história da fotografia

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história da fotografia
Plano de Aula: 14 - Fotografia documental
HISTÓRIA DA FOTOGRAFIA
Título
14 - Fotografia documental
Número de Aulas por Semana
2
Número de Semana de Aula
14
Tema
A fotografia documental e a transformação da realidade social e da natureza
Objetivos
Apresentar ao aluno as principais correntes documentais e seus expoentes. Refletir sobre a fotografia como instrumento de transformações sociais. Estrutura do Conteúdo
þ Uma das escolas de fotografia, se alinha ao trabalho de Henri Cartier-Bresson e sua teoria do “momento decisivo”, como foi visto na aula anterior. A fotografia de
acontecimentos, sejam conflitos armados, sejam outras situações fugidias, estão mais de acordo com a filosofia fotográfica do grande fotógrafo francês. þ August Sander (1876-1963) pode ser considerado um precursor de um outro tipo de registro, em que o fotógrafo se didica a um tema e o aprofunda, às vezes por toda a vida. Durante toda a sua carreira trabalhou no projeto Man in the Twentieth Century, fotografando o povo alemão, sem distinção de classes. Diversas vezes teve seu material perdido, apreendido e destruído, mas em 1951 exibe seu trabalho na primeira edição da exposição Photokina e em 1955 integra a exposição de Steichen.
þ Por
outro lado, Walker Evans, que foi considerado o bad boy da FSA, inspirou diversos fotógrafos que buscavam a liberdade para fotografar, sem as limitações de agências ou revistas. þ São abordagens que preconizam um mergulho no assunto.
W. Eugene Smith cobriu a II Guerra, foi ferido, e passou dois anos em tratamento. Sua primeira foto depois da hospitalização A Walk to Paradise Garden é uma de suas imagens memoráveis e foi escolhida para fechar a exposição Family of Man organizada por Edward Steichen em 1955.
Entre 1947 e 1954 produz ensaios fotográficos que redefinem a fotografia documental: Country Doctor, Hard Times on Broadway, Spanish Village, Southern Midwife, and
Man of Mercy sobre o Dr. Albert Schweitzer na Africa. A edição que Life deu a esse ensaio fez com que Smith se demitisse, pois a considerou superficial. Assumiu a
responsabilidade ética de fotógrafo, defendia o controle de todas as fases da reportagem. Estudava profundamente o tema antes de ir a campo e geralmente levava um mínimo de 3 meses para realizar uma documentação, produzindo documentários densos e aprofundados.
No final dos anos 1950 dedicou-se ao monumental ensaio sobre a cidade de Pittsburgh, o mais complexo e ambicioso feito por um único fotógrafo. Para o trabalho recebeu 2 vezes a bolsa Guggenheim Fellowship (1956-57 e 1958-59).
Seu projeto documental mais importante foi na pequena vila de pescadores japoneses Minamata, uma pequena baía no Japão contaminada por mercúrio e que provocou um enorme desastre ambiental. Smith fotografou os efeitos da contaminação por mercúrio nas pessoas, as crianças deformadas e a luta da população local por justiça. No total, mais de 900 pessoas morreram com dores terríveis devido ao envenenamento. Oficialmente foi reconhecido que 2.955 pessoas sofreram da doença de Minamata. A exemplo de seus antecessores Riis e Hine, Smith usava a fotografia para mobilização e prova nos tribunais. Suas fotos têm um acurado senso estético e são trabalhadas em laboratório, usava lentes olho de peixe imprimindo uma visão destorcida e angustiante da realidade, numa direta relação entre recursos técnicos e estéticos. þ O japonês Shisei Kuwabara (1936) também fotografou os trágicos resultados e publicou o livro Minamata.
þ O norte -americano Robert Frank (1924) tem abordagem documental diferente. Inicia sua carreira fazendo fotografia de moda para o Harper’s Bazaar e produz editoriais
na rua durante um ano, quando passa a viajar por vários países, trabalhando como free lancer. Odiava as histórias da Life com começo, meio e fim. Produziu Black,
White and Things um livro diferente dos foto-ensaios da Life e dos livros fotográficos da época. Sem narrativa nem ordem cronológica como em A night in London de Bill
Brandt (1938) e Day of Paris de André Kertész (1945), sem tema social como The English at Home, de Brandt (1936). Frank representa a Fotografia Contemporânea Crítica. Também participou da exposição de Steichen Family of Man. Frank não procura nenhuma justificativa moral, não há princípio meio e fim e não compactua com a ideia de que a fotografia é uma linguagem universal, não pretende registrar fatos importantes. Numa viagem pelos EUA Frank faz cerca de 20 mil fotos das quais seleciona 83 e em 1958 publica o trabalho Les Americanes na França e mais tarde com o título The Americans sai nos EUA, alvo de fortes controvérsias. þ Companheira de Frank no Family of Man Diane Arbus (1923-1971) também se dedicou a um “outro lado” da sociedade americana, os outsiders e freaks, marginais na
sociedade. Ao contrário dos seus contemporâneos adotou a câmera de médio formato Rolleiflex em detrimento das já tão populares 35 mm. Fotografando de Rolleiflex não perdia jamais o contato com o objeto fotografado, além de explorar o maior tamanho do negativo. Usava flash com luz do dia. þ Assim como Frank, Arbus usava a câmera para denunciar a insatisfação com frivolidade da sociedade mas não visava mudanças sociais. Essa atitude cética influenciará as próximas gerações de fotógrafos documentais. þ Outros destacados documentaristas influenciados por Frank e the Americans são Lee Friedlander (1934) e Garry Winogrand (1928-1984), ambos participantes
juntamente com Arbus e William Klein (1928) da exposição New Documents de 1967.
þ As fotos de Friedlander são um retrato impiedoso da sociedade americana, mas menos emocional que as de Frank. Seu trabalho é realizado em séries: ruas, flores,
árvores, jardins, paisagens, nus, retratos e auto retratos. Em meados dos anos 60 inicia o seu trabalho sobre monumentos americanos esquecidos American Monument
– 1976 com forte influência Walker Evans. þ Também influenciado por Evans e Frank, além de Cartier-Bresson, Garry Winogrand fotografava com Leica e grande angular fazendo inúmeras fotos que mal conseguia revelar, deixando cerca de 300 mil negativos. Seu primeiro livro The Animals foi feito no zoológico do Bronx e no aquário de Coney Island. Em Public Relations, de 1977,
fotografou eventos públicos, vernissages, entrevistas de imprensa, esportes e manifestações políticas. þ De uma geração posterior o tcheco Josef Koudelka (1938) começou a carreira como fotógrafo de teatro. A partir de 1967 se dedicou exclusivamente à fotografia, começando a registrar os ciganos europeus. Em agosto de 1968 acabara de retornar a Praga depois de fotografar ciganos na Romênia, quando ocorre a invasão da Estácio
de Sá
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tropas soviéticas. Suas fotografias da invasão que massacrou a Primavera de Praga e põe fim às reformas Tchecas saem clandestinamente do país e chegam à agência Magnum e são publicadas com a assinatura P. P. (Prague Photographer) para evitar perseguições ao fotógrafo e sua família. As imagens se tornaram um símbolo da þ De uma geração posterior o tcheco Josef Koudelka (1938) começou a carreira como fotógrafo de teatro. A partir de 1967 se dedicou exclusivamente à fotografia, começando a registrar os ciganos europeus. Em agosto de 1968 acabara de retornar a Praga depois de fotografar ciganos na Romênia, quando ocorre a invasão da tropas soviéticas. Suas fotografias da invasão que massacrou a Primavera de Praga e põe fim às reformas Tchecas saem clandestinamente do país e chegam à agência Magnum e são publicadas com a assinatura P. P. (Prague Photographer) para evitar perseguições ao fotógrafo e sua família. As imagens se tornaram um símbolo da truculência soviética e o fotógrafo recebeu a medalha de ouro Robert Capa pela coragem excepcional. Foram proibidas nos países de influência soviética.
þ Em 1970 consegue sair da Tchecoslováquia e em 1971 passa a integrar os quadros da Magnum, mas continuou vagando pela Europa, fotografando os ciganos, recebendo o apoio pessoal de Cartier-Bresson. Publicou seu primeiro livro, Gypsies, em 1975 e Exiles em 1988. Desde 1986 trabalha com câmeras panorâmicas, parte delas publicadas no livro Chaos de 1999. Voltou pela primeira vez à Tchecoslováquia em 1991 e produziu Black Triangle, sobre a natureza destruída do seu país. þ Koudelka jamais trabalhou com reportagem, mas suas fotografias são marcos documentais. þ A exemplo de Frank e seus seguidores não pretende nenhuma mudança social a partir de suas imagens, mas sua postura é menos crítica e desesperançada. Aplicação Prática Teórica
August Sander
http://www.masters-of-fine-art-photography.com/02/artphotogallery/photographers/august_sander_14.html
W. Eugene Smith http://www.masters-of-photography.com/S/smith/smith.html
Friedlander http://www.artnet.com/awc/lee-friedlander.html
Robert Frank http://www.cotianet.com.br/photo/great/robfra.htm
Diane Arbus http://www.masters-of-photography.com/A/arbus/arbus.html
Garry Winogrand http://www.masters-of-photography.com/W/winogrand/winogrand.html
William Klein http://www.masters-of-photography.com/K/klein/klein.html
Josef Koudelka
http://www.magnumphotos.com/Archive/C.aspx?VP=XSpecific_MAG.PhotographerDetail_VPage&l1=0&pid=2K7O3R135R3G&nm=Joseph%20Koudelka
DVD: A Pele (Fur: An Imaginary Portrait of Diane Arbus), EUA – 2007 – Direção Steven Shainberg
Estácio de Sá
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