Mme Curie - Esocite.BR

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Mme Curie - Esocite.BR
Resumo
Mme Curie: vida de cientista no final do século XIX e início do século
XX
Sonia Regina Tonetto – Doutoranda em História da Ciência
Orientadora: Profa. Dra. Maria Helena Roxo Beltran
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC/SP
e-mail: [email protected]
Este trabalho tem como tema os caminhos trilhados pela cientista Mme Curie no meio
científico e citados na biografia da cientista escrita pela filha Eva Curie, em 1937. O
objetivo é propor uma reflexão sobre a trajetória da cientista para superar as
dificuldades durante suas pesquisas sobre a radioatividade. Para isso há necessidade de
compreender as estratégias seguidas por ela e por outras cientistas entre os séculos XIX
e XX e o contexto social desta época citado pelas pesquisadoras Margaret W. Rossiter e
Eulalia Pérez Sedeño, além de realizar uma leitura detalhada da biografia da cientista
Mme Curie, elencando estes caminhos. Observa-se neste estudo que a cientista
enfrentou diversas dificuldades durante sua formação, durante sua vida acadêmica e na
sua rotina no laboratório. Para enfrentar essas dificuldades, utilizou-se de estratégias,
explorando algumas condições que lhe eram favoráveis e que faziam parte de sua
personalidade, como estar bem preparada, ser modesta, disciplinada e estóica.
Palavras-chave: Mme Curie, Radioatividade, Estratégia, História da Ciência.
Abstract
Madame Curie: a life scientist in the late nineteenth and early
twentieth century
Sonia Regina Tonetto – Doutoranda em História da Ciência
Orientadora: Profa. Dra. Maria Helena Roxo Beltran
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC/SP
e-mail: [email protected]
This work has as its theme the paths taken by the scientist Madame Curie in the
scientific and cited in the biography written by the scientist’s daughter Eve Curie in
1937. The goal is to propose a reflection on the trajectory of the scientist to overcome
difficulties during her researches on radioactivity. For this there is a need to understand
the strategies followed by her and other scientists in the nineteenth and twentieth
century and the social context of this time by the researchers cited Margaret W. Rossiter
and Eulalia Pérez Sedeño, and perform a detailed reading of the biography of the
scientist Madame Curie, listing these paths. Observed in this study that the scientist had
faced many difficulties during her training, during her academic life and her routine
laboratory. To address these difficulties, she used strategies, exploring some conditions
that were favorable and were part of her personality, like being well prepared, be
modest, disciplined and stoic.
Keywords: Madame Curie, Radioactivity, Strategy, History of Science.
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Mme Curie: vida de cientista no final do século XIX e início do século
XX
Madame Curie: a life scientist in the late nineteenth and early
twentieth century
Sonia Regina Tonetto – Doutoranda em História da Ciência
Orientadora: Profa. Dra. Maria Helena Roxo Beltran
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC/SP
e-mail: [email protected]
No início do século XX, observa-se a luta das mulheres pela igualdade no
trabalho científico e o aumento do número de mulheres nas escolas de mulheres com
cursos de ciências. Elas defendiam suas virtudes como pacientes, disciplinadas e
estóicas (ROSSITER, 1982, p. XVIII).
As mulheres, que conseguiam empregos em indústrias químicas durante a 1ª
Guerra Mundial, enfrentavam uma situação difícil de hierarquia. Dessa forma seguiam
dois caminhos: o primeiro seguindo as estratégias utilizadas por Mme Curie, que
compreendiam estar preparadas, serem modestas, disciplinadas e estóicas (SEDEÑO,
2004, p. 210). A outra opção seria trilhar outros caminhos, realizando “trabalhos
tipicamente femininos, voltados à nutrição, conservação de alimentos, química
industrial, bacteriologia, elaboração de mapas e telegrafia sem fios” (SEDEÑO, 2004, p.
207). Os trabalhos realizados eram de níveis mais baixos que os assumidos por homens.
As ideias referentes aos trabalhos destinados às mulheres, que deveriam ser
leves, delicados e não-competitivos, afetavam o comportamento de homens e mulheres
quanto ao acesso às academias. As mulheres que buscavam oportunidades no campo
científico, não podiam ignorar estas ideias e regras (ROSSITER, 1982, p. XV).
A profissionalização da ciência, o desenvolvimento de novas instituições de
pesquisas, e o crescente custo e complexidade de instrumentos e laboratórios, no final
do século XIX e início de século XX, abriu espaço para cientistas com melhor formação
acadêmica, mas para poucas mulheres.
Temos muitos relatos referentes às mulheres cientistas que realizaram
importantes contribuições e influenciaram os trabalhos de outras muitas cientistas, bem
antes do final do século XVIII e meados do século XIX. Por exemplo, Anne Conway,
que influenciou o trabalho de Leibniz, Caroline Herschel, com a descoberta dos
cometas. Emilie de Chatelet e sua contribuição para a ciência, Sophia Kovalevsky, a
matemática russa e os trabalhos do casal Antoine Lavoisier com Mme Lavoisier.
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Mulheres inteligentes e corajosas, numa época de difícil acesso aos trabalhos
científicos.
No início do século XIX as mulheres realizavam as pesquisas científicas em suas
casas, junto dos maridos ou pais. Essa situação ofereceu às mulheres, oportunidades de
cultivar interesses científicos e participar nas pesquisas (PANG, 1996, p. 20).
Elas
tinham
acesso
limitado
nas
universidades
e
nas
pesquisas,
consequentemente encontraram dificuldades para trabalhar nas ciências. No entanto, em
algumas áreas as mulheres continuaram a fazer contribuições significativas (PANG,
1996, p. 20).
Nos observatórios astronômicos observavam-se mulheres contribuindo junto aos
maridos, devido suas formações acadêmicas. Apresentavam-se como cientistas ou
estudantes. Muitas delas eram envolvidas nas pesquisas de seus próprios maridos e
foram reconhecidas pelos trabalhos destes. Elizabeth Campbell fazia parte deste grupo
de mulheres que se sobressaiu entre muitas, devido sua perseverança, seus estudos
realizados em astronomia e seu interesse pelo trabalho. Em expedições, realizadas
geralmente nas montanhas, ajudava o marido William Wallace Campbell, diretor do
Lick Observatory, no manuseio do instrumento para a observação de eclipses, além de
preparar a comida para todos os envolvidos na expedição, pois acreditava que corpo e
mente saudáveis eram essenciais para o sucesso. (PANG, 1996, p. 17-43)
Mme Curie (1867-1934), cientista que ganhou dois prêmios Nobel: de Física, em
1903, com seu marido Pierre Curie e o cientista Henri Becquerel, referente aos estudos
da radioatividade e de Química, em 1911, com as descobertas dos elementos radioativos
Polônio e Rádio, ao longo de sua vida enfrentou diversas dificuldades. Além das
financeiras, enfrentou também obstáculos destinados às mulheres que tinham como
objetivo desenvolver pesquisas no campo da ciência e fazer parte da academia
científica.
No caso da cientista Mme Curie, a opção pelas ciências começou desde a
infância ao observar os aparelhos de física do pai, expostos na estante, e provavelmente
os assuntos científicos que faziam parte da atmosfera familiar. Os artigos lidos pelo pai
e os poucos livros que caiam nas mãos da cientista, quando trabalhou como preceptora,
a levaram a estudar física e matemática. Assim, Mme Curie teve contato com as
ciências desde criança, viveu num ambiente intelectual e cultural que a influenciou
muito, adquiriu habilidades que facilitaram os trabalhos no laboratório, além de
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oportunidades de comunicar as descobertas em jornais, revistas, artigos e palestras ao
lado do marido.
Ao lermos a biografia da cientista escrita pela filha, Eva Curie, publicada em
1937 na França, encontramos algumas ações seguidas pela cientista. A escritora narra a
história de vida pontuando momentos difíceis, e indicam algumas estratégias utilizadas
por Mme Curie também seguidas por outras mulheres para enfrentar os obstáculos que
encontraram ao longo de suas carreiras. Elas usavam táticas de aceitar a desigualdade e
os estereótipos sexuais, para ganhar espaço nas áreas de trabalho destinadas às
mulheres. Estas estratégias enfatizavam que as mulheres tinham habilidades únicas e
talentos especiais que justificavam certos tipos de trabalhos voltados a elas
(ROSSITER, 1982, p. XVIII).
Na última parte do livro Pierre Curie escrito por Mme Curie encontra-se a
autobiografia da cientista e no capítulo IV, ela comenta sobre a atenção recebida por
inúmeras organizações de mulheres, especialmente as faculdades, que ofereciam cursos
de licenciatura e bacharelado, em sua visita aos Estados Unidos, em 1921. Nos relatos
demonstrou satisfação com os cuidados da saúde e desenvolvimento físico das
estudantes com atividades físicas variadas e a organização independente de suas vidas.
Mme Curie escreveu que nestes ambientes voltados à educação das mulheres
observava-se a democracia. Relatou que poucas estudantes eram estrangeiras. As
estudantes francesas que encontrou nas faculdades demonstravam-se satisfeitas com a
vida e estudos. A cientista cita, sem exemplificar, que as estudantes publicavam artigos.
As faculdades tinham laboratórios com boas instalações para a experimentação, porém
não comenta sobre os experimentos (CURIE, 1924, p. 231-232.).
Observamos nestes relatos a atenção da cientista para as faculdades americanas e
as homenagens oferecidas por estas mulheres em gratidão a uma pessoa que sabia o
quanto era importante os estudos e a atuação delas no meio científico. Fato este bem
pontuado na autobiografia. Mme Curie relata também que na época em que era
preceptora na Polônia, sua terra natal, ouviu que poucas mulheres seguiam certos cursos
em Petrogrado, ou em outros países. Mas estava determinada em se preparar e seguir o
exemplo dessas mulheres. Optou por estudar matemática e física. Assim, segundo ela,
começou a se preparar para o trabalho futuro em Paris. Estudou sozinha com a ajuda de
livros que chegavam a suas mãos através das visitas que iam às casas para quem
trabalhou no campo. Para Mme Curie não foi um método produtivo, porém adquiriu o
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hábito de independência e o pouco que aprendeu, usaria depois na universidade
(CURIE, 1924, p. 165-166).
Observamos a ênfase dada pela cientista nos estudos, na liberdade e
independência que adquiriu ao longo de sua vida. Encontramos ações pensadas,
elaboradas e colocadas em prática, que são as estratégias que foram citadas por Eulália
Perez Sedeño e discutidas por Margaret W. Rossiter, identificadas especialmente em
algumas cartas publicadas na biografia.
Uma das estratégias seguida por Mme Curie foi estar preparada. No caso da
cientista, refere-se à aptidão e capacidade de sair bem diante dos obstáculos surgidos.
Mme Curie, desde criança, foi instruída para os estudos, viveu num ambiente
intelectual, cercada de aparelhagem de física, de livros e sempre estava disposta a
aprender. Sabemos destes preparos, pois são citados constantemente na biografia de Eva
Curie. As citações aparecem com o objetivo de mostrar a imagem de um gênio e ao
mesmo tempo como necessidade da cientista de estudar para sanar as dificuldades que
tinha, principalmente em matemática, devido à má qualidade de ensino recebido na
Polônia. Mme Curie começou seus estudos em escolas privadas e terminou em escolas
do governo (CURIE, 1924, p. 158).
Após o acesso à universidade, a cientista escreve diversas cartas, relatando sua
preocupação em passar nos exames finais. Assim, em carta ao pai, datada de 16 de abril
de 1893, mostrou-se preocupada com os exames que faria em julho, demonstrando
ansiedade e receio de não estar preparada. Em julho recebeu a notícia da conquista do
primeiro lugar em Ciências Físicas e em 1894, foi a segunda colocada em matemática
(Curie, 1924, p. 94). Nesta mesma época, 7 de setembro de 1893, escreveu ao irmão
Joseph, relatando as aulas que dava a uma colega francesa que se preparava para os
mesmos exames que fizera (Curie, 1924, p. 96).
Observamos os estudos constantes quando não freqüentava a escola e nos cursos
de física e matemática na universidade. Fato este que a levou às primeiras colocações,
num ambiente predominantemente masculino, assim conseguiu uma vaga no laboratório
do professor Lippmann, na própria faculdade que estudou.
As mulheres estudavam por conta própria, poucas se tornaram cientistas, eram
instruídas e encorajadas a ler livros e desenvolver suas mentes (ROSSITER, 1982, p. 2).
Não tinham um caminho definido a seguir. Influenciadas e suportadas pelos membros
familiares, modelaram suas vidas. Estas relações foram importantes para determinar as
carreiras (GOULD, 1997. p. 134-135).
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Mme Curie era bem disciplinada, desenvolvia metodicamente os hábitos,
estabelecia-se segundo determinados princípios.
Durante seus estudos na Sorbonne encontramos várias passagens em cartas com
relatos referentes aos trabalhos envolvendo todo o tempo na Sorbonne e no laboratório
de química (GOULD, 1997. p. 82-89). Não admitia que a atrapalhassem em seus
estudos, não podia perder tempo, dessa forma procurou alugar um quarto próximo da
universidade. A preocupação com os estudos e pesquisas esteve presente em todos os
momentos vividos pela cientista. Em carta, sem destinatário e data, Mme Curie expõe o
trabalho realizado no galpão da École Municipale de Physique et de Chimie
Industrielles relatando que o casal vivia inteiramente absorvido. Passavam dias
realizando experimentos e conversavam constantemente sobre trabalhos presentes e
futuros (GOULD, 1997. p. 145)
Em seus escritos Mme Curie demonstrou dedicação integral, durante o dia no
galpão da Escola e à noite se dedicava à casa, às filhas e ao marido, papel fundamental
das mulheres. Na biografia escrita por Eva Curie e na autobiografia observamos que não
há relatos de questionamentos, por parte da cientista, referentes à hierarquia e problemas
cotidianos devido ao excesso de trabalho no laboratório. O que nos leva a pensar na
imagem de uma mulher que consegue dar conta das tarefas de casa e laboratório, que
trabalha em perfeita harmonia com o marido no laboratório, aspectos fundamentais para
uma mulher cientista, para a época. A biografia mostra a imagem de uma mulher
modesta, sem orgulho e sem exageros. Em uma das viagens realizadas, a cientista
escreveu à filha Eva mostrando-se indignada com as manifestações das multidões a uma
pessoa popularmente conhecida e que segundo ela eram meras manifestações de
fetichismo (CURIE, 1944, p. 294). Em outro trecho de carta, sem destinatário e data,
Mme Curie escreveu que a atitude do casal de não se interessar em patentear suas
descobertas estava correta.
Comentou sobre a intenção dos homens de tirarem o máximo lucro das
descobertas e concluiu que uma sociedade bem organizada deveria ficar livre de
preocupações materiais e se desempenhar nas pesquisas (CURIE, 1944, p. 284). O casal
nunca aceitou patentear a descoberta dos elementos radioativos, portanto, em 1921,
precisava de dinheiro para por o projeto do Radium Institute em prática, dessa forma
aceitou alguns convites para levantar donativos para determinados objetivos.
A cientista aceitou o convite da jornalista Marie Maloney, conhecida por Missy,
para receber um presente, um grama de rádio com certificado do National Bureau of
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Standards, oferecido pelo presidente dos Estados Unidos, Warren Harding, no meio de
muitas honras e homenagens das mulheres americanas, em 20 de maio de 1921, na Casa
Branca. Um presente que seria a salvação do Radium Institute, em Paris e uma
oportunidade de conhecer os trabalhos realizados nas faculdades americanas (CURIE,
1924, p. 227-232).
Outro dado relevante não citado por Eva Curie na biografia, foi o fato da
cientista recusar informações ao químico Bertram Boltwood, do Laboratório de Física
Sloane da Yale University, New Haven. Em 1908, escreveu a Mme Curie que
comparasse o padrão que ela tinha com o do químico, recusado de imediato, então ele
escreveu a Rutherford (GOLSMITH, 2006, p. 138):
“A Madame não quer nem um pouco que essas comparações sejam
realizadas, e o motivo, ao que suspeito, é sua má vontade constitucional em
fazer alguma coisa que possa, direta ou indiretamente, auxiliar qualquer um
que lide com a radioatividade fora do laboratório dela.”
Observamos que as cartas selecionadas por Eva Curie mostram o lado humilde
da cientista que não se importava com as dificuldades financeiras e estava pronta em
divulgar aos interessados, no caso as indústrias, o método de obtenção dos elementos
descobertos, porém em outras cartas, observamos a preocupação da cientista em expor
aos outros cientistas, dados pesquisados que abririam novos caminhos. Foi o caso da
corrida para definir a medida de padrão para o rádio.
Demonstrou ser estóica, desprezava os males físicos e morais, era rígida nas
opiniões, nos costumes e nos princípios morais. Segundo Margaret W. Rossiter, que foi
uma referência a Eulália Perez Sedeño sobre as estratégias de Mme Curie, a postura
estóica compreenderia táticas de assimilação requeridas por aqueles que procuram ser
aceitos num ambiente competitivo (ROSSITER, 1982, p. 248). Tal como o meio
científico, onde predominavam a figura masculina e os níveis hierárquicos. Observamos
o método utilizado que envolvia todo um trabalho pesado e para Mme Curie não havia
outra forma para chegar aos resultados pretendidos. Ela passava dias inteiros mexendo
massas em ebulição com uma vara de ferro. Tratava vinte quilos de pechblenda (minério
rico em urânio), trabalhava com grandes vasilhas de ferro, com precipitados e líquidos,
transportava essas vasilhas, despejava os líquidos e mexia matéria em ebulição durante
horas (CURIE, 1944, p. 145). Era uma corrida contra o tempo, havia outros cientistas
que também estavam pesquisando o mesmo fenômeno, a radioatividade. Em carta à
mãe, Rutherford escreveu que tinha que publicar o trabalho realizado o mais rápido
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possível para se manter na corrida, uma vez que os mais rápidos nestas pesquisas eram
Becquerel e o casal Curie (GOLDSMITH, 2006, p. 69).
O cientista Georges Sagnac escreveu a Pierre sobre a vida corrida do casal que
mal se alimentava, citou que Mme Curie se comportava como criança e os dois não
deveriam ler ou falar de física enquanto faziam as refeições (CURIE, 1944, p. 217).
Podemos perceber que esta atitude repetia todas as vezes que a cientista almejava algo.
Da primeira vez durante os estudos na universidade e neste momento quando tinha por
objetivo obter os sais de rádio puro.
Após a morte do marido, Mme Curie relatou em seu diário que lhe ofereceram a
cadeira de Pierre Curie, o curso e a direção do laboratório, sendo aceito por ela sem
saber se era vantajoso ou não, pois era o desejo do marido vê-la dando um curso na
Sorbonne (CURIE, 1944, p. 217). Registrou também a nomeação e os cumprimentos
recebidos por aqueles que eram contra sua entrada na universidade, pois as mulheres
não podiam fazer parte do instituto, como clamavam alguns membros (CURIE, 1944, p.
236).
O exemplo de Mme Curie mostra como essa época foi difícil para as mulheres.
Ingressar na carreira científica, quando a academia de ciência era predominada por
figura masculina, era um desafio. Mme Curie sabia das dificuldades, tinha noção do que
precisava para alcançar seus objetivos. Como deviam fazer as mulheres, preparou-se,
estudando, sendo disciplinada, modesta e estóica. Pesquisou um campo desconhecido e
não parou enquanto não concluiu seu trabalho. Foi original e teve, segundo ela própria,
grande contribuição à humanidade.
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Referências
CURIE, Eva. Madame Curie. Trad. Monteiro Lobato. 7ª ed. São Paulo: Companhia
Editora Nacional, 1944.
CURIE, Mme. Pierre Curie. Paris : Payot, 1924.
GOLDSMITH, Bárbara. Gênio Obsessivo: o mundo interior de Marie Curie. Trad. Ivo
Korytowski. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
GOULD, Paula. Women and the culture of university physics in late nineteenth-century
Cambridge. The British Journal for the History of Science 30, 1997, p. 127-149.
PANG, Alex Soojung-Kim. Gender, culture, and astrophysical fieldwork: Elizabeth
Campbell and the Lick Observatory-Crocker Eclipse Expeditions. Osiris 11, 1996, p.
17- 43.
QUINN, Susan. Marie Curie: uma vida. Trad. Sonia Coutinho, São Paulo: Scipione,
1997.
ROSSITER, Margaret W. Women Scientists in America. Struggles and Strategies to
1940. Londres: The John Hopkins University Press, 1982.
SEDEÑO, Eulalia Pérez. Ciência, Valores e Guerra na Perspectiva CTS. In, Escrevendo
a História da Ciência: Tendências, Propostas e Discussões Historiográficas.
ALFONSO-GOLDFARB A.M. & M.H.Roxo Beltran (Org.). São Paulo: Livraria da
Física/Educ/Fapesp, 2004, p. 201-229.
TONETTO, Sonia Regina. Vida de cientista: um estudo sobre a construção da
biografia de Mme Curie (1867-1934). 2009. 86f. Dissertação (Mestrado) – Programa de
Pós-graduação em História da Ciência, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
São Paulo, 2009.
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