CRISTÓVÃO SÁVIO ELIAS ARAUJO DE MEDEIROS

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CRISTÓVÃO SÁVIO ELIAS ARAUJO DE MEDEIROS
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UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS
FACULDADE DE ODONTOLOGIA
AVALIAÇÃO DA TÉCNICA DE CLAREAMENTO
PROFISSIONAL COM E SEM FOTOATIVAÇÃO
CRISTÓVÃO SÁVIO ELIAS ARAUJO DE MEDEIROS
Monografia apresentada à disciplina de
TCC II da Faculdade de Odontologia da
Universidade Federal do Amazonas,
como requisito parcial para a obtenção
do título de Cirurgião-Dentista.
Orientador Prof. Dr. Leandro de Moura Martins
Manaus
2011
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CRISTÓVÃO SÁVIO ELIAS ARAUJO DE MEDEIROS
AVALIAÇÃO DA TÉCNICA DE CLAREAMENTO
PROFISSIONAL COM E SEM FOTOATIVAÇÃO
Monografia apresentada à disciplina de
TCC II da Faculdade de Odontologia da
Universidade Federal do Amazonas,
como requisito parcial para a obtenção
do título de Cirurgião-Dentista.
Aprovado em 10/11/2011
BANCA EXAMINADORA
Prof. Dr. Leandro de Moura Martins - orientador
Universidade Federal do Amazonas
Prof.ª Patrícia Lopes Pinto - membro
Universidade Federal do Amazonas
Prof.ª Luciana Mendonça da Silva - membro
Universidade Federal do Amazonas
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Chegou o grande dia...
Sei que passei momentos de tensão, dificuldades e problemas que pareciam nunca
passar, mas estive firme em meu propósito, perseverante e principalmente com
muita fé em Deus que este dia ia chegar. Valeu a pena todo o sacrifício que passei
nessa jornada até aqui e agora prestes a ser diplomado Cirurgião Dentista meu
coração acelera e só penso em comemorar. Dedico a minha formação a Deus, aos
meus pais Rubem e Graça Medeiros, à minha querida avó Emília Ferreira, aos
meus irmãos Cíntia, Carlos e Carime Medeiros, aos colegas José Felipe e Thaysa
Nogueira, aos amigos Cilene Rodrigues e Marcelo Mendes e à minha chefa Cláudia
Barbosa pelo apoio e incentivo.
Amo vocês!
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Ao meu orientador pelo acompanhamento constante;
A banca examinadora pela disposição;
Aos professores Aida Hanan, André Cavalcante e Claúdia Simões;
Aos colegas Geisy, Tereza, Ricardo, Tamiris, Dayane, Hamanda, Manuelle
e Guilherme Cândido pelos momentos de alegria e companheirismo;
A minha dupla inesquecível Francisca Ferreira;
Aos servidores Ailsa, Francisca, Safira, Íris, Arlet, Léo, Sara, Joana e
Raimundinho pela paciência e dedicação.
Agradeço.
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Quase tudo é possível quando se tem
dedicação e habilidade. Grandes
trabalhos são realizados não pela
força, mas pela perseverança.
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RESUMO
O clareamento dental é um procedimento estético não invasivo que evoluiu
muito na última década. Muitos estudos afirmam que um agente clareador em
alta concentração ativado por uma fonte auxiliar de luz oferece melhores
resultados, outros autores demonstram que o uso da luz não promove
diferenças significativas. Este trabalho compara a eficácia do uso da
fotoativação no processo de clareamento dental através de um experimento in
vitro. Materiais e métodos: vinte dentes bovinos recém extraídos foram limpos,
cortados (remoção da raiz), imersos em café por 30 dias, numerados e
divididos em dois grupos de dez elementos. O primeiro grupo recebeu o
sistema de clareamento profissional Quick Smile na superfície dos dentes
(camada de 2mm) durante 15 minutos, sendo aplicado em cada elemento três
aplicações de LED (luz de diodo) de 40 segundos. Este procedimento foi
repetido por mais duas vezes. O mesmo foi feito com o segundo grupo, mas
sem ativação de luz. Resultados: Não houve diferenças estatísticas
significativas entre os grupos tratados com e sem aplicação de luz. Conclusão:
A luz de diodo com peróxido de hidrogênio a 35% não potencializam o
clareamento dental.
Palavras-chave: clareamento dental, peróxido de hidrogênio, diodo emissor de
luz.
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SUMMARY
Tooth bleaching is a non-invasive cosmetic procedure that has evolved over the
past decade. Many studies claim that a high concentration of bleaching agent
activated by an auxiliary source of light gives better results, other authors show
that the use of light does not promote significant differences. This paper
compares the efficacy of polymerization in the process of tooth whitening using
an in vitro experiment. Materials and methods: Twenty freshly extracted bovine
teeth were cleaned, cut (removal of the root), immersed in coffee for 30 days,
numbered and divided into two groups of ten elements. The first group received
the system of Quick Smile professional whitening of teeth on the surface layer
(2mm) for 15 minutes, each element being applied in three applications of LED
(light diode) 40 seconds. This procedure was repeated two more times. The
same was done with the second group, but without activation of light. Results:
There was no statistically significant differences between the groups treated
with and without application of light. Conclusion: The LED light with hydrogen
peroxide and 35% do not enhance the whitening.
Keywords: tooth whitening, hydrogen peroxide, light-emitting diode.
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SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
10
OBJETIVO
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REVISÃO DE LITERATURA
15
MATERIAIS E MÉTODOS
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RESULTADOS
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DISCUSSÃO
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CONCLUSÃO
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REFERÊNCIAS
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O sorriso é considerado por muitos, uma das habilidades de
comunicação interativa mais importante na sociedade e a cada período da
história o conceito de uma beleza esteticamente aceita mostra-se diferenciado.
Temos observado há alguns anos uma incessante busca dos indivíduos por
dentes mais harmoniosos e mais brancos. Seguindo esse conceito, a ciência
odontológica hoje não tem se preocupado tão somente com as doenças bucais,
notando-se uma tendência por investimentos em pesquisa na área da
cosmética, com intuito de satisfazer as necessidades estéticas, importante
aspecto na auto-estima de nossos pacientes. (MIYASHITA, 2006).
O clareamento dental vem sendo realizado há muito tempo na
odontologia. Existem relatos de Harlan, já em 1884, descrevendo o uso de
agente oxidante instável com a finalidade de clarear dentes escurecidos. O
clareamento dental popularizou-se a partir de 1989 com a técnica da moldeira
individual para clareamento vital proposta por Haywood e Heymann. Entretanto
a técnica da moldeira não é capaz de resolver todos os casos de
escurecimento, sendo necessário o uso de outras técnicas, como o
clareamento vital em consultório, ou técnicas de clareamento não vital, que
podem ser aplicadas em conjunto. (CONCEIÇÃO, 2005).
De maneira geral, todo tratamento clareador envolve procedimentos
químicos com substâncias oxidantes que retiram elétrons do substrato onde
entram em contato. Dentre todas as substâncias já pesquisadas, os peróxidos
são considerados os oxidantes mais efetivos e com menor potencial de efeitos
colaterais indesejáveis. (RIEHL e NUNES 2007).
Os resultados do clareamento dental profissional ativado por luz ainda é
um mito. A partir de relatos de casos e experimentos, muitos pacientes e
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alguns dentistas acreditam que um agente clareador ativado por uma fonte
auxiliar de luz oferece melhor resultado (BROWNING 2011). Entretanto,
evidências clínicas e laboratorias demonstram que não há diferenças
significativas entre as técnicas de uso ou não da luz no processo de
clareamento (CALATAYUD et al. 2010).
Muito se tem discutido sobre o uso de fontes de energia luminosa com o
intuito de facilitar, acelerar e aumentar a eficiência do peróxido de hidrogênio
durante os procedimentos de clareamento. A proposta desse trabalho é avaliar
eficácia do uso de fonte de luz no processo de clareamento dental profissional.
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Altas concentrações de soluções de peróxido de hidrogênio (30-35%)
podem ser usadas no clareamento dental profissional. Para melhorar ou
acelerar o processo de clareamento, a ativação do agente clareador por luz,
calor ou laser é descrito na literatura. O objetivo deste trabalho foi testar in vitro
a eficácia do clareamento dental profissional com e sem fotoativação, por meio
da seguinte hipótese de nulidade:
1. A eficácia do clareamento dental profissional com fotoativação é maior
que a eficácia do clareamento sem luz.
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Zanin et al. (2003) apresentaram um novo protocolo de clareamento
dental com “Led e Laser” desenvolvido pelo Instituto Brugnera & Zanin.
Sequência da técnica de clareamento: profilaxia com pedra pomes e água,
fotografia inicial e tomada de cor inicial, termo de esclarecimento e exame
clínico, medição da calcificação dental com DIAGNOdent, proteção de áreas de
possível sensibilidade com resina de proteção gengival e isolamento absoluto,
aplicação de gel clareador com corante específico com camada de até 2mm,
aplicação da luz ativadora por trinta segundos em cada dente em seguida
esperar cinco minutos para que o gel ativado possa agir, remoção do gel com
rolete de algodão embebido em água oxigenada 10v, repetir a seqüência de 4
a 6 aplicações (lavar abundantemente após a última aplicação), fazer aplicação
de flúor neutro para a hidratação, remoção do isolamento absoluto, nova
aplicação de flúor neutro em moldeiras, medição da calcificação dental final
com DIAGNOdent, tomada da cor final, fotografia final. Acredita-se que Lasers
e Leds potencializam a ação do gel clareador e que estes mecanismos geram
bons efeitos fotoquímicos e mínimos efeitos fototérmicos tendo como alvo
moléculas escurecidas, sem danos ao tecido pulpar, pois aquecem o produto e
não a estrutura dental. Os Leds vêm como uma alternativa viável para o
clareamento dental em uma sessão, pois além do conforto do paciente, é uma
tecnologia de custo bem mais acessível que os Lasers estando numa faixa de
emissão muito próxima a eles o que determina um grande aproveitamento
devido sua pureza espectral. Os Leds são, portanto uma opção muito mais
eficiente na ativação do processo do clareamento.
Conceição (2005) comparou duas técnicas de clareamento profissional,
com e sem emprego de luz. Foi realizado clareamento vital em consultório com
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agente clareador a base de peróxido de hidrogênio a 35% (Whiteness HP
MAXX-FGM). Nos dentes do lado direito da arcada superior, foi utilizada
ativação com luz do aparelho fotopolimerizador (XL 2500-3M), durante três
ciclos de 30 segundos em cada dente. Nos dentes do lado esquerdo foi
utilizado o mesmo agente clareador, porém foi deixado em contato com os
mesmos durante 15 minutos sem ação de luz. Após três sessões com três
aplicações do agente clareador em ambos os lados da arcada, com ação de
energia luminosa (lado direito) e sem ação (lado esquerdo), observou-se que
não houve diferença no resultado final do tratamento de clareamento
comparando as duas técnicas.
Kugel et al. (2006) avaliaram a eficácia da mudança de cor dental de
dois sistemas de clareamento, o BriteSmilea e Opalescence Xtra Boostb. Dez
pacientes, sem contra-indicações ao clareamento, dentes com coloração
uniforme acima da tonalidade A3, foram selecionados. Após profilaxia prévia
deu-se início ao experimento, as hemiarcadas foram isoladas entre sí por uma
barreira de polivinilsiloxane (PVS), cada hemiarco recebeu 60 minutos de
clareamento (3 aplicações de 20 min). Nos dentes 11, 12, 13, e 14 foi utilizado
o sistema BriteSmile (15% H2O2) com fotoativação e nos dentes 21, 22, 23 e
24, foi usado o sistema Opalescence Xtra Boost (38% H2O2) sem a utilização
de fotopolimerizador, os registros pré e pós-clareamento foram catalogados e
os participantes foram reavaliados duas semanas após o tratamento. Um
software de análise fotográfica foi utilizado para gerar pontuações de cores CIE
L*(escuro-claro), a*(vermelho-verde) e b*(amarelo-azul). Todas as análises
foram realizadas por um avaliador cego e o guia de cores padrão VITA foi
utilizado para avaliação subjetiva da tonalidade dental durante todo o
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experimento. Logo após o experimento o sistema BriteSmile apresentou um
clareamento de 5,9 ± 2,5 enquanto que o Opalescence Xtra resultou em 3,97 ±
2,33. Após duas semanas o efeito do BriteSmile foi reduzido a 4,6 ± 2,14,
enquanto o Opalescence Xtra Boost aumentou para 4,67 ± 2,3. O sistema
CIELAB revelou que tanto o sistema BriteSmile como o sistema Opalescence
Xtra Boost clarearam os dentes a um nível significativo. Para L*, os resultados
foram de 3,6 (BriteSmile) e 3,8 (Xtra Boost), para b*, -6,0 (BriteSmile) e -5,0
(Xtra Boost), em a* não houve diferença significativa. O sistema BriteSmile teve
um maior efeito clareador quando avaliado logo após o clareamento, mas
demonstrou uma aumento significativo do escore de b*(P<.001) após duas
semanas. Isso pode ser atribuído à desidratação do dente pela aplicação da luz
(calor), ou pode ser uma resposta normal de recuperação. Opalescence Xtra
Boost não exibiu qualquer efeito rebote. O uso da luz não demonstra qualquer
benefício no processo de clareamento dental.
Buchalla e Attin (2007) sintetizaram e discutiram diversos trabalhos
científicos sobre a eficácia, resultados e efeitos colaterais dos procedimentos
de clareamento dental ativado por luz. Se a luz é projetada sobre um produto
para clareamento, uma pequena fração é absorvida e sua energia é convertida
em calor. Este é o principal mecanismo de ação de todos os processos de
clareamento activado por luz. Fontes de luz como quartzo-tungstênio,
lâmpadas de arco de plasma, emissores de diodos de luz e fontes de laser têm
sido propostas para a ativação do processo de clareamento dental. A eficácia
dos géis clareadores pela luz ativados ainda não está bem documentada,
embora publicações recentes indiquem que o benefício do uso adicional de luz
é limitado. Vários estudos demonstraram que a aplicação de luz/calor não
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aumenta a taxa de decomposição do H2O2 e outro confirmou que o peróxido
liberado pelos agentes clareadores aplicados nas superfícies dos dentes é
capaz de se difundir para a câmara pulpar, entretanto esse não
afeta
adversamente as enzimas pulpares. Ainda não há nenhuma evidência clara, se
a aplicação de calor aumenta a frequência e a severidade da hipersensibilidade
dentária pós-operatória. É interessante observar que os estudos disponíveis
atualmente não permitem concluir se o grau de clareamento dental pode ser
maior ou acelerado pela aplicação adicional de calor. A literatura revela que a
ativação dos agentes clareadores por calor, luz ou laser pode ter um efeito
adverso sobre o tecido pulpar se o aumento da temperatura intra-pulpar
exceder o valor crítico de 5,5◦C. Os estudos disponíveis não permitem um
julgamento final se o clareamento dental pode ser aumentado ou acelerado
pela ativação adicional de luz. Portanto, a aplicação dos procedimentos de
clareamento
ativado deve
ser criticamente avaliado considerando
as
implicações físicas, fisiológicas e fisiopatológicas.
Perdigão (2007) analisou efeito, técnica, eficácia e segurança de várias
técnicas de
clareamento dental. O clareamento caseiro (peróxido de
carbamida 10-22% ou peróxido de hidrogênio 4-8%) é realizado por meio de
uma moldeira individual por longo período de tempo.Vantagens: eficácia e
estabilidade de cor. Desvantagens: adesão do paciente e tempo de tratamento.
O clareamento em consultório (peróxido de hidrogênio 25-50%) é empregado
geralmente com alguma fonte de energia e pode alcançar resultados visíveis,
entretanto, um clareamento significativo constatado imediatamente após a
sessão é ocasionado pela desidratação do dente. Investigações clínicas tem
demonstrado que estas fontes de energia externas utilizadas não influenciam
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no grau de clareamento. Para que ocorra a fotólise, a energia deve ser
fornecida por luz de alta freqüência de comprimento de onda (cerca de 248
nm). A única luz para o cumprimento dessa exigência é a ultravioleta, cuja
utilização é inviável. Estudos demonstraram que o gel clareador (H2O2 35%)
irradiado por luz causam danos diretos aos odontoblastos gerando diminuição
de sua atividade metabólica. A técnica de clareamento em consultório
complementado pela técnica caseira consiste em uma única sessão de
clareamento
profissional
adicionada
pelo
tratamento
em
casa.
Esta
combinação tem sido usada supondo aumento do efeito clareador e melhora na
estabilidade de cor. Um estudo clínico recente comprovou que essa técnica
não melhora o resultado final de clareamento. O clareamento “sala de espera”
(peróxido de carbamida 35-40%) consiste na aplicação do referido material, por
meio de uma moldeira individual, por 30-60min antes do atendimento clínico. A
técnica “over-the-counter” (OTC), incluindo placas e fitas adesivas aplicado
pelo próprio paciente funcionam apenas para dentes com pequeno grau de
escurecimento. Escurecimento dental causado por tetraciclina pode ser tratado
pela técnica caseira (peróxido de carbamida 10%). O tratamento deve ser
realizado em até seis meses e oferece bons resultados. Um estudo clínico
demonstrou que nitrato de potássio e fluoreto de sódio adicionados a alguns
sistemas de clareamento reduzem a sensibilidade dental. A maioria das
técnicas de clareamento são consideradas eficazes e seguras quando
realizadas sob a supervisão de um dentista.
Riehl e Nunes (2007) esclarecem o papel das fontes de energia
luminosa, indicadas e empregadas em diversas técnicas de clareamento
dental. Vários experimentos foram realizados para mensuração da efetividade
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do clareamento com e sem luz. Primeiramente arcadas adultas foram divididas
onde metade foi ativada por Led + laser infravermelho e a outra metade
somente ativada com led, ambas as fontes emissoras de luz azul com a
mesma intensidade de potência. Como resultado não houve diferença entre as
hemiarcadas no que se refere à maior ou menor qualidade de clareamento.
Outro experimento foi realizado com arcada total clareada com Opalescence Xtra Bboost, cuja técnica recomenda ausência de luz em três aplicações
alternadas de 15min em sessão única, como resultado dentes com
clareamento significativo. Um terceiro experimento foi realizado com peróxido
de hidrogênio a 35% (Whiteness HP-FGM) cuja técnica coloca a luz como
opcional, onde em um hemiarco foi aplicado fonte de luz hibrida e na outra
metade sem fonte de luz alguma. Observou-se que não houve diferença entre
os hemiarcos tratados com o mesmo gel clareador com e sem fonte hibrida de
luz. Um último experimento foi realizado com peróxido de hidrogênio a 35%
(Lase Peroxide Sensy-DMC), cuja técnica recomendada pelo fabricante prevê a
ativação com fonte híbrida de luz. Arcada direita foi clareada sem uso de fonte
de luz e a arcada esquerda com o uso, entretanto, ao final imediato e
tardiamente da terapia clareadora não houve diferença entre os hemiarcos
tratados com o mesmo gel clareador, com e sem fontes híbridas de luz. Ainda
não há evidência científica do benefício das luzes em termos de melhoria no
resultado final em longo prazo do processo clareador.
Campos et al. (2008) investigaram os estudos já realizados nas diversas
especialidades odontológicas onde, diante da real e atual dificuldade na
obtenção de dentes humanos para pesquisa, estes foram substituídos por
dentes bovinos. Concluíram que os incisivos mandibulares permanentes de
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bovinos são excelentes substitutos para os dentes humanos nas pesquisas
odontológicas em suas várias especialidades; o fato de uma mandíbula bovina
apresentar oito incisivos de dimensões maiores que os humanos favorece as
pesquisas com testes em um único elemento, além dos animais serem
sacrificados numa mesma faixa etária; a dentina bovina, para alguns tipos de
estudo, pode não ser uma boa substituta da dentina humana; essa alternativa
de material de pesquisa, mostra um campo aberto para novos estudos e testes
comparativos que satisfaçam as necessidades específicas das diversas áreas
da odontologia.
Carrasco et al. (2008) realizou um estudo in vitro sobre o aumento da
temperatura da câmara pulpar durante clareamento dental activado por luz.
Neste modelo de estudo, coroas de dentes humanos foram submetidos a
peróxido de hidrogênio a 35% (Whiteness HP, FGM) ativado por diferentes
fontes de luz. O aumento da temperatura da câmara pulpar foi medido por um
sensor obtendo a média de cada amostra e cada grupo. Para tal fim, 78
incisivos inferiores humanos extraídos com morfologia da câmara pulpar
semelhante, foram selecionados após avaliação estereoscópica e exame
radiográfico. Metade das amostras (n = 39) foi atribuído ao uso do gel de
peróxido de hidrogênio 35% e os outros (n = 39) não receberam o agente de
clareamento. Três grupos (n = 13) foram formados para cada condição de
acordo com três fontes de luz utilizadas no estudo. Durante a aplicação, fontes
de luz foram posicionados perpendicularmente à superfície vestibular a uma
distância de 5 mm por 30s. O sistema Led-laser empregado tem uma
associação de dois tipos de luz - um Led (470 nm, 8 Leds, 4000 milicandelas) e
um laser de diodo (790 nm, 40 mW), que são emitidos simultaneamente. Três
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aplicações de cada fonte de luz foram realizados em cada amostra, em
temperatura ambiente (25 ºC) com ou sem a presença do gel clareador na
superfície do dente, esperando tempo suficiente entre as aplicações para que
os espécimes voltassem à temperatura ambiente. O gel de peróxido de
hidrogênio 35% foi preparado de acordo com as instruções do fabricante e
aplicado na superfície vestibular da amostra numa camada de 1mm. A média
da diferença entre a linha de base e a temperatura mais alta foi calculado para
cada amostra e cada grupo. Os dados foram submetidos à análise estatística
pelo teste Kruskal-Wallis para comparações entre os grupos em nível de
significância de 1%. De acordo com os resultados obtidos neste estudo e
dentro das limitações de uma investigação in vitro, pode-se concluir que houve
aumento de temperatura da câmara pulpar durante o clareamento dental
ativado por luz, com ou sem uso do agente clareador. Para todas as fontes de
luz avaliadas, a temperatura máxima registrada nas câmaras pulpares não
foram consideradas críticas para o tecido pulpar.
Kabbach (2008) avaliou variação de temperatura superficial e intrapulpar
de dentes humanos quando submetidos ao clareamento dental com dois géis
de peróxido de hidrogênio a 35% ativado por Laser e Led de alta intensidade,
determinou o tempo para se atingir as temperaturas limites da polpa e do
periodonto, bem como a influencia das fontes de luz na microdureza superficial
do esmalte dental. Quarenta dentes incisivos permanentes de humanos foram
selecionados, escurecidos e divididos aleatoriamente em 4 grupos (n = 10).
Grupo 1: dentes clareados com Peróxido de Hidrogênio a 35% de cor verde
(Whiteness HP-FGM) ativado por Laser; Grupo 2: PH35% de cor vermelha (HP
Maxx-FGM) ativado por Laser; Grupo 3: PH35% verde (Whiteness HP-FGM)
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ativado por Led; Grupo 4: PH35% vermelho (HP Maxx-FGM) ativado por Led.
O espectro de absorção dos géis clareadores foi determinada com o uso de um
espectrômetro. As mudanças de temperatura foram monitorados com um
câmera termográfica infravermelha. O gel foi aplicado sobre a superfície da
coroa vestibular de cada amostra, em uma camada de aproximadamente 1mm.
O tempo de exposição à luz foi de 40 seg para Luz Halógena e 3 min para o
Led. O uso de géis com diferentes cores não alterou significantemente o
aumento médio de temperatura para a polpa e superfície dental, o laser de
diodo foi a que apresentou maior aquecimento dos tecidos quando comparada
com a outra fonte estudada, o Led pode ser indicado para o clareamento dental
quando se considera o aquecimento dos tecidos, o uso dos comprimentos de
onda empregados em associação com o gel clareador utilizado nesse estudo
reduziu a dureza superficial do esmalte.
Matos et al. (2008) avaliaram os trabalhos publicados que apresentam
dentes bovinos como possíveis substitutos aos dentes humanos nos testes in
vitro. Verificaram que o número e o diâmetro dos túbulos dentinários em
incisivos centrais bovinos e em molares decíduos e terceiros molares
permanentes humanos eram estatisticamente semelhantes. Esses resultados
sugeriram que, quando preparos padronizados são realizados, a dentina
coronária de incisivos bovinos seria um substituto adequado para a dentina
humana em diversos estudos. Em relação à microinfiltração, avaliaram o
comportamento de três sistemas adesivos em substratos humano e bovino e
verificaram que não houve diferença estatística entre ambos e, portanto,
concluíram que os dentes bovinos poderiam ser indicados para estudos
laboratoriais de microinfiltração. Observaram que valores de resistência de
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união ao esmalte e a dentina superficial do dente bovino foram semelhantes
aos valores obtidos com os dentes humanos. Observaram que após o
condicionamento ácido, as superfícies dentinárias dos dentes humanos e
bovinos apresentavam semelhanças em relação à densidade, diâmetro e
orientação dos túbulos dentinários, sugerindo que o uso dos dentes bovinos,
como substituto para os dentes humanos, em estudos laboratoriais, deveria ser
considerado. A resistência de união dos dentes bovinos também foi comparada
com os incisivos, caninos, pré-molares e molares humanos na região da junção
amelodentinária, sendo a média da resistência de união de todos os dentes
humanos semelhantes a dos dentes bovinos. Revelaram, através de análises
microscópicas, uma morfologia dentinária semelhante, sugerindo que os dentes
bovinos podem ser considerados como possíveis substitutos para os dentes
humanos nos testes de adesão em esmalte e dentina. O esmalte bovino pode
ser um substituto adequado para o esmalte humano em alguns trabalhos de
testes de resistência de união, porém a utilização da dentina dos dentes
bovinos, para os testes de adesão e microinfiltração em substituição à dentina
dos dentes humanos decíduos e permanentes, deve ser vista com cautela,
pois, quando utilizada em incidências e profundidades aleatórias, pode alterar
os resultados nos testes in vitro.
Florez et al. (2009) avaliaram diferentes aspectos da catálise por luz do
clareamento dental de consultório. O experimento consistiu na investigação do
processo de quebra de um pigmento orgânico em solução aquosa, através da
quantificação do coeficiente de absorção de um feixe de luz visível, em função
do comprimento de onda utilizado e da evolução do processo de desagregação
molecular imposto pelo agente oxidante de escolha, durante um tempo pré-
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determinado. O pigmento utilizado foi uma solução de café altamente
concentrada que absorvia intensamente os comprimentos de onda na região
visível do espectro eletromagnético. Esta solução foi divida em 12 amostras
independentes de 0,8ml que foram acondicionadas em frascos plásticos pretos.
Na seqüência estas foram aleatoriamente divididas em quatro grupos distintos
(n=3) em função das condições e regimes de iluminação impostos para cada
situação: grupo 01 (luz Led 455nm H2O2+), grupo 02 (luz Led 936nm H2O2+),
grupo 03 (ausência de luz) e grupo 04 (luz Led 455nm H2O2-). Todas as
amostras foram posicionadas em cubetas plásticas transparentes de 1cm de
altura, onde foi adicionado 0,3ml de peróxido de hidrogênio a 35%,
imediatamente após o sistema de luz foi acionado nos grupos 01, 02 e 04, já
que no grupo 03 houve ausência de luz, todos com tempo de radiação de 20h.
Foi possível se observar nos resultados que a luz sem a presença do agente
oxidante não tem efeito na quebra de pigmentos em solução, ou seja, a
presença de um agente oxidante é fundamental para promover a quebra de
pigmentos. Durante todo o processo de irradiação, o uso da luz azul (455nm)
produz um aumento médio da temperatura da solução na ordem de 8ºC. Estes
resultados indicam claramente que a aceleração da reação química de
clareamento dental ocorre através de um efeito térmico produzido pela alta
absorção da luz visível pela solução pigmentada. Uma vez que a reação de
oxidação imposta pelo agente clareador é otimizada por meio do aumento de
temperatura é possível sugerir que a taxa de decomposição do peróxido é
aumentada, portanto pode-se dizer ainda que a luz melhora a taxa da reação
química através da conversão da energia luminosa em calor.
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Kugel et al (2009) avaliaram os benefícios e segurança de um sistema
de clareamento dental a partir do uso de fonte de luz (calor). Trinta e três
adultos saudáveis, sem contra-indicações ao clareamento, com coloração
dental acima do padrão A-2, foram divididos igualmente em três grupos, tendo
seus dentes anteriores (canino a canino) tratados três vezes durante 20
minutos cada. No primeiro grupo foi o utilizado o sistema de clareamento dental
profissional (Discus Dental ZOOM) 25% H2O2 ativado por fonte de calor, o
segundo grupo teve seus dentes tratados apenas com aplicação do referido gel
e o terceiro grupo recebera somente aplicação de luz. Todos os participantes
foram submetidos, após o tratamento, à uma aplicação de flúor neutro 1,1%,
durante 5 min. Dentifrícios e escovas de dente de mesma marca foram usados
pelos pacientes afim de padronizar a higiene oral no período pós-tratamento. A
eficácia do experimento (mudança de cor) foi objetivamente medida por
imagem digital CIELAB, L*(luminosidade) a*(vermelho-verde) b*(amarelo-azul)
sendo determinada através da diferença matemática simples, avaliada
imediatamente ao término do tratamento, sete e trinta dias após o experimento,
representada pela diminuição do amarelo, aumento da luminosidade e
diminuição da vermelhidão. Imediatamente após o experimento, os três grupos
apresentaram parâmetros de alteração de cor equilibrados (p>0,26). Uma
semana depois, o terceiro grupo (aplicação de luz apenas) teve seu nivel de
clareamento rebaixado a zero. Após 30 dias, o primeiro grupo se diferenciou do
segundo exibindo padrão de clareamento (p<0.05). Depois de calibrados,
primeiro, segundo e terceiro grupo apresentaram, respectivamente, níveis de
cor para b*(amarelo-azul) em -3,1 (0.25); -2,0 (0.25) e -2,4 (0.25). Não houve
diferença significativa para os resutados de luminosidade e vermelhidão. O uso
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de luz nos sistemas de clareamento em consultório proporciona mudança de
cor apenas imediatamente à sua aplicação, bem como moderada sensibilidade
dentinária durante e pós-tratamento.
Araújo et al. (2010) avaliaram se fontes de luz aumentam a eficácia do
peróxido de hidrogênio na técnica de clareamento profissional. Sessenta
dentes bovinos recém-extraídos e limpos com lâminas de bisturi foram imersos
em
200
ml
de
uma
solução
de
café
recém-preparado.
Para
a
impermeabilização, os dentes receberam duas camadas de esmalte incolor
sobre a camada de dentina exposta, garantindo a penetração do agente
clareador exclusivamente na superfície vestibular do esmalte. Em seguida, os
dentes foram separados aleatoriamente em cinco grupos com doze espécimes.
A fim de medir a cor dos dentes, foi utilizado um modelo chamado CIE L* a* b*,
para avaliar as alterações na cor dos dentes foi utilizado um espectrofotômetro
dental. Grupo 1 - (grupo controle sem ativação de luz) os agentes clareadores
foram aplicados por 15 min, agitando a cada 3 minutos para o deslocamento da
bolha, a aplicação do gel foi removida e o processo foi repetido mais duas
vezes. Grupo 2 - (luz halógena) os procedimentos realizados no segundo grupo
eram idênticos aos do grupo controle, exceto que, juntamente com cada
aplicação do gel de clareamento foi aplicado um regime de fotoativação com
um fotopolimerizador de luz halógena durante todo o processo. O agente
clareador foi removido e o processo foi repetido duas vezes. Grupo 3 - (azul
Led / Laser) foi realizado o mesmo processo do Grupo 2 mas este foi ativado
pelo dispositivo Bleach Easy (Clean Line) equipado com dois Leds azuis.
Grupo 4 - (Led verde / Laser) mais uma vez pelo mesmo processo do Grupo 2
sendo utilizado o dispositivo equipado com dois Leds verdes. Grupo 5 - (Laser
29
vermelho) utilizou a mesma aplicação dos grupos anteriores, sendo a reação
ativada por um laser vermelho. De acordo com a fonte de luz usada, os efeitos
do peróxido de hidrogênio a 38% podem ser intensificados por meio de
técnicas de ativação de luz. Ambos os resultados identificados foram
semelhantes para os diversos grupos de estudo.
Bettin et al. (2010) avaliaram a variação da temperatura da câmara
pulpar durante o clareamento dental externo sob diferentes fontes de luz e
diferentes materiais clareadores. Foram selecionados 20 incisivos superiores
humanos
obtidos
em
um
banco
de
dentes,
estes
foram
divididos
aleatoriamente em 4 grupos, com 5 elementos cada, variando o material
clareador e a fonte de luz: G1: 5 dentes onde foi utilizada luz halógena do
fotopolimerizador Ultralux Eletronic, com intensidade de luz 400 mW/cm2 e gel
Whitness HP (peróxido de hidrogênio 35%, FGM); G2: 5 dentes onde foi
utilizada luz halógena do fotopolimerizador Ultralux Eletronic, com intensidade
de luz 400 mW/cm2 e gel Whitness HP MAXX (peróxido de hidrogênio 35%,
FGM); G3: 5 dentes onde foi utilizada luz Led do fotopolimerizador Ultraled,
com intensidade de luz 130mW/cm2 e gel Whitness HP; G4: 5 dentes onde foi
utilizada luz Led do fotopolimerizador Ultraled, com intensidade de luz
130mW/cm2 e gel Whitness HP MAXX. A temperatura da câmara pulpar foi
medida por meio de um termômetro digital infravermelho Raynger ST. Antes de
se iniciar a aplicação de luz com o gel, a temperatura inicial foi medida. Logo
em seguida foi aplicada a luz específica sem nenhum gel por um período de 45
segundos e foi medida a temperatura final e temperatura máxima atingida
durante a aplicação. O processo foi realizado 3 vezes para cada dente, e a
média aritmética foi o dado utilizado. Os dentes foram imersos em soro
30
fisiológico, para que se calibrasse a temperatura inicial da câmara pulpar.
Então o gel específico foi aplicado, e após 15 segundos, a luz foi ativada sobre
o gel num período de 45 segundos, novamente a temperatura inicial, final e de
maior pico foram medidas, sendo considerada a média aritmética dos valores
obtidos durante as 3 repetições. Com base nos resultados obtidos, é lícito
concluir que a luz halógena promove aquecimento na câmara pulpar. A luz Led
não promove aumento de temperatura na câmara pulpar. Os tipos de géis
clareadores não se diferem entre si e não interferem no que se concerne ao
aumento de temperatura na câmara pulpar.
Calatayud et al. (2010) compararam a eficácia clínica do peróxido de
hidrogênio no processo de clareamento dental com e sem fotoativação. Ensaio
clínico randomizado com 21 pacientes entre 18 e 38 anos, sem contraindicações ao clareamento, canino a canino hígidos, com coloraçao acima da
tonalidade A2. O sistema clareador utilizado foi o QuickWhite (35% H2O2) e a
ativação de luz foi conduzida por lâmpada de diodo (Lima Cool). O guia de
cores Vita Clássico foi usado para pontuar as cores dos dentes. Primeiro uma
hemiarcada recebeu 2 aplicações consecutivas (durante 10 minutos cada) de
peróxido de hidrogênio (camada de 2mm) na superfície vestibular dos dentes
(produto agitado a cada 2 minutos), sendo ativado por luz durante todo o
processo, enquanto a outra hemiarcada, esteve protegida da luz por uma
resina azul opaca (LC Block-Out Resin, Produtos Ultradent, South Jordan UT,
EUA). Em seguida a outra hemi-arcada recebeu o mesmo tratamento mas sem
ativação de luz. Depois de removido o agente clareador o nível de clareamento
foi repontuado e o teste de Wilcoxon (comparação por pareamento) foi utilizado
para delimitar diferenças nos níveis da cor dos dentes. Ambos os grupos de
31
tratamentos com e sem luz mostraram diferenças significativas entre o pré e o
pós-tratamento. O nível da média geral após o clareamento foi de 2,9 unidades
acima com a ativaçao de luz e 2.4 unidades acima para o tratamento sem luz.
O presente estudo demonstra que a ação do clareamento dental pode alcançar
1-3 unidades em uma única sessão de 20 minutos. O uso da lâmpada de Led
pode aumentar este efeito clareador em até 0,4 unidades, mas essa diferença
é pouco perceptível pelo paciente e profissional.
Chaves et al. (2010) avaliaram microscopicamente alterações que
ocorrem no cemento, esmalte e junção cemento-esmalte após o uso de
diferentes agentes clareadores externos. Quinze pré-molares hígidos foram
seccionados sendo separadas as superfícies mesial e distal de cada dente. As
superfícies mesiais foram divididas em três grupos de acordo com o material
utilizado (AI-peróxido de carbamida 10%-Whiteness Standard 10 FGM®, AIIperóxido de carbamida 16%-Whiteness Standard 16 FGM® e AIII- peróxido de
hidrogênio 35%-Whiteness HP Maxx FGM®), nestas foram aplicados os
sistemas de clareamento de acordo com as instruções dos fabricantes. As
superfícies distais foram mantidas em saliva artificial e estufa bacteriológica a
37◦C. Após o clareamento as amostras foram desidratadas e avaliadas através
de um microscópio eletrônico de varredura. Os resultados foram submetidos
aos
testes
de
Kruskal-Wallis
e
Mann-Whiteytestes,
onde
diferenças
significativas foram observadas entre os espécimes clareados e não clareados
(p<0,001). No esmalte não foi observado alterações significantes e não houve
diferenças entre os grupos, entretanto, perda de estrutura com formação de
lacunas e exposição dentária foram observadas na junção cemento-esmalte
dos três grupos clareados, vale ressaltar que o clareamento dos dentes deve
32
ser feito com cautela, principalmente em pacientes que possuem retração
gengival.
Francci et al. (2010) revisaram a literatura e descreveram técnicas de
clareamento dental, suas indicações, seus benefícios e riscos, bem como a
eficácia desses procedimentos. Quando surgiu a técnica de clareamento dental
em consultório com o uso do peróxido de hidrogênio, foi preconizada a
associação de fontes auxiliares de energia (luz halógena, arco de plasma, Led,
Led + laser, laser) com o objetivo de “acelerar” o clareamento para pacientes
que não se adaptassem à técnica de auto-aplicação ou caseira. É importante
ressaltar que o termo “acelerar” é erroneamente trocado pelo termo “fotoativar”
em diversos “folders” de produtos comerciais, bem como na literatura menos
científica sobre clareamento dental. Pelo exposto até o momento, fica claro que
o gel clareador não precisa ser “ativado”, pois, com ou sem o uso da luz, ele
atua nas estruturas mineralizadas dentais clareando-as. O emprego dos
aparelhos de luz visa acelerar a reação de oxi-redução e, consequentemente, a
liberação de radicais livres. No mercado odontológico, são lançadas várias
fontes de luz com a finalidade de potencializar a ação do agente clareador na
técnica do consultório, mas não há um consenso na literatura científica sobre a
necessidade do seu uso, gerando questionamentos sobre a utilidade das fontes
auxiliares e sobre os seus resultados clínicos em longo prazo.
Schiavoni (2010) avaliou, após manchamento com diferentes soluções, a
eficácia do clareamento externo com peróxido de hidrogênio a 35%, ativado por
Led e Laser de Er.YAG, com e sem aplicação de flúor, assim como sua ação
na permeabilidade e morfologia superficial do esmalte bovino. Foram utilizados
260 incisivos bovinos divididos aleatoriamente em 26 blocos (n=10), os dentes
33
foram manchados por café, vinho tinto, chá preto expostos a peróxido de
hidrogênio a 35% + saliva, PH35% + saliva + flúor, PH35% + saliva + Led,
PH35% + Led + saliva + flúor, PH35% + saliva + Laser, PH35% + Laser +
saliva + flúor. Os dentes foram
divididos aleatoriamente em 24 blocos
experimentais, seguiu-se o protocolo de utilização recomendado pelo
fabricante, sobre o esmalte foi aplicado um volume de 0,05ml de gel clareador
seguido ou não de ativação por fontes de luz. O Led foi aplicado diretamente
sobre a superfície do esmalte a uma distância de 01 cm por 10 min, o Laser foi
aplicado desfocado a uma distância de 10 cm da amostra, com a luz guia
englobando todo o corpo de prova, de modo pulsado por 60 seg. Após a
aplicação do agente clareador os dentes foram lavados com água destilada e
realizada ou não a aplicação de flúor por 10 min, sendo armazenados em
saliva artificial. Todas as técnicas aplicadas foram capazes de clarear o
esmalte, o uso do Laser promoveu melhores resultados em relação ao
clareamento, o uso do PH35% ativado por Led ou Laser com e sem aplicação
de flúor não foi capaz de alterar a permeabilidade dental do esmalte, em
relação à morfologia superficial o uso do Laser promoveu sérios danos a
estrutura do esmalte como exposição de prismas e porosidades, o uso do flúor
promoveu um manto granular suavizando as deformidades promovidas pelo
clareamento.
Auschill et al. (2011) avaliaram três técnicas de clareamento in vivo. Três
produtos foram testados: Crest Whitestrips 5,3% peróxido de hidrogênio
(CWS), Opalescence PF 10% peróxido de carbamida (OP10%) e Opalescence
Xtra Boost 38% peróxido de hidrogênio (Opx). Todos os produtos foram
utilizados de acordo as instruções dos fabricantes. O CWS foi usado duas
34
vezes por dia por 30 minutos. O OP10% foi usado 8 horas por dia. O Opx foi
aplicado por 15 minutos ao dia. O clareamento foi acompanhado diariamente
por examinadores calibrados que utilizaram o guia clássico de cores Vita
(vidente). O tratamento foi interrompido quando cada participante atingiu um
clareamento em seis padrões. O resultado de interesse foi o número de dias
que cada material necessitou para alcançar o padrão de clareamento estimado.
Efeitos colaterais, sensibilidade e aceitação das três técnicas foram avaliadas
utilizando escalas de zero a dez, onde zero indicava nenhum desconforto e/ou
melhor aceitação da técnica. A média do número de aplicações para alcançar o
padrão de cor estimado foi 31,9 (Crest Whitestrips); 7,2 (Opalescence PF) e de
3,2 (Opalescence Xtra Boost). Em termos de número de dias, CWS, OP10% e
OPX, respectivamente em 16, 7 e 3 dias. O total de tempo para os três
produtos foi de 16 (CWS), 56 (OP10%) e 0,75 (Opx) horas. Numa escala de
zero a 10, o grau de sensibilidade foi de 2,6; 3,4 e 2,9 para CWS, OP10% e
Opx, respectivamente. O tratamento em casa foi significativamente mais aceito
pelos participantes que o profissional. Quanto maior a concentração do
ingrediente ativo, mais rápido o clareamento dos dentes.
Bidra e Uribe (2011) relataram o caso clínico de um paciente com
Dentinogênese Imperfeita (grau leve a moderada), com dentes superiores
padrão 5M1 (Guia Mestre de tonalidades Vitapan 3D) e inferiores com padrão
mais escuro, acrescidos de múltiplas manchas brancas na região cervical, sem
acometimento de cárie e doença periodontal. Após a confecção de uma
moldeira a vácuo, deu-se inicio ao tratamento com o uso de um sistema de
clareamento a base de peróxido de hidrogênio 14% (Perfecta REV, Premier
Dental, Plymouth Meeting, PA, EUA) durante 15 minutos, duas vezes por dia.
35
Ao fim de 2 semanas de tratamento, uma melhora do escurecimento foi
observada principalmente na região maxilar. Com 2 meses, houve melhora
significativa em relação ao estado inicial, entretanto, a região cervical dos
dentes inferiores não alcançaram a mesma tonalidade de clareamento dos
superiores. Nesta fase, o paciente relatou sensibilidade generalizada (leve a
moderada) sendo aconselhado a reduzir o uso do agente clareador para uma
vez ao dia e novamente avaliado depois de 2 meses, foi orientado a encerrar o
tratamento. Após 3,5 anos de acompanhamento, sem reações adversas, a
tonalidade dental manteve-se estável (padrão Vita 1M1). Este relato de caso
demonstrou o uso bem sucedido do peróxido de hidrogênio na reabilitação
estética de um adulto jovem portador de Dentinogênese Imperfeita.
Browning e Swift Jr. (2011) investigaram a teoria que o calor acelera os
compostos do peróxido de hidrogênio (H2O2) resultando num clareamento mais
rápido e efetivo. Três sistemas de clareamento profissional a base de H2O2
ativados por fonte de calor foram investigados. Foram analisadas a
percentagem de peróxido, a intensidade da luz na superfície dos dentes, a
temperatura do gel clareador com e sem luz e a decomposição do peróxido de
hidrogênio com e sem fotoativação. A avaliação da eficácia dos três materiais
foi determinada usando o Master Guia Shade 3D (Vident). O arco superior
(canino à canino) foi dividido, um lado recebeu aplicação de luz, enquanto o
outro não, sendo comparados dente à dente. Os sistemas de clareamento
estudados foram LumaArch (LumaLite, Inc., Spring Valley, EUA, CA),
Opalescence Xtra Boost (Ultradent Products, Inc. South Jordan, UT, EUA) e
Zoom (Discus Cidade, Dental Culver, CA, EUA). Os produtos testados
continham uma percentagem ligeiramente superior de H2O2 que o indicado. Em
36
relação a intensidade de luz o sistema LumaArch apresentou 65 mW/cm2, o
Opalescence Xtra Boost 128 mW/cm2 e o Zoom 72 mW/cm2. Para todos os
produtos a média de temperatura do gel clareador na superfície dental sem uso
de luz foi de 31,7°C. Com o uso de luz o sistema LumaArch apresentou 32,1°C
(7 minutos), o Opalescence Xtra Boost 45,5°C (30 segundos) e o Zoom 36,6°C
(20 minutos). A taxa de decomposição do peróxido não foi significativamente
diferente em qualquer dos três materiais quando comparados com e sem uso
de luz. Entretanto houve diferença significativa de decomposição do H2O2 entre
os três produtos. O LumaArch foi significativamente superior ao Opalescence
Xtra Boost e Zoom e o sistema Zoom foi significativamente maior que
Opalescence Xtra Boost. Ensaios clínicos demonstraram que uma temperatura
bem acima da tolerada pelo dente seria necessária para acelerar a
decomposição do peróxido de hidrogênio. Este teste comprovou que a
utilização da luz não foi capaz de gerar o calor necessário para tal efeito
catalisador. Os autores observaram a presença de propriedades químicas
catalisadoras no material estudado e determinaram que estes compostos foram
significativamente mais importantes no aumento da reatividade do que o calor
fornecido pela luz. Estes concluíram que o uso de luz não acelera nem
potencializa o processo de clareamento dental.
Castanho et al. (2011) testaram a hipótese de que a dentina humana e
bovina
têm propriedades de microdureza
similar, além de
similares
características micromorfológicas. Oito incisivos bovinos e oito incisivos
humanos foram utilizados. Dentes de ambos os grupos foram embutidos em
resina acrílica, deixando apenas as bordas incisais expostas. Em seguida, os
espécimes foram seccionados 5 milímetros abaixo e paralelamente à borda
37
incisal, para obter 16 discos de dentina superficial (5 mm de espessura). Os
espécimes foram então analisados em microscópio óptico para verificar a
qualidade do polonês e para garantir que as características da dentina das
superfícies polidas foram mantidas. Em seguida, os espécimes foram limpos
em um cubo de ultra-som (3 vezes por 10 minutos cada), e armazenados em
água destilada por 7 dias. Os 16 espécimes foram submetidos ao teste de
microdureza Vickers. A microdureza de cada espécime foi medida usando um
testador de dureza microindentation, sob uma carga de 50 g por 45 s. Um
programa de analisador de imagem (Imagelab) foi usado para medir a
porcentagem de dentina sólida nas bordas incisais de todos os dentes.
Excluindo a percentagem de superfície ocupada pelo vazio túbulos dentinários,
o programa calcula a percentagem de dentina sólida, tanto peri e intertubular,
na superfície da dentina. Os dados obtidos são apresentados como média,
desvio padrão (SD) e erro padrão da média (SE) de ambos os microdureza (em
VHN) e as medidas sólidas dentina (% da área total) para os 8 espécimes por
grupo. Os dados da dentina bovina e humana foram comparadas pelo teste t
de Student, utilizando o programa estatístico BioStat 5,0. Correlação entre a
quantidade de dentina sólida e microdureza foi analisada pelo teste de Pearson
linear usando o mesmo programa estatístico. O nível de significância foi
estabelecido em α = 5% (p <0,05). Concluiram que, apesar da micromorfologia
similar a dentina humana apresenta maior microdureza que a dentina bovina.
Knosel et al. (2011) testaram a veracidade das determinações de cor, a
hipótese da ausência de mudanças significativas da CIE-a*/b*(vermelho-verde
e amarelo azul respectivamente) e da ausência de distorção da cromaticidade
após a mudança de cor e luminosidade induzida pelo clareamento dental
38
externo. Foram avaliados 231 dentes humanos anteriores permanentes,
utilizando o método do recálculo fotográfico digital CIELAB. Os dentes foram
então divididos em três grupos (n = 77) com diferentes valores de base CIE-L*
(escuro-claro). Um grupo serviu como controle, sem alteração de cor dental
(grupo A). As amostras dos dois grupos restantes foram clareados empregando
tanto o peróxido de carbamida 15% (grupo B) como o peróxido de hidrogênio
38% (grupo C). Correlação de pares de Pearson CIE-L*a*;b* e CIE-a*;b* foram
calculadas para as avaliações de linha base (T0) e após 2(T1), 4(T2), 12(T3) e
24(T4) semanas. As correlações entre a* e b* de T0 a T4, em relação ao grupo
A, se mantiveram estáveis, com coeficientes de 0,78 → 0,65 → 0,65 → 0,69 →
0,67. Após avaliação contatou-se que a mudança de cor induzida pelo
clareamento não teve uma influência significativa sobre CIE-a*;b*. Uma relação
nitidamente inversa foi observada entre os grupos CIE-L*a*;b*, com
coeficientes variando de -0,54 para -0,12. A Hipótese de que mudanças
significativas de cromaticidade e luminosidade pela alterações de cor e
luminosidade, como resultado do clareamento externo, foi descartada.
Alterações
de
cor
induzidas
pelo
clareamento
dental
não
distorce
significativamente as bases de cromaticidade. Os testes de CIE-a*/b*, pode ser
considerado um indicador de veracidade e confiabilidade à estudos futuros. O
CIE-L* a* b*, pode ser aproveitado como um teste de rotina adicional ao se
tratar de alterações cromáticas dentárias nos ensaios clínicos e laboratoriais.
Zekonis et al. (2011) avaliaram a sensibilidade, a mudança e recidiva de
cor, usando dois sistemas de clareamento dental, um de uso caseiro e outro
profissional. Foram utilizados o sistema caseiro (Opalescence a 10% de PB,
Ultradent Products, Inc.), e o profissional (StarBrite 35% HP; Interdent, Inc., Los
39
Angeles, CA, EUA). Os participantes tiveram o arco superior dividido, sendo
uma hemiarcada clareada com o sistema profissional (3 aplicações durante 10
minutos cada) e a outra hemiarcada clareada em casa, durante o sono, por 14
dias. As avaliações de cor foram realizadas no início, na primeira e segunda
semana durante o experimento. Os participantes também foram avaliados em
uma, quatro e dez semanas após o término do clareamento. A cor foi medida
de três maneiras, primeiro a cor dos dentes foi medida utilizando um guia de
tonalidades (Trubyte Bioform; Dentsply International, York, PA, EUA). Dois
avaliadores calibrados utilizaram fotografias clínicas para julgar a diferença de
cor entre as hemiarcadas. Finalmente, um colorímetro (Minolta CR 321) foi
utilizado. Para todas as três medidas de cor, o método de clareamento feito em
casa foi significativamente mais eficaz. Diferenças significativas entre os dois
métodos foram constatadas em todos os períodos de avaliações. Depois da
estabilização da cor, quatro semanas após o término do experimento, o guia de
tonalidades (Trubyte) indicou um clareamento no sistema caseiro de 13,8
enquanto o sistema profissional foi de 9,4. O colorímetro apresentou um padrão
de clareamento de 6,6 (sistema caseiro) e 3,4 (sistema profissional).
Finalmente os avaliadores julgaram a hemiarcada tratada com o sistema
caseiro mais clara em 100% dos casos.
40
41
Vinte coroas de dentes incisivos bovinos recém-extraídos foram
utilizados no experimento. Todos os dentes tiveram as raizes cortadas, foram
limpos, e imersos em café por 30 dias, sendo o café substituído uma vez por
dia (Figura 1).
Figura 1. Dentes imersos em café por 30 dias
Após esse período, afim de remover manchas extrinsecas, foi feita uma
profilaxia nos dentes com pedra pomes e água usando escova de Robson
(Figura 2) e taça de borracha em baixa rotação (Figura 3).
Figura 2. Profilaxia com escova de Robson
Figura 3. Profilaxia com taça de borracha
m seguida os 20 dentes foram numerados na face palatina com caneta
em alta-rotação e fresa diamantada tipo ponta de lápis (Figura 4) e divididos
em dois grupos. Grupo 01 (dentes de 01 a 10) e Grupo 02 (dentes de 11 a 20).
Figura 4. Numeração dos dentes
42
Logo após os dentes tiveram uma área de 64mm 2 delimitada na face
vestibular, na região central, através do uso de um pedaço de papel cartão
(Figura 5). Para a impermeabilização, os dentes receberam duas camadas de
esmalte incolor (Figura 6), garantindo a mensuração de cor e a penetração do
agente clareador exclusivamente na superfície delimitada.
Figura 6. Delimitação com papel cartão
Figura 7. Área delimitada com esmalte incolor
Em seguida a pontuação inicial de cor dos 20 dentes foi realizada com o
auxilio do VITA Easyshade® Advance (Figura 8) conforme tabela (Figura 9).
Figura 8. Aparelho de pontução de cor
Figura 9. Pontuação de cor inicial
O sistema clareador utilizado foi o Quick Smile® (Figura 10) composto
por 35% de peróxido de hidrogênio, água, estabilizante, corante, regulador de
pH e surfactante. Validade 05/13, Lote: 3573.
Figura 10. Sistema de Clareamento
Profissional
43
A ativação de luz foi conduzida por uma lâmpada de díodo emissor de
luz -Led Dabi Atlante® (Figura 11).
Figura 11. Aparelho emissor de luz-Led
Em seguida, o primeiro grupo (dentes de 01 a 10) recebeu o sistema de
clareamento profissional Quick Smile na superfície delimitada dos dentes
(camada de 2mm) durante 15 minutos, sendo aplicado em cada elemento, três
fotoativações de 40seg (Figura 12). Este procedimento foi repetido por mais
duas vezes.
Figura 12. Espécimes do grupo 01 com fotoativação
No segundo grupo (dentes de 11 a 20) foi repetido o mesmo
procedimento do primeiro grupo, mas sem ativação de luz (Figura 13). A cor
dos dentes foi pontuada a cada aplicação do gel clareador.
Figura 13. Espécimes do grupo 02 sem fotoativação
44
Depois de removido o agente clareador de ambos os grupos o nível de
coloração dental foi repontuada (Figura 14), conforme tabela (Figura 15).
Figura 14. Repontuação de cor
Figura 15. Pontuação de cor final
Para realizar uma pontuação numérica, foi utilizada a escala VITAPAN
classical (VITA) levando em consideração a graduação do mais claro para o
mais escuro (B1; A1; B2; D2; A2; C1; C2; D4; A3; D3; B3; A3,5; B4; C3; A4;
C4) (Figura 16). Cada alteração de cor era dada um ponto (exemplo: se a cor
inicial do dente fosse C4 e a final A3,5, receberá uma pontuação de 4).
Figura 16. Escala VITAPAN classical VITA
Ao final da pesquisa, verificou-se se os dados apresentam distribuição
normal e se são homogêneos. Após esta verificação foi aplicado o teste
estatístico t de Student considerando o potencial clareador. O nível de
significância adotado foi de 5%.
45
46
Depois da análise estatística, o resultado desse estudo foi que não
existe diferença entre os grupos, apresentando um nível de significância de
0,001 (p=0,001).
47
48
O clareamento dental é um procedimento estético não invasivo que
evoluiu muito na última década. O desenvolvimento de novas técnicas para sua
aplicação trouxe mais conforto para o paciente e novas perspectivas para o
cirurgião dentista.
As técnicas de clareamento para dentes vitais evoluíram muito, em
relação ao tempo de aplicação do tratamento e principalmente em relação à
fonte ativadora (calor/luz). É a técnica mais conservadora quando comparada a
resinas, facetas de porcelana e coroas. (KUGEL et al. 2006). Este trabalho
realizou um experimento in vitro sobre clareamento dental.
O peróxido de hidrogênio é o principal componente de todos os sistemas
de clareamento profissional. Entretanto, o clareamento também pode ser
realizado, de forma caseira, com a utilização de peróxido de hidrogênio e
carbamida em baixa concentração (PERDIGÃO 2007).
Este trabalho realizou um experimento no qual foi o utilizado peróxido de
hidrogênio numa concentração de 35%. Outros estudos, relatam que a
utilização de altas concentrações de peróxido de hidrogênio (35-37%), bem
documentados na literatura, são capazes de alcançar um efeito eficaz, pois o
grau de clareamento se correlaciona diretamente com a quantidade de
concentração e tempo de contato do produto. (AUSCHILL et al. 2005; KUGEL
et al. 2006; BIDRA e URIBE 2011).
Um dos desafios atuais para a pesquisa odontológica é a dificuldade de
se conseguir dentes humanos hígidos em quantidade suficiente. A necessidade
de padronização dos substratos, redução do risco de infecção e a questão
bioética, têm motivado a substituição de dentes humanos por dentes bovinos.
49
O esmalte bovino parece ser um substituto adequado ao esmalte
humano, mas a dentina deve ser utilizada com cautela, visto que incidências e
profundidades aleatórias do corte, em relação aos túbulos dentinários, podem
alterar os resultados. (MATOS et al. 2008; CASTANHO et al. 2011). Por este
motivo, o presente trabalho utilizou dentes bovinos num experimento de
clareamento dental profissional.
A eficácia do uso de luz (Lasers e Leds) indicado em vários sistemas de
clareamento profissional ainda não foi bem documentada na literatura, muito se
tem discutido sobre o uso dessas fontes de energia com o intuito de facilitar,
acelerar e aumentar a eficiência do peróxido de hidrogênio. (BUCHALLA e
ATTIN 2006).
Pelos resultados deste trabalho, não existe diferenças entre a eficácia do
clareamento com ou sem a utilização de uma fonte de luz (p=0,001). No
entanto, alguns estudos (CARRASCO et al. 2008; FLOREZ et al. 2009;
KABBACH 2009) afirmam que as fontes de luz empregadas na prática de
clareamento em consultório além de acelerar e potencializar o efeito clareador
do peróxido de hidrogênio, demonstrando melhores resultados, ainda promove
proteção pulpar garantindo menos efeitos de sensibilidade dentinária pósclareamento.
Fontes de Luz (lasers e leds) potencializam a ação do gel clareador,
geram bons efeitos fotoquímicos e mínimos efeitos fototérmicos tendo como
alvo moléculas escurecidas, sem danos ao tecido pulpar, pois aquecem o
produto e não a estrutura dental. Portanto uma opção muito eficiente na
ativação do processo do clareamento. (ZANIN et al. 2003; CARRASCO et al.
2008; FLOREZ et al. 2009; KABBACH 2009). Este trabalho utilizou luz de led
50
em seu experimento e concluiu que esta não potencializou o efeito do gel
clareador.
Concordando com nosso trabalho, diversos estudos identificaram a
presença de propriedades químicas catalisadoras nos sistemas de clareamento
profissional e determinaram que estes compostos são significativamente mais
importantes no aumento reatividade do que o calor fornecido pela fontes de luz.
Portanto, o uso de luz não acelera nem potencializa o processo de clareamento
dental. (BROWNING e SWIFT JR. 2003; CONCEIÇÃO 2005; KUGEL et al.
2006; RIEHL e NUNES 2007; FRANCCI et al. 2010; CALATAYUD et al. 2010;
CHAVES et al. 2010; SCHIAVONI 2010).
51
52
O clareamento profissional com ou sem utilização da luz não
apresentaram diferença estatisticamente significante na eficácia do tratamento,
indicando que apresentam eficácia similar. Portanto, a hipótese 1 foi rejeitada.
53
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