HistóRia? - Grupo LET

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HistóRia? - Grupo LET
News
A revista do Grupo LET Recursos Humanos
N0 43 | Janeiro / Fevereiro | 2014 | Ano 8 | www.grupolet.com
CAPACITAÇÃO
Uma 2ª chance para elas
Veja como os cursos do Senac-RJ
oferecem empregabibilidade
para detentas — Pág. 14
POR DENTRO DO RH
Segmento COSMÉTICO
investe no networking
para crescer – Pág.6
CAPA
“RH vai subir
no bonde da
História?”
Marina Quental (Raízen), Adriana
Hasselmann (Light), Leyla Nascimento
(ABRH-Nacional) e Luiz Augusto Costa
Leite (Change), da esquerda para a direita,
debatem, no Restaurante Zozô Rio, as
perspectivas do RH para 2014 – Pág. 10
Entrevista
Entrevista Especial
Editorial
Foto: Zuh Ribeiro / Army Agency
Papo com o leitor
“2014 – O ano encomendado
para fazermos a História”
Caros leitores,
A respeito de nossa matéria de capa, pensamos que o RH em 2014 tem todas
as chances de ter um “senhor papel”. Primeiro porque indiscutivelmente falta
mão de obra no mercado. O RH vai ter que “cavar”. Basta citar o exemplo do
Carnaval que tem uma gestão mais profissional a cada ano. Teremos também
a Copa do Mundo, algo muito difícil de se fazer. As passeatas que se colocam
contra o evento deveriam estar a favor. Porque estaremos em um quadro favorável mundialmente.
2014 trará um aprendizado muito grande a todos nós. Nós do Grupo LET, neste
sentido, estamos prestando serviço a uma empresa do exterior que vai atuar na
Copa do Mundo. Estaremos montando uma equipe de profissionais brasileiros
que irão atuar junto à FIFA. Uma oportunidade única que vai gerar um legado.
Sobre a maturidade do RH, no entanto, não estamos completamente prontos.
RH vai amadurecer no empurrão, porque não terá muitas opções de fazer o
que precisa ser feito. Temos quase que certeza de que as empresas brasileiras
crescerão se forem inteligentes. Claro, há desafios mundiais. Há os desafios de
nossa economia. Não estamos com uma gestão primorosa. Os índices econômicos estão iguais aos de oito anos atrás. Não melhoramos.
Mas nós de RH temos tentado mostrar que muita coisa precisa ser melhorada,
como as escolas, por exemplo. Em 2013 tínhamos a vontade de montar uma
escola de capacitação, mas não nos foi possível. Ainda. Não há incentivo fiscal
nenhum. E o Brasil perde com isso. A China, por exemplo, está fazendo um
trabalho fantástico. Eles investem intensamente em escolaridade. Já o Brasil,
está perdendo um pouco esta oportunidade. Não estamos sabendo investir.
Entregar as Relações Trabalhistas, a Educação, a Justiça na mão de especialistas seria uma necessidade. Não temos nada contra partido político nenhum,
mas as pastas deveriam estar com quem entende disso. Aqui no Rio fizemos
esse dever de casa quando o Beltrame assumiu a Secretaria de Segurança.
Evoluímos da água para o vinho!
No que diz respeito à relação do RH com o topo da empresa, nossos convidados ao Restaurante Zozô Rio foram muito felizes em dizer que há empresas
onde já se atingiu um patamar de excelência. Ou seja: o CEO já delega ao RH
ações de caráter estratégico. Mas ainda há empresas que atuam no modelo
antigo. Isto depende muito do nicho de mercado. Mas em todos os nichos os
CEOs terão que ceder.
Desafios à parte, podemos em 2014 dar um salto qualitativo grande. É difícil?
Sim, muito! Mas na América Latina somos o país melhor posicionado para este
salto. Temos um imenso potencial humano, mas precisamos trabalhar, nós de
RH, se preciso for, três vezes mais do que fizemos nos anos anteriores.
Valeu a pena esperar a primeira NEWSLET desse novo ano! Nossos cumprimentos e que você, leitor, seja muito feliz em 2014!
Boa leitura!
2 | Janeiro / Fevereiro | 2014 |
Joaquim Lauria e Kryssiam Lauria
Diretor Executivo e Diretor Adjunto do Grupo LET Recursos Humanos
Nonono
O Grupo Let Recursos Humanos
parabeniza o Rio de Janeiro
pela conquista do título
de Patrimônio Mundial da
Humanidade pela Unesco!
Expediente
Grupo LET
Recursos Humanos
Membro Oficial
Matriz – Rio de Janeiro (RJ) - Barra
Centro Empresarial Barra Shopping
Av. das Américas 4.200, Bloco 09,
salas 302-A, 309-A – Rio de Janeiro –
RJ – tel.: (21) 3416-9190
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Escritório LET – Rio de Janeiro (RJ)
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grupo 607, sala 14, Centro,
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Rua São Paulo 900, Salas 806 e 807,
Centro, Belo Horizonte - CEP: 30170-131
Tel.: (31) 3213-2301
Diretor Executivo: Joaquim Lauria
Diretor Adjunto: Kryssiam Lauria
Revista
Publicação bimestral
Janeiro / Fevereiro 2014
Ano 8 – Nº 43
Tiragem 2.000 exemplares
Jornalista responsável (redação e edição):
Alexandre Peconick
(Comunicação Grupo LET)
Mtb 17.889 / e-mail para
[email protected]
Diagramação e Arte:
Murilo Lins ([email protected])
Foto da Capa:
Alexandre Peconick
Oportunidades:
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PARCERIA TOTAL
Da esquerda para a direita, Marcio Soares,
Iriano Alves, Elisabeth Matheus,
Joaquim Duarte e Marcos Knibel
Elisabeth Matheus
Gerente de RH da Hiperbárica Hospitalar
Foto: Alexandre Peconick
“O valor do SORRISO como base para o trabalho
de cuidar de gente (funcionários e clientes)”
B
rasiliense, radicada no Rio
de Janeiro, 30 anos, ela ingressou na Hiperbárica Hospitalar há quase oito anos
como recepcionista. A intenção de um
dia atuar em RH foi ampliada quando
entrou em contato com um ambiente
de extrema tranquilidade, sem a pressão típica de outras instituições da
área da Saúde. Inspirada pelo trabalho, Elisabeth Matheus cursou Gestão
de Pessoas e em 2009 foi convidada
pela direção a assumir o cargo de Gerente de RH.
Um dos sócios, Marcos Knibel,
reconhece que o ato de investir em
Elisabeth que, em 2009, não tinha nenhuma experiência em RH, foi uma
ousadia. “Faz parte da nossa filosofia
fazer com que as pessoas cresçam
dentro da própria empresa. Percebe-
mos na recepcionista Beth um talento
e paixão para assumir uma posição
em RH”, destaca.
Fundada há 15 anos pelos médicos e sócios Joaquim Duarte, Marcos
Knibel, Iriano Alves e Marcio Soares, a
Hiperbárica Hospitalar realiza o tratamento da oxigenoterapia hiperbárica
que consiste na inalação de oxigênio a
100% em câmaras. Este procedimento
reduz a necessidade de cirurgias mutiladoras, além de reduzir o período de
internação e o emprego de antibióticos. Hoje a empresa conta com 60 funcionários em quatro unidades, Glória e
Vicente de Carvalho, no Rio de Janeiro
(RJ), Niterói (RJ) e Nilópolis (RJ).
O case da Hiperbárica Hospitalar
foi um dos vencedores de uma das
categorias do Prêmio Ser Humano
ABRH-RJ 2013.
NEWSLET – De onde vem o seu prazer em lidar com gente?
Elisabeth – Sempre gostei de lidar com
pessoas e desde criança tinha prazer
em tomar a iniciativa e agir com uma
líder. Meu pai é militar e sempre transmitiu a importância de ter disciplina.
Acredito que liderança também é algo
passado de pai para filho.
NEWSLET – Como foi o seu contato com
os sócios da empresa no sentido de decidir “precisamos criar um projeto de RH”?
Elisabeth – Já existia o setor que era
liderado por outras pessoas. Até que
eu recebi um convite em 2009 para
assumir o comando de RH pela minha
formação, credibilidade e confiança
que os sócios tinham em mim.
| 2014 | Janeiro / Fevereiro | 3
Elisabeth – Fidelizar os clientes internos. Eu era recepcionista e já tinha um
tipo de relacionamento com os colegas de trabalho. Mas em uma posição
de liderança você precisa se destacar.
E como fazer isto com pessoas que já
privam de sua intimidade?! Este foi o
primeiro foco. Consegui mostrar que
exerceria o papel de líder, mas que continuaria a ser amiga deles. Deu certo.
NEWSLET – É complexo conseguir
profissionais para atuar em câmaras
hiperbáricas?
Elisabeth – Muito! Já que a OHB é um
método de tratamento ainda pouco difundido em nosso Estado, temos que
contratar pelo talento comportamental
e treiná-los aqui. A minha maior dificuldade nas entrevistas não é técnica, mas
sim identificar pessoas com um comportamento ideal de “cuidadoras de gente”.
NEWSLET – Qual foi a primeira ação
para lidar com este desafio?
Elisabeth – A primeira foi a de ouvir os
funcionários. Chamei os 50 (hoje são
60), um a um; identifiquei as dificuldades, as ideias e as propostas. Era preciso conhecê-los como profissionais.
Porque até então os conhecia apenas
como colegas de trabalho. Ao ouvilos, criamos alguns benefícios que
podem parecer pequenos ao universo
geral de RH, mas que fizeram enorme
diferença para eles. Um exemplo: a
dispensa programada. O funcionário pontual e que cumpre com suas
metas recebe horas para utilizar em
ações tais como estar com a família, ir
ao médico ou fazer uma viagem.
“Chamei os 50
funcionários, um
a um; identifiquei
as dificuldades, as
ideias e as propostas.
Era preciso conhecêlos não apenas como
colegas, mas como
profissionais”
urgentes do nosso dia a dia. Além disso, damos suporte aos nossos funcionários em seus problemas pessoais,
sejam financeiros, emocionais, sociais
ou familiares. Nós abraçamos mesmo
as questões. Já encaminhamos profissionais para tratamentos com psicólogos obtendo amplo sucesso na resolução de seus problemas.
NEWSLET – Além de melhorar ambiente de trabalho as práticas de RH
potencializam os resultados financeiros da empresa?
Resposta de Marcos Knibel (sócio) –
RH não é só para fazer festa. Mas esta
festa precisa dar resultados financeiros.
Todas as nossas práticas de RH, somadas, fazem hoje que nós sejamos,
no Brasil, a empresa de OHB que faz o
maior número de sessões anuais (em
média 28 mil). Cada sessão demora
duas horas. São 17 sessões diárias.
Em cada sessão tratamos uma média
de 10 pessoas.
NEWSLET – E claro que vocês não
param por aí...
NEWSLET – Fale sobre a criação de
ações lúdicas para envolver os pacientes... Como elas acontecem?
Elisabeth – Não. Temos também o “Hiper Papo”, uma conversa mensal na
qual fazemos uma pausa no trabalho a
fim de refletir sobre as questões mais
Elisabeth – Toda ação do RH, para
dar certo, precisa que os funcionários
absorvam a ideia e a realizem não por
pressão, mas porque é natural. Dessa
4 | Janeiro / Fevereiro | 2014 |
forma, um grande número de ações
promovidas para os pacientes são
idealizadas pelos funcionários, que
têm, no RH, um importante ponto de
apoio. Uma enfermeira nossa trouxe,
por exemplo, a ideia do torneio de can
can. Houve baile de carnaval, que este
ano já está sendo organizado pelos enfermeiros também. O RH organiza, dá
a estrutura, dissemina e ajuda a motivar as pessoas para que esses eventos tenham sucesso. Os eventos unem
pacientes e funcionários. Mais: geram,
nos pacientes, a redução da ansiedade com o tratamento; aumenta neles o
desejo de querer voltar à Hiperbárica.
As ações lúdicas amenizam sensações
de desconforto e sofrimento que poderiam ser geradas pelo tratamento.
NEWSLET – De que forma os resultados obtidos com as primeiras
ações deram força ao aprimoramento das práticas de RH?
Elisabeth – O sucesso dos primeiros
eventos lúdicos nos motivou a trabalhar com uma agenda de eventos que
incluem as inovações. Os pacientes
dão sugestões o tempo todo. E eles
se encontram fora daqui também.
Criaram uma família Hiperbárica. Tanto é verdade que, mesmo quando recebem alta, eles voltam para rever os
funcionários e trazem presentes.
NEWSLET – E a peculiaridade do
como tratar o paciente na recepção...?
Elisabeth – Denominamos esta prática
como o “Hiper Sorriso”. As recepcionistas estão à disposição para que o
paciente possa desabafar. Ela é treinada para cumprir a função dela e para
dar a máxima atenção àquelas pessoas que estão ali na recepção. O RH as
prepara para que sejam “um pouco
psicólogas”. Os nossos pacientes são
também recebidos pela enfermeirachefe e pelos médicos. Antes de entrar
na câmara cada paciente já está esclarecido sobre tudo o que vai acontecer.
Transparência faz muita diferença no
trabalho da área de Saúde.
“Ler é muuuito bom”
“Como Dizer? A arte de Dar e Receber FEEDBACK”, de Eliana Pita, Qualitymark Editora
Segundo a etimologia da palavra “Comunicar”, precisamos saber conviver uns com os
outros. Para que isto aconteça sem problema nada melhor do que nos acostumarmos
a “dar retorno” e “entender o retorno” que as
pessoas nos dão. Nesse sentido, esta obra é
um belo “café da manhã” antes de mais um
dia de trabalho.
Foto: Divulgação
NEWSLET – Qual foi o primeiro desafio de seu trabalho em RH na Hiperbárica?
Novo Dicas NEWSLET
Cultura
“Leve o CORAÇÃO para o TRABALHO”, de
Alessandra Assad – Qualitymark Editora
Alessandra nos inspira em, seu livro a encontrar uma luz no fim do túnel. Ela nos
conta neste bate-pronto, porque mesmo
diante de obstáculos não devemos perder
a esperança em encontrar propósito e significado para nossas vidas.
De bate-pronto com o autor
...até por isto, fazemos aqui três perguntinhas a Alessandra (autora)
que muita gente gostaria de ver respondidas. E ela responde...
Por que está difícil para muita gente encontrar propósito e significado no
trabalho?
A.A. - Porque são poucas as empresas que oferecem trabalho significativo.
Enquanto as pessoas não encontrarem um propósito para o seu trabalho,
nunca vai haver alinhamento entre os sonhos de cada um e os resultados que
as empresas querem e precisam. As pessoas buscam entender que
a automotivação de cada um tem tudo a ver com as variáveis talento, recursos, vontade, prazer, ambiente e reconhecimento. E é a
soma de todas elas que leva o indivíduo a entender a sua missão de
vida. As empresas do futuro, para serem competitivas, vão precisar
oferecer ao indivíduo a resposta para as perguntas: que diferença
esta empresa faz para a minha vida? Para a comunidade em que
vivemos? Que legado vamos deixar para o mundo?
Descobrir a diferença entre paixão pelo trabalho e amor pelo trabalho requer sofrimento?
A.A. - Sim, porque envolve uma decisão emocional. É como fazer o
que gosta e gostar do que faz. Quando você gosta do que faz você
pode chegar a ser muito bom. Mas a longo prazo vai “operar no
piloto automático” porque vai faltar algo precioso: o tesão de fazer
aquilo tudo. Já quando você faz o que gosta, a dose de amor é tão
grande e única que você sente que poderia fazer aquilo para o resto
de sua vida. E as chances de chegar à excelência são muito maiores. Não há dúvida no amor. Na paixão, depois de um tempo, você
passa a questionar quase tudo. E dói quando você descobre esta
diferença, porque muitas vezes parece tarde para começar tudo de
novo ou mudar de profissão para fazer aquilo que ama. Há pessoas
que passam toda uma vida sem esta descoberta, ou porque não se
importam, ou porque são frustradas, ou porque nunca descobriram
o que realmente amam fazer.
De que forma trabalhar com o coração é atalho para a inovação?
A.A. - A inovação relaciona-se à capacidade das pessoas de se
arriscarem, aprenderem novas habilidades e apresentarem novas
ideias. A falta de amor acelera a zona de conforto dos indivíduos,
que passam a não se importar com tudo o que foi executado. Começam a pensar no salário e nos benefícios e deixam de lado a diferença que eles podem fazer para o mundo por meio do seu trabalho.
Quem coloca amor na execução vai pensar muito mais em como
fazer para manter essa chama acesa por mais tempo, vai criar, errar,
chorar e sorrir mais.
Da “Sétima Arte”...para os RHs
M
yrna Brandão, jornalista
especializada em Cinema
e autora do livro “O Cinema na Gestão de Pessoas”, nos sugere nesta edição a reflexão
sobre o filme “A Rede Social (The Social
Network – 2010)”, de David Fincher.
Segundo a jornalista, o filme aborda
os bastidores da criação do Facebook e
seu impressionante e vertiginoso crescimento. Mas não versae somente sobre
a famosa rede e nem mesmo apenas
sobre a Internet. O Facebook é pano
de fundo para contar uma história que
envolve muitos outros aspectos presentes no cotidiano do mundo corporativo e
das nossas vidas.
Para refletir:
A jornalista
Myrna Brandão
Foto: Alexandre Peconick
Entrevista Especial
A tecnologia da comunicação
através de redes sociais levou a
uma reformulação do modo como
pessoas vivem e se relacionam em
sociedade, o que alterou também
fundamentalmente os interesses
corporativos.
As mídias sociais criaram excelentes oportunidades para especialistas em marketing e comunicação de utilizar a ferramenta
para ações de atração, retenção de clientes, reconhecimento
de marca e outras.
A utilização das redes possibilita redução do investimento
em pesquisa e em estruturas físicas, definição do foco e minimização de barreiras geográficas e culturais.
| 2014 | Janeiro / Fevereiro | 5
Por dentro do RH
Alexandre Peconick
Da esquerda para a direita Renata
Machado, Assistente de RH e Rita
Valoura, Gerente de RH da Vizcaya
Imagens dos colaboradores da
Niely Cosméticos na fábrica em
Nova Iguaçu (RJ)
RH no Segmento
Cosmético
e NIELY COSMÉTICOS)
Ansiedades,
necessidades,
práticas...
O
s desafios deles têm semelhança no que diz respeito a
envolver pessoas no trabalho, sejam elas talentosas
ou não, jovens ou não. Líderes de RHs
do segmento Cosmético lidam diariamente com a questão de “como estimular pessoas a ter prazer em atuar em uma
empresa onde realizam tarefas absolutamente rotineiras”.
Além de dar asas à formação de
um Grupo de RH, que decolou no final
do segundo semestre do último ano (o
CORH - Cosméticos RH), o Grupo LET,
por meio desta publicação, inicia uma
série de reportagens abrindo espaço aos
anseios, necessidades e as práticas que
vem sendo desenvolvidas por estas empresas. Nesta edição, outra similaridade:
Amariles Bevilaqua, Gerente de RH da
Niely Cosméticos e Rita Valoura, Gerente
de RH da Vizcaya, têm nestas empresas
suas estreias no segmento Cosmético;
ambas movidas pelo desafio de criar
uma nova área.
6 | Janeiro / Fevereiro | 2014 |
Segundo Amariles, a Niely tinha apenas um recrutamento e seleção e um
departamento pessoal formalizados. A
visão generalista desenvolvida em passagens pelo Hospital São Vicente de
Paulo e a Unimed contribuiu para o convite. De imediato, implementou na Niely
a ação de ouvir as pessoas que estavam
faltando ao trabalho. Com elas, nada de
coerção ou punição. “A intenção foi a
de mostrarmos a todos que estávamos
abrindo o nosso coração, fazendo-os
perceber o RH como amigo deles e não
como fiscalizador”, esclarece. Parece
prática simples, mas ouvir 1800 pessoas, muitas delas atuando em linhas de
produção, não é tão fácil. Cerca de 600
estão na fábrica, em Nova Iguaçu (RJ) e
os demais nas três outras unidades da
empresa que produz shampoos, condicionadores, desodorantes, óleos, tinturas (Cor&Ton) e silicones para cabelos.
Mesmo com pouco tempo “de casa”,
Amariles e a sua equipe de RH (14 colaboradores) já começam a colher os
Foto: Divulgação
(1ª PARTE – VIZCAYA
Amariles
Bevilaqua,
Gerente de RH da
Niely Cosméticos
frutos desse trabalho. Foram instalados
aparelhos climatizadores na fábrica,
além de uma área para descanso com
aparelho de TV. Mais: o café de manhã
e o lanche tiveram seus menus aprimorados com mais frutas da estação, frios
e pães.
Mas só mudanças de ordem física,
segundo a Gerente de RH da Niely, não
são suficientes. Há apenas dois meses
está sendo desenvolvido um trabalho de
preparação dos gestores das áreas para
que eles possam sensibilizar os colaboradores a participar e influir mais nas
mudanças.
“Com esses gestores fizemos um mapeamento identificando tudo o que eles
sentiam falta em termos de treinamento;
comunicação e espírito de equipe foram
os problemas mais levantados”, revela
Amariles. Para fomentar o espírito de
equipe uma estratégia que acaba de ser
colocada em prática é a das sessões de
cinema. A primeira foi com a equipe da
área de manutenção. Todos adoraram
a oportunidade de parar para refletir em
uma ação fora da rotina e que os transporta a outra realidade.
“Estamos ainda esclarecendo que o
RH não é aquele que detém as respostas, mas o que pode dar asas às soluções sugeridas por todos; e que o RH
não trabalha para as pessoas, mas com
as pessoas”, define Amariles.
Criar uma nova cultura foi também
um desafio estimulante para Rita Valoura
desde quando ingressou na Vizcaya há
quase 15 anos. À época não havia RH e
o seu dever de casa começou por estabelecer uma estrutura gerencial, plano
de cargos e salários e encarreiramento.
“O presidente Odilon Diniz, que vinha da
Shell com uma visão empreendedora,
me deu autonomia para criar novas estruturas e lidar com novos desafios; isto
me motivou muito a estar aqui até hoje”,
admite Rita.
Ela, que tinha vivido desafio semelhante à frente do Free Shopp (depois
Brasif), vem consolidando a sua capacidade em lidar com novidades. Em
um dado momento houve, por exemplo, a necessidade de comprovar
junto à área Comercial o quanto RH
poderia ajudá-los a atuar com mais
eficácia. “Comecei a inserir a parte
comportamental nas convenções de
vendas para alcançarmos os nossos
objetivos. Deu certo!”, lembra a Gerente de RH da Vizcaya.
Vendedores envolvidos com os produtos é uma premissa para a organização cujo negócio atende pela distribuição da marca Vizcaya e de outras
importadas como Mont Blanc e Versace.
O RH, com estrutura enxuta (três colaboradores), cuida de 150 colaboradores e
outros cerca de 400 entre terceirizados e
prestadores de serviço.
Segundo Rita o principal foco do RH,
além de criar ações diferentes o tempo
todo para envolveras pessoas é o de
saber até onde essas pessoas querem
chegar e ajudá-las a entender o que a
empresar quer e pode fazer por elas.
Neste mês de fevereiro está sendo implementada uma avaliação de desempenho por competências. Ainda em 2013
foi realizado um ensaio dessa ferramenta
em um dos departamentos e o resultado, segundo Rita, contribuiu para a conclusão de que a avaliação não ajudaria
apenas os colaboradores mas, de forma
visceral, as lideranças de cada área.
“O melhor ponto de todo o resultado passa pelo amadurecimento do
líder de área; ele visualiza claramente o quanto o impacto de suas ações,
se forem boas, pode melhorar a sua
relação com os colaboradores”, destaca Rita. Para o sucesso do negócio
é vital o casamento de expectativas.
“Não adianta pagar um curso a um
colaborador se isto não atender à sua
necessidade”, exemplifica.
Fotos: Divulgação
Por dentro do RH
Outro ponto chave para o RH na
Vizcaya nesta boa relação com as áreas
é o trabalho em conjunto com o Marketing para que as pessoas sejam conscientizadas do valor que é ser o representante de uma marca. “Os sócios da
empresa querem desenvolver pessoas
com o espírito empreendedor, que se
sintam um pouco donas do negócio;
por isto cultivamos isso”, acentua Rita.
Com o apoio do Grupo LET, Niely,
Vizcaya e outras organizações do segmento cosmético já sentiram em três
reuniões realizadas que, ao unir forças,
ampliam suas possibilidades de fazer
diferente e agradar tanto ao público interno (colaboradores) quanto ao externo
(consumidores).
“Unidos temos tudo para deslanchar
e desenvolver referenciais para a área;
toda vez que vou às reuniões fico feliz
pela motivação que vejo em minha equipe”, celebra Amariles da Niely. “É um
momento inédito pelo qual lutei nos 15
anos que estou nesta empresa, precisamos perder de vez o medo de trocar e
melhorar o nível da conversa”, sintetiza
Rita da Vizcaya.
Os mercados, de RH e de cosméticos, agradecem.
Na operação de
uma empilhadeira
ou na festa de
confraternização,
os colaboradores da
Vizcaya demonstram
envolvimento com
o ambiente de
trabalho
| 2014 | Janeiro / Fevereiro | 7
Mercado
Fotos: Site Sxc.hu
Alexandre Peconick
Saúde
Foto: Site Sxc.hu
Pequenos negócios
proliferam em todos
os mercados
Cezar Kirszenblatt: mais de 20
anos de grandes serviços ao micro
e pequeno empresário
Competitividade
É foco para as MICRO e PEQUENAS empresas
E
las representam, no Rio e no
Brasil, de 96% a 98% do mercado, variando segundo critérios de faturamento e número
de empregados. No estado do Rio existem 443 mil micro e pequenas empresas
(MPEs), de acordo com o SEBRAE-RJ.
Elas movimentam boa fatia da nossa
economia e também são fortemente impactadas pelas políticas econômicas.
Com a volatilidade do mercado prevista
para 2014, o termo “Competitividade”
vem caindo cada vez mais no jargão
desses empresários.
“A primeira coisa que se deve buscar
como empresa é a sobrevivência, observando aquele ciclo crítico de dois a cinco
anos de existência de empresa; depois o
foco é na sustentabilidade e para isto, é
preciso ser competitivo”, enfatiza Cezar
Kirszenblatt, Gerente de Conhecimento
e Competitividade do SEBRAE-RJ. O
tema é tão importante que sua gerência
traçou um cenário até 2030, com planejamento estratégico até 2022.
visite o concorrente e saiba fazer a leitura correta daquilo que qualquer notícia
possa impactar na sua atividade fim”,
orienta.
2 – PLANEJAMENTO – Desenhe, descreva e organize o quanto de esforço,
em quanto tempo e de que forma uma
determinada meta deverá ser atingida.
3 – BUSCA PELA INOVAÇÃO – Isto
não significa alta tecnologia ou custo
elevado. Faça diferente o seu atendimento, o jeito de preparar e de entregar um produto.
4 – BOA SELEÇÃO DA EQUIPE – Atenção para a escolha daqueles que irão
atuar em seu negócio. Em uma empresa com cinco, nove ou 15 empresários,
a técnica e o comportamento deles terá
muito mais influência no resultado final.
5 – FORMAR AS PARCERIAS IDEAIS
– Os parceiros devem agregar valor. Terceirizados entram aqui. O parceiro deve
somar, deve trazer algo que eu realmente preciso. Isto é importantíssimo para
Mas o que significa essa palavra bonita: “COMPETITIVIDADE?”. Segundo Kirszenblatt, é muito mais do que chegar à
frente. Fique atento a cinco dicas básicas
do que é necessário para ser competitivo:
1 – MONITORAMENTO – Tomar conhecimento das coisas, acompanhar as
tendências. “Internet não é tudo”, diz o
Gerente do SEBRAE-RJ. “Saia de casa,
Há o critério de faturamento. Até R$
360 mil por ano, micro empresa; até R$
3,6 milhões, pequena empresa. Já o
MEI, o Microempreendedor Individual,
vai até R$ 60 mil. Pelo número de funcionários, temos uma divisão: micro
empresa (indústria – até 19 funcionários
/ comércio – até 9) e pequena empresa
(indústria – até 499 funcionários/ comercio – até 299).
8 | Janeiro / Fevereiro | 2014 |
MPEs - Como são classificadas?
ajudar a alavancar a competitividade em
um pequeno negócio.
Para prover Competividade às empresas o SEBRAE-RJ oferece cursos gratuitos, consultoria (gerencial ou tecnológica) e um manancial de informações
necessárias àqueles que já montaram
o seu negócio a respeito dos mercados
que ele precisa atingir. Entre os 69 cursos ativos há desde Gestão Financeira,
Marketing e Planejamento Estratégico,
até Comércio Internacional, Tecnologia,
Inovação e Sustentabilidade, entre outros.
“O pequeno empresário deve investir na gestão do seu conhecimento para
estar cada vez mais apto a conversar
com os seus clientes cujas solicitações
podem ser as mais distintas possíveis”,
argumenta Kirszenblatt. Gerenciar um
negócio, entendendo as dinâmicas financeiras e fiscais é outro desafio para
quem monta um pequeno negócio.
O SEBRAE-RJ ajuda o micro e pequeno empresário a casar seus objetivos com os do mercado, por meio de
consultorias gratuitas. Em 2013 cerca
de 70 mil MPEs buscaram orientação no
SEBRAE-RJ e mais de 160 mil empresas
foram atendidas.
As informações sobre MPEs e cursos podem ser obtidos no número do
SEBRAE-RJ (0800 570 0800) ou pelo site
www.sebraerj.com.br.
O mercado atual é o da mobilidade.
Trabalha-se de onde for possível. Assim,
executivos (as) saem de casa com laptops, netbooks, carregadores, tablets
e uma infinidade de itens na mochila.
Contudo, carregar mochilas nas costas,
em um longo prazo, traz danos irreversíveis à coluna. “Altera a postura, pode
causar dores musculares e até desvio
da coluna vertebral”, diz o Dr. Maurício
Lebre Colombo, ortopedista do Hospi-
Dois
ALERTAS
Para quem leva
“o escritório nas costas”
tal do Servidor Estadual, em São Paulo
(SP). Além disso, as pessoas podem
ter dificuldade de permanecer por longos períodos sentadas ou em pé. Dores
recorrentes na coluna e não tratadas
adequadamente podem irradiar para o
tórax e a cabeça. Mais: gerar ansiedade
e distúrbios psicológicos mais sérios.
Segundo o Dr., a carga nunca pode
ser superior a 15% do peso do executivo e o transporte deve durar curtos
períodos de tempo. “Não é para ficar o
dia todo com a mochila nas costas. Se
for necessário, um modelo de rodinhas
é mais adequado”, sugere. Um bom caminho para reduzir o excesso de peso é,
se possível, adotar modelos de laptops
mais leves, em torno de 9 polegadas e,
claro, os tablets e celulares. Eles, fora
do escritório, fazem perfeitamente o papel do computador convencional, com
e-mails, acesso à internet e demais apli-
cativos. “As pessoas tendem a carregar
pesos excessivos e desnecessários e,
por incrível que pareça, são poucos os
que percebem isso e, de fato, tentam
corrigir”, aponta o Dr. Outras dicas:
• Escolha uma mochila que não exceda a largura do seu tronco e não
ultrapasse a linha do seu umbigo.
• A mochila deve ser carregada junto
ao corpo, com alças que a fixem no
abdômen e aos ombros.
• O peso dentro da mochila deve
ser distribuído de maneira equilibrada (pode ser feito com facilidade em
mochilas que têm diversos compartimentos).
Para quem se expõe ao calor excessivo
Vivemos uma época na qual a sensação térmica ultrapassa, com frequência, os 40 graus. Neste panorama,
danos sérios atingem o organismo,
como fadiga térmica, insolação, desidratação e, para quem não se cuida
de jeito nenhum, até a morte. Segundo especialistas, para tentar manter
a temperatura estável, o corpo transpira e perde muito líquido, além de
minerais como potássio e sódio. Por
isso, a ingestão de ao menos dois litros de água por dia é fundamental.
Beba mesmo quando não estiver
com sede. Mas os sucos naturais de fruta, bem como a
água de coco também ajudam a repor
as perdas. Além de hidratar, a água
transporta nutrientes entre as células,
melhora a circulação sanguínea e evita a celulite.
A desidratação pode também ocasionar desmaios, intoxicações, prisão
de ventre e, nos casos mais graves, infecção urinária, cálculo renal e parada
cardíaca. A
insolação é o dano
mais
sério do calor excessivo, pois
pode
comprometer as
funções dos
órgãos
vitais. As vítimas
podem ser identificadas pelos sintomas
aparentes da pele: seca,
quente e avermelhada.
Se não identificada
de imediato, a insolação pode levar
à morte. E atenção - dermatologistas
asseguram: as pessoas de pele clara
devem ter cuidado redobrado, pois
elas nunca se bronzeiam, apenas
queimam a pele.
Outras dicas:
• Evite bebidas que contenham
cafeína, álcool e muito açúcar que
aumentam a desidratação.
• Use bloqueador solar, bonés e
chapéus para minimizar os efeitos
dos raios solares e tome banhos
frescos.
• Use roupas leves, largas e claras.
•Se estiver na rua, visite prédios
com ar-condicionado para aliviar a
fadiga térmica.
•Reaplique o bloqueador a cada
três horas se estiver na rua e a cada
duas se estiver na praia ou piscina.
| 2014 | Janeiro / Fevereiro | 9
Especial | Debate | Momento de RH
Especial | Debate | Momento de RH
Foto: Alexandre Peconick
o Brasil está precisando são profissionais qualificados, e em grande quantidade. E, nesse ambiente, os líderes
têm a responsabilidade de serem desenvolvedores e geradores de resultados. A cada dia os profissionais estão
sendo mais desafiados a um aprendizado. Não temos condições de traçar um perfil desse líder, pois ele está
tendo que lidar com situações muito
novas e com todas as gerações juntas
no ambiente de trabalho.
Adriana Hasselmann
Leyla Nascimento
Marina Quental
Luiz Augusto Costa Leite
Perspectivas 2014
“RH vai subir
no bonde da história?”
D
epois de passar a segunda
metade do século passado
agregando o viés comportamental à rotina operacional e a primeira década deste século
investindo no aprimoramento de sua
relação com o topo das decisões, RH
parece assumir (ou pretende-se que
assuma) em 2014 um papel de “parte”
e não mais apenas “parceiro” do negócio. Será? Que papel é esse?
Convidados por NEWSLET, Leyla
Nascimento, Presidente da ABRH10 | Janeiro / Fevereiro | 2014 |
Nacional; Luiz Augusto Costa Leite, do Comitê Temático do CONARH e Diretor da Change Consultoria;
Marina Quental, Diretora de RH Downstream da Raízen Combustíveis e Adriana
Hasselmann, Gerente de Gestão de Talentos e Desempenho da Light aceitaram
o desafio refletir e propor o que será o
RH em uma economia com os desafios
que se anunciam para 2014. Esse “time
de talentos do RH carioca” se reuniu
para um almoço e debate no Restaurante Zozô Rio (ver matéria na contracapa).
Uma informação impactante ressaltada por Luiz Augusto ao final do encontro: no Rio de Janeiro temos R$ 200 bilhões de investimentos nos neste e nos
próximos anos; que vão gerar 300 mil
empregos, 280 mil são operacionais, 60
mil de nível técnico e 15 mil de nível gerencial. Que cuidados o RH deve atender tal demanda? Segundo ele, “focar
na produtividade humana e não apenas
na produtividade do trabalho”, ou seja,
não apenas no lucro pelo lucro.
Em pauta? Eles, vocês, todos nós.
NEWSLET – O Brasil precisaria em
2014 chegar à maturidade de sua
economia. Para que isto aconteça
qual deve ser o conceito de atuação
de um líder em RH em relação às
pessoas e ao topo da organização?
Leyla – Não acredito na maturidade
da nossa economia em 2014. Os números e as decisões do governo nos
dizem que será um ano de incertezas.
No que diz à Liderança, considero
muito difícil ser um líder hoje. O que
Adriana – Sofremos no mercado a
questão de não termos a oferta desejável. Assim, depois de recrutar, algumas vezes temos que preparar as
pessoas para podermos admiti-las.
Manter as pessoas talentosas é desafiante. Quem oferece um pouquinho
mais já as atrai. Muitas não estão comprometidas com o que estão fazendo.
Reter continuará sendo desafio em
2014. Com a escassez de pessoas
preparadas para assumir a Gestão de
Pessoas algumas empresas acabam
valorizando mais o conhecimento
técnico em detrimento ao comportamental. Mas as empresas têm um alto
custo para que RH mantenha o equilíbrio entre a oferta e a demanda de
mão de obra qualificada, uma vez que
para cargos de chefia é necessário o
mínimo de aptidão e conhecimento
comportamental.
Luiz Augusto – Estamos herdando em
2014 uma economia com indicadores
ruins. Somos pouco produtivos em
relação ao trabalho e à mão de obra.
Em 2013 o nosso nível de emprego
caiu em mais de 18% com relação a
2012, o que significa o fechamento de
1,1 milhões de vagas em postos de
trabalho. O papel de RH em 2014 é
preparar as pessoas para viver em um
ambiente de maior contenção, passando informações realistas e não as
envolvendo em aventuras.
Marina – Não vou chamar esse momento de crise, mas saímos daquela
“luminosidade” de três, quatro anos
atrás, onde o Brasil era a bola da vez,
para um momento em que as empre-
sas precisam ganhar competitividade.
E para isto acontecer temos que trazer
inovação. RH deve em 2014 fomentar
uma cultura a partir do topo da organização na qual os funcionários se sintam capazes de empreender. E para
gerar cultura de inovação, a organização deve dar claros sinais de que há
abertura para ouvir pessoas de todos
os níveis hierárquicos, não apenas os
que fazem parte da diretoria. Soluções
para o negócios surgem de decisões
compartilhadas. Há empresas que
não dão muito esse espaço. Justamente no momento de revés econômico, aquele que for capaz de ousar e se
posicionar melhor vai ter uma vantagem competitiva.
NEWSLET – E como o empresário
deve enxergar o papel da área de RH?
Luiz Augusto – Há líderes mais conservadores que não dão importância à
RH e há os desafiadores que dirigem
empreendimentos cuja participação
do RH se requer mais contributiva.
Nesse sentido, condeno a expressão
“Business Partners” como muitos se
referem ao RH. Não somos “Business
Partner”, mas “Business Parts”. Se eu
não achar que sou parte do negócio
terei dificuldade em interpretar quais
são os objetivos do presidente e seus
acionistas. Parceiros são unidades diferentes que se unem entorno de um
objetivo. Enquanto o RH não se sentir
“parte do negócio” a relação com a liderança será insuficiente.
Adriana – Se o RH não estiver junto ao
negócio, entendendo o planejamento
estratégico da empresa, onde a empresa quer chegar, e desenvolvendo
ações alinhadas a esse planejamento,
ele morrerá. Irá ser rotina. E o RH não
é rotina.
Leyla – RH hoje é pauta da organização. A ABRH-Nacional, por exemplo, realiza um Fórum de Presidentes
todos os anos. Em 2013 foram 114
das maiores organizações do Brasil.
Ouvindo-os falar sobre o RH fiquei impressionada com a necessidade deles
| 2014 | Janeiro / Fevereiro | 11
Especial | Debate | Momento de RH
Especial | Debate | Momento de RH
radigma vamos continuar os mesmos
daqui a 10 anos.
NEWSLET – 2014 está sendo decisivo para a afirmação de uma classe emergente cada vez consumidora
e exigente. Como RH pode “saciar”
este consumidor?
“OUSADIA”
“CORAGEM”
“PROPÓSITO”
“TRAZER E FAZER DE FORA PARA DENTRO”
“SOMOS CIÊNCIA?”
em valorizar o papel do RH. E Eles falam como RH. Alguns até dizem: “Eu
sou o RH da minha empresa!”
Marina – Presidentes não precisam
ter o nosso conteúdo e sequer nossos jargões, mas devem acreditar que
pessoas são fundamentais para transformar uma organização.
Luiz Augusto – Uma palavra forte em
nossos grupos de discussões temáticas tem sido CORAGEM. O RH é um
jogador no time da empresa como tantos outros. O problema é que nós temos
receio de propor ideias novas ou até
mesmo influenciar não só o CEO. RH
precisa influenciar os pares; a diretoria
e os gerentes. Por uma deformação de
crescimento nosso, o RH tem uma grande dificuldade em “fazer o jogo do poder”. Política não é uma coisa ruim. Se
não houver troca de influência continuaremos parados nas velhas discussões.
Adriana – Tenho dúvidas se a média liderança “enxerga” o RH como
12 | Janeiro / Fevereiro | 2014 |
deveria. Por isto o RH precisa, antes
de tudo, ser estratégico na forma de
relacionar-se com as pessoas e saber
negociar muito bem com todas as áreas da empresa e com a alta liderança.
Marina – Entendo este argumento.
Mas um RH que tem a sabedoria e
capacidade de influência junto aos
pares cria esse ambiente que se dissemina pela organização. Há situações, que se repetem em todas as
gerências, para as quais o apoio do
RH é imprescindível. E não podemos
depender apenas de uma cabeça no
RH com capacidade de influenciar.
RH deve treinar outras pessoas.
Luiz Augusto – Mas se RH continuar
apenas como “o pregador missionário”, isto não nos levará a nada. RH
deve construir uma segunda pele, adotando como um de seus pilares o foco
no tema Educação. Cada pessoa da
organização tem que ter um perfil educacional com metas definidas. Se não
tivermos essa radical mudança de pa-
Luiz Augusto – O último livro do Dave
Ulrich, “HR - From Outside In” (“RH De Fora para Dentro”) coloca uma
nova perspectiva de RH no sentido de
buscar fora das organizações as informações e inspirações para o seu trabalho. Temos que pensar que, do lado
de fora, em quem está interessado, em
quem beneficia e em quem influencia
a organização. E, a partir desse consumidor, tentar fazer a “viagem de volta”.
Está na hora do RH absorver esses
movimentos de rua e entender como
trazer isto para dentro da organização.
Marina – Essa fronteira do que “está
dentro” ou do que “está fora” é cada
vez mais tênue porque o funcionário
também é um consumidor que forma
opinião junto aos grupos dos quais
participa. E amanhã esse funcionário
pode ser fornecedor. As pessoas têm
uma dinâmica intensa. Já se faz uma
conexão forte em alguns RHs do “funcionário como construtor ou como um
embaixador de uma marca”. E se ele se
desliga da empresa, seja por qualquer
razão, continuará carregando “a experiência daquela marca” para a sua vida.
Leyla – O RH caminha e caminhará
cada vez mais lado a lado com a Comunicação porque as pessoas trabalham esta imagem. Refletindo o que
disse a Marina, hoje uma entrevista
de desligamento é tão importante
quanto o processo de recrutamento
e seleção. A intenção é a de que, em
sua saída, o funcionário leve uma
boa imagem daquela empresa da
qual ele ainda continuará como formador de opinião.
NEWSLET – RH também deve se envolver mais com instituições acadêmicas?
Leyla – Sim. Eu nunca vi as empresas
tão dentro das universidades como
estão atualmente.
Adriana – Como temos pouca gente
qualificada, devemos chegar primeiro
às universidades. É uma corrida mesmo. Mas, por outro lado, eu não vejo
os jovens tão dedicados à questão de
estudar e entender o que é o RH ou
mesmo o mercado de trabalho. Esse
envolvimento não existia, mas ainda
estamos bem distante do que é necessário e isto exige mudança de atitude
das pessoas!
Luiz Augusto – Os cursos de graduação tecnológica em Recursos Humanos que existem são os mais procurados no mercado. Segundo pesquisa
da ABRH-Nacional, há hoje mais de
um milhão de pessoas que atuam
como RH no Brasil. Precisamos entender porque as pessoas escolhem
a carreira de RH. Há desde as que
sentem vocação até as que acham
que vão ter emprego mais fácil.
Leyla – Mas os cursos tecnológicos estão no viés equivocado. São generalistas
demais. Precisam se aprofundar mais
em certos temas. A ABRH-Nacional quer
abraçar esta questão: precisamos urgentemente da criação de um curso de
graduação em Recursos Humanos!
Leyla – Hoje com essa “clientela” difícil
de atrair e fidelizar, que são os alunos,
a universidade também precisa dar ao
aluno um contato maior com o mercado. E ela começou “a sair do seu muro”
e a interagir com o empresário.
NEWSLET – O que vocês pensam
sobre a nova teoria que considera
Recursos Humanos como “uma ciência” com todas as conotações e contornos que uma ciência possa ter?
Leyla – Peter Cheese, Presidente do
CIPID (Associação Londrina de RH),
mostra que diante de todas as mudanças que ocorreram na economia e
sociedade, o RH de fazer a transição
de área profissional para uma ciência
que contemple um aprofundamento
que nos ajude a trabalhar a adequação do ser humano às mudanças que
vem acontecendo em uma velocidade muito grande. Nós somos gigantes e ousados como profissionais de
RH porque estamos mexendo com
um grupo de pessoas que sofre um
impacto tão grande que nem mesmo
temos a dimensão do que é, seja nas
pressões de trabalho, familiares, de
direção de vida. Há um contexto que
se desenha entorno das pessoas que
o RH não percebe porque nos falta essa visão de vermos nossa área
como uma ciência.
Marina – Essa relação entre empresa
e universidade mudou muito ao longo
dos últimos anos. Há algum tempo íamos às universidades “vender” a nossa ideia e buscar mão de obra. Hoje os
alunos querem entender o que aquela
empresa vai fazer por eles. Deve haver
um propósito. E a troca entre empresa
e universidade é muito importante para
que os produtos das empresas possam agregar mais valor à sociedade.
Adriana – Sempre o RH foi ciência
porque avaliamos como as pessoas
se comportam em uma organização,
dentro de uma cultura, as reações.
De alguma forma, estamos estudando
como aquele organismo funciona. De
alguma forma isto é ciência.
Adriana – Eles querem entender o
que aquela empresa está planejando
para os próximos anos e se eles, alunos, poderão estar envolvidos ou não
nesses planos. Se não sentirem que
podem ser envolvidos, não adianta
empresa nenhuma ir lá.
NEWSLET – No dia a dia com tantos processos, metas, prazos e pressões, dá tempo de dar uma parada,
refletir, e olhar RH como ciência?
Leyla – Será que não estamos pegando apenas um pedacinho, uma fatia,
de cada um deles?!
Adriana – Você tem que olhar. Porque
todas as ações que vamos fazer terão
profundas consequências, que devem
ser avaliadas por diversos ângulos.
Como as pessoas dentro da empresa,
com determinada cultura e valores,
irão reagir e ser impactadas em relação ao que está sendo proposto?! Isto
requer estudo.
Marina – RH é uma ciência complexa
porque lida com relações humanas
em um ambiente em transformação.
Todos os componentes estão afetados. Há muita complexidade em alinhar pessoas com histórias de vida
tão distintas aos valores de uma organização. Além disso, o que é sucesso
para a minha empresa hoje pode não
ser daqui a cinco anos ou menos.
De que fontes a gente bebe, esta é a
questão... Devemos construir o que é
RH com visão de profissionais oriundos de várias áreas, Administração
Psicologia, Engenharia... Comunicação e Marketing, por exemplo, traz
profissionais fantásticos porque eles
têm a visão sobre como conectar a
marca com as pessoas.
NEWSLET – É possível associar ciência à competitividade?
Leyla – Claro que sim! Encarar RH
como ciência nos dá um olhar mais
aprofundado, podendo obter resultar
resultados melhores, com pesquisas,
teorias, especialistas. Precisamos
juntar isto tudo e obter uma sistematização mundial, de forma objetiva, de
fácil entendimento a todos os profissionais de RH. A partir do momento
em que nos conhecermos melhor, as
respostas aos desafios se tornarão
mais fáceis.
Luiz Augusto – Do ponto de vista da
ciência, há uma questão em que RH
precisa se afirmar: a da autonomia.
Toda ciência tem uma postura que leva
o profissional a dizer “isto eu não faço
porque os fatos, pesquisas e experiências provam o contrário”; “isto não
faço porque não está no meu nível de
conhecimento”. Por outro lado há um
respeito à autonomia profissional de
RH. Autonomia é ciência.
| 2014 | Janeiro / Fevereiro | 13
Capacitação de detentas para o mercado
Fotos: Alexandre Peconick
Capacitação de detentas para o mercado
Foto: Alexandre Peconick
Do alto abaixo, da esquerda
para a direita: Sueli, Ana
Paula, Tatiana e Fabiana
desenvolvem a criatividade
no curso de Bijouteria
Elas merecem uma
2ª chance...
P
or caminhos tortuosos que
as levaram ao sistema prisional, mulheres acreditavam
que esta situação poderia ser
o fim da linha. Não era. Encontraram,
por meio de cursos de capacitação
profissional dentro dos presídios,
uma porta aberta para a reconstrução; uma segunda chance de viver
dignamente na sociedade, a mesma
14 | Janeiro / Fevereiro | 2014 |
que, em muitos casos, lhe negara
esse direito. O Senac-RJ, em parceria com a Secretaria de Administração Penitenciária do estado do Rio
de Janeiro (Seap), está oferecendo
desde outubro de 2012 diversos cursos gratuitos em 11 unidades prisionais entre as quais o Presídio Nelson
Hungria (exclusivo às mulheres), uma
das 26 unidades prisionais do Com-
O curso de Cabeleireiro devolveu a
autoestima e vai contribuir para a
empregabilidade futura de Sueli (à
esquerda) e Cristiane (á direita)
plexo de Bangu, onde esteve a nossa
reportagem para dividir com nossos
leitores histórias marcantes.
Em 2013 já foram formados 800
detentos em cursos para garçom,
estoquista, auxiliar administrativo,
cabeleireiro, entre outros. Até o final
de 2014 a expectativa é a de que o
número chegue a 1500 em função da
expansão do Projeto Liberdade Qua-
lificada e do Programa Nacional de
Acesso ao Ensino Técnico e Emprego
(Pronatec). Com conteúdo e formato
de excelência, seis docentes são responsáveis pelas 10 turmas que estão
ativas, cada uma delas, com 25 alunos, totalizando 250 detentos, entre
mulheres e homens, desde maio do
ano passado.
A primeira história que impressiona é a de Sueli da Conceição Marques, 44 anos, mãe solteira. Ela admite que antes de vir para o presídio
sua única perspectiva era a do crime,
dentro do tráfico de drogas, onde
conseguia dinheiro para sustentar
suas filhas. Na sociedade diz só ter
encontrado pessoas que a colocavam no mal caminho. “A chance de
ser alguém ganhei aqui; aprendi até a
escolher as companhias e a mudar o
vocabulário”, conta.
O primeiro curso, de Cabeleireira,
no entanto, foi, como ela reconhece,
“apenas para sair da cela”. Um corte
ali, uma escova acolá, uma orientação
profissional entre o corte e a escova,
porém, e ela foi se redescobrindo.
Aos poucos percebia o quanto uma
atividade profissional mudaria o seu
horizonte de vida. “Hoje em dia em todos os cabelos que eu ponho a mão,
o faço com amor e prazer. Isto foi uma
conquista que o curso me deu. Antes
de vir para cá não conseguia ter esse
sentimento”, revela Sueli.
Cabeleireira certificada pelo Senac-RJ,
com diploma e tudo, Sueli mostrou na
reportagem que já sabe fazer tudo o
que os profissionais dos melhores salões de beleza fazem. Até auxiliar do
professor ela já foi. A vida que tinha
antes do presídio? Ela garante que ficou no passado. “Sei que para ganhar
dinheiro temos que suar e que isto é
digno”, avalia ela que pegou mesmo
tanto gosto por aprender que também está fazendo o curso de Bijouteria. Por este motivo até já recusou ir
para o regime semiaberto, direito que
teria por já ter cumprido dois terços
de sua pena. ”Neguei porque prefiro
ficar aqui dentro trabalhando e me
preparando melhor; lá fora eu não teria nada disso”, considera”.
Com um sorriso tímido ela conta
que já enviou o diploma para as filhas
que dizem ter orgulho da transformação que a mãe delas alcançou. “Quando estiver lá fora quero trabalhar muito
e aprender mais; afinal a oportunidade
só bateu na minha porta uma vez e eu
a abracei com força”, conclui.
Cumprindo pena de sete anos de
reclusão, Ana Paula da Silva Buenaga, 34 anos, solteira diz que jamais
imaginou ser possível fazer um curso
profissionalizante na prisão. “O tempo que a gente perde aqui dentro do
Sistema não temos como recuperar,
mas acho que vou sair daqui preparada para recomeçar do zero graças ao
que aprendo nos cursos”, diz. Desde
agosto 2012, quando entrou no Presídio, Ana Paula já fez os cursos de
garçom e cabeleireira e atualmente
está aprendendo a confeccionar bijouteria. Mas também se diz interessada nos de pizzaiolo e cabeleireiro.
Assim que sair “do Sistema” ela
pretende assumir uma oportunidade
como garçonete. “Ser garçonete não
é só segurar uma bandeja e sair servindo; aprendo que temos que ter um
comportamento legal, simpático e carismático”, explica.
Medo de preconceito? Com sinceridade no olhar, ela assegura não ter.
“Quando você passa pelo sistema,
acho que nenhuma barreira lá fora é
maior do que isto aqui. Reeducamos
a nossa mente para nos vermos de
outra forma”, argumenta.
Reeducar-se e superar grandes
obstáculos. Esta tem sido há um ano
e nove meses a rotina de Cristiane
Dias de Oliveira, de 39 anos, mãe de
quatro filhos e já avó de um neto. Antes de ser presa, ela era sócia de um
salão de beleza na Rocinha. Indignada com sua situação atual, conta ter
sido vítima de uma de suas clientes,
responsável por esquema de prostituição em Copacabana. “Estou aqui
sem saber de nada; fui esquecida na
geladeira”, dispara.
O início da reclusão foi de depressão total, à base de medicamentos.
Sentia-se como se a vida houvesse
desmoronado. “O curso de Cabeleireiro foi a melhor coisa que me aconteceu, pois me devolveu a vontade de
querer viver e de querer fazer sempre
melhor do que eu já fazia antes”, afirma Cristiane. Depois de conversar
com a assistente social, ela venceu
uma resistência e decidiu aproveitar,
como ela mesma diz, cada segundo
das oportunidades. “Quando vieram
as folhinhas para inscrições nos cursos eu peguei todas; já conclui o de
pizzaiolo e o de cabelereiro; foi muito
gratificante tirar fotos e mostrar para
a minha mãe”, conta.
| 2014 | Janeiro / Fevereiro | 15
Capacitação de detentaspara o mercado
O professor Rogério Demétrio, do Senac-RJ, posa com
suas dedicadas alunas do Presídio Nelson Hungria
Os cursos também mexeram muito com a autoestima de Cristiane que
atualmente não se considera mais
uma injustiçada. “Eu não era para estar aqui; mas, por outro lado, o que
eu não teria condições de fazer lá
fora em termos de cursos estou realizando aqui dentro. É muito difícil
você ter essa oportunidade e eu estou mostrando que mereço”, avalia.
Com firmeza nas palavras que pronuncia e veemência no olhar, ela está
confiante: considera que pode ser
competente em qualquer empresa “lá
fora” que lhe oferecer uma chance
de reconstruir sua vida. Com otimismo, ela fecha os olhos e conta como
imagina o dia em que finalmente reconquistará a liberdade: “para mostrar que também me tornei grande
16 | Janeiro / Fevereiro | 2014 |
pizzaiolo; quero fazer uma festa de
pizza para os meus filhos”.
Outra detenta que assegura ter
plena consciência de estar turbinando o seu currículo é a mineira Tatiana de Assis Rabetin, 29 anos, e mãe
solteira de dois filhos. Há três anos
exatos no sistema prisional, ela afirma aguardar audiência para saber em
quanto tempo poderá sair. Enquanto
isso não acontece, ela já descobriu
que tem talento para trabalhar em escritório ao fazer o curso de Auxiliar de
Escritório.
“Uma coisa legal daqui que aprendemos é como nos expressar em
uma entrevista de trabalho e nos
comportar na sociedade. O professor
sempre nos diz que somos capazes
de melhorar e que somos as melho-
Foto: Alexandre Peconick
“Se não dermos oportunidades a
elas estaremos jogando contra nós
mesmos”, diz Ana Paula Nunes, Gerente
de Responsabilidade Social do Senac-RJ
Foto: Divulgação Senac-RJ
Capacitação de detentaspara o mercado
res alunas porque nos entregamos
nos cursos. Sabemos que podemos
crescer muito mais do que imaginávamos”, considera Tatiana.
A experiência de vida que ela teve
a colocou em contato com pessoas
sempre pessimistas, de mal com a
vida. “Isto me fazia pensar que não
era capaz”, lembra. Por meio do curso de Bijouteria, no entanto, ela sentiu que seu potencial criativo estava
despertando. “Descobri que poderia
criar coisas muito interessantes, colocando amor e carinho no que faço”,
admira-se.
Ter o Senac-RJ ligado ao seu nome,
como acredita a carioca Fabiana Barcellos de Sousa facilitará a sua reintegração à sociedade. Antes de entrar “no Sistema”, ela atuava como
repositora em um mercado, mas não
se considerava profissional. “Aqui fiz
o curso de Estoquista que me deixou
mais preparada e confiante”, diz. Assim como suas colegas, Fabiana não
parou por aí e já tratou de incluir mais
cursos em seu currículo que já está
em casa com as filhas. “A minha filha
mais nova, Fabíola, de 10 anos, sabe
que estou fazendo os cursos e me
escreve dizendo que está estudando
muito lá fora para um dia se profissionalizar também”, emociona-se.
O trabalho da Secretaria de Administração Penitenciária do estado do
Rio de Janeiro (Seap) em parceria
com o Senac-RJ vem gerando muitos
frutos, mas estes devem ser colhidos
pela sociedade. É preciso, segundo
Ana Paula Nunes, Gerente de Responsabilidade Social do Senac-RJ,
vencer o preconceito. “Essas pessoas vão sair de lá (presídios) e se
não dermos oportunidades a elas,
estaremos jogando contra nós mesmos. O que o empresariado tem que
entender é que o fim da violência depende deles também. Cada um tem
a sua parcela. Estamos empenhados
para que estas pessoas consigam estar mais bem preparadas, mas cabe
ao empresariado abrir os olhos para
isto”, alerta Ana Paula que atua neste
segmento desde 2005 e chegou ao
Senac-RJ em 2009 com a missão de
Aula do curso de Pizzaiolo
desenhar um grande trabalho de Responsabilidade Social.
Jornalista pós graduada em Marketing, Ana Paula considera que
para atuar nesta área “ter a intenção
de fazer o bem” é muito pouco; é vital
gostar do ser humano. Consciente de
que o papel do Senac-RJ é apenas
uma parte do processo ela faz um
apelo aos RHs: “Cabe agora ao pessoal de RH das empresas abrir não
apenas o seu coração, mas as sua
mente. Coração, neste caso, é muito
pouco. É preciso abrir a mente para
entender um pouco mais este trabalho”, ressalta.
Todo o trabalho de montagem
dos cursos, segundo ela, seguiu um
planejamento de excelência. Durante um ano, entre 2011 e 2012, foram
mantidas conversações, visitados os
espaços, avaliado o perfil da massa
carcerária e mapeadas as posições
do mercado em que essas pessoas
teriam mais chances de serem admitidas, bem como o tipo de empresário
disposto a oferecer oportunidades.
Com relação aos alunos que devem
fazer os cursos, a Seap observa os
detentos e detentas que têm um bom
comportamento.
E a excelência incluiu também
os melhores docentes. Rogério
Demétrio que ministra aulas do curso para Cabeleireiro no Presídio Nelson Hungria está no Senac-RJ há 20
anos e mesmo assim confessa que,
de início, ficou um pouco temeroso
em entrar no Liberdade Qualificada.
A empolgação das alunas, contudo,
o contagiou por completo. “Quando
chego para dar aulas, elas estão nas
celas aguardando ansiosas com a
blusa do Senac-RJ, apostila, o kit (secador, uma chapinha, um conjunto de
escova e um conjunto de tesouras).
Elas se envolvem ao perceber que
conquistam elementos novos para
se preocuparem mais consigo mesmas”, revela o professor.
Mesmo já tendo participado de
outros projetos de Responsabilidade
Social do Senac-RJ, Rogério define
esta experiência do Liberdade Qualificada como “única em termos de
transformação de vidas”. “Tenho dois
grupos de alunas e já sinto grandes
mudanças; digo a elas que não quero
saber o delito que cometeram. Estou
aqui para mostrar a elas que existe
uma coisa muito valiosa que é a nossa vida. E este é um trabalho de reconstrução de vidas”, sintetiza.
Consciência do papel transformador do professor é vital, mas não
suficiente. Selecionados “a dedo”, os
Foto: Alexandre Peconick
docentes devem entender a questão
da segurança, sendo capazes, ao
mesmo tempo, de se relacionar com
as regras e com os alunos. Mais: precisa ter o “talento do acolhimento” e
alto grau de sociabilidade.
Pergunta comum: mas o que acontece com as alunas que completam
os cursos e ganham certificados?
Ana Paula Nunes informa que, embora não seja o papel do Senac-RJ fazer
encaminhamento ao mercado, existe
o chamado Click Oportunidades, um
banco de talentos online do Senac-RJ
do qual qualquer aluno já certificado
por algum curso passa a fazer parte.
“É muito importante destacar que
qualquer um de nós, infelizmente,
podemos um dia estar lá (sistema
prisional) porque ninguém está impossibilitado de cometer um erro na
vida. Mas o erro não pode acabar
com a sua vida. Acreditamos que o
ser humano precisa ter condições de
reconstruir o seu destino”, reforça a
Gerente de Responsabilidade Social
do Senac-RJ.
O trabalho do Senac-RJ, assim
como o de todos os profissionais de
Recursos Humanos passa pela preocupação da construção de grandes seres humanos. NEWSLET fez
sua parte.
| 2014 | Janeiro / Fevereiro | 17
Nonono
Seguranca Notas Acon
Coluna Saúde e Segurança no Trabalho
Foto: Reprodução Internet
Foto: Site Sxc.hu
Notas - Acontecimentos
Nonono
POR AGORA...
De Alexandre Peconick
“Obrigações
trabalhistas, previdenciárias e fiscais:
UNIFICADO vai ficar mais fácil”
*Vanessa de Paula
A
ideia de unificar o preenchimento de formulários obrigatórios que todos os anos
precisamos entregar ao Governo Federal vai facilitar e muito também o trabalho daqueles profissionais
que atuam com Saúde e Segurança
no Trabalho. O eSocial traz como proposta atender aos vários órgãos do
governo por meio de uma única fonte
de informações. Vai ser uma baita economia de tempo ter que colocar todos
aqueles dados uma única vez!
E já está disponível online a todos nós uma espécie de treinamento para acertar quando tudo estiver
valendo de fato – a partir de junho
de 2014: o manual de utilização dessa nova ferramenta pelo endereço
http://www.esocial.gov.br/doc/MOSversao1_1minuta.pdf. São orientações
básicas que permitem ao empregador
o cumprimento de algumas de suas
obrigações de forma facilitada e bem
intuitiva.
O projeto eSocial é uma união dos
órgãos e entidades do governo federal: Caixa Econômica Federal, Instituto Nacional do Seguro Social – INSS,
Ministério da Previdência – MPS,
Ministério do Trabalho e Emprego –
MTE, Secretaria da Receita Federal do
Brasil – RFB. O Ministério do Planeja-
18 | Janeiro / Fevereiro | 2014 |
mento também participa do projeto,
promovendo assessoria aos demais
entes reunião dos diversos interesses
de cada órgão e gerenciando a condução do projeto.
No que diz respeito à área de Segurança no Trabalho, por exemplo, as
empresas deverão informar o último
ASO (Atestado de Saúde Ocupacional) emitido para o trabalhador (nome
e CRM do profissional médico que
atestou). E, a partir da entrada no eSocial, deverão registrar todo ASO que
vier a ser emitido, para os empregados admitidos na vigência do projeto.
Cada trabalhador terá as atividades
que desempenha enviadas ao eSocial
com a finalidade de cumprir o exigido
no Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP). O trabalhador que atuar em
ambiente ou cargo exposto a agentes
nocivos à sua saúde, deverá ter os
riscos informados. Serão enviados inclusive os riscos ergonômicos e mecânicos, citados com seus respectivos
códigos. A monitoração biológica dos
trabalhadores que atuam com substâncias químicas também deverá ser
enviada ao eSocial, junto com a informação do médico do trabalho que
realiza o monitoramento.
Com relação às condições diferenciadas dos trabalhadores, a infor-
mação deve ser registrada com as
seguintes numerações, podendo o
trabalhador se enquadrar em mais de
uma das condições: 01 – Insalubridade; 02 – Periculosidade; 03 – Fator de
Risco; 04 – Membro do SESMT; 05 –
Designado da CIPA; 06 – Trabalhador
treinado para utilização de material
de primeiros socorros; 07 – Autorizado a trabalhar em instalações elétricas; 08 – Autorizado a operar e intervir em máquinas e 09 – Responsável
Técnico pela Segurança em Espaço
Confinado.
Para os equipamentos de proteção coletivo ou individual, o eSocial
também requer esta informação de
cada trabalhador, sua aplicação no
ambiente de trabalho e o fornecimento ao empregado para reduzir
o efeito dos riscos nocivos à saúde.
Unindo a intensidade e a técnica de
medição dos riscos, deverão constar
as medidas de proteção aplicadas:
EPC, EPI com o número do CA-Certificado de Aprovação.
*Vanessa
de Paula, é
a Técnica de
Segurança
no Trabalho
do Grupo
LET Recursos
Humanos
e que nomeou o Grupo de CORH
– Cosméticos Recursos Humanos.
O evento contou com novos integrantes para o grupo fomentado
pelo Comercial do Grupo LET Recursos Humanos.
Grupo CORH debate
“Remuneração” em seu
2º encontro
O consumo no Brasil deve evoluir
de R$ 2,2 trilhões em 2013 para R$
3,5 trilhões até 2020, tendo o segmento Cosmético um up grade de
8,4%, segundo dados de pesquisa
da Mercer Consultoria. A informação foi divulgada por Nelson Bravo,
Consultor Sênior da Mercer em palestra na Vizcaya durante o 2º Encontro do Segmento de RH Cosmético, realizado dia 10 de dezembro
Gestão de Talentos:
o ponto crítico
A gestão de talentos é considerada
o ponto mais crítico por altos executivos em suas organizações. A conclusão vem de uma pesquisa inédita realizada pelo Boston Consulting
Group ao final de 2013 que ouviu
1051 líderes de todos os continentes.
A reportagem foi publicada no jornal
Valor Econômico. No Brasil, cuja
participação contou com 94 líderes,
o desnível é mais acentuado porque
além da baixa oferta de mão de obra
envolve, sobretudo, o despreparo
dos profissionais em prepará-la.
Consultores
Organizacionais terão
curso no Rio
O Instituto Brasileiro de Consultores de Organização (IBCO) dará início ao seu Núcleo Rio com o Curso
de Desenvolvimento de Consultores Organizacionais e Gestão que
acontece no Rio Business Center
(no Centro) em cinco sábados, de
15 de março a 10 de maio. O curso destina-se a profissionais que já
atuam em consultoria e àqueles que
querem ter uma segunda carreira e
tenha muito conhecimento em uma
determinada área do conhecimento
humano. Mais informações e inscrições em www.ibco.org.br <http://
www.ibco.org.br> ou pelo e-mail
[email protected] .
e-mails para esta seção
[email protected]
Política da Qualidade GRUPO LET
2014 começa com muito trabalho.
Investindo sempre na melhora contínua de seu atendimento aos clientes,
o Grupo LET reforça seu compromisso com todos, publicando nesta seção a nossa Política da Qualidade,
abaixo:
O Grupo LET Recursos Humanos se
compromete a oferecer serviços com
alto padrão de qualidade, visando aumentar a satisfação de nossos clientes, melhorando continuamente nossos processos de forma a garantir:
• O atendimento aos requisitos do cliente
• A eficácia do Sistema
de Gestão da Qualidade
• A Perpetuação da LET
no Mercado
Na próxima edição publicaremos
matéria
mostrando um comparativo da evolução da
satisfação dos clientes
em relação ao atendimento do Grupo LET
Profissional LET melhora continuamente sua
percepção acerca da necessidade do cliente
| 2014 | Janeiro / Fevereiro | 19
Foto: Raphael Medeiros
Nonono
Foto: Alexandre Peconick
Carolina Serpa e Marilia Vieira (da esquerda para a direita):
focadas no passo a passo da satisfação de seus clientes
O requintado espaço do longe tendo
ao fundo o morro do Pão de Açúcar
Restaurante Zozô Rio
Espaço e estilo certos para todos
os gostos de EVENTOS CORPORATIVOS
E
O espaço localizado no piso superior
do Zozô Rio também é muito usado
para eventos de empresas
20 | Janeiro / Fevereiro | 2014 |
Foto: Selmy Yassuda
moldurado pelo belíssimo
bondinho do Pão de Açúcar
um espaço requintado e versátil, com cozinha de padrão
internacional, se mostra cada vez mais
ideal aos eventos corporativos: o Restaurante Zozô Rio. Há dois ambientes
rústicos, inspirados pelo jeito de ser e
receber do carioca, que podem ser utilizados em conjunto ou em separado
(para eventos simultâneos).
Segundo Carolina Serpa, Gerente
de Marketing e Comercial, a casa pode
receber, com conforte e qualidade, até
600 pessoas em eventos que vão desde
um café da manhã, treinamentos, dinâmicas de grupo, palestras e festas de
empresas com os mais diversos temas.
Uma curiosidade do Zozô Rio é a
Parede do Sincretismo, uma instalação
colorida no interior do longe que traz
92 santos de todas as religiões, desde
a igreja Católica, até candomblé e umbanda. Foi idealizada e confeccionada
pelo conceituado cenógrafo José Possi
Neto, irmão da cantora Zizi Possi.
Organizações que buscam um quê
de surpresa podem passar por aqui. Em
evento do Zozô Rio nem o céu é o limite.
“Gosto de conhecer o cliente e entender
suas necessidades; dependendo do
tipo de público da empresa e do foco
do evento, tudo é adaptável, desde a
culinária, passando pela decoração até
a musica e a infraestrutura; para a qual
também contamos com os nossos parceiros”, informa Carolina.
Músicos como Lulu Santos e Paula
Toller já se apresentaram no Zozô Rio
que está no local, ao lado da entrada
do bondinho, há seis anos. “Também
podemos fazer intermediação para que
uma empresa contrate músicos para o
seu evento”, diz Marília Vieira, Produtora Executiva do Zozô Rio, que também é
atriz. Ela diz que aqui é o ambiente ideal
para empresas que desejam oferecer
“um clima mágico” aos seus funcionários, clientes e parceiros.
E os eventos tem trazido tanto retorno que a agenda da casa está sempre
cheia. Recomenda-se entrar em contato
com mais de um mês de antecedência
para agendar qualquer tipo de evento.
O segredo que dá suporte ao mais
exigente padrão de qualidade está no
subsolo do Zozô Rio: uma detalhada divisão de espaços gastronômicos, como
uma padaria que fabrica pães de todos
os tipos, açougue, setor de saladas, entre outros.
Inovar e satisfazer gente o tempo
todo são ingredientes que não faltam
à mesa desta casa situada em ponto
nobre deste Patrimônio Histórico da Humanidade: o Rio de Janeiro.
SERVIÇO:
Restaurante Zozô Rio
Av. Pasteur 520, Urca, Rio de Janeiro (RJ)
tel: (21)2542-9665
Para eventos – reservas pelos e-mails:
[email protected] e
[email protected]
Horários de Funcionamento:
Restaurante: de terça a domingo, não
abre às segundas.
Almoço (somente buffet): de terça a domingo, de 12h às 16h. Recomenda-se
reserva para grupos de mais de seis pessoas. Jantar (apenas à La Carte): sextas e
sábados, de 20h30 à 00h. Recomenda-se
fazer reserva.

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