festival ao largo 2012

Transcrição

festival ao largo 2012
F E ST I VA L
AO LARGO
2012
Conferência de imprensa
21. junho
FESTIVAL AO LARGO 2012
o mundo no chiado
sempre às 22h
Apresentação de todos os espetáculos
Jorge Rodrigues
ÓPERA E MÚSICA DE CENA
SOLTEM O BARROCO!
A LESTE
MÚSICAS DO MUNDO
MOZART. PORUMBESCU. DIMI
TRESCU. ENESCU. BARTÓK. HAY
DN. BEETHOVEN. JOIO. ELGAR. HO
LST. MOMPOU. SASSETTI. JÓIA.
TEATRO NO LARGO
DANÇA NO LARGO
F E STI VA L
AO LARGO
2012
o mundo no chiado
Em 2012, o cartaz do Festival ao Largo aprofunda uma dimensão que nas edições
anteriores carecia de evidência na sua programação: a ópera, a dança e a música
de cena, que são afinal os géneros mais estreitamente ligados às instituições que dão
corpo a este festival: o Teatro Nacional de São Carlos (TNSC) e a Companhia Nacional
de Bailado (CNB).
Assim, a programação pensada para 2012 tem como eixos principais a interpretação
pelos corpos artísticos do Teatro Nacional de São Carlos – a Orquestra Sinfónica
Portuguesa e o Coro do TNSC – da obra-prima de Grieg: a música de cena para
Peer Gynt; da única ópera de Granados: as Goyescas; e de uma obra com um lugar
particular na produção de Busoni: a sua Turandot. Estas três produções contam,
respetivamente, com a direção de Martin André, João Paulo Santos e Moritz Gnann,
além da participação de alguns dos principais cantores portugueses de ópera, como
Dora Rodrigues, Sónia Alcobaça, Maria Luísa de Freitas, Mário João Alves e Luís
Rodrigues, entre muitos outros.
A CNB apresenta La Valse, uma curta-metragem criada pelo realizador João Botelho
para a companhia com a colaboração coreográfica de Paulo Ribeiro (com a obra-
-prima de Ravel interpretada por Pedro de Freitas Branco à frente da orquestra do
Théâtre des Champs-Élysées), e ainda Du Don de Soi, o trabalho que o mesmo Paulo
Ribeiro concebeu para a companhia a partir da obra do genial realizador russo Andrei
Tarkovski. Temos assim o ‘palco’ e a ‘cena’, sejam eles os da ópera, da dança ou
mesmo do cinema, a tomar o lugar central da programação do Festival ao Largo
neste ano de 2012.
A dimensão que o Festival foi adquirindo ao longo dos últimos três anos faz com que
cada vez mais seja possível encontrar entidades internacionais dispostas a colaborar
na sua realização. Assim, foram firmadas parcerias internacionais que complementassem de algum modo os eixos de programação atrás enunciados.
Em contraponto com Grieg temos a presença dos Barrokksolistene de Oslo, um
agrupamento de topo no panorama europeu da música barroca dirigido pelo
violinista Bjarte Eike, que apresenta um espetáculo com forte cariz teatral e muito
humor, à volta das canções de taberna do século XVII.
Aproveitando a feliz ideia do maestro João Paulo Santos – de apresentar as Goyescas
de Granados –, surgiu o pretexto (se fosse necessário...) de trazer pela primeira vez a
Portugal a Compañia Antonio Gadés, um nome mítico no panorama do flamenco e
da dança contemporânea espanhola. A sua apresentação de Carmen (em mais
uma abordagem ao mundo da ópera) será sem dúvida um momento muito especial
no Festival ao Largo 2012.
A temática chinesa da Turandot de Busoni obriga-nos a olhar para o Oriente e,
particularmente na última semana do festival, ele estará bem presente através da
vinda de duas grandes produções: a Orquestra Chinesa de Macau, uma orquestra de
70 elementos exclusivamente constituída por instrumentos tradicionais chineses, e um
espetáculo de Gamelão de Java e Dança e Música de Sumatra, géneros musicais
que tiveram uma importância decisiva na formação da identidade do modernismo
musical europeu no início do século XX.
O confronto de Paulo Ribeiro com o cinema de Tarkovski em Du Don de Soi torna
inevitável uma reflexão sobre a Rússia e o incontornável impacto que ela teve no século
XX europeu. Rakhmaninov e Chostakovitch simbolizam bem as contradições deste país
imenso: enquanto um encontrou no exílio a única forma de viabilizar a sua condição de
músico, o outro representa um titânico esforço feito de compromisso, paixão e
tenacidade. Para interpretar a música destes dois compositores nucleares foi convidado
um grupo de solistas internacionais de grande nível: Tatiana Samouil, Pavel Gomziakov e
Plamena Mangova.
Estas complementaridades de programação criam um panorama de viagem e
encontro, não apenas entre espaços geográficos, mas também entre universos
artísticos de origens distintas, buscando pontos de encontro entre géneros mais
intelectualizados ou eruditos e outros que a tradição popular ou as complexidades
urbanas vão impondo.
Bem dentro deste espírito, da Roménia chega-nos, por um lado, o violinista Alexandru
Tomescu, que se apresenta com a Filarmonia das Beiras e o maestro Ernst Schelle, por
outro o grande ensemble de dança e música tradicional Junii Sibiului.
Assumindo esta temática de viagem há que referir a apresentação do espetáculo
poético de rua Lisboa – Homenagem a Fernando Pessoa, da encenadora Anna
Stigsgaard, que depois de percorrer várias cidades europeias, chega finalmente ao
Largo que viu Pessoa nascer, numa coprodução com o Festival de Almada.
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AO LARGO
2012
O Festival ao Largo abre ainda as portas a vários projetos orquestrais ou de música
de câmara portugueses, que, sempre dentro deste espírito de encontro entre géneros
artísticos e espaços geográficos, são um pretexto para ouvir nomes importantes do
panorama nacional como Pedro Carneiro e a Orquestra de Câmara Portuguesa,
António Rosado e Pedro Jóia com a Sinfonietta de Lisboa e Vasco Pearce de Azevedo,
as Damas do São Carlos e as Vivaldianas. Os seus programas, ao incluírem obras que
vão desde grandes clássicos como Tchaikovski, Beethoven ou Vivaldi, até Bernardo
Sassetti ou Carlos Paredes, são um enriquecimento significativo deste festival.
Assinala-se a participação do Festival do Estoril, com a presença de dois prestigiados
solistas internacionais, Daniel Auner e António Rosado, que se juntam em palco à
Orquestra Sinfónica Portuguesa dirigida por António Lourenço.
É este o Festival ao Largo 2012 cuja programação pretende ser um espaço de
encontro entre épocas, lugares e géneros distintos. Encontros que façam sentido e
que acreditamos poderem simultaneamente questionar, apaixonar e divertir.
César Viana
diretor artístico
ÓPERA E MÚSICA DE CENA
29. 30. junho
PEER GYNT
Edvard Grieg
música de cena
direção musical
Martin André
elenco
André Baleiro Peer Gynt
Eduarda Melo Solveig/Anitra
Carla Simões Primeira Pastora
Ana Franco Segunda Pastora
Carolina Figueiredo Terceira Pastora
Irene Cruz (narração)
Coro do Teatro Nacional de São Carlos
Orquestra Sinfónica Portuguesa
Música de cena para a peça homónima do dramaturgo norueguês,
Henrik Ibsen (1828-1906). Foi depois de ter adaptado a sua peça para ser
apresentada num teatro, que Ibsen convidou Grieg a compor a música
em janeiro de 1874. A estreia foi coroada de êxito em Oslo (ex-Christiania)
a 24 de fevereiro de 1876.
F E STI VA L
AO LARGO
2012
Sinopse da peça de Henrik Ibsen
Peer Gynt, um lavrador norueguês, passa o tempo a
sonhar e perde-se em fantasias que o abstraem da
realidade da quinta. Ase, a sua velha mãe, acusa-o
de desleixar os trabalhos. Mas Peer tenta convencer
a mãe de que um dia será rei ou imperador. A mãe
lembra-o que a preguiça lhe custou a noiva, filha
de Hegstad, que se prepara para casar. Impulsivo,
Peer decide impedir o casamento. Ao chegar,
todos troçam das suas roupas andrajosas, exceto,
Solveig, mas até ela acabará por o evitar depois de
saber da sua reputação. Ofendido, embebeda-se
e vai buscar a noiva a um armazém onde ela se
tinha fechado. Entretanto, chega Ase que, armada
de um bastão se apronta a dar a uma lição ao
filho. É quando todos os convidados apercebem
Peer em fuga para as montanhas carregando
a noiva nos ombros.
Peer embarca então numa série de aventuras
fantásticas. Abandona a noiva que raptou e
embrenha-se na floresta para casar e depois
abandonar a filha do rei dos Elfos. Na floresta
depara-se com um monstro. Depois de passar,
resigna-se a desafiar o monstro para uma luta.
Está prestes a ser devorado por uma nuvem de
pássaros quando ao longe se ouvem vozes de
mulheres e sinos de igreja; o monstro desiste.
Peer constrói uma cabana na floresta onde Solveig
se reúne a ele para uma existência fora-da-lei.
Mais tarde, Peer reencontra a filha do rei dos Elfos e
o filho de ambos. De novo, numa cruzada da vida,
decide partir e pede a Solveig que espere por ele.
Vai despedir-se da mãe, mas encontra-a
moribunda. Agarra na mãe e conta-lhe um conto
de fadas para a tranquilizar… depois, fecha-lhe os
olhos já sem vida, beija-lhe as faces, e agradece-lhe os açoites e as canções de embalar.
Peer está de novo de partida,
e deambula mundo fora. Vende
escravos na América, ídolos na
China, e rum e bíblias. É assaltado,
mas faz-se passar por um profeta
árabe no deserto africano. Foge
com uma dançarina, Anitra, mas
quando param para descansar,
esta subtrai-lhe os seus tesouros.
E assim vê-se de novo em luta
contra uma vida sem sentido.
É coroado Rei dos Lunáticos num
asilo, torna-se arqueólogo perante
a esfinge e, finalmente, regressa
à Noruega de barco. O barco
naufraga. Peer e o cozinheiro do
navio agarram-se desesperadamente a um destroço; para se
salvar, atira o cozinheiro ao mar
Chega, por fim, ao seu país.
As aventuras e a sua idade já lhe
dão direito a um merecido
repouso. Encontra um Fundidor
de Botões que lhe diz ter de
o derreter, mas Peer recusa-se
a perder a alma e implora pela
sua salvação. Afirma que, no
fundo, não é uma má alma. Mas
é justamente esse o problema,
Peer não é mau o suficiente para
o inferno, mas não merece o
Paraíso. E, por isso, vai para a
concha e ser transformado num
não-ser a não ser que consiga
provar ser merecedor do Inferno.
Peer Gynt conta todos os seus feitos: como vendeu
escravos, enganou, iludiu e se salvou em troca da
vida de outro homem. Mas o Fundidor de Botões
permanece irredutível.
Os dois chegam à cabana na floresta e à porta
lá está Solveig, agora envelhecida. Aguarda-o
orgulhosamente, vestida para ir até à igreja, de
missal na mão. Peer Gynt atira-se a seus pés
e suplica-lhe que revele os seus pecados.
SOLVEIG – Estás aqui! Oh, Deus seja louvado!
PEER GYNT – Grita os meus crimes contra ti!
SOLVEIG – O teu crime? Contra mim? Fizeste
da minha vida uma canção de sonho!
PEER GYNT – Mas quem sou eu? Onde estive?
SOLVEIG – Tu és o meu amor. E viveste sempre na
minha fé, na minha esperança, no meu coração.
Por detrás da cabana surge a voz do Fundidor de
Botões, «Voltaremos a encontrar-nos, Peer Gynt.
E então veremos...» enquanto ele se afasta, Solveig
diz a Peer, «Velarei por ti, dorme e sonha agora.»
Peer Gynt afunda o rosto no colo de Solveig.
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2012
ÓPERA E MÚSICA DE CENA
13. 14. julho
GOYESCAS
Enrique Granados
ópera em versão de concerto
direção musical
João Paulo Santos
Dora Rodrigues Rosario
Mário João Alves Fernando
Maria Luísa de Freitas Pepa
Luís Rodrigues Paquiro
Ana Barros Uma voz
Coro do Teatro Nacional de São Carlos
Orquestra Sinfónica Portuguesa
Ópera em um ato e três quadros. Libreto
de Fernando Periquet y Zuaznabar com
música da sua Suite para piano de 1911,
também intitulada Goyescas. Inspirada
pela série de seis pinturas de Francisco
Goya, que retrata os modos e a vida dos
majos e majas, homens e mulheres de
estilo boémio e atitude irreverente.
A estreia teve lugar na Metropolitan
Opera, em Nova Iorque, a 28 de janeiro
de 1916.
El paseo por Andalucia,
Francisco de Goya, 1776
Argumento
Os majos e majas desfrutam de um final de tarde
junto à Igreja San Antonio de la Florida, festejando.
Entra Paquiro, rodeado por mulheres. Segue-se
Pepa que de imediato atrai a atenção dos homens.
De súbito, todos olham para dois lacaios ricamente
vestidos que carregam Dona Rosario, que vem
esperar o seu amado. Paquiro aproxima-se.
Convida-a para o baile, mas ela ignora-o. Não
é essa a leitura de Fernando, capitão da Guarda
Real, que assistira ao encontro com Paquiro.
Fernando confronta-a mas não acredita em
Rosario e decide que ela aceitará o convite,
porém, como sua acompanhante. Saem depois
de Pepa e Paquiro terem planeado destruir os dois
apaixonados.
No baile, à noite. Fernando entra arrastando
Rosario, de novo vítima da troça de Pepa. Paquiro
convida Rosario para dançar e Pepa faz uma cena
de ciúmes. Fernando insulta a honra de Paquiro
e este desafia-o para um duelo.
Mais tarde, Rosario encontra-se com Fernando num
dos bancos do jardim do Palácio. Ele continua a
duvidar do seu amor mas trocam um momento de
ternura arruinado pela chegada de Paquiro e Pepa.
Fernando prepara-se para partir apesar das súplicas
de Rosario. Começa o duelo. O grito de Fernando,
mortalmente ferido, dá origem ao grito de
desespero de Rosario. Paquiro foge. Rosario arrasta
Fernando até ao mesmo banco do jardim onde se
tinham reencontrado e dá-lhe um último beijo.
Fernando morre nos seus braços.
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AO LARGO
2012
ÓPERA E MÚSICA DE CENA
27. 28. Julho
TURANDOT
Ferruccio Busoni
ópera em versão de concerto
direção musical
Moritz Gnann
elenco
Sónia Alcobaça Turandot
Mário João Alves Kalaf
Nuno Dias Altoum
Maria Luísa de Freitas Adelma
Luís Rodrigues Barak
Carlos Guilherme Truffaldino
André Baleiro Pantalone
Nuno Pereira Tartaglia
Filipa Lopes Rainha Mãe
Carolina Figueiredo uma cantora
Coro do Teatro Nacional de São Carlos
Orquestra Sinfónica Portuguesa
Ópera em dois atos, com libreto alemão de
[1924]),
de Carlo Gozzi. Busoni, compositor e grande
ram mais do que um sucesso de
Ferruccio Busoni, baseado na peça homónima
pianista, foi um teórico inovador que contribuiu
para a dissolução da tonalidade no séc. XX. As
suas quatro óperas (A escolha da noiva [1912],
Arlecchino [1916], Turandot [1917], Doktor Faust
se
produzidas
com
alguma regularidade, não lograestima por parte do grande
público. Turandot estreou no
Stadttheater em Zurique, a 11 de
maio com Arlecchino.
Argumento
Kalaf encontra o retrato de um antigo pretendente
de Turandot e decide conquistá-la. O Imperador
Altoum queixa-se da intransigência de Turandot.
Kalaf afirma que prefere morrer a falhar na sua
missão. Turandot entra com a sua aia, Adelma, que
reconhece o príncipe, mas permanece em silêncio.
Kalaf acerta os três enigmas e desafia Turandot a
descobrir o seu nome e linhagem. Se ela o
conseguir, ele partirá. Turandot confessa-se à aia e
Adelma revela conhecer a identidade do príncipe.
Propõe-lhe revelar-lha em troca da sua liberdade.
Turandot aceita.
Turandot denuncia Kalaf perante a consternação
geral; ele prepara-se para partir. Porém, Turandot
impede-o, dizendo que ele despertara o seu
coração adormecido.
Ferruccio Busoni, por Humberto Boccioni (1882-1916)
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AO LARGO
2012
SOLTEM O BARROCO!
1. julho
VIVALDIANAS
Antonio Vivaldi
Concerto para cordas em Sol Maior, Rv. 151 «Alla rustica»
Concerto em Ré Maior, Rv. 549, «L’ Estro Armonico»,
op. 3, n.º 1, para 4 violinos, violoncelo, cordas e cravo
violinos
Cecília Branco. Maria José Laginha.
Natacha Guimarães. Sónia Carvalho.
violoncelo
Maria José Falcão
Concerto em Lá Maior para cordas e baixo contínuo,
F. XI n.º 4, Rv 158
Concerto em Ré menor para 2 violinos, violoncelo, cordas
e cravo, Rv. 565, «L’Estro Armonico», op. 3, concerto n.º 11
violinos
Ana Manzanilla. Francisca Fins.
violoncelo
Maria José Falcão
Carlos Paredes (Arr. Jorge Teixeira)
Suite para cordas e cravo
violinos
Alexandra Mendes. Ana Manzanilla.
Francisca Fins. Maria José Laginha. Cecília Branco.
Sónia Carvalho. Natacha Guimarães.
violas
Maia Kouznetsova. Leonor Braga Santos.
violoncelos
Clélia Vital. Maria José Falcão.
contrabaixo
Marine Triolet
cravo
Jenny Silvestre
Antonio Vivaldi
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AO LARGO
2012
SOLTEM O BARROCO!
2. julho
BAROKKSOLISTENE OSLO
Alehouse Session
direção artística
Bjarte Eike
violinos
Bjarte Eike
Milos Valent
guitarra
Fredrik Bock
contrabaixo
Mattias Frostenson
percussão
Helge Norbakken
guitarra/danças
Steven Player
cantor
Thomas Guthrie
An Alehouse session
músicos e cantores viajados e
Melodias, canções e catch de, por exemplo,
séria» num festival de prestígio.
Purcell, Niel Gow, Turlough O’Carolan.
Músicas de compilações publicadas por
Playford, Mestmacher a.o.
Canções do folclore tradicional de Inglaterra,
Escócia, Irlanda, Escandinávia e América.
Nos últimos dois anos, interessei-me
particularmente num determinado período da
história de Londres. Um tempo em que os
músicos profissionais deambulavam pelas ruas
sem um espaço para tocar a sua música – todos
os teatros estavam fechados e ganhar dinheiro
à custa de espetáculos musicais era proibido.
Imagino aquelas figuras de casacões cinzentos;
deixá-los tocar um concerto «à
Depois, há que servir-lhes cerveja
logo a seguir, ensinar-lhes um
conjunto de canções atrevidas
e perguntar-lhes se querem juntar-se
a um segundo concerto com um
programa de música de folclore de
puro divertimento, rude, belo,
rústico e virtuosístico. O espaço
precisa de servir cerveja e vinho ao
público e tem de ser caloroso (ou
quente). Deixe que o seu público
acompanhe o espetáculo com
comentários e canções. E antes que
dê por isso, conseguiu recriar-se um
verdadeiro cenário, diferente das
como escondiam os seus instrumentos para os
salas de concerto limpas e formais,
para evitar conflitos com as autoridades; como
uma cervejaria do século XVII.
proteger da chuva e do vento, mas também
se deslocavam até às tabernas e cervejarias da
que em muito se aproximará de
cidade para se encontrarem com amigos,
«Uma casa de pecado, poderá
Estes encontros de músicos profissionais
trevas pois as velas nunca se
beber, e acima de tudo para tocar e cantar.
tornaram-se tão populares que alguns destes
lugares acabariam por se transformar nas ditas
«casas de música»; e assim nasceram as
primeiras salas de concerto na história da
música ocidental.
Devia viver-se um ambiente extraordinário nestes
lugares transbordando de música, álcool, sexo,
mexericos, lutas, fumos, gritos, cantares,
gargalhadas, danças... Como conseguir recriar
dizer-se, mas não uma casa de
apagam e é como naqueles países
longínquos a norte, onde brilha a luz
quer seja noite quer seja dia» John
Earle, micro-cosmographie:
Or a Peece of the World
Discovered (1628)
Bjarte Eike 2012
um vislumbre de tudo na nossa sociedade, toda
ela muito lavadinha, de filofax, computorizada,
obcecada pela saúde e pelos sindicatos? Bem,
em primeiro lugar tem de se reunir um grupo de
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2012
A LESTE
3. 4. Julho
PROGRAMA
CHOSTAKOVITCH
Serguei Rakhmaninov
Trio Elégiaque n.º 1 em Sol menor
Dmitri Chostakovitch
Sinfonia n.º 15 em Lá Maior, op. 141a
(Arr. Vladimir Derevianko)
violino
Tatiana Samouil
violoncelo
Pavel Gomziakov
piano
Plamena Mangova
percussão
Elizabeth Davis. Richard Buckley.
Pedro Araújo e Silva.
A LESTE
5. julho
ANTÓNIO ROSADO.
DANIEL AUNER. ORQUESTRA
SINFÓNICA PORTUGUESA.
Nikolai Rimski-Korsakov
A Noiva do Czar (Abertura)
Piotr Ilitch Tchaikovski
Concerto em Ré Maior, para violino e orquestra, op. 35
George Gershwin
Concerto em Fá para piano e orquestra
violino
Daniel Auner
piano
António Rosado
direção musical
António Lourenço
Orquestra Sinfónica Portuguesa
Coprodução
Festival do Estoril
Festival ao Largo
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2012
A LESTE
15. julho
AS DAMAS DO SÃO CARLOS
Antonín Dvořák
Serenata para cordas em Mi Maior, op. 22 [1875]
Piotr Ilitch Tchaikovski
Serenata para cordas em Dó Maior, op. 48
violinos
Veliana Hristova (direção artística).
Marjolein de Sterke. Regina Stewart.
Ewa Michalska. Klara Erdei. Nariné Dellalian.
Carmélia Silva. Kamélia Dimitrova.
violas
Etelka Dudas. Maria Cecília Neves.
violoncelos
Diana Savova. Bárbara Duarte.
contrabaixo
Anita Hinkova
MÚSICAS DO MUNDO
10. julho
JUNII SIBIULUI
Cantares e dançares da Roménia
24 dançarinos, 10 instrumentistas
Um dos mais antigos grupos de divulgação de
dançares do folclore romeno cujo repertório
inclui as danças mais representativas do país,
assim como das comunidades saxã, cigana,
húngara, russa e italiana.
Apoio
Instituto Cultural Romeno em Lisboa (ICRL)
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2012
MÚSICAS DO MUNDO
26. julho
DANÇAS E MÚSICA DE SUMATRA
Gamelão de Java
Um programa com o grupo lisboeta de
Gamelão
de
Java,
Yogistragong,
que
estabelece uma ligação entre pessoas e
culturas. É diretora artística Elizabeth Davis,
chefe de naipe da percussão da Orquestra
Sinfónica Portuguesa. O espetáculo de 26 de
julho inclui temas tradicionais de música para
Gamelão Javanês, um grupo de musica e
dança da Indonésia com 10 artistas, 5 músicos
e 5 bailarinas.
Apoio
Embaixada da República da Indonésia
MÚSICAS DO MUNDO
29. julho
ORQUESTRA CHINESA DE MACAU
Flor de Jasmim (canção popular da China [Arr. Liu Wenjin])
Hua Yanjun (Arr. Peng Xiuwen)
Concerto para Erhu «Reflexo do Luar nas Fontes»
Liu Xing
Concerto para Zhongruan «Memórias de Yunnan»
Carlos Rocha (Arr. Kuan Nai Chung)
Sempre que Lisboa canta
António Mourão (Arr. Kuan Nai Chung)
Olhos Negros
Zeng Yongqing
Sentimento por Qinchuan
Yang Nailin, Li Zhengui, Wang Zhi
A Vida em Xiang Xi
Kuan Nai Chung
A Trança Feiticeira (excertos)
Obra encomendada
Estreia fora da China
Xu Changjun
Dança do Dragão
solistas
Dong Lizhi Erhu
Lin Jie Zhongruan
Li Feng Banhu
Jiang Ning Dizi
direção musical
Pang Ka Pang
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AO LARGO
2012
ENESCU. MOZART. PORUMBESCU. DIMITRESCU.
BARTÓK. HAYDN. BEETHOVEN. DELLO JOIO.
ELGAR. HOLST. MOMPOU. SASSETTI. JÓIA.
11. julho
ALEXANDRU TOMESCU. ERNST
SCHELLE. FILARMONIA DAS BEIRAS.
George Enescu (1881-1955)
Prelúdio em Uníssono
Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)
Concerto nº. 3 em Sol Maior para violino e orquestra
Ciprian Porumbescu (1853-1883)
Balada
Constantin Dimitrescu (1847-1928)
Peasant Dans
Béla Bartók (1881-1945)
Danças romenas
violino
Alexandru Tomescu
direção musical
Ernst Schelle
Apoio
Instituto Cultural Romeno em Lisboa (ICRL)
12. julho
ENESCU. MOZART. PORUMBESCU...
PEDRO CARNEIRO. ORQUESTRA
DE CÂMARA PORTUGUESA.
A Europa no Chiado
Joseph Haydn
Sinfonia n.º 104 em Ré Maior «Londres»
Ludwig van Beethoven
Sinfonia n.º 5 em Dó menor, op. 67
direção musical
Pedro Carneiro
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AO LARGO
2012
24. julho
ENESCU. MOZART. PORUMBESCU...
PEDRO JÓIA. VASCO PEARCE
DE AZEVEDO. SINFONIETTA
DE LISBOA.
Norman Dello Joio (n. 1913)
Air for Strings (1967)
Edward Elgar (1857-1934)
Serenade for Strings, op. 20 (1892)
Gustav Holst (1874-1934)
Saint Paul’s Suite (1912-13)
Frederic Mompou (1893-1987) [Arr. Bernardo Sassetti (1970-2012)]
Cançó n.º 6 (1925/2008)
Bernardo Sassetti (1970-2012)
Excertos de bandas sonoras originais:
1. Casa [O Milagre Segundo Salomé, 2004]
2. Itália, Mov. Fado* [Second Life, 2008]
3. Passeio [O Milagre Segundo Salomé, 2004]
Pedro Jóia (n. 1970)
Díptico de Lisboa (2012)
guitarra
Pedro Jóia
direção musical
Vasco Pearce de Azevedo
* dedicado a Carlos do Carmo
TEATRO NO LARGO
9. julho
LISBOA
espetáculo poético de rua
Fondazione Pontedera Teatro
encenação
Anna Stigsgaard
intérpretes
Alice Casarosa. Alice Maestroni. Chiara Coletta.
Cristina Valota. Irene Rametta. Julia Filippo.
Sara Morena Zanella. Silvia Tufano. Simone Evangelisti.
Stefano Franzoni. Valentina Bechi.
Apoio
Instituto Italiano de Cultura de Lisboa
Co-apresentação
Festival de Almada. Festival ao Largo.
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AO LARGO
2012
Lisboa é um poético espetáculo de rua em
bicicleta, no qual onze atores-músicos vestidos
de preto se deslocam circulando através da
cidade, caindo, dançando e pedalando em
direção ao céu nesta homenagem a Fernando
Pessoa. No espetáculo, o poeta move-se pelas
ruas e pelas praças numa busca da sua
cidade. Com ele, estão os seus heterónimos:
guiam-no, enganam-no, cantam e dançam
para ele, e, com a leveza, velocidade e
fascínio das suas bicicletas, transformam cada
cidade que visitam numa Lisboa imaginária.
As onze figuras entram em lojas, aparecem em
varandas, exploram os jardins da cidade,
descem escadas de igreja e percorrem praças
e ruas ecoando canções portuguesas
melancólicas ou músicas dançáveis. Depois de
uma tournée que percorreu várias cidades da
Dinamarca, Itália, Brasil e Japão, o espetáculo
chega finalmente à cidade que o inspirou.
Anna Stigsgaard é licenciada em litera-
tura comparada e árabe pela Universidade de
Copenhaga. Entre 2003 e 2005 estudou
encenação com Eugenio Barba no Odin
Teatret, na Dinamarca, e com Kasper Holten,
na Royal Danish Opera. Desde 2005 tem
trabalhado como encenadora em países
como Portugal, Itália e Brasil. Em Portugal
encenou Meu coração viagem (2009) e A feliz
idade (2010), espetáculos apresentados no
Imaginarius, Festival Internacional de Teatro de
Rua de Santa Maria da Feira.
DANÇA NO LARGO
6. 7. julho
CARMEN
Ballet inspirado na obra de Prosper Mérimée
Companhia Antonio Gadés
Argumento, coreografia e luz
Antonio Gadés e Carlos Saura
Música
Gadés, Solera, Freire
© Javier del Real
F E STI VA L
AO LARGO
2012
A versão para teatro de Carmen nasceu
praticamente ao mesmo tempo do que a rodagem
do filme de Carlos Saura. O êxito do filme, que
surpreendeu inclusivamente os próprios criadores
do milagre, inspirou certamente Antonio Gadés
para criar a versão para teatro, obra-prima da
dança espanhola que acrescentou ao seu
repertório, de que já se destacavam duas obras
de enorme peso artístico, Bodas de Sangue e a
Suite de Flamenco.
A estreia parisiense em 1983 obteve um enorme
êxito de crítica e de público que colocou
definitivamente Antonio Gadés na esfera
dos bailarinos e coreógrafos mais importantes
do mundo.
Os motivos que levaram Antonio Gadés a realizar
este trabalho de criação encontram-se resumidos
numa série de ideias que expôs em várias
conferências de imprensa. Na sua opinião, Carmen
não é uma mulher frívola nem uma devoradora de
homens, mas sim uma mulher que quando ama diz
que ama e quando não ama diz que não ama.
Ou seja: é uma mulher livre. Não creio que seja,
uma mulher «comehomens». Carmen tem um
conceito de classe, não fazia dos seus sentimentos
propriedade privada. Quando amava, dizia-o, e
quando deixava de amar dizia-o também. Para
além do mais, tinha um tal conceito de liberdade
que preferiu morrer a perdê-la. Sempre a trataram
de maneira frívola, e a apresentaram como uma
devoradora de homens. Mas Carmen tem algo de
essencial que é muito diferente de tudo isso: o seu
conceito de classe e nobreza.
Quanto ao êxito obtido por todo o mundo com
a versão para teatro, Gadés referia-se à crítica
em França, que dizia que a Carmen levou-a
Merimée a França, mas nós conseguimos devolvê-la
a Espanha.
Carmen foi quase sempre tratada
de uma maneira bastante
superficial e frívola e a Carmen é
muito mais profunda do que isso.
O genial dançarino não hesitava
em afirmar que Carmen foi
incompreendida à data de
publicação da obra, em 1837, essa
mulher escandalizou os puritanos e
os que não viam que ela
representava a verdadeira emancipação da mulher. Don José é um
fugitivo, um burguês que sai do seu
ambiente social e que não lhe será
fiel. Vive com um conceito fincado
do amor enquanto propriedade
privada. Fiz a Carmen porque
não me agradava essa imagem
estereo-tipada que tem, sendo
ela uma mulher que quando se ama
se entrega sem reservas, que não
abandona o seu meio mesmo
que chegue a frequentar as mais
altas esferas.
DANÇA NO LARGO
19. 20. 21. julho
LA VALSE [curta-metragem]
realização
João Botelho
coreografia
Paulo Ribeiro
música
Maurice Ravel
com os bailarinos da
Companhia Nacional de Bailado
Coprodução
AR DE FILMES
Estreia absoluta
Lisboa, Teatro Camões, 24 de maio de 2012
F E STI VA L
AO LARGO
2012
LA VALSE
Quando em 1920 Maurice Ravel, respondendo
a uma encomenda de Diaghilev para os seus
ballets russos, compôs o seu precioso “poema
coreográfico”, numa narrativa de apenas 13
minutos, desenhou o nascimento, a
decadência e a destruição de um grande
género musical: a valsa. Radical,
incompreendida, maldita e genial. Esta
pequena obra-prima iria provocar o corte de
relações definitivo com Diaghilev (chegaram a
desafiar-se para um duelo) e só foi dançado
em palco mais de duas décadas após a sua
criação. Quando a Luísa Taveira me convidou
para realizar um filme sobre La Valsa fiquei
inquieto e alvoroçado. Claro que gosto de
dançar, claro que gosto de cinema, mas filmar
bailado é uma perigosa aventura. Mas os
tempos são de risco e os aliciantes eram
muitos: a música vinda da orquestra dirigida
pelo maestro Pedro Freitas Branco, “o melhor
diretor para as minhas obras” dizia Ravel, a
coreografia de Paulo Ribeiro, os magníficos
bailarinos da CNB à minha disposição e
liberdade total. Viva então esta encomenda.
Atrevi-me a um prólogo didático de sete
minutos para colar a essa dança que redime
os pecados, cura os males e leva os espíritos
para lá da previsível e trágica condição
humana. Então dancemos, dancemos, no ar,
no fogo, na água e na terra, no meio da
destruição e do caos que a Europa de hoje é
quase tão angustiante como a Europa de há
cem anos. Ah, meu Deus, como os meus
bailarinos dançam bem!
João Botelho, maio de 2012
Adoro valsas, mesmo em silêncio,
adoro o gingar e a fúria ternária.
É uma obsessão é um vento que
acaricia ou devasta. É uma
musicalidade
de
todas
as
possibilidades.
A Luísa convidou-me o João
orientou-me e num tempo Express
surgiram estas imagens que ficarão
para sempre, infelizmente, muito
para lá da muito bela recordação
que guardarei deste projecto.
O Diaghilev estava enganado. La
Valse pode ser um ballet!!!! Ou
muito mais.
Paulo Ribeiro
DANÇA NO LARGO
DU DON DE SOI
Obra inspirada no universo
cinematográfico de Andrei Tarkovski
coreografia
Paulo Ribeiro
música
Franghiz Ali-Zadeh
direção de imagem
Fabio Iaquone e Luca Attilii
figurinos
José António Tenente
desenho de luz
Nuno Meira
Companhia Nacional de Bailado
Lisboa, Teatro Camões, Companhia Nacional de Bailado,
27 de outubro de 2011
F E STI VA L
AO LARGO
2012
DU DON DE SOI
Penso que a forma mais interessante
de encarar esta obra sobre Tarkovski é a
de ser fiel à sua dimensão poética, mais do
que debruçar-me sobre um filme ou outro.
Mais do que utilizar citações de imagens ou
ainda de universos decalcados.
O caminho deverá ser assumido no sentido
de uma coreografia com grande dimensão,
humana, espiritual e orgânica. Assim como
um movimento que se vai criando cheio
de suavidade e verdade, algo que nos move,
que nos transporta e que visto do exterior só
poderia ser daquela forma. Uma coreografia
da verdade, que acontecendo... só poderia
ser assim!
«Um dom de si maior», porque implica
a entrega de um grande grupo de
personalidades que, à boa maneira de
Tarkovski, terão de abdicar do acessório para
mergulhar num movimento interior
e orgânico, cuja finalidade é coletiva
no sentido de criar poesia. No sentido de
assumir o tempo da poética do corpo.
No sentido ainda da assunção de todos
os tempos...
Dinâmicas essenciais para dar matéria
espiritual ao movimento.
Paulo Ribeiro, setembro de 2011
CALENDÁRIO
junho
29. 30. ..... Peer Gynt Edvard Grieg
julho
1. ..... Vivaldianas
2. ..... Barokksolistene Oslo
3. 4. ..... Programa Chostakovitch
5. ..... António Rosado. Daniel Auner. Orquestra
Sinfónica Portuguesa.
6. 7. ..... Carmen Companhia Antonio Gadés
9. ..... LISBOA espetáculo poético de rua
10. ..... Junii Sibiului Cantares e dançares da Roménia
11. ..... Alexandru Tomescu. Ernst Schelle. Filarmonia das Beiras.
12. ..... Pedro Carneiro. Orquestra de Câmara Portuguesa
13. 14. ..... Goyescas Enrique Granados
15. ..... As Damas do São Carlos
19. 20. 21. ..... La Valse / Du Don de Soi Companhia Nacional de Bailado
24. ..... Pedro Jóia. Vasco Pearce de Azevedo.
Sinfonietta de Lisboa.
26. ..... Danças e Música de Sumatra
27. 28. ..... Turandot Ferruccio Busoni
29. ..... Orquestra Chinesa de Macau
F E STI VA L
AO LARGO
2012
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