grupo de familiares como auxílio na reabilitação da dependência

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grupo de familiares como auxílio na reabilitação da dependência
GRUPO DE FAMILIARES COMO AUXÍLIO NA REABILITAÇÃO DA
DEPENDÊNCIA QUÍMICA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA(1)
Laura Virgili Claro(2), Shanda de Freitas Couto(3), Gabriele Rockenbach(4)
(1)
Trabalho executado com recursos próprios da equipe executora;
Estudante de pós graduação; Universidade Federal do Pampa; Uruguaiana, Rio Grande do Sul;
[email protected]
(3)
Professora coorientadora; Universidade Federal do Pampa; Itaqui, Rio Grande do Sul; [email protected]
(4)
Professora orientadora; Universidade Federal do Pampa; Itaqui, Rio Grande do Sul; [email protected]
(2)
RESUMO: As relações dos usuários de álcool e drogas com suas famílias se configuram como tensas e conflituosas,
porém, é no espaço da família que esses usuários encontram apoio no momento de buscar o tratamento necessário. O
objetivo do trabalho foi descrever as experiências vivenciadas entre participantes que frequentam o grupo de família em
um Centro de Atenção Psicossocial. O cenário utilizado para o relato de experiência foi um grupo de familiares, onde os
mesmos possuem liberdade de expressão quando se sentem confortáveis em expor seus pensamentos e sentimentos,
sendo que esse é um momento de apoio e escuta diante das dificuldades encontradas em situações de crise de
abstinência, orientações, espiritualidade e alguns esclarecimentos. Nos encontros, percebeu-se sentimento de culpa
dos participantes, onde muitas vezes se questionavam em que momento falharam levando os familiares para o universo
da bebida e drogadição. Neste sentido, as famílias são estigmatizadas, devido a culpabilidade e fracasso, tornando-se
imprescindível o apoio a estas famílias, devido ao contexto estigmatizado que, na maioria das vezes, afeta o
relacionamento entre a mesma e usuário. É indispensável cuidar o cuidador, pois este necessita estar fortalecido para
disponibilizar suporte para mudança no estilo de vida e diminuição do sofrimento dos usuários.
Palavras-Chave: saúde mental, grupo terapêutico, apoio multiprofissional, acolhimento.
INTRODUÇÃO
As relações dos usuários de álcool e drogas com suas famílias é deveras tenso e conflituoso, porém,
é também no espaço da família que esses usuários encontram apoio no momento de buscar o tratamento
necessário, o que, consequentemente, leva à melhora da relação com a mesma. A reestruturação de
modelos assistenciais preconiza o papel da família na assistência ao paciente psiquiátrico, onde há um
geral reconhecimento, hoje em dia, de que ela está no centro das funções de cuidado, pois uma grande
parte deste cuidar acontece no lar (MELO; PAULO, 2012).
Faz-se necessário pensar a respeito da família do dependente químico, pois é importante conhecer a
realidade do dependente químico e de seu modo de adoecer, buscando as causas que o levaram ao uso e
a possíveis recaídas. Estas, muitas vezes, podem ser provocadas pela inabilidade da família em lidar com o
comportamento de seu familiar dependente, necessitando também de acolhimento e acompanhamento
(MATOS et al., 2008).
Diante disso, o objetivo do presente trabalho foi descrever as experiências vivenciadas entre
participantes que frequentam o grupo de família em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).
METODOLOGIA
Os encontros do grupo de família acontecem desde 2014, são realizados semanalmente nas terçasfeiras em uma sala do CAPS, possuem duração de uma hora, sendo coordenados por uma nutricionista e
uma nutricionista residente em saúde mental, uma técnica de enfermagem e uma acadêmica do curso de
fisioterapia. Durante os encontros em grupo, todos familiares possuem liberdade de expressão, quando se
sentem confortáveis em expor seus pensamentos e sentimentos. Além disso, os presentes organizam-se
em um círculo para que todos possam visualizar-se e para facilitar a integração entre os familiares. Dessa
forma, considera-se este como um momento de apoio e escuta diante das dificuldades encontradas em
situações de crise de abstinência, para orientações, espiritualidade e esclarecimentos sobre o tratamento e
medicações.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Um dispositivo de fundamental importância no CAPS é o Grupo de Família, pois cria laços de
solidariedade a partir da discussão de problemas em comum. Durante os encontros, é possível perceber o
sentimento de culpa na fala dos participantes do grupo, onde muitas vezes se questionam em que momento
falharam levando os familiares para o universo da bebida e drogadição. Neste sentido, as famílias também
são estigmatizadas, e muitas vezes sofrem mais que os usuários, devido ao sentimento de culpa e fracasso
Anais do VII Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão – Universidade Federal do Pampa
ligado a seus familiares, tornando-se imprescindível o apoio a estas famílias, devido a esse contexto
estigmatizado que, na maioria das vezes, afeta o relacionamento entre a mesma e usuário (MELO; PAULO,
2012). A família é o vínculo do CAPS com o usuário e, por este motivo, a equipe deve potencializar essa
conexão, oferecendo dispositivos para que os mesmos não se sintam responsáveis pelas escolhas dos
familiares. Sendo assim, a família pode ser olhada também como objeto de intervenção da equipe de saúde
mental, pois não se cuida sem família e, para tal, é exigido um olhar ampliado para todos os recursos
encontrados nela própria e na sua rede social. A participação familiar no serviço e nos cuidados com o
usuário pode possibilitar uma aproximação das relações afetivas e um rompimento de preconceitos como a
incapacidade e a periculosidade, os quais haviam ajudado no processo de afastamento do convívio social.
Para essa efetivação, além da participação familiar, também é necessário que os profissionais estejam
cientes da importância familiar neste processo, assim como acreditem e se responsabilizem por essa
participação (SCHRANK; OLSCHOWSKY, 2008). Ademais, faz-se necessário salientar a importância da
presença de uma equipe multiprofissional no grupo, pois durante os encontros surgem muitas dúvidas em
relação ao manejo dos pacientes no uso de substâncias psicoativas; nesse sentido são esclarecidos os
efeitos das substâncias no organismo, a ação de alguns medicamentos, as mudanças de comportamento e
os diferentes olhares de cada profissional.
CONCLUSÕES
Portanto, é indispensável aumentar o cuidado ao cuidador, pois este necessita estar fortalecido para
estar presente tanto no tratamento quanto na recuperação do familiar, sendo fundamental também durante
a reabilitação, pois os familiares dão suporte para a mudança no estilo de vida e diminuição do sofrimento
dos usuários. Cabe destacar ainda que também é importante que a equipe forneça ambiente favorável para
que seja possível a troca de diálogo e incentivar a resolução dos problemas em comum, através do estímulo
a responsabilidade e comprometimento no processo de cuidado e atenção, com a finalidade de reintegração
social, autonomia do usuário e manutenção da recuperação do usuário.
REFERÊNCIAS
MATOS, M.T.S.; PINTO, F.J.M.; JORGE, M.S.B. GRUPO DE ORIENTAÇÃO FAMILIAR EM DEPENDÊNCIA QUÍMICA:
UMA AVALIAÇÃO SOB A PERCEPÇÃO DOS FAMILIARES PARTICIPANTES. Rev. Baiana de Saúde Pública, 32,
58-71, 2008.
MELO, P.F.; PAULO, M.A.L. A importância da família na recuperação do usuário de álcool e outras drogas. Rev.
Saúde Col. em Debate, 2, 41-51, 2012.
SCHRANK, G.; OLSCHOWSKY, A. O centro de Atenção Psicossocial e as estratégias para inserção da família. Rev
Esc Enferm USP, 42, 127-34, 2008.
Anais do VII Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão – Universidade Federal do Pampa

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