Josef Koudelka ou a Checoslováquia em Madrid

Сomentários

Transcrição

Josef Koudelka ou a Checoslováquia em Madrid
Josef Koudelka ou a Checoslováquia
em Madrid
PÚBLICO 18/09/2015 ­ 00:30
O histórico fotógrafo que mostrou como os tanques soviéticos
esmagaram a Primavera de Praga tem a sua maior retrospectiva de
sempre na Fundação Mapfre, até 29 de Novembro.
Será em Madrid, na Fundação Mapfre, que o fotógrafo de Praga vai ter a
sua maior retrospectiva de sempre, até 29 de Novembro. Uncertain
Nationality são mais de 150 obras de Josef Koudelka, um mundo
passado a preto e branco, a história de muitas histórias da política
europeia e não só, documentadas por uma lenda viva do fotojornalismo
que ficou conhecida pelo seu inultrapassável relato da invasão soviética
de Praga.
Koudelka (http://www.atgetphotography.com/The­
Photographers/Josef­Koudelka.html)tem hoje 77 anos e esteve na
apresentação da exposição para contar algumas dessas histórias.
“Durante 16 anos não tive passaporte, não trabalhei para ninguém,
estava sempre a viajar e passei noites incontáveis a dormir ao relento ou
à volta de fronteiras, à espera que a
polícia se fosse embora”, contou,
citado pelo Huffington Post, sobre
o exílio a que a exposição foi
buscar o seu título.
Nascido na então Checoslováquia,
(http://imagens0.publico.pt/imagens.aspx/978220?
formou­se em engenharia, sempre
tp=UH&db=IMAGENS)
enquanto fotografava, mas viu­se
Josef Koudelka
em Praga quando da invasão
soviética em Agosto de 1968.
Fotografaria corajosamente os tanques do Exército Vermelho, o choque
dos manifestantes, uma cidade e um país no cume da mudança. Os
negativos saíram do país, contrabandeados, e chegaram à agência
Magnum (http://www.magnumphotos.com/C.aspx?
VP3=SearchResult&ALID=2TYRYDYZIBFM), a sua casa de sempre,
tendo sido publicadas na revista do britânico Sunday Times sob as
iniciais do anónimo fotojornalista de Praga. Em 1970, Koudelka fugia
para o Reino Unido sob asilo político e só voltaria à Checoslováquia em
1990, três anos depois de ter obtido a nacionalidade francesa. Durante
este hiato, sentiu­se dessa nacionalidade incerta.
Pertencer a ninguém, a Estado algum, foi para Koudelka pertencer aos
migrantes, à paisagem que foi fotografando Europa fora – no pré e pós­
25 de Abril retratou Portugal obstinadamente, por exemplo a partir de
Fátima, até ser preso pela PIDE e voltar já após a revolução. De resto, os
seus grandes projectos ou séries, como Gypsies (1975) sobre os romani,
Exiles (1988) sobre essa não­pertença, documentam uma tensão entre a
reportagem e a autobiografia, identificam os curadores de Uncertain
Nationality, Matthew Witkovsky, e Richard e Ellen Sandor, do
Departamento de Fotografia do Art Institute de Chicago.
(http://imagens1.publico.pt/imagens.aspx/978221?tp=UH&db=IMAGENS)
Francia,1987 JOSEF KOUDELKA/MAGNUM PHOTOS
Uncertain Nationality começa pelo princípio, com os módulos Primeiros
Anos e Experiências entre 1958 e 62 a ilustrarem os países que a sua
alma de viajante levava a conhecer e as técnicas e formas de exposição
que testava. Uma das outras fases importantes do seu trabalho inicial
prendeu­se com as artes performativas – Teatro é, justamente, outro dos
núcleos, revelando a sua actividade como colaborador das companhias
teatrais checas Divadloza Branou e Divadlona Zábradlí. Exercitou a
repetição, a pré­visualização da imagem, sempre perto dos actores na
sala de ensaios e no palco, em movimento e a lidar com luzes mais
exigentes. Cinco décadas de fotojornalismo que se completam com
Panoramas, um território que sempre explorou e que o levou das
alterações da paisagem pela construção do Canal da Mancha ou, mais
recentemente, a Israel e à Palestina.
"Quando saí da Checoslováquia perdi qualquer coisa", dizia ao PÚBLICO
em 2005 (http://www.publico.pt/culturaipsilon/jornal/50­anos­de­
portugal­pela­magnum­cristo­e­o­grande­artista­27913) o fotógrafo
nómada, a cujo trabalho se juntam em Madrid documentos inéditos
sobre as transformações políticas na Europa dos anos 1960. Ganhou a
fuga aos estereótipos e muitos prémios de renome (Nadar, Cartier­
Bresson), manteve a dificuldade de falar sobre a sua fotografia. COMENTÁRIOS