2015Trabalhos Completos SNPTO GT2III SNPTOA

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2015Trabalhos Completos SNPTO GT2III SNPTOA
ISSN 0104-4931
A INTERFERÊNCIA DA FIBROMIALGIA NO DESEMPENHO
OCUPACIONAL
Ádila Siqueira de Basto Lima
Wilkelane Ferreira da Silva
Marcela Medeiros Melo
Mirella Oliveira Barata
Thayane de Cácia Brito
INTRODUÇÃO
A fibromialgia não era bem definida enquanto entidade clinica e na década de 70
foi mais explorada, então em 1977 foi introduzido o conceito da fibromialgia a partir da
descrição de sítios anatômicos com exagerada sensibilidade dolorosa, denominados
tender points, nos portadores desta moléstia, (JUNIOR, 2012).
Anjos, 2011, estima que a fibromialgia atinja 2% da população mundial. Tendo
alta incidência na população feminina, ocorrendo na proporção de 9 mulheres para 1
homem, com idade predominante de 30 a 50 anos.
A etiologia e a fisiopatologia da fibromialgia permanecem desconhecidas, sendo
mais aceita a hipótese fisiopatológica de que o distúrbio primário para a síndrome seria
uma alteração em algum mecanismo central de controle da dor, o qual poderia resultar
de uma disfunção de neurotransmissores. Em relação à fisiopatologia também é
indicado que o eixo hipófise-hipotálamo-adrenal pode desempenhar um papel
importante na mediação e na perpetuação dos sintomas da fibromialgia. (JUNIOR,
2012).
A síndrome pode variar desde sintomas leves até casos em que as dores, fadiga e
depressão sejam tão intensas que impeçam o desempenho das atividades. A
incapacidade funcional dos doentes de fibromialgia reflete-se diretamente no
desempenho ocupacional, (BERBER, 2004).
METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão bibliográfica, na qual os dados foram colhidos a partir
de artigos científicos disponíveis na biblioteca virtual em saúde, e na base de dados
SciELO, como também em livros literários da área, publicados a partir de 2004, na
língua portuguesa. Os descritores utilizados para a pesquisa foram: Atividades
cotidianas, Fibromialgia, Terapia Ocupacional.
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Cadernos de Terapia Ocupacional, UFSCar, São Carlos, v. 22, n. Suplemento Especial. 02, 2014.
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OBJETIVOS
Objetivo geral

Identificar as repercussões da fibromialgia no desempenho ocupacional.
Objetivos específicos

Caracterizar a síndrome da fibromialgia;

Nomear as áreas de desempenho comprometidas pela síndrome e suas
respectivas atividades;

Descrever a intervenção do terapeuta ocupacional na fibromialgia.
RESULTADOS/DISCUSSÃO
1. Quadro Clínico
Os sintomas da fibromialgia podem ser fadiga, dor contínua, distúrbios do sono,
rigidez matinal de curta duração, sensação de edema, dormência e formigamento nos
membros, problemas circulatórios e intolerância ao frio. A relação com outras
síndromes pode ocorrer com a depressão, a ansiedade, a cefaleia crônica e a síndrome
do cólon irritável, (MARTINEZ, 2009). O diagnóstico é geralmente clínico, pois até o
momento não existe nenhum exame laboratorial específico como prova diagnóstica para
a fibromialgia, (JUNIOR, 2012).
Para Resende, 2009, pacientes femininas com fibromialgia se mostram mais
inseguras, fragilizadas e com baixa auto-estima, com um aumento de sentimentos de
culpa, frustração, irritabilidade e raiva. Todos esses sentimentos podem levar a
depressão.Em uma pesquisa realizada por Berber em 2005, obteve-se que dois terços da
amostra com fibromialgia apresentaram algum grau de depressão.
Dentre os diversos sinais e sintomas que o paciente fibromiálgico apresenta, o
quadro de dor crônica pode causar sofrimento persistente ao paciente, gerando
alterações psicoativas que afetam a percepção do indivíduo quanto ao seu bem-estar e
qualidade de vida, interferindo de forma negativa na realização de suas atividades
cotidianas, (ANJOS, 2011).
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Como já visto, o desempenho ocupacional pode ser prejudicado pela
sintomatologia da fibromialgia, este engloba três áreas de desempenho ocupacional, são
elas a área de atividades de vida diária, área de atividades produtivas e a área de
atividades de lazer, (RESENDE, 2009).
Segundo Ferreira, 2005, a maioria das pessoas com fibromialgia evitam o
cumprimento das Atividades de Vida Diária, como arrumação, vestir-se, higiene pessoal
e mobilidade na comunidade. As Atividades Produtivas podem está prejudicadas no
controle domiciliar (fazer compras, limpeza, cuidado com roupas e preparação das
refeições) e em atividades vocacionais.
2. Tratamento
O tratamento não é totalmente efetivo e se dá em uma equipe multidisciplinar, e
de caráter individualizado, inclui medidas farmacológicas e não farmacológicas. Há
indícios de que as atividades físicas beneficiem os pacientes desta síndrome, trazendo
melhoras físicas e psicológicas, porém não há consenso acerca da modalidade e
frequência mais indicada. São muito variadas as formas de exercícios aeróbicos
estudados (caminhadas, marchas, bicicleta, remo etc.), assim como outros tipos de
exercícios (alongamentos, exercícios isométricos, isocinéticos, entre outros de
fortalecimento muscular), e variadas modalidades de hidroterapia (exercícios
respiratórios aquáticos, hidroginástica, natação, entre outros). Também foi encontrada
uma grande diversidade nos métodos de reabilitação como, por exemplo, coping,
biofeedback,
educação
familiar,
terapia
cognitivo-comportamental,
técnicas
manipulativas e de relaxamento, (JUNIOR, 2012).
3. Intervenção Terapêutica Ocupacional
A Terapia Ocupacional, sendo uma ciência e uma profissão de reabilitação,
preocupa-se em capacitar os indivíduos a atingir o máximo de potencial de desempenho
das suas funções nas atividades, (BUCKNER, 2004).
Para isto, o terapeuta ocupacional inicialmente deve realizar uma avaliação para
verifica o perfil ocupacional do paciente, compreendendo aspectos gerais de sua saúde,
de sua história de vida, interesses, sua ocupação profissional, seu desempenho funcional
eocupacional nas atividades cotidianas e suas perspectivas com relação à doença.
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Instrumentos padronizados também são utilizados, porém o terapeuta ocupacional deve
considerar os fatores culturais, psicológicos e sociais do paciente, (ANJOS, 2011). Cabe
a esse profissional analisar não só as limitações, mas também as capacidades
remanescentes do paciente. (CARLO, 2004).
A intervenção do terapeuta ocupacional está baseada em métodos de proteção
articular e conservação de energia. Estes métodos têm o intuito de reduzir o estresse e a
dor nas articulações, preservando a integridade das estruturas articulares. Os princípios
da proteção articular são:
- Respeitar a dor, considerando-a um sinal de que a atividade deve ser
interrompida;
- Balancear atividade e repouso;
- Manter a força muscular e a amplitude articular;
- Poupar energia;
- Evitar posições de deformidade;
- Usar as articulações maiores e mais fortes;
- Usar cada articulação em seu plano anatômico-funcional mais estável;
- Evitar ficar na mesma posição por muito tempo;
- Evitar atividades que não podem ser interrompidas;
- Usar adaptações e órteses. (CARLO, 2004)
Ainda de acordo com as técnicas de proteção articular e a conservação de
energia são feitas mudanças no cotidiano do paciente (atividades de autocuidado,
trabalho e lazer) e podem ser necessárias, modificações ambientais, adaptações das
ferramentas ou dos instrumentos utilizados no cotidiano, (CARLO, 2004).
Seguem imagens destas técnicas de acordo com Noordhoek, 2005.
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O melhor tratamento das contraturas e deformidades é a prevenção. Quanto mais
precocemente o uso de órteses, alongamento e movimentação passiva, mais facilmente
o processo de instalação dessas contraturas e deformidades pode ser reduzido, retardado
ou prevenido, (CARLO, 2004).
O plano de reabilitação também deve visar a educação do paciente, pois ele
igualmente responsável pelo seu tratamento. Seja no ambiente hospitalar ou no
domiciliar a colaboração do paciente é primordial, (CARLO, 2004).
CONCLUSÃO
A fibromialgia é uma síndrome crônica, caracterizada pela ocorrência de dor
músculo-esquelética difusa pelo corpo, com pontos dolorosos (tender points) à
palpação, de etiologia desconhecida. A prevalência da fibromialgia aumenta com a
idade, acometendo mais mulheres. Esta síndrome pode estar associada à depressão e
baixa qualidade de vida afetando o desempenho ocupacional do indivíduo.
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O tratamento da fibromialgia é multiprofissional, com medidas farmacológicas e
não farmacológicas, a atividade física esta demonstrando ser eficaz neste processo.
A intervenção terapêutica ocupacional é justificada pelo afastamento ou menor
desempenho das atividades cotidianas destes pacientes. Esta intervenção é iniciada com
a avaliação, é preciso que o profissional considere os aspectos biopsicossociais, as
medidas mais comumente empregadas são as de conservação de energia e proteção
articular, adaptações, o uso de órteses, alongamento e movimentação passiva. Essa
intervenção pode ser no ambiente hospitalar ou doméstico.
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