88 o idoso e sua adequação à qualidade de vida na sociedade

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88 o idoso e sua adequação à qualidade de vida na sociedade
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O IDOSO E SUA ADEQUAÇÃO À QUALIDADE DE VIDA NA SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
ELDERLY AND THEIR FITNESS FOR QUALITY OF LIFE IN CONTEMPORARY
SOCIETY
Glória Neide Pereira1
Vitor Dorneli Rodrigues2
RESUMO
Este artigo apresenta informações e resultados obtidos em uma pesquisa sobre a importância da
valorização da velhice e a situação do idoso e sua adequação à qualidade de vida na sociedade
contemporânea. Considerando que a fase de envelhecer é um processo de perdas com relação a
muitos aspectos da vida, sendo acompanhado pelo sentimento de inutilidade, solidão e tristeza,
desencadeando o aumento de limitações de ordem biológica em decorrência de fatores de
natureza genética e ambiental. Porém com exceção das doenças que comprometem a
funcionalidade física e mental dos idosos, é possível haver conservações de competências e
habilidades intelectuais e valorização da subjetividade do idoso. Assim, faz-se necessário que um
processo dinâmico e de interação aconteça para que possa atrair as emoções do idoso e liberá-las
para um uso consciente e produtivo, o que deverá ser significante no processo de adaptação da
velhice em seu espaço social. E ao final deste estudo são relatados os dados coletados em uma
pesquisa de campo descritiva e exploratória sobre os sentimentos, vivências, causas, motivos e
consequências no modo de vida dos idosos institucionalizados. Visando ressaltar a importância
da participação dos familiares, a atenção, o respeito e a responsabilização da instituição na
melhoria de sua qualidade de vida.
PALAVRAS-CHAVE: idoso, instituição, qualidade de vida e bem-estar na terceira idade.
1
Aluna do curso de Psicologia da Faculdade Pitágoras – Unidade Divinópolis. E-mail:
[email protected]
2
Licenciado em Letras e Especialista em Língua Portuguesa (UNIFOR - MG), Especialista em Educação Ambiental
(Centro Universitário Barão de Mauá), Mestrado em Administração e Desenvolvimento Organizacional
(CNEC/FACECA). Professor da Fundação Educacional de Oliveira – FEOL e Faculdade Pitágoras – Unidade
Divinópolis. E-mail: [email protected]
Revista Eletrônica FEOL – REFEOL, v.1, n.1, 2016 Artigo recebido em maio de 2016 e aprovado em junho de 2016
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ABSTRACT
This article presents information and results obtained in a survey on the importance of
enhancement of old age and the situation of the elderly and their suitability to the "quality of life"
in contemporary society. Whereas the phase of aging is a process of loss in relation to many
aspects of life, accompanied by feelings of worthlessness, loneliness and sadness, triggering
increased limitations of biological order as a result of genetic and environmental factors. But with
the exception of diseases that compromise the physical and mental functionality of the elderly,
can be conservations skills and intellectual abilities and appreciation of the subjectivity of the
elderly. Thus, it is necessary that a dynamic and interactive process happen for you to attract the
emotions of the elderly and release them to a conscious and productive use, which should be
significant in the age of the adaptation process in their social space. And at the end of this study
are reported the data collected in a descriptive and exploratory study about the feelings,
experiences, causes, reasons and consequences in the way of life of institutionalized elderly. In
order to improve the importance of participation of family, attention, respect and accountability
of the institution in improving their "quality of life".
KEY WORDS: Elderly, institution, quality of life and well-being in old age.
1 INTRODUÇÃO
O envelhecimento é algo que vem despertando curiosidade e investigação aos cientistas e
estudiosos, nas últimas décadas, com o avanço da tecnologia e da medicina, os estudos sobre a
terceira idade da vida vêm sendo cada vez mais questionados. Deste modo, nos dias atuais existe
hoje um emaranhado de conhecimentos que busca entender os fenômenos biológicos que levam à
deterioração lenta e progressiva das capacidades biológicas, fisiológicas e psíquicas, durante o
processo de envelhecimento.
À medida que os anos vão passando, cada vez maior é o número de idosos devido a
inúmeros fatores e mudanças da sociedade moderna em seu contexto sócio, político, cultural,
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destacando a importância da valorização da velhice, a situação do idoso e sua adequação à
qualidade de vida.
Diante dessas colocações, surge a problematização a qual intenta respostas ao longo da
pesquisa: as instituições voltadas ao cuidado de idosos
estão preparadas estruturalmente e
profissionalmente para receber as demandas da internação e cuidados necessários para uma
melhor qualidade de vida dos idosos?
O conceito de velhice tem passado por transformações, devido a novo papel do idoso na
sociedade moderna, assim, novas persperctivas estão surgindo. Tornando assim a maneira de
vivenciar esta etapa da vida, considerada por alguns, como a melhor idade, uma fase de
valorização e compreensão de sua vivência, como algo ainda proveitoso e valioso.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
Como referencial teórico, será utilizada a teoria embasada nos conceitos da Gerontologia
que é o campo de estudos que investiga as experiências de velhice e envelhecimento em
diferentes contextos socioculturais e históricos, abrangendo aspectos do envelhecimento normal e
patológico, investiga o potencial de desenvolvimento humano associado ao curso de vida e ao
processo de envelhecimento. Juntamente com alguns conceitos da teoria Eriksoniana.
Segundo Neri (2007, p.7:
Durante o século XX, por mais de 50 anos, a gerontologia considerou o envelhecimento
como a antítese do desenvolvimento. Respaldados pela geriatria, muitos praticantes e
pesquisadores consideravam a velhice como sinônimo de doença. A gerontologia social
estabeleceu-se com base no princípio de que a velhice é um problema a ser resolvido,
dando origem a novas formulações que incluíam a consideração da possibilidade de uma
boa e saudável velhice, atribuída preferencialmente a fatores hereditários e pessoais
(NERI, 2007, p.7).
Estudos e pesquisas na área de gerontologia procuram soluções para melhorar a vida do
idoso, devolver habilidades e competências que perderam ao longo da vida, como a socialização,
autonomia, independência, memória, comunicação e a valorização pela vida. Entende-se que o
idoso tem potencial para continuar exercendo profissões já exercidas anteriormente e para
continuar aprendendo.
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A gerontologia é o campo que descreve e explica as mudanças do processo de
envelhecimento genético-biológicos, psicológicos e socioculturais. Abrange aspectos do envelhecimento normal e patológico.
De acordo com Zimerman (2000), a gerontologia se classifica em dois tipos: a básica e a
social, a primeira estuda o processo de envelhecimento sob o prisma biofisiológico, genético,
imunológico e em níveis celular e subcelular. A segunda compreende o estudo das relações
recíprocas entre o indivíduo e a sociedade e ninguém pode contestar a força dos fatores sociais,
culturais, econômicos e ambientais que podem qualificar ou prejudicar o inevitável processo de
envelhecimento.
No dia 21 de março de 2009 foi fundada a Associação Brasileira de Gerontologia (ABG).
São competências do Gerontólogo conhecer os processos normais de envelhecimento detectando
desvios de caráter patológico, gerir, administrar e organizar serviços de preservação do bem-estar
das comunidades em envelhecimento, implementar programas de prevenção e promoção dos
processos de desenvolvimento no idoso, avaliar problemas de envelhecimento, qualidade de vida
e bem-estar nas populações idosas, participar de forma ativa na avaliação multidisciplinar dos
idosos, supervisionando o cumprimento e a vigilância das prescrições clínica e ou terapêutica,
com a finalidade de promover o suporte e a segurança para o bem-estar dos indivíduos, intervir
ao nível da prevenção e promoção da saúde, entre outras [...] (PATROCÍNIO, 2012, p. 1).
O conceito de velhice tem passado por transformações, devido ao novo papel do idoso na
sociedade moderna, assim, novas persperctivas estão surgindo. A velhice é vista como uma etapa
da vida, sendo ela a mais longa da nossa existência, inicia-se aos 60 anos, segundo a Organização
Mundial de Saúde. Considerando que envelhecer por vezes trata-se de um processo delicado e
doloroso, onde a necessidade da participação da família e qualificação das instituições frente aos
cuidados necessários para com os idosos visando melhorias na sua ‘Qualidade de vida’ e no seu
‘Bem-estar’.
Neri (2007, p.132) pontua:
Reconhecer que o velho e a velhice portam uma vivência e uma experiência a serem
comunicadas e compreendidas é tornar visível para o mundo dos homens que delas
resulta uma maturidade alcançada no fluxo das experiências individuais e coletivas. É
reconhecer que o idoso exerce um papel mediador nas tramas da vida social e isso exige
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pensar os diversos tempos e espaços e que o “outro” se faz igualmente sujeito. Nesse
sentido, o velho não constitui uma folha apagada pelo tempo ou a caminho disso. A
cultura de que é portador resulta da vida em acontecimento, de sua rotina e das rupturas
que lhe são próprias. Desse modo, a cultura é e representa a experiência vital de seu
tempo e espaço em termos de si mesmo e como sujeito coletivo que é. É do interior da
cultura que emerge um patrimônio cultural e social a um só tempo particular e universal.
Da mesma forma, é no âmbito mais singular e mais geral da cultura que o debate da
autonomia e dos direitos se coloca (NERI, 2007, p.132).
O envelhecimento é um processo natural de perdas em relação a muitos aspectos da vida,
desencadeando limitações de ordem biológica, porém, muitas são as formas de prevenir e retardar
o desgaste do corpo, ou mesmo, minimizar as ações do envelhecer, assim, favorecer para que o
idoso tenha um papel participativo e dinâmico junto à sociedade em que ele estiver inserido.
Através de acompanhamento adequado, deverá ser possível tornar idoso com saúde, ou seja,
tornar-se um individuo consciente e sem prejuízos a subjetividade do ser humano (ZIMERMAN,
2000, p. 68).
Embora, a ‘Qualidade de vida’ na velhice tenha relação direta com a existência de
condições ambientais que permitam aos idosos desempenharem comportamentos biológicos e
psicológicos adaptativos, os idosos possuem certa independência e autonomia, em que eles
adaptam seu ambiente, de modo que se torne seguro, como exemplo: o cuidado com a
iluminação, tipo de calçados e disposição de objetos tornando seu cotidiano mais agradável e
confortável, porém, se os idosos não possuem esta capacidade será necessário que os membros da
família ou seus cuidadores interfiram nestes aspectos para facilitar e promover a interação física,
social e psicológica do idoso com o ambiente potencializando sua ‘Qualidade de vida’ e ‘Bemestar’. (NERI, 2007, p. 168).
Deste modo, ao contemplarmos as experiências sociais do idoso devemos considerar uma
possível definição de ‘qualidade de vida’, afim de, dimensionar qual ambiente próximo ao ideal
para acolher este indivíduo nesta fase da vida.
As pessoas envelhecem e aprendem coisas que os livros ainda não deram conta de
explicar, mas com a tecnologia ninguém procura um velho para aprender algo, ele servirá para
recontar a história da comunidade que não foi escrita, contar fatos acontecidos na família.
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A sabedoria mais valorizada nos velhos diz respeito velhice em si mesma. Se você
realmente vive bem sua vida, a despeito de suas imperfeições, pode se considerar uma
autoridade. As pessoas virão a você para aprender seu segredo — e você será avaro se
não o revelar. ( SKINER, 1904, p. 132).
Segundo Zimerman (2000), não é mais possível ignorar a necessidade de darmos atenção
à velhice no âmbito institucional, político, econômico ou da saúde. A terceira idade têm
necessidades próprias, características e peculiaridades que devem ser atendidas.
A sociedade moderna tem buscado investir na terceira idade a partir de programas sociais
buscando a garantia de proteção contra os próprios medos diante da fragilidade da condição
humana, e também criando lares alternativos, afim de, acolher os indivíduos que por razões
específicas não tem condições de serem abrigados, ou mesmo, cuidados por seus familiares.
De acordo com Zimerman (2000. p. 22), com o passar dos anos, o desgaste é inevitável.
Sabemos que a velhice não é uma doença, mas, uma fase na qual o ser humano fica mais
suscetível a doenças. Muitos idosos possuem apoio nesta fase de decadência física, psíquica,
sendo considerados como alguém vivido, com muita experiência, e que por isso agora na terceira
idade é merecedor de atenção, carinho, “tempo” de viver a vida. Porém existem muitos outros
que quando chegam a esta fase, são vistos como um problema, como inútil, como uma pessoa
doente, chata, triste, deprimida.
Os estudos de Moraes (2012, p. 14) levantam:
Daí a importância do conhecimento da funcionalidade prévia, única forma de comparar o
indivíduo com ele mesmo e reconhecer a presença de declínio funcional. A
funcionalidade global é o ponto de partida para a avaliação da saúde do idoso e deve ser
realizada de forma minuciosa, utilizando-se todos os informantes, familiares ou não,
desde que convivam com o paciente e sejam capazes de detalhar o seu desempenho em
todas as atividades de vida diária. A presença de declínio funcional não pode ser
atribuída ao envelhecimento normal e sim às incapacidades mais frequentes no idoso.
Desta forma o processo de envelhecimento demanda uma necessidade de apoio, de
contribuição cada vez maior, de pessoas conscientes sobre a necessidade do que um idoso espera
e necessita, se caracteriza pelas mudanças corporais, fisiológicas, mentais e ambientais que os
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idosos enfrentam. Mudanças que são vividas de diversas formas e intensidade e que são capazes
de interferir no contexto social, familiar.
Muitas mudanças ocorrem no processo de envelhecimento, modificando características
físicas do idoso, a sua aparência física ao decorrer do tempo sofre alterações como: os cabelos
embranquecem e se tornam rarefeitos, por desidratação e em consequência da perda de
elasticidade do tecido dérmico subjacente, a pele se enruga, os dentes caem, os discos da coluna
vertebral empilham-se e os corpos vertebrais vergam entre outros. (BEAUVOIR, 1990, p.34).
O sistema cognitivo também sofre alterações, pois nesta etapa da vida, ocorre déficit
relacionado a perda de memória, audição e visão, percepção, e o corpo tornar-se cada vez mais
frágil e devagar. Porém, a maior preocupação dos idosos é o medo de se tornarem dependentes de
outras pessoas devido ao declínio mental, o isolamento e a solidão. (STRAUB, 2005, p. 548).
Para Erikson, a realização suprema da terceira idade é o senso de integridade do ego ou
integridade do self, realização baseada na reflexão sobre a própria vida. ( PAPALIA, OLDS,
FELDMAN, 2006, p. 707).
Na oitava e última crise do ciclo de vida, integridade do ego versus desespero, adultos
mais velhos (idosos) precisam avaliar, resumir e aceitar sua vida para poderem aceitar a
aproximação da morte.
Sabedoria, diz Erikson, significa aceitar a vida que se viveu, sem maiores
arrependimentos: sem alongar-se no que “deveria ter feito” ou em “como poderia ter sido”. Os
idosos que não alcançam a aceitação sucumbem ao desespero, percebendo que o tempo é curto
demais para buscar outros caminhos para a integridade do ego.
Embora a integridade deva ser mais importante do que o desespero para que essa crise
seja resolvida com êxito, Erikson afirma que algum desespero é inevitável. As pessoas
precisam lamentar-se não apenas por seus próprios infortúnios e por chances perdidas,
mas pela vulnerabilidade e pela transitoriedade da condição humana. (PAPALIA, OLDS,
FELDMAN, 2006, p.707).
Diante deste contexto da velhice em meio às necessidades de cuidado tanto físico,
mental, em meio a tantas aprovações que afligem os idosos como dificuldade de convivência em
família, abandono, maus tratos, perdas de pessoas amadas e devido a uma gama de doenças como
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Hipertensão, Diabetes, Deficiência física e psíquica, Distúrbios, Alzheimer, Depressão, Doença
de Parkinson, a condição financeira da família, a desestruturação da família, a vida corrida entre
outras, as instituições se tornam fundamentais para os idosos nesta fase de sua vida.
Instituições que se tornam a nova família dos idosos, o afastamento dos seus familiares,
tornou-se comum, e onde os vizinhos de quarto que por um instante eram estranhos, passam a ser
irmãos , para cobrir a falta de carinho e atenção negada pela própria família.
A institucionalização é uma das situações estressantes e desencadeadoras de depressão,
que levam o ancião a passar por transformações de todos os tipos. Esse isolamento social
o leva à perda de identidade, de liberdade, de autoestima, ao estado de solidão e muitas
vezes de recusa da própria vida, o que justifica alta prevalência de doenças mentais nos
asilos. (FREITAS ; SCHEICHER, 2010, p.396).
A instituição tem o papel de oferecer e cuidar da melhoria das condições da qualidade de
vida e bem estar do idoso, oferecendo tratamento e cuidado necessário e eficaz nesta etapa da
vida. Além dos cuidados do físico, cuidados do psiquê humano, valorizando a vida e sua
existência no mundo.
A população vai envelhecendo e junto com ela vai aumentando a procura por instituição
para idosos e o Brasil não está preparado para atender essa demanda, pois grande parte de idosos
institucionalizados são por causa da miséria e abandono, e em segundo lugar, por problemas
mentais e físicos.
O que acontece é que grande parte das instituições de longa permanência possui um perfil
assistencialista, no qual prestar cuidados aos idosos resume-se a oferecer abrigo e alimentação.
O idoso quando institucionalizado, pode se comprometer de diferentes maneiras a sua
qualidade de vida, devendo ser feita uma investigação da percepção individual do idoso acerca de
seu bem-estar, no intuito de avaliar a qualidade de vida e ajuda-lo para se ter um envelhecimento
bem sucedido.
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3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Foram convidados a participar da presente pesquisa os idosos da Instituição Associação
Assistencial de Carmo da Mata- MG, utilizaram-se como instrumento de pesquisa: entrevistas
estruturadas, observações participantes e não participantes com abordagens quantitativa e
qualitativa.
Cada participante recebeu, concordou e assinou o Termo de Consentimento Livre, que
informa o tipo de pesquisa, seus objetivos e destaca que a participação é voluntária, não prevendo
qualquer ressarcimento e sem prejuízo de qualquer natureza para os não participantes. No termo,
também se estabeleceu um compromisso com a privacidade de cada participante e a utilização
confidencial e sigilosa dos dados colhidos. Informando que os resultados seriam divulgados em
meios públicos, respeitando os critérios relatados acima e com honestidade científica.
Os resultados esperados e obtidos do presente artigo foi de relatar a vivência diária dos
idosos, o trabalho exercido pela instituição, os motivos e causa da internação dos idosos,
salientando quais os aspectos foram relevantes para sua internação como: condições financeiras,
abandono familiar ou outros.
A pesquisa teve duração de três meses, contando a partir do início das pesquisas
bibliográficas até o relatório final. Sendo dividida em etapas como: busca de referencial teórico,
coleta de dados, análise de dados e conclusão.
3.1 Objeto de estudo
Descrever o processo de envelhecimento, assim como, as potencialidades de benefício ao
nível de ‘Qualidade de vida’ e apoio ao indivíduo idoso da cidade de Carmo da Mata – MG,
sendo eles: os residentes da Instituição Associação Assistencial de Carmo da Mata, de modo, a
observar, analisar e identificar quais ações de saúde poderão contribuir para o seu bem-estar.
Como objetivos têm-se:
a) Observar e descrever o cotidiano dos idosos;
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b) Relatar a necessidade do constante cuidado do trabalho das instituições que acolhem os idosos
como ações preventivas, assistenciais e educativas;
c) Possibilitar a reflexão sobre a responsabilidade social de todos, diante dos idosos.
3.2 Tipo de pesquisa
O presente estudo foi realizado em uma Instituição denominada: Associação Assistencial
de Carmo da Mata – MG, perguntas feitas aos participantes sobre a importância da presença da
família em sua vida e sobre a sua convivência e bem-estar, vivendo na instituição. Os
instrumentos metodológicos se embasaram na abordagem quantitativa e qualitativa.
3.3 Amostragem
Muitos são os residentes da instituição, porém devido ao seu estado de saúde frágil
(decadência) e comprometimento mental, na intenção e no respeito ao seu estado físico, biológico
e psicológico muitos não participaram. Ressaltando que todos os residentes são aposentados e a
própria aposentadoria contribui para os custos de moradia dos mesmos na instituição.
O total de residentes na instituição são vinte e seis idosos (26), de ambos os sexos, o
número de entrevistas realizadas foram com seis residentes.
3.4 Análise e discussão dos dados
Ao decorrer da realização da entrevista, nota-se que todos os idosos são bem tratados,
respeitados, recebendo atenção dos funcionários que se preocupam sempre em manter o ambiente
limpo, organizado, eles recebem cuidados de higiene corporal, mantendo unhas, cabelos, barba
sempre limpos e cortados. A refeição segue um cardápio adequado à necessidade de cada um.
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Perguntas feitas e dados obtidos:
PERGUNTAS FEITAS
DADOS OBTIDOS
%
SEXO
MASC.
40,0%
FEM.
60,0%
50 - 60
33,33 %
61 – 70
16,66 %
71 – 80
33,33%
81 - 90
16,66%
SOLTEIRO (A)
33,33%
CASADO (A)
0%
VIÚVO (A)
16,66%
DIVORCIADO (A)
50,0%
OUTRO
0%
SIM
100%
NÃO
0%
IDADE
ESTADO CIVIL
INTERNAÇÃO VOLUNTÁRIA ?
HÁ
QUANTO
TEMPO
ESTÁ
NA 1 A 5 ANOS
66,66%
INSTITUIÇÃO
GOSTA DE MORAR NA INSTITUIÇÃO
FAMILIARES VIVOS
SENTIMENTO
RELACIONADO
6 A 10 ANOS
16,66%
MAIS DE 10 ANOS
16,66%
SIM
66,66%
NÃO
16,66%
SIM
83,33%
NÃO
16,66%
À SAUDADE
83,33%
FAMÍLIA
AMOR/CARINHO
16,66%
NENHUM
0%
SENTIMENTO
ALEGRIA
0%
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NÃO
TEM 16,66%
FAMILIARES
QUAL A OPINIÃO SOBRE O QUE A DAR
FAMÍLIA PODERIA FAZER POR VOCÊ
COM
QUE
FREQUÊNCIA
ATENÇÃO/CARINHO
ME BUSCAR
16,66%
NADA
16,66%
OUTRA
0%
SEUS NUNCA/
FAMILIARES O VISITAM
MAIS 50,0%
0%
RARAMENTE
ÀS VEZES
33,33%
SEMPRE
50,0%
NÃO
TEM 16,66%
FAMILIARES
O SR.(A) POSSUI ASSISTÊNCIA MÉDICA SIM
100%
QUANDO NECESSÁRIO
NÃO
0%
ÀS VEZES
0%
OS MEDICAMENTOS QUE O SR.(A) SIM
0%
NECESSITA SÃO GRATUITAMENTE
QUAIS AS DOENÇAS O SR.(A) POSSUI
NÃO
0%
ALGUNS
100%
HIPERTENSÃO
50,0%
DIABETES
16,66%
NENHUMA
0%
OUTRA
66,66%
OS FUNCIONÁRIOS TRATAM O SR.(A) SEMPRE
100%
COM O RESPEITO DEVIDO?
ÀS VEZES
0%
NUNCA
0%
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Alguns idosos sofrem de doenças não descritas no quadro acima, tendo sua referência
como outra (s), essas doenças são denominadas como colesterol, epilepsia, incontinência
urinária, transtorno mental.
A medicação básica como analgésicos e antitérmicos são oferecidos e distribuídos quando
necessários pela instituição, medicamentos próprios para diabetes, hipertensão, colesterol,
epilepsia, transtornos mentais e outros são adquiridos pelos próprios idosos, sendo os valores dos
mesmos retirados da sua própria aposentadoria.
Os idosos vivem em casas, construindo uma vizinhança estilo vila, porém cada um tem
sua privacidade e seu quarto. Os quartos são equipados conforme a necessidade, respeitando
sempre a subjetividade de cada um. A instituição busca sempre a melhoria do tratamento dos
mesmos, inclusive irá iniciar obras aumentando o espaço para novos idosos e melhor conforto.
Todos relataram que são bem tratados pelos funcionários. No decorrer das entrevistas,
percebe-se que a falta da família faz com que os idosos sintam-se tristes e até deprimidos. A
maioria gosta de morar na instituição, mas sente muita saudade da família, que sempre deixa de
comparecer para visitá-los.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Desde o nascimento começa o processo de envelhecimento progressivamente, jamais as
pessoas mantém a ideia da velhice porque, a ela se chega naturalmente. Não são os anos que
envelhecem, mas sim a ideia de ficar velhos. Há pessoas que são jovens aos oitenta anos e outras
que são velhas aos quarenta.
A juventude ou velhice não faz parte de um período de nossa vida, e sim, de um estado
de espírito. Não é por ter vivido um certo número de anos que se envelhece e sim, quando perde o
ideal, a alegria de viver e de amar, a decisão de não ser um velho infeliz ajuda, e muito, a ter uma
velhice saudável.
O processo de envelhecimento e as mudanças requerem das políticas públicas e dos
profissionais que atuam junto a esta população atitudes voltadas à prevenção e a promoção da
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saúde. É certo que a reabilitação é imprescindível para atender à demanda dos idosos, ao passo
que visa à otimização da capacidade funcional e resulta na melhoria da qualidade de vida desses
indivíduos.
A realidade da vida hoje, já não é a mesma de tempos atrás, mudanças vão acontecendo o
tempo todo, valores são modificados, assim, o idoso no mundo de hoje tem duas características, a
de um ser humano incapaz e que necessita muito da família para seus cuidados ou a visão do
capitalismo, trabalhando em cima do bem estar do idoso através de melhores vantagens para
financiamentos e pacote de viagens.
Aos que possuem boas condições financeiras, poderíamos dizer que seria a melhor idade,
porém os que não possuem condições financeiras favoráveis, a realidade passa a ser outra. Por
isso a necessidade da conscientização da valorização da velhice, respeitando sempre o idoso e
buscando melhorias para seu bem estar.
A família encontra-se indisponível para atender a demanda do idoso dependente,
considerando que o envelhecimento é um fenômeno natural, portanto que necessita de cuidados
da família e da sociedade, pois na maioria das vezes restringe-se ao encaminhamento às
Instituições de Longa Permanência e, nesse processo, o idoso pode encontrar um total desamparo
familiar.
Por um lado, as instituições tem a função de proteger e cuidar, por outro, o idoso fica
diante de novas adaptações, tendo que mudar toda a sua rotina, onde tem que passar por
momentos de transitoriedade e isso deixa com que eles fiquem mais fragilizados.
Dos problemas enfrentados pelos idosos, o mais frequente é a falta de engajamento em
atividades da vida, tais como: deslocar-se fisicamente, alimentar-se, vestir-se e cuidar de sua
higiene pessoal e ambiental. Onde permanecem muitas vezes
isolados, não recebendo os
cuidados necessários.
A valorização do idoso, na velhice traz consigo o retorno da vida, ou seja, a sensação de
utilidade e atenção dada ao mesmo, sendo capaz de reanimar e despertar no idoso a vontade de
viver e continuar caminhando, buscando novos sonhos, novas atividades de lazer, pode ser um
trabalho ou um hobby, sempre procurar um tipo de objetivo ou meta, enfim, algo que dê sentido e
desperte interesse. A primeira idéia é não “desligar-se” do mundo e da vida, não a dando por
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encerrada, é preciso continuar aprendendo, acreditando, amando e portanto, vivendo. Manter
acesa a busca e o desejo do prazer que a vida proporciona, para não perder o prazer de viver.
A velhice nunca pode por medo, entristecer o homem, ao invés do medo, deve-se usufruir
das vantagens que ela traz: a tranquiidade da missão cumprida, o alívio das responsabilidades de
criar e educar, prazerosa sensação de ter testemunhado a vida acontecer e a sabedoria adquirida
com os anos vividos.
Espera-se das políticas públicas um olhar diferenciado para essas instituições, que se
mantem apenas das aposentadorias dos idosos, necessitando de um trabalho focado na prevenção
da saúde, tanto física quanto psicológica, para que os idosos tenham qualidade de vida digna de
um ser humano.
5 REFERÊNCIAS
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condições de vida dos idosos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990.
FREITAS, Mariana Ayres Vilhena de; SCHEICHER, Marcos Eduardo. Qualidade de vida de
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