asarum europeum

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asarum europeum
Asarum europaeum
Maria de Nazaré Alves da Cruz, psiquiatra
1. INTRODUÇÃO
No prefácio da Matéria Médica Pura do Asarum europaeum, Hahnemann
critica os primeiros estudos toxicológicos sumários sobre a planta, efetuados por
Cosme e Willemet (Ensaios sobre algumas plantas indígenas, Nancy, 1778), que
somente descrevem a ação emética, náuseas e vômitos, que coexistem com língua
limpa. Baseados nesses sintomas mais grosseiros a escola alopática caracteriza a
ação do Asarum como idêntica à do Ipeca.
Hahnemann, nos diz que não, “tais profanações de Asarum e Ipeca são
intoleráveis, sob a luz de experimentações verdadeiras”. Refere que muitas outras
substâncias quando ingeridas em excesso, causam vômitos perigosos como o
arsênico, sulfato de zinco, acetato de cobre, Veratrum álbum, etc., e questiona se
elas existem meramente na natureza, a fim de que possamos utilizá-las como
eméticos. “O que mais remédios como Asarum podem provocar? (...) O beneficente
Preservador da vida criou essa raiz para fins muito mais elevados. ” Isso pode ser
evidenciado pelo estudo da experimentação patogenética e cada médico
consciencioso deve reconhecer sua vasta esfera de ação.
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http://www.tullymonganfarm.com
1.1 A Substância: Asarum europaem
Ásaron palavra que significa gengibre selvagem já aparece em Dióscorides
(século I). Ase palavra grega significa "náusea" e daí o nome pode se referir às
propriedades eméticas.
Asarum europaeum, gengibre selvagem, Asarabaca - é uma herbácea perene,
pertencente à família Aristolochiaceae, que ocupa um lugar diferenciado no sistema
natural das plantas, principalmente pelas características da flor. É uma família que
tem importância pelas suas propriedades terapêuticas. É cultivado em parques e
jardins como planta de cobertura de solos em sombra. É também usada como
especiaria, aromatizante.
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http://www.pfaf.org
1.1.1 Taxonomia
Reino:
Plantae
Classe:
Magnoliopsita (Dicotiledôneas)
Ordem:
Aristolochiales
Família:
Aristolochiaceae
Gênero:
Asarum
Espécie:
europaem
Subespécies: caucasicum, italicum e europaea
Asarum é um gênero de plantas de baixo crescimento, distribuídos em zonas
temperadas do hemisfério norte, com a maioria das espécies na Ásia (China, Japão
e Vietnã) e América do Norte, A. europaem é o único representante europeu de
gengibre selvagem. Ocupa as florestas da Europa central e sul da Sibéria.
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Ocorre em bosques e matas frondosas, especialmente nas encostas, junto aos
carvalhos, a aveleira, mas também na zona montanhosa superior, a mais de 1500 m
do nível do mar. Estende-se também em pomares de prado e vale dos rios.
Gengibre selvagem requer solo fértil, moderadamente úmido, húmus, tipo Mull,
alcalino, rico em carbonato de cálcio - característico de florestas de madeira,
caducifólias ou pastagens em clima quente e úmido; onde bactérias, minhocas e
insetos são abundantes.
É uma planta que se desenvolve mesmo em sombra profunda. Em condições
satisfatórias cresce em grande número, ocupando grandes áreas do chão da
floresta. A tradição de uso medicinal remonta a pelo menos a antiguidade, sobre o
gengibre selvagem
escreveram: Dióscorides , Galeno, Plínio. Na Idade Média,
durante o reinado de Carlos Magno , esta espécie era conhecida como vulgaginum,
descrito por Paracelso e mais tarde por Matthiolusa. Jerome Brunschwygk descreve
em seu livro de Cirurgia em Estrasburgo o Asarum europaeum em 1497.
Em 1633 na farmacopéia Wild Ginger é mencionado como um componente de
nove preparações. Foi utilizado como um emético, até a descoberta e introdução à
utilização de ipecacuanha. Fizeram dissertações sobre Asarum JG Scheffer em
1721 e J H Schulze em 1731. Em 1778, Coste e Willement realizam os primeiros
estudos toxicológicos. A composição química Asarum era conhecido graças ao
trabalho de anos 1884 e 1888 Alexander Butler e B. Rizza (1884 e 1888), já era
descrito nos trabalhos de Christoph Heinrich Pfaff em 1814.
A partir do rizoma preparavam o Rhizoma Asari e a partir da erva, a Herba Asari.
Asarina – tintura asari.
Em 1817 Hahnemann faz a experimentação, descrevendo 268 sintomas. Na
segunda edição do Tratado de Matéria Médica Pura Hahnemann acrescenta mais
dois sintomas, totalizando 270, publicada em 1825.
Atualmente, gengibre selvagem é pouco usado na Medicina devido à
toxicidade, sendo substituídos por medicamentos mais seguros. Na Polônia foi
retirado do tratamento oficial, em 1983. Hoje, é utilizado na medicina popular. O FDA
adverte contra o consumo de produtos que tenham o ácido aristolóquico, por serem
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cancerígenos. A tecnologia permite o estudo das mutações genéticas que ocorrem
em indivíduos expostos ao Ácido Araquidonico (AA). A importação de aristoquiáceas
foi oficialmente banida em vários países nos anos 2000: EUA, China, Taiwan. No
Brasil, há proibição para o uso em cosméticos, mas não existe regulamentação da
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) sobre os fitoterápicos.
Novos estudos, ainda limitados, tem mostrado que a alfa asarona reduz o
colesterol e triglicerídeos no sangue, sendo usado no México e em outros países. Na
Romênia existem dois produtos farmacêuticos contendo raízes de Asarum. É usado
também em medicamentos antitussígenos. Os estudos farmacológicos com Asarum
europaeum são ainda muito limitados. Não existem estudos clínicos realizados. O
uso é realizado pelos dados da experiência clínica.
Na Medicina Popular seu uso principalmente como emético e purgativo;
expectorante, como tratamento de alcoolismo – acrescenta-se gengibre na bebida,
provocando náuseas e vômitos. Na medicina veterinária, usado como emético. O
maior uso é na Homeopatia – alcoolismo, Gastroenterites com náuseas, febre;
doenças do trato geniturinário, náuseas na gravidez, cefaléias, histeria, doenças
crônicas.
Na homeopatia se utiliza rizomas e raízes frescas. Hahnemann recomendou
diluição C12, ou C15, o que é uma diluição adicional de 12 ou 15 vezes o número
de suco de tubérculos em uma proporção de 1:100. Atualmente são usadas doses
acima de 13 CH para as plantas da família das Aristochiaceas que contenham
ácidos aristolóquios e aristololactonas, devido à aparição de casos de insuficiência
renal terminal e câncer das vias urinárias. Assim, a primeira diluição dever ser acima
de 13 CH para: Arstolochia clematis, Asarum europeaum, Asarum canadense,
Aristólochia cymbifera, Aristolóchia rotumda, Aristolochia serpentária.
1.1.2 Biologia
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Asarum é uma herbácea perene, arrastando-se pelo chão, atinge de 5 a 20 cm
(média 10-15cm) cm de altura. Devido ao crescimento do rizoma do gengibre
selvagem, é um exemplo de plantas modulares - cada um dos sujeitos, forma um
ramo aparecendo como unidades separadas. Toda a planta é peluda e tem um odor
pungente (mal cheiro).
O rizoma, rastejando no chão, retangular, torcido, pegajoso, cinza com
ramificações. Cresce com talo curto e numerosas raízes filiformes. São de 10 a 15
cm de comprimento. Sustentam 2 folhas reniformes, com pecíolos longos. No canto
da parte superior do broto da folha é a continuação do crescimento no próximo ano
As folhas com pecíolos de 5-10 cm. Formato de coração na base, com 5-8 cm de
largura e 4-6 cm de comprimento (reniforme). Em número de 2 a 3, opostas. São
perenes, com um distinto sistema de veias nas folhas (claras). Folhas maduras são
coriáceas, verde escuro e brilhante e tem gosto e cheiro semelhante a pimenta.
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Asarum_europaeum_ziedas2.jpg
As flores, hermafroditas, solitárias, terminais, balançando a cabeça. Forma de
campânula, jarro, crescem perto do chão, penduradas no topo de um pedúnculo
curto, roxo escuro e coberto de pelos brancos, entre as bases das folhas. São
geralmente escondidas sob folhas. A parte externa, cor acastanhada, no interior, cor
púrpura escura. O tubo da flor é composto por tepals (pétalas, sépalas = perianto)
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fundidos, que termina com 3 projeções pétala-like
roxo escuro, com pontas
dobradas para dentro. Dentro, três minúsculos dentes.
As flores medem 1 a 1,5 cm de comprimento. Tem 12 estames livres, dispostos
em duas voltas, os estames da espira exterior é mais curto, vão além das anteras.
Três ficam opostos aos segmentos do perianto. Três opostos aos dentes e seis se
alternam com estes. Na parte inferior, o ovário com seis câmaras. Alternam estas
com estames do ciclo interno, com coloração roxa.
Os frutos possuem seis câmaras. A bolsa se rompe de forma intermitente após
amadurecimento. Em cada câmara são formadas 2-3 sementes, de cor marromamarelada.
É uma planta perene. Floresce de março a maio. Em junho amadurece e bolsa
desintegra, liberando as sementes. Em setembro e outubro são formados brotos
para o ano seguinte. Ambas as flores e toda a planta, especialmente o rizoma,
segregam fragrância específica, com cheiro de cânfora (pimenta, carniça, que
atraem os insetos).
As flores têm mecanismos específicos que impedem a
autopolinização.
Os insetos dípteros – moscas varejeiras e mosquitos - atraídos pelo colorido
estranho e cheiro peculiar que é exalado, já vêm de visitas feitas a outras flores.
Trazem destas no dorso e nas patas o pólen. Penetrando na fauce da nova flor
desabrochada e atravessando o colo, penetram no bojo basal, e como a base –
parte junto ao pedicelo e superior na posição da flor, - possui as paredes mais
delgada e mais transparentes, sobem os insetos até aquela região na esperança de
encontrar a liberdade perdida. Mas, nesta parte justamente, fica pendente a coluna,
cujo ápice ostenta os estigmas, e nos passeios de vai e vens, espalham sobre os
estigmas o pólen que trouxeram de outras flores e a polinização está realizada.
Fecundados os estigmas se fecham imediatamente, curvam os lobos para o
centro e dão à coluna o aspecto piriforme. Após, os insetos, ainda cativos, passando
por ali besuntam de pólen fresco, que é derramado pelas anteras, que em seguida
ao cerramento do estigma se abrem. Reanimados e tentados depois, novamente
pelo cheiro que emana de outra flor, repetem a aventura. Quando não ocorrer a
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polinização cruzada, a autopolinização ocorre. Como resultado, a maioria das flores
tem frutas ricas em sementes.
As sementes têm elaissomo, que atrai insetos, principalmente formigas, para
levá-los ao redor e densas podem ser encontradas crescendo em torno dos
formigueiros. As lesmas (Arion sp) também participam na dispersão das sementes,
as engolem, defecam e enterram.
Asarum também reproduz vegetativamente. O rizoma de gengibre selvagem
cresce não só a partir da gema apical, mas também cria um novo ramo das gemas
laterais e botões em desenvolvimento nas axilas das escalas em fragmentos rizoma
ano passado. Ramificação ocorre pelos rizomas, que se fragmentam.
A planta possui alelopatia. Os flavonoides são geralmente considerados para
inibir a germinação e crescimento de células, podendo afetar outras espécies em
fase de vida ainda susceptíveis. Os óleos essenciais de Asarum têm atividade
antimicrobiana e antifúngica promissor contra uma variedade de patógenos de
plantas. Assim, depende de mecanismos bioquímicos para sobreviver e competir –
compostos ativos com efeito alopático.
1.1.3 Características fitoquímicas, ações e toxicidade
Toda a planta tem óleo essencial, chegando de 1% a 4%, nas raízes, que
exala um odor desagradável, repugnante. O principal componente do óleo essencial
(chegar a até mais de 30% de participação) é asarone (C
20
H
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O 5), relacionado
com o grupo fenol éter. Através da técnica de cromatografia gasosa determina-se
quantitativamente a fração alfa e beta, isômeros do asarone. Este composto dá
propriedades farmacológicas tóxicas ao gengibre selvagem. Asarone tem efeito
cancerígeno. Experimentos em camundongos mostram que alfa asarone é
hepatocarcinogênico e mutagênico. Demonstrou também ser neuroprotetor e
radioprotetor em ratinhos, diminui o colesterol LDL.
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O ácido aristolóquico AAI e AAII (o AAII é o AI demetoxilado) - o Asarum tem
quase exclusivamente o AAI – um importante alcalóide que causa nefrotoxicidade e
carcinoma urotelial do trato urinário superior – rins ureter e pelve.
A alantoína tem atividade antiulcerosa e expectorante. Além disso, no óleo
incluem: α-pineno, borneol e outros monoterpenos, fenilpropanóides . Plantas dos
Cárpatos (montanhas rochosas do centro da Europa) contêm duas vezes mais óleo
do que plantas que crescem nas terras baixas.
A erva inclui ainda: taninos, muco, gomas, amido, glicosídeos, ácido cítrico,
sesquiterpenos,
vitamina C, álcoois, hidrocarbonetos alifáticos, os flavonoides
(quercetina e kwercytrynę),
ácidos fenólicos, sais minerais (especialmente de
potássio e silício).
O Asarum tem propriedades: eméticas; expectorante (estimula a secreção de
muco); ação diurética; laxante; efeito inotrópico positivo; anestésico local.
Contraindicado na gravidez, risco de aborto e na bronquite asmática. Doses mais
elevadas causam efeitos nocivos, o primeiro sintoma é a náusea. Em animais
verificou-se
hipercongestão
dos
vasos
sanguíneos
do
intestino,
sufusões
hemorrágicas no peritônio acompanhadas de convulsões, vômitos e diarréia. Ocorre
a morte por colapso e parada respiratória. Na diurese temos a presença de aumento
de albumina e presença de sangue.
Ambos os fenilpropanóides de Asarum europeaum – trans-isoasarone e éter
metil-transisoeugenol – tem intensidade anestésica igual à benzocaína.
A planta inteira, e em particular tubérculos, em particular, no estado fresco, é
tóxico. Asarone evapora facilmente e a erva seca, no armazenamento perde
gradualmente a ação farmacológica e tóxica.
1.1.4 Asarum europaeum na Homeopatia
Hahnemann realizou a experimentação patogenética:
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“Uma quadrilionésima parte de um grão (na forma de solução diluída) da tintura
alcoólica da raiz seca, ou a quintilionésima diluição do suco fresco espremido
misturado com uma quantidade igual de álcool (na dose de uma gota ou uma porção
menor de uma gota), parecem ser as melhores doses para fins homeopáticos. ”
Segundo Cosme e Willement vinagre é o antídoto para Asarum, cânfora é
aparentemente eficaz em aliviar efeitos deletérios do seu emprego em casos
inadequados.
Em 1817 Hahnemann faz a experimentação, descrevendo com seus alunos: C.
Franz, C. G. Hornburg, L. Ruckert, E. Stapf, 268 sintomas, incluindo também
sintomas citados por outros autores: Cosme e Willemet, Helmont, J. B. Van, Murray,
Ray, Wedel, G. W.
Na segunda edição do Tratado de Matéria Médica Pura
Hahnemann acrescenta mais dois sintomas, totalizando 270, publicada em 1825.
2. MATERIAIS E MÉTODOS
2.1
Analogia da substância com Matéria Médica Pura
A partir da Matéria Médica Pura de Hahnemann, procuramos relacionar os
sintomas descritos na patogenesia com as descrições da substância apresentados,
seguindo a numeração da ordem descrita dos sintomas, precedidas por H
(Hahnemann):
Aos sintomas: H1. Tontura, como por leve embriaguez; H3. Desaparecimento
gradual
dos
pensamentos;
H6.
Incapacidade
para
qualquer
tarefa

Correlacionamos a embriaguez aristolóquica, pela toxicidade do alcalóide.
H18. Cabeça pesada, inclina para frente e para trás, como se alguma coisa
vibrasse nela; H24. Pressão no cérebro de cima para baixo como uma pedra, na
fronte  Como a flor, solitária, terminal, balançando a cabeça, curva-se para o chão.
H32. Dor que repuxa, como se fosse encolher a têmpora, alivia ao deitar  As
pétalas da flor voltadas para dentro, assentada na terra.
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H38. Sente o batimento das artérias no occipício, depois em todo corpo  As
folhas tem um distinto sistema de veias mais claras, que contrastam com as folhas
verde escuro.
H39. Tensão, dor couro cabeludo  Pelos revestem toda a planta, inclusive a
flor.
H47. Ao usar olhos para ler, sensação como se fossem forçados
separadamente  Os doze estames da planta, com alturas diferentes, para fora
(parte masculina da flor) em sentido oposto ao perianto e aos dentes (parte
feminina).
H54. Obscurecimento dos olhos 
A planta se desenvolve em sombras
profundas.
H56. Sensação como se uma pele fina estivesse sobre orifício do meato
acústico; H57. Rugido surdo no ouvido; H61. Dor tensiva e em pressão no meato
acústico; H65. Sensação como se o no meato externo estivesse grudado; H66.
Sente como se eles estivessem tapados  O colo da flor possui paredes delgadas,
transparentes, onde os insetos ficam presos durante a polinização.
H74. Ao lavar a face com água fria, a tontura, dor de cabeça, queimação na
língua e na boca, contração dos músculos cervicais, fraqueza dos joelhos
desapareceram, mas depois de secar a face eles retornaram  Asarum necessita
de clima úmido.
H85. A saliva estava quente, queimante; H88. Sensação de queimação na
língua e na boca; H93. O pão tem gosto amargo  A planta tem gosto amargo,
gosto e cheiro como pimenta.
H131. Cólica horrível e vomito; H145. Fezes cinza – esbranquiçadas e coloridas
de cinza, com muco sanguíneo no topo 
O rizoma é pegajoso, cinza; 
A
substância provoca manchas purpúreas, de coloração intensa, que começam no
piloro e se estendem até o intestino grosso.
H146. Pressão sobre a bexiga, durante e após urinar; H147. Desejo mórbido
constante de urinar  As folhas são reniformes, com pecíolos longos, duas, em
sentido opostos;  O ácido aristolóquico causa nefrotoxicidade.
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H179. Dor nas costas, enquanto ele permanece ereto, de pé, mas não deitado.
 É herbácea rasteira, não lenhosa.
H130. Cortadura no epigástrio; H140. Dor cortante no abdômen e reto; H165.
Pontada quando inspira pulmão; H225. Na sola do pé, dores em pontadas  As
pétalas em pontas, roxas.
H176. Sensação queimante no peito; H177. Dor queimante com pontadas no
sacro  Possui folhas coriáceas, com efeito irritante sobre a pele.
H207. Sensação de adormecimento articulação quadril; H222. A perna
esquerda está adormecida e o pé insensível  Relacionamos ao efeito anestésico
dos fenilpropanóides.
H235.Quando anda ao ar livre, ele parece estar flutuando  Asarum cresce a
partir da gema apical, gemas laterais epigeus.
H247. Tremor de frio, ter arrepio, calafrio; H255. Sensação fria no corpo, como
se um vento frio soprasse, com pele arrepiada  Cresce nas montanhas, pelos por
toda a planta.
H270.Grande alegria, alternando com serenidade e mesmo tristeza por alguns
momentos  Desenvolve-se bem em lugares de luz ou sombra.
2.2. Polaridades do medicamento
Asarum apresenta sintomatologia contraditória:
H21. Dor que pressiona para fora em ambos os lados da cabeça, e H23.
Pressão de fora para dentro do cérebro;
H66.
Sente
como
se
os
ouvidos
estivessem
tapados,
e
H228.
Hipersensibilidade de todos os nervos;
H82. Muita saliva fresca na boca e H85. Saliva eliminada quente, queimante
H95. Secura na garganta e H97. Na garganta um muco viscoso;
H258. Sensação quente, (...) frialdade e H260.Tremor de frio, calor face e
palma das mãos;
H270. Grande alegria, alternando com tristeza.
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2.3 Interconexões e correspondências com a clínica
Correlacionando o estudo da substância apresentada, aos sintomas descritos
na Matéria Médica Pura e outras matérias médicas, verificamos que este
conhecimento nos auxilia na compreensão de alguns quadros clínicos, como o
alcoolismo, que apresenta multiplicidade sintomas, com analogias interessantes
relacionadas ao medicamento:
Aos sintomas: H1.Tontura, como por leve embriaguez; H3.Desaparecimento
gradual
dos
pensamentos;
Incapacidade
para
refletir;
cérebro
vazio;
H6.Incapacidade para qualquer tarefa; podemos correlacionar a toxicidade do
alcalóide, a embriaguez aristolóquica; também na intoxicação pelo álcool, no uso
crônico, gerando conflitos, incapacidade funcional.
H7. Sensação de tontura, como se ele não pudesse permanecer de pé – a
planta é uma herbácea rasteira, não lenhosa (como outras espécies da mesma
família). A cabeça pesada, inclina para frente e para trás, como se alguma coisa
vibrasse nela (H18); pressão no cérebro de cima para baixo como uma pedra, na
fronte (H 24), lembrando a flor da planta, solitária, balançando, curvando-se ao chão.
Dor que pressiona para fora em ambos os lados da cabeça (H 21), podemos
correlacioná-la aos estames, para fora em várias direções; e na polaridade inversa,
pressão de fora para dentro do cérebro (H 23), lembramos das pétalas, que são com
pontas roxo-escuro dobradas para dentro. O álcool provoca alteração de equilíbrio,
cefaléias, com características diversas.
Ao lavar a face com água gelada, a vertigem, a dor de cabeça, a queimação na
língua, a contração nos músculos cervicais e a fraqueza nos joelhos desaparecem,
mas após secar o rosto, eles retornam – a planta desenvolve-se bem em clima
úmido, chuvoso. Acompanhamos no ambulatório um paciente com quadro de
alcoolismo, que apresenta este comportamento. Não nos esquecendo das afecções
reumáticas que também melhoram neste clima, sugerem Asarum.
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Ocorre tensão, dor couro cabeludo (H39), hipersensibilidade de todos os
nervos, quando pensa em alguém esfregando suavemente, com a ponta do dedo ou
com a unha, o linho ou algo semelhante, uma sensação muito desagradável corre
através dele, a qual por um instante pára todos os seus pensamentos e ações (H
228); Sonolência, irritação (H 239), lembramo-nos de toda a planta revestida por
pelos, inclusive a flor, para sua constante proteção, Asarum é friorento (pele
arrepiada). A planta prolifera nas sombras, no H 54 temos o obscurecimento dos
olhos. No alcoolismo, a comorbidade com os transtornos de ansiedade.
À saliva quente, queimante (H85); sensação de queimação na língua e na boca
(H88) relacionamos à planta, em especial as folhas, que tem gosto amargo, cheiro
semelhante a pimenta. As dores de Asarum podem também terem características
ardentes.
Vijnovsky descreve: Irreprimível desejo de bebidas alcoólicas. Devemos
considerar a possibilidade do Asarum nas gastroenterites com náuseas, aliviadas
pelo vômito, com pirose e diarréia; o fator desencadeante é com frequência um
abuso de bebidas alcoólicas e também náuseas e vômitos durante a gravidez.
Náusea em acessos ou constantes, piora depois de comer, língua limpa;
vômitos com diarréia castanho, fluido esverdeado, com muco, estria de sangue;
cólica violenta; encontramos fezes cinza-esbranquiçada e acinzentada com muco
sanguíneo no topo em H 145. Lembrando o efeito tóxico do medicamento
provocando manchas purpúreas de coloração intensa que começam no piloro até o
intestino grosso. A flor também apresenta coloração púrpura. O rizoma é
acinzentado, como as fezes.
Ocorre sensação de adormecimento na articulação do quadril, H 207; a perna
esquerda está adormecida e o pé insensível, H 222; às parestesias frequentes no
alcoolismo, relacionamos estes sintomas ao efeito anestésico dos fenilpropanóides
presentes na planta.
Grande alegria, alternando com serenidade e mesmo tristeza por alguns momentos
(H270), ocorre frequente alteração de humor na dipsomania – o Asarum se
desenvolve bem com luz ou até à sombra.
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3.RESULTADOS E DISCUSSÃO
Tema: Desequilíbrio e Sobrevivência
O presente trabalho nos permitiu a realização de um caminho interessante na
aquisição conhecimentos sobre o Asarum, um percurso de estudo sobre a planta, a
história, a medicina, a clínica, a terapêutica, a homeopatia, suas correlações.
O Ásarum, possui descrição desde a antiguidade, já nos estudos da Matéria
Médica em Dióscorides, traduzido para o grego, latim. Na contemporaneidade,
Hahnemann, traz novas perspectivas para utilização da substância na Homeopatia.
O tema do medicamento estudado nos convida a algumas reflexões: partir do
desequilíbrio, o desenvolvimento de recursos adaptativos para a sobrevivência.
O desequilíbrio, já o percebemos na primeira palavra da sua descrição feita por
Hahnemann: Tontura. Asarum é herbácea rasteira, não lenhosa, que cresce a partir
da gema apical, gemas laterais, ramos epigeus – quando anda ao ar livre, parece
estar flutuando. Cresce também a partir do rizoma, destacando-se este para
formação de outra planta.
O desequilíbrio, se manifesta na hipersensibilidade: dos órgãos do sentido
(hiperacusia dolorosa, fotofobia), à dor (cefaléias, cinesiopatias), do pensamento; na
perda da energia.
A planta possui, para sobrevivência, muitos recursos adaptativos: ocorre desde
Cárpatos, montanhas rochosas com altitudes de até 2.655 m (onde a planta colhida
produz duas vezes mais de óleo essencial), passando pelos prados, até o vale dos
rios. Cresce em grande número, mesmo em sombra profunda nas florestas. As
folhas são coriáceas, coberta de pelos, assim como toda a planta, com gosto
amargo e sabor desagradável. O óleo essencial de Asarum têm atividade
antimicrobiana e antifúngica, contra patógenos de plantas.
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As flores apresentam uma coloração estranha, púrpura, que exala cheiro
nauseabundo, que afasta predadores e aproxima os animais que vão participar de
sua reprodução: insetos dípteros - moscas e mosquitos necrófagos. As formigas e
as lesmas também participam na propagação das sementes.
É uma planta perene, possui alelopatia. Prolifera na luz e na sombra.
No prefácio do medicamento Hahnemann nos convida a ir além, avançarmos,
aprofundarmos nossas pesquisas. Na atualidade, os estudos sobre a substância
avançam sobre efeito genético, neuroproteção, redução colesterol, mas é na
homeopatia que encontra vasto campo para sua aplicação. Hahnemann, ainda no
prefácio do medicamento, nos orienta:
“O Criador desejou que pudéssemos aprender a superar as grandes doenças por
meio de poderosos medicamentos que possuam sintomas semelhantes (de modo
homeopático)
em
doses
as
mais
diminutas,
incapazes
de
acarretarem
prejuízo…Estas substâncias são determinadas pela natureza para fins e propósitos
muito diferentes, todos dos quais, contudo não conhecemos...”
3. REFERÊNCIAS
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VIJNOVSKY, Bernardo. Tratado de Matéria Médica Homeopática. Vol I. 2ª edição.
São Paulo: Editora Organon, 2014.
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DEMARCHE, Denis. Farrmacologia e Matéria Médica Homeopática. 1ª edição. São
Paulo: Editora Organon, 2009.
16
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Frederico
Carlos.
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Ilustrada
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Aristolochiaceas
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MARIAN, M; PETER, A.; MIHALESCU, L.; VOSGAN,Z.; MATEI, G. Potencial
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17/01/2014.
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