povos bárbaros

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povos bárbaros
Gregos e romanos designavam como bárbaros todos os povos estrangeiros com um modo de vida, uma organização social e econômica que não os deles e línguas diferentes do latim e grego. Estes povos de diversas
origens que,viviam ao norte e leste da Europa e da Ásia não faziam parte do Império.
Os chamados bárbaros se dividiam em diversos povos de origens diferentes, mas podemos distinguir pelo
menos três grandes núcleos desses povos nômades:
 os provenientes de uma vasta região situada na Ásia central eram nômades e, de maneira geral, sobreviviam da criação de gado; os hunos (de provável origem mongólica), os ávaros e magiares fazem parte deste
núcleo;
 os eslavos eram compostos por povos de origem indo-européia de etnias e culturas diferentes, vindos da
Rússia central e parte da Europa oriental, como os russos, croatas, tchecos, polacos, ucranianos e húngaros, entre outros;
 e, finalmente, os germânicos (ou germanos), um grupo também de origem indo-européia muito heterogêneo; geralmente dividem-se os povos germânicos em ocidentais, que viviam no norte da Europa (suevos, lombardos, teutônicos, francos, entre outros), e orientais, que habitavam o Leste europeu (godos, visigodos, vândalos, burgúndios, etc.).
O que se denomina as primeiras "invasões bárbaras" foram na realidade penetrações de povos germânicos
em certas regiões do Império Romano. Por volta do ano 500 a.C. alguns povos germânicos foram empurrados
para dentro dos limites do Império Romano por outros povos (como os celtas) e, principalmente, pela busca
de terras férteis. Os primeiros contatos entre romanos e germanos foram, portanto, pacíficos e permitiram a
convivência e relativa integração entre as duas culturas. Muitos germanos viveram durante muito tempo como colonos no Império Romano e chegaram a prestar serviço militar e a comandar certas tropas. No século V,
os povos germânicos do leste invadiram o Império Romano, praticamente impelidos pelos hunos, vindos da
Ásia central. Essas invasões já tiveram outro caráter, pois acarretaram guerras violentas.
OS GERMÂNICOS
Antes dos contatos com os romanos, prevalecia entre os bárbaros germânicos um sistema comunitário primitivo, ou seja, não havia a propriedade particular da terra e dos instrumentos de produção. Bosques, matas e
rios pertenciam a todos, e as terras para cultivo eram distribuídas entre os clãs. A economia dos bárbaros ainda era bastante rudimentar, baseada na agricultura e no pastoreio; geralmente os rebanhos eram propriedade
das famílias e constituíam sua riqueza. O comércio era praticamente inexistente. A sociedade organizava-se
em tribos fundadas em clãs, isto é, nas grandes famílias cujos laços eram estabelecidos pelo parentesco e por
relações de lealdade e proteção. Suas leis originavam-se nos costumes seculares das tribos, transmitidos
oralmente de geração para geração. O maior contato dos germânicos ocidentais com os romanos, a partir do
século I, acelerou o processo de transformações que já estava ocorrendo nessas comunidades em razão do
aumento demográfico e das guerras para a conquista de novas áreas.
Inicialmente as terras concentraram-se nas mãos dos chefes, estabelecendo a propriedade particular. Os clãs
se desestruturaram. O poder gerado pela concentração de terras originou uma aristocracia rural voltada para
a guerra, acentuando as desigualdades sociais. O comércio de fronteira se aqueceu, envolvendo principalmente a troca de prisioneiros de guerra, que se tornariam escravos dos romanos. Além dos escravos, várias tribos
bárbaras germânicas se integraram ao Império Romano por meio do seu exército. Os bárbaros germânicos
tornaram-se soldados em troca de terras, e muitos acabaram ocupando altos postos.
AS INVASÕES BÁRBARAS
Basicamente, as penetrações dos povos bárbaros que desestruturaram o Império Romano ocorreram em duas ondas invasoras, que acabaram determinando a formação dos primeiros reinos bárbaros:

Em 375 d.C., os hunos vindos da Ásia central deslocaram-se em direção à Europa central. Ótimos cavaleiros
e guerreiros, os hunos comandados por Átila conseguiram sucessivas vitórias contra os germânicos na Europa. Já no início do século V, eles fundaram um grande reino abrangendo parte da Europa central e oriental e regiões da Ásia.
No final de 406, povos germânicos do Oriente, como os suevos e vândalos, atravessaram o rio Reno e invadiram o Império Romano, impelidos pelos ataques dos hunos. Os romanos foram incapazes de resistir a
essas ações bárbaras.
Dando seqüência a essa onda invasora, os visigodos saquearam Roma em 410 e ocuparam a Gália e a Espanha. Para organizarem seus reinos, adotaram instituições romanas, como o direito, a divisão da terra, a
estrutura administrativa, o cristianismo e a língua. O impacto dessas primeiras invasões foi relativamente
limitado, e a duração dos reinos muito breve devido à invasão árabe na península Ibérica.
 A fase seguinte (séculos V e VI) foi mais duradoura e colaborou definitivamente para a formação do feudalismo. Nesse período um contingente maior de bárbaros penetrou lentamente no Império Romano, não
havendo mais aquela associação da nobreza bárbara com a aristocracia romana na divisão de terras. Gradativamente, a posse das terras e sua exploração vão assumindo características nitidamente feudais: concentração de terras, pequenos proprietários arrendatários, camponeses dependentes da nobreza, exploração comunitária de certas áreas.
Embora o poder político centralizado do Império Romano fosse já inexistente, os bárbaros não conseguiram estruturar um Estado forte. O direito romano foi substituído pelas leis bárbaras e as línguas (o latim e
as de alguns povos) sofreram alterações sensíveis, dando origem às línguas modernas. Enfim, como afirma o historiador inglês contemporâneo P. Anderson, "a sedimentação cultural da segunda vaga de conquistas foi mais duradoura e profunda que a primeira".
Três episódios fundamentais marcaram o surgimento de três grandes reinos bárbaros:
 invasão dos francos e burgúndios na Gália (século V);
 conquista da Inglaterra pelos anglo saxões (século V);
 tomada da Itália pelos lombardos (século VI).
IMPÉRIO CAROLÍNGIO
Entre os principais reinos surgidos nos domínios romanos, o mais importante para a formação e consolidação
do feudalismo foi o franco. Até o século V, o povo franco (de origem germânica ocidental) estava dividido em
tribos, unificadas por Clóvis (480-511). Ele as organizou internamente e delimitou as fronteiras do Reino, sendo
reconhecido, por isso, como o primeiro rei dos francos, dando início à dinastia merovíngia (de Meroveu, chefe
franco que reinou de 448 a 457).
Um fato que facilitou muito o fortalecimento de seu poder foi a conversão ao cristianismo e a aliança com a
Igreja Católica. Após sua morte, o Reino foi dividido entre seus filhos, que procuraram ampliar o território,
mas sem sucesso, uma vez que não conseguiram impor a organização política e administrativa do Reino nas
áreas conquistadas.
A sucessão de divisões entre filhos e netos de Clóvis enfraqueceu o poder real e permitiu o fortalecimento
político dos prefeitos do palácio, ou do paço, que exerciam as funções de administradores do palácio, comandantes do exército, coletores de impostos, organizadores da divisão de terras, etc. Em pouco tempo esse cargo, em razão de sua importância, passou a ser hereditário.
Em 732, Carlos Martel, prefeito do palácio, enfrentou e venceu uma invasão de árabes muçulmanos na batalha
de Poitiers, fazendo-os recuar. A partir desse momento o prefeito do palácio teve seu poder centralizado e
fortalecido. Após a morte de Carlos Martel, seu filho, Pepino, o Breve (ganhou esse apelido por causa de sua
baixa estatura), assumiu o cargo e derrotou os lombardos, na Itália, doando suas terras à Igreja: foi a origem
do território da Igreja Católica (Patrimônio de São Pedro), um Estado Pontifício. Em 751 ele destronou o último
rei merovíngio, inaugurando uma nova dinastia.
Carlos Magno, filho de Pepino, o Breve, assumiu o trono em 768, governando até 814. Durante seu reinado, o
Estado franco se fortaleceu e expandiu suas fronteiras (Alemanha, Pireneus e norte da Itália); sobretudo, deu
passos decisivos para a formação do feudalismo.
O êxito de Carlos Magno na centralização do poder e nas conquistas está vinculado também à sua aliança com
a Igreja Católica. Por ter colaborado na luta da Igreja contra os lombardos, recebeu em troca o título de imperador dos romanos, em 800, restaurando o título que estava extinto há quatrocentos anos. Mas esse título
tinha um caráter meramente honorífico, pois não significava de maneira alguma a restauração das estruturas
do Império e do poder do imperador.
A expansão do Império Carolíngio não foi apenas territorial. Na tentativa de difundir a cultura ocidental cristã,
Carlos Magno iniciou um movimento de renovação na literatura, na arte e na escrita, estimulando a formação
de clérigos e administradores. Toda essa efervescência cultural entre o séculos VIII e IX ficou conhecida como
o "renascimento carolíngio". Mais do que inovar, esse movimento conservou, por exemplo, importantes
obras literárias clássicas. É importante observar que esse renascimento teve caráter restrito, atingindo um
número pequeno de pessoas.
Com o objetivo de administrar melhor seu império, Carlos Magno desmembrou-o da seguinte maneira: diversas unidades administrativas (condados), governadas por nobres de sua confiança (condes), e unidades de
defesa das fronteiras (marcas), também administradas por nobres (marqueses). Cada nobre recebia parte dos
rendimentos da região e uma grande extensão de terra.
Para inspecionar e fiscalizar de modo efetivo a atuação desses governos locais, enviava os missi-dominici (dupla de administradores formada por um civil e um bispo). Esse fiscal real também era recrutado entre os nobres e serviu, inicialmente, para manter o Império unificado e o poder centralizado na figura do rei. No entanto, toda essa estrutura burocrática foi ineficiente para manter o poder centralizado. Na realidade, quem se
fortaleceu foi a nobreza local, já apontando para uma característica nitidamente feudal: a descentralização
política.
É importante verificar também que durante o Império Carolíngio as relações de vassalagem se solidificaram. A
vassalagem era uma prática originada nas relações entre uma pessoa que pedia proteção e outra que a concedia; o contrato de vassalagem completava-se materialmente com o proprietário cedendo um pedaço de
terra ao seu vassalo (o benefício). Vassalos e suseranos comprometiam-se reciprocamente,- o primeiro auxiliando o suserano e submetendo-se a ele, que por sua vez devia-lhe proteção.
O benefício (ato de doação de terras em troca de serviço ao rei ou suserano) expandiu-se e passou a ser direito dos nobres que prestavam serviço militar ao rei. Esses vassalos do rei não se sujeitavam aos condes, marqueses e missi-dominici. O imperador concedia total poder jurídico e político a tais nobres em troca de sua
colaboração militar.
Muitas vezes os grandes vassalos doavam parte de suas terras a outros nobres para obterem mais guerreiros.
Desse modo, é possível observar o surgimento de uma nobreza guerreira e de extensos territórios com autonomia política, administrativa e jurídica, ou seja, os feudos.
De outro lado, a situação do camponês colono, sem propriedade alguma, que era obrigado a trabalhar nas
terras da nobreza, começava a se degradar, tornando-se jurídica e socialmente dependente do grande proprietário. Além disso, a dependência dos colonos em relação aos proprietários tornava-se real e necessária em
virtude do clima de insegurança e medo que as sucessivas invasões causavam; a necessidade de proteção aumentava cada vez mais.
Portanto, durante o Império Carolíngio conjugaram-se três elementos fundamentais para o estabelecimento
do feudalismo: a grande propriedade autônoma, a nobreza militar e o trabalho compulsório servil.
Carlos Magno morreu em 814. O Império foi governado por seu filho Luís, o Piedoso, até 840. Na sucessão de
Luís, o reino foi dividido entre seus três filhos, que se enfrentaram em uma guerra civil que abalou o Império.
Decadência do Império Carolíngio
Com a intenção de solucionar o problema sucessório e alcançar a paz no Reino, os três irmãos assinaram o
Tratado de Verdun (843), dividindo o Reino entre eles: Luís herdou o Reino oriental (Germânia), Carlos recebeu o ocidental (França) e Lotário ficou com a faixa central (Itália, até o mar do Norte).
Todos esses territórios voltaram a ser divididos entre seus filhos e netos, de tal forma que cerca de sessenta
anos após a morte de Carlos Magno o Império já estava todo fracionado, beneficiando a nobreza rural.
No final do século IX uma nova onda de bárbaros invasores abala a Europa. Dessa vez vikings (normandos) e
magiares (húngaros) saquearam e aterrorizaram a população européia. De outro lado, na península Ibérica, os
árabes avançavam pela região. Nesse quadro de instabilidade e medo, aumentava a dependência dos servos
em relação à proteção dada pelos grandes proprietários. Para se protegerem, os europeus construíram castelos fortificados, paisagem que acabou se tornando característica do período medieval.

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