responsabilidade social empresarial - rse2

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responsabilidade social empresarial - rse2
RESPONSABILIDADE
SOCIAL EMPRESARIAL
Gestão de Responsabilidade Social II
Notas de aula
Arnaldo A Rezende
Luciel Henrique de Oliveira
2014
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira <<
2 >>
ÍNDICE
PREFÁCIO
3
INTRODUÇÃO – O PAPEL DAS EMPRESAS ALÉM DO LUCRO
5
1. ASPECTOS GERAIS DA RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL
2. CONCEITO DE RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL
3. IMPLANTAÇÃO DA RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL
4. INVESTIMENTO SOCIAL PRIVADO EMPRESARIAL
5. CLASSIFICAÇÃO DO INVESTIMENTO SOCIAL PRIVADO EMPRESARIAL
6. MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DE PRÁTICAS DE RESPONSABILIDADE
SOCIAL EMPRESARIAL
7. PACTO GLOBAL (GLOBAL COMPACT) E OS OBJETIVOS DE
DESENVOLVIMENTO DO MILÊNIO (METAS DO MILÊNIO)
8. BALANÇO SOCIAL e ou RELATÓRIO de SUSTENTABILIDADE
9. GLOBAL REPORTING INITIATIVE – GRI - DIRETRIZES PARA RELATÓRIOS
DE SUSTENTABILIDADE
10. COMENTÁRIOS FINAIS
11. REFERÊNCIAS
ANEXOS
A. GLOSSÁRIO DO INVESTIMENTO SOCIAL
B. RESPONSABILIDADE SOCIAL OU FILANTROPIA?
C. ONDE OBTER DINHEIRO PARA FINANCIAR PROJETOS
D. ISO AND SOCIAL RESPONSIBILITY
E. GRUPO DE TRABALHO GVces SOBRE A ISO 26000: UMA
PERSPECTIVA GERENCIAL E INTEGRADA DA RESPONSABILIDADE
SOCIAL.
F. RESPONSABILIDADE SOCIAL EM PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS:
UMA ANÁLISE A LUZ DA TEORIA DOS STAKEHOLDERS
OLIVEIRA, L. H.de; REZENDE, A. A. Responsabilidade
Social Empresarial. Notas de aula para o curso de
Administração. Gestão de Responsabilidade Social.
FACAMP: Campinas, 2012.
1. Empresas – Gestão. 2. Responsabilidade Social – Brasil.
3. Investimento Social Privado Empresarial.
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PREFÁCIO
Embora seja possível detectar sinais de práticas de "Responsabilidade Social
Empresarial" - RSE (ou Corporativa - RSC) desde o século XIX, o ponto de partida
para o atual debate a respeito do papel social das empresas começou com o fim da II
Guerra Mundial para ganhar seus contornos definitivos na década de 1960. Os
movimentos sociais organizados, independentemente de partidos e/ou sindicatos,
trouxeram para a cena novos atores que fizeram (e fazem) pressão sobre as empresas
a respeito de uma série de temas agregados no conceito de cidadania.
Esses movimentos passaram a lutar por direitos até então ausentes das pautas
de reivindicações sociais. Reivindicações como eqüidade de gênero, de raça e de
religião, qualidade de vida, preservação ambiental, inclusão social, e muitos outros
assuntos tiveram que integrar as demandas com as quais uma empresa precisa lidar
para continuar no mercado. Embora as décadas de 1980 e 1990 tenham sido
marcadas pela supremacia do mercado, foi nesse período que o movimento da
responsabilidade social espalhou-se pelo mundo, pondo em cheque a globalização
como universalização de capitais especulativos e apontando para uma nova maneira
de fazer negócios, tornando as empresas parceiras na construção de uma sociedade
sustentável e justa.
Aliar os lucros aos acionistas com desenvolvimento ao exercício da cidadania e
à preservação ambiental é um modelo de gestão que vai progressivamente se
impondo às empresas de todos os setores, portes ou atividades. Adotar a gestão
socialmente responsável e sustentável já é uma exigência do mercado, bem como
uma prerrogativa para o lucro, porque é garantia de longevidade do negócio.
No Brasil, o movimento ganhou força a partir do final da década de 1990 e vem
mudando de fato o papel das empresas na sociedade. Com base nos princípios e
valores da gestão socialmente responsável, as empresas que atuam no país vêm se
constituindo nos verdadeiros agentes da transformação social, contribuindo
decisivamente para potencializar as habilidades e competências dos atores sociais no
sentido do desenvolvimento sustentável. Assim, a gestão empresarial socialmente
responsável está diante de uma perspectiva mais complexa, pois vem se configurando
como instância renovadora sem precedentes.
A partir do diálogo com as partes interessadas, como uma nova forma de
estabelecer prioridades e metas, aspectos como igualdade de oportunidades, cuidados
ambientais, capacitação de fornecedores, apoio a comunidades do entorno e muitos
outros passam a ser tratados de maneira sistêmica, ou seja, integrada em uma linha
ética cujos princípios são aceitos em nível mundial.
Como parte desse processo, é indispensável reestruturar não só o
planejamento estratégico, como a Missão e Visão empresariais, incorporando em todas
as etapas o compromisso com a responsabilidade social e ambiental. Além disso, os
resultados das ações desta nova ética de negócios devem ser comunicados à
sociedade, assegurando a transparência da atuação empresarial.
A credibilidade e a legitimidade de uma empresa passa a ser, então, o
resultado da capacidade de responder às demandas da sociedade, tanto no que
concerne ao seu comportamento sócio-empresarial, quanto na implementação e
comunicação de suas políticas. Esse processo, portanto, implica a criação de balanços
sociais e relatórios de sustentabilidade, que dêem visibilidade aos impactos causados
pela atividade num dado espaço geográfico e temporal. Além de prestar contas à
sociedade, essas avaliações sistemáticas são instrumentos de gestão que facilitam a
observação de possíveis vulnerabilidades e oportunidades no macro-ambiente da
empresa, contribuindo para o aprimoramento da organização.
Novos princípios, transparência, diálogo constante com diversos públicos estes e outros fatores exigem um novo paradigma de gestão e um novo tipo de
liderança - que saiba antecipar tendências e dialogar com as partes interessadas
constantemente. Poderíamos chamá-la de liderança socialmente responsável. Ela
ainda não existe de fato, uma vez que as escolas de administração ainda não sabem
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como formá-la. A própria teoria clássica da administração também não sabe como
tratar os temas postos em pauta pelo advento desse novo paradigma. Pelo raciocínio
cartesiano até agora vigente, as empresas possuem passivos e ativos e estarão bem
se os ativos forem maiores que os passivos. Não faz parte deste arcabouço teórico
contabilizar os ativos e passivos ocultos, como ganhos ou perdas com imagem por
conta de ações socialmente responsáveis ou irresponsáveis.
Desta forma, chegamos ao século XXI com mais um desafio: como fazer a
transição de um paradigma cartesiano para outro sistêmico e holístico, mudando a
maneira de agir dos líderes?
Ainda não existe um exemplo que tenha toda esta abrangência. Mas existem
alguns projetos em andamento apontando para uma mudança consistente de
mentalidade, com a decisiva participação de empresas brasileiras. Um deles é o Grupo
de Trabalho da ISO 26000, a norma que vai estabelecer diretrizes internacionais para
orientar a gestão nas empresas socialmente responsáveis. A construção dessas
diretrizes vem ocorrendo de maneira democrática, com a participação de
representantes dos diversos segmentos da sociedade civil organizada de vários países
do mundo.
Durante o ano de 2010, o Instituto Ethos foi o coordenador do Grupo de
Trabalho no Brasil para a ISO 26000, que contou com o patrocínio de 17 empresas e a
participação de mais outras cinqüenta. Unimed, Construtora Takaoka, Suzano e
Petrobras estão entre os patrocinadores e participantes. Esforços semelhantes
também tem foram desenvolvidos pelo GVces – Centro de Estudos em
Sustentabilidade da EAESP/FGV, cujo material de trabalho está no anexo deste
volume.
A preocupação com a ampliação de uma nova consciência empresarial está
presente também em outros projetos do Instituto Ethos, como o Programa Tear,
implementado em parceria com o BID - Banco Interamericano de Desenvolvimento,
que visa disseminar o conhecimento sobre o conceito de responsabilidade social
empresarial e ampliar as oportunidades de mercado das Pequenas e Médias Empresas
(PMEs) em até três anos. Para atingir este objetivo, o Programa Tear incentiva a
adoção da gestão socialmente responsável nas PMEs que atuem na cadeia de valor de
empresas estratégicas em sete setores da economia: petróleo e gás; energia elétrica;
varejo; construção civil; mineração; siderurgia; e açúcar e álcool. Em cada um destes
segmentos, foi identificada uma "empresa-âncora", com experiências avançadas em
responsabilidade social empresarial, que seleciona 15 PMEs da sua cadeia de valor, e
com as quais se compromete a trabalhar para a incorporação / ampliação da gestão
socialmente responsável nos processos internos destas PMEs e no relacionamento
entre as partes. Como instrumento de avaliação e monitoramento dos progressos, as
empresas participantes respondem os Indicadores Ethos de Responsabilidade Social
Empresarial.
Houve um tempo em que se acreditava que a finalidade da empresa era
garantir a sua própria sobrevivência, como se ela não pertencesse à mesma sociedade
que recebe os impactos (negativos e positivos) dos processos, produtos e serviços que
gera. Com as crescentes demandas dos cidadãos, mais organizados e informados, as
empresas vêm buscando uma outra maneira de fazer negócios, reconhecendo que há
múltiplas partes interessadas além dos acionistas. Para competir neste novo cenário,
as empresas necessitam de uma gestão baseada em princípios e práticas que, ao
produzirem sólida reputação e inteligência empresarial, conduzirão a oportunidades de
negócio e a uma competitividade poucas vezes experimentada. A partir do
desenvolvimento dessas habilidades estamos presenciando o nascimento de uma nova
cultura de negócios.
Prof. Luciel Henrique de Oliveira
Professor, Pesquisador e Consultor
luciel[email protected]
FACAMP e EAESP/FGV
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INTRODUÇÃO – O PAPEL DAS EMPRESAS ALÉM DO LUCRO
Discussões sobre Responsabilidade Social Empresarial (SER) são tão antigas quanto às
próprias noções de empresa e negócios, ainda que com outros nomes. Ao longo da
história, a responsabilidade social vem assumindo aspectos diferentes, a mesma
medida em que o papel e a influência das empresas na sociedade vêm se
transformando no decorrer das últimas décadas. Essas mudanças também vêm
ocorrendo simultaneamente com as conquistas da humanidade no campo social.
Da segunda metade do século XX até hoje os países com regime econômico capitalista
obtiveram êxito na formação e supremacia de riquezas se comparados com as nações
sem ou com pouca iniciativa privada, os chamados países socialistas com destaque a
linha mais radical, conhecidos como comunistas, nos quais a produção é parcial ou
totalmente estatizada.
Assim, verifica-se que as empresas privadas com fins lucrativos possuem um papel de
suma importância na formação bruta do capital econômico de uma nação, gerando
com isso uma questão intrigante, que é identificar à participação ou não, das
empresas privadas na formação de outras formas de capital, como por exemplo, o
capital social, incluindo neste termo, tudo que se refere à melhoria das condições de
vida a todos os habitantes deste planeta, bem como a garantia de que os recursos
naturais e culturais de hoje, serão preservados para as futuras gerações.
Esta questão a cada dia ganha mais espaço para análise, pois não é difícil
percebermos o grande hiato ainda existente entre a capacidade e habilidade de gerar
lucro econômico, versus a melhoria socioambiental fruto da ação corporativa.
Infelizmente,
inúmeros
indicadores
socioambientais
não
guardam
nenhuma
proporcionalidade com os superávits financeiros das empresas privadas e até mesmo
há deterioração em determinados itens de estudo, tais como: acesso a água,
distribuição de renda, violência urbana, fome e corrupção dentre muitos outros. Mas,
qual seria a influência das práticas empresariais neste amplo cenário?
As nações “capitalistas”, até poucos anos atrás, legitimavam uma boa empresa como
aquela que pagava seus tributos, gerava empregos aos seus cidadãos e fornecia
produtos e serviços com qualidade a sua sociedade.
Assim sendo, e até então, a empresa deixava os possíveis conflitos da relação capital
trabalho a cargo dos sindicatos patronais e de empregados, a questão dos tributos
como problema exclusivo dos agentes de fiscalização do governo, enfim, temas como
poluição ambiental, condições de trabalho, corrupção ativa e demais formas éticas na
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prestação de contas e relacionamento da empresa com a comunidade ao seu entorno
não eram temas pautados de forma abrangente, nem faziam parte da estratégia da
maioria das empresas. Tais pontos permaneciam se muito, como temas marginais ao
objetivo maior, e porque não dizer único, que era simplesmente a geração do lucro
econômico, resumindo: satisfazer o interesse do acionista (“dono do capital”) e mais
nada.
Estas questões que limitam o papel da empresa vieram à tona há poucos anos,
trazendo consigo uma nova dimensão estratégica para dentro destas companhias, com
reflexos para toda a sociedade, através de um novo paradigma, que embora simples,
possui uma amplitude quase que incomensurável.
Este paradigma chama-se Responsabilidade Social Empresarial e constitui-se, ao lado
das boas práticas de Governança Corporativa, como o mais novo desafio das
corporações empresariais, sejam elas nacionais ou transnacionais.
O ponto positivo deste processo é que através da implementação estratégica da
Responsabilidade Social Empresarial, junto com boas práticas de Governança
Corporativa, a sustentabilidade e perenidade das organizações estarão mais seguras,
garantindo não só e apenas resultados financeiros positivos, mas também e de forma
concomitante, resultados sociais e ambientais relevantes.
Com este novo quadro no mundo empresarial é que iremos avançar nos conteúdos,
ainda em formatação, visto ser este, um tema muito recente como área de
conhecimento.
Pelo novo Código Civil em vigor desde 11 de janeiro de 2003, em seu art. 981, temos
a personalidade jurídica chamada Sociedade definida como:
•
Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a
contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a
partilha, entre si, dos resultados.
Como podemos observar, a partir da entrada em vigor do novo Código Civil, a forma
jurídica SOCIEDADE não mais pode ser utilizada para organizações sem fim lucrativo,
e sim com finalidades econômicas, ou seja, com fins lucrativos. Estas personalidades
jurídicas são popularmente chamadas de Empresas ou Companhias. Tecnicamente o
termo companhia deve ser usado para organizações com capital social formado por
ações e estas negociadas em bolsa de valores. Estas organizações empresariais
podem
estar
no
primeiro
ou
segundo
setor,
sendo
públicas
ou
privadas
respectivamente. No caso de capital misto, público e privado, caracteriza-se pelo seu
controle acionário. Esta definição abrange todo o universo empresarial, independente
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do porte econômico da organização, ou seja, as pequenas, médias e grandes
empresas, indiferente ao seu segmento de atuação: extrativista, agrícola, industrial,
prestadora de serviço e etc. Encontram-se também dentro deste universo as empresas
de capital limitado, sociedades anônimas fechadas e sociedades anônimas abertas.
A peculiaridade importante da classificação como empresa está no retorno do capital,
através do lucro gerado pela sua operação, aos seus acionistas.
1. ASPECTOS GERAIS DA RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL
O termo “Responsabilidade Social” no Brasil é bastante recente, tendo sido utilizado
de uma forma mais intensa a partir da segunda metade da década de noventa, onde o
desenho político para área social do então presidente Fernando Henrique Cardoso
contemplava de uma maneira direta, através da Comunidade Solidária, parcerias com
a iniciativa privada, tanto como operadores, neste caso em especial as organizações
do terceiro setor popularmente chamadas de ONG’s, quanto com os investidores
sociais privados e patrocinadores, aí em especial as organizações do segundo setor, ou
seja, empresas com fins lucrativos.
Numa análise contextual abrangente, ao longo do tempo, inúmeros fatores históricos
passam a influenciar direta e indiretamente na necessidade da empresa assumir
outras funções além da geração de lucro ao seu acionista, ou seja, construir seu papel
social. Este fato, por meio de vários caminhos, fomentou o surgimento da
responsabilidade social empresarial de forma lenta, porém em evolução gradual.
Dentre inúmeros fatores destacamos:
•
Os novos enfoques na ação empresarial iniciados ao longo das décadas de 80 e 90,
impelidos pela globalização, via abertura dos mercados às exportações e
importações, desenvolvimento extraordinário dos meios de comunicação rápida,
novas tecnologias de informática aplicadas aos processos de produção, pressão da
competição, necessidade de melhoria da qualidade e busca desenfreada pela
diferenciação, ou seja, criação de valor além dos tangíveis até então conhecidos;
•
Marcos regulatórios públicos e privados que passam a pressionar para que
empresas assumam as responsabilidades pelos seus impactos sociais e ambientais
resultantes de suas atividades:
–
Setor público (governo): legislação ambiental e trabalhista mais rigorosa e
autuações com multas, interdições, etc.;
–
Clientes: estabelecimento de códigos de defesa com a criação de entidades
especializadas na garantia dos direitos do consumidor;
–
Comunidade: surgimento de movimentos sociais com posições de negociação
e enfrentamento com diversos questionamentos, além da esfera sindical;
–
Terceiro setor: forte expansão nos anos 90, com a criação de inúmeras
entidades da sociedade civil com projetos de melhoria educacional e
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socioambiental, que forçam as empresas a formarem parcerias e realizarem
investimento social privado empresarial;
–
Acionistas: mais conscientes das estruturas de respeito à declaração universal
dos direitos humanos, trabalhistas e ambientais;
–
Agências de financiamento: com padrões de accountability acentuados
(sistema de prestação de contas responsáveis)e aprovação crédito por meio de
analise de dados além dos econômicos;
–
Certificações: em muitos casos como fator de entrada em mercados restritos.
Houve primeiramente as normas de qualidade ISO 9000, e depois vieram
normas certificadoras com escopo superior ao da elaboração e rastreabilidade
do serviço ou produto, atingindo questões de impactos ambientais como a ISO
14000 e também de condições de trabalho através da SA 8000, segurança e
saúde no ambiente empresarial pela OHSAS 18000 e até a análise da forma de
relacionamento com as partes interessadas por meio da AA 1000. O Brasil têm
até uma norma especifica que é a NBR 16.000.
•
Mudança na forma da força de trabalho, passando do repetitivo para o intelectual,
ou seja, a era do conhecimento. Exemplo, o surgimento de empresas sem ativos
de bens de produção elevados, e com faturamento maior do que empresas de
petróleo (Microsoft).
Sob o holofote destes fatores, somado a vários outros estímulos, a introdução da
pauta responsabilidade social empresarial começa a permear os planos das
corporações mundo afora, despertando o interesse de pesquisadores e demais
estudiosos das ciências da administração corporativa.
Assim sendo, mesmo sendo considerado um tema recente em termos acadêmicos, já
em meados dos anos 70 surgem publicações com conteúdos relevantes. Cabe
destaque a um dos primeiros estudiosos do assunto, Archie Carroll, que em 1979
apresenta uma sugestão de subdivisão da responsabilidade social empresarial nas
dimensões ética, legal, econômica e filantrópica (discricionária).
•
Responsabilidade Econômica:
– Sobrevivência e crescimento através da geração de superávit econômico;
•
Responsabilidade Legal:
– Obedecer e cumprir as leis, normas, códigos, etc.;
•
Responsabilidade Ética:
– Comportamento segundo princípios éticos e morais (honestidade, justiça,
eqüidade, etc.)
•
Responsabilidade Discricionária:
– Ações voluntárias de extensão à comunidade e ao meio ambiente,
independente das práticas diretas da empresa.
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Tal proposta pode ser analisada pela famosa e didática pirâmide de Carroll,
demonstrada a seguir:
Carroll, 1979
Empresa
Ser boa
Responsabilidade
Discricionária
cidadã
Responsabilidade
Ser ética
Ser
Terética
valores
Ética
Responsabilidade
Respeitar
Obedecer
à lei
Legal
Ser
Ser
Responsabilidade
•
lucrativa
lucrativa
Econômica
Responsabilidade Econômica:
PIRÂMIDE DE CAROLL
Embora esta subdivisão tenha contribuído para uma visão mais ampliada dos
diferentes contextos em que a empresa atua e desenvolve suas práticas, ainda não foi
suficiente para substanciar os conceitos mais estruturados sobre o tema, não obstante
seu incrível papel no fomento das reflexões intrínsecas ao assunto.
Com o aumento das discussões sobre responsabilidade social empresarial e ampliação
da participação das empresas brasileiras, nosso país sentiu falta de um ordenamento
geral para alinhamento, aglutinação e racionalização dos investimentos sociais
privados empresariais, que começam a emergir como núcleo importante dentro das
práticas de gestão de responsabilidade social empresarial.
A busca deste ordenamento e alinhamento conceitual culmina com a criação de
algumas instituições nacionais de extrema relevância para o cenário nacional e porque
não dizer mundial de debate, estudo e geração de conteúdos sobre o tema.
No campo do investimento social privado empresarial o grande destaque foi à criação
em meados dos anos noventa do GIFE (Grupo de Institutos, Fundações Empresariais),
que aglutina as maiores e mais importantes organizações do terceiro setor que
tenham como mantenedor uma empresa privada com fins lucrativos, na maioria das
vezes com o mesmo nome. Exemplos: Instituto Votorantim, Instituto Bradesco,
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Fundação Educar Dpaschoal, dentre outras. Outra organização que surge no Brasil é o
Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, este último, sem dúvida um
marco na história deste tema no Brasil. O Instituto Ethos atua desde 1998 no fomento
a gestão empresarial socialmente responsável baseada em princípios éticos e nos
valores da solidariedade e da transparência. Esta instituição certamente é uma base
para muito dos conceitos e conhecimentos gerados na área da responsabilidade social
empresarial. Além disto, o Instituto Ethos declara que procura contribuir para que as
empresas alcancem excelência e sustentabilidade em seus negócios através da ética
nas práticas de mercado. Cabe ressaltar que o idealizador e principal líder desta
organização foi o Engenheiro Oded Grajew.
2. CONCEITO DE RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL
Inúmeros autores em diversas publicações já registraram suas concepções conceituais
sobre o tema. O que ocorre na maioria das vezes é que tais conceitos são
excessivamente discursivos atingindo um grau de abstração elevado, sem refletir de
forma objetiva e direta o entendimento claro da sua definição.
Felizmente, temos aqui no Brasil um registro conceitual desenvolvido e elaborado pelo
Instituto Ethos e aceito pelo meio acadêmico do termo responsabilidade social
empresarial de forma clara e objetiva, permitindo uma concretude e alinhamento do
entendimento.
Tal conceito diz que Responsabilidade Social Empresarial – RSE - é:
Somatória da conduta ética e responsável adotada por uma empresa em toda sua
rede de relações, necessariamente incluindo: clientes, consumidores, fornecedores,
funcionários,
acionistas,
governo,
comunidade
e
meio
ambiente
(todos
os
“stakeholders” ou todos os indivíduos e grupos que têm interesses legítimos em
relação às atividades da empresa e/ou afetam ou podem ser afetados pelas atividades
de uma organização).
Assim sendo, podemos ver na representação acima que a empresa em sua dinâmica
do dia-a-dia tem interface com diversos e diferentes públicos, os quais podemos
denominá-los de partes interessadas, ou utilizarmos o termo em inglês stakeholders,
cuja presença nas publicações em diversos idiomas já esta consagrada.
A partir deste conceito, o Instituto Ethos desenvolveu o enunciado do que venha a ser
para as empresas sua Gestão de Responsabilidade Social Empresarial – GRSE -, ou
seja, o que a caracteriza em termos de forma (meios) e seus objetivos (resultados)
almejados.
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GOVERNO
CONSUMIDORES
MEIO AMBIENTE
EMPRESA
ÉTICA
QUALIDADE
COMUNIDADE
ACIONISTAS
FUNCIONÁRIOS
FORNECEDORES
TRANSPARÊNCIA
Sendo assim, o conceito de Gestão de Responsabilidade Social Empresarial pode ser
definido como:
A forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com
todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas
empresariais
compatíveis
com
o
desenvolvimento
sustentável
da
sociedade,
preservando recursos ambientais e culturais para gerações futuras, respeitando a
diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais.
Instituto Ethos
O
entendimento
deste
conceito
permite
concluir
que
não
existem
situações
intermediárias ou parciais de responsabilidade social empresarial, ou seja, uma
organização não poderá proclamar-se responsável socialmente por ter uma conduta
ética e transparente apenas nas práticas de relacionamento com um ou outro
stakeholder, tal postura deverá abranger todos os públicos com os quais a empresa
interage. Portanto, a responsabilidade social empresarial se dá através da boa conduta
nas práticas realizadas em relação ao conjunto dos stakeholders de forma contínua e
perene. Infelizmente são comuns situações onde algumas empresas realizam uma
prática de ação social pontual com determinado público e saem divulgando “pseudo”
balanços sociais e ou relatórios de sustentabilidade, denotando uma postura de
responsabilidade social empresarial, que na verdade não existe.
É necessário, portanto, que a responsabilidade social empresarial esteja no cerne da
estratégia de negócios da organização, reconhecendo que objetivos sociais não são
antagônicos
aos
econômicos,
ao
contrário,
eles
podem
se
transformar
em
oportunidades econômicas. A responsabilidade social empresarial não pode ser um
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apêndice a ser cortado ao primeiro sinal de problema financeiro ou se basear em
projetos pontuais focados em um único stakeholder. A estratégia de responsabilidade
social empresarial precisa ser definida de acordo com as competências especificas da
organização e enriquecer seus objetivos, metas, diretrizes e grandes políticas
corporativas, chegando de preferência aos seus produtos e serviços.
Um diagnóstico sincero da necessidade de ampliação do papel das organizações com
fins lucrativos é fundamental antes de qualquer movimentação em busca da
estruturação de uma gestão de responsabilidade social empresarial. Para tanto é de
suma importância o entendimento de que a responsabilidade social empresarial
estrutura-se no binômio tempo e espaço, pautando-se pelos desafios socioambientais
e de conduta atuais e suas localidades de intervenção respectivamente. O impacto
deste conceito na sociedade em geral, e principalmente no mundo globalizado em que
vivemos é incomensurável. As práticas do dia-a-dia das empresas, em sendo balizadas
por uma política de responsabilidade social forte, poderão alterar todo o cenário de
uma cidade, de um estado e até mesmo de um país.
Imaginemos hipoteticamente um país onde todas as empresas realizem um pacto de
conduta onde os tributos são pagos – não há sonegação -, o meio ambiente além de
preservado é recuperado, todos os fornecedores são rastreados de forma a não
permitir a utilização de mão de obra infantil, escrava, etc, cujos funcionários acessem
a todos os direitos contemplados nos contratos de trabalho e dissídios coletivos e que,
além disto, participem dos lucros, que os seus clientes e consumidores tenham
facilidade de comunicação com a empresa e de forma espontânea sejam respeitados
na abrangência do Código de Defesa do Consumidor, aonde os sócios tenham
tratamentos
adequados
e
similares,
independente
de
serem
minoritários
ou
majoritários, que a comunidade sinta-se integrada com as empresas e vice-versa; pois
bem, certamente esta seria uma nação com uma qualidade de vida, um IDH (Índice
de Desenvolvimento Humano) altíssimo.
O fato é que nosso mundo contemporâneo atingiu todos os limites de aceitação e
acomodação em relação aos males sociais e ambientais oriundos de problemas com
variáveis
múltiplas,
as
quais
acessíveis
graças
aos
avanços
tecnológicos
de
transmissão de dados e imagens penetram na individualidade, no micro-espaço de
cada ser humano. Tudo isto associado ao fato dos recursos naturais estarem cada vez
mais escassos. Urge então, não necessariamente por altruísmo coletivo, mas sim por
sobrevivência, ou ambos, uma nova ordem, aonde o desenvolvimento econômico só
fará sentido se for aliado ao desenvolvimento social e estes só farão sentido, se forem
aliados ao manejo sustentável dos recursos naturais.
As empresas não são as únicas protagonistas destas mudanças, mas em sendo os
principais centros geradores e consumidores de produtos e serviços do nosso planeta,
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certamente serão agentes impactantes na busca de um mundo melhor, sem deixar de
lembrar que nenhuma empresa é 100% virtual, elas só existem com e para seres
humanos.
Complementando os conceitos pertinentes e envolvidos com o tema, é importante o
entendimento correto do que se traduz a expressão Ação Social. As ações sociais que
são uma parte das práticas presentes na responsabilidade social empresarial podem
ser definidas como:
Qualquer atividade planejada, fomentada, operacionalizada ou parceirizada pelas
empresas, de forma voluntária, para atenderem aos seus colaboradores e
familiares – ação social interna -, ou a comunidade em geral localizada em
qualquer parte do mundo – ação social externa -.
Estas ações sociais poderão ser implementadas na área de assistência social,
educação, saúde, meio-ambiente, cultura, defesa de direitos entre outras. Ou seja,
não se limitam a esfera de assistência e serviço social. As últimas pesquisas,
realizadas pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), mostram que o maior
número de ações é na área de assistência social, seguida de perto pela segurança
alimentar, estando um pouco distante, em terceiro lugar, a área de educação e em
quarto a saúde.
O entendimento da palavra colaborador, utilizada no conceito de ação social deve ser:
Todas as pessoas que participam de qualquer atividade ou evento de uma
empresa,
sendo
funcionários/empregados
da
mesma
ou
de
empresas
terceirizadas.
As ações sociais, principalmente as externas, são na maioria das vezes realizadas em
parceria com outras organizações. As parcerias mais comuns são com organizações do
Terceiro Setor, em segundo lugar com órgãos públicos e por último com outras
empresas privadas. Não raro, principalmente em ações sociais de grande porte, haver
uma parceria tripartite entre a empresa, uma organização do Terceiro Setor (ONG) e o
setor público.
Para o melhor entendimento possível do conceito de responsabilidade social
empresarial é importante evidenciar também, o porquê da utilização dos dois termos:
consumidor e cliente. Sendo assim, o conceito destes é:
Ambos podem ser pessoas jurídicas ou pessoas físicas. A diferenciação se dá pelo
ato de comprar e consumir, ou seja, quem compra é cliente, quem utiliza o produto ou
serviço é consumidor. Nada impede que seja o mesmo ente, ou seja, quem compra é
quem consome.
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3. IMPLANTAÇÃO DA RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL
Para a implantação de uma gestão eficaz de responsabilidade social empresarial é
imprescindível uma visão geral, porque não dizer holística, da empresa perante todos
os públicos com quem suas atividades impactem ou possam impactar em seu
cotidiano, seja em maior ou menor intensidade. Assim sendo, de forma sucinta, a
implementação
estratégica
da
responsabilidade
social
empresarial
requer
o
desenvolvimento de:
–
Estrutura organizacional para este fim, podendo estar dentro de outra área;
–
Elaboração de processos e procedimentos;
–
Identificação e resolução de possíveis conflitos com outras metas e objetivos;
–
Sistema formal e especifico de comunicação e treinamento integrado com os
existentes na empresa;
–
Previsão de processos e sistemas de avaliação interna e externa atingindo a
percepção do número máximo de stakeholders;
–
Estabelecimento de indicadores;
–
Acompanhamento de performance global e retroalimentação (feedback).
No decorrer da implantação de uma política de responsabilidade social corporativa,
inúmeros desafios surgirão principalmente no início do projeto, até que se estruture de
forma capilar atingindo toda a organização. O alinhamento das metas financeiras e ou
mercadológicas com as socioambientais e demais práticas é a chave do sucesso para
um início com base sólida. Para mitigarmos os riscos de insucesso é fundamental a
absorção
mais
rápida
possível
do
significado
dos
seguintes
termos
e
ou
nomenclaturas:
•
Investimento Social Privado Empresarial;
•
Balanço Social e ou relatório de Sustentabilidade;
•
Marketing Social.
Estes itens certamente passarão a fazer parte do plano global, resultante da
determinação da empresa em implantar de forma correta seu projeto de gestão de
responsabilidade social. O investimento social privado empresarial é o elemento de
viabilização concreta das práticas em ações sociais oriundas da política estratégica de
responsabilidade social empresarial, ou seja, sem investimento não há, na concretude,
a realização de uma ação social. É óbvio que podemos ter, e infelizmente é bastante
comum, uma ou várias ações sociais empresariais, sem haver uma estratégia de
investimento social privado empresarial nem muito menos gestão de responsabilidade
social empresarial definida. Não incomum, são ações pontuais, como por exemplo, as
campanhas de arrecadação disto ou daquilo para distribuição em comunidades
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carentes, sem nenhum planejamento estruturado, pois sequer há uma pesquisa para
saber se os produtos arrecadados são mesmo, itens de necessidade do público alvo a
ser beneficiado. Há também situações que deveriam ser limites, porém são
relativamente freqüentes em que a empresa possui uma estratégia razoável de
investimento social privado
empresarial,
mas
não implantou uma
gestão de
responsabilidade social condizente. Por outro lado, o conjunto de práticas possíveis
dentro de um planejamento de responsabilidade social empresarial, não se resume em
atividades exclusivamente originárias de investimento social privado empresarial,
como por exemplo, a decisão de tratamento igualitário entre sócios majoritários e
minoritários, abolição de qualquer ato de sonegação e corrupção, entre outros.
É comum que as organizações façam a divulgação dos seus investimentos sociais
privados empresariais realizados, utilizando-os inclusive, como meios para melhoria de
sua imagem corporativa.
O Balanço Social e ou Relatório de Sustentabilidade somado ao Marketing Social
devem, portanto, se constituírem em elementos de registro, controle e divulgação das
práticas
de
responsabilidade
social e
investimento
social
privado
empresarial
respectivamente. Cabe deixar claro mais uma vez que o termo social, não é restritivo
ao campo de assistência e serviço social, muito pelo contrário, sua interpretação deve
contemplar a mais ampla gama de atividades em prol do bem comum. Portanto,
atividades de preservação e recuperação ambiental, de fomento e preservação de
cultura, arte, etnia, defesa de direitos, educação, saúde, entre outras, estão todas
atingidas sob o “guarda-chuva” ação social. Outro ponto importante, é que, embora
recente o termo balanço social já esta em desuso, sendo substituído em muitos casos
pelo documento amplo da empresa, chamado relatório de sustentabilidade, no qual a
empresa apresenta seus dados econômicos, sociais e ambientais, o popular: triplle
botton line, termo criado por John Elkington em 1994. Elkington é fundador do Sustain
Ability e autor de 17 livros sobre responsabilidade social empresarial.
A linha sequencial ideal de visualização deste processo está descrita a seguir.
Ao observarmos esta representação, vemos que o marketing referente às práticas e
ações sociais da empresa seria conseqüência de uma estratégia empresarial de
responsabilidade social e não a única meta, ou seja, a empresa ter a priori como
intuito apenas um posicionamento de marketing social não seria o caminho mais
salutar.
GESTÃO de RESPONSABILIDADE SOCIAL II
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16 >>
Planejamento Estratégico da
Responsabilidade Social
Empresarial
Planos de Implementação do
Investimento Social privado
Empresarial
Balanço Social /
Relatório de
Sustentabilidade
Marketing Social
Sem entrarmos no mérito se é ou não ético, o fato é que na maioria das vezes o
marketing esta puxando o processo, ou seja, há uma inversão da sequência natural
indicada, para um fluxo baseado exclusivamente num posicionamento melhor de
marca e imagem da empresa. Independente do caminho escolhido pela empresa cabe
ressaltar que em ambas as situações é muito provável que haja investimento social
privado para realização de ações sociais, permitindo a elaboração de um balanço social
e ou relatório de sustentabilidade que, costumeiramente, infelizmente, procura mais
“enfeitar” do que realmente servir de análise e retro-alimentação das estratégias de
responsabilidade social e ou investimento social privado empresarial. Mesmo assim
servirá de base para o marketing social.
Incorporar
a
responsabilidade
social
é
administrar
as
relações
contratuais
e
institucionais das corporações para atender as demandas e expectativas das partes
interessadas, as quais definem a arquitetura organizacional das firmas – o poder de
decisão, a avaliação de desempenho e o sistema de compensação.
4. INVESTIMENTO SOCIAL PRIVADO EMPRESARIAL
Como já esclarecido, podemos afirmar que fora as práticas de conduta com alguns
stakeholders, demais atividades oriundas da responsabilidade social empresarial só
ocorrem com investimento por parte da empresa, o contrário é fácil de deduzir que é
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possível, ou seja, a empresa realizar investimento social privado sem gestão
estruturada de responsabilidade social empresarial. Este investimento pode ser
realizado através de diferentes formas de recursos: humanos, financeiros e até
serviços e produtos elaborados pelas empresas, sendo na maioria das vezes a
combinação dos mesmos. Para chegarmos ao melhor entendimento do que seja o
investimento social privado empresarial, vamos conhecer primeiro o conceito de
investimento social privado, estabelecido pelo GIFE – Grupo de Instituições e
Fundações Empresariais -.
O uso planejado, monitorado e voluntário de recursos privados, provenientes de
pessoas físicas ou jurídicas, em projetos sociais de interesse público.
Ao analisarmos o este conceito, dentre várias observações importantes, vale destacar:
1)
Não é uma mera doação. O investimento se difere da doação pelo fato de que o
ato de investir implica em buscar retorno, qualificar o local onde vamos alocar os
recursos sob aspectos de confiança, transparência, capacidade de gerar resultados
e utilização eficaz, etc. Já o ato de doar encerrá-se em si mesmo;
2)
Este investimento pode ser realizado por indivíduos, famílias, grupos de interesse
comum, empresas diretamente ou por fundações e institutos mantidos por elas;
3)
A expressão: “projeto social de interesse público”, não se limita nas ações
exclusivamente da área social. O campo de investimento é bastante abrangente
atingindo as áreas de saúde, educação, cultura, meio-ambiente, segurança
alimentar
e
defesa
de
direitos,
entre
outras,
conforme
já
evidenciado
anteriormente na abrangência máxima do termo social.
A partir do conceito estabelecido, podemos concluir que Investimento Social Privado
Empresarial, segundo o próprio GIFE é:
Investimento planejado, monitorado e voluntário em projeto social de interesse
público, de recursos provenientes de pessoas jurídicas (empresas), independe do
tipo de capital e forma de atuação econômica, ou seja, oriundos de empresas de
serviço, comércio ou indústria com capital nacional ou estrangeiro, de controle
privado, público ou misto.
Analisando o conceito acima, surge uma questão muito interessante, que chamo de
“PARADOXO” do investimento social privado empresarial, que se traduz no fato de
empresas nacionais cujo seu controle acionário é de Capital Público poder realizar
investimento social Privado. Não raro, vemos Petrobrás, Banco do Brasil e outras
empresas com controle de capital público, patrocinando ações de cunho social,
cultural, ambiental e etc.
GESTÃO de RESPONSABILIDADE SOCIAL II
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18 >>
5) CLASSIFICAÇÃO DO INVESTIMENTO SOCIAL PRIVADO EMPRESARIAL
Para elaboração de um bom plano de investimento social privado empresarial se faz
necessário separar as práticas e ou ações que tenham como objetivo e público alvo
exclusivamente os funcionários (colaboradores) e seus familiares, de práticas e ou
ações que atinjam a comunidade de forma aberta e geral, muitas vezes até distante
fisicamente
da
empresa
ou
do
local
de
residência
de
seus
funcionários
(colaboradores). Assim sendo, podemos classificar o Investimento Social Privado
Empresarial em dois grandes grupos:
Investimento Social Privado Empresarial Interno;
Investimento Social Privado Empresarial Externo.
Antes de evidenciarmos os dois tipos de investimento social privado empresarial, cabe
registrar que temos utilizado tanto a palavra prática como ação para caracterizar
atividades desenvolvidas pela empresa, fruto de sua gestão de responsabilidade social
empresarial e ou investimento social privado empresarial. Na verdade não há uma
diferença literal contundente entre ambas, ocorre que o termo práticas com relação a
este ao aquele stakeholder é usada de forma mais ampla, e quando usamos o termo
ação, via de regra, focamos alguma atividade definida, por exemplo: ação ambiental,
ação social, ação cultural entre outras, já com relação à palavra prática, ou melhor,
sempre utilizada no plural práticas, temos, por exemplo: práticas com seus
colaboradores, práticas com relação ao governo, práticas com relação ao meioambiente, etc.. Enfim, é também comum a utilização alternada das duas palavras,
consubstanciando conforme o texto, numa forma de sinônimos.
5.1) INVESTIMENTO SOCIAL PRIVADO EMPRESARIAL INTERNO
Este investimento se caracteriza por sua aplicação em práticas que beneficiam
unicamente o público interno, ou seja, os funcionários (colaboradores) e seus
familiares. Estas ações são aquelas realizadas exclusivamente de forma espontânea
pela empresa. Portanto, não fazem parte destas práticas, possíveis benefícios contidos
nas obrigações legais, contribuições compulsórias, contribuições para entidades de
classe, cumprimento de normas trabalhistas, conquistas por categorias, dissídios
coletivos e etc., ou seja, tudo aquilo que for obrigação de fazer, não deve ser
computado como práticas de responsabilidade social nem investimento social privado
empresarial, pelo contrário, o não cumprimento de seus deveres empresariais,
GESTÃO de RESPONSABILIDADE SOCIAL II
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19 >>
descaracteriza qualquer intenção de uma gestão estruturada de responsabilidade
social empresarial.
Faz-se necessária uma importante reflexão quanto à presença ou não de ações sociais
exclusivas aos funcionários (colaboradores) e seus familiares, dentro de um contexto
geral do plano de responsabilidade social empresarial, em especial das estratégias
balizadoras do investimento social privado empresarial.
Antes de a empresa partir para ações de investimento social privado externo, deverá
avaliar possíveis impactos negativo aos colaboradores, que poderão sentir-se
menosprezados e até mesmo renegados.
Isso vale, principalmente, para grandes empresas que costumam voltar seus olhos
para ações externas antes das internas, por julgarem que seus “pacotes” de benefícios
em suas políticas de recursos humanos são amplos e atendem as expectativas de seus
colaboradores. O fato é que, infelizmente, na maioria das vezes isto não é verdade, ou
seja, o clima organizacional interno não é monitorado e pior, quando busca conhecê-lo
percebe-se que esta abaixo do aceitável.
Face ao exposto, um dos primeiros passos a se dar em questão de investimento social
privado empresarial é checar o clima organizacional interno visando descobrir se há
demandas por parte dos colaboradores ainda sem atendimento ou sem justificativa da
não
aceitação.
Este
trabalho
é muito
delicado,
porém
imprescindível,
sendo
responsabilidade do departamento de recursos humanos tal monitoramento para
geração de um plano de ajuste, resultando parte do plano de práticas e ações sociais
voltadas ao público interno, contando sempre de forma indispensável com a
participação dos colaboradores e funcionários terceirizados.
As ações sociais internas, fruto do Investimento Social Empresarial Interno, trazem
uma série de benefícios para a empresa, os mais comuns são:
•
Gerar satisfações pessoais ao empresário, colaborador e familiares;
•
Melhora o ambiente de trabalho e a motivação, aumentando a produtividade pela
redução do absenteísmo e melhoria nos indicadores de qualidade;
•
Ajuda a empresa a atrair e manter bons colaboradores (talentos);
•
Quando os funcionários colaboradores residem de forma concentrada num mesmo
bairro, a empresa desenvolve uma imagem muito positiva naquela comunidade;
•
Ganhos na imagem institucional da empresa junto aos demais stakeholders.
Como podemos observar, estes benefícios são perfeitamente alinhados às principais e
mais comuns metas empresariais, tais como: aumento de market share, elevação do
retorno do capital, crescimento do lucro, etc.
Os principais pontos que pautam ações sociais internas são pertinentes às relações
diretas entre o capital e o trabalho, ou seja, empregado e empregador contemplando:
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•
20 >>
Benefícios na área de saúde: ginástica laboral, assistência médica, odontológica e
psicológica;
•
Segurança e conforto no ambiente de trabalho: ergonometria, luminosidade,
ventilação, climatização, controle de barulho, análise de risco, constituição de CIPA
(comissão interna de prevenção de acidentes), fornecimento de equipamentos de
proteção, brigadas de incêndio, rampas para deficientes físicos, banheiros
adequados, etc;
•
Benefícios previdenciários: seguro de vida, aposentadoria complementar, seguro
educação para os filhos, etc;
•
Benefícios na área de lazer: espaços físicos para confraternizações, quadras poliesportivas, academias de ginástica, salas de relaxamento, salas de leitura, etc;
•
Benefícios para o desenvolvimento profissional: auxílio financeiro para cursos,
seminários, etc.;
•
Prioridade aos colaboradores já existente para ocupação de vagas em nível
gerencial e diretoria;
•
Benefícios para a família: auxílio creche, auxílio nas despesas de educação dos
filhos, fornecimento de auxílio alimentação como cestas básicas, etc;
•
Distribuição de parte dos lucros aos colaboradores;
•
Respeito à privacidade das pessoas.
Para concluirmos o estudo sobre o Investimento Social Privado Empresarial Interno –
I.S.P.E.I. - cabe registrar algumas precauções que se deve ter durante a sua
implantação, para garantir os resultados positivos almejados e minimizar possíveis
riscos que podem prejudicar, ou até mesmo inviabilizar o sucesso das iniciativas.
As preocupações mais importantes são:
•
Implantar o I.S.P.E.I sem contemplar todos os direitos legais dos funcionários;
•
Exclusões Sociais na estrutura organizacional (raça, sexo...);
•
Não possuir vagas para deficientes (PPD);
•
Política salarial “desajustada” do mercado;
•
Falta de participação dos colaboradores nas decisões;
•
Não ter processos de análises de resultados (indicadores);
•
Não haver monitoramento do grau de motivação interna;
•
Clareza na condução de “crises” internas ou externas;
•
Ter no “mínimo” um pequeno código de ética para a organização.
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5.2) INVESTIMENTO SOCIAL PRIVADO EMPRESARIAL EXTERNO
Este investimento se caracteriza por sua aplicação em práticas e ações sociais que
beneficiam
o
público
externo,
ou
seja,
comunidades
onde
não
residem
os
colaboradores e ou seus familiares.
O processo de realização deste investimento se dá através de ações sociais externas,
ou seja, ações voltadas para o público além dos muros da empresa, beneficiando a
comunidade de forma aberta e geral. As mais comuns são ações filantrópicas
pontuais, projetos comunitários em recursos sociais já existentes, e vários tipos de
apoio a projetos e programas de organizações sociais sem fim lucrativo (Terceiro
Setor). Não obstante ao caráter difuso de uma ação ou práticas de respeito ao meio
ambiente que indiretamente afetam todos os seres deste planeta.
As ações sociais externas são as mais comuns e presentes no dia a dia das empresas,
algumas pontuais tais como: campanha do agasalho, arrecadação de alimentos, etc,
são muito simples do ponto de vista executivo e são praticadas por todas as
empresas: pequenas, médias e grandes.
As alterações nos tipos de práticas e ações sociais externas, relativas ao porte das
empresas, acompanham o grau de dificuldade executiva e o volume de recurso
necessário a ser investido, na proporção direta do tamanho da empresa. Ou seja,
dificilmente veremos ações sociais de proporções muito grandes realizadas por
empresas pequenas, mas o inverso, infelizmente é verdadeiro.
Não raro encontramos ações sociais externas relevantes, executadas por uma rede de
investidores, bem como parcerias com agentes operadores, via de regra, organizações
do terceiro setor e em certos casos parcerias tripartites entre os três setores:
segundo, terceiro e primeiro, ou seja, empresas, organizações sem fim lucrativo e
governo, juntos em uma mesma ação social de interesse público.
Para efeito de imagem e posicionamento da empresa junto aos públicos com que
interage e ou impacta de forma mais distante, as ações geradas por Investimento
Social Privado Empresarial Externo são as que mais retornos proporcionam. Isto se dá
porque por cultura e costume as ações internas possuem a conotação de obrigação,
enquanto as externas livram-se deste estereótipo, se caracterizando como uma
espécie de altruísmo empresarial.
As ações sociais externas mais comuns são:
•
Investimento de recursos financeiros de forma direta ou através de destinação de
tributos a instituições do terceiro setor, este último é o que chamamos de uma
prática de usar incentivo fiscal;
GESTÃO de RESPONSABILIDADE SOCIAL II
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•
22 >>
Investimento através de fornecimento gratuito de produtos e ou serviços
produzidos pela empresa as instituições do terceiro setor;
•
Sensibilização dos colaboradores para o trabalho voluntário;
•
Dispensa dos colaboradores para o trabalho voluntário;
•
Realização de campanhas de arrecadação (alimentos, roupas, etc.);
•
Desenvolvimento, implantação e operação de projetos e programas próprios nas
áreas: social, educação, cultura, saúde, meio-ambiente, defesa de direitos entre
outras.
O universo de programas e projetos sociais, culturais, ambientais, de defesa de
direitos, etc., é infinito. Assim sendo, independente de ser próprio ou apoiando outra
organização, geralmente do terceiro setor, há incalculáveis tipos de ações, desde a
contribuição pontual ou contínua a uma creche – educação infantil – por exemplo, até
a construção e manutenção da operação de um equipamento social de interesse
público em uma comunidade carente.
As ações externas ainda são, na imensa maioria das vezes, assistencialistas, e com
isso causam pulverização dos investimentos e perda de foco.
Infelizmente, os projetos e programas para o desenvolvimento humano e da cidadania
ainda são poucos conhecidos e praticados pelas empresas, havendo dificuldade na
obtenção de um resultado com alto grau de impacto que altere cenários com baixo
índice de desenvolvimento humano. Face às políticas de fomento através da permissão
de destinações de tributos, os investimentos sociais externos possuem motivações
diversas conforme a existência ou não de incentivo fiscal.
Programas e projetos de arte e cultura são motivados pelo incentivo fiscal, já os
socioambientais e sócio-educativos muito pouco, pois além de serem com percentuais
do imposto de renda bem menor do que para cultura, são exclusivos para serviços
sociais voltados ao atendimento de crianças e adolescentes.
Uma prática comum
mantenedoras
de
atualmente é grandes empresas criarem
instituições, com personalidades
jurídicas
e tornarem-se
de associação ou
fundação, muitas vezes chamadas de instituto, inclusive com o mesmo nome da
empresa mantenedora, para serem seus agentes operadores dos Investimentos
Sociais Privados Empresariais Externos. Exemplo: Fundação Boticário, Fundação
Educar D’paschoal, Instituto Camargo Correa, Fundação Telefônica, dentre outros.
As ações sociais externas, como falamos anteriormente, são as que mais retornos
proporcionam em termos de marketing, por gerarem grande mídia espontânea. A
exposição perante a mídia pode ocorrer de forma direta, pois é comum colocar no
nome do projeto e ou programa alguma menção ao nome da empresa, ou até mesmo
combinar o nome da empresa com a ação social. Há também caminhos alternativos,
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23 >>
como associar o nome da empresa ao de organizações do terceiro setor que possuem
marcas fortes, de reconhecimento nacional. Um bom exemplo é o Instituto Ayrton
Senna. Muitas empresas tomam a decisão de apoiar programas deste instituto, não só
pela competência, diga-se de passagem, altamente reconhecida e verdadeira, mas
também pela associação com o nome de um ídolo do esporte mundial.
Outro fator importante é a questão da concorrência, ou seja, meu concorrente está
fazendo ações sociais externas, então a empresa toma a decisão por cópia, visto que o
mercado consumidor começa cada dia mais identificar na hora da compra empresas
socialmente responsáveis. Este dado a respeito do consumidor selecionar as empresas
“Socialmente Responsáveis” é uma tendência mundial irreversível.
Há também demandas pontuais das comunidades, geralmente localizadas próximas às
plantas destas empresas, que propiciam uma ótima oportunidade para a empresa
realizar ações sociais externas através do apoio à mitigação destas carências, na
maioria das vezes de caráter social, caracterizado pela ausência de serviços sociais
básicos. Bastante similar a esta última ocorrência de decisão para realização de ações
sociais externas é o engajamento da empresa junto ao setor público. Via de regra, por
solicitação quase que ameaçadora dos representantes do poder público municipal para
que a empresa apóie projetos e programas sociais de interesse do município já que o
mesmo não tem recursos para realizar.
Não podemos deixar de registrar que há empresas que, independente dos pontos de
motivação colocados acima, realizam ações sociais externas por puro sentido de
altruísmo de seus acionistas. Comumente, estas empresas são as que possuem as
melhores performances em seus projetos e programas de investimento social privado
empresarial.
Assim sendo, podemos resumir os fatores de decisão para realização de Investimento
Social Privado Empresarial Externo em:
•
Melhorar a imagem institucional da empresa perante seus stakeholders;
•
Possuir diferencial relativo ao mercado, ou não permitir que seu concorrente tenha,
em relação à responsabilidade social empresarial;
•
Melhorar e manter um relacionamento saudável com a comunidade de seu
entorno;
•
Melhorar e manter um relacionamento saudável com o poder público local;
•
Atrair e manter talentos em seus quadros de colaboradores;
•
Redução dos custos financeiros na tomada de capital externo;
•
Altruísmo dos sócios.
Com relação aos benefícios gerados, através de ações sociais externas, podemos dizer
que são semelhantes aos já citados para ações sociais internas, acrescendo aqueles
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oriundos da melhoria substancial na relação com as comunidades externas que a
princípio não possuem nenhum vínculo direto com a empresa.
Portanto, os principais benefícios são:
•
Gerar
satisfações
pessoais
ao
empresário,
colaboradores,
familiares
e
a
comunidade do local da ação social externa;
•
Melhorar o ambiente de trabalho e a motivação, aumentando a produtividade
através da melhoria nos indicadores de qualidade;
•
Torna-se mais saudável a relação da empresa com os colaboradores, fornecedores,
clientes, consumidores, a comunidade e o poder público;
•
Ajudar a empresa a atrair e manter bons colaboradores (talentos);
•
Auxiliar na redução do absenteísmo;
•
Servir como exemplo de uma empresa socialmente responsável, fomentando
outras iniciativas, por parte das demais empresas concorrentes, vizinhas, ou
ambas;
•
Agregar valor a imagem institucional da empresa.
Para uma empresa realizar uma ação social externa, através do Investimento Social
Privado Empresarial Externo – I.S.P.E.E., é recomendável tomar alguns cuidados antes
e durante sua implantação. Os mais importantes são:
•
Implantar o I.S.P.E.E. sem contemplar todos os direitos legais dos colaboradores;
•
Implantar o I.S.P.E.E. sem possuir nenhuma ação social interna, ou seja, sem ter o
I.S.P.E. Interno;
•
Não
haver
monitoramento
do
grau
de
motivação
interna,
pois
o
clima
organizacional deve estar de bom a ótimo, para que se tenha sucesso nas ações
sociais externas;
•
Exclusões sociais na estrutura organizacional (raça, sexo...);
•
Não possuir vagas para deficientes (PPD);
•
Política salarial “desajustada”;
•
Ter lisura nas questões trabalhistas e tributárias;
•
Falta de participação dos colaboradores;
•
Ter um bom comportamento em relação ao meio ambiente;
•
Não ter uma estrutura de analise e registro (monitoramento) dos resultados;
•
Não ter previamente contemplado no orçamento e no planejamento estratégico da
organização possíveis ações sociais externas;
•
Clareza na condução de “crises” internas ou externas;
•
Ter no “mínimo” um pequeno código de ética para a organização.
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Ao analisarmos dezenas de projetos e programas de Investimento Social Privado
Empresarial constatamos que nem tudo são flores. O desafio não é tão simples e
surgem muitos problemas durante a execução do projeto. Buscando uma orientação
geral e abrangente, apresentamos as principais causas, que via de regra, geram as
não-conformidades que impedem o sucesso de tais iniciativas. Os principais pontos a
serem destacados são:
•
Falta de alinhamento estratégico para determinar os objetivos do Investimento
Social Privado Empresarial;
•
Falta definição clara de foco do Investimento Social Privado Empresarial;
•
Não há prévia definição de quem decide /aprova;
•
Falta planejamento / definição da origem dos recursos;
•
Falta definição do tempo de duração do I.S.P.E.;
•
Falta definição orçamentária;
•
Falta de indicadores de retorno, bem como a não existência de um plano de
avaliação / monitoramento;
•
Falta definição do responsável pela gestão deste investimento;
•
Falha de comunicação na divulgação dos I.S.P.E..
Este último item é no mínimo intrigante e curioso, visto que um dos motivos das ações
sociais externas é a melhoria da imagem através do marketing social. No dia-a-dia
presenciamos de forma bastante comum a ocorrência de uma comunicação deficiente
e em muitos casos a ausência de qualquer divulgação.
6) MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DE PRÁTICAS DE RESPONSABILIDADE
SOCIAL EMPRESARIAL
A história sobre as práticas de responsabilidade social empresarial ainda é pouco
conhecida. Houve alguns registros do termo por volta dos anos 50 nos Estados Unidos,
porém muito restrito. Nas décadas de 60 e 70 começa surgir com um pouco mais de
intensidade na Europa Ocidental, num crescente até os anos 80, consolidando-se nos
anos
90
em
amplitude
mundial.
No
Brasil,
as
práticas
eram
praticamente
desconhecidas até meados da década de 1990, sendo a partir da segunda metade, ou
seja, após 1995 que começaram a surgir evidências sistêmicas de ações de
responsabilidade social empresarial.
Um dos fatores restritivos para registro destas práticas era a falta de estruturação,
padronização e sistematização de conceitos que pudessem evidenciar, ou não, uma
prática de responsabilidade social empresarial.
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26 >>
6.1) SA 8000
Em 1997, a Council on Economic Priorities Accreditation Agency (Cepaa), atual Social
Accountability International (SAI), organização não governamental sediada nos
Estados Unidos criou a norma certificadora SA 8000, que se traduziu numa primeira
referência mundial para avaliação.
Trata-se de um sistema bastante similar à ISO 9000, porém norteada pelas diretrizes
das Nações Unidas sobre Direitos Humanos somadas às convenções da Organização
Internacional do Trabalho (OIT).
Infelizmente, muitas empresas e a própria mídia em geral tratam a SA 8000 como
sinônimo de certificação da gestão de responsabilidade social da empresa, o que é um
grande equívoco. Pois, se atentarmos as suas diretrizes, observaremos a sua limitação
ao universo de stakeholders atingidos pela SA 8000. Obviamente, este fato não
desmerece os pontos positivos da mesma e a relevância em seu campo de aplicação,
bem como sua importância estratégica dentro do processo global da gestão de
responsabilidade empresarial. Podemos, de forma sucinta, conceituar a SA 8000 como
um sistema de avaliação das condições saudáveis, éticas e dignas de trabalho. Tratase de uma norma uniforme e possível de auditoria, que permite uma verificação de
sistema por terceira parte. O campo de verificação da norma SA 8000 abrange:
•
Trabalho Infantil;
•
Trabalho Forçado;
•
Saúde e Segurança;
•
Liberdade de Associação e Direito à Negociação Coletiva;
•
Discriminação;
•
Práticas Disciplinares;
•
Horário / Jornada de Trabalho;
•
Remuneração;
•
Sistema de Gestão das Pessoas.
Dados de 2008 colocam o Brasil como o quinto colocado entre os países com maior
número de certificações, ao atingir 94 empresas. Em 31 de março de 2008 existiam
cerca de 1690 empresas certificadas com a norma SA 8000 em 64 países, incluindo,
entre outros: Estados Unidos, China, Índia, Paquistão, republica Tcheca, Inglaterra,
Espanha, Itália e Brasil. O Brasil representa na história da SA 8000 perto de cinco e
meio por cento do total de certificações. A título de curiosidade a primeira empresa a
possuir o certificado SA 8000, foi a norte-americana Avon em 1998.
Certamente esta iniciativa tem um marco pioneiro em escala internacional, no que
tange ao registro e comparação de práticas de responsabilidade social empresarial,
mesmo que focada na relação com os colaboradores e seu derivado para com os
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fornecedores. Também podemos observar o desenvolvimento da SA 8000 desde 1998
até 2008, no que concerne tanto ao número de empresas certificadas e a distribuição
das certificações mundo afora, quanto ao número de empresas certificadas por país.
Destaca-se a marca de quase 1.700 empresas, distribuídas em mais de 60 países,
sendo a Itália o país com maior número de empresas certificadas.
Número de certificações por ano
% crescimento anual
2008
1693
7%
2007
1580
32%
2006
1200
36%
2005
881
54%
2004
572
67%
2003
342
79%
2002
191
68%
2001
114
54%
2000
74
95%
1999
38
375%
1998
8
Número de países com empresas certificadas
% crescimento anual
2008
64
3%
2007
62
5%
2006
59
18%
2005
50
11%
2004
45
15%
2003
39
22%
2002
32
19%
2001
27
50%
2000
18
157%
1999
7
133%
1998
3
País
Nº de Certificações
Itália
795
Índia
267
China
214
GESTÃO de RESPONSABILIDADE SOCIAL II
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira <<
28 >>
6.2) AA 1000
Cerca de dois anos depois, em 1999 o Institute of Social and Ethical Accountability
(ISEA) de Londres, fundado por Simon Zadek, idealizou e lançou a norma certificadora
AA 1000 que ampliaria sobremaneira a questão da avaliação e monitoramento da
relação entre a empresa e seus diversos públicos.
A norma certificadora AA 1000
é composta por princípios e padrões de processo
focados no engajamento com as partes com as quais a empresa interage. Esta norma
contempla o processo de levantamento de informações, relatos: social e ético, bem
como auditoria com enfoque no diálogo das e com as partes interessadas –
stakeholders -. A implantação da norma AA 1000 como metodologia de trabalho
permite o desenvolvimento e aprendizagem organizacional na busca da melhoria
contínua do processo de gestão. Em suma, podemos dizer que esta norma visa
orientar e gerenciar o diálogo entre a empresa e os diversos públicos interessados, na
busca pela transparência dos negócios.
A série de normas AA 1000 tem como objetivo definir as melhores práticas para a
prestação de contas assegurando a qualidade da contabilidade, auditoria e relato
social e ético da empresa. Por meio desse processo, focado no engajamento da
organização com as partes interessadas, vincula questões sociais e éticas à gestão
estratégica e operações do negócio.
A participação das partes interessadas é o núcleo central do padrão AA 1000. Será
através dela que a organização priorizará as não conformidades para ajuste e
melhoria, bem como evidenciará indicadores e metas que comporão os relatórios mais
adequados a cada empresa.
Embora passível de certificação, a norma não define padrões de desempenho. Seu
escopo a leva na determinação e desenho dos processos a serem implantados na
elaboração do relatório de desempenho sem parâmetros fixos (padrões). Portanto, a
AA 1000 não pode confirmar nenhum comportamento ético e socialmente responsável
para uma empresa, permitindo apenas que seu diálogo com os stakeholders esteja
rastreado e alinhado com suas metas e missão. As mais importantes contribuições da
AA 1000 são os processos e definições propostos que dão suporte à prática da
responsabilidade social empresarial.
A estrutura da AA 1000 contém processos e princípios para relatórios, prestação de
contas e auditoria. A implementação dos processos da AA 1000 se dá em cinco fases:
•
Fase 1 – Planejamento;
•
Fase 2 – Contabilidade;
•
Fase 3 – Auditoria e relatório;
GESTÃO de RESPONSABILIDADE SOCIAL II
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•
Fase 4 – Implementação;
•
Fase 5 – Engajamento das Partes Interessadas.
29 >>
Enfatiza-se a inovação na forma de adotar as regras, permitindo que cada empresa
defina seu próprio caminho. Isso, certamente, confere às companhias maior
engajamento e responsabilidade para com o tema.
Seguir esse padrão tem sido visto como uma garantia para os acionistas e demais
partes interessadas de que há consistência nas ações da empresa.
A norma AA 1000 apresenta quatro grandes partes ou itens, que derivam um total de
onze princípios que devem ser seguidos pela organização, a saber:
Parte I – Escopo e natureza geral dos processos da organização, subdividido em três
princípios:
1)
Completude – imparcialidade na inclusão das áreas e atividades relacionadas com
o desempenho social e ético nos sistemas de prestação de contas, em especial na
contabilidade;
2)
Materialidade – substanciar com registros das informações sobre atitudes e fatos
derivados que afetam os stakeholders, bem como as avaliações do desempenho
social e ético;
3)
Regularidade e conveniência – sistematização ágil e segura das informações
contábeis e de desempenho social, preferencialmente auditadas, para tomada de
decisão tanto interna, quanto pelos stakeholders.
Parte II – Significância da informação, subdividido em dois princípios:
1)
Garantia da qualidade – existência de auditoria externa independente;
2)
Disponibilidade e facilidade de acesso – comunicação eficiente aos stakeholders
sobre os processos de: contabilidade, auditoria e relatos social e ético da
organização;
Parte III – Qualidade da informação gerada e divulgada, subdividida em quatro
princípios:
1)
Comparabilidade – facilidade de comparação dos indicadores atuais, com o
desempenho de períodos anteriores da própria organização, bem como com suas
metas estabelecidas, do ponto de vista interno. A análise relativa com outras
organizações (benchmark) e padrões normativos também são conferidos;
2)
Confiabilidade - informação íntegra e imparcial proveniente da contabilidade,
auditoria e relato social e ético;
3)
Relevância – garantir que tal registro é útil tanto para a própria organização,
quanto para os stakeholders em suas tomadas de decisão;
GESTÃO de RESPONSABILIDADE SOCIAL II
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira <<
4)
30 >>
Clareza – facilidade de compreensão da informação pela própria organização, e
por todos os seus stakeholders.
Parte IV – Gerenciamento global do sistema continuadamente, subdividido em dois
princípios:
1)
Integração – correlação sistematizada e auditada entre os processos de geração
de informações contábeis e de relato social e ético, que garantam a visão da
performance global da organização perante os seus stakeholders;
2)
Melhoria contínua – sistematização de ajustes baseados nas não conformidades
evidenciadas.
No Brasil, a adoção da AA 1000 além de recente é ainda pouco expressiva.
6.3) OHSAS 18001
Também em 1999, um grupo de organizações certificadoras e de normalização da
Austrália, Espanha, Irlanda, Malásia e África do Sul focam seus estudos no
desenvolvimento de uma norma para garantir a segurança e saúde no trabalho, dando
origem a OHSAS 18001. Sem determinação explícita de requisitos concretos para a
garantia da segurança e saúde no trabalho, a norma obriga a empresa a seguir
rigorosamente leis e procedimentos aplicáveis, bem como um sistema de gestão de
melhoria contínua em seus processos atrelados direta ou indiretamente com a
segurança e saúde no trabalho. Seu conteúdo tem a ênfase na análise, mapeamento e
gestão de riscos, derivando os programas de capacitação e treinamento, bem como a
implantação de sistemas formais de prevenção de acidentes.
6.4) INDICADORES ETHOS de RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL
No ano de 2000 o Instituto Ethos, organização brasileira do terceiro setor, concebeu
uma ferramenta para auto-avaliação, planejamento e mensuração das práticas de
responsabilidade
social
empresarial
denominado
Indicadores
Ethos
de
Responsabilidade Social Empresarial. Atenção especial para o fato de que não se trata
de norma certificadora, e sim de um conjunto de indicadores e diretrizes devidamente
estruturados e sistematizados.
Esta ferramenta de gestão de práticas de responsabilidade social empresarial já
evoluiu com várias versões ao longo dos anos, e constitui-se hoje no melhor
instrumento de análise inicial e situacional da empresa frente aos seus públicos
interessados – stakeholders -.
GESTÃO de RESPONSABILIDADE SOCIAL II
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31 >>
Além da avaliação situacional da empresa – auto-diagnóstico -, esta ferramenta
permite fácil planejamento para adequação, melhoria, implantação e consolidação das
melhores práticas de responsabilidade social empresarial.
Outro ponto importantíssimo no que diz respeito à utilização dos Indicadores Ethos de
Responsabilidade Social Empresarial é quanto a fácil matriz de correlação que pode ser
feita tanto com o relatório GRI – Global Reporting Initiative – quanto com o Pacto
Global, ambos princípios e diretrizes internacionais na área da sustentabilidade e
responsabilidade social empresarial.
O Instituto Ethos além de possuir os “indicadores gerais”, desenvolveu os chamados
Indicadores Ethos Setoriais, que permitem um aprofundamento mais consistente e
focado por segmento de atividade empresarial, garantindo uma analise comparativa
segmentada de alto nível. Cabe constar também, o indicador criado exclusivamente
para micros e pequenas empresas, cujo próprio nome já caracteriza o parceiro do
Instituto Ethos neste projeto chamado Indicadores Ethos-Sebrae de Responsabilidade
Social Empresarial para micro e pequenas empresas.
Os Indicadores Ethos de Responsabilidade Social Empresarial estão arquitetados em
sete grandes temas, que são uma espécie de macro-pontos de análise e verificação
das práticas implantadas. Os temas são:
•
Valores, Transparência e Governança;
•
Público Interno;
•
Meio Ambiente;
•
Fornecedores;
•
Consumidores e Clientes;
•
Comunidade;
•
Governo e Sociedade.
A formatação geral da ferramenta é baseada em três tipos de indicadores:
•
Indicadores de Profundidade;
•
Indicadores Binários;
•
Indicadores Quantitativos.
O primeiro – Indicador de Profundidade – caracteriza-se por uma reflexão situacional
onde a empresa optará pela mais próxima de uma das quatro alternativas oferecidas.
O segundo – Indicador Binário - como próprio nome diz, apresenta premissas
contextualizadas de forma clara e direta sobre o tema em avaliação, permitindo que a
empresa escolha de forma contundente a resposta sim ou a resposta não, referente ao
conteúdo do texto.
GESTÃO de RESPONSABILIDADE SOCIAL II
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32 >>
Por último os Indicadores Quantitativos que são desenvolvidos para monitoramento
das práticas pelos gestores de cada empresa. A somatória dos três permite que as
empresas analisem a situação atual, geração de metas e diretrizes necessárias a uma
evolução de suas práticas, bem como o desenvolvimento contínuo na gestão de
responsabilidade social.
Os indicadores do Instituto Ethos estão disponíveis para download gratuito no site:
www.ethos.org.br.
Os Indicadores Ethos de Responsabilidade Social constituem uma ferramenta de
autodiagnóstico cuja principal finalidade é auxiliar as empresas a gerenciarem os
impactos sociais e ambientais decorrentes de suas atividades. Os Indicadores Ethos
funcionam como um instrumento para uma auto-avaliação das práticas empresariais
além de constituir-se de uma ferramenta de gestão e planejamento, sugerindo
parâmetros de políticas e ações que a empresa pode desenvolver para aprofundar seu
comprometimento com a Responsabilidade Social Empresarial.
Os objetivos do Instituto Ethos com a criação dos Indicadores Ethos foram mobilizar
as empresas para a causa da responsabilidade social empresarial por meio de uma
ferramenta de gestão abrangente e melhorar a qualidade dos relatórios e balanços
sociais.
Não existe algum custo para responder os Indicadores Ethos e receber o relatório, e o
desempenho das empresas não é divulgado publicamente. As informações são
tratadas com a máxima confidencialidade.
Não há uma receita básica e inflexível para o processo de resposta dos Indicadores
Ethos pois cada empresa representa um universo diferente. Mas O Instituto Ethos
recomenda:
1 - que cada unidade de negócios responda seu próprio questionário;
2 - que seja indicado um coordenador que centralize e sistematize as informações e
facilite o diálogo interno;
3 - promover a participação de várias áreas da empresa. Quanto mais empresas
estiverem envolvidas no processo de preenchimento, provenientes de departamentos
e
níveis
hierárquicos
diversificados,
maior
será
a
reflexão
interna
e
a
representatividade das respostas, garantindo um melhor autodiagnóstico.
A empresa participante após ter respondido e enviado o questionário ao Ethos recebe
como retorno um relatório de diagnóstico das práticas de Responsabilidade Social
Empresarial personalizado, que é alocado na área restrita no sistema dos Indicadores
GESTÃO de RESPONSABILIDADE SOCIAL II
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33 >>
Ethos. Essa área restrita é criada quando a empresa se cadastra para envio das
respostas dos indicadores.
O Instituto Ethos não confere nenhum tipo de prêmio ou certificado para as empresas
que respondem o questionário. Os Indicadores Ethos são uma ferramenta de autoavaliação. As empresas a aplicam voluntariamente e não há nenhum prêmio, selo ou
certificado.
6.5) ABNT 16001
Não podemos deixar de citar que temos no âmbito da ABNT – Associação Brasileira de
Normas Técnicas –, organização normativa técnica de maior abrangência em nosso
país, a ABNT NBR 16001 publicada em dezembro de 2004. Tal norma definiu
requisitos mínimos de um sistema de gestão de responsabilidade social empresarial,
caracterizando três relevantes aspectos de observação:
•
Promoção da cidadania corporativa;
•
Promoção do desenvolvimento sustentável;
•
Promoção da transparência de todas as atividades empresariais.
Fundamentada no conceito do triplle botton line e apoiada na ferramenta conhecida
como PDCA – plan;do;check;act – a NBR 16001 estabelece a análise dos seguintes
objetivos, não se limitando ao mesmos:
•
Existência de boas práticas de governança;
•
Não existência de falsificação (pirataria), corrupção e sonegação fiscal;
•
Respeito com os concorrentes;
•
Respeito e conformidade ao estatuto dos direitos da criança e adolescente (ECA);
•
Respeito e conformidade ao direito dos trabalhadores, por meio das convenções e
acordos sindicais ou mesmo de dissídio coletivo;
•
Cuidado com a saúde e segurança;
•
Fomento da diversidade e combate a qualquer tipo de discriminação e exclusão;
•
Fomento ao desenvolvimento profissional;
•
Fomento as práticas de produção sustentáveis;
•
Fomento de ações sociais de interesse público.
6.6) ISO 14000
A série de normas ISO 14000 existentes desde meados dos anos noventa, a princípio
não
eram
percebidas
como
instrumentos
normativos
dentro
do
universo
da
responsabilidade social empresarial, e sim como parte de questões referentes à
normatização dos processos empresariais que consumiam recursos naturais e ou
danificavam o meio ambiente pelas suas atividades. Somente após a sedimentação do
GESTÃO de RESPONSABILIDADE SOCIAL II
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34 >>
conceito de que o meio ambiente é um dos stakeholders, ou seja, parte interessada
por ser afetada pelas atividades empresariais é que a mesma passa a ser vista sob a
ótica de certificação e normatização da responsabilidade social empresarial.
Dentre as inúmeras normas da serie ISO 14000, a mais conhecida atualmente é a ISO
14001, que estabelece as diretrizes básicas para o desenvolvimento de um sistema de
gestão ambiental dentro da empresa. Seu foco principal é a proteção ao meio
ambiente e a redução da poluição, num contexto de busca de equilíbrio com as
demandas sócio-econômicas de cada comunidade onde a atividade empresarial
impacta em seu meio ambiente.
Dentre as inúmeras normas da série ISO 14000 destacamos:
•
ISO 14020: Estabelece os princípios para as declarações ambientais;
•
ISO 14031: Estabelece diretrizes para a avaliação do desempenho ambiental;
•
ISO 14032: Exemplos de avaliação do desempenho ambiental;
•
ISO 14040: Estabelece as diretrizes e estrutura para a análise do ciclo de vida, que
compreende a extração da matéria-prima, processamento e produção, distribuição,
uso, reciclagem e descarte;
•
ISO 14064: Estabelece diretrizes para quantificar, monitorar e comunicar as
emissões e absorções de gases relativos ao efeito estufa.
6.7) OUTRAS NORMAS E INDICADORES
As normas, certificadoras ou não, e o Indicador Ethos apresentados até aqui se
constituem nos documentos mais utilizados em nosso país, porém há uma vasta
relação de outras normas e indicadores existentes em diversos países, dentre os quais
destacamos para ciência de sua existência:
•
Indicadores GIFE de Gestão do Investimento Social Privado – Brasil;
•
Escala Akatu de Responsabilidade Social Empresarial – Brasil;
•
Indicadores de Responsabilidade Social Empresarial – IARSE - Argentina;
•
Indicadores de Responsabilidade Social Empresarial – COBORSE – Bolívia;
•
Indicadores de Responsabilidade Social Empresarial – ACCIÓN – Chile;
•
Indicadores de Responsabilidade Social Empresarial – SGRI – Colômbia;
•
Indicadores de Responsabilidade Social Empresarial – CERES – Equador;
•
Indicadores de Responsabilidade Social Empresarial – AED – Costa Rica;
•
Indicadores de Responsabilidade Social Empresarial – FUNDEMAS – El Salvador;
•
Canadian Business for Social Responsibility – CBSR – Canadá;
•
Global Environmental Management Initiative –GEMI – Estados Unidos;
•
Integrated Management Systems – IMS – Áustria;
•
Vastuun Askeleita – FIBSRY – Finlândia;
GESTÃO de RESPONSABILIDADE SOCIAL II
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35 >>
•
Business in the Communit – BITC – Reino Unido;
•
Forest Stewardship Council – FSC – Alemanha;
•
Australian Standards Corporate Social Responsibility – SAI – Austrália;
•
Standards Institution of Israel – SII – Israel;
•
Det Sociale Indeks – DET – Dinamarca;
•
Japan Society for Business Ethics Study – ECS 2000 – Japão;
•
Occupational Health and Safety Assesment – OHSAS 18001 – Estados Unidos;
•
Association Française de Normalisation – AFNOR – SD 21000 – França.
6.8) ISO 26000
Um importante registro que não pode ficar de fora em qualquer discussão atual sobre
normas no campo da responsabilidade social empresarial é o desenvolvimento da ISO
26000. Em discussão sistematizada desde abril de 2001, tem sua conclusão prevista
para setembro de 2010. Construída de forma coletiva, possui o Brasil como um dos
seus principais líderes juntamente com a Suécia num cenário onde participam mais de
setenta países com quase 400 representantes ao todo, os chamados experts, cuja
experiência e qualificação os permitem opinar. Seu grande mérito será seu caráter não
certificador, bem como ausência de sistema de gestão.
Através das diretrizes da ISO 26000, qualquer tipo de organização terá tanto os
conceitos como princípios e práticas de responsabilidade social alinhados de forma
objetiva. Um caráter intrínseco muito importante da ISO 26000 é o estimulo para que
as organizações avancem suas práticas além dos exigidos por lei promovendo o
respeito aos diversos contextos sócio-culturais existentes num ambiente globalizado.
7) PACTO GLOBAL (GLOBAL COMPACT) E OS OBJETIVOS DE
DESENVOLVIMENTO DO MILÊNIO (METAS DO MILÊNIO)
Além das normas certificadoras ou não apresentadas, há também um conjunto de dez
princípios que constituem um programa da ONU (Organização das Nações Unidas),
chamado de Global Compact que busca uma distribuição e acesso dos benefícios da
economia global de forma mais equânime para toda população do planeta. Embora
não
se
constitua
responsabilidade
numa
social
norma
nem
empresarial,
num
este
tipo
de
programa
aferição
pode
de
nortear
práticas
os
de
planos
estratégicos das empresas na gestão de suas práticas de responsabilidade social.
Operacionalizado dentro do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento –
PNUD -o Global Compact teve como líder em sua concepção e implantação o então
secretário geral da ONU, Kofi Annan. Lançado oficialmente no primeiro semestre de
2000, inicialmente possuía nove princípios universais, sendo adicionado um décimo
princípio em 2004 que trata da luta contra a corrupção. Todos os princípios, em
GESTÃO de RESPONSABILIDADE SOCIAL II
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36 >>
especial os nove primeiros, foram baseados em três grandes documentos que são: a
Declaração Universal de Direitos Humanos, a Declaração da Organização Internacional
sobre os Direitos Fundamentais no Trabalho e as Declarações sobre meio ambiente
originadas no encontro do Rio de Janeiro em 1992 e Copenhague em 1995.
O Global Compact tem o intuito de articular o maior número de empresas no mundo,
com
destaque
para
companhias
internacionais
e
transnacionais,
visando
um
alinhamento das práticas empresariais com a promoção de valores universais e
sedimentação de estruturas socioambientais nas áreas de:
• Direitos Humanos;
• Relações de Trabalho;
• Meio Ambiente.
Para cada uma destas áreas foram desenvolvidos princípios aceitos pela maioria dos
países, portanto de caráter universal. Tais princípios, como já explicado, têm por base
a Declaração Universal de Direitos Humanos, Declaração da OIT - Organização
Internacional do Trabalho -, a Agenda do Rio 92 - Meio Ambiente e Desenvolvimento
Sustentável e o encontro de Copenhague em 1995.
Os dez princípios do Global Compact são:
1. A empresa para si e junto aos seus públicos de interesse e influência deve respeitar
e fomentar plenamente os direitos humanos internacionais;
2. A empresa deve ter garantia que nenhum direito humano é violado por ação direta
ou indireta da empresa;
3. A empresa deve reconhecer de forma cabal e indelével o direito à negociação
coletiva e a liberdade de associação;
4. A empresa deve erradicar em toda sua estrutura interna e externa de influência o
trabalho escravo (forçado ou compulsório);
5. A empresa deve erradicar em toda sua estrutura interna e externa de influência
qualquer modalidade de trabalho infantil;
6. A empresa deve erradicar todos os tipos de discriminação no ambiente de trabalho,
bem como promover a igualdade em todas as políticas de recursos humanos;
7. A empresa deve ter sempre associada aos seus planos e metas, diretrizes de
proteção preventiva em relação ao meio ambiente;
8. A empresa deve fomentar programas e iniciativas de respeito ao meio ambiente;
9. A empresa deve socializar ao máximo possível tecnologias de recuperação,
preservação e sustentabilidade do meio ambiente;
GESTÃO de RESPONSABILIDADE SOCIAL II
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira <<
37 >>
10. A empresa deve expurgar de suas ações as práticas de corrupção tanto ativa,
quanto
passiva
em
todos
os
relacionamentos
decorrentes
de
sua
atividade
empresarial.
A adesão oficial das organizações se dá por meio de uma carta de interesse a ser
encaminhada ao escritório das Nações Unidas em Nova Iorque, que homologará a
signatária da intenção, que a partir de então deverá cumprir com a divulgação,
fomento e prática dos princípios em todas as atividades empresariais desenvolvidas
junto a todos os seus stakeholders.
Atualmente mais de 5.200 organizações em quase 100 países já assinaram o pacto,
desde número temos aqui no Brasil mais de 300 companhias públicas e privadas, bem
como organizações sem fim lucrativo que fazem parte do grupo.
Outro documento muito importante dentro do cenário mundial de esforços em prol do
bem comum e redução da pobreza são as chamadas Metas do Milênio da ONU Organização das Nações Unidas – fruto da Declaração do Milênio, que evidenciou a
existência de meios – tecnologia e conhecimento – e falta de ações concretas para
melhorar as condições de vida nos países pobres, por parte de uma ação articulada de
todos os países, inclusive os ricos.
Oriunda de metas pensadas durante várias conferencias mundiais nos anos 90,
culminou em setembro de 2000, durante a Assembleia do Milênio em Nova Iorque, a
maior reunião de chefes de estado e de governo da história da ONU – Organização das
Nações Unidas – onde foram aprovadas as oito Metas de Desenvolvimento do Milênio
propostas pela ONU e aceitas por 191 países. As oito metas são desdobradas em 18
objetivos, associados aos diversos indicadores sócio-econômicos acordados pelos
países membros. Os países signatários se comprometem a atingir tais metas até 2015.
As oito Metas do Milênio são:
1.
Erradicar a extrema pobreza e a fome;
2.
Atingir a universalização do ensino fundamental;
3.
Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia da mulher;
4.
Reduzir a mortalidade infantil;
5.
Melhorar a saúde materna;
6.
Combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças;
7.
Garantir a sustentabilidade ambiental;
8.
Promover uma parceria mundial para o desenvolvimento.
GESTÃO de RESPONSABILIDADE SOCIAL II
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38 >>
As áreas de abrangência das Metas do Milênio são oriundas do Pacto Global (Global
Compact) que são:
•
Direitos Humanos;
•
Relações / Direitos do Trabalho;
•
Meio Ambiente.
Os dezoito objetivos derivados das oito Metas do Milênio são agrupados por meta,
tendo como base de indicadores e índices de controle e aferição os dados de 1990.
Tais objetivos estão descritos abaixo de acordo com a meta a que se referem:
1. Erradicar a extrema pobreza e a fome.
• Até 2015 diminuir pela metade o número proporcional de pessoas no mundo, com
renda inferior a um dólar por dia;
GESTÃO de RESPONSABILIDADE SOCIAL II
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39 >>
• Até 2015 diminuir pela metade o número proporcional de pessoas no mundo, que
passam fome.
2. Atingir a universalização do ensino fundamental.
• Permitir de forma consistente que em todo o mundo, até o ano de 2015, que todas
as crianças concluam um ciclo inteiro de ensino básico / fundamental.
3. Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia da mulher.
• Eliminar a assimetria entre os sexos no ensino fundamental e médio até 2005, e
em todos os níveis até 2015.
4. Reduzir a mortalidade infantil.
• Até 2015, diminuir dois terços dos índices percentuais de mortalidade infantil –
crianças até 5 anos.
5. Melhorar a saúde materna.
• Até 2015, diminuir três quartos dos índices percentuais da taxa de mortalidade
materna por ação ou decorrência do parto.
6. Combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças.
• Até 2015, reverter a tendência de crescimento do número de infectados com
HIV/Aids, tornando a propagação com crescimento relativo negativo;
• Até 2015, reverter a tendência de crescimento do número de afetados por malária
e outras doenças graves, tornando a incidência com crescimento relativo negativo.
7. Garantir a sustentabilidade ambiental.
• Na
concepção
de
políticas
e
programas
nacionais
integrar
princípios
do
desenvolvimento sustentável para eliminar as perdas dos recursos ambientais, com
ações de recuperação do mesmo;
• Até 2015, reduzir pela metade a população sem acesso contínuo à água potável
segura, de forma sustentável;
• Até 2020, garantir uma melhoria da qualidade de vida de pelo menos 100 milhões
de pessoas que vivem em bairros altamente degradados.
8. Promover uma Parceria Mundial para o desenvolvimento.
• Fomentar o desenvolvimento de sistemas tanto comerciais como financeiros
abertos, previsíveis, não discriminatórios, com regras institucionais fortes e
estáveis;
• Dar suporte as necessidades especiais dos países pouco desenvolvidos;
• Dar suporte as necessidades especiais dos países sem acesso ao mar, bem como
aos Estados insulares em desenvolvimento;
GESTÃO de RESPONSABILIDADE SOCIAL II
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40 >>
• Criar mecanismos globais de tratamento da dívida dos países em desenvolvimento,
através de diretrizes nacionais e internacionais buscando fazer com que a dívida
seja sustentável no longo prazo;
• De forma cooperada com os países em desenvolvimento, desenvolver e implantar
estratégias que gerem trabalho digno e produtivo aos jovens;
• De forma cooperada com as empresas farmacêuticas, permitir o acesso a
medicamentos
essenciais
com
preços
acessíveis
aos
países
em
via
de
desenvolvimento;
• De forma cooperada com as empresas, em especial as do setor privado, socializar
os benefícios de todas as novas tecnologias, principalmente das tecnologias de
informação e comunicação.
Em 2006 o governo brasileiro negociou e conseguiu junto a ONU - Organização das
Nações Unidas – a inclusão de uma nona meta, a qual é exclusiva para o nosso país,
que tem sua redação:
9. Os objetivos do milênio sem o racismo.
Tal meta busca garantir que os índices estabelecidos nas oito metas anteriores sejam
atingidos tanto no universo de pessoas brancas quando dos negros, para que haja
igualdade de oportunidades a todos os brasileiros.
8) BALANÇO SOCIAL e ou RELATÓRIO de SUSTENTABILIDADE
Após todas as etapas anteriormente descritas, que foram a compreensão plena do que
seja responsabilidade social empresarial, a implantação da gestão das práticas de
responsabilidade social empresarial, o entendimento e utilização do conceito de
investimento social privado empresarial na realização das práticas e ações sociais,
bem como a aplicação de alguma forma de mensuração e avaliação através de normas
e, ou indicadores, a empresa pode elaborar o que chamamos de Balanço Social ou
Relatório de Sustentabilidade.
Vale destacar que a adesão da organização a alguns princípios globais, como por
exemplo, o Global Compact, implica na assunção da obrigação de divulgar os avanços
inerentes ao conjunto de princípios assumidos pela empresa. Tal divulgação é
preferencialmente
fomentada
através
do
Balanço
Social
e
ou
Relatórios
de
Sustentabilidade confeccionados pela empresa.
Tal documento será um instrumento de divulgação interna e externa de suas práticas
de responsabilidade social empresarial naquele momento, referente a um determinado
período, geralmente com a mesma freqüência do balanço patrimonial, ou seja, de um
ano, o popularmente chamado exercício fiscal com duração de 12 meses, embora isto
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não seja uma regra fixa, a empresa é livre para determinar tanto a periodicidade
como tempo de abrangência de seus relatórios e ou balanços socioambientais.
Segundo o instituto Ethos temos: O Balanço Social, ou Relatório de Sustentabilidade, é
um instrumento que visa dar maior transparência às atividades empresariais e ampliar
o diálogo da organização com a sociedade, tendo em vista a necessidade que as
empresas e organizações têm de comunicar o sucesso e os desafios de suas
estratégias socioambientais e a coerência ética das suas operações.
Ele pode ser definido como um documento anual produzido voluntariamente pela
empresa após um esforço de “auditoria interna” para mapear seu grau de
responsabilidade social. Essa “auditoria” busca entender a gestão do empreendimento
e avaliá-la, segundo critérios ambientais, sociais e econômicos, nos diversos níveis:
políticas de boa governança corporativa, valores, visão de futuro, avaliação de
desempenho e desafios propostos.
O relatório de sustentabilidade, ou balanço social, traz dados quantitativos e
qualitativos que, além de demonstrar o andamento das atividades da empresa no ano
anterior, podem orientar o planejamento para o ano seguinte. É um documento em
que a empresa mostra, para o conjunto da sociedade, como ela se relaciona com seus
profissionais (colaboradores) e com a comunidade em que atua o que faz em relação
aos impactos causados por suas atividades nessa mesma comunidade e no meio
ambiente, quais são suas diretrizes para relacionamento com seus fornecedores etc.
O Balanço Social, ou Relatório de Sustentabilidade de uma empresa constitui-se,
portanto, num relatório anual facultativo, elaborado após uma avaliação detalhada de
suas
ações
e
práticas
de
responsabilidade
social
empresarial,
devidamente
mensuradas para garantir total transparência. Este registro permitirá uma análise do
realizado versus o previsto, configurando-se numa ferramenta de orientação para
tomada de decisão, bem como um forte instrumento de marketing para divulgação e
promoção da empresa junto aos seus públicos interessados (stakeholders).
Embora o assunto tenha tomado vulto e importância que lhe é pertinente muito
recentemente, a elaboração do primeiro Balanço Social por uma empresa que se tem
registro, data de 1972 quando a Singer publicou nos EUA seu Balanço Social.
No Brasil o primeiro Balanço Social foi publicado em 1984 pela empresa Nitrofértil.
Treze anos depois, em 1997, o sociólogo Herbert de Souza, junto com o Instituto
Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBase) do qual foi o fundador, fomentou
através de várias iniciativas a publicação de balanços sociais pelas empresas. O IBase
desenvolveu um modelo bem simples de balanço que fornece, a partir de 1998 um
selo chamado: Selo Balanço Social IBase / Betinho, para as empresas que seguem
seus critérios e metodologia, com exceção de fabricantes de armas, cigarros e bebidas
alcoólicas, que por princípios do IBase estão excluídas, qualquer outra organização
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pode publicar e seguir o modelo. No inicio deste século, por volta de 2003 e 2004,
mais de 220 empresas publicaram seus balanços sociais segundo esta metodologia,
atualmente esta em desuso, não atingindo 100 publicações em 2008.
Cabe destacar, como curiosidade, a cidade de Porto Alegre que em 1998 sancionou a
lei nº 8.116/98 determinando um modelo de balanço social para as empresas sediadas
no município.
Analisando as informações existentes sobre o tema em nível mundial, vemos que
Portugal através da lei nº 141/85, determinou a obrigatoriedade da elaboração do
balanço social pelas empresas com mais de 100 empregados, ampliando uma ação
tomada pelo governo Francês em 1977 que tornava obrigatório o balanço social com
foco e bem restrito às interfaces das relações trabalhista.
O Instituto Ethos em 2001 lança a melhor e mais completa ferramenta para
elaboração do Balanço Social, que leva a denominação de: Guia de Elaboração de
Relatório Anual de Responsabilidade Social Empresarial.
Tal guia foi revisado em 2004 pelo Instituto Ethos, recebendo o nome de: Guia de
Elaboração do Balanço Social e sua última versão disponível no site do Ethos é a 2007.
A estrutura macro do Balanço Social é composta por dez itens, a saber:
1. Missão e Visão da empresa;
2. Mensagem do Presidente da empresa;
3. Perfil do Empreendimento realizado pela empresa;
4. Setor Econômico da empresa;
5. Breve Histórico da empresa;
6. Princípios e Valores empresariais;
7. A estrutura e operação / funcionamento da empresa;
8. Práticas de Governança Corporativa;
9. Relacionamento / comunicação / interação da empresa com todas as partes
interessadas (stakeholders);
10. Indicadores de desempenho: Econômico, Social e Ambiental, sob aspectos
qualitativos e quantitativos.
Todos
os
dez
Sustentabilidade,
pontos
e
que
outros
estruturam
que
por
o
Balanço
ventura
Social
estejam
e
o
Relatório
compondo
de
de
forma
complementar o documento, devem ser preparados sob alguns princípios que o
Instituto Ethos faz questão de frisar. Estes são:
•
Relevância;
•
Veracidade;
•
Clareza;
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•
Comparabilidade;
•
Regularidade;
•
Verificabilidade (Rastreabilidade).
43 >>
9) GLOBAL REPORTING INITIATIVE – GRI - DIRETRIZES PARA RELATÓRIOS
DE SUSTENTABILIDADE
Quando pensamos na elaboração de um relatório, dentre vários desafios, talvez o
maior seja desenvolver um modelo com capacidade de interpretação e forma de
registro única em que, qualquer empresa situada nos mais diferentes países possa
realizá-lo da mesma maneira. O grande mérito do GLOBAL REPORTING INITIATIVE,
conhecido como GRI, foi justamente esta percepção de que através do seu modelo,
alcancemos um nivelamento mundial no que tange as diretrizes de análise, registro e
divulgação sobre responsabilidade social, econômica e ambiental da empresa.
O Global Reporting Initiative – GRI –, criado na Holanda, foi apresentado em 1997,
por parceria e fomento de uma organização não-governamental americana chamada
CERES (Caolition for Environmentally Responsible Economies) e um programa das
Nações Unidas para o meio ambiente, chamado PNUMA, visando aumento de rigor,
qualidade e aplicabilidade dos relatórios de sustentabilidade. Os primeiros rascunhos
sobre as Diretrizes para Relatórios de Sustentabilidade foram apresentados para
análises e críticas em 1999, sendo oficialmente lançado em primeira versão em junho
de 2000, após sua construção de forma voluntária por diveras partes interessadas.
Após dois anos sob forte revisão o Conselho da GRI, publicou-se uma nova versão
conhecida como: Diretrizes para Relatórios de Sustentabilidade 2002, e atualmente já
temos a terceira versão conhecida como G3, lançada em outubro de 2006.
Neste ponto é importante esclarecermos o conceito estabelecido internacionalmente
de Relatório de Sustentabilidade, a saber:
•
Conjunto de informações baseadas em diretrizes padronizadas, que permitem uma
análise simultânea do desempenho econômico, ambiental e social (triple bottom
line), referente a um determinado período.
A estrutura para elaboração de um Relatório de Sustentabilidade é composta por onze
princípios que buscam garantir uma apresentação abrangente do desempenho
econômico, ambiental e social da organização, focando de forma prioritária a
contribuição da mesma ao desenvolvimento sustentável, assegurando a comparação
entre organizações distintas, bem como a competência de gerar credibilidade junto às
partes interessadas.
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44 >>
Os onze princípios são:
•
Transparência;
•
Inclusão;
•
Rastreabilidade / Verificabilidade;
•
Abrangência;
•
Relevância;
•
Contexto de Sustentabilidade;
•
Exatidão;
•
Neutralidade;
•
Comparabilidade;
•
Clareza;
•
Periodicidade.
Sucintamente podemos afirmar que a essência do GLOBAL REPORTING INITIATIVE –
GRI, além da questão de buscar uma padronização e globalização dos relatórios de
sustentabilidade, seja a amarração do sistema de gestão da empresa através da
evidência de todo o processo econômico, social e ambiental, ou seja, desde a
implantação das diretrizes e princípios, fixação das metas, análise dos avanços, bem
como a divulgação destas informações, num cenário que permita o cruzamento entre
as intenções e as realizações concretas.
Felizmente temos observado um ótimo crescimento no número de empresas que
fazem uso de tal ferramenta, com mais de mil adesões oficiais até meados de 2008.
Aqui no Brasil o último dado aponta cerca de quarenta organizações, todas empresas
de grande porte.
10) COMENTÁRIOS FINAIS
Embora registremos avanços significativos no desenvolvimento das práticas de
responsabilidade social empresarial ao longo dos últimos anos, não podemos afirmar
que temos uma situação consolidada ou em fase satisfatória.
Pesquisas recentes, divulgadas pelo Instituto Ethos e pelo Instituto Akatu, mostram
que num universo de 56 práticas avaliadas na pesquisa, somente 22 delas são
atividades presentes em metade das empresas. Soma-se a este dado, o fato de que
as práticas mais presentes são aquelas atreladas ao interesse dos clientes e
consumidores, portanto, pressionadas pelo mercado, bem como as de fruto das
relações trabalhistas impostas por normas e acordos coletivos.
Assim, cabe uma continua atenção aos relatórios emitidos pelas empresas, bem como
um maior fomento por parte da sociedade em prol da incorporação em maior escala
das práticas de responsabilidade empresarial em nossas companhias.
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11) REFERÊNCIAS
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GESTÃO de RESPONSABILIDADE SOCIAL II
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Glossário do Investimento Social*
O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – é uma organização da sociedade
civil de interesse público, que tem como missão promover e estruturar o investimento social privado
como instrumento de desenvolvimento de uma sociedade mais justa e sustentável.
NOVO VOCABULÁRIO
Um novo conjunto de palavras invadiu o cotidiano dos brasileiros desde que as questões sociais
entraram na lista de interesses das esferas públicas e privadas no país. Alguns conceitos foram
criados especialmente para caracterizar as ações e os protagonistas do chamado terceiro setor e seus
afiliados. Outros já eram velhos conhecidos, mas ganharam uma nova roupagem. No universo das
empresas, essas palavras misturam-se aos termos da linguagem empresarial e econômica. Para
ajudar no entendimento da área, apresentamos abaixo um glossário com alguns dos mais importantes
conceitos envolvidos com a responsabilidade social empresarial.
Ação Social – É toda atividade realizada por empresas, em caráter voluntário, para atender à
sociedade em áreas como assistência social, alimentação, saúde, educação e cultura. O termo
abrange desde pequenas doações eventuais a pessoas ou instituições até projetos mais estruturados,
como o uso planejado de recursos.
Ativos – Talentos e recursos humanos, materiais, financeiros, físicos e sociais de pessoas,
organizações e comunidades, que podem ser adicionados para potencializar a capacidade de uma
comunidade provocar desenvolvimento social.
*Baseado no livro “A empresa na Comunidade: Um Passo-a-Passo para Estimular Sua Participação Social”, de Carla Cordery Duprat, Editora
Global, São Paulo, 2005; em reportagem do jornal Folha de São Paulo, Sinapse, de 25 de janeiro de 2005, e em informações do Instituto
Ethos de Responsabilidade Social (http://www.uniethos.org.br/docs/conceitos_praticas/indicadores/glossario). Compilado e adaptado por:
Helena Monteiro. Publicada em setembro de 2006.
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 47 >>
Assistencialismo – Doutrina, sistema ou prática que organiza e presta assistência às comunidades
socialmente excluídas, sem uma política para tirá-las das condições de necessitadas. É um conceito
associado à noção de “caridade” ou “filantropia”, já que não prevê o envolvimento da comunidade
nem ambiciona transformações estruturais significativas.
Atores Sociais – Indivíduos, organizações ou grupos envolvidos em projetos sociais e que possam
influir na obtenção dos resultados desse trabalho. Espera-se que o ator social tenha múltiplos
conhecimentos, condições de atuar em equipe, representatividade, influência social e, principalmente,
identificação pela causa em qual trabalha.
Balanço Social – Publicado anualmente, é um demonstrativo não-obrigatório, que reúne um
conjunto de informações sobre projeto, benefícios e ações sociais das empresas. No balanço social, a
companhia mostra o que faz por seus profissionais, dependentes, colaboradores e comunidade, dando
transparência a suas atividades. Ganhou visibilidade nacional quando o sociólogo Herbert de Souza
lançou, em junho de 1997, uma campanha pela divulgação voluntária do balanço social.
Benchmarking – processo de comparação entre organizações consideradas referência na área.
Código de ética – O código de ética ou de compromisso social é um instrumento de realização da
visão e da missão da empresa, que orienta suas ações e explicita sua postura social a todos com
quem mantém relações.
Colaboradores – Todos aqueles que estão envolvidos na execução das atividades de uma
organização como empregados, prestadores de serviço e funcionários terceirizados.
Capacidade comunitária – é a capacidade da comunidade de identificar problemas e gerenciar
recursos de todas as naturezas na busca e implantação de soluções.
Captação de recursos – Não se restringe à obtenção de recursos exclusivamente financeiros.
Envolve também a busca por produtos e serviços que auxiliem uma determinada entidade a realizar
sua missão. No Brasil, a ABCR (Associação Brasileira de Captadores de Recursos) criou um código de
ética para os profissionais que assumirem tal compromisso. Uma das determinações é que o captador
não receba comissão pelos recursos obtidos.
Desenvolvimento Sustentável – Prevê a criação de um modelo econômico e social que atenda às
necessidades presentes, sem comprometer a possibilidade das gerações futuras atenderem as suas
próprias necessidades. A proposta é defender o equilíbrio do planeta e alertar para os perigos da
explosão irracional dos recursos naturais. Apesar de inicialmente enfatizar a prevenção ambiental, o
conceito reflete hoje uma preocupação também com os diretos humanos, o resgate da cidadania e o
acesso ao consumo de bens e serviços.
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 48 >>
Direitos Humanos – Prerrogativas universais aprovadas pela Assembléia Geral das Nações Unidas
(ONU), em 10 de dezembro de 1948, que estabelecem os direitos fundamentais da pessoa humana.
Diversidade – Princípio básico de cidadania, visa assegurar a cada pessoa condições de pleno
desenvolvimento de seus talentos e potencialidades, considerando a busca por oportunidades iguais e
respeito à dignidade. Representa a efetivação do direito, criando condições para que as pessoas
possam agir em conformidade com seus valores individuais.
Fundação – Pessoa jurídica composta pela organização de um patrimônio destacado pelo seu
instituidor para servir a uma causa de interesse público, sem visar lucro. Não permite proprietário,
titular ou sócios. O patrimônio é freqüentemente fiscalizado pelo Ministério Público.
Geração de renda – Ações sociais que visam a geração de renda têm como objetivo estimular e
facilitar a criação de postos de trabalho para a população beneficiada. Também contribuem para a
geração de renda algumas iniciativas de empreendedorismo comunitário, como a comercialização de
produtos artesanais e a profissionalização de atividades culturais.
Governança Corporativa – “Governança corporativa é o sistema pelo qual as sociedades são
dirigidas e monitoradas, envolvendo os relacionamentos entre Acionistas/Cotistas, Conselho de
Administração, Diretoria, Auditoria Independente e Conselho Fiscal. As boas práticas de governança
corporativa têm a finalidade de aumentar o valor da sociedade, facilitar seu acesso ao capital e
contribuir para a sua perenidade.” 1
Impacto Social – É a transformação da realidade de uma comunidade ou região a partir de uma
ação planejada, monitorada e avaliada. Só é possível dimensionar o impacto social se a avaliação de
resultados detectar que o projeto efetivamente produziu os resultados que pretendia alcançar e
afetou a característica da realidade que queria transformar.
Instituto – Estabelecimento dedicado a estudo, pesquisa ou produção científica. Existe apenas como
nome fantasia (sua personalidade jurídica é a das associações sem fins lucrativos). Não requer
dotação inicial de patrimônio e sua finalidade pode ser alterada ao longo do tempo, conforme decisão
da maioria dos sócios.
Investimento Social Privado – alocação voluntária e estratégica de recursos privados, sejam
financeiros, em espécie, humanos, técnicos ou gerenciais, para o benefício público. Estão incluídas
nesse universo as ações sociais de empresas, fundações e institutos de origem empresarial ou
instituídos por famílias e indivíduos.
1
Instituto Brasileiro de Governança Corporativa – IBGC (www.ibgc.org.br)
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 49 >>
Marketing Social – Tem como função aumentar o potencial de arrecadação das entidades do
terceiro setor, reforçar sua imagem institucional e conseguir respostas mais rápidas e eficientes para
suas ações. Utiliza diversas técnicas tradicionais de marketing, como a identificação de audiência e o
desenvolvimento de produtos. Pressupõe análise, planejamento, instrumentação e controle de
programas sociais.
Mobilização Social – Prática estratégica que envolve a sociedade civil no processo de desenho,
planejamento, execução, avaliação e sustentabilidade de programas que melhoram a sua qualidade
de vida. O Unicef definiu o termo como um “movimento de larga escala para engajar a participação
das pessoas na conquista de uma meta específica de desenvolvimento por meio de esforços próprios”.
OSCIP – Sigla para “organização da sociedade civil de interesse público”, qualificação concedida pelo
Poder Executivo, a partir de 1999, às entidades privadas sem fins lucrativos. Entre as principais
inovações está a possibilidade de remunerar os diretores da entidade. Outro diferencial é o
estabelecimento de parcerias entre o poder público e as OSCIPs, possibilitando que estas recebam
recursos de órgãos ligados as três esferas de governo para a realização de projetos sociais.
Parcerias/parceiros – O trabalho em regime de parceria ocorre quando uma organização sai em
busca de outras instituições que compartilhem com ela um objetivo e estejam dispostas a conquistá-lo
por meio de um esforço coletivo. Os envolvidos interagem na etapa de concepção e planejamento e
estabelecem uma relação de reciprocidade para suprir suas limitações.
Projeto Social – É um empreendimento planejado que consiste num conjunto de atividades interrelacionadas e coordenadas, com fim de alcançar objetivos específicos dentro de um limite de tempo
e orçamento específicos.
Responsabilidade Social Empresarial – Define o grau de amadurecimento de uma empresa
privada em relação ao impacto social de suas atividades. Abrange aspectos como desenvolvimento
comunitário, equilíbrio ambiental, tratamento justo aos funcionários, retorno aos investidores e
satisfação do consumidor. A empresa socialmente responsável é aquela que ouve os interesses das
diferentes partes e consegue incorporá-los ao planejamento de suas atividades.
Stakeholders – Termo em inglês amplamente utilizado para designar as partes interessadas.
Representa qualquer indivíduo ou grupo que possa afetar a empresa por meio de suas opiniões ou
ações, ou ser por ela afetado. Inclui público interno, fornecedores, consumidores, comunidades,
governo, acionistas etc.
Selo "Empresa Amiga da Criança" – Concedido pelo "Programa Empresa Amiga da Criança",
criado pela Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança, certifica empresas nas quais existe atuação
social com foco na infância e na adolescência, desde que a empresa também se comprometa
oficialmente a não usar mão de obra infantil, a difundir esta prática entre seus fornecedores e a
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 50 >>
apoiar ou desenvolver projetos ou programas em prol da infância e da juventude. A empresa pode
passar a usar este selo em seu merchandising, o que estimula os consumidores a agregar às suas
compras a escolha de consciência, o ato solidário em defesa das novas gerações.
Sustentabilidade – Ter sustentabilidade significa assegurar o sucesso do negócio a longo prazo e
contribuir para o desenvolvimento econômico e social da comunidade, para um ambiente saudável e
para uma sociedade estável. Garantir a sustentabilidade financeira é um dos maiores desafios das
organizações do terceiro setor no Brasil e no mundo. Captação de recursos, venda e produtos,
prestação de serviços e campanhas de incentivo a doações são algumas das estratégias utilizadas
para manter projetos sociais.
Tema transversal – Quando o tema é tratado globalmente pela empresa e não como assunto de
uma área específica.
Terceiro Setor – É o conjunto de organizações da sociedade civil de direito privado e sem fins
lucrativos que realizam atividades em prol do bem comum. Integram o terceiro setor as fundações e
associações.
Transparência – Divulgação ampla, aberta e acessível a todas as partes interessadas de todos os
dados e indicadores da empresa referentes a seu desempenho econômico-financeiro, social e
ambiental.
Triple Bottom Line – Termo em inglês utilizado para refletir todo um conjunto de valores, objetivos
e processos que uma companhia deve focar, com o objetivo de criar valor econômico, social e
ambiental e, por meio desse conjunto, minimizar qualquer dano resultante de sua atuação. Este é um
termo ainda em construção, não só no Brasil como no mundo. Por ser uma expressão idiomática, não
existe ainda tradução adequada. Na maioria das vezes o conceito continua sendo utilizado em inglês
ou abordado como "os três pilares da sustentabilidade".
Voluntariado Corporativo – É a forma organizada de canalizar o tempo e o talento dos
colaboradores da empresa em prol de uma causa social.
CONHEÇA O IDIS
O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP),
criada por empreendedores sociais brasileiros com a finalidade de promover e estruturar o investimento social privado de indivíduos,
famílias, empresas e comunidades.
Rua São Tomé, 119, cj. 44, São Paulo, SP, CEP 04551-080 – Tel.: (11) 3044-4686 – Fax.: (11) 3044-4685 – www.idis.org.br
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 51 >>
Responsabilidade social ou filantropia?
Elenice C. Roginski M. Santos
Resumo
responsabilidade
social não é
sinônimo de
filantropia, mas
representa a
sua evolução
ao longo do
tempo
Este artigo traz conceitos relacionados à ética e
ética empresarial, responsabilidade social
corporativa e filantropia, da maneira como estão
sendo compreendidos e aplicados por empresários, especialistas, e pelo mundo acadêmico. Apresenta algumas ferramentas para avaliar o grau
de responsabilidade social das empresas, e, com
maior destaque, o balanço social. Discorre sobre
a Certificação Social, que está começando a ser
utilizada pelas organizações brasileiras.
Responsabilidade social é a maneira de conduzir os negócios na forma de uma parceria empresa-comunidade onde a empresa é co-responsável pelo desenvolvimento social da comunidade. Responsabilidade social não é sinônimo
de filantropia, mas representa a sua evolução
ao longo do tempo. Enquanto a filantropia trata
das ações de benemerência da empresa por meio
de participações em campanhas isoladas ou doações aleatórias que faz a instituições sociais, o
conceito de responsabilidade social possui uma
amplitude muito maior. Ao exercer a responsabilidade social corporativa, a empresa coloca
todos os seus produtos, serviços e seus recursos
financeiros a serviço da comunidade, tornandose co-responsável, juntamente com o poder público, por seu desenvolvimento.
Serão utilizados, neste artigo, os termos responsabilidade social empresarial, responsabilidade
social corporativa ou responsabilidade social nos
negócios, querendo sempre significar a responsabilidade social das empresas ou organizações.
Palavras-chave: responsabilidade social,
filantropia, balanço social.
Abstract
This article deals with concepts regarding
18
Sanare. Revista Técnica da Sanepar, Curitiba, v.20, n.20, p. 18-27, jul./dez. 2003
corporate social responsibility and philantropy,
as they are being understood and practiced by
entrepreuneurs, specialists, and the academy.
Herein are presented some tools used to evaluate
corporate social responsibility, especially
underlining the so-called “Social Balance
Sheet”. This article also presents the “Social
Certification”, which is a new concept within
Brazilian organizations.
Social responsibility means running business
aiming at building partnerships between
organization and community so that the
organization is partly responsible for the
development of the community. Philanthropic
actions were the first step towards corporate
social responsibility. Philanthropy and social
responsibility have different meanings. Whilst
philantropy deals with charity actions promoted
by the company, such as participating in isolated
campaigns or random donations to charity
organizations, the concept of social
responsibility is broader. In performing its social responsibility, an organization uses all its
products, services and financial resources to
promote the community’s well-being. The
company, jointly with the Government, becomes
co-responsible for the development of the
community. In the article, the terms “social
responsibility in business” and “corporate social responsibility” shall be used in the sense of
“an organization’s social responsibility for the
community”.
Key words: social responsibility, philanthropy,
“social balance sheet”.
Introdução
É possível que, no futuro, os nossos tempos sejam lembrados como a época em que o
homem definitivamente reconheceu a limitada
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 52 >>
capacidade de recuperação do meio ambiente, e
entendeu que o progresso tecnológico e a existência de empresas eficientes e lucrativas não
representam o desenvolvimento sustentável de
uma sociedade. Hoje, o lucro como indicativo
de empresa de sucesso não é mais uma verdade
absoluta, a menos que venha acompanhado do
fortalecimento dos vínculos comerciais e sociais da empresa.
No cenário econômico nacional e mundial
o quadro social atual é preocupante. Particularmente no Brasil, a estrutura social se caracteriza
por uma série de iniqüidades distributivas. Junta-se a pobreza estrutural, que se caracteriza por
déficits de infra-estrutura, com a pobreza de capacidade de geração de recursos e produção de
riqueza. Além da distância entre o desempenho
econômico e a situação social, tem-se um grande
contraste interno: o IDH1 do Brasil, igual a 0,777,
está em 65.o lugar dentre os 175 países da ONU,
conforme o Instituto de Pesquisas Econômicas
Aplicadas (2003); no entanto, o IDH do estado
de Santa Catarina é equivalente ao 45.o mundial,
próximo de países como o Chile, enquanto que o
IDH do Maranhão é bastante inferior à média
nacional e equivale à 123.a posição na escala
mundial (FRIGOLETTO, 2003).
Para mudar esse quadro de déficits e desigualdades será necessário um elevado grau de
maturidade social, formado por pessoas
engajadas em ações sociais e por empresas socialmente responsáveis.
Para ASHLEY (2002), a responsabilidade para com o próximo é também um valor cultural. No Brasil, é bastante difundida a lei de
Gerson, que estimula as pessoas a levar vantagem em tudo. Assim, no país do jeitinho, existe
um conflito entre os valores culturais da integridade e o oportunismo. Entretanto, cultura é
algo dinâmico e as sociedades se transformam.
Pode-se estar presenciando o crescimento de
uma nova cultura no Brasil: a cultura da responsabilidade social empresarial e da responsabilidade social dos cidadãos. Isto significa,
segundo a autora, que novos padrões éticos e
novos valores culturais estão sendo assimilados
pela sociedade e no mundo dos negócios.
O Brasil passou por uma série de crises de
identidade no século passado e a lei de Gérson
fez parte de uma época em que se acreditou que:
herdamos dos escravos a aversão ao trabalho,
dos índios a preguiça, e que os imigrantes recém-chegados eram uma mão-de-obra muito
melhor do que a nacional. A lei de Gérson simbolizou a falta de ética do povo brasileiro. Segundo a lei de Gerson, o mundo é dos espertos,
e o malandro brasileiro era aquele que sempre
se dava bem com pouco esforço.
Hoje, a idéia de que somos um povo trabalhador, que produz, que ajuda, respeita e confia no próximo, parece estar sendo absorvida
pela população brasileira. Dirigentes, clientes,
e a sociedade em geral, já estão se preocupando
em avaliar o grau com que a responsabilidade
social está sendo exercida por uma empresa, e a
sociedade começa a ter expectativas com relação à responsabilidade das empresas com quem
se relacionam. As empresas estão cada vez sendo mais cobradas para que deixem transparente
aos consumidores a sua preocupação com a
comunidade e o que estão fazendo de concreto.
Para medir o grau de desenvolvimento econômico de uma nação existe um grande número
de indicadores. Pode-se conhecer o grau de
maturidade política de um país pela forma com
que são realizadas eleições e pela liberdade de
expressão existente. Para avaliar o grau de maturidade social de uma nação também existem
indicadores, dentre eles o índice de alfabetização da população, renda média, e o próprio IDH,
dentre outros. Mas, como avaliar o nível de
maturidade social das empresas?
Revisão bibliográfica
o lucro como
indicativo de
empresa de
sucesso não é
mais uma
verdade
absoluta
Ética
A questão da ética empresarial é importante e delicada, e já existe o profissional encarregado de cuidar da ética da empresa, o
deontologista (MAIA, 2002). Isto porque os
O IDH é um indicador rápido do estado de desenvolvimento humano. Foi introduzido pelo Programa das Nações Unidas para
o Desenvolvimento (PNUD, ou UNDP em inglês), em 1990, a partir de indicadores de educação: alfabetização e taxa de
matrícula, longevidade: esperança de vida ao nascer, e renda: PIB per capita. (United Nations Development Programme, 2003)
1
Sanare. Revista Técnica da Sanepar, Curitiba, v.20, n.20, p. 18-27, jul./dez. 2003
19
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 53 >>
a declaração
dos valores
éticos da
organização dá
o suporte
necessário para
que os
empregados
tomem
decisões
alinhadas com
os valores com
que estão
comprometidos
20
conceitos de ética e ética nos negócios são o
fundamento da atuação responsável de uma empresa. São a base do comportamento moral, do
julgamento do que é certo e o que é errado, e
dos padrões de conduta em uma sociedade.
Uma definição de ética, segundo MANKKALATHIL e RUDOLF (1995), poderia ser o
perfeito entendimento do que é o bem comum e
quais os padrões de conduta necessários para
alcançá-lo. O termo “padrões éticos” é usado
pelos autores para estabelecer a conformidade
com padrões aceitáveis de conduta. Deve-se ter
em mente que os padrões aceitáveis de conduta
são diferentes em cada sociedade, em função
principalmente dos valores e costumes adotados
por essa sociedade, e seria impossível criar um
único padrão de procedimento ético para as empresas em todo o mundo. No entanto, algumas
normas de ética são comuns à grande maioria,
como honestidade, integridade e lealdade.
Sobre a ética, escreveu HUMBERTO ECO
“que o fundamento para o comportamento ético, produto de crescimento milenar, é o reconhecimento do papel das outras pessoas e da
necessidade de respeitar nelas aquelas exigências que para nós são inabdicáveis”. (INSTITUTO ETHOS, 2002b).
Por outro lado, para DUBRIN (1998, p.
34) ética nos negócios é um conceito estrito,
relativo a comportamento e moralidade. Define
ético como “o resultado da obrigação moral, ou
da separação do que é certo e do que é errado”.
Cita como exemplo de atitude antiética uma
empresa usar de suborno para obter um contrato junto ao governo.
As discussões sobre a ética das corporações traz aos executivos em todo o mundo a
antiga pergunta: “Se é legal, isso quer dizer que
é ético?” O foco acaba caindo no julgamento do
que é certo ou moral e o que é errado e imoral.
No entanto, o aspecto legal, segundo
MANKKALATHIL e RUDOLF (1995), é apenas uma subcategoria da questão ética, e, uma
das mais inferiores no contexto das teorias de
ética predominantes no ocidente nos dias de hoje.
Afirmam que a dificuldade de se discutir padrões de ética vem da falta de um padrão universal para definir uma ação social.
Segundo ASHLEY (2002) os argumen-
Sanare. Revista Técnica da Sanepar, Curitiba, v.20, n.20, p. 18-27, jul./dez. 2003
tos a favor da responsabilidade social
corporativa dividem-se em conceitos éticos e
instrumentais. Os conceitos éticos se referem
ao comportamento segundo normas existentes
e preceitos religiosos, sobre o que é uma ação
correta e moral. Na linha instrumental, os argumentos a favor da responsabilidade social
da empresa se baseiam na avaliação positiva
que existe do desempenho econômico da empresa como conseqüência de sua atuação social. Para a autora, são muitas as interpretações
da expressão responsabilidade social, e para
alguns o aspecto legal é o mais relevante e representa um dever fiduciário; para outros é uma
função social da empresa, e há quem considere responsabilidade social um comportamento
eticamente responsável.
Estabelecer os valores éticos de uma empresa pode ajudá-la a criar relações sólidas com
os seus acionistas, fornecedores, clientes, enfim, todos os seus parceiros, além de ajudá-la a
cumprir a lei, a reduzir os conflitos internos e o
número de processos legais. A declaração dos
valores éticos da organização dá o suporte necessário para que os empregados tomem decisões alinhadas com os valores com que estão
comprometidos.
Filantropia e Responsabilidade Social
Filantropia é uma ação de caridade dirigida
à comunidade, desvinculada do planejamento estratégico da empresa.
Para MAIA (2002), a filantropia difere de
responsabilidade social basicamente porque
filantropia é uma ação social, seja praticada isoladamente ou sistematicamente, e nada diz sobre
a visão da empresa e sobre o planejamento estratégico de sua atuação social. MAIA enfatiza
o que não é responsabilidade social: ações esporádicas, doações e outros gestos de caridade não
vinculados à estratégia empresarial.
Diferem também quanto à divulgação,
porque na filantropia não se procura associar a
imagem da empresa com a ação social, e nos
compromissos de responsabilidade social existe transparência na atuação da empresa para
multiplicar as iniciativas sociais. (MOROSINI;
ARAUJO, 2002)
Segundo GRAJEW (2001), o conceito de
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 54 >>
responsabilidade social está se ampliando, passando de filantropia, a relação socialmente
compromissada da empresa com a comunidade, para abranger todas as relações da empresa:
com seus funcionários, clientes, fornecedores,
acionistas, concorrentes, meio ambiente e organizações públicas e estatais. Da mesma forma
ASHLEY (2002) acredita que responsabilidade social é um conceito ainda em construção.
O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social (2002a), reconhecida instituição
brasileira que se dedica à disseminação da prática da responsabilidade social empresarial, explica a diferença entre responsabilidade social e
filantropia: “A filantropia trata basicamente da
ação social externa da empresa, tendo como
beneficiário principal a comunidade em suas diversas formas (conselhos comunitários, organizações não-governamentais, associações comunitárias etc.)”. Sobre a responsabilidade social,
explica, esta faz parte do planejamento estratégico da empresa, é instrumento de gestão: “A responsabilidade social foca a cadeia de negócios
da empresa e engloba preocupações com o público maior (acionistas, funcionários, prestadores
de serviço, fornecedores, consumidores, comunidade, governo e meio ambiente), cujas demandas e necessidades a empresa deve buscar entender e incorporar em seu negócio. Assim, a responsabilidade social trata diretamente dos negócios da empresa e como ela os conduz”.
Segundo DUBRIN (1998), está surgindo
uma nova concepção de empresa, a empresa
socialmente responsável, que tem como objetivo atender a uma demanda da sociedade, e a
atuação social das organizações torna-se o elemento propulsor do desenvolvimento sustentável da nação. Para o autor, a responsabilidade
social é um conceito mais amplo, que vai além
da ética e se refere a todo o impacto que a atuação da empresa tem sobre a sociedade e o meio
ambiente. A responsabilidade social preconiza
que as empresas possuem deveres para com a
sociedade, além de suas obrigações econômicas
junto aos proprietários e acionistas, e também
além das obrigações legais ou contratuais.
Para CERTO E PETER (1993, p. 21)
“responsabilidade social é a obrigação administrativa de tomar atitudes que protejam e
promovam os interesses da organização juntamente com o bem-estar da sociedade como um
todo”, e complementam: “reconhecer que tais
obrigações existem, tem necessariamente, um
impacto sobre o processo de administração estratégica”.
REA e KERZNER (1997) afirmam que a
responsabilidade social é um ativo intangível,
embora seja considerada um ativo tangível por
alguns, e que pode incluir temas desde a proteção ambiental até a defesa do consumidor. Fazendo uma alusão aos impactos que a responsabilidade social traz a uma empresa, afirmam
que a responsabilidade social pode transformar
um desastre em uma vantagem competitiva para
a organização. Entretanto, a imagem da empresa pode ficar arranhada se não souber agir com
responsabilidade social.
MELO NETO e FROES (2001), por sua
vez, sugerem que a responsabilidade social pode
ser vista como uma prestação de contas da empresa para com a sociedade, uma vez que os
recursos que a organização consome fazem parte
do “patrimônio da humanidade”, ao utilizá-los,
a empresa contrai uma dívida para com a sociedade.
CERTO e PETER (1993) descrevem as
partes interessadas em um negócio, para quem
a empresa tem obrigações e responsabilidades:
- os acionistas ou proprietários, para quem devem aumentar o valor da empresa;
- os fornecedores de materiais e revendedores
de produtos;
- os emprestadores de capital, para reembolsá-los;
- as agências do governo e a sociedades, para
obedecer as leis;
- os grupos políticos, para considerar seus argumentos;
- os empregados e sindicatos, para garantir ambientes seguros de trabalho e reconhecer seus
direitos;
- os consumidores, para fornecer e comercializar
eficientemente produtos seguros;
- os concorrentes, para evitar práticas que desvirtuem o comércio;
- a comunidade local e a sociedade como um
todo, para evitar práticas que prejudiquem o
ambiente.
MELO NETO e FROES (2001, p.100) pro-
a
responsabilidade
social
preconiza que
as empresas
possuem
deveres para
com a
sociedade
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Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 55 >>
a
responsabilidade
social utilizada
como
ferramenta de
gestão pode ser
ainda um
elemento
motivador do
corpo funcional
22
puseram o seguinte conceito de empresa- cidadã:
“Uma empresa-cidadã tem no seu compromisso
com a promoção da cidadania e o desenvolvimento da comunidade os seus diferenciais competitivos. Busca, desta forma, diferenciar-se dos
seus concorrentes assumindo uma nova postura
empresarial – uma empresa que investe recursos
financeiros, tecnológicos e de mão-de-obra em
projetos comunitários de interesse público”. A
empresa-cidadã cria uma imagem de excelência
por sua atuação junto à sociedade, que se reflete
em aumento da confiança, do respeito e da admiração de seus consumidores.
Segundo a Business for Social Responsibility (BSR), organização sediada nos Estados Unidos que forma parcerias com empresas
para o sucesso comercial com responsabilidade
social, a responsabilidade corporativa ajuda
empresas nos seguintes aspectos:
- facilita o acesso ao capital de investidores;
- aumenta as vendas e reforça a visibilidade da
marca;
- atrai e mantém uma força de trabalho produtiva;
- ajuda a gerenciar riscos;
- facilita a tomada de decisões.
A gestão da responsabilidade social ocorre em duas dimensões, basicamente, segundo
MELO NETO e FROES (2001): a responsabilidade social interna e a responsabilidade social
externa à empresa. Enquanto a responsabilidade interna tem como foco os funcionários da
empresa e suas famílias, a dimensão externa está
relacionada com a responsabilidade da empresa para com a comunidade onde está inserida e
a sociedade como um todo. Atuando em ambas
as dimensões a empresa exerce a sua cidadania
empresarial e torna-se uma empresa-cidadã.
Todas as partes interessadas no negócio, que
são a interface da empresa com a sociedade,
estão presentes em uma das dimensões.
A responsabilidade social interna é considerada por MELO NETO e FROES (id.) como
uma prioridade inquestionável sobre a atuação
de responsabilidade externa. Justificam sua posição afirmando que ao privilegiar ações externas em detrimento de benefícios ao quadro funcional cria-se descontentamento, ansiedade e
desmotivação.
Da mesma forma, a professora MARIA
Sanare. Revista Técnica da Sanepar, Curitiba, v.20, n.20, p. 18-27, jul./dez. 2003
CECÍLIA COUTINHO ARRUDA, citada por
ASHLEY (2002), acredita que é incoerente a
empresa desenvolver grandes projetos
assistenciais para a comunidade e não tratar bem
seus funcionários.
Uma empresa responsável é aquela que
ouve os interesses de todos o segmentos da sociedade, como acionistas, funcionários, fornecedores, prestadores de serviços, consumidores,
comunidade, governo e meio ambiente, e busca
atendê-los. A empresa socialmente responsável
não atende somente as demandas de seus acionistas ou proprietários, mas de todos os agentes
com quem interage.
A responsabilidade social utilizada
como ferramenta de gestão pode ser ainda
um elemento motivador do corpo funcional.
A imagem de empresa-cidadã está sendo cada
vez mais percebida e valorizada pelos clientes e consumidores, e ainda está sendo importante para atrair e manter uma força de
trabalho produtiva. ROCHA, no artigo Por
uma boa causa: Quer trabalhar bem e ainda cuidar de sua carreira? O caminho é trabalhar em uma empresa socialmente responsável, aborda o aspecto de motivação dos
próprios funcionários em conseqüência da
atuação responsável da empresa. Rocha afirma que muitos profissionais hoje buscam
fazer alguma diferença na vida das pessoas,
além de obter o sucesso na carreira (ROCHA, 2001).
Como medir a Responsabilidade
Social Corporativa
Segundo CERTO e PETER (1993) não
existe consenso sobre o significado exato de responsabilidade social e do grau ideal, ou mínimo, da responsabilidade de uma empresa.
Para ASHLEY (2002), as empresas estão
sentindo a necessidade de utilizar um modelo
conceitual e analítico para avaliar a sua responsabilidade social, e evidentemente, diversas
abordagens conceituais levam a um grande número de metodologias operacionais.
Dentre elas, MELO NETO e FROES
(2001) propõem uma matriz para avaliar o nível de responsabilidade social de uma empresa.
Utiliza-se uma escala de 0 a 3 para avaliar cada
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 56 >>
um dos seguintes vetores de responsabilidade
social:
- grau de apoio ao desenvolvimento da comunidade;
- grau de investimento na preservação do meio
ambiente;
- grau de investimento no bem-estar dos funcionários e de seus dependentes;
- grau de investimento na criação de um ambiente de trabalho agradável;
- grau de transparência das comunicações dentro e fora da empresa;
- grau de retorno aos acionistas;
- grau de sinergia com os parceiros, grau de satisfação dos clientes e/ou consumidores.
Com referência à gestão de uma organização que cumpre todos os requisitos legais, é
oportuno lembrar que segundo ARRUDA, citada por ASHLEY (id.), a lei tem brechas que
permitem injustiças sociais.
ASHLEY (2002) apresenta ainda outros
modelos existentes para analisar a responsabilidade social corporativa. Entre eles, o modelo
proposto por Ederle e Tavis propõe três níveis
de desafios éticos a serem enfrentados pela empresa:
- nível 1, a empresa atende aos requisitos éticos
mínimos;
- nível 2, a organização atende além do nível
ético mínimo;
- nível 3, a empresa tem aspirações de atender a
ideais éticos.
MARTIN (2002) traz mais uma proposta
para medir o grau de responsabilidade social de
uma empresa. Trata dos obstáculos que os executivos que desejam transformar suas empresas em empresas-cidadãs enfrentam. Se investem pesado em iniciativas que seus rivais não
adotam, podem ser derrotados pela concorrência; caso adotem uma política de recursos humanos digna de uma democracia, podem estar
dirigindo empregos para países com leis trabalhistas menos rígidas e custos de produção inferiores. Com o nome de “A Matriz da Virtude:
Calculando o Retorno da Responsabilidade
Corporativa”, o autor apresenta uma ferramenta para ajudar os executivos nessa difícil tarefa
(MARTIN, 2002).
Para avaliar as atividades sociais com relação ao custo e ao valor social agregado,
MELO NETO e FROES (2001) estabelecem
uma metodologia que permite medir o valor do
benefício social gerado e o custo/benefício de
um determinado projeto ou atividade. Sugerem
que sejam avaliados os valores sociais agregados em todas as etapas do projeto, com a utilização da “cadeia de valor” que propõem. Realizada a análise, a empresa pode definir sua estratégia de atuação privilegiando as atividades
de maior nível de agregação de valor social e
eliminando aquelas de maior custo/ benefício e
que geram menor valor social.
Dentre as ferramentas anteriormente citadas, e outras tantas existentes, para medir o grau
de responsabilidade social de uma organização,
destaca-se o balanço social. O balanço social
surgiu nos anos 60, quando parte da população
da Europa e Estados Unidos realizou um movimento de boicote às empresas ligadas à guerra
do Vietnã. A sociedade estava exigindo uma
prestação de contas por parte dessa empresas.
Muitas organizações em diversos países passaram então a divulgar suas ações no campo social, o que resultou na criação de um instrumento
chamado balanço social (IBASE, 2002). No
Brasil, a Revista de Estudos de Administração
n.º 10, da FAAP (1978), apresentou na década
de 70 um artigo sobre o balanço social e sua
iminente utilização no Brasil. Entretanto, a idéia
do balanço social foi se consolidar somente no
início da década de 80 em nosso País. Um de
seus defensores foi o sociólogo Herbert de Souza, através do Instituto Brasileiro de Análises
Sociais e Econômicas (Ibase), que presidia. O
Ibase, desde a sua criação, incentiva as empresas a se tornarem empresas responsáveis, comprometidas com a qualidade de vida da comunidade, com o meio ambiente e com o bem-estar
da população em geral, e também a divulgarem
seus investimentos em ações sociais através da
publicação anual do balanço social.
Segundo NEVES (1998), o balanço social é o conjunto de despesas feitas pela empresa,
exigidas ou não por lei, que afetam positivamente a qualidade de vida da comunidade e da
sociedade em geral. Exemplifica as ações: saúde, alimentação, transporte, creches, ecologia,
a empresa pode
definir sua
estratégia de
atuação
privilegiando as
atividades de
maior nível de
agregação de
valor social
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o balanço
social fornece
dados
importantes
para tomada de
decisões
estratégicas
pelos dirigentes
educação, treinamento, etc.
O balanço social reúne informações sobre
ações, projetos e benefícios voltados ao público
interno, seus empregados e colaboradores, investidores, acionistas, analistas financeiros de
mercado e a própria comunidade. Representa
um grande passo em direção à transparência de
gestão e à valorização da atuação social de uma
empresa, conciliada com seus objetivos econômicos. Como fundamento desse movimento estão a ética corporativa, o conceito de desenvolvimento sustentável e a expectativa de que as
empresas possam atender as necessidades da
sociedade, no exercício de sua responsabilidade
social. O balanço social fornece dados importantes para tomada de decisões estratégicas pelos dirigentes, estimula e motiva os funcionários a se integrarem no esforço pelo bem-estar e
desenvolvimento da comunidade, e mostra aos
clientes, fornecedores e investidores a maneira
como a empresa é administrada.
Existem, basicamente, duas correntes
quanto à elaboração do balanço social empresarial. A primeira é a corrente francesa, que
surgiu com a “Le Bilan Social” de 1977, voltada para o bem-estar do empregado, sua família
e o ambiente de trabalho. A segunda corrente,
que prevalece em nosso País, é a corrente americana. Esta defende uma abordagem mais ampla quanto à atuação da empresa em todos os
aspectos e atores envolvidos em seu negócio:
geração de emprego e renda, meio ambiente, investimentos em tecnologia, ambiente de trabalho, bem-estar dos funcionários, apoio ao desenvolvimento tecnológico e também quanto ao
ambiente de trabalho e assistência médica.
(MELO NETO e FROES, 2001).
O Global Reporting Initiative (GRI), empreendimento de abrangência internacional que
se propõe a desenvolver e disseminar diretrizes para o desenvolvimento do relatório social, elaborou um modelo de balanço social baseado no conceito de sustentabilidade de gestão. Enfoca os aspectos econômicos e social
do negócio. A Natura, empresa brasileira de
perfumaria de cosmética, foi a primeira em-
presa brasileira a publicar seu balanço social
do ano 2000, no modelo GRI, composto por
95 indicadores econômicos, sociais e
ambientais. (INSTITUTO ETHOS, 2001)
O modelo sugerido por SOUZA em 1977,
citado por HERZOG (2001), para as empresas
brasileiras, conhecido como o balanço social
modelo Ibase, é quantitativo e é composto por
dados de investimentos em creches, alimentação, salários, capacitação dos funcionários, participação nos lucros, entre outros.
O Instituto Ethos criou um modelo baseado nos modelos existentes: Ibase, GRI, e nos
preceitos do Institute of Social and Ethical
Accountability – ISEA2 .
O relatório de responsabilidade social do
Instituto Ethos possibilita a todas as empresas
a busca das melhores práticas sociais, exercidas
pelas empresas com os melhores indicadores.
Este relatório enfoca a gestão de uma empresa sob os seguintes aspectos:
• Econômico: valor adicionado, produtividade, investimento
• Social: bem-estar da força de trabalho,
direitos do trabalhador e direitos humanos, promoção da diversidade, investimentos na comunidade, entre outros
• Ambiental: impactos dos processos, produtos e serviços no ar, água, terra, biodiversidade e saúde. (INSTITUTO ETHOS, 2001,
p.15)
Herbert de Souza dizia que o balanço social não tem donos, mas tem muitos beneficiários,
pois todos os grupos que interagem com a empresa são beneficiados com sua publicação. Seja
qual for o modelo utilizado, o importante é que o
balanço social seja utilizado para mostrar à sociedade quais são as empresa responsáveis, e para
conscientizar as empresas do quanto elas ainda
podem fazer pela comunidade.
A Certificação Social
A primeira norma de certificação social, a
“Social Accountability 8000” (SA 8000) foi
criada em 1977 pelo Council on Economic
O ISEA é responsável pela Accountability 1000 (AA 1000), uma norma básica em responsabilidade social e ética,
com enfoque de auditoria e relato.
2
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Priorities Accreditation Agency (CEPAA), fundamentada nas normas da Organização Internacional do Trabalho, na Declaração Universal
dos Direitos Humanos e na Declaração Universal dos Direitos da Criança. A SA 8000 funciona como um verificador dos princípios éticos
das relações da empresa com todos os agentes
com quem interage. São avaliados os processos
produtivos, relações com a comunidade e relações com os empregados e seus dependentes.
Seus principais pontos de análise são o trabalho infantil, constrangimento no trabalho, saúde e segurança, liberdade de associação e direito de negociação coletiva, discriminação, práticas disciplinares, horas de trabalho, remuneração justa e a administração de sua aplicação
(PACHECO, 2001).
A SA 8000 segue os moldes dos esquemas
internacionais de avaliação de conformidade da
International Organization for Standardization
(ISO)3 , e, da mesma forma, tem a validade de
um ano, com auditorias semestrais, e também
prevê ações corretivas e preventivas. O processo de certificação é igualmente lento e trabalhoso, mas hoje já tem-se dezenas de projetos de
certificação sendo realizados no Brasil. Avon
do Brasil, ALF do Brasil, BRINOX, De Nadai
são algumas empresas que já possuem a
certificação SA 8000. (BALANÇO SOCIAL,
2003)
Outra norma que busca assegurar padrões
de conduta éticos das empresas, a AA 1000,
que foi criada em 1999 pelo ISEA, é uma norma de contabilidade e auditoria baseada em princípios éticos e sociais, que enfatiza o diálogo
entre empresas e partes interessadas e o
engajamento dos stakeholderes 4 . (MELO
NETO; FROES, 2001).
Conclusão
A filantropia foi o passo inicial em direção à responsabilidade social.
Estudiosos, especialistas e empresários
têm proposto definições para o conceito responsabilidade social, com diferentes abordagens, diferentes enfoques, mas que se
complementam. Pode-se entender a responsabilidade social corporativa como a capacidade
desenvolvida pelas organizações de ouvir, compreender e satisfazer expectativas e interesses
legítimos de seus diversos públicos. Ações de
filantropia são motivadas por razões humanitárias, e na responsabilidade social impera o
sentimento de responsabilidade. As ações de
filantropia são isoladas e reativas, e na maioria das vezes trata-se de opção pessoal do dirigente, enquanto os compromissos de responsabilidade social compreendem ações pró-ativas, integradas, inseridas no planejamento estratégico e na cultura da organização e envolvem todos os colaboradores.
O conceito de responsabilidade social é
bastante amplo, e como conseqüência, a avaliação do grau de responsabilidade social de uma
organização não é uma tarefa simples. O balanço social é hoje uma ferramenta de gestão utilizada por empresas, em todos os países, para
avaliar o nível da responsabilidade corporativa.
É o instrumento que permite à empresa demonstrar todas as ações sociais de cidadania desenvolvidas em um determinado período. Já existem, e estão começando a ser utilizadas pelas
empresas brasileiras, normas de Certificação
quanto à sua atuação socialmente responsável.
A SA 8000 e a AA 1000 certificam que uma
empresa possui produtos ou serviços executados de forma socialmente correta. Podem ser
comparadas à ISO 9000, de certificação de qualidade, e à ISO 14000, de certificação ambiental.
Ao assumir um efetivo compromisso com
a ética e a sustentabilidade social e ambiental
do planeta, as empresas estão exercendo plenamente sua responsabilidade social e ajudando a
construir um mundo melhor para todos. E estão
lucrando com isso!
ações de
filantropia são
motivadas por
razões
humanitárias,
e na
responsabilidade
social impera o
sentimento de
responsabilidade
Rede de institutos de padronização de 145 países, que trabalham em parceria com organizações internacionais,
governos, indústrias e representantes de consumidores. A SA 8000 pode ser vista como um sistema de verificação de
condições dignas de trabalho. Também pode ser utilizada pela comunidade e pela sociedade em geral para monitorar
esse aspecto da gestão da empresa.
4
Stakeholders são os públicos interno e externo da empresa; representam todos os envolvidos e interessados no negócio.
3
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Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 59 >>
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2002. Resumo.
MELO NETO, F. P.; FROES, C. Responsabilidade social e cidadania empresarial: a
administração do terceiro setor. 2. ed. Rio
de Janeiro: Qualitymark, 2001.
MOROSINI, L.; ARAUJO, E. Um paralelo
entre filantropia e compromisso social. Boletim da Pesquisa Ação Social das Empresas, Brasília, maio. 2002.
PACHECO, O. O Selo da Cidadania: Conheça a AS 8000, a norma internacional de Responsabilidade social que pode virar um novo
passaporte na era da globalização.
GUIA EXAME DE BOA CIDADANIA
CORPORATIVA, São Paulo, v. 35, n. 24,
p. 36-38, nov. 2001.
REA, P.; KERZNER, H. Strategic planning:
a practical guide. S.l: John Wiley & Sons,
1997. 326p.
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 60 >>
ROCHA, M. Por uma boa causa: quer fazer o bem e ainda cuidar de sua carreira? O
caminho é trabalhar em uma empresa socialmente responsável. VOCÊ s.a., São Paulo, v. 4, n. 39, p.38-39, set. 2001.
UNITED NATIONS DEVELOPMENT
PROGRAMME. Timor Leste: o caminho à
nossa frente. Relatório Nacional do Desenvolvimento Humano 2002. Indice de Desenvolvimento Humano (IDH). Dili, Timor Leste, 2002.
a SA 8000 e a
AA 1000
certificam que
uma empresa
possui produtos
ou serviços
executados de
forma
socialmente
correta
Autora
Elenice C. Roginski M. Santos,
engenheira civil, pós-graduada em
Finanças, Master in Business Administration
pela Baldwin-Wallace College/ OHIO-USA, e
dissertação de mestrado defendida e aprovada
na área de Responsabilidade Social
pela BW-FAE/CDE.
Sanare. Revista Técnica da Sanepar, Curitiba, v.20, n.20, p. 18-27, jul./dez. 2003
27
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 61 >>
Onde Obter Dinheiro Para Financiar Projetos
Financiamento para ONG's
As ONGs brasileiras cresceram e se multiplicaram com forte apoio da cooperação internacional. Agências privadas
de desenvolvimento, muitas das quais ligadas às igrejas dos países da Europa Ocidental e América do Norte,
apoiaram, desde os anos 70, projetos de educação popular, defesa de direitos e melhoria da qualidade de vida
comunitária.
Na década de 90 este padrão de financiamento entrou em crise em função de um conjunto de fatores: explosão do
número de ONGs brasileiras e ampliação de seus orçamentos, realocação de recursos das agências européias para a
Europa do Leste, prioridade crescente atribuída à África, aumento do desemprego e das carências sociais no interior
das sociedades européias, certo desencanto com a persistência da pobreza e da desigualdade no Brasil.
A instabilidade institucional gerada por esta crise nos padrões tradicionais de financiamento de seus projetos
obrigou as ONGs a um esforço determinado de diversificação de fontes de financiamento, ampliando o esforço
interno de captação de recursos. Esta opção coloca o desafio de um novo relacionamento com o Estado e com o
setor privado empresarial. Aos poucos as ONGs foram incluindo em sua pauta de trabalho a preocupação com seu
fortalecimento institucional e com a construção das condições de sua sustentabilidade a longo prazo.
O Problema
O acesso de organizações da sociedade civil a recursos públicos esbarra em múltiplos problemas que vão da
desconfiança da burocracia governamental à descontinuidade das políticas públicas, passando pela ausência de
mecanismos claros e transparentes de contratação pelo Estado de entidades não-governamentais. É fenômeno
recente o reconhecimento pelo governo da legitimidade e competência da atuação das ONGs enquanto promotoras
do desenvolvimento sustentável e com equidade. Por outro lado, não se pode esperar de órgãos governamentais
que financiem o trabalho de ONGs via doações e sim via contratação de serviços, o que levanta exigências novas de
transparência e capacidade executiva para ambas as partes.
A captação de recursos junto ao setor privado, por sua vez, é dificultada pela ausência de uma tradição brasileira de
investimento social da empresa. Até bem pouco tempo as ONGs ignoravam o mundo empresarial enquanto as
empresas sentiam-se desobrigadas de qualquer responsabilidade pela melhoria da vida comunitária. A redução
deste distanciamento entre Mercado e Sociedade Civil passa pela superação de preconceitos e pela exploração de
formas novas de colaboração no enfrentamento de questões que interessam a todos, como a melhoria da educação
e da saúde, combate à violência e à pobreza, promoção da cultura, defesa do meio ambiente, etc.
Mais difícil ainda é para as ONGs explorar uma terceira possibilidade interna de captação de recursos que são as
doações feitas por pessoas físicas e jurídicas. Esta captação de recursos junto ao público, junto à sociedade
brasileira, que é feita há décadas pelas organizações filantrópicas e beneficentes, requer uma linguagem que não
faz parte da trajetória das organizações da sociedade civil e uma política de fomento via incentivos fiscais à doação
de recursos por parte de pessoas físicas e jurídicas.
Novas Tendências
Multiplicam-se em todos os níveis de governo as ações em parceria com ONGs o que implica um crescente
reconhecimento pelo Estado de seu acervo de experiências e competências no enfrentamento da pobreza e exclusão
social. A expansão destas ações em parceria é facilitada pelo processo em curso de descentralização de poderes e
recursos para o âmbito municipal, plano no qual a interação com órgãos da sociedade se dá de modo mais flexível e
operacional.
O Programa Nacional de Combate à AIDs do Ministério da Saúde e o Programa de Formação de Jovens do Conselho
da Comunidade Solidária são exemplos de formas transparentes de contratação de ONGs para ações focalizadas
junto a populações em situação de risco mediante concursos públicos.
A tomada de consciência por parte das empresas de sua responsabilidade social é um fenômeno recente porém em
rápido crescimento no Brasil. Nos últimos tem se ampliado o volume de recursos canalizado para investimentos
sociais por parte de Institutos e fundações empresariais. Vale lembrar que recursos não se limitam a dinheiro. O
empresário pode também contribuir com doações em espécie e com a disponibilização de sua competência para a
melhoria da qualidade dos projetos sociais.
Algumas ONGs têm explorado formas inovadoras de captação de recursos via comercialização de produtos e
serviços, associação com administradoras de cartões de crédito para emissão de cartões de afinidade e campanhas
de arrecadação de recursos junto ao público em geral. A potencialização destas iniciativas passa, no entanto, por
mudanças legais ainda por realizar com vistas a estimular, via incentivos fiscais, a doação de recursos por pessoas
físicas e jurídicas.
Links Recursos e Sustentabilidade
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 62 >>
No Brasil
1. Ministério da Saúde - Oferece informações sobre as principais ações desenvolvidas pelo Ministério, a utilização
dos recursos disponíveis e as normas setoriais vigentes.
http://www.saude.gov.br/
2. GIFE - Grupo de Institutos, Fundações e Empresas que congrega cerca de 40 instituições que voluntariamente
aportam recursos técnicos, humanos e financeiros para projetos no setor social, nas áreas de educação, saúde,
meio ambiente, assistência social e cultura. O site contém uma Agenda de eventos e várias listas com discussões
sobre o Balanço Social.
http://www.gife.org.br/
3. BOLSA DE NEGÓCIOS - SEBRAE - Serviço de promoção de negócios, cujo objetivo é identificar e aproximar
compradores e fornecedores de produtos, serviços, resíduos e oportunidades de negócios.
http://www.bolsa.sebrae.com.br/
4. UNICEF - Organismo da Organização das Nações Unidas responsável pela gestão dos programas e campanhas de
assistência à infância. Direitos da criança, publicações, catálogos, estatísticas sobre mulhres e crianças, lista de
vídeos, pesquisa. Endereço eletrônico para requisitar informações complementares e enviar sugestões.
http://www.unicef.org.br/
5. Abrinq - Entidade sem fins lucrativos de Utilidade Pública Federal, que tem por objetivo promover os direitos
elementares da cidadania das crianças. O site contém informações genéricas sobre a instituição, uma ficha
cadastral, um link para mensagens e um Base de Conhecimento sobre o Trabalho Infantil. Há, ainda, uma
bibliografia sobre o Trabalho de Crianças e Adolescentes no Brasil; legislação; séries estatísticas; publicações.
http://www.fundabrinq.org.br
6. OAB - ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL - Página da instituição com informações sobre legislação,
jurisprudência, direitos humanos. Diversos endereços eletrônicos e páginas de advogados e das regionais.
http://www.oab.com.br/
7. Ministério da Cultura - Minc - Apresentação do Ministério; calendário de eventos 1997/1998; concursos;
legislação; economia da cultura; banco de dados sobre a produção cultural no país; verbas oficiais.
http://www.minc.gov.br/
8. BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - Informações sobre os produtos e serviços do
Banco; financiamentos; privatizações; apoio à cultura; editais.
http://www.bndes.gov.br/
V. especialmente o site http://www.bndes.gov.br/social
9. Fundação Roberto Marinho - Oferece uma visão panorâmica das ações realizadas pela fundação, especialmente
nas áreas de educação, cultura e restauração do patrimônio histórico.
http://www.frm.org.br/
10. Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal - MMA - Informações sobre a fauna e
flora brasileiras, educação ambiental, Agenda 21, consulta ao sistema de protocolo do Ministério, competências e
biblioteca virtual.
http://www.mma.gov.br/
11. PROGER - Programa de Geração de Trabalho e Renda. Programa de governo financiado com recursos do FAT.
http://www.bancobrasil.com.br/proger
12. Fundação Banco do Brasil - Informações sobre os programas e as ações promovidas pela Fundação, que tem
como público alvo os membros das comunidades carentes do país. Combate ao desemprego; ajuda aos atingidos
pela seca, culturais.
http://www.fbb.org.br/
13. COMUNIDADE SOLIDÁRIA / VOLUNTÁRIOS - Programa Voluntários: Programa criado pelo Comunidade Solidária,
visando a promoção, valorização e qualificação do trabalho voluntário no Brasil.
http://www.uol.com.br/voluntarios/
14. CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - Informações sobre as atividades da entidade, links,
campanhas.
http://www.cnbb.org.br/
No Exterior
15. Fundação Interamericana - IAF. Instituição que promove diversos tipos de ajuda para pessoas de baixa renda
da América Latina e do Caribe. Oferece gratuitamente a assinatura da revista Desenvolvimento de Base que contém
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 63 >>
estudos e análises sobre estes tipos de experiência.
http://www.iaf.gov
16. Council on Foundations - Instituição com mais de 100 anos de atuação nas áreas de saúde e assistência social,
e cujo principal objetivo é promover a filantropia através do apoio aos atuais e futuros filantropos.
http://www.cof.org/index
17. Philanthropic Advisory Service - Organização vinculada ao ao Council of Better Business Bureau. Contém
formulários para solicitação de auxílio caritativo, recomendações para doadores e relatórios sobre ações sem fins
lucrativos
http://www.bbb.org/pas.html
18. Civicus - O objetivo principal desta instituição é promover uma aliança internacional dedicada à fortalecer a
cidadania e a sociedade civil no mundo.
http://www.civicus.org/
19 . Charity Village (Canada) - Oferece notícias, informações, recursos, discussões e links relacionados à
comunidade canadense de filantropos.
http://www.charityvillage.com/cvhome.html
20. Charities Aid Foundation (United Kingdom) - Incentiva e apoia ações caritativas no Reino Unido e internacionais.
http://www.charitynet.org/
21. German Charities Institute - 28.000 páginas na internet sobre o universo das iniciativas de caridade, filantropia
e voluntariado na Alemanha.
http://www.dsk.de/
22. Independent Sector - Coalizão de mais de 850 grupos, fundações e organizações voluntárias, cuja missão é
criar um fórum nacional para encorajar a doação e a ação voluntária de indivíduos e organizações.
http://www.indepsect.org/
23. Guide Star - Contém informações sobre programas e finanças de mais de 600.000 instituições de caridade e
organizações sem fins lucrativos dos EUA, notícias sobre filantropia e orientações para doadores e voluntários.
http://www.guidestar.org/
24. European Foundation Centre (EFC) - A EFC foi criada para promover e dar suporte ao trabalho de fundações e
instituições européias e associadas dedicadas à filantropia.
http://www.efc.be/about/
25. OXFAM - Com mais de 50 anos de experiência no combate à pobreza e com atuação em cerca de 70 países, a
OXFAM é uma organização do Reino Unido e da Irlanda dedicada a incentivar e incrementar as ações de
desenvolvimento e de combate à pobreza. O site traz informações sobre as diversas campanhas da organização,
publicações, pesquisas, projetos de desenvolvimento, notícias, documentos, etc.
http://oneworld.org/oxfam/
26. Ford Foundation (THE) - Fundada em 1936 a Fundação Ford tem como objetivos gerais fortalecer os valores
democráticos, combater a pobreza e a injustiça, promover a cooperação internacional e avançar o progresso
humano. Suas principais atividades são o financiamento de projetos de desenvolvimento, bolsas, educação, direitos
civis, relações internacionais, financiamento de projetos de combate à pobreza.
http://fordfound.org
27. ICCO - Interkerklijke Coordinatie Commissie Ontwikkelings Projecten - A missão da ICCO se refere ao combate
à pobreza e à miséria e à promoção da dignidade humana. Atua através do financiamento de projetos de
desenvolvimento, projetos de emergência, e lobby junto a atores políticos. http://www.antenna.nl/icco/
28. NOVIB (Netherlands Organisation for International Development Cooperation - A NOVIB é partidária do combate
estrutural à pobreza e pretende deste modo participar no desenvolvimento sustentável de determinados grupos do
hemisfério sul. Entre as suas atividades estão o financiamento de projetos de desenvolvimento, assessorias
técnicas, educação para o desenvolvimento, lobby frente a atores políticos e mobilização da opinião pública,
http://antenna.nl/novib
FONTE: RITS
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 64 >>
ISO and social responsibility
• ISO has launched the development
of the future ISO 26000 standard
providing voluntary guidance on
social responsibility (SR).
• ISO 26000 will be for organizations
of all types in both public and
private sectors, in developed and
developing countries.
• ISO 26000 will add value to existing
SR work by :
– developing an international
consensus on what SR means and
the SR issues that organizations
need to address,
– providing guidance on translating
principles into effective actions, and
– refining best practices that have
already evolved and disseminating
the information worldwide for
the good of the international
community.
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 65 >>
ISO 26000 will add value to existing initiatives for social responsibility
by providing harmonized, globally relevant guidance based
on international consensus among expert representatives
of the main stakeholder groups and so encourage the implementation
of best practice in social responsibility worldwide.
On the one hand, there has been a number of highlevel declarations of principle related to SR and, on
the other, there are many individual SR programmes
and initiatives. The challenge is how to put the principles into practice and how to implement SR effectively and efficiently when even the understanding
of what “ social responsibility ” means may vary from
one programme to another.
ISO’s expertise is in developing harmonized international agreements based on double levels of
consensus : among the principal categories of
stakeholder, and among countries (ISO is a network
of the national standards bodies of 157* countries).
What is ISO 26000 ?
The future ISO 26000 will distil a globally relevant
understanding of what social responsibility is and
ISO 26000 is the designation of the future Interna-
what organizations need to do to operate in a
tional Standard giving guidance on social responsi-
socially responsible way.
bility (SR). It is intended for use by organizations of
all types, in both public and private sectors, in developed and developing countries. It will assist them
in their efforts to operate in the socially responsible
manner that society increasingly demands.
ISO 26000 contains guidance, not requirements,
and therefore will not be for use as a certification
standard like ISO 9001:2000 and ISO 14001:2004.
Why is ISO 26000 important ?
Sustainable business for organizations means not
only providing products and services that satisfy
the customer, and doing so without jeopardizing
the environment, but also operating in a socially
What will ISO 26000 contain ?
The detailed content of ISO 26000 will evolve throughout its development process. The current* working
document covers the following :
Foreword
Introduction
1 Scope
2 Terms and definitions
3 Understanding social responsibility
4 Principles of social responsibility
5 Recognizing social responsibility and engaging stakehoders
responsible manner. Pressure to do so comes from
6 Guidance on social responsibility core subjects
customers, consumers, governments, associations
7 Guidance on implementing practices of social
and the public at large. At the same time, far-sighted
responsibility
organizational leaders recognize that lasting suc-
Annex A – Social responsibility initiatives
cess must be built on credible business practices
Bibliography
and the prevention of activities such as fraudulent
accounting and labour exploitation.
Index
* At 1 July 2008
ISO and social responsibility, 2008
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 66 >>
Group on Social Responsibility (WG SR) to ­d evelop
the future ISO 26000 standard.
Who is developing ISO 26000 ?
Eighty* countries and 39* organizations with liaison status are participating in the WG SR under
the joint leadership of the ISO members for Brazil
(ABNT) and Sweden (SIS). The main stakeholder
groups are represented : industry, government,
labour, consumers, nongovernmental organizaThe guidance in ISO 26000 is intended to be clear
and understandable, even to non-specialists, objective, and applicable to all types of organization,
in both private and public sectors.
How will ISO 26000 relate to
existing good work ?
The guidance in ISO 26000 will draw on best
practice developed by existing public and private
tions, service, support, research and others, as
well as a geographical and gender-based balance of participants.
When will ISO 26000 be ready ?
ISO 26000 is currently targeted for publication in
late 2010.
What will ISO 26000 achieve ?
sector SR initiatives. It will be consistent with and
ISO 26000 will integrate international expertise on
complement relevant declarations and conventions
social responsibility – what it means, what issues
by the United Nations and its constituents, notably
an organization needs to address in order to oper-
the International Labour Organization (ILO), with
ate in a socially responsible manner, and what is
whom ISO has established a Memorandum of Under-
best practice in implementing SR. ISO 26000 will
standing (MoU) to ensure consistency with ILO labour
be a powerful SR tool to assist organizations to
standards. ISO has also signed an MoU with the
move from good intentions to good actions.
United Nations Global Compact Office (UNGCO) to
enhance their cooperation on the development of
ISO 26000 and with the Organisation for Economic
Co-operation and Development (OECD) to ensure
consistency with OECD guidelines.
How did the ISO 26000 initiative
come about ?
The need for ISO to work on an SR standard was
first identified in 2001 by ISO/COPOLCO, Committee on consumer policy. In 2003, the multi-stakeholder ISO Ad Hoc Group on SR which had been
set up by ISO’s Technical Management Board
(TMB) completed an extensive overview of SR initiatives and issues worldwide. In 2004, ISO held
an international, multi-stakeholder conference on
whether or not it should launch SR work. The positive recommendation of this conference led to the
establishment in late 2004 of the ISO Working
ISO and social responsibility, 2008
© Grace Nielsen
For more information on ISO 26000 and the
ISO Working Group on Social Responsibility :
www.iso.org/sr
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 67 >>
This Web site includes documents giving the
background to ISO’s SR initiative, documents and
press releases on the progress of the work and how it is
being carried out, the membership and structure
of the WG SR, how to participate in the development
of ISO 26000, a newsletter, development timeframe,
FAQs, contacts and other information. A number are
available in several languages. Working documents
including the latest draft of the standard can be
accessed at : www.iso.org/wgsr
Two magazines to read :
ISO Focus, a panoramic view
of standards and related issues :
what is being done, why it is
being done, what will be done
and how it affects you.
Published in English.
www.iso.org/isofocus
Focus 6-2008.indd 1
30.05.2008 15:53:49
• ISO is the world’s leading developer
of International Standards.
• ISO standards specify the requirements
for state-of-the-art products, services,
processes, materials and systems, and for
good conformity assessment, managerial
and organizational practice.
ISO Management Systems, Worldwide
coverage of ISO 9000 and ISO 14000
• ISO standards are designed to be
developments. Plus new standards
implemented worldwide.
initiatives for important business and
societal issues such as social
responsibility, sustainability,
food safety, information security,
supply chain security, occupational
health and safety, services and
conformity assessment.
Plus sector developments and
national initiatives.
:12
.2008
12:10
26.02
d 1
8 F.ind
IMS
About ISO
2-200
Published in English, French and
Spanish.
IMS 3-2008 E.indd C1
20.05.2008 13:03:40
www.iso.org/ims
Contacting ISO :
the ISO member in your country
www.iso.org/isomembers
or
ISO Central Secretariat
International Organization for Standardization
1, ch. de la Voie-Creuse, Case postale 56
CH-1211 Genève 20, Switzerland
Tel. + 41 22 749 01 11
Fax + 41 22 733 34 30
E-mail [email protected]o.org
Web www.iso.org
ISBN 978-92-67-10471-3
• © ISO, 2008-07/ 3 000
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 68 >>
GRUPO
DE
TRABALHO
GVces
SOBRE
A
ISO
26000:
UMA
PERSPECTIVA
GERENCIAL
E
INTEGRADA
DA
RESPONSABILIDADE
SOCIAL
Em
dezembro
próximo
será
publicada
a
ISO
26000:
a
norma
internacional
de
responsabilidade
social.
É
o
produto
final
das
atividades
de
um
grupo
de
trabalho
mundial
formado
por
mais
de
400
especialistas
de
91
países
e
45
entidades
globais,
que
desde
2005
se
dedicam
a
elaborá‐la.
Representando
o
consenso
entre
integrantes
dos
mais
variados
segmentos
sociais
(setor
privado,
governo,
ONGs,
trabalhadores
e
consumidores,
além
de
normalizadores,
consultores
e
acadêmicos),
a
ISO
26000
se
destaca
por
trazer
uma
abordagem
inédita,
traduzindo
e
integrando,
por
uma
perspectiva
gerencial,
os
temas
e
as
práticas
centrais
da
responsabilidade
social
(RS)
e
da
sustentabilidade
empresarial,
ou
organizacional.
Em
outras
palavras,
é
um
guia
de
diretrizes,
que
traduz
em
linguagem
prática
e
objetiva
–
aplicável
a
organizações
de
qualquer
porte,
área
de
atividade
ou
região
–
as
expectativas
de
responsabilidade
e
ação
decorrentes
da
RS
e
da
busca
pela
sustentabilidade,
em
todos
aspectos.
A
publicação
oficial
da
norma
só
ocorrerá
em
dezembro,
mas
a
minuta
final,
já
com
todo
seu
conteúdo
objetivo,
está
disponível
para
análise.
Estudar
sua
aplicabilidade
é
uma
oportunidade
única
de
antecipar‐se
ao
que,
sem
dúvida,
será
o
próximo
marco
na
historia
da
RS.
Quem
usará
a
ISO
26000?
Diferentemente
de
outras
normas,
a
ISO
26000
não
será
certificável,
ou
seja,
a
sua
aplicação
não
dará
a
quem
utilizá‐la
o
direito
de
exibir
um
selo
ou
declaração
de
“socialmente
responsável”
ou
“sustentável”.
A
principal
razão
disso
é
o
reconhecimento
de
que
se
trata
de
um
tema
amplo
demais
para
ser
reduzido
a
uma
lista
de
requisitos
uniformemente
aplicáveis
e
verificáveis.
Então,
por
que
usá‐
la?
Qual
seu
público?
Alguns
prováveis
usos
dessa
norma
serão:
-
-
Alinhar
expectativas,
servindo
como
referência,
por
exemplo,
para
a
alta
direção
de
empresas
que
visem
planejar
ou
rever
suas
atividades
em
RS
e/ou
sustentabilidade.
Apoiar
iniciativas,
servindo,
por
exemplo,
como
embasamento
para
propostas
e
atividades
de
áreas
ou
profissionais
envolvidos
com
RS
e
sustentabilidade,
que
muitas
vezes
carecem
de
respaldo
sólido.
-
Alavancar
agendas
dos
stakeholders,
que
contarão
com
uma
fonte
amplamente
reconhecida
tanto
para
fundamentar
suas
demandas
específicas
quanto
para
apoiar
seu
direito
a
serem
ouvidos/considerados.
-
Inspirar
novas
iniciativas,
pois,
ao
consolidar
um
consenso
internacional
e
multistakeholder
de
RS,
a
ISO
26000
induzirá
medidas
como
o
alinhamento
de
outras
normas/ferramentas
de
RS
existentes
e
a
criação
de
instrumentos
específicos
para
certos
setores/atividades.
O
GRUPO
DE
TRABALHO
(GT)
DO
GVces
SOBRE
APLICAÇÃO
DA
ISO
26000:
Quando:
de
junho
a
dezembro
de
2010.
Perfil
Esperado:
Profissionais
de
todas
as
áreas,
que
desejem
debater
os
impactos
que
a
publicação
da
ISO
26000
terá
sobre
seus
negócios
e
atividades,
preparando‐se
para
maximizar
benefícios
e
reduzir
riscos.
Áreas
de
atuação:
Responsabilidade
social,
sustentabilidade,
relações
institucionais,
marketing,
planejamento,
administração,
recursos
humanos,
meio
ambiente,
entre
outras.
Objetivos:
Propiciar
aos
membros
do
GT
o
conhecimento
sobre
a
ISO
26000,
somado
à
reflexão
sobre
seus
potenciais
e
limitações,
e
sobre
sua
aplicabilidade
prática,
mediante
o
estudo,
debate
e
troca
de
experiências.
Produzir
conhecimento
atualizado
sobre
responsabilidade
social
e
sustentabilidade,
e
compartilhá‐lo
com
a
sociedade
em
geral.
Estratégia:
O
GT
atingirá
seus
objetivos
por
meio
de
uma
série
de
encontros
presenciais,
focadas
na
apresentação
e
debates
dos
conteúdos
da
ISO
26000
e
na
interação
entre
os
membros
do
GT,
complementadas
por
atividades
remotas,
de
reflexão/pesquisa
sobre
os
conteúdos,
face
à
realidade
profissional
de
cada
participante.
As
conclusões
do
grupo
de
trabalho
serão
compartilhadas
com
a
sociedade
em
um
seminário
final
e
sistematizadas
uma
publicação.
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 69 >>
ATIVIDADES
Encontros
presenciais:
o
GT
realizará
6
encontros,
cada
um
com
2
sessões
de
4
horas
cada
uma,
totalizando
48
horas
de
atividade
presencial.
Atividades
remotas:
serão
propostas
atividades
a
serem
realizadas
pelos
membros
do
GT
em
suas
bases,
focando
suas
experiências
concretas.
Seminário
aberto:
será
realizado
em
dezembro
de
2010,
no
auditório
da
EAESP/FGV,
com
duração
de
um
dia
inteiro.
Serão
apresentadas
as
principais
conclusões
do
grupo,
e
debatidas
com
o
público
e
com
especialistas
dos
temas
pertinentes.
Publicação:
os
trabalhos
apresentados
no
seminário
e
os
debates
realizados
serão
registrados
na
forma
de
uma
publicação,
a
ser
lançada
no
1º
trimestre
de
2011,
em
evento
na
EAESP/FGV.
Material:
O
material
de
referência
básico
será
a
minuta
mais
recente
da
norma
ISO
26000
disponível
para
consultas.
Esse
material
será
complementado
por
artigos
e
outras
publicações
sobre
a
norma
e
a
RS,
e
por
contribuições
dos
próprios
membros
do
GT.
PROGRAMAÇÃO
(para
conteúdo
das
cláusulas,
ver
em
anexo
a
estrutura
da
norma)
As
sessões
que
compõe
os
encontros
presenciais
tratarão
dos
seguintes
conteúdos:
Sessão
1:
Apresentação
dos
membros
do
GT.
Programação
do
trabalho.
Introdução
à
ISO
26000.
Sessão
2:
Aspectos
gerais
da
ISO
26000
(cláusulas
1,
2,
3
e
4)
Sessão
3:
Práticas
essenciais
da
RS
(cláusulas
5
e
7)
Sessão
4:
Integração
da
RS
na
organização
(cláusula
7)
Sessão
5:
Temas
centrais
da
RS
(cl.
6):
Governança
organizacional
e
Práticas
leais
de
operação
Sessão
6:
Temas
centrais
da
RS:
Direitos
humanos
(cl.
6.3)
Sessão
7:
Temas
centrais
da
RS:
Práticas
trabalhistas
(cl.
6.4)
Sessão
8:
Temas
centrais
da
RS:
Meio
ambiente
(cl.
6.5)
Sessão
9:
Temas
centrais
da
RS:
Questões
relativas
ao
consumidor
(cl.
6.7)
Sessão
10:
Temas
centrais
da
RS:
Engajamento
com
a
comunidade
e
Desenvolvimento
(cl.6.8)
Sessão
11:
Ferramentas
e
iniciativas
para
de
apoio
à
RS
(cláusula
7.8;
Anexo
A;
Bibliografia)
Sessão
12:
Consolidação
e
balanço
das
atividades
do
GT.
Preparo
para
o
seminário.
Atividades
remotas:
a
serem
definidas
em
conjunto
pelo
GVces
e
pelos
membros
do
GT
do
GT.
Em
princípio,
prevê‐se
uma
atividade,
com
duração
variável,
a
cada
uma
ou
duas
sessões.
O
GT
ISO
26000
é
uma
iniciativa
do
GVces.
A
facilitação
das
sessões
presenciais
e
a
coordenação
geral
estão
a
cargo
do
secretário
executivo
do
GAO∗ ,
Aron
Belinky,
colaborador
do
GVces
e
membro
destacado
do
grupo
de
trabalho
internacional
que
constrói
a
ISO
26000.
Participação:
As
atividades
do
GT
são
destinadas
essencialmente
a
empresas,
sem
restrições
quanto
a
porte,
setor,
localização,
etc.
Sendo
relevante
para
os
temas,
e
em
comum
acordo
com
os
membros
do
grupo,
convidados
de
outras
áreas
e
especialidades
poderão
ser
convidados
a
participar.
As
sessões
presenciais
ocorrerão
em
São
Paulo,
capital,
na
EAESP/FGV.
Para
inscrição
ou
informações,
escreva
para
[email protected]
ou
[email protected]
Grupo
de
Articulação
das
ONGs
Brasileiras
na
ISO
26000
∗
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 70 >>
CONTEÚDO
E
ESTRUTURA
GERAL
DA
ISO
26000
(minuta,
versão
DIS)
Índice
1
2
2.1
2.2
3
3.1
3.2
3.3
3.4
4
4.1
4.2
4.3
4.4
4.5
4.6
4.7
4.8
5
5.1
5.2
5.3
6
6.1
6.2
6.3
6.4
6.5
6.6
6.7
6.8
7
7.1
7.2
7.3
7.4
7.5
7.6
7.7
7.8
Escopo
Termos,
definições
e
abreviaturas
Termos
e
definições
Abreviaturas
A
compreensão
da
responsabilidade
social
A
responsabilidade
social
das
organizações:
Histórico
Tendências
atuais
da
responsabilidade
social
Características
da
responsabilidade
social
O
Estado
e
a
responsabilidade
social
Princípios
da
responsabilidade
social
Geral
Prestação
de
contas
e
responsabilidade
Transparência
Comportamento
ético
Respeito
pelos
interesses
das
partes
interessadas
Respeito
pelo
estado
de
direito
Respeito
pelas
normas
internacionais
de
comportamento
Respeito
pelos
direitos
humanos
Reconhecimento
da
responsabilidade
social
e
engajamento
das
partes
interessadas
Geral
Reconhecimento
da
responsabilidade
social
Identificação
e
engajamento
das
partes
interessadas
Orientações
sobre
temas
centrais
da
responsabilidade
social
Geral
Governança
organizacional
Direitos
humanos
Práticas
trabalhistas
Meio
ambiente
Práticas
leais
de
operação
Questões
relativas
ao
consumidor
Envolvimento
com
a
comunidade
e
seu
desenvolvimento
Orientações
sobre
a
integração
da
responsabilidade
social
em
toda
a
organização
Geral
Relação
das
características
da
organização
com
a
responsabilidade
social
Compreensão
da
responsabilidade
social
da
organização
Práticas
para
integrar
a
responsabilidade
social
em
toda
a
organização
Comunicação
sobre
responsabilidade
social
Fortalecimento
da
credibilidade
em
relação
à
responsabilidade
social
Análise
e
aprimoramento
das
ações
e
práticas
da
organização
relativas
à
responsabilidade
social
Iniciativas
voluntárias
de
responsabilidade
social
Anexo
A
(informativo)
Exemplos
de
iniciativas
e
ferramentas
voluntárias
relacionadas
à
responsabilidade
social
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 71 >>
TABELA
1
–
ESTRUTURA
DA
ISO
26000
Título
da
Seção
Número
da
Seção
Descrição
do
conteúdo
da
Seção
Escopo
Seção
1
Define
o
conteúdo
e
escopo
dessa
Norma
Internacional
e
identifica
certas
limitações
e
exclusões.
Termos,
definições
e
abreviaturas
Seção
2
Identifica
e
fornece
a
definição
de
termos‐chave
de
importância
fundamental
para
a
compreensão
da
responsabilidade
social
e
o
uso
dessa
Norma
Internacional.
A
compreensão
da
responsabilidade
social
Seção
3
Descreve
os
fatores
e
condições
importantes
que
influenciaram
o
desenvolvimento
da
responsabilidade
social
e
que
continuam
a
afetar
sua
natureza
e
prática.
Descreve
também
o
próprio
conceito
de
responsabilidade
social
–
seu
significado
e
aplicação
em
organizações.
A
seção
inclui
orientações
para
organizações
de
pequeno
e
médio
porte
sobre
o
uso
dessa
Norma
Internacional.
Princípios
da
responsabilidade
social
Seção
4
Introduz
e
explica
os
princípios
genéricos
de
responsabilidade
social.
Reconhecimento
da
responsabilidade
social
e
engajamento
de
partes
interessadas
Seção
5
Aborda
duas
práticas
de
responsabilidade
social:
o
reconhecimento
da
organização
de
sua
responsabilidade
social
e
a
identificação
e
engajamento
de
suas
partes
interessadas.
Fornece
orientações
sobre
a
relação
entre
uma
organização,
suas
partes
interessadas
e
a
sociedade,
introduz
os
temas
e
questões
centrais
de
responsabilidade
social
e
analisa
a
esfera
de
influência
da
organização.
Orientações
sobre
temas
centrais
da
responsabilidade
social
Seção
6
Explica
os
temas
centrais
e
questões
associadas
referentes
a
responsabilidade
social
(vide
Tabela
2).
Para
cada
tema
central,
são
fornecidas
informações
sobre
seu
escopo,
sua
relação
com
a
responsabilidade
social,
princípios
e
considerações
relevantes
e
respectivas
ações
e
expectativas.
Orientações
sobre
a
integração
da
responsabilidade
social
em
toda
a
organização
Seção
7
Fornece
orientações
sobre
como
colocar
a
responsabilidade
social
em
prática
em
uma
organização.
Isso
inclui
orientações
relacionadas
a
compreender
a
responsabilidade
social
da
organização,
integrar
a
responsabilidade
social
em
toda
a
organização,
comunicar
sobre
responsabilidade
social,
melhorar
a
credibilidade
da
organização
em
relação
à
responsabilidade
social,
analisar
o
progresso,
melhorar
o
desempenho
e
avaliar
iniciativas
voluntárias
em
responsabilidade
social.
Exemplos
de
iniciativas
e
ferramentas
voluntárias
relacionadas
à
responsabilidade
social
Anexo
A
Apresenta
uma
relação
não
exaustiva
de
iniciativas
e
ferramentas
voluntárias
relacionadas
a
responsabilidade
social
que
abordam
aspectos
de
um
ou
mais
temas
centrais
ou
a
integração
da
responsabilidade
social
em
toda
a
organização.
Bibliografia
Inclui
referências
a
instrumentos
internacionais
relevantes
e
Normas
ISO
mencionadas
no
corpo
dessa
Norma
Internacional
como
fonte.
Índice
Faz
referência
a
tópicos,
conceitos
e
termos
contidos
nessa
Norma
Internacional.
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 72 >>
TABELA
2
—
TEMAS
CENTRAIS
E
QUESTÕES
DE
RESPONSABILIDADE
SOCIAL
Temas
centrais
e
questões
subseção
Tema
central:
Governança
organizacional
6.2
Tema
central:
Direitos
humanos
Questão
1:
Diligência
6.3
6.3.3
Questão
2:
Situações
de
risco
para
os
direitos
humanos
6.3.4
Questão
3:
Evitar
cumplicidade
6.3.5
Questão
4:
Resolução
de
queixas
6.3.6
Questão
5:
Discriminação
e
grupos
vulneráveis
6.3.7
Questão
6:
Direitos
civis
e
políticos
6.3.8
Questão
7:
Direitos
econômicos,
sociais
e
culturais
6.3.9
Questão
8:
Direitos
fundamentais
do
trabalho
6.3.10
Tema
central:
Práticas
Trabalhistas
Questão
1:
Emprego
e
relações
de
trabalho
6.4
6.4.3
Questão
2:
Condições
de
trabalho
e
proteção
social
6.4.4
Questão
3:
Diálogo
social
6.4.5
Questão
4:
Saúde
e
segurança
no
trabalho
6.4.6
Questão
5:
Desenvolvimento
humano
e
treinamento
no
local
de
trabalho
6.4.7
Tema
central:
Meio
ambiente
Questão
1:
Prevenção
da
poluição
6.5
6.5.3
Questão
2:
Uso
sustentável
de
recursos
6.5.4
Questão
3:
Mitigação
e
adaptação
às
mudanças
climáticas
6.5.5
Questão
4:
Proteção
e
restauração
de
habitats
naturais
6.5.6
Tema
central:
Práticas
leais
de
operação
Questão
1:
Práticas
anticorrupção
6.6
6.6.3
Questão
2:
Envolvimento
político
responsável
6.6.4
Questão
3:
Concorrência
leal
6.6.5
Questão
4:
Promoção
da
responsabilidade
social
na
esfera
de
influência
6.6.6
Questão
5:
Respeito
ao
direito
de
propriedade
6.6.7
Tema
central:
Questões
relativas
ao
consumidor
Questão
1:
Marketing
justo,
informações
factuais
e
não
tendenciosas
e
práticas
contratuais
justas
6.7
6.7.3
Questão
2:
Proteção
à
saúde
e
segurança
do
consumidor
6.7.4
Questão
3:
Consumo
sustentável
6.7.5
Questão
4:
Atendimento
e
suporte
ao
consumidor
e
solução
de
reclamações
e
controvérsias
6.7.6
Questão
5:
Proteção
e
privacidade
dos
dados
do
consumidor
6.7.7
Questão
6:
Acesso
a
serviços
essenciais
6.7.8
Questão
7:
Educação
e
conscientização
6.7.9
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 73 >>
Temas
centrais
e
questões
subseção
Tema
central:
Envolvimento
com
a
comunidade
e
seu
desenvolvimento
Questão
1:
Envolvimento
da
comunidade
6.8
6.8.3
Questão
2:
Educação
e
cultura
6.8.4
Questão
3:
Geração
de
emprego
e
capacitação
6.8.5
Questão
4:
Desenvolvimento
tecnológico
e
acesso
às
tecnologias
Questão
5:
Geração
de
riqueza
e
renda
Questão
5:
Geração
de
riqueza
e
renda
6.8.6
Questão
6:
Saúde
6.8.8
Questão
7:
Investimento
social
6.8.9
6.8.7
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 74 >>
Responsabilidade Social em Pequenas e Médias Empresas: Uma Análise a Luz da Teoria dos
Stakeholders
Autoria: José Edson Moyses Filho, Andrea Leite Rodrigues
Resumo: O Programa Tear foi uma iniciativa conjunta do Instituto Ethos e do BID, cujo objetivo
era mobilizar grandes empresas (ou âncoras) no sentido de viabilizar PME fornecedoras a
conhecerem e adotarem práticas de gestão socialmente responsáveis. Acompanhamos três ancoras e
seis PME com o objetivo de descobrir como as âncoras influenciaram as PME fornecedoras, como
se deu o processo de trabalho entre âncora, PME e Instituto Ethos e quais os resultados alcançados
em termos de adoção de práticas de responsabilidade social empresarial (RSE) nas PME.
Utilizamos o estudo de caso qualitativo, tendo a teoria dos stakeholders como arcabouço teórico
básico para coleta de dados, análise, discussão e conclusão. Os resultados estão de acordo com o
colocado por Vogel (2005), segundo o qual a adoção de práticas de gestão socialmente
responsáveis, raramente gera impactos na performance econômica dos negócios ou nas
oportunidades de mercado para as empresas. Outrossim, iniciativas como esta modificam as
relações sociais internas nas organizações, disseminam novos comportamentos e geram ações
pontuais e restritas nos processos de produção e gestão. A influência dos stakeholders acentua a
importância e acelera a adoção das práticas de RSE, mas não é suficiente para garantir incremento
na performance e aumento na competitividade e nas oportunidades de mercado, como foi colocado
inicialmente às PME pelos organizadores do Programa Tear.
1.
Introdução
Jeffrey Harrison e Edward Freeman escreveram no texto de abertura do Academy of
Management Journal Special Forum on Stakeholders, Social Responsability and Performance que o
fato de ter-se cada vez maior sensibilidade às questões éticas envolvidas nos negócios, juntamente
com o aumento da competição e a atuação contundente da mídia, gera um cenário bastante difícil para
qualquer gestor organizacional. Por um lado, gestores estão comprometidos com interesses de
acionistas e proprietários, o que lhes rege para definir estratégias de competitividade do negócio na
indústria. Por outro, várias destas estratégias podem ter conseqüências ruins para outros públicos
parceiros ou relevantes (stakeholders), considerando o amplo espectro de organizações e indivíduos
que também têm interesses e direitos a partir das operações desta mesma empresa, ainda que não
sejam dela proprietários. A gestão voltada para stakeholders (ou stakeholder management, no original
em inglês) poderia constituir, antes de tudo, uma alternativa que encarasse a empresa como um
conjunto de contratos entre vários públicos, cada um com interesses próprios e nem sempre
harmonizáveis. Gerenciar interesses conflitantes entre stakeholders poderia, portanto, ser considerada
a primeira e mais difícil tarefa de um gestor organizacional (HARRISON e FREEMAN, 1999).
Esta forma de pensar a gestão como conflitos entre interesses impulsionou a aceitação da
Teoria dos Stakeholders como perspectiva teórica relevante para a análise dos dilemas éticos em
gestão, uma vez que trata de impactos que a atividade empresarial gera a uma gama de públicos
relevantes envolvidos com as organizações e não apenas aos acionistas ou proprietários (FreemanN,
1984). Não é à toa que se tornou uma teoria bastante utilizada em trabalhos envolvendo
responsabilidade social corporativa, ética em negócios, entre outros temas inseridos no campo dos
estudos sobre as relações entre empresas e sociedade (DONALDSON e PRESTON, 1995; JONES,
1995). Ao definir responsabilidade social empresarial, Jones já havia considerado que
a noção de que as empresas têm uma obrigação com grupos constituídos na sociedade
que não sejam [apenas] os acionistas e para além dos prescritos em lei ou contrato
1
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 75 >>
sindical, indicando que um interesse (stake) pode ir além do que a mera propriedade
(Jones 1980, p. 59-60).
Há, porém, quantidade reduzida de trabalhos que abordam a gestão voltada para
stakeholders no âmbito das pequenas e/ou médias empresas (PME). Menos ainda, que tratam dos
desafios e dilemas da responsabilidade social empresarial em PME considerando a influência de
stakeholders externos. Este trabalho se insere nos estudos sobre responsabilidade social
empresarial, com vistas a entender como ela acontece (ou não!) no âmbito de empresas de porte
reduzido a partir da influência de públicos relevantes externos. Utilizamos como arcabouço teórico
de análise a Teoria dos Stakeholders e como estratégia de pesquisa três estudos de caso, composto
cada caso da análise das relações entre uma grande empresa (âncora) membro do Instituto Ethos e
dois de seus fornecedores considerados empresas pequenas ou médias, totalizando nove empresas
estudadas. O propósito dos estudos dos casos foi analisar como as âncoras influenciaram seus
fornecedores em prol da adoção de práticas de gestão socialmente responsáveis. Trata-se de
pesquisa qualitativa e exploratória cujo objetivo foi descobrir quais os desafios, barreiras ou acessos
para uma PME adotar práticas de responsabilidade social e como uma grande empresa cliente pode
contribuir neste processo.
Os três estudos de caso foram escolhidos a partir do Programa Tear – Tecendo Redes
Sustentáveis, desenvolvido pelo Instituto Ethos com o apoio do Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID). O Programa nasceu em 2005, com o objetivo de atingir pequenas e
médias empresas com o auxílio de empresas âncoras, que possuíssem ascensão sobre as PME em
suas cadeias de suprimentos. O estudo que aqui apresentamos pretendeu investigar qual o papel de
três empresas âncoras como stakeholders de seis PME para auxiliá-las a adotarem práticas de
gestão socialmente responsáveis, com apoio do Instituto Ethos. A lógica do Programa Tear residiu
em fazer com que grandes empresas – ou âncoras – influenciassem fornecedores com perfil de PME
estimulando-as a aderir a práticas de gestão referenciadas nos Indicadores Ethos de
Responsabilidade Social. O Programa Tear terminou em 2008 e envolveu nove empresas âncoras e
cento e oito PME em todo Brasil.
1. Responsabilidade Social Corporativa em PME: Abordagem pela Teoria dos
Stakeholders
Ainda que o estudo sobre problemas sociais seja algo antigo, apenas recentemente eles se
tornaram de forma efetiva um tema relevante na literatura sobre negócios e gestão empresarial. Nas
últimas três décadas houve aumento significativo na quantidade de trabalhos voltados a relação
entre empresas e sociedade; abundam idéias e debates sobre o papel social cabido às organizações
economicamente ativas, considerando os impactos que suas operações geram à sociedade, tais como
danos ao meio ambiente, tratamento impróprio a trabalhadores, consumo irresponsável, entre outras
questões importantes que se colocam sob o que se chama na América de Social Issues in
Management (ver a definição desta Divisão na Academy of Management).
Em um artigo no início da década de 1990, Thompson e Smith (1991) já chamavam a
atenção para o fato de que mesmo havendo crescente quantidade e interesse por estudos sobre o
impacto da responsabilidade social corporativa na performance de empresas, poucos eram os
realizados ou dedicados aos desafios ou dificuldades em PME. Os trabalhos de Longo, Mura e
Bonoli (2005), Fuller e Tian (2006), Roberts, Lawson e Nicholls (2006), Spence (2007), Uhlaner,
Goor-balk e Masurel (2004) e Williamson, Lynch-Wood e Ramsay (2006) e mais recentemente
2
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 76 >>
Avram (2008), Fassin (2008), Mankelow (2008) são exemplos de estudos sobre os desafios e
dilemas da RSE nas PME; porém, apenas Perrini (2006), Spence (2007), e Jenkins (2006)
utilizaram a Teoria dos Stakeholders como perspectiva teórica de estudo para tratar do assunto.
Temos, portanto, que os resultados da pesquisa que aqui expomos intenta ser uma contribuição aos
estudos sobre responsabilidade social corporativa em pequenas e médias empresas considerando a
influência da ação de stakeholders externos.
2. Método
2.1 O Desenho de Pesquisa
Nosso foco de interesse residiu em entender uma situação específica na qual uma empresa se
propunha a influenciar e auxiliar outra no processo de assimilação de práticas de gestão socialmente
responsáveis. Durante a pesquisa, foi absolutamente relevante considerar que a relação entre as duas
empresas não era apenas cliente-fornecedor, mas atentar para o fato de que a empresa cliente
exercia um grande poder de influência sobre a fornecedora, sendo de grande porte, reconhecida
como uma das maiores de sua indústria. Daí a denominação “empresa âncora”. Tomando as idéias
de Porter (1980), podemos afirmar que a âncora detinha forte poder de barganha sobre os
fornecedores, ainda mais considerando que estas eram PME. A idéia inicial do Programa Tear
residiu em considerar o poder da âncora para influenciar a PME sob o argumento de que a
responsabilidade social empresarial impacta positivamente na performance da empresa, uma vez
que incrementa condições de competitividade e sustentabilidade. Tínhamos, portanto, as seguintes
premissas ao iniciar as análises dos três casos:
1) a gestão orientada por interesses de stakeholders impacta na performance das empresas
(FASSIN, 2009; FREEMAN, 1984 e 1994; GREENLEY e FOXALL, 1997;
MITCHELL, AGLE e WOOD, 1997);
2) há uma relação positiva entre gestão orientada por interesses de stakeholders, adoção de
práticas de gestão socialmente responsáveis e performance competitiva nas organizações
(GRIFIN e MAHON, 1997; HARRISON e FREEMAN, 1999; McGUIRE et al. 1988;
PUNCHEVA, 2008; SPENCE, COLES e HARRIS, 2001; RUF et al, 2001;
WADDOCK e GRAVES, 1997; WOOD, 1991);
3) a responsabilidade social empresarial não está restrita a empresas grandes, que detem
recursos suficientes para influenciar o ambiente e impor regras para a realização dos
negócios de acordo com princípios da RSE. As PME também podem assimilar a RSE e
usufruir de impactos positivos em termos de competitividade e sustentabilidade
(AVRAM e KÜHNE, 2008; FULLER e TIAN, 2006; JENKINS, 2009; LONGO,
MURA e BONOLI , 2004; MANKELOW, 2008; ROBERTS et al. 2006; SPENCE
2007; WILLIAMSON, LYNCH_WOOD e RAMSAY,. 2006);
4) os Indicadores de Responsabilidade Social do Instituto Ethos constituem fonte suficiente
e legítima para acompanhar a performance da empresa em termos de responsabilidade
social corporativa. O papel da âncora era viabilizar o conhecimento servir como ente
facilitador para que a PME adotasse as práticas seguindo as orientações do Instituto
Ethos (INSTITUTO ETHOS, 2007).
Considerando o interesse por entender mais profundamente como uma empresa influencia
seus fornecedores a assimilarem práticas de gestão socialmente responsáveis, a opção pelo estudo
de caso qualitativo nos pareceu pertinente. Godoy (2006) apóia-se em Stake (1988 e 2000) e em
3
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 77 >>
Merriam (1988 e 1998) para explicar que quando falamos de estudo de caso qualitativo estamos nos
referindo à escolha de um determinado objeto e realizando uma descrição holística e intensiva de
um fenômeno bem delimitado. Pode ser uma pessoa, um programa, uma empresa ou um grupo de
pessoas que compartilham o mesmo ambiente de trabalho. Merriam (1988) acentua que a escolha
pelo estudo de caso denota que o interesse do pesquisador está mais voltado à compreensão dos
processos sociais que ocorrem num determinado contexto do que às relações estabelecidas entre
variáveis. É a estratégia de pesquisa adequada para compreender uma situação em profundidade,
enfatizando seu significado para os vários envolvidos. Constitui uma estratégia de pesquisa
interessante quando se deseja entender um fenômeno social complexo, pois pressupõe um maior
nível de detalhamento das relações entre os indivíduos e as organizações, bem como dos
intercâmbios que se processam com o meio ambiente nos quais estão inseridos (YIN, 2005).
Na mesma linha de raciocínio, Yin (2005) afirma que o estudo de caso é uma estratégia de
pesquisa interessante quando as perguntas de pesquisa incluem “como” e “porque”, e “quando o
pesquisador tem pouco controle sobre os eventos” (Yin, 2005, p. 19). O método de estudos de
casos múltiplos permite a observação de evidências em diferentes contextos, pela replicação do
fenômeno, sem necessariamente se considerar a lógica de amostragem. Yin (2005) propõe cinco
componentes para desenvolver um estudo empírico, de forma a construir uma lógica ou conexão
entre os dados colhidos, as questões de pesquisa e as conclusões finais, a saber:
1. As questões do estudo: Como as âncoras influenciaram as PME fornecedoras?Como se
deu o processo de trabalho entre âncora, PME e Instituto Ethos? Quais os resultados
alcançados em termos de adoção de práticas de responsabilidade social corporativa na
PME?
2. As proposições: O propósito do estudo é descrever as relações entre Instituto Ethos,
empresas âncoras e membros das empresas PME de modo a identificar como se deu o
processo de assimilação da RSE e da incorporação dos Indicadores Ethos de
Responsabilidade Social. Em termos da gestão das PME,buscamos levantar quais os
fatores facilitadores e dificultadores dos trabalho. A priori, supusemos que a âncora
favoreceu o processo, as PME assimilaram práticas de RSE, passaram a acompanhá-las
com base nos Indicadores Ethos e obtiveram oportunidades de mercado por se alinharem
com princípios de responsabilidade empresarial e sustentabilidade.
3. As unidades de análise: O estudo foi feito em multiníveis. Os dados foram coletados
tendo atenção às relações entre organizações, entre indivíduos e organizações e entre
indivíduos entre si. Adicionalmente, foram analisados dados da performance de cada
PME antes e depois da participação no Programa Tear.
4. A lógica que une os dados às proposições: A coleta aconteceu em etapas, a medida que
os pesquisadores se familiarizavam com os processos que aconteceram na relação entre
âncoras e seus fornecedores. Este procedimento permitiu a identificação de padrões.
5. Os critérios para interpretar as constatações: as interpretações foram realizadas de modo
a considerar todas as evidências, tomando o cuidado de apresentar as evidências
separadamente de qualquer interpretação e procurar explorar interpretações alternativas.
2.2
Coleta de Dados
A fonte primária de dados foram entrevistas, apresentadas no quadro abaixo. Inicialmente,
demos atenção a indivíduos que haviam participado diretamente como responsáveis pelo Programa
4
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 78 >>
nas empresas âncoras, no Instituto Ethos e nas PME. Com o andamento das investigações, tivemos
o cuidado de entrevistar nas PME pessoas que não haviam sido responsáveis diretamente, mas que
participaram das ações implantadas pelo Tear em cada PME. Além disso, entrevistamos pessoas
chaves para a implantação do Programa como representantes do Instituto Ethos, denominadas
“indutoras”, assim como a Coordenadora do Programa Tear e o Presidente do Instituto.
EMPRESA
Arcellor Mittal
Bugue Reciclagem
Leili Eletrofrigeração
Camargo Corrêa
Metax
Roca
Vale
Degraus
Unidata Automação
Instituto Ethos
ENTREVISTADOS (cargo ou posição na hierarquia)
Analista de Recursos Humanos, responsável pelo
desenvolvimento do Programa Tear
Gerente Administrativo
Coordenadora da Qualidade
Auxiliar administrativo
Analista de Desenvolvimento Organizacional
Coordenadora do Sistema de Gestão da Qualidade
Gerente Comercial
Sócio-diretor comercial
Engenheiro Civil
Supervisor
Coordenador da Qualidade
Técnica em Segurança do Trabalho
Gerente de operações
Encarregada de Operações
Presidente do Ethos
Coordenador do Programa Tear
Indutora A (Arcellor e Vale)
Indutora B (Camargo Correa)
Quadro 1: Relação de entrevistados nas empresas âncoras, PME e Instituto Ethos
Além das entrevistas, houve ampla coleta documentos, incluindo:
a) Metodologia Tear de Trabalho em Cadeia de Valor: publicação do Instituto Ethos corealizada com o fundo multilateral de investimentos (FUMIN) do BID, distribuída
gratuitamente a todos os associados.
b) Relatórios de gestão das empresas âncoras e das PME: documentos disponíveis nos websites de cada empresa ou no Instituto Ethos. Nestes, pudemos obter o Balanço Social e os
enunciados sobre visão, missão, princípios e valores corporativos, análise SWOT e
análise dos stakeholders.
c) Linha de Base: documento desenvolvido pelo Instituto Ethos para garantir a
consolidação do Programa Tear. Uma vez que este documento não é público, solicitamos
às PME que permitissem acesso a seus respectivos documentos. Referem-se à análise de
sustentabilidade do negócio, diagnósticos, planos de ação em relação aos níveis de
responsabilidade social aplicada na empresa e resultados econômicos obtidos a partir do
Programa Tear. Além disso, cada PME podia desenvolver uma avaliação dos impactos
do Programa em relação a sua cadeia de valor. É importante destacar que este
documento também contempla itens presentes no Relatório de Gestão, quais sejam visão,
missão, valores; porém, aqui cada PME deve elaborar uma análise sobre alinhamento
destes pontos com os princípios de sustentabilidade e responsabilidade social.
Finalmente, é neste documento que cada PME escolheu indicadores relevantes entre os
5
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 79 >>
Indicadores Ethos de Responsabilidade Social e os Indicadores Ethos/SEBRAE de
responsabilidade social. Desta maneira, os relatórios Linha de Base constituem peça
chave para que cada PME priorize um conjunto de indicadores, defina ações para
implantá-los e as acompanhe.
Adicionalmente, um dos autores participou como convidado em vários encontros de trabalho
e esteve presente em discussões plenárias e eventos promovidos pelo Instituto Ethos e por empresas
âncoras.
3.3 Análise dos Dados
A análise dos dados foi elaborada em quatro fases, inspirados por Maguire, Hardy e
Lawrence (2004). Na primeira fase, elaboramos uma narrativa geral que nos permitiu vislumbrar
como se deu a relação entre as organizações envolvidas no Projeto Tear e quais foram os
procedimentos, eventos e fatos relevantes ao longo do processo de assimilação de práticas de RSE
nas PME. Inicialmente, as ações e os processos do período 2005-2008 foram reportados como
positivos e frutíferos, principalmente pelos entrevistados que participaram diretamente dos
encontros e plenárias. Ficou claro que, para fugir do discurso oficial padrão, seria necessária
investigação bem mais profunda. Outros pontos importantes tinham que ser levantados, por
exemplo: quais as dificuldades encontradas pelas PME para adotarem práticas de RSE?
Evidentemente, não rejeitariam um convite para participar de um Programa ligado a seu principal
cliente e ao Instituto Ethos; interessava-nos, porém, descobrir quais os desafios, problemas e como
se deu a relação com a âncora e o processo de assimilação da RSE em seu modo de gestão.
Passamos, então, à segunda fase de análise, muitas vezes recorrendo a novas coletas ou
validação dos dados já levantados em entrevistas e documentos. Procedemos a uma avaliação de
quais indicadores foram escolhidos por cada PME e como efetivamente traduziram cada um em
ações. Destacamos nesta fase os resultados em termos de “antes do Tear” e “depois do Tear”. Vale
ressaltar que além das ações de RSE, acompanhamos resultados que nos permitissem discutir
questões relacionadas a oportunidades de mercado e competitividade, posto que estes haviam sido
argumentos relevantes utilizados pelas âncoras para incentivar as PME a participarem do Programa.
Na terceira fase, identificamos os principais pontos em comum que emergiram das análises
dos casos e que se referiam a como as PME lidaram com a participação no Tear, a assimilação de
práticas de RSE e a natureza da relação com a âncora e com o Instituto Ethos. Nesta fase, elegemos
categorias para explicar em grandes linhas as evidências de resultados na gestão das PME após a
participação no Tear.
Por fim, na quarta fase de análise tratamos diretamente das perguntas de pesquisa em relação
às categorias que emergiram das outras três fases.
3. O Programa Tear
O Programa Tear - Tecendo Redes Sustentáveis, buscou aumentar a competitividade e
sustentabilidade de pequenas e médias empresas por meio da adoção de medidas de
responsabilidade social e empresarial. Aconteceu como resultado de uma parceria do Instituto Ethos
com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Do orçamento de R$ 2,6 milhões, metade
foi viabilizada por recursos do Fundo Multilateral de Investimento (FUMIN) do BID. A outra
metade, pelo Instituto Ethos e pelas empresas âncoras participantes. No total, houve nove empresas
6
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 80 >>
de grande porte, ou âncoras, e cento e oito pequenas e médias empresas participantes, com atuação
em sete setores da economia: açúcar e álcool, construção civil, energia elétrica, mineração, petróleo
e gás, siderurgia e varejo.
As âncoras foram escolhidas entre os membros do Instituto Ethos, com participação do BID,
entre empresas com experiências avançadas em gestão socialmente responsável, atentando para
escolher uma âncora por setor. Cada âncora participante selecionou em torno de quinze pequenas e
médias empresas integrantes de sua cadeia de valor, fornecedoras ou clientes, com as quais assumiu
o compromisso de ajudar a incorporar princípios de RSE nos respectivos processos internos, bem
como no relacionamento com as partes interessadas das suas respectivas cadeias de valor.
Considerou-se como PME empresas com faturamento até US$ 5 milhões por ano e escolheu-se
organizações consideradas estratégicas para a empresa âncora, detentoras de tecnologia singular ,
potencial exportadora ou servir como multiplicadora das ações (INSTITUTO ETHOS, 2007). Para
fins deste artigo, selecionamos apenas casos nos quais a âncora estava lidando com fornecedores.
O quadro 2 apresenta a estrutura dos três casos compostos por um total de nove empresas,
mais o Instituto Ethos. A escolha de empresas de variados tipos de negócios em âncoras diferentes
justifica-se no fato de obter uma melhor exploração da disseminação da metodologia do Programa
Tear, assim como da comparação dos impactos gerados pelos resultados de ações socialmente
responsáveis.
Estudo de
Caso
Empresa
Âncora
Caso 1
ArcelorMittal
Caso 2
Camargo
Corrêa
Caso 3
Vale
PME Forne cedoras
Leili Refrigeração
Bugue Reciclagem
Andaimes Metax
Roca Engenharia
Degraus Engenharia
Unidata Automação
Quadro 2: Composição do Estudo de Caso Múltiplo
Fonte: Autoria Própria.
A metodologia do Programa Tear definiu que cada PME deveria aplicar os Indicadores
Ethos e efetuar uma análise qualitativa das práticas de RSE (METODOLOGIA TEAR, 2007).
Dado que é extensa a lista de indicadores propostos pelo Instituto Ethos, admitiu-se que cada PME
priorizasse temas, elegesse indicadores e estabelecesse um conjunto de ações de maneira a
contemplar todos os seus stakeholders, levando em conta fatores críticos do negócio.
3.1 Caso 1
A Arcelor Mittal Aços Longos é um braço da Arcellor Mittal, empresa com sede em
Luxemburgo, uma das 50 maiores produtoras de aço no mundo. As PME escolhidas como objeto de
estudo foram Leili Refrigeração e Bugue Reciclagem.
Seguindo a metodologia do Programa Tear, a Bugue Reciclagem elaborou 33 ações
relacionadas a RSE e sustentabilidade e destas implantou 21, no período 2005-2008. Os temas
priorizados estavam relacionados a compromissos éticos, compromisso com o desenvolvimento
profissional e empregabilidade, educação e conscientização ambiental, seleção e avaliação de
7
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 81 >>
fornecedores, compromisso com o desenvolvimento infantil e construção da cidadania. No triênio
2005/ 2007, o faturamento da empresa cresceu em média 17% a.a.
A Leilli Refrigeração, a partir do mesmo modelo de diagnóstico, elaborou 44 ações
relacionadas a RSE e implantou 38. Os temas priorizados foram: cuidados com saúde, segurança e
condições de trabalho, compromisso com o desenvolvimento profissional e empregabilidade,
educação e conscientização ambiental, apoio ao desenvolvimento de fornecedores, relações com
organizações locais e gestão participativa. No triênio 2005/2007 o faturamento cresceu em média
10% a.a.
3.2 Caso 2
O Grupo Camargo Corrêa atua em 20 países e emprega em torno de 57 mil pessoas.
Desenvolve trabalhos nas áreas de engenharia e construção, cimento, calçados, têxteis e siderurgia,
concessões e meio ambiente. Na Divisão Engenharia e Construção aconteceu uma das principais
iniciativas no campo da sustentabilidade: o desenvolvimento de fornecedores. Mobilizou 20
pequenas empresas fornecedoras entre as quais Andaimes Metax Equipamentos Ltda e Roca
Fundações.
A Andaimes Metax Equipamentos Ltda tem como principais atividades a fabricação,
comercialização e locação de andaimes, elevadores, escoramentos e soluções em acesso e transporte
vertical. A partir de um diagnóstico proposto pelo Programa, a Metax elaborou 17 ações
relacionadas a RSE e sustentabilidade e destas implantou 9, as quais foram priorizadas em itens
relacionados a: compromissos éticos, balanço social, cuidados com saúde, segurança e condições de
trabalho, critérios de contratação, compromisso com o desenvolvimento profissional, acesso à
informação, comprometimento da empresa com a melhoria, critérios de seleção e avaliação de
fornecedores, ações de ouvidoria com consumidores e clientes. No triênio 2005/ 2007, o
faturamento cresceu em média 20% a.a
A Roca Fundações presta serviços no setor de fundações em todo o Brasil e no exterior. A
partir do mesmo modelo de diagnóstico elaborou 21 ações relacionadas a RSE e implantou 20, nos
seguintes temas: balanço social, cuidados com saúde, segurança e condições de trabalho, benefícios
trabalhistas, desenvolvimento profissional, acesso à informação, gerenciamento de impactos sobre o
meio ambiente, compromisso com melhorias, educação e conscientização ambiental, satisfação dos
clientes e política de comunicação comercial. No triênio 2005/ 2007, seu faturamento cresceu em
média 25%.
3.3
Caso 3
A Vale, maior empresa brasileira do ramo de mineração, é empresa privada de capital aberto
e possui mais de 100 mil empregados, entre próprios e terceirizados. Nas diversas regiões em que
atua, é incentivado o desenvolvimento de parceiros locais por meio de programas de
desenvolvimento de fornecedores. Dentre as 15 empresas fornecedoras, participantes do Tear,
encontram-se a Degraus Engenharia e a Unidata Automação.
A Degraus Engenharia e Construções Ltda,, fundada em 1993, atua no ramo de construção
civil. A partir de um diagnóstico proposto pelo Programa, a Degraus elaborou 21 ações relacionadas
a RSE e sustentabilidade e destas implantou 17, escolhidas entre os temas: compromissos éticos,
cuidados com saúde, segurança e condições de trabalho, educação e conscientização ambiental,
gerenciamento dos impactos sobre o meio ambiente, governança corporativa, balanço social, gestão
8
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 82 >>
participativa, política de remuneração e carreira, relações com organizações locais e governança
corporativa. No triênio 2005/ 2007, o faturamento cresceu em média 91% a.a.
A Unidata Automação Ltda, fundada em 1989, atua na área de gerenciamento de
combustíveis, com ênfase em sistemas de controle automatizados de estoques e de abastecimento de
equipamentos e veículos, além de disponibilizar serviços de operação por meio de equipe de
supervisores, técnicos de segurança e operadores dedicados aos serviços nos postos de
abastecimento dos clientes. A partir do mesmo modelo de diagnóstico elaborou 10 ações
relacionadas a RSE e implantou 8, escolhidas entre indicadores relacionados aos seguintes temas:
balanço social, critérios de seleção e avaliação de fornecedores, satisfação de clientes, valorização
da diversidade, práticas antiproprina e gerenciamento dos impactos sobre o meio ambiente. No
triênio 2005/ 2007, o faturamento cresceu em média 30% a.a.
Ainda que todas as PME hajam reportado resultados econômicos financeiros positivos e
crescentes, nosso método não é adequado para correlacionar tal fato à participação no Programa
Tear e conseqüente, a implantação de ações de RSE e sustentabilidade. Assim sendo, partimos para
o cruzamento de informações entre os dados obtidos nas entrevistas, nos documentos e nas
observações. Evidentemente, encontramos muitos pontos de contradição, o que nos impele a
continuar a pesquisa, aprofundar as análises e depurar o método. Apresentaremos os resultados
preliminares que angariamos no tratamento dos dados de acordo com as quatro fases que
expusemos na metodologia. Tomamos as perguntas de pesquisa como tecer as análises.
4. Resultados
Como as âncoras influenciaram as PME fornecedoras?
As empresas âncoras financiaram e organizaram toda infraestrutura para as reuniões e
eventos, tanto as plenárias – com participação das nove âncoras e todas as PME – quanto aquelas
nas quais só participavam PME de uma mesma âncora. Não havia nenhum custo para PME
participar e conhecer a metodologia de gestão, com promessa de redução de custos e aumento das
oportunidades de mercado, por meio da adoção de RSE. Os representantes das PME reportaram que
a possibilidade de estreitar laços com a âncora foi importante fator motivador da participação no
Programa, trazendo a âncora “para dentro da empresa”. Ser reconhecido como um fornecedor que
incorpora práticas de gestão socialmente responsáveis traz proximidade, conhecimento e destaque
para cada PME em sua cadeia de valor.
As âncoras promoveram a formação de redes entre seus fornecedores e deram grande impulso
para que empresas pequenas, familiares, com processos de gestão pouco estruturados participassem
efetivamente de um movimento de assimilação de formas de gestão comprometidas com
resultados, com métricas de avaliação e acompanhamento específicas.
Como se deu o processo de trabalho entre âncora, PME e Instituto Ethos?
Passar a ser reconhecida como uma empresa que trabalha de acordo com os Indicadores
Ethos de Responsabilidade Social e Sustentabilidade implicou não só na participação nos eventos e
reuniões, mas também em visitas e horas de atividade de consultoria de técnicos (denominadas
indutores) do Instituto Ethos a cada um dos fornecedores.
Após priorizar um conjunto de Indicadores Ethos, cada PME estabeleceu um conjunto de
ações que foram acompanhados durante a implantação. Uma tentativa de resumir o perfil de ações
apresentadas nos levou à elaboração da seguinte lista:
9
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 83 >>
¾ Realização de palestras e eventos com ênfase em questões sociais e de sustentabilidade;
¾ Elaboração de Códigos de Conduta Ética para orientar relacionamentos com e entre
stakeholders;
¾ Divulgação a colaboradores internos e externos de informações econômicas e financeiras
da empresa;
¾ Treinamento e capacitação de empregados sobre questões relacionadas à segurança no
trabalho, práticas de cidadania, saúde e qualidade de vida, trabalho em equipe entre
outros temas;
¾ Elaboração de material de informação aos clientes sobre características e riscos do
produto.
Quais os resultados alcançados em termos de adoção de práticas de responsabilidade social
corporativa na PME?
Conquanto haja evidência de que as PME aumentaram o faturamento, não se pode creditar
tal fato a nenhuma ação ou evento específico relacionado ao Tear. Não há menção de que houve
mudanças no relacionamento comercial com as âncoras, ainda que ocorressem iniciativas de
comunicação e troca de experiências. Também não há referência a desenvolvimento de novos
produtos por parte das PME, nem surgimento de novas oportunidades de mercado ou incremento
efetivo na capacidade competitiva, relatado com fato ilustrativo. Mesmo assim, todos os
entrevistados representantes das PME reportaram que a participação no Programa implicou em
melhoria e intensificação dos relacionamentos com stakeholders, tanto internos quanto externos.
Há, sobretudo, ênfase nos impactos na relação com os colaboradores, funcionários ou terceirizados,
por meio de ações envolvendo eventos, aulas, coleta seletiva de lixo, reaproveitamento de papel
para impressão, incentivos a realização de cursos e complementação da instrução formal, combate
ao uso de álcool de drogas, patrocínio a atividades na comunidade circunvizinha, doações a
hospitais, creches e escolas públicas, patrocínio de atividades esportivas e de lazer nas cidades ou
bairros próximos a cada PME.
Na avaliação da contribuição do Tear para o negócio, retirada dos Relatórios Linha de Base,
a única resposta positiva unânime que encontramos entre as PME estudadas foi “Aprimorar
processos produtivos ou de gestão”, como se pode ver no quadro 3. Atribuímos tal resposta aos
relatos de iniciativas como a da Degraus que...
...”introduziu técnicas e ferramentas de gerenciamento de obras, com metas de redução
do entulho e nas construções de moradias, os apartamentos estão equipados com
medidores individuais do consumo de água, de modo a possibilitar que cada morador
controle e reduza seus gastos com água1”...
...ou como a Leili Refrigerações que...
“elaborou uma Declaração dos Riscos que os clientes estão expostos ao adquirir nossos
produtos. Apresentamos este trabalho em várias capitais do Brasil para grupos de
clientes e fornecedores da Arcellor Mittal, dando clara demonstração de transparência
nas relações comerciais e alinhamento com o Código de Defesa do Consumidor2”...
...como a Roca Fundações que...
“ inovou com a modernização de equipamentos de segurança na aquisição de
compressores que não oferecem vazamento de óleo, além das melhorias da qualidade do
ar nas câmaras de trabalho. Houve também melhoris no escritório, como acesso a
10
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 84 >>
internet para todos e melhorias nos alojamentos, como novos beliches, televisores e
refrigeradores e apoio jurídico gratuito a todos os funcionários3”
A Metax não reportou nenhuma melhoria diretamente ligada aos processos produtivos ou de
gestão, apontando resultados da participação no Tear como promoção de treinamentos, cursos de
graduação e pós-graduação em áreas específicas para os empregados. Ações foram desenvolvidas
em relação ao meio ambiente, entre as quais a criação de um grupo de 13 multiplicadores
estratégicos que lideraram o “Programa de Educação Ambiental”, sensibilizando colaboradores e
familiares para o tema. Este mesmo grupo desenvolveu um plano de melhorias na fábrica,
conscientização de todos e implantação de coleta seletiva e Programa 5S.
A Unidata também não mencionou qualquer questão diretamente relacionada ao negócio,
concentrando-se em relatar com detalhes a participação em projetos sociais e ambientais como
campanhas de alimentos na região de Juvenília, no Vale do Jequitinhonha, MG, além de estímulos a
voluntariado empresarial e coleta seletiva de lixo.
Contribuição do Tear para o Negócio
Desenvolver novos produtos/serviços com
caracterísicas de responsabilidade social
empresarial
Aprimorar processos produtivos ou de
gestão
Ter acesso a novos mercados
Conquistar novos clientes
Benefícios pe rcebidos pela empresa na sua
cadeia de valor
Bugue
Leili
Metax
Roca
Degraus
Unidata
Não
Sim
Não
Não
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Não
Não
Sim
Sim
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Melhor diálogo ou resolução de conflitos
Sim
Sim
Não
Sim
Sim
Sim
Melhores negociações de vendas
Maior compromisso com prazos
Não
Não
Sim
Sim
Não
Sim
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Maior compromisso com qualidade
Ampliação do volume de negócios
Não
Não
Sim
Sim
Sim
Não
Sim
Não
Não
Não
Sim
Não
Diminuição de riscos e problemas
Não
Sim
Sim
Sim
Não
Sim
Quadro 3. Fonte: Relatório Linha de Base, 2008 (fornecido pelas empresas)
5. Discussão
Os resultados dos três estudos de caso do tipo qualitativo (GODOY, 2006) retirados do
Programa Tear são, agora, discutidos à luz das premissas que tomamos ao iniciar o projeto de
pesquisa.
As PME aderiram ao Programa por considerar RSE tema importante e legítimo, mas não há
como negar que a adesão foi tremendamente influenciada pelo poder da empresa âncora e do
Instituto Ethos (MITCHELL, AGLE e WOOD, 1997) como stakeholders com interesses, com
recursos e posição suficientemente fortes para mobilizá-las. A participação trouxe impactos na
relação com a âncora, em termos de comunicação e trocas de experiência. Não há evidências de
impactos em questões comerciais ou diretamente relacionadas aos negócios entre âncoras e PME.
Os dados coletados apresentam melhorias (termo que aparece freqüentemente nas entrevistas) nas
relações com funcionários e com empresas clientes. Os estudos de caso realizados nos fazem
11
Arnaldo A. Rezende e Luciel H. de Oliveira << 85 >>
concluir que a gestão orientada por interesses das empresas âncoras como stakeholders impactaram
na performance das empresas em ações voltadas ao relacionamento, informação e educação sócioambiental dos colaboradores e familiares. Houve, também, mudanças nos processos produtivos,
mas não há relatos ou evidências suficientes para afirmar que houve impactos na performance em
termos econômicos dos negócios. Não houve dados suficientes para evidências de que a adoção de
práticas de gestão socialmente responsáveis gerou resultados em termos de performance
competitiva nas PME
A responsabilidade social empresarial não está restrita a empresas grandes, que detém
recursos suficientes para influenciar o ambiente e impor regras para a realização dos negócios de
acordo com princípios da RSE. As PME também podem assimilar a RSE, porém fizeram-na em
itens não diretamente relacionados ao modelo de negócio. As ações ainda estão no nível da
conscientização das pessoas ou em adotar práticas e comportamentos voltados à cidadania, como
coleta seletiva de lixo e promoção de atividades filantrópicas e/ou de apoio a comunidades carentes
próximas a cada PME. Ainda estão longe de usufruir de impactos positivos em termos de
competitividade e sustentabilidade.
Os Indicadores Ethos de Responsabilidade Social são aceitos como métrica legítima para
processos de desenvolvimento e assimilação de RSE e sustentabilidade nas empresas em geral,
independentemente do porte. Não há discussão sobre a pertinência dos indicadores em função do
tamanho da empresa.
6. Conclusão
Does Virtue Pay? David Vogel coloca tal questão no prefácio de sua obra The Market for
Virtue, originalmente publicado em 2005, com segunda edição já em 2006. O autor afirma que
apesar da RSE prover benefícios a empresas em algumas áreas – como proteção a sua reputação e
apoio à atração, motivação e retenção de pessoal de alta qualidade – tais benefícios são
freqüentemente elusive e raramente afetam a performance financeira da empresa .
Os resultados dos estudos de casos qualitativos que realizamos com empresas participantes
do Programa Tear indicam que a adoção de práticas de RSE não implicam abertamente em
resultados positivos em termos de incremento em performance e oportunidades de mercado. A
opção por assimilar a RSE está relacionada a mudanças no comportamento de indivíduos, seja
isoladamente, seja na vida organizacional. Por meio do Programa, as empresas inserem-se em redes
e disseminam idéias e práticas, com alguns reflexos nos processos produtivos e de gestão. A RSE
mobiliza pessoas, recursos e ações, mas ainda há muito a e estudar para concluir que há impactos na
performance e nas oportunidades de mercado. Principalmente, ao considerarmos os desafios para as
PME.
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Coordenador da Qualidade. Depoimento concedido em 27/01/2009
2
Coordenador da Qualidade. Depoimento concedido em 28/01/2009
3
Sócio-diretor comercial. Depoimento concedido em 30/03/2009
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