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hipertexto
AN
O
11
Jornal dos alunos da Famecos/ PUCRS. Porto Alegre, outubro 2009 – Ano 11 – Nº 75
Os seres
invisíveis
morrem
na rua
Sem-teto tombou durante
entrevista ao Hipertexto
Bolívar Abascal Oberto/ Hiper
O drama dos excluídos sociais que vivem embaixo dos viadutos de Porto Alegre
Débora Backes/ Hiper
Página 5
Lívia Stumpf/ Hiper
Esportes
radicais no
Marinha
Artistas de
circo nas ruas
da capital
Página 8
Página 6
Olimpíadas:
clubes gaúchos
treinam
Página 7
LETRA & MÚSICA
Páginas 9 a 12
Renata Lopes/ Hiper
Bruno Todeschini/ Hiper
Mariana Fontoura/ Hiper
O vocalista Corey Glover do Living Colour
Luiza Carmona/ Hiper
“Adoro ver os olhos brilhando de uma criança
quando ouve as palavras mágicas era uma vez”
Urbim, patrono da Feira
Na batida dos Paralamas há quase 30 anos,
banda mostra novidades e relembra sucessos
O bonde de MV Bill carrega o público no Opinião
A cidade entra no ritmo
2 abertura
EDITORIAL
No encalço dos seres invisíveis
ELES ESTÃO no segundo semestre de
Jornalismo. Em agosto, increveram-se para
estágio voluntário no Hipertexto e foram
selecionados. Marco Antônio Souza, 22
anos, e Pedro Faustini, 18, já estrearam na
edição de setembro. O primeiro com uma
matéria sobre o Pré-Sal e o outro
cobriu os preparativos para as
Olimpíadas da PUCRS. Colegas de
aula no terceiro andar da Famecos,
resolveram fazer juntos a próxima
reportagem.
A idéia surgiu do Marco Antônio. “Moro em Esteio e venho todas
as manhãs de trem. Desço na estação do
Mercado e notei que uma família morava
em um pequeno vão. Todo mundo desce
do metrô, apressado, e não os vê, parecem
invisíveis. Contei a história à professora
Ivone e ela achou que poderia render uma
boa reportagem”, relatou o repórter em
formação na universidade.
A pauta foi combinada. Sete horas da
manhã de uma quinta-feira, na Estação
Mercado. Marco Antônio desceu do trem
e encontrou-se com Pedro, que mora no
Menino Deus, e o aluno de fotografia Bolívar Abascal Oberto. Os três foram até o
vão e não encontraram ninguém. Seriam,
mesmo, invisíveis? Não. No local, havia
rastros dos sem-tetos. Mas a matéria não
podia ser perdida. Pegaram um ônibus e
resolveram procurar excluídos sociais em
outro local.
Os três estudantes de jornalismo
desembarcaram nas proximidades do
viaduto das avenidas Silva Só e Protásio
Alves, bairro Santa Cecília. Encontraram
um morador de rua que parecia ter recém
acordado. Segurava uma panela com água.
Aproximaram-se. Não sabiam se ele estaria
bêbado ou drogado. Veio a traquilidade
que só o medo proporciona. Começaram
a fazer perguntas e pediram permissão
para fotografar. “Ele procurava escolher
as palavras”, lembra Marco Antônio. A
falta dos dentes da frente dificultava sua
dicção. “Suava, abria e fechava os
olhos”, acrescenta Pedro. Perguntado como enfrentava a chuva e
o frio, parou um pouco, como se
pensasse, e respondeu que não se
lembrava. “Nunca sofreste violência?”, os universitários quiseram
saber. Disse que não. “Quando fui anotar
a palavra violência, ele gemeu, bateu no
meu braço, um risco desceu da letra A e ele
caiu nos meus pés”, lembra Marco Antônio.
Luiz Carlos da Rosa começou a tremer,
a ter convulsões. “O cara vai morrer”,
apavoraram-se. Ligaram para o 190. Eram
7h32min. A Brigada Militar mandou contatar o Samu. Uma brigadiana que estava na
parada veio até o local. Todos o conheciam.
“Bebe muito e não come”, diagnosticou Bel,
outra moradora do viaduto. Deitado no
chão, ele vomitava sangue. Às 7h46min,
chegou uma ambulância. Quando a viatura
partiu com o sem-teto, os estudantes pegaram o ônibus Carris e foram para o campus.
Chegaram alguns minutos atrasados para
a aula de Português Aplicado à Comunicação, mas a primeira grande reportagem
para o Hipertexto estava pronta. “Utilizo
todos os dias o D 43 para completar meu
deslocamento de trem à faculdade e passo
duas vezes na frente do viaduto da Silva
Só. Nunca mais vi o Luiz”, impressiona-se
Marco Antônio com o destino dos seres
invisíveis da cidade.
Da Redação
Bolívar Abascal Oberto/ Hiper
Em campo: Pedro e Marco Antônio começam a ouvir o drama de vida de Luiz
Hipertexto
Jornal mensal dos alunos do Curso de Jornalismo
da Faculdade de Comunicação Social (Famecos),
da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande
do Sul (PUCRS).
Avenida Ipiranga 6681, Jardim Botânico, Porto
Alegre, RS, Brasil. E-mail: [email protected]
Site: http:// www.pucrs.br/ famecos/ hipertexto/
045/ index.php
Reitor: Ir. Joaquim Clotet
Vice-reitor: Ir. Evilázio Teixeira
Diretora da Famecos: Mágda Cunha
Coordenadora de Jornalismo: Cristiane Finger
hipertexto
Porto Alegre, outubro 2009
A IMAGEM
Maria Helena Sponchiado/ Hiper
Tendências do verão no Donna Fashion Iguatemi, em outubro
ARTIGO
A coreografia do texto
AOS JORNALISTAS, advogados, poetas e escritores, amadores ou não. A todos
aqueles que escrevem, aos ourives de Olavo
Bilac, eu peço: mais humanidade aos seus
textos. Nas matérias, petições, cartas de
amor e listas de compras: mais leveza. Que
a pressa não seque a fonte das boas frases,
os negócios não “vampirizem” a poesia.
Palavra é arte, não importa onde escrita.
A importância da imparcialidade, da
hierarquia e do cientificismo, eu compreendo. A notícia deve ser isenta, o entendimento da Justiça pertence aos poucos
que muito estudaram, a ciência se escreve
quase em latim. Mas discordo. Menos
hipocrisia por parte dos jornalistas, que
separam a emoção da razão ao fazer suas
reportagens – perdendo, assim, a humanidade de seu trabalho. Menos hierarquia por
parte dos advogados, que detêm o monopólio sobre o direito dos outros. A palavra
não nasceu capitalista. Foi feita para unir,
não segregar.
Proponho que os textos troquem de
roupa. Deixem os trajes sérios por algo
mais confortável. Em tempos em que nada
é menos confiável do que um homem engravatado, por que obrigar as palavras a
vestirem um black-tie? A sobriedade causa
desconfiança e cansa. Que os textos usem
jeans rasgados e all stars velhos. Nada
impõe mais respeito do que o bom humor,
pouco assombra mais do que a ironia. Desatem as frases complexas, as expressões
rebuscadas, amarradas feito nó de gravata.
As frases devem usar sapatos de dança.
O bom texto é aquele que sabe dançar.
Samba pelas vírgulas, valsa com os pronomes. Seu escritor é coreógrafo. Assim,
quem sabe, salve-se não apenas o velho
jornalismo, mas o mundo. Do tédio, do desumano. Da não-poesia que vivemos hoje.
Por Natália Otto
Apoio cultural: Zero Hora. Impressão: Pioneiro, Caxias do Sul. Tiragem 5.000
Produção dos Laboratórios de Jornalismo Gráfico
e de Fotografia.
Professores Responsáveis: Tibério Vargas
Ramos e Ivone Cassol (redação e edição), Celso
Schröder (arte e editoração eletrônica) e Elson
Sempé Pedroso (fotojornalismo).
Estagiários matriculados e voluntários:
Editores: Fabrício Souza de Almeida, Luana Duarte Fuentefria, Julian Schumacher, Liza Marques
de Mello, Mariana de Mattos Pires, Pedro de Souza
Palaoro e Tatiany Oleques Lukrafka.
Editores de Fotografia: Bruno Todeschini e
Lívia Stumpf.
Redação: Bruno Pereira Goularte, Bruna Barbosa Griebeler, Camila Cardoso Soares, Carolina
Beidacki, Giordano Benites Tronco, Fabrício Souza
de Almeida, Felipe Kroner Uhr, Fernando Severo
Soares Jr., Ian Correa Linck, Leonardo Serafim,
Luana Duarte Fuentefria, Liza Marques de Mello,
Júlia Souza Alves, Julian Schumacher, Marco
Antonio Mello de Souza, Marcus Perez, Mariana
de Mattos Pires, Marina Sant’Anna de Oliveira,
Natália Bittencourt Otto, Pedro Henrique Arruda
Faustini, Pedro de Souza Palaoro, Raquel Robaert,
Ricardo Selister Araújo, Shaysi Melate, Stéfano
Aroldi Santagada, Simone Cardoso e Tatiany
Oleques Lukrafka.
Repórteres Fotográficos: Bruno Todeschini,
Laís Cantelli, Débora Backes, Ita Pritsch, Lívia
Stumpf, Felipe Dalla Valle, Guilherme Santos,
Bolívar Abascal Oberto, Vanessa Freitas, Gabrielle
Toson, Júlia Preis, Lívia Auler, Luiza Carmona,
Mariana Moraes, Renata Lopes da Silva, Henry
Soares, Jonathan Heckler, Maria Helena Sponchiado, Mariana Gomes da Fontoura, Daniela Curtis
do Lago e Camila Guimarães Cunha.
hipertexto
tendência 3
Porto Alegre, outubro 2009
Candidatos em 2010
vão enfrentar uma
internet politizada
Congresso liberou a utilização da web nas eleições
web, “esse é um caminho sem volta”, escreve Marcelo Tas, jornalista e âncora do programa CQC, da
Bandeirantes, em seu blog – um
dos mais acessados do Brasil. “É
bom os políticos se acostumarem
a um fato novo: o público quer
falar, criticar, colaborar e ser ouvido”. E o público anda inquieto.
Sob censura
A web é livre. Nela, todos têm
vez, voz e espaço. Um verdadeiro
pesadelo para os contrários à democracia. Não é à toa que governos autoritários tentam mantê-la
a rédeas curtas. Um exemplo é o
Partido Comunista Chinês, que
em julho deste ano, próximo ao
aniversário de 20 anos do Massacre da Praça Celestial (quando o
exército chinês matou aproximadamente 3000 manifestantes em
um protesto estudantil, em 1989),
bloqueou sites como o Youtube, o
Twitter e o Hotmail. Em irônico
protesto, internautas chamaram
a data de Dia da Manutenção da
Internet Chinesa.
O governo chinês vai mais
longe e faz controle rigoroso da
web, usando softwares de última
geração para filtrar conteúdo
considerado subversivo. A construção dessa muralha da China cibernética não é facilmente aceita
por internautas chineses. Muitos
acessam servidores alternativos
e e seguem protestando, bem
debaixo do nariz de seus algozes.
No Irã, a web também é um
meio encontrado para fugir da
repressão. Em junho deste ano, o
Twitter tornou-se a principal forma de denúncia da suposta fraude
eleitoral que reelegeu o presidente
Mahmoud Ahmadinejad. Os
protestos também foram organizados através dos 140 caracteres
do microblog, e o mundo inteiro
acompanhou a tag #IranElection
(#EleiçõesIranianas, no português) permanecer por dias nos
tópicos mais comentados da rede.
Tamanha foi a mobilização que os
criadores da ferramenta adiaram
uma atualização que deixaria o
microblog fora do ar.
“Twittergate” é mais uma
expressão da internet. Nome
em homenagem ao caso
Watergate, quando reportagens investigativas do jornal
Washington Post levaram
à renúncia do então presidente americano Richard
Nixon, em 79, referem-se
às gafes cometidas por políticos no microblog e às suas
consequências, no mínimo,
desastrosas.
Menos de 140 caracteres foram suficientes para
iniciar furor no parlamento alemão. No dia 23 de
maio, Julia Klöckner, da
equipe da chanceler Angela
Merkel, noticiou em seu
microblog a reeleição do
presidente Horst Köhler
quase 15 minutos antes do
resultado oficial. O mesmo
ocorreu com o parlamentar
Ulrich Kelber, que chegou a
especificar a quantidade de
votos que elegeu Köhler. O
Por Natália Otto
No encalço: é possível seguir o presidente dos Estados Unidos no twitter
Ativista do tempo da ditadura militar aderiu à web
O MOVIMENTO Fora Sarney
(http://forasarney.com.br) é
um expoente da mobilização via
internet no Brasil. O site, criado
por três amigos em junho, foi
inspirado na campanha Fora
Luxemburgo, que exigia a saída
do então técnico do Palmeiras.
Três meses depois, eles já contam
com dezenas de colaboradores de
diversas áreas, um perfil no Twitter e muita notoriedade na mídia.
“Nosso movimento é inédito”, diz Moah Sousa, 52 anos,
jornalista e colaborador do site.
“Talvez seja a expressão de um
fenômeno, já que, pela primeira
vez, estamos travando uma luta
social e política pela internet”.
Pessoas de diferentes cantos
do Brasil reúnem-se nos fóruns
do domínio para discutir a situação do Senado e organizar
manifestações pacíficas em suas
cidades. “Aí é que reside parte
da beleza da internet”, explica
Sousa. “Ela permite e abriga essa
mistura, cujo lema central é o
parlamento alemão decidiu
abrir inquérito a respeito do
incidente, que resultou no
pedido de demissão de um
deputado.
Na Índia, o vice-ministro de Assuntos Exteriores,
Shashi Tharoor, fez um comentário irônico que o rendeu muito constrangimento.
Um jornalista, via twitter,
perguntou ao ministro se ele
faria viagem de negócios na
“classe do gado”, referindose à classe econômica. Tharoor digitou, em resposta:
“Claro, na ‘classe de gado’
e em total solidariedade as
nossas vacas sagradas!”.
Os políticos e a população indignaram-se com o
termo pejorativo e com a
afronta às vacas, animais
idolatrados pela cultura
indiana. Protestos e até pedidos de renúncia por parte
de seu partido seguiram o
descuido de Tharoor.
Reprodução
O BRASIL, em 2010, estará
envolvido nas eleições para escolha de presidente da República,
governadores, senadores e deputados. Um ano antes da eleição de
outubro, já se pode prever que a
internet será a grande ferramenta
de comunicação das candidaturas e dos partidos políticos. Nos
últimos anos, isso ficou evidente,
por exemplo, na eleição de Barak
Obama nos Estados Unidos. As
mudanças feitas na legislação
eleitoral, em setembro, pelo Congresso Nacional confirmam a
perspectiva por que candidatos
podem, agora, criar sites em qualquer domínio virtual.
A internet muda a maneira
de comunicar e pensar a política.
As redes sociais e a blogosfera
são áreas onde os protestos e as
discussões ideológicas ocupam
cada vez mais espaço. “O protesto
na web diminui o custo pessoal
de comprometimento”, explica
Marcelo Träsel, professor de
Comunicação Digital da PUCRS.
“Não é preciso faltar ao trabalho
ou à escola para colaborar. Dessa
forma, quem normalmente não
participaria de um movimento
acaba participando”.
Em setembro, o Congresso
Nacional aprovou a Minirreforma
Eleitoral para as eleições de 2010.
Entre outras mudanças, a lei dá
aos candidatos o direito de criar
sites em qualquer domínio e ter
perfis em redes sociais. Antes, isso
era apenas permitido em domínio
em particular, o can.br. Política e
TWITTER DENUNCIA
GAFES NO MUNDO
exercício da liberdade”.
Paulistano que reside em
Porto Alegre há 28 anos, Moah
foi ativista durante a ditadura
militar. Hoje, usa novas armas
para combater antigos inimigos.
“Ao contrário da revolução nas
ruas, as transformações na web
voam, mas, muitas vezes, em
velocidade bem diferente daquela
projetada pela nossa mente”. Ele
explica que a rede é uma bomba
ideológica. Clicar no enter é como
entregar um panfleto ao mundo
inteiro. “A internet é uma ferramenta nova e precisa ser aperfeiçoada, sobretudo pra melhorar a
mira”, pondera.
Todo o poderio fornecido pela
web seria inútil, no entanto, não
fosse o desejo de mudar a própria realidade demonstra pelos
internautas. “A internet é apenas
um instrumento”, diz o professor
Marcelo Träsel. “O que faz a diferença é o interesse dos cidadãos”.
E nesse aspecto, pouco se diferem
o século XXI e o ano de1968.
A força de Obama
As últimas eleições americanas provaram que internet e política já não vivem separadas. Com
a ajuda da web, Barak Obama não
apenas tornou-se presidente dos
EUA, mas se consolidou como um
ícone pop. Sua campanha eleitoral se estendeu por todas as redes
sociais, com inúmeros vídeos no
Youtube e movimentos de apoio
no Twitter. Dessa forma, Obama
aproximou-se do público que
mais representou sua campanha:
os jovens, insatisfeitos com George Bush e desejosos de mudança.
4 mundo
Porto Alegre, outubro 2009
hipertexto
Nova onda de lideranças carismáticas
Populismo, golpes militares e bananas marcam o cenário político nas Américas
Aizar Raldes/AFP
O POPULISMO foi muito
presente nas Américas no século
20. Getúlio Vargas no Brasil e
Juan Peron na Argentina são os
exemplos mais eloquentes. Hoje,
está presente no carisma pessoal,
no discurso político e nas ações
sociais de Lula no Brasil, Chávez
na Venezuela, Evo Morales na Bolívia e Rafael Correa no Equador.
A característica que os unem
é o contato direto com o povo. O
presidente da Venezuela, Hugo
Chávez, é assim. Seu governo é
apoiado em sua imagem. Para
ganhar a confiança da população
venezuelana, pratica uma política
de reformas distributivas, retira
recursos de um segmento para
distribuir a outro, no caso, as
classes C, D e E. Ainda assim, seu
governo, segundo a professora de
Ciências Políticas da PUCRS, Maria Izabel Mallmann, não poderia
ser chamado de populista, pois é
baseado no socialismo. “É um governo de aspectos personalistas e
redistributivistas, porém Chávez
é anticapitalista. O populismo
surgiu como algo capitalista,
destinado a promover a aliança de
classes”, explica. Em sua opinião,
seria mais correto usar o termo
neopopulismo para se referir aos
governos atuais.
Afinal, os governos neopopulistas funcionam? A julgar pela
aceitação popular, sim. Líderes
como Chávez e o presidente boliviano Evo Morales possuem a
aceitação da ampla maioria da
população de seus países. Morales está prestes a conseguir a
reeleição e a maioria no Senado,
e Chávez está há vários mandatos
no poder. A longo prazo, talvez a
coisa não funcione tão bem. Ao
focar os gastos públicos na “caridade para os pobres”, como diz o
professor de História da Universidade Estadual de Maringá, João
Fábio Bertonha, o governo acaba
por não investir em infraestrutura
e educação. Esse sistema funcionará na Venezuela enquanto
houver petróleo para sustentálo, mas e depois? “O desenvolvimento real, com crescimento
econômico e de renda, formação
de cidadãos, parece não estar no
horizonte”, diz Bertonha no site
da revista Espaço Acadêmico
(www.espacoacademico.com.
br/064/64bertonha.htm).
Maria Izabel vê um caminho
do meio: “A estrutura de distribuição tem que estar aliada
à geração de riquezas. O ideal
seria apoiar as classes C, D e E,
não para torná-la consumidora
de supérfluos, mas para as necessidades. Acompanhada a isso,
políticas que desenvolvam os
outros setores.” Mas aí, segundo
ela, somente uma economia de
mercado daria certo, pois uma
estatizante afugenta investimentos e novas tecnologias. A chave
é achar o ponto em que o Estado
pode gerenciar e permitir um
desenvolvimento diversificado.
Quanto à possibilidade de
perpetuação no poder através
de reeleições ilimitadas, causa
central do golpe em Honduras,
a professora acha que não significa necessariamente algo ruim.
Países como Honduras possuem
Os líderes Hugo Chavez, Lula e Evo Morales formam a trinca popular na América do Sul
uma economia historicamente
controlada por uma minoria que
não se vê ligada ao coletivo. Uma
estrutura assim não vai mudar
com um governo típico. “Se for
para mudar vai ser por um governo atípico, não é mudando (o
governo) de quatro em quatro
anos que vai acontecer”, diz.
Uma reforma profunda precisa
de tempo, e há a possibilidade de
um novo governo acabar com os
programas de reforma do anterior, o que atrasaria a evolução do
quadro. Apesar de não ser o ideal,
talvez o sistema “populista” seja
o que estes países precisam no
momento. “Se as opções verdadeiras são um sistema econômico
que mantém os pobres permanentemente na periferia e outro
em que, ao menos, eles ganham
algo, como questionar se o povo
prefere a segunda?”, argumenta
Bertonha.
A professora da PUCRS também aprova a decisão da embaixada brasileira abrigar Zelaya. “O
Brasil tem uma política de não
intervenção nos outros países,
mas também defende a democracia e os direitos humanos, o
que explica a atitude de proteger
um presidente, retirado ilegalmente do poder.” Um país que
tem projeto Bolsa-Família, de
claro apelo às massas, não pode
se dizer praticante de políticas
tão diferentes das do presidente
deposto em Honduras.
Giordano Benites Tronco
Crise de Honduras mostra conflitos latino-americanos
Aizar Raldes/AFP
Presidente deposto, Zelaya
HONDURAS é uma nação
apagada na política mundial, até
mesmo se comparada aos demais
países da América Central. Sua
história é semelhante às de outras
nações americanas com lutas pela
independência, curtos períodos
de democracia, intercalados por
longos regimes ditatoriais até
alcançar a democracia no final do
século 20. Até junho, o país só era
lembrado por ser o segundo mais
pobre da América Central e por
suas bananas, principal produto
de exportação.
Em junho, Honduras chamou
a atenção do mundo ao ter seu
presidente Manuel Zelaya derrubado pelo primeiro golpe militar
americano do século 21. Expulso,
voltou clandestinamente a Honduras em setembro e se refugiu na
embaixada brasileira em Tegucigalpa, para desgosto da elite hondurenha e de Roberto Micheletti,
presidente do Congresso e que
assumiu a presidência do país.
José Manuel Zelaya Rosales é
um homem atípico. Filho de um
rico fazendeiro, foi eleito por um
partido de direita (Liberal, o mesmo de Micheletti), com um plano
de governo de centro-direita. Ao
chegar à presidência, começou
uma política redistributiva que
nada tinha a ver com a posição
ideológica de seu partido. O resultado foi a perda do apoio da elite
conservadora, antigos aliados.
À procura de crédito para
financiar seus projetos sociais,
aproximou-se de Hugo Chávez,
presidente da Venezuela. Chávez
cedeu 132 milhões de dólares
(122 milhões a mais que o Banco
Mundial) e petróleo para Zelaya
em troca de ele se filiar à Alternativa Bolivariana para as Américas
(Alba), bloco econômico formado
por governos de esquerda da
América Latina. Seguindo os
passos de seus companheiros da
Alba, Zelaya propôs um referendo
nacional para mudar a Constituição e permitir reeleições para
presidente. O Exército expulsou-o
imediatamente do país, alegando
que Zelaya queria mexer numa
cláusula pétrea da Constituição,
que não poderia ser alterada sob
nenhuma hipótese.
Existem argumentos consistentes tanto para defender a
legalidade do golpe quanto a sua
ilegalidade. Mas, acima dessa
discussão, o golpe e o próprio
governo de Zelaya mexem com o
mapa político da América Latina.
“O ingresso de Honduras na Alba
significa que seu alinhamento
político mudou dos EUA para a
Venezuela”, explica a professora
de Ciências Políticas da PUCRS,
Maria Izabel Mallmann. Os EUA
possuem um forte receio dos governos aos moldes chavistas por
serem anti-capitalistas e fantasmas do socialismo em pleno século 21. Na opinião de Maria Izabel,
os EUA poderiam, se quisessem,
ter resolvido o golpe de Honduras
há muito tempo. Apesar do presidente americano Barack Obama
dizer não reconhecer o governo
golpista, não é do interesse de seu
país ver Zelaya de volta ao poder,
pois significaria mais um governo
chavista.
hipertexto
reportagem 5
Porto Alegre, outubro 2009
Fotos Bolívar Abascal Oberto/Hiper
Sem compaixão: durante entrevista, quando contava seu drama de vida, Luiz Carlos passou mal, teve convulsões e foi socorrido por uma ambulância do SAMU
Sem-teto sofrem com indiferença
Em Porto Alegre, a história de duas pessoas marcadas pelas drogas e pela falta de tudo
BEL ACORDA cedo todos os
dias debaixo do viaduto que cruza
a Avenida Silva Só. Vive junto de
outros dois moradores de rua,
seus cachorros e dos poucos pertences que estão guardados em
um carrinho de supermercado.
Luiz Carlos não sabe ao certo a
hora em que levanta e nem lembra como faz para se proteger da
chuva ou do frio. Ambos levam
uma vida praticamente invisível
para as pessoas que transitam
pela esquina. A rua tornou-se a
casa dessas pessoas, depois de
rejeitarem a ideia de ficar nos
albergues e abrigos públicos. Suas
histórias de vida são impossíveis
de ser ignoradas ou esquecidas.
Isabel Cristina Melo, ou simplesmente Bel, tem 54 anos de
idade. Seus dois filhos também
se abrigam onde a mãe enfrenta
a rotina de fome e maus tratos.
Mesmo dividindo o espaço, eles
não se falam. O motivo da família
de Bel ter perdido sua casa no
bairro Cavalhada foi justamente
a briga que mantêm todos separados. Ela conta que trabalhou
como empregada doméstica e
também em supermercados de
Porto Alegre.
Foi parar nas ruas com seu
marido depois que a família se dividiu. Bel acompanhou o processo
de destruição do companheiro,
que se envolveu com drogas e bebida. Esteve ao seu lado nos momentos finais da vida. Sua morte
aconteceu na calçada, depois que
seus pulmões não aguentaram a
rotina do abandono mesmo aos
olhos dos transeuntes que passa-
vam pelo viaduto e viam a mulher
com seu marido moribundo.
Desde que perdeu as ligações
familiares, Isabel passou a cuidar das pessoas que dividem as
angústias da vida nos viadutos.
Ela conta que frequentemente
moradores de rua apanham de
pessoas de classes mais altas.
Nas sextas-feiras, é comum que
adolescentes, após saírem de
casas noturnas e bares da região,
agridam os sem-teto.
“Na sexta-feira passada, uns
caras saíram de uma festa, assaltaram um rapaz na parada
de ônibus e levaram tudo dele.
Nós pedimos para que ao menos
devolvessem os tênis, mas os assaltantes vieram destruir nossas
coisas”, conta Isabel.
Ataque epilético
Luiz Carlos da Rosa, de 34
anos, também possui uma história
marcante. Após a casa que dividia com um primo em Gravataí
ter pegado fogo, sua rotina de
mudanças começou. Os bairros
Cavalhada e Restinga são alguns
dos lugares onde já morou. A vida
nos albergues e abrigos públicos
não é uma opção para ele, que
prefere ficar na rua. Enquanto a
entrevista era feita, os sinais de
mal-estar não abandonaram a
expressão de Luiz Carlos. “Ele não
se alimenta direito e bebe muito”,
conta Isabel.
Após responder se já havia
sofrido algum tipo de violência
na rua, Luiz Carlos colocou a mão
direita na testa. Parecia pensar no
que responder. Mas em seguida
gemeu e caiu, de costas, no chão.
Deitado, se contorcia. Ele teve
um ataque epilético e ficou paralisado. Estava azul, olhos abertos,
estirado. Parecia morto.
A equipe de reportagem do
Hipertexto ligou para o SAMU e
uma ambulância foi enviada para
o local. Enquanto isso, Luiz recuperava a consciência. Os repórteres viraram seu corpo de lado, a
fim de que não se afogasse com
a saliva. Pouco depois, começou
a vomitar.
Isabel não demonstrou preocupação com o amigo. Disse que
Luiz tinha HIV e as convulsões
eram normais. Também relatou
que, com frequência, as pessoas
dão dinheiro aos moradores de
rua, sabendo que irão usá-lo para
comprar drogas, mas quando
pedem alimento ou roupa, nem
sempre são atendidos.
Em casos de emergência, a
falta de atendimento aos moradores de rua é comum. Quando
o pedido de ajuda é feito por um
deles dificilmente são assistidos e
que os órgãos públicos sabem das
precárias condições dessas pessoas (ao ligar para o SAMU, o atendente perguntou como o repórter
sabia que Luiz convulsionava.
Afinal, os trotes, infelizmente,
também são comuns).
Enquanto tudo isso acontecia,
as pessoas cruzavam pelo local
sem mostrar qualquer reação
ao que ocorria debaixo da elevada. Somente um transeunte
que passava pelas proximidades
perguntou se a SAMU já havia
sido chamada, e após receber a
resposta, continuou seu caminho.
A ambulância chegou pouco
mais de dez minutos depois da
ligação. Ao avistar o veículo, Luiz
Carlos tentou se erguer, mas
apenas conseguiu sentar e seguiu
vomitando (agora, com sangue).
Os paramédicos o colocaram
na ambulância e começaram os
exames. O paramédico Zé Carlos
relatou que pessoas que moram
nas ruas têm todo tipo de doença
e atendimentos semelhantes são
realizados de 20 a 30 vezes por dia
pelo SAMU. A ambulância partiu
para o hospital poucos momentos depois, mas Luiz repetia aos
paramédicos: “Não quero ir para
albergues”.
Por Marco Antonio Souza
e Pedro Faustini
É COMUM A RESISTÊNCIA
AOS ALBERGUES
A Fundação de Assistência
Social e Cidadania têm a função
de realizar uma avaliação dos
pacientes após sua entrada no
hospital e fazer o encaminhamento, desde que o mesmo
esteja de acordo, a um dos
abrigos ou albergues com vagas disponíveis. Segundo Luiz
Eduardo Barbosa, coordenador
da Assessoria de Comunicação
Social da Fasc, não existe ferramenta legal que obrigue ao
paciente aceitar a transferência
para um dos locais que o muni-
Destino incerto de Luiz
cípio oferece às pessoas que não
tem para onde ir.
Os repórteres do Hipertexto foram até o Hospital de
Pronto-Socorro de Porto Alegre
para saber com a equipe de
assistentes sociais qual foi o
procedimento adotado neste
caso. A assistente social não
estava de plantão no horário
e a atendente que cuidava do
guichê não quis se identificar ou
dar qualquer esclarecimento. O
que terá acontecido com Luiz
Carlos?
6 esporte
Porto Alegre, outubro 2009
Eles saltam e
dançam numa
pista de skate
hipertexto
Bruno Todeschini/ Hiper
Manobras e aéreos decoram as
bordas da pista nos Jogos Radicais
de Porto Alegre em outubro
A PISTA é puro cimento. Nos
pés para amenizar o impacto, eles
têm apenas a prancha de skate.
Sem medo, os atletas deslizam,
saltam e dão show no Parque
Marinha do Brasil. “O skate me
tornou uma pessoa melhor, estava meio perdida na vida e me
encontrei aqui”, declara Chrys
Fernandes, paulista de 25 anos
que perdeu o pai há 10 e buscou
no esporte uma saída para fase
ruim de sua vida.
Oscar “Mad” Edinger, 36 anos,
é outro paulista que vê no skate
um refúgio. “O esporte só me
acrescentou coisas boas, me tirou
da rua e das más companhias, me
apresentou lugares e pessoas”. A
importância do esporte na vida
dos seus praticantes pode ser
comprovada no Parque Marinha
do Brasil nos dias 10, 11 e 12 de
outubro, quando iniciaram os
Jogos Radicais de 2009.
“Não tem nada igual a isso
aqui em lugar nenhum do Brasil,
essa pista é única”, elogia César
Lufti, paulista de 28 anos, skatista
pé-no-chão, que prioriza a família
e o trabalho acima do esporte.
Mad também exalta as condições
da pista do Parque Marinha e
destaca que os Jogos Radicais
incentivam o esporte e proporcionam espaço na mídia. Sérgio
Marreta, o sábio das pistas, vê o
evento como oportunidade para
melhorar a imagem do esporte,
“dá chance aos skatistas de alma,
como eu, provarem que é um
esporte digno”.
“Marreta”, como é conhecido
entre skatistas, tem 54 anos e traz
em suas rodinhas uma história
de dedicação e perseverança. Ele
‘culpa’ sua mãe pela paixão. “Sabe
como é, o embalo do carrinho de
nenê vicia, daí a gente evolui pro
carrinho de mão, depois pro de
fricção. Então só queremos saber
de ficar em cima do carrinho, foi
aí que descobri o skate”.
A carreira do figurão das pistas começou cedo, participou de
equipes como a Surf no Asfalto e
criou a Skator, que ele considera
“uma união, não um contrato”.
Apaixonado pelo esporte, confessa: “Nunca venci uma competição, participei pela alegria”.
Em 2007, Marreta sofreu um
grave acidente enquanto treinava
para o mundial de skate. Ele estava em alta velocidade quando um
carro invadiu a rua de maneira
indevida. O choque com o veículo
foi tão forte que quebrou mãos,
pés, a boca e a coluna. Uma estatística nada esperançosa atravessou a carreira do skatista: apenas
5% de chance de voltar a caminhar. Marreta, apavorado com
a probabilidade de ser impedido
de praticar o esporte, se dedicou
intensamente ao tratamento e,
um ano e meio depois, conseguiu
caminhar de muletas. De imediato, recorreu à skateterapia, pois o
skate exige trabalho de músculos
importantes para a recuperação.
Agora, em outubro de 2009,
lá estava Sérgio, com um equipamento para a sustentação de
sua coluna, desafiando os perigos
do esporte. Marreta é exemplo
de superação e um ídolo para a
nova geração de skatistas que
o chamam de pai do skate. Não
importa que as manobras já não
sejam as mesmas e a agilidade
está comprometida, o que interessa é seu amor pelo esporte. De
muleta na mão e skate no pé, uma
inspiração.
Muito irado: público acompanha movimentos do skatista e aguarda o momento dos aéreos
Por Carolina Beidacki
Jogos reúnem atletas radicais no Parque Marinha
A 4ª EDIÇÃO dos Jogos Radicais é um projeto da Prefeitura
de Porto Alegre, com apoio de
empresas materiais esportivos.
A realização é feita pela X3 –
Marketing Esportivo, que dedica
um ano de preparação para o
evento. As atrações vão do skate
ao wakeboard em competições de
nível nacional.
A primeira fase foi a do skate
em 10, 11 e 12 de outubro. Centenas de pessoas compareceram ao
Parque Marinha do Brasil, para
torcer ou apenas observar os atletas que desafiavam a gravidade
a todo segundo. As provas eram
organizadas em categorias de
idade e sexo. Iniciantes, meninas
e profissionais dividiam a pista.
Os jogos também serviram como
ação solidária: a taxa de inscrição
era a doação de dois brinquedos
à instituições de caridade. A ideia
veio ao encontro da datas dos
jogos, no Dia das Crianças.
Qualquer pessoa poderia participar, sob a condição de uso do
capacete em todas as provas. A
segurança foi prioridade número
um dos organizadores. Para atender às emergências, uma equipe
de profissionais e ambulância
estavam de prontidão. Também
participaram da segurança a
Polícia Civil, Brigada Militar e a
guarda municipal.
Snake e surf style eram as
principais modalidades da competição. Snake consiste em per-
correr uma pista, passando de
uma borda à outra, fazendo o
movimento semelhante ao de
uma cobra, daí o nome da prova.
O snake se divide em duas categorias, com e sem cones, conhecidas
como slalom e speed. Em ambas o
vencedor é o que concluir a prova
em menor tempo.
O surf style foi a saída encontrada pelos surfistas frustrados
da cidade. Longe das ondas, os
porto-alegrenses recorreram à
modalidade que compreende a
realização de manobras do surf
no skate. Nessa prova não basta
executar os movimentos com
perfeição, a ousadia e o estilo são
traços extremamente valorizados
pelos juízes.
Mesmo quem tinha pouco conhecimento sobre o esporte pôde
prestigiar o evento sem preocupações. Os juízes e apresentadores
da competição faziam questão de
esclarecer e traduzir cada prova
e termo utilizado. Talentos do
skate circulavam pelo evento,
conversando e respondendo a
perguntas lançadas. Também
surgiram alguns novos destaques
nas pistas que farão o futuro do
skate do país. Os Jogos Radicais
foram muito mais do que um encontro de skatistas, fortaleceram
o esporte que vinha perdendo
espaço. “No Brasil, ainda estamos
engatinhando, mas já se percebe
os avanços que fizemos”, observa
Kako Max, grande nome do skate.
hipertexto
esporte 7
Porto Alegre, outubro 2009
Porto Alegre rumo a 2016
Clubes da Capital preparam atletas que são aposta nas Olimpíadas no Brasil
Fotos Bruno Todeschini/ Hiper
O ANÚNCIO do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas em
2016 desencadeou uma corrida
para a preparação da Cidade
Maravilhosa para o evento. No
entanto, não é somente o Rio
que se organiza para o acontecimento. Em muitas cidades, os
preparativos de atletas que possam representar o país já iniciou.
Em Porto Alegre dois clubes
de alto nível fazem projeções
para 2016: Grêmio Náutico
União e Sogipa. Nestes clubes
são formados atletas destacados como João Derly (Sogipa),
Daiane dos Santos (ex-União)
e Mosiah Rodrigues (ex-União)
que representaram o Brasil em
Olimpíadas. Quem serão as revelações para o Rio Olímpico?
Sem tradição
Esgrima e ginástica rítmica
são algumas das apostas do Grêmio Náutico União, que investe
pesado em seus atletas. Com
uma das melhores estruturas do
Brasil, o clube tem mais de 50 mil
alunos nas atividades esportivas
e 144 profissionais (competição,
formação e apoio) que ajudam
571 atletas federados distribuídos
em nove modalidades esportivas:
remo, natação, vôlei, basquete,
judô, ginástica artística, ginástica
rítmica, tênis e esgrima.
Esporte pouco difundido no
Brasil, o esgrima recebe especial
atenção no União, com o objetivo
de que os atletas estejam aptos
a conquistar medalhas. O clube
levou João Souza, campeão do
Pan-Americano no Rio, para
as Olimpíadas de Pequim, e já
planeja ampliar esse número
de participantes nos jogos. Para
isso, o clube oferece todo o material necessário para os 110 alunos
que praticam esgrima. O professor Alexandre Teixeira explica
que esgrima não é um esporte
somente para a elite. Destaca que
o clube possui uma boa estrutura e vários atletas com grande
potencial. “Esperamos que eles
cheguem (no Rio, em 2016) aptos
a ganhar uma medalha olímpica,
o que seria inédito para o Brasil”,
comenta Teixeira.
Uma das grandes promessas
é Eduardo Rufino, 12 anos, esgrimista desde os sete. Eduardo
começou vendo o pai praticar
e tomou gostou pela esgrima.
Hoje é campeão brasileiro da
sua categoria e vice-campeão sulamericano. “Disputar as Olimpíadas de 2016 é o meu objetivo”,
conta o garoto que treina todos
os dias, no mínimo, uma hora.
Outra modalidade é a ginásti-
Treino: atletas do União buscam aumentar o número de medalhas do clube daqui a sete anos
ca rítmica. Por não ter muita tradição, a expectativa de medalha
em 2016 ainda é mais pessimista.
Segundo a treinadora da equipe
do União, Patrícia Fontana, o
Brasil tem muito a melhorar no
esporte, apesar do crescimento
nos resultados. O clube conta
com uma equipe de meninas que
disputa campeonatos nacionais
e internacionais e está entre as
cinco melhores do Brasil.
Para Patrícia, conquistar
medalha é um sonho e só poderá
acontecer do nascimento de um
talento. Dedicação e força de
vontade fazem parte do dia-a-dia
da equipe principal do União.
Diariamente, durante cinco horas, os movimentos são repetidos
exaustivamente até que sejam
executados perfeitamente. Isso já
rendeu muitos títulos nacionais
e individuais e um campeonato
brasileiro em equipe.
O destaque atual da equipe
feminina do União é a jovem
Eliane Sampaio. A garota de 17
anos treina desde os sete e está
entre as três melhores ginastas do Brasil. Eliane é campeã
regional, bicampeã brasileira e
participou do último campeonato
mundial da categoria onde só
participam atletas ranqueados.
Para ela, participar das Olimpíadas é uma meta, para isso se
dedica ao máximo. “É preciso
paciência, dedicação e responsabilidade”, reconhece a atleta
que, em 2016, pode conquistar
a primeira medalha olímpica na
ginástica rítmica.
O golfe e o rúgbi, as duas novas modalidades esportivas que
estarão nas Olimpíadas de 2016
no Rio de Janeiro, são pouco
praticadas no Brasil. A aprovação
destes esportes, no entanto, não
desanimou o Comitê Olímpico
Brasileiro (COB), nem os brasi-
leiros para que o país aumente o
número de medalhas em participação nos jogos.
Por Felipe Uhr
Expectativa para a Ginástica Rítmica ainda é pessimista
ARTIGO
O primeiro
passo
“AS OLIMPÍADAS podem ser
um ponto de virada na história
do Rio de Janeiro”. Com essas
palavras, o prefeito da capital
carioca Eduardo Paes mostrou
seu contentamento com escolha
da Cidade Maravilhosa como
sede dos Jogos Olímpicos. O
anúncio ocorreu em Copenhague, na Dinamarca, no dia 2 de
outubro. Porém, após algumas
semanas de deslumbramento, o
governo federal começa a pensar
nos investimentos necessários até
2016 para criar uma atmosfera
agradável para os turistas.
Estima-se que mais de um
milhão de estrangeiros irão desembarcar em terras tupiniquins
para apreciar a maior competição do planeta. Sejam japoneses
ou americanos, espanhóis ou
latino-americanos, o governo
quer estar preparado para receber todos de braços abertos,
fornecendo-lhes segurança e
infra-estrutura. Mas isso será
possível? Será que, em apenas
sete anos, a caótica Rio de Janeiro
vai ser capaz de virar referência
mundial?
Segundo o ministro do Turismo, Luiz Barreto, as Olimpíadas
são a oportunidade perfeita para
mudar a imagem do país e, a
longo prazo, a população só tem
a ganhar. Ela deixará uma boa
herança não só para cidade, mas
para todas as regiões brasileiras.
O dinheiro que for aplicado poderá promover a reestruturação da
economia nacional.
Investimentos não faltarão.
A iniciar pela segurança. Para
não ter mais aviões abatidos e
ônibus carbonizados, R$ 3 bilhões
serão repassados para compra
de novos equipamentos para a
polícia local.
Os setores hoteleiro e de serviços também receberão forte
ajuda. Para abrigar esse mar de
gente, na Copa do Mundo e nos
Jogos de 2016, serão necessários
mais de 48 mil quartos – quase
metades deles ainda não existem.
Outro desafio será expandir
e aperfeiçoar o sistema de transporte de massa, hoje baseado no
uso de ônibus. Estão previstos
investimentos de US$ 5,5 bilhões,
incluindo ferrovias, metrô, ônibus
e aeroportos.
Somente o tempo dirá se as
Olimpíadas trarão reais benefícios ao Brasil. Esforços não estão
sendo medidos. Enquanto 2016
não chega, o melhor é torcer para
que as futuras medalhas de ouro
brasileiras não sejam ofuscadas
pela plata dos cofres públicos.
Por Leonardo Serafim
8
cidade
Porto Alegre, outubro 2009
Artistas de circo levam arte
às ruas de Porto Alegre
hipertexto
CURTAS
Encontro de
Comunicação
Argentino e sua mulher se apresentam nos semáforos da Cidade Baixa
Ita Pritsch/ Hiper
Os delegados e as teses que
representarão o Rio Grande do
Sul na Conferência Nacional de
Comunicação (Confecom) serão
definidos no encontro estadual
que será realizada nos dias 3 e 4
de novembro, no Teatro Dante
Barone da Assembléia Legislativa. A Conferência Estadual de
Comunicação foi convocada pelo
mesa diretora do Parlamento
gaúcho, presidida pelo deputado
Ivar Pavan (PT), em função da
falta de iniciativa do Governo do
Estado.
Os delegados indicados representarão o poder público,
setor empresarial e movimentos
sociais. A Conferência Nacional
de Comunicação está marcada
para os dias 1 e 3 de dezembro,
em Brasília.No dia 21 de outubro
foi realizada a Conferência Livre
de Comunicação de Porto Alegre,
na Casa dos Bancários, sendo
uma preparatória para a 1ª Confecom. A Conferência Livre teve
como tema Comunicação: meios
para construção de direitos e de
cidadania na era digital.
Prova do ENEM
em dezembro
Pablo e Kaká se conheceram na Argentina durante um encontro de artistas circenses, e hoje viajam juntos se apresentando
O SEMÁFORO da rua José
Bonifácio fica vermelho e os carros param. Um homem de cerca
de 25 anos, de alargador nas orelhas e uma longa franja se põe à
frente dos carros. Cumprimenta
os motoristas com um sorriso e
um polegar em sinal de positivo.
Equilibra uma bola de borracha
na parte de cima do pé. Após,
lança-a para cima. A bola pousa
em sua nuca. Ele gira a cabeça,
jogando a franja de um lado para
o outro, de forma que a bola role
sobre seu rosto, depois passa-a
para seus ombros e braços, tudo
isso sem derrubá-la. Da calçada,
sua mulher o observa. Perto dela,
equipamentos: malabares, bolas,
um monociclo. O homem termina
a apresentação e começa a recolher dinheiro dos carros. O semáforo fica verde. Os carros avançam
e o homem junta-se a sua mulher,
até o sinal fechar de novo.
Eles são Pablo Pichacha e
Kaká, artistas de circo. Juntos,
percorrem cidades se apresentando em espaços apropriados ou, na
falta deles, na rua. “Aqui em Porto
Alegre, só tem a Redenção pra se
apresentar”, reclama Kaká, “fora
isso, tem o Cabaré Valentim umas
duas vezes por ano”. Apesar disso,
diz que gosta de trabalhar na rua. dez meses viajando pela terra de
“Na rua a gente tem contato com Pablo. Ela relata as diferenças da
as pessoas, e tem que conquistar Argentina e do Brasil: “Lá eles
o público. As pessoas que vão no ensinam circo nas escolas. Há
circo já estão dispostas a aceitar o uma cultura de artistas de rua
espetáculo. As pessoas na rua têm muito maior. Eles têm espaços,
há mais oportunidades. Por isso
que ser conquistadas.”
Kaká diz que há mais de 50 fiquei por lá.”
Pablo é natural de Neuquen,
artistas em Porto Alegre trabalhando nas ruas. Juntos, eles uma cidade argentina. Inicioucriam uma rede de ajuda mú- se na arte um pouco mais cedo
tua, principalmente através da que a mulher, que é brasileira.
internet. Grande parte deles se “Comecei com 12 anos. Aprendi
com outros artistas
reúne para treimais experientes. À
nar no Parque da
partir dos 14 anos, o
Redenção, perto
“O lucro de
negócio ficou mais
da fonte. “Conhecada dia
profissional”, conta
ço muita gente de
ele, em espanhol. Sabe
circo. É uma rede,
é incerto.“
muito pouco portueles te indicam luguês. O casal chegou
gares”, diz ela.
à Porto Alegre há um
Kaká faz circo
desde os 16 anos. Aprendeu numa mês. Motivo: Kaká está grávida e
oficina a fazer malabarismo e voltou para a cidade dos pais para
andar de monociclo. Trabalhou ficar um tempo com eles.
A rotina de um artista de rua
em telemarketing e como atendente de lojas antes de se dedicar é bem livre. Pablo levanta, treina,
exclusivamente à sua arte. Um depois se apresenta por algumas
artista viaja muito: Kaká rodou horas. Normalmente não mais
o Brasil de norte a sul junto com que cinco. O monociclo exige
um grupo. Conheceu o argentino muito, fisicamente. Com quatro
Pablo quando foi à Argentina para horas já se está esgotado. O lucro
um encontro de artistas circen- de cada dia é incerto, depende de
ses. Os dois passaram os últimos vários fatores. “Varia muito, se é
início do mês, final do mês, podese ganhar muito numa semana e
pouco na outra”, explica Kaká. No
dia da entrevista, Pablo estava se
apresentando pela primeira vez
depois de uma semana de chuvas.
Quando chove, não há o que fazer:
o jeito é ficar treinando, enquanto
se espera o tempo melhorar. Depois, corre-se atrás do prejuízo. “A
gente joga com a rotina”, brinca
Kaká.
Apesar de reclamar da falta de
apoio, Kaká diz que não espera
nada do governo. “Tem gente que
ganha apoio da Funarte, que agora começou a aprovar projetos de
circo, mas é a mínima ajuda possível. Não sei dizer se vai melhorar.
Falta espaço, mas falta também
reconhecimento cultural da arte
circense, diferenciar um artista
de um cara que pede dinheiro
na rua. As pessoas não têm que
pagar, mas retornar de alguma
forma. Não precisa de um apoio
necessariamente do governo. Eles
não se importam tanto com a arte
e sim com a política”. E completa:
“A gente tá na rua justamente pra
mostrar que a nossa arte é livre e
independente”.
Por Giordano Benites Tronco
Nos dias 5 e 6 de dezembro,
estudantes do ensino médio
deverão fazer a prova do Exame
Nacional (Enem), aquela que
foi adiada em virtude do roubo
de alguns exemplares em São
Paulo no final de setembro. Por
causa da nova data do Enem, em
dezembro, várias universidades
tiveram que alterar os dias das
provas do vestibular de verão,
caso da PUCRS que remarcou
para 12 e 13 de dezembro.
Depois de roubarem parte
das questões em 21 de setembro,
os dois funcionários do consórcio Connasel, contratado pelo
governo federal para elaborar
as provas do Enem, tentaram
vender as mesmas para diversos
meios de comunicação em São
Paulo. Complicando ainda mais
o processo, o Connasel havia
vencido a licitação no valor de
R$ 116 milhões, dos quais R$ 38
milhões, referentes aos custos de
impressão, já haviam sido pagos
pelo governo.
Cerca de 4,1 milhões de estudantes se inscreveram para
participar da prova. Os alunos de
escolas particulares que desistirem de fazer o Enem poderão ter
o dinheiro da inscrição devolvido.
Para isso, terão que encaminhar
ao Inep a solicitação, os demais
estudantes não precisam pagar
novamente a inscrição, e recebem
em casa todos os dados para a
realização da nova prova.
hipertexto
letra & música 9
Porto Alegre, outubro 2009
‘Feira é o cartão postal da nossa cultura’
O patrono Carlos Urbim considera a promoção uma espécie de quermesse do livro
Renata Lopes/ Hiper
Um evento dos mais populares e estimados pelos gaúchos, assim
o patrono Carlos Urbim vê a promoção anual da Feira do Livro de
Porto Alegre. Feliz por, enfim, receber a distinção – ele não aguentava mais estar na fila – o jornalista que se especializou na literatura
infantil alega “escrever para ser avô, pai, tio, padrinho que adora
ver olhos brilhando sempre que se pronuncia a frase mágica “era
uma vez...” Pronto para se dedicar às tarefas de patrono, ele separou
“camisas espertas” para esses dias.
acyr Scliar, Luis Antonio de Assis
Brasil, Luis Fernando Verissimo,
Lya Luft, Tabajara Ruas, Cíntia
Moscovitch, Fabrício Carpinejar,
Leonardo Brasiliense, Ricardo
Silvestrin. Todos eles compõem
um painel da cultura rio-grandense, cada um a seu modo.
COMO DESCREVERIA a
Feira do Livro, o que chama
atenção nessa 55ª edição e o
que poderia mudar?
O escritor Carlos Urbim
surgiu como contador de
histórias infantis. Depois de
escrever roteiros sobre história do RS, não teve vontade de
escrever para adultos?
A Feira de Porto Alegre, que
chega a 55ª edição, está de bom
tamanho. Conta com uma estrutura complexa, que a cada ano
se aperfeiçoa. Chama atenção o
fato de o evento ter se tornado
um dos mais populares e amados
pelos gaúchos. É cartão postal da
nossa cultura. São poucas as cidades no mundo que adquiriram
o direito de, todos os anos, abrir
um espaço no Centro Histórico
para festejar os livros, os autores,
a leitura. Vale a pena viver isso,
ver a Praça da Alfândega e o Cais
do Porto povoados de leitores em
uma espécie de quermesse que,
em 2009, tem 17 dias de duração.
Nesta quermesse, como
o senhor qualificou, a literatura não corre risco diante
da expansão de fenômenos
como os livros de auto-ajuda,
gastronomia, dietas e outras
praticidades, mais o desfile
de celebridades promovido
por meios de comunicação e
empresas de marketing?
Não, a festa é dos livros. A
grande motivação dos que frequentam a Feira é a leitura. O
evento está a cada ano maior,
com uma programação intensa
todos os dias, mas tudo gira em
torno do livro. Claro que existem
os fenômenos, modismos, desfiles. Mas a gente sabe que está ali
porque gosta de ler.
Como jornalista e escritor,
com experiência em jornal
e TV, mídias de interação e
retorno rápido, como o livro –
que exige mais tempo para ser
produzido e chegar ao leitor –
pode garantir seu lugar entre
jovens e inquietos leitores?
Esse é o maior desafio de
quem escreve. Precisamos aprender a usar tudo o que a tecnologia oferece. Gosto de pensar no
futuro: em breve, teremos textos
em minilaptop ou algo mais
avançado ainda, capaz de tornar
o livro virtual tão portátil quanto
o de papel. A vontade de ler pode
começar em tenra idade, de maneira alegre e prazerosa. Ficará
ainda mais divertido quando a
gente puder ver holografias em
terceira dimensão nas páginas.
Sua experiência em TV
inclui roteiros para vários
programas, há alguma relação com a literatura infantil
ou são coisas completamente
diferentes? O senhor ainda
trabalha em veículo de comunicação?
Estou aposentado das redações, mas continuo trabalhando.
Com o salário do INSS, serei
obrigado a complementar o orçamento pelo resto da vida. Redijo
em casa, envio textos por e-mail.
Sou escritor em tempo integral:
produzo argumentos para TV,
livros infantis e obras que me
encomendam, como a mais recente em que conto a história da
Metalúrgica Zamprogna, lançada
em fevereiro de 2009. O ofício de
jornalista me deu instrumentos
para escrever conforme cada
momento ou projeto. Confesso
que estou sempre feliz quando o
texto é para crianças.
Qual seria o melhor caminho para mobilizar crianças e
jovens a entender a importância e poder da leitura?
O melhor caminho é pais e
mães estarem atentos e espertos
nos momentos em que o melhor
para repassar aos filhos é o prazer
da leitura. Desde o comecinho
dá para botar livros duráveis e
laváveis até na banheira do bebê.
É preciso também ter disponibilidade e carinho para valorizar a
literatura oral, contar histórias,
atiçar a imaginação dos pimpolhos. Foi conversando com meus
dois guris que me tornei escritor.
Desde a estreia na Feira, em 1984,
passei a frequentar escolas, bater
papo com estudantes, prestar
atenção nos interesses da meninada de agora. Jornalista profissional, exerço o ofício de escrever
para ser avô, pai, tio, padrinho
que adora ver olhos brilhando
sempre que se pronuncia a frase
mágica “era uma vez...”
Quais as leituras que o senhor recomenda aos jovens
universitários hoje?
Para começar não precisa
ir longe. No Rio Grande do Sul
temos excelentes autores. Recomendo toda a obra de Erico
Verissimo e Mario Quintana. E
há os belos livros de Josué Guimarães e Cyro Martins. Entre os
contemporâneos, está aí o Mo-
Quando é para criar ficção,
por enquanto ainda me ocorrem livros em linguagem bem
simples, próxima das crianças.
A série de TV “Os Farrapos” me
permitiu publicar os textos como
uma reportagem para leitores
de qualquer idade. A partir do
que estudei e pesquisei, também
escrevi “Pia Farroupilha”, sobre
um guri no tempo da Guerra dos
Farrapos. Aproveito o que me
acontece para escrever.
O que pretende acrescentar este ano na Feira?
Tenho convicção de que fui
eleito patrono como representante dos autores do Rio Grande
do Sul que produzem livros para
crianças. Somos um time, uma
seleção rio-grandense que se
destaca na literatura do Brasil.
Escritor que procura se aproximar dos que começam a gostar
de ler, venho acompanhado de
artistas que enriquecem meu
trabalho. Eles são parceiros e coautores que recriam personagens,
cenários, lembranças, em cores
que nem sei identificar por ser
daltônico. Quero que meus livros
cheguem aos leitores como se
fossem brinquedos, bem divertidos. Por isso sonho me tornar o
homenageado que leva à Feira só
alegria e sorrisos.
Como o senhor se prepara
para a maratona que é ser
patrono? Faz dieta especial e
comprou roupas novas, sapatos confortáveis e resistentes
para aguentar as caminhadas
no Centro, recomendado por
patronos anteriores?
Assim que meu nome foi
anunciado, passei a viver a maratona prevista. Não parei mais.
Como sou um senhor de 61 anos,
tenho que me cuidar, me alimentar regularmente, para ter
resistência e não deixar a peteca
cair. Ainda não comprei sapatos
novos, estou usando os antigos,
principalmente tênis, que não são
apertados nem criam calos. Ah,
vou ver se descolo umas camisas
espertas.
Por Bruna Griebeler
“Quero que meus livros sejam vistos como brinquedos”
Evento contempla todas idades
SERÃO 17 DIAS para estar
bem próximo a uma infinidade
e variedade de livros, além do
acesso a escritores e diversas
personalidades da cultura que
estarão na 55ª Feira do Livro, que
começa dia 30 de outubro e vai até
dia 17 de novembro. A programação infantil ganha destaque com
a escolha de Carlos Urbim como
patrono, mas todas as idades serão contempladas.
Durante duas semanas, quem
passar pela Praça da Alfândega,
Cais do Porto, Avenida Sepúlveda,
Casa de Cultura Mario Quintana,
Centro Cultural CEEE Erico Veríssimo, Memorial do Rio Grande
do Sul e Santander Cultural poderá conferir a estrutura erguida
para receber os livros, escritores,
palestras, seminários e oficinas
oferecidos.
O seminário “Por um Espaço
Especial para a Literatura na Escola” será realizado em parceria
com a Associação de Escritores e
Ilustradores de Literatura Infantil
e Juvenil, cuja sede fica no Rio
de Janeiro, e terá participação
de grandes nomes da literatura
como os dos escritores Ignácio
de Loyola Brandão e Bartolomeu
Campos de Queirós. Além disso,
terá cerca de 180 autores que se
dedicam aos pequenos leitores,
dentre eles está Ana Maria Machado que receberá às 15h30min
do dia 3 de novembro cerca de mil
crianças no Teatro Sancho Pança.
Nem por isso a programação
adulta deixa a desejar, e uma das
novidades é a nova roupagem
do Território de Pasárgada, em
localização privilegiada na Praça
da Alfândega. É lá que esse público receberá as programações
ligadas à literatura. A França,
país homenageado, traz um grupo
de pensadores de primeira linha
como Michel Maffesoli (Sorbonne), Stephane Hugon (Sorbonne),
Patrick Tacussel (Montpellier),
Patrick Watier (Estrasburgo),
Pierre Le Quéau (Grenoble) e
Martine Xiberras (Montpellier).
Eles estarão participando de um
seminário chamado “O Brasil no
Imaginário Francês”.
As atividades da Feira terão
novos temas para a terceira idade, para leitores mais exigentes,
acadêmicos, curiosos e bem informados que estão em busca de
novos livros para preencher suas
prateleiras e pensamentos. Os
lançamentos irão proporcionar
a aproximação com escritores do
Brasil, Alemanha, Itália, França,
Bélgica, Argentina, Angola, Bósnia, Uruguai, Bolívia, Colômbia,
Paraguai, Chile e México. As oficinas dirigidas ao público adulto
são nas áreas de criação literária,
cuidados com livros, organização
de espaços de leitura e usos da linguagem. Para mais informações:
www.feiradolivro-poa.com.br.
10 letra & música
Porto Alegre, outubro 2009
hipertexto
VOZEIRÃO, agilidade nos
dedos e presença de palco fizeram do show da banda Living
Colour uma verdadeira aula de
rock. Os nova-iorquinos se apresentaram no Bar Opinião, em
Porto Alegre em 14 de outubro
e deixaram os fãs em êxtase. A
casa não lotou, mas a sintonia do
público com a banda fez a noite
inesquecível.
Com voz capaz de evoluir
da suavidade das baladas para
o mais agudo rock’n roll, o vocalista Corey Glover convenceu. Já Vernon Reid desfilava
talento nas cordas da guitarra,
com competência e sentimento.
Mas quem dominou o palco foi
o baixista Doug Wimbish. Não
parava um segundo sequer: ia de
um canto a outro do palco, descia
até o meio da pista e, para delírio
dos fãs, tocou o instrumento com
a boca. Will Calhoun proporcionou 20 minutos de folga para
seus colegas, enquanto entretinha o público com um genial e
ininterrupto solo de bateria.
A banda, com mais de 25
anos de estrada, iniciou o show
com alguns dos primeiros sucessos, e seguiu intercalando
canções antigas com músicas do
Bruno Todeschini/Hiper
Living Colour empolga público no Opinião
novo álbum, The Chair in The
Doorway. Baquetas iluminadas
e sons eletrônicos compunham
um espetáculo inesquecível. Para
completar a noite, uma sessão
de autógrafos e fotos com os fãs.
Os porto-alegrenses conquistaram os músicos da Living
Colour e o tour pela América do
Sul continua até novembro. Will
Calhoun elogia: “Já tocamos em
vários lugares da Argentina e
do Brasil, e, até agora, o melhor
público foi o de Porto Alegre. As
vibrações aqui são muito boas”.
Por Carolina Beidacki
Luiza Carmona/Hiper
O vocalista Corey Glover mostrou toda a seu talento
MV Bill apavora e
o bonde não para
Repertório traz à tona crítica social e política
O artista enlouqueceu centenas de fãs em única apresentação na capital
CENTENAS DE FÃS lotaram o bar
Opinião. Quem não pôde entrar ficou na
rua escutando o som, e congestionou parte
da José do Patrocínio, na Cidade Baixa.
O rapper MV Bill agradeceu a euforia da
plateia e logo avisou que as fotos estavam
liberadas. “Podem tirar fotos, filmar com
as câmeras digitais, postar em perfis de
Internet, façam o que quiserem”, disse
ele. Além de criticar grandes artistas que
proíbem fotografias, deixou todos ensandecidos com a apresentação na noite de 15
de outubro em Porto Alegre.
No repertório, músicas do seu próximo
álbum, previsto para novembro, e sucessos
de três discos anteriores. O show, que estava marcado para 23h começou à 0h30min,
mas não decepcionou o público que o
saudou do início ao fim. O rapper vive seu
momento mais popular como artista. Recentemente, lançou Despacho Urbano, o
primeiro DVD de sua carreira, e ganhou o
VMB (Vídeo Music Brasil) de melhor artista na categoria Rap. Seu novo CD, Causa e
efeito, ainda não foi lançado oficialmente,
mas já possui algumas músicas na Internet
e um clip da canção O bonde não para. O
vídeo é dirigido por ele mesmo, e foi um
dos mais assistidos no site da MTV poucos
dias após ser lançado. Além desta música,
carro chefe de seu novo trabalho, o disco
conta com a participação de artistas como
Chorão, da banda Charlie Brown Jr, e do
grupo estrangeiro Public Enemy.
Seu grupo, formado por um baterista,
um DJ nas pick-ups, uma backing vocal e
um violinista, já aquecia no palco quando
ele entrou. Parecia um jogador de basquete, devido à sua altura e vestimenta. Com
uma camiseta branca larga, bermudão
amarelo, par de tênis e meiões. Sem muito
jeito para dançar, o que o diferenciava de
todos era o microfone na mão. Isto é que
MV Bill sabe fazer de melhor. Logo de cara,
fez um improviso e emendou com a música
Emivi, um hit do Declarações de Guerra,
de 2002, seu segundo trabalho em estúdio.
Marcante no palco, e muito carismático, soube incendiar ainda mais a galera.
Falou que iria tocar tudo o que quisessem,
porque ninguém tinha hora para sair dali.
Extasiados, os porto alegrenses que foram
prestigiar o cantor, sabiam todas as letras
complicadas e longas do rapper, mesmo
as mais recentes, encontradas apenas no
MySpace. O bonde não para foi a escolhida
do artista para seguir o espetáculo. Fez
até os espectadores mais dispersos gritarem um refrão pegajoso, que repete mais
de 20 vezes a mesma frase até o final da
música: “o bonde não para, o bonde não
para, só quem tá formado, no bonde que
bota a cara”.
Com quase dez anos de carreira musical, MV Bill alcança uma qualidade de
áudio pouco comum na música de periferia
nacional. Detalhes eletrônicos e instrumentais enriquecem cada canção. Assim,
fazem com que o hip hop brasileiro, caracterizado mais pelas letras do que pelos
arranjos, ganhe uma densidade sonora
peculiar. Músicas famosas pelo texto de
crítica social, como O bagulho é doido,
Só mais um maluco e Livre pra voar,
agora chamam atenção pelo que soam. Os
arranjos se tornam mais característicos
com um violino acrescentado em todo o set
list. O som do instrumento ganha destaque
notável na música Falcão.
A apresentação do rapper mais famoso
do Brasil na capital gaúcha teve duração
de quase duas horas. Músicas consagradas
forma aplaudidas pelo público do inicio ao
fim. MV Bill prova que, desde seu primeiro
disco Traficando a informação, de 2000,
não perdeu a contundência política, nem a
particularidade de levá-la para ser cantada
pelos jovens.
Bruno Goularte
hipertexto
letra & música 11
Porto Alegre, outubro 2009
Fotos: Mariana Fontoura/Hiper
Energia de sempre: Bi Ribeiro, baixista, e Herbert Vianna, vocal e guitarra, mantêm a força do grupo formado há quase 30 anos no Rio de Janeiro
Paralamas quebram barreira do tempo
Banda dos anos 70 impressiona fãs, relembra sucessos e apresenta novo álbum na capital
GUITARRA RASGADA, percussão forte e o inconfundível
naipe de metais. O som dos Paralamas do Sucesso atravessa o
tempo sem perder um decibel da
força original. Uma década e meia
mais velhos, a energia do som de
Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João
Barone, nada perde para o de 15
anos atrás.
Em Porto Alegre, apresentaram o álbum Brasil Afora, lançado em 2009. O show foi no teatro
do Bourbon Country, dia 9 de outubro. Com mais de duas décadas
de carreira, a banda relembrou
hits de todas as épocas, a uma
plateia de diferentes gerações.
Os cariocas encantaram pessoas
das mais variadas faixas etárias.
Quanto aos jovens, a maioria
herdou o gosto musical de seus
pais e, por isso os acompanhavam
ao show.
Yasmin Ramos, 14 anos, assistiu ao espetáculo junto com a
mãe e a amiga Ana Alves, também
14. “Foi com ela que descobri Paralamas”, conta. A mãe, Cristina
Hemelino, 39 anos, é uma fã das
antigas, diz Yasmin. Para Cristina,
o show de hoje foi o melhor: “este
foi mais olho no olho”.
O fato de ter sido mais intimista não quer dizer menos empolgante. No início, o público parecia
acanhado, mas a energia de Ela
Disse Adeus e Uma Brasileira,
essa última numa versão mais
rock do que a original, desarmou
a multidão. Quando tocaram
Alagados, não havia uma única
pessoa parada.
Alguns imprevistos causaram
surpresa: a pele de um dos tambores da bateria rasgou, e obrigou
Herbert a distrair os presentes
com uma piada durante os reparos. “O João (Barone) soltou um
pum, todo mundo sentiu, ai ele
fingiu que tinha sido um problema
na bateria”, brincou. Além disso, o
plano de fundo do cenário trocou
antes da hora. “São os shows que
dão esses problemas que ficam
gravados na memória”, disse o
baterista João Barone, antes de
sua performance vocal num cover
de O Vencedor, de Los Hermanos.
Outro momento inesperado
foi um acústico de quatro músicas,
em que os clássicos Caleidoscópio
e Uns Dias, além da nova Mormaço, foram executados somente
com violões e percussão.
Bate coração
Para os entrevistados, o momento de maior impacto foi o bis.
A banda voltou ao palco com tanta
energia quanto no início do show.
Após Lanterna dos Afogados, o
grupo emendou a cover dos Titãs,
Sonífera Ilha.
No ritmo dos anos: o baterista João Barone é outro dos formadores originais do grupo
Durante a execução de Óculos,
Herbert mudou um dos versos da
música. “Em cima dessas rodas
também bate um coração!”, bradou, ao que foi aplaudido por todos os presentes. Fazia referência
ao acidente com o ultraleve, que o
deixou em uma cadeira de rodas,
em 2001.
“Existe o Paralamas antes do
acidente e depois do acidente”,
declara Jeferson Bittencourt, 25
anos, que acompanha o grupo ao
vivo desde 1993. “Antes, os shows
eram mais agitados, bem dançantes e fortes. Depois, ficaram com
um clima mais nostálgico.” Sobre
o a turnê atual, Bittencourt só tem
elogios: “Eles estão numa crescente. Cada vez mais o Herbert volta
a ser ele mesmo. O show estava
tecnicamente tão bom quanto
antes do acidente. Não é à toa
que foi eleito (pela MTV) como o
melhor do ano”.
Para encerrar a noite, Vital e
sua Moto, primeiro sucesso dos
Paralamas. A música é cantada
em coro por milhares de pessoas,
para quem o som dos Paralamas
continua tão atual quanto nos
anos 70. Eles tiveram a chance de
sentir novamente a canção pela
primeira vez. Com sorte, poderão
reviver o momento. Barone declarou, num breve intervalo entre
duas músicas, que a apresentação
de Porto Alegre é candidata a
aparecer no DVD da turnê Brasil
Afora, que será lançado ao término desta. Agora é torcer para ser
a escolhida.
Por Giordano Benites Tronco
12 ponto final
Porto Alegre, outubro 2009
hipertexto
Lívia Auler/Hiper
A emoção da ópera
Il Trovatore
150 artistas encenam tragédia de Verdi na PUCRS
Tragédia: apresentação conta a história de Azucena, uma cigana que é queimada viva ao ser surpreendida ao lado do berço do filho do conde da cidade
NO PALCO, 50 músicos, um coral com 80 vozes e um
grupo de baile composto por 20 dançarinos exibiram o
resultado de cinco meses de esforço coletivo. Após quase
três anos sem apresentar uma ópera, Coral e Orquestra
Filarmônica da PUCRS mostraram o espetáculo “II
Trovatore”, dias 3 e 4 de outubro, no Salão de Atos da
Universidade.
A montagem da obra mais conhecida do compositor italiano Giuseppe Verdi (1813-1901) começou a ser
planejada em maio deste ano. De lá pra cá, “o grupo
trabalhou, de domingo a domingo, com hora certa para
entrar, mas nunca com hora para sair”, conta Adriana
de Almeida, solista e diretora de produção do projeto
Concertos Comunitários Zaffari 2009.
A preparação de “um espetáculo complexo que envolve muitas pessoas é um desafio”, constata Adriana,
que justifica a escolha da ópera pelo apelo junto ao
público e a participação constante do coral. “Nós queríamos valorizar o belíssimo coral que a Universidade
tem”, diz a diretora. Em torno de 150 artistas atuaram
no espetáculo, sem contar a equipe que trabalhou nos
bastidores. A mezzosoprana Alejandra Malvino e o barítono Luis Gaeta, vindos da Argentina, participaram do
elenco de solistas junto com o tenor Marcelo Vannucci
e o baixo Sávio Sperandio, ambos de São Paulo. As gaúchas Adriana de Almeida, soprano, e Luciana Bottona,
mezzosoprana, completaram o time.
Pedro Spohr foi quem preparou as vozes, junto com o
pianista Paulo Bergmann. Para ser fiel à época representada, os homens do coro não podiam cortar os cabelos
nem aparar a barba. Para Adriana, o estresse de uma
apresentação existe e existirá sempre. “A diferença entre
um espetáculo comum e uma ópera é o fato de que esta
envolve muita gente, tem que ensaiar coral, orquestra,
escolher elenco, fazer figurinos, confeccionar cenário”,
contextualiza a diretora.
Três horas de música
Por volta de 3,8 mil pessoas assistiram aos dois dias
de espetáculo, apresentados com duração de aproximadamente três horas. Trinta minutos de intervalo sepa-
ravam os dois blocos de música, de uma hora cada. A
maratona pode parecer cansativa, não fosse pela magnitude e raridade do evento. “Em outros teatros do mundo
a ópera é apresentada com intervalo de uma semana,
para os artistas poderem descansar”, conta Adriana.
“Aqui, porém, apresentamos direto, pois o nosso custo
de montagem é alto, então não podemos nos dar ao luxo
de descansar uma semana para na outra apresentar a
segunda parte do espetáculo”, confessa.
A cigana Azucena
Com direção cênica de Victória Milanez, contada
em quatro atos, a apresentação mostrou a história de
Trovatore. Juntamente com Rigoletto e La Traviata,
compõe a chamada “trilogia verdiana”, formada pelas
óperas mais populares de Verdi. A ópera conta a história
de uma cigana, que é queimada viva ao ser surpreendida
ao lado do berço do filho do Conde de Luna. A filha da
cigana, Azucena, sequestra a criança e se vinga, dando à
ela a mesma morte da mãe. Mais tarde, Leonora, dama
cortejada pelo herdeiro do velho conde, apaixona-se pelo
trovador Manrico. O trovador crê ser filho de Azucena.
O que ele não sabe é que ela queimou o próprio filho
por engano. O enredo do espetáculo acaba em tragédia.
Rochelle Fernanda da Silva, estudante de Cinema
da PUCRS e integrante do coral, considera ter realizado
um sonho. A jovem de 21 anos, que há três participa do
coro, cita a emoção ao ver o maestro Frederico Gerling
Junior reger novamente, após 60 anos, “II Trovatore”.
Depois de os ensaios terem sido suspensos em função
da gripe A, o grupo teve somente três meses para afinar
os últimos detalhes. E foi com grande euforia que os
espectadores receberam o espetáculo. “O gaúcho gosta
de ópera, é um público culto que não tem medo de conhecer o novo”, comemora Adriana. Famílias inteiras,
pais, mães e filhos prestigiaram e puderam acompanhar
através de legendas o que era cantado e encenado, em
italiano. E assim, compreender a música erudita e se
emocionar.
Por Raquel Robaert
Mariana Fontoura/Hiper
Trilogia: obra é uma das mais conhecidas de Verdi

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