a arte africana - Campus São Cristóvão II

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a arte africana - Campus São Cristóvão II
COLÉGIO PEDRO II – Campus São Cristóvão II
Departamento de Desenho e Artes Visuais – Chefia: Prof.ª Sandra Gomes
Equipe de Artes Visuais – Coordenador: Prof. Shannon Botelho - 6º ano
Aluno / a: _______________________________ Turma: ________
A ARTE AFRICANA
A DIVERSIDADE CULTURAL E ARTÍSTICA
O continente africano é composto por culturas diferentes e cada uma
delas possui seu idioma próprio, tradições e formas artísticas distintas. Além
disso, várias são as religiões existentes no continente.
A arte africana é o resultado de um conjunto de manifestações
artísticas produzidas por todos os povos da África ao longo da história,
iniciando-se no período pré-histórico, nas formas mais antigas, que são as
pinturas e gravações em pedra, na região do Saara. Essa arte resulta da troca
de influências artísticas e culturais entre povos de diferentes regiões da
África, além das influências externas dos romanos, árabes e, a partir do
século XV, dos portugueses e da Europa em geral.
A TRADIÇÃO ORAL
Nas tradições africanas a palavra falada e as atividades humanas são
sagradas e mágicas. Cada função artesanal estava ligada a um conhecimento
mágico transmitido oralmente de geração em geração. Os artesãos em seu
ofício reproduziam simbolicamente o mistério da criação do mundo. Enquanto
trabalhavam, os artesãos cantavam músicas ritualísticas e diziam palavras
rítmicas sagradas.
A IMPORTÂNCIA DOS ANCIÃOS
“(...) cada ancião que morre na África é uma
biblioteca que se perde.”
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Os anciãos são os alicerces das sociedades africanas porque além da
sabedoria possuem a memória do conhecimento (religioso, educacional,
econômico, médico-mágico, jurídico), das tradições e das histórias de seus
povos. Cada ancião que morre transforma-se num ancestral.
Na África, apenas homens importantes, como os chefes da aldeia, são
venerados como ancestrais. Quando morrem, seu espírito é fixado numa
estatueta, cuidadosamente guardada, que tem o poder de velar pela
comunidade da aldeia.
Durante milênios, os seres humanos se sentiram impotentes diante dos
múltiplos
perigos
do
meio-ambiente:
animais
selvagens,
doenças,
intempéries... Para os antigos esses males provêm de forças e espíritos
invisíveis que povoam o universo. Para se protegerem eles recorriam aos
conselhos dos ancestrais. Para receberem sua proteção, os homens esculpem
estátuas encarregadas de acolher os espíritos dos ancestrais. Por meio dessas
imagens, o ancestral poderá satisfazer os pedidos formulados pelos sacerdotes
em cerimônias. Se a estátua não for eficiente, será descartada.
Cabeça comemorativa do Oba (rei)
Reino do Benin, Nigéria / Séc. XIX, bronze [latão], 45×29 cm
Cabeça comemorativa ubunmwun-elao para ser colocada sobre o altar real dedicado aos
antepassados. Fabricada pela técnica da cera perdida nela estão representadas a coroa de
coral erhu ede e o grande colar odigba, também de coral, usada pelo Oba. O orifício
existente no topo da cabeça serve para colocar uma presa de elefante, esculpida em baixo
relevo, com temáticas reais.
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A ARTE INTEGRADA NA VIDA SOCIAL
As formas artísticas (uma escultura, uma máscara ou uma pintura)
estavam relacionadas às crenças, costumes e hábitos culturais e possuiam
funções específicas em diferentes momentos da vida social, quer seja no
cotidiano ou em rituais.
As esculturas e máscaras realizadas por tribos africanas na Nigéria, em
Angola ou na Costa do Marfim, eram na verdade instrumentos de culto, de
rituais e de magia, e não fazia sentido para eles conservá-las em museu.
As máscaras tinham um significado místico e importante e eram usadas nos
rituais e funerais, representando um disfarce para a incorporação dos
espíritos
e
a
possibilidade
de
adquirir
forças
mágicas.
Elas
eram
confeccionadas em barro, marfim, metais, mas o material mais utilizado era a
madeira. Para estabelecer a purificação e a ligação com a entidade sagrada,
eram modeladas em segredo na selva.
A GEOMETRIZAÇÃO OU SIMPLIFICAÇÃO DAS FORMAS
De uma forma geral, a arte africana se caracteriza fortemente pela
simplificação das formas do real e por esse processo as formas artísticas
figurativas adquirem um aspecto geometrizado. Essas formas também são
conhecidas como estilização.
Existe ainda a geometrização decorativa (abstrata) encontrada nos
objetos utilitários, pinturas murais e tecidos.
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A ESCULTURA
A mais importante manifestação da arte africana é a escultura que era
feita principalmente com madeira e marfim, mas também utilizava outras
matérias-primas como a argila, terracota, ouro, bronze, marfim e ferro.
Na ESTATUÁRIA não havia o respeito as proporções naturalistas na
representação da figura humana. O escultor tinha muita liberdade e criava
obras de grande expressividade. A estilização era outra característica
marcante das figuras escultóricas.
As esculturas de múltiplas figuras servem de atributo às divindades.
Existem objetos esculpidos que denotam poder, como insígnias, espadas e
lanças com ricas esculturas em madeira recoberta por lâminas de ouro sempre
denotando um motivo alusivo à figura de seus donos.
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As MÁSCARAS AFRICANAS são talvez as formas mais conhecidas da
arte africana. Foram os objetos que mais impressionaram os povos
europeus desde as primeiras exposições em museus do Velho Mundo,
através de milhares de peças saqueadas do patrimônio cultural da
África.
Uma máscara é um ser que protege quem a carrega. Elas são
usadas em rituais e funerais e os africanos acreditam no poder
absorção
das
da
forças mágicas dos espíritos, obtendo a cura de
doentes, entre outras coisas
O escultor associa à sua produção outras técnicas como a cestaria,
pintura e colagem de tecidos. Outros materiais também são utilizados nas
esculturas: fragmentos de vidro das mais variadas cores, búzios, canudilhos
metálicos, tecido e algodão
A PINTURA
A pintura é empregada na decoração da da arquitetura (palácios
reais, celeiros, das choupas sagradas, casas comuns), acabamento de
máscaras e adornos corporais. Seus motivos, muito variados, vão desde formas
essencialmente geométricas até a reprodução de cenas de caça e guerra.
Serve também para o acabamento das máscaras e para os adornos corporais.
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A PINTURA CORPORAL, tal como para os indígenas americanos e
outros povos tradicionais, é um tipo de manifestação artística africana. As
pinturas corporais das tribos Surma e Mursi, localizadas no vale leste da África
Omo, são coloridas de amarelos, brancos e vermelhos terra, misturadas com
gravetos, palhas, flores exóticas e folhas. Para os membros destas tribos, uma
folha, uma flor, ou raiz, são facilmente transformadas em acessórios e depois
enaltecidas com as pinturas corporais, que são feitas de pigmentos extraídos
de pedras em pó, plantas, frutos e barro.
As PINTURAS MURAIS das fachadas e muros das casas do Povo Ndebele
(África do Sul) são um privilégio exclusivo das mulheres. Os Ndebeles são
chamados de “povo artista” e, apesar de ser uma sociedade patriarcal, a
herança artística é passada de mães para filhas. Assim conseguem preservar
as suas tradições ancestrais ao longo de séculos.
Essa técnica ancestral (conhecida como
ikghuphu), conhecida
internacionalmente, consiste em pintar os muros das residências à mão livre,
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utilizando muitas vezes uma camada superficial de barro misturado com fezes
de gado, onde desenham com os dedos formas abstratas geométricas, linhas
verticais, horizontais e diagonais e cores muito vivas.
ESCARIFICAÇÃO
A escarificação é uma técnica de produzir cicatrizes no corpo através
de instrumentos cortantes. Ela tem sido utilizado por muitas razões e em
muitas culturas diferentes. Seja como um rito de passagem na adolescência,
ou para identificar o estado emocional de quem a faz, como momentos de
tristeza ou de bem-estar.
Ela é comum entre os aborígenes australianos e tribos da Nova Guiné. Na
África Ocidental e na Nova Guiné, bem como o Congo e no sul do Sudão, ela
é muito utilizada, principalmente em mulheres, como forma de beleza
A ÁFRICA NO BRASIL - AFROBRASILIDADE
Nós brasileiros temos uma cultura miscigenada formada a partir da
mistura de muitas outras culturas, mas principalmente das culturas do
português, do indígena e do africano. A nossa identidade como brasileiros
está profundamente vinculado às nossas tradições africanas e por isso
devemos conhecê-las.
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A cultura africana chegou ao Brasil com os povos escravizados trazidos
da África durante o longo período em que durou o tráfico negreiro
transatlântico. A diversidade cultural da África refletiu-se na diversidade dos
escravos, pertencentes a diversas etnias que falavam idiomas diferentes e
trouxeram tradições distintas.
A influência africana no Brasil encontra-se nas artes plásticas, na
música, dança, ritmo, comidas, vocabulário, crenças populares ou folclóricas,
religião, festas populares e em todas as áreas da cultura brasileira. Os
escultores do Benim, por exemplo, por saberem moldar figuras de bronze,
vieram escravizados, ser ferreiros no Brasil. Muito de sua arte se perdeu
devido a escravidão.
Na música a cultura africana contribuiu com os ritmos que são a base
de boa parte da música popular brasileira. Gêneros musicais coloniais de
influência africana, como o lundu, terminaram dando origem à base rítmica
do maxixe, samba, choro, bossa-nova e outros gêneros musicais atuais.
Também há alguns instrumentos musicais brasileiros, como o berimbau, o
afoxé e o agogô, que são de origem africana. O berimbau é o instrumento
utilizado para criar o ritmo que acompanha os passos da capoeira, mistura de
dança e arte marcial criada pelos escravos no Brasil colônial.
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