Adaptação e validação da Escala informatizada de Enfrentamento

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Adaptação e validação da Escala informatizada de Enfrentamento
Adaptação e validação da Escala informatizada de
Enfrentamento da Ansiedade e Insegurança PréExame: evidências de validade e precisão
Paulo Gregório Nascimento da Silva, Emerson Diógenes de Medeiros, Paloma Cavalcante Bezerra de Medeiros.
Laboratório de Avaliação Psicológica do Delta LABAP-D. Universidade Federal do Piauí- UFPI. Campus de Parnaíba.
Resumo – O presente estudo teve como objetivo Adaptar e
validar da versão Informatizada da Escala de Enfrentamento da
Ansiedade e Insegurança Pré-Exame (CopingWithPreExamAnxietyandUncertainty-COPEAU).
Participaram
do
estudo 243 estudantes de Instituições de ensino superior (IES)
do estado do Piauí, que tinham em média 22,5 anos (dp= 2,84;
amplitude 16 a 35 anos), sendo a maioria do sexo feminino
(60,5%). A análise fatorial exploratória demonstrou a
adequação dos três componentes teorizados, que explicaram
conjuntamente 52,44% da variância total.Os índices de validade
e consistência interna (Alfa de Cronbachα)obtidos foram
considerados satisfatórios, apontando para a adequabilidade
psicométrica da versão brasileira do instrumento:orientação e
preparação
de
tarefas
(α=0,84),
busca
de
apoio
social(α=0,84),evitação(α=0,80). Os resultados demonstraram
indícios de validade fatorial e precisão doinstrumento para
amostra brasileira de estudantes universitários.
Palavras-Chave Adaptação, ansiedade, precisão.
I. INTRODUÇÃO
A ansiedade ocorrida antes de exames tem sido estudada
por vários pesquisadores, que se propõe a entender os fatores
associados a esse tipo de sintoma. A maioria dos estudantes
percebe o momento do exame como algo ameaçador, e
acabam experimentando um estado de ansiedade frente ao
mesmo [20]. Isso pode repercutir negativamente não só no
seu rendimento, mas também, pode levar a um desequilíbrio
do sujeito envolvido[13].A situação de exame se constitui
como um campo de investigação que tem se focado em um
contexto especifico, e tem distinguido as diferentes respostas
ocorridas em função da etapa de enfrentamento [20].
A ansiedade em exames (AE) é definida como uma
predisposição que o individuo tem ao experimentar elevada
preocupação e ativação fisiológica frente a situações de
avaliação [20].Problemas relacionados a esse tipo específico
de ansiedade são mais comuns entre a população
universitária, além de virem acompanhados de outros
problemas, como técnicas de estudo inadequadas e problemas
emocionais [1].As primeiras concepçõessobre aansiedade
consideravam
esse
construto
de
maneira
unidimensional[30].Porém,na última década, a conceituação
dotestede ansidade teveavanços importantes,com o
desenvolvimentodenovas
medidasque
refletiam
o
carátermultidimensional dostestes.Paralelamente, ampliou-se
a investigaçãosobre como lidarcom a ansiedade antes dos
exames, incluindo as fases que aconteciam antese após os
mesmos, tais como a fase de aprendizagem, a fase de
preparação,ea fase pós-resultado[23].
A ansiedadeocorrida ante dos examestambém pode ser
definida como uma predisposição paraexperimentargrande
acarretar
em
preocupação,
podendo
alteraçõesfisiológicasdiantedassituações de exame [25].
Seusprincipais aspectossão a antecipaçãodo fracasso,os seus
efeitosnegativos para a autoestima, valor social negativooua
perdade qualquerbenefício esperado [22].Além disso,
geralmente,aAEelevadaestá associada déficit de execução e
baixo rendimento acadêmico [10]. Nesse sentido, professores
e pesquisadorestêm se interessado, cada vez maisem saber
comoos alunos lidamcom a sua experiênciade ansiedade[9][28].Esta situaçãotem gerado várias pesquisas, também, em
razão de contemplaros principaisestressoresambientais
relacionados aoenfrentamento,comopreparação para prevenir
a ameaçaou evento,o confronto como estressor, a incerteza
sobre os resultados ecomo lidar com as consequências[4].
Lidar comsituaçõesavaliativasé um processocomplexo no
qual
estão
envolvidas
estratégias
cognitivase
comportamentais, com a finalidade de administrardemandas
específicasexternas
e/ou
internassãoavaliadas
como
relativamente elevadas em relação aos recursosdo
indivíduo[5].Caracteriza-se por um conjunto de respostas
executadas para reduzir as condições aversivas de uma
situação estressante, isto é, um intuito do indivíduo para
manejar os estressores. Oenfrentamentovaria emfunção dos
resultados
individuais
diante
decadasituaçãoestressante.Referência[2]apontaque se trata de
um processo que se modifica, e isso depende se o sujeito tem
experimentado êxito nos resultados ou não.Na verdade, nãoé
uma resposta automáticaou fisiológicae simaprendida pela
experiência, na qual seexige esforço paralidar com a
situaçãoe restaurara homeostase, até atingir a adaptação.
Para a conceituação de enfrentamento, é importante levar
em consideração três pontos chaves: (a) não necessita ser
uma conduta levada à cabo completamente, podendoser
considerada como enfrentamento a intenção ou esforço
realizado; (b) este esforço não necessita ser expresso em
condutas visíveis, podendo consistir em cognições; e (c) a
valorização cognitiva da situação como desafiante é um prérequisito para iniciar os intentos de enfrentamento [27].
Segundo
Referência[2]
é
composta
por
trêstópicossequenciais:(1) avaliaçãoprimária, onde sepercebe
e
avaliaasituaçãocomo
uma
ameaça,desafiadora
oubenéficaparao indivíduo,(2)avaliação secundária, que
envolve a análise deumavariedade de respostaspossíveisparaa
situaçãoavaliada
comoestressante
oudesafiante,e
(3)respostasespecíficas,
oufasede
implementação
deestratégias
de
enfrentamento.Por
fim,oprocessoé
retroalimentado por resultadosobtidos, reforçandorespostas
que foram adaptáveisa uma determinada situação e
reavaliando aquelasque não foram.
A ansiedade antes do exame é tida como um componente
emocional, e encontra os mais altos níveis nos primeiros
momentos do exame [11]. Podendo ser consideradatabém
como uma característicaespecíficae situacional,isto é, uma
tendência pessoal, relativamente estável a respondercom
ansiedadeelevada diante deavaliações [29].
Tem sido demonstradoque as estratégiasde enfrentamento
podem ajudar os alunos a lidarcom a sua experiênciade
estresse e ansiedadeem situaçõesde avaliação, e pode
remover ou alteraras condições que causamo estresse,
promovendoresultados
adaptativos
e
um
funcionamentopositivo,dependendo
da
estrategiaescolhida[33].
Quando a preocupação em relação ao exame se
incrementa, aumenta também o uso das estratégias de
enfrentamento, os estudantes tendem a aproveitar melhor o
tempo, esforçam-se mais, pois a preocupação faz o individuo
mobilize recursos que melhoram a preparação [10]. Alguns
estudos tem observado que existe uma relação entre a
preparação e o uso de estratégias de enfrentamento orientadas
ao problema [11]. Porém, pode-se dizer que a falta de
confiança causa uma reação oposta, pois o aumente dele está
associada à diminuição do uso de estratégias, ocorrem do
assim uma conduta de evitação, sendo que esse tipo de
conduta frequentemente está relacionada a índices elevados
de ansiedade antes dos exames. [24].
É preciso deixar claro que as respostas ao enfrentamento
podem não apenas variar em razão dos contextos, mas
também de acordo com as condições externas e em função
das habilidades com que são aplicadas. Desse modo, as
estratégias de enfrentamento,que são efetivas em situações
especificas, como as de exames, podem nãoapresentarem os
mesmos efeitos emoutros contextos, como em conflitos
familiares, desordem emocional, ou graveestresse
traumático[33].
De acordo comreferência[15] existem dois componentes
principais nostestesde ansiedade: o primeiro dizrespeito a um
componente cognitivodenominado'' preocupação'', que se
referea
preocupaçõessobre
ser
avaliados
esobreas
consequências do fracasso; e um segundo referi-se ao
componente afetivo, marcado pela “emotividade” e queestá
relacionadoà percepção dereações autonômicasevocadas pela
situaçãode teste.Esses auotres, além dedemonstraremque os
dois componentespodemser diferenciadospsicometricamente,
referência [16] encontraram que esses componentes
apresentam relaçõesdiferenciadas como desempenho.Assim,
a preocupação foi relacionada aobaixo desempenho, mas não
foi encontrado indicios de relação com aemotividade.
Outrosautores reconhecem que o componente cognitivo é
mais heterogêneo, sendo composto de múltiplas dimensões
[13]-[26]que podem associar-se de maneira diferente com
outras variáveis. Nessa, perspectiva, deve-se considerar na
realização de estudos, se a ansiedade diante de testes está
sendo avaliada como um constructo unidimensional,
bidimensional ou multidimensional, para que se conheça
ainda mais esse construto.
O estudo do enfrentamento divide-se, ainda, entre
estratégias e estilos de enfrentamento. As estratégias
representam ações, esforços cognitivos ou condutas postas
em prática diante de um episódio estressante e que podem se
alterar através do tempo e em função da natureza do estressor
[6]-[7]-[32]. O termo estilo diz respeito ao emprego em
determinada situação de um grupo de estratégias, aprendidas
em função das experiências passadas.
Quanto
às
tipologias
de
estratégias,Referência[14]distinguiuque existem estratégias
de enfrentamento centradas no problema (quando se tenta
modificar a fonte do problema mediante a busca de uma
solução ativa) e estratégias de enfrentamento centradas em
reduzir a emoção. Ao passo que Referência[8] distingue três
estilos básicos: 1) centrado no problema, que abarca:
concentrar-se em resolver o problema, esforçar-se e ter êxito,
diversões relaxantes e distração física; 2) em relação aos
demais, engloba: apoio social, fazer amigos íntimos, ação
social, apoio espiritual e buscar apoio profissional; 3) estilo
improdutivo, que abarca: preocupar-se, não enfrentar o
problema, redução de tensão, ignorar o problema,e reserva-lo
para si.
O enfrentamento depende das capacidades, internas ou
externas, com as quais a pessoa pode contar para lidar com as
demandas do acontecimento potencialmente estressante [17].
Esses atributos são os Recursos de Enfrentamento, que são
diferenciados em: A) Físicos e biológicos: que são todos os
elementos do ambiente e os recursos orgânicos do sujeito.
Por exemplo, a nutrição adequada, clima, a estrutura de sua
casa, entre outros; B) Psicológicos oupsicossociais:
compreendem a capacidade intelectual do indivíduo, o nível
de dependência ou autonomia, as crenças, valores e
habilidades na resolução de problemas; C) Recursos sociais:
incluem habilidades sociais, apoio social, ou seja, a rede de
relações que o sujeito estabelece e que funcionamcomo
alternativas para enfrentar as consequências. Estes recursos
são importantes no processo de enfrentamento por
influenciarem na escolha das estratégias empregadas. Por
exemplo, um recurso social como a confiança interpessoal
dos estudantes com seus professores, prediz de maneira
significativa o uso do apoio social dos estudantes durante os
exames orais[3].
A ansiedade que ocorre antes dos exames consiste em
uma serie de reações emocionais, podendo muitas vezes
interferir seriamente na vida do individuo [22]. Esse tipo de
ansiedade não acontece de maneira uniforme em todos os
estudantes, isso vai depender de algumas variáveis. Porém, é
possível destacar alguns, tais como, traço de ansiedade do
sujeito, importância da prova, fatores associados ao ambiente
que será aplicada a avaliação ou medo do fracasso[12].
Um estudo realizado por Referência [24] indica que
existem diferenças em função do gênero, revelando que as
mulheres em geral são mais ansiosas que os homens. Esse
mesmo estudo sugeriu que a ansiedade antes dos exames
diminua à medida que se aumenta o nível de instrução dos
pais.
Referência[5]diz que os exames se apresentam como
qualquer outra situação estressante da vida, podendo
apresentar quatro fases: antecipação, confronto, espera e de
resultados. A fase de antecipação diz respeito ao período da
eminência de uma situação de avaliação, ou seja, quando um
exame se aproxima, sujeito começa a se preocupar com as
demandas, as possibilidades e as restrições que estão
relacionadas com a avaliação, dessa forma, começa a pensar
como deve se preparar e regular os sentimentos e emoções
adversas que estão vinculados ao exame. A fase de
confrontação se elabora quando ocorre o enfrentamento como
agente estressor. A fase de espera diz respeito ao período que
ocorre após os exames, quando ainda não foram divulgados
os resultados. A fase que se constitui como sendoas do
resultado compreende o momento que o sujeito conhece o
resultado obtido no exame, nessa fase as incertezas do
estudante acabam-se e as preocupações do estudante se
orientam frente à situação e importância do resultado[8].
Muitas pesquisas têm sido realizadas na tentativa de
investigar a ansiedade em universitários [30]-[31]-[21]. Nesse
sentido, Referência. [31] realizou um estudo com duzentos
estudantes de uma universidade privada da Colômbia. Os
resultados obtidos mostraram que os participantes
apresentaram ansiedade antes dos exames associada
significativamente com o rendimento académico, além de
manifestações fisiológicas e motoras.
Pode-se citar também um estudo realizado porReferência
[30]que elaborou um instrumento de medida na tentativa de
mensurar o enfrentamento da ansiedade antes de um exame.
Seus resultados mostram que existem diferenças
significativas de enfrentamento da ansiedade antes dos
exames entre homens e mulheres.
Devido a grande influência que esse tipo especifico
de ansiedade pode causar nos estudantes, vê-se necessário
realizar estudos que possam identificar quais os sintomas e as
variáveis que estão envolvidas antes, durante e após os
exames, principalmente quando referisse a estudantes
universitários, onde tem se observado sua ocorrência com
maior frequência, bem como a influência desse construto no
rendimento acadêmico.
Delineamento
Trata-se de uma pesquisa não experimental
(correlacional),ex post fator, com ênfase psicométrica, tendo
como objetivo adaptar a escala de enfrentamento e
insegurança Pré-Exame, além de reunir evidências sobre a
validade fatorial e a consistência interna da medida.
MÉTODO
Participantes
O estudo contou-se com uma amostra por conveniência
(não probabilística) de 243 estudantes de Instituições de
ensino superior (IES) do estado do Piauí. Os participantes
tinham em média 22,5 anos de idade (dp = 2,84; amplitude
16 a 35 anos), sendo a maioria do sexo feminino (60,5%).
Eles foram recrutados em três grandes áreas: Ciências
humanas (Direito, Psicologia, História, Inglês, Português,
Serviço social, Pedagogia, turismo - 59,7%); Ciências
Biológicas e da saúde (Biologia, Fisioterapia, Biomedicina,
Medicina, Enfermagem, Odontologia, Nutrição - 21,1%);
Exatas e Naturais (Sistema de informação, Física, Química,
Matemática, Computação, Administração, Contábeis,
Engenharia Elétrica, Economia, Agronomia - 19,7%)
Instrumentos
Escala de Enfrentamento da Ansiedade e Insegurança PréExame: a CopingWithPre-ExamAnxietyandUncertainty
(COPEAU), elaborada por (Stöber, 2004), esse instrumento é
composto por 21 itens, respondidos em uma escala de seis
pontos do tipo liket variando de 1 (totalmente falso) a 6
(totalmente verdadeiro). Os itens são distribuídos em três
dimensões compostas de 7 itens cada: (1) Orientação de
tarefas e preparação; (2) Busca de apoio social; (3) Evitação
Além do instrumento foram incluídas questões de natureza
demográfica (Idade, Sexo, Universidade, Curso) para a
caracterização da amostra. Na escala original os participantes
devem responder os itens utilizando uma escala do tipo Liket
de seis pontos com extremidades que variam de:
“definitivamente não é certo” (definitelynottrue) a
definitivamente é certo (definitelytrue). O estudo original
obteve índices de consistência interna satisfatórios que
variaram entre 0,75 a 0,87 [ 29].
Procedimentos
O instrumento utilizado para a coleta de dados foi
acessado via internet, similar ao questionário impresso,
adaptado para versão eletrônica por meio de um sistema
informatizado, denominado Google Docs. Esse sistema
permite a utilização da internet para a elaboração e aplicação
de instrumentos de pesquisa, sendo apenas necessário
disponibilizar aos participantes o link de acesso à pesquisa.
Os participantes eram recrutados através das redes sociais
(Facebook, Orkut ou Twiter). Por meio destas, os
pesquisadores visualizavam e selecionavam universitários e
enviavam convites individuais, através de mensagens,
solicitando a participação na pesquisa. Ao acessar o link do
questionário o participante poderia optar por desistir da
pesquisa, causando assim, sua conclusão parcial, ou poderia
continuar, passando assim, para a página seguinte. A
pesquisa foi dividida em três partes.
A primeira página da pesquisa informava ao participante a
universidade à qual os pesquisadores estavam vinculados,
nome dos pesquisadores responsáveis, uma explicação sobre
o tema da pesquisa e esclarecimentos sobre a participação
voluntária na pesquisa. Na segunda parte foi apresentado um
questionário sócio demográficoA parte seguinte correspondeu
a COPEAU, composta por vinte e um itens.
Análise dos dados
Os dados foram analisados através do pacote estatístico
PASW versão 20. Por meio deste realizaram-se as Estatísticas
Descritivas (medidas de tendência central e dispersão). Foi
empregado para verificar o poder discriminativo dos itens
Testes t de Student. Além do índice KMO e do Teste de
esfericidade deBartlett, realizada com o propósito de decidir
a cerca da adequabilidade de se empregar uma analise
fatorial. Posteriormente, realizou-se uma análise dos
Componentes Principais (CP) com o objetivo de verificar a
estrutura fatorial da medida, em seguida, foram calculados os
índices de consistência interna (precisão, Alfa de Cronbach).
RESULTADOS
Os resultados serão apresentados
organizados seguindo a ordem que as
empregadas. Primeiroo subtópico que
discriminativo dos itens, seguido da
exploratória e análise paralela.
.
Poder discriminativo dos itens
em subseções,
análises foram
trata do poder
análise fatorial
Para que fosse realizado o poder discriminativo dos itens,
utilizou-se do critério da mediana. Portanto, foram criados
grupos-critérios internos (superior e inferior), levando em
consideração as pontuações totais (somatório da pontuação de
todos os itens da escala). Por meio da utilização do Test t,
foram comparadas as médias de cada item, com o objetivo de
observar se os itens conseguem distinguir pessoas com
magnitudes próximas.
Tabela 1. PODER DISCRIMINATIVO DOS ITENS DA ESCALA DE
ENFRENTAMENTO DA ANSIEDADE E INCERTEZA ANTES DE UM
EXAME (COPEAU)
Itens
Grupos-Critério
Como pode ser observado na fig. (1) acima, do conjunto
de 21 itens foram eliminados três itens (01, 04, 18) por não
apresentarem um poder discriminativo satisfatório, ou seja, (p
< 0,05), sendo considerados para as análises posteriores
apenas os 18 itens que conseguiram diferenciar os
participantes dos dois grupos critérios (inferior e superior).
Garantindo assim, a qualidade métrica da medida. Após essa
etapa iniciou-se a verificação da estrutura fatorial do
instrumento utilizando-se da análise fatorial exploratória.
Análisefatorialexploratória
A análise foi realizada com a finalidade de conhecer a
estrutura fatorial da matriz de correlações entre os 18 itens da
medida. Dessa forma, procurou-se comprovar o índice de
KMO e o Teste de Esfericidade de Bartlett. Os resultados
obtidos apoiam a adequação da análise dos componentes
principais (CP). Foram observados os seguintes valores:
KMO = 0,82 e Teste de Esfericidade de Bartlett = 1.649,87; p
< 0,001. Inicialmente, procedeu-se com essa análise sem fixa
o número de componentes a extrair ou o tipo de rotação.
Dessa forma, foi possível identificar cinco fatores com
valores próprios (eigenvalue) superior a 1 (Critério de
Kaiser), a variância explicada dos componentes apresentaram
os valores (5,41; 2,15; 1,87; 1,17; 1,06), explicando 64,9%
da variância total. A representação gráfica dos valores
próprios (Critério de Cattell) observou que era mais adequada
a retenção de três fatores.
Constante
Inferior
Superior
01
M
2,72
DP
1,47
M
2,93
DP
1,49
T
-1,117
P
0,265
02
3,73
1,33
4,84
1,17
-6,932
0,001*
03
2,94
1,55
4,63
1,19
-9,510
0,001*
04
3,69
1,47
3,62
1,51
0,359
0,720
05
2,89
1,46
4,33
1,29
-8,144
0,001*
06
3,66
1,30
4,79
1,02
-7,480
0,001*
07
3,02
1,40
4,78
0,88
-11,666
0,001*
08
2,72
1,36
3,07
1,43
-1,968
0,050*
09
4,44
1,18
5,05
0,86
-4,580
0,001*
10
3,30
1,47
4,81
1,16
-8,910
0,001*
11
3,53
1,35
4,57
1,11
-6,549
0,001*
12
2,75
1,26
3,45
1,47
-3,988
0,001*
13
2,89
1,18
4,42
1,16
-10,161
0,001*
14
2,75
1,26
3,45
1,47
-10,753
0,001*
15
4,02
1,38
4,98
0,93
-6,350
0,001*
16
3,20
1,36
3,65
1,46
-2,512
0,013*
17
3,52
1,30
4,51
1,05
-6,520
0,001*
18
3,30
3,52
3,50
1,47
-1,087
0,278
19
3,93
1,36
5,02
0,90
-7,315
0,001*
20
4,04
1,22
4,62
0,94
-4,132
0,001*
21
3,38
1,20
4,64
0,92
-9,171
0,001*
Nota:*Item significativo
Fig. 1.Critério de Cattell
É possível observar com base nesta fig. 1 que três fatores
se discrepam dos restantes, ficando evidenciado pela forma
de cotovelo que se configura a partir do terceiro fator. Dessa
maneira, ao ser traçada uma linha (pontilhada), pode-se
observar que os demais valores próprios quase não se diferem
uns dos outros, confirmando assim, a estrutura com três
componentes do instrumento. Devido a diferenças
encontradas acerca do número de fatores a serem extraídos,
optou-se por utilizar um terceirocritério, a análise paralela,
por ser considerada mais robusta que os outros.
Análise Paralela dos itens
Essa análise foi realizada com o objetivo de comparar os
valores próprios encontrados no banco de dados empírico
com os valores próprios gerados aleatoriamente através de
1.000 bancos que apresentam as mesmas características do
banco empírico. Quando o valor próprio observado obtiver
um valor maior que o simulado, apoia-se a existência do
componente. Os resultados da análise podem ser observados
na tabela 2.
TABELA 2. ANÁLISE PARALELA DA ESCALA DE
INFRENTAMENTO DA ANSIEDADE E INSEGURANÇA PRÉ EXAME
(COPEAU)
(Cattel e análise paralela), posteriormente foi realizada uma
nova análise exploratória.
Utilizando-se da análise dos Componentes Principais,
decidiu-se realizar a análise fixando a extração de três fatores
adotando a rotação varimax.O conjunto dos três fatores
permitiu explicar 52,44%. da variância total. Com o objetivo
de definir quais itens fariam parte de cada fator, decidiu-se
adotar como critério de saturação, valores iguais ou
superiores a |0,40| em um único fator.
Fator I. Este fator ficou composto por sete itens,
denominado (Orientação e preparação de tarefas)
apresentando um valor próprio de 3,75, explicando 20,83%
da variância total. Os itens apresentaram cargas fatoriais que
variaram entre 0,51 (Penso em qual seria a melhor forma de
me preparar para o exame) e 0,79 (Concentro-me em como
vou enfrentar o exame, e se necessário deixo outras coisas de
lado). Obtendo um índice de consistência interna (α) de 0,84.
Fator II. Este fator composto por sete itens, recebendo o
nome (busca de apoio social), apresentou valor próprio de
3,63 e sua variância explicada foi de 20,16%. As cargas
fatoriais variaram entre 0,53 (Falo com os outros para saber
mais acerca do exame) e 0,78 (Falo com alguém sobre como
me sinto). O índice de consistência interna obtido nesse
componente foi de 0,84.
Fator III. Este fator deteve quatro itens, sendo nomeado
(evitação), o valor próprio obtido foi de 2,06, que explicaram
11,45% da variância. Os níveis de saturação (cargas fatoriais)
variaram entre 0,52 (Convenço-me de que nem tudo está mal)
e 0,80(Convenço-me a não me preocupar com o exame). A
consistência interna obtida nesse componente foi de 0,84. Os
três fatores explicaram conjuntamente 52,44% da variância
total do instrumento.
Análise Fatorial (AFE)
Grandeza
5,41
≥
1,61
2,15
≥
1,48
1,87
≥
1,38
1,18
≤*
1,31
1,06
≤*
1,25
0,84
≤*
1,19
0,71
≤*
1,14
0,66
≤*
1,09
II. OBSERVAÇÕES FINAIS
0,58
≤*
1,04
0,56
≤*
0,99
0,50
≤*
0,95
0,49
≤*
0,91
0,45
≤*
0,86
0,37
≤*
0,82
0,36
≤*
0,77
0,31
≤*
0,73
0,24
≤*
0,69
0,22
≤*
0,63
Oestudo teve como objetivo principal adaptar a versão
informatizada da Escala de Enfrentamento da Ansiedade e
Insegurança Pré-Exame (COPEAU) para o contexto
Piauiense, conhecendo evidências de sua validade fatorial e
consistência interna. Foram adotados osprocedimentos
estipulados por Referência[18]para validação de testes
psicométricos.
Acredita-se que os objetivos do estudo tenham sido
alcançados. Pois, as análises realizadas permitiramobservar
uma estrutura composta por três fatores. A porcentagem de
variância explicada por esses três componentes foi superior a
50% do valor máximo. Entretanto, deve-se salientar que esse
estudo, assim como todo empreendimento cientifico, não
estar isento de algumas limitaçõespotenciais. Nesse sentido,
pode-se citar a amostra, que não foi probabilística, mas por
conveniência, contando apenas com a participação dos
sujeitos que concordaram em participar da pesquisa, dessa
forma, não foi possível ter uma representatividade da
população de universitários Piauienses, mesmo com o esforço
de tentar incluir participantes de várias cidades do Piauí, não
resolve essa limitação. Contudo, é preciso esclarecer que não
se pretendeu generalizar os resultados da pesquisa, mas
conhecer os parâmetros de uma medida sobre ansiedade antes
de um exame, contando com evidencias de adequação
Análise Paralela (AP)
Nota: Os valores próprios da Análise Fatorial, a partir da 4ª linha sempre são
superiores aos valores próprios simulados na Análise Paralela.
Os resultados apresentados na tabelaacima demonstram
que parece adequado considerar uma solução composta por
três fatores, pois os três primeiros valores próprios
encontrados na AFE foram superiores aos da AP. Dessa
forma, os três fatores foram apoiados por dois critérios
psicométrica da COPEAU, avaliando a possibilidade de se
encontrar uma estrutura tridimensional.
Em resumo, reuniram-se provas suficientes da adequação
psicométrica da Escala de Enfrentamento da Ansiedade PréExame. Entende-se, portanto, que este é um instrumento
breve, de fácil compreensão e com itens curtos, além de
garantir o critério da parcimônia da escala, que diz respeito a
explicar o fator com um númeroreduzido de itens [18]. Dessa
forma, fica evidente que os resultados descritos anteriormente
atestam a validade do construto, bem como sua fidedignidade
da medida, pois todos os fatores alcançaram alfa de Cronbach
satisfatórios, apresentando uma consistência interna superior
ao ponto de corte de 0,70, como é recomendado na literatura
[18].
Considerando a possibilidade de pesquisas futuras, é
importante que estudos como esse sejam replicados em
outros contextos. Seriainteressante que se considerassem
amostras maiores e mais heterogêneas, incluindo pessoas de
diferentes níveis de escolaridade e classes sociais. Sugere-se,
também, que sejam empregados procedimentos mais
sofisticados, como a modelagem por equações estruturais,
com o propósito de confirmar a estrutura com três
componentes da COPEAU, que também já foi encontrada em
outros estudos exploratórios [29]-[11]. Portanto, demanda-se
que sejam realizadas outras pesquisas, utilizando o
instrumento citado, na tentativa de aprofundar o
conhecimento acerca do construto em questão, e relação
existente
entre
ansiedade
e
estratégias
de
enfrentamento.Podendo
ser
utilizado
no
contexto
universitário e no emprego de estratégias de enfrentamento,
que possibilitem um melhor controle dos estressores,
possibilitando melhorasno rendimento dos alunos.
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