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AS ARTES
CÊNICAS
URGEM
A quarta edição do MIRADA – Festival
Ibero-Americano de Artes Cênicas de
Santos versa sobre a capacidade de a arte
reagir diante das realidades histórica, social,
política e econômica sem perder de vista a
ambição poética e a pluralidade estética.
De 8 a 18 de setembro, Santos e
arredores acolhem 43 espetáculos – 28
deles vindos de países da América Latina,
mais Portugal e Espanha – atravessados
por abordagens nos níveis do sujeito, da
comunidade, da nação e do planeta. A cena
contemporânea espanhola é a homenageada
da vez e apresenta oito trabalhos.
O espectador frui uma viagem de onze
dias por afetos e sentidos mediados por
tópicos como família, gênero, racismo,
identidade, cidadania, espaço público,
ditadura, justiça, terrorismo e refugiados.
Tudo vinculado ainda a amplo painel de
atividades formativas ou reflexivas.
As criações estão à flor da pele e suas
parabólicas captam o teatro e a dança
com irradiações para a performance,
a instalação e a intervenção urbana.
Dimensões também colocadas ao
alcance de crianças e adolescentes no
oceano de teatralidades resistentes a todas
as formas de violência. O pensamento em
arte para todos.
ARGENTINA
BOLÍVIA
12
18
Teatro Timbre 4
Kiknteatr
DÍNAMO
14
LAS IDEAS
[AS IDEIAS]
Federico León
TRILOGÍA BOLIVIANA
BRASIL
24
A TRAGÉDIA
LATINO-AMERICANA E A
COMÉDIA
LATINO-AMERICANA
SEGUNDA PARTE:
A COMÉDIA
LATINO-AMERICANA
CHILE
32
44
Aquela Companhia (RJ)
Catibrum Teatro de Bonecos
(MG)
Javiera Peón-Veiga
46
LA CONTADORA DE
PELÍCULAS
[A CONTADORA DE FILMES]
CARANGUEJO OVERDRIVE
34
HAMLET – PROCESSO
DE REVELAÇÃO
Irmãos Guimarães (DF)
Ultralíricos (SP/RJ)
36
26
Club Noir (SP)
Empório de Teatro Sortido
(SP)
38
ÃRRÃ
28
BLANCHE
Grupo Macunaíma e CPT –
Centro de Pesquisa Teatral
Sesc (SP)
30
CABRAS –
CABEÇAS QUE VOAM,
CABEÇAS QUE ROLAM
Cia. Teatro Balagan (SP)
LEITE DERRAMADO
MONOTONIA DE
APROXIMAÇÃO E FUGA
PARA SETE CORPOS
Grupo Cena 11 Cia. de Dança
(SC)
40
O ANO EM QUE SONHAMOS
PERIGOSAMENTE
Grupo Magiluth (PE)
42
O AVESSO DO CLAUSTRO
Cia. do Tijolo (SP)
O SOM DAS CORES
SUA INCELENÇA,
RICARDO III
Clowns de Shakespeare (RN)
48
TEATRO DOS SERES
IMAGINÁRIOS
Cia. Seres Imaginários (RS)
50
VIÚVAS – PERFORMANCE
SOBRE AUSÊNCIA
Tribo de Atuadores Ói Nóis
Aqui Traveiz (RS)
52
ZONA!
O Coletivo (SP)
56
ACAPELA
58
Teatrocinema
COLÔMBIA
CUBA
EQUADOR
62
68
72
CAMARGO
La Congregación Teatro
64
REBÚ
[REBU]
Teatro del Embuste &
Espacio Odeón
ANTIGONÓN, UN
CONTINGENTE ÉPICO
[ANTIGONÓN, UM
CONTINGENTE ÉPICO]
Teatro El Público
BARRIO CALEIDOSCOPIO
[BAIRRO CALEIDOSCÓPIO]
Teatro de la Vuelta
ESPANHA
76
4
Rodrigo García
78
ANDANTE
Markeliñe
80
BIRDIE
Agrupación Señor Serrano
82
BRICKMAN BRANDO
BUBBLE BOOM – BBBB
Agrupación Señor Serrano
84
FUGIT
[FUGIDO]
Cia. Kamchàtka
MÉXICO
86
LIBERTINO
Marcos Vargas &
Chloé Brûlé
88
PLEASE CONTINUE,
HAMLET
[POR FAVOR CONTINUE,
HAMLET]
Roger Bernat & Yan
Duyvendak
90
¿QUE HARÉ YO CON ESTA
ESPADA? (APROXIMACIÓN
A LA LEY Y AL PROBLEMA
DE LA BELLEZA)
[O QUE EU FAREI COM ESTA
ESPADA? (APROXIMAÇÃO À
LEI E AO PROBLEMA DA
BELEZA)]
Angélica Liddell
94
CUANDO TODOS PENSABAN
QUE HABÍAMOS
DESAPARECIDO –
GASTRONO­MIA­ESCÉNICA
[QUANDO TODOS ACHAVAM
QUE TÍNHAMOS SUMIDO –
GASTRONOMIACÊNICA]
Vaca 35 Teatro en Grupo
96
PSICO / EMBUTIDOS,
CARNICERÍA ESCÉNICA
[PSICO / EMBUTIDOS,
AÇOUGUE CÊNICO]
Compañía Titular de Teatro de
la Universidad Veracruzana
PERU
PORTUGAL
URUGUAI
PERFORMANCES
ALTERIDADE
DO OLHAR
PONTO DE
ENCONTRO
100
106
114
120
128
158
121
134
CRUZAR LA CALLE
[ATRAVESSAR A RUA]
Daniel Amaru Silva
102
SIMÓN, EL TOPO
[SIMÓN, A TOPEIRA]
Teatro La Plaza
UNTITLED, STILL LIFE
[SEM TÍTULO,
NATUREZA MORTA]
Ana Borralho &
João Galante
108
WORLD OF INTERIORS
[MUNDO DE INTERIORES]
Ana Borralho &
João Galante
110
ZULULUZU
Teatro Praga
LA IRA DE NARCISO
[A IRA DE NARCISO]
Complot – Compañia de Artes
Escénicas Contemporáneas
116
NO DARÉ HIJOS,
DARÉ VERSOS
[NÃO DAREI FILHOS,
DAREI VERSOS]
Marianella Morena
CADEIA VELHA (BRA)
A SITUAÇÃO DA
BRASILEIRA (BRA)
122
F2M2M2F (BRA/POR)
123
FLOU! (ESP/BRA)
124
DESCRIÇÃO DE IMAGEM /
ESTUDO DE PAISAGEM
(BRA) 125
NÃO ALIMENTE OS ANIMAIS
(BRA)
DIÁLOGOS E PENSAMENTOS
RECONHECIMENTOS:
ARTISTAS,
PESQUISADORES
E CURADORES
INSTALAÇÃO
PSICO/EMBUTIDOS,
CARNICERÍA ESCÉNICA
158
VÍDEO INSTALAÇÃO
OLHO-URUBU
137
158
148
159
LABORATÓRIOS CRIATIVOS
LEITURAS DA NOVA
DRAMATURGIA ESPANHOLA
SESCTV NO MIRADA
SHOWS
154
MAPAS DE CRIAÇÃO
E INTERCÂMBIO
161
Turismo social
162
sescsp.org.br/mirada
163
Endereços
165
Informações
168
+ Sesc
DÍNAMO
ARGENTINA
12 13
TEATRO TIMBRE 4
SEBASTIÁN ARPESELLA
AUDIODESCRIÇÃO
GINÁSIO SESC SANTOS
16.09 SEX 20H
17.09 SÁB 21H
70 min
Livre
R$40 / R$20 / R$10
TEXTO E DIREÇÃO CLAUDIO TOLCACHIR, LAUTARO PEROTTI E MELISA HERMIDA COM DANIELA PAL, MARTA LUBOS
E PAULA RANSENBERG MÚSICA AO VIVO JOAQUIN SEGADE DESENHO DE LUZ RICARDO SICA DESENHO DE CENOGRAFIA
GONZALO CÓRDOBA ESTÉVEZ ASSISTENTE DE DIREÇÃO MARÍA GARCÍA DE OTEYZA PRODUÇÃO TEATROTIMBRE4,
MAXIME SEUGÉ, JONATHAN ZAK DÍNAMO É UMA COPRODUÇÃO DE TIMBRE 4 COM FONDAZIONE CAMPANIA DEI FESTIVAL —
NAPOLI TEATRO FESTIVAL ITALIA, FUNDACIÓN TEATRO A MIL (SANTIAGO DE CHILE) FESTIVAL D’AVIGNON (FRANÇA),
MAISON DES ARTS DE CRÉTEIL (FRANCIA), TEATRO LA PLAZA (LIMA, PERÚ), CENTRO CULTURAL SAN MARTIN (BUENOS AIRES),
SESC SÃO PAULO (BRASIL) COM A PARTICIPAÇÃO DO TEATRO NACIONAL DE BURDEOS EN AQUITAINE (FRANÇA)
Acompanhamos o inusitado contexto de três
mulheres que compartilham um trailer perdido
em alguma estrada qualquer. Em princípio, elas
não sabem da presença das demais. A peça expõe
como tanta solidão e estranhamento podem gerar
novas energias à vida.
Ada é a anfitriã. Ela tem 70 anos, trabalhou com
arte performática e anseia reencontrar o pulso criativo e o amor. A chegada da sobrinha, Marisa, a mobiliza em outros sentidos: a moça deseja voltar a ser
tenista após anos internada por causa de alucinações.
O surgimento da terceira personagem torna
ainda mais surpreendente o convívio nessa casa sobre rodas. Harima brota dos recônditos do apertado
vagão cenográfico: ela é imigrante e tenta contatar a
família e o filho pequeno que ficaram para trás.
Dínamo (2015) apoia-se, sobretudo, na expressão corporal das três atrizes e na música ao vivo.
Também são três os diretores e autores, entre eles
Claudio Tolcachir, cofundador da mesma companhia de Buenos Aires, a Timbre 4, que mostra
a nova criação e é conhecida no Brasil pelo fenômeno La Omisión de la Familia Coleman (2005).
14 15
LAS IDEAS
ARGENTINA
FEDERICO LEÓN
[AS IDEIAS]
LAS IDEAS
C.A.I.S. VILA MATHIAS
9.09 SEX 20H
10.09 SÁB 20H
60 min
16 anos
R$40 / R$20 / R$10
TEXTO E DIREÇÃO FEDERICO LEÓN COM JULIÁN TELLO E FEDERICO LEÓN
DESENHO DE CENOGRAFIA ARIEL VACCARO DESENHO DE SOM E VÍDEO DIEGO
VAINER DESENHO DE LUZ ALEJANDRO LE ROUX PRODUÇÃO E ASSISTÊNCIA DE
DIREÇÃO RODRIGO PÉREZ E ROCÍO GÓMEZ CANTERO
Uma mesa de pingue-pongue não é apenas o eixo
cenográfico, mas a metáfora para a conversa de dois
personagens. Postados nas extremidades, em pé
ou sentados, ambos vestem bermuda e jogam com
desenvoltura no campo dos insights criativos. Manejam raquetes e bolinhas com a mesma agilidade
que operam um dispositivo portátil, no controle
de som e luz, ou o laptop por meio do qual dão a ver
suas ideias traduzidas em sons e imagens projetadas numa tela ampla (a terceira personagem?).
O espectador é estimulado a entrar na cabeça
de um artista inquieto e confrontar os modos dele
erguer ou destruir possibilidades. Como nos atos
de escrever, apagar, corrigir e navegar na internet
enquanto dialoga com o interlocutor, deslizando
realidade e ficção. Las Ideas (2015) replica a situação de dois criadores no embate da concepção.
Não se sabe se são eles mesmos ou seus personagens em busca de inspiração.
Indagar sobre os limites da representação
teatral é uma das premissas que Federico León
vem lançando mão em peças ou filmes ao longo de
quase duas décadas.
18 19
TRILOGÍA BOLIVIANA
BOLÍVIA
KIKNTEATR
[TRILOGIA BOLIVIANA]
ORUS
AUDITÓRIO
SESC SANTOS
UKHUPACHA –
MORTALES
[MORTAIS]
13.09 TER 18H
14.09 QUA 18H
60 min
KAIPI – MORALES
13.09 TER 20H
14.09 QUA 20H
95 min
HEJAREI –
INMORTALES
[IMORTAIS]
13.09 TER 22H
14.09 QUA 22H
50 min
16 anos
R$40 / R$20 / R$10
CRIAÇÃO DIEGO ARAMBURO /
KIKNTEATR CONCEITO, DIREÇÃO E
ENCENAÇÃO DIEGO ARAMBURO COM
CAMILA ROCHA, JORGE ALANIZ,
ABIGAIL VILLAFÁN, WINNER
ZEBALLOS, ROCÍO CANELAS E
CONVIDADOS
O projeto especial composto de três peças
apresentadas no mesmo dia – elas são
independentes, o espectador decide se as vê
em sequência ou não – ambiciona transmitir
uma percepção crua, contemporânea e menos
romântica do país onde cerca de 70% da
população são de origem indígena. O Brasil faz
com a Bolívia o mais extensivo trecho de fronteira:
3.126 km rente aos estados do Acre, Rondônia,
Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A reflexão
estética sobre o território vizinho é simbolizada
pelos planos celestial, terreno e subterrâneo,
tríade comum às culturas daquele povo e evocada
em cena por meio de cabaré, teatro e dança.
A obra Ukhupacha - Mortales, sendo aquela
uma expressão quéchua correspondente a terra
interior, investe no humor árido dos índios aimarás. Na mitologia andina, a lógica da resistência
deveria vir de mão dada com a reciprocidade, o
que jamais se deu. A incompletude é uma característica desse mundo “inferior”, onde a morte é o
melhor ambiente para a felicidade.
SOFIA ORIHUELA
20 21
SIIM VAHUR
O plano terreno desponta em Kaipi – Morales,
ou “aqui”, na língua oficial da nação de Evo Morales,
seu primeiro presidente índio. Expressa dramaturgia de tom documental com três histórias de
pessoas que vivem no espaço urbano. Elas são
distintas, mas se veem refletidas entre si e se entrelaçam graças a uma quarta presença: os paradoxos
de um estado dito plurinacional, mas com dilemas
internos para aceitar o outro, por exemplo.
Já o equivalente ao céu, o nível etéreo, é
representado na coreografia Hejarei - Inmortales,
baseada nas mulheres guaranis que falam do ceder
feminino enquanto “deixar ir”, oposto ao masculino “conquistar”. Como em toda a América Latina,
a discriminação generalizada perpassa noções de
classe, de raça e de gênero. Em contrapartida,
a mais brava e heróica luta deriva das mal denominadas minorias, invariavelmente ignoradas.
Isso tem a ver com o ato crucial de empreender
força, pujança e assumir-se motor de transformação
da realidade. A trilogia é adepta do sincretismo
que dá e absorve o que lhe soa alheio, numa espécie
de antropofagia empática – antropofagia no sentido
preconizado pelo poeta modernista e paulista
Oswald de Andrade (1890-1954), para quem “só
a antropofagia nos une”, como lembra o próprio
diretor e dramaturgo Diego Aramburo, nascido em
Cochabamba há 44 anos.
Amplamente falada ao longo da Cordilheira dos
Andes, a língua quéchua é seminal aos criadores
do coletivo Kiknteatr, fundado em 1997. A começar pelo nome que traz o artigo variável daquele
idioma autóctone e significa “igual”, “parecido” ou
“mesmo”. A depender do uso, portanto, Kiknteatr
pode significar, paradoxalmente, “como teatro” ou
“teatro mesmo”. Aramburo vê na transdisciplinaridade de linguagens o trampolim para a poetização
e problematização.
24 25
BRASIL
SÃO PAULO
RIO DE JANEIRO
PATRICIA CIVIDANES
TEATRO COLISEU
12.09 SEG 19H
13.09 TER 19H
240 min
18 anos
R$40 / R$20 / R$10
DIREÇÃO GERAL FELIPE HIRSCH COM CACO CIOCLER, CAIO BLAT, GEORGETTE
FADEL, ISABEL TEIXEIRA, JAVIER DROLAS, JULIA LEMMERTZ E MAGALI
BIFF DIREÇÃO DE ARTE DANIELA THOMAS E FELIPE TASSARA ILUMINAÇÃO
BETO BRUEL DIREÇÃO MUSICAL, MÚSICA ESCRITA E ARRANJOS ARTHUR DE
FARIA MÚSICOS ULTRALÍRICOS ARKESTRA
A TRAGÉDIA LATINOAMERICANA E A
COMÉDIA LATINOAMERICANA. SEGUNDA
PARTE: A COMÉDIA
LATINO-AMERICANA
ULTRALÍRICOS
O MIRADA acolhe a estreia nacional da segunda
parte desse projeto do diretor Felipe Hirsch (ele
transita por Rio, São Paulo e Curitiba) e do coletivo
Ultralíricos, com o qual vem trabalhando desde o
pontapé da série Puzzle, em 2013, a convite da Feira
do Livro de Frankfurt. São três anos de convicção
mais experimental e política a reboque de questões
como educação, violência, consumo desenfreado e
até os recentes protestos pelo país.
A ideia inicial era fazer “uma tragédia um
pouco mais carinhosa e a comédia, mais violenta”,
no dizer do diretor. E assim deve ser. A música
confere um caráter ritual que desdobra em uma
espécie de “ópera macabra ou musical farrista”.
Na dramaturgia, fragmentos, adaptações e trechos de narrativas em prosa ou poesia da Argentina (J. P. Zooey, Pablo Katchadjian), Brasil (Lima
Barreto, Sousândrade), Chile (María Luisa Bombal), Colômbia (Andrés Caicedo), Cuba (Cabrera
Infante), Equador (Pablo Palacio), México (Juan
Villoro) e Uruguai (Héctor Galmés e Horacio
Quiroga), entre outros. A cenografia é delimitada
por enormes blocos de isopor.
26 27
ÃRRÃ
BRASIL
SÃO PAULO
EMPÓRIO DE
TEATRO SORTIDO
PEDRO BONACINA E RENATA TEREPINS
GINÁSIO SESC SANTOS
14.09 QUA 21H
15.09 QUI 20H
75 min
12 anos
R$40 / R$20 / R$10
TEXTO E DIREÇÃO VINICIUS CALDERONI COM LUCIANA PAES E THIAGO
AMARAL CENOGRAFIA VALENTINA SOARES E WAGNER ANTÔNIO FIGURINO
VALENTINA SOARES ILUMINAÇÃO WAGNER ANTÔNIO MÚSICA ORIGINAL E
SONOPLASTIA MIGUEL CALDAS DIREÇÃO DE MOVIMENTO FABRÍCIO LICURSI
ASSISTÊNCIA DE DIREÇÃO GUILHERME MAGON DIREÇÃO DE PRODUÇÃO CÉSAR
RAMOS E GUSTAVO SANNA
Nem sempre o pensamento condiz com o lugar em
que se está fisicamente. A suspensão de tempo no
espaço é um parâmetro que Vinicius Calderoni
gosta de perseguir na dramaturgia, ofício a que se
dedica desde 2010 em carreira endereçada ainda
ao audiovisual e à música, integrante da banda 5 a
Seco. Toda interjeição ou onomatopeia, como a do
título, têm a ver com o brincar com a língua. É por
aí que caminha a peça, num jogo de vozes para dois
atores em que a escrita/fala soa como se não fosse
da jurisdição do que é um texto dramático, num
moto-contínuo de diálogos e narrações feéricos.
A cena sobre espectadores de um concerto para
violoncelo solo salta para a de um casal em seu
primeiro encontro na mesa de um bar. De uma
aldeia na África, onde uma menina sofre o ritual
de mutilação genital, súbito, gira para o pronunciamento de um presidente da República. E assim vai.
Sob figurino-base preto e espaço cênico dominantemente vazio triunfa a dupla de comediantes (na
acepção mais nobre) Luciana Paes e Thiago Amaral,
conhecida da Cia. Hiato e, aqui, tornando singular o
trabalho da Cia. Empório de Teatro Sortido.
28 29
BLANCHE
BRASIL
SÃO PAULO
INES CORREA
PRÉDIO DE PREVENÇÃO
SABESP (CASA ROSADA)
12.09 SEG 20H
13.09 TER 20H
120 min
14 anos
R$40 / R$20 / R$10
PREPARAÇÃO DE CORPO E VOZ E DIREÇÃO GERAL ANTUNES FILHO COM MARCOS
DE ANDRADE, ANDRESSA CABRAL, FELIPE HOFSTATTER, ALEXANDRE
FERREIRA, LUIS FERNANDO DELALIBERA, BRUNO DI TRENTO, STELLA
PRATA, VÂNIA BOWÊ, ANTONIO CARLOS DE ALMEIDA CAMPOS E GUTA
MAGNANI ASSISTENTE DE DIREÇÃO FRANCIELI FISCHER FIGURINOS TELUMI
HELLEN AMBIENTAÇÃO JOSÉ DE ANCHIETA
GRUPO
MACUNAÍMA
E CPT – CENTRO DE
PESQUISA TEATRAL
SESC
Com mais de seis décadas de ofício, o diretor
Antunes Filho monta Um Bonde Chamado Desejo,
do americano Tennessee Williams, como “uma
viagem em fonemol”, referência à língua inventada e improvisada emitida pelos atores (lembra o
russo). Um atalho para o inconsciente individual e
coletivo, convidando o espectador a processar sua
própria narrativa. Levado à cena pela primeira vez
em Nova Velha Estória (1991), o recurso aperfeiçoa a técnica vocal e é fonte de insights na criação.
O Centro de Pesquisa Teatral (CPT/Sesc) e o
Grupo de Teatro Macunaíma subvertem expectativas quanto ao texto cuja maioria das montagens,
no Brasil e lá fora, é impregnada da versão
cinematográfica de 1951, do diretor Elia Kazan,
consagrada por Marlon Brando e Vivien Leigh.
Dentre as mudanças mais evidentes está a revisão
do eixo dramático envolvendo a irmã e o cunhado
da personagem realçada no título. O convívio de
Blanche DuBois sob o mesmo teto com Stella e
Stanley reabre feridas e impõe alteridades desesperadoras no plano da dignidade humana, da qual
o machismo arraigado é apenas uma face. Blanche
é interpretada por um ator.
CABRAS –
CABEÇAS QUE VOAM,
CABEÇAS QUE ROLAM
BRASIL
SÃO PAULO
30 31
ALE CATAN
CASA DA FRONTARIA
AZULEJADA
12.09 SEG 20H
13.09 TER 20H
120 min
12 anos
R$40 / R$20 / R$10
TEXTO LUÍS ALBERTO DE ABREU DRAMATURGIA LUÍS ALBERTO DE ABREU E MARIA THAÍS DIREÇÃO MARIA THAÍS
ASSISTENTE DE DIREÇÃO MURILO DE PAULA COM ANDRÉ MOREIRA, DEBORAH PENAFIEL, FLÁVIA TEIXEIRA, GISELE
PETTY, GUSTAVO XELLA, JHONNY MUÑOZ, MAURÍCIO SCHNEIDER, NATACHA DIAS, VAL RIBEIRO E WELLINGTON
CAMPOS CENOGRAFIA E FIGURINO MÁRCIO MEDINA DIREÇÃO MUSICAL DR MORRIS PREPARAÇÃO MUSICAL (RABECAS)
ALÍCIO AMARAL ILUMINAÇÃO ALINE SANTINI PRODUÇÃO GÉSSICA ARJONA. PROJETO APOIADO PELA FUNDAÇÃO ARQUIVO
E MEMÓRIA DE SANTOS
CIA. TEATRO
BALAGAN
O espetáculo é dividido em quatro partes que
abordam a relação entre guerra, festa e fé, cerne
da pesquisa criativa do novo trabalho da Cia.
Teatro Balagan, nome definido há 16 anos e que
em variados idiomas pode significar feira, baderna,
bagunça ou confusão, aludindo ainda à coexistência de múltiplas vozes, invariavelmente em fricção.
Nas vinte crônicas independentes a vingança, o
modo de ser guerreiro, o inimigo, os conflitos
parentais e o nomadismo são narrados e cantados
por vozes humanas, de animais e, ainda, de seres
(da natureza, objetos). Uma ode à polifonia.
De essência insubmissa, as cabras – ou os cabras – se aventuram em um mundo onde “viver é
perigoso”. O ponto de partida é o cangaço e outros
movimentos de resistência ao Estado, guerras não
oficiais no Brasil que sempre foram fortemente reprimidas e findaram, em geral, com a decapitação
e exposição das cabeças de seus líderes. Histórias
que se mantêm presentes no imaginário popular,
nas manifestações sagradas e nas festividades,
como atos constantes de luta e criação.
Obra verticalizada pela depuração continuada
da equipe da diretora e pedagoga Maria Thais.
32 33
CARANGUEJO
OVERDRIVE
BRASIL
RIO DE JANEIRO
AQUELA
COMPANHIA
ELISA MENDES
C.A.I.S. VILA MATHIAS
13.09 TER 20H
14.09 QUA 20H
60 min
16 anos
R$40 / R$20 / R$10
TEXTO PEDRO KOSOVSKI DIREÇÃO MARCO ANDRÉ NUNES COM CAROLINA
VIRGUEZ, ALEX NADER, EDUARDO SPERONI, FELLIPE MARQUES, MATHEUS
MACENA E RAVEL ANDRADE MÚSICOS EM CENA FELIPE STORINO, MAURÍCIO
CHIARI E SAMUEL VIEIRA ILUMINAÇÃO RENATO MACHADO IDEIA ORIGINAL
MAURÍCIO CHIARI PRODUÇÃO NÚCLEO CORPO RASTREADO
Dois pernambucanos, o geógrafo Josué de Castro,
autor de Geografia da Fome (1946), e o cantor e
compositor Chico Science, da banda Nação Zumbi,
projetados com o álbum Da Lama ao Caos (1994),
são algumas das referências da carioca Aquela Cia.
de Teatro no bem-sucedido espetáculo que comemorou sua primeira década, em 2015, e radiografou
flagelos contemporâneos das grandes cidades
brasileiras sob o prisma do Rio de Janeiro.
Forte impacto na visualidade, referencial na
literatura e um atravessamento da música com a
cena ajudam a alicerçar a criação colaborativa.
A dramaturgia plasma Cosme, o nome do sujeito
recortado do século XIX em ziguezague pelas
condições de soldado e de operário. Mergulhado na
Guerra do Paraguai, ele sofre um colapso, enlouquece no front, volta ao Rio natal em 1870, procura
o Mangue (hoje a Praça Onze), se emprega na
construção do canal, saneia suas ideias com um
historiador, uma cientista, um oficial do exército e
uma prostituta, até novamente abandonar tudo, entrar em delírio, vagar pela noite, ser apanhado por
uma tempestade e tornar-se enfim um caranguejo.
34 35
HAMLET – PROCESSO
DE REVELAÇÃO
BRASIL
DISTRITO FEDERAL
ISMAEL MONTICELLI
TEATRO GUARANY
13.09 TER 21H
14.09 QUA 21H
120 min
14 anos
R$40 / R$20 / R$10
DIREÇÃO ADRIANO GUIMARÃES E FERNANDO GUIMARÃES DRAMATURGIA
E ELENCO EMANUEL ARAGÃO COLABORAÇÃO NA DIREÇÃO E FIGURINO
LILIANE ROVARIS ILUMINAÇÃO DALTON CAMARGOS E SARAH SALGADO
CENOGRAFIA ADRIANO GUIMARÃES, FERNANDO GUIMARÃES E
ISMAEL MONTICELLI PROJETO GRÁFICO, WEBSITE E FOTOGRAFIA ISMAEL
MONTICELLI ADMINISTRAÇÃO VERÔNICA PRATES - QUINTAL PRODUÇÕES
DIREÇÃO TÉCNICA JOSENILDO DE SOUSA ASSISTÊNCIA GERAL EDUARDO JAIME
IRMÃOS
GUIMARÃES
Para a tragédia das mais cultuadas nos palcos do
mundo e repleta de perguntas saídas da cabeça
do príncipe de Shakespeare, o Coletivo Irmãos
Guimarães – do DF, 26 anos de história – e o
ator e dramaturgo Emanuel Aragão – da Cia. das
Inutilezas, do RJ – não fecham questão: “É melhor
aguentar na sua cabeça as pedradas e flechadas
do azar que se apresenta pra você ou pegar em
armas contra um mar de problemas, enfrentá-los
e acabar com eles?”. O enredo do filho que vinga
a morte do pai pelo tio, assassino do rei-pai e doravante nos braços da rainha-mãe, transforma-se
em pretexto para o solo balizado pelos conceitos
da performance art.
A proposição é radical: um ator em cena, o
próprio dramaturgo, Aragão, tenta reconstruir
a narrativa em um diálogo direto e aberto com a
plateia. O espetáculo traz a concretização cênica
do percurso trágico do personagem-título e deseja
aliar, in loco, a dimensão performática do ator
à dimensão do personagem presente na fábula.
Busca-se responder a uma pergunta fundamental
ao teatro contemporâneo: “Seria possível que, na
cena, o ator/performer atravesse, concretamente,
a trajetória da personagem?”.
36 37
LEITE DERRAMADO
BRASIL
SÃO PAULO
EDSON KUMASAKA
TEATRO SESC SANTOS
15.09 QUI 21H
16.09 SEX 21H
80 min
16 anos
R$40 / R$20 / R$10
TEXTO CHICO BUARQUE ADAPTAÇÃO, DIREÇÃO, CENOGRAFIA E CONCEPÇÃO
GERAL ROBERTO ALVIM COM JULIANA GALDINO, RENATO FORNER, TAYNÃ
MARQUEZONE, CAIO ROCHA, ÉRICA KOU, LEANDRO GRANCE E DIEGO
MACHADO ILUMINAÇÃO DOMINGOS QUINTILIANO FIGURINOS JOÃO PIMENTA
TRILHA SONORA ORIGINAL VLADIMIR SAFATLE CENOTECNIA E ADEREÇOS
FERNANDO BRETAS FOTOS EDSON KUMASAKA
CLUB NOIR
A cia. Club Noir faz a estreia nacional da adaptação cênica do premiado romance homônimo
de Chico Buarque. O livro de 2009 concebe uma
visão panorâmica de séculos da história do país,
apontando a necessidade urgente de reconstruirmos procedimentos éticos em direção a novas
possibilidades de ação política.
Em seu estertor delirante, abandonado numa
maca em corredor de hospital público, o protagonista Eulálio Assumpção, de cem anos, é atravessado
por um pandemônio no qual ruem as fronteiras que
separam mundo interno e mundo externo, passado
e presente, memória e imaginação, religião e poder,
indivíduo e sociedade, política e mitologia. Ecos
de antepassados aristocratas, avô latifundiário
escravagista, pai senador corrupto, neto guerrilheiro, bisneto traficante... Perdulário, alienado,
contraditório e ora falido, ele se defronta com a
precariedade trágica de um sistema construído por
uma elite rentista, e inscrita em seu DNA.
O diretor Roberto Alvim preconiza a “imperiosa
tarefa de presentificar em nossa brutal contemporaneidade a exata, impossível e transfiguradora
mise-en-scène [encenação] da poesia”.
38 39
MONOTONIA DE
APROXIMAÇÃO E FUGA
PARA SETE CORPOS
BRASIL
SANTA CATARINA
GRUPO CENA 11
CIA. DE DANÇA
CRISTIANO PRIM
TEATRO BRÁS CUBAS
13.09 TER 22H
14.09 QUA 22H
50 min
14 anos
R$40 / R$20 / R$10
CRIAÇÃO, DIREÇÃO E COREOGRAFIA ALEJANDRO AHMED DIREÇÃO DE TRILHA
SONORA, ILUMINAÇÃO E DIREÇÃO DE MONTAGEM HEDRA ROCKENBACH CRIAÇÃO,
PESQUISA E PERFORMANCE ALINE BLASIUS, EDÚ REIS, JUSSARA BELCHIOR,
KARIN SERAFIN, MARCOS KLANN, MARIANA ROMAGNANI, NATASCHA
ZACHEO PIANO (J. S. BACH, FUGA Nº 22) ALBERTO HELLER ASSISTÊNCIA
DE ENSAIO MALÚ RABELO ASSISTÊNCIA DE CRIAÇÃO E DIREÇÃO MARIANA
ROMAGNANI ASSISTÊNCIA DE DIREÇÃO, ENSAIO E FIGURINO KARIN SERAFIN
Interligações, contrapontos, modulações e polifonias são nuanças da forma de composição musical
denominada fuga. À semelhança da peça instrumental ou vocal, a dança e o mover instauram uma
instância na qual para se afirmar o mesmo é preciso ser sempre outro. Sendas para o espetáculo
de 2014 da companhia catarinense que há 22 anos
desenvolve pesquisa e formação continuadas.
O corpo performa com o ambiente (Bach na trilha)
um constante moldar-se às condições de existência.
A interdependência de opostos já não é aqui apenas
uma condição entre os corpos, mas, sim, entre
tudo o que configura um modo de existir. Som, luz
e movimento são codependentes e autores dessa
experiência performativa de construção de mundo.
Sempre confluindo teoria e prática em sua
lida técnica particular, o Grupo Cena 11 Cia. de
Dança propõe que existir pode ser dançar. Um ato
de emergência daquilo que surge das relações no
tempo, com o poder de revelar novos caminhos
e universos possíveis, compartilhados com o
público que ocupa uma arena no palco, ou seja, no
mesmo plano dos artistas.
40 41
O ANO EM QUE
SONHAMOS
PERIGOSAMENTE
BRASIL
PERNAMBUCO
RENATA PIRES
GINÁSIO SESC SANTOS
12.09 SEG 21H
13.09 TER 21H
75 min
16 anos
R$40 / R$20 / R$10
DIREÇÃO PEDRO WAGNER DRAMATURGIA GIORDANO CASTRO E PEDRO
WAGNER COM ERIVALDO OLIVEIRA, GIORDANO CASTRO, MÁRIO SERGIO
CABRAL, PEDRO WAGNER E OS ATORES STAND IN LUCAS TORRES E BRUNO
PARMERA PREPARAÇÃO CORPORAL FLÁVIA PINHEIRO DESENHO DE SOM
LEANDRO OLIVÁN DESENHO DE LUZ PEDRO VILELA
TRADUÇÃO EM LIBRAS
GRUPO MAGILUTH
O oitavo trabalho do grupo do Recife reflete acumulações de 11 anos de trajetória – agora 12 – e a
parabólica do momento político, as ocupações, os
movimentos e a natureza das coisas. A cena pode
ser entendida como uma plataforma de ações
performativas que se deixam ocupar/contaminar
pela dança, pelo teatro, pela obra cinematográfica
do grego Yorgos Lanthimos, pelo pensamento filosófico do esloveno Slavoj Žižek e do francês Gilles
Deleuze, entre outras variantes.
Não se pretende um enredo, mas sensações e
possibilidades de recepção a uma obra aberta a
múltiplas interpretações. Seus artistas sinalizam
com uma espécie de ensaio de resistência ético-estético-político. Pode-se fugir, esconder, confundir,
sabotar, cortar caminho. Há, porém, a subjetividade e todas as suas nervuras e ramificações.
Os chamados “sonhos emancipatórios” como
Occupy Wall Street, Primavera Árabe e Revolução Laranja na Ucrânia, distintos nas expressões
e questionamentos, reverberaram no Brasil de
Junho de 2013. O espírito de época sintoniza ainda
o Movimento Ocupe Estelita, na capital pernambucana, latente e pulsante nos corpos e discursos.
42 43
O AVESSO DO
CLAUSTRO
BRASIL
SÃO PAULO
CIA. DO TIJOLO
ALÉCIO CEZAR
TRADUÇÃO EM LIBRAS
GINÁSIO SESC SANTOS
11.09 DOM 18H
12.09 SEG 18H
150 min
12 anos
R$40 / R$20 / R$10
DRAMATURGIA CIA. DO TIJOLO DIREÇÃO DINHO LIMA FLOR E RODRIGO
MERCADANTE COM LILIAN DE LIMA, KAREN MENATTI, DINHO LIMA FLOR,
RODRIGO MERCADANTE E FLÁVIO BAROLLO DIREÇÃO MUSICAL WILLIAM GUEDES
ORIENTAÇÃO TEÓRICA FREI BETTO MÚSICOS MAURÍCIO DAMASCENO, WILLIAM
GUEDES, CLARA KOK MARTINS, EVA FIGUEIREDO E LEANDRO GOULART
Personagem fundamental nas históricas lutas de
resistência política durante a ditadura civil-militar no Brasil (1964-1985) e na construção do
ideário das comunidades eclesiais de base, sempre
engajadas nos movimentos sociais, o arcebispo de
Recife e Olinda, o cearense Dom Helder Câmara
(1909-1999), tem sua memória posta no coração
da dramaturgia suscitada enquanto missa profana
e poema, celebração da utopia e da canção, no dizer dos criadores da Cia. do Tijolo, que tem 8 anos.
Inspirado pela lira do bispo poeta, o espetáculo
anseia por uma vigília coletiva para os dias de hoje
a partir da trajetória de três figuras cheias de questionamentos e perplexidades diante da realidade,
perambulantes pelo centro de três grandes cidades
brasileiras: um pesquisador em visita ao Recife,
uma moradora que caminha pelas ruas de São Paulo
e uma cozinheira que vive aos pés do Cristo Redentor. Num encontro inusitado, elas se permitem
ouvir de novo a voz do religioso, seus lampejos. Em
diálogo com ele, ora concordam, ora se permitem
questioná-lo. Em comum, não lhes faltam força para
imaginar novos horizontes em tempos obscuros.
44 45
O SOM DAS CORES
BRASIL
MINAS GERAIS
CATIBRUM TEATRO
DE BONECOS
GUTO MUNIZ
TEATRO SESC SANTOS
17.09 SÁB 17H30
18.09 DOM 17H30
50 min
Livre
R$40 / R$20 / R$10
ESPETÁCULO PARA CRIANÇAS
DRAMATURGIA E DIREÇÃO LELO SILVA COM LEANDRO MARRA, ROONEY
TUAREG, CAMILLA MELO E DANIELA PERUCCI (ATORES-MANIPULADORES)
TRILHA SONORA BANDA GRAVEOLA E O LIXO POLIFÔNICO DESENHO DE LUZ
LELO SILVA, LEANDRO MARRA E TIM SANTOS SONOPLASTIA TIM SANTOS
Uma menina cega sai de casa em busca de seu cão.
Lúcia acredita que ele levou seus olhos. Em jornada pela cidade, ela explora os demais sentidos, a
audição, a escuta e o tato, como que num labirinto
de fantasia e imaginação. A adolescente adentra
o subterrâneo das estações do metrô e deambula
na superfície. Na tentativa de recuperar a visão,
enfrenta perigos e derrota inimigos.
A narrativa dos mineiros do Catibrum Teatro de
Bonecos é influenciada pelo livro O Som das Cores, do
taiwanês Jimmy Liao (1958), e pelo poema O Cego,
do tcheco Rainer Maria Rilke (1875 -1926). Outra
ponte decisiva são os filmes de aventura. O simbolismo ganha reforço com a trilha sonora original do
coletivo experimental Graveola e o Lixo Polifônico.
Em 25 anos de pesquisa de novas técnicas em
formas animadas, o grupo teatral reverbera os
versos de Rilke sobre o cego na paisagem urbana,
traduzidos por Augusto de Campos: “Sombras das
coisas, como numa folha,/ nele se riscam sem que
ele as acolha:/ só sensações de tato, como sondas,/
captam o mundo em diminutas ondas: serenidade;
resistência”. Sensibilidade não tem idade.
46 47
SUA INCELENÇA,
RICARDO III
BRASIL
RIO GRANDE
DO NORTE
RAFAEL TELLES
PARQUE ROBERTO
MÁRIO SANTINI
(EMISSÁRIO)
10.09 SÁB 17H30
11.09 DOM 17H30
90 min
14 anos
Grátis
TEXTO ORIGINAL WILLIAM SHAKESPEARE ADAPTAÇÃO DRAMATÚRGICA
FERNANDO YAMAMOTO DIREÇÃO GERAL GABRIEL VILLELA DIRETORES
ASSISTENTES FERNANDO YAMAMOTO E IVAN ANDRADE COM CAMILLE
CARVALHO, DUDU GALVÃO, CÉSAR FERRARIO, JOEL MONTEIRO, MARCO
FRANÇA, NARA KELLY, PAULA QUEIROZ E RENATA KAISER FIGURINOS
GABRIEL VILLELA CENÁRIO RONALDO COSTA DIREÇÃO MUSICAL MARCO
FRANÇA, ERNANI MALETTA E BABAYA
ESPETÁCULO DE RUA
CLOWNS DE
SHAKESPEARE
O espetáculo ocupa o espaço público, fundindo e
friccionando, poeticamente, a sangria desatada
na peça de William Shakespeare e as referências
da cultura popular do interior brasileiro, sobretudo mineira e potiguar, fruto da parceria do
diretor Gabriel Villela com o Grupo Clowns de
Shakespeare.
A fábula sobre o duque que ascendeu a rei
usurpando o trono na Inglaterra de mais de
cinco séculos atrás vem atrelada à tradição do
circo mambembe e das carroças ciganas. O plano
de fundo é a Guerra das Rosas, entre os clãs
Lancaster (rosa vermelha) e York (rosa branca, de
Ricardo). O título faz trocadilho com o pronome
de tratamento dedicado a autoridades constituídas. As “incelenças” são um gênero musical
fúnebre tipicamente nordestino e pertinente aos
assassinatos e traições do vilão rumo à coroa.
De fato, a musicalidade é uma das tônicas do
trabalho de 2010 visto em outros estados e em
países como Rússia, Espanha, Chile e Uruguai.
A visualidade dos figurinos e adereços e a gestualidade do elenco (inclinações à dança) também
sustentam as cenas gestadas entre Natal, praiana,
e Acari, no sertão do Seridó.
TEATRO DOS SERES
IMAGINÁRIOS
BRASIL
RIO GRANDE DO SUL
48 49
RIQUE BARBO
ÁREA DE CONVIVÊNCIA
SESC SANTOS
13.09 TER 17H
14.09 QUA 17H
BERTIOGA
9.09 SEX 20H
PRAIA GRANDE
11.09 DOM 16H
Sessões de 10 min
Livre
Grátis
ROTEIRO E DIREÇÃO DE CENA JACKSON ZAMBELLI CRIAÇÃO E DIREÇÃO GERAL
CACÁ SENA MANIPULAÇÃO CACÁ SENA, CHARLES KRAY, ELAINE REGINA E
SILVIA REGINA FERRARE ILUMINAÇÃO CAROL ZIMMER TÉCNICO DE MONTAGEM
DANIEL FETTER PRODUÇÃO EXECUTIVA ÉVERTON KNIPHOFF E VINICIUS
CORRÊA DESENHO E CONSTRUÇÃO DOS SERES OBA – OFICINA DE BONECOS
ANIMADOS (HELOISA DILE, RENATO SPINELLI E DUDA SPINELLI) MÚSICA
SÉRGIO OLIVE
ESPETÁCULO DE RUA
CIA. SERES
IMAGINÁRIOS
A fantasia voa longe no espetáculo de manipulação de bonecos cuja forma narrativa é estruturada
a partir do espaço comum em que o espectador
acompanha a sessão, de cerca de dez minutos, postando-se em pé e colocando a cabeça num dos buracos de uma caixa de tecido suspensa a 1,5 metro
do chão. A relação intimista com as figuras que
brotam lá dentro ocorre a poucos centímetros
do rosto das pessoas – na altura de olhos, nariz e
ouvidos – e no plano aéreo.
Adultos e crianças são transportados a outras
realidades por meio de procedimentos cênicos essencialmente artesanais e dignos das imagens em
terceira dimensão. Texturas, desenhos de luz, sombras e sonoridades realçam fisionomias e corpos
nas chaves do humano, do animal e da máquina.
Criaturas do território do fantástico. A vivência
singular permite, por exemplo, aferir mais atentamente correspondências entre um helicóptero e
um tubarão na interposição de céu e mar.
O trabalho multissensorial de 2014 deu origem
à Companhia Seres Imaginários, de Porto Alegre,
sob inspiração de O Livro dos Seres Imaginários
(1957), de Jorge Luis Borges e Margarita Guerrero.
50 51
VIÚVAS –
PERFORMANCE
SOBRE AUSÊNCIA
BRASIL
RIO GRANDE DO SUL
Ponto de encontro na Ponte
Edgard Perdigão, em frente
ao nº 63. Não acessível para
pessoas com mobilidade
reduzida.
15.09 QUI 17H
16.09 SEX 17H
17.09 SÁB 17H
60 min
16 anos
R$40 / R$20 / R$10
Venda de ingressos limitada a
um par por pessoa.
CRIAÇÃO COLETIVA A PARTIR DO TEXTO DE ARIEL DORFMAN DRAMATURGIA, ILUMINAÇÃO, FIGURINOS E DIREÇÃO DA TRIBO
COM PAULO FLORES, TÂNIA FARIAS, CLÉLIO CARDOSO, MARTA HAAS, PAULA CARVALHO, EUGÊNIO BARBOZA, JANA
FARIAS, LUCAS GHELLER, ROBERTO CORBO, LETÍCIA VIRTUOSO, JÚLIO KACZAM, MAYURA MATOS, KETER VELHO,
LUANA ROCHA, ALEX DOS SANTOS, PASCAL BERTEN, PEDRO ISAÍAS LUCAS, DALVANA VANSO, ALINE FERRAZ,
ALESSANDRO MULLER, EDUARDO ARRUDA, DANIEL STEIL E MÁRCIO LEANDRO OPERAÇÃO DE LUZ E SOM DANIEL
STEIL E CLÉLIO CARDOSO MÚSICA JOHANN ALEX DE SOUZA E TRIBO
CLAUDIO ETGES
MUSEU HISTÓRICO
FORTALEZA DE SANTO
AMARO DA BARRA
GRANDE
TRIBO DE
ATUADORES ÓI
NÓIS AQUI TRAVEIZ
Mulheres de um povoado às margens de um rio
lutam pelo direito de saber onde estão os pais, maridos ou filhos mortos pela ditadura civil-militar
no país. Nessa alegoria dos processos históricos da
América Latina, a personagem Sophia rompe com
a indeterminação quanto aos desaparecidos. Ela se
senta numa rocha à beira do rio e espera – afinal, as
águas hão de devolver os corpos ali atirados. Não
vacila ante a arrogância e arbitrariedade do poder.
A pesquisa da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui
Traveiz persevera em manter viva a memória desse
tempo de horror, para que não se repita. Inspira-se
no romance Viúvas (Viudas, 1981), do chileno Ariel
Dorfman que, dez anos depois, o adaptou para o teatro a quatro mãos com o americano Tony Kushner.
Na estreia do trabalho, em 2011, o público de
Porto Alegre ia de ônibus até a margem do rio
Guaíba e, de lá, seguia de barco por cerca de 2,5 km
até as ruínas da Ilha do Presídio/Pedras Brancas,
destino forçado de presos políticos no regime militar. No MIRADA, o “teatro de vivência” acontece
na Fortaleza da Barra, fortificação construída no
Guarujá em 1584.
ZONA!
BRASIL
SÃO PAULO
52 53
O COLETIVO
ADILSON FELIX
BACIA DO MERCADO
Ponto de encontro no Sesc
Santos. Espetáculo itinerante.
Não acessível para pessoas
com mobilidade reduzida.
9.09 SEX 21H30
10.09 SÁB 21H30
11.09 DOM 21H30
12.09 SEG 21H30
14.09 QUA 21H30
15.09 QUI 21H30
80 min
18 anos
R$40 / R$20 / R$10
DIREÇÃO KADU VERÍSSIMO TEXTO E DRAMATURGIA CRIAÇÃO COLETIVA
COM JUNIOR BRASSALOTTI, CAIO MARTINEZ PACHECO, RENATA CARVALHO,
PRISCILA RIBEIRO, MALVINA COSTA, LÉO BACARINI, THAYS BRATS, RAQUEL
ROLLO, MARIO ACENJO E KADU VERÍSSIMO FIGURINOS E ILUSTRAÇÕES KADU
VERÍSSIMO ILUMINAÇÃO O COLETIVO TÉCNICA FERNANDO HENRIQUE DE GOIS,
RAFAEL RUANO, WENDELL MEDEIROS E REBECCA ALBA
Crime, fuga e mágoas afogadas em mesa de bar. A
sequência a seco não dá conta da experiência repleta
de camadas. Designação de pequenos barcos ou
prostitutas, conforme o dicionário, as catraias são
determinantes no itinerário cênico pela zona portuária santista. No primeiro episódio, em alto mar,
personagens perdidos, em busca de ou fugindo de,
conduzem o público pela rota perto dos navios. No
segundo, fantasmas do bairro do Paquetá cortejam o
espectador pelas ruas e contornos do Mercado Municipal, área outrora de luxo e hoje abandonada. Por
fim, o ato em ponte com os cabarés, à la teatrólogo
alemão Bertolt Brecht, numa ocupação de moradia.
Autorreconhecido herdeiro dos tempos maus
da obra de Plínio Marcos (1935-1999), O Coletivo
formado em 2012, na Vila do Teatro, espaço de
ocupação artística e gestão cultural autônoma,
quer dar sequência às denúncias do ponto onde
o autor as deixou. Por uma perspectiva caiçara
e cuja linguagem abarque elementos da performance, da cena épica e das artes plásticas. Em
permanente diálogo com a população, seres reais e,
não raro, à margem na vida contemporânea.
ACAPELA
CHILE
56 57
JAVIERA
PEÓN-VEIGA
FABIÁN CAMBERO
GINÁSIO SESC SANTOS
17.09 SÁB 18H
18.09 DOM 18H
70 min
14 anos
R$40 / R$20 / R$10
DIREÇÃO JAVIERA PEÓN-VEIGA CRIAÇÃO E INTERPRETAÇÃO MACARENA CAMPBELL, CAROLINA CIFRAS, ANGÉLICA
VIAL, ARIEL HERMOSILLA, EMILIO EDWARDS, CLAUDIO MUÑOZ DESENHO CÊNICO ANTONIA PEÓN-VEIGA, CLAUDIA
YOLÍN DESENHO SONORO ANGÉLICA VIAL PRODUÇÃO GERAL SUSANA TELLO PROJETO FINANCIADO PELO FONDO NACIONAL
DE DESARROLLO CULTURAL Y LAS ARTES DE CHILE (APOIO, INTERCÂMBIO E DIFUSÃO CULTURAL 2016), FONDART NACIONAL
CONCURSO 2014. PROJETO ACOLHIDO PELA LEY DE DONACIONES CULTURALES DE CHILE
Um globo inflado abriga público e bailarinos na
experiência artística destinada a ressignificar os
sentidos da respiração. A ação vital para qualquer
ser vivo é a razão de ser da obra em dança, disposta a estimular o sujeito a perceber sua maneira
de estar no mundo e, às vezes, reinventá-la. O espaço silencioso, sensorial, pode ser ilustrado como
uma instalação-pulmão e seu movimento duplo e
contínuo de inspiração e expiração. A sonoridade
do fôlego é sutil, um sopro permanente.
A coreógrafa Javiera Peón-Veiga fala no motor
invisível dos estados de consciência, na descoberta do potencial revolucionário a suportar o
tecido fisiológico, as camadas emotivas, psíquicas
e energéticas. Em Acapela (2015), a investigação
passa por um corpo sonoro e vibrátil. Como ativar
outros modos de comunicação levando em conta a
animalidade e o ritmo?
Com estudo ou residência artística na Inglaterra e na França, Javiera elege fontes diversas
como as artes marciais orientais e técnica de
meditação. Ela é conhecida em seu país por trazer
novo alento à coreografia contemporânea.
58 59
CHILE
LA CONTADORA
DE PELÍCULAS
TEATROCINEMA
[A CONTADORA DE FILMES]
MONTSERRAT QUEZADA ANTEQUERA
TEATRO BRÁS CUBAS
16.09 SEX 22H
17.09 SÁB 22H
90 min
10 anos
R$40 / R$20 / R$10
DIREÇÃO GERAL SOFÍA ZAGAL
ADAPTAÇÃO LAURA PIZARRO,
DAUNO TOTORO, JULIÁN MARRAS,
MONTSERRAT QUEZADA E SOFÍA
ZAGAL COM LAURA PIZARRO,
SOFÍA ZAGAL, CHRISTIAN
AGUILERA, DANIEL GALLO E
FERNANDO OVIEDO
Não é difícil imaginar as dificuldades de quem
vive e trabalha na região das minas de salitre no
deserto de Atacama, no norte chileno. Foi lá que o
escritor Hernán Rivera Letelier, de 66 anos, passou
a infância e, por isso, escolheu a geografia isolada
para ambientar a história de María Margarita
no livro lançado em 2009 e adaptado sob mesmo
título pela Cia. Teatrocinema, em 2015.
O espetáculo perpassa a infância e a vida adulta
da mulher que, por causa do pai inválido, passou a
narrar a ele, e depois a outros impossibilitados de
ir ao cinema, as aventuras, dramas e comédias a
que assistia.
A protagonista chega a ser eleita a melhor
contadora de filmes do local. Ela relata, atua,
canta, dramatiza e interpreta até epopeias aos
operários e familiares. Com o passar dos anos,
os moradores, assim como sal, estão condenados
a desaparecer. Mas Margarita resiste com seus
fantasmas e fantasias.
A Teatrocinema deriva da companhia La Troppa (1987-2006) e é cultuada pela multidimensionalidade da cena ao fundir ator-imagem.
CAMARGO
COLÔMBIA
62 63
LA CONGREGACIÓN
TEATRO
CAMILO MONTIEL MENDOZA
AUDITÓRIO
SESC SANTOS
16.09 SEX 19H
17.09 SÁB 19H
70 min
18 anos
R$40 / R$20 / R$10
Venda de ingressos limitada a
um par por pessoa.
TEXTO E DIREÇÃO JOHAN VELANDIA
COM ANA MARÍA SÁNCHEZ,
JUANITA CETINA, DIANA
BELMONTE, NELSON CAMAYO E
JOHAN VELANDIA TÉCNICO DE LUZ
MAICOL MEDINA ASSISTENTE DE
DIREÇÃO RICHARD EVANS
Como a arte pode abordar a mente de um psicopata que matou mais de 150 mulheres, entre 8 e
20 anos, por considerá-las virgens? A companhia
La Congregación Teatro transpõe para o espaço
cênico as terríveis alegações e práticas reais de
Daniel Camargo Barbosa (1930-1994), confrontadas ao ponto de vista das vítimas. O colombiano
que se dizia evangélico e soava amável em sua
debilidade transitou ainda por Brasil e Equador,
sendo este o país onde cometeu a maioria dos
crimes na década de 1980.
As mortes se davam por estrangulamento, após
estupro. Invariavelmente, aconteciam junto às
populações empobrecidas. A encenação incorpora certa camada do teatro documentário (fotos
das jovens violadas), mas predomina o clima de
suspense e mistério. Os espectadores ocupam
cadeiras ao longo de uma mesa na qual os personagens gravitam.
A companhia foi cofundada em 2006 pelo ator,
diretor e dramaturgo Johan Velandia. Reúne
artistas de teatro, dança, música e audiovisual
mobilizados por temas sociais e políticos.
64 65
REBÚ
COLÔMBIA
[REBU]
TEATRO DEL
EMBUSTE &
ESPACIO ODEÓN
DANILO CANGUÇU
CASA DA FRONTARIA
AZULEJADA
16.09 SEX 20H
17.09 SÁB 20H
90 min
14 anos
R$40 / R$20 / R$10
DIREÇÃO E ADAPTAÇÃO MATÍAS
MALDONADO ELENCO HERNÁN
CABIATIVA, NATALIA HELO,
JAVIERA VALENZUELA E JAVIER
GARDEAZÁBAL DIREÇÃO DE ARTE
LUCAS MALDONADO PROJETO
APOIADO PELO MINISTERIO DE
CULTURA DE COLOMBIA – BOLSA DE
CIRCULAÇÃO INTERNACIONAL PARA
CRIADORES E ARTISTAS DE TEATRO
E CIRCO; FUNDAÇÃO ARQUIVO E
MEMÓRIA DE SANTOS
Rara oportunidade para conferir como um dramaturgo brasileiro é lido por artistas de outro país.
A tragicomédia do carioca Jô Bilac foi montada
em 2009 pela Cia. Teatro Independente (RJ) e
estreou no ano passado em Bogotá, uma iniciativa
do coletivo Teatro del Embuste.
A ação se passa no inverno de 1894, num gélido
golfo no oeste da Noruega. Torvaldo e Bianca são
recém-casados e vivem apartados do mundo. Eles
recebem a visita da irmã do marido, Vladín, que
supostamente passará ali seus últimos dias. Ela
traz consigo aquele que considera seu bem mais
precioso, Nataniel, enigmático personagem tratado
como filho. A convivência desse quarteto vai aflorar
segredos terríveis e inconfessáveis de cada um.
O diretor e adaptador Matías Maldonado
define sua versão como “livre e espontânea” para a
peça de pendor surrealista e plena em problematizar o lugar da representação ao jogar com o teatro
dentro do teatro. O coletivo Del Embuste nasceu
há apenas dois anos e fez a produção em parceria
com o Espacio Odeón, um centro cultural.
68 69
ANTIGONÓN, UN
CONTINGENTE ÉPICO
CUBA
TEATRO EL PÚBLICO
[ANTIGONÓN, UM CONTINGENTE ÉPICO]
LESSY
TEATRO COLISEU
15.09 QUI 22H
16.09 SEX 22H
80 min
18 anos
R$40 / R$20 / R$10
DRAMATURGIA ROGELIO ORIZONDO DIREÇÃO CARLOS DI DÍAZ COM GISELDA
CALERO, DAYSI FORCADES, LUIS MANUEL ÁLVAREZ, ABEL BERENGUER,
LINNET HERÁNDEZ, YAIKENIS ROJAS E YORDANKA ARIOSA
Uma profunda reflexão sobre Cuba e os cubanos
segundo um dos grupos mais ativos de Havana, o
Teatro El Público, que desde sua fundação, em
1992, é dirigido por Carlos Díaz. Mas o contraponto está no diálogo geracional com dramaturgo
e atores na casa dos 20 e 30 anos, ávidos por
cultivar a arte no presente e perceber o passado
sem mitificação.
Parafraseando Antígona, a heroína grega de
Sófocles que enfrenta o rei pelo direito de levar
o irmão à cova, a questão de fundo é viver com o
enterrado ou enterrar o vivido. Não há trama, mas
sucessão de quadros, por vezes carnavalizados,
mesclando personalidades da Revolução Cubana
(em poemas ou imagens) e figuras comuns como
trabalhadores e estudantes de hoje, críticos. A
sensualidade na movimentação dos corpos também
diz muito sobre a gente e a cultura do país caribenho.
A obra é fruto da pesquisa de graduação do autor Rogelio Orizondo e das atrizes Giselda Calero
e Daysi Forcade. Eles foram orientados por Díaz,
que depois os abraçou na produção vista em festivais internacionais com surpreendente recepção.
72 73
BARRIO
CALEIDOSCOPIO
EQUADOR
TEATRO DE
LA VUELTA
[BAIRRO CALEIDOSCÓPIO]
MATEO GARCIA
PRÉDIO DE PREVENÇÃO
SABESP (CASA ROSADA)
14.09 QUA 20H
15.09 QUI 20H
60 min
14 anos
R$40 / R$20 / R$10
TEXTO, ATUAÇÃO E DIREÇÃO-GERAL
CARLOS GALLEGOS DIREÇÃO
DE ATORES GONZALO GONZALO
CENOGRAFIA E FIGURINOS VIRGINIA
CORDERO A. MÚSICA ORIGINAL
MIGUEL SEVILLA
Com um mote próximo do imponderável, o solo
do ator, pedagogo, dramaturgo e diretor Carlos
Gallegos pretende surpreender o público com
as peripécias de Afonsito. O personagem (uma
criança, um adolescente, um adulto?) amanhece
com vontade de ir ao armazém e comprar pão,
talvez dois, dependendo do preço. Mas seu maior
obstáculo será encarar, finalmente, o sentimento
que costuma paralisá-lo: o medo.
Ele precisa aparentar ser como os outros, os
chamados “normais”. O trajeto implica passar
velozmente pela rua e evitar as piadas dos amigos,
a melancolia dos garis e o encontro com sua
comadre maquiavélica. E na hora de o vendedor
lhe entregar o saco de pão, terá de zelar para não
explodir o músculo vermelho dentro do peito.
É a partir de uma cadeira que o ator faz essas
andanças imaginárias e colore sua fala por meio
da gestualidade e da expressão facial. Como
no artefato óptico do título, são múltiplas as
simetrias. O equatoriano Carlos Gallegos criou a
companhia Teatro de la Vuelta em 2002.
76 77
4
ESPANHA
MARC GINOT
TEATRO SESC SANTOS
8.09 QUI 20H
9.09 SEX 21H
75 min
18 anos
R$40 / R$20 / R$10
TEXTO, ESPAÇO CÊNICO E ENCENAÇÃO RODRIGO GARCÍA COM GONZALO CUNILL,
NÚRIA LLOANSI, JUAN LORIENTE E JUAN NAVARR CENOGRAFIA E LUZ SYLVIE
MÉLIS CRIAÇÃO DE VÍDEO SERGE MONSÉGU, DANIEL ROMERO E
RAMÓN DIAGO CRIAÇÃO DE SOM DANIEL ROMERO, SERGE MONSÉGU E
JUAN NAVARRO
RODRIGO GARCÍA
Desista de encontrar um tema a priori em peça de
Rodrigo García, o diretor e dramaturgo argentino
radicado em Madri, onde fundou o coletivo La
Carnicería Teatro, em 1989. Para ele, é tarefa do
espectador detectar o que lhe pareça essencial.
A forma costuma ser radical e flerta com a cultura
de massa. Mesmo ao criticar o triunfo do consumismo, como nesta criação de 2015.
Entre os ruídos de imagens, estão movimentos
com roupa ensaboada, galos que calçam tênis
infantis e vagueiam livremente, minhocas presas
por plantas carnívoras, desenhos animados, o sobrevoo de um drone e reflexões sobre o doggy style.
O palco poderia ser uma tela frontal com
perpendiculares, volumes, frente, fundo e vazios
compostos de texto, vídeo, corpo, objeto, música.
O artifício das artes cênicas é munição poética
para o manifesto contra a fabricação da imagem, as
ditaduras publicitárias e industriais do que é beleza.
A violência sobre a mulher, o homem, o velho e,
como mais perversão, o adolescente e a criança.
Em tempo: o título alude ao número de atores
(participam ainda duas meninas da cidade de
Santos, por volta de dez anos).
ANDANTE
ESPANHA
78 79
MARKELIÑE
LUIS ANTONIO BARAJAS
ESPETÁCULO DE RUA
SÃO VICENTE
15.09 QUI 12H30
SANTOS
FONTE DO SAPO
17.09 SÁB 19H
CUBATÃO
18.09 DOM 16H
50 min
Livre
Grátis
AUTORIA E DIREÇÃO COLETIVA
MARKELIÑE COM JON KEPA ZUMALDE,
ITZIAR FRAGUA, FERNANDO
BARADO E ROBERTO CASTRO
COORDENAÇÃO IÑAKI EGUILUZ
DIREÇÃO TÉCNICA PACO TRUJILLO
DESENHO E REALIZAÇÃO CENOGRÁFICA
PAKO RUIZ. PROJETO APOIADO PELO
INSTITUTO ETXEPARE
Antes que surjam os atores, o caminho ao ar livre
recebe cinco instalações em diferentes pontos,
distantes cerca de 30 metros entre si. São nichos
artísticos. Sugerem imagens visuais por meio de
sapatos, botas, malas, velas, um espelho trincado,
uma cadeira quebrada, um microfone antigo, areia,
cacos de telha, etc. Quem passa pelo local público
se pergunta do significado. No segundo momento,
com a chegada de três atores e um músico, a bordo
ou empurrando sua espécie de carroça mambembe,
aqueles objetos ganham nexo. Três figuras com
máscaras fazem emergir de cada item um halo de
história, como se todas as quinquilharias fossem
devolvidas à superfície pelo mar, pela memória.
O público acompanha essa paisagem de estações
à maneira de um cortejo que prospecta emoções
de humor e drama. A narrativa toca em momentos
históricos que a humanidade não deveria esquecer.
A pesquisa estética continuada com movimento
e objetos cênicos são condicionantes na bem-sucedida trajetória da Markeliñe Compañia Teatro,
fundada em 1987 em Bilbao, no País Basco.
80 81
BIRDIE
ESPANHA
PASQUAL GORRIZ
TEATRO GUARANY
12.09 SEG 18H e 21H30
60 min
14 anos
R$40 / R$20 / R$10
CRIAÇÃO ÀLEX SERRANO, PAU
PALACIOS E FERNANDO DORDAL
COM ALBERTO BARBERÁ, ÀLEX
SERRANO E PAU PALACIOS VOZ
SIMONE MILSDOCHTER DESENHO DE
LUZ ALBERTO BARBERÁ DESENHO
DE SOM ROGER COSTA VENDRELL
AGRUPACIÓN
SEÑOR SERRANO
A expressão em inglês designa tanto o passarinho
como o lance de golfe em que o jogador acerta a
bola no buraco com uma tacada. O espetáculo da
Agrupación Señor Serrano (vencedora do Leão
de Prata da Bienal de Veneza 2015) estreou em
julho deste ano e discute o fenômeno da miragem.
Aquilo que é falso e se faz passar por verdadeiro.
A performatividade põe em xeque a imagem.
De um lado, guerra, seca, desmatamentos, exploração de trabalho, instabilidade política, péssimas
condições sanitárias, perseguições, deportações
forçadas, escassez de alimentos, etc. De outro,
supermercados, segurança na rua, estabilidade
familiar, banheiros, liberdades, trabalho remunerado, bem-estar social, reciclagem, energias
renováveis, mobilidade social, etc.
Bandos de pássaros sobrevoam essas miragens.
Migram aos milhares. Seus deslocamentos geram
formas impossíveis no céu. E por trás deles há planetas, asteroides, galáxias, sangue, células, armas,
átomos, elétrons, publicidade, quarks, ideologia,
medo, resíduos, esperança, etc.
No cosmo, a quietude inexiste, é uma quimera.
A única coisa que há é o movimento. Pois se é
impossível parar um elétron, qual o sentido de abrir
valas contra a revoada de pássaros? O coletivo de
Barcelona mostra ainda uma segunda performance
no MIRADA, Brickman Brando Bubble Boom.
82 83
BRICKMAN BRANDO
BUBBLE BOOM – BBBB
ESPANHA
ALFRED MAUVE
TEATRO GUARANY
10.09 SÁB 18H e 21H30
60 min
14 anos
R$40 / R$20 / R$10
IDEIA ORIGINAL ÀLEX SERRANO Y PAU PALACIOS CRIAÇÃO E PERFORMANCE
DIEGO ANIDO, ÀLEX SERRANO, PAU PALACIOS E JORDI SOLER CRIAÇÃO
E DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO MARTÍ SÁNCHEZ-FIBLA ASSESSOR
DRAMATÚRGICO FERRAN DORDAL DESENHO DE SOM ROGER COSTA VENDRELL
E DIEGO ANIDO
AGRUPACIÓN
SEÑOR SERRANO
O que pode haver em comum entre John
Brickman, construtor do século XIX, pioneiro
no sistema de hipotecas, e o ator Marlon Brando,
ícone do cinema no século XX? Como a maioria
dos seres humanos, ambos ambicionavam carinho,
reconhecimento e casa. O teto, ironicamente, eles
não conseguiram, no sentido de ter um ninho para
chamar de seu. Essa estranha aproximação atemporal faz parte da narrativa original que a Agrupación
Señor Serrano adota ao expor os reflexos da especulação imobiliária em seu país e disseminados a
outras artérias do capitalismo global.
A alusão ao boom da bolha leva à passagem de
cena em que os artistas constroem uma casa com
paredes de isopor. Esta fará jus ao caráter efêmero
do teatro. Já uma maquete ampliada por meio de
projeção e outras interfaces audiovisuais – como a
captura de imagens ao vivo – também reafirmam o
caráter performativo da proposta.
Nascido em Barcelona em 2006, o coletivo (que
também está no MIRADA com Birdie) cria um
curto-circuito entre hiperinovadores produtos
tecnológicos e modernas peças vintage. Resulta
audaz a simbiose teatro, dança e videoarte ao aguçar os mecanismos de percepção humana.
FUGIT
ESPANHA
84 85
CIA. KAMCHÀTKA
[FUGIDO]
SYLVIE BOSC
ESPETÁCULO DE RUA
SANTOS –
CENTRO HISTÓRICO
Ponto de encontro no Centro
de Pesquisa das Narrativas
Visuais do Valongo.
Espetáculo itinerante.
Não recomendado para
menores de 7 anos e pessoas
com mobilidade reduzida.
15.09 QUI 19H
16.09 SEX 15H e 19H
90 min
Livre
R$40 / R$20 / R$10
DIRETOR ARTÍSTICO E COCRIADOR ADRIAN
SCHVARZSTEIN COM OS COCRIADORES
CRISTINA AGUIRRE, MAÏKA EGGERICX,
CLAUDIO LEVATI, ANDREA LORENZETTI,
JUDIT ORTIZ, LLUÍS PETIT, JOSEP ROCA,
EDU RODILLA, SANTI ROVIRA, GARY
SHOCHAT, PRISCA VILLA E JORDI SOLÉ
RESPONSÁVEL TÉCNICO LAURENT DRISS
APOIO À CRIAÇÃO DERRIÈRE LE HUBLOT,
FRANÇA; PRONOMADE(S) EN HAUTEGARONNE – CENTRE NATIONAL DES ARTS
DE LA RUE, FRANÇA; FESTIVAL SCÈNES DE
RUE MULHOUSE, FRANÇA; FIRA TÀRREGA –
TEATRE AL CARRER, CATALUNHA, ESPANHA;
CENTRO DE PESQUISAS DAS NARRATIVA
VISUAIS DO VALONGO
A Compañía Kamchàtka, da comunidade autônoma da Catalunha, propõe um pacto de imersão.
Deixar-se ir pelas mãos de performers e pisar
ruínas, terrenos abertos e ambientes fechados.
Inscrever-se em outras espacialidades. Em suma,
ser transportado às sensações dos refugiados que
têm a coragem de abandonar o conhecido, muitas
vezes impingidos pela guerra, e dirigir-se à esperança de um mundo melhor. Um percurso poético
e literalmente acidental – sem fala, mas ações
corais – pela história daqueles que partiram ou
ainda irão fazê-lo em algum lugar do mundo.
E para os cidadãos da suposta sociedade do
bem-estar, como é isso de ansiar por liberdade?
Contrapor-se ao consumo individualista? Descartar o supérfluo? O filósofo franco-vietnamita Henri-Laborit (1914–1995) é uma das bússolas para
a trupe: “Em tempos como estes, a fuga é o único
meio para manter-se vivo e continuar sonhando”.
O espetáculo é um desdobramento de Kamchàtka
(2007), onde imigrantes desconhecem códigos sociais
e culturais do país em que chegam, e Habitaculum
(2010), evocação do universo intimista de uma casa.
86 87
LIBERTINO
ESPANHA
MARCOS VARGAS &
CHLOÉ BRÛLÉ
LUIS CASTILLA
TEATRO BRÁS CUBAS
9.09 SEX 22H
10.09 SÁB 22H
60 min
14 anos
R$40 / R$20 / R$10
DIREÇÃO, COREOGRAFIA E BAILE MARCO VARGAS E CHLOÉ BRÛLÉ DIREÇÃO
ADJUNTA EVARISTO ROMERO TEXTO E INTERPRETAÇÃO FERNANDO MANSILLA
CANTOR JUAN JOSÉ AMADOR COMPOSIÇÃO MUSICAL GABRIEL VARGAS
DESENHO DE LUZ CARMEN MORI CENOGRAFIA ANTONIO GODOY FIGURINOS LA
AGUJA EN EL DEDO UM ESPECTÁCULO DA COMPAÑÍA MARCO VARGAS & CHLOÉ
BRÛLÉ, EM COPRODUÇÃO COM EL MANDAITO PRODUCCIONES, OCHOCOCHENTA IXD
E AGENCIA ANDALUZA DE INSITUCIONES CULTURALES.
O flamenco está no coração do espetáculo. Sintetizado em música e dança de raízes ciganas da
Andaluzia, acompanhado por palmas, sapateado e
violão, é o baile que garante a voltagem dramática
no novo trabalho da Compañía Marco Vargas
& Chloé Brûlé, de 2015, marco dos dez anos de
estrada. Baile na acepção espanhola da evolução
coreográfica, no caso, a dupla que dá nome à companhia e contracena com um ator e um cantor.
A dança, o canto e a poesia são norteadores
para refletir sobre a liberdade. Uma gaiola é dos
poucos objetos de cena e serve à metáfora da liberdade. Sob a penumbra e o refúgio de uma cela, um
poeta é tomado por situações, personas e emoções
invocadoras da memória. Ele é questionado, provocado e desafiado a decidir entre seguir isolado
ou abrir-se ao fluxo da vida. Os criadores anseiam
por uma atmosfera de poema sensorial escrito por
meio de vozes, sonoridades, silêncios, respirações
e pulsações que revelem o efeito libertador da
expressão artística.
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PLEASE CONTINUE,
HAMLET
ESPANHA
ROGER BERNAT &
YAN DUYVENDAK
[POR FAVOR CONTINUE, HAMLET]
PIERRE ABENSUR
SALA PRINCESA ISABEL
11.09 DOM 15H
12.09 SEG 15H
14.09 QUA 15H
140 min
14 anos
R$40 / R$20 / R$10
Venda de ingressos limitada a
um par por pessoa.
CONCEPÇÃO E DIREÇÃO ROGER
BERNAT E YAN DUYVENDAK COM
MATHEUS MACENA, ILÉA FERRAZ E
MARIANA NUNES DIREÇÃO TÉCNICA
TXALO TOLOZA PRODUÇÃO EXECUTIVA
HELENA FEBRÉS FRAYLICH.
PROJETO APOIADO PELO INSTITUT
RAMON LLULL
Hamlet no banco de réus, Ofélia e Laertes como
testemunhos e Polônio, a vítima de um golpe de espa­da desferido pelo Príncipe da Dinamarca. Todos
eles são interpretados por atores, mas o juiz, o fiscal e os advogados são profissionais que atuam em
tribunais da região, enquanto o júri é integrado por
espectadores sorteados durante a sessão, ou melhor, a audiência. Eis o palco do direito arquitetado
pelos criadores Roger Bernat e Yan Duyvendak
para refletir sobre o papel da justiça no cotidiano
dos cidadãos – que o diga o Brasil em tempos de
transmissões ao vivo de julgamentos do STF.
Teatro e direito sempre foram percebidos como
fóruns próximos à arte da representação, cada
um de acordo com seus códigos. A performance
convoca os meios, as linguagens, as convenções e a
força dramática para redesenhar o lugar e o rito do
que é justo em toda a sua subjetividade.
Ao público é dado o protagonismo – à luz de
Shakespeare –, estimulando o sentido cívico e embaralhando a distância entre a definição de justiça
que ele tem e aquela atribuída pelo Estado.
90 91
ESPANHA
LUCA DEL PIA
TEATRO SESC SANTOS
12.09 SEG 19H
13.09 TER 19H
¿QUE HARÉ YO CON
ESTA ESPADA?
(APROXIMACIÓN A LA
LEY Y AL PROBLEMA
DE LA BELLEZA)
ANGÉLICA LIDDELL
[O QUE EU FAREI COM ESTA ESPADA?
(APROXIMAÇÃO À LEI E AO PROBLEMA
DA BELEZA)]
270 min
18 anos
R$40 / R$20 / R$10
TEXTO, DIREÇÃO, CENOGRAFIA E FIGURINOS ANGÉLICA LIDDELL COM
VICTORIA AIME, LOUISE ARCANGIOLI, PAOLA CABELLO SCHOENMAKERS,
SARAH CABELLO SCHOENMAKERS, LOLA CORDÓN, MARIE DELGADO
TRUJILLO, GRETA GARCÍA, MASANORI KIKUZAWA, ANGÉLICA LIDDELL,
GUMERSINDO PUCHE, ESTÍBALIZ RACIONERO BALSERA, ICHIRO SUGAE,
KAZAN TACHIMOTO, IRIE TAIRA E LUCÍA YENES DESENHO DE LUZ CARLOS
MARQUERIE DESENHO DE SOM ANTONIO NAVARRO
O trabalho que estreou no Festival d’Avignon, em
julho, parte de dois crimes transcorridos em Paris,
em diferentes épocas: o canibalismo do universitário japonês Issei Sagawa, que esquartejou a
namorada e declarou tê-lo feito por amor, em 1981,
e o terrorismo dos ataques em série que deixaram
130 mortos na noite de 15 de novembro de 2015.
Apesar de macabros, a artista catalã Angélica
Liddell prospecta em cena uma tomada de consciência da própria existência, uma rebelião contra
o racionalismo. Fala em nostalgia do infinito, do
inapreensível, do sagrado.
E cita Nietzsche: “Como transformar a violência
real em poética para nos colocar em contato com
a verdadeira natureza, mediante atos contra a natureza?”. Radicada em Madri e desde 1993 à frente
da companhia Atra Bilis (bílis negra), notabilizada
pela força performativa, ela delineia a história de
uma mulher que deseja se matar (e matar) desde
que nasceu, mas transfere à ficção as tendências
homicidas. Sua angústia vem do dilema entre a palavra (poesia) e a ação (vida), que parece articularse sempre no triângulo beleza, erotismo e morte.
MÉXICO
94 95
HÉCTOR ORTEGA
CUANDO TODOS
PENSABAN QUE
HABÍAMOS
DESAPARECIDO –
GASTRONOMIAESCÉNICA
VACA 35 TEATRO
EN GRUPO
[QUANDO TODOS ACHAVAM QUE TÍNHAMOS
SUMIDO – GASTRONOMIACÊNICA]
CASA DA FRONTARIA
AZULEJADA
9.09 SEX 20H
10.09 SÁB 20H
90 min
14 anos
R$40 / R$20 / R$10
CRIAÇÃO E DRAMATURGIA COLETIVA DIREÇÃO E DESENHO DE ESPAÇO DAMIÁN CERVANTES COM DIANA MAGALLÓN, MARI
CARMEN RUIZ, JOSÉ RAFAEL FLORES, MAITE URRUTIA E IRENE CAJA MÚSICO ALEJANDRO GÓNZALEZ PRODUÇÃO
EXECUTIVA VANIA SAUER UM ESPETÁCULO DA COMPANHIA VACA 35 TEATRO, EM COPRODUÇÃO COM FIRA TÀRREGA, NAU
IVANOW, IBERESCENA, FONCA - MÉXICO EN ESCENA E TEATRO UNAM/SER/AMEXCID. PROJETO APOIADO PELO FONDO NACIONAL
PARA LA CULTURA Y LAS ARTES DE MÉXICO; FUNDAÇÃO ARQUIVO E MEMÓRIA DE SANTOS
O subtítulo dessa criação coletiva fornece outras
pistas para o que virá: gastronomia cênica e teatro
documental baseado na comida e na festa dos
mortos. Ao contrário do tabu ocidental, na cultura
mexicana o Dia de Finados é celebrado com as casas enfeitadas e os familiares e amigos preparando
os pratos favoritos daqueles que não se encontram
mais fisicamente entre eles.
Em vez de cobrir com terra, cravar uma lápide
ou perpetuar o silêncio, o espetáculo propõe ao
espectador vivenciar um ritual com pitadas de
música, canto, dança, humor, ironia, crítica social,
violência, máscara e memória dos artistas que,
enquanto narram, manejam utensílios, talheres,
legumes, verduras e ingredientes para cozinhar
sobre uma mesa cenográfica.
O cheiro e tudo mais que se vê e se ouve são
reais, as caçarolas, as histórias biográficas, as
fotos afixadas num pequeno altar aqui, noutro ali.
Mas não faltará margem para os rompantes oníricos. E para esse trabalho não convencional o Vaca
35 Teatro en Grupo, formado em 2007, contracena
festivamente com criadores espanhóis.
96 97
PSICO / EMBUTIDOS,
CARNICERÍA ESCÉNICA
MÉXICO
[PSICO/EMBUTIDOS, AÇOUGUE CÊNICO]
SAMUEL PADILLA ADORNO
ÁREA DE CONVIVÊNCIA
SESC SANTOS
9.09 SEX 22H30
10.09 SÁB 20H30
11.09 DOM 20H30
14.09 QUA 22H30
15.09 QUI 22H30
16.09 SEX 22H30
17.09 SÁB 22H30
18.09 DOM 19H30
COMPAÑÍA TITULAR
DE TEATRO DE LA
UNIVERSIDAD
VERACRUZANA
120 min
18 anos
R$40 / R$20 / R$10
AUTOR E DIRETOR RICHARD VIQUEIRA COM MARISOL OSEGUEDA, GUSTAVO SCHAAR PROM, BENJAMÍN CASTRO, KARLA
CAMARILLO, KARINA MENESES, FREDDY PALOMEC, MARCO ROJAS, GEMA MUÑOZ, ALBA DOMINGUEZ, ROGERIO BARUCH,
FÉLIZ LOZANO, JOSÉ PALACIOS, RAUL SANTAMARÍA, HECTOR MORAZ, CARLOS ORTEGA, JUANA MARIA GARZA, HOSMÉ
ISRAEL, JORGE CASTILLO LUZ MARIA ORDIALES CENOGRAFIA E ILUMINAÇÃO JESÚS HERNÁNDEZ CONCEITO DE ESPAÇO
JESÚS HERNÁNDEZ E RICHARD VIQUEIRA DESENHO SONORO E MÚSICA ORIGINAL JOAQUÍN LÓPEZ CHAS (A PARTIR DE
TEMA E VARIAÇÕES DE WIM MERTENS) DIRETOR ARTÍSTICO LUIS MARIO MONCADA GIL ASSISTENTE DE DIREÇÃO DAVID IKE
PRODUTOR EXECUTIVO YORUBA ROMERO PROJETO APOIADO PELO FONDO NACIONAL PARA LA CULTURA Y LAS ARTES DE MÉXICO
Essa instalação cênica replica o aparelho digestivo
e propõe uma vivência sensorial. A obra deglute os
espectadores, estimulados a transitar pela estrutura em diferentes níveis, no limite de oito metros,
contornando obstáculos até a etapa em que todos
são, simbolicamente, expulsos do mecanismo.
O objetivo do autor e diretor Richard Viqueira
é transmitir a sensação de cumprir essa travessia
dentro do organismo vivo. O itinerário é feito de
encontros com os 19 atores, um a um, cujas idades
variam na casa dos 20 aos 80.
A instalação funciona tanto no momento da
apresentação – ocupada pelo público que percorre
as estações e pode ser contemplado por quem está
de fora – como após a sessão, quando vira também
uma videoinstalação disponível à visitação nos demais horários, com telas embrenhadas no esqueleto
cenográfico. Esse ambiente autônomo e interativo
abrigará atividades ao longo do MIRADA.
Nome despontado nas artes cênicas mexicanas na
década passada, Viqueira assina essa produção para
a Compañía Titular de Teatro de la Universidad Veracruzana, fundada em 1953, a mais longeva do país.
100 101
CRUZAR LA CALLE
PERU
[ATRAVESSAR A RUA]
DANIEL AMARU
SILVA
DIVULGAÇÃO
TRADUÇÃO EM LIBRAS
GINÁSIO SESC SANTOS
9.09 SEX 18H
10.09 SÁB 18H
130 min
16 anos
R$40 / R$20 / R$10
TEXTO DANIEL AMARU SILVA
DIREÇÃO, CENOGRAFIA, DESENHO
DE LUZ E SONOPLASTIA CARLOS
TOLENTINO COM STEPHANIE
ENRÍQUEZ, ELSA OLIVERO,
ROLANDO REAÑO E ALAÍN
SALINAS FIGURINOS ALEJANDRA
VIEIRA ASSISTENTE DE DIREÇÃO
LEO CUBAS PRODUÇÃO GERAL
MINISTERIO DE CULTURA DEL
PERÚ. PROJETO APOIADO PELO
CONSULADO GENERAL DEL PERÚ EN
SÃO PAULO
Em luta contra o tempo no serviço de entrega em
domicílio, um motoboy atropela um cachorro que
consegue se desvencilhar das rodas, num átimo, e
desaparece no horizonte. O dramaturgo Daniel
Amaru Silva testemunhou esse episódio numa esquina de Lima, onde vive, semanas antes de iniciar
a escrita da peça alinhavada a partir dessa imagem.
A trama tem cinco personagens. Abre com o
jovem protagonista que presencia tal atropelamento.
Na ficção, o animal não sobrevive. Filho de padeiro,
ele decide ir atrás do motoqueiro. É um funcionário
de casa de frango na brasa, casado com uma empregada doméstica com quem tem uma filha antissocial.
Esta acaba conhecendo e se enamorando do protagonista enquanto a mãe dela vai trabalhar na casa do
dono do cachorro, ora enlutado, enclausurado.
Vencedor do Concurso Nacional Nueva Dramaturgia Peruana, em 2014, Daniel Amaru Silva trata
de entender, por meio desse ciclo vicioso, a voga
global e neoliberal de seu país, onde os processos
econômicos duram um triz e destoam do mundo
real em que às vezes não há um médico ao redor,
nem luz ou água para parte da população.
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SIMÓN, EL TOPO
PERU
TEATRO LA PLAZA
[SIMÓN, A TOPEIRA]
GIUSEPPE FALLA
ESPETÁCULO PARA CRIANÇAS
AUDITÓRIO
SESC SANTOS
10.09 SÁB 17H30
11.09 DOM 17H30
50 min
Livre
R$40 / R$20 / R$10
AUTOR DO CONTO CARMEN DE
MANUEL DIREÇÃO E ADAPTAÇÃO
ALEJANDRO CLAVIER COM
EMANUEL SORIANO, ANAI PADILLA,
LUCCIA MENDÉZ E DUSAN FUNG
MÚSICA MAGALI LUQUE DESIGN DE
LUZ JESUS REYEES DIREÇÃO DE ARTE
VLADIMIR SÁNCHEZ
Homofobia vem do berço? Os criadores ousam desconstruir o preconceito sob a delicada perspectiva
da criança, público preferencial do espetáculo de
bonecos com potencial para cair na graça, também,
de pais, responsáveis ou educadores. A homossexualidade infantil é tratada com naturalidade. E
sofisticação nas formas animadas com brechas
para uma língua inventada, o “toponês”.
Simón pertence a uma família de toupeiras (ou
de topos, no original espanhol). Acompanhamos
o carinho familiar com os pais e a irmã. Certa vez,
num parque, ele conhece Raúl, de quem se afeiçoa.
Brincam o tempo todo. Amizade que incômoda aos
olhos da intolerância. Até que uma tempestade
coloca as vidas em risco. Mas a solidariedade vai
reativar o valor da igualdade.
De sua infância, o diretor Alejandro Clavier
guardou o respeito ao outro nas diferenças sociais,
religiosas e raciais. Mas nada ouviu dos adultos sobre
as distintas formas do desejo se manifestar. Essa
consciência o levou a adaptar para a companhia Teatro la Plaza, nascida há 13 anos, o conto homônimo da
terapeuta infantil espanhola Carmen de Manuel.
106 107
UNTITLED, STILL LIFE
PORTUGAL
[SEM TÍTULO, NATUREZA MORTA]
ANA BORRALHO &
JOÃO GALANTE
ANA BORRALHO & JOÃO GALANTE
CADEIA VELHA
12.09 SEG 19H
80 min
14 anos
R$40 / R$20 / R$10
Venda de ingressos limitada a
um par por pessoa.
CONCEITO ANA BORRALHO, JOÃO GALANTE E RUI CATALÃO DIREÇÃO
ARTÍSTICA ANA BORRALHO E JOÃO GALANTE DRAMATURGIA RUI CATALÃO
COCRIAÇÃO ANA BORRALHO, CLÁUDIO DA SILVA, JOÃO GALANTE,
RUI CATALÃO E YINGMEI DUAN COLABORADORES ANTONIA BURESI E
CLAUDIO DA SILVA
Ao entrar no espaço que lembra um estúdio
fotográfico, o público avista um sofá. A maioria
se dirige a ele. Senta ou sonda o entorno. À frente,
há uma máquina fotográfica afixada em tripé e
ladeada por dois refletores. O dispositivo capitaneia a narrativa despida de palavras e apoiada nos
corpos que ocupam a paisagem da comunidade
provisória ali constituída, inclusive de performers.
O ato fotográfico é acessível a qualquer um
que queira disparar o clique e conformar o álbum
de família digital. A partir dessa instabilidade
presumida, que joga com conceitos das artes
visuais, como “sem título” e “natureza-morta”, a
peça expõe artificialidades ou ilusões de como as
imagens alavancam histórias através do tempo. E
são transformadas com a ação e os movimentos do
som incidental e da luz. Tudo nessa perfomance
de 2009 se dá em prol de dramaturgias internas.
Parceiros artísticos há 14 anos, Ana Borralho
e João Galante tiveram o insight ao ler uma frase
pichada num muro: “Dança como se ninguém estivesse a ver-te”. Daí pensarem a presença e a sua
destinação de futuro contida num retrato.
108 109
WORLD OF INTERIORS
PORTUGAL
[MUNDO DE INTERIORES]
ANA BORRALHO &
JOÃO GALANTE
BORRALHO GALANTE
CADEIA VELHA
11.09 DOM 19H
120 min
12 anos
R$40 / R$20 / R$10
Venda de ingressos limitada a
um par por pessoa.
CONCEITO, DIREÇÃO ARTÍSTICA, ESPAÇO CÊNICO E LUZ ANA BORRALHO
E JOÃO GALANTE TEXTO RODRIGO GARCÍA (FRAGMENTOS DA OBRA
TEATRAL) TRADUÇÃO E COLABORAÇÃO DRAMATÚRGICA TIAGO RODRIGUES COM
PERFORMERS LOCAIS QUE PARTICIPAM DE WORKSHOP
Como em Untitled, Still Life, (Sem Título, NaturezaMorta), criação também presente no MIRADA, faz
parte da inquietude da dupla portuguesa Ana Borralho e João Galante refletir sobre o lugar do público
na experiência com a arte. Nesse trabalho de 2010, o
conceito de performance vem colado ao de instalação, assumindo o hibridismo estético com as artes
visuais. Logo de cara, é desmontada a expectativa
de relação palco e plateia. O espectador se depara
com pessoas deitadas no piso do espaço alternativo,
de olhos fechados e sem movimento aparente. São
cerca de 15 performers, atores ou bailarinos locais
incorporados à proposta.
Ao suposto vazio externado pela paisagem de
corpos, surge o murmúrio das respectivas vozes,
como que chamando o público a ser ativo, a se
aproximar, se permitir interagir, circunscrever um
mínimo de intimidade enquanto entreouve trechos
extraídos de peças do dramaturgo argentino Rodrigo García. Nessa partilha tênue, pode-se adotar
o ritmo de entrar e sair dessa dinâmica conforme
a vontade de cada um. O trabalho é um exercício
coletivo sobre a escuta e seus múltiplos sentidos.
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ZULULUZU
PORTUGAL
TEATRO PRAGA
ALIPIO PADILHA
TEATRO COLISEU
9.09 SEX 22H
10.09 SÁB 22H
75 min
12 anos
R$40 / R$20 / R$10
TEXTO E DIREÇÃO PEDRO ZERE PENIM, JOSÉ MARIA VIEIRA MENDES E ANDRÉ
E. TEODÓSIO COM ANDRÉ E.TEODÓSIO, CLÁUDIA JARDIM, DIOGO BENTO,
JENNY LARRUE, JOANA BARRIOS, MARYNE LANARO, GONÇALO PEREIRA
VALVES E PEDRO ZEGRE PENIM CENÁRIO JOÃO PEDRO VALE & NUNO
ALEXANDRE FERREIRA FIGURINOS JOANA BARRIOS MÚSICA ORIGINAL XINOBI
“As viagens são os viajantes”. Fernando Pessoa
viveu parte de sua juventude em Durban, na África
do Sul (1896-1905). Pouco escreveu sobre aquele
período em terras colonizadas, normalmente
encarado como de pouca influência em sua obra.
A Companhia Teatro de Praga, sediada em Lisboa
há 11 anos, lê com outros olhos a historiografia em
torno do seu poeta-mor. O espetáculo abdica de
buscar nas entrelinhas de Pessoa interpretações
exóticas sobre aquele continente complexo e com
história própria.
Os criadores entendem o resultado como uma
homenagem ao escritor e à África do Sul. Uma
viagem “delirótica” do coletivo a contrariar
informações aparentemente duais e reexaminar o
passado para libertá-lo de duelos empobrecedores.
O trio de diretores cogita mesmo uma declaração
ao fim do “apartheid” das ideias, dos gêneros e
das formas – uma declaração para que o exotismo
das partes dê lugar ao hinduísmo. “Porque se
‘tenho em mim todos os sonhos do mundo’, em
ZULULUZU queremos o fora cá dentro”, anotam
no programa de mão.
114 115
LA IRA DE NARCISO
URUGUAI
[A IRA DE NARCISO]
NAIRI AHARONIÁN
C.A.I.S. VILA MATHIAS
17.09 SÁB 20H
18.09 DOM 20H
100 min
16 anos
R$40 / R$20 / R$10
TEXTO E DIREÇÃO SERGIO BLANCO COM GABRIEL CALDERÓN CENOGRAFIA,
FIGURINOS E DESENHO DE LUZ LAURA LEIFERT E SEBASTIÁN MARRERO
VIDEOARTE MIGUEL GROMPONE ASSISTENTE DE DIREÇÃO INÉS CRUCES
PRODUÇÃO IGNACIO FUMERO E MATILDE LÓPEZ APOIO INSTITUTO NACIONAL DE
ARTES ESCÉNICAS (INAE) URUGUAY
COMPLOT –
COMPAÑIA DE
ARTES ESCÉNICAS
CONTEMPORÁNEAS
A sublimação da beleza e do orgulho à luz da autoficção, procedimento criativo dileto do autor e
diretor franco-uruguaio Sergio Blanco que mescla
conteúdos vividos e inventados. Hospedado em
um hotel em Liubliana, na Eslovênia, convidado a
ministrar uma conferência sobre o mito grego, o
personagem do monólogo relata situações inusitadas da estadia e da vida. Um labirinto feito de
linguagem, tempo, solidão, morte, sexualidade,
dependência, separação, desesperança...
Ele alterna sutilmente os modos de enunciar
– a narração, a conferência em si, a confissão – ao
expor encontros com um jovem ator de filmes
pornográficos que acaba de conhecer, a estafa profissional e o estranho caso da mancha de sangue
que se avoluma no luxuoso quarto 228 e é impossível de ser limpa. Margem para uma guinada: os
detalhes de uma intriga policial.
A cenografia é clean, com mesa de escritório
de suíte. Em contraste, um telão ao fundo exibe
videoarte. A atuação é de Gabriel Calderón, da
Compañía de Artes Escénicas Contemporáneas
Complot, das mais profícuas de Montevidéu, que
completou dez anos em 2015 com essa produção.
116 117
NO DARÉ HIJOS,
DARÉ VERSOS
URUGUAI
MARIANELLA
MORENA
[NÃO DAREI FILHOS, DAREI VERSOS]
VÍCTOR LÓPEZ
TEATRO GUARANY
16.09 SEX 21H
17.09 SÁB 21H
75 min
14 anos
R$40 / R$20 / R$10
TEXTO, DIREÇÃO, LETRAS E CANÇÕES MARIANELLA MORENA COM LUCÍA
TRENTINI, AGUSTÍN URRUTIA, MANÉ PÉREZ, LEONARDO NODA, LAURA
BÁEZ E DOMINGO MILESI CENOGRAFIA E FIGURINOS JOHANNA BRESQUE
DESENHO DE LUZ CLAUDIA SÁNCHEZ MÚSICA LUCÍA TRENTINI E NICOLÁS
RODRIGUEZ MIERES PRODUÇÃO LUCÍA ETCHEVERRY APOIO INSTITUTO
NACIONAL DE ARTES ESCÉNICAS (INAE) URUGUAY
O drama intercala prosa e canções a partir da vida
e da obra da poeta Delmira Agustini (1886-1914),
cuja memória e arte andavam relegadas até
ganhar novo alento nos últimos anos. Ela morreu
assassinada a tiros pelo ex-marido. E assim é
evocada pelo escritor Eduardo Galeano: “Tinha
cantado as febres do amor sem disfarces pacatos,
e tinha sido condenada pelos que castigam nas
mulheres o que nos homens aplaudem, porque
a castidade é dever feminino, e o desejo, como a
razão, um privilégio masculino”.
Referência no teatro de pesquisa em seu país, a
dramaturga e diretora Marianella Morena compõe
três atos em movimentos distintos em gênero e
linguagem, do realismo ao hiper-realismo. Questiona a premissa de verdade única borrando o real,
a história e a ficção.
Abre com o então casal no quarto, multiplicado
por três mulheres e três homens sobre a cama.
Em seguida, foca o ambiente familiar da escritora,
patriarcal e falso moralista. Por fim, salta para o
século XXI, quando uma casa de leilão dispões um
lote contendo o revólver do crime, uma gravação
confessional e a correspondência inédita de
Delmira com um político.
120 121
CADEIA VELHA (BRA)
a situação DA brasileira (BRA)
Juliana França e Alejandro Ahmed
CADEIA VELHA
11.09 DOM 17H
12.09 SEG 17H
50 min
18 anos
Grátis
DIREÇÃO COMPARTILHADA JULIANA
FRANÇA E ALEJANDRO AHMED
COM JULIANA FRANÇA DESIGN
DE SOM TOM MONTEIRO SISTEMA
CENOGRÁFICO E DE FIGURINO
DANI SPADOTTO COPRODUÇÃO
SESC SP PROJETO OCUPAÇÃO
#32 COLABORAÇÃO CAROLINA
SUDATI, DIOGO DAMASIO, BRUNA
PAIVA, ANA DUPAS, MARIANA
ROMAGNANI E DIEGO RIBEIRO
Desenvolvida no âmbito do projeto Ocupação
# 32, em 2015, iniciativa do Sesc voltada aos
profissionais de dança contemporânea residentes
na Baixada Santista, a criação da artista independente Juliana França é definida por ela como
um algoritmo. Na definição da lógica, conjunto
de regras de um sistema cuja aplicação permite
resolver um problema enunciado por meio de um
número finito de operações. No caso, o público lida
com uma estrutura aberta que permite transitar
por procedimentos específicos a diferentes espaços, gerando respostas singulares.
Entende-se identidade e território como fluxo,
um estudo de ocupação como possibilidade de
reexistência. O estado de impermanência é regido
pelo movimento rodopiante do corpo, sugerindo
o paradoxo em looping: permanecer para mudar
e mudar para permanecer. O espaço é entendido
como corpo, não moldura. Parede, teto, mão,
mesa, cadeira, olhos, chão e luz são colocados em
perspectiva horizontal. A codireção é de Alejandro
Ahmed, coreógrafo e bailarino do Grupo Cena 11
Cia. de Dança, também presente no MIRADA.
Grasiele Sousa
CADEIA VELHA
17.09 SÁB 19H
Duração indefinida
14 anos
Grátis
PERFORMANCE GRASIELE
SOUSA (AÇÃO INÉDITA PARA
CÂMERA REALIZADA A PARTIR DA
PERFORMANCE PARA VÍDEO
A SITUAÇÃO, DE GERALDO
ANHAIA MELLO)
A partícula ‘da’ em maiúsculas serve como abrealas à recriação da performance para vídeo A Situação (1978), em que o artista Geraldo Anhaia
Mello (1955-2010) vertia goles de dois litros de
cachaça, por cerca de nove minutos, intercalando
a seguinte frase: “A situação política, social, econômica e cultural brasileira”. Ele enunciava sem
fechar diagnóstico, embriagando-se aos poucos.
Um homem barbudo, de terno, gravata e relógio,
qual apresentador de telejornal, na contracorrente
ideológica daqueles anos sob ditadura civil-militar.
Dançarina e performer em São Paulo, Grasiele
Sousa apropria-se daquela obra acrescentando a
preposição “de” com o artigo feminino “a”, de modo
que a frase obtenha outras ressonâncias: “A situação
política, social, econômica e cultural da brasileira”.
“Alteramos esta formulação genérica para algo
mais particular que procura chamar atenção ao
que seria específico historicamente a figuras femininas, tanto aquelas biologicamente identificadas
como todxs as outrxs que, ao desconstruírem sua
condição de gênero, raça, civilização, religião,
etc. se associam a uma resistência minoritária no
mundo”, afirma Grasiele.
122 123
ÁREA DE CONVIVÊNCIA
SESC SANTOS
9.09 SEX 20H
CADEIA VELHA
10.09 SÁB 17H
60 min
12 anos
Grátis
CONCEPÇÃO TALES FREY COM
TALES FREY E MAJÚ MINERVINO
REALIZAÇÃO CIA. EXCESSOS
F2M2M2F (BRA/POR)
FLOU! (ESP/BRA)
Tales Frey
Ieltxu Ortueta
A questão de gênero é refletida de maneira pluridimensional nesse trabalho da Cia. Excesso, do
Porto. O título assemelha-se mais a uma fórmula química. Alude aos processos de transição
hormonal e/ou cirúrgica quanto às mudanças
de feminino para masculino (female to male, em
inglês, ou F2M) e masculino para feminino (male
to female ou M2F).
Dois performers – um de sexo biológico masculino e outra de sexo biológico feminino – posicionam-se frente a frente, corpos quase encostados,
tendo à altura dos rostos um espelho de dupla
face sobre o qual cada artista carimba um beijo
que dura cerca de uma hora. As respectivas bocas
equivalem à mesmíssima altura.
Os figurinos são igualmente subvertidos: ele
traja roupas e acessórios tidos por femininos e ela,
o contrário.
A imagem proporcionada através desta ação
transforma os dois beijos narcisistas em ilusões
de múltiplas constituições de gênero e de variadas
construções corpóreas dos sujeitos que deambulam pelo espaço.
ÁREA DE CONVIVÊNCIA
SESC SANTOS
17.09 SÁB 16H
18.09 DOM 16H
60 min
Livre
Grátis
CONCEPÇÃO E PERFORMANCE IELTXU
ORTUETA TRILHA SONORA ORIGINAL
GIL FUSER REALIZAÇÃO ARTEFACTOS
BASCOS
A folha em branco, os traços de lápis coloridos
como extensão do corpo e dezenas de crianças, de
4 a 10 anos, cativadas pela experiência de construção coletiva de um desenho gigante. A bordo de
seu macacão branco, aos poucos multicolorido, o
ator, performer, designer gráfico e arte-educador
Ieltxu Ortueta – basco radicado no Brasil desde
2003 e pai de Gorka e Lua – interage na ação que
gera um encantamento, segundo ele, vital.
Sentado ao redor feito espectador adulto (para
depois se jogar na arena no segundo momento),
o público assiste e coparticipa do ato lúdico.
Os rabiscos dançantes e as tintas vão tomando
vida e dialogam com o performer para que “alguns
desenhos depois” surjam outras imagens recortadas e incorporadas de experiências anteriores.
Essas formas (peças em papelão) tomam conta
do solo e atiçam crianças que brincam compondo
novos conteúdos e contornos, ressignificando o
encontro. O ritmo é determinado ainda pelo som
operado pelo próprio ator. Criada pelo artista
multimeios Gil Fuser, a trilha parece traduzir os
desenhos para a dimensão sonora.
124 125
NÃO ALIMENTE OS ANIMAIS (BRA)
DESCRIÇÃO DE IMAGEM /
ESTUDO DE PAISAGEM (BRA) Jack Soul Revenge Girl
Márcia Nemer-Jentzsch
CADEIA VELHA
9.09 SEX 19H
ÁREA DE CONVIVÊNCIA
SESC SANTOS
12.09 SEG 17H
50 min
Livre
Grátis
TEXTO HEINER MÜLLER CONCEPÇÃO
E PERFORMANCE MÁRCIA NEMERJENTZSCH TRILHA SONORA ORIGINAL
LUISA PUTERMAN REALIZAÇÃO
BOBIK&SOFOTCHKA
“Quem ou o quê pergunta pela imagem?”, indaga,
a certa altura, o texto projetado sobre a tela branca
reinante ao fundo do palco e cuja superfície é pintada ao vivo pela performer. Os traços em preto e
branco aninham montanhas, árvores, pássaros e
casas. A atriz não representa, antes, concentra-se
na ação de pintar, à altura do chão ou com o auxílio
de uma escada para alcançar as nuvens.
Com estudos de pós-graduação realizados na
Alemanha e passagem pelo Centro de Pesquisa
Teatral coordenado por Antunes Filho, a artista
Márcia Nemer-Jentzsch concebe o trabalho a
partir da peça que o dramaturgo alemão Heiner
Müller escreveu em 1984, Descrição de Imagem,
inspirado no desenho de uma estudante de cenografia esboçado como o retrato de um sonho.
A encenação é minimalista. Simultaneamente,
sobrepõe-se outra paisagem, a sonora. O que se
vê ou se lê não necessariamente correspondem.
Ao fim da performance, a pintura pronta é arrancada da parede e amassada, como a lembrar ao
espectador da efemeridade do evento cênico e da
existência humana.
ÁREA DE CONVIVÊNCIA
SESC SANTOS
15.09 QUI 21H30
CADEIA VELHA
16.09 SEX 19H
60 min
14 anos
Grátis
COM JAQUELINE VASCONCELLOS
A.K.A JACK SOUL REVENGE GIRL
PRODUÇÃO E FOTOGRAFIA RODRIGO
MUNHOZ
Calçando salto vermelho, andar por 15 minutos
no interior de uma caixa de areia para gatos, em
movimentos circulares. A bandeja possui espaço
diminuto, cerca de dois passos para lá, dois para
cá. Assim deriva o procedimento da ação de Jack
Soul Revenge Girl, persona da performer Jaqueline Vasconcellos, pesquisadora de artes do corpo
em São Paulo.
O que virá tem a ver com o corpo enquanto
alteridade do outro, o corpo como zoológico,
animal e jaula. O corpo como estereótipo social.
A artista é articuladora da Série Mais um Pornô –
Arte, Ativismo e Encontro, por meio da qual realiza
experimentos performáticos diversos acerca da
violência contra a mulher. Integra ainda a estação
de trabalho colaborativo La Plataformance.
Levada a locais públicos, a performance
costuma catalisar as piores ofensas desferidas cotidianamente a boa parte das mulheres passantes
nas ruas brasileiras. Agressões hipocritamente escudadas no álibi do decote. A ação busca alimentar
os humanos com a excitação da autocrítica quanto
ao machismo.
ALTERIDADE
DO OLHAR
O MIRADA – Festival Ibero-Americano
de Artes Cênicas de Santos articula
diálogos, pensamentos e intercâmbios
para discutir os conceitos norteadores
desta quarta edição. A arena comum
a espectadores, artistas, aprendizes,
pesquisadores, programadores e
curadores de festivais visa a estimular
abordagens filosóficas e artísticas.
O fértil terreno das ideias que inquietam
os participantes dessa jornada.
128 129
DIÁLOGOS E
PENSAMENTOS
EXPRESSÃO, AFECÇÃO
E ALTERIDADE
com Vladmir Safatle
ÁREA DE CONVIVÊNCIA
SESC SANTOS
9.09 SEX
11H às 13H
Livre
Grátis
Pode a expressão ser ainda uma categoria estética
central para analisarmos a produção de nosso
tempo? Não estaria a expressão ainda vinculada a
uma figura egológica do sujeito, cuja
intencionalidade parece centrada em sua própria
consciência? São as perguntas-chave lançadas
pelo filósofo e professor Vladimir Safatle em seu
convite a pensar sobre as possibilidades de
desconexão entre expressão e identidade,
colocadas em circulação pela arte contemporânea.
Vladmir Safatle é professor livre-docente do Departamento de Filosofia da USP e professor-convidado das universidades de Paris VII, Paris VIII e Toulouse, na França;
Louvain, na Bélgica; e Stellenboch, na África do Sul. É um
dos coordenadores do Laboratório de Pesquisa em Teoria
Social, Filosofia e Psicanálise da USP.
130 131
ÁREA DE CONVIVÊNCIA
SESC SANTOS
11.09 DOM
11H às 13H
Livre
Grátis
ENTRE O ATOR E O PERFORMER
O TEATRO: LUGAR PLURAL
com Chico Carvalho, Emanuel Aragão
e João Galante / mediação de Liliane Soares
com Maria Thais e Àlex Serrano
mediação de Marcelo Lazzaratto
Discussão a respeito da abordagem do texto pelo
ator e pelo performer. Chico Carvalho, Emanuel
Aragão e João Galante são profissionais que
compartilham experiências quanto ao limite
da ação e a alteridade do ator.
Chico Carvalho é ator formado pela Faculdade de Artes
Cênicas da Unicamp, instituição onde agora é doutorando
em artes da cena. Atualmente ensaia o papel-título de
Peer Gynt, de Henrik Ibsen, com direção de Gabriel Villela.
Atuou há pouco em Ricardo III, dirigido por Marcelo Lazzaratto, sendo agraciado com o Prêmio Shell SP de melhor
ator, em 2013.
Emanuel Aragão é roteirista, dramaturgo, escritor, diretor
de teatro e ator formado pela Casa das Artes de Laranjeiras (CAL), no Rio de Janeiro. Bacharel em filosofia pela
Universidade de Brasília. Cofun­dador da carioca Cia. das
Inutilezas. No MIRADA, performa Hamlet – Processo de
Revelação.
João Galante é artista plástico, performer e coreógrafo.
Nascido em Luanda, vive entre Lisboa e Lagos, em
Portugal. É diretor artístico da associação cultural
CasaBranca e do Verão Azul Festival. No teatro, trabalhou
com o grupo Olho, como ator e como diretor. Realiza performances desde 1989, muitas em parceria com Ana Borralho,
com quem mantém um trabalho constante.
Liliane Soares é mestre em educação pela Universidade
Católica de Santos. Pesquisadora, performer e bailarina, foi
foi parte da equipe de curadoria da Bienal Sesc de Dança
em 2011, 2013 e 2015. Técnica responsável pelas linguagens de dança e circo no Sesc Santos, assina a curadoria
conjunta do MIRADA 2016.
ÁREA DE CONVIVÊNCIA
SESC SANTOS
12.09 SEG
11H às 13H
Livre
Grátis
A diretora Maria Thais (Cia. Teatro Balagan,
Brasil) e o diretor Àlex Serrano (Agrupación Señor
Serrano) protagonizam uma discussão semiológica a respeito da diversidade de temas, linguagens
e elementos cênicos a que o encenador contemporâneo é desafiado em suas concepções. Tratam do
limite da autoria e da alteridade ao encenar.
Maria Thais é diretora teatral, professora e pes­quisadora
na graduação e pós-graduação da ECA­-USP. Fez pósdoutoramento na Scuola Paolo Grassi, em Milão, Itália.
Professora visitante da Universidade Paris VIII, na França.
Cofundadora da Cia. Teatro Balagan (1999, SP), com a qual
encenou Cabras – Cabeças que Voam, Cabeças que Rolam
(2016, na programação do MIRADA).
Àlex Serrano é licenciado em desenho industrial e direção
teatral. Especializado em comunicação interativa, cria,
em 2006, a Agrupación Señor Serrano, companhia que
participa do MIRADA com dois espetáculos: Birdie (2016)
e Brickman Brando Bubble Boom (2012). Participa com regularidade de congressos e conferências, além de ministrar
cursos e workshops.
Marcelo Lazzaratto é ator e diretor formado pelo Depar-tamento de Artes Cênicas da ECA–USP. Professor no mesmo
departamento da Unicamp. Cofundador da Cia. Elevador de
Teatro Panorâ­mico, em 2000. A convite do MIRADA, concebe e coordena as atividades formativas e reflexivas desta
edição sob a rubrica A Alteridade do Olhar.
132 133
ÁREA DE CONVIVÊNCIA
SESC SANTOS
13.09 TER
11H às 13H
Livre
Grátis
DRAMATURGIAS – AS ESCRITAS
CONTEMPORÂNEAS
CORPO, CENA E IMAGINÁRIO
DE-COLONIAL
com Michelle Ferreira, Cássio Pires e Diego
Aramburo / mediação de Sérgio Luis V. Oliveira
com Verônica Fabrini
Em pauta, os códigos à disposição de quem escreve
a partir do teatro. O limite da palavra e a alteridade
de quem cria para e com a cena, lançando mão de
formas e temas cada vez mais expandidos.
Michelle Ferreira é atriz, dramaturga, roteirista e diretora. Formada pela Escola de Arte Dramática e Faculdade
de Ciências Sociais, ambas na USP. Pós-graduada em
audiovisual. Integrou o Núcleo de Dramaturgia do CPT,
coordenado por Antu­nes Filho, por oito anos.
Cássio Pires é dramaturgo com bacharelado em le­tras
e mestre em artes cênicas pela USP. Escreveu cerca de
20 peças, entre originais e releituras de obras literárias,
encenadas por diversos coletivos brasileiros ou levadas a
mostras de novas drama­turgias e festivais internacionais.
Diego Aramburo é diretor do boliviano Kiknteatr, fundado
em 1996. Ganhou dez vezes o Prêmio Nacional de Teatro
na Bolívia, entre outras premiações. É graduado em Artes
Cênicas pela UNIRIO – RJ, com especialização em dramaturgia e direção pela Casa de Américas, Madrid.
Sérgio Luis V. Oliveira é gestor cultural com formação em
história pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP).
Assistente da Gerência de Ação Cultural para a área de
teatro no Sesc-SP.
ÁREA DE CONVIVÊNCIA
SESC SANTOS
15.09 QUI
11H às 13H
Livre
Grátis
O pensamento decolonial, ou pós-colonial, vem
avançando nos últimos anos na perspectiva crítica
dos processos históricos de colonização. Segundo a
atriz e encenadora Verônica Fabrini, a perspectiva
decolonial fornece novos horizontes utópicos e
radicais para o pensamento da libertação humana,
em diálogo com a criação artística e a produção de
conhecimento. A conferência busca mapear as
principais linhas deste argumento e suas
implicações criativas e críticas em artes da cena.
Verônica Fabrini fez pós-doutorado em filoso­fia pela
Universidade de Lisboa e é doutora em teatro pela USP.
Professora do Departamento de Artes Cênicas da Unicamp,
investiga processos criativos, estudos do imaginário e o
pensamento descolonial. Fundadora e diretora ar­tística da
Boa Companhia, de Campinas, em 1992.
134 135
ÁREA DE CONVIVÊNCIA
SESC SANTOS
14.09 QUA
10H30 às 13H
Grátis
RECONHECIMENTOS:
ARTISTAS,
PESQUISADORES
E CURADORES
Visando a uma apresentação mais aprofundada e complexa da produção brasileira aos
programadores e curadores nacionais e
estrangeiros convidados pelo MIRADA – vide
a profusão nos modos de criar e produzir no
país, além da consistência do teatro de
pesquisa nos coletivos artísticos –, o festival
propõe um encontro dividido em duas etapas:
MESA: A CENA BRASILEIRA
com Felipe Hirsh e Roberto Alvim
mediação de Sérgio Luis V. Oliveira
Uma reflexão a partir do contexto atual da produção
brasileira. Suas múltiplas características, como o
teatro de grupo, a pesquisa continuada, os modos
de produção, as modalidades de financiamento, as
agências fomentadoras, a difusão e a circulação.
Felipe Hirsch é diretor e dramaturgo. Foi um dos fundadores da Sutil Companhia de Teatro. Em 2013, iniciou o
projeto Puzzle, criado para a Frankfurter Buchmesse, com
os Ultralíricos. Hirsch também é diretor do longa-metragem Insolação, que teve sua estreia no Festival de Veneza em
2009, e da série da MTV A Menina sem Qualidades (2013).
Roberto Alvim é dramaturgo, diretor e professor de artes
cênicas. Desde 2006 dirige a companhia Club Noir. Ganhou
o Prêmio Bravo!, o APCA e o Prêmio Governador do Estado
de São Paulo, em 2012, pela adaptação e direção de todas as
tragédias de Ésquilo no projeto Peep Classic Ésquilo.
136 137
PLATAFORMA
LABORATÓRIOS
CRIATIVOS
Coletivos brasileiros presentes no MIRADA e
grupos de teatro e dança da cidade de São Paulo
dispõem de espaço para compartilhar seus
trabalhos, no formato impresso ou digital, e
estabelecer conexão direta com profissionais do
país e do exterior, empenhados na programação e
na curadoria de eventos em artes cênicas.
Mais do que instrumentalizar tecnicamente,
a atividade formativa deve gerar a criatividade
no sentido amplo da prática que desbrava
horizontes e rupturas – a natureza de todas
as artes. O MIRADA oferece uma série de laboratórios em que os artistas propõe procedimentos técnicos e provocam os participantes
à criação artística.
138 139
CORPOS, SABERES E AFETAÇÕES
OFICINA–LABORATÓRIO DE PERFOR­
MANCES EM ESPAÇOS PÚBLICOS
WORKSHOPS / AUDIÇÕES
com Ana Borralho e João Galante
com Santiago Cao
SESC SANTOS – SALA 32
4 a 11.09 DOM a DOM
13H às 17H
16 anos
R$50 / R$25 / R$12,50
MOSTRA DE PROCESSOS
ÁREA DE CONVIVÊNCIA
SESC SANTOS
9 a 11.09 SEX a DOM
15H
Oficina-laboratório de análise dos corpos nos
espaços públicos, dos micropoderes que neles se
ativam e de alguns possíveis modos de gerar (trans)
versões através da performance, das intervenções
urbanas e da filosofia. É no encontro com os outros
e seus outros modos de produção de subjetividade
que a cidade se (re)cria de maneira não hegemônica.
Santiago Cao é criador nascido em Buenos Aires,
Argentina, e atualmente radicado em Salvador, na Bahia.
Sua formação inclui psicologia, artes vi­suais e urbanismo.
Tem reali­zado palestras e coordenado oficinas-laboratórios
na Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador,
México, Peru e Venezuela.
Destinado a interessados em artes cênicas. Não há
pré-requisitos artísticos.
Inscrições: envio de curriculum e carta de interesse para
[email protected] de 2 a 16/08
A dupla – que desenvolve parceria artística há 14
anos e tem como base de trabalho as cidades de
Lisboa e Lagos – traz dois espetáculos ao MIRADA
e, igualmente, propõe dois modos de interação
criativa. O diálogo com público e criadores locais é
praxe em cada cidade por onde passam.
Ana Borralho e João Galante se conheceram durante
os estudos de artes plásticas no AR.CO, Centro de Arte e
Comunicação Visual abrigado em diferentes espaços entre
Lisboa e Almada. Enquanto atores/cocriadores trabalharam
regu­larmente com o grupo de teatro Olho. A parceria em
dupla vem desde 2002. No avanço da pesquisa na arte da
performance, Ana Borralho e João Galante têm refletido
constantemente sobre o lugar do público na experiência
com a arte.
140 141
CADEIA VELHA
7 a 10.09 QUA a SÁB
10H às 14H
18 anos
Grátis
WORLD OF INTERIORS
O conteúdo e a prática do workshop/audição
circunscreve o próprio processo de concepção da
performance com aspectos de instalação. Nela, o
público é confrontado com uma imagem
inquietante: um grupo de mulheres e homens
deitados no chão, de olhos fechados e sem
movimento evidente. Aparentemente nada
acontece no exterior. Perante este vazio é exigido
ao espectador uma ação, uma aproximação, um
toque, um avanço na intimidade dos corpos, na
partilha deste mundo interior. Ao mesmo tempo,
ouvem-se, como sussurros, trechos de textos do
dramaturgo argentino-espanhol Rodrigo García.
O espectador é convidado a entrar e a sair
conforme a sua vontade, a definir a duração, o tipo
de relação e o momento de interrupção da mesma.
Destinado a interessados em artes cênicas. Não há
pré-requisitos artísticos.
Inscrições: envio de curriculum e carta de interesse
para [email protected]
de 2 a 16/08.
CADEIA VELHA
7 a 10.09 QUA a SÁB
16H às 20H
18 anos
Grátis
UNTITLED, STILL LIFE
participação de Rui Catalão
O projeto criado em colaboração com Rui Catalão
prevê workshop/audição para selecionar atuadores. A partir da estrutura já delineada da ação
performativa, os participantes são convidados a
improvisar para que se encontre a matéria de cada
um e de cada apresentação, sempre única a cada
dia e a cada sessão. Tendo sempre em mente que o
que importa é apresentar e não representar,
Untitled, Still Life cria um dispositivo que coloca o
espectador no mesmo espaço/tempo do performer,
um lugar onde se confundem posições, uma
intimidade partilhada por e entre todos.
Rui Catalão é formado em design gráfico pelo IADE - Creative University. Fundador do BÁ Studio - Strategic Tailor
Made Design, é pós graduado em marketing estratégico
e gestão para a inovação pela Universidade Católica
Portuguesa. É ainda consultor associado na consultora de
branding anglo americana Prophet / FigTree.
Destinado a performers, atores e bailarinos.
Inscrições: envio de curriculum e carta de interesse
para [email protected]
de 2 a 16/08.
142 143
PROCURA-SE UM CORPO
O CAMPO DE VISÃO E A
ALTERIDADE – REVERBERAÇÕES
com Tânia Farias
com Marcelo Lazzaratto e Pedro Haddad
MUSEU HISTÓRICO
FORTALEZA DE SANTO
AMARO DA BARRA GRANDE
8 a 11.09 QUI a DOM
14H30 às 18H
16 anos
R$50 / R$25 / R$12,50
Sem abrir mão da instância poética, a oficina de
performance pretende provocar reflexões sobre a
história recente do país e as feridas ainda abertas
em consequência da ditadura civil-militar
(1964-1985). A ação proposta soma-se ao movimento de milhares de brasileiros que exigem do
Governo Federal proceder à investigação sobre o
paradeiro das vítimas desaparecidas. Também em
contraponto à intolerância dos movimentos
reacionários em voga no país, a oficina perpassa
os estágios da imersão no tema da violência
estatal, preparação do corpo, prática de ocupação
urbana, criação e realização da performance.
Tânia Farias é atriz, encenadora e produtora teatral integrante da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz desde
1994. Indicada ao Prêmio Shell SP na categoria melhor atriz
por Kassan­dra in Process (2007). Recebeu o prêmio gaúcho
Açorianos pelas atuações no espetáculo de rua O Amargo
Santo da Purificação (2009) e no espetá­culo de vivência
Medeia Vozes (2013). Em 2015, o Ói Nóis recebeu o Prêmio
Or­dem do Mérito Cultural da República Federativa.
Destinado a interessados em artes cênicas.
Inscrições: envio de curriculum e carta de interesse para
[email protected] de 12 a 26/08.
SESC SANTOS - SALA 42
9 a 12.09 SEX a SEG
14H30 às 18H
16 anos
R$50 / R$25 / R$12,50
Laboratório criativo desenvolvido a partir da
prática e da reflexão em torno do procedimento do
Campo de Visão (treinamento para o ator e
construção poética dos espetáculos), estabelecido
em relação ao tema central das atividades
formativas do MIRADA 2016 – a alteridade.
Culmina no happening chamado Reverberações,
levado a vários lugares da cidade de Santos,
acontecimento coral e improvisacional a fim de
estabelecer fissuras na realidade cotidiana e
aberto à livre participação dos transeuntes.
Deseja-se ampliar a noção espacial periférica do
ator bem como sua percepção do outro,
potencializando razão e sensibilidade.
Marcelo Lazzaratto é ator e diretor formado pelo Departamento de Artes Cênicas da ECA-USP. É professor no
mesmo departamento da Unicamp. Cofundador da Cia.
Elevador de Teatro Panorâ­mico, em 2000. A convite do
MIRADA, concebe e coordena as atividades formativas e
reflexivas desta edição sob a rubrica A Alteridade do Olhar.
Pedro Haddad é artista fundador da paulistana Cia.
Elevador de Teatro Panorâmico, que completa 16 anos em
2016. Doutorando em artes cênicas pela ECA-USP e mestre
pela Unicamp, concilia os dias e as horas com a carreira de
professor na Unesp, na Facul­dade Escola Superior de Artes
Célia Helena e na Escola Lourenço Castanho.
Destinado a interessados em artes cênicas.
Inscrições: envio de curriculum e carta de interesse para
[email protected] de 12 a 26/08.
144 145
EXPERIMENTAÇÕES
PSICOEMBUTIDAS
EXERCÍCIO DE CRÍTICA
com Luciana Romagnolli
com Luis Mario Moncada Gil e Richard Viqueira
ÁREA DE CONVIVÊNCIA
SESC SANTOS
12 a 15.09 SEG a QUI
15H30 às 18H
18 anos
R$50 / R$25 / R$12,50
A partir do processo de criação do espetáculo Psico|Embutidos, o diretor Richard Viqueira e o ator
e dramaturgo Luis Mario Moncada Gil conduzem
o laboratório que levará os participantes a experimentar diversas técnicas e métodos de criação
teatral.
Luis Mario Moncada Gil é um ator e dramaturgo mexicano. Recebeu o Premio Nacional de la Juventud 1985 e a
bolsa do sistema Nacional de Creadores. Foi diretor do
Centro Nacional de Investigación Teatral “Rodolfo Usigli”
(CITRU), da Dirección de Teatro y Danza da UNAM, e do
Colegio de Teatro da UNAM.
Richard Viqueira, nomeado pela revista Dónde ir como o
Homem de Teatro da década 2001-2010, seus espetáculos
tem causado impacto por sua originalidade, com temporadas
e apresentações em festivais nacionais e internacionais. É
membro do Sistema Nacional de Creadores de Arte (SNCA).
Destinado a interessados em artes cênicas.
Inscrições: envio de curriculum e carta de interesse para
[email protected] de 12 a 26/08.
SESC SANTOS – ESPAÇO DE
TECNOLOGIAS E ARTES
12 a 16.09 SEG a SEX
14H30 às 18H
18 anos
R$50 / R$25 / R$12,50
A prática de elaborar pontos de vista a partir das
formas e conteúdos de um espetáculo tem a ver
com triangular os trabalhos do público, do artista
e da crítica. Com a meta de ampliar a reflexão
sobre o teatro contemporâneo, o Festival oferece a
atividade na qual os participantes serão orientados a respeito da estruturação e desenvolvimento
do texto e terão acesso às peças para exercitar
suas escritas e, quando for o caso, vê-las publicadas no blog do MIRADA.
Luciana Romagnolli é jornalista, pesquisadora e crí­tica
de teatro. Especialista em literatura dramática e teatro
(UTFPR), mestre em artes (EBA-UFMG) e doutoranda em
artes cênicas (ECA-USP). Fundou em 2012 o site Horizonte
da Cena, do qual é editora. Integra a DocumentaCena – Plataforma de Crítica e a Associação Internacio­nal de Críticos
de Teatro (IACT-AICT), afiliada à Unesco. Foi supervisora
editorial da MITsp - Mostra Internacional de Teatro de São
Paulo em 2015 e 2016. É coordenadora de crítica do projeto
Janela de Dramaturgia (MG) desde 2012.
Destinado a interessados em artes cênicas.
Inscrições: envio de curriculum e carta de interesse para
[email protected] de 12 a 26/08.
146 147
CORPO, CENA E IMAGINÁRIO
DE-COLONIAL
ACAPELA
com Javiera Peón-Veiga
com Verônica Fabrini
SESC SANTOS – SALA 42
14 a 17.09 QUA a SÁB
14H30 às 18H
16 anos
R$50 / R$25 / R$12,50
Oficina de prática cênica que conjuga criação e
reflexão. O ponto de partida material da oficina
é a peça O Arquiteto e o Imperador da Assíria,
do espanhol Fernando Arrabal. A busca por outra
anatomia será abordada com a participação
colaborativa da pesquisadora Arami Argüello
Marschner, que tem longa experiência junto à
população indígena guarani-kaiowá em Dourados (MS).
Verônica Fabrini fez pós-doutorado em filoso­fia pela
Universidade de Lisboa e é doutora em teatro pela USP.
Professora do Departamento de Artes Cênicas da Unicamp,
investiga processos criativos, estudos do imaginário e o
pensamento descolonial. Fundadora e diretora ar­tística da
Boa Companhia, de Campinas, em 1992.
Destinado a interessados em artes cênicas.
Inscrições: envio de curriculum e carta de interesse para
[email protected] de 12 a 26/08.
C.A.I.S. VILA MATHIAS
16.09 SEX
10H às 14H30
16 anos
R$50 / R$25 / R$12,50
Os participantes são estimulados a vivenciar uma
prática intensiva em torno do ato respiratório e
seus múltiplos efeitos no corpo e nos estados de
consciência. Trabalha-se com um híbrido de
métodos explorados durante o processo de
investigação da obra chilena Acapela, coreografada pela ministrante Javiera Peón-Veiga e
integrada à programação do Festival. Há variações
sobre canto, cundalini, respiração holotrópica,
alba emoting, body mind centering, chi kung (ou
qi gong), meditação dinâmica de Osho, entre
outras técnicas. Busca-se impulsionar os limites
habituais do corpo por meio da voz, das emoções
e do movimento da energia em direção ao transe,
o transbordamento, a escuta e outras formas de
transmissão e comunicação entre as pessoas,
suscitando um espaço de encontro e comunidade.
Javiera Peón-Veiga nasceu em Santiago, Chile. Estu­dou
psicologia na Pontifícia Universidade Católica do Chile
e em seguida cursou dança contemporâ­nea na London
Contemporary Dance School (The Place). Especializou-se
em pesquisa coreográfica pelo Centre National de Danse
Contemporaine d’An­gers (CNDC) e pela Fondation Royaumont (CRCC), ambos na França, de 2006 a 2008.
Destinado a interessados em artes cênicas.
Inscrições: envio de curriculum e carta de interesse para
[email protected] de 12 a 26/08.
148 149
LEITURAS
DA NOVA
DRAMATURGIA
ESPANHOLA
LEITURAS DRAMÁTICAS
CENTRO ESPAÑOL Y
REPATRIACIÓN DE SANTOS
11.09 DOM 17H
16 anos
Grátis
O conceito “A Alteridade do Olhar” permeia as
atividades formativas e reflexivas deste
MIRADA e contempla aqui um segmento
dedicado ao texto. A polissemia e a enunciação
reinam por meio de duas leituras comentadas,
duas leituras dramáticas e um exercício
cênico. Sempre com peças de autores da
Espanha, conduzidas por diretores e atores
brasileiros que traduziram as mesmas para o
português. Os textos, publicados no Brasil
pela editora Cobogó, fazem parte da Coleção
Dramaturgia Espanhola, uma iniciativa da
Acción Cultural Española, AC/E – Sociedad
Estatal de Acción Cultural.
Programação apoiada pela Acción Cultural
Española, AC/E - Sociedad Estatal de Acción
Cultural, S.A.
NN12
texto de Gracia Moraes
tradução e direção de Gilberto Gawronski
Gracia Morales é doutora em filologia hispânica pela
Universidade de Granada, onde leciona literatura hispanoamericana e espanhola. É cofundadora da companhia
Remiendo Teatro, na qual trabalha como dramaturga, atriz
e assistente de direção. Publicou 15 textos teatrais, alguns
dos quais foram traduzidos para o francês, o português, o
inglês e o italiano.
Gilberto Gawronski é diretor, ator e vive no Rio de
Janeiro. Formou-se como ator em 1986, na Casa das Artes
de Laranjeiras, a CAL. Em 1996 encenou, dividindo o palco
com Ricardo Blat, Na Solidão nos Campos de Algodão.
No ano seguinte, é a vez do monólogo A Dama da Noite,
adaptado do conto de Caio Fernando Abreu. Em 2002,
convidado pela Cia. dos Atores, dirigiu Meu Destino É
Pecar, de Nelson Rodrigues. Em 2011, atuou no solo Ato de
Comunhão, texto do argentino Lautaro Vilo, codirigido pelo
ator Warley Goulart.
EXERCÍCIO CÊNICO
150 151
CENTRO ESPAÑOL
Y REPATRIACIÓN DE SANTOS
14.09 QUA 17H
16 anos
Grátis
ATRA BÍLIS
texto de Laila Ripoll
tradução e direção de Hugo Rodas
Laila Ripoll é dramaturga, atriz e diretora teatral. Graduouse na Real Escuela Superior de Arte Dramático de Madrid.
No começo dos anos 1990, fundou a companhia Micomicon,
grupo especializado na encenação de obras do teatro clássico espanhol. Dirigiu espetáculos para o Centro Dramático
Nacional, para a Compañía Nacional de Teatro Clásico e
para o Festival de Teatro Clásico de Mérida.
Hugo Rodas é uruguaio radicado no Brasil há 40 anos. Sua
trajetória sempre esteve e está ligada aos coletivos e parcerias
com os quais trabalha, desde o Grupo Pitú, nas décadas
de 1970 e de 1980 – quando também ocorrem as primeiras
experiên­cias com Antônio Abujamra e José Celso Martinez
Corrêa – passando pelo Teatro Universitário Candango
(TUCAN), nos anos 1990 e 2000. E, atualmente, na
Agrupação Teatral Amacaca (ATA), nascida no Departamento
de Artes Cênicas da Universidade de Brasília.
CENTRO ESPAÑOL Y
REPATRIACIÓN DE SANTOS
15.09 QUI 17H
16 anos
Grátis
CLIFF (ACANTILADO)
texto de Alberto Conejero López
tradução e direção de Fernando Yamamoto
O diretor Fernando Yamamoto, do Grupo Clowns
de Shakespeare (RN), conduz exercício cênico a
partir do texto espanhol por ele traduzido: Cliff
(Acantilado), do espanhol Alberto Cornejo López.
Alberto Conejero López é formado em direção de cena e
dramaturgia pela Real Escuela Superior de Arte Dramático
de Madrid, com doutorado pela Universidad Complutense
de Madrid. Deu palestras e lecionou sobre dramaturgia
europeia contemporânea e teatro clássico na Espanha,
Hungria, Grécia, Chile, Argentina e Uruguai. Além das diversas premiações conferidas a suas peças, foi o vencedor
do Premio Ceres 2015 na categoria Melhor Autor Teatral.
Fernando Yamamoto é paulistano radicado em Na­tal,
onde é um dos fundadores do Grupo Clowns de Shakespeare (1993). Tem investido na tradução de obras dramá­
ticas, das línguas espanhola e inglesa, em especial William
Shakespeare. Como pesquisador, desen­volveu o projeto
Cartografia do Teatro de Grupo do Nordeste, no qual
mapeou mais de cem grupos de toda a região. Atualmente é
diretor do Departa­mento de Programas, Projetos e Eventos
Culturais da Secretaria de Cultura do município de Natal.
152 153
LEITURAS COMENTADAS
Comentador convidado: Alexandre Dal Farra
Alexandre Dal Farra é mestre pelo Departamento de
Letras Modernas da FFLCH-USP, na área de literatura
alemã. Dramaturgo, diretor, escritor e músico, foi vencedor
do 25º Prêmio Shell na categoria Melhor Autor, em 2012,
com a peça Mateus 10, que escreveu e dirigiu. A peça venceu
também o Prêmio CPT de Melhor Espetáculo para Espaço
Não-Convencional.
CENTRO ESPAÑOL Y
REPATRIACIÓN DE SANTOS
9.09 SEX 17H
16 anos
Grátis
LOS CUERPOS PERDIDOS
texto de José Manuel Mora
tradução e direção de Cibele Forjaz
José Manuel Mora se formou como ator no Centro de Artes Escénicas de Andalucía. Estudou dramaturgia e direção
de cena na Real Escuela Superior de Arte Dramático. É
mestre em teatro pela Universidade de Amsterdã. Atualmente é professor de dramaturgia na Escuela Superior de
Arte Dramático de Castilla y León e diretor artístico do
Teatro Draft.inn. Colabora como dramaturgo na belga Cia.
Peeping Tom, e trabalha como assessor artístico para o
Theatre-Biennale of Staatstheater Wiesbaden, Alemanha.
Cibele Forjaz é diretora e iluminadora teatral. Em 30 anos
de teatro profissional, participou ativamente de quatro
coletivos de teatro: A Barca de Dionísos (1985-1991); Teatro
Oficina Uzyna Uzona (1992-2001), Mundana Companhia
(desde 2008) e Cia. Livre (onde é diretora artística desde
1999). Docente e pesquisadora do Departamento de Artes
Cênicas da Escola de Comunicação e Artes da Universidade
de São Paulo e do Programa de Pós-Graduação em Artes
Cênicas da mesma instituição.
CENTRO ESPAÑOL Y
REPATRIACIÓN DE SANTOS
13.09 TER 17H
16 anos
Grátis
PERRO MUERTO EN TINTORERÍA: LOS FUERTES
texto de Angélica Lidell
tradução e direção de Beatriz Sayad
Angélica Liddell é dramaturga, atriz e produtora. Em 1993,
criou a companhia Atra Bilis Teatro. Recebeu diversos
prêmios, entre eles o Prêmio Ojo Crítico Segundo Milenio
2005, pelo conjunto da obra, e o Prêmio Notodo, na
categoria de melhor espetáculo de 2007, por Perro Muerto
en Tintorería, eleito pelo público. Suas obras foram traduzidas para o francês, inglês, romeno, russo, alemão, polonês,
grego e português,
Beatriz Sayad é autora, atriz e diretora formada em letras
pela PUC-Rio. Desde os 18 anos integra a companhia suíça
Teatro Sunil (atual Cia. Finzi Pasca). No Brasil, atuou
como palhaça em hospitais nos Doutores da Alegria e
coordenou outros projetos artísticos dentro do grupo.
Cursou a Escola Internacional de Teatro Jacques Lecoq, na
França. Integrou a Cia. Teatro Balagan, em São Paulo.
Traduziu O Teatro da Carícia, de Daniele Finzi Pasca
(Sesi); Cachorro Morto na Lavanderia, de Angelica Liddell
(Co­bogó); e o texto do espetáculo El Sur de Europa, da
companhia espanhola La Tristura.
154 155
MAPAS DE CRIAÇÃO
E INTERCÂMBIO
Encontros realizados com integrantes dos
núcleos artísticos participantes do Festival
para compartilhar cartografias dos processos
de criação de seus espetáculos.
Coordenação: Marcelo Lazzaratto.
ÁREA DE CONVIVÊNCIA
SESC SANTOS
10.09 SÁB
10H às 14H
Livre
Grátis
TEATRO PRAGA (POR) &
GRUPO CENA 11 CIA. DE DANÇA (BRA)
ÁREA DE CONVIVÊNCIA
SESC SANTOS
11 E 13.09 DOM e TER
13H às 15H
Livre
Grátis
COMPAÑÍA TITULAR DE TEATRO DE
LA UNIVERSIDAD VERACRUZANA (MEX)
& CPT / SESC (BRA)
ÁREA DE CONVIVÊNCIA
SESC SANTOS E SALA 42
13 e 14.09 TER e QUA
13H às 15H
Livre
Grátis
CIA. KAMCHÀTKA (ESP) &
CIA. TEATRO BALAGAN (BRA)
PONTO DE
ENCONTRO
Na Área de Convivência do Sesc Santos,
um espaço onde o público poderá
encontrar amigos, artistas e convidados
do festival. Instalações interativas,
performances e shows musicais noturnos
compõem a atmosfera propícia ao
encontro, à celebração e à troca de
impressões sobre o MIRADA.
9 e 10.09 – 10H às 19H
11 a 16.09 – 10H às 13H
17 e 18.09 – 10H às 19H
16 anos
Grátis
DIARIAMENTE
11H às 20H
Livre
Grátis
12 a 17.09 SEG a SÁB
15H às 17H
Livre
Grátis
INSTALAÇÃO PSICO/EMBUTIDOS,
CARNICERÍA ESCÉNICA
ÁREA DE CONVIVÊNCIA
SESC SANTOS
Um esqueleto cenográfico de grandes dimensões
que simula o funcionamento do aparelho digestivo
humano em uma autêntica experiência sensorial.
A instalação cênica do espetáculo Psico/Embutidos, Carnicería Escénica, do diretor e dramaturgo
mexicano Richard Viqueira, fica disponível à
visitação do público nos horários em que não
houver sessão.
18 anos
Grátis
VÍDEOINSTALAÇÃO OLHO-URUBU
10.09 SÁB 22H30
Composta por módulos interativos, a instalação
apresenta 26 vídeopoemas que atravessam as
diversas realidades do MIRADA – a arte, a cidade, o
homem, a arquitetura – e embaralham as fronteiras
entre cinema, artes visuais, ficção e realidade.
O curta-metragem experimental é fruto do
trabalho dos participantes da oficina Imersão
Olho-Urubu – Laboratório Audiovisual SescTV,
ministrada durante a última edição do MIRADA.
SESCTV NO MIRADA
Uma programação especial, voltada às artes cênicas e compilada ao longo das três últimas edições
do festival, estará disponível ao público visitante.
8.09 QUI 23H
SHOWS
Retirada de ingressos na bilheteria do Sesc Santos
no dia do show, a partir das 10h.
BANDA NINFAS (ARG)
Nove mulheres argentinas que se uniram em
torno de um projeto: formar uma banda de
variedade exuberante de instrumentos, personalidades e estilos. A música das Ninfas combina sons
latinos como salsa, cumbia e bolero.
JALOO (BRA)
Jaloo faz música pop, eletrônica e experimental,
remexendo as músicas de artistas como Rihanna e
Donna Summer, sem medo de sacrilégio. Jaloo
compõe, canta, remixa, arranja e produz. Aqui, ele
vem acompanhado de um trio de músicos.
11.09 DOM 22H30
OQUADRO (BRA)
Ao lado de nomes como BayanaSystem, é uma das
bandas, na Bahia, que representa a intitulada Nova
Escola do hip hop. As composições do grupo oscilam
entre a bravura e a brandura, o local e o universal, vão
do ijexá ao afrobeat, sem deixar, por isso, de ser rap.
18.09 DOM 21H30
CUBAN BEATS ALL STARS (CUB)
A partir da fusão e da química entre os músicos do
grupo cubano Orishas – Vladimir Núñez (percussionista), Nelson Palacios (baixista) e o DJ Tillo –
o trio faz uma combinação de sons eletrônicos e
tribais, em uma viagem pelos estilos musicais do
Caribe, América-Latina e, principalmente, de Cuba.
TURISMO SOCIAL
Durante o festival, teatros, ruas, praças e prédios do
patrimônio histórico da cidade de Santos são ocupados
por atividades que convidam à reflexão e ao intercâmbio cultural por meio de temas relacionados às
artes cênicas e à cultura. Os viajantes do Programa de
Turismo Social do Sesc São Paulo são convidados a
assistir os espetáculos da programação, tornando as
visitas a Santos ainda mais interessantes!
Confira os roteiros em
sescsp.org.br/turismo
162 163
SESCSP.ORG.BR/MIRADA
ENDEREÇOS
Ponto Digital MIRADA
Vire e revire o MIRADA junto com o que está acontecendo e de onde você estiver!
Conheça os artistas e os públicos, as percepções e
sensações provocadas pelas artes, os processos e fazeres do teatro ibero-americano contemporâneo e mais.
Das coxias à orla da baixada santista, histórias de
variados pontos de vistas dos espetáculos, autores e
atores serão transmitidas diariamente em vídeos, fotos,
entrevistas inéditas e crônicas.
Para esta edição, uma web série inédita, em dez episódios, apresenta de forma poética as histórias por trás
das histórias de espetáculos convidados pela curadoria.
SANTOS
Crítica e Desdobramentos
A convite do MIRADA, críticos de diferentes regiões
do país transitarão pelos espetáculos e realizarão o
acompanhamento do festival, produzindo críticas
diárias. Os textos poderão ser acessados, diariamente,
em sescsp.org.br/mirada.
Jornalistas Convidados: Daniel Schenker (O Globo),
Ivana Moura (Satisfeita, Yolanda?), Maria Eugênia de
Menezes (O Estado de S. Paulo), Pollyana Diniz (Satisfeita, Yolanda?) e Welington Andrade (Revista Cult).
Você também pode colaborar com a cobertura:
compartilhe seu olhar usando a hashtag #Mirada2016
Pesquisa
Como foi sua experiência no MIRADA?
Preparamos um questionário que leva de 3 a 5 minutos para você responder.
Participe: bit.ly/mirada2016
Bacia do Mercado
Praça Iguatemi Martins, s/nº. Paquetá.
Cadeia Velha
Praça dos Andradas, s/nº. Centro.
C.A.I.S. Vila Mathias
(Centro de Atividades Integradas de Santos)
Av. Rangel Pestana, 184. Vila Mathias.
Casa da Frontaria Azulejada
Rua do Comércio, 96. Centro.
Centro de Pesquisa das Narrativas Visuais do Valongo
Rua Tuiuti, 26. Centro Histórico.
Centro Español y Repatriación de Santos
Av. Dona Ana Costa, 286. Campo Grande.
Fonte do Sapo
Av. Bartolomeu de Gusmão, 93. Aparecida.
Museu Histórico Fortaleza de Santo Amaro
da Barra Grande
Av. Almirante Saldanha da Gama – Ponte Edgard
Perdigão, em frente ao número 63. Ponta da Praia.
Parque Roberto Mário Santini (Emissário)
Av. Presidente Wilson, s/nº. José Menino.
Prédio de Prevenção Sabesp (Casa Rosada)
Alameda Doutor Adriano Neiva da Mota e Silva, 45.
José Menino.
INFORMAÇÕES
164 165
Programação sujeita a alterações
Sala Princesa Isabel – Paço Municipal
Praça Mauá, s/nº. Centro Histórico.
Sesc Santos
Rua Conselheiro Ribas, 136. Aparecida.
Teatro Brás Cubas
Av. Senador Pinheiro Machado, 48. Vila Mathias.
Teatro Guarany
Praça Dos Andradas, 100. Centro.
Teatro Coliseu
Rua Brás Cubas, s/nº. Centro.
EXTENSÃO MIRADA
BERTIOGA
Parque Tupiniquins
Av. Tomé de Souza, s/nº. Centro.
CUBATÃO
Novo Parque Anilinas
Av. Nove de Abril, s/nº. Centro.
INGRESSOS
Venda
Ingressos à venda a partir de 12/08, às 15h, no Portal
sescsp.org.br e, às 17h, nas bilheterias das unidades
do Sesc.
O ingresso comprado nas bilheterias da Rede Sesc
SP não será devolvido ou trocado para outro horário,
dia ou espetáculo.
Os espetáculos para crianças terão venda de
ingressos apenas nas bilheterias das unidades do Sesc.
Crianças até 12 anos não pagam, mas devem retirar
ingressos com antecedência.
Em Santos
No Sesc Santos, a compra de ingressos pode ser feita
de terça a sexta, das 9h às 21h30. Sábados, domingos e
feriados, das 10h às 18h30.
Nos dias das atividades nos espaços Cadeia Velha,
C.A.I.S. Vila Mathias, Casa da Frontaria Azulejada, Sala
Princesa Isabel, Teatro Brás Cubas, Teatro Coliseu e
Teatro Guarany, os ingressos estarão à venda nos locais,
com uma hora de antecedência.
PRAIA GRANDE
Espaço Conviver Boqueirão
Av. Castelo Branco, s/nº. Boqueirão.
SÃO VICENTE
Praça Barão do Rio Branco, s/nº. Centro.
Legenda de Preços
Trabalhador do comércio, serviços e turismo
credenciado no Sesc e dependentes.
Aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com
deficiência, estudante e servidor de escola pública.
166 167
Ingresso Online
Os ingressos online estarão à venda, enquanto houver disponibilidade, até duas horas antes do início do espetáculo.
Os ingressos adquiridos através do Portal estarão
disponíveis para retirada nas unidades do Sesc até duas
horas antes do início do espetáculo. No Sesc Santos, poderão ser retirados no próprio dia, antes do início da sessão.
Para os espetáculos realizados em espaços externos,
os ingressos podem ser retirados no Sesc Santos até duas
horas antes do seu início. Após esse horário, deverão ser
retirados na bilheteria do próprio local de realização.
A retirada do ingresso online pelo responsável ou
pessoa indicada confirma o interesse pela compra, impossibilitando a devolução ou troca para outro horário,
dia ou espetáculo.
ATIVIDADES GRATUITAS
Para participar, verifique no Portal Sesc o local da atividade de sua escolha. Atividades gratuitas, exceto quando
sinalizadas, não requerem a retirada de ingressos.
COMPROVANTE PARA INGRESSOS COM DESCONTO
Credencial Plena do Sesc válida; carteirinha de
estudante (Umes, Ubes); carteirinha escolar do ano
ou semestre vigente ou comprovante de matrícula ou
pagamento da mensalidade; identificação funcional ou
holerite para servidores de escola pública; comprovante
de aposentadoria; documento de identidade para pessoas maiores de 60 anos.
FORMAS DE PAGAMENTO
Dinheiro, cartões Visa, Visa Electron, Mastercard,
Maestro, Redeshop, Diners Club International e Vale
Cultura (Ticket Cultura, Sodexo e Alelo).
RECOMENDAÇÃO ETÁRIA
Confira antecipadamente a classificação indicativa de
cada atividade.
Nas apresentações que sejam classificadas como
não recomendadas para menores de 18 anos, não será
admitido o ingresso de menores de 18 anos, mesmo que
acompanhados de pais ou responsáveis.
VARIAÇÕES CLIMÁTICAS
Atividades apresentadas ao ar livre poderão ser alteradas ou canceladas em caso de variações climáticas que
prejudiquem sua execução.
Informe-se em sescsp.org.br/mirada ou no Sesc Santos.
LEGENDAGEM
Os espetáculos internacionais serão apresentados com
legendas em português. Os espetáculos nacionais serão
apresentados com legenda em espanhol. Informe-se sobre os serviços de audiodescrição e tradução em Libras.
MAIS INFORMAÇÕES
sescsp.org.br/mirada
168 169
+ SESC
VOCÊ CONHECE O SESC?
Criado em 1946, administrado e mantido pelo empresariado do comércio, serviços e turismo, o Serviço Social
do Comércio realiza ações que têm por finalidade a
promoção do bem-estar social, o desenvolvimento
cultural e a melhoria da qualidade de vida do trabalhador do comércio, serviços e turismo, de sua família e da
comunidade em geral.
COMO PARTICIPAR?
Muitas atividades são abertas à população em geral,
mas só a Credencial Plena poderá das acesso à toda
programação e aos serviços do Sesc, incluindo o Centro
de Férias, os consultórios odontológicos e os cursos
físico-esportivos.
Todos os trabalhadores do comércio, serviços e
turismo com registro em carteira em empresas que
contribuem ao Sesc podem fazer uma Credencial Plena.
VOCÊ QUE É TRABALHADOR COM REGISTRO EM CARTEIRA
OU APOSENTADO NAS ÁREAS DE:
Comércio – Lojas, farmácias, shoppings, papelarias,
supermercados, lanchonetes, restaurantes, casas lotéricas, postos de combustíveis, lojas de departamentos
e outros.
Serviços – Hospitais particulares, laboratórios de
análises, vigilância/segurança, condomínios comerciais e residenciais, escolas particulares, veículos de
comunicação e publicidade, casas de saúde, clínicas e
consultórios médicos e outros.
Turismo – Hotéis, motéis, resorts, pousadas, campings,
agências de turismo e outros.
TÊM DIREITO TAMBÉM
Se o seu último registro em carteira for de uma empresa
do comércio, serviços e turismo e você está:
• desempregado há até 12 meses;
• em licença por motivos de saúde ou prestando
serviço militar.
FAÇA SUA CREDENCIAL PLENA
A Credencial Plena é feita, gratuitamente, na própria
empresa em que se trabalha ou em uma das unidades
do Sesc.
A Credencial Plena tem validade de um ano para
todo o território nacional. Na renovação, deve-se apresentar a carteira profissional.
REALIZAÇÃO
APOIO
PARCERIA
Município
de Santos
APOIO INSTITUCIONAL
COLÔMBIA