O Cajon no Brasil

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O Cajon no Brasil
O Cajon no Brasil
Por Felipe Almeida
Salve Batuqueiros!
Com muita alegria que inicio essa coluna pra falar de um
instrumento que, além de curioso, gerou muita polêmica. O
CAJON! Porque polêmica? Calma, eu vou explicar.
Pretendo alternar a coluna falando de técnicas do
Instrumento, mas também de histórias e curiosidades. Para
dar o pontapé inicial, vamos entender um pouco, de forma
resumida, a origem do Cajon, aliado a minha história com o
instrumento.
É filho de quem?
O Cajon é um instrumento PERUANO, e “estourou” no mundo, inicialmente, através do
Flamenco na Espanha. Mas a culpa é de um brasileiro! Pois é, dá pra escrever uma novela.
Rubem Dantas é o percussionista que tocava com o violonista Paco de Lucia. No Flamenco, a
percussão era feita basicamente pelo sapateado dos bailarinos, juntamente com as marcações
de palma dos “cantantes”. É muito comum até hoje ver os espanhóis fazendo sons e
marcações dos seus ritmos em uma mesa de madeira, é surpreendente.
Rubem Dantas conheceu o Cajon, e apresentou a Paco, que ficou encantado com as
sonoridades que apenas uma “caixa” produzia. Assim, o Cajon viajou até a Espanha onde foi
“adotado”.
A partir daí, o interesse, curiosidade e evolução do instrumento só aumentam dia-a-dia!
E a polêmica...
Apesar de um brasileiro ter feito essa ponte entre Peru, Espanha e, consequentemente pro
mundo, o Cajon está crescendo no Brasil há relativamente pouco tempo, cerca de 20 anos, e
foi ganhando espaço no meio “baterístico” sendo usado em lugares pequenos ou mais
acústicos no lugar da Bateria. Eu mesmo, quando tive meu primeiro Cajon, foi nesse intuito.
Tem um som grave, um som agudo com uma esteira: bumbo e caixa num caixote! Parecia
genial! (continua em outro parágrafo, hehe)...
Aprendizado constante
Desde o meu primeiro contato com o Cajon, há cerca de 7 anos, não parei de pesquisar e
estudar a fundo tudo o que fosse relacionado ao instrumento e sua história. Em meus estudos,
percebia que o Cajon tinha muito mais do que bumbo e caixa.
Em Abril de 2012, tive a alegria de participar com um grupo que fiz parte do Festival
Internacional de Cajon no Peru. Foi uma experiência fantástica, onde aprendi muito e vi ao
vivo como o Cajon funcionava em seu berço. O período nesse Festival foi curto, mas fiz
amizade com muita gente e mantive contato com todos, e o aprendizado continuou. Em 2013,
Rafael Santa Cruz, um dos meus ídolos que por sorte se tornou um grande amigo, estava no
Brasil para a festa de 5 Anos da FSA, empresa onde faço o trabalho de Marketing e sou
especialista de produtos. Nesse período que passou aqui, gravamos um clipe com participação
dele junto com o grupo que integro, o IN’Box, fazendo um mix de música brasileira e incluindo
ritmos peruanos no arranjo. A vibe foi tão bacana que resultou num segundo convite para o
Festival de Cajon de 2014, com esse grupo novo. Fui novamente para o Peru, com esse grupo
novo, e eu soube aproveitar bem mais esse período, que além de maior, já conhecia muitas
pessoas de lá. Entre shows, oficinas, aulas, o aprendizado continuou.
O Santa Cruz vivia algo que aprendi e pretendo levar comigo: a paixão pelo Cajon. Rafael falava
que não importava o material, se era inclinado ou reto, com cordas de violão, esteira de
bateria ou sem nada. No Peru, o Cajon é um patrimônio nacional. A maior alegria para eles, é
ver que seu instrumento, que faz parte de sua história, está sendo tocado no Mundo, levando
um pouco de cada um pra cada gig, pra cada som, das mais diversas características e
aplicações.
Dia 04 de agosto de 2014, Rafo nos deixou. Foi fazer sua música alegre e enérgica no céu, que
deve estar em festa até hoje. Com tudo o que tive a honra de conviver e aprender com ele, eu
sigo com essa alegria de ver o Cajon em todo canto, e, para mim, finalizou a tal polêmica que
citei.
Todo e qualquer caixote que seja feito em qualquer país por grandes empresas ou no fundo de
quintal de maneira experimental por alguém que quis fazer o seu próprio instrumento, é um
Cajon Peruano. Existe uma forma de se tocar a música peruana, uma forma de tocar a música
flamenca, e também a brasileira. Também existem formas e maneiras de se construir um Cajon
para que se adapte melhor ao estilo do lugar, mas todos são Cajons Peruanos.
Nas próximas colunas, pretendo trazer ritmos e técnicas que auxiliem o músico a usar o Cajon
no dia-a-dia, da forma que usamos e precisamos, mas também, trazer o conhecimento do que
é feito no Peru.
O Cajon é um instrumento fantástico, com gamas e possibilidades sonoras surpreendentes.
Vamos sentar e experimentar, tocar, fazer música! Convido todos a buscar o som além do
trivial.
Espero somar com o conteúdo trabalhado todo mês. Fiquem a vontade para me escrever!
Bons estudos, e mão na madeira!