Um olhar panorâmico sobre a história do Sítio Serra Fur

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Um olhar panorâmico sobre a história do Sítio Serra Fur
Luísa de Sousa de Dias
DE FATOS E PROSAS SE CONSTRÓI UMA HISTÓRIA:
Um olhar panorâmico sobre a história do Sítio Serra Furada ao município de NOVA
OLINDA
Dedicatórias
Dedico este trabalho às pessoas para mim, especiais. Uns fizeram ou fazem parte da nossa história,
outros da minha história.
Aos meus pais José Pedro Dias e Maria Bernadete de Sousa, minha irmã Mazé Dias – in memoriam.
Raimunda de Sousa e Ir. Maria Aparecida, também irmãs. Maria Bernadette, sobrinha. E a todos os
familiares que me apoiaram.
A Lucinda Luísa e Ideião Moisés, minhas primeiras fontes de pesquisa. Aos grandes benfeitores
desta terra: Severino Job de Sousa, João Lopes Ferreira, Pe. José Lopes Sobrinho. Dra. Vanilda Cazé,
grande amiga, além de benfeitora, todos in memoriam.
A Albertino de Sousa Barreiros e Francisco Teotônio de Sousa, grandes incentivadores deste
projeto.
Agradecimentos:
A todos que contribuíram com alguma informação para a construção deste trabalho, especialmente:
Terezinha Teotônio, Luísa Moisés, Enéas Teotônio, Rui Gonzaga, José Batista (Zé Grande) – in
memoriam. Ana Teotônio, Maria Ana de Sousa, Abigail Meira, Albertino de Sousa Barreiros,
Francisco Teotônio, Irineu Eneas, Antonio José de Sousa, Erenildo Medeiros, Paulo Luis, Rosa
Gertrudes, Sandoval Lopes, Francisca Enéas (Pitica), Dra. Maria do Carmo Silva – prefeita e aos
Secretários Municipais, Jose Raimundo Neto (Dedé de Lula).
“Bastou um século para que te tornasses menina. Menina-criança em cujos lábios já ressoam o
balbuciar do teu choro, mas também do teu sorriso.... És uma expressão de grandeza e de
eternidade: Nova Ó Linda! Relembra a admiração de Duarte Coelho ao desvendar os mares bravios
no Nordeste disse: ó linda condição para se fazer uma Vila.... Não quero te personificar, não és uma
pessoa. És um povo, que trabalha, que sofre, que rir e que chora. És um conglomerado de casas que
formam ruas largas e estreitas, grandes e pequenas. Aliás, és pequena. Tão pequena, que até as
crianças te abraçam sem complexo de inferioridade. Porém és tão grande, que para te contemplar é
preciso olhar com os olhos da ternura e da meiguice”.
(Albertino de Sousa Barreiro)
SUMÁRIO
PREFÁCIO
APRESENTAÇÃO
1 ASPECTOS HISTÓRICOS
1.1 A fundação
1.2 O nome
1.3 A família fundadora
2 A RELIGIOSIDADE – UM POVO DE FÉ
2.1 Origem da devoção a N. Sra. dos Remédios
2.2 Primeira Igreja Batista de Nova Olinda
2.3 Assembleia de Deus
2.4 Congregação Cristã do Brasil
3 CARACTERIZAÇÃO DO MUNICÍPIO
3.1 Localização
3.2 Símbolos Municipais
3.3 Aspectos fisiográficos
3.4 As águas
3.5 Economia e agricultura
3.6 A Política
3.7 O Distrito de Manguenza
3.8 A Educação
3.9 A Cultura
3.10 A Saúde
3.11 A Ação Social
3.12 O Esporte
4 CURIOSIDADES HISTÓRICAS
4.1.Um lugar talvez já habitado
4.2 A Casa da Torre
4.3 Nova Olinda nos acontecimentos da História do Brasil e da Paraíba – A Revolução de 1930
4.4 A passagem da Coluna Prestes
5 CURIOSIDADES LOCAIS
5.1 Relatos do cotidiano
5.2 Mitos locais – Lenda do Boqueirão da Serra Furada
6 NOVA OLINDA POR SEUS CONTERRÂNEOS E ADMIRADORES
6.1 Minha Terra – Por Albertino Barreiro
6.2 O meu nome é Nova Olinda – Francisco Teotônio
6.3 Nova Olinda- Pátria minha – Francisca Eneas de Sousa ( Pitica)
PREFÁCIO
Por Albertino de Sousa Barreiros
Vem a lume, com magnitude de uma obra repleta de significados, a síntese de uma longa e fascinante
viagem. É como se fosse um breve retorno ao útero no afã de recompor a posição gestatória e a
proteção amniótica, pois esse trabalho se refere a uma mãe, a qual guardou só para nós, seus filhos e
filhas, algo que só ela tem para nos oferecer como o primeiro ar respirado, a primeira gota de água
tomada, o primeiro contato com a lei da gravidade com o primeiro tombo.
Um dado que traspassa a medula do mistério humano nos faz perguntar por que, entre tantas cidades
que fazem plasmar o olhar, com riquezas e oportunidades, fomos nascer aqui, no ponto mais
incidental da concha da Serra Furada, na vertente mais fértil dos Rios Gravatá e Canoa?
Quando algum de seus filhos vêm ao seu encontro é como se viesse ao fim do mundo, horas e mais
horas, um cansaço suportável seguido de ansiedade. Mas todo o incômodo da viagem desaparece na
descida da ladeira da Andreza. Um cheiro suave de colo de mãe onde há sempre um abraço, um jantar
gostoso, uma boa xícara de café, às vezes até torrado em casa mesmo, uma cama aconchegante e um
cochichar ao pé do ouvido: ‘’ me conta as novas’’. Não se pede licença para puxar a taramela da porta
de entrada. É como se todo mundo fosse dono de todas as casas e de todos os corações.
A nossa conterrânea Luísa de Sousa Dias é uma pessoa iluminada e predestinada a nos ajudar na
compreensão da história de nossa Terra materna. Posso dizer que acompanhei desde muitos anos a
sua incansável luta para não deixar o tempo destruir esse legado. Quantas portas fechadas à sua
chegada. A missão de Luísa é justa porque ela aprendeu na sua militância que um povo sem história
é fragilizado na sua própria essência e exposto às dominações daqueles que não pensam no bem de
todos, mas sim, nos seus projetos políticos e econômicos.
Amamos muito nossa Terra, porém, não somos ingênuos românticos ou transeuntes saudosistas.
Sabemos que ela tem inúmeros problemas que precisam ser combatidos com determinação e coragem.
Eis, pois, outro motivo desse trabalho desenvolvido por Luísa de Sousa Dias. Além do mais, seus
escritos fogem dos prismas tradicionais quando muitas vezes a história é escrita sob a ótica e ideologia
dos vencedores e dominadores.
Não guarde essa obra numa fria e solitária biblioteca. Leve-a para as escolas, universidades, lugar de
trabalho e deixe todos consultá-la. Fale para seus amigos e conhecidos que sua terra natal tem uma
história linda a ser contada.
Esse livro de histórias e memórias quer nos dizer uma coisa mais: no mundo, há algo que os olhos
não veem. Jamais um estranho se encantaria por esse pedaço de chão. Aqui há uma energia que nos
atrai. Quantas vezes já ouvi de conterrâneos a intenção de viverem na Terrinha após se aposentarem,
o que nem sempre é possível. Eu mesmo vivo como se fosse uma oração ao olhar para a Serra do
Cruzeiro, provar das mangas do Canhoto e ser renovado no banho das águas sagradas jorradas das
comportas da barragem do Saco ou até mesmo sentir o cheiro da terra molhada no inverno.
Obrigado Luísa de Sousa Dias por essa grande contribuição. Que Deus continue sendo sua grande
fonte de inspiração com encanto e ousadia.
Parabéns Nova Olinda, você venceu.
APRESENTAÇÃO
Cada povo ou comunidade tem uma memória, às vezes, gravada em relatos históricos, outras vezes,
em monumentos artísticos, fotografias e imagens ou, simplesmente, na lembrança de pessoas que
viveram ou presenciaram aquilo que se constitui essa memória e vão contando e passando geração
após geração.
Analisando o panorama histórico-cultural do município de Nova Olinda/PB, percebemos que
existem poucos elementos que evidenciam a sua formação, tais
(FOTO 3 – Vista aérea da cidade)
como registros de fatos e acontecimentos. Vimos que muitos deles já estão se perdendo no tempo ou
ficando esquecidos na memória das pessoas e, principalmente, porque muitas pessoas que podiam
contribuir na narração dos mesmos, já são falecidas.
Buscando resgatar um pouco dessa história e oferecer um subsídio que informe especialmente, à
comunidade novolindense sobre sua origem e desenvolvimento – já que segundo o crítico literário e
sociólogo Walter Benjamin, “a memória é a faculdade épica por excelência, cuja função é o
conhecimento do passado que se organiza, ordena o tempo, localiza cronologicamente” – decidimos
pela realização de uma pesquisa sobre os principais acontecimentos históricos, religiosos e culturais
deste município, desde o seu surgimento até o presente. Espero que este trabalho auxilie o leitor,
especialmente o novolindense, a conhecer e entender um pouco mais a trajetória histórica de sua
cidade. Nosso propósito também é atualizar o trabalho que fizemos por ocasião da comemoração do
centenário de fundação da cidade – Nova Olinda – 100 anos de história, no qual já havíamos feito
alguns relatos. A grande dificuldade é encontrar fontes de pesquisas, principalmente escrita. O nosso
povo não teve a preocupação de registrar a sua história, por isso colhemos a maior parte das
informações através de entrevistas, relatos de fatos, histórias e acontecimentos. Segundo artigo da
historiadora Sandra Pesavento, velhos papéis falam de um outro tempo, de outros lugares, de outras
gentes. Oficiais ou não, públicos ou privados, do texto literário ao discurso político, da crônica de
jornal ao registro policial, as narrativas do passado nos fornecem pistas para fazer reviver os espaços,
os sons, as músicas e canções que cantam a cidade, trazendo ao presente as sensibilidades do passado.
Uma cidade possui seus mitos, suas lendas, suas histórias extraordinárias, transmitidas de boca em
boca, de geração em geração, através da oralidade. A história e a memória de um povo é também o
boato, o ouvir dizer, o relato memorialístico que se apoia, não só na lembrança pessoal, mas também
naquilo que foi contado um dia por alguém de quem não se sabe mais.
Entendemos que é preciso conservar a memória e atualizar a história, e assim poder manter vivas
as tradições, manifestações e anseios da nossa terra.
Luísa Dias
ASPECTOS HISTÓRICOS
A fundação
Tudo começa com a chegada da família Sousa ao Sítio Várzea de Dentro – na época pertencente
ao município de Misericórdia (hoje Itaporanga) e que agora pertence ao município de Pedra Branca,
no início do século XIX, quando chegaram os primeiros povoadores desta terra, dentre os quais
estavam Antônio de Sousa Dias e Inácia, pais de Job de Sousa Dias.
De acordo com o que nos contaram, pudemos perceber que a origem de Nova Olinda se deu,
principalmente, por duas necessidades: religiosa e comercial. Os habitantes, de origem portuguesa,
muito religiosos celebravam em suas casas os terços e as novenas dos santos. Já para participarem de
missas e realizarem batizados e casamentos, era preciso percorrer a cavalo ou a pé cerca de 30 km até
Misericórdia (hoje Itaporanga), pois dificilmente aparecia padres por aqui. Muito raramente algum
frade, vindo de Pernambuco, aparecia em suas missões pelos sertões. E foi numa noite, após uma
novena, lá no Sítio Várzea de Dentro, onde todos se reuniam no terreiro – espaço em frente às casas
– para conversar, que Job de Sousa, juntamente com alguns senhores ali reunidos, começaram a
planejar a construção de uma capelinha para que pudesse facilitar a vinda, de vez em quando, de um
padre para celebrar, como também poderiam realizar uma feira livre para atrair comerciantes de fora.
E assim iniciaram a procura pelo local onde seria construída a capelinha. Andaram por vários
lugares a procura do lugar ideal e o escolhido foi o Sítio Serra Furada. Era a melhor localização, pois
lá havia terras férteis e perto do Rio Gravatá, já que era uma grande preocupação da época que fosse
perto de água, talvez por que tinham passado anos antes (1877) por uma das maiores secas da história
do Sertão Nordestino, que dizimou grande número de pessoas e animais. O terreno era de propriedade
do Coronel Abílio Rodrigues, que o doou para ali ergueram a Capelinha, primeiro monumento
erguido e marco inicial e principal da nossa história.
No dia 15 de agosto de 1890, dia em a Igreja Católica celebra a Assunção de Nossa Senhora, o Pe.
Severino Ramalho, na época vigário da Freguesia de Piancó, deu a bênção da Capelinha e celebrou a
primeira festa de N. Sra. dos Remédios. Neste dia, mudou-se o nome do lugar de Serra Furada para
Nova Olinda. Nascia, ali, a nossa terra, sob as bênçãos de Deus e a proteção de N. Sra. dos Remédios
e começava a se concretizar os sonhos dos nossos fundadores. Esta certidão de nascimento, um
conterrâneo nosso muito ilustre, o professor, escultor e benfeitor Severino Job de Sousa filho do
fundador Job de Sousa, fez questão de nos deixar nos seus escritos sobre a origem de Nova Olinda,
que, por sinal, é um dos poucos e raros documentos que encontramos sobre a nossa origem – é o Livro
de Notas e Muvimento* desta Capela de Nova Olinda: 1890 a 1928 (Nota de rodapé: conservamos a
ortografia original da época em que o texto foi escrito), escrito de próprio punho por ele.
O nome
O Sítio Serra Furada, segundo relatos, possuía esse nome por causa das serras que aqui existem e
por onde corria anteriormente, em seu meio, o Rio Gravatá. Acreditavam os nossos antepassados, que
o rio havia furado as serras e até bem pouco tempo o local era chamado de Furadinha. Ali foi
construída a Barragem Saco, que constitui uma das nossas maiores riquezas. É interessante perceber
como a nossa origem está intimamente ligada à água ou ao Rio Gravatá, que assim se torna também
um patrimônio natural nosso, fato que não é explorado nem valorizado pela população, escolas, e
principalmente pelo poder público, tendo em vista que quase não há investimento, tanto na área de
agricultura quanto no turismo, que melhor aproveite as águas da barragem e do rio. Em alguns trechos,
ele está quase morto por poluição ou plantações, precisando que se faça um resgate desse rio de
tamanha importância para esta terra desde o seu princípio.
Nova Olinda foi o nome dado por frades religiosos de Olinda/PE, que faziam missões pelo sertão
durante o século XIX, inicialmente a um engenho de cana de açúcar, que ficava no Sítio Várzea de
Dentro, de propriedade do Sr. Antônio de Sousa Dias, pai do fundador, o qual aproveitou a presença
dos frades para benzer, batizar e inaugurar o engenho. Vendo os frades alguma semelhança entre o
terreno onde se encontrava o engenho a ser inaugurado e a cidade de Olinda – de onde vinham,
resolveram dar o nome de Nova Olinda. Antônio de Sousa possuía uma imagem de N. Sra. dos
Remédios, vinda de Portugal com os primeiros integrantes da família e que foi passando, por herança,
de geração em geração. Quando decidiram fazer a Capelinha, a imagem que estava com o Sr. João
Barreiro, casado com Conceição, irmã de Job de Sousa e uma das herdeiras de Antônio de Sousa, foi
doada para ser a padroeira e com ela veio o nome do Sítio (engenho) para o povoado que surgia,
também como uma forma de homenagear o seu antigo dono. E assim nasceu Nova Olinda.
O único registro que encontramos sobre o nome e a origem de Nova Olinda, foi deixado
por Severino Job, na página 2 do seu Livro de Notas, conforme cópia abaixo:
A cidade teve ainda o nome de Andreza, quando passou a Distrito pela Lei estadual nº520 de
31/12/1943 e era subordinado ao município de Piancó. Este nome não foi aceito pela população, que
continuava a falar o nome anterior e por isso por força da Lei nº 168 de 05/11/1948, foi modificado
para o topônimo de Nova Olinda, nome que se tornou mesmo a nossa identidade desde o princípio.
A família fundadora
Souza/Sousa: uma das mais antigas e ilustres famílias de Portugal. Felgueiras Gayo, em seu Nobiliário
das Famílias de Portugal ( Tomo XXIX ) usando o Nobiliário do Cazal do Paço, principia esta
antiquíssima família em D. Sueiro Belfaguer, antigo cavaleiro Godo, que floresceu nos primeiros anos
do século VIII ou pelos anos 800. Foi filho, segundo as melhores opiniões, de D. Fayão Theodo ou
Theodosio ( que foi bisneto em varonia de Flavio Egica, Rei da Espanha) e sua esposa Sona Soeira,
filha de D. Soeiro, Príncipe Godo. Felgueiras Gayo informa ser a mais antiga família que se encontra
na Espanha Portuguesa. O sobrenome se tirou do segundo Solar desta família, que fica em Entre
Douro e Minho, no contorno do Concelho do Rio Tamago, denominado – a terra de Souza – regado
pelo Rio Souza, que nascendo por cima do Mosteiro beneditino de Pombeiro, recebe outras águas, e
corre até incorporar o Rio Douro, muito abaixo de ambos os rios, sendo o Tamago o último que recebe
duas léguas antes da Cidade do Porto.
O sobrenome não surgiu senão muito depois de principiar esta família, conforme vimos em
D.Sueiro Belfaguer, que deixou numerosa e ilustre descendência do seu casamento com D. Munia,
ou Menaya – Ribeiro, descendente de Sizebuto, filho de Witissa, penúltimo Rei Godo. Foram quarto
avós de D. Gomes Echigues, que floresceu pelos anos de 1030. Homem de muito valor, que combateu
em Santarém, onde, sua lança deteve o Rei de Castela D. Sancho e o venceu. Foi governador de toda
a comarca de Entre Douro e Minho, por nomeação do Rei D. Fernando pelos anos de 1050. Deixou
numerosa descendência de seu casamento com D. Gontrode Moniz. Entre os filhos registra-se D. Egas
Gomes de Souza, que foi o primeiro a usar este apelido Souza na forma de nome de família, por ser
nascido, criado e, depois, Senhor das Terras de Souza, Solar dessa família. Deste descendem todos os
Souzas, de Portugal e Brasil, salvo para aquelas famílias que em algum tempo adotaram este
sobrenome, por apadrinhamento.
D. Egas Gomes de Souza, casou-se com D. Flamula, ou Gontinha – Góes. E, entre os seus
descendentes estão Martim Afonso de Souza, primeiro Donatário da Capitania de São Vicente, e
Tomé de Souza, primeiro governador geral do Brasil.
Síntese do texto original retirado do site a seguir: www.usinadesolucoes.com.br/souza.html
(FOTO 8 – Brasão da família SOUSA)
Descrição do Brasão – Escudo esquartelado: o primeiro e o quarto de prata e, 5 escudete de azul
abotoados de 5 besames em prata. O segundo e o terceiro de vermelho com uma caderna de crescentes
lunares em prata. Timbre: um castelo de ouro de três torreões. (Fonte: Heráldica Galvão – pesquisa e
confecção de Brasões de família.)
Segundo a tradição, os Sousas fundadores de Nova Olinda teriam chegado ao Brasil em uma das
caravanas de Tomé de Sousa. Primeiramente, ficaram na cidade de Penedos/AL, de lá alguns vieram
para Icó/CE, em seguida para a região de Cajazeiras/PB. E foram se encaminhando para o Vale do
Piancó, a partir de Pombal, de onde vieram Joaquim de Sousa Dias e Timóteo de Sousa Dias. Os dois
teriam se radicado na Sesmaria de Aroeiras, hoje município de Santana dos Garrotes, de acordo com
pesquisa de Francisco Teotônio (Piancó o pequeno grande rio). Joaquim de Sousa Dias casou-se com
Francisca de Sousa, e dentre seus filhos estava Antônio de Sousa Dias, que se casou com Inácia e
tiveram 10 filhos e um deles foi Job de Sousa Dias, o fundador, que nasceu em 1839 e casou-se com
Lucinda Umbelina de Sousa, com que teve 9 filhos, falecendo em 1927. Aos Sousas são ligadas todas
as famílias que originou e constituem a sociedade Novolindense: Dias, Job, Moisés, Barreiro,
Rodrigues, Lourenço, Enéas, Henrique, Pinto, Silva e tantas outras que de alguma forma contribuíram
ou contribuem para o engrandecimento dessa terra.
A RELIGIOSIDADE
Um povo de fé – Origem da devoção a N. Sra. dos Remédios
A devoção a Nossa Senhora, sob o título dos Remédios (do Bom Remédio, do Remédio), começou
com São João de Matha, fundador da Ordem da Santíssima Trindade, morto em Roma em 17/12/1213.
Com o objetivo de resgatar os cristãos escravizados na África e no Oriente Médio. São João de Matha
e São Félix de Valois fundaram em 1198 a Ordem da Santíssima Trindade. Precisavam, para isso, de
vultuosas somas em dinheiro. Recorreram, então, ao auxílio da Santíssima Virgem, o remédio para
todas as necessidades que encontravam na vida. Foram abundantemente atendidos e conseguiram
libertam da escravidão milhares de irmãos na fé.
Na linguagem medieval, os verbos “redimere” e “remediare” e os substantivos “redémptio” e
“remédium”, tinham um significado similar: redimir, resgatar, resgate, remédio (com o sentido de
salvação, libertação). Isto explica porque, nos escritos dos séculos XVI – XVII, se dão a padroeira
três títulos: “do Remédio”, “do Resgate”, “da Libertação”.
A representação mais antiga hoje conservada é uma imagem românica, que pertenceu à primeira
casa dos Trinitários em Marselha: a Virgem está sentada com o Menino no braço esquerdo e com a
bolsa de dinheiro no direito. A bolsa alude, como relatam muitos biógrafos, à aparição e ao socorro
dado por Nossa Senhora a São João de Matha, em Túnis e em Valência (Espanha).
Em Portugal, a devoção a Nossa Senhora dos Remédios, foi introduzida por religiosos franceses
da Ordem Hospitalar da Santíssima Trindade, que estiveram em Lisboa no início do século XIII.
No Brasil, Nossa Senhora do Bom Remédio é mais conhecida com o título de Nossa Senhora dos
Remédios. Os frades Trinitários com suas confrarias e os devotos, se empenharam na difusão de suas
devoções específicas, e assim trouxeram para o Brasil o culto da Virgem dos Remédios, em honra da
qual ergueram várias capelas em várias províncias do Nordeste ( Maranhão, Pernambuco e Bahia) e
nas regiões barrocas de Minas Gerais.
As primeiras e mais famosas Igrejas construídas dedicadas a Nossa Senhora dos Remédios, foram
em Paraty/RJ, em 1646. Em São Paulo, a Igreja com seu frontispício de azulejos e sua história
recheada de lendas, estava situada na Praça João Mendes. Era o refúgio dos escravos perseguidos, e
nos últimos tempos do Império, o reduto preferido dos abolicionistas. Em 1941, foi demolida para o
alargamento da praça, conhecida antigamente como Largo dos Remédios. Dedicada a Nossa Senhora
dos Remédios, é também a única Igreja na Ilha de Fernando de Noronha, construída em estilo
português em 1737.
Texto original com alguns cortes, devido ao tamanho do texto, retirado do site descrito a seguir:
www.sementesdoreino.com.br/oracao_n_sra_dos_remdios.html
Em Nova Olinda, a devoção foi trazida pelos primeiros povos desta terra, que vieram de Portugal,
por volta dos séculos XVIII ou XIX, e trouxeram a imagem de N. Sra. dos Remédios, aquela que já
citamos no capítulo sobre o nome de Nova Olinda e que é conservada até hoje na Paróquia, a qual
possui pintura em ouro e, devido a sua originalidade, tornou-se para a comunidade um valioso
patrimônio artístico e religioso. Com o tempo, havia muitos herdeiros da imagem e todos queriam
possuí-la. Então decidiram fazer um leilão para ver com quem ela ficaria e João Barreiro, casado com
Conceição, irmã de Job de Sousa e uma das herdeiras, arrematou a imagem por 600 mil réis. A
primeira capelinha em sua honra foi construída em 1890, para a realização da primeira missa, que
marcou a fundação da cidade. Em seguida, já fizeram uma capela maior, onde no dia 27/09/1903 foi
rezada a primeira missa pelo Pe. Aristides Ferreira da Cruz. A comunidade foi crescendo e a capelinha
foi ficando pequena. Assim decidiram fazer a atual matriz no mesmo local da capelinha, não restando
nada desse patrimônio religioso a não ser algumas pouquíssimas fotos da mesma. As únicas fotos
dela, são as que mostramos neste trabalho.
No dia 08/09/1955 realizou-se a benção solene da atual matriz, pelo bispo de Cajazeiras D. Zacarias
Rolim de Moura. A solenidade contou com a presença dos padres Francisco das Chagas Barros,
Milton Arruda de Alencar, Antonio Costa, Manoel Otaviano (orador da festa), além do vigário na
época Luís Laíres da Nóbrega. Na antiga capela foi colocada uma imagem maior, feita e doada por
Severino Job de Sousa, que hoje é utilizada nas procissões da festa da padroeira. Depois foi comprada
a atual imagem, que foi benta no dia 05/10/1952, pelo Pe. Luis Gualberto de Andrade.
Desde o princípio, como já podemos observar, o nosso povo era extremamente religioso. E mesmo
antes de se pensar na construção da capela, eles já tinham as suas devoções e celebrações, mesmo que
fossem realizadas em suas casas. O mês Mariano, a reza do terço, as novenas dos santos, o pagamento
das promessas, eram as principais formas de expressarem a sua religiosidade. E quando construíram
a capela e, consequentemente, com o crescimento do povoado e distrito, começaram a surgir os grupos
e movimentos religiosos. Assim, em 1919, foi fundado o Apostolado da Oração, pelo Pe. Nazário
Rolim; em 1937 a Cruzada Eucarística Infantil, que tinha o nome de Apostolado das Crianças, pelo
Pe. Nicolau Leite; em 1953 a irmandade das Filhas de Maria (só para moças), pelo Pe. Luís Gualberto;
(esses dois últimos não existem mais); em 1985, a Fraternidade do Escapulário pelos frades
Carmelitas, quando o vigário era o Pe. Severino de Alencar Leite; em 1999, a Legião de Maria pelo
Pe. Francinaldo de Sousa Justino; em 2002, o movimento Jesus Misericordioso pelo Pe. Antônio
Evandro; e em 2001, os Mensageiros de Lourdes também pelo Pe. Antônio Evandro.
Houve ainda o projeto das Santas Missões Populares na Diocese de Patos, onde todas as Paróquias
participaram, inclusive Nova Olinda, com encontros, celebrações e retiros missionários. Ocasião em
que houve nesta Paróquia, durante a semana missionária em julho/2008, a visita da imagem de Nossa
Senhora D’água, padroeira da Diocese, com a presença do bispo diocesano – D. Manoel dos Reis, em
preparação para o Jubileu de Ouro da Diocese, que culminou com a celebração do Jubileu em
agosto/2009.
No dia 30/08/1965, a capela é elevada à condição de Paróquia, a solenidade foi presidida pelo
bispo de Patos, D. Expedito Eduardo de Oliveira. O primeiro vigário foi o Pe. Valdomiro Batista de
Amorim. Em seguida, veio o Pe. Severino de Alencar Leite. Depois deste, veio o Pe. José Lopes
Sobrinho, grande benfeitor da Paróquia. A festa da Padroeira é ainda hoje uma das maiores da cidade
– época em que esta é visitada pelos filhos ausentes e amigos, que se encontram para festejarem com
os que moram na cidade.
A Paróquia hoje possui diversas Comunidades Rurais, onde as celebrações são realizadas tanto
pelo padre, como pelos animadores de comunidades. São elas: Manguenza, Andreza, Canto, São
Domingos, Santo Amaro,Cipó.
A Paróquia possui também as suas vocações sacerdotal e religiosa: os padres Zé Dias e Albertino
que deixaram o sacerdócio; os padres Expedito Caetano e Abany de Sousa Barreiro; as irmãs
Carmelitas descalças: Ir. Maria Aparecida do Menino Jesus e Ir. Terezinha (Geovana).
Da década de 30 até a de 70, por várias vezes houve as Missões de Frei Damião, o grande
missionário do Nordeste, que juntava multidões por onde passava para ouvir os seus sermões. Depois
tivemos, a partir da década de 80, também as Missões Carmelitas.
Outra característica da nossa religiosidade é a busca por rezadeiras ou benzedeiras, prática utilizada
ainda hoje por algumas pessoas na comunidade. São senhoras e senhores simples, na sua maioria
analfabetos ou semianalfabetos, que herdaram de suas mães e avós o dom de curar ou afastar os mais
diversos males do corpo ou da alma, tais como peito aberto, mal olhado, companhia caída, torcicolos,
dor de dente e de cabeça, e até para encontrar coisas perdidas ou roubadas. Antes, a procura se dava
pela crença nas rezas e também pela falta de médicos. Hoje, há apenas a crença. Dentre rezadeiras
que se destacaram nesse ofício ontem e hoje, podemos citar: Maria de Cotoco, Marculina Gonzaga,
Mocinha de Elpídio, Angelita Ramos, Neném de Manoel de Bila, Maria de Bita, Anita Rufino, Dona
Rita de Chico Gandé, entre tantas outras.
Outro fato curioso das crendices popular eram as “assombrações”, que se diziam serem vistas,
sobretudo em casas antigas ou em encruzilhadas (vultos, vozes, objetos que se moviam sozinhos),
como o episódio que teria acontecido na casa de Pedro Manoel, no sítio Várzea de Dentro, onde
ocorriam, segundo relatos, fenômenos sobrenaturais, e que só parou depois de um frade ter rezado
uma missa no local. E ainda tinham as “botijas” (que geralmente eram joias ou objetos de ouro ou
prata enterradas no chão ou nas paredes), que segundo as crendices, as almas apareciam em sonho,
pedindo para que fossem arrancadas em troca de alguns “padre nossos e ave marias” ou uma missa
em memória do defunto. Não podemos nos esquecer que, na época, esses objetos e dinheiro eram
mesmo enterrados, como forma de guardá-los para que não fossem roubados ou mesmo para esconder
de pessoas da família ou herdeiros, já que não havia bancos, exceto nas cidades grandes. Também
eram guardados dentro de imagens de santos (os santos do pau oco), pois segundo historiadores, ali
as pessoas e até mesmo os ladrões não ousavam mexer, por medo dos castigos do santo.
A cidade hoje conta também com a presença de Igrejas Evangélicas, não existentes nos primeiros
anos de sua existência, mas que agora também realizam seus cultos e celebrações na cidade e nas
comunidades, contribuindo na evangelização do nosso povo. Dentre elas, as principais temos:
Primeira Igreja Batista de Nova Olinda
De acordo com as palavras do pastor Erenildo Medeiros, em meados de 1980, chegava ao sertão
paraibano, o Pr. Cirino Refosco, enviado pela JMN – Junta de Missões Nacionais, para desenvolver
a implementação de igrejas no Vale do Piancó. Eram tempos difíceis, em que a aridez marcava o
coração dos moradores da região. Sem presença evangélica de raiz não católica, os novolindenses
tiveram o primeiro contato com a mensagem de Jesus sob o viés evangélico, através de cultos
realizados na rua pelo Pr. Cirino, na época, pastor da Primeira Igreja Batista – PIB de Itaporanga/PB
– inicialmente, com uma certa resistência das pessoas, pois ainda era uma novidade na cidade.
Em julho de 1990, o Ministério JUVEP desenvolveu na localidade um projeto missionário que
durou 22 dias. Foi então que houve as primeiras adesões de pessoas à Igreja. Era o marco inicial da
história dos batistas em Nova Olinda. Os convertidos passaram a se reunir regularmente para estudo
da Palavra, oração e adoração, assistidos pelo Pr. Cirino.
Em 31 de dezembro de 1990, foram batizados os primeiros crentes: Maria Helena Neta, José
Ulisses, Vilany Pedrosa, Socorro J. Conceição, Aparecida Evangelista, Maria Caetano, Martizeth
Rodrigues, Elisete Rodrigues e Damiana Rita.
A primeira Assembleia Ordinária foi realizada em 07/03/1991, presidida pelo Pr. Cirino Refosco.
Em 1995 foi construído um salão para reuniões. Em 2001 foi lançada a pedra fundamental para a
construção do templo, inaugurado em 07/12/2003. A Congregação conquistou sua autonomia em
05/02/2006, em Culto Consagratório presidido pelo pastor da igreja-mãe, Roberto Manoel de Andrade,
com as presenças do Pr. Cirino, examinador do concílio, outras igrejas da região e representantes da
PIB de Vitória/ES. Depois de organizada, passou a se chamar Primeira Igreja Batista de Nova Olinda.
A PIB tem propagado a Palavra de Deus no município, através de evangelismo de casa em casa,
programa de rádio, eventos, entre outras atividades. Tem expandido seu trabalho para outras
localidades; além do Distrito de Manguenza, em 2008 foi aberta uma frente missionária na cidade de
Tavares/PB, em parceria com a Igreja Batista de Boa Ventura/PB.
Além do Pr. Cirino Refosco, que iniciou a igreja, passaram ainda os pastores: Vilmar Nóbrega, José
de Arimatéia (in memorian), as Missionárias Wilma de Sousa e Ivoneide Nair. Desde 1996, o
Evangelista Erenildo Medeiros da Silva, missionário autóctone, dirige a PIB de Nova Olinda, que
hoje com pouco mais de 100 membros.
Assembleia de Deus
O primeiro culto realizado na cidade foi no dia15/08/1990, na residência do Sr. Severino Bento, na
rua Presidente João Pessoa, pelo pastor Antônio José de Lima, que deu continuidade ao trabalho
evangélico. Depois vieram os pastores: Jorge Lucena Simões, em 1991, e Sadrak em 1992. Em
setembro de 1993, foi iniciada a construção do templo, concluído em 1996, situado à rua Custódio
Salviano. Em 15/11/1996, foi realizada a inauguração do templo pelo Pr. Sadrak. Desde então,
diversos outros pastores passaram pela igreja, acompanhando os seus membros nos cultos e trabalhos
de evangelização.
Congregação Cristã do Brasil
A Congregação Cristã do Brasil chegou a Nova Olinda em setembro de 1988, introduzida pelo Sr.
Lindolfo Ferraz e família, cooperador da Palestina, no Ceará. O primeiro batismo aconteceu em
01/06/1990, onde foi batizado Paulo Luís. A congregação está presente também na comunidade São
Domingos. As principais atividades realizadas são: batismos, cultos, santa ceia, culto de jovens
semanal, orações familiares, culto de busca dos dons divinos. Há também um trabalho de formação
musical, principalmente para os jovens, que fazem o acompanhamento dos hinos nos cultos e a Obra
da Piedade – parte social da igreja. O cooperador José Simão da Silva é quem coordena os irmãos
atualmente.
No tocante à religião, o município é bem assistido em todas as suas correntes e devoções religiosas,
preservando essa característica da sua origem.
CARACTERIZAÇÃO DO MUNICÍPIO
Localização
O município de Nova Olinda está localizado na região oeste do estado da Paraíba, limitando-se a
sul com Princesa Isabel e Tavares, a oeste com Pedra Branca, a norte e nordeste com Santana dos
Garrotes e a leste com Juru. Ocupa uma área de 84km2, inserida nas folhas Itaporanga (SB.24-Z-CII), Piancó (SB.24-Z-C-III), Serra Talhada (SB.24-Z-C-V) e Afogados da Ingazeira (SB.24-Z-C-VI),
ESCALA 1:100.000, editadas pelo MINTER/SUDENE em 1972. Os limites do município podem ser
observados no Mapa de Recursos Minerais do estado da Paraíba na escala 1:500.000, resultante do
convênio CPRM/CDRM (Serviço Geológico do Brasil), publicado em 2002. A sede municipal
apresenta uma altitude de 350m e coordenadas geográficas de 38º 02’ 31’’ longitude oeste e 07º 28’
47’’ de latitude sul. O acesso a partir de João Pessoa é feito pela BR-230 até a cidade de Patos, onde
toma-se a BR-361 até a cidade de Piancó, daí segue-se pela BR-426 até a sede municipal, distante
cerca de 430 km da capital. Outro acesso é por Pedra Branca , seguindo pela PB361 até Itaporanga,
depois pela PB354. Podemos ainda dizer que Nova Olinda está situada na Mesorregião do Sertão
Paraibano e na Microrregião da Depressão do Alto Piranhas. Possui uma população de 6.070
habitantes, destes 3.019 são homens e 3.051 são mulheres, e ainda 3.227 residem na zona urbana e
2.843 residem na zona rural, conforme o último censo. Aliás, algo chama a atenção sobre esse ponto,
pois descobrimos que a nossa população vem diminuindo a cada recenseamento. Em 1996, éramos
7.241 habitantes; em 2000 – 6.457 habitantes; em 2007 – 6.280 habitantes, e nesse último, mais uma
queda de mais de 200 habitantes e não se investigou ainda o motivo desse fato está acontecendo e
quais os impactos do mesmo para o município.
O município possui um Distrito, Manguenza, e diversas comunidades rurais, dentre as quais se
destacam: Santo Amaro, Canto, Riacho Vermelho, Andresa, São Domingos, Favela, Pedra Branca,
Umbuzeiro, Gatos, Saco da Pedra, Saco, Cipó, Zé Ramos.
Símbolos municipais
O Hino do Município, foi composto pelo conterrâneo Albertino de Sousa Barreiros, inicialmente para
a comemoração do centenário de fundação da cidade. A Bandeira do Município foi criada, ainda na
época da primeira administração, por Bethelânia Job, filha de Chico Job. Há uma outra informação
que diz ser a sua criação de um cidadão da cidade de Patos chamado de Antônio de Fernão. A Bandeira
possui as cores vermelha e branca, tendo no centro um escudo formado de uma flor de algodão (que
já foi o principal produto agrícola do município), com raios de sol no canto superior esquerdo da flor
– simbolizando a sua localização numa região onde o sol predomina quase o ano inteiro, sustentados
por dois ramos verdes e uma laço de fita, onde está a inscrição 1961, ano da emancipação política.
O gentílico é o Novolindense.
Hino da cidade
Letra e Música – Albertino de Sousa Barreiro
Refrão – SALVE, SALVE, Ó NOVA OLINDA,
TERRA AMADA E POR NÓS TÃO QUERIDA.
SALVE, SALVE, Ó NOVA OLINDA,
EM TEU SEMBLANTE RELUZ NOSSA VIDA.
I
Entre as serras fizeste morada
Pelos rios deixastes banhar.
Covardia jamais terra amada
Nós queremos pra sempre te amar.
Se embalas em teu seio este povo
São teus filhos de amor que conduzes.
Da Andreza queremos de novo
Constatar que és terra das luzes.
II
Salve Nova Olinda de glórias!
Nunca um sol já brilhou mais que o teu.
Haveremos de honrar nossa história
Nessa terra onde o amor já nasceu.
Oh! Que Serra Furada sem par
És mãe fértil repleta de vida.
Como é bom sob o teu pálio estar
Sem que fales, teu céu nos convida.
III
Que não sejas debilmente enganada.
Que respondas ao explorador.
Não te traiam os que a tem por amada,
És tão linda e não patíbulo de dor.
Já nascestes aos pés de uma cruz
Em teu verde há balbucios de fé.
Desde o engenho tua prece reluz
Ao altar cantaremos de pé.
Aspectos fisiográficos
Segundo o documento, Diagnóstico do Município feito pelo Ministério de Minas e Energia, em
termos climatológicos, o município acha-se inserido no denominado “Polígono das Secas”,
constituindo um tipo semiárido quente e seco. As temperaturas são elevadas durante o dia,
amenizando-se a noite, com variações anuais dentro de um intervalo 23 a 30°C, com ocasionais picos
mais elevados, principalmente durante a estação seca. O regime pluviométrico, além de baixo, é
irregular, com médias em torno de 840mm/ano, e mínimas e máximas de 367,9 e 1690,9 mm/ano
respectivamente, isso quando não há secas. Devido às oscilações dos fatores climáticos, podem
ocorrer variações com valores para cima ou para baixo do intervalo referenciado. No geral,
caracteriza-se pela presença de apenas 02 estações: a seca que constitui o verão, cujo clímax é de
setembro a dezembro e a chuvosa denominada pelo sertanejo de inverno.
A vegetação é de pequeno porte, típica de caatinga xerofítica, onde se destaca a presença de
cactáceas, arbustos e árvores de pequeno e médio porte.
Os solos são resultantes da desagregação e decomposição das rochas cristalinas do embasamento,
sendo em sua maioria do tipo Podizólico Vermelho-Amarelo de composição areno-argilosa, tendo-se
localmente latossolos e porções restritas de solos de aluvião.
A rede de drenagem é do tipo intermitente e seu padrão predominantemente dentrítico. Devido à
existência de fraturas geológicas, mostra variações para retangular e angular. Os riachos e demais
cursos d’água que drenam a área, pertencem a denominada Bacia do Piancó. De acordo com amostras
coletadas para análise das águas subterrâneas do município, os resultados mostraram a predominância
de 65% de água salobra, 29% de água doce e 6% de salina.
O relevo acha-se incluso na denominada “Planície Sertaneja”, a qual constitui um extenso pedi
plano arrasado, onde localmente se destacam elevações alongadas e alinhadas com o “trend” da
estrutura geológica regional.
Ainda segundo estudos, temos aqui no município uma grande quantidade de ferro, o minério mais
produzido e utilizado no mundo.
As pessoas mais idosas falavam ou falam da existência de ouro bem começo da nossa história, em
serras próximas, mas não há registros formais desse fato.
As águas
O município de Nova Olinda encontra-se inserido nos domínios da bacia hidrográfica do Rio
Piranhas, sub-bacia do Rio Piancó. Seus principais tributários são os riachos Campos, Canoas e
Gravatá. O principal corpo de acumulação é o açude Saco (98.000.000m). Todos os cursos d’água no
município têm regime de escoamento intermitente e o padrão de drenagem é o dentrítico. Como já foi
citado anteriormente estudos mostraram que a maior parte das águas do município é salobra, 65%. O
restante – 6% é constituído por água salina e somente 29% por água doce. Isso explica o fato de que,
quando não tínhamos água encanada, em várias residências possuíam poços, chamados cacimbões, e
a água era mesmo muito salobra. Mesmo assim, utilizada na cozinha, para banhos e lavar roupas.
A barragem do açude Saco está implantada no local Serra Furada, recebendo o maior volume de
água do Rio Gravatá. Construída através de tecnologia avançada “concreto rolado”, sendo na época
da sua construção a 1ª na América Latina a ser construída nesse estilo. O manancial é utilizado no
abastecimento humano, animal, na piscicultura e na irrigação, sendo administrado pela AESA
(Agência Executiva de Gestão de Água da Paraíba) e gerenciada pela Associação dos Usuários de
Água, que tem como objetivo preservá-la de maneira racional, de modo a assegurar sua existência
com qualidade e quantidade suficiente para suprir as necessidades atuais e também das gerações
futuras. Também é possível perceber um grande potencial turístico na barragem, que, por não haver
nenhuma estrutura para receber as pessoas que a visitam quais sejam, barracas, comidas, bebidas,
acesso adequado ao local, entre outros, não é valorizado e aproveitado devidamente pelas autoridades
e pela população, que deixa, dessa forma, de dispor de uma das áreas mais favoráveis, sobretudo ao
turismo ecológico e à geração de renda agrícola da região.
Durante três anos, foi organizada pela FAEPA/SENAR-PB, com a participação de Francisco Teotônio,
a Caminhada da Natureza Alto da Serra, que contava também com um Seminário de Desenvolvimento
Sustentável do Turismo Rural, e na última edição houve ainda o Workshop de Escalada realizado na
Pedra do Catolé, em Pedra Branca, organizada pela DN Aventura/RJ e Aventura Ecológica/PB. A
caminhada tinha participantes dos municípios de Nova Olinda e Pedra Branca, além de convidados,
e tinha início da Serra do Olho D’água, com um percurso de 9,3 km, com trecho de aclive nível pesado,
trechos de altitude que vão de até 700m em relação ao nível do mar, e duração de cerca de 4h.
encerrando na Barragem Saco. O evento deixou de ter continuidade por falta de investimento e apoio
do poder público. Nos últimos anos, a Barragem teve que passar por um reparo, pois apareceu um
vazamento que comprometia a sua estrutura e trazia riscos para a população, sendo necessário
esvaziar boa parte da sua água para a realização do reparo, fato que coincidiu com os últimos anos de
seca, onde a população mais precisava de água, mas que garantiu a segurança da população e a
possibilidade de armazenar água adequadamente nos períodos posteriores.
Economia e agricultura
Quando nossos fundadores pensaram em construir a capelinha para facilitar a participação das
pessoas na vida religiosa, eles tinham ainda uma outra preocupação, que era as suas necessidades
comerciais. Grande parte da alimentação era produzida pela agricultura: o arroz, milho, feijão, batata,
abóbora e da cana de açúcar, da qual faziam a rapadura e se adoçava o café e demais comidas doces,
pois o açúcar era raridade; a mandioca, da qual faziam a farinha; as carnes, que vinham dos seus
próprios criatórios: gado (carne. leite e queijo), ovelhas, porcos e galinhas (ovos). Do algodão, fiavam
as linhas que teciam as redes e outros tecidos mais rústicos. Quanto às demais necessidades era preciso
ir até Misericórdia (Itaporanga) ou até Triunfo/PE, a cavalo, para fazerem suas compras, muitas vezes
passavam dias viajando. No mesmo ano da fundação (1890), realizaram a 1ª feira livre. Contam-se
que fizeram uma latada (uma espécie de tenda) em frente a uma das poucas casas que aqui existia na
época, que era a casa do senhor João Tomaz, a qual seria hoje nas proximidades da praça da matriz,
e naquela 1ª feira havia apenas para venda laranjas e carnes de porco e de gado. A intenção era
começar a chamar a atenção de comerciantes de outras cidades para participarem da feira aqui e,
assim, ir diminuindo as viagens para fazer compras. E não demorou muito a vir comerciantes para a
feira, sobretudo na época da festa da Padroeira, como ainda acontece hoje também por ocasião de
outras festas. Depois, alguns senhores da cidade se tornaram comerciantes e entre os primeiros
estavam: Moisés Rodrigues, Luís Santos, Amâncio Rosado, João Veloso e Inácio Buxudo. Havia uma
vontade e um interesse enorme de ver o desenvolvimento econômico do pequeno povoado.
Até a década de 90, a nossa feira livre era bem movimentada e durava o dia inteiro (das 5h da
manhã até o final da tarde) e com bastantes bancas, que vendiam desde comidas, tecidos, cereais,
calçados, utensílios domésticos e agrícolas, etc. Havia também as louceiras que faziam utensílios em
cerâmica – panelas, potes, cuscuzeiras, pratos, e até para as crianças eram feitas em tamanhos
pequenos para brincadeiras de casinha. Havia bancas que vendiam pão com doce, sobretudo com
quebra-queixo (doce de coco com açúcar caramelado). Quem dessa época não se deliciou com essa
iguaria da nossa feira, principalmente nos tempos de criança? Esperava-se a semana inteira pelo dia
da feira. Era também o dia em que se comprava e comia carne fresca, pois quase ninguém tinha
geladeira e os marchantes só matavam os animais aos sábados. Para os outros dias, as carnes eram
salgadas e colocadas para secar, principalmente em uma vara ou corda que ficava em cima do fogão
de lenha, já que fogão a gás ou mesmo de carvão também eram raridades na época. Hoje, a feira
começa às 6h da manhã e vai até 2h da tarde no máximo, com algumas poucas bancas, exceto nos
períodos de festas, que vêm maiores quantidades de comerciantes e ficam por mais tempo. Na época
da safra do algodão então, aconteciam as melhores feiras. Com o dinheiro do algodão comprava-se
as roupas, calçados (geralmente era perto do mês de setembro, época da festa da padroeira, e era
comum só comprar roupas e calçados somente uma vez no ano para a festa) e comprava-se e estocavase os alimentos não perecíveis para serem consumidos por muito tempo: café, açúcar, rapadura,
farinha, entre outros. Não podemos deixar de relatar algumas curiosidades que costumavam
aconteceram nas feiras. As pessoas vinham para a feira, faziam suas compras e depois começavam a
beber (geralmente aguardente) e, com os ânimos alterados, o ambiente tornava-se propício para se
resolver os casos de intrigas e desafetos e, de vez em quando, as feiras acabavam com brigas e, em
algumas vezes, com tiroteios com vítimas fatais, dispersando as pessoas para suas casas. Entre alguns
desses fatos, destacam-se a morte de um senhor de Princesa Isabel chamado Pio, as de Zé Madalena
e Jordão Martins, entre outras. Isso rendeu a Nova Olinda, por muito tempo, a fama de povo valente,
pois tudo se resolvia na base de brigas, sob facas e revólveres e, ainda pior, sob efeito de álcool, na
maioria das vezes. Aliás, essa era uma característica da maioria das pequenas cidades do sertão.
Felizmente, nos últimos tempos vivemos outra realidade, onde prevalece mais o diálogo para se
resolver desavenças entre famílias e vizinhos e, dificilmente, há registros de violência, a não ser
alguns acontecidos no Manguenza e numa Vaquejada.
Desde os primórdios de nossa existência como cidade, a agricultura foi a maior base da economia
do município, sendo suas atividades mais intensas nos primeiros anos. Além das culturas que
garantiam a maior parte da alimentação das famílias, tivemos por algum tempo o plantio da cana- deaçúcar. No início do século passado, havia, só no sítio Várzea de Dentro, 06 engenhos de cana-deaçúcar, onde se fazia mel, rapaduras e até um pequeno alambique, onde se fabricava uma boa cachaça.
É impressionante como eles foram extintos completamente, não deixando nenhum vestígio, restando
hoje apenas um, na região do sítio Belo Monte, município de Pedra Branca, que pertenceu a Zé Job,
também a Chico Job, e hoje a João Teotônio de Sousa. Isso é fato curioso: a extinção de uma cultura
tão marcante durante toda uma época e que é parte da história da cidade, se lembrarmos da origem do
seu nome, sem quase deixar vestígios. Nunca se procurou investigar a causa dessa extinção. Talvez a
cultura do algodão, que por muito tempo foi o maior produto agrícola da região, tenha contribuída
para o fim do cultivo da cana-de-açúcar
O algodão que, como já mencionado, foi por muito tempo a maior fonte de renda da população.
Era o nosso “ouro branco” e, nessa época, Nova Olinda era uma das maiores produtoras desse produto
da região. Saiam daqui muitos carregamentos em direção às localidades que compravam o referido
produto. Chegaram até a montar uma mini-indústria, que limpava e descaroçava o algodão, mandado
para as fábricas, chamada de vapor, de propriedade de Zé Ferino e Zé Cazé. O cultivo do algodão
durou até o início da década de 90, quando apareceu a praga do “bicudo”, um inseto que acabou com
as plantações não só aqui, mas em diversas regiões do país. Nesse caso, faltou para os nossos
agricultores, apoio e incentivo dos órgãos governamentais no sentido de combater a tal praga ou pelo
menos minimizar os seus danos. Isso fez com que os agricultores desistissem quase que por completo
do cultivo de uma cultura que poderia ter gerado fontes de rendas para o município, com fábrica e
comércio têxtil. Hoje quase não existe mais, nem sequer houve a preocupação de tentar substituí-la
por outra cultura. A marca mais profunda deixada pelo algodão que podemos ver hoje está na bandeira
do município, que traz gravada a flor do algodão como principal figura.
Hoje, permanece com a agricultura de subsistência: planta-se apenas para o consumo familiar. Um
município não tem aproveitado adequadamente o potencial agrícola e hídrico que possui, deixando
de fazer crescer a economia e a qualidade de vida da sua população. O Projeto de Irrigação, que aqui
foi implantado no ano de 1996, pela SRH (Secretaria de Recursos Hídricos do estado da Paraíba),
dentro da programação do Projeto Canaã, deveria atender aos municípios de Nova Olinda e Pedra
Branca, não chegou a atingir sequer todo o município de Nova Olinda. A referida área compreende
terras férteis das sub-bacias dos Rios Gravatá e Canoas, pertencentes à Bacia Hidrográfica do Rio
Piancó, estando esta última inserida no sistema Piranhas, que corre no sentido sul-norte para o vizinho
estado do Rio Grande do Norte. No entanto, apenas a barragem Saco foi concluída, o projeto incluía
também uma Barragem no rio Canoas, que foi iniciado o trabalho de construção, mas paralisado logo
em seguida. A irrigação é utilizada de maneira irracional, com precária assistência técnica dos órgãos
públicos que, através do manejo inadequado do solo e do uso de adubos, deixam resíduos salinos e,
aliado à deficiência de matéria orgânica, tem provocado acúmulos nos teores de fósforo e potássio,
causando um desequilíbrio nutricional e ambiental, sem considerar os prejuízos de ordem
econômica.Outros fatores que impediram o desenvolvimento do projeto foram as más condições das
estradas de acesso ao município. A pavimentação da BR 426 continua inacabada, faltando apenas um
pequeno trecho. E, como já foi por muitas vezes projetada, há quem que está concluída oficialmente,
mas os novolindenses continuam a esperar a sua conclusão. Por outro lado, já temos um acesso todo
pavimentado por Pedra Branca, através da PB354. De toda área que deveria ser irrigada, somente é
utilizada por 15% a 20%, aproximadamente, dos irrigantes. O projeto passou por modificações, que
passou a contar com uma área total irrigável de 934ha. (contra um total de 1.216ha. do projeto
original), com um total de 411 lotes. A área inclui 48 lotes de irrigação por aspersão num total de
97ha. 261 lotes de irrigação por sulcos ocupando 561,5ha. e 102 lotes de irrigação por inundação com
275,5ha. Pelo menos era essa a estrutura do projeto, que ainda não foi concluído em sua totalidade
As primeiras experiências de plantio não rederam muito lucro, a Cooperativa não durou muito tempo
e muitos agricultores perderam o interesse pelo projeto. Hoje, são poucos os que se ariscam a
utilizarem a irrigação nos seus plantios e, na verdade, a maioria prefere plantar só mesmo no período
das chuvas, como se fazia antigamente. Por falta de conscientização e de fiscalização dos órgãos
públicos, diversos trechos dos canais de irrigação foram destruídos pela própria comunidade, que teve
o incentivo necessário para fazer o projeto funcionar.
Em entrevista, o atual secretário da agricultura e o técnico da EMATER, nos informaram quais os
projetos que estão sendo realizados pelo município ou que estão em andamento, dentre eles estão: a
construção de pequenos açudes e poços; a Garantia Safra, que ampliou o número de beneficiados de
102 para 180; o PENAE – Programa Nacional de Alimentação Escolar, que consiste em incentivar os
agricultores a plantarem verduras e legumes para serem vendidos para a merenda das escolas do
município; junto com a EMATER, é desenvolvido o PRONAF – Programa do Pequeno Produtor
Rural, que oferece créditos para pequenos investimentos rural para a agricultura familiar; o programa
Luz para todos, que já cobre 100% do município; distribuição de sementes de milho e feijão para o
plantio. E em andamento estão o projeto para a restauração e revitalização dos canais de irrigação; o
projeto do Arroz Vermelho; e as passagens molhadas, pequenas pontes construídas sobre o rio para
facilitar a locomoção, principalmente na época das chuvas. Vê-se que o município tem buscado
muitos dos Projetos e Programas do governo federal, mas muito ainda precisa ser feito,
principalmente sabendo do potencial agrícola existente no município. E ainda vê-se também que é
cada vez menor o trabalho no campo, sobretudo entre os mais jovens, que preferem ir buscar trabalho
fora, por não serem incentivados a buscarem cursos universitários ou técnicos voltados para a
agricultura.
Nesse setor, não podemos deixar de registrar também o trabalho do Sindicato dos Trabalhadores
Rurais, que desde o ano de 1973, quando foi registrado, esteve a serviço do nosso homem do campo.
E aqui vale lembrar a figura de D. Maria Jose Dantas, mulher de personalidade forte, destemida, que,
com o esposo Jose Gomes, estiveram por muito tempo à frente do sindicato, principalmente na sua
origem, e muito contribuíram trazendo benefícios como o primeiro consultório odontológico, o
encaminhamento de benefícios previdenciários, trabalho realizado até hoje em favor dos agricultores.
O sindicato também deu apoio na realização de exames de vista e ainda faz assessoria jurídica junto
aos sócios.
Quanto ao comércio atual, já temos uma maior variedade de mercadinhos, lojinhas, bares, entre outros,
mas ainda não atende as necessidades da população, em relação ao fornecimento de hortaliças e frutas,
apesar do município ser dotado de tantas terras boas e ter água em abundância, é preciso buscá-las
em outras cidades, o que encarece o produto e, às vezes, faz a sua qualidade cair por causa do percurso
que se faz para chegar até a cidade. O certo é que a pequena Vila e Distrito, onde havia apenas umas
pequenas “budegas”, nas quais se comprava o básico do básico (uma quarta de açúcar, óleo de soja a
colheradas, meia garrafa de querosene, etc.), padaria, bares e uma loja de tecido – pois os demais
mantimentos só se comprava na feira, aos sábados, hoje oferece aos seus habitantes o necessário para
a sobrevivência sem precisa deslocar-se para outros municípios, como se fazia anteriormente, e
mesmo o acesso às cidades vizinhas se tornou também mais fácil e acessível.
A sociedade de Nova Olinda hoje é formada de pequenos agricultores, comerciantes, e
funcionários públicos municipais e estaduais, além de aposentados rurais. E já não há mais tanta
necessidade de se deslocar para outros estados a procura de trabalho, como era há mais ou menos
duas décadas atrás. Nos anos mais secos, a maioria dos homens, pais de famílias, tinha que viajar,
principalmente para a região sudeste (São Paulo) para trabalhar e mandar o sustento da família que
aqui ficava. Muitos acabavam constituindo uma nova família, deixando à própria sorte a que aqui
deixara. Os que conseguiam uma melhor condição financeira mandavam buscar as suas famílias,
vindo à cidade apenas para visitas; outros permanecem lá, muitas vezes obrigados, à falta de
condições financeiras e, assim, vivem nas favelas e periferias, desempregados ou subempregados,
expostos a toda sorte de vida, como cantou Luiz Gonzaga: “ ... Notícias das bandas no Norte, tem ele
por sorte o gosto de ouvir...”
As secas, são sempre um capítulo à parte na nossa história, aliás na história do nordestino. Desde o
século XIX, a maior seca que se tem notícia foi a de 1877, que dizimou grande parte da população
em decorrência de fome e doenças (chamadas de peste) características desse fenômeno. Ocorreram
muitas outras secas desde essa, que foi mais intensa, até os dias atuais e em decorrência disso,
começou a peregrinação de muitos nordestinos em busca de terras mais férteis, fugindo da fome. Vem
daí o termo “retirante”. E ainda hoje, as autoridades continuam a buscar soluções para esse problema
e uma das mais audaciosas e discutidas, desde a época do império, D. Pedro II, é a transposição do
Rio São Francisco, que segundo especialistas, resolveria o problema da seca, que até agora continua
a atingir milhares de pessoas em todo o Nordeste.
A Política
Até 1930, todo o movimento político de Nova Olinda era em Piancó, pois era lá que, desde a
fundação da cidade, aconteciam as votações. Em 1930, a votação foi em Santana dos Garrotes e a
partir de 1935, as eleições já eram realizadas em nossa cidade. A força política da época era
representada pelos senhores João Barreiro, Moisés Rodrigues, José Henrique, Izidro Henrique,
Antônio Moisés, Raimundo de Paula, entre outros. (Fonte: Nova Olinda – 100 anos de história, 1990
– colocar no rodapé). Como distrito de Piancó, eram esses representantes que buscavam meios para
o desenvolvimento da comunidade. Duas forças políticas da região tinham influência por aqui: eram
os Leites de Piancó – tendo como maiores representantes Major Maru, Dr. Felizardo Leite, Dr. Pedro
Leite, Antônio Montenegro – e os Teotônios, de Santana dos Garrotes – tendo como maiores
representantes, José Teotônio, Teotônio Neto e Renato Teotônio.
Foi no governo de Pedro Gondim que aconteceu a emancipação política da cidade e assim começaram
os preparativos para a primeira eleição. Segundo relato da Dra. Maria do Carmo, que participou do
processo, já naquela época houve muito movimento. Os candidatos foram João Lopes Ferreira, tendo
como vice Antônio Moisés de Sousa – a apoiado pelo grupo de Teotônio Neto – e Jorge Jose da Silva
(Jorge Cazé) e Elizeu Manoel – apoiado pelos Leite, saindo vitorioso João Lopes. A Campanha foi
muito acirrada e foi necessário a presença de soldados do exército para garantir a segurança da eleição.
E já naquela época, segundo a Dra. Maria do Carmo, os candidatos se utilizavam de meios ilícitos
usados pelos candidatos para ganhar a eleição: compra de votos e títulos eleitorais feitos na véspera
da eleição. E depois, nas campanhas seguintes, encontramos a mudança na idade de eleitores para
poderem votar, sem falar das apurações dos votos, onde acontecia de tudo: desde esconder urnas,
acréscimo ou diminuição de votos, só para citar alguns exemplos.
Em 22 de dezembro de 1961, pela Lei nº 2.668/61, foi criado o município e instalado em 25 de
outubro de 1962, quando tomou posse o 1º prefeito João Lopes Ferreira e seu vice Antônio Moisés
de Sousa. A primeira Câmara de Vereadores era composta pelos senhores Manoel Emídio Ramalho,
José Pinto Ramalho, Manoel Benedito da Silva, José Pereira da Silva, Antônio Gonçalves da Silva,
Manoel Caetano da Silva e Marçal Henrique de Lima. Este último foi o primeiro presidente da câmara,
que faleceu após três meses de mandato, assumindo o seu lugar o suplente Luís Leite da Silva.
Em seguida tivemos as seguintes administrações:
Francisco Pinto Ramalho: 1966-1968; Jorge Jose da Silva: 1969-1972; Francisco Pinto Ramalho:
1973-1976; Luís Leite da Silva: 1977-1982; Francisco Pinto Ramalho: 1983-1988; Luís Leite da Silva:
1989-1992; José Alves Sobrinho: 1993-1996; João Raimundo Neto: 1997 -2000; João Raimundo
Neto: 2001- 2004; Francisco Rosado da Silva: 2005-2008. Em 2009 assume Maria Galdino Irmã,
cassada pela Justiça Eleitoral, e após a realização de novas eleições, é eleita a Dra. Maria do Carmo
Silva, que assume em janeiro de 2010. A Dra. Maria do Carmo concorreu seis vezes, ou sete se
contarmos que na última foram duas eleições, para enfim assumir a prefeitura. Esta foi reeleita na
última eleição de 2012, assumindo já um segundo mandato.
Muitas outras pessoas também fizeram parte da história política do município, os quais citaremos
aqui, para que também fiquem registrados e sejam lembrados por todos. Até porque, em sua grande
maioria já não estão mais entre nós. Uns foram candidatos a prefeito, outros candidatos a vice-prefeito.
Alguns dos que foram candidatos a vice-prefeito, tiveram suas chapas vitoriosas. E assim lembramos:
Eliseu Manoel, Manoel Benedito, Pedro Jacó, Otacílio Sabão, Enéas Teotônio, Antônio David,
Antônio Jacob, Francisco Pereira, Alindo Francisco, Guarim David, Anchieta Luiz, Adrian Alves,
João Rosado, Dra. Vanilda Cazé, João Pinto, Idácio Souto, Luis Leite Júnior, Karlla Pinto, Maria
Galdino Neta.
Em 01 de abril de 1990, foi promulgada a constituição municipal. A solenidade foi realizada no
prédio da Câmara municipal, casa Marçal Henrique de Lima, com a presença dos poderes Executivo
e Legislativa da época e de autoridades e pessoas da cidade.
As principais obras do município foram realizadas nas primeiras administrações como: calçamento,
escolas, energia elétrica, telefonia e água encanada, posto de saúde. As demais continuaram
realizando obras, mas de forma mais esporádicas e dentre essas últimas estão o Hospital, creches e
ginásios de esportes, entre outras. O que se pode constatar é que, em mais de cem anos de história, a
cidade, assim como muitas outras localizadas no semiárido nordestino, se desenvolveu muito pouco,
talvez devido à falta de estrutura nas estradas que lhe dão acesso, à posição geográfica na qual ela se
encontra e também à falta de disposição política por parte dos governantes.
Por muito tempo vigorou na política local, assim como em quase todo o Nordeste, o regime de
coronelismo, no qual o chefe político mantinha sob seu domínio grande parte do eleitorado, que apesar
de não serem beneficiados, a não ser no período eleitoral, lhe eram fiéis. Hoje ainda impera, assim
como na maioria das cidades brasileiras, regime de paternalismo, pois faz-se a assistência pessoal
para se obter mais votos, deixando-se de lado o bem da coletividade.
O Distrito de Manguenza
Em 22 de dezembro de 2005, foi criado o Distrito de Manguenza, uma das maiores áreas rurais do
município, com 12.000m, e onde se concentra grande parte da população, - 703 habitantes. O distrito
é habitado desde quando Nova Olinda era ainda o Sítio Serra Furada. De acordo com relatos, na sua
origem teria vestígios indígenas e foi habitado inicialmente pela família do Capitão Antônio Pinto e
Constância Conserva, vindo daí o seu fundador, o Sr. Genésio Pinto, conforme relato de um trabalho
de professores do Escola Maria Dionísia. Já na década de 1940, teria iniciado seu processo de
escolarização, com aulas particulares, ministradas pelo Sr. Manoel Avelino de Lima, na residência do
Sr. Cícero Henrique. Em 1979, foi construída a Capela, dedicada a São Francisco de Assis, idealizada
pela professora Maria do Socorro Rufino, sob a orientação do saudoso Pe. José Lopes, ocasião em
que começou a desenvolver o Distrito. Foi o que me relatou o trabalho realizado por alunos e
professores. De lá, vieram muitos representantes políticos do município, dentre os quais Francisco
Pinto, prefeito por três mandatos, e os vereadores Zacarias Henrique, João Vianês, Manoel Raimundo,
Marçal João, Cícero Martins e Francisco Cipriano (Ticô). Hoje, o distrito já possui uma infraestrutura
bem organizada com comércio, escolas, Igrejas, posto de saúde, creche. No passado, encontramos
relatos de acontecimentos ocorridos no Distrito por ocasião da passagem da Coluna Prestes, em 1926,
e da Revolução de 1930, conforme relataremos a diante, por causa da proximidade com o município
de Tavares, que leva ao município de Princesa Isabel.
Só a título de curiosidade quero registrar os governantes do Brasil e do Estado na época da origem
da nossa cidade e do município. Em 1890, governava o primeiro presidente do Brasil, o Marechal
Manoel Deodoro da Fonseca, e na Paraiba governava o presidente Venâncio Augusto de Magalhães
Neiva. Em 1961, foi um ano conturbado na política brasileira com muitas mudanças na presidência
do Brasil. Até 31/01, governou Juscelino Kubitschek; de 31/01 a 25/08, governou Jânio Quadros; de
25/08 a 07/09, governo interino de Ranieri Mazzilli; e a partir de 07/09, governou João Goulart. Já na
Paraiba o governador em 1961, era Pedro Moreno Gondim.
A Educação
O processo educativo no município de Nova Olinda foi lento e os registros a respeito são poucos,
por isso a maior parte das informações que temos são passadas de forma oral, por pessoas que
participaram ou presenciaram esse processo e que consideramos aptos a prestar tais informações.
O início não foi diferente de tantas outras cidades do seu porte. Os desafios enfrentados pelos que
passaram por aqui foram enormes. Na época, poucos eram os que aprendiam o que se considerava o
básico: ler, escrever e contar e jamais tinham acesso a níveis mais elevados no ensino. Mas sempre
houve aqueles que lutaram e buscaram, apesar das dificuldades, os meios para trazer a instrução aos
primeiros povos desta terra.
A origem de Nova Olinda é do final do século XIX e já nessa época encontramos os primeiros
sinais de educação. E a primeira figura que aparece nesse cenário é de um padre chamado Ângelo.
Segundo nos relataram, ele era um francês que por aqui passou algumas vezes, mas que nas suas
poucas passagens ensinou as primeiras letras aos nossos antepassados. Como geralmente aconteceu
com o início da educação em todo o país, também aqui vemos a presença da Igreja. Era mesmo uma
forte característica da época o envolvimento dos padres com o ensino, pois eram considerados os mais
preparados para o ofício. Vimos que muitas congregações e ordens religiosas foram responsáveis pela
criação de muitos colégios em todos as regiões do país. Muitos permanecem até hoje como as
Lourdinas, os Salesianos entre outros.
Nesse período, a população local era reduzida a poucas famílias, que residiam principalmente no
Sítio Várzea de Dentro, além de umas poucas que habitavam o Sítio Serra Furada, onde mais tarde
foi erguida a cidade. Por isso, certamente havia um pequeno número de alunos. Alguns dos alunos do
Pe. Ângelo se tornaram os primeiros professores desta terra, entre eles estavam Manoel Pedro de
Sousa e João Mestre, que lecionavam em suas casas. Além do ensino dos números, da escrita e da
leitura, o professor João Mestre lecionava as disciplinas de geografia e história do Brasil, segundo
dados recolhidos em entrevista no livro – Nova Olinda: 100 anos de história.
Conforme a cultura da época, inicialmente a instrução era privilégio principalmente dos homens, por
isso eram eles quem mais frequentavam a escola e se tornavam professores. Às mulheres eram
reservadas as prendas domésticas e a artes manuais, como preparação para o casamento. Pouquíssimas
mulheres conseguiam estudar, pois era preciso enfrentar a autoridade patriarcal, que deveria ser
obedecida à risca, e ela não permitia que suas filhas estudassem, segundo relatos, para não escreverem
cartas para os namorados.
É dentro desse contexto que encontramos o primeiro registro de escola. Assim escreveu no seu
Livro de Notas, Severino Job de Sousa: “Foi inaugurada a Escola Rudimentar Urbana, de sexo
masculino no dia 20 de agosto de 1931, regida pelo professor João Batista de Sousa e foi numiado
inspetor local da mesma escola Severino Job de Sousa” (nota de rodapé – ortografia original da
época). Ainda segundo relatos, a escola funcionou na antiga Casa Paroquial, que ficava no mesmo
local da atual. Ali, muitos dos meninos, nossos pais e avós, receberam as primeiras instruções. Era o
despertar de um processo que continua a desenvolver-se até hoje. É interessante perceber o esforço
daquela gente para fazer o pequeno povoado crescer e como já sentiam que a educação teria um papel
fundamental para o seu crescimento. Numa época tão remota, em um lugar tão distante e de difícil
acesso a cidades maiores e mais desenvolvidas, sem ainda ter um representante político oficial
(prefeito) que pudesse reivindicar benefícios aos poderes públicos competentes, pois o povoado
sequer tinha sido elevado à condição de distrito, mesmo assim eles conseguem dar o pontapé inicial
da educação nesta terra. Além da Escola Rudimentar Urbana, continuaram a existir ainda por muitos
anos as aulas particulares, onde os professores lecionavam em suas casas ou em casa de família daqui,
já que muitos professores vinham de outras cidades. Mas eram poucos os pais que podiam pagar por
aulas particulares para os filhos; apena os que possuíam maiores condições financeiras. Por isso,
muitas crianças ficavam fora da escola.
Com o tempo, as mulheres começaram a frequentar as aulas e algumas depois se tornaram
professoras. Entre as pioneiras daqui ou que vieram de fora estavam Dona Sindá, Dona Almerinda,
além dos professores João Ângelo e Geraldo Magela. Em seguida, vieram Maria Filha, Maria
Gonzaga, Severina Leite de Almeida, Maria das Neves Costa, Maria do Carmo Silva, Abigail Meira,
entre tantas outras e outros que também participaram da história da educação de Nova Olinda. Umas,
principalmente as primeiras citadas, eram das aulas particulares, enquanto que outras foram
professoras já na escola pública, no grupo escolar.
A escola pública surge na década de 1950. Embora não se tenha nenhum registro escrito sobre ela,
temos informações através de pessoas que fizeram parte ou frequentaram a mesma. Nessa época, foi
construído um prédio, onde funcionou o Grupo Escolar. O referido prédio hoje não existe mais e este
ficava mais ou menos onde é a Creche Municipal atualmente. É importante observar que a norma do
Governo nessa época, conforme informações sobre os Grupos Escolares na Paraíba, era que para que
fosse implantado um Grupo Escolar em uma localidade e era preciso que as prefeituras arcassem com
as despesas da construção do prédio e dos materiais para o funcionamento das aulas, ficando o
governo do estado responsável pelo salário dos professores. Só que, nesse tempo, Nova Olinda ainda
não era cidade, portanto ainda não havia prefeito e mesmo assim foi contemplada com um grupo
escolar. De acordo com as informações, isso foi possível porque as pessoas influentes daqui, já
consideradas lideranças políticas, recorreram aos políticos de Piancó, de quem éramos distritos,
principalmente ao Dr. Antônio Leite Montenegro, que ocupou vários cargos políticos de vereador a
prefeito daquela cidade e até como deputado, e foi um dos responsáveis pela aquisição desse benefício
para a nossa gente. Assim, nossas primeiras lideranças mostravam uma vontade imensa de ver Nova
Olinda crescer e logo perceberam que a educação seria uma das portas de entrada para o progresso e
o desenvolvimento do lugar. Dessa forma, surgiu a Escola Elementar Mista de Nova Olinda. Como
não havia por aqui pessoas com formação para o magistério, foi preciso, inicialmente, trazer
professores de outras cidades. Aqui aparece a figura da professora Severina Leite de Almeida, vinda
da cidade de Olho D’água, e Maria das Neves Costa. Em seguida, também Abigail Meira, de Patos,
que também foi regente de ensino da mesma, pois nessa época, não havia o cargo de diretora, a quem
tive a oportunidade de entrevistar. Essas são consideradas as principais precursoras da escola pública
da cidade. Já na década de 1960, aparecem também as professoras Maria Auxiliadora e Maria do
Carmo Silva. Nessa época, o governador Pedro Gondim transforma a escola em Escolas Reunidas,
esta já organizada com diretoria, e nomeia como primeira diretora Maria do Carmo, conforme nos
informou a mesma.
Como acontecia com a educação de anos atrás, o sistema de ensino era mais direcionado à instrução,
ou seja, ler, escrever e as operações matemáticas, tudo à base da “decoreba”, sob os castigos da
palmatória e outros tantos, sem ter a preocupação com os problemas e dificuldades da criança. Hoje
em dia isso já não acontece mais, pois o professor ou a escola que submeter um aluno a qualquer tipo
de constrangimento físico ou psicológico são punidos. Há os estudiosos e teóricos que ensinam como
lidar com as diversas situações por que passam os profissionais da educação na sala de aula. Também
os professores do início da nossa história tinham pouca formação e, às vezes, quase nenhuma. E uma
das maiores preocupações do estado era erradicar o analfabetismo e aumentar o número de eleitores,
já que, naquele tempo, analfabetos não votavam. Era mais um interesse político do que realmente de
fazer com que as pessoas tivessem mais formação.
No Grupo Escolar, nos relatou o senhor Rui Gonzaga, estudavam a Cartilha do ABC, a Cartilha
do Povo e só então iam para a primeira série. A 1ª e 2ª séries eram destinadas apenas à leitura e escrita
e só a partir da 3ª série entravam as outras disciplinas. Davam destaques também às comemorações
cívicas: descobrimento do Brasil, dia da Pátria, dia da Bandeira, etc. Segundo Maria do Carmo, nessa
época aconteceram os mais belos desfiles cívicos de 7 de setembro. O espírito patriótico era muito
forte. Depois da 4ª série, havia a preparação para o exame de admissão ao Ginásio, para os alunos que
conseguiam continuar estudando. Só que para isso era preciso ir morar em Piancó ou Itaporanga, onde
cursavam do ginasial e até o curso normal. Poucos conseguiam passar dessa fase, porque nesse caso
era preciso ir morar na capital, João Pessoa, e os custos eram maiores ainda e nem todos tinham como
pagar. Já era uma dificuldade cursar o ginasial, por isso a maioria parava na 4ª série. Observando hoje
as pessoas daquela geração, vemos que esse é o nível de escolaridade da sua maioria, uma
consequência dessa fase da nossa educação, mas que para a época era mais uma evolução no ensino.
No início da década de 1970, um novo prédio para o grupo escolar foi construído, na Rua Job de
Sousa, o qual permanece até hoje. Inicialmente, possuía apenas 03 salas de aula, pátio, cantina, 02
banheiros e diretoria. E as professoras já eram, em sua maioria, aqui da cidade. A referida escola
possuiu os seguintes nomes: Escola Elementar Mista de Nova Olinda, Escolas Reunidas de Nova
Olinda, Escola Estadual de Nova Olinda, Escola Estadual de 1º grau de Nova Olinda. E por fim,
através do Decreto Lei nº 21.216 de 12 de fevereiro de 2001, passou a se chamar Escola Estadual de
Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio João Leite Neto. Hoje, a escola oferece as seguintes
modalidades de ensino: infantil, fundamental e médio, distribuída s nos turnos manhã, tarde e noite.
Após passar por uma reforma e ampliação, ela possui uma área de 1.766,5 m2 distribuídos em 20
dependências, com um quadro razoável funcionários entre direção, professores e auxiliares, e conta
com grande número de alunos matriculados. Assim, do pequenino Grupo Escolar do início da nossa
história, com 02 salas de aula, alguns poucos professores, onde se lecionavam apena até a 4ª série
primária, a escola cresceu e se transformou na estrutura física e humana que acabamos de citar. Ela
foi e continua sendo a base educacional da maioria das crianças e jovens do nosso município, hoje
espalhados nos mais diversos recantos do país, exercendo as mais variadas funções e ocupações em
diversas áreas do conhecimento e níveis de formação: graduação, pós-graduação, mestre e doutor.
No município há ainda outras duas escolas estaduais, a Escola Estadual de Ensino Supletivo Paulo
VI e a Escola Estadual de Ensino Fundamental Maria Dionísia, no Distrito de Manguenza.
Ainda no início da década de 1960, a professora Maria do Carmo, cria o Educandário N. Sra. dos
Remédios, uma escolinha particular, onde ela mesma lecionava e dirigia, frequentada por adultos e
crianças a partir do segundo ano primário até a preparação para o Exame de Admissão, obrigatório
para quem ia ingressar no Ginásio, como já menciomos. O referido educandário funcionou nas
proximidades da casa do senhor Rui Gonzaga, na rua Job de Sousa.
Em 1972, surge o Colégio Nova Olinda, também sob a Direção da professora Maria do Carmo
Silva, instituição particular que pertencia a Fundação Pe. Ibiapina. Foram responsáveis pela criação
do colégio os professores Afonso Pereira, Vicente Trocolli, além do advogado Francisco Teotônio
que, embora sendo de Pedra Branca, tem grande carinho por Nova Olinda, como demonstra na letra
da música O Meu Nome é Nova Olinda, escrita por ele, entre outros escritos. A partir dessa época, já
é possível concluir o Ginásio sem precisar se deslocar para outra cidade. Como o Colégio era
particular, muitos alunos que não podia pagar, tiveram bolsas de estudo doadas pela Paróquia N. Sra.
dos Remédios, através do saudoso Pe. Zé Lopes, grande benfeitor dessa cidade, o qual também foi
professor no referido Colégio. É bom ressaltar também aqui a participação da Dra. Maria do Carmo
Silva na educação da cidade, que desde muito cedo se dedicou a melhorar as condições do ensino das
nossas crianças e jovens.
Com a emancipação política em 1961, foi criada a rede de escolas municipais que funcionavam de
forma precária, com turmas de 1ª a 4ª series do ensino fundamental. Não havia muita preocupação
com a capacitação dos professores e qualquer pessoa podia se tornar um deles, em sua maioria
somente com essa formação fundamental. Em 1982, o município começa a ampliar e a melhorar na
educação criando o Colégio Municipal Sebastião Leite, no qual passa a funcionar a Escola Normal,
hoje extinta. Em 1987, foi criado Colégio Municipal Genésio Pinto Ramalho, hoje Escola Municipal
Genésio Pinto Ramalho, que oferece ensino fundamental completo.
Hoje, segundo nos informou a secretária de educação do município, há 09 escolas municipais: 04
na zona urbana e 05 na zona rural, com um número grande de alunos matriculados, onde se oferece
desde a educação infantil até o 9º ano do ensino fundamental. O município ainda oferece vários
programas na área da educação: escola ativa multiseriada; correção de fluxo; educação de jovens e
adultos; reforço para as dificuldades de leitura e escrita; inclusão digital, laboratório de informática.
Está sendo viabilizado o projeto com teatro e dança. Há também biblioteca com livros e vídeos para
consulta dos alunos. Há ainda duas creches, uma na cidade e outra no Distrito de Manguenza, que
atende crianças em horário integral, com educação, alimentação e recreação.
Uma das grandes conquistas dos profissionais da educação foi a implementação do plano de cargos
e salários, que valorizou melhor os salários dos professores. Também o concurso público para
ocupação dos cargos tem sido um grande passo para a ocupação democrática de cargos públicos,
acabando com a prática de apadrinhamento político que perdurou por muito tempo.
Também é importante lembrar que nos últimos anos o município tem dado uma atenção maior ao
ensino universitário, principalmente disponibilizando transporte para os estudantes se deslocarem até
a cidade de Patos, coisa que antes era uma grande dificuldade, porque os municípios não assumiam a
responsabilidade sobre o ensino universitário. Hoje já se sabe da importância de se investir na
capacitação dos profissionais, pois ainda é necessário que muitos venham de fora, já que a cidade não
dispõe de pessoas suficientemente capacitadas para a ocupação dos cargos que requerem nível
superior.
De modo geral, temos no município um quadro escolar bastante amplo, pelo menos em quantidade.
No entanto, ainda não temos uma educação de qualidade. É certo que já há muitas discussões,
formações e atualizações por parte dos profissionais e poder público, mas muito ainda é preciso ser
feito para melhorar e atender de forma satisfatória as necessidades da população nessa área.
A Cultura
No princípio de nossa história, havia muitas manifestações artísticas e culturais que, com o passar
dos anos, deixaram de existir existem. Percebe-se como, nessa área Nova Olinda, era bem mais
desenvolvida anteriormente. Ouvimos falar, com nostalgia, dos animadíssimos Reisados, que eram
apresentados aqui e nas cidades vizinhas. Ainda é possível ouvir algumas cantigas cantadas por alguns
dos que chegaram a participar das danças ou que simplesmente viram e ouviram as apresentações.
Segundo relatos, o primeiro mestre que comandou o reisado foi um senhor de nome Antônio Pereira
e o último, foi o senhor Clementino Francisco dos Santos. Havia ainda as rodas de Coco, dançadas
nos terreiros, animando as noites dos nossos sítios, principalmente na época das moagens da cana nos
engenhos, onde se reuniam muitas pessoas, ou mesmo nos momentos festivos, quando se
encontravam muitas famílias, amigos e vizinhos. E tinha também os “sambas”, onde as moças “de
família”, inicialmente, não podiam frequentar, mas que, com o tempo, se transformaram nos bailes e
todos participavam.
Nas artes, se destacou o artista Severino Job de Sousa que, até a década de 1930, pintava e esculpia
imagens sacras na madeira e no barro, chamadas de “santeiro”, o qual recebia encomenda de pessoas
de diversos lugares. Da pintura e escultura não recebeu influência de nenhum mestre. Os materiais e
os livros de instrução eram provenientes do sul do país, principalmente do Rio de Janeiro e Rio grande
do Sul, através do serviço de Correios e Telégrafos, do qual foi fundador e primeiro funcionário da
Agência local. Ainda é possível encontrar algumas dessas peças com alguns dos seus familiares ou
na Igreja Matriz da cidade. Ele confeccionou também um violino, ainda existente na sua família. O
mesmo foi também professor, em sua própria casa e numa escolinha que aqui foi criada, em 1931, e
diretor da banda de música. Apesar de sua relevância para a cultura e educação local, poucos na cidade
conhecem e valorizam esta personalidade que tanto contribuiu, nos primeiros tempos desta terra, nas
áreas artísticas, cultural e religiosa.
(FOTO 20 - Imagem feita por Severino Job)
Em 1911, foi organizada a primeira banda de música, sob a regência do maestro Severino Ramalho,
que teve como primeiro diretor o senhor João Sabino da Silva, e que por muitos anos animou as festas
religiosas e sociais de Nova Olinda e de toda a região. Essa banda permaneceu ativa até a década 70,
sob a direção de João Lopes Ferreira (1º prefeito), e por ela passaram muitas gerações de músicos da
nossa terra. E como as demais outras expressões artísticas, também foi extinta. Houve uma tentativa
de resgatá-la em 2004, pela Administração Municipal, e uma nova banda foi organizada sob a
regência do maestro Francisco Passos Neto, com a participação de 31 componentes da comunidade,
que como a anterior animava as festas sociais, cívicas e religiosas, mostrando a vocação musical
existente nesta terra. E, mais uma vez, a banda ficou parada por um tempo, reiniciando suas atividades
em 2012, com 24 componentes, agora sob a regência do maestro Hugo Gilles Oliveira de Sousa que
permanece até hoje.
(FOTOS 21, 22 E 23 - Bandas de música em três gerações – décadas de 20 e 70, e 2014)
Outra atração cultural que existiu na cidade nas décadas de 1960 a 1970 foi a banda de pífanos
(Cabaçal), que no mês de maio, principalmente, animava as novenas marianas e os leilões, e mais
uma vez foi extinta sem deixar resquícios. A banda era organizada por Genésio Caboclo, com a
participação de pessoas humildes, e, como as diversas outras manifestações, não tinham fins
lucrativos, fazia-se tudo de forma gratuita, com o único desejo de animar a comunidade.
Em 1966, foi criado o ACRENO (Associação Cultural e Recreativa de Nova Olinda), que atuava
na promoção de festas dos jovens e estudantes, e a sede era o ponto de encontro dos jovens naquela
época. Formou-se um grupo de intercâmbio cultural e estudantil que atuava em diversas cidades da
região, promovendo eventos culturais e festas, era o 4S – (Sentir, Saúde, Servir e Saber). Nessa época,
surge o grupo do Pastoril – dançado no natal, as Quadrilhas do São João e os Dramas – apresentações
dramáticas e musicais, que ajudavam a arrecadar dinheiro para a Igreja. Sem falar das quermesses e
leilões que sempre aconteciam no mês de maio e na festa da Padroeira. Desses, ainda sobrevive a
ACRENO – a qual atua na direção da Rádio Gravatá, as Quadrilhas no São João antecipado,
organizado pela Prefeitura Municipal, onde há também outras pequenas apresentações culturais, todas
com pouca expressividade artística. Permanece viva a Festa da Padroeira, que é um acontecimento
religioso, mas também social, conservando muitas das características tradicionais, onde as pessoas da
cidade e visitantes se confraternizam. O carnaval era comemorado com bailes, matinês nos bares e na
escola e passeatas pelas ruas, até deixar de ocorrer, por algum tempo na cidade, restando aos
novolindenses a opção de ir brincá-lo nas cidades vizinhas, principalmente em Piancó e Coremas, por
causa do açude. Nos últimos anos, tem-se tentando resgatar esse evento, através de alguns bailes
organizados pela casa de show local e, às vezes, pela prefeitura, mas inda não tem tanta tradição.
O São João ainda é comemorado, sempre no segundo final de semana do mês de junho, ocasião
em que são apresentadas algumas quadrilhas, danças, show de calouros, mas, como já comentado,
com pouca expressividade e sem muitas novidades, e se não houver mais investimento para torná-lo
mais atrativo para a comunidade e para os visitantes, pode, como as outras manifestações culturais,
também deixar de existir ou se transformar apenas em mais uma festa, apenas com apresentações de
bandas e nenhuma identidade do município.
Criado em 1989, o GRUTANO – Grupo de Teatro Amador de Nova Olinda, atuou por muitos anos
e participou, junto a Federação Paraibana de Teatro Amador, em Mostras Teatrais em várias cidades.
Chegou a sediar, em 1991, o Primeiro Festival Sertanejo de Teatro, com a participação de grupos
teatrais de várias cidades do sertão e de João Pessoa. Hoje o GRUTANO também não existe mais.
(FOTOS 24 E 25 – GRUTANO – Grupo de Teatro Amador de Nova Olinda)
Outro evento cultural que está quase desaparecendo é o Judas da Sexta-feira da Paixão. Lembro-me
que, anos atrás, todos iam para o roçado do Judas, ver as pessoas roubando seus pertences, enquanto
seus guardas o defendiam. Quem se arriscasse a entrar no sítio, levava muitas chicotadas e, no final,
o boneco, que representava o Judas e era colocado no alto de um pau, no centro, era destruído. Hoje,
ainda acontece a brincadeira, mas de maneira muito tímida, com pouca participação popular.
Enfim, ao fazermos um balanço do início da nossa história até a atualidade, percebe-se um
retrocesso no setor artístico-cultural do município e a necessidade, por parte do poder público e da
população, de se resgatar e/ou reconstruir tradições que constituem a nossa identidade cultural.
A Saúde
Na saúde, antes não havia médico de forma alguma. Nos casos mais graves teriam que ir a
Itaporanga, em burros e cavalos. Mas, em sua grande maioria, os problemas de saúde eram tratados
em casa, com ervas, os remédios caseiros e as rezas. Ainda na década de 1920, Severino Job criou
sua drogaria homeopática, cujos medicamentos vinham do Rio Grande do Sul. Em seguida, começou
a aparecer, ainda que com pouca frequência, os primeiros médicos. Na década de 1950, entre os
médicos que vinham uma vez ou outra, estava o Dr. João Lucio de Sousa, o primeiro filho da terra a
se tornar médico. Depois dele, o município teve apenas a Dra. Vanilda Cazé como médica, sendo esta
também vice-prefeita e secretária municipal de saúde, com muito serviço prestado à população. Dr.
João Lúcio trabalhou no Posto Médico em Piancó, mas sempre que vinha a Nova Olinda consultava
as pessoas na casa de seus pais e familiares. Contávamos ainda com os serviços de João Moisés de
Sousa, que possuía uma farmácia e pela experiência adquirida, em muitos casos, era a quem as pessoas
recorriam quando estavam doentes ou para tomar injeções consultadas pelos médicos.
Mais tarde, começou a vir um médico de Piancó, apenas aos sábados, dia da feira, que atendia um
grande número de pessoas da cidade e zona rural em um curto espaço de tempo. Muitas pessoas
esperavam com a doença durante toda a semana para se consultarem apenas no sábado ou então
tinham que ir a Piancó, numa época em que havia poucos veículos na cidade, as condições financeiras
da maioria das famílias eram precárias e as estradas encontravam em péssimas condições, causando
um sofrimento ainda maior para o doente e sua família. Vale lembrar também aqui os serviços das
parteiras, que traziam ao mundo a maioria das crianças da comunidade. Mulheres simples, quase
sempre analfabetas, que não mediam distâncias nem sacrifícios para atenderem às mulheres grávidas,
fosse na cidade ou zona rural, de dia ou de noite, debaixo de sol ou e chuvas, fazendo um serviço
gratuito, pois geralmente nunca cobravam nada, e eram respeitadas por todos a quem ajudavam a
nascer, ao ponto de serem chamadas de mães por estes e de lhe pedirem a bênção. E assim lembramos
de Dona Antônia de Zé Menino, Dona Luzia de João Ramos, Maria Soté, Rita Silvino, a enfermeira
Lourdes de Juvenal, que apenas com um curso técnico, às vezes tinha que agir como médica, tamanha
era a precariedade e a falta desses profissionais. Em muitos casos as parteiras não resolviam e era
preciso levar as mulheres para Piancó, para serem atendidas por médicos. No entanto, muitas davam
à luz na estrada, outras, com menos sorte, morriam.
Outro fato trágico dessa época era a dificuldade para os pais criarem os filhos, principalmente
quando crianças. O difícil acesso à saúde pública somada às dificuldades financeiras da maioria das
famílias fazia com que muitas crianças morressem nos primeiros anos de vida. Era comum o enterro
de “anjinhos” acompanhados, principalmente por crianças, ao som do sino da Igreja, que tocava
durante o cortejo para o cemitério. Essa imagem felizmente hoje é uma raridade.
Atualmente, segundo nos informou a secretária de saúde, o município conta com atendimento
médico, de enfermagem e ambulatorial realizados na Unidade Mista de Saúde João Moisés de Sousa,
nas três unidades de saúde da família: uma na cidade e duas na zona rural no sítio Gatos e no Distrito
de Manguenza, com previsão da criação de novas unidades nos sítios Canto, Saco da Pedra e Saco de
Nova Olinda. Há os programas: hiperdia – que cuida da diabetes e hipertensão; saúde mental; cito-
patológico; álcool e drogas; farmácia básica; odontologia, na sede e PSF Manguenza. No hospital, há
os serviços de urgência e emergência, ambulatório, ginecologia, fisioterapia, nutrição,
eletrocardiograma, analise clínica, além de um aparelho de Raio X, que não está ainda em uso. As
gestantes são acompanhadas do pré-natal até o parto, fazendo com que a taxa de mortalidade esteja
dentro da faixa do Ministério da Saúde e também contribuindo para o aumento da natalidade. Quanto
à vacinação, há uma cobertura de 90%, nas campanhas. chegando a quase 100%. O programa
Referências trabalha com programa pactuado integrado com o estado para referência e contra
referência (encaminhamento para outras cidades: Patos, Campina Grande e João Pessoa, para exames
complexos e cirurgias). Também há ações voltadas para a vigilância sanitária, epidemiológica e
ambiental – cobrindo 100% na Dengue e 90% de doença de Chagas, bem como o PSE – Programa de
Saúde nas Escolas. O lixo hospitalar é tratado, havendo gerenciamento de resíduos hospitalares.
Ultimamente, houve a efetivação de todo o quadro de funcionários: enfermagem, técnicos em
enfermagem, fisioterapeuta, bioquímica, farmacêutica. No convênio com o Consórcio Intermunicipal
de Saúde, com sede em Piancó, são realizados exames e consultas especializados. Na Medimagem,
em Itaporanga, são feitas mamografias, ultrassonografia e raio X. Apesar de todos esses recursos,
constata-se uma grande dificuldade: a falta de médicos para o atendimento. Segundo a secretária de
Saúde, não é fácil fazer com que médicos venham da capital ou de outras cidades, pois há uma
escassez desses profissionais, principalmente para cidades pequenas e de difícil acesso e, infelizmente,
a população ainda sofre, tendo, muitas vezes, que se deslocar para outras cidades em busca de médicos.
Uma última conquista do município foi a aquisição dos serviços do SAMU, que auxilia no transporte
de doentes quando há necessidade de locomoção para outras cidades, com melhores condições de
saúde.
A Ação Social
Na área da Ação Social, o município conta com vários programas provenientes do governo federal,
tais como: Bolsa Família; Casa da Família que atende a grupos de gestantes e idosos; Pro-Jovem;
PETI, na zona urbana e rural; Creches, na zona urbana e rural, Brinquedoteca na creche Irmã Dulce,
apoio psicológico e de assistência social, contando duas psicólogas e duas assistentes sociais, que
trabalham com mães, crianças e jovens dos programas acima citados. Também há cursos de pintura
e corte e costura destinados a participantes dos programas. Há ainda o CREAS, programa voltado
para jovens em situação de risco. A secretaria sempre participa dos eventos socioculturais do
município, onde os seus jovens, crianças e idosos se apresentam com danças, teatro, capoeira. Vê-se
aqui que, embora ainda precise de uma maior expansão nessa área, já temos algum progresso nessa
área, que atende a essa boa parcela da nossa população, ou pelo menos existe a busca por programas
e projetos, já que o município não dispõe de recursos para desenvolver tais programas.
O Esporte
O futebol foi, desde o início, o esporte mais praticado pelas nossas crianças e jovens. Das brincadeiras
com bolas de meia, aos jogos realizados, primeiramente, no Sítio Várzea de Dentro, onde o senhor
João de Santo comandava o time Vila Nova, na década de 1960, passando pelo Palmeiras, de Miguel
de Bruno dos anos 80, década em que também surgiu o Esperança, do qual participaram entre tantos
outros Chico e Negrinho Liberato, Roldão de Zé Carlos, Miguel de Bruno, Sapeca, Dama, Dida de
Nega. O campo de futebol era onde hoje fica mais ou menos a Rua Antônio Gonçalves, que depois
foi transformada na Rua Donzira Barreiro. Depois, veio o Guarani, com Sandoval Lopes, Prego, Neto,
Silva, Noel, Valdeci e tantos outros. Também no final dos anos 80, teve o Vasco, comandado por Zé
Grande.
Na década de 1990, o CRB era quem se destacava e dentre os muitos jovens da cidade que
participaram, citamos Dedé Miguel, João Eudes, Dé de Nega, Eilson, Edvando, Carlinhos e Toinho
de Otacílio. Eram organizados torneios e participavam em outras cidades, muitas vezes, assim como
era nos primeiros times, com recursos dos próprios jogadores ou com o patrocínio do comércio local
e de pessoas da comunidade, porque não tinham nenhum apoio dos setores governamentais. No final
dos anos 1990 e início de 2000, um campeonato, já mais organizado foi realizado e este depois se
repetiu por vários anos, sob a organização de Dedé de Lula, Maria Rivaneide, Cícero Amâncio, e do
qual participavam muitos times do município: Veteranos, Elite, Portuguesa, Juventude, São Caetano,
Náutico, Inter e Corinthians de Manguenza, e Cruzeiro de Andreza. Hoje, alguns ainda continuam a
participar de torneios na cidade e na região, como por exemplo o Poeirão, em Itaporanga. Entre eles
estão os Urubus do Sertão, Elite e Veteranos, e tantos outros que foram surgindo na zona rural e
urbana. Já temos também a presença do futebol feminino e o futebol de Salão, sem falar na Escolinha
de Futebol de Coca de Lula, que atua na preparação da meninada para o futebol. Mesmo sem muitos
investimentos, o futebol segue fazendo sua história no município. Vale registrar ainda os Jogos
escolares, que visam a integração entre os alunos e os colégios
CURIOSIDADES HISTÓRICAS
Um lugar talvez já habitado – Severino Job escreveu no seu livro de notas que, quando cavaram os
alicerces da calçada da Igreja, encontraram sepulturas como se tivesse sido ali, antigamente, um
cemitério, e um pau como se fosse de uma cruz. E, pelo seu relato, este procurou saber com as pessoas
da época e ninguém tinha notícia do cemitério encontrado. Isso leva a crer que antes dos Sousas, mais
gente morou na localidade.
A Casa da Torre – O desbravamento dos sertões paraibano, mais precisamente do Vale do Piancó.
Sabe-se que era grande o interesse da Coroa Portuguesa de fazer povoar o Brasil, à época da sua
colonização. Assim foram criadas as Capitanias Hereditárias, daí os Povoados, Vilas e Cidades.
Pessoas de influência junto à Coroa eram encarregadas de ocupar os lugares e se tornavam donos das
terras que ocupavam.
Em se falando do sertão paraibano, no Vale do Piancó, segundo o historiador Padre Heliodoro
Pires, na Bahia havia a Casa da Torre, fundada por Francisco Dias d’Ávila, colono baiano, e esta casa
ou família conquistou, explorou e dominou grande parte do São Francisco, os sertões pernambucanos,
largo trecho de Alagoas e os sertões do Piauí. A Casa da Torre e os Oliveira Ledo são as duas famílias
mais importantes de colonizadores e bandeirantes do Nordeste brasileiro. Fizeram entradas no
território de cinco estados: Bahia, Alagoas, Pernambuco, Piauí e Paraíba. Roteiro dos Bandeirantes,
ainda segundo o mesmo estudo. Nos sertões nordestinos, os bandeirantes abriram caminhos entre os
selvagens, habitantes dessas áreas na época, a tiro, a punhal, a cacete, a grito, a combate, a fogo, de
modo pérfido e não raro brutal. Nisso, muitos índios foram mortos, tiveram que entregar suas terras
para os colonizadores, além de, às vezes, também ter que trabalhar para essa gente.
Assim foram formadas linhas de penetração nos sertões nordestinos. Piancó é o ponto terminal de
três entradas ainda no século XVII: dos descendentes de Garcia d’Ávila e Francisco d’Ávila; de
Domingos Jorge Velho, arrojado sertanista, e a de Teodósio de Oliveira Ledo. Foi assim o ponto de
convergência de três linhas, uma que vinha do Sul, a da Casa da Torre, dos Ávila; a segunda que
vinha do Nordeste, a de Domingos Jorge, pelo Icó; e a terceira, que vinha da nascente, a de Teodósio
Ledo, de Cabaceiras. E foi desbravando terras distantes, guerreando com índios selvagens, nesse caso,
os Piancós, que esses homens foram habitando nossos sertões, principalmente criando gado e
fundando Vilas e Povoados. Havia ainda especulações sobre minas de ouro na região de Piancó, daí
certamente se justifica muito o interesse dessa gente de povoar uma região tão seca e tão distante. Diz
ainda o estudo sobre as entradas e bandeiras ao sertão nordestino, que, com a submissão dos índios
Curemas ou Piancós, foram fundadas fazendas de criar gado, naquele sertão, apossando-se de terras
sobre as quais só mais tarde herdeiros e sucessores conseguiram firmar direitos. Por relatos, ficamos
sabendo que, mais ou menos um século depois disso, chegam nessa região do Vale do Piancó nossos
primeiros antepassados, fundando seus sítios e fazendas, criando gado, construindo engenhos de cana
de açúcar, e mais tarde, os povoados que se transformaram em cidades.
Nova Olinda nos acontecimentos da História do Brasil e da Paraíba – A Revolução de 1930
A Revolução de 1930 é parte não somente da história da Paraíba, mas também da história do Brasil
e, como em tantos municípios do sertão do estado, está também presente em Nova Olinda, na época
ainda em que era povoado.
O Brasil se preparava para mais uma eleição para presidente da república. Os candidatos que
concorriam às eleições eram Júlio Prestes e Getúlio Vargas, que tinha o presidente da Paraíba João
Pessoa como candidato a vice, na Chapa da Aliança Liberal.
João Pessoa, segundo o escritor paraibano José Américo de Almeida no seu Livro de memórias O
Ano do Nego, assumiu o governo da Paraíba com o intuito de moralizar o estado. Assim, ele teria dito
que “ achava tudo “podre” e concluiu que só uma “vassourada” em regra, poderia purificar a vida
pública, rebaixada por figuras sem significação e aproveitadores gulosos” (1938, p. 21). E para isso,
teria tomado medidas que desagradaram a muitos dos que faziam parte da política paraibana, dentre
estes o coronel José Pereira de Lima – Zé Pereira, deputado e chefe político de Princesa Isabel, e que
tinha grande influência na região.
Por outro lado, segundo o jornalista e escritor paraibano Tião Lucena, filho de Princesa Isabel, em
seu livro: 1930 – A história de uma guerra, “ João Pessoa estava em campanha para se eleger vicepresidente e queria os votos dos coronéis, sem, no entanto, prestigiá-los. Ao contrário, hostilizava
aquelas lideranças” (2005, pp. 15-16). Assim, retirou os nomes de José Pereira e do ex-presidente
João Suassuna, principal aliado de Princesa, de uma chapa de candidatos à Câmara dos Deputados,
para beneficiar seu primo Carlos Pessoa. Também teria transferido o irmão do coronel, Manoel Carlos,
chefe da Mesa de Renda de Princesa, para a cidade de Patos. Estas e outras medidas teriam feito Zé
Pereira romper politicamente com João Pessoa, criando o território livre e a independência, que
segundo o seu desejo, Princesa se apartaria da Paraíba, mas não do Brasil. E assim criou “A República
Independente de Princesa”, com exército, constituição e hino, como escreveu Tião Lucena.
A partir daí, teria dado início aos conflitos, com a vinda das tropas de João Pessoa para o sertão,
enquanto que Zé Pereira formava também seu exército, chamados pela polícia de “ cangaceiros”, para
defender Princesa. Era o final do mês de fevereiro de 1930 quando a guerra começou.
Nova Olinda esteve presente de forma significativa na Revolução de 1930. Tropas do Estado Maior
da Polícia, comandados por José Américo de Almeida (grande escritor paraibano, autor do livro A
Bagaceira) lutava contra os Perrepistas, também chamados de Cangaceiros, comandados pelo coronel
Zé Pereira, que também contava com o apoio do governo federal. O comando dos soldados, que se
alojaram em Nova Olinda ficou sob a responsabilidade do capitão Irineu Rangel.
O próprio Jose Américo no seu livro de memórias “O Ano do Nego” (1938, p.99) confirma essa
participação de Nova Olinda: “ Minha intenção era ir a Nova Olinda, onde se instalara o Comando
Geral, mas cansado, fiz uma parada em Piancó”. Como Nova Olinda é próxima a Princesa Isabel, que
era o alvo da revolução, aqui ficou um dos comandos das tropas. Toda a população do povoado foi
para a zona rural, principalmente para o Sítio Várzea de Dentro, porque as tropas tomaram conta das
casas dos seus moradores. Segundo relatos, ainda houve muitos combates por aqui, como pudemos
encontrar registro no livro citado. Ele diz que cangaceiros de Zé Pereira foram surpreendidos num
açude em Manguenza, hoje Distrito, pela força do sargento Vicente Chaves, deixando muitos corpos
sobre o terreno. Segundo José Américo, os cangaceiros foram derrotados. Também no Sítio Cipó, a
propriedade do Sr. Zé Cazé foi uma das que foi saqueada pelos revoltosos, causando grande prejuízo
financeiro àquela família.
Ainda segundo José Américo, o bando de Zé Pereira era dividido em diversos grupos e em cada
grupo havia um chefe. E um dos grupos que combateu aqui era chefiado por José Ferreira, 40 anos,
residente em Belém, do município de Princesa. Comerciante a agricultor, tomou parte nos combates
de Tavares, Nova Olinda e Manguenza, onde foi morto em maio de 1930, pelo volante do sargento
Vicente Chaves.
Relatos de Tião Lucena também contam que
“De Nova Olinda, Rangel mandou os tenentes Arruda, Benício, Ascendino Feitosa e Nonato com 150 soldados
atacarem Princesa por Alagoa Nova, novamente, enquanto ele subia com 60 soldados pelo Cipó, uma garganta
da serra do Canoa distante 4 km de Nova Olinda, onde os aguardavam 40 cabras de Zé Pereira, comandados
por Zeca Ferreira. Ali, foi travado um ligeiro combate, saindo a polícia com dois mortos e três feridos”. (2005,
p.75)
É possível imaginar a aflição do nosso povo naqueles tempos, refugiados no Sítio Várzea de Dentro.
Mulheres grávidas iam dar à luz em lugares escondidos, as filhas moças também eram escondidas,
porque os pais temiam que soldados ou cangaceiros as seduzissem. Roupas, joias e dinheiro eram
enterrados no, porque muitas casas eram saqueadas. Casas na rua da Igreja foram abertas de uma para
outra formando uma trincheira; um canhão foi colocado atrás da capelinha e uma bandeira vermelha
foi colocada no mastro da capela. Era mais ou menos esse o cenário por aqui em 1930. Foi nesse ano
que foi visto pela primeira vez um avião nos céus de Nova Olinda: era um aparelho chamado
“ Garoto”, que chegou a Piancó para deixar provisões para os soldados em Santa Maria e Princesa,
como escreveu José Américo. O avião, nunca visto antes, causou o maior alvoroço na cidade. Contase que mulheres estavam lavando roupa e se banhando no açude dos Grossos e algumas correram
nuas, com medo.
No dia 26 de julho de 1930, João Pessoa foi morto na Confeitaria Glória no Recife/PE, por João
Dantas, encerrando-se a guerra no sertão paraibano. Em seguida, acontece a Revolução para derrubar
o presidente Washington Luiz.
A passagem da Coluna Prestes
A Coluna Prestes, foi um movimento político-militar que aconteceu no Brasil entre 1925 e 1927,
ligado ao “tenentismo”, corrente que possuía como linhas gerais a insatisfação com a República Velha,
exigência do voto secreto, defesa do ensino público e a obrigatoriedade do ensino primário para toda
a população, entre outros. O movimento contou com lideranças das mais diversas correntes políticas,
mas a maior parte era composta por capitães e tenentes da classe média, fato do qual se originou-se o
ideal do “Soldado Cidadão”. Esse movimento deslocou-se pelo interior do país, pregando reformas
políticas e sociais e combatendo o governo do então presidente Artur Bernardes e, posteriormente, de
Washington Luís. A coluna tinha como comando principal Miguel Costa e Luis Carlos Prestes (chefe
do estado maior), chamado na marcha de “ Cavaleiro da Esperança”, e enfrentou as tropas regulares
do Exército ao lado de forças policiais de vários estados, além de batalhões patrióticos e grupos de
jagunços estimulados por promessas de anistia. Percorreram, a pé 25,.000km pelo interior do Brasil.
Apesar dos esforços, a Coluna não conseguiu a adesão da população. A longa marcha foi concluída
em fevereiro de 1927, na Bolívia.
Na Paraíba, a Coluna passou entre os dias 05 a 12 de fevereiro de 1926. No Vale do Piancó, mais
precisamente na cidade de Piancó, a passagem da Coluna Preste foi marcada por um triste episódio:
a morte violenta do Aristides Ferreira da Cruz e de seus companheiros, chamados de “ os mártires de
Piancó”, inclusive este é o título de um livro escrito pelo Pe. Manoel Otaviano. O Pe. Aristides era
uma grande liderança política da região na época, deputado por três mandatos e já não exercia suas
funções sacerdotais, quando liderou, junto com algumas pessoas, o combate e a resistência à Coluna.
A maioria da população havia fugido da cidade quando ouvira a notícia de que a Coluna se
aproximava, como acontecia em outras cidades e povoados por onde ela passava. Apesar de todo o
ideal de justiça e igualdade da marcha, é sabido que houve muitos confrontos e saques por onde
passavam, deixando a população amedrontada. O grupo do Pe. Aristides se rebelou contra a Coluna
e seus integrantes, que saquearam toda a cidade, matando o padre e seus companheiros de forma
brutal, no dia 9 de fevereiro de 1926, em um pequeno açude próximo a cidade, o qual, segundo
testemunhas da época, teve suas águas ensanguentadas,
Após a matança em Piancó, a marcha seguiu para Santana dos Gorrotes e em seguida, passaram em
Nova Olinda, pelo Manguenza, para alcançarem Tavares. Esse é um dado desconhecido pela nossa
população, pois, mesmo por um breve instante, Nova Olinda fez parte da rota da Coluna Prestes, um
movimento de repercussão nacional, página da história do Brasil e que não é conhecido nem por
nossos alunos, mostrando que os habitantes da cidade desconhecem fatos importantes de sua história.
Todo esse relato, pude ouvir quando participei dos seminários sobre o assunto.
Um projeto do historiador Chico Jó, da cidade de Piancó, pretende fazer uma trilha em que as
pessoas possam conhecer a rota da Coluna pela Paraíba. Inclusive já foi toda mapeada (conforme
figuras) e colocados marcos no percurso, onde temos um no Distrito de Manguenza, para mostrar por
onde eles passaram. O projeto tem como objetivo, além de despertar para o fato histórico, o turismo
rural e ecológico, com geração de renda, envolvendo todos os municípios por onde passaria a trilha,
mas não implantado por falta de adesão do puder público local.
CURIOSIDADES LOCAIS
Relatos do cotidiano
Queria voltar no tempo e recordar cenas as quais, a grande maioria não vivi, nem conheci. Mas,
de tanto ouvir falar, não há como não sentir uma nostalgia, uma saudade dos tempos que não voltam
mais, que, de certa forma, tinham as suas dificuldades, mas que eram vividos intensamente. Tempo
que corria devagar, onde os dias passavam lentamente e que dava tempo para tudo. A festa da
padroeira, que era um marco no calendário anual, demorava uma eternidade de uma para outra. Hoje,
a correria é tanta, que o tempo voa e a vida passa num piscar de olhos.
A tecnologia ajuda muito, apesar de ter levado embora muitos prazeres simples, mas que davam
muito mais sentido à vida, como ouvir o rádio de pilha AM, modelo ABC Canarinho, considerado
um dos melhores na época em que ainda não existia FM, e onde se podia sintonizar as rádios
Aparecida, em São Paulo, Sociedade, em Salvador/BA, entre tantas outras, e mais tarde até
acompanhar as radionovelas como O Direito de Nascer. Assim como os aparelhos de TV são hoje, o
rádio era peça indispensável na mesinha no canto da sala, juntamente com os quadros dos santos na
parede e os retratos de pessoas da família, que eram pintados a partir de fotos em preto-e-branco e o
retratista tinha toda liberdade para colocar as roupas e joias que quisesse nos retratos. Não havia ainda
as fotos coloridas e mesmo para ocasiões como festas, casamentos, para documentos ou em qualquer
situação eram em preto-e-branco. Ainda lembro que, por muito tempo, meu pai, Zé de Pedro, era um
dos poucos fotógrafos da cidade –só nas festas é que vinham Geraldo e Antônio Raimundo –, lá em
casa tinha sempre alguém para tirar fotos.
Quando chegava o final de semana, a diversão dos jovens era sentar na calçada do senhor João
Lopes para bater papo, namorar, paquerar ou dar umas voltas na praça da matriz ou em volta do
comércio, onde hoje é o calçadão, muitas vezes ouvindo música na difusora da prefeitura, que tinha
alto-falantes nos postes e levavam músicas para as ruas centrais. Às vezes, bastava arranjar um salão,
uma radiola com discos de vinil e se faziam os bailes e assustados onde os jovens se divertiam. E
conforme relatos, as garotas da Rua da Igreja, que eram em grande quantidade, era que mandavam no
pedaço. Quando elas saiam, e geralmente saiam todas de uma vez, praticamente acabava o baile.
Tinha o bar de Zé Pequeno, onde o pessoal ia sempre lá para tomar umas “biritas”. Depois tinha o
Bar de Manoel de Cícero, o de Severino de Zé Pedro, e, mais recente, a danceteria de Afonso, que
foram, por muito tempo, os pontos de encontro e de diversão da nossa juventude. O sábado de Aleluia
e o dia 31 de maio também eram datas marcantes no calendário da cidade. Bandas, ou Conjuntos
Musicais como se chamava na época, só tinha na festa de setembro e na festa de conclusão do colégio.
Depois, estas começaram a vir nas festas do dia dos pais e das mães. Havia também os Cortejos, que
saíam da Praça da Matriz para a boate ou colégio, onde os casais faziam contribuições e dava-se um
brinde para quem contribuísse com maior valor. De tempos em tempos, aparecia um circo; pequenos,
humildes, mas que por alguns dias animavam a cidade. A Festa de Setembro era um capítulo à parte:
vinham os habitantes da cidade que morava fora; tinha o parque com a “onda”, as canoas, e mais tarde
a roda-gigante. Outra atração dos parques era o locutor, que oferecia, a pedidos – às vezes, anônimos
– músicas para quem quisesse, de um alguém para fulano ou fulana, etc., tudo tão simples assim, sem
maldades. Com muito pouco o pessoal se divertia muito.
À noite, sentava-se nas calçadas para conversar com os vizinhos, debulhar feijão na época da
colheita, enquanto a criançada brincava de roda, do anel, de casinha, de toca, de se esconder. As
crianças se contentavam com brinquedos, muitas vezes, feitos por elas mesmas ou pelos pais. As
meninas brincavam com bonecas de pano, panelinhas de barro, e os meninos, com carrinho de latas,
bolas de meia, bolas de gude (bilas como chamavam). Corriam soltos pelas ruas, a tomar banho de
rio, na época do inverno, matando rolinhas, subindo em árvores para tirar frutas. Como disse o poeta:
“...de camisa aberta ao peito, pés descalços, braços nus, correndo pelas campinas...” (Cassimiro de
Abreu, poesia – Meus Oito Anos) A infância de hoje já não tem mais esses prazeres, as crianças se
tornam adultas muito cedo, vivendo e buscando cada vez mais coisas de gente grande, infelizmente,
a televisão, a internet e os hábitos da vida moderna, não permitem mais que isso aconteça.
A maioria da população não tinha muito dinheiro, apenas o suficiente para sobreviver. Compravase, ainda me lembro, na bodega de Seu Zé Menino, de João Cazé ou de Oiô, uma quarta de açúcar ou
de café, algumas colheres de óleo, o que se precisava no momento, pois não havia tanta necessidade
de estocar, porque também a maior parte dos alimentos vinha da roça. Bom era comer o cuscuz feito
do milho fresquinho, moído em casa, o arroz vermelho pisado no pilão, feijão que vinha direto da
roça, tudo natural e saudável. Hoje, paga-se caro por uma refeição assim e nem sempre é possível
encontrá-la. O pão de Negrinho, aquele que não se encontra igual em nenhum lugar, era uma das
melhores coisas para comer e se fosse com “kisuque” (marca de suco em pó famosa na época; ainda
não havia Tangue nem as tantas outras marcas de hoje), lá de João Rosado Preto, era melhor ainda.
Carne fresca só ao sábado, dia feira. Quase ninguém tinha geladeira, então a carne era salgada e seca
para comer no resto da semana, geralmente colocada numa vara suspensa em cima do fogão de lenha.
Estávamos distantes da era de plástico e dos descartáveis de agora. As coisas e os utensílios de
trabalho eram tão mais duráveis e valorizados, que eram aproveitados ao máximo. Colocavam-se
fundos em panelas e latas de buscar água, solados nos chinelos, remendos ou remodelava roupas.
As pessoas das últimas duas ou três décadas não sabem como era bom e divertido, apesar de
cansativo, ir buscar água no rio, todos os dias, com uma lata na cabeça, repetindo 5,8,10 vezes, até
encher os potes de barro para lavar louça, fazer a comida, tomar banho. Para beber, a água era trazida
nas ancoretas dos jegues, do açude dos Grossos ou do Juvenal. Era no rio ou no açude que as roupas
eram lavadas. Quando chegou a água encanada, acabou a farra de buscar água no rio, onde era possível
se saber de todas as fofocas e fuxicos da cidade, às vezes, até “pendengas” eram resolvidas em brigas
que terminavam com cacimbas tapadas de areia e latas de água derrubadas de cabeças. Mas no dia
seguinte estavam todas juntas de novo, pois sempre prevalecia a amizade.
No período do inverno, era comum tomar banho de chuva na rua, nas biqueiras das casas. Às vezes,
a meninada deitava na ladeira que desce para a rua JK, onde o volume de água era maior, podia ser
de manhã ou à tarde, e ninguém ficava doente. Depois tinha a colheita do arroz, (a bata do arroz, era
assim que se falava), muitas vezes, feitas em mutirão. Partilhava-se o trabalho e a comida, que era
oferecida pelo do dono da colheita da vez. Panelas de galinhas cozidas, arroz doce ou “rubacão”, eram
preparados para alimentar os trabalhadores. Aliás, outro costume interessante, quando se matavam
animais em uma casa, eram sempre partilhados com a vizinha ou comadre. Tão diferente de hoje,
onde é preciso pagar para fazer um pequeno serviço que seja e onde há tanta individualidade.
A natureza, muitas vezes, mostrava a sua face mais dura. Era quando apareciam as secas, que eram
uma constante na vida do povo nordestino, sertanejo. Estudos mostram como as regiões sertanejas do
Nordeste brasileiro sempre foram castigadas por grandes secas. A de 1877, como já citado
anteriormente, foi das umas piores, dizimando grande parte da população pela fome e doenças, e na
qual houve até a intervenção do imperador D. Pedro II, vindo daí a ideia da transposição das águas
do Rio São Francisco, que iniciada pelo governo do Presidente Lua, mas que ainda não foi concluída.
Em 1932, outra grande seca marca o nosso povo, dentre tantas outras que aconteceram. E, naquela
época, não tinha as bolsas e auxílio do governo de hoje. Só na década de 50 começou a aparecer as
frentes de trabalho, para construir estradas e açudes, onde os trabalhadores eram chamados de
“cassacos” e recebiam um valor insignificante pelo trabalho, só para não passar fome. Mas nem todos
conseguiam nem mesmo esse tipo de trabalho, então a solução era ir pra São Paulo, para trabalhar e
mandar o sustento da família. No entanto, até nessas situações extremas, o povo fazia festa. Bastavam
uns poucos pingos de chuva para se fazer uma novena ou para entregar uma imagem de São José que
havia sido roubada de alguma casa para que ele fizesse chover, e que era entregue ao dono, que
muitas vezes nem sabia quem havia roubado, sob cantos, rezas e fogos e umas “biritas’ no final, é
claro.
Tinha um som que era constantemente ouvido na cidade. Era o sino da Igreja, que Maria de Lúcio
e depois Adelaide Juvenal, tocava sempre que falecia alguém ou quando fazia aniversário de morte,
o qual a família mandava tocar para que seus defuntos fossem lembrados. Interessante que havia
toques específicos. Quando era criança (os anjos), era de uma forma, de rapaz ou moça solteira, era
outro toque e para os adultos casados, mais um toque diferente. São particularidades de uma época
tão cheia de costumes interessantes, talvez sem nenhum valor nos tempos atuais, mas que tinham
significados importantes para aquelas gentes. Outro som que ninguém mais ouve é o dos carros de
boi: levando ou trazendo as colheitas, lenhas, areia e barro e até mudanças; iam com suas rodas,
cantando pelo caminho.
Não podemos deixar de registrar também, algumas figuras folclóricas e marcantes que fizeram
parte da vida da cidade. Quem não se lembra ou já ouviu falar de Zé Leopoldina, Maria Faú, Dos
Anjos, Bedelo, o professor Manoel Rita. E na atualidade, o nosso querido Ximba, entre tantos outros
e outras que passaram pela nossa cidade.
Até 1959, não tínhamos energia elétrica; era a luz do motor que funcionava das 18h até as 21h da
noite, mas que dez minutos antes, emitia-se um sinal de que a luz seria desligada. Então era a hora de
acender o candeeiro, se recolher e encerrar mais um dia de labutas, dificuldades e alegrias.
Já os meios de comunicações, no início, só tínhamos o rádio e os correios, com o serviço do
telégrafo, trazido pelo nosso benfeitor Severino Job, do qual foi o primeiro funcionário. A televisão
só chegaria na década de 1970, inicialmente em pouquíssima quantidade, que assim como a geladeira
era um artigo de luxo a que poucas famílias tinham acesso. Na década de 1980, a grande novidade foi
o telefone, que, mesmo com muitas limitações, já podíamos falar com pessoas em qualquer lugar,
mesmo que para isso fosse preciso aguardar horas na TELPA, porque eram apenas dois aparelhos
para atender o município inteiro. Depois, foram colocados ramais nas casas e, em seguida, chegaram
as linhas particulares. Finalmente, tivemos a chegada da telefonia móvel, sem falar também do uso
da internet.
Quanto vale uma cena como essa abaixo? O inesquecível João Moisés, de saudosa memória, em sua
calçada, cercado de jovens de sua época, numa tarde qualquer, de um dia qualquer no passado, cena
que ainda hoje é possível de se ver na cidade com os moradores atuais. Mas, pra quem já está na
cidade grande torna-se cada vez mais impossível por causa do alto índice de violência e sempre mais
crescente.
Mitos locais – Lenda do Boqueirão da Serra Furada – por Francisco Teotônio
Contavam os mais antigos moradores da atual cidade de Nova Olinda que existia uma lenda,
alimentada pela população indígena, localizada sobre a abertura do Boqueirão da Serra Furada entre
os dois municípios: Nova Olinda e Pedra Branca e que consistia no seguinte conto popular.
Ao longo dos mais remotos tempos, que se perderam na memória daqueles habitantes, existia um
enorme lago, criado pela serra que impedia a passagem das águas que vinham da cidade de Princesa
Isabel. Portanto, eram barradas pela imponente Serra Furada.
Pára, A rainha das águas, cotidianamente, vinha cercada de curumins, tomar banho no lago, cujas
águas subiram tanto que, aos poucos, foram cortando a serra até formar o Boqueirão atual e onde se
construiu a Barragem do Saco de Nova Olinda.
Assim, a rainha das águas ficou triste e desolada com a extinção do grande lago, deixando de
frequentar o local, que pensavam ser o lugar de seu repouso, fazendo desaparece da face da terra a
referida população, como dizia a mitologia contada pelos ancestrais de seus povos.
Aberto o famoso e belo Boqueirão, não tinha mais onde a rainha das águas tomar banho e se divertir
com as crianças. Diziam que a revolta de Pára foi tanta que ela só volta ao Saco de Nova Olinda nos
anos de secas, passando a fazer cacimbas no leito do rio Gravatá e Canoas, nas noites de lua cheia,
para matar a sede das pessoas e animais dos quais gosta muito. Construída a Barragem, Pára volta ao
Boqueirão, luminosa como dantes, exercendo todo o poder e majestade que possuíra no seu infinito
passado, no meio da parede da Barragem, o rio barrado como no passado, cercada por jovens meninasmoças, como se fossem personagens de um celeste corpo de balé, apresentado só para pessoas
privilegiadas e escolhidas por Tupã.
NOVA OLINDA POR SEUS CONTERRÂNEOS E ADMIRADORES
MINHA TERRA – Por Albertino Barreiro
O que há de tão sublime, como te contemplar?
O que há de tão legítimo, como ser teu?
O que há de tão verdadeiro, como falar teu nome?
O que há de tão profundo, como sentir saudades ao lembrar de ti?
O MEU NOME É NOVA OLINDA
Autores – Letra: Francisco Teotônio
Música: João Vanildo
Eu sou a mais famosa/ Cidade do meu sertão
Sou banhada pelas águas/ Do perene Gravatá
Sou as mais procuradas/ Terras, pra irrigação
Sou fruto da natureza/ O retrato da grandeza
Eu sou toda inspiração.
REFRÃO
O meu nome é Nova Olinda/ O destino quis assim
Disto eu tenho certeza/ Sou fruto da natureza
Orgulho eu tenho de mim...
Graças a mão do destino/ Me tornei realidade
Me fiz adulta, cresci em/ Fama e prestígio mais,
Que qualquer outra do Vale/ Nova Olinda uma princesa
Orgulho eu tenho de mim/ O destino quis assim
Disto eu tenho certeza.
Das Várzeas do Gravatá/ Riquezas mil brotarão
Sou o encontro das águas/ Com a grande plantação
Sou da terra fonte viva/ Que desabrocha em riqueza
Faz de mim só esperança/ Um rosário de bonança
Disto eu tenho certeza.
Nova Olinda- Pátria minha
Francisca Eneas de Sousa ( Pitica)
Nova Olinda, centenária, porém... menina.
Tão pequenina!
Carregas em teu seio tão jovem
Os sonhos de tantos filhos que vão e vem
Seguindo o movimento da vida,
Buscando em outros seios o que em ti ñ encontram.
São tantos que partem carregando a esperança e a vontade de dizer:
"ESTOU DE VOLTA PRO MEU ACONCHEGO.”
Ah! mas quantos se vão e se perdem no caminho...
E sequer recordam de ti...
Quantas lembranças...
Quantas histórias deixadas pra trás...
Quantas vitórias...
Quantas decepções...
Quantas vidas levadas ao vento!
E tu, qual mãe amorosa
De braços abertos
Aguardas o regresso
Daqueles que um dia viste nascer, crescer e alçar voo
Sem destino nem direção certos.
Ó meu pequeno torrão!
Quisera eu, jamais ouvir dizer de ti
Palavras escusas, grosseiras, vãs...
Que o fulgor daqueles a quem podes chamar de teus
Seja a chama ardente que vivaz e veemente
Escrevem a história de uma gente
Que, presente ou ausente
Vai traçando, rabiscando, contornando
Na imensidão do universo
A esperança de um dia
Fazer de ti um lugar entre mil
Onde se possa parar, repousar
Descansar.
"SALVE Ó NOVA OLINDA DE GLÓRIAS.
NUNCA UM SOL JÁ BRILHOU MAIS QUE O TEU..."
Que teu nome seja pra sempre honrado
Por teus filhos pra sempre amada
Que os “estrangeiros” aqui encontrem pousada
E o amor...
Ah, o amor seja o escudo
E na bandeira seja gravada
FELIZ TERRA AMADA
POR DEUS ABENÇOADA!
REFERÊNCIAS
- ALMEIDA, José Américo de, O Ano do Nego – Memórias. Gráfica Record Editora. Rio de Janeiro,
1938.
- DIAS, Luisa de Sousa, Nova Olinda – 100 anos de história. A União – Superintendência de Imprensa
e Editora. João Pessoa, 1990.
- Livro de Notas e Muvimento desta Capella de Nova Olinda – 1890 a 1929. Severino Job de Sousa.
- LUCENA, Sebastião, 1930 – A História de uma guerra. A União – Superintendência de Imprensa e
Editora. Copyright by 2005.
PIRES, Heliodoro, Padre Mestre Inácio Rolim: Um trecho da colonização do norte brasileiro, 2ª
edição. Teresina/PI.Gráfica Estado do Piaui- Impressora e editora Ltda, 1991.
- SOUSA, Francisco Teotônio de, Piancó, o pequeno grande rio. João Pessoa. Editora Universitária,
2008.
- Diagnóstico do Município de Nova Olinda – Projeto cadastro de fontes de abastecimento por água
subterrânea – Ministério de Minas e Energia – Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação
Mineral – Outubro/2005
- www.sementesdoreino.com.br/oracao_n_sra_dos_remedios.html
- http://pt.wikipedia.org/wiki/coluna_prestes.
- www.usinadesolucoes.com.br/souza.html
- http://pt.wikipedia.org/wiki/lista_de_presidentes_do_Brasil.
- http://pt.wikipedia.org/wiki/lista_de_governadores_da_Paraiba.
Sobre a autora
Luisa de Sousa Dias, nascida em Nova Olinda onde também passou maior parte de sua vida, inclusive
de estudos. Graduada em Pedagogia pela UVA – Universidade Estadual Vale do Acaraú. Funcionária
dos Correios e participante desde cedo no meio cultural da cidade, bem como na Igreja, sobretudo no
teatro e na música. Também foi desde criança que começou a ouvir e a interessar-se pela história da
cidade contada pela família, daí a escrever já em 1990, por ocasião do centenário de fundação, Nova
Olinda – 100 anos de história.

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