HOT 100 - Cássia Navas, na Rede

Сomentários

Transcrição

HOT 100 - Cássia Navas, na Rede
All reserved rights. Proibida a cópia ou qualquer outra forma de reprodução, parcial ou
integral, sem a prévia autorização da autora.
Dança Contemporânea/SESC TV: HOT 100 - THE HOT
ONE HUNDRED CHOREOGRAPHERS – Cristian Duarte
Texto de pesquisa-base para roteiro do programa "Série
2/Dança Contemporânea" - SESC TV/SP, produção Pipoca
Cine Vídeo.
Palco nu, iluminação básica, roupas de todo-­‐o-­‐dia. Um contexto cênico sem sofisticação acolhe uma obra repleta de complexidade histórica -­‐ The Hot One Hundred Choreographers -­‐ do criador e intérprete paulistano Cristian Duarte. Inicialmente, a inspiração parte de Peter Davies, criador escocês das artes visuais, que elaborou uma série de pinturas nas quais eram trabalhadas listas de citações relativas à arte, como, por exemplo, nomes de artistas de sua predileção. As listas (ou lista) de Davies obedeciam a um critério e organização próprios, ou seja, a uma metodologia e escolha deste artista. Como o elaborado pelo semiótico e pensador Umberto Eco, em sua discussão sobre a “vertigem das listas” (2009, Vertige de La Liste), tratava-­‐se de uma relação baseada em critério autoral de quem a organizara. A lista de obras dançadas por Duarte obedece a um critério seu, ancorado na questão ainda contemporânea da citação, justaposição de referências, união de unidades fragmentárias e fragmentadas, costuradas a partir da partitura corporal de um criador. Cristian Duarte elege seus “100 mais importantes coreógrafos” e os anuncia, através de excertos de suas obras, mediante a tradução do tipo de dança por ele feita até aqui. Desta forma, sua maneira de dançar apresenta-­‐se, a todo momento, dentro de excertos de partituras coreográficas, que também anunciadas por suas trilhas sonoras específicas, podem ser (ou não) identificáveis a cada cena. Dentre outras, temos fragmentos de O Lago dos Cisnes (1895, Petipa/Ivanov), de Bolero (1961, Béjart) ou de danças do filme Footloose (1984, Brewer), apresentadas à maneira de Duarte, que gradativamente vai se matizando de muita dança. Nosso desafio não é o de reconhecer parte das danças, ou algumas delas, como num deciframento de enigmas. Não estamos diante de um jogo de salão, por exemplo, frente a uma brincadeira em que, através da mímica, o objetivo fosse o descobrimento de um título de filme, em nosso caso, o nome de uma obra em dança. Se algumas vezes isto vier a acontecer: bingo! Mas não seria esta a meta de Duarte. Sua dança acompanha (e é acompanhada) por excertos de várias outras -­‐ clássicos da cultura do balé, moderna e pop da linguagem. Com isto cresce e se potencializa a sua criação, que, de maneira pós-­‐moderna, generosamente, se dá a conhecer em companhia de estruturas de outros criadores. 2 Não é pouco para se fazer. Acompanhemos este estudo estético, pensando na construção de uma memória coreográfica a partir do corpo de um de seus intérpretes-­‐criadores. Isto é parte da história de um campo artístico-­‐ a dança, mas também história de todos aqueles que já assistiram estas obras em seu tempo. A efemeridade destas construções se estrutura no concreto na cena de Duarte, concebida e estruturada em colaboração com Rodrigo Andreolli. Boa oportunidade de assistir a um dos importantes intérpretes da dança contemporânea atual acompanhado de importantes criadores da cena clássica, moderna e pós-­‐moderna. Veja esta parceria cênica-­‐estético-­‐corporal sem palavras, uma lista de citações incrustadas em corpo especializado da dança. Uma sucessão de citações em lista contemporânea. São Paulo, novembro de 2011. Cássia Navas