trate a vida por tu

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trate a vida por tu
DANIEL SÁ NOGUEIRA
TRATE A VIDA POR TU
DESCUBRA O CURSO DE REALIZAÇÃO PESSOAL
MAIS SEGUIDO EM PORTUGAL.
E TENHA A VIDA COM QUE
SEMPRE SONHOU.
ÍNDICE
INTRODUÇÃO: TRATAR A VIDA POR TU
> ROSA – SERÁ O SUCESSO UMA CIÊNCIA?
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PARTE 1 > REALIDADE: FAZ O TEU PRÓPRIO DIAGNÓSTICO.
> QUADRADO, TRIÂNGULO OU CÍRCULO
> OS 4 FUNDAMENTOS
> TEORIA CAUSA-EFEITO
> ZONAS DE CONFORTO
> SISTEMA DE VALORES
> MODELO PEMS
> NÍVEIS DE CONSCIÊNCIA
> O "R" NA PRÁTICA: A PIZZA DA VIDA
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74
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PARTE 2 > OBJECTIVOS: ONDE QUERO IR E QUEM POSSO SER?
> OBJECTIVOS GURU E BEBÉ
> OS 8 MOTIVADORES HUMANOS
> SAR – SISTEMA DE ACTIVAÇÃO RETICULAR
> O "O" NA PRÁTICA: DEFINIR OBJECTIVOS
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PARTE 3 > SOLUÇÕES: COMO LÁ CHEGAR?
> CRIATIVIDADE
> SOLUÇÕES PARA CADA ÁREA DA VIDA
> GANHAR A VIDA COM O PROPÓSITO DE VIDA
> O "S" NA PRÁTICA: BRAINSTORMING
> A SOLUÇÃO DAS SOLUÇÕES – FÓRMULA PARA A FELICIDADE
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PARTE 4 > ACÇÃO: IR E SER
> ACÇÃO! ACÇÃO! ACÇÃO!
> PEER GROUP
> O "A" NA PRÁTICA: PLANOS DE ACÇÃO
> UMA CARTA PARA TI
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233
236
239
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CONCLUSÃO
> O DESAFIO DOS 10 DIAS
> O EU SUBLIME
> MAIS UMA VEZ, OBRIGADO...
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248
252
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BIBLIOGRAFIA
259
AGRADECIMENTOS
260
DANIEL SÁ NOGUEIRA
262
:: PARTE 1 ::
REALIDADE: ONDE ESTÁS
E QUEM ÉS TU?
O
S
A
Faz o teu próprio diagnóstico
Quem és tu? Quem és tu, de facto? Não respondas aquilo que queres ser. Nem aquilo que os
outros dizem que és. Ou aquilo que tentas mostrar aos outros. Para que a tua vida mude, é preciso que te olhes por dentro. Para além da carne
e do osso e da pele que te cobre. Não te encontras? Perdeste-te algures no tempo, por entre
angústias, problemas do dia-a-dia, stress, responsabilidades? Eu posso ajudar-te a encontrares-te. Posso levar-te ao ponto onde ficaste, para
que daí partas para onde queres ir. Este será o
primeiro grande passo da jornada da tua vida.
Aquele que conhece os outros é sábio.
Aquele que se conhece a si mesmo é iluminado.
LAO -TSÉ
QUADRADO, TRIÂNGULO
OU CÍRCULO
Que forma tem a tua vida?
Gostava de usar estas três formas geométricas para partilhar contigo uma metáfora que ouvi há muitos anos em Orlando, nos EUA,
e que relata na perfeição do que trata (e do que NÃO trata) este livro
e qualquer um dos meus cursos. Então o que é, afinal, uma vida em
forma de quadrado, triângulo ou círculo? Começo por te contar um
pouco da minha própria história.
Em 1999, quando li o meu primeiro livro de desenvolvimento pessoal, percebi que era um quadrado, a viver uma vida de quadrado.
Era igual a qualquer um e vivia uma vida bastante normalizada e
mediana, medíocre até. Então li mais alguns livros e comecei a frequentar cursos e palestras sobre variadíssimos temas de desenvolvimento pessoal e transformei-me rapidamente num triângulo. Não
queria ser um quadrado, agora era um triângulo. E nesta altura criticava os quadrados que conhecia. Ou seja os meus amigos, pais, colegas, todos aqueles que rotulava de quadrados e sobre os quais pensava: “coitados, quem lhes dera ser triângulos”. Afinal, os triângulos
têm uma ponta, uma direcção, uma orientação para objectivos, entusiasmo, pontaria…
Passados uns anos, e depois de tantas experiências de busca interior, dei por mim a achar os triângulos egoístas, muito centrados
em si e nas suas conquistas. Foi então que transformei a minha vida
num círculo: holístico, espiritual. Criticava os demais e venerava a
minha nova forma, vestia-me de branco e meditava várias vezes ao
dia. Até que percebi que o que era importante, na minha vida, não era
mudar de forma… Mas sim viver a forma que a minha vida tinha…
com profundidade.
Este livro, e tratar a vida por tu, também NÃO é sobre mudar de
forma. Não é sobre passar de quadrado a triângulo e a círculo, ou que
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TRATE A VIDA POR TU
forma for. Não é sobre criticar os demais. Acima de tudo, tratar a vida
por tu não é tratar de mudar de personalidade. Pelo contrário. Este livro
é, SIM, sobre cada um ser quem é. Sim, quem é. Se és um quadrado,
estás com um emprego seguro, casado, e com três filhos, e se isso és
tu e estás feliz assim, fantástico. Tratar a vida por tu é continuar a ser
quadrado. Mesmo. A sério. O mesmo se aplica caso sejas um triângulo cheio de objectivos, planos, sonhos e conquistas. Ou um círculo
que abraça árvores e medita todos os dias, ou outra forma qualquer.
Tratar a vida por tu é seres quem és. Quadrado. Triângulo. Círculo. Ser quem és, mas sê-lo com mais e mais profundidade. Esta
é a primeira aula sobre a Realidade da ROSA. Sê quem és, mas sê
profundo.
Se és quadrado, sê cubo.
Se és triângulo, sê pirâmide.
Se és círculo, sê cilindro.
X
X
E o que é ser mais profundo? É viver a vida como te apetece, mas
com mais consciência de ti mesmo, mais generosidade, mais compaixão, mais confiança, mais sinceridade, mais alegria, mais vontade,
mais profundidade nas emoções, nas relações, nos actos e nos pensamentos. É ser quem és, mas com carácter, integridade e autenticidade. Seres profundo é seres tu e seres intenso, grande, forte, gentil,
penetrante e energético.
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PARTE 1 :: REALIDADE: ONDE ESTÁS E QUEM ÉS TU?
Em vez de viveres na ilusão de mudar de quadrado para triângulo e
de triângulo para círculo ou para outra coisa qualquer, basta aumentares a dimensão em relação a quem já és. Passares de 2D a 3D.
Clarificada a metáfora, vou dar-te as boas, as más e as muito boas
notícias.
As BOAS notícias é que és tu quem decide que forma dar à tua vida.
Ainda que te sintas preso, ainda que aches que não tens alternativa,
a tua vida pode sempre ganhar novas arestas, diferentes ângulos e
assumir novas formas.
As MÁS notícias é que às vezes queremos mudar por mudar, vamos
atrás das formas dos outros, quando o importante é sermos a forma
que somos. Todos nós nascemos para algo, ou, pelo menos, existe
algo em que somos melhores, mais verdadeiros, e nos sentimos mais
“nós”. Essa, e nenhuma outra, deve ser a nossa forma.
As MUITO BOAS notícias é que depois de descobrires a tua forma,
só tens de a ser. É muito fácil. E não importa se és quadrado, triângulo ou círculo. A tua forma, seja ela qual for, terá de ser aquela que
te faz feliz. Só precisas de a viver em profundidade.
Se ainda não sabes qual é a forma autenticamente tua, e sentes, dentro de ti, vontade de dar novas formas à tua vida, experimentar novas
arestas e ângulos, não te inibas. Atreve-te. Tenta. Arrisca. Mas preciso, desde já, de te dizer que não é disso que este livro trata. Não é
isso que este livro te pede. Não é isso, necessariamente, o que te fará
feliz. Porque viver melhor, na verdade, não implica deixar de ser quadrado para se ser triângulo e mais tarde círculo. Essas não são etapas
necessárias para se ser mais feliz e mais bem-sucedido na vida. Cada
pessoa pode ser o que é (e é aconselhável e necessário que o seja),
porque é possível ser-se feliz tanto numa vida quadrada como numa
triangular ou circular. Há pessoas que querem levar vidas simples e
lineares, outras que se movem por grandes objectivos e precisam sempre de dar novos ângulos à sua vida, libertando-se de algumas arestas; outras ainda que privilegiam tudo o que é interior e espiritual,
valorizando as questões mais esotéricas da vida. Quanto mais tempo
passares na tua auto-descoberta, mais vais perceber que a única proposta que o universo tem para ti é que sejas tu próprio e que ajudes
os outros a encontrar a sua essência. Uma semente de laranja, por
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TRATE A VIDA POR TU
exemplo, nunca pode dar maçãs ou peras. Mesmo que tente fazê-lo, o
universo vai acabar por torná-la numa laranjeira. A laranjeira apenas
pode decidir multiplicar-se, espalhar mais sementes, mas será sempre uma laranjeira. É assim a lei da vida. É assim a lei da realidade
da ROSA. E é assim que começa este capítulo. Tu és quem és, quer
o saibas, quer não. Somos aquilo que nascemos para ser. E o melhor
que podemos fazer para sermos felizes é tomarmos consciência do
que somos. É sermo-lo… com profundidade! É isso que cada um deve
fazer com a sua vida. Tomar consciência da sua forma e imprimir-lhe
novas arestas, criar novos ângulos, experimentar novos tamanhos e
cores, sem mudar a sua forma. É a isso que eu chamo, verdadeiramente, tratar a vida por tu!
1'
Exercício num minuto:
Experimenta desenhar a tua vida. Dá-lhe uma forma, atribui nomes
aos ângulos e aos lados, dá-lhe cor e desfruta. A tua vida, seja de que
forma for, só precisa ser mais bela e profunda… Desenha-te. Como
te apetecer. Podes ser um quadrado ou triângulo ou círculo ou sol
ou flor ou hexágono ou linha curva ou qualquer outra forma. Então,
bons desenhos…
Agora que pensaste um pouco sobre a forma que tem a tua vida,
quero partilhar contigo aqueles que são os 4 Fundamentos da minha
teoria. Com eles, será mais fácil partirmos juntos para a análise da
tua vida, a forma da tua realidade…
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OS 4 FUNDAMENTOS
Antes de continuarmos esta viagem, acho importante partilhar contigo os 4 princípios ou fundamentos através dos quais leio o mundo.
São eles que estão na base de tudo, da vida em geral, e de cada um
de nós em particular. Foi com base nestes fundamentos que criei as
teorias e as práticas que irei descrever neste livro. Para que possas
entendê-las e aplicá-las na tua vida da forma mais eficaz, começo por
te explicar a minha forma de ver o mundo.
1. TUDO É UM.
Temos muitas vezes a ilusão de que vivemos
separados das pessoas. Que eu estou separado
de ti, que os ricos estão separados dos pobres,
os novos dos velhos, que nós portugueses estamos separados dos espanhóis, que o planeta
Terra está separado do resto dos planetas, que
o trabalho está separado da família... Dividimos a nossa vida numa
série de compartimentos, onde cabem pessoas, lugares e acções, e
vivemos neste sistema de caixinhas, que parece ajudar à nossa organização mental e estrutural, mas levar estas dualidades demasiado a
sério não tem cabimento, porque na verdade… somos todos um. Eu
não posso ajudar-te sem me ajudar. Assim como não posso ajudar-me sem te ajudar. Ao ajudar-te, ajudo-me. Ao ajudar-me, ajudo-te. É
inevitável. Somos um. Também não posso ser mais feliz sem criar
mais felicidade. A ideia utópica de alguém conseguir ter paz interior
sem contribuir para a paz à sua volta não é real. Assim como a ideia
de eu conseguir enriquecer sem enriquecer outras pessoas à minha
volta também não se verifica, porque para eu ser rico preciso de gerar
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TRATE A VIDA POR TU
riqueza. É impossível melhorares a tua vida sem melhorares a vida
das pessoas que estão à tua volta, e isto verifica-se quer a nível micro
(as pessoas com quem te cruzas), quer a nível macro (no contexto
nacional ou mundial). O que fizeres de bem afectará o todo e isso terá
boas repercussões também para ti. O que fizeres de mal, afectará o
todo de forma negativa, e isso, mais cedo
ou mais tarde, afectar-te-á. Porque, em
«Conseguirás tudo o que
última instância, estarás sempre a fazer
queres na vida se ajudares
bem ou mal a ti próprio. Não te esqueo suficiente outras
ças: somos um.
pessoas a conseguirem
Tudo é feito exactamente da mesma
também o que querem…»
coisa, quer seja a tua mão, o oceano ou
ZIG ZIGLAR, escritor e orador
motivacional norte-americano
uma estrela. Nós somos todos um porque tudo é feito da mesma coisa: energia. Tudo é energia. Eu, tu, as montanhas, este livro nas tuas mãos
e até o cheiro de rosas é feito de energia. Procura realmente olhar
objectivamente e compreender a simplicidade neste conceito profundo. Existe o nosso universo, que é composto por galáxias, por planetas, e depois há os seres humanos que têm órgãos como o coração,
a pele, etc., compostos por células, que por sua vez são constituídos
por moléculas, que são formadas por átomos. E estes não são mais do
que energia. Qualquer cientista o confirmará. Resta agora realmente
conseguir abraçar as implicações destas pesquisas e conclusões. Na
sua essência, somos todos um.
Alguma vez pensaste sobre o que significa “Universo”? Uni-Verso é
um único verso.
Somos mesmo todos um.
Eu sei que, à primeira vista, não é fácil entender – e ainda menos
aplicar – este princípio fundamental. Mas se realmente parares para
meditar sobre isto, verás que, no fundo, no teu mais íntimo, tu sentes esta verdade universal. Tu e eu, somos um. E aplicar esta verdade
fundamental pode ser o suficiente para a tua vida começar a mudar.
E então? Estás convencido? Tudo é um?
Bem, na verdade, tudo é dois…
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PARTE 1 :: REALIDADE: ONDE ESTÁS E QUEM ÉS TU?
2. TUDO É DOIS
Tudo pode dividir-se em energia feminina e masculina, em yin e yang. Tudo,
mesmo tudo, tem presente estas duas
energias.
Símbolo chinês que representa
a integração de Yin e Yang.
Yin-Yang é, na filosofia chinesa, uma
representação do princípio da dualidade.
O conceito tem origem no Tao (ou Dao),
base da filosofia e metafísica da cultura chinesa. Segundo este princípio, tudo o que existe é composto por duas forças complementares:
o Yang – o princípio activo, diurno, luminoso, quente, masculino –
e o Yin – o princípio paciente, nocturno, com mais intuição e nuances, ou seja, feminino. Na cultura chinesa estas duas forças também
podem ser representadas através do tigre e do dragão, animais que
simbolizam esses opostos. Entre eles, não há qualquer hierarquia. A
sua beleza e poder resultam da sua complementaridade. Para existir
o frio, é preciso existir o quente; para existir o alto, é preciso existir o
baixo, para existir o gordo, tem de existir o magro, a esquerda complementa e direita, e o “para cima” só faz sentido se existir o “para
baixo”… Na física também existem estes opostos – protões (partículas de carga positiva) e electrões (partículas de carga negativa) – que
se complementam. Na informática existe uma linguagem binária, de
zeros e uns, que está na base de toda a programação. E poderíamos
apontar muitos outros exemplos, nas mais diversas áreas.
Apesar de tudo ser um, tudo é também uma conjugação destas duas
energias opostas – feminina e masculina – que deverão estar, tanto
quanto possível, equilibradas. Um desequilíbrio nesta dinâmica conduzirá a resultados inferiores. E, nos seres humanos, que são também
a conjugação destas duas energias, existe um desequilíbrio energético natural. Ou seja, predominância de um destes tipos de energia.
Geralmente, as mulheres tendem a possuir mais energia feminina e
os homens mais energia masculina, mas não obrigatoriamente. Há
mulheres que têm predominância de energia masculina, assim como
há homens que têm predominância de energia feminina.
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TRATE A VIDA POR TU
É fundamental, depois de procurar assimilar que somos um, que
esse um se divide em duas energias essenciais, o Yin e o Yang, que
são apostos complementares e necessários em qualquer pessoa, qualquer evento ou área de vida. Cada um deve desenvolver estas duas
energias dentro de si, e procurar maximizar e equilibrar estas duas
forças em todas as relações e situações do dia-a-dia.
Tudo é dois?
Bem, na verdade tudo é quatro…
FOGO
3. TUDO É QUATRO
Tudo está assente em quatro elementos:
Terra, Água, Ar e Fogo. Se lhe tirarmos
um destes elementos, o ser vivo morre.
Se tiver excesso de um dos elementos,
TERRA
também morrerá. Vamos olhar para o
caso de uma planta. Precisa de terra
e de ar, de água e de fogo/sol. Os quatro elementos são essenciais à
sua sobrevivência. Se tiver ar, água e fogo, mas não tiver terra, morrerá. Se tiver terra, água e fogo, mas não tiver ar, também morrerá.
Sem água e sem fogo também não sobreviverá. Não adianta ter um
ou mais destes elementos em excesso, se não tiver também os outros
presentes, e bem presentes. O mesmo se passa com o ser humano que
precisa de alimento e água, mas também de se aquecer (fogo) e de
ar para respirar. Para vivermos, precisamos da presença destes quatro elementos, que caracterizam cada uma das quatro áreas de vida:
A TERRA é o lado prático da vida, da matéria física, do dinheiro,
da casa, do trabalho, dos objectos, dos cinco sentidos.
A ÁGUA é a nossa área emocional, que flui e que nos faz sentir o
que sentimos. É tudo o que tem a ver com relacionamentos, com pessoas e emoções.
O AR corresponde a uma dimensão mental, do lado invisível das
ideias e da comunicação, dos pensamentos, aprendizagem, hobbies
e criatividade.
O FOGO é o nosso lado espiritual, do divino, dos valores, da energia,
do efémero. Este elemento existe em vida, no momento, na paixão.
ÁGUA
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AR
PARTE 1 :: REALIDADE: ONDE ESTÁS E QUEM ÉS TU?
FOGO (AURA)
AR (MENTE)
ÁGUA (CORAÇÃO)
TERRA (MÃOS E CORPO)
Os quatro elementos estão presentes em tudo o que somos, mas
também em tudo o que fazemos. Até para leres este livro, caso queiras que ele tenha o maior impacto possível, deves fazê-lo com a presença dos quatro elementos. Anda com ele, transporta-o, toma notas,
escreve nele, dobra uma folha que aches importante (Terra); partilha-o com os teus amigos, ensina a alguém o que aprendeste (Água);
responde às perguntas do livro, concorda, discorda, provoca o debate,
mas lê até ao fim (Ar); identifica-te com este livro, descobre quem tu
és e quem gostavas de ser quando acabasses de o ler (Fogo). Este livro
será tão útil para ti quanto mais conseguires lê-lo e vivê-lo com a presença dos quatro elementos.
TERRA
PRÁTICO
FAZER
MÃOS
ÁGUA
EMOCIONAL
SENTIR
CORAÇÃO
AR
MENTAL
PENSAR
CABEÇA
FOGO
ESPIRITUAL
SER
AURA
Os quatro elementos influenciam, assim, tudo o que fazes, mas
também as relações que estabeleces com os outros. Em qualquer relação laboral ou profissional têm de estar bem presentes os quatro elementos. Quando um deles se desequilibra, a relação é prejudicada.
Às vezes não sobrevive, e morre. Veremos ao longo deste livro como
os relacionamentos pessoais e laborais poderão ser melhorados ana35
TRATE A VIDA POR TU
lisando a presença dos quatros elementos e percebendo qual deles
está em falta e de que forma poderá ser reposto.
Tudo é quatro?
Sim. Mas acima de qualquer coisa, tudo é sobretudo energia…
4. TUDO É (UMA) ENERGIA
Tudo é energia. Tudo tem energia. Este é um
conceito básico da Física, mas algumas pessoas
têm dificuldade em aceitar esta ideia quando
ela se refere à troca de energias entre pessoas. Confesso que eu tinha esta dificuldade.
Era céptico em relação a estas matérias, assim
como algumas pessoas que estão a ler este livro também o poderão
ser. Lembro-me então que uma amiga minha me deu um exemplo
muito simples, mas que prova, de facto, que as pessoas podem trocar energias entre elas. Ela pediu-me que esfregasse as mãos uma na
outra, e as aquecesse. E, enquanto o fazia, tentasse perceber se havia
transferência de energia entre uma mão e outra. Havia, claro. Depois
pediu-me que fizesse o mesmo com a mão dela. E entre a minha mão
e a dela houve transferência de energia. Transferência de calor, pelo
menos, se não quisermos ir mais além. Depois afastámos as nossas
mãos, e ela perguntou-me se eu não achava possível que, entre elas,
mesmo sem toque, houvesse transferência de energia. E colocou-me
um conjunto de outras perguntas às quais eu não soube responder:
Até onde podemos enviar a nossa energia? De quão longe podemos
recebê-la? Até que ponto podemos controlar a energia que enviamos
e a que recebemos?
Nós somos energia. Nós temos energia. E, entre corpos que têm
energia, circula energia. Há interacção. A energia nunca se “gasta”.
Ela circula e é transferida de corpo para corpo. Se tudo é energia, se
todos temos energia, e se a energia circula entre nós, todos, inevitavelmente, interagimos uns com os outros, em tudo o que fazemos.
Há pessoas com mais consciência disto, que conseguem trabalhar
sobre as energias que passam aos outros. Mas, mesmo quem não
tem esta consciência, transmite sempre energia aos outros, e recebe
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PARTE 1 :: REALIDADE: ONDE ESTÁS E QUEM ÉS TU?
também deles energia. Assim como transmite e recebe energia de
tudo o que está à sua volta. E o que recebemos não é alheio daquilo
que damos. Recebemos, na maioria das vezes, na medida e na qualidade daquilo que damos.
Então todos somos energia. Todos damos e recebemos energia. É que,
na verdade, voltando ao primeiro dos meus Fundamentos, tudo é um…
Agora que conheces os 4 Fundamentos da minha teoria, voltemos a
centrar-nos no R da Rosa: a Realidade. A tua vida. Juntos já reflectimos
sobre a tua forma geométrica. Já concluímos que a mudança não
passa, necessariamente, por uma mudança de forma, mas sobretudo por uma maior profundidade dessa mesma forma. Mas agora
peço-te que recues um pouco mais e reflictas sobre o porquê de estares como estás. Como chegaste a essa realidade, o que precisas de
mudar? Quantas vezes tentaste mudá-la? De quem é a responsabilidade de seres quem és e teres a vida que tens? Preparado para ouvir
a resposta que vai mudar a tua vida?
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TEORIA CAUSA-EFEITO
Põe-te em causa. Responsabiliza-te!
A história da gaivota e das galinhas
Era uma vez um ovo de gaivota que rolou para uma capoeira
de galinhas. E, assim que a gaivota nasceu, olhou à sua volta
e só viu galinhas. Achando que era uma delas, cresceu a imitá-las,
mas sempre se sentiu diferente e algo desajeitada. Certo dia,
a gaivota olhou para o céu e viu gaivotas a voar. E ficou de tal forma
maravilhada que perguntou a outra galinha o que era aquilo. A galinha
respondeu-lhe que era uma gaivota. A gaivota ficou fascinada com o que
vira e insistiu com a galinha. Perguntou-lhe porque é que elas não voavam
ou planavam como as gaivotas. A galinha respondeu-lhe que o lugar
delas era na capoeira, a comer milho, e explicou-lhe a diferença entre
as galinhas e as gaivotas. A gaivota ficou triste porque, afinal, ela preferia
ser como aquela gaivota que voava, sem saber que ela também era uma
delas. Então, resignou-se com a sua condição de galinha e ficou naquela
capoeira durante toda a sua vida.
In Chicken Soup for the Soul, de Jack Canfield e Mark Victor Hansen.
Decidi contar-te esta história porque penso que ela é uma forte metáfora para aquilo que é (ou pode ser) a nossa vida.
Há quem viva toda a vida na sua “capoeira”, feliz com o milho que
come, a água que bebe, aquilo que tagarela com as outras galinhas,
os ovos que põe, os pintos que cria e vê depois transformar em frangos e depois galos e galinhas… e isso é bom. É muito bom. Há depois
aquelas galinhas que querem dominar a capoeira, que querem pôr
cada vez mais e melhores ovos, que organizam a distribuição do
milho e protegem o galinheiro das raposas e serpentes que de vez
38
PARTE 1 :: REALIDADE: ONDE ESTÁS E QUEM ÉS TU?
em quando entram na capoeira. A vida pode ser muito rica e intensa
no galinheiro. Assim se saiba dar valor, significado e profundidade
ao dia-a-dia de cada um.
Mas, de facto, nem todas as pessoas são galinhas. E uma gaivota,
se tem consciência que é diferente, e não se adapta, não deve conformar-se a uma vida na capoeira.
A vida é demasiado preciosa para ser vivida com resignação. Quem
se sente insatisfeito com a vida, deve tentar modificá-la. Como? Desejando o seu céu, projectando os seus sonhos. Pensando em formas
de chegar onde se quer, alcançando aquilo que se deseja. Se uma
galinha sabe que é gaivota, deve dar pequenos saltos, todos os dias,
até conseguir que as suas asas se abram, e
«As pessoas que
voem. Pode regressar, ao fim do dia, para
junto da sua família e amigos. Mas se o seu
vencem neste mundo
sonho é rasgar os céus, sentir o vento no
são as que procuram
rosto e explorar novos horizontes todos os
as circunstâncias
dias, não deve ter medo de arriscar. Porque
de que precisam
essa vida, lá fora, existe, e está ao alcance
e, quando não as
de todos aqueles que ousarem desejá-la.
encontram, as criam.»
Pode assustar um bocadinho deixar um
BERNARD SHAW, Prémio
Nobel da Literatura
emprego, trocar de casa, mudar de país, de
rotinas, de alimentação, de hobbies… Mudar
não é para todos, e ainda bem que não é.
Mas quem não se sente feliz com o que tem, tem de mudar alguma
coisa! Ou muda a vida ou muda a perspectiva que tem da sua vida.
E essa responsabilidade é do próprio. Mais ninguém o pode fazer
por ele. É uma decisão pessoal e intransmissível. Destemida mas
– garanto-vos – única!
Tudo é possível, na vida. Desde que seja vivido com verdade. E descobrir a verdade é descobrir quem somos, para depois vivermos em paz.
Lembra-te:
És aquilo que és, quer o saibas, quer não.
39
TRATE A VIDA POR TU
Viver em conformidade implica não só saberes quem és, como
também assumires responsabilidade por aquilo que és, fazes ou
tens. É muito fácil culpar os outros ou as circunstâncias pelo que
não conseguiste ser, pelo que tens de fazer mas não consegues, pelo
que gostarias de ter mas não tens… Pois bem, chegou o momento
de encarares aquilo que não corre bem na tua vida. Quem é o responsável? Pensa bem. Quem tem verdadeiramente culpa pelos teus
resultados nesta vida? Podes tentar apontar o dedo a alguém ou a
alguma coisa, mas acho impossível que, neste momento, não estejas também a apontar o dedo a ti próprio. Já estás a fazê-lo? Óptimo.
Porque esse gesto – esse simples gesto – pode, de facto, fazer a diferença.
A diferença que fará a diferença…
Vou contar-te um exemplo pessoal. Há muitos anos tive um colaborador que, durante um mês em que estive fora, conseguiu envenenar por completo o ambiente na minha empresa: falou mal de mim
aos colegas, fez intrigas, gerou conflitos e ainda por cima trabalhou
muito menos do que era suposto. Em três meses só conseguiu agendar duas ou três reuniões e não obteve quaisquer resultados.
Quando regressei e percebi o que se estava a passar, reuni-me com
ele e despedi-o. Ele ficou indignado pela forma como eu o estava a
tratar e, como forma de retaliação – a que ele chamou de “indemnização” – levou com ele o computador da empresa.
Contado desta maneira tenho a certeza que ficaste convencido de
que eu era a vítima desta história. Porque eu estou a pôr-me em efeito.
Mas posso contar esta mesma história colocando-me em causa. É que
eu, de facto, analisando as coisas, andei tão ocupado naquela altura, a
dar formação, que praticamente nunca estive no escritório. Esse meu
colaborador, nunca tinha feito formação comigo. Era a sua primeira
experiência nesta área. Por isso não estava a ter os resultados que
eu gostaria. Devia tê-lo acompanhado mais, se queria mais dele. Ele
não tinha razões para ficar com o computador mas, de facto, eu fui
malcriado com ele, quando o despedi. Ele não chegou a devolver-me
o computador, mas eu mudei a minha postura em relação aos outros
colaboradores. Ou seja, não consegui contornar aquele evento, mas
mudei a minha perspectiva em relação a ele. Pus-me em causa. E
40
PARTE 1 :: REALIDADE: ONDE ESTÁS E QUEM ÉS TU?
agora empenho-me muito mais em dar formação aos meus colaboradores e em estar mais presente no dia-a-dia da empresa, mesmo
em alturas de mais trabalho.
Na verdade, de pouco te serve analisares a tua vida, reflectires sobre
a tua realidade, se não conseguires pôr-te em
causa. Se não tiveres coragem para assumir
«Não importa o que
responsabilidade por aquilo que és, tens e
fizeram de mim,
fazes neste momento. Voltando à metáfora
o que importa é o que
da galinha e da gaivota, se te sentes uma
eu faço com o que
gaivota, não te queixes do teu ovo que foi
fizeram de mim.»
parar ao galinheiro, das galinhas que nunca
JEAN-PAUL SARTRE,
filósofo
e escritor francês.
te disseram que és diferente, das outras gaivotas que nunca te foram buscar.
Se te sentes uma gaivota, assume-o e abre
as asas para voar. Mesmo que ainda não saibas se esse talento existe
e está dentro de ti. Ser-te-á muito fácil assim que começares a experimentar.
A tendência natural das pessoas que têm vidas que não gostam é
desresponsabilizarem-se. Pior, responsabilizam outros. Os maridos, os
filhos, o chefe, a economia, os inimigos ou então, no mínimo, o passado e a infância. Se assumires a responsabilidade por tudo o que de
mau e de bom aconteça na tua vida, se perceberes que és tu que estás
no centro da tua vida e és tu que tens habilidade de responder perante
ela, será mais fácil empreenderes a grande mudança da tua vida.
Responsabilidade = Respons/Abilidade = Habilidade de Responder
Pessoas com sucesso optam sempre por se responsabilizar. E tu
podes ser uma delas…
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TRATE A VIDA POR TU
A Teoria Causa-Efeito
Sir Isaac Newton, físico inglês do século XVII, publicou em 1687
Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, considerado um dos
livros mais importantes na história da ciência. Nesse trabalho, Newton
descreve a gravitação universal e as três leis do movimento. A terceira
lei diz que, para cada acção, há sempre oposta uma reacção igual –
é a chamada teoria de Causa-Efeito. Isto leva-nos a pensar, por um
lado, que tudo o que nos acontece (todos os efeitos) tem uma origem
(uma causa). E que tudo o que nós fazemos também origina múltiplos efeitos. Não adianta analisar os efeitos sem tentar perceber as
causas. Nem adianta apontar o dedo aos outros, porque tudo aquilo
que nós fazemos também gera efeitos. Directa ou indirectamente,
nós somos a causa dos nossos efeitos. Entender esta realidade é, verdadeiramente, pôr-se em causa.
O chamado “efeito borboleta”, teorizado pelo matemático Edward
Lorenz, em 1963, tem também por base a teoria Causa-Efeito. A ideia é
a de que uma pequena variação nas condições em determinado ponto
de um sistema dinâmico pode ter consequências de proporções inimagináveis. Já deves ter ouvido a frase “O bater de asas de uma borboleta em Tóquio pode provocar um furacão em Nova Iorque.” É que,
de facto, as pequenas acções do dia-a-dia, mesmo aquelas que achamos que não fazem nada por nós nem pelos outros, podem marcar a
diferença. Tudo o que fazemos conta, porque tudo, mas mesmo tudo
na vida tem uma causa e um efeito.
O que a maioria das pessoas com insucesso faz, quando tem um
problema, é concentrar-se apenas nos efeitos, desresponsabilizando-se das causas que o geraram. E isso faz com que se perca poder sobre
a situação. Só quando reflectes sobre as causas e percebes que tens
poder para actuar sobre elas, poderás obter novos e mais proveitosos efeitos.
Quem se foca continuamente, por exemplo, nos efeitos de uma
recessão económica, está a perder a habilidade para responder perante
ela. Queixa-se da inflação, do défice, do preço dos combustíveis, das
taxas de juro ou desemprego, mas não pondera sequer a hipótese de
ter, nas suas mãos, poder para inverter a sua situação.
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