SkillPort exército

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SkillPort exército
Economia l Negócios l Tendências
Joinville, novembro / dezembro 2014
No16 l R$ 10
Saídas para o
Brasil em 2015
Quinze analistas indicam caminhos
que podem destravar a economia
e o desenvolvimento
4
Visão Acij
Precisamos investir para crescer
NESTA EDIÇÃO
João Martinelli, presidente da Acij
4 Abre aspas
Sou e sempre serei um otimista. Economistas pregam que 2015 e 2016
serão anos difíceis. Historicamente, os anos subsequentes a uma eleição presidencial costumam ser de ajustes, já que em tempos de eleição os gastos públicos extrapolam todos os pudores, causando grande
déficit – neste ano, “apenas” R$ 25 bilhões. Para o empresário, anos difíceis não significam necessariamente recessão. Mas, sim, que se terá
que trabalhar muito mais para ganhar um pouco menos.
O que nos preocupa, quanto ao futuro da economia, é o fato de Santa Catarina ser um dos melhores Estados em muitos quesitos, especialmente educação e qualidade de vida, mas que pouco investiu em infraestrutura, não importando se a competência desses investimentos for
de natureza federal ou estadual. A duplicação da BR 101 nem terminada
está em solo catarinense – no Rio Grande do Sul, está pronta há algum
tempo – e já é chegada a hora da triplicação. A BR 280, cuja duplicação
se arrasta por longos anos, assim que estiver pronta já será insuficiente
para o volume de tráfego. A BR 470, que Deus nos perdoe, é uma lástima.
Única estrada que corta o Estado no sentido Leste-Oeste, ainda se encontra do jeito que o ex-governador Konder Reis a deixou. Mesmo as rodovias
estaduais seguem em péssimo estado, exceto as de Florianópolis (para o
turismo e o visitante, quase tudo!).
Ideal seria que investimentos estaduais em infraestrutura fossem
distribuídos proporcionalmente ao valor arrecadado em cada região. De
qualquer sorte, o crescimento da economia depende do volume de investimentos nos parques fabris e na infraestrutura. A indústria vem com
atividade decrescente e, provavelmente, entrará em 2015 com o mesmo
viés, podendo começar a gerar desemprego. Necessário que o empresário
acredite que investimento não se faz com base no cenário vigente, mas
no potencial inquestionável do país e do Estado. Entretanto, o governo
federal precisa fazer a sua parte. Porque o empresário seguirá gerando
empregos, distribuindo dignidade ao cidadão. Se não, quem o fará?
Nesta edição, articulistas convidados abordam as expectativas para a
economia brasileira em 2015. Leia a partir da página 24.
revista
Governador elege
prioridades para o Norte
12 Objetos do desejo
Novidades de ponta
para as suas férias
16 Briefing
O melhor das melhores
empresas para se trabalhar
22 Em números
Diagnóstico da Fiesc
analisa indústria de SC
36 Performance
Academias de ginástica:
um mercado agitado
40 Negócios
Franquias apetitosas
e com baixo capital
44 Vitae
O professor que é
sinônimo de educação
46 Conjuntura
BMW impulsiona
polo automotivo
60 Ponto e contraponto
Será que dá (mesmo) para
ser feliz no emprego?
Publicação bimestral da Associação Empresarial de Joinville (Acij)
Conselho editorial: Ana Carolina Bruske, Carolina Winter, Débora Palermo Melo, Diogo Haron, Simone Gehrke. Jornalista
responsável: Júlio Franco (reg.prof. 7352/RS). Produção: Mercado de Comunicação. Editor: Guilherme Diefenthaeler (reg.
prof. 6207/RS). Reportagem: Letícia Caroline, Ana Ribas Diefenthaeler, Marcela Güther, Karoline Lopes, Mayara Pabst. Diagramação, ilustrações e infográficos: Fábio Abreu. Capa desta edição: Fábio Abreu. Fotografia: Peninha Machado, assessorias
de imprensa. Impressão: Impressora Mayer. Tiragem: 3,5 mil exemplares. Contato: [email protected]
br. Publicidade: César Bueno, (47) 9967-2587 e 3801-4897. Correspondência: Av. Aluisio Pires Condeixa, 2550 - Joinville/SC.
Site: www.acij.com.br. Twitter: twitter.com/acij. Facebook: www.facebook.com/acijjoinville
revista
3
Abre aspas
“O Estado está
fazendo a sua parte”
Reeleito no primeiro turno, Raimundo
Colombo indica prioridades para o Norte,
em segurança, saúde e educação
Guilherme Diefenthaeler
“Fazer mais e melhor” foi a promessa do governador reeleito Raimundo
Colombo, empolgado com a vitória
nas urnas, dia 5 de outubro, quando
1,76 milhão de catarinenses escolheram seu nome para seguir à frente
do Executivo. Duas semanas antes,
em meio à sabatina promovida pela
Acij com os candidatos ao governo
4
estadual, ele já havia anunciado os
pontos centrais de sua plataforma
para o atendimento a demandas
dos joinvilenses em aspectos como
segurança pública, saúde, educação
e infraestrutura. A Revista 21 voltou
ao assunto para pautar esta entrevista com o governador.
Na questão da segurança, que
produziu manchetes às vésperas
do pleito com mais uma bateria
de atentados em ônibus, alarmando os cidadãos, Colombo sustenta
que a integração das polícias resultou na identificação de lideranças e desmontou quadrilhas, com
o propósito de “quebrar a estrutura” do crime organizado. Ele reitera como bandeiras nesse campo
o aumento do efetivo policial e as
ações de capacitação, além da modernização dos serviços. Em saúde,
anuncia investimentos de R$ 21,8
milhões na ampliação do Hospital
Regional, além da construção da
Policlínica de Joinville.
Colombo revela que o Estado
vai auxiliar o município para viabilizar as desapropriações que emperram as obras na Avenida Santos
Dumont e antecipa um pacote de
obras viárias nas principais regiões
do Estado que, segundo ele, levam
em conta as vocações produtivas
FOTOS DIVULGAÇÃO
locais. Inspirado pelas perspectivas
de desenvolvimento que se abrem
para a economia esta­dual a partir
da vinda da BMW, o governador
observa que “há um cenário de
desenvolvimento e infraestrutura
consolidado”.
Ex-prefeito de Lages, ex-deputado e ex-senador, Colombo tem 59
anos e, com 51,36% dos votos neste
ano, foi o primeiro caso de um governador eleito e reeleito em primeiro turno no Estado. Na gestão,
terá grandes desafios. A segurança
é uma questões que mais preocupam o empresariado. “Somos
a maior cidade do Estado, o maior
colégio eleitoral e, por via de consequência, a cidade com as maiores
necessidades nessa área”, manifestou-se a Acij, em editorial recente. A
ver os planos de Colombo para responder a apelos como esse.
revista
Como todo o Estado, Joinville se sentiu vulnerável diante
dos ataques de facções criminosas que, recentemente,
trouxeram medo e uma sensação de impotência ao
cidadão. Qual a resposta do governo para fazer frente a
essa verdadeira escalada da violência?
Nos últimos meses, Santa Catarina intensificou o combate
à criminalidade. A parceria entre os órgãos de segurança
– PM, PC, PMRv, PRF, PF – e suas inteligências tem permitido uma atuação mais intensa e eficaz. A identificação de
lideranças nas ruas e no sistema prisional desarticulou
quadrilhas e afetou o caixa dessas facções criminosas. Estamos quebrando a estrutura do crime organizado. Desde
2011, ingressaram 3.800 novos policiais militares e 400 civis
estão em concurso. Investimos na modernização de equipamentos, com a compra de 2.226 viaturas, 7 mil coletes
individuais e 7 mil armas. Outra ferramenta é a implantação das centrais de videomonitoramento nas principais
cidades. Mas segurança pública não se faz com números.
Nossos policiais são treinados para garantir a segurança
pessoal e da comunidade. A Polícia Militar, sempre presente
nas ruas, não se limita ao patrulhamento ostensivo. Hoje,
cada PM conhece a comunidade em que atua. Isso permite
detectar comportamentos e pessoas estranhas à região, o
que resulta em maior proteção. Essa proximidade permitiu,
por exemplo, que a PM apreendesse 433 quilos de maconha,
há algumas semanas, em Florianópolis. As polícias estão
trabalhando de forma integrada e, como resultado dessa
investida contra o crime organizado, mais de três toneladas
de drogas foram apreendidas em três meses, 200 pessoas
presas (metade condenadas), pontos de droga foram fechados, traficantes presos. E a Polícia Rodoviária Federal tem
atuado de maneira decisiva nas estradas catarinenses. Prova disso foi a apreensão de mais de 300 quilos de maconha
em um único final de semana, no Oeste.
Neste campo, que ações práticas e objetivas a população
de Joinville pode esperar, para o primeiro ano de seu
segundo mandato?
Em linhas gerais, dentro das prioridades para a segurança
pública, estão o aumento do efetivo, principalmente da Polícia Militar, que faz o policiamento ostensivo, e da Polícia
Civil, que faz a investigação, a fim de constituir provas criminais; o incentivo à permanência dos policiais e bombeiros
militares na ativa, ao contrário do que ocorre hoje, quando
eles recebem um adicional salarial quando ingressam na
reserva; a capacitação das equipes das delegacias para melhor atendimento à população de modo geral, à mulher e às
minorias étnicas e sexuais; além da modernização dos siste­
mas e serviços, com a incorporação de novas tecnologias.
Mas quantos novos policiais virão para Joinville em 2015?
5
Câmera de segurança no Parque da Cidade: ampliar monitoramento é reivindicação da comunidade
Dos 19 concursos públicos executados pelo Estado, com exceção
dos bombeiros militares e do Detran, em todos os outros, Joinville
foi contemplada com novos profissionais, sempre em critérios de
distribuição proporcional. Houve
aumento de efetivo tanto na Polícia Militar quanto na Polícia Civil,
embora no mesmo período também tenha se verificado um grande número de saídas para aposentadorias e reserva remunerada. A
partir de 2015, com os novos concursos já autorizados, ou nos que
venham a ser executados, Joinville
será proporcionalmente atendida,
tanto na Polícia Militar, quanto na
Polícia Civil, e também no Instituto Geral de Perícias.
E quanto à questão das
6
câmeras de monitoramento,
qual o obstáculo para que elas
finalmente sejam instaladas?
Câmeras e acessórios já estão comprados, estocados e prontos para
ser instalados. Mas o que ocorreu é
que as empresas participantes do
processo licitatório para os links de
transmissão, inconformadas com o
resultado, optaram por judicializar
a questão. Essa licita­ção dos links foi
realizada pela Secretaria da Administração. E está bloqueada por decisão judicial. É isso que nos impede
de executar e finalizar o projeto. Infelizmente, vamos ter que aguardar
a decisão judicial definitiva sobre o
processo para cumprir esse compromisso.
O sr. tem alguma novidade
sobre a ampliação do Hospital
Regional de Joinville? O que vai
ser realizado em seu segundo
mandato na questão da saúde?
O Hospital Hans Dieter Schmidt
tem duas obras em andamento: a
reforma do hospital, com recursos
de R$ 6,8 milhões, e a readequação do Centro Cirúrgico e Centro
de Material Esterelizável Hospitalar, com investimento na obra de
mais de R$ 10 milhões. As duas estão com 25% do projeto executado.
Já a ampliação do hospital tem o
projeto arquitetônico em licitação.
Vamos investir R$ 21,8 milhões na
obra, que terá 150 novos leitos de
internação e quatro salas cirúrgicas ambulatoriais. Também está
prevista para 2015 a construção da
Policlínica de Joinville, que receberá
investimento de R$ 8,3 milhões do
governo do Estado. Saúde é priori­
revista
7
Duplicação da Santos Dumont atrasou por conta de desapropriações: governo promete auxílio na retomada
dade para qualquer governante.
Nada mais triste do que ver uma
pessoa à espera de atendimento
médico. Mas saúde começa bem
antes da porta da emergência de
um hospital. Nossos municípios,
em parceria com o governo federal,
precisam ampliar e investir na rede
básica de atenção à saúde. Doenças
menos complexas, como uma gripe, resfriado ou virose, podem ser
resolvidas mais facilmente num
posto de saúde e evitam a superlotação das emergências.
Alguns setores defendem a
construção de um novo hospital
em Joinville. Qual a sua posição a
respeito?
Duas estruturas são sempre mais
caras e menos eficientes. Optamos por construir, nas principais
8
regiões do Estado, torres ao lado
dos hospitais já existentes. Assim
podemos aproveitar e aprimorar
a infraestrutura existente como o
setor administrativo, cozinha, lavanderia, entre outros. É um uso
mais racional e inteligente dos recursos públicos.
o aeroporto, e no trecho da Tuiuti
com a Santos Dumont, no elevado.
O investimento deve chegar a cerca
de R$ 7 milhões, em 2,4 quilômetros
de desapropriação. Não queremos a
obra paralisada, sabemos a importância dela para o desenvolvimento
de Joinville.
Uma demanda relevante
em Joinville, no campo da
mobilidade, é a duplicação da
Avenida Santos Dumont. Por que
razão essa obra está demorando
tanto para deslanchar?
A duplicação da Santos Dumont
não está no ritmo que gostaríamos por causa das desapropriações. Uma parte delas, o Estado vai
pagar. Vamos repassar o dinheiro
para a prefeitura, a fim de agilizar
as desapropriações na Tuiuti, até
Manutenção e aperfeiçoamento
dos espaços físicos das escolas,
turno integral, valorização dos
professores. O que vai ser feito na
área da educação?
Além de dar continuidade ao trabalho na área pedagógica, de gestão e de melhoria da infraestrutura das escolas, o governo tem por
objetivo aumentar o número de
jovens no ensino médio, tornando
atrativa a sala de aula pela via da
formação profissional, particular-
revista
9
mente voltada à inovação; melhorar o modelo de gestão descentralizada da Educação, com maior
participação de pais e professores,
além de aperfeiçoar a relação entre
a Secretaria de Estado da Educação
e as secretarias regionais e fomentar a participação dos municípios
no ensino fundamental, em projeto de parceria.
O setor empresarial reclama mais
investimentos em infraestrutura,
para manter competitivos seus
empreendimentos. O que está
reservado para a Região Norte do
Estado, nesta questão?
O Estado tem regiões bem delimitadas, cada uma com sua vocação produtiva. Temos um conjunto de obras
em andamento (algumas ainda em
fase de licitação) e outras para começar. Um dos principais pacotes
de obras para a região é a pavimentação de 110 quilômetros de estrada
pelo Programa de Integração Viária
do Planalto Norte do Estado de Santa Catarina (Provias), beneficiando
cidades como Papanduva, Itaiópolis
e Doutor Pedrinho. O governo do
Estado já assinou o contrato para
operação de crédito, no valor de US$
124 milhões (cerca de R$ 280 mi-
10
lhões). Do total, US$ 55 milhões serão financiados junto à Corporação
Andina de Fomento (CAF) e o governo do Estado vai investir outros
US$ 69 milhões com recursos próprios. O traçado da rodovia SC-477
se inicia no Extremo-Norte de Santa
Catarina, no entroncamento com
a BR-280, na área do município de
Canoinhas, e estende-se em direção
à planície litorânea, onde faz conexão com a região do Vale do Itajaí no
ponto de confluência com a BR-470
nas imediações do município de Indaial. Hoje, a rodovia apresenta descontinuidades de traçado na ligação aos municípios de Papanduva,
Itaiópolis e Doutor Pedrinho, o que
compromete a função de corredor
de interconexão regional. As obras
resolverão esse problema. O projeto
original também prevê a construção
de uma via alternativa entre as localidades de Moema e o município de
Doutor Pedrinho, conduzindo o traçado da SC-477 para além dos limites
físicos da área de influência da Reserva Indígena de Ibirama, medida
que beneficiará também a Reserva
Biológica Estadual do Sassafrás.A
execução do programa está prevista
para se realizar em três anos e o trecho foi dividido em cinco lotes.
Qual a sua expectativa para
a criação de um novo polo
empresarial a partir da instalação
da BMW? O que o Estado tem
a oferecer para outros grandes
conglomerados industriais que
desejem se instalar por aqui?
A BMW não veio para Santa Catari­
na por acaso. Há um cenário de
desenvolvimento e infraestrutura
consolidado. O Estado está fazendo a sua parte, recuperando a malha viária, criando corredores para
escoar a produção, ampliando a
capacidade de seus portos, investindo na ampliação e conclusão
de aeroportos e na educação em
vários níveis.
Qual a sua posição sobre o Corpo
de Bombeiros Voluntários de
Joinville e os embates recorrentes
com a corporação militar sobre
quem deve ter a primazia em
determinados serviços?
Penso que tanto os Bombeiros Militares quanto os Voluntários de
Joinville têm papel de destaque na
sociedade. Cada um com sua função, importância e responsabilidades, que devem ser cumpridas de
maneira zelosa em nome do bem-estar dos catarinenses.
revista
11
Objetos do desejo
O modelo de fone sem fio tem
bateria com capacidade de
duração até 18 horas
VIAGEM SONORA
Longas horas de viagem ou esperas requerem
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PASSAGEIRO INFORMADO
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nos principais aeroportos brasileiros. Desenvolvido
em parceria com a Infraero, vem com um guia com
informações úteis sobre mais de 50 aeroportos – o
passageiro pode se manter atualizado sobre os horários de pousos e decolagens, buscar o número do
voo, saber qual é a distância até o destino desejado,
entre outras funções.
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tirar fotos subaquáticas ou
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12
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sincronizar o smartphone através de um aplicativo,
usufruir de várias funções – trava, peso via balança
digital incorporada e rastreamento. O projeto foi
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solar em elétrica. Perfeitos para
áreas com piscina ou jardim
A versão gratuita permite acesso aos mapas e
informa sua localização por meio de GPS
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MAPSWITHME
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contam com quatro placas solares
no topo e duas entradas USB na base
para recarregar gadgets (celulares,
tablets e MP3 players, por exemplo).
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Com os mapas, não é necessária conexão com a internet para se localizar. A versão paga tem mais recursos, como acesso à busca, marcação
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revista
13
Painel
ACIJ NA MÍDIA
Agradecemos à repórter Letícia Caroline pela matéria “Som joinvilense
mistura psicodelia e personagens
excêntricos”, sobre nosso novo CD. A
revista está de parabéns.
Banda Miopia
Blog do Loetz, A Notícia, 28/10
“As práticas de gestão de RH das
sete empresas de Joinville que
estão entre as melhores para trabalhar no país foram destaque na
reunião de ontem da Acij .”
Parabéns pela atitude de chamar os
deputados eleitos na Acij, logo após
a eleição. É importante que saibam
que a classe empresarial quer se
aproximar deles – mas que, por outro
lado, serão cobrados e observados.
Jony William Stassun, diretor da
Romaço Rolamentos
Noticenter, 28/10
“O Núcleo de Meio Ambiente da
Acij realiza o Workshop de Licenciamento Ambiental, evento que
contará com participação e apresentação das três esferas dos órgãos ambientais: Fundema, Fatma
e Ibama. O intuito é disseminar informações acerca do licenciamento ambiental.”
É com satisfação que acompanhei
a resenha do meu livro na última
edição da Revista 21. Agradeço pelo
espaço e parabenizo a revista por
apoiar autores locais.
Victor Aguiar, autor do livro
“Atendimento ao Cliente: Novo
Cenário, Velhos Desafios”
A reportagem “Jogos para levar a sério” ficou excelente. Obrigado pela
divulgação do Projeto Larva. Estamos crescendo em importância e
trazendo benefícios à sociedade.
Marcelo Hounsell, professor
O trabalho da Acij proporciona uma
grande rede de relacionamentos
que gera negócios e conhecimentos
para todos os envolvidos.
Braulio Feuser Junior, Joinville
Cumprimentos aos envolvidos na
organização da festa da Acij. Parabéns pela coragem e ineditismo.
Como sempre, torci muito por vocês.
Pedro Luiz Pereira, Joinville
Errata: A foto que ilustra a matéria
“Desenhos e criatividade para
enfrentar o bullying”, da edição de
outubro/setembro da Revista 21, é
da fotógrafa Ionara Correa.
14
Facisc, 13/10
“Os cinco deputados eleitos por
Joinville foram os convidados da
Acij na segunda. Antes disso, foi feita a entrega dos tablets sorteados
no IV Workshop das Profissões e VI
Feirão do Emprego, por Carmem
Postol, presidente do Núcleo de
Escolas de Educação Profissional,
Rafael Bratti, presidente do Núcleo
de Educação Superior, e Monica
Gonzaga, vice-presidente da ABRH.
Foram três tablets sorteados entre
os cinco mil visitantes do evento.”
Notícias do Dia, 13/10
“A segurança pública voltou a ser
tema em reunião da Acij. Na noite
desta segunda, a entidade juntou
representantes do Judiciário, das
policias Civil e Militar e ainda contou com a presença de parlamentares para tratar da construção
do presídio feminino em Joinville.
A obra de R$ 17 milhões, anunciada em janeiro, está com licitação
em andamento e as propostas
das empresas concorrentes serão
abertas nesta quinta (16).”
Blog do Loetz, A Notícia, 06/10
“Joinville, o polo econômico mais
importante de Santa Catarina,
com 386 mil eleitores, só elegeu
três deputados estaduais e dois
federais. Estagnamos. De novo.
Perguntado se está decepcionado com o resultado, o presidente
da Acij, João Martinelli, é direto:
‘Muuiito! Os dois grandes partidos
locais (PMDB e PSDB) são os responsáveis. Preferiram lançar candidatos demais, dividindo os votos
da cidade ’.”
TENHO DITO
“Os problemas maiores de
Santa Catarina estão na
infraestrutura e logística.
Chegamos lá fora com preços
muito superiores, por causa
da falta de estrutura do nosso
Estado e país”
Moacir Pereira, JORNALISTA, AVALIOU
OS RESULTADOS DAS ELEIÇÕES E COMENTOU O
CENÁRIO ECONÔMICO CATARINENSE DURANTE
PALESTRA NA ACIJ
CURSOS & EVENTOS
27 de novembro
Gincana Senai
Etapa Estadual
Centro de Educação, Eventos
e Lazer do Sistema Fiesc,
Florianópolis
(48) 3231 -4100
27 a 30 de novembro
Construfair
Expoville, Joinville
(48) 3240-1658/[email protected]
27 de novembro
2º Joinville Digital
Meeting Acij
www.joinvilledigital
meeting.com.br
PORTFÓLIO
Jorge Hiroshi é o artista convidado para esta edição. Graduado em Design de Moda e com licenciatura em Artes Visuais, ele é coordenador
do Museu Casa Fritz Alt. A obra apresentada por Hiroshi é uma pintura
em tela realizada com colagem e técnica mista, com uso de guache, tinta acrílica e para tecidos. “A cidade de Joinville é inspiradora para minha arte, as cores surgem no meu trabalho por conta da natureza que
ela nos oferece. Os movimentos das tintas são o cotidiano da cidade e
com liberdade para criar e interferir no meio urbano”, explica Jorge.
Para mais informações sobre o artista, entre em contato pelo telefone
(47) 9907-4380 ou pelo e-mail [email protected]
“A segurança não é um aspecto isolado do nosso
cotidiano, mas uma soma de setores que moldam o
perfil da sociedade. Envolve a criança, o adolescente,
o idoso, o policiamento nas ruas, as políticas públicas
para assegurar a integridade do cidadão”
Dóris Deggau Fruit
TÉCNICA EM SEGURANÇA DO TRABALHO, EM ENTREVISTA SOBRE OS CUIDADOS NO AMBIENTE DE SERVIÇO
“Ninguém vai revogar a CLT. Não há campo para isso.
O que se precisa é atualizar e modernizar a legislação”
Manoel Dias
MINISTRO DO TRABALHO E EMPREGO, DURANTE O SEMINÁRIO DO TRABALHO “RELAÇÕES E POLÍTICAS SOCIAIS NA
ATUALIDADE”, REALIZADO NA ACIJ
revista
29 e 30 de novembro
(In) Consciente Coletivo
Teatro da Liga
9 de dezembro
Gestão Compartilhada com o exprefeito de Rio do Sul e deputado
estadual Milton Hobus
Na Acij
[email protected]
9 e 10 de dezembro
Curso Liderança e Delegação
– Mobilizando Forças na
Organização
Acij, Joinville
(47) 3461-3344/
[email protected]
12 e 13 de dezembro
Curso de Excelência Operacional
(47) 3461-3344
[email protected]
19 de março
Palestra: Gestão de Pessoas
– Novos Rumos, Novos
Comportamentos
Acij/evento gratuito
15
Briefing
AVALIAÇÃO
Consultora Paula Foroni participou da pesquisa:
“Empresas de SC têm presença marcante no Guia”
MAX SCHWOELK
RECURSOS HUMANOS
O melhor das melhores
A pesquisa das “150 Melhores Empresas para Você Trabalhar” avalia
as empresas de duas maneiras. A
primeira, por meio da percepção
do empregado e sua satisfação
com relação à empresa. A segunda
avaliação é feita a partir da análise
das práticas de gestão de pessoas.
Depois desse processo, as pré-classificadas recebem a visita de um
jornalista da Você S/A, durante a
qual são checadas as informações
respondidas na primeira etapa. As
notas de cada passo do processo
são consideradas e, dessa forma, a
lista das 150 melhores empresas é
elaborada.
PARTICIPAÇÃO CATARINENSE
Experiências modelares de valorização profissional em uma única publicação. O Guia Você S/A – As Melhores Empresas para Você Trabalhar, criado em
1997, pode ser encarado como referência em práticas de carreira e desenvolvimento. Ações, valores e rotinas adotadas por grandes empresas são elucidadas, resultando em uma avaliação que revela ambientes bem estruturados e
agradáveis, satisfação do funcionário e bem-estar profissional. No seleto grupo de 150 selecionadas, sete empresas de Joinville estão presentes na edição
2014. Elas foram avaliadas com base em uma metodologia abrangente, crítica e rigorosa, que conta com a parceria da Fundação Instituto de Administração (FIA). Em entrevista à Revista 21, Paula Foroni, participante da elaboração
desse levantamento, afirmou que se trata da maior pesquisa de clima organizacional do país. Veja os principais trechos da entrevista com a consultora.
As empresas de Santa Catarina
costumam ter presença marcante
no guia. Em 2014, houve um crescimento no número de empresas,
em relação ao ano anterior, e temos
observado um esforço crescente das
corporações da região em aprimorar
seus processos de gestão de pessoas.
O destaque na região são justamente as práticas de carreira, já que as
notas são significantemente maiores do que a média das “150 Melhores Empresas para Você Trabalhar”.
PRESENÇA NO GUIA
VALORIZAÇÃO
As empresas que figuram no guia
das 150 melhores estão efetivamente preocupadas com o bom
ambiente de trabalho e com a valorização e retenção de seus funcionários. A presença na publicação é
a consolidação de um bom trabalho
feito pelas empresas, já reconhecido pelos próprios funcionários.
Mesmo as que não entram, avaliam
como vantajosa a participação na
pesquisa, já que recebem resultados indivi­
duais e comparativos,
podendo avaliar seu desempenho e
melhorar seus resultados.
16
PRÁTICAS DE CARREIRA
Observamos que as empresas têm
processos formais de avaliação e,
com base nos resultados, tomam
decisões a respeito de remuneração, treinamento, desenvolvimento
e movimentação de carreira, diminuindo a subjetividade. As melhores
auxiliam seus funcionários no planejamento de suas carreiras e oferecem ferramentas para apoiar seu
crescimento. Também mantêm um
processo de sucessão e buscam identificar pessoas dentro da própria
organização que possam assumir
novos desafios.
Sim, as empresas estão mais preocupadas com valorização e retenção. A
pesquisa mostra que funcionários
consideram uma empresa como um
excelente lugar para se trabalhar
quando estão satisfeitos e motivados com o trabalho (33%) e percebem que estão aprendendo e têm
oportunidades de crescer (26%). No
contexto da economia brasileira, de
baixo desemprego e escassa mão de
obra qualificada, as empresas têm
aprimorado sua gestão para reter
os funcionários. Práticas de carreira
fazem parte desse processo.
AS SEIS DE JOINVILLE
Confira os pontos fortes das empresas de Joinville que foram reconhecidas
neste ano pelo principal guia brasileiro sobre clima organizacional
Embraco
Valorização do recrutamento interno, oferecendo aos funcionários
a possibilidade de gerenciar suas
carreiras, alinhando-as aos seus
objetivos e sonhos profissionais,
treinamento de equipes, capacitação individual e desenvolvimento
de políticas de liderança dentro de
casa são destaques. “Entendemos
que gerenciar pessoas em um cenário cada vez mais competitivo,
globalizado e desafiador é chave
para o sucesso”, observa a gerente
de RH, Adriana Horbatiuk.
Fundação Pró-Rim
Incentivo ao desenvolvimento se dá
por meio de projetos de bolsas de
estudos, parcerias para publicações
científicas e participações em congressos, troca de experiências com
intercambistas, cursos e palestras.
Ênfase, também, em ações voltadas
à saúde e qualidade de vida. Além
desses aspectos, o treinamento de
líderes para disseminar a cultura da
instituição é um importante passo
para o destaque em políticas de RH.
Whirlpool
Reconhecida por oferecer oportunidades de desenvolvimento e carreira. Destaque com as melhores
práticas de remuneração, aplica à
política de RH um mecanismo de
meritocracia. Programas específicos permitem que o funcionário
cresça verticalmente na carreira e se
desenvolva por meio de treinamentos. Estar entre as melhores, para a
Whirlpool, é o reconhecimento do
“júri” mais exigente: as pessoas que
estão diariamente em contato com
as práticas e políticas da empresa.
Schneider Eletric
Atenção ao treinamento e ao desenvolvimento, por meio de plataformas de aprimoramento profissional, incentivo ao engajamento,
qualificação dos valores da empresa
e ações como plano de desenvolvimento individual ou plano de salários e benefícios. O diálogo próximo
com as equipes e a manutenção de
um canal de comunicação também
contaram pontos positivos na relação empresa/funcionário.
Termotécnica
Satisfação e motivação de funcionários, aprovação de líderes e alto índice de identificação com a empresa
foram os tópicos que garantiram a
presença da empresa no guia. Investimento em capital humano e gestão transparente são pontos fortes.
Tigre
Formar, desenvolver e reter um time
de alto desempenho é o objetivo.
Investimentos na formação de carreiras específicas, como a carreira Y,
voltada aos profissionais da área técnica, destacam o empenho da Tigre
em promover o crescimento profissional. A valorização das pessoas é o
maior ativo da empresa.
Selbetti
Desde 2007, vem aperfeiçoando
sua política de gestão de pessoas,
que começou com o plano de cargos
e salários. Um bom ambiente de
trabalho e a valorização do capital
intelectual, com plano de benefícios e espaço para crescimento na
carreira, são alguns conceitos.
Executivos das empresas classificadas no Guia Exame deste ano apresentaram experiências em painel na Acij
revista
17
DIVULGAÇÃO
AEROPORTO
Potencial
para voar alto
Jogadores foram homenageados pela Acij, logo depois do acesso à série A
COMUNIDADE
E o JEC chegou lá
“O Joinville escolheu pessoas honestas, bem intencionadas e comprometidas, como o treinador Hemerson Maria.” A frase do presidente Nereu Martinelli, no evento em homenagem à conquista do acesso à série A do campeonato brasileiro, realizado pela Acij, resume o tempo diferente que o JEC viveu
em 2014. Gato escaldado, depois de dois anos “quase” subindo, o clube fez um
impecável campeonato, ao começar a temporada com foco no acesso nacional – e menos preocupação com o catarinense. Surpreendendo a todos, acabou disputando a final do Catarinão e provando que, desta vez, tinha chances
reais de passar a integrar a elite do futebol brasileiro.
O sonhado acesso chegou, mas trouxe novas responsabilidades. Representando a cidade, o JEC se prepara para lutar de igual para igual com os
“grandes” e permanecer lá. “É o momento certo para o time seguir no caminho do planejamento”, recomenda Douglas Strelow, especialista em mar­
keting esportivo e sócio da Âgon, especializada em negócios do esporte. Ele
pondera que o resgate da credibilidade de uma equipe abre as portas aos
patrocínios e apoios necessários para um time se fortalecer. Defensor das
práticas profissionais na gestão do esporte, o consultor sublinha que o planejamento não se refere, necessariamente, a questões imediatas, como uma
contratação ou o próximo campeonato. “Devemos planejar a longo prazo, investir nas categorias de base e na profissionalização da administração.”
Com o JEC na série A, por tabela, o nome de Joinville chegará aos quatro
cantos do país. “A cidade não será mais lembrada apenas como Cidade das
Flores, do Festival de Dança, do Bolshoi. Será também conhecida por seu time
de futebol”, orgulha-se o diretor-executivo da Acij, Diogo Haron.
18
Foi um ano de grandes decolagens
para o Aeroporto Lauro Carneiro de
Loyola. Depois de ter homo­logado,
em junho, o sistema ILS, para chegadas e partidas com maior segurança, no início de novembro, o terminal
recebeu o Sistema ELO, um corredor
climatizado que leva os passageiros
da sala de embarque até o avião. A
novidade promove maior acessibilidade e conforto aos usuários. Joinville foi a terceira cidade do Brasil contemplada com esse tipo de sistema,
que custou R$ 4,2 milhões.
Segundo estudo divulgado pela
empresa de inteligência de mercado
Urban Systems, o aeroporto de Joinville é o terceiro do país com maior
potencial de desenvolvimento. A
pesquisa teve como base o programa de investimentos em logística do
governo federal. Dos 100 terminais
da lista, 20 foram apontados com
potencial “muito alto”. Desses, 11 estão no Sudeste, sete no Sul, um no
Nordeste e um no Centro-Oeste.
A classificação foi determinada
por fatores como infraestrutura e localização, transporte de passageiros,
transporte de cargas, hospedagem,
varejo e educação. Para Rones Heidemann, superintendente da Infraero
em Joinville, os resultados têm explicação: “De 2011 a 2014, foram investidos R$ 11 milhões no aeroporto
de Joinville, na aquisição de equipamentos de segurança, adequações
no terminal de passageiros até a reforma do sistema de pátios e pistas”.
Entre as ações previstas para
2015, Heidemann cita a ampliação
da sala de embarque, um novo estacionamento para passageiros e um
novo terminal de cargas, com área
de 5.300 metros quadrados.
revista
19
PENINHA MACHADO
André, tecnólogo e trainee, atua na Wetzel: “Para provocar e desafiar”
PROGRAMA
Ponte para o talento e a inovação
“Como em uma história, os elementos que constituem processos de pesquisa, desenvolvimento e inovação não podem se situar no final, mas sim
no decorrer da narrativa. Cada novo fato serve para instigar nossos sentimentos, assim como cada etapa da criação deve existir para nos provocar
e nos desafiar.” Esse é o inspirado conceito de construção da inovação adotado pelo tecnólogo e trainee André Giacomini. Formado em Tecnologia
em Sistemas Eletrônicos, no Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), o
jovem de mente aberta e ávida por conhecimento é um dos participantes
do Programa Inova Talentos em Joinville.
No início de 2013, recém-formado, Giacomini não encontrava oportunidades para trabalhar na área com que mais havia se identificado na faculdade. Quando ficou sabendo das inscrições para o Inova Talentos, não deixou
escapar. Foi selecionado para integrar um seleto grupo de jovens e, desde julho deste ano, atua no setor de engenharia da Wetzel, desenvolvendo uma
nova tecnologia que possibilitará o controle da intensidade luminosa de postes com luminárias LED. O sistema poderá identificar faixas do dia em que
o fluxo de pessoas não é muito intenso, como da meia-noite às 4 horas da
manhã, e reduzirá a intensidade da luz nesses horários, poupando energia.
Segundo o bolsista, o sistema viabiliza a redução de até 80% do consumo
de energia em iluminação pública no país, gerando impacto econômico, social e ambiental. “Atuar nesse campo traz recompensas visíveis. Cresço com a
oportunidade de estar sempre aprendendo. Como produto final, eu me motivo ao pensar que o resultado da pesquisa possa se tornar um facilitador,
algo que melhore a vida das pessoas”, orgulha-se Giacomini.
20
Como funciona
o programa
O Inova Talentos é uma ação do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), ligado à Fiesc.
Basicamente, empresas interessadas podem inscrever projetos de
inovação, que, se aprovados, passam
a fazer parte do programa. Em uma
segunda etapa, são recrutados bolsistas capacitados para as funções
requeridas em cada projeto. Jovens
graduandos, graduados e mestres
aproveitam o programa para colocar em prática o conhecimento da
vida acadêmica. Os selecionados re­
cebem bolsas de R$ 1,5 mil a R$ 3 mil
mensais e, acompanhados por tutores, executam o projeto ao longo de
um ano. Para as empresas, as vantagens estão associadas a ganhos de
competitividade e produtividade.
O foco principal dos projetos contemplados é o desenvolvimento de
produtos ou processos, nas áreas de
engenharia, ciência da computação,
design, matemática e estatística.
Bolsistas e tutores são capacitados em instituições internacionais
renomadas, como Harvard, Stanford, University of Chicago e Skillsoft.
Para os tutores, o conteúdo remete
ao coaching e à criatividade, embasando as orientações e criando
ferramentas para que estimulem
os bolsistas sob sua tutoria. Já os jovens estudam ferramentas técnicas
e comportamentais para que se desenvolvam e consigam lidar com as
demandas de pesquisa e inovação.
“O suporte do Inova Talentos é
enriquecedor. Tenho contato com
novas tecnologias, aprendo a gerenciar melhor meu tempo, aprimoro
minha comunicação e baseio meu
trabalho em conceitos de liderança”,
conta André Giacomini. Inscrições
até 5 de dezembro. Mais informações: www.inovatalentos.com.br.
DIVULGAÇÃO
EVENTO
24 horas de empreendedorismo
Santa Catarina é o terceiro Estado do
Brasil com o maior número de micro
e pequenas empresas. Segundo o
Sebrae, são 319 mil micro e 20 pequenas companhias instaladas no Estado. Atualização de empreen­dedores
desse porte foi o propósito de um
evento bem diferente que se realizou
em Florianópolis: a Empreen­de Brazil Conference, primeira conferência
com 24 horas seguidas de programação voltada ao mundo empresarial do Sul do país. “Os resultados
superaram as expectativas: tivemos
participantes de outros municípios
e atingimos nosso objetivo de ser
uma ação estadual. A atmosfera foi
revista
muito legal, de troca de experiências e associativismo”, aponta Lucas
Schweitzer, um dos organizadores.
Casos de sucesso apresentados geraram produtivos debates
na plateia. Também foram realizadas palestras, talk-shows com
empreen­dedores e oficinas dirigidas a mulheres empresárias, técnicas de oratória, mercado fonográfico e processos de capacitação. A
Empreende Brazil Conference recebeu apoio de diversas entidades
empresariais. Interessados podem
se preparar que a segunda edição
já está programada para setembro
de 2015.
Encontro em Florianópolis incluiu
uma maratona de palestras e
atividades diversas, em
formato inédito na Região Sul
21
Em números
ESTUDO DA FIESC
Caminhos para os setores de metalurgia e metal-mecânico
O projeto “Rotas Estratégicas Setoriais para a Indústria Catarinense 2022”, idealizado pela Fiesc, propõe caminhos de construção do futuro para os setores identificados como os mais promissores da indústria catarinense no horizonte dos próximos
sete anos. Além disso, o estudo tem o objetivo de elaborar agenda convergente de ações de todas as partes interessadas
para concentrar esforços e investimentos, identificar tecnologias-chave para a indústria do Estado e elaborar mapas com as
trajetórias possíveis e desejáveis para cada um dos setores. Parte desse estudo, a “Rota Estratégica do Setor Metal-mecânico
& Metalurgia” traça um perfil do segmento e dos caminhos que ele pode seguir.
DIAGNÓSTICO APONTA 197 AÇÕES PARA O
DESENVOLVIMENTO DOS SETORES DE METALURGIA E
METALMECÂNICA ATÉ 2022, DIVIDIDAS EM:
l Gestão e tecnologia
l Infraestrutura
l Políticas públicas
l Recursos humanos e cultura empresarial
l Cultura para a inovação
l Interação universidade-empresa
l Cultura para a sustentabilidade
l Regulamentação
EVOLUÇÃO DO GRAU DE INDUSTRIALIZAÇÃO DO
SETOR EM SANTA CATARINA, ENTRE 2007 E 2011
Grau de industrialização é a participação da
transformação industrial no valor bruto da produção do
setor. Quanto maior essa participação, maior a eficiência.
Três segmentos apresentaram queda. Valores em %
69
Forjaria e metalurgia do pó 60
CONHEÇA DOZE AÇÕES DE CURTO PRAZO (PARA
2014-2015) PREVISTAS PELO DIAGNÓSTICO
l Ampliar os incentivos governamentais para
investimento em tecnologia
l Estimular PD&I por meio de bolsas de estudo mais
atrativas
l Alinhar pesquisas acadêmicas com as
necessidades do setor
l Automatizar os processos insalubres
l Facilitar o acesso às linhas de crédito, em especial
a micro e pequenas empresas
l Articular política para alinhamento das
competências dos órgãos fiscalizadores e
regulatórios
l Atualizar a grade curricular dos cursos
relacionados ao setor com a finalidade de
contemplar novas tecnologias
l Desenvolver políticas para ampliação do quadro
de mestres e doutores no setor
l Disseminar informações relacionadas à inovação
no meio empresarial e educacional
l Fortalecer as instituições de financiamento de
projetos entre universidades e empresas
l Facilitar o acesso às linhas de crédito para PD&I,
em especial a micro e pequenas empresas
l Incorporar critérios de sustentabilidade no
planejamento de longo prazo das indústrias
22
Cutelaria e ferramentas 52
Fundição 51
Tanques e reservatórios 50
Metais não-ferrosos 50
Outros produtos de metal 42
58
53
52
43
42
37
Estruturas metálicas e caldeiraria 32
Siderurgia 25
Tubos de aço 25
FONTE CITADA NO DOCUMENTO: IBGE. PESQUISA
INDUSTRIAL ANUAL –
EMPRESA, 2007-2011/ A
ÍNTEGRA DO DOCUMENTO
PODE SER LIDA EM HTTP://
WWW4.FIESCNET.COM.
BR/IMAGES/HOME-PEDIC/
METAL-MECANICO%20-%20CADERNO.PDF
2007
23
22
2011
revista
23
Especial
24
Não parece,
mas tem saída
Enxergar as oportunidades no meio
da crise e investir na competitividade
são caminhos para retomar o crescimento
Marcela Güther
Atípico e peculiar. Os adjetivos, usados para caracterizar o cenário econômico brasileiro de 2014, repetem-se entre alguns dos articulistas convidados para participar deste especial, que objetiva reunir diversas visões
sobre o que se pode esperar do ano que chega. De acordo com o Boletim Focus, elaborado pelo Banco Central (BC) do mês de setembro, o país cresceu
somente 0,33% em 2014 – a projeção para 2015 é de 1,04%, um “pibinho”.
Enquanto isso, a economia mundial, segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), tem previsão de avançar 3,4% em 2014 e 3,9% no próximo ano. Diante do cenário, consultores e
analistas detectam uma suposta crise e estagnação. Sendo assim, quais
medidas a presidente reeleita Dilma Rousseff precisa adotar para retomar
o crescimento da economia? E como o empresariado deve agir para evitar
maiores impactos nos negócios?
Em suas análises, os convidados apontaram ações econômicas e fiscais
que a presidente deve tomar. Na ponta da lista, o controle da inflação (a
taxa está em 6,45%, enquanto a meta é 4,5%), a redução de gastos públicos, a melhoria na infraestrutura (uma das alternativas para não estourar
os cofres públicos são as PPPs, as Parcerias Público-Privadas), as reformas
tributária e trabalhista e a redução de juros (de acordo com o BC, a taxa
Selic aumentou para 11,25%). Outro ponto frisado pelos articulistas é a valorização do mercado interno, de modo a estimular empresas brasileiras a
crescer e se tornar competitivas, segurando a taxa de emprego e investindo na capacitação de mão de obra.
Apesar de preocupante, o quadro parece indicar luzes no fim do túnel – o
Índice de Confiança da Indústria (ICI), da Fundação Getulio Vargas, evoluiu
1,8% entre setembro e outubro de 2014, ao passar de 81,1 para 82,6 pontos,
após ficar nove meses em queda. Em âmbito estadual, também há melhores
perspectivas. O Índice de Confiança Empresarial Sustantare (Ices), respondido por empresas das regiões de Joinville, Jaraguá do Sul, Blumenau, Itajaí e
Florianópolis, mostra, ainda que sutil, uma melhora na expectativa de empresários no terceiro trimestre de 2014 – aumento da confiança tem como
consequência uma maior taxa de investimento. Ernesto João Reck, presidente da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc),
abre o conjunto de análises nas páginas a seguir com um visão otimista: “O
Estado gerou 9,4% dos empregos no país de agosto de 2013 a julho de 2014. A
taxa de crescimento é duas vezes superior à nacional”, evidencia.
revista
25
Agenda positiva
Ernesto João Reck
PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES EMPRESARIAIS DE SC (FACISC)
O ano de 2014 foi peculiar na história brasileira. Sediamos a Copa do Mundo de Futebol e realizamos uma
eleição presidencial das mais acirradas. Santa Catarina, a exemplo de todo o Brasil, sentiu os reflexos positivos e negativos.
Somos um Estado privilegiado pela diversidade
cultural, que nos fez um grande e perfeito mosaico.
Somos destaques nacionais em diversos indicadores. Apesar da desaceleração na economia nacional,
Santa Catarina continua crescendo acima da média
brasileira. O Estado gerou 9,4% dos empregos no país
de agosto de 2013 a julho de 2014. A taxa é duas vezes
superior à nacional. Estima-se que o PIB de Santa Catarina em 2014 chegue na casa de 3,1%, patamar três
vezes maior que o nacional.
Mesmo com esses indicadores positivos, continua­
mos com alguns gargalos extremamente desfavoráveis para o nosso desenvolvimento e para a melhoria
da competitividade das empresas catarinenses. Nesse
sentido, destacamos a nossa infraestrutura, uma melhor legislação tributária, como também uma política
industrial que dê aos nossos investidores a convicção
de que investir em nosso país ainda é bom negócio.
Estamos sedentos de uma reforma fiscal, cujo
principal objetivo seria reduzir a carga tributária e
agregar competitividade à economia. Precisamos de
uma política econômica que gere resultados a curto,
médio e longo prazo. Temos a expectativa de que, para
o próximo ano, ações de nossos governantes possam
interferir diretamente na economia.
A redução da carga tributária tornaria ainda mais
viável a redução das taxas de juros sem provocar mais
inflação. Andamos na contramão de outros países
que operam com juros negativos. O Banco Central
elevou a taxa de juros para 11,25% ao ano no início de
novembro. Não há economia que consiga ser competitiva com essa taxa. Precisamos de uma agenda positiva e eficaz na nossa economia para colocar de vez o
Brasil no rumo certo.
Foco no aumento da produtividade
Hugo Ferreira
DIRETOR REGIONAL DO SINDIPEÇAS E PRESIDENTE DA CÂMARA
AUTOMOTIVA DA FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DE SANTA CATARINA (FIESC)
Ao fazermos um balanço sobre nosso setor em ano de
“três carnavais” – o de março, a Copa do Mundo e as
eleições –, nada resume melhor o que sentimos do que
a expressão “enfim, 2014 está terminando”. Já havíamos
iniciado o ano com aspirações bem conservadoras, ao
prevermos crescimento da produção automobilística limitado a 4%, mercado de exportação, exigindo sacrifício
de margens para manter participação e mercado de reposição com crescimento moderado.
Projetamos fechar o ano com queda de 17% na produção das montadoras, com o segmento de veículos comerciais caindo 28%, sendo este de quem mais depende
o setor catarinense de autopeças. Nas exportações de
veí­culos, as montadoras registram queda de 37%, enquanto as autopeças nacionais exportaram 4% a menos.
Em contrapartida, as autopeças do Estado vão exportar
3% a mais neste ano. O mercado de reposição caiu 4% em
nível nacional, mas se manteve aquecido para as autopeças locais, com demanda levemente superior à de 2013.
26
Em suma, regionalmente, as estatísticas do setor
acusam queda de 14% no faturamento acumulado em
2014, comparado com o mesmo período de 2013, mas a
nossa participação no segmento nacional de autopeças
cresceu de 3,4% para 4,2% no período. Contudo, a queda
nas vendas causou redução de 8% no nível de emprego.
E o ano de 2015, como se apresentará para o setor de autopeças? O inevitável combate à inflação, com a elevação dos juros, impedirá uma retomada da produção da
indústria automotiva. A melhor de nossas expectativas
é da manutenção do atual nível, o que permite uma estabilidade para nossas operações. Isso dará oportunidade
de focarmos no aumento de produtividade, que tanta
falta nos faz para melhorar nossa competitividade no
mercado de exportação.
No mercado doméstico, estaremos acompanhando
a implementação da rastreabilidade do índice de conteúdo nacional nas montadoras. A contrapartida desse
controle será a necessidade da nacionalização de componentes importados, que trará o grande benefício antevisto pelo Inovar-Auto [medida do governo federal para
estimular o investimento na indústria automobilística
nacional] para o setor de autopeças brasileiro.
Caçadores de
oportunidades
Vandré Hilbrand Kramer
EDITOR DE ECONOMIA DO JORNAL NOTÍCIAS DO DIA, DE JOINVILLE
ANTONIO PINHEIRO
Setor industrial espera
medidas para estimular
investimentos e manter a
geração de empregos
revista
Neste momento, o que se observa para 2015 não é promissor: as expectativas são de mais um “pibinho” pela
frente – 1% de crescimento, segundo levantamento feito pelo Banco Central junto a instituições financeiras,
e 0,3% de acordo com os economistas do FMI – e inflação em patamares elevados, beirando o teto da meta
(6,5%): 6,32%, conforme o BC.
Consumidores e empresários estão com as barbas
de molho. A intenção de consumo das famílias encolheu 3,8% nos 12 meses encerrados em outubro, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC).
A confiança dos comerciantes retraiu-se 11,1% no mesmo período. É uma situação similar à da indústria,
onde a confiança recuou 14,9% em 12 meses.
Não há sinais evidentes de que problemas que
afetam empresas e consumidores vão ser solucionados no curto e no médio prazo. Novo ano, velhos
problemas: infraestrutura deficiente, burocracia em
alta. Ranking feito pelo Banco Mundial mostra o quão
complicado é fazer negócios no Brasil: no último ano,
tornou-se mais difícil, em relação a outros países,
abrir negócios, pagar impostos e obter licenças para
construção.
Se os números não são animadores, é preciso
olhar à frente. As possibilidades de obter bons resultados vão depender mais do esforço das empresas
do que nos números da economia. Cortar custos desnecessários, investir em processos que resultem em
maior produtividade e rentabilidade, procurar nichos
de mercado que estão crescendo... Oportunidades
existem! Mas é necessário correr atrás delas.
O bom é que há muita gente arregaçando as mangas e, mesmo em um cenário desconfortável, descobrindo meios para crescer. São os caçadores de oportunidades. Na média, estamos bem melhor do que o
resto do país. Muitas oportunidades estão desembarcando na região. E outras devem surgir nos próximos
anos. Somente em investimentos planejados no entorno de Joinville, são mais de R$ 2 bilhões.
O momento parece mais complicado, mas é preciso lembrar o que o poeta espanhol Antonio Machado
escreveu na primeira metade do século passado: “Caminhante, são tuas pegadas e nada mais. Caminhante, não há caminho. O caminho se faz ao caminhar”.
27
A face B da crise
Cícero Gabriel Ferreira Filho
PRESIDENTE DO NÚCLEO DE GESTÃO EMPRESARIAL DA ACIJ E
DIRETOR DA PERTENCER, ESPECIALIZADA EM GESTÃO EMPRESARIAL
Estagnação, crise e banalização do pessimismo. Muitas pessoas, empresas e nichos de mercado encaram o momento
atual do Brasil como propenso a dificuldades latentes no
que tange ao crescimento. Não podemos esquecer de uma
célebre frase dita por ninguém menos do que Albert Einstein: “A crise é a melhor bênção que pode ocorrer com as
pessoas e países, porque ela é a fonte dos maiores descobrimentos e das grandes estratégias”.
Pois bem, ainda não levando em conta esse enfoque,
você poderia argumentar que lê constantemente artigos e
notícias de economia. Em 7 de outubro, por exemplo, o jornal “Brasil Econômico” publicou que o FMI havia reduzido a
previsão de crescimento do Brasil para 0,3% em 2014. E aí eu
diria: verdade, caro leitor. No entanto, há de se lembrar que,
mesmo ante esse tipo de dado, Santa Catarina cresceu 4,1%
em 2013, frente a 2,52% do Brasil, e neste exercício é esperado
que o PIB estadual avance 3,5%, quando no exterior a estimativa é de crescimento de 3,3% na economia.
Ainda sob essa ótica, na crise de 2008, os paí­ses emergentes “seguraram as pontas” da crise econômica global,
especialmente no Brasil, onde, segundo o Jornal do Comércio do RS, o faturamento das 50 maiores empresas
brasileiras saltou 84% entre 2008 e 2012, de R$ 753,5 bilhões para R$ 1,388 trilhão em valores correntes. Isso sem
contar os eventos de internacionalização de nossas empresas fomentados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Nós, consultores, costumamos recorrer à velha máxima
de que “contra fatos e dados, não existem argumentos”. Eu
gosto muito de citar Erico Verissimo: “Quando os ventos de
mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras, outras
constroem moinhos de vento”. Porém, para isso, não basta
às organizações continuar onde estão, limitando-se a ter a
mesma visão de tudo; é preciso inovar, sair da zona de conforto, apertar os cintos, pensar diferente, e, mais crucial do
que isso: agir diferente!
Acompanhamos vários clientes, dos mais variados tamanhos e nichos de mercado, que têm se planejado melhor,
revisado processos, reduzido desperdícios e recorrido ao
ponto vital para crescer e sustentar o crescimento: investir nas pessoas. Sendo assim, observamos que, mesmo em
momentos de crise, o mais preparado e atento encontrará
oportunidades batendo à sua porta. Resta saber se você,
pessoa física ou jurídica, está pronto para identificar, agir e
só aí, então, usufruir delas em 2015.
28
CARLOS SEVERO
Alta do dólar, nos últimos
meses, refletiu dúvidas
produzidas pelo quadro
político: o que vem por aí?
O ano que não existiu
Paulo de Tarso Guilhon
ECONOMISTA E CONSULTOR DA FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DE SC (FIESC)
Em 2014, Carnaval, Copa do Mundo de futebol e eleições paralisaram o país. Denúncias sistemáticas de
corrupção, insegurança jurídica para desenvolvimento de negócios e burocracia se somaram aos demais
componentes do Custo Brasil, como infraestrutura precária, carga tributária elevada, encargos sociais e educação pública de baixa qualidade, entre outros ônus. O
principal problema do país é o descontrole das contas
públicas. Economia vem do grego, “oikonomos”, que
significa ordem na casa. Exatamente o que nos falta.
Nos nove primeiros meses do ano, as contas do governo apontaram déficit primário – receitas ficaram
abaixo das despesas, mesmo sem contar juros da dívida. Primeira vez que isso ocorre desde o início da série
histórica do BC, em 2002. Após as despesas com juros,
as contas públicas registraram um déficit de R$ 224
bilhões de janeiro a setembro deste ano, o equivalente a 5,94% do PIB.
Pagamos impostos de países nórdicos e recebemos
serviços públicos africanos. A situação é tão grave que
a carga tributária absurda de 36% do PIB não é suficiente para o apetite voraz do governo. Por isso, o governo se endivida cada vez mais e o país compromete
quase 50% do seu orçamento com dívida pública. Dez
vezes mais do que destina à educação e saúde.
Perceber essa anomalia, entender o descompasso
das contas públicas e, principalmente, cobrar de nossos
representantes no Congresso ações para que se faça
uma reforma fiscal para valer em 2015: este é o salvo-conduto para um país melhor.
O Brasil necessita de planejamento de longo prazo e
a indústria, de uma política pública que devolva ao setor
sua importância na geração da riqueza, hoje nos mesmos níveis de participação no PIB de 60 anos atrás. Reforma tributária, trabalhista, educacional, um novo pacto
federativo e desestatização do setor privado, que precisa
vencer inúmeras etapas burocráticas para se estabelecer,
são outros desafios para o governo.
Fecharemos 2014 com crescimento menor que 0,3%
e inflação sentida no bolso dos brasileiros que vão às
compras. Ano que vem será de ajuste, remédios amargos. Crescer um pouco mais deve ficar para 2016. Tomara que eu esteja errado.
Foi difícil. Mas não impossível
Vanderlei Buffon
EMPRESÁRIO E PRESIDENTE DO SINDICATO DA INDÚSTRIA
DA CONSTRUÇÃO CIVIL DE JOINVILLE (SINDUSCON)
O ano de 2014 não foi dos mais fáceis. As oscilações da
economia surtiram efeitos indesejados em todos os
setores. Não há quem não tenha se ressentido, refeito
metas e planejamentos, ajustado perspectivas. Mas
também não foi um ano impraticável. Considerados os
ajustes e traçados novos planos, o setor da construção
civil de Joinville reagiu.
Sentimos, sim, uma pequena redução nas vendas,
mas nada além do previsto. Para embasar nossa tomada de decisões, uma consultoria traçou o panorama do
mercado imobiliário na cidade. Com informação qualificada em mãos, conseguimos redirecionar investimentos e planejar novos caminhos.
Felizmente, os empresários da construção civil em
Joinville têm consciência da importância de estudos locais para determinar seus investimentos e os tipos de
imóveis a ser feitos de acordo com a região ou bairro.
revista
Com a ajuda do Sindicato da Indústria da Construção
Civil, sempre atento às demandas, o setor conseguiu dar
norte aos seus projetos.
Até agosto de 2014, foram lançadas mais de 1,3 mil
novas unidades e a Velocidade de Vendas Média (VSO)
foi de 6,8%. Número razoavelmente positivo se comparado a outras cidades com o mesmo dimensionamento
do mercado imobiliário joinvilense. Desde dezembro de
2013, por exemplo, a disponibilidade sobre a oferta atual
aqui se manteve abaixo dos 30%, o que é extremamente
aceitável e factível para a realidade local.
Hoje, esse índice é de 27%, ou seja, do montante de
empreendimentos disponibilizados para venda, apenas
27% ainda estão em estoque. E a perspectiva é que novos
projetos sejam lançados até o primeiro trimestre de 2015.
Mas nem só com números e pesquisas se constrói um
setor forte. A união e o associativismo também são preponderantes. E assim será. Estamos certos de que o caminho a percorrer é árduo, mas promissor. Esperamos que
a economia reencontre seu prumo e possamos alcançar,
em 2015, resultados cada vez mais expressivos.
29
29
O desafio que
nos aguarda
Guilherme Bertani
DIRETOR COMERCIAL DA DOCOL METAIS SANITÁRIOS
O ano de 2014 está acabando e, com ele, vão-se também
algumas de nossas esperanças. Pela frente, o que temos
é a dura realidade, sem fantasias. Uma realidade que,
querendo ou não, deixamos criar. A Copa do Mundo nos
surpreendeu em pontos piores que os 7x1. A partir de
maio, o mercado caiu a patamares maiores do que os
previstos e reagiu só em agosto, mas em níveis inferiores aos planejados. Difícil afirmar que o cenário eleitoral
tenha contribuído. O quadro atual, de inflação alta, baixo
desemprego (ainda), baixo investimento e crescimento
nulo, já estava desenhado havia algum tempo.
O resultado até outubro indica que conseguiremos algum crescimento e, mais importante, que vamos preservar nossos indicadores de rentabilidade.
Três fatores foram decisivos: exportações, controles
mais rigorosos sobre os gastos e o início de um trabalho mais próximo com nossos gestores. Com toda certeza, poderíamos ter tido um ano melhor. Perdemos
algumas oportunidades no mercado interno porque
não estávamos preparados para aproveitá-las. E isso
nos motiva a continuar desenvolvendo nossas equipes, pois, se são as pessoas que fazem a diferença,
precisamos das mais capazes criando nosso futuro.
Mas, cuidado: muitos acreditam que desenvolver é
dar capacitação, só que isso é uma parte pequena do
processo. A atitude certa é o verdadeiro alimento para
nossas empresas.
Quanto ao próximo ano, não acredito em nenhuma boa novidade econômica. Entretanto, é imperativo
continuar a crescer e a melhorar a rentabilidade. Em
nossa empresa, estamos discutindo os planos para
2015: as ações mais importantes serão buscar eficiência operacional ainda maior e conti­nuar o desenvolvimento da equipe. Isso é fácil falar, só que para funcionar exige muito trabalho e atenção, à medida que nos
detalhes estão as maiores barreiras.
A Acij se destaca na defesa dos interesses da indústria. Mas precisamos ir além. Desde a época do Mário
Amato (que foi presidente da Fiesp), a queixa é a mesma e o problema piorou. Temos que começar a exercitar outras formas de mobilização. Deixamos a situação
chegar a esse ponto. É a indústria que tem “tudo a perder” com o baixo crescimento e com o “Custo Brasil”.
Não é 2015, mas sim este o nosso maior desafio.
30
Fortalecer o Brasil e
promover reformas
Heleny Meister
PRESIDENTE DA MEISTER E DIRETORA ADMINISTRATIVA DA ACIJ
Mesmo quando as condições da economia mundial ou nacional estão adversas, podemos ser otimistas. Devemos analisar as opções que temos,
procurando novas alternativas ou adequando
nossos negócios ao ritmo da economia. Todas as
crises que já vivenciamos no Brasil nos fortaleceram e dão a confiança de que podemos enfrentar
qualquer uma que vier.
Penso, no entanto, que podemos, em 2015, fortalecer o Brasil, unindo os mais diversos segmentos da economia e da comunidade para exigir as
melhorias e as reformas que nosso país precisa.
Elas são do conhecimento de todos e exigem ação
para ser implementadas.
Além de zelar por nossos negócios e nossas vidas, temos que cuidar do país, exigindo de nossos
representantes eleitos no Poder Executivo e no Poder Legislativo que cumpram os propósitos para
os quais foram eleitos e atendam aos anseios da
comunidade.
As manifestações de junho de 2013 não devem
ser apenas um episódio isolado que demonstrou a
insatisfação de todos quanto às condições do Brasil. Temos que nos manifestar de maneira consistente até que os objetivos sejam alcançados. Desejo que em 2015 o Brasil mude. Para melhor.
J.P.ENGELBRECHT
Copa do Mundo: críticas ao gasto excessivo com os estádios
e impacto em vários mercados
Atenção redobrada
na hora de investir
Ricardo Bragança Brenner
ESPECIALISTA EM INVESTIMENTOS DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS
ENTIDADES DOS MERCADOS FINANCEIROS E DE CAPITAIS (ANBIMA)
O mês de outubro teve importantes eventos que começaram a desenhar os rumos da economia brasileira
para 2015. No cenário político, a reeleição da presidenta
Dilma, que dividiu opiniões e fez dessas eleições as mais
acirradas da história democrática. O ponto mais notório
do atual governo são os avanços sociais, mas a economia
mostra sinais de enfraquecimento.
Segundo o Focus, relatório de mercado do Banco Central, em outubro, a expectativa para o crescimento do
Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, a soma de todas as
riquezas geradas em 2014, recuou para 0,24%, podendo
ser o menor crescimento dos últimos cinco anos. A projeção para 2015 se manteve em 1%.
Outro fantasma que volta a assombrar a vida dos
brasileiros é a inflação acumulada dos últimos 12 meses,
que vem crescendo e está acima do teto da meta do governo (6,75%). Ainda assim, a projeção da inflação para
2014 é de 6,45% e, para 2015, 6,32%, bem superior ao centro da meta estipulada pelo governo, de 4,5%.
Estamos diante de muitos desafios. Buscando resgatar um pouco da confiança do mercado, em reunião
do Comitê de Política Monetária (Copom) realizada
nos dias 28 e 29 de outubro, a maioria dos integrantes
decidiu elevar a taxa básica de juros (Selic) para 11,25%
ao ano, surpreendendo o mercado, que esperava sua
revista
manutenção. A decisão não foi unânime, teve cinco votos a favor da elevação de 0,25 ponto percentual e três
contra. Isso mostra que há integrantes do Copom preocupados com o crescimento do país, pois o efeito da
elevação dos juros é um menor avanço do PIB. Porém, o
lado favorável dessa decisão de alta dos juros é tentar
controlar a inflação para dentro da meta, uma medida
que visa reduzir o consumo no país.
Só a política monetária não vai tirar nossa economia
dessa sinuca de bico. É necessário avaliar e agir com mais
profundidade e planejamento de longo prazo, principalmente atuando nas políticas fiscal e externa. Caso contrário, poderemos começar a perceber um quadro mais
agudo de desemprego.
Mesmo diante da turbulência que a economia
brasileira vem enfrentando, que oportunidades surgem neste final de ano e para 2015? Para os brasileiros que dispõem de reserva financeira, o mercado de
renda fixa se mostra recheado. Voltaram os tempos
em que o investidor dizia que o rendimento de 1% ao
mês, em uma aplicação conservadora, estava excelente. Atualmente, existem diversos investimentos feitos
em fundos de renda fixa, letras de crédito imobiliário,
letras de crédito do agronegócio, títulos públicos, entre outros, que são afetados por essa alta dos juros e
continuam proporcionando bons rendimentos. Importante buscar a orientação de um profissional especializado para adequar o perfil do investidor e seus
objetivos, alinhando-os às aplicações financeiras disponíveis no mercado.
Convém ainda salientar que, tendo um alinhamento
nos trilhos da economia, os juros altos são os primeiros a
ser ajustados. Portanto, o momento é agora.
31
Faça como o velho marinheiro
Eugênio Esber
DIRETOR DE REDAÇÃO DA REVISTA AMANHÃ, DE PORTO ALEGRE
Lá se foi mais um ano, e cá estamos novamente entregues ao apaixonante – embora inútil – exercício da adivinhação. Estou ciente, meu caro associado da Acij, que
planejamento é fundamental e de que todos devemos
ter em vista três cenários possíveis para reduzir o nível
de incerteza e “quetais”. Mas, ao final, restará o desafio:
teremos de escolher, como norte ou “guidance”, uma
entre as três bolas de cristal: a otimista, a conservadora
e a pessimista. Qual delas? Eis a questão.
O retrospecto dos cenaristas não os favorece. Mesmo os bancos e suas robustas equipes técnicas têm errado não a mosca, mas até o alvo. Há um ano, previa-se
no mercado que o Brasil teria um crescimento ao redor
de 2% em 2014 – e, como todos sabem e lamentam, o PIB
brasileiro chega ao final do ano neste estado letárgico
que alguns experts já definem como “recessão técnica”.
Tantas mancadas nos ensinam que é um erro considerar
o futuro como extensão do presente. E, sobretudo, carre-
gar nas tintas, como o mercado costuma fazer tanto nos
momentos de depressão quanto de euforia.
Ok, sua paciência terminou e você quer saber o que
diz minha bola de cristal. Pois bem, nela aparece Paulinho da Viola – ele mesmo – entoando “Faça como o
velho marinheiro que, durante o nevoeiro, leva o barco devagar”. Paulinho não liga para macro ou microeconomia, mas, se o interpreto bem, lá vai a tradução
desse samba em seus negócios: 1 – Cuide muito bem
do caixa. 2 – Busque visões independentes e tente distinguir causas externas de causas internas na análise
do que não vai tão bem em seus negócios. 3 – Não conte em 2015 com o micro-ondas governamental para
aquecimento rápido de mercados. Posso explicar melhor em outra oportunidade, mas o resumo da ópera é
que o quadro das contas públicas projeta um governo
preocupado em governar e tourear pressões domésticas e internacionais. 5 – Cole no cliente, veja como é
possível apoiá-lo em suas necessidades (inclusive ou,
talvez, principalmente, naquelas que ele nem sabe
que tem). Boa travessia.
Retomada da economia nacional
Rafael Guidotti
DIRETOR DA PWC BRASIL E ESPECIALISTA NA ÁREA TRIBUTÁRIA
Mesmo diante de um cenário com certa estagnação
para 2014, os indicadores referentes ao futuro brasileiro
apontam uma pequena melhora na economia no próximo ano. É nítida a necessidade imediata de um processo
de retomada. Por isso, passado o período eleitoral, é hora
de definir as medidas econômicas e fiscais para que o
país volte a crescer em 2015.
Muito embora o primeiro passo tenha sido dado
recentemente, com a elevação dos juros básicos para
11,25%, em outubro, outras ações precisam ser postas em
prática. A diminuição dos gastos públicos com consequente ajuste na política fiscal, visando à elevação do superávit primário, é uma delas. Inicialmente, essas medidas representarão entraves ao crescimento da economia
no ano que se aproxima, uma vez que podem impactar
diretamente na obtenção de crédito e na criação de novos postos de trabalho, por exemplo.
É preciso que o país avance na área de infraestrutura,
mediante uma nova rodada de concessões públicas, bem
32
como de marcos regulatórios mais claros para os investidores. Atenção necessária também deve ser dada para
reformas estruturais, como a tributária e a das políticas
públicas voltadas para o fomento da inovação e da sustentabilidade, incentivando projetos que possam colocar
o Brasil à frente de tendências mundiais.
Segundo estudo da PwC, estão entre as megatendências que devem transformar a dinâmica dos negócios, no
Brasil e no mundo, a escassez de recursos, as mudanças
climáticas, o intenso processo de urbanização das cidades, o deslocamento dos centros de poder econômico e
os avanços tecnológicos. Dentre essas megatendências, a
sustentabilidade e a inovação se impõem como dois dos
principais fatores para o sucesso da economia brasileira
nas próximas décadas.
Tendo em vista todas as complexidades experimentadas no atual momento, pelo esforço conjunto dos
setores público e privado, será possível preparar de maneira sólida o terreno para um caminho de evolução da
economia brasileira a partir de 2015, conferindo ao país
um maior nível de protagonismo dentro do cenário econômico global.
Dez fatores vão marcar
a nossa vida em 2015
Claudio Loetz
COLUNISTA DE ECONOMIA DO
JORNAL A NOTÍCIA, DO GRUPO RBS
MARCELO CAMARGO
O brasileiro voltou a sentir
com mais intensidade o
impacto da inflação,
que deve ser combatida
revista
Quem disser que sabe como será
2015 está mal informado. Nada sugere que, em novembro de 2014,
alguém esteja apto a cravar afirmações claras sobre o que vai acontecer. A ausência de clareza pode ser
positiva. Explico. Antes das eleições,
a vitória da presidente Dilma era demonizada pelos empresários, pelo
mercado financeiro. Não mudou a
antipatia. Está mudando a percepção de que não compensa mais brigar contra fatos objetivos. Já se sabe
que um ajuste fiscal forte será inevitável. E isso passará por corte de gastos públicos. Ambas as medidas são
reivindicações antigas, como instrumentos de preparação para um ciclo
futuro de retomada de crescimento.
O nome de Joaquim Levy, aposta
mais frequente para ministro da Fazenda em 24 de novembro, quando
escrevo, pode ser um alento. Economista com forte inclinação ortodoxa
na aplicação de conceitos macroeconômicos, poderá dar um choque
no modelo de gestão dos recursos.
A engrenagem pública passará por
um freio nas despesas. Pela lógica, os
agentes econômicos compreenderão a escolha como sinal de que Dilma, enfim, aprendeu as lições dos erros cometidos no primeiro mandato.
O bilionário déficit da balança
comercial é ponto negativo. Mostra
que nossos produtos exportáveis
continuam focados no agronegócio
e em commodities. Não é assim que
um país que tem o sexto PIB do mundo se fortalece internacionalmente.
O nome do jogo é credibilidade. A
palavra mágica ronda o ambiente
político, e é ela que vai determinar,
em grau decisivo, a aceitação dos
agentes econômicos em relação ao
governo. Domar a inflação, segurar
o desemprego e viabilizar corte fiscal
significativo estão longe de ser uma
linha uniforme de ação ensinada
nos manuais de macroeconomia.
O que vai acontecer, em sete pontos. 1 – Os juros básicos, já em 11,25%
ao ano, tendem a se elevar mais
como forma clássica de conter o consumo e a espiral inflacionária. 2 – Setores econômicos mais organizados
e com lobistas estruturados junto à
máquina pública, voltarão a pedir (e
a ganhar) subsídios seletivos, com
queda de cobrança de alíquotas de
tributos. 3 – Vida difícil no Congresso, com a oposição marcando em
cima cada gesto da presidente e de
assessores diretos. 4 – Crise política pode aumentar, com revelações
adicionais comprometedoras, envol­
vendo grandes empresas e parlamentares, a partir de denúncias do
doleiro Youssef. 5 – Empresas e parlamentares em questão, terão, em
contrapartida, ágeis e sensatos bombeiros a evitar fogueira incontrolável
em Brasília. O Brasil não vai implodir.
7 – Os empresários continuarão a reclamar dos governos. E com eles vão
vivendo, simbioticamente.
No nosso mundo, em Joinville,
três aspectos. 1 – Pressão por recursos federais para ampliação da Arena, para desapropriação de imóveis
na Santos Dumont. 2 – Pressão por
dinheiro da Badesc para pavimentar
ruas em bairros periféricos. 3 – Definição da construção da ponte na
zona Leste – com idas e mais idas de
nossas principais autoridades e lideranças a Brasília e a Florianópolis, em
busca de apoio para essas demandas. É a preparação para a campanha eleitoral para prefeito, em 2016.
33
JOSÉ CRUZ
Uma das eleições mais
acirradas da história recente
do país trouxe à tona o
debate de temas cruciais
Novo governo, velhos desafios
Júlia Pitthan
JORNALISTA, EDITORA DE ECONOMIA DO
DIÁRIO CATARINENSE, DE FLORIANÓPOLIS
Passadas as oscilações de humor do mercado financeiro com o período eleitoral, o governo brasileiro se renova para enfrentar antigos desafios com a energia de
quem encara uma segunda-feira de trabalho depois
de retornar das férias. Controle da inflação, retomada
do crescimento econômico e redução dos gastos públicos estão na lista de tarefas que se mantêm sobre a
mesa da presidente Dilma Rousseff, agora no status de
mandatária reeleita.
Se os problemas não são novos, mudanças na equipe ministerial podem dar a tônica dos remédios adotados a partir de 2015. O nome de Henrique Meirelles,
que já comandou o Banco Central no governo Lula,
apareceu na lista e está entre os indicados pelo ex-presidente. O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco,
e o ex-secretário-executivo do Ministério da Fazenda
Nelson Barbosa também foram cotados. Independente
da escolha da presidente, os nomes demonstram preocupação em retomar o diálogo com o mercado financeiro e os setores produtivos da economia.
Fato é que Dilma e a equipe econômica precisarão reencontrar o caminho do crescimento. O modelo baseado
34
no consumo – com desoneração de tributos e facilidades
para a compra de carros, eletrodomésticos e outros produtos – já começou a demonstrar sinais de enfraquecimento. Em 2014, o consumo das famílias deve ter a menor taxa de crescimento desde 2003. Até junho, houve
uma expansão de 1,7%, segundo o Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE).
Para 2015, as expectativas não são as melhores: a tendência é de mais um ano de desempenho fraco do consumo. Juros em alta, a pressão da inflação e um quadro
menos favorável à geração de novos empregos fazem
parte desse cenário que leva as famílias a ter receio de
comprar mais e se endividar.
O Brasil já deu provas de que pode ser protagonista
no cenário econômico mundial. Embalado pelo bom momento das commodities internacionais, alcançou resultados expressivos de crescimento – o que levou a revista
The Economist a colocar o Cristo Redentor decolando na
capa. O país era, naquele momento, um dos motores de
recuperação da economia mundial, que agonizava os
efeitos da crise de Wall Street, em 2008.
Como o Brasil não aproveitou o período de pujança
para fazer as reformas necessárias, agora cobra a conta
de ter sobre a mesa a tarefa acumulada. O atraso cobra
seu preço. Os problemas são conhecidos. Resta ter vontade de tirar da gaveta as medidas e soluções.
Por melhores taxas de crescimento
José de Lima Cardoso 1 e Daniel Passos 2
SUPERVISOR REGIONAL DO DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICAS E ESTUDOS
SOCIOECONÔMICOS (DIEESE). 2 AUDITOR DA FUNDAÇÃO CELESC DE SEGURIDADE
1
Apesar do crescimento econômico não gerar bem-estar
por si só, é um pressuposto à continuidade das melhorias
sociais e, por consequência, motor do desenvolvimento.
Portanto, é tão necessária quanto desejável a busca por
uma taxa de crescimento mais robusta para 2015. Um
primeiro passo deve ser a adoção de medidas que não
interrompam a trajetória de recuperação do mercado de
trabalho vivenciada nos últimos dez anos. O crescimento desse mercado adicionou um contingente enorme de
renda ao consumo que, somado à expansão do crédito
lastreado nessa renda, permitiu expansão das atividades
comerciais e de serviços, constituindo na última década
um dos maiores mercados de massa do planeta.
Já a indústria precisará de maior atenção. Esse setor é
o que apresenta as maiores dificuldades de recuperação
e os menores níveis de investimentos, sofrendo concorrência interna e externa. Ao que parece, medidas fiscais
e creditícias adotadas pelo governo federal não surtiram os efeitos esperados, tornando necessário avaliar a
verdadeira capacidade de posicionamento da indústria
nacional no atual cenário de disputa de mercado. Tudo
indica que a gestão da política para esse setor deverá
abandonar a esfera dos incentivos tradicionais para a
adoção de um padrão de apoio que dê sustentação a um
novo modelo de inserção produtivo.
Apostar na inovação dos produtos e serviços nos
segmentos de maior competitividade; estabelecer uma
cultura produtiva voltada ao mercado externo, alinhada
a uma taxa cambial que reflita melhor a nossa produtividade; manter investimentos em infraestrutura produtiva; manter o nível de renda do trabalho e das políticas
públicas como mecanismo de preservação e ampliação
do mercado consumidor interno são elementos fundamentais para a recuperação da economia em 2015.
O Brasil é maior que tudo isto
Albano Schmidt
PRESIDENTE DO SINDICATO DA INDÚSTRIA DO MATERIAL PLÁSTICO DE SC (SIMPESC)
2014 foi um ano atípico. No início, as perspectivas
eram as melhores. Com a realização de uma Copa do
Mundo no Brasil, muito se especulou que o país teria
destaque e seria beneficiado a partir dessa exposição.
A Copa terminou e, se as tais mudanças aconteceram,
foram imperceptíveis.
Logo depois, as eleições passaram a ser o foco.
Movimentaram não apenas o noticiário, mas seus
reflexos foram percebidos também na economia. As
promessas de geração de emprego, renda e as mudanças que acarretariam no crescimento do país foram atropeladas por inúmeras denúncias de roubo e
corrupção.
O Brasil, país que sempre teve indicadores econômicos relativamente positivos, registrou um crescimento discreto em 2014. E para o setor plástico, em
que atuamos, não foi diferente. Trabalhamos comprometidos com o aumento da produtividade e tivemos
um ano de muito esforço e dedicação para atingir os
resultados necessários.
Importante ressaltar que o nosso país precisa investir e valorizar o mercado interno para crescer e se
tornar competitivo. Entre os principais gargalos que
revista
dificultam o bom desempenho do setor plástico, destacam-se a falta de estímulos e incentivos à produção,
a ausência de uma infraestrutura adequada, o baixo
nível de formação de nossa mão de obra e a prolongada demora nas autorizações por parte dos entes públicos, entre outros aspectos. Em 2015, já antevemos
negociações setoriais duras com os trabalhadores da
indústria, pois a inflação bate à porta, pressionando
sobremaneira os custos das empresas e corroendo o
poder aquisitivo da população.
Mas o brasileiro é um povo que acredita e tem fé
de que as coisas vão melhorar. Com isso, não mede
esforços, faz acontecer, sua a camisa por um futuro
melhor. Seja como for, estamos preocupados e apreensivos com a possibilidade da volta da inflação, que
precisa ser controlada, pois é sinônimo de juros altos e economia travada. A previsão é de um início de
ano com poucos projetos, poucos investimentos e
aumentos nos preços. Aguardamos os encaminhamentos políticos, naturais para o período, mas acreditando que o Brasil vai dar a volta por cima e superar todas as dificuldades.
Uma coisa é certa: o Brasil é muito maior do que
tudo isso. A população é trabalhadora, tem boa índole
e está ciente que 2015 será um ano cheio de desafios.
Vamos superar cada um deles, juntos.
35
Performance
Zumba e lambaeróbica são opções para queimar calorias na Premiare Center: aulas concorridas
Muito além do
projeto verão
Busca por qualidade de vida e
hábitos saudáveis movimenta
mercado de academias de ginástica
36
DIVULGAÇÃO
Letícia Caroline
Nos últimos sete anos, o brasileiro tem trocado chuteiras,
meias e bola por anilhas, pesos e esteiras. Uma pesquisa
do Ministério da Saúde, divulgada em outubro, aponta
que o número de adeptos da musculação aumentou
50% entre 2006 e 2013, enquanto o índice dos que jogam
futebol caiu 20% no mesmo período. O lado bom é que
33,8% da população pratica atividade física regularmente, em uma mudança positiva no comportamento das
pessoas, preocupadas em adotar estilos de vida mais
saudáveis. Em Joinville, essa expansão pode ser percebida pela quantidade de academias de ginástica que vêm
abrindo as portas pelos bairros e na região central.
Augusto Gentil, sócio da Premiare Center, que está
há dois anos no bairro Floresta, saiu do Rio de Janeiro
para montar o empreendimento aqui. Na capital carioca, mantinha duas academias, mas a concorrência
com as grandes redes era pesada a resolveu vir para o
Sul. “Comecei a pesquisar e vi que Joinville estava em
plena expansão, com índice de desemprego pequeno”,
diz. Assim surgiu o espaço, que oferece diversas especialidades. De acordo com o empresário, a ideia é ser
uma academia para família, que pareça a extensão da
casa dos clientes. Entre os diferenciais, a área “Kids”,
em que os pais podem deixar as crianças se divertindo
enquanto frequentam as aulas. A estrutura conta com
equipamentos importados da Holanda, de última ge-
ração. São 21 profissionais na equipe, preparados para atender os 895
alunos. A meta é, até o fim de janeiro, chegar a 1.200. E o dono já pensa
em montar uma segunda sede.
Atleta de Mixed Martial Arts
(MMA), Diego Barbosa é outro que
resolveu investir neste negócio. Em
2012, abriu uma academia, em parceria com os irmãos Rodrigo Minotauro e Rogério Minotouro, reconhecidos internacionalmente na área
de MMA. A Team Nogueira da Rua
Dona Francisca foi inaugurada com
4 mil metros quadrados, quando a
rede nem tinha plano de franquias.
“Fomos a primeira e, por isso, muito do que é feito aqui virou modelo
para outras sedes”, explica Diego.
Recentemente, foram incorporados
aparelhos para musculação. São
35 profissionais para 1.100 alunos.
Além de tatame, octógono e ringue,
a Team Nogueira mantém um lugar
para refeições saudáveis e um galpão para patinação. “Queremos que
Joinville vire a capital da qualidade
de vida”, reforça o proprietário.
Frequentador da Team Nogueira
em Joinville, Jaime Grasso, presidente da Athletic, fechou parceria com
os irmãos Nogueira para equipar todas as academias da rede no Brasil.
Grasso aderiu às atividades físicas
há 30 anos – e não parou mais. Praticante de musculação, natação, caminhadas, corridas, pilates, kung-fu,
golfe e surfe, entende que os exercícios proporcionam ganho em saúde
e qualidade de vida, o que se reflete
na autoestima. “Eu me sinto com
muita energia, sempre pronto a enfrentar desafios, o que certamente
contribui para uma melhor performance nos negócios”, destaca. Para
ele, na cidade, houve uma melhoria
significativa nos serviços prestados
nessa área. “O mercado é crescente
e a concorrência, forte, o que motiva
os empresários a se reinventar continuamente”, analisa.
revista
PENINHA MACHADO
Com estrutura no shopping, The Best abre até aos domingos
Três mil alunos em 15 modalidades
Uma das academias mais antigas de Joinville é a The Best, há 19 anos
operando no último piso do Shopping Mueller. São 60 personal trainers
e 3 mil alunos. Entre os diferenciais, o horário de atendimento – de domingo a domingo –, sauna, natação, mais de 15 modalidades de ginástica e espaço de recreação infantil. “Antigamente, o mercado era focado no verão, mas isso mudou. As pes­soas procuram a academia não só
para melhorar a estética, mas o bem-estar e a qualidade de vida”, afirma
Monique Gonçalves, responsável pelo marketing da The Best. A equipe
aponta o treinamento funcional como a tendência para o mercado fit­
ness. Baseado nos movimentos naturais do ser humano, o praticante
pula, corre, puxa, agacha, gira e empurra. Tais exercícios desenvolvem
força, equilíbrio, flexibilidade, condicionamento, resistência e agilidade,
e são uma opção para quem está cansado das práticas de musculação.
Outra novidade são os treinamentos de alta intensidade, concentrados
na força e em um nível elevado de esforço.
Carin Hoegen é uma das frequentadoras que não procuram academia só durante o verão. Nos cinco anos em que pratica atividades físicas,
a diretora e proprietária da Aupex afirma que percebe melhora na autoestima, no humor, na disposição para outras atividades do dia a dia,
fortalecimento de músculos e ossos e organização dos pensamentos.
Aluna da The Best, reconhece que a prática de exercícios é fundamental
para uma vida saudável. Ela observa que a cidade conta com excelentes
academias e bons profissionais. Avalia que seja importante a inovação e
a diversificação de atividades, incluindo alternativas como ioga, pilates,
dança, natação e luta. “Isso possibilita às pessoas escolher o que melhor
se adaptar ao ritmo de cada uma”, opina.
37
DIVULGAÇÃO E PENINHA MACHADO
Personal funciona há quatro anos: treinamento de alta intensidade
Aposta em novas técnicas
Em um mercado competitivo, o negócio é apostar na novidade. A academia
Personal Gym & Lifestyle foi uma das primeiras de Joinville a oferecer o Crossfit, treinamento de alta intensidade. Com técnicas utilizadas para a preparação do exército norte-americano, a prática permite a realização de movimentos funcionais de alta intensidade, desenvolvendo o corpo de forma rápida.
Quem entra em um box de crossfit pode até se assustar. Equipado com
pesos, argolas e pneus gigantes, o treinamento se baseia no condicionamento físico para queima rápida de gordura e melhora na performance.
38
Rafael Kilipper, treinador da academia, diz que a ideia é desenvolver
movimentos funcionais, executados
no dia a dia, mas com alta intensidade e de maneira variada. Mesmo
parecendo atividade para gente forte, o crossfit é adaptável e inclusivo,
podendo ser desenvolvido até com
crianças. Aula de uma hora pode eliminar até 600 calorias.
O treinamento trabalha força,
velocidade, equilíbrio, precisão, agilidade, flexibilidade, coordenação
motora, potência, resistência física
e cardiorrespiratória. Os partic­
i­
pan­tes citam como principais benefícios melhora no sono e perda
de peso, tudo isso em uma proporção maior e mais rápida.
Há quatro anos no mercado
joinvilense, a Personal foi ampliada em 2013, ganhando uma sede
de 1.200 metros quadrados, na Rua
Lages. São oito professores de musculação, três de crossfit e quatro de
ginástica. Uma das novidades deste ano foi a abertura do segundo
box de crossfit, em Balneário Camboriú. “O mercado cresce em todo
o Brasil. As pessoas estão abraçando a ideia de que academia é um
lugar de saúde”, afirma o gerente
Rafael Possenti.
Transformar
hábitos
Na Premiare Center, é comum ver
pessoas vestindo camisetas com a
inscrição “Seca Gordura”, programa
da academia que tem por objetivo
potencializar o emagrecimento. O
participante conta com a assessoria
de um treinador e uma nutricionista. “Compartilhando o dia a dia
do cliente, conseguimos identificar
pontos de melhoria, estimulando
a superação”, explica Marlon Theis,
coordenador do programa. De saída,
o participante passa por avaliação
física e nutricional. Depois, é submetido a módulos de atividades físicas,
sempre com acompanhamento
do treinador. De três em três meses, tem avaliações. Para Marlon, o
progra­ma surgiu da necessidade de
aliar treinamento físico e nutrição
esportiva, já que as pessoas não se
pensam só no verão: “Elas querem
mudar o comportamento”.
No embalo desse interesse cres­
cente por atividades físicas, foi inaugurada em outubro a filial joinvilense da Decathlon, rede de varejo
para esportes, com produtos destinados a 55 modalidades – e espaço
caprichado para fitness. Ao mesmo
tempo, as academias se multiplicam. Em 2013, segundo o Conselho
Federal de Educação Física, o setor
chegou a 2.348 estabelecimentos
formais no país, 10% a mais que no
ano anterior. Segundo Zulma Stolf,
presidente do Sindicato de Academias de SC (Siacadesc), a expansão
se deve a fatores como um maior
número de gradua­dos em educação
física, a preocupação com a obesidade e a facilidade para abrir esse tipo
de negócio. “Queremos mostrar que
academia é lugar de saúde, contribuindo para o crescimento da área e
o desenvolvimento de uma sociedade mais saudável”, ressalta.
revista
No alto, a área de fitness da loja Decathlon; na sequência: aparelhos
importados e aluno de programa de emagrecimento da Premiare,
crossfit (acima, à esq.) e área de musculação da Team Nogueira (à dir.)
39
nonononon
Negócios
O cardápio
das franquias
de alimentos
Segmento que cresceu 25% em
um ano oferece boas opções
para quem quer empreender
Mayara Pabst
Para se sobressair no mercado, é preciso
apostar em perspectivas consistentes e
vislum­brar cenários em potencial que alavanquem o negócio. Nem todo empresário,
contudo, nasce com perfil inovador. Nesse
caso, a melhor saída pode ser o estudo de
possibilidades já consolidadas, investindo
no nicho das franquias. Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Franchising
(ABF), publicada no início deste ano, o faturamento do setor no país aumentou 11,9%, de
2012 para 2013. No mesmo período, mais de
nove mil unidades franqueadas foram abertas em todo o país. O ramo de alimentação
foi um dos que apresentaram maior avanço
(nada menos que 25%). A rotina acelerada
da população impulsiona o mercado de alimentos práticos e de rápido preparo, sejam
produtos fast food ou itens voltados a uma
alimentação mais saudável. Nesse contexto,
para fugir da concorrência das grandes marcas, empresários recorrem a franquias menores e mais baratas, que acabam unindo o
melhor custo/benefício.
Tão almejado pelos empresários, o diferencial inovador já vem estruturado no pacote: investidores recebem treinamentos e
orientações, têm acesso a planejamentos e
pesquisas de mercado, conhecem o perfil do
consumidor-alvo da rede e têm à disposição
uma identidade visual consolidada, entre
outras vantagens. No caso de novas redes, o
investimento inicial mais baixo é encarado
como uma vantagem, mas, além da questão
40
financeira, as franqueadoras avaliam aspectos relacionados ao perfil do candidato
interessado em comandar uma unidade. Características pessoais associadas ao empreendedorismo e perspectivas de crescimento
são avaliadas pela rede Calzoon, de Joinville,
por exemplo. Antes de inaugurar uma loja, o
franqueado deve cumprir uma série de etapas, estipuladas para auxiliar na sustentabilidade das futuras lojas.
A primeira unidade da Calzoon começou
a funcionar em 1999. Em 2011, a empresa especializada em minicalzones passou a formatar e adequar seu negócio para se tornar
franqueadora. Com a taxa para a concessão
do uso da marca fixada em R$ 25 mil, a rede
aposta em um valor baixo para atrair mais
investidores, potencializando um crescimento em grande escala. O investimento
total inicial para a abertura de uma unidade
fica entre R$ 125 mil e R$ 205 mil, com as opções de lojas de 25 ou 70 metros quadrados².
Ao que parece, está dando certo. A expectativa para os próximos cinco anos é de que
a rede some aproximadamente 200 novas
lojas, com expansão mirando Estados como
São Paulo, Rio Grande do Sul, Ceará, Pernambuco e Bahia. Hoje, a Calzoon conta com três
franquea­dos e nove novas lojas estão previstas para abrir até maio de 2015, em Santa Catarina e no Paraná.
Segundo o diretor regional da Associação
Brasileira de Franchising, Marcos Pozza, o
consumidor brasileiro vem se apaixonando
cada vez mais pela cozinha. Quando sai de
casa, procura opções diferenciadas no ramo
alimentício, característica que abre um leque de oportunidades ao empreendedor.
“Tudo isso envolve o processo de pensar a alimentação como negócio. O Brasil ainda tem
um índice baixo de alimentação fora do lar,
se comparado a outros países, então temos
muito para crescer”, exemplifica Pozza.
Guilherme, da
Takeo: pastéis
gourmet com a
assinatura de chefs
Pastelaria abre
primeira loja
em Joinville
DIVULGAÇÃO E PENINHA MACHADO
revista
A rede de franquias Takeo Pastéis,
administrada pela Happy Franchising, é uma das que resolveram
apostar no consumidor brasileiro,
implantando sua primeira unidade do país em Joinville. Para o
diretor executivo Guilherme Batista, o município está entre os que
apresentam maior potencial de
crescimento no Brasil e a tradição
do consumo de pastéis na região
pesou na decisão. “A cidade estava precisando de opções de pastéis diferenciados, com uma linha
gourmet desenvolvida por chefs
de cozinha internacional. O ideal
para os investidores seria abrir a
loja-piloto em São Paulo. Mas consegui convencê-los de que o potencial de Joinville nos permitirá
expandir o projeto para o Sudeste”, relata o empresário.
Inaugurada no mês de outubro,
a Takeo Pastéis oferece cardápio
de pastéis tradicionais e assados,
bem como pratos orientais como
yakissoba e yakimeshi. Com investimento inicial de R$ 125 mil para
implantação de uma unidade, o
plano de expansão da rede prevê a
abertura de vinte novas franquias
em até dois anos, com unidades
em Joinville e região e expansão
para o Paraná e São Paulo. “O negócio ainda está em crescimento
no Brasil e precisa ser pulverizado, por isso oferecemos o valor da
franquia abaixo do mercado. Após
esse período de maturação, é natural que as taxas aumentem e
quem investir antecipadamente
acaba garantindo o retorno de lucros com maior agilidade, além de
prioridade na escolha dos pontos
de lojas”, explica Batista.
41
FRANQUIAS NO RAMO
DE ALIMENTAÇÃO COM
INVESTIMENTO INICIAL
ABAIXO DE R$ 500 MIL
Espetinhos Mimi
Carnes, porções e alimentos
para festas e eventos
Investimento: R$ 30 mil a R$ 300 mil
www.espetinhosmimi.com.br
Freddissimo
Rede de sorvetes
Investimento: R$ 160 mil a R$ 290 mil
www.freddissimo.com.br
Thiago, proprietário da Vininha: “Você precisa de uma ideia diferente”
“Um produto único para a região”
O apetitoso mercado das franquias
de alimentação atraiu o empreendedor Thiago Hoffmann, proprietário da Vininha em Joinville. Em
2008, o empresário começou a estudar o mercado alimentício, com
o objetivo de oferecer uma nova
gama de produtos aos joinvilenses. Na percepção de Hoffmann, as
poucas opções de lanches para festas, reuniões ou encontros de amigos se restringiam a pizzas ou frituras. Foi então que resolveu procurar
a curitibana Vininha, especializada
na produção de minisanduíches
assados. Hoff­mann conhecia a empresa como consumidor e, seguindo o figurino recomendado por
consultores, estudou o mercado e
o perfil da franquia antes de fechar
negócio. Em 2010, quando a Vininha lançou a franquia, ele logo obteve o parecer favorável à abertura
da unidade local, inaugurada em
novembro de 2012.
Para a concessão do uso da
marca, Hoffmann desembolsou
R$ 45 mil, mas as taxas de franquia
da rede variam de R$ 25 mil a R$ 55
mil, determinadas pelo tamanho
42
da cidade na qual a unidade será
implantada e seu potencial de
consumo. Somados outros custos,
como instalação da loja, capital de
giro e taxa de marketing, o capital
mínimo para abrir uma franquia
Vininha gira em torno de R$ 139
mil, bem abaixo da média de grandes redes fast food, nas quais o investimento inicial pode chegar à
casa de R$ 1 milhão.
Para o empreendedor, além de
exigir gastos elevados, a maioria
das grandes redes franqueadoras
já tem unidades espalhadas por
todo o país. Daí que, ao investir em
uma marca menor, o empresário
pode oferecer um produto único
na região. “O mercado está saturado e você precisa de uma ideia
diferente para se sobressair. Então,
por que não investir em um negócio que já está dando certo em algum lugar? Se a pessoa tem uma
proposta realmente inovadora, até
vale a pena investir por conta. Caso
contrário, o caminho mais promissor é apostar em negócios já consolidados, que serão destaque na sua
cidade”, argumenta Thiago.
Black Dog
Venda de hot dogs
Investimento: a partir de R$165 mil
www.blackdog.com.br
Creps
O cliente participa da elaboração
e montagem do crepe
Investimento: R$ 170 mil a R$ 535 mil
www.creps.com.br
Massa Mia
Massas italianas congeladas
Investimento: R$ 190 mil a R$ 250 mil
www.massamia.com.br
Yakisoba Factory
Especializada em yakisobas
Investimento: R$ 196 mil a R$ 300 mil
www.yakisobafactory.com
Dídio Pizza
Pizzas 100% delivery
Investimento: R$ 300 mil a R$ 330 mil
www.didio.com.br
Parmeggio
Massas, grelhados e lanches
Investimento: R$ 325 mil a R$ 370 mil
www.parmeggio.com.br
Salad Creations
Comercialização de saladas
Investimento: a partir de R$ 350 mil
www.franquiasaladcreations.com.br
Risotto Mix
Culinária tipicamente italiana e
brasileira no conceito de fast-food
Investimento: R$ 370 mil a R$ 470 mil
www.risottomix.com.br
FONTE: WWW.PORTALDOFRANCHISING.COM.BR
revista
43
Vitae
DIVULGAÇÃO
O professor, em homenagem na Câmara Municipal: “Sonhar faz bem”
O poder da educação
Sylvio Sniecikovski ajudou a colocar as
escolas joinvilenses entre as melhores do país
Karoline Lopes
Quem passa pela Rua Lages não imagina que, em uma daquelas casas de
muros altos, vive o homem que dedicou mais de 50 anos à educação de Joinville. Sylvio Sniecikovski, um senhor de olhos claros e cabelos brancos, foi o
primeiro diretor da Escola Técnica Tupy (ETT) e secretário da educação por
mais de uma década. Hoje aposentado, é o único patrono de uma escola
da cidade que está vivo. A história de Sylvio começa em 18 de julho de 1930,
na cidade de Palmeira, no Paraná. Foi ali que cresceu e se formou em matemática pela UFPR. “Toda minha vida de criança, jovem e estudante ocorreu
em Curitiba. Eu sempre tive facilidade com números, deveria ter feito engenharia, mas fiquei com medo de não passar no vestibular e fui cursar matemática”, relembra. Assim que conquistou o diploma, surgiu o convite para
lecionar no Colégio Bom Jesus, em Joinville. Mesmo sem experiência em magistério, veio para Santa Catarina e enfrentou o primeiro desafio da carreira:
dar 54 horas de aula por semana, de segunda a sábado. “Eu vivia para o co-
44
légio. Dormia pouco e me preparava
muito. Nos primeiros momentos, o
impulso foi desistir, mas a garra e a
força de vontade fizeram com que
permanecesse e vencesse o desafio.
Aprendi a ser professor”, orgulha-se. O bom relacionamento com os
alunos levou a interação para fora
da sala de aula. Aos sábados, após
as atividades, um grupo de alunos ia
até sua casa jogar xadrez.
Segundo Sylvio, um bom professor é aquele que cumpre suas
obrigações, com competência pro­
fissional, coração e comprometimento. Seguindo esse conceito, em
1959, Hans Dieter Schmidt – então
presidente da Fundição Tupy – fundou a ETT. A inspiração foi o modelo
da George Fischer, indústria suíça
reconhecida na Europa pela excelência que resultou de projeto semelhante. “Tive o privilégio, a honra
de ser convidado para ser o diretor
da escola. Além das aulas teóricas
que o MEC determinava para curso
técnico, as práticas eram nas instalações da empresa. O regime era de
tempo integral, parte de educação
teórica e a outra parte, nas instalações da fábrica”, recorda-se.
O sucesso da empreitada foi tão
grande que a ETT se tornou referência em educação profissional. Prova
disso foi sua inclusão no Conselho
das Escolas Técnicas Federais, que
garantiu o sucesso dos alunos nas
empresas de Santa Catarina e até
de outros Estados. “Um empresário
do Rio Grande do Sul entrou em contato conosco avisando que precisava de técnicos em metalurgia, mas
gostaria que fossem nossos alunos.
Embora tudo fosse financiado pela
Tupy, eles não tinham a obrigação de
trabalhar lá. Posso dizer com segurança que não só a Tupy, mas as empresas da cidade alavancaram seu
desenvolvimento com a participa­
ção dos alunos da escola”, conta o
professor, emocionado.
Professor batizou uma
escola no Jardim Paraíso
Desde 2007, a Escola Municipal Sylvio Sniecikovski atende a comunidade
do Jardim Paraíso. São 17 salas de aula, mais biblioteca, refeitório, dependências administrativas, área de lazer e quadra coberta, onde estudam,
aproximadamente, 1 mil crianças da região. Para a diretora Zorilda da
Rosa Miranda, a relação com o professor é essencial. “É uma honra estar
à frente de uma escola que leva o nome de uma pessoa tão importante
para a história da educação joinvilense. Seu comprometimento e seriedade em relação à educação ficarão marcados eternamente”, ressalta.
Segundo a diretora, o desafio no momento é buscar um maior envolvimento da família no processo de aprendizagem. “A infrequência, chegadas tardias e a falta de hábitos de estudos ainda são empecilhos para o
sucesso escolar dos nossos alunos.”
Ao saber que o município inauguraria três escolas entre os anos de
2007 e 2008, o então secretário da educação de Joinville listou três possíveis nomes: Nilson Bender, ex-prefeito, Baltazar Buschle, também ex-prefeito, e Luiz Henrique da Silveira, que na época era governador. Luiz Henrique decidiu transferir a honraria: sugeriu o nome de Sylvio. “Infelizmente,
o Mal de Parkinson me impediu de estar presente na escola”, lamenta o
professor. “Mas me senti honrado quando soube. Ela está situa­da numa
região onde os desafios do grupo social são acentuados. Além de zelar
pelo ensino, é preciso cuidar com o que ocorre fora da escola, com as famílias. E isso é complicado”, observa.
Para resgatar um pouco da trajetória do professor, a UniSociesc lançou,
no final de novembro, o livro “Sonhar Só Faz Bem”, que também conta a
história da instituição. Publicado pela Editora Manole, será vendido nas
principais livrarias do país. O escolhido para passar todos esses anos de
experiência para o papel foi Francisco Britto, autor, professor universitário,
palestrante e componente de conselhos consultivos e de administração.
Descanso na
aposentadoria
Aposentado há seis anos, o professor dedica seu tempo livre à leitura
e troca de e-mails com familiares,
amigos e ex-alunos. Além disso, é
amante da música: “Estou ouvindo bastante Il Divo e André Rieu”.
É casado há 61 anos com Úrsula
Annemarie Hedwig Noering Sniecikovski, que conheceu em um
acampamento em Vila Velha, Espírito Santo, em 1952. “Eu costumava
praticar esportes radicais, principalmente escalada. Foi numa dessas aventuras que a conheci”, diz.
O casal tem dois filhos e quatro
netos – estes, jovens universitários,
embora nenhum tenha trilhado os
passos do avô na área da educação.
Sylvio diz que evita sair de casa,
devido aos sinais avançados do
Mal de Parkinson. Ele revela que o
surgimento da doença foi desencadeado por situações de estresse que sofreu no trabalho. “Tomo
quatro remédios por dia para controlar os tremores que são mais
fortes na minha mão direita”, comenta o mestre.
Atuação como gestor público
O bom desempenho de Sylvio como
diretor da ETT fez com que Pedro Ivo
Campos, recém-eleito governador, o
convidasse para assumir a Secretaria de Educação de Santa Catarina.
“A gestão da educação tem muitos componentes políticos. E para
quem não é político, como eu, fica
difícil. Assumi em 1987 e, em 1989,
voltei para Joinville”, diz. Dez anos
depois, Luiz Henrique foi eleito prefeito e fez um novo convite para Sylvio: ser o secretário de educação da
cidade. “Num primeiro momento,
revista
pensei em recusar, mas fui conversar com ele e aceitei o desafio.”
Sobre sua atuação, faz uma avaliação rigorosa, porém positiva. Entre
as melhorias, assinala que, se pudesse, construiria mais Centros de
Educação Infantil (CEIs). “A educação
infantil e fundamental de Joinville se
constituiu como uma das melhores
do país, segundo avaliações do Ideb
(Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Sempre estávamos entre os primeiros do Brasil. Num ano, o
resultado foi tão bom que a diretora
de uma das escolas foi convidada
pelo presidente Lula para assistir ao
desfile do dia 7 de setembro em Brasília, no palanque das autoridades.
Isso para mostrar o conceito que a
educação municipal havia alcançado”, ressalta.
Conhecido por trabalhar sempre de portas abertas e ressaltar a
importância dos diretores e professores na vida acadêmica e pessoal
dos alunos, Sylvio aponta a Escola
Municipal Pastor Hans Müller como
o destaque de sua gestão.
45
Conjuntura
O ano da
BMW
Abertura da fábrica
de Araquari inaugura
um novo ciclo na
economia regional
46
Quase uma década e meia atrás, lá no início dos anos 2000, a Fiesc
divulgou estudo sobre a viabilidade de se produzir carros em Santa
Catarina, dado o vasto circuito de fornecedores desse segmento ativo
no Estado. Desde então, houve inúmeras articulações junto a grandes
montadoras e, de concreto, somente a operação da TAC Motors, que
funcionou em seus primeiros anos em Joinville, fabricando o 4X4 Stark.
Com a chegada da BMW a Araquari, a expectativa de conformar um
polo automotivo em solo catarinense se torna realidade.
A nova planta, que terá capacidade para produzir até 32 mil carros por
ano, foi beneficiária do Inovar-Auto, programa do governo federal voltado
a incentivar a indústria automotiva nacional. No dia 30 de setembro, saiu
da linha de montagem o primeiro exemplar do BMW Série 3, modelo de
estreia dos cinco que serão feitos aqui. Concorrido evento com executivos
alemães do BMW Group e autoridades, em 9 de outubro, marcou a inauguração da unidade, resultado de investimento de R$ 600 milhões e onde
já trabalham 530 funcionários de um total estimado de 1.300, quando o
projeto alcançar o seu ponto alto. A fábrica ainda não contempla todo
o processo produtivo, o que deve ocorrer em setembro do próximo ano,
quando as atividades de soldagem e pintura serão incorporadas.
A BMW pensa longe com a planta de Araquari. “Identificamos um
enorme potencial no mercado brasileiro. Este é um investimento de longo
prazo”, salientou Arturo Piñeiro, presidente e CEO da companhia no país,
em seu discurso. “A fábrica evidencia o nosso pioneirismo, como também
a trajetória de sucesso da BMW no Brasil.”
Na visão de quem tem longos anos de experiência no setor, a vinda
dessa grife de carros de luxo consolida a existência de um polo automotivo no Norte do Estado. É a análise de Hugo Ferreira, diretor regional do Sindipeças, lembrando dois outros fatos recentes na mesma direção: a insta-
lação da General Motors em Joinville
e da fábrica de tratores da LS Mtron
em Garuva, ambas em 2013. Na carona, vieram quatro filiais de duas
multinacionais fabricantes de autopeças já estabelecidas em outros polos brasileiros, a Lear (que faz cabos e
bancos, em Navegantes e Joinville) e
a Benteler (montagem do conjunto
do trem de força, em Araquari).
“É lícito esperar que mais forne­
cedores locais venham se somar aos
já existentes, à medida que, para as
montadoras, os índices de naciona­
lização se elevam do segundo ao
quinto ano, conforme exigido pelo
Inovar-Auto para redução do adicional de IPI [Imposto sobre Produtos
Industrializados]”, explica Ferreira.
Nesta entrevista, que condensa
declarações prestadas na coletiva à
imprensa, durante o evento, e depoimentos recolhidos posteriormente
pela Revista 21, o CEO Arturo Piñeiro e a diretora de relações governamentais da BMW, Gleide Souza,
falam sobre o impacto da vinda da
BMW para a economia regional.
Como os srs. avaliam o impacto da
instalação da BMW em Araquari
sobre a economia regional?
Gleide A chegada da fábrica será
um importante gatilho para a aceleração do desenvolvimento de
toda a região. Um exemplo é que
firmamos parceria com o Senai, na
elaboração de cursos preparatórios
para os funcionários contratados,
dando a eles uma visão clara da nossa necessidade de formação profissional. Diversas outras ações foram
realizadas, como o relacionamento
com universidades da região e instituições de ensino, como também a
instalação de uma nova unidade do
Senai em Araquari, motivada pelas
necessidades do BMW Group Brasil.
Já no próximo ano, daremos início
ao Programa Menor Aprendiz. Além
revista
disso, os funcionários recrutados
para trabalhar na fábrica serão, em
sua maioria, da região, entre Araquari, Joinville e Jaraguá do Sul.
BRUNO MOOCA/DIVULGAÇÃO
A BMW terá algum projeto
social de relacionamento com a
comunidade local?
Gleide Sim, teremos um projeto
que deve ser bem abrangente para
a comunidade de Araquari. Mas infelizmente não posso dar detalhes
agora. Adianto que será um projeto
social muito bacana.
Qual é o principal atributo do
candidato a trabalhar na BMW?
Gleide Dinamismo. Empenho. O
que precisar em instrução técnica, a
gente vai oferecer. Os engenheiros e
técnicos que contratamos são muito
competentes. O Senai faz um trabalho excelente aqui na região. O Sesi
também. Estive no Senai já em 2011
ou 2012. Fiquei impressionada. Existem unidades do Senai em São Paulo que não contam com a estrutura
que encontrei aqui.
Existe a perspectiva de a BMW
montar um centro de pesquisa e
desenvolvimento na região?
Arturo Como parte do Inovar-Auto,
devemos investir em engenharia e
desenvolvimento. Temos um departamento de engenharia montado
que vai começar a funcionar. Investiremos uma porcentagem do nosso
faturamento nisso.
Gleide Essa é uma obrigação, pelas
regras do programa. E já estamos
atuando com pesquisa e desenvolvimento. Temos atividades direcionadas ao mercado brasileiro que
passaremos a explorar. O desenvolvimento do nosso veículo Flex foi o início. Boa parte foi feita na Alemanha,
mas agora, com o departamento
instalado no Brasil e parcerias com
as empresas locais, conseguiremos
Registros da linha de montagem
da marca alemã: primeiro
modelo a entrar em produção
foi o Série 3; até agosto do ano
que vem, cinco carros estarão
sendo fabricados por aqui
47
evoluir ainda mais.
A fábrica estreia com 530 funcionários
trabalhando. Como foi o processo de seleção
destas pessoas?
Gleide Fizemos um trabalho muito bacana
de seleção. Realizamos fóruns para contratação em Joinville e Araquari, entre outros
locais. Logo no início, tivemos 25 mil candidatos às vagas, vindos do Brasil inteiro. A marca
tem um apelo muito grande, as pessoas admiram muito a empresa.
Foi difícil encontrar pessoas com o perfil
adequado?
Gleide Contratação nunca é um trabalho fácil.
Você tem que ser assertivo logo de início. Principalmente quando envolve produção. Mas demos sorte nas inscrições, as pessoas passaram
por uma sessão de testes e tivemos um perío­
do de capacitação no centro de treinamento
em Joinville. Alguns profissionais-chave foram
para outras plantas e receberam treinamento
específico, para cobertura técnica adequada.
Como está avançando a implementação da
fábrica?
Gleide Trabalhamos de acordo com as regras
do Inovar-Auto. Até setembro do ano que vem,
implementaremos oito processos produtivos,
como pede a legislação. Na verdade, estaremos
até um pouco mais fortes, com nove processos.
Estamos com um turno de produção, mas devemos migrar para um segundo turno a partir
de meados do ano que vem, quando todos os
modelos entrarem em linha, entre outras etapas. Esse evento de inauguração foi um marco, mas intermediário. A gente faz, hoje, uma
grande celebração de que começa realmente a montar os veículos
no Brasil. Mas é em 2015 que teremos a entrada da submontagem
e montagem de carroceria e pintura.
Qual foi o momento mais difícil na negociação da BMW com o
governo federal? Qual o ponto que pegou?
Gleide Foi o ajuste ao Inovar-Auto. Já vínhamos com um projeto
acontecendo, a nossa intenção de trazer a fábrica é anterior ao programa. E tivemos uma fase que não posso dizer que tenha sido de
desgaste, mas que foi de adaptação do projeto à nova realidade, às
novas regras colocadas pelo programa.
O resultado positivo dessa negociação facilita a vida de outras
empresas que forem seguir o mesmo caminho...
Arturo Fomos os líderes, os primeiros. Os demais estão seguindo a gente.
Os srs. anunciaram uma previsão determinada de produção
aqui. Em função do crescimento da economia em um ritmo
menor, aquela previsão será reduzida?
Arturo Desde o começo, nosso compromisso de absorver produção é paulatino. Não iríamos produzir a capacidade total no dia 1.
Mas, no ano que vem, independente da situação do Brasil, vamos
absorver a produção prevista.
O mercado premium no Brasil corresponde a cerca de 1,5%. Os
srs. têm a expectativa de crescimento desse mercado?
Arturo Lamentavelmente, o mercado premium não vai crescer do
jeito que vinha crescendo. Neste ano e no próximo, ainda cresce
um pouco, mas não no dinamismo anterior. Isso não vai interromper nosso plano. Vamos vender exatamente o que tínhamos estimado e continuaremos fortalecendo a nossa posição.
Qual a justificativa para essa desaceleração?
Arturo A situação econômica do Brasil. Surgiu uma incerteza
muito grande, devido ao período eleitoral, e isso tirou a confiança dos consumidores. Outros segmentos estão se desacelerando. Inclusive no agronegócio, que vinha crescendo com in-
LINHA DE MONTAGEM
Cinco modelos da BMW serão produzidos em Santa Catarina
BMW Série 1
48
BMW Série 3
BMW X1
BMW X3
BMW Mini Countryman
tensidade. Acho que é um momento, é uma
situação, as economias normalmente se expandem e se contraem – e o Brasil vinha de
uma expansão muito grande. O mais importante é você se adaptar e continuar fazendo
o que tem que fazer.
O sr. acha que este quadro não muda,
passadas as eleições?
Arturo Não gosto de especular sobre essas coisas. Não leva a nada. Acho que o que pode mudar no mercado é a confiança. Independente
do resultado das eleições, 2015 vai ser um ano
difícil. Todos os analistas convergem nessa visão. Não existem milagres. O Brasil precisa de
uma série de reformas, e precisamos de um
governo corajoso para assumir essa questão.
Lamentavelmente, o impacto não virá em
curto prazo. Mas estamos preparados para enfrentar 2015. Nosso investimento no Brasil é de
longo prazo. Por maior que seja, o impacto das
dificuldades de 2015 não fará com que o mercado de automóveis se reduza de forma substancial. Vamos ficar em torno de 3 milhões de
carros vendidos, pouco mais ou pouco menos.
Não gosto de fazer previsões sobre esse aspecto porque ultimamente as previsões estão
saindo um pouco erradas, a começar pelas
eleitorais. O importante é que temos que nos
preparar para um ano de alta competitividade, em que os consumidores estarão muito
mais cautelosos na hora de investir. Diante
disso, teremos que ser mais fortes comercialmente, mais inteligentes do ponto de vista de
comunicação e, sobretudo, oferecer uma coisa
melhor, de mais valor, por um dinheiro que ele
esteja disposto a pagar.
Gleide Este é um ano atípico. Tivemos três
grandes eventos, com o carnaval tardio, Copa
do Mundo e eleições. Isso se reflete na economia, gera uma expectativa grande. Não é o
momento de previsões, até porque nossa bola
de cristal não está muito clara, para o mercado como um todo. Mas essa fase de recuperação, que começa em 2015 e se estende, é um
reflexo normal de tudo isso. Vamos esperar
que ela seja o mais curta possível e que o país
volte ao crescimento.
Arturo Ainda quanto a previsões de vendas,
revista
Gleide Souza, diretora de
relações governamentais,
e Arturo Piñeiro, CEO da
montadora, reforçaram
que o projeto da BMW
é de longo prazo
posso jogar números, temos a nossa projeção. Mas o problema é
que o Brasil está sendo tão volátil que, neste momento, seria temerário. O mercado premium vinha crescendo mensalmente de
maneira acelerada, em até 70%, e caiu, por exemplo, em agosto.
Essa desaceleração de um mês para outro dificulta muito uma
previsão mais coerente. O mais importante é que precisamos fechar este ano, ver como os consumidores vão reagir, e aí depois
voltar a prever.
Mas espera-se que esse quadro se reverta?
Arturo É, como disse, um problema de confiança. A economia deixou de crescer, estamos teoricamente em recessão técnica. Outro
fator é que o dólar se apreciou e os juros subiram. Para completar,
casos de corrupção. O Brasil é muito sensível a esse tipo de situação. O brasileiro é definido como o mais otimista do mundo, mas
qualquer notícia ruim pode transformar esse otimismo em um
tsunami de negatividade. Estamos vivendo um momento em que
o brasileiro está incerto sobre o futuro, preocupado com o que vai
ocorrer, e prefere não gastar. Isso vem se refletindo em todos os setores, automóveis, imobiliário, agropecuário etc. Todo mundo está
esperando para ver o que vai acontecer.
49
Com a abertura da fábrica, pelo que se anunciou, os
modelos produzidos aqui não serão mais importados.
É mais caro produzir aqui do que importar?
Gleide O Brasil não é o país mais atraente em termos de
custo de produção. Todo mundo fala de “Custo Brasil”, e
realmente é complicado. A quantidade de licenças necessárias e toda a burocracia que se tem que enfrentar
para a construção de uma fábrica são enormes. Isso traz
o seguinte ponto: no Brasil, teremos capacidade instalada de 32 mil unidades. A BMW, mundialmente, produz
1,9 milhão de veículos. A conta é simples. Você tem um
volume baixo, um investimento alto que demora algum
tempo para ser depreciado. Não temos escala suficiente. Essa foi uma grande discussão com o governo, que
achou um mecanismo para nos motivar e nos manter
com o interesse de vir para cá. Fale com qualquer montadora. Quem faz 500 mil veículos, é uma situação. Quem
faz 12 mil ou 15 mil, como teremos no ano que vem, é uma
situação muito diferente. E estou falando de cinco modelos. Se a gente pegar o modelo mais vendido da BMW, da
Série 3, gira na casa de 6 ou 7 mil unidades. Não é nada
frente a 100 mil, 400 mil de um determinado modelo.
Como os srs. enxergam a pertinência de medidas
como o Inovar-Auto para estimular o fornecimento
nacional?
Gleide Na verdade, a base do programa, muito interessante, não é de estimular volume, mas agregar tecnologia no mercado local. Estabelece condições para que
as empresas não cheguem de qualquer forma para se
instalar. Exige a adoção de 12 processos produtivos, dá
prazos de até três anos, cobra investimentos em p&d,
em engenharia industrial básica, desenvolvimento de
fornecedores no mercado local, atendimento ao programa de etiquetagem, além de um pilar muito importante que é o nível de emissões. Atender é obrigação da
empresa. Só com esse pilar tem que agregar uma tecnologia que hoje não está disponível às empresas de
modo geral. O grande motivador para o governo neste
programa é o desenvolvimento tecnológico.
No evento, foi apresentado um registro da burocracia
enfrentada para viabilizar a construção da fábrica,
com a exibição da imagem das 150 licenças exigidas
por diferentes órgãos públicos. Que análise a BMW faz
sobre a burocracia no Brasil, comparativamente à de
outros países?
Gleide O processo de licenciamento de obras deste porte no Brasil é bastante abrangente e a quantidade de
licenças necessárias varia de acordo com cada projeto e
as características da área que o receberá. As licenças são
50
A BMW DE SANTA CATARINA
MAIS DE R$ 600 MI
1.500.000 M2
1.300
500.000 M2
500
32.000 VEÍCULOS/ANO
de investimento total
funcionários diretos
funcionários recrutados
até set/2014
de área total do terreno
de área pavimentada
é a capacidade produtiva
instalada
importantes para certificar que um projeto está em conformidade com as leis nacionais, estaduais e municipais.
Por outro lado, o investidor (principalmente estrangeiro)
tem, hoje, dificuldade com a falta de clareza sobre os processos e as documentações necessárias para a obtenção
de determinadas licenças. Para que o país possa atrair
ainda mais investimentos, é importante que os procedimentos sejam simplificados e uniformizados, disponíveis desde o início. Ainda assim, foi motivo de orgulho
termos conseguido atender a todas as exigências das
agências e órgãos reguladores do governo dentro do prazo, conseguindo manter o cronograma do projeto. Sem
aplicação de qualquer condição especial para o BMW
Group, contamos com a cooperação dessas mesmas
agências, que nos atenderam prontamente e esclareceram todas as dúvidas que surgiram ao longo do processo.
Evento de inauguração
apresentou o primeiro
carro produzido
em Araquari, com o
autógrafo de todos
os funcionários
OPINIÃO
Boa notícia que
pode tornar mais
sustentável a região
Ademir José Demetrio
PROFESSOR DE ECONOMIA DA UNIVILLE
Sem qualquer dúvida, os impactos causados pela instalação da BMW em Santa Catarina vão muito além dos
empregos gerados. Os reflexos aparecem nos impostos
arrecadados, nos fornecedores que se instalam nas proximidades, no comércio e serviços em geral. Enfim, a vinda dessa empresa produzirá uma grande transformação
na economia local e regional Para começar, haverá, inevitavelmente, viabilização de novos negócios no município, no entorno da empresa e nos municípios vizinhos,
com geração de empregos e produtos.
Em uma região que apresenta bons índices educacionais, haverá necessidade de formação profissional
continuada para os profissionais da educação, construção, reforma, ampliação da rede física e manutenção da
atual. Também deverá se planejar o ensino médio, articulado com educação profissionalizante.
revista
Com a geração de novos empregos e crescimento da
massa salarial, o movimento de mobilidade social ficará
mais sustentável do que se apregoa. As classes C e D vão
continuar aumentando, colaborando para reduzir a desigualdade, e mais pessoas vão atingir as classes A/B nos
próximos anos. Pode-se afirmar convictamente que educação foi o fator que mais propiciou a realidade favorável
da economia brasileira. Esse cenário renda X educação é
muito favorável para o Norte catarinense. Joinville tem
consolidadas três universidades (Univille, UFSC e Udesc)
e outras instituições de ensino superior, além de cursos
profissionalizantes que poderão suprir as necessidades
de todos os outros empreendimentos que chegarem.
Haverá acréscimo na pirâmide social de toda a região.
Não se pode pensar apenas na BMW, e sim no espectro
de desenvolvimento oriundo de todos os investimentos
já feitos e previstos para a região. As taxas de imigração
mostram que o Nordeste catarinense é atrativo para povos de todas as regiões brasileiras, porém os paranaenses
são a maioria, principalmente na busca pelos serviços
oferecidos na indústria, e, com a BMW, invariavelmente,
haverá um maior fluxo de migrantes à região.
Com relação à infraestrutura, os investimentos
a­tuais são insuficientes. Deve-se pensar que toda a região representará um polo industrial relevante e provocará crescimento da demanda interna, do comércio
internacional, da atividade turística. Considerando a
importância do insumo energia, são necessários investimentos suficientes para remover ameaça de racionamento. Investir em saneamento é outra medida vital.
Um fundamento que preocupa é a logística. No
transporte rodoviário, está o desafio maior da região. Há
insuficiência e precariedade no modal rodoviário. O município está próximo à BR 101 e será cortado pela BR 280
duplicada. O processo de duplicação se arrasta por anos
e pode ser o grande gargalo para os próximos anos. Felizmente, a proximidade com os portos e a existência de
um modal ferroviário dão à região alternativas logísticas.
A possibilidade da criação de 5 mil empregos em
quatro anos faz com que não somente Araquari, mas
todas as cidades limítrofes repensem o planejamento
de todas as suas estruturas, a começar pela habitação.
Há carência de moradias em Joinville e região. Mas o
grande problema a ser gerado com o fomento industrial
na região será a mobilidade. A existência de um parque
tecnológico consolida o polo tecnológico de Joinville,
reunindo entidades de ensino como Univille, UFSC e
Udesc, governo e indústria.
Seja bem-vinda, BMW, e que as inovações tecnológicas emanadas do seu meio brotem em todos os profissionais, tornando a região mais sustentável.
51
Espaço Acij
Posse de João Martinelli; entre as ações do ano, palestras, cursos e encontros com autoridades
RETROSPECTIVA
Saldo mais
que positivo
Acij reforça laços com o associado
e o compromisso de gerar valor,
com ampla oferta de serviços
52
A cada ação, a cada projeto, a Acij reafirma o compromisso de transparência com seus associados. É por essa razão que, nesta última edição do ano da Revista 21, a casa
compartilha suas principais ações, estratégias e conquistas, na busca pelo desenvolvimento do setor empresarial.
Para Diogo Haron, diretor-executivo, é natural que,
no campo dos negócios e no associativismo, a evolução seja constante, do mesmo modo que o acompanhamento das necessidades e da própria dinâmica
do mercado. “Hoje, além de manter suas atividades e a
representação habitual, a Acij percebe a possibilidade
de oferecer muito mais a seus 1.808 associados ativos.
Geramos valor para eles, ampliando as oportunidades
com a oferta de serviços relevantes”, aponta.
Centenária, a entidade é uma das mais representativas de Joinville e de Santa Catarina, tendo como objetivo o fortalecimento das empresas da região. Em seu
organograma, conta com Diretoria, Conselho Superior,
Deliberativo e Fiscal e um diretor-executivo. Além de
um grupo de 25 profissionais com formação superior
– a maioria, com pós-graduação ou especialização –,
também compõem essa estrutura 26 núcleos setoriais,
23 sindicatos patronais e quatro programas de Gestão
Compartilhada (Vila Nova, Norte, Leste e Sul).
FOTOS DIVULGAÇÃO
SERVIÇOS: AO SEU DISPOR
l Capacitação empresarial
Acij oferece, aos associados e à comunidade, cursos, seminários e palestras
nas áreas técnicas, de gestão, liderança e comportamental.
l Certificado de origem
Associados podem utilizar este documento que comprova a origem brasileira da mercadoria a ser exportada. O
certificado permite a obtenção de benefícios tarifários em acordos comerciais internacionais.
Atuação da entidade prioriza interesses comunitários
EM NÚMEROS
Fundada em 16 de fevereiro de 1911, a Acij tem 103 anos de história e
conquistas. Reconhecida como de utilidade pública, conquistou o Prêmio
Facisc de Entidade Destaque pela Excelência na Gestão, categoria
grande porte, e a certificação ISO 9001:2008. Aqui, um breve perfil da
associação, nos seus dados principais.
1.808 associados
26 sindicatos
patronais, coordenados
pelo Conselho das
Entidades (Consep)
60%
26 núcleos
setoriais, multissetoriais
e temáticos, coordenados
pelo Conselho de Núcleos
21%
SERVIÇOS
revista
INDÚSTRIA
19%
4 programas
do Gestão Compartilhada
COMÉRCIO
25 funcionários
e 157 cargos voluntários:
diretores, conselheiros e
grupos organizados
l Programa Consumo
Inteligente de Energia
A entidade oferece consultoria gratuita. Associados são enquadrados
no grupo tarifário de energia elétrica
mais adequado ao seu perfil e recebem orientações que possibilitam
economia de recursos naturais e financeiros. As orientações são realiza­
das todas as sextas-feiras, quando
um consultor da Celesc reserva uma
hora para cada empresa. Não há
custo: para participar, basta ser associado, fazer o agendamento prévio e
informar o número da unidade consumidora. Dezenove empresas foram
atendidas em 2014.
l Programa Orientar
As empresas têm à disposição consultorias técnicas sobre diferentes assuntos que influenciam o dia a dia, tanto
no âmbito operacional quanto no gerencial, aprimorando a competitividade dos negócios.
l Rede de Vantagens
entre associados
Para criação de um apoio mútuo e divulgação da marca, a Acij oferece espaço gratuito em seu site. Ali, as empresas podem divulgar promoções
oferecidas aos demais associados.
Atualmente, o cadastro conta com 24
negócios de Joinville e região.
53
l Espaço Empresarial
Semanalmente, é realizada uma plenária para discussão de assuntos de
interesse das empresas. O Espaço Em­
presarial é o momento de 15 minutos, durante essas reuniões, em que
associados podem divulgar produtos,
projetos ou ainda cases de sucesso.
Trata-se de uma inteligente estratégia
de promoção, que atinge um público
altamente qualificado, composto pelos
diretores da associação, grande parte
dos associados e representantes da comunidade. Dez empresas utilizaram o
Espaço em 2014.
l Sessão de Negócios
A Sessão de Negócios cria uma rede de
relacionamento e propicia novos negócios ou parcerias, em evento organizado na forma de reuniões comerciais
entre diversos segmentos da indústria,
comércio e serviços. Ali, empresários
apresentam produtos ou serviços em
um espaço de tempo definido. Ao longo do ano, foram realizadas duas sessões, que contaram com a participação
de 150 empresas.
l Eventos
O edifício da entidade dispõe de dez
salas de diferentes formatos e capacidades destinadas à locação. É um dos
principais serviços oferecidos pela associação, cujo espaço é utilizado para
eventos, cursos, palestras, reuniões,
entre outros. Em 2014, o espaço foi utilizado para promover 11 eventos internos e externos.
l Guia do Associado/
mailing-list
Para facilitar a integração, é disponibilizada uma relação de 1.800 empre­
sas que participam da associação,
com informações como razão social,
endereço, telefone, pessoa para contato, ramo de atividade e segmento
em que atua. Os nomes e contatos
também podem ser solicitados em
formato de etiquetas.
54
Presidentes de núcleos atuantes na Acij: ano de realizações
l Missões empresariais
Neste ano, os núcleos realizaram 63 missões empresariais e visitas técnicas, seja a empresas de referência, centros de tecnologia ou eventos de
negócios. Essas ações agregam conhecimento e trazem valor aos negócios.
As missões podem ser comerciais – a eventos em que os participantes poderão estabelecer contatos visando ao fechamento de negócios – ou técnicas, quando o objetivo é adquirir novos conhecimentos sobre produtos,
processos e tecnologias.
l Serviço de Proteção ao Crédito
A inadimplência é um problema que pode abalar a estrutura financeira de
uma empresa. Para minimizar esse risco, a Acij oferece aos associados a possibilidade da tomada de decisão segura por meio do Serviço Central de Proteção
ao Crédito. Confira abaixo os números do benefício:
200 milhões
de consultas mensais
sobre consumidores e
empresas, ou quase 7
milhões de consultas
por dia
11 milhões
de registros de dívidas
em atraso
30 mil
clientes diretos
beneficiados
40%
do mercado
80
produtos e soluções
l Linhas de crédito do BRDE e Caixa Econômica Federal
Para estimular a maior oferta de crédito a longo prazo e o consequente desenvolvimento econômico das empresas e do município, a associação formalizou
convênio com o Banco Regional de Desenvolvimento Econômico (BRDE), Caixa
Econômica Federal (CEF), instituição financeira pública de fomento, que implantou uma agência na sede da Acij. O atendimento do banco às empresas
ganhou agilidade e os associados podem buscar orientações técnicas sobre
linhas de crédito e financiamento com maior facilidade.
l Consultoria individual
Objetivando a construção do planejamento estratégico das empresas associadas, a Acij oferece aos negócios de pequeno e médio porte a consultoria
individual. Com metodologia e ferramentas próprias, é possível desenvolver
um planejamento estratégico voltado a resultados e à correção de processos.
l Útil Card
Para facilitar a gestão de benefícios, a entidade oferece às empresas associadas o Útil Card,
cartão criado pela Federação das Associações
Empresariais de Santa Catarina (Facisc). O serviço, que movimentou quase R$ 2,5 milhões
até outubro de 2014, entre 86 empresas conveniadas, com um total de 5.776 cartões, traz
benefícios para o colaborador, para a empresa
e para o comércio local. O sistema é on-line,
facilitando o controle dos setores Financeiro e de Recursos Humanos. Usuários podem
utilizar o cartão para compras nos estabelecimentos credenciados, como farmácias, postos
e mercados. O cartão é dividido em três modalidades: o Alimentação, que é utilizado para
supermercado; o Refeição Vale, para restaurantes e lanchonetes (almoço, lanche, jantar);
e o Útil Card, para gestão de benefícios (combustível, farmácia etc). São as empresas que
escolhem qual dos três querem utilizar.
revista
A evolução do serviço
ÚTIL CARD
ALIMENTAÇÃO
Número
de cartões
2013
2014
REFEIÇÃO
Valores,
em R$
1.980
1.535.603
2013
5.776
Empresas
conveniadas
2.456.676
2014
1.112.641
1.807
52
86
40
27
28
18
18
572.069
1.261
352.641
656
2013
2014
1.777.671
3.802
63
2013
167
2014
70.450
2013
106.934
2014
7
2013
2014
55
FEITO EM JOINVILLE
Fundada em 2001, com o objetivo
de atuar com medicina do trabalho
e na informatização de consultórios e clínicas médicas, a DataMed
Saúde Ocupacional viu seus negócios se expandir rapidamente.
Hoje, tem como foco também a
medicina emergencial, pré-hospitalar e gerenciamento de recursos
humanos médicos.
Desde 2010, disponibiliza em Joinville uma gama completa de serviços de qualidade para empresas
de pequeno, médio e grande porte.
Sua proposta é a de mudar o cenário de saúde ocupacional, trazendo
um novo conceito, voltado a superar as necessidades e expectativas,
apoiando e alavancando o crescimento econômico da região. Com
três unidades no Norte catarinense – Joinville, Araquari e Pirabeiraba –, a DataMed atende mais de
200 clientes.
Preocupada com a inovação
56
Sede da Datamed, em Joinville: gama de serviços de qualidade
e excelência em seus serviços, a
empresa identificou na Acij uma
oportunidade para fortalecer sua
rede de relacionamentos. Em 2012,
associou-se à entidade. “Com sua
ampla rede de associados, a Acij
proporciona a facilidade de negociação com empresas de diversos
segmentos, sendo clientes e fornecedores”, aponta João Ricardo
Hartmann, sócio diretor.
Dentre os benefícios trazidos pela
parceria, Ricardo destaca a oportunidade de captação de novos clientes e a participação em palestras
e treinamentos de capacitação.
“Durante um longo período, não
DIVULGAÇÃO
Exemplo de
excelência na
área da saúde
utilizamos os serviços oferecidos.
Com o departamento comercial reestruturado, buscamos novamente fazer essa parceria valer a pena.
Nos últimos meses, tivemos bastante suporte da Acij e esperamos
continuar com esse atendimento
e pró-atividade vindos da associação”, ressalta.
www.datamed-ocupacional.com.br
Rua Abdon Batista, 342, 2º andar,
Centro. Joinville
(47) 3432-8242
[email protected]
com.br
CLÁUDIA DE JESUS
Fábrica da Tecnoperfil, no Distrito Industrial: extrusão de perfilados
Duas décadas de
atuação em Joinville
No dia 8 de novembro, a Tecnoperfil Plásticos Ltda. comemorou 20
anos de fundação. Para celebrar o
vigésimo aniversário, a empresa
promoveu um almoço com os colaboradores. Também foi realizado o
revista
plantio de árvores e uma homenagem aos funcionários que completaram 10 anos de serviços.
Em duas décadas, a empresa
passou a oferecer uma série de
produtos de alta qualidade, varia-
das dimensões e complexidade,
com experiência e especialização
na extrusão de perfilados plásticos, especialmente PVC.
A empresa faz forros, portas
sanfonadas, perfis de acabamento para cerâmica e vários tipos de
pisos e revestimentos, cantoneiras,
bate-macas, protetores de parede,
perfis técnicos sob encomenda,
entre outros. Todo o material produzido em Joinville atende às demandas de clientes do território
nacional, América Latina, Caribe e
Angola.
Outra data que merece destaque são os 14 anos de parceria com
a Acij. A empresa se associou buscando uma maior interação com o
cenário empresarial da região. Os
serviços prestados pela entidade
junto aos associados e comunidade em geral também são apontados pela Tecnoperfil como um dos
diferenciais.
www.tecnoperfil.com.br
Rua Rui Barbosa, 210
Zona Industrial Norte
Joinville
0800-474774
[email protected]
57
DIVULGAÇÃO
POR QUE ACIJ
Nomes parecidos,
funções diferentes
Entre os serviços oferecidos pela Acij que atraem novos
associados, há dois com nomes muito parecidos, mas
significados diferentes. O Certificado de Origem Digital
(COD) nada mais é do que uma evolução do Certificado
de Origem, já emitido pela casa há mais de 20 anos. A
função principal do COD é de desburocratizar o processo de emissão dos Certificados de Origem, com mais agilidade e segurança. Já a Certificação Digital é a identidade no meio eletrônico, que permite realizar serviços
nesse ambiente com validade jurídica, agilidade, facilidade de acesso e substancial redução de custos. Com
a Certificação Digital, evita-se a interceptação ou adulteração das comunicações realizadas via Internet. Sem
ela, não é possível emitir nota fiscal eletrônica e manter a rotina de folha de pagamento dos funcionários. É
utilizada também para fins de consulta e transmissão
de informações para a Receita Federal, INSS e também
Caixa Econômica Federal.
(47) 3461-3372
Novos associados
DROGARIA JARDIM
DROGARIA CORADELLI
DUARTE & GIRARDI ADVOGADOS ASSOCIADOS
EMPLAJOI
ABE COBRANÇA EMPRESARIAL
ARCONT - ASSESSORIA CONTÁBIL
FORD DIMAS
DROGARIA FLORESTA LTDA
DVA AUTOMÓVEIS
MANUFARMA
INSTITUTO NAMASKAR
FARMÁCIA LEOBET
DROGARIA FARMAGILSON
GRAMN PARTICIPAÇÕES
MAIBERG PRESTADORA DE SERVIÇOS
TERROIR GASTRONOMIA
FARMA ÚNICA
DROGARIA NOSSA SENHORA APARECIDA - ASFAR
FARMÁCIA DROGASHOP
FARMÁCIA BOM JESUS
RENDER
ÓTICA VISOLENS
FARMÁCIA FIQUE BEM - SANTA CATARINA
RESTAURANTE E CAFÉ COLONIAL ANA MARIA
FARMÁCIA FIQUE BEM - ATIRADORES
FARMÁCIA FIQUE BEM - COSTA E SILVA
RESTAURANTE E CAFÉ COLONIAL ANA MARIA
HOOSTER MARKETING DE RESULTADOS
DROGARIA BOM JESUS - ARAQUARI
OMR CONSTRUTORA
SURF JAWS
FARMÁCIA DROGAVILLE
FARMÁCIA GLÓRIA
FARMÁCIA ELIANE
58
47 34350500
47 34545643
47 30255057
47 34183198
47 34339999
47 34391152
47 31454100
47 34362624
47 34340200
47 34362121
47 30265186
47 34541077
47 34667046
49 33233803
47 30261725
47 30262484
47 34350015
47 34675016
47 34651677
47 34635068
47 34380900
47 30252529
47 30284015
47 34613433
47 34664747
47 30284015
47 34613433
47 34179090
47 34471144
47 30330700
47 34344597
4734655566
47 32072172
47 34738855
Nossa empresa teve início em 2012 e
foi fundada no desejo e na paixão pela
gastronomia. Somos associados há quatro
meses e, neste período, já sentimos um
resultado positivo. Estamos adquirindo
várias experiências no mundo dos
negócios, obtendo conhecimentos com
muito mais clareza e facilidade na vida
profissional empresarial.
Vanir Joaquim da Silva, proprietário da Elis Doces e Salgados
FARMÁCIA NOSSA FARMA
GLOBAL GESSO DECORAÇÃO DE INTERIORES
HPJJ MANUTENÇÃO HIDRÁULICA E PNEUMÁTICA
CALCE LEVE JÁ
BUMERANG MARKETING DIGITAL
GUTZZERIE CONFEITARIA EXPRESSA
NAVITAS TECNOLOGIA
FARMÁCIA ULISSES
FARMÁCIA CORADELLI
ESSENCIAL FARMA
DROGARIA CORADELLI
CENTRAL FILTROS E LUBRIFICANTES
AUTO POSTO SÃO BENEDITO
FARMÁCIA BINÁRIO
FLORA FARMÁCIA DE MANIPULAÇÃO E HOMEOPÁTICA
ABELARDO RADIADORES
CP INCORPORAÇÕES
FARMÁCIA PONTO POPULAR
TEMPERO MANERO
FÓRMULA ACADEMIA
TORRESANI BRASIL III
COMFORT HOTEL JOINVILLE
DROGARIA BRASÍLIA
DROGARIA AVENTUREIRO
RECANTO DOS ANJOS
THORA TORRESANI
CAF
IBF
AVNET EMBEDDED
LIVE SERVICE
DAMBROS ADVOCACIA
ESPAÇO GOURMET ESCOLA DE GASTRONOMIA
M. OFFICER
APOLAR IMÓVEIS JOINVILLE
47 34260653
47 30855564
47 30851260
4734665544
47 30294011
47 30281402
47 38043084
47 34385640
4734221898
47 34546458
47 34541085
47 30277909
47 34365436
47 32073010
47 34221494
47 34672985
47 34815555
47 34371762
47 30293131
47 30439333
47 34815508
47 21053700
47 34541334
47 34670002
47 30286508
47 30294199
47 34251807
47 32782413
47 32044108
47 30276817
47 30274766
47 30295143
47 30439433
47 34353682
RS MUNDO RH
BELLA MODA FEMININA E HAVAIANAS
EQUALIZAR CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL
MCS LOGÍSTICA EMPRESARIAL
OBRAVILLE
STARLOG TRANSPORTES
W&S CENTRAL IT
EXECUTIVA TREINAMENTO EMPRESARIAL
AMPLA IMÓVEIS
AUTOLAR
INOXWERK IND.DE EQUIPAMENTOS
MUSICA
WERNER LABORATÓRIOS DE ANÁLISES CLÍNICAS
ZEQUINOX
FEUSER SOLUÇÕES EM ALUMÍNIO
MERCADO TRENTINO
INSTITUTO TACHIBANA DE AIKIDO
FANCIMAQ
FENG CHENG RESTAURANTE
FACILITA WEB
DOCERIA E RESTAURANTE GLACE
ASSINFRESA
FRANCESCA ROMANA DIANA
SUPERA ACRÍLICOS
D ARAÚJO
TECNITRI - ASSESSORIA E TREINAMENTO
MADECO MADEIRAS ECOLOGICAS
PARTNERS DESIGN GRÁFICO
PRIME TURISMO
OFICINA DAS PIZZAS
VALMOR ARTESANATO
RODOVIÁRIO AUTO LATINA
FARMÁCIA PHARMAVILLE
FUZZ CABELEIREIROS
SC COATING
3G PARK
FARMÁCIA ANTERIO
BRASCARBON TECNOLOGIA EM ELETRODOS
SELOSUL VEDAÇÕES
ASSISTÊNCIA TÉCNICA SÃO CRISTÓVÃO
AUTO POSTO SAGUAÇU
FARMÁCIA CORADELLI
GIRAQUA AQUACULTURA
MADEIREIRA MATO GROSSO
MDL COMPRESSORES
MERCADO ROCHEDO
TEMPERAVILLE
ELETRIFICAÇÃO PRÍNCIPE
revista
47 30237792
47 21050259
47 30336333
47 30254216
47 99685047
47 99586666
47 38011689
47 99988885
47 30262838
47 34229646
47 34241924
47 40094090
47 34677152
47 34241924
47 34660013
47 34661286
47 30287919
47 30272539
47 30439188
51 99982969
47 34232406
47 34320562
47 34330007
47 34363000
47 32788008
47 99110526
47 96099698
47 34720344
47 30266155
47 34225666
47 30288761
47 30281005
47 34660606
47 30439290
47 99842018
47 34419626
47 34670068
47 38010427
47 32273757
47 34361187
47 30292799
47 34360081
47 30236671
47 34361179
47 30261919
47 34361648
47 34730613
47 34331777
BONSUCESSO
GUTIERREZ
JOINT TOOLS
PHEC ADMINISTRADORA DE BENS
CONFIAUTO VEÍCULOS
JMCS COMUNICAÇÃO VISUAL
LINKPORT BRAZIL
GUINCHOS NIEHUES
OTICA VISION
SANPAT MARCAS E PATENTES
USINAGEM RATHUNDE
CONFIAR
CENTRAL DAS FLORES E ÁGUA JA
CLEAN OFFICE
ENGELUBRI G.LUBRIFICAÇÃO INDL
IKTHUS
ACENTRAL SERVIÇOS
ARTE & TEXTO
CLAUDIVINO BISPO
EXPRESSO DIGITAL
GF ESQUADRIAS DE ALUMÍNIO
J CIRICO CONTABILIDADE
MECCATUS
MICROSERVICE
MISTER LEDS
VALGRI
CART~´ORIO ADILSON PEREIRA DOS ANJOS
CSA MEDIÇO
ECOVILLE
AMORIM ADVOGADOS ASSOCIADOS
FZERO REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS
H PROBST E ASSOCIADOS
LIDER
M.O.V.D. REPRESENTAÇÃO
OBJETIVUS MATERIAIS PARA ESCRITÓRIO
SANTA MISTURA
SDN INDÚSTRIA METALURGIA LTDA
VIRTUS ADMINISTRAÇÃO DE SERVIÇOS
ATS PECAS
SO GELO
SIDY JOIAS
TECNOISO
ELETROMOTORES
CIDY CAR
TIRESHOP AUTO CENTER
STAF MOLDLS ESTÚDIOS DE MODELOS
MANFER
TOP TECH INFORMÁTICA
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Ponto e contraponto
É possível ser feliz (mesmo) com o trabalho?
Comprometa-se com seu sonho
José Renato Domingues
Diretor-executivo de Recursos
Humanos e Comunicação Interna
do Grupo Tigre
William James, considerado o pai da psicologia nos
Estados Unidos, ao ser perguntado sobre qual havia
sido a maior descoberta dessa ciência em todos os
tempos, respondeu sem pestanejar: “Essa é fácil –
[descobrimos que] as pessoas, de forma geral, se tornam aquilo que pensam sobre si mesmas”. Ou seja,
a visão que elas têm sobre elas mesmas e como projetam essa visão para o futuro (seus sonhos) dirigem
suas ações e realizações. Portanto, o primeiro passo
para que sejamos felizes (no trabalho ou em qualquer
outro contexto da vida) é articular nossa visão de futuro, nossos sonhos.
Sonhar somente, no entanto, não basta. É preciso
comprometimento para agir no cotidiano de forma
a organizar recursos, desenvolver talentos e buscar
apoio para que o sonho seja realizado. Esse comprometimento exige alta energia vital, dedicação e persistência. Exige também maturidade para enfrentar
as dificuldades e construir alianças que sustentem o
progresso – afinal, ninguém evolui sozinho. Àqueles
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que sustentam essa atitude ao longo do tempo, a vida
reserva sucesso e felicidade – seja lá o que isso significa para cada um.Para uns, pode ser crescer na carreira;
para outros, dinheiro e bens. E, para cada vez mais gente – felizmente –, significa ter tempo para si, ter qualidade de vida com a família e simplificar o que vida
complicou.
Os relatos das pessoas que se realizam no trabalho
mostram que há um fator crítico que as impulsiona
a chegar nesse ponto: um ambiente de trabalho positivo, uma empresa cujo propósito pode ser avaliado
como de alta significância. Uma empresa que busca
agregar valor (que quer melhorar o mundo) e constrói
em seu âmago o ambiente apropriado para que sejamos felizes, para que realizemos nossos sonhos. Como
líderes empresariais ou executivos, portanto, nossa
melhor contribuição para a felicidade no trabalho é
construir negócios cujo propósito seja comunicado
claramente para que as pessoas possam alinhar suas
crenças pessoais com o legado que a empresa queira
deixar para a sociedade.
Nessa busca pessoal, é preciso sonhar, comprometer-se com o sonho e encontrar a empresa cujos
objetivos mais elevados estejam em linha com aquilo
que acreditamos. É possível, sim, ser feliz no trabalho,
mas isso exige esforço consciente e deliberado. Enfim,
dá trabalho!
ILUSTRAÇÃO: FÁBIO ABREU
Hora de reavaliar as expectativas
Lenir Nunes Amorim
Sócia gerente na 4Search
Consultoria em Recursos Humanos.
Headhunter e professora universitária
Recentemente, estava assistindo a um vídeo de um
consultor organizacional que comentava sobre a forma simples de identificar se um profissional é feliz ou
não com o que faz. E a pergunta sugerida era simples:
“Se você ganhar na mega sena, o que faria?”. A ampla
maioria externalizou que “aproveitaria a vida”, exibindo sua fortuna; alguns fariam caridade; outro, o que
“desse na cabeça”. Mas alguns enfaticamente responderam: “Eu não passaria nem na porta da minha empresa”, ou pior, “eu nem diria tchau na empresa”.
Convido vocês para uma reflexão: vale a pena passar a semana torcendo sempre pelo final de semana?
Ser feliz apenas dois dias, em vez dos sete? A conta é
simples. Em média, conforme rege a CLT e práticas normais de trabalho, trabalha-se oito horas por dia, o que,
obviamente, corresponde a 1/3 do dia; outro 1/3 dormimos e 1/3 dedicamos às demais atividades. Talvez essa
seja uma das contas mais fáceis de fazer, e assustadoramente, feita por poucos que buscam a plenitude profissional e de vida.
revista
Acredito que a felicidade no trabalho está diretamente ligada à expectativa existente. E aí uma provocação: que expectativas você tem a partir do seu trabalho? Que conquistas espera alcançar com ele? Que
marca quer deixar ao passar por determinada área ou
empresa? E até uma pergunta mais ampla, mais nobre: que legado quer deixar?
Pois trabalhar é a forma mais legítima de realizar
nossos sonhos, planos e projetos. E, se você entende que
o trabalho é apenas uma fonte de riqueza, cuidado!,
você certamente pertence ao grupo que tem síndrome
do “domingo à noite” ou “síndrome do Fantástico”, que
na segunda-feira já torce para chegar sexta-feira ou
que inicia o ano esperando o Natal. Talvez seja a mesma
pessoa que em outubro já olha o calendário do ano seguinte para ver os feriados... Bem, talvez esteja na hora
de reavaliar tudo isso.
E se, segundo Clóvis de Barros, felicidade é “um instante de vida que você gostaria que durasse um pouco
mais”, seu trabalho certamente está bem longe de lhe
proporcionar esses momentos.
O que fazemos em nosso dia a dia está diretamente ligado ao que buscamos para nossas vidas. A forma
como levamos a vida é essencial, senão a vida nos leva,
nos empurra, somos meros seres que vagam, sem saber exatamente a contribuição que podemos gerar, o
impacto positivo e o potencial nobre que possuímos.
61
Comece a paixão por você
Gumae Carvalho
Editor da “Melhor – Gestão de Pessoas”,
publicação da Associação Brasileira
de Recursos Humanos
Você já deve ter ouvido alguém dizer, em sua empresa
ou em uma roda de amigos, que todos devem buscar a
felicidade no trabalho. Na onda de valorização do capital humano, discurso antigo, vai ficando mais claro que
cuidar de pessoas (e do que é importante para elas) traz
bons resultados. Não por acaso, a questão da felicidade
vem atraindo a atenção de inúmeros pesquisadores. Em
2010, por exemplo, no International Journal of Management, um paper sobre o assunto de autoria de Cyntia
Fisher tentava responder a três pontos: como a felicidade vem sendo definida e mensurada; o que a antecede
e que consequências ela gera. Cyntia destacou que a felicidade no trabalho é um conceito mais amplo do que a
satisfação no ambiente profissional, tem consequências
importantes para indivíduos e organizações, e que não
pode ter sua importância subestimada.
Mas o que é “ser” feliz? Ou “sentir-se” feliz? Entre a
ideia de uma algo passageiro e um estado permanente, parece que, hoje, o conceito está mais para a segunda opção, como nos diz Kant: felicidade é a satisfação
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de todas as nossas inclinações, tanto em extensão
(quer dizer, em multiplicidade) quanto em intensidade
(grau) e em protensão (duração).
Entender que temos vários papeis na vida e oferecer
condições para que exista um equilíbrio entre essas forças que nos movem. Aí está um grande passo que uma
empresa pode dar em busca desse novo Graal corporativo. E cabe à liderança boa parte da construção desse ambiente em que todos poderão satisfazer suas inclinações
(profissionais e pessoais – o alinhamento de propósitos),
em extensão (dentro e fora da empresa) e em protensão
(bem além da jornada de trabalho). Outra parte importante desse trabalho cabe a cada um de nós na identificação do que nos motiva, do nosso propósito. Como disse
certa vez Mario Sergio Cortella: quando o indivíduo não
vê sentido no trabalho que realiza, dificilmente se engaja
e tende a ser infeliz e a abandonar o posto na primeira
oportunidade – como quem teve uma paixão fugaz.
Então quer dizer que é preciso ser apaixonado pelo
que se faz para ter uma carreira bem-sucedida? Gosto
de responder a essa pergunta com uma frase que ouvi
há muito tempo: o amor bem ordenado começa por si
mesmo. Conheça o que move você e se paute por seus
propósitos; assim, a vida se torna mais coerente e apaixonante dentro e fora da empresa. E vale sempre lembrar
o que já dizia Millôr: a felicidade só existe quando você
acredita nela.
revista
63
Cabeceira
RODRIGO ZIMMERMANN
Gente Paulo Markun
O olhar do jornalista
Paulo Markun lança livro que
rastreia a Ditadura Militar
“E se a história de Adão e Eva fosse noticiada nos dias de hoje. Como a trama seria contada? Quem faria a assessoria de imprensa de Deus?” Foi com
essa brincadeira que o jornalista Paulo Markun iniciou sua palestra no 2o
Encontro de Escritores Catarinenses da Associação Confraria das Letras. O
evento, nos dias 14 e 15 de novembro, no Colégio Bom Jesus/Ielusc, também
contou com a presença de nomes como Celestino Sachet, José Fernandes e
Carlos Henrique Schroeder.
Em pouco mais de duas horas e de forma bem-humorada, Markun falou sobre mídia e literatura, como essas duas vertentes conversam e o futuro dos livros com o avanço dos e-books. Jornalista desde os anos 1970 e
com passagens por emissoras de TV, jornais e revistas, ele aproveitou para
falar sobre o seu mais novo projeto: “Brado Retumbante”. Dividido em dois
volumes, o livro narra a história do Brasil durante a Ditadura Militar. Em
entrevista à Revista 21, explicou que a publicação começou a ser pensada
em 1986, mas só ganhou força em 2010. Além dos livros, um site (www.bradoretumbante.org.br) foi desenvolvido com todas as entrevistas realizadas.
No endereço, estão disponíveis os depoimentos de mais de 70 personalidades. Entre elas, Fernando Gabeira, Fernando Henrique Cardoso, José Sarney,
64
Eduar­
do Suplicy, Ricardo Kotscho,
Fa­fá de Belém e Maitê Proença.
Além de “Brado Retumbante”,
como autor, Markun já lançou vários livros: “D. Paulo Evaristo Arns,
o Cardeal do Povo”, “A Máfia Manda Flores”, “Vlado – Retrato de um
Homem e de uma Época”, “Anita
Garibaldi, uma Heroína Brasileira”,
entre outros. E esteve entre os finalistas do Prêmio Jabuti duas vezes,
por “O Sapo e o Príncipe” e “Cabeza
de Vaca”.
Em sua diversificada carreira,
Markun também se destaca como
documentarista e apresentador.
Por mais de 10 anos comandou o
programa Roda Vida, da TV Cultura,
onde, num cenário único, os entrevistados se colocam diante de jornalistas e especialistas. Hoje, está à
frente do Retrovisor, no Canal Brasil,
um talk-show com entrevistas com
personalidades como Anita Garibaldi, Plínio Salgado e Oswald de
Andrade, interpretadas por atores
consagrados. Misturando ficção
e realidade, as conversas se passam em momentos relevantes da
história dos personagens. Sempre
com base em pesquisas em jornais,
biografias, depoimentos, cartas e
documentos da época, o programa
apresenta um jogo entre história,
jornalismo e artes cênicas.
DIGITAL X IMPRESSO
“O projeto do livro ‘Brado Retumbante’ não era originalmente assim.
Comecei o livro em 1986. Naquela
época, a internet estava engatinhando e, na realidade do Brasil,
computador era raridade. Consegui
um, emprestado de uma fabricante,
e tentamos fazer o projeto baseado
no computador. Não foi possível
porque a condição técnica ainda
era insuficiente. Em 2010, quando
retornei ao projeto, decidimos gravar as entrevistas em vídeo e surgiu
a ideia de fazer um portal que aca-
bou ficando pronto antes do livro.
Os dois são complementares. O livro tem uma possibilidade de aprofundamento que a internet nem
sempre proporciona. Você tem um
livro eletrônico, um e-book, pode ser
baixado pela internet, mas é ele que
propicia esse mergulho no assunto.
Porém, a quantidade de imagens
que o livro traz é muito pequena.
Ao contrário do portal. Acho que são
mídias complementares e é possível utilizar em certos projetos como
esse, com eficiência.”
PROCESSO DE ESCRITA
“Originalmente, eu havia selecionado dez personagens, e cada um deles
buscava, por meio da sua biografia e
dos momentos que viveu, registrar
um pedaço da história recente do
Brasil. Tinha o Fernando Gabeira, o
Lula, o Fernando Henrique, o Ulysses
Guimarães, o Mário Covas, o Brizola e
outros nomes importantes. Esse era
o projeto original, mas depois percebi que, na verdade, para contar a história do Brasil recente, esse formato
não era o mais eficiente. Porque
obrigava você a fazer uma enorme
ginástica para encaixar certos epi-
sódios debaixo de uma dessas biografias. Então acabei desistindo da ideia.
Esses personagens estão no livro, e muitos outros, mas é uma narrativa mais
convencional. Talvez pudesse ter uma versão nesse modelo, porque boa parte
desses personagens se encontraram no último comício das Diretas Já. Com
exceção do Figueiredo, que estava em Brasília, todos os outros estavam em
São Paulo no dia 16 de abril de 1984. Enfim, acabei optando por um modelo
que levou a dois volumes e um painel muito mais amplo.”
PROGRAMA RETROVISOR
“Estamos organizando a segunda temporada, com 26 personagens. Devemos começar a gravar em janeiro ou fevereiro. Teremos um número maior
de mulheres, serão oito personagens femininos – no primeiro, eram só dois.
A ideia surgiu, basicamente, porque eu estava em busca de um formato que
permitisse exercer a profissão de jornalista, o papel de entrevistador, e que ao
mesmo tempo preenchesse a legislação da TV a cabo, que não contempla o
jornalismo. Estava assistindo a um filme do Woody Allen que mistura personagens do passado com os do presente e pensei em fazer um programa de
entrevistas com o mesmo formato. Foi uma alternativa que surgiu dessa premissa, para preencher a legislação. E acaba sendo algo que, embora trafegue
no território da ficção, utiliza recursos da história e do jornalismo. A técnica
da entrevista, principalmente. É muito satisfatório o resultado. Tanto que
conseguimos os apoiadores para fazer mais 26 episódios.”
A MÍDIA NAS ELEIÇÕES
“A gente não pode descartar o que está acontecendo na mídia, a crise que
ela vem enfrentando. Não é a primeira vez que se verifica essa ‘militância’
da mídia na história do Brasil. O que aconteceu dessa vez talvez tenha sido
com intensidade maior, em mais veículos e, ao mesmo tempo, a denúncia
disso foi mais firme, justamente por causa das redes sociais. Não credito
isso exclusivamente às preferências partidárias ou pessoais dos veículos,
e sim à necessidade de atender um segmento da sociedade que está insatisfeito com a realidade, e que devem ter identificado por intermédio de
pesquisas. Essa militância é fruto da crise que a mídia vem vivendo. Espero
que o próximo passo seja uma clara identificação de preferências dos veículos e de multiplicidade de opções. E, também, se possível, um melhor
nível da campanha política de todas as partes, porque no fundo o debate
acabou sendo raso e agressivo. Meu amigos, de várias correntes, defensores dos candidatos principais que estavam em disputa, perderam completamente o bom-senso.”
REDES SOCIAIS
O mais recente título de
Markun, que fez palestra
no Ielusc (foto maior)
revista
“Uso o Twitter e o Facebook sempre com cuidado, no sentido de que é um
instrumento de difusão das suas atividades, mas tudo aquilo que é pessoal eu procuro manter um pouco apartado. Um pouco, nunca é possível
tudo. Ainda mais quem, de alguma forma, tem uma vida pública, como eu
tenho, por ser jornalista e, enfim, ter certa visibilidade. É preciso pensar
duas vezes antes de escrever qualquer coisa ou publicar em uma dessas
redes. Não é isso que as pessoas fazem, elas expõem o seu íntimo, o seu
âmago, como se fosse mudar alguma coisa. E às vezes acaba sendo comprometedor e vergonhoso. É preciso tomar cuidado, mas está cada dia
mais difícil você separar os limites entre a vida pessoal e a virtual.”
65
Resenhas
Engajamento: Melhores Práticas de Liderança,
Cultura Organizacional e Felicidade no Trabalho
Rogério Chér
Editora Alta Books
O livro trata da falta de engajamento nos ambientes organizacionais e nos provoca a refletir sobre o
papel da liderança nesse processo.
No início, acompanhamos relato
da vivência do autor em diferentes
empresas. Sua trajetória indica o
quão negativo é esse cenário sobre
engajamento. O que mais se observa hoje são pes­soas com ansiedade,
cansaço, tristeza, desânimo, o que
ele chama de “zumbis organizacionais”. São indivíduos desligados do
66
significado do seu trabalho, veem
seu emprego como fonte de renda
desprovido de propósito. O que dá
espaço para criar uma má imagem
da empresa e dos seus líderes. Isso
ocorre não só pelo mau relacionamento entre as equipes, mas também pela imaturidade das pessoas,
que pouco investem em autoconhecimento e desenvolvimento.
Os primeiros capítulos discorrem
sobre o significado do trabalho e sua
relação com felicidade. A felicidade
autêntica tem a ver com a qualidade
dos relacionamentos que temos na
vida. O capítulo 4 relata “como agem
os líderes que engajam e inspiram”,
e com uma visão integral do ser humano nos dá dicas de como transformar esse ambiente por meio da
atitude da liderança basea­
da em
valores. Líderes conectados que trabalham de forma a expressar seus
propósitos e ajudam as equipes a fazer o mesmo. O livro causará impactos positivos no âmbito profissional
e pessoal de quem estiver disposto a
abrir seus horizontes.
Luisana de Castro, da Consultoria
em Desenvolvimento Organizacional do Sesi de Joinville
As Sutilezas e o Óbvio da
Comunicação Corporativa
Sulamita Mendes
Editora InVerso
A autora se vale de sua larga expe­
riência, de mais de 30 anos, em comunicação corporativa – é especialista em marketing e comunicação
organizacional –, e oferece ao mercado uma obra singular. Na técnica
do storyteller, mostra que ainda hoje,
apesar de todos os avanços da tecnologia, do pensamento e do comportamento humano, as corporações
enfrentam problemas graves, que
poderiam ser evitados se a comunicação fosse mais eficaz.
revista
Cita sutilezas, como um carro
com a marca da empresa envolvido
em acidente de trânsito, para defender a tese de que não apenas uma
área, mas todos os gestores de uma
organização precisam praticar uma
política de comunicação séria e adequada às necessidades, envolvendo
todos os públicos. A obra chegou às
livrarias com excelentes credenciais.
A autora, superintendente de Comunicação Social da prefeitura de
Curitiba, recebe a apresentação do
diretor de gradua­ção da ESPM, Luiz
Fernando Garcia, que destaca a necessidade de a comunicação organizacional se reinventar todos os dias
para fazer frente à rapidez e à volatilidade da informação, hoje acessível
a praticamente todo o planeta através da internet e suas tantas redes.
Isso aumenta também o impacto da
comunicação corporativa na geração de valor de marca, na sua construção ou manutenção ou, ainda, no
gerenciamento de crises.
“São raros os diretores de empresas que realmente entendem
os processos e o uso correto das
diferentes ferramentas da comunicação“, pondera o consultor Eloi
Zanetti, na orelha do livro.
67
Passagem
do Tempo
Mauro Maldonato
Edições Sesc
A leitura deste livro foi uma
experiên­cia permeada de mistérios,
magia e inquietações. Lembranças
da infância e outras tantas que envolviam percepções, sensações, cheiros, imagens e paladares vieram em
minha memória como um redemoinho em movimento presentificado.
Talvez, na escritura de seu livro, Maldonato também tenha sido tomado
por um emaranhado de memórias,
experiências e indagações sobre o
tempo e seu significado em nossa
existência.
Médico psiquiatra, professor e
68
filósofo, o autor nos provoca a pensar sobre nós mesmos a partir do
tempo vivido e, por que não dizer,
do tempo sentido. Suas inquietudes advêm das concepções de filósofos que ousaram mergulhar sem
qualquer medo nas questões sobre
o tempo. E esse tempo, o que seria?
Para Maldonato, o tempo é criação,
e, como criação, um ato de existir,
portanto, único e imprevisível. Mas
é também movimento que desestabiliza nossas certezas no colocando
em suspenso: quem somos nós?
Somos constituídos de lembranças/memórias e desejos, de cons­
ciên­cia e inconsciência na plenitude
do presente em diálogo constante
com o passado. O tempo vivido/
sentido é experiência de nosso eu
que dura. “O eu é um desdobrar-se
de estados de consciência, de pensamentos e emoções que se sucedem de maneira inconsciente e vital,
mantendo a memória do que acaba
de passar e do passado.”
E como nossa memória é ativada? Como processo criativo, a memória deixa marcas somente daquilo
que tem significado para nós. Cria
formas daquilo que somos; como
vivemos e o que desejamos. Decidimos o que recordar, quando recordar e como recordar. Refletir sobre
o tempo é um ato de coragem, pois
vivemos na incompletude que nos
impulsiona a pensar no finito, que
está numa linha tênue entre presente e passado, e, sobretudo, entre
a vida e a morte.
Silvia Pillotto, professora da Univille
Top 5 Filmes de férias
Esqueceram de Mim
COMÉDIA, 1990
DIRIGIDO POR CHRIS COLUMBUS
O filme que transformou Macaulay
Culkin em estrela-mirim conta a história de uma família de Chicago que
planeja passar o Natal em Paris. Porém,
em meio às confusões de viagem, um dos filhos, Kevin
(Macaulay Culkin), com apenas 8 anos, é esquecido
em casa. Assim, o garoto se vê obrigado a se virar sozinho e defender a casa de dois ladrões.
Conta Comigo
AVENTURA, DRAMA, 1986
DIRIGIDO POR ROB REINER
Adaptado do livro de Stephen King, o
filme narra a história de quatro amigos de infância, inseparáveis, que descobrem, pelo irmão mais velho de um
deles, que há um corpo de um menino
na região, jogado perto dos trilhos do trem. Para vê-lo,
partem em uma aventura.
Vicky Cristina Barcelona
ROMANCE, 2008
DIRIGIDO POR WOODY ALLEN
Vicky e Cristina, jovens americanas,
viajam de férias para Barcelona. Vicky é
sensata e está prestes a se casar; Cristina é impulsiva e curte aventuras amorosas. Ao conhecer o pintor Juan Antonio numa gale-
revista
ria, Cristina se sente imediatamente atraída por ele.
Seu interesse só aumenta quando fica sabendo que
ele tem uma relação intempestiva com a ex-mulher,
Maria Elena. Juan convida as duas para um fim de semana na montanha, bebendo e fazendo amor. Vicky
fica horrorizada, mas Cristina a convence a entrar na
aventura.
Férias Frustradas
COMÉDIA, 1983
DIRIGIDO POR HAROLD RAMIS E AMY HECKERLING
A família Griswold está de férias e resolve ir para o “Walley Park”, um parque temático. Pegam a longa estrada
de Chicago até a Costa Oeste dos Estados Unidos. Mas até os Griswold chegarem ao parque
muitas confusões se sucedem e, quando eles finalmente chegam, encontram uma surpresa nada agradável.
Um Morto
Muito Louco
COMÉDIA, 1989
DIRIGIDO POR TED KOTCHEFF
Dois amigos que trabalham em uma
seguradora descobrem uma fraude
milionária nas apólices. Convidados
a passar um final de semana na casa de praia de seu
chefe, como prêmio pela descoberta, logo se veem em
uma enrascada quando chegam no local e o encontram morto.
69
Valério
Regente
No ano passado, a Deutsche
Messe AG, líder em organização e promoção de feiras e
negócios no mundo, comprou
os 49% restantes para assumir o controle total de sua filial no Brasil, a Hannover Fairs
Sulamérica (HFSA). Foi nesse
perío­do que o diretor Valério
Regente assumiu a diretoria.
Ele veio a Joinville para anunciar a escolha da cidade para
sediar a 1ª Feira Internacional
de Fornecedores da Indústria
Automotiva, prevista para 15
a 17 de setembro de 2015, na
Expoville. A feira, conhecida
internacionalmente como Industrial Supply South America (ISSA), foi lançada HFSA com
o objetivo de suprir a crescente necessidade da indústria
automotiva por fornecedores
qualificados. O evento vai reunir fabricantes e fornecedores
internacionais e nacionais do
ramo, que terão oportunidade
de conhecer seus perfis, produtos e serviços.
70
1
2
3
MARCELO KUPICKI
3 perguntas
Como a Hannover Fairs avalia o mercado joinvilense de turismo de
eventos e negócios? Quais são os planos da empresa para a região?
Por seus atributos culturais e inúmeros eventos importantes, Joinville já
faz parte do circuito do turismo e eventos. É o segundo maior polo metalúrgico do Brasil e o terceiro maior polo industrial da Região Sul. Sua
localização estratégica e o fácil acesso possibilitam que a ISSA tenha potencial para se tornar o maior evento sul-americano do setor. A Hannover
Fairs reconhece Joinville como um polo industrial de grande relevância no
cenário brasileiro e em crescente desenvolvimento e, por serem as feiras
industriais seu expertise, a empresa estuda a possibilidade de trazer seu
portfólio para a região. As feiras são a porta da frente para empresários
estrangeiros interessados em investir no país. A tendência é de que os
eventos de negócio migrem dos grandes eixos para os polos de produção.
E Joinville e região têm características muito atrativas.
No ano passado, circulou a notícia de que a controladora da Hannover
Fairs estaria reforçando presença no Brasil e trazendo para cá edições
de suas feiras europeias. É o caso da Industrial Supply South America?
Sim, a Industria Supply acontece a cada ano dentro de Hannover Messe na Alemanha. O caráter internacional e multissetorial dessa feira a
transforma no evento mundial mais importante centrado nas etapas
da cadeia de processos industriais – desde materiais até o produto final.
Inspirada na Industrial Supply de Hannover, sua versão sul-americana
foi criada para suprir a crescente necessidade da indústria automotiva
por fornecedores qualificados, atendendo também a demanda advinda
do programa Inovar-auto [que prevê benefícios fiscais para montadoras
que produzirem veículos no país].
Por que razão a empresa escolheu Joinville para esta feira?
Além de toda a atratividade do setor com a inauguração da fábrica da
BMW, contribui para a a nova configuração da Expoville, um dos locais
com a melhor estrutura para realização de feiras no país. A ISSA também
acontece na semana anterior ao Encontro Brasil-Alemanha que Joinville
sedia em 2015, promovendo uma movimentação de turismo cultural e de
negócios, principalmente de visitantes internacionais.
revista
81
revista

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