maior comprador da Feira da
Novilha Angus foi Carlos Simm, titular da Fazenda Clarice, em Campestre da Serra, RS, comprando 95
fêmeas. Outro investidor que se
destacou foi José Alberto Marques,
da Fazenda Santa Eulina, em Jaguarão, RS, que levou 55 fêmeas Angus
e cruza Angus para inseminar nesta
temporada de Primavera.
Também ganharam ênfase no
evento os lotes da Fazenda Ranchinho, em Mostardas, RS, propriedade de Edgardo Velho, adquiridos
pelo criador Antônio Camboim,
da Fazenda Santo Antônio, em
General Câmara, RS. Ele faz ciclo
completo e levou também o lote
46, formado por fêmeas CA com
prenhez. “Tenho gado geral e invisto na raça Angus desde 1995, com
excelentes resultados”, informou o
produtor.
Segundo o gerente do Programa
Carne Angus Certificada, Fernando
Velloso, a Feira da Novilha Angus
ocorreu dentro das expectativas,
com apresentação de gado selecionado e comprovada liquidez. “A
qualidade dos animais foi novamente este ano a grande garantia
de sucesso do evento, que registrou
valores para as novilhas acima do
preço do quilo vivo do boi gordo
no Rio Grande do Sul”, enfatizou
Velloso.
Casa do Veterinário
Durante esta Expointer, a Associação Brasileira de Angus (ABA),
representada pelo seu Conselho
Técnico, prestou apoio às atividades
desenvolvidas no evento pela Casa do
Veterinário. Pelo menos mil pessoas
circularam pela Casa do Veterinário
no parque Assis Brasil, em Esteio,
RS durante a feira, e acompanharam
a intensa programação de palestras
e confraternizações realizadas pelos
médicos veterinário. Além disso, o
espaço se notabilizou como ponto
de encontro entre os profissionais,
antigos colegas de faculdade que
aproveitaram para se reencontrar e
atualizar os contatos.
Destaque para as palestras sob o
mote Dia do Caprinocultor na Ex-
pointer, organizado pela Associação
dos Caprinocultores do Rio Grande
do Sul (Caprisul) e as ações organizadas pelo Conselho de Veterinária
(CRMV-RS), que contaram com o
patrocínio das empresas Coopers,
Alltech, Supra, Saltchê, Pense no
Boi, Qualittas e Hospital Veterinário
Lorenzoni, juntamente com a Academia Rio-Grandense de Medicina
Veterinária e a Associação Brasileira
de Angus (ABA).
Ênfase à palestra do professor Dr.
Júlio Barcellos sobre Marketing para
os profissionais da área e para a apresentação do vídeo institucional sobre
a ABA, sob a coordenação da assessora
do Conselho Técnico da entidade,
veterinária Fenanda Kuhl.
Maio/Junho de 2009
33
34
Setembro/Outubro de 2009
Rincon del Sarandy movimenta R$ 756,24 mil
Fotos: Kéke Barcellos/ABA
Eloy Tuffy (a direita) investiu pesado no leilão
Na noite do dia 31 de agosto, o Pepsi on Stage, em Porto Alegre, RS, foi palco do leilão da Cabanha
Rincon del Sarandy, propriedade de Cláudia Indarte Silva, em Uruguaiana, RS. O evento, realizado
em meio à Expointer 2009 e chancelado pela Associação Brasileira de Angus (ABA), negociou 47
lotes Angus totalizando R$ 756,24 mil.
Um dos destaques do leilão foi
Rincon Embusteira 1270 Del Sarandy, primeiro animal a entrar na
pista. Nascida em novembro de
2007, a fêmea foi Grande Campeã
da Exposição Nacional da Raça
Aberdeen Angus 2009 e é filha de
Rincon Balonê 955, vaca que é uma
das principais doadoras da cabanha.
Seu pai, Pastoriza Brigadier, é um
dos touros que mais produzem campeões para a Rincon del Sarandy.
Inicialmente a fêmea iria 50% à
venda, mas cedendo ao pedido do
comprador, foi 100% arrematada
pelo valor de R$ 72 mil por Eloy
Tuffi, da Fazenda MC, em Espírito
Santo do Pinhal, SP. O investidor
também adquiriu Rincon Despojada
1376 del Sarandy, campeã terneira
menor da Exposição Nacional da
Raça Aberdeen Angus deste ano por
R$ 79,2 mil. Segundo Tuffi, a compra
ocorreu por serem “duas vacas campeãs”, uma oportunidade imperdível,
como descreveu.
Com Marcelo Silva ao martelo
Um dos produtos premiados da Rincon del Sarandy
e a equipe da Trajano Silva Remates
no comando do bastidor, a média das
27 fêmeas comercializadas foi de R$
19,03 mil. Também foram vendidas
19 fêmeas Angus prenhes pela média
de R$ 12,12 mil e um touro da raça,
que saiu por R$ 12 mil.
Outra importante aquisição no
evento foi feita pelo criador Paulo
de Castro Marques, da Casa Branca
Agropastoril, em Fama, MG, que
arrematou uma eleição por R$ 74,4
mil, com direito de compra de qualquer animal que nascer na Rincon de
Sarandy em 2009.
A parceria Red Black Angus,
de Fábio Gomes e Marco Antônio
Gomes Costa, arrematou Rincon
Norteña 1330 del Sarandy e Rincon
Campesina 1346 del Sarandy. Cada
uma das fêmeas saiu valorizada por
R$ 40,8 mil.
Conforme observou um dos administradores da Rincon del Sarandy, Ignacio Silva Tellechea (um dos filhos de
Cláudia e atual Diretor de Núcleos da
Associação Brasileira de Angus (ABA),
o leilão obteve médias 70% superiores
ao pregão realizado no ano passado. “O
remate muito bom, com pista limpa,
realizado no período da Expointer, que
foi uma inovação”, apontou.
Setembro/Outubro de 2009
35
FSL Angus Itu dá start em leilões com sucesso
Fotos: Divulgação
Criador de Angus há apenas 8 anos, Maciel Neto já apresentou os frutos do seu trabalho no leilão
Estreando com sucesso nas pistas de leilões, foi realizado no dia 19 de setembro, sábado, o I
Leilão FSL Angus Itu, de propriedade de Antônio Maciel Neto. O evento aconteceu na Fazenda
São Luiz, em Itu, a 100 km da cidade de São Paulo, com a presença de mais de trezentas pessoas,
além de centenas de criadores que acompanharam o Leilão pelo Canal Rural. No total, foram
vendidos 78 animais PO da raça Angus, e o faturamento alcançou R$ 761 mil. Para o realizador do
leilão, a qualidade genética dos animais comercializados foi o principal fator do sucesso do evento.
“Oferecemos animais de frame médio, de bom comprimento, profundidade, quantidade adequada
de carne no posterior, bem como um pronunciado selo racial dos animais pretos e vermelhos que
ingressaram em pista”, assinalou Maciel Neto.
O
proprietário da FSL Angus
Itu afirmou que “o ano de
2009 foi o da consolidação
do trabalho de seleção da raça Angus
que iniciamos em 2001. Conquistamos na Feicorte – durante a Exposição Nacional da Raça Angus -, os
títulos de Melhor Criador, Melhor
Expositor e Melhor Equipe. Agora o
nosso primeiro Leilão superou todas
as expectativas”. Satisfeito com a presença de convidados, criadores desde
o Rio Grande do Sul até Goiás. “A
estratégia que adotamos de utilizar o
que existe de melhor no mundo em
termos de tecnologia e genética da
raça Angus deu certo. Fizemos uma
grande campanha de divulgação do
Leilão, e vamos continuar prestando
o melhor serviço possível para os
nossos compradores”, observou.
Logo no início do evento foram
comercializadas quatro prenhezes de
doadoras importantes da FSL Angus
Itu, com touros especiais. José Paulo
Cairoli, da Reconquista Agropecuária,
de Alegrete - RS, arrematou a prenhez
do touro SAV Heavy Hitter, por R$
17 mil. Esse touro, inédito no Brasil,
foi adquirido nos Estados Unidos
pela FSL Angus Itu, em parceria com
a Cabanha Três Marias da Argentina.
A segunda prenhez foi comprada pelo
criador Paulo de Castro Marques, da
Casa Branca Agropastoril, de Fama,
MG, pelo mesmo valor de R$ 17 mil.
O touro dessa prenhez é o americano
SAV Duke, também de propriedade
da parceria FSL Angus Itu e Três
Marias.
Entre as novilhas, o lote de
maior valor foi a FSL Cristal, filha
de TM Payador e prenha da SAV
Final Answer, adquirida pelo criador
Valdomiro Poliselli Junior, da VPJ
Agropecuária, de Jaguariúna,SP, por
R$ 28 mil. No caso das terneiras,
o maior destaque ficou com a FSL
Laguna, filha de SAV Net Worth,
que foi arrematada pelo criador e
presidente da ABA, Joaquim Mello,
de Pelotas, RS, por R$ 12 mil.
A comercialização de 50% da
FSL Anastácia, única vaca do Leilão,
foi muito disputada, e os compradores, em parceria, foram José Carlos
Bumlai, da JB Agropecuária, do
Mato Grosso do Sul, e Luiz Eduardo
Batalha, da Chalet Agropecuária, de
Botucatu, SP. O preço foi de R$ 28
mil. A FSL Anastácia está prenha
do touro SAV Heavy Hitter, com
previsão de parto para fevereiro próximo. O produto que nascer será dos
compradores (100%).
Outro ponto alto do Leilão foi
a venda de 50% dos três melhores
touros do rebanho da FSL Angus
Itu, que irão imediatamente para
a coleta de sêmen na Central Bela
Vista. FSL Destacado, touro preto
filho de TM Payador, foi adquirido
por Marcos Molina, da Fazenda Jequitibá, de Porto Feliz, SP, e também
acionista controlador e presidente
do Grupo Mafrig. O preço alcançou
R$ 38 mil.
FSL Vezúvio, touro preto, filho
de TM Hornero, Reservado Grande Campeão da Feicorte 2009, foi
arrematado por Walter Paschoalick
Catherino, de Botucatu, SP, que pagou R$ 36 mil. O empresário Giorgio
Nicoli, de São Paulo, iniciou os seus
investimentos na raça Angus, comprando o FSL Dax, touro vermelho,
filho de TM Quebracho. por R$ 24
mil (esses valores se referem a 50%
dos animais).
Ao final, foram comercializados
19 touros PO que serão utilizados
principalmente para o cruzamento
industrial. O preço médio alcançado
foi de R$ 6.9 mil. O maior comprador do I Leilão FSL Angus Itu foi
Valdemir Gasparim, que investiu R$
103 mil, adquirindo animais para
diversos membros da sua família. A
família Gasparim é controladora da
tradicional Sementes Gasparim, de
Presidente Bernardes, SP, empresa
que estará em breve atuando também
no ramo de nutrição animal.
No encerramento do Leilão,
Maciel agradeceu aos patrocinadores
Ford, Marfrig, Nova Schin, e Enpavi,
e disse que “Deus ajuda quem trabalha”, e aproveitou para convidar a
todos para participar do II Leilão FSL
Angus Itu, que acontecerá no mesmo
terceiro sábado de setembro, que em
2010 será no dia 18.
Antônio Maciel Neto e alguns convidados: entre eles o criador gaúcho Luiz Anselmo Cassol, o presidente do Marfrig Marcos Molina e o astro global Tarcísio Meira
36
REPORTAGEM
Setembro/Outubro de 2009
Ranking Angus:
A fórmula 1 da raça
Fotos: Kéke Barcellos/ABA
Em casa, muitos têm um campeão. Mas é na pista que vem as confirmações
O Ranking de Criadores e Expositores da
raça Aberdeen Angus tem, na verdade, a mesma
essência do também importante circuito da
Fórmula 1. Afinal, ali, nas pistas, não as de
corrida, mas das exposições ranqueadas, são feitos
os testes com novos tipos e tendências de animais,
sempre sujeitos a uma pressão seletiva no limite.
E as várias cabanhas – que são as equipes – se
apresentam com seus grupos de componentes,
que se na Fórmula 1 vão desde o mecânico até
o engenheiro, no Ranking Angus são formadas
pelos técnicos e seus auxiliares, os cabanheiros.
Como na Fórmula 1, há um disputado
circuito de provas, que são as exposições, onde
todos competem ao extremo, com seus segredos,
artimanhas e estratégias, de olho na reta de
chegada, na bandeira quadriculada, que
representa o que todos mais querem: a vitória.
Uma história de alegrias e tristezas, mas de muita paixão
Por Luciana Radicione
e Eduardo Fehn Teixeira
O
Ranking Angus fecha em
2009 a sua 10ª edição.
Desde que foi criado,
tem sido palco de uma verdadeira
jornada de muita competição e alguns vencedores, mas especialmente
uma enorme contribuição para o
desenvolvimento da raça.
Ali se encontram decepções para
uns e sucessos para outros. Mas, com
certeza, a paixão pelo Angus, preto
ou vermelho, é de todos.
Desde a sua criação, alguns
ajustes e aperfeiçoamentos foram
realizados, como é mais do que
normal em qualquer promoção importante. E hoje o que se vê é uma
grande adesão de criadores de todo
o País nas mais de 20 exposições
ranqueadas.
Além de reunir os criadores e
promover a uniformização do padrão racial, o ranking é considerado
uma excelente ferramenta de marketing, ao valorizar os produtos vitoriosos nas pistas, agregando também
valor ao trabalho e à imagem das
cabanhas vencedoras e, óbvio, aos
selecionadores, seus proprietários.
Mas, além das glórias pessoais
dos criadores e expositores e suas
propriedades, fica uma máxima:
os maiores ganhos do ranking são
mesmo para a raça, que se desenvolve e, a cada edição, conquista
novos avanços, se mostra mais para
mais gente, sempre agregando mais
aprimoramento genético, a cada
exposição ranqueada!
Há uma década a Associação
Brasileira de Angus (ABA) criava
o seu Ranking de Criadores e Expositores de animais de argola e
rústicos, ferramenta que hoje é a
responsável pelo expressivo aumento
na participação da raça nas pistas de
julgamentos de importantes exposições em todo o Brasil.
A premiação recebida pelas
cabanhas vai muito além da visibilidade nacional conquistada. Está
diretamente ligada ao trabalho de
melhoria da qualidade genética
que é exposta nas pistas, o que,
naturalmente, acaba contribuindo
para a uniformização do padrão
Angus brasileiro. Isto sem falar da
valorização dos animais, das cabanhas e do trabalho dos técnicos e
selecionadores.
O jurado Flávio Montenegro
Alves, por exemplo, com passagens
em exposições de peso como
Feicorte (SP), Avaré (SP) e
Expointer (RS), é enfático
ao descrever os benefícios
de se tornar uma cabanha
pontuada no ranking. “Não
há como negar o interesse
de figurar no ranking pela
repercussão que gera. Mas
isso traz junto algo muito
importante, que é o rigor
cada vez maior na seleção
dos animais levados às exposições”, afirma o técnico.
Todo o critério, que
começa com a escolha dos
reprodutores para o acasa-
lamento, e posterior definição dos
animais nascidos que têm condições
de competir e serão cuidados como
campeões, só traz benefícios à raça,
independentemente de qual seja o
objetivo do criador.
Segundo Montenegro Alves, seja
por reconhecimento nacional da cabanha ou por valorização da genética
pontuada, o fato é que a ferramenta
“ranking” tem sido fundamental
para a maciça presença de criadores
da raça distribuída nos cerca de 20
eventos chancelados e ranqueados
pela ABA em todo o País.
“O ranking auxilia muito na
profissionalização do criatório e
hoje o que se vê em pista é um nível
técnico excelente. Fica com certeza
mais difícil de julgar. Mas por certo é
um trabalho muito mais prazeroso”,
confessa o técnico.
As disputas nos rústicos também ganham crescente interesse dos criadores
REPORTAGEM
Setembro/Outubro de 2009
37
Os segredos do grande vencedor
Foto: Felipe Ulbrich/ABA
Competição valoriza as mostras da raça nas exposições do interior
José Paulo Dornelles Cairoli (a esquerda) é o criador mais premiado no Ranking Angus
Com a palavra, o titular da cabanha que mais conquistou prêmios no ranking de criador e
expositor – a Reconquista Agricultura e Pecuária, de Alegrete, RS, que figura no topo em sete dos
nove anos de pontuação de exemplares de argola divulgados até agora. José Paulo Dornelles Cairoli,
ex-presidente da ABA, à frente da Reconquista, revela que o segredo para se manter por muitos
anos na primeira colocação é o trabalho minucioso, que começa na preparação dos animais na
propriedade, o que leva, em média, dois anos.
P
or certo Cairoli está sendo
comedido, porque não cita a
enorme dedicação do faro e do
preparo do selecionador que ele é, que
por anos se aprofundou em se informar, visitar propriedades no Brasil e
fora do País, identificando genéticas,
reprodutores e acasalamentos que se
transformaram em todo o sucesso
obtido. É o bastidor, onde são forjados
os campeões.
“Toda a exposição foca muito em
melhorias genéticas, por isso a necessidade de colocar sempre em pista animais de alta qualidade e performance,
o que a cada ano vem se consolidado,
pois é visível a participação de criadores que expõem alta genética nos
julgamentos”, afirma.
Cairoli vê com entusiasmo a
crescente qualificação dos eventos
ranqueados pela ABA, o que gera,
segundo ele, uma concorrência sadia
entre os criadores de Angus. “A participação está mais difícil e muito mais
seletiva”, diz.
Para Cairoli, a menina dos olhos
de todo o criador é a Categoria A,
que no regulamento da ABA engloba
atualmente cinco grandes exposições
Criador
Propriedade
Cidade/UF
Pontos
1
JOSÉ PAULO D. CAIROLI
RECONQUISTA AGROPECUÁRIA
ALEGRETE/RS
6.313
2
CAB. RINCON DEL SARANDY
CAB. RINCON DEL SARANDY
URUGUAIANA/RS
5.375
3
LUIS ANSELMO CASSOL
CABANHA DA CORTICEIRA
SAO BORJA/RS
4.507
4
ANTONIO DOS S. MACIEL NETO
FAZENDA SÃO LUIZ
SAO PAULO/SP
2.866
5
ZULEIKA BORGES TORREALBA
CABANHA DA MAYA
BAGE/RS
2.350
6
ANTONINO SOUZA DORNELES
ESTÂNCIA OLHOS D’ÁGUA
ALEGRETE/RS
1.911
7
SUSANA MACEDO SALVADOR
CIA AZUL AGROPECUÁRIA
URUGUAIANA/RS
1.884
8
VALDOMIRO POLISSELI JUNIOR VPJ PECUÁRIA
MOCOCA/SP
1.710
9
ROBERTO SOARES BECK
EST. DO ESPINILHO
CRUZ ALTA/RS
1.692
10
AGROPECUÁRIA FUMACA LTDA
FAZENDA FUMACA
PARANAPANEMA/SP 1.611
pulverizadas em diversos municípios
brasileiros. Devem reunir no mínimo 50 animais de oito expositores e
permitem resultado máximo de 96
pontos ao animal grande vencedor.
A “oportunidade” citada por
Cairoli é consequência dos ajustes
realizados pela ABA no regulamento
do ranking, dentro da proposta de
agregar cada vez mais participantes.
Para isso, a regra é clara: o mesmo
produto só pontua duas vezes, ou
seja, mesmo que o animal participe
de várias exposições, serão levadas
em consideração para efeitos de pontuação apenas as duas melhores notas
conferidas a ele.
Além disso, o ranking só considera
a participação da cabanha em cinco
exposições, o que não restringe sua presença em outras, mas ficará limitado a
cinco eventos com a melhor pontuação.
O regulamento permite a participação
de animais nascidos no Brasil e importados, e a pontuação por expositor é
limitada aos oito animais com maior
premiação por exposição.
>>>
Resultado PARCIAL do Ranking 2009 - Animais Argola
Exposições: AVARE – LONDRINA – ITAPETININGA – URUGUAIANA OUTONO ANGUS SHOW - FEICORTE –ARACATUBA - EXPOINTER
Por Expositor
Resultado PARCIAL do Ranking 2009 - Animais Argola
Exposições: AVARE – LONDRINA – ITAPETININGA – URUGUAIANA
- OUTONO ANGUS SHOW - FEICORTE -ARACATUBA-EXPOINTER
Por Criador
Posição
brasileiras: Avaré (SP), Expolondrina
(PR), Uruguaiana/Outono (RS),
Feicorte (SP) e Expointer (RS). Para
figurar como A, a exposição deve
reunir no mínimo 100 animais para
julgamento, de 15 expositores.
A pontuação para o exemplar
Grande Campeão alcança 160 pontos,
o que é um incentivo para as cabanhas
que visam às primeiras colocações no
ranking.
“Toda a disputa tem como meta
ganhar, especialmente nas exposições
da Categoria A. E essa valorização
dos animais pontuados é importante,
pois incentiva o trabalho de melhoria
genética da raça”, afirma o titular da
Reconquista, a cabanha mais premiada do País em Angus.
Para Cairoli, o regulamento do
ranking hoje permite a participação
de diferentes perfis de criadores,
oferecendo a oportunidade de reconhecimento a todos que focam em
melhorias do plantel Angus. Já as
exposições ranqueadas da Categoria
B são em maior número e estão
Posição Expositor
Propriedade
Cidade/UF
Pontos
1
JOSÉ PAULO D. CAIROLI
RECONQUISTA AGROPEC
ALEGRETE/RS
6.502
2
CAB. RINCON DEL SARANDY
CABANHA RINCON DEL SARANDY
URUGUAIANA/RS
5.345
3
PARC.CAB. CORTICEIRA/GB AGROPEC.
CAB. CORTICEIRA/GB AGROPEC
SÃO BORJA/RS E PORECATU/PR
4.482
4
LUIZ HENRIQUE CAMPANA RODRIGUES
FAZENDA TABAPUA
SAO PAULO/SP
2.971
5
ANTONIO DOS SANTOS MACIEL NETO
FAZENDA SAO LUIZ
ITU/SP
2.866
6
ZULEIKA BORGES TORREALBA
CABANHA DA MAYA PA
BAGE/RS
2.350
7
ELOY TUFFI
FAZENDA MC
ESPIRITO SANTO DO PINHAL/SP
1.980
8
FABIO LUIZ GOMES E FABIANA DEFERRAR CAB. CATANDUVA
CACHOEIRA DO SUL/RS
1.720
9
VALDOMIRO POLISELLI JR
VPJ PECUARIA
MOCOCA/SP
1.710
10
PAULO DE CASTRO MARQUES
CASA BRANCA AGROPAST.
FAMA/MG
1.620
38
Setembro/Outubro de 2009
REPORTAGEM
Setembro/Outubro de 2009
39
As opiniões são positivas e sugerem novidades
Foto: Felipe Ulbrich/ABA
Elio Sacco e esposa acompanham de perto o desempenho de seus animais
Cláudia Silva e o filho Martin e Ignácio, com Joaquim Mello
A Cabanha Rincon del Sarandy, de Uruguaiana, RS, encerrou 2008 com a segunda melhor pontuação
como criadora e expositora de animais de argola no Ranking Angus, e com a terceira melhor colocação
entre os rústicos. Para os proprietários, a selecionadora Cláudia Indarte Silva e os filhos Ignácio Silva
Tellechea e Martin Silva Tellechea, o ranking é essencial para confirmar que o trabalho de aprimoramento
e seleção genética desenvolvido na cabanha está sendo realizado na direção certa.
ARGENTINIZAÇÃO
Vencedor do Ranking Angus
Argola em 2006, o selecionador
paulista Eloy Tuffi, da Fazenda MC,
em Espírito Santo do Pinhal, SP, está
inconformado com o que chama de
argentinização do gado Angus. “Crio
Angus porque me apaixonei pela raça.
Identifiquei os melhores criadores, os
gaúchos, é claro, e investi pesado. Toda
a raiz do meu plantel é gaúcha, das
melhores cabanhas rio-grandenses”,
revela Tuffi. Mas ele agora reclama que
nas exposições, seus animais pararam
de brilhar, ofuscados por esta tendência
ao tipo de gado argentino.
“Vou imediatamente mudar meus
conceitos e introduzir em minha
criação fêmeas argentinas, para ter
novamente condições de fazer frente à
competição”, aponta.
Ele lembra com alegria de sua fêmea MC Bárbara. “Comprei de Fábio
Gomes, da Catanduva, e ela foi, em
2006, campeã nacional. Fantástico”,
vibra.
Mas ele garante que está se preparando para retornar à luta pelas primeiras posições. “Meu termômetro será
Avaré e Londrina, em 2010”, avisa.
E especificamente sobre o Ranking,
Eloy Tuffi traduz: “Mas como é bom
ganhar. É mesmo o máximo. Na foto,
segurando o troféu, a gente fica com
uma cara inexplicável”.
OS TOP 10
“Sou fã do ranking de animais”,
diz o selecionador Renato Segura Ramires Junior, titular da Fazenda Três
Marias – 3E Agropecuária, em José
Bonifácio, SP.
Presidente do Núcleo de Criadores de Angus de São Paulo, ele sugere
que a ABA crie imediatamente o
ranking dos Top 10 – as 10 melhores mães e os 10 melhores pais... “Já
começamos a fazer isso aqui em São
Paulo”, avisa o dirigente. “Os filhos
vão pontuando durante o ano e esses
pontos vão para os pais”, ensina.
Ramires Junior observa que, estabelecida essa competição, a própria
associação da raça pode criar um
leilão de prenhezes das 10 melhores
mães e dos 10 melhores pais. “Isto é
novo e vai tirar a Angus da síndrome
de Gabriela...”, polemiza o criador.
Para ele, o Angus precisa desenvolver
a cultura de vender prenhezes, numa
franca preocupação com a área de
negócios. “Este ranking que está aí
estimula a vaidade pessoal, quando
poderia ter maior finalidade comercial”, fustiga, alegando que poderia
haver uma flexibilização nos critérios,
o que representaria maior amplitude
e até uma evolução para a raça.
RANKINGS REGIONAIS
Já Paulo de Castro Marques, da
Casa Branca Agropastoril, de Fama,
MG, lembra que o Ranking Angus
é uma competição séria, já tem uma
história de contribuições para a raça e
é sobretudo muito interessante. Mas
o criador defende que nada pode ser
estático e sempre precisa de aperfeiçoamentos, especialmente para que o
processo acompanhe as realidades do
mercado. “Ainda existem preciosismos
nos julgamentos que poderiam ser
revitalizados”, sugere.
Castro Marques diz também que a
ABA poderia criar rankings regionais
- ou ligados a seus núcleos pelo Brasil
ou aos Estados.
“Temos alguns casos já de animais
quase perfeitos, que por detalhes não
são aprovados nos julgamentos, mas
são buscados pelo mercado que reconhece neles exemplares excepcionais”,
exemplifica.
DO DEBATE E DO DIÁLOGO
É QUE SAI O CONSENSO
O criador acredita que é um
processo natural de evolução e que a
ABA será sensível ao debate sobre esses
temas. Mas de toda a forma, aplaude o
Ranking Angus como uma prova que
promove a raça, acima de tudo.
“O ranking é uma modalidade de
concurso que estimula a participação dos
criadores nas exposições e com isso há
um balizamento entre os selecionadores e
seus respectivos animais , o que é bastante
saudável para a raça”, avalia o tradicional
criador gaúcho e também ex-presidente
da ABA, Ângelo Bastos Tellechea, da
Cabanha Umbu, de Uruguaiana, RS.
Para ele, o resultado depende do número
de exposições que o criador participou
e, óbvio da qualidade de seus animais.
“Mas por trás de tudo há uma outra variável a considerar: os jurados mudam de
acordo com a exposição, e isso também é
estimulante, porque um animal que não
teve o gosto de um jurado, numa outra
exposição terá a chance de ser privilegiado”, exemplifica.
Ângelo Tellechea concorda que
essa ou qualquer outra competição
sempre vai necessitar de ajustes e
aperfeiçoamentos em suas regras, o
que se obtém a partir do debate, do
diálogo com todos. Mas ele entende
que o ranking Angus vai muito bem e
é incontestável sucesso na orientação
da raça.
"Vejo com importância fundamental a participação dos criadores
nas exposições regionais e também
na mostra nacional da raça, realizada
anualmente", avalia o selecionador
paulista Elio Sacco, titular da Agropecuária Fumaça, em Paranapanema,
SP. Segundo ele a pontuação que é
obtida no ranking é o espelho do
trabalho desenvolvido pelo criador
em prol da raça.
>>>
Foto: Felipe Ulbrich/ABA
“O lema da nossa cabanha é o
aprimoramento genético, e o ranking
nos possibilita mostrar o que está sendo
feito neste sentido. Figurar nele nos
dá a certeza que estamos no melhor
dos caminhos na condução da raça”,
afirma Cláudia.
A dedicada criadora não vê a questão econômica como aspecto relevante
para a participação em exposições, já
que os negócios - explica - acontecem
naturalmente quando os resultados
surgem nas pistas.
Ela, que considera a Expointer a
exposição mais importante, por uma
questão de tradição, também credita a
grande concorrência nas pistas às mudanças no regulamento do ranking.
“Hoje está muito mais acessível a
participação de criadores no Ranking
da ABA, seja ele pequeno, médio ou
grande produtor. Há igualdade de condições e todos têm chance de vencer a
disputada competição”, assinala.
Paulo de Castro Marques
Eloy Tuffi ergue a taça de campeão do ranquing em 2006 entre Cairoli e Pires Weber
40
REPORTAGEM
Julho/Agosto de 2009
Os rústicos, mais
perto do campo
Ferramenta de
marketing com
resultados
Fotos: Felipe Ulbrich/ABA
José Roberto Pires Weber
Luiz Felipe Ferreira da Costa e esposa
O presidente, Joaquim Mello, com José Paulo Cairoli
No Ranking de Rústicos, onde competem os animais que estão mais próximos da produção, do
campo, dois vencedores se revezaram nos últimos anos. Em 2007, triunfou Luiz Felipe Ferreira da
Costa, da Fazenda Querência/Tarumã Agropecuária, de Alegrete, RS.
E
m segundo ficou a Cabanha
Santa Eulália, de Joaquim Francisco Bordagorry de Assumpção
Mello – atual presidente da Associação
Brasileira de Angus (ABA).
Já no ano passado as colocações se inverteram. A vitoriosa foi a Cabanha Santa
Eulália e em segundo ficou a Querência.
Para Luiz Felipe Ferreira da Costa
Filho, o ranking, num primeiro momento, focou na exposição da cabanha, pois
entende que trata-se de uma excelente
ferramenta de marketing para quem
disputa e figura no ranking. “Somos
novos na criação, com cerca de oito,
nove anos dedicados ao Angus Rústico. Por isso o ranking se tornou uma
forma de nos inserirmos no mercado
comprador”, diz. Um segundo objetivo,
Cláudia Indarte Silva
segundo ele, é que o ranking permite
aos criadores comparar o trabalho que
vem sendo feito entre as cabanhas, e
se tornou ainda mais importante no
momento em que é possível comparar
a qualidade dos animais em pista com
criatórios tradicionais, com mais de
50/60 anos de existência.
O terceiro aspecto positivo, conforme Luiz Felipe diz respeito à evolução da qualidade da genética colocada
em pista. “A cada nova edição levamos
sempre maior qualidade às exposições.
“É uma evolução natural, impulsionada pela pressão da competição”,
completa o criador.
Já Joaquim Mello, um selecionador que há anos se dedica à produção
de touros Angus comerciais (rústicos)
e de novilhos para a produção de
carne de qualidade, argumenta que o
ranking é uma disputa entre criadores balizada por diversas exposições
e diversos jurados. Trata-se de uma
disputa que confirma o trabalho das
cabanhas, não só dos que figuram
no topo, mas também dos segundo
e terceiro colocados, aponta o atual
dirigente da ABA.
“As cabanhas vencedoras têm
em comum a unanimidade saída
das exposições”, diz. A vantagem de
participar e vencer é ratificar a boa
qualidade genética dos animais das cabanhas, fruto de um trabalho rigoroso
de seleção genética. Para o criador, o
benefício é estar entre os que possuem
animais da raça elitizados.
Resultado parcial do Ranking 2009 - Animais Rusticos
Exposições: URUGUAIANA - EXPOINTER
Por Expositor e Criador
Posição Expositor/Criador
Propriedade
Cidade/UF
Pontos
1
CAB. RINCON DEL SARANDY
CABANHA RINCON DEL SARANDY
URUGUAIANA/RS
989
2
CARLOS R. ACOSTA FERREIRA
CABANHA CANTAGALO
SANTANA DO LIVRAMENTO/RS
682
3
RICARDO MACEDO GREGORY
ESTÂNCIA DA BARRAGEM
QUARAI/RS
606
4
EDUARDO MACEDO LINHARES
GAP GENETICA
URUGUAIANA/RS
451
5
ALBERTO DE ABREU MEDEIROS
AGROPECUÁRIA MAIPU
IBIRUBA/RS
426
6
HELENA RODRIGUES ROTTA
CABANHA SANTA AMÉLIA
SANTA VITORIA DO PALMAR/RS
399
7
ANGELO BASTOS TELLECHEA
CABANHA UMBU
URUGUAIANA/RS
362
8
ANTONIO MARTINS B. FILHO
CAB. SÃO BIBIANO
URUGUAIANA/RS
303
9
SUSANA MACEDO SALVADOR
CIA AZUL AGROPECUÁRIA
URUGUAIANA/RS
242
10
JOAQUIM F. B. DE ASSUMPÇÃO MELLO
FAZENDA SANTA EULÁLIA
PELOTAS/RS
207
Além de promover a concorrência sadia entre os criadores
associados, incentivar a participação dos pecuaristas em mais de
uma exposição e possibilitar ainda mais a promoção da raça no
Brasil, o Ranking Angus cria uma
disputa que pode ser encarada
como uma forma de marketing,
que comprovadamente agrega
valor aos animais e ao trabalho
da propriedade.
A avaliação é de José Roberto
Pires Weber, titular da Estância
Santa Thereza, em Dom Pedrito,
RS, e atual presidente da Associação Nacional de Criadores
(ANC) - Herd Book Collares.
Ele presidia a ABA quando o
ranking foi criado.
“A avaliação do grau de qualidade nos animais das cabanhas
brasileiras se reflete diretamente
nas vendas, nas pistas dos remates. Aí está o marketing”,
considera.
A mobilização dos criadores,
de acordo com Reynaldo Titoff
Salvador, da Cia Azul, de Uruguaiana, RS, por si só já revela
o potencial de “marketing” da
competição. “É campeonato de
Fórmula 1 do Angus, com a
meta específica de agregar todos
os criadores e, assim, difundir a
raça pelo País”, sintetiza Salvador, também um ex-presidente
da ABA.
Entre os ajustes que poderiam ser feitos no futuro, a
Reynaldo Titoff Salvador
criadora Cláudia Indarte Silva
sugere a imposição de limite na
quantidade de trios pontuados
no julgamento dos animais rústicos. “Quem leva apenas um
trio acaba sendo prejudicado
na disputa por quem participa
com 20, 30 trios. A chance de
ganhar é muito maior”, avalia
a criadora.
Levar eventos ranqueados
para outras localidades do Brasil
é, no entendimento de Salvador,
uma forma de ampliar e estender
os benefícios que o ranking proporciona às cabanhas de outras
regiões do País, “caso de Araçatuba, em São Paulo, e Alegrete, no
Rio Grande do Sul”, cita. Segundo ele, esses são ajustes que permitiriam uma melhor adaptação
a mercados regionais. “Haveria
um visão Brasil e também uma
visão local”, defende. Para ele,
o ranking precisa estar presente
mais nas bases, para promover o
Angus em nível regional.
REPORTAGEM
Profissionalização invade as pistas
Foto: Kéke Barcellos/ABA
O técnico da Angus José Carlos Guasso assessora o jurado Norman Catto durante a Expointer
A
profissionalização – e também
a união - da família Angus vai
além dos produtos avaliados.
O próprio corpo de jurados da raça
vem se qualificando para o trabalho
cada vez mais difícil e competitivo
nas pistas, visto o elevado grau técnico dos animais expostos.
Desde 2004, a Associação Brasileira de Angus iniciou o trabalho de capacitação, que visa ao aprimoramento
dos jurados da raça, com a realização
do Seminário de Avaliação Funcional
de Bovinos de Corte e Capacitação de
Jurados da Raça Angus. Com mais
de 200 adesões, o evento deflagrou a
meta da ABA: capacitar cada vez mais
pessoas para atuarem como jurados da
raça no Brasil.
A necessidade de uma justa pontuação dos animais que estão dentro
do fenótipo desejado pela raça foi o
que motivou a associação a investir
no treinamento de jurados. A profissionalização salta aos olhos, segundo
o presidente da ANC e criador de
Angus, José Roberto Pires Weber.
“A participação de jurados diferenciados contribui para criar uma
uniformidade na raça”, confirma.
Outro respaldo positivo vem de
Reynaldo Salvador, da Cia Azul. “O
programa de formação de jurados
focou na busca de um padrão Angus
brasileiro, voltado à produção de
carne de qualidade”. Segundo ele, esse
padrão foi conquistado há cerca de
dois anos, pois os produtos nacionais,
segundo ele, se igualam à qualidade
dos melhores do mundo.
Ainda neste ano, a ABA deu início
aos Cursos para Jurado Jovem, visando levar conhecimento aos jovens interessados na raça, com a participação,
até agora, de quase 100 pessoas.
Setembro/Outubro de 2009
41
Regras do ranking –
mudança para melhor
As principais alterações nos regulamentos do ranking
- Hoje a participação é separada por animais de Argola e Rústicos.
Antes era separado por categoria de animais PO e PC;
- Em 2003, além de Criadores, foi permitida a participação de
Expositores no ranking, para que animais importados pudessem
participar;
- Participavam do ranking as exposições de Categoria A, B ou C.
A C foi extinta para que houvesse um menor número de exposições
com maior qualidade e maior adesão;
- A partir da Expolondrina de 2005, todos os animais passaram a
ser tosados, o que contribui para a valorização do fenótipo;
- Nas exposições da Categoria A, foi incorporada a avaliação de
carcaça pro ultrassonografia;
- Antes, cada produto pontuava somente uma vez ao ano. Posteriormente passou a contar duas vezes ao ano;
- Foi criada uma tabela progressiva, exclusiva para a pontuação do
ranking de animais rústicos, na qual os pontos são divididos conforme
o número de animais participantes na categoria;
- Inclusão da pontuação para o terceiro melhor de categoria e de
campeonato;
- Inclusão da premiação de progênies;
- Foi limitado o número de participações em exposições. Contam
somente as 5 melhores participações;
42
Setembro/Outubro de 2009
Fundado Núcleo Catarinense
Em reunião realizada em Lages,
SC, foi homologada a criação do
Núcleo Catarinense de Criadores
de Angus, abrangendo todo Estado
catarinense e inicialmente composto
por um grupo de onze criadores de
Angus de Santa Catarina.
Como primeiro presidente do
novo núcleo, o criador Nelson Antônio Serpa, titular da Fazenda Água
Boa, em Campos Novos, SC, informa
que o principal objetivo é divulgar
a raça, mostrando a influência e o
potencial em Santa Catarina, e ao
mesmo tempo congregando novos
criadores para utilização de genética
superior Angus.
A primeira atividade do núcleo é a
organização da participação da raça na
Expolages 2009, de 21 a 25 de outubro. A programação inclui remate no
dia 24 de outubro, transmitido pelo
Canal do Boi, com oferta de cerca de
40 animais entre machos e fêmeas
Angus PO.
O Julgamento de Classificação
dos animais a premio ficará a cargo
do gerente do Programa Carne Angus,
veterinário Fernando Velloso, que
também fará palestra sobre os programas Terneiro Angus Certificado
e Carne Angus Certificada, ambos
da Associação Brasileira de Angus
(ABA).
Núcleo Santanense sob nova direção
Para comandar as ações envolvendo os criadores ligados ao Núcleo
Santanense de Angus no biênio
2009/2010, assumiu a presidência
o tradicional criador de Red Angus
Fernando Osório – leia-se Paipasso
Red Angus – Agropecuária Corrêa
Osório.
À frente de um seleto grupo
formado por 20 criadores, em sua
maioria produtores comerciais, Osório anuncia: “Nossa meta principal é
tornar a Angus a principal raça criada
em nosso município”.
Fernando Osório diz também que
o grupo planeja realizar em 2010 uma
grande feira de terneiros Angus certificados. “Essa é a principal matéria
prima para o programa de carne de
qualidade Angus”, promete o criador, que foi o primeiro dirigente do
Programa Carne Angus Certificada,
em 2002, chamado para a função
pelo então presidente da Associação
Brasileira de Angus (ABA), Reynaldo
Titoff Salvador.
MOVIMENTO
Expointer tem novos expositores
Nos boxes dos animais do Pavilhão
de Gado de Corte, na área destinada aos
expositores da Associação Brasileira de Angus (ABA), no parque Assis Brasil, foram
vistos novos banners referentes a cabanhas
de associados estreantes nessa Expointer.
Um deles era Frederico Fittipaldi Pons,
da Cabanha Santa Angela (Uruguaiana/
RS). Pons levou dois animais de argola,
um macho e uma fêmea, para participar da
pista de julgamento da mostra. Segundo o
criador, foram inscritos um touro júnior,
em parceria com a Cabanha Ribelles, de
Uruguaiana, e uma vaca jovem, em parceria
com a Cabanha Bayucua, do Uruguai. “A
participação foi excelente, conquistamos
os prêmios de reservado campeão touro
júnior e terceira melhor vaca jovem o que
é muito significativo para uma primeira
Expointer, principalmente se tratando da
Angus que tem pista disputadíssima pela
qualidade dos animais que concorrem”,
observou Pons, que investe desde 2006 na
raça quando a cabanha adquiriu um plantel PC, em Uruguaiana. A partir desse ano
também começaram a investir em ventres
PO. “Desde então, viemos aprimorando
nossa genética através da transferência de
embriões de doadoras que entendemos
serem diferenciadas e que estão servindo
como base de nosso plantel”, informou.
Marco Antonio Gomes Costa, da
Cabanha Terra Costa (Santo Antônio
da Patrulha/RS), também fez sua estreia
nas pistas da Expointer 2009. Costa, que
aposta com afinco na raça desde 2008,
participou da mostra em parceria com as
cabanhas Catanduva (Cachoeira do Sul/
RS), Reconquista Agropecuária (Alegrete/
RS) e Rincon del Sarandy (Uruguaiana/
RS). Segundo o criador, participar de uma
Expointer pela primeira vez e ser premiado,
em um trabalho iniciado há pouco mais de
um ano, soa como inesperado, mas credita
o resultado à estratégia de um investimento
de longo prazo. “Acredito que o resultado
deve-se às escolhas que fizemos como
investir em parcerias sólidas e adquirir
animais das melhores cabanhas e genéticas
da raça Angus, do país”, reforçou.
Conforme Costa, foram obtidas duas
rosetas na Expointer: reservada grande
campeã terneira, em parceria com a Rincon
del Sarandy, e a terceira melhor fêmea, em
parceria com a Reconquista Agropecuária
e com a Cabanha Catanduva. Em Lon-
drina, deste ano, outro feito, a escarapela
de reservada grande campeã em parceria
com a Rincon.
Novo sócio
O novo associado da ABA, Volnei José
Frizzo Nemitz, da Cabanha Casco Negro
(Cachoeira do Sul/RS), acompanhou o
Leilão Golden Angus. O criador, que
investe no ciclo completo, com a raça,
tem um plantel de 312 ventres Angus na
cabanha cachoeirense. Sobre a investida
na raça e a aproximação com a Associação
Brasileira de Angus ressalta: “é a melhor
raça de corte. O slogan da Angus é perfeito
ao informar que é a raça completa”, realçou
o associado que também está engajado nos
programas da ABA ao já reservar doses de
sêmen de touros que participam do Teste
de Progênie Angus 2009.
Por Luciana Bueno - Assessora
de Imprensa da ABA
Cairoli na Galeria dos
Ex-Presidentes em Esteio
Durante a Expointer, a fotografia
de José Paulo Dornelles Cairoli passou
a integrar a Galeria dos Ex-Presidentes
da ABA. Cairoli exerceu a presidência
da entidade nos biênios 2005-2006 e
2007-2008, sendo sucedido por Joaquim Francisco Bordagorry de Assumpção Mello, que presidiu a solenidade.
Foto: Kéke Barcellos/ABA
Joaquim Mello e Cairoli
43
Importância dos aspectos sanitários no sucesso
da inseminação artificial de bovinos de corte
Setembro/Outubro de 2009
Por Marcelo Maronna Dias
A viabilidade econômica de um sistema
de produção de carne bovina depende diretamente da eficiência reprodutiva dos rebanhos
e seu planejamento sanitário. Controlando-se
a reprodução e conhecendo-se as necessidades
nutricionais e integrando-se melhores práticas
de manejo, tornar-se possível aumentar a produção (ROVIRA, 1996; BORGES, 2002).
o trabalhar-se com reprodução em bovinos de corte, é interessante ressaltar
que o manejo de cada propriedade é um
fator relevante para o sucesso da implantação de
tecnologias. Dentre estas “tecnologias”, está a
inseminação artificial. Entre os fatores relevantes para o sucesso da inseminação está o planejamento sanitário que pode dar a propriedade
um status que servirá de base para produção.
Nota-se em encontros Nacionais e Internacionais de bovinos de corte, uma preocupação de
autoridades, técnicos e produtores de enfatizar
que a segurança dos alimentos começa com a
criação de animais em rebanhos sadios.
Existe uma relação muito estreita entre
saúde e bem estar animal. Devemos mostrar esta
saúde de nossos rebanhos para que mercados externos remunerem melhor, nossos produtores,
agregando valor por nossa carne bovina.
Quando falamos em aspectos sanitários que
afetam a reprodução, parece claro que devemos
trabalhar em prevenção, pois é preciso evitar a
ocorrência de enfermidades que refletirão sobre
os índices de prenhês e desmame. Um diagnóstico laboratorial correto e bem fundamentado é
ponto de partida para saber o que prevenir.
Trabalhando no sentido de prevenir doenças, uma análise dos fatores de risco torna-se
fundamental para adoção de medidas que
minimizem os efeitos dos agentes agressores,
ressaltando que, quando aumentamos a dose
infectante, aumentamos os riscos. Dentre
estes fatores de risco, podemos citar: a idade,
condição fisiológica e nutricional dos animais,
o manejo como concentração de animais, níveis
de estresse, técnicas de reprodução, vacinas,
entrada e saída de animais na propriedade.
Obviamente que, dentro deste assunto, a procedência, qualidade e condição sanitária do
A
Existe uma relação muito estreita entre saúde e bem estar animal:
devemos mostrar esta saúde de nossos rebanhos para que mercados
externos remunerem melhor, nossos produtores,
agregando valor por nossa carne bovina
sêmen são peças fundamentais no resultado da
inseminação. Por outro lado, de nada adianta o
uso da inseminação artificial em rebanhos onde
a condição sanitária das fêmeas é discutível.
As doenças reprodutivas, muitas vezes, só
recebem a merecida atenção por parte dos proprietários quando mostram sintomas clínicos
como abortos, natimortos e animais debilitados
ao nascer.
O diagnóstico de gestação pode ser uma
ferramenta de controle para mostrar que uma
diferença expressiva entre o “toque” nas vacas e
a parição (fundo de maternidade) pode ser um
indicativo de falhas reprodutivas por agentes
virais e bacterianos. O grande problema é que
esta diferença pode acontecer sem sinais clínicos
evidentes como: anestro, infertilidade de machos e fêmeas, mortalidade embrionária precoce
e tardia com reabsorções fetais que certamente
terão grande influência nos resultados de forma “silenciosa”. Uma vez dentro do rebanho,
restam medidas de controle e tratamento para
minimizar as perdas causadas por estas doenças.
Todas as medidas no tratamento serão mais
caras e ineficientes para o produtor do que
trabalhar de forma preventiva.
Referindo-se as doenças reprodutivas, podemos começar por uma enfermidade que está na
base de um plano sanitário, a Brucelose. Trata-se
de uma zoonose (podendo afetar homens e animais) e todas as fêmeas do rebanho devem ser
vacinadas entre 3 e 8 meses de idade com uma
única dose de vacina na vida. Esta vacina deve
ser feita por médicos veterinários habilitados e
recomenda-se que anualmente sejam realizados
exames nas fêmeas expostas à reprodução, e
se por ventura haver animais positivos para
doença, estes devem ser abatidos. Este controle
deve ser integrado com a Inspetoria Veterinária
dos municípios.
Ainda referindo-se a zoonoses, a Leptospirose assume um papel importante nos rebanhos.
Seu agente está muito adaptado por regiões
alagadiças como banhados e restevas de arroz
que possuem água em abundância e presença
de vetores roedores. Seu controle pode ser feito
de forma preventiva por vacinação antes do
período reprodutivo e na época do toque, ou
seja, no mínimo duas vezes por ano ou mais
dependendo do nível de exposição e infecção
em determinadas situações. A leptospirose pode
causar perdas reprodutivas através de abortos,
natimortos e reabsorções embrionárias que
refletem na reprodução.
A Trichomonose e Campilobacteriose são
denominadas doenças venéreas e podem ser
transmitidas durante a monta. Sua disseminação no rebanho faz-se através do macho que
no ato da monta infecta ou contamina-se pelos
agentes causadores destas enfermidades. Tanto a
trichomonose como a campilobacteriose podem
causar sérias perdas nos rebanhos infectados
que vão desde abortos, piômetras e grande
número de fêmeas vazias no final da temporada reprodutiva. Quando esta infecção atinge
os rebanhos, as novilhas podem apresentar
maiores perdas. Como prevenção, recomendase utilizar touros que nunca trabalharam em
monta ou de propriedades que não tenham
histórico desta enfermidade com índices reprodutivos satisfatórios. Existem vacinas para
campilobacteriose e uma vez instaladas em um
rebanho pode-se adotar algumas alternativas
como vacinação e descanso sexual para as vacas,
uso de inseminação artificial com sêmen livre
destes agentes, não fazer repasse de touros que
podem estar infectados e descartar touros que
foram utilizados em monta.
Não menos importantes e cada vez mais
comuns em nossos rebanhos, às doenças virais como a Rinotraqueíte Infecciosa Bovina
(IBR) e a Diarréia Viral Bovina (BVD) podem
acarretar falhas reprodutivas importantes. Nas
doenças virais temos algumas particularidades
que são muito relevantes no seu entendimento
para efetuarem-se medidas de prevenção ou
controle.
Na IBR, o vírus pode estar em latência
no organismo de bovinos infectados e sofrer
reativações por algum estresse ou imunossupressão como transporte, carências nutricionais
e desmame entre outras causas, e nestes casos,
poderá infectar animais susceptíveis podendo
desencadear perdas na reprodução. Falando-se
em BVD, além das perdas reprodutivas temos os
chamados animais persistentemente infectados
que são portadores crônicos e eliminarão vírus
por toda sua vida nos rebanhos sendo uma ameaça constante. O controle destas enfermidades
pode ser feito através de vacinações antes da
temporada reprodutiva e repetidas anualmente
por questões de imunidade.
Em reprodução de gado de corte, mesmo
com o uso de inseminação artificial, devemos
ter em mente que os touros de repasse circulam durante o serviço em contato com muitas
fêmeas e podem converter–se em portadores de
agentes virais e bacterianos disseminando patologias indesejáveis dentro dos rebanhos de cria.
As doenças aqui referidas podem transmitir-se
através de sêmen infectado por esses agentes.
Para concluir podemos dizer que as práticas
de controle de doenças reprodutivas passam
por uma boa nutrição com mineralização
adequada e que trabalhar de forma preventiva
é mais econômico. As perdas subclínicas podem passar despercebidas em muitos períodos
reprodutivos. Temos que conhecer o ponto de
partida para identificar as falhas rapidamente
e ter atitude para saber reagir.
É importante destacar a importância do
status sanitário do rebanho para a economia
(exportações) sendo fundamental manter,
melhorar e consolidar a condição sanitária dos
animais e a confiabilidade nas informações das
autoridades veterinárias da indústria da carne.
O status sanitário tem componentes regionais
(qualidade da carne de raças britânicas) e nacionais (boi a pasto) sendo um esforço conjunto
de autoridades, indústria privada (bem estar
animal) e criadores onde o médico veterinário
é peça fundamental neste processo.
Médico Veterinário, doutor em Virologia
(UFRGS) e Supervisor Regional CRI Genética
Brasil no Rio Grande do Sul.
44
Maio/Junho de 2009
MOVIMENTO
Antonio Martins Bastos Filho é
recordista como jurado em Palermo
A 123ª Exposição da Sociedade
Rural Argentina teve um sabor mais
doce para nós uruguaianenses e admiradores da qualidade de nossos
pecuaristas e da nossa genética já tão
reconhecida na América do Sul. Não
bastasse o jurado escolhido pela Asociación Argentina de Angus ter sido Antonio Martins Bastos Filho, Antoninho
como é carinhosamente chamado no
meio rural, o produtor estabeleceu uma
marca até agora difícil de ser batida,
foi o nome levado para as decisões na
pista mais tradicional da raça Angus
na América do Sul pela oitava vez,
superando com luz o segundo colocado em indicações que por lá andou
três vezes.” Na verdade sempre é uma
grande honra julgar uma Exposição de
Palermo, maior ainda é a honra de julgar a raça Angus, já que se trata da raça
líder na Argentina, sendo que dentre
os jurados estrangeiros convidados fui
lembrado pela oitava vez. É importante
ressaltar que faz mais de 100 anos que
esta exposição se realiza, e o Angus
está também presente pelo mesmo
período. Palermo é seguramente uma
das exposições mais importantes do
mundo, principalmente quando se fala
de Angus,
de um biótipo de
gado que
produz
carne comendo
pasto. É
uma raça
que tem
um tipo
perfeitamente
adequado
Antoninho Bastos em ação: votado pela maioria dos criadores
ao meio
sulamericano, perfeitamente adequado à Ar- para as fêmeas e um para os machos,
gentina, logicamente, e perfeitamente esta última tocando para mim onde
adequado para nós.Tive a satisfação passaram em pista mais de 200 anide julgar um grupo de animais de mais de argola”, comentou Antoninho
extraordinária qualidade diante de um Bastos. Ressalte-se que a sistemática
público expressivo, como comumente adotada na escolha dos jurados para
acontece nos julgamentos da raça An- Palermo é muito democrática. Dágus, onde o resultado é esperado como se por votação pelos expositores das
o maior evento dentro da Exposição últimas três edições, que , por livre e
de Palermo. Estiveram em pista ao espontânea vontade apontam quem
redor de 400 animais, e foi criada uma será o responsável pelos julgamentos:”
situação distinta de anos anteriores, É assim,e sempre foi assim, representa
talvez pelo número de animais, pois a expressão da maioria dos criadores”,
foram convidados dois jurados, um frisou Antoninho.
7º Leilão Angus de
Guarapuava tem
boa liquidez na pista
Realizado no dia 15 de agosto,
o 7º Leilão Angus, chancelado pela
Associação Brasileira de Angus, realizado no recinto de leilões do Parque de Exposições Lacerda Werneck,
em Guarapuava, PR, comercializou
18 touros da raça Aberdeen Angus
pelo valor médio de R$ 5,32 mil.
Segundo o presidente do Núcleo
de Criadores de Angus do Oeste do
Paraná, Cristopher Filippon, todos
os lotes foram arrematados, comprovando qualidade e liquidez. “Os
criadores apresentaram excelentes
lotes de cruzamento Angus e os
touros estavam com bom preparo,
fazendo com que o pregão fosse bastante ágil”, descreveu o dirigente.
O animal mais valorizado foi
um touro PO, pelagem vermelha,
propriedade da parceria GB Agropecuária, PR e Cabanha da Corticeira,
RS, vendido por R$ 6,44 mil para
Rodolpho Luiz Weneck Botelho,
criador de Guarapuava, PR. Com o escritório Gralha Azul
Remates no comando do pregão,
a média obtida pelos 26 machos
cruza Angus comercializados foi de
R$ 3,14 o quilo vivo e as 60 fêmeas
cruza Angus vendidas atingiram
cotação média de R$ 2,70 quilo
vivo.
Participaram da venda de touros
no leilão os criadores Agassiz Linhares Neto, PR; Antonio Zancanaro,
PR; Darcy Miara , PR; José Filippon, PR; parceria GB Agropecuária,
PR; Cabanha da Corticeira, RS e
José Paulo Dornelles Cairoli, RS.
OPINIÃO
Setembro/Outubro de 2009
45
Entrevista com Gary Latimer, Juiz do Outono Angus Show
Foto: Felipe Ulbrich/ABA
Promovido pelo Núcleo Centro
Litorâneo de Angus – RS (NCLARS), o Outono Angus Show 2009
teve, pelo 4º ano consecutivo, um
pecuarista estrangeiro como juiz.
A exposição desse ano, que teve o
apoio da Associação Brasileira de
Angus (ABA) e contou pontos para
o Ranking nacional de expositores e
criadores da raça, também concluiu
uma volta pelo mundo ao trazer
juízes de 4 continentes: Europa,
Oceania, África e América do Norte, nessa ordem.
Gary Latimer, juiz do Outono Angus
Show 2009, é um pecuarista canadense e
um dos proprietários da Remitall Cattle
Co., localizada na província de Alberta,
Canadá. A empresa seleciona reprodutores
Aberdeen Angus e Polled Hereford, realiza
leilão de produção e participa ativamente
nas importantes exposições canadenses
Farm Fair, Agribition, Calgary Stampede e
Royal Winter Fair, além da National Western Stock Show em Denver, nos Estados
Unidos. Somado a isso, a Remitall Cattle
Co. também já exportou embriões das raças
Angus e Polled Hereford para o Uruguai.
Aliás, a Campeã Novilha Menor Angus e
o Reservado de Campeão Terneiro Maior
Angus da Exposição do Prado 2008 são
fruto dos embriões canadenses exportados
pelo criador Gary Latimer.
“Trazer um juiz do Canadá, país referência nas raças britânicas e que foi sede
do World Angus Forum 2009 em Julho
passado, possibilitou reforçar, a exemplo
das edições anteriores do Outono Angus
Show, que a raça Angus é criada e aprovada
globalmente e serviu também para divulgar
o fórum mundial a criadores brasileiros
através de uma palestra”, destaca Carla
Sandra Staiger Schneider, Presidente do
NCLA-RS. “Isso não foi feito em nenhuma
outra exposição latino-americana”, completa a dirigente.
A exemplo dos outros anos, o juiz
canadense visitou plantéis de Angus e cruza
Angus pertencentes a criadores da região
do Núcleo Centro Litorâneo de Angus.
Além disso, viu e fez fotografias da carne
Angus certificada num supermercado da
rede Zaffari e experimentou e comprou
vinho Aberdeen Angus. Gary Latimer foi o
responsável direto por esse vinho ser exportado ao seu país e servido aos participantes
do fórum mundial em Calgary. Latimer,
que é considerado pela Canadian Angus
Association um dos melhores juízes de
bovinos do Canadá na atualidade e é a sua
recomendação n°1 para representar o país
no exterior, foi entrevistado por [email protected]
newS após retorno de viagem pelo Rio
Grande do Sul e ao término do fórum
mundial da raça no seu país.
P - O que você estava esperando da
sua viagem antes de sair do Canadá?
Um estrangeiro espera muitas coisas
de uma viagem ao Brasil. Além de ser um
grande produtor de carne, o país faz crer,
por estar na América Latina, que as pessoas
sejam muito receptivas e calorosas. E, de
Presidente da ABA, Joaquim Mello, fez as honras ao jurado Gary Latimer, durante o Outono Angus Show
fato, elas são.
P - Que tipo de Angus você estava
esperando ver no Brasil?
As minhas expectativas eram muito
boas. Através da maravilhosa criação do
ser humano chamada Internet, visitei o
Site da Associação Brasileira de Angus e
gostei muito das fotos dos animais que
vi. Por meio dos Links disponíveis no Site
da associação, também pude perceber que
praticamente todas as centrais de inseminação artificial americanas e canadenses
têm filiais no Brasil. Isso me deixou ainda
mais curioso a respeito dos animais na
exposição, ou seja, fruto de genéticas que
não são estranhas a mim e nascidos numa
realidade ambiental muito diferente. P - Você se surpreendeu de alguma
forma com os animais do Outono Angus
Show? Por quê?
Fiquei surpreso ao ver animais tosados
a zero no Outono Angus Show. Gostei
muito disso porque não há margem para
dúvidas sobre a conformação dos animais.
Essa iniciativa é excelente! P - O Angus canadense e o Angus
brasileiro são semelhantes? Por quê?
Eles são muito semelhantes e a explicação está nas linhagens de sangue utilizadas
nos dois países, que são as mesmas.
P - Os animais apresentados no
Outono Angus Show eram diferentes dos
animais vistos nas fazendas visitadas?
Como?
No Canadá, há sempre diferenças
entre animais de exposição e de campo. O
principal motivo é que os criadores costumam levar os seus melhores produtos para
as exposições. Isso acontece em qualquer
país. Verifiquei nas minhas visitas no Rio
Grande do Sul, porém, diferenças significantes entre os animais de campo e de
exposição quanto à alimentação, o que no
meu país não costuma acontecer tanto. É
que alguém que vê os animais de um certo
criador numa exposição canadense espera
encontrar irmãos e irmãs desses animais em
semelhantes condições corporais quando
faz uma visita particular à propriedade
de origem. P - Em termos de padrão racial, o
que você diria de todos os animais que
viu tanto no Outono Angus Show quanto
nos plantéis das cabanhas?
O gado que vi é muito bom! Os pecuaristas brasileiros estão trabalhando duro
para ter bons plantéis de Angus. P - Na sua opinião, existe alguma
característica que precisa ser melhorada
em termos de padrão racial ou qualquer
outra característica nos produtos que
foram a julgamento e naqueles vistos
nas cabanhas?
Pelo fato dos animais do Outono
Angus Show estarem tosados, pude verificar concentrações de gordura em alguns
animais, inclusive nos jovens. Houve casos
de concentrações à frente do úbere das fêmeas e nas laterais das vaginas, inclusive de
novilhas, e no espaço entre o saco escrotal
e o prepúcio dos touros. Isso me revelou
um “super-estado” de preparo que pode
ser prejudicial à fertilidade dos animais,
principalmente dos jovens.
P - Conte-nos alguma curiosidade
que você julgue interessante para os
criadores brasileiros quanto ao Angus
do Canadá, sua história, sua associação
e seus criadores.
A história do Angus canadense é bastante longa e diversos animais do meu país
foram importantíssimos no melhoramento
genético do Angus dos Estados Unidos. Entre os diversos exemplos que existem tanto
nas pelagens preta e vermelha, cito os reprodutores Camilla Chance 37T (conhecido
também como Canadian Colossal), Lovana, Choctaw Chief e Flying K Dynamo 6Y
, sendo os dois primeiros de pelagem preta
e os dois últimos vermelhos. Com o passar
dos anos, aumentou muito a concorrência
na produção e comercialização de Angus
no meu país. Reprodutores sem DEPs não
são aceitos para registro, por exemplo. Isso
é porque a performance dos reprodutores
precisa ser avaliada. Igualmente, não se
aceita gordura acumulada, mas se quer
carcaças marmorizadas, as quais não são
prejudiciais à fertilidade dos reprodutores e
os frigoríficos também pagam mais no gado
comercial. No que se refere especificamente
às fêmeas, estas precisam ser principalmente
férteis e ter facilidade de parto.
P - Você acha que os bovinos Angus de
países com elevadas temperaturas, pastagens insuficientes em algumas de suas
regiões e uma considerável quantidade
de gado Bos Indicus devem ter um certo
padrão ou características em comum?
O gado Angus precisa ser rústico.
Uma forma de testar a sua rusticidade é
submetê-lo às circunstâncias. Em lugares
muito quentes como o Texas, o Arizona,
o México, a Austrália, a África do Sul e
o Brasil, o Angus precisa pelechar rapidamente quando é necessário e criar pêlo
rapidamente quando esfria. Nos dois casos,
eles precisam converter eficientemente o
que comem em peso de carne.
O gado Bos Indicus, com destaque
para o Nelore, é o que mais existe no Brasil.
Assim, penso que as perguntas que cada
criador brasileiro deve fazer a si próprio
são: O Bos Indicus existe em maior ou
menor quantidade que o Angus? O Bos
Indicus chegou no Brasil antes ou depois
do Angus? A raça Angus precisa ou não do
gado Bos Indicus? O Bos Indicus precisa ou
não da raça Angus? Quem impõe as regras
nesse relacionamento? Devo me tornar
um aliado do Bos Indicus ou combatêlo? O que é melhor para a raça Angus na
realidade brasileira? O que é melhor para
mim como criador?
A minha opinião é de que deve existir
um “casamento”, comercialmente bom
para os criadores de Angus e bom para
quem tem Bos Indicus e faz cruzamento.
Isto porque este agregará as qualidades da
raça Angus no seu gado, o que, sem dúvida,
o distinguirá e valorizará. Porém, a próxima
pergunta que surge é: quem deverá ditar as
regras desse “casamento”? Por uma questão
de mercado e rentabilidade, acredito que
a solução seja analisar o que outros países
jovens e de clima quente fizeram para bem
“casar” o gado Angus à região e ao gado que
antes já lá existia.
Comparo a situação com o gado Bos
Indicus à relação de praticamente todo o
mundo com os Estados Unidos. Independentemente de se aprovar ou não a forma
de governar do presidente americano, seja
ele George W. Bush ou Barack Obama, a
verdade é que todos os países precisam dos
Estados Unidos como aliado comercial. No
mercado de reprodutores, as raças puras
precisam financeiramente do cruzamento,
o que no Brasil e na África do Sul é realizado
principalmente com o gado Bos Indicus.
Angus e Bos Indicus precisam, portanto,
ser aliados comerciais e penso ser necessário saber que tipo de produtos desejam os
pecuaristas que querem cruzar com a raça
Angus, caso contrário outra raça concorrente pode “escantear” o Angus.
P - Você acha que os animais julgados
no Outono Angus Show se adaptariam
bem no Canadá? Eles representam o tipo
de Angus que os criadores canadenses da
raça estão procurando atualmente?
Por terem os mesmos sangues do
Angus do Canadá, os animais julgados no
Outono Angus Show não apenas se adaptariam bem, mas seriam também muito
competitivos no meu país.
P - O tipo de animal que está sendo
procurado no Canadá é o mesmo dos
animais que foram apresentados no
Outono Angus Show?
Os criadores brasileiros e canadenses
têm muito em comum. Como eu já disse,
a genética é praticamente a mesma. Além
disso, pelos diálogos que tive com os criadores brasileiros no Outono Angus Show e
nas visitas que realizei, muitos dos objetivos
são semelhantes também. No entanto,
parece haver algumas controvérsias no que
diz respeito ao tamanho que o gado Angus
deve ter aí.
P - Faça um comentário sobre o gado
que você viu, as fazendas que visitou e as
pessoas que conheceu.
Eu e minha esposa ficamos muito impressionados com muitas coisas na viagem
que fizemos ao Brasil. Vimos impressionantes e diferentes tipos de Angus sendo
desenvolvidos e todo o gado PO e PC tem
muita pureza racial! Gostamos das fazendas
que exercem agricultura em sintonia com
a pecuária em vista da administração de
ambas e a união das plantações com os
plantéis.
Fiquei muito contente com os resultados da progênie do touro vermelho
Brigadier na Expointer 2009. Brigadier
é neto do touro canadense Red Flying K
Dynamo 6Y. Portanto, Brigadier é mais
um exemplo de que as genéticas usadas no
Canadá e no Brasil são iguais.
No Fórum Mundial de Angus 2009,
realizado em Julho no meu país, estiveram
presentes três juízes do Outono Angus
Show: eu (do Canadá), Christopher Purdon (da África do Sul) e John Young (da
Austrália). Éramos três criadores de três
diferentes continentes que estiveram no
Brasil nos três últimos anos. Como resultado, nunca se falou tanto sobre o Brasil
e o Angus do Brasil. Aliás, nem um nem
o outro costumavam ser abordados num
fórum mundial da raça. Quero com isso
dizer que a exposição do núcleo de criadores
presidido por Carla Sandra Staiger Schneider tem feito um extraordinário serviço
de divulgação internacional do Angus do
Brasil e eu estou muito feliz em ser um dos
“embaixadores” desse serviço no meu país!
Julgo importante comentar isso porque
acredito que os resultados sejam valiosos e
motivo de orgulho a todos aí.
Por Stefan Staiger Schneider
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PERFIL
Setembro/Outubro de 2009
Valdomiro: com a pecuária no sangue
Fotos: Divulgação VPJ
Foto: Nicolau Balaszov
Durante a Expointer, Poliselli Jr., pela VPJ, e Léo Warszawsky , da Semeia,
firmaram parceria inédita na venda de sêmen, orientação de manejo, seleção
de animais com foco na produção de animais cruzados e de raças puras,
adaptados às condições climáticas brasileiras
Por Horst Knak
M
ais que um nome forte
na raça Angus, “top ten”
no ranking da raça como
criador, Valdomiro Poliselli Júnior
também já virou sigla – a conhecida
VPJ. Sigla que é sinônimo de genética Angus e Dorper de ponta – VPJ
Pecuária; ou sinônimo de carne de
qualidade – VPJ Beef; sinônimo de
empresário empreendedor, arrojo e
criatividade – sintetizada na nos Festivais de Rodeios e no Red Eventos,
em Jaguariúna, no interior paulista.
Filho e neto de pecuaristas, Valdomiro Poliselli Jr. aprendeu com o pai a
lida no lombo do cavalo, foi criador
de um modelo de rodeio e hoje possui um dos maiores planteis de gado
Angus POI do País. Sempre atento
às tendências de mercado, Valdomiro
cria Angus há 16 anos, tendo formado seu plantel a partir da melhores
genéticas gaúchas, acrescidas de
importações de embriões e sêmen do
Canadá e Estados Unidos, investindo
forte em cruzamento industrial e na
formatação de um projeto de produção de carne certificada com marca
própria. Neste ritmo, sempre cheio
de idéias, Valdomiro Poliselli Jr está
sempre focado em novos desafios.
“Acredito que nasci com a vocação
pelo novo, pelo desafio, por novas
idealizações”, autodefine-se.
De longa data envolvido com
cavalos, teve uma passagem no
hipismo, rodou o laço em rodeios
e torneios especializados, até criar
com um grupo de amigos, em 1986,
um rodeio diferenciado, mais moderno, que agregou atrações iguais
aos rodeios internacionais. Além das
provas com cavalos Quarto de Milha
(raça que também cria até hoje),
shows, diversão, cultura, formatando
um produto que é considerado o
mais concorrido entretenimento do
mundo rural, perfeitamente integrado ao círculo urbano. “Até hoje me
emociono quando iniciamos cada
noite do evento. É um sonho que se
concretizou”, sublinha.
Mas é na pecuária de corte que
estão alguns dos mais arrojados projetos de Valdomiro Poliselli Júnior. Por
considerar que o Angus é a grande
solução brasileira para melhorar a
qualidade da carne de mesa, aposta
forte no projeto Angus Plus. “O
Angus agrega valor na carne bovina,
porque transfere sabor, marmoreio,
maciez, além das características reprodutivas”, explica.
A base operacional para Angus
PO e POI está em Mococa/SP, em
sua Fazenda Cardinal: um plantel de
2.000 animais selecionados, um confinamento estático para 1.000 animais,
além de um núcleo de 500 matrizes
Angus pretos e vermelhos em regime
de produção. Sua produção é estimada
em 300 touros/ano, possuindo 10
touros em coleta em parceira com a
Semeia Genética. Sua produção anual
supera 25 mil terneiros e terneiras,
entre rebanho próprio e programas
com fazendas integradas.
No Centro-Oeste, Valdomiro
possui fazendas para cria e recria de
animais cruza angus, com área total
de 15 mil hectares de pastagens,
formadas e divididas em pastos de
no máximo 30 ha, sendo que 100%
deste com acesso por corredores de
manejo. A Fazenda São Roque, em
Nova Crixás - GO, com uma área
de 2,1 mil hectares, abriga o confinamento da VPJ, com uma estrutura
de currais e centro de manejo das
mais modernas e eficientes do País,
com produção de silagem, grãos e
fábrica de ração automatizada. O
confinamento sustenta o programa
de abates próprios e garante o sucesso
da carne Angus Prime VPJ.
Outra frente são as 700 matrizes
Angus Plus registradas. Este núcleo
é a base para a produção de touros
Angus Plus, com grau de sangue
5/8 Angus e 3/8 Zebu, ou outra
configuração de grau de sangue de
acordo com a região. “O Angus Plus
vem para participar de sistemas de
cruzamentos com matrizes Nelore,
para aumentar o valor agregado na
carne. “O touro Angus Plus é muito
rústico, suporta condições extremas
de clima no Centro-Oeste, transmitindo a seus filhos as características de
qualidade de carne como marmoreio,
sabor e maciez exigida por mercados
qualificados”, resume.
Para ele, a utilização de fêmeas
meio sangue Angus (a VPJ possui
3.000 fêmeas meio sangue registradas)
é uma estratégia interessante para
agregar valor na pecuária, tanto para
produzir animais Angus Plus 5/8 e outros graus de sangue que o programa
da ABA permite – a produção de uma
cria e após a desmama enviar a fêmea
para abate. “Neste modelo, a fêmea
meio sangue Angus é imbatível, pois
emprenha aos 14 meses, aos 30 meses
desmama a cria e está pronta para o
abate com peso perto de 20 arrobas, a
preço de boi gordo”, entusiasma-se.
O programa VPJ Beef está sendo
alavancado pelo Angus Plus. Além
de utilizar animais próprios, a VPJ
adquire animais de abate de terceiros.
“Vendemos sêmen de Angus PO a
clientes interessados na garantia de
compra de animais terminados em
confinamento”, explica. Além disso,
os touros Angus Plus podem fazer um
excelente trabalho no repasse de vacas
inseminadas com Angus PO.
O programa de carnes processa
mensalmente 150 toneladas de
carne bovina e 35 toneladas de carne ovina. Os animais próprios são
abatidos em Goiás e os de terceiros
em frigoríficos terceirizados. Tudo é
encaminhado para o frigorífico VPJ
em Pirassununga, interior paulista,
onde é realizada a desossa, maturação, porcionamento, embalagem e
distribuição. A empresa fornece a
restaurantes exigentes como Varanda
Griss, Ávila, América, Terraço Itália,
Barbacoa, a hotéis como Unique,
Emiliano, Marche, Natural da Terra,
Oba e hipermercados como Pão de
Açúcar, Walmart, Muffato e Russi.
Apesar de direcionar seus objetivos para o programa de Carnes,
Poliselli Jr. continua investindo em
genética, adquirindo animais de ponta, importando embriões e sêmen,
aproveitando programas de melhoramento genético como o Promebo,
sem falar no uso de altas tecnologias
em pecuária. “A VPJ realiza avaliações
de marcadores genéticos (Ingenity),
utiliza o ultra-som, técnicas de sexagem de sêmen, produzindo uma
genética Angus totalmente adaptada
a diversas regiões do Brasil, pronta
para produzir para nosso programa
VPJ Angus Prime”, destaca.
Participante ativo de exposições, a
VPJ compete no ranking de criadores
e expositores de argola, normalmente
no “top ten”. “Participamos do ranking
com os mesmos animais que buscamos
para a produção de carne superior, com
a intenção de fomentar e divulgar a raça
no País”, diz Poliselli Jr. O seu objetivo
é mostrar aos mercados qualificados
que o Brasil produz uma carne macia,
suculenta e saborosa. Segundo ele, a
pontualidade na entrega e a constância do padrão completam o tripé do
sucesso que a empresa está alcançando,
entregando produtos inéditos, como
os hambúrgueres Angus, os primeiros
certificados pela ABA.
Foto: Horst Knak/Agência Ciranda
Angus Plus, uma das apostas da VPJ Pecuária
Valdomiro mostrou suas qualidades como jurado no RS
ARTIGO TÉCNICO
Setembro/Outubro de 2009
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Recursos Humanos – O caso da recorrida de campo
Por Júlio Barcellos
Pedro Rocha Marques
Leonardo Canellas
Vinícius Lampert
“Uma
fazenda,
com
todo rigor, é um grande
estabelecimento
industrial;
porém por sua natureza, para
atingir todos os resultados
que promete, necessita um
cuidado
constante,
uma
previsão contínua, muitos
acertos de quem gerencia
muita pontualidade por quem
executa; ordem, método e
treinamento das pessoas em
todos seus pormenores são
essenciais.
Recorrer um campo ou revisar
os pastos é como controlar uma
linha de montagem industrial, e
para isto necessário é o método e a
capacitação do peão que vai cuidar
da criação”. (Do livro: Instrucción
del Estanciero, dos apontamentos
de José Hernandez, 1881).” A
partir deste princípio do famoso
autor de “Martin Fierro” iniciamos a contextualização do significado dos recursos humanos numa
atividade operacional dentro da
fazenda de pecuária de corte. A
eficiência do uso da tecnologia se
traduz pela transformação do insumo em produto e é característica
de cada processo dentro da produção. No entanto, afora os aspectos
intrínsecos dos recursos materiais
utilizados, a operacionalização do
processo depende essencialmente
dos executores – as pessoas envolvidas. Deste modo, para que
o peão envolvido numa atividade
seja cada vez mais eficiente é necessário que compreenda todo o
processo e a sua inserção dentro
dele. Portanto, conscientizá-lo,
treiná-lo e motivá-lo são princípios norteadores do sucesso
operacional.
Uma das atividades de rotina
em qualquer fazenda de gado de
corte é a recorrida dos campos
(denominação no sul) ou a revisão
dos pastos (típica do centro-oeste
ou norte). Este é o controle, na
essência, da linha de montagem de
uma indústria, agora aplicada na
atividade pecuária. Portanto, para
controlá-la é necessário conhecer
tudo que lhe diz respeito: do como
fazer, do por que fazer e da autoridade para fazer. Acrescente-se a
motivação e a atitude na execução.
Na recorrida de um pasto todos
esses aspectos estão muito claros,
1. GADO
2. PASTO
3. ARAMADOS
4. BEBEDOUROS
5. SALEIROS E COMEDOUROS
6. ANORMALIDADES
1.1. DOENÇA
1.2. ESTADO
1.3. EXTRAVIO DE ANIMAIS
1.4. COMPORTAMENTO
1.1.1. SEPARADO DO REBANHO
1.1.2. NÃO ESTÁ PASTANDO
1.1.3. ORELHA CAÍDA, ABATIDO
1.1.4. MORTO
1.2.1. COSTELAS
1.2.2. ENTREPERNAS
1.2.3. INSERÇÃO DA CAUDA
1.2.4. PAPEIRA
1.2.5. PERDENDO ESTADO
1.3.1 OUTROS PIQIETES
1.3.2. VIZINHO
1.3.3.CONTAR
1.3.4. SABER 0 NÚMERO
1.4.1. PASTANDO
1.4.2. AGITADO
1.4.3. ANORMALIDADE
mas é necessário explicá-los a
quem faz. Dessa forma, no sentido
de exemplificar, de forma prática,
é apresentado um padrão para
essa atividade o que já evidencia
a complexidade de uma rotina,
quando não se conhece todos os
seus detalhes e implicações.
A fazenda de gado de corte
é uma indústria a céu aberto e,
portanto, com alguns elementos
incontroláveis. Entretanto, as
conseqüências dos efeitos desses
elementos podem ser minimizadas,
desde que haja previsibilidade,
controle, atitude, sabedoria e motivação. A atividade da recorrida
de campo é essencial para atuar
sobre os prejuízos dos elementos
incontroláveis, mas muito mais
importante ainda, para agir sobre
o gerenciável e ponderal. Para que
isto ocorra é necessário treinar
pessoas e desenvolver na equipe a
capacidade de olhar, ver e enxergar
tudo numa recorrida de campo. O
SEIS TEMAS PRINCIPAIS DEVEM SER
OBSERVADOS PELO PEÃO QUE VAI
AO CAMPO/PASTO REVISÁ-LO
Nesse padrão operacional a atuação ocorre
nos pontos relevantes que podem influenciar
no processo e no resultado da atividade.
Durante a recorrida, informações preciosas são
percebidas, problemas são identificados e, na
maioria deles, solucionados. Portanto, o peão
quando sair ao pasto deve estar preparado
para identificar os seis elementos essenciais
e ainda munido de instrumentos necessários
para isso.
2.1. ALTURA
2.2. QUALIDADE
2.3. QUANTIDADE
NO TEMA “GADO”, QUATRO ASPECTOS DEVEM SER OBSERVADOS
Muitos problemas podem ser solucionados ou
evitados a partir de uma inspeção bem feita
no rebanho. O encarregado da recorrida deve
conferir a contagem dos animais, observando
o estado corporal bem como a presença de animais doentes ou com comportamento atípico.
Para isto, deve estar preparado e instruído para
tomar a decisão em determinadas situações.
NO TEMA “DOENÇA”, QUATRO
ASPECTOS TAMBÉM DEVEM SER
OBSERVADOS
A identificação de um bovino suspeito de
enfermidade pode ser notada por ele estar
separado do rebanho, não estiver pastando
ou abatido. Encontrá-lo morto também é
fundamental para descobrir a causa e registrar
o dado. A taxa de mortalidade será gerada a
partir desse dado e não pelos animais que
faltaram na fazenda.
3.1. FIOS ROMPIDOS
3.2. TRAMAS E MOERÕES
3.3. CHOQUE: 4.000V
4.1. QUALIDADE DA ÁGUA
4.2. QUANTIDADE DA ÁGUA
4.3. PREVER PARA FRENTE
5.1. DEPÓSITO SAL
5.2. QUANTIDADE
5.3. ANIMAIS COMENDO
6.1. ANIMAL MORTO - PERIGO
6.2. CARRAPATO
6.3. ANIMAL ALHEIO, ROUBO
peão deve olhar para o gado, ver a
presença de carrapato e enxergar a
probabilidade de ocorrência de tristeza parasitária. Portanto, capacite
a sua equipe para estas virtudes,
pois os resultados serão colhidos
por todos. Somente dessa forma
a pecuária de corte terá processos
mais eficientes e as tecnologias
terão maior valor por quem as
utiliza.
NESPRO-CEPAN/UFRGS
www.nespro.ufrgs.br
NÃO OLHE SÓ PARA OS ANIMAIS
OU PARA FRENTE – OLHE PARA
BAIXO, POIS VERÁS E ENXERGARAS O PASTO
As pastagens constituem a base alimentar
do rebanho, de modo que a avaliação das
condições do pasto é fundamental no manejo
do sistema de produção. É importante que
sejam definidos parâmetros de altura, qualidade e quantidade de pasto para cada tipo de
forrageira, época do ano e categoria animal
em pastoreio. O conhecimento de como o
pasto cresce ao longo do ano e como o clima
influencia esse crescimento é fundamental.
ARAMADOS, CERCA ELÉTRICA,
PORTEIRAS E PORTÕES TAMBÉM
FAZEM PARTE DO PROCESSO
A observação do estado de conservação dos
aramados, bebedouros e saleiros, disponibilidade e qualidade das fontes de água, entre
outros, também fazem parte da recorrida
de campo. Um moerão partido que não é
substituído imediatamente fatalmente levará
a quebra de um segundo moerão em poucos
dias.
CONHECER A IDENTIFICAÇÃO, SINAL
E MARCA DOS ANIMAIS É FUNDAMENTAL
48
Setembro/Outubro de 2009
ARTIGO
O Angus no Canadá: é preciso ver para crer
Por Fernando Furtado Velloso
O World Angus Fórum 2009
(WAF) foi sediado este ano no Canadá
e ocorreu recentemente em julho em
Calgary (Alberta). O WAF é o maior
evento mundial da raça e ocorre a cada
quatro anos: a edição anterior ocorreu
na África do Sul (2005) e o próximo
ocorrerá na Nova Zelândia (2013). Em
função deste importante evento da raça
Angus tive oportunidade de conhecer
melhor a pecuária canandense, o Angus
canadense e trago aqui algumas reflexões sobre o que ouvi, vi e percebi.
O fórum ocorrido no Canadá provavelmente foi dos mais grandiosos dos
últimos anos: mais de 800 congressistas
dos mais diversos países do mundo (e
bota variado nisso), aproximadamente
1.000 animais em julgamento entre
pretos, vermelhos, juniores (expositores jovens) e Futurity (animais jovens
e inéditos). A agenda do fórum foi
muito completa e contou com jornadas técnicas (palestras e discussões),
julgamentos, programa internacional
de embriões, leilão, refeições sempre
com Carne Angus Certificada, danças
típicas indígenas e um “baile” com
música country (e por lá arrastamos o
pé também).
Os grandes temas da jornada
técnica foram sobre as questões relativas à genética, especialmente sobre a
variabilidade genética encontrada em
diferentes linhagens da raça Angus,
as possibilidades de melhoramento
em função desta variabilidade e alguns defeitos genéticos que tem sido
encontrados na raça (ex: curly calf).
Aqui já surge espaço para uma primeira
reflexão: o Angus tem grandes possibilidades de ganhos genéticos, pois a raça
tem muitas linhagens (variabilidade)
no marketing de suas
criações. Talvez também porque viajam
mais ao exterior.
O programa internacional de embriões foi um tema
à parte e a grande
inovação deste fórum. Diversos países
enviaram ao Canadá
em 2007 embriões de
Angus que representavam a sua genética
nacional. Estes animais nasceram em
2008 e foram apresentados no fórum
com 1 ano de idade.
Todos foram criados
nas mesmas condições de manejo e o
espaço dos “embriões internacionais”
foi dos locais mais visitados nos pavilhões de animais expostos no Fórum. O
Brasil foi representado por uma terneira
da Cabanha Catanduva e deixo aqui
os meus cumprimentos ao trabalho
dos amigos veterinários Dimas Rocha
(ABA) e Bernardo Todeschini (MAPA/
RS) que enfrentaram e resolveram
todos os trâmites legais para realizar a
cabem os parabéns ao empenho da constante, o entendimento médio
Cabanha Catanduva em estar presente sobre melhoramento é alto entre os
neste evento e o “puxão de orelha” aos criadores e a disponibilidade de reprotantos cabanheiros de Angus no Brasil dutores que devem nos servir muito
que não se fizerem presentes. Se nosso bem é uma realidade. Nas visitas as
negócio é o Angus e esta é a “copa do centrais de inseminação identifiquei
mundo” da raça como podemos não alguns touros que muitos brasileiros
estar lá? Queremos ser do grupo de podem até achar pequenos demais.
elite ou da segunda divisão? Os pay- Este exemplo nos mostra que muitas
sanos argentinos estavam com forte vezes repetimos “frases prontas” ou
delegação. Foram até patrocinadores conceitos antigos.
do evento. Provavelmente importarão
Em relação à pecuária canadense
genética canadense e nos venderão por foi possível ter melhor compreensão
bom valor os filhos...
através de diversas visitas que fizemos
A expressão do Angus vermelho em um tour pós-fórum. Nossas visitas
no Canadá é uma peculiaridade. Pro- foram limitadas ao estado de Alberta,
vavelmente é lá que esta variedade tem mas foi possível entender o “formato”
mais expressão no mundo e de lá temos mais usual do sistema de produção
a grande fonte de genética de Red deles: produção muito intensiva, alta
Angus. Na exposição do fórum quase mecanização e automação, integração
metade dos animais eram vermelhos e agricultura-pecuária, mão-de-obra batemos algumas explicações para isto: é seada na família e com empregados em
e esta pode ser muito bem explorada,
forte a base de raças como Hereford, raras exceções ou em módulos maiores.
porém em nosso país temos utilizado
Charolês e Simental na composição Esta situação dos proprietários com a
intensivamente algumas linhagens e
do gado de cria canadense e estes cria- “mão na massa” é a raiz das grandes
genéticas de poucos criadores argendores tem preferência pela variedade diferenças da nossa pecuária e da deles.
tinos e americanos. Assim limitamos
vermelha para uso em cruzamento. Como é o dono que executa todas as
o espaço para ganho genético e pouco
Por mais estranho que soe, o novilho funções com o gado ele não aceita mandesenvolvemos a genética nacional e o
“fumaça” (cinza) resultante do cruza- ter uma vaca que tenha problemas de
nosso negócio (mas este é tema para
mento de Charolês com Angus preto parto (pois ele terá que trabalhar de noioutro texto, pois a conversa é longa e
é um produto preterido no mercado te ou no frio), ele não aceita uma vaca
polêmica).
canadense. Assim sendo, de mau temperamento (pois é a vida
A exposição foi uma
o Red Angus é muito uti- dele que está em risco!), ele identifica
grande oportunidade de coO Angus vermelho no Canadá é de
lizado nos programas de com facilidade que animais ou famílias
nhecer muitos criadores e
cruzamento e fortalece-se que desempenham melhor no campo
criações canadenses, pois
forte expressão em termos mundiais e
a cada ano.
ou no confinamento e assim segue-se
tínhamos algo próximo de
é provável que seja uma das principais
No Brasil, e especial- uma lógica favorável a uma adequada
1.000 animais à disposição
fontes de genética desta variedade
mente no Sul do Brasil, a seleção. De outra parte, o rigor dos
para revisão e farto material
genética canadense é cri- invernos (com temperaturas inferiores
informativo de cada cabanha.
ticada ou rotulada como aos 20 graus negativos) faz com que o
Foi possível avaliar como eles
usam o “show” como uma importante primeira exportação de um embrião genética de animais muito grandes planejamento e a eficiência na produferramenta de divulgação de suas em- de Angus do Brasil para o Canadá. (exigentes) ou voltada somente para ção de alimento sejam fundamentais e,
presas: o canadense sabe bem como Acompanhei de perto esta jornada e o “show”. De fato, existem criadores apesar de o clima ser contra o negócio,
explorar os dias de exposição para fazer despachar este botijão não foi uma que buscam animais de frame grande ele leva a uma grande profissionalização
e o negócio das exposições é bastante da atividade.
o “marketing” de suas cabanhas. Não tarefa fácil.
A participação do Brasil no fórum forte neste país, mas minha percepção
há possibilidade de você chegar perto
de um animal sem ser abordado pelo foi tímida e estivemos representados mudou muito com esta visita e pude Médico Veterinário
proprietário já com o cartão de visita à por um grupo pequeno: Fábio e Fa- perceber claramente que o rótulo que Técnico – Associação Brasileira de
mão e com um sorriso de quem quer biana Gomes (Cabanha Catanduva e damos a genética canadense não é o Angus
fazer negócios. O próximo passo é re- Delegados da ABA), Alan Amadori e mais apropriado. A preocupação com [email protected]
ceber muita informação sobre os obje- Ivo Tadeu Biachini (criadores de SC) a eficiência dos rebanhos é grande, a (Velloso viajou ao Canadá a convite da
tivos de seleção da criação, os principais e a equipe da SEMEX Brasil. Aqui busca de vacas “econômicas” é uma Semex)
animais produzidos, folders, catálogos,
disponibilidade de embriões, etc. A
participação de expositores somente
com stands e sem animais chamoume a atenção também. Criadores que
não acreditam no show de animais de
argola exploram as exposições também
e divulgam seus programas de seleção
e leilões com stands bem montados e
com farta informação. Uma lição para
aprendermos, pois podemos aproveitar
melhor nossos dias em expofeiras agropecuárias. Talvez os paulistas estejam à
frente neste item, pois investem mais
Fernando Velloso durante o Congresso e em visita a um estabelecimento canadense
ARTIGO
Setembro/Outubro de 2009
49
Um jovem, inovador e fortalecido núcleo de criadores de Angus
Ao encerrar seu segundo mandato como Presidente do Núcleo Centro Litorâneo de Angus – RS
(NCLA-RS), a criadora Carla Sandra Staiger Schneider explica neste artigo que o NCLA-RS foi
formado após a divisão do território do antigo Núcleo Centro-Sul de Criadores de Angus – do
qual foi uma das fundadoras nos anos 1970 e cujo escritório ficava na sede da Secretaria Estadual
da Agricultura (no antigo Parque de Exposições Menino Deus em Porto Alegre). Segundo ela, o
NCLA-RS pode ser considerado jovem, mas é atualmente o segundo maior núcleo de criadores da
raça completa no Rio Grande do Sul
representados, respectivamente,
por John Coultrip (o consultor do
Nos meus 4 anos de trabalho,
plantel Angus do Príncipe Charles
tentei fortalecer uma região comerna Grã-Bretanha), John Young
cialmente muito interessante para
(Presidente da Associação de Angus
o Angus no Estado: a região centroda Austrália), Christopher Purdon
litorânea e os arredores da capital
(Presidente da Associação de Angus
estadual. Aliás, prova da importância
da África do Sul em várias oportudessa região é a expressiva quantidade
nidades) e Gary Latimer (integrante
de leilões de diversos gêneros que nela
da Associação Canadense de Angus
ocorrem, sendo parte deles promoe a recomendação Nº 1 desta para
vidos por cabanhas que se deslocam
julgamentos). Portanto, o Outono
mais de 500 km para vender nela.
Angus Show realizou algo jamais
Somado a isso, a maioria dos novos
feito em nenhuma outra exposição
criadores da raça tem as suas propriede Angus do nosso país, nem mesmo
dades exatamente nessa região. É verna Expointer e por nenhum outro
dade, no entanto, que certas pessoas
núcleo de criadores! O que fizemos
geraram-me tristes decepções. Com
foi provar que o universo da raça
pensamentos maldosos e atitudes
Angus não se limita ao sul do nosso
despidas de moral, esses sujeitos felizcontinente, mas é verdadeiramente
mente estavam em número reduzido
mundial e buscamos especialistas
e não representavam aquilo que pensa
de 4 continentes para provar isso,
o grande grupo.
estando, entre eles, juízes do segundo
Em meus dois mandatos, estabee do terceiro maiores produtores de
lecemos dois eventos durante cada
bovinos Angus do mundo: a Austrália
ano, o Outono Angus Show (no
e o Canadá, respectivamente.
primeiro semestre) e o Primavera
Trouxemos, portanto, técnicos
Angus Show (no segundo semestre).
que desconheciam tanto as cabanhas
Com focos diferenciados, eles têm
e os animais quanto os seus respecticrescido ano a ano. Isso é
vos puxadores, tomando
gratificante para alguém
o cuidado de não trazer
cujas orientações sempre
ninguém dos Estados
"Os eventos dos núcleos de Angus têm,
foram as de congregar criaUnidos e da Argentina
entre outras tarefas, a de gerar chances
dores, divulgar as qualidades
exatamente para evitar
do gado Angus, fomentar a para que novos criadores divulguem os seus eventuais opiniões precriação dessa raça, promover
cipitadas e resistências de
produtos e as suas propriedades"
eventos para o Angus e esquaisquer criadores. Essa
timular a representação dos
estratégia teve o propóassociados da Associação
sito de termos pessoas
Brasileira de Angus (ABA).
quatro últimos Outono Angus Show. totalmente isentas e sem quaisquer
Penso que os eventos dos núcleos Enquanto o Müller não poupou interesses de ordem comercial com
de Angus têm, entre outras tarefas, doações de doses de sêmen dos seus clientes aqui. Além do mais, eu gosa de gerar chances para que novos principais touros Aberdeen e Red taria de fazer uso de algumas palavras
criadores divulguem os seus pro- Angus, o Maronna percorreu cen- do meu amigo Angelo Tellechea, da
dutos e as suas propriedades. Creio tenas de quilômetros com os juízes Cabanha Umbu, de Uruguaiana/RS.
que isso seja uma espécie de serviço que trouxemos do exterior para que Ao agradecer a ele por telefone pela
pós-venda que os núcleos devem estes conhecessem plantéis de An- inscrição dos animais da sua cabanha
realizar a aqueles que são os clientes gus e formulassem uma visão mais no Outono Angus Show 2009, ele
das cabanhas tradicionais e merecem completa de como são os animais me disse: “– Gostei da idéia de traoportunidades também.
da raça no Brasil e como são criados zerem um juiz do Canadá, temos que
O Outono Angus Show foi uma aqui também – sejam eles PO, PC ou ampliar os horizontes”. Foi muito
idéia audaciosa que foi muito incen- Terneiros Angus Certificados.
bom ter ouvido isso! – Pois, Angelo,
tivada por mim desde o princípio,
Aliás, considero importante acho que realmente “ampliamos os
mas não teria sido possível sem o enfatizar que nas últimas 4 edições horizontes”! Fico feliz que tu tenhas
espírito maravilhoso, a vontade e a do Outono Angus Show tivemos percebido esse espírito. Também o
garra da nossa amiga Leila Schettert, juízes de 4 diferentes continentes: meu amigo de longa data Antonio
a primeira Presidente do NCLA-RS Europa, Oceania, África e América Martins Bastos Filho, da Cabalogo depois de sua fundação. Rey- do Norte. Esses continentes foram nha São Bibiano, cruzou o Estado
Por Carla Sandra Staiger Schneider
naldo Salvador, o então Presidente
da ABA, também foi fundamental.
É oportuno e necessário lembrar
que nos tempos do antigo Núcleo
Centro-Sul de Criadores de Angus
– que foi em realidade o primeiro
núcleo de criadores da Associação
Brasileira de Angus (denominada
na época de Associação Brasileira
de Criadores de Aberdeen Angus) –
também tivemos uma exposição de
rústicos no Outono. Ela aconteceu
no parque de exposições Assis Brasil,
em Esteio/RS, em 1979 e desde então
eu sempre pensei: por que não tornar
aquela exposição anual? – Em 2006,
ela se tornou e passou inclusive a ter
animais de argola!
Nesse período, eu não posso deixar de agradecer ao criador Milton
Machado por patrocinar os troféus de
três edições do Outono Angus Show.
Além dele, dois amigos de longa data
e igualmente representantes de duas
importantes centrais de inseminação
artificial, o Luiz Alberto Müller (da
Ciale Brasil) o e Marcelo Maronna
(da CRI Genética Avançada), foram
fundamentais para a realização dos
para nos prestigiar. Amigo desde os
tempos das viagens à Escócia para
importar animais diretamente do
berço mundial da raça e juiz internacional, o Antoninho percebeu e
igualmente aprovou a estratégia do
NCLA-RS. E, somado a esses dois
criadores da minha antiga “turma” da
raça Aberdeen Angus, nunca tivemos
tantos expositores da nova “turma” da
raça quanto no Outono Angus Show
2009. Muito obrigado!
Cabe destacar igualmente que em
todos os países dos quais vieram os juízes o Outono Angus Show e o Angus
criado no Brasil tiveram divulgação.
Isso foi feito através das revistas e
dos jornais oficiais das respectivas
associações nacionais de Angus e
outros veículos de comunicação do
agronegócio britânico, australiano,
sul-africano e canadense. Assim, me
atrevo a dizer que o Angus do Brasil
nunca antes na história foi tão comentado em tantos países quanto no
período entre os anos 2006 e 2009. E
essa divulgação sem precedentes no
exterior, que também é geradora de
respeitabilidade internacional, é fruto
de um trabalho elaborado e executado pelo Núcleo Centro Litorâneo de
Angus – RS.
Também merece ser lembrado
que o Intercâmbio Brasil/Austrália
realizado entre a Associação de Angus
daquele país e a Associação Brasileira
de Angus em 2008, envolvendo um
jovem australiano e um jovem brasileiro para trocar conhecimentos,
teve o NCLA-RS como a sua pedra
fundamental. Isso é porque todas
as tratativas quanto ao intercâmbio
iniciaram quando John Young, o
Presidente da Associação de Angus da
Austrália, esteve no Brasil a convite
do NCLA-RS para julgar o Outono
Angus Show 2007 em Esteio/RS.
Essa é, portanto, mais outra demonstração dos importantes resultados
que foram alcançados através das
nossas ações, as quais tiveram um
foco regional com uma consciência
sempre global.
Espero que as idéias e as iniciativas
desempenhadas ao longo desses dois
mandatos gerem efeitos positivos e
frutos tanto no curto quanto no longo prazo e também tanto no mercado
de reprodutores PO e PC quanto no
mercado do Terneiro Angus Certificado e da carne Angus. Afinal, todos
esses produtos representam as etapas
de um ciclo de produção. Essas etapas não podem ser desencontradas,
isoladas ou ainda uma contra a outra,
mas devem trabalhar em conjunto e
complementar uma a uma – aliás,
penso que essa seja precisamente
uma das fórmulas para a pecuária se
manter rentável por um prolongado
período de tempo. Espero também
que os demais criadores de Angus,
inclusive aqueles de fora da região
geográfica abrangida pelo NCLARS, consigam ter a sensibilidade de
perceber o que tentamos fazer e o
que fizemos. Acredito que somente as
mentes abertas para novos aprendizados, sem pretensões e preconceitos, é
que são vencedoras.
Presidente do Núcleo Centro
Litorâneo de Angus – RS
Diretora da Cabanha Santa Bárbara
50
Setembro/Outubro de 2009
ARTIGO
Bases Genéticas do Melhoramento Animal
Princípios de Genética Básica - Final
Muitas das características de natureza qualitativa herdadas de forma
simples são importantes no melhoramento animal. Estas características
podem ter importância econômica direta, ou podem exercer um efeito
prejudicial que obscurece ou não permite a expressão de genes que
controlam as características quantitativas.
Por Leonardo Talavera Campos
No artigo da edição passada do [email protected],
de julho/agosto de 2009, apresentamos (a) alguns
conceitos básicos de genética; (b) leis de Mendel; e
(c) tipos de ação gênica, onde destacamos efeitos
de expressão fenotípica não-aditiva como as interações intra e inter-alélicas.
a presente edição finalizaremos a exposição do tema princípios de genética básica
abordando a ação gênica de aditividade,
de grande importância no melhoramento animal.
E, para concluir, vamos falar de (d) Valores Fenotípicos e Genotípicos e (e) Genética Mendeliana vs.
Quantitativa.
(II) Expressão Fenotípica Aditiva
Dominância e recessividade, sobredominância
e epistasia, todos são tipos de expressão fenotípica
não-aditiva dos genes. Um segundo tipo geral de
expressão fenotípica dos genes é conhecido como
efeito aditivo.
Neste tipo de ação gênica aditiva, o efeito de
cada gene que contribui com algo para o fenótipo de
um indivíduo, em uma determinada característica,
se soma ao efeito fenotípico de outro gene, que
também contribui com algo para o mesmo fenótipo.
Um aspecto importante da ação aditiva dos genes é
que nenhum é dominante ou recessivo. Cada gene
contribuinte agrega algo à característica e os efeitos
de cada gene se acumulam. Daí a designação de ação
gênica aditiva.
A ação aditiva dos genes afeta a maioria dos
caracteres de importância econômica nos animais,
embora tenha influência maior em alguns do que em
outros. A taxa de crescimento, a produção de leite, a
conformação, a qualidade da carne, e outros caracteres são afetados por este tipo de hereditariedade. Na
realidade, um número grande de pares de genes pode
afetar tais características, vindo daí o termo herança
poligênica.
(d) - Valores Fenotípicos e Genotípicos:
Com a finalidade de deduzir a conexão entre as
diferenças exibidas por uma característica métrica
com as freqüências gênicas e genotípicas expressas na
população, vamos introduzir o conceito de “valor”,
expresso em unidades métricas na qual a característica
é medida. O valor observado, quando a característica
é medida no indivíduo, é o valor fenotípico desse
indivíduo. Todas as observações de médias e variâncias
devem ser baseadas na medida do valor fenotípico.
A seguir devemos dividir o valor fenotípico nos
componentes atribuídos à influência do genótipo e
do ambiente. O genótipo é o conjunto particular de
genes possuídos pelo indivíduo e o ambiente é toda
circunstância não genética que influencia o valor
fenotípico. Pode-se imaginar o genótipo conferindo
certo valor ao indivíduo e o ambiente, causando um
desvio sobre este valor em uma ou outra direção, ou
simbolicamente pela expressão:
P=G+E
em que P é o valor fenotípico; G, o valor genotípico e E, o desvio atribuído ao ambiente.
N
A seguir designaremos valores arbitrários para os
genótipos na nossa discussão. Considerando um simples loco, com dois alelos, A1 e A2, pode-se chamar
de valor genotípico de um homozigoto, +a; e o valor
genotípico do outro homozigoto, -a; e o do heterozigoto d (por convenção, A1 é alelo que aumenta o
valor). A origem ou ponto de valor zero, na escala da
ilustração abaixo, é V, ponto médio entre os valores
dos dois homozigotos (Falconer, 1981).
para um dado caráter tal como chifres, cor, ou uma
anormalidade física. Estritamente falando, isto não
é correto, desde que o gene de que se fala é somente
um dos muitos necessários para o desenvolvimento
do caráter. Na verdade ele é um gene do par ou série
alélica em que a variação ocorreu e isto permitiu
identificar um efeito sobre o caráter.
(II) Genética Quantitativa ou Biometria
Mendel assentou os fundamentos da genética
através do estudo das diferenças
que dividiam as suas ervilhas em
Valores Genotípicos Designados Arbitrariamente
categorias claramente distintas.
Genótipos
A2A2
A1A2
A1A1
Neste caso, as categorias não se so------x--------------------------------v--------------------x--------------x----brepunham, não havendo dúvida
Valor
se alguma de suas plantas era alta
Genotípico
-a
0
d
+a
ou baixa, ou suas flores vermelhas
ou brancas.
Na tabela acima, o valor d do heterozigoto
Mendel foi capaz, de acordo com Mather &
depende do grau de dominância. Se não houver Jinkes (1983), de mostrar que cada classe fenotípica
dominância, d = 0. Se A1 for dominante sobre A2, correspondia a um, ou em todo caso, a poucos ged será positivo. E se A2 for dominante sobre A1, d nótipos, e que, quando havia mais de um genótipo
será negativo. Se a dominância for completa, d será na classe fenotípica, eles podiam ser separados por
igual a +a ou –a; e se houver sobredominância, d será testes apropriados. Assim, foi capaz de inferir os genes,
maior que +a ou menor que –a. O grau de dominância ou fatores, como ele os denominava, de cujos compoderá ser expresso pela equação d/a.
portamentos dependem a transmissão hereditária.
(e) - Genética Mendeliana vs. Quantitativa Entretanto, os animais e plantas podem diferenciar-se
(Biometria)
de forma claramente distinta por outras razões além
(I) Genética Mendeliana (ou Quantitativa):
das causadas pelos genes de que são portadores; na
Muitas das características de natureza qualita- verdade, é por causa do ambiente em que passaram
tiva herdadas de forma simples são importantes no suas vidas.
melhoramento animal. Estas características podem
O primeiro grande princípio da genética é que o
ter importância econômica direta, ou podem exercer fenótipo é o resultante do genótipo e do ambiente no
um efeito prejudicial que obscurece ou não permite qual este indivíduo se desenvolve e passa sua vida. O
a expressão de genes que controlam as características fenótipo pode, pois ser alterado, tanto por mudanças
quantitativas.
no genótipo como por mudanças no ambiente. As
Uma característica qualitativa é definida como características quantitativas ou métricas, como a
aquela em que um animal pode ser caracterizado estatura dos bovinos, mostram gradações contínuas
precisamente em aspectos tais como cor, presença de expressão entre extremos amplos. Neste caso o
ou ausência de chifres, como possuidor (ou não) de número de classes nas quais os indivíduos podem ser
um defeito, como tendo (ou não) um determinado divididos, de acordo com a manifestação do caráter, é
antígeno sangüíneo, um tipo específico de proteína limitado unicamente pela exatidão das medidas que
no soro sangüíneo ou outro fluido corporal. Isto con- podemos fazer.
trasta com características quantitativas em que existem
A variação contínua está sempre presente e o
todas as graduações de variação mensurável.
próprio Darwin enfatizou a importância das pequeA expressão da grande maioria, mas não a totali- nas etapas cumulativas que ela possibilita para uma
dade, das características qualitativas pode ser relacio- mudança continuada, adaptativa e evolucionária.
nada a um ou poucos pares de genes. Várias centenas É também importante para criadores de plantas e
de caracteres qualitativos têm sido identificados como animais porque é um aspecto típico dos caracteres
tendo uma base genética nos animais domésticos. Para comercialmente importantes - fertilidade, ganho de
muitos, o modo de herança é bem estabelecido. Em peso, conformação, etc.
outros casos, sabe-se que existe uma base hereditária,
Geralmente não há distinção entre variação conmas o modo exato de herança não é conhecido com tínua e descontínua na manifestação dos caracteres,
certeza. (Warwick & Legates, 1979).
e realmente muito comumente observa-se as duas
Os processos de desenvolvimento não são variações uma ao lado da outra na mesma família
compreendidos completamente, mas, é claro, todos ou população.
os caracteres visíveis externamente são afetados por
Conforme observado por Galton, ambos os pais
muitos genes, provavelmente agindo numa forma contribuem de maneira igual para a hereditariedaseqüencial. A falha de qualquer gene na cadeia de exer- de de sua progênie, sendo o elemento hereditário
cer seu efeito, possivelmente por falhar em produzir transmitido equilinearmente a partir dos genitores,
uma enzima necessária, pode ter efeitos pronunciados em variação contínua, assim como acontece com os
sobre o desenvolvimento de um organismo.
genes tipicamente mendelianos. Esta equilinearidade
Fala-se, freqüentemente, de um gene ou genes da relação entre progenitores e progênie faz supor
fortemente que o elemento herdável da variação contínua reflita os efeitos de genes transmitidos da mesma
maneira que os genes mendelianos, isto é, através dos
cromossomos. Existe, portanto, segundo Mather &
Jinkes, uma associação clara dos cromossomos e seus
segmentos com a atividade poligênica.
As similaridades e contrastes observados entre
estruturas de genes maiores (qualitativos) e os genes
de variação contínua nas suas ações, relações e distribuições junto com os cromossomos, não podem,
entretanto, nos confundir dos diferentes papéis que
desempenham no controle e ajustamento do fenótipo, especialmente em relação à ação da seleção. As
drásticas diferenças produzidas pelas mudanças das
quais inferimos os genes maiores, geralmente podem
ser desastrosas para o ajustamento Darwiniano. Estes
genes são da maior importância para o funcionamento
do organismo.
O poligene, por outro lado, é um membro de um
sistema cujas partes são intercambiáveis, ao menos
até certo ponto, no desenvolvimento. Embora seus
efeitos individuais não sejam grandes, os membros de
um sistema podem agir conjuntamente para produzir
grandes diferenças. Podem atuar igualmente uns contra os outros resultando fenótipos similares a partir de
genótipos diferentes. Nenhum alelo de um poligene
representa uma vantagem incondicional na seleção
sobre o outro; sua vantagem ou desvantagem depende dos alelos presentes em outros loci do sistema, e
grande diversidade e mudança genética pode ocorrer
Tabela 1
Comparação entre a Genética Mendeliana e a Biometria
Aspectos
Caracteres
Genética
Mendeliana
Qualitativos
Genética
Biométrica
Quantitativos
Pares de Genes
Um ou poucos
Muitos
Efeitos s/Fenótipo Efeito individual
pronunciado
Pequenos, cumulativos
iguais
Influência do
Ambiente
Muita
Pouca
Tipo de variação Discreta, c/Categorias
definidas
Análise Estatística Probabilidade, X2
Contínua, sem classes
definidas
Modelos Lineares
a despeito da fachada de uniformidade fenotípica.
A tabela apresentada a seguir resume os principais
aspectos que distinguem os caracteres qualitativos e
quantitativos (Cardellino & Rovira, 1987).
Mahadevan (1970) cita como distinções entre a
genética quantitativa ou de populações e sua precursora, a genética Mendeliana, os seguintes pontos:
(1o) A genética Mendeliana reconhece uma
identidade entre genótipo e fenótipo. A genética de
populações faz distinção entre as duas - similaridade
de genótipo não significa, necessariamente, similaridade fenotípica.
(2o) “Pedigrees” idênticos não implicam em uma
dotação hereditária idêntica.
(3o) Os métodos da genética de populações
auxiliam a melhorar o nível médio de uma população, em vez de simplesmente produzir indivíduos
superiores.
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Setembro/Outubro de 2009
OPINIÃO
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Efeito Gripe A: é bom aprender com ele
Em todas as cadeias produtivas, campanhas consistentes
de esclarecimento e de defesa de imagem devem ser
implementadas rapidamente em casos que
envolvam saúde pública: o pânico é inimigo das vendas
Por Fabiano R. Tito Rosa
Em meados de julho eu participei de
um evento promovido pela FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná),
em Curitiba, com uma apresentação sobre
tendências para os mercados de proteínas
de origem animal.
ostrei que, entre o estouro da
crise mundial (mais ou menos
em setembro de 2008) e maio
de 2009, os preços da carne de frango no
atacado doméstico haviam recuado cerca
de 9%. Para a carne bovina, a queda havia
sido de 10%.
Já no caso da carne suína, a retração
havia alcançado 35%, ou seja, mais do que
o triplo da variação observada para as prote-
M
ínas concorrentes ao longo do mesmo período. Isso levava a crer que as vendas de carne
suína estavam sofrendo pressão adicional,
ou seja, não estariam sendo negativamente
impactadas “apenas” pelos efeitos nefastos
da crise internacional.
Estaria a Gripe A, inicialmente e equivocadamente tratada de Gripe Suína (e parte da
mídia ainda insiste no nome), afastando os
consumidores? Era bem possível que sim.
Algumas associações de produtores acreditam que a Gripe A tenha levado a uma
queda de 20% no consumo de carne suína no
Brasil. Essa tese é polêmica. Alguns aceitam,
outros não. Faltam dados para sustentá-la,
ou seja, falta pesquisa.
Na China, porém, a US Meat Federation
realizou em agosto último uma pesquisa com
1,2 mil consumidores (200 em cada uma
das 6 principais cidades chinesas). E nada
mais, nada menos que 64% deles disseram
ter parado de comer carne suína por conta
da nova gripe. Essa informação foi divulgada recentemente pelo Meat and Livestock
Australia (MLA).
O Brasil não é a China. Também não
exportamos carne suína pra lá, se bem que
exportamos para Hong Kong, o que na
prática dá na mesma.
Mas a pesquisa realizada com consumidores chineses aponta que, apesar do ceticismo de alguns, a doença pode realmente
estar afetando significativamente o consumo
de carne suína em nível global.
Esse é um bom case para as demais
cadeias produtivas, incluindo aí a carne
bovina. Campanhas consistentes de esclarecimento e de defesa de imagem devem
ser implementadas rapidamente em casos
que envolvam saúde pública. O pânico é
inimigo das vendas.
As perguntas que nós, agentes da cadeia
produtiva da carne bovina, temos que fazer
são as seguintes: Estamos preparados para
defender o consumo de nosso produto caso
ocorra algo semelhante? Qual é o plano? Que
lições tiramos desse episódio?
Zootecnista- Scot Consultoria
[email protected]
Concentração de
frigoríficos
Por Lygia Pimentel
e Hyberville Neto
A Marfrig Alimentos S/A firmou um
protocolo de intenções com os frigoríficos
Margen S/A e Mercosul S/A para o arrendamento de 11 plantas de abate de bovinos e
uma indústria de charquearia. A intermediação foi feita pela Rosenberg Partners.
A charquearia tem capacidade de produção de 1.700 toneladas de produtos industrializados/mês. Já as plantas de abate adicionam uma capacidade estática de 8,8 mil
bovinos/dia à empresa. O Marfrig, portanto,
alcança uma capacidade de abate de 22.350
bovinos/dia no Brasil e de 30.150 bovinos/
dia no total da Marfrig Alimentos S/A.
A Marfrig S/A no Brasil eleva sua participação na capacidade estática de abate
brasileira (estimada em 60 milhões de cabeças/ano) para quase 11%. Vale lembrar que
a fusão entre JBS-Friboi e Bertin já havia
criado uma nova empresa com capacidade
estática de abate equivalente a 19% do total
nacional.
Dessa forma, duas empresas passam a
responder por 30% da capacidade estática
de abate do Brasil e por quase 70% das exportações nacionais de carne bovina.
Zootecnista- Scot Consultoria
[email protected]
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